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II Congresso Nacional de Formação de Professores
XII Congresso Estadual Paulista sobre Formação de Educadores
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Trabalho Completo
ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM BIOLOGIA: DIALOGANDO SABERES PARA A
TRANFORMAÇÃO
Luiz Paulo Guimarães De Siqueira, Elisa Maria Barcelos Soares Rezende, Gínia Cezar
Bontempo
Eixo 1 - Formação inicial de professores para a educação básica
- Relato de Experiência - Apresentação Oral
Este relato é fruto de um intenso trabalho realizado entre os meses de maio a agosto de
2013, como parte das atividades da disciplina Estágio Supervisionado em Ciências e
Biologia III do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de
Viçosa (UFV). Ele apresenta as experiências vivenciadas durante a execução do estágio e,
mais do que isso, pontua as principais indagações, inquietações e reflexões durante este
período. O relato foi organizado em quatro seções: a necessidade e a importância do
estágio e seu amparo perante a instituição; a caracterização da escola e do contexto escolar
em que ocorreu o estágio; o desenvolvimento do estágio em si por meio das relações com
os diferentes atores sociais envolvidos, das aulas e das principais vivências e indagações
surgidas durante este processo; e, por fim, algumas considerações sobre o estágio e a sua
importância na formação da identidade docente. O Estágio Supervisionado possibilitou um
momento rico na formação do licenciado. Ele foi realizado de forma integrada com a teoria e
prática, e criou condições que estimularam o licenciando a (re)construir e fortalecer uma
base teórica na prática. Mais do que isso, favoreceu a reflexão e a avaliação constantes das
ações, possibilitando uma formação estimuladora, que incentivou a busca por melhores
metodologias e relações com os alunos. A experiência no Estágio promoveu, de forma
bastante significativa, o amadurecimento do discente para os desafios e para a
responsabilidade do que é ser professor. Trouxe preocupações e inquietações a respeito da
condição de trabalho oferecida à categoria, do desleixo que é colocada a educação pública
e o avanço acelerado da privatização da educação. PALAVRAS-CHAVE Estágio
Supervisionado; identidade docente; Biologia
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Ficha Catalográfica
ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM BIOLOGIA: DIALOGANDO SABERES
PARA A TRANFORMAÇÃO
Luiz Paulo Guimarães de Siqueira; Gínia Cezar Bontempo. Universidade
Federal de Viçosa; Elisa Maria Barcelos Soares Rezende. Escola Estadual
Effie Rolfs, Viçosa, MG.
Introdução
A formação de docentes é um desafio para as universidades
brasileiras. As experiências de métodos de formação, as impressões dos
licenciandos e formas de relação com as escolas devem ser constantemente
avaliadas, aperfeiçoadas e ajustadas, visto que, a sociedade se transforma ao
longo do tempo e, diante desse fato, a educação não pode ficar para trás. A
divulgação e troca de experiências na formação de professores deve ser um
ato incentivado, e, partindo desta compreensão, trazemos aqui nossa
experiência.
Este relato é fruto de um intenso trabalho realizado entre os meses de
maio a agosto de 2013, como parte das atividades da disciplina Estágio
Supervisionado em Ciências e Biologia III do curso de Licenciatura em
Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa (UFV). O relato
apresenta as experiências vivenciadas durante a execução do estágio e, mais
do que isso, pontua as principais indagações, inquietações e reflexões
durante este período.
Para uma melhor organização, o relato foi organizado da seguinte
forma: primeiramente abordarei sobre a necessidade, tal como a importância
do estágio e seu amparo perante a instituição; depois discutirei sobre a escola
em que estagiei, sua estrutura, a dinâmica da turma e da professora; em
seguida, relatarei sobre o desenvolvimento do estágio, como foram as
relações com as pessoas, as aulas e as principais indagações que tive
durante este processo; posteriormente colocarei algumas ideias que previa
sobre o estágio e os resultados que obtive depois da experiência; por fim,
apresentarei alguns desabafos sobre alegrias, angústias e sensações que
tive, assim como, algumas considerações sobre o estágio. Optei por convidar
a professora do estágio da escola-campo e a professora da disciplina de
Estágio para participar da elaboração deste relato, uma vez que todo o
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estágio aconteceu por meio da aproximação e do diálogo efetivo das
instituições que representam (Escola Básica e Ensino Superior), tão
importantes na formação de futuros educadores.
A regulamentação do Estágio Supervisionado e sua Importância
Os Estágios Supervisionados são estruturados a partir de projetos de
intervenção no ambiente escolar, totalizando uma carga horária de 405 horasaula, de acordo com o Artigo 1º da Resolução CNE/CP 2/2002 e o Decreto
87.497/82. O Estágio supervisionado é uma exigência da LDB – Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 e em consonância com
a Lei 11.788/2008 que dispõe sobre o estágio de estudantes nos cursos de
formação de docentes (BRASIL, 2002).
Como
consta
no
Projeto
Político
Pedagógico
(UNIVERSIDADE...,2010) do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas,
os Estágios Supervisionados na UFV são regulamentados internamente pela
“Normatização do Estágio Supervisionado dos cursos de Licenciatura da
Universidade Federal de Viçosa” instituída pelo Ato No 007/2013/PRE, de
22/02/2013. A Normatização Institucional de Estágios Supervisionados
estabelece várias diretrizes, entre elas, destaco as seguintes:
III. Construir espaços de reflexão sobre os fundamentos e
os pressupostos teóricos estudados nos Cursos de Licenciatura e
sua relação com a realidade do cotidiano escolar, para que o
estagiário assuma uma postura crítica aliada à competência
técnica e ao compromisso político de seu papel transformador na
sociedade;
IV. Construir espaços de vivências, para que o estagiário
adquira e desenvolva habilidades necessárias para se trabalhar os
saberes teórico-metodológicos da docência; e
V. Estabelecer a ligação entre os três níveis de ensino
para que o estagiário possa fazer uma análise sobre os estudos e
práticas curriculares desenvolvidos na Universidade e sua
aplicação à realidade educacional da educação Básica. (PRÓ-
REITORIA..., 2013, p. 3).
Desta forma, o estudante, durante o estágio, tem a oportunidade de
entrar em contato com o mundo escolar contextualizando toda sua bagagem
teórica vivenciada nas disciplinas didático-pedagógicas ao longo da vida
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acadêmica por meio da experiência de prática docente nas escolas. Nesse
sentido o Estágio Supervisionado cumpre o objetivo de proporcionar ao aluno
a oportunidade de aplicar seus conhecimentos acadêmicos em situações da
prática profissional, criando a possibilidade do exercício de suas habilidades.
Espera-se que, com isso, que o aluno tenha a opção de incorporar atitudes
práticas e adquirir uma visão crítica de sua área de atuação profissional
(OLIVEIRA e CUNHA, 2006).
O Estágio constitui-se como uma disciplina que oferece um dos
momentos mais importantes da formação do licenciando, pois é quando o
estudante se depara, em muitos casos pela primeira vez, com os desafios e
ansiedades para a prática docente. Uma crítica constante de muitos
estudantes de Biologia é a de que as disciplinas pedagógicas não os ensinam
a dar aula, e somente estimulam discussões sobre educação. Existe a
ansiedade entre os discentes de que o futuro docente não saiba como lidar
quando chegar à condição de magistério.
O
Estágio
Supervisionado
consegue
superar
essa
dicotomia
interpretada por muitos estudantes de Biologia, pois é uma disciplina que se
baseia no método ação-reflexão-ação (SCHÖN, 2000). Nela o estudante tem
a oportunidade de experimentar o comando da sala de aula e, ao mesmo
tempo, durante os encontros da disciplina, discutir, refletir sobre suas
metodologias, impressões, dificuldades, angústias, desejos com seus colegas
que também estão tendo a mesma experiência em diferentes contextos.
Para Tardif (2000), o Estágio Supervisionado cumpre um importante
papel utilizando a teoria e prática conjuntamente. Adverte para que não
ocorra a dicotomia entre o conhecer e o fazer, de forma que não sejam
elaboradas “receitas” a serem aplicadas numa realidade concreta. Afirma,
ainda, que esse modelo dicotômico constitui-se como uma prática falida,
devido às constantes mudanças pelas quais passa a realidade. O autor
pontua que é necessário extinguir esse modelo de formação docente, pois em
quase nada contribui para a construção da identidade do professor, que
requer um trabalho de construção de saberes alicerçado sobre ações que
viabilizem mudanças no contexto real.
Sobre a importância de uma formação que alie teoria e prática, Lima
(2009) provoca sobre a necessidade da formação docente pautada nos
princípios da pedagogia dialética e nas posturas críticas e reflexivas, em que
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0500
“a teoria ilumina a prática e a prática ressignifica a teoria”. Enfatizando isto,
ela elabora uma metáfora sobre a formação de professores com uma árvore:
Ajuda-nos a compreensão do estágio/prática pedagógica a
metáfora da árvore, cujas raízes representam a fundamentação
teórica estudada, o tronco simboliza a pesquisa, os galhos e as
folhas são as atividades desenvolvidas e os frutos representam os
registros reflexivos realizados pelos estagiários (LIMA, 2009).
Assim, o estágio supervisionado, como componente integrador entre
teoria e prática, configura-se como espaço propício para a produção dos
diversos saberes necessários à profissão docente no mundo atual, onde os
sujeitos devem ser capazes de contextualizar, planejar e gerir a sua ação
pedagógica.
Além disso, o Estágio Supervisionado contribui para a formação da
identidade do estudante como educador. Isso é fundamental para um egresso
em Licenciatura, principalmente por se tratar de disciplinas no final do curso,
o Estágio estimula essa identidade dando maior confiança ao futuro
professor.
O Estágio em sua concepção mais ampla propõe-se a instrumentalizar
o estagiário para a reflexão sobre o seu fazer pedagógico mais abrangente e
a sua identidade profissional. Assim, estaremos conscientes de que o Estágio
é um campo de conhecimento, uma aproximação do estagiário com a
profissão docente e com os seus profissionais em seu local de trabalho, no
concreto das suas práticas (LIMA, 2009).
A atuação na escola também permite que o estudante conheça na
prática o potencial e limitação de metodologias e o funcionamento e dinâmica
da escola. É um momento que permite aos discentes a apropriação de
instrumentos teóricos e de metodologias para a atuação no ambiente escolar.
De posse do conhecimento específico o estágio traduz-se como o momento
do estudante tentar compreender o sistema de ensino, as políticas
educacionais, a escola e os sujeitos com os quais irá desenvolver/construir
processos de aprendizagem (KRUG, 2008).
A realização do Estágio Supervisionado em escolas públicas é
fundamental para que os estudantes conheçam a realidade educacional do
país. Atualmente, grande parte dos estudantes de universidades públicas
foram alunos de escolas particulares, o que na maioria dos casos, não
permite uma compreensão profunda de como é precarizada a educação
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pública no Brasil. A sensibilização para essa problemática e uma
compreensão teórica do como se consolidou essa precarização é
imprescindível para a formação de sujeitos que possam, a partir de sua
trajetória acadêmica, atuar como educadores que irão cumprir seu papel
transformador da sociedade.
Desenvolvimento do Estágio Supervisionado
Realizei meu estágio na Escola Estadual Effie Rolfs, localizada no
campus da UFV. A escola é referência municipal, reconhecida como uma das
melhores da cidade. Muito de sua referência é devido à sua localização, por
estar dentro do campus da universidade. A primeira impressão é a de que por
estar inserida no campus universitário é uma instituição de excelência, o que
é muito difundido na cidade. Percebi isso de forma mais clara quando
participei de uma reunião sobre a possibilidade do fechamento de uma Escola
Municipal em Viçosa. A Secretaria Municipal de Educação ameaçou fechar a
escola devido ao número reduzido de alunos. A reunião foi realizada com a
presença de vários pais, alunos, políticos e moradores da região. Um dos
pontos que me chamou a atenção foi o posicionamento dos pais reclamando
da estrutura e do ensino, e dizendo que como alternativa muitos deles
enviavam seus filhos para estudar na E. E. Effie Rolfs. E a principal
argumentação era a de que, na Effie Rolfs, por estar inserida na UFV, os
alunos teriam maior chance para ingressar na universidade.
A Escola Estadual Effie Rolfs, foi criada em 1965 para atender filhos
de funcionários da instituição federal e dar curso supletivo aos trabalhadores
da UFV que não tinham formação. É administrada pelo governo estadual e
atualmente recebe estudantes de vários bairros de Viçosa, especialmente dos
mais periféricos. (EM VIÇOSA..., 2010)
A escola conta com uma razoável estrutura, em comparação às
demais escolas de Viçosa. É bem conservada, com acabamentos e pinturas
recentes. Possui várias salas, um pátio coberto, uma área de lazer usada no
recreio, uma quadra poliesportiva, uma biblioteca e uma estrutura de
laboratório que hoje, infelizmente, está inutilizada.
A turma em que realizei o estágio era da 3ª série do Ensino Médio,
turno da noite. Os alunos apresentavam características bem diversas com
relação a mim. Alguns nem chegaram a me conhecer, outros ficavam
indiferentes no momento em que eu entrava e saía da sala. E, havia aqueles
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que escutavam tudo, com os olhos atentos, mas não falavam. Alguns eram
mais agitados, riam, brincavam, mas quando eram estimulados levavam a
coisa a sério. Outros copiavam tudo e não participavam muito, mas sempre
atentos com o que se passava na sala. E, por fim, havia aqueles
participativos,
que
faziam
questão
de
responder
todo
e
qualquer
questionamento direcionado à turma, bastante prestativos e muito receptivos.
Todos tinham faixa etária entre 17 a 19 anos. A maioria trabalhava
durante o dia e a frequência da turma não era muito boa; alguns sempre
faltavam às aulas. Alguns, nitidamente, não faziam a mínima questão de estar
ali, estavam por obrigação e pareciam não ver nenhum sentido nos conteúdos
trabalhados na escola.
A professora que me recebeu na escola foi muito atenciosa e teve
paciência e tranquilidade em nossa relação. Ela me recebeu muito bem no
estágio. É uma professora com vasta experiência educacional, possui um
cuidado muito especial com os alunos.
As primeiras aulas foram de ambientação. Este momento é
fundamental para conhecer o ‘chão que iremos pisar’; conhecer a forma de
trabalhar do professor e o comportamento da turma.
Em uma das aulas do período de ambientação tive a oportunidade de
aplicar uma prova. A experiência foi muito bacana. Os alunos não me
conheciam direito e ficavam sem saber se eu deixava colar ou era mais
rigoroso e punitivo. Eles apresentaram muitas dúvidas na prova, uma
dificuldade grande de interpretação. A professora passou inúmeros exercícios
e exemplos nas aulas anteriores, mas na prova cobrou situações diferentes
das que havia trabalhado e isto confundiu o entendimento de muitos alunos. A
compreensão que tive, é que quase nenhum havia se preparado para prova e
estudado o livro anteriormente, além disso, a maioria da turma apresentava
sinais claros de dificuldade de interpretação de texto.
O conteúdo que iria trabalhar na turma era uma parte final da matéria
de genética e iniciar o tópico de relação sociedade e natureza da ecologia. Na
primeira aula de genética, tentei elaborar uma metodologia que atendesse a
orientação da professora-regente e, ao mesmo tempo, pudesse envolver de
forma participativa os alunos na construção do conhecimento. Em minha
avaliação a aula cumpriu o objetivo e o mais interessante é que a professora
havia me indicado sobre um exercício que os alunos sempre apresentavam
dúvidas. Não deu outra, ao aplicá-lo, os estudantes ficaram muito confusos,
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0503
pois tratava-se de um exercício que abarcava todo o conteúdo. Consegui, de
maneira dinâmica e utilizando o quadro-negro, explicar o conteúdo e interagir
com toda a turma.
Na segunda aula iniciei o conteúdo sobre ecologia com o foco na
questão da água. Viçosa é um município que apresenta um problema
estrutural sério em relação ao abastecimento de água. Por este fato, a
professora me pediu para enfatizar essa temática nas aulas.
Fiz um grande esforço para estimular que os alunos participassem
demonstrando seus conhecimentos prévios sobre o tema. Questionei-os
sobre a localização dos mananciais de água da cidade e se já houveram
problemas com o abastecimento. Metade da turma levantou a mão afirmando
já ter ficado sem água em casa, um deles lembrou que isso já aconteceu até
na escola. Alguns discorriam mais sobre o assunto e apontavam os principais
problemas políticos da cidade que refletiam, também, no abastecimento de
água. Essa experiência lembrou-me um trecho do livro Pedagogia da
Autonomia de Paulo Freire, descrito a seguir.
Por que não aproveitar a experiência que têm os alunos de viver
em áreas da cidade descuidadas pelo poder público para discutir,
por exemplo, a poluição dos riachos e dos córregos e os baixos
níveis de bem-estar das populações, os lixões e os riscos que
oferecem à saúde das gentes? (FREIRE, 1996).
Como metodologia, utilizei um mapa da cidade e pedi para os alunos
irem à frente da sala, desenharem de onde vinham os córregos que
abasteciam o município e localizar as estações de tratamento de água da
prefeitura. Essa experiência foi muito enriquecedora, pois a maioria dos
alunos sequer sabem de onde vem a água que os abastece.
Nas outras aulas discutimos sobre os impactos ambientais de um
empreendimento que uma empresa mineradora pretende implantar em
Viçosa. A localização da obra é justamente nas regiões de cabeceiras das
nascentes do manancial que abastece a cidade. Foi importante a relação que
os alunos fizeram sobre o atual panorama de abastecimento hídrico da cidade
e como ele pode se agravar caso uma obra de grande porte, com altos
impactos ambientais, seja instalada na bacia responsável pelo abastecimento
da população. Além disso, realizamos um debate sobre os impactos sociais
dessa grande obra. O envolvimento dos alunos na discussão foi muito bom.
Muitos relataram ter parentes ou conhecidos que vão ter suas propriedades
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0504
atingidas pelo empreendimento e colocaram como essas pessoas estão
sendo prejudicadas pela mineradora.
A discussão sobre os impactos ambientais no abastecimento de água
da cidade rendeu uma boa discussão e os alunos extrapolaram o debate para
um entendimento amplo sobre o modelo de desenvolvimento vigente no país.
Ao final da última aula, propuseram uma série de ações para tentar reverter a
situação. Como propostas, colocaram a necessidade de maior divulgação
para população sobre a questão da água na cidade, uma reunião com o
prefeito e um protesto pelas águas de Viçosa.
A contextualização de conteúdos curriculares com o meio sociocultural
dos alunos é um método que facilita o entendimento da turma e contribui para
a formação de sujeitos críticos e ativos. Talvez, se tivesse trabalhado o
conteúdo com uma abordagem tecnicista, somente transferido o tema sem
estimular um aprendizado baseado no contexto dos alunos, não teria
conseguido incitar a reflexão e estimular a tomada de iniciativas. Para Freire
(1996) a construção do conhecimento contextualizado com a realidade dos
educando contribui com a formação de sujeitos críticos capazes de
reconhecer o papel transformador do ser humano na história.
Por que não discutir com os alunos a realidade concreta a que se
deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina, (…) porque
não estabelecer uma necessária “intimidade” entre os saberes
curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que
eles têm como indivíduos? Por que não discutir as implicações
políticas e ideológicas de um tal descaso dos dominantes pelas
áreas pobres da cidade? A ética da classe embutida neste
descaso? Porque, dirá um educador reacionariamente pragmático,
a escola não tem nada que ver com isso. A escola não é partido.
Ela tem que ensinar os conteúdos, transferi-los aos alunos.
Aprendidos, estes operam por si mesmo (FREIRE, 1996).
Algumas Reflexões sobre o Estágio
Apesar de ter tido uma excelente experiência no estágio, ter
estabelecido ótimas relações com a professora e com os alunos, um fato me
deixou muito angustiado e revoltado.
Foi sobre a condição do trabalho docente dos professores da rede
estadual de Minas Gerais. Foi um fato que apareceu em toda a trajetória do
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estágio. Principalmente, porque realizamos o estágio em um período único na
história do país, quando milhões de brasileiros aproveitaram o momento
político da Copa das Confederações para tomarem as ruas exigindo a
garantia e expansão de seus direitos. Com os professores não foi diferente.
O Sind-UTE, Sindicato Único dos Servidores da Educação de Minas
Gerais, realizou nos meses de junho e julho intensas mobilizações no Estado,
reivindicando uma série de direitos como o pagamento do piso salarial
profissional nacional em que o Estado de Minas se nega a cumprir.
Tive a oportunidade de conviver, além da professora que me orientou,
com outros professores também. Meus horários de aulas aconteciam antes
ou depois do recreio, o que possibilitou que minha permanência na escola
sempre passasse um tempo aguardando na sala dos professores. E o
sentimento era unânime entre todos os profissionais, o de angústia, frustração
e indignação.
Percebi que os professores mais velhos eram os mais irritados e
desgastados com a situação. Apesar de um sentimento de revolta muito
grande, percebia também uma sensação de impotência e pessimismo pela
luta sindical. Em inúmeros momentos, os professores se queixavam sobre os
programas do governo, sobre salário e assédio da Superintendência Regional
e, ao mesmo tempo, não achavam que a luta sindical iria dar resultados,
apesar de, apoiar seguramente as decisões do sindicato.
Já dos professores mais novos, percebi uma acomodação com a
situação. Pelo menos com os professores que convivi durante o estágio,
todos apresentavam um pessimismo muito grande e total desesperança com
a possibilidade de conquistas.
Senti também um envolvimento pequeno dos professores nas lutas
que ocorreram nos meses de junho e julho. Considero que falta uma
mobilização, um empoderamento maior dos professores em suscitar a
vontade de lutar pelos seus direitos. Avalio que a fraca participação dos
professores se deu pela derrota que a categoria sofreu em 2011, em que
ficaram mais de 100 dias de greve e obtiveram retrocessos em suas pautas.
Na pauta do Sind-UTE deste ano estão listados inúmeros pontos,
desde infraestrutura para as escolas, autonomia dos docentes, pagamento do
piso salarial nacional e reestruturação da carreira docente. A seguir, a Figura
1 apresenta o cartaz utilizado pelo sindicato neste ano.
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Figura 1: Cartaz utilizado nas mobilizações pelo sindicato dos
professores
Considerações Finais
O Estágio Supervisionado possibilita um dos momentos mais ricos na
formação de professores. Realizado de forma integrada com a teoria e
prática, o Estágio cria condições que estimula o licenciando a construir uma
base teórica na prática. Mais do que isso, favorece a reflexão e a avaliação
constantes das ações, possibilitando uma formação estimuladora, que
incentiva a busca por melhores metodologias e relações com os alunos.
Considero que tive uma excelente experiência no Estágio, pude
amadurecer de forma significativa os desafios e a responsabilidade do que é
ser professor.
Ainda assim, considero preocupante a insatisfação dos profissionais
com a condição de trabalho oferecida à categoria, ao desleixo que é colocada
a educação pública e o avanço acelerado da privatização da educação.
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Também me deixa insatisfeito a pouca participação estudantil,
principalmente dos licenciandos, no entendimento e fortalecimento da luta dos
professores e pela educação pública.
Referências Bibliográficas
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fevereiro de 2002 - Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para formação de
professores da Educação Básica em nível superior, curso de licenciatura de
graduação plena. Brasília, 2002. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rcp01_02.pdf>. Acesso em: 20 jun.
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EM VIÇOSA, escolas vizinhas têm realidades distantes. Último Segundo,
São Paulo, 23 jul. 2010. Disponível em:
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/ em-vicosa-escolas-vizinhas-temrealidades-distantes/n1237725037653.html. Acesso em: 14 jun. 2013.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática
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significado e importância sob a ótica dos acadêmicos do curso de licenciatura.
In: SIMPÓSIO NACIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA, 27., 2008, Pelotas.
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LIMA, M. S. L. O estágio nos cursos de licenciatura e a metáfora da árvore.
Pesquiseduca, Santos, v. 1, n. 1, p. 45-48, jan.-jun. 2009.
OLIVEIRA, E.S.G.; CUNHA, V.L. O estágio Supervisionado na formação
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PRÓ REITORIA DE ENSINO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA.
Normatização do estágio supervisionado dos cursos de licenciatura da
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0508
Universidade Federal de Viçosa. Ato n. 007, de 22 de fevereiro de 2013.
Anexo do ato 07/2013/PRE.
SCHÖN, D. A. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o
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Artmed, 2000.
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universitários. Revista Brasileira de Educação. Jan/Fev/Mar/Abr, n. 13,
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA. Plano Político Pedagógico do
Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas. Viçosa, MG, 2010. 11 p.
12
0509
Download

II Congresso Nacional de Formação de Professores XII Congresso