PSICOLOGIA DA SAÚDE: EM BUSCA DE UMA ATUAÇÃO
COMPROMISSADA
Karoline Eulálio Raposo Lacerda, André Memória P.S. Vieira.
Universidade Federal da Paraíba/ Brasil
Contato: [email protected]
OBJETIVOS
Este trabalho teve como objetivo foi recapitular o conceito de saúde e doença sob
uma óptica histórica, admitindo que esses são conceitos que representam os
enfrentamentos dos seres humanos em diferentes situações ao longo do tempo, para
assim compreender a problemática dos utilitários dos sistemas de saúde e propor uma
atuação mais humanizada e compromissada do psicólogo neste contexto.
CONCLUSÕES
Ao final dessa averiguação bibliográfica concluímos que os indivíduos são
seres inerentemente sociais e, como tal, sempre ligados às condições sociais. E além de
produto da evolução biológica das espécies, são também produtos históricos, mutáveis,
pertencente a uma determinada sociedade, em uma determinada etapa de sua evolução.
(Traverso, 1999).
Corroborando com essa proposta já estão senso desenvolvidos no Brasil os espaços
substitutivos de atenção (como os Centros de Atenção Psicossocial), que comungam
com o modelo psicossocial de cuidado ao indivíduo em sofrimento psíquico, alicerçado
nos pressupostos da Reforma Psiquiátrica (Ministério da Saúde, 2005). Assim podemos
afirmar que apesar porque apesar desta mudança de paradigma está ocorrendo
lentamente, concluímos que a intensificação do compromisso profissional que mantenha
como horizonte o objetivo da reinserção do sujeito no seu meio social, respeitando sua
subjetividade através do cuidado holístico irá aumentar a qualidade e a velocidade dos
resultados obtidos, buscando sempre uma real humanização nesse processo (Deslandes,
2004).
Recapitulação histórica
Do ponto de vista histórico, a saúde é vista como a capacidade de
enfrentamento dos homens às diversas situações ambientais e socioculturais ao longo
dos tempos. Na antiguidade, a concepção de saúde estava vinculada a de religião e
trabalho e não havendo separação entre saúde e doença. Ao longo do tempo essa cisão
passou a acontecer e, com o advento das ciências modernas, o corpo e a
mente/psiquismo se fragmentaram. As produções de conhecimento passaram a se
dividir em filosófico, teológico e científico e essas subdivisões criaram disciplinas que
tinham o objetivo de isoladamente estudar o ser humano. O corpo poderia assim ser
estudado pela biologia, anatomia ou química e a mente, vista como algo imaterial,
deveria ser estudada pela filosofia e teologia (Bock, 2003).
Através do desenvolvimento da medicina moderna no século XVII, a saúde
pública constitui-se como área de estudo e intervenção, passando assim a investir na
análise das dimensões de enfermidades e tendo seu discurso fundamentado no
naturalismo médico. Esse ato contribuiu para calar a historicidade da doença e da cura
estabelecendo como culpados as pessoas individualmente e negando a responsabilidade
do Estado e do contexto social no surgimento das epidemias. Neste período, as questões
de saúde e doença se referiam à dimensão biológica do corpo humano (Câmara &
Tambellini, 1998).
No século seguinte, as ciências humanas e as práticas médicas estavam
voltadas a estudar inicialmente as doenças, buscando no meio ambiente, na sociedade,
no organismo e no psiquismo os agentes patogênicos. Com isso todas as políticas
públicas estavam voltadas à cura e priorizavam o tratamento medicamentoso, de forma
que a cura estava relacionada à ausência de doença e era vista como responsabilidade
única e exclusiva do sujeito, assim como a sua doença (Bock, 2003).
O que se observava no contexto do século XX era que a saúde pública
necessitava cada vez mais de enfrentamento em relação à contradição criada pelo
capitalismo, que embora produzisse mais riquezas permitia um aumento na quantidade
de indivíduos excluídos do sistema social. Nesse período a doença era vista como um
fator que prejudicava o crescimento econômico e político do seu próprio país trazendo
prejuízos para este e para os outros, visto que vivíamos um momento de globalização
(Câmara & Tambellini, 1998).
É apenas em 1948, com a constituição da OMS (Organização Mundial de
Saúde), que a saúde começa a ser entendida como bem estar social e não mais como
ausência de doença. Bem estar este, que se refere à saúde física, mental e social ao
mesmo tempo. Esta nova forma de pensar rompe com a fragmentação de saúde e doença
numa visão medicamentosa e passa a considerar as dimensões psíquicas e sociais como
fundamentais na definição de saúde humana, pois o homem se constitui socialmente e é
produto das condições de sobrevivência (Câmara & Tambellini, 1998). Dessa forma
podemos afirmar que a doença pode ser o resultado de tensões sociais, de insegurança,
desemprego, problemas ambientais e ecológicos, entre outros fatores, ou seja, é
responsabilidade do Estado, que por sua vez deve estar comprometido com a prevenção
e promoção de condições para a o desenvolvimento da saúde através de projetos sociais
que envolvam as dimensões econômicas, sociais, médicas e psicológicas (Bock, 2003).
Com os novos desafios sociais, políticos e culturais, o esgotamento do
paradigma biomédico e a mudança do perfil epidemiológico da população nas últimas
décadas têm ensejado o aparecimento de novas formulações sobre o pensar e o fazer
sanitários. Entre essas sobressai o projeto da Promoção à Saúde que constitui hoje o
eixo principal do projeto da Nova Saúde Pública, que parte de uma concepção ampla do
processo saúde-doença e de seus determinantes, propondo a articulação de saberes
técnicos e populares, e a mobilização de recursos institucionais e comunitários, públicos
e privados, para seu enfrentamento e resolução (Carvalho, 2004).
Psicologia e a saúde mental
A constituição do modelo de atenção em saúde mental instaura um período
paradigmático ao apresentar elementos de ruptura com antigas concepções e
fundamentos na elaboração de novos saberes e práticas no campo psicossocial (Mielke,
2009). Essa ruptura vem para mudar a visão de como tratávamos as pessoas com algum
distúrbio mental, abrindo novos horizontes, desvinculando-se do modelo biomédico e
reducionista no qual enxergava os pacientes como animais selvagens, desconsiderando
o lado psicossocial, medicando uma “cura” só com a química dos remédios.
Uma das grandes problemáticas que os profissionais da área de saúde mental
enfrentam é: como ajudar as pessoas a entender esse novo conceito de saúde mental?
Como essa mudança é nova, até alguns “especialistas” não compreendem bem os
aspectos da verdadeira saúde mental. Temos que mostrar que tudo faz parte de um
processo, que requer cuidados humanizados, envolvendo a família e a comunidade do
sujeito. Abraçar a “loucura” como algo transitório e não menos humano, mudar o
paradigma biomédico, entendendo os transtornos mentais nas suas várias nuances,
divulgando à população sobre como lidar com pessoas em casos especiais como esses,
para que todos tenham a real noção do problema e envolvê-los no processo de
acolhimento e cuidado (Bock, Furtado & Teixeira, 2009).
O delineamento do trabalho terapêutico, na atenção psicológica, constitui-se no
pressuposto de aumentar a capacidade de construção da autonomia do indivíduo. Esta
ampliação se faz pelo reconhecimento da vontade e desejo de cura do mesmo em seu
contexto, evidenciada pela oferta de recursos institucionais voltados para a melhoria das
condições de vida e na própria promoção da saúde. Dessa forma, a concepção de
cuidado em saúde mental supera a lógica pontual e casuística da intervenção
farmacoterápica por si só. O cuidado é operado em uma ação integral que incorpora as
tecnologias, os significados e os sentidos voltados para uma compreensão da saúde
como direito do ser humano (Traverso, 2001).
Em tempos de Reforma Psiquiátrica, o campo da saúde mental tem como
premissa básica a desospitalização da pessoa para tratamento de suas enfermidades
mentais, proporcionando a sua inserção nos universos familiar e social. A assistência
integral é fundamental na identificação precoce de alterações de comportamento e
outros sinais crônicos do agravamento do quadro sintomático, bem como o
acompanhamento, incluindo a terapêutica medicamentosa ou não dos pacientes. Assim,
possibilita-se a discussão com a família e comunidade sobre a inclusão (exclusão)
dessas pessoas, buscando-se também a minimização do estigma existente em relação ao
preconceito diante da pessoa com alguma debilidade mental (OMS, 2001).
Psicologia da Saúde como base do psicólogo no ambiente hospitalar
A Psicologia da Saúde tem como objetivo compreender como os fatores
biológicos, comportamentais e sociais influenciam na saúde e na doença (APA, 2003).
A psicologia da saúde, que dá relevância à promoção e manutenção da saúde e à
prevenção da doença, resulta da confluência das contribuições específicas de diversas
áreas do conhecimento psicológico (psicologia clínica, psicologia comunitária,
psicologia social, psicobiologia) tanto para a promoção e manutenção da saúde como
para a prevenção e tratamento das doenças (Teixeira, 2004).
Ao Psicólogo, no ambiente hospitalar, cabe induzir a equipe a ser informativa e
disponível ao paciente. Depois disco, apoiar o paciente, ouvir suas angústias, reduzi-las,
com procedimentos específicos se necessário. É essencial que o Psicólogo inicie o
atendimento do paciente cirúrgico ates da cirurgia, tenha conhecimento de aspectos da
mesma sobre os quais vai interagir com o paciente, e continue apoiando o paciente no
pós-cirúrgico (ou qualquer outra intervenção). Em alguns casos, como em cirurgias
raciais, que envolvem problemas de auto-imagem ou em transplantes, o psicólogo tem a
responsabilidade de emitir parecer indicando ou contra indicando a cirurgia (Vila &
Rossi, 2002).
Em nenhuma ação, de qualquer profissional da saúde junto a pacientes em
qualquer área do hospital, pode-se deixar de destacar a importância do adequado
relacionamento dos profissionais com o paciente. A Organização Mundial da Saúde dá
tanta importância a isto que produziu um texto especialmente destinado a descrever os
comportamentos que os profissionais, principalmente o médico, devem ter para
relacionar-se com os pacientes. Este texto sugere formas detalhadas de ação que vão
reduzir os desconfortos e a desinformação dos pacientes na situação de buscar ajuda
para solucionar um problema de saúde (WHO, 1993). Devemos considerar que uma boa
relação profissional-paciente constitui-se num direito do paciente não numa concessão
liberal dos profissionais. E psicólogo é o responsável pelo melhoramento dessa relação.
A finalidade principal da psicologia da saúde é compreender como é possível,
através de intervenções psicológicas, contribuir para a melhoria do bem-estar dos
indivíduos e das comunidades (Teixeira, 2004). E é essa a base para a melhor prática da
psicologia no hospital, onde o profissional está atento a todos que o rodeiam: pacientes,
médicos, enfermeiros, entre outros. O psicólogo vai atuar como um gerenciador de
pessoas, sempre levando em consideração seus aspectos subjetivos, buscando o melhor
tratamento para o paciente e melhorando as relações entre os integrantes do corpo de
funcionários do hospital.
REFERÊNCIAS
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