PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA (PPMEC) UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI (UFSJ) INCORPORAÇÃO DE PARTÍCULAS DE POLIESTIRENO EXPANDIDO E RESINA EPÓXI EM COMPÓSITO CIMENTÍCIO Felipe Antônio Moni Soares São João Del-Rei, 10 de fevereiro de 2014 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA (PPMEC) UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI (UFSJ) INCORPORAÇÃO DE PARTÍCULAS DE POLIESTIRENO EXPANDIDO E RESINA EPÓXI EM COMPÓSITO CIMENTÍCIO Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Materiais e Processos de Fabricação da Universidade Federal de São João Del-Rei, como requisito para obtenção do título de Mestre em Engenharia Mecânica. Área de concentração: Materiais e processos de fabricação. Orientador: Prof. Dr. Kurt Strecker São João Del-Rei, 10 de fevereiro de 2014 Ficha catalográfica elaborada pelo Setor de Processamento Técnico da Divisão de Biblioteca da UFSJ Soares, Felipe Antônio Moni S676i Incorporação de partículas de poliestireno expandido e resina epóxi, em compósito cimentício [manuscrito] / Felipe Antônio Moni Soares. – 2014. 65f. ; il. Orientador: Kurt Strecker. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de São João del-Rei. Departamento de Engenharia Mecânica. Referências: f. 66-70. 1. Reciclagem - Teses 2. Cimento - Teses 3. Engenharia mecânica - Teses 4. Resina epóxi - Teses 5. Poliestireno expandido - Teses 6. Concreto - Teses I. Strecker, Kurt (orientador) II. Universidade Federal de São João del-Rei. Departamento de Engenharia Mecânica III. Título CDU: 620.1 i "Somente a sabedoria aliada ao conhecimento, pode significar felicidade, pois aprendemos como ocupar nossas mentes, eliminando o supérfluo.". Ivan Teorilang ii AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus por me dar fé, perseverança e saúde para chegar ao fim desta etapa. Aos meus pais, Antônio e Regina, que hora alguma mediram esforços para que eu pudesse adquirir conhecimento e alcançar meus objetivos. Ao Prof. Dr. Kurt Strecker, que como orientador e amigo soube cobrar, mas também não mediu esforços em oferecer todas as condições necessárias à realização do presente trabalho. Aos meus irmãos, Patrícia e André, pelo carinho, paciência e incentivo. A minha noiva Liliane, que esteve presente comigo em todas as etapas deste trabalho e me deu força para superar cada obstáculo que tive no percurso. Aos técnicos, Emílio e Francisco, pelo auxílio na execução dos ensaios mecânicos realizados na Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ). Aos colegas de mestrado, Ana Paula, Lívia, e Samuel, apoio técnico e moral recebido durante o desenvolvimento desse trabalho. A graduanda Laura Melo pelo auxílio durante as atividades executadas. Ao Programa de Mestrado em Materiais e Processos de Fabricação (PPMEC) da UFSJ por todo o auxílio prestado. iii DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a todos aqueles, que em horas difíceis pensaram em desistir, porém com fé, perseverança e coragem, conseguiram superar as dificuldades atingindo seus objetivos e suas realizações. iv RESUMO O poliestireno expandido – EPS é um plástico rígido com inúmeras aplicações, porém quando descartado acaba em aterros sanitários, pois seu processo de reciclagem é inviável devido ao alto custo. Este trabalho objetiva investigar o efeito da adição de resina epóxi em teores de 25% e 35% em relação ao cimento e de esferas de EPS (0, 20, 50 e 80%), com granulometria de a 04 -05 US-Tyler nas propriedades físico-mecânicas de compósitos cimentícios. A metodologia experimental está embasada na abordagem estatística de planejamento e análise experimental das seguintes variáveis respostas: resistência à compressão, porosidade aparente, densidade aparente, densidade volumétrica e absorção de água após 28 dias de cura. Para análise dos resultados os compósitos foram separados em 03 grupos, visando à avaliação da variação de EPS (0%, 20%, 50% e 80%) em 03 situações, sendo a primeira 75% de cimento e 25% de resina epóxi, a segunda 65% de cimento e 35% de resina epóxi, e a terceira com 100% de cimento e 0% de resina epóxi. PALAVRAS - CHAVE: reciclagem, poliestireno expandido, concreto leve. v ABSTRACT The expanded polystyrene - EPS is a rigid plastic with numerous applications , but when disposed ends up in landfills because its recycling process is not feasible due to high cost . This study aims to investigate the effect of addition of epoxy resin in amounts of 25% and 35 % compared to the cement beads and EPS (0, 20, 50 and 80 %) with a particle size of 04-05 Tyler US- the physico - mechanical properties of cementitious composites. The experimental methodology is grounded in statistical planning approach and experimental analysis answers the following variables: compressive strength , apparent porosity , bulk density , bulk density and water absorption after 28 days of curing . To analyze the results the composites were divided into 03 groups , in order to evaluate the variation of EPS ( 0 % , 20 % , 50 % and 80 % ) in 03 cases , the first 75 % cement and 25% epoxy resin being the second 65 % cement and 35 % epoxy resin , and third with 100% 0% cement and epoxy resin. KEYWORDS: recycling, expanded polystyrene, lightweight concrete. vi LISTA DE FIGURAS Figura 2.1. Extração de matéria prima do cimento 5 Figura 2.2. Sistema de moagem e cozimento 6 Figura 2.3. Forno rotativo 6 Figura 2.4. Estocagem e transporte do cimento 7 Figura 2.5. Resistência à compressão do isopor 17 Figura 2.6. Síntese de formação da resina epóxi 20 Figura 5.1. Mistura manual entre pasta de cimento, isopor e resina 29 Figura 5.2. Geometria e dimensões dos corpos de prova 32 Figura 5.3. Corpos de prova ensacados 33 Figura 5.4. Corpos durante o ensaio de compressão 34 Figura 5.5. Análise superficial 35 Figura 5.6. Compósitos fabricados com cimento, resina epóxi e isopor 35 Figura 6.1. Densidade volumétrica de C1 a C4 44 Figura 6.2. Densidade volumétrica de C5 a C8 45 Figura 6.3. Densidade volumétrica de C9 a C12 46 Figura 6.4. Densidade aparente de C1 a C4 48 Figura 6.5. Densidade aparente de C5 a C8 49 Figura 6.6. Densidade aparente de C9 a C12 50 Figura 6.7. Porosidade aparente de C1 a C4 52 vii Figura 6.8. Porosidade aparente de C5 a C8 53 Figura 6.9. Porosidade aparente de C9 a C12 54 Figura 6.10. Absorção de água de C1 a C4 56 Figura 6.11. Absorção de água de C5 a C8 57 Figura 6.12. Absorção de água de C9 a C12 58 Figura 6.13. Resistência à compressão de C1 a C4 60 Figura 6.14. Resistência à compressão de C5 a C8 61 Figura 6.15. Resistência à compressão de C9 a C12 62 viii LISTA DE TABELAS Tabela 2.1. Composição dos cimentos Portland comum e composto Tabela 2.2. Apresenta a composição desses tipos de cimentos normatizados no Brasil 8 9 Tabela 2.3. Composição do cimento Portland de alta resistência 10 Tabela 2.4. Dados orientativos 21 Tabela 2.5. Formulações 21 Tabela 5.1. Fatores e níveis do experimento 30 Tabela 5.2. Tabela planejamento fatorial completo 31 Tabela 6.1. Análise da variância (ANOVA) 37 Tabela 6.2. Densidade volumétrica dos compósitos cimentícios 38 Tabela 6.3. Densidade aparente dos compósitos cimentícios 39 Tabela 6.4 Porosidade aparente dos compósitos cimentícios 40 Tabela 6.5. Resistência à compressão dos compósitos cimentícios 41 Tabela 6.6. Absorção de água dos compósitos cimentícios 42 Tabela 6.7. Resistência específica dos compósitos 43 ix Tabela 6.8. Teste Tukey densidade volumétrica de C1 a C4 45 Tabela 6.9. Teste Tukey densidade volumétrica de C5 a C8 46 Tabela 6.10. Teste Tukey densidade volumétrica de C9 a C12 47 Tabela 6.11. Teste Tukey densidade aparente de C1 a C4 48 Tabela 6.12. Teste Tukey densidade aparente de C5 a C8 49 Tabela 6.13. Teste Tukey densidade aparente de C9 a C12 50 Tabela 6.14. Teste Tukey porosidade aparente de C1 a C4 52 Tabela 6.15. Teste Tukey porosidade aparente de C5 a C8 53 Tabela 6.16. Teste Tukey porosidade aparente de C9 a C12 54 Tabela 6.17. Teste Tukey absorção de água de C1 a C4 56 Tabela 6.18. Teste Tukey absorção de água de C5 a C8 57 Tabela 6.19. Teste Tukey absorção de água de C9 a C12 58 Tabela 6.20. Teste Tukey resistência à compressão de C1 a C4 60 Tabela 6.21. Teste Tukey resistência à compressão de C1 a C4 61 Tabela 6.22. Teste Tukey resistência à compressão de C1 a C4 62 x LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ABNT: Associação Brasileira de Normas Técnicas; ANOVA: Análise de Variância; BS: Normas Britânicas de Regulamentação; CP: Cimento Portland; CPI: Cimento Portland Comum; CPII: Cimento Portland Composto; CPIII: Cimento Portland Alto forno CPIV: Cimento Portland Pozolânico CPV-ARI: Cimento Portland de Alta Resistência; CFC: Clorofluorcarbono; C3S: Silicato Tricálcico; DOE: Design of Experiment (Desenho do Experimento) EPS: Earnigs per Share (Poliestireno Expandido) HCFC: Hidroclorofluorcarbonos; Minitab: Software para análises estatísticas; NBR: Normas Brasileiras de Regulamentação; P-valor: Estatística utilizada para sintetizar o resultado de um teste de hipóteses; PVC: Policloreto de polivinila (plástico); UFSJ: Universidade Federal de São João Del-Rei; US-Tyler: Tamanho de malha para seleção; xi LISTA DE SÍMBOLOS K: kilo (mil unidades da grandeza); mm: unidade de medida definida como um milésimo de metro; m: unidade de medida de comprimento; Mol: Quantidade de matéria que compõem alguma substância; µm: É um submúltiplo do metro, unidade de comprimento; ºC: Medida de temperatura; M: Mega (um milhão de unidades da grandeza); M1: Massa do compósito seco; M2: Massa do corpo de prova úmido M3: Massa do corpo de prova imerso em água P: Porosidade; Aa: Absorção de água; Dap: Densidade aparente Dv: Densidade volumétrica xii SUMÁRIO INTRODUÇÃO..............................................................................................................................1 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.......................................................................................................2 2.1 Cimento Portland......................................................................................................................2 2.2 Concreto.................................................................................................................................13 2.3 Concreto leve..........................................................................................................................15 2.4 Poliestireno expandido...........................................................................................................15 2.5 Resina Epóxi...........................................................................................................................20 2.6 Concreto com adição de poliestireno expandido (EPS) e resina epóxi..................................23 OBJETIVOS.................................................................................................................................26 3.1 Geral.......................................................................................................................................26 3.2 Específicos..............................................................................................................................26 JUSTIFICATIVA.........................................................................................................................27 MATERIAIS E MÉTODOS.........................................................................................................29 5.1 Seleção das variáveis respostas..............................................................................................29 5.2 Fabricação dos materiais........................................................................................................29 5.3 Fabricação dos corpos de prova.............................................................................................33 RESULTADOS E DISCUSSÕES................................................................................................37 6.1 Densidade volumétrica...........................................................................................................45 6.2 Densidade aparente.................................................................................................................48 6.3 Porosidade aparente................................................................................................................52 6.4 Absorção de água...................................................................................................................56 6.5 Resistência à compressão.......................................................................................................60 CONCLUSÕES............................................................................................................................65 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................................67 1 Capítulo 1 INTRODUÇÃO Desde os primórdios a humanidade desenvolve novas tecnologias para aprimorar sua forma de vida, entre elas muitas foram direcionadas para melhorar sua moradia, essas novas tecnologias vieram aliadas de novas ideias e focando em utilizar materiais leves e resistentes com a finalidade de substituir os materiais usados tradicionalmente, isso proporciona redução de custos e desenvolvimento de uma nova matéria-prima. Diversos materiais estão ganhando espaço no ramo da construção civil, dentre eles se encontram a Resina Epóxi e o Poliestireno Expandido. O poliestireno devido ao seu baixo peso é utilizado como agregado durante a fabricação de concretos de baixa densidade para aplicação na construção civil tais como revestimento de painel, muros, pisos e blocos de concreto. O volume de resíduos de EPS gerado vem se tornando uma grande preocupação, buscando-se possíveis aplicações deste material em concretos e argamassas, verificando-se as alterações nas propriedades e apresentando possibilidade e utilização como concreto para contrapiso e blocos de argamassa com ou sem função estrutural. O concreto é o material mais consumido na fabricação de calçadas e nem sempre satisfaz as características exigidas no projeto. Para melhorar certas características como densidade e elasticidades, a adição de partículas de poliestireno expandido (EPS) em conjunto com a resina epóxi tem se mostrado promissora, e grande aliada à construção civil, a adição desses dois elementos com cimento teve início na década de 70, porém nessa ultima década ganhou força em diversas frentes de pesquisa. Este projeto de pesquisa visa investigar o efeito da adição de EPS juntamente com a resina epóxi, nas propriedades físico-mecânicas de compósitos cimentícios. 2 Capítulo 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 CIMENTOS PORTLAND A palavra cimento é originada do latim caementu, que designava na velha Roma espécie de pedra natural de rochedos e não esquadrejada. Estima-se que a origem do cimento remonta há cerca de 4.500 anos. As grandes obras gregas e romanas, como o Panteão e o Coliseu, foram construídas com o uso de solos de origem vulcânica da ilha grega de Santorino ou das proximidades da cidade italiana de Pozzuoli, que possuíam propriedades de endurecimento sob a ação da água. O grande passo no desenvolvimento do cimento foi dado em 1756 pelo inglês John Smeaton, que conseguiu obter um produto de alta resistência por meio de calcinação de calcários moles e argilosos. Em 1818, o francês Vicat obteve resultados semelhantes aos de Smeaton, pela mistura de componentes argilosos e calcários, o que fez com que ficasse conhecido como o inventor do cimento artificial. Em 1824, o construtor inglês Joseph Aspdin queimou conjuntamente pedras calcárias e argila, transformando-as num pó fino e percebeu que obtinha uma mistura que, após secar, tornava-se tão dura quanto às pedras empregadas nas construções. A mistura não se dissolvia em água e foi patenteada pelo construtor no mesmo ano, com o nome de cimento Portland, que recebeu esse nome por apresentar cor e propriedades de durabilidade e solidez semelhantes às rochas da ilha britânica de Portland. No Brasil, em 1924, com a implantação pela Companhia Brasileira de Cimento Portland de uma fábrica em Perus, no estado de São Paulo, cuja construção pode ser considerada como o marco da implantação da indústria brasileira de cimento. As primeiras toneladas foram produzidas e colocadas no mercado em 1926. Até então, o consumo de cimento no país dependia exclusivamente do produto importado. A produção nacional foi gradativamente elevada com a implantação de novas fábricas e a participação de produtos importados oscilou durante as décadas seguintes. Há tempos havia no Brasil, praticamente, um único tipo de cimento portland. Com a evolução dos conhecimentos técnicos sobre o assunto, foram sendo fabricados novos 3 tipos. A maioria dos tipos de cimento portland hoje existente no mercado serve para o uso geral, sendo alguns deles, com certas características e propriedades que os tornam mais adequados para determinados usos, permitindo que se obtenha um concreto ou uma argamassa com a resistência e durabilidade desejadas. (www.cimento.org, 2012) A composição química do cimento Portland é o produto obtido pela pulverização do clínquer constituído essencialmente de silicatos de cálcio, contendo, eventualmente, adições de algumas substâncias que modificam suas propriedades ou facilitam seu emprego. Os constituintes fundamentais do cimento portland são a cal (CaO), a sílica (SiO2), a alumina (Al2O3), o óxido de ferro (Fe2O3), certa proporção de magnésia (MgO) e uma pequena porcentagem de anidrido sulfúrico (SO3). Têm ainda, como constituintes menores, impurezas, sódio, potássio, óxido de titânio, e outras substâncias de menor importância. Os óxidos de potássio e de sódio constituem os denominados álcalis do cimento, cal, sílica, alumina e óxido de ferro são os componentes essenciais do cimento portland e constituem 95 a 96% do total na análise de óxidos. A magnésia, que parece permanecer livre durante todo o processo de calcinação, esta usualmente na proporção de 2 a 3%. As propriedades do cimento são, entretanto, relacionadas diretamente com as proporções dos silicatos e aluminatos. (www.ebah.com.br, 2012). As características fundamentais dos principais óxidos: Óxido de cálcio – CaO: é o componente essencial do Cimento Portland, ele se dá através da decomposição do carbonato de cálcio (CaCO3), proveniente do calcário. O óxido de cálcio combinado com a sílica sofre um aumento em seu teor, melhorando as propriedades mecânicas do cimento. O óxido de cálcio livre, não combinado, raramente está presente em quantidades significativas do cimento Portland moderno. A má distribuição das matérias-primas, moagem e homogeneização inadequadas e a temperatura ou tempo de permanência insuficientes na zona de calcinação do forno, estão entre os principais fatores que contribuem para a presença de óxido de cálcio livre ou cristalino no clínquer Portland. O óxido de cálcio livre, no forno, durante a fabricação do clínquer Portland, exposto a altas temperaturas, hidrata-se lentamente e esta reação de hidratação é capaz de provocar a deterioração dos concretos, pois ocorre um aumento de volume (expansibilidade). Sílica (SiO2): aparece combinada com outros componentes e provém quase que totalmente das argilas usadas como matéria-prima. A sua combinação com a cal fornece os compostos mais importantes do cimento Portland. 4 Alumina (Al2O3): provém da argila, em combinação com a cal forma um composto que acelera a pega do cimento reduzindo sua resistência aos sulfatos, e aumenta o calor de hidratação, devendo este composto estar presente em teor baixo. Óxido de Ferro (Fe2O3): este óxido trazido pela argila, quando em porcentagem não muito elevada, age como fundamento com ação mais enérgica do que a alumina. Além disso, é o grande responsável pela cor verde acinzentada do cimento Portland. Anidro Sulfúrico (SO3): é originário principalmente do sulfato de cálcio que é acrescentado ao cimento para regular (retardar) sua pega. Seu teor é geralmente limitado por normas em 3%, pois em excesso ajuda a aumentar a expansibilidade do cimento endurecido. Magnésio (MgO): provém do carbonato de magnésio, presente no calcário sob forma de dolomita ou ainda pode vir em pequenas quantidades na argila. Em quantidades elevadas, atua como óxido expansivo, prejudicando a estabilidade de volume das argamassas e concreto. Também colabora para a cor verde acinzentada do cimento Portland. Outros Óxidos: Álcalis (K2O e Na2O): agem como fundentes no cozimento e como aceleradores no processo de pega. Se o teor de álcalis superar 0,6%, para certos agregados de composição determinada, poderá haver expansibilidade acentuada nas argamassas. Perda ao Fogo (de CO2 e H2O): são perdas em gás carbônico e água que se verificam em % do peso do cimento levado a 1.000ºC. A umidade absorvida retarda a pega. Insolúveis no HCl: fornece indicações sobre a eficiência da cozedura. Pó calcário sofre uma transformação medida pelo teor de gás carbônico, pelo volume de gás formado, pode-se calcular o calcário (CaO3) adicionado. Adicionado silicatos sob a forma de pó de pedra, crescerá o teor de insolúvel. Tanto o calcário como os silicatos podem ser adicionados ao cliquer ou serem originários do cozimento insuficientes e são materiais inertes e, portanto prejudicial ao cimento. O teor de insolúvel é limitado em 1% pelas normas brasileiras. Existem também outros compostos eventuais: óxidos de cromo, vanádio, manganês, alumínio, zircônio e sulfetos. Para o processo de fabricação do cimento, temos dois métodos utilizados, sendo um o processo úmido e o outro o processo seco, em ambos os processos a matéria prima é extraída das minas e levada ao processo de britagem, nesta etapa, surge à diferença entre os dois processos, que se dá na moagem, mistura e queima. No processo úmido a 5 mistura é moída com a adição de aproximadamente 40% de água, e entra no forno rotativo sob a forma de uma pasta de lama, e no processo seco a mistura é moída totalmente seca e alimenta o forno em forma de pó. Para secar a mistura no moinho aproveitam-se os gases quentes do forno ou gerador de calor. Em ambos os métodos são produzidos o clínquer, e o produto final também é igual nos dois casos, porém o processo a seco economiza combustível, uma vez que não possui água para evaporar no forno, visto que um forno de via úmida consome em média cerca de 1400 Kcal/Kg de clínquer, contra 800 Kcal/Kg do forno de via seca. A matéria prima que dá início ao processo fabril do cimento é feita através da exploração das matérias primas de uma pedreira no qual deve conter determinadas proporções de: Cálcio, sílica, alumina e ferro (Figura 2.1). Figura 2.1: Extração de matéria prima do cimento. Os clíncleres são nódulos de 5 a 25 mm de diâmetro de um material sintetizado, produzido quando uma mistura de matérias-primas de composição pré-determinada á aquecida a altas temperaturas. Para facilitar a formação dos compostos desejados no clínquer de cimento Portland é necessário que a mistura de matérias-primas esteja bem homogeneizada antes do tratamento térmico. Isto explica porque os materiais extraídos tem que ser submetidos a uma série de operações de britagem, moagem e mistura. A partir da análise química das pilhas de materiais estocados, as suas proporções individuais são determinadas pela composição desejada no produto final; as matériasprimas proporcionadas são geralmente moídas em moinho de bolas (Figura 2.2) ou rolo, 6 a mistura assim obtida é também denominada farinha, geralmente menores que 75 μm (MEHTA, 1994). Figura 2.2: Sistema de moagem e cozimento Após o processo de moagem do cimento, a farinha obtida é submetida a um préaquecimento. Filtros de mangas ou eletrofiltros realizam a dispersão das poeiras oriundas dos circuitos de gases do forno e do circuito de gases de exaustão do moinho de cru. A partir daí a farinha alimentada ao forno sofre descarbonização e é transformada em clínquer através de uma série de reações químicas que se desenrolam em torno dos 1450ºC. O clínquer incandescente é arrefecido bruscamente no arrefecedor de grelha ou de satélite, em consequência de arrefecimento brusco até uma temperatura entre os 100 e 200ºC é enviado para a respectiva zona de armazenagem (MEHTA, 1994). Figura 2.3: Forno Rotativo 7 Por fim o cimento é colocado nos Silos, sob a forma de granel, a partir desse momento ele é embalado em sacos de 25 a 50 Kg, e depois transferido para locais de aplicação ou pontos de venda (Figura 2.4). Figura 2.4: Estocagem e transporte do cimento. Existem no Brasil vários tipos de cimento portland, diferentes entre si, principalmente em função de sua composição. Os principais tipos oferecidos no mercado, ou seja, os mais empregados nas diversas obras de construção civil são: • Cimento Portland comum; • Cimento Portland composto; • Cimento Portland de alto-forno; • Cimento Portland pozolânico. Em menor escala são consumidos, seja pela menor oferta, sejam pelas características especiais de aplicação os seguintes tipos de cimento: • Cimento Portland de alta resistência inicial; • Cimento Portland resistente aos sulfatos; • Cimento Portland branco; • Cimento Portland de baixo calor de hidratação; • Cimento para poços petrolíferos. 8 Todos os tipos de cimento mencionados são regidos por normas da ABNT, que dispõe de escritórios ou representações espalhados pelo País, nos quais poderão ser adquiridas (ABREU, 2001). Cimentos Portland Comuns e Compostos: o primeiro cimento portland lançado no mercado brasileiro foi o conhecido CP, correspondendo atualmente ao CP I, um tipo de cimento portland comum sem quaisquer adições além do gesso (utilizado com o retardador da pega). Ele acabou sendo considerado na maioria das aplicações usuais como termo de referência para comparação com as características e propriedades dos tipos de cimento posteriormente aparecidos. Foi a partir do amplo domínio científico e tecnológico sobre o cimento portland comum que se puderam desenvolver outros tipos de cimento, com o objetivo inicial de atender a casos especiais. Com o tempo verificou-se que alguns desses cimentos, inicialmente imaginados como especiais, tinham desempenho equivalente ao do cimento portland comum original, atendendo plenamente às necessidades da maioria das aplicações usuais e apresentando, em muitos casos, inclusive, alguma vantagem adicional. A partir dos bons resultados dessas conquistas e a exemplo de países tecnologicamente mais avançados, como os da União Europeia, surgiu no mercado brasileiro em 1991 um novo tipo de cimento, o cimento portland composto, cuja composição é intermediária entre os cimentos portland comuns e os cimentos portland com adições (alto-forno e pozolânico), estes últimos já disponíveis há algumas décadas. Tabela 2.1- Composição dos cimentos portland comuns e compostos (GUIA DE UTILIZAÇÃO DO CIMENTO PORTLAND, 2002). 9 Cimentos Portland de Alto-Forno e Pozolânicos: o consumo apreciável de energia durante o processo de fabricação de cimento motivou mundialmente a busca, pelo setor, de medidas para diminuição do consumo energético. Uma das alternativas de sucesso foi o uso de escórias granuladas de alto-forno e materiais pozolânicos na composição dos chamados cimentos portland de alto-forno e pozolânicos, respectivamente. Tabela 2.2 - Apresenta a composição desses tipos de cimento normalizados no Brasil (GUIA DE UTILIZAÇÃO DO CIMENTO PORTLAND, 2002). Como já explicado, as escórias granuladas de alto-forno apresentam propriedades hidráulicas latentes, isto é, da forma como são obtidas endurecem quando misturadas com água. Contudo, as reações de hidratação das escórias são tão lentas que limitam sua aplicação prática a agentes ativadores, químicos e físicos, a fim de acelerar o processo de hidratação. A cal liberada durante a hidratação do clínquer é o principal ativador químico da escória quando esta é adicionada ao cimento, a ativação física é conseguida pelo aumento da finura, esta ativação se dá ao passo que a escória é moída separada ou conjuntamente com o clínquer. Os materiais pozolânicos, ao contrário das escórias granuladas de alto-forno, não reagem com a água da forma como são obtidos. Entretanto, quando finamente divididos, reagem com o hidróxido de cálcio em presença de água e na temperatura ambiente, dando origem aos compostos com propriedades aglomerantes. Por essa razão, os materiais pozolânicos são utilizados conjuntamente com o clínquer, pois o hidróxido de cálcio é um produto normalmente resultante da hidratação deste. 10 A adição de escória e materiais pozolânicos modifica a microestrutura do concreto, diminuindo a permeabilidade, a difusibilidade iônica e a porosidade capilar, aumentando a estabilidade e a durabilidade do concreto. Tais fatores repercutem diretamente no comportamento do concreto, melhorando seu desempenho ante a ação de sulfatos e da reação álcali-agregado. Outras propriedades são também alteradas, incluindo a diminuição do calor de hidratação, o aumento da resistência à compressão em idades avançadas tendo uma melhor trabalhabilidade. Cimento Portland de Alta Resistência Inicial: o cimento portland de alta resistência inicial (CP V-ARI) embora contemplado pela ABNT com uma norma separada do cimento portland comum, é na verdade um tipo particular deste, que tem a peculiaridade de atingir altas resistências já nos primeiros dias da aplicação. O desenvolvimento da alta resistência inicial é conseguido pela utilização de uma dosagem diferente de calcário e argila na produção do clínquer, bem como pela moagem mais fina do cimento, de modo que, ao reagir com a água, ele adquira elevadas resistências, com maior velocidade. Tabela 2.3 – Composição do cimento portland de alta resistência (GUIA DE UTILIZAÇÃO DO CIMENTO PORTLAND, 2002). Cimento Portland Branco: tem as mesmas aplicações do cimento cinza, mas se diferencia deste por não levar minério de ferro na fabricação, o que garante sua cor branca. Pode ser de aplicação estrutural e não estrutural. As influências dos tipos de cimento nas argamassas e concretos são relativas, podendo-se ampliar ou reduzir seu efeito através do aumento ou diminuição da quantidade de seus componentes, sobretudo a água e o cimento. As características dos demais componentes, que são os agregados (areia, pedra britada, pó de pedra, etc.), também poderão alterar o grau de influência, sobretudo se contiverem matérias 11 orgânicas (folhas, raízes, etc.). Finalmente, podem-se usar aditivos químicos para reduzir certas influências ou aumentar o efeito de outras, quando desejado ou necessário. Tudo isso leva à conclusão de que é necessário estudar a dosagem ideal dos componentes das argamassas e concretos a partir do tipo de cimento escolhido ou disponível na praça, de forma a estabelecer uma composição que dê o melhor resultado ao menor custo. A dosagem deve obedecer a métodos racionais comprovados na prática e que respeitem as normas técnicas aplicáveis e o uso dos aditivos deve seguir as instruções do seu fabricante. Além disso, é fundamental fazer corretamente a mistura e a cura das argamassas e dos concretos. O adensamento e a cura mal feitos são as principais causas de defeitos e problemas que surgem nas argamassas e nos concretos, como baixa resistência, as trincas e fissuras, a corrosão da armadura etc. O bom adensamento é obtido por vibração adequada. O principal cuidado que se deve tomar para obter uma cura correta é manter as argamassas e os concretos úmidos após a pega, molhando-os com uma mangueira ou com um regador, ou então os cobrindo com sacos molhados (de aniagem ou do próprio cimento), ou até colocando tábuas ou chapas de madeira molhadas sobre a superfície, de modo a impedir a evaporação da água por ação do vento e do calor do sol durante um período mínimo de sete dias (Associação Brasileira de Cimento Portland, 2002). O cimento Portland é um sistema químico formado por compostos, instáveis na presença da água, e que se hidratando, transformam-se em novo sistema estável e hidratado. Os compostos anidros, sendo sempre mais solúveis que os compostos hidratados, quando em presença de água insuficiente para dissolvê-los inteiramente, dissolvem-se até a saturação. Assim sendo, a solução dos compostos anidros é supersaturada em relação aos compostos hidratados, a cristalização espontânea desta solução supersaturada constitui a “Pega”. No processo de pega e endurecimento, a reação com a água produz rapidamente uma capa superficial de produtos de hidratação envolvendo cada partícula (NELSON, 1990). Os produtos de hidratação ocupam um espaço significativo em função do tamanho das partículas bem como em função do líquido que as envolve, uma vez a combinação de ambos produzem partículas com dimensões coloidais, embora alguns cristais de hidróxido de cálcio também estejam presentes em menores proporções. Com o progresso da reação, as camadas dos produtos de hidratação se estendem e começam a 12 se unir de tal maneira que se forma um gel nos espaços intergranulares, correspondendo à fase plástica da pasta (TAYLOR, 1997). À medida que a reação progride, as partículas existentes entre os grãos aumentam e vão se apertando progressivamente, até que o material possa ser considerado como uma massa de partículas em contato mútuo. As partículas cristalinas estão disseminadas através de gel, e também se formam nos poros por recristalização. Progressivamente, o gel se cristaliza e o cimento endurece (MEHTA e MONTEIRO, 2001). Diversos tipos de compósitos poliméricos cimentícios foram revisados (Y. OHAMA, 1997) (D.VAN GEMERT e H. SCHORN, 1995). De um modo geral, um percentual de água é adicionado aos compósitos com o intuito de promover a hidratação dos grãos cimentícios. O presente trabalho difere dos demais, uma vez que investiga o efeito da adição de um polímero termorrígido de alta resistência mecânica à fase cimentícia sem adição de água. Somente uma formulação de referência, isto é, pasta de cimento puro, será confeccionada com água para efeito de comparação. 2.2 CONCRETO Sobre história do concreto, os primeiros materiais a serem empregados nas construções antigas foram à pedra natural e a madeira, por estarem disponíveis na natureza. O material considerado ideal para as construções é aquele que apresenta conjuntamente as qualidades de resistência e durabilidade. A pedra, muito usada nas construções antigas, tem resistência à compressão e durabilidade muito elevadas, porém, tem baixa resistência à tração. A madeira tem razoável resistência, mas a durabilidade é limitada. O ferro e o aço têm resistência elevada, mas a durabilidade também é limitada em consequência da corrosão que podem sofrer. O concreto surgiu da necessidade de aliar a durabilidade da pedra com a resistência do aço, com as vantagens do material composto poder assumir qualquer forma, com rapidez e facilidade, e com o aço envolvido e protegido pelo concreto para evitar a sua corrosão. Os materiais de construção feitos à base de cimento, chamados “materiais cimentícios”, podem ser considerados os materiais mais importantes produzidos pelo homem, porque lhe possibilitou construir as edificações e todas as principais obras de que necessitava para viver, como por exemplo, as habitações, fortificações, aquedutos, barragens, obras sanitárias, pontes, rodovias, escolas, hospitais, 13 teatros, igrejas, museus, palácios, entre tantos outros tipos de construção. A abundância das matérias primas em quase todas as regiões, somada à sua grande versatilidade para aplicação nas mais variadas formas, foram os principais motivos para o seu desenvolvimento, desde os tempos primórdios até a atualidade. Na antiguidade foram os romanos os que mais se destacaram na aplicação dos concretos e argamassas, que lhes possibilitou criar espaços amplos em forma de arco, abóbadas e cúpulas, de grandes dimensões. Combinando o concreto da época com tijolos de argila, pedra e outros materiais naturais, conseguiram produzir obras magníficas, inéditas até aquele período, que trouxeram grande desenvolvimento e revolucionaram a arquitetura da época. O concreto é um material de construção resultante da mistura, em quantidades racionais, de aglomerante (cimento), agregados (pedra e areia) e água. Logo após a mistura o concreto deve possuir plasticidade suficiente para as operações de manuseio, transporte e lançamento em formas, adquirindo coesão e resistência com o passar do tempo, devido às reações que se processam entre aglomerante e água. Em alguns casos são adicionados aditivos que modificam suas características físicas e químicas. Aglomerantes: o cimento é um material cerâmico que, em contato com a água, produz reação exotérmica de cristalização de produtos hidratados, ganhando assim resistência mecânica. É o principal material de construção, usado como aglomerante. Agregado Moído: a areia usada como agregado miúdo para emprego em argamassas e concretos pode ser classificada como natural (rios, minas, várzeas) e artificial (resíduo fino de pedreiras – pó de pedra). A areia é extraída em unidades de mineração chamadas de areais ou portos de areia, podendo ser encontrada no leito de rios, depósitos lacustres, veios de areia subterrâneos (minas) ou de dunas. Agregado Graúdo é obtido em uma unidade industrial / mineradora chamada pedreira, onde ocorre a desintegração, por explosão controlada, da rocha que dá origem à brita. Após a detonação da rocha matriz, grandes matacos são transportados para serem triturados em equipamento chamado britador. Por fim, a brita é passada em peneiras onde é classificada de acordo com sua granulometria. Aditivos: os aditivos são produtos que, adicionados em pequena quantidade aos concretos de cimento Portland, modificam algumas propriedades, no sentido de melhorar esses concretos para determinadas condições. Os principais tipos de aditivos são: plastificantes (P), retardadores de pega (R), aceleradores de pega (A), plastificantes retardadores (PR), plastificantes aceleradores (PA), incorporadores de ar (IAR), super 14 plastificantes (SP), super plastificantes retardadores (SPR) e super plastificantes aceleradores (SPA). Adições: As adições constituem materiais que, em dosagens adequadas, podem ser incorporados aos concretos ou inseridos nos cimentos ainda na fábrica, o que resulta na diversidade de cimentos comerciais. Com a alteração da composição dos cimentos pela incorporação de adições, é comum eles passarem a ser denominados aglomerantes. Os exemplos mais comuns de adições são: escória de alto forno, cinza volante, sílica ativa de ferro-silício e metacaulinita. 2.3. CONCRETO LEVE Os concretos leves são reconhecidos pelo seu reduzido peso específicos e elevada capacidade de isolamento térmico e acústico (SHORT e KINNIBURGH, 1978). Enquanto os concretos simples têm densidade variando entre 2300 e 2500 kg/m³, os leves chegam a atingir densidades próximas a 500 kg/m³. Cabe lembrar que a diminuição da densidade afeta diretamente a resistência do concreto. Os concretos leves mais utilizados são os celulares e os produzidos com agregados leves, como poliestireno expandido, vermiculita e argila expandida. Segundo Mehta e Monteiro, 1994, tanto para o concreto leve como para o concreto normal, as propriedades não diferem tanto, porém, devem-se tomar alguns cuidados com a trabalhabilidade, evitando desta forma a segregação dos materiais. Devido à textura áspera e a baixa densidade dos agregados, os trabalhos de lançamento, compactação e acabamento necessitam de menor esforço e, por conseguinte, necessitam de menor abatimento. No caso de um alto abatimento e vibração excessiva, ocorrerá um fenômeno chamado flutuação do agregado graúdo, aonde a argamassa, pela maior massa específica, irá se concentrar na parte inferior da estrutura, prejudicando o acabamento da peça. Sua aplicação está voltada para procurar atender exigências específicas de algumas obras e também para enchimento de lajes, fabricação de blocos, regularização de superfícies, envelopamento de tubulações, entre outras. 15 2.4. POLIESTIRENO EXPANDIDO O Poliestireno expandido (EPS), muito conhecido no Brasil como ISOPOR®, marca registrada da Knauf Isopor Ltda, foi descoberto em 1949 pelos químicos Fritz Stastny e Karl Buchholz, quando trabalhavam nos laboratórios da BASF, na Alemanha. É um plástico celular rígido, resultante da polimerização do estireno em água. Como agente expansor para a transformação do isopor, emprega-se o pentano, um hidrocarbureto que se deteriora rapidamente pela reação fotoquímica gerada pelos raios solares, sem comprometer o meio ambiente. O produto final é composto de pérolas de até 3 mm de diâmetro, que se destinam à expansão em até 50 vezes o seu tamanho original, através de vapor, fundindo-se e moldando-se em formas diversas. Expandidas, as pérolas consistem em até 98% de ar e apenas 2% de poliestireno. Em 1m³ de poliestireno expandido, por exemplo, existem de 3 a 6 bilhões de células fechadas e cheias de ar (Abrapex). Materiais poliméricos são provenientes de macromoléculas com massa molar de ordem 104 a 106 g/mol, formadas com muitas unidades de repetição conhecidas como meros, e podem ser de origem natural ou sintética, daí a ideia do nome polímero, que é derivado do grego onde poly (muitos) e mero (partes). (AKCELRUD, 2007). E é exatamente isto, a repetição de muitas unidades (poli) de um tipo de composto químico (mero). Polimerização é o nome dado ao processo no qual as várias unidades de repetição (monômeros) reagem para gerar uma cadeia de polímero. Existem polímeros que são orgânicos e inorgânicos, sendo o último mais pesquisado e de maior valor industrial (AKCELRUD, 2007). Os plásticos compreendem aos materiais poliméricos, e sendo sua maioria compostos orgânicos tem sua composição química baseada em átomos de carbono (C), hidrogênio (H) e outros elementos não metálicos (CALLISTER, 2002). São tantas características que estes materiais possuem que atualmente estão substituindo os materiais tradicionais como a madeira, metal e cerâmicos. A matéria-prima para produção de polímeros é originada principalmente do petróleo e gás natural devido seu processo de fabricação ser barateado, com relação à extração a partir da madeira, carvão ou CO2, já que seu principal componente é o carbono (C). Poliestireno expandido – ISOPOR: É um material que se apresenta como plástico celular rígido, proveniente da polimerização do estireno (derivado do 16 petróleo) em água. O processo de fabricação do isopor consiste em transformação física, porém esta não interfere nas propriedades químicas do material. Esse processo é realizado através das seguintes etapas: Pré-expansão: Nesta primeira fase, em um pré-expansor, o poliestireno recebe aquecimento ao entrar em contato com vapor de água. Com isto as pérolas com cerca de três milímetros passarão a ter um volume 50 vezes mais do que o atual, o que resulta em um granulado de partículas de poliestireno expandido; Armazenamento intermediário: Fase de estabilização do material, que se faz necessário para posterior transformação, é aonde acontece o resfriamento do EPS que propicia uma depressão no interior das células, o qual forma espaços que serão preenchidos por ar circulante; Moldagem: O granulado estabilizado é introduzido em moldes e novamente exposto a vapor de água, o que provoca a soldadura do mesmo; assim obtém-se um material expandido. Tentando evitar perdas do produto, este processo de expansão dentro da câmara de vapor pode ser interrompido bruscamente com jatos de água fria direcionados contra a parede do molde. O hidrocarboneto Pentano (C5H12) é o agente expansor empregado no Poliestireno. Por ser estruturado somente com átomos de carbono e hidrogênio deteriora-se facilmente no meio ambiente devido reação de fotoquímica realizada pelos raios solares, consequentemente não agredindo o mesmo. Outros aditivos também são acrescentados neste processo para que haja melhora das propriedades do EPS, como é o caso do retardantes de chama, permitindo assim que este material tenha resistência ao fogo. O Poliestireno expandido obtém as seguintes vantagens: •Baixa condutividade térmica: A estrutura de células fechadas, cheias de ar, dificulta a passagem do calor o que confere ao isopor um grande poder isolante. •Baixo peso: As densidades do isopor variam entre os 10-30 kg/m3, permitindo uma redução substancial do peso das construções. •Resistência mecânica: Apesar de muito leve, o isopor tem uma resistência mecânica elevada, que permite o seu emprego onde esta característica é necessária. 17 Figura 2.5: Resistência à compressão do isopor Fonte: ABRAPEX •Baixa absorção de água: O isopor não é higroscópico. Mesmo quando imerso em água o isopor absorve apenas pequenas quantidades de água. Tal propriedade garante que o isopor mantenha as suas características térmicas e mecânicas mesmo sob a ação da umidade. •Facilidade de manuseio: O isopor é um material que se trabalha com as ferramentas habitualmente disponíveis, garantindo a sua adaptação perfeita à obra. O baixo peso do isopor facilita o manuseamento do mesmo em obra, com isso todas as operações de movimentação e colocação ficam significativamente encurtadas. •Versatilidade: O isopor pode apresentar-se numa variedade de tamanhos e formas, que se ajustam sempre às necessidades específicas da construção. •Resistência ao envelhecimento: Todas as propriedades do isopor mantêm-se inalteradas ao longo da vida do material. •Absorção de choques. •Resistência à compressão: De a 2 kg/cm². •Resistência química: O isopor é compatível com a maioria dos materiais utilizados na construção civil, tais como cimento, gesso, cal, água, entre outros. Os produtos finais deste material são inodoros, não contaminam o solo, água e ar, são reaproveitados, reciclados, podendo voltar às condições de matéria-prima. São inúmeras as utilizações do isopor, no entanto há duas propriedades em específico que têm fortalecido cada vez mais à presença deste no mercado consumidor, como a sua extrema leveza e isolamento termo-acústico, pois são propriedades que 18 estão diretamente ligadas a baixo custo. Atualmente o isopor apresenta-se bem empregado em embalagens industriais, artigos para consumo (caixas térmicas, pranchas, porta-gelo, etc.), na agricultura e até mesmo na construção civil. (ABRAPEX, 2012) O isopor, poliestireno expandido, é um plástico rígido com inúmeras aplicações, sendo utilizado principalmente em construção civil (concreto leve, argamassa, peças para lajes, blocos, etc.). Em relação ao meio ambiente: • O isopor é 100% reciclável e reaproveitável. • A fabricação e utilização do isopor não geram risco à saúde ou ao meio ambiente. • Não causa danos à camada de ozônio (não usa e nunca usou CFC nem HCFC no processo de fabricação). • Não contamina o solo, o ar ou a água. • Fungos e bactérias não se proliferam no isopor. Durante seu processo de fabricação o isopor libera baixos valores de resíduos sólidos e líquidos, em fato pela sua leveza, neste contexto o presente material demonstra significativa preservação de recursos energéticos quando é utilizado como isolante térmico, onde a economia de energia proporcionada durante a vida útil da construção pode ser diversas vezes superior à consumida para a produção do isopor. Sobre os danos causados ao ambiente pelo descarte incorreto do poliestireno expandido (EPS), popularmente conhecido como isopor, muita gente até percebe que contribui com a degradação, mas não sabe como evitá-la. Afinal, o isopor está hoje associado a um número cada vez maior de hábitos de consumo: das bandejas de padarias e supermercados às embalagens de proteção e até peças da construção civil. Segundo a Associação Brasileira do Poliestireno Expandido (Abrapex), foram produzidas 55 mil toneladas do material no Brasil em 2012 e outras 2 mil toneladas foram importadas junto a equipamentos eletrônicos e diferentes bens trazidos do exterior. O poliestireno expandido é totalmente reciclável e já existem algumas empresas no Brasil que o reutilizam. A reciclagem consiste na transformação do isopor, porém com as mesmas características iniciais do poliestireno envolvido no processo inicial da produção. O capital a se investir em uma unidade de revalorização para posterior comercialização é muito alto, sendo inviável em pequena escala (ABRAPEX, 2012). 19 2.5. RESINA EPÓXI Uma resina epóxi ou poliepóxido é um plástico termofixo que sofre endurecimento quando se mistura com um agente catalisador ou "endurecedor". As resinas epóxi mais frequente são produtos de uma reação entre epicloridrina e bisfenolA, existem ainda as resinas a base de bisfenol F e resinas epóxi Novolac. As primeiras tentativas comerciais de preparo da resina através da epicloridrina aconteceram em 1927 nos Estados Unidos. O mérito da primeira síntese de uma resina baseada no bisfenol-A foi compartilhado entre o Dr. Pierre Castan da Suíça e o norte-americano Dr. S. O. Greenlee em 1936. O trabalho do suiço foi licenciado pela empresa química CibaGeigy, também Suíça, que se converteu rapidamente, em um ano, numa das três maiores fabricantes mundiais de resina epóxi, encerrando os negócios nos finais dos anos 90, e transferindo sua marca à Vantico que posteriormente foi adquirida pela Huntsman. O trabalho do Dr. Greenlee foi desenvolvido para uma pequena empresa que, posteriormente, foi comprada pela Shell e então adquirida pela Hexion. As resinas epóxi são formadas pela reação química entre dois componentes, a resina e o endurecedor. Uma vez finalizado o processo de “cura”, a reação não pode ser desfeita, e nem a resina pode ser dissolvida ou liquefeita pela ação do calor (é, portanto, um termofixo, ou termoestável). Por isso mesmo, convém trabalhar com uma pequena quantidade de resina por vez, para evitar que ela endureça no pote evitando desperdícios de um material nobre e caro. Resinas epóxi líquidas são muito utilizadas em laminados de fibra sintéticas como o de vidro, carbono, kevlar e também com naturais como junta, sisal, algodão, etc. Devido a sua alta resistência mecânica e química, ela é utilizada em laminados especiais onde as resinas convencionais de laminação, como os poliésteres insaturados, não atendem o necessário. É muito utilizado em aeronaves, embarcações, veículos de alto desempenho, revestimentos especiais, etc., possuem também alta dureza, excelente aderência, pode ser aplicada em temperatura ambiente ou curada em estufa, são extremamente versáteis, as resinas epóxi também são utilizadas como adesivos de metais e madeiras para aeronaves, estruturas, aeromodelismo e onde houver necessidade de um adesivo termofixo de grande poder aderente, tem uma boa resistência química, térmica e mecânica. Depois da aplicação e cura as resinas são resistentes e impermeáveis, ficando os componentes encapsulados totalmente invioláveis, qualquer método mecânico, químico 20 ou térmico para remover a resina, com certeza irá destruir os componentes encapsulados antes, têm-se vários tipos de resinas, se necessário pode produzir resinas específicas para aplicação de pequenos a grandes volumes. Devido a suas características de alta resistência mecânica e estabilidade dimensional, elas são usadas para confeccionar protótipos, modelos e moldes com muita rapidez, com um custo muito inferior a moldes metálicos. Possui boa resistência à abrasão, impactos e podem ser moldados a frio sem necessidade de calor (SAKAI, E. 1995). Notamos a presença de polímeros caracterizados pela presença de grupos glicidila em sua molécula, além de outros grupos funcionais, tendo uma estrutura tridimensional através da reação deste grupo, com um agente reticulante adequado. Os agentes mais comuns de epoxidação são os ácidos peracético e perfórmico e os óleos vegetais epoxidados. A epicloridrina é o agente universal portador do grupo epóxi que irá reagir com espécies químicas que tem hidrogênio ativo. O bisfenol-A é a espécie química mais comum que contém esses hidrogênios ativos. A primeira resina epóxi com características similares as das atuais, foi sintetizada na Alemanha, a partir da reação de epicloridrina com o bisfenol-A. FIGURA 2.6: Síntese de formação da resina epóxi A resina epóxi utilizada foi Renlam ® M / Ren ® HY 956, que possui sua forma líquida modificada de baixa viscosidade, formulada a base de Bisfenol-A. Aplicações: Em conjunto com poliaminas, poliaminoamidas ou aduto, serve para a laminação, enchimentos e encapsulamentos com adição de cargas, fundição simples ou frontal, ou compactada em camadas (HUNTSMAN, 2012). 21 Excelentes propriedades mecânicas e boa resistência química, que podem ser modificadas dentro de amplos limites com a seleção adequada de endurecedores e materiais auxiliares. Devido a sua baixa viscosidade, permite melhor aplicação e manuseio (HUNTSMAN, 2012). Tabela 2.4: Dados orientativos Fonte: Huntsman (2012) A tabela 2.5 apresenta a relação de proporção da mistura entre a resina epóxi REN LAM®-M e 6 tipos de endurecedores. Sendo que para 100 gramas de resina epóxi iremos utilizar a quantidade de endurecedor estabelecida pela proporção na tabela, levando em consideração o endurecedor que utilizamos. Tabela 2.5: Formulações Fonte: Huntsman (2012) 22 2.6. CONCRETO COM ADIÇÃO DE POLIESTIRENO EXPANDIDO E RESINA EPÓXI. Bagon e F.-Yannas, 1976, Perry et al, 1991, Cook, 1983 , Ravindrarajah e Tuck, 1994, investigaram a inclusão de poliestireno expandido, EPS, em massas cimentícias utilizando o cimento Portland comum como fase matriz. Também para compensar a característica hidrófoba do poliestireno, foram adicionados aditivos tais como resinas epóxi emulsificadas em dispersões de polivinilpropionato, ou as esferas de isopor tratadas quimicamente para evitar a segregação nas misturas com o concreto. Diversos pesquisadores reportaram que as esferas de isopor tendem a flutuar, o que pode resultar em uma mistura não homogênea devido à segregação, tornando necessário o uso de aditivos, como resina. Além disso, a maioria dos estudos foram feitos com concretos de densidades abaixo de 1300 kg/m3 e com resistências abaixo de 12 MPa. Babu e Babu, 2004, estudaram a obtenção e as propriedades mecânicas de concreto com adição de esferas de poliestireno expandido e com a adição de areia fina, abaixo de 2,3 mm, para evitar os efeitos de segregação. Os autores obtiveram compósitos cimentícios com densidades variando de 1500 a 2000 kg/m3 com resistências entre 10 e 20 MPa, para adições de poliestileno expandido na faixa de 20 a 40 % em volume. Chen e Liu, 2004, obtiveram compósitos cimentícios apresentando densidade entre 800 a 1800 Kg/m3 e resistência à compressão de 10 a 25 MPa, para adições de poliestireno expandido na faixa de 25 a 55% em volume. Os autores reportaram que a adição de fibras de aço (70 kg/m3) na mistura aumentou significativamente a resistência à tração do compósito além de reduzir a taxa de retração. Tang et al, 2008,. adicionaram poliestireno expandido na faixa de 20 e 60% de volume, relatando que a densidade, a resistência mecânica e o módulo de elasticidade do compósito diminuem em função da concentração do poliestireno expandido da mistura. Além disso, as retrações em longo prazo dos compósitos são fortemente dependentes da fração volumétrica do poliestireno expandido e do tempo de cura. Le Roy et al., 2005, variaram o tamanho das partículas de poliestireno expandido adicionadas (diâmetro variando entre 1, 3 e 6 mm), observando que ao diminuir o diâmetro das mesmas, aumenta-se a resistência compressiva do compósito. Esse efeito 23 do tamanho da partícula de poliestireno expandido na resistência à compressão também foi reportado por outros autores. Miled et al., 2007, realizaram simulações de um compósito cimentício com a adição de poliestireno expandido sob compressão, concluindo que o efeito do tamanho da partícula de poliestireno expandido na resistência à compressão deve-se principalmente a aleatoriedade na distribuição das partículas na matriz. Miled et al., 2007, estudando compósitos cimentícios com adição de partículas de poliestireno expandido de diâmetro variado (1, 2.5 e 6.5 mm) observaram que o efeito do tamanho das partículas de poliestireno expandido é mais pronunciado em compósitos com baixa porosidade, tornando-se insignificante em compósitos de alta porosidade, exibindo macro-porosidades entre 10 – 50%. Bisschop e Van Mier, 2008, compararam o efeito da concentração de agregados (esferas de vidro, grãos de areia e poliestireno expandido) na taxa de secagem de compósitos cimentícios, observando que a taxa de secagem nos compósitos não difusivos (esferas de vidro e grãos de areia) diminui com o aumento da fração volumétrica dos agregados, enquanto nos compósitos com poliestireno expandido, a taxa de secagem aumentou em função do aumento da fração volumétrica do poliestireno expandido. Babu e Babu, 2004, estudaram compósitos cimentícios com a adição de poliestireno expandido (EPS) com uma ampla faixa de densidades (550–2200 kg/m3) e concentração de EPS entre 0% a 95%. Os resultados foram comparados com outros compósitos encontrados na literatura, observando que o compósito cimentício com adição de EPS apresentou menor absorção de água do que o concreto normal além de uma melhor resistência química. Os autores reportaram também que com o aumento da fração volumétrica de EPS, há um aumento na permeabilidade e absorção dos compósitos cimentícios. Babu et al., 2006, investigaram o efeito do tamanho de agregados de poliestireno em compósitos cimentícios em ampla faixa de densidades (1000–1900 kg/m3), utilizando poliestireno expandido (EPS) e polietileno não expandido (UEPS). Os resultados indicaram que os compósitos cimentícios com UEPS exibem resistência compressiva 70% maior do que os compósitos cimentícios com EPS, porém, os compósitos cimentícios com EPS de diâmetro menor apresentam maior resistência compressiva. O concreto com UEPS adicionado exibe um comportamento mecânico 24 com fratura frágil semelhante ao concreto normal, enquanto uma falha gradual foi observada no concreto adicionado com EPS. Silva e Monteiro, 2006, verificaram em termos de microestrutura, que a fase polimérica gerada pela resina, tende a recobrir os grãos não hidratados de cimento, retardando o processo de hidratação parcialmente ou completamente. Em alguns casos, promove maior formação de produtos internos do que produtos externos de C3S, além de evitar a formação de cristais de etringita durante o processo inicial de hidratação. Porém, é bem possível que a maior vantagem desses sistemas seja a redução da porosidade, com consequente diminuição dos caminhos livres para propagação de fissuras e aumento da resistência mecânica final. 25 Capítulo 3 OBJETIVOS 3.1 GERAL O presente projeto de pesquisa consiste em investigar o efeito da adição de resíduos de isopor e resina epóxi em compósitos cimentícios através de uma metodologia de planejamento fatorial de experimentos. A análise estatística permitirá identificar os efeitos dos fatores individualmente, mas principalmente das interações que afetam as variáveis respostas investigadas. Com isso pretende-se contribuir para o desenvolvimento desta classe de materiais além da obtenção de um compósito de alta resistência específica, isto é, elevada relação resistência/densidade. 3.2 ESPECÍFICOS Investigar o efeito do teor de resina epóxi (25 e 35% em massa) em relação ao cimento e da fração volumétrica de EPS (0, 20, 50 e 80%), com granulometria igual à (04 - 06 US-Tyler) nas propriedades físico-mecânicas dos compósitos cimentícios. As variáveis respostas do experimento serão resistência à compressão, absorção de água, porosidade aparente, densidade aparente, e densidade volumétrica, após 28 dias de cura. 26 Capítulo 4 JUSTIFICATIVA Um dos grandes problemas enfrentados hoje no mundo se refere à destinação final dos resíduos. O volume de resíduos de poliestireno expandido gerado vem se constituindo em grande preocupação tanto para o poder público quanto para a sociedade. Para minimizar os reflexos negativos causados pela sua destinação inadequada, diversas formas de pesquisas vêm sendo desenvolvidas. A reciclagem do EPS é um processo inviável, devido ao alto custo para sua transformação, sendo muitas vezes superior a produção convencional. Por isso estudos de reaproveitamento deste material são desenvolvidos, principalmente pela indústria da construção civil. As resinas termorrígidas são aquelas que sob a ação do calor sofrem um processo de reticulação interna, comumente chamado de cura. O sistema rígido resultante é uma rede macromolecular altamente reticulada, infusível e insolúvel (PILATO e MURPHY, 2000 e HARPER, 2005), e que promovem a hidratação dos grãos de cimento, juntamente com as partículas de EPS. Há também uma grande necessidade de materiais leves e resistentes na construção civil moderna, o concreto leve é um deles, com alta resistência especifica, ou seja, alta relação resistência/densidade podendo ser usado em diversos elementos estruturais. Materiais de baixo peso são usados como agregados nesse tipo de concreto. Eles são classificados em dois tipos, naturais (púmice, farinha fóssil, escórias de carvão vulcânicas, etc.) e artificiais (perlite, xisto expandido, barro, ardósia, PFA sinterizado, etc.). O poliestireno expandido (EPS) é um tipo de agregado artificial de baixo peso (densidade menor que 300 kg/m³) (Abrapex, 2012). Devido a sua baixa densidade o poliestireno expandido pode ser utilizado na fabricação de concretos de baixa densidade para aplicação na construção civil tais como revestimento de painel, muro cortina, piso e blocos de concreto (Guide for Structural Lightweight Aggregate Concrete, ACI Manual of Concrete Practice, 1987). Esse material pode ser também utilizado em aplicações mais específicas como, por exemplo, base de pavimentos, leito de vias férreas, material de construção para estruturas 27 flutuante no mar, e material que absorve energia na proteção de instalações militares subterrâneas (SUSSMAN, 1975 e BAGON, 1976). A resina epóxi será a fase polimérica termorrígida, e servirá para recobrir os grãos não hidratados de cimento, retardando o processo de hidratação parcialmente ou completamente. Há casos, em que a resina epóxi, promove maior formação de produtos internos do que produtos externos de silicato tricálcico, além de evitar a formação de cristais de etringita durante o processo inicial de hidratação (SUSSMAN, 1975 e GODWIN, 1982). Através da incorporação de esferas de poliestireno expandido, e resina epóxi em quantidades volumétricas diferentes no concreto, argamassa ou pasta cimentícia pode ser preparada resultando em ampla faixa de densidade e elasticidade do material. Os agregados de isopor podem substituir em parte ou completamente os agregados miúdos comumente usados no concreto. 28 Capítulo 5 MATERIAIS E MÉTODOS A metodologia experimental esta baseada na abordagem estatística de planejamento de análise experimental (MONTGOMERY, 1997), seguindo roteiro sugerido por Werkema e Aguiar (1996). As etapas deste procedimento serão detalhadas nos itens seguintes. 5.1. SELEÇÃO DAS VARIÁVEIS RESPOSTAS As variáveis respostas escolhidas a serem analisadas neste trabalho são: densidade aparente, densidade volumétrica, porosidade, absorção de água, resistência mecânica à compressão, seguindo as normas de cada tipo de ensaio. 5.2. FABRICAÇÃO DOS MATERIAIS Neste experimento a matriz do compósito foi o cimento Portland de alta resistência (CP-V), cujo fabricante é a empresa Holcim S.A. do Brasil sendo a fase dispersa, partículas de poliestireno expandido cuja faixa granulométrica é fixada em 04 - 06 US-Tyler, e fase polimérica termorrígida utilizada foi uma resina epóxi de alto desempenho, fabricada pela Indústria Química Huntsman cuja denominação é Renlam ® M / Ren ® HY 956. Os fatores e níveis experimentais foram selecionados com base nos estudos de artigos discutidos na revisão bibliográfica e nos objetivos deste projeto. Este trabalho identificou quais fatores apresentam efeito significativo sobre as variáveis-respostas selecionadas, verificando a possível utilização dos compósitos desenvolvidos em outros setores industriais. 29 Dentre os fatores de maior relevância e possíveis de serem controlados, escolheram-se três, entre eles: fração volumétrica de isopor, fração volumétrica de resina, fração volumétrica de cimento. Os fatores mantidos constantes no experimento serão: tempo de mistura (5min.), temperatura ambiente de fabricação e tempo de cura (28 dias). Os teores de resina adicionados foram: 25% e 35% em relação ao cimento, a fim de verificar a influência no compósito. A fração volumétrica de EPS na matriz cimentícia foi investigada em quatro níveis: 0, 20, 50 e 80% em volume em substituição de agregados usados. O tamanho da partícula de EPS foi fixado na faixa granulométrica 04 - 06 US-Tyler. A figura 5.1 abaixo nos mostra a pasta formada pela mistura entre cimento 75%, resina epóxi 25% e 20% de EPS. Figura 5.1: Mistura manual entre pasta de cimento, isopor e resina. A tabela 5.1 exibe os fatores e os níveis experimentais investigados neste experimento. 30 Tabela 5.1. Fatores e níveis do experimento. Fatores do Experimento Níveis 1. 0% Fração volumétrica de isopor 2. 20% 3. 50% 4. 80% Teor de Resina Epóxi 1. 25% 2. 35% Fração volumétrica de cimento 1. 75% 2. 65% O planejamento fatorial completo foi adotado, que quer dizer em realizar experimentos em todas as possíveis combinações dos níveis dos fatores. O planejamento fatorial gerado a partir dos fatores e níveis apresentados na Tabela 5.1 é o tipo 2241 que fornece um resultado matemático de 16, o qual representa o número total de combinações distintas neste experimento. 31 A tabela 5.2 apresenta as condições experimentais investigadas neste projeto. Tabela 5.2. Planejamento fatorial completo. Planejamento Fatorial 2241 Condições Experimentais Fração Volumétrica de EPS % volume FATORES Fração Volumétrica de Cimento % peso Teor de resina epóxi % peso C1 0 75 25 C2 20 75 25 C3 50 75 25 C4 80 75 25 C5 0 65 35 C6 20 65 35 C7 50 65 35 C8 80 65 35 C9 0 100 0 C10 20 100 0 C11 50 100 0 C12 80 100 0 C13 0 0 100 C14 20 0 100 C15 50 0 100 C16 80 0 100 O cimento juntamente com a resina epóxi ao serem misturados, formam 100% da massa do compósito, e a adição do EPS ( 20, 50 e 80%) será feito em relação ao volume total gerado pela mistura (cimento + resina epóxi). 32 Serão adicionados 30% de água nas condições C9, C10, C11 e C12 por não conterem resina epóxi, a condição C9 é composta somente por cimento. O método de aleatorização foi adotado na etapa de preparação dos corpos de prova, e também na etapa de realização dos ensaios, permitindo uma ordenação arbitrária das condições experimentais, evitando que efeitos de fatores não controlados possam afetar a variável-resposta. 5.3. FABRICAÇÃO DOS CORPOS DE PROVA Para a fabricação dos compósitos foram utilizados moldes cilíndricos de PVC, (Figura 5.2) com dimensões de 2,11 cm de diâmetro interno e 4,22 cm de altura, ou seja, altura igual a duas vezes o diâmetro seguindo a norma NBR 5738. Misturados os componentes, o material foi vazado nos moldes, os corpos de prova após cura de 28 dias foram cortados para garantir o paralelismo para realização do ensaio de compressão. Durante a cura as amostras foram ensacadas para manter a humidade, Figura 5.3. 2,11 cm 4,22 cm Figura 5.2. Geometria e dimensões dos corpos de prova. 33 Figura 5.3: Corpos de prova ensacados Foi utilizando 5 corpos de provas para cada teste conforme descrição de ensaios. O software estatístico Minitab versão 16 foi utilizado para o tratamento dos dados utilizando a análise de variância (ANOVA) e a ferramenta Teste de Tukey. A densidade volumétrica, densidade aparente, porosidade e absorção de água foram medidas usando as seguintes fórmulas: Dv = M1 (1) V Sendo: Dv – densidade volumétrica (g/cm³), M1 – massa do compósito seco (g), V – volume do corpo de prova (cm³). Dap = M M1 2 −M3 (2) Sendo: Dap – densidade aparente (%), M1 – massa do compósito seco (g), M2 – massa saturada por imersão no vácuo (g), M3 – massa saturada suspensa abaixo d’água (g). 34 M −M P = M2 −M1 × 100 2 3 (3) Sendo: P – porosidade aparente (%), M1 – massa do compósito seco (g), M2 – massa saturada por imersão no vácuo (g), M3 – massa saturada suspensa abaixo d’água (g). Aa = M2 −M1 M1 × 100 (4) Sendo: Aa – Absorção de água (%), M1 – massa do compósito seco (g), M2 – massa saturada por imersão no vácuo (g). A densidade aparente pode ser determinada por meio do princípio de Arquimedes. Este princípio diz que um corpo imerso em um fluido sofre um empuxo igual ao peso do volume de fluido deslocado pelo corpo. A densidade do corpo é igual à razão entre seu peso e o empuxo do fluido sobre ele. O ensaio de densidade aparente e porosidade aparente seguiram as recomendações da norma Britânica BS EN ISO 10545-3 (1997). Para investigar os valores da resistência à compressão foi utilizada a Máquina Universal de Ensaios EMIC MEM 10.000, os testes de compressão foram feitos com uma velocidade de 5 mm/min (Figura 5.4) Figura 5.4: Corpos durante o ensaio de compressão na máquina EMIC MEM 10.000 35 Uma análise da superfície foi realizada a fim de verificar a distribuição do isopor e a formação de poros na matriz cimentícia recoberta por resina epóxi.(Figura 5.5) Figura 5.5: Análise superficial das amostras Na Figura 5.6, podemos observar que nos compósitos, C13, C14, C15 e C16, a mistura entre a resina epóxi e o EPS não tiveram homogeneidade, fato que influenciou diretamente nos testes, não alcançando resultados satisfatórios, sendo assim não foi realizado a análise dos resultados em nossa pesquisa. Figura 5.6: Compósitos fabricados com cimento, resina-epóxi e EPS. 36 Capítulo 6 RESULTADOS E DISCUSSÕES A Tabela 6.1 apresenta os resultados da análise de variância (ANOVA) para as médias das variáveis respostas investigadas. Para a análise da variância (ANOVA) fazem-se pressupostos que ambas as amostras são extraídas a partir de populações independentes, que podem ser descritas por uma distribuição normal (MONTGOMERY, 1997). Os fatores relacionados a P-valor menor ou igual a 0,05 (95% de confiabilidade) são considerados significativos. O efeito principal de um fator deve ser interpretado individualmente apenas se não há evidência de que o fator não interage com outros fatores. Quando um ou mais efeitos de interação de ordem superior são significativos, os fatores que interagem devem ser considerados conjuntamente (WERKEMA e AGUIAR, 1996). Os P-valores, sublinhados na Tabela 6.1 correspondem aos fatores significativos de ordem superiores analisados neste trabalho. O valor de R2 adjunto exibido na ANOVA mede a proporção da variabilidade preditora presente na equação de regressão sendo que quanto mais próximo de 1 (ou de 100%) melhor a qualidade da equação ajustada aos dados (WERKEMA e AGUIAR, 1996). Os pontos distribuídos uniformemente ao longo da reta atendem as condições de normalidade e homogeneidade. Os gráficos de resíduos para distribuição normal das variáveis-respostas investigadas neste trabalho apresentaram média próxima de zero, atendendo as condições de normalidade exigidas para validação do modelo da ANOVA. Também foi aplicado o teste de Tukey, o qual se baseia na diferença mínima significativa, para determinar quais grupos diferem entre si, realizando a comparação múltipla entre as médias, sendo este um teste muito realizado pelos estatísticos. 37 Tabela 6.1. Análise da variância (ANOVA). P-Valor ≤ 0,05 ANOVA Fatores Experimentais Fração de Isopor Densidade Densidade Volumétrica Aparente (g/cm3) (g/cm3) C1 a C4 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 C5 a C8 0,000 0,002 0,000 0,000 0,000 C9 a C12 0,000 0,000 0,001 0,012 0,000 C1 a C4 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 C5 a C8 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 C9 a C12 0,003 0,000 0,002 0,000 0,000 Condições Porosidade Aparente Resistência à Compressão Absorção de água Fatores Principais Teor de Resina Epóxi C1 a C4 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 C5 a C8 0,021 0,000 0,000 0,000 0,000 C9 a C12 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 Densidade Densidade Volumétrica Aparente Aparente Compressão água C1 a C4 99,22% 90,69% 99,22% 98,69% 98,48% C5 a C8 98,70% 99,72% 95,83% 99,57% 99,90% C9 a C12 99,70% 83,75% 95,73% 84,99% 98,63% Fração de Cimento Condições R2 (Adjunto) Porosidade Resistência à Absorção de 38 Os valores das tabelas 6.2, 6.3, 6.4, 6.5, 6.6 e 6.7 foram utilizados para analisar a análise da variância (ANOVA). Tabela 6.2 Densidade volumétrica dos compósitos cimentícios. Densidade volumétrica g/cm3 Condição Fração de Isopor Fração de Cimento Teor de Resina Epóxi Média C1 0% 75% 25% 2,04 ± 0,01 C2 20% 75% 25% 1,88 ± 0,02 C3 50% 75% 25% 1,72 ± 0,01 C4 80% 75% 25% 1,72 ± 0,01 C5 0% 65% 35% 1,84 ± 0,01 C6 20% 65% 35% 1,76 ± 0,01 C7 50% 65% 35% 1,53 ± 0,02 C8 80% 65% 35% 1,43 ± 0,03 C9 0% 100% 0% 2,05 ± 0,01 C10 20% 100% 0% 1,67 ± 0,01 C11 50% 100% 0% 1,50 ± 0,02 C12 80% 100% 0% 1,49 ± 0,01 C13 0% 0% 100% 1,04 ± 0,02 C14 20% 0% 100% 1,03 ± 0,01 C15 50% 0% 100% 0,99 ± 0,02 C16 80% 0% 100% 0,93 ± 0,03 39 Tabela 6.3 Densidade aparente dos compósitos cimentícios. Densidade Aparente g/cm3 Condição Fração de Isopor Fração de Cimento Teor de Resina Epóxi Média C1 0% 75% 25% 1,88 ± 0,01 C2 20% 75% 25% 1,81 ± 0,01 C3 50% 75% 25% 1,75 ± 0,05 C4 80% 75% 25% 1,71 ± 0,01 C5 0% 65% 35% 1,83 ± 0,01 C6 20% 65% 35% 1,65 ± 0,03 C7 50% 65% 35% 1,52 ± 0,07 C8 80% 65% 35% 1,40 ± 0,01 C9 0% 100% 0% 1,67 ± 0,01 C10 20% 100% 0% 1,57 ± 0,04 C11 50% 100% 0% 1,55 ± 0,02 C12 80% 100% 0% 1,43 ± 0,04 C13 0% 0% 100% 1,13 ± 0,01 C14 20% 0% 100% 1,06 ± 0,01 C15 50% 0% 100% 1,00 ± 0,08 C16 80% 0% 100% 0,92 ± 0,05 40 Tabela 6.4 Porosidade aparente dos compósitos cimentícios. Porosidade aparente % Condição Fração de Isopor Fração de Cimento Teor de Resina Epóxi Média C1 0% 75% 25% 4,65 ± 0,05 C2 20% 75% 25% 4,08 ± 0,09 C3 50% 75% 25% 3,11 ± 0,06 C4 80% 75% 25% 2,94 ± 0,06 C5 0% 65% 35% 7,16 ± 0,09 C6 20% 65% 35% 7,02 ± 0,12 C7 50% 65% 35% 6,92 ± 0,07 C8 80% 65% 35% 6,23 ± 0,07 C9 0% 100% 0% 7,72 ± 0,07 C10 20% 100% 0% 9,35 ± 0,07 C11 50% 100% 0% 9,08 ± 0,06 C12 80% 100% 0% 8,96 ± 0,05 C13 0% 0% 100% 10,06 ± 0,06 C14 20% 0% 100% 10,25 ± 0,05 C15 50% 0% 100% 10,42 ± 0,07 C16 80% 0% 100% 10,98 ± 0,06 41 Tabela 6.5 Resistência à compressão dos compósitos cimentícios. Resistência à compressão Condição Fração de Isopor Fração de Cimento Teor de Resina Epóxi Média C1 0% 75% 25% 19,00 ± 0,04 C2 20% 75% 25% 18,91 ± 0,07 C3 50% 75% 25% 18,33 ± 0,06 C4 80% 75% 25% 18,01 ± 0,04 C5 0% 65% 35% 19,96 ± 0,03 C6 20% 65% 35% 18,80 ± 0,03 C7 50% 65% 35% 17,30 ± 0,04 C8 80% 65% 35% 15,30 ± 0,03 C9 0% 100% 0% 21,02 ± 0,17 C10 20% 100% 0% 18,20 ± 0,06 C11 50% 100% 0% 17,80 ± 0,08 C12 80% 100% 0% 17,01 ± 0,07 C13 0% 0% 100% 11,20 ± 0,07 C14 20% 0% 100% 9,66 ± 0,06 C15 50% 0% 100% 9,01 ± 0,21 C16 80% 0% 100% 8,80 ± 0,06 42 Tabela 6.6. Absorção de água dos compósitos cimentícios. Absorção de água % Condição Fração de Isopor Fração de Cimento Teor de Resina Epóxi Média C1 0% 75% 25% 2,91 ± 0,06 C2 20% 75% 25% 3,60 ± 0,08 C3 50% 75% 25% 4,00 ± 0,10 C4 80% 75% 25% 4,55 ± 0,06 C5 0% 65% 35% 5,14 ± 0,12 C6 20% 65% 35% 5,57 ± 0,07 C7 50% 65% 35% 9,53 ± 0,04 C8 80% 65% 35% 10,56 ± 0,05 C9 0% 100% 0% 11,18 ± 0,07 C10 20% 100% 0% 12,10 ± 0,05 C11 50% 100% 0% 12,43 ± 0,08 C12 80% 100% 0% 13,16 ± 0,13 C13 0% 0% 100% 17,98 ± 0,10 C14 20% 0% 100% 18,61 ± 0,07 C15 50% 0% 100% 19,14 ± 0,09 C16 80% 0% 100% 20,38 ± 0,60 43 Tabela 6.7. Resistência específica dos compósitos cimentícios. Fração Fração Teor de Condição Volumétrica Volumétrica Resina de EPS de cimento Epóxi C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 C13 C14 C15 C16 0% 20% 50% 80% 0% 20% 50% 80% 0% 20% 50% 80% 0% 20% 50% 80% 75% 75% 75% 75% 65% 65% 65% 65% 100% 100% 100% 100% 0% 0% 0% 0% 25% 25% 25% 25% 35% 35% 35% 35% 0% 0% 0% 0% 100% 100% 100% 100% Média da Resistência à Compressão Média da Densidade Volumétrica 19,00 18,91 18,33 18,01 19,96 18,80 17,30 15,30 21,02 18,20 17,80 17,01 11,20 9,66 9,01 8,80 2,04 1,88 1,72 1,72 1,84 1,76 1,53 1,43 2,05 1,67 1,50 1,49 1,04 1,03 0,99 0,93 Resistência Específica MPa/g/cm3 9,32 10,06 10,63 10,48 10,87 10,68 11,34 10,71 10,27 10,89 11,90 11,43 10,73 9,42 9,14 9,50 A seguir apresentaremos os gráficos de resíduos de probabilidade normal da ANOVA em relação às propriedades físicas e mecânicas dos compósitos de isopor, resina e cimento, comprovando normalidade nas distribuições dos resíduos pelos Pvalores encontrados serem ambos superiores a 0,05 auxiliando por validar o modelo da ANOVA, se no gráfico os resíduos estiverem situados aproximadamente simétricos, então será obtida uma indicação de validade da suposição de independência. Para analisarmos os dados referentes às médias das variáveis (densidade volumétrica, densidade aparente, porosidade aparente, absorção de água, e resistência à compressão) foram separados em três grupos, sendo o primeiro grupo de C1 a C4 (75% de cimento, 25% de resina epóxi e o poliestireno expandido – EPS, variando 0%, 20%, 50% e 80%), o segundo grupo de C5 a C8 (65% de cimento, 35% de resina epóxi e o poliestireno expandido – EPS, variando 0%, 20%, 50% e 80%) e o terceiro C9 a C12 44 (100% de cimento, 0% de resina epóxi e o poliestireno expandido – EPS, variando 0%, 20%, 50% e 80%). Nos dois primeiros grupos temos as variações de poliestireno expandido - EPS, resina e cimento, no terceiro grupo têm a variação de cimento e poliestireno expandido - EPS. Essa separação em 03 grupos nos permitiu que realizássemos a análise dos resultados e as avaliações da variação de EPS (0%, 20%, 50% e 80%) em 03 situações, sendo a primeira 75% de cimento e 25% de resina, a segunda 65% de cimento e 25% de resina, e a terceira com 100% de cimento e 0% de resina epóxi. 6.1 DENSIDADE VOLUMÉTRICA Conforme abordado na revisão bibliográfica de modo geral, o comportamento de resíduos mostra-se adequado às condições de normalidade do experimento exibindo: Distribuição normal com média próxima de zero; Variância constante; Independência dos valores. As médias e os desvios padrão dos resultados de densidade volumétrica estão apresentados na Tabela 6.2. A fim de verificar a adequação do modelo de análise da variância foi utilizado o gráfico de resíduo, procurando evidenciar a probabilidade normal, conforme constam nas Figuras 6.1, 6.2 e 6.3. Densidade Volumétrica C1 a C4 99 Média DP N AD P-Value 95 90 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 -0,03 -0,02 -0,01 0,00 Resíduo 0,01 0,02 0,03 Figura 6.1: Densidade Volumétrica de C1 a C4. 4,440892E-17 0,01095 20 0,268 0,646 45 O P-valor da ANOVA para a densidade volumétrica dos materiais fabricados com a adição de poliestireno expandido - EPS, resina e cimento foram iguais a 0,000 (R2(Adj) = 99,22%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à densidade dos materiais fabricados. A Tabela 6.8 apresenta os resultados do teste de Tukey dos compósitos C1 a C4, sobre a densidade volumétrica dos materiais fabricados. C1 C2 C3 C4 Média (g/cm3) 2,04 1,88 1,72 1,72 Agrupamento A B C C Tabela 6.8: Teste Tukey Densidade Volumétrica de C1 a C4 O agrupamento revelou que os compósitos C3 e C4 apresentaram resultados equivalentes para a densidade volumétrica em seguida temos C2, e com superioridade C1, o que nos mostra que o fator variação de poliestireno expandido - EPS influencia na variável densidade volumétrica. Densidade volumétrica C5 a C8 99 Média DP N AD P-Valor 95 90 -1,11022E-16 0,01691 20 0,266 0,654 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 -0,04 -0,03 -0,02 -0,01 0,00 0,01 Resíduos 0,02 0,03 0,04 Figura 6.2: Densidade Volumétrica de C5 a C8. O P-valor da ANOVA para a densidade volumétrica dos materiais fabricados com a adição de poliestireno expandido - EPS, resina e cimento foram iguais a 0,000 e 46 (R2(Adj) = 98,70%), a interação dos fatores tem significância com relação à densidade dos materiais fabricados. A Tabela 6.9 apresenta os resultados do teste de Tukey dos compósitos C5 a C8, sobre a densidade volumétrica dos materiais fabricados. C5 C6 C7 C8 Média (g/cm ) 1,84 1,76 1,53 1,43 Agrupamento A B C D 3 Tabela 6.9: Teste Tukey Densidade Volumétrica de C5 a C8. O agrupamento revelou que nos compósitos com adição de EPS (C6, C7 e C8) à medida que aumentamos a quantidade do mesmo, o valor da densidade volumétrica dos materiais tendem a diminuir, já no compósito C5 (resina + cimento) a densidade volumétrica mostrou-se maior que as demais. Densidade Volumétrica C9 a C12 99 Média DP N AD P-Value 95 90 -6,66134E-17 0,01170 20 1,080 0,006 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 -0,03 -0,02 -0,01 0,00 Resíduos 0,01 0,02 0,03 Figura 6.3: Densidade Volumétrica de C9 a C12. O P-valor da ANOVA para a densidade volumétrica dos materiais (C9, C10, C11 e C12) fabricados com a adição de poliestireno expandido – EPS, e cimento foram iguais a 0,000 (R2(Adj) = 99,70%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à densidade dos materiais fabricados. 47 Na próxima Tabela 6.10, temos os resultados do teste de Tukey dos compósitos C9 a C12, sobre a densidade volumétrica dos materiais fabricados, nestes compósitos não há presença do fator resina epóxi, sendo adicionados 30% de água para realização da mistura. C9 C10 C11 C12 Média (g/cm ) 2,05 1,67 1,50 1,49 Agrupamento A B C C 3 Tabela 6.10: Teste Tukey Densidade Volumétrica de C9 a C12. O agrupamento revelou que os compósitos C11 e C12 apresentaram resultados equivalentes para a densidade volumétrica, em seguida temos C10, e com superioridade C9, o que nos mostra que o a variação de poliestireno expandido - EPS pode influenciar na variável densidade volumétrica, e que o aumento da quantidade de poliestireno expandido - EPS, promove a diminuição da densidade volumétrica. Notamos que a densidade volumétrica dos compósitos analisados onde havia a presença de cimento, resina epóxi e EPS, variou de 1,43 a 1,88 g/cm3, já quando utilizamos cimento e resina epóxi, temos a variação de 1,84 a 2,04 g/cm3, sendo que no compósito C9, formado por cimento e água, obtivemos média igual 2,05 g/cm3. Analisando os resultados obtidos no teste de densidade volumétrica, constatamos que quanto maior a quantidade de isopor inserida no compósito, menor se torna sua densidade, fato que se explica devido à baixa densidade do isopor usado no experimento 0,025 g/cm3. 6.2 DENSIDADE APARENTE A densidade e aparente foi determinada por meio do principio de Arquimedes, conforme está descrito na metodologia experimental. Conforme abordado na revisão bibliográfica de modo geral, o comportamento de resíduos mostra-se adequado às condições de normalidade do experimento exibindo: Distribuição normal com média próxima de zero; Variância constante; Independência dos valores. 48 As médias e os desvios padrão dos resultados de densidade volumétrica estão apresentados na Tabela 6.3. A fim de verificar a adequação do modelo de análise da variância foi utilizado o gráfico de resíduo, procurando evidenciar a probabilidade normal, conforme constam nas Figuras 6.4, 6.5 e 6.6. Densidade aparente C1 a C4 99 Média DP N AD P-Value 95 90 1,787 0,06876 20 0,751 0,042 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 1,60 1,65 1,70 1,75 1,80 Resíduos 1,85 1,90 1,95 Figura 6.4: Densidade Aparente de C1 a C4. O P-valor da ANOVA para a densidade aparente dos materiais fabricados com a adição de poliestireno expandido - EPS, resina e cimento foram iguais a 0,000 (R2(Adj) = 90,69%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à densidade dos materiais fabricados. A Tabela 6.11 apresenta os resultados do teste de Tukey dos compósitos C1 a C4, sobre a densidade aparente dos materiais fabricados. C1 C2 C3 C4 Média (g/cm ) 1,88 1,81 1,75 1,71 Agrupamento A B C D 3 Tabela 6.11: Teste Tukey Densidade Aparente de C1 a C4. Realizado o teste de Tukey, conforme consta na Tabela 6.11, evidenciamos que nos compósitos com adição de EPS (C2, C3 e C4) à medida que aumentamos a quantidade do mesmo inserido, o valor da densidade aparente dos materiais tendem a 49 diminuir, já no compósito C1 (resina + cimento) a densidade aparente mostrou-se maior que as demais. Densidade Aparente C5 a C8 99 Média DP N AD P-Value 95 90 1,110223E-16 0,008079 20 0,875 0,020 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 -0,02 -0,01 0,00 Resíduos 0,01 0,02 Figura 6.5: Densidade Aparente de C5 a C8. O P-valor da ANOVA para a densidade aparente dos materiais fabricados com a adição de poliestireno expandido - EPS, resina e cimento foram iguais a 0,002 (R2(Adj) = 99,72%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à densidade dos materiais fabricados. A Tabela 6.12 apresenta os resultados do teste de Tukey dos compósitos C5 a C8, sobre a densidade aparente dos materiais fabricados. C5 C6 C7 C8 Média (g/cm ) 1,83 1,65 1,52 1,40 Agrupamento A B C D 3 Tabela 6.12: Teste Tukey Densidade Aparente de C5 a C8. O teste de Tukey apresentado na Tabela 6.12, nos mostra que em compósitos onde adicionamos poliestireno expandido - EPS (C6, C7, e C8), têm uma diminuição nos valores das médias da densidade aparente, à medida que aumentamos a proporção de poliestireno expandido - EPS (%). O compósito C5 (resina + cimento), por ter maior 50 valor da densidade aparente, nos mostra que a adição do poliestireno expandido - EPS influencia diretamente nos valores das médias da densidade aparente. Densidade Aparente C9 a C12 99 Média DP N AD P-Value 95 90 1,110223E-16 0,03539 20 0,371 0,389 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 -0,10 -0,05 0,00 Resíduo 0,05 0,10 Figura 6.6: Densidade Aparente de C9 a C12. O P-valor da ANOVA para a densidade aparente dos materiais (C9, C10, C11 e C12) fabricados com a adição de poliestireno expandido - EPS, e cimento foram iguais a 0,000 (R2(Adj) = 83,75%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à densidade dos materiais fabricados. A Tabela 6.13 apresenta os resultados do teste de Tukey dos compósitos C9 a C12, sobre a densidade aparente dos materiais fabricados, sendo adicionados 30% de água para realização da mistura, em substituição do fator resina. C9 C10 C11 C12 Média (g/cm3) 1,67 1,57 1,55 1,43 Agrupamento A B B C Tabela 6.13: Teste Tukey Densidade Aparente de C9 a C12. O agrupamento revelou que os compósitos C10 e C11 apresentaram resultados equivalentes para a densidade aparente, em seguida temos com o menor valor C12, e com superioridade C9, o que nos mostra que o fator variação de poliestireno expandido - EPS e inclusão de resina, podem influenciar na variável densidade aparente, e que o 51 acréscimo de poliestireno expandido - EPS na mistura tende a promover uma diminuição das médias da densidade aparente. A média dos valores da densidade aparente teve variação de 1,40 a 1,81 g/cm3 nos compósitos com adição de cimento, resina epóxi e EPS, quando temos a presença somente de cimento e resina epóxi as médias tendem a aumentar obtendo valores de 1,83 a 1,88 g/cm3, compósitos onde temos cimento adicionado ao EPS temos médias dos valores de 1,43 a 1,57 g/cm3 e no formado por cimento com adição de água obtemos o valor de 1,67 g/cm3. O isopor por apresentar pequena granulometria 04-06 US-Tyler, contribuiu para a diminuição da densidade aparente. Nos compósitos onde há presença de EPS com ou sem adição de resina epóxi, temos os menores valores, sendo os mesmos entre 1,40 e 1,55 g/cm3. 6.3 POROSIDADE APARENTE Conforme abordado na revisão bibliográfica de modo geral, o comportamento de resíduos mostra-se adequado às condições de normalidade do experimento exibindo: Distribuição normal com média próxima de zero; Variância constante; Independência dos valores. As médias e os desvios padrão dos resultados de densidade volumétrica estão apresentados na Tabela 6.4. A fim de verificar a adequação do modelo de análise da variância foi utilizado o gráfico de resíduo, procurando evidenciar à probabilidade normal, conforme constam nas Figuras 6.7, 6.8 e 6.9. 52 Porosidade aparente C1 a C4 99 Média DP N AD P-Valor 95 90 -1,33227E-16 0,05878 20 0,442 0,260 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 -0,15 -0,10 -0,05 0,00 Resíduos 0,05 0,10 0,15 Figura 6.7: Porosidade Aparente de C1 a C4. O P-valor da ANOVA para a porosidade aparente dos materiais fabricados com a adição de poliestireno expandido – EPS, resina e cimento foram iguais a 0,000 (R2(Adj) =99,22%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à porosidade dos materiais fabricados. A Tabela 6.14, nos trás o resultado obtido através do teste de Tukey, para análise da porosidade aparente nos compósitos C1 a C4. C1 C2 C3 C4 Média 4,65 4,08 3,11 2,94 Agrupamento A B C D Tabela 6.14: Teste Tukey Porosidade Aparente de C1 a C4. O agrupamento revelou que os compósitos (C2, C3, e C4) por apresentarem partículas de poliestireno expandido – EPS sofrem diminuição nos valores referentes à porosidade aparente. O compósito C1 apresenta maior valor da média dos valores da porosidade aparente, visto que não possui adição de poliestireno expandido - EPS. A partir destas análises constata-se que o poliestireno expandido - EPS tem significância quanto a variável porosidade aparente. 53 Porosidade aparente C5 a C8 99 Média DP N AD P-Valor 95 90 6,661338E-16 0,08084 20 0,707 0,055 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 -0,2 -0,1 0,0 Resíduos 0,1 0,2 Figura 6.8: Porosidade Aparente de C5 a C8. O P-valor da ANOVA para a porosidade aparente dos materiais fabricados com a adição de poliestireno expandido - EPS, resina e cimento foram iguais a 0,000 (R2(Adj) = 95,83%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à porosidade dos materiais fabricados. A Tabela 6.15 apresenta os resultados do teste de Tukey dos compósitos C5 a C8, sobre a porosidade aparente dos materiais fabricados. C5 C6 C7 C8 Média 7,16 7,02 6,92 6,23 Agrupamento A B C D Tabela 6.15: Teste Tukey Porosidade Aparente de C5 a C8. O agrupamento revelou que os compósitos (C6, C7 e C8) por apresentarem partículas de poliestireno expandido – EPS sofrem uma diminuição da porosidade aparente. O compósito C5 apresenta maior valor da média dos valores da porosidade aparente, visto que não possui adição de poliestireno expandido - EPS. A partir destas análises constata-se que o poliestireno expandido - EPS tem significância quanto a variável porosidade aparente, porém quando variamos a quantidade de cimento e resina, a média dos valores para porosidade aparente tem aumentado. 54 Porosidade aparente C9 a C12 99 Média DP N AD P-Valor 95 90 -3,55271E-16 0,05747 20 0,388 0,352 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 -0,15 -0,10 -0,05 0,00 Resíduos 0,05 0,10 0,15 Figura 6.9: Porosidade Aparente de C9 a C12. O P-valor da ANOVA para a porosidade aparente dos materiais (C9, C10, C11 e C12) fabricados com a adição de poliestireno expandido - EPS, e cimento foram iguais a 0,001 (R2(Adj) = 95,73%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à porosidade dos materiais fabricados. A Tabela 6.16 apresenta os resultados do teste de Tukey dos compósitos C9 a C12, sobre a porosidade aparente dos materiais fabricados, sendo adicionados 30% de água para realização da mistura, em substituição do fator resina. C9 C10 C11 C12 Média 7,72 9,35 9,08 8,96 Agrupamento D A B C Tabela 6.16: Teste Tukey Porosidade Aparente de C9 a C12. O agrupamento revelou que os compósitos C10, C11, C12 e C9 apresentaram resultados bem próximos, o que nos mostra que o fator variação de poliestireno expandido - EPS pode influenciar na variável porosidade aparente, e mesmo sem ter a resina em sua composição, o acréscimo de poliestireno expandido - EPS na mistura tende a promover uma diminuição das médias. O fato da diminuição da porosidade nos grupos que utilizam resina ter sido maior, nos mostra, que a resina influencia na porosidade aparente, juntamente como o poliestireno expandido – EPS. 55 A média dos valores da porosidade aparente varia de 2,94 a 7,02 % em compósitos formados pela adição entre cimento, resina epóxi, e EPS. A retirada do EPS da mistura faz com que a média tenha valores iguais a 4,65 e 7,16 %, ao retirarmos a resina da mistura à média sofreu um aumento sendo este de 8,96 a 9,35 %. As partículas de isopor são hidrófobas, assim elas contribuem para a diminuição da porosidade aparente dos compósitos. A impermeabilidade esta diretamente relacionada com a porosidade da pasta, quanto menos poros, mais impermeável se tornam a pasta e consequentemente o concreto. A maior quantidade de isopor e menor faixa granulométrica aumenta a quantidade de interstícios no compósito, juntamente com recobrimento feito pela resina, o que promove aumento da porosidade. Os compósitos formados com cimento (75%), resina epóxi (25%), e o EPS variando 0, 20, 50, e 80%, apresentam menor porosidade que os demais, a resina contribuiu para que os grãos de EPS ficassem recobertos, o que contribuiu para que uma menor quantidade de interstícios fosse formada na parede dos compósitos. 6.4 ABSORÇÃO DE ÁGUA A absorção de água é o processo físico pelo qual o concreto retém água nos poros, a resina epóxi tem o papel de recobrir os grãos não hidratados de cimento, promovendo a impermeabilidade da pasta. Conforme abordado na revisão bibliográfica de modo geral, o comportamento de resíduos mostra-se adequado às condições de normalidade do experimento exibindo: Distribuição normal com média próxima de zero; Variância constante; Independência dos valores. As médias e os desvios padrão dos resultados de densidade volumétrica estão apresentados na Tabela 6.6. A fim de verificar a adequação do modelo de análise da variância foi utilizado o gráfico de resíduo, procurando evidenciar a probabilidade normal, conforme constam nas Figuras 6.10, 6.11 e 6.12. 56 Absorção de água C1 a C4 99 Média DP N AD P-Valor 95 90 2,220446E-16 0,07013 20 0,341 0,459 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 -0,2 -0,1 0,0 Resíduo 0,1 0,2 Figura 6.10: Absorção de água C1 a C4. O P-valor da ANOVA para a absorção de água dos materiais fabricados com a adição de poliestireno expandido - EPS, resina e cimento foram iguais a 0,000 (R2(Adj) = 98,48%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à absorção de água dos materiais fabricados. A Tabela 6.17, exibe o resultado obtido através do teste de Tukey, para análise da absorção de água nos compósitos C1 a C4. C1 C2 C3 C4 Média 2,91 3,60 4,00 4,55 Agrupamento D C B A Tabela 6.17: Teste Tukey Absorção de Água de C1 a C4. O agrupamento revelou que o compósito C1, cuja mistura realizada foi o cimento em conjunto com resina, sem adição de poliestireno expandido - EPS, possui o melhor resultado nas médias de absorção de água, já em compósitos onde houve adição de partículas de poliestireno expandido - EPS (C2, C3 e C4), notamos que os valores das médias tendem a aumentar, à medida que aumentamos a fração de poliestireno expandido - EPS adicionada. 57 Absorção de água C5 a C8 99 Média DP N AD P-Valor 95 90 -1,77636E-16 0,07031 20 0,226 0,789 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 -0,2 -0,1 0,0 Resíduos 0,1 0,2 Figura 6.11: Absorção de água C5 a C8. O P-valor da ANOVA para a absorção de água dos materiais fabricados com a adição de poliestireno expandido – EPS, resina e cimento foram iguais a 0,000 (R2(Adj) = 99,90%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à absorção de água dos materiais fabricados. O Teste de Tukey apresentado na tabela 6.18 aponta os resultados das médias dos compósitos C5, C6, C7 e C8, para análise da absorção de água. C5 C6 C7 C8 Média 5,14 5,57 9,53 10,56 Agrupamento D C B A Tabela 6.18: Teste Tukey Absorção de Água de C5a C8. O agrupamento revelou que o compósito C5, cuja mistura realizada foi o cimento em conjunto com resina, sem adição de poliestireno expandido - EPS, possui o melhor resultado nas médias de absorção de água, já em compósitos onde houve adição de partículas de poliestireno expandido - EPS (C6, C7 e C8), notamos que os valores das médias tendem a aumentar, à medida que aumentamos a fração de poliestireno expandido - EPS adicionada. 58 Absorção de água C9 a C12 99 Média DP N AD P-Valor 95 90 3,552714E-16 0,07970 20 0,299 0,550 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 -0,2 -0,1 0,0 Resíduos 0,1 0,2 Figura 6.12: Absorção de água C9 a C12. O P-valor da ANOVA para absorção de água dos materiais (C9, C10, C11 e C12) fabricados com a adição de poliestireno expandido - EPS, e cimento foram iguais a 0,000 (R2(Adj) = 98,63%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à absorção de água dos materiais fabricados. A Tabela 6.19 apresenta os resultados do teste de Tukey dos compósitos C9 a C12, sobre a absorção de água dos materiais fabricados, sendo adicionados 30% de água para realização da mistura, em substituição do fator resina. C9 C10 C11 C12 Média 11,18 12,10 12,43 13,16 Agrupamento D C B A Tabela 6.19: Teste Tukey Absorção de Água de C9 a C12. O agrupamento revelou que os compósitos C9, C10, C11 e C12 apresentaram resultados bem próximos, o que nos mostra que o fator variação de poliestireno expandido - EPS pode influenciar na variável absorção de água, e mesmo sem ter a resina em sua composição, o acréscimo de poliestireno expandido - EPS na mistura tende a promover uma maior absorção de água, à medida que adicionamos maior quantidade de poliestireno expandido – EPS aumenta-se a porosidade na mistura, o que faz com que eles absorvam mais água. 59 Os valores da absorção de água nos compósitos formados por cimento, resina epóxi e EPS, variam entre 3,60 a 10,56 %, ao retirarmos o isopor, ficando apenas com cimento e resina epóxi na mistura a média dos valores teve uma significante redução, ficando entre 2,91 e 4,55 %. As médias obtidas nos compósitos formado por cimento, água e EPS variando entre (0,20,50 e 80%) foram maiores, ficando entre 11,18 e 13,16% o que foi observado devido o número de poros formados nos compósitos, pois a absorção de água é caracterizada como um processo físico pelo qual o concreto retém água nos poros, portanto, quanto maior a quantidade de água, maior a impermeabilidade da pasta. A resina recobriu os grãos e juntamente com o EPS, impediu que o compósito absorvesse maior volume de água. 6.5 RESISTÊNCIA MECÂNICA O cimento é a matriz do compósito, e possui como principal característica a resistência mecânica, através do teste de Tukey e a análise da variância (ANOVA), nos permite avaliar o comportamento dos materiais. Conforme abordado na revisão bibliográfica de modo geral, o comportamento de resíduos mostra-se adequado às condições de normalidade do experimento exibindo: Distribuição normal com média próxima de zero; Variância constante; Independência dos valores. As médias e os desvios padrão dos resultados de densidade volumétrica estão apresentados na Tabela 6.5. A fim de verificar a adequação do modelo de análise da variância foi utilizado o gráfico de resíduo, procurando evidenciar a probabilidade normal, conforme constam nas Figuras 6.13, 6.14 e 6.15. 60 Resistência à compressão (MPa) C1 a C4 99 Média DP N AD P-Valor 95 90 18,57 0,5838 20 0,513 0,171 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 17,0 17,5 18,0 18,5 Resíduos 19,0 19,5 20,0 Figura 6.13: Resistência Mecânica de C1 a C4. O P-valor da ANOVA para a resistência mecânica dos materiais fabricados com a adição de poliestireno expandido - EPS, resina e cimento foram iguais a 0,000 (R2(Adj) = 98,69%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à resistência dos materiais fabricados. A seguir temos a Tabela 6.20, que nos mostra o teste de Tukey para a variável resistência mecânica. C1 C2 C3 C4 Média (MPa) 19,00 18,91 18,33 18,01 Agrupamento A B C D Tabela 6.20: Teste Tukey Resistência Mecânica de C1 a C4. O agrupamento revelou que os compósitos C1, C2, C3 e C4 apresentaram resultados bem próximos, o que nos mostra que o fator variação de poliestireno expandido - EPS tem uma pequena influência na variável resistência mecânica. O compósito C1 com 75% de cimento e 25% de resina, obteve a melhor média para valores da resistência mecânica. 61 Resistência à compressão (MPa) C5 a C8 99 Média DP N AD P-Valor 95 90 17,83 1,798 20 0,595 0,106 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 13 14 15 16 17 18 Resíduos 19 20 21 22 Figura 6.14: Resistência Mecânica de C5 a C8. O P-valor da ANOVA para à resistência mecânica dos materiais fabricados com a adição de poliestireno expandido – EPS, resina e cimento foram iguais a 0,000 (R2(Adj) = 99,57%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS significativa à resistência dos materiais fabricados. A Tabela 6.21 apresenta os resultados do teste de Tukey dos compósitos C5 a C8, sobre a resistência mecânica dos materiais fabricados. C5 C6 C7 C8 Média (MPa) 19,96 18,80 17,30 15,30 Agrupamento A B C D Tabela 6.21: Teste Tukey Resistência Mecânica de C5 a C8 O agrupamento revelou que os compósitos C5 a C8 apresentaram resultados bem significativo, o que nos mostra que o fator variação de poliestireno expandido - EPS pode influenciar na variável resistência mecânica. O compósito C5 com 65% de cimento e 35% de resina, obteve a melhor média para valores da resistência mecânica. 62 Resistência à compressão (MPa) C9 a C12 99 Média DP N AD P-Valor 95 90 18,52 1,645 20 0,884 0,019 Percentual 80 70 60 50 40 30 20 10 5 1 14 15 16 17 18 19 Resíduos 20 21 22 23 Figura 6.15: Resistência Mecânica C9 a C12. O P-valor da ANOVA para à resistência mecânica dos materiais (C9, C10, C11 e C12) fabricados com a adição de poliestireno expandido - EPS, e cimento foram iguais a 0,012 (R2(Adj) = 84,99%), sendo a inclusão de poliestireno expandido - EPS pouco significativa à resistência dos materiais fabricados. A Tabela 6.22 apresenta os resultados do teste de Tukey dos compósitos C9 a C12, sobre a resistência à compressão dos materiais fabricados, sendo adicionados 30% de água para realização da mistura, em substituição do fator resina. C9 C10 C11 C12 Média 21,02 18,20 17,80 17,01 Agrupamento A B C D Tabela 6.22: Teste Tukey Resistência Mecânica de C9 a C12. O agrupamento revelou que os compósitos C10, C11 e C12 apresentaram resultados bem próximos, o que nos mostra que o fator variação de poliestireno expandido - EPS apresentou significância na variável resistência à compressão, para esses compósitos produzidos sem a utilização de resina epóxi. O compósito C9 somente com cimento mostrou resultados satisfatórios para variável resistência à compressão. 63 A resistência à compressão dos compósitos cimentícios formados por cimento, resina epóxi, e EPS variaram de 15,30 a 18,91 MPa, quando retiramos o EPS da mistura, os compósitos formados tem sua média aumentada para 19,00 e 19,96 MPa tendo um aumento de 5,55% em relação aos compósitos que tem a presença de EPS na mistura. As médias dos compósitos formados por cimento, água e EPS ficaram entre os valores de 17,01 e 18,20 MPa. No compósito C9 (100% cimento) a resistência à compressão teve o maior valor sendo esse igual a 21,02 MPa, os compósitos C1 (0% de EPS, 75% de cimento, 25% de resina epóxi) e o C5 (0% de EPS, 65% de cimento, 35% de resina epóxi) apresentam valores bem próximos sendo 19,00 e 19,96 MPa, fato que deixa evidente que a resina ao ser misturada ao cimento promove uma redução em sua resistência. 64 Capítulo 7 CONCLUSÕES Esta pesquisa investigou a incorporação de resíduos de isopor (EPS) como substituto de agregados naturais em compósito formado por cimento e resina epóxi, visando contribuir para a redução do impacto ambiental causado pelo descarte do isopor. A incorporação progressiva de poliestireno expandido, como esperado, conferiu reduções nas variáveis respostas, sendo elas, densidade volumétrica, e densidade aparente dos compósitos. A densidade volumétrica e a densidade aparente aumentam à medida que ocorre a diminuição da quantidade de isopor inserida e aumento da concentração de resina epóxi na mistura. A porosidade aparente e absorção de água apresentaram comportamentos semelhantes. Estes foram menores nos compósitos fabricados com a relação de cimento 75%, resina epóxi 25%, e EPS variando entre 0, 20, 50, e 80%. O aumento da proporção de poliestireno expandido se mostrou significativo para que a mistura tivesse resultados melhores em relação à diminuição da porosidade aparente. Quanto à resistência a compressão, observou-se que os melhores valores foram obtidos em compósitos onde não há presença do isopor. Esta propriedade é afetada pela relação da quantidade de isopor e inserção de resina epóxi na mistura. A condição C4 com 75% cimento, 25% de resina epóxi, e 80 % de isopor, apresentou melhor valor para a porosidade aparente e absorção de água, porém teve sua resistência específica 10,48 MPa. Esse valor foi 11,93% menor que o do compósito C11com 100% cimento e 50% de EPS, que atingiu melhor valor dentre os analisados, sendo o mesmo de 11,90 MPa. Nos compósitos onde não tivemos a adição de cimento Portland CP-V, a mistura entre o poliestireno e resina epóxi não apresentou homogeneidade, por isso os resultados não foram analisados. O fato da não homogeneidade ocorre devido à densidade do poliestireno expandido ser extremamente baixa, o que impede que juntamente com a resina, o poliestireno passe a preencher toda matriz do compósito. 65 Os resultados obtidos para a resistência específica, ou seja, considerando a resistência à compressão e a leveza do material, evidenciamos que o poliestireno expandido apresentou valores favoráveis à resistência do material, sendo os melhores valores obtidos através da mistura entre o cimento Portland, e EPS. De acordo com os resultados apresentados por outros autores, pode-se concluir que os compostos, resina, cimento e poliestireno expandidos, aqui produzidos, poderão ser testados como pisos abrasivos, regularização de lajes, pelos valores obtidos de suas propriedades mecânicas serem consideráveis, porém para projetos estruturais, é necessário realizar outros testes para avaliar o comportamento do material. Para trabalhos futuros, espera-se realizar testes referentes ao módulo de elasticidade, visando avaliar possíveis melhorias das condições do material, estudar novas proporções com a fixação do cimento nestes materiais assim como a variação na granulometria do poliestireno expandido, utilização de outros tipos de cimento. 66 REFERÊNCIAS Abrapex - Associação Brasileira do Poliestireno Expandido. Disponível em http://www.abrapex.com.br/ (acessado em 03/03/2012). 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