PRESENÇA DAS CASAS DE AXÉ NO RIO DE JANEIRO
Um universo a ser conhecido1
Denise Pini Rosalem da Fonseca
Professora Associada do Departamento de Serviço Social – PUC-Rio
Resumo
Uma aproximação do universo das casas de religiões de matrizes africanas no estado
do Rio de Janeiro, com o objetivo de estimar o tamanho da amostra recolhida pelo
mapeamento realizado pela PUC-Rio. Este artigo está baseado nos dados dos Censos
do IBGE de 2000 e 2010; no Novo Mapa das Religiões (Neri, 2011); nos websites dos
mapeamentos de terreiros realizados no mesmo período em seis outras capitais
brasileiras (Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Recife, Belém e São Luís) e no
banco de dados da pesquisa de mapeamento de terreiros no Rio de Janeiro. Este
trabalho conclui que é possível supor que a amostra recolhida seja da ordem de 17%
de um universo estimado de cerca de 5.000 casas de religiões de matrizes africanas
localizadas em 30 municípios do Estado do Rio de Janeiro.
Imaginando o campo da pesquisa
A metodologia utilizada na pesquisa do mapeamento das casas de religiões de
matrizes africanas no Rio de Janeiro (bola de neve), realizada pela PUC-Rio entre
2008 e 2011, permitiu percorrer parcialmente as redes de solidariedade horizontais
próprias das quatorze casas que compuseram o chamado Conselho Griot (Conselho
religioso) da pesquisa. Esta forma de construção de amostra estatística foi escolhida
por melhor se adequar ao tipo de sujeito político que se desejava conhecer e valorizar.
Esta metodologia, ao privilegiar o critério de (re)conhecimento/visibilização
de populações historicamente pouco acessadas, não estabelece como critério central a
determinação de “esgotar” o campo pesquisado. Vale lembrar que, definitivamente,
esta não constituiu uma ambição da pesquisa desde a sua concepção.
Em realidade, a verdadeira extensão do universo das casas de religiões de
matrizes africanas no Rio de Janeiro permanece desconhecida. Tudo o que é possível
é realizarmos estimativas e aproximações a este universo, fundamentadas em dados
extraídos dos Censos realizados pelo IBGE de 2000 a 2010, e em estudos sobre
mapeamentos religiosos de âmbito nacional e regionais no mesmo período,
interpretando-os e matizando-os a partir dos achados estatísticos das variáveis
testadas neste estudo.
1
Estudo realizado em meados de 2012, antes da publicação dos dados sobre religião coletados no
Censo Populacional do IBGE de 2010.
Fonseca │
1
Em 2008, quando este projeto de pesquisa foi concebido, baseamos nossas
estimativas iniciais do tamanho do universo a ser investigado em projeções
matemáticas que se apoiavam em hipóteses sustentadas por importantes
representações do segmento religioso de matrizes africanas no Rio de Janeiro.
Naquele momento, postulava-se que o mapeamento das religiões no Brasil,
resultado de análises dos dados obtidos no Censo de 2000 (IBGE), sub-representava o
povo de axé, registrando uma percentagem de 0.31% da população brasileira que se
auto declarava como adeptos do Candomblé ou da Umbanda.
Distribuição (%) das Religiões Afro-brasileiras
na População Total - Brasil - 2000
Umbanda
Candomblé
Outras declarações de religiosidade afro-brasileira
Total
0.23
0.07
0.01
0.31
Fonte: CPS/FGV a partir dos microdados do Censo 2000/IBGE.
A interpretação mais aceita pelos movimentos sociais desta ⎯assumida⎯
subnotificação do povo de axé no Censo de 2000 era uma formulação resultante do
seu histórico de perseguição, da concretude da intolerância religiosa vivida no
presente, e de outras formas do exercício de preconceitos e racismo a que esta
população se vê submetida. Visando responder a esta realidade, respeitadas lideranças
político-religiosas do Rio de Janeiro já haviam se mobilizado para promover esforços
de mapeamento sub-regionais de terreiros, que sugeriam a existência de um número
elevado de casas de religiões de matrizes africanas no Estado, aos quais pertenceria
um número bastante maior de adeptos do que aqueles notificados pelo IBGE. A
própria iniciativa do presente mapeamento se inscreveu neste esforço político do
segmento religioso de matrizes africanas do Rio de Janeiro.
Em 2008, o Instituto Cultural de Apoio e Pesquisa às Religiões Afro
(ICAPRA) afirmava haver mapeado em Nilópolis mais de 200 casas. Vale dizer que
Nilópolis é um município da Baixada Fluminense, para o qual o Censo de 2000
registrou uma média de 2.21% da população auto declarada como adepta de religiões
afro-brasileiras. Esta era a maior percentagem registrada para o Estado do Rio de
Janeiro e a 16a. do Brasil naquele momento. Esta análise foi apresentada na Reunião
do Conselho Griot que fundou a pesquisa. Naquela mesma oportunidade, o Centro de
Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia, também representado na
Fonseca │
2
reunião, identificava a existência de mais de 1.100 terreiros no Município de
Salvador.
Posto que a pesquisa imaginava atingir cerca de 20 municípios da Grande Rio,
a partir das redes antes mencionadas, foi construída uma hipótese de trabalho sobre a
extensão do universo a ser pesquisado com os objetivos de: 1) dimensionar a equipe
de pesquisadores; 2) estabelecer a sua agenda de trabalho, e 3) construir um
cronograma das várias etapas do projeto.
O número estimado para o universo, do qual se partiu, foi o de 7.000 casas na
Grande Rio. O cálculo que levou a este valor foi composto da seguinte maneira: 3.200
casas distribuídas em 16 municípios da Grande Rio, tais como os da Baixada
Fluminense, Baixada Litorânea, Região Serrana, etc. (baseado nos achados do
ICAPRA para Nilópolis); 2.000 casas no Município do Rio de Janeiro (combinando
os achados do CEAO para Salvador ⎯tomado como um análogo natural⎯ com as
referências a de mais de 2.000 casas cadastradas em buscas preliminares realizadas
pelos pesquisadores na internet); 1.000 casas nos Municípios de Niterói, Itaboraí, São
Gonçalo e região (tradicional berço da Umbanda no Rio de Janeiro), e 800 casas
distribuídas nas áreas mais afastadas da Grande Rio, localizadas no Sul, Norte e
Noroeste Fluminense. Este número estimado encontrou ressonância no segmento
religioso representado pelo Conselho Griot, que o endossou como aceitável como
hipótese inicial.
Em busca de um universo desconhecido
É importante ressaltar que o mesmo Censo de 2000, que registrava uma
notificação média de 0.31% da população nacional como adeptos das religiões afrobrasileiras, registrava para o Município do Rio de Janeiro o valor de 1.75% da
população2 municipal, ou seja, quase seis vezes maior que a média nacional (30a.
posição na nação). Isso equivale a dizer que este segmento religioso no Rio de Janeiro
é particularmente relevante —regional e nacionalmente—, principalmente quando
comparado com o Município de Salvador da Bahia, que registrava na ocasião uma
porcentagem de 0.49% de adeptos (176a. posição nacional), em uma população que é
pouco menor que a metade da população do Rio de Janeiro em termos absolutos.
2
CPS/FGV. Retratos das Religiões no Brasil, 2000.
http://www.fgv.br/cps/religioes/inicio.htm Acesso em 02/05/2012.
Fonseca │
3
Considerando-se que estamos falando de uma das maiores populações urbanas
do Brasil ⎯5.857.904 pessoas em 2.000 (IBGE)⎯, seria possível supor, como o
fizemos, um universo de casas de axé daquela magnitude. Porém, apenas um campo
bem realizado poderia ratificar, relativizar, ou negar, estas estimativas.
Caso fosse esta a realidade presente, a amostra que esta pesquisa descreve e
discute corresponderia a pouco mais do que 12% do universo em estudo.
A vivência de 20 meses de pesquisa de campo, no entanto, se nos apresentou
como uma realidade diversa da esperada. O fechamento das redes sobre si mesmas,
limitando a expansão vertical da pesquisa, obrigou a utilização de outras
metodologias para vencer os limites que se consolidavam. A utilização de “mutirões”
em áreas de convergência do povo de axé como, por exemplo, o Mercadão de
Madureira, ou em municípios afastados da Grande Rio, teve como consequência um
alargamento de fronteiras físicas e resultou na inclusão de cerca de uma dezena de
outros municípios, chegando a atingir 30, dos 92 municípios do Estado de Rio de
Janeiro.
As dificuldades em fazer avançar o trabalho de campo para que as metas da
pesquisa fossem alcançadas, inicialmente nos levaram a formular explicações de
ordem contingencial, tais como: a natureza presencial da pesquisa como elemento
principal da resposta lenta do campo; as seguidas interrupções do fluxo da pesquisa
devidas aos momentos de fechamento das casas para festividades e obrigações
religiosas; as limitações pessoais dos pesquisadores, entre outras, além das possíveis
limitações da própria metodologia da pesquisa. No entanto, também se pode
argumentar no sentido de que o próprio segmento religioso foi se fechando, seja por
não desejar incluir indicações de casas não pertencentes às suas próprias redes, seja
por um esgotamento do campo, que seria reflexo de uma superestimação inicial do
universo a ser pesquisado. Em outras palavras, o campo poderia estar perto de se
esgotar.
No afã de explorar a validade e a extensão desta última possibilidade, fizemos
um estudo prospectivo do número de adeptos das religiões afro-brasileiras no Rio de
Janeiro em 2012, a partir do entrecruzamento dos seguintes documentos: Censos
IBGE de 2000 e 2010; Novo Mapa das Religiões, de Marcelo Côrtes Neri (FGV, CPS,
2011), e Banco de Dados da Pesquisa (PUC-Rio/SEPPIR/PR, 2011).
É importante esclarecer que realizamos esta avaliação utilizando os valores da
Fonseca │
4
porcentagem de adeptos de religiões afro-brasileiras registrados no Censo de 2000,
para cada um dos 30 municípios pesquisados, posto que estes dados ainda não se
encontravam disponibilizados pelo IBGE sobre o Censo de 2010 até meados de 2012.
Também vale lembrar que em 2000 Mesquita era ainda um bairro do município do
Rio de Janeiro, somente passando a município autônomo após aquela data. Além
disso, merece nota que, embora tenhamos realizado a pesquisa em apenas 30 dos 92
municípios do Rio de Janeiro, estes abrigam mais de 86% da população total do
Estado durante o período em estudo. Ou seja, o território abrangido pela pesquisa é da
maior centralidade e representatividade para entender o campo religioso de matrizes
africanas no Rio de Janeiro.
A Tabela A descreve cálculos que permitiam esperar a existência de cerca de
180 mil pessoas que se auto declarariam como adeptas de religiões afro-brasileiras em
2010, no caso de que se repetissem as porcentagens de auto declarados nos
municípios pesquisados. Este número, corresponderia a menos de dois por cento de
adeptos na população destes municípios, aproximando-se das médias observadas pelo
IBGE no Censo de 2000. Isso permite supor que não estejamos muito distantes da
realidade.
Nossa hipótese de regiões de maior concentração de adeptos de religiões afrobrasileiras, constituindo ali “processos de territorialização de matrizes africanas”, no
entanto, diferia da figura que os dados do IBGE de 2000 mostravam. Segundo o
IBGE, o município do Rio de Janeiro deveria apresentar uma maior concentração de
terreiros, seguido pela Baixada Fluminense e depois pela Zona Leste e Norte da Baía
da Guanabara. Nossa aposta era a de que a Baixada Fluminense apresentaria o maior
número de casas mapeadas. Mais adiante veremos que o mapeamento mostrou a
validade dos achados do IBGE de 2000, que foram ratificados pelo Censo de 2010.
Tabela A
Cálculo do número de adeptos das religiões afro-brasileiras nos territórios da
pesquisa, em base aos dados dos Censos Populacionais do IBGE 2000 e 2010
Territórios
da pesquisa
Rio de Janeiro
Leste e Norte da Baía
da Guanabara
Municípios*
do Rio de Janeiro listados
na pesquisa
A. Rio de Janeiro
A. Cachoeira de Macacu
B. Guapimirim
C. Itaboraí
D. Niterói
E. Magé
F. São Gonçalo
(média e totais)
Afro**
(%)
1.75
0.18
1.03
0.86
1.23
1.30
1.30
0.98
População***
2000
2010
Adeptos****
2000
2010
5.857.904 5.940.224 102.513 103.954
48.543
51.727
87
93
37.952
51.198
391
527
187.470
210.780
1.612
1.813
459.451
441.078
5.651
5.425
205.830
218.307
2.676
2.838
891.119
945.752
11.584
12.295
1.830.365 1.918.842
22.001
22.991
Fonseca │
5
Baixada Fluminense
A. Belford Roxo
B. Duque de Caxias
C. Nilópolis
D. Nova Iguaçu
E. Mesquita
F. São João do Meriti
(média e totais)
A. Petrópolis
B. Teresópolis
(média e totais)
A. Araruama
B. Cabo Frio
C. Iguaba Grande
D. Macaé
E. Maricá
F. São Pedro da Aldeia
G. Saquarema
(média e totais)
A. Barra Mansa
B. Itaguaí
C. Itatiaia
D. Japeri
E. Angra dos Reis
F. Mangaratiba
G. Mendes
H. Paracambi
I. Pinheiral
J. Queimados
K. Resende
L. Seropédica
M. Volta Redonda
(média e totais)
1.44
1.00
2.21
1.48
S/I
1.62
1.55
0.78
0.38
0.58
1.23
0.36
1.80
0.59
1.15
0.33
1.15
0.90
0.19
0.56
0.23
0.81
0.54
0.20
0.46
0.85
1.36
0.69
0.53
0.64
0.63
0.59
434.474
455.598
6.256
6.561
775.456
818.432
7.755
8.184
153.712
154.232
3.397
3.408
920.599
767.505
13.625
11.359
S/I
159.685
S/I
S/I
449.476
439.497
7.281
7.120
2.733.717 2.794.949
38.314
36.632
Região Serrana
286.537
277.816
2.865
2.167
138.081
160.205
525
609
424.618
438.021
3.390
2.776
Baixada Litorânea
82.803
110.057
1.018
1.354
126.828
171.551
457
618
15.089
20.879
272
376
132.461
194.497
781
1.147
76.737
116.216
882
1.336
63.227
86.506
209
285
52.461
73.796
603
849
549.606
773.502
4.222
5.965
Sul Fluminense e da
170.753
172.484
324
327
Sul da Baixada
82.003
100.362
459
562
Fluminense
24.739
28.262
57
65
83.278
91.933
674
745
119.247
148.294
644
801
24.901
34.966
50
70
17.289
17.892
79
82
40.475
46.251
332
393
19.481
22.719
26
31
121.993
131.163
842
905
104.549
117.243
554
621
65.260
76.045
418
487
242.063
246.210
1.525
1.551
1.116.031 1.233.824
5.985
6.640
Totais
12.512.241 13.099.362 176.452 178.958
População do Estado do Rio de Janeiro
14.391.282 15.180.636
Porcentagem da população geral do Estado
(86.94%)
(86.29%)
(*) Fonte: Banco de dados da pesquisa do Mapeamento PUC-Rio/SEPPIR-PR, 2011.
(**) Porcentagem de adeptos das religiões afro-brasileiras na população do município, segundo a
POF/IBGE/2009 (Neri, 2009).
(***) População total do município (IBGE, 2010).
http://www.censo2010.ibge.gov.br/dados_divulgados/index.php?uf=33 Acesso em 03/05/2012.
(****) Número estimado de adeptos de religiões afro-brasileiras por município, segundo os critérios do
IBGE. Cálculo: (% Afro**) x (População ***) / 100, aproximado para a próxima unidade.
As Tabelas B e C resumem estes cálculos, permitindo uma visão focalizada
da distribuição do número de adeptos das religiões afro-brasileiras nos municípios
pesquisados pelos territórios da pesquisa para 2000 e 2010, respectivamente, segundo
os critérios anteriormente descritos.
Tabela B
Distribuição do número de adeptos das religiões afro-brasileiras nos territórios
da pesquisa, em base aos dados do Censo Populacional do IBGE de 2000
Território da pesquisa
Município do Rio de
Janeiro
Municípios
1
Afro
%
(Média)
1.75
População
2000
5.857.904
Adeptos de
religiões
afro
102.513
Fonseca │
6
Leste e Norte da Baía
da Guanabara
Baixada Fluminense*
Região Serrana
Baixada Litorânea
Sul Fluminense e Sul
da Baixada
Fluminense
Totais
6
0.98
1.830.365
22.001
5
2
2
13
1.55
0.58
0.90
0.59
2.733.717
424.618
549.606
1.116.031
38.314
3.390
4.222
5.985
29
1.41
12.512.241
(86,94%)
14.391.282
176.452
Estado do Rio de
91
Janeiro
(*) Em 2000 Mesquita era um bairro do Município do Rio de Janeiro e, por esta razão, não recebeu o
mesmo tratamento estatístico dispensado aos outros cinco municípios da Baixada Fluminense que
compõem este território da pesquisa.
Fonte: IBGE, 2010.
http://www.censo2010.ibge.gov.br/resultados_do_censo2010.php Acesso em 03/05/2012.
Tabela C
Distribuição do número estimado de adeptos das religiões afro-brasileiras nos
territórios da pesquisa, em base aos dados do Censo Populacional do IBGE de
2010, a partir das porcentagens observadas em 2000
Território da pesquisa
Município do Rio de
Janeiro
Leste e Norte da baía
da Guanabara
Baixada Fluminense
Região Serrana
Baixada Litorânea
Sul Fluminense e Sul
da Baixada
Fluminense
Totais
Municípios
1
Afro
%
(Média)
1.75
População
2010
5.940.224
Adeptos de
religiões
afro
103.954
Incremento
populacional
2000-2010
82.320
6
0.98
1.918.842
22.991
88.477
6
2
2
13
1.55
0.58
0.90
0.59
2.794.949
438.021
773.502
1.233.824
36.632
2.776
5.965
6.640
61.232
13.403
223.896
117.793
30
1.37
13.099.362
(86,29%)
15.180.636
178.958
587.121
Estado do Rio de
92
Janeiro
Fonte: IBGE, 2010.
http://www.censo2010.ibge.gov.br/resultados_do_censo2010.php Acesso em 03/05/2012.
Os primeiros resultados apresentados pelo IBGE sobre o Censo de 2010
atestaram um crescimento da porcentagem nacional de auto declarados adeptos de
religiões afro-brasileiras de 0.31% para 0.35%3 na população nacional, sem detalhar
ainda esta variação pelos 5.507 municípios brasileiros.
Isso significa que no cenário nacional a situação de subnotificação de adeptos
de religiões afro-brasileiras, caso exista, permanece inalterada, mesmo sendo passada
a primeira década do século XXI.
3
http://www.censo2010.ibge.gov.br/resultados_do_censo2010.php Acesso em 03/05/2012.
Fonseca │
7
Para nos aproximarmos das transformações sub-regionais no padrão de
respostas às pesquisas do IBGE, utilizamos o estudo intitulado Novo Mapa das
Religiões, de Marcelo Côrtes Neri (FGV, CPS), publicado em 2011, que apresenta
uma análise das variações nas porcentagens de auto declarados adeptos de religiões
afro-brasileiras, a partir de dados extraídos da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF),
realizada pelo IBGE em 2009.
Deste estudo destacamos, além do Rio de Janeiro, outras seis capitais
brasileiras nas quais recentemente foram realizados mapeamentos de terreiros, de
maneira a poder discutir os principais achados destas pesquisas em comparação aos
que encontramos para o Rio de Janeiro.
A Tabela D apresenta as porcentagens de auto declarados em 2000, segundo o
os dados do IBGE4, comparando-as com aqueles registrados pelo IBGE em 2009,
através da POF estudada por Neri.
Tabela D
Comparação dos Rankings das Religiões nas Cidades
Porcentagem de [Religiões] Afro-brasileiras por Município
Posição entre os
municípios do país
Cidade
12
Porto Alegre
30
Rio de Janeiro
172
Salvador
219
Recife
340
Belo Horizonte
662
Belém
978
São Luís
Fontes: CPS/FGV. Retratos das Religiões no Brasil, 2000.
http://www.fgv.br/cps/religioes/inicio.htm Acesso em 02/05/2012.
CPS/FGV a partir dos microdados da POF 2009/IBGE.
Afro
2000
%
2.49
1.75
0.49
0.39
0.27
0.14
0.08
Afro
2009
%
2.17
2.04
0.94
0.39
0.33
0.27
0.14
No que se refere ao Rio de Janeiro, merece destaque o substantivo incremento
percentual ocorrido no Município quanto à auto declaração de adeptos, característica
bastante diferenciada do quadro apresentado pelas outras seis capitais listadas.
Interpretamos esta variação como resultado da reflexão política promovida
pelos movimentos sociais no Sudeste, aonde se deu o movimento “Quem é de axé diz
que é”, amplamente articulado através de redes sociais, utilizando novas tecnologias
de comunicação. Além disso, merece nota o substantivo incremento do número de
4
Retratos das Religiões no Brasil, CPS/FGV, 2000.
http://www.fgv.br/cps/religioes/inicio.htm Acesso em 02/05/2012.
Fonseca │
8
casas de religiões de matrizes africanas no Rio de Janeiro ocorrido nesta década, uma
tendência claramente observada pela pesquisa, que será discutida oportunamente.
Neste contexto, no que tange os esforços de aproximação do universo da
pesquisa e a avaliação da extensão da amostra pesquisada, para aferir sua validade e
abrangência em relação ao campo pesquisado, se faz necessário encontrar alguma
forma de ajustar o número de adeptos calculado para 2010, em base às porcentagens
de 2000, de maneira a que elas expressem as conquistas desta mobilização e
transformações recentes no campo religioso na região. Uma forma de fazê-lo é
submetendo o total calculado de 178.958 adeptos, em base às porcentagens
municipais verificadas para 2000, a um fator de ajuste (1.17), extraído do diferencial
observado para a capital do Estado durante o período.
Importa que fique claro que estas são apenas aproximações e que não
desejamos aqui afirmar estes valores como absolutos. O que se deseja é apenas
estimar ordens de grandeza para colocar em perspectiva os achados deste estudo.
Aplicado o valor de ajuste, estaríamos falando de uma população de adeptos de
religiões afro-brasileiras de aproximadamente 210 mil pessoas nos 30 municípios
pesquisados.
As estatísticas descritivas iniciais, extraídas do banco de dados da pesquisa,
falam de um total de 66.948 religiosos que dão vida a 847 casas de religiões de
matrizes africanas frequentadas por 119.988 adeptos do Rio de Janeiro, totalizando
uma população de 186.936 adeptos de religiões afro-brasileiras nos 30 municípios
onde o mapeamento ocorreu.
De ser defensável o exercício de estimativa do tamanho do universo
pesquisado acima descrito, na ausência de dados que nos permitam maior acuidade,
estaríamos em condição de supor que a amostra aqui estudada corresponderia a cerca
de 90% do universo. Mas, que fique claro, este universo pode ser muito maior e ainda
não estar em situação de se deixar conhecer.
Desta maneira, embora variando entre pouco mais de dez e pouco menos de
90 por cento de um universo cuja latitude permanece desconhecida, a amostra que
descreveremos e discutiremos neste trabalho reflete tendências importantes, revela
práticas anteriormente desconhecidas e permite ações que certamente contribuem com
um processo de (re)conhecimento destas casas, suas estratégias políticas e práticas
sociais. Deriva daí a necessidade de validação desta amostra e da contribuição do seu
estudo.
Fonseca │
9
Para entender semelhanças e diferenças entre mapeamentos distintos
No transcurso da primeira década dos anos 2000 foram realizados, ou ainda se
encontram em processo de realização, quatro grandes esforços de mapeamento de
casas de axé, abrangendo seis capitais brasileiras, que destacamos: 1) Mapeamento de
terreiros de Salvador5; 2) Mapeamento das casas de religiões de matrizes africanas
no Rio de Janeiro6; 3) Mapeando o axé. Pesquisa socioeconômica e cultural das
comunidades tradicionais de terreiro 7 (Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém e
Recife), e 4) Mapeamento de terreiros em São Luís do Maranhão. Cabe ressaltar que
muitos outros esforços de mapeamento de casas de axé já haviam ocorrido
previamente, ou se realizaram durante esta mesma época, tais como o do ICAPRA,
antes mencionado, e o do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN), dentre outros de não menor importância. Optamos por destacar aqueles
que, por suas características, melhor servem a uma perspectiva comparativa neste
trabalho.
A mais relevante diferença que se observa entre estes quatro mapeamentos diz
respeito ao agente político que promove a pesquisa e seus respectivos objetivos.
No caso de Salvador, a pesquisa foi promovida pelo Governo Municipal, e
tinha como foco a questão da regulamentação fundiária dos terreiros no Município de
Salvador. Os agentes contratantes do projeto de pesquisa eram as:
... Secretarias Municipais da Reparação e da Habitação, em parceria com o Centro de
Estudos Afro-Orientais da UFBA (...) O objetivo foi conhecer os terreiros da nossa
cidade: saber quantos são, onde estão localizados, suas condições de documentação,
regularização fundiária e infraestrutura, entre outros aspectos socioculturais e
demográficos. Esta pesquisa compõe o Programa de Valorização do Patrimônio AfroBrasileiro, além de ser o ponto de partida para uma série de políticas públicas a serem
adotadas nas comunidades (...) para a legalização e regularização fundiária desses
espaços, diminuir o preconceito sobre as religiões afro-brasileiras e, principalmente,
valorizar a cultura afro-brasileira (CEAO, UFBa, Website do Mapeamento).
No Rio de Janeiro, a pesquisa foi convocada pelo segmento religioso de
matrizes africanas, através da liderança de 14 casas de axé da região, e tinha como
foco o enfrentamento da intolerância religiosa perpetrada contra o povo de axé.
Realizada pela PUC-Rio, com apoio da SEPPIR/PR, sob a supervisão do Conselho
Griot,
5
http://www.terreiros.ceao.ufba.br/apresentacao Acesso em 24/04/2012.
http://www.nima.puc-rio.br/mapeamento/ Acesso em 18/05/2012.
7
http://www.mds.gov.br/sesan/terreiros/paginas/oprojeto.htm Acesso em 24/04/2012.
6
Fonseca │ 10
A Pesquisa de Mapeamento das Casas de Religiões de Matriz Africana do Estado do
Rio de Janeiro tem o objetivo de visibilizar o quantitativo de Terreiros de Umbanda e
Candomblé presentes no Estado com a perspectiva de que este resultado possibilite a
construção de Políticas Públicas efetivas que beneficiem este segmento religioso e
também o seu fortalecimento na luta pela liberdade religiosa através da construção de
uma cultura de Paz criando mecanismos na defesa contra a violação de direitos
frequentemente sofrida pelas casas de religiões de matrizes africanas, compreendida
como sistêmica, orquestrada e absolutamente estratégica enquanto prática de racismo
com finalidades políticas e econômicas (PUC-Rio, Website do Mapeamento).
Em outras quatro capitais brasileiras: Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém e
Recife, os mapeamentos locais foram promovidos e coordenados pelo Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome do Governo Federal, com foco na
segurança alimentar e nutricional das comunidades de terreiros.
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e a Organização
das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em parceria com
a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e a Fundação
Cultural Palmares (FCP), realizaram o Mapeamento das Comunidades Tradicionais
de Terreiro nas capitais e regiões metropolitanas dos estados de Minas Gerais, Pará,
Pernambuco, e Rio Grande do Sul. O projeto foi executado pela Associação Filmes
de Quintal, instituição habilitada por meio de edital público. O objetivo do
mapeamento é conhecer a realidade dos terreiros das quatro capitais e regiões
metropolitanas pesquisadas: quem são, onde estão localizados, suas principais
atividades comunitárias, situação fundiária, infraestrutura, entre outros aspectos
socioculturais e demográficos. Buscou-se, dessa forma, construir um rico banco de
dados que norteará as políticas públicas junto às comunidades de terreiro, com ênfase
na promoção da segurança alimentar e nutricional (MDS, SESAN, Website do
Mapeamento).
O mapeamento de terreiros de São Luís do Maranhão encontra-se em
desenvolvimento. O agente promotor é o Governo Estadual, através da Secretaria de
Igualdade Racial (SEIR), e embora seus objetivos apontem para a construção de
subsídios para a elaboração de políticas públicas específicas para as comunidades
quilombolas e de terreiros, não tivemos acesso a documentação que nos permita
conhecer o foco desta pesquisa.
O trabalho que está sendo desenvolvido pela SEIR reflete a necessidade de
construirmos um retrato socioeconômico e cultural dos terreiros existentes na nossa
capital, para que, assim, possamos articular políticas públicas voltadas às
comunidades tradicionais de matriz africana (Andrade, O Imparcial, 2011).8
A grande sinergia que existe entre os mapeamentos em questão é a clara
articulação entre o esforço de dimensionamento do universo (banco de dados), e o seu
georeferenciamento (cartografia), por entende-los como subsídios estruturantes de
8
http://www.oimparcial.com.br/app/noticia/urbano/2011/10/06/interna_urbano,95900/seir-apresentaem-brasilia-resultados-do-mapeamento-de-terreiros.shtml Acesso em 01/05/2012.
Fonseca │ 11
políticas públicas específicas. Na maioria destes mapeamentos a questão racial está
subentendida, pois os “terreiros” estão tomados como sinônimos de loci da população
negra brasileira. Este segundo aspecto diferencia a pesquisa realizada no Rio de
Janeiro das demais, na medida em que esta adota a nomenclatura “casas de religiões
de matrizes africanas” como estratégia para não endossar a priori uma racialização
das religiões; inclui explicitamente a Umbanda como religião de matrizes africanas, e
enuncia claramente a sua adesão à luta antirracismo na esfera da sociedade civil
enquanto uma luta por Direitos Humanos. Neste sentido, cabe lembrar que esta
pesquisa é a única que foi promovida pelo próprio segmento religioso de matrizes
africanas.
Para além das diferenças entre os agentes promotores dos mapeamentos
(Governos Municipais, Estaduais, Federal e movimento social) e seus objetivos, a
própria natureza do segmento religioso de matrizes africanas em cada uma destas
capitais é histórica e ontologicamente distinta, com implicações para os
mapeamentos. Além disso, as articulações políticas e a maturidade dos movimentos
sociais regionais também tem implicações importantes para o campo, um tema que
fica claramente ilustrado pelas variações nas porcentagens de auto declaração de
adeptos nos Censos de IBGE, por exemplo.
Obviamente, concebidas de formas tão distintas, com objetivos tão diferentes
e tratando de realidades que guardam tantas particularidades, as metodologias destas
pesquisas são, necessariamente, diferenciadas e seus resultados não obrigatoriamente
irão convergir. O curioso é que, em alguns aspectos eles convergem e estas sinergias
podem nos oferecer alguns parâmetros para comparações.
Com uma população de quase dois milhões e meio de pessoas9, o Município
de Salvador mapeou 1.165 terreiros: média de um terreiro para pouco mais de duas
mil pessoas na população total do município. É importante salientar que, circunscrita
a apenas um município, a pesquisa realizada em Salvador teve como critério central o
objetivo de “esgotar” o campo e está perto de o haver atingido. Considerando-se que
apenas 0.94% dos Soteropolitanos declarou-se adepto de religiões afro-brasileiras em
2009, espera-se pouco menos de 15 mil adeptos em Salvador, segundo o Censo de
2010. Neste caso, estaríamos falando de casas que acolheriam, na média 12 adeptos
por terreiro.
9
2.480.790 habitantes, segundo o IBGE, 2010.
http://www.censo2010.ibge.gov.br/dados_divulgados/index.php?uf=29 Acesso em 01/05/2012.
Fonseca │ 12
No caso de Porto Alegre foram mapeados, na Região Metropolitana, 1.342
terreiros. A população da capital não chega a um e meio milhões de pessoas10, o que
permite calcular um terreiro para pouco mais de mil pessoas da sua população.
Observe-se, no entanto, que a pesquisa ali realizada buscou mapear todo o universo da
Grande Porto Alegre (mais de 30 municípios) e, portanto, cobre mais do que
estritamente o município da capital, reduzindo esta média. Em 2009, ao professar sua
pertença religiosa, a extraordinária porcentagem de 2.17% dos habitantes de Porto
Alegre se auto declarou adepta de religiões afro-brasileiras. Em termos nacionais esta
média é muito alta: a 12a. da nação. Porém, curiosamente, a porcentagem de adeptos
caiu entre 2000 e 2009, sugerindo a ocorrência de transformações muito específicas
no segmento religioso de matrizes africanas na região naquele período, em um
movimento oposto ao observado no Rio de Janeiro durante o mesmo lapso de tempo.
A partir dos números encontrados pelo IBGE em 2010, seria possível esperar
mais de 30 mil adeptos apenas na capital rio-grandense, com uma média de 23
adeptos por terreiro da região metropolitana. Guardadas todas a diferenças que
existem entre Porto Alegre e Salvador, o que surpreende é a congruência das médias
dos números de adeptos por terreiro, que se extraem do cruzamento dos dados do
IBGE de 2010 com os dos mapeamentos realizados nas duas capitais: menos de 25
adeptos por terreiro.
Também desta ordem de grandeza resulta o cálculo para Belo Horizonte: 22
adeptos por terreiro. Com uma população de mais de dois milhões de pessoas11
apenas na capital, foram mapeados na região metropolitana da capital mineira apenas
353 terreiros, o que resulta em uma média de quase sete mil pessoas por terreiro. A
porcentagem de adeptos em Belo Horizonte (0.33%), registrada pelo IBGE, está
abaixo da média nacional de 2010 (0.35%), o que permite assumir que o segmento
religioso de matrizes africanas na capital mineira é de pequena expressividade,
congruente com a tendência observada no mapeamento. Desta maneira, são esperados
pouco menos de oito mil adeptos na grande Belo Horizonte, com uma média de
adeptos por terreiros menor de 25.
Os mapeamentos realizados nas regiões metropolitanas de Belém e Recife
guardam grandes semelhanças entre si, e um padrão diferente dos três anteriores. Com
10
1.409.351 habitantes, segundo o IBGE, 2010
http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=431490 Acesso em 01/05/2012
11
2.375.151 habitantes
http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=310620 Acesso em 01/05/2012.
Fonseca │ 13
populações da mesma ordem de grandeza, cerca de um e meio milhões de pessoas nas
capitais12, foram mapeados pouco mais do que mil terreiros em cada uma das regiões
metropolitanas, resultando em médias da ordem de um terreiro para cada 1.200
pessoas da população total. As porcentagens de auto declarados adeptos de religiões
afro-brasileiras nas duas capitais são também comparáveis, 0.27% e 0.36%
respectivamente (IBGE, 2009), o que permite esperar um número de adeptos inferior
a cinco mil pessoas em cada uma delas. Nestes casos, estamos falando de médias
inferiores a cinco adeptos por terreiro mapeado, fugindo bastante das médias
encontradas nas três primeiras capitais e sugerindo a necessidade de uma reflexão
mais densa sobre possíveis razões para uma provável subnotificação de adeptos destas
capitais nos Censos do IBGE, ou uma eventual superestimação do número de terreiros
nestas duas regiões metropolitanas.
Média semelhante se encontra em São Luís do Maranhão, cuja população de
pouco mais de um milhão de pessoas na capital13, com uma porcentagem baixíssima
de 0.14% de auto declarados adeptos de religiões afro-brasileiras (IBGE, 2009),
permite esperar cerca de mil e quinhentas pessoas que frequentariam os 185 terreiros
já mapeados na cidade: média de sete adeptos por terreiro, muito próxima das médias
observadas para Belém e Recife. No entanto, cabe lembrar que o mapeamento em São
Luís ainda não terminou e, portanto, esta média pode ainda baixar, para se aproximar
mais dos valores observados naquelas duas regiões metropolitanas.
Tabela E
Comparação entre as sete capitais mapeadas
Capital
Rio de Janeiro
Salvador
Porto Alegre
Belo Horizonte
Recife
Afro*
(%)
2009
Habitantes**
2010
Número de
adeptos
estimado
Terreiros
mapeados
2.04
0.94
2.17
0.33
0.36
5.940.22414
2.480.790
1.409.351
2.375.151
1.537.704
121.181
14.454
30.583
7.838
5.536
847
1.165
1.342
353
1.261
Média de
adeptos
por
terreiro
143
12
23
22
4
12
Belém com 1.351.618 e Recife com 1.537.704 habitantes, respectivamente
http://www.censo2010.ibge.gov.br/dados_divulgados/index.php?uf=15 Acesso em 01/05/2012.
http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=261160 Acesso em 01/05/2012.
13
1.014.837 habitantes
http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=211130 Acesso em 01/05/2012.
14
http://www.censo2010.ibge.gov.br/dados_divulgados/index.php?uf=33 Acesso em 01/05/2012.
Fonseca │ 14
Belém
São Luís
0.27
0.14
1.351.618
1.014.837
3.649
1.421
1.089
185
3
7
Fontes:
* Neri, Marcelo Côrtes. Novo Mapa das Religiões. Rio de Janeiro: FGV, CPS, 2011. CPS/FGV a partir
dos microdados da POF 2009/IBGE.
** Censo IBGE, 2010.
A Tabela E permite uma comparação rápida entre as sete capitais mapeadas.
Nosso objetivo é poder extrair desta comparação alguma evidência que nos permita
refinar nossas estimativas do tamanho do universo de casas de religiões de matrizes
africanas no Rio de Janeiro e, consequentemente, da dimensão da amostra em estudo.
Se tomássemos a média de adeptos por terreiro encontrada para Salvador
como referência, estaríamos falando de uma amostra menor do que dez por cento.
Neste caso, nosso primeiro cálculo de cerca de sete mil casas de religiões de matrizes
africanas no Rio de Janeiro estaria confirmado. Porém, considerando-se que estamos
tratando de uma região metropolitana, e não apenas de um município, como é o caso
do mapeamento de Salvador, e que a porcentagem de adeptos registrada no Rio de
Janeiro é bastante mais alta do que a observada para Salvador, estando bastante mais
próxima da média registrada para Porto Alegre, a comparação com os achados do
mapeamento realizado no Rio Grande do Sul parece se aproximar mais da realidade
do mapeamento do Rio de Janeiro.
Neste caso, se adotássemos a média de 23 adeptos por terreiro, estaríamos
falando de uma amostra que se situa entre 15% e 20%, de um universo que estaria
entre 4.200 a 5.600 casas. Corroborando estes valores, podemos adiantar que esta
estimativa encontra respaldo nos achados da pesquisa, que registra 42.1% das casas
mapeadas com um número de adeptos que varia entre 11 e 30.
Em base nas considerações aqui apresentadas sobre a presença das casas de
axé no Rio de Janeiro, podemos assumir que o mapeamento de terreiros realizado pela
PUC-Rio corresponde a uma amostra de aproximadamente 17% de um universo
estimado de cerca de 5.000 casas de religiões de matrizes africanas localizadas em 30
municípios do estado do Rio de Janeiro.
Bibliografia
CEAO,
UFBa. Mapeamento de terreiros de Salvador. Disponível
http://www.terreiros.ceao.ufba.br/apresentacao Acesso em 24/04/2012.
CPS/FGV. Retratos das Religiões no Brasil, 2000. Disponível
http://www.fgv.br/cps/religioes/inicio.htm Acesso em: 02/05/2012.
em:
em:
Fonseca │ 15
FONSECA, D.P.R. & GIACOMINI, S.M. Banco de dados da pesquisa do
mapeamento. Rio de Janeiro: PUC-Rio/SEPPIR-PR, 2011. Manuscrito de
acesso restrito.
IBGE,
Censo
Populacional.
2010.
Disponível
em:
http://www.censo2010.ibge.gov.br/resultados_do_censo2010.php
Acesso:
em: 03/05/2012.
MDS. Mapeando o axé. Pesquisa socioeconômica e cultural das comunidades
tradicionais de terreiro (Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém e Recife).
Disponível em: http://www.mds.gov.br/sesan/terreiros/paginas/oprojeto.htm
Acesso em: 24/04/2012.
NERI, Marcelo Côrtes. Novo Mapa das Religiões. Rio de Janeiro: FGV, CPS, 2011.
NIMA/NIREMA, PUC-Rio. Mapeamento das casas de religiões de matrizes
africanas no Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.nima.pucrio.br/mapeamento/ Acesso em: 18/05/2012.
SEIR, MA. Mapeamento de terreiros em São Luís do Maranhão
http://www.oimparcial.com.br/app/noticia/urbano/2011/10/06/interna_urban
o,95900/seir-apresenta-em-brasilia-resultados-do-mapeamento-deterreiros.shtml Acesso em: 01/05/2012.
Fonseca │ 16
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