ANSIEDADE E ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Ana Caroline F. Landim1 Daniel do Nascimento Tavares2 Fernanda M. Pinheiro3 Fernanda S. Pessanha4 Juliana C. P. Gonçalves5 Linda Nice6 Introdução: A ansiedade configura um sentimento que participa da vivência do ser humano, sendo um estado de emoção que prepara o indivíduo para uma determinada situação no meio e contexto em que ele está inserido, e esta se torna patológica quando se apresenta de forma excessiva e desproporcional as necessidades, levando ao sofrimento1. Andrade at al 2, refere a ansiedade como um estado emocional que possui componentes psicológicos e fisiológicos, e constitui um dos transtornos psiquiátricos mais comuns na população geral. As manifestações clínicas da ansiedade patológica se manifestam nos indivíduos que experimentam uma variedade de situações ameaçadoras do cotidiano e se prendem aos aspectos negativos das mesmas. Os sinais e sintomas incluem tensão, inquietação interna, apreensão desagradável, opressão e desconforto subjetivo, preocupações exageradas, insônia, insegurança, irritabilidade, distraibilidade, desconcentração, desrealização, despersonalização1. Uma situação do cotidiano da 1 Acadêmica do 9º Período de Enfermagem. EEAAC- UFF. Email: [email protected] 2 Acadêmico 9º Período de Enfermagem. EEAAC- UFF. Acad. Bolsista INC. Email: [email protected] 3 Relatora. Acadêmica 9º Período de Enfermagem. EEAAC- UFF. IC FAPERJ Email:[email protected] 4 Acadêmica 9º Período de Enfermagem. EEAAC- UFF. PIBIC CNPQ. Email:[email protected] 5 Acadêmica 9º Período de Enfermagem. EEAAC- UFF. Acad. Bolsista INC. Email: [email protected] 6 Enfermeira. Profª Ms. Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psquiatria. EEAAC- UFF. Email: [email protected] 374 maioria dos indivíduos que pode ser um fator gerado de ansiedade patológica é o trabalho. Em um estudo entre profissionais de enfermagem mostrou que algumas situações de trabalho como instabilidade ou agravamento do estado de saúde de clientes, falta de material e recursos humanos, procedimentos de alta complexidade, relacionamentos com familiares do cliente e a realização da sistematização de enfermagem são fatores geradores de ansiedade3. Vê-se, então, que a demasiada sensação de ansiedade gera alterações emocionais que se projetam tanto no psicológico dos indivíduos quanto no fisiológico, podendo levar a somatização destas questões. Existem duas formas de diminuir a ansiedade, sendo o primeiro resolver logo o problema e superar os obstáculos através do enfrentamento da situação, e o segundo é fugir da ameaça e buscar criar estratégias de defesa reais ou imaginárias de forma a minimizar o impacto do transtorno. Diante destas questões expostas, o trabalho tem como questão norteadora: Os cuidados de Enfermagem estão abordando a ansiedade? O objetivo compreende encontrar produções na literatura científica que associem o transtorno de ansiedade com a assistência de enfermagem aos clientes vítimas deste sofrimento mental. Método: O trabalho em questão se trata de uma revisão bibliográfica. Sua construção foi realizada através da pesquisa de artigos no banco de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) no período de 10 a 13 de janeiro de 2013. A pesquisa utilizou o cruzamento dos descritores “Cuidados de Enfermagem” e “Ansiedade” com o operador boleano “and”, sendo encontrados 146 artigos no total. Os critérios de inclusão foram artigos com texto na íntegra em português, inglês e espanhol, estando dentro do corte temporal estipulado como sendo do ano 2010 a 2012. Resultados: Foram selecionadas 6 publicações científicas, onde somente 5 artigos (83,33%) foram encontrados na íntegra no idioma português e somente 1 artigo (16,66%) no idioma espanhol. De acordo com as doenças crônicos degenerativas, como por exemplo neoplasia e doenças respiratórias, dentre as publicações, 3 artigos (50%) mencionaram sobre a doença cardiovascular. Um total de 5 artigos (83,33) referiram sobre a importância no processo de humanização durante a sistematização da assistência de Enfermagem (SAE) do tangente ao acolhimento, percepção, clareza e interação com o paciente. Dentre os diagnósticos de 375 Enfermagem citados pelos artigos, 6 (100%) das publicações citaram sobre a ansiedade em algum momento no ambiente hospitalar pelo paciente ou familiar. Discussão: As doenças crônicos degenerativas estão correlacionadas com fatores socioeconômicos, além de cultural e ambiental. Estudos recentes apontam que, no Brasil, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por cerca de 32% dos óbitos. Estes fatores interferem de certa forma na qualidade de vida dos indivíduos e no surgimento das comorbidades. O processo de Enfermagem é fundamental para uma gestão que utiliza a SAE (Sistematização de Enfermagem) como ferramenta de assistência, de forma a ordenar e direcionar um cuidado com qualidade. Para que o processo de enfermagem ocorra, o enfermeiro deve aliar os conhecimentos científicos e tecnológicos às habilidades de observação, comunicação e intuição. Tem-se no Processo de Enfermagem a base de constituição da SAE, o qual é constituído de etapas que envolvem a identificação dos problemas de saúde do cliente, a realização do diagnóstico de enfermagem, a implementação do plano de cuidados, a realização das ações planejadas e a avaliação. No processo de entrevista, a anamnese envolve o relacionamento interpessoal e a comunicação entre enfermeiro e paciente, onde o acolhimento é essencial neste processo e a humanização faz-se necessariamente presente. A humanização foi citada na maioria dos artigos, o que reforça a importância desta situação dentro das instituições e serviços de saúde pelos profissionais. A humanização no cuidar em enfermagem é indispensável para estabelecer a interação e o relacionamento com os usuários dos serviços de saúde, incluindo os seus familiares e os profissionais de saúde. Dos mais diversificados diagnósticos que possam surgir no ambiente hospitalar a ansiedade é a mais referenciada. Um estudo transversal com 30 pacientes (15 homens e 15 mulheres) internados em uma enfermaria de clínica médica de um hospital universitário, que o diagnóstico de enfermagem “ansiedade” foi identificado em 12 homens e 11 mulheres, tendo como características definidoras com frequência acima de 50% a agitação (95,7%), seguida do estado ansioso (69,6%), insônia (65,2%) e preocupações expressas em razão de mudanças e eventos da vida (52,2%). Nestas situações referem-se ao medo do desconhecido, desde a ciência da doença até o tratamento e possíveis resultados. 376 Ressalta-se, ainda, a educação em saúde e o preparo do profissional enfermeiro para lidar com estratégias que envolvam segurança e clareza ao paciente ou seu familiar. Existem para esta redução, meios farmacológicos e não farmacológicos. Os farmacológicos citados foram drogas ansiolíticas e não famacológicos, tais como musicoterapia e acupuntura. É importante que se faça minimizar esta ansiedade para que a ação terapêutica não sofra tanta influência das alterações psico-fisiológicas geradas neste transtorno, uma vez que estas podem acarretar prejuízos ao tratamento do cliente e possíveis riscos a saúde do mesmo. A redução da ansiedade é evidenciada quando há maior qualidade e conteúdo nas informações oferecidas ao paciente e/ou familiar, onde essa situação é observada quando o enfermeiro consegue expor e suprir as dúvidas dos sujeitos. Neste contexto, é fundamental que o enfermeiro intervenha junto aos clientes de forma a diminuir a ansiedade por eles apresentada. Pesquisas revelam que de 15 pacientes acometidos por Aids, 11 (73,3%) apresentavam ansiedade antes da intervenção do enfermeiro, tendo este número sido reduzido para 3 (20%) após a orientação do profissional. Conclusão: Atualmente, as mudanças são constantes e a correria do dia a dia encontra-se cada vez mais intensa, fazendo a população reagir de forma exacerbada às dificuldades e alterações do cotidiano, convertendo tal situação em ameaça ao psicológico. A sociedade suporta diferentes níveis de pressão, alguns conseguem manterem-se tranquilos em situações de estresse, no entanto quando esse equilíbrio emocional é rompido nos deparamos com transtornos de ansiedade. O estudo teve como objetivo a identificação dos trabalhos direcionados a temática ansiedade e os cuidados de enfermagem existentes acerca deste distúrbio, onde observou-se que este está cada vez mais crescente entre os profissionais de Enfermagem e os pacientes que utilizam frequentemente os serviços de saúde. Por intermédio das perspectivas abordadas, visualizamos o profissional enfermeiro como gestor do processo de enfermagem que de acordo com sua praxis, coordena uma sistematização que deve abordar o indivíduo holisticamente utilizando-se de estratégias que minimizem a ansiedade proveniente do ambiente hospitalar e/ou da doença e seu desconhecido. 377 DESCRITORES: ANSIEDADE; CUIDADOS EM ENFERMAGEM ÁREA TEMÁTICA: PROCESSO DE CUIDAR SAÚDE MENTAL/COMUNICAÇÃO REFERÊNCIAS: 1. ABAM – PROGRAMA ANSIEDADE [Internet]. 1. Transtornos de ansiedade; 2. Manifestações Clínicas. [acesso em 15 de janeiro de 2013]. Disponível em: http://www.amban.org.br/content/textos-educativos. 2. Schmidt, DRC et al. Ansiedade e depressão entre profissionais de enfermagem que atuam em blocos cirúrgicos. Rev. esc. enferm. USP, vol.45, no.2 São Paulo, Apr. 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080- 62342011000200026&lang=pt&tlng=. 3. Barros, ALBL et al. Situações geradoras de ansiedade e estratégias para seu controle entre enfermeiras: Disponível em: estudo preliminar. Rev Lat Am Enferm. 2003;11(5):585-92. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104- 11692003000500004&lang=pt. 378