MÉTODO DE HOLZER PARA VIBRAÇÕES TORCIONAIS Este método apróximado é adequado para vigas com características não uniformes acentuadas, ou sistemas com um número grande de massas concentradas. Substitui-se o sistema contínuo por um sistema discreto O sistema é representado por um conjunto de n massas discretas e rígidas concentradas em n pontos chamados de estações Os segmentos de veio entre as massas discretas assumem-se sem massa e com rigidez uniforme e chama-se de campos A equação do movimento que relaciona força com a deformação (ou deslocamento) é substituida por equações de diferenças finitas correspondentes A solução obtém-se passo a passo MÉTODO DE HOLZER PARA VIBRAÇÕES TORCIONAIS A relação entre o deslocamento angular e o momento torçor é dada por: ∂ θ ( x, t ) M T ( x, t ) = ∂x GJ (x ) (6.1) Por outro lado, deduziu-se anteriormente a equação diferencial que governa as vibrações torcionais livres de vigas: ∂M T ( x, t ) ∂ 2θ ( x, t ) (6.2) = I (x ) 2 ∂x ∂t Como as vibrações livres do movimento síncrono são harmónicas então tem-se que o deslocamento angular e o momento torçor são representados por: θ ( x, t ) = Θ( x ) cos(ωt − φ ) (6.3) M ( x, t ) = M ( x ) cos(ωt − φ ) (6.4) Eliminando a dependência do tempo, pode-se substituir (6.1) e (6.2) por: d Θ( x ) M ( x ) = dx G J (x ) dM ( x ) = −ω 2 I ( x )Θ( x ) dx As equações anteriores são a base do método de diferenças finitas a deduzir (6.5) (6.6) MÉTODO DE HOLZER PARA VIBRAÇÕES TORCIONAIS Represente-se a viga não uniforme da figura por n+1 discos rígidos ligados por veios circulares, sem massa e com rigidez uniforme. Os discos têm momentos polares de inércia dados por: I1 = Ii = 1 I ( x1 )∆x1 2 I n +1 = 1 I ( xn +1 )∆xn 2 1 I ( xi )(∆xi −1 + ∆xi ) ≅ I ( xi )∆xi 2 i = 1,2,..., n (6.7) (6.8) Onde os incrementos ∆xi são suficientemente pequenos para que as aproximações em (6.7) e (6.8) sejam válidas. MÉTODO DE HOLZER PARA VIBRAÇÕES TORCIONAIS Adicionalmente usa-se a notação: 1 GJ i = GJ xi + ∆xi 2 i = 1,2,..., n (6.9) Diagrama de corpo livre da estação i e do campo i o Os índices R e L referem-se respectivamente aos lados direitos e esquerdo da estação o O lado esquerdo do campo i usa a notação correspondente ao lado direito da estação i o O lado direito do campo i usa a notação correspondente ao lado esquerdo da estação i+1 estação campo MÉTODO DE HOLZER PARA VIBRAÇÕES TORCIONAIS Vão ser utilizadas as equações (6.5) e (6.6) para relacionar os deslocamentos angulares e os momentos torçores nos dois lados da estação i e do campo i. Como os discos são rígidos os deslocamentos nos dois lados da estação são iguais: ΘiR = ΘiL = Θi (6.10) Por outro lado a equação (6.6) na forma incremental é: 1 ∆M ( x ) = − ω 2 I ( xi )Θ( xi )(∆xi −1 + ∆xi ) ≅ −ω 2 I ( xi )Θ( xi )∆xi 2 Utilizando (6.7), (6.8) e (6.10), a expressão anterior vem: (6.11) (6.12) M iR = M iL − ω 2 I i ΘiL Como o segmento de veio associado ao campo i não tem massa, tem-se que: M iL+1 = M iR (6.13) A equação (6.5) na forma incremental e quando aplicada ao campo i é: 1 1 ∆Θ xi + ∆xi = M xi + ∆xi 2 2 ∆xi ∆xi 1 ≅ M iL+1 + M iR 1 2 GJ i GJ xi + ∆xi 2 ( ) (6.14) MÉTODO DE HOLZER PARA VIBRAÇÕES TORCIONAIS Utilizando a equação (6.13) a expressão (6.14) reduz-se a: Θ iL+1 = Θ iR + ai M iR onde: ai = ∆xi GJ i (6.15) (6.16) representa o coeficiente de influência da flexibilidade torcional. Pode ser intrepertado como o deslocamento angular do disco i + 1 devido a um momento unitário na estação i + 1, mantendo o disco i sem rotação. As equações (6.10) e (6.12) podem ser representadas na forma matricial: θ iR M iR = 1 − ω 2 Ii 0 θ iL 1 M iL (6.17) e representam o deslocamento e torque no lado direito da estação i em termos de quantidades semelhantes no lado esquerdo. MÉTODO DE HOLZER PARA VIBRAÇÕES TORCIONAIS Definem-se as seguintes quantidades como vectores de estado, que são os deslocamentos angulares e torques nos lados direito e esquerdo da estação i : Θ iR M iR R Θ = M Θ iL M iL i = Θ M L i (6.18) Define-se ainda a matriz de transferência da estação que relaciona os dois vectores de estado (6.16): 1 0 (6.19) [TE ]i = 2 − ω Ii 1 Deste modo a equação (6.17) pode ser escrita numa forma mais compacta: θ M R ≡ [TE ]i i θ M L (6.20) i De forma semelhante as equações (6.13) e (6.15) podem ser representadas por: θ M onde: L i +1 = [TC ]i θ M R (6.21) i MÉTODO DE HOLZER PARA VIBRAÇÕES TORCIONAIS Onde se define a matriz de transferência do campo: [TC ]i = 1 ai 0 1 (6.22) Introduzindo (6.20) em (6.21) obtém-se: L θ M Onde: L θ = [T ]i (6.23) M i +1 i [T ]i = [TC ]i [TE ]i (6.24) Representa a matriz de tranferência que relaciona o vector de estado no lado esquerdo da estação i + 1 com o vector de estado no lado esquerdo da estação i. Pode-se provar que começando com o primeiro disco i = 1, se tem a seguinte relação: Θ M L i +1 = [T ]i [T ]i −1...[T ]2 [T ]1 L Θ M i = 1,2,..., n (6.25) 1 Adicionalmente, observando a última figura apresentada, conclui-se que: Θ M R n +1 Θ = [T ] M L (6.26) 1 MÉTODO DE HOLZER PARA VIBRAÇÕES TORCIONAIS Onde a matriz de transferência global é: [T ] = [TE ]n +1[T ]n [T ]n −1...[T ]2 [T ]1 (6.27) e relaciona o vector de estado no lado esquerdo da estação 1 com o vector de estado no lado direito da estação n + 1. A equação (6.26) escrita na forma explícita é: Θ nR+1 = T11Θ1L + T12 M 1L M nR+1 = T21Θ1L + T22 M 1L (6.28) Onde os elementos Tij (i,j= 1,2) da matriz de transferência global [T] representam polinómios em ω2. A equação do sistema em ordem à frequência obtém-se fazendo um dos elementos desta matriz, ou uma combinação de elementos, igual a zero através das c.f. nos extremos da viga. A - Veio livre nas duas extremidades Como não existem momentos torçores nas extremidades, as condições fronteira são: M 1L = 0 M nR+1 = 0 Introduzindo as c.f. na segunda equação de (6.26) conclui-se que: T21 = 0 (6.29) MÉTODO DE HOLZER PARA VIBRAÇÕES TORCIONAIS B - Veio encastrado numa extremidade e livre na outra Na extremidade esquerda o deslocamento é zero e no lado direito o torque é zero: Θ1L = 0 M nR+1 = 0 (6.30) Neste caso tem-se que substituindo em (6.26) resulta: T22 = 0 C - Veio encastrado nas duas extremidades Neste caso as condições fronteira são: Θ1L = 0 O que resulta em: T12 = 0 Θ nR+1 = 0 (6.31) MÉTODO DE MYKLESTAD PARA VIBRAÇÕES À FLEXÃO (vibrações transversais de vigas) Representa uma extensão do método de Holzer, neste caso para as vibrações transversais de vigas Vibrações torcionais de vigas: Equação diferencial de 2ª ordem Os vectores das estações são 2D, as componentes são o deslocamento angular e o momento torçor Vibrações transversais de vigas: Equação diferencial de 4ª ordem Os vectores das estações são 4D, as componentes são o deslocamento, declive, momento flector e esforço de corte MÉTODO DE MYKLESTAD PARA VIBRAÇÕES FLEXURAIS Assume-se uma viga esbelta, elástica, linear e não uniforme Representa-se a viga por um conjunto de massas concentradas ligadas por vigas sem massa e rigidez à flexão uniforme As massas são as estações As vigas uniformes são os campos MÉTODO DE MYKLESTAD PARA VIBRAÇÕES FLEXURAIS Resumo do Método (a) Representar a viga esbelta e não uniforme por um conjunto de massas concentradas ligadas por segmentos de veio sem massa e com rigidez à flexão uniforme (b) Fazer o d.c.l. da estação i e do campo i para obter uma equação do momento e outra equação da força (c) Campo: representar o deslocamento e a rotação em i+1 em função do deslocamento, rotação, força e momento em i . Oscilações livres – movimento harmónico d) Deduzir a matriz de transferência da estação i : passar w, Ψ , M , Q do lado esquerdo para o lado direito da estação i e) Deduzir a matriz de transferência do campo i : passar w, Ψ , M , Q do lado esquerdo para o lado direito do campo i f) Deduzir uma matriz geral que relaciona w, Ψ , M , Q no lado direito da viga com as mesmas quantidades no lado esquerdo g) Especificar as condições fronteira para obter a equação da frequência a partir da equação que relaciona os v nR e v 0L MÉTODO DE MYKLESTAD PARA VIBRAÇÕES FLEXURAIS (b) Fazer o d.c.l. da estação i e do campo i para obter uma equação do momento e outra equação da força Diagrama de corpo livre da estação i e do campo i sujeitos a flexão (a) estação i (b) campo i MÉTODO DE MYKLESTAD PARA VIBRAÇÕES FLEXURAIS Da figura (a) e por haver continuidade tem-se: wiR (t ) = wiL (t ) = wi (t ) , ΨiR (t ) = ΨiL (t ) = Ψi (t ) (6.32) Onde Ψi representa o declive (tangente à curva de defleção) Para vigas esbeltas despreza-se a inércia à rotação, logo o equilibrio de momentos para a estação i é: M iR (t ) = M iL (t ) (6.33) O equilibrio de forças para a estação i é: QiR (t ) − QiL (t ) = mi wi (t ) (6.34) (c) Campo: representar o deslocamento e a rotação em i+1 em função do deslocamento, rotação, força e momento em i . Interessa definir of coeficientes de influência de flexibilidade da estação i (assumida como restringida nos movimentos): QiL+1 = 1 aiwQ é a translação em i+1 devido a uma força unitária em i+1, aiwM é a translação em i+1 devido a um momento unitário em i+1, M iL+1 = 1 aiΨQ é a rotação em i+1 devido a uma força unitária em i+1, QiL+1 = 1 aiΨM é a rotação em i+1 devido a um momento unitário em i+1, M iL+1 = 1 MÉTODO DE MYKLESTAD PARA VIBRAÇÕES FLEXURAIS Então da figura (b) obtém-se: wiL+1 (t ) = wiR (t ) + ∆xi ΨiR (t ) + aiwM M iL+1 (t ) + aiwQ QiL+1 (t ) (6.35a) ΨiL+1 (t ) = ΨiR (t ) + aiwM M iL+1 (t ) + aiwQ QiL+1 (t ) (6.35b) Adicionalmente como as os segmentos de veio não têm massa, da fig (b) tem-se: M iL+1 (t ) = M iR (t ) − ∆xi QiR (t ) (6.36a) QiL+1 (t ) = QiR (t ) (6.36b) Introduzindo as equações (6.36) em (6.35) obtém-se: ( ) (6.37a) ΨiL+1 (t ) = ΨiR (t ) + aiΨM M iR (t ) + aiΨQ − ∆xi aiΨM QiR (t ) (6.37b) wiL+1 (t ) = wiR (t ) + ∆xi ΨiR (t ) + aiwM M iR (t ) + aiwQ − ∆xi aiwM QiR (t ) ( ) (d) Deduzir a matriz de transferência da estação i : passar w, Ψ , M , Q do lado esquerdo para o lado direito da estação i Vai-se analisar as oscilações livres sem amortecimento, logo as vibrações são harmónicas e deste modo pode-se eliminar a dependência do tempo das eqs anteriores Define-se os vectores da estação i como: [ v iR = wiR ψ iR M iR QiR ] T e [ viL = wiL ψ iL M iL QiL ] T (6.38) onde as várias componentes representam constantes pois a dependência do tempo foi eliminada Deste modo as equações (6.32) a (6.34) podem ser escritas na seguinte forma: v iR = TSi v iL (6.39) Onde Tsi é a matriz de transferência que permite representar o deslocamento no lado direito da estação i em função do deslocamento no lado esquerdo: MÉTODO DE MYKLESTAD PARA VIBRAÇÕES FLEXURAIS Onde Tsi é a matriz de transferência que permite representar o deslocamento no lado direito da estação i em função do deslocamento no lado esquerdo. TSi = 1 0 0 0 0 1 0 0 0 0 1 0 − ω 2 mi 0 0 1 (6.39) MÉTODO DE MYKLESTAD PARA VIBRAÇÕES FLEXURAIS (e) Deduzir a matriz de transferência do campo i : passar w, Ψ , M , Q do lado esquerdo para o lado direito do campo i Utilizando as eqs (6.36) e (6.37) deduz-se a operação de transferência do campo i: v iL+1 = TFi v iR TFi = ai ∆xi / 2 − ai (∆xi ) / 6 − ai ∆xi / 2 ai 2 1 ∆xi 0 1 0 0 (6.40) 0 0 (6.41) − ∆xi 1 1 0 Onde os coeficientes de influência são: 3 2 ( ) ( ) x a x ∆ ∆ i a wQ = = i i i aiΨQ = 3EI i 3 (∆xi ) 2 2 EI i = ai ∆xi , 2 , aiwM aiΨM = 2 ( ∆xi ) = 2 EI i ∆x = ai EI i = ai ∆xi , 2 (6.42) MÉTODO DE MYKLESTAD PARA VIBRAÇÕES FLEXURAIS (f) Deduzir uma matriz geral que relaciona w, Ψ , M , Q no lado direito da viga com as mesmas quantidades no lado esquerdo R L Ou seja, deduzir uma matriz de transferência que relaciona Vn com V0 : v nR = Tv 0L (6.43) Combinando (6.39) e (6.40) representa-se v no lado esquerdo do campo i+1 em função de v no lado esquerdo de i: v = TSi v R i L i (6.39) v iL+1 = TFi v iR v iL+1 = TFiTSi v iL = Ti v iL (6.40) (6.44) Prova-se que a transferência do lado esquerdo da 1ª estação para o lado esquerdo da estação n é: Onde: v nL = Tn −1Tn − 2 ...T2T1v1L (6.45a) Ti = TFiTSi (6.45b) Para transferir v para o lado direito da estação n usa-se TSn: MÉTODO DE MYKLESTAD PARA VIBRAÇÕES FLEXURAIS Para transferir v para o lado direito da estação n usa-se TSn: v nR = TSnTn −1Tn − 2 ...T2T1v1L (6.46) E a matriz de transferência que passa o vector v do lado esquerdo da estação 1 para o lado direito da estação n é: T = TSnTn −1Tn − 2 ...T2T1 (6.47) MÉTODO DE MYKLESTAD PARA VIBRAÇÕES FLEXURAIS (g) Especificar as condições fronteira para obter a equação da frequência a partir da equação que relaciona os v nR e v 0L Exemplo: viga encastrada numa extremidade e livre na outra As cond fronteira são: w0 = 0 , ψ 0 = 0, M nR = 0 , QnR = 0 Substituindo as c.f. na equação (6.43) resulta: wnR ΨnR 0 0 T11 T12 T13 T14 0 T T T23 T24 0 = 21 22 T31 T32 T33 T34 M 0 (6.48) T41 T42 T43 T44 Q0 Para satisfazer as duas últimas equações deve-se verificar a seguinte condição: ( ) ( ) T33 ω 2 det T43 ω 2 ( ) ( ) T34 ω 2 T44 ω 2 =0 (6.49) Equação das frequências A solução dá os valores próprios, ω12 , ω 22 ,..., ω n2