SIMULAÇÃO E ANÁLISE DE INVESTIMENTO DA ADIÇÃO DE UMA REGENERAÇÃO A ALTA PRESSÃO EM UM CICLO DE COGERAÇÃO A VAPOR UTILIZANDO A PLATAFORMA THERMOFLEX Roberto Rudge de Oliveira Fonseca Projeto de Graduação apresentado ao Curso de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Engenheiro. Orientador: Prof. Manuel Carvalho Cruz, Ph. D. Ernani de UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO Departamento de Engenharia Mecânica DEM/POLI/UFRJ SIMULAÇÃO E ANÁLISE DE INVESTIMENTO DA ADIÇÃO DE UMA REGENERAÇÃO A ALTA PRESSÃO EM UM CICLO DE COGERAÇÃO A VAPOR UTILIZANDO A PLATAFORMA THERMOFLEX Roberto Rudge de Oliveira Fonseca PROJETO FINAL SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ENGENHEIRO MECÂNICO. Aprovado por: ________________________________________________ Prof. Manuel Ernani de Carvalho Cruz, Ph. D. ________________________________________________ Prof. Albino José Kalab Leiroz, Ph. D. ________________________________________________ Prof. Fabio Luiz Zamberlam, D. Sc. RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL AGOSTO DE 2015 Fonseca, Roberto Rudge de Oliveira. Simulação e Análise de Investimento da Adição de uma Regeneração a Alta pressão em um Ciclo de Cogeração a Vapor Utilizando a Plataforma Thermoflex / Roberto Rudge de Oliveira Fonseca – Rio de Janeiro: UFRJ / Escola Politécnica, 2015. V, 51 p.: 29,7 cm Orientador: Prof. Manuel Ernani de Carvalho Cruz, Ph.D. Projeto de Graduação – UFRJ / Escola Politécnica / Curso de Engenharia Mecânica, 2015. Referências Bibliográficas: p.31-32 1. Cogeração. 2. Regeneração. 3. Biomassa. 4. Thermoflex. 5. Investimento. I. Cruz, Manuel Ernani de Carvalho et al. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola Politécnica, Curso de Engenharia Mecânica. III. Simulação e Análise de Investimento da Adição de uma Regeneração a Alta Pressão em um Ciclo de Cogeração a Vapor Utilizando a Plataforma Thermoflex. i Agradecimentos Gostaria de agradecer à minha família, por todo apoio e suporte durante essa fase tão importante em minha vida, por respeitarem e apoiarem minhas escolhas em todos os momentos. Aos amigos que conheci na universidade, que tornaram todas as horas de estudo mais tranquilas e divertidas. Aos meus professores, em especial ao meu orientador Manuel, pelo conhecimento fundamental fornecido durante o curso. À LEME Engenharia, em especial ao Antônio Deo, pelo grande aprendizado durante o período de estágio e ajuda na elaboração da planta presente nessa monografia. ii Resumo do Projeto de Graduação apresentado à Escola Politécnica/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção de grau de Engenheiro Mecânico. Simulação e Análise de Investimento da Adição de uma Regeneração a Alta Pressão em um Ciclo de Cogeração a Vapor Utilizando a Plataforma Thermoflex Roberto Rudge de Oliveira Fonseca Agosto/2015 Orientador: Manuel Ernani de Carvalho Cruz, Ph. D Curso: Engenharia Mecânica Atualmente, a falta de chuvas no território brasileiro causa grande crise energética em virtude de nossa matriz elétrica ser predominantemente hídrica. Uma forma de diversificar nossa matriz sem recorrer a combustíveis fósseis é utilizar biomassa, abundante em nosso país devido à grande produção agrícola, como combustível em plantas termelétricas. Neste trabalho, foi utilizada a plataforma Thermoflex aliada à ferramenta PEACE para simular os diferentes regimes de operação de uma planta termelétrica de cogeração que provê vapor para processamento de cana de açúcar e tomate em diferentes períodos de safra. Foram também estudados os impactos termodinâmicos e análise de investimento da adição de uma regeneração a alta pressão no ciclo de vapor. Palavras-chave: Cogeração, Regeneração, Biomassa, Thermoflex, Investimento. iii Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Mechanical Engineer Simulation and Investment Analysis of the Addition of a High Pressure Regeneration in a Cogeneration Steam Cycle Using the Thermoflex Platform Roberto Rudge de Oliveira Fonseca Agosto/2015 Advisor: Manuel Ernani de Carvalho Cruz, Ph. D Course: Mechanical Engineering Currently, the lack of rain in the Brazilian territory is causing a great energetic crisis because our electric matrix is predominantly hydric. One way of diversifying our matrix without appealing to fossil fuel is to utilize biomass as fuel for thermoelectric plants. Biomass is abundant in our country due to the large agricultural production. In this work, the Thermoflex platform was used together with the PEACE tool to simulate different operation settings of a thermoelectric plant with cogeneration providing steam for sugar cane and tomato processing at different crop periods. The thermodynamic impacts and investment analysis of the addition of a high pressure regeneration in the steam cycle were also studied. Keywords: Cogeneration, Regeneration, Biomass, Thermoflex, Investment. iv Índice Capítulo I – Introdução.................................................................................................. 1 Capítulo II – Motivação e Objetivo ................................................................................ 5 Capítulo III – Biomassa e Cogeração............................................................................ 7 Capítulo IV – Eficiência Termodinâmica...................................................................... 10 Capítulo V – Plataforma Thermoflex ........................................................................... 12 Capítulo VI – A Planta................................................................................................. 15 Capítulo VII - Modelagem ........................................................................................... 19 Capítulo VIII – Resultados .......................................................................................... 23 Capítulo IX – Conclusões ........................................................................................... 30 Referências Bibliográficas .......................................................................................... 31 Apêndice A ................................................................................................................. 33 Apêndice B ................................................................................................................. 50 v Capítulo I – Introdução A energia é uma grandeza física que tradicionalmente se define como a capacidade de corpos e sistemas de realizar trabalho. A energia pode adotar diversas formas, podendo transformar-se de uma forma para outra (conversão de energia), embora não se crie nem se destrua (princípio da conservação da energia)[1]. A energia é também um ingrediente essencial para o desenvolvimento, uma das aspirações fundamentais da população dos países da América Latina, Ásia e África. O consumo de energia per capita pode ser usado como um indicador da importância dos problemas que afetam estes países, onde se encontram 70% da população mundial. Na maioria dos países nos quais o consumo de energia comercial per capita está abaixo de uma tonelada equivalente de petróleo (TEP) por ano, as taxas de analfabetismo, mortalidade infantil e fertilidade total são altas, enquanto a expectativa de vida é baixa [2]. O Brasil atualmente tem um consumo de 1,36TEP/hab., consideravelmente abaixo da média mundial de 1,81 TEP/hab[3]. Constatamos assim que a energia é imprescindível para a vida, não apenas garantindo a sobrevivência, mas estando diretamente ligada à qualidade dela. 1 Figura 1 – Consumo de Energia per Capita em quilogramas de petróleo equivalente, adaptado de [4]. No século XVIII, o Homem descobriu técnicas de como melhor converter e utilizar energia através das máquinas a vapor alimentadas por carvão mineral. Essas máquinas passaram a substituir a predominante força animal e até hoje equipamentos nos remetem a esses tempos através de unidades como o cavalo-vapor (referente à capacidade de um cavalo de levantar 33.000 libras de água a uma altura de um pé em um minuto). A partir de meados do século XIX, o mundo viu nascer uma nova fonte de energia, de fácil extração, o petróleo. Até hoje, o petróleo representa a maior parte da matriz energética mundial, mas desde as crises do petróleo ocorridas na década de 70, sua participação vem diminuindo enquanto novos combustíveis alternativos se tornam viáveis. 2 Figura 2 – Matriz Energética Mundial, adaptado de [5]. O petróleo, por ser um combustível fóssil, traz consigo muitos problemas ambientais como o aumento do efeito estufa e o aquecimento global. Quando queimamos petróleo e seus derivados, estamos efetivamente lançando no ambiente, componentes químicos que não faziam parte do sistema previamente, estavam aprisionados no solo. Esses novos componentes, principalmente compostos de carbono como o dióxido de carbono, ampliam a camada de gases do efeito estufa dificultando a saída de radiação infravermelha da atmosfera. Os derivados de petróleo ainda são muito importantes na matriz energética, sobretudo no transporte, em virtude de seu grande poder calorífico e fácil armazenamento. Com o preço significativo dos combustíveis fósseis, novas alternativas estão sendo desenvolvidas principalmente na produção de energia elétrica, de forma a reduzir nossa dependência desses componentes que estão se esgotando. Aliado à preocupação com o esgotamento dos recursos não-renováveis, está a questão 3 ambiental e, por isso, novas fontes são predominantemente renováveis e com baixo impacto ambiental. Em 2012, 78% da energia elétrica mundial era produzida através de combustíveis não renováveis (predominantemente o carvão) consumidos em termelétricas, ou seja, muito distante do ideal proposto nas recentes conferências internacionais sobre desenvolvimento e meio ambiente. Figura 3 – Geração de Energia Elétrica por fonte de energia, adaptado de [6]. 4 Capítulo II – Motivação e Objetivo O cenário de demanda energética nacional é de constante crescimento em virtude do crescimento demográfico e da expansão do parque industrial brasileiro. Aliado ao crescimento da demanda, estamos passando por uma grande crise hídrica a qual afeta diretamente a capacidade produtiva das hidrelétricas, que correspondem a 62% da nossa matriz energética segundo a ANEEL [7]. A fim de atender a essa demanda sem comprometer a qualidade de vida dos brasileiros e o desenvolvimento nacional, o país está incentivando uma maior diversificação de nossa matriz sem abrir mão das energias renováveis que são importantes para um crescimento sustentável. Termelétricas tem sido grande foco dessa expansão (subindo de 14% da matriz energética nacional em 2000 para 27% em 2013) [8] por não dependerem de fatores externos para produzir. Podem, inclusive, operar com combustíveis renováveis que são menos agressivos ao meio ambiente. Outra grande preocupação mundial está em aumentar a eficiência dos ciclos, ou seja, conseguir extrair mais energia útil de uma mesma quantidade de energia entrando no sistema. No caso das termelétricas, o aumento de eficiência permite uma produção maior consumindo a mesma quantidade de combustível que um ciclo menos eficiente termodinamicamente. Uma opção que aumenta consideravelmente a extração de energia útil é a utilização do conceito de cogeração, ou seja, produzir mais de uma forma de energia, geralmente elétrica e térmica, para aquecimento ou para vapor de processo utilizado em operações industriais. Nesse contexto de ciclos de alta eficiência e alto investimento, é de suma importância uma análise detalhada do empreendimento, muitas vezes feita com a ajuda de softwares de simulação. O simulador produz cálculos preliminares que ajudam a antever a produção e alterar parâmetros de forma que o objetivo seja alcançado. 5 Esse projeto tem como objetivo colocar em prática os conhecimentos adquiridos no curso de graduação em engenharia mecânica, principalmente aqueles da área de termodinâmica, através da comparação de dois modelos de plantas de cogeração a vapor operando com biomassa visando aumentar a eficiência do ciclo. A comparação se dará em função da adição de uma extração a alta pressão e temperatura na turbina para regeneração, que permitirá aquecer uma maior quantidade de vapor queimando a mesma quantidade de combustível. Também existirá uma análise dos investimentos necessários e diferença de receita entre os empreendimentos. O novo ciclo, com a adição da regeneração a alta pressão, terá equipamentos maiores por deslocar uma maior quantidade de vapor. O programa Thermoflex foi escolhido para simular o ciclo por ser o software utilizado ao longo dos meses de estágio na Leme Engenharia, além de ser amplamente utilizado no mercado mundial. 6 Capítulo III – Biomassa e Cogeração O Ministério do Meio Ambiente define Biomassa como todo recurso renovável que provêm de matéria orgânica, vegetal ou animal, tendo por objetivo principal a produção de energia [9]. O Brasil, com sua vasta produção agropecuária (principalmente de cana de açúcar), é um dos pioneiros nesse tipo de combustível incentivando o consumo de álcool através do Proálcool e outros programas governamentais desde os choques do petróleo nos anos 70. De acordo com o FAOSTAT (Food and Agriculture Organization of the United States), nosso país é líder mundial em produção de cana de açúcar, tendo produzido 720 milhões de toneladas em 2012, o dobro da Índia que ocupa a segunda posição do ranking [10], porém não aproveitamos todo o potencial de nossa produção. Grande parte da energia da cana de açúcar não é aproveitada na extração do açúcar e álcool, essa energia está localizada no material fibroso que constitui o bagaço da cana e na palha (folhas e pontas) das árvores. Uma tonelada de cana de açúcar rende aproximadamente 153 kg de açúcar, 276 kg de bagaço e 165 kg de palha [11]. Nas usinas sucroalcooleiras mais antigas, apenas a energia relativa ao açúcar é aproveitada, tanto o bagaço quanto a palha são descartados. A palha, inclusive, é queimada no campo piorando a qualidade do ar da região acarretando em problemas de saúde para a população próxima [12]. Essas usinas também são ligadas à rede elétrica e consomem energia para a operação de bombas, moendas e outros equipamentos necessários para a produção do açúcar. Uma alternativa que se tornou viável recentemente, em razão dos altos preços da energia elétrica (o preço médio final do leilão para as térmicas foi de R$ 278,46 por MWh no 21º leilão de energia nova realizado pela CCEE no dia 30/04/2015), foi a de acoplar às usinas sucroalcooleiras, turbinas a vapor alimentadas por uma caldeira consumindo os rejeitos do processo na forma de bagaço e palha. Essa nova 7 configuração, por mais que necessite de um investimento maior na construção da planta, consegue prover o vapor necessário para os processos industriais (através da cogeração) e energia elétrica para consumo interno da planta, além de um excedente para exportação. Além de produzir energia elétrica para operação das máquinas internas como moendas e bombas, a usina pode utilizar extrações de vapor da turbina ou caldeira e direcioná-lo aos processos. A usina passaria a prover tanto trabalho para o gerador quanto calor na forma de vapor para os processos e, portanto, estaria operando em um ciclo de cogeração. A operação desse novo ciclo traz algumas importantes vantagens. • Complementação da Matriz Energética: As termelétricas são uma boa opção para complementar a matriz nacional já que a época da safra (quando a térmica está operando) é exatamente a época de secas, além de serem facilmente postas em operação se necessário consumindo combustível alternativo. A utilização da energia elétrica das térmicas diminuiria a necessidade de produção das hidrelétricas abaixando menos o nível dos reservatórios. • Aproveitamento da palha e bagaço: Os resíduos da produção eram previamente descartados, muitas vezes queimados sem aproveitamento algum de seu potencial energético e controle de emissões. Dessa forma, fica reduzida a quantidade de resíduos e as emissões passam a ser controladas na chaminé da planta. • Aproveitamento das Cinzas: As cinzas coletadas na exaustão da caldeira são utilizadas como adubo para as próximas safras do empreendimento. 8 • Produção de energia: Ciclos novos e projetados para esse fim conseguem não mais consumir energia do sistema, mas produzir mais que sua própria demanda por eletricidade podendo vender o excedente. 9 Capítulo IV – Eficiência Termodinâmica A eficiência termodinâmica de um ciclo Rankine é definida como sendo a razão entre o trabalho realizado e o calor fornecido, ou seja, quanto maior a eficiência, mais energia elétrica será produzida com uma mesma quantidade de combustível. É interessante para as usinas termelétricas aumentar suas eficiências já que os maiores custos envolvidos nesses empreendimentos são os custos de operação por necessitarem de combustível para operar, diferentemente de usinas hidrelétricas e eólicas. Além da diminuição de custos, o impacto ambiental também é menor pelo fato de se aumentar a produção de energia elétrica mantendo constantes as emissões de poluentes uma vez que a quantidade de matéria queimada não é alterada. Atualmente faz-se uso de duas técnicas que ajudam a elevar a eficiência dos ciclos, o reaquecimento e a regeneração. Reaquecimento é o nome que se dá à técnica do reaproveitamento do calor da caldeira e é feito através do particionamento da produção de energia elétrica na turbina em estágios. Após o vapor atravessar o primeiro estágio, e consequentemente perder temperatura e pressão, ele é redirecionado para a caldeira e reaquecido antes de entrar no segundo estágio, com pressão menor porém temperatura próxima à do primeiro estágio. Regeneração é a técnica em que parte do vapor é extraído antes de atravessar todos os estágios da turbina e é utilizado para aquecer a água de alimentação da caldeira e, assim, aumentar a temperatura média do ciclo aumentando seu rendimento. 10 Figura 4 – Pré-aquecedor de água, adaptado de [13] O pré-aquecedor de água é o equipamento utilizado para realizar a regeneração. Vapor superaquecido entra na região do casco enquanto a água de alimentação percorre os tubos internos viabilizando a troca entre fluidos de pressões diferentes. Parâmetros importantes a serem considerados são a diferença de temperatura terminal, definida pela diferença entre a temperatura de saturação do vapor entrando no casco (Ve) e a temperatura de saída da água de alimentação (Aas) e o “approach” no dreno, definido pela diferença de temperatura entre a água sendo drenada (Ds) do casco e água de alimentação entrando no tubo (Aae). Essas técnicas tornam o ciclo mais complexo, com maiores equipamentos e mais parâmetros a serem controlados, aumentando o investimento inicial necessário. 11 Capítulo V – Plataforma Thermoflex O Thermoflex é um programa modular que conta com uma interface gráfica que permite a montagem de modelos a partir de ícones que representam mais de 150 componentes. É completamente flexível com grande foco em ciclos convencionais a vapor e combinados. Sua vasta biblioteca de componentes permite tanto o desenho de plantas típicas dos dias de hoje quanto a analise de desenhos conceituais que podem se tornar práticos no futuro. A plataforma trabalha com outra ferramenta chamada PEACE (Plant Engineering and Construction Estimator) que conta com alguns parâmetros que permitem estimar dimensões e custos de grande parte dos equipamentos [14].O programa contém dois grandes módulos, o primeiro chamado de “Edit Drawing Mode” e o segundo de “Edit Inputs Mode”. No modo de edição de desenho, o programa permite alocar equipamentos e conectá-los com linhas de fluxo mássico, sejam elas de vapor, condensado, gases, ar ou combustível. Ainda na edição do desenho, escolhemos parâmetros da apresentação do ciclo como tamanho dos equipamentos na folha e número de folhas que serão usadas, além do posicionamento de cada equipamento e linha de fluxo. Ao término dos desenhos, para ser permitido o avanço para o modo de edição de input, o programa checa o desenho garantindo que todos os equipamentos estejam ligados de maneira correta, ou seja, com os tipos de fluidos corretos em suas entradas e saídas. Ao ingressar no modo de edição de inputs, o desenho é congelado, e apenas é permitido alterar configurações dos equipamentos já instalados no modelo. Esse modo é a grande força do Thermoflex, pois permite que o engenheiro escolha dentre várias formas para projetar cada equipamento. Um exemplo dessas formas está presente no projeto do pré-aquecedor de água, parte fundamental desse projeto. É permitido projetar esse equipamento de acordo com a diferença de temperatura terminal, a temperatura desejada de saída da água de alimentação ou ainda assumir uma perda 12 de carga máxima dentro do equipamento, sempre considerando as condições do vapor que cederá calor Ainda nesse módulo, existem três diferentes etapas no dimensionamento dos componentes, Thermodynamic Design (Projeto Termodinamico), Engineering Design (Projeto de Engenharia) e Off-Design (Fora do ponto de Projeto). No Projeto Termodinamico é permitido escolher como o equipamento será projetado e definir parâmetros gerais como exemplificado acima. Os equipamentos são modelados de acordo com eficiências pré-determinadas para cada tipo de operação termodinâmica como bombeamento, troca térmica, expansão, etc.. Ao mudar o estado de algum componente para Projeto de Engenharia (o programa apenas permite fazê-lo após ter sido projetado termodinamicamente), são abertas novas escolhas ligadas ao dimensionamento como, novamente usando o préaquecedor como exemplo, velocidade do fluido, material, diâmetro e espessura dos tubos entre outros. Nesse momento o programa dimensiona fisicamente o equipamento, determinando comprimento, largura, altura, peso, quantidade de tubos entre outros, além de desenhar as vistas frontal e superior. Após a modelagem no projeto de engenharia o equipamento não mais utiliza eficiências padrões, mas calcula especificamente perdas de carga e eficiências na troca de calor para o equipamento desenhado. A etapa “Off-design” congela o componente, permitindo que seja avaliada a performance com variações no ciclo como variações na vazão de fluido ou na temperatura ambiente. Essa ferramenta se mostrou muito importante para o modelo em questão por permitir a operação da mesma planta dentro dos diferentes períodos da safra, nos quais as vazões de vapor mudam dentro do ciclo. Dentro das 3 etapas, existe o comando “Control Loop” que permite escolher um ponto alvo para um parâmetro e variar outro até que o primeiro seja alcançado. Nesse 13 projeto o comando foi utilizado para alcançar a temperatura de 150 ºC na saída da chaminé variando a quantidade de calor trocada no pré-aquecedor de ar. Dessa maneira foi otimizada a recuperação de calor dos gases de combustão sem comprometer a temperatura considerada segura para exauri-los. Ao final de cada computação, o programa retorna uma caixa com eventuais erros que possam ter ocorrido. Os erros reportados variam desde uma temperatura pré-determinada não sendo alcançada ou a parede de algum equipamento não resistindo sua pressão interna até erros de balanço de massa e energia. 14 Capítulo VI – A Planta O caso do presente estudo é o projeto de um empreendimento agroindustrial no nordeste brasileiro que plantará cana-de-açúcar e tomate para a produção de álcool, açúcar e extrato de tomate. Também irá queimar os resíduos da cana em uma caldeira alimentando de vapor os processos de produção e uma turbina a vapor que produzirá energia elétrica. O empreendimento foi idealizado para suprir as demandas de vapor dos processos de produção de álcool, açúcar e extrato de tomate, além de produzir energia elétrica para exportação. A ideia foi dimensionar a planta para consumir todo o bagaço de cana produzido, junto com as pontas e palhas, durante o ano, e queimar cavaco de eucalipto caso a safra de cana seja menor que a esperada. Foi estimada uma produção de 1.225.300 toneladas por ano da mistura de bagaço e palha de canade-açúcar com um poder calorífico inferior de 8142 kJ/kg. Já o cavaco de eucalipto tem um PCI de 10470 kJ/kg. Os processos necessitam das seguintes condições: • Produção de álcool e açúcar: 138,3 toneladas por hora de vapor a 137 ºC e 2,5 bar retornando a 100 ºC e 1,5 bar. • Produção de extrato de tomate: 38,6 toneladas por hora de vapor a 323 ºC e 18 bar retornando a 100 ºC e 6,0 bar. Esses processos não operam durante todo o ano devido à sazonalidade da produção agrícola. São projetados 138 dias direcionando vapor apenas para o processo da cana (SC), 20 dias direcionando ao tomate (ST) e 86 dias com a planta operando os dois processos simultaneamente (SC+ST). Os outros 121 dias são considerados período de entressafra (ES), época em que ocorrerão manutenções (aproximadamente 30 dias) e produção puramente de energia elétrica. 15 O ciclo originalmente proposto conta com uma turbina a vapor de sete estágios para a produção de energia elétrica com uma extração controlada de vapor no estágio intermediário para alimentar o processo de extrato de tomate e outra no estágio de baixa pressão alimentando o processo de produção de açúcar e álcool. As condições das extrações foram selecionadas de forma a garantir a pressão necessária no vapor. Anteriormente ao vapor ser direcionado ao processo, atravessa trocadores de calor do tipo casco e tubo a fim de baixar sua temperatura até a condição requisitada, aumentando a temperatura da água de alimentação que sai do condensador e desaerador (quando os processos estão inativos esses trocadores são contornados). Nas mesmas condições da extração a baixa pressão, existe também uma sangria direcionando vapor ao desaerador. A rejeição de calor é feita por um condensador abastecido por uma torre de resfriamento a água com ventiladores de tiragem induzida e fluxo de contracorrente. Combustível é queimado em uma caldeira de leito fluidizado borbulhante onde é feito o reaquecimento do vapor saindo do estágio de alta pressão na região radiativa. Os gases de combustão, que estão a alta temperatura, atravessam o conjunto de equipamentos denominados superaquecedor, tubulão e economizador, na região convectiva, trocando calor com o fluido. Entrando no economizador está fluido condensado do desaerador após ser bombeado para a alta pressão requerida na caldeira . A salinidade da água no ciclo é controlada através de uma purga no tubulão e medida através de sua condutividade, ao atingir um patamar pré-estabelecido, uma válvula se abre levando uma parcela da água para um tanque de flash operando na mesma pressão do desaerador. A queda de pressão faz parte da água evaporar e é direcionada ao desaerador. A água restante atravessa um trocador de calor do tipo casco e tubo afim de recuperar uma parcela do calor antes de ser rejeitada. 16 A temperatura mínima dos gases na saída da chaminé foi estipulada em 150 ºC a fim de evitar condensação de alguns componentes químicos corrosivos, que podem danificar a estrutura dos equipamentos. O controle é feito através de um préaquecedor de ar rotativo aumentando a temperatura dos ares primário e secundário entrando na caldeira. O controle de poluentes é realizado com um precipitador eletrostático antes de o ar ser exaurido na chaminé. Será estudada uma alteração no ciclo visando aumentar sua eficiência, e produzir mais energia elétrica, através da adição de regeneração por sangria no estágio de alta pressão. O vapor sangrado aquecerá a água entre o desaerador e o economizador. Aumentando a temperatura na entrada do economizador, aumenta-se também a temperatura na entrada da caldeira e, com um menor gradiente de temperatura necessário na caldeira, a mesma quantidade de combustível consegue aquecer uma maior quantidade de vapor. O pré-aquecedor foi idealizado mantendo sua diferença de temperatura final, ou seja, a diferença entre a temperatura de saída da água de alimentação e a temperatura de saturação do vapor, em 3 ºC. O “approach” no dreno, ou seja, diferença de temperatura entre a água de alimentação entrando no pré-aquecedor e a temperatura da água drenada é de 5 ºC. A análise de custo de investimento terá como referência o investimento declarado para uma planta de porte semelhante utilizando bagaço de cana como combustível no 20º leilão A-5 organizado pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética). A Centro Norte Energia Sociedade Anônima declarou investimento de R$ 231.600.100,00 para uma potência instalada de 105 MW [15]. Por serem plantas semelhantes podemos presumir um custo de instalação igual por MW instalado. Dessa forma, R$ 2.205,72 para cada kW de potência nominal será o valor utilizado nesse texto a fim de estimativa. 17 Para o estudo da viabilidade da adição da regeneração, utilizarei o conceito de Valor Presente Líquido (VPL), pois o dinheiro desvaloriza ao longo do tempo. A fórmula de VPL utilizada foi: ܸܲ = ܮ ௧ୀଵ ܥܨ (1 + ݅)௧ Em que n é o número de anos, FC é o fluxo de caixa naquele ano e i é a taxa de juros ao ano. 18 Capítulo VII - Modelagem As plantas foram modeladas no programa THERMOFLEX 25.0 e otimizadas para a condição de operação mais crítica, no caso, o período de entressafra, o que significa que durante os períodos de safra, a turbina estará operando abaixo de sua carga máxima já que o processo estará consumindo parte do vapor. A criação de um modelo na plataforma THERMOFLEX segue uma ordem de eventos. Primeiramente, na edição do desenho, devem-se alocar os equipamentos que serão utilizados e interligá-los definindo os fluxos de fluidos. Podemos concluir essa etapa pedindo que o programa verifique se todos os equipamentos estão com o seu mínimo de conexões completas e, se tudo estiver correto, avançamos para a fase de manipulação de entradas. A fase de manipulação de entradas é iterativa, a cada vez que rodamos o programa podemos voltar a essa fase permitindo que variemos parâmetros que estejam em desacordo ou errados. Esse é o momento mais importante da modelagem, onde são definidos os fluxos prioritários, quantidade de combustível, condições do ambiente assim como especificações dos equipamentos como pressão de entrada da turbina, temperatura de superaquecimento do vapor entre outros. Abaixo estão os desenhos dos modelos do ciclo original e do ciclo com adição da regeneração a alta pressão, respectivamente. 19 Figura 5 – Modelo do ciclo originalmente proposto. 20 Tubulão [02]; Turbina [21, 22, 23]; Válvula de Controle [18, 24, 26]; Vapor para Processo [37, 42]; Ventilador [08, 11, 14]. Switch [36, 45]; Superaquecedor [03]; Tanque Flash [16]; Tubulação [25, 27,29, 40]; Torre de Resfriamento [30]; Trocador de Calor [17, 39,41]; Fonte de Combustível [20]; Fonte de Vapor [33]; Fornalha [01]; Pré-aquecedor de Água [34]; Pré-aquecedor de Ar [05]; Precipitador Eletrostático [06]; Bombas [31, 32, 38, 44]; Chaminé [9]; Condensador [28]; Desaerador [43]; Dutos [07, 10, 13]; Economizador [04]; Fonte de Água [35]; Fonte de Ar [12, 15]; Figura 6 – Modelo do Ciclo com Regeneração adicional. 21 Ventilador [08, 11, 14]. Trocador de Calor [17, 39,41, 48]; Tubulão [02]; Turbina [21, 22, 23]; Válvula de Controle [18, 24, 26]; Vapor para Processo [37, 42]; Precipitador Eletrostático [06]; Switch [36, 45]; Superaquecedor [03]; Tanque Flash [16]; Tubulação [25, 27,29, 40, 46]; Torre de Resfriamento [30]; Fonte de Ar [12, 15]; Fonte de Combustível [20]; Fonte de Vapor [33]; Fornalha [01]; Pré-aquecedor de Água [34, 47]; Pré-aquecedor de Ar [05]; Bombas [31, 32, 38, 44]; Chaminé [9]; Condensador [28]; Desaerador [43]; Dutos [07, 10, 13]; Economizador [04]; Fonte de Água [35]; Nos modelos, foram dimensionados tubos e dutos apenas em trechos de linha considerados relevantes para a perda de carga, sendo assim, equipamentos próximos uns dos outros tiveram sua perda de carga no transporte ignorada. Por ser um estudo comparativo, essas aproximações são bastante razoáveis já que terão uma variação muito pequena entre os dois casos. Praticamente todos os equipamentos e funcionalidades da planta estavam presentes na biblioteca do programa, apenas a recuperação do vapor de selagem da turbina não estava presente. Assim é presumida rejeição integral desse vapor. O problema foi contornado adotando uma fonte de vapor [33] com propriedades similares ao vapor rejeitado. Percebe-se que a nova regeneração a alta pressão requer alguns equipamentos adicionais, não existentes no ciclo original. São eles: um pré-aquecedor de água [47], um trocador de calor casco e tubo [48] e alguns metros de tubulação [46], além de uma turbina mais complexa devido à sangria adicional. 22 Capítulo VIII – Resultados Os resultados brutos apresentados pelo Thermoflex 25.0 estão detalhados no apêndice A. Para analise do investimento, é de grande importância sabermos a potência nominal e a quantidade de energia que poderá ser exportada. Potência Bruta foi considerada a potência produzida pelo gerador no eixo da turbina. A Potência Líquida por sua vez foi definida pela potência bruta decrescida dos consumos internos da planta em equipamentos como bombas e ventiladores. A Eficiência Energética Bruta foi definida pelo quociente entre a Potência Bruta e a quantidade de energia inserida via combustível. A fórmula está explicitada abaixo sendo “η” a eficiência dada em percentual, “Pot” a potência gerada, “݉ሶ” a vazão mássica de combustível e “PCI” o poder calorífico inferior do combustível. ߟ = ൫ܲݐൗ݉ሶ ∗ ܲ ܫܥ൯ ∗ 100 Para a Eficiência Energética Líquida foi utilizada a mesma fórmula previamente citada, porém considerando a Potência Líquida no lugar da Potência Bruta. Tabela 1 – Resultados do ciclo sem a nova Regeneração ORIGINAL ES SC SC+ST Potência Bruta (kW) 127.629 110.296 101.871 Eficiência Energética Bruta (%) 37,0 32,0 29,6 Potência Líquida (kW) 117.584 100.232 91.820 Eficiência Energética Líquida (%) 34,1 29,1 26,6 Eficiência da Cogeração (%) 34,1 55,5 61,4 Consumo Interno (kW) 10.045 10.064 10.052 Vazão de Vapor (t/h) 345,8 334,4 335,7 ES - Entressafra; SC – Safra de Cana; ST – Safra de Tomate ST 118.772 34,5 108.753 31,6 40,0 10.019 337,3 23 Tabela 2 – Resultados do ciclo contendo a nova Regeneração REGENERAÇÃO ADICIONAL ES SC SC+ST ST Potência Bruta (kW) 129.456 112.177 103.587 120.673 Eficiência Energética Bruta (%) 37,6 32,6 30,1 35,0 Potência Líquida (kW) 118.951 101.674 93.105 110.191 Eficiência Energética Líquida (%) 34,5 29,5 27,0 32,0 Eficiência da Cogeração (%) 34,5 55,8 61,7 40,5 Consumo Interno (kW) 10.505 10.503 10.482 10.482 Vazão de Vapor (t/h) 404,8 401,5 399,8 403,4 ES - Entressafra; SC – Safra de Cana; ST – Safra de Tomate Podemos perceber que a Regeneração adicional cumpriu seu papel de aumentar a eficiência do ciclo, que subiu cerca de meio por cento em cada caso. Como o combustível foi fixado constante, esse ganho foi revertido em forma de maior produção de energia elétrica, pouco menos de dois megawatts de potência. Entretanto, o consumo interno da planta também aumentou, diminuindo parcialmente esse ganho. Tabela 3 – Condições da água na entrada do economizador, ciclo original ORIGINAL Período Temperatura (ºC) Pressão (bar) Entalpia (kJ/kg) ES 164,3 133,3 701 SC 143,5 132,7 612 SC+ST 145,9 132,8 623 ST 168,2 133,4 718 ES - Entressafra; SC – Safra de Cana; ST – Safra de Tomate 24 Tabela 4 – Condições da água na entrada do economizador, ciclo com regeneração REGENERAÇÃO Período Temperatura (ºC) Pressão (bar) Entalpia (kJ/kg) ES 252,2 132,8 1096 SC 248,4 132,7 1078 SC+ST 246,4 132,6 1068 ST 250,6 132,8 1088 ES - Entressafra; SC – Safra de Cana; ST – Safra de Tomate A maior temperatura da água de alimentação chegando ao economizador permite o aquecimento de uma quantidade maior de líquido com a mesma quantidade de energia, já que a temperatura de saída do equipamento é o mesmo para ambos os casos, projetado para 5 ºC abaixo da temperatura de saturação no período da entressafra. O fluxo de massa na caldeira subiu 59 t/h, de 346 t/h para 405 t/h, aproximadamente a mesma vazão percorrendo a regeneração. O ganho de produção de energia elétrica se deve aos estágios da turbina que essa maior quantidade de vapor atravessou antes de ser desviado para a regeneração. O crescimento no consumo interno da planta é justificado pela necessidade de bombas maiores para circular a nova massa. Realizando a análise comparativa dos investimentos necessários para instalação das plantas com a ferramenta PEACE, a adição da regeneração torna a planta 6,5% mais cara devido à adição e aumento dos equipamentos. A planilha com os valores detalhados estão presentes no Apêndice B. Em termos absolutos, os valores são irreais já que o programa considera os valores de investimento para um empreendimento nos EUA. Utilizando o valor explicitado anteriormente de R$ 2.205 por kW, considerarei um custo estimado para a planta original em R$ 286.742.980 e para a planta com a nova regeneração em R$ 305.321.796, ou seja, aumento de R$ 18.578.815 no investimento inicial. Por se tratar de uma analise comparativa de plantas similares, os custos de operação foram considerados iguais para ambos os 25 casos e com valor igual ao custo de combustível. A planta tem autonomia de produção do próprio bagaço, mas será considerado o preço de mercado. Se não fosse queimado, esse combustível seria vendido, o preço estimado da tonelada foi de R$ 75,00. O aumento em produção de energia elétrica, supondo o plano de horas previamente explicitado, foi de 11.132 MWh por ano, um ganho de R$ 3.092.000 estimando o valor de venda do MWh em R$ 278,46. Foi utilizado o conceito de Valor Presente Líquido para avaliar o investimento e considerado juros de 8% ao ano. Considera-se o investimento no ano “A-5” e início de operação no ano “A=1” até o ano 25. 26 Tabela 5 – VPL Parcial e VPL em milhares de reais Ano -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 VPL Parcial Original Regeneração - 286.742 - 305.321 0 0 0 0 0 0 0 0 94.846 96.951 87.821 89.769 81.315 83.119 75.292 76.962 69.715 71.261 64.551 65.983 59.769 61.095 55.342 56.570 51.242 52.379 47.446 48.499 43.932 44.907 40.678 41.580 37.664 38.500 34.874 35.648 32.291 33.008 29.899 30.563 27.684 28.299 25.634 26.202 23.735 24.261 21.977 22.464 20.349 20.800 18.841 19.259 17.446 17.833 16.153 16.512 14.957 15.289 Original - 286.742 - 286.742 - 286.742 - 286.742 - 286.742 - 191.896 - 104.075 22.759 52.533 122.248 186.799 246.568 301.910 353.153 400.600 444.533 485.211 522.876 557.751 590.042 619.942 647.627 673.261 696.996 718.973 739.323 758.164 775.611 791.764 806.722 VPL Regeneração - 305.321 - 305.321 - 305.321 - 305.321 - 305.321 - 208.370 - 118.601 35.481 41.481 112.743 178.726 239.822 296.392 348.772 397.271 442.179 483.759 522.260 557.909 590.917 621.480 649.779 675.982 700.244 722.708 743.509 762.769 780.602 797.11 812.404 27 VPL Parcial 150.000.000,00 100.000.000,00 50.000.000,00 (50.000.000,00) 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 Original (100.000.000,00) Regeneração (150.000.000,00) (200.000.000,00) (250.000.000,00) (300.000.000,00) (350.000.000,00) Figura 7 – Gráfico de VPL parcial. VPL 1.000.000.000,00 800.000.000,00 600.000.000,00 400.000.000,00 Original Regeneração 200.000.000,00 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 (200.000.000,00) (400.000.000,00) Figura 8 – Gráfico de VPL. 28 Podemos perceber da tabela e dos gráficos que a adição da Regeneração retorna o investimento inicial no mesmo ano do ciclo originalmente proposto se provando viável. Entretanto, o ciclo original tem um retorno maior que o novo ciclo durante 18 anos, apenas no 19º ano após o investimento inicial essa alternativa se torna mais lucrativa. 29 Capítulo IX – Conclusões A plataforma Thermoflex se mostrou potente e permitiu a análise de um tipo de planta que cada vez mais se comprova viável e interessante no cenário brasileiro. A possibilidade de analisar a mesma planta termelétrica sob diferentes premissas de fluxo de vapor para processo é muito importante para o estudo de novos empreendimentos que queiram aliar processos agrícolas com geração de energia. A adição da regeneração a alta pressão cumpriu seu objetivo de aumentar a eficiência da planta térmica permitindo produzir mais energia elétrica (aproximadamente 2 MW de potência nominal) consumindo a mesma quantidade de combustível e sem aumentar a emissão de poluentes. Do ponto de vista termodinâmico a regeneração foi considerada uma excelente alteração no ciclo pois o ganho de energia elétrica produzida foi maior que o aumento no consumo das bombas. Foi considerado também, para julgar a viabilidade da adição da regeneração, o crescimento do custo de investimento com os equipamentos adicionais e aumento dos equipamentos já existentes. A ferramenta PEACE pode ser utilizada para empreendimentos em nosso país apenas com o fim de comparação entre modelos previamente dimensionados já que, por utilizar dados de fornecedores nos Estados Unidos da América, retorna valores absolutos diferentes da realidade nacional. Atualmente, com os preços dos recentes leilões, a regeneração se mostrou viável financeiramente, porém o estudo do investimento pode ser feito mais detalhadamente considerando possíveis variações no preço dos equipamentos e da energia elétrica. É comum o preço de equipamentos baixar conforme a tecnologia fica mais acessível e concorrentes surgem no mercado. O preço da energia elétrica, que recentemente tem tido crescimento constante, flutua bastante em virtude do regime de chuvas no território brasileiro. 30 Referências Bibliográficas [1] International Energy Agency - World Primary Energy Supply in 1973 and 2003. [2] International Energy Agency – 2012 World electricity generation by fuel, 2014. [3] Agência Nacional de Energia Elétrica – Matriz de Energia Elétrica, 2015. (http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/capacidadebrasil/OperacaoCapacidadeBrasil.cfm) [4] Valor Econômico – Disponível em: (http://www.valor.com.br/brasil/2967070/termeletricas-clima-e-crescimento-afastamracionamento-diz-consultor) [5] Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico - Porto: Porto Editora, 2003-2015. Disponível na Internet: (http://www.infopedia.pt/$energia-(fisica)) [6] Goldemberg, J. – Estudos Avançados vol.12 no.33, 1998. Disponível na internet: (http://www.scielo.br/pdf/ea/v12n33/v12n33a02.pdf) [7] Bicalho, R – A Energia dos Brics, 2013. Disponível na Internet em: (https://infopetro.wordpress.com/2013/01/07/a-energia-dos-brics/) [7] The World Bank - Kilograms of oil equivalent, 2011. Disponível na internet em: (http://data.worldbank.org/indicator/EG.USE.PCAP.KG.OE) [9] Ministério do Meio Ambiente – Disponível na internet em: (http://www.mma.gov.br/clima/energia/energias-renovaveis/biomassa). [10] FAOSTAT (Food and agriculture organization of the United States) – Top Production - Sugar Cane, 2012. Disponível na internet em: (http://faostat.fao.org/site/339/default.aspx) 31 [11] Olivério, J.L. (2003). Como otimizar a Energia Elétrica Gerada na Indústria da Cana-de-açúcar, In: VI Descentralised Energy Production International Seminar, 2003, Rio de Janeiro, WADEWorld Alliance for Decentralised Energy and INEE-Instituto Nacional de Eficiência Energética, Brazil] [12] Ribeiro, H. (2008). Queimadas de cana-de-açúcar no Brasil: efeitos à saúde respiratória. Rev. Saúde Pública, 2008, 42(2). [13] by Condition Monitoring - Process Plant Tube Inspection an Ongoing Commitment Plant Owners and Operators. Disponível na internet em: (http://www.ndt.net/apcndt2001/papers/7/7.htm) [14] Thermoflow Inc. – Disponível na internet em: (http://www.thermoflow.com/convsteamcycle_TFX.html) [15] Empresa de Pesquisa Energética – 20º Leilão A-5, 2014 Disponível na internet em:(http://www.epe.gov.br/leiloes/Documents/Leil%C3%B5es%202014/Resumo_Vend edor_20len_a5.pdf) 32 Apêndice A Especificações das linhas de fluxo mássico dados em bar, ºC, t/h e kJ/kg. Ex: para fluxo de 100 t/h a 40 ºC e 1 bar, entalpia igual a 167,5 kJ/kg 1,0 p 40,0 T 100 m 167,5 h Legenda de Cores: Azul Água/Vapor Vermelho Ar/Gases de Combustão Amarelo Combustível 33 Figura A.1 – Planta do ciclo com configuração original na entressafra. 34 Figura A.2 – Planta da caldeira com configuração original na entressafra. 35 Figura A.3 – Planta do ciclo com configuração original na safra de cana. 36 Figura A.4 – Planta da caldeira com configuração original na safra de cana 37 Figura A.5 – Planta do ciclo com configuração original na safra de tomate. 38 Figura A.6 – Planta da caldeira com configuração original na safra de tomate. 39 Figura A.7 – Planta do ciclo com configuração original na safra de cana e tomate. 40 Figura A.8 – Planta da caldeira com configuração original na safra de cana e tomate. 41 Figura A.9 – Planta do ciclo com regeneração adicional na entressafra. 42 Figura A.10 – Planta da caldeira com regeneração adicional na entressafra. 43 Figura A.11 – Planta do ciclo com regeneração adicional na safra de cana. 44 Figura A.12 – Planta da caldeira com regeneração adicional na safra de cana. 45 Figura A.13 – Planta do ciclo com regeneração adicional na safra de tomate. 46 Figura A.14 – Planta da caldeira com regeneração adicional na safra de tomate. 47 Figura A.15 – Planta do ciclo com regeneração adicional na safra de cana e tomate. 48 Figura A.16 – Planta da caldeira com regeneração adicional na safra de cana e tomate. 49 Apêndice B Custos de equipamentos entregues pela ferramenta PEACE para a planta Original: Project Cost Summary Reference Cost Estimated Cost Power Plant: I 90.749.000 113.436.000 USD II Other Equipment 14.945.000 15.692.000 USD III Civil 39.495.000 34.605.000 USD IV Mechanical 52.272.000 42.334.000 USD 4.558.000 3.623.000 USD VI Buildings & Structures 24.713.000 21.531.000 USD VII Engineering & Plant Startup 21.294.000 21.294.000 USD V Specialized Equipment Electrical Assembly & Wiring CO2 Capture Plant N/A N/A Desalination Plant N/A N/A Subtotal - Contractor's Internal Cost VIII Contractor's Soft & Miscellaneous Costs Contractor's Price IX Owner's Soft & Miscellaneous Costs Total - Owner's Cost (1 USD per US Dollar) 248.026.000 252.514.000 USD 43.043.000 39.225.000 USD 291.069.000 291.739.000 USD 58.214.000 58.348.000 USD 349.282.000 350.086.000 USD 50 Custos de equipamentos entregues pela ferramenta PEACE para a planta com Regeneração adicional: Project Cost Summary Reference Cost Estimated Cost Power Plant: I 99.518.000 124.398.000 USD II Other Equipment 15.339.000 16.106.000 USD III Civil 40.952.000 35.868.000 USD IV Mechanical 59.263.000 48.030.000 USD 4.976.000 3.947.000 USD VI Buildings & Structures 24.949.000 21.737.000 USD VII Engineering & Plant Startup 21.611.000 21.611.000 USD V Specialized Equipment Electrical Assembly & Wiring CO2 Capture Plant N/A N/A Desalination Plant N/A N/A Subtotal - Contractor's Internal Cost VIII Contractor's Soft & Miscellaneous Costs Contractor's Price IX Owner's Soft & Miscellaneous Costs Total - Owner's Cost (1 USD per US Dollar) 266.609.000 271.696.000 USD 46.843.000 42.656.000 USD 313.451.000 314.352.000 USD 62.690.000 62.870.000 USD 376.142.000 377.223.000 USD 51