DANIELA ALEXANDRE DA SILVA
MEMÓRIA TÉCNICA DAS UNIDADES DE PESQUISA DA
EMBRAPA
LONDRINA
2010
DANIELA ALEXANDRE DA SILVA
MEMÓRIA TÉCNICA DAS UNIDADES DE PESQUISA DA
EMBRAPA
Trabalho
de
Conclusão
de
Curso
apresentado à Disciplina 2TCC604 do curso
de Biblioteconomia do Departamento de
Ciência da Informação da Universidade
Estadual de Londrina.
Orientador: Profª. Nelma Camêlo de Araujo
LONDRINA
2010
S586m Silva, Daniela Alexandre da.
Memória técnica das Unidades de pesquisa da Embrapa /
Daniela Alexandre da Silva. – Londrina, 2010.
73 f. : il.
Orientador: Nelma Camêlo de Araujo.
Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Biblioteconomia)
– Universidade Estadual de Londrina – UEL, 2010.
1. Memória técnica. 2. EMBRAPA. 3. Formação de memória
técnica. 4. Produção técnico-científica – memória técnica. 5.
Bibliotecário. I. Araujo, Nelma Camêlo de. II. Universidade Estadual
de Londrina. III. Título.
DANIELA ALEXANDRE DA SILVA
MEMÓRIA TÉCNICA DAS UNIDADES DE PESQUISA DA EMBRAPA
Trabalho
de
Conclusão
de
Curso
apresentado à Disciplina 2TCC604 do curso
de Biblioteconomia do Departamento de
Ciência da Informação da Universidade
Estadual de Londrina.
Orientador: Profª. Nelma Camêlo de Araújo
COMISSÃO EXAMINADORA
____________________________________
Profª. Ms. Nelma Camêlo de Araújo.
Universidade Estadual de Londrina
____________________________________
Prof. Dr.ª Rosane Suely A. Lunardelli
Universidade Estadual de Londrina
____________________________________
Profª. Ms. Leticia Gorri Molina
Universidade Estadual de Londrina
Londrina, _____de ___________de _____.
Dedico este trabalho, que representa a realização de mais uma etapa de minha
vida:
Aos meus pais
Luis Jose da Silva (in memorian) e Ilda Alexandre da Silva,
pelo exemplo de amor e luta.
Aos meus irmãos José Luis e Isabelle,
por todos os momentos partilhados nesta difícil caminhada
e ao meu pai de coração Ed Aparecido Leite, que nas horas de aperto sempre me
estendia a mão.
E principalmente a DEUS por ter me dado sabedoria e paciência durante esses
quatro anos de batalha.
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar agradeço a DEUS que sempre esteve comigo em todos os
momentos, guiando-me, transformando o desânimo em força e a falta de fé, em
esperança.
A minha família, especialmente meus pais e irmãos, pelo carinho e apoio que recebi,
em todos os momentos difíceis. Em especial meu pai, Luis que aonde ele está,
tenho certeza que sempre esteve e sempre estará do meu lado (Te amo pai, você
faz muita falta). As minhas primas Graziela e Franciele e aos meus tios Gilza e José
que sempre me acolheram em sua casa nas horas em que precisei ficar reclusa em
alguns momentos.
À minha orientadora Profª. Nelma, pelos ensinamentos e pela atenção dada ao
desenvolvimento deste trabalho, que DEUS abençõe você e toda a sua família.
A todos os professores que compartilharam sua sabedoria e seu conhecimento,
contribuindo para minha formação em especial a Profª. Silvana pela grande ajuda
durante esse ano e ao Maurício que sempre estava disposto a nos ajudar a resolver
os “pepinos” do departamento.
As grandes amigas que conquistei na UEL, em especial a Cristiane, Clotilde, Greicy,
Karina Tchê tchê, Karina Pinho, Letícia, Lorena, Noele, Poliana, Rafaela e Rosana,
pelos momentos em que demos muitas risadas, aos dias de festa (altas cervejadas),
pelos momentos de crise em que uma dava apoio a outra e por outros vários
motivos, vocês ficarão sempre em meu coração, obrigada pelo carinho e amizade
que prometo vai durar pela vida toda.
Aos meus colegas de turma, pelos momentos alegres e de descontração que
tivemos em sala de aula e também fora dela. Também aos amigos de festas que
sempre tinhamos algum motivo pra comemorar qualquer coisa e em qualquer lugar e
em qualquer momento.
Aos meus amigos de Marília, em especial a Cristiane e o mala do irmão dela o
Rafael, pela mega ajuda que vocês me deram durante esse ano e que agora vocês
vão ter que me aturar por mais um bom tempo.
Aos amigos da Embrapa Soja, em especial a Bruna, com os quais convivi boa parte
enquanto acadêmica, como estágiária, com certeza cresci muito, trabalhando com
profissionais altamente capacitados, agradeço ao Ademir e a Izilda que sempre me
ajudaram contribuindo para minha formação e a Maria José, que me ajudou muito
durante o desenvolvimento desse trabalho, “Mazé, valeu”.
Enfim, a todas, as pessoas que colaboraram direta ou indiretamente para que esse
trabalho pudesse ser concluído com êxito.
Ah, não posso deixar de agradecer as melhores festas e bares que já tive a
oportunidade de ir: Agrozoo, Bohemios, Tatucada, F.I.K.A., Becos e Mustangs da
vida...Essas festas e lugares marcaram a minha vida de universitária e certamente
ficaram na minha memória por toda a minha vida...
Sinceramente, muito obrigada a todos.
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“A distinção entre passado, presente e futuro
é apenas uma ilusão teimosamente
persistente”.
(Albert Einstein)
SILVA, Daniela Alexandre da. Memória técnica das Unidades de pesquisa da
Embrapa. 2010. 72 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Biblioteconomia) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2010.
RESUMO
Com o crescimento da produção científica e de documentos técnicos produzidos
pelas instituições de pesquisa e pelas empresas em geral, torna-se necessária a
criação de um acervo especial, onde esse acervo seja disponível em formato físico,
e digital. Tal iniciativa possibilita a preservação da produção intelectual e a troca de
informação entre as Unidades da Embrapa. A presente pesquisa teve como
propósito analisar a formação do acervo de memória técnica das unidades de
pesquisa da Embrapa. Para tanto buscou mapear as unidades de pesquisa da
Embrapa, verificar os tipos de documentos que compõe a memória técnica dessas
unidades e identificar o tratamento aplicado a esse acervo. Trata-se de uma
pesquisa descritiva, que utilizou como instrumento de coleta de dados um
questionário, composto por 26 questões, aplicado com os 42 bibliotecários que
atuam nas 42 Unidades da Embrapa. Com base nas informações coletadas pelo
estudo, pôde-se constatar que as Unidades e seus bibliotecários conhecem o termo
memória técnica e que na maioria delas, já existe memória técnica. Verificou-se,
também, que os documentos que compõe o acervo são as publicações editadas e
seriadas, produzidas pelas unidades e relatórios técnicos produzido pelos
pesquisadores nas Unidades e o tratamento aplicado a este acervo é o mesmo
aplicado ao acervo das bibliotecas existentes nas Unidades. O levantamento
permitiu identificar as Unidades de pesquisa da Embrapa que possuem memória
técnica, sendo que a própria Embrapa tem a consciência da importância desse
acervo, possibilitando a adesão e implantação de memória técnica.
Palavras-chave: Memória técnica. EMBRAPA. Formação de memória técnica.
Produção técnico-cientifica – Memória. Bibliotecário.
SILVA, Daniela Alexandre da. Memory research units of Embrapa. 2010. 72 f.
Work of Conclusion of Course (University Degree) – State University of Londrina.,
Londrina, 2010.
ABSTRACT
With the growth of the scientific production and documents technician produced by
the institutions of research and the companies in general, the creation of a special
quantity becomes necessary, where this quantity is available in physical format, and
digital. Such initiative makes possible the preservation of the intellectual production
and the information exchange enters the Units of the Embrapa. The present research
had as intention to analyze the formation of the quantity of memory technique of the
units of research of the Embrapa. For in such a way it searched to mapear the units
of research of the Embrapa, to verify the types of documents that the memory
composes technique of these units and to identify the applied treatment to this
quantity. One is about a descriptive research, that it used as instrument of collection
of data a questionnaire, composition for 26 questions, applied with the 42 librarians
who act in the 42 Units of the Embrapa. On the basis of the information collected for
the study, could be evidenced that the Units and its librarians know the term memory
technique and that in the majority of them, already exist memory technique. It was
verified, also, that the documents that the quantity composes are the edited
publications and seriadas, produced for the units and reports technician produced for
the researchers in the Units and the treatment applied to this quantity the same is
applied to the quantity of the existing libraries in the Units. The survey allowed to
identify the Units of research of the Embrapa that possess memory technique, being
that the proper Embrapa has the conscience of the importance of this quantity,
making possible the adhesion and implantation of memory technique.
Key words: Memory technique. EMBRAPA. Memory formation technique. Technicalscientific – Memory. Librarian.
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – A instituição considera importante que o público interno saiba onde
estão os documentos produzidas por ela.................................................................41
Gráfico 2 – A importância que a instituição atribui à formação gerada ...................42
Gráfico 3 – Conhecimento sobre memória técnica..................................................42
Gráfico 4 – Unidades que possuem memória técnica .............................................43
Gráfico 5 – Documentos do acervo .........................................................................44
Gráfico 6 – Vantagens da memória técnica.............................................................44
Gráfico 7 – Procedimentos de organização da memória técnica ............................47
Gráfico 8 – Formato digital – Disponível em repositório..........................................48
Gráfico 9 – Titulação acadêmica .............................................................................49
LISTAS DE QUADROS
Quadro 1 – Caracterização das Unidades...............................................................39
Quadro 2 – Unidades por região .............................................................................40
Quadro 3 – Documentos que compõe a Memória Técnica das Unidades...............46
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BDPA – Biblioteca Digital de Pesquisa Agropecuária
CDD – Classificação do Decimal de Dewey
CRB – Conselho Regional de Biblioteconomia
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
INFOTECA – Informação Tecnológica em Agricultura
MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
OEPAS – Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária
PAC – Plano de Fortalecimento e Crescimento
P&D – Pesquisa e Desenvolvimento
PDE – Plano Diretor da Embrapa
SEBE – Sistema Embrapa de Bibliotecas
SNPA – Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária
SUMÁRIO
1INTRODUÇÃO ......................................................................................... 15
2 PROBLEMA. ........................................................................................... 17
3 JUSTIFICATIVA ...................................................................................... 19
4 OBJETIVOS............................................................................................ 21
4.1 O BJETIVO G ERAL .................................................................................. 21
4.2 O BJETIVOS E SPECÍFICOS ........................................................................ 21
5 REFERENCIAL TEÓRICO ....................................................................... 22
5.1 M EMÓRIA T ÉCNICA O RGANIZACIONAL ........................................................ 22
5.2 O B IBLIOTECÁRIO C OMO G ESTOR
5.3 E MPRESA B RASILEIRA
DE
DA I NFORMAÇÃO ...................................... 26
P ESQUISA A GROPECUÁRIA .................................. 30
6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ................................................... 34
6.1 C ARACTERIZAÇÃO
6.2 D ESCRIÇÃO
DA
P ESQUISA ............................................................... 34
DO UNIVERSO DA
P ESQUISA .................................................... 36
6.3 P OPULAÇÃO A LVO .................................................................................. 36
6.4 L IMITAÇÕES
DA
P ESQUISA ....................................................................... 37
6.5 P ROCEDIMENTOS
DE
C OLETA
6.6 P ROCEDIMENTOS
PARA A ANÁLISE DOS DADOS
DE
D ADOS .................................................... 37
............................................ 38
7 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS ...................... 39
8 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ........................................................... 51
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................... 54
REFERÊNCIAS.......................................................................................... 57
APÊNDICES .............................................................................................. 61
A PÊNDICE A: M ENSAGEM
ENCAMINHADA ÀS EMPRESAS ...................................... 62
A PÊNDICE B: Q UESTIONÁRIO . ........................................................................ 63
A PÊNDICE C: T RANSCRIÇÃO
A PÊNDICE D: E NDEREÇOS
DOS
DAS
R ESULTADOS . ............................................... 68
U NIDADES
DA
E MBRAPA . .................................... 71
15
1INTRODUÇÃO
O sentido da memória para a vida e as emoções humanas tem sido
constatado nas diversas áreas do conhecimento. O conceito de memória
disseminou-se, chegando a ser incorporado na dimensão empresarial. Neste
contexto a preservação dos trabalhos de uma empresa agrega-lhe valor ou
consolidada a sua reputação, seja ela boa ou má.
Preservar a memória passa a ser um ponto decisivo de credibilidade e
instrumento estratégico de competitividade no mundo globalizado. Além disso, a
memória técnica de uma instituição pode ser uma grande ferramenta de
comunicação, que pode gerar diversos subprodutos direcionados aos seus diversos
tipos de público. (TOLEDO, 2004, p. 19)
Anteriormente, as empresas apenas se preocupavam com suas ações de
missão ou com a posição em que queriam estar no futuro (visão), mas não se
interessavam como preservar seus materiais técnicos. Assim a documentação
gerada na empresa não importava, pois havia muitos desafios a serem enfrentados,
para que pudessem vencer a concorrência e sobreviverem no mercado. Mas com o
passar do tempo na maioria das empresas, surgi a necessidade de recuperar
informações e documentos administrativos, técnicos ou científicos. Esse conjunto de
informações e documentos gerados transformam-se em “bens patrimoniais” da
empresa constituindo acervo próprio.
Diante da amplitude do conceito de memória se faz necessário dizer que,
no contexto deste trabalho, memória é sinônimo de memória técnica; é organização
da informação, como prática de gestão do conhecimento, pelo compartilhamento das
informações e de conhecimentos técnicos, que auxiliam seus gestores no
planejamento de produção e na resolução de seus problemas, buscando preservar e
proteger as informações produzidas por ela.
Um projeto de memória técnica pode proporcionar um excelente momento
para construir a identidade coletiva de uma instituição ou de uma empresa, pois com
as informações técnicas geradas por elas, podem observar a sua constante
mudança. Com os resultados obtidos pode-se: resgatar, organizar e preservar as
informações que registrem o seu desenvolvimento evolutivo dentro do sistema,
compartilhando suas informações e conhecimentos técnicos, que auxiliam seus
16
gestores no planejamento de produção, considerando a sua importância. Por isso a
preocupação em cuidar dessas fontes de informação para que não sejam perdidas
com o passar do tempo, como fontes textuais (jornais, documentos, livros etc.); as
fontes materiais (objetos, fotos, pinturas, etc.) e as fontes orais (discursos,
depoimentos, debates, entrevistas, etc.).
No Brasil, segundo Nassar (2003, p. 53):
Inúmeras empresas descobriram que máquinas e móveis antigos, fotos
amareladas, documentos quase esfarelados, relatos orais, fitas de áudio,
filme e vídeo, aparentemente sem nenhuma utilidade, são um verdadeiro
acervo de vantagens competitivas sobre aquelas organizações que jogaram
a sua memória no lixo.
Ao trabalhar com memória, temos que ter consciência de processos
importantes como a conservação e preservação dos documentos e sua
disponibilização, pois são eles que nos remetem às informações técnicas de uma
instituição.
Sobre o profissional qualificado para esse tipo de atividade, destacamos o
bibliotecário, pois através de documentos do CRB (Conselho Regional de
Biblioteconomia) que apresenta as ocupações em que o bibliotecário exerce,
percebe-se ele é capaz de construir, organizar e preservar esse tipo de acervo.
E, portanto traz consigo a necessidade de conhecer os tipos de
documentos que os bibliotecários e a organização consideram memória técnica;
quais os procedimentos de classificação usados na formação desses acervos; como
são tratados esses materiais e como são armazenados.
O universo da pesquisa é formado pelas unidades de pesquisa da
EMBRAPA. O instrumento de coleta de dados utilizado foi o questionário, com
questões abertas e fechadas, para analisar a formação de memória técnica dessas
Unidades.
17
2 PROBLEMA
Um projeto de “Memória técnica”, além de resgatar o histórico da
instituição, mantém um acervo especial com todos os resultados de trabalhos da
instituição como normas técnicas, manuais, documentos científicos, resultados de
pesquisa e todo o conteúdo produzido, procurando dar identidade à organização.
Esse tipo de proposta procura envolver o público interno e externo com o conceito
da instituição, transmitindo informação e conhecimento sobre a importância da
memória e seus pertences ao passar dos anos.
Nessa proposta de resgatar seus resultados ao passar dos anos, algumas
instituições desenvolveram ou desenvolvem projetos de memória empresarial
(técnica/organizacional), ressaltando que a memória técnica não se limita em
estudar o passado da instituição, mas sim renová-lo continuamente, com a inclusão
de fatos e fases recentes da história e resultados de trabalhos da instituição. Afinal,
o momento de agora, em breve se tornará passado, e precisará ser registrado e
preservado, para que outros pesquisadores tenham acesso às informações geradas
pela instituição.
A preservação dessas informações dentro da instituição tem muito valor,
principalmente para aquelas instituições de pesquisa que procuram divulgar e
compartilhar as informações geradas por elas. Portanto podemos dizer que a
memória de uma instituição é, talvez, o seu maior patrimônio, pois contribui para a
preservação dos valores e das suas tradições.
Ao pensar em memória, considerando os documentos como registros da
atividade humana, a documentação serve como instrumento de comunicação e
preservação da informação no âmbito da memória social e da pesquisa científica.
(Yassuda, 2009, p. 23).
Algumas discussões focalizam o papel da biblioteca e do bibliotecário na
preservação da memória institucional com ênfase na memória do conhecimento.
Milanesi (1985, p.15) apresenta a biblioteca com a função de preservar a memória,
de modo a organizar a informação para que todos possam usufruí-la plenamente
(memória organizada pela sociedade). Ou seja, a biblioteca é o espaço no qual a
cultura e os saberes registrados são acumulados para não serem esquecidos. Em
18
outras
palavras,
para
serem
reapropriados
infinitamente
na
criação
do
conhecimento.
Neste sentido, Castro (2006, p. 1) defende a biblioteca como espaço de
guarda e conservação das materialidades documentais produzidas no passado,
como fontes de informação para uma compreensão aprofundada do presente e o
bibliotecário por sua vez, como guardião e disseminador do conhecimento.
De acordo com Pizarro; Davok (2008, p. 37):
O bibliotecário enquanto gestor da informação empresarial é responsável
por, coletar, tratar, organizar, recuperar e disseminar seletivamente
informações de todos os tipos e de todos os formatos, com vistas a atender
as necessidades informacionais dos tomadores de decisão da empresa.
Destaca que cabe ao bibliotecário viabilizar e agregar valor a informação,
tornando-a útil, exata e oportuna, visto ela ser insumo essencial para
garantir vantagem competitiva às empresas.
Portanto, temos que destacar que o bibliotecário é o profissional
qualificado em construir, organizar e preservar esse tipo de acervo, pois ele possui
conhecimentos sobre os assuntos relevantes na constituição de um acervo, ou
mesmo na criação de uma memória técnica.
E pensando nesse conceito de memória, para a preservação de
informações sobre a instituição, surgiram os seguintes questionamentos. Se as
Unidades de pesquisa da EMBRAPA têm essa concepção se possuem esse acervo
de memória técnica e, conseqüentemente, como esse acervo é tratado?
Considerando
esses
dados,
a
Empresa
Brasileira
de
Pesquisa
Agropecuária, percebeu a necessidade de criar esse acervo especial, onde seus
colaboradores tenham acesso a toda informação gerada pelas suas unidades.
Portanto, surgiu o seguinte questionamento: Qual acervo que constitui a memória
técnica das Unidades de pesquisa da EMBRAPA?
19
3 JUSTIFICATIVA
A necessidade ao acesso à informação é evidente. Todos os dias
buscamos a informação, seja por escrito ou por imagens. É a informação que
incentiva o conhecimento científico. A ciência por sua vez, é constituída a partir do
aumento do desenvolvimento científico e tecnológico, beneficiando a sociedade.
Gonçalves (2009, p. 1) destaca que memória técnica é voltada para o
registro, a sistematização, a preservação e a divulgação da memória das
organizações públicas e privadas. É uma área que acredita na história das
organizações como parte da memória do país, e, portanto, deve ser disseminada. A
Memória técnica tem um peso muito grande no que tange a aceitabilidade da
empresa, em relação não somente ao público direto, como a toda uma comunidade.
A memória técnica pode ser considerada como uma atividade de
organização da informação, para a disseminação das informações técnicas e
preservação a identidade da instituição. Portanto neste processo estão envolvidas
tarefas
direcionadas
à
coleta,
armazenamento,
tratamento,
organização,
disseminação e recuperação da informação.
O resgate dos conhecimentos técnicos da empresa, ligada aos seus
públicos estratégicos, consolida sua imagem perante a sociedade. Nassar (2004,
p.16) destaca a importância de elementos como cultura, comportamentos, símbolos,
entre outros, para a gestão da memória empresarial. A memória, além da herança
do passado, pode e deve ser compreendida como passos para o futuro.
Conforme Castro (2006, p. 1) conclui-se que, entre as instituições
envolvidas com a preservação da memória, a biblioteca tem papel preponderante na
preservação e disseminação do passado – e, portanto, da identidade – de um povo.
O Bibliotecário, como profissional da informação, tende a aprimorar o seu
perfil profissional, de forma a atender as necessidades de organizações de todos os
tipos, que têm e necessitam da informação como insumo para seus processos.
Nessa linha, Arruda (2000, p. 42) destaca que o mundo do trabalho vem redefinindo
as qualificações do profissional da informação, requerendo dele capacidade
gerencial e administrativa voltada aos acervos informacionais, assim como educação
continuada.
20
O conhecimento organizacional, segundo Spiller (2007, p. 98), deve ser
organizado para facilitar o acesso e a recuperação do conteúdo. Isso justifica que
nos dias de hoje é necessário ter um acervo de memória técnica, tanto nas
instituições quanto nas empresas, pois com o passado aprende-se para o futuro, e
assim proporcionar à sociedade mais informações coerentes e confiantes.
Dentre as instituições de pesquisa existentes no Brasil que possui esse
tipo de acervo, destaca-se a EMBRAPA, que dentro de suas metas está a de
promover a gestão e produção do conhecimento e resgatar a memória técnica e
institucional da empresa (EMBRAPA, 2008, p. 40).
Por intermédio desse estudo, foi pretendida a análise da formação de
memória técnica das Unidades de pesquisa da EMBRAPA.
21
4 OBJETIVOS
A seguir são apresentados os objetivos da pesquisa.
4.1 OBJETIVO GERAL
Analisar a formação do acervo de Memória Técnica das Unidades de
pesquisa da EMBRAPA.
4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
a) Mapear as Unidades de pesquisa da EMBRAPA;
b) Verificar os tipos de documentos que compõe a memória técnica das
Unidades de pesquisa da EMBRAPA;
c) Identificar o tratamento aplicado a esse acervo;
22
5 REFERENCIAL TEÓRICO
A seguir são apresentados os autores, conceitos e referenciais teóricos
que orientam o tema deste trabalho, sobre a discussão do funcionalismo da memória
técnica, para a preservação do conhecimento técnico das Unidades de pesquisa da
EMBRAPA.
5.1 MEMÓRIA TÉCNICA ORGANIZACIONAL
A memória e seu funcionalismo passaram a ser estudados de forma
sistemática por várias áreas do conhecimento, a partir do século XIX. No entanto,
desde a antiguidade a memória aparece nas teorizações de vários pensadores.
Por muito tempo, a memória foi considerada algo sublime, religioso, que
elevava os mortais ao mundo das divindades, os grego, por exemplo, consideravam
a memória uma entidade divina. A memória tinha, portanto, um sentido místico,
supraindividual (BARRENECHEA, 2005, p. 56).
Segundo Oliveira; Rodrigues (2007, p. 2), por mais de dois milênios a
memória foi criada com o propósito de ser como uma capacidade individual: a de
arquivar e lembrar episódios passados. Somente no final do século XIX a memória
passou a ser vista e estudada como uma construção social.
Neste contexto, pode constatar-se que durante séculos, a história vivida
era transmitida de geração a geração por meio da oralidade, sendo alterado com o
surgimento da escrita, pois o que era transmitido por meio oral passou a ser
registrado por meio da escrita.
Dessa maneira percebe-se que a Memória Técnica é uma questão que
vem sendo abordada em diferentes áreas do conhecimento, por ter como objetivo a
preservação da informação.
De acordo com Yassuda (2009, p. 27) entendemos que a partir do
momento em que a informação passa a ser comunicada, ela também passa a ser
preservada, o conhecimento disseminado é uma forma de preservação da memória.
23
A palavra ‘memória’ refere-se a um processo inerentemente humano, e esta
ligada à história do homem e do mundo onde vive, sendo que ao longo do
tempo foi incorporada a ciência da informação o mesmo autor define
memória organizacional como meio pelo qual o conhecimento é
armazenado para uso futuro. (HUBER apud SPILLER, 2007, p. 100).
Memória organizacional ou técnica é a capacidade de a organização se
beneficiar das experiências passadas pata reagir de forma mais eficaz no presente,
caracterizada pela incorporação do conhecimento individual pela organização.
(SPILLER, PONTES 2007, p. 99).
Além de fenômeno individual e psicológico, a memória é também
fenômeno social, construção decorrente das relações sociais estabelecidas pelo
homem, o que transcende o aspecto individual da memória.
Apesar da existência de uma memória dita individual, segundo Halbwachs
(apud OLIVEIRA; RODRIGUES, 2007, p. 3), a memória deve ser entendida,
sobretudo como um fenômeno coletivo ou social, uma vez que a memória individual
contém também aspectos da memória do grupo social ao qual o individuo pertence,
e está em constante interação com a sociedade.
Dentro deste contexto, consideramos o conceito/noção de memória que
norteia diversas práticas de constituição do patrimônio documental por parte do
resgate documental. Este processo é configurado na Biblioteconomia pelo conjunto
de técnicas identificadas como avaliação e seleção de documentos.
Diversos termos tendem a ser associados à memória: resgate,
preservação, conservação, registro, seleção etc. Neste sentido, a memória parece
visualizada, sobretudo como dados a serem organizados e preparados.
Alguns autores destacam funções da memória, Le Goff (1996, p. 105)
sugere algumas questões a respeito da memória: sua decisiva idade expressa em
noções que se remetem reciprocamente: tempo e espaço, suporte e sentido,
memória individual e coletiva, tradição e projeto, acaso e intenção, esquecimento e
lembrança etc. as diferenças de natureza entre sociedades com escrita ou não,
influindo na construção social da memória, as diferentes memórias ao longo da
história, a memória como fonte de identidade individual e de uma dada sociedade, a
memória como objeto de luta das forças sociais pelo poder.
De acordo com Lowenthal (apud JARDIM, 1995, p. 2), memória, história e
relíquias constituem metáforas mútuas, “rotas cruzadas em direção ao passado”,
fontes de conhecimento. A memória, ao contrário da história, não seria um
24
conhecimento intencionalmente produzido. É subjetiva e, como tal, um guia para o
passado, transmissor de experiência, simultaneamente seguro e dúbio. Segundo o
mesmo autor a primeira função “não é preservar o passado, mas adaptá-lo,
enriquecendo e manejando o presente”,
A memória é, portanto, processo, projeto de futuro e leitura do passado no
presente. A associação entre arquivos e memória é recorrente no pensamento e nas
práticas de armazenamento das informações. Lodolini (apud OLIVEIRA, 2007 p. 5)
explicita esta relação: “desde a mais alta Antigüidade, o homem demonstrou a
necessidade de conservar sua própria ‘memória’ inicialmente sob a forma oral,
depois sob a forma de desenhos e, enfim, a um sistema codificado, a escrita”.
A memória assim registrada e conservada produziu e produz ainda o
alicerce de toda atividade humana: a existência de um grupo social seria impossível
sem o registro da memória. Ao menos sob a forma que nós conhecemos.
Os documentos constituem da memória de uma organização, qualquer que
seja a sociedade, uma coletividade, uma empresa ou uma instituição, com
vistas a harmonizar seu funcionamento e gerar seu futuro. Eles existem
porque há necessidade de uma memória registrada [...]. (JARDIM apud
ROBERT, 1995, p.4).
Como tal, os profissionais da informação devem contar com o apoio de
historiadores para trabalharem a definição mesma de arquivos como lugar de
elaboração e de conservação da memória coletiva. (MONTEIRO, 2008, p. 1).
Segundo Castro (2006, p. 10)
Os documentos manuscritos e impressos armazenados em bibliotecas,
arquivos e museus contribuem para o resgate e a produção de memórias
perdidas em papéis nem sempre conservados, trazendo ao conhecimento
público fragmentos de informações corroídas pelo tempo.
A própria memória “resgatada” é vista como técnica, procurando trabalhar
com os documentos de empresas ou instituições guardadas ao longo do tempo, pois
além de serem elementos vitais no processo de tomada de decisão nas
organizações, desempenham um significativo papel de preservação da memória
social e na construção da identidade de seus colaboradores. Para isso é necessário
25
coletar, tratar, organizar, disseminar as informações contidas nos documentos
produzidos por elas.
O resgate e a conservação da memória técnica – empresarial (conjunto
de normas, manuais, documentos científicos, resultados finais de pesquisa, entre
outros), é hoje um dos maiores patrimônios das organizações. No contexto atual,
memória é reputação (quando bem utilizada, traz inúmeros benefícios à organização
e contribui para aproximar relacionamentos e públicos de interesse).
A comunicação empresarial moderna está profundamente envolvida nesse
processo e, por conseqüência, na legitimação organizacional. O registro e a
utilização da memória técnica das empresas, de seus empregados e
gestores resgatam os valores e princípios das organizações. Além disso, a
memória ainda fortalece o sentimento de “pertencer”, o que traz efeitos
positivos à produtividade da organização. O recado da sociedade está cada
vez mais claro: só sobrevivem as empresas que tiverem responsabilidade
histórica. Ao lado dos líderes e gestores, os comunicadores estão na linha
de frente deste novo momento. (NASSAR, 2004, p. 30).
A reconstrução da memória é uma forma de repensar a história e tê-la
como um instrumento de transformação, pois se procura preservar e organizar as
raízes
históricas
e
informacionais
tornando-se
cada
dia
mais
importante
estrategicamente. Para isso temos que criar mecanismos de difusão da memória, de
maneira a criar valor para a marca e para aqueles que integram a organização.
Segundo Nassar, (2007, p. 25) “as empresas e gestores que têm as suas
trajetórias, realizações, contribuições e atitudes bem posicionadas na sociedade
podem contar com o apoio dos públicos sociais”. Isso porque um bom trabalho de
organização e de divulgação da memória destaca a relação da empresa e de sua
marca com a história do país e das regiões em que se opera.
Para recuperar, organizar e divulgar a memória é preciso disposição e
determinação. Além de resgatar dados e informações, é preciso contextualizar e
explicar as soluções utilizadas para superar obstáculos surgidos ao longo dos anos;
ressaltar valores e experiências e identificar as características particulares da
organização.
A história de uma Empresa ou Instituição deve ser pensada não apenas
como resgate do passado, mas também como uns momentos em que as
pessoas redescobrem valores e experiências, reforçam vínculos presentes,
criam empatia com a trajetória da organização e podem refletir sobre as
expectativas dos planos futuros. A sistematização da memória de uma
26
empresa/instituição é um dos melhores instrumentos à disposição da
comunicação empresarial e corporativa. (Museu da pessoa; Karen
Worcman).
A construção de uma memória técnica em uma instituição permite ter uma
seqüência na produção de conhecimento técnico e a produção do saber,
organizando essas informações de maneira que todos tenham acesso a ela e
procurando manter um cronograma do tempo da instituição ou empresa.
E para tornar esse acervo acessível para seus usuários, precisa de um
profissional qualificado que possa organizar essa informação.
Confirma Silva; Murguia (2008, p. 1069).
No trabalho de preservar a memória, a biblioteca assume o papel de tornarse um espaço, o qual possibilite o entendimento dos fatos retratados nos
registros, suas causas e conseqüências para a comunidade, resultando na
tentativa de explicar as transformações ocorridas em um determinado grupo
social e o processo de entendimento do passado, através de seus registros,
constituem-se na possibilidade de refletir sobre o passado e o presente, de
forma a efetivar-se plenamente em um lugar da memória da humanidade.
5.2 O BIBLIOTECÁRIO COMO GESTOR DA INFORMAÇÃO
O bibliotecário é responsável pela circulação das informações produzidas
pela sociedade (no caso as instituições). Segundo Cautela e Polioni (1982, p.4), "A
informação é considerada como o ingrediente básico do qual dependem os
processos de decisão". Entretanto, se por um lado, uma empresa não funciona sem
informação, por outro, é importante saber usar a informação e aprender novos
modos de ver o recurso informação para que a empresa funcione melhor, isto é,
para que se torne mais eficiente.
Assim, quanto mais importante for determinada informação para as
necessidades da empresa, e quanto mais rápido for o acesso a ela, tanto mais essa
empresa poderá atingir os seus objetivos.
Segundo Pizarro e Davok (2008, p. 38) o bibliotecário como gestor da
informação não deixa de realizar as atividades tradicionais da profissão, como
27
serviços de processamento técnico de acervo, porém, precisa fazer muito mais que
isso.
Nesse aspecto, o bibliotecário deve estar preparado para buscar,
organizar, gerar e transmitir informações estratégicas, conforme o seu usuário,
surgindo então um dos mais novos papéis do bibliotecário, o de poupar etapas e
indicar caminhos para os meios mais ricos de dados. O perfil do bibliotecário mudou
sua principal função agora é de trabalhar com o pesquisador na busca da
informação, transformando-a em ferramenta estratégica acessível, útil e exata.
(FAPESP, 2001, p. 5).
Segundo Arruda, Marteleto e Souza (2000, p. 40), os bibliotecários
enquanto profissionais da informação estão sendo instigados a reafirmar sua
importância e seu valor no mundo do trabalho em meio à transição para um novo
modelo de qualificação profissional.
O mercado precisa de profissionais versáteis, que dominem o universo
tecnológico e que sejam capazes, não só de organizar, mas principalmente
gerenciar seu acervo informacional.
O gerenciamento inteligente da informação e do conhecimento gerado e
incorporado pelas organizações é diferencial estratégico, que requer
especialistas - agentes do conhecimento – que saibam trabalhar a
informação de maneira criativa. (REZENDE 2002, p. 123).
Nesse contexto, conforme Rezende (2002, p. 125),
Os agentes intermediários são de categoria quase que exclusivamente
formada por bibliotecários. Esses profissionais têm papel intermediário entre
as demandas de informação da empresa e o universo das informações
acessíveis e acessáveis.
Segundo Rosaly Favero Krzyzanowski em reportagem à revista FAESP
Pesquisa (2001, p.6), destaca que o “um bom bibliotecário tem que ser também um
pesquisador”. Sendo assim, os bibliotecários que organizam os documentos da
biblioteca convencional, devem se preparar para também exercer o papel gerencial,
organizando e disseminando. Em outras palavras, o bibliotecário deverá transformar
dados em informações com valor agregado, visando gerar conhecimento para a
instituição garantir inteligência e vantagem competitiva.
28
Nessa perspectiva, o bibliotecário deve assumir o papel de um ativista do
bem estar social, com profunda vocação e convicção sociopolítica. Deve
tornar-se um defensor da preservação e da conservação do patrimônio
histórico da humanidade. Tem o dever de considerar livros, manuscritos,
imagens e sons produzidos no passado como instrumentos para a
construção de uma compreensão ampla do tempo presente, garantindo a
cada povo e nação uma identidade cultural integrada e legítima, diversa e
unitária. (CASTRO, p. 16, 2006).
A memória assume um papel importante seja na Biblioteca ou Instituição.
Conforme Castro (2005, p. 100), a biblioteca pode ser colocada como lugar de
memória e espaço de produção e circulação do conhecimento, onde se evidenciam
as diferentes formas de criação de memórias em diferentes sociedades, bem como
espaço de guarda e conservação das materialidades documentais produzidas no
passado, como fonte de informação para uma compreensão aprofundada do
presente.
Conclui-se que entre as instituições envolvidas com a preservação da
memória, a biblioteca tem papel preponderante na preservação e disseminação do
passado e, portanto, da identidade – de um povo.
Desde a sua concepção, as bibliotecas foram considerados como lugares
da memória da humanidade, pelo quais as perspectivas da memória são
vista como preservação. Ao preservar documentos, os lugares da memória
guardam materialmente a memória de um povo, de uma cidade, de um país
e, com isso, a Ciência da informação desconsiderou um importante aspecto
da memória: o esquecimento. (MONTEIRO, 2008, p. 1).
Segundo Lucas (1998, p.12), os lugares da memória podem ser
classificados em lugares topográficos, como as bibliotecas, arquivos e museus, em
lugares funcionais, a que pertencem os manuais, as autobiografias ou associações e
os lugares monumentais, que são os cemitérios ou as arquiteturas.
Como afirma Halbwachs (1990, p.20), é necessário criar e conservar os
documentos produzidos pelas pessoas, assim como comemorar aniversários,
preservar monumentos, santuários e demais lugares onde se ancora e se exprime a
memória coletiva. Com isso, possibilita-se o rompimento com as determinações de
tempo e do espaço.
29
A biblioteca é um lugar de memória e espaço de armazenamento das
materialidades textuais produzidas em tempos e localidades diversos e que
desempenha, mesmo com todo o avanço tecnológico, o papel de guardiã do
conhecimento. Não no sentido de guardar para si o patrimônio material e
imaterial produzido por homens e mulheres do passado, mas de, através
dele, possibilitar o acesso a um passado deforma que pode ganhar nas
mãos de pesquisadores, bibliotecários e leitores. (CASTRO, 2006, p.103).
Mas para que o bibliotecário consiga organizar essas idéias e informações
sobre o passado é preciso que tenha uma gestão adequada para organizar e
disseminar essa informação, por isso usa-se várias formas de gestão da informação.
Assim podemos considerar que a quantidade de informação e de dados
gerada pelos seus colaboradores é, para a organização, um importante recurso que
necessita e merece ser administrado. E isto é o objetivo da gestão da informação.
Segundo Reis (1993, p.23),
Para que esta gestão da informação seja dinâmica, é necessário que se
estabeleça um conjunto de políticas lógicas que possibilitem o fornecimento
de informação relevante, com qualidade satisfatória, precisa, transmitida
para o local certo, no tempo correto, com um custo adequado e com
facilidades de acesso por parte dos utilizadores autorizados.
A gestão da informação tem como objetivo apoiar a política global da
empresa, na medida em que torna mais competente o conhecimento e a articulação
entre os vários subsistemas que a constituem; apóia os gestores na tomada de
decisões; torna mais eficaz o conhecimento do meio envolvente; apóia de forma
interativa o desenvolvimento da estrutura organizacional, e ajuda a formar uma
imagem da organização, do seu projeto e dos seus produtos, através da implantação
de uma estratégia de comunicação interna e externa.
Quanto mais global e estruturado for o sistema de informação, mais
flexível poderá ser essa organização. Por isso a necessidade de utilização de alta
tecnologia para permitir uma relação mais estreita e permanente entre empresa e
fornecedores, criando Tecnologias de Informação ou meios onde possam utilizar
essa informação com mais precisão e rapidez. O acesso à informação e a
capacidade de extrair e aplicar conhecimentos são vitais para o aumento do
desenvolvimento.
30
As Tecnologias de Informação são ferramentas essenciais na criação de
sistemas de informação integrados e coordenados. Como refere Zorrinho (1995,
p.20), "a gestão da informação é uma função que conjuga a gestão do sistema de
informação e do sistema informático de suporte com a concepção dinâmica da
organização num determinado contexto envolvente".
Por isso é cada vez maior número de organizações que desejam
armazenar e disseminar informação institucional e manter essa mesma informação
acessível a todo o momento aos seus clientes e colaboradores.
O serviço de
implementação, alojamento e suporte de repositórios digitais permite a qualquer
organização ter o seu repositório institucional dotado de uma capacidade de
armazenamento infinita, disponibilidade 365 dias/24h e serviços de indexação e
pesquisa que lhe garantem um maior conforto e rapidez no acesso aos seus dados.
Os repositórios estão se tornando ferramenta eficaz de preservação e
disseminação da produção intelectual, aumentando a visibilidade e
acessibilidade ao longo do tempo. A opção pelo repositório, encontra
respaldo em um fomentador de Repositórios Institucionais (Rls), que é o
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), seguidor
de iniciativas nacionais e internacionais em prol dos Arquivos Abertos (Open
Archives Initiative). (BETETTO, 2008, p. 36).
O repositório servirá, assim, de instrumento para consulta de usuários
diversos, dentre eles aqueles que tenham um olhar reflexivo, interpretativo e
prospectivo e queiram colaborar na construção da identidade institucional e
reconhecimento do papel social da instituição.
Esse tipo de sistema é muito presente em empresas e instituições. É
também muito comum no desenvolvimento de software livre. É útil, em diversos
aspectos, tanto para projetos pessoais pequenos e simples como também para
grandes projetos comerciais.
5.3 EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA – é uma
das instituições que compõe o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA),
vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Esse
sistema é constituído pela Embrapa e suas Unidades de Pesquisa e de Serviços,
31
pelas Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária - Oepas, por universidades
e institutos de pesquisa de âmbito federal ou estadual, bem como por outras
organizações, públicas e privadas, direta ou indiretamente vinculadas à atividade de
pesquisa agropecuária.
Em 26 de abril de 1973, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa) é vinculada ao MAPA, sendo instalada provisoriamente no Edifício
Palácio do Desenvolvimento, em Brasília, DF, tendo como objetivo de ajustar a
pesquisa agropecuária no Brasil.
Em 1974 foram criados os primeiros centros nacionais por produto: Trigo,
Arroz e Feijão, Gado de Corte e Seringueira. E dentro desses centros foram criados
os departamentos: Diretrizes e Métodos, Técnico-científico, de Difusão de
Tecnologia, Recursos Humanos, Financeiro e de Informação e Documentação.
A Embrapa atua por intermédio de Unidades de Pesquisa e de Serviço e
de Unidades Administrativas, estando presentes em quase todos os Estados da
Federação, nos mais diferentes biomas brasileiros, hoje divididos em 42 unidades de
pesquisas nas regiões:
Norte: Embrapa Acre; Embrapa Amapá; Embrapa Amazônia Ocidental;
Embrapa Amazônia Oriental; Embrapa Rondônia e Embrapa Roraima.
Nordeste: Embrapa Agroindústria Tropical; Embrapa Algodão; Embrapa
Caprinos; Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical; Embrapa Meio-Norte; Embrapa
Semi-Árido e Embrapa Tabuleiros Costeiros.
Sul: Embrapa Clima Temperado; Embrapa Florestas; Embrapa Pecuária
Sul; Embrapa Soja; Embrapa Suínos e Aves; Embrapa Trigo e Embrapa Uva e
Vinho.
Sudeste: Embrapa Agrobiologia; Embrapa Agroindústria de Alimentos;
Embrapa
Gado
de
Leite;
Embrapa
Informática
Agropecuária;
Embrapa
Instrumentação Agropecuária; Embrapa Meio Ambiente; Embrapa Milho e Sorgo;
Embrapa Monitoramento por Satélite; Embrapa Pecuária Sudeste; Embrapa Solos.
Centro-Oeste: Embrapa Agropecuária Oeste; Embrapa Agroenergia;
Embrapa Arroz e Feijão; Embrapa Café; Embrapa Cerrados; Embrapa Gado de
Corte; Embrapa Hortaliças; Embrapa Informação Tecnológica; Embrapa Pantanal;
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia; Embrapa Sede e Embrapa
Transferência de Tecnologia.
32
As Unidades de Pesquisa e Serviços, também chamadas Unidades
Descentralizadas, estão divididas em 40 Unidades nas diversas regiões do Brasil,
sendo subdivididas em quatro tipos de segmentos: Unidades de Serviço, Unidade de
Pesquisa de Produto, Unidades de Pesquisa de Temas Básicos e Unidades de
Pesquisa Agroflorestal ou Agropecuária nas Ecorregiões Brasileiras.
As Unidades Administrativas (duas Unidades), também chamadas de
Unidades Centrais, ficam localizadas no edifício-sede da Embrapa, em Brasília, DF,
são ao lado da Diretoria Executiva, órgãos integrantes da administração superior da
Empresa, às quais compete planejar, supervisionar, coordenar e controlar as
atividades relacionadas à execução de pesquisa agropecuária e à formulação de
políticas agrícolas, sendo subdividas em:
Gabinete
do
Diretor-Presidente;
Assessoria
de
Auditoria
Interna;
Assessoria de Comunicação Social; Assessoria de Inovação Tecnológica;
Assessoria Jurídica; Assessoria Parlamentar; Secretaria de Gestão Estratégica;
Secretaria de Relações Internacionais; Secretaria-Executiva do PAC Embrapa;
Departamento de Pesquisa & Desenvolvimento; Departamento de Tecnologia da
Informação; Departamento de Transferência de Tecnologia; Departamento de
Gestão de Pessoas; Departamento de Administração de Materiais e Serviços e
Departamento de Administração Financeira.
Para auxiliar a construir a liderança do Brasil em agricultura tropical, a
Empresa investiu no treinamento de recursos humanos, sendo que hoje possui
8.944 empregados, dos quais 2.024 são pesquisadores (21% com mestrado, 71%
com doutorado e 7% com pós-doutorado), e o seu orçamento para 2010 é de R$ 1
bilhão e 863 mil. Consolidou o Sistema Embrapa de Bibliotecas – SEB que é
composto por 40 bibliotecas, sendo uma na sede em Brasília e 39 localizadas nos
diferentes pontos do Brasil, nas unidades de pesquisa da empresa.
A missão da Embrapa, com base da identidade institucional é: viabilizar
soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da
agricultura, em beneficio da sociedade brasileira.
Sobre a visão, existem as doutrinas essenciais da empresa que são:
Excelência em pesquisa e gestão; Responsabilidade socioambiental; Ética; Respeito
à diversidade e à pluralidade; Comprometimento e Cooperação.
33
Sendo que a Visão de futuro da Embrapa é: Ser um dos líderes mundiais
na geração de conhecimento, tecnologia e inovação para a produção sustentável de
alimentos, fibras e agroenergia.
Dentro da missão e da visão da Embrapa, existe os desafios
organizacionais e institucionais e um desses desafios esta em promover a gestão e
proteção do conhecimento, onde a meta é de aprimorar o processo de mapeamento,
organização e gestão da informação e do conhecimento gerado pela Embrapa e
resgatar a memória técnica e institucional da Empresa, por meio da disponibilização,
de maneira organizada e de fácil acesso, das informações geradas pela Embrapa.
(EMBRAPA, 2008, p. 40 e 41).
34
6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A seguir serão relatados os procedimentos metodológicos que foram
utilizados para a realização da pesquisa.
6.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
Para o desenvolvimento deste trabalho foi utilizado como método, a
pesquisa descritiva, com abordagem quantitativa associada ao qualitativo, uma vez
que além das quantificações estatísticas a pesquisa apresentou as opiniões e
informações coletadas que foram analisadas buscando responder ao problema de
pesquisa.
A pesquisa caracteriza-se como descritiva, pois esse tipo de pesquisa
possibilita a descrição das características de uma determinada população. Para
melhor entender esse conceito Gil (2002, p. 42) defende que:
As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das
características de determinada população ou fenômeno ou, o
estabelecimento de relações entre variáveis. São inúmeros os estudos que
podem ser classificados sob este título e uma de suas características mais
significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de
dados, tais como questionários e a observação sistemática.
A pesquisa descritiva tem por finalidade, estudar as características de um
grupo, bem como levantar as opiniões e atitudes de uma população. Procura
descobrir com precisão a freqüência com que um fenômeno ocorre. Em suas
diversas formas, a pesquisa descritiva trabalha com dados colhidos da própria
realidade. A coleta de dados é uma das características da pesquisa descritiva, sendo
que para esta operação, são utilizados a estratégia de observação, entrevista,
formulário e questionário, sendo este último o instrumento que será utilizado nesta
pesquisa.
35
A abordagem quantitativa “caracteriza-se pelo emprego da quantificação
tanto nas modalidades de coleta de informações quanto no tratamento dessas por
meio de técnicas estatísticas” (TEIXEIRA; PACHECO, 2005, p. 60).
Segundo ainda os mesmos autores a abordagem quantitativa:
Tem como objetivo básico garantir o máximo de precisão nos resultados
obtidos e evitar distorções de análise e interpretação. Proporcionando uma
maior margem de confiança na pesquisa (p.60).
A abordagem qualitativa pode ser diferenciada como a:
[...]Tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e
características situacionais apresentadas pelos entrevistados, em lugar da
produção de medidas quantitativas de características ou comportamentos.
(RICHARDSON, 2007, p.90).
Segundo Baptista e Cunha (2007, p. 4, apud WESTBROOK, 1994):
[...] a ação de coletar dados para um estudo qualitativo envolve mais do que
a obtenção de informações sobre as unidades de informação. O
pesquisador deve começar um processo que envolve movimentos
reiterados e cíclicos entre a coleta de dados e a sua análise. Na verdade,
essa coleta de dados é vista como um processo do que um procedimento,
requerendo constantes julgamentos analíticos.
Para a coleta de dados, foi utilizado o questionário de questões abertas e
fechadas. Segundo Carvenalli e Miguel (2001, p. 4) “o questionário é um conjunto de
perguntas, que a pessoa lê e responde sem a presença de um entrevistador. Ele
pode ser enviado via correio, fax, Internet, etc.”
Marconi e Lakatos (2003, p. 201) definem o questionário como “um
instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas,
que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador”. Ou seja,
o questionário pode ser enviado pelo correio ou distribuído e depois o pesquisado
devolve do mesmo modo.
36
6.2 DESCRIÇÃO DO UNIVERSO DA PESQUISA
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa está vinculada
ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, possui 40 Unidades
espalhadas por todo país. A Embrapa é uma empresa reconhecida no Brasil e no
exterior pela sua contribuição em P&D e por primar pela ocupação de espaços nos
fóruns nacionais e internacionais, atuando na busca constante de inovações para o
setor agropecuário.
A pesquisa foi desenvolvida em todas as Unidades da Embrapa, sendo
que a sua sede foi criada em 26 de abril de 1973 e localizada em Brasília, DF. A
empresa tem como principal função soluções de pesquisa, desenvolvimento e
inovação para a sustentabilidade da agricultura, em beneficio da sociedade
brasileira.
A escolha das Unidades de pesquisa da EMBRAPA se deu pelo fato de
serem Unidades que produzem grande quantidade de informação técnico-científica e
da autora atuar na instituição como estagiária, o que permite identificar quais dessas
unidades tem memória técnica ou que possui interesse de criar.
6.3 POPULAÇÃO ALVO
Tendo como objetivo principal desse trabalho, a realização de uma
análise da formação do acervo de memória técnica das Unidades de pesquisa da
Embrapa. Desta forma, definiu-se, como população alvo da pesquisa, as Unidades
atuantes nas várias linhas de pesquisa agropecuária, o que correspondem a um total
de 42 Unidades de pesquisa.
Para a definição da amostra da pesquisa optou-se por selecionar somente
aquelas que têm bibliotecário, que compõe as Unidades de pesquisa da Embrapa.
Desta forma, foram desconsiderados os auxiliares de biblioteca, que embora tenham
atuação conjunta com o bibliotecário, não atuam diretamente nas tomadas de
decisões da biblioteca.
37
A amostra da pesquisa foi composta por um total de 40 bibliotecários
efetivos na instituição, com cargo de bibliotecários, que atendem aos requisitos
estipulados.
6.4 LIMITAÇÕES DA PESQUISA
Esta pesquisa sofreu algumas limitações, no que se refere à aplicação do
questionário.
Inicialmente, o foco deste trabalho foi de analisar a formação de memória
técnica das Instituições de pesquisa do Paraná. Foi feito o levantamento dessas
instituições pela internet e foi levantado que no Estado do Paraná possui 30
instituições de pesquisa.
O questionário foi enviado no começo do mês de agosto, destinado ao
responsável pela biblioteca, sendo que a pesquisadora não obteve nenhuma
resposta para a elaboração deste trabalho até o início do mês de outubro. Para não
perder o foco do estudo, foi escolhido no mês de outubro, mudar o universo da
pesquisa, sendo escolhidas as Unidades de pesquisa da Embrapa, pois como a
autora deste trabalho ainda estagia na Unidade Embrapa Soja – Londrina ficaria
mais fácil entrar em contato os responsáveis pela biblioteca de cada unidade.
6.5 PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS
Para a coleta das informações, adotou-se o questionário (anexo A)
constituído por 26 questões abertas e fechadas. O questionário utilizado pela
pesquisa compõe-se basicamente de perguntas fechadas e algumas abertas,
subdivididas em dois módulos: 1) Caracterização da instituição; 2) Profissional que
atua na organização e preservação da memória técnica.
O questionário consiste em um elenco de questões, que são submetidas
a 42 pessoas e que possibilita analisar com maior exatidão o que se deseja. O
questionário possui a vantagem dos participantes sentirem-se mais confiantes, por
38
assegurar o anonimato, possibilitar a coleta de informações mais reais, além de ser
o meio mais rápido e barato de obter informações.
Na coleta das informações, primeiramente foi aplicado um pré-teste com
duas instituições de pesquisa alocadas no estado do Paraná (IAPAR e TECPAR),
portanto, não participaram diretamente da amostra da pesquisa. Os questionários foram
enviados por e-mail, acompanhados por uma correspondência explicando os objetivos
da pesquisa. O pré-teste teve como intuito identificar possíveis erros como, verificar se
as questões estavam suficientemente claras.
Após análise do pré-teste, adequou-se o instrumento de forma que houvesse
melhor compreensão por parte dos respondentes efetivos da pesquisa (amostra).
O período de aplicação dos questionários compreendeu os meses de
setembro e outubro de 2010, sendo que a partir da terceira semana do mês de
outubro foram recolhidos os questionários para o prosseguimento do trabalho.
6.6 PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE DOS DADOS
Para a análise e discussão das informações obtidas com o questionário,
foram adotadas duas abordagens de análise: primeira para as perguntas fechadas,
segunda, para a interpretação das respostas abertas concedidas pelos bibliotecários
participantes.
A tabulação dos dados obtidos nas questões objetivas foi organizada e
apresentada em forma de gráficos e tabelas, a partir do programa Excel do Pacote
Office da Microsoft, objetivando-se uma melhor exposição dos resultados de
pesquisa.
39
7 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS
Os resultados apresentados a seguir foram coletados por meio da
aplicação do questionário, com o propósito de atender aos objetivos desta pesquisa.
O universo da pesquisa era composto por 42 Unidades de pesquisa da Embrapa,
entretanto, apenas 15 responderam e devolveram o questionário. Assim, as
respostas foram organizadas, tabuladas, e são apresentadas em forma de gráficos
para melhor análise, interpretação e visualização das informações obtidas. No
entanto, vale ressaltar que algumas questões ultrapassam 100%, uma vez que
possibilitavam múltipla escolha.
O primeiro módulo do questionário aplicado às Unidades de pesquisa da
Embrapa procurou levantar informações relacionadas à caracterização das
Unidades, a partir de dados referentes a nome, ramo de atuação, localização e ano
de inauguração, descrito no quadro 1.
Quadro 1 – Caracterização das Unidades.
Unidades
Unidades de Pesquisa e
Ramo de atuação
Localização
Ano
Serviço
Embrapa Acre
Embrapa
Pesquisa Agroflorestal
Recursos Florestais
Pesquisa de Temas Básicos
Agroenergia do Brasil
Agroenergia
Embrapa
Pesquisa de Temas Básicos
Agroindustrial
Tropical
Embrapa Gado de
Pesquisa de Produto
Leite
Embrapa Hortaliças
Embrapa
Pesquisa de Produto
Pesquisa de Temas básicos
Informática
Agropecuária
Embrapa
Ambiente
Meio
Pesquisa de Temas básicos
Rio Branco AC
Brasília – DF
Agroindústria,
Agricultura,
Floricultura,
Tecnologia de
alimentos, Plantas
medicinais,
Fruticultura Tropical Fortaleza - CE
Bovinocultura Leiteira
Juiz de Fora –
MG
Olericultura
Brasília – DF
Informática,
Bioinformática,
Agroinformática,
Clima,
Sensoriamento
Campinas –
SP
remoto
Qualidade Ambiental
Jaguariúna –
SP
1980
1991
1993
1976
1978
1996
1982
40
Embrapa
Meio-
Pesquisa Agroflorestal
Embrapa Soja
Pesquisa de Produto
Pesquisa da
agricultura da região
Meio-Norte do Brasil
Pesquisa da
agricultura na
Amazônia, com
ênfase em Rondônia
Soja, Girassol e Trigo
Embrapa Rondônia
Pesquisa Agroflorestal
Embrapa Solos
Pesquisa de Temas básicos
Ciência do solo
Norte
1993
Teresina - PI
1975
Porto Velho –
RO
Londrina – PR
1975
1975
Rio de Janeiro
– RJ
Embrapa
Semi-
Pesquisa Agroflorestal
Pesquisa no
Ambiente Semárido
do Brasil
Pesquisa de Produto
Suínos e Aves
árido
1975
Petrolina – PE
Embrapa Suínos e
1982
Aves
Concórdia SC
Embrapa Trigo
Pesquisa de Produto
Cereais de inverno
1974
Passo Fundo
– RS
Embrapa
Uva
e
Pesquisa de Produto
Vinho
Vitivinicultura e
fruticultura de clima
temperado
1975
Bento
Gonçalves –
RS
As Unidades envolvidas têm entre 16 e 36 anos de existência, tempo
esse que propícia o acúmulo de acervo, seja de documentos administrativos ou
técnico-científicos.
Importante,
também,
constatar
o
número
de
Unidades
participantes do projeto de implantação da Memória Técnica nas diferentes regiões
do país, destacado no quadro 2.
Quadro 2 – Unidades por região.
Região
Centro-oeste
Nordeste
Norte
Sudeste
Sul
Nº de Unidades/região
2
3
2
4
4
41
Dentro do primeiro módulo, foi questionado aos entrevistados se a
Unidade acha interessante que seus colaboradores saibam onde estão guardados
os documentos técnicos produzidos por eles, pelos colaboradores antigos e
aposentados ou alocados em outras Unidades da Embrapa que não sejam a sua.
As respostas obtidas demonstraram, conforme o gráfico 1, que 73%
(n=11) dos participantes responderam que considera importante e 27% (n=4)
colocam como pouco importante, sobre a importância que a Unidade dá ao público
interno aos identificar aonde os documentos técnico-científicos produzidas por elas
estão armazenadas.
12
11
10
8
Importante
6
Pouco Importante
4
Não Importante
4
2
0
0
1
Gráfico 1 – A instituição considera importante que o público interno saiba onde estão os
documentos produzidos por ela.
Cada Unidade é responsável em gerar estratégias de pesquisa
agropecuária criando políticas de desenvolvimento para a sua região em particular,
favorecendo o desenvolvimento de um sistema nacional de planejamento para a
pesquisa e disseminando a informação agrícola, com a formação de banco de dados
para a pesquisa e desenvolvimento agropecuário, para facilitar o acesso aos
usuários e clientes da pesquisa agropecuária.
Essas Unidades trabalham com a pesquisa para atender às demandas da
sua região, estado e municípios, para um melhor suporte ao desenvolvimento da
agropecuária e promovendo o intercâmbio de informações e documentação técnicocientífica, nas áreas de interesse comum e o intercâmbio de pessoal para a
capacitação e assessoramento interinstitucional.
42
Na análise dos dados representados no gráfico 2, pode-se visualizar o
grau de importância que as Unidades atribuem à informação gerada por ela para o
desenvolvimento de suas atividades e preservação da mesma. Ressaltando que
quem responde pela Unidade é o profissional responsável pelo acervo de memória
técnica, ou seja, o bibliotecário, sendo que 67% (n=10) consideram importante e
33% (n=5) pouco importante a informação gerada pela Unidade.
10
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Importante
5
Pouco Importante
Não Importante
0
1
Gráfico 2 – A importância que a Instituição atribui à informação gerada.
As informações demonstradas no gráfico 3 indicam que quase a
totalidade das Unidades 93% (n=14) tivera conhecimento sobre memória técnica e
7% (n=1) confirmou que não tinha conhecimento e disseram que já tinham escutado
sobre o assunto e os mesmos destacaram algumas concepções descritas logo em
seguida.
“Essencial para a história da instituição”; “preservação do que foi
publicado pela Empresa”; “Mecanismo que serve para controle da produção técnicocientífica da instituição”; “Produção editorial e intelectual da organização”; “refere-se
à organização de toda informação técnico-científica (tangível) que foi gerada pela
organização” e “É um instrumento de organização do conhecimento de uma
organização que possibilita sua armazenagem e contribui para a tomada de decisão
e planejamento estratégico”,
43
1
Sim
Não
14
Gráfico 3 – Conhecimento sobre memória técnica.
No que se refere quais Unidades que possuem o acervo de memória
técnica, dos 98% (n= 15) respondentes da questão, 93% (n=14) possuem memória
técnica tendo início entre 1978 a 2009, dependendo da Unidade. Apenas 7% (n=1)
comentaram não haver memória técnica, mas que há interesse de futuramente
construir a memória técnica da sua Unidade, conforme demonstrado no gráfico 4.
1
Sim
Não
14
Gráfico 4 – Unidades que possuem memória técnica.
O gráfico 5 apresenta os tipos de documentos que as Unidades possuem
e que consideram como memória técnica da Unidade.
Verificou-se, que dos 63% (n=15) dos respondentes desta questão, 10,4%
(n=14) relatórios informatizados; 10,4% (n= 14) jornais, revistas e livros; 8,1% (n=11)
trabalhos não publicados (literatura cinzenta, relatórios de projetos); 7,4% (n=10)
fotografias, objetivos e pinturas; 6,7% (n=9) são os relatórios preparados
44
manualmente; 6,7% (n=9) atas de encontros; 5,1% (n=7) outros (CD-ROM, DVD,
plantas: terrenos, construções, publicações seriadas, folders e mapas); 4,5 % (n= 6)
anotações/arquivos pessoais; 3,7% (n=5) discursos, depoimentos, debates e
entrevistas;
Relatórios manuais
14
14
14
Relatórios infor.
12
10
8
11
Anotações
10
9
9
Atas de encontros
7
7
6
5
4
Trabalhos nãopublicados
Jornais, livros e
revistas
Fotografias
2
Entrevistas, discursos
0
1
Outros. Quais?
Gráfico 5 – Documentos do acervo.
No gráfico 6, pode-se visualizar as vantagens percebidas pelos
bibliotecários com relação à memória técnica, dos 73,4% (n=15) dos participantes
desta questão, indicam que 16% (n=15) o resgate da história da instituição; 15,6 %
(n=14) preservação da informação; 14,5 % (n=13) organização da produção técnicocientífica da instituição; 14,5 % (n=13) construção da identidade coletiva da
instituição; 7,8 % (n=7) cronograma do tempo a empresa; e 4,5% (n=4) outros.
45
16
15
14
13
14
Resgate histórico
13
12
Preservação da
informação
10
Organização da
produção científica
7
8
6
Cronograma do tempo
da empresa
4
Construção da
identidade coletiva
2
0
1
Gráfico 6 – Vantagens da Memória Técnica.
Na opção entre outros, alguns bibliotecários destacaram: “Estatística de
produção/produtividade”; “Disseminação (transferência de tecnologia) e fonte de
informação para a gerência”; “Memória dos eventos sociais e encontros dos
empregados, tipo fotos e gravação de momentos descontraídos”; “Organização e
preservação do conhecimento técnico, administrativo e cientifico institucional.
Quando
perguntado
por
quais
meios
de
comunicação
que
os
bibliotecários obtiveram conhecimentos relativos à memória técnica, a grande
maioria destacou os grupos de discussões, eventos/palestras ou congressos e
conversas com colegas, e alguns destacaram outros tipos como estudos pessoais
sobre o assunto, literatura científica, algumas publicações e literatura cinzenta
(teses).
Quanto às vantagens de concentrar todas as informações técnicas da
instituição na memória a grande maioria destacou a dinamização do acesso à
informação, o conhecimento aprofundado ao histórico da instituição, concentração
de todos os documentos que falam sobre a mesma, organização e preservação do
conhecimento gerado e disponibilidade e possibilidade de disseminação desse
conhecimento.
Após esses questionamentos, foram perguntados em quais formatos os
materiais são disponíveis na memória técnica de cada Unidade. Todos sem exceção
colocam que o principal formato é o impresso/papel, logo em seguida destaca o CDROM e o DVD, logo depois aparecem os disquetes, videodiscos, fita cassete, e fita
magnética. Algumas Unidades colocam também as fotografias, slides, plantas
46
(terrenos e construções), filmes e documentos eletrônicos como formato de seus
acervos de memória técnica.
No quadro 3, foi apresentados os materiais que compõe o acervo de
memória técnica das Unidades de pesquisa da Embrapa. Vale ressaltar que na
grande maioria, as Unidades possuem os mesmos materiais em destaque no acervo
de memória.
Quadro3 – Documentos que compõe a Memória Técnica das Unidades.
Anais e resumos de
congresso
Artigos de periódicos
Bases de dados/Softwares e
Sites
Cartilhas
Cursos e palestras
gravadas
Documentos técnicos
Eventos científicos
Entrevistas/Matérias
jornalísticas
Jornais
Plantas (terrenos e
construções)
Folders
Leitura cinzenta
Processos tramitados no
Comitê de publicações
Produção técnica
científica
Registro escrito
deixado por
pesquisadores que
aposentaram
Projetos
Publicações
Separatas
Séries editadas pela
Unidade: Boletim de
Pesquisa; Boletim de
Pesquisa e
Desenvolvimento; Circular
Técnica; Comunicado
Técnico; Documentos e
Sistema de Produção
Teses
Zoneamentos
Fotografias
Mapas
Backup dos
arquivos
informatizados
dos
pesquisadores
que aposentaram
Documentos de
criação da
instituição e
administrativos
Folhetos
Livros
Produção
editorial da
Unidade
Relatórios
Slides
Os tipos de classificação utilizados pelos bibliotecários no processamento
técnico da memória técnica são a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e a Tabela
Cutter, por ser mais fácil utilização e por ter uma padronização entre as Unidades de
pesquisa, pois os materiais classificados vão para o acervo on-line (BDPA)1.
1
http://www.bdpa.cnptia.embrapa.br/
47
Quanto aos procedimentos de organização utilizados para a guarda do
acervo de memória técnica, são utilizados os seguintes critérios de organização,
8,9% (n=8) organizada por assunto; 8,9% (n=8) organizada por título; 7,8% (n=7)
outros; 6,7% (n=6) séries de documentos; 5,6% (n=5) organização por sequência
numérica por dígitos (livro tombo); 5,6% (n= 5) organizada por autor apresentadas
no gráfico 7.
8
8
8
7
7
6
6
5
Assunto
5
Autor
5
Título
4
Livro tombo
3
Séries
2
Outros. Quais?
1
0
1
Gráfico 7 – Procedimentos de organização da Memória Técnica.
Sobre os procedimentos de conservação e preservação do acervo de
memória técnica, percebe-se que os bibliotecários sentem um pouco de dificuldade
em tratar esse acervo, pois as Unidades não investem para esse tipo de
procedimento. Alguns profissionais destacam que no momento, não existe
procedimentos técnicos para a conservação, sendo que o máximo que a Unidade
providenciou foi um climatizador ou que no momento não tem nenhum processo
institucionalizado. Por outro lado, os mesmos procuram se adequar a realidade de
sua Unidade e procuram trabalhar na conservação do acervo, procurando manter o
acervo
em
condições
mínimas
de
temperatura
adequada,
fazendo
a
limpeza/higienização esperodicamente mantendo o acervo seco e sem pó, proteção
contra os raios solares, uso constante do desumificador e fazendo encardenação e
restauração dos materiais quando necessário.
Quando perguntado se o acervo de memória técnica está além do formato
impresso/papel ou se encontra também no formato digital (Repositório da Embrapa –
48
INFOTECA)2, 53% (n=8) responderam que sim, que já estão disponíveis no
repositório, mas 40% (n=6) responderam que ainda não tem esse acervo no formato
digital, e que pretendem gradativamente participar do repositório e 7% (n=1) não
responderam a questão. Os bibliotecários destacam a necessidade de ter esse
material na internet, pois assim, se tem uma maneira de preservação, divulgação,
agilidade na recuperação da informação, podendo ser observado no gráfico 8.
1
6
Não respondido
Sim
Não
8
Gráfico 8 – Formato digital – Disponível em repositório .
Sobre o profissional que cuida desse acervo das Unidades de pesquisa
que responderam ao questionário, 14 Unidades confirmaram que quem cuida do
acervo de memória técnica são os bibliotecários, sendo que dessas 12 Unidades,
duas Unidades contam com ajuda de estagiários do curso de biblioteconomia e
apenas uma Unidade não possui profissional responsável pelo acervo de memória
técnica, porque existia um grupo de trabalho indicado para esse serviço, entretanto,
as funções não são exercidas.
O
segundo
módulo
do
questionário
aplicado
procurou
levantar
informações relacionadas ao profissional que atua na organização e preservação da
Memória Técnica.
Dentre as Unidades estudadas, percebe-se uma pequena participação do
sexo masculino na função de bibliotecário, sendo que dos 15 profissionais que
responderam 14 são mulheres e apenas 1 é homem. Verificou também que dos 15
respondentes, 11 estão na faixa de idade entre 41 e 51 anos, 3 acima dos 50 anos e
apenas 1 entre 20 e 30 anos.
2
http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/
49
Quanto à formação, verificou-se que a grande parte, 12 são formados em
Biblioteconomia, 1 em Ciências da Informação e 1 não respondeu, e 1 além do curso
de biblioteconomia possui também o curso de pedagogia. No que se refere à
titulação acadêmica, o estudo revelou que o grupo pesquisado, está constituído por,
35% (n=5) apenas a graduação completa; 29% (n=4) tem especialização, 29% (n=4)
mestrado e 7% (n=1) doutorado sendo destacado no gráfico 9.
1
5
4
Graduação Completa
Especialização
Mestrado
Doutorado
4
Gráfico 9 – Titulação Acadêmica.
Todos atuam na sua área de formação dentro das Unidades como
bibliotecário sendo que 9 atuam como Analista B, 4 como Analista A, e 2 não
revelaram. Sobre o tempo de atuação na Embrapa, a maioria esta na Embrapa
acima de 15 anos (8), 3 pessoas estão na Empresa de 5 a 10 anos, 2 de 1 a 5 anos
e 2 de 11 a 15 anos.
E para finalizar perguntou-se sobre as atividades desenvolvidas pelo
bibliotecário dentro do acervo de memória técnica, sendo descritos abaixo.
9
Avaliação;
9
Armazenamento;
9
Catalogação;
9
Classificação;
9
Conservação;
9
Disponibilidade/digitalização; Disponibilização no BDPA;
9
Divulgação;
50
9
Indexação;
9
Organização;
9
Organização do documento impresso em caixas arquivo de
papelão;
9
Tratamento;
9
Recuperação;
9
Registro;
9
Seleção;
Com relação ao acervo de memória técnica, podemos destacar que a
maioria das Unidades entende como memória técnica, os documentos editados
pelas unidades e as publicações seriadas, mas também acontece uma pequena
confusão, com o que seja material técnico com material institucional ou histórico da
Unidade, sendo que as respostas abertas sobre os documentos armazenados no
acervo de Memória Técnica esta fixado no Apêndice C, no final deste trabalho.
51
8 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A Embrapa, aos 37 anos de existência, vivencia o acúmulo de produção
de documentos administrativos e geração de publicações técnico-científicas. Surge
daí a necessidade de estabelecer diretrizes, não só de desenvolvimento de
coleções, mas de preservação deste patrimônio bibliográfico impregnado de
conhecimentos
que
hoje
lhe
permitem
ser
referência
mundial
para
o
desenvolvimento de culturas em regiões tropicais.
Através do levantamento efetuado constatou-se que quatorze das quinze
Unidades de pesquisa, que responderam ao questionário, já desenvolve sua
memória técnica. A única respondente, que ainda não tem esse acervo especial,
pretende, futuramente, constituir o acervo de Memória técnica da Instituição. As
diferentes regiões do país já têm Unidades que desenvolvem o projeto de
desenvolvimento da Memória Técnica, ou seja, a importância de realização deste
projeto está internalizada na empresa.
Sendo que de acordo com EMBRAPA (2008, p. 27) dentre os desafios
institucionais e organizacionais está o de fortalecer a comunicação institucional e
mercadológica para atuar estrategicamente diante dos desafios da sociedade da
informação.
A partir do momento que o valor do projeto é incorporado pela
organização, paulatinamente, os meios para a implementação em todas as
Unidades, serão viabilizados. As Unidades das regiões Sul e Sudeste estão à frente
quanto à implantação, sendo que nas demais regiões pelo menos duas Unidades
participam desse esforço da empresa para garantir às novas gerações o acesso à
produção bibliográfica gerada ao longo de sua história.
De acordo com Simião (2009, p. 1) a principal função da memória técnica
ou
organizacional
é
aumentar
a
competitividade
da
organização,
pelo
aperfeiçoamento da forma como ela gerencia seu conhecimento. Nesse sentido, a
Memória técnica não é apenas um acervo de informações. Ela é também uma
"ferramenta" da organização para o gerenciamento de seus ativos intelectuais.
Segundo Matos (2009, p.1)
52
Memória técnica é a representação explicita persistente dos conhecimentos
e informações de uma organização, com a finalidade de facilitar o acesso, o
compartilhamento e a reutilização pelos membros da organização no
desenvolvimento de suas tarefas.
Para algumas empresas, como o Boticário, memória técnica é promover o
resgate, tratamento, preservação e divulgação da historia da empresa como subsidio
a futuras pesquisas.
Os tipos de documentos que os profissionais responsáveis pelo acervo de
memória técnica entendem como documentos necessários para compor esse acervo
são os Documentos técnicos, Produção editorial da Unidade, Produção técnicocientífica (produzida pelos pesquisadores locados na Unidade), Relatórios e as
Séries publicadas pelas Unidades (Boletim de Pesquisa; Boletim de Pesquisa e
Desenvolvimento; Circular Técnica; Comunicado Técnico; Documentos e Sistema de
Produção). Esses materiais estão disponíveis em diferentes formatos, sendo que a
grande maioria está no formato impresso/papel e mídias como o CD-ROM e o DVD.
Um dos desafios de médio prazo que a Embrapa destaca em seu plano
diretor é de contribuir para o avanço da fronteira do conhecimento e incorporar
novas tecnologias, inclusive às emergentes (EMBRAPA, 2008, p. 31).
Destacamos também que o acervo de memória técnica, além de estar
disponível em formato físico, também esta no formato digital, sendo disponibilizado
no repositório digital da EMBRAPA o INFOTECA.3
Para tanto, a Embrapa desenvolve vários meios de comunicação, para
que a comunidade em geral tenha acesso à informação. Um exemplo é a Agência
da Informação4 que possibilita a organização, tratamento e armazenamento,
divulgação e o acesso à informação tecnológica e ao conhecimento gerado pela
Embrapa, e como essas Unidades vêm gerando e acumulando uma grande
quantidade de produção científica (livros, folhetos, teses, artigos de periódicos,
trabalhos apresentados em eventos, documentos eletrônicos e sistemas de
produção), sendo que os saberes registrados e acumulados podem ser
reaproveitados na criação do conhecimento.
O tratamento usado para classificação do material é a Classificação
Decimal de Dewey e a Tabela Cutter. Os procedimentos de preservação e
conservação dos acervos são as condições mínimas utilizadas para o mesmo: o
3
4
http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/
http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/
53
cuidado com a iluminação, temperatura e higienização; e quando necessário
encadernação e restauração dos materiais.
A constatação que na Embrapa o profissional responsável pela
organização e preservação da memória técnica, é o bibliotecário, demonstra que a
empresa reconhece que esses são os profissionais qualificados para selecionar,
processar e disseminar as informações geradas. A porcentagem de profissionais
(60%) com mestrado e/ou doutorado demonstram, também, o comprometimento da
empresa para com o aprimoramento da formação desses técnicos de nível superior.
Com os levantamentos feitos, foi possível atingir o objetivo de analisar a
formação do acervo de memória técnica das Unidades de pesquisa da Embrapa. A
Embrapa gera conhecimento e reconhece, nesse estágio de sua história, que é
necessário ter a guarda e a proteção desse conhecimento e seus bibliotecários,
cientes dessa responsabilidade, gerenciaram este processo. A única ressalva
detectada diz respeito ao entendimento do que seja memória técnica. Alguns
bibliotecários confundem memória técnica com memória institucional. Isso fica
evidente pela política de desenvolvimento desta coleção. Os materiais selecionados
para a memória técnica são, em grande número, documentos administrativos e de
caráter histórico (história da Unidade).
As
Unidades
da
empresa
têm
gerado
documentos
de
caráter
administrativo: normas, relatórios e correspondências. Para tratá-los está prevista a
contratação de arquivistas. Os documentos técnicos, produzidos a partir do
desenvolvimento de atividades técnico-científicas, estão compondo a memória
técnica das Unidades, sob a responsabilidade dos bibliotecários que trabalham
constantemente na melhoria deste processo.
54
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho teve como objetivo principal analisar a formação de acervo
de memória técnica das Unidades de pesquisa da Embrapa, sendo destacada a sua
importância perante os bibliotecários e as empresas e instituições que possuem
esse acervo especial. Neste trabalho, foi feito o levantamento bibliográfico sobre o
assunto em especial nas unidades da Embrapa, foi destacado que o bibliotecário é o
responsável por este acervo, sendo que ele atende todos os requisitos para a
organização e estruturação dessa memória. Com o crescimento de informações
técnicas produzidas pelas instituições de pesquisa ou de empresas em geral,
percebe-se a necessidade de armazenar esse tipo de conhecimento para o
desenvolvimento técnico
A Embrapa é uma organização com sede em Brasília, composta de 42
Unidades descentralizadas de pesquisa agropecuária espalhadas pelas regiões do
Brasil.
A partir da análise das informações coletadas neste estudo, verificou-se
que as Unidades de pesquisa da Embrapa e seus bibliotecários possuem
conhecimento sobre memória técnica, só que alguns bibliotecários confundem a
memória técnica com a memória institucional ou história da unidade, sendo que
alguns estão armazenando documentos históricos com documentos técnicos, como
por exemplo, relatórios técnicos ou de projetos de pesquisa.
Segundo o regulamento da Secretaria do Tribunal Federal, memória
institucional desenvolve atividades de preservação do patrimônio histórico
institucional, material e imaterial, bem como a divulgação do acervo mediante
visitação pública, exposições temporárias e outros meios.
Constatou-se que das 15 Unidades participantes da pesquisa 14 possuem
memória técnica em suas bibliotecas. No que se referem aos documentos que
compõe a memória técnicas, as Unidades, possuem diversos trabalhos de
pesquisadores armazenados em seu acervo. Estes trabalhos encontram-se em
livros, revistas, relatórios, etc.
Baseado no PD&E da Embrapa, a Memória técnica pretende armazenar,
e disseminar a produção cientifica de todos os seus pesquisadores, relacionando o
seu desenvolvimento com o passar do tempo, construindo desta forma uma
55
biblioteca digital (repositório – INFOTECA) que será o núcleo principal da
preservação da memória técnica.
Com base nos resultados apresentados, foi possível constatar que os
tipos de tratamentos de preservação e conservação aplicados no acervo físico
(papel/impresso) de memória são os básicos como iluminação, temperatura e
higienização. Pôde-se constatar também que o responsável por esse acervo é o
bibliotecário responsável pela biblioteca da Unidade. Sendo o bibliotecário também
que cuida da disponibilização online desses documentos, alguns contanto com a
ajuda de estagiários de biblioteconomia.
Com base nos resultados da pesquisa, sugere-se que as Unidades de
pesquisa da Embrapa continuem com esse projeto de memória técnica, pois
demosntra que a Empresa tem consciência da sua importância e da necessidade de
preservação e divulgação desse conhecimento técnico até para os novos
pesquisadores que irão engressar nas Unidades.
Diante dessa importância, seria interessante um trabalho de divulgação
nas Unidades de pesquisa da Embrapa por meio de palestras especificas sobre o
tema, abordando as vantagens da implantação da memória ténica em uma
instituição de pesquisa e explicando a diferença entre ela e a memória institucional
e/ou histórica.
No entanto, seria interessante estender este estudo dentro das listas de
discussões existentes, visando à ampliação da discussão, de maneira que possa
haver comparações de dados desta com outras pesquisas que venham a ser
realizadas nas outras Unidades de pesquisa da Embrapa que não participaram da
pesquisa.
É claro que a construção de um acervo de memória técnica é uma tarefa
contínua e que por esse motivo faz necessário a disponibilidade de recursos e de
pessoal para a sua realização de forma rotineira. Da mesma forma é necessário que
a Embrapa, reconhecendo a importância da preservação do seu conhecimento,
viabilize uma atualização constante no seu repositório.
Acredita-se ter atingido os objetivos propostos e espera-se que esta
pesquisa sirva de subsídio para que as Unidades de pesquisa da Embrapa realize
outros estudos de maneira a contribuir para melhorar cada vez mais o entendimento
sobre a importância da preservação técnico-científica das Unidades.
56
Em 19 de outubro de 2010, durante a análise dos dados e a finalização da
redação este estudo, teve-se a notícia que no dia 20 de outubro de 2010 a Embrapa
reformulou a sua base da dados (AINFO) onde o depósito de documentos
eletrônicos/digitais será feito por meio do próprio Ainfo, sem a necessidade de entrar
num sistema à parte (INFOTECA), sendo que os documentos digitais ficarão
armazenados dentro da base de dados e automáticamente enviados ao repositório
da Embrapa.
Mediante o que foi exposto no trabalho, podemos afirmar que a melhor
maneira de preservar a informação e disseminá-la para a comunidade científica e
futuras gerações é resgatar esses documentos e tratá-los de maneira especial,
criando um acervo exclusivo. A memória técnica contribui para consolidar a boa
reputação de uma empresa, mas vai além: o poder de uma nação migrou do acervo
bélico para o acervo bibliográfico. Só poderá deter o poder econômico quem
dominar conhecimentos e melhor aplicá-los para o desenvolvimento de tecnologias
que promovam melhorias efetivas à qualidade de vida da população. O
conhecimento gerado pelas Instituições de pesquisa é o seu grande patrimônio,
protegê-los é um ato de cidadania.
57
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da informação. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA
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Difusão Editora, 2007, 206p.
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____________. Reputação é memória. In: SEMINÁRIO BRASILEIRO DE
VALORIZAÇÃO DA PROFISSÃO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, 1. , 2007. Resumos.
Salvador: SEMBRARP, 2007. Disponível em: <
http://www.rpbahia.com.br/biblioteca/trabalhos/nassar-completo.pdf>. Acesso em: 26
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Florianópolis, v. 13, n. 1, p. 37-58, jan./jun., 2008.
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<http:www.museudapessoa.com.br>. Acesso em: 01 jul. 2009.
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(Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Filosofia e Ciências,
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ZORRINHO, C. Gestão da informação: condição para vencer. Lisboa: Instituto de
Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI), 1995. 143 p.
61
APÊNDICES
62
Apêndice A: Mensagem encaminhada às Unidades de Pesquisa
Mensagem encaminhada à Unidade de Pesquisa
Prezadas (os) Bibliotecárias (os),
Meu nome é Daniela, sou aluna do 4º ano do Curso de
Biblioteconomia da Universidade Estadual de Londrina e sou estagiária da Biblioteca
da Embrapa Soja. Estou desenvolvendo o meu trabalho de Conclusão de Curso
(TCC) sobre o tema “Análise da formação de acervo de memória técnica das
Unidades de pesquisa da EMBRAPA”, o qual tem por objetivo analisar a formação
de acervo de memória técnica das Unidades de pesquisa da EMBRAPA, bem como
destacar esse tipo de acervo para a sociedade.
Para viabilizar a elaboração do meu TCC, solicito a colaboração das
(os) bibliotecárias (os) no sentido de responder o questionário em anexo, cujas
questões objetivas demandarão pouco tempo para as respostas. Informo, ainda, que
as respostas fornecidas pelos participantes da pesquisa serão tratadas de forma
confidencial, sem identificação dos respondentes.
Visando cumprir o cronograma estipulado, solicito a compreensão
das (os) bibliotecárias (os) para o encaminhamento dos dados até 21 de outubro de
2010, via e-mail ([email protected]).
Certa de seu apoio e compreensão agradeço desde já a atenção e
coloco-me a disposição para demais esclarecimentos.
Atenciosamente,
Daniela Alexandre da Silva
Telefone: 3328-87-14
Celular: 8417-14-66
e-mail: [email protected]
63
Apêndice B: Questionário aplicado ao responsável pela Memória Técnica.
Questionário
Módulo 1: Caracterização da Instituição
1) Qual é o nome da Instituição?
_________________________________________________________________
2) Qual a idade da Instituição?
A
Inferior a 1 ano
B
De 1 a 5 anos
C
De 6 a 10 anos
D
De 11 a 15 anos
E
Acima de 15 anos
3) Qual o ramo de atuação da Instituição?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
4) A instituição considera importante que todo o seu público interno saiba
onde os documentos produzidos por ela estão armazenados?
A
Importante
B
Pouco Importante
C
Não é importante
5) Qual a importância que sua instituição atribui à informação gerada por ela
para o desenvolvimento de suas atividades e para a preservação da história?
A
Importante
B
Pouco Importante
C
Não é importante
64
6) Quais os tipos de documentos a Instituição possui.
A
Relatórios preparados manualmente
B
Relatórios informatizados
C
Anotações/Arquivos pessoais
D
Atas de encontros
E
Trabalhos não-publicados (literatura cinzenta, relatórios técnicos)
F
Jornais, revistas e livros
G
Fotografias, objetos, pinturas
H
Discursos, depoimentos, debates, entrevistas
I
Outros. Especificar:_________________________
7) Se você já ouviu falar Memória Técnica Organizacional?
[ ] Não
[ ] Sim. Qual sua
concepção?_________________________________________________
8) A Instituição possui Memória Técnica?
[ ] Não
[ ] Sim. Quando iniciou?________________________________________________
9) Caso a resposta anterior seja não, a Instituição teria interesse futuramente
em construir sua Memória?
[ ] Não
[ ] Sim
10) Caso já tenha ouvido falar, assinale a(s) vantagem(s) por você
percebida(s). Com relação à construção da Memória Técnica Organizacional
em uma instituição (A questão permite mais de uma resposta).
[
[
[
[
[
[
] Resgate da História da instituição
] Preservação da informação
] Organização da produção técnico - cientifica da instituição
] Cronograma do tempo da empresa
] Construção da identidade coletiva da instituição
] Outro (s) Qual (is)?__________________________________________________
65
11) Por qual (is) meio(s) de comunicação você obteve conhecimentos relativos
à memória técnica organizacional?
(A pergunta permite mais de uma resposta)
[
[
[
[
[
[
] Não obtive
] Sites da Internet
] Grupos de discussão
] Conversas com Colegas
] Eventos/palestras/congressos
] Outro(s) Qual(is)?___________________________________________________
12) Qual(is) a(s) vantagem(ns) por você percebida(s), em ter concentrada em
uma memória técnica toda as informações técnicas da instituição (a pergunta
permite mais de uma resposta).
[ ] Dinamização do acesso à informação
[ ] Conhecer de forma aprofundada a história da instituição
[ ] Maior visibilidade da participação dos funcionários
[ ] Possibilidade de revisão pelos pares
[ ] Concentrar em um mesmo acervo todos os documentos que falem sobre a
instituição
[ ] Não percebo nenhuma vantagem
[ ] Outro(s) Qual(s)?_________________________________________________
13) Qual(is) o(s) documento(s) que compõe a memória técnica de sua
instituição?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
14) Qual(is) o(s) formatos dos materiais disponíveis na memória?(a pergunta
permite mais de uma resposta).
[
[
[
[
[
[
[
[
[
] CD-ROM
] Disquetes
] DVD
] Fita cassete
] Fita Magnéticas
] Microfichas
] Papel/formato impresso
] Videodiscos
] Outro(s) Qual(is)?___________________________________________________
66
15)Qual(is) o(s) procedimento(s) de organização usados para
armazenamento desse acervo?(a pergunta permite mais de uma resposta).
[
[
[
[
[
[
o
] Organização por assunto
] Organização por autor
] Organização por título
] Organização por seqüência numérica por dígitos (livro tombo)
] Séries de documentos
] Outro(s) Qual(is)?___________________________________________________
16) Qual(i)s o(s) tipo(s) de classificação é utilizada no processamento técnico
do acervo?(a pergunta permite mais de uma resposta).
[
[
[
[
[
] Classificação do Decimal de Dewey (CDD)
] Classificação Decimal Universal (CDU)
] Tabela Cutter
] Tabela PHA
] Outro(s) Qual(is)?___________________________________________________
17) Qual(is) o(s) procedimentos de conservação e preservação utilizadas?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
18) O acervo de memória técnica da instituição é apenas no formato físico
(papel) ou também está no formato digital?
[ ] Sim
[ ] Não
[ ] Se a resposta for negativa, a instituição teria interesse de disponibilizar esse
material no formato digital e disponibilizar as informações nelas contidas?Por
quê?_______________________________________________________________
19) Existe um profissional responsável por esse acervo de memória técnica?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
67
Módulo 2:
Questionário destinado ao profissional que atua na organização e preservação
da Memória Técnica.
1) Gênero:
[ ] Masculino
[ ] Feminino
2) Faixa Etária:
[ ] Entre 20 e 30 anos
[ ] Entre 31 e 40 anos
[ ] Entre 41 e 51 anos
[ ] Acima de 50 anos
3) Qual o seu grau de instrução?
A
1º Grau
G
Graduação Incompleta
B
2º Grau
H
Especialização
C
Curso Técnico
I
Mestrado
D
Graduação Completa
J
Doutorado
4) Qual sua área de formação?
_________________________________________________________________
5) Cargo ocupado na empresa?
_________________________________________________________________
6) Tempo de atuação na Empresa / Instituição
[ ] Inferior a 1 ano.
[ ] De 1 a 5 anos.
[ ] De 5 a 10 anos
[ ] De 11 a 15 anos
[ ] Acima de 15 anos.
7) Quais as atividades desenvolvidas pelo profissional dentro do acervo de
Memória Técnica?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
68
Apêndice C: Transcrição dos Respondentes.
MÓDULO 1
Pergunta 7
Se você já ouviu falar de Memória técnica organizacional? Se sim, qual sua
concepção?
R 1: Essencial para a historia da instituição.
R 2: Mecanismo que serve para controle da produção técnico-científica da
instituição, assim como resgate histórico.
R 3: Seria uma parcela da história da organização.
R 4: É um instrumento de organização do conhecimento de uma organização que
possibilita sua armazenagem e contribui para a tomada de decisão e planejamento
estratégico.
R 5: Produção editorial e intelectual da organização.
R 6: Constituir a história de uma instituição.
R7: Refere-se à organização de toda informação técnico – científica (tangível) que
foi gerada pela organização.
R 8: Preservação do que foi publicado pela empresa.
Pergunta 10
Caso já tenha ouvido falar, assinale a(s) vantagem(ns) por você percebida(s).
Com relação à construção da memória técnica organizacional em uma
instituição. (A questão permite mais de uma resposta).
R 1: Estatística de produção/produtividade.
R 2: Disseminação (transferência de tecnologia) e fonte de informação para a
gerência.
R 3: Memória dos eventos sociais e encontros dos empregados, tipo fotos e
gravação de momentos descontraídos.
R 4: Organização e preservação do conhecimento técnico, administrativo e cientifico
institucional.
69
Pergunta 11
Por qual (is) meio(s) de comunicação você obteve conhecimentos relativos à
memória técnica organizacional? (A pergunta permite mais de uma resposta).
R 1: Supervisor e SEB.
R 2: Projeto memória Embrapa.
R 3: A própria empresa se interessou em organizar sua memória.
R 4: O trabalho já era realizado, isto é, já se tinha consciência da sua importância.
R 5: Estudos pessoais.
R 6: Grupo de discussão da Embrapa.
R 7: Literatura científica.
R 8: Publicações.
Pergunta 15
Qual (is) o(s) procedimento(s) de organização usado para o armazenamento
desse acervo? (a pergunta permite mais de uma resposta).
R 1: Origem do material – Memória técnica da unidade.
R 2: Por tipo de material.
R 3: Ano de publicação.
R 4:Estão organizadas por tipo (publicações, CLP, slides, etc.) e dentro de cada tipo
estão em ordem cronológica e alfanumérica.
R 5: Somente as publicações estão organizadas e armazenadas por assunto, autor,
título na biblioteca, os demais estão arquivados sem organização.
R 6: Não existe organização.
R 7: Cada setor tem sua forma de armazenar sua memória/arquivo, cada um em sua
realidade especifica. Estou considerando a empresa num todo, não somente a
biblioteca. O início foi considerada a instituição.
Pergunta 18
O acervo de memória técnica da instituição é apenas no formato físico (papel)
ou também está no formato digital?
70
R 1:Já esta sendo criado a Infoteca com o objetivo de digitalizar tudo.
R 2: Esta no formato físico (papel), mas também esta gradativamente sendo
disponibilizado no formato digital. O interesse é para maior divulgação porque esta
sendo disponibilizado na internet e preservado em repositório.
R 3: A instituição disponibiliza no seu site as publicações eletrônicas para download.
R 4:Maior agilidade na recuperação da informação e preservação do documento em
papel.
R 5:Sim, para facilitar o acesso ao material e garantir sua preservação.
R 6:Nossa proposta é disponibilizar de forma digital toda a memória técnica da
unidade, já estamos executando esse trabalho. Entendemos que essa é a melhor
forma de tornar nosso trabalho visível para a sociedade.
Pergunta 19
Existe um profissional responsável por esse acervo de memória técnica?
R 1: Sim, a bibliotecária, mas todos os empregados lotados na biblioteca têm essa
consciência.
R 2: O bibliotecário é o responsável pela memória técnica das publicações. Os
demais documentos na há um profissional responsável.
R 3: Não há um profissional específico para essa atividade. A iniciativa surgida até
agora são da bibliotecária.
R 4: Existe um grupo de trabalho indicado pela chefia, entretanto, as funções não
são exercidas.
71
Apêndice D: Endereços das Unidades da Embrapa
SEDE DA EMBRAPA
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa
Parque Estação Biológica – PqEB
Av. W3 Norte (Final), Edifício Sede
Caixa Postal 40.315
CEP: 70770-901 – Brasília, DF
www.embrapa.br
UNIDADES DE PESQUISA
Embrapa Acre
Rod. BR-364, Km 14 (Rio
Branco – PortoVelho
Caixa postal: 321
CEP: 69900-970 – Rio
Branco, AC
www.cpafac.embrapa.br
Embrapa Agrobiologia
Rod. BR-465, Km 7 (antiga
Rodovia Rio/São Paulo)
Caixa postal 321
CEP: 23890-000 –
Seropédica, RJ
www.cnpab.embrapa.br
Embrapa Amazônia Oriental
Trav. Dr. Enéas Pinheiro s/nº Bairro Marcos
Caixa postal 48 CEP: 66095-130
– Belém, PA
www.cpatu.embrapa.br
Embrapa Agroenergia
Parque Estação Biológica –
PqEB
Av. W3 Norte (Final), Edifício
Sede
Caixa Postal 40.315
CEP: 70770-901 – Brasília,
DF
www.embrapa.br
Embrapa Agroindústria de
Alimentos
Av. das Américas, 29.501 –
Guaratiba, RJ
CEP: 23020-470
www.ctaa.embrapa.br
Embrapa Café
Parque Estação Biológica – PqEB
Av. W3 Norte (Final), Edifício
Sede – 3º Andar
CEP: 70770-901 – Brasília, DF
www.embrapa.br/cafe
Embrapa Arroz e Feijão
Rod. GO-462, Km 12 – Fazenda
Capivara – Zona Rural
Caixa postal: 179 CEP: 75375000 – Santo Antonio de Goiás,
GO
www.cnpaf.embrapa.br
Embrapa Caprinos
Fazenda Três Lagoas Estrada
Sobral – Groaíras, Km 4
Caixa postal 145
CEP: 62011-970 – Sobral, CE
www.cnpc.embrapa.br
Embrapa Cerrados
Rod. BR-020, Km 18
(Brasília – Fortaleza)
Caixa postal 8223
CEP: 73310-970 –
Planaltina, DF
www.cpac.embrapa.br
Embrapa Clima
Temperado
Rod. BR-392, Km 78,9º
Distrito, Monte Bonito
Caixa postal 403
CEP: 96001-970 –
Pelotas, RS
www.cpact.embrapa.br
Embrapa Florestas
Estrada da Ribeira, Km
111
Caixa postal 319
CEP: 83411-000 –
Colombo, PR
www.cnpf.embrapa.br
Embrapa Gado de Corte
Rod. BR-262, Km 4
Caixa postal 154 CEP:
79002-970 – Campo
Grande, MS
www.cnpgc.embrapa.br
72
Embrapa Agroindústria
Tropical
Rua Dra. Sara Mesquita,
2.270 – Bairro Pici
Caixa postal 3761
CEP: 60511-110 – Fortaleza,
CE
www.cnpat.embrapa.br
Embrapa Hortaliças
Rod. BR-060, Km 9 (Brasília –
Anápolis)
Caixa postal 218 – Fazenda
Tamanduá CEP: 70359-970 –
Ponte Alta-Gama, DF
www.cnph.embrapa.br
Embrapa Meio-Norte
Av. duque de Caxias,
5.650 – Bairro Buenos
Aires
Caixa postal 001 CEP:
64006-220 – Teresina, PI
www.cpamn.embrapa.br
Embrapa Agropecuária
Oeste
Rod. BR-163, Km 253,6
(trecho Dourados/Caarapó)
Caixa Postal 661 CEP:
79804-970 – Dourados, MS
www.cpao.embrapa.br
Embrapa Algodão
Rua Oswaldo Cruz, 1143 –
Bairro Centenário
Caixa postal 174 CEP:
58107-720 – Campina
Grande, PB
www.cnpa.embrapa.br
Embrapa Informação
Tecnológica
Parque Estação Biológica – PqEB
Av. W3 Norte (Final)
CEP: 70770-901 – Brasília, DF
www.sct.embrapa.br/cafe
Embrapa Milho e Sorgo
Rod. MG-424, Km 65
Caixa postal 151 CEP:
35701-970 – Sete
Lagoas, MG
www.cnpms.embrapa.br
Embrapa Informática
Agropecuária
Av. Dr. André Tosello, 209 –
Barão Geraldo
Caixa postal 6041
CEP: 13083-886 – Campinas, SP
www.cnptia.embrapa.br
Embrapa Amapá
Rod. Juscelino Kubitschek,
Km 5, s/n – Bairro
Universidade
Caixa postal 10 CEP: 68903000 – Macapá, AP
www.cpafp.embrapa.br
Embrapa Instrumentação
Agropecuária
rua XV de novembro, 1452 –
Centro
Caixa Postal 741
CEP: 13560-970 – São Carlos,
SP
www.cnpdia.embrapa.br
Embrapa Mandioca e
Fruticultura Tropical
Rua Embrapa, s/nº
Caixa Postal: 007
CEP: 44380-000 – Cruza das
Almas, BA
www.cnpmf.embrapa.br
Embrapa
Monitoramento por
Satélite
Av. Soldado Passarinho,
303 – Jardim Chapadão
CEP: 13070-115 –
Campinas, SP
www.cnpm.embrapa.br
Embrapa Pantanal
Rua 21 de setembro,
1880 – Bairro Nossa
Senhora de Fátima
Caixa postal 109 CEP:
79320-900 – Corumbá,
MS
www.cpap.embrapa.br
Embrapa Pecuária
Sudeste
Rod. Washington Luiz,
Km 234 – Fazenda
Canchim
Caixa postal 339 CEP:
13560-970 – São Carlos,
SP
www.cppse.embrapa.br
Embrapa Pecuária Sul
Rod. BR-153, Km 603 –
Bairro Industrial – Zona
Rural
Caixa postal 242 CEP:
96401-970 – Bagé, RS
www.cppsul.embrapa.br
Embrapa Amazônia
Ocidental
Rod. AM-010, Km 29
(Estrada Manaus/
Itacoatiara)
Caixa postal 319 CEP:
69011-970 – Manaus, AM
www.cpaa.embrapa.br
Embrapa Gado de Leite
Rua Eugênio do Nascmento,
610 – Bairro Dom Bosco
CEP: 36038-330 – Juiz de
Fora, MG
www.cnpgl.embrapa.br
Embrapa Meio Ambiente
Rod. SP-340, Km 127,5 –
Tanquinho Velho
Caixa postal 69
CEP: 13820-000 – Jaguariúna,
SP
www.cnpma.embrapa.br
73
Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia
Parque Estação Biológica –
PqEB – s/nº
Av. W3 Norte (Final),
Caixa postal 2.372 CEP:
70770-900 – Brasília, DF
www.cenargen.embrapa.br
Embrapa Rondônia
Rod. BR 364, Km 5,5 s/nº
Caixa postal 406 CEP: 78900970
Porto Velho, RO
www.cpafro.embrapa.br
Embrapa Semi-Árido
Rod. BR-428, Km 152 – Zona
Rural
Caixa postal 23 CEP: 56302970
Petrolina, PE
www.cpatsa.embrapra.br
Embrapa Roraima
Rod. BR-174, Km 8 s/nº Distrito Industrial
Caixa postal 133 CEP: 69301970
Boa Vista, RR
www.cpafrr.embrapa.br
Embrapa Meio Ambiente
Rod. SP-340, Km 127,5 –
Tanquinho Velho
Caixa postal 69
CEP: 13820-000 – Jaguariúna,
SP
www.cnpma.embrapa.br
Embrapa Solos
Rua Jardim Botânico, 1024
CEP: 22460-000 – Rio de
Janeiro, RJ
www.cnps.embrapa.br
Embrapa Soja
Rod. Carlos João Strass
(Londrina-Warta) Acesso
Orlando amaral, s/nº
Caixa postal 231 CEP:
86001-970
Londrina, PR
www.cnpso.embrapa.br
Embrapa Suínos e Aves
Rod. BR 153, Km 110 –
Distrito de Tamanduá
Caixa postal 21 CEP: 8970000
Concórdia, SC
www.cnpsa.embrapa.br
Embrapa Tabuleiros
Costeiros
Av. Beira Mar, 3.250, Bairro
13 de Julho
Caixa postal 44 CEP:
49001-970
Aracaju, SE
www.cpatc.embrapa.br
Embrapa Transferência
de Tecnologia
Parque Estação Biológica –
PqEB
Av. W3 Norte (Final) –
Edifício Sede - Térreo
CEP: 70770-901 – Brasília,
DF
www.embrapa.br/snt
Embrapa Trigo
Rod. BR 285, Km 294
Caixa postal 451 CEP:
99001-970
Passo Fundo, RS
www.cnpt.embrapa.br
Embrapa Uva e Vinho
Rua Livramento, 515
Caixa postal 130 CEP:
95700-000
Bento Gonçalves, RS
www.cnpuv.embrapa.br
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DANIELA ALEXANDRE DA SILVA MEMÓRIA - Alice