Universidade Federal do Paraná Departamento de Engenharia Elétrica RAPHAEL SALIN COMPENSAÇÃO DINÂMICA DE REATIVO NA PARTIDA DE MOTORES DE INDUÇÃO Curitiba 2011 RAPHAEL SALIN COMPENSAÇÃO DINÂMICA DE REATIVO NA PARTIDA DE MOTORES DE INDUÇÃO Trabalho apresentado à Disciplina de Projeto de Graduação como requisito parcial à conclusão do Curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Paraná. Orientador: Prof. Dr. João Américo Vilela Junior Curitiba 2011 RAPHAEL SALIN COMPENSAÇÃO DINÂMICA DE REATIVO NA PARTIDA DE MOTORES DE INDUÇÃO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO APRESENTADO A DISCIPLINA DE PROJETO DE GRADUAÇÃO DO CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ COMO REQUISITO À OBTENÇÃO DO TÍTULO DE GRADUAÇÃO. COMISSÃO EXAMINADORA PROF. DR. ENG. JOÃO AMÉRICO VILELA JUNIOR PROF. DR. ENG. ODILON LUÍZ TORTELLI PROF. MSC. ENG. VILSON ROIZ GONÇALVES REBELO DA SILVA AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus pelo dom da vida e por guiar-me acompanharme ao longo da minha vida e da vida das pessoas que eu amo. Aos familiares e amigos pelo amor e apoio nas horas em que mais precisei. A Universidade Federal do Paraná por confiar em meu potencial, e me dar a oportunidade que precisei para desenvolver minhas habilidades e meus conhecimentos. Ao meu Professor orientador João Américo Vilela Junior pela orientação, apoio e comprometimento durante todo o período de realização deste trabalho e aos Professores Vilson R. G. R. da Silva e Odilon Luiz Tortelli por aceitar formar a banca analisadora deste Trabalho Final de Graduação. 2 RESUMO Este trabalho apresenta um estudo do uso de um Compensador Dinâmico de Reativo para operar no momento do acionamento de motores de indução trifásicos de alta potência. O objetivo é minimizar os efeitos do acionamento na rede durante este período atuando de uma forma diferente das tecnologias convencionais. É feita uma breve introdução falando sobre o motor de indução trifásico e as tecnologias mais usuais utilizadas no acionamento destes motores. Em seguida é apresentada a estrutura do Compensador Dinâmico de energia reativa com suas características. Por último é apresentado um estudo sobre uma situação hipotética cujo objetivo é comparar o desempenho das alternativas de acionamento comentadas no trabalho e comprovar as vantagens do uso do compensador dinâmico de reativo como método de acionamento de motores de alta potência, tais como tempo de aceleração reduzido, torque de partida superior e ausência de afundamento de tensão no barramento do motor. Uma análise focada no valor econômico do compensador dinâmico de reativo não será desenvolvida neste trabalho e segue como sugestão para trabalhos futuros. Palavras Chave: Acionamento a plena tensão, compensador dinâmico de reativo, afundamento de tensão 2 ABSTRACT This work present a study regarding the use of a Dynamic Reactive Power Compensator to operate in the tri-phase induction motor`s starting moment, for sake of minimizing the upcoming problems in the network during this period; acting with a different shape of current technology. A brief introduction about triphase induction motor and convectional technologies used on the engines activation is first presented, followed by a description of the Dynamic Reactive Power Compensator with it features. At last will be present a reduced study, contains, superior starter torque and absence of voltage sinking at motor´s bus. This paper will not develop focous an economic analysis of Dynamic Reactive Power Compensator; left behind this part like a sugestion for future project. Key Words: Dynamic Reactive Power Compensator, full-voltage starting 3 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Modelo equivalente do Motor de Indução Trifásico por fase .................... 10 Figura 1 – Exemplo de curva de torque do Motor de Indução Trifásico .................... 11 Figura 2 – Exemplo de corrente de partida do MIT ................................................... 12 Figura 3 – Esquema de ligação para Partida Direta .................................................. 14 Figura 4 – Esquema de ligação para Partida Estrela-triângulo ................................. 15 Figura 5 – Exemplo de curva de torque do motor acionado por Partida EstrelaTriângulo ................................................................................................................... 16 Figura 6 – Exemplo de corrente do motor na partida usando esquema estrelatriângulo .................................................................................................................... 16 Figura 7 – Esquema de ligação para Partida Compensadora ................................... 17 Figura 8 – Exemplo de corrente do motor acionado por Chave Compensadora ....... 18 Figura 9 – Curva de torque do motor acionado pela Chave Compensadora ............ 18 Figura 10 – Esquema de partida do motor com Soft-Starter ..................................... 19 Figura 11 – Senóide de tensão chaveada pelo Soft-Starter ...................................... 20 Figura 12 – Esquema de funcionamento do Conversor de Freqüência .................... 21 Figura 13 – Deslocamento da curva de torque do motor acionado pelo Conversor de Freqüência ................................................................................................................ 22 Figura 14 – Diagrama de blocos do Compensador Dinâmico ................................... 24 Figura 15 – Diagrama Unifilar da situação de estudo................................................ 25 Figura 16 – Motor HGF de carcaça 450 [6] ............................................................... 26 Figura 17 – Modelagem do caso proposto utilizando Partida Direta ......................... 28 Figura 18 – Curva de aceleração do motor ............................................................... 28 Figura 19 – Tensões das três fases no barramento do motor ................................... 29 Figura 20 – Curva de torque (N.m) durante o acionamento do motor ....................... 30 Figura 21 – Potência Ativa (Azul) e Reativa (Verde) por fase fornecida pela rede para o conjunto motor e banco fixo de capacitores ........................................................... 31 Figura 22 – Corrente no barramento da indústria...................................................... 32 Figura 23 – Esquema do caso proposto com compensador no Simulink .................. 34 Figura 24 – Bloco Compensador Dinâmico de Reativo ............................................. 34 Figura 25 – Curva de aceleração do motor ............................................................... 35 Figura 26 – Tensão da barra do motor ...................................................................... 36 Figura 27 – Tensões das fases na rede no período de instabilidade ........................ 37 4 Figura 28 – Curva de torque (N.m) durante o acionamento do motor ....................... 38 Figura 29 – Curva de Potência Ativa (Azul) e Reativa (Verde) consumida pelo motor .................................................................................................................................. 39 Figura 30 – Potência Ativa (Azul) e Reativa (Verde) transmitida da rede para o barramento do motor acionado ................................................................................. 40 Figura 31 – Correntes das fases A, B e C fornecida pela rede ................................. 41 Figura 32 – Aceleração do MIT com Partida Direta e Partida com Compensador Dinâmico ................................................................................................................... 42 Figura 33 – Tensão no barramento do MIT com Partida Direta e Partida com Compensador Dinâmico ............................................................................................ 42 Figura 34 – Torque do MIT com Partida Direta e Partida com Compensador Dinâmico ................................................................................................................... 42 Figura 35 – Potências ativas e reativas fornecidas pela rede para o MIT com Partida Direta e Partida com Compensador Dinâmico .......................................................... 43 Figura 36 – Corrente de fase ncias ativas e reativas fornecidas pela rede para o MIT com Partida Direta e Partida com Compensador Dinâmico ...................................... 43 5 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Lógica de chaveamento do Compensador .............................................. 24 Tabela 2 – Características construtivas e de desempenho do motor escolhido ........ 26 Tabela 3 – Características do cabo de 185 mm² utilizado ......................................... 27 Tabela 4 – Comparação entre Partida Direta e Partida com Compensador ............. 44 6 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 9 1.1 O Motor de Indução Trifásico - MIT ..................................................................... 9 1.2 Métodos Convencionais de Acionamento de Motores ....................................... 13 1.2.1 Partida Direta ............................................................................................. 13 1.2.2 Partida Estrela-Triângulo ........................................................................... 14 1.2.3 Partida Compensadora .............................................................................. 17 1.2.4 Partida com Soft-Starter ............................................................................ 19 1.2.5 Partida com Conversor de Frequência ...................................................... 21 2 O COMPENSADOR DINÂMICO DE REATIVO ..................................................... 23 2.1 Estrutura de funcionamento e lógica ................................................................. 23 3. SITUAÇÃO PARA ESTUDO................................................................................. 25 4 OS MÉTODOS DE ACIONAMENTO ..................................................................... 27 4.1 Partida Direta ..................................................................................................... 27 4.1.1 Esquema do caso proposto no Simulink .................................................... 27 4.1.2 Análise dos Resultados ............................................................................. 28 4.2 Demais métodos convencionais de partida ....................................................... 32 4.2.1 Partida Estrela – Triângulo, Compensadora e Soft - Starter ...................... 32 4.2.2 Partida com Conversor de Freqüência ...................................................... 33 4.3 Compensador Dinâmico de Reativo .................................................................. 33 4.3.1 Esquema do caso proposto no Simulink .................................................... 33 4.3.2 Resultados obtidos .................................................................................... 35 5 COMPARATIVO DOS MÉTODOS ......................................................................... 41 7 5.1 Gráficos de Desempenho .................................................................................. 42 5.2 Tabela Comparativa .......................................................................................... 43 6 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 45 7 PROPOSTAS PARA TRABALHOS FUTUROS .................................................... 46 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 46 Apêndice A............................................................................................................... 48 8 1 INTRODUÇÃO A maioria das cargas presentes em um sistema elétrico são projetadas para operar em condições onde as características da rede (tensão, freqüência, ângulo de fase, forma de onda), não sofrem variações significativas. Em se tratando de sistemas elétricos industriais, as cargas costumam ser ainda mais sensíveis a variações da rede, devido a alta precisão que seus respectivos processos exigem. Freqüentemente nestes mesmos sistemas estão conectados motores de indução que, principalmente durante a partida, provocam afundamento de tensão, devido a elevada corrente requerida, o que prejudica as demais cargas da indústria. As soluções disponíveis no mercado para atenuar os problemas causados pelo acionamento deste tipo de motor nem sempre correspondem de forma satisfatória, causando outros problemas para a rede, prejudicando o desempenho do motor ou tornando o processo todo mais caro. Em se tratando de motores de alta potência o impacto na rede é bastante acentuado, devido a alta corrente de partida e da energia reativa consumida pelo motor de indução durante a partida. O método de acionamento pode muitas vezes ser determinante para a viabilidade de algum processo. Uma análise completa para a escolha do método de acionamento mais indicado pode prevenir problemas, poupar investimentos futuros e garantir um desempenho melhor para a indústria, tanto do motor como de todas as cargas conectadas no sistema. 1.1 O Motor de Indução Trifásico - MIT O motor elétrico é uma máquina que faz a conversão de energia elétrica em energia mecânica. Entre os tipos de motores elétricos, destaca-se o motor de indução trifásico por ser amplamente utilizados na indústria moderna, quando se fala em motores de alta potência, devido a sua simplicidade, robustez e baixo custo em comparação com os demais tipos de motores. O motor de indução trifásico pode ser definido por seu modelo equivalente, representado na Figura 1: 9 Figura 1 – Modelo equivalente do Motor de Indução Trifásico por fase Onde: V1 = tensão do equivalente de Thévenin aplicada no motor R1 e X1 = resistência e reatância do estator R0 = resistência referentes às perdas no ferro por corrente de Foucault e histerese magnética das chapas Xm = reatância de magnetização R2 e X2 = resistência e reatância equivalente do rotor referido ao estator s = escorregamento da máquina Através do modelo equivalente, o torque do motor de indução trifásico pode ser calculado através da equação 1.1: (1.1) Onde: T = torque na ponta do eixo do motor Rth e Xth = resistência e reatância equivalentes de Thévenin do estator ws = velocidade síncrona do motor (função da freqüência da rede e do numero de pólos da máquina) 10 A curva característica do torque do motor em função da velocidade de rotação esta representada na Figura 1. Figura 2 – Exemplo de curva de torque do Motor de Indução Trifásico Através da análise da equação característica do MIT junto com a curva característica, pode-se concluir que o torque no eixo do motor varia com o escorregamento do motor, a freqüência da rede e a tensão aplicada nos terminais, já que os demais parâmetros são constantes do próprio motor. Durante a partida do motor o escorregamento é máximo e o torque do eixo pode apenas ser controlado pela tensão aplicada no motor. Como o torque do motor varia na proporção quadrática da tensão, o conjugado de partida de um motor quando aplicada em seus terminais uma tensão diferente da nominal, pode ser calculado através da equação 1.2: (1.2) Onde: Cp = Conjugado de partida do motor Cnp = Conjugado de partida do motor quando acionado com tensão nominal Vtm = Tensão aplicada no motor Vnm = Tensão nominal no motor A corrente do motor é dada pela equação 1.3: 11 (1.3) Onde: Ir = Corrente do motor s = Escorregamento do motor Erb = Tensão aplicada no motor Rr = Resistência do rotor Xrb = Reatância de rotor bloqueado Durante a partida do motor, o escorregamento tem valor unitário e a equação da corrente de partida pode ser simplificada pela equação 1.4: (1.4) Como a resistência é muito menor que a reatância do motor, o resultado é um baixo fator de potência durante a partida. Mesmo consumindo uma potência ativa não tão alta, o motor absorve uma quantidade bastante grande de energia reativa da rede neste período. O resultado é uma elevada corrente de partida, conforme observada na Figura 2. Figura 3 – Exemplo de corrente de partida do MIT A medida que o motor vai acelerando o escorregamento vai diminuindo, assim como a corrente, até o valor nominal. 12 Dependendo das características do motor, a corrente de partida pode variar de 5 a 10 vezes o valor da corrente nominal, o que quando se trata de motores de alta potência pode perturbar a rede que alimenta este motor, tais como quedas de tensão, sobreaquecimento de condutores, etc. Para poder minimizar a corrente de partida do MIT é aconselhável utilizar algum método de acionamento que minimize possíveis perturbações na rede, desde que atenda as características de partida da carga. A escolha do método de partida depende de vários fatores que o projetista deve levar em conta, tais como torque de partida, investimento disponível, nível de controle do processo, etc. 1.2 Métodos Convencionais de Acionamento de Motores Existem cinco formas mais usuais de se acionar um motor na indústria moderna. São elas: • Partida Direta • Chave Estrela-Triângulo; • Chave Compensadora; • Soft-Starter; • Conversor de Freqüência. Cabe ao projetista analisar cada caso e escolher um método que atenda as necessidades da carga sem provocar perturbações na rede e que seja economicamente viável. 1.2.1 Partida Direta O acionamento através de Partida Direta corresponde a simples conexão do motor na rede de alimentação. O esquema de ligação é apresentado na Figura 3. 13 Figura 4 – Esquema de ligação para Partida Direta Pode-se se dizer que corresponde ao método mais simples, já que não utiliza nenhum componente para controlar as características de partida ou operação do motor. É indicado para situações onde o sistema que alimenta o MIT é forte suficiente para suportar as condições de partida sem sofrer mudanças nas suas características fundamentais. A corrente que a rede fornece para o motor de indução trifásico acionado pela partida direta, devido principalmente ao alto alto reativo consumido pelo motor durante este processo, pode chegar a 10 vezes o valor da corrente nominal, dependendo do modelo do motor. Em processos que funcionam com várias rias partidas do MIT por hora, a alta corrente no sistema pode causar sobreaquecimento to dos componentes da rede, tais como condutores e transformadores. Em se tratando de motores de alta potência, a ausência de qualquer componente que diminua a alta corrente de partida e o alto reativo que consomem neste período faz com que o afundamento da tensão da rede seja ainda mais sentido pelas demais cargas do sistema. 1.2.2 Partida Estrela-Triângulo Estrela Com este método de partida o motor é inicialmente ligado na configuração estrela até atingir uma velocidade próxima da nominal, para então ser ligado na configuração delta, para qual o motor foi projetado. O esquema de ligação é apresentado na Figura 4. 14 Figura 5 – Esquema de ligação para Partida Estrela-triângulo triângulo O uso deste método faz com que o motor seja acionado com uma tensão menor do que a nominal inal apenas durante a partida, fazendo com que a corrente se reduza na mesma proporção, em relação a corrente e do motor quando acionado por partida direta. Conforme a equação 1.2, o torque de partida de d um motor de indução trifásico é diretamente proporcional ao quadrado da tensão aplicada em seus terminais. Quando o motor, mesmo sendo projetado para ser acionado na configuração delta, é acionado na configuração de estrela, a tensão durante a partida se reduz para 57,7% da nominal e o torque de partida se reduz a um terço do valor do torque que o motor desenvolveria caso fosse acionado com tensão nominal. O sistema, ma, após algum tempo quando o motor atinge uma velocidade de pelo menos 70% da nominal, altera a alimentação ão do motor de estrela para triângulo. triâ Neste momento a curva de torque, que inicialmente estava deslocada, deslocada volta ao valor que apresenta quando o motor é acionado com tensão nominal durante todo o tempo de partida. A curva de torque do motor acionado por Partida artida Estrela-Triângulo é apresentado na Figura 5. 15 Figura 6 – Exemplo de curva de torque do motor acionado por Partida Estrela-Triângulo Por conta disso, os acionamentos através de partidas estrela-triângulo são recomendados para processos onde o motor parte com uma carga baixa. A baixa complexidade dos componentes envolvidos garante a este método de partida um baixo custo de implantação. Além do reduzido torque de partida, o pico de corrente durante a mudança de ligação das bobinas do motor de estrela para triângulo devem ser analisado com cuidado, pois pode muitas vezes superar a corrente que o motor consome quando acionado por partida direta. A amplitude da corrente do motor quando acionado por Partida EstrelaTriângulo é apresentada na Figura 6. Figura 7 – Exemplo de corrente do motor na partida usando esquema estrela-triângulo 16 Este pico de corrente pode, além de prejudicar a estabilidade da rede, diminuir a vida útil do motor, prejudicando a isolação interna do mesmo. 1.2.3 Partida Compensadora Neste método a tensão aplicada no motor é reduzida na partida através de um autotransformador que altera o seu TAP conforme a velocidade do motor vai aumentando. O esquema de ligação da partida com Chave Compensadora é apresentado na Figura 7. Figura 8 – Esquema de ligação para Partida Compensadora Desta forma a corrente de partida pode ser controlada e, devido ao caráter indutivo do autotransformador, não ocorre o pico de corrente da partida estrelatriângulo. Os taps convencionais do transformador utilizado são 50, 65 e 80%. A corrente do motor quando acionado por Chave Compensadora é apresentada na Figura 8. 17 Figura 9 – Exemplo de corrente do motor acionado por Chave Compensadora Os degraus de corrente representados no gráfico correspondem ao momento de mudança de tap do autotransformador. O conjugado do motor durante a partida fica reduzido utilizando este método, pois da mesma forma que na partida estrela-triângulo, o motor parte com uma tensão inferior a tensão nominal. Cada vez que o tap do transformador muda a tensão aplicada no motor sobe e a curva de torque se aproxima da curva desenvolvida quando acionado por tensão nominal. A curva de torque do motor, quando acionado por Chave Compensadora, é apresentada na Figura 9. Figura 10 – Curva de torque do motor acionado pela Chave Compensadora 18 O esquema para partida compensadora utiliza, além de componentes relativamente simples tais como chaves para comutação e temporizador, um autotransformador com tap variável. Dependendo do valor de potência do motor, o autotransformador que será necessário para suportar toda a potência consumida pelo motor durante a partida pode vir a representar um custo bastante elevado. Ainda assim o esquema de partida com chave compensadora é amplamente utilizado para o controle da corrente de partida de motores de indução. 1.2.4 Partida com Soft-Starter No esquema de partida com Soft-Starter a tensão de alimentação dos motores é chaveada através de tiristores SCR`s, de forma a controlar a tensão aplicada no motor durante a partida. O esquema de ligação da partida do MIT com Soft-Starter é apresentado na Figura 10. Figura 11 – Esquema de partida do motor com Soft-Starter O esquema de partida com Soft-Starter é formado por equipamentos da eletrônica de potência que consistem em elementos de comutação bidirecionais, 19 compostos por pontes de tiristores (SCR) que atuam como chaves de partida estáticas, projetadas para controlar a rampa de aceleração da partida de um MIT, controlando desta forma a corrente de partida do motor. Durante a aceleração, os SCR`s chaveiam a tensão de alimentação do motor, de forma a diminuir a tensão aplicada no mesmo e limitar a corrente que circula no equipamento. A partir do momento em que o motor vai aumentando sua velocidade, a corrente consumida pelo motor vai diminuindo e o Soft-Starter vai aos poucos aumentando a tensão aplicada no motor até o valor nominal, mantendo a corrente sempre no mesmo patamar, fazendo com que o motor seja acionado, como o próprio nome já diz, com uma partida suave. O Soft-Starter realiza esta operação controlando o ângulo alfa de disparo dos SCR`s. Esta operação esta apresentada na Figura 11. Figura 12 – Senóide de tensão chaveada pelo Soft-Starter Este tipo de acionamento é bastante utilizado para cargas com várias partidas por hora, como bombas, compressores e esteiras. É também um método utilizado algumas vezes para atuar na rampa de desaceleração do motor durante o processo de parada. Além do custo mais elevado deste método de acionamento, o chaveamento da onda de tensão que o Soft-Starter faz introduz harmônicos no sistema e pode distorcer a senóide de toda a rede. Em locais onde a rede é relativamente fraca, o Soft-Starter até protege o motor, mas pode prejudicar as demais cargas conectadas no mesmo sistema, prejudicando a qualidade da energia. 20 1.2.5 Partida com Conversor de Frequência Também chamado de Inversor de Freqüência, o conversor é formado por dois estágios fundamentais, mentais, sendo o primeiro um retificador não-controlado não controlado (CA/CC) e o segundo um inversor controlado (CC/CA). O esquema de ligação é apresentado na Figura 12. Figura 13 – Esquema squema de funcionamento do Conversor de Freqüência O primeiro estágio é responsável por retificar a tensão da rede enquanto que no o segundo a onda de tensão é reconstruída para alimentar o MIT. MIT Com esta configuração, o inversor garante o controle da amplitude de tensão e freqüência que alimenta o motor, permitindo um controle das da características de desempenho do motor e da rede, rede tais como torque,, corrente e velocidade. É utilizado em processos e situações onde o controle destas características é necessário para o funcionamento adequado. adequado A velocidade do motor é controlada através do ajuste da freqüência da onda de tensão que alimenta o motor. Normalmente o inversor altera a freqüência da tensão de alimentação na na faixa de 30 a 60 Hz. Velocidades mais baixas podem ser utilizadas, desde que se observe a temperatura do motor, já que em velocidades mais baixas os ventiladores internos e externos do motor, normalmente acoplados ao eixo, perdem em eficiência. A operação em temperaturas acima das da temperaturas de projeto (usualmente 80o Celsius) prejudica a isolação dos condutores internos e compromete a vida útil do motor. Um m dispositivo para ventilação independente da 21 velocidade do motor pode ser utilizado para manter a temperatura em níveis que não prejudiquem o motor. Durante a partida a do motor, o conversor de freqüência através do controle da freqüência e da tensão aplicada desloca a curva de torque para que o mesmo acelere de forma suave e controlada. O deslocamento da curva de torque do motor é apresentado na Figura 13. Figura 14 – Deslocamento da curva de torque do motor acionado pelo Conversor de Freqüência Desta forma tanto a corrente do motor como a potência reativa consumida podem ser controladas. Tipicamente o conversor é configurado para limitar a corrente do motor a 100% da nominal, mesmo durante a partida. Desta forma for evitase alto consumo de potência potência e esforços no enrolamento do motor e na rede durante este período. O conversor,, por conta do estágio de retificação da tensão da rede, acaba injetando ando harmônicos no sistema. Em indústrias onde existem muitas cargas acionadas por Conversor de Freqüência, estes harmônicos se somam e comprometem a qualidade da energia da rede. O custo total deste equipamento é bem maior quando comparado com os demais métodos étodos de acionamento utilizados. Em motores de alta potência o custo de um conversor de freqüência adequado pode muitas vezes superar o custo do próprio motor. 22 2 O COMPENSADOR DINÂMICO DE REATIVO O grande objetivo do Compensador Dinâmico é impedir o afundamento de tensão por conta do alto fluxo de potência reativa na rede durante a partida de um motor de indução. Desta forma o motor consegue ter um desempenho melhor do que teria durante uma partida com a tensão sofrendo afundamento. Além do motor, as demais cargas conectadas no barramento também não sentem a partida, mesmo para um motor de alta potência. Ao contrário de outras formas de acionamento, o Compensador Dinâmico de Reativo não atua na tensão aplicada no motor para diminuir a corrente de partida, permitindo que o mesmo seja acionado com um torque maior, acelerando mais rápido e permitindo um acionamento com carga maior. O compensador dinâmico de reativo pode ser usado para compensar um motor ou vários, desde que conectados no mesmo barramento, diminuindo o custo global de uma aplicação com diversos motores. Por reduzir o fluxo de reativo na rede da concessionária, a corrente de entrada da indústria também fica menor, permitindo evitar o sobre-dimensionamento de condutores e componentes da rede tais como transformadores e equipamentos de proteção. [5] 2.1 Estrutura de funcionamento e lógica O método de partida com Compensador Dinâmico de Reativo é formado por bancos de capacitores acionados por tiristores, os quais são controlados por um Sistema de Controle com CLP. O diagrama de blocos do compensador é apresentado na Figura 14. 23 Figura 15 – Diagrama de blocos do Compensador Dinâmico A lógica de chaveamento dos bancos de capacitores é apresentada na Tabela 1 (sendo 1 para o banco ligado e 0 para o banco desligado), supondo um Compensador com 4 bancos e 16 estágios: Tabela 1 – Lógica de chaveamento do Compensador Com esta estratégia de controle, o compensador consegue um grande número de estágios de chaveamento utilizando um número reduzido de bancos de capacitores. O Sistema de Controle do Compensador de reativo faz a troca de bancos de capacitores em cada fase no momento que a tensão daquela fase esta passando pelo zero. O Compensador Dinâmico de Reativo mede o reativo consumido no barramento onde o(s) motor(es) estão conectado(s). Com o valor de reativo 24 consumido pelo barramento, o Compensador aciona os bancos de capacitores para que a estes fornecerem o reativo que o barramento esta consumindo, e não a rede da concessionária, o que não geraria o fluxo excessivo de reativo fornecido pela rede, responsável pelo afundamento de tensão. 3. SITUAÇÃO PARA ESTUDO Neste trabalho será apresentado um estudo sobre uma situação hipotética contendo o acionamento de um motor de alta potência, com o objetivo de comparar o desempenho do compensador dinâmico de reativo com os outros métodos mais usuais de partida. A situação escolhida para estudo é apresentada na Figura 15 através de um Diagrama Unifilar: Figura 16 – Diagrama Unifilar da situação de estudo A situação escolhida corresponde a uma indústria que planeja instalar um novo processo utilizando um motor de 1400 kW que precisa ser acionado com uma carga constante de 5000 Nm e Inércia de 50 kgm². Na Figura 16 está representado um motor do mesmo modelo a ser utilizado. 25 Figura 17 – Motor HGF de carcaça 450 [6] As especificações do motor escolhido, definidas pela fabricante WEG, são apresentadas na Tabela 2. [6] Fabricante Modelo Carcaça Potência Tensão N. de Pólos Freqüência Conjugado Nominal Conjugado de Partida Conjugado Mínimo Conjugado Máximo Corrente Nominal Corrente de Partida Inércia do Motor WEG HGF 450 1400 kW 2300 V 4 60 Hz 7500 Nm 1 pu 0,9 pu 3 pu 410 A 7 pu 30 kgm² Tabela 2 – Características construtivas e de desempenho do motor escolhido Este motor será alimentado por uma rede definida como tendo um valor de 200 MVA para corrente de curto circuito. A indústria é alimentada pela concessionária em tensão de 23,1 kV fase-fase rms, sendo que a mesma já dispõe de um transformador de 5 MVA com relação de transformação de 23,1/2,3 kV em sua propriedade. Além deste motor, a indústria possui mais um transformador 26 2,3/0,22 kV localizado a 20 metros do transformador de entrada com mais cargas conectadas. Nos terminais do motor será considerado um banco de capacitores fixo de 300 kVar para compensação do fator de potência. O motor é conectado por três cabos de 185 mm², com comprimento de 200 m desde o transformador até o barramento dos motores, instalados afastados de pelo menos 20 cm entre eles e com as características da Tabela 3: [8] Resistência Indutância 0.12731 Ohm/km 0.28979 Ohm/km Tabela 3 – Características do cabo de 185 mm² utilizado 4 OS MÉTODOS DE ACIONAMENTO O primeiro método a ser estudado para resolver a situação proposta é o da Partida Direta. 4.1 Partida Direta 4.1.1 Esquema do caso proposto no Simulink Para estudar o caso proposto no capítulo 3 foi utilizado o modo Simulink, do programa Matlab da Mathwork. [7] A modelagem utilizada é apresentada na Figura 17. 27 Figura 18 – Modelagem do caso proposto utilizando Partida Direta 4.1.2 Análise dos Resultados A curva de aceleração motor é apresentada na Figura 18: Figura 19 – Curva de aceleração do motor 28 O tempo de partida do motor estudado foi de 8,8 segundos para estabilizar na velocidade angular nominal de 186 wm (radianos/s). Este será o período considerado como o transitório de partida do motor. A envoltória da tensão das três fases na barra B1 do caso estudado é apresentad na Figura 19: Figura 20 – Tensões das três fases no barramento do motor A forma de onda da tensão apresentou um afundamento durante a partida do motor de 1858 V para 1522 V (pico) em cada fase, o que representa um afundamento de 18,08%. Este afundamento ocorreu na barra B1, a qual motor esta conectado, e impacta em todas as cargas conectadas nesta barra, inclusive o próprio motor que, projetado para partir com tensão nominal aplicada em seus terminais altera o seu desempenho em função do afundamento da tensão. A tensão aplicada no motor mesmo em regime não corresponde a tensão nominal do lado de baixa do transformador na entrada da indústria (1878 V de pico). Isto acontece devido a queda de tensão nos 200 metros de cabos entre o transformador e a barra B1. A curva de torque do motor é apresentada na Figura 20: 29 Figura 21 – Curva de torque (N.m) durante o acionamento do motor A curva de torque do motor é característica de motores da categoria N, com o conjugado máximo sendo atingido depois de 8,7 segundos da partida e alcançando o valor de 20500 N.m. O conjugado mínimo não fica claro com este modelo de motor, porém pode ser estimado como 5500 N.m no momento em que o gráfico estabiliza. O torque do motor sofre alterações significativas com o afundamento de tensão da rede, devido ao fato de ser proporcional ao quadrado da tensão aplicada nos terminais do motor, conforme a equação (1.2). Assim o torque fica abaixo do especificado em placa, acelera mais lentamente e aumenta a duração do transitório de partida. A curva de potência ativa e reativa, por fase, fornecidas pela rede são apresentada na Figura 21: 30 Figura 22 – Potência Ativa (Azul) e Reativa (Verde) por fase fornecida pela rede para o conjunto motor e banco fixo de capacitores Logo que o motor parte, a rede começa a fornecer uma potência reativa de 2410 kVar/fase e este valor vai diminuindo lentamente até 7,15 segundos após o acionamento, quando a rede fornece 2350 kVar/fase, caindo para 58 kVar/fase em 1,8 segundo quando o motor estabiliza. A curva de potência ativa acompanha a curva de torque do motor, partindo do valor de 495 kW/fase até o pico de 1370 kW/fase para então cair até estabilizar em 316 kW/fase, suficiente para a carga aplicada. Tanto a potência ativa quanto a potência reativa fornecidas pela rede foram afetadas pela queda de tensão no barramento durante o período de partida. Isto acontece por conta da potência ativa e reativa consumida pelo motor serem proporcionais a tensão aplicada no mesmo. A curva de Corrente/fase do motor é apresentada na Figura 22: 31 Figura 23 – Corrente no barramento da indústria A corrente solicitada pela rede para o acionamento do motor durante o processo de partida foi de 3260 A/fase, caindo lentamente durante 7,1 segundos, momento que a rede esta fornecendo 3000 A/fase, para então cair em 1,9 segundos até 346 A/fase quando o motor entra em regime. Grande parte da corrente que a rede fornece é devido a elevada potência reativa consumida no acionamento durante o transitório de partida do motor, muito superior ao banco fixo de capacitores. A alta corrente fornecida pela rede provoca sobreaquecimento dos componentes do sistema e aumento significativo das perdas no circuito. 4.2 Demais métodos convencionais de partida 4.2.1 Partida Estrela – Triângulo, Compensadora e Soft - Starter O acionamento do motor do caso proposto através destes métodos não foi considerado, pois eles diminuem a tensão aplicada no motor durante a partida. Como o processo precisa partir com uma carga relativamente alta que possui uma 32 inércia alta, o motor precisa de um alto conjugado de partida. Alternativas que reduzem a tensão, e conseqüentemente o torque de partida do motor, não se aplicam a situação proposta. 4.2.2 Partida com Conversor de Freqüência O Conversor de Freqüência controla o torque de partida do motor durante o acionamento e poderia ser analisado para resolver a situação proposta. Porém não será analisado devido ao alto custo que um Conversor de Freqüência para acionar um motor com esta potência representaria. Inversores para esta faixa de potência são bem mais caros do que o próprio motor utilizado. Este investimento se justifica em situações onde o controle de velocidade do motor é necessário para o funcionamento do processo. 4.3 Compensador Dinâmico de Reativo Será aplicado o compensador de reativo utilizando 4 bancos, nos valores de 5600, 2800, 1400 e 700 kVar. 4.3.1 Esquema do caso proposto no Simulink Para o estudo do acionamento utilizando o compensador de reativo também foi utilizado o modo Simulink do Matlab. Nas Figuras 23 e 24 são apresentados os esquemas utilizados: 33 Figura 24 – Esquema do caso proposto com compensador no Simulink Figura 25 – Bloco Compensador Dinâmico de Reativo 34 Para o bloco de controle, foi utilizado o bloco embedded, o qual está presente na biblioteca do Matlab em todas as versões do programa e permite desenvolver um comportamento conforme uma função escrita em linguagem de programação [9]. 4.3.2 Resultados obtidos A curva que apresenta a aceleração do motor é apresentada na Figura 25: Figura 26 – Curva de aceleração do motor O período de transitório de partida do motor acionado pelo Compensador Dinâmico de Reativo foi de 3,05 segundos para estabilizar na velocidade nominal. Este tempo foi bastante inferior ao tempo de 8,8 segundos obtido pelo motor acionado por partida direta. A diminuição do tempo do transitório colabora para que o acionamento do motor não prejudique a estabilidade do sistema. A forma de onda na tensão da barra do motor acionado é apresentada na Figura 26: 35 Figura 27 – Tensão da barra do motor Durante os primeiros 2,1 segundos após o acionamento do motor, a tensão na barra do motor em cada fase foi de aproximadamente 1805 V de pico, o que corresponde a um afundamento de 2,85% em relação ao valor da tensão da barra quando o motor atinge a velocidade nominal (1858 V). A partir deste período as tensões das fases caíram para 1780 V por conta dos bancos de capacitores começarem a abrir, diminuindo a injeção de reativo capacitivo no barramento do motor. Este valor representa 4,2% de afundamento. A partir de 3,05 segundos do acionamento, todos os bancos de capacitores do compensador estão abertos e a tensão do barramento atinge 1858 V. Durante os primeiros momentos do acionamento, a potência reativa consumida pelo motor é bastante alta e praticamente constante. Por conta disto o compensador dinâmico de reativo fornece para o barramento do motor a quantidade máxima de potência reativa capacitiva. Como a potência consumida pelo motor cai lentamente, a abertura dos bancos de capacitores do compensador também ocorre de forma lenta, evitando variações bruscas de reativo no barramento e mantendo a amplitude de tensão constante. 36 A medida que o motor vai acelerando, a potência reativa consumida pelo motor diminui com uma velocidade cada vez maior. Em função disso o compensador começa a diminuir o reativo capacitivo injetado na rede de uma forma mais rápida. Quando o motor está próximo de sua velocidade nominal, o reativo indutivo do motor cai drasticamente e o compensador começa a desligar e ligar os bancos de capacitores controlados muito rapidamente, provocando variações bruscas de reativo capacitivo no sistema, o que provoca uma rápida (alguns ciclos) perda de instabilidade na rede. As tensões nas fases do barramento são apresentadas na Figura 27 detalhando a região de instabilidade. Figura 28 – Tensões das fases na rede no período de instabilidade As fases do barramento sofreram alguns desbalanceamentos e uma delas apresentou uma sobre-tensão maior com duração de 1 ciclo e valor 34% acima da tensão normal do barramento. A curva de torque do motor é apresentada na Figura 28: 37 Figura 29 – Curva de torque (N.m) durante o acionamento do motor O torque máximo do motor ocorre depois de 2,85 segundos do acionamento e atinge o valor de 23.500 N.m, bastante próximo do valor de placa do motor e superior ao torque máximo do mesmo quando acionado pela partida direta, no valor de 20500 N.m. Este aumento é reflexo da redução no afundamento na tensão da rede no método com Compensador Dinâmico de Reativo. Como já foi dito o conjugado mínimo não fica claro com este modelo de motor, sendo estimado em 8000 N.m. Apesar dos valores de torque mínimo não estarem claros no gráfico, pode-se dizer que na partida com compensador o torque mínimo foi maior do que o estimado para partida direta, de 5500 N.m. O aumento do torque do motor durante a partida com Compensador Dinâmico é perfeitamente justificável, visto que a tensão não apresentou o mesmo afundamento de tensão no barramento. A diferença no torque do motor durante a partida faz com que o mesmo acelere mais rapidamente e diminua o tempo do transitório da partida do motor. A curva de torque não sofreu nenhuma alteração significativa por conta da instabilidade apresentada na tensão do barramento devido a curta duração do surto. As curvas de potência ativa e reativa consumida pelo motor são apresentadas na Figura 29: 38 Figura 30 – Curva de Potência Ativa (Azul) e Reativa (Verde) consumida pelo motor No início da partida o conjunto do motor e do banco de capacitores fixo consome uma potência reativa de 3400 kVar/fase da rede e diminui lentamente este valor por 2,5 segundos após o acionamento, quando o reativo consumido pelo motor passa a cair rapidamente. O conjunto passa de 3000 kVar/fase para 58 kVar/fase em pouco mais de 0,5 segundos. A potência ativa consumida no primeiro momento da partida foi de 700 kW/fase. O crescimento da potência ativa acompanhou a curva de torque do motor, tendo seu valor máximo de 1600 kW/fase ocorrendo 2,9 segundos depois do acionamento, para então cair até o valor de 316 kW/fase. Tanto a potência ativa quanto a potência reativa são funções da tensão aplicada nos terminais do motor. Isto explica o fato das potências absorvidas pelo motor quando acionado por partida com Compensador Dinâmico de Reativo ser superior ao verificado quando o mesmo é acionado por Partida Direta, já que durante a partida com Compensador, o afundamento de tensão é bem inferior comparado ao afundamento da partida direta. A potência transmitida pela rede até barramento B1 do motor é apresentada na Figura 30: 39 Figura 31 – Potência Ativa (Azul) e Reativa (Verde) transmitida da rede para o barramento do motor acionado A potência ativa transmitida pela rede até o barramento do motor foi a mesma consumida pelo motor. Já a potência reativa transmitida pela rede foi bem menor do que a consumida no conjunto de motor e banco de capacitores fixo, tendo valores abaixo de 500 kVar/fase durante a partida e 58 kVar/fase quando o motor atinge velocidade constante. Este valor é bastante inferior ao reativo fornecido pela rede durante a partida direta, próximos de 2000 kVar/fase. A maior parte do reativo consumido pelo conjunto, observado na Figura 29, foi injetado no barramento B1 pelo Compensador Dinâmico, o que faz com que a quantidade de reativo fornecido pela rede seja muito menor. Desta forma a rede entende o motor como uma carga com fator de potência mais alto do que o verdadeiro durante o transitório de partida do motor, tornando o processo de partida mais suave para a rede. A corrente fornecida pela rede é apresentada na Figura 31: 40 Figura 32 – Correntes das fases A, B e C fornecida pela rede A corrente solicitada pela rede para o acionamento do motor durante o processo de partida foi próxima de 1000 A/fase durante 1,5 segundos, para então acompanhar o formato das curvas de torque e potência ativa do motor, atingindo um pico de 1850 A/fase durante poucos ciclos, para então diminuir até o valor de 346 A/fase, suficientes para alimentar a carga aplicada. A corrente fornecida pela rede quando o motor é acionado pelo Compensador Dinâmico é bastante inferior a corrente fornecida pela rede quando o conjunto do motor e banco de capacitor fixo é acionado através da partida direta. Comparada com a corrente fornecida ao conjunto quando acionado por partida direta, a curva de corrente das fases A, B e C fornecidas ao barramento foi bastante inferior. Mesmo durante o pico do gráfico da figura 31, que não ocorre na partida direta, onde a corrente apresenta um valor elevado durante todo o período de partida do motor, a queda no valor da corrente de partida foi de 43,25%. 5 COMPARATIVO DOS MÉTODOS 41 5.1 Gráficos de Desempenho Os gráficos de desempenho do acionamento do caso proposto utilizando Partida Direta e Partida com Compensador Dinâmico são colocados lado a lado abaixo, a fim de facilitar a comparação de desempenho dos métodos. Figura 33 – Aceleração do MIT com Partida Direta e Partida com Compensador Dinâmico Figura 34 – Tensão no barramento do MIT com Partida Direta e Partida com Compensador Dinâmico Figura 35 – Torque do MIT com Partida Direta e Partida com Compensador Dinâmico 42 Figura 36 – Potências ativas e reativas fornecidas pela rede para o MIT com Partida Direta e Partida com Compensador Dinâmico Figura 37 – Corrente de fase ncias ativas e reativas fornecidas pela rede para o MIT com Partida Direta e Partida com Compensador Dinâmico 5.2 Tabela Comparativa É apresentado na Tabela 4 um comparativo dos resultados de desempenho dos 2 métodos estudados para o acionamento do motor do caso proposto: 43 Partida com Compensador Partida Direta Tempo de partida do motor Queda de tensão 9 segundos 3,05 segundos 2,85% durante 2,1 18,08% durante 8 segundos, 4,2% em 0,95 segundos segundos Potência ativa consumida pelo motor na partida Potência reativa consumida pelo motor na partida Potência ativa fornecida pela rede na partida 1485 kW 2100 kW 7140 kVar por 7,15 segundos 10200 kVar por 2,5 segundos 1485 kW 2100 kW Potência reativa fornecida pela rede na partida 7140 kVar por 7,15 segundos 380 kVar na partida, oscilando entre valores abaixo de 500 kVar Potência ativa e reativa fornecida e consumida pelo motor em regime 948 kW e 174 kVar 948 kW e 174 kVar 5500 N.m 8000 N.m 20500 N.m 24000 N.m 4110 kW 4800 kW Torque mínimo estimado Torque máximo Potencia ativa durante período de torque máximo Corrente fornecida pela rede durante a partida e com o motor em regime na partida 3260 A/fase na partida 1000 A/fase, durante 7,1 segundos e com pico de 1850 A/fase 346 A/fase em regime e 346 A/fase em regime Tabela 4 – Comparação entre Partida Direta e Partida com Compensador A partida com compensador de reativo apresentou um desempenho bastante superior em comparação com a partida direta, tanto do ponto de vista da rede como no ponto de vista do desempenho do motor. A diminuição do afundamento de tensão faz com que as características de desempenho do motor sejam melhoradas e o sistema todo funciona melhor. A queda no valor da corrente de partida na maior parte do tempo do acionamento foi de praticamente 70%. 44 6 CONCLUSÃO O método de acionamento com Compensador Dinâmico de Reativo provou ser capaz de resolver os problemas encontrados quando foi estudado a situação proposta utilizando o acionamento com Partida Direta. O Compensador Dinâmico de Reativo pode ser uma alternativa bastante interessante para diversos processos devido a seus benefícios em relação aos demais métodos de partida mais conhecidos. Devido a sua estratégia diferente para controle da corrente de partida e afundamento de tensão, o Compensador Dinâmico apresenta um desempenho com características que se adaptam melhor a situações onde o uso dos métodos mais usuais de partida não apresentam um desempenho satisfatório. O fato de manter a tensão nominal aplicada nos terminais do motor durante todo o período faz com que o torque no eixo seja superior comparado quando o mesmo é acionado através dos métodos que reduzem a tensão durante o acionamento, tornando o motor mais rápido e capaz de partir com cargas maiores. A diminuição da corrente e do fluxo de reativo fornecido pelo sistema que alimenta o motor evita o sobreaquecimento dos elementos que compõe o circuito, melhorando o rendimento e aumentando a vida útil destes equipamentos e componentes. O Compensador Dinâmico, ao contrário de todos os métodos usuais de partida, pode ser utilizado para o acionamento de vários motores, desde que todos estejam conectados na mesma barra. Desta forma o custo total de implantação de um empreendimento pode ser reduzido. O fato de ser uma configuração que utiliza componentes relativamente simples e proporciona um acionamento com tensão nominal e conjugado de partida alto, para um ou vários motores, torna o Compensador Dinâmico de Reativo uma alternativa interessante e economicamente viável para processos que utilizam motores de alta potência conectados junto com outras cargas em um mesmo barramento e que apresenta problemas como o afundamento de tensão durante o acionamento. 45 7 PROPOSTAS PARA TRABALHOS FUTUROS • Fazer uma análise comparativa focada no aspecto econômico entre o Compensador Dinâmico de Reativo e outros métodos de acionamento. • Estudar diferentes tipos de cargas conectadas no barramento junto com Motores de Indução Trifásicos que utilizam o Compensador Dinâmico de Reativo na partida. • Desenvolver uma fórmula para cálculo da configuração do Compensador, tais como número de estágios e valor dos bancos de capacitores. 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] FITZGERALD, A. E.; Kinsley Jr., Charles & Kusko, Alexander: Máquinas Elétricas, 6a Edição, São Paulo, Editora McGraw-Hill do Brasil Ltda., 2006 [2] DEL TORO, Vincent: Fundamentos de Máquinas Elétricas, Editora Prentice-Hall do Brasil, 1994. [3] MAMEDE, João Filho. Instalações Elétricas Industriais, 6a Edição, Rio de Janeiro, Editora LTC, 2001. [4] COTRIM, Ademaro A. M. B.. Instalações Elétricas. 5ª Edição, São Paulo, Editora Pearson, 2009. [5] LI, Xiaoming; ZHAO, Yun; YANG, Fan; ZHANG, Hanjiang. The Study of Full-voltage Starting Method of Highpower Asynchronous Motors with Dynamic Reactive Power Compensation, 5 p. Trabalho não publicado. [6] Catálogo de Motores HGF da WEG. Disponível em: <http://catalogo.weg.com.br/files/wegnet/WEG-motores-linha-de-produtos-50009275catalogo-portugues-br.pdf>. Acesso em abril, 2011 [7] PET UFMS, Guia prático de Simulink. Disponível em: <http://www.del.ufms.br/DEL/pet/aapostilas/MATLAB/Simulink.doc> Acesso em abril, 2011. [8] Catálogo de Cabos de Média Tensão da FICAP. Disponível em: <http://cavalcante.us/prominp/Cabos/fibep_bf.pdf> Acesso em abril. 2011. 46 [9] JOHANN, Marcelo de Oliveira. Curso de Introdução a Programação em C++. Disponível em: <http://www.inf.ufrgs.br/~johann/cpp2004/> Acesso em maio, 2011. 47 Apêndice A A função escrita no bloco Embedded do Simulink é apresentado abaixo: function [saida7,saida14,saida28,saida56] = fcn(x,u) persistent ja_foi ; persistent old7; persistent old14; persistent old28; persistent old56; if isempty(old7) old7 =0; end if isempty(old14) old14 =0; end if isempty(old28) old28 =0; end if isempty(old56) old56 =0; end if isempty(ja_foi) ja_foi =0; end saida7 =0; saida14 =0; saida28 =0; saida56 =0; if ja_foi == 1; saida7 =old7; saida14 =old14; saida28 =old28; saida56 =old56; end if (x < 0.1 && x > -0.1) ja_foi = 1; if (u < 700000) saida7 =0; 48 saida14 =0; saida28 =0; saida56 =0; end if (u < 1400000 && u > 700000) saida7 =1; saida14 =0; saida28 =0; saida56 =0; end if (u < 2100000 && u > 1400000) saida7 =0; saida14 =1; saida28 =0; saida56 =0; end if (u < 2800000 && u > 2100000) saida7 =1; saida14 =1; saida28 =0; saida56 =0; end if (u < 3500000 && u > 2800000) saida7 =0; saida14 =0; saida28 =1; saida56 =0; end if (u < 4200000 && u > 3500000) saida7 =1; saida14 =0; saida28 =1; saida56 =0; end if (u < 4900000 && u > 4200000) saida7 =0; saida14 =1; saida28 =1; saida56 =0; end if (u < 5600000 && u > 4900000) 49 saida7 =1; saida14 =1; saida28 =1; saida56 =0; end if (u < 6300000 && u > 5600000) saida7 =0; saida14 =0; saida28 =0; saida56 =1; end if (u < 7000000 && u > 6300000) saida7 =1; saida14 =0; saida28 =0; saida56 =1; end if (u < 7700000 && u > 7000000) saida7 =0; saida14 =1; saida28 =0; saida56 =1; end if (u < 8400000 && u > 7700000) saida7 =1; saida14 =1; saida28 =0; saida56 =1; end if (u < 9100000 && u > 8400000) saida7 =0; saida14 =0; saida28 =1; saida56 =1; end if (u < 9800000 && u > 9100000) saida7 =1; saida14 =0; saida28 =1; saida56 =1; end 50 if (u < 10500000 && u > 9800000) saida7 =0; saida14 =1; saida28 =1; saida56 =1; end if (u > 10500000) saida7 =1; saida14 =1; saida28 =1; saida56 =1; end end old56 = saida56; old28 = saida28; old14 =saida14; old7 =saida7; end %FUncao 51