Universidade Camilo Castelo Branco
Programa de Mestrado Profissional em Produção Animal
ZÊNI LEHRBARCH MARTINS
CUSTOS DA PRODUÇÃO LEITEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR
EM COLORADO DO OESTE – RO
PRODUCTION COST OF MILK FAMILY FARMING IN COLORADO DO OESTE RO
Descalvado, SP
2014
Zêni Lehrbarch Martins
CUSTOS DA PRODUÇÃO LEITEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR EM
COLORADO DO OESTE – RO
Orientador: Prof Dr. Gabriel Mauricio Peruca de Melo
Coorientadora: Profª Dra. Liandra Maria Abaker Bertipaglia
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Produção Animal
da Universidade Camilo Castelo Branco, UNICASTELO, Campus de Descalvado, como
avaliação necessária para obtenção do título de Mestre em Produção Animal.
Descalvado, SP
2014
iii
iv
v
A Deus, minha filha Maria Clara, meu esposo
Sildiglei Ferreira, meus pais José Moro e Jucely
Lehrbach
e
meus
Lehrbarch. Dedico!
irmãos
Bruno
e
Rodrigo
vi
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, por me permitir a chance de aperfeiçoar meus
conhecimentos. A minha filha, Maria Clara, que por sinal fez parte incondicional no
transcorrer das aulas, ora em meu ventre fazendo com que todos se encantassem
com suas mexidas, ora no colo das madrinhas (Juliana, Jaqueline) trazendo-nos
muita alegria. A meu esposo Sildiglei Ferreira, meu ponto de apoio em todas as
horas que precisei. A família, especialmente meus pais José Moro e Jucely
Lehrbach, por fazerem questão de me apoiar e, deixar claro que, eles sempre
estarão por perto para o que eu precisar. Obrigada a todos os meus colegas de
turma, pela convivência sadia e pela troca de conhecimento, mas obrigada, mais
que especial, a Jaqueline, Juliana (não é mestranda, mas fez parte da turma, com
sua presença a cada encontro e nos deliciando com suas prendas culinárias),
Edson, Cíntia e Carlinhos, obrigada por me apoiarem, por estarem comigo nas horas
de dor, por ajudarem com os cuidados com a minha pequena Maria Clara, obrigada
de verdade, pois é nas horas de maiores necessidades que conhecemos os nossos
verdadeiros amigos. Por fim obrigada, a instituição, Unicastelo, e todo o corpo
docente, professores, Gabriel, Liandra, Käthery, Marco Belo, Paulo Henrique,
Vando, Márcia Izumi e Márcia Sampaio, obrigada por nos passar um pouco do
conhecimento adquirido ao longo de anos de estudo, obrigada por deixarem suas
famílias e a comodidade dos seus lares para nos fazer profissionais mais
capacitados, por doarem um pouco de vocês para nós. Meu orientador, professor
Gabriel e professora Liandra, obrigada pela assistência ao meu trabalho e pelo
carinho com que me trataram.
vii
“Não quero que meus pensamentos morram
comigo... Eu quero ter feito alguma coisa... Quero
deixar algo para prosperidade”. (Temple Grandin)
viii
CUSTOS DA PRODUÇÃO LEITEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR
EM COLORADO DO OESTE – RO
RESUMO
Este trabalho teve como objetivo determinar a viabilidade econômica da pecuária
leiteira em Colorado do Oeste-RO, tendo em vista que a maioria dos pequenos
produtores não fazem a inscrição do que investem ou levantamento do que ganham
com a atividade. O trabalho foi conduzido em 7 propriedades rurais no período de
março a agosto de 2013, selecionadas de acordo com a participação no projeto
Inseminar e o desenvolvimento da atividade em relação as demais propriedades.
Fazendo a analise produtiva com relação a área da atividade leiteira, área de
pastagem para fêmeas bovinas, fêmeas em lactação, produção de leite (l/dia),
produção de leite/vacas em lactação (l/vaca/dia) e percentual de vacas em lactação;
avaliando os custos com a alimentação, sanidade, genética, administração e
manutenção da propriedade, fazendo levantamento das despesas realizadas pelo
produtor,as receitas geradas pela atividade leiteira, através da produção de leite e
venda de animais (descarte) e o desempenho dos animais em produção. Foram
levantadas informações a respeito da atividade leiteira, por meio de aplicação de
questionários e visita nas propriedades com coleta de dados pertinente as despesas,
receitas e produção no período. As propriedades analisadas fazem parte da
chamada agricultura familiar, considerados todos pequenos produtores e na maioria
sem instrução escolar. Ao realizar a analise dos dados destes pequenos produtores,
concluiu-se que os mesmos atualmente contam com uma renda líquida positiva, pois
o resultado obtido R$ 2.087,00, paga as despesas (R$ 1.810,40), restando ainda
R$276,60 de lucro liquido para o produtor. Em decorrência deste trabalho, de acordo
com os resultados obtidos, será possível estabelecer um modo de avaliação dos
principais custos da atividade leiteira e, assim, tornar a atividade mais planejada e
rentável.
Palavras-chave: administração, atividade econômica, leite
ix
COST OF PRODUCTION OF MILK FAMILY FARMING IN COLORADO DO OESTE
- RO
ABSTRACT
This study aimed to determine the economic viability of dairy farming in Colorado do
Oeste-RO, given that most farmers do not make registration of investing or earning
posing with the activity. The study was conducted in 7 rural properties in the period
March-August 2013, selected according to participation in inseminating program and
activity developmented in relation to other properties. Making productive analysis
with respect to the area of dairy farming, grazing area for cow, cows in lactation, milk
yield (L/ day), dairy cows/cows in lactation (L/ cow/ day) and percentage of lactating
cows; evaluating the costs of feeding, health, genetics, management and
maintenance of the farm, making survey of expenditure incurred by the producer, the
revenue generated by the dairy industry, through the production of milk and livestock
sales (disposal) and performance of animals in production. Information regarding the
dairy business were raised through questionnaires and visit the properties with data
collection relevant expenditure, revenue and production in the period. These
properties are part of the family farm call; all voted small holders and most without
schooling. To make the analysis of data from this small producer, it was concluded
that it currently has a positive net income, because the result obtained R$ 2,087.00,
paid expenses, R$ 1,810.4, remaining R$ 276.60 of net profit for the producer.
According to the results obtained, it will be possible to establish a way to review the
main costs of dairy farming; the farmer can apply in everyday life and thus make it
more planned and profitable.
Keywords: economic activity, management, milk
x
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
IBGE........................................................Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IDARON .........Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia
INCRA.........................................Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
PIB...............................................................................................Produto Interno Bruto
SRD ............................................................................................ Sem Racha Definida
UA ....................................................................................................... Unidade Animal
ha.................................................................................................................... Hectares
P2O5 .... ..................................................................................... Pentóxido de Fósforo
M.C.R.................................................................Manutenção, Conservação e Reparos
xi
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Estimativas da capacidade média de suporte (UA/ha)¹ das principais
gramíneas forrageiras tropicais, nas condições edafoclimáticas de
Rondônia................................................................................................................. 15
Tabela 2 - Principais causas de degradação de pastagens cultivadas em
Rondônia................................................................................................................ 18
Tabela 3 - Valores médios de receitas e desempenho animal, das propriedades
avaliadas no município de Colorado do Oeste – RO.............................................. 31
Tabela 4 - Custos fixos e variáveis mensais das propriedades avaliadas no
município de Colorado do Oeste – RO.................................................................. 32
xii
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 13
1.1 Objetivo Geral .................................................................................................. 14
1.2 Objetivos Específicos....................................................................................... 14
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .................................................................................. 15
2.1. Fatores que influenciam a pecuária de leite em Rondônia ............................. 15
2.1.1. Condições edafoclimáticas....................................................................... 15
2.1.2. Sazonalidade forrageira ........................................................................... 16
2.2. Caracterização da pecuária de leite no município de Colorado do Oeste ..... 17
2.2.1. Melhoramento genético do rebanho ......................................................... 17
2.2.2. Sistemas de produção e degradação de pastagens ................................ 18
2.2.3. Aberturas de áreas/Desmatamento.......................................................... 20
2.2. Dimensões socioeconômicas e agricultura familiar ........................................ 20
2.4. Planejamento e uso de tecnologias em propriedades rurais .......................... 21
2.5. Gestão de propriedades rurais ....................................................................... 23
2.6. Levantamento das informações de propriedades rurais ................................. 27
3. MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................................... 30
3.1. Local ............................................................................................................... 30
3.2. Seleção das propriedades .............................................................................. 30
3.3. Coleta de dados .............................................................................................. 30
3.4. Análise Estatística do dados ........................................................................... 31
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO............................................................................. 32
4.1. Análise dos custos de produção e desempenho animal ................................. 32
5. CONCLUSÕES ..................................................................................................... 34
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 35
13
1. INTRODUÇÃO
De acordo com o IBGE (2013), a produção de leite no Brasil deve aumentar 5%
em 2014. Se confirmado o aumento, a produção deve chegar a 36,75 bilhões de litros
em um ano. Esse crescimento trás ao cenário rural um aumento da tecnificação e o
melhoramento genético do rebanho com o intuito básico de aumentar a
rentabilidade.
A produção leiteira é uma atividade comum em quase 80% dos
estabelecimentos agrícolas familiares brasileiros. A inserção dos agricultores
familiares na cadeia produtiva do leite permite a ocupação da mão-de-obra familiar,
a diversificação da atividade agrícola e a geração de renda (CASTELÕES, 2012). De
acordo com Brito (2011), o estado de Rondônia tem como principal característica na
pecuária leiteira a agricultura familiar que está presente em aproximadamente 1/3
das propriedades, mesmo sendo pequenas propriedades juntas somam 14% do PIB
do estado.
Municípios como Colorado do Oeste, localizado ao sul do estado de
Rondônia, tem sua economia baseada na atividade leiteira, porém existem poucos
estudos sobre o custo de produção do município, poucos produtores conhecem sua
real condição ou ainda poucos sabem se estão obtendo lucros reais em sua
produção.
Costa et al. (1996) já destacavam o potencial leiteiro do município pois o
mesmo contribuía com a maior parte do rebanho estadual juntamente com o
município de Ji- Paraná e, também, possuía os solos mais férteis do estado. Mas,
mesmo com esse destaque que se segue até os tempos de hoje, falta aos
agricultores familiares de nosso município ponderar opiniões mais técnicas sobre o
manejo leiteiro, isto se deve ao baixo grau de escolaridade destes pecuaristas e a
grande tradição cultural que segue entre as gerações. Rosanova e Ribeiro (2010),
citam que, em geral, são produtores com baixo nível de escolaridade e renda que
diversificam suas atividades para aproveitar as potencialidades da propriedade,
melhor ocupar a mão de obra disponível, e aumentar a renda.
Todavia, muitos produtores veem a atividade leiteira apenas como uma
renda extra, onde somente retiram o produto, mas não investem em melhorias na
produção. Estes são considerados produtores sem aptidão leiteira. Mas, Lopes
14
Júnior (2010), atribui a existência destes produtores “extrativistas” à baixa
produtividade do rebanho, aliada a altos custos de produção.
Segundo RESENDE (2010), a lucratividade da produção é associada ao uso
de uma alimentação balanceada e a animais com maior potencial genético. Um meio
importante para o aumento da lucratividade é o controle dos custos e, a diminuição
dos mesmos pode ser feita através de estudos, levando em conta os custos do
sistema de produção (alimentação, sanidade, genética, e outros fatores),
manutenção da qualidade do produto e, assim, fazendo com que o mesmo possa
ser valorizado e consequentemente aumentar a lucratividade.
Desta forma buscou-se analisar e compreender a produção e a relação
custo benefício da produção leiteira do município de Colorado do Oeste, avaliando a
viabilidade da atividade leiteira neste local.
1.1 Objetivo Geral
Avaliar os impactos econômicos de pequenas propriedades leiteiras, de cunho
familiar, do município de Colorado do Oeste, no estado de Rondônia e, em posse
dos resultados sistematizar orientações para os produtores rurais profissionalizarem
a sua atividade rural.
1.2 Objetivos Específicos
a) Fazer a analise produtiva do município com relação a área da atividade
leiteira, área de pastagem para fêmeas bovinas, fêmeas em lactação,
produção de leite (l/dia), produção de leite/vacas em lactação (l/vaca/dia) e
percentual de vacas em lactação;
b) Avaliar os custos com a alimentação, sanidade, genética, administração e
manutenção
da
propriedade,
fazendo
levantamento
das
despesas
realizadas pelo produtor;
c) Avaliar as receitas geradas pela atividade leiteira, através da produção de
leite e venda de animais (descarte).
d) Avaliar o desempenho dos animais em produção.
15
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1. Fatores que influenciam a pecuária de leite em Rondônia
A bovinocultura de leite representa uma das atividades rurais mais importantes no
Brasil, segundo o IBGE, no país existem aproximadamente 5,2 milhões de
estabelecimentos rurais e destes, 1.350.809 (25%) trabalham com leite (ZOCCAL,
2012). Estes dados provam a força da atividade leiteira no Brasil, pois dentre todas
as atividades rurais exploradas nas pequenas, médias e grandes propriedades de
nosso país, o leite ainda está presente em uma grande parte delas.
Rondônia tem um papel de destaque na pecuária com um rebanho bovino
em torno de 11,5 milhões de animais sendo que 30% destes voltados à pecuária
leiteira, a qual tem fortalecido o agronegócio no estado nos últimos anos (BRITO,
2011).
2.1.1. Condições edafoclimáticas
O leite é um produto importante em todo o mundo, tem alto valor nutritivo, é um
alimento usado por pessoas de todas as faixas etárias e contribui para a geração de
renda de muitos municípios (ARRUDA, 2012). O Brasil, por se tratar de um país com
uma vasta extensão de terras, o clima, a vegetação, o solo e a cultura de seu povo
variam muito de região para região. Deste modo, recomenda-se o estudo
regionalizado de sistemas de produção de leite, pois cada povo traz consigo
conhecimentos pecuários diferentes e levam isso a suas futuras gerações (VILELA;
BRESSAN; CUNHA, 2001).
Em Rondônia não é muito diferente, mas mesmo encontrando algumas
variações de relevo, vegetação e solo, pode-se estudar o clima do estado de modo
geral. Aragão (2010) classificou-o como sendo Tropical chuvoso, com temperatura
média entre 18ºC a 33ºC e umidade do ar oscilando de 75% a 83%. Rondônia conta
ainda com altitudes de 100 a 600 m em 94% de seu território, se caracterizando
como um relevo suavemente ondulado (SCHLINDWEIN, 2012), em consequência,
16
Rondônia possui predominantemente grupos de latossolos, mas também, possui
uma gama de outros grupos de solos, entre eles terra roxa, sendo assim, 8.626 km²
são aptos para pastagem cultivada em Rondônia (CURI, 1999).
2.1.2. Sazonalidade forrageira
As pastagens representam a principal e mais barata fonte de alimentos para os
ruminantes, portanto, se tornam de suma importância o conhecimento e a
manutenção das espécies utilizadas (COSTA et al. 2004).
O equilíbrio entre oferta e demanda de forragem é dificultado em pastagens
tropicais, em razão da produção estacional de forragem durante o ano (SANTOS,
2007), Sendo assim, é determinante o estudo do clima de cada região, salientado os
períodos de chuva e de seca. Aragão (2010) menciona que o período chuvoso em
Rondônia encontra-se entre os meses de setembro a maio com maior ocorrência
entre dezembro e março, já o período mais escasso de chuvas se condiciona entre
junho a agosto.
Costa et al. (2004) asseguram que as forragens mais importantes para a
formação de pastagens nestas condições climáticas de Rondônia são as gramíneas
dos gêneros Brachiaria, Panicum, Hyparrhenia, Setaria, Cynodon e Pennisetum e,
dentre as leguminosas, Leucaena, Cajanus, Centrosema, Stylosanthes e Pueraria.
Entretanto, Melo Filho, et al (2005) e Townsend, et al (2001) afirmam que quase a
totalidade das pastagens do Estado são formadas por Brachiaria brizantha cv.
Marandu (braquiarão).
Na Tabela 1, tem-se as principais gramíneas do estado e seu suporte animal
nos períodos chuvosos e secos em pastejo contínuo e rotativo. Destaca-se então a
B. brizantha cv. Marandu em pastejo contínuo, variando de 1,5 UA no período
chuvoso a 1,0 UA na seca, que são consideradas baixas comparadas as demais
gramíneas. Esses dados retratam a realidade das pastagens de Rondônia, pois
além da baixa capacidade suporte da pastagem, o que se encontra nas
propriedades são taxas de lotação muito maiores do que as ideais para cada época
do ano e, consequentemente, ocorre o superpastejo diminuindo a oferta de forragem
(COSTA et al. 2004).
17
Tabela 1: Estimativas da capacidade média de suporte (UA/ha)¹ das principais gramíneas
forrageiras tropicais, nas condições edafoclimáticas de Rondônia.
Patejo contínuo
Chuva Seca
A. gayanus cv. Planaltina
1,5
1,0
B. brizantha cvs. Marandu, Xaraés
1,5
1,0
B. decumbens, B. ruziziensis
1,5
1,0
B. dictyoneura, B. humidicola
1,8
1,0
H. rufa
1,0
0,5
P. maximum cvs. Tobiatã, Mombaça
2,0
0,6
P. maximum cvs. Tanzânia, Centenário, Vencedor 1,6
0,6
P. maximum cv. Massai
1,5
0,8
P. atratum cv. Pojuca
2,0
1,0
S. sphacelata
1,5
0,8
Gramíneas
Pastejo rotativo
Chuva Seca
2,2
1,2
2,5
1,2
2,0
1,2
2,5
1,4
1,2
0,6
2,8
1,0
2,5
1,0
2,2
1,0
2,5
1,2
2,0
1,0
¹UA: unidade animal equivalente a 450 kg de peso vivo.
- Dados obtidos com base em resultados de pesquisas, literatura disponível para a Região
Amazônica, utilizando-se práticas de manejo compatíveis com as características agronômicas de
cada espécie: pastejo contínuo com ajuste estacional da carga animal; pastejo rotativo (um a sete
dias de ocupação e 21 a 35 dias de descanso); moderados níveis de adubação (50 kg de P2O5/ha);
sem suplementação alimentar e com adequada mineralização do rebanho.
Fonte: Costa, et al. (2004).
A seleção de plantas forrageiras adaptadas às diversas condições
edafoclimáticas da região representa a alternativa mais viável para a melhoria da
alimentação dos rebanhos (COSTA, 2004).
2.2. Caracterização da pecuária de leite no município de Colorado do Oeste
O leite no cenário municipal tem grande destaque assim como no Estado, dados do
IDARON (2013) colocam o município de Colorado do Oeste como sendo o 7º
(sétimo) maior produtor de leite do estado de Rondônia, com uma média de
produção de 4,96 litros por animal. Com todo esse destaque, muitos trabalhos vêm
sendo realizados para a melhoria desta atividade, dentre esses, o fortalecimento das
políticas públicas que assegurem à pecuária leiteira, a qualificação dos produtores e
profissionais da área com projetos que visam melhorar o manejo e desempenho
animal.
2.2.1. Melhoramento genético do rebanho
O melhoramento genético na bovinocultura de leite é uma das principais ferramentas
para melhorar a produtividade. Aragão; Paes (2010) ao pesquisara influência da
18
Inseminação Artificial como instrumentos do melhoramento genético no sudeste do
estado de Rondônia, verificaram que o melhoramento genético e a produtividade do
rebanho leiteiro são os principais motivadores para a implantação de novas
tecnologias nas propriedades da agricultura familiar. Deste modo, a qualificação do
pequeno produtor tem ganhado espaço em todo o Estado, abrangendo de forma
promissora o município de Colorado do Oeste.
O Projeto Inseminar é fruto de políticas públicas voltadas para melhoria do
rebanho leiteiro no Estado, e tem como finalidade a inseminação artificial em vacas
de leite SRD em propriedades rurais da agricultura familiar. Primeiramente,
Rondônia foi divido em nove polos e, em seguida, foram feitos seminários para a
divulgação e orientação sobre melhoramento genético. Sendo assim, os produtores
interessados escolhiam um representante dentre eles para ser o inseminador da
comunidade. Este receberia treinamento e uma botija contendo 200 doses de sêmen
de touros das raças Gir e Holandês puro sangue, e ainda abastecimento de
nitrogênio durante um ano, para prestação de serviço aos demais produtores de sua
associação que pertenciam ao projeto. De 2004 a 2008 foram distribuídas em todo o
Estado 336 botijas de nitrogênio contendo doses de sêmen de bovinos leiteiros
(ARAGÃO, 2010).
Em Colorado do Oeste o projeto foi implantado em 2007 onde foram
distribuídas 52 botijas, atualmente o projeto conta com 48 propriedades participantes
deste projeto. Podendo assim dizer que 6,23% das propriedades leiteiras do
município de Colorado do Oeste trabalham com Inseminação artificial, pois das 770
propriedades que comercializam leite no município, apenas 48 fazem parte do
projeto (IDARON, 2013). Isso confere à bovinocultura leiteira do município grande
destaque tanto no âmbito estadual quanto no regional, visto que o estado de
Rondônia é o mais produtivo da região norte do país (ZOCCAL et al., 2010).
2.2.2. Sistemas de produção e degradação de pastagens
O Brasil conta com grandes extensões de terras aptas para pastagens, portanto
esse recurso deve ser explorado para a produção de carne e leite no país. Britto
(2011) cita a viabilidade do sistema de produção em Rondônia ser a pasto, pois
conta com abundância de chuvas e baixo custo de produção com mão de obra
familiar. Em contrapartida Paciullo et. al. (2005) afirmam que um dos fatores
19
negativos de rebanhos leiteiros criado em pastagem é o baixo rendimentos de
forragem no período seco.
Geron e Brancher (2007), entretanto, ao revisarem a produção de leite em
pastagem concluíram que, esse fator pode ser contornado com o uso de
concentrados e suplementação de volumoso durante as estações mais secas do ano
ou a adubação de nitrogênio nas pastagens.
Nascimento Júnior et al. (1994) mencionam o estresse que as forrageiras
são submetidas quando pastejadas e os fatores que diminuem sua recuperação.
Segundo Andrade (2010), fatores como baixa fertilidade natural do solo, uso
frequente de fogo, superlotação das pastagens, ausência de leguminosas e falta de
manutenção de adubação contribuem para acelerar esse fenômeno.
Observa-se na Tabela 2 as principais causas da degradação das pastagens
do estado de Rondônia. Colocando em ordem de importância, de acordo com os
dados da tabela, é nítida a necessidade de se devolver ao solo os nutrientes
retirados pelas gramíneas e a necessidade de controle de suporte de animais,
evitando assim o superpastejo e a degradação das pastagens (ANDRADE, 2006).
Tabela 2: Principais Causas de degradação de pastagens cultivadas em Rondônia.
Causas de degradação
Declínio da fertilidade do solo devido à ausência de adubação
Manejo do pastejo incorreto (superlotação)
RO
Ordem de
importância¹
1ª
2ª
Manejo da pastagem incorreto (combinação de espécies
cespitosa + lotação contínua + piquetes excessivamente
3ª
grandes)
Cigarrinhas-das- pastagens
4ª
Má Formação
5ª
Uso excessivo de fogo
6ª
Síndrome da morte do capim-braquiarão
7ª
¹Baseada no conhecimento da realidade por pesquisadores que atuam em cada estado.
Fonte: Adaptada de Dias-Filho; Andrade (2006).
20
2.2.3. Aberturas de áreas/Desmatamento
Na década de 80, Rondônia começou a ser colonizada com a distribuição de lotes
de terra pelo INCRA, ocorrendo primeiramente às margens da BR-364 e,
posteriormente, se estendendo ao interior do Estado, ao modo que, os produtores
eram incentivados a desmatarem seus lotes, ou seja, aqueles que abrissem 50% de
suas terras ganhavam o título e se tornavam donos (SCHLINDWEIN, 2012).
Essa realidade ainda não é muito diferente, Andrade (2010) cita que ainda
predomina nos Estados pertencentes à Amazônia ocidental, aos quais Rondônia faz
parte, a derrubada e a queimada da vegetação original para a formação de novas
pastagens. Dias Filho e Andrade (2006) explicam o amplo crescimento do rebanho
bovino na Amazônia ocidental como sendo consequência da grande migração de
produtores de outros lugares do país a procura de menores custos de produção,
tendo como o principal motivo dessa mudança a expansão da agricultura.
2.2. Dimensões socioeconômicas e agricultura familiar
Lamarche (1993) descreve que a exploração familiar corresponde a uma unidade de
produção agrícola onde propriedade e trabalho estão intimamente ligados à família.
A interdependência desses três fatores no funcionamento da exploração engendra
necessariamente noções mais abstratas e complexas, tais como a transmissão do
patrimônio e a reprodução da exploração.
Dessa forma entende-se como agricultura familiar, um imóvel rural, que
diretamente e pessoalmente é explorado pelo agricultor e sua família, em que
absorve toda a sua força de trabalho, garantindo a subsistência e o progresso social
e econômico, com área máxima fixada para cada região, e que, quando é
necessário conta com ajuda de terceiros (BLUM, 2001).
A produção leiteira é uma atividade comum em quase 80% dos
estabelecimentos agrícolas familiares brasileiros. A inserção dos agricultores
familiares na cadeia produtiva do leite permite a ocupação da mão de obra familiar, a
diversificação da atividade agrícola e a geração de renda (CASTELÕES, 2012).
De acordo com Brito (2011), o estado de Rondônia tem como principal
característica na pecuária leiteira a agricultura familiar que está presente em
21
aproximadamente 1/3 das propriedades, mesmo sendo pequenas propriedades
juntas somam 14% do PIB do Estado.
Como a atividade leiteira é, na grande maioria, desenvolvida por pequenos
produtores, e dentre estes, o nível de escolaridade e poder aquisitivo é baixo, a
introdução de novas tecnologias e manejos adequados a estes indivíduos é mais
dificultosa. Rosanova e Ribero (2010) ao avaliarem a produtividade dos rebanhos do
município de Palmas - TO e a produção leiteira em propriedades de economia
familiar, consideram baixo o nível de conhecimento e informação sobre as
características dos sistemas produtivos e sobre as perspectivas da atividade leiteira
na região.
Em contrapartida, no estado do Paraná, o IPARDES (2009) dimensionou o
sistema leiteiro como sendo um dos mais evoluídos do país, sendo o progresso
genético e índices de produtividades das vacas de algumas regiões do Estado
comparados a de países superdesenvolvidos na pecuária leiteira. Percebe-se então,
a disparidade entre regiões brasileiras, onde vê-se a pecuária leiteira do sul do país
muito mais à frente do restante.
2.4. Planejamento e uso de tecnologias em propriedades rurais
Mesmo sendo uma atividade importante, o sistema de produção de leite no Brasil é
de baixa rentabilidade. Segundo dados do Banco do Brasil (2010), estima-se que
2,3% das propriedades leiteiras são especializadas e atuam como empresa rural
eficiente. Entretanto, 90% dos produtores são considerados pequenos, com baixo
volume de produção diária, baixa produtividade por animal e pouco uso de
tecnologias.
A utilização de tecnologias no sistema de produção do leite foi abordada por
Silva et al. (2012), que ao estudarem o sistema de produção de leite da microrregião
de Imperatriz, no estado do Maranhão, detectaram um baixo nível de utilização
tecnológica e baixa produtividade da terra, dos animais e das pastagens. Seguindo
esse mesmo conceito, Lopes (2007) caracterizou a produtividade leiteira na região
de Jaboticabal – SP e constatou que as tecnologias na pecuária leiteira não estão
sendo adotadas de forma eficiente.
22
Segundo Miranda et. al. (2006), para a manutenção de uma empresa no
mercado, independente do seu ramo de atividade, ela precisa ter conhecimento e
gerenciamento sobre suas necessidades e exigências do meio em que está inserida.
Daí a necessidade de analisar economicamente a atividade leiteira, para que o
produtor possa conhecer e utilizar os fatores econômicos para detectar pontos de
estrangulamento e assim concentrar seus esforços para ter sucesso na sua
atividade (LOPES, 2000).
A produtividade em uma atividade rural necessita de gerenciamento
adequado, para que se tenha um ganho na pecuária leiteira. Deste modo, são
necessários dados que caracterizem a propriedade, os produtores, o rebanho e o
manejo utilizado. Basso (2007) analisou energeticamente a produção de leite em
Botucatu-SP e, utilizou questionários especificamente elaborados e relatos orais
como coleta de dados, a fim de atingir seus objetivos. Do mesmo modo, Luiz Sá, et.
al. (2010) e Lopes (2007) em suas pesquisas caracterizaram as bacias leiteiras
estudadas por meio de questionários e coleta de dados.
Segundo Reis (1999) apud Lopes et al. (2004) estudar o custo de produção
é muito importante para a economia da atividade leiteira, pois serve de indicativo
para que o produtor possa adotar medidas que aumentem seus resultados
econômicos. Mas em geral é necessário um ano de análises de dados para se obter
um custo de produção de leite (CARVALHO et al, 2002).
De acordo com Lopes (2000), esses dados da apuração dos custos de
produção têm sido usados para diferentes finalidades como: estudo da rentabilidade
da atividade leiteira; redução dos custos controláveis; planejamento e controle das
operações do sistema de produção do leite; identificação e determinação da
rentabilidade do produto; identificação do ponto de equilíbrio do sistema de produção
de leite; e instrumento de apoio ao produtor no processo de tomada de decisões
seguras e corretas.
O planejamento é essencial para o gerenciamento de decisões operacionais,
táticas e estratégicas, métodos de planejamento, identificação e a análise de pontos
de referência destacam-se pela segurança e exatidão, os valores são obtidos
diretamente de unidades de produção presentes em mesmo ambiente econômico
(GOMES, 2005).
23
Estudos têm sido realizados visando identificar os principais indicadores
zootécnicos e econômicos que influenciam a rentabilidade dos sistemas de
produção de leite no Brasil (KRUG, 2001).
2.5. Gestão de propriedades rurais
Reichert (1998) afirma que o gerenciamento da propriedade rural é uma das
ferramentas importantes e indispensáveis para se buscar um desenvolvimento
sustentável da propriedade como um todo, independentemente do seu tamanho.
A função do gestor é analisar riscos e tomar decisões, o que é um processo
complexo, requer o raciocínio, compromisso, e o uso de informações, além de lidar
com pessoas, princípios, conceitos, e metodologias (algumas delas abstratas).
Entretanto, o uso correto das informações e conhecimentos, pode reduzir o risco
(FRANK, 2001).
A qualidade gerencial está relacionada a dois fatores importantes,
responsáveis pela prática gerencial: o produtor e o profissional de ciências agrárias
que o assiste. Do lado do produtor, segundo Camargo (1998), pouco importa o
tamanho da propriedade, do rebanho ou do volume de produção. Ser grande ou
pequeno produtor depende de conhecimentos e da disposição para mudar; são
fatores que selecionam e viabilizam a atividade.
O tratamento de fazendas produtoras de leite como empresas ainda não
começou no Brasil. Existem alguns casos aqui e ali, mas a grande maioria das
propriedades ainda não experimentou os prazeres de uma gestão empresarial
(MACHADO; CASSOLI, 2007). Segundo estes autores, as razões são muitas, mas
destacam-se o fato de que a atividade ainda não despertou o interesse de grupos
econômicos para o seu potencial de fazer dinheiro. Não sendo uma atividade
economicamente sólida porque carece de ajustes básicos e fundamentais como, por
exemplo, a aplicação total dos padrões de qualidade impostos para o leite pelo
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (IN-51), maior controle das
importações predatórias, o uso ilegal do soro em substituição ao leite entre outros.
Com a correção destes fatores, a atividade poderá se tornar atraente
financeiramente e os conceitos de gestão de negócios passarão a ser prática
comum nas fazendas produtoras de leite.
24
Segundo o Diagnóstico da Pecuária Leiteira em Minas Gerais, realizado em
2005, 67% das administrações de empresas rurais produtoras de leite são
realizadas pelos proprietários, e 29,60% pelo proprietário e sua família. Neste
sentido, a administração é tipicamente familiar e poucos são os casos em que a
administração é realizada por um administrador contratado. O pequeno volume de
produção da maioria dos produtores é a principal justificativa para estes não
contratarem administrador. As empresas rurais não possuem escala de produção
que comporte o pagamento de um administrador, pois o custo fixo médio é muito
alto (GOMES, 2006).
Analisando como os produtores rurais administram os seus negócios,
Canziani (2001) identificou um conjunto de razões que limita o uso de técnicas de
gestão nas empresas agropecuárias, apresentando as seguintes conclusões gerais:
a)
A natureza familiar predominante na empresa agropecuária lhe confere
uma forma própria de gestão, que muitas vezes contraria o objetivo da maximização
de lucros estabelecido pela teoria neoclássica;
b)
Há importantes e significativas diferenças na opinião e percepção de
técnicos e produtores sobre as melhores formas de gerenciamento das empresas
agropecuárias;
c)
A baixa participação dos técnicos no processo administrativo da
empresa agropecuária se deve muito mais a atitudes negativas dos produtores
rurais, do que a atitudes negativas dos técnicos, sobre os diversos problemas. Os
produtores, ao contrário dos técnicos, entendem que esses profissionais devem
priorizar as questões tecnológicas, em sua prestação de serviços às propriedades
rurais;
d)
Atualmente, tanto os produtores, como os técnicos reconhecem a
necessidade da empresa agropecuária de adotar um critério mais formal de
planejamento, uma organização mais eficiente das áreas administrativas, uma
direção mais abrangente da empresa e um controle mais pormenorizado das
atividades desenvolvidas. Isso sugere que, no futuro, seja ampliada a demanda por
serviços de assessoria administrativa às empresas agropecuárias no Brasil, em
complemento as atuais formas tradicionais de atuação da assistência técnica;
e)
As recomendações para as formas de gerenciamento da organização
agropecuária devem considerar as características da empresa e do empresário rural,
25
e não serem estabelecidas a prioridade sem o conhecimento da situação particular
de cada caso.
Estas conclusões corroboram para o desafio que é a prática da gestão, a
qual é uma atividade sofisticada em seu pragmatismo: pois busca resultados
satisfatórios. O que interessa, prioritariamente, é a transformação de intenções em
resultados (no ambiente organizacional), ao longo dos ciclos de vida das
organizações, dos processos, dos produtos e das equipes. Segundo Carvalhal e
Ferreira (2000), a gestão empresarial é essencialmente composta por dois conjuntos
mais importantes de habilidades expressas no cotidiano organizacional: as
administrativas e as de liderança.
Avaliando a adoção das funções administrativas nas propriedades rurais,
Canziani (2001) concluiu que as limitações/dificuldades na adoção das mesmas nas
empresas rurais são:
Planejamento:
a)
Os produtores rurais não alteram, contínua e sistematicamente, seu
planejamento estratégico de produção, em função das incertezas de mercado e dos
custos associados à alteração do processo produtivo.
b)
No planejamento financeiro, os produtores rurais normalmente
direcionam seus recursos para serem aplicados em estoques ou ativos fixos, pois
preferem trabalhar suas atividades com maior estoque de capital do que com maior
liquidez em caixa.
Organização:
a)
Na
organização
agropecuária, há uma
da
infraestrutura
e
tendência dos produtores
do
pessoal na
em
empresa
superdimensionar a
disponibilidade desses fatores de produção, visando uma redução dos riscos
operacionais inerentes à produção.
b)
Na organização das finanças na empresa agropecuária, normalmente
há um descompasso entre o detalhamento dos registros idealizados por técnicos ou
empresas de informática e a real capacidade dos produtores rurais de implementálos com eficiência na empresa.
Direção:
a)
A estrutura funcional dos recursos humanos é centralizada, com
acúmulo de responsabilidades no produtor rural, gerando ineficiências decorrentes
da baixa delegação de atribuições ao restante da mão-de-obra;
26
b)
A direção operacional da produção ocupa o maior tempo de trabalho do
produtor rural e normalmente direciona-se à busca por maiores produtividades.
Controle:
a)
As principais dificuldades no controle da empresa agropecuária são a
coleta de dados a campo, proporcionada pelo baixo nível de conhecimento,
habilidades e atitudes dos funcionários em relação às tarefas de controle;
b)
Há, por um lado, uma atitude favorável de produtores e técnicos em
aperfeiçoar o sistema de controle da empresa agropecuária, mas, por outro lado, um
reconhecimento dos produtores sobre as dificuldades de implantá-los e utilizá-los
gerencialmente.
Segundo Brizola (2002) a aplicação da administração estratégica em
fazendas é algo ainda pouco experimentado. Muito se tem falado, mas poucas são
as propriedades onde se pode perceber realmente, sua aplicação. Os benefícios da
administração, as consequências da não administração ou a necessidade dela, são
fatores importantes apontados por vários autores.
Lopes et al (2004), em um trabalho de análise de dados provenientes de 16
sistemas de produção localizados na região de Lavras, coletados mensalmente
durante o período de janeiro de 2002 a junho de 2003, concluíram que na análise
econômica, por apresentar margem líquida positiva e o resultado negativo, a
atividade leiteira tem condições de produzir em médio prazo, e, em longo prazo, os
pecuaristas estão se descapitalizando. Esta conclusão evidencia a necessidade e
importância da coleta e análise de dados nas propriedades como suporte para o
processo de tomada de decisões, seja para reestruturação técnica e administrativa,
ou ao caso extremo de interrupção das atividades.
Fassio et al (2006), avaliando os dados de 574 produtores comerciais de
leite, provenientes de todas as regiões do Estado de Minas Gerais, tendo o período
de estudo compreendido os anos agrícolas de 1995/96 a 2001/02, concluíram que a
baixa produtividade da pecuária leiteira em Minas Gerais e os elevados custos de
produção evidenciam a necessidade de se modernizar e profissionalizar a
administração do empreendimento, com vistas à melhor alocação e combinação dos
recursos produtivos.
Segundo os mesmos autores, é preciso, pois, que os produtores de leite
adotem práticas de gestão fundamentadas no planejamento da produção,
organização rural e controle de atividades e processos, notadamente controles
27
zootécnicos e administrativos. Além disso, é necessário que a tecnologia disponível
seja plenamente compreendida e utilizada de forma eficiente, garantindo a
alimentação e o manejo adequado do rebanho, assim como o uso da capacidade
máxima instalada e obtenção de uma melhor rentabilidade na atividade leiteira.
Segundo estes autores, estas questões relacionam-se intimamente à gestão
de recursos humanos e requerem, portanto, a capacitação dos produtores e da mãode-obra por eles empregada, bem como a capacitação dos técnicos que os
orientam. Dessa forma, os programas de qualificação da mão-de-obra rural devem
priorizar a disseminação de informações técnicas, gerenciais e organizacionais que
possam auxiliar na superação das deficiências demonstradas, as quais restringem o
desenvolvimento da atividade leiteira em Minas Gerais.
Análises de viabilidade produtiva de sistemas de produção devem
necessariamente compor análises de custos e receitas (MANCIO et al, 1999).
Segundo estes autores, com maior produtividade e maior eficiência técnica, os
lucros tornaram-se maiores nas propriedades analisadas e concluíram ainda que a
produção de leite em escala tem influência decisiva no custo total do litro de leite.
2.6. Levantamento das informações de propriedades rurais
De acordo com Ruas et. al. (2006), a aplicação de questionários estruturados, com
questões fechadas, a fim de transformar uma série de fatos qualitativos
(denominados atributos) numa série de valores quantitativos (denominados
variáveis) e, assim, permitir a análise estatística dos resultados, compreende o que
se chama de entrevista estruturada.
O mesmo autor descreve que esta técnica é caracterizada como pesquisa
social que utiliza como recurso principal um questionário previamente elaborado e
impresso para registrar informações de uma entrevista dirigida. É empregada com o
objetivo de obtenção de dados primários e secundários sobre determinados
aspectos
da
realidade
de
uma
comunidade,
município,
território
visando
complementar informações de outras fontes. Permite a utilização de dados
quantitativos sobre situações, fatos, problemas e potencialidades, os quais
subsidiam a construção de um diagnóstico.
O questionário deve seguir alguns
critérios com relação à forma e conteúdo: ser resumido e simples para facilitar as
28
entrevistas e a sistematização dos dados; garantir a qualidade e a quantidade das
informações; deve conter perguntas objetivas e que não sejam tendenciosas ou
indutivas.
O painel de visualização é outra ferramenta usada no levantamento da
informação. É estruturado a partir de fichas de cores e tamanhos variados, que
permite a visualização dos temas tratados. É aplicado com o objetivo de facilitar a
participação das pessoas na formulação de suas ideias, propiciando um trabalho
participativo, criativo e que permite rapidez no processo de sistematização dos
resultados. Esta técnica pode ser utilizada em processos participativos de
planejamento e gestão, capacitação e formação (RUAS et. al. 2006).
Para Marconi e Lakatos (2006), a entrevista é um procedimento utilizado na
investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou
tratamento de um problema social mediante uma conversação de natureza
profissional. Trata-se de um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas
obtenha informações a respeito de determinado assunto.
A entrevista tem como objetivo principal a obtenção de informações do
entrevistado, sobre determinado assunto ou problema e os diferentes tipos de
entrevistas, variam de acordo com o propósito do entrevistador (MARCONI;
LAKATOS, 2006).
Ruas et al. (2006), descreveram que esta técnica é caracterizada como
pesquisa social que utiliza como recurso principal um formulário previamente
elaborado e impresso para registrar informações de uma entrevista dirigida, sendo
empregada com o objetivo de obtenção de dados primários e secundários sobre
determinados aspectos da realidade de uma comunidade, município, território
visando complementar informações de outras fontes, permitindo a utilização de
dados quantitativos sobre situações, fatos, problemas e potencialidades, os quais
subsidiam a construção de um diagnóstico. O formulário deve seguir alguns critérios
com relação à forma e conteúdo: ser resumido e simples para facilitar as entrevistas
e a sistematização dos dados; garantir a qualidade e a quantidade das informações;
deve conter perguntas objetivas e que não sejam tendenciosas ou indutivas.
29
2.7 Analise dos custos
De acordo com Antunes e Ries (2001) o processamento dos dados coletados
poderá ser efetuado de várias formas distintas, ou seja, cada dado poderá gerar
diferentes informações gerenciais, de acordo com a forma como o mesmo for
trabalhado:
Custo fixo: é composto pela soma de todos os custos que permanecem
inalterados a curto prazo, são as despesas que deverão ser custeadas,
independentemente de alternativas de produção. Ex.: depreciação de ativos
imobilizados (maquinas, equipamentos, galpões, cercas); mão de obra; custos de
manutenção de estrutura administrativa da empresa rural. É necessário ter muito
cuidado em relação ao custo fixo, para mexer neste custo é preciso grande
planejamento e antecedência nas decisões. Para Göcksl (1991) o custo fixo, é
aquele que existe mesmo que não haja produção.
Custo variável: são todos os custos com insumos, ou serviços utilizados, é
representado pela soma de todos os custos que variam em proporção direta com o
volume de produção ou área de plantio utilizada nas atividades produtivas. Estes
custos podem ser facilmente manipulados pelo administrador uma vez que, tendo
recursos financeiros disponíveis, pode fácil e rapidamente (no curto prazo) conseguir
o que precisa junto ao mercado. Ex.: compra de sementes; alimentação para
animais; mão de obra especifica (ANTUNES; RIES, 2001). Göcksl (1991), concorda
e afirma que o custo variável é aquele incorrido pela utilização de qualquer insumo,
recurso ou fator de produção, dependendo do nível de produção ou quantidade
produzida.
30
3.
MATERIAL E MÉTODOS
3.1. Local
O trabalho foi realizado no Município de Colorado do Oeste, localizado a uma
latitude 13º 07' 00" sul e a uma longitude 60º32'30" oeste, com altitude de 460
metros, que possui aproximadamente 18.338 habitantes no cone sul do estado de
Rondônia.
As propriedades usadas no estudo estão localizadas nas linhas 01 km 8
rumo Colorado, linha 2ª eixo km 16 rumo Escondido, linha 2, km 6,5 sentido
Colorado, linha 01, km 11, sentido Colorado.
3.2.
Seleção das propriedades
O estudo foi conduzido em pequenas propriedades da agricultura familiar produtoras
de leite, assistidas pela EMATER da cidade de Colorado do Oeste. Selecionaram-se
os agricultores participantes do projeto Inseminar que na sua totalidade são 48
(quarenta e oito) produtores participantes de 8 (oito) comunidades rurais e 7 (sete)
propriedades referenciais, usando-as, de maneira representativa, para analise dos
dados coletados. As propriedades foram selecionadas por serem as propriedades
referenciais do programa.
3.3.Coleta de dados
As informações foram obtidas por meio de visitas às propriedades, onde foram
analisados os dados de cada uma durante o período de Março de 2013 a Agosto de
2013.
Sendo levados em consideração aspecto relacionados ao rebanho leiteiro, a
infraestrutura,
os
implementos
comercialização e o manejo.
da
propriedade,
a
produção
de
leite,
a
31
3.4. Análise Estatística do dados
Os resultados obtidos foram armazenados e tabulados em planilhas e analisados
por meio de estatística indutiva. Após a coleta dos dados nas propriedades os
mesmos foram alocados em planilhas do programa Excel (Microsoft, Versão 2007),
de maneira que os resultados foram encontrados através do cálculo da média
simples das 07 propriedades avaliadas.
32
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1. Análise dos custos de produção e desempenho animal
Os resultados observados para análise dos custos de produção das propriedades
em estudo, encontram-se apresentados na Tabela 3. Podemos perceber que a
médias de produção diária, por vaca/dia, e por mês, 77,32l/dia; 4,85l/vaca/dia e
2.278,53l/mês, respectivamente, estão baixos em relação as despesas descritas na
tabela 5, de modo que se multiplicar a produção mensal, 2.278,53l/mês, pelo preço
do leite, R$ 0,75/l, obtendo o resultado de R$ 1.708.90, somados ao valor mensal
adquirido com a venda dos animais descartados (R$379,00/mês), tem-se o valor real
mensal de R$ 2.087,00 para pagar as despesas. De acordo com a Tabela 4, as
despesas totais mensais somam o valor de R$ 1.810,40 e ao pagá-las, o produtor
fica mensalmente com um lucro liquido de R$276,00 para investir no aumento da
produtividade do rebanho.
Tabela 3. Valores médios da receita e desempenho animal das propriedades avaliadas no município
de Colorado do Oeste – RO.
Média
Receitas e desempenho animal
Área destinada a produção de leite (%)
44
Descarte de matrizes (%/ano)
10
Matrizes em lactação (cab.)
15,66
Média de produção (l/vaca/dia)
4,85
Média de produção diária (l)
77,32
Periodo de serviço (dias)
Preço do leite (R$/l)
Produçao de leite (L/mês)
90
0,75
2278,53
Vacas em lactação (%)
37,84
Valor adquirido com a venda dos descartes (R$/mês)
379,00
Receita bruta mensal média
2.087,90
Conforme observado na Tabela 4, as despesas com pro- labore e sal
mineral, foram os que mais oneraram as despesas de custeio, seguida de gastos
com hora/máquina, que teve grande relevância e mão de obra. Já, Gonçalves e
Araripe (2002) afirmam que o fator que mais onera a produção leiteira é a
alimentação e Matos (2002) cita a mão de obra e os equipamentos como sendo os
responsáveis pelos altos custos na produção.
33
Tabela 4. Custos fixos e variáveis mensais das propriedades avaliadas no município de Colorado do
Oeste – RO
Custos fixos
Combustível para veículos
11,67
%
0,64
Conta de energia elétrica
89,19
4,93
*Depreciação – instalações e afins
100,00
5,52
1,48
0,08
*M.C.R instalações e afins
120,00
6,63
*M.C.R pastagens
40,00
2,21
Pró-labore do proprietário
672,50
37,15
Mão de obra
106,50
5,88
Administração da propriedade
27,13
1,50
1.168,47
R$
Ferramentas/outros
Subtotal fixo
Custos variáveis
R$
Herbicida/inseticida - pastagem
20,33
64,54
%
1,12
Mastite, medicamentos
42,47
2,81
Ração (kg)
75,75
4,18
Rateio - hora/trator
152,50
8,42
Reprodução
33,17
1,83
Sal mineral (kg)
156,22
8,63
Sementes de pastagem
44,17
2,44
Ureia e adubos - piqueteamento
0,00
0,00
Vermífugos
25,00
1,38
Volumoso - silagem capim elefante
84,33
4,66
Subtotal variável
641,93
35,49
Total
1.810,4
100%
Valores extraídos do Relatório de Informações Semestrais Sobre Atividades Agropecuárias – RIS de
Colorado do Oeste/2º semestre - 2013.
Tais produtores estão, de maneira geral, complementando suas rendas com
vendas de bezerros ou vacas descartes, e, até mesmo com outras atividades
complementares, como o gado de corte. É necessário salientar que fala-se de
pequenos produtores rurais, de propriedades com área de no máximo 100 ha e que
estão começando a implantar o melhoramento genético através de programas do
governo assistidos pela EMATER.
34
5. CONCLUSÕES
Analisando os aspectos econômicos da atividade leiteira no município de Colorado
do Oeste-RO, encontramos uma atividade pouco satisfatória. Quanto à renda, o
produtor rural não obtém lucro significativo com a atividade.
Avaliando os custos com a alimentação, sanidade, genética, administração e
manutenção da propriedade e, com base no levantamento das despesas realizadas
pelo produtor, percebeu-se que o pró-labore onera as despesas mensais. As
receitas geradas pela atividade leiteira, através da produção de leite e venda de
animais (descarte), está apenas pagando as despesas geradas. Os índices de
desempenho dos animais em produção, quando comparados a média nacional,
estão baixos.
35
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