IETEC – INSTITUTO DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PÓS-GRADUAÇÃO GESTÃO E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Computação em nuvem: Conceitos e Perspectivas Augusto Carvalho dos Santos Bruno Gil Pedrosa Henrique Santos Higor Gonçalves Godinho Leandro Silva Rafael do Carmo Schettino Rodrigo Carvalho dos Santos Sérgio Henrique Amaral Mendes Belo Horizonte, 25 de agosto de 2010 AUTORIZAÇÃO DE PUBLICAÇÃO AUTORIZAMOS A PUBLICAÇÃO DE NOSSO TRABALHO NA INTERNET, JORNAIS E REVISTAS TÉCNICAS DO IETEC. NÃO AUTORIZAMOS A PUBLICAÇÃO OU DIVULGAÇÃO DO NOSSO TRABALHO. BELO HORIZONTE, ____/____/____ CURSO: Gestão e Tecnologia da Informação SEMESTRE/ANO: 1º / 2010 TÍTULO DO TRABALHO: Computação em Nuvem: Conceitos e Perspectivas NOME DOS PARTICIPANTES (LEGÍVEL) TURMA: ASSINATURA 14 1 SUMÁRIO 1 - RESUMO .......................................................................................................................... 2 2 - INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 3 3 - REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................................. 5 3.1 - O QUE É COMPUTAÇÃO EM NUVEM? ................................................................... 5 3.2 - PREPARANDO O AMBIENTE PARA COMPUTAÇÃO EM NUVEM ..................... 6 3.3 - MIGRANDO PARA UM AMBIENTE DE COMPUTAÇÃO EM NUVEM .............. 10 3.4 - COMPUTAÇÃO EM NUVEM NO AMBIENTE CORPORATIVO .......................... 14 3.5 - TIPOS DE OFERTA DE SERVIÇO EM COMPUTAÇÃO EM NUVEM ................. 17 3.6 - ALGUNS EXEMPLOS DE APLICAÇÕES EM NUVEM ......................................... 20 3.7 - SEGURANÇA .............................................................................................................. 22 3.8 - PERSPECTIVAS FUTURAS DA COMPUTAÇÃO EM NUVEM ............................ 25 3.9 - COMPUTAÇÃO EM NUVEM NO BRASIL .............................................................. 26 4 - CONCLUSÃO ................................................................................................................ 27 5 - GLOSSÁRIO .................................................................................................................. 28 6 - REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ................................................................................ 30 2 1 - RESUMO Esse trabalho tem por objetivo conceituar o termo Computação em Nuvem, que cada vez mais atrai a atenção dos gestores e profissionais de TI com a premissa de ser um novo paradigma que irá mudar a forma como os serviços serão estruturados e oferecidos. Serão abordados temas relacionados ao ambiente corporativo, visando analisar de uma forma macro se as expectativas com esta nova tecnologia irão suprir as necessidades de negócios das organizações. Analisaremos se as empresas estão preparadas para adotar e migrar para a computação em nuvem, além de abordarmos sobre os pontos essenciais em relação à segurança, que é um dos mais relevantes entraves na implantação dos serviços em nuvem. Destacaremos também os principais serviços e aplicativos que existem atualmente e as perspectivas futuras no mundo e no Brasil. Palavras-chave: Computação em Nuvem, Cloud Computing, Segurança nas Nuvens. 3 2 - INTRODUÇÃO Em uma economia globalizada e com constantes entradas de novas tecnologias, as empresas se deparam frequentemente com o seguinte dilema: quando migrar para uma tecnologia ainda emergente? Por toda parte vemos mudanças tecnológicas: o crescimento do comércio eletrônico, as operações bancárias pela internet e a transformação de algumas indústrias, como a fonográfica, em negócios voltados para a internet. Como analisar uma tecnologia emergente e os impactos que ela terá nos negócios? Como comprar este idéia sem termos certeza sobre sua real aplicabilidade e benefícios que ela trará? O uso de uma nova tecnologia deve estar alinhado com os objetivos estratégicos da empresa. O desafio para a correta tomada de decisões é descobrir como essa tecnologia será inserida no contexto dos negócios e quais vantagens competitivas ela trará. Existem muitos riscos a serem avaliados: riscos de mercado, riscos de viabilidade técnica e os próprios riscos organizacionais. Muitos CIOs já analisam o uso da computação em nuvem, apesar de ainda tomarem poucas decisões. Muitos receios ainda existem e podemos citar alguns: A nuvem é estável? Existe a possibilidade de acordos de níveis de serviço com provedores de nuvens? Os provedores são bem conceituados no mercado ou são empresas pouco conhecidas e de pouca tradição em TI? Os provedores têm um plano sólido e sustentável para o negócio de computação em nuvem? O provedor vai continuar no mercado? A computação em nuvem já é um conceito maduro? 4 Como fica a segurança das aplicações em nuvem? Existem aplicações prontas para a nuvem que atenderão meu negócio? A nuvem vai oferecer disponibilidade adequada ao meu negócio? Meu negócio vai ficar amarrado a um provedor ou software específico? Disponibilizar os dados do meu negócio na nuvem é legalmente válido e aceito? Pretendemos discutir isso neste trabalho para fundamentar conceitos sobre esta tecnologia e chegarmos a uma conclusão sobre a viabilidade de utilização a nuvem no momento de transição no qual nos encontramos. 5 3 - REFERENCIAL TEÓRICO 3.1 - O QUE É COMPUTAÇÃO EM NUVEM? A Computação em Nuvem - ou Cloud Computing - pode ser definida como “um conjunto de recursos como capacidade de processamento, armazenamento, conectividade, plataformas, aplicações e serviços disponibilizados na Internet”. (TAURION, 2009, p. 2). De acordo com Moreira (2008), “Cloud Computing pode ser definido como um modelo no qual a computação (processamento, armazenamento e softwares) está em algum lugar da rede e é acessada remotamente, via internet.”. 6 3.2 - PREPARANDO O AMBIENTE PARA COMPUTAÇÃO EM NUVEM Taurion (2009, p. 58) dispõe sobre o contexto no qual está inserido a computação em nuvem: No caso da computação em nuvem, a sustentação tecnológica pode ser analisada pelas tecnologias básicas que a impulsionam. Claramente a disposição de comunicações por banda larga e a diminuição dos custos de computação a tornam bastante atrativa para explorar seu potencial. Uma variável importante para analisarmos o potencial de uma tecnologia emergente é analisando o ecossistema de negócios no qual ela se encontra. Segundo Taurion (2009, p. 59): Ecossistema de negócios é como uma empresa colabora com a outra para chegar a determinado fim, por exemplo, quando empresas colaboram umas com as outras para trazer eletricidade às casas, escritórios e fábricas. O mesmo acontece no ramo da tecnologia da informação. Seja com qualquer Hardware ou software existem várias empresas atuando para fazer com que esse produto chegue a empresas e usuários. De acordo com Taurion (2009, p. 59) é necessário que todos os elos de um ecossistema estejam saudáveis em termos de negócios, ou seja, sendo rentáveis. A boa saúde do ecossistema depende da boa saúde de todos os elos envolvidos e existem formas (indicadores) para avaliar isso: O principal é a capacidade de o ecossistema gerar receita para todas as partes, fazendo com que a tecnologia evolua. A solidez do ecossistema é um fator importante. Quanto mais estabelecida a tecnologia dificilmente ela será substituída. Na maioria dos casos um ecossistema tem organizações pilares que provêm as bases e sustentações tecnológicas e comerciais. No caso da computação em nuvem, Taurion (2009, p. 60) acredita que: 7 [...] o ecossistema é constituído por empresas que fornecem tecnologias básicas de hardware e software, middleware (camada de software que cria a nuvem), serviços de educação, implementação e integração, aplicações e consultorias e um mercado receptivo a esse conceito. Um fator exponencial para o crescimento do mercado de computação em nuvem é o visível aumento no uso de tecnologias de computação social, tais como blogs e sites de compartilhamento de fotos e vídeos. Para acessar estes serviços não são mais necessários poderosos desktops, pois cada vez mais o acesso pode ser feito também através de smartphones e netbooks. Com essa gama de dispositivos na mão dos usuários, está se tornando comum a busca pelo acesso instantâneo e remoto a informações e arquivos, o que impulsiona, de certa forma, o uso de tecnologia em nuvem. Esta demanda proporciona também a queda dos custos da tecnologia, em função do ganho em escala. “Já existem alguns ecossistemas de computação em nuvem, organizados em torno de empresas pilares como IBM, HP, Sun, Google, Amazon e outras.” (TAURION, 2009, p. 61) “As empresas podem adotar ações entre as seguintes estratégias extremas para adoção de tecnologias emergentes, como Computação em Nuvem” (TAURION, 2009, p. 63): Observar e aguardar: Ação sugerida quando a empresa prefere esperar que a tecnologia amadureça. Essa estratégia não deve tomar tempo demais pois a empresa pode estar perdendo oportunidade competitiva com uso estratégico da tecnologia. Acreditar e liderar: Quando a oportunidade é muito promissora e a empresa pode começar a explorá-la de maneira pioneira. Segundo Taurion (2009, p. 63), “muitos CIOs já analisam o uso da computação em nuvem apesar de ainda tomarem poucas decisões”. Muitos receios ainda existem e podemos citar alguns: A estabilidade da nuvem ainda é questionável. “[...] à medida que o mercado amadureça, os provedores vão sofisticar cada vez mais sua oferta de serviços e as questões de estabilidade, desempenho e disponibilidade passarão a ser mais exigidas”. (TAURION, 2009, p.63). 8 Os provedores são bem conceituados no mercado ou são empresas pouco conhecidas e de pouca tradição em TI? Os provedores têm um plano sólido e sustentável para o negócio de computação em nuvem? Importante analisar o que pode acontecer com suas aplicações se o provedor sair do mercado Computação em Nuvem ainda não é um conceito maduro. “Ainda são poucos os casos de sucesso e os CIOs tendem a ser bastante conservadores e se afastam de experimentações.” (TAURION, 2009, p. 64). A proteção dos dados na nuvem é adequada? “Entretanto, muitas vezes os procedimentos de segurança do provedor são mais adequados que os de muitas empresas de pequeno a médio porte” (TAURION, 2009, p. 64). Pouca oferta de aplicações. De acordo com Taurion (2009, p. 64), a maioria dos aplicativos ainda não está preparada para rodar em nuvens. Disponibilidade adequada ao meu negócio? Vale ressaltar que, de acordo com Taurion (2009, p. 64), “muitos data centers de empresas apresentam problemas de indisponibilidade e muitas nuvens apresentam altos níveis de disponibilidade”. A falta de integração entre aplicativos pode ser um problema na computação em nuvem devido ao uso de softwares proprietários. Com o tempo esse problema tende a acabar devido a necessidade de integração. É importante observar a legalidade do armazenamento de informações nas nuvens. Conforme Taurion (2009, p. 64), “determinadas leis exigem que a empresa mantenha dados dentro de casa ou mesmo dentro do próprio país. Neste caso deve-se verificar os data centers do provedor e verificar a localidade dos mesmos”. Taurion (2009, p. 65) afirma que: Como a computação em nuvem esta em um início de sua evolução o cenário futuro deverá ser diferente e os CIOs devem ter como preocupação é a sustentabilidade do negócio dos seus provedores de serviço. 9 Na maior parte das vezes mercados novos fazem com que inúmeras pequenas empresas sejam criadas e nem todas consigam sobreviver, como aconteceu com várias ponto-com no início da internet. Cuidados devem ser tomados na implantação da computação em nuvem, deve ser feita de forma gradual e não no estilo big-bang. Pode-se começar com alguns serviços e ao longo do tempo aumentando sua abrangência na operação de TI da corporação. Segundo Taurion (2009, p.66), adotar internamente o conceito de nuvem implica em um plano de ação que deve contemplar profundas analises referentes a sua infraestrutura, efetuando, como primeiro passo, um “due diligence”, para entender as potencialidades e restrições do ambiente tecnológico atual do data Center. As colocar servidores em nuvem, os níveis de serviço atuais serão mantidos, melhorados ou piorados? Qual relação de custo x benefício? A infraestrutura tem capacidade tal que permita ao Data Center operar em nuvem de forma eficaz com custo menor que o modelo anterior? Que serviços poderão ser ofertados em nuvem? Quais as restrições de banda do Data Center atual? Que tecnologias deverão ser adquiridas? 10 3.3 - MIGRANDO PARA UM AMBIENTE DE COMPUTAÇÃO EM NUVEM Os principais fornecedores de computação em nuvem são Microsoft, Salesforce, Skytap, HP, IBM, Amazon e Google, onde seus clientes para ter acesso a serviços completos precisam pagar pelos recursos que utilizam. Porem para se confiar nos serviços é necessário visualizar a nuvem profundamente, e isso é algo que nem todos os fornecedores permitem, pois alguns adotam em seu modelo de negocio o sigilo sobre parte dos requisitos como arquitetura, políticas, estrutura virtual, entre outros, destaca Ritcher. (apud GREENE, 2010) Outro fato importante a ser considerado na seleção do fornecedor é como é feito o gerenciamento de acesso aos dados, o que impede que os usuários não autorizados de acessem informações importantes ao negócio da sua empresa? Este requisito tem que ser bem avaliado e garantido, pois com certeza ele será alvo de auditorias dentro da empresa. Uma forma de garantir e minimizar o impacto deste requisito é a contratação de um modelo de nuvem privada, pois permite um maior nível de controle sobre os dados, aplicações e infraestrutura, afirma Ritcher. (apud GREENE, 2010) Porem segundo Ritcher, a equipe de TI não pode abrir mão da responsabilidade de proteger os dados, devendo manter dentro da empresa o controle sobre os ambientes de forma a ajudar as empresas a evitar qualquer surpresa, portanto na escolha do fornecedor é indicado que se avalie oito passos para a migração para o modelo de computação em nuvem (apud GREENE, 2010): 1º Avalie profundamente cada aplicação. As aplicações que serão migradas para a nuvem devem ser analisadas profundamente para assegurar que não haverá falhas de segurança, uma vez que elas estarão mais expostas a ataques, deve se também verificar se as aplicações estão em conformidade com o ambiente da nuvem, assegurando que são suportadas pelos serviços contratados. Em muitos casos são necessário alterações nestas aplicações para se adequar ao ambiente de nuvem. "Algumas delas estão enraizadas no sistema da corporação e a nuvem nunca atingirá o grau necessário de conformidade e segurança", destaca Richter (apud GREENE, 2010). 11 2º Classifique os dados e determine tudo o que é dado e processo sensível. Deve ser feito um levantamento dos dados e dos processos que serão migrados para a nuvem, identificando assim os processos mais críticos e as informações relevantes e sigilosas, para determinar o tipo de nuvem que será contratada. Desta forma o cliente assegura que os processos não serão interrompidos e as informações estão disponíveis para os usuários corretos. 3º Determine o tipo de nuvem que melhor se enquadra na corporação. Após a análise das aplicações, dados e processos, é possível determinar o consumo e a utilização que será necessário contratar de um provedor de computação em nuvem, e assim determinar o tipo de nuvem para o melhor aproveitamento da empresa. Os tipos podem variar de software como serviço, plataforma como serviço ou infraestrutura como serviço de acordo com a necessidade da corporação. 4º Escolha o modelo de implantação, que pode ser um dos seguintes: Para os tipos de nuvem que foram contratados é necessário escolher o modelo de implantação que determina o grau de segurança, gerenciamento, terceirização e compartilhamento das informações com outros clientes do provedor. O modelo de implantação pode ser em nuvem privada, nuvem auto-gerenciada, gerenciada, nuvem pública terceirizada, nuvem pública corporativa ou nuvem híbrida. Segundo Mell & Grance, os modelos mais comuns podem ser conceituados como: Modelo de implantação Privado - A infra-estrutura de nuvem é operada exclusivamente pela organização. Pode ser geridos pela organização ou por terceiro e seu acesso pode ser local ou remoto (MELL et al., 2009). Modelo de implantação Público - A infra-estrutura de nuvem é disponibilizada ao público em geral ou de um grupo grande indústria que é disponibilizada por um provedor de serviços em nuvem (MELL et al., 2009). 12 Modelo de implantação Comunidade - A infra-estrutura de nuvem é compartilhada por diversas organizações e suporta o compartilhamento de uma determinada comunidade conforme os interesses (por exemplo, a missão, os requisitos de segurança, política e considerações de compliance). Pode ser geridos pela organização ou por terceiro e seu acesso pode ser local ou remoto (MELL et al., 2009). Modelo de implantação Híbrido - A infra-estrutura de nuvem é uma composição de duas ou mais nuvens (privado, comunidade ou público) que permanecem em uma entidades únicas, mas estão unidos pela tecnologia padronizada ou proprietária que permite a portabilidade de dados e aplicativo. (MELL et al., 2009). 5º Especifique uma arquitetura para a plataforma. É necessário especificar os requisitos de arquitetura como armazenamento, backup, roteamento de rede, virtualização e hardware dedicado, para garantir que a plataforma para onde as aplicações serão migradas esteja de acordo com os requisitos da aplicação e da quantidade de informação e processamento que será disponibilizada no ambiente de nuvem. 6º Especifique cuidadosamente todos os serviços de segurança. Na contratação de serviço de infraestrutura e software, os requisitos de segurança devem estar bem analisados e descritos com relação à utilização firewalls, detecção de intrusos, gerenciamento de identidade, prevenção a perda de dados, criptografia, buscas por vulnerabilidade, entre outros, garantindo assim a segurança necessária para as informações relevantes e sigilosas da empresa. 7º Confira cuidadosamente todas as políticas do fornecedor de computação em nuvem para verificar se tudo está enquadrado nos requerimentos da empresa. As políticas do provedor de computação em nuvem devem ser analisadas profundamente para avaliar se está de acordo com os requisitos da empresa com relação à segurança da informação, gerenciamento, configurações e upgrade de todo o ambiente que será migrada para a nuvem, evitando assim qualquer surpresa futura. "Esse fator varia absurdamente em diferentes fornecedores", afirma Richter. 13 8º Analise bem o provedor de serviço. O provedor deve ser cuidadosamente avaliado levando em conta aspectos geográficos e de segurança, para garantir a capacidade para atender um crescimento futuro do negocio, permitindo que seus usuários possam atribuir recursos de forma autônoma, e com monitoramento do tráfego, evitando os ataques de negação de serviço. É fundamental avaliar também se os acordos de nível de serviços (SLAs) estão de conforme os requisitos suportados pela empresa e se o provedor tem capacidade financeira para futuros investimentos e multas contratuais. 14 3.4 - COMPUTAÇÃO EM NUVEM NO AMBIENTE CORPORATIVO De acordo com Taurion (2010, p. 91), “o ambiente corporativo demanda uma série de exigências que são diferentes das necessárias ao mundo dos usuários domésticos”. O primeiro passo para uma empresa optar pela computação em nuvem é determinar se, de fato, trará algum benefício. Existem várias razões para as empresas optarem pela nuvem, principalmente o fato de poder simplificar suas operações. Em nível de comparação, podemos dizer que este é um argumento parecido ao que leva uma empresa e decidir pela contratação de outsource. “Computação em Nuvem se refere essencialmente à idéia de utilização, independente da plataforma ou lugar, de variadas aplicações por meio da internet com a mesma facilidade de tê-las instaladas em nossos próprios computadores” (Alecrim, 2008). Esta mesma facilidade incentiva e acelera a procura pela implantação da nuvem num ambiente corporativo e, desta forma, conforme afirma Alves (2010), o serviço começa a ganhar mais espaço no ambiente corporativo, especialmente nas áreas de desenvolvimento, aplicativos menos críticos e serviços. Durante este processo crescente de desenvolvimento, um grande desafio para as empresas tornou-se a escolha do fornecedor do serviço. Taurion (2010, p. 91), afirma que: [...] as ofertas de computação em nuvem para empresas foram desenvolvidas de forma independente e cada uma traz suas características e posicionamentos tecnológicos próprios. O fato é que ainda não existem padrões para Computação em Nuvem, de modo que as empresas enfrentarão algumas barreiras de saída ao migrar de um serviço para o outro. Uma empresa pode decidir mover para as nuvens seus aplicativos que rodam em cerca de 20 servidores diferentes para passar a utilizar o serviço de apenas uma fornecedora de soluções para computação em nuvens, onde seus aplicativos passariam a rodar em quatro servidores virtuais, onde, conforme Korzienowski (2009): O baixo custo é o maior atrativo para escolha. A computação em nuvem muda o modelo de gasto de capital-investimento em hardware, gastos em equipamentos de rede e licenças de software, por gasto em operação com base em taxas mensais. 15 Christen (2010) afirma que “a computação em nuvem é sem dúvida uma grande inovação e está mudando os paradigmas da computação como conhecemos”, mas para as empresas não é só a facilidade e os baixos custos que chamam a atenção. As empresas estão preocupadas com o controle e o monitoramento nas nuvens por parte dos fornecedores. Para isso, Taurion (2009, p. 92) lista alguns pontos de atenção na escolha do fornecedor deste serviço: Que plataformas são suportadas pelo provedor de nuvem? Existem serviços de portabilidade ou a aplicação desenhada para um ambiente computacional ficará restrita a este ambiente? O provedor é responsável por manter atualizada a plataforma tecnológica? Como serão resolvidas as atualizações nos aplicativos? Qual é a “unidade de trabalho” enviada à nuvem? Por exemplo, esta “unidade de trabalho” é uma imagem completa de uma máquina virtual, compreendendo sistema operacional e aplicativo, ou é um container, incluindo apenas a aplicação e o código de suporte como drivers e DLL’s? Onde a “unidade de trabalho” reside quando não está sendo executada? Fica armazenada na nuvem ou nos servidores da empresa? Se a “unidade de trabalho” demandar um pacote aplicativo, o fornecedor deste pacote suporta o seu processamento em nuvem? Além destes cuidados, é importante ressaltar que a maturidade da empresa é de grande importância para o sucesso deste serviço no ambiente corporativo. Segundo Christen (2010), se a empresa tem hoje um nível baixo de maturidade e automatização na organização de TI, o impacto da integração da computação em nuvem pode aumentar o esforço de trabalho, reduzindo os benefícios imediatos da computação em nuvem. Seria necessário, nestes casos, um pré-avaliação da maturidade da empresa na gerencia de TI para evitar um fracasso tecnológico e financeiro completo da empresa. Como vimos, o mercado de computação em nuvens está crescendo e tende a tomar o espaço do ambiente de TI tradicional. Segundo Taurion (2009, p. 93) “[...] o modelo de computação 16 em nuvem vai se disseminar, pois as empresas poderão usar as nuvens de terceiros em vez de manter seus próprios Data Centers”. O futuro aponta para este caminho: facilidade, agilidade, menos custos, resta às companhias avaliar e adotar ou não esta tecnologia. 17 3.5 - TIPOS DE OFERTA DE SERVIÇO EM COMPUTAÇÃO EM NUVEM Conforme Martinez (2010), até o momento a denominação Computação em Nuvem divide-se em 11 categorias de serviços. As mais estudadas e mais populares são 3: Saas, PaaS e IaaS. As outras categorias estão sendo aprimoradas e aperfeiçoadas com o passar dos anos. Em um curto prazo de tempo, outras vertentes serão idealizadas de acordo com as necessidades do mercado. No entanto, é possível analisar mais de perto as três categorias mais populares quando o assunto é Computação em Nuvem: SaaS (Software como Serviço) - É um tipo de computação em nuvem onde o sistema/software é oferecido em forma de serviço ou prestação de serviços. O software roda remotamente em um servidor na web. Não é preciso instalar nada na maquina do cliente, basta conectá-lo pela internet. Neste tipo de serviço, paga-se um valor periódico como se fosse uma assinatura somente pelos recursos que utilizar e/ou pelo tempo de uso. Os serviços do tipo SaaS mais comuns no mercado são Google Docs, Gmail e SalesForce. PaaS (Plataforma como Serviço) - Este tipo de cloud oferece um ambiente de desenvolvimento de aplicações. Ou seja: ações como compilar, desenvolver, depurar e testar em um desenvolvimento passaram a ser executadas na nuvem. Segundo Martinez (2010): [...] pode parecer que estamos voltando à época dos mainframes – e, de certa forma é isso mesmo –, porém de forma organizada e escalar. A vantagem deste serviço é poupar custos, não alocar hardware desnecessariamente e poder escalar dados de forma simples sem ter que lidar com o ambiente físico diretamente. Alguns serviços que se encaixam nessa modalidade são: Google AppEngine e Force.com da Salesforce. IaaS (Infraestrutura como Serviço) - o IaaS refere-se a disponibilidade de uma infraestrutura computacional como um serviço. O cliente/usuário para de se preocupar com servidores para uma determinada aplicação, ele contrata este serviço que estará hospedado em um datacenter apropriado e com as especificações necessárias para o momento atual. Este tipo de serviço e escalonável. É cobrado de acordo com a 18 utilização ou pela quantidade de recursos contratados. EC2, da Amazon e BlueCloud, da IBM, são serviços que se encaixam nessa modalidade. Figura 1 - Exemplo simples da relação entre os cenários, onde dois IaaS são usados para a construção de um PaaS, que, por sua vez, é utilizado para a implementação de duas aplicações (SaaS). Banco de Dados como Serviço - O banco de dados como Serviço tem a capacidade de oferecer serviços de um banco de dados hospedado remotamente. Funcionaria como se fosse um banco de dados local porém estará hospedado em um datacenter. Sua principal vantagem está na economia com licenças de software e aquisição de hardwares. Governança como Serviço - A governança como Serviço auxilia no gerenciamento de topologias, monitoramento de recursos e virtualização via internet, com base em políticas definidas para dados e serviços. Informação como Serviço - A informação como Serviço tem como conceito e como objetivo de consumir informações hospedadas remotamente, assim como uma integração de softwares, utilizando, por exemplo, APIs. 19 Integração como Serviço - A integração como serviço tende a oferecer as funções e os recursos de um EAI - Enterprise Application Integration – porém, operando em nuvem. Processo como Serviço - Processo como Serviço oferece um recurso remoto que pode reunir muitos outros, criando assim processos de negócio. O aplicativo pode interagir tais como serviços e dados, que combinados, geram uma seqüência de processos empresariais. Segurança como Serviço - Segurança como serviço tem a capacidade de oferecer serviços de segurança aplicados a e-mail, navegação entre outros, acoplando uma interface de monitoramento via internet. Armazenamento como Serviço - Armazenamento como Serviço seria o componente mais primitivo da computação em nuvem, explorado pela maioria das outras modalidades. Esta modalidade oferece o armazenamento como serviço dentro de um DataCenter, podendo ser acessado por aplicações externas. Testes como Serviço - Testes como Serviço é a capacidade de testar sistemas locais ou mesmo sistemas em nuvem em um ambiente para testes de aplicações nas nuvens também. Segundo Martinez (2010), o conceito vem evoluindo constantemente, tanto que já se fala até em Everything as a Service (EaaS ou XaaS), ou seja, “tudo como serviço” rodando na nuvem. O caminho, sem dúvida, tende a esse final, visto que a rede pode, de fato, viabilizar essa tendência. 20 3.6 - ALGUNS EXEMPLOS DE APLICAÇÕES EM NUVEM Os termos Cloud Computing e Computação nas Nuvens são, de certa forma, bem recentes, mas quando analisamos bem, a idéia não é relativamente muito nova. De forma mais abrangente, podemos citar uma variedade de aplicações que a maioria das pessoas já utilizou sem se dar conta. Serviços de Webmail como Gmail e Yahoo!Mail, discos virtuais na Internet, sites de armazenamento e compartilhamento de imagens e vídeos como o Flickr e Youtube, aplicações de escritório (planilhas e processadores de texto) como as disponibilizadas pelo Google através do GoogleDocs, e aplicações no âmbito corporativo como as aplicações de CRM fornecidas pela Salesforce e Microsoft. Ou seja, são serviços que não executam na máquina do usuário e são acessados de qualquer lugar, basta ter um dispositivo compatível e com acesso a Internet. Atualmente possuímos vários provedores de serviços nas nuvens, dentro dos quais podemos citar as grandes corporações como a Amazon, que oferece serviço de IaaS (Infrastructure as a Service - Infraestrutura como serviço) chamado de AWS (Amazon Web Services), o Google com ofertas de SaaS (Software as a Service – Software como serviço), Paas ( Plataform as a Service – Plataforma como serviço) chamado Google ApplicationEngine (GAE) e a Microsoft, com a plataforma de desenvolvimento Azure. Em relação a DaaS (Database as a service – Banco de dados como serviço), Taurion (2009, p. 131-132) contextualiza que: Hoje temos algumas ofertas pioneiras como o SimpleDB da própria Amazon, o EnterpriseDB (Cloud Edition) e MySQL, oferecidos também em cima da nuvem da Amazon. Além disso, empresas tradicionais de banco de dados como IBM, Oracle e Microsoft já começam a endereçar este mercado. A IBM oferece na nuvem da Amazon os produtos DB2 Express-C e Informix Developer Edition. A Microsoft anunciou o SQL Server Data Services (SSDS), ainda em beta, para serviços DaaS embarcados nos data centers da própria Microsoft. O Google apresenta o BigTable. Um banco de dados projetado para trabalhar com imenso volume de dados. Atualmente, mais de 60 produtos e projetos do Google utilizam essa tecnologia tais como o Analytics, Finance e Earth. 21 Conforme Taurion (2009, p. 138), ainda sobre serviços na computação em nuvem no serviço de BaaS (Backup as a Service – Backup como serviço), podemos citar a IBM que entrou neste segmento após a aquisição da Arsenal Digital Solutions. E não só grandes empresas estão no mercado de soluções de backup e recuperação, empresas de menores dimensões oferecem seus serviços em cima da nuvem da Amazon, como Zmanda e JungleDisk . No exterior, empresas de telefonia como a AT&T e BT (British Telecom), estão aproveitando a própria estrutura de Data Centers e recursos de comunicação para entrar neste segmento. No caso da BT, seus serviços de BaaS são oferecidos para os PC´s de seus clientes corporativos de Banda Larga. No serviço SaaS (Software as a Service – Software como serviço) que está intimamente ligado a computação nas nuvens, podemos citar a IBM e HP que já oferecerem suas soluções: IBM SaaS e HP SaaS. Além dessas empresas mencionadas, companhias como Dell, Intel, Oracle e Microsoft já estão trabalhando nas mais variadas soluções para Computação em Nuvem. Esta última, por exemplo, anunciou o Azure, uma plataforma própria para a execução de aplicações nas "nuvens" que simplesmente pode ser definido com um sistema operacional on-line com um variado leque de serviços tais como CRM, Gerenciador de banco de dados entre outros. 22 3.7 - SEGURANÇA Segurança ainda é uma questão bastante polêmica para os observadores de Computação em Nuvem. Há quem fale que os usuários acreditam na segurança das nuvens, enquanto outros dizem existir um excesso de pessimismo. Os pessimistas podem apontar para qualquer incidente que venha comprovar os riscos das aplicações em nuvem. Conforme notícia publicada pelo site CIO (2010): Recentemente a gingante Google admitiu que desde 2007 vinha, por engano, coletando dados de navegação em redes sem criptografia Wi-Fi. Além disso, também foi divulgado que um hacker obteve mais de 300 documentos confidenciais que o Twitter armazenava com o Google Apps. Entretanto, após investigações, foi constatado que esse incidente foi mais culpa de um problema de senhas fracas do que de segurança no Data Center. Todos os sistemas são propensos a falhas. Em muitos casos, as empresas concluem que os seus próprios sistemas são mais seguros do que os sistemas operados por provedores de computação em nuvem ou que os riscos de armazenar determinados dados fora de sua própria infra-estrutura são grandes o suficiente para refutar a hipótese de disponibilizá-los nas nuvens. A grande maioria das pesquisas realizadas sobre segurança nas nuvens aponta para uma desconfiança do mercado. Segundo um relatório anual sobre falhas de segurança realizado pela PriceWaterhouseCoopers “apenas 17% das empresas confiam nas medidas de segurança adotadas pelos provedores de soluções baseadas nas nuvens”. (CIO) Toda essa preocupação com a segurança levou um grupo de especialistas a criarem a Cloud Security Alliance - CSA, “uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2008 para promover a utilização das melhores práticas de garantia de segurança na Cloud Computing” (CSA). O diretor executivo da CSA, Jim Reavis, considera que, por mais que as novas tecnologias pareçam familiares, basta procurar um pouco para descobrir uma série de riscos escondidos, pois como em todo novo serviço de tecnologia, o número de facilidades é proporcional aos problemas. Com a ajuda de 29 empresas de consultoria e também fornecedores de Computação em Nuvem o especialista elaborou um documento contendo o que ele chama de os sete pecados mortais da segurança na nuvem, divulgados através do site CIO: Perda de dados ou vazamento - Segundo Reavis, não existe um nível de controle aceitável na nuvem. Alguns aplicativos podem deixar dados vazarem como resultado 23 de um fraco controle de API, geração de chaves incorretas, armazenamento ou gestão ineficiente. Além disso, políticas de destruição de dados podem estar ausentes. Vulnerabilidades de tecnologias compartilhadas - Na nuvem, uma única configuração errada pode ser duplicada em um ambiente nos quais vários servidores virtuais compartilham essa informação. A organização deve aplicar acordos de nível de serviço (SLAs) para o gerenciamento de atualizações e as melhores práticas para a rede e configuração do servidor. Colaboradores mal intencionados - O nível de verificações que os provedores da nuvem realizam em uma equipe pode variar de acordo com o controle de acesso ao datacenter estabelecido pela empresa, segundo Reavis, “muitos deles fazem um bom trabalho, mas é desigual”, completou. A recomendação é realizar uma avaliação de fornecedores e definir um nível de seleção de funcionários. Desvios de tráfego, contas e serviços - Muitos dados, aplicativos e recursos são concentrados na nuvem. Sem autenticação segura, um intruso pode acessar uma conta de usuário e obter tudo o que estiver na máquina virtual daquele cliente, afirma Reavis. Para evitar isso, o ideal é monitorar proativamente ameaças de autenticação. Interfaces inseguras de programação de aplicativos - É importante ver a nuvem como uma nova plataforma e não apenas como terceirização quando se trata de desenvolvimento de aplicativos. Deve existir um processo de investigação relacionado aos ciclos de aplicações, no qual o desenvolvedor entende e aplica certas orientações para controles de autenticação, acesso e criptografia. Abuso da computação em nuvem - Usuários mal intencionados estão cada vez mais preparados, segundo Reavis. Registros indicam que crackers estão aplicando novas ameaças rapidamente, além da habilidade de se adaptar ao tamanho da nuvem. E tudo que é preciso é um cartão de crédito. Perfil de risco desconhecido - A questão da transparência continua preocupando os provedores de nuvem. Usuários de contas interagem apenas com a interface final e não 24 sabem muito sobre as plataformas ou níveis de segurança que os provedores estão empregando, afirma Reavis. Já a consultoria Forrester Research, através de seu analista chefe James Staten, entrevistou alguns usuários e fornecedores de serviços na nuvem e constatou que as organizações não sabem onde estão localizados os Data Centers utilizados para armazenar seus dados. A maioria dos serviços na nuvem compartilha o modelo de hospedagem tradicional. Isso significa que os dados dos clientes são gerados e armazenados em ambientes físicos, sujeitos a implicações legais e de privacidade. O especialista alerta que conhecer a localidade dos dados é imprescindível para que não haja prejuízos. A falta de conhecimento das empresas, como foi identificada pela Forrester Research, está diretamente ligada à falta de padrões para gestão das informações e práticas de segurança. Um vendedor, por exemplo, não é obrigado informar aos usuários em que país ou local os dados estão armazenados. “Não sabemos quais são as condições de segurança praticadas pelas empresas com as quais dividimos a nuvem”, explica o ex-diretor técnico da Agência de Segurança Nacional (da sigla NSA, em inglês) dos Estados Unidos, Brian Snow. Quando as empresas optam pela nuvem devem estar cientes dos riscos em relação à forma, ao momento e à aplicação dessas ferramentas pelas áreas de TI. A computação em nuvem ainda tem problemas por falta de uma retaguarda legal, de modelos contratuais e de controles adequados. O modelo também falha por dificultar processos de auditoria de segurança e de regulamentação dos dados para backups e das informações hospedadas na nuvem. Interfaces para a integração adequada entre os serviços da nuvem e aqueles hospedados nas empresas completam a lista de deficiências do modelo de computação em nuvem. Os gestores de TI, no entanto, precisam analisar o projeto de adoção da computação em nuvem como qualquer outra iniciativa ligada à área de tecnologia. Isso exige um processo de avaliação dos riscos e dos benefícios, uma plano bem estruturado para implementação e uma estratégia de aperfeiçoamento contínuo. Cabe a cada um tentar equilibrar essa equação da melhor maneira. 25 3.8 - PERSPECTIVAS FUTURAS DA COMPUTAÇÃO EM NUVEM Computação em Nuvem sinaliza para o futuro da TI, na realidade a computação em nuvem é uma espécie de “Box” com diversos serviços já consolidados oferecidos na internet como SOA, SaaS, virtualização de servidores, BPM entre outros. Na busca de soluções com mais benefícios e menos custos as empresas já dão atenção especial para a computação em nuvem. Com orçamentos cada vez mais apertados e com desafios cada vez maiores os CIOs estão olhando com mais atenção para a Computação em Nuvem como vantagem competitiva para buscar redução de custos e ganhos benéficos aos negócios. Segundo o Gartner (apud CIO, 2010): No mundo, os serviços de Cloud Computing vão movimentar 68 bilhões de dólares até o final de 2010, com crescimento de 16,6% em comparação com os 58,6 bilhões de dólares gerados em 2009. As projeções são de estudo da consultoria Gartner. O documento estima ainda que esse mercado alcançará uma receita de 148,8 bilhões de dólares em 2014. Na avaliação do vice-presidente de pesquisas do Gartner, Ben Pring, esse modelo ganhou mais força no ano passado com a crise econômica que obrigou muitas companhias a analisarem a alternativa para reduzir os custos de TI. Gerentes de TI começaram a se interessar pelos serviços na nuvem, estimulando fornecedores a aumentarem as ofertas. Este ambiente econômico mundial fará certamente com que os provedores de serviços de computação em nuvem aumentem a gama de serviços prestados fazendo disso uma tecnologia de futuro promissor desde que agreguem mais confiabilidade, disponibilidade dos serviços alcançando assim uma maturidade afastando a desconfiança dos consumidores destes serviços. Conforme o portal IT Web (2010), está ficando claro que a computação em nuvem não será uma tecnologia disruptiva, ao menos não por sua definição clássica, onde a ruptura radical reduz o custo dos produtos. Em tempo, o valor da nuvem é que ela oferece aos departamentos de TI a possibilidade de fazer mais com praticamente os mesmos recursos. 26 3.9 - COMPUTAÇÃO EM NUVEM NO BRASIL Já no Brasil o mercado se encontra mais aquecido. Segundo pesquisa do Gartner, os CIOs brasileiros fizeram uma lista de quais seriam suas prioridades em investimento neste ano de 2010. Confirmando a tendência mundial, Cloud Computing ficou em primeiro lugar como mais citado como prioridade de investimento, exemplificado no quadro abaixo: 1. Cloud computing 2. Business Intelligence 3. Virtualização 4. Web 2.0 5. Gestão de TI 6. Mobilidade 7. Soluções orientadas a serviço 8. Networking 9. Business Process Management Quadro 1 - Prioridades tecnológicas do CIO no Brasil - Fonte: Gartner (2010) Segundo a vice-presidente do programa executivo do Gartner, Ione Coco, (apud CIO, 2010): Hoje o mundo inteiro está de olho no Brasil e existe uma pressão para que o CIO local traga respostas que acompanhem o crescimento esperado das empresas. [...] o Cloud (Computing) garante a flexibilidade para responder mais rapidamente às demandas do negócio. As perspectivas do mercado de TI ainda são incertas, mas como o potencial custo reduzido dos serviços oferecidos em nuvem que ainda serão melhores exemplificados neste trabalho são bastante atraentes não só para os gestores de TI, mas também para o alinhamento estratégico das empresas fazendo com que o serviços em nuvem além de reduzir custos gerem valor ao negócio. Mesmo assim como se trata de um assunto relativamente novo ainda carece de um amadurecimento dos gestores, dos fornecedores e clientes e isso pode ser um entrave para a adesão da computação em nuvem em um curto prazo. 27 4 - CONCLUSÃO Computação em Nuvem já é realidade na vida de todos nós. Gmail, Yahoo, Google Docs e Flickr são apenas alguns dos termos que soam em nossos ouvidos a todo o momento. No entanto, à medida que ingressamos com a computação em nuvem no ambiente corporativo, o conceito vai encontrando barreiras que afastam o otimismo dos CIOs pelo fato de muitas perguntas ainda não terem respostas. Quando estamos falando de organizações competitivas – onde os dados são estratégicos e sigilosos - a disponibilização de informações na rede precisa de uma retaguarda confiável. Como garantir essa confiabilidade se os dados não se encontram mais armazenados no ambiente computacional da empresa? Por outro lado, a atratividade financeira da utilização dos recursos tecnológicos como serviços - por exemplo, com a redução de custos patrimoniais e de manutenção - é um fator de peso e que pode alavancar a utilização e visibilidade da nuvem. Acreditamos que, como toda nova tecnologia, essa tendência ainda precisa passar por um amadurecimento para ganhar espaço dentro do cenário corporativo. Vimos que em muitos casos a sua não utilização está voltada para a falta de informações dos gestores com relação ao modelo. Muitas vezes, a desinformação é causada por culpa dos próprios fornecedores ou pela falta de um órgão regulamentador. A criação e implantação de padrões e o amadurecimento dos provedores serão necessários para que a nuvem se consolide como uma tecnologia perene, de forma que ofereça, efetivamente, ferramentas para integração total entre todos os elos da tecnologia da informação – hardware, software, pessoas e negócios – mantendo os três critérios básicos de segurança da informação: confiabilidade, integridade e disponibilidade. 28 5 - GLOSSÁRIO API - (Application Program Interface) - um conjunto de rotinas, protocolos e ferramentas para a construção de aplicativos de software. Uma boa API deve ser fácil para o desenvolvimento de um programa, através do uso de blocos já construídos. Basta ao programador por estes blocos em sua aplicação. Muitos sistemas operacionais, como o MSWindows, disponibilizam APIs para que os programadores possam criar aplicações consistentes com o sistema operacional. Embora as APIs sejam feitas para programadores, elas são boas para os usuários finais, pois garantem que todos os programas que usem uma API em comum tenham uma interface similar, facilitando o aprendizado de usuários de programas novos. Blog - É um "diário pessoal e público" publicado na internet - é um tipo de página pessoal no qual o dono desenvolve alguma conversa sobre um ou vários assuntos interessantes e deixa aberto um mural com a opinião dos visitantes. Smartphone - Smartphone é um telefone celular com funcionalidades avançadas que podem ser estendidas por meio de programas executados no seu Sistema Operacional Big Bang – método de implantação de sistemas ERP onde a implantação de todos os módulos é realizada de uma só vez, migrando imediatamente dos sistemas legados para os novos módulos. BPM - O termo Gerenciamento de Processos de Negócio (ou BPM) refere-se a atividades realizadas pelas empresas para otimizar e adaptar seus processos. CIO - O Chief Information Officer ou CIO é um título de cargo dado ao diretor de tecnologia da informação, responsável por alinhar a TI e os negócios de uma organização. CRM - É a abreviação da expressão inglesa Customer Relationship Management, que significa, em português, Gestão de Relação com o cliente (ou gerenciamento da relação com o cliente, em português do Brasil). 29 Data Center - Centro de processamento e armazenamento de dados. Projetado para funcionar como uma fortaleza, costuma ser equipado com infra-estrutura de alta tecnologia, segurança física e lógica, sistemas de extinção de incêndio, climatização de ambiente e geradores de energia. Due Diligence - Com a devida dedicação, planejamento nos mínimos detalhes das atividades da empresa e análise das conseqüências de decisões comerciais. SOA - Arquitetura orientada a serviço, estratégia de TI que transforma funções de negócios existentes nas aplicações das empresas em serviços de software que se comunicam entre si por meio de contratos bem definidos. Os serviços podem ser reutilizados. Wi-Fi - Wi-Fi é uma marca registrada da Wi-Fi Alliance, que é utilizada por produtos certificados que pertencem à classe de dispositivos de rede local sem fios (WLAN) baseados no padrão IEEE 802.11. 30 6 - REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ALECRIM, Emerson. O que é Tecnologia da Informação (TI)? . Info Wester. [S.l.]: 2008. Disponível em: <http://www.infowester.com/col150804.php>. Acesso em: 12 jul. 2010. ______. O que é Cloud Computing (Computação nas Nuvens)? Info Wester. [S.l]: 2008. Disponível em: <http://www.infowester.com/cloudcomputing.php>. Acesso em: 10 jul. 2010. ALVES, Robson. Computação em Nuvem - 2010. [S.l.]: 2010. Disponível em: <http://www.mundodoshackers.com.br/computao-em-nuvem-2010>. Acesso em: 10 ago. 2010. AMERICANO, mostra Tatiana. Gartner. Cloud CIO. Computing é [S.l.]: prioridade 2010. para 2010, Disponível em: <http://cio.uol.com.br/gestao/2010/04/14/cloud-computing-e-prioridade-dos-cios-brasileirosem-2010-mostra-gartner/>. Acesso em: 05 jul. 2010. BABCOCK, Charles. O impacto da computação em nuvem para a empresa. InformationWeek EUA. [S.l]: 2010. Disponível em: <http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=65884>. Acesso em: 12 jul. 2010. CHIRIGATI, Fernando S. Computação em Nuvem. Rio de Janeiro: 2009. Disponível em: <http://www.gta.ufrj.br/ensino/eel879/trabalhos_vf_2009_2/seabra/arquitetura.html>. Acesso em: 5 jul. 2010. CHRISTEN, Markus. Computação em Nuvem para a Empresa Corporativa Monitoramento e Notificações. Microsoft Brasil. [S.l]: 2010. Disponível em: <http://blogs.technet.com/b/markuschristen/archive/2010/05/14/cloud-computing-paraempresas-corporativas-monitoramento-e-notifica-es.aspx>. Acesso em: 13 jul. 2010. CIO. Cloud computing: segurança depende da localização do data center. CIO. EUA: 2010. Disponível em: <http://cio.uol.com.br/gestao/2010/04/16/cloudcomputing-seguranca-depende-da-localizacao-do-data-center/>. Acesso em: 12 jul. 2010. 31 CLOUD SECURITY ALLIANCE. Site Institucional. [S.l.]. Disponível em: <http://www.cloudsecurityalliance.org/>. Acesso em: 13 jul. 2010. COMPUTERWORLD. Cloud computing: setor terá crescimento de 16,6% em 2010. CIO. [S.l]: 2010. Disponível em: <http://cio.uol.com.br/gestao/2010/06/23/cloud-computingsetor-tera-crescimento-de-16-6-em-2010/>. Acesso em: 12 jul. 2010. DÍGITRO TECNOLOGIA. Glossário Tecnológico. Disponível em: <http://www.portaldigitro.com.br/pt/tecnologia_glossario-tecnologico.php>. Acesso em: 10 ago. 2010. GREENE, cloud Tim. Oito computing. passos para escolher COMPUTERWORLD. [S.l]: um 2010. fornecedor Disponível de em: <http://computerworld.uol.com.br/gestao/2010/05/27/oito-passos-para-escolher-umfornecedor-de-cloud-computing>. Acesso em: 5 jul. 2010. HOVER, J. gerenciamento Nicholas. de TI. Cloud Computing InformationWeek. EUA: coloca 2010. desafios Disponível para em: <http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=51523>. Acesso em 13 jul. 2010. INFOWORLD. Entenda as 11 categorias da computação em nuvem. CIO. EUA: 2010. Disponível em:< http://cio.uol.com.br/tecnologia/2010/03/04/entenda-as-11-categorias-da- computacao-em-nuvem>. Acesso em: 10 de jul. 2010. IDG NEWS SERVICE. Dez tendências de cloud computing para 2010. CIO. [S.l.]: 2010. Disponível em: <http://cio.uol.com.br/tecnologia/2010/01/04/dez-tendencias-de-cloud- computing-para-2010/>. Acesso em: 13. Jul. 2010. ______. Falta de padrões gera frustração em cloud computing. CIO. [S.l.]: 2010. Disponível em: <http://cio.uol.com.br/gestao/2010/04/09/falta-de-padroes-gera-frustracao- com-cloud-computing/>. Acesso em 13 jul. 2010. 32 ______. Sete pecados mortais de segurança em cloud computing. CIO. [S.l.]: 2010. Disponível em: <http://cio.uol.com.br/gestao/2010/04/06/sete-pecados-mortais-de-segurancaem-cloud-computing/>. Acesso em: 13 jul. 2010. KORZENIOWSKI, Paul. Baixo custo é o maior atrativo para a adoção da computação em nuvem. ITWeb. EUA: 2009. Disponível em: <http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=62808>. Acesso em: 13 jul. 2010. MELL, Peter; GRANCE, Tim. The NIST Definition of Cloud Computing. [S.l]: 2009. Traduzido pelos autores. Disponível em: <http://csrc.nist.gov/groups/SNS/cloud- computing/cloud-def-v15.doc>. Acesso em: 5 jul.2010. MOREIRA, de Daniela. (2008). computação. Cloud computing: IDGNow!. [S.l]: entenda 2010. este novo modelo Disponível em: <http://idgnow.uol.com.br/computacao_corporativa/2008/08/13/cloud-computing-entendaeste-novo-modelo-de-computacao/>. Acesso em: 04 jul. 2010. NETWORK causa WORLD. tempestade nas Sucesso empresas. nos lares, IDGNow!. cloud EUA: computing 2010. ainda Disponível em: <http://idgnow.uol.com.br/computacao_corporativa/2010/06/28/sucesso-nos-lares-cloudcomputing-ainda-causa-tempestade-nas-empresas/paginador/pagina_1>. Acesso em: 12 jul. 2010. ______. Cinco equívocos sobre cloud computing. CIO. EUA: 2010. Disponível em: <http://cio.uol.com.br/gestao/2010/05/26/cinco-equivocos-sobre-cloud-computing/>. Acesso em: 13 jul. 2010. ______. O que as empresas precisam saber sobre cloud computing. CIO. EUA: 2010. Disponível em: <http://cio.uol.com.br/gestao/2010/07/06/o-que-as-empresas-precisam-sabersobre-cloud-computing/>. Acesso em: 08 jul. 2010. REUTERS. Computação em nuvem crescerá 21% em 2009. Info Online. [S.l.]: 2009. Disponível em: <http://info.abril.com.br/noticias/ti/computacao-em-nuvem-crescera-21-em2009-26032009-25.shl>. Acesso em: 12 jul. 2010. 33 TAURION, Cezar. Cloud computing – computação em nuvem: transformando o mundo da tecnologia da informação. Rio de Janeiro: Brasport, 2009. TECHNWORLD. cloud Só computing. 17% das empresas CIO. [S.l.]: confiam 2010. na segurança Disponível do em: <http://cio.uol.com.br/gestao/2010/04/28/so-17-das-empresas-confiam-na-seguranca-docloud-computing/>. Acesso em 13 jul. 2010. WITTMAN, Art. Análise: cloud é uma questão de perspectiva. ITWeb. [S.l]: 2010. Disponível em: <http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=69529>. Acesso em: 12 jul. 2010.