Fóruns do Moodle: Percepções dos alunos de mestrado em TIC e Educação Ana Margarida Rebelo Fontoura Pires Fernando Miranda Virgínia Maria dos Santos Instituto de Educação da Universidade de Lisboa [email protected]; [email protected]; [email protected] Abstract Os fóruns da plataforma Moodle, enquanto ferramentas de comunicação e aprendizagem do mestrado TIC e Educação do Instituto da Educação, da Universidade de Lisboa, foram o objecto deste estudo, integrado no trabalho final de avaliação da disciplina Formação Mediada por Plataformas LMS do referido curso. O ponto de partida foi o sentimento de alguma insatisfação e/ou desconforto dos autores do estudo, também eles membros integrantes do grupo de mestrandos de TIC e Educação, acerca da "obrigatoriedade" da utilização dos fóruns, por serem um dos instrumentos de avaliação nas diferentes disciplinas. De que forma este sentimento de insatisfação é partilhado pelos restantes utilizadores do grupo em referência, foi o que se tentou saber através do envio de um questionário online. O cruzamento dos resultados obtidos desta fora com os pressupostos teóricos, que incluem referências a alguns e estudos realizados, é o contributo deste trabalho que tem, na opinião dos seus autores, um alcance obviamente limitado, quer pela metodologia utilizada quer pelo espaço temporal em que se desenvolveu, pelo que preferem considerá-lo apenas como um contributo para reflexão e sensibilização dos responsáveis pela concepção dos cursos que tenham os fóruns como instrumento de promoção e avaliação das aprendizagens em contexto online. Os resultados vão no sentido de confirmar os pressupostos que a revisão da bibliografia indica, contrariando as percepções iniciais que motivaram a realização deste trabalho. Keywords: Fóruns, comunicação assíncrona, Moodle, LMS, aprendizagem online, e-learnig, TIC INTRODUÇÃO A participação dos mestrandos em TIC e Educação da Universidade de Lisboa, nos fóruns do Moodle é utilizada como uma componente avaliativa (com peso de cerca de 10 a 15 %) na maioria das disciplinas do curso, o que implica o envolvimento ou participação dos alunos e o despoletar de sentimentos mais ou menos satisfatórios. No contexto deste trabalho destacaremos apenas os fóruns como “uma ferramenta de discussão por natureza (...) um espaço de reflexão sobre um determinado conteúdo" (Legoinha, Pais e Fernandes, 2006), questionando a sua funcionalidade e potencialidade: serão os fóruns da plataforma Moodle um meio de comunicação e aprendizagem reconhecidos como tal pelos alunos do curso de mestrado em TIC e Educação, com características e potencialidades que justifiquem o seu uso para fins de avaliação? Tentar perceber até que ponto o seu uso é potenciado, conhecer os factores de motivação que podem levar a essa utilização, bem como os ganhos na aprendizagem que daí resultam, foram os objectivos que orientaram a pesquisa realizada. Com esta intenção foram auscultados os alunos do mestrado em Educação, nas subcategorias: TIC e Educação / Tecnologias e Metodologias em e-learning / TIC Educação Tema: elearning, através de um questionário online. De que forma é que o sentimento de insatisfação é, ou não, partilhado pelos restantes utilizadores do grupo em referência, cruzando os resultados obtidos com os pressupostos teóricos, é o contributo deste trabalho inserido na disciplina de Formação Mediada por Plataformas LMS. De referir que o resultado deste trabalho tem, na opinião dos seus autores, um alcance obviamente limitado, quer pela metodologia utilizada quer pelo espaço temporal em que se desenvolveu, pelo que preferem considerá-lo apenas como um contributo para reflexão e sensibilização dos responsáveis pela concepção dos cursos que tenham os fóruns como instrumento de promoção e avaliação das aprendizagens em contexto online. Será feita uma abordagem teórica dos aspectos essenciais associados à utilização dos fóruns, nomeadamente nas componentes: características, funções, motivações dos participantes e papel da e-moderação, que permitam o seu enquadramento no contexto global de aprendizagem virtual. Desta forma, procuramos estabelecer uma relação entre as reais funcionalidades e potencialidades dos fóruns do Moodle como um instrumento de construção de conhecimento, colaboração e partilha de saberes e a sua adequação ou aceitação para fins de avaliação, segundo a opinião dos seus utilizadores. 1. OS FÓRUNS NA PLATAFORMA MOODLE Os fóruns são um dos componentes da plataforma Moodle que permitem estabelecer canais de comunicação assíncrona entre os seus utilizadores. A primeira versão do Moodle (modular object-oriented dynamic learningenvironment) surgiu em 1999, sendo desenvolvido por Martin Dougiamas com a finalidade de disponibilizar um ambiente online educativo e colaborativo. Neste ambiente, professores e alunos interagem estabelecendo uma comunicação e participação através das diversas funcionalidades que o Moodle oferece, como por exemplo: fórum, trabalho, chat, referendo, glossário, questionário, wiki, dentre outras. Neste âmbito poderemos colocar a questão se a junção de um grupo de pessoas, num contexto programado, com fins educativos, em que uma das suas componentes é a utilização de uma estrutura online, para acesso a diferentes recursos e formas de comunicação, é ou não uma comunidade de aprendizagem. De acordo com Belshaw (citado por Campos, Maio, Monteiro, & Horta, 2008) “Communities only exist in terms of relationships between their members. To build a virtual community requires a structured way of allowing relations to develop, and one of the best ways of doing this is through online discussion forums.”. Efectivamente, no contexto actual “surgem ambientes da Internet comunidades com os mais diversos interesses, que vão deste o entretenimento até a distribuição de notícias. A Comunidade Virtual pode sim ser um princípio essencial, (…) mas necessita ir além de simples agregação eletrônica de pessoas (…) para se tornar uma Comunidade Virtual de Aprendizagem”, ou seja, para a constituição de uma comunidade virtual os “seus membros compartilham um espaço telemático e simbólico (…) mantendo uma certa permanência temporal, fazendo com que seus participantes se sintam parte de um agrupamento de tipo comunitário" (André Lemos citado em Wikipédia, 2011). Contudo, para que as comunidades virtuais possam alcançar os objectivos educacionais é necessária a definição de princípios que promovam a aprendizagem, numa perspectiva de construção colectiva de interesses mútuos dos participantes. Definir especificamente uma comunidade de aprendizagem não é tarefa fácil uma vez que ocorrem inúmeras e contínuas trocas que provocam aprendizagens muito diferenciadas entre os seus membros. Ainda assim, segundo Kenski, é possível incluir três componentes essenciais para que uma comunidade seja considerada com fins educativos: interacção, cooperação e colaboração online (ibid). "As comunidades, virtuais ou não, são sempre organizações temporais, coesas mas multi-nível, tanto pelos interesses individuais (o tema em torno do qual gira a comunidade), como pelo enquadramento institucional e social em que ocorrem" (Illera, 2007, p. 118) e baseiam-se na construção do conhecimento, não sendo a aprendizagem considerada como um fim em si mesma, mas antes a interligação entre os vários aspectos ou dimensões que têm a mesma importância para o sujeito. Assim, importa ter em conta a função pedagógica que os fóruns podem desempenhar na construção de uma comunidade formada por um grupo de pessoas que, ainda que, por tempo limitado e para fins muito específicos, têm em comum o interesse por algum tipo de aprendizagem. A forma como ela pode acontecer depende de vários factores, sobretudo de natureza técnica, profissional, pedagógica e pessoal ligados às estruturas dos sistemas que a suportam e dos seus responsáveis. 2. CARACTERÍSTICAS E FUNÇÕES DOS FÓRUNS Através da associação de contas de correio electrónico aos perfis dos utilizadores, criados no interior da plataforma, a comunicação é feita em termos de redacção de texto, cuja emissão segue para os diferentes destinatários, ou seja, com ligação a endereços externos. Contudo, a emissão não é feita de imediato, tal como acontece no restante serviço de mensagens. Entre o momento da colocação do texto no espaço do fórum até à chegada aos destinatários decorre um tempo programado que permite ao utilizador reeditar o seu conteúdo. Estes podem ter estruturas diversas, possibilitando a discussão geral ou parcelar, associados, por exemplo, apenas a uma disciplina ou assunto. As mensagens colocadas nos fóruns podem incluir anexos (uma por mensagem), em diferentes formatos: imagem, pdf, word, vídeo, áudio, zip (Legoinha, Pais e Fernandes, 2006). A sua utilização, em termos técnicos, exige alguns conhecimentos relacionados com o uso básico do computador, tais como a redacção de mensagens, envio e anexação de documentos. Enquanto ferramenta de discussão por natureza, os fóruns são verdadeiros locais de debate, de partilha de ideias e esclarecimento de dúvidas. Podem abranger áreas de maior ou menos amplitude, falando em termos de utilizadores, podendo existir vários fóruns em função dos assuntos ou outras necessidades. Considerando a plataforma Moodle como um dos muitos suportes possíveis para a constituição de uma comunidade virtual de aprendizagem, os fóruns podem criar possibilidades para que os seus utilizadores "actuem como multiplicadores e organizadores das informações, vencendo as barreiras geográficas e culturais, fazendo com que elas (redes sociais) ganhem um espaço mais globalizado" (Coutinho & Lisbôa, n.d., p. 23). São reconhecidas várias vantagens da utilização dos fóruns no contexto educativo, nomeadamente na dinâmica de grupos em que favorece a integração dos participantes, bem como na promoção e partilha de trabalhos abertos, expostos à apreciação geral e auto-crítica (Campos, Maio, Monteiro, & Horta, 2008). Segundo estes autores que relatam uma experiência pedagógica que decorreu numa escola portuguesa com três turmas (8º, 9º e 12º anos), a utilização dos fóruns de forma integrada no currículo, desde que adequadamente planeada permite abordagens diversas com recursos e ferramentas também diversificadas, com grande potencial pedagógico, sobretudo ao nível do trabalho e aprendizagens colaborativas. Possibilitam a expressão por escrito de ideias, o que corresponde a um esforço intelectual favorável à sua compreensão e retenção, bem como favorece a interacção entre pares, permitindo a reflexão e organização de ideias antes da participação, dada a sua característica de natureza assíncrona (ibid.). Segundo alguns autores citados por estes, os fóruns são uma das ferramentas mais amplamente aceites, cujas características permitem elevados níveis de interacção nas suas várias dimensões, conferindo a esta ferramenta um carácter transversal nas múltiplas fases do processo de interacção. 3. MOTIVAÇÃO DOS PARTICIPANTES O envolvimento e motivação dos participantes nos fóruns de discussão estão associados a vários factores, nomeadamente à importância que é atribuída à participação pelos responsáveis dos cursos, ou seja, os seus avaliadores. Segundo o modelo de ensino aprendizagem de Salmon (n.d.) a primeira etapa ou estágio do modelo (apresentado em forma de escala) o acesso e motivação são as dimensões fundamentais a considerar. Porque se trata de interacções humanas, a motivação resulta precisamente da natureza e intensidade dessas interacções. Uma questão de absoluta relevância para o envolvimento dos participantes tem a ver quer com a actividade que é proposta quer com a ferramenta utilizada para o seu desenvolvimento. Efectivamente, nem todas as actividades se prestam a gerar discussão e motivar interacções ao nível virtual. Uma actividade que, por exemplo, seja de natureza a exigir uma grande participação do moderador ou instrutor pode provocar uma baixa participação do grupo, assim como o contrário, em que a actividade é desenvolvida com a ausência total daquele (Dennen, 2005). Está aqui em destaque, obviamente, a questão da planificação ou projecto das actividades a desenvolver e os meios a ela associados. É importante que as orientações sejam claramente definidas, a par da questão ou questões que são concebidas para discussão, tendo em conta a ferramenta que vai ser utilizada. A fim de melhor compreender alguns dos fenómenos que poderão desencorajar a participação em conjunto através do uso dos fóruns, refira-se um estudo de caso naturalístico que envolveu 9 turmas em 7 universidades, com 8 professores e cursos online com diversas disciplinas, cujo número de alunos inscritos variou entre 15 e 160 (Dennen, 2005). De acordo com os resultados deste estudo reconhece-se a importância da definição de princípios através dos planos de instrução que apoiem e encorajem os alunos ao longo do processo de aprendizagem dos cursos online. Outras variáveis estudadas, tais como a presença do instrutor/professor, temas de discussão, frequência e feed-back, necessitam de mais pesquisa para se poder conhecer melhor os seus efeitos na participação e aprendizagem dos alunos. 4. O PAPEL DO E-MODERADOR O e-moderador no sentido mais amplo, é aquele que deve conduzir o processo ensino-aprendizagem, desempenhando funções pedagógicas, técnicas, sociais/afectivas e de gestão. “O suporte e a ação dos moderadores, mais do que dominar as funções da tecnologia em uso, podem intervir e fazer a diferença entre o desapontamento e o aprendizado altamente produtivo.” (Franco, Cordeiro e Castillo, 2003, p.349). Numa perspectiva construtivista o aluno é o construtor do seu próprio conhecimento e da forma de compreender o mundo, através do contacto com os outros, no desenvolvimento de actividades colaborativas. Cada nova informação a que o aluno ou indivíduo acede exige uma reconciliação ou reestruturação da informação já existente, que permita a integração ou mesmo a sua reformulação. À luz deste princípio, cada aluno necessita de um ambiente de apoio que lhe permita adquirir confiança e seja promotor das suas aprendizagens. Trata-se de um apoio afectivo indispensável que passa pela capacidade de cada moderador saber ouvir, encorajar, utilizar o humor e fazer referências a experiências pessoais (McElrath & McDowell, 2008). De acordo com estes autores, e com base na experiência de doze anos de realização de cursos online, o tipo ou modelo do e-moderador é considerado por uma grande parte dos alunos como o factor mais importante na construção da comunidade online. Neste sentido, considera-se de elevada importância a definição de estratégias pedagógicas específicas deste contexto, que possam impedir a desmotivação dos alunos, a sua ansiedade, desorientação e isolamento. O objectivo é captar a adesão dos alunos e motivá-los, usando estratégias que, de acordo com o modelo de construção das comunidades online de Ruth E. Brown (McElrath & McDowell, 2008), conduzam à aceitação e camaradagem. 5. METODOLOGIA A forma considerada como mais adequada ao tipo de pesquisa proposta foi o questionário online. Embora cientes da superficialidade dos seus resultados, e de que para análises profundas são aconselhados outros tipos de instrumentos, tais como a entrevista ou a observação, nesta fase optou-se por uma forma mais célere e fiável de sondar a opinião dos alunos sobre o objecto desta investigação, pois permite quantificar uma multiplicidade de dados e proceder a diversas análises. Para esta finalidade, foi utilizado o programa de estatística SPSS para verificar a consistência do questionário. Dessa verificação concluiu-se que esta é de grau razoável, tendo em conta que o valor do coeficiente Alpha de Cronbach’s é de 0,738 (valor de referência 0,7 – 08 = razoável). Foi também utilizado o programa SPSS para tratar todos os dados referentes às percentagens nas perguntas inseridas em cada domínio do questionário, incluindo o género e a idade. As questões colocadas, num total de vinte e uma, agruparam-se em torno de dois temas, sendo todas "questões fechadas", pois pretendeu-se obter exclusivamente informação quantificável: dados demográficos (género, idade e experiência com computadores) e sobre os Fóruns do Moodle, nos domínios: eficiência e impacto na aprendizagem; grau de satisfação dos utilizadores; e-moderação e usabilidade. O tempo previsto para o preenchimento do questionário foi de cerca de 5 minutos. Como suporte tecnológico, foram utilizados os formulários do Google Docs [cf http://bit.ly/jWgyhy], tendo os questionários sido enviados por email. Foi garantido o anonimato. Dos dados recolhidos não foi feita relação entre os aspectos relacionados com a participação nos fóruns e os factores género, idade e anos de experiência com computadores, devido à limitação de tempo e de conhecimentos técnicos do uso do programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences). 6. RESULTADOS O questionário foi enviado para a todos os alunos do Mestrado de TIC e Educação, num total de 63, tendo respondido 43 inquiridos, correspondendo assim a um universo de 68,25%. As idades e género dos respondentes constam nas tabelas a seguir: Tabela 1 – Idades dos inquiridos Total até 31 Tabela 2 – Género dos inquiridos % Total % 12 27,9 Masculino 17 39,5 de 31 a 35 8 18,6 Feminino 26 60,5 de 36-40 5 11,6 Total 43 100 de 41 a 45 8 18,6 mais de 45 10 23,3 Total 43 100 Relativamente aos anos de experiência com computadores, os dados são apresentados na tabela 3, a seguir: Tabela 3 – Anos de experiência com computadores Total 5-6 anos % 1 2,3 mais de 6 anos 42 97,7 Total 43 100 Relativamente aos resultados obtidos, insere-se a seguir a sua descrição que será complementada com os respectivos gráficos. 6.1 Eficiência e impacto dos fóruns do Moodle Neste domínio, os resultados que são observados revelam que em todas as perguntas a concordância está em maioria. Ou seja, a soma dos resultados Concordo com Concordo totalmente mostram que a maior parte dos inquiridos acham que o Moodle é eficiente, tendo ido a maior fatia para o Concordo. Gráfico 1 – Eficiência e impacto dos Fóruns do Moodle na aprendizagem Discordo totalmente Discordo Não Concordo Nem Discordo Concordo Concordo Totalmente 65,1 72,1 65,1 58,1 44,2 30,2 23,3 11,6 0 0 0 0 % 4,7 % Úteis porque promovem a aprendizagem 25,6 27,9 25,6 0 11,6 4,7 % 39,5 32,6 0 7 7 20,9 14 % 0 2,3 7 0 % % Permitem o Permitem a Um Instrumento Um conflito reflexão e Instrumento adequado às Instrumento cognitivo, a reorganização adequado como necessidades de preferível a troca de de ideias sem a meio comunicação outros conhecimentos pressão do complementar dos alunos instrumentos ea directo ou de avaliação de comunicação reformulação imediato online ( ex: do pensamento redes sociais) EFICIÊNCIA E IMPACTO DOS FÓRUNS DO MOODLE NA APRENDIZAGEM No entanto, resultados diferentes foram obtidos nas duas últimas perguntas onde o Não concordo nem discordo tiveram uma quantidade de escolhas razoável, acerca da qualidade dos fóruns como instrumento de comunicação. No caso da última pergunta, 20% dos alunos mostram uma discordância de que seja o melhor meio de comunicação online 6.2 Grau de satisfação dos utilizadores da plataforma Moodle Relativamente a esta questão “Grau de satisfação dos utilizadores da plataforma Moodle” as respostas são quase totalmente relacionadas com a necessidade de realização das actividades propostas nas disciplinas, onde a concordância atinge os 97,7%, com uma grande predominância para o Concordo totalmente (46,5%). Gráfico 2 – Grau de satisfação dos utilizadores Discordo totalmente Discordo Não Concordo Nem Discordo Concordo Concordo Totalmente 67,4 51,2 46,5 41,9 48,8 41,9 32,6 18,6 11,6 7 0 0 16,3 4,7 0 0 2,3 0 2,3 7 % % % % Pelo gosto de comunicar Pela partilha de conhecimentos Pela necessidade de realização das actividades propostas nas disciplinas Pelo facto das participações serem parte da avaliação das disciplinas GRAU DE SATISFAÇÃO DOS UTILIZADORES A resposta relacionada com a avaliação das disciplinas recolhe a concordância de 90,7%, onde também o Concordo totalmente atingiu 41,9%, como se pode ver no gráfico correspondente. A percentagem de discordância na primeira pergunta, que é de 18,6%, indica que há uma parte significativa, se se tiver em conta os que não têm opinião, que nem sempre o fórum é usado só pelo prazer de comunicar. 6.3 E-Moderação Quanto à “E-moderação” os resultados da primeira pergunta, não concordo nem discordo e Discordo, foram mais elevados do que o Concordo e do Concordo totalmente. Gráfico 3 – E-Moderação Discordo totalmente Discordo Não Concordo Nem Discordo Concordo Concordo Totalmente 48,8 37,2 34,9 16,3 44,2 27,9 11,6 0 11,6 25,6 11,6 0 % Sistemática e oportuna 14 16,3 0 % % Útil e com pistas práticas à Construtiva e com incentivos resolução de problemas à participação técnicos E-MODERAÇÃO Na segunda e terceira perguntas existe a predominância do Concordo, nunca ultrapassando os 50%, com 48,8% e 44,2%, respectivamente. 6.4 Usabilidade dos Fóruns na Plataforma Moodle No que diz respeito à “Usabilidade dos Fóruns na Plataforma Moodle”, quanto ao acesso e utilização dos fóruns houve uma grande concordância, chegando-se a atingir níveis na ordem dos 80% nas duas componentes, de onde se destacam a primeira pergunta que atingiu os 48% em Concordo totalmente. Gráfico 4 – Usabilidade dos Fóruns do Moodle Discordo totalmente Discordo Não Concordo Nem Discordo Concordo Concordo Totalmente 72,1 67,4 44,248,8 0 0 7 % Fáceis de utilizar 44,2 32,6 18,6 0 4,7 0 9,3 14 % 9,3 % De consulta intuitiva Um sistema (facilitam a lógica de adequado de compreensão, ou reedição dos leitura, das várias comentários ou posts participações) (15 m após envio) 0 0 9,3 18,6 % Um sistema de alertas por email adequado USABILIDADE DOS FÓRUNS DO MOODLE 7. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS E CONCLUSÕES Tendo em conta os resultados obtidos e atrás descritos, os alunos participantes neste estudo manifestam uma clara aceitação dos fóruns como instrumento de comunicação online da plataforma Moodle, suporte de uma grande parte de Plataformas LMS. Globalmente pode considerar-se que as características e funções dos fóruns servem os interesses da maioria dos alunos que frequentam o curso TIC e Educação De notar que a necessidade de participação para fins de avaliação, não diminui a importância atribuída à sua utilização no contexto de aprendizagem. Esta evidência é observada nos resultados relativos ao grau de satisfação sentida, apesar de ser motivada pela necessidade de realização de actividades (51,2% concorda e 46,5% concorda totalmente) e pela avaliação que lhe está subjacente (48,8% concorda e 41,9% concorda totalmente) merece a concordância da maioria, porque a associa sobretudo à partilha de conhecimentos (cerca de 84% concorda ou concorda totalmente). Refira-se ainda a este propósito que este resultado converge no mesmo sentido de outras situações estudadas, em que o facto das participações nos fóruns de discussão não serem avaliadas pode ser um factor de desmotivação, conforme é referido por Dennen (2005). Destaque-se também o reconhecimento deste instrumento de comunicação quanto à sua eficiência e impacto na aprendizagem. Esta mesma percepção é evidenciada em situações estudadas em contexto escolar, em que os fóruns são um dos instrumentos preferidos na comunicação entre alunos e alunos e professor, ainda que em algumas situações essa comunicação vá para além dos conteúdos pedagógicos programados (Maio, Campos, Monteiro, & Horta, 2008). A maioria das respostas positivas situam-se muito acima dos 70%, integrando as respostas concordo e concordo totalmente, sobretudo nos primeiros quatro itens desta questão. A percentagem diminui quando se trata de considerar este como o instrumento adequado às necessidades de comunicação, incluindo a comparação com outras formas de comunicação online, redes sociais, por exemplo. Este resultado poderá sugerir que os fóruns são considerados adequados no contexto de educação formal e institucional mas preteridos em relação a outros meios quando são considerados outros contextos sociais. A área relacionada com a e-moderação, regista resultados positivos mais modestos, sendo que em conjunto, concordo e concordo totalmente, não vão muito acima dos 50%. Ainda assim, a opinião é maioritariamente favorável ao tipo de feedback, presença e incentivos dos professores nos fóruns, nas situações ou actividades de aprendizagem programadas. De uma forma genérica pode concluir-se que existe uma opinião muito positiva acerca dos fóruns como meio de comunicação online, incluindo a vertente avaliativa que a caracteriza, na situação em estudo, o que vai ao encontro daquilo que estudos conceituados e qualificados têm revelado. Factores como a presença moderada dos professores, mas envolvimento activo, o tipo de tópicos de discussão que esteja relacionados com os interesses dos alunos, o estilo de comunicação do professor e a qualidade do plano do curso, são considerados fundamentais para que a participação dos alunos ocorra em quantidade e qualidade (Dennen, 2005). Perante a evidência dos resultados obtidos, e tendo em conta o que em termos teóricos é referido, a motivação que desencadeou o interesse pela realização deste estudo poderá estar mais relacionado com questões particulares de experiência pessoal dos autores, do que por deficiências do sistema de comunicação usado no contexto de aprendizagem online. Desta forma a resposta à questão de investigação colocada: serão os fóruns da plataforma Moodle um meio de comunicação e aprendizagem reconhecidos como tal pelos alunos do curso de mestrado em TIC e Educação, com características e potencialidades que justifiquem o seu uso para fins de avaliação? está dada pelos argumentos já referidos. Ou seja, as características dos fóruns parecem ter características adequadas que justificam a sua utilização em situações de aprendizagem online. Contudo, reforça-se a importância do papel dos e-moderadores na orientação dos cursos e no tipo de feedback utilizado, dados também reflectidos nas respostas do questionário, pois confirma-se que na comunicação, qualquer que seja o meio em que ela ocorra, o retorno do que se comunica e o reforço ao trabalho desenvolvido, podem modificar significativamente a motivação para a participação. Tal como outras pesquisas evidenciaram, outros estudos em contexto de aprendizagem deverão ser feitos para que possa ficar mais claro em que medida e de que forma a participação dos alunos nos fóruns de discussão pode ser potenciada. Para além dos aspectos aqui referidos eventualmente outros poderão ser considerados, até com mais pertinência, dada a contínua mudança imposta pela rápida evolução das tecnologias, quer seja no campo educativo, profissional ou pessoal. Por fim, importa aludir às limitações associadas ao trabalho realizado, uma vez que existe a perfeita noção de que muitos aspectos ficaram por abordar, assim como as lacunas associadas ao instrumento utilizado para a recolha de dados. Ficou realizar todo o procedimento técnico de normas de elaboração do questionário, limitando-se a construção deste à inclusão de questões relacionadas com as percepções dos autores relativamente ao assunto em questão. Outra dimensão, aqui não correlacionada, foi a variável idade com as diferentes respostas, no sentido de perceber se as percepções variam em função da idade e género, bem como dos anos de experiência no uso dos computadores. Acrescente-se contudo que, tal como é visível nas tabelas 1, 2 e 3, a maioria dos que responderam são mulheres (26) e, à excepção de um, todos os restantes têm mais de 6 anos de experiência no uso de computadores, o que também pode contribuir positivamente para um acesso fácil em termos de usabilidade dos fóruns. De qualquer forma, salvaguardando as devidas limitações, já mencionadas, fica o contributo e a satisfação de se reconhecer que a grande maioria dos alunos que gentilmente aceitaram responder a o questionário enviado, tem uma percepção positiva de um meio de comunicação colocado à sua disposição que tem a enorme vantagem de aproximar em diversos momentos e locais todos aqueles que partilham interesses, mesmo que em circunstâncias de imposição. Mas quando as imposições se traduzem em resultados e em mais conhecimento então elas valem a pena! REFERÊNCIAS Campos, F., Maio, V., Monteiro, M., & Horta, M. (2008). Com os outros aprendemos, descobrimos e... construímos - um projecto colaborativo na plataforma Moodle. Educação, Formação & Tecnologias, pp. 21-31. Coutinho, C., & Lisbôa, E. (n.d.). A problemática da e-moderação à luz da teoria atorrede. Actas do I Encontro @rcaComum, pp. 21-33. Dennen, V. (2005). From Message Posting to Learning Dialogues: Factors affecting learner participation in asynchronous discussion. Distance Education, pp. 127– 148. Developing E-moderating in Higher and Further Education. (s.d.). Fernandes, J., Lagoinha, P., & Pais, J. (n/d). O Moodle e as comunidades virtuais de aprendizagem. VII Congresso Nacional de Goelogia, (pp. 1-4). Universidade de Évora. Illera, J. (2007). Como as comunidades virtuais de prática e de aprendizagem podem transformar a nossa concepção de educação. 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Obtido em 16 de Abril de 2011, de Ambiente virtual de aprendizagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ambiente_virtual_de_aprendizagem