Instituto Politécnico de Coimbra Instituto Superior de Engenharia de Coimbra Departamento de Engenharia Eletrotécnica Caracterização dos Arranques da Central Termoelétrica de Lares Rodolfo Manuel Conceição Pereira Relatório de Estágio para obtenção do Grau de Mestre em Automação e Comunicações em Sistemas de Energia Coimbra Dezembro 2012 Instituto Politécnico de Coimbra Instituto Superior de Engenharia de Coimbra Departamento de Engenharia Eletrotécnica Caracterização dos Arranques da Central Termoelétrica de Lares Orientadores: Professor Adelino Pereira, ISEC Professora Rita Pereira, ISEC Supervisores: Eng.º António Oliveira, EDP Eng.º Bruno Tereso, EDP Rodolfo Manuel Conceição Pereira Relatório de Estágio para obtenção do Grau de Mestre em Automação e Comunicações em Sistemas de Energia Coimbra Dezembro 2012 Agradecimentos Um agradecimento particular à minha família pelo apoio prestado ao longo da minha vida e, essencialmente, nesta fase. De igual modo, agradeço às pessoas que me ajudaram na elaboração deste relatório e que me acompanharam ao longo destes últimos tempos apoiandome nos momentos mais difíceis. O meu agradecimento aos meus supervisores de estágio na Central Termoelétrica de Lares, Eng.º António Oliveira e Eng.º Bruno Tereso, pelos documentos facultados e pelos esclarecimentos prestados às questões mais pertinentes colocadas no decorrer do estágio. Agradeço aos meus orientadores de estágio, Eng.º Adelino Pereira e Eng.ª Rita Pereira por me terem proporcionado este estágio num centro electroprodutor do grupo Energias de Portugal (EDP) e pelas sucessivas orientações e revisões ao longo do progresso do meu relatório. O meu agradecimento aos colaboradores da Central de Ciclo Combinado de Lares pelo bom acolhimento e pela disponibilidade demonstrada na partilha de informação que enriqueceu a minha aprendizagem e possibilitou o esclarecimento das minhas dúvidas que surgiram no decorrer do estágio. i Resumo A energia elétrica detém, atualmente, uma importância extrema para a sociedade, uma vez que representa uma necessidade imprescindível para o bem-estar comum das pessoas e para o desenvolvimento socioeconómico de um país. A energia elétrica é produzida em centros electroprodutores específicos que garantem a sua produção em função do seu consumo. No presente relatório, é efetuada uma abordagem ao conceito de energia e aos vários tipos de centrais elétricas existentes. No caso específico das centrais termoelétricas é feita uma introdução aos ciclos termodinâmicos que as caraterizam. Devido à complexidade do processo de conversão de energia em centrais termoelétricas de ciclo combinado é efetuada uma apresentação descritiva dos principais sistemas e equipamentos existentes na Central Termoelétrica de Lares afetos à produção de energia elétrica. Faz-se igualmente referência à estrutura organizacional deste centro electroprodutor e às políticas energéticas do grupo EDP. Numa fase inicial do estágio foi possível acompanhar as tarefas efetuadas pelos colaboradores da Central Termoelétrica de Lares no âmbito de manutenção preventiva e corretiva, sendo que algumas se encontram descritas no presente relatório. Com o decorrer do estágio, foram propostos temas e tarefas a desenvolver, tais como, o estudo da caracterização dos arranques efetuados na Central Termoelétrica de Ciclo Combinado de Lares, o estudo das proteções existentes nos transformadores de potência e o desenvolvimento de um programa suscetível de monitorizar os tempos de arranque de uns motores de corrente contínua com recurso a um autómato da Siemens. Este estágio, ao ser realizado num dos centros electroprodutores do grupo EDP, permitiu a minha integração num contexto real de trabalho e possibilitou o aprofundamento e consolidação dos conhecimentos adquiridos em contexto académico. Palavras-chave: Central termoelétrica, Central de ciclo combinado, Caracterização de arranques, Turbina a gás, Turbina a vapor, Produção energia elétrica. iii Abstract At present, electric power is of utmost importance to society, since it represents an essential requirement for the common well-being of populations and the socioeconomic development of countries. Electric power is generated in specific electricity generating power stations that guarantee its generation in accordance with its consumption. In this report, an approach is made to the concept of energy and the various types of existing electric power stations. In the specific case of thermoelectric power stations, an introduction is made to the thermodynamic cycles that characterize them. Due to the complexity of the process of generation of electric power in combined cycle power stations, this report describes the main existing systems and equipment at the Lares Thermoelectric Power Station linked to the generation of electric power. Reference is also made to the organizational structure of this electricity generating power station and the energy policies of the EDP group. In an early stage of the internship, I was able to follow the tasks performed by the staff members of the Power Station within the framework of preventive and corrective maintenance, and some of these tasks are described in the present report. As the internship progressed, several themes and tasks were proposed to be developed, such as, the study of the characterization of the startups that took place at the Lares Combined Cycle Thermoelectric Power Station, the study of the existing protections in the power transformers and the development of a software capable of monitoring the startup times of some DC motors, with use of a Siemens automaton. This internship, taking place at one of the electricity generating power stations of the EDP group, allowed for my integration in a real work context, as well as for the development and consolidation of the knowledge acquired in an academic context. Keywords: Thermoelectric power station, Combined cycle power station, Characterization of startups, Gas turbine, Steam turbine, Electric power generation. v Índice Agradecimentos ......................................................................................................................... i Resumo ..................................................................................................................................... iii Abstrat ....................................................................................................................................... v Índice ....................................................................................................................................... vii Índice de Figuras ..................................................................................................................... ix Índice de Quadros .................................................................................................................. xii Simbologia e Abreviaturas ................................................................................................... xiii Lista de Abreviaturas ...........................................................................................................xiii Unidades .............................................................................................................................. xiv Capítulo 1 – Introdução ........................................................................................................... 1 1.1 – Enquadramento .............................................................................................................. 1 1.2 – Objetivo do Estágio........................................................................................................ 2 1.3 – Estrutura do Relatório .................................................................................................... 3 Capítulo 2 – Produção de Energia Elétrica............................................................................ 5 2.1 – Considerações de Energia .............................................................................................. 5 2.1.1 – Definição de Energia Potencial ............................................................................. 5 2.1.2 – Definição de Energia Cinética .............................................................................. 5 2.1.3 – Princípio da Conservação da Energia ................................................................... 6 2.2 – Tipos de Centrais Elétricas ............................................................................................ 7 2.3 – Diferença entre Centrais Térmicas Clássicas e de Ciclo Combinado ............................ 9 2.4 – Princípios Termodinâmicos ......................................................................................... 10 2.4.1 – Descrição do Ciclo de Rankine ........................................................................... 11 2.4.2 – Descrição do Ciclo de Brayton ........................................................................... 12 2.4.3 – Termodinâmica em Centrais de Ciclo Combinado ............................................. 13 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares ........................................ 15 3.1 – Organização das Pessoas.............................................................................................. 16 3.2 – Política Energética ....................................................................................................... 17 3.3 – Descrição da Central Termoelétrica de Lares .............................................................. 17 3.4 – Descrição dos Sistemas da Central .............................................................................. 19 3.4.1 – Sistema de Queima e Produção de Vapor ........................................................... 19 3.4.2 – Caldeira Recuperativa ......................................................................................... 21 3.4.3 – Caldeira Auxiliar ................................................................................................. 23 3.4.5 – Condensador........................................................................................................ 24 3.4.6 – ITA - Instalações de Tratamento de Águas ......................................................... 27 3.4.7 – Sistema de Combate a Incêndios......................................................................... 28 3.4.8 – Sistema de Ar Comprimido................................................................................. 29 3.4.9 – Abastecimento de Gás ......................................................................................... 30 3.4.10 – Performance Heater........................................................................................... 30 3.4.11 – Sala de Comando............................................................................................... 32 3.4.12 – Sistema de Conversão de Energia ..................................................................... 33 3.4.13 – LCI – Load Commutated Inverter ..................................................................... 44 vii 3.4.14 – Disjuntor de Grupo ............................................................................................45 3.4.15 – Transformadores ................................................................................................46 3.4.16 – Parque de Linhas ...............................................................................................49 3.4.17 – Esquema Elétrico Unifilar da Central ................................................................50 3.4.18 – Sistemas de Emergência de Energia Elétrica ....................................................51 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas ............................................................................................53 4.1 – Programação de um Autómato da Siemens ................................................................. 53 4.2 – Estudo das Proteções dos Transformadores ................................................................ 59 4.3 – Reparação de uma Gaveta de Comando ...................................................................... 67 4.4 – Teste a um Transformador de Corrente ....................................................................... 71 4.5 – Barramento de Média Tensão...................................................................................... 75 4.6 – Sobreaquecedor Elétrico.............................................................................................. 81 4.7 – Teste às Escovas de Terra do Alternador .................................................................... 84 4.8 – Substituição dos Filtros de Sílicas do Analisador de Hidrogénio ............................... 90 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica..............................................................93 5.1 – Influência do Mercado Energético nos Arranques ...................................................... 93 5.2 – Caracterização dos Arranques ..................................................................................... 97 5.2.1 – Procedimento de Caracterização dos Arranques .................................................98 5.2.2 – Considerações Sobre as Curvas Características ................................................100 5.2.3 – Descrição da Caracterização dos Arranques Através do PI ..............................101 5.2.4 – Descrição da Caracterização dos Arranques Através do PI ProcessBook.........104 5.3 – Estudo Prático da Caracterização dos Arranques ...................................................... 106 5.3.1 – Metodologia de Cálculo.....................................................................................107 5.3.2 – Informações Sobre a Curva de Potência ............................................................108 5.3.3 – Caracterização dos Arranques a Quente ............................................................109 5.3.4 – Caracterização dos Arranques a Morno.............................................................111 5.3.5 – Caracterização dos Arranques a Frio .................................................................115 5.3.6 – Comparação das Curvas Características com as Curvas de Referência ............119 5.4 – Conclusão do Estudo Prático dos Arranques ............................................................ 122 Capítulo 6 – Conclusão .........................................................................................................125 Capitulo 7 – Bibliografia ......................................................................................................127 Anexo A ..................................................................................................................................129 Anexo B ..................................................................................................................................133 Anexo C ..................................................................................................................................139 Anexo D ..................................................................................................................................143 Anexo E ..................................................................................................................................155 Anexo F ..................................................................................................................................159 Anexo G .................................................................................................................................165 Anexo H .................................................................................................................................169 Anexo I ...................................................................................................................................173 Anexo J ...................................................................................................................................177 Anexo K .................................................................................................................................191 viii Índice de Figuras Fig. 1.1 – Evolução do consumo elétrico em TWh .................................................................... 1 Fig. 2.1 – Barragem da Aguieira; Parque eólico do Cadafaz………………………………………….7 Fig. 2.2 – Central de Setúbal - Fuelóleo; Central de Sines - Carvão; Central do Ribatejo - CCTG . 8 Fig. 2.3 – Ciclo de transformação da água vapor ..................................................................... 11 Fig. 2.4 – Diagrama T-S ideal do ciclo Rankine com um nível de reaquecimento .................. 11 Fig. 2.5 – Processos de transformação numa TG ..................................................................... 12 Fig. 2.6 – Diagrama T-S ideal do ciclo de Brayton .................................................................. 12 Fig. 2.7 – Ciclos termodinâmicos em condições ideias de uma central de ciclo combinado com três níveis de reaquecimento de vapor ............................................................ 13 Fig. 2.8 – Esquema descritivo do funcionamento de uma Central de Ciclo Combinado ......... 13 Fig. 3.1 – Localização da Central de Ciclo Combinado de Lares………………….……………….15 Fig. 3.2 – Modelo organizacional da Central Termoelétrica de Lares ..................................... 15 Fig. 3.3 – Disposição geral da Central Termoelétrica de Lares ............................................... 18 Fig. 3.4 – Tomada de ar, vista exterior; Filtros cilíndricos no interior da tomada de ar .......... 19 Fig. 3.5 – Mímico de monitorização do cone de exaustão TG; Cone de exaustão TG ............ 20 Fig. 3.6 – Queimador da TG ..................................................................................................... 20 Fig. 3.7 – Visão geral da caldeira recuperativa ........................................................................ 21 Fig. 3.8 – Tubulares com alhetas; Tubulares com discos ......................................................... 21 Fig. 3.9 – Interior do barrilete de alta pressão; Barrilete de alta e baixa pressão; Bomba de abastecimento do barrilete AP ................................................................................. 22 Fig. 3.10 – Mímico de monitorização e controlo dos barriletes ............................................... 22 Fig. 3.11 – Visão geral da caldeira auxiliar .............................................................................. 23 Fig. 3.12 – Queimadores da caldeira auxiliar ........................................................................... 23 Fig. 3.13 – Percurso dos gases de exaustão ; Tubulares de circulação dos gases de escape .... 24 Fig. 3.14 – Sobreaquecedor eléctrico ....................................................................................... 24 Fig. 3.15 – Condensador; Cone de exaustão da TV de baixa pressão ...................................... 24 Fig. 3.16 – Interior do condensador; Tubular da água de refrigeração .................................... 25 Fig. 3.17 – Torre de refrigeração. Vista geral; Vista ao nível dos ventiladores; Ventilador .... 25 Fig. 3.18 – Filtros de areia ou monopack; Bacia de água filtrada ............................................ 26 Fig. 3.19 – Bacia de captação do rio; Chegada aos filtros de areia; Visão geral dos filtros de areia ..... 26 Fig 3.20 – Misturador estático .................................................................................................. 27 Fig. 3.21 – Visão geral da ITA; Cadeias de produção; Desgaseificador .................................. 28 Fig. 3.22 – Sistema de combate a incêndios ............................................................................. 29 Fig. 3.23 – Sistema de ar comprimido Compressor; Secadores; Armazenamento................... 29 Fig. 3.24 – Posto de chegada do gás; Interior do posto de chegada do gás .............................. 30 Fig. 3.25 – Visão geral do Performance Heater....................................................................... 30 Fig. 3.26 – Mímico do sistema de tratamento de gás; Mímico de controlo e monitorização de gás ..... 31 Fig. 3.27 – Filtro coalescentes; Tanque de drenagem; Purificador e aquecedor de gás ........... 31 Fig. 3.28 – Sala de comando..................................................................................................... 32 Fig. 3.29 – Esquema geral do processo de produção de energia elétrica em Centrais de Ciclo Combinado...........………………………………………………………………………33 Fig. 3.30 – Balanço energético da Central de Ciclo Combinado de Lares ............................... 33 Fig. 3.31 – Corte longitudinal de uma turbina a gás................................................................. 34 Fig. 3.32– Representação simplificada de uma turbina a gás ................................................... 34 Fig. 3.33 – Compressor radial; Compressor axial .................................................................... 35 Fig. 3.34 – Câmara de combustão ............................................................................................ 35 ix Fig. 3.35 – Esquema de uma câmara de combustão ................................................................ 35 Fig. 3.36 – Identificação dos principais sistemas de uma TG.................................................. 36 Fig. 3.37 – Pás móveis da TG; Pás fixas da TG....................................................................... 36 Fig. 3.38 – Turbina a vapor (vista de cima) ............................................................................. 37 Fig. 3.39 – Unidade de Pressão Hidráulica; Válvula hidráulica AP, Vista inferior e superior.37 Fig. 3.40 – Turbina de impulsão; Turbina de reação ............................................................... 38 Fig. 3.41 – Pás móveis da turbina AP; Pás fixas da turbina AP; Pás móveis turbina BP e MP..... 38 Fig. 3.42 – Sentido do fluxo de vapor ...................................................................................... 39 Fig. 3.43 – Diafragmas ente estágios da turbina a vapor alta pressão ..................................... 39 Fig. 3.44 – Anéis de vedação da turbina AP; Labirintos; Labirinto em relação ao eixo ......... 39 Fig. 3.45 – Chumaceira. Parte superior; Parte inferior ............................................................ 40 Fig. 3.46 – Vista geral do alternador........................................................................................ 40 Fig. 3.47 – Esquema de um alternador simplificado; Onda de tensão alternada monofásica. . 41 Fig. 3.48 – Alternador lado TG; Carro telcomandado; Ligação do alternador ao barramento 41 Fig. 3.49 – Ventilador para promover a ventilação forçada do hidrogénio. ............................ 42 Fig. 3.50 – Sistema de selagem ................................................................................................ 42 Fig. 3.51 – Anéis de selagem ................................................................................................... 43 Fig. 3.52 – Sistema de escovas de excitação (A); Suporte das escovas ................................... 43 Fig. 3.53 – Evolução da potência ativa produzida ................................................................... 44 Fig. 3.54 – Diagrama simplificado do sistema LCI ................................................................. 44 Fig. 3.55 – Módulos do LCI; Sistema de refrigeração ............................................................. 45 Fig. 3.56 – Visão geral do disjuntor de grupo; Painel de monitorização do disjuntor. ............ 45 Fig. 3.57 – Transformador auxiliar e principal de grupo ......................................................... 46 Fig. 3.58 – Descrição geral do transformador principal .......................................................... 47 Fig. 3.59 – Resistência do neutro. ............................................................................................ 47 Fig. 3.60 – Sistema de arrefecimento do óleo transformador principal. .................................. 48 Fig. 3.61 – Filtro de Sílica; Instrução para substituir as sílicas ............................................... 48 Fig. 3.62 – Visão geral do parque de linhas (Subestação); Quadro disjuntor. ......................... 49 Fig. 3.63 – Vista geral dos equipamentos de medida, proteção e das baterias de emergência. 49 Fig. 3.64 – Esquema elétrico simplificado da Central Termoelétrica de Lares ....................... 50 Fig. 3.65 – Quadros de média tensão; Quadros de baixa tensão .............................................. 50 Fig. 3.66 – Edifício elétrico de serviços comuns e auxiliares da Central Termoelétrica. ........ 51 Fig. 3.67 – Sistema de emergência. Banco de baterias; Gerador de emergência..................... 51 Fig. 4.1 – Placa de montagem do autómato LOGO! 24RC……………...………………………..54 Fig. 4.2 – Esquema de montagem das entradas/saídas do autómato e montagem de bancada. ......54 Fig. 4.3 – Verificação dos tempos indicados pelo LOGO! através de um osciloscópio. ......... 55 Fig. 4.4 – Verificação do tempo de saída da resistência R1 (IA). ........................................... 55 Fig. 4.5 – Verificação do tempo de saída da resistência R2 (IAx). ......................................... 55 Fig. 4.6 – Sequência e tempo de arranque do motor DC. ....................................................... 56 Fig. 4.7 – Diagrama de funcionamento do programa de monitorização .................................. 56 Fig. 4.8 – Diagrama temporal de transição de pulso. ............................................................... 58 Fig. 4.9 – Teclas de transição entre mensagens. ...................................................................... 58 Fig. 4.10 – Parte frontal da gaveta; Retaguarda da gaveta. ...................................................... 67 Fig. 4.11 – Esquema simplificado de um contator electromagnético ...................................... 68 Fig. 4.12 – Campo magnético (H) gerado por uma bobine...................................................... 68 Fig. 4.13 – Diagrama esquemático do contator ....................................................................... 68 Fig. 4.14 – Força de atração em funçao da corrente que percorre a espira. ............................. 69 x Fig. 4.15 – Diagrama esquemático do contator AC com detalhe do anel de cobre .................. 70 Fig. 4.16 – Estado do contator avariado. .................................................................................. 70 Fig. 4.17 – Lei de Ampere - Regra da mão direita. .................................................................. 71 Fig. 4.18 – Esquema de montagem do amperímetro. ............................................................... 72 Fig. 4.19 – Disposição do TI para efetuar o ensaio .................................................................. 73 Fig. 4.20 – Esquema geral do ensaio. ....................................................................................... 73 Fig. 4.21 – Ligações do TI após efetuar a intervenção. ............................................................ 74 Fig. 4.22 – Quadros alimentados pelo barramento 11BBA11 de 6,6 kV ................................. 75 Fig. 4.23 – Cela de medida do 11BBA11; Interior da cela de medida. .................................... 76 Fig. 4.24 – Esquema unifilar da cela de medida do 11BBA11. ............................................... 76 Fig. 4.25 – Esquema unifilar do barramento 230 V da cela da bomba LAC10. ...................... 78 Fig. 4.26 – Disjuntores da cela da bomba LAC10; Barramento de comando, serviços auxiliares e medida. ............................................................................................ 79 Fig. 4.27 – Disposição dos barramentos. .................................................................................. 80 Fig. 4.28 – Esquema unifilar dos barramentos de média e baixa tensão do grupo I ................ 80 Fig. 4.29 – Comparação de corrente de fuga ............................................................................ 81 Fig. 4.30 – Desmontagem do sobreaquecedor elétrico no local. .............................................. 82 Fig. 4.31 – Dedo de luva (bainha de proteção da sonda de temperatura)................................. 82 Fig. 4.32 – Remoção do bloco de resistências. ......................................................................... 82 Fig. 4.33 – Resistências de aquecimento do vapor. .................................................................. 83 Fig. 4.34 – Quadro de comando; Módulo de tiristores removidos. .......................................... 83 Fig. 4.35 – Eixo do lado da turbina a vapor. ............................................................................ 84 Fig. 4.36 – Escovas de terra lado TG e lado TV. ..................................................................... 84 Fig. 4.37 – Sistema de terra; Esquema de ligação das escovas. ............................................... 85 Fig. 4.38 – Proteção do eixo lado TG; Suporte das escovas de terra. ...................................... 86 Fig. 4.39 – Escovas lado turbina a vapor. ................................................................................. 87 Fig. 4.40 – Micro-ohmímetro (Chauvin Arnoux CA6240); Valor da resistência em mΩ ....... 87 Fig. 4.41 – Interior do armário de controlo da TG; Carta de monitorização de correntes parasitas ...... 88 Fig. 4.42 – Bancada de teste e equipamentos. .......................................................................... 88 Fig. 4.43 – Mímico de monitorização das tensões/correntes parasitas no eixo. ....................... 89 Fig. 4.44 – Analisador de hidrogénio. ...................................................................................... 90 Fig. 4.45 – Colunas de sílicas; Indicador do estado da coluna de sílica................................... 91 Fig. 4.46 – Esquema de válvulas do analisador de H2 e indicação das válvulas a fechar ...................... 91 Fig. 4.47 – Desmontagem dos filtros de H2 .............................................................................. 92 Fig. 4.48 – Compartimento de sílicas substituídos. .................................................................. 92 Fig. 5.1 – Exemplificação do encontro entre oferta e procura de energia elétrica no mercado diário 94 Fig. 5.2 – Equilíbrio do SEE. ..................................................................................................... 95 Fig. 5.3 – Folha de cálculo considerada na caraterização dos arranques. ..................................... 98 Fig. 5.4 – Seleção da localização das células de data-hora, intervalo de tempo e variável a estudar. ... 99 Fig. 5.5 – Curva de potência do arranque de 98 horas considerado para exemplo. ............... 101 Fig. 5.6 – Coluna Rampa do quadro 5.4. ................................................................................ 102 Fig. 5.7 – Curva de potência em oscilação de carga (A); Curva de potência otimizada (B). . 103 Fig. 5.8 – Análise de um arranque através do PI ProcessBoock (método gráfico) ................ 104 Fig. 5.9 – Iniciação o PI ProcessBook. Criar novo projecto (A); Seleção das variáveis (B). 105 Fig. 5.10 – Janela de seleção das variáveis; Seleção de tempo e amostragem da velocidade do rotor. .................................................................................................................... 105 Fig. 5.11 – Exemplo ilustrativo de uma curva características ................................................ 108 Fig. 5.12 – Curva característica de arranque a quente. ........................................................... 110 xi Fig. 5.13 – Curva característica de arranque a morno com temperatura do metal da TV AP superior a 400 ºC. ............................................................................................... 112 Fig. 5.14 – Curva característica de arranque a morno com temperatura do metal da TV AP inferior a 400 ºC. ................................................................................................ 114 Fig. 5.15 – Curva característica de arranque a frio com temperatura do metal da TV AP superior a 204 ºC. .............................................................................................. 116 Fig. 5.16 – Curva característica de arranque a frio com temperatura do metal da TV AP inferior a 204 ºC. ............................................................................................... 118 Fig. 5.17 – Curva característica a quente resultante do estudo prático. ................................. 119 Fig. 5.18 – Curva de referência da General Electric dos arranques a quente. ....................... 119 Fig. 5.19 – Curva característica a morno resultante do estudo com temperatura do metal da TV AP superior a 400 ºC. ................................................................................... 120 Fig. 5.20 – Curva característica a morno resultante do estudo com temperatura do metal da TV AP inferior a 400 ºC..................................................................................... 120 Fig. 5.21 – Curva de referência da General Electric dos arranques a morno......................... 120 Fig. 5.22 – Curva característica a frio resultante do estudo com temperatura do metal da TV AP superior a 204 ºC. .......................................................................................... 121 Fig. 5.23 – Curva característica a frio resultante do estudo com temperatura do metal da TV AP inferior 204 ºC............................................................................................... 121 Fig. 5.24 – Curva de referência da General Electric dos arranques a frio ............................. 121 Índice de Quadros Quadro 3.1 – Caudal nominal de vapor em função do nível de pressão. ................................. 37 Quadro 3.2 – Característica do alternador. .............................................................................. 40 Quadro 5.1 – Classificação dos arranques da Central de Ciclo Combinado de Lares ………..97 Quadro 5.2 – Quadro com indicação das variáveis consideradas. ........................................... 99 Quadro 5.3 – Tabela resumida do arranque. .......................................................................... 101 Quadro 5.4 – Tabela de caracterização do arranque. ............................................................. 101 Quadro 5.5 – Legenda das cores do PI ProcessBook. ............................................................ 104 Quadro 5.6 – Classificação dos arranques para efeitos de estudo das curvas características. 106 Quadro 5.7 – Resumo dos arranques a quente. ...................................................................... 109 Quadro 5.8 – Energia média produzida na sequência de arranque a quente.......................... 110 Quadro 5.9 – Resumo dos arranques a morno com temperatura do metal da TV AP superior a 400 ºC. ............................................................................................................. 111 Quadro 5.10 – Energia média produzida no arranque a morno. Temperatura do metal da TV superior a 400 ºC. .......................................................................................... 112 Quadro 5.11 – Resumo dos arranques a morno com temperatura do metal da TV AP inferior a 400 ºC ......................................................................................... 113 Quadro 5.12 – Energia média produzida no arranque a morno. Temperatura do metal da TV AP inferior a 400 ºC. ....................................................................... 114 Quadro 5.13 – Resumo dos arranques a frio com temperatura do metal da TV AP superior a 204 ºC. ....................................................................................... 115 Quadro 5.14 – Energia média produzida no arranque a frio. Temperatura do metal da TV superior 204 ºC. .................................................................................... 116 Quadro 5.15 – Resumo dos arranques a frio com temperatura do metal da TV inferior a 204 ºC 117 Quadro 5.16 – Energia média produzida no arranque a frio com a temperatura do metal inferior a 204 ºC. .......................................................................................... 118 xii Simbologia e Abreviaturas Lista de Abreviaturas AC ANSI AP (HP) AT BAC 11BBA11 BOP BP (LP) BT CCTG CO2 DC DCS DLN ETEL FSNL GE GN H2 HMI HPU HRSG I ID ITA KKS LAC 10 LCI Mn MP MT NOx P PCH Pmec PRE R REN RSU SEE Seg Temp TG TI TT TV Corrente Alternada American Nacional Standart Institute Alta Pressão (High Pressure) Alta Tensão Nome de KKS do Disjuntor de Grupo KKS do barramento de média tensão do grupo I Balance Of Plant Baixa pressão (Low Pressure) Baixa tensão Central de Ciclo Combinado com uma Turbina a Gás Dióxido de carbono Corrente Contínua Distibut Control System (Sala de comando) Dry Low NOx (Queimador com baixo teor de NOx) Estação de Tratamento de Efluentes Líquidos Full Speed no Load (Velocidade máxima sem carga) General Electric Gás natural Hidrogénio Human Machine Interface Hidraulic Power Unit (Unidade de pressão hidráulica) Nome de KKS da caldeira recuperativa Corrente elétrica ou Intensidade em Amperes Instrução de despacho Instalação de Tratamento da Água Sistema de identificação de equipamentos para centrais elétricas KKS de um motor de média tensão Load commuted Inverter Minuto Média Pressão (Medium Pressure) Média Tensão Óxidos de azoto Potência ativa [W] Pequenas Centrais Hídricas Potência mecânica Produção em Regime Especial Resistência [Ω] Redes Energéticas Nacionais Resíduos Sólidos Urbanos Sistema de Energia Elétrica Segundo Temperatura em graus Celsius Turbina a Gás Transformador de Corrente Transformador de Tensão Turbina a Vapor xiii Unidades µ µS A Cal/g cc/min cm Hz J kg kg/h kg/s kV m mbar ms m/s m/s2 m3/s MW MWh MΩ Nm3 RPM S t/h TWh V W xiv micro (10-6) microSiemens Ampere Caloria/grama Centímetro cúbico por minuto Centímetro Hertz Joule Quilograma Quilograma hora Quilograma segundo Kilovolts metro Milibar Milissegundo Metro por segundo Metro por segundo ao quadrado Metro cúbico por segundo Mega Watt MWh – Mega Watt-hora Mega-ohm (106) Normais metros cúbicos Rotações Por Minuto Siemens [Ω-1] Tonelada por hora Terra Watt-hora Tensão elétrica Potência (Watt) Capítulo 1 – Introdução Capítulo 1 – Introdução 1.1 – Enquadramento A energia elétrica representa, atualmente, um bem essencial e indispensável para o bemestar da população, uma vez que esta se apresenta como uma das fontes mais recorrentes de energia. A figura 1.1 ilustra a evolução do seu consumo entre 2001 e 2010 em função da fonte primária de energia usada na sua produção. Saldo Importado Hídrica Fuelóleo Gás Natural Carvão PRE Eólica PRE Outros Consumo Fig. 1.1 – Evolução do consumo elétrico em TWh [1]. A energia elétrica é produzida em centrais electroprodutoras e é posteriormente distribuída até ao consumidor final. Em Portugal, a energia elétrica é transportada e distribuída, geralmente, através de linhas aéreas caracterizadas pelos níveis de tensão, sendo estas as linhas de Muito Alta Tensão (MAT) (400 kV, 220 kV, 150 kV), Alta Tensão (AT) (100 kV, 60 kV), Média Tensão (MT) (30 kV, 15kV, 6 kV) e Baixa Tensão (BT) (400 V/230 V). As linhas MAT estão associadas ao transporte, sendo as linhas AT, MT e BT associadas a distribuição. As centrais electroprodutoras diferenciam-se pela energia primária que utilizam na produção de energia elétrica. A evolução tecnológica proporcionou, ao longo destas últimas duas décadas, o aumento dos rendimentos e das potências disponibilizadas nos centros electroprodutores. A dependência e as reservas finitas de combustíveis fósseis levaram a sociedade a repensar novos métodos para gerar energia elétrica. O aproveitamento de energias renováveis, tais como, a energia eólica, hídrica e solar, tem vindo a revelar-se, cada vez mais, uma excelente aposta para satisfazer as nossas necessidades energéticas. Em Portugal, o aproveitamento de energias renováveis assumiu, nos últimos anos, um papel importante na diversificação energética do país, nomeadamente através do aumento da potência instalada em parques eólicos. Apesar das inúmeras vantagens da utilização de energias renováveis na produção de energia elétrica, as centrais termoelétricas que utilizam, tipicamente, combustíveis fósseis (carvão, GN, fuelóleo) na produção de eletricidade continuam a ser preponderantes, uma vez que os centros electroprodutores que dependem de energias renováveis não permitem garantir uma produção contínua e controlável de energia elétrica. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 1 Capítulo 1 – Introdução 1.2 – Objetivo do Estágio O principal objetivo do estágio efetuado num dos centros electroprodutores do grupo EDP foi a minha integração num contexto real de trabalho de forma a aprofundar e consolidar os conhecimentos académicos. Ao longo do estágio foi possível acompanhar diversas tarefas efetuadas pelos colaboradores da Central Termoelétrica de Ciclo Combinado de Lares, sendo que algumas dessas tarefas encontram-se relatadas. De forma a realizar o presente documento, os supervisores de estágio propuseram o desenvolvimento dos seguintes temas: Acompanhamento de trabalhos de manutenção preventiva e corretiva realizados na Central Termoelétrica de Lares; O estudo das proteções dos transformadores; Um estudo referente à caracterização dos arranques efetuados na Central Termoelétrica de Lares de forma a identificar as curvas características de cada tipo de arranque; Estes temas foram desenvolvidos e encontram-se descritos nos capítulos 4 e 5 do presente documento. O capítulo 4 encontra-se dividido em subcapítulos, sendo que cada um destes faz referência a uma determinada atividade. As atividades encontram-se organizadas pela seguinte ordem: Subcapítulo 4.1 – Programação de um autómato da Siemens; Subcapítulo 4.2 – Estudo das Proteções dos Transformadores; Subcapítulo 4.3 – Reparação de uma Gaveta de Comando; Subcapítulo 4.4 – Teste a um Transformador de Corrente; Subcapítulo 4.5 – Barramento de Média Tensão; Subcapítulo 4.6 – Sobreaquecedor Elétrico; Subcapítulo 4.7 – Teste às Escovas de Terra do Alternador; Subcapítulo 4.8 – Substituição dos Filtros de Sílicas do Analisador de Hidrogénio; 2 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 1 – Introdução 1.3 – Estrutura do Relatório O presente relatório de estágio encontra-se repartido em seis capítulos organizados pela seguinte ordem e abordando os seguintes temas: Capítulo 1 – Neste capítulo é efetuada uma introdução à importância da energia elétrica na sociedade atual evidenciando-se as suas tendências de consumo no decorrer dos últimos anos. São, de igual modo, apresentados os objetivos do estágio assim como a estrutura do presente relatório. Capítulo 2 – Neste capítulo são descritos os principais métodos usados na produção da energia elétrica, atribuindo-se enfâse às vantagens e desvantagens das centrais electroprodutoras baseadas na utilização de recursos renováveis e não renováveis. É também traçada uma introdução às noções de energia, efetuando-se uma breve descrição dos ciclos termodinâmicos que definem o tipo de central termoelétrica onde eles são empregues. Capítulo 3 – Neste capítulo são descritos os principais sistemas e equipamentos existentes na Central Termoelétrica de Ciclo Combinado de Lares, destacando-se a sua importância e função na exploração da Central. Descreve-se, ainda, a organização e a estrutura interna da Central Termoelétrica de Lares. Capítulo 4 – Neste capítulo é feita a apresentação das tarefas acompanhadas e efetuadas ao longo do período de estágio. As tarefas descritas no subcapítulo 4.1 e 4.2 foram tarefas propostas no decorrer do estágio. Capítulo 5 – Neste capítulo é efetuada uma introdução que visa descrever a caraterização dos arranques, assim como a sua influência no Sistema de Energia Elétrica (SEE). São, ainda, descritos os procedimentos necessários à caracterização dos arranques através do PI e do PI ProcessBook e são apresentados os resultados relativos ao estudo da caracterização dos arranques. Capítulo 6 – São apresentadas as conclusões do relatório de estágio, ressalvando-se a importância e o contributo do estágio na minha formação académica. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 3 Capítulo 2 – Produção de Energia Elétrica Capítulo 2 – Produção de Energia Elétrica 2.1 – Considerações de Energia Devido à sua natureza abstrata, a definição de energia é complexa. A energia apresenta-se de diversas formas, tais como: calor, luz, mecânica, elétrica, cinética, elástica, potencial, química entre outras. De forma genérica, o conceito de energia pode ser definido como sendo a capacidade de gerar trabalho (movimento, luz, calor, força motriz). É possível classificar a energia em várias categorias das quais se destacam duas categorias associadas ao movimento, energia potencial (geralmente esta energia encontra-se armazenada) e energia cinética (geralmente contida num corpo em movimento). 2.1.1 – Definição de Energia Potencial A energia potencial é a energia que está disponível em qualquer instante, tal como a energia química armazenada em baterias (energia potencial elétrica), a energia contida numa mola comprimida (energia potencial elástica) ou a energia associada a uma queda de água (as centrais hidroelétricas utilizam a energia potencial gravítica da água como meio de gerar energia mecânica que será posteriormente convertida em energia elétrica). Assim, é possível entender que a quantificação da energia potencial gravítica seja representada através da expressão (2.1): Energia Potencial (J) = massa (kg) * aceleração gravítica (m/s2) * altura (m) (2.1) 2.1.2 – Definição de Energia Cinética A energia cinética é a energia contida ou armazenada num corpo em movimento e pode ser determinada através da expressão (2.2): Energia Cinética = ( ) ( ) (2.2) A energia total resultante do movimento de um corpo ou substância resulta da soma da energia potencial com a energia cinética. O valor dessa energia pode ser obtido através da expressão (2.3) [2]. (2.3) Onde: m – massa (kg); g- aceleração gravítica (m/s2); h – Altura (m); v – velocidade (m/s). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 5 Capítulo 2 – Produção de Energia Elétrica 2.1.3 – Princípio da Conservação da Energia O princípio da conservação da energia indica que a energia é convertida ou transformada de uma forma para a outra (por exemplo, transformar energia química em energia calorífica ou transformar energia cinética em energia mecânica). Este princípio advém da impossibilidade de criar uma máquina que gere energia a partir do nada. O princípio da conservação de energia elucida que a energia nunca é criada, nunca é destruída, mas sim transformada noutro tipo de energia. Analisando o exemplo típico de um moinho convencional, é possível entender o princípio da conservação da energia. Um moinho é um exemplo adequado para descrever a transformação de energia cinética em energia mecânica. A energia cinética contida no vento (designada por energia primária) é captada pelas pás de uma hélice que se encontra fixa a um eixo. O vento, ao passar pela hélice, força-a a rodar. Como o eixo é solitário à hélice, este vai acompanhar o movimento circular da hélice gerando, deste modo, energia cinética rotacional. A energia rotacional contida no eixo é de seguida convertida em energia mecânica (designada por energia final). A energia mecânica é disponibilizada através do movimento rotativo do eixo. Como a transformação de energia tende a ter um rendimento inferior à unidade, a energia primária tende a ser superior à energia final. Esta condição verifica-se uma vez que nem toda a energia primária disponibilizada no processo de transformação é convertida na energia final, podendo esta ser transformada noutra forma de energia que não a pretendida. Este conceito é facilmente compreendido analisando, como exemplo, o rendimento de uma central termoelétrica convencional. Neste exemplo em particular, o rendimento da central termoelétrica foi considerado em 35%. O rendimento apresentado indica que por cada 100 unidades de energia primária consumida pela central (por exemplo carvão), apenas 35 unidades são convertidas em eletricidade (energia final). As restantes unidades da energia primária são convertidas noutra forma de energia que não se torna útil ao processo de produção de energia elétrica, tal como, a energia térmica que é libertada para a atmosfera através da chaminé. 6 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 2 – Produção de Energia Elétrica 2.2 – Tipos de Centrais Elétricas As centrais electroprodutoras são classificadas pela energia primária que utilizam para produzir energia elétrica. Atualmente existem inúmeros recursos energéticos que podem ser empregues na produção de energia elétrica. O petróleo, o carvão, o gás natural (GN), a biomassa, a energia hídrica, eólica e solar são alguns dos recursos energéticos usados para fornecer energia primária as centrais electroprodutoras. As fontes de energia primária, consequentemente, são classificadas quanto à sua origem, respetivamente em energias renováveis e não renováveis. As energias renováveis têm a sua origem em recursos naturais, tais como o vento, a água e o sol. Este tipo de energia apresenta-se como sendo uma energia inesgotável, pois, esta é renovada continuamente na natureza. A figura 2.1 apresenta centrais elétricas baseadas na utilização de recursos naturais para a sua atividade. Por seu turno, as energias não renováveis é a designação atribuída aos recursos naturais que quando utilizados não podem ser repostos pela mão humana ou pela natureza num período de tempo útil. Estes recursos são conhecidos como combustíveis fósseis e apresentam reservas finitas. Ambos os tipos de energia são utilizados na produção de energia elétrica. O processo de conversão assenta numa filosofia em que a energia primária é transformada em energia mecânica. Por sua vez, a energia mecânica é transmitida a um alternador através de um eixo ou veio com o intuito de converter a energia mecânica em energia elétrica. A complexidade dos processos de conversão energética difere em função da fonte primária que lhe deu origem. As centrais de fontes renováveis, por usarem energia proveniente da natureza, tais como o vento, o sol, ou a energia potencial gravítica da água, são centrais que não garantem uma produção constante e controlável, uma vez que estão diretamente dependentes da disponibilidade dos recursos naturais. B A Fig. 2.1 – Barragem da Aguieira (A); Parque eólico do Cadafaz (B) [3, 4]. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 7 Capítulo 2 – Produção de Energia Elétrica As centrais que produzem energia elétrica a partir da transformação da energia química contida nos combustíveis em energia térmica e cinética são designadas por centrais termoelétricas. Estas centrais utilizam a energia química dos combustíveis como meio de gerar energia térmica que será usada na produção de vapor. O vapor gerado é empregue na produção de energia mecânica através de uma turbina a vapor. Este tipo de central obtém a sua fonte de calor através de processos de combustão de combustíveis que podem ser fósseis (carvão, GN, fuelóleo) ou renováveis (biomassa). Existem ainda centrais termoelétricas que geram calor sem recorrer a processos de combustão, nomeadamente as centrais nucleares. Estas centrais termoelétricas obtêm a sua fonte de calor a partir de materiais radioativos, tais como o urânio. A principal vantagem das centrais termoelétricas carateriza-se pela possibilidade de manter uma produção constante e controlável de energia elétrica. Tipo de centrais termoelétricas de combustíveis fósseis: - Centrais a carvão; - Centrais de fuelóleo; - Centrais a gás natural; - Centrais de ciclo combinado; - Centrais nucleares. A B C Fig. 2.2 – Central de Setúbal – Fuelóleo (A); Central de Sines – Carvão (B); Central do Ribatejo – CCTG (C) [5, 6, 7]. As vantagens das centrais electroprodutoras que usam energias renováveis sem recorrer a processos de combustão advêm do facto de estas não produzirem emissões gasosas poluentes tais como dióxido de carbono (CO2) e o custo da fonte primária é gratuito e abundante. Este tipo de central apresenta arranques rápidos, podendo injetar energia para a rede elétrica em poucos minutos. Como desvantagem apresentam uma produção intermitente, custos elevados ao nível da sua implementação (barragens) e impacto visual e sonoro (eólicas). As centrais termoelétricas que usam combustíveis fósseis apresentam desvantagens tais como a produção de emissões gasosas poluentes (CO2, NOx), o preço do combustível depende diretamente do preço do petróleo em mercado, operam a partir de uma fonte de energia primária finita e apresentam tempos de arranque complexos e demorosos. Como vantagens, permitem uma produção constante e controlável, uma vez que a sua exploração não depende de energias endógenas1, a tecnologia é conhecida e o tempo de montagem é reduzido. 1 Energias renováveis tais como: eólica, Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), biogás, biomassa, fotovoltaica e Pequenas Centrais Hídricas (PCH). 8 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 2 – Produção de Energia Elétrica 2.3 – Diferença entre Centrais Térmicas Clássicas e de Ciclo Combinado As centrais térmicas utilizam combustíveis de fontes renováveis ou não renováveis como meio de gerar calor. O calor resultante do processo de combustão é utilizado para produzir vapor de água com temperatura e pressão adequadas de forma a este ser expandido num corpo de uma turbina a vapor (TV). As centrais térmicas convencionais são formadas na sua constituição mais simples por quatro elementos essenciais, respetivamente, caldeira recuperativa, turbina a vapor, alternador e condensador. Este tipo de central funciona com base num único ciclo termodinâmico (ciclo de Rankine). O vapor expandido na TV gera energia mecânica que é posteriormente transformada em energia elétrica através de um eixo acoplado ao rotor de um alternador. Do mesmo modo, é possível encontrar centrais térmicas que operam a partir de uma turbina de potência ou turbina a gás (TG). Neste tipo de central não existe produção de vapor, sendo a turbina de potência a responsável pela transmissão de energia mecânica ao eixo/alternador. Este tipo de central opera, também, a partir de um único ciclo termodinâmico (ciclo de Brayton). As centrais de ciclo combinado distinguem-se das centrais térmicas convencionais pelo facto de estas utilizarem em conjunto dois ciclos termodinâmicos, respetivamente, ciclo de Rankine e ciclo de Brayton. A turbina principal ou de potência é acionada através da combustão da mistura entre o ar e o combustível (geralmente gás natural). Os gases resultantes da combustão que possuem uma temperatura elevada são, deste modo, enviados para o interior de uma caldeira recuperativa onde são recuperados de forma a gerar vapor de água. O vapor proveniente da caldeira recuperativa é, então, expandido no corpo da turbina a vapor. A TG e a TV podem ser usadas em topologias de eixo único, onde ambas as turbinas estão ligadas a um eixo comum que aciona um alternador (Centrais de Ciclo combinado de Lares e do Ribatejo). É igualmente possível, encontrar topologias de centrais de ciclo combinado em que cada turbina aciona um alternador acoplado a elas. As centrais de ciclo combinado operam, assim, com base em dois ciclos termodinâmicos, o ciclo de Brayton para as turbinas a gás (TG´s) e ciclo de Rankine para as turbinas a vapor. A combinação dos dois ciclos oferece um rendimento superior se comparado ao rendimento verificado em centrais termoelétricas convencionais que apenas fazem uso de um único ciclo termodinâmico. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 9 Capítulo 2 – Produção de Energia Elétrica 2.4 – Princípios Termodinâmicos O presente estudo não pretende efetuar uma análise exaustiva dos processos termodinâmicos existentes numa central termoelétrica. O principal objetivo é introduzir conceitos básicos da termodinâmica com a finalidade de tornar mais percetível o seu conceito aplicado a centrais termoelétricas. A termodinâmica é um ramo da física que estuda as leis que descrevem a transformação de energia calorífica em trabalho/movimento. As centrais termoelétricas operam segundo princípios termodinâmicos uma vez que estas recorrem a processos de combustão ou de reação nuclear de forma a gerar calor. O calor gerado é, por sua vez, transformado em energia cinética e potencial (qualquer substância é constituída por moléculas que se movem mais ou menos depressa consoante se lhes adiciona ou se lhes retira calor) [2]. A energia cinética e a potencial poderão, deste modo, ser convertidas em energia mecânica que, por sua vez, será convertida em energia elétrica através do rotor de um gerador ou de um alternador. As leis da termodinâmica têm em conta fatores que se verificam na mudança do estado do fluido de trabalho, nomeadamente, a pressão, a temperatura ou o volume. Consequentemente, existem as seguintes transformações associadas aos fluídos de trabalho: Transformação Isotérmica → Transformação que ocorre com temperatura constante; Transformação Isócora → Transformação que ocorre com volume constante; Transformação Isobárica → Transformação que ocorre com pressão constante; Transformação Adiabática → Transformação que não engloba troca de calor; Transformação Isentrópica → Transformação que ocorre com entropia2 constante. 2 Entropia é uma combinação entre o fluxo de energia e temperatura. Esta propriedade caracteriza o grau de desordem das partículas ou moléculas num sistema. A água no estado sólido (gelo) tem uma entropia baixa. O vapor, por sua vez, apresenta uma entropia elevada (maior liberdade de movimento das moléculas da a água). O aumento de entropia também pode ser relacionado com o aumento de pressão se a temperatura se mantiver constante. 10 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 2 – Produção de Energia Elétrica 2.4.1 – Descrição do Ciclo de Rankine Uma central termoelétrica convencional a vapor baseia-se apenas no ciclo termodinâmico de Rankine3. Este ciclo apresenta quatro processos que alteram as propriedades do fluido de trabalho (neste caso considera-se água). A figura 2.4 faz referência a um diagrama ideal de Temperatura (T) – Entropia (S) do ciclo de Rankine com um nível de pressão e de reaquecimento. Vapor saturado T 3 Vapor superaquecido 3 Caldeira Água Turbina a vapor 2 4 2 1 Bomba Condensador Fig. 2.3 – Ciclo de transformação da água vapor [8]. 1 4 S Fig. 2.4 – Diagrama T-S ideal do ciclo Rankine com um nível de reaquecimento [8]. 1 - 2 → Processo de bombeamento (aumento da pressão). 2 - 3 → Transferência de calor a pressão constante na caldeira. 3 - 4 → Expansão do vapor na turbina. 4 - 1 → Transferência de calor a pressão constante no condensador. A água no estado líquido é pressurizada através de uma bomba e é forçada a entrar para a caldeira recuperativa. No interior da caldeira, esta é aquecida a pressão constante até se tornar vapor superaquecido. Por sua vez, o vapor superaquecido é expandido nas pás de uma turbina de forma a gerar trabalho (energia mecânica). No decurso do processo de expansão, a temperatura e a pressão do vapor tendem a diminuir. O vapor entra no condensador e é arrefecido até voltar ao estado líquido. A água no estado líquido é novamente bombeada repetindo o ciclo. A água apresenta ótimas propriedades para ser usada como fluido de trabalho. Contudo, o seu uso em máquinas térmicas requer que esta seja transformada em vapor. O vapor, por seu turno, pode ser classificado em vapor saturado e superaquecido. O vapor saturado é composto por uma mistura de água com vapor cuja temperatura se mantém constante em relação à pressão. Este tipo de vapor é usado em aplicações industriais que não requerem isenção de humidade ou elevadas temperaturas do vapor. 3 Ciclo termodinâmico que descreve a obtenção de trabalho/movimento a partir de uma máquina ou turbina a vapor. A designação advém do físico/matemático escocês William John Macquorn Rankine. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 11 Capítulo 2 – Produção de Energia Elétrica O vapor superaquecido possui uma temperatura mais elevada em comparação com a temperatura do vapor saturado. O vapor superaquecido é obtido adicionando calor ao vapor saturado, mantendo constante a sua pressão. O vapor passa ao estado superaquecido quando ultrapassa a temperatura de saturação. O vapor superaquecido é isento de humidade e comporta-se, deste modo, como um gás. Devido a estas propriedades, o vapor superaquecido é ideal para ser usado em aplicações tais como a produção de energia elétrica através de turbinas de vapor. A isenção de humidade é fulcral de modo a não deteriorar os componentes das turbinas a vapor aumentando deste modo a vida útil das mesmas. 2.4.2 – Descrição do Ciclo de Brayton O ciclo termodinâmico de Brayton é um ciclo que descreve o aproveitamento da energia química contida num combustível para gerar energia mecânica através de uma turbina de potência. A eficiência do ciclo aumenta em função do aumento da temperatura. Contudo, esta situação só é possível de ser mantida se determinados componentes da turbina forem refrigerados. De forma a garantir a refrigeração desses componentes utiliza-se ar proveniente do compressor (linha a tracejado na figura 2.5) [2]. A figura 2.6 faz referência a um diagrama ideal de Temperatura (T) – Entropia (S) do ciclo de Brayton. Ar 1 2 Compressor Câmara de Combustão Veio comum 3 Gases de exaustão 4 Adição de combustível T 3 2 Turbina de Potência 4 1 Fig. 2.5 – Processos de transformação numa TG. 1 S Fig. 2.6 – Diagrama T-S ideal do ciclo de Brayton. → Entrada do ar no compressor com pressão e temperatura ambiente; 1 - 2 → Compressão do ar (a temperatura e a pressão aumentam); 2 - 3 → Combustão da mistura ar/combustível (a temperatura e a pressão aumentam); 3 - 4 → Expansão dos gases na turbina (a temperatura e a pressão diminuem); 4 - 1 → Pressão e temperatura do ar a saída da turbina de potência. O ar aspirado pelo compressor sofre uma compressão antes de transitar par o sistema de combustão. Nas câmaras de combustão, o ar comprimido é expandido e misturado com o combustível onde é efetuada a queima. Os gases resultantes da combustão possuem temperaturas e pressões elevadas. Estes, ao serem expandidos nas pás da turbina realizam trabalho (transformação de energia cinética em energia cinética rotacional no eixo que será convertida em energia mecânica). Os gases, ao serem expandidos tendem a diminuir a sua temperatura e pressão. 12 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 2 – Produção de Energia Elétrica 2.4.3 – Termodinâmica em Centrais de Ciclo Combinado As centrais de ciclo combinado são baseadas na utilização de ambos os ciclos termodinâmicos descritos nos subcapítulos 2.4.1 e 2.4.2, pois são constituídas por uma turbina a gás e uma turbina a vapor. A energia elétrica produzida resulta da soma da conversão da energia mecânica produzida por ambas as turbinas. Em centrais de ciclo combinado, os gases à saída da TG, resultantes da combustão do combustível com ar, são enviados para uma caldeira recuperativa onde a energia calorífica contida nos mesmos é recuperada. A energia contida nos gases de exaustão da turbina de potência é, deste modo, usada para gerar vapor que será expandido numa turbina a vapor. A utilização de ambos os ciclos permite obter rendimentos superiores aos verificados em centrais termoelétricas que apenas usem o ciclo termodinâmico de Rankine ou de Brayton. T Ciclo de Brayton Ciclo de Rankine com 3 níveis de reaquecimento Alta Pressão Média Pressão Baixa Pressão S Fig. 2.7 – Ciclos termodinâmicos em condições ideias de uma central de ciclo combinado com três níveis de reaquecimento de vapor. Gases de exaustão Gases de exaustão Caldeira Recuperativa Vapor Turbina a Gás Alternador Turbina a Vapor Energia elétrica Fig. 2.8 – Esquema descritivo do funcionamento de uma Central de Ciclo Combinado. A energia elétrica total resulta, deste modo, da expressão (2.4): ( )) (2.4) Os ciclos ideias de Rankine e de Brayton apresentados no subcapítulo 2.5 diferem dos ciclos reais uma vez que estes não contemplam as perdas ocorridas entre processos. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 13 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares A Central de Ciclo Combinado de Lares encontra-se localizada junto à margem direita do rio Mondego, nas proximidades de Lares, freguesia de Vila Verde (Figueira da Foz) como ilustrado na figura 3.1. Fig. 3.1 – Localização da Central de Ciclo Combinado de Lares [9]. A construção da Central de Ciclo Combinado de Lares foi finalizada em 2009, tendo sido efetuado o primeiro sincronismo com a rede elétrica nacional em Junho de 2009 (grupo I). A sua inauguração foi realizada no dia 25 de Novembro de 2009. A responsabilidade pela exploração da Central de Ciclo Combinado de Lares é, atualmente, atribuída à Tergen, S.A, empresa detida pela EDP Produção que tem como finalidade a operação e manutenção de centrais termoelétricas. O organograma da Central Termoelétrica de Lares está representado na figura 3.2. Direção Centro de Produção Condução Gestão Controlo técnico e de Gestão Manutenção Supervisão Análise de exploração Equipas de condução Elétrica e C&I Técnicos Planeamento Mecânica Prevenção e segurança Ambiente e Química Lab. Químico Apoio de Gestão. Fig. 3.2 – Modelo organizacional da Central Termoelétrica de Lares [1]. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 15 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.1 – Organização das Pessoas Os colaboradores da Central encontram-se repartidos em três áreas como ilustrado na figura 3.2, respetivamente, área de condução, área de manutenção e área de controlo técnico e de gestão. Estas três áreas são repartidas em pequenas equipas de atuação. Deste modo, a área de condução divide-se em equipas de condução e equipa de análise de exploração. As equipas de condução são formadas por três membros (1 supervisor e 2 técnicos) que operam em regime de turnos rotativos e que têm como principal função a operacionalidade da Central Termoelétrica. A área de análise de exploração tem como função a análise de indicadores, tais como consumos de combustível e produção de energia elétrica. A área de manutenção é constituída por três subáreas, respetivamente, manutenção elétrica, planeamento e manutenção mecânica. As equipas de manutenção operam em regime normal de horário e são formadas por supervisores e técnicos. Têm como missão manter os equipamentos e as instalações em bom estado de operacionalidade efetuando ações de manutenção corretiva e preventiva. A área de controlo técnico, por sua vez, está dividida, de igual modo, em três subáreas, respetivamente, área de segurança, ambiente e química e apoio de gestão. As áreas de condução e manutenção operam em regime de rotatividade, isto é, as equipas constituintes de cada área vão alternando as suas funções e a sua área de atuação. Deste modo, os membros de ambas as equipas adquirem conhecimentos na área de manutenção e condução promovendo, desta forma, a aptidão para desenvolverem novas tarefas. Os colaboradores da Central de Ciclo Combinado de Lares são ainda auxiliados através de empresas externas que funcionam como empresas prestadoras de serviços. Os gestores de cada área apoiam as equipas afetas à sua área. A responsabilidade máxima da Central Termoelétrica de Lares é atribuída ao diretor da mesma. Ao longo do estágio, foi possível observar que a segurança é um fator chave para reduzir as sinistralidades na Central Termoelétrica de Lares. Foi possível observar que as pessoas externas à Central Termoelétrica que tivessem de efetuar trabalhos no interior do recinto estavam sujeitas a induções de segurança. 16 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.2 – Política Energética O investimento na Central Termoelétrica de Lares insere-se no âmbito do plano estratégico e das políticas ambientais do Grupo EDP. A construção desta central contribui para o reforço de segurança do sistema elétrico em Portugal, complementando a produção a partir de fontes renováveis tais como centrais hídricas e eólicas minimizando os impacto ambientais. A EDP promove a exploração dos centros de produção de acordo com critérios de operacionalidade e fiabilidade estabelecidos, maximizando resultados visando o desempenho ambiental e a diversidade quanto ao tipo de centrais térmicas. Desde 2007 que todas as instalações termoelétricas da direção de produção térmica da EDP (EDP Produção) dispõem de um Sistema Integrado de Gestão do Ambiente e Segurança (SIGAS4), certificado pela norma NP EN ISSO 14001:2004. A Central Termoelétrica de Lares é a central mais recente da EDP e obteve a certificação a 24 de Setembro de 2010. Na sequência da constante preocupação com o desempenho ambiental das suas instalações, a EDP Produção decidiu, em finais de 2007, definir como objetivo para algumas das suas instalações, o registo no Sistema de Eco-gestão e Auditoria da União Europeia (EMAS5). O EMAS apresenta-se como sendo uma ferramenta de gestão para empresas e organizações avaliarem, reportarem e melhorarem o seu desempenho ambiental. A participação é totalmente voluntária e qualquer organização pública ou privada pertencente à União Europeia e Espaço Económico Europeu (EEA) pode participar. 3.3 – Descrição da Central Termoelétrica de Lares As centrais termoelétricas dividem-se, de modo geral, em “Ilha de potência” e Balance Of Plant, (BOP). A ilha de potência é essencialmente constituída por uma turbina gás, uma turbina a vapor, um alternador, uma caldeira recuperativa, um condensador, um transformador principal e um auxiliar. O BOP, por sua vez, é o conjunto de todos os equipamentos auxiliares afetos à exploração da Central, tais como motores alimentados a partir da média ou baixa tensão para bombear água ou acionar ventiladores, sistema de iluminação, sistema de telecomunicação, sistema de deteção e extinção de incêndios e sistema de controlo e proteção. A Central de Ciclo Combinado de Lares é constituída por dois grupos electroprodutores independentes com uma potência unitária de 441 MW. Cada grupo é constituído por uma TG, uma TV, um alternador, um transformador principal, um transformador auxiliar, uma caldeira recuperativa horizontal, sistema elétrico, um condensador, um sistema de bypass de vapor e um sistema de arrefecimento em circuito aberto e fechado. 4 O SIGAS permite a uma organização alcançar e controlar de forma sistemática o seu desempenho ambiental e de segurança. 5 O EMAS está disponível para a participação de empresas desde de 1995, originalmente estava restrito a empresas do sector industrial. Só a partir de 2011 o EMAS abriu portas a todos os sectores económicos. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 17 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares Existem, ainda, alguns sistemas comuns aos dois grupos, tais como sistema de ar comprimido (produção, armazenamento e distribuição), sistema de vapor auxiliar, sistema de água (captação, armazenamento e distribuição), Instalação de Tratamento da Água (ITA), Estação de Tratamento de Efluentes Líquidos (ETEL) e posto de chegada e redução de pressão do gás. A figura 3.3 ilustra a disposição dos principais edifícios da Central. 4 3 16 15 8 7 5 6 9 14 10 18 1 2 11 13 12 17 Fig. 3.3 – Disposição geral da Central Termoelétrica de Lares [9]. Legenda: 1 – Grupo Turboalternador nº 1; 2 – Grupo Turboalternador nº 2; 3 – Armazenamento de água desmineralizada; 4 – Posto de chegada e redução de pressão do gás natural; 5 – Armazenamento de água de serviço; 6 – Armazenamento de água de combate a incêndios; 7 – Central de ar comprimido e central de bombagem de água de combate a incêndios; 8 – Caldeira Auxiliar; 9 – ITA/ETEL; 10 – Filtros gravíticos ou monopack; 11 – Torre de refrigeração (circuito de arrefecimento aberto); 12 – Subestação elétrica de muita alta tensão (MAT); 13 – Armazenamento de gasóleo bruto e tratado; 14 – Edifício administrativo e de controlo; 15 – Oficina elétrica e mecânica; 16 – Armazém multiusos; 17 – Parque de resíduos; 18 – Edifício elétrico dos serviços comuns e auxiliares. 18 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4 – Descrição dos Sistemas da Central A Central está equipada com 2 grupos electroprodutores independentes. Cada grupo tem uma potência unitária instalada de 441 MW. O rendimento global de cada grupo é de 57,8% quando se encontra à carga máxima [10]. O rendimento próximo de 58% deve-se ao facto de existir uma caldeira recuperativa horizontal que recicla os gases de exaustão resultantes da combustão do gás natural (ou gasóleo) pela TG. Através da temperatura elevada contida nos gases resultante da combustão (aproximadamente 649 ºC), a água que circula no interior da caldeira recuperativa é transformada em vapor com 3 níveis de pressão, respetivamente, alta pressão (160 Bar), média pressão (25 Bar) e baixa pressão (4 Bar). O vapor expandido na turbina de alta e média pressão possui uma temperatura média de 560 ºC. Por sua vez, a temperatura do vapor expandido na turbina de baixa pressão corresponde, em média, a 300 ºC. Estima-se que o consumo anual de gás é de 720 milhões Nm3/ano, sendo a produção anual de eletricidade de 4000 GWh. A Central de Ciclo Combinado de Lares apresenta uma disponibilidade superior a 96% [10]. De forma a manter uma disponibilidade elevada, contase com diversos sistemas e equipamentos como descrito nos próximos subcapítulos. 3.4.1 – Sistema de Queima e Produção de Vapor Para efetuar a queima do combustível na TG é necessário captar ar e guiá-lo para o interior do compressor de forma a este ser comprimido antes de ser misturado com o combustível. O sistema de captação de ar é constituído por filtros de modo a reter partículas existentes no ar (figura 3.4). Os filtros garantem que o ar que entra no compressor não contém impurezas que possam reduzir o rendimento global do grupo e danificar o compressor e/ou a TG. A B Fig. 3.4 – Tomada de ar, vista exterior (A); Filtros cilíndricos no interior da tomada de ar (B). A tomada de ar possui dois níveis de filtragem. O primeiro nível é constituído por filtros junto à admissão de ar (contacto direto com o meio ambiente). Estes são responsáveis por captar as partículas de maiores dimensões (figura 3.4 (A)). No interior da tomada de ar existe o segundo nível de filtros. Neste nível, existem cerca de 756 filtros cilíndricos que garantem a retenção das partículas mais finas. A disposição dos filtros está ilustrada na figura 3.4 (B). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 19 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares Os filtros possuem um sistema de limpeza automático que injeta ar comprimido em sentido inverso ao sentido normal da passagem de ar. Este processo garante o despoeiramento dos filtros. A poeira resultante da atuação do sistema é removida automaticamente para o exterior. O ar filtrado é encaminhado para o compressor onde ocorre a compressão do mesmo com uma taxa de 18,5:1 através de 18 andares de compressão. O ar, após comprimido, é repartido. Uma parte do ar é encaminhada para o sistema de arrefecimento de forma a promover o arrefecimento da TG. O restante ar é misturado com o combustível e é queimado nas câmaras de combustão. O modelo das turbinas a gás da Central Termoelétrica de Lares é PG9371FB da General Electric (GE). Estas turbinas a gás possuem 18 queimadores individuais do tipo Dry Low NOx (DLN). A figura 3.5 (A) ilustra o mímico de monitorização da temperatura na exaustão da TG. É de realçar a uniformidade da temperatura dos gases de exaustão ao longo da secção transversal do difusor. Esta uniformidade deve-se ao facto dos queimadores que constituem o anel de queima formarem um aro contínuo de chamas, garantindo assim a eliminação de pontos quentes e frios no cone de exaustão da TG. A B Fig. 3.5 – Mímico de monitorização do cone de exaustão da TG (A); Cone de exaustão TG (B). O gás natural é o combustível primário das turbinas a gás, contudo, estas estão preparadas para queimar gasóleo na falta de gás natural. Os queimadores (figura 3.6) possuem seis bocais que permitem efetuar diferentes modos de queima permitindo deste modo a ajustar a queima as necessidades da TG (Anexo B). Os queimadores possuem ainda um sistema de injeção de água que permite controlar os compostos das emissões gasosas, tais como os NOx. . 20 Fig. 3.6 – Queimador da TG. Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.2 – Caldeira Recuperativa A caldeira recuperativa é responsável pela produção do vapor necessário ao funcionamento da TV (figura 3.7). No interior da caldeira, a água circula de forma natural através de tubulares. Fig. 3.7 – Visão geral da caldeira recuperativa [11]. Os tubulares são os responsáveis pelo transporte da água e pela permuta de calor entre a água e os gases de exaustão enquanto esta circula no interior da caldeira recuperativa. De forma a aumentar a taxa de transferência de calor, os tubulares são constituídos por alhetas ou discos. Este tipo de construção permite aumentar a área dos tubos em contacto com os gases de exaustão (figura 3.8). A disposição das alhetas e dos discos permite criar um percurso helicoidal à passagem dos gases de forma a otimizar a transferência de calor entre os gases de exaustão e os tubulares. A água após passar ao estado de vapor flui de forma natural para o barrilete correspondente ao circuito que ela efetua na caldeira recuperativa. A B Fig. 3.8 – Tubulares com alhetas (A); Tubulares com discos (B). A caldeira recuperativa é dividida em secções devido às diferentes temperaturas e pressões necessárias no ciclo água/vapor. Os barriletes localizados no topo da caldeira recuperativa têm como função abastecer as secções do evaporador (secção da caldeira onde a água passa do estado líquido para o estado gasoso) e efetuar a separação da água no estado líquido do gasoso (figura 3.9 (A)). Na figura 3.10 é possível visualizar o mímico de monitorização da caldeira recuperativa, assim como o ciclo água/vapor para cada nível de pressão. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 21 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares B A C Fig. 3.9 – Interior do barrilete AP (A); Barrilete de AP e MP (B); Bomba de abastecimento do barrilete AP (C). O barrilete é projetado de modo a que apenas a água no estado líquido possa regressar aos tubulares do evaporador. O vapor, quando livre de gotículas de água, é encaminhado para a secção da caldeira recuperativa onde se localiza o sobreaquecedor de vapor. Este último garante a temperatura e a pressão necessária do vapor antes de este ser expandido no corpo da TV. A função do barrilete, para além de efetuar a separação da água no estado líquido do gasoso, é abastecer as várias secções da caldeira recuperativa com água. Os barriletes permitem igualmente efetuar tratamentos químicos à água que eles armazenam. O tratamento químico é efetuado com o intuito de obter vapor com a qualidade necessária para garantir o bom funcionamento da TV. Estes permitem, igualmente, efetuar purgas contínuas de forma a remover partículas contaminantes da água. Na figura 3.9 (C) é possível visualizar um das duas bombas que abastecem com água o barrilete de AP. Fig. 3.10 – Mímico de monitorização e controlo dos barriletes. Quando se efetua um novo arranque é necessário realizar o enchimento e a ventilação da caldeira. Este procedimento é efetuado para repor os níveis de água nos barriletes e eliminar possíveis bolsas de ar acumuladas nos tubulares. A caldeira recuperativa está equipada com um sistema de bypass. Este sistema apresenta-se como caminho alternativo ao vapor proveniente da caldeira recuperativa e é usado em situações em que a TV não consegue efetuar admissão de vapor ou quando é necessário canalizar vapor de média pressão para o sistema de vapor auxiliar. 22 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.3 – Caldeira Auxiliar A caldeira auxiliar é comum aos dois grupos e tem como função fornecer vapor auxiliar aos grupos electroprodutores na fase de arranque (figura 3.11). O vapor auxiliar é usado para: Efetuar a selagem da turbina a vapor; Fornecer vapor de arrefecimento com uma temperatura média de 200 ºC ao corpo da TV de baixa pressão no arranque dos grupos de forma a eliminar oscilações e turbulência nas pás da turbina; Fornecer vapor ao desaerador do condensador de forma a eliminar os gases não condensáveis e o oxigénio contido na água condensada antes de esta regressar à caldeira recuperativa prevenindo, deste modo, a corrosão e a formação de ferrugem. Fig. 3.11 – Visão geral da caldeira auxiliar. A caldeira deve manter-se disponível durante o funcionamento dos grupos, de modo a fornecer rapidamente vapor aos consumidores de vapor auxiliar (sistema de selagem da TV ou desaerador do condensador) caso ocorra uma rejeição de carga ou um disparo6 dos grupos. Os queimadores da caldeira auxiliar estão preparados para queimar GN ou gasóleo (figura 3.12). Fig. 3.12 – Queimadores da caldeira auxiliar. Os gases de exaustão que resultam da queima do combustível atravessam a caldeira através de tubulares envolvidos por água. Este sistema permite gerar vapor com uma temperatura média de 200 ºC a uma pressão máxima de 12 bar. Na figura 3.13 (A) é possível visualizar o percurso dos gases resultantes da queima no interior da caldeira auxiliar. Os gases de exaustão efetuam o percurso 1, em seguida regressam por 2 e, antes de ser evacuado, volta a atravessar à caldeira pelo percurso 3. 6 Termo técnico que indica a saída de uma central electroprodutora do SEE devido à existência de uma anomalia. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 23 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares A B Fig. 3.13 – Percurso dos gases de exaustão (A); Tubulares de circulação dos gases de escape (B) [12]. O vapor produzido na caldeira auxiliar deve, ainda, passar pelo sobreaquecedor elétrico antes de ser usado como meio de selagem da TV. A função do sobreaquecedor (figura 3.14) é aumentar a pressão e a temperatura do vapor de acordo com as necessidades da TV. O vapor de selagem tem, em média, uma temperatura de 357 ºC. Resistências de aquecimento Fig. 3.14 – Sobreaquecedor elétrico. 3.4.5 – Condensador O condensador de vapor é essencialmente um permutador de calor (figura 3.15). Neste, o vapor proveniente da TV de baixa pressão é condensado, voltando ao estado líquido. A passagem para o estado líquido é essencial de forma à água retornar novamente à caldeira recuperativa onde o ciclo água/vapor se reinicia (circuito fechado). Cone de exaustão A B Fig. 3.15 – Condensador (A); Cone de exaustão da TV de baixa pressão (B). 24 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares O vapor é condensado de forma a: Retornar para a caldeira recuperativa e abastecer os barriletes; Retirar oxigénio da água antes de retornar para a caldeira (desgaseificação); É possível aumentar o rendimento térmico da TV de baixa pressão. Para tal torna-se necessário prolongar o mais possível a expansão do vapor no interior do condensador. A temperatura de condensação do vapor é tanto menor quanto menor for a pressão a que está sujeito. O sistema de vácuo existente no condensador é responsável pela remoção dos gases não condensáveis contidos no interior do condensador. Este sistema garante que a pressão no interior do condensador se mantém abaixo da pressão atmosférica. Para condensar aproximadamente 390 t/h de vapor, o condensador necessita de uma fonte fria. Esta é garantida pela água de refrigeração que circula pelo condensador com um caudal médio de 6,40 m3/s. A água de refrigeração após atravessar o condensador sofre um aumento de temperatura que corresponde em média a 9.2 ºC [2]. O condensador é formado por duas câmaras individuais por onde circula o vapor condensado e a água de refrigeração. Na figura 3.16 (A) é possível observar o interior do condensador onde se visualiza os tubulares do circuito de refrigeração e a câmara onde o vapor condensado é mantido antes de ser bombeado para o barrilete de baixa pressão de forma a reiniciar o ciclo água/vapor. A B Fig. 3.16 – Interior do condensador (A); Tubular da água de refrigeração (B). A água de refrigeração, após passar pelo condensador através de tubulares específicos (figura 3.16 (B)), retorna a torre de refrigeração (figura 3.17) onde é arrefecida e armazenada na bacia de forma a ser filtrada e bombeada novamente para o condensador (circuito aberto). A B C Fig. 3.17 – Torre de refrigeração. Vista geral (A); Vista ao nível dos ventiladores (B); Ventilador (C). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 25 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares A torre de refrigeração possui 16 ventiladores (8 por grupo) de forma a promover uma ventilação forçada. A água de refrigeração é captada no rio Mondego e é filtrada através de 4 filtros de areia gravíticos (figura 3.18). Estes foram dimensionados para a operação simultânea dos dois grupos. A limpeza dos filtros de areia é efetuada de forma automática através da passagem de água pré-filtrada em contracorrente. A A A B Fig. 3.18 – Filtros de areia ou monopack (A); Bacia de água filtrada (B). B C Fig. 3.19 – Bacia de captação do rio (A); Chegada aos filtros de areia (B); Visão geral dos filtros de areia (C). A água captada do rio mondego e do canal é retida em bacias distintas de forma a receber um pré-tratamento químico com hipoclorito de sódio que visa a redução do teor de matéria orgânica e a eliminação de microrganismos. Deste modo, a água captada do rio é filtrada nos monopacks (figura 3.18 e 3.19 (C)) e é usada no circuito aberto de refrigeração de ambos os grupos. A água captada do canal é usada no ciclo água/vapor. Esta, após receber tratamento químico na bacia de captação, é encaminhada para as instalações da ITA. No total, existem 5 tipos de água na Central Termoelétrica de Lares, respetivamente: Água potável – Obtida da rede pública (Usada nas instalações sanitárias, laboratório de química, chuveiros e lava-olhos.); Água de refrigeração – Obtida no rio mondego (Compensação às torres de refrigeração); Água bruta – Obtida no canal de Lares (Usada na instalação de pré-tratamento de águas); Água de serviço – Obtida através da água bruta (Abastece os sistemas de: combate a incêndios; desmineralização de água; vapor auxiliar; lavagem dos compressores das TG’s); Água pré-tratada – Usada no ciclo água/vapor após tratamento efetuado na ITA. 26 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.6 – ITA - Instalações de Tratamento de Águas A água utilizada para a produção de vapor deve ser tratada de forma a não conter impurezas que possam deteriorar a caldeira recuperativa ou a turbina a vapor. Deste modo a água é sujeita a um processo de desmineralização na ITA (figura 3.21). Como referido no subcapítulo 3.4.5, a água captada sofre um pré-tratamento químico e uma filtragem na bacia de captação. Após este procedimento, a água é encaminhada para um misturador estático (figura 3.20) onde é misturada com hipoclorito de sódio e com um composto floculante. Fig. 3.20 – Misturador estático. O floculante é injetado no misturador estático de forma a garantir a sua correta diluição na água. Este composto químico é usado como um elemento aglutinante de forma a melhorar o processo de filtragem. A água, após ser misturada com o floculante, é encaminhada para filtros de areia-antracite. Estes filtros estão colocados nas instalações da ITA e devem garantir que as partículas sólidas existentes na água fiquem retidas na areia (os filtros de areiaantracite possuem um sistema de lavagem em contracorrente com água pré-tratada e ar comprimido). Após este processo a água fica apta para iniciar o processo de desmineralização. O processo de desmineralização contempla diversas fases, respetivamente, filtragem por carvão ativo, passagem em permutadores catiónicos e aniónicos, e desgaseificador. O processo de desmineralização é finalizado com a passagem da água por um permutador misto que garante a qualidade final da água desmineralizada. A água, após passar pelos filtros do carvão que retém o cloro contido na água, sujeita-se ao processo de desmineralização através da permuta iónica. O permutador catiónico tem como função permitir uma permuta iónica entre a água e as resinas catiónicas. As resinas têm como função reter os catiões contidos na água. Após este processo, a água é encaminhada para o desgaseificador de forma a eliminar vestígios de dióxido de carbono (CO2) contido na mesma. Finalizado o processo de desgaseificação, a água é encaminhada para o permutador aniónico. O permutador aniónico por sua vez contém resinas aniónicas que retém os aniões contido na água. O processo é concluído com a passagem da água pelo permutador de leito misto. Este é constituído por resinas aniónicas e catiónicas. A água, após sofrer o processo de desmineralização, é armazenada em dois tanques com uma capacidade cada de 5500 m3. A água armazenada é monitorizada em contínuo de forma a verificar valores de PH e de condutividades. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 27 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares Cadeias de produção A B C Fig. 3.21 – Visão geral da ITA; Cadeias de produção (A e B); Desgaseificador (C). As permutas iónicas são efetuadas por resinas e têm como objetivo absorver os catiões e os aniões contidos na água (partículas com carga elétrica positiva e negativa). Quando as resinas saturam é necessário procederem à sua regeneração. A regeneração destas é efetuada através da passagem de reagentes químicos por elas. Os reagentes são misturados com água desmineralizada de forma a reduzir as suas concentrações para valores adequados. A regeneração das resinas catiónicas é efetuada com a passagem de ácido clorídrico com uma concentração de 33%. As resinas aniónicas são regeneradas através da passagem de hidróxido de sódio com uma concentração de 50%. Os efluentes resultantes da regeneração das resinas são enviados para uma bacia de neutralização (ETEL). Esta bacia garante um tratamento adequado à água antes de esta ser libertada novamente para o meio ambiente. A ITA é constituída por duas cadeias independentes de produção de água desmineralizada. Deste modo, quando uma das cadeias é sujeita ao processo de regeneração das resinas ou é posta fora de serviço, a produção de água desmineralizada é encaminhada para a cadeia similar. 3.4.7 – Sistema de Combate a Incêndios A proteção contra incêndios das instalações referentes à Central Termoelétrica é assegurada através de um sistema de deteção e extinção (água, espuma, CO2) de atuação manual ou automática (figura 3.22). Os sistemas de deteção de incêndios informam sobre a localização do incêndio e, se possível, acionam os meios de extinção automáticos. O sistema principal de combate a incêndios é constituído por uma central de bombagem de água (bomba elétrica e bomba Diesel (figura 3.22 E e F)) que é abastecida a partir do tanque de água de combate a incêndios (figura 3.22 (A)). Este sistema está permanentemente ativo e abastece os chuveiros contra incêndio (figura 3.22 (D)) e carretéis espalhados por toda a Central. Como complemento deste sistema, estão colocados de forma estratégica, extintores portáteis devidamente selecionados quanto ao fluido e à capacidade. A seleção do tipo de extintor é efetuada em função da classe de fogo mais provável de eclodir na zona onde este é colocado. 28 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares A B D C E F Fig. 3.22 – Sistema de combate a incêndios. Legenda da figura 3.22: A – Tanque de água de combate a incêndios; B – Boca-de-incêndio com um esguicho de água orientável; C – Armazenamento de CO2 para extinção de incêndios em quadros elétricos; D – Chuveiro de combate a incêndios; E – Bomba de combate a incêndios elétrica; F – Bomba de combate a incêndios Diesel. 3.4.8 – Sistema de Ar Comprimido O sistema de ar comprimido da Central Termoelétrica de Lares é constituído por equipamentos de produção (compressores), de condicionamento (secadores e filtros) e de armazenamento do ar. O ar comprimido é distribuído por toda a Central Termoelétrica até aos seus consumíveis, tais como, bombas pneumáticas, sistema de lavagem dos filtros de areias da ITA e dos filtros da tomada de ar. 1 2 2 3 3 Fig. 3.23 – Sistema de ar comprimido. Compressor (1); Secadores (2); Armazenamento (3). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 29 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.9 – Abastecimento de Gás O abastecimento de gás é assegurado através de contratos de gás Take-or-Pay (mesmo que não se consuma o valor previsto, paga-se a quantidade mínima acordada) com diferentes comercializadoras conforme o grupo 1 ou 2. A nível do transporte de gás, este é garantido pela REN Gasodutos, sendo que o gás chega à Central Termoelétrica através de um gasoduto subterrâneo com proveniência na derivação do Carriço da rede de alta pressão (Anexo C). O acesso ao posto de chegada e redução de pressão do gás é restrito à REN (figura 3.24). Devido à existência de diferentes comercializadoras e tipos de contratos de gás, o preço do gás é diferente para o grupo I e grupo II. O grupo I tem um contrato com a Sonatrach e o grupo II em conjunto com dois grupos da Central do Ribatejo tem um contrato com a Galp Gás. .A B Fig. 3.24 – Posto de chegada do gás (A); Interior do posto de chegada do gás (B). 3.4.10 – Performance Heater O Performance Heater permite filtrar e aquecer o gás antes de este ser pulverizado nas câmaras de combustão da turbina a gás (figura 3.25). Cada grupo electroprodutor possui um Performance Heater. Purificador de gás Aquecedor de gás com água do circuito de MP Filtros coalescentes Aquecedor de gás elétrico Tanque de drenagem Fig. 3.25 – Visão geral do Performance Heater. 30 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares O aquecimento do combustível proporciona um rendimento superior à TG, na medida em que a necessidade de combustível torna-se inferior para elevar a temperatura dos gases de exaustão à temperatura adequada de funcionamento [13]. De forma a efetuar o aquecimento do gás, utilizam-se aquecedores específicos para esse efeito. Na sequência de arranque, o gás é aquecido através de um aquecedor elétrico. Quando a água do circuito de média pressão da caldeira recuperativa apresenta temperatura adequada, o aquecedor elétrico é desligado. O gás passa então a ser aquecido através da água do circuito de MP com uma temperatura média de 216 ºC (figura 3.26 (B)). O aquecimento do gás com água do circuito de MP melhora a eficácia do ciclo combinado em cerca de 0,6% [13]. A água, após passar pelo aquecedor de gás, retorna para o condensador com uma temperatura média de 38 ºC (figura 3.26 (B)). A B Fig. 3.26 – Mímico do sistema de tratamento do gás (A); Mímico de controlo e monitorização do gás (B). A filtragem é efetuada através de filtros coalescentes que garantem a retenção de partículas sólidas e líquidos resultantes da condensação do gás. Estes filtros possuem um depósito de retenção de líquidos que quando cheio efetua uma drenagem através de um sistema de escoamento automático para o tanque de drenagens do Performance Heater (figura 3.27). Purificador de gás Aquecedor de gás elétrico A B C Fig. 3.27 – Filtro coalescentes (A); Tanque de drenagem (B); Purificador e aquecedor de gás (C). O gás após ser filtrado e aquecido com uma temperatura média de 168 ºC (figura 3.26 (B)) é encaminhado para o purificador de gás. Este último garante a qualidade final do gás antes de este ser pulverizado nos queimadores da turbina a gás. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 31 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.11 – Sala de Comando A sala de comando da Central Termoelétrica acomoda todos os sistemas de controlo e operação dos grupos (figura 3.28). Nesta, é possível encontrar o sistema de videovigilância, o sistema de comando e monitorização dos grupos electroprodutores e dos serviços auxiliares. A monitorização e o controlo da Central Termoelétrica são assegurados através de um sistema gráfico Human Machine Interface (HMI) pertencente a GE. É de referir que os mímicos (HMI) apresentados ao longo do presente documento foram retirados da sala de comando da Central Termoelétrica de Ciclo Combinado de Lares. O sistema de supervisão da Central Termoelétrica permite, deste modo, comandar e supervisionar os vários equipamentos e instalações da Central, assim como armazenar num servidor central toda a informação relevante recolhida durante a exploração da Central. Fig. 3.28 - Sala de comando [1]. Os sistemas de controlo e instrumentação asseguram a operacionalidade da Central conforme as instruções dos operadores. Os comandos necessários para a realização de manobras tais como, arranque, paragem e/ou alteração de carga serão desencadeados de forma automática a partir do sistema automático de controlo. Deste modo, o operador deve assegurar as seguintes funções: informar o sistema de controlo sobre as manobras de operação pretendidas, assegurar o comando de situações mais críticas e menos rotineiras e efetuar uma vigilância constante das condições de operação da Central Termoelétrica. Para além de assegurar a produção de energia elétrica em condições de segurança, os sistemas de controlo e instrumentação devem contribuir para minimizar efeitos negativos sobre o meio ambiente, aumentar a eficiência dos processos visando sempre prolongar a vida útil das máquinas e equipamentos afetos a exploração da Central Termoelétrica. Os dados relativos à exploração da Central Termoelétrica são recolhidos para quadros de comunicação dedicados e transmitidos para a sala de comando. Devido à elevada quantidade de informação que é necessário transmitir em tempo real, a transmissão de dados é assegurada através de cabos de fibra ótica. O sistema de comunicação apresenta redundância dupla ou tripla (depende do tipo de dados transmitidos) de forma a aumentar a sua fiabilidade. 32 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.12 – Sistema de Conversão de Energia. A produção de energia elétrica é obtida através de duas fases de transformações. A primeira fase advém da transformação química contida no combustível em energia mecânica pela turbina a gás. A energia mecânica transmitida ao eixo pela turbina a gás é usada para acionar o compressor axial e o eixo comum à TG, TV e ao alternador. A segunda transformação de energia ocorre na turbina a vapor onde o vapor gerado na caldeira recuperativa é expandido. A expansão do vapor nas pás da TV corresponde a um incremento de energia mecânica que é transmitida ao alternador através do eixo comum à TV e à TG. A figura 3.29 ilustra de forma simplificada o processo de produção de eletricidade em centrais de ciclo combinado com turbina a gás. Fig. 3.29 - Esquema geral do processo de produção de energia elétrica em Centrais de Ciclo Combinado [1]. Fig. 3.30 – Balanço energético da Central Ciclo Combinado de Lares [1]. A combinação de dois ciclos termodinâmicos (ciclo de Brayton e de Rankine) permite atingir um rendimento energético superior ao obtido se ambos os ciclos fossem usados isoladamente. No conjunto turbina a gás e turbina a vapor, aproximadamente 2/3 da potência elétrica (294 MW) são produzidos pela TG, pertencendo à TV a produção de 1/3 da potência total do grupo electroprodutor (147 MW). Da figura 3.30 constata-se que na primeira fase de transformação 37,4% da energia primária disponibilizada pela transformação química do combustível é convertida em energia mecânica pela TG. Nesta fase, estima-se que as perdas sejam equivalentes a 1,1%. Os restantes 61,5% da energia primária são convertidos em energia calorífica que é empregue na segunda fase de transformação. Na produção de vapor apenas 53,9% da energia calorífica inicialmente disponibilizada à caldeira recuperativa (61,5%) são empregues na produção de vapor. Neste processo estima-se que o somatório das perdas na caldeira recuperativa e na chaminé é equivalente a 7,6%. Da energia calorífica disponibilizada à produção de vapor (53,9%), verifica-se que apenas 20,9% é convertida em energia mecânica pela TV, sendo que os restantes 33,2% de energia térmica resultam em perdas no condensador e na TV. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 33 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.12.1 – Turbina a Gás A TG é um dos elementos mais importantes de uma central de ciclo combinado. A sua constituição é essencialmente baseada em três elementos, respetivamente, compressor, câmara de combustão e turbina de potência (figura 3.31). Câmara de combustão Turbina de potência Compressor Fig. 3.31 – Corte longitudinal de uma turbina a gás [11]. Na figura 3.32 pode observar-se uma representação simplificada dos principais elementos de uma TG. Entrada de ar com temperatura e pressão ambiente Entrada de ar aquecido e comprimido para a câmara de combustão Compressor IGV's Eixo Expansão dos gases resultantes da combustão para as pás da TG Câmara de combustão Eixo Turbina de Potência Gases de exaustão Adição de combustível Fig. 3.32– Representação simplificada de uma turbina a gás. O ar, ao passar pelo compressor, sofre uma compressão de 18,5:1 ao longo de 18 andares de compressão. Devido às forças centrífugas, o ar é aquecido com uma temperatura que pode variar entre 260 ºC a 450 ºC sem adição de calor consoante o modelo da TG e das condições ambientais [14, 13]. Na Central Termoelétrica de Lares, a temperatura do ar à saída do compressor é, em média, 420 ºC. Atualmente existem dois tipos de compressores associados às turbinas a gás, o compressor axial e o radial. O compressor radial é empregue em sistemas que requerem baixos níveis de compressão (figura 3.33 (A)). O compressor da Central de Lares é do tipo axial (figura 3.33 (B)). Este tipo de compressor é usado quando são exigidas elevadas razões de pressão e rendimentos elevados. A razão de pressão é determinada pela expressão (3.1) (3.1) O compressor axial é constituído por vários andares, sendo que cada andar é constituído por uma fiada de pás ligada ao eixo (pás móveis) e outra ligada a carcaça da turbina a gás (pás fixas). 34 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares A B Fig. 3.33 - Compressor radial (A); Compressor axial (B) [15, 16]. A primeira fiada ou fileira de pás à entrada do compressor é designada por pás guias de admissão (IGV’s). Este sistema permite orientar o ângulo da primeira fiada de pás em função das necessidades da turbina a gás. O controlo do ângulo permite, deste modo, controlar o fluxo de ar em situação de arranques, paragem, ou quando a turbina está a funcionar em cargas parciais mantendo constante a temperatura dos gases resultantes da combustão. O ajuste do ângulo é efetuado de forma automática e é regulado em função da temperatura ambiente e da velocidade do eixo. Este sistema permite, ainda, efetuar o controlo sobre as emissões gasosas que fluem para a atmosfera, tal como os óxidos de azoto. A câmara de combustão é o local onde ocorre a queima da mistura ar/combustível (figura 3.34). O ar comprimido quando chega à câmara de combustão vem com uma velocidade demasiado elevada para se efetuar a queima e manter a chama. A câmara de combustão é projetada de forma a reduzir a velocidade do ar através de um difusor (figura 3.35). 1º Estágio de pás da turbina de potência Zona de combustão Fig. 3.34 – Câmara de combustão [1]. Fig. 3.35 – Esquema de uma câmara de combustão [17]. Da análise da figura 3.35 consta-se que existem três zonas que constituem a câmara de combustão. A zona primária corresponde ao local onde ocorre a mistura do ar com o combustível. Esta zona deve ser projetada de forma a permitir uma mistura turbulenta e adequada entre o ar e o combustível. Esta zona absorve, aproximadamente, 1/3 do caudal total de ar que provém do compressor para cada queimador. Como a maior parte da combustão ocorre nesta zona, esta, está sujeita a temperaturas elevadas (aproximadamente 1900 ºC) [2]. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 35 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares De forma a reduzir a temperatura dos gases resultantes da combustão é injetado ar proveniente do compressor na zona intermediária e de diluição. Deste modo utilizam-se os 2/3 restantes do caudal de ar proveniente do compressor. A temperatura deve ser diminuída até uma temperatura que permita o contacto dos gases de exaustão com as pás da turbina de potência sem correr o risco de as deteriorar. Esta temperatura varia consoante o material utilizado na produção das turbinas. Prevê-se que um aumento de 30 ºC em relação à temperatura máxima que a turbina de potência suporta pode reduzir a vida útil da mesma em 30% [2]. Os gases resultantes da combustão são, deste modo, arrefecidos para temperaturas na ordem dos 1370 ºC antes de serem expandidos nas pás da turbina a gás [18]. Compressor axial Expansão dos gases nas pás da TG Câmara de combustão Exaustão dos gases para a caldeira recuperativa Queimadores Fig. 3.36 – Identificação dos principais sistemas de uma TG [19]. Quando ocorre a expansão dos gases resultantes da combustão nas pás da turbina dá-se a conversão de energia térmica em energia mecânica. Na realidade, esta transformação de energia ocorre em duas etapas. Numa primeira etapa, a energia térmica é convertida em energia cinética. A segunda etapa ocorre quando a energia cinética embate nas pás da turbina gerando movimento através das pás giratórias e móveis da turbina (figura 3.37). Estima-se que cerca de 50% do trabalho desenvolvido pela TG é usado para acionar o compressor axial [13]. A B Fig. 3.37 – Pás móveis da TG (A); Pás fixas da TG (B). 36 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.12.2 – Turbina a Vapor A turbina a vapor é um mecanismo que aproveita a energia calorífica do vapor para gerar energia mecânica. A energia mecânica gerada pela turbina a vapor é transmitida ao eixo de forma a acionar o alternador em conjunto com a turbina a gás. A TV da Central de Ciclo Combinado de Lares é constituída por três corpos de pressão, respetivamente alta, média e baixa pressão (figura 3.38). Fig. 3.38 – Turbina a vapor. O controlo de admissão de vapor na TV é efetuado através de válvulas hidráulicas. Estas válvulas são acionadas através do sistema hidráulico HPU (Hidraulic Power Unit) (figura 3.39 (A)). Este sistema opera através de óleo hidráulico. A C B Fig. 3.39 – Unidade de Pressão Hidráulica (A); Válvula hidráulica AP, Vista inferior (B) e superior (C). Além da válvula de admissão de vapor Alta Pressão (AP), existem mais duas válvulas idênticas para a Média e Baixa Pressão. Estas válvulas incorporam sistemas de admissão de vapor distintos. Um dos sistemas funciona como abertura e fecho (ON e OFF), o outro sistema permite regular o caudal de vapor conforme as necessidades da turbina a vapor. O caudal nominal e a pressão de vapor de cada corpo da turbina a vapor estão descritos no quadro 3.1. Quadro 3.1 – Caudal nominal de vapor em função do nível de pressão [20]. Corpo de Pressão Alta Pressão (AP) Média Pressão (MP) Baixa Pressão (BP) Rodolfo Manuel Conceição Pereira Pressão 160 Bar 25 Bar 4 Bar Caudal Nominal 313,88 ton/h 345,97 ton/h 390,78 ton/h 37 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares As turbinas de vapor diferenciam-se quanto ao modo como o vapor é expandido no seu interior. O processo de expansão pode ser efetuado tendo como base os princípios de impulsão, de reação ou ambos. O princípio utilizado difere em função da pressão associada a turbina a vapor. Deste modo, a turbina AP é uma turbina de impulso com 30 estágios (figura 3.41 (A) e 3.41 (B)). A turbina de MP é uma turbina de reação com 11 estágios (figura 3.41 (C) (2)). Por fim, a turbina de BP é de impulsão-reação e é constituída por 6 estágios (figura 3.41 (C) (1)). A TV é constituída por pás fixas (presas à carcaça) e pás móveis (presas ao eixo). As pás fixas orientam o fluxo de vapor de modo a que este, ao passar pelas pás móveis da TV, transmita energia que possibilite movimentar o eixo. As turbinas de impulso alteram a direção do fluxo de vapor. O impulso resultante faz girar a turbina, deixando o fluxo de vapor com uma energia cinética menor. Nas turbinas de impulso, a queda de pressão ocorre nas lâminas fixas da turbina (conhecidas como agulhetas) (figura 3.40 (A)). Nas turbinas de reação o binário é desenvolvido por meio da reação entre a turbina e a massa do vapor. A pressão do vapor altera-se à medida que este passa através das pás móveis da turbina (figura 3.40 (B)). A B Fig. 3.40 – Turbina de impulsão (A); Turbina de reação (B) [21]. 1 2 A B C Fig. 3.41 - Pás móveis da turbina AP (A); Pás fixas da turbina AP (B); Pás móveis turbina BP (1) e MP (2) (C). De forma a evitar deslocamentos axiais da turbina devido ao impacto do vapor nas pás da turbina, o fluxo de vapor da turbina de alta pressão circula em sentido oposto ao fluxo de vapor da turbina de média e baixa pressão como ilustrado na figura 3.42. 38 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares Fig. 3.42 – Sentido do fluxo de vapor [22]. A TV é constituída por diversos estágios. Entre cada estágio existem diafragmas. Estes são fixados na carcaça da turbina e abraçam o eixo sem o tocarem. Entre o eixo e o diafragma existe um conjunto de anéis de vedação que minimizam as fugas de vapor de um estágio para o outro de forma a garantir que todo o vapor é turbinado. Este tipo de vedação é chamada vedação interna. Na figura 3.43 é possível visualizar ligeiras saliências (anéis), assinaladas por um círculo, que efetuam a selagem interna. Fig. 3.43 – Diafragmas ente estágios da turbina a vapor alta pressão. Nas extremidades da turbina a vapor onde o eixo sai do interior da turbina estão colocados labirintos (figura 3.44). A função dos labirintos é a eliminação de possíveis fugas de vapor para o exterior da TV. Nestes labirintos é injetado o vapor de selagem de fora para dentro da TV. Este processo garante a estanquicidade do vapor turbinado no interior da turbina. A B C Fig. 3.44 – Anéis de vedação da turbina AP (Labirintos) (A); Labirintos (B); Labirinto em relação ao eixo [23]. O vapor de selagem é obtido a partir da caldeira auxiliar durante o arranque dos grupos e é sobreaquecido no sobreaquecedor elétrico do respetivo grupo. O reaquecimento garante a temperatura e pressão adequada à selagem. Após efetuar o arranque dos grupos, o vapor de selagem advém da caldeira recuperativa do circuito de média pressão. Esta selagem é chamada de selagem externa. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 39 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.12.3 – Eixo O eixo é o responsável pela transmissão de energia mecânica ao alternador. A topologia deste, na Central Termoelétrica de Lares, corresponde a um eixo comum à TG, alternador e TV. Esta topologia tem como vantagem a inexistência de uma embraiagem para efetuar a junção da TV ao eixo comum. A principal desvantagem deste sistema relaciona-se com os tempos de arranque devido à imprevisibilidade do comportamento da TV. O eixo é apoiado em chumaceiras colocadas ao longo do mesmo (figura 3.45). De forma a reduzir fricções entre as chumaceiras e o eixo, existe um sistema de lubrificação e levantamento. Este sistema consiste num caudal constante de óleo pressurizado que é injetado entre as chumaceiras e o eixo minimizando o contacto e o desgaste entre ambos. Ao longo do eixo existem sensores de excentricidade colocados estrategicamente de forma a monitorizar vibrações. Por normas de segurança, na ocorrência de vibrações elevadas os grupos são desativados automaticamente. B A Fig. 3.45 – Chumaceira. Parte superior (A); Parte inferior (B). 3.4.12.4 – Alternador O alternador é o responsável pela conversão da energia mecânica desenvolvida pela TG e pela TV em energia elétrica (figura 3.46). A energia elétrica produzida é transferida para o transformador principal do grupo respetivo através de barramentos blindados. As principais características do alternador da Central Termoelétrica de Lares estão descritas no quadro 3.2. Quadro 3.2 - Característica do alternador. Fabricante / Modelo General Electric / 450H Velocidade / Frequência / nº Pólos 3000 rpm / 50 Hz / 2 Electric Potência aparente 530 MVA Pólos Tensão nominal 19 kV Fator de Potência 0,85 Fig. 3.46 – Vista geral do alternador. 40 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares Vmax (2) 0V (1) Vmin B 0º A 60º 120º 180º 240º 300º 360º Fig. 3.47 – Esquema de um alternador simplificado (A); Onda de tensão alternada monofásica (B) [24]. O alternador recorre a processos eletromagnéticos de forma a gerar energia elétrica. Na figura 3.47 (A) está representado um esquema simplificado de um alternador. Para facilitar o estudo do princípio de funcionamento considera-se uma espira (1) imersa num campo magnético (2). A energia mecânica é empregue para acionar o movimento rotativo da espira. O princípio básico de funcionamento está associado à posição relativa entre a espira e as linhas do campo magnético (lei de Lenz-Faraday). Deste modo, quando a espira forma um ângulo de 90º em relação às linhas do campo magnético, a tensão é máxima. Quando a espira forma um ângulo de 0º (figura 3.47) a tensão é zero. Deste modo, consoante a orientação da espira face às linhas do campo magnético, obtém-se a tensão alternada (figura 3.47 (B)). Os terminais da espira são ligados ao circuito externo onde se encontra a carga ou barramento (figura 3.48 (c)). Este exemplo ilustra o funcionamento de um alternador monofásico, contudo, as centrais electroprodutoras utilizam alternadores trifásicos. O princípio de funcionamento destes é, em todo, semelhante ao ilustrado na figura 3.47 (A), sendo que a principal diferença reside no número de espiras existentes no rotor uma vez que estes alternadores possuem três espiras isoladas e distanciadas entre si 120º. O alternador de eixo horizontal está diretamente acoplado ao veio da TG e TV estando disposto entre ela. Devido a existências de perdas internas por efeito de Joule no alternador, este está sujeito a elevadas temperaturas que devem ser dissipadas de forma a prevenir a destruição dos isolamentos. Na sequência da paragem programada do grupo I, foi possível acompanhar os trabalhos de inspeção no interior do alternador (figura 3.48 (A)). A inspeção foi efetuada através de um carro equipado com câmaras como ilustrado na figura 3.48 (B). Estator Rotor A B C Fig. 3.48 – Alternador lado TG (A); Carro telcomandado (B); Ligação do alternador ao barramento(C). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 41 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares O alternador é arrefecido através de hidrogénio que circula no seu interior. Este gás é indicado para efetuar a refrigeração devido às suas propriedades de variação térmica ou de calor especifico7. De forma a promover uma circulação uniforme do hidrogénio em todos os constituintes do alternador, o hidrogénio é impulsionado através de dois ventiladores de pás fixas instaladas e presas às extremidades do rotor (figura 3.49). Fig. 3.49 – Ventilador para promover a ventilação forçada do hidrogénio. O hidrogénio é um gás extremamente inflamável quando se encontra misturado com o ar, tipicamente, com uma concentração de 4% a 75% [25]. De forma a evitar entrada de ar para o interior do alternador, o hidrogénio é pressurizado com uma pressão superior à pressão atmosférica (aproximadamente 4 bar). Contudo, devido à diferença de pressão, o hidrogénio teria tendência a sair para o exterior do alternador. De forma a eliminar possíveis fugas, o alternador possui um sistema de selagem. A selagem é efetuada através de anéis instalados em torno do rotor onde é injetado um caudal constante de óleo pressurizado (figura 3.50). Fig. 3.50 – Sistema de selagem [25]. Os anéis são comprimidos contra o eixo através de uma mola criando, desta forma, uma camada de óleo que impede a saída de hidrogénio (figura 3.50 e 3.51). O óleo resultante da barreira escorre, tanto para o interior, como para o exterior do alternador. Sistemas dedicados efetuam a recolha e a limpeza do óleo em ambos os lados do anel de vedação. O óleo é limpo de modo a remover partículas de hidrogénio arrastadas pelo mesmo. Após efetuada a limpeza do óleo, este é bombeado para um coletor onde será novamente injetado nos anéis de selagem. 7 Calor específico consiste na quantidade de calor que é necessário fornecer a 1 grama de uma substância para elevar a sua temperatura em 1 grau Celsius. O calor específico da água é 1 cal/g.°C. Por sua vez, o calor específico do hidrogénio é 3.4 cal/g.°C. Quanto maior o calor específico, mais energia térmica é necessária para elevar a sua temperatura. Deste modo, o hidrogénio é um ótimo absorvente térmico. 42 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares Fig. 3.51 – Anéis de selagem [25]. O hidrogénio aporta outros benefícios enquanto gás de arrefecimento num alternador. Deste modo, ele minimiza o aparecimento de descargas parciais e reduz o efeito de corona no interior do alternador. O hidrogénio, após percorrer os componentes constituintes do alternador, é encaminhado para permutadores de calor onde é arrefecido. Num gerador síncrono, o campo magnético de rotação necessário para induzir tensão nos enrolamentos do estator é assegurado pelo sistema de excitação. Este sistema consiste no fornecimento de uma tensão DC ao enrolamento indutor localizado no eixo de forma a estabelecer a tensão interna do alternador, em consequência, este sistema é responsável pela tensão a saída do alternador e pelo fator de potência. O sistema de excitação é operado automaticamente pelo controlador de regulação de tensão que atua na excitatriz de forma que a potência reativa e a tensão a saída do alternador variem da forma pretendida (figura 3.52). De modo a ajustar a produção de energia elétrica às necessidades do SEE, o regulador automático de velocidade acompanha as variações de velocidade do alternador em função da potência solicitada pelo SEE. A variação de velocidade do alternador interfere diretamente na estabilidade da frequência. Nesse sentido, o regulador automático de velocidade atua na admissão de vapor e de combustível de forma a manter o alternador a velocidade de sincronismo. Este controlo tem como objetivo aumentar ou diminuir a potência mecânica (Pmec) de forma a manter a velocidade (3000 rpm) e a frequência (50 Hz) no seu valor nominal. Resumidamente, o controlo na admissão de vapor e de combustível é efetuado da seguinte forma: O alternador acelera – Redução de fluxo de vapor à TV e de combustível à TG. Pmec ↓ O alternador aninha – Aumento de fluxo de vapor à TV e de combustível à TG. Pmec ↑ A B Fig. 3.52 – Sistema de escovas de excitação (A); Suporte das escovas (B). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 43 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares É possível visualizar graficamente a evolução da potência gerada em função do fluxo de vapor e de gás consumido. Quando se pretende elevar a potência ativa gerada é necessário elevar a potência mecânica disponibilizada ao eixo pela TG e TV. Por seu turno, quando se pretende diminuir a potência ativa, reduz-se a potência mecânica transmitida ao eixo. A variação do fluxo de combustível, do fluxo de vapor e da potência reativa no acompanhamento na curva da potência ativa de um arranque tipo podem ser visualizados na figura 3.53. A figura 3.53 foi obtida através do PI ProcessBook, e nela constata-se que o fluxo de gás e de vapor acompanham, invariavelmente, a curva de potência ativa do alternador. 450 18 350 Potência Ativa (MW) Fluxo de gás (kg/s) Fluxo de vapor AP (t/h) -50 0 0 Fig. 3.53 – Evolução da curva de potência ativa produzida. 3.4.13 – LCI - Load Commutated Inverter Na sequência de arranque, o alternador funciona como motor através do LCI. O LCI é um sistema de inversão de frequência ajustável. Este, utiliza um software específico baseado em microprocessadores de forma a controlar a velocidade do alternador enquanto motor. O seu princípio assenta numa topologia de retificação e inversão da onda de tensão (figura 3.54). O retificador é constituído por um banco de tirístores que, através de uma comutação controlável e ajustável, convertem uma tensão AC em DC. O indutor DC elimina os picos de corrente, tornando a tensão contínua durante o funcionamento do sistema. A tensão retificada pelo retificador é, então, encaminhada para um inversor que converte a tensão DC em AC novamente com uma frequência variável. O transformador de isolamento isola o LCI do barramento de média tensão e fornece a tensão adequada aos terminais do retificador [26]. Este sistema permite, deste modo, converter o alternador em motor de forma acionar a TG até à velocidade de autossustentação (aproximadamente 95% da velocidade nominal (2850 rpm)). Fig. 3.54 – Diagrama simplificado do sistema LCI [26]. 44 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares O benefício deste sistema reside no facto de não existir a necessidade de associar um motor de arranque à TG. Na Central Termoelétrica de Lares, existe um LCI por grupo, no entanto, um único LCI pode efetuar o arranque da turbina a gás de ambos os grupos através da interligação entre barramentos. O LCI possui um sistema de refrigeração de forma a arrefecer os tirístores de comutação. A refrigeração do LCI é efetuada através de um circuito fechado de água. Segundo recomendações da GE e para o coreto funcionamento do LCI, a água devem estar num nível de pureza elevada [26]. A sua desmineralização é garantida através de um filtro de carvão e um desionizador (figura 3.55). Reservatório de água Retificadores Bomba de circulação 1 Módulos de tirístores Sistema de refrigeração Módulos de tirístores A Desionizador Filtro de carvão Regulador de temperatura Bomba de circulação 2 B Fig. 3.55 – Módulos do LCI (A); Sistema de refrigeração (B). 3.4.14 – Disjuntor de Grupo De forma a separar o alternador do SEE existe um disjuntor de grupo (figura 3.56). Este disjuntor encontra-se entre o alternador e o transformador principal do respetivo grupo. Em caso de ocorrências de anomalias no SEE (fora da central) ou anomalias internas (dentro da central) o disjuntor interrompe o circuito de forma garantir o isolamento do alternador. A B Fig. 3.56 – Visão geral do disjuntor de grupo (A); Painel de monitorização do disjuntor (B). No painel de controlo do disjuntor de grupo é possível visualizar o estado dos seccionadores (Branco – Circuito Aberto, Verde – Circuito Fechado). Quando o grupo se encontra a injetar energia para rede elétrica o aspeto do quadro é o da figura 3.56 (B). Após se verificar o sincronismo entre o alternador e o SEE, na sequência de arranques, este disjuntor fecha interligando o alternador com o SEE. O sincronismo verifica-se quando os valores da tensão, da sequência de fases e da frequência são iguais do lado do alternador e do SEE. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 45 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.15 – Transformadores A Central Termoelétrica de Lares possui um transformador principal e um auxiliar por grupo (figura 3.57). O transformador principal tem como função elevar a tensão de geração de 19 kV para 400 kV de forma a transferir a energia elétrica produzida para o SEE onde se efetua o respetivo transporte. Quando os grupos não se encontram a produzir, o transformador principal tem como função reduzir a tensão vinda do SEE de 400 kV para 19 kV a fim de abastecer os serviços auxiliares da Central Termoelétrica através do transformador auxiliar do respetivo grupo. O transformador auxiliar converte a tensão de 19 kV para 6,6 kV de modo a alimentar o barramento de média tensão do respetivo grupo ou do grupo similar através de uma interligação entre barramentos. Fig. 3.57 – Transformador auxiliar (1) e principal (2) de grupo. A razão pela qual o valor da tensão de geração é elevado antes de se efetuar o respetivo transporte deriva da necessidade de reduzir as perdas por efeito de joule nas linhas de transmissão durante o transporte da energia elétrica. As perdas por efeito de joule variam em função do quadrado da intensidade (Perdasjoule=[I]2*[R]). Tendo em atenção que os transformadores têm a capacidade de transformar tensões mantendo o princípio da conservação da energia (Potênciaprimário=Potênciasecundário) deduz-se, deste modo, que elevando a tensão do primário para o secundário, a corrente será mais baixa no lado do secundário. Tendo em conta que a energia dissipada por efeito de joule varia em função do quadrado da intensidade, pode-se diminuir as perdas diminuído a corrente que flui pelas linhas de transporte. Pelo princípio de conservação de energia (Potênciaprimário=Potênciasecundário), deduzse que elevando a tensão e mantendo a potência inalterada a corrente será mais baixa tal como descrito na equação (3.2). [ ] [] 46 [] ê [ ] ê . (3.2) Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares Assim, à saída do alternador, coloca-se um transformador elevador de tensão ([V]secundário > [V]primário) de modo a reduzir a corrente no secundário ([I]secundário < [I]primário) mantendo a potência inalterada ([P]primário = [P]secundário). No destino, será colocado um transformador redutor de modo a inverter o efeito do transformador principal da Central Termoelétrica. Com isto, pretende-se baixar a tensão e elevar a corrente. As vantagens de elevar a tensão reduzindo a corrente na fase de transporte prendem-se igualmente com a possibilidade de reduzir a secção dos cabos que efetuam o transporte da energia elétrica. Na figura 3.58 é efetuada uma apresentação dos principais componentes do transformador principal. 6 1 4 3 5 2 2 2 Fig. 3.58 – Descrição geral do transformador principal. Legenda: 1 – Chegada da fase W, V, U do alternador; 2 – Permutador de calor fase W, V e U (sistema de refrigeração); 3 – Isolador de proteção contra sobretensões; 4 – Terminal transformador lado MAT 400 kV (fase W); 5 – Quadro de comando dos ventiladores e de serviços auxiliares; 6– Reservatório de óleo de refrigeração. Os transformadores auxiliares estão equipados com uma resistência de neutro. Esta permite reduzir as correntes de defeito à terra em situações de curto-circuito fase-terra (figura 3.59). Deste modo, ela tem como função diminuir a intensidade das correntes de defeito à terra. Fig. 3.59 – Resistência do neutro. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 47 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares Dada a existência de perdas por efeito joule nos enrolamentos do transformador, estes irão estar sujeitos a aumentos de temperatura significativas. A temperatura resultante das perdas deve ser dissipada de forma a não deteriorar o isolamento dos enrolamentos. No caso do transformador de baixa potência, o arrefecimento é efetuado através de dissipação natural. Em transformadores de média potência, a dissipação é realizada mergulhando os enrolamentos em óleo mineral o que, para além de melhorar o fator de dissipação, permite aumentar o isolamento elétrico. Em transformadores de grande potência, o arrefecimento é efetuado com ventilação forçada. Esta solução contempla a instalação de ventiladores de forma a promover a passagem do ar nos permutadores onde o óleo de refrigeração é arrefecido (figura 3.60). Fig. 3.60 – Sistema de arrefecimento do óleo transformador principal. O óleo de refrigeração é armazenado no interior do transformador. Devido a possíveis fugas de óleo e à expansão do mesmo com o aumento da temperatura, existe um reservatório (figura 3.58 (6)) que garante o nível de óleo do transformador e permite a expansão do mesmo quando necessário. O reservatório do óleo é isolado do ar exterior de modo a não deteriorar a qualidade do mesmo. Contudo, existem entradas de ar que permitem a ventilação do mesmo quando ocorre uma situação de enchimento do reservatório ou quando este descarrega óleo para a cuba do transformador. O ar, antes de entrar para o reservatório, é filtrado através de uma coluna de sílica (figura 3.61 (A)) que garante a remoção de impurezas e humidades do ar. A B Fig. 3.61 – Filtro de Sílica (A); Instrução para substituir as sílicas (B). O filtro é constituído por módulos de sílica individuais. Quando estes se encontram saturados é necessário proceder à substituição do módulo. A cor da sílica permite visualizar quando é necessário proceder a substituição dos módulos de sílica (figura 3.61 (B)). 48 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.16 – Parque de Linhas A subestação da Central Termoelétrica de Lares é responsável pela receção da energia produzida pelos grupos electroprodutores e pelo envio da mesma para a subestação de Lavos. Na figura 3.62 (A) podem observar-se os principais componentes da subestação. O sistema é totalmente controlado remotamente a partir da sala de comando. Os transformadores de corrente são usados como forma de medida, os seccionadores permitem isolar a Central de Ciclo Combinado de Lares do SEE (não operam em carga). Os disjuntores são equipamentos de corte que interrompem o circuito na deteção de anomalias pelos sistemas de proteção (operam em carga). Seccionador de linha Seccionador de linha Disjuntor de linha A Transformador de corrente B Fig. 3.62 – Visão geral do parque de linhas (Subestação) (A); Quadro disjuntor (B). Os disjuntores necessitam de uma força elevada para atuar. Por conseguinte, estes equipamentos operam a partir de um gás que é comprimido através de um êmbolo acionado por um motor elétrico. Por baixo de cada disjuntor de linha existe um quadro que indica se o disjuntor está armado ou não (Figura 3.62 (B)). A subestação possui aparelhagem de medida e de proteção. Na ocorrência de uma falha de energia elétrica, a alimentação dos equipamentos é assegurada através de baterias de emergências (figura 3.63). Fig. 3.63 – Vista geral dos equipamentos de medida, proteção e das baterias de emergência. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 49 Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 3.4.17 – Esquema Elétrico Unifilar da Central O esquema unifilar da Central Termoelétrica de Lares pode ser visualizado na figura 3.64. A Central é constituída por dois barramentos de média tensão (6,6 kV), um por cada grupo. Estes barramentos são alimentados diretamente através do transformador auxiliar do respetivo grupo. Subestação de Lavos 410 KV Subestação de Lavos 410 KV Linha 1 19 KV/400 KV 528 MVA Linha 2 19 KV/400 KV 528 MVA 19 KV 19 KV 19 KV/6.6 KV 24 MVA 19 KV/6.6 KV 24 MVA 19 KV 530 MVA 6.6 KV 6.6 KV 6.6 KV/400 V 2.5 MVA 6.6 KV/400 V 2.5 MVA 6.6 KV/400 V 2.5 MVA 400 V 400 V Diesel Emergência 6.6 KV/400 V 2.5 MVA 400 V 400 V MCCs Grupo I 19 KV 530 MVA 125/250 Vdc Serviços Comuns 400 V MCCs 125/250 Vdc Diesel Emergência Grupo II Fig. 3.64 - Esquema elétrico simplificado da Central Termoelétrica de Lares [1]. O barramento de média tensão deve alimentar os quadros de baixa tensão (400 / 230 V) afetos aos serviços auxiliares tais como iluminação, ventiladores e motores de potência elevada existentes nos respetivos grupos (figura 3.65). Em condições normais, os barramentos de média tensão são alimentados a partir do transformador auxiliar do respetivo grupo. No entanto, estes barramentos podem ser alimentados a partir do transformador auxiliar do grupo similar através de uma interligação de barramentos. O sistema de interlocks permite efetuar a interligação entre barramentos na ocorrência de uma anomalia no sistema de alimentação de um determinado barramento. O sistema de interlocks ou de bi-alimentação encontra-se no sistema de média e baixa tensão e opera segundo determinadas condições que atendem a segurança do sistema elétrico da Central Termoelétrica. A 50 B Fig. 3.65 – Quadros de média tensão (A); Quadros de baixa tensão (B). Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 3 – Apresentação da Central Termoelétrica de Lares Os barramentos de média e de baixa tensão de cada grupo encontram-se na sala elétrica existente no respetivo grupo (figura 3.65). Esta sala apenas tem os quadros de alimentação de equipamentos afetos ao grupo. Os quadros de alimentação dos serviços comuns e auxiliares da Central estão situados no edifício afeto à alimentação dos serviços comuns (figura 3.66). Fig. 3.66 – Edifício elétrico de serviços comuns e auxiliares da Central Termoelétrica. 3.4.18 – Sistemas de Emergência de Energia Elétrica A Central Termoelétrica de Lares está equipada com um sistema de emergência de fornecimento de energia elétrica. Este deve assegurar a paragem dos grupos em segurança e garantir a alimentação de cargas essenciais quando, por avaria grave ou por falha no SEE, seja imperativa a paragem dos grupos. Em caso de apagão, a alimentação das cargas essenciais é salvaguardada por um banco de baterias e por um gerador Diesel de emergência que arranca automaticamente fornecendo energia às cargas ligadas aos circuitos de emergência (figura 3.67). O esquema unifilar do gerador de emergência e das baterias pode ser visualizado na figura 3.64 ou no Anexo H. A B Fig. 3.67 – Sistema de emergência. Banco de baterias 125/250 Vdc (A); Gerador de emergência (B). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 51 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Durante o período de estágio foi possível acompanhar diversas tarefas de manutenção. Neste capítulo serão descritos alguns desses trabalhos, sendo que os casos de estudo apresentados no subcapítulo 4.1 e 4.2 foram propostos no decorrer do estágio de forma a complementar o presente relatório. 4.1 – Programação de um Autómato da Siemens Foi referido no subcapítulo 3.4.12.3 que o eixo comum ao alternador, à turbina a gás e à turbina a vapor se encontra apoiado sobre chumaceiras. De forma a minimizar o desgaste entre o eixo e as chumaceiras existe o sistema de lubrificação e levantamento do eixo. Este sistema consiste na injeção de um caudal de óleo pressurizado entre o eixo e as chumaceiras elevando o eixo alguns milímetros em relação as chumaceiras. De modo a manter um caudal constante de óleo pressurizado, este sistema conta com 4 bombas (2 bombas principais e 2 bombas de emergência). Para o correto funcionamento do grupo electroprodutor, estas devem estar sempre operacionais. As bombas principais são acionadas através de motores AC, na ocorrência de uma falha de energia ou numa queda de pressão do óleo no sistema de lubrificação e levantamento, as bombas de emergência são ativadas através de motores DC. A alimentação destes motores é efetuada a partir de um banco de baterias de 250 Vdc. O objetivo deste trabalho consistiu na programação de um autómato que monitorizasse os tempos de arranques dos motores DC de forma a testar a fiabilidade do sistema de arranque. O arranque dos motores DC é efetuado através de um sistema eletromecânico autónomo. Para que os motores arranquem de forma suave minimizando os picos de corrente, existem duas resistências no circuito de alimentação que devem ser retiradas de forma sequencial e controlada. No Anexo D é possível visualizar o esquema de alimentação dos motores DC onde se verifica a existência de dois contatos (1A e 2A). Estes contatos são responsáveis pela saída das resistências (oferecem um caminho alternativo à corrente) efetuando um bypass às resistências R1 e R2. Os contatos 1A e 2A são acionados através de contatores que terão ligado a eles um contacto auxiliar. Os contatos auxiliares permitem indicar ao autómato as manobras de abertura ou fecho do contator responsável pela atuação dos contatos 1A e 2A. Deste modo, os contatos auxiliares são ligados às entradas do autómato (I3 e I4) de forma a monitorizar os tempos de atuação dos contatores e determinar o tempo de saída das resistências. A resistência R1 (representada no esquema de alimentação do motor, Anexo D) terá como contacto auxiliar o 1A. Por seu turno, a resistência R2 terá como contacto auxiliar o 1Ax. 1A e 1Ax são as nomenclaturas usadas para referenciar o bypass às resistências R1 e R2. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 53 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Montagem em bancada do LOGO!: Para efetuar programação do autómato da Siemens (LOGO!) foi necessário efetuar uma montagem em bancada onde se pretendeu simular os inputs e outputs do autómato como se este estivesse montado no quadro de controlo dos motores de corrente contínua (figura 4.1). Fig. 4.1 – Placa de montagem do autómato LOGO! 24RC. O esquema de ligações está ilustrado na figura 4.2. Neste é possível visualizar os principais equipamentos necessários para efetuar a monitorização do tempo de saída das resistências. Lista de componentes: Fonte de alimentação AC-DC 230V – 24Vdc (só para efetuar os testes em bancada); Contactos auxiliares (designados por Reset, Mx, IA e IAx); 2 Lâmpadas (Alarmes visuais); 1 Autómato da Siemens LOGO! 24RC; Relé de monitorização de sobrecorrente (Ref: DIB02C724150MV) [27]. Fig. 4.2 – Esquema de montagem das entradas/saídas do autómato e montagem de bancada. A monitorização dos tempos de arranque dos motores de corrente contínua é efetuada através de contadores colocados estrategicamente ao longo do programa. O valor obtido pela contagem dos contadores é posteriormente convertido em tempo através de blocos matemáticos existentes no software LogoSoft (cada centésimo de segundo corresponde as duas contagens dos contadores). Com a finalidade de confirmar os tempos apresentados no ecrã do LOGO!, efetuou-se um teste através de um osciloscópio (figura 4.3, 4.4 e 4.5). 54 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Fig. 4.3 – Verificação dos tempos indicados pelo LOGO! através de um osciloscópio. Fig. 4.4 – Verificação do tempo de saída da resistência R1 (IA). Na figura 4.4 pode visualizar-se o teste ao tempo de saída da resistência R1 (IA). As linhas representadas no osciloscópio representam a mudança de estado dos contactos auxiliares em função dos contatores a eles associados. A linha azul na figura 4.4 representa o instante em que é dada ordem de arranque ao motor, por sua vez, a linha vermelha representa o tempo de atuação do contator referente à resistência R1 (IA). Selecionando a opção “Cursor” no osciloscópio foi possível visualizar o espaço de tempo entre a curva a azul e a vermelho. Neste teste, o tempo de saída da resistência R1 (IA) foi efetuando em 0,48 segundos após a ordem de arranque do motor como indicado na figura 4.4. Fig. 4.5 – Verificação do tempo de saída da resistência R2 (IAx). Testou-se, de igual modo, a secção do programa onde é efetuado o controlo do tempo associado à resistência R2 (IAx) (figura 4.5). Neste teste, o tempo de saída da resistência R2 foi em 0,46 segundos (462,5 ms no osciloscópio). Com este teste, verificou-se que o autómato estava a apresentar valores fidedigno no ecrã. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 55 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Funcionamento do Programa Para que o arranque dos motores DC do sistema de lubrificação e levantamento do eixo ocorra sem anomalias, o bypass das resistências deve ser efetuado nos tempos definidos. No máximo, a sequência de arranque (correspondente as saída das resistências) pode demorar até 3 segundos. As condições de bypass às resistências estão representadas na figura 4.6. 0.5 seg. 3 Segundos no máximo 1 seg. 0.5 seg. 1 seg. B A C D Fig. 4.6 – Sequência e tempo de arranque do motor DC. A→ Representa o tempo de espera que o contator associado à saída da resistência R1 (IA) deve aguardar após a ordem de arranque do motor (0,5 segundos no mínimo); B→ Representa o tempo em que o contator associado à saída da resistência R1 (IA) deve atuar de forma a retirar a resistência R1 do circuito de alimentação (1 segundo no máximo); C→ Representa o tempo de espera que o contator associado à saída da resistência R2 (IAx) deve aguardar após a saída da resistência R1 (0,5 segundos no mínimo); D→ Representa o tempo em que o contator associado à saída da resistência R2 (IAx) deve atuar de forma a retirar a resistência R2 do circuito de alimentação (1 segundo no máximo); A figura 4.7 ilustra como é efetuado o controlo do alarme geral Q1 em função dos tempos de saída das resistências (função principal do programa). O programa foi concebido de forma a monitorizar todos os tipos de falhas enviando mensagens para o ecrã a informar o motivo do alarme. No anexo D são descritos os vários blocos de instruções e as respetivas funções. Início – Aguarda ordem de arranque do motor Sim Mx é premido Reset efetuado Ordem de arranque. Inicia a contagem de tempo para R1 (IA) Tempo de saída R1 saiu no R1 tempo definido R1 não saiu no tempo definido Ativa Alarme Q(1) Alarme Q1 ativo Inicia a contagem de tempo para R2 (IAX) Tempo de saída R2 R2 não saiu no tempo definido Não Não Aguarda que o botão Reset seja premido Sim Mx é libertado Ativa Alarme Q(1) Aguarda ordem de paragem do motor R2 saiu no tempo definido Fig. 4.7 – Diagrama de funcionamento do programa de monitorização (programa principal). 56 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Entradas e saídas do autómato LOGO!: Entradas/Input: I1 Reset I2 Mx – Ordem de arranque I3 1A – Contacto auxiliar da resistência R1 I4 1Ax – Contacto auxiliar da resistência R2 I5 Relé de sobrecorrente Saídas/Output: Q1 Alarme geral Q2 Alarme de sobrecorrente Divisão do programa: O programa foi repartido em secções de forma a tornar mais percetível a função de cada bloco de instruções. O programa encontra-se estruturado da seguinte forma: Programa principal; Amostragem do tempo 1A e Amostragem do tempo 1Ax; Mensagem de alarme; Alarme de sobrecorrente; Alarme de falha nos contatores IA e/ou IAx após arranque; Saída Open Connector e Saídas; Contactos analógicos Blocos de Matemática IA e IAx; Contador de Arranque; Reset; Ecrã principal; Ligar luz; Histórico. Cada bloco de instruções representa uma determinada ação/função do autómato e são totalmente independentes entre si. Devido às limitações de endereçamento da memória interna do LOGO!, foi necessário integrar, na programação, três blocos de temporizadores que contabilizam exatamente os mesmos tempos, mas que são usados para fins distintos. Deste modo, o primeiro bloco de temporizadores é atribuído à parte de controlo (monitoriza os tempos de saída das resistências e envia alarme caso os tempos não sejam cumpridos), o segundo bloco de temporizadores serve para indicar no ecrã do LOGO! os tempos de saída das resistência R1 e R2. O terceiro bloco de temporizadores é usado para manter em memória os tempos referentes ao último arranque (histórico). O programa foi totalmente elaborado recorrendo a linguagem de programação Ladder. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 57 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Os tempos apresentados no ecrã são incrementados de dois em dois centésimos de segundo (figura 4.8). Este incremento pode, por vezes, causar alarmes quando o tempo de atuação dos contatores ocorre no limite do tempo definido para cada resistência (0,5 segundo no mínimo ou 1,5 segundo no máximo). Isto ocorre porque foi usado um gerador de pulsos síncrono que transita de estado a cada centésimo de segundo (0,01s). O contador apenas conta quando existe uma transição de “0” lógico para “1” lógico. Deste modo, cada contagem ocorre a cada 2 centésimos de segundo (0,01 segundo a “0” + 0,01 segundo a “1”). O alarme será ativado, ou não, conforme a transição ascendente ou descendente do pulso. Fig. 4.8 – Diagrama temporal de transição de pulso. As mensagens enviadas para o ecrã do LOGO! podem ser visualizadas pela sua ordem de prioridade. Para tal, basta carregar nas setas para cima e para baixo existentes no módulo do LOGO! (figura 4.9) para transitar entre as diversas mensagens ativas. No Anexo D do presente documento é possivel consultar as mensagens visuais que o LOGO! emite, assim como as parameterizaçoes iniciais dos temporizadores e contadores. A figura 4.9 indica igulamente os botões (switch) usados de forma a simular os tempo de atuação dos contatores associados aos contatos 1A (IA) e 2A (IAx). A B C D Fig. 4.9 – Teclas de transição entre mensagens. Legendas da figura 4.9: A → Efetua o Reset aos contadores e temporizadores existentes no programa; B → Simula a ordem de arranque do motor (Mx); C → Simula a saída da resistência R1 do circuito de alimentação (IA); D → Simula a saída da resistência R2 do circuito de alimentação (IAx). 58 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas 4.2 – Estudo das Proteções dos Transformadores Os transformadores da Central Termoelétrica de Lares encontram-se protegidos com aparelhagem que garante a sua retirada de operação em condições anómalas de exploração. O rápido isolamento dos transformadores quando detetadas situações irregulares é importante para não danificar os próprios transformadores e para não colocar em risco a vida de pessoas. O sistema de proteção dos transformadores é essencialmente efetuado através de relés digitais. Estes equipamentos são concebidos de forma a promover a retirada rápida de operação de uma parte de um sistema elétrico a fim de isolar a parte do circuito que apresente condições irregulares de operação. Estes relés são auxiliados por disjuntores que permitem a interrupção de correntes elevadas. O sistema de proteção deve ter como função principal o diagnóstico correto do problema, atuando de forma rápida e causando o menor distúrbio possível nos transformadores. O sistema de proteção dos transformadores inclui as seguintes proteções: Proteção contra bloqueios; Proteção dos transformadores principais e auxiliares; Proteção interna dos transformadores principais e auxiliares; Nos transformadores de potência podem surgir dois tipos de avarias, respetivamente, internas ou externas. As avarias internas estão relacionadas exclusivamente com as avarias afetas ao transformador, por exemplo, contacto entre dois enrolamentos, contacto entre um enrolamento e a massa, curto-circuito entre enrolamentos ou entre terminais. Por seu turno, as avarias externas são devidas a falhas exterior ao transformador tal como uma anomalia nas linhas de transmissão (lado fora da central termoelétrica) ou no gerador (lado dentro da central termoelétrica). As avarias externas são devidas por exemplo a sobrecargas ou a curto circuitos externos aos transformadores. Modo de proteções: A proteção dos transformadores é assegurada por um relé digital multifunções baseado num microprocessador do tipo T60 da série UR desenvolvido pela GE. Este relé apresenta-se como sendo o elemento principal de proteção, tendo sido concebido especificamente para proteger transformadores trifásicos. O esquema de proteção pode ser consultado no Anexo E do presente documento. Estes distinguem-se pelo tipo de proteção oferecida, deste modo: A proteção contra bloqueios é efetuada através do relé digital T60U; A proteção do transformador principal é efetuada através do um relé digital T60B; A proteção do transformador auxiliar é efetuada através do relé digital T60C. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 59 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Tipo de proteção do relé digital T60: As funções principais de proteção disponíveis neste relé digital da serie UR são as seguintes: Diferencial percentual (função principal); Diferencial instantâneo; Diferencial de terra restrita; Sobretensão retardada de fase; Sobretensão instantânea de fase; Sobretensão direcional de fase/neutro; Subtensão de fase; Sobretensão de fase/neutro/auxiliar; Sobretensão de excitação; Frequência alta/baixa. Definição das principais proteções: Diferencial percentual (função principal) A metodologia de proteção diferencial em transformadores baseia-se na comparação das correntes que fluem no primário e no secundário. Quando não existem defeitos internos no transformador, o valor das correntes medidas pelos transformadores de correntes localizados nos enrolamentos do primário e do secundário deveriam ser iguais tanto em amplitude como em fase, contudo, devido às características construtivas dos transformadores e à presença de correntes diferenciais em algumas condições de operações torna-se difícil verificar esta condição na prática. De modo a contornar esta situação, utiliza-se a proteção diferencial percentual, que se difere a proteção diferencial comum por possuir bobines de restrição. Os relés diferenciais comuns, ao serem sensíveis às correntes transitórias de magnetização, tornam-se desvantajosos na proteção diferencial em transformadores, pois estes poderiam atuar indevidamente devido a defeitos externos ao transformador (este tipo de proteção é ativada quando a corrente de operação ultrapassa um valor predefinido). Deste modo, o relé utilizado na proteção diferencial percentual apenas deve atuar na ocorrência de um defeito interno no transformador permanecendo bloqueado em condições especiais de operação. As bobines de restrição usadas na proteção diferencial percentual são o fator de sensibilidade do relé. A corrente que flui nessas bobines é designada por corrente de restrição. As proteções são ativadas somente quando o relé diferencial percentual verificar que o valor resultante do quociente entre a corrente de operação e a corrente de restrição for superior a um valor predefinido em percentagem. 60 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Diferencial instantâneo O relé de proteção diferencial instantâneo atua de forma instantânea na ocorrência de um defeito que provoque uma diferença no valor das correntes que fluem entre o primário e o secundário do transformador excedendo o valor predefinido. Diferencial de terra restrita A proteção diferencial de terra restrita é usada para detetar defeitos à terra através de um curto-circuito fase-terra perto do neutro do transformador e averiguar se o defeito foi interno ou externo ao transformador. A corrente de terra no neutro do transformador é usada como referência e é comparada com a corrente de sequência-zero (componente homopolar). Só é possível usar este tipo de proteção em transformadores com as ligações dos enrolamentos em estrela e com o neutro ligado a terra. Sobretensão retardada de fase O relé de proteção temporizado contra sobretensões de fase efetua uma análise à tensão eficaz do sistema e compara-a com a tensão previamente ajustada para a sua atuação (tensão de referência). Se o valor medido for superior ao valor ajustado durante um determinado período de tempo definido, o relé envia ordem de atuação às respetivas proteções do transformador. Sobretensão instantânea de fase O relé de proteção instantâneo contra sobretensões de fase efetua uma análise à tensão eficaz do sistema e compara-a com a tensão previamente ajustada para a sua atuação (tensão de referência). Se o valor medido for superior ao valor ajustado, este envia instantaneamente ordem de atuação às respetivas proteções do transformador. Sobretensão direcional Os relés direcionais têm como função determinar o sentido do fluxo de energia. Esta função é imprescindível em SEE onde exista grande número de consumidores e produtores. Este relé é polarizado num determinado sentido de operação através dos ângulos da corrente e da tensão. Quando é detetada a inversão do sentido do fluxo de energia e se o valor da tensão do respetivo fluxo for superior ao predefinido, este envia ordem de atuação às respetivas proteções do transformador. Subtensão de fase O relé de proteção contra subtensão de fase efetua a monitorização de forma permanente das tensões nas três fases do transformador. Na ocorrência de uma diminuição de tensão em qualquer uma das três fases, este envia ordem de atuação às respetivas proteções do transformador. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 61 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Sobretensão de fase/neutro A proteção de sobretensão de fase efetua a monitorização de forma permanente das tensões nas três fases do transformador. Se qualquer uma das três fases superar um valor predefinido de tensão, o relé que monitoriza as sobretensões de fase envia ordem de atuação às respetivas proteções do transformador. A proteção de sobretensão de neutro efetua uma monitorização à tensão residual no secundário do transformador. Caso esta supere o valor predefinido, o relé que monitoriza as sobretensões no neutro envia ordem de atuação às respetivas proteções do transformador. Sobretensão de excitação Este tipo de proteção é usado para proteger o transformador contra possíveis danos provocados pela sobrexcitação do transformador. A sobrexcitação ocorre quando o núcleo magnético do transformador fica saturado devido à diminuição da frequência ou à existência de sobretensões. Tendencialmente, o efeito de sobrexcitação provoca um aquecimento que pode ser prejudicial aos transformadores. Quando o valor de excitação do transformador ultrapassar um valor predefinido, o sistema de proteção envia uma ordem que visa reduzir o valor da tensão. Frequência alta/baixa Este tipo de proteção atua quando o valor predefinido da frequência é ultrapassado numa determinada gama acima ou abaixo da frequência nominal. Este tipo de proteção é útil em sistemas de produção de energia elétrica onde pode ocorrer uma perda parcial de produção elétrica num SEE que pode originar uma subfrequência no SEE. Nesta situação, o SEE pode exigir aos alternadores em serviço uma sobrecarga excessiva na geração que os pode danificar. A operação com sobrefrequências pode indicar uma sobrevelocidade por parte do alternador devido, por exemplo, a perda parcial de carga no SEE (consumidores). As proteções dos transformadores da Central de Termoelétrica de Lares permitem que a frequência oscile entre 95% e 108% em relação a frequência nominal. Deste modo, na situação de subfrequência as proteções permitem que a frequência se mantenha no máximo 20 segundos com um valor mínimo de 47,5 Hz antes das proteções atuarem. Numa situação de sobrefrequência, o valor máximo permissível é de 54 Hz, caso a frequência atinja tal valor, as proteções atuam passado 1 segundo. 62 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Áreas de proteção: Proteção do transformador principal (T60B) Este relé diferencial efetua leituras analógicas de correntes através de transformadores de correntes localizados: No parque de linhas de alta tensão; No neutro do enrolamento de alta tensão do transformador principal; Entre o disjuntor de grupo e o primário do transformador principal; Entre o disjuntor de grupo e o primário do transformador auxiliar. Este relé efetua, igualmente, medições da tensão do lado MAT (400 kV). Caso este relé detete correntes diferenciais entre os vários pontos de medida, ele envia ordem de atuação às respetivas proteções de forma a isolar o grupo. Proteção contra bloqueios (T60U) Este relé diferencial efetua leituras analógicas das medições de correntes através de transformadores de correntes colocados: No parque de linhas; No neutro do alternador e no neutro do transformador principal. Caso este relé detete correntes de defeito entre estes três pontos de medida envia ordem de atuação às respetivas proteções de forma a isolar o grupo. Este relé recebe igualmente sinais de corte (proteção) de outros relés e atua sobre as respetivas proteções de forma a prevenir o rearme automático das mesmas. Deste modo, os disjuntores ativados devido a ordem de corte só serão rearmados após ser efetuados manualmente o reset ao relé de bloqueio. Proteção do transformador auxiliar (T60C) Este relé diferencial efetua leituras analógicas das medições de correntes através de transformadores de correntes colocados: À chegada do barramento de média tensão (6,6 kV); No primário do transformador auxiliar, lado da alta tensão (19 kV); No neutro do secundário do transformador auxiliar, lado da média tensão (6,6 kV). Caso este relé detete correntes de defeito entre estes três pontos de medida envia ordem de atuação às respetivas proteções de forma a isolar o grupo. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 63 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Proteções internas dos transformadores: Os transformadores possuem, de igual forma, proteções locais. Estas proteções não dependem diretamente dos relés digitais T60 da GE, embora este último, efetue uma monitorização contínua de algumas proteções através de sinais analógicos (4 a 20 mA). Deste modo, as proteções locais/internas são as seguintes: Relé Buchholz; Indicador magnético de nível de óleo do transformador (baixo e alto); Válvulas de redução automática da pressão do transformador; Termómetro indicativo da temperatura do óleo do transformador que se encontra na parte de cima da cuba, com sinal de alarme e de comando de disparo, comandos de controlo para o arranque dos ventiladores, sinalização de disparos e saída analógica de 4-20 mA para monitorizar a temperatura do óleo a partir da sala de comando (DCS); Termóstato de temperatura do óleo com alarme e comando de disparo; Termómetro para indicar a temperatura dos enrolamentos do lado da alta tensão com sinal de alarme, comando de disparo e comando de arranque para as duas unidades de ventilação. O relé T60 é um relé digital programável. Deste modo, é possível configurar as proteções de forma mais adequada ao sistema que se pretende proteger. Neste capítulo pretende-se apenas indicar as proteções que cada relé atende. Este, para além das entradas digitais, possui entradas analógicas de modo a efetuar leituras de corrente e/ou tensões do transformador. No Anexo F é descrito de forma pormenorizada a função de cada proteção segundo a tabela ANSI. Entradas digitais do relé T60B: Tipo 50 50 Fase 1 51 Fase 1 50 Fase 3 51 Fase 3 51N 24 87 87 l 87 TN 64 Discrição Relé de sobrecorrente instantâneo Relé de sobrecorrente instantâneo Relé de sobrecorrente temporizado Relé de sobrecorrente instantâneo Relé de sobrecorrente temporizado Sobrecorrente temporizado de neutro Relé de sobrexcitação Relé de proteção diferencial Relé de proteção diferencial de linha Relé de proteção diferencial de neutro Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Entradas analógicas do T60B: Entrada M5-7 F8 M8 F1-4 M1-3 Descrição/Função Leitura de um TI c/ uma relação de 2000 / 1 A localizado entre o transformador principal e a subestação de 400 kV. Leitura de um TT c/ uma relação √ kV localizado entre o relé de sincronismo (MKV) e a subestação de 400 kV. Leitura de um TI c/ relação 1000 / 1 A localizado no neutro do enrolamento de muita alta tensão de 400 kV no transformador principal. Este TI tem como função detetar possíveis correntes que circulem pela malha de terra. Leitura de um TI trifásico c/ relação 20000 / 1 A localizado entre o disjuntor de grupo e transformador principal de cada grupo. Leitura de um TI trifásico c/relação 20000 / 1 A localizado entre o disjuntor de grupo e o transformador auxiliar de cada grupo. Entradas digitais do relé T60U: Tipo de proteção Função 51N Sobrecorrente temporizado de neutro. 87 Relé de proteção diferencial. 87l Relé de proteção diferencial de linha. Entradas analógicas do relé T60U: Entrada M5-7 MI-4 P7a F1-4 F5-8 M8 Descrição/Função Leitura de um TI trifásico c/ relação 2000 / 1 A localizado entre o transformado principal de cada grupo e a subestação de 400 kV. Entrada de reserva. Leitura de oscilografia. Leitura de um TI trifásico c/ relação 20000 / 1 A localizado no neutro do transformador. Leitura da aparelhagem de média tensão 6,6 kV. A aparelhagem de medida está localizada entre o transformador auxiliar e o barramento de média tensão de cada grupo (BBA11). Leitura de um TI c/ relação 1000/1 A localizado no neutro do enrolamento de alta tensão de 400 kV no transformador principal. O TI tem como função detetar possíveis correntes que circulem pela malha de terra. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 65 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Entradas digitais do relé T60C: Tipo 50 Fase 1 51 Fase 1 51N Fase 2 24 24 A 87 87l 87 TN Descrição Relé de sobrecorrente instantâneo. Relé de sobrecorrente instantâneo. Relé de sobrecorrente instantâneo de neutro. Relé de sobrexcitação – Disparo. Relé de sobrexcitação – Alarme. Relé de proteção diferencial. Relé de proteção diferencial de linha. Relé de proteção diferencial de neutro. Entradas analógicas do relé T60C: Entrada M5-7 Entrada de reserva. F1-3 F5-7 Descrição/Função Leitura de um TI trifásico localizado entre o disjuntor de grupo e o transformador auxiliar com oscilografia. Leitura de TT com relação √ localizados entre o disjuntor de grupo e o transformador principal. Leitura de um TI trifásico c/ relação de 500 / 1 A do neutro M4 do transformador auxiliar na parte de média tensão de 6,6 kV. M1-3 Leitura de um TI localizado entre o transformador auxiliar e o barramento de média tensão de 6,6 kV. 66 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas 4.3 – Reparação de uma Gaveta de Comando O presente subcapítulo descreve a reparação de uma gaveta de comando de um motor elétrico (figura 4.10). Esta gaveta apresentou uma anomalia derivada do contator de potência usado para efetuar o controlo da alimentação ao motor, figura 4.10 (B). Descrição: A gaveta de comando é constituída por equipamento de proteção, de comando e de alimentação. A aparelhagem de proteção é constituída por fusíveis, disjuntores e um relé térmico. No sistema de alimentação encontra-se um transformador monofásico que converte uma tensão composta trifásica de 400 V para monofásica de 110 V de modo a efetuar a alimentação da aparelhagem de comando. Na aparelhagem de comando encontramos o referido contator trifásico que sofreu a avaria. Este contator tem como função a abertura e o fecho do circuito de alimentação do motor. Botões de Comando Manual Interruptor trifásico Transformador 380/110 Vac Relé Térmico Contator Proteções do circuito de comando A B Encaixes da gaveta no quadro de controlo do motor. Fig. 4.10 – Parte frontal da gaveta (A); Retaguarda da gaveta (B). Descrição do contator: O contator (elemento de potência) funciona como um interruptor de corte no circuito de alimentação do motor. Este atua com recurso a um eletroíman que quando magnetizado força o fecho do circuito elétrico. O desarme do circuito é efetuado através da força mecânica proveniente de molas colocadas no interior do contator forçando a abertura do circuito. A velocidade de abertura do circuito está diretamente relacionada com a potência mecânica das molas (descompressão da mola). A bobina eletromagnética (constituída por um fio condutor em torno de um núcleo um núcleo ferromagnético), quando percorrida por uma corrente elétrica, age como sendo um íman criando, deste modo, um campo magnético. Este campo magnético, juntamente com a parte fixa do contator, atrai a parte móvel do mesmo. Este efeito força a parte móvel do contator a fechar-se mecanicamente permitindo, deste modo, a passagem de corrente elétrica. Na figura 4.11 estão ilustrados os principais componentes de um contator. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 67 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Fig. 4.11 – Esquema simplificado de um contator electromagnético [28]. Cada espira da bobina cria um pequeno campo magnético individual, sendo que a soma desses campos formam o campo magnético principal. A força do campo magnético principal pode ser alterada de modo a aumentar ou diminuir a força magnética da bobine. Este efeito é possível através da adição ou remoção de espiras na bobine (figura 4.12). Outro modo de variar a força do campo magnético sem alterar o número de espiras é variar o valor da corrente elétrica que flui pela bobine. Quanto maior for a corrente, maior será a força do campo magnético representado pela letra H na figura 4.12. H i i Fig. 4.12 – Campo magnético (H) gerado por uma bobine [29]. Os contatores podem ser classificados por classe consoante o tipo de corrente que os alimentam. Deste modo, existem os contatores de corrente contínua (DC) e alternada (AC). Contator DC: Nos contatores DC, a alimentação da bobine é efetuada através de uma corrente contínua. Este tipo de contator apresenta uma construção menos complexa se comparado a um contator AC uma vez que a corrente não se anula em nenhum instante (corrente contínua). Fig. 4.13 – Diagrama esquemático do contator [30]. 68 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Na figura 4.13, quando a corrente alimenta a bobina (B), a parte móvel (P) é puxada para cima, fazendo com que os contactos elétricos (C) sejam fechados. Quando a corrente é nula, a mola (M) faz com que a parte móvel (P) volte ao seu local de repouso e os contactos abrem. Contator AC: Neste tipo de contator, a bobine é alimentada por uma corrente alternada. Quando a onda sinusoidal da corrente que alimenta a bobina passa por zero a cada semi-ciclo, o campo magnético (H) do entre ferro é nulo, como consequência, a força que atrai a parte móvel (P) também se anula. Devido à existência da mola, os contactos (C) iriam sofrer um movimento oscilatório fazendo com que os contactos estariam sistematicamente a abrir e a fechar a cada semi-ciclo da onda de corrente. É possível observar que a força das faces polarizadas de cada entreferro com secção transversal (A) é sempre de atracão e é expressa pela equação (4.1) [30]. (4.1) Onde: – Força de atração; µ0 – Permeabilidade magnética do vazio; H – campo magnético (depende do valor da corrente); A – Secção transversal entreferro. Dessa forma, para uma corrente alternada, a força de atracão ” “seria nula a cada semi- ciclo da corrente que alimenta bobina conforme mostrado na figura 4.14. 0 Fig. 4.14 – Força de atração em função da corrente que percorre a espira. A construção de um contator de corrente alternada pouco difere de um contator de corrente contínua. A principal diferença reside na parte móvel (P) do contator de corrente alternada que é equipada com anéis ou espiras em cobre curto-circuitadas (figura 4.15). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 69 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Fig. 4.15 – Diagrama esquemático do contator AC com detalhe do anel de cobre [30]. Tendo em conta que a bobine é alimentada com uma corrente sinusoidal, o fluxo que circula no circuito magnético também o é. O anel em cobre é, deste modo, atravessado por esse fluxo e, consequentemente, é induzida uma corrente no anel. Esta corrente é desfasada, aproximadamente 90º (lei de Lenz8), em relação ao fluxo que a originou. Deste modo, quando a corrente na bobine é nula a corrente no anel é máxima. O resultado deste efeito reside no facto de existir sempre uma quantidade de fluxo magnético que, consequentemente, origina uma força eletromagnética permanente na bobine. O fluxo e a força de atracão residentes na bobine levam a que a peça móvel (P) se mantenha atraída sempre que a corrente na bobine é nula evitando, deste modo, a abertura e o fecho da parte móvel (P) a cada semi-ciclo. Causas da avaria: A avaria foi causada pelo desgaste e possível deslocação do anel de cobre instalado no interior do contator. O estado do contator pode ser visualizado na figura 4.16, na qual se constata a existência de uma das três fases queimada. A solução adotada de modo a reparar a gaveta de comando consistiu na substituição do contator danificado por um idêntico. No Anexo G é possível verificar o tempo de vida deste tipo de equipamento em função do número de manobras e correntes suportadas. Fig. 4.16 – Estado do contator avariado. 8 Segundo a lei de Lenz o sentido da corrente induzida é o oposto à variação do campo magnético que lhe deu origem. Na situação de diminuição do fluxo magnético, a corrente induzida irá criar um campo magnético mantendo o sentido do fluxo que lhe deu origem. Na situação de ocorrer um aumento de fluxo magnético, a corrente induzida irá gerar um campo magnético oposto ao sentido do fluxo magnético que lhe deu origem. 70 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas 4.4 – Teste a um Transformador de Corrente Quando se efetuava a limpeza da cela 9 dos quadros elétricos de média tensão BBA11, foi detetado que um transformador de corrente (TI) se encontrava desligado. Tendo em atenção que se desconhecia a razão de tal situação, foi solicitado um teste para averiguar se este teria sido desligado por não estar a operar da forma correta. Para tal, foi necessário descobrir qual a razão de transformação9 do TI. Após efetuar uma pesquisa tendo como base o modelo do TI (Merlin Gerin CSH200) descobriu-se que a razão de transformação entre o primário e o secundário era de 470 / 1 A. Princípios de funcionamento de um transformador de corrente: Os transformadores de correntes são equipamentos que permitem aos instrumentos de proteção e medida funcionarem de forma adequada, sem que para isso seja necessário funcionarem com as correntes nominais das cargas dos circuitos onde estes se encontram ligados. Este tipo de transformador é usado para complementar aparelhos de medição que apresentem uma resistência elétrica baixa tais como os amperímetros convencionais. Os transformadores de corrente transformam, através de um fenómeno de conversão eletromagnética, correntes elevadas que circulam no primário, em pequenas correntes no secundário segundo uma relação de transformação. Sabe-se, através da lei de Ampere, que uma corrente que flui por um fio condutor cria um campo magnético em seu redor. Através da lei da mão direita pode determinar-se o sentido do campo magnético. Com a mão fechada envolvendo o condutor elétrico, orientamos o polegar no sentido da corrente. Os restantes dedos irão indicar o sentido das linhas do campo magnético como ilustrado na figura 4.17. Fig. 4.17 – Lei de Ampere – Aplicação da regra da mão direita [31]. O campo magnético gerado devido à passagem da corrente elétrica vai, por sua vez, induzir uma corrente elétrica no secundário do TI. O valor da corrente induzida poderá ser maior ou menor consoante o número de espiras (N) envolvidas no transformador de corrente. 9 Razão de transformação (rt) é a relação entre o primário e o secundário do transformador. Geralmente esta definição é associada à razão de espiras entre o primário e o secundário de um transformador, Rodolfo Manuel Conceição Pereira á á . 71 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Descrição do ensaio: Para efetuar este ensaio foi necessário recorrer a um autotransformador, dois amperímetros e fio de cobre (figura 4.18). Com este ensaio pretendeu-se verificar se o valor da corrente que o TI media estava na gama correta segundo a sua relação de transformação. Deste modo, foi enrolado um fio de cobre no primário do TI de forma a criar um circuito por onde uma corrente pré-estabelecida iria atravessar o primário do TI. O fio de cobre foi ligado aos bornes do autotransformador de forma a controlar a corrente que era disponibilizada ao primário do TI. Para este ensaio ter sucesso foi necessário saber qual o valor da corrente que o autotransformador estava a debitar para o fio de cobre. Deste modo foi colocado um amperímetro em série entre o fio de cobre enrolado ao TI e o autotransformador. Fig. 4.18 – Esquema de montagem do amperímetro. Legenda: 1 – TI em teste com o fio de cobre enrolado (fio azul); 2 – Amperímetro em série com o autotransformador e o TI; 3 – Autotransformador. Atendendo à razão de transformação entre o primário e o secundário do TI (470 A para 1 A), foi necessário garantir que a corrente induzida no primário seria suficientemente elevada de forma a ter valores mensuráveis no secundário. Deste modo, o fio de cobre foi enrolado à volta do TI completando vinte voltas (correspondente a vinte espiras). A colocação das vinte espiras em torno do primário do TI, permitiu criar um campo magnético vinte vezes superior se comparado a um campo magnético gerado pela passagem de uma corrente idêntica num único fio condutor inserido no TI (correspondendo apenas a uma espira). Cada espira cria um pequeno campo magnético individual, pelo que a junção de várias espiras resulta na soma de vários campos magnéticos individuais. A soma de vários campos individuais cria um campo magnético principal10. O aumento do campo magnético gera diretamente uma corrente induzida superior no secundário do TI. O esquema pode ser visualizado na figura 4.19. 10 Esta condição é verdadeira se a corrente fluir no mesmo sentido. Correntes em sentidos opostos e de intensidade idênticas levam à anulação dos campos magnéticos por elas criadas. 72 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Fig. 4.19 – Disposição do TI para efetuar o ensaio. Legenda: 1 – Transformador de corrente; 2– Fio condutor enrolado em torno do TI completando vinte voltas; 3– Secundário do transformador de corrente; 4– Pinça do amperímetro para medição da corrente que flui no primário; 5 – Fios de alimentação da carga da cela 9 (circuito principal). De seguida, foram ligados 2 fios de cobre no secundário do TI com a finalidade de saber qual o valor que o TI estava a medir. Na figura 4.19, o fio castanho e o fio azul (3) colocados lado a lado correspondem aos terminais do secundário do TI e permitem medir a corrente induzida no secundário. Ensaio: Antes de iniciar o ensaio no terreno, efetuou-se um estudo teórico de forma a saber quais seriam os valores expectáveis resultantes deste ensaio. Deste modo, o estudo teórico foi realizado com os seguintes dados: Número de espiras: 20; Corrente fornecida pelo autotransformador: 4,8 A; Razão de transformação do Transformador: 470 A → 1 A; Fig. 4.20 – Esquema geral do ensaio. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 73 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Através do número de espiras e do valor da corrente fornecida pelo autotransformador, procedeu-se ao cálculo teórico da corrente no primário do TI. Esta resulta da multiplicação do número de espiras pelo valor da corrente fornecida pelo autotransformador (equação (4.2)). (4.2) Iprimário Após determinar a corrente do primário foi necessário determinar o valor expectável da corrente no secundário (equação (4.3)). Para tal, recorreu-se à razão de transformação do TI (470 A →1 A). Isecundário 0,20 A (4.3) O valor teórico foi determinado segundo a equação (4.3) e retornou como valor expectável de corrente no secundário de 0,20 A. Após serem verificadas todas as ligações procedeu-se à energização do fio de cobre enrolado ao primário do TI. Para tal, o autotransformador foi colocado na posição inicial de 0 V e, de forma progressiva, foi-se aumentado a tensão até atingir uma corrente de 4,8 A no primário do TI. Quando se obteve o valor de corrente pretendido no primário procedeu-se à medição do valor da corrente no secundário do TI. O amperímetro que monitorizava a corrente no secundário do TI indicou uma corrente de 0,22 A. Conclusão: O valor medido pelo amperímetro colocado no secundário do transformador de corrente foi de 0,22 A, contudo, os cálculos teóricos apontavam para uma corrente de 0,20 A. A diferença entre o valor teórico e o valor medido da corrente no secundário do TI pode ser justificada pelo erro de medição dos equipamentos usados para efetuar a monitorização das correntes e pelo erro de medição do próprio TI que apresenta uma precisão de ±6%. Após a conclusão do ensaio, verificou-se que o transformador de corrente estava a operar de forma correta e procedeu-se à respetiva ligação em falta (figura 4.21). Fig. 4.21 – Ligações do TI após efetuar a intervenção. 74 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas 4.5 – Barramento de Média Tensão Na sequência da limpeza do barramento de média tensão de 6,6 kV (11BBA11) detetou-se que barramento permanecia energizado após se ter efetuado o corte da respetiva alimentação. O presente subcapítulo pretende descrever os passos executados para determinar as causas desta situação verificada no barramento de média tensão do grupo I. Descrição do Barramento de média tensão: O barramento de média tensão encontra-se localizado na sala elétrica do respetivo grupo (figura 4.22). A função deste barramento é alimentar os seguintes barramentos: 11BFA11, 11BMA10, 11BFA12, 11BFA21 e 11BFA22. Nestes estão instalados transformadores redutores que reduzem a tensão proveniente do barramento de média tensão 11BBA11 (6,6 kV) para 400 V. Estes alimentam cargas específicas em baixa tensão. Cada quadro ou cela representa uma carga ou um consumidor. No Anexo H é possível visualizar os barramentos e as cargas associadas ao barramento de média tensão. A B Fig. 4.22 – Quadros alimentados pelo barramento 11BBA11 de 6,6 kV (Vista frontal (A) e Traseira (B)). O barramento de média tensão é alimentado diretamente a partir do transformador auxiliar do grupo correspondente podendo, todavia, ser alimentado pelo transformador auxiliar do grupo similar através de uma interligação entre barramentos. Descrição da anomalia: Após ter-se desligado a alimentação do 11BBA11 proveniente do transformador auxiliar, verificou-se a existência de tensões elevadas no barramento de 6,6 kV. Neste barramento, existe uma cela de medida que está preparada para efetuar análise às correntes e tensões existentes no barramento. Um dos equipamentos de medida instalado é um analisador de rede que permite visualizar qual o valor de tensão existente em cada fase do barramento. Foi através deste analisador que foi possível verificar a existência desta situação (figura 4.23 (A)). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 75 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Analisador de rede. A B Fig. 4.23 – Cela de medida do 11BBA11 (A); Interior da cela de medida (B). Em operação normal, a tensão composta das 3 fases do 11BBA11 é de 6,6 kV, contudo, por motivos operacionais, é possível alterar o valor da tensão alterando a regulação das tomadas do transformador auxiliar de forma a elevar ou reduzir o valor da tensão. Quando se desligou a alimentação do 11BBA11 verificou-se que o analisador de rede apresentava valores na ordem de 8500 V a 10000 V em duas fases do barramento. Na fase inicial, foi imprescindível avaliar qual a possível causa para o surgimento dessas tensões. Tendo em atenção que a alimentação principal do barramento de média tensão estava desligada e não se verificava nenhuma interligação com o transformador auxiliar do grupo similar, procedeu-se à análise do diagrama unifilar da cela onde está situado o analisador de rede. O diagrama unifilar ilustrado na figura 4.24 foi analisado de forma a detetar as possíveis causas para este acontecimento. A B D C Fig. 4.24 – Esquema unifilar da cela de medida do 11BBA11 [32]. 76 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Legenda da figura 4.24: A - Alimentação da cela de medida através do barramento de média tensão; B - Barramento de medida ou de referência; C – Transformador de tensão (TT); D - Analisador de rede. Após analisar o interior da cela de medida, verificou-se a existência de barramentos de comando (125 Vdc), de serviços auxiliares (230 V ou 400 V) e o barramento de referência para efetuar medidas de tensões, correntes e/ou potências. Segundo o esquema unifilar da figura 4.24, o barramento de medida está diretamente ligado ao analisador de rede em conjunto com os transformadores de tensão. O barramento de medida (B) é comum a todas as celas ou quadros do barramento de média tensão. A função deste barramento é disponibilizar uma tensão de referência a todas as celas associadas ao barramento de média tensão de forma a efetuar a medição da potência consumida pelas cargas de cada cela. Cada cela alimenta um equipamento específico, deste modo, é possível determinar a potência consumida em cada instante por cada equipamento. A potência é determinada através de equipamentos de medição (Power Meter). Uma causa possível para o aparecimento de tensão no barramento de 6,6 kV poderia passar por um defeito de isolamento nos barramentos de comando e de serviços auxiliares. Nesse sentido, decidiu-se desligar a alimentação do barramento auxiliar (230 V ou 400 V). Este barramento tem como função alimentar resistências de aquecimento existentes nas várias celas ligadas ao 11BBA11 e alimentar os serviços auxiliares tal como o circuito de iluminação e tomadas monofásicas contidas no interior de cada cela. A função das resistências de aquecimento é prevenir qualquer acumulação de humidade no interior das celas. Ao desligar a alimentação do barramento 230 V, verificou-se que o analisador de rede deixava de detetar tensão no barramento de média tensão. O passo seguinte foi descobrir qual a cela que estava a originar a energização do barramento de média tensão. Deste modo, foram desligadas em todas as celas as cargas afetas ao barramento de 230 V. Foram desligados de modo consecutivo os disjuntores 8RM, 8TC, 8R e 8L de cada cela (figura 4.25). Ao desligar os disjuntores do barramento de 230 V da cela de alimentação da bomba LAC 10, descobriuse a cela que originava o defeito. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 77 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas A B C D E Fig. 4.25 – Esquema unifilar do barramento 230 V da cela da bomba LAC 10 [32]. Legenda da figura 4.25: A - Barramento de serviços auxiliares de 230 V; B - Disjuntor – 8RM de 16A; C - Disjuntor – 8TC de 10A; D - Disjuntor – 8R de 6A; E - Disjuntor – 8L de 6A. Descrição dos circuitos: 8RM – Este circuito é usado para alimentar resistências de aquecimento no interior do motor de média tensão (LAC 10). Estas resistências são usadas para evitar a acumulação de humidade no interior do motor quando este se encontra parado por períodos de longa duração. 8TC – A função deste circuito é alimentar uma tomada monofásica de 230 V de uso geral. 8R – A função deste circuito é alimentar resistências de aquecimento que tem como objetivo o aquecimento da cela de modo a evitar a acumulação de humidade no seu interior. 8L – Este circuito é dedicado à iluminação da cela. A sua constituição é formada por uma lâmpada fluorescente e um interruptor que fecha o circuito de iluminação quando a porta de acesso ao interior da cela é aberta. 78 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas A B Fig. 4.26 – Disjuntores da cela da bomba LAC10 (A); Barramento de comando, serviços auxiliares e medida (B). Ao desligar os disjuntores 8RM, 8TC, 8R e 8L de forma sequencial verificou-se que a origem do defeito estava associada aos circuitos dos disjuntores 8RM e 8L. O circuito do disjuntor 8L é relativo à iluminação da cela. Após analisar as ligações do circuito de iluminação concluiu-se que o neutro do circuito afeto à iluminação estava ligado ao barramento de referência em vez de estar ligado no neutro do barramento afeto aos serviços auxiliares. Após analisar o circuito do disjuntor 8RM, observou-se que a situação se repetia, isto é, o neutro deste circuito estava de igual forma ligada ao barramento de referência em vez de estar ligado ao neutro do barramento afeto aos serviços auxiliares. De forma a normalizar a situação, procedeu-se à ligação dos neutros dos circuitos em falha no neutro do barramento afeto à alimentação dos serviços auxiliares. Assim, o analisador de rede do 11BBA11 passou a indicar 0 V por fase como se pretendia. Causa de propagação das tensões induzidas: A causa da propagação de tensão é devida à existência de transformadores de tensão (TT) afetos ao analisador de rede. Os transformadores de tensão têm como objetivo reduzir a tensão vinda do transformador auxiliar com uma razão de transformação de 6600 / 100 V. Os transformadores são máquinas reversíveis, isto é, tanto podem funcionar como transformadores redutores como elevadores (consoante o sentido da corrente). Neste caso em particular, os transformadores de tensão redutores passaram a funcionar como transformadores elevadores induzindo tensões indevidas no barramento 11BBA11. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 79 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Barramento de comando 125Vdc. Barramento de serviços auxiliar. 230 V ou 400 V Barramento de medida. Fig. 4.27 - Disposição dos barramentos. Na figura 4.27 é possível visualizar a disposição dos barramentos no interior das celas. Ao colocar o neutro dos circuitos afetos aos serviços auxiliares (230 V) no barramento de medida, este ficou energizado. Deste modo, o barramento de medida passou a ser alimentado através do circuito dos disjuntores 8L e 8RM. Como o barramento de medida está diretamente ligado aos transformadores de tensão, estes passaram a funcionar como transformadores elevadores elevando a tensão com uma razão de transformação de 1 para 66 originando, deste modo, as tensões indevidas no barramento de média tensão. Barramento de média tensão 6.6 kV Fig. 4.28 – Esquema unifilar dos barramentos de média e baixa tensão do grupo I [32]. 80 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas 4.6 – Sobreaquecedor Elétrico O sobreaquecedor elétrico serve para elevar a temperatura do vapor proveniente da caldeira auxiliar. O vapor sobreaquecido neste equipamento é usado como meio de selagem na turbina a vapor. Deste modo, o vapor deve ser aquecido com uma temperatura média de 357 ºC. As características do sobreaquecedor podem ser consultadas no Anexo I do presente documento. O Sobreaquecedor elétrico é composto por dois grupos de resistências controlados independentemente através de um módulo de tirístores que retificam a onda de tensão de alimentação das resistências elétricas. Este método permite efetuar um controlo adequado ao aquecimento de vapor. Quando o sobreaquecedor se encontra inativo durante largos períodos de tempo o valor da resistência de isolamento pode decrescer, uma vez, que o isolante usado é o óxido de magnésio que apresenta características higroscópicas 11 [33]. Quando o sobreaquecedor elétrico entra novamente em funcionamento, é aconselhável que se elimine toda a humidade contida no seu interior, para tal, faz-se passar vapor pelo sobreaquecedor com as resistências desligadas por um período mínimo de 3 horas [33]. Este procedimento é suficiente para recuperar a resistência de isolamento do equipamento. É desejável que o valor de isolamento seja elevado de forma a eliminar possíveis correntes de fugas. Na figura 4.29 é possível comparar as correntes de fuga em Amperes de um equipamento que apresenta um bom e um mau isolamento. Fig. 4.29 – Comparação de corrente de fuga [33]. O valor da resistência de isolamento do equipamento deve ser, regra geral, superior a 2 MΩ. Caso o valor da resistência de isolamento seja inferior, deve-se aumentar o tempo de passagem de vapor pelo sobreaquecedor de vapor. 11 Propriedade associada a um determinado material que absorve água. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 81 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Notas de avarias: O sobreaquecedor elétrico apresentava uma avaria que inibia a possibilidade de arranque do grupo electroprodutor. Quando este era solicitado a entrar em funcionamento, as proteções eram ativadas e, consequentemente, a energia elétrica era desligada ao sobreaquecedor. Fig. 4.30 – Desmontagem do sobreaquecedor elétrico no local. A causa dos disparos foi devida ao valor da temperatura à superfície do metal da resistência. A causa para este acontecimento residia na rutura de um dedo de luva do termopar responsável pela medição da temperatura à superfície do metal da resistência (figura 4.31). Como a temperatura medida excedia o valor máximo permitido (600 ºC), as proteções eram ativadas e, consequentemente, o sobreaquecedor era desativado. Fig. 4.31 – Dedo de luva (bainha de proteção da sonda de temperatura ou termopar) [34]. Uma vez que o módulo de resistências já apresentava algum desgaste inerente a sua utilização, procedeu-se à substituição do módulo a fim de solucionar a avaria como ilustrado nas figuras 4.32 e 4.33. Fig. 4.32 – Remoção do bloco de resistências. 82 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Fig. 4.33 – Resistências de aquecimento do vapor. Foi de igual forma detetado que o valor da resistência de isolamento estava abaixo do valor recomendado. A medição da resistência foi efetuada através de um megaohmímetro 12. Este equipamento estabelece uma tendência de medidas e o valor final resulta do conjunto das várias medidas. Deste modo, foi efetuada a medição da resistência de isolamento nas três fases que alimentam o módulo de tirístores. Numa das fases foi detetado o valor de isolamento abaixo do recomendado, aproximadamente 1,5 MΩ. Como a passagem de vapor no interior do equipamento não era suficiente para elevar o valor da resistência de isolamento, foi necessário limpar o armário de controlo de forma a eliminar possíveis vestígios de sujidades que influencia-se e reduzissem o valor da resistência de isolamento (figura 4.34). A B Fig. 4.34 – Quadro de comando (A); Módulo de tiristores removidos (B). O controlo das resistências é efetuado através de tirístores (figura 4.34 (B)). Estes têm como função modular a onda de tensão de modo a que as resistências aqueçam mais ou menos em função das necessidades da TV e da temperatura do vapor à chegada do sobreaquecedor. Deste modo, procedeu-se à remoção do módulo de tirístores do armário de controlo de forma a transportá-lo para as oficinas da Central Termoelétrica de Lares e proceder à respetiva limpeza. Após efetuar à limpeza e a colocação do módulo de tirístores no armário de comando verificaram-se melhorias significativas do valor da resistência de isolamento do sobreaquecedor. 12 Um megaohmímetro é um instrumento utilizado para fazer medições de resistências elevadas tal a resistências de isolamento de equipamentos elétricos ou cabos. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 83 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas 4.7 – Teste às Escovas de Terra do Alternador O seguinte subcapítulo descreve a ação de manutenção preventiva ocorrida nas escovas de terra do eixo comum à TG, à TV e ao alternador. Esta ação tinha como objetivo verificar o estado do sistema de escovas de terra e efetuar um ensaio de forma a testar a operacionalidade do sistema de detenção de correntes parasitas no eixo. As escovas de terra existentes nas extremidades do alternador (lado da turbina a gás e da turbina a vapor) são de extrema importância. Estas são responsáveis pela monitorização e pelo escoamento de correntes indesejáveis que possam circular pelo eixo. O escoamento das correntes parasitas é desejável, pois elas representam um fator destrutivo prematuro do eixo. Os principais danos visíveis são a corrosão e picadas na superfície do metal. As escovas de terra têm as seguintes funções: Fornecer uma ligação contínua entre o eixo e a terra de forma a evitar acumulação de tensões prejudiciais ao eixo; Proporcionar um meio de medida da tensão caso ela exista ao longo do eixo; Proporcionar um meio de medida das correntes que fluem do eixo para a terra. Fig. 4.35 – Eixo do lado da turbina a vapor. Descrição das escovas: As escovas de terra são tipicamente de carvão do lado da TG e tranças de cobre no lado da TV (figura 4.36). A monitorização das correntes parasitas no eixo é efetuada do lado da TG. A A B Fig. 4.36 – Escovas de terra lado TG (A) e lado TV (B). 84 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Constituição do sistema de proteção: O sistema de monitorização de correntes parasitas no eixo é constituído por: Escovas de terra para efetuarem uma ligação física entre o eixo e a terra; Escovas isolada para medir tensões no eixo; Escovas de baixa impedância para medirem fluxos de corrente. B A Fig. 4.37 – Sistema de terra (A); Esquema de ligação das escovas (B) [35]. Legenda da figura 4.37: 1 – Placa de terminais. Esta permite efetuar uma ligação física entre as escovas e o sistema de monitorização contínuo das tensões/correntes no eixo; 2 – Resistência de monitorização da corrente; 3 – Suporte de apoio; 4 – Fios condutores que efetuam a ligação entre as escovas e a placa de terminais; 5 – Suporte para as escovas de terra. A figura 4.37 (B) indica as ligações efetuadas para a monitorização constante das tensões e correntes parasitas no eixo. Em síntese, as escovas 1 e 3 monitorizam a tensão no eixo, as escovas 2 e 4 monitorizam a corrente através de uma resistência (principio da lei de ohm). Sendo o valor da resistência e da tensão que circula no eixo conhecido, é possível obter o valor da corrente através da expressão (4.4). Como o valor da resistência é constante, o valor da corrente é diretamente proporcional ao valor da tensão parasita (Vparasita) no eixo como descrito pela equação (4.4). O valor da resistência é de 0,005Ω. (4.4) Rodolfo Manuel Conceição Pereira 85 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Origem das correntes parasitas: A origem das correntes parasitas pode ocorrer devido a um deste três fatores [35]: 1- Através da formação de uma tensão estática causada pelo aparecimento de gotículas de água no último estágio da turbina a vapor de baixa pressão. O valor desta tensão é reduzido, contudo, o seu valor pode aumentar até tornar possível uma descarga parcial entre o eixo e a terra. Esta descarga pode ocorrer, por exemplo, através do óleo de lubrificação existente entre o eixo e as chumaceiras caso não exista um caminho alternativo por onde a corrente possa fluir para a terra. 2- Existência de corrente alternada no sistema de excitação de corrente contínua. Nesta situação, o sistema de excitação DC cria uma tensão alternada no eixo em relação a terra através da capacitância do enrolamento de excitação e de isolamento. Esta tensão normalmente possui uma frequência 2 a 3 vezes superior á frequência nominal. 3- Devido à dissimetria dos circuitos magnéticos existentes na constituição do alternador, é possível o surgimento de tensões parasita nas extremidades do alternador. Estas tensões podem atingir valores elevados e, consequentemente, gerar correntes elevadas. Estas tensões possuem normalmente a mesma frequência que o alternador. No ponto 1 e 2, as tensões geradas são de valor reduzido. Se existir um caminho alternativo para a terra, a corrente é descarregada através deste eliminando a tensão existente no eixo. Para se efetuar a medição da tensão parasita no eixo, caso ela exista, deve ser usado um voltímetro de alta impedância (mais de um 1 Megaohm) de forma a detetar valores baixos de tensão. Procedimentos: O primeiro passo foi retirar a grelha de proteção das escovas do lado da TG com o intuito de limpar as escovas e o rotor onde se verifica o contacto entre ambos (figura 4.38). A 86 B Fig. 4.38 – Proteção do eixo lado TG (A); Suporte das escovas de terra (B). Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Após retirar a grelha de proteção, o passo seguinte foi retirar as quatro escovas de terra e limpá-las uma a uma. A zona de contacto entre a escova e o rotor foi, de igual modo, limpa. O objetivo da limpeza do sistema de escovas de terra era garantir a não acumulação de sujidade que pudesse interferir no escoamento das correntes parasitas para a terra e avaliar o desgaste de cada escova. Após efetuada a limpeza das escovas e do eixo, procedeu-se à montagem do sistema verificando o contato físico entre as escovas e o eixo. Do lado da turbina a vapor o procedimento foi semelhante. Tendo em consideração que o sistema de escovas de terra do lado da TV é efetuado por tranças de cobre, teve-se em especial atenção a pressão de contacto entre as tranças e o eixo uma vez que este sistema é isento de molas que garantem o contacto permanente entre a trança e o eixo (figura 4.39). Fig. 4.39 – Escovas lado turbina a vapor. Após efetuar a limpeza das escovas procedeu-se à medição da resistência de monitorização (figura 4.37 (2)). Para efetuar a medição recorreu-se a um micro-ohmímetro com uma resolução de 0,1 μΩ a 100 mΩ. A B Fig. 4.40 – Micro-ohmímetro (Chauvin Arnoux CA6240) (A);Valor da resistência em mΩ (B). Depois de colocar os terminais do micro-ohmímetro nos bornes da resistência procedeu-se à medição da mesma. O resultado da medição da resistência foi de 5,2 mΩ como pode ser visualizado na figura 4.40 (B). O valor medido da resistência é muito próximo ao valor usado como referência (5 mΩ). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 87 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas No seguimento desta ação de manutenção efetuou-se, de igual forma, um teste ao sistema de detenção de correntes no eixo. Para tal, acedeu-se ao armário de controlo da TG existente na sala eletrónica do respetivo grupo. No interior do armário encontram-se as cartas eletrónicas que efetuam a monitorização das tensões/correntes parasitas do eixo (4.41). Para efetuar o teste foi necessário um multímetro, um osciloscópio e um gerador de sinal. B A Fig. 4.41 – Interior do armário de controlo da TG (A); Carta de monitorização de correntes parasitas (B). Após localizar a carta que efetuava a leitura dos valores da tensão e da corrente vindos das escovas de terra (através da placas de terminais), procedeu-se à remoção dos fios condutores que ligavam a carta eletrónica às escovas de terra como indicado na figura 4.41 (B). Os fios foram retirados de modo a ligar o gerador de sinal aos bornes da carta eletrónico com o intuito de injetar um sinal de tensão com amplitude e frequência variável simulando, deste modo, as tensões parasitas. De forma a visualizar a onda injetada na carta e o valor da frequência, efetuou-se a instalação do osciloscópio. O multímetro foi usado para monitorizar a tensão injetada na carta. A montagem e os equipamentos usados para efetuar este teste podem ser visualizados na figura 4.42. Fig. 4.42 – Bancada de teste e equipamentos. 88 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Modo de funcionamento: A carta eletrónica efetua leituras sistemáticas dos valores da tensão e/ou corrente existentes no eixo. Caso numa dessas leituras sejam detetados valores de tensão ou corrente acima do valor máximo admissível, por questões de segurança, a carta eletrónica envia os valores resultantes da leitura para os mímicos de controlo. O operador na sala de comando tem acesso, em tempo real, aos valores medidos pela carta. O valor máximo de tensão permissível no eixo e para o qual a carta não envia qualquer alarme está definido em 6 V pico a pico. De forma a minimizar a degradação do valor da tensão (devido a quedas de tensão nos fios elétricos ou a ruido) na transmissão dos seus valores, a tensão é convertida de forma linear numa sequência de impulsos. Este sistema permite converter sinais analógicos em frequências de forma a serem transmitidos a distâncias mais longas. Deste modo, os valores da tensão ao serem exibidos nos mímicos aparecem em Hertz, como ilustrado na figura 4.43. Tendo em consideração o modo de funcionamento do sistema de monitorização das tensões/correntes parasitas, procedeu-se ao início dos ensaios. Foram efetuados diversos ensaios, nos quais, o valor da amplitude da tensão e da frequência do sinal injetado na carta foram alternando. O objetivo destes ensaios consistia em confirmar se o sistema de monitorização enviava sinais de alarme para os mímicos de controlo na existência de tensões e/ou corrente parasitas no eixo Fig. 4.43 – Mímico de monitorização das tensões/correntes parasitas no eixo. Após efetuar diversos ensaios, concluiu-se que o sistema de alarme não estava a operar do modo correto, pois, no mímico, os valores de Shaft AC Frequency e Shaft AC Current não se alteraram em nenhum dos ensaios (figura 4.43). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 89 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas 4.8 – Substituição dos Filtros de Sílicas do Analisador de Hidrogénio O analisador de hidrogénio (H2) tem como função analisar a pureza do hidrogénio que se encontra no interior do alternador de forma a promover o seu arrefecimento (figura 4.44). Contudo, este gás é extremamente inflamável se não for mantido em concentrações elevadas. A zona onde o analisador se encontra é considerada uma zona ATEX13. Caudalímetro analisador do lado da TG Válvula controlo purga contínua do lado da TG Válvulas de purgas automáticas Caudalímetro totalizador Caudalímetro analisador do lado do coletor Válvula controlo purga contínua do lado do coletor Válvula controlo Válvula controlo purga extra do lado purga extra do lado da TG do coletor Fig. 4.44 – Analisador de hidrogénio. De modo a manter a pureza do hidrogénio dentro dos limites de segurança e de exploração do grupo electroprodutor, existe um sistema de purgas contínuas que renovam o hidrogénio quando necessário. Quando a concentração de hidrogénio se situa abaixo do valor específico efetua-se a uma purga extra de forma a promover a entrada de hidrogénio novo para o circuito de refrigeração do alternador. O valor de pureza indicada pelo analisador é, regra geral, superior a 95%. Numa das rondas efetuadas pelos colaboradores da Central Termoelétrica de Lares, constatou-se que as colunas de sílicas do analisador de hidrogénio do grupo 2 estavam saturadas. Estas colunas têm como função a remoção de contaminantes e humidades existentes no hidrogénio que possam originar leituras incorretas pelo analisador de pureza do hidrogénio. 13 O termo ATEX deriva do termo Atmosfera Explosiva e consiste em identificar as áreas potencialmente explosivas. As áreas ATEX são divididas por zonas tendo como base a frequência e a duração com que a atmosfera se pode tornar explosiva devido a existências de gases, vapores ou névoas. 90 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 4 – Tarefas Realizadas A B Fig. 4.45 – Colunas de sílicas (A); Indicador do estado da coluna de sílica (B). Na figura 4.45 é possível visualizar duas das três colunas de sílica. Quando o visor do recipiente da sílica está azul significa que a sílica se encontra em bom estado. Quando o tom azul vai desaparecendo, ficando a sílica com um tom rosa (figura 4.45 (B)), é necessário proceder à substituição do filtro, pois, este já não garante uma filtragem adequada do hidrogénio que será analisado. A não substituição dos filtros pode originar leituras incorretas dos valores de concentração de hidrogénio. Antes de intervir na troca dos filtros foi necessário analisar quais as válvulas que era necessário fechar de modo a estancar o hidrogénio no circuito de refrigeração do alternador precavendo possíveis fugas. Na figura 4.46 é possível visualizar as válvulas que foram fechadas. Depois de fechar as válvulas procedeu-se à substituição dos filtros. 1 4 2 2 5 1 4 3 5 3 Fig. 4.46 – Esquema de válvulas do analisador de H2 e indicação das válvulas a fechar [36]. Legenda da figura 4.46: 1 – HV 2971 - Válvula de purga contínua lado da turbina a gás; 2 – HV 2972 - Válvula de purga extra lado da turbina a gás; 3 – HV 2973 - Válvula de purga contínua lado do coletor; 4 – HV 2974 - Válvula de purga extra lado do coletor; 5 – HV 2978 - Válvula de isolamento. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 91 Capítulo 4 – Tarefas Realizadas Fig. 4.47 – Desmontagem dos filtros de H2. Após a substituição dos filtros saturados procedeu-se à substituição dos recipientes de sílica por uns novos (figura 4.47 e 4.48). Fig. 4.48 – Compartimento de sílicas substituídos. Depois da colocação dos novos filtros, realizou-se a um reaperto de todas as junções por forma a garantir a estanquicidade do hidrogénio. Foi, de igual forma, necessário calibrar os caudais de purga contínua do analisador. No total existem três caudalímetro como ilustrado na figura 4.44. O caudalímetro do lado da turbina e do coletor devem ter um caudal de 500 cc/min. Para melhorar a exatidão de todos os caudais, o caudalímetro totalizador (figura 4.44) deve indicar um caudal entre 2000 e 3500 cc/min. O caudalímetro totalizador mede o caudal total das purgas contínuas (1000 cc/min +1000 cc/min) e dos dois analisadores de pureza (500 cc/min +500 cc/min). 92 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.1 – Influência do Mercado Energético nos Arranques O arranque de uma central termoelétrica de ciclo combinado é um processo crítico sob duas perspetivas. Por um lado, trata-se de um estado de transição de um grupo térmico com impacto nos equipamentos e materiais, por outro, na ótica do mercado de energia um arranque mal sucedido, pode comprometer a disponibilidade da central termoelétrica e inviabilizá-la durante largos períodos de tempo. Na sequência de arranque de grupos térmicos, todos os equipamentos devem estar operacionais de forma a minimizar possíveis anomalias e prevenir disparos intempestivos dos grupos electroprodutores. Os disparos acarretam custos elevados uma vez que provocam indisponibilidade da central termoelétrica e, consequentemente, penalizações. O valor das penalizações varia em função do tempo da indisponibilidade e do valor da energia elétrica em mercado. No Anexo J são descritos os requisitos a verificar antes de efetuar um novo arranque de forma a mitigar possíveis avarias ou disparos nos grupos. Na Central Termoelétrica de Lares a sequência de arranque é automática até ao grupo electroprodutor atingir o mínimo técnico. Este representa a potência mínima que cada grupo electroprodutor pode produzir em condições normais de exploração (200 MW). A caracterização dos arranques consiste em determinar o comportamento da curva de potência e a energia elétrica gerada desde do início do arranque até ao mínimo técnico permitindo, deste modo, estimar a produção de energia elétrica para arranques futuros em condições iniciais semelhantes. Devido à imprevisibilidade do comportamento da TV, a energia produzida no arranque tende, de modo geral, a divergir da energia estimada. O comportamento da TV varia em função das horas de paragem e da temperatura do metal da TV. A capacidade de quantificar a energia é importante de forma a reduzir desvios. A importância de estimar com precisão a energia elétrica produzida nos arranques prende-se com a necessidade de cumprir as Instruções de Despachos (ID) recebidas através da Unidade de Negócio de Gestão de Energia (UNGE14). A UNGE é a responsável por negociar em mercado o preço e a quantidade da energia transacionada. As negociações relativas à energia são efetuadas no mercado ibérico (MIBEL) onde se encontram vendedores, compradores e comercializadores. Estes mercados têm como finalidade transacionar a energia elétrica a um determinado preço. O mercado existe em duas topologias, respetivamente, mercado físico (Spot) e mercado financeiro de longo prazo. 14 UNGE. Esta entidade engloba quatro ramos, respetivamente, gestão dos riscos em mercado, direção de mercados energéticos, gestão e aquisição de combustíveis e direção de sistemas e operações. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 93 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Nos mercados financeiros de longo prazo, transacionam-se volumes de energia elétrica para uma data futura. Estas transações são baseadas no encontro de expectativas entre vendedores e compradores a um determinado preço. No mercado Spot, a energia elétrica é transacionada em função da participação dos agentes nas sessões de mercado diário e intradiário de forma a satisfazer a procura do dia que sucede o da negociação. O mercado organiza-se em sessões, deste modo, o mercado diário é elaborado no dia D-2 do programa provisório de produção, compra e venda para o dia D com base nas previsões recebidas (produção hídrica e eólica, preços e consumos). Por seu turno, no mercado intradiário, é efetuado ajustes na oferta devido a alteração das previsões do dia D-2, através de otimizações da produção durante o dia D-1. No processo de encontro do preço da energia em mercado, é criada a curva de oferta. Esta é formada de forma crescente, pelas ofertas de venda dos vários produtores, seguindo a ordem relativa aos preços apresentados por cada tipo de produção. Em sentido oposto, é apresentada a curva de procura que no desenrolar da sessão do mercado apresenta uma tendência decrescente na oferta de preço. O valor da energia em mercado é estabelecido pelo encontro do menor preço que garante a satisfação da procura pela oferta (figura 5.1). No mercado diário o preço estabelecido segue o modelo de preço marginal único. Deste modo, todos os compradores pagam o mesmo preço e todos os produtores, independentemente do tipo de produção que disponham, recebem o mesmo. Deste modo, os produtores que façam ofertas de energia elétrica a um preço inferior, pelas regras impostas do mercado, recebem por elas o Preço [€/MWh] preço marginal estabelecido, mesmo sendo superior à sua oferta. Curva de oferta Curva de procura Energia [MWh] Fig. 5.1 – Exemplificação do encontro entre oferta e procura de energia elétrica no mercado diário [37]. O mercado Spot estabelece-se, deste modo, programas de venda e de compra de energia elétrica para o dia seguinte ao da negociação tendo em consideração os diagramas de carga15. A razão pela qual se deve cumprir com as energias descritas na ID deve-se à necessidade de equilibrar o sistema de energia, como descrito na equação (5.1). (5.1) 15 94 Diagrama de carga é representado por uma curva de carga prevista (produção) e uma curva de carga verificada (consumo). Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica O MIBEL foi criado em Novembro de 2001 e consiste na cooperação entre Portugal e Espanha no setor energético. O seu principal objetivo é beneficiar os consumidores de energia elétrica de ambos os países através de processos de integração de SEE. Esta integração traduzse num melhormente do serviço e numa redução dos preços de energia elétrica incentivando o desenvolvimento e a competitividade no sector energético na área de produção e distribuição. O MIBEL, por sua vez, é repartido em dois operadores, OMIP16 e OMIE17. O operador OMIE é a entidade responsável pela realização das liquidações dos mercados diários e intradiário de energia. Por seu turno, o OMIP tem como funções contribuir para o desenvolvimento do mercado ibérico de eletricidade, disponibilizar instrumentos eficientes de gestão de risco e promover preços de referência ibéricos. A gestão do Sistema de Energia Elétrico (SEE) em Portugal é atribuída à Redes Energéticas Nacionais (REN). A REN, enquanto gestora de rede tem como missão a programação e a monitorização constante do equilíbrio entre a produção e o consumo. Deste modo, após ser efetuada a programação da produção em função dos consumos previstos, a REN, aguarda uma determinada quantidade de energia elétrica em cada período horário. Se um dos centros electroprodutores não injetar no SEE as energias programadas ou descritas na ID (quer por excesso quer por falta), a estabilidade ou o equilíbrio da rede elétrica pode ser afetada. No caso de uma central electroprodutora produzir abaixo ou acima ao estipulado na ID ou se sair do SEE devido a um disparo de grupo, o gestor de rede possui mecanismos para compensar o desvio infligido ao SEE através da regulação primária, secundária e terciária. Os desvios entre a produção e o consumo num SEE afetam, invariavelmente, a frequência (figura 5.2). O desequilíbrio num SEE pode originar apagões parciais ou totais consoante a severidade e a duração do mesmo. Fig. 5.2 – Equilíbrio do SEE. Origem dos desvios entre consumo e produção: Devido à indisponibilidade total ou parcial de um ou de vários centros produtores; Variações no consumo real do sistema e/ou nas entregas da produção em regime especial em relação à previsão de entregas comunicadas; Pela existência de diferenças importantes entre o consumo total e o consumo estimado pelo agentes nas diferentes sessões de mercado [38]. 16 17 OMIP – Operador de Mercado Ibérico de Energia Pólo Português. OMIE – Operador de Mercado Ibérico de Energia Pólo Espanhol. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 95 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Como referido anteriormente, existem três formas de regulação que permitem mitigar os desvios relativos ao consumo e à produção. A regulação primária é uma regulação intrínseca aos alternadores e conhecida por estatismo, não sendo remunerada. Tem como objetivo corrigir automaticamente os desvios instantâneos entre produção e consumo. A sua atuação realiza-se através da variação de potência dos alternadores de forma imediata e autónoma. A atuação é efetuada a partir dos reguladores de velocidade das turbinas que respondem às variações de frequência [38]. A regulação secundária é efetuada pelo operador do SEE através da telerregulação. Neste tipo de regulação os valores de referência na produção são definidos pelo operador da rede para cada centro electroprodutor de forma a restabelecer o equilíbrio no SEE. A telerregulação deve atender os critérios de segurança de operação das centrais electroprodutoras. A energia elétrica produzida enquanto a central se encontra em telerregulação é valorizada ao preço da última oferta ocorrida no mercado em cada hora para a regulação terciária. A regulação secundária deve ser iniciada em menos de 30 segundos e ser eventualmente compensada com uma regulação terciária em menos de 15 minutos [38]. A EDP apresenta, atualmente, alguns centros electroprodutores com telerregulação, respetivamente, as centrais de Lares, Ribatejo, Alto Lindoso, Régua, Picote, Pocinho, Valeira, Castelo de Bode, Aguieira, Cabril e Frades. A regulação terciária é um serviço complementar atribuído aos mecanismos constituintes do mercado. A sua função é restabelecer a reserva secundária que tenha sido usada mediante a adaptação dos programas de funcionamento dos alternadores que estejam ou não em serviço. A regulação terciária é baseada no uso de reservas mínimas e reservas adicionais [38]. A reserva mínima é usada como forma de regulação quando ocorre uma perda máxima de produção provocada de forma direta pela saída inesperada de um grupo produtor existente no sistema elétrico. Esta reserva, em geral, é aumentada em 2% em relação ao consumo previsto para cada período horário [38]. Por seu turno, a reserva adicional deverá compensar as seguintes situações: Quando o consumo horário previsto pela REN ultrapassa em mais de 2% o consumo horário resultante dos mercados de produção diários e intradiário (mais 2% de consumo que o previsto). Quando a previsão de perda de produção devida a falhas sucessivas e/ou atrasos na ligação ou subida de carga nos grupos térmicos seja superior à reserva de regulação terciária estabelecida [38]. 96 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.2 – Caracterização dos Arranques Os arranques da Central de Ciclo Combinado de Lares são classificados em quatro tipos em função das horas de paragem e temperatura do metal da turbina a vapor. Os arranques podem ser classificados segundo o quadro 5.1. Quadro 5.1 – Classificação dos arranques da Central de Ciclo Combinado de Lares. Tipo Frio Morno Quente - Morno Quente Tempo de paragem >72 Horas 48 < Horas < 72 8 < Horas < 48 < 8 Horas A dificuldade em prever a energia que a Central Termoelétrica de Lares consegue injetar no SEE durante a sequência de arranque advém da imprevisibilidade do comportamento da turbina a vapor. Quanto maior for o período de paragem, mais baixas serão as temperaturas do vapor e do metal da TV. Como consequência direta, os tempos de aquecimento da TV são maiores, tornando os arranques mais prolongados, podendo variar tipicamente entre 1h30m a 4h30m. Os tempos e a classificação dos arranques apresentados no quadro 5.1 foram disponibilizados pela Central Termoelétrica de Ciclo Combinado de Lares de forma a realizar o presente estudo. A admissão de vapor na TV é condicionada pela qualidade do mesmo. A qualidade caracteriza-se pelo PH e pelas condutividades18 do vapor. A qualidade do vapor é validada pelo operador e deve possuir requisitos mínimos de acordo com as normas de exploração dos grupos electroprodutores de forma a não deteriorar e reduzir o tempo de vida da TV. Deste modo, o valor máximo das condutividades é de 0,45 µS e o valor de PH deve ser igual ou superior a 9 de forma a minimizar os efeitos de corrosão19. O controlo de admissão de vapor na TV é efetuado através de válvulas hidráulicas (figura 3.39 (B) e 3.39 (C)). Após se verificar a aceitação das condutividades do vapor, estas vão abrindo de forma progressiva até atingirem a abertura total. No estudo de caracterização dos arranques apenas o comportamento da válvula de Alta Pressão (AP) foi considerado. A ordem de abertura da válvula AP está dependente da aceitação da qualidade do vapor e do diferencial de temperatura entre o vapor e o metal da TV. O arranque é tanto mais rápido quanto mais rápido for efetuada a admissão de vapor à TV uma vez que esta representa 1/3 da potência elétrica total de cada grupo. 18 19 A condutividade expressa a capacidade do vapor em conduzir uma corrente elétrica. O valor da condutividade é influenciado pelas concentrações iónicas (sais minerais) e pela temperatura do vapor. Deste modo, a condutividade torna-se um excelente indicador da qualidade do vapor. A corrosão pode ser definida como o processo de oxidação dos metais que compõe o sistema por onde o vapor circula. O processo de corrosão varia em função da pressão, da temperatura constituição química do vapor. Um ph baixo (corrosão ácida) torna o processo de corrosão mais rápido, deste modo, é de extrema importância manter um ph elevado. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 97 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.2.1 – Procedimento de Caracterização dos Arranques De modo a efetuar a caracterização dos vários arranques efetuados na Central Termoelétrica de Lares foi necessário aceder à base de dados existente em servidor central. Nessa base de dados encontram-se registados os valores de todas as variáveis mensuráveis afetas a exploração da Central Termoelétrica. O primeiro passo foi determinar quais as variáveis que seriam importantes considerar para efetuar o estudo da caracterização dos arranques através do PI e PI ProcessBook. O PI é uma ferramenta que permite aos utilizadores aceder a bases de dados ou a históricos de forma a retirar valores relevantes para a sua atividade. Tendo como base o PI, foi elaborada uma folha de cálculo em Excel que permitiu efetuar uma análise numérica às variáveis afetas aos arranques considerados no estudo das curvas características. 2 1 3 4 Fig. 5.3 – Folha de cálculo considerada na caraterização dos arranques. A folha de Excel, ilustrada na figura 5.3, permite analisar a evolução das variáveis em intervalos de 1 segundo (1), elaborar a curva de potência ativa gerada na sequência de arranque (curva azul no gráfico da figura 5.3) e quantificar a energia elétrica produzida em MWh. A aceitação das condutividades do vapor é representada pela curva a vermelho no gráfico (3). A tabela (2) ilustra a quantidade de energia que foi produzida em períodos de quinze minutos. A data, o período de tempo e o intervalo de tempo entre cada amostra são colocados em células específicas para esse efeito de forma a informar o PI qual o espaço temporal da amostragem dos dados (4). 98 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Legenda da figura 5.3: 1 – Dados analisados na caracterização dos arranques; 2 – Tabela com indicação da energia produzida (MWh) em blocos de 15 minutos; 3 – Curva de potência e indicação das aceitações das condutividades; 4 – Indicação da data inicial, final e intervalo de tempo dos dados. Fig. 5.4 – Seleção da localização das células de data-hora, intervalo de tempo e variável a estudar. A figura 5.4 ilustra o procedimento para indicar ao PI as células que contêm as informações necessárias para o processamento dos dados. Deste modo, seleciona-se o separador PI no Excel e escolhe-se a opção Sample Date. O passo seguinte é indicar ao PI a data inicial, a data final e o nome da variável que se pretende analisar. No quadro 5.2 encontram-se listadas as variáveis consideradas na caracterização dos arranques. Quadro 5.2 – Quadro com indicação das variáveis consideradas. Descrição Potência ativa Potência exportada Temperatura do metal TV AP Temperatura do metal TV MP Temperatura do Vapor AP Temperatura do Vapor MP Aceitação Condutividades Mínimo Técnico BAC – Disjuntor de grupo Posição da válvula Vapor AP Temperature Matching Sequence Velocidade rotor Frequência do alternador Nome da variável (KKS do grupo 2) G2.DWATT BOPC.00ACA20GT001XQ01 S2.TT_1SB_CS S2.TT_RHB_CS S2.TT_IS S2.TT_RHS B2.21CJB10GR001XY83 B2.21CJB10EA130S9_PM1 B2.21BAC10GS001XS01 S2.CV1_POS G2.L83TMSEL_C G2.TNH_V G2.DF As variáveis consideradas para a caracterização dos arranques encontram-se descritas de forma pormenorizada no Anexo K do presente documento. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 99 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.2.2 – Considerações Sobre as Curvas Características Para efetuar a caracterização dos arranques e definir a curva característica respetiva por tipo de arranque foi necessário caracterizar e analisar os arranques efetuados na Central Termoelétrica de Lares desde o início da sua atividade. Devido à limitação de memória do servidor, os dados mais antigos vão sendo substituídos por dados mais recentes. Esta condição não permitiu o acesso aos dados referentes aos arranques efetuados em 2009 e parte dos arranques ocorridos em 2010. Deste modo, procedeu-se à caracterização de 28 arranques a frio, 34 a morno e 27 a quente. No total, foram analisados 89 arranques. Nestes estudos, apenas foram contemplados os arranques que decorreram sem anomalias. Contudo, nem todos os arranques contemplados foram considerados no estudo para a obtenção das curvas características pois apresentavam tempos de espera superiores ao normal. Para o estudo da curva característica dos arranques a frio foram selecionados 22 dos 28 arranques analisados. Esta seleção deriva do tempo de espera considerado em 5 horas no máximo desde o sincronismo até ao mínimo técnico (tempo de arranque). No estudo da curva característica dos arranques a morno, foram selecionados 31 dos 34 arranques analisados. À semelhança da seleção efetuada nos arranques a frio, foi considerado um tempo de espera máximo entre o sincronismo e o mínimo técnico de 3h15m. No estudo dos arranques a quente foram considerados os 27 arranques analisados para a obtenção da curva característica, pois estes apresentam tempos de arranque semelhantes. Os tempos de arranque variam em função da temperatura inicial do metal da TV e do tempo de espera da aceitação das condutividades do vapor. As decisões tomadas pela equipa de condução devido a questões de operacionalidade dos grupos podem influenciar o tempo de arranque. No estudo da caracterização dos arranques, não foram consideradas as decisões e/ou questões operacionais que possam ter sucedido no decorrer do arranque dos grupos. No estudo apresentado no subcapítulo 5.3 do presente documento foram considerados somente três tipos de arranque, respetivamente, arranque a frio, a morno e a quente. A eliminação do tipo quente-morno descrito no quadro 5.1 deriva do fato de não se terem verificado diferenças significativas entre os arranques que se enquadravam na categoria quente-morno e morno. Deste modo, os arranques considerados foram classificados da seguinte forma: Frio 100 – A partir de 72 horas de paragem; Morno – Entre 9 e 72 horas de paragem; Quente – Até 8 horas de paragem. Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.2.3 – Descrição da Caracterização dos Arranques Através do PI Para efetuar a descrição de como foi efetuada a caracterização ou análise numérica dos arranques tomou-se como exemplo um arranque a frio com 98 horas paragem. Arranque a frio com 98 horas de paragem: Potência (MW) 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Tempo (mn) Fig. 5.5 – Curva de potência do arranque de 98 horas considerado para exemplo. Quadro 5.3 – Tabela resumida do arranque. Tempo Tempo Inicio Fecho Condu- Mínimo aquecimento 04:10:20 Paragem Arranque BAC tividade técnico vapor (560 ºC) Temperature 98:00:00 1:45:29 02:15:25 03:33:44 06:05:22 Hora matching 03:46:13 15 mn 30 mn 45 mn 60 mn Total MWh sequence 1º Gradiente subida Vapor AP 3,68 3,81 3,65 3,35 14,50 2º 3,35 4,52 5,30 4,73 17,90 Antes temp. 1,49 ºC/min matching 3º 5,88 5,69 5,58 6,32 23,49 4º 11,43 16,41 20,80 93,70 45,04 Após temp. 2,18 ºC/min 5º matching 68,53 52,95 53,75 50,30 225,54 Quadro 5.4 – Tabela de caracterização do arranque. Para a caracterização de um arranque considera-se a informação relativa a curva de potência, aos tempos de espera da aceitação das condutividades, do mínimo técnico, tempo de aquecimento do vapor e do metal da TV e a energia produzida desde do sincronismo até ao mínimo técnico. O método de caracterização e a informação descrita neste exemplo foi efetuado de igual modo nos 89 arranques analisados. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 101 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica No presente exemplo é possível verificar as seguintes informações: Tempo de paragem: Tempo em que o grupo se encontrou inativo ou em stand-by; Início do Arranque: Hora em que o arranque se iniciou. Esta informação é útil para determinar o tempo de espera até se verificar o sincronismo; Fecho BAC: Hora em que ocorreu o sincronismo entre o alternador e a rede elétrica; Condutividades: Hora em que o vapor apresentou condições para ser admitido na TV; Mínimo técnico: Hora em que o grupo atingiu o mínimo técnico (200MW); Tempo aquecimento vapor: Tempo de espera até o vapor AP atingir a temperatura nominal de exploração (560 ºC); Temperature matching sequence: Processo de aquecimento do metal da turbina a vapor; Gradiente subida vapor AP: Gradiente de subida da temperatura do vapor AP antes e após a conclusão do temperature matching sequence; Temp. Vap AP: Evolução da temperatura do vapor de alta pressão; Temp. Metal AP: Evolução da temperatura do metal da turbina de alta pressão; Temp. Vap MP: Evolução da temperatura do vapor de média pressão; Temp. Metal AP: Evolução da temperatura do metal na turbina de média pressão; Energia elétrica gerada em bloco de 15 minutos e por hora. Indicação do tempo de espera das condutividades, sincronismo e mínimo técnico. A energia gerada é apresentada em blocos de 15 minutos. Deste modo, cada hora é dividida em quatro períodos de 15 minutos cada. A figura 5.6 descreve o comportamento da curva de potência referente ao período em que ocorre o mínimo técnico atribuindo ênfase às energias máximas e mínimas que é possível produzir nesse período de tempo. A caracterização do arranque é finalizada no instante em que os grupos electroprodutores atingem o mínimo técnico e o operador toma o controlo dos grupos podendo, deste modo, variar a potência ativa em função das necessidades do SEE. A sequência automática de arranque é igualmente finalizada no instante em que os grupos atingem o mínimo técnico. Valores relativos à potência e à energia se a potência continuasse a aumentar com uma taxa de 0.3 MW/s até completar o tempo em falta para concluir os 15 minutos referentes ao período da hora em que ocorreu o mínimo técnico. Energia gerada na rampa Fig. 5.6 – Coluna Rampa do quadro 5.4. 102 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica A figura 5.6 ilustra a coluna Rampa do quadro 5.4. Esta coluna indica que neste arranque a rampa de subida da potência ativa teve uma duração de 5,8 minutos e foi produzido um total de 14,65 MWh. Nas duas últimas colunas pode-se visualizar a energia mínima e máxima que pode ser produzida nesse período de 15 minutos. A energia mínima produzida é determinada com o grupo electroprodutor a funcionar à potência mínima (200 MW) durante o período de tempo restante (9,2 minutos neste arranque). A energia máxima produzida é determinada relativamente à subida teórica de carga do grupo durante o tempo restante. Neste arranque, teoricamente, o grupo conseguiria atingir a potência máxima de 364,1 MW em 9,2 minutos. Em resumo, com a potência à carga mínima (200 MW), o grupo conseguiu produzir um total de 30,44 MWh. Considerando a subida da carga (aproximadamente 18 MW/m), o grupo conseguiria produzir um total de 42,93 MWh. O cálculo teórico da energia mínima e máxima produzida realiza-se efetuando a soma da energia obtida na rampa com a energia obtida à carga mínima e máxima respetivamente. Deste modo, a energia mínima produzida seria de 45,09 MWh e a energia máxima seria de 57,58 MWh (valores teóricos). No quadro 5.3, um dos valores da energia aparece a verde. Esta é a indicação da energia real que foi produzida nos 15 minutos da hora que correspondem ao período da hora em que ocorreu o mínimo técnico. Este valor, em teoria, deveria estar sempre compreendido entre o valor mínimo e máximo da energia produzida da coluna Rampa (figura 5.6). Quando tal não sucede, significa que o controlador de carga não conseguiu manter a potência ativa nos 200 MW de forma constante. Este facto origina oscilações da potência ativa, variando-a tipicamente entre 192 e 200 MW. O estudo da caracterização de arranques baseou-se na otimização desse acontecimento, pelo que foi considerada uma subida constante até aos 200 MW eliminando-se, desta forma, as oscilações na curva da potência ativa (figura 5.7). Foi, ainda, considerado que a potência ativa máxima produzida pelo alternador é de 440 MW e a taxa de subida de potência ativa por minuto é de 18 MW (0,3 MW/s). B A Fig. 5.7 – Curva de potência em oscilação de carga (A); Curva de potência otimizada (B). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 103 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.2.4 – Descrição da Caracterização dos Arranques Através do PI ProcessBook O PI ProcessBook é um software que permite visualizar a evolução temporal das variáveis mensuráveis através de um método gráfico. A iniciação ao PI ProcessBook é intuitiva e semelhante à do PI. A partir deste, é possível visualizar a evolução de várias variáveis em simultâneo num determinado período de tempo. Fig. 5.8 – Análise de um arranque através do PI ProcessBoock (método gráfico). Na figura 5.8 é possível observar a evolução de variáveis associadas a um arranque. Através de um cursor disponível na janela gráfica é possível visualizar o valor das variáveis a cada instante. No quadro 5.5 descreve-se as variáveis visualizadas na figura 5.8. Apesar do PI ProcessBook ser uma excelente ferramenta que permite visualizar graficamente a evolução de variáveis ao longo de um determinado período de tempo, não permite trabalhar valores em Excel da mesma forma que o PI. Quadro 5.5 – Legenda das cores do PI ProcessBook. Cor Vermelho Azul Verde-claro Ciano Preto Lilás Verde-Escuro 104 Descrição da variável Velocidade do rotor em rpm Abertura da válvula de admissão de vapor AP em percentagem Temperatura do metal da turbina de alta pressão [ºC] Temperatura do vapor de alta pressão [ºC] Potência ativa produzida no alternador [MW] Aceitação das condutividades do vapor Abertura e fecho do disjuntor de grupo Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Para iniciar a utilização do PI ProcessBook é necessário ir ao separador “File” e selecionar ”New”. De seguida, escolhe-se a opção ”ProcessBook Display”, que permite iniciar uma nova janela gráfica como ilustrado na figura 5.9. Após aparecer a nova janela gráfica é necessário selecionar as variáveis a visualizar através do PI ProcessBook. Deste modo, seleciona-se o ícone na barra de ferramentas “Define Trend”. Aparecerá, de seguida, uma janela que permite efetuar a seleção das variáveis desejáveis. Para tal, selecionasse a opção “Tag Search” e escolhe-se a opção “Tag Search”. Esta sequência é ilustrada na figura 5.9 (B). A B Fig. 5.9 – Iniciação o PI ProcessBook. Criar novo projecto (A); Seleção das variáveis (B). Em seguida é apresentada uma nova janela onde todas as variáveis armazenadas na base de dados são listadas (figura 5.10 (A)). Nesta janela existem filtros para ajudar a selecionar as variáveis pretendidas. De forma ilustrativa, na figura 5.10 (B) foi selecionada a variável que permite visualizar a velocidade em rpm do eixo no grupo I. Os nomes das variáveis no PI ProcessBook são idênticos ao PI, pelo que que as variáveis necessárias à caracterização dos arranques não serão mencionadas no presente subcapítulo. A B Fig. 5.10 – Janela de seleção das variáveis (A); Seleção de tempo e amostragem da velocidade do rotor (B). Após selecionar a variável desejada é necessário ajustar o período de tempo ao qual se pretende analisar a evolução da variável. Para alterar o período de tempo é necessário clicar no ícone de tempo existente na barra de tarefas do PI ProcessBook (seta a vermelho na figura 5.10 (B). Os passos de seleção de tempo e o resultado final estão ilustrados na figura 5.10 (B). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 105 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.3 – Estudo Prático da Caracterização dos Arranques Com o estudo da caracterização dos arranques da Central de Ciclo Combinado de Lares pretendeu-se identificar as curvas características de cada tipo de arranque. Como referido anteriormente, os arranques são caracterizados pelas horas de paragem e pela temperatura do metal da TV. É de salientar que todos os valores apresentados neste estudo têm como base valores reais disponibilizados pela EDP Produção e pela Central de Ciclo Combinado de Lares. Neste estudo, foram considerados três tipos de arranques como ilustrado no quadro 5.6. Este são classificados em função das horas de paragem. Quadro 5.6 - Classificação dos arranques para efeitos de estudo das curvas características. Frio Tipo Tempo de paragem >72 Horas Morno 8< Horas < 72 Quente < 8 Horas Desta forma, foi elaborada uma curva característica para cada tipo de arranque em função da temperatura do metal da turbina a vapor de alta pressão. As curvas características estão listadas da seguinte forma: Arranques a quente até 8 horas de paragem; Arranques a morno com a temperatura do metal superior a 400 ºC; Arranques a morno com a temperatura do metal inferior a 400 ºC; Arranque a frio com a temperatura do metal superior a 204 ºC; Arranque a frio com a temperatura do metal inferior a 204 ºC; O resultado do estudo de cada arranque é apresentado sob forma de tabela por tipo onde todos os valores relevantes de cada arranque são indicados. As tabelas estão organizadas por separadores. Cada separador faz referência a um determinado tipo de dado. Horas de paragens – Indica o tempo em que o grupo esteve parado; Tempos de espera – Indica o tempo de espera de determinados acontecimentos tais como: aceitação das condutividades, mínimo técnico, aquecimento do vapor e do metal da turbina a vapor de alta pressão; Temperaturas – Indica a temperatura da TV e do vapor de média e alta pressão no instante imediatamente a seguir ao sincronismo; Gradiente subida vapor AP – Indica o gradiente e aquecimento do vapor AP antes e depois da conclusão do temperature matching sequence. 106 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.3.1 – Metodologia de Cálculo Determinar a energia produzida: Para determinar a energia produzida durante a sequência de arranque efetuou-se a integração da curva de potência em relação ao tempo. A integração da curva de potência pode ser efetuada graficamente ou algebricamente. O método usado neste estudo foi o método algébrico (através da análise numérica do PI). Deste modo, a energia produzida é apresentada em blocos de 15 minutos, englobando, no total 900 amostras por cada bloco (um valor de potência por cada segundo). O cálculo de integração foi efetuado de forma automática através do Excel tendo em consideração a expressão (5.2). ∑ (5.2) Onde: ∑ Potência 15 min – Somatório de todos os valores de potência referente aos 15 minutos; Nº amostras – Número de amostras incluídas no somatório da Potência (900 amostras); – Como a energia é expressa em MegaWatt hora (MWh) e a hora está dividida em quatro períodos idênticos (quinze minutos cada), foi necessário multiplicar o resultado por 0,25 (referente a um quarto da hora) Determinar o gradiente de aquecimento do vapor: Para efetuar o cálculo do gradiente de aquecimento do vapor foi necessário contabilizar o número de amostras desde o sincronismo até à temperatura nominal do vapor alta pressão (560 ºC). Foi ainda efetuada a distinção do gradiente antes e após a conclusão do processo de aquecimento do metal da turbina a vapor (temperature matching sequence). Deste modo, o cálculo foi efetuado da seguinte forma: Para determinar o gradiente de aquecimento do vapor antes da conclusão do temperature matching sequence foi considerada a expressão (5.3). (5.3) Para determinar o gradiente de aquecimento do vapor após a conclusão do temperature matching sequence foi considerada a expressão (5.4). (5.4) Rodolfo Manuel Conceição Pereira 107 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.3.2 – Informações Sobre a Curva de Potência A curva de potência permite visualizar dados que não vêm de forma implícita no estudo efetuado. Deste modo, pretende-se elucidar o significado de certos termos e a sua influência na curva de potência. A figura 5.11 indica o comportamento típico de um arranque a quente. Através da curva de potência ativa é possível visualizar por exemplo o tempo de aquecimento do metal da turbina a vapor e o momento de admissão de vapor a turbina. Velocidade Velocidade RPM 300 Sincronismo 3000 250 Temperature Matching Sequence 2500 2000 1500 Turbina Vapor Admissão de vapor na TV AP (%) Spinning Reserve 1000 200 150 Aceitação das condutividades 500 50 0 10:00 9:48 9:36 9:24 9:12 9:00 8:48 8:36 8:24 8:12 8:00 7:48 7:36 7:24 7:12 7:00 6:48 6:36 6:24 6:12 6:00 5:48 5:36 5:24 5:12 5:00 0 100 MW; % Vlv. Vapor AP 3500 Potência -50 Fig. 5.11 – Exemplo ilustrativo de uma curva características [1]. Arranque do grupo até ao sincronismo - Este procedimento demora aproximadamente 28 minutos e coincide com o tempo de sincronismo (3000 rpm). Nos primeiros 15 minutos a TG mantém uma velocidade aproximada de 750 rpm. Após este período a velocidade da mesma diminui de forma a permitir a ignição da chama nos queimadores da TG. Spinnig reserve: Indica o fim do processo de aquecimento da caldeira recuperativa. Temperature Matching Sequence: Durante o aquecimento da turbina a vapor a curva de potência tende a ser constante. Nesta fase, o aquecimento da TV é controlado através da abertura faseada da válvula de amissão de vapor à TV. O tempo de aquecimento da TV varia em função da temperatura inicial do metal da TV, da temperatura inicial do vapor e do diferencial verificado entre a temperatura do vapor e do metal da turbina durante a sequência de arranque. O diferencial da temperatura do vapor e do metal da TV deve ser inferior a 60 ºC durante a sequência de arranque. Deste modo, a válvula de admissão de vapor abre progressivamente de forma a ajustar o aquecimento do metal da TV em função da temperatura verificada do vapor. Aceitação das condutividades: A aceitação das condutividades indica ao operador que o vapor se encontra com a qualidade necessária para ser admitido à TV. Após a aceitação das condutividades, a válvula de admissão de vapor abre totalmente correspondendo um incremento de potência substancial como ilustrado na figura 5.11. 108 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.3.3 – Caracterização dos Arranques a Quente Os arranques a quente, por apresentarem um número reduzindo de horas de paragens, tornam-se arranques rápidos se comparados aos arranques a morno ou a frio, podendo variar entre 50 minutos a 1h40m. Neste tipo de arranque, a temperatura do metal da TV AP ainda se encontra elevada, tipicamente acima de 500 ºC. No quadro 5.7 é possível visualizar os dados relativos aos arranques a quente tidos em consideração no estudo da curva característica. Quadro 5.7 – Resumo dos arranques a quente. Tempo de espera Tempo Paragem Sincr. 1h42m 2h15m 2h58m 4h14m 4h15m 4h25m 4h30m 4h30m 4h40m 5h00m 5h00m 5h09m 5h13m 5h27m 5h30m 5h35m 5h45m 5h45m 5h45m 6h00m 6h06m 6h15m 6h15m 6h39m 6h45m 7h00m 7h45m 00:29:24 00:32:06 00:29:24 00:29:25 00:29:29 00:30:53 00:30:56 00:30:00 00:29:27 00:31:24 00:28:57 00:29:25 00:31:31 00:28:55 00:31:54 00:31:25 00:37:00 00:30:21 00:29:54 00:29:29 00:29:26 00:29:23 00:28:58 00:31:55 00:29:53 00:29:25 00:40:10 Temperaturas Iniciais (ºC), t=0s Gradiente subida Vapor AP ºC/min Temp. Match Compl Antes Após Aqueci. Abertura temp match Conduti Min Tec vapor AP Valv AP complete (560 ºC) 100% Temp. Temp. Temp. Vapor Vapor Metal AP AP MP Temp. Metal MP 00:07:20 00:44:54 00:09:08 00:30:53 00:31:42 00:57:47 00:04:03 00:26:52 01:01:02 00:29:25 01:00:47 01:01:09 00:56:56 00:24:19 00:57:40 00:56:58 01:00:19 00:56:06 00:58:09 01:00:12 00:29:56 00:48:23 00:59:19 00:47:18 00:18:51 00:30:30 00:53:04 00:43:29 00:15:33 00:57:42 00:50:22 00:46:05 00:20:08 01:05:13 00:44:35 00:13:39 00:44:24 00:14:11 00:15:11 00:14:20 00:50:13 00:43:34 00:14:00 00:13:49 00:24:15 00:15:32 00:28:09 00:40:59 00:30:24 00:18:06 00:27:30 00:39:47 00:37:23 00:13:30 475,53 390,10 446,89 418,76 393,22 332,14 342,98 322,06 339,59 319,34 326,08 324,12 317,12 310,50 316,15 396,05 320,80 318,28 317,46 319,68 301,97 380,42 364,46 298,59 396,17 299,93 338,76 538,96 501,78 534,61 523,72 525,78 525,09 523,55 526,07 518,42 521,45 520,55 518,54 521,46 519,34 517,04 518,24 516,35 519,03 515,97 517,30 513,68 514,64 514,28 511,86 512,96 508,42 510,38 438,46 425.43 430,43 431,44 399,32 371,14 412,51 414,28 415,10 381,03 404,84 362,06 380,99 372,79 369,74 437,37 361,87 375,66 357,34 399,05 377,47 432,49 435,81 360,50 434,11 368,79 407,52 505,67 490,60 486,80 468,94 475,28 475,76 473,78 473,17 464,14 461,92 460,28 462,33 461,71 457,65 452,99 451,96 451,19 453,92 451,89 453,06 447,23 447,16 449,12 438,85 439,72 430,79 430,72 1,37 2,70 1,48 1,54 1,89 2,91 2,96 3,22 2,77 3,14 2,96 2,96 3,25 3,20 2,30 1,99 3,06 2,86 3,16 2,57 3,44 2,10 2,36 3,96 2,69 3,63 3,00 1,69 1,57 1,49 1,49 1,65 1,57 1,53 1,41 1,42 1,47 1,52 1,64 1,52 1,45 1,39 1,57 1,50 1,57 1,66 1,58 1,65 1,30 1,49 1,50 1,57 1,71 1,51 01:09:07 00:31:11 01:37:18 01:05:13 00:44:38 00:13:30 349,15 475,53 298,59 518,87 538,96 501,78 397,39 438,46 357,34 459,88 505,67 430,72 2,72 3,96 1,37 1,53 1,71 1,30 00:50:49 01:00:27 01:06:50 01:21:15 01:17:47 01:17:55 01:09:16 01:11:27 01:14:41 01:13:49 01:14:58 01:16:20 01:11:16 01:14:32 01:41:14 01:10:58 01:14:08 01:20:21 01:13:41 01:28:21 01:10:55 01:18:47 01:17:25 01:14:48 00:58:38 01:07:53 01:06:34 00:58:24 01:08:26 01:16:19 01:32:09 01:30:16 01:24:33 01:20:29 01:22:33 01:27:37 01:24:19 01:26:14 01:25:47 01:22:18 01:26:11 01:52:02 01:26:17 01:25:34 01:31:03 01:23:30 01:38:59 01:23:03 01:30:22 01:28:32 01:15:34 01:08:35 01:19:20 01:24:16 Média 00:30:46 00:42:20 01:13:31 01:24:10 Máximo 00:40:10 01:01:09 01:41:14 01:52:02 Mínimo 00:28:55 00:04:03 00:50:49 00:58:24 00:44:38 00:55:09 01:02:42 01:18:16 01:14:43 01:11:12 01:05:42 01:07:13 01:11:14 01:09:43 01:11:15 01:12:14 01:07:45 01:11:13 01:37:18 01:07:11 01:11:12 01:16:43 01:09:14 01:24:16 01:07:15 01:14:16 01:13:17 01:00:11 00:54:43 01:04:10 01:03:12 Condutividade – A aceitação das condutividades neste tipo de arranque varia entre 4 minutos e 1 hora, apresentando em média um tempo de espera de 42 minutos. Mínimo técnico – Os tempos de espera até atingir o mínimo técnico variam entre 50 minutos e 1h41m apresentando em média um tempo de espera de 1h13m. Aquecimento vapor AP – Tendo em consideração as temperatura elevadas do vapor AP (298 a 475 ºC), o tempo de espera torna-se reduzido e varia entre 58 minutos e 1h52m, apresentando em média um tempo de espera de 1h24m. Temperature matching sequence – O tempo de aquecimento da TV varia entre 44 minutos e 1h37m. O tempo de espera associado ao aquecimento da TV é reduzido devido as temperaturas elevadas registadas no metal da TV AP. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 109 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Através da curva da figura 5.12, é possível prever o comportamento da curva de potência ativa na sequência de arranque. Nesta é possível visualizar uma reta a vermelho que indica o tempo de espera médio de aceitação das condutividades, a reta a verde representa o tempo médio de espera até ao mínimo técnico. Pela curva característica da figura 5.12 é possível observar que o mínimo técnico demora aproximadamente 1h20m, mais 7 minutos em relação à média aritmética calculada no quadro 5.7. A discrepância entre o tempo de espera do mínimo técnico ilustrado na curva característica (figura 5.12) e o calculado no quadro 5.7 é devida apenas ao método usado para o determinar. Deste modo, a média aritmética efetuada no quadro 5.7 não tem em consideração o comportamento da curva de potência ao longo da fase de arranque. Por seu turno, o método gráfico (figura 5.12) tem em consideração os valores da potência ao longo da sequência de arranque (efetua-se uma média do valor da potência de todos arranques considerados por cada instante). Este facto leva a que o comportamento da curva característica seja influenciado pelo comportamento da curva de potência de cada arranque. Este acontecimento é comum a todas as curvas características, pelo que não se voltará a efetuar referência a este acontecimento. Potência 200 MW 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Curva Característica Arranque a Quente Tempo (mn) Fig. 5.12 – Curva característica de arranque a quente. Quadro 5.8 – Energia média produzida na sequência de arranque a quente. Tempo (mn) MWh 0-15 8,28 1º Hora 15-30 30-45 12,10 12,33 45-60 15,21 2º Hora 0-15 15-30 31,43 50,94 Sincronismo à hora O quadro 5.8 indica o valor médio da energia produzida na fase de arranque deste tipo de arranque. Os valores da energia descritos no quadro 5.8 são obtidos através da integração da curva característica ilustrada na figura 5.12. A energia produzida na sequência de arranque é apresentada em blocos de 15 minutos desde do sincronismo até ao mínimo técnico. A energia injetada no SEE é contabilizada em períodos de 1 hora. Neste tipo de arranque foi considerado que sincronismo ocorreu à hora e o tempo de espera médio pelo mínimo técnico é aproximadamente de 1h15m (quadro 5.7). Assim, o operador da Central Termoelétrica tem 45 minutos para ajustar a potência ativa gerada em função da energia solicitada na ID. Do estudo dos arranques a quente, conclui-se que os fatores que indicaram maiores variações entre arranques foram o tempo de espera das condutividades e o gradiente de aquecimento de vapor. 110 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.3.4 – Caracterização dos Arranques a Morno De forma a determinar a curva característica dos arranques a morno com maior fiabilidade, procedeu-se à distinção dos arranques pela temperatura do metal da TV de alta pressão. Deste modo, foram elaboradas curvas características distintas para os arranques que apresentaram temperaturas do metal da TV AP superiores e inferiores a 400 ºC. Os arranques a morno tornam-se mais prolongados se comparados aos arranques a quente, pois as temperaturas do vapor e do metal da TV são mais baixas, variando tipicamente entre, 322 ºC e 496 ºC. Curva característica para temperatura do metal da TV alta pressão superior a 400 ºC: Quadro 5.9 – Resumo dos arranques a morno com temperatura do metal da TV AP superior a 400 ºC. Tempo de espera Temperaturas (ºC) t=0s 01:17:45 01:30:12 02:07:01 02:07:10 01:43:08 02:03:12 01:55:59 01:50:03 01:25:34 01:56:56 01:48:58 02:05:08 02:00:34 01:52:18 02:20:43 02:11:02 01:43:38 02:16:14 03:11:17 Aq vapor AP (560 ºC) 01:23:53 01:51:51 02:28:00 02:31:03 02:07:49 02:25:43 02:22:04 02:11:30 01:50:06 02:22:37 02:14:45 02:27:51 02:26:58 02:17:24 02:38:26 02:36:59 02:12:16 02:37:15 03:31:07 temp match complete 01:04:43 01:26:19 02:01:53 02:03:23 01:38:49 01:55:53 01:52:20 01:46:20 01:22:14 01:53:22 01:44:48 02:01:24 01:57:28 01:47:20 02:17:25 02:07:23 01:39:19 02:02:26 03:06:34 Abertura Valv AP 100% 00:47:18 00:23:55 02:46:32 00:30:04 00:43:02 00:53:27 00:45:26 00:49:23 00:46:04 00:57:12 00:42:51 01:20:36 01:27:09 00:52:25 01:19:17 01:40:44 00:53:38 01:13:06 01:11:01 Temp Vapor AP 286,28 260,42 271,36 248,03 317,73 270,06 297,59 378,31 299,88 364,72 353,64 274,39 329,37 327,09 265,39 280,36 370,67 345,72 216,49 Temp Metal AP 495,66 484,19 489,60 461,52 437,44 436,94 432,63 427,49 413,10 426,97 423,25 423,72 418,66 422,10 414,60 410,42 415,76 410,91 409,91 Temp Vapor MP 351,03 316,27 315,76 284,35 305,26 301,08 289,18 306,68 304,21 301,26 302,10 291,00 288,45 286,56 273,23 252,39 289,44 270,56 230,71 Temp Metal MP 404,09 385,20 350,41 353,61 324,24 284,34 308,13 291,43 321,71 274,42 321,07 278,70 242,62 291,54 265,86 209,16 290,77 207,03 215,02 Media 00:30:48 00:58:05 01:58:15 Máximo 00:45:31 02:00:16 03:11:17 Mínimo 00:20:00 00:20:29 01:17:45 02:20:56 03:31:07 01:23:53 01:53:08 03:06:34 01:04:43 01:03:19 02:46:32 00:23:55 303,03 378,31 216,49 434,47 495,66 409,91 292,61 351,03 230,71 295,76 404,09 207,03 Horas Paragem Sincron Conduti Min Tec 9h20m 11h00m 11h45m 15h49m 25h00m 25h01m 26h00m 26h04m 27h00m 27h45m 27h52m 28h00m 29h00m 29h01m 30h17m 31h00m 31h00m 32h0m 33h23m 00:29:23 00:30:25 00:45:31 00:29:52 00:32:25 00:30:26 00:32:29 00:28:59 00:29:29 00:31:27 00:32:04 00:29:29 00:29:22 00:31:27 00:20:00 00:29:26 00:31:28 00:29:25 00:31:56 00:30:27 01:06:17 00:20:29 01:37:06 01:00:06 01:09:45 01:10:33 01:00:40 00:39:30 00:59:44 01:06:07 00:44:32 00:33:25 00:59:53 01:01:26 00:30:18 00:50:00 01:03:08 02:00:16 Gradiente subida Vap AP ºC/min Temp Match Compl Antes Após 3,69 1,81 3,02 1,52 1,97 1,76 2,13 1,79 1,89 1,88 2,00 1,95 1,83 1,93 1,16 2,31 2,52 1,85 1,21 2,00 1,42 1,92 1,91 2,04 1,49 1,90 1,63 1,94 1,89 1,73 1,73 1,69 1,31 1,82 1,17 2,37 1,53 2,37 1,87 3,69 1,16 1,92 2,37 1,52 Condutividade: A aceitação das condutividades neste tipo de arranque varia entre 20 minutos e 2 horas apresentando, em média, um tempo de espera de 58 minutos. Mínimo técnico: Os tempos de espera, até atingirem o mínimo técnico, variam entre 1h17m e 3h11m, apresentando, em média, um tempo de espera de 1h58m. Aquecimento vapor AP: Os tempos de espera pelo aquecimento do vapor AP variam entre 1h23m e 3h31m apresentando, em média, um tempo de espera de 2h20m. Temperature matching sequence: O tempo de aquecimento da TV varia entre 1h04m e 3h06m apresentando, em média, um tempo de espera de 1h53m. Da análise do quadro 5.9 conclui-se que o tempo de espera pela aceitação das condutividades, do aquecimento do vapor e do mínimo técnico são as variáveis que mais variações obtiveram entre arranques. Este acontecimento justifica-se pela temperatura do vapor, que apresenta valores substancialmente inferiores a temperatura do metal da TV AP. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 111 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Potência MW 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Curva Característica Arranque a Morno Temp. TV AP > 400 ºC Tempo (mn) Fig. 5.13 – Curva característica de arranque a morno com temperatura do metal da TV AP superior a 400 ºC. Quadro 5.10 – Energia média produzida no arranque a morno. Temperatura do metal da TV AP superior a 400 ºC. Tempo (mn) MWh 0-15 4,48 1 Hora 15-30 30-45 7,90 8,33 Sincronismo à hora 45-60 9,18 0-15 12,87 2 Hora 15-30 30-45 17,60 22,74 45-60 34,32 0-15 48,50 3 Hora 15-30 30-45 55,52 56,63 45-60 58,06 Ajuste nos últimos 45 mn. da hora A curva característica para os arranques a morno com a temperatura do metal da turbina a vapor superior a 400 ºC encontra-se ilustrada na figura 5.13. Verifica-se que neste tipo de arranque o tempo de espera desde o sincronismo até ao mínimo técnico difere ao verificado na análise numérica (quadro 5.9) e na análise gráfica (figura 5.13), correspondendo em média a 10 minutos. A energia produzida na sequência de arranque está apresentada no quadro 5.10. Neste tipo de arranque a morno foi considerado que sincronismo ocorreu à hora e o tempo de espera médio pelo mínimo técnico é de 2h15m. Assim, segundo a curva característica, o operador da Central Termoelétrica tem 45 minutos para ajustar a potência elétrica gerada em função das energias solicitadas na ID. 112 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Curva característica para temperatura do metal da TV alta pressão inferior a 400 ºC: Quadro 5.11 – Resumo dos arranques a morno com temperatura do metal da TV AP inferior a 400 ºC. Tempo de espera Temperaturas (ºC) t=0s Gradiente subida Vap AP ºC/min Temp Match Compl Antes Depois Sincron Conduti Min Tec Aq vapor Abertura temp match AP Valv AP complete (560 ºC) 100% Temp Vapor AP Temp Metal AP Temp Vapor MP Temp Metal MP 00:28:55 00:33:26 00:30:55 00:29:00 00:29:54 00:29:25 00:31:23 00:29:25 00:35:25 00:40:27 00:31:08 00:29:24 01:54:04 03:06:09 02:31:54 03:31:13 02:52:04 02:38:40 03:31:43 03:15:51 02:34:31 02:52:54 03:33:37 03:19:38 01:25:15 02:43:01 02:01:25 03:03:35 02:28:28 02:02:58 03:02:33 02:49:34 02:04:55 02:23:55 03:10:33 02:58:34 00:59:24 01:48:16 01:05:04 01:41:44 01:32:11 01:16:01 01:07:06 01:22:07 01:08:21 01:25:41 01:13:46 01:57:38 273,42 297,73 286,64 192,13 175,04 227,96 186,77 173,18 286,35 221,64 179,18 165,34 386,68 362,64 364,17 359,78 346,90 354,10 353,45 347,87 353,01 352,58 335,98 322,72 242,50 225,65 210,56 205,44 185,13 219,31 166,15 173,90 195,94 205,38 171,77 288,61 209,56 278,54 163,31 227,98 242,39 264,89 259,98 270,97 232,61 254,00 155,92 2,75 1,26 1,77 1,70 2,23 2,06 1,74 1,97 1,73 1,97 1,72 1,95 1,81 2,47 1,93 2,00 2,29 2,26 1,88 1,98 1,96 1,90 2,32 2,22 Média 00:31:34 01:13:09 02:36:15 02:58:32 Máximo 00:40:27 02:01:32 03:15:18 03:33:37 Mínimo 00:28:55 00:29:31 01:28:55 01:54:04 02:31:14 03:10:33 01:25:15 01:23:07 01:57:38 00:59:24 222,11 297,73 165,34 353,32 386,68 322,72 200,16 242,50 166,15 237,40 288,61 155,92 1,90 2,75 1,26 2,08 2,47 1,81 Horas Paragem 36h58m 49h00m 49h30m 49h04m 50h00m 51h00m 51h03m 51h03m 52h00m 53h44m 58h00m 62h05m 00:29:31 00:59:38 01:00:31 01:28:04 01:00:03 01:00:11 01:59:33 01:30:52 01:00:24 01:01:47 02:01:32 01:05:37 01:28:55 02:47:54 02:05:35 03:09:48 02:32:14 02:16:12 03:06:39 02:52:59 02:08:45 02:27:28 03:15:18 03:03:15 Condutividade: A aceitação das condutividades neste tipo de arranque varia entre 30 minutos e 2 horas apresentando, em média, um tempo de espera de 1h13m. Mínimo técnico: Os tempos de espera até ao mínimo técnico variam entre 1h28 e 3h15m apresentando, em média, um tempo de espera de 2h36m. Aquecimento vapor AP: Os tempos de espera pelo aquecimento do vapor AP variam entre 1h54m e 3h33m apresentando, em média, um tempo de espera de 2h58m. Temperature matching sequence: O tempo de aquecimento da TV varia entre 1h25m e 3h10, apresentando uma média aritmética de 2h31m. Da análise do quadro 5.11 conclui-se que o tempo de espera da aceitação das condutividades e do mínimo técnico são as variáveis que mais variações obtiveram entre cada arranque. Este acontecimento justifica-se pela temperatura inicial do vapor, que apresenta valor substancialmente inferior a temperatura do metal da turbina a vapor AP. Através dos quadros obtidos na caracterização de arranques a morno (quadro 5.9 e 5.11), é possível verificar a existência de diferenças entre os tempos de espera máximos e mínimos. Constata-se que os arranque a morno com temperatura do metal da turbina a vapor superior a 400 ºC (quadro 5.9) apresentam tempos de espera inferiores aos verificados nos arranques a morno com temperaturas do metal da turbina a vapor inferiores a 400 ºC (quadro 5.11). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 113 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Potência MW 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Curva Característica Arranque a Morno Temp. TV AP < 400 ºC Tempo (mn) Fig. 5.14 – Curva característica de arranque a morno com temperatura do metal da TV AP inferior a 400 ºC. Quadro 5.12 – Energia média produzida no arranque a morno. Temperatura do metal da TV AP inferior a 400 ºC. Tempo (mn) MWh 0-15 4,45 1 Hora 15-30 30-45 6,13 6,51 45-60 6,30 0-15 8,58 2 Hora 15-30 30-45 10,36 13,31 Sincronismo à hora 45-60 16,30 0-15 21,91 3 Hora 15-30 30-45 31,75 37,54 45-60 44,67 4 Hora 0-15 63,88 Ajuste nos últimos 15 mn. da hora A curva característica para os arranques a morno com a temperatura da TV inferior a 400 ºC encontra-se ilustrada na figura 5.14. É possível verificar que neste tipo de arranque a morno o tempo de espera até ao mínimo técnico difere do valor verificado na análise numérica (quadro 5.11) e na análise gráfica (figura 5.14), correspondendo em média a 25 minutos. A energia produzida na sequência de arranque está apresentada no quadro 5.12. Neste tipo de arranque a morno foi considerado que sincronismo ocorreu à hora e o tempo de espera médio pelo mínimo técnico foi de 2h45m. Assim, segundo a curva característica, o operador da Central Termoelétrica tem 15 minutos para ajustar a potência elétrica gerada em função da energia solicitada na ID. Da obtenção das curvas características dos arranques a morno, conclui-se que o tempo de espera até ao mínimo técnico é superior nos arranques cuja temperatura do metal da TV de alta pressão é inferior a 400 ºC. Graficamente, é possível analisar o comportamento das curvas características dos arranques a morno. Verifica-se que a curva característica dos arranques cuja temperatura do metal da TV é inferior a 400 ºC (figura 5.14) é mais irregular. Este facto reflete-se na energia elétrica produzida (quadro 5.12) uma vez que esta é significativamente inferior a verificada nos arranques a morno com temperatura do metal da TV superior a 400 ºC (quadro 5.10). É possível igualmente efetuar uma comparação referente a energia produzida na sequência dos arranques a quente e a morno. Constata-se com base nos quadros 5.8, 5.10 e 5.12, que nos arranques a morno a energia produzida (quadro 5.10 e 5.12) é substancialmente inferior se comparada a energia gerada nos arranques a quente (quadro 5.8). Esta situação deriva do tempo de espera verificado desde do sincronismo até ao mínimo técnico ser mais extenso nos arranques a morno. 114 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.3.5 – Caracterização dos Arranques a Frio De forma a determinar a curva característica dos arranques a frio com maior fiabilidade, procedeu-se à distinção dos arranques pela temperatura do metal da TV de alta pressão. Deste modo, foram elaboradas curvas características distintas para os arranques que apresentaram temperaturas do metal da TV AP superiores e inferiores a 204 ºC. Este tipo de arranque é mais complexo e demorado em comparação aos arranques a quente e a morno. Neste tipo de arranque a temperatura do metal da turbina a vapor de alta pressão apresenta, tipicamente, valores entre 92 ºC e 303 ºC. Devido as baixas temperaturas do metal da TV a queima do gás pela TG é ajustada em função do diferencial de temperatura entre o metal da TV e do vapor. Curva característica para temperatura do metal da turbina alta pressão superior a 204 ºC: Quadro 5.13 – Resumo dos arranques a frio com temperatura do metal da TV AP superior a 204 ºC. Tempo de espera Temperaturas (ºC) t=0s 03:12:41 03:24:09 04:21:11 03:49:57 03:25:49 03:08:10 03:50:29 03:36:01 03:09:52 03:38:23 03:35:14 Aq vapor temp match AP complete (560 ºC) 03:36:15 03:08:40 03:46:12 03:31:10 04:46:58 04:17:53 04:10:20 03:46:13 03:51:04 03:22:19 03:32:27 03:04:39 04:04:26 03:36:13 03:59:14 03:32:12 03:33:51 03:06:05 04:02:26 03:34:43 03:56:22 03:31:41 Abertura Valv AP 100% 02:26:24 02:36:38 01:17:53 02:31:38 01:52:22 02:00:46 02:16:06 02:22:25 02:06:52 02:09:13 02:08:23 Temp Vapor AP 169,4 219,3 266,0 170,3 146,3 172,2 132,0 112,0 152,0 103,1 86,3 Temp Metal AP 303,3 301,5 294,0 256,3 259,6 250,6 248,6 251,9 217,9 208,7 212,2 Temp Vapor MP 161,4 168,0 125,2 118,8 124,7 126,1 104,7 82,2 93,1 93,2 Temp Metal MP 167,8 153,8 236,4 143,9 193,2 136,9 124,0 214,2 174,2 125,2 116,3 03:33:49 04:21:11 03:08:10 03:56:20 04:46:58 03:32:27 02:09:53 02:36:38 01:17:53 157,2 266,0 86,3 255,0 303,3 208,7 119,7 168,0 82,2 162,4 236,4 116,3 Horas Paragem Sincron Conduti Min Tec 74h00m 74h30m 85h00m 98h23m 98h30m 100h00m 102h40m 105h15m 110h30m 125h40m 126h30m 00:29:58 00:30:56 00:31:58 00:29:56 00:28:56 00:31:00 00:29:25 00:29:54 00:35:26 00:29:57 00:46:09 00:46:17 00:47:31 03:03:19 01:18:19 01:33:27 01:07:25 01:34:23 01:13:36 01:03:00 01:29:10 01:26:51 Média Máximo Mínimo 00:32:09 00:46:09 00:28:56 01:14:00 03:03:19 00:46:17 03:30:10 04:17:53 03:04:39 Gradiente subida Vap AP ºC/min Temp Match Compl Antes Depois 1,81 1,84 1,41 2,29 1,19 1,82 1,49 2,18 1,77 1,93 1,81 1,91 1,73 1,79 1,86 1,93 1,96 1,90 1,89 1,89 1,99 2,11 1,72 1,99 1,19 1,96 2,29 1,79 Condutividade: A aceitação das condutividades neste tipo de arranque varia entre 46 minutos e 1h34m apresentando, em média, um tempo de espera de 1h14m minutos. Mínimo técnico: Os tempos de espera até atingir o mínimo técnico variam entre 3h08m e 4h21m apresentando, em média, um tempo de espera de 3h33m. Aquecimento vapor AP: Os tempos de espera pelo aquecimento do vapor AP variam entre 3h32m e 4h46m apresentando, em média, um tempo de espera de 3h56m. Temperature matching sequence: O tempo de aquecimento da TV varia entre 3h04m e 4h17 apresentando uma média aritmética de 3h30m. Da análise do quadro 5.13 verifica-se que os gradientes de aquecimento do vapor são inferiores se comparados aos verificados nos arranques a quente e a morno. Este acontecimento deve-se às baixas temperaturas verificadas no metal da turbina a vapor de alta pressão. Como consequência direta, a abertura da válvula de admissão de vapor AP é mais lenta tornando os arranques mais demorados, estendendo-se até 4h21m. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 115 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Potência MW 220 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Curva Característica Arranque a Frio Temp. TV AP > 204 ºC Tempo (mn) Fig. 5.15 – Curva característica de arranque a frio com temperatura do metal da TV AP superior a 204 ºC. Quadro 5.14 – Energia média produzida no arranque a frio. Temperatura do metal da TV AP superior 204 ºC. 1 Hora Tempo (mn) 0-15 15-30 30-45 45-60 4,3 4,2 3,6 3,7 MWh Sincronismo à hora 2 Hora 0-15 15-30 30-45 45-60 4,3 5,3 6,0 6,7 3 Hora 4 Hora 0-15 15-30 30-45 45-60 0-15 15-30 30-45 45-60 6,8 8,3 10,0 13,5 20,9 30,1 46,6 58,6 Ajuste nos últimos 15 mn. da hora A curva característica para os arranques a frio com a temperatura da turbina a vapor superior a 204 ºC encontra-se ilustrada na figura 5.15. Verifica-se que neste tipo de arranque o tempo de espera desde do sincronismo até ao mínimo técnico difere ao verificado na análise numérica (quadro 5.13) e na análise gráfica (figura 5.15), correspondendo em média a 7 minutos. A energia produzida na sequência deste tipo de arranque está apresentada no quadro 5.14. Neste tipo de arranque a frio foi considerado que sincronismo ocorreu à hora e o tempo de espera médio desde do sincronismo até ao mínimo técnico foi de 3h45m. Assim, segundo a curva característica, o operador da Central Termoelétrica tem 15 minutos para ajustar a potência elétrica gerada em função da energia solicitada na ID. 116 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Curva característica para temperatura do metal da turbina alta pressão inferior a 204 ºC: Quadro 5.15 – Resumo dos arranques a frio com temperatura do metal da TV AP inferior a 204 ºC. Tempo de espera 137h30m 144h00m 146h00m 147h30m 156h30m 168h00m 172h00m 267h50m 269h00m 292h40m 384h00m 00:34:53 00:31:26 00:29:29 00:34:27 00:32:57 00:29:09 00:30:00 00:29:24 00:34:02 00:29:56 00:38:04 Abertura Valv AP 100% 02:58:25 02:08:35 01:49:59 02:25:50 02:14:32 02:01:45 02:46:40 02:33:22 02:21:46 02:35:32 02:11:50 Temp Vapor AP 143,3 103,5 87,1 132,5 95,6 68,9 64,3 37,0 38,7 55,0 170,9 Temp Metal AP 199,5 188,5 185,0 184,5 173,3 175,4 192,9 100,6 106,6 92,8 114,3 Temp Vapor MP 65,4 80,0 74,6 76,6 70,1 45,0 50,4 34,9 41,5 40,4 41,1 Temp Metal MP 144,0 111,6 122,8 115,5 121,8 145,3 180,4 106,5 123,5 129,8 149,0 Média Máximo Mínimo 00:32:10 01:46:47 04:09:21 04:30:15 04:03:34 02:22:34 00:38:04 02:38:48 04:56:18 05:04:32 04:37:21 02:58:25 00:29:09 01:00:06 03:17:09 03:52:38 03:23:39 01:49:59 90,6 170,9 37,0 155,8 199,5 92,8 56,4 80,0 34,9 131,8 180,4 106,5 Horas Paragem Sincron Conduti Min Tec 01:57:53 02:30:10 01:27:10 02:00:36 01:20:09 02:38:48 01:00:06 01:08:10 01:28:48 02:00:07 02:02:37 04:56:18 04:38:45 03:17:09 04:26:26 03:34:41 04:40:33 03:46:46 03:41:32 03:50:34 04:35:39 04:14:27 Aq vapor AP (560 ºC) 04:30:13 05:04:32 03:52:38 04:50:42 03:59:28 04:57:22 04:09:25 04:20:02 04:13:47 04:54:28 04:40:12 Temperaturas (ºC) t=0s temp match complete 04:03:16 04:35:04 03:23:39 04:22:49 03:30:41 04:37:21 03:43:14 03:52:43 03:46:47 04:32:22 04:11:15 Gradiente subida Temp Vap APMatch ºC/min Compl Antes Após 1,5 1,7 1,5 1,8 2,1 1,8 1,4 2,3 2,0 1,8 1,6 2,3 2,0 1,9 2,2 1,6 2,1 1,7 1,7 2,2 1,3 1,7 1,8 2,2 1,3 1,9 2,3 1,6 Condutividade: A aceitação das condutividades neste tipo de arranque varia entre 1 hora 1hora e 2h38m apresentando, em média, um tempo de espera de 1h46m. Mínimo técnico: Os tempos de espera até atingir o mínimo técnico varia entre 3h17m e 4h56m apresentando, em média, um tempo de espera de 4h09m. Aquecimento vapor AP: O tempo de espera de aquecimento do vapor AP varia entre 3h52m e 5h04m apresentando, em média, um tempo de espera de 4h30m. Temperature matching sequence: O tempo de aquecimento da TV varia entre 3h23m e4h37 apresentando uma média aritmética de 4h03m. Da análise do quadro 5.15 verifica-se que os gradientes de aquecimento do vapor da turbina a vapor de alta pressão são inferiores se comparados aos gradientes obtidos nos arranques a quente e a morno. Este acontecimento deve-se às baixas temperaturas verificadas no metal da TV AP. Como consequência direta, a abertura da válvula de admissão de vapor AP é mais lenta tornando os arranques mais demorados, estendendo-se, em média, 4h09m. Efetuando uma análise comparativa entre o quadro 5.13 e o quadro 5.15 verifica-se que, nos arranques a frio com a temperatura do metal da TV inferior a 204 ºC, os tempos de espera são mais prolongados. Este acontecimento é devido ao facto da temperatura do metal da TV AP ser menor. Como referido anteriormente, a temperatura do metal da TV influencia diretamente os gradientes de aquecimento do vapor (a temperatura do metal da TV deve alcançar a temperatura do vapor). Tendo em conta que o vapor demora mais tempo a chegar a temperatura nominal, o processo de arranque torna-se é mais lento, estendendo-se até 4h56m. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 117 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Potência MW 220 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Curva Característica Arranque a Frio Temp. TV AP < 204 ºC Tempo (mn) Fig. 5.16 – Curva característica de arranque a frio com temperatura do metal da TV AP inferior a 204 ºC. Quadro 5.16 – Energia média produzida no arranque a frio com a temperatura do metal da TV AP inferior a 204 ºC. 1 Hora 2 Hora 3 Hora 4 Hora 5 Hora Tempo (mn) 0-15 15-30 30-45 45-60 0-15 15-30 30-45 45-60 0-15 15-30 30-45 45-60 0-15 15-30 30-45 45-60 0-15 15-30 30-45 45-60 MWh 4,45 4,28 3,24 3,51 4,33 4,79 5,62 6,06 6,52 7,42 7,96 9,58 12,15 15,51 22,07 31,86 42,69 51,51 58,14 68,32 Sincronismo à hora Ajuste nos últimos 30 mn. da hora A curva característica para os arranques a frio com a temperatura do metal da turbina a vapor inferior a 204 ºC encontra-se ilustrada na figura 5.16. É possível verificar que neste tipo de arranque a frio o tempo de espera desde do sincronismo até ao mínimo técnico difere do valor verificado na análise numérica (quadro 5.15) e na análise gráfica (figura 5.16), correspondendo em média a 15 minutos. A energia produzida na sequência de arranque está apresentada no quadro 5.16. Neste tipo de arranque a frio foi considerado que sincronismo ocorreu à hora e o tempo de espera médio desde do sincronismo até ao mínimo técnico foi de 4h15m. Assim, segundo a curva característica, o operador da Central Termoelétrica tem 45 minutos para ajustar a potência elétrica gerada em função da energia solicitada na ID. Da obtenção das curvas características dos arranques a frio, conclui-se que o tempo de espera desde do sincronismo até ao mínimo técnico é mais prolongado (aproximadamente 45 minutos) nos arranques cuja temperatura do metal da TV de alta pressão é inferior a 204 ºC. É possível analisar graficamente o comportamento das curvas características dos arranques a frio. Verifica-se que a subida de potência é mais lenta na curva característica dos arranques cuja temperatura do metal da TV é inferior a 204 ºC (figura 5.16). Este facto reflete-se na energia produzida na sequência de arranque (quadro 5.16). Neste tipo de arranque, as energias produzidas nas primeiras duas horas são extremamente baixas se comparadas com as energias produzidas nos arranques a quente e a morno no mesmo período de tempo. Pode-se considerar que o fator mais condicionante neste tipo de arranque e que limita a subida da potência ativa gerada está associado às temperaturas do metal da TV AP. 118 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.3.6 – Comparação das Curvas Características com as Curvas de Referência De forma a concluir o estudo referente a caraterização dos arranques da central de Ciclo Combinado de Lares é efetuada uma comparação entre as curvas características obtidas neste estudo com as curvas de referência disponibilizadas pela General Electric. Comparação das curvas de potência dos arranques a quente: Potência MW Curva Característica Arranque a Quente 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Tempo (mn) Fig. 5.17 – Curva característica a quente resultante do estudo prático. Velocidade% % Admissão de vapor a TV% Potência ativa MW MW 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 10 20 30 Tempo (mn) 40 50 1h00 1h10 Fig. 5.18 – Curva de referência da General Electric dos arranques a quente. Da análise das figuras 5.17 e 5.18 é possível visualizar que, na curva de referência, o tempo de espera que decorre desde o sincronismo até ao mínimo técnico é menor se comparado ao tempo de espera representado na curva característica (aproximadamente menos 45 minutos). Quanto ao comportamento da curva de potência, durante o arranque, verifica-se que a curva de referência apresenta uma subida de carga mais rápida em comparação à subida de carga representada na curva característica. É igualmente possível constatar que a curva característica apresenta um tempo de aquecimento do metal da TV (Temperature Matching Sequence) mais demoroso do que o indicado na curva de referência. Este acontecimento é devido ao tempo de espera que decorre desde do sincronismo até ao instante em que se efetua a admissão de vapor à TV (aceitação das condutividades). Este tempo de espera demora, em média, mais 30 minutos do que o indicado na curva de referência. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 119 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Comparação das curvas de potência dos arranques a morno: Potência MW 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Temperatura do metal TV AP > 400 ºC Tempo (mn) Fig. 5.19 – Curva característica a morno resultante do estudo com temperatura do metal da TV AP superior a 400 ºC. Potência MW 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Temperatura do metal TV AP < 400 ºC Tempo (mn) Fig. 5.20 – Curva característica a morno resultante do estudo com temperatura do metal da TV AP inferior a 400 ºC. %100 Velocidade% Admissão de vapor a TV% Potência ativa MW MW 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 30 1h00 Tempo (mn) 1h30 2h00 Fig. 5.21 – Curva de referência da General Electric dos arranques a morno. Da análise das figuras 5.19, 5.20 e 5.21 verifica-se que o tempo de espera que decorre desde o sincronismo até ao mínimo técnico diverge significativamente entre cada curva de potência. O aumento de carga representado nas curvas características da figura 5.19 e 5.20 é mais lento em comparação com o ilustrado na curva de referência. Este facto pode ser constatado pelo declive das curvas de potência. O tempo de espera pela aceitação das condutividades após o sincronismo nas curvas características demora, em média, 1h00m e 1h15m respetivamente. Este tempo de espera contrasta com o tempo de espera indicado na curva de referência que é aproximadamente de 20 minutos. Este facto torna os tempos de arranques mais prolongados, uma vez que a admissão de vapor à TV demora, em média, mais 40 minutos do que o indicado na curva de referência. 120 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Comparação das curvas de potência dos arranques a frio: Potência MW 220 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Temperatura do metal TV AP > 204 ºC Tempo (mn) Fig. 5.22 – Curva característica a frio resultante do estudo com temperatura do metal da TV AP superior a 204 ºC. Potência MW Temperatura do metal TV AP < 204 ºC 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Tempo (mn) Fig. 5.23 – Curva característica a frio resultante do estudo com temperatura do metal da TV AP inferior 204 ºC. Velocidade% Admissão de vapor a TV% Potência ativa MW % MW 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 30 1h00 1h30 2h00 Tempo (mn) 2h30 3h00 3h30 Fig. 5.24 – Curva de referência da General Electric dos arranques a frio. Da análise das figuras 5.22, 5.23 e 5.24 verifica-se que os tempos de espera desde o sincronismo até ao mínimo técnico divergem significativamente entre cada curva de potência. O tempo de espera pela aceitação das condutividades após o sincronismo nas curvas características dos arranques a frio é uma das variáveis que mais diverge em relação à curva de referência, podendo variar tipicamente entre 1h15m e 1h45m (figura 5.22 e 5.23). Este tempo de espera contrasta com o tempo de espera indicado na curva de referência que é aproximadamente de 30 minutos. Este facto torna os tempos de arranques mais prolongados uma vez que a admissão de vapor à TV demora, em média, mais 45 minutos do que o indicado na curva de referência. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 121 Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica 5.4 – Conclusão do Estudo Prático dos Arranques O estudo da caracterização dos arranques possibilitou determinar as curvas características de cada tipo de arranque em função das horas em que o grupo se encontrou parado e da temperatura do metal da TV AP. Foi possível concluir que o tempo que decorre desde o sincronismo até ao mínimo técnico varia deste modo em função de três fatores, respetivamente, das horas de paragem, da temperatura do vapor e da temperatura do metal da turbina a vapor. De forma direta, os três fatores referidos anteriormente influenciam o processo de aquecimento da turbina a vapor (temperature matching sequence) e o tempo de espera pela aceitação das condutividades. Neste estudo, não foi contemplada a temperatura da turbina a vapor de média pressão, contudo, nos arranques a morno e a frio, esta representa igualmente um fator condicionante ao aumento de carga. O gradiente de aquecimento do vapor é um indicador que representa o valor médio por minuto do aquecimento do vapor AP na sequência de arranque. Conclui-se que este indicador toma valores maiores para arranques que apresentem temperaturas mais elevadas do metal da TV (tipicamente acima de 500 ºC). O aquecimento do vapor e, consequentemente, o gradiente de subida da temperatura do vapor AP, estão diretamente relacionados com o sistema de queima da turbina a gás. A queima é deste modo ajustada em função do diferencial de temperatura verificado entre o vapor e o metal da turbina a vapor. Verifica-se que nos arranques a quente, o gradiente de aquecimento do vapor tende a ser superior aos verificados nos arranque a morno, por seu turno, os arranques a morno tendem a ter gradientes de aquecimento do vapor superiores aos verificados nos arranques a frio. Este acontecimento deve-se a forma como o controlador automático gere cada arranque em função do diferencial da temperatura entre o vapor e o metal da TV (por questões de segurança o diferencial não deve exceder os 60 ºC a fim de evitar choques térmicos nos componentes da TV). Deste modo, nos arranques a quente, o vapor é aquecido de forma a chegar rapidamente a temperatura nominal (560 ºC) uma vez que a temperatura do metal da TV já se encontra próxima da sua temperatura nominal (560 ºC), variando tipicamente entre 501 e 538 ºC (quadro 5.11). Nos arranques a morno e a frio, a temperatura do metal é mais baixa do que a verificada nos arranque a quente (tipicamente inferiores a 450 ºC), deste modo, o vapor é aquecido progressivamente em função do aumento da temperatura do metal da TV de modo a não ultrapassar o diferencial da temperatura estabelecido (60 ºC). Se em alguma situação se verificar um diferencial superior ao estabelecido ao longo da sequência de arranque, o grupo desliga-se automaticamente por questões de segurança. Esta situação é deste modo indesejável pois representa a saída de um grupo térmico do SEE e, consequentemente, gera indisponibilidade da Central Termoelétrica sendo necessário efetuar um novo arranque. 122 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 5 – Arranques da Central Termoelétrica Este estudo tornou-se importante na medida em que foi elaborado um histórico de 89 arranques com diversos dados associados aos arranques, tais como o comportamento da curva de potência, as energias injetadas no SEE, a evolução da temperatura do metal da TV de AP e MP. Através deste histórico, foram elaboradas as curvas cateterísticas de cada tipo de arranque em função das horas de paragem e da temperatura do metal da TV AP. Este estudo permitirá aos colaboradores da Central Temoelétrica de Lares prever o comportamento da curva de potência em futuros arranques de forma a determinar atempadamente as energias que a Central conseguirá injetar na rede quando esta for solicitada a entrar no SEE. Deste modo, este estudo poderá servir como auxílio na hora de informar a UNGE sobre as energias que a central consegue injetar no SEE atendendo ao tempo em que os grupos estiveram inativos e a temperatura do corpo da TV. As curvas características resultantes permitiram verificar as diferenças existentes entre estas e as curvas de referência disponibilizada pela GE 20. No presente estudo não foi possível considerar questões operacionais 21 e/ou as decisões tomadas pelas equipas de condução que efetuaram os arranques. Contudo, as decisões tomadas pelas equipas de condução podem influenciar os tempos de espera de cada arranque. As condições ambientais (temperatura e humidade do ar à entrada do compressor) podem de igual modo influenciar o comportamento do grupo electroprodutor na sequência de arranque e no processo de aumento de carga. Como considerações finais conclui-se que: Nas curvas reais o aumento de carga está diretamente relacionado com a temperatura do metal da turbina a vapor, e não pelas horas de paragens; As curvas de referência não consideram a qualidade do ciclo água/vapor; Nas curvas reais, o tempo de espera pela aceitação das condutividades influencia o processo de arranque tornando-o mais incerto e mais lento devido ao comportamento da turbina a vapor; Existem limitações na subida de carga nos arranques a frio e a morno devido aos gradientes entre a temperatura do vapor e da turbina a vapor (proteção da TV de forma a evitar choques térmicos e possíveis disparos da unidade electroprodutora); O tempo de sincronismo e o tempo de espera spinning reserve são cumpridos; Decisões operacionais podem influenciar os tempos de arranque; A dificuldade na obtenção da qualidade do vapor condiciona a aproximação das curvas reais às curvas da GE; A sequência de arranque é automática até ao mínimo técnico (Potência ativa = 200 MW). 20 21 As curvas características disponibilizadas pela GE não consideram a qualidade do ciclo água/vapor. As questões operacionais determinam, por exemplo, a manutenção da selagem da turbina a vapor e o vácuo no condensador entre cada arranque. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 123 Capítulo 6 – Conclusão do Estágio Capítulo 6 – Conclusão A energia elétrica tornou-se a principal fonte de energia usada atualmente. A partir desta é possível, por exemplo, obter luz, calor e força motriz. Deste modo, a energia elétrica apresenta-se como um bem essencial ao bem-estar das pessoas e ao desenvolvimento socioeconómico do mundo moderno, uma vez que grande parte dos avanços tecnológicos alcançados se deve à eletricidade. De um modo geral, a eletricidade revolucionou por completo o modo de vida do ser humano em todos os aspetos, melhorando a sua qualidade de vida. O primeiro passo para produzir energia elétrica é obter força mecânica para acionar os alternadores/geradores que se encontram nos centros electroprodutores. A força necessária para acionar os alternadores pode advir de diversas fontes de energia primária, tais como, vento, sol, hídrica ou calorífica. Os alternadores são os responsáveis pela conversão da energia mecânica em energia elétrica. À saída dos alternadores, a energia é transportada e distribuída aos consumidores finais. Entre os centros electroprodutores e os consumidores finais, a energia elétrica passa por subestações com o intuito de alterar o seu nível de tensão em função do processo a que está sujeita. Deste modo, o ciclo da energia elétrica contempla 4 processos ou etapas, respetivamente, produção, transmissão, distribuição e consumo. De forma a garantir a estabilidade do SEE, a energia elétrica produzida deverá ser igual à energia elétrica consumida mais as perdas associadas, por exemplo, ao transporte da mesma (ver equação 5.1). Esta condição é essencial de forma a mitigar desequilíbrios de frequência no SEE que podem conduzir à ocorrência de apagões parciais ou totais. De forma a mitigar possíveis desequilíbrios, os centros electroprodutores tem automatismos (reguladores em carga ou estatismo) que ajustam a velocidade do conjunto alternador/turbinas em função da frequência de modo a mante-la no seu valor nominal (regulação primária). Foi apresentado no capítulo 2 que existem diversas formas de gerar energia elétrica. Verificou-se que a eletricidade é produzida em centros electroprodutores que podem usar energias renováveis (vento, água, sol, biomassa) ou não renováveis (combustíveis fósseis) como meio de obter a energia primária necessária ao processo de produção de energia elétrica. Como os centros electroprodutores que utilizam as energias renováveis não garantem uma produção constante de eletricidade, as centrais termoelétrica (que de modo geral utilizam combustíveis fósseis) têm um papel fundamental no equilíbrio de um SEE. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 125 Capítulo 6 – Conclusão do Estágio As centrais termoelétricas, por seu turno, são caraterizadas pelos ciclos termodinâmicos que utilizam no processo de produção de eletricidade. Verificou-se que as centrais termoelétricas de ciclo combinado, por usarem uma combinação de ciclos termodinâmicos, apresentam rendimentos superiores aos verificados em centrais térmicas tradicionais. O estudo relativo à caracterização dos arranques efetuados na Central de Ciclo Combinado de Lares permitiu elaborar um histórico de arranques e obter as curvas caraterística para cada tipo de arranque em função das horas de paragem dos grupos e da temperatura do metal da TV. Este estudo tornou-se relevante na medida em que foi possível adquirir conhecimentos sobre os processos a seguir na sequência de arranque em centrais de ciclo combinado, das dificuldades impostas pelo comportamento da TV e a influência que estes têm no SEE. No decorrer do estágio foi possível acompanhar os colaborados da Central em trabalhos de manutenção o que me permitiu a minha integração num contexto real de trabalho numa central de produção elétrica do grupo EDP. O acompanhamento dos trabalhos permitiu, igualmente, aprofundar conhecimentos teóricos adquiridos ao longo do curso. As tarefas descritas no subcapítulo 4.1 e 4.2 permitiram de igual modo adquirir novos conhecimentos, nomeadamente através da interação com um autómato da Siemens e através de um estudo relativo às proteções existentes nos transformadores de potência da Central Termoelétrica. No decorrer do estágio foi possível observar a estrutura organizacional e de gestão da Central Termoelétrica de Lares. O regime de rotatividade entre as equipas da condução e da manutenção permite fomentar a polivalência e a valorização dos colaboradores promovendo a integração do pessoal das equipas de condução através de uma participação mais ativa na vida da Central Termoelétrica. Este regime de rotatividade permite, de igual modo, anular possíveis marginalizações entre as pessoas que operam (equipas de condução) e as pessoas que mantém (equipas de manutenção). Em suma, a realização deste estágio promoveu a aquisição de novos conhecimentos na área de produção de energia elétrica, assim como a observação da estrutura organizacional de um centro electroprodutor do grupo EDP. Os trabalhos acompanhados e efetuados ao longo do estágio constituíram uma fonte de aprendizagem rica ao proporcionarem a aplicação de conhecimentos teóricos adquiridos ao longo do percurso académico. 126 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Capítulo 7 – Bibliografia Capitulo 7 – Bibliografia [1] – EDP, “Apresentação da Central Termoelétrica de Lares 2011”, Março 2012 [2] – EDP, “Plataforma de formação e documentação”, Março 2012 [3] – EDP, http://www.a-nossa-energia.edp.pt/centros_produtores/fotos_videos.php? item_id =4&cp_type=he§ion_type=fotos_videos, Consultado em Junho 2012 [4] – EDP, http://www.a-nossa-energia.edp.pt/centros_produtores/fotos_videos.php? item_id =102&.cp_type=pe§ion_type=fotos_videos, Consultado em Junho 2012 [5] – EDP, http://www.a-nossa-energia.edp.pt/centros_produtores/info_tecnica.php? item_id =75&cp_type=§ion_type=info_tecnica, Consultado em Junho 2012 [6] – EDP, http://www.a-nossa-energia.edp.pt/centros_produtores/fotos_videos.php? item_id =76&cp_type=te§ion_type=fotos_videos, Consultado em Junho 2012 [7] – EDP, http://www.a-nossa-energia.edp.pt/centros_produtores/fotos_videos.php? item_id =73&cp_type=te§ion_type=fotos_videos, Consultado em Junho 2012 [8] – António Santos, http://pt.scribd.com/doc/46332196/CICLO-DE-RANKINE, Consultado em Julho 2012 [9] – Google Maps, http://maps.google.pt/, Consultado em Junho 2012 [10] – EDP, http://www.a-nossa-energia.edp.pt/centros_produtores/info_tecnica.php? item_id =71&cptype=te§ion_type=info_tecnica, Consultado em Abril 2012. [11] – General Electric, “Flex Efficiency Plant White Combined Cycle Power Plant”, Julho 2011 [12] – Victor Semedo, http://www.ebah.com.br/content/ABAAABmHMAA/guia-caldeiras, . Consultado em Julho 2012 [13] – General Electric,” Power Systems - GE Gas Turbine Performance Characteristics GER-3567H”, Outubro 2000 [14] – EDP, “Manual de Formação do Operador da Turbina a Gás Central Elétrica do Ciclo Combinado de Lares”, Maio 2012 [15] – General Electric, “Centrifugal & Axial Compressors”, Novembro 2005 [16] – General Electric, “Gas Turbine and Combined Cycle Products”, Março 2003 [17] – Pedro Quaresma, “Efeito da Composição do Combustível no desempenho de uma Câmara de Combustão”, Dissertação de Mestrado, Universidade técnica de Lisboa, Junho 2010 [18] – EDP, “Manual do Sistema Integrado de Gestão de Ambiente e Segurança – Parte II”, Outubro 2010 [19] – Elforsk, “Gas Turbine Developments Rapport 2009”, Junho 2010. [20] – EDP - Gestão Da Produção De Energia, SA., “Sistema de vapor e bypass - 428-11-LBMMO-EA-200”, Agosto 2010 Rodolfo Manuel Conceição Pereira 127 Capítulo 7 – Bibliografia [21] – Museu da Eletricidade, http://wikienergia.com/~edp/index.php?title=Turbina, Consultado em Junho 2012. . [22] – General Electric, http://www.ge-energy.com/products_and_services/products/steam_ turbines/combined_cycle_a_series.jsp, Consultado em Maio 2012 [23] – GE Energy, “Evolution of the D Series Combined Cycle Steam Turbine”, Junho 2011. [24] – WEG, “Características e Especificações de Geradores”. http://ecatalog.weg.net/files/ wegnet/WEG-curso-dt-5-caracteristicas-e-especificacoes-de-geradores-artigo-tecnicoportugues-br.pdf, Consultado em Julho 2012 [25] – EDP, “Sistema de Refrigeração e Selagem do Gerador”, Dezembro 2011 [26] – GE Energy, “GEH-6373 – Load commuted Inverter”, Março 2011 [27] – Carlo Gavazzi, – http://www.carlogavazzisales.com/pdfs/controlprod/DIC01DB.pdf, Consultado em Setembro 2012. [28] – Paulo Moraes, “Controle eletrónico da corrente da bobine de contatores eletromagnéticos”, Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, Agosto 2004 [29] – http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=solenoide+campo+magnetico&bav=on.2, or.r_gc.r_pw.r_qf.&biw=1366&bih=586&wrapid=tlif134764284761510&um=1&ie= UTF-8&tbm=isch&source=og&sa=N&tab=wi&ei=6mVTUM2-HIK5hAerwYCoAg, Consultado em Abril 2012 [30] – Antônio Nogueira, “Força magnética em contatores”. http://www.joinville.udesc.br/po rtal/professores/nogueira/materiais/ContactorCA_Guia.pdf, Consultado em Junho 2012 [31] – Uol Educação, http://educacao.uol.com.br/fisica/campo-magnetico-lei-de-ampere.jhtm, Consultado em Maio 2012 [32] – EDP - Gestão Da Produção De Energia, S.A, “Sistema de Alimentação de Média Tensão 428-00-BB_-EMO-EA_-310”, Maio 2010 [33] – EDP - Manual de Operação e Arranque, “Aquecedor elétrico 428-00-MAW-RMP-IES017”, Julho 2008 [34] – Tecnisis, http://www.tecnisis.pt/produtos/detail.html?categoria=1&node=1%7C1%7 C&ref=85&level=p, Consultado em Junho 2012 [35] – General Electric, “Shaft Voltage Monitor - GEK 95154a”, Março 2002. [36] – GE Energy, “Operation and Maintenance Manual - Dual Hydrogen Control Panel (DHCP)”, Março 2011 [37] – ERSE – http://www.erse.pt/pt/supervisaodemercados/mercadodeelectricidade/mercado diario/Paginas/default.aspx, Consultado em Agosto 2012 [38] – REN, – “Manual de procedimentos do gestor do sistema”, Dezembro 2008 [39] – GE Energy Management,“Contatores M-CL-CK & Contatores para Manobras de Capacitores”, Julho 2011 128 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo A Plano de Estágio 129 Anexo A Plano de estágio Estagiário: Rodolfo Manuel da Conceição Pereira Empresa de Acolhimento Central Termoelétrica de Ciclo Combinado de Lares – Figueira da Foz (EDP) Supervisores na Central Termoelétrica: Orientadores no ISEC Engº António Oliveira (Gestor da condução) Professore Adelino Pereira Engº Bruno Tereso (Gestor da manutenção) Professora Rita Pereira Título do relatório de estágio Caracterização dos Arranques da Central Termoelétrica de Lares De 13 de Fevereiro a 31 de Julho de 2011 Período de estágio Horário: 8:30 as 17:30 Total: 800 Horas Objetivos - Adquirir conhecimento na área de produção de energia elétrica; - Adquirir conhecimento na área de manutenção; - Determinar as curvas características de cada tipo de arranque; - Estudo das proteções dos transformadores principais e auxiliares; - Efetuar a programação de um autómato da Siemens. Mês Fase 1 Fase 2 Fase 3 Fase 4 Fase 5 Fase 6 Fev.12 x Mar 12 Abr.12 Mai.12 Jun.12 Jul 12 x x x x x x x x x x x x Ago.12 Set 12 x x Fase 1: Preparação do estágio, adequação à central. Fase 2: Caracterização dos Arranques a frio, a morno e a quente. Fase 3 : Acompanhamento dos trabalhos realizados na Central e desenvolvimentos dos relatórios referentes as tarefas efetuadas e aos trabalhos acompanhados. Fase 4: Elaboração de um relatório intercalar que visa apresentar o resultado do estudo da caracterização dos arranques da Central Termoelétrica. Fase 5: Estudo das proteções dos transformadores. Fase 6: Elaboração do relatório final. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 131 Anexo B Tipos de Queima 133 Anexo B Os queimadores da TG possuem seis bocais, como ilustrado na figura 1, para efetuar modos distintos de queima do combustível. A diversidade no modo como é efetuada a queima permite adaptar a mesma as necessidades da TG. O fluxo de combustível é controlado por válvulas de paragem auxiliar, válvula de coeficiente de paragem/aceleração e por válvulas de controlo de admissão de combustível, respetivamente, D5, PM1, PM2 e PM3. A válvula de coeficiente de paragem/aceleração e a de controlo admissão de combustível funcionam em conjunto para regular o fluxo total de combustível entregue aos queimadores da TG. O sistema de combustão possui quatro coletores de passagem de combustível como ilustrado na figura 1 (D5, PM1, PM2 e PM3). Cada coletor é controlado de forma independente através de uma válvula de admissão individual. Os queimadores no total possuem 5 bocais de combustível dispostos numa configuração circular em torno de um bocal central. Fig. 1 – Disposição dos bocais dos queimadores. As representações das válvulas de passagem de combustível (GSV) e do servo controlador (SRV) podem ser visualizadas no mímico de controlo da figura 2. Fig. 2 – Mímico de controlo do combustível gasoso. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 135 Anexo B Especificação dos sistemas de fornecimento de combustível: Difusão (D5) – Consiste em 5 bocais de difusão de combustível para cada câmara de combustão (queimador). PréMix1 (PM1) – Consiste num bocal de difusão de combustível para cada câmara de combustão (queimador). PréMix1 (PM2) – Consiste em dois bocais de difusão de combustível para cada câmara de combustão (queimador). PréMix1 (PM3) – Consiste em três bocais de difusão de combustível para cada câmara de combustão (queimador). Cada sistema de combustível requer uma determinada percentagem de combustível. A percentagem de combustível é determinada em função da temperatura de referência de combustão e do modo de funcionamento do DLN. No total, os queimadores possuem 6 modos de funcionamento, respetivamente, D5, 1D, 2D 3, 6B, 6A e PPM. Especificação dos modos de queima: Modo D5 – Apenas a passagem D5 é abastecida com combustível; Modo 1D – As passagens D5 e PM1 são abastecidas com combustível enquanto as passagens PM2 e PM3 são purgadas; Modo 2D – As passagens D5 e PM2 são abastecidas com combustível, enquanto as passagens PM1e PM3 são purgadas; Modo 3 – As passagens PM1 e PM2 são abastecidas com combustível enquanto as passagens D5 e PM3 são purgadas; Modo 6B – As passagens PM1, PM2 e PM3 são abastecidas com combustível enquanto a passagem D5 é purgada; Modo 6A – As passagens PM1, PM2 e PM3 são abastecidas com combustível enquanto a passagem D5 é purgada; Modo PPM – As passagens D5, PM1, PM2 e PM3 são abastecidas com combustível e não é purgada nenhuma passagem. Tabela 1- Modos de queima. Modo Passagens com Combustível Passagens purgadas Difusão D5 PM1, PM2 e PM3 1D D5 e PM1 PM2 e PM3 2D D5 e PM2 PM1 e PM3 3 PM1 e PM2 D5 e PM3 6B PM1, PM2 e PM3 D5 6A PM1, PM2 e PM3 D5 PPM PM1, PM2, PM3 e D5 Nenhuma 136 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo B Procedimento de arranque: A TG é iniciada em modo de difusão D5. Quando esta atinge a velocidade de ignição, os servos controlos SRV e a válvula de difusão D5 (VGC-1) são ativados. O SRV é ativado de forma a controlar a pressão de alimentação das válvulas de passagem de combustível e a válvula D5 (VGC-1) abre para o ponto de referência de ignição. Após a chama estar estabelecida e o ciclo de aquecimento da TG ter terminado, a TG acelera para velocidade Full Speed no Load (FSNL). Quando ela atinge 95% da velocidade nominal, o modo de queima transfere-se para o modo 1D. Neste modo, as válvulas de purga PM2 e PM3 abrem admitindo ar de descarga do compressor para o interior dos coletores de gás. À velocidade nominal (3000 rpm) a unidade é sincronizada com a rede elétrica e o disjuntor de grupo fecha. A potência ativa tenderá a aumentar até à potência de referência (200 MW). O modo de queima permanece em 1D, quando o ponto de comutação da temperatura de referência de combustão (TTRF) é atingido o sistema de queima transfere-se para o modo 2D. No modo 2D, as válvulas de purga de PM2 recebem ordem de fecho. Quando o controlador da TG recebe a confirmação de fecho das válvulas de purga, o sistema de combustível PM2 (VGC-4) é ativado. No modo 3, as válvulas de purga de passagem PM1 recebem ordem de fecho. Quando o controlador da TG recebe a confirmação do fecho das válvulas o sistema de combustível PM1 (VGC-2) é ativado de forma a efetuar o pré-enchimento do coletor de gás. Após o pré-enchimento estar concluído, o sistema de combustível PM1 recebe ordem para distribuir o combustível na câmara de combustão. A válvula de difusão D5 (VGC-1) recebe ordem de fecho. Quando confirmado o fecho da válvula VGC-1 as válvulas de purga D5 são ativadas de forma a permitir a admissão de ar de descarga do compressor para o interior do coletor de gás. A unidade encontra-se agora no modo 3. No modo 6B, as válvulas de purga PM3 recebem ordem de fecho. Quando confirmado o fecho das válvulas de purga o sistema de combustível PM3 (VGC-3) é ativado de forma a efetuar o pré-enchimento. Após concluído o pré-enchimento, o sistema PM3 recebe ordem de distribuição de combustível para os queimadores. A unidade encontra-se agora no modo 6B. No modo 6A os pontos de comutação estão concluídos. A unidade contínua no modo 6A até a unidade atingir a carga base ou o mínimo técnico (200 MW). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 137 Anexo B Existe, ainda, a possibilidade de comutar para o modo PPM caso seja necessário efetuar ajustes na queima. Nesta situação, a válvula de purga D5 recebe ordem de fecho e é iniciado o pré-enchimento do coletor de gás. Quando confirmado o pré-enchimento, o sistema de combustível D5 recebe ordem de distribuição do combustível no interior da câmara de combustão. A sequência de enceramento da TG é o inverso da sequência de arranque e de forma similar. Durante a sequência de paragem, a unidade transfere para 6B, 3, 2D, 1D e finalmente D5 até aproximadamente 17% da velocidade nominal. 138 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo C Rede Gasoduto 139 Anexo C Figura 3 – Rede alta pressão de gás. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 141 Anexo D Descrição e Parametrizações do Programa Desenvolvido para o Autómato LOGO! 24RC da Siemens. 143 Anexo D Descrição das etapas programa Programa do Principal Programa Principal Para efetuar a monitorização dos tempos de saída das resistências foram usados geradores síncronos de pulsos e contadores para cada uma das resistências. T001 e C002 → R1 (1A) e T006 e C007 →R2 (1Ax) Tendo em conta que a largura do pulso é de 0.02 segundo, os contadores C002 e C007 foram programados para iniciar a contagem ao 26º pulso. Isto permite garantir que se as resistências R1 (IA) e R2 (IAx) saírem do circuito de alimentação do motor antes de 0.5 segundos como definido, o programa vai enviar uma mensagem de erro para o ecrã do LOGO! com a informação dos tempos de saída das resistências indicando qual a resistência que gerou o alarme. Este tipo de erro ativa um alarme visual. Os temporizadores T004 e T009 estão iniciados a 0.99 seg. Isto garante que, se as resistências R1 (1A) ou R2 (1Ax) permanecerem mais do que 1 segundo no circuito de alimentação do motor DC após condições de saída, é enviada uma mensagem de erro para o ecrã do LOGO com a informação dos tempos de saída das resistências indicando qual a resistência que gerou o alarme. Este tipo de erro ativa um alarme visual (Q1). Caso se pretenda redefinir os tempos de saída das resistências basta alterar os valores de inicialização dos contadores e temporizador. Deste modo, os contadores C002 e C007 permitem alterar o tempo mínimo e máximo da saída das resistências. Os temporizadores T004 e T009 devem ser inicializador, consequentemente, com os tempos em que os contadores C002 e C007 estão ativos. Neste caso, C002 é ativo ao 26º pulso e é desativado quando chegar ao 76º impulso. O tempo que decore desde o pulso 26 ate ao 76 corresponde a 1 segundo (50 pulsos). Deste modo, o temporizador T004 deve ser inicializado a 0.99 segundos. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 145 Anexo D Amostragem dos Tempos no Ecrã do LOGO! Para efetuar a amostragem dos tempos de saída das resistências no ecrã do LOGO! foi necessário utilizar novos temporizadores e contadores. Deste modo, para visualizar o tempo de saída da resistência R1 (1A) foram usados o temporizador T012 e o contador C011. Para visualizar o tempo de saída da resistência R2 (1Ax) foram usados o temporizador T020 e o contador C021. A necessidade de recorrer a novos temporizadores deve-se ao facto de os temporizadores usados para efetuar a monitorização dos tempos de saída das resistências terem de ser inicializados a “0” sempre que um arranque termine. Isto permite que o LOGO! monitorize de forma sucessiva todos os arranques (na situação dos tempos de saída das resistências ocorrerem nos tempos definidos, o programa monitoriza cada arranque. Na situação das resistências não saírem nos tempos devidos, o LOGO! mantém os tempos de saída das resistências no ecrã e aguarda que o botão RESET seja premido). Procedimento de amostragem: A sequência de amostragem é realizada recorrendo aos “Latching Relay” SF014 e SF023 (blocos de instrução/relé). Estes blocos ativam e desativam os geradores de pulsos usados para indicar os tempos. Estes blocos são úteis de forma a manter a informação do tempo de saída das resistências no ecrã do LOGO! numa situação onde os tempos na saída das resistências R1 (1A) e/ou R2 (1Ax) não sejam cumpridos. Os pulsos são contabilizados através dos contadores C011 e C021. Através dos blocos de matemática SF015 e SF022 a contagem de pulsos é convertida em tempo de forma a ser apresentado no ecrã no seguinte formato 00,00 seg. Este formato permite uma contagem ao centésimo de segundo. A informação dos tempos é enviada para o ecrã do LOGO! através do bloco de texto SF013. 146 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo D Mensagens de Alarme O LOGO! foi programado de forma a monitorizar todas as anomalias que possam ocorrer. Caso detete uma anomalia, deve enviar uma mensagem de alarme adequada de forma a informar o operador da Central Termoelétrica qual a falha verificada. Deste modo, foram elaboradas mensagens de alarme de acordo para cada tipo situação que pudesse ocorrer, respetivamente, falha nos tempos de saída das resistências, erro de sequência, contatores/contactos auxiliares presos ou falha dos contatores/contactos auxiliares após se verificar o arranque. As mensagens de alarme podem ser consultadas no final do presente anexo. O alarme geral é um alarme que é ativado em todas as anomalias que o LOGO! detete. Este alarme ativa um led que deve ser ligado na saída Q1 do LOGO!. O programa foi desenvolvido de forma a detetar picos de corrente ou sobrecorrente através de um relé temporizado (este relé fica ativo caso a corrente ultrapasse um valor predefinido durante três segundos). Caso o LOGO! detete que o relé de monitorização de sobrecorrente é ativo, é enviado uma mensagens para o ecrã do LOGO! a informar sobre o consumo excessivo de corrente por parte do motor DC. Este alarme ativa um alarme visual (Led que deverá ser ligado à saída Q2 do LOGO!) Quando se efetua a paragem dos motores DC que acionam as bombas de emergências, os contatores têm tempos diferentes para voltar à sua posição de repouso. De forma a evitar falsos alarme, foi iniciado um temporizador (T037) que inibe qualquer mensagem de alarme durante 0,6 segundos após ordem de paragem dos motores. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 147 Anexo D Alarme nos Contatores Após Arranque A retirada das resistências do circuito de alimentação é efetuada recorrendo a contatores eletromecânicos. Estes elementos de comando estão sujeitos a desgaste que podem levar a avarias. Deste modo, este bloco de instrução foi elaborado de forma a detetar falha nos contatores após o arranque se ter efetuado. Desta forma, o LOGO! avalia a transição de estado dos contatores (aberto ou fechado) através dos contactos auxiliares. Caso o LOGO! detete uma mudança de estado dos contactos auxiliares durante a fase de funcionamento dos motores DC, emitirá um alarme a indicar qual o contator ou contatores que geraram o alarme (por exemplo: IA em falha após arranque). Saídas Open Connector Estas saídas servem exclusivamente para o funcionamento normal do programa uma vez que o LogoSoft exige que todos os blocos inseridos devem ter pelo menos um contato a fazer referência a esse bloco de instrução (por ex: bloco de texto, “latching relay”). Saídas Neste bloco, são ligados todos os contactos que geram o alarme visual. Deste modo, é possível visualizar quais os contactos que ativam a saída Q1 e Q2. 148 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo D Contactos Analógicos Este bloco de instrução foi elaborado de forma a ligar os blocos analógicos usados ao longo do programa a saídas analógicas. Contador de Arranques Este bloco de instruções é usado para contar através do contador C026 o número total de arranques. Os arranques mal sucedidos são contados através do contador C041. O número de vezes que a bomba recebe ordem de arranque (Mx) é contabilizado pelo contador C046. Os arranques bem-sucedidos são contabilizados através do contador C042 (este recebe como input para efetuar contagem o contacto SF008 (Arranque OK)). Reset Este bloco inicializa um temporizador com 3 segundos. O botão RESET tem duas funções. Se premido e largado, este apenas faz reset as mensagens de alarme e aos contadores que fazem a amostragem dos tempos no ecrã. Ao manter premido o botão RESET mais do que 3 segundos, este vai efetuar reset a todos os contadores e temporizadores existentes no programa. Ecrã Principal Este é o ecrã de boas vindas e indica a hora atual, o número de arranques OK (bem sucedidos) e o número de arranques mal sucedidos. Ligar luz Este bloco de instrução serve exclusivamente para ligar a luz de fundo do ecrã do LOGO! quando este ativa uma mensagem de alarme ou quando alguém toca nas setas ao lado do ecrã. A luz permanece ligada durante 99,99 segundos, após este tempo e se os alarmes já estiverem desativados ela desliga-se automaticamente. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 149 Anexo D Histórico Último Arranque Este bloco de instrução fica ativo quando ocorre um novo arranque dos motores DC. A função deste bloco é manter em memória os tempos de saída das resistências R1 (1A) e R2 (1Ax) independentemente do arranque ter sido bem ou mal sucedido. Este bloco de instrução é útil quando se pretende rever os tempos referentes ao último arranque. A única forma de eliminar a informação relativa ao último arranque é manter premido o botão RESET durante pelo menos 3 segundos. O esquema de amostragem dos tempos de saídas das resistências R1 (IA) e R2 (IAx) é em tudo idêntico ao já explicado no bloco de instruções “Amostragem de Tempo no Ecrã do LOGO!”. Para consultar os dados referente ao último arranque basta clicar nas setas para cima e para baixo colocadas ao lado do ecrã do LOGO!. Todas as mensagens são apresentadas pelas ordens de prioridades. Mensagens de alarmes: Comparador - Prioridade 1: Permite comparar o número de ordens de arranques (Mx) com o número total de arranques efetivamente concluídos (C026). Último arr OK – Prioridade 3: Permite visualizar os dados referentes ao último arranque quando bem-sucedido, permite igualmente, visualizar os tempos de saída das resistências e a hora em que ocorreu o último arranque. Último arr Mal sucedido – Prioridade 4: Permite visualizar os dados referentes ao último arranque quando mal sucedido, permite igualmente, visualizar os tempos de saída das resistências e a hora em que ocorreu o último arranque. C. Lares – Prioridade 13: Ecrã principal. Nele é possível visualizar a hora e a data atual, assim como o número total de arranques bem (C042) e mal (C041) sucedidos. 150 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo D LOGO! Reset – Prioridade 20: Este ecrã informa que foi efetuado um reset geral a todos os contadores e temporizadores do programa. Este reset ocorre quando o botão reset estiver premido pelo menos 3 segundos. Alarme IAx Preso - Prioridade 25: Permite visualizar que o contator ou contacto auxiliar IAx (R2) se encontra preso e não regressou à sua posição original ou de repouso após ordem de paragem do motor DC. Alarme IA Preso - Prioridade 30: Permite visualizar que o contator ou contacto auxiliar IA (R1) se encontra preso e não regressou à sua posição original ou de repouso após ordem de paragem do motor DC. Alarme IA-IAx Preso - Prioridade 35: Permite visualizar que os contatores ou contactos auxiliares IA e IAx se encontram presos e não regressaram às suas posições originais ou de repouso após ordem de paragem do motor DC. Tempos - Prioridade 42: Permite visualizar o tempo decorrido na sequência da retirada das resistências R1 (IA) e R2 (IAx). Mal Sucedido – Prioridade 45: Permite visualizar o número do arranque (C026) indicando que o arranque foi mal sucedido e a hora em que o arranque foi efetuado. Este ecrã só está disponível nos arranques mal sucedidos. Arranque OK – Prioridade 51: Informa que as resistências foram retiradas no intervalo de tempo definido. Apresenta os tempos de saída das resistências e o número do arranque (C026). Este ecrã só está disponível enquanto os motores DC estiverem em funcionamento (Mx ativo). Erro Tempo – Prioridade 54: Informa que a resistência R2 (IAx) não saiu no intervalo de tempo definido. Indica igualmente o número do arranque. Erro Tempo – Prioridade 55: Informa que a resistência R1 (IA) não saiu no intervalo de tempo definido. Indica igualmente o número do arranque. IA em falha após Arr – Prioridade 57: Esta mensagem aparece se o contator ou contacto auxiliar referente a resistência R1(IA) entre em anomalia após o arranque do motor DC. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 151 Anexo D IAx em falha após Arr – Prioridade 58: Esta mensagem aparece se o contator ou contacto auxiliar referente à resistência R2 (IAx) entre em anomalia após o arranque do motor DC. IA-IAx em falha após Arr – Prioridade 59: Esta mensagem aparece se os contatores ou contactos auxiliares referente às resistências R1 (IA) e R2 (IAx) entram em anomalia após o arranque do motor DC. Erro de sequência – Prioridade 65: Indica um erro de sequência. Este erro aparece caso a resistência R2 (IAx) saia do circuito de alimentação do motor DC antes da resistência R1(IA). Sobrecorrente – Prioridade 66: Esta mensagem indica que o relé de sobrecorrente detetou um consumo excessivo de corrente. Quando esta mensagem fica ativa, é ativado de igual forma um alarme visual (Led ligado a saída Q2 do LOGO!). Esquema de Controlo do motor DC: Figura 4 – Esquema de controlo do motor DC. 152 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo D Inicialização dos Temporizadores e Contadores Temporizadores Contadores C002 – ON Threshold: 26 Off Threshold: 76 Start Value: 0 C007 – ON Threshold: 26 Off Threshold: 76 Start Value: 0 C011 – ON Threshold: 0 Off Threshold: 0 Start Value: 0 C021 – ON Threshold: 25 T001 – Pulse Width (TH) 0 : 1 ( s : 1/100s) Interpulse Width (TL) 0 : 1 ( s : 1/100s) T004 – On-delay 0 : 99 ( s : 1/100s) T006 – Pulse Width (TH) 0 : 1 ( s : 1/100s) Interpulse Width (TL) 0 : 1 ( s : 1/100s) T009 – On-delay 0 : 99 ( s : 1/100s) T012 – Pulse Width (TH) 0 : 1 ( s : 1/100s) Interpulse Width (TL) 0 : 1 ( s : 1/100s) T020 – Pulse Width (TH) 0 : 1 ( s : 1/100s) Interpulse Width (TL) 0 : 1 ( s : 1/100s) T037 – Off-delay 0 : 60 ( s : 1/100s) 0 T053 – On-delay 3 : 0 ( s : 1/100s) C041 – ON Threshold: 0 T054 – On-delay 5 : 0 ( s : 1/100s) Off Threshold: 0 T027 – On-delay 3 : 0 ( s : 1/100s) Off Threshold: 75 Start Value: Start Value: 0 C026 – ON Threshold: 0 T059 – On-Time (TH) Off-Time (TL) 0 : 0 ( s : 1/100s) 99 : 99 ( s : 1/100s) Off Threshold: 0 T067 – Off-Time (TL) 0 : 1( s : 1/100s) Start Value: 0 C046 – ON Threshold: 0 Off Threshold: 0 Start Value: 0 C042 – ON Threshold: 0 Off Threshold: 0 Start Value: 0 C063 – ON Threshold: 0 Off Threshold: 0 Start Value: 1 C064 – ON Threshold: 0 Off Threshold: 0 Start Value: 0 Rodolfo Manuel Conceição Pereira 153 Anexo E Esquema Unifilar das Proteções dos Transformadores e do Alternador (Grupo II) 155 Anexo F Definições das Principais Proteções Elétricas da Central de Ciclo Combinado de Lares 159 Anexo F As nomenclaturas das proteções estão listadas segundo a tabela ANSI. 12 – Relé de sobrevelocidade – A sobrevelocidade normalmente advém de uma rejeição de carga seguida do mau funcionamento do regulador de velocidade do grupo electroprodutor. Este tipo de proteção é desejável de forma a evitar esforços mecânicos excessivos devido ao aumento da velocidade. 21 – Relé de distância – Relé que funciona quando a admitância, a impedância ou a reactância de um circuito (por exemplo linha de transmissão elétrica de um SEE) apresenta valores anormais de funcionamento levando a atuação do relé ou dando um aviso de alarme adequado a situação. 24 – Relé de sobrexcitação – Dispositivo habilitado a detetar sobrexcitação nos equipamentos elétricos. A sobrexcitação ocorre quando o núcleo magnético de um equipamento de potência fica saturado. Quando ocorre a saturação, o fluxo de dispersão é induzido nos componentes não laminados, o que pode resultar no aquecimento do equipamento. 25 – Relé de sincronismo – Este relé verifica se as condições de sincronismo e de paralelismo entre o gerador e o SEE foram ou não cumpridas. Este relé atua diretamente no disjuntor de grupo ordenando a abertura ou o fecho do mesmo. Este relé efetua uma análise aos valores da frequência, do ângulo de fase e da tensão. 26 – Detetor térmico – Dispositivo que ativa um alarme ou desliga um determinado equipamento quando a temperatura de um equipamento ou de um líquido (por exemplo óleo) estiver acima ou abaixo de um valor predefinido. 27 – Relé de subtensão – Relé que atua quando a tensão é inferior ao valor de referência. 32 – Relé direcional de potência – Relé que deteta o sentido do fluxo de potência. Este relé é polarizado por corrente e tensão. Caso este detete a inversão do fluxo de potência para o qual foi ajustado, aciona as respetivas proteções, por exemplo, quando o gerador passa a funcionar como motor consumindo energia elétrica do SEE. 40 – Relé de excitação – A função deste relé é detetar a falta, a diminuição ou o excesso de corrente de excitação numa máquina AC. Este relé deve funcionar determinada gama ou ligeiramente abaixo da corrente de excitação nominal. Quando existe perda de excitação num gerador síncrono, este passa a operar como um gerador de indução, girando abaixo da velocidade sincronismo absorvendo potência reativa do SEE. 41 -Disjuntor de campo - Permite aplicar ou cortar a corrente de excitação em máquinas AC. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 161 Anexo F 46 – Relé de sequência negativa – Um sistema trifásico deve operar de forma equilibrada. Isto é, os vetores das tensões das três fases devem ter amplitudes idênticas e devem estar desfasados 120º. O relé de sequência negativa mede o desequilíbrio no sistema e atua caso o desequilíbrio apresente características fora dos parâmetros. 49 – Relé térmico – Este relé atua quando a temperatura dos enrolamentos do transformador ou do gerador excederem um valor predefinido. 50 – Relé de sobrecorrente instantâneo – Este relé permite uma proteção de alta velocidade e sensibilidade, atuando imediatamente sempre que o valor de corrente ultrapasse um valor predefinido. 50BF – Relé de proteção contra falha de disjuntor – Um disjuntor pode não atuar mediante uma ordem de manobra. Este acontecimento pode ser devido a questões elétricas (a potência de curto-circuito ultrapassa a capacidade disruptiva do disjuntor) ou mecânicas (parte móveis com defeito). 50N – Sobrecorrente instantânea – Este relé monitoriza as correntes que fluem no neutro do transformador atuando de imediato caso o valor da corrente ultrapasse um limite predefinido. 51 – Relé de sobrecorrente temporizado – Este relé atua quando a corrente excede o valor máximo predefinido durante um período de tempo definido. A característica de tempo é muitas vezes desejável de forma a coordenar as proteções. 51N – Sobrecorrente de temporizado do neutro – Este relé monitoriza as correntes que fluem no neutro do transformador. Este atua de forma temporizada caso o valor da corrente ultrapasse um limite predefinido. 51V – Relé de sobrecorrente com restrição de tensão – Este relé monitoriza a corrente e a tensão dos equipamentos elétricos. Este relé permite ser ajustado para valores de corrente abaixo da corrente nominal do equipamento, uma vez que ele só atua se a tensão se encontrar abaixo de um valor predefinido. Este tipo de equipamento permite atuar na ocorrência de um curto-circuito cuja corrente de defeito seja inferior ou aproximada a corrente nominal, por exemplo, um curto-circuito num gerador elétrico. 52 – Disjuntor de corrente alternada – Este equipamento permite efetuar o corte num circuito de corrente alternada. Este pode ser acionado de forma manual ou a partir da ordem de um dispositivo de proteção tal como um relé. 162 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo F 57 – Seccionador de terra – Permite efetuar uma ligação física à terra de um equipamento elétrico (motor, alternador, transformador, parque de linhas de uma subestação). Esta função é útil quando se pretende efetuar trabalhos onde ocorra o risco de electrocução. Com este tipo de ligação garantimos um caminho alternativo de baixa resistência por onde as correntes de defeito podem fluir para terra isolando deste modo o equipamento. 59 – Relé sobretensão – Este relé atua quando a tensão num circuito elétrico excede um valor predefinido para a sua atuação. As sobretensões podem ter origem pela perda de cargas, sobrexcitação da máquina, descargas atmosféricas ou manobras de abertura ou fecho dos circuitos (sobretensões transitórias). 62 – Relé temporizador – Relé temporizado que atua em conjunto com um dispositivo de corte ou de interrupção de um circuito elétrico de forma automática. 63B – Relé de pressão de gás (Buchholz) – O relé de Buchholz é a combinação de o relé de pressão com o relé detetor de gás. A sua aplicação em transformadores a óleo deriva da formação de gás na ocorrência de uma falha de isolamento (produção lenta de gás) ou um curto-circuito interno que dê origem a um arco elétrico (produção rápida de gás). Deste modo, este relé analisa o gás existente no interior da cuba de um transformador avaliando a pressão do mesmo. Na ocorrência de uma formação rápida de gás devido a um curto-circuito interno, este atua diretamente nas proteções do transformador de forma a isolar o mesmo. 63BJ – Relé Buchholz Jansen – Este relé tem como função proteger a regulação das tomadas do transformador na ocorrência de uma falha no dispositivo de regulação. 63L – Válvula de alívio sobrepressão – Dispositivo que atua na deteção de pressão superior a um valor predefinido de forma a reduzir a pressão do sistema. 63V – Sensor de pressão – Dispositivo que opera a uma dada pressão ou numa gama de variação de pressão (Pressóstato). 64 – Relé de proteção de terra – Relé que atua quando ocorre um defeito a terra. Este relé não substitui outros relés que tenham como sufixo a letra N ou G tal como o relé 51N. 71 – Sensor de nível – Dispositivo que atua a um dado nível ou numa determinada gama de variação de nível de um líquido (por exemplo água ou óleo). 74 – Relé de alarme – Este relé atua aquando há existência de um alarme sonoro ou visual. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 163 Anexo F 78 – Relé de medição de ângulo de fase – Este relé opera numa determinada gama de ângulo de fase registado entre duas grandezas. A comparação de angulo de fase é um princípio bastante usado de forma a determinar a direção da corrente com relação a uma determinada referência (geralmente a própria tensão existente no circuito). Dado um fluxo de potência, o ângulo de fase entre a corrente e a tensão vai variar em função do fator de potência. 81 – Relé de frequência – Protege máquinas ou equipamentos elétricos contra as variações da frequência da rede elétrica, permitindo apenas a operação dos mesmos dentro de uma determinada gama (tipicamente ±5% ou ±10% da frequência nominal). A operação com sobrefrequência pode indicar um acréscimo de velocidade em relação a velocidade nominal, sendo prejudicial, por exemplo, às partes rotativas de um grupo electroprodutor, por sua vez uma subfrequência pode indicar uma sobrecarga nos equipamentos devendo rapidamente ser corrigida. 86 – Relé de bloqueio – Dispositivo indicado para desligar e bloquear circuitos de proteção, desligar circuitos auxiliares ou principais de disjuntores e seccionadores, desligar e bloquear todas os seccionadores ou disjuntores de um barramento. Também são utilizados em conjunto com relés diferenciais, para proteger transformadores, barramentos, entre outros sistemas elétricos. 87 – Relé de proteção diferencial – Dispositivo de proteção contra curto-circuitos. O seu princípio de funcionamento assenta no método de comparação das correntes que entram e saem dos terminais (caso de um transformador). Quando houver uma diferença acima de um valor predefinido em percentagem ele dará ordem atuação às respetivas proteções. 87B - Proteção diferencial – Barramento; 87T - Proteção diferencial – Transformador; 87G - Proteção diferencial – Gerador; 87L - Proteção diferencial – Linha. 89 – Seccionador de linha – Este dispositivo mecânico de manobra assegura, na posição aberta, o isolamento de um troço de um circuito elétrico segundo os requisitos de segurança especificados. Estes dispositivos protegem igualmente as linhas de transmissão de um SEE contra sobrecargas, correntes de curto-circuito e contatos a terra 94 – Relé de desligamento ou disparo livre – Dispositivo com capacidade de desarmar disjuntores, contatores ou outros equipamentos de forma a permitir o desarme imediato através de outros dispositivos. 164 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo G Características do Contator CK85B300 165 Anexo G Figura 5 – Vida útil do contador CK85B300 [39]. A figura 5 ilustra o tempo médio de vida útil (número de manobras de abertura e fecho) em função da corrente que suporta. O tempo de vida útil do contator descrito no presente relatório é representado pela linha vermelha. Figura 6 – Contator CK85B300. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 167 Anexo H Esquema unifilar dos grupos electroprodutores (Grupo II) 169 171 Anexo I Características do Sobreaquecedor Elétrico 173 Anexo I O Sobreaquecedor elétrico da Central Termoelétrica de Ciclo Combinado de Lares apresenta as seguintes características [33]: Potência 730 KW Alimentação 3~ 400V 50Hz Fluido Vapor Fluxo de Vapor Máximo: 5443 kg/h Mínimo: 1814 kg/h Pressão projetada 31,3 bar Pressão de Vapor 10 bar Queda de pressão Inferior a 0,5 bar Temperatura de projeto 399 ºC Temperatura de entrada de vapor 180 ºC Temperatura de saída de vapor 329 ºC Mínimo, 357 ºC Normal 386 ºC Máximo Controlo de potência Modulo de tirístor Peso total 5220 kg Figura 7 – Dimensões do sobreaquecedor elétrico [33]. 1 - Flange Entrada do vapor 3” 300Lb. RF. 2 - Flange Saída do vapor 3” 300Lb RF. 3 - Válvula de segurança. 4 - Válvula de purga do ar ¾” 300Lb RF. 5 - Válvula para purga ¾” 300Lb RF. 6 - Sonda de controlo de temperatura Pt-100. 7 - Aquecedor nº1 365kW 3~400V. 8 - Aquecedor nº2 365kW 3~400V. 9 - Armário de controlo Figura 8 – Sobreaquecedor de vapor elétrico [33]. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 175 Anexo J Preparação dos Arranques 177 Anexo J O presente estudo pretende descrever de forma sucinta os requisitos necessários a verificar antes de cada arranque dos grupos electroprodutores. Os requisitos encontram-se ilustrados de forma a tornar mais percetível o que cada um representa. Os mímicos (HMI) usados nas ilustrações foram retirados da sala de comando da Central Termoelétrica de Lares. A descrição da preparação dos arranques foi efetuada tendo como base o manual de arranque existente na Central de Ciclo Combinado de Lares. Este manual foi disponibilizado de forma a efetuar o presente estudo. Os requisitos a verificar são listados em função da ordem em que devem ser verificados. Sistema de hidrogénio e óleo de selagem do veio: Verificar se a pressão do hidrogénio no alternador está aproximadamente a 4 bar; Verificar se o diferencial de pressão do óleo de selagem está aproximadamente a 8,5 psi (0,6 kg/cm2). Figura 9 – Sistema de Hidrogénio e óleo de selagem. Verificações em campo: Tensão das baterias de 125 Vdc (figura 10); Tensão das baterias 250 Vdc (figura 11); Pressão do CO2 deve estar acima de 300 psi (figura 12); Gerador Diesel de emergência em modo automático e nível de combustível acima de 80% (figura 14); O sistema de combate a incêndios Diesel e o depósito Diesel deve conter pelo menos 85% da sua capacidade máxima de combustível (figura 15); A pressão no rack de hidrogénio (refrigeração do alternador) deve ter uma pressão de 125 psi e deve existir um rack suplente preparado em casa de necessidade (figura 16); Nível de amónia acima de 30% (figura 17); Disjuntor do LCI e do Alternador/grupo (BAC) em modo Remoto (figura 18). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 179 Anexo J Figura 10 – Controlador das baterias de 125 Vdc. Figura 12 – Indicador de pressão do CO2. Figura 14 – Controlador do gerador de emergência Diesel. 180 Figura 11 – Controlador das baterias de 250 Vdc. Figura 13 – Válvula manual do tanque de CO2. Figura 15 – Indicador do nível de Diesel do tanque das bombas de combate aos incêndios. Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo J Figura 16 – Rack's de hidrogénio e manómetro indicativo da pressão do hidrogénio (psi/bar). Figura 17 – Tanque de amónia e indicação de nível. Figura 18 – Disjuntor de grupo em modo remoto. Drenos Caldeira: Fechar as linhas de aquecimento do bypass de alta, média e baixa pressão. Abrir o dreno manual do pote LP SH até à drenagem completa da água. Figura 19 – Linhas de aquecimento de by-pass. Indicação visual das válvulas a fechar. Figura 20 – Dreno manual do pote LP SH. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 181 Anexo J Preparação do BOP: Verificar o nível de água nos tanques do sistema de combate a incêndios e apontar a percentagem da quantidade de água contida neles (figura 21); Verificar a abertura das válvulas de gás para a caldeira auxiliar e TG (figura 22); Verificar se a pressão do vapor auxiliar está a 8 bar e com temperatura acima de 160 ºC; Confirmar se o PH da água desmineralizada está na gama correta (ph ≈ 9); Confirmar se os sistemas do BOP (figura 23) estão em serviço e em modo automático, respetivamente, sistema de condensado, água desmineralizada, doseamento químico; Efetuar o arranque do sistema de vapor auxiliar (verificar se as válvulas se encontram abertas e os drenos da caldeira auxiliar estão em modo automático; Confirmar se o sistema de lubrificação do eixo e se o virador estão a funcionar corretamente; Verificar se o disjuntor de excitação do alternador se encontra fechado (figura 24); Figura 21 – Mímico dos tanques de água potável e de serviço. Figura 22 – Mímico do sistema de gás de alimentação da caldeira e da TG do grupos I e II. Figura 23 – Sistema BOP, mímico do condensado. Figura 24 – Disjuntor de excitação do alternador. 182 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo J Sistema de Vácuo: Verificar se a pressão a montante da válvula SSFV está superior a 7 bar (figura 25); Arrancar o sistema de vapor de selagem através o sobreaquecedor elétrico (figura 25); Arrancar um dos ventiladores do condensador de vapor de bucins; Verificar se a válvula de quebra vácuo está aberta (figura 26); Arrancar o sistema de vapor de selagem; Arrancar as bombas de vácuo. Devem estar as duas bombas em serviço; Fechar a válvula de quebra vácuo, são necessários aproximadamente 30 minutos para obter vácuo com uma pressão inferior a 80 mbar. Figura 25 – Vapor de selagem. Figura 26 – Sistema de vácuo condensador. Enchimento e Ventilação da Caldeira: Verificar se o PH na descarga das bombas de condensado se encontra entre 9,8 e 10,1; Verificar o nível de água contida no barrilete de BP. Caso o nível esteja inferior ao nível predefinido é necessário arrancar com o sistema de controlo do nível do barrilete de BP; Arrancar com os sistemas de controlo de nível de água de alimentação dos barriletes de média e alta pressão. Figura 27 – Descarga condensado. Rodolfo Manuel Conceição Pereira Figura 28 – Nível barrilete de baixa pressão. 183 Anexo J Ilha de Potência: Confirmar se a pressão de hidrogénio no alternador se encontra a 4 bar (figura 9); Confirmar a pressão diferencial do óleo de selagem (aproximadamente 0,6 kg/cm2) em relação à pressão do hidrogénio, este diferencial de pressão é necessário de forma a garantir a selagem do hidrogénio no interior do alternador; Verificar os motores da turbina a vapor (motores do sistema de óleo de lubrificação, do sistema de fluido hidráulico e do sistema de selagem do vapor), figura 29; Verificar a temperatura do óleo de lubrificação (aproximadamente 37 ºC). Esta é a temperatura de referência no arranque. A temperatura nominal do óleo é de 49 ºC. O aumento da temperatura garante uma viscosidade inferior do óleo (figura 31); Escolher o LCI para efetuar o arranque do grupo (figura 30); Verificar se a excentricidade é inferior a 0,025mm nos três pontos de medida (vibrações no eixo comum do alternador e das turbinas a gás e vapor); Verificar o aquecedor elétrico do gás e as permissivas da turbina a vapor; Figura 29 – Motores associados à turbina a vapor. Figura 30 – Mímico de monitorização do LCI. Sistema Óleo de Lubrificação e Teste Hidráulico - Testar o funcionamento das bombas de óleo de lubrificação AC; - Testar a bomba de óleo de lubrificação DC e a bomba de óleo hidráulico. Figura 31 – Sistema de levantamento e lubrificação do eixo. 184 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo J Sequências de arranque: Como referido anteriormente, a sequência de arranque é totalmente automática até ao mínimo técnico. Ao longo da fase de arranque é necessário verificar e/ou alterar o estado de alguns requisitos, tais como: 1- Verificar se as permissivas da caldeira recuperativa e do BOP estão cumpridas; 2- Verificar se todas as permissivas de arranque da TG estão cumpridas, ficando a faltar apenas as seguintes permissivas prestart check, Perfomance Heater e TV pronta (figura 33); 3- Verificar no mímico de monitorização da TG que o combustível selecionado é o gás; 4- Selecionar o modo "Remoto" ou "Auto and Start" no mímico de monitorização da TG; 5- Selecionar Auto-Sequence "ON", no mímico de monitorização da caldeira recuperativa "HRSG ready to Start S2", verificar o by-pass do vapor e selecionar a seta que aponta para a etapa "S4" (figura 34); 6- Após a deteção de chama (a partir das 430 rpm), confirmar se os 4 detetores de chama estão a vermelho no mímico de monitorização da TG (figura 32); 7- As 1500 rpm, verificar se a válvula do vapor de arrefecimento da TV está aberta; 8- Confirmar as 2860 rpm a troca do modo de queima de D5 para 1D; 9- Antes da sincronização, confirmar a temperatura do óleo de lubrificação (deve estar acima de 43 ºC); 10- Confirmar se a válvula de purga contínua de vapor está aberta; 11- Verificar o aquecimento da linha de vapor de AP, por forma à obtenção dos critérios de temperatura para a TV; 12- Verificar o cumprimento das permissivas da TV (figura 39); 13- Verificar a admissão de vapor à TV; 14- Verificar se a temperatura de exaustão da TG se adequa ao diferencial de temperatura entre o vapor e o metal da turbina de vapor; 15- Confirmar a auto-selagem da TV (SSFV fechada, SSDV ligeiramente aberta) quando a pressão do vapor atinge a pressão adequada, (figura 25); 16- Quando Temperature Matching Sequence passa a OFF, (temperatura de exaustão da TG próxima de 580 ºC), selecionar modo "Operador" e a potência desejada (mínimo. 200 MW); 17- Verificar a abertura das pás guias do compressor (IGV) para efetuar o controlo da temperatura de exaustão (aproximadamente 649 ºC); 18- Confirmar que a sequência automática chega ao passo "S4", a potência ativa pode variar entre 200 MW 440 MW. 19- Antes de se efetuar o início da sequência automática de arranque, é necessário verificar o estado das permissivas da turbina a gás (figura 33). Rodolfo Manuel Conceição Pereira 185 Anexo J Figura 32 – Mímico de monitorização da TG. Figura 33 – Mímico das permissivas da turbina a gás. Após serem verificadas todas as permissivas da figura 33 dá-se, finalmente, o arranque do grupo electroprodutor. A sequência de arranque da TG pode ser visualizada na figura 34. Figura 34 – Sequência de arranque da turbina a gás. A figura 35 descreve, sucintamente, os passos da sequência automática de arranque (sequência geral). Posteriormente, no presente capítulo será possível analisar de forma mais pormenorizada as várias etapas da sequência (S1, S2, S3, RS2 e RS3) 186 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo J Figura 35 - Etapas da auto-sequência de arranque dos grupos electroprodutores. Na figura 35 é possível visualizar as permissivas gerais que devem ser cumpridas desde o início de arranque até ao desligar do grupo. Deste modo, a sequência geral é composta por 5 etapas S1, S2, S3, RS2 e RS3. Na transição entre cada etapa, existem condições/permissivas que têm de ser verificadas e aceites. O estudo em questão não pretende descrever de forma exaustiva as permissivas necessárias para efetuar a transição entre cada etapa, mas antes, descrever e explicar as várias etapas de forma genérica. Deste modo, a sequência normal de arranque, funcionamento e paragem dos grupos electroprodutores segue a sequência que pode ser visualizada nas figuras 36, 37 e 38. Figura 36 – Permissivas de transição entre a etapa S1 e S2. A figura 36 ilustra as permissivas de transição entre a etapa S1 a S2. Na transição de S1 para S2 atribui-se particular atenção à preparação e arranque de caldeira recuperativa. Das permissivas ilustradas na figura 36 destaca-se as permissivas relacionadas com os drenos, com o sobreaquecedor elétrico e o bypass de vapor. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 187 Anexo J Figura 37 – Permissivas de transição desde da etapa S2 até a etapa RS2. A figura 37 ilustra as permissivas desde da etapa S2 até a etapa RS2. Na transição de S2 para S3 analisam-se as permissivas da TG. Das permissivas entre as etapas S2 e S3 destacam-se as permissivas que verificam se a TG efetuou o arranque, o fecho do disjuntor de grupo (BAC) e se a variável “Temperature Matching Sequence” está a ON. Após verificar estas permissivas, a sequência automática transita para a etapa S3. Ao passar para a etapa S3, a sequência garante que a turbina a gás já se encontra a rodar à velocidade nominal (3000 rpm) e que foi efetuado com sucesso o sincronismo com a rede elétrica nacional. Nesta etapa, pretende-se acionar a turbina a vapor de forma a elevar a potência ativa do alternador para o seu mínimo técnico (200 MW). Na transição de S3 para S4 verificam-se condições tais como aceitação da qualidade do vapor, o fim do processo de aquecimento do metal da TV (Temperature Matching Sequence) e se o bypass de vapor se encontra fechado. Por fim, verifica-se se o grupo electroprodutor atingiu o mínimo técnico. Depois de verificadas todas as permissivas anteriores, a sequência automática transita para a etapa S4. Nesta etapa, o grupo permanece em funcionamento normal, podendo variar a potência ativa produzida dentro dos limites do alternador (200 MW > Potência > 440 MW). A transição de S4 para RS3 ocorre quando se pretende desligar o grupo electroprodutor. Deste modo, nesta transição é retirada potência mecânica à TG e TV, de seguida procede-se ao isolamento da TV e ao respetivo corte de vapor. Na transição de RS3 para RS2 procede-se à retirada da TG verificando-se, deste modo, o desligar total do grupo. 188 Rodolfo Manuel Conceição Pereira Anexo J Figura 38 – Permissivas de transição da etapa RS2 para S1 A figura 38 ilustra as permissivas de transição das etapas RS2 para S1. Esta sequência remete para os procedimentos de preparação para efetuar um novo arranque. Após ser verificado o arranque do grupo e o sincronismo com a rede elétrica, é necessário elevar a potência produzida pelo alternador. O aumento da potência ativa está dependente da potência mecânica disponibilizada ao eixo pela turbina a vapor. De forma a acionar a TV é necessário cumprir com as permissivas ilustradas na figura 39. Só quando se verificar que todas as permissivas se encontram a verde é que se efetua o arranque da turbina a vapor. Figura 39 – Permissivas da turbina a vapor. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 189 Anexo K Descrição das Variáveis Consideradas na Caracterização dos Arranques 191 Anexo K Potência ativa – É a potência ativa gerada pelo alternador. O mínimo técnico corresponde a uma potência mínima gerada de 200 MW. Em condições favoráveis, os grupos electroprodutores conseguem produzir uma energia máxima correspondente a 441 MW. Potência exportada – É a potência que efetivamente foi injetada no SEE. Tendencialmente, a potência injetada é 10 MW inferior à potência ativa gerada. Este acontecimento deve-se ao facto do alternador alimentar os sistemas auxiliares da Central Termoelétrica através do transformador auxiliar de grupo. Temperatura do metal TV AP – Temperatura do metal da turbina a vapor de Alta Pressão. A temperatura nominal do metal da turbina de Alta e Média Pressão é, respetivamente, 560 ºC. Por seu turno, a temperatura do metal da turbina de Baixa Pressão corresponde em média a 295 ºC. Temperatura do metal TV MP – Temperatura do metal da turbina a vapor de Média Pressão. A temperatura nominal do metal da turbina de Alta e Média Pressão é, respetivamente, 560 ºC. Por seu turno, a temperatura do metal da turbina de Baixa Pressão corresponde em média a 295 ºC. Temperatura do Vapor AP – Temperatura do vapor a entrada da turbina de Alta Pressão. A temperatura nominal do vapor de Alta e Média Pressão é, respetivamente, de 560 ºC. Por seu turno, a temperatura do vapor da turbina de Baixa Pressão corresponde em média a 295 ºC. Temperatura do Vapor MP – Temperatura do vapor a entrada da turbina de Média Pressão A temperatura nominal do vapor de Alta e Média Pressão é, respetivamente, de 560 ºC. Por seu turno, a temperatura do vapor da turbina de Baixa Pressão corresponde em média a 295 ºC Aceitação Condutividades – A aceitação das condutividades é a variável que indica quando o vapor proveniente da caldeira recuperativa se encontra em condições para ser expandido no corpo da TV. A unidade de medida desta variável é o µS/cm. O valor ideal de funcionamento da condutividade é de 0,15 µS/cm com tendência a descer devido as purgas contínuas de vapor. Em caso excecionais, o valor limite das condutividades pode ser de 0,45 µS/cm. Rodolfo Manuel Conceição Pereira 193 Anexo K Mínimo Técnico – O mínimo técnico é o valor da potência ativa mínima que o alternador pode produzir atendendo às suas condições de segurança e operacionalidade. O valor estipulado pela GE é de 200 MW. A sequência de arranque é efetuada de forma totalmente automática até o grupo electroprodutor atingir a potência correspondente ao mínimo técnico. BAC – Disjuntor de grupo – Este disjuntor é o responsável pela ligação física do alternador ao SEE. Na sequência de arranque, este permanece aberto até ocorrer o sincronismo entre o alternador e o SEE. Posição da válvula Vapor AP – A posição da válvula de vapor Alta Pressão dá a indicação do estado da abertura da válvula em percentagem durante a fase de arranque. Esta vai abrindo de forma graduada em função do diferencial de temperatura verificado entre a temperatura do metal da turbina a vapor e do vapor. Temperature Matching Sequence – Sequência que remete para o processo de aquecimento do metal da turbina a vapor. A turbina a vapor é aquecida através do vapor proveniente da caldeira recuperativa. Deste modo, a turbina a gás ajusta a queima do combustível de forma a garantir um gradiente de aquecimento ajustado do vapor em função da temperatura do metal da turbina a vapor. Esta variável toma o valor de 0 (OFF) ou 1 (ON) para indicar, respetivamente, o decorrer ou o fim do processo de aquecimento da TV. Deste modo, enquanto esta variável estiver a 0 o processo de aquecimento ainda não se encontra finalizado. É de referir, que em situação alguma na sequência de arranque, o diferencial de temperatura entre o vapor e o metal da TV deve exceder os 60 ºC. Velocidade rotor – Velocidade em que o rotor se encontra a rodar. A velocidade nominal é de 3000 rpm podendo oscilar entre 2995 e 3005 rpm. Frequência do alternador – A frequência do alternador segue a frequência do SEE. O valor nominal da frequência é 50 Hz. 194 Rodolfo Manuel Conceição Pereira