ALGUNS IMPACTOS AMBIENTAIS GERADOS PELO MAU USO DO SOLO
DO CERRADO, BURITIZEIRO – MG
GUEDES, Carla Regina Mota1
[email protected]
CASTRO, Zilma Correa2
[email protected]
Jaqueline Vieira Rabelo3
[email protected]
RESUMO
O ecossistema do Cerrado no município de Buritizeiro – MG é conhecido historicamente pela forma
predatória com que é explorado. Por meio das carvoarias e a prática da agricultura homogênea, com a
utilização demasiada de maquinários, adubos químicos e agrotóxicos. Assim sendo, o presente trabalho tem
como objetivo conhecer as principais produções agrícolas praticadas no Cerrado em Buritizeiro - MG e
diagnosticar impactos ambientais gerados por essa agricultura. Portanto, realizou-se revisão bibliográfica
sobre os principais cultivos agrícolas praticados no município e sua forma de produção. Após essa revisão
bibliográfica foi realizada pesquisa de campo; nestas visitas de campo foram realizadas entrevistas, bem
como houve o registro com fotos desses locais visitados . Os resultados revelam que os solos do cerrado do
município de Buritizeiro possuem diversos usos: silvicultura, agricultura homogênea e é visível o quanto as
veredas sofrem diretamente os efeitos dessas formas de usos do solo, no entanto, ainda há resistência de
formas tradicionais de produção praticadas por pequenos agricultores, a permanência dessas formas
tradicionais são pequenas ações, mas de grande contribuição para a conservação ambiental.
Palavras – chave: intervenção antrópica, agricultura, degradação, sustentabilidade
ABSTRACT
The Savannah ecosystem in the municipality of Buritizeiro - MG is known historically by the predatory way
that is explored. Through the charcoal and the practice of agriculture homogeneous, with the overuse of
machinery, fertilizers and pesticides. Therefore, this study aims to know the major agricultural production
practiced in the Savannah Buritizeiro - MG and diagnose environmental impacts generated by this
agriculture. Therefore, we performed a literature review on the main agricultural crops practiced in the city
and their way of production. After this literature review was conducted field research; these field visits
interviews were conducted, and was registered with photos of these places visited. The results reveal that the
Savannah soils of the county Buritizeiro have many uses: forestry, agriculture and homogeneous is visible
how the paths directly suffer the effects of these forms of land uses, however, there is still resistance to
traditional forms of production practiced by small farmers, the permanence of these traditional forms are
small actions, but of great contribution to environmental conservation.
Keywords: human intervention, agriculture, degradation, sustainability
1
Especialista em Gestão e Manejo Ambiental, Professora de Geografia, Meio Ambiente e Recursos Naturais
Graduada em Ciências Biológicas, Professora de Ciências e Biologia
3
Graduada em Ciências Biológicas, Professora de Ciências e Biologia
2
1
INTRODUÇÃO
O cerrado é um importante bioma brasileiro, constituído por diversas formações vegetais.
Toda essa riqueza encontra-se apoiada em uma climatologia e um regime hídrico que colocam esse
bioma na condição de berço de grande parte das águas do continente sul-americano, (PIVELLO E
COUTINHO, 1996).
Ao mencionar o cerrado, se torna indispensável citar suas transformações dentro de um
processo histórico, que de acordo com (CHAGAS, 2003) a história de transformações sofridas pelo
cerrado, coincide com uma história de destruição; o bioma mencionado abrange 23% do território
brasileiro, quase 2 milhões de quilômetros quadrados, onde mais de 60% da vegetação nativa já foi
removida para exploração econômica. O início da destruição do cerrado se deu, com a chegada das
usinas siderúrgicas que tinham o carvão vegetal como base energética, suas árvores começaram a
ser dizimadas, numa extensão e rapidez nunca vistas em qualquer bioma brasileiro. Vários animais
praticamente desapareceram, pois ficaram sem alimentos, sem abrigo e sem áreas de refúgio.
Surgiram grandes estradas juntamente com as caixas de empréstimo; os barramentos e as mortes das
veredas pelos aterros e drenagens mal conduzidas; a implantação de florestas homogêneas sem
estudos prévios e sem planejamentos, ocupando topos de chapadas e de morros, vertentes, veredas e
fontes, causando aceleração dos processos erosivos. E ainda, a implantação da lavoura comercial,
monocultora, que adaptou os solos do cerrado aos produtos de sua conveniência, com o uso de
adubos químicos, calagem, herbicidas, inseticidas, fungicidas sem o controle devido e o uso de
máquinas pesadas.
Neste sentido, o município de Buritizeiro tem como principal atividade econômica a
agricultura comercial. Segundo (BAGGIO, 2003), há efeitos negativos dessas monoculturas, no
meio ambiente biológico, no município de Buritizeiro, MG. O processo de crescimento ocorrido no
município, entre as décadas de 70 e 80, foi acompanhado por intensos impactos ambientais
negativos no meio natural, dentre os quais se destaca a redução da biodiversidade. A todos esses
fatores deve-se
somar os efeitos tóxicos dos fertilizantes e agrotóxicos utilizados, além dos
resíduos orgânicos que contaminam os solos e consequentemente os corpos hídricos superficiais e
subterrâneos. Portanto, a qualidade das águas que servem à população local pode ficar
comprometida pelo efeito conjugado do aumento do assoreamento, da concentração de sólidos em
suspensão e nitratos, além da presença de agrotóxicos. Ainda, segundo (BAGGIO, 2002), deve-se
enfatizar que Buritizeiro, tem uma densa rede hidrográfica representada por bacias de afluentes do
baixo Paracatu e do alto-médio São Francisco, a maioria com nascentes em veredas.
Nesse contexto, de acordo com o (IBGE, 2005) é importante destacar que as áreas de
reflorestamentos de eucalipto do município, são destinadas principalmente para a produção de
2
carvão vegetal, com o objetivo de atender às indústrias; particularmente na região, atende àquelas
produtoras de ligas de alumínio. Quanto ao carvão, particularmente obtido de material lenhoso
oriundo de florestas cultivadas, o principal produtor do país é o Estado de Minas Gerais, que
concentrou 69% da produção nacional em 2005. Entre os dez municípios maiores produtores de
carvão da silvicultura, cinco são de Minas Gerais. Buritizeiro se destaca na primeira colocação, com
125.814 toneladas ou 5% do total nacional.
Portanto, este trabalho teve como objetivo:
a) Conhecer as principais produções agrícolas e silviculturais praticadas no cerrado em
Buritizeiro – MG.
b) Diagnosticar impactos ambientais gerados por esse modelo de agricultura convencional
ou moderna, o qual é possível constatar a descaracterização do cerrado devido às
interferências antrópicas.
c) Propor o modelo de agricultura tradicional com adoção de métodos agroecológicos
como opção para conservação da natureza.
LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
O estudo foi conduzido na área rural do município de Buritizeiro, que se localiza a 17 0 21’
4’’ de latitude sul e 440 57’ 44’’ de longitude oeste (GOOGLE EARTH, 2011). Segundo ( IBGE,
2002), com altitudes que variam até 480 e 900m, elaborando uma dinâmica geomorfológica
relativamente tranquila. Possui área territorial de 7.249,4 km2, situado no noroeste de Minas Gerais,
com clima tropical semiúmido com 4 a 5 meses secos, média maior que 180C em todos os meses do
ano, verões chuvosos e invernos secos.
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Figura 1: Localização da área territorial de Buritizeiro/MG
O solo da região é areno-argiloso ou francamente arenoso. É um solo oligotrófico e ácido,
sendo necessário correção e adição de grande quantidade de nutrientes (GAMA, 2006).
PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS
A metodologia aplicada neste trabalho consistiu em três etapas: levantamento bibliográfico
em primeiro momento, a segunda foi determinada por trabalhos de campo com a delimitação dos
locais que foram visitados, fotografados e aplicados o roteiro de entrevistas sobre as relações de
produção e conservação do meio ambiente. A terceira etapa consistiu na análise das fotografias e
das entrevistas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O cerrado do município de Buritizeiro possui usos diversos, tendo como atividade
econômica predominante o modelo de monocultura, silvicultura de pínus e eucaliptos clonados com
associação de várias espécies, conciliando: espécie de maior crescimento, espécie de maior
resistência ao clima e a espécie que dá origem ao carvão de melhor qualidade. O destino dessa
produção é especialmente para geração de energia para atender a indústria. Abaixo, a figura 2 é
possível observar o viveiro situado no município, este produz mudas de eucalipto visando atender o
próprio município como também outras regiões brasileiras.
Figura 2: Jardim Clonal do Viveiro Minas Flora, onde se encontram as matrizes da espécie
de eucalipto, Eucalyptus Urophilla, quando retirados os brotos, originam novas plantas.
Fonte: GUEDES, C. R. M. 2011
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Com o objetivo de atender às necessidades da produção industrial, na figura 3 abaixo, notase um caminhão carregado de carvão vegetal transitando pela rodovia estadual MG-408, trecho
entre a BR-365 em Buritizeiro e o município de Brasilândia-MG.
Figura 3: Caminhões carregados de carvão e madeira respectivamente,
na rodovia MG-408.
Fonte: FONSECA, S. F. 2009
Neste contexto, constatam-se abaixo na figura 4, fábricas produtoras de ligas de alumínio no
município de Pirapora, estas utilizam parte da produção de madeiras reflorestadas do município de
Buritizeiro para transformar na energia necessária em suas produções. Esses dois municípios são
separados apenas pelo rio São Francisco.
Figura 4: Imagem da liberação de poluentes por fábricas em Pirapora/MG. A
poluição é refletida pelas águas do rio São Francisco.
Fonte: GUEDES, C. R. M. 2010
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De acordo com (GAMA, 2003), há também grandes produções de monoculturas agrícolas,
as maiores áreas destinam-se à soja e ao café.
Através dos trabalhos de campo foi possível observar que nos últimos anos estão sendo
introduzidas outras espécies como: o nim indiano, (Azadirachta indica); o mogno brasileiro,
(Swietenia macrophylla), o mogno africano, (Khaya ivorensis). Contrastando com esse sistema de
produção há a agricultura familiar, com diversas pequenas produções: arroz, feijão, mandioca, canade-açúcar, uva e outros. Muitos pequenos agricultores adotam formas mais sustentáveis de
produção e devido às orientações técnicas da EMATER (Empresa de Assistência Técnica e
Extensão Rural), ainda conservam matas ciliares e respeitam áreas próximas às nascentes.
Entre as atividades dos trabalhos de campo, foram visitados, o viveiro Minas Flora, e a Rima
Reflorestamento especializados em mudas de eucaliptos clonados, veredas do município e outras
pequenas produções agrícolas. Foi possível observar os modelos de cultivo adotados no município,
bem como os impactos ambientais provocados pelos mesmos, como na vereda exposta na figura 5,
apresentada abaixo.
Figura 5: Vereda em área de pastagens, próxima à plantação de Eucalipto,
(Cortada pela Rodovia MG-408).
No círculo, palmeira de Buriti (Mauritia Vinifera) afetada pelas queimadas,
Fonte: FONSECA, S. F. 2009
Em áreas onde é praticada a monocultura, percebeu-se a ausência de animais e vegetais
nativos, como descrito por (BAGGIO et al, 2003), que a consequência mais marcante do avanço da
monocultura com eucalipto e pinus foi a redução drástica na diversidade de espécies vegetais e
animais, e ainda descrito por (THEODORO et al, 2002), o quanto o uso de insumos químicos em
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grandes áreas de monocultura estaria, condenando o próprio desenvolvimento e a manutenção da
vida e o quanto é dramático o silêncio presentemente verificado em florestas artificiais,
especialmente aquelas de eucalipto e pinus.
Segundo (ALTIERI, 2004) é preciso buscar alternativas
agroecológicas, buscando
alternativas como: uso de adubos orgânicos, inseticidas naturais, controle biológico de pragas,
praticar agricultura consorciada, como também promover o plantio de leguminosas associadas às
outras culturas, com a finalidade de enriquecimento do solo através da fixação de nitrogênio pelas
raízes das mesmas. Tais medidas são importantes para que haja maior conservação do solo e
promova o cultivo de alimentos mais saudáveis.
CONCLUSÃO
A pesquisa evidencia impactos ambientais provocados pela forma de uso do solo do cerrado,
no município de Buritizeiro. Os desmatamentos provocados pelo modelo de agricultura homogênea
tem como finalidade atender às necessidades de energia da produção industrial e fornecer matériasprimas à agroindústria, esse modelo provocou a ausência de espécies animais e vegetais nativas,
bem como a destruição de ambientes de reprodução, confirmando ideias de alguns autores citados.
Os moradores da área rural do município já conseguem perceber os efeitos gerados pelas
grandes áreas desmatadas, como por exemplo, a ausência de espécies animais
nativos, o
assoreamento das veredas e o buriti, que frequentemente é visto em estágio terminal causado pelo
ressecamento dessas áreas de nascentes do cerrado.
Através dos trabalhos de campo, foi possível identificar pequenas ações de sustentabilidade
que surgiram a partir da identificação de problemas existentes no modelo de agricultura comercial,
pequenos agricultores praticantes da agricultura familiar se empenham em pequenas ações de
conservação. Estes trabalham manejando o solo do cerrado utilizando adubação orgânica,
agricultura consorciada e conservando espécies importantes desse ecossistema, ambientes de
reprodução como as áreas de veredas e matas ciliares, e acreditando que dependem do cerrado da
conservação de suas águas e da sua biodiversidade.
REFERÊNCIAS:
ALTIERI, M. Agroecologia: A Dinâmica Produtiva da Agricultura Sustentável. Porto Alegre. 5ª
Ed. Editora da UFRGS, 2004.
7
BAGGIO, H. F. et al. O Município de Buritizeiro e a questão do Pínus e Eucalipto:Implicações do
seu plantio homogêneo generalizado no meio ambiente físico, biológico e socioeconômico. In
Cerrado em Perspectiva(s). Montes Claros: Unimontes, 2003.
BAGGIO, H. F.et al. Alterações na Paisagem Natural e Agrícola no Município de BuritizeiroMG. Implicações do seu plantio homogêneo generalizado no meio ambiente físico, biológico e
socioeconômico. 151f. Dissertação (Mestrado em Geografia)-Departamento de Geografia
IGC/UFMG, Belo Horizonte, 2002.
CHAGAS, I. et al. Eu Sou o Cerrado. In Cerrado em Perspectiva(s). Montes Claros: Unimontes,
2003.
GAMA, M. C.C. et al. Implantação da Agricultura Comercial no município de Buritizeiro,
Cerrado Mineiro: O Uso Capitalista dos Recursos Naturais. Revista Caminhos da Geografia.
Pág.1-12, 2003.
GLIESSMAN, S. R. Agroecologia: processos ecológicos em agricultura sustentável. 2ª. Ed. Porto
Alegre, RS: UFRGS, 2001.
GOOGLE EARTH, 2012.
Disponível em <www.googleearth.com.br> acessado aos 29/05/2012.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2012.
Disponível em, www.ibge.com.br, acessado em 25/05/2012.
PIVELLO, V. R. e COUTINHO, L. M. A qualitative sucessional model to assist in the management
of Brazilian cerrados. Forest Ecology and Management. v.87, p.127-138, 1996.
SOGLIA, M. C. et al. Usos e Aplicações do Nim, Azadirachta indica. Embrapa UFLA.
Disponível em, www.embrapaufla.com.br, acessado em 27/11/2012.
THEODORO, S. H. Dilemas do Cerrado: entre o ecologicamente (in)correto e o socialmente
(in)justo. Rio de Janeiro, 2002.
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