FAURGS FUNDAÇÃO DE APOIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
Av. Bento Gonçalves, 9500 Prédio 43609 CEP 91.501-970 Porto Alegre RS
DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DO
MUNICÍPIO DE
PORTO ALEGRE
RELATÓRIO 6
Porto Alegre, outubro de 2004.
FAURGS FUNDAÇÃO DE APOIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
Av. Bento Gonçalves, 9500 Prédio 43609 CEP 91.501-970 Porto Alegre RS
DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DO
MUNICÍPIO DE
PORTO ALEGRE
RELATÓRIO 6
Porto Alegre, outubro de 2004.
Equipe técnica
Geoprocessamento
Eliseu Weber (Engenheiro Agrônomo, Mestre em Sensoriamento Remoto)
Heinrich Hasenack (Geógrafo, Mestre em Ecologia)
André Cruvinel Resende (Cientista da computação)
Cristiano D’ávila Sumariva (Acadêmico de Ciência da Computação)
Vegetação e ocupação urbana
Heinrich Hasenack (Geógrafo, Mestre em Ecologia)
José Luís Passos Cordeiro (Biólogo, Mestre em Ecologia)
Ricardo Dobrovolski (Biólogo)
Camila Demo Medeiros (Acadêmica de Ciências Biológicas)
Danielle Crawshaw (Acadêmica de Medicina Veterinária)
Andreas Kindel (Biólogo, Doutor em Botânica)
Ilsi Iob Boldrini (Bióloga, Doutora em Zootecnia)
Paulo Luiz de Oliveira (Biólogo, Doutor em Ciências Agrárias)
Rafael Trevisan (Biólogo, Mestre em Botânica)
Geologia
Diego Nacci (Engenheiro Civil, Mestre em Engenharia Civil)
Nelson Augusto Flores Machado (Geólogo, Doutor em Ecologia)
Heinrich Hasenack (Geógrafo, Mestre em Ecologia)
Pedologia
Egon Klamt (Engenheiro Agrônomo, Doutor em Ciência do Solo)
Paulo Schneider (Engenheiro Agrônomo, Mestre em Ciência do Solo)
Nestor Kämpf (Engenheiro Agrônomo, Doutor em Ciência do Solo)
Elvio Giasson (Engenheiro Agrônomo, Doutor em Ciência do Solo)
Drenagem
Carlos Eduardo Morelli Tucci (Engenheiro Civil, Doutor em Recursos Hídricos)
Lawson Beltrame (Engenheiro Agrônomo, Mestre em Hidrologia Aplicada)
Marcos Imério Leão (Geólogo, Mestre em Recursos Hídricos)
Alfonso Risso (Engenheiro Civil, Mestre em Recursos Hídricos)
Situação fundiária
Manuel Luiz Leite Zurita (Engenheiro Químico e Bacharel em Direito, Mestre em Ecologia)
Márcia Colares de Matos (Acadêmica de Geografia)
Índice
1. Organização dos dados digitais básicos _________________________________________ 1
1.1. Imagens de alta resolução do satélite Quickbird ____________________________________ 1
1.2. Modelo Numérico do Terreno (MNT) ____________________________________________ 2
1.3. Rede hidrográfica _____________________________________________________________ 2
1.4. Eixos de ruas _________________________________________________________________ 3
1.5. Limites do município de Porto Alegre:____________________________________________ 4
2. Capacitação da equipe e trabalho de campo integrado _____________________________ 5
2.1. Instrução geral e preparação do trabalho de campo integrado ________________________ 5
2.2. Realização do trabalho de campo integrado _______________________________________ 5
2.3. Capacitação da equipe para os mapeamentos ______________________________________ 5
3. Mapeamento da vegetação ___________________________________________________ 8
3.1. Definição da legenda___________________________________________________________ 8
3.2. Digitalização das unidades vegetacionais sobre as imagens Quickbird_________________ 11
3.3. Trabalho de campo___________________________________________________________ 12
4. Geologia - mapeamento geológico/avaliação geotécnica___________________________ 16
4.1. Geologia ____________________________________________________________________ 16
4.2. Geotecnia ___________________________________________________________________ 18
5. Pedologia - mapeamento das unidades de solos__________________________________ 22
5.1. Introdução __________________________________________________________________ 22
5.2. Métodos ____________________________________________________________________ 22
5.3. Caracterização das unidades de mapeamento de solos ______________________________ 23
5.4. Caracterização das unidades taxonômicas________________________________________ 27
6. Drenagem________________________________________________________________ 53
6.1. Drenagem superficial _________________________________________________________ 53
6.2. Drenagem subterrânea________________________________________________________ 56
7. Mapeamento da ocupação urbana ____________________________________________ 61
7.1. Definição da legenda__________________________________________________________ 61
7.2. Digitalização das classes de ocupação sobre as imagens Quickbird ___________________ 62
7.3. Trabalho de campo___________________________________________________________ 62
8. Situação fundiária _________________________________________________________ 64
8.1. Introdução __________________________________________________________________ 64
8.2. Área piloto para estudo _______________________________________________________ 64
8.3. Diagnóstico inicial____________________________________________________________ 64
8.4. Descrição de procedimentos para acessar informações disponíveis nos Banco de Dados do
Município __________________________________________________________________ 66
8.5. Metodologia proposta_________________________________________________________ 69
8.6. Recomendações ______________________________________________________________ 69
9. Disponibilização dos dados __________________________________________________ 70
9.1. Descrição dos arquivos digitais _________________________________________________ 70
9.2. Atributos associados aos arquivos ______________________________________________ 70
9.3. Aplicativo para visualização e consulta dos dados _________________________________ 73
10. Referências bibliográficas__________________________________________________ 77
Relatório 6
Introdução
O sexto relatório do Diagnóstico Ambiental do município de Porto Alegre refere-se à apresentação final
do trabalho. O texto descreve a metodologia utilizada na elaboração dos mapas temáticos e apresenta os
produtos obtidos através dos diversos mapeamentos, conforme especificado no termo de referência.
1. Organização dos dados digitais básicos
A Prefeitura Municipal de Porto Alegre forneceu diversas informações analógicas e digitais para apoiar a
execução dos mapeamentos do Diagnóstico Ambiental do Município, as quais foram entregues ao grupo
de geoprocessamento.
−
Imagens de alta resolução do satélite Quickbird do município de Porto Alegre, em formato JPEG e
TIFF, recortadas em janelas correspondentes ao mapeamento sistemático do município, blocos de 25
cartas
−
Modelo digital de elevação em formato TIFF, com resolução espacial de 5 metros
−
Rede hidrográfica em meio digital, na escala 1:25.000, em formato shape file
−
Limites do município de Porto Alegre, na escala 1:15.000, em formato shape file
−
Eixos de ruas, na escala 1:15.000, com diversos atributos (nome de rua, numeração, etc.) e
topologicamente estruturado.
Também foram colocadas à disposição as fotografias aéreas analógicas em escala aproximada 1:8.000 de
1982, mas somente para retirada de forma parcial diretamente junto à SMAM, conforme a demanda dos
diferentes grupos.
Alguns dados digitais tiveram de ser submetidos a vários processos a fim de conferir as características
necessárias para a execução dos mapeamentos e depois disponibilizados aos grupos responsáveis pela
execução dos diferentes mapas temáticos. As características dos dados disponibilizados pela Prefeitura
Municipal de Porto Alegre e os processos executados estão relacionados a seguir.
1.1. Imagens de alta resolução do satélite Quickbird
A preparação das imagens Quickbird foi a etapa que mais demandou trabalho na organização dos dados
básicos para o Diagnóstico Ambiental de Porto Alegre, constituindo causa de atraso no início dos
mapeamentos. Os problemas ocorridos tiveram como causa principal o fato de, na época do início dos
trabalhos, o município ainda não dispor da versão final das imagens, pois transcorria uma fase de ajustes
para aceitação do produto final com a empresa fornecedora.
Inicialmente a prefeitura, através do SIGPOA, forneceu dois conjuntos de aproximadamente 105 arquivos
referentes a janelas das imagens Quickbird recortadas na articulação das cartas 1:5.000 do município. Foi
fornecido um conjunto no sistema de coordenadas UTM e outro no sistema de coordenadas GaussKrüger, contendo a fusão das bandas multiespectrais com a banda pancromática, com resolução espacial
de 60 cm, em formato JPEG. O maior problema com essas imagens foi a degradação da resolução em
função da forma de compactação para a geração dos arquivos no formato JPEG, tornando difícil a
execução da interpretação da vegetação com o detalhamento necessário para os mapeamentos temáticos.
Ao ampliar-se a imagem para fazer a interpretação, percebia-se que os pixels originais haviam sido
compactados em blocos de cerca de 4,8 a 5 m.
Constatado esse problema, efetuou-se nova solicitação à prefeitura para a disponibilização das imagens
em um formato não compactado (TIFF, por exemplo). Entretanto, a disponibilização do material
demoraria algum tempo pois o município estava aguardando a entrega de uma nova versão das imagens
pela empresa fornecedora. Dessa forma, enquanto aguardava-se as novas imagens, procedeu-se à
execução de um mosaico reunindo todos os blocos de imagens JPEG recebidos no sistema de
coordenadas UTM, para iniciar a preparação das visitas a campo.
1
Nesse momento observou-se dois outros problemas com as janelas de imagens. Um era a existência de
grandes diferenças de contraste entre imagens adjacentes, que alteravam a aparência dos tipos de
vegetação existentes nesses locais e, portanto, introduziam uma dificuldade adicional para a extração das
informações de uso do solo e cobertura vegetal. Outro problema era a ocorrência de cobertura de nuvens
sobre algumas áreas, o que comprometia o trabalho de identificação das diferentes formações vegetais sob
esses locais.
Em virtude dessas constatações foi efetuado novo contato com a prefeitura, mas a versão final das
imagens ainda não havia sido entregue pela empresa fornecedora e não havia prazo definido. Dessa
forma, procedeu-se à confecção do mosaico no sistema de coordenadas UTM, mesmo com todos os
problemas detectados, para que se pudesse utilizá-lo na programação e na execução do trabalho de
campo.
O mosaico dos arquivos JPEG no sistema UTM foi concluído em dezembro de 2003, constituindo a
primeira visão contínua das imagens Quickbird do município de Porto Alegre (figura 1.1). Efetuou-se a
impressão e plastificação de quatro cópias do mosaico na escala 1:25.000, uma das quais foi doada ao
SIGPOA.
No final de janeiro de 2004, já depois da realização da primeira saída de campo, a prefeitura
disponibilizou novamente um conjunto atualizado de janelas das imagens Quickbird, agora em formato
TIFF (não compactado) e no sistema de coordenadas Gauss-Krüger. Esses arquivos foram concatenados
para constituir um novo mosaico contínuo do município, efetuando-se ajustes de histograma entre as
diversas janelas para reduzir os contrastes de cores. A versão final do mosaico foi reamostrada para a
resolução espacial de 1 metro e disponibilizada para os grupos dos mapeamentos temáticos para ser
finalmente utilizada como material básico de interpretação.
Convém ressaltar que a nova versão das imagens mantém problemas de contraste entre janelas de
imagens adjacentes e cobertura de nuvens em algumas áreas do município. Isto pode ter provocado
eventuais erros de interpretação nos mapeamentos que, mesmo com um intenso trabalho de campo,
podem ainda persistir. Essa observação é válida principalmente para os mapeamentos da vegetação e da
ocupação urbana, pois o mosaico de imagens Quickbird foi a base para a delimitação das classes de
vegetação e ocupação.
1.2. Modelo Numérico do Terreno (MNT)
A prefeitura forneceu um MNT em formato TIFF, com resolução espacial de 5 metros e no sistema de
coordenadas Gauss-Krüger, supostamente obtido por estereorrestituição digital das imagens Quickbird. O
único processamento realizado com esse modelo foi seu redimensionamento para ficar exatamente com a
mesma cobertura do mosaico de imagens Quickbird. Uma análise detalhada do MNT mostrou que se trata
de um produto de baixa qualidade, com várias falhas e imperfeições nos valores das altitudes.
1.3. Rede hidrográfica
O mapa da rede hidrográfica foi fornecido pela prefeitura em meio digital, na escala 1:25.000, em formato
shape file. Quando analisado, constatou-se que o mapa não estava no sistema de coordenadas GaussKrüger, havendo um deslocamento na coordenada Y de 1.000.000 m, que foi compensado para posicionar
corretamente seus elementos. O arquivo disponibilizado também não possui atributos e não está
topologicamente estruturado, mas serve aos propósitos do Diagnóstico Ambiental.
2
Figura 1.1. Mosaico das imagens Quickbird do município de Porto Alegre no sistema de coordenadas
UTM, preparado para auxiliar na capacitação da equipe e no trabalho de campo.
1.4. Eixos de ruas
O mapa dos eixos de ruas foi fornecido pela prefeitura em meio digital, na escala 1:15.000, com diversos
atributos (nome de rua, numeração, etc.) e topologicamente estruturado. Entretanto, da mesma forma que
3
o mapa da rede hidrográfica, o mapa dos eixos de ruas não estava no sistema de coordenadas GaussKrüger. Havia um deslocamento na coordenada Y de 1.000.000 m, que foi compensado para posicionar
corretamente seus elementos.
1.5. Limites do município de Porto Alegre:
Os limites do município de Porto Alegre são importantes para delimitar a extensão dos mapeamentos
temáticos do Diagnóstico Ambiental. Os limites foram obtidos do mapa de bairros de Porto Alegre,
fornecido pela Prefeitura em formato shape file, cujos polígonos foram unidos para gerar um único limite
do Município.
4
2. Capacitação da equipe e trabalho de campo integrado
2.1. Instrução geral e preparação do trabalho de campo integrado
Antes do início dos trabalhos foram realizadas várias reuniões com membros de todos os grupos para
repassar instruções gerais sobre o trabalho e a responsabilidades de cada um, bem como sobre o produto
esperado de cada mapeamento e prazos estimados para sua execução.
Na segunda reunião realizou-se a preparação de um trabalho de campo integrado, cujo objetivo principal
foi permitir a todos os membros da equipe a troca de experiências e de impressões sobre os temas a serem
levantados, a discussão sobre as diversas paisagens existentes no município e a definição das categorias a
serem mapeadas pelos diferentes grupos.
Com base em uma análise visual do mosaico impresso das imagens Quickbird, a equipe definiu um
roteiro de campo para percorrer regiões em que fosse possível observar o maior número de diferentes
manchas do gradiente ambiental e de ocupação observado no município de Porto Alegre. A principal
preocupação do roteiro foi permitir o reconhecimento e comparação das principais fisionomias, tanto no
campo quanto nas imagens que servirão de base para os mapeamentos temáticos. O estabelecimento da
data para realização do trabalho de campo integrado procurou contemplar a presença do maior número
possível de membros de cada grupo.
2.2. Realização do trabalho de campo integrado
O trabalho de campo integrado foi realizado em 20 de janeiro de 2004, utilizando-se um microônibus do
Instituto de Biociências da UFRGS para o transporte da equipe, de especialistas convidados e de técnicos
da SMAM.
Seguindo-se o roteiro previamente estabelecido, foram visitados diversos locais para a observação e
análise dos diferentes temas in loco e sua comparação com o aspecto visual nas imagens Quickbird. Para
isso foi utilizado uma cópia impressa do mosaico de imagens Quickbird em coordenadas UTM. Na
oportunidade, foi realizada também uma documentação fotográfica de manchas representativas e sua
localização foi registrada através de um receptor GPS (Global Positioning System) para facilitar o
posterior reconhecimento das mesmas, em gabinete, sobre as imagens digitais.
As figuras de 2.1 a 2.3 mostram fotografias com exemplos da paisagem em alguns locais visitados no
trabalho de campo integrado.
O trabalho de campo integrado não pretendeu esclarecer todas as dúvidas da equipe, mas fornecer um
ponto de partida para a elaboração dos mapas temáticos. Trabalhos de campo específicos para cada tema
foram posteriormente realizados pelos grupos individuais ao longo da execução dos respectivos
mapeamentos, conforme suas necessidades, para a identificação e delimitação dos elementos a mapear.
2.3. Capacitação da equipe para os mapeamentos
Após a realização do trabalho de campo integrado e antes de iniciar os mapeamentos, foi realizado um
nivelamento conceitual da equipe, repassando-se conceitos de SIG e de cartografia essenciais à obtenção
de um produto final adequado em termos temáticos, geométricos e de atributos. Foram também
especificadas normas simplificadas estabelecendo critérios de qualidade (nível de detalhamento, escala
ideal de visualização para a interpretação, topologia, etc.) e procedimentos a serem seguidos na
digitalização dos mapeamentos. Foi também realizado um treinamento no manuseio dos softwares a
serem utilizados para essa finalidade.
5
Figura 2.1. Equipe reunida durante o trabalho de campo integrado para discussão da legenda possível,
através da comparação das observações de campo com o mosaico de imagens Quickbird impresso (Foto J.
R. Meira, 2004).
Figura 2.2. Vista em primeiro plano mostrando campo úmido e área cultivada, com maricazal em segundo
plano e mata de encosta ao fundo (Foto J. R. Meira, 2004).
6
Figura 2.3. Vista em primeiro plano de campo manejado, em segundo plano área residencial de terrenos
grandes e ao fundo a cobertura vegetal natural dos morros (Foto J. R. Meira, 2004).
7
3. Mapeamento da vegetação
O mapa de vegetação foi gerado em etapas, conforme detalhado a seguir.
3.1. Definição da legenda
A legenda foi definida após trabalho de campo específico, através de reuniões e discussões com os
responsáveis pela interpretação, analisando-se tanto dados coletados em campo quanto o mosaico de
imagens Quickbird do município. O objetivo foi obter uma legenda viável para o mapeamento em escala
1:15.000, que permitisse abranger a heterogeneidade da cobertura vegetal do município e garantir a
manutenção de homogeneidade entre os critérios de delimitação das manchas por diferentes pessoas do
grupo, durante a interpretação das imagens. Ao final das discussões e de alguns ensaios sobre as imagens,
foram definidas as seguintes classes:
−
Corpos d’água
−
Vegetação arbórea
Mata nativa
A mata nativa é uma formação arbórea composta por espécies nativas, sem alteração significativa no
estratos inferiores e em bom estado de conservação. Ocorre de maneira relictual na área mapeada,
principalmente ao longo dos morros e áreas inundáveis da margem do lago Guaíba e seus tributários.
Abrange as matas higrófilas, mesófilas, subxerófilas, psamófilas (restinga), ripárias, brejosas, os
maricazais e os sarandizais.
As matas higrófilas, matas altas, ocorrem nos fundos de vale e encostas sul dos morros, com forte
influência da Floresta Pluvial Tropical Atlântica (Floresta Ombrófila Densa). Estas matas atingem
entre 12 e 20 m de altura, verificando-se a presença de três ou quatro estratos arbóreos. São elementos
típicos do estrato superior, entre outras, o tanheiro (Alchornea triplinervia), a cangerana (Cabralea
cangerana) e a canela-ferrugem (Nectandra oppsitifolia), no estrato arbóreo inferior são comuns
também arvoretas como a laranjeira-do-mato (Gymnanthes concolor), o cincho (Sorocea banplandii),
o pau-de-arco (Guarea macrophylla) e o café-do-mato (Faramea marginata).
As matas mesófilas ou mesohigrófilas, são constituídas por uma comunidade florestal que ocupa a
porção média ou baixa dos morros, ou mesmo em terrenos mais ou menos planos, onde as condições
do ambiente não sejam extremas. A altura da mata é de 10 a15 m, sendo encontrados 2 a 3 estratos
arbóreos. No estrato superior, podem ser citadas a maria-mole (Guapira opposita), o camboatávermelho (Cupania vernalis), o açoita-cavalo (Luehea divaricata) e o capororocão (Myrsine
umbellata).
As matas subxerófilas, matas baixas ou capões, ocorrem nos topos ou encostas superiores dos morros
e apresentam fatores ambientais fortemente opostos às condições encontradas nas matas altas dos
fundos de vale. A altura média do dossel é de 6 a 12 m. A estratificação é mais simplificada do que na
mata higrófila, com a presença de 2 ou 3 estratos arbóreos. No estrato médio ou superior, , verifica-se
a presença, entre outras, de aroeira-brava (Lithrea brasiliensis), branquilho (Sebastiana
commersoniana) e chá-de-bugre (Casearia silvestris). No estrato arbóreo inferior o camboim
(Myrciaria cuspidata) e a embira (Daphnopsis racemosa ), além de outras espécies de mirtáceas.
As matas psamófilas (restinga) são formadas por matas ou capões de 6 a 10 m de altura. O estrato
arbóreo superior é constituido comumente por branquilho (Sebastiana commersoniana), aguaí-mirim
(Chrysophyllum marginatum), ipê-amarelo (Tabebuia pulcherrima) e capororocão (Myrsine
umbellata), entre outras. Podem ser observadas nesta matas de restinga algumas espécies emergentes
e de grande importância fisiônomico-paisagística, tais como a figueira-de-folha-miúda (Ficus
organensis), o jerivá (Siagrus romanzoffiana) e a timbaúva (Enterolobium cotortisiliquum).
As matas ripárias, chamadas comumente de matas ciliares ou matas em galeria, ocorrem junto aos
cursos d´água e possuem altura entre 5 e 10 m. As matas ciliares em terrenos arenosos ou
hidromórficos do lago Guaíba geralmente ocorrem internamente à vegetação de juncal (Scirpus
californicus). Na mata ripária propriamente dita ocorrem elementos arbóreos pioneiros de grande
8
porte, tais como o salgueiro (Salix humboldtiana), a corticeira-do-banhado (Erythrina cristagalli) e o
ingá-banana (Inga uruguensis). A mata madura tem composição variável apresentando entretanto
espécies típicas como o aguaí-mata-olho (Pouteria gardneriana), o sarandi-amarelo (Terminalia
australis), o tarumã-preto (Vitex megapotamica), o camboinzão (Myrciaria floribunda) e a figueirade-folha-miúda (Ficus organensis).
As matas brejosas têm origem na Planície Costeira, sendo pouco comuns no Município de Porto
Alegre e estando restritas a pequenos terrenos coluviais. O dossel é irregular, entre 8 e 15 m,
apresentando como espécies típicas de maior porte o tarumã-branco (Citharexylum myrianthum), a
embaúba (Cecropia catarinensis), a figueira-purgante (Ficus insipida), a corticeira-do-banhado
(Erythrina cristagalli) e o jerivá (Syagrus romanzoffiana).
O maricazal é uma vegetação que ocorre em planícies úmidas, principalmente no norte (Bacia do rio
Gravataí) e sudoeste (próximo às margens do lago Guaíba) do Município. Apresenta dominância do
maricá (Mimosa bimucronata), com altura entre 1,5 e 5 m.
O sarandizal é uma formação anfíbia, de 2 a 3 m de altura, encontrada muitas vezes nas margens do
lago Guaíba e rios tributários. Localiza-se em uma faixa interna ao juncal e externa à mata ripária,
predominando o sarandi-vermelho (Sebastiania schottiana), o sarandi-branco (Cephalanthus
glabratus) e o sarandi (Phyllanthus sellowianus), além de arbustos típicos de banhado como o
cambaí-vermelho (Sesbania punicea) e o maricá (Mimosa bimucronata).
Mata nativa com exóticas
A mata nativa com exóticas é uma formação arbórea composta predominantemente por espécies
nativas, mas com presença de espécies exóticas (Pinus, eucalipto, acácia, etc.). A presença de
espécies exóticas indica interferência antrópica.
Bosque
Formação arbórea do tipo parque, a classe bosque é caracterizada por um dossel contínuo com
estratos inferiores descaracterizados ou ausentes. Esta classe é típica de áreas submetidas a pastejo ou
utilizadas para lazer em parques e praças.
Mata degradada
A classe mata degradada é uma formação arbórea composta predominantemente por espécies nativas,
onde se verifica algum grau de degradação, como a presença de trilhas, vossorocas, desmatamentos,
depósito de rejeitos e outros.
−
Vegetação arbustiva
Transição mata
Esta classe é uma formação arbóreo-arbustiva, composta por mata em estágio intermediário de
sucessão, com predomínio do estrato arbustivo e presença de elementos arbóreos isolados.
Vulgarmente conhecida como capoeira e vassoural. Ocorre em locais originalmente cobertos por mata
que foram desmatados e posteriormente abandonados. Possui altura entre 2 e 6 metros. São espécies
típicas da capoeira o fumo-bravo (Solanum mauritianum), a canema (Solanum pseudoquina), a
grindiúva (Trema micrantha), a vassoura-branca (Baccharis dracunculifolia), a camaradinha
(Lantana camara), a vassoura-vermelha (Dodonaea viscosa) e as vassouras (Eupatorium inulifolium
e Eupatorium spp.). O vassoural possui menor riqueza específica do que a capoeira, podendo
apresentar certa homogeneidade fisionômica determinada pela presença marcante da vassouravermelha (Dodonaea viscosa).
Transição campo
Formação herbáceo-arbustiva, essa classe é composta por vegetação predominante campestre, com
presença de elementos arbustivos característicos de estágio inicial de sucessão para mata.
Vulgarmente conhecida como campo sujo, macega.
−
Vegetação herbácea
Banhado
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A classe banhado constitui uma formação herbáceo-arbustiva, típica de áreas úmidas. Distribuem-se
nas zonas norte e sudoeste do município. As espécies arbustivas dos banhados são o sarandi-amarelo
(Cephalantus glabratus), o cambaí (Sesbania punicea) e o hibisco-do-banhado (Hibiscus spp). O
estrato herbáceo, no qual os arbustos são encontrados, podem apresentar como elementos típicos
como Hymenachne grumosa, Schoenoplectus californicus, as tiriricas (Cyperus spp., Rhynchospora
spp.), a cruz-de-malta (Ludwigia spp.), o aguapé-comprido (Pontederia cordata), a taboa (Typha sp.),
o chapéu-de-couro (Echinodorus grandiflorus), o caraguatá-do-banhado (Eryngium pandanifolium),
as gramas-boiadeiras (Leersia hexandra e Luziola peruviana), entre outras.
Campo nativo
A classe campo nativo constitui uma formação herbácea, composta por espécies nativas e com baixa
pressão antrópica. Nas áreas bem drenadas destacam-se muitas espécies prostradas, que dão aspecto
de gramados, com a superfície de solo bem coberto. Dentre estas espécies encontramos a gramaforquilha (Paspalum notatum), Paspalum plicatulum, Paspalum pauciciliatum, Eragrostis lugens, o
capim-touceirinha (Sporobolus indicus), o pega-pega (Desmodium incanum), o alecrim-do-campo
(Vernonia nudiflora), Kyllinga vaginata e Kyllinga brevifolia. Em campo mal drenado, encontramos
muitas gramíneas como a grama-tapete (Axonopus affinis), Paspalum pumilum e Ischaemum minus e
muitas ciperáceas, dentre as quais pode-se destacar Eleocharis viridans, Eleocharis bonariensis,
Carex sororia, Cyperus rigens, Pycreus polystachyos, Rhynchospora tenuis e Rhynchospora velutina.
Estas espécies são responsáveis pela fisionomia destes campos.
Campo rupestre
A classe campo rupestre constitui uma formação herbácea, composta por espécies nativas e com
baixa pressão antrópica, típica de ambientes com solos rasos, com presença de afloramento rochoso.
São campos típicos de topos de morros e terrenos ondulados de Porto Alegre. Esta formação é
semelhante àquela da região do Escudo Sul-Riograndense, sendo que a cobertura herbácea é formada
basicamente por gramíneas, compostas e leguminosas. Na vegetação destacam-se como dominantes
as gramíneas Trachypogon montufari, Schizachyrium tenerum, capim-caninha (Andropogon
lateralis), capim-limão (Elyonurus candidus), Sorghatrum albescens, Agenium villosum, Axonopus
argentinus e Axonopus siccus.; as umbelíferas que apresentam maior freqüência são o caraguatá
(Eryngium horridum) e Eryngium pristis; as asteráceas Baccharis sessiliflora, Baccharis
caprariefolia, Calea uniflora, Eupatorium intermedium; as leguminosas Mimosa acerba,
Macroptilium prostratum, Collaea stenophylla, pega-pega (Desmodium incanum) e Rhynchosia
corylifolia.
Campo manejado
A classe campo manejado constitui uma formação herbácea submetida a pastejo ou a cortes
periódicos, constituindo uma cobertura vegetal bastante homogênea. Típica de áreas de criação de
gado, lavouras de arroz em pousio, áreas de lazer e gramados urbanos.
Campo degradado
A classe campo degradado designa uma formação herbácea submetida a alta pressão antrópica, com
redução do número de espécies e da densidade de cobertura, constituindo uma cobertura vegetal
descontínua e pouco densa.
Cultivo
Silvicultura: cultivo de espécies lenhosas exóticas (Pinus, eucalipto, acácia)
Lavoura perene: cultivo de espécies perenes, especialmente pomares.
Lavoura sazonal: cultivo de espécies anuais ou olerícolas.
Áreas sem vegetação
Afloramento rochoso: áreas com presença de rocha aflorante.
Solo exposto: solo sem cobertura vegetal.
Áreas edificadas
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3.2. Digitalização das unidades vegetacionais sobre as imagens Quickbird
Após a definição da legenda foi realizado o treinamento do grupo responsável pela delimitação e
classificação das manchas de vegetação. Foram realizadas várias simulações com os diferentes
componentes do grupo em diferentes partes do município, as quais foram posteriormente analisadas em
conjunto, com base nos dados de campo e no conhecimento dos especialistas em vegetação. As áreas
discordantes foram então apontadas e discutidas, com a finalidade de mostrar os equívocos que estavam
sendo cometidos e uniformizar os critérios de mapeamento.
Simultaneamente ao treinamento, efetuou-se uma divisão do mosaico de imagens Quickbird em 22
janelas menores, de aproximadamente 25 km2 cada (5km x 5km), como mostra a figura 3.1. A
digitalização do mapa de vegetação, com a delimitação e classificação de cada unidade vegetacional, foi
realizada em tela sobre essas janelas.
Figura 3.1. Divisão do mosaico Quickbird em janelas de 25 km2 para o mapeamento da vegetação e da
ocupação urbana.
11
3.3. Trabalho de campo
O trabalho de campo foi realizado na forma de várias saídas durante todo o período do mapeamento da
vegetação. Os diversos percursos, desde a primeira saída conjunta com representantes de todas as áreas
temáticas até as últimas aferições, serviram para definir as classes a serem mapeadas e para apoiar a sua
delimitação sobre as imagens, bem como para resolver dúvidas de interpretação.
Uma das maiores dificuldades encontradas foi a distinção de classes de vegetação com características
similares sobre as imagens Quickbird, especialmente os maricazais em relação a outras formas de
vegetação arbustiva e arbórea.
Para auxiliar na delimitação desses tipos de vegetação, além dos percursos por terra, foi realizado também
um vôo de reconhecimento com avião monomotor, no dia 18/03/2004. Para registrar melhor os locais de
interesse, utilizou-se um aparelho receptor GPS (Global Positioning System) e máquina fotográfica. A
figura 3.2 mostra o roteiro do vôo e as figuras 3.3 e 3.4 ilustram exemplos das fotos obtidas nesse vôo em
áreas de interesse.
O resultado do mapeamento da vegetação, de acordo com a legenda inicialmente definida, está ilustrado
na figura 3.5, que mostra a distribuição espacial das diferentes classes no município de Porto Alegre.
O mapa final de vegetação acompanha este relatório na forma de arquivos em meio digital, gravados em
CD-ROM no formato shape file. A descrição detalhada dos arquivos encontra-se ao final deste relatório,
no capítulo 9.
12
Figura 3.2. Roteiro do vôo de reconhecimento (os pontos situam as fotografias obtidas)
13
Figura 3.3. Foto com maricazal, sarandizal e banhado no Delta do Jacuí (Foto G. V. Irgang, 2004).
Figura 3.4. Foto com maricazal, mata nativa, campo manejado, com ocupação urbana e estação de
tratamento de esgotos próximo ao morro da Ponta Grossa (Foto G. V. Irgang, 2004).
14
Figura 3.5. Mapa de vegetação do município de Porto Alegre, ilustrando a distribuição espacial das
classes mapeadas.
15
4. Geologia - mapeamento geológico/avaliação geotécnica
4.1. Geologia
O mapa geológico foi construído tendo-se por base o mapa geológico da Folha Porto Alegre (Schneider et
al., 1974). O mapeamento também foi estendido para contemplar porções do município de Porto Alegre
não presentes nesta folha, utilizando-se para tal a mesma legenda. A figura 4.1 mostra o mapa das
unidades geológicas no município de Porto Alegre.
Figura 4.1. Unidades geológicas no município de Porto Alegre, adaptado de Schneider et al., 1974.
4.1.1. Quaternário
Os depósitos sedimentares da era cenozóica presentes no município de Porto Alegre pertencem ao
período quaternário, e estão associados ao grupo Patos.
Os depósitos holocênicos estão representados por sedimentos areno argilosos que ocorrem em banhados
nas proximidades do Lami, na forma de aluviões ao longo dos arroios e na forma de feixes de restinga ás
margens do Guaíba.
16
Os depósitos pleistocênicos do mesmo grupo estão representados pela Formação Guaíba e pela Formação
Graxaim.
Os depósitos da Formação Guaíba são areias grossas, médias e finas, conglomerados ortoquartzíticos
intercalados com lâminas areno-argilosas de tonalidade creme, castanho e cinza claro. Tais acumulações
se restringem às calhas aluvionares encaixadas em formações mais antigas. Localizadas no oeste da Ponta
da Serraria e ao longo do Arroio Dilúvio. Espessura média de 20 m.
Os depósitos da Formação Graxaim são sedimentos argilo-areno-conglomeráticos e conglomeráticos.
Localmente são recobertos por mantos coluviais e aluviais de paleossolos ferralíticos. São depósitos de
fluxo de detritos.
4.1.2. Pré-Cambriano
Granito Santana – É um corpo granítico de forma alongada, lembrando uma ampulheta de direção
nordeste. É controlado tectonicamente por falhas. Constitui-se essencialmente de feldspatos róseos e
esbranquiçados e quartzo. É um granito elasquítico alcalino e sub-alcalino albilizado.
Granito Independência – Unidade litológica de forma aproximadamente trapezoidal dividida em duas
áreas de ocorrência. A maior ocupa o centro urbano da cidade de Porto Alegre. A outra, da parte baixa ao
alto do bairro Petrópolis. As relações de contrato com os migmatitos heterogêneos são transicionais e
interdigitadas. A cor varia de rósea clara e cinza-azulada. É constituído por quartzo, feldspato alcalino,
plagioclásio, muscovita, biotita.
Granito Ponta Grossa – Ocorre a oeste do Município, em faixa de forma sinuosa. Suas relações de contato
com os migmatitos variam desde contornos nítidos até interdigitados e difusos, com passagens
gradacionais. Possui granulação média a grosseira,.de tonalidade predominantemente róseo-avermelhada.
Constitui-se de microclínio, quartzo, oligoclásio, biotita, apatita, zirconita, esfeno, alanita, muscovita,
fluirita e molibdenita. É granito sub-alcalino e monzonítico, fortemente quartzítico. São comuns enclaves
de composição quarzo-diorítica, de variados tamanhos.
Granito Cantagalo – Ocorre a sudeste do município. A ocorrência apresenta forma irregular.
Petrograficamente é semelhante ao granito Ponta Grossa. É de granulação mais grosseira do que aquele e
os feldspatos alcalinos apresentam-se às vezes , com fenocristrais disseminados os quais, às vezes,
zonados.
Migmatitos – 85% da área ocupada por migmatitos correspondem à fácies embrechítica e,
subordinadamente, tipos heterogêneos epibolíticos, diadisíticos e agmatíticos.
Os embrechitos são porfiroblásticos; os fenoblastos são de microclínio róseo e cinza, atingindo às vezes
até 13cm de comprimento. A matriz é de composição variada desde granitos subalcalinos até dioritos
quártzicos, sempre com biotita mais ou menos concentrada. São encontradas variações estruturais de
fácies nebulíticas e arteríticas, tipicamente granitos anatexíticos. Associados aos embrechitos são
encontrados migmatitos heterogêneos cujas relações de contato com os primeiros são sempre
gradacionais. As fácies estruturais mais comuns são as epibolíticas, epibolito-embrechíticas, diadisíticas e
as agmatíticas. O paleossoma é essencialmente um biotita-xisto; o neossoma é constituido de quartzo,
microclínio, oligoclásio e, localmente, schorlita, e constitui emaranhados concordantes e discordantes na
forma de vênulas, diques e lentes de granulação variadíssima: aplitos, granitos e pegmatóides.
Granito granófiro – Rocha granítica porfiróide, com matriz granófira.
Rochas filonianas ácidas – O complexo granito-migmático é cortado por um grande número de diques de
rochas ácidas. São riolitos pórfiros com fenocristais de quartzo e feldspato alcalino e rara biotita; a matriz
é micro a criptocristalina. Encontram-se também diques de microgranitos pórfiros granófiros. As
espessuras variam desde centímetros até vários metros. Esta unidade geológica está associada aos diques
de riolito, não possuindo dimensão espacial como as demais unidades.
Alterito Serra de Tapes – São paleossolos ferralitizados, eluvionares e coluvionares. Ocorrem na vertente
média dos morros e colinas do Município, dispondo-se em cunhas recobrindo as litologias do PréCambriano às formações do Pleistoceno. São areno-síltico-argilosos, os clastos estão muitas vezes
cimentados por óxido de ferro formando concreções e encouraçamentos originando, localmente, grande
17
coesão. O ferros das crostas está na forma de goethita, lepidocrocita e rara limonita; no restante apresentase como limonita e pigmentante. A argila é a caulinita. A cor é ocre a vermelha e, quando lixiviados,
castanha. As estruturas predominantes são as colunares e as maciças. Quando no contato com as rochas
do Pré-Cambriano, adquirem estruturas granitóides.
O mapa final de geologia acompanha este relatório na forma de arquivos em meio digital, gravados em
CD-ROM no formato shape file. A descrição detalhada dos arquivos encontra-se ao final deste relatório,
no capítulo 9.
4.2. Geotecnia
O mapeamento geotécnico tem por objetivo identificar e delimitar as unidades geotécnicas e caracterizar
os solos do Município de Porto Alegre para fins de engenharia. As unidades geotécncias foram
estabelecidas procurando delimitar zonas com solos de característica físicas e morfológicas semelhantes
e, especialmente, zonas com comportamento geotécnico equivalente.
As unidades geotécnicas foram delimitadas considerando-se a geologia, a pedologia (avaliação em forma
específica pelo estudo agronômico), a topografia e a hidrologia do terreno. Dados geotécnicos
específicos, coligidos de diversas fontes (dados bibliográficos e gerados de obras de engenharia
executadas) subsidiaram a definição de perfis estratigráficos típicos de cada unidade, bem como da
composição granulométrica provável das camadas constituintes.
Para os solos de Porto Alegre, pouco desenvolvidos pedologicamente, a geologia adquire maior
relevância na identificação das unidades geotécnicas. Este aspecto relaciona-se em forma direta com o
horizonte C saprolítico, relativamente mais espesso e heterogêneo em solos pouco desenvolvidos
pedologicamente. A pedologia relaciona-se com o manto de solo mais superficial (horizontes A e B).
4.2.1. Mapeamento das unidades geotécnicas
As unidades geotécnicas inicialmente identificadas foram:
−
Solos Litólicos – Residuais (Rg)
−
Solos Podzólicos Vermelho-Amarelo (PV)
−
Solos Hidromórficos (Hid)
A avaliação da topografia e dos dados disponíveis acusou a ocorrência de determinadas regiões onde
solos litólicos ocorrem alternadamente a solos podzólicos, não sendo possível segregá-los na escala deste
estudo, conformando por esta razão uma quarta unidade geotécnica:
−
Solos Litólicos / Podzólicos (Rg/PV)
Desta forma, quatro grandes unidades geotécncias foram identificadas, sendo possível ainda subdividi-las
segundo o substrato geológico correspondente, levantado da folha geológica de Porto Alegre (Schneider
et al., 1974). Esta subdivisão das unidades geotécnicas permite inferir aspectos específicos relacionados
ao horizonte saprolítico. A figura 4.2 mostra o mapa das unidades geotécnicas no município de Porto
Alegre.
18
Figura 4.2. mapa das unidades geotécnicas no município de Porto Alegre.
4.2.1.1. Unidade 01: Solos Litólicos – Residuais
Esta unidade é conformada por solos resultantes da intemperização de rochas graníticas e migmatitos, que
permanecem no local onde foram originariamente intemperizados (definição de solos residuais). Estes
solos são predominantemente arenosos, bem drenados, pouco desenvolvidos pedogeneticamente.
A estratigrafia pode seguir uma seqüência de horizontes A-R, A-C-R ou mesmo A-B-C-R, sendo que
neste último caso o horizonte B é de pequena espessura, não sendo relevante à prática de engenharia (de
fundações). O Horizonte C saprolítico, de preponderante importância à engenharia geotécnica, apresentase com espessuras pequenas a médias; excepcionalmente pode atingir maiores espessuras, especialmente
em solos originados de migmatitos e especificamente na formação “granito independência”. A ocorrência
de matacões é comum neste material.
A ocorrência destes solos se verifica em zonas de declividades elevadas, com relevo fortemente ondulado
e montanhoso.
19
4.2.1.2. Unidade 02: Solos Podzólicos Vermelho-Amarelo
São solos desenvolvidos de granitos, migmatitos e presentes sob a forma de paleossolo ferratilizado de
alterito da Serra de Tapes. Têm como característica principal a presença de um horizonte B de espessura
significativa, com textura argilo-arenosa, de coloração avermelhada e boa drenagem. O horizonte C tem
características equivalentes ao dos solos litólicos.
Ocorrem em áreas com relevo suave, pouco ondulado, conformando pequenas coxilhas e elevações de
pequena declividades em torno dos morros (solos coluvionares – transportados).
4.2.1.3. Unidade 03: Solos Litólicos / Podzólicos
Unidade na qual a topografia e os dados geotécnicos disponíveis apontam a ocorrência das duas
formações em forma alternadas, tendo sido por esta razão agregadas em uma única unidade derivada,
onde podem ocorrer solos litólicos ou podzólicos dependendo de condições localizadas da topografia
(microrelevo).
4.2.1.4. Unidade 04: Solos Hidromórficos
Esta unidade geotécnica agrega solos sedimentares de diversas classes (solos em planícies com microrelevo – planossolos; solos em depressões – gleiss; solos aluviais). Ocorre em áreas de cotas baixas, com
relevo plano, nível d’água superficial e más condições de drenagem.
A estratigrafia é composta de material de textura variada, de argilas a areias, que podem ocorrer em forma
combinada ou intercalada, com coloração escura, cinza ou cinza-esverdeado. A ocorrência de espessas
camadas de “argila mole” (ocorrência típica da zona norte de Porto Alegre, onde se apresenta superficial,
com espessuras que variam entre 5 e 10 m) constitui-se em limitação à implantação de obras de
engenharia. O alagamento freqüente destas áreas constitui-se em outra limitação à ocupação urbana.
4.2.2. Aptidão do terreno à ocupação urbana
A aptidão à ocupação urbana aponta para a “competência” ou “potencial’ das unidades geotécncias à
ocupação urbana. A inobservância desta aptidão, ou das características geotécnicas das unidades, podem
levar (e já levaram em muitos casos) à concepção inadequada de projetos geotécnico, o que pode se
traduzir em soluções desnecessariamente onerosas, construções com patologias severas a curto e médio
prazo ou, inclusive, acidentes e colapsos com elevados custos mateiras e até mesmo perda de vidas
humanos.
A classificação das diversas áreas quanto à aptidão à ocupação urbana foi feita segunda as seguintes
categorias: áreas APTAS, áreas APTAS COM RESTRIÇÕES e áreas com BAIXA APTIDÃO.
Acompanhando a classificação das unidades, os aspectos restritivos específicos de cada área são
apresentados e discutidos a seguir.
4.2.2.1. Classificação da Unidade 04 (Solos Hidromórficos): BAIXA APTIDÃO.
As áreas contidas nesta unidade apresentam uma série de características geotécncias que dificultam e/ou
oneram a implantação de edificações. Nesta unidade verificam-se como limitações: nível d’água próximo
à superfície ou aflorando – dificuldade executiva severa para execução de escavações e execução de
certos tipos de fundações; ocorrência de alagamentos freqüentes – problemas de acesso à área e
necessidade de aterro para elevação da cota da obra acima da cota de inundação do terreno; ocorrência
localizada de solos compressíveis e com baixa capacidade de suporte – necessidade de tratamento da
camada compressível quanto a recalques, possibilidade de ruptura de borda de aterro e necessidade de
fundações profundas para assentas edificações).
4.2.2.2. Classificação da Unidade 02 (Solos Podzólicos Vermelho-Amarelo): APTA.
Estes solos apresentam-se bem drenados, com relevo suave, em geral com lençol freático a maior
profundidade e boa capacidade de suporte do solo. Todos estes aspectos são favoráveis à implementação
de obras de engenharia, o que coloca esta formação como a mais apta à ocupação urbana.
20
4.2.2.3. Classificação da Unidade 01 (Solos Litólicos): APTA com RESTRIÇÃO a BAIXA
APTIDÄO.
As áreas de relevo montanhoso, com declividades elevadas, apresentam pela própria declividade uma
limitação à sua ocupação. Associado a estas declividades elevadas, solos litólicos de menos espessura (AR) ou mesmo rocha aflorando representam outro aspecto negativo à geotecnia já que a ocupação
provavelmente exija desmonte em rocha para nivelamento do terreno (complexo tecnicamente e oneroso).
Ainda, a ocorrência de matacões é outro fator que dificulta a implantações de obras geotécncias, havendo
em grande número de casos necessidade de remoção dos matacões ou mesmo risco de instabilização de
matacões na face de cortes/escavações.
Ainda dentro desta unidade, solos existentes em zonas de menor declividade (aos acima descritos), com
maiores espessuras de horizonte C, podem apresentar condições mais favoráveis à ocupação urbana,
constituindo áreas classificadas como “aptas com restrições”.
O mapa final de geotecnia acompanha este relatório na forma de arquivos em meio digital, gravados em
CD-ROM no formato shape file. A descrição detalhada dos arquivos encontra-se ao final deste relatório,
no capítulo 9.
21
5. Pedologia - mapeamento das unidades de solos
5.1. Introdução
O levantamento de solos fornece informações básicas sobre as propriedades dos solos, a partir das quais
pode-se gerar uma multiplicidade de informações aplicadas, como a determinação da aptidão agrícola das
terras ou a escolha de áreas preferenciais para a implementação de projetos de desenvolvimento agrícola,
áreas preferenciais para o desenvolvimento urbano, áreas passíveis de serem usadas para descarte de
resíduos industriais e domésticos e outros.
O objetivo deste trabalho foi identificar, descrever e mapear os tipos de solos existentes no Município de
Porto Alegre, a fim de fornecer informações que permitam um planejamento racional e um
desenvolvimento equilibrado do uso das terras desse município.
Os resultados desse trabalho estão contidos no presente relatório descritivo das unidades de mapeamento
e no mapa de solos.
Este relatório descritivo está organizado da seguinte forma:
−
Introdução, onde são abordados alguns aspectos relativos ao uso adequado desse levantamento de
solos;
−
Metodologia, onde são descritos e/ou referenciados os procedimentos, materiais e equipamentos
usados na execução do levantamento;
−
Caracterização das Unidades de Mapeamento, no qual discorre-se sobre cada tipo de unidade de
mapeamento de solos (conjunto de delineamentos com mesmos tipos de solos) encontrado no mapa
de solos, especificando-se sua composição, tipo, inclusões e caracterização da área de ocorrência;
−
Caracterização das Unidades Taxonômicas, no qual discorre-se sobre características gerais e
ocorrência das diversas unidades taxonômicas, apresentando-se e fotografias de perfis representativos
destas unidades taxonômicas; e
−
Anexos, nos quais são apresentados perfis representativos das unidades taxonômicas, especificandose sua classificação taxonômica (Sistema Brasileiro de Classificação de Solos) e as descrições
morfológicas internas e externas dos perfis representativos das unidades de mapeamento e dados das
análises de laboratório.
5.2. Métodos
a) Mapeamento dos Solos
Foi realizado o levantamento de reconhecimento de média intensidade dos solos através de
fotointerpretação sobre fotos aéreas com escala de 1:40.000 e observações a campo. Para a transferência
dos delineamentos das unidades de mapeamento de solos (UM) das fotografias para a produção do mapa
final de solos, as fotografias aéreas foram georreferenciadas com apoio das cartas 1:50.000 do Serviço
Geográfico do Exército e os delineamentos, correspondentes às UM, foram digitalizados na tela do
computador.
b) Caracterização dos Solos
A descrição morfológica e a coleta de amostras dos perfis modais das classes taxonômicas identificadas
na área, foram realizadas de acordo com o Manual de Descrição e Coleta de Solo a Campo (LEMOS &
SANTOS, 1996).
c) Análises de solo
Na fração terra fina seca ao ar, obtida após secagem e peneiragem das amostras, foram feitas as seguintes
análises físicas e químicas, seguindo a metodologia adotada por EMPRAPA (1997): granulometria
(percentagem de areia grossa e fina, silte e argila), argila dispersa em água, Ca+2, Mg+2, Na+, K+, Al+3,
H++Al+3, P assimilável e pH em água. Com os resultados obtidos foram calculados a soma de bases (S), a
capacidade de troca de cátions (T), a saturação de bases (V) e a saturação com alumínio.
22
d) Classificação taxonômica dos solos
Os solos foram classificados segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA, 1999)
até o quarto nível categórico.
5.3. Caracterização das unidades de mapeamento de solos
A representação gráfica da ocorrência e da distribuição geográfica das unidades taxonômicas no mapa de
solos constitui as unidades de mapeamento. As unidades de mapeamento mostram no mapa a localização,
a extensão, o arranjo e a disposição das unidades taxonômicas de solos no terreno. Na legenda do mapa, a
unidade de mapeamento é identificada pelo nome da unidade taxonômica. Uma unidade taxonômica
corresponde a uma classe de solo de um determinado nível categórico do Sistema Brasileiro de
Classificação de Solos (EMBRAPA, 1999)
As unidades de mapeamento podem ser formadas por uma ou mais unidades taxonômicas. Quando
formada por uma única unidade taxonômica dominante tem-se uma unidade de mapeamento simples, que
pode apresentar, inclusões de outras unidades taxonômicas ou variações (de profundidade, textura, etc.)
da unidade taxonômica dominante. Inclusões são áreas menores de outras unidades taxonômicas que
ocorrem dentro da unidade de mapeamento e que não mapeáveis na escala aplicada. Neste nível de
mapeamento podem ocorrer até 30% de inclusões dentro das unidades de mapeamento.
Quando a unidade de mapeamento é constituída por duas ou mais unidade taxonômicas, ela pode ser do
tipo associação de solos ou grupo indiferenciado de solos .
A associação de solos é um grupamento de duas ou mais unidades taxonômicas distintas que ocorrem
associadas geográfica e regularmente segundo um padrão bem definido, ocupando diferentes posições na
paisagem. O mapeamento destas unidades taxonômicas na forma de unidades de mapeamento simples é
viável em levantamentos de solos mais detalhados.
Os grupos indiferenciados de solos são constituídos pela combinação de duas ou mais unidades
taxonômicas com semelhanças morfogenéticas e, portanto, pouco diferenciadas, permitindo práticas de
uso e manejo similares.
Em função da escala de trabalho e da complexidade da ocorrência dos solos na paisagem, neste
levantamento de solos realizado no Município de Porto Alegre, RS, as nove classes taxonômicas de solos
mapeadas foram agrupadas em 12 diferentes unidades de mapeamento (UM). Destas, uma é uma unidade
de mapeamento simples, uma é um grupo indiferenciado de solos, 9 são associações de solos e uma
unidade de mapeamento consiste de “Tipos de Terreno” (TT), que constitui-se de superfícies alteradas por
atividade antrópica (remoções, aterros, terraplanagens, etc).
As unidades de mapeamento delineadas no mapa deste levantamento de solos são a seguir caracterizadas.
Descrições mais detalhadas das características de cada tipo de solo (classe taxonômica) são apresentadas
na caracterização das unidades taxonômicas.
5.3.1. Unidade de Mapeamento PV1: Grupo Indiferenciado de ARGISSOLOS
VERMELHOS e ARGISSOLOS VERMELHO-AMARELOS
Esta unidade de mapeamento ocorre em topos e encostas de elevações, em relevo suavemente ondulado e
ondulado. É constituída por Argissolos Vermelhos (PV) e Argissolos Vermelho-Amarelos (PVA), que
não foram diferenciados no mapa por causa da dificuldade de separação e da semelhança entre as duas
unidades taxonômicas, diferindo basicamente pela cor. Nas áreas mapeadas como pertencente a esta UM
podem ocorrer ainda inclusões (áreas menores não mapeáveis na escala aplicada) de Cambissolos
Háplicos (CX), Neossolos Litólicos (RL) e Neossolos Regolíticos (RR).
5.3.2. Unidade de Mapeamento PV2: Associação de ARGISSOLOS VERMELHOS ou
ARGISSOLOS VERMELHO-AMARELOS com CAMBISSOLOS HÁPLICOS
Esta unidade de mapeamento ocorre em topos e encostas de elevações, em relevo ondulado e fortemente
ondulado e nos terços inferiores de encostas de morros em relevo fortemente ondulado e montanhoso. É
23
constituída por solos Argissolos Vermelhos (PV) ou Argissolos Vermelho-Amarelo (PVA) associados
com Cambissolos Háplicos (CX), sendo que estes últimos estão locados nas zonas de relevo forte
ondulado, enquanto os Argissolos estão locados nas áreas de relevo ondulado.
Nas áreas mapeadas com estes solos podem ocorrer ainda inclusões (áreas menores não mapeáveis na
escala aplicada) de Cambissolos Háplicos (CX), Neossolos Litólicos (RL) e Neossolos Regolíticos (RR).
5.3.3. Unidade de Mapeamento CX: Associação de CAMBISSOLOS HÁPLICOS com
NEOSSOLOS LITÓLICOS ou NEOSSOLOS REGOLÍTICOS
Esta unidade de mapeamento ocorre em topos e encostas de morro, em relevo fortemente ondulado a
montanhoso, constituindo-se na Associação de Cambissolos Háplicos (CX) com Neossolos Litólicos (RL)
ou Neossolos Regolíticos (RR). Podem ocorrer inclusões (áreas menores não mapeáveis na escala
aplicada) de Argissolos (PV) e afloramentos de rochas (AR).
5.3.4. Unidade de Mapeamento SG1: Associação de PLANOSSOLOS
HIDROMÓRFICOS, GLEISSOLOS HÁPLICOS e PLINTOSSOLOS
ARGILÚVICOS
Esta unidade de mapeamento, constituída na associação de Planossolos Hidromórficos, Gleissolos
Háplicos (GX) e Plintossolos Argilúvicos (FT), ocorre em planícies aluviais e lagunares com
microrrelevo. Como inclusões podem ocorrer solos Neossolos Quartzarênicos (RQ) e Neossolos Flúvicos
(RU).
5.3.5.
Unidade de Mapeamento SG2: Associação de PLANOSSOLOS
HIDROMÓRFICOS, GLEISSOLOS HÁPLICOS e NEOSSOLOS FLÚVICOS
Esta unidade de mapeamento é constituída pela associação de Planossolos Hidromórficos (SG),
Gleissolos Háplicos (GX) e Neossolos Flúvicos (RU), ocorrendo em áreas marginais ao longo de arroios
em relevo plano.
5.3.6. Unidade de Mapeamento GX: Associação de GLEISSOLOS HÁPLICOS E
PLANOSSOLOS HIDROMÓRFICOS
Esta unidade de mapeamento ocorre em planícies aluviais e lagunares, constituindo-se na associação de
Gleissolos Háplicos (GX) e Planossolos Hidromórficos (SG), podendo apresentar como inclusões
manchas de Gleissolos Melânicos (GM), que apresentam horizonte superficial mais escuro e mais rico em
matéria orgânica que os Gleissolos Háplicos (GX).
5.3.7. Unidade de Mapeamento G1: Associação de GLEISSOLOS e NEOSSOLOS
FLÚVICOS
Esta unidade de mapeamento ocorre nas planícies aluviais situadas nas ilhas do Delta do Jacuí e é
composta de uma associação de Gleissolos (G) e Neossolos Flúvicos (RU), podendo apresentar inclusões
de Organossolos (O).
5.3.8. Unidade de Mapeamento G2: Associação de GLEISSOLOS, PLANOSSOLOS e
Tipos de Terreno
Unidade de mapeamento que ocorre em planícies aluviais e lagunares que tiveram parte de suas áreas
alteradas pela ação humana, caracterizando os tipos de terreno (TT). Nas áreas não alteradas ocorrem
Gleissolos (G), podendo também ocorrer inclusões de Plintossolos Argilúvicos (FT).
24
5.3.9. Unidade de Mapeamento RQ: Associação de NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS e
GLEISSOLOS
Esta unidade de mapeamento ocorre em feixes de restinga ocupando relevo plano e suavemente ondulado
no sul do Município de Porto Alegre, constituindo-se de associação de Neossolos Quartzarênicos (RQ) e
Gleissolos (G), podendo também ocorrerem inclusões de Gleissolos Melânicos (GM).
5.3.10. Unidade de Mapeamento RU1: NEOSSOLOS FLÚVICOS
Esta unidade de mapeamento simples constituída por Neossolos Flúvicos (RU) ocorre em planícies
aluviais situadas em ilhas do Delta do Jacuí. Nestas áreas também podem ocorrerem inclusões de
Gleissolos (G).
5.3.11. Unidade de Mapeamento RU2: Associação de NEOSSOLOS FLÚVICOS e Tipos de
Terreno
Esta unidade de mapeamento ocorre em diques marginais e aterros ocupando relevo plano nas bordas das
ilhas do Delta do Jacuí, apresentando-se como uma associação de Neossolos Flúvicos (RU) e tipos de
terreno. Podem apresentar inclusão de Gleissolos (G).
5.3.12. Unidade de Mapeamento TT: Tipos de Terreno
Os Tipos de Terreno (TT) são áreas fortemente alteradas pela ação humana, na forma de áreas de
empréstimo, decapagem, terraplenagem e aterros com materiais diversos (entulhos de construção, lixo,
resíduos industriais e outros). Nestas situações o solo original foi removido parcial ou totalmente, ou foi
soterrado pelo material depositado. Pela fato de não haver até o presente previsão para inclusão destes
solos no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, eles são referidos por termos genéricos, tais como
solos construídos, solos urbanos, solos tecnogênicos, tipos de terreno e outros. No presente texto é usado
o termo “tipos de terreno” para designar esses solos. Como características gerais desses solos observa-se
(1) uma grande variabilidade espacial; (2) a estrutura alterada pela compactação; (3) aeração e drenagem
reduzidas; e (4) a presença de contaminantes. A grande variabilidade dessas áreas exige um estudo
específico de cada situação.
Os TTs são encontrados em maior ou menor proporção em praticamente todas as unidades de
mapeamento, sendo destacados em uma unidade de mapeamento simples onde sua extensão é mapeável e
ocorrem associados em outras UM combinadas (Tabela 5.1). As áreas urbanizadas, apesar de constarem
no mapa de solos como constituídas por diversas unidades de solos, constituem em grande parte “tipos de
terreno”, devido a sua significativa alteração no processo de urbanização.
A tabela a seguir apresenta uma síntese das unidades de mapeamento descritas, indicando o símbolo da
UM, o tipo de UM, as classes taxonômicas de solos, a descrição geral das áreas de ocorrência e a
ocorrência de solos pertencentes a outras classes taxonômicas (inclusões).
25
TABELA 5.1 - Descrição geral da área de ocorrência, inclusões e classes taxonômicas que compõem as Unidades de Mapeamento
(UM) de solos identificadas no Município de Porto Alegre.
Símbolo
PV1
PV2
CX
SG1
SG2
GX
G1
G2
Descrição da unidade de mapeamento
Grupo indiferenciado de ARGISSOLOS VERMELHOS e
ARGISSOLOS VERMELHO-AMARELOS
Associação de ARGISSOLOS VERMELHOS ou ARGISSOLOS
VERMELHO-AMARELOS com CAMBISSOLOS HÁPLICOS
Inclusões
C, RL e RR
Associação de CAMBISSOLOS HÁPLICOS com NEOSSOLOS
LITÓLICOS ou NEOSSOLOS REGOLÍTICOS
Associação de PLANOSSOLOS HIDROMÓRFICO,
GLEISSOLOS HÁPLICOS e PLINTOSSOLOS ARGILÚVICOS
Associação de PLANOSSOLOS HIDROMÓRFICO,
GLEISSOLOS HÁPLICOS e NEOSSOLOS FLÚVICOS
Associação de GLEISSOLOS HÁPLICOS E PLANOSSOLOS
HIDROMÓRFICOS
Associação de GLEISSOLOS e NEOSSOLOS FLÚVICOS
PV, AR
C, RL, RR
RQ, RU
FT, RQ
GM
O
FT
RU1
Associação de GLEISSOLOS, PLANOSSOLOS e Tipos de
Terreno
Associação de NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS e
GLEISSOLOS
NEOSSOLOS FLÚVICOS
RU2
Associação de NEOSSOLOS FLÚVICOS e Tipos de Terreno
G
RQ
TT
Tipos de Terreno
GM
G
Descrição geral da área de ocorrência
Topo e encosta de elevações, em relevo
suavemente ondulado e ondulado
Topo e encosta de elevações, em relevo ondulado e
fortemente ondulado e nos terços inferiores de
encostas de morros em relevo fortemente ondulado
e montanhoso
Topo e encosta de morro, em relevo fortemente
ondulado a montanhoso
Planícies aluviais e lagunares com microrrelevo
Áreas marginais ao longo de arroios em relevo
plano
Planícies aluviais e lagunares
Planícies aluviais situadas nas ilhas do Delta do
Jacuí
Planícies aluviais e lagunares com áreas alteradas
pela ação humana
Feixes de restinga ocupando relevo plano e
suavemente ondulado
Planícies aluviais situadas em ilhas do Delta do
Jacuí
Diques marginais e aterros ocupando relevo plano
nas bordas das ilhas do Delta do Jacuí
Áreas com influência antrópica (aterros, pedreiras,
etc)
26
5.4. Caracterização das unidades taxonômicas
No levantamento, os solos foram classificados conforme o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos
(EMBRAPA, 1999), pelo qual cada solo identificado e classificado constitui uma unidade taxonômica.
Portanto, uma unidade taxonômica corresponde a uma classe de solo. A seguir são apresentados as
características gerais e ocorrência das diversas unidades taxonômicas de solos que compõe as unidades de
mapeamento, que são:
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
ARGISSOLO VERMELHO (PV).
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO (PVA).
CAMBISSOLO HÁPLICO (CX).
NEOSSOLO LITÓLICO (RL).
NEOSSOLO REGOLÍTICO (RR).
NEOSSOLO QUARTZARÊNICO (RQ).
NEOSSOLO FLÚVICO (RU)
PLINTOSSOLO ARGILÚVICO (FT).
PLANOSSOLO HIDROMÓRFICO (SG).
GLEISSOLO HÁPLICO (GX).
5.4.1. ARGISSOLOS VERMELHOS Distróficos (PVd) típicos
São solos profundos, alcançando espessuras de 1,50 m ou maior até a rocha alterada (saprólito de
granito), apresentando um perfil com uma sequência de horizontes A-Bt-C (Figura 5.1). Estes solos são
identificados (em cortes de estrada ou trincheiras) pela coloração avermelhada do horizonte Bt associada
à sua textura mais argilosa em relação ao horizonte A de cor mais acinzentada. A cor avermelhada do
horizonte Bt é indicativa da condição de solo bem drenado, isto é, com ausência de encharcamento
prolongado após as chuvas. Dependendo da composição da rocha de origem (granitos), estes solos podem
apresentar uma proporção significativa de fração grosseira (cascalho) constituída por quartzo. Quanto à
sua fertilidade química, estes solos são qualificados como distróficos, isto é, são ácidos e apresentam uma
baixa disponibilidade de nutrientes para as plantas; em consequência, quando utilizados para a produção
agrícola, necessitam de aplicações regulares de corretivos (calcário, matéria orgânica) e fertilizantes. Um
perfil representativo destes solos encontra-se no Anexo 5.1.
Os Argissolos Vermelhos ocupam áreas de relevo ondulado a suavemente ondulado, geralmente
ocorrendo associados com Argissolos Vermelho-Amarelos ocupando uma posição topográfica inferior,
ambos compondo uma unidade de mapeamento do tipo “grupo indiferenciado” (Tabela 5.1).
5.4.2. ARGISSOLOS VERMELHO-AMARELOS Distróficos (PVAd) típicos
São solos profundos, alcançando espessuras de 1,50 m ou maior até a rocha alterada (saprólito de
granito), apresentando um perfil com uma sequência de horizontes A-Bt-C. Estes solos são identificados
(em cortes de estrada ou trincheiras) pela coloração vermelho-amarelada do horizonte Bt associada à sua
textura mais argilosa em relação ao horizonte A de cor mais acinzentada. A cor amarelada do horizonte
Bt é indicativa da condição de solo bem a moderadamente drenado, isto é, a lenta remoção da água
possibilita um encharcamento prolongado após as chuvas. Dependendo da composição da rocha de
origem (granitos), estes solos podem apresentar uma proporção significativa de fração grosseira
(cascalho) constituída por quartzo. Quanto à sua fertilidade química, estes solos são qualificados como
distróficos, isto é, são ácidos e apresentam uma baixa disponibilidade de nutrientes para as plantas; em
conseqüência, quando utilizados para a produção agrícola, necessitam de aplicações regulares de
corretivos (calcário, matéria orgânica) e fertilizantes. Um perfil representativo destes solos encontra-se no
Anexo 5.2.
Os Argissolos Vermelho-Amarelos ocupam áreas de relevo ondulado a suavemente ondulado, geralmente
ocorrendo associados com Argissolos Vermelhos ocupando uma posição topográfica mais elevada, ambos
compondo uma unidade de mapeamento do tipo “grupo indiferenciado” (Tabela 5.1).
27
5.4.3. CAMBISSOLOS HÁPLICOS Ta Distróficos (CXvd) típicos
São solos rasos (profundidade inferior a 1 m) até profundos, apresentando no perfil uma sequência de
horizontes A-Bi-C (Figura 5.2). A coloração destes solos é acinzentada no horizonte A e mais
avermelhada ou amarelada no horizonte B, enquanto que o horizonte C tem uma coloração variegada
(vermelho, amarelo, cinzento, branco) comumente observada no saprólito de granito. As diferentes
profundidades (solos rasos a profundos) e colorações (avermelhados a amarelados) caracterizam as
diversas variações de Cambissolos Háplicos. A coloração avermelhada e amarelada do horizonte Bt é,
respectivamente, indicativa da condição de solo bem a moderadamente drenado. Dependendo da
composição da rocha de origem (granitos), estes solos podem apresentar uma proporção significativa de
fração grosseira (cascalho) constituída por quartzo. Quanto à sua fertilidade química, os solos são
qualificados como distróficos, isto é, são ácidos e apresentam uma baixa disponibilidade de nutrientes
para as plantas; em consequência, quando utilizados para a produção agrícola, necessitam de aplicações
regulares de corretivos (calcário, matéria orgânica) e fertilizantes. Um perfil representativo destes solos
encontra-se no Anexo 5.3.
Os Cambissolos Háplicos ocupam um relevo ondulado a fortemente ondulado, isto é, mais acidentado do
que as áreas ocupadas pelos Argissolos. Ocorrem associados com Neossolos Litólicos e Neossolos
Regolíticos (Tabela 5.1).
Figura 5.1. Perfil
VERMELHO (PV).
de
ARGISSOLO
Figura 5.2. Perfil
HÁPLICO (CX).
de
CAMBISSOLO
28
5.4.4. NEOSSOLOS LITÓLICOS Distróficos (RLd) típicos
São solos rasos, apresentando perfis com uma sequência de horizontes A-C-R ou A-R, onde a rocha
(camada R) situa-se a partir de 50 cm da superfície (Figura 5.3). A coloração do solo é acinzentada no
horizonte A e geralmente variegada (vermelho, amarelo, cinzento) no horizonte C. Devido a sua
ocorrência em relevo forte ondulado a montanhoso, os Neossolos Litólicos são bem drenados; entretanto,
quando situados em depressões do relevo acidentado podem apresentar períodos de encharcamento
devido a acumulação das águas de escorrimento das cotas mais elevadas. Dependendo da composição da
rocha de origem (granitos), estes solos podem apresentar uma proporção significativa de fração grosseira
(cascalho) constituída por quartzo. Quanto à sua fertilidade química, os solos são qualificados como
distróficos, isto é, são ácidos e apresentam uma baixa disponibilidade de nutrientes para as plantas; sua
utilização para a produção agrícola é limitada pela pequena profundidade desses solos. Um perfil
representativo destes solos encontra-se no Anexo 5.4
Os Neossolos Litólicos geralmente ocorrem associados com Neossolos Regolíticos e Cambissolos
Háplicos, constituindo uma unidade combinada na forma de “associação” (Tabela 5.1).
5.4.5. NEOSSOLOS REGOLÍTICOS Distróficos (RRd) típicos
São solos rasos a medianamente profundos, apresentando perfis com uma sequência de horizontes A-C-R,
onde a rocha (camada R) situa-se em profundidade maior do que 50 cm da superfície (Figura 5.4). A
coloração do solo é acinzentada no horizonte A e geralmente variegada (vermelho, amarelo, cinzento) no
horizonte C. Uma feição marcante desses solos é o fato da topografia da transição entre os horizontes A e
C ser irregular ou ondulada, o que é visualizado no perfil na forma de “línguas” de material do horizonte
A penetrando no horizonte C.
Devido a sua ocorrência em relevo forte ondulado a montanhoso, os Neossolos Regolíticos são bem
drenados; entretanto, quando situados em depressões do relevo acidentado podem apresentar períodos de
encharcamento devido a acumulação das águas de escorrimento das cotas mais elevadas. Dependendo da
composição da rocha de origem (granitos), estes solos podem apresentar uma proporção significativa de
fração grosseira (cascalho) constituída por quartzo. Quanto à sua fertilidade química, os solos são
qualificados como distróficos, isto é, são ácidos e apresentam uma baixa disponibilidade de nutrientes
para as plantas; sua utilização para a produção agrícola é limitada pela pequena profundidade desses
solos. Um perfil representativo destes solos encontra-se no Anexo 5.5.
Os Neossolos Regolíticos geralmente ocorrem associados com Neossolos Litólicos e Cambissolos
Háplicos, constituindo uma unidade combinada na forma de “associação” (Tabela 5.1).
5.4.6. NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Órticos (RQo) típicos
São solos profundos, apresentando perfis com uma sequência de horizontes A-C (Figura 5.5), todos de
textura muito arenosa constituída essencialmente por grãos de quartzo. Estes solos tem uma coloração
acinzentada a bruno-acinzentada e sua drenagem varia de bem drenados (posição convexa) a mal
drenados (posição côncava) conforme a posição topográfica que ocupam nos feixes de restingas. Quanto à
sua fertilidade química, os solos são moderadamente ácidos e apresentam uma baixa disponibilidade de
nutrientes para as plantas; sua utilização para a produção agrícola é limitada devido sua textura arenosa,
sendo preferencialmente mantidos com cobertura de pastagens e com florestamento. Um perfil
representativo destes solos encontra-se no Anexo 5.6.
Os Neossolos Quartzarênicos são originados em sedimentos arenosos quaternários que constituem feixes
de restingas nas margens do Lago Guaíba na parte sul do Município, ocupando um relevo plano a
suavemente ondulado. Na áreas foram mapeados em associação com Gleissolos Háplicos (Tabela 5.1).
29
Figura 5.3. Perfil
LITÓLICO (RL).
de
NEOSSOLO
Figura 5.4. Perfil
REGOLÍTICO (RR).
de
NEOSSOLO
5.4.7. NEOSSOLOS FLÚVICOS Tb Distróficos(RUbd) típicos
São solos originados de sedimentos fluviais compondo uma estratificação de sedimentos de granulometria
variável. Apresentam uma sequência de horizontes A-C, mostrando uma distribuição irregular de matéria
orgânica e uma composição granulométrica variável com a profundidade do perfil de solo. Devido a
variabilidade do material de origem (sedimentos fluviais) estes solos tem características físicas e químicas
também variáveis.
Ocorrem nas planícies e terraços de inundação do Lago Guaíba na forma de unidades de mapeamento
simples e combinadas com Gleissolos e tipos de terreno (Tabela 5.1). Um perfil representativo destes
solos encontra-se no Anexo 5.7.
5.4.8. PLINTOSSOLOS ARGILÚVICOS (FT) Distróficos ou Eutróficos
São solos profundos, alcançando espessuras de 1,50 m ou maior, apresentando um perfil com uma
sequência de horizontes A-Bf-C (Figura 5.6), imperfeitamente drenado; a característica marcante deste
solo é o horizonte Bf mais argiloso com predomínio de coloração acinzentada com mosqueados
avermelhados e amarelados, correspondendo respectivamente a zonas de depleção (matriz cinzenta) e de
concentração (mosqueados) de óxidos de ferro. Estas feições são típicas de ambientes onde a oscilação do
lençol freático e a presença de matéria orgânica proporciona alternância de períodos com excesso de
umidade (condição favorável para redução química) e de ambiente aerado (condição favorável para
oxidação química) no solo. Estes solos ocorrem nas zonas baixas da paisagem, situando-se em posição
30
intermediária entre os terraços mais elevados e as várzeas mal drenadas, dentro do relevo geral plano a
suavemente ondulado, formando uma unidade de mapeamento combinada com Planossolos
Hidromórficos e Gleissolos Háplicos associados (Tabela 5.1). Um perfil representativo dos Plintossolos
encontra-se no Anexo 5.8.
Figura 5.5. Perfil de
QUARTZARÊNICO (RQ).
NEOSSOLO
Figura 5.6. Perfil de
ARGILÚVICO (FT).
PLINTOSSOLO
5.4.9. PLANOSSOLOS HIDROMÓRFICOS (SG) Distróficos ou Eutróficos,
espessarênicos ou típicos
São solos imperfeitamente a mal drenados encontrados nas áreas de várzea, com relevo plano a
suavemente ondulado. Apresentam uma sequência de horizontes A-E-Btg-C (Figura 5.7), com o horizonte
A de coloração mais escura, o horizonte E de cor clara e mais arenoso, e uma mudança abrupta para o
horizonte Btg bem mais argiloso e de cor acinzentada. Esta mudança súbita no perfil do solo, de camadas
mais arenosas (horizontes A e E) para uma camada mais argilosa (horizonte Btg), é responsável pela
retenção da água e o conseqüente encharcamento do solo. Devido a essas feições, os Planossolos são
aptos para o cultivo de arroz irrigado; com sistemas de drenagem eficientes também podem ser usados
para outras culturas (milho, pastagens e outras), porém apresentam risco de inundação. Os Planossolos
apresentam variações quanto: (1) a espessura dos horizontes A+E que pode alcançar até 1,7 m, o que
identifica os espessarênicos; (2) ao horizonte B que pode apresentar alta saturação por sódio em algumas
áreas; (3) maior ou menor gradiente textural entre os horizontes A+E e Btg; e (4) a presença de
mosqueados de plintita no horizonte Btg.
31
Os Planossolos Hidromórficos estão incluídos em diferentes unidades de mapeamento em combinação
com Gleissolos Háplicos, Plintossolos Argilúvicos e Neossolos Flúvicos (Tabela 5.1). Um perfil
representativo desses Planossolos encontra-se no Anexo 5.9.
5.4.10. GLEISSOLOS HÁPLICOS (GX) Distróficos ou Eutróficos típicos
São solos profundos, muito mal drenados, de coloração acinzentada ou preta, apresentando um perfil com
sequência de horizontes A-Cg ou A-Bg-Cg (Figura 5.8), onde os horizontes Bg e Cg são do tipo glei.
Estas feições dos Gleissolos identificam um ambiente onde predomina a deficiência de oxigênio,
propiciando processos de acumulação de material orgânico e intensa redução química.
Os Gleissolos mostram uma grande variabilidade nas suas características, o que está relacionado a sua
origem de sedimentos diversos. Quanto a fertilidade química, são moderada a fortemente ácidos,
apresentam uma disponibilidade de nutrientes baixa a moderada para as plantas; a espessura e o teor de
matéria orgânica do horizonte A, bem como a textura dos horizontes A e Cg também são muito variáveis.
Esses solos ocorrem nas porções mais baixas das várzeas e a sua ocupação e utilização para a produção
agrícola é limitada pelas condições naturais de má drenagem e pelo risco de inundação. Quando drenados
podem ser usados para horticultura, fruticultura e cultivo de culturas anuais. Os Gleissolos ocorrem em
diversas unidades de mapeamento combinadas com Planossolos, Plintossolos, Neossolos Flúvicos,
Neossolos Quartzarênicos e tipos de terreno. Um perfil representativo dos Gleissolos encontra-se no
Anexo 5.10.
Figura 5.1. Perfil
VERMELHO (PV).
de
ARGISSOLO
Figura 5.2. Perfil
HÁPLICO (CX).
de
CAMBISSOLO
32
Figura 5.7. Perfil de
HIDROMÓRFICO (SG).
PLANOSSOLO
Figura 5.8. Perfil
HÁPLICO (GX).
de
GLEISSOLO
O mapa de solos resultante dos levantamentos anteriormente descritos, mostrando a distribuição espacial
das diversas unidades de mapeamento no município de Porto Alegre, está ilustrado na figura 5.9
O mapa final de solos acompanha este relatório na forma de arquivos em meio digital, gravados em CDROM no formato shape file. A descrição detalhada dos arquivos encontra-se ao final deste relatório, no
capítulo 9.
33
Figura 5.9. Mapa de solos do município de Porto Alegre.
34
ANEXOS
35
Anexo 5.1 - Perfil representativo de ARGISSOLO VERMELHO Distrófico típico
Descrição geral
−
Classificação: ARGISSOLO VERMELHO Distrófico típico
−
Localização: Porto Alegre – Lami, na subida da estrada do Espigão.
−
Situação e declive: Encosta, terço médio com 6 % de declividade
−
Litologia e formação geológica: Período Pré-Cambriano, Grupo Cambaí
−
Material originário: Granito Cantagalo
−
Relevo local: ondulado
−
Relevo regional: Forte ondulado
−
Erosão: Laminar
−
Drenagem: Bem drenado
−
Vegetação: Mata secundária arbustiva, vassoura branca e mirtáceas
−
Uso atual: Capoeira
Características morfológicas
A1
0 - 25/30 cm; vermelho-escuro-acinzentado(2,5 YR 3/2, úmido), bruno (10YR 5/3, seco); franca
cascalhenta; fraca a moderada média blocos subangulares; poros pequenos médios comuns;
ligeiramente duro, friável ligeiramente plástico, ligeiramente pegajoso; transição clara e ondulada.
AB
25/30- 32/48cm; vermelho-escuro-acinzentado a vermelho acinzentado(2,5YR 3,5/2, úmido),
bruno-avermelhado(5YR 4/4, seco); franco-argilosa cascalhenta; fraca a média blocos
subangulares; poros pequenos médios comuns; ligeiramente duro, friável, ligeiramente plástico e
ligeiramente pegajoso; transição gradual e ondulada;.
Bt1
32/48 - 65cm; bruno-avermelhado-escuro a bruno-avermelhado (2,5YR3, 5/4 úmido); vermelhoamarelado (5YR5/6, seco); franco-argilosa cascalhenta; moderado médio grandes blocos
subangulares; cerosidade fraca pouca; poros pequenos médios comuns; duro, friável, ligeiramente
pegajoso; transição gradual e ondulada.
Bt2
65 - 95/100cm; bruno-avermelhado-escuro a vermelho-escuro(2,5YR3/5, úmido), vermelhoamarelado (5YR 5/6, seco); argila cascalhenta; moderada média e grande blocos subangulares e
angulares; cerosidade moderada pouca; poros pequenos médios comuns, duro, friável,
ligeiramente plástica ligeiramente pegajosa; transição gradual e ondulada.
BC
95/100- 140+cm; variegado vermelho-escuro (2,5YR3/6, úmido) vermelho muito escuro
avermelhado,(2,5YR 4/4, úmido), vermelho-amarelado (5YR 5/6, seco) bruno-claroacinzentado,(10YR 6/3, seco); franco-argilosa cascalhenta; moderado a médio blocos
subangulares e angulares; cerosidade fraca pouca; poros pequenos médios comuns; duro, friável a
firme; ligeiramente pegajoso.
36
Análises físicas e químicas
Horizonte
Símbolo
Profundidade
(cm)
A1
AB
Bt1
Bt2
BC
Símbolo
A1
AB
Bt1
Bt2
BC
Frações da amostra
Total-%
Calhaus Cascalho Terra
fina
Composição granulométrica da
terra fina (dispersão com NaOH) %
areia
areia areia muito
silte
argila
grossa
fina
fina
(>20mm) (20-2mm) (<2mm)
(2,00 (0,20 0,20mm) 0,10mm)
0 - 25/30
25/30 - 32/48
32/48 - 65
65 - 95/100
95/100 - 140+
0
0
0
0
0
20
22
31
20
23
pH (1:1)
H2O
SMP Ca2+
Mg2
K+
4,8
4,6
4,7
4,9
4,9
5,7
4,8
5,3
5,4
5,3
1,49
0,51
0,38
1,15
1,82
0,29
0,30
0,29
0,24
0,23
0,64
0,13
0,15
0,18
0,22
80
78
69
80
77
20
7
14
18
14
Complexo sortivo
Cmol(c)/kg
15
17
6
10
14
(0,100,05mm)
(0,05 0,002mm)
(<0,002
mm)
-
45
46
45
29
43
15
30
35
43
32
Relação
% Silte
%Argila
3,00
1,53
1,28
0,67
1,34
Valor V
Na
Valor S
(soma)
Al3+
H+
0,03
0,05
0,05
0,04
0,05
2,45
0,99
0,87
1,61
2,32
1,1
3,5
3,8
3,0
2,2
3,47
4,51
4,59
2,35
3,27
Valor T (saturação 100 Al3+
(soma) de bases) % S + Al3+
7,02
9,00
9,26
6,96
7,79
35
11
10
23
30
31
78
81
65
49
P assi-
Carbono
milável
%
orgânico
%
1
1
1
2
2
1,47
1,22
0,86
0,36
0,17
37
Anexo 5.2 – Perfil representativo de ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Distrófico
típico
Descrição geral
−
Classificação: ARGISSOLOS VERMELHO-AMARELO Distrófico típico
−
Localização: Porto Alegre – Lami, em barranco da estrada da Extrema.
−
Situação e declive: terço superior de encosta de morro
−
Litologia e formação geológica: Grupo Cambaí do período Pré-Cambriano
−
Material originário: Granito Cantagalo
−
Relevo local: Suave ondulado
−
Relevo regional: Ondulado
−
Erosão: Laminar, ligeira a moderada
−
Drenagem: Bem drenado
−
Vegetação: Floresta subtropical subcaducifólia
−
Uso atual: Potreiro
Características morfológicas
A1
0-32cm - Bruno-escuro a bruno (7,5YR 4/2, úmido), cinzento-rosado (7,5YR 6/2, seco); franca;
fraca, médios e grandes blocos angulares; poros comuns pequenos; ligeiramente duro; muito
friável; ligeiramente plástico, ligeiramente pegajoso; transição plana e brupta.
A
32-80/95cm - Bruno-avermelhado-escuro (5YR 3/2, úmido), cinzento-avermelhado (5YR 5/2,
seco); franca; fraca, média e grandes blocos angulares; poros comuns e pequenos; ligeiramente
duro; muito friável; ligeiramente plástico, ligeiramente pegajoso; transição clara e ondulada.
BA
80/95-110/120 - Bruno-avermelhado-escuro (5YR 3/3, úmido), bruno-avermelhado (5YR5/4,
seco); franco argilosa com cascalho; moderado, médio e grandes blocos angulares; cerosidade
fraca e comum; poros comuns e pequenos; ligeiramente duro, muito friável, ligeiramente
pegajoso; transição clara e ondulada.
Bt
110/120-145cm - Bruno-avermelhado-escuro (5YR 3/4, úmido), bruno-avermelhado (5YR 4/4,
seco); argila cascalhenta; moderada médios e grandes blocos angulares; cerosidade fraca e
comum; poros comuns pequenos; muito duro, muito friável; ligeiramente plástico, ligeiramente
pegajoso; transição gradual ondulada.
BC
145-170cm+ - Vermelho-amarelado (5YR 7/6, úmido), amarelo-avermelhado (5YR 7/6, seco);
argiloa cascalhenta; fraca moderada blocos subangulares; poros comuns e pequenos; muito duro,
muito friável; ligeiramente plástico, ligeiramente pegajoso.
38
Análises físicas e químicas
Horizonte
Símbolo Profundidade
(cm)
A1
A
BA
Bt
BC
Símbolo
A1
A
BA
Bt
BC
0 - 32
32 - 80/95
80/95 110/120
110/120 - 145
145 - 170+
Frações da amostra
total-%
Calhaus Cascalho Terra
fina
Composição granulométrica da
terra fina (dispersão com NaOH) %
areia
areia areia muito
silte
argila
grossa
fina
fina
(>20mm) (20-2mm) (<2mm)
(2,00 (0,20 0,20mm) 0,10mm)
0
0
0
0
0
2
4
15
16
18
pH (1:1)
H2O
SMP
Ca2+
Mg2
K+
4,3
4,4
4,3
4,3
4,6
5,8
5,6
5,6
5,0
5,4
0,22
0,31
0,29
0,54
0,39
0,19
0,37
0,52
1,35
1,71
0,15
0,17
0,23
0,31
0,20
98
96
85
84
82
26
28
26
16
14
Complexo sortivo
cmol(c)/kg
18
18
14
12
14
(0,100,05mm)
(0,05 0,002mm)
(<0,002
mm)
-
40
34
32
29
29
16
20
28
43
43
Relação
% Silte
%Argila
2,50
1,70
1,14
0,67
0,67
Valor V
P assi- Carbono
Na
Valor S
(soma)
Al3+
H+
0,03
0,04
0,04
0,07
0,06
0,59
0,89
1,08
2,27
2,36
1,50
1,60
1,20
3,40
2,50
2,25
4,.51
3,95
2,28
1,46
Valor T (saturação 100 Al3+
(soma) de bases) % S + Al3+
4,34
7,00
7,03
7,95
6,32
14
13
15
28
37
72
64
63
60
51
milável
%
orgânico
%
1
1
1
1
1
0,63
0,39
0,45
0,39
0,36
39
Anexo 5.3 – Perfil representativo de CAMBISSOLO HÁPLICO Ta Distrófico típico
Descrição geral
−
Classificação: CAMBISSOLO HÁPLICO Ta Distrófico típico
−
Localização: Porto Alegre, Lami, em Barranco da estrada do Espigão, próximo aos templos.
−
Situação e declive: Topo de morro
−
Litologia e formação geológica: Grupo Cambaí - Pré-Cambriano
−
Material originário: Granito
−
Relevo local: Ondulado
−
Relevo regional: Forte ondulado
−
Erosão: Não visível
−
Drenagem: Imperfeitamente drenado
−
Vegetação: Floresta subtropical subcaducifólia
−
Uso atual: Mata arbustiva e reflorestamento
Características morfológicas
A1
0-18/26cm; cinzento muito escuro a cinzento escuro (10YR 3,5/5, úmido); franca cascalhenta;
fraca medias/grandes, blocos subangulares angulares e granular; poros pequenos e comuns;
ligeiramente duro, friável, ligeiramente plástico, ligeiramente pegajoso; transição clara e
irregular.
Bi
18/26-30/50cm; bruno-escuro a bruno (10YR 4/3, úmido), bruno (10YR5/3, seco), com
mosqueados comuns, médios e distintos bruno-avermelhado a vermelho-amarelado (5YR 5/5
úmido), com mosqueados comuns pequenos distintos bruno-forte (7,5YR 5/6 seco); franco
argilosa cascalhenta; fraca, média/grande blocos subangulares e angulares; poros comuns
pequenos; ligeiramente duro, friável, ligeiramente plástico, ligeiramente pegajoso; transição clara
e irregular.
C
30/50-100cm+; coloração variegada, composta de vermelho (10R 4/8, úmido), bruno a brunoamarelado (10YR 5/5, úmido), amarelo-brunado (10YR 6/6, úmido); coloração variegada
composta de vermelho (2,5YR 5/8, seco) cinzento-claro (10YR 7/1, seco) branco (2,5Y 8/0,
seco); franco siltosa, muito cascalhenta; maciça in situ desfaz em blocos subangulares; duro,
firme, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; poros pequenos e comuns.
40
Análises físicas e químicas
Horizonte
Símbolo Profundidade
(cm)
A
Bi
C
Símbolo
A
Bi
C
Frações da amostra
total-%
Calhaus Cascalho Terra
fina
Composição granulométrica da
terra fina (dispersão com NaOH) %
areia
areia areia muito
silte
argila
grossa
fina
fina
(>20mm) (20-2mm) (<2mm)
(2,00 (0,20 0,20mm) 0,10mm)
0 -18/26
18/26 - 30/50
30/50 - 100+
0
0
0
39
38
51
pH (1:1)
H2O
SMP
Ca2+
Mg2
K+
4,9
4,9
5,1
5,7
5,4
5,9
0,83
0,67
0,57
2,07
2,20
2,42
0,37
0,37
0,34
61
62
49
14
12
6
Complexo sortivo
cmol(c)/kg
Na
Valor S
(soma)
0,12
0,14
0,12
3,39
3,38
3,45
Al3+
(0,100,05mm)
(0,05 0,002mm)
(<0,002
mm)
-
47
47
51
21
33
24
18
8
19
Relação
% Silte
%Argila
2,24
1,42
2,12
Valor V
P assi- Carbono
H+
1,30 5,77
2,70 4,44
1,60 3,87
Valor T (saturação 100 Al3+
(soma) de bases) % S + Al3+
10,46
10,52
8,92
32
32
39
28
144
32
milável
%
orgânico
%
1
1
1,73
0,12
0,34
41
Anexo 5.4 – Perfil representativo de NEOSSOLOS LITÓLICOS
Descrição geral
−
Classificação: NEOSSOLO LITÓLICO Distrófico típico
−
Localização:
−
Situação e declive: Perfil situado em meia encosta com 35% de declive.
−
Litologia e formação geológica: Granito do Complexo Canguçu (Pré-Cambriano superior).
−
Material originário: granito.
−
Relevo local: Forte ondulado.
−
Relevo regional: Forte ondulado.
−
Pedregosidade: Muito pedregoso.
−
Rochosidade: Rochoso.
−
Erosão: Forte em sulcos.
−
Drenagem: Fortemente drenado.
−
Vegetação: Campo subtropical e mata nativa em capões.
−
Uso atual: Sem utilização.
Características morfológicas
A
0 - 18 cm; bruno avermelhado escuro (5YR 3/2, úmido); franco argilo arenoso muito cascalhento;
fraca pequena a média granular; firme, ligeiramente plástica e ligeiramente pegajosa; transição
clara e ondulada.
R
18cm+ ; amarelo avermelhado (5YR 7/8, úmido).
Análises físicas e químicas:
Horizonte
Símbolo
Profundidade
(cm)
A
Símbolo
A
0-18
Frações da amostra
total-%
Calhaus Cascalho Terra
fina
Composição granulométrica da
terra fina (dispersão com NaOH) %
areia
areia areia muito
silte
argila
grossa
fina
fina
(>20mm) (20-2mm) (<2mm)
(2,00 0,20mm)
(0,20 0,5mm)
(0,100,05mm)
(0,05 0,002mm)
(<0,002
mm)
32
42
-
24
21
0
68
pH (1:1)
H2O
SMP
Ca2+
Mg2
K+
5,2
3,7
0,74
0,73
0,42
32
Complexo sortivo
cmol(c)/kg
Na
Valor S
(soma)
0,16
2,05
Al3+
Relação
% Silte
%Argila
1,18
Valor V
P assi- Carbono
H+
1,50 4,03
Valor T (saturação 100 Al3+
(soma) de bases) % S + Al3+
7,58
27
42
milável
%
orgânico
%
5
1,41
42
Anexo 5.5 – Perfil representativo de NEOSSOLO REGOLÍTICO Distrófico típico
Descrição geral
−
Classificação: NEOSSOLO REGOLÍTICO Distrófico típico
−
Localização: Porto Alegre, Lami, em barranco da estrada do Espigão.
−
Situação e declive: Topo de morro
−
Litologia e formação geológica: Grupo Cambaí - Pré-Cambriano
−
Material originário: Granito Cantagalo
−
Relevo local: Forte ondulado
−
Relevo regional: Montanhoso
−
Erosão: Não visível devido a cobertura vegetal
−
Drenagem: bem drenado
−
Vegetação: Floresta subtropical subcaducifólia
−
Uso atual: Bosque secundário
Características morfológicas
A1
0-22cm - bruno-escuro a bruno (10YR 4/3, úmido), bruno (10YR 5/3, seco); franco-argiloarenosa muito cascalhenta; fraca média grande blocos subangulares; poros médios comuns;
ligeiramente duro, muito friável, não plástico, não pegajoso; transição clara e plana.
A2
22-40/50cm; bruno-escuro ( 10YR 3/3, úmido), bruno (10YR 5/3, seco); franco-argilo arenosa
muito cascalhenta; fraca média blocos subangulares; poros médios, comuns; ligeiramente duro,
muito friável, não plástico, não pegajoso; transição clara e irregular.
A/C
40/50-80cm+ - coloração variegada, bruno-escuro (7,5YR 3/2, úmido), bruno-forte (7,5YR 5/8,
úmido), vermelho-escuro (2,5YR 3/6, úmido), vermelho (10R 4/6, seco) vermelho-amarelado
(5YR 5/6, seco), branco-rosado (5YR 8/2, seco; franco-argilo arenosa cascalhenta; fraca
moderada média grande, blocos subangulares; poros pequenos e comuns; duro; friável a firme;
ligeiramente plástico, ligeiramente pegajoso.
Análises físicas e químicas
Horizonte
Símbolo
Profundidade
(cm)
A1
A2
A/C
Símbolo
A1
A2
A/C
0 - 22
22 - 50
50 - 80+
Frações da amostra
total-%
Calhaus Cascalho Terra
fina
Composição granulométrica da
terra fina (dispersão com NaOH) %
areia
areia areia muito
silte
argila
grossa
fina
fina
(>20mm) (20-2mm) (<2mm)
(2,00 (0,20 0,20mm) 0,10mm)
0
0
0
55
55
35
pH (1:1)
H2O
SMP
Ca2+
Mg2
K+
4,3
5,2
6,2
6,4
0,83
0,71
0,60
0,65
5,1
6,0
1,71
2,83
45
45
65
56
48
45
Complexo sortivo
cmol(c)/kg
12
14
16
(0,100,05mm)
(0,05 0,002mm)
(<0,002
mm)
-
10
13
19
22
25
20
Relação
% Silte
%Argila
0,45
0,52
0,95
Valor V
P assi- Carbono
Na
Valor S
(soma)
Al3+
H+
Valor T (saturação 100 Al3+
(soma) de bases) % S + Al3+
0,28
0,13
0,05
0,04
1,76
1,53
0,4
0,5
2,39
2,41
4,55
4,44
39
34
0,14
0,10
4,78
1,2
2,85
8,83
54
milável
%
orgânico
%
18
25
2
1
0,83
0,44
20
1
0,39
43
Anexo 5.6 – Perfil representativo de NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Órtico típico
Descrição geral
−
Classificação: NEOSSOLO QUARTZARÊNICO Órtico típico
−
Localização: Porto Alegre, no Balneário do Lami.
−
Situação e declive: Margens da lagoa
−
Relevo local: Plano
−
Relevo regional: Plano a suave ondulado
−
Erosão: Não aparente
−
Drenagem: Bem drenado
−
Material de origem: areias de dunas lagunares
−
Uso atual: Pastagens
Características morfológicas
A
0-15 cm; bruno-escuro a bruno (7,5YR 4/2, úmido ), bruno (7,5 YR 5/2, seco); areia; grãos
simples; solta, solta, não plástica e não pegajosa; transição clara e plana.
C1
15-115 cm; bruno( 10 YR 5/3, úmido), bruno-claro-acinzentado (10 YR 6/3, seco); areia; grãos
simples; solta, solta, não plástica e não pegajosa; transição clara e plana.
C2
115-165; bruno-amarelado (10 YR, 5/5), areia; grãos simples; solta, solta, não plástica e não
pegajosa; transição clara e plana.
Análises físicas e químicas
Horizonte
Frações da amostra
total-%
Calhaus Cascalho Terra
fina
Composição granulométrica da
terra fina (dispersão com NaOH) %
areia
areia
areia muito
silte
argila
grossa
fina
fina
(cm)
(>20mm)
(20-2mm)
(<2mm)
(2,00 (0,20 0,20mm) 0,10mm)
0 -15
15 - 115+
0
0
1
6
99
94
Símbolo Profundidade
A
C1
Símbolo
A
C1
PH (1:1)
H2O
SMP
Ca2+
Mg2
K+
6,1
6,2
7,3
7,3
0,38
0,25
0,17
0,14
0,03
0,06
90
50
Complexo sortivo
cmol(c)/kg
2
4
(0,100,05mm)
-
Relação
% Silte
%Argila
(0,05 (<0,002
0,002mm)
mm)
8
6
1
6
8
1
Valor V
Na
Valor S
(soma)
Al3+
H+
0,01
0,01
0,60
0,46
0,0
0,0
1,47
0,96
Valor T (saturação 100 Al3+
(soma) de bases) % S + Al3+
2,07
1,32
29
35
0
0
P assi-
Carbono
milável
%
orgânico
%
18
4
0,83
0,39
44
Anexo 5.7 – Perfil representativo de NEOSSOLO FLÚVICO Distrófico típico
Descrição geral
−
Classificação: NEOSSOLO FLÚVICO Tb Distrófico típico
−
Localização: Porto Alegre, na Estrada Antônio Silveira cerca de 1200m da Vila Restinga, na Estrada
Chácara do Barco, à esquerda, a 1600m em estrada vicinal e a 20m desta.
−
Situação e declive: trincheira situada na encosta inferior do Morro São Pedro, com 5% de declive
−
Litologia e formação geológica: Granito
−
Material originário: Granito
−
Relevo local: suave ondulado
−
Relevo regional: suave ondulado
−
Erosão: laminar ligeira
−
Drenagem: bem drenado
−
Vegetação: Floresta subtropical subcaducifólia
−
Uso atual: campo nativo e capoeira
Características morfológicas
A1
0-15cm - bruno-escuro (10YR 4/3, úmido); franco arenoso; franca pequena e média blocos
subangulares que se desfazem em grãos simples; muitos poros grandes e médios; ligeiramente
duro; friável, não plástico, não pegajoso; transição gradual e plana.
A2
15-27/33cm; bruno-avermelhado-escuro (10YR 3/4 úmido), bruno (10YR 5/3, seco); francoarenosa; fraca pequena e média blocos subangulares e angulares que se desfazem em grãos
simples; muitos poros grandes e médios; ligeiramente duro, friável, ligeiramente plástico,
ligeiramente pegajoso; transição clara e ondulada.
Ab
27/33-97/103 – cinzento muito escuro (10YR 3/1, úmido); franco-argilo arenosa; fraca grande e
média blocos subangulares e angulares que se desfazem em grãos simples; muitos poros médios e
pequenos; ligeiramente duro, friável, ligeiramente plástico, ligeiramente pegajoso; transição
ondulada e clara.
C1
97/103-107/113cm – bruno muito escuro (10YR 2/2, úmido); franco-argilo arenosa; fraca
pequena e média blocos subangulares que se desfazem em grãos simples; muitos poros médios e
pequenos; ligeiramente duro, friável, ligeiramente plástico, ligeiramente pegajoso; transição
ondulada e clara.
C2
107/113 – 173+cm – granito em intemperização.
45
Análises físicas e químicas
Horizonte
Frações da amostra
total-%
Calhaus Cascalho Terra
fina
Composição granulométrica da
terra fina (dispersão com NaOH) %
areia
areia areia muito
silte
argila
grossa
fina
fina
(cm)
(>20mm) (20-2mm) (<2mm)
(2,00 (0,20 0,20mm) 0,10mm)
0-15
15-27/33
27/33-97/107
97/107-113
107/113-173+
4
4
4
20
13
Símbolo Profundidade
A1
A2
Ab
C1
C2
Símbolo
96
96
96
80
87
47
53
43
47
45
Complexo sortivo
meq/100g
pH (1:1)
H2O
KCl
Ca2+
Mg2
K+
Na
5,5
5,0
5,0
5,3
5,6
5,1
4,4
4,2
4,5
4,6
2,0
1,2
1,7
1,3
2,1
0,6
0,5
0,5
0,4
0,5
0,2
0,1
0,1
0,1
0,2
0,05
0,05
0,05
0,05
0,1
Valor S
2,8
1,8
2,3
1,8
2,9
(0,05 0,002mm)
(<0,002
mm)
-
12
12
12
13
10
17
17
25
19
25
% Silte
%Argila
0,7
0,7
0,5
0,7
0,4
Valor V
H++Al3+
(soma)
A1
A2
Ab
C1
C2
24
18
20
21
20
(0,100,05mm)
Relação
Valor T
(soma)
0,9
2,2
3,0
0,9
0,5
3,7
4,0
5,3
2,7
3,4
(saturação
100 Al3+
de bases) % S + Al3+
43
45
43
67
85
3,4
14,2
25,8
10,0
3,3
P dispo- Matéria
nível orgânica
ppm
%
8,6
2,4
3,6
3,0
3,0
2,5
0,2
1,4
0,2
0,2
46
Anexo 5.8 – Perfil representativo de PLINTOSSOLO ARGILÚVICO
Descrição geral
−
Classificação: PLINTOSSOLO ARGILÚVICO
−
Localização: Porto Alegre, Estrada do Espigão a 1km em direção do Lago Guaíba para a estrada do
Lami..
−
Situação, declive e cobertura vegetal: trincheira aberta em antiga lavoura de arroz, declividade de 0%
a 2%.
−
Litologia e formação geológica: Graxaim
−
Material originário: Depósitos sedimentares argilo-arenosos.
−
Período: Cenozóico.
−
Relevo local: plano.
−
Relevo regional: plano
−
Erosão: Nula.
−
Drenagem: imperfeitamente drenado.
−
Vegetação primária: Campo sujo
−
Uso atual: Pastagem natural
Descrição morfológica
Ap
0-35cm, bruno a bruno escuro (10YR 4/3, úmido); franco arenoso; fraca grande e média blocos
subangulares; macio, friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição clara e
plana.
Ex
35-45, bruno acinzentado a bruno acinzentado escuro (10YR 4,5/2, úmido), areia franca com
cascalho; grãos simples; solto, friável, não plástico e não pegajoso; transição clara e plana.
Bf
45-80, cinzento escuro (10YR 4/1, úmido); mosqueado médio, comum, distinto bruno forte
(7,5YR 5/8, úmido), mosqueado médio comum cinzento difuso bruno claro (10YR 6/2, úmido),
mosqueado médio comum vermelho proeminente (2,5YR 4/8, úmido) e mosqueado bruno
acinzentado difuso (10YR 5/2, úmido); muito argiloso com cascalho; forte grande blocos
subangulares; cerosidade forte; extremamente duro, extremamente firme, muito plástico e
pegajoso; transição clara e plana.
C
80-100+, cinzento a cinzento claro (5Y 6/1, úmido); mosqueado médio e comum difuso cinzento
(5Y 5/1, úmido) e mosqueado comum grande bruno oliváceo claro (2,5YR 5/6, úmido); areia
franca com cascalho.
47
Análises físicas e químicas
Horizonte
Símbolo Profundidade
(cm)
Ap
Ex
Bf
C
Símbolo
0-35
35-45
45-80
80-100+
Frações da amostra
total-%
Calhaus Cascalho Terra
fina
Composição granulométrica da
terra fina (dispersão com NaOH) %
areia
areia areia muito
silte
Argila
grossa
fina
fina
(>20mm) (20-2mm) (<2mm)
(2,00 (0,20 0,20mm) 0,05mm)
0
0
0
0
2
8
10
10
KCl
35
49
42
39
4,8
5,3
5,4
5,7
-
(<0,002
mm)
-
21
22
26
21
15
11
28
30
36
29
22
25
Ca2+
Mg2
K+
Na
Valor S
-
-
-
-
-
% Silte
%Argila
Valor V
H++Al3+
(soma)
Ap
Ex
Bf
C
(0,05 0,002mm)
Complexo sortivo
meq/100g
pH (1:1)
H2O
98
92
90
90
(0,100,05mm)
Relação
Valor T
(soma)
-
-
(saturação
100 Al3+
de bases) % S + Al3+
-
-
P dispo- Matéria
nível orgânica
ppm
%
9,2
1,2
1,2
1,2
2,2
1,0
2,3
3,5
48
Anexo 5.9 – Perfil representativo de PLANOSSOLO HIDROMÓRFICO Distrófico típico
Descrição geral
−
Classificação: PLANOSSOLO HIDROMÓRFICO Eutrófico espessarênico
−
Localização: Porto Alegre, Lami, próximo à Fazenda do Lami
−
Situação e declive: 0-2 %
−
Relevo local: Suave ondulado
−
Relevo regional: Plano/suave ondulado
−
Erosão: Não aparente
−
Drenagem: Imperfeita
−
Material de origem: Sedimentos argilo-arenosos
−
Vegetação: Higrófila
−
Uso atual: Pastagem com gramíneas
Características morfológicas
Ap
0-27cm.; bruno-muito- escuro (10 YR 2/2, úmido), cinzento-escuro (10 YR 4/1, seco); areia;
fraca, pequena blocos subangulares; solta, não plástica, não pegajosa; transição gradual e plana.
A1
27-53cm.; preto (10 YR 2/1,úmido); bruno-acinzentado muito escuro (10 YR 3/2, seco); areia;
fraca pequenos médios blocos subangulares; solto, solto, não plástico e não pegajoso; transição
gradual e plana.
AE
53-80cm.; bruno-acinzentado muito escuro (10 YR 3/2, úmido ), bruno-acinzentado escuro ( 10
YR 4/2, seco ); areia franca; grãos simples; solta, solta, não plástica e não pegajosa, transição
clara e plana.
E
80-175 cm.; bruno-claro a bruno-claro-acinzentado ( 2,5 YR 7/3, úmido ), bruno-claro ( 2,5 Y
7/2, seco ); areia; grãos simples; solto, solto, não plástica e não pegajosa; transição abrupta.
Btg
175cm+; cinzento (2,5 Y 5/0, úmido); cinzento-brunado-claro (2,5 Y 6/2, seco); franco argilosa;
maciço poroso; extremamente duro, extremamente firme, plástico, pegajoso.
49
Análises físicas e químicas
Horizonte
Símbolo
Profundidade
(cm)
Ap1
A1
AE
E
Btg
Símbolo
Ap1
A1
AE
E
Btg
0 -27
27 - 53
53 - 80
80 - 175
175+
Frações da amostra
total-%
Calhaus Cascalho Terra
fina
Composição granulométrica da
terra fina (dispersão com NaOH) %
areia
areia areia muito
silte
argila
grossa
fina
fina
(>20mm) (20-2mm) (<2mm)
(2,00 (0,20 0,20mm) 0,10mm)
0
0
0
0
0
1
1
5
2
1
pH (1:1)
H2O
SMP
Ca2+
Mg2
K+
4,1
4,3
4,2
4,9
4,9
5,4
5,4
5,4
7,2
6,5
0,11
0,09
0,13
0,00
1,96
0,12
0,05
0,13
0,00
6,45
0,04
0,02
0,05
0,01
0,44
99
99
95
98
99
85
68
58
74
12
Complexo sortivo
cmol(c)/kg
7
19
18
18
27
(0,100,05mm)
(0,05 0,002mm)
(<0,002
mm)
-
4
9
16
6
27
4
4
8
2
24
Relação
% Silte
%Argila
1,00
2,25
2,00
3,00
1,12
Valor V
P assi- Carbono
Na
Valor S
(soma)
Al3+
H+
0,01
0,01
0,02
0,01
0,90
0,28
0,17
0,33
0,02
9,75
1,5
1,8
1,8
0,3
0,4
3,12
4,17
3,00
1,74
2,55
Valor T (saturação 100 Al3+
(soma) de bases) % S + Al3+
4,30
6,15
5,13
2,06
12,70
6
3
6
1
77
84
91
85
94
4
milável
%
orgânico
%
48
14
2
9
3
0,83
0,75
0,71
0,01
0,34
50
Anexo 5.10 – Perfil representativo de GLEISSOLO HÁPLICO Ta Eutrófico típico
Descrição geral
−
Classificação: GLEISSOLO HÁPLICO Ta Eutrófico típico
−
Localização: Porto Alegre, Lami, Estrada da Extrema, próximo à estrada São Caetano
−
Situação e declive: Plano
−
Litologia e formação geológica: Formação Itapoã, sedimentos do Quaternário
−
Material originário: Sedimentos do Pleistoceno, da Formação Graxaim
−
Relevo local: Plano
−
Relevo regional: Plano a suave ondulado
−
Erosão: Não visível
−
Drenagem: Muito mal drenado
−
Vegetação: Floresta subtropical subcaducifólia
−
Uso atual: Pastagens
Características morfológicas
Ap
0-17/24cm; bruno muito escuro (10YR 2/2, úmido), cinzento a cinzento-claro (10YR 6/1, seco);
franco argilosa; maciça desfazendo-se em grandes blocos angulares e subangulares; friável,
plástica, pegajosa; transição abrupta e ondulada;
A1
17/24 - 35/40cm; cinzento muito escuro (10YR 3/1, úmido) com mosqueados poucos pequenos
difusos bruno-amarelado (10YR 5/6, úmido), cinzento (10YR 5/1, seco); franco argilosa; maciça
desfazendo-se em grandes blocos ondulares e subangulares; muito friável, plástica pegajosa;
transição gradual e ondulada.
Cg1
35/40-65cm; bruno-acinzentado-escuro (10YR 4/2, úmido), cinzento a cinzento-claro (10YR 6/1,
seco); franco argilosa; maciça desfazendo-se em grandes blocos angulares e subangulares; friável;
plástica, pegajoso.
Cg2
65-116cm; cinzento-escuro (10YR 4/1, úmido), cinzento a cinzento-claro (10YR 6/1, seco);
franco argilosa; maciça desfazendo-se em grandes blocos angulares e subangulares; friável,
pegajosa, plástica.
51
Análises físicas e químicas
Horizonte
Símbolo Profundidade
(cm)
Ap
A1
Cg1
Cg2
0 - 17/24
17/24 - 35/40
35/40 - 65
65 - 116
Símbolo
pH (1:1)
Ap
A1
Cg1
Cg2
Frações da amostra
total-%
Calhaus Cascalho Terra
fina
Composição granulométrica da
terra fina (dispersão com NaOH) %
areia
areia areia muito
silte
argila
grossa
fina
fina
(>20mm) (20-2mm) (<2mm)
(2,00 (0,20 0,20mm) 0,10mm)
0
0
0
0
2
1
2
3
H2O
SMP
Ca2+
Mg2
K+
5,4
5,4
5,3
5,0
6,0
5,7
6,1
6,0
5,70
6,50
3,00
2,48
2,68
3,70
2,23
2,38
0,36
0,42
0,10
0,09
98
99
98
97
15
10
13
25
Complexo sortivo
cmol(c)/kg
(0,100,05mm)
(0,05 0,002mm)
(<0,002
mm)
-
30
20
35
38
28
40
27
19
27
30
25
18
Relação
% Silte
%Argila
1,07
0,50
1,30
2,00
Valor V
P assi- Carbono
Na
Valor S
(soma)
Al3+
H+
0,10
0,17
0,10
0,34
8,84
10,79
5,43
5,29
0,4
0,8
0,6
1,4
5,25
5,26
2,31
2,86
Valor T (saturação 100 Al3+
(soma) de bases) % S + Al3+
14,49
16,85
8,34
9,55
61
64
64
70
4
7
10
21
Milável
%
orgânico
%
44
13
3
2
1,07
0,83
0,20
0,39
52
6. Drenagem
6.1. Drenagem superficial
Para obtenção da rede de drenagem, referente à área do município de Porto Alegre, foram utilizados os
seguintes produtos:
−
Cartografia da Rede de Drenagem Existente
−
Imagens Orbitais Quickbird
−
Modelo Numérico de Terreno
6.1.1. Rede de drenagem existente
Com o objetivo de identificar os principais domínios de drenagem da área do município, utilizou-se a
hidrografia fornecida pela prefeitura municipal de Porto Alegre (escala 1:25.000) e a hidrografia do
Serviço de Cartografia do Exercito (escala 1:50.000). Observou-se algumas discrepâncias entre estes
produtos e as imagens orbitais, que em princípio acredita-se estar associadas ao grau de generalização
cartográfica e problemas de georeferenciamento da Imagem. Com relação ao MNT o grau de
concordância com a cartografia foi aceitável (figura 6.1).
Figura 6.1 – Hidrografia fornecida pela prefeitura (escala 1:25.000) e altimetria do MNT.
53
6.1.2. Interpretação das imagens Quickbird
A análise e interpretação de produtos orbitais de alta resolução espacial permitiram a identificação e
atualização dos trechos da hidrografia que não tinham sido representados nos levantamentos cartográficos
prévios. No entanto, nas áreas com mata ciliar densa, não foi possível identificar o eixo da drenagem.
Para isso, uma possível solução seria o uso de imagens Quickbird na faixa espectral do infravermelho,
particularmente sensível à umidade.
6.1.3. Análise do MNT
Os resultados da análise do MNT disponibilizado mostraram que a sua qualidade é insuficiente para
extração de variáveis hidrológicas. Tendo em vista melhorar hidrologicamente o MNT, procedeu-se,
através de técnicas de geoprocessamento, a sobreposição espacial da hidrografia existente de maneira a
reforçar os domínios principais de drenagem no modelo. Esse procedimento gerou um mapa de drenagem
sintética de melhor qualidade (figura 6.2). No entanto recomenda-se uma futura adequação e interpolação
da base altimétrica vetorial digital, escala 1:1.000, disponível na prefeitura de Porto Alegre, para obter um
MNT hidrologicamente adequado a estudos de drenagem urbana.
Figura 6.2 – Mapa da rede de drenagem superficial gerada a partir do MNT.
54
6.1.4. Ordenamento da rede de drenagem
A rede de drenagem identificada nas etapas anteriores foi posteriormente hierarquizada conforme o
critério de Strahler. Neste critério são considerados de primeira ordem os segmentos formadores, ou seja,
os pequenos canais que não tenham tributários; quando dois canais de primeira ordem se unem é formado
um segmento de segunda ordem; a junção de dois rios de segunda ordem dá lugar à formação de um rio
de terceira ordem e, assim por sucessivamente: dois rios de ordem n dão lugar a um rio de ordem n+1.
Assim, a ordem do rio principal mostra a extensão da ramificação na bacia. Especificamente neste estudo,
foram ordenados os segmentos de drenagem inseridos no polígono correspondente ao município de Porto
Alegre, mais as cabeceiras dos arroios Feijó, Dilúvio, Taquara e Varejão (figura 6.3), que situam-se fora
do município.
Figura 6.3. Mapa da rede de drenagem ordenada.
Neste contexto, foi possível identificar até a ordem 4. Entreanto, acredita-se que futuramente, com um
MNT de melhor resolução (obtido a partir da cartografia 1:1.000 do município), seja possível discriminar
mais segmentos formadores (1ª ordem), aumentando consequentemente a ordem final. A tabela 6.1
apresenta a extensão linear da rede de drenagem hierarquizada.
55
Tabela 6.1: Comprimento da hidrografia por ordem de drenagem.
Ordem do curso d’água
Comprimento (km)
1ª
291
2ª
148
3ª
114
4ª
21
Total
574
O comprimento da rede de drenagem dentro do polígono do município de Porto Alegre (432 km²),
corresponde a aproximadamente 574 km, indicando uma densidade de drenagem de aproximadamente
1,33 km/km².
O mapa final da rede de drenagem superficial acompanha este relatório na forma de arquivos em meio
digital, gravados em CD-ROM no formato shape file. A descrição detalhada dos arquivos encontra-se ao
final deste relatório, no capítulo 9.
6.2. Drenagem subterrânea
O objetivo deste capítulo é fornecer um diagnóstico sobre as águas subterrâneas no município de Porto
Alegre, levando em conta a quantidade de poços existentes nos diversos bairros.
O município de Porto Alegre possui 80 bairros que estão acentados sobre duas litologias, rochas
graníticognáissicas fissuradas e os depósitos argilo-arenosos a arenosos de origem fluvio-lacustre, lagunar
e aluvionar. As rochas granítica-gnáissicas constituem o aqüífero fraturado Pré-cambriano e os depósitos
o aqüífero poroso Cenozóico.
As águas subterrâneas nas rochas cristalinas (granitos e gnaisses), ocorrem somente nas fraturas ou falhas
geológicas, que se constituem em caminhos preferenciais de deslocamento e armazenamento. A
intensidade e a abertura desses fraturamentos é comanda a maior ou menor quantidade de água
subterrânea. Os poços nas rochas fraturadas podem fornecer vazões da ordem dos 5 m³/h, podendo existir
poços com vazões da ordem de 15 m³/h, condicionados ao sistema de fraturamento.
Nos sedimentos quaternários a existência de água subterrânea é condicionada pela porosidade dos
mesmos. Caso os sedimentos sejam argilosos há uma tendência de reduzir muito a quantidade de água e a
sua circulação. Caso os sedimentos sejam arenosos, eles podem se constituir em aqüíferos que fornecem
vazões baixas, da ordem de 4 m³/h.
As águas do aqüífero fraturado são classificadas como bicarbonatadas cálcico-sódicas a sódicas e
cloretada-bicarbonatada-cálcico-sódica, enquanto no aqüífero poroso Cenozóico predomina composições
cloretadas sódicas e cloretadas cálcico-sódicas, com maior conteúdo de sólidos totais dissolvidos.
Estudo realizado por Roisenberg e Viero (2002) mostrou que as águas subterrâneas de Porto Alegre
apresentam, em muitos locais, pelo menos um parâmetro acima dos limites máximos de potabilidade
estabelecidos pela Portaria n.º1469/2000 do Ministério da Saúde. Do ponto de vista da potabilidade o
parâmetro mais restritivo é o fluoreto, que alcança concentrações da ordem de 6.0 mg/l nas águas do
aqüífero fraturado, superando o valor máximo permitido de 1,5 mg/L.
Outro fator importante, do ponto de vista das condições de potabilidade das águas subterrâneas, é a parte
construtiva de muitos poços. Poços sem o devido selo sanitário, são passíveis de contaminação de águas
provenientes da zona de alteração, podendo conter valores acima do permitido de nitrato, de origem
orgânica.
6.2.1. Inventário dos poços
O inventário inicial dos poços dos poços de captação de água subterrânea existentes no município de
Porto Alegre foi realizado de forma indireta, consultando-se informações fornecidas por órgãos públicos
56
(DMAE, CORSAN, CPRM, etc.), por empresas privadas de perfuração de poços e trabalhos sobre o
assunto estudado.
O trabalho de Roisenberg e Viero (2002) mostrou que existem no município de Porto Alegre cerca de 338
poços tubulares. Provavelmente o número atual de poços já seja maior, mas no presente trabalho deu-se
preferência para os dados dos poços desse trabalho.
6.2.2. Espacialização dos poços
Os dados obtidos no inventário foram espacializados através do endereço, utilizando-se como base o
mapa dos eixos de ruas do município. Empregou-se um software de SIG para efetuar a geocodificação
dos endereços, gerando-se um mapa com a localização dos poços por endereço. Os poços cujo endereço
não pôde ser localizado por geocodificação em SIG foram espacializados através de suas coordenadas
UTM. Ao final deste processo, obteve-se um mapa com 242 poços que continham orientação de endereço
e/ou coordenadas UTM (Figura 6.4). Esse mapa, com a distribuição dos poços no município, serviu de
base para o estudo do fluxo das águas subterrâneas.
Figura 6.4. Mapa com a localização dos 242 poços de captação de água subterrânea.
57
É possível verificar que existe uma grande concentração de poços na área do Centro, Praia de Belas,
Jardim Botânico, Petrópolis, Bela Vista, Vila Ipiranga, Boa Vista, Mont’Serrat, Moinhos de Vento,
Independência, Floresta, São Geraldo, Cristo Redentor e Sarandí. A quantidade tende aumentar em
direção aos bairros da zona sul. Certamente, deve haver mais poços dentro do município e que não estão
cadastrados.
Nos bairros situados na parte central e sul, como Cascata, Vila Nova, Cavalhada, Camaquã, Tristeza,
Ipanema, Campo Novo, Lajeado, Hípica e Belém Novo, observa-se que existe uma boa quantidade de
poços, mas a maior parte não possui informações suficientes para serem utilizadas no presente trabalho.
Tem-se apenas as coordenadas ou endereço dos poços, faltando informação de nível estático.
Como grande parte dos bairros de Porto Alegre está impermeabilizada por edificações e pavimentação, a
recarga de água subterrânea se dá nas áreas altas da cidade (Morro Santana, Morro da Policia, etc), onde
ainda não chegou a urbanização. Existe um volume de água que recarrega o aqüífero, dentro da cidade,
que é proveniente das perdas da rede de abastecimento do DMAE. Esta perda deve representar cerca de
30% do volume distribuído, e representa uma recarga de água de ótima qualidade.
6.2.3. Seleção dos poços e estimativa da orientação do fluxo das águas subterrâneas
Após a espacialização, analisou-se os 242 poços buscando verificar o nível de informações que cada um
possuía, principalmente o nível estático (NE). Verificou-se que 90 poços possuem registro do nível
estático (profundidade desde a boca do poço até o nível de água). Esses 90 poços válidos constituíram a
base para se compreender e estimar o sentido de fluxo regional das águas subterrâneas no município. O
restante dos poços não apresenta dados suficientes que permitam a sua utilização.
Após a seleção, para cada um dos 90 poços válidos, estimou-se a cota da boca do poço partir do MNT
disponibilizado pela prefeitura de Porto Alegre (5 x 5m). Subtraindo da boca de cada poço a profundidade
do nível estático, estimou-se a cota piezométrica (altura compreendida entre o nível de água do poço e o
nível do mar).
A nuvem de amostras tridimensionais constituída pela localização dos poços e sua respectiva cota
piezométrica foi interpolada espacialmente para gerar uma superfície piezométrica contínua da área de
estudo. Empregou-se o método de Krigeagem com semivariograma linear, obtendo-se uma matriz que
representa a tendência da superfície piezométrica na área de estudo, com resolução de 50 x 50 m. Para
cada célula desta matriz, estimou-se a orientação do fluxo através de uma rotina de cálculo de exposição
(aspecto), obtendo-se uma superfície de orientação de fluxo das águas subterrâneas.
A superfície de orientação de fluxo das águas subterrâneas foi sobreposta com os planos de informação
referentes aos bairros e às sub-bacias de Porto Alegre, para extrair-se as orientações médias de fluxo em
cada bairro e em cada sub-bacia. O valor final da orientação em cada bairro e em cada sub-bacia foi
atribuído espacialmente à localização dos centróides dos respectivos polígonos. As figuras 6.5 e 6.6
mostram respectivamente o sentido do fluxo regional das águas subterrâneas por bairro e por sub-bacia.
É possível verificar que o sentido predominante de fluxo é NE-SW, podendo ocorrer fluxos localizados
com sentido S-N, dependendo da topografia do local. Comparando-se os dois mapas, verifica-se uma
certa coerência dos fluxos de água subterrânea por bairro e por sub-bacia. Apenas em alguns bairros
ocorre um conflito de sentido de fluxos comparado com o das sub-bacias, como pode ser observado nos
bairros Menino Deus e Azenha.
58
Figura 6.5. Sentido do fluxo regional das águas subterrâneas por bairro.
Provavelmente a origem destas diferenças sejam os problemas de inconsistência verificados no MNT
fornecido pela prefeitura. Recomenda-se no futuro o uso de um MNT de melhor qualidade, obtido a partir
da base cartográfica 1:1.000 do município, por exemplo.
É também de fundamental importância que no futuro o cadastro de poços existente seja revisto,
especialmente para uma atualização das informações checando os poços existentes e acrescentando novos
poços. Para essa atualização o principal órgão a ser consultado é o Departamento de Recursos Hídricos do
Estado do Rio Grande do Sul (DRH-RS), onde estão cadastrados os poços que foram ou estão em
processo de outorga. A perfuração de novos poços dentro da cidade deve ser precedida de um estudo que
leve em conta os poços existentes, o volume explotado e as recargas de água subterrânea.
59
Figura 6.6. Sentido do fluxo regional das águas subterrâneas por sub-bacia.
O mapa final do sentido dos fluxos de água subterrânea acompanha este relatório na forma de arquivos
em meio digital, gravados em CD-ROM no formato shape file. A descrição detalhada dos arquivos
encontra-se ao final deste relatório, no capítulo 9.
60
7. Mapeamento da ocupação urbana
A ocupação urbana foi mapeada juntamente com a vegetação, a fim de permitir a perfeita justaposição e
complementaridade dos dois temas em todo o território do município. O mapa de ocupação urbana foi
gerado em etapas, conforme detalhado a seguir.
7.1. Definição da legenda
A legenda para a ocupação urbana foi definida após trabalho de campo específico, através de reuniões e
discussões com os responsáveis pela interpretação, analisando-se tanto dados coletados em campo quanto
o mosaico de imagens Quickbird do município. O objetivo foi obter uma legenda de fácil aplicação na
escala 1:15.000, mediante a análise visual da estrutura espacial das áreas ocupadas. Procurou-se definir
uma legenda que permitisse um alto grau de consistência na delimitação das manchas por diferentes
pessoas do grupo durante a interpretação das imagens. Ao final das discussões e de alguns ensaios sobre
as imagens, chegou-se às seguintes classes:
Comercial, Industrial e Serviços
Urbano: edificações de grande superfície construída, como pavilhões, galpões, depósitos, etc. Inclui
também os cemitérios.
Rural: instalações rurais em geral (pocilgas, aviários, estábulos, silos, galpões, etc.)
Residencial
Edifícios
Tradicional: áreas nas quais a ocupação é de edifícios individualizados nos terrenos. Áreas
previamente ocupadas por casas as quais foram substituídas por edifícios.
Condomínio: três ou mais prédios com padrão de construção homogêneo ou grupo de prédios
formando um conjunto habitacional com edificações de quatro ou mais pavimentos.
Edifícios e casas
Áreas com uso predominante residencial, originalmente ocupadas apenas por casas as quais, aos
poucos, vem sendo substituídas por edifícios. Estes edifícios são geralmente de pequeno porte.
Casas
Orgânico contínuo: geralmente área de ocupação irregular, sem padrão viário e com várias casas
por terreno. As ruas são sinuosas e nem todos os terrenos possuem frente para a rua. A densidade
de casas de tamanho reduzido é elevada.
Orgânico esparso: residencial orgânico incipiente. Expansão de áreas já ocupadas com residencial
orgânico ou novas ocupações irregulares.
Tradicional contínuo: locais onde houve um loteamento precedente à ocupação. O desenho
urbano é variado mas o arruamento é regular, embora os terrenos possuam tamanho bastante
variável. Contém na quase totalidade residências unifamiliares.
Tradicional esparso: Ocupação regular a partir de loteamentos, cujos terrenos ocupados ainda são
em número reduzido.
Terrenos grandes: Corresponde ao residencial tradicional, mas cujas casas possuem maior
afastamento entre si . São áreas com baixa densidade de ocupação e com grande área verde.
Condomínio: conjunto residencial de casas com até três pavimentos.
Rural: residências isoladas junto à área rural do município.
Vias
A classe vias inclui todas as vias com largura significativa em relação ao entorno pois, em função da
escala do projeto, não foi possível individualizar todas as vias, apenas as artérias principais.
61
7.2. Digitalização das classes de ocupação sobre as imagens Quickbird
Após a definição da legenda foi realizado o treinamento do grupo responsável pela delimitação e
classificação da ocupação urbana. Foram realizadas várias simulações com os diferentes componentes do
grupo e em diferentes partes do município, as quais foram posteriormente analisadas em conjunto, com
base em dados de campo. As áreas discordantes foram apontadas e discutidas, com a finalidade de
mostrar os equívocos que estavam sendo cometidos e uniformizar os critérios de mapeamento..
O mapeamento da ocupação está sendo realizado sobre as mesmas janelas de 25 km2 do mosaico de
imagens Quickbird que foram utilizadas para o mapeamento da vegetação (figura 3.1). Como material de
apoio para a delimitação das diferentes classes de ocupação urbana foram utilizadas todas as informações
cartográficas digitais disponibilizadas pela prefeitura, bem como as fotos aéreas obtidas durante o vôo de
reconhecimento realizado para identificar os maricazais no mapeamento da vegetação.
7.3. Trabalho de campo
O trabalho de campo foi realizado na forma de várias saídas durante todo o período do mapeamento da
ocupação urbana. Foram realizados diversos percursos, desde a primeira saída conjunta com
representantes de todas as áreas temáticas até as últimas aferições. Todos os percursos foram registrados
através de GPS, e serviram para definir as classes a serem mapeadas e para apoiar a sua delimitação sobre
as imagens, bem como para resolver dúvidas de interpretação localizadas.
O resultado do mapeamento da ocupação urbana, de acordo com a legenda inicialmente definida, está
ilustrado na figura 7.1, que mostra a distribuição espacial das diferentes classes no município de Porto
Alegre.
O mapa final de ocupação urbana acompanha este relatório na forma de arquivos em meio digital,
gravados em CD-ROM no formato shape file. A descrição detalhada dos arquivos encontra-se ao final
deste relatório, no capítulo 9.
62
Figura 7.1. Mapa de ocupação urbana do município de Porto Alegre, ilustrando a distribuição espacial das
classes mapeadas.
63
8. Situação fundiária
8.1. Introdução
Esta etapa do trabalho consiste na formulação de uma metodologia para a constituição de um sistema de
informação que possibilite aos gestores públicos do Município de Porto Alegre acessar informações que
identifiquem, em áreas de interesse ambiental, os limites das propriedades e seus proprietários.
O propósito inicial dessas informações é permitir que o Agente de Fiscalização Ambiental do Município
possa rapidamente identificar, comunicar e, quando for o caso, notificar o responsável pela área de
interesse ambiental que recebeu, esteja recebendo ou possa a vir a receber impactos ambientais além dos
limites permitidos pela legislação.
Esperam-se ganhos adicionais, na medida que esta identificação poderá possibilitar aos demais órgãos
municipais ações em suas áreas de competência, destacando-se, entre elas, a cobrança de impostos, a
fiscalização de edificações e o uso e ocupação do solo. A metodologia poderá possibilitar, também, a
aplicação desta sistemática em outras áreas de interesse do Município, além das de interesse ambiental,
contribuindo assim para a formação do cadastro imobiliário de todo o Município.
8.2. Área piloto para estudo
Na fase de planejamento do estudo, em reuniões com os técnicos do Município, representados pela
SMAM, decidiu-se desenvolver a metodologia tendo por base uma Área Piloto para Estudo.
Esta Área deveria estar localizada em local de interesse ambiental e ter dimensão de modo a apresentar as
dificuldades normalmente esperadas em trabalhos de levantamento fundiário. Desta forma a metodologia
a ser recomendada estaria adequadamente testada.
A escolha foi direcionada para a zona sul do Município, no Bairro Lami. Este bairro apresenta situação
ambiental bastante relevante, pois nele estão localizadas a Reserva Biológica do Lami, a Estação de
Tratamento de Esgoto do Lami e, por ora, a única praia balneável do Lago Guaíba no município de Porto
Alegre. O bairro também está muito próximo do Parque Estadual de Itapuã.
A área piloto escolhida ficou compreendida entre a Estrada do Lami, lado ímpar, entre os números 1791 e
7855, e o Lago Guaíba (figura 8.1).
Esta área caracteriza-se por apresentar baixo índice de edificações, concentrando-se em sua maioria junto
à Estrada do Lami e nas primeiras centenas de metros das poucas ruas traçadas que partem da referida
Estrada. O restante da área é ocupado com atividades rurais. Parte desta área está sujeita a alagamento
durante alguns períodos no ano.
8.3. Diagnóstico inicial
A realização do Diagnóstico Inicial para o desenvolvimento do trabalho concentrou-se em 3 aspectos:.
a) Reconhecimento da área em campo
Este reconhecimento serviu para confirmar as características de ocupação da área piloto em estudo e
identificar referências de logradouros públicos da área que pudessem vir a ser utilizados na pesquisa
cartorial. Houve muitas dificuldades na obtenção de endereços - logradouro e número dos imóveis, pela
forma irregular dos polígonos que formam a propriedade.
b) Levantamento em Cartórios de Registro de Imóveis
Os registros das propriedades existentes na área piloto estão arquivados no Cartório de Registro de
Imóveis da 3ª Zona de Porto Alegre, localizado na Rua João Alfredo, 299.
Este Cartório de Registro exigiu, para a realização de pesquisa sobre as propriedades existentes na área de
estudo, correspondências visando oficializar a referida pesquisa. As mesmas, datadas de 4 e 18 de maio,
identificaram as áreas a serem pesquisadas e, na segunda, estabeleceu que as propriedades a serem
pesquisadas deveriam ter área igual ou superior a 3 hectares.
64
Figura 8.1 Poligonal considerada na delimitação da Área Piloto.
A resposta do Cartório de Imóveis ocorreu, em média, no prazo de 10 dias. O conjunto das informações
obtidas estão anexados neste relatório.
Na análise da documentação fornecida pelo Cartório de Imóveis, apresentando a matrícula dos imóveis, é
comum observar-se propriedades desmembradas em função de inventários e vendas.
A grande dificuldade apresentada neste trabalho consistiu no fato dos Cartórios de Imóveis só estarem
preparados para fornecer informações sobre um endereço específico.
c) Pesquisa em Banco de Dados pertencente ao Município
O Município dispõe de quantidade apreciável de informações cadastrais dispersas em diferentes órgãos na
forma de bancos de dados ou em processos administrativos. Entre estes, destacam-se aqueles que tem
competência para a cobrança de impostos e taxas, como a Secretaria da Fazenda e o Departamento de
Águas e Esgoto.
A pesquisa, no caso deste trabalho, foi efetuada nos dados cadastrais disponibilizados pelo Arquivo dos
Setores Fazendários CQs e do Banco de Dados do Cadastro de Imóveis da Secretaria da Fazenda,
disponibilizados pela PROCEMPA.
65
O desenvolvimento dessa pesquisa foi realizado em computadores instalados na Coordenação do
Ambiente Natural da Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
8.4. Descrição de procedimentos para acessar informações disponíveis nos Banco de
Dados do Município
Para a realização desta atividade foram executadas as tarefas a seguir apresentadas.
−
Acesso ao Arquivo dos Setores Fazendários CQs
−
Pesquisa no ambiente PROCEMPA 1/LOTESDWG/CQsSMF para localizar os arquivos dos setores
(.dwg) da Área Piloto. Os setores de interesse estão identificados pelos números 27 e 46.
−
Junção dos setores que representam a área de interesse, formando um único arquivo (.dwg).
−
Acesso ao SIGPOA, base 1: 15000, dos eixos de ruas, para seleção da Área Piloto para Estudo. A
seguir, copiou-se essa área, referenciando-a a um ponto. Adicionou-se esta cópia ao arquivo gerado
no item anterior. Este arquivo constituiu a base cartográfica sobre a qual foram lançadas as
informações nas etapas seguintes.
Para a área Piloto do Estudo, este passo gerou o resultado ilustrado na figura 8.2.
Figura 8.2. Visualização do arquivo dos setores (.dwg) da área de interesse a partir do ambiente
PROCEMPA 1/LOTESDWG/CQsSMF.
−
Localização dos terrenos que dispõem das informações desejadas e aqueles que não as possuem. Essa
identificação dos terrenos foi feita visualmente, em tela.
−
Criação de um novo plano de informação no arquivo de trabalho, evidenciando os terrenos que não
apresentam informações no nível desejado.
Para a área Piloto deste Estudo, este passo gerou o resultado ilustrado na figura 8.3.
66
Figura 8.3. Terrenos que não apresentam informações no nível desejado.
−
Pesquisa no Banco de Dados do Cadastro de Imóveis da Secretaria da Fazenda. Para acessar este
banco, foi necessário apoio da SMAM. O objetivo da pesquisa foi a obtenção de informações sobre
terrenos adjacentes àqueles que não as possuem, visando facilitar a obtenção de informações destes.
A pesquisa pode ser realizada pelo número de inscrição no Banco de Dados do Cadastro de Imóveis,
pela localização (logradouro- completo ou partes do nome, ou radical ou código e complemento –
prédio ou apto) ou ainda pelo registro de imóveis (zona e número de matricula). Optou-se por se fazer
a pesquisa pela localização, pois dispunha-se de tais dados (nome de rua e complemento). Nessa
pesquisa, foram focalizadas as informações disponíveis no tópico registros cadastrais, no qual são
encontradas informações como: número de inscrição do imóvel no cadastro; nome e CPF do
proprietário, medidas do imóvel entre outras.
−
Geração de um novo plano de informação no arquivo de trabalho, onde as informações sobre
proprietário e número de inscrição dos terrenos adjacentes àqueles de interesse estejam inseridas. Em
alguns casos, os terrenos localizam-se em becos ou ruas que não constam no registro do cadastro de
imóveis impossibilitando a pesquisa acima citada (Figuras 8.4 e 8.5).
67
Figura 8.4. Inserção das informações sobre proprietário e número de inscrição dos terrenos adjacentes
àqueles de interesse.
Figura 8.5. Área piloto com delimitação dos lotes com e sem identificação.
68
8.5. Metodologia proposta
A metodologia proposta tem como premissas:
−
Definição prévia da área de interesse a ser pesquisada;
−
Capacitação das pessoas para executar a pesquisa com o uso de programas de informática, em
especial com AutoCad, visando permitir acesso a informações cadastrais já disponíveis nos órgãos
municipais;
−
Aplicação dos procedimentos desenvolvidos na “Descrição de procedimentos para acessar
informações disponíveis nos Banco de Dados do Município”;
−
Levantamento em Banco de Dados de outros órgãos do Município que dispõem de dados cadastrais
organizados, visando associar as propriedades aos proprietários;
−
Levantamento de informações em Cartório de Registro de Imóveis visando a obtenção de dados para
complementar as informações anteriormente levantadas;
−
Levantamento de campo para obter informações sobre áreas ainda não identificadas nas etapas
anteriores.
−
Notificação dos proprietários identificados no item anterior para que apresentaram comprovante de
propriedade.
−
Levantamento em Cartórios de Registro de Imóveis daqueles terrenos identificados por endereço,
cujos ocupantes notificados não apresentarem comprovante de propriedade.
−
Inclusão das informações num Banco de Dados de Cadastro de Imóveis do Município.
−
Comunicação à Procuradoria do Município dos logradouros sem identificação ainda existentes, para
averiguar se os mesmos são áreas públicas.
Para facilitar o acesso às informações cadastrais nas áreas de interesse, organizou-se um mapa digital com
os limites e alguns dados cadastrais. Na área piloto, esses lotes podem ser consultados através do
protótipo de Sistema de Informação Geográfica que também integra o Diagnóstico Ambiental do
Município de Porto Alegre, o qual é descrito no capítulo referente à disponibilização dos dados.
O mapa com a delimitação da área selecionada para o estudo acompanha este relatório na forma de
arquivos em meio digital, gravados em CD-ROM no formato shape file. A descrição detalhada dos
arquivos encontra-se ao final deste relatório, no capítulo 9.
8.6. Recomendações
Para o sucesso da sistemática proposta algumas condições devem ser atendidas pelo Município e pelas
pessoas que aplicarem a metodologia. Dentre elas enfatizamos:
−
Formação de equipe intersecretarias visando convergir os interesses globais do Município em relação
ao levantamento fundiário de Porto Alegre, definindo e priorizando as áreas de interesse a serem
pesquisadas, centralizando as informações cadastrais já disponíveis nos órgãos do Município;
−
Capacitação da equipe intersecretarias com o uso de programas de informática, em especial com
AutoCad, visando permitir acesso a informações cadastrais já disponíveis nos órgãos municipais;
−
Capacitação da equipe acima mencionada no processo de seleção das informações coletadas e busca,
dentre as alternativas disponíveis, da melhor alternativa para completar as lacunas de informações
cadastrais identificadas.
69
9. Disponibilização dos dados
9.1. Descrição dos arquivos digitais
Os produtos finais do Diagnóstico Ambiental do Município de Porto Alegre consistem em um conjunto
de arquivos digitais em formato shape file contendo os diferentes temas mapeados. Todos os arquivos
estão no sistema de coordenadas Gauss-Krüger e constituem os planos de informação especificados na
tabela 9.1.
Tabela 9.1. Planos de informação no formato shape file que compõem os mapeamentos do Diagnóstico
Ambiental do Município de Porto Alegre
Tema
Elemento geográfico
Arquivo shape (.shp) Tipo
Vegetação
Manchas dos diferentes tipos de vegetação no
município de Porto Alegre
vegetacao
Polígono
Geologia
Unidades geológicas no município de Porto
Alegre
geologia
polígono
Lineamentos no município de Porto Alegre
lineamentos
linha
Unidades geotécnicas do município de Porto
Alegre
geotecnia
polígono
Pedologia
Unidades de mapeamento de solos no município
de Porto Alegre
pedologia
polígono
Drenagem
Cursos e corpos d`água da rede de drenagem
superficial no município de Porto Alegre e
entorno
drenagem_superficial
linha
Localização dos 90 poços utilizados para estimar
o sentido do fluxo das águas subterrâneas
pocos
ponto
Isolinhas referentes ao nível piezométrico
estimado, obtidas a partir dos 90 poços, com
equidistância vertical de 20 metros.
iso_pot20
linha
Setas indicativas do sentido do fluxo das águas
subterrâneas associado aos bairros do município
de Porto Alegre
fluxo_bairros
polígono
Setas indicativas do sentido do fluxo das águas
subterrâneas associado às sub-bacias do
município de Porto Alegre
fluxo_sbacias
polígono
Ocupação
urbana
Manchas dos diferentes tipos de ocupação
urbana no município de Porto Alegre
ocupacao
polígono
Situação
fundiária
Delimitação da área piloto definida para o
levantamento da situação fundiária
fundiario
polígono
Delimitação, na área piloto, dos lotes com e sem
cadastro junto à secretaria municipal da fazenda
lotes
polígono
9.2. Atributos associados aos arquivos
As informações relativas aos elementos de cada tema estão armazenadas na tabela de atributos que
acompanha os respectivos arquivos shape, com a especificação dos campos detalhada a seguir.
70
9.2.1. Vegetação
−
Area_m2: campo numérico contendo a superfície da mancha, em metros quadrados (m2)
−
Perim_m: campo numérico contendo o perímetro da mancha, em metros (m)
−
Id_dominio: campo numérico contendo o código referente ao primeiro nível de classificação da
vegetação
−
Dominio: campo do tipo texto (string) contendo a nomenclatura do primeiro nível de classificação da
vegetação
−
Id_classe: campo numérico contendo o código referente ao segundo nível de classificação da
vegetação
−
Classe: campo do tipo texto (string) contendo a nomenclatura do segundo nível de classificação da
vegetação
−
Id_subclasse: campo numérico contendo o código referente ao terceiro nível de classificação da
vegetação
−
Subclasse: campo do tipo texto (string) contendo a nomenclatura do terceiro nível de classificação da
vegetação
9.2.2. Geologia
Shape file geologia.shp (unidades geológicas no município de Porto Alegre):
−
Area_m2: campo numérico contendo a superfície da mancha, em metros quadrados (m2)
−
Perim_m: campo numérico contendo o perímetro da mancha, em metros (m)
−
Id_classe: campo numérico contendo um identificador para cada unidade geológica
−
Classe: campo do tipo texto (string) contendo a simbologia de cada unidade geológica
−
Descricao: campo do tipo texto (string) contendo a descrição de cada unidade geológica
Shape file lineamentos.shp (lineamentos no município de Porto Alegre):
−
Descricao: campo do tipo texto (string) contendo a descrição dos elementos mapeados.
Shape file geotecnia.shp (Unidades geotécnicas do município de Porto Alegre):
−
Area_m2: campo numérico contendo a superfície da mancha, em metros quadrados (m2)
−
Perim_m: campo numérico contendo o perímetro da mancha, em metros (m)
−
Id_geotc: campo numérico contendo o código das unidades geotécnicas
−
Descricao: campo do tipo texto (string) contendo a descrição das unidades geotécnicas
9.2.3. Pedologia
−
Area_m2: campo numérico contendo a superfície da mancha, em metros quadrados (m2)
−
Perim_m: campo numérico contendo o perímetro da mancha, em metros (m)
−
Id_solo: campo numérico contendo um código identificador de cada tipo de solo
−
Classe: campo do tipo texto (string) contendo a simbologia de cada tipo de solo, de acordo com o
Sistema Brasileiro de Levantamento e Classificação de Solos
71
−
Descricao: campo do tipo texto (string) contendo o nome completo de cada tipo de solo, de acordo
com o Sistema Brasileiro de Levantamento e Classificação de Solos
9.2.4. Drenagem
9.2.4.1. Drenagem superficial
Shape file drenagem_superficial.shp (Cursos e corpos d`água da rede de drenagem superficial no
município de Porto Alegre e entorno):
−
Compri_m: campo numérico contendo comprimento de cada segmento de curso d`água, em metros
(m)
−
Ordem: campo numérico contendo o valor da hierarquia de cada curso d`água (ordem)
−
Descricao: campo do tipo texto (string) contendo a descrição do elemento mapeado
−
Nome: : campo do tipo texto (string) contendo o nome do curso d’água
9.2.4.2. Drenagem subterrânea
Shape file pocos.shp (Localização dos 90 poços utilizados para estimar o sentido do fluxo das águas
subterrâneas):
−
Id: campo numérico contendo um código identificador para cada poço
−
Endereco: endereço do poço
−
Proprietar: nome do proprietário do poço
−
Coord_x: coordenada X do poço, no sistema de coordenadas Gauss-Kruger oficial do município de
Porto Alegre
−
Coord_y: coordenada Y do poço, no sistema de coordenadas Gauss-Kruger oficial do município de
Porto Alegre
−
Cota_poa: cota da boca do poço, determinada a partir do MNT fornecido pela prefeitura
−
Cota_srtm: cota da boca do poço, determinada a partir do MNT SRTM (SRTM – Shuttle Radar
Topographic Mission, disponibilizado pela NASA gratuitamente na Internet)
−
Ne: nível estático (profundidade)
−
Cota_ne_poa: cota do nível estático determinado a partir do MNT fornecido pela prefeitura
−
Cota_ne_srtm: cota do nível estático determinado a partir do MNT SRTM
Shape file iso_pot20.shp (Isolinhas referentes ao nível piezométrico estimado, obtidas a partir dos 90
poços, com equidistância vertical de 20 metros)
−
Cota_piezo: campo numérico contendo a cota piezométrica das isolinhas
Shape file fluxo_sbacias.shp (setas indicativas, na posição do centróide de cada sub-bacia, do azimute
referente ao sentido de orientação do fluxo subterrâneo):
−
Azimut: valor do azimute referente ao sentido de orientação do fluxo subterrâneo
Shape file fluxo_bairros.shp (setas indicativas, na posição do centróide de cada bairro, do azimute
referente ao sentido de orientação do fluxo subterrâneo):
−
Azimut: valor do azimute referente ao sentido de orientação do fluxo subterrâneo
72
9.2.5. Ocupação urbana
−
Area_m2: campo numérico contendo a superfície da mancha, em metros quadrados (m2)
−
Perim_m: campo numérico contendo o perímetro da mancha, em metros (m)
−
Id_dominio: campo numérico contendo o código referente ao primeiro nível de classificação da
ocupação urbana
−
Dominio: campo do tipo texto (string) contendo a nomenclatura do primeiro nível de classificação da
ocupação urbana
−
Id_classe: campo numérico contendo o código referente ao segundo nível de classificação da
ocupação urbana
−
Classe: campo do tipo texto (string) contendo a nomenclatura do segundo nível de classificação da
ocupação urbana
−
Id_subclasse: campo numérico contendo o código referente ao terceiro nível de classificação da
ocupação urbana
−
Subclasse: campo do tipo texto (string) contendo a nomenclatura do terceiro nível de classificação da
ocupação urbana
9.2.6. Situação fundiária
Shape fundiario.shp (Delimitação, na área piloto, dos lotes com e sem cadastro junto à secretaria
municipal da fazenda):
−
Area_m2: campo numérico contendo a superfície da área piloto, em metros quadrados (m2)
−
Perim_m: campo numérico contendo o perímetro da área piloto, em metros (m)
Shape file lotes.shp (Delimitação, na área piloto, dos lotes com e sem cadastro junto à secretaria
municipal da fazenda):
−
Prop: campo do tipo texto (string) contendo o nome do proprietário do imóvel
−
Identific: campo numérico contendo o número que identifica o terreno no mapa da prefeitura
−
Insc_imov: campo numérico contendo o número de inscrição do terreno no registro de imóveis
9.3. Aplicativo para visualização e consulta dos dados
9.3.1. Protótipo de Sistema de Informação Geográfica para apoio e suporte à decisão do
Diagnóstico Ambiental do Município de Porto Alegre.
O produto final dos mapeamentos do Diagnóstico Ambiental do Município de Porto Alegre é uma série
de dados espaciais digitais no formato shape file, referentes aos diferentes temas, conforme o
detalhamento anteriormente apresentado.
Para facilitar a visualização desses dados e permitir a realização de consultas básicas ao conjunto de
informações do projeto, foi desenvolvido um protótipo de Sistema de Informação Geográfica (SIG). Este
protótipo consistem em um servidor de mapas que oferece também ferramentas de consulta, as quais
podem ser de grande utilidade aos técnicos da SMAM nas suas atividades voltadas ao meio ambiente no
município. O objetivo do aplicativo é facilitar o uso e a disseminação das informações geradas no
Diagnóstico Ambiental do Município de Porto Alegre, sem custo e sem a necessidade de aquisição de
softwares comerciais para executar operações básicas.
73
Além das informações geradas pelo projeto, foram introduzidas também informações cedidas pelo
Município através do SIGPoa: limites do município de Porto Alegre, bairros, eixos de rua, hidrografia,
bacias e sub-bacias hidrográficas além de um mosaico de imagens Quickbird.
O sistema possui características de um Servidor de Mapas e permite a visualização dos dados geográficos
através de um sítio na Internet, através de qualquer navegador. Dessa forma, para a utilização da
informação gerada pelo projeto não é necessário conhecimento específico prévio na área de
geoprocessamento e SIG. Também não se torna necessário treinamento específico em qualquer tipo de
software comercial nessa área.
O protótipo de SIG foi desenvolvido utilizando-se exclusivamente software livre e com código fonte
aberto. Isto permitiu sua implementação sem custos de licenciamento das ferramentas de
desenvolvimento nem de hospedagem do sistema. Caso necessário, existe ainda a possibilidade de edição
do código fonte do programa base e a customização (personalização) do mesmo, desde que sejam
seguidas as leis de licenciamentos de cada uma das tecnologias utilizadas.
O sistema foi desenvolvido basicamente em duas versões. Uma permite a navegação pelos mapas,
possibilitando ligar e omitir, aumentar, diminuir e mover cada plano de informação na tela. A outra, mais
avançada, utiliza recursos de sistemas gerenciadores de banco de dados (SGBD), no caso o PostgreSQL.
Esta segunda opção permite, além da visualização e navegação nos mapas, a importação de um polígono
que represente uma área de interesse de um técnico para consulta na base de dados do Diagnóstico
Ambiental. Esta consulta se dá através do cruzamento deste polígono com qualquer um dos diversos
temas gerados pelo Projeto Diagnóstico Ambiental do Município de Porto Alegre. O produto da consulta
é a geração de estatísticas relativas a cada um dos temas dentro da área de interesse definida.
As principais características do sistema básico são as seguintes:
−
Acesso via browser;
−
Ferramentas de ampliação, redução e movimentação do mapa;
−
Possibilidade de tranformação da máquina onde o sistema estiver instalado num servidor de internet,
servidor de mapas e servidor de banco de dados para uma rede interna (intranet) e até mesmo para a
internet;
−
Acesso multi-plataforma, ou seja, uma vez instalado o sistema num servidor de mapas, o usuário
poderá acessá-lo sistema via browser a partir de qualquer sistema operacional;
A versão com SGBD, além de todas características da versão mais simples oferece::
−
Importação de arquivos no formato shapefile contendo o polígono da área a ser analisada;
−
Geração de consultas espaciais e realização de cruzamento de camadas (Versão com o PostgreSQL);
Para o desenvolvimento do sistema forma utilizadas, entre outras, as seguintes tecnologias:
−
Pacote ms4w da DMSolutions;
−
Servidor de Internet Apache;
−
Servidor de Mapas UMN Mapserver;
−
Linguagem de Programação PHP + PHP_Mapscritp;
−
Sistema Gerenciador de Banco de Dados PostgreSQL + PostGIS;
74
Figura 9.1. Visualização de mapas temáticos através do protótipo de SIG.
75
Figura 9.2. Visualização de um mapa temático e do resultado de consulta em uma área definida através do
protótipo de SIG.
76
10. Referências bibliográficas
Bastos, C. A. B .1991. Mapeamento e caracterização geomecânica das unidades geotécnicas de solos
oriundos dos granitos, gnaisses e migmatitos de Porto Alegre. Dissertação de Mestrado em
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ecológicos da vegetação campestre do Morro da Polícia, Porto Alegre, RS, Brasil. Acta Botanica
Brasilica 12(1):89-100.
Brack, P.; Rodrigues, R.S.; Sobral, M.; Leite, S.L.C. 1998. Árvores e arbustos na vegetação natural de
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Iheringia, Sér. Bot. 51(11):139-166.
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Mapas (7). Porto Alegre, UFRGS Instituto de Geociências.
10.1. Sítios consultados na Internet
www.dmsolutions.ca
www.maptools.org
www.apache.org
www.php.org
www.postgresql.org
postgis.refractions.org
77
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Diagnóstico Ambiental de Porto Alegre