21 DE ABRIL
50/50
Susana Almeida
Conversa com Susana Almeida
e António Roma Torres
Guilherme Gama
Médica Psiquiatra do Instituto Português de
Oncologia no Porto
(50/50)
E.U.A., 2011
de Jonathan Levine
Médico Internista do Centro Hospitalar de
São João
28 Abril
Aproveita a Vida Henry Altman
(The Angriest Man in Brooklin)
EUA, 2014
de Phil Alden Robinson
Conversa com Guilherme Gama e
António Roma Torres
Miguel Bragança
Médico Psiquiatra do Centro Hospitalar de
São João e Professor na Faculdade de Medicina
da Universidade do Porto
Isabel Costa
Médica Psiquiatra do Centro Hospitalar de
São João
5 Maio
E agora? Lembra-me
Ana Moutinho
Portugal, 2013
de Joaquim Pinto
Conversa com Miguel Bragança
e António Roma Torres
ANTÓNIO Roma Torres
12 Maio
O meu nome é Alice
(Still Alice)
EUA e França, 2014
de Richard Glatzer e Wash
Westmoreland
Conversa com Isabel Costa e
António Roma Torres
19 Maio
Temporário 12
Médico Psiquiatra, Diretor da Clínica de
Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar
de São João e Crítico de Cinema
CASA DAS ARTES (Sala Henrique Alves Costa)
Rua Ruben A, n.º 210, Porto
Preço dos Bilhetes € 4,00
(a bilheteira abre 30 min. antes da sessão)
Tel. 226 006 152
www.medeiafilmes.com
www.facebook.com/medeiafilmes
(Short Term 12)
EUA, 2013
de Destin Daniel Cretton
Conversa com Ana Moutinho e
António Roma Torres
INICIATIVA
PARCERIA
APOIO
PRODUÇÃO
Gabinete de Comunicação e Marca - Centro Hospitalar de São João - 2015
Técnica de Serviço Social, Coordenadora dos
Centros de Acolhimento da CrescerSer no Porto e
Diretora Técnica da Casa do Vale
2014
MAIO
2013
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O MEU
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2014
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21 DE ABRI
2011
Jonathan
Levine
19 DE MAIO
28 de
abril
50 / 50
TEMPORÁRIO
12 2013
Destin Daniel
Cretton
CASA
DAS ARTES
Sala Henrique
21H30 Alves Costa
A sétima edição do ciclo Cinema Saúde Doença organiza-se em torno de uma das vertentes inicialmente
apontadas nesta iniciativa: a expressão na obra
acabada da experiência dos autores – realizador,
argumentista ou actor – no contacto directo com o
universo dos serviços de saúde, enquanto doente, familiar ou elemento da rede próxima, ou profissional.
Em 50/50 a personagem principal repete a experiência de doença oncológica do próprio argumentista
e o actor que faz o papel complementar foi na vida
real o amigo que o acompanhou nessa fase crítica do
seu percurso de vida. Em O meu nome é Alice um dos
co-realizadores teve os primeiros sintomas e foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica, uma
doença crónica e progressivamente incapacitante
como a Doença de Alzheimer, no período de preparação da rodagem. Em Aproveita a vida Henry Altman, um dos últimos papéis interpretados por Robin
Williams antes do suicídio por uma doença bipolar, é
quase impossível não identificar a zanga com o mundo do “angriest man in Brooklyn” com o percurso
depressivo do actor, e a própria personagem tenta o
suicídio embora a doença neste caso seja um aneurisma cerebral inoperável e não do âmbito principalmente emocional ou comportamental. E agora? Lembra-me é mesmo, formalmente, um diário filmado da
doença e dos tratamentos experimentais do realizador, num declínio físico e mental de uma evolução de
longos anos afectado pelo VIH e VHC. Temporário 12
mostra-nos um lar de acolhimento de jovens problemáticos numa interface entre a educação, a justiça
e a prevenção e tratamento psicológico/psiquiátrico
a partir da experiência do realizador como monitor
numa instituição dessa natureza.
Se a proposta que o Centro Hospitalar São João pretende fazer é a de que utentes e profissionais pensem, a partir dos filmes e nas conversas após a sua
exibição, as suas próprias experiências evocadas
pelas histórias que os filmes nos contam, e nesses
debates melhorem a informação, revejam preconceitos desajustados, combatam o estigma e os medos
ancestrais que as tecnologias actuais não diminuem
ou até ampliam, e se coloquem de uma forma mais
activa e construtiva na condução das suas próprias
vidas mesmo na ameaça que as
doenças constituem, naturalmente que perceber que um processo semelhante tenha estado
na própria génese dos filmes só
pode enriquecer o objectivo programado.
Outro elo de ligação entre os cinco filmes escolhidos é que eles
constituem uma experiência
inicial (Meu nome é Alice e Temporário 12) ou quase (50/50) na
carreira cinematográfica dos
autores ou um regresso após
longo período de inactividade
cinematográfica (E agora?
Lembra-me e Aproveita a vida
Henry Altman) acentuando assim a implicação pessoal ou
testemunhal e não a mera prossecução de um percurso condicionado pela política industrial
do cinema.
Uma característica interessante
que alguns destes filmes desenvolvem é a do momento criador
em que um repertório de respostas previamente aprendidas
parece esgotado - a professora
universitária especialista em
linguagem que se depara com
sintomas como a amnésia ou
a agnosia em que a identidade
parece perder o seu alicerce no
self narrativo, o cineasta que
se isola no pequeno grupo e no
contacto franciscano com a
natureza sem que essa letargia o separe definitivamente do
mundo globalizado e televisivo
das notícias que são também
imagens a organizar narrativas, ou o advogado defensivo
perante a agressão da cidade e
do anonimato a que uma súbita noção aguda do tempo e da
finitude vem lembrar a verdade
dos noventa minutos para assar
o peru de Acção de Graças ou
redimir-se de uma vida de sucessivos disparates.
Do improviso e da adaptação de
que se faz o verdadeiro crescimento profissional fala-nos a
outro nível a psicóloga nova que,
apesar da inexperiência pessoal
e no exercício da profissão, não
volta a cara ao desafio de dialogar com um jovem ameaçado
pela probabilidade de sobrevivência de cinquenta por cento,
ou os monitores de reinserção
que enfrentam com coragem e
generosidade as provocações
daqueles que exigem provas
para as ofertas de ajuda que podem apenas procurar conter os
desassossegos de consciência
na vez de constituir o braço forte
que dá segurança mas permite
a autonomia.
As questões que estes filmes colocam, nos cuidados primários,
hospitalares ou comunitários
e em diferentes faixas etárias,
não se esgotam na álgebra das
probabilidades ou dos minutos
de sobrevivência, cinquenta ou
noventa, mas expandem-se na
fantasia, espaço mental de que
brota a criação como elemento
vital de que a saúde não pode
estar desligada.
António Roma Torres
Médico psiquiatra e crítico de cinema
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Conversa com Susana Almeida e António Roma