FACULDADE REDENTOR CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM AUDITORIA, PERÍCIA E GESTÃO AMBIENTAL PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS MORADORES DE VIÇOSA SOBRE RESÍDUOS SÓLIDOS MARCOS ANTÔNIO LOPES PONTE NOVA - MG 2012 MARCOS ANTÔNIO LOPES PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS MORADORES DE VIÇOSA SOBRE RESÍDUOS SÒLIDOS Trabalho de Conclusão de Curso no formato de Monografia apresentado à Faculdade Redentor como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Auditoria, Perícia e Gestão Ambiental. Orientador: Prof. Ana Paula Aleixo Alves PONTE NOVA - MG 2012 FICHA DE APROVAÇÃO Título: PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS MORADORES DE VIÇOSA SOBRE RESÍDUOS SÓLIDOS Autor: Marcos Antônio Lopes Natureza: Monografia Objetivo: Título de Especialista Instituição: Faculdade Redentor Área de Concentração: Auditoria, Perícia e Gestão Ambiental Aprovada em: Março/2012 Orientador: ___________________________________________________ Prof. Ana Paula Aleixo Alves Dedicatória Dedico este trabalho primeiramente a Deus, pela saúde, fé e perseverança que tem me dado. À minha mãe e meu pai, os quais amo muito. A meus irmãos por tudo que me ajudaram até hoje. A meus amigos pelo incentivo a busca de novos conhecimentos, a todos os professores e professoras que muito contribuíram para a minha formação. Agradecimentos Agradeço a Deus, pois sem ele eu não teria forças para essa longa jornada. A minha mãe Maria Margarida que sempre me incentivou a continuar lutando e demais familiares, amigos e mestres que pela presença, pela palavra, pelo sorriso ou pela simples lembrança nos deram coragem e determinação para traçarmos um caminho em busca de nossos ideais. LISTA DE FIGURA FIGURA 1: Classificação dos Resíduos Sólidos .................................................. 20 LISTA DE QUADROS QUADRO 1: Classificação dos Resíduos Sólidos Urbanos (componentes e periculosidade) ........................................................................................................... 16 QUADRO 2: Coleta Seletiva, no Brasil, por grupo de municípios classificados por faixas de população ......................................................................................... 29 QUADRO 3: Quantidades de municípios com Iniciativas de Coleta Seletiva em 2010 ................................................................................................................................. 30 RESUMO A presente pesquisa proporcionou a oportunidade de analisar a percepção ambiental dos moradores da cidade de Viçosa sobre resíduos sólidos. Tal estudo justifica-se pela importância que a percepção ambiental representa na compreensão das inter-relações entre o ser humano e o ambiente, suas expectativas e condutas. Este estudo teve como objetivo conhecer a percepção ambiental dos moradores do município de Viçosa - MG sobre o conceito, geração e impactos causados pela destinação inadequada dos resíduos sólidos urbanos. Para a realização deste trabalho foi aplicada uma entrevista dirigida a quatro entrevistados sendo um gari, uma dona de casa, um comerciante (balconista), um técnico administrativo – funcionário da Universidade Federal de Viçosa – UFV. Procurou-se entrevistar diferentes profissionais a fim de conhecer as diversas opiniões e entendimentos sobre o assunto. Para tanto, esta pesquisa foi estruturada de forma a contemplar a evolução do conceito de lixo e como foi a sua transformação até chegar ao conceito de resíduo no contexto brasileiro. Seguido da caracterização e classificação dos diferentes tipos de resíduos sólidos, apresentação das leis destinadas aos resíduos sólidos, coleta seletiva no Brasil e diferentes métodos de disposição final do lixo e, por fim, mostrar qual a percepção das diferentes categorias presentes no município de Viçosa – MG, em relação aos resíduos sólidos. Diante disso, vê-se a necessidade de investir em mudanças, sensibilizando a população, a fim de mostrar-lhes a necessidade de se conhecer mais o problema para que se assumam novas posturas referentes à questão ambiental. Palavras chave: Resíduos Sólidos, Percepção Ambiental, Meio Ambiente. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO...............................................................................................10 2. OBJETIVOS...................................................................................................12 2.1. OBJETIVO GERAL.....................................................................12 2.2. OBJETIVOS ESPECIFICOS.......................................................12 3 -METODOLOGIA.............................................................................................13 4 - RESÍDUOS SÓLIDOS: DO LIXO AO RESÍDUO...........................................14 5 – UMA BREVE CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS..........................................................................................................16 14 6 – LEGISLAÇÃO AMBIENTAL APLICADA AOS RESÍDUOS SÓLIDOS........21 7 – PANORAMA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS NO BRASIL............27 7. 1 - A COLETA SELETIVA NO BRASIL...........................................27 7. 2 – MÉTODOS DE TRATAMENTO/DISPOSIÇÃO FINAL..............31 7. 2.1 – Incineração............................................................................33. 7. 2.2 – Aterros Sanitários.................................................................33 7. 2.3 – Compostagem.......................................................................35. 7. 2.4 – Reciclagem............................................................................35. 8 - A PERCEPÇÃO AMBIENTAL........................................................................37 8.1 - A PERCEPÇÃO DO LIXO SEGUNDO ATORES SOCIAIS DO MUNICIPIO DE VIÇOSA......................................................................38 9 - CONCLUSÃO..................................................................................................43 10 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................45 10 1 - INTRODUÇÃO Há muito tempo começou a se falar em poluição, meio ambiente, ecossistemas. O homem começou a perceber que estava agredindo a natureza, através do lançamento de esgotos, de resíduos sólidos, de resíduos industriais, tóxicos ou não tóxicos no meio ambiente. Os resíduos sólidos são resultantes das diversas atividades do homem e podem causar impacto negativo ao meio ambiente. No dia-a-dia o homem produz diversos resíduos, para os quais nem sempre existem soluções de destino final adequados. Com a crescente industrialização, o aumento populacional, bem como a produção individual de resíduos, o seu destino final foi-se agravando no mundo, devido aos volumes cada vez maiores envolvidos (FERNANDES, 1999). No Brasil a contribuição per capita de resíduos sólidos é de aproximadamente 0,6 Kg/dia sendo que muitas das vezes a disposição final tem sido realizada a céu aberto, favorecendo o desenvolvimento de vetores, germes causadores de diversas doenças, formando gases que causam mau odor e afetando seriamente a paisagem (BRITO, 1999). De acordo com o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no Brasil são coletados diariamente 90 mil toneladas de resíduos sólidos, valor correspondente aos resíduos domiciliares, industriais, e de varrição de rua (LEITE, 1997). Do total de resíduos sólidos urbanos produzidos no Brasil, 65% são constituídos de matéria orgânica putrescível. A matéria orgânica tem sido causadora da poluição, pois, veicula patógenos, contaminando a população mais carente que reside na periferia dos centros urbanos (PEREIRA NETO, 1993). Perante esta situação, algumas soluções são apontadas para a resolução do problema: a prevenção, a valorização, como reciclagem por exemplo, e por fim o destino final em aterro sanitário. No caso dos resíduos sólidos urbanos, em especial, a reciclagem tem importância na redução dos volumes em aterro sanitário, na proteção ambiental e na poupança energética (FERNANDES, 1999). Nesta perspectiva, apresenta-se um estudo que visa conhecer a percepção ambiental dos moradores de Viçosa – MG sobre conceito, geração e impactos causados pela destinação inadequada dos resíduos sólidos urbanos. 11 Para tanto, esta pesquisa foi estruturada de forma a contemplar a evolução, do conceito de lixo e como foi a sua transformação até chegar ao conceito de resíduo no contexto brasileiro, seguido com a caracterização e classificação dos diferentes tipos de resíduos sólidos, apresentação das leis que são destinadas aos resíduos sólidos, coleta seletiva no Brasil e dos diferentes métodos de disposição final do lixo e, por fim mostrar qual a percepção das diferentes categorias presentes no município de Viçosa – MG, em relação aos resíduos sólidos. 12 2 - OBJETIVOS 2.1. OBJETIVO GERAL Este trabalho tem como objetivo geral conhecer a percepção ambiental dos moradores do município de Viçosa - MG sobre o conceito, geração e impactos causados pela destinação inadequada dos resíduos sólidos urbanos. 2.2. OBJETIVOS ESPECIFICOS • Realizar uma revisão conceitual sobre resíduos sólidos urbanos; • Realizar entrevistas junto aos moradores da cidade de Viçosa – MG para conhecer a percepção ambiental sobre resíduos sólidos. • Levantar os principais impactos ambientais decorrentes da destinação incorreta dos resíduos sólidos em Viçosa. 13 3 - METODOLOGIA A pesquisa desse trabalho é transdisciplinar, porque envolve conceitos de várias áreas de conhecimentos. As vertentes metodológicas que foram utilizadas são comparativas onde foi analisado o nível de conhecimento sobre a percepção ambiental dos moradores do município de Viçosa - MG sobre o conceito, geração e impactos causados pela destinação inadequada dos resíduos sólidos urbanos. O pensamento é hipotético – dedutivo, de acordo com Ruiz (1982 p. 133), pensamento dedutivo é quando, “a partir de enunciados mais gerais dispostos ordenadamente como premissas de um raciocínio, chega a uma conclusão particular”. O presente estudo foi realizado na cidade de Viçosa situada na zona da Mata Mineira, região leste do estado de Minas Gerais. Viçosa possui uma população de 74. 171 de habitantes de acordo com os dados do IBGE (2009). Este estudo foi realizado numa abordagem qualitativa que constituiu em ir a campo e verificar “in loco” a pertinência dos dados procurados em relação às hipóteses, à adequação do instrumento aos objetivos da pesquisa e à objetividade das perguntas e dos procedimentos previstos. A metodologia aplicada foi pesquisa qualitativa, que de acordo com Chizzotti (1995), objetiva, provocar o esclarecimento de uma situação para uma tomada de consciência pelos próprios pesquisados dos seus problemas e das condições que os geram, a fim de elaborar os meios e estratégias de resolvê-los. Para a realização deste trabalho foi aplicado uma entrevista dirigida aos moradores do município de Viçosa em Minas Gerais. De acordo com Minayo (1994), entrevista é um instrumento que orienta uma conversa com finalidade e um facilitador de abertura, ampliação e aprofundamento de uma conversação. A apresentação dos resultados foi organizada em forma dissertativa através da análise de resultados, apresentando de forma clara, dando ênfase aos itens apontados nesse trabalho tendo como relevância os resultados e discussões da pesquisa. 14 4 - RESÍDUOS SÓLIDOS: DO LIXO AO RESÍDUO De acordo com o Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, "lixo é tudo aquilo que não se quer mais e se joga fora; coisas inúteis, velhas e sem valor." A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT – define o lixo como os "restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis, podendo-se apresentar no estado sólido, semi-sólido ou líquido, desde que não seja passível de tratamento convencional" (MONTEIRO, 2001). Por não existir diferença entre resíduos sólidos e lixo, por muitos anos os resíduos sólidos foram denominados lixos, porém, nos dias de hoje, denominam-se resíduos sólidos aqueles materiais separados, passíveis de reciclagem ou reaproveitamento, e denominam-se lixo os materiais misturados e acumulados (NAIME, 2009). No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio da Norma Brasileira (NBR) nº. 10.004 de 1987, apresenta a seguinte definição para resíduos sólidos: Resíduos nos estados sólidos e semi-sólido que resultam de atividades da comunidade de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004, p. 1). Os resíduos sólidos estão entre uma das principais causas da poluição do solo decorrentes da acumulação de embalagens de plástico, papel e metais, e de produtos químicos, como fertilizantes, pois o material sólido do lixo demora muito tempo para se decompor no ambiente. Já o lixo orgânico (como por exemplo, os restos de alimentos), no processo de decomposição, gera um líquido escuro, turvo e 15 malcheiroso altamente poluente denominado de chorume. Este efluente tem a capacidade de dissolver tintas, resinas e outras substâncias químicas de alta toxidade contaminando o solo, impedindo o desenvolvimento das plantas (NAIME, 2009). A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), através da Norma Regulamentadora NBR 10.004/2004, define resíduos sólidos como sendo: [...] aqueles que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (p. 01). Para Santos (2008), o problema se agrava uma vez que a população humana é crescente e o estilo de vida é caracterizado pela produção e consumo cada vez mais excessivo, contribuindo para a crescente geração de resíduos sólidos. 16 5 – UMA BREVE CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS Neste capítulo faremos uma breve caracterização e classificação dos resíduos sólidos. São várias as formas possíveis de se classificar o lixo. Segundo Júnior (2003), as características quali-quantitativas dos resíduos sólidos podem variar em função de diversos fatores, como sociais, econômicos, culturais, geográficos e climáticos. Pela definição apresentada no capitulo anterior entende-se que o lixo tem composição extremamente variada dependendo basicamente da natureza de sua fonte produtora. Além de suas origens, o lixo também varia qualitativa e quantitativamente com as estações do ano, com as condições climáticas, com os hábitos e o padrão de vida da população, etc. Resíduos Sólidos Urbanos: Resíduos domésticos ou residenciais; Resíduos comerciais e Resíduos Públicos, conforme descrição no Quadro 1. Quadro 01 - Classificação dos resíduos sólidos urbanos (componentes e periculosidade) Resíduos Sólidos Urbanos Classificação Origem Componentes/Periculosidade Doméstico Restos de alimentos, jornais, revistas, Residências ou embalagens vazias, frascos de vidros, Residencial papel e absorventes higiênicos, fraldas descartáveis, preservativos, curativos, embalagens contendo tintas, solventes, pigmentos, vernizes, pesticidas, óleos lubrificantes, fluido de freio, medicamentos pilhas, baterias, lâmpadas incandescentes e fluorescentes. Comercial Supermercados, bancos, Os componentes variam de acordo com a 17 lojas, bares, restaurantes atividade desenvolvida, mas de modo geral, se assemelham qualitativamente aos resíduos domésticos. Público Limpeza de: vias públicas, Podas, resíduos difusos (descartados praças, praias, geleiras, pela população): córregos, terrenos baldios, embalagens feiras livres, remoção entulho, gerais, papéis, alimentos, de cadáveres. animais mortos Fonte: BRASIL (2006) Tendo origens tão diversas é lógico que as suas características também variam grandemente, por isso cada lixo é identificado por sua composição e propriedades físicas e composição química, como exemplo: • Por sua natureza física: A composição física refere-se à ocorrência em peso dos materiais constituintes do lixo agrupados em categorias como as seguintes: papel e papelão, metais ferrosos, metais não ferrosos, plásticos, vidros, madeiras, borracha e couro, pano e estopa, louça e cerâmica e restos de alimentos. Além das categorias apresentadas há um resíduo não classificado em virtude da pequena importância de seus constituintes e que é denominado geralmente “agregado não classificado. (CONSULTEC, 1997, p. 1-1) • Por sua composição química: “A composição química do lixo obtém-se homogeneizando-se massa de resíduos e procedendo-se a determinações do percentual de carbono, Oxigênio, Hidrogênio, Enxofre, elementos metálicos e outros de menor interesse”. (CONSULTEC, 1997, p. 1-1) • Pelos riscos potenciais ao meio ambiente: Para a Lei 12. 305 de 02 de agosto de 2010, no seu art. 13, os resíduos sólidos tem a seguinte classificação: I - quanto à origem: 18 a) resíduos domiciliares: os originários de atividades domésticas em residências urbanas; b) resíduos de limpeza urbana: os originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana; c) resíduos sólidos urbanos: os englobados nos resíduos das alíneas “a” e “b”; d) resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços: os gerados nessas atividades, excetuados os referidos nos resíduos das alíneas “b”, “e”, “g”, “h” e “j”; e) resíduos dos serviços públicos de saneamento básico: os gerados nessas atividades, excetuados os referidos na alínea “c”; f) resíduos industriais: os gerados nos processos produtivos e instalações industriais; g) resíduos de serviços de saúde: os gerados nos serviços de saúde, conforme definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS; h) resíduos da construção civil: os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis; i) resíduos agrossilvopastoris: os gerados nas atividades agropecuárias e silviculturais, incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades; j) resíduos de serviços de transportes: os originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira; k) resíduos de mineração: os gerados na atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios; II - quanto à periculosidade: a) resíduos perigosos: aqueles que, em razão de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, regulamento ou norma técnica; b) resíduos não perigosos: aqueles não enquadrados na alínea “a”. Parágrafo único. Respeitado o disposto no art. 20, os resíduos referidos na alínea “d” do inciso I do caput, se caracterizados como não perigosos, podem, em razão 19 de sua natureza, composição ou volume, ser equiparados aos resíduos domiciliares pelo poder público municipal. (grifo nosso) Segundo a NBR 10.004/04 – Resíduos Sólidos – Classificação, os resíduos sólidos são classificados em: a) resíduos classe I – Perigosos: são aqueles que apresentam inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenecidade, ou seja, são aqueles que apresentam risco à saúde pública, provocando mortalidade, incidência de doenças ou acentuando seus índices ou riscos ao meio-ambiente, quando gerenciados de forma inadequada; b) resíduos classe II – Não perigosos: esses resíduos subdividem-se em resíduos classe II A – Não inertes e resíduos classe II B – Inertes; b1) resíduos classe II A – Não inertes: são aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos classe I – Perigosos ou de resíduos classe II B – Inertes. Esses resíduos podem ter propriedades de biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água. b2) resíduos classe II B – Inertes: São aqueles resíduos que quando submetidos a um contato dinâmico ou estático com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, não tenham nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor. (grifo nosso) Bidone (1999) e Antunes Lopes (2003) apresentam uma classificação para os resíduos sólidos quanto à sua origem ou fonte geradora, conforme a Figura 01. 20 Figura 01; Classificação dos Resíduos Sólidos A partir dessa classificação é determinada qual a destinação adequada para cada tipo de resíduo. 21 6 – LEGISLAÇÃO AMBIENTAL APLICADA AOS RESÍDUOS SÓLIDOS O Brasil já dispõe de várias normas, decretos e portarias, destinadas aos resíduos sólidos, algumas foram alteradas, outras revogadas e muitas ainda vigoram nos dias de hoje. De acordo com Júnior (2003), nas diferentes esferas governamentais, ainda são iniciativas recentes ou inexistem leis especificas de Política de Gestão de Resíduos Sólidos que estabeleçam objetivos, diretrizes e instrumentos em consonância com as características sociais, econômicas e culturais de estados e municípios. Entre os principais instrumentos legais e normativos de interesse do tema são citados brevemente. A Constituição Federal de 1998 estabelece em seu artigo 23, inciso VI, que “compete à União aos Estados, ao Distrito federal e aos Municípios proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer das suas formas”. A lei Federal n°. 6.938 de 1981, dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente, institui a sistemática de Avaliação Impacto Ambiental para atividades modificadoras ou potencialmente modificadoras da qualidade ambiental, com a criação da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) 1. A Lei de Crimes Ambientais (Lei n°. 9.605/1998) dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e dá outras providências. Em seu artigo 54, parágrafo 2º, inciso V, penaliza o lançamento de resíduos sólidos, líquido ou gasosos em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos. A Lei nº. 9795 de 27 de abril de 1999 dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. A Lei nº 11.445, de 05 de Janeiro de 2007, estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico e para a política federal de saneamento básico, onde considera-se limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos como: 1 A AIA é formada por um conjunto de procedimentos que visam assegurar que se realize exame sistemático dos potenciais impactos ambientais de uma atividade e de suas alternativas (JÚNIOR, 2003). 22 c) conjunto de atividades, infra-estruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas; (BRASIL, 2011). A Lei Federal n°. 12.305 de 02 de agosto de 2010, institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, dispondo sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis (BRASIL, 2011). Uma novidade importante foi a previsão da responsabilidade compartilhada na legislação brasileira, envolvendo sociedade, empresas, prefeituras e governos estaduais e federal na gestão dos resíduos sólidos. Estabelece, ainda, que as pessoas terão de acondicionar de forma adequada o lixo para o recolhimento do mesmo, fazendo a separação onde houver a coleta seletiva. A indústria de reciclagem e os catadores de material reciclável devem receber incentivos da União e dos governos estaduais (KONRAD, 2011). Outras Legislações federais de interesse desse estudo são: A Resolução CONAMA n.º 06, de 19 de setembro de 1991 dispõe sobre a incineração de resíduos sólidos provenientes dos serviços de saúde e dá outras providências e no seu art. 3, fala sobre definição de normas mínimas para tratamento de resíduos sólidos oriundos de serviços de saúde, portos e aeroportos, bem como a necessidade de estender tais exigências aos terminais ferroviários e rodoviários. Resolução CONAMA nº. 05, de 31 de março de 1993, que dispõe sobre o tratamento de resíduos gerados em estabelecimentos de saúde, portos e aeroportos e terminais ferroviários e rodoviários. A Lei ordinária 787/1997, que dispõe sobre o Programa de Prevenção de Contaminação por resíduos tóxicos, a ser promovido por empresas fabricantes de lâmpadas fluorescentes, de vapor de mercúrio, vapor de sódio e luz mista e dá outras providências. 23 A Resolução CONAMA n°. 237, de 19 de dezembro de 1997, que estabelece norma geral sobre licenciamento ambiental, competências, listas de atividades sujeitas a licenciamento, etc. Resolução CONAMA n°. 257, de 30 de junho de 1999, que define critérios de gerenciamento para destinação final ambiental adequada de pilhas e baterias. A Resolução CONAMA n°. 283/2001, que dispõe sobre o tratamento e a destinação final dos resíduos dos serviços de saúde. Assim complementando a resolução CONAMA nº. 05/93. A Política Nacional de Resíduos Sólidos regulamentou a destinação final dos resíduos no país e revolucionou a gestão dos resíduos gerados. De acordo com Konrad (2011), a Lei Federal estabelece questões importantes, dentre elas, as inovações trazidas pela lei está logística reversa, que determina que fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores realizem o recolhimento de embalagens usadas. Também incluíram nesse sistema produtos como agrotóxicos, pilhas, baterias, pneus, óleos lubrificantes, todos os tipos de lâmpadas e eletroeletrônicos. Da normatização técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) são citadas somente algumas mais especificas ao tema tratado2. NBR 7039/1987 – Pilhas e acumuladores eletrônicos – Terminologia. NBR 9800/1987 – Critérios para lançamento de efluentes líquidos industriais no sistema coletor público de esgoto sanitário – Procedimento. NBR 10004/1987 – Resíduos Sólidos – Classificação. NBR 7501/1989 - Transporte de produtos perigosos – Terminologia. NBR 11174/1990 – Armazenamento de resíduos classe II, nãoinerentes, e III, inerentes – Procedimentos. NBR 8419/1992 – Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos. NBR 12245/1992 – Armazenamento de resíduos sólidos perigosos – Procedimentos. 2 JÚNIOR. Armando Borges de Castilhos. Resíduos Sólidos Urbanos: aterro sustentável para municípios de pequeno porte. Rio de Janeiro: ABES, RIMA. 2003. 24 NBR 9190/1993 – Sacos plásticos – Classificação. NBR 9191/1993 – Sacos plásticos – Especificação. NBR 12807/1993 – Resíduos de serviços de saúde – Terminologia. NBR 12808/1993 – Resíduos de serviço de saúde – Classificação. NBR 12809/1993 – Manuseio de resíduos de serviços de saúde – Procedimento. NBR 13055/1993 – Sacos plásticos para acondicionamento de lixo – Determinação da capacidade volumétrica. NBR 13221/1994 – Transporte de resíduos – Procedimento. NBR 7500/1994 – Símbolos de riscos e manuseio para o transporte e armazenamento de materiais. NBR 13463/1995 – Coleta de resíduos sólidos – Classificação. NBR 10005 – Lixiviação de resíduos. NBR 10006 – Solubilização de resíduos. NBR 10007 – Amostragem de resíduos. NBR 13896/1997 – Aterros de resíduos não perigosos – Critérios para projeto, implantação e operação. Pensando na descentralização das ações, este trabalho cita agora algumas legislações a nível estadual, onde se prende ao Estado de Minas Gerais. A Lei Estadual 7.772 de 8 de setembro de 1980, que dispõe sobre a proteção, conservação e melhoria do meio ambiente no Estado de Minas Gerais. A Lei nº 14.128, de 19 de dezembro de 2001, dispõe sobre a Política Estadual de Reciclagem de Materiais e sobre os instrumentos econômicos e financeiros aplicáveis à Gestão de Resíduos Sólidos. Em 12 de janeiro de 2009, foi promulgada no estado de Minas Gerais a Lei 18.0313, que dispõe sobre a Política Estadual de Resíduos Sólidos. Esta Lei estabelece os princípios, as diretrizes, os instrumentos e tem como objetivo: 3 A Lei nº 18.031, de 12 de janeiro de 2009 (Publicação – Diário do Executivo – “Minas Gerais” 13/01/2009) que dispõe sobre a Política Estadual de Resíduos Sólidos alterou a ementa desta lei que continha a seguinte redação: “Dispõe sobre a Política Estadual de Reciclagem de Materiais.” 25 I - estimular a gestão de resíduos sólidos no território do Estado, de forma a incentiva-, fomentar e valorizar a não-geração, a redução, a reutilização, o reaproveitamento, a reciclagem, a geração de energia, o tratamento e a disposição final adequada dos resíduos sólidos; II - proteger e melhorar a qualidade do meio ambiente e preservar a saúde pública; III - sensibilizar e conscientizar a população sobre a importância de sua participação na gestão de resíduos sólidos; IV - gerar benefícios sociais, econômicos e ambientais; V - estimular soluções intermunicipais e regionais para a gestão integrada dos resíduos sólidos; VI - estimular a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias e processos ambientalmente adequados para a gestão dos resíduos sólidos (Art. 8° da Lei 18.031). A Deliberação Normativa Conselho Estadual de Política Ambiental COPAM nº. 118, 27 de junho de 2008, altera os artigos 2º, 3º e 4º da Deliberação Normativa 52/2001, estabelece novas diretrizes para adequação da disposição final de resíduos sólidos urbanos no Estado, e dá outras providências. A Constituição Federal de 1988 e normas legais posteriores, como a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA nº 237/97, abrem espaço para que os municípios assumam papel complementar às esferas federal e estadual na gestão ambiental, especialmente quanto ao licenciamento de atividades poluidoras. Assim, uma vez que as responsabilidades sobre as questões ambientais são de todos os entes federativos, é preciso que os Municípios também assumam a sua parte, estabelecendo mecanismos de cooperação com o Estado e com os outros Municípios. Em cada Município, podem ser estabelecidas secretarias, órgãos ou autarquias para darem cumprimento à legislação ambientais do país. Conforme a Resolução CONAMA n.º 237, de 19 de dezembro de 1997, “a competência municipal pelo licenciamento ambiental está limitada às atividades e empreendimentos de impacto ambiental local e àquelas delegadas por convênio firmado com os órgãos ambientais”. Ao elaborar suas leis, o Município deve atentar para o fato de que os padrões locais não poderão ser mais permissivos que o padrão fixado em âmbito federal e estadual. Caso o Município venha a descumprir a legislação, ele poderá ser desabilitado, com o retorno da competência para os órgãos ambientais estaduais, assim como ocorre nos Municípios não habilitados (CREA, 2004). 26 A Fundação Estadual do Meio Ambiente - FEAM consolidou uma primeira proposta para descentralização das atividades de licenciamento e fiscalização ambiental em abril de 1998. Após debates foi aprovada a Deliberação Normativa COPAM n.º 029, de 9 de setembro de 1998, estabelecendo diretrizes para a cooperação técnica e administrativa com os órgãos municipais do meio ambiente, visando ao licenciamento e à fiscalização de atividades de impacto ambiental local. Deliberação Normativa COPAM nº 52, de 14 de dezembro de 2001, convoca municípios para o licenciamento ambiental de sistema adequado de disposição final de lixo e dá outras providências. No entanto, em 2006, a Deliberação Normativa COPAM n.º 029, de 1998, foi totalmente revogada e substituída pela Deliberação Normativa COPAM n.º 102, de 30 de outubro de 2006 (AGNES, CALEGARI, GATTO & STANGERLIN, 2009). Deliberação Normativa COPAM Nº 119, de 27 de Junho de 2008, reitera a convocação aos municípios com população urbana acima de 30.000 habitantes, que não cumpriram os prazos estabelecidos na DN 105/2006, a formalizarem processo de licenciamento ambiental para sistema de tratamento e/ou disposição final de resíduos sólidos urbanos e dá outras providências. O município de Viçosa instituiu seu Código de Meio Ambiente por meio da Lei 1.523, de 27 de dezembro de 2002. Esse instrumento define e descreve a Política Ambiental de Viçosa e o seu Sistema Municipal de Meio Ambiente, em que se insere o Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente CODEMA. (ANDRADE, 2007). De acordo com o artigo 2° do Código de Meio Ambiente da cidade de Viçosa-MG, Este Código, fundamentado no interesse local, regula a ação do Poder Público Municipal e sua relação com os cidadãos e instituições públicas e privadas, preservação, conservação, defesa, melhoria, recuperação e controle do meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum e essencial à sadia qualidade de vida. 27 7 – PANORAMA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS NO BRASIL 7. 1 - A COLETA SELETIVA NO BRASIL No Brasil a coleta seletiva iniciou-se, de forma sistemática e documentada, em abril de 1985, no bairro de São Francisco localizado na cidade de Niterói no Rio de Janeiro. A partir desta data, várias outras cidades começaram a fazer coleta seletiva, no qual em 1995 foi constatada a existência de 82 programas (OLIVEIRA, 2008). O lixo gerado pela população causa enormes dificuldades na forma de disposição e tratamento final, logo a coleta seletiva é o principal e mais simples sistema de controle dos resíduos sólidos domésticos (PENATTI & SILVA, 2008). De acordo com o art. 3° da Lei 12.305/2010, entende-se por coleta seletiva: coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme sua constituição ou composição; O conhecimento da produção e constituição dos resíduos sólidos, bem como a destinação das características do lixo coletado ou que potencialmente poderiam ser produzidos, é fator fundamental para orientação e planejamento de métodos e sistemas de acondicionamento, coleta, transporte e destino final do lixo das comunidades humanas (CONSULTEC, 1997). Desta forma, segundo o Instituto GEA (2011), coleta seletiva consiste em separar o lixo, para que ele seja enviado para reciclagem, separando assim, os materiais passíveis de serem reaproveitados (plásticos, vidros, papéis, metais) com o resto do lixo (restos de alimentos, papéis sujos). A coleta seletiva, tanto pode ser realizada por uma pessoa sozinha, que esteja preocupada com o montante de lixo que estamos gerando (desde que ela planeje com antecedência para onde vai encaminhar o material separado), quanto por um grupo de pessoas (empresas, condomínios, escolas, cidades, etc.). A coleta seletiva não só contribui para a redução da poluição causada pelo lixo, como também proporciona economia de recursos naturais – matérias-primas, 28 água e energia – e, em alguns casos, pode representar a obtenção de recursos, advindos da comercialização do material. Existem quatro principais modalidades de coleta seletiva são: domiciliar, em postos de entrega voluntária, em postos de troca e por catadores. • A coleta seletiva domiciliar assemelha-se ao procedimento clássico de coleta normal de lixo. Porém, os veículos coletores percorrem as residências em dias e horários específicos que não coincidam com a coleta normal. • A coleta em PEV - Postos de Entrega Voluntária ou em LEV - Locais de Entrega Voluntária utiliza normalmente contêineres ou pequenos depósitos, colocados em pontos fixos, onde o cidadão, espontaneamente, deposita os recicláveis. • A modalidade de coleta seletiva em postos de troca se baseia na troca do material entregue por algum bem ou benefício. • A coleta realizada por catadores, segundo Gonçalves (2011), pode ser de quatro tipos: trecheiros, que são aqueles que vivem no trecho entre cidades, catando lata para conseguir renda para se alimentarem; catadores do lixão, que fazem seu próprio horário e catam há muito tempo ou somente quando estão sem fazer outros tipos de serviços; catadores individuais, que trabalham de forma independente, puxando carrinhos que, em alguns casos, são emprestados pelo comprador (sucateiro ou deposista); e catadores organizados, que são grupos de pessoas legalizados ou em fase de legalização, como cooperativas, associações, ONGs ou OSCIPs. O catador presta um serviço à população coletando materiais que evitarão o consumo de novos recursos, economia em coleta e disposição final, além de tirar do lixo o seu próprio sustento. Quadro 02: Coleta Seletiva, no Brasil, por grupo de Municípios classificados por Faixas de População. 29 Fonte: Pesquisa ABRELPE 2010 Pelo quadro 02 nota-se que no Brasil no ano de 2010, os municípios com população urbana de até 49.999 habitantes, 39% praticam a coleta seletiva. Nos municípios que possuem população entre 50.000 e 99.999 habitantes, 66% tem coleta seletiva. Já nos municípios que tem população entre 100.000 e 499.999 habitantes, 84% tem coleta seletiva e, nos municípios com população maior que 500.000 mil habitantes, 92% tem coleta seletiva. Isso mostra os municípios que praticam a coleta seletiva são os de maior porte. Existem quatro formas de operar um sistema de coleta seletiva de lixo domiciliar: a coleta domiciliar, os postos de entrega voluntária, a coleta em postos de troca, que se baseia na troca do material entregue por algum bem ou beneficio e, finalmente, a coleta por catadores, sendo este importante para o abastecimento do mercado de materiais recicláveis e como suporte para as indústrias de reciclagem. O seu sucesso se deve principalmente aos investimentos em sensibilização e conscientização da população (SOARES, SALGUEIRO & GAZINEU, 2007 Apud D`ALMEIDA & VILHENA, 2000). Diante do exposto, a coleta seletiva gera benefícios ambientais, através da diminuição da destinação de resíduos para áreas impróprias, e também benefícios sociais, ao difundir informações sobre a problemática do lixo para a população (PENATTI. & SILVA, 2008). Quadro 03 – Quantidades de Municípios com Iniciativas de Coleta Seletiva em 2010. 30 Iniciativas de Norte Nordeste Centro- Sudeste Sul BRASIL Oeste Coleta Seletiva Sim 205 624 129 1.326 923 3.207 Não 244 1.170 337 342 265 2.358 Total 449 1.794 466 1.668 1.188 5.565 Fonte: Pesquisa ABRELPE 2010. Pelo quadro 03 nota-se que as regiões Sudeste e Sul do país são mais expressivas no que diz respeito à coleta seletiva, porém o melhor seria se esse número crescesse ainda mais. Nota-se também que nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste os municípios com essa iniciativa são poucos e que esse número deveria aumentar, se tornando mais expressivo. No Brasil, em geral, 57,63% dos municípios praticam a coleta seletiva e 42,37% não praticam. Portanto, nota-se que a coleta seletiva no país ainda é pequena, não apresentando uma boa realidade e deveria, portanto, ser implantada em um maior número de municípios, já que diminuiria os problemas ambientais causados pela destinação incorreta do lixo, havendo uma menor degradação do meio ambiente, além de gerar emprego, renda e a reutilização desses materiais. A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2000, realizada pelo IBGE, revela que em 2000, o lixo produzido diariamente no Brasil chegava a 125.281 toneladas, sendo que 47,1% era destinado a aterros sanitários, 22,3 % a aterros controlados e apenas 30,5 % a lixões. Ao perceber o impacto causado por esses materiais no meio ambiente, vêse porque é tão importante a reciclagem dos mesmos. Apesar do valor econômico que se pode receber reciclando-os, nota-se que essa atitude vai muito, além disso: essa atitude gera uma melhor qualidade de vida e um país mais responsável pela geração de resíduos sólidos. O lixo é responsável por um dos grandes problemas ambientais e sociais do tempo atual, pois demora para se decompor e pode trazer danos a saúde da população, transmitindo doenças, pois muitas vezes o lixo fica exposto e os vetores se proliferam, espalhando risco de contaminação, vê-se o quão importante é o acondicionamento e o tratamento adequado desse lixo. 31 7. 2 – MÉTODOS DE TRATAMENTO/DISPOSIÇÃO DO LIXO O Brasil possui grande potencial de reciclagem de resíduos sólidos como vidros, papel, embalagens, alumínios e outros, e a Política Nacional de Resíduos Sólidos, dinamiza a coleta desses materiais e viabiliza sua reutilização, através da reciclagem. De acordo com o art. 30 da Lei 12.305/2010, entende-se por reciclagem processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à transformação em insumos ou novos produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes do Sisnama e, se couber, do SNVS e do Suasa. Desta forma, reciclagem é um método de gerenciamento de resíduos baseado no reaproveitamento do material já usado, em novos produtos que podem ser comercializados. Exemplo: papéis velhos retornam às indústrias e são transformados em novas folhas. São vários os tipos de resíduos que podem ser destinados a reciclagem, abaixo citamos os resíduos domiciliares mais comuns que estão divididos em: • Vidro: potes de alimentos (azeitonas, milho, etc), garrafas, frascos de medicamentos, cacos de vidro. • Papel: jornais, revistas, folhetos, caixas de papelão, embalagens de papel. • Metal: latas de alumínio, latas de aço, pregos, tampas, tubos de pasta, cobre, alumínio. • Plástico: potes de plástico, garrafas PET, sacos plásticos, embalagens e sacolas de supermercado. No Brasil, segundo Vailati (1998), a coleta dos resíduos sólidos, transporte e destinação final é de responsabilidade das prefeituras municipais, o que inclui o lixo domiciliar, o comercial e o público. A coleta municipal também pode coletar os resíduos assépticos dos estabelecimentos de saúde e os decorrentes de terminais rodoviários e ferroviários, bem como os entulhos dependendo do entendimento que cada cidade adotar para a questão. Já os demais (industriais, sépticos e os produzidos em portos e aeroportos) requerem cuidados especiais quanto ao seu 32 acondicionamento, coleta, transporte e destinação final, devido à periculosidade real ou potencial à saúde humana e ao meio ambiente. Uma das possibilidades de destinação final do lixo é quando o resíduo coletado, pelas prefeituras ou por uma companhia particular, é levado a um depósito, juntamente com o lixo de outras residências da área. Neste local, poderá haver alguma seleção - sobras de metal, por exemplo, são separadas e reaproveitadas. O restante é enterrado em aterros. Além dos aterros (sanitários ou controlados) existem outros destinos, como as usinas de compostagem e os incineradores (FARIA, 2009). De acordo com o artigo 3°, inciso VII da Lei 12.305/2010, entende-se por destinação final ambientalmente adequada, aquela que inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações admitidas nesta Lei; Há ainda normas específicas sobre incineração, reciclagem e outras formas de tratamento dos resíduos que são empregadas antes da disposição final, ou seja, os resíduos coletados passam por estas etapas e somente o que sobra delas (ou o que não pode ser mesmo aproveitado) é destinado para os aterros. Assim, consegue-se aumentar a vida útil do mesmo (FARIA, 2009). Diversos são os métodos e processos para disposição do lixo; descrevese a seguir os de uso mais freqüente e aqueles que se encontram em fase de comprovação de viabilidade técnico-econômica. 33 7.2.1 Incineração De acordo com Lima (1995), a incineração é definida como o processo de redução de peso e volume do lixo através de combustão controlada. Os processos de incineração já são utilizados há muito tempo. De acordo com a Consultec (1997), eles são designados basicamente a reduzir de 80 a 90 % o volume de lixo a ser destinado ao local de disposição. A poluição ambiental é um inconveniente sério do processo: as autoridades exigem instalações anti-poluição cada vez mais eficientes e onerosas. Outro processo utilizado consiste em submeter o material orgânico do lixo a um processo de fermentação, controlada ou não, de modo a se obter um produto que possua qualidades de condicionador de solo (processos de compostagem). O processo pode empregar ou não lamas de esgoto para melhoria das condições controladas de fermentação. Atualmente desenvolvem-se sérios esforços no sentido de se recuperar energia do lixo sob a forma de combustível prontamente aceitável pelo mercado. Segundo a Consultec (1997), o encarecimento mundial da energia está incentivando um grande interesse em torno desses processos. A preocupação com a recuperação dos recursos presentes no lixo, além da recuperação de energia, vem assistindo ao nascimento de diversos processos para separação de outros recursos mele existentes, tais como metais, papéis, vidros, etc. Estes processos normalmente são combinados aos demais processos de tratamento, podendo precedê-los ou antecedê-los. 7.2.2 - Aterros Sanitários Considera-se o aterro sanitário como um método de disposição do lixo no solo que não cause danos ao meio ambiente e que não provoque moléstias ou perigosos à saúde pública. Este método, de acordo com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, é definido como um processo utilizado para a disposição de resíduos 34 sólidos no solo, que permite segurança no que diz respeito ao controle da poluição ambiental e proteção ao meio ambiente, quando fundamentado em critérios de engenharia e normas operacionais específicas (LIMA, 1995). Constitui-se num dos métodos mais antigos de disposição final, sendo a forma de destinação final mais utilizada no Brasil. Segundo o IBGE (2000), 30,5% dos resíduos sólidos domésticos são dispostos a céu aberto ou lixões, 22,3%, em aterros controlados e 47,1% têm disposição adequada na forma de aterro sanitário. Os aterros sanitários modernos incorporam uma série de aspectos de projeto e operação, minimizando os impactos ambientais decorrentes da fase de implantação, operação e encerramento. Entretanto, no Brasil observa-se que a maioria dos aterros de resíduos não possui critérios de implantação, operação e de monitoramento ou, simplesmente, não são adotados, dificultando o monitoramento dos líquidos percolados e gases gerados no processo de digestão anaeróbia dos resíduos dispostos (JÚNIOR et al 2002). Além da compactação e confinamento, num aterro sanitário são necessárias outras medidas de proteção ao meio ambiente, relacionadas com o controle dos líquidos e gases produzidos pela decomposição do lixo. Com efeito, a passagem de água percolada através da massa de lixo em decomposição, carreia substancias orgânicas, sais minerais, gorduras e outros elementos, dissolvidos ou em suspensão, que formam liquido de características altamente poluentes. Estes líquidos podem ir a rios, lagoas, baias, etc., ou mais comumentes ao lençol freático da área do aterro. Desta forma os gases e o chorume resultantes da decomposição do lixo são coletados e tratados para não causar mau cheiro e contaminação do lençol freático (CONSULTEC, 1997). De acordo com LIMA (1995), as principais vantagens da utilização de aterros sanitários são: Menores custos de investimento e operação; disposição do lixo de forma adequada; capacidade de absorção de área de grande quantidade de resíduos; condições especiais para a decomposição biológica da matéria orgânica presente no lixo. 35 7.2.3 – Compostagem De acordo com Fernandes (1999) apud Pereira Neto define compostagem como um processo aeróbio controlado, onde se desenvolvem sucessivas populações de microorganismos, combinando etapas de atividade mesofílicas e termofílicas, onde a primeira fase é de intensas reações bioquímicas de degradação onde a taxa de arejamento é muito importante (fase ativa) e a segunda fase é a ocorrência dos processos de humificação (fase de maturação), que permitem a obtenção de um produto final seguro. 7.2.4 - Reciclagem De acordo com o Instituto do PVC (2011), a Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA/USA) define reciclagem mecânica como "a coleta, processamento, comercialização e uso dos materiais considerados lixo". Já a definição encontrada em dicionário, traz a reciclagem como "o processo pelo qual passa um mesmo material, já utilizado para fazer o mesmo produto ou um produto equivalente". Sendo assim, a reciclagem consiste num processo de transformação de materiais, previamente separados, de forma a possibilitar a sua recuperação. A reciclagem é importante, de acordo com Russo (2003), pois aumenta a flexibilidade dos aterros sanitários, ocorre minimização de resíduos para deposição final, reduz os impactos ambientais, economiza energia e recursos naturais. Um benefício da reciclagem segundo Rosa et al (2005) apud Moura (2000) é o reaproveitamento de matérias primas tais como: papel, plásticos, latas de alumínio e de aço, vidro, orgânicos e outros, onde uma nova quantidade de materiais é produzida a partir do material captado no mercado e re-processado para ser comercializado. Isso acarreta em economia de energia e matéria prima. Cada latinha de alumínio reciclada, por exemplo, economiza energia elétrica equivalente ao consumo de um aparelho de TV ligado durante três horas. Já o papel economiza cerca de aproximadamente 60% e o vidro 30%. A cada 28 toneladas de papel 36 reciclado evita-se o corte de 1 hectare de floresta. Enquanto que para fabricar 1 tonelada de papel novo precisa-se de 50 a 60 eucaliptos, 100 mil litros de água e 5 mil KW/h de energia. Para a reciclagem do papel é preciso 1200 kg de papel velho, 2 mil litros de água e de 1000 a 2500 KW/h. 37 8 - A PERCEPÇÃO AMBIENTAL O tema meio ambiente é muito falado no Brasil, por isso é importante a correta percepção da população sobre o assunto. Segundo Davidoff (1983) apud Andretta & Azevedo (2011), define-se percepção como o processo de organizar e interpretar sensações para desenvolvermos a consciência ambiental. A percepção ambiental é caracterizada pelas diversas formas que as pessoas percebem a realidade, sendo importante por ser o processo que desperta a conscientização do ser humano em relação às realidades ambientais observadas (MACEDO, 2000 apud ANDRETTA & AZEVEDO, 2011). A percepção ambiental, segundo Villar et al (2008), é definida como o ato de perceber o ambiente e pelas formas como as pessoas compreendem e se comunicam com o mesmo. Portanto cabe investigar como a comunidade se relaciona com o ambiente e, a partir de então, implementar ações de educação sanitária e ambiental. Essa percepção ambiental nos conduz a uma conscientização e responsabilidade de conservação da natureza, como condição de manutenção da sobrevivência humana. A análise de percepção ambiental entre diversas pessoas revela uma diferente percepção em relação ao tema, o que é essencial para a estruturação, organização e realização de projetos e programas de educação ambiental em unidades de conservação (ANDRETTA & AZEVEDO, 2011). Assim, o estudo da percepção ambiental é importante para uma melhor compreensão da relação entre homem e ambiente, sendo importante considerar sua avaliação sobre o assunto. Portanto o presente trabalho teve o objetivo de conhecer a percepção ambiental dos moradores do município de Viçosa - MG sobre o conceito, geração e impactos causados pela destinação inadequada dos resíduos sólidos urbanos. 38 8.1 - A PERCEPÇÃO DO LIXO SEGUNDO ATORES SOCIAIS DO MUNICIPIO DE VIÇOSA A pesquisa de campo foi realizada com quatro entrevistados: um gari de 38 anos que possui ensino médio incompleto (7ª série), uma dona de casa de 51 anos que apresenta o segundo grau, um comerciante (balconista) de 26 anos que possui o primeiro grau, um técnico administrativo – funcionário da Universidade Federal de Viçosa - UFV de 40 anos que possui o ensino superior incompleto. Buscou-se conhecer a percepção ambiental de quatro moradores de Viçosa – MG sobre conceito, geração e impactos causados pela destinação inadequada dos resíduos sólidos urbanos. Procurou-se entrevistar diferentes profissionais a fim de conhecer as diferentes opiniões e entendimentos sobre o assunto. Pergunta 1 - O que é lixo? Ao questionar o conceito de lixo percebeu-se que os entrevistados mostraram como resposta que “lixo é tudo aquilo que é produzido, usado e descartado”. Apenas o comerciante apresentou como resposta que “lixo é o que não se aproveita para reciclar, não tem finalidade especificada, e aquilo que não se aproveita para mais nada”. Nota-se que nas respostas não há nenhuma evidência de noção de reaproveitamento e reciclagem, muito pelo contrario, dizem até que lixo não se aproveita, tampouco têm conhecimento das diversas classes de resíduos existentes. 39 Pergunta 2 - O que são resíduos sólidos? Ao indagar o que são resíduos sólidos nota-se que o catador tem uma percepção mais voltada ao lado ambiental. Ele relata que “resíduo sólido é boa parte do lixo que pode ser usado para ajudar a natureza”. Já a dona de casa acha que “resíduo sólido é o mesmo que lixo”, e cita exemplos de metais, garrafas pet, materiais químicos, baterias, pilhas, produtos eletrônicos. Segundo a percepção do comerciante “resíduo sólido é aquilo que demora mais para se decompor”, como por exemplo, garrafas pet, sacolas plásticas, caixas de papelão, latas e vidros. E, segundo o funcionário da UFV “resíduos sólidos são garrafas pet, sacolas, latas, papelão”. Nota-se que os entrevistados não apresentam uma definição de resíduos sólidos consistente e muitas vezes, sem saber definir, usam exemplos para tentar explicar. Pergunta 3 – Que tipo de lixo é produzido em sua residência? Ao questionar o tipo de lixo que produzem, pode-se perceber que o catador relatou produzir “lixo orgânico e doméstico”, a dona de casa produz o “lixo orgânico tais como: restos de alimentos como cascas, folhas, restos de comida em geral, além de materiais como plásticos, garrafas, sacolas, papel, vidros, metais”. Já o comerciante produz em sua residência, em maior parte, “papel, plástico e sobras de alimentos”, e o funcionário da UFV produz o “lixo orgânico como, por exemplo, restos de frutas, legumes e de comida, e lixo reciclável como, papéis, plásticos e latas”. 40 Pergunta 4 – Como você acondiciona o lixo? Ao serem questionados sobre a forma que acondicionam o lixo, verifica-se que o catador e o comerciante “acondicionam o lixo em sacolas plásticas”. Já a dona de casa “acondiciona o lixo em sacos plásticos dentro de um cesto de lixo com tampa”, e o funcionário da UFV “acondiciona em sacolas plásticas e caixas de papelão”. Nota-se que a forma como os entrevistados acondicionam o lixo é praticamente a mesma: sempre em sacolas plásticas, que por sua vez, degradam o meio ambiente de forma expressiva. Pergunta 5 – Você separa o lixo para coleta seletiva? Questionou-se também se os entrevistados separam o lixo para coleta seletiva. O catador relatou “não separar o lixo pelo fato de não haver coleta seletiva em seu bairro”. A dona de casa disse “colocar o lixo em uma sacola plástica e entregá-lo às pessoas que reciclam e que, apenas de vez em quando, o leva em algum local de coleta, já que há poucos locais na cidade que realizam esse trabalho”. Já o comerciante explicou que “separa apenas as caixas de papelão, que chegam ao comércio, e as entrega para os catadores que passam para pegá-las”. Por sua vez, o funcionário da UFV, disse que “o lixo é separado parcialmente, sendo o lixo que não é orgânico colocado em uma caixa ou sacola plástica e levado às cooperativas”. Nota-se que, na cidade, não há coleta seletiva em alguns bairros e falta locais que realizem esse tipo de trabalho, que é uma falha do município já que a coleta seletiva, de acordo com Penatti & Silva (2008) apud Monteiro (2001), é um importante instrumento para a aquisição do conhecimento das interações ambientais e estimula a conscientização ambiental bem como os princípios de cidadania pela população. 41 Ainda de acordo com Penatti & Silva (2008), a coleta seletiva é considerada uma forma de preparo dos materiais para uma destinação diferenciada dos resíduos recicláveis, reduzindo assim, o encaminhamento para locais impróprios para a sua disposição final. Pergunta 6 - Qual é o melhor local para destinação do lixo produzido? Ao questionar qual é o melhor local para destinação do lixo produzido, o catador respondeu que “o melhor local seria uma parte deste lixo, às usinas de reciclagem e, outra parte, ao aterro sanitário”. A dona de casa respondeu que “o melhor local para sua destinação é um aterro sanitário e, os recicláveis, devem ser destinados a locais com esse fim”. Já para o comerciante, “o melhor local para destinação seria em um aterro sanitário”. E para o funcionário da UFV “o melhor local para destinação seria: os orgânicos em aterros, os recicláveis a cooperativas e o hospitalar a incineradores”. Pelas respostas, nota-se que os entrevistados acreditam que estes resíduos não podem simplesmente ser descartados em córregos ou lixões, devendo ser destinado ao local mais adequado de acordo com a sua característica. Pergunta 7 – Quais são os principais problemas causados pela destinação incorreta do lixo? Você acha que poderia contribuir para evitar ou diminuir esses problemas? Como? Por fim, questionaram-se quais são os principais problemas causados pela destinação incorreta do lixo e como poderiam contribuir para evitar ou diminuir esses problemas. O catador disse que “os principais problemas causados pela destinação incorreta do lixo são a contaminação do solo e da água. E que a forma de contribuir para reduzi-los é diminuindo a sua produção, além de coletas seletivas para reciclagem”. A dona de casa disse que “os principais problemas causados pela 42 destinação incorreta do lixo são: poluição de rios, do ar e da água, enchentes, contaminação do solo, cidade suja”. Para minimizar tais impactos, a dona de casa sugeriu que, “todos devem contribuir reciclando o lixo, não jogando-o em locais inapropriados como em rios e nas ruas, substituir sacolas plásticas por sacolas retornáveis, serem reutilizados na fabricação de artesanatos e outras formas de aproveitamento”. Já o comerciante disse que “os principais problemas causados pela destinação incorreta do lixo são o entupimento de bueiros e poluição das ruas. E que a forma de contribuir para reduzi-los é fazendo a reciclagem do lixo gerado”. Por sua vez, o funcionário da UFV disse que “os principais problemas causados pela destinação incorreta do lixo são a poluição da cidade deixando-a com uma aparência ruim, enchentes, bueiros entupidos. E que, para contribuir ou diminuir esses problemas, a população deveria fazer a sua parte, o Estado deveria investir em educação afim de que futuras gerações aprendam, desde cedo, que não se deve sujar e apresentem soluções para o problema”. Percebe-se que os problemas citados pelos entrevistados estão relacionados a questões estéticas, como na resposta da dona de casa que citou como problema “cidade suja”, o catador apontou “poluição da cidade” e o funcionário da UFV mencionou “aparência ruim”. Outra observação é com relação à poluição do solo e das águas apontadas em todas as respostas. Vale ressaltar que nenhum dos entrevistados mencionou problemas diretamente relacionados à saúde humana. Nota-se também que os entrevistados sabem os problemas que a destinação incorreta do lixo acarreta à sociedade e propõem soluções que poderiam contribuir para evitar ou diminuir esses problemas. 43 9 – CONCLUSÃO A fim de conhecer a percepção ambiental dos moradores do município de Viçosa – MG sobre conceito, geração e impactos causados pela destinação incorreta dos resíduos sólidos, realizou-se uma entrevista com quatro diferentes profissionais: catador, dona de casa, comerciante (balconista) e funcionário (técnico administrativo) da Universidade Federal de Viçosa – UFV. A partir da entrevista realizada nota-se que todos os entrevistados possuem uma percepção limitada do que sejam lixo e resíduos sólidos. Sem conhecer as diferenças entre essas duas formas de materiais fica difícil saber qual é o melhor local para a sua destinação e qual destino será mais benéfico ao meio ambiente e, consequentemente à população. Segundo Soares, Salgueiro & Gazineu (2007) apud Pereira Neto (1993), “o lixo tem diversas conotações, como forma de percepção dos indivíduos, dentre elas a visão sociopolítica, pela qual a coleta, o transporte, o acondicionamento, o tratamento e a eliminação dos resíduos sólidos são considerados limpeza pública, portanto, uma atribuição que cabe ao poder público municipal”. Para o ser humano, o lixo não é um problema, pois acredita que a sociedade já encontrou a solução devida para o mesmo, achando que não precisa se preocupar com o lixo a partir do momento que o caminhão passa recolhendo-o de sua casa. Por isto, percebe-se a necessidade de preservar o meio ambiente e os recursos não renováveis, pois crescem exponencialmente à população e ao consumo, o que não acontece com as reservas naturais. Percebe-se que a população produz muito plástico em sua residência e para acondicionamento do lixo. O plástico demora muito para se decompor e se a população tomasse consciência disso, o pequeno gesto de acondicionar o lixo em um material menos agressivo ao meio ambiente já faria uma grande diferença. Nota-se que a separação do lixo é feita parcialmente, pois, segundo os entrevistados, o sistema de coleta ainda não é eficiente na cidade, faltando coleta em alguns bairros e havendo poucos locais que realizam esse tipo de trabalho. Eles acreditam que estes resíduos não podem simplesmente ser descartados em 44 córregos ou lixões, devendo ser destinado ao local mais adequado de acordo com a sua característica. Falta por parte da população iniciativa para que, ao saberem os benefícios que a separação e a destinação correta dos materiais trazem a eles e ao meio ambiente, possam tomar a iniciativa de separar totalmente o lixo e dar o destino correto a eles. Falta também iniciativa por parte do município de informar a população sobre os conceitos, as formas separar o lixo, as destinações corretas do lixo, os principais problemas causados pela destinação incorreta e a gravidade desses problemas, além de divulgar os pontos de coleta e aumentar o sistema de coleta na cidade. Os entrevistados sabem alguns dos problemas causados pela destinação incorreta do lixo e propõem medidas para evitar ou diminuir esses problemas. Porém, nota-se também que, ao mesmo tempo em que sabem o que poderia ser feito para minimizar tais impactos, não há tanta iniciativa, ação para começarem a praticar tais idéias. Para a conscientização das pessoas sobre o assunto, que tem como objetivo mudanças nas formas de consumo e geração de resíduos, bem como em poluição ambiental em suas três esferas: ar, solo e água, faz-se necessário uma educação ambiental como meio de difundir as informações para a população (PENATTI & SILVA, 2008). Diante disso, vê-se a necessidade de investir em mudanças, sensibilizando a população, a fim de mostrar-lhes a necessidade de se conhecer mais o problema para que se assumam novas posturas referentes à questão ambiental. 45 10 – REFERENCIAIS BIBLIOGRÁFICOS AGNES, Carina Cristina. CALEGARI, Leandro. GATTO, Darci Alberto. STANGERLIN, Diego Martins. Uma discussão sobre a descentralização da gestão ambiental. Revista Cientifica Eletrônica de Engenharia Florestal. Ano VIII – Número 14 – Agosto de 2009. Disponível em: < http://www.revista.inf.br/florestal14/pages/artigos/anoIXed15art06.pdf > Acesso em 25 de set. de 2011. ANDRADE, A.B. Análise do Licenciamento Ambiental do município de Viçosa, Minas Gerais. 2007. 85f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2007. Disponível em: <http://www.openthesis.org/documents/do-sistema-de-licenciamento-ambiental339526.html> Acesso em 25 de set. de 2011. ANTUNES LOPES, Adriana. 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