Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Escola Nacional de Botânica Tropical Orchidaceae dos Afloramentos Rochosos da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro Eduardo Martins Saddi 2008 Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Escola Nacional de Botânica Tropical Orchidaceae dos Afloramentos Rochosos da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro Eduardo Martins Saddi Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Botânica, Escola Nacional de Botânica Tropical, do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Botânica. Orientadora: Dra. Ariane Luna Peixoto Rio de Janeiro 2008 Orchidaceae dos Afloramentos Rochosos da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro Eduardo Martins Saddi Dissertação submetida ao corpo docente da Escola Nacional de Botânica Tropical. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau mestre. Aprovada por: Prof. Dra. Ariane Luna Peixoto (Orientadora) _________________________ __________________________ __________________________ Em ____/____/2008 Rio de Janeiro 2008 FICHA CATALOGRÁFICA S124o Saddi, Eduardo Martins Orchidaceae dos Afloramentos Rochosos da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro / Eduardo Martins Saddi. – Rio de Janeiro, 2008. xiv, 119 f. : il. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro/Escola Nacional de Botânica Tropical, 2008. Orientadora: Ariane Luna Peixoto Bibliografia. 1. Orchidaceae. 2. Inselbergue. 3. Florística . 4. Parque Nacional da Tijuca (RJ). 5. Rio de Janeiro (RJ). I. Título. II. Escola Nacional de Botânica Tropical. CDD 584.15098153 AGRADECIMENTOS Primeiramente tenho que agradecer muito aos meus pais, Nina e Tony, pela eterna ajuda força, companheirismo, incentivo, enfim, muito obrigado por tudo sempre; À minha tia Rose que também sempre me incentiva e me ajuda com tudo que pode, pessoa sempre presente em minha vida e que me faz lembrar muito da minha vozinha Beny, muito querida que já se foi, sem esquecer do Vô Regis e da Vó Nina (in memorian); Agradeço muito à Dra. Ariane Luna Peixoto por ter acreditado e confiado em meu trabalho e conseguir, em tão pouco tempo, me ensinar, orientar e me conduzir muito bem nessa reta final da dissertação; Ao “chefe” Claudio Nicoletti de Fraga pela grande colaboração, “co-orientação”, paciência (acima de tudo) para ler meu trabalho, me ensinar bastante e fazer com ficasse cada vez melhor e também por ter me dado a oportunidade de integrar a equipe do Projeto CORES – Conservação das Orquídeas em Risco de Extinção, fazendo com que meu projeto inicial no Itatiaia fosse modificado para ser realizado na Pedra da Gávea, lugar que freqüento desde minha infância; À Dra. Rafaela Campostrini Forzza com quem eu iniciei os primeiros passos da pósgraduação; A equipe do CENPES-Petrobras, Marcello Monerat, Jorge Paes e Rosa Murrieta, por possibilitar que junto ao trabalho a ser realizado pelo Projeto CORES, eu viesse a ampliar as visões sobre as orquídeas da Pedra da Gávea, área de intenso estudo do Projeto, como mais um trabalho em prol do conhecimento e conservação da biodiversidade. À Marta Moraes, responsável pelo Orquidário do jardim Botânico do Rio de Janeiro, junto a Curadoria de Coleções Vivas, que sempre abriu as portas de lá para o empréstimo de bibliografia e para tomar os cuidados especiais com a coleção; Aos funcionários do Parque Nacional da Tijuca - IBAMA, principalmente Bernardo Issa, por colaborar, cedendo fotos aéreas e mapas; Aos funcionários da Escola Nacional de Botânica Tropical, sempre dispostos em ajudar e a resolver os problemas; Aos funcionários e curadores dos herbários consultados (R, HB, GUA e RB); Aos pesquisadores de Inselbergues da Paraíba, Dra. Andréia Almeida, Dra. Silvia Pitrez e Dr. Leonardo Felix pelo envio de bibliografia; Ao Stefan Porembski pelo grande número de publicações com inselbergues e também pela ajuda no envio de diversos artigos; Aos amigos Pablinho, Leandro, Fred, Miguel, Pedrinho, Ducha, Szapiro e Cláudio por terem me acompanhado nas inúmeras idas ao campo, escaladas e discussões diversas sobre os inselbergues; Aos amigos Miguel e Fred por terem me mostrado os passos iniciais da escalada, e também ao Arno, Izar, Mingo, Ducha, Togui por serem grandes parceiros de escalada e sempre me incentivarem. E assim passei a usar esse esoprte como parte do método de pesquisa para conclusão desse trabalho; Aos companheiros do Projeto CORES, Pedro, Melissa, Cláudio, André, Simone, Marcelo e Ivonne e demais estagiários de iniciação científica pela paciência nos momentos em que a tese apertava e eu tinha que ficar um pouco mais ausente; Ao Pedro Constantino, amigo presente nas discussões sobre metodologia, idas ao campo e pela grande ajuda com a parte estatística e na tradução do resumo; Aos amigos Rafael Borges e Felipe Sobrinho pela ajuda nas análises estatísticas; A minha turma de mestrado, Izar, Jerônimo, Rodolfo, Pablinho, Rafael, Vitor Hugo, Mariana, João, Úrsula e Nívea por muitos momentos agradáveis durante as disciplinas e confraternizações na ENBT; Aos amigos de vida toda, Zá, Gosko, Szapiro, Eric, Yuri, Chicão, Pablo, Tucano, Baixinho, Vira, Neos, Xingu, Barata, Guiga, Marcelinho, Pixote e Luccio, que me acompanham e com os quais posso contar para o que for e a hora que for; À minha companheira Karolina Katsumy, que me incentiva diariamente e está sempre ao meu lado em todas as horas pronta para ajudar em qualquer ocasião; Finalmente gostaria de agradecer em especial a cidade do Rio de Janeiro, por ser assim, perfeita, com cachoeiras, praias, montanhas, possibilitando a prática de diversos esportes ao ar livre contemplando os inúmeros cenários lindos repletos de biodiversidade que vemos através de cada cantinho da cidade. RESUMO. (Orchidaceae dos Afloramentos Rochosos da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro). A Pedra da Gávea é um inselbergue com 842 m de altitude, inserido dentro dos limites do Parque Nacional da Tijuca, uma Unidade de Conservação com cerca de 3.950 ha. Situada na beira do mar, a montanha recebe ventos secos do norte, nordeste e noroeste e ventos úmidos do sul, sudeste e sudoeste, além de chuvas abundantes durante quase todo o ano. Trabalhos direcionados para a família Orchidaceae em inselbrgues são escassos, sendo encontrado apenas dois na literatura, um para o Rio de Janeiro e outro para a Paraíba. Nesse contexto o presente trabalho teve como objetivo inventariar as Orchidaceae dos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea, fornecer descrições e comentários sobre as espécies, sua distribuição no local, altitude e micro-habitats. O estudo da distribuição dos táxons nas diferentes faces possibilitou a analise da similaridade entre as diferentes faces da Pedra da Gávea, com base no conjunto de espécies de Orchidaceae e deste conjunto de espécies com Orchidaceae de outras cinco áreas de inselbergues: Rio de Janeiro (3), Espírito Santo (1) e Paraíba (2). Para a coleta das espécies foram utilizadas as vias de escalada além da montagem de sistemas verticais com cordas fixas e trilhas até a base dos paredões. A família Orchidaceae está representada na área por 27 táxons pertencentes a 22 gêneros. Os gêneros mais representativos são Epidendrum e Octomeria ambos com três espécies cada, seguido de Christensonella com duas e os demais 19 gêneros possuem uma espécie cada. Algumas espécies ocorrem em todas as faces, como H. lobata, B. tuberculata e E. secundum, e em todas as faixas altitudinais. Outras são restritas a certas faces, faixas altitudinais e micro-habitats, como A. ferdinandiana e Pleurothallis sp. A face sudoeste é aquela com maior riqueza (20 espécies) seguida da face sul (15), sudeste (12), cume (11), nordeste e oeste (8), leste (5) e norte e noroeste com três espécies. A análise de similaridade das listagens de Orchidaceae para cada face da Pedra da Gávea indicou dois grandes grupos, um formado pelas faces S, SE, SW, NE e o Cume e outro formado pelas faces N, NW, W e E. Os diferentes inselbergues quando foram analisados a partir de suas respectivas listagens de orchidaceae formaram um grupo com os inselbergues paraibanos, outro entre Pedra da Gávea e Pão de Açúcar e entre os inselbergues de Itacoatiara e Morro Boa Vista. Os inselbergues da região do Alto Misterioso (ES) ficaram isolados pelo alto número de espécies exclusivas. Palavras-chave: Inselbergue, Orchidaceae, Florística, Rio de Janeiro. ABSTRACT.(Orchidaceae in the Pedra da Gávea outcrops, Tijuca National Park, Rio de Janeiro). The Pedra da Gávea is an 842 m altitude inselberg within the Tijuca National Park, a ca. 3.950ha Conservation Unit. Located by the seacoast, the mountain is affected by dry winds from the north, northeast and northwest, and by the south, southeast and southwest humid winds, besides the abundant rainfall all over the year. Only two academic publications report botanical studies on Orchidaceae of inselbergs, one at Rio de Janeiro and one at Paraíba states. The present study objective to survey the Orchidaceae species occurring in the Pedra da Gávea outcrops, providing botanical description and comments on species ecology, dispersion, elevation and micro-habitats. Besides, the study compares the composition of Orchidaceae species community among Pedra da Gávea’s cliff sides, and among the Pedra da Gávea outcrops and other five inselbergs areas in Rio de Janeiro (3), Espirito Santo (1), and Paraíba (2) states. Surveys were made through rock climbing, fixed rope vertical systems, and hiking over trials alongside the cliff’s base. In the Pedra da Gávea rock cliffs, the community of Orchidaceae species is composed by 27 taxa from 22 genera. The most representative genera are Epidendrum and Octomeria, both with three species each, followed by Christensonella, with two species, and the other 19 gerena composed by one species. Few species occurs in every rock face, such as H. lobata, B. tuberculata, and E. secundum, and in every altitudinal levels. Other species are restricted to specific rock face, altitudes, and micro-habitats such as A. ferdinandiana and Pleurothallis sp. The Southwestern rock face is the one of higher richness (20 species.) followed by Southern (15), Southeastern (12), the Summit (11), Northeastern and Western (8 each), Eastern (5), and Northern and Northeastern (3 each). Two major groups were indicated by the similarity analysis of orchid species community composition: the first grouped the S, SE, SW, NE, and the summit rock faces, and the second the N, NW, W and E. The similarity comparison of orchid species community composition among different Brazilian coastal inselbergs showed a major group composed by the secondary groups of communities from Pedra da Gávea and Pão de Açúcar, in Rio de Janeiro city, the communities from Itacoatiara and Morro Boa Vista, in Rio de Janeiro state, and the one from Paraiba. The inselbergs from Alto Misterioso region were isolated from the other regarding the orchid species composition, because of the high number of exclusive species. Key words: Inselberg, Orchidaceae, Survey, Rio de Janeiro SUMÁRIO 1.Introdução..........................................................................................................................................1 1.1 A família Orchidaceae....................................................................................................................1 1.2. Vegetação sobre Inselbergues........................................................................................................3 2. Material e métodos ...........................................................................................................................9 2.1. Área de estudo................................................................................................................................9 2.2.Trabalho de campo e laboratório...................................................................................................16 3. Resultados e discussão....................................................................................................................24 3.1 Tratamento taxonômico.................................................................................................................24 3.1.1 Chave para identificação das espécies........................................................................................24 3.1.2 Descrição das espécies................................................................................................................27 Acianthera limae (Porto & Brade) Pridgeon & M.W. Chase..............................................................27 Anathallis ferdinandiana (Barb. Rodr.) F.Barros................................................................................28 Bifrenaria harrisoniae (Hook.) Rchb. f...............................................................................................29 Brasiliorchis marginata (Lindl.) R.B.Singer, S.Koehler & Carnevali................................................30 Brassavola tuberculata Hook..............................................................................................................37 Christensonella acicularis (Herb. ex Lindl) Szlach., Mytnik, Górniak & Śmiszek............................38 Christensonella pumila (Hook.) Koehler et al....................................................................................39 Cleistes libonii (Rchb. f.) Schltr..........................................................................................................40 Cyclopogon argyrifolius Barb. Rodr....................................................................................................41 Cyrtopodium glutiniferum Raddi.........................................................................................................50 Epidendrum filicaule (Sw.) Lindl........................................................................................................51 Epidendrum secundum Jacq................................................................................................................52 Habenaria parviflora Lindl.................................................................................................................53 Hadrolaelia lobata (Lindl.) Chiron & Castro......................................................................................60 Octomeria praestans Barb. Rodr.........................................................................................................61 Polystachya estrellensis Rchb. f..........................................................................................................62 Prescottia plantaginea Lindl...............................................................................................................63 Prostechea inversa (Lindl.) W.E. Higgins..........................................................................................71 Sophronitis cernua Lindl.....................................................................................................................72 Specklinia marginalis (Rchb. F) F.Barros...........................................................................................73 Zygopetalum intermedium Lodd. ex. Lindl..........................................................................................74 3.1.3 Espécies não tratadas..................................................................................................................81 3.2 Distribuição, forma de vida e habitat.............................................................................................82 3.3 Análise de similaridade..................................................................................................................89 Similaridade entre as diferentes faces da Pedra da Gávea com base na composição florística de Orchidaceae.........................................................................................................................................89 Similaridade entre diferentes inselbergues com base na composição florística de Orchidaceae........93 4. Considerações finais........................................................................................................................99 5. Referências bibliográficas..............................................................................................................100 1 – Introdução 1.1 – A família Orchidaceae Orchidaceae é uma das maiores famílias dentre as fanerógamas, com diferentes estimativas feitas por diversos autores quanto ao número total de espécies: cerca de 30.000 (Garay, 1960), 20.000 (Dahlgren et al., 1985), 15.000 (Cronquist 1988) ou 19.500 (Dressler 1993). Os representantes de Orchidaceae estão distribuídos por quase todas as regiões do planeta, com a grande maioria concentrando-se nos trópicos (Dressler 1981). Apesar desta distribuição cosmopolita, os diferentes continentes possuem floras distintas e alguns gêneros estão limitados a continentes específicos (Dressler 1981). Na região neotropical a família é altamente diversificada, sobretudo na América Central, nos Andes e na Floresta Atlântica (Smith et al. 2004). Dressler (1993) calcula que nos trópicos ocorram cerca de 10.850 espécies e que 13 gêneros são exclusivos do Neotrópico, incluindo dois dos mais diversos, Pleurothallis (1120 espécies) e Epidendrum (800 espécies). A América do Sul é o continente que abriga a maior diversidade da família, sendo a Colômbia o país com maior número de espécies (ca. 3.000) e o Brasil, juntamente com o Equador, o segundo mais rico com aproximadamente 2.500 cada (Dressler 1981). Dados mais recentes foram publicados em IUCN (1996), indicando mais de 3.500 espécies para Equador e Colômbia e 2.223 para o Brasil, seguindo a obra de Pabst & Dungs (1975, 1977). Barros (1996), a partir desta mesma obra e com o levantamento das publicações de espécies novas, estimou cerca de 2.400 espécies para o Brasil. Orchidaceae foi posicionada em diferentes ordens dentro das Monocotiledôneas. Atualmente, a família constitui um clado basal na ordem Asparagales, sendo sustentada como um grupo monofilético pelas seguintes sinapomorfias: flores com simetria bilateral, usualmente ressupinadas; presença de uma pétala mediana diferenciada das laterais (labelo); junção do estilete, filete e estigma formando um órgão chamado coluna ou ginostêmio; e semente sem endosperma e com embrião diminuto (Chase et al. 2000, Stevenson & Loconte 1995). Além das sinapomorfias supracitadas, as espécies da família apresentam algumas estruturas morfológicas, tais como pseudobulbos e raízes com a epiderme multisseriada composta de células mortas (velame), e fisiológicas, como absorção de CO2 através do mecanismo ácido das crassuláceas (CAM), que propiciam ao hábito epifítico (Pijl & Dodson 1966 apud Forster 2002). O epifitismo é predominante na família, com estimativas de que cerca de 73% das espécies são epífitas (Atwood 1986), entretanto, formas rupícolas, terrícolas e saprófitas também são encontradas (Dressler 1993). Em locais onde as condições ambientais são favoráveis é comum encontrar as mesmas espécies ocorrendo tanto epífitas como rupícolas (Pinheiro 1999; Fraga 2000; Fraga & Peixoto 2004; Saddi et al. 2005). Esse mecanismo de especiação na procura de melhores habitats, propiciou uma expansão das Orchidaceae, originando um significativo aumento de diversidade para as florestas tropicais (Benzing 1981, 1987), sendo a forma de vida epífita vascular, concentrada em 80% nas Orchidaceae, Bromeliaceae, Polypodiaceae e Araceae, correspondente a ca. de 1/3 de toda a diversidade (Gentry & Doddson 1987). As espécies da família possuem uma relação muito específica com os agentes polinizadores, que são, em sua maioria, insetos ou pássaros atraídos pela forma, coloração e fragrância das flores. Muitas espécies produzem néctar e óleos como recompensas, entretanto, falsas recompensas também favorecem a polinização. A relação simbiótica com micorrizas, adquirindo nutrientes, é de fundamental importância para a germinação das diminutas sementes de Orchidaceae, desprovidas de endosperma. Como as micorrizas são adaptadas a condições muito específicas, as orquídeas obrigatoriamente também são, o que ajuda a explicar o porquê de algumas espécies ocorrerem em limitados nichos ecológicos (IUCN 1996). 1.2 – Vegetação sobre Inselbergues O termo inselbergue (insel = ilha; berg = montanha) foi criado pelo geólogo alemão Bornhardt, em 1900, e corresponde a montanhas graníticas ou de gnaisse, Pré-Cambrianas, com aproximadamente mais de 50 milhões de anos, normalmente monolíticas, que podem ocorrer isoladas por centenas de quilômetros ou podem formar aglomerados densos com afloramentos individuais ocorrendo em pequenas distâncias (Porembski et al. 1997, 1998; Porembski 2007). De acordo com Porembski et al. (1997) os inselbergues se distribuem preferencialmente em regiões tropicais e subtropicais, ocorrendo na Austrália, Índia, China, Malásia, diversos países africanos, Estados Unidos, Bolívia, Venezuela, Guianas, Colômbia e Brasil (Figura 1). No Brasil ocorrem desde os estados do Nordeste até o Rio Grande do Sul. Na cidade do Rio de Janeiro ocorrem diversos inselbergues que variam em altitudes entre 150 e 1000 m, como exemplo, podem ser citados o Pão de Açúcar, o Corcovado, o Pico da Tijuca e a Pedra da Gávea (Meirelles et al. 1999; Porembski & Barthlott 2000). O isolamento espacial e ecológico considerado como uma barreira para disperção e migração de potenciais imigrantes não é característica restrita a ilhas oceânicas. Ecossistemas terrestres, como os inselbergues, são igualmente isolados por possuírem atributos ecológicos particulares formando, assim, isolados ecossistemas insulares com floras locais características (Porembski 2007). Famílias como Orchidaceae, Melastomataceae, Bromeliaceae e Cactaceae são bem representados em Inselbergues sul-americanos (Porembski et al. 1997). Localmente a vegetação sobre rochas é muito diferente da vegetação em torno delas, configurando uma barreira clara para muitas espécies. A ausência de largas camadas de solo faz com que haja poucas alternativas para fixação de raízes, sementes e propágulos. Com isso pouca quantidade de água de chuva é acumulada e a perda de água ainda se agrava com a inclinação da maioria das áreas presentes nos inselbergues. Ocorre também baixa retenção de nutrientes com limitados valores de fósforo e nitrogênio e muitas vezes há exacerbação de exposição a ventos, luminosidade e calor. Por estas razões, as plantas sobre rocha costumam ter crescimento lento e serem longevas, assim, os inselbergues podem apresentar, atualmente, características de vegetação pretéritas (Larson et al. 2000). A organização estrutural da vegetação nos inselbergues pode ser bastante complexa devido à inexistência de áreas que possam ser consideradas homogêneas e/ou representativas de uma extensão maior. A alteração da composição de espécies em função da heterogeneidade microclimática ocorre em espaços muitos pequenos gerando ampla variedade de tipos de habitats (Ribeiro 2000). Os padrões de distribuição espacial das espécies resultam da relação de vários aspectos de sua biologia, como morfologia da semente, preferência de locais para germinação, sensibilidade à luz, exposição a sol e ventos. Também pode estar associado a variações topográficas como inclinação, rugosidade e presença ou ausência de fendas (Ribeiro 2000). A heterogeneidade da topografia resulta em espécies pioneiras distintas e a entrada de outras espécies associadas também distintas, tendendo a favorecer o aumento da diversidade e a chance de cada táxon sempre encontrar condições favoráveis em algum lugar do sistema (Kanski & Gilpin 1991; Mclaughlin & Roughgarden 1993 apud Ribeiro 2000). Figura 1. Distribuição dos inselbergues pelos continentes. Fonte: Barthlott et al. (1997). A B Figura 2. Inserbergues na cidade do Rio de Janeiro: Pão de Açúcar (A) e Pico da Tijuca (B). Estudos desenvolvidos em inselbergues brasileiros evidenciam sua importância como rota migratória e zona adaptativa (no sentido de surgimento de novidades evolutivas) para algumas Velloziaceae, Cyperaceae, Cactaceae, Bromeliaceae e Orchidaceae, famílias bem adaptadas a sobreviverem em condições ambientais extremas (Porembski & Barthlott 2000). Mais especificamente, baseado em dados florísticos e nas ações antrópicas, os inselbergues do sudeste do Brasil são considerado como um dos três hotspots de diversidade de plantas e rico em número de espécies, endemismos e, lamentavelmente, na destruição desses habitat (Porembski 2007). Orchidaceae é uma das famílias dominantes nos afloramentos rochosos, tanto em diversidade como biomassa (Ribeiro 2000). França et al. (1997) detectaram cinco espécies para a família em dois inselbergues na região de Milagres, na Bahia; Polyhanna & Alves (2007) encontraram nove espécies para um inselbergue localizado no semi-árido pernambucano; Pitrez (2006) encontrou nove espécies em quatro inselbergues na Paraíba; Porembski et al. (1998) encontrou quatro espécies quando trabalhou com inselbergues de Floresta Atlântica; Meirelles et al. (1999) listou seis espécies em inselbergues do Rio de Janeiro; Esgário (2008) encontrou 28 espécies na região do Alto Misterioso no Espírito Santo. Miranda & Oliveira (1983), que trabalharam exclusivamente com as Orchidaceae em um único inselbergue do Rio de Janeiro (Pão de Açúcar) encontraram 11 espécies e Almeida (2004) que também trabalhou exclusivamente com as Orchidaceae em três inselbergues paraibanos, encontrou nove espécies. Para esses levantamentos citados aqueles que trabalharam com coletas direcionadas a uma única família geraram resultados mais expressivos, principalmente em famílias como Orchidaceae que apresentam alto número de espécies e grande representatividade nos trópicos (Saddi et al. 2005). Estudos sobre a flora de inselbergues ainda são insipientes e necessários para que se possa entender melhor sobre as espécies vegetais que ali ocorrem. Os poucos trabalhos desenvolvidos nestas formações comprovam altas taxas de endemismos e distribuições geográficas restritas a este tipo de ambiente. Mesmo Orchidaceae sendo um dos grupos dominantes nos afloramentos rochosos, tanto em diversidade como em biomassa, somente dois estudos foram encontrados direcionados para as espécies da família até o momento, o de Miranda & Oliveira (1983) e o de Almeida (2004). A elaboração de uma Flora contribui para a identificação de plantas, determinando quais nomes podem ser usados e informando sobre caracteres morfológicos, distribuição geográfica e habitats de espécies; subsidia também o gerenciamento ambiental, como um guia para habitats ou associações de plantas, indicando se uma planta é autóctone ou não, se e rara ou comum. Além disso, as floras são usadas na administração de Unidades de Conservação, contribuindo para a identificação de sítios ecologicamente sensíveis, definindo áreas que podem ser mais intensamente visitadas, e também servem como base para estudo de prospecção da diversidade no que diz respeito a seus usos potenciais pela sociedade (Peixoto & Thomas 2005). O objetivo desse trabalho foi analisar a diversidade de Orchidaceae, fornecer descrições e comentários e elaborar uma chave analítica para a identificação das espécies dessa família ocorrentes nos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro (PG-PNT). Visou também analisar a similaridade das diferentes faces da Pedra da Gávea, utilizando-se para isso da listagem das Orchidaceae ocorrentes na área de estudo e entre a Pedra da Gávea e outros inselbergues. 2 – Material e métodos 2.1 Área de estudo O Parque Nacional da Tijuca (PNT) – O Parque Nacional da Tijuca (PNT) esta localizado no município do Rio de Janeiro entre as coordenadas 22º55' - 23º00" S e 43º11' - 43º19' W. Sua área é de 3.972 ha, com um perímetro aproximado de 88 km (Figura 3). A cobertura vegetal predominantemente nos domínios do Parque é de Floresta Ombrófila Densa. No decorrer dos séculos esta floresta chegou a ser devastada, em grande parte, para as culturas de café, chá e canade-açúcar, atualmente, algumas áreas são remanescentes de mata original e outras são cobertas por vegetação secundária em regeneração. O PNT comporta 69 elevações geológicas constituídas por colinas, morros, pedras e picos, 42 vales e 43 córregos e rios (Vieira 2001). O PNT é constituído por quatro setores. O Setor A corresponde a Serra dos Três Rios, também chamado de Floresta da Tijuca, tendo como ponto culminante o Pico da Tijuca, com 1021 m de altitude, fazendo limites com os bairros da Zona Norte e Oeste da cidade. O Setor B corresponde a Serra da Carioca, com ponto culminante no Pico do Corcovado, com 732 m de altitude, limitando-se com os bairros da Zona Norte, de um lado, e da Zona Sul, do outro. O Setor C corresponde a uma área de encostas íngremes, sendo a Pedra da Gávea, com 842 m de altitude, o ponto culminante situada na Zona Sul da cidade. O Setor D, recentemente incorporado ao Parque, corresponde a Serra dos Pretos Forros e Floreta da Covanca na divisa da Zona Oeste com a Zona Norte da cidade. Os quatro setores do PNT localizam-se na região denominada Maciço da Tijuca, e representam 35% da área total desta unidade geomorfológica (Francisco 1995). As encostas voltadas para o sul apresentam menor incidência de raios solares e maior exposição aos ventos úmidos, o que lhes confere maior umidade e registros de temperaturas mais baixas do que os das encostas voltadas para o norte (Francisco 1995). Segundo Oliveira et al. (1995), estas diferenças são responsáveis pela existência de composições florísticas distintas entre as encostas sul e norte, e apenas 20% das espécies são comuns nas duas vertentes. A temperatura média anual varia em torno de 22º C, oscilando em seus valores médios extremos entre 25º C em fevereiro e 19º C em junho. As temperaturas diárias máximas e mínimas podem atingir, respectivamente, 35º C no verão e 10º C no inverno. O período menos chuvoso ocorre entre maio e agosto, aumentando em direção ao verão, quando então ocorrem os maiores volumes de chuvas (Coelho-Neto 1992 apud Bueno 1998). A Pedra da Gávea - Situada na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, entre os bairros de São Conrado e Barra da Tijuca, a Pedra da Gávea (842m) é um inselbergue que emerge no meio de uma vegetação de Floresta Ombrófila. A montanha recebe ventos secos do norte, nordeste e noroeste e ventos úmidos do sul e sudeste e devido ao fato de encontrar-se na orla oceânica, recebe chuvas abundantes durante quase todo o ano (Carauta & Valente 1974). É composta na sua porção sul por um contraforte denominado Pico dos Quatro (678m) e na porção norte, por outro contraforte, denominado Morro da Bandeira (601m) (Figura 4). Possui faces voltadas em todos os sentidos (sul, sudeste, sudoeste, norte, nordeste, noroeste, leste e oeste) e se limita nas faces voltadas para o sul com o mar; na face leste com São Conrado; na face oeste com Itanhangá e Barra da Tijuca e nas faces voltadas para o norte com um remanescente de mata e outros inselbrgues bem próximos: Pedra Bonita, Pedra Agassiz e Agulhinha da Gávea (Figura 5). Segundo Dantas et al. (2000), que se utilizou de uma abordagem geoecológica para criar hierarquicamente, domínios, unidades e subunidades geoambientais em um diagnóstico geoambiental do estado do Rio de Janeiro, a Pedra da Gávea está inserida dentro de uma unidade geoambiental denominada Maciço Costeiro. Esta unidade é composta por duas subunidades (15a e 15b) que se diferenciam em tipos de rocha, tipo e profundidade do solo, precipitação média anual e tipo de terreno. A subunidade 15b, na qual está inserida a Pedra da Gávea, se restringe apenas a alguns inselbergues litorâneos localizados nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói e Maricá (Figura 6), e foi descrita como: “Maciços montanhosos isolados nas baixadas litorâneas, sustentados por granitóides (gnaisse facoidal) e granitos. Vertentes convexas a côncavas e escarpadas e topos de cristas alinhadas, aguçados ou levemente arredondados. Amplitudes topográficas superiores a 300m. Predominam Afloramentos de Rocha e Solos Litólicos em áreas de vegetação preservada. A vegetação original era composta por formações rupestres e floresta subcaducifólia. Esta subunidade restringe-se aos pontões rochosos próximos à linha de costa dos maciços da Tijuca (Pedra da Gávea, Dois Irmãos e alinhamento Morro dos Cabritos - Pão de Açúcar) e de Niterói (Jurujuba e Itacoatiara). A precipitação média anual varia de 1.200 a 1.400 mm. Terrenos rochosos e escarpados, constituindo paredões subverticais. Ocorrência generalizada de afloramentos de rocha. Alta suscetibilidade a processos de erosão e movimentos de massa (inclusive queda de blocos). Solos muito rasos. Inaptos para urbanização, agricultura e pecuária. Potencial hidrogeológico nulo.” D A B C Figura 3. Mapa do Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil, subdividido nos setores: A – Serra dos Três Rios; B – Serra da Carioca; C – Setor Gávea e D – Pretos Forros e Floresta da Covanca. Fonte: IBAMA, modificado. Figura 4. Face leste da Pedra da Gávea, e a esquerda o contraforte sul denominado Pico dos Quatro e a direita o contraforte norte denominado Morro da Bandeira, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. 3 1 2 8 6 4 7 9 5 Figura 5. Foto de satélite da área do entorno da Pedra da Gávea: 1 – Pedra Agassiz; 2 – Pedra Bonita; 3 – Agulhinha da Gávea; 4 – São Conrado; 5 – Mar; 6 – Itanhangá; 7 – Pedra da Gávea; 8 – Morro da Bandeira e 9 - Pico dos Quatro. A linha em vermelho indica os limites do Parque Nacional da Tijuca e as linhas azuis indicam os rios principais. Fonte: IBAMA, modificado. Figura 6. Distribuição da subunidade 15b no Maciço Costeiro, onde se situa a Pedra da Gávea, destacada pelos círculos vermelhos. Fonte: Dantas et al. (2000), modificado. Desde longa data a Pedra da Gávea vem sofrendo com incêndios periódicos, que prejudicam e alteram sua vegetação nativa, além de possibilitar a invasão de espécies exóticas como o capim-gordura (Mellinis minutiflora P. Beauv.) e o capim-navalha ou colonião (Panicum maximum Jaqc.). Devido a sua proximidade com o oceano e também pelas suas escarpas, vales, grutas e afloramentos rochosos, a Pedra da Gávea ostenta uma flora riquíssima (Carauta & Valente 1974). O trabalho de Carauta & Valente (1974) faz referência à vegetação da Pedra da Gávea, caracterizando a mata existente na encosta leste, que fica voltada para São Conrado, e a mata do cume da montanha. Além de Pedro Carauta, coletor de diversas amostras na Pedra da Gávea, Dimitri Sucre foi outro pesquisador botânico que contribuiu bastante com numerosas coletas na Pedra da Gávea, inclusive de Orchidaceae, nas décadas de 60 e 70, depositando seu material no Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) e no Herbárium Bradeanum (HB), sendo algumas dessas coletas descritas como novos táxons para a ciência, como por exemplo, a Araceae Anthurium sucrei G.M. Barroso. 2.2 Trabalho de campo e laboratório Foram realizadas 30 excursões à área de estudo, entre julho 2006 e outubro de 2007. Nessas excursões as coletas foram direcionadas para espécimes de Orchidaceae que ocorrem nos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea. Espécies epífitas foram consideradas quando se encontravam em árvores que cresciam em moitas de vegetação no meio do afloramento, sem uma ligação contínua com a matriz de mata que ocorre ao redor da montanha. Para as coletas foram utilizadas as vias de escaladas existentes na área de estudo, sistemas de descida montados a partir da porção superior de alguns pontos dos afloramentos rochosos e trilhas que levam até a porção inferior (base) dos afloramentos. Materiais e técnicas de escalada foram extremamente necessários para a realização das coletas, que ocorreram em todas as faces da montanha, inclusive no Pico dos Quatro, contraforte sul e no Morro da Bandeira, contraforte norte. Para cada espécime foram anotados dados morfológicos, fenológicos, formas de vida, altitude, preferência de habitat e inferências populacionais. Pontos georeferenciados foram marcados com o auxílio de GPS (Global Position System). Os espécimes coletados foram herborizados e incorporados ao acervo do herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), sendo por vezes as flores fixadas em álcool 70% com 10% de glicerina para posterior análise. Materiais estéreis também foram coletados para ajudar na identificação e na descrição dos caracteres morfológicos das espécies e foram incorporados ao orquidário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A identificação dos táxons foi feita com auxílio de bibliografia escpecializada para a família, sendo utilizados principalmente as obras de Pabst & Dungs (1975, 1977), Hoehne (1940, 1942, 1945, 1949, 1953) e Sprunger (1996), além de revisões de alguns gêneros, como Cleistes (Pansarim 2005), Laelia (Chiron & Castro Neto 2002), Maxillaria (Szlachetko et al. 2006; Blanco et al. 2007; Whitten et al. 2007; Singer et al., 2007; Koehler, 2007) e Pleurothallis (Barros, 1983, 1996, 2002, 2003, 2005; Pridgeon & Chase 2001, 2002; Luer, 2002, 2004). De seis espécies (morfoespécies distintas entre si e dos demais táxons) não foi possível obter flores no campo ou em cultivo, o que impossibilitou a descrição morfológica. Para cada uma das demais 21 espécies elaborou-se uma descrição morfológica, seguida de material examinado, material adicional examinado, dados de distribuição geográfica, comentários, ilustração, fotografia (feitas pelo autor) e um mapa com sua distribuição na área. Para a análise do material examinado e do material adicional examinado foram visitados os herbários do Rio de Janeiro: Museu Nacional (R), onde foram examinados somente as fichas de coleta, pois a coleção estava indisponível para consulta; Herbário Alberto Castellanos (GUA); Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) e Herbário Bradeanum (HB). Foram considerados como material examinado as espécies que continham informações na etiqueta da exsicata indicando ser oriundo da Pedra da Gávea. O material adicional examinado são aqueles oriundos de outros inselbergues do Rio de Janeiro. As descrições das espécies são apresentadas em ordem alfabética de seus gêneros e dentro dos gêneros das espécies. A chave, as descrições e a análise da distribuição geográfica, foi feito apenas para as espécies identificadas até o nível específico. As abreviações dos autores seguiram Brummitt e Powell (1992). Os mapas de distribuição das espécies na Pedra da Gávea foram gerados a partir da observação de espécimes ou populações de espécies em campo e plotados em uma imagem de satélite da área de estudo. Os mapas foram confeccionados somente para as espécies que constam no tratamento taxonômico. Para a análise de preferência de habitat e de similaridade entre a composição de Orchidaceae nas diferentes faces da Pedra da Gávea todos os espécimes foram incluídos. Para a análise de similaridade entre o conjunto de espécies de Orchidaceae da Pedra da Gávea e de outros inselbergues, dois táxons identificados somente até gênero (Octomeria sp. e Pleurothallis sp.), foram excluídos. Cirrhaea sp. não foi excluída por se tratar de um único táxon na listagem utilizada na análise. Para determinar os diferentes tipos de micro-habitats nos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea, procurou-se observar a distribuição das espécies em diferentes locais com condições distintas. Foram identificados três micro-habitats: 1) Ambientes abertos (A) – Local onde as plantas se encontram expostas a altas intensidades luminosas, sol forte e ventos constantes (Figura 7); 2) Ambientes sombreados (S) – Local onde as plantas recebem influência da sombra de árvores que chegam até a base da rocha (Figura 8) e 3) Gretas (G) – Local bem úmido e sombreado que se forma quando há um espaço entre duas paredes rochosas (Figura 9). A ocorrência dos espécimes nas diferentes faces foi anotada, delimitando-se as faces sul (S), sudeste (SE), sudoeste (SW), leste (E), oeste (W), nordeste (NE), noroeste (NW), norte (N), e o cume (C). Para a análise de similaridade foi utilizado o índice de Jaccard (McCune & Grace 2002), sendo as diferentes faces trabalhadas aos pares com base na presença/ausência das espécies e o agrupamento foi obtido pelo método de médias não ponderadas (UPGMA) através do programa XLSTAT. Foram selecionadas seis listagens de Orchidaceae de diferentes inselbergues para comparar com listagem florística da Pedra da Gávea: Pão de Açúcar, Rio de Janeiro (Miranda & Oliveira 1983); Morro da Boa Vista no Parque Natural Municipal da Prainha, Rio de Janeiro (Bocayuva & Forzza 2007); complexo dos afloramentos da enseada de Itacoatiara, englobando Morro do Telégrafo, Alto Mourão e Morro do Tucum, Niterói (Pinheiro 1999); inselbergues da região do Alto Misterioso, porção centro-oeste do estado do Espírito Santo (Esgario 2008) e dois inselbergues da Paraíba um da região de Lagoa de Pedra, município de Esperança e Pedra da Santo Antônio, município de Fagundes (Almeida 2004). As áreas selecionadas para a análise foram aquelas que possuíam listagens representativas de Orchidaceae (Tabela 1). As listagens de Miranda & Oliveira (1983) e Pinheiro (1999) foram acrescidas de espécies através de observações pessoais. Espécies em comum de outras áreas com a Pedra da Gávea tiveram seus nomes atualizados, quando necessário, e espécies não identificadas até o nível específico só foram incluídas quando pertencentes a um gênero não ocorrente em outras áreas. Dos trabalhos acima, os de Miranda & Oliveira (1983) e de Almeida (2004) trabalharam exclusivamente com as Orchidaceas dos afloramentos rochosos enquanto que nos de Bocayuva e Forzza (2007), Pinheiro (1999) apresentaram espécies ocorrentes em áreas florestais, dessa forma somente as espécies encontradas nos afloramentos rochosos destes trabalhos foram utilizadas na análise. Para esta análise também foi utilizado o índice de Jaccard (McCune & Grace 2002), sendo as diferentes áreas trabalhadas aos pares com base na presença/ausência das espécies e o agrupamento foi obtido pelo método de médias não ponderadas (UPGMA) através do programa XLSTAT. Tabela 1. Características dos Inselbergues com listagens de Orchidaceae comparadas com a listagem da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro. Área Pedra da Gávea RJ Pão de Açúcar RJ Morro Boa Vista RJ Inselbergues de Itacoatiara RJ Alto Misterioso ES Pedra de Santo Antonio PB Esperança PB Bioma Mata Atlântica Mata Atlântica Mata Atlântica Mata Atlântica Mata Atlântica Caatinga Caatinga Tipo de rocha Granito e gnaisse Granito e gnaisse Granito e gnaisse Granito e gnaisse Granito e gnaisse Granito e gnaisse Granito e gnaisse Altitude máxima Riqueza de espécies Fonte 842 27 Presente estudo 396 14 359 9 412 17 Pinheiro (1999) 1143 26 Esgario (2008) 730 8 Almeida (2004) 699 8 Almeida (2004) Miranda & Oliveira (1983) Bocayuva e Forzza (2007) A B Figura 7. Ambientes abertos na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. Faces sudeste (A) e sul (B) da Pedra da Gávea. A B Figura 8. Ambientes sombreados na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. Faces sul (A) e sudoeste (B) do Pico dos Quatro. A B Figura 9. Gretas em destaque pelas setas na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. Face Oeste da Pedra da Gávea (A) e sudoeste do Pico dos Quatro (B). 3 – Resultados e discussão 3.1 – Tratamento taxonômico Nos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea, a família Orchidaceae está representada por 27 táxons pertencentes a 22 gêneros: Acianthera limae, Anathallis ferdinandiana, Bifrenaria harrisoniae, Brasiliorchis marginata, Brassavola tuberculata, Cirrhaea sp., Christensonella acicularis, Christensonella pumila, Cleistes libonii, Cyclopogon argyrifolius, Cyrtopodium glutiniferum, Epidendrum filicaule, Epidendrum secundum, Epidendrum aff. campacci, Habenaria parviflora, Hadrolaelia lobata, Octomeria praestans, Octomeria aff. estrelensis, Octomeria sp., Pleurothallis sp., Polystachya estrellensis, Prescottia plantaginea, Prosthechea inversa, Sophronitis cernua, Specklinia marginalis, Vanilla bahiana e Zygopetalum intermedium. Os gêneros mais representativos são Epidendrum e Octomeria ambos com três espécies cada, seguido de Christensonella com duas e os demais 19 gêneros possuem uma espécie cada. Foram feitas descrições morfológicas, comentários, mapas de distribuição geográfica na área e ilustrações para as 21 espécies que foram coletadas férteis e identificadas até o nível específico. Cirrhaea sp., Epidendrum aff. campacci, Octomeria aff. estrelensis, Octomeria sp., Pleurothallis sp. e Vanilla bahiana não foram encontradas férteis, impossibilitando a descrição morfológica dos caracteres reprodutivos, portanto não foram incluídas nessa análise. 3.1.1. Chave para identificaçao das espécies 1. Pseudobulbos presentes. 2. Pseudobulbos unifoliados. 3. Inflorescência terminal ao pseudobulbo. 4. Inflorescência de 15-20 cm compr.; flores lilases .....................................................................................14. Hadrolaelia lobata 4`. Inflorescência de 2-4 cm compr.; flores alaranjado-avermelhadas .....................................................................................19. Sophronitis cernua 3`. Inflorescência axilar ao pseudobulbo. 5. Pseudobulbos tetragonais....................................3. Bifrenaria harrisoniae 5`. Pseudobulbos sulcados.....................................7. Christensonella pumila 2`. Pseudobulbos bifoliados ou mais. 6. Inflorescência terminal ao pseudobulbo. 7. Inflorescência ca. 20-flora; flores verde-amareladas .............................................................................16. Polystachya estrellensis 7`. Inflorescência 10-12 flora; flores alvas, externamente levemente arroxeadas.................................................................18. Prosthechea inversa 6`. Inflorescência axilar ao pseudobulbo. 8. Inflorescência multiflora. 9. Pseudobulbos fusiformes; inflorescência paniculada .............................................................10. Cyrtopodium glutiniferum 9`. Pseudobulbos ovais; inflorescência racemosa .............................................................21. Zygopetalum intermedium 8`. Inflorescência uniflora. 10. Folha linear-triangular; flor arroxeada ...............................................................6. Christensonella acicularis 10`. Folha linear-lanceolada; flor amarelada ...................................................................4. Brasiliorchis marginata 1`. Pseudobulbos ausentes 11. Caule não evidente. 12. Folhas verdes com listras prateadas...........................9. Cyclopogon argyrifolius 12`. Folhas verdes sem listras prateadas...........................17. Prescottia plantaginea 11`. Caule evidente. 13. Caules unifoliados. 14. Folhas cilíndricas. 15. Inflorescência racemosa ....................................................................5. Brassavola tuberculata 15`. Inflorescência fasciculada ......................................................................14. Octomeria praestans 14`. Folhas planas. 16. Inflorescência maiores que as folhas. 17. Folhas fusiformes e suculentas; flores alvas .....................................................2. Anathallis ferdinandiana 17`. Folhas ovadas e levemente carnosas; flores verdes claras...............................................20. Specklinia marginalis 16`. Inflorescência menores que as folhas............1. Acianthera limae 13`. Caules com mais de uma folha. 18. Plantas terrícolas. 19. Flores calcaradas...................................13. Habenaria parviflora 19`. Flores não calcaradas.......................................8. Cleistes libonii 18´. Plantas rupícolas ou epífitas. 20. Caules com ramificações laterais............11. Epidendrum filicaule 20`. Caules sem ramificações laterais........12. Epidendrum secundum 3.1.2. Descrição das espécies 1. Acianthera limae (Porto & Brade) Pridgeon & M.W. Chase, Lindleyana 16(4): 244. 2001 Figuras 10, 14A, B e C. Erva rupícola, ciófila, 15-20 cm alt. Raízes finas que saem ao longo do rizoma. Rizoma entre os ramicaules, ca. 1 cm compr. Ramicaules pendentes, 3-12 cm compr., cilíndricos na base e levemente achatados próximo a folha, unifoliados. Folha cordiforme, verde, carnosa, 6,6-9,3 x 46,2 cm, ápice agudo, margem inteira. Inflorescência 2,5-3 cm compr., terminal, racemosa, podendo sair até 3 por caule, 5-8-flora, não ultrapassa o tamanho das folhas. Flores lilás-avermelhadas; sépala dorsal arroxeada, ca. 8,7 x 2,5 mm, lanceolada, ápice agudo; sépalas laterais concrescidas na base, ca. 7,2 x 6 mm, lanceoladas, ápice agudo; pétalas avermelhadas, ca. 3,8 x 1,1 mm, levemente oblanceoladas, ápice agudo, margem cerrada, articulado ao pé da coluna; coluna arqueada, ca. 5 mm compr. Políneas 2. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pico dos Quatro, base da face SW, 23.IV.2007, floresceu em cultivo (junho 2007), E. Saddi et al. 261 (RB). Distribuição geográfica: Rio de Janeiro e Minas Gerais (Pabst & Dungs, 1975). Acianthera limae era antes tratada como Pleurothallis limae Porto & Brade, e foi transferida para o gênero Acianthera por Pridgeon & Chase (2001) após uma redefinição da subtribo Pleurothallidinae, baseada em análises de quatro seqüências de DNA, quando a maioria das espécies brasileiras de Pleurothallis foi transferida a outros gêneros. A. limae é uma espécie comum nos afloramentos rochosos da cidade do Rio de Janeiro, tendo sido observada (observações pessoais) nas vertentes voltadas para o sul no Morro São João, Dois Irmãos e Cochrane. Na Pedra da Gávea, ocorre abundantemente na face SW, em paredões sempre sombreados e úmidos. Foi observado também um indivíduo em uma greta úmida e sombreada em altitude mais elevada, na região do cume da montanha. 2. Anathallis ferdinandiana (Barb. Rodr.) F.Barros, Hoehnea 30(3): 187. 2003 Figuras 11, 14D e E. Erva, rupícola, ciófila, 6-7 cm alt. Raízes finas que saem ao longo dos rizomas. Rizoma entre os ramicaules 0,5 mm compr. Ramicaule ereto, não espessado em pseudobulbo, 2,5-4,5 cm compr., cilíndrico, unifoliado. Folha eliptco-lanceolada, verde, suculenta, 3-4 x 1,3-1,5 cm, ápice agudo, base atenuada, margem inteira. Inflorescência 3-5 cm compr., terminal, as vezes saindo três por caule, racemosa, 5-7-flora, ultrapassando o tamanho das folhas. Flores alvas; sépala dorsal alva com a extremidade levemente amarelada, ca. 8,1 x 0,9 mm, lanceolada, ápice acuminado; sépalas laterais alvas com a extremidade levemente amarelada, ca. 7,8 x 0,4 mm, lanceoladas, ápice agudo; pétalas alvas, ca. 7 x 0,9 mm, lanceoladas, levemente recurvas, ápice acuminado; labelo amarelo-alvo, ca. 1,9 x 0,3 mm, linear, ápice arredondado, articulado ao pé da coluna; coluna verde, levemente arqueada, ca. 2 mm compr. Políneas 2. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pico dos Quatro, base da face S, 25.I.2007 (floresceu em cultivo em junho de 2007), E. Saddi et al. 231 (RB); 05.VI.2007, fl., E. Saddi et al.271 (RB). Distribuição geográfica: Rio de Janeiro e Paraná (Pabst & Dungs, 1975). Anathallis ferdinandiana era anteriormente tratada por Pleurothallis ferdinandiana Barb. Rodr., e foi transferiada para Anathallis por Barros (2003), que transferiu algumas espécies de Pleurothallis que não foram tratadas por Pridgeon & Chase (2001, 2002) para os gêneros Acianthera e Anathallis. A. ferdinandiana na Pedra da Gávea foi encontrada somente na face sul em local restrito sempre sombreado e em baixas altitudes, não ultrapassando os 300 m, não sendo vista em nenhum outro ponto da própria face sul, o que pode indicar um microclima bem característico para a ocorrência da espécie. 3. Bifrenaria harrisoniae (Hook.) Rchb. f., Bonplandia 3: 217. 1855. Figura 12, 14 (F, G) Erva, rupícola, ciófila e heliófila, ca. 30-42 cm alt. Raízes grossas saindo dos rizomas. Rizoma curto entre os pseudobulbos. Folhas com pseudobulbos verdes, ca. 5,5-6,9 x 2,5-3,0 cm, tetragonais, piramidais, unifoliados. Lâmina verdes, pseudopeciolo ca. 3,8-4,5 cm compr., lanceoladas, coriácias, ca. 25,0-25,3 x 5,5-5,8 cm, ápice agudo. Inflorescência de 13-20 cm compr., axilar, racemosa, 1-2 flora. Flores com sépalas esverdeada com tonalidades lilases, ovadas, ápices cuspidados, dorsal ca. 3,3 x 1,8 cm.; laterais ca. 3,6 x 1,8 cm.; pétalas laterais alvas com tonalidades lilases, ca. 3 x 1,6 cm., rômbicas, ápice levemente agudo, margem onddulada; labelo trilobado, recoberto de tricomas simples, ca. 4 x 3,3 cm., calosidade central amarelada e listras longitudinais lilases, articulado ao pé da coluna. Coluna alva, levemente arqueada, ca. 4,1 cm compr. Políneas 4. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pico dos Quatro, Face S, 31.X.2007, fl., E. Saddi et al. 282 (RB); Pedra da Gávea, 1940, fl., sem coletor (RB 49329). Distribuição geográfica: Regiões sudeste e sul do Brasil (Koehler & Amaral 2004). Bifrenaria harrisoniae é uma espécie com alto valor ornamental por possuir flores vistosas e muito perfumadas. Essa espécie consta na lista das espécies ameaçadas de extinção do município do Rio de Janeiro na categoria Em Perigo (Fraga & Menezes, 2000). Bifrenaria tyrianthina (Lodd.) Rchb.f. é a única espécie do gênero exclusivamente rupícola. B. inodora Lindl. e B. harrisoniae são rupícolas facultativas, assim como B. calcarata Barb. Rodr., sendo esta raramente encontrada sob esta forma. Das espécies acima citadas, apenas B. tyrianthina não ocorre no Rio de Janeiro e é a espécie comumente confundida com B. harrisoniae em herbários e mesmo em tratamentos taxonômicos (Koehler & Amaral, 2004). Na Pedra da Gávea é encontrada principalmente nas faces voltadas para o sul tanto em locais completamente expostos a altas intensidades luminosas, como locais sombreados na base dos afloramentos. 4. Brasiliorchis marginata (Lindl.) R.B.Singer, S.Koehler & Carnevali, Novon 17(1): 97. 2007 Figuras 13, 14H e I Erva rupícola, heliófila ou ciófila, 25-30 cm. alt.. Raízes arroxeadas dispostas ao longo do rizoma. Rizoma ca. 3 cm entre os pseudobulbos. Pseudobulbo verde, 4,5-6,5 x 2,5-3 cm, sulcado, bifoliado. Folhas linear-lanceoladas, coriáceas, 16,5-23 x 2,2-2,6 cm, ápice agudo, margem inteira. Inflorescência axilar, ca. 10 cm compr., uniflora. Flores amarelas. Sépala dorsal amarelada, ca. 2 x 0,5 cm., lanceolada, ápice cuspidado; sépalas laterais amareladas com a margem arroxeada, ca. 2,2 x 0,6 cm., lanceolada, levemente recurva, ápice cuspidado; pétalas laterais amareladas, ca. 1,5 x 0,3 cm., lanceoladas, levemente recurvas, ápice cuspidado; labelo ca. 1,4 x 1 cm trilobado, com uma calosidade central, articulado ao pé da coluna; coluna amarela com máculas arroxeadas, ca. 1,2 cm. compr., levemente arqueada. Políneas 4. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pico dos Quatro, base da face sul, 25.I.2007, (floresceu em cultivo em fevereiro de 2008), E. Saddi et al. 230 (RB). Material adicional examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Parque Natural Municipal da Prainha, Morro Boa Vista, fl., M.Bocayuva 94 (RB); Niterói, Itacoatiara, encosta do Alto Mourão, 21.X.1998, fl., F.Pinheiro 181 (HB). Distribuição geográfica: Bahia, toda região sudeste e sul do Brasil (Hoehne, 1953), Colômbia e Equador (Pabst & Dungs, 1977). Brasiliorchis marginata era anteriormente tratada como Maxillaria marginata (Lindl.) Fenzl e foi transferida para Brasiliorchis por Singer et al. (2007), que propuseram o gênero para conter as espécies incluídas na Aliança Maxillaria picta. Esse novo gênero é sustentado tanto por características morfológicas quanto por estudos de biologia molecular. É uma espécie facilmente caracterizada por apresentar as bordas de suas sépalas laterais levemente arroxeadas. É característica de afloramentos rochosos e é encontrada nesse ambiente no Morro da Boa Vista (Boacayuva & Forzza, 2007) e no Morro do Telégrafo (Pinheiro, 1999). Na Pedra da Gávea ela ocorre principalmente nas faces voltadas para o sul tanto em ambientes expostos ao sol forte quanto em sombreados. É encontrada também como epífita em árvores próximas ao afloramento e na face nordeste ocorre em local sombreado onde a mata se encontra com o paredão rochoso. A B Figura 10. Acianthera limae: Hábito e inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 11. Anathallis ferdinandiana: Inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 12. Brifenaria harrisoniae: Inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 13. Brasiliorchis marginata: Flor (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. 4 mm 2 cm 2 mm B C 2 cm A 2 mm D E 2 cm 3 cm F H 1 cm 1 cm I G Figura 14. Acianthera limae (Porto & Brade) Pridgeon & M.W. Chase: A. Inflorescência; B. Flor; C. Coluna. Anathallis ferdinandiana (Barb. Rodr.) F. Barros: D. Análise floral; E. Habito. Bifrenaria harrisoniae (Hook.) Rchb. f.: F. Flor; G. Análise floral. Brasiliorchis marginata (Lindl.) R.B.Singer, S.Koehler & Carnevali: H. Hábito; I. Análise floral. 5. Brassavola tuberculata Hook., Bot. Mag.56: t. 2878. 1829. Figuras 15, 20A e B Erva rupícola, heliófila, raro ciófila, 12-26 cm alt. Raízes grossas saindo ao longo do rizoma. Rizoma, entre os caules 1,7-3,2 cm compr. Caules não espessados em pseudobulbos, eretos ou pendentes, 3-16 cm compr., unifoliados. Folhas cilíndricas, verde-arroxeadas, crassas, sulcadas, 10,5-22,5 cm compr., ápice agudo. Inflorescência de 14-20 cm compr., terminal, racemosa, 3-5-flora. Flores alvas; sépala dorsal alvo-esverdeada com leves máculas vináceas externamente, 3,1 x 0,5 cm, lanceolada, ápice agudo; sépalas laterais alvo-esverdeadas com leves máculas vináceas externamente, ca. 2,8 x 0,6 cm, lanceoladas, levemente recurvas, ápice agudo; pétalas alvo-esverdeadas, ca. 3 x 0,4 cm, levemente rômbicas, ápice agudo; labelo alvo, calosidade central amarelada, ca. 2,2 x 2 cm, levemente oval, ápice acuminado e margem ondulada, articulado ao pé da coluna. Coluna alva com ca. 1 cm compr. Políneas amarelas, 8. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pico dos Quatro, Face SW, fenda acima do grotão da Chaminé Bigode, 5.VI.2007, fl., E. Saddi et al. 263 (RB); Pico dos Quatro, Face SW, fenda que leva a grota da Chaminé Bigode, 10.VIII.2007, fl., E. Saddi et al. 279 (RB); Pedra da Gávea, em paredões, 5.X.1967, fl., D. Sucre, 1622 (RB). Material adicional examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Agulhinha da Gávea, Face N, via de escalada Zaib, 11.VIII.2006, fl., E. Saddi et al. 209 (RB); Praia Vermelha, Urca, 25.VIII.1978, fl., G. Pabst 9643 (HB); Niterói, Pedra de Itacoatiara, 26.III.1999, fl., F.Pinheiro 201 (HB). Distribuição geográfica: Regiões Sul e Sudeste e nos estados de Goiás, Tocantins e Sergipe (Pabst & Dungs, 1975). Brassavola tuberculata é uma espécie muito comum nos afloramentos rochosos do Rio de Janeiro, tendo sido observada em diferentes inselbergues, como Pão de Açúcar, Morro Dois Irmãos, Pedra Bonita, Agulhinha da Gávea, Pico da Tijuca e Alto Mourão. Na Pedra da Gávea, a espécie ocorre em todas as faces e altitudes, sendo que suas maiores populações encontram-se em locais expostos a altas intensidades luminosas, em especieal vegetando diretamente sobre a rocha nua. Essa característica de ocorrer em ambientes diversos apresentando um grande plasticidade fenotípica fez com que alguns autores aplicassem outros nomes para esta espécie, como por exemplo B. perrini Lindl., já tratada como sinônimo por Pabst & Dungs (1975), também aceito por Bocayuva & Forzza (2007) e Brassavola flagellaris Barb. Rodr., também tratada como sinônimo em Fraga (2000). 6. Christensonella acicularis (Herb. ex Lindl) Szlach., Mytnik, Górniak & Śmiszek Polish Bot. J. 51(1): 58. 2006 Figuras 16, 20C e D Erva rupícola, ciófila ou heliófila, 6-8 cm alt. Raízes finas na base dos pseudobulbos, passando por baixo dos catáfilos do rizoma até se fixarem ao substrato. Rizoma ca. 1,2 cm compr., entre os pseudobulbos. Pseudobulbos verdes, sulcados, 2,2-2,5 x 0,6-0,8 cm, bifoliados. Folha linear-triangulares, verdes, crassas, 3,7-6,4 x 0,16-0,23 cm, margem inteira. Inflorescência ca. 2,5 cm compr., axilar, uniflora. Flores arroxeadas; sépala dorsal, 1,2-1,3 x 0,5-0,6 cm, ovada, ápice cuspidado; sépalas laterais 1,5-1,6 x 0,6-0,7 cm, cônicas, ápice cuspidado; pétalas 1,2-1,3 x 0,5-0,6 cm, obovadas, ápice cuspidado e voltados para trás; labelo 1,2-1,3 x 0,7 cm, com calosidade central na base, ápice retuso, articulado ao pé da coluna; coluna ca. 1,1 cm compr. Polínias 4. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, pedras do cume, face N, 18.VII.2006, fl., E. Saddi et al. 202 (RB); Pico dos Quatro, base da face S, 05.VI.2007, fl., E. Saddi et al. 272 (RB). Distribuição geográfica: Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais (Pabst & Dungs, 1977). Christensonella acicularis era antes tratada como Maxillaria acicularis Herb. ex Lindl. e foi transferida por Szlachetko et al. (2006) para o gênero Christensonella com base em análises moleculares de seqüências de ITS. Blanco et al., (2007) e Whitten et al., (2007) também confirmam a transferência e incluiram outras espécies nesse mesmo o gênero. É uma espécie comum nos inselbergues da cidade do Rio de Janeiro, sendo observada no Pão de Açúcar, Pico da Tijuca, Cocanha, dentre outros. Na Pedra da Gávea a espécie ocorre em praticamente todas as faces e altitudes. Apresenta grande variação no tamanho das folhas e dos pseudobulbos, pois ocorre em locais bem expostos ao sol até locais sombreados. 7. Christensonella pumila (Hook.) Koehler, Annals of Botany, 2008 (in press) [Koehler S. 2007. Relações filogenéticas e diversificação no complexo 'Maxillaria madida' (Maxillariinae, Orchidaceae)]. [Maxillaria plebeja Rchb. f. Hamb. Gartenz. 15: 57.1859] Figuras 17, 20E e F Erva rupícola, ciófila, 3,2-5,4 cm alt., pendente. Raízes finas, numerosas que saem das bases dos pseudobulbos e passam por baixo dos catáfilos do rizoma até se fixarem no substrato saindo por um único ponto. Rizoma curto entre os pseudobulbos, 1-2 mm compr., coberto por catáfilos. Pseudobulbo verde-escuro, 1-1,7 cm compr., sulcado, unifoliado. Folha lanceolada, crassa, 2-3,5 x 0,6-0,8 cm, ápice agudo, margem inteira. Inflorescência axilar, 1-1,5 cm compr., uniflora. Flores castanho-claras, pediceladas; pedicelo, ca. 1 cm compr.; sépala dorsal ca. 8,7 x 3,8 mm, oblanceoladas, ápice agudo; sépalas laterais ca. 9 x 5 mm, triangulares, ápice agudo; pétalas ca. 8 x 3 mm, oblanceoladas, ápice agudo; labelo ca. 8,8 x 6,5 mm, ápice retuso, adnato ao pé da coluna; coluna ca. 9 mm compr., levemente arqueada; polínias 4, amarelas. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, na gruta da garganta do Céu, face SE, 4.XII.2006, fl., E. Saddi et al. 220 (RB); Pico dos Quatro, base da face S, 5.VI.2007, fl., E. Saddi et al. 270 (RB). Distribuição geográfica: Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Pabst & Dungs, 1977). A espécie era anteriormente tratada como Maxillaria plebeja Rchb. f., e pertence a um grupo de plantas que foi transferido para Christensonella. Szlachetko et al. (2006) incluiu algumas espécies em Christensonella mas não ainda esta espécie. Porém Koehler (2007) propõe a sinonimização em C. pumila (Hook.) Szlach. et al. É uma espécie bem comum nos inselbergues do Rio de Janeiro, já tendo sido observada no Morro Sete Quedas e Morro do Cochrane (observações pessoais). Foi encontrada na Pedra da Gávea somente em ambientes sombreados voltados para a face sul. 8. Cleistes libonii (Rchb. f.) Schltr., Arch. Bot. São Paulo 1: 179. 1926. Figuras 18, 20G e H Erva terrícola, heliófila, 35-55 cm alt. Raízes grossas, recobertas por tricomas. Rizoma subterrâneo. Caule aéreo, verde, ereto, 30-50 cm compr., multifoliado. Folhas alternas, lanceoladas, verdes, membranáceas, 5,8-8,2 x 2,3-3,6 cm, ápice agudo, margem inteira. Inflorescência ca. 20 cm, terminal, racemosa, 2-3-flora. Flores róseas; sépala dorsal rósea, ca. 7 x 1,2 cm, lanceolada, ápice agudo; sépalas laterais róseas, brancas internamente, ca. 7 x 1,3 cm, lanceoladas, ápice levemente acuminado; pétalas róseas, ca. 6,9 x 2,1 cm, oblanceoladas, ápice agudo, margem crenada próxima ao ápice; labelo trilobado, róseo com tons esbranquiçados próximos a margem, ca. 6,7 x 3 cm, com uma crista central amarelo-esverdeada, lobo central com a margem denteada; coluna 3,6 cm compr. Políneas, 2. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, crista da face S, após a garganta do céu, próximo ao cume, 14.IV.2007, fl., E. Saddi et al. 257 (RB); Mesa, entre o rala costas e a chaminé dos Porcos, face voltada para São Conrado, 25.II.1968, fl., J.P.P.Carauta 570 (GUA). Material adicional examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra Bonita, 15.III.1964, fl., Z.A.Trinta et al. 475 (HB); Serra da Carioca, Estrada do Redentor, 08.IV.1962, fl., G.Pabst 6928 (HB); Corcovado, sobre pedras, 23.II.1967, fl., E.Pereira 10556 (HB). Distribuição geográfica: endêmica dos domínios da Mata Atlântica ocorre nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro (Pansarim 2005). Cleistes libonii foi coletada na Pedra da Gávea primeiramente por Carauta em 1968 e aí recoletada após quase 40 anos. Atualmente foi recoletada somente em um local na Pedra da Gávea, em uma crista de pedra, próxima ao cume, voltada para a face sul. O local é bem úmido apesar de exposto a altas intensidades luminosas, mas a altitude de aproximadamente 800 m ameniza as altas temperaturas juntamente com a grande intensidade de ventos úmidos vindos do mar. Foi encontrada vegetando sobre matéria orgânica que se acumula sobre a rocha. Já foi observada vegetando entre indivíduos de Vellozia candida, no cume da Pedra Bonita, inselbergue bem próximo da Pedra da Gávea e na crista da face sul do Irmão Maior do Leblon (observações pessoais). Pabst (1966) cita a espécie para a Serra da Carioca e Pedra Bonita. Pansarim (2005) ao revisar o gênero agrupou alguns táxons de Cleistes como sinônimo de C. libonii indicando que a espécie apresenta grande variação na forma do labelo e no tamanho e forma das flores e folhas. 9. Cyclopogon argyrifolius Barb. Rodr., Reliquiae Haenkeanae 1(2): 93, pl. 13. 1827. Figuras 19, 20I, J, K e L Erva rupícola, ciófila, 38-48 cm alt. Raízes grossas, suculentas, recobertas por tricomas. Caule não evidente. Folhas fusiformes, rosuladas, pseudopecioladas, verdes com listras prateadas longitudinais, membranáceas, 26-36 x 2,6-3,6 cm, ápice agudo, margem inteira. Inflorescência 3042 cm compr., terminal, racemosa, 25-35-flora. Flores esverdeadas; sépala dorsal verde, com tricomas na face adaxial, 0,9 x 0,15 cm, elíptica-lanceolada, ápice arredondado; sépalas laterais verdes, com tricomas na face adaxial, levemente recurvada, ca. 0,82 x 0,2 cm, lineares, ápice arredondado; pétalas translúcidas, adnadas à sépala dorsal, ca. 0,6 x 0,08 cm, lineares, ápice arredondado; labelo 4 lobado, com a parte central esverdeada e os lobos alvos, ca. 0,87 x 0,25 cm, com tricomas glandulares próximos as duas calosidades, margem ondulada, articulado ao pé da coluna; coluna 0,3 cm compr. Políneas, 2. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, face W, próximo a Pedra do Navio, 8.II.2007 (floresceu em cultivo em agosto de 2007), E. Saddi et al. 240 (RB). Pedra da Gávea, subida pelo Pico dos Quatro, face SW, 4.VII.2007, fl., E. Saddi et al. 276 (RB). Material adicional examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Serra da Carioca, Mesa do Imperador, fl., G.Pabst s/nº (HB). Distribuição geográfica: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul (Pabst & Dungs, 1975). Cyclopogon argyrifolius ocorre em locais bem sombreados e úmidos, normalmente próximo a córregos. Foi observada vegetando diretamente na rocha nua ou então sobre musgos. Por apresentar as folhas com listras prateadas longitudinais essa espécie pode ser confundida com C. longibracteatus. Diversas espécies do gênero Cyclopogon foram transferidas por Garay (1982) para Beadlea, gerando algumas discussões sobre a aceitação ou não desse novo posicionamento baseado somente em caracteres morfológicos. Com base em estudos filogenéticos feitos por Pridgeon et al. (2003), o gênero Beadlea voltou a ser tratado como sinônimo de Cyclopogon. A B Figura 15. Brassavola tuberculata: Inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 16. Christensonella acicularis: Flor (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B C Figura 17. Christensonella pumila: Habito e flores (A e B); mapa de ocorrência (C) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 18. Cleistes libonii: Hábito e inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 19. Cyclopogon argyrifolius: Inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. 1 cm 2 mm A C B 2 cm 4 mm 2 mm F D 2 cm E 2 cm G A H 2 cm I J 2 mm 2 mm 2 mm K L Figura 20. Brassavola tuberculata Hook.: A. Flor; B. Análise floral. Christensonella acicularis (Herb. ex Lindl) Szlach., Mytnik, Górniak & Śmiszek: C. Flor; D. Análise floral. Christensonella pumila (Hook.) Koehler et al.: E. Hábito; F. Análise floral. Cleistes libonii (Rchb. f.) Schltr.: G. Análise floral; H. Detalhe do ramo. Cyclopogon argyrifolius Barb. Rodr.: I. Flor; J. Coluna; K. Análise floral; L. Labelo. 10. Cyrtopodium glutiniferum Raddi, Mem. Mat. Fis. Soc. Ital. Sci. Modena, Pt. Mem. Fis. 19: 220. 1823. Figuras 21, 25A e B Erva rupícola, heliófila, 65-110 cm alt. Raízes grossas, saindo da base do pseudobulbo. Pseudobulbo amarelo-esverdeado, fusiforme, 35-62 x 3-5 cm, com bainha foliares persistentes na base, multifoliado. Folhas lanceoladas, verdes, cartáceas, 45-62 x 1,5-3,5 cm, nervuras proeminentes, ápice acuminado, margem inteira. Inflorescência 90-140 cm compr., axilar, saindo da base do pseudobulbo, paniculada, ca. 40-flora. Flores amarelas; sépala dorsal amarela, levemente esverdeada externamente, ca. 2,2 x 1,9 cm, ovada, ápice arredondado; sépalas laterais amarelas, levemente esverdeadas externamente, ca. 2,3 x 1,8 cm, ovadas, ápice arredondado; pétalas amareladas, ca. 2,5 x 1,8 cm, obovadas, ápice arredondado; labelo trilobado, amarelado com máculas avermelhadas no interior, 1,9 x 2 cm, lobo central com margem crenada, lobos laterais com margem inteira, articulado ao pé da coluna; coluna verde, 1,3 cm compr. Políneas, 2. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, base das vias na face leste, 16.VIII.2007, fl., E. Saddi et al. 210 (RB). Material adicional examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Topo do Morro Boa Vista, Parque Municipal Natural da Prainha, 04.X.2002, fl., M.Bocayuva 02 (RB). Distrubuição geográfica: Minas Gerais e Rio de Janeiro (Menezes, 2000). Romero-Gonzalez (1999) informa que Cyrtopodium glutiniferum (espécie comum dos afloramentos rochosos no Rio de Janeiro) e C. polyphyllum (Vell.) Pabst ex F. Barros (espécie característica das restingas da costa brasileira) são tratadas, por vezes, como sinônimo de C. andersonii (Lamb. ex Andrews) R. Br., espécie restrita aos escudos das Guianas. O autor diferencia as duas espécies pelo tamanho das peças florais, assim como o fazem Barros et al. (2003) e Menezes (2000), indicando que os espécimes antes identificadas por Pabst & Dungs (1975), Hoehne (1942) e Cogniaux (1898-1902) como C. andersonii (Lam. ex Andrews) R. Br. representam o C. glutiniferum, enquanto o Cyrtopodium paranaense Rchb. f. representa o C. polyphyllum. Na Pedra da Gávea, C. glutiniferum, ocorre em ilhas de vegetação nos afloramentos rochosos da face E e SW, exposta a altas intensidades luminosas durante longo período do dia. 11. Epidendrum filicaule (Sw.) Lindl., Gen. Sp. Orchid. Pl. 101. 1853. Figuras 22, 25C e D Erva rupícola ou epífita, semi-heliófia ou heliófila ca. 25-50 cm alt. Rizoma curto entre os caules. Caules, eretos, cilíndricos, 20-45 cm compr., com ramificações laterais no ápice, multifoliado, folhas alternas, dispostas no ápice do caule. Folhas lineares, verdes, cartáceas, 4,59,4 x 0,1-0,2 cm, bainha adpressa ao caule, ápice acuminado. Inflorescência ca. 1,5cm compr., terminal, racemosa, 2-5 flora. Flores esverdeadas; sépala dorsal ca. 5 x 1 mm, lanceolada, ápice agudo; sépalas laterais ca. 6 x 2 mm, levemente lanceoladas e recurvas, ápice agudo; pétalas laterais ca. 5 x 0,5 cm, oblanceoladas, ápice agudo; labelo 4-lobado, 5 x 4 mm, duas calosidades centrais, soldado ao longo da coluna; coluna ca. 2 mm compr. Políneas, 4. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, árvore do cume da Pedra da Gávea, 5.X.2007, fl., E. Saddi et al. 281 (RB); 13.VII.1966, fl., D. Sucre 1298 (RB). Material adicional examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra Agassiz, X.1949, fl., G.Pabst 449 (HB). Distribuição geográfica: Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia (Forster 2002). Epidendrum filicaule foi encontrada como rupícola nos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea. É comum ser encontrada nas matas no entorno dos afloramentos sobre árvores de grande porte em locais mais abertos. Quando rupícola foi encontrada em ambiente sombreado pela mata. Foi observada também em outros afloramentos rochosos do estado do Rio de Janeiro. 12. Epidendrum secundum Jacq., Enum. Syst. Pl. 29. 1760. Figuras 23, 25E e F Erva rupícola, heliófila, ca. 50-70 cm alt. Rizoma curto entre os caules. Caules não espessados em pseudobulbos, eretos ou pendentes, cilíndricos, 30-43 cm compr., multifoliado, folhas distribuídas ao longo do caule. Folhas lanceoladas, verdes, levemente carnosas, 5,2-11,5 x 1,5 – 2 cm, ápice agudo, margem inteira. Inflorescência de 5,5 – 10,5 cm compr., racemosa, as vezes com duplo-racemo, terminal, de 9-16-flora. Flores róseas; sépala dorsal róseas, ca. 0,8 x 0,4 cm, levemente obovada, ápice cuspidado; sépalas laterais róseas, ca. 0,18 x 0,38 cm, levemente obovada e recurvas, ápice cuspidado; pétalas róseas, ca. 0,75 x 0,31 cm, rombóides, ápice agudo; labelo 4-lobado, 0,98 x 0,8 cm, lobos com a margem denteada, apresenta calosidades centrais amarelas ou alvas, soldado ao longo da coluna; coluna 0,5 cm compr. Políneas, 4, amarelas. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, via de escalada Paredão Ventania variante Meméia, face NE, 18.VII.2006, fl., E. Saddi et al. 200 (RB); na escarpa do rala-costas, 13.VIII.1972, fl., J.P.P. Carauta 159 (RB); na subida para a Pedra da Gávea, 27.V.1971, fl., P.I.S. Braga 2100 (RB); caminho pela Pedra Bonita, 21.III.1977, fl., G. Martinelli 1334 (RB); Alto da Pedra da Gávea, 05.I.1969, fl., D.Sucre 4322 (RB). Material adicional examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Agulhinha da Gávea, Face N, via de escalada Zaib, 11.VIII.2006, fl., E. Saddi et al. 208 (RB); Pico da Tijuca, 13.VI.1945, fl., A.B.Pereira 75 (RB); Serra da Carioca, Morro do Corcovado, 04.X.1989, fl., R. Marquete, 231 (RB); Pedra Bonita, face sudeste, 13.III.2006, fl., M.Bocayuva 175 (RB). Distribuição geográfica: Bahia, Mato Grosso, Goiás, Brasília, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Forster, 2002). Pabst & Dungs (1975) ainda citam a espécie para os estados do Pará, Amazonas, Amapá, Ceará e Rio Grande do Sul. Epidendrum secundum é uma espécie muito comum nos afloramentos rochosos do Rio de Janeiro, podendo ser observada em diversos deles, como Pão de Açúcar, Dois Irmãos, Pico da Tijuca, Morro do Leme, Pedra Bonita, dentre outros (observações pessoais). A espécie é bastante confundida com E. denticulatum Barb. Rodr. por ambas apresentarem muitas semelhanças no porte geral, na morfologia das plantas e na coloração das flores. Pinheiro & Barros (2007) mostraram diferenças significativas no labelo, coluna e nas calosidades do labelo de cada espécie quando analisaram caracteres quantitativos das duas espécies. Na Pedra da Gávea a espécie ocorre em locais expostos a altas intensidades luminosas, em todas as faces e altitudes. Normalmente ocorre na rocha nua, mas também vegeta associado a outras espécies, como Vellozia candida. A espécie também pode ser encontrada em locais mais sombreados, mas é menos freqüente. 13. Habenaria parviflora Lindl., Gen. Sp. Orchid. Pl. 314. 1835. Figuras 24, 25G e H Erva terrícola, 28-40 cm alt. Raízes finas saindo da base do caule. Caule, ereto, 10–13 cm compr., multifoliado. Folhas alternas, linear-lanceoladas, verdes, membranáceas, 4,2-11,5 x 0,81,3 cm, imbricadas, ápice agudo, margem inteira. Inflorescência 17-27 cm compr., terminal, racemosa, 25-35-flora. Flores verde-amareladas; sépala dorsal esverdeada, ca. 0,32 x 0,19 cm, ovada, ápice arredondado; sépalas laterais esverdeadas, ca. 0,4 x 0,12 cm, lanceoladas, ápice agudo; pétalas adnatas a sépala dorsal formando um capuz sobre a coluna, esverdeadas, ca. 0,31 x 0,11, bipartidas, ápice agudo; labelo verde-amarelado, ca. 0,41 x 0,11 cm, trilobado, lobo mediano maior que os laterais, margem inteira, calcarado, calcar ca. 6 mm compr.; coluna ca. 3 mm compr. Políneas, 2. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, Cume, 23.XI.2006, fl., E. Saddi et al. 219 (RB); 4.I.1969, fl., D. Sucre 4299 (RB); 28.II.2003, fl., C.N. Fraga 1139 (RB); na face voltada para o Joá, em barranco na trilha, 17.XI.1982, fl., F.E.Miranda et al. 86 (GUA). Material adicional examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Parque Nacional da Tijuca, Pico da Tijuca, cume, 1.XI.1988, fl., R.R.Oliveira s/nº (GUA); Niterói, Pedra de Itacoatiara, face leste, 29.X.1998, fl., F.Pinheiro, 194 (HB). Distribuição geográfica: Região Sudeste do Brasil (Singer, 2001), Venezuela e Argentina (Hoehne, 1940). Habenaria parviflora é uma espécie característica de áreas alagadas e áreas úmidas em afloramentos rochosos. Pabst (1966) afirma que a espécie é muito frequente no município do Rio de Janeiro, sendo encontrada desde lugares baixos, ao nível do mar até aos mais altos, como no Sumaré, Tijuca, Corcovado e Pedra da Gávea. Foi encontrada vegetando no cume da Pedra da Gávea. Também foi avistada não cume da Pedra Bonita, Pico da Tijuca e Pedra de Itacoatiara. A B Figura 21. Cyrtopodium glutiniferum: Inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 22. Epidendrum filicaule: Inflorescência e hábito (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 23. Epidendrum secundum: Inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B C Figura 24. Habenaria parviflora: Inflorescência e hábito (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. 1 cm 1 cm A B 2 mm 2 mm C 2 mm D 2 mm E F 2 mm G 2 mm H Figura 25. Cyrtopodium glutiniferum Raddi: A. Flor; B. Análise floral. Epidendrum filicaule (Sw.) Lindl.: C. Inflorescência; D. Análise floral. Epidendrum secundum Jacq.: E. Flor; F. Análise floral. Habenaria parviflora Lindl.: G. Análise floral; H. Flor. 14. Hadrolaelia lobata (Lindl.) Chiron & V.P.Castro, Richardiana 2(1): 19. 2002. Figuras 26, 30A e B Erva rupícola, raro epífita, ciófila, 22-30 cm alt. Raízes grossas saindo ao longo do rizoma. Rizoma, ca. 3,5 cm compr, entre os pseudobulbos. Pseudobulbos verdes, 7-1 x 2,1-2,6 cm, elípticos, unifoliados. Folhas oblanceoladas, verdes, crassas, 10-18,2 x 3,5-5 cm, ápice arredondado, margem inteira. Inflorescência 15-20 cm compr., terminal, racemosa, 2-5-flora. Flores lilases, pediceladas; pedicelo ca. 6 cm compr.; sépala dorsal, 6-6,2 x 1,5-1,8 cm, lanceolada, ápice cuspidado; sépalas laterais 5,5-5,7 x 1,4-1,5 cm, lanceoladas, ápice cuspidado; pétalas 5,65,7 x 3-3,2 cm, ovadas de margem ondulada; labelo 4,8-5 x 4,0-4,2 cm, trilobado de margem ondulada, articulado ao pé da coluna; coluna ca. 2,5 cm compr. Políneas, 8. Material examinado: Pedra da Gávea, face N, Testa da Cabeça, 28.X.2006, fl., E. Saddi et al. 217 (RB); 20.VI.1942, fl., O. Voll s/n (RB); 1969, fl., P.I.S. Braga 2401 (RB); Topo da Pedra da Gávea, 20.XI.1949, fl., G.Pabst 458 (HB); Pedra da Gávea, 10.XI.1960, fl., G.Pabst s/nº (HB); Pedra da Gávea, 08.VII.1972, fl., A.F. Melo s/nº (GUA). Material adicional examinado: Rio de Janeiro, escarpas sobre a vista chinesa, 19.XI.1971, fl., J.P.Lana 1171 (GUA); Morro Dois Irmãos, 15.X.1947, fl., A.C.Brade s/nº (RB); Pão de Açucar, Urca, XI.2002, fl., Pangella s/nº (RB). Distribuição geográfica: endêmica de alguns inselbergues litorâneos da cidade do Rio de Janeiro e de Niterói: Pedra da Gávea, Pedra Bonita, Agulhinha da Gávea, Morro do Cochrane, Focinho do Cavalo, Pico dos Quatro, Morro Dois Irmãos, Pão de Açucar e Alto Mourão (observações pessoais). Hadrolaelia lobata é uma espécie que se encontra na categoria Em Perigo (EP) na lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção publicada pelo IBAMA em 1992 (Mello Filho et al. 1992). Também consta na lista de espécies ameaçadas de extinção do município do Rio de Janeiro, na categoria Criticamente em Perigo (Fraga & Menezes 2000). Ocorre em paredões verticais expostos a altas intensidades luminosas podendo também ocorrer, raramente, em ambientes sombreados. Foram observados indivíduos epífitos dessa espécie, mas somente em condições muito semelhantes aquelas encontradas nas rochas. Na Pedra da Gávea a espécie ocorre em altitudes que variam de 240-840 m, sendo que nas altitudes mais baixas tem preferência para as faces voltadas para o sul e, nas altitudes acima dos 600 m, passa a ocorrer nas faces voltadas para o norte, onde os fortes ventos tendem a amenizar as condições mais severas dessas faces. Cresce normalmente associada com touceiras de Vellozia cândida Mikan, Anthurium sucrei G.M. Barroso e algumas briófitas, mas também já foi observada crescendo na rocha nua. 15. Octomeria praestans Barb. Rodr., Gen. Sp. Orchid. 2: 112. 1881. Figuras 27, 30C, D e E Erva rupícola, heliófila, raro ciófila, 12-17 cm alt., raízes finas. Rizoma entre os ramicaules, ca. 3 mm compr. Ramicaules eretos, não espessados em pseudobulbos, 6,2-9,4 cm compr., cilíndricos, com escamas foliares, unifoliado. Folha cilíndrica, verde-arroxeada, crassas, 68,5 cm compr., sulcadas, ápice agudo. Inflorescência terminal, fasciculada, 2-4-flora. Flores creme; sépala dorsal creme com listras longitudinais vináceas, ca. 1,1 x 0,4 cm, lanceolada, ápice levemente agudo; sépalas laterais creme com listras longitudinais vináceas, ca. 1,2 x 0,35 cm, lanceoladas, levemente recurvas, ápice arredondado; pétalas creme com listras longitudinais vináceas, ca. 1 x 0,31 cm, lanceoladas, ápice levemente agudo; labelo creme com duas calosidades centrais, longitudinais, vináceas, ca. 0,7 x 0,3 cm, margem ondulada, articulado ao pé da coluna; coluna arqueada, ca. 4,5 mm compr. Políneas 4. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, pedras do cume, face N, 18.VII.2006, fl., E. Saddi et al. 201 (RB). Distribuição geográfica: Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Octomeria praestans é uma espécie encontrada em outros inselbergues da cidade do Rio de Janeiro como o Pão de Açúcar (observação pessoal). Pabst (1966) indica a espécie para Gávea Pequena, Pico da Tijuca e Morro Queimado. Na Pedra da Gávea a espécie ocorre em locais bem expostos ao sol forte, ficando com a coloração das folhas arroxeadas, como em Brassavola tuberculata. Pode ser confundida vegetativamente com essa espécie, mas as flores de B. tuberculata são de tamanho muito maior. Quando ocorre em locais mais sombreados, como nas faces voltadas para o sul, as folhas ficam mais esverdeadas. 16. Polystachya estrellensis Rchb. f., Linnaea 25: 231. 1852. Figuras 28, 30F e G Erva rupícola ou epífita, heliófila, 10-13 cm alt. Raízes grossas que saem da base do pseudobulbo. Pseudobulbos verdes, 2-4 cm compr., cônicos, levemente achatados, multifoliados. Folhas linear-lanceoladas, verdes, levemente crassas, 2,1-5,8 x 0,5-0,8 cm, imbricadas, ápice levemente arredondado, margem inteira. Inflorescência 14-20 cm compr., terminal, racemosa, ereta, ca. 20-flora. Flores verde-amareladas; sépala dorsal ca. 4 x 3 mm, ovada, ápice agudo; sépalas laterais ca. 4,1 x 3,8 mm, ovadas, ápice agudo, levemente recurvas; pétalas ca. 3,1 x 1,2 mm, lineares, ápice arredondado; labelo ca. 4 x 3,5 mm, 3-lobado, dois lobos laterais fauciformes e um central retangular de ápice retuso, articulado ao pé da coluna; coluna levemente arqueada, ca. 2 mm compr. Políneas 4. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pico dos Quatro, base da face S, 25.I.2007, fl., E. Saddi et al. 224 (RB). Material adicional examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pão de Açúcar, face sul, 12.II.1980, fl., J.P.P.Carauta 3413 (HB). Distribuição geográfica: Por todo território brasileiro, na Ilha de Trinidad e no Paraguai (Pabst & Dungs, 1975). Polystachya estrellensis é uma espécie muito semelhante a P. concreta (Jacq.) Garay & H.R. Sweet, e problemas na diferenciação dessas espécies são freqüentes. A coloração e o porte das duas espécies variam muito conforme o ambiente em que ocorrem, sendo a morfologia dos lobos do labelo a principal característica para diferenciação (Pabst & Dungs, 1975). É uma espécie muito comum nos afloramentos rochosos da cidade, como o Pão de Açúcar e Pico da Tijuca (observação pessoal). Na Pedra da Gávea a espécie ocorre em sol pleno, normalmente associada com as moitas de Vellozia candida Mikan, ocorrendo nas encostas voltadas para o sul, locais onde foram encontradas grandes populações. 17. Prescottia plantaginea Lindl., Exot. Fl. 2: ad t. 115. 1824. Figuras 29, 30H e I Erva, rupícola, heliófila, raro ciófila, 20-35 cm alt. Raízes grossas, caule não aparente. Folhas em roseta, elíptico-lanceoladas a linear lanceoladas, verdes, cartáceas, 25,5-32,5 x 2,5-3,4 cm, ápice agudo, margem inteira. Inflorescência 55-80 cm compr., terminal, ereta, 20-100-flora. Flores verdes quando jovens e passando a alaranjadas quando maduras; sépala dorsal, ca. 2,5 x 1,1 mm, lanceolada, ápice levemente agudo; sépalas laterais, ca. 3 x 2 mm, ovada, ápice agudo; pétalas, ca. 2,2 x 0,6 mm, lineares, ápice levemente arredondado; labelo ca. 2,2 x 1,9 mm, globuliformes; coluna levemente arqueada, ca. 0,8 mm compr. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pico dos Quatro, base da via de escalada gritos na Torre, face SW, 10.VIII.2007, fl., E. Saddi et al. 278 (RB). Material adicional examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Niterói, Itacoatiara, Pedra de Itacoatiara, face leste, 11.VIII.1998, fl., F.Pinheiro 163 (HB). Rio de Janeiro, Morro Boa Vista, 22.VII.2003, fl., M.Bocayuva 34 (RB); Morro do Pavão, Copacabana, 16.VIII.1967, fl., D.Sucre, 1540 (RB); Irmão Menor, face leste, 28.VII.2006, fl., E.Saddi 207 (RB). Distribuição geográfica: Minas Gerais, Goiás, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo (Pabst & Dungs, 1975). Prescottia plantaginea é uma espécie típica de afloramentos rochosos, tendo sido vista no Pão de Açúcar, Dois Irmãos, Alto Mourão, Agulhinha da Gávea, Pedra Bonita, entre outros (observações pessoais). Na Pedra da Gávea, foram observados indivíduos principalmente nas faces voltadas para o sul, vegetando tanto na rocha nua, isoladamente, quanto em moitas de vegetação. A morfologia de suas folhas e inflorescência é muito variável, podendo apresentar indivíduos com várias folhas lineares lanceoladas em roseta com inflorescências de muitas flores congestas ou indivíduos de apenas duas folhas elíptico-lanceoladas com inflorescência de poucas flores não congestas e de menor tamanho. Essa variação provavelmente levou Hoehne (1945) a considerar duas espécies distintas, P. plantaginea e P. spiranthophyla, sendo a segunda a que possuía folhas linear-lanceoladas e inflorescência com muitas flores congestas. Mais tarde, Pabst & Dungs (1975) sinonimizaram P. spiranthophyla em P. plantaginea. A B Figura 26. Hadrolaelia lobata: Flores (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 27. Octomeria praestans: Flor (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 28. Polystachya estrellensis: Hábito (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. B A C Figura 29. Prescottia plantaginea: Hábito e inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. 1 mm C 2 mm 3 cm D 4 mm A E 2 mm 2 mm 1 mm I B 2 mm H 2 mm F G Figura 30. Hadrolaelia lobata (Lindl.) Chiron & V.P.Castro: A. Habito e flores; B. Hábito. Octomeria praestans Barb. Rodr.: C. Coluna; D. Flor; E. Análise floral. Polystachya estrellensis Rchb. : F. Análise floral ; G. Flor. Prescottia plantaginea Lindl.: H. Hábito; I. Coluna e labelo. 18. Prostechea inversa (Lindl.) W.E. Higgins, Phytologia 82: 378. 1998 Figuras 31, 35A e B Erva rupícola, ciófila, 20-30 cm alt. Raízes grossas, saindo ao longo do rizoma. Rizoma entre os pseudobulbos 2-3 cm compr. Pseudobulbos verdes, 5,6-8,1 x 1,6-2 cm, bi ou trifoliados. Folhas oblanceoladas, verdes, membranáceas, 13-19 x 2-3 cm, ápice retuso, margem inteira. Inflorescência ca. 9 cm compr., terminal, racemosa, 10-12-flora. Flores alvas, externamente levemente arroxeadas; sépala dorsal 1,8-2 x 0,4-0,5 cm, ovadas, ápice acuminado; sépalas laterais 1,9-2 x 0,4-0,5 cm, ovadas, ápice acuminado; pétalas 1,5-1,7 x 0,4-0,5 cm, oblanceoladas, ápice cuspidado; labelo 1,1-1,2 x 0,5 cm, oval, ápice cuspidado, com uma calosidade central na base, articulado com a coluna até sua porção mediana; coluna 7-8 mm compr. Políneas 4. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, face W, 8.II.2007, fl., E. Saddi et al. 242 (RB). Distribuição geográfica: Regiões Sul e Sudeste do Brasil, Paraguai (Pabst & Dungs 1975) e Bahia (Toscano de Brito et al. 2005). Prostechea inversa é uma espécie que ocorre como epífita em interior da mata (Toscano de Brito et al. 2005), mas já foi observada também como rupícola em inselbergues de Mangaratiba (Saddi et al. 2005). Na Pedra da Gávea a espécie foi encontrada como rupícola em local sombreado, mas também em local exposto a altas intensidades luminosas, sempre em paredões próximos a mata. 19. Sophronitis cernua Lindl., Bot. Reg. 14: sub t. 1147. 1828. Figuras 32, 35C e D Erva epífita, semi-heliófila, 2,5-3,8 cm alt. Raízes grossas. Rizoma entre os pseudobulbos ca. 3 mm compr. Pseudobulbos verdes, 1,2-2 x 0,5-0,9 cm, achatados, unifoliados. Folhas elípticas, verde escuras, coriáceas, 2,3-3,2 x 1,7-2,4 cm, ápice apiculado e margem inteira. Inflorescência 24 cm compr., terminal, racemosa, 2-4-flora. Flores laranja-avermelhadas; sépala dorsal avermelhada, ca. 1,22 x 0,5 cm, levemente lanceoladas, ápice agudo; sépalas laterais avermelhadas, ca. 1,2 x 0,48 cm, levemente lanceoladas, levemente recurvas, ápice agudo; pétalas avermelhadas, ca. 1,3 x 0,57 cm, levemente ovadas, ápice agudo; labelo alaranjado, ca. 9,6 x 4 mm, cônico, ápice agudo com uma calosidade central, articulado ao pé da coluna; coluna com a extremidade lilás, ca. 5 mm compr. Políneas 8. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pico dos Quatro, face SW, 5.VI.2007, fl., E. Saddi et al. 266 (RB). Material adicional examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Niterói, Pedra de Itacoatiara, mata do cume, 01.V.1998, fl., F.Pinheiro 154 (HB). Distribuição geográfica: Bahia até o Rio Grande do Sul (Pabst & Dungs, 1975). Sophronitis cernua ocorre geralmente em locais próximos ao mar, tanto na mata de restingas (Fraga & Peixoto 2004; Fraga et al., 2005) como em afloramentos rochosos. Já foi observada como rupícola no Alto Mourão, em Niterói, mas normalmente é vista como epífita no interior da mata. Na Pedra da Gávea a espécie foi observada somente como epífita em uma paineira inserida no meio do afloramento rochoso da face SW. 20. Specklinia marginalis (Rchb. f) F.Barros, Hoehnea, 10: 110. (1983) 1984 Figuras 33, 35E e F Erva rupícola, ciófila, raízes finas que saem ao longo dos rizomas. Rizoma entre os ramicaules, ca. 0,5 mm compr. Ramicaules eretos, não espessados em pseudobulbos, ca. 3,5 mm compr., cilíndricos, unifoliados. Folhas ovadas, verde-arroxeadas, levemente carnosas, 1,7-3,2 x 0,6-1,15 cm, ápice retuso, base atenuada, margem inteira. Inflorescência 5-8 cm compr., terminal, racemosa, 6-9-flora, ultrapassa o tamanho das folhas. Flores verde-claras, quase translúcidas; sépala dorsal ca. 5 x 3 mm, lanceolada, ápice agudo; sépalas laterais concrescidas na base, ca. 4,8 x 3,5 cm, lanceoladas, ápice agudo; pétalas translúcidas, ca. 2,5 x 0,7 mm, levemente lanceoladas, ápice agudo; labelo esverdeado, ca. 2,1 x 0,9 mm, linear, ápice arredondado, articulado ao pé da coluna; coluna verde, levemente arqueada, ca. 2,5 mm compr. Políneas 2. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pico dos Quatro, base da face SW, 5.VI.2007, fl., E. Saddi et al. 268 (RB); 23.IV.2007 (floresceu em cultivo em maio de 2007), E. Saddi et al. 262 (RB); Topo da Pedra da Gávea, 5.X.1967, fl., Sucre, D. 1631 (HB). Distribuição geográfica: Pará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Pabst & Dungs, 1975). Specklinia marginalis era antes tratada como Pleurothallis marginalis Rchb. f. e foi tranferida para Specklinia por Barros (1983), quando o autor reconheceu dois grupos diferentes em função da morfologia da coluna. S. marginalis é semelhante a S. grobyii (Bateman ex Lindl.) F.Barros, com a qual pode ser confundida vegetativamente, porém, suas flores são diferentes na coloração e no tamanho, sendo as flores de S. grobyii maiores e com listras vináceas longitudinais nas sépalas. Pabst (1966) cita a espécie como uma variedade de S. grobyii apesar de achar que a espécie não merecia ser considerada uma variedade e sim uma espécie individualizada, citando-a para os paredões do Corcovado. Atualmente foi vista nos paredões do Morro do Cochrane (observação pessoal). Na Pedra da Gávea ocorre na rocha nua em locais úmidos, protegidos do sol, podendo estes estarem abertos a entrada de grandes quantidades de luz ou não. Encontrado principalmente nas faces voltadas para o sul, ou então em gretas úmidas em outras faces. 21. Zygopetalum intermedium Lodd. ex. Lindl., Edwards's Bot. Reg. 30(9):2.1844. Figuras 34, 35G e H Erva rupícola, heliófila, raro ciófila, 30-42 cm alt. Raízes grossas saindo da base do pseudobulbo. Pseudobulbo verdes, ca. 5 x 3,5 cm, ovais, bi-tri-foliados, presença de 3-4 folhas basais. Folhas rombóides, verdes, levemente membranáceas, 35,7-42 x 1,4-2,6 cm, ápice acuminado, margem inteira. Inflorescência 45-57 cm compr., axilar, racemosa, 2-5-flora. Flores vistosas; sépala dorsal verde com máculas vináceas, ca. 3,2 x 1,2 cm, lanceoladas, ápice agudo; sépalas laterais verdes com máculas vináceas, ca. 3,3 x 1,4 cm, lanceoladas, ápice acuminado; pétalas verdes com máculas vináceas, ca. 3,1 x 1,1 cm, lanceoladas, ápice agudo; labelo alvo com máculas lilases, ca. 3,4 x 2,7 cm, lobo único com margem ondulada, calosidade central com tricomas glandulares, articulado ao pé da coluna; coluna creme com máculas vináceas, levemente arqueada com tricomas em sua parte interna, 2,1 cm compr. Políneas 4. Material examinado: Brasil, Rio de Janeiro, Pedra da Gávea, crista da face sul após a garganta do céu, 14.IV.2007, fl., E. Saddi et al. 257 (RB); 10.VI.2007, fl., E. Saddi et al. 275 (RB); Cabeça, perto da gruta, na encosta em frente a Barra, 1.V.1977, fl., J.P.P. Carauta 2462 (GUA); Cabeça, 18.IV.1965, fl., J.P.Lanna 905 (GUA). Distribuição geográfica: Rio de Janeiro, São Paulo Paraná e Minas Gerais (Pabst & Dungs, 1977). Zygopetalum intermedium é uma espécie muito confundida com Z. mackayi Hook., pois ocorrem em locais de afloramentos rochosos e as suas flores possuem coloração semelhante de pétalas e sépalas. As principais diferenças para distinguir estes táxons são a forma e coloração do labelo, como pode ser vista nas ilustrações de Pabst & Dungs (1977). Na Pedra da Gávea a espécie ocorre estritamente como rupícola principalmente nas faces voltadas para o sul e em altitudes mais elevadas ele ocorre também nas faces W e N. A B Figura 31. Prostechea inversa: Inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 32. Sophronitis cernua: Hábito e inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 33. Specklinia marginalis: Hábito e inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. A B Figura 34. Zygopetalum intermedium: Inflorescência (A); mapa de ocorrência (B) na Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. 1 cm 1 cm B A 4 mm C D 4 mm 2 mm E 1 cm G 4 mm 1 mm F H Figura 35. Prostechea inversa (Lindl.) W.E. Higgins: A. Inflorescência; B. Análise floral. Sophronitis cernua Lindl.: C. Análise floral; D. Flor. Specklinia marginalis (Rchb. f) F. Barros: E. Inflorescência; F. Análise floral. Zygopetalum intermedium Lodd. ex. Lindl.: G. Flor; H. Coluna. 3.1.3 – Espécies não tratadas Das 27 espécies encontradas nos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea, seis não foram descritas morfologicamente por não terem sido encontradas em flor: Cirrhaea sp., Epidendrum aff. campacci, Octomeria aff. estrellensis, Octomeria sp., Pleurothallis sp. e Vanilla bahiana. Estes táxons foram incluídos somente nos tratamentos de forma de vida, preferência de habitat e nas análises de similaridade entre as diferentes faces. Algumas dessas espécies se encontram em cultivo no Orquidário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 1. Cirrhaea sp. – Espécie encontrada nas faces oeste e sudoeste onde a mata encontra o afloramento sempre próximo a córregos, em locais úmido e sombreados. Não foi encontrada em flor. Vegetativamente é fácil associar os espécimes ao gênero CirrhaeaI, pela presença de duas folhas apicais com nervuras salientes, pseudobulbo sulcado e de inflorescências passadas pêndulas e secas. O local de ocorrência é de fácil acesso possibilitando o acompanhamento dos espéciems em campo. 2. Epidendrum aff. campacci – Espécie encontrada nas cristas da face sul em altitudes elevadas. É muito comum ser encontrada também como epífita nas árvores na matriz de floresta no entorno da Pedra da Gávea (observação pessoal). O aspecto vegetativo é forte indicativo para o uso do binômio E. campacci, porém como não foi encontrada em floração, esta identificação não pode ser confirmada. 3. Octomeria aff. estrellensis – Espécie encontrada somente nos paredões da face sul em local onde a mata encontra a base do afloramento rochoso. As pequenas folhas ovais e o curto ramicaule indicam tratar-se de O. estrellensis. Porém, como não floresceu não se pode confirmar a identificação. A espécie encontra-se em cultivo no Orquidário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 4. Octomeria sp. – Espécie encontrada somente na face sudoeste em uma rocha sombreada na base do afloramento rochoso. O porte vegetativo é bem característico do gênero, possuindo uma folha apical lanceolada e ramicaule de aproximadamente 8 cm. Em função de algumas espécies desse gênero possuirem essa característica manteve-se apenas a determinação genérica. A espécie encontra-se em cultivo no Orquidário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 5. Pleurothallis sp. – Espécie encontrada somente na base do afloramento rochoso na face sul. É bem característica do gênero podendo inclusive representar mais de um táxon em função das características vegetativas entre as Pleurothallidinae serem constantes para um grande grupo de espécies. A espécie encontra-se em cultivo no Orquidário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 6. - Vanilla bahiana – Das espécies não tratadas na descrição morfológica esta é a única que foi identificada em nível específico. É uma espécie comum nos afloramentos da cidade, como Pão de Açúcar e Morro Irmão Maior (observações pessoais), sendo caracterizada por possuir um caule monosulcado que nunca ultrapassa 1cm de diâmetro. Foi encontrada na face sudoeste na base do afloramento vegetando entre as moitas de vegetação. Entretanto não foi vista ou coletada em floração, o que impossibilitou a descrição morfológica. 3.2 – Distribuição, forma de vida e preferência de habitat As orquídeas se apresentam sob diferentes formas de vida nos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea, foram observadas formas terrícolas, epífitas e rupícolas (Tabela 2). Algumas espécies apresentam uma forma de vida exclusiva, enquanto outras ocorrem sob duas ou três formas. A forma de vida mais representativa foi a rupícola (25 espécies), seguido de epífita (4) e terrícola (3). Espécies estritamente rupícolas totalizam 20 espécies, estritamente terrícolas duas (Cleistes libonii e Habenaria parviflora) e exclusivamente epífitas apenas uma (Sophronitis cernua). As espécies que se apresentam sob duas formas de vida diferentes são duas (Hadrolaelia lobata e Prescottia plantaginea). Sob as três formas de vida apenas Vanilla bahiana, essa espécie possui crescimento monopodial podendo ser reptante quando vegetando sobre rocha e solo e escandente quando atravessa as moitas de vegetação, ficando assim sobre a rocha, os arbustos e o solo. De acordo com Fraga & Peixoto (2004) essa espécie foi considerada hemiepífita para as restingas do Espírito Santo, entretanto o tamanho reduzido dos forófitos na Pedra da Gávea impossibilita que a espécie venha a ter uma vida exclusivamente epífita. A tabela 3 mostra a distribuição das espécies pelos micro-habitats (ambientes abertos, sombreados e gretas), pelas diferentes faces (S, SE, SW, N, NE, NW, E e W) e o cume da montanha. Foram encontradas 23 espécies ocorrendo nos ambientes sombreados onde 10 são exclusivas desse micro-habitat (Anathallis ferdinandiana, Cirrhaea sp., Epidendrum aff. campacii, E. filicaule, Octomeria aff. estrelensis, O. sp., Pleurothallis sp., Prostechea inversa, Sophronitis cernua, Specklinia marginalis e Vanilla bahiana). Em ambientes abertos foram encontradas 15 espécies sendo quatro exclusivas (Cleistes libonii, Cyrtopodium glutiniferum, Habenaria parviflora e Octomeria praestans). Nas gretas foram encontradas oito espécies e nenhuma exclusiva. Das 27 espécies totais da listagem, 15 (ca. 55%) são exclusivas de algum micro-habitat e dessas 15, dez são exclusivas de apenas uma face, sendo cinco da face sudoeste (Cleistes libonii, Epidendrum aff. campacii, Octomeria sp., Sophronitis cernua e Vanilla bahiana), três da face sul (Anathallis ferdinandiana, Octomeria aff. estrelensis e Pleurothallis sp.), e uma no cume (Habenaria parviflora) e na face oeste (Epidendrum filicaule). Isso ressalta a existência de preferências de ocorrência específicas de alguns táxons a micro-habitats e faces, além da importância de se ter um esforço de coleta direcionado a um grupo para se obter números próximos da real riqueza de táxons para certa área. Ambientes sombreados costumam ocorrer na base dos paredões, onde a matriz de mata chega até a rocha e proporciona sombra e umidade nessa porção do afloramento, proporcionando a chegada de outras espécies, principalmente as epífitas, que podem ocorrer como rupícolas, como Anathallis ferdinandiana, Brasiliorchis marginata, Epidendrum filicaule, Epidendrum aff. campacii, Octomeria aff. estrelensis e Octomeria sp. Tabela 2. Formas de vida das espécies ocorrentes nos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. Espécies Formas de Vida Terrícola Epífita Acianthera limae Anathallis ferdinandiana Bifrenaria harrisoniae Brasiliorchis marginata Brassavola tuberculata Christensonella acicularis X X X X X X X X Christensonella pumila Cirrhaea sp. Cleistes libonii Cyclopogon argyrifolius Cyrtopodium glutiniferum Epidendrum aff. campacci Epidendrum filicaule Epidendrum secundum Habenaria parviflora Hadrolaelia lobata Octomeria aff. estrelensis Octomeria praestans Octomeria sp. Pleurothallis sp. Polystachya estrellensis Rupícola X X X X X X X X X X X X X X X Espécies Prescottia plantaginea Prosthechea inversa Sophronitis cernua Specklinia marginalis Vanilla bahiana Zygopetalum intermedium Formas de Vida Terrícola Epífita Rupícola X X X X X X X X Os ambientes abertos são expostos a condições climáticas mais severas como falta de água e nutrientes e exposição a altas temperaturas. Algumas espécies possuem folhas bem suculentas como Brassavola tuberculata e Octomeria praestans, que chegam em alguns casos a ficarem com a coloração arroxeada e com o tamanho reduzido. Cyrtopodium glutiniferum é uma espécie considerada como planta suculenta, característica desses ambientes, pois é bem tolerante a dissecação (Porembski 2007). As gretas são locais onde as espécies encontram condições mais favoráveis para se estabelecerem, pois são ambientes mais úmidos e é onde a água da chuva normalmente escorre pelas paredes se acumulando ali por mais tempo, não sendo exposto aos raios solares com tanta intensidade. As gretas na Pedra da Gávea, na maioria das vezes não possuem uma conexão com a matriz de floresta como os ambientes sombreados, mas todas as espécies que ocorrem neste ambiente ocorrem nos ambientes sombreados e cinco das sete espécies totais ocorrem nos três ambientes (Tabela 3). O fato desse ambiente não possuir espécies exclusivas não diminui sua importância no sistema. Gretas que ocorrem em altitudes mais altas que os ambientes sombreados possibilitam a ocorrência de espécies em diferentes altitudes aumentando sua distribuição na área. Em relação às faces de ocorrência, pode-se constatar que Brassavola tuberculata, Epidendrum secundum e Hadrolaelia lobata ocorrem em todas as faces. Essas espécies também ocorrem em praticamente todas as faixas altitudinais, sendo bem adaptadas ao ambiente de afloramento rochoso. Hadrolaelia lobata é a única das três que ocorre nas faces voltadas pro norte (N, NE e NW) somente em altitudes acima de 700m, onde a intensidade de ventos é mais alta deixando o ambiente com temperaturas mais baixas. A figura 36 mostra que a face sudoeste é a face com maior riqueza (20 espécies) seguida da face sul (15), sudeste (12), cume (11), nordeste e oeste (8), leste (5) e norte e noroeste com três espécies. As três espécies que ocorrem nas faces norte e noroeste são Brassavola tuberculata, Epidendrum secundum e Hadrolaelia lobata, espécies com distribuição mais ampla na área. Das dez espécies restritas a somente uma só face, cinco estão na face sudoeste, três na face sul, uma na face oeste e uma no cume. Levando-se em consideração as faces voltadas pro sul (S, SW e SE) e as faces voltadas pro norte (N, NW e NE) como dois conjuntos, nota-se que das 27 espécies da área, 24 ocorrem nas faces voltadas pro sul, 11 no cume, nove nas faces voltadas pro norte, oito na face oeste e cinco na face leste (Figura 37), confirmando uma maior riqueza de espécies nas faces voltadas para o sul. Miranda & Oliveira (1983) também analisaram a riqueza de espécies de orquídeas nas faces do Pão de Açúcar e constataram que 13 das 14 espécies de lá ocorrem nas faces voltadas para o sul, onde as condições são mais favoráveis pela pouca insolação e maior retenção de umidade. Afirmaram também que a face norte é a menos rica, com apenas duas espécies, Brassavola tuberculata e Polystachya estrelensis. Tabela 3. Distribuição das espécies de Orchidaceae pela face e pelos micro-habitats da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro. Micro habitats: A – Ambientes abertos; S – Ambientes sombreados; G – Gretas. Faces: C – Cume; S – Sul; SE – Sudeste; SW – Sudoeste; N – Norte; NE – Nordeste; NW – Noroeste; E – Leste; W – Oeste. Micro habitats Face Espécies A S G C S SE SW N NE NW E W Acianthera limae X X X X Anathallis ferdinandiana X X Bifrenaria harrisoniae X X X X X X X Brasiliorchis marginata X X X X X X X Brassavola tuberculata X X X X X X X X X X X X Christensonella acicularis X X X X X X X Christensonella pumila X X X X X X X Cirrhaea sp. X X X Cleistes libonii X X Cyclopogon argyrifolius X X X Cyrtopodium glutiniferum X X X Epidendrum aff. campacci X X Epidendrum filicaule X X Epidendrum secundum X X X X X X X X X X X Habenaria parviflora X X Hadrolaelia lobata X X X X X X X X X X X X Octomeria aff. estrelensis X X Octomeria praestans X X X X Octomeria sp. X X Pleurothallis sp. X X Polystachya estrellensis X X X X X X Prescottia plantaginea X X X X X X Prosthechea inversa X X X Sophronitis cernua X X Specklinia marginalis X X X X X X X Vanilla bahiana X X Zygopetalum intermedium X X X X X X X 25 Nº de espécies 20 15 10 5 0 SW S SE C W NE E NW N Faces Figura 36. Número de espécie de Orchidaceae nas faces e no cume dos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca Rio de Janeiro, Brasil: SW – Sudoeste; S – Sul; SE – Sudeste; C – Cume; W – Oeste; NE – Nordeste; E – Leste; NW – Noroeste; N- Norte. 30 Nº de espécies 25 20 15 10 5 0 S, SW, SE C N, NW, NE W E Faces Figura 37. Número de espécie de Orchidaceae nas faces e no cume dos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca Rio de Janeiro, Brasil: SW – Sudoeste; S – Sul; SE – Sudeste; C – Cume; W – Oeste; NE – Nordeste; E – Leste; NW – Noroeste; N- Norte. 3.3 – Análise de Similaridade Similaridade entre as diferentes faces da Pedra da Gávea com base na composição florística de Orchidaceae A análise de similaridade entre as diferentes faces na PG-PNT com base na composição de espécies de Orchidaceae foi realizada a partir da matriz de similaridade observada na tabela 4. O dendrogama resultante indica a formação de dois grandes grupos distintos (Figura 38). O primeiro englobando as faces sul, sudeste, cume, sudoeste e nordeste e o segundo com as faces norte, noroeste, leste e oeste. No primeiro grupo as faces sul e sudeste obtiveram os valores de similaridade mais altos (0,8). A face sudoeste se liga as faces sul e sudeste com um valor de similaridade mais baixo (0,46), em função de ser a face mais rica e com maior número de espécies exclusivas. O agrupamento com o cume (0,59) provavelmente se deu por este abrigar espécies características da face sul que ocorrem também em altitudes elevadas (Acianthera limae, Bifrenaria harrisoniae, Brasiliorchis marginata, Christensonella acicularis, Octomeria praestans, Specklinia marginalis e Zygopettalum intermedium), apesar de ficarem completamente expostas ao sol direto, a presença de ventos nessas altitudes minimiza essa exposição tornando o lugar propício ao estabelecimento de espécies não tolerantes ao sol forte. A presença da face nordeste (0,42) neste grupo, em similaridade menor que 0,5, pode estar relacionada com o posicionamento dessa face encontrar-se voltada para as faces sul das montanhas Pedra Bonita, Agulhinha da Gávea e Morro do Cochrane (Figura 5), tonrnando-se uma área mais protegida. Em um trecho sombreado da face nordeste, localizado acima do Morro da Bandeira, foram encontradas espécies (Brasiliorchis marginata, Christensonella pumila, Polystachya estrellensis e Specklinia marginalis) características das faces voltadas para o sul (S, SW, SE) fazendo com que essa face apresentasse um microclima específico para espécies de ambientes mais úmidos, ampliando assim a riqueza de espécies da face nordeste em relação às demais faces voltadas para o norte (N, NW). O segundo grupo formado tem as faces norte e noroeste com similaridade igual a 1,0 em função de apresentarem baixa riqueza com a mesma composição de espécies (Brassavola tuberculata, Epidendrum secundum e Hadrolaelia lobata), na realidade essa similaridade alta é extremamente influenciada pela ausência em comum de espécies, que de acordo com Miranda & Oliveira (1983) as faces voltadas para o leste e as voltadas para norte (N, NE, NW) apresentam um clima mais seco em virtude de uma maior insolação ao longo do dia, condição ambiental que justifica essa baixa riqueza. Completando esse grupo estão as faces leste e oeste, sendo a face leste com valor de similaridade maior (0,6) do que a oeste (0,35). Isso ocorre em função das espécies presentes nas faces norte e noroeste estarem também presentes em todas as outras faces do grupo (E, W). Dessa forma a face leste que possui somente cinco espécies, e dessas apenas duas diferentes (Cyrtopodium glutiniferum e Prescottia plantaginea) das do conjunto (N, NW e W) e exclusivas dessa face no grupo acaba por apresentar uma similaridade maior que a da face oeste, que possui uma maior riqueza de espécies (8), com cinco exclusivas (Cirrhae sp., Cyclopogon argyrifolius, Epidendrum filicaule, Prostechea inversa e Zygopetalum intermedium). Os valores de similaridade entre cada face estão representados na tabela 5. Tabela 4. Matriz de Similaridade das espécies de Orchidaceae, ocorrentes nas diferentes faces dos afloramentos rochosos da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro: 1 – Cume; 2 – Face Sul; 3 – Face Sudeste; 4 – Face Sudoeste; 5 – Face Norte; 6 – Face Nordeste; 7 – Face Noroeste; 8 – Face Leste; 9 – Face Oeste. Faces Espécies 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Acianthera limae 1 0 0 1 0 0 0 0 0 Anathallis ferdinandiana 0 1 0 0 0 0 0 0 0 Bifrenaria harrisoniae 1 1 1 1 0 0 0 0 0 Brasiliorchis marginata 1 1 1 1 0 1 0 0 0 Brassavola tuberculata 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Christensonella acicularis 1 1 1 1 0 0 0 0 0 Christensonella pumila 0 1 1 1 0 1 0 0 0 Cirrhaea sp. 0 0 0 1 0 0 0 0 1 Cleistes libonii 0 0 0 1 0 0 0 0 0 Cyclopogon argyrifolius 0 0 0 1 0 0 0 0 1 Cyrtopodium glutiniferum 0 0 0 1 0 0 0 1 0 Epidendrum aff. campacci 0 0 0 1 0 0 0 0 0 Epidendrum filicaule 0 0 0 0 0 0 0 0 1 Epidendrum secundum 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Habenaria parviflora 1 0 0 0 0 0 0 0 0 Hadrolaelia lobata 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Octomeria aff. estrelensis 0 1 0 0 0 0 0 0 0 Octomeria praestans 1 1 1 0 0 0 0 0 0 Octomeria sp. 0 0 0 1 0 0 0 0 0 Pleurothallis sp. 0 1 0 0 0 0 0 0 0 Polystachya estrellensis 0 1 1 1 0 1 0 0 0 Prescottia plantaginea 0 1 1 1 0 0 0 1 0 Prosthechea inversa 0 0 0 0 0 1 0 0 1 Sophronitis cernua 0 0 0 1 0 0 0 0 0 Specklinia marginalis 1 1 1 1 0 1 0 0 0 Vanilla bahiana 0 0 0 1 0 0 0 0 0 Zygopetalum intermedium 1 1 1 1 0 0 0 0 1 Tabela 5. Matriz de similaridade entre as faces da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. Faces: C – Cume; S – Sul; SE – Sudeste; SW – Sudoeste; N – Norte; NE – Nordeste; NW – Noroeste; E – Leste; W – Oeste. Faces C S SE SW N NE NW E W C 1,0000 0,5294 0,6429 0,4091 0,2727 0,3571 0,2727 0,2308 0,2667 S SE SW N 1,0000 0,8000 0,4583 0,2000 0,4375 0,2000 0,2500 0,2105 1,0000 0,5238 0,2500 0,5385 0,2500 0,3077 0,2500 1,0000 0,1500 0,3333 0,1500 0,2500 0,2727 1,0000 0,3750 1,0000 0,6000 0,3750 NW NE E W 1,0000 0,3750 1,0000 0,3000 0,6000 1,0000 0,3333 0,3750 0,3000 1,0000 Figura 38. Dendrograma obtido pelo método de UPGMA resultante da análise de similaridade entre as diferentes faces da Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro. Faces: C – Cume; S – Sul; SE – Sudeste; SW – Sudoeste; N – Norte; NE – Nordeste; NW – Noroeste; E – Leste; W – Oeste. Similaridade entre diferentes inselbergues com base na composição florística de Orchidaceae A análise de similaridade entre diferentes inselbergues com base na composição de espécies de Orchidaceae foi realizada a partir dos dados apresentados na matriz de similaridade observada na tabela 6. Dentre as áreas comparadas, a região do Alto Misterioso é a mais rica com 26 espécies, seguida da Pedra da Gávea (25), complexo de inselbergues da enseada de Itacoatiara (17), Pão de Açúcar (14), Morro da Boa Vista (9) e os inselbergues da Paraíba com oito espécies cada. O dendrograma resultante da análise (Figura 39) mostra a formação de dois grupos principais, o primeiro formado pelos inselbergues do Rio de Janeiro e o segundo formado pelos inselbergues da Paraíba, (Pedra de Santo Antonio e Esperança, 0,78) estando esses dois grupos principais unidos em baixa similaridade (0,05). No grupo dos inselbergues do Rio de Janeiro observa-se a formação de dois grupos menores, Pedra da Gávea e Pão de Açúcar (0,34) e inselbergues de Itacoatiara e o Morro da Boa Vista (0,23). O alto valor apresentado para os inselbergues da Paraíba é explicado por ambos estarem inseridos dentro do bioma Caatinga e possuirem altitudes semelhantes, o que acabou resultando em uma composição de espécies também semelhante. Ambos possuem uma riqueza de oito espécies cada, sendo sete em comum. Cabe ressaltar que destas sete, cinco são exclusivas quando comparado com a composição de espécies dos inselbergues do sudeste. Os inselbegues do Alto Misterioso encontram-se inseridos no bioma Mata Atlântica e se localizam no sudeste. Para essa área tmabém é expressivo o número de orquídeas exclusivas, das 26 espécies da listagem, 22 são exclusivas. Esgario (2008) realizou um levantamento florístico da área e quando comparada com outras áreas de afloramento, a região do Alto Misterioso apresentou uma exclusividade de 83 espécies de plantas vasculares das 170 totais encontradas na área, o que reforça o isolomaneto do Alto Misterioso em relação aos dois principais grupos formados. Embora os inselbergues da Paraíba apresentem grande similaridade entre si e o Alto Misterioso tenha ficado isolado, ambos apresentam-se dissimilares entre si e com os inselbergues do Rio de Janeiro, indicando que a composição florística desses inselbergues seja bastante diferente. Quando analisados os outros dois grupos formados pelos inselbergues do estado do Rio de Janeiro, nota-se que os baixos valores se similaridade encontrados podem ser explicados pela discrepância quanto ao número de espécies que a Pedra da Gávea possui em relação às demais listagens (25 espécies), onde nove (Acianthera limae, Anathallis ferdinandiana, Christensonella plebeja, Cirrhaea sp., Cleistes libonii, Cyclopogon argyrifolius, Epidendrum aff. campacii e Octomeria aff. estrellensis) são exclusivas quando comparadas aos Inselbergues do Rio de Janeiro. A ligação entre Pedra da Gávea e Pão de Açúcar é explicada em função das 10 espécies em comum entre as duas áreas, além de seis dessas ocorrerem exclusivamente nessas duas áreas (Bifrenaria harrisoniae, Christensonella acicularis, Hadrolaelia lobata, Octomeria praestans e Polystachya estrellensis). O que reforça essa realidade é que tanto na Pedra da Gávea quanto no Pão de Açúcar foram realizados trabalhos direcionados para orquídeas e para o ambiente de afloramento rochoso, com metodologias de escalada para coleta semelhantes. Entretanto para todas as ligações obtidas, mesmo entre aquelas entre os inselbergues do Rio de Janeiro, pode ser observado que as similaridades são sempre abaixo dos 0,5, indicando uma dissimilaridade grande. Os inselbrgues de Itacoatiara (Pinheiro 1999) e Morro da Boa Vista (Bocayuva & Forzza 2007) possuem cinco espécies em comum e duas espécies exclusivas. Em ambos os trabalhos as espécies de afloramento não foram o principal objetivo, sendo levantadas também as espécies de Orchidaceae da matriz vegetacional do entorno, porém Bocayuva (2005) quando comparou em seu trabalho diferentes áreas de Mata Atlântica levantadas para a família Orchidaceae, constatou também, uma maior similaridade entre o Parque Natural Municipal da Praianha e o Parque Estadual da Serra da Tiririca (Pinheiro 1999), destacando serem ambas as áreas semelhantes na fisionomia (floresta atlântica de encosta com afloramentos rochosos com mesmo gradiente altitudinal) e no número de espécies (26), compartilhando 11. Para toda a análise pode ser verificado que nenhuma espécie em comum a todas as áreas analisadas foi encontrada, além disso pode ser verificado que existe apenas uma pequena tendência das áreas mais próximas formarem grupos mais coesos, porém sempre com baixas similaridades, ficando altas apenas quando as riquezas são baixas. Em função dessa dissimilaridade encontrada entre os diversos afloramentos utlizados para essa análise pode-se concluir que a composição florística desses inselbergues pode ser muito mais ligada a matriz vegetacional do entorno do que possuidoras de uma flora peculiar de inselbergues. A tabela 7 indica os valores de similaridade entre cada inselbergue. Tabela 6. Matriz de Similaridade das espécies de Orchidaceae, ocorrentes em diferentes inselbergues: PG – Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro; PA – Pão de Açúcar, Rio de Janeiro; ITA – Complexo de inselbergues da enseada de Itacoatiara, Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói; MBV – Morro Boa Vista, Parque Natural Municipal da Prainha, Rio de Janeiro; MIS – Alto Misterioso, Espírito Santo; PSA – Pedra de Santo Antonio, Fagundes, Paraíba; ESP – Inselbergue de Esperança, Paraíba. Espécies Acianthera limae Acianthera teres Anathallis ferdinandiana Bifrenaria harrisoniae Brasiliorchis marginata Brassavola tuberculata Bulbophyllum napellii Catltleya forbesii Christensonella acicularis PG 1 0 1 1 1 1 0 0 1 PA 0 0 0 1 0 1 0 0 1 ITA 0 0 0 0 1 1 0 1 0 Áreas MBV 0 0 0 0 1 1 0 0 0 MIS 1 1 0 0 0 0 1 0 0 PSA ESP 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 Espécies Christensonella plebeja Cirrhaea sp. Cleistes libonii Constantia rupestris Cyclopogon argyrifolius Cyclopogon bicolor Cyclopogon longibracteatus Cyrtopodium glutiniferum Cyrtopodium intermedium Cyrtopodium polyphyllum Eltroplectris triloba Encyclia longifolia Epidendrum aff. campacii Epidendrum ammophilum Epidendrum cinnabarinum Epidendrum denticulatum Epidendrum filicaule Epidendrum nocturnum Epidendrum ramosum Epidendrum rigidum Epidendrum secundum Epistephium lucidum Habenaria obtusa Habenaria parviflora Hadroaelia lobata Laelia cinnabarina Laelia mixta Maxillaria brasiliensis Maxillaria pachyphylla Maxillaria rigida Octomeria aff. estrelensis Octomeria aff. truncicola Octomeria densiflora Octomeria praestans Oncidium majevskyi Pelexia Orthosepala Pleurothallis grobyi Pleurothallis ochreata PG 1 1 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 1 1 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 PA 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 ITA 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 Áreas MBV 0 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 1 0 MIS 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 0 1 1 0 0 0 1 1 1 0 1 0 1 1 0 1 1 0 0 PSA ESP 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 Espécies PG 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 1 1 0 Pleurothallis paranaensis Pleurothallis saundersiana Polystachya estrellensis Prescottia montana Prescottia phleoides Prescottia plantaginea Prosthechea allemanii Prosthechea calamaria Prosthechea inversa Pseudolaelia canaanensis Pseudolaelia maquijiensi Sacoila lanceolata Sarcoglotis biflora Sobralia sessilis Sophronitis cernua Specklinia marginalis Tetragamestus modestus Vanilla bahiana Zygopetalum intermedium Zygopetalum mackaii PA 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 ITA 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 Áreas MBV 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 MIS 1 0 0 1 0 1 1 1 0 1 1 1 0 1 0 0 1 0 0 1 PSA ESP 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Tabela 7. Matriz de similaridade entre a composição de Orchidaceae de diferentes inselbergues. PG – Pedra da Gávea, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro; PA – Pão de Açúcar, Rio de Janeiro; ITA – Complexo de inselbergues da enseada de Itacoatiara, Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói; MBV – Morro Boa Vista, Parque Natural Municipal da Prainha, Rio de Janeiro; MIS – Alto Misterioso, Espírito Santo; PSA – Pedra de Santo Antonio, Fagundes, Paraíba; ESP – Inselbergue de Esperança, Paraíba. Faces PG PA ITA MBV MIS PSA ESP PG PA 1 0,345 0,235 0,133 0,063 0,031 0,065 1 0,240 0,150 0,026 0,048 0,100 ITA 1 0,238 0,024 0,042 0,087 MBV 1 0,029 0,000 0,063 MIS 1 0,030 0,030 PSA 1 0,778 ESP 1 Figura 39. Dendrograma obtido pelo método de UPGMA, resultante da análise de similaridade florística entre diferentes inselbergues: PG – Pedra da Gávea; PA – Pão de Açúcar; ITA – Complexo de inselbergues de Itacoaticara; MBV – Morro Boa Vista; PSA – Pedra de Santo Antonio; ESP – Esperança; MIS – Alto Misterioso. 4. Considerações finais O direcionamento de estudos em inselbergues contribui para o enriquecimento do conhecimento científico nesses ambientes tão pouco estudados e tão presentes no município do Rio de Janeiro. Por serem locais de difícil acesso, às vezes com paredões rochosos com inclinação de 90º, a utilização de equipamento e técnicas de escalada são essenciais para a realização de trabalhos científicos nesses locais. Utilizar estas técnicas no estudo das Orchidaceae da Pedra da Gávea possibilitou o inventário, no qual foram encontradas 27 espécies distintas desta família. A importância de se direcionar estudos a uma família, aliado a um alto esforço de coleta foram essenciais para que a riqueza do grupo em estudo seja próxima do real. O presente trabalho é o segundo para a família Orchidaceae em inselbergues no município do Rio de Janeiro, somente o Pão de Açúcar havia sido trabalhado, até então, para a família. A Pedra da Gávea, com 27 espécies, possui uma riqueza maior que o Pão de Açúcar, com 14 espécies, e ambas as áreas possuem duas espécies ameaçadas de extinção, Bifrenaria harrisoniae para o município do Rio de Janeiro e Hadrolaelia lobata para o município do Rio de Janeiro como também em nível nacional. A dissimilaridade encontrada entre os inselbergues utlizados para a análise de similaridade demonstrou que a composição florística dos inselbergues parece mais ligada à matriz vegetacional do entorno do que às espécies peculiares de inselbergues. Especificamente em relação à Pedra da Gávea, esta hipótese precisa ainda ser testada a partir de um inventário detalhado das espécies de Orchidaceae do corpo florestal no qual o inselbergue está inserido. Por serem ambientes frágeis expostos a ação do fogo e a entrada de espécies invasoras são necessários mais estudos de modo a melhor subsidiar planos de manejo para a proteção desses ambientes que abrigam floras tão ricas e diversas, pois muitos deles ainda não se encontram inseridos dentro de Unidades de Conservação. 5 – Referências bibliográficas Almeida, A. 2004. Estudo florístico e estrutural da família Orchidaceae em três inselbergues da Paraíba, Brasil. Dissertação de Doutorado, Universidade Federal da Paraíba, Paraíba, 74p. Atwood, J.T. 1986. The size of the Orchidaceae and the systematic distribution of epiphytic orchids. Selbyana 9:171-186. Barros, F. 1983. Flora fanerogâmica da reserva do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (São Paulo, Brasil.). 198 - Orchidaceae. 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