2
Volume
Tomo 1
PlanodeControle
Ambiental
Oleoduto OSPAR
São Francisco do Sul/SC – Araucária/PR
PLANO DE CONTROLE AMBIENTAL OLEODUTO OSPAR
SÃO FRANCISCO DO SUL/SC – ARAUCÁRIA/PR
TRANSPETRO –
PETROBRAS – Petróleo
Brasileiro S.A
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INDICE GERAL
4. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL.
5
4. 1 MEIO FÍSICO
5
4.1.1 METEOROLOGIA
5
4.1.1.1 Clima
5
4.1.2 GEOLOGIA E GEOMORFOLOGIA
6
4.1.2.1 Geologia
6
4.1.2.1.1 Proterozóico ao Mesozóico
7
4.1.2.1.1.1 Embasamento Cristalino
7
4.1.2.1.1.2 Molassas do Eo-Paleozoico
8
4.1.2.1.1.2.1 Formação Guaratubinha
8
4.1.2.1.1.3 Intrusivas Básica
8
4.1.2.1.2 Cenozoico
9
4.1.2.1.2.1 Formação Guabirotuba
9
4.1.2.1.2.2 Sedimentos Inconsolidados
9
4.1.2.1.3.1 Sistema deposicional continental
10
4.1.2.1.3.1.1 Depósitos coluviais
10
4.1.2.1.3.1.2 Depósitos de leques aluviais
10
4.1.2.1.3.1.3 Depósitos fluviais
10
4.1.2.1.3.1.4 Sistema Deposicional Transicional e Marinho
10
4.1.2.1.4 O Solo e suas Implicações (Riscos Geológicos)
11
4.1.2.1.5 Observações dos Dados Levantados
13
4.1.2.2 Geomorfologia
14
4.1.2.2.1 Considerações finais
14
4.1.3 QUALIDADE DA ÁGUA NA ÁREA DE INFLUÊNCIA DO DUTO
15
4.1.3.1 Hidrografia
15
4.1.3.1.1 Generalidades
15
4.1.3.1.2 Identificação dos Corpos Aquáticos
16
4.1.3.1.3 Descrição dos recursos hídricos por unidades de trabalho na área de influência do OSPAR.
18
4.1.3.1.3.1 Iperoba
18
4.1.3.1.3.2 Ubatuba
18
4.1.3.1.3.3 Baia de Babitonga
18
4.1.3.1.3.4 Jaguaruna
19
4.1.3.1.3.5 Saí-Mirim
19
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4.1.3.1.3.6 Barrinha-Saí-Guacú
20
4.1.3.1.3.7 Palmital
20
4.1.3.1.3.8 Tamanduá
20
4.1.3.1.3.9 São João I
21
4.1.3.1.3.10 São João II
21
4.1.3.1.3.11 Voçoroca
22
4.1.3.1.3.12 Várzea
22
4.1.3.1.3.13 Cotia e Despique-Iguaçu
22
4.1.3.1.3.14 AnaLuisa/Mascate-Iguaçu
23
4.1.3.1.3.15 Bariquí-Iguaçu
23
4.1.3.1.4 Caracterização dos Corpos Aquáticos
23
4.1.3.1.4.1 Baía da Babitonga
24
4.1.3.1.4.2 Represa de Voçoroca
26
4.2 MEIO BIÓTICO
33
4.2.1 INTRODUÇÃO
33
4.2.2 METODOLOGIA
35
4.2.2.1 Métodos para a Determinação da Área de Influência
35
4.2.2.2 Métodos para o Diagnóstico da Vegetação
36
4.2.2.2.1 Caracterização da Estrutura e Composição da Cobertura Vegetal
36
4.2.2.2.2 Elaboração do Mapa da Cobertura Vegetal da Área Diretamente Afetada
38
4.2.2.2.2.1 Interpretação Prévia de Aerofotos
38
4.2.2.2.2.2 Trabalho de Campo
40
4.2.2.2.2.3 Análise Definitiva e Elaboração do Mapa
43
4.2.2.3 Métodos para o Diagnóstico da Fauna
43
4.2.2.3.1 Invertebrados Aquáticos
44
4.2.2.3.2 Peixes
46
4.2.2.3.3 Anfíbios
46
4.2.2.3.4 Répteis
46
4.2.2.3.5 Aves
47
4.2.2.3.6 Mamíferos
47
4.2.3 RESULTADOS
49
4.2.3.1 PAISAGEM NA ÁREA DE INFLUÊNCIA
49
4.2.3.1.1 Ecossistema Aquático e de Transição
53
4.2.3.1.2 Caracterização Fitoecológica dos Ecossistemas Terrestres
62
4.2.3.1.2.1 Formações Pioneiras com Influência Marinha
63
4.2.3.1.2.2 Manguezais
64
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4.2.3.1.2.3 Floresta Ombrófila Densa
66
4.2.3.1.2.4 Floresta Ombrófila Mista
69
4.2.3.1.2.5 Campos
71
4.2.3.1.3 Caracterização Zoogeográfica da Área de Influência
72
4.2.3.2 DIAGNÓSTICO DA VEGETAÇÃO
74
4.2.3.2.1 Vegetação Pioneira com Influência Marítima:
75
4.2.3.2.2 Manguezais:
78
4.2.3.2.3 Floresta Ombrófila Densa:
80
4.2.3.2.3.1 Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas:
80
4.2.3.2.3.2 Floresta Ombrófila Densa da Encosta da Serra do Mar: formações Submontana, Montana e
Alto-montana:
92
4.2.3.2.4 Floresta Ombrófila Mista:
126
4.2.3.2.5 Campos Naturais:
142
4.2.3.2.6 Área De Uso Agropastoril
143
4.2.3.2.7 Bosques Exóticos
144
4.2.3.2.8 Biótopos Especiais (categorias não mapeáveis)
145
4.2.3.2.8.1 Áreas úmidas e alagadiças
145
4.2.3.2.8.2 Margem e Leito de Rios
146
4.2.3.2.8.3 Corredeiras e Quedas d'água:
148
4.2.3.3 DIAGNÓSTICO DA FAUNA
150
4.2.3.3.1 Introdução
150
4.2.3.3.2 Análise dos Invertebrados Aquáticos
151
4.2.3.3.2.1 Introdução
151
4.2.3.3.2.2 Análise de Macroinvertebrados Aquáticos
154
4.2.3.3.2.2.1 Insetos Aquáticos (Classe Insecta)
154
4.2.3.3.2.2.1.1 Ordem Ephemeroptera
154
4.2.3.3.2.2.1.2 Ordem Plecoptera
155
4.2.3.3.2.2.1.3 Ordem Hemiptera
155
4.2.3.3.2.2.1.4 Ordem Trichoptera
155
4.2.3.3.2.2.1.5 Ordem Diptera
156
4.2.3.3.2.2.2 Moluscos (Phyllum Molusca)
156
4.2.3.3.2.2.2.1 Classe Gastropoda (caramujos)
156
4.2.3.3.2.2.2.2 Classe Bivalvia (bivalves)
157
4.2.3.3.2.2.3 Sanguessugas (Classe Hirudinea)
157
4.2.3.3.2.2.4 Planárias (Classe Turbelaria)
157
4.2.3.3.2.2.5 Classe Crustacea:
158
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4.2.3.3.2.3 Avaliação da Qualidade da Água
158
4.2.3.3.3 Análise das Classes de Vertebrados
165
4.2.3.3.3.1 Peixes
165
4.2.3.3.3.1.1 Introdução
165
4.2.3.3.3.1.2 Marinhos e Mixohalinos
167
4.2.3.3.3.1.3 Peixes da Água Doce
171
4.2.3.3.3.2 Anfíbios
178
4.2.3.3.3.2.1 Introdução
178
4.2.3.3.3.2.2 Análise da Anurofauna
179
4.2.3.3.3.2.3 Conservação
185
4.2.3.3.3.3 Répteis
187
4.2.3.3.3.3.1 Introdução
187
4.2.3.3.3.3.2 Análise da Herpetofauna
188
4.2.3.3.3.3.3 Conservação
197
4.2.3.3.3.4 Aves
198
4.2.3.3.3.4.1 Introdução
198
4.2.3.3.3.4.2 Análise da Avifauna
199
4.2.3.3.3.4.3 Conservação
219
4.2.3.3.3.5 Mamíferos
221
4.2.3.3.3.5.1 Introdução
221
4.2.3.3.3.5.2 Análise da Mastofauna
222
4.2.3.3.3.5.3 Conservação
239
4.2.3.3.4 Descrição da Comunidade Faunística
241
4.2.3.3.4.1 Diversidade por Biótopo
241
4.2.3.3.4.2 Guildas Tróficas
244
4.2.3.3.4.3 Deslocamento e Migração da Fauna
248
4.2.3.4.4.4 Espécies Raras ou Ameaçadas
252
4
Capitulo
4. Diagnóstico Ambiental.
O diagnóstico ambiental apresentado retrata a atual qualidade da área de
abrangência dos estudos, indicando as características dos diversos fatores que
compõem o sistema ambiental, de forma a permitir o entendimento da dinâmica e
das interações existentes entre os meios físico, biológico e sócio-econômico, de
acordo com a seqüência a seguir:
4. 1 Meio físico
4.1.1 Meteorologia
4.1.1.1 Clima
“Na Região Sul do Brasil predomina o clima mesotérmico superúmido sem estação
seca, em razão de sua posição latitudinal e marítima (que propicia intensa insolação e
evaporação, além de forte concentração de núcleos de condensação) e a presença de
amplas superfícies planálticas situadas entre 300 e 900m e, principalmente, devido às
influências dos sistemas de circulação atmosférica representados basicamente pelo
Anticiclone Semifixo do Atlântico e pelo Anticiclone Móvel Polar” (Oliveira, 2000). Esta
região está sujeita a mudanças bruscas de tempo por ser o local de sucessivas
passagens de frentes polares. Devido ao obstáculo orográfico (Serra do Mar) e da
circulação atmosférica atlântica ser altamente saturada, promove um elevado índice de
precipitação pluviométrica.
Uma série de informações complementares referentes aos aspectos climáticos encontrase já detalhadas no estudo efetuado pela empresa BIODINÂMICA os quais encontram-se
em anexo ao presente documento.
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4.1.2 Geologia e Geomorfologia
4.1.2.1 Geologia
A área de influência das instalações do oleoduto OSPAR ocorre sobre duas unidades
geológicas distintas: Rochas do Embasamento Cristalino e sedimentos do
Quaternário. No que diz respeito à geologia da área será realizado uma breve
descrição das diferentes unidades. Na tabela 4.1.1 apresenta-se a estratigrafia geral:
Tabela 4.1.1 Estratigrafia da área de influência do Oleoduto da OSPAR
ERA GEOLÓGICA
PERÍODO
ÉPOCA
UNIDADE
GEOLÓGICA
HOLOCENO
Planície costeira
Aluviões, fluviais...
CENOZÓICO
QUATERNÁRIO
PLEISTOCENO
Formação
Guabirotuba
MESOZÓICO
JURÁSSICO-CRETÁCEO
PALEOZÓICO
Intrusivas Básicas
Formação
Guaratubinha
PROTEROZÓICO/PAL
PRÉ-CAMBRIANO
EOZÓICO
SUPERIOR/ CAMBRIANO
PROTEROZÓICO
Rochas Granitóides
Grupo Açungui
Grupo Setuva
6
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4.1.2.1.1 Proterozóico ao Mesozóico
4.1.2.1.1.1 Embasamento Cristalino
As rochas do Embasamento Cristalino têm origem do Proterozóico ao Eo-Paleozóico
numa complexa evolução geológica, com vários ciclos tecto-orogenéticos formadas na
sua maior parte por rochas metamórficas (gnaisses, migmatitos, xistos, quartzitos), várias
intrusões graníticas e seqüências vulcânicas e metassedimentares (Oliveira, 2000).
O Proterozóico é reconhecida como uma fase de grande instabilidade na história
evolutiva na formação da Plataforma Sulamericana (Almeida, 1969).
O Embasamento Cristalino compreende um megacinturão, gerado por várias colisões de
diversos blocos continentais e microcontinentais que são soldados por faixa de terrenos
metamórfico também denominado de faixa móvel. São seqüência de rochas que se
formaram em diversos ambientes sedimentares, e por sucessivas aberturas e
fechamentos de bacia oceânica (mecanismo postulado pela tectônica de placas), devido
ao alto grau deformacional e metamórfico perderam suas características originais
(Mineropar, internet).
As rochas são submetidas a uma intensa deformação por cavalgamento e metamorfismo
de baixo grau, com deslocamento das camadas sedimentares sobre o continente. É no
final do Pré-Cambriano, que o Embasamento Cristalino assume o caráter geomórfico
montanhoso (Mineropar internet, Soares, 1992). As rochas do embasamento no
Proterozóico correspondem ao Grupo Setuva e Grupo Açungui do Domínio Curitiba
(Mineropar internet).
Ocorre intensa tectônica vertical, gerando a sutura intercontinentes e o mais intenso
fenômeno de granitogênese (ciclo brasiliano) que seria contemporâneo à movimentação
das falhas transcorrentes (Mineropar, internet). Os principais alinhamentos estruturais
(fraturas e falhas) têm direção NE-SW e secundariamente, NW-SE e N-S. Apresentam
dobramentos associados a vários eventos geodinâmicos que provocaram diferentes
graus de metamorfismo e várias direções de dobramentos. Segundo Fassbinder et al.
(1985), os lineamentos tectônicos existentes são o resultado de um processo de
deformação ligado as principais falhas transcorrentes do Pré-Cambriano.
7
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4.1.2.1.1.2 Molassas do Eo-Paleozoico
Após esta fase de grande instabilidade do Ciclo Brasiliano na Plataforma Sulamericana,
se estabelece uma nova fase denominada de transição, que é a cratonização da
Plataforma (Almeida, 1969).
Nesta nova fase desenvolvem-se bacias sedimentares
conhecidas por fossas molássicas, são aquelas que se estabelecem numa área que
sofreu orogênese, ocorrendo muitos falhamentos, reativações, quedas de blocos por
gravidade e acomodação. Na base destas bacias a sedimentação é tectonizada,
inclinada e às vezes com metamorfismo incipiente (Formação Camarinha e Formação
Guaratubinha).
Para
o
topo
da
bacia
a
sedimentação
vai
tornando-se
horizontalizada.(Grupo Castro).
4.1.2.1.1.2.1 Formação Guaratubinha
Esta unidade está relacionada a bacias tectônicas Eo-Paleozóicas. Perturbada por
intenso falhamento consiste de rochas sedimentares e vulcânicas repousando em
discordância angular sobre migmatitos e granitos do Embasamento Cristalino. Composta
por conglomerados, arcósios, siltitos argilitos, brechas vulcânicas, tufos, lavas riolíticas e
andesíticas, cujas relações estratigráficas não estão claramente definidas (Mineropar,
internet).
4.1.2.1.1.3 Intrusivas Básica
As intrusivas básicas são diques que estão relacionados com a evolução estrutural da
Bacia do Paraná, na fase de magmatismo basáltico e intrudidos nas fraturas distensivas
nordeste. São a reativação de várias linhas de fraqueza do embasamento e através delas
as manifestações básicas formadas por diques de diabásio e dioritos, gerados no
momento da separação dos continentes Sulamericano e Africano. Ocorre uma grande
concentração destes diques no Embasamento Cristalino, com direção geral noroestesudeste (N50o-70oW), associados à estrutura denominados Arco de Ponta Grossa. As
rochas apresentam cor cinza escura a preta e são recobertos por solos argilosos
característicos de coloração avermelhada. (Mineropar, internet; Salazar Jr. et al., 1999).
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4.1.2.1.2 Cenozoico
A outra província geológica constitui-se na Província costeira, termo que designa a
associação das rochas do Embasamento Cristalino e os depósitos sedimentar
submersos e emerso da Bacia de Santos, que tem sua origem relacionada aos
movimentos tectônicos que promoveram a abertura do Oceano Atlântico na era
Mesozóica, a partir do final do Jurássico e desde então, acumulando sedimentos de
natureza essencialmente clástica terrígena (Willwock e Tomazelli, 1995; Almeida, 1969).
“Os processos intempéricos e erosivos do final do Plioceno e início do Pleistoceno
possibilitaram a formação dos primeiros depósitos de encostas associados às rochas do
embasamento. Seguem-se períodos transgressivos e regressivos durante o Pleistoceno,
acarretando a formação dos depósitos marinhos” (Horn Filho et. al. 1994).
Os sedimentos do Quaternário da região de influência são predominantemente de origem
marinha. Ocorrem também sedimentos fluviais, depósitos coluvionares, eólicos e
manguezais.
4.1.2.1.2.1 Formação Guabirotuba
Os sedimentos desta unidade se depositaram sob condições de clima variando do semiárido ao úmido, com probabilidade de ter ocorrido no Pleistoceno (Bigarella & Salamuni,
1958), constituída por argilitos, arcósios, depósitos rudáceos e margas (Mineropar,
internet). Segundo a Salazar Jr. et al. (1999) esta unidade não é restrita aos terrenos do
Complexo Gnáissico-Migmatítico, podendo ocorrer sobre o Grupo Açungui. O litotipo está
representado por sedimentos inconsolidados argilosos que apresentam uma coloração
cinza esverdeada e nos níveis superficiais, devido ao intemperismo, conferem uma
coloração avermelhada, com grânulos de quartzo e feldspato.
4.1.2.1.2.2 Sedimentos Inconsolidados
Os sedimentos da área em estudo, que recobrem as rochas do Escudo são de idades
inferiores a 1,8 milhões de anos. A origem destes sedimentos é resultado da ação do
produto do intemperismo das litologias mais antigas, procedentes do embasamento
cristalino (ígneas e metamórficas) e sua deposição. Atribui-se a formação dos depósitos
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sedimentares coluviais, leques aluviais e fluviais ao Sistema deposicional continental e a
faixa litorânea ao Sistema deposicional transicional e marinho.
4.1.2.1.3.1 Sistema deposicional continental
4.1.2.1.3.1.1 Depósitos coluviais
Estes depósitos estão distribuídos nas encostas do embasamento cristalino e elúvio
associados, interdigitando-se com depósitos de leques aluviais. São depósitos detríticos
heterogêneos que sofreram deslocamento principalmente por efeito da gravidade e água,
formado ao sopé de vertentes. Nas porções superiores das vertentes ocorrem materiais
alterados (elúvio) e este sofre escorregamento, atingindo as porções médias e inferiores
das mesmas. Também considerado um tipo de depósito de tálus. Estes depósitos são
inconsolidados e dependem da sua extensão, distribuição da profundidade e o tipo de
solo formado.
4.1.2.1.3.1.2 Depósitos de leques aluviais
Estes depósitos apresentam-se em forma de leque e são originados pela ação erosiva da
drenagem nas montanhas. Devido à abundância de água que corre pelas encostas
abaixo, desloca os sedimentos promovendo uma distribuição diferencial dos mesmos,
constituindo em fácies proximais, médias e distais, com a diminuição dos declives. Os
sedimentos aluvionares ocorrem principalmente ao longo dos vales dos rios. São
representados por cascalhos e sedimentos sílticos–argilosos (Martin et al., 1988).
4.1.2.1.3.1.3 Depósitos fluviais
Os rios são os principais agentes de transporte de sedimentos nas áreas continentais.
Os depósitos fluviais dependem das condições climáticas e do suprimento sedimentar. O
Rio Iguaçu e seus tributários, Rio Arraial, Rio da Várzea, Rio Palmital e vertentes,
contribuem no transporte e deposição de sedimentos.
4.1.2.1.3.1.4 Sistema Deposicional Transicional e Marinho
O Sistema Transicional abrange os depósitos onde efetivamente interagem processos
continentais e marinhos. São ambientes de sedimentação próxima ao litoral.
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Os depósitos lagunares são constituídos por areias, silte, argilas e turfas provenientes
dos rios afluentes das lagunas e da própria colmatação. Os depósitos eólicos formam as
dunas que são constituídas por areias quartzosas de granulação fina a média. Os
manguezais são depósitos de águas tranqüilas, predominando sedimentação de material
fino como argila, silte e areia fina, formando um lodo misturado a matéria vegetal,
submetidos a inundações na maré alta.
A planície costeira na porção norte de Santa Catarina representa um dos segmentos
emersos da Bacia de Santos e está associada à fácies sedimentar gerada durante os
eventos transgressivos e regressivos do nível do mar no Quaternário (Oliveira, 2000).
Estas variações relativas do nível do mar do Oceano Atlântico foram fundamentais para a
formação, configuração geomorfológica e desenvolvimento dos depósitos das planícies
costeiras.
Na ilha de São Francisco do Sul ocorrem somente remanescentes do Pleistoceno
Superior (± 120.000 anos A.P.). Com a regressão do nível do mar na fase seguinte
(120.000 – 18000 anos A.P.) a ilha de São Francisco do Sul permaneceu parcial ou
totalmente unida ao continente, sendo que o nível do mar somente atingia a borda da
plataforma continental. Na transgressão (18.000 – 5.100 anos A.P.) ocorre à
individualização da ilha e posteriormente (5.100 – 0 anos A.P.) a partir de ilhas-barreiras,
inicia a progradação da linha costeira e formação dos depósitos arenosos e holocênicos
(Horn Filho et al 1994).
4.1.2.1.4 O Solo e suas Implicações (Riscos Geológicos)
O solo é um produto de transformações ocorridas na rocha, sujeita a intemperismo. O
intemperismo por sua vez, é o conjunto de modificações físicas (desagregação) e
químicas (decomposição), que são controlados pelo clima (variações na temperatura,
chuvas), relevo (regula a velocidade de escoamento superficial das águas pluviais que
influi no regime de infiltração e drenagem), fauna e flora, tempo de exposição da rocha às
intempéries. Dependendo dos minerais constituintes, da textura e estrutura da rocha,
associada aos fatores controladores, podem apresentar resistência diferenciada ao
processo de alteração.
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A formação do solo gera um manto de alteração ou regolito, com uma estrutura vertical a
partir da rocha fresca. Dependendo do clima e relevo o perfil do solo pode se apresentar
com diferente composição e espessura.
Existem várias classificações de solos, que variam de país para país. A intenção deste
trabalho não é de identificar ou classificar os vários tipos de solo que ocorrem no
percurso do Oleoduto OSPAR, mas sim, o comportamento dos depósitos sedimentares
em termos de acidentes geológicos prováveis. Área de maior risco de acidentes
geológicos são as encostas íngremes da Serra do Mar, formando depósitos coluvionares
a aluvionares. Estes depósitos apresentam sedimentos inconsolidados, resultado de
alteração das diferentes rochas que ocorrem na Serra do Mar (granitos, diabásios, xistos,
quartzitos, gnaisses, metavulcânicas e metasedimentares), constituídos por matacões,
areias, siltes e argilas.
Por ser uma área sujeita a elevados índices de precipitação pluviométrica, a água pode
escoar pela superfície ou abrindo fendas pelo terreno, instabilizando a encosta e
resultando em movimentos de massa.
Os fatores principais que condicionam os movimentos de massa são as características
dos solos e rochas, a declividade do terreno, a vegetação, o clima, o nível freático e
gravidade, análogo a formação dos solos. As diferentes formas de movimento de massa
são classificadas em função da geometria do depósito (planar, circular e cunha) e o tipo
de material envolvido (solo, blocos de rochas, cascalhos) (Mineropar, 1998).
Dentre os movimentos de massa passíveis de ocorrer são:
Rastejamento: São movimentos lentos e contínuos. Origina-se a partir da instabilização
de encosta e podem afetar e comprometer a instalação do oleoduto.
Escorregamento: São movimentos rápidos e bruscos. O principal agente destes
movimentos é a chuva, que satura o solo com água, associada a desmatamentos,
variações na temperatura, presença de fontes e formação de fendas e trincas no solo,
promove a erosão, reduz a resistência dos solos e com a perda da coesão, ocorre o
escorregamento (Mineropar, 1998).
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Cabe ressaltar que o corte inadequado de estradas nos depósitos coluvionares e
aluvionares instabiliza o solo e com isso existe um grande risco de ocorrer um acidente,
que no caso seria associado à ação antrópica, o potencializador do acidente geológico.
4.1.2.1.5 Observações dos Dados Levantados
Observando o perfil topográfico elaborado pela empresa Petróleo Brasileiro S.A.
(Gradiente Hidráulico com escala H= 1:100.000 e V= 1:10.000) a partir do quilometro 50
até quilometro 65 apresenta uma área de encostas íngremes, com variação altimétrica de
700 metros.
Devido a um corte de estrada realizado na construção da BR101, além das chuvas
torrenciais do mês de janeiro de 1997, instabilizaram as encostas provocando
escorregamento nas porções inferiores e com isto desencadeando uma série de outros
escorregamentos nas porções superiores atingindo as proximidades do oleoduto.
Desde então, a Petrobrás tem realizado serviços geotécnicos com sondagens,
instalações de piezômetros e inclinômetros no km 55+800m PR/SC – BR 376 (km 51).
Em 1999, no km 55 foram realizados mais três furos de sondagem com instalação de
inclinômetros, totalizando em 32 furos de sondagem. Em 2000, foram realizados quatro
furos de sondagem com instalação de inclinômetros e piezômetros na Estação
Intermediária de Itararé – BR 376 - Município de Guaratuba/PR. Todos esses furos foram
executados pela empresa Tecnosolo do Paraná.
No km 50 do oleoduto, já ocorreram movimentos de massa onde foram realizadas obras
de engenharia (muros de arrimo) para estabilizar o terreno.
Em abril de 2001 foram realizadas leituras de rotina dos inclinômetros no km 55+800m e
Estação Intermediária Itararé pela Empresa Geoprojetos Engenharia LTDA. Consta que
no km 55+800m, o comportamento da encosta vem se mantendo dentro do espectro das
leituras sem nenhuma anormalidade no talude. Na Estação Intermediária Itararé,
registraram pequenas variações em relação às leituras anteriores, indicando que na
encosta ocorreu deformação compatível com as de movimento de massa lento
(rastejamento). No entanto a Geoprojetos recomenda monitoramento com novas leituras.
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4.1.2.2 Geomorfologia
A compartimentação morfológica da área de influência do Oleoduto OSPAR apresenta
como Unidades geomorfológicas principais a Serra do Mar e Planícies costeiras (Duarte
et al., 1980; IBGE –Anuário Estatístico do Brasil, 1997 Internet).
A Serra do Mar compreende o domínio do escudo e das faixas geotectônicas. Seria a
exposição de rochas cristalinas integrantes de um craton envolvido por faixas de
dobramentos e coberturas metassedimentares associados. O relevo ocupa a parte
oriental do Estado do Paraná, dispondo-se numa faixa de direção N-S, desde o norte e
oeste da baía de Paranaguá até a nordeste da baía de Babitonga (SC) (Duarte et al.,
1980).
A unidade geomorfológica Serra do Mar apresenta vertentes para leste e oeste, com
cristas e picos separados por vales profundos e encostas com inclinação superior a 50o.
Apresenta cota máxima de 1430m reconhecida como Serra do Quiriri (Oliveira, 2000).
As planícies costeiras constituídas por depósitos inconsolidados quaternários são de
origem continental e marinha, orientada com direção preferencial N-S, com altitudes
médio inferiores a 10m, embora possam alcançar cotas mais elevadas à oeste. Na
porção nordeste de Santa Catarina ocorre uma ampla baía conhecida como Baía de São
Francisco ou Babitonga que pode ser definida como estuário de planície costeira (Biggs,
1978 in: Oliveira, 2000).
O relevo da área na Serra do Mar é fortemente ondulado montanhoso e escarpado,
associados a extensas áreas com pedregosidade, limitando o seu uso para agricultura.
No entanto, a planície costeira é plana e suavemente ondulada.
4.1.2.2.1 Considerações finais
As áreas da Estação Intermediária Itararé e km 55+800m, estão localizadas numa região
de grande variação altimétrica e numa Área de Proteção Ambiental de Guaratuba (APA)
que são locais sujeitos a acidentes de risco que podem comprometer não somente o solo
como também a montante do Rio São João até a sua jusante, que deságua na Baía de
Guaratuba (PR). Além disso, vindo a comprometer a população de Garuva (SC) que
utiliza as águas deste rio para irrigação, pesca e lazer.
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Por ser uma região de grande incidência de chuvas, no caso de escorregamento de terra,
poderá provocar um furo, trinca ou até ruptura do duto. Apesar de não ter registros deste
tipo de acidentes, não se pode negligenciar o devido cuidado através do monitoramento
das encostas e procurar soluções com obras de engenharia (drenos no terreno).
Com isso há necessidade do monitoramento destas encostas e de outras que
apresentarem suspeitas de escorregamento, com furos de sondagens previamente
instalados com auxílio de inclinômetros e piezômetros para prevenção e previsão das
alterações que possam ocorrer.
4.1.3 Qualidade da água na área de influência do duto
4.1.3.1 Hidrografia
4.1.3.1.1 Generalidades
Como forma de identificar os possíveis impactos causados por derramamentos
acidentais de petróleo pelo duto que liga a estação de bombeamento em São Francisco
do Sul – SC e a Refinaria de Araucária – PR (Oleoduto Paraná – Santa Catarina, ou
OSPAR), o presente trabalho têm por objetivo identificar, listar, qualificar e analisar a
sensibilidade (quando possível) dos corpos aquáticos diretamente relacionados com o
duto.
Para tanto, foi feito um extenso levantamento bibliográfico sobre toda a região por onde o
OSPAR percorre a fim de se verificar o que se conhece dos referidos corpos aquáticos.
Para a identificação e listagem dos corpos aquáticos, foram utilizados os mapas do
IBEGE das regiões: Garuva (MI-2870/1), São Francisco do Sul (MI-2870/2 e MI2871/1) e
Araquari (MI-2870/4); os mapas de sensibilidade ambiental produzido pela Biodinâmica –
Engenharia e Meio Ambiente LTDA, bem como o seu Relatório de Análise de Riscos; e o
mapa de nível do gradiente hidráulico dos dutos produzido pela Petrobrás (número 506200-19-03).
Na Serra do Mar ocorre o divisor de águas com drenagens para leste e oeste. O Rio
Iguaçu segue a direção oeste, desembocando no Rio Negro. O Rio São João por sua vez
apresenta uma orientação N-S e próximo de Garuva (SC) muda o seu percurso para
Leste, desembocando na Baía de Guaratuba (PR). O Rio Palmital (ou canal do Palmital)
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que possui uma orientação para Sudeste, desemboca na Baía Babitonga e esta, por sua
vez, para o Oceano Atlântico. O sistema de drenagem natural da área de influência
apresenta um padrão dendrítico (arborescente), típico das estruturas geológicas
fortemente influenciadas por sistemas de falhas, fraturas, diáclases e metamorfismo. Na
rede de drenagem o escoamento das águas dá-se por leitos de vales profundos, com
desníveis altimétricos acentuados, com formação de cachoeiras que se apresentam em
meio às rochas do embasamento cristalino
A Baía da Babitonga considerada como complexo estuarino é uma das maiores
formações de águas mixohalinas da região sul e apresenta a maior concentração de
manguezais de Santa Catarina (Oliveira, 2000).
A análise da qualidade das águas dos corpos aquáticos que estão diretamente
relacionados com o OSPAR, foi realizada com base nos dados colhidos em teses de
mestrado e doutorado, e por relatórios produzidos pelos órgãos ambientais estaduais (de
Santa Catarina e Paraná) e federal IBAMA.
Para a análise da sensibilidade dos corpos aquáticos, os parâmetros analisados foram os
mesmos utilizados pela Biodinâmica, ou seja densidade populacional; corpos de água;
unidades de conservação; vegetação; e atividades econômicas. As análises de
sensibilidade foram, já na listagem dos corpos aquáticos, representados por cores onde:
™ VERDE representa os ambientes com uma sensibilidade média;
™ AMARELO representa os ambientes com uma sensibilidade de média a
alta;
™ VERMELHO representa os ambientes com uma sensibilidade alta a muito
alta.
4.1.3.1.2 Identificação dos Corpos Aquáticos
Os principais Corpos Aquáticos, bem como as suas distâncias do Terminal de São
Francisco do Sul (DTSUL) que se encontram na área de influência direta do Oleoduto
Santa Catarina – Paraná (OSPAR) estão listados na tabela 4.1..2 abaixo:
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Tabela 4.1.2 Listagem dos principais corpos d’água na área de influência do OSPAR
CORPO AQUÁTICO
Km (distância do DTSUL)
Rio Ubatuba
3,880
Rio Sem-Saída
Baía de Babitonga
~7,000
Arroio Inferninho
14,000
Rio Jaguaruna
12,970
Rio Sai-Mirim
18,440
Córrego Loreno
~19,000
Rio Braço do Norte
~22,200
Rio Bom Futuro
~23,700
Rio Água Branca
~25,100
Ribeirão Barrinha – Rio Saí-Guaçú
~29,900
Rio Palmital
35,680
Rio São João1
40,450
- ~8,000
Contribuintes do Rio São João
Rio Campina Chata
58,300
Rio Itararé
64,315
Rio Matulão
~69,000
Represa
Voçoroca
Joãozinho)
(Rio
São
Represa Voçoroca (Rio São João II)
72,700
75,200
Contribuintes da Represa Voçoroca
Rio Abaixo
~85,500
Rio de Una
87,200
Afluente do Rio Agreste
89,400
Arroio Passo dos Pires
~92,500
Afluente Rio Cotia
~95,500
Afluentes do Rio Despique
Ribeirão Ana Luiza
108,700
Ribeirão Mascate
~110,200
Rio Iguaçu
111,800
Rio Barigui
116,400
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4.1.3.1.3 Descrição dos recursos hídricos por unidades de trabalho na área de
influência do OSPAR.
Com base no Relatório de Análise de Riscos – AR e Mapa de Sensibilidade Ambiental
produzidos pela Biodinâmica, a descrição dos recursos hídricos na área de influência do
oleoduto são:
4.1.3.1.3.1 Iperoba
É a região que compreende a área que abrange do Terminal DTSUL até o quilômetro 2,8
do oleoduto. Caracteriza-se, hidricamente, pela presença de pequenas drenagens
translúcidas (baixa turbidez), de coloração escura (marrom a preta) e, provavelmente,
ácidas, típicas de áreas com alto teor de matéria orgânica em decomposição. Ocorrem
também nesta região pequenas drenagens artificiais.
4.1.3.1.3.2 Ubatuba
Área situada entre os quilômetros 2,8 e 5,4 do oleoduto. Os Rios desta área drenam para
a Baía de Babitonga, mais especificamente para o Balneário Maria Capri, através de
percursos com cerca de 0,6 a 0,7 quilômetro de extensão a partir dos respectivos pontos
de travessia do duto. (BIODINÂMICA, 2001)
O principal corpo aquático desta região é o Rio Ubatuba, que apresenta águas escuras,
evidenciando a drenagem de áreas de mangue com elevados teores de matéria orgânica
dissolvida. O Rio Ubatuba apresenta uma largura aproximada de 16 (dezesseis) metros e
apresenta suas margens conservadas pela mata ciliar.
O Rio Sem Saída, com características semelhantes ao Rio Ubatuba, é outro corpo
aquático importante desta região possuindo uma largura aproximada de 10 (dez) metros.
(BIODINÃMICA, 2001).
4.1.3.1.3.3 Baia de Babitonga
Esta região compreende o trecho do quilômetro 7,0 ao quilômetro 8,0 do oleoduto Santa
Catarina – Paraná, que está submerso e atravessa o canal da Baía de Babitonga
próximo a sua conexão com o mar. Este local apresenta uma grande dinâmica o que, em
um eventual acidente, pode distribuir o óleo tanto para o oceano quanto para o interior da
Baía onde possui manguezais e caracteriza a área como sendo de grande sensibilidade
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ambiental, de acordo com a vazante de água e o vento predominante no instante do
acidente.
A Baía de Babitonga é considerada a área estuarina mais importante da costa norte do
estado de Santa Catarina. Situada entre as coordenadas geográficas de 26º02’ – 26º28’
S e 48º28’ – 48º50’ W. De acordo com relatório técnico da FUNDEMA (UNITERMOS,
390), apresenta uma superfície de 130 Km2, profundidade média de 6m, volume
aproximado de 7,8 x 108 m3 de água. Informações contidas na Tábua de Marés publicada
pela Capitania dos Portos para o porto de São Francisco do Sul, no período, indica uma
amplitude de maré para a região de 1,30m, com duração aproximada de seis horas. A
oeste a Baía limita-se na porção setentrional pela unidade geomorfológica da Serra do
Mar (Mapa Geomorfológico – Atlas de Santa Catarina) e, a leste, a Ilha de São Francisco
subdivide o complexo em dois setores: a Baía da Babitonga propriamente dita e o canal
do Linguado (UNITERMOS, op cit.) (IBAMA, 1998).
4.1.3.1.3.4 Jaguaruna
Nesta região, que vai do quilômetro 12,5 ao 14,2, encontramos alguns rios que estão na
área de influência do oleoduto OSPAR. O Rio Jaguaruna apresenta uma largura de cerca
de 2 metros, alargando-se posteriormente à Baía de Babitonga. Suas águas são
translúcidas e possui coloração escura, semelhante aos demais rios e arroios da região.
Outro corpo hídrico desta unidade de trabalho, o arroio Inferninho, que é afluente do Rio
Jaguaruna, apresenta margens ciliares bastante alteradas.
4.1.3.1.3.5 Saí-Mirim
Essa área compreende o trecho atravessado pelo duto entre os quilômetros 14,2 até
25,9, aproximadamente, representando a quase totalidade da Bacia do Rio Saí-Mirim.
Cruzando a rota do oleoduto encontram-se diversas nascentes, rios e arroios, todos
afluentes do Saí-Mirim. Entre eles encontramos o córrego Loreno, o Rio Bom Futuro, o
Rio Água Branca, e o Rio Braço do Norte com seus afluentes, que apresentam
dimensões reduzidas e quase nenhuma vegetação ciliar.
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Essa bacia é de particular importância, pois todos os rios e córregos que convergem para
o Saí-Mirim, possuem além de seus atributos naturais, a característica de servir de
manancial para o município de Itapoá.
As águas desta bacia de drenagem fluem, de maneira geral, no sentido leste, tendo
como destino final o Oceano Atlântico, através da praia de Itapema do Norte, no litoral
catarinense.
4.1.3.1.3.6 Barrinha-Saí-Guacú
Nesta área que é atravessada pelo duto no quilômetro 25,9 ao 33,0, aproximadamente,
destaca-se o Ribeirão Barrinha, afluente do Rio Saí-Guaçu que desemboca na Barra do
Saí em Guaratuba, ao norte do município de Itapoá.
Além do Ribeirão-Barrinha, neste mesmo sistema de drenagem, o oleoduto atravessa
diversos corpos hídricos menores que são seus afluentes.
4.1.3.1.3.7 Palmital
O trecho da bacia do Palmital que o oleoduto atravessa, do quilômetro 33 a 37,5,
aproximadamente, não possui grandes rios, pois é a região superior da bacia de
drenagem.
O Rio Palmital caracteriza-se por possuir águas um pouco turvas e carência de mata
ciliar na região que o oleoduto o atravessa. A jusante, em direção a Baía de Babitonga, o
Rio Palmital atinge largura superior a 1 Km após receber águas de diversos contribuintes.
4.1.3.1.3.8 Tamanduá
Nesta região cortada pelo duto entre seu quilômetro 37,6 a 39,5, com a presença de
pequenas drenagens. O principal corpo hídrico da região é o Rio Tamanduá, afluente do
Rio São João, que possui baixa probabilidade de ser atingido em caso de acidente com o
oleoduto, devido à grande distância deste.
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4.1.3.1.3.9 São João I
No trecho entre os quilômetros 39,7 a 63,2 o oleoduto segue paralelo ao leito do Rio São
João cruzando seus afluentes e a ele próprio. Dentre os principais afluentes do Rio São
João está o Rio Campina Chata.
A primeira ocasião em que o Rio São João é cruzado pelo oleoduto é na proximidade da
cidade de Garuva, quilômetro 40,4, depois da válvula de bloqueio VB-4 Garuva. Nesta
região o Rio São João apresenta largura de 15 a 20 metros, águas límpidas e com
corrente de grande força de arraste. A população de Garuva utiliza essas águas para
irrigação, pesca e lazer.
O segundo ponto de cruzamento do Rio São João localiza-se no quilômetro 55, na
localidade de Pedra Branca do Araraquara. Neste ponto o rio apresenta uma largura de 7
metros, baixa profundidade, águas límpidas e correntes. Sua vegetação ciliar encontra-se
alterada e em estágio inicial de regeneração.
4.1.3.1.3.10 São João II
Esta unidade de trabalho, que abrange do quilômetro 63,7 ao quilômetro 70,0 do
oleoduto, foi dividida em duas áreas: São João II A e São João II B, devido às direções
do fluxo da bacia de drenagem, pois as águas da bacia de drenagem São João II A flui
no sentido leste em direção a São José dos Pinhais. Já a drenagem das águas da área
São João II B seguem para oeste em direção à Represa de Voçoroca.
Na bacia São João II A destaca-se o cruzamento com o Rio Itararé e seu afluente
Itararezinho, com larguras de 3 e 5 metros, nos respectivos pontos de cruzamento.
Caracterizam-se por apresentarem águas límpidas e correntes as quais correm sobre um
leito de areia e rochas. Suas matas ciliares, embora de pequenas dimensões, encontramse relativamente preservadas. O Rio Itararé é um importante afluente do Rio São João II,
afluente do Rio Cubatão, que por sua vez deságua na Baía da Guaratuba, região com
presença de grandes áreas de manguezais.
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4.1.3.1.3.11 Voçoroca
Esta região é atravessada pelo oleoduto entre seus quilômetros 70,0 e 78,5
aproximadamente. O principal corpo hídrico desta bacia é a Represa de Voçoroca,
possuindo à montante dois pontos de travessia com o duto. O primeiro fica situado no
quilômetro 72,700 aonde chegam as águas do Rio São Joãozinho. Neste ponto a represa
apresenta largura, de aproximadamente, 50 metros e águas um pouco turvas.
O segundo ponto de travessia com a Represa Voçoroca fica situado no quilômetro
75,150 do duto, no local onde o Rio São João II deságua na mesma. As águas neste
local apresentam-se muito turvas devido ao transporte de sedimentos.
A Represa Voçoroca é utilizada para a geração de energia elétrica e como área
alternativa para lazer e pesca. Em suas margens predominam matas ciliares e/ou mata
densa bem preservada ou em recomposição.
4.1.3.1.3.12 Várzea
Esta bacia está situada entre os quilômetros 78,5 e 93,5 do oleoduto. Seus principais
corpos hídricos, tais como: o Rio do Una, o Arroio Agreste e o Arroio Passo dos Pires
drenam para o Rio da Várzea, à jusante da bacia e ao sul do oleoduto.
O Rio do Una apresenta águas muito turvas e mata ciliar bem preservada, enquanto que
as margens Arroio Agreste encontram-se bastante alteradas e suas águas um pouco
turvas.
4.1.3.1.3.13 Cotia e Despique-Iguaçu
Entre os quilômetros 93,5 a 106,6 o oleoduto atravessa por diversos afluentes dos Rios
Cotia e Despique, de pendente voltada para nordeste. Ambos convergem e deságuam
no Rio Iguaçu, nas proximidades do município de São José dos Pinhais.
No Rio Despique, à jusante do oleoduto, há um ponto de captação de água da
SANEPAR. Este local também é procurado para atividades de lazer.
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4.1.3.1.3.14 AnaLuisa/Mascate-Iguaçu
O trecho do oleoduto presente nesta unidade de trabalho vai do quilômetro 106,6 ao
113,9. Nesta área encontra-se outra sub-bacia do Rio Iguaçu formado pelo Ribeirão Ana
Luisa e pelo Ribeirão Mascate e seus respectivos afluentes. Ambos são atravessados
pelo duto e convergem à jusante, desaguando no Rio Iguaçu.
No quilômetro 111,8 ocorre a travessia do oleoduto com o Rio Iguaçu. Neste local a
largura do Rio Iguaçu é de 12 metros, suas águas são muito turvas e a mata ciliar
encontra-se em estágio de regeneração.
Em algumas regiões do Rio Iguaçu são comuns as atividades de lazer (banhos e
pescarias), além de extração de ervas para a indústria farmacêutica.
4.1.3.1.3.15 Bariquí-Iguaçu
Nesta última unidade de trabalho, que compreende do quilômetro 113,9 ao destino final
do oleoduto, a REPAR, o principal corpo hídrico é o Rio Barigui, que também forma uma
sub-bacia do Rio Iguaçu. Este rio é cruzado pelo oleoduto no quilômetro 116,4,
aproximadamente, local no qual ele apresenta uma largura de 9 metros e uma vegetação
bem preservada em suas margens.
Deve-se considerar a formação de pequenos banhados relativamente próximos da faixa
do oleoduto, que foram formados pela atividade de extração de areia nas margens do Rio
Barigui.
Observação: as unidades de Capri e Itapoá, respectivamente nos quilômetros de 5,4 –
7,0 e 8,0 – 12,5 do oleoduto, foram excluídas das descrições por não apresentarem
nenhum corpo hídrico relevante.
4.1.3.1.4 Caracterização dos Corpos Aquáticos
Para a caracterização dos corpos aquáticos diretamente ligados ao OSPAR, foram
utilizados relatórios dos órgãos ambientais regionais (FATMA – SC, IAP –PR) e federais
(IBAMA).
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4.1.3.1.4.1 Baía da Babitonga
Os dados aqui relacionados referem-se aos trabalhos de KUROSHIMA e BELLOTTO
(FACIMAR/UNIVALI) de Caracterização Química da Coluna D’água da Baía da
Babitonga, presente no livro: Proteção e controle de ecossistemas costeiros: manguezal
da Baía da Babitonga/IBAMA de 1998; e no Estudo de Impacto Ambiental das
Instalações Portuárias em Itapoá – SC, feito pela Planave S.A.. Como a Baía da
Babitonga possui uma grande área superficial (130 Km2), utilizamos para a sua análise
apenas os pontos, dos trabalhos acima referidos, mais próximos ao duto.
Pelos trabalhos podemos observar, com relação à salinidade e pH, que ambos são
maiores quanto mais próximo da desembocadura, ou seja, quanto maior é a influência
das águas do oceano adjacente. A salinidade oscilou em torno de 30,3 (± 1,6), enquanto
que o pH ficou em torno de 8,1 (± 0,2).
As distribuições do pH estão mais relacionadas ao processo de mistura das águas de
diferentes origens, não sendo observado variações devido a processos biogeoquímicos.
Também não foi observado nenhum gradiente vertical acentuado, para esses dois
parâmetros, mostrando que o estuário apresenta uma pequena estratificação vertical,
podendo ser classificado como um “estuário homogêneo”, segundo a definição dada por
PRITCHARD (1955) apud in MORRIS (1985).
A temperatura também não mostrou uma variação vertical mesmo aonde a coluna de
água chegou até 25 metros de profundidade (profundidade média em torno de 14,2 m, ±
5,2), oscilando em torno de 23,4°C (± 4,2) - no período de agosto a dezembro - indicando
a predominância da ACAS (Água Central do Atlântico Sul), influenciando a Água
Costeira, quando da passagem de massas frias pelo litoral.
Os valores médios de silicato variaram de maneira inversa com os de salinidade, ou seja,
quanto maior a salinidade, menor o valor de silício. Este tipo de distribuição pode ser
explicado pelo fato deste nutriente ser primariamente originado da lixiviação das rochas,
sendo transportado para os ambientes aquáticos pelo aporte pluvial. A sua concentração
é controlada por processos físicos de mistura das águas continental-oceânica. Para a
região de influência direta do duto, o valor de silicato ficou em torno de 10,7 µM (± 1,6).
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Para os nutrientes nitrogenados (nitrato, nitrito e amônio), observa-se que para o nitrato,
a distribuição média espacial, na Baía da Babitonga, também se apresenta inversamente
proporcional à distribuição da salinidade, apesar de não ser tão evidente quanto foi para
o silicato. O nitrato também apresenta maiores concentrações em águas continentais, em
relação às águas costeiras, porém pode sofrer mais intensamente o efeito de outros
processos químicos e biológicos, interferindo na distribuição espacial deste elemento ao
longo de toda a Baía.
Considerando a proporção relativa de cada um dos compostos nitrogenados na região de
influência direta do duto - amônio de 2,7 µM (±1,8); nitrito de 0,10 µM (±0,10); e nitrato de
0,7 µM (±0,6) – observa-se que a maior fração corresponde amônio seguido pelo nitrato
e nitrito.
A maior concentração do amônio pode ser originada nos ambientes estuarinos devido
aos processos de decomposição da matéria orgânica ou resultado da excreção dos
produtos secundários (DAY et al., 1989). Assim, esta abundância de amônio em relação
aos demais nutrientes nitrogenados pode ser interpretada como um indicativo de que
neste ambiente os processos geradores de amônio são mais importantes. De fato, a Baía
da Babitonga, sendo em grande parte marginalizada por manguezais, recebe
provavelmente um grande aporte de matéria orgânica, a qual será então remineralizada
em suas águas. Esta atividade bacteriana resultará em um aumento de amônio. Essa
idéia é reforçada pela queda na concentração do oxigênio dissolvido nas regiões onde a
concentração de amônio é maior.
A distribuição espacial média do fosfato dentro de toda Baía, mostra uma diminuição da
concentração deste elemento da região da Lagoa do Sagaçu (próximo a Joinville) para a
região do canal da Baía (área de influência direta do duto), evidenciando um aporte deste
elemento na região próxima a cidade de Joinville e uma diluição em direção ao oceano.
Os valores de fosfato encontrados para a área de influência do duto, giram em torno de
0,4 µM (± 0,2).
Para essa mesma região podemos ainda encontrar dados referentes às concentrações
de clorofila-a de 3.3 µg (± 2,0); transparência da coluna d’água (Secchi) de 2,5 m (± 1,6);
e valores de turbidez que variam de 2 a 16 NTU na superfície e de 3 a 28 NTU no fundo,
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indicando um considerável aporte de material particulado proveniente dos rios ao redor
da Baía e pela situação de vazante registrada no momento da medição.
O oxigênio dissolvido não apresentou uma variação significante ao longo da coluna
d’água, ficando em torno de 6,7 mg/l (± 0,7) e a sua saturação de 92,2% (± 6,4).
O ritmo estacional pluviométrico nessa área, encontra no trimestre janeiro-março seus
meses de maior intensidade pluviométrica, enquanto que nos meses de inverno
(principalmente no trimestre de junho-agosto) seus menores índices pluviométricos.
Deve-se considerar que os parâmetros acima analisados referem-se às condições
pluviométricas do período analisado (agosto a dezembro), sendo que quaisquer
mudanças nessas condições podem faze-los variar.
4.1.3.1.4.2 Represa de Voçoroca
Para a caracterização desse corpo hídrico na área de influência direta do oleoduto,
utilizou-se o Sistema de Avaliação, Classificação e Monitoramento da Qualidade das
Águas dos Reservatórios do Estado do Paraná, feito pelo Instituto Ambiental do Paraná
(IAP).
Os métodos e procedimentos adotados para a caracterização do reservatório de
Voçoroca, bem como de outros reservatórios presentes no Estado, basearam-se na
necessidade de implementar, através de um órgão estadual, um projeto de
monitoramento limnológico otimizado porém, com bases científicas consistentes e
possíveis de serem executados por um órgão governamental.
A base científica para a seleção do método foi obtida através de estudos intensivos
realizados em 19 reservatórios do Estado do Paraná entre 1987 e 1994. O método visa
conhecer as principais características ecológicas de cada reservatório, determinando em
particular a qualidade das águas e a tendência das mesmas ao longo do tempo, ou seja,
conhecer os problemas mais críticos com relação à qualidade das águas, com o
propósito de definir prioridades no manejo e alternativas para controle da degradação
ambiental.
Os resultados foram divulgados através de publicações em forma de relatórios técnicos,
além de mapas temáticos onde os reservatórios do Estado são classificados em
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diferentes classes demonstrando a situação da qualidade das águas de acordo com seu
grau de degradação.
Desta forma o IAP - Instituto Ambiental do Paraná, desenvolveu o sistema descrito
abaixo, visando classificar os reservatórios do Estado (entre eles o de Voçoroca), de
acordo com seus graus de comprometimento, visando a conservação e/ou recuperação
da qualidade das águas destes ecossistemas em função dos seus usos.
A implementação do projeto visou um monitoramento que levou em consideração os
vários usos da água. O método desenvolvido foi considerado como um programa
mínimo, racional e de baixo custo, que possibilita o conhecimento das principais
características limnológicas de cada reservatório, além de permitir avaliar as tendências
da qualidade das águas a fim de estabelecer regras básicas de manejo para estes
ecossistemas.
Foram realizados estudos comparativos entre 19 reservatórios do Estado do Paraná de
acordo com suas características distintas e peculiaridades regionais a fim de se
determinar o melhor programa de monitoramento.
A freqüência de amostragem foi estabelecida levando-se em consideração o ciclo
hidrológico bem como as principais variações climáticas que podem caracterizar os
períodos de melhor e/ou pior qualidade das águas, isto é, os períodos em que
normalmente ocorrem os processos de estratificação e mistura da coluna de água. Desta
forma, foi estabelecida uma freqüência semestral para realização dos monitoramentos
em função das características bem definidas das estações climáticas no Estado do
Paraná. Verão - período no qual ocorre uma típica estagnação dos corpos d'água
associada a uma biodinâmica máxima, devido às maiores temperaturas do ano (entre 22
e 38ºC) e mudanças hidrológicas causadas pelas precipitações típicas que ocorrem
neste período. Inverno - período no qual ocorrem condições mais favoráveis à mistura
da coluna d'água, devido às menores temperaturas do ano (entre 8 e 18ºC) e menores
alterações hidrológicas.
As variáveis selecionadas para o monitoramento levaram em consideração os objetivos
do mesmo, seu custo e eficácia em termos de avaliação de qualidade de água, desta
forma foram determinados os seguintes parâmetros: temperatura, oxigênio dissolvido,
27
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porcentagem de saturação, condutividade elétrica, pH, profundidade Secchi, alcalinidade,
turbidez, sólidos suspensos totais, nitrato, nitrito, nitrogênio amoniacal, nitrogênio total
Kjeldahl, fósforo total, demanda química de oxigênio, demanda bioquímica de oxigênio,
clorofila a, fitoplâncton, zooplâncton, área alagada, tempo de residência, volume e
profundidades máxima e média.
Com os dados em mãos foi desenvolvida uma matriz contendo os intervalos de classe
dos parâmetros mais relevantes para a determinação das classes de qualidade de água
dos reservatórios, de acordo com seus níveis de comprometimento. Foram incluídos
nessa matriz os parâmetros como déficit de oxigênio dissolvido, fósforo total, nitrogênio
inorgânico total, demanda química de oxigênio, transparência, clorofila-a, tempo de
residência e profundidade média. Além destas variáveis, a comunidade fitoplanctônica
(diversidade e floração de algas) foi incluída na matriz devido a sua importância ecológica
em ecossistemas lênticos (porém este parâmetro recebeu um tratamento estatístico
diferenciado).
A matriz desenvolvida, apresenta seis classes de qualidade de água, as quais foram
estabelecidas a partir do cálculo dos percentis de 10, 25, 50, 75 e 90% de cada uma das
variáveis mais relevantes selecionadas (Tabela 4.1.3).
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Tabela 4.1.3 - Matriz de Qualidade de Água
Variáveis "i"
Classe I
Classe II
Classe III
Classe IV
Classe V
Classe VI
6-20
21-35
36-50
51-70
>70
11-25
26-40
41-85
86-210
>210
0,06-0,15
0,16-0,25
0,26-0,60
0,61-2,00
>2,00
1,5-3,0
3,1-5,0
5,1-10,0
11,0-32,0
>32
Disco de Secchi (m) >3
3-2,3
2,2-1,2
1,1-0,6
0,5-0,3
<0,3
DQO (mg/L)
3-5
6-8
9-14
15-30
>30
Tempo
de <10
residência (dias)
11-40
41-120
121-365
366-550
>550
Profundidade
média (m)
>35
34-15
14-7
6-3,1
3-1,1
<1
pobre
baixa
alta, com reduzida
predominâ
ncia
de
espécies
reduzida
muito
reduzida
sem
sem
sem
freqüente
permanente
Déficit de oxigênio <5
(%)
Fósforo Total (µg/L)
<10
Nitrog. Inorg. Total <0,05
(mg/L)
<1,5
Clorofila a (µ/L)
Fitoplâncton
(diversidade
espécies)
Fitoplâncton
(florações)
<3
de
ocasional
Para o cálculo do Índice da Qualidade de Água de cada reservatório, as variáveis
selecionadas receberam pesos distintos, em função de seus diferentes níveis de
importância (Tab. 4.1.4).
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Tabela 4.1.4 - Variáveis selecionadas e seus respectivos pesos
Variáveis "i"
Pesos wi
Déficit de oxigênio dissolvido- (%)
17
Fósforo Total - (O-mg/l)
12
Nitrogênio inorgânico total - (N- mg/l)
08
Clorofila a - (mg/m3)
15
Profundidade Secchi - (metros)
12
Demanda Química de Oxigênio - DQO - (O2 - mg/l)
12
Fitoplâncton (diversidade e florações)
08
Tempo de residência - (dias)
10
Profundidade média - (metros)
06
A classe de qualidade de água a que cada reservatório pertence, é calculada através do
Índice de Qualidade de Água de Reservatórios (IQAR), de acordo com a seguinte
fórmula:
IQAR = Σ (wi . qi) / Σ wi
onde:
wi = pesos calculados para as variáveis "i";
qi = classe de qualidade de água em relação a variável "i", q pode variar de 1 a 6.
Os dados coletados a cada campanha de monitoramento semestral, são calculados e
recebem um IQAR parcial. A média aritmética de dois ou mais índices parciais fornece o
IQAR final e a classe a qual cada reservatório pertence.
Em seguida do cálculo do IQARA, foram definidas seis classes de qualidade de água
estabelecidas, podem ser definidas conforme segue:
™ Classe I - não impactado a muito pouco degradado: corpos de água sempre
com saturação de oxigênio, baixa concentração de nutrientes, concentração de
matéria orgânica muito baixa, alta transparência das águas, densidade de algas
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muito baixa, normalmente com pequeno tempo de residência das águas e/ou
grande profundidade média;
™ Classe II - levemente degradado: corpos de água com pequena entrada de
nutrientes orgânicos e inorgânicos e matéria orgânica, pequena depleção de
oxigênio dissolvido, transparência das águas relativamente alta, baixa densidade
de algas, normalmente com pequeno tempo de residência da água e/ou grande
profundidade média;
™ Classe III - moderadamente degradado: corpos de água que apresentam um
déficit considerável de oxigênio dissolvido na coluna d' água, podendo ocorrer
anoxia na camada de água próxima ao fundo, em determinados períodos, entrada
considerável de nutrientes e matéria orgânica, grande variedade e densidade de
algumas espécies de algas, sendo que algumas espécies podem ser
predominantes, tendência moderada a eutrofização, tempo de residência das
águas, considerável;
™ Classe IV - criticamente degradado a pouco poluído: corpos de água com
entrada de matéria orgânica capaz de produzir uma depleção crítica nos teores de
oxigênio dissolvido da coluna d'água, possibilidade de ocorrerem mortandades de
peixes em alguns períodos de acentuado déficit de oxigênio dissolvido, entrada de
consideráveis cargas de nutrientes, alta tendência a eutrofização, ocasionalmente
c/ desenvolvimento maciço de populações de algas, ocorrência de reciclagem de
nutrientes, baixa transparência das águas associada principalmente à densidade
algal;
™ Classe V - muito poluído: corpos de água com altas concentrações de matéria
orgânica, geralmente com baixas concentrações de oxigênio dissolvido, alto imput
e reciclagem de nutrientes, corpos de água eutrofizados, com florações de algas
que freqüentemente cobrem grandes extensões da superfície da água, o que limita
a transparência das águas;
™ Classe VI - fortemente poluído: corpos de água com condições bióticas
seriamente restritas, resultante de severa poluição por matéria orgânica, eventuais
substâncias tóxicas e outras substâncias consumidoras de oxigênio dissolvido,
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podendo ocorrer, ocasionalmente, processos de anoxia em toda a coluna de água,
entrada e reciclagem de nutrientes muito altos, corpos de água hipereutróficos,
com intensas florações de algas cobrindo toda a massa de água.
Com isso, chegamos aos valores que foram encontrados para o Reservatório de
Voçoroca:
Variáveis
Jan/97
Jun/97
Déficit Oxigênio Dissolvido (*)
70,4
12,1
Fósforo Total (**)
0,020
0,023
Nitrogênio Inorgânico (**)
0,14
0,55
Clorofila a (***)
6,50
6,29
Profundidade Secchi
2,50
1,40
DQO (**)
9,5
10,5
Tempo de Residência
110
110
Profundidade Média
4,0
4,0
Fitoplâncton (Diversidade de
espécies)
sem
predominância
sem predominância
Fitoplâncton (Florações)
sem florações
sem florações
(*) média da coluna d' água ; (**) média da profundidade I e II ; (***) profundidade I,
onde: profundidade I é a camada da zona eufótica com 40% da luz incidente, onde é
esperada uma produção primária de fitoplancton representativa da camada trofogênica
(Schaefer, 1985); profundidade II é a metade da zona afótica, onde independentemente
dos processos de estratificação térmica, a respiração e a decomposição são
predominantes sobre a produção autotrófica; profundidade III é quando, durante as
medições in situ, forem detectadas zonas anóxicas, deverá ser coletada mais amostra
na porção intermediária desta camada.
Classificação final do Reservatório de Voçoroca, segundo o IQAR = 3,2, ou CLASSE 3 Moderadamente degradado.
32
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4.2 Meio Biótico
4.2.1 Introdução
O presente estudo consiste na análise do meio bótico, da área de influência direta e
indireta do Oleoduto OSPAR da Transpetro, situado entre os municípios de São
Francisco do Sul, em Santa Catarina e Araucária, no Paraná.
Oleodutos são empreendimentos potencialmente causadores de impactos sobre o
meio biótico, visto que, em casos de acidentes graves podem afetar negativamente a
estrutura do ecossistema na área de influência. Podem determinar também
alterações na paisagem e hidrologia, que indiretamente acabam por influenciar a
biota.
Este oleoduto em particular, atravessa um dos biomas mais ameaçados em termos
mundiais, que é a mata Atlântica e seus ecossistemas associados. Constata-se que
o traçado do oleoduto representa uma intersecção no sentido norte - sul, abarcando
ambientes litorâneos, como restingas e mangues, e, principalmente, uma parcela
considerável da faixa de floresta Ombrófila Densa existente na encosta da Serra do
Mar e parte da Floresta Ombrófila Mista no Planalto.
A escarpa que margeia a região litorânea brasileira está entre as áreas mais ricas em
termos de biodiversidade e a que mais vem sofrendo pressão antrópica desde o
início do povoamento do Brasil. As florestas foram submetidas a um acentuado
processo de fragmentação, determinando a formação de mosaicos onde se
intercalam áreas agrícolas e relictos florestais mais ou menos conectados entre sí.
Em alguns locais, onde a agricultura era impraticável, tais como topos e encostas
íngremes dos morros, foram mantidas algumas florestas originais, apenas
explorando seletivamente algumas espécies de maior utilidade ou valor comercial.
A área a ser direta ou indiretamente afetada pela existência deste oleoduto, embora
em termos gerais não represente uma parcela até insignificante ante o total de áreas
com mata Atlântica remanescente na região, deve ser considerada como mais um
impacto em um bioma já severamente ameaçado.
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A ocorrência das formações florestais inseridas no bioma Mata Atlântica, no caso a
floresta ombrófila densa e a floresta ombrófila mista, conforme o decreto federal
750/93, determinam que a operação de qualquer empreendimento nesta região
sigam os ditames da legislação específica.
Todas as intervenções nestes ambientes tem um custo ambiental relativamente alto,
existindo condicionantes que determinam dificuldades para a operação e ações de
monitoramento, que só podem ser autorizadas mediante decisão dos órgãos
ambientais compententes.
É neste contexto que se insere o presente estudo. Representa, em última análise, um
instrumento essencial para que se possa avaliar a dimensão do impacto causado
diretamente
aos
ecossistemas
pela
da
operação
do
oleoduto
estes
e
fundamentalmente, o grau de importância das áreas que potencialmente poderiam
ser atingidas direta ou indiretamente no contexto local e regional em caso de
acidente.
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4.2.2 Metodologia
A construção do estudo está baseado em duas fases de interpretação distintos. A
primeira etapa, analítica, está baseada na coleta de informações para a descrição
detalhada dos compartimentos do ambiente, particularmente do meio biótico. A
segunda etapa, sintética, pretende a integração desses dados para compreender o
ecossistema de forma mais próxima de sua realidade.
4.2.2.1 Métodos para a Determinação da Área de Influência
A Área de Influência Direta foi definida artificialmente como uma faixa de 2,5 Km de
largura em ambos os lados do oleoduto. Essa delimitação é baseada no
detalhamento da fonte de informações, cujo pixel permite uma escala de 1:10.000.
De fato, a área de influência direta é bem menor, ocupando uma faixa de 50 metros
ao longo do duto. Ela foi superdimensionada em função da possibilidade de
realização do trabalho, já que havia um levantamento aerofotogramétrico, e para
expandir o detalhamento da área de influência indireta.
Na Área de Influência Direta foram feitas a maioria das observações, medições,
estudos e levantamentos integrantes do diagnóstico biológico. Tal faixa abrange
todos os biótopos considerados no trabalho, desde o oceano, estuário, planície
costeira, encosta, planalto, picos dissecados e todas as formações vegetais ali
estabelecidas.
A Área de Influência Indireta do oleoduto foi definida em função das características
ambientais da área de entorno. Uma definição baseada nelas proporciona uma
delimitação muito mais natural ou real da área potencialmente influenciada pelo
oleoduto. Entre os aspectos mais relevantes considerados estão a rede hidrográfica,
os maciços florestais, a topografia e a configuração de corredores ecológicos.
Na Área de Influência Indireta utilizou-se como escala básica 1:50.000 e imagem de
satélite com pixel de 15 metros. A definição e o mapeamento das unidades da
paisagem foram feitas em função da extrapolação das informações colhidas na Área
de Influência Direta.
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Os trabalhos de campo foram realizados entre os dias 27 de outubro e 10 de
novembro de 2001 na área de influência do oleoduto. Ao todo foram selecionados 78
pontos de observação, que estão plotados no anexo xx.1 (Ponto de coleta de
informações, conforme tabela)
4.2.2.2 Métodos para o Diagnóstico da Vegetação
4.2.2.2.1 Caracterização da Estrutura e Composição da Cobertura Vegetal
Na caracterização e delimitação das formações vegetais ocorrentes na área objeto
deste estudo, inicialmente se procedeu a um estudo bibliográfico e cartográfico.
Foram analisadas obras sobre a vegetação da Região, bem como as cartas
temáticas disponíveis. As obras usadas na caracterização da
vegetação foram,
principalmente ANDRADE-LIMA (1966), HUECK (1972), RIZZINI (1979), MAACK
(1981), KLEIN (1980), VELOSO et al. (1991), CAMARGO (2001),
e
IBGE
(1986,1992), entre outras.
Após foram feitas observações criteriosas no local, nas quais os dados quanto à
estrutura, fisionomia e dinamismo da vegetação, basearam-se na experiência dos
autores em áreas semelhantes e adaptação de métodos fitossociológicos usuais
como BRAUN-BLANQUET (1966) e Martins (1991). Para a caracterização
fitossociológicas e levantamento florístico das diferentes tipologias vegetais nas
áreas com formações arbóreas, foram demarcadas 39 parcelas retangulares com
100 m2 , locadas em diferentes locais onde ocorriam formações florestais em áreas
diretamente afetadas pelo traçado do oleoduto e em áreas representativas dos
diferentes tipos florestais e estágios sucessionais.
Para a obtenção destes parâmetros as parcelas foram em número suficiente para
obter amostras de todas as espécies da fitocenose, num intervalo de confiança de 80
% das espécies arbóreas, que foram definidas pela curva de área amostrada /
acréscimo de novas espécie.
Para a avaliação da estrutura horizontal das tipologias vegetais considerou-se a
distribuição espacial das
espécies, definida pela densidade, freqüência e
importância, conforme abaixo descritas:
36
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A densidade (D) foi definida como número de indivíduos por unidade de área, sendo
obtida pela equação:
D = ( ni / n .100 ) . 10.000 plantas por hectare,
onde:
ni = número de plantas amostradas da espécie i
n = número de parcelas
A densidade, como parâmetro fitossociológico foi determinada sem delimitação do
estrato arbóreo, podendo também ser definida pela densidade relativa (DR), de
acordo com a equação:
DR = ( Di / Σ D ) . 100 %,
onde:
Di = densidade da espécie i
Σ D = somatório de todas as densidades
O índice do valor de importância (IVI) é uma forma simples de integrar a densidade e
dominância, que é determinada pelo índice de cobertura basal (AB) e pelo Volume
(Vol), que integra o DAP e a Altura (HT).
No levantamento florístico tentou-se inventariar as espécies que contribuem mais
significativamente na determinação da fisionomia da vegetação, relevando a eventual
ocorrência de espécies endêmicas ou em perigo de extinção (IBAMA). A identificação
das espécies, na maioria dos casos, foi realizada "in loco". Algumas espécies foram
coletadas
e
identificadas
posteriormente
mediante
o
uso
de
bibliografia
especializada. O levantamento abrangeu todas as formações vegetais pelas quais a
faixa de influência direta passava, não se restringindo à área diretamente afetada. O
inventário florístico foi realizado mediante observações aleatórias e pela demarcação
de 34 parcelas de 100 m2 (4 x 25 metros) distribuídas em todas as formações.
37
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4.2.2.2.2 Elaboração do Mapa da Cobertura Vegetal da Área Diretamente Afetada
4.2.2.2.2.1 Interpretação Prévia de Aerofotos
Para a realização do mapeamento da cobertura vegetal na área de influência direta e
indireta utilizou-se prioritariamente dados obtidos a partir de aerofotos de 2001,
escala 1:10.000, que representa uma escala compatível com a escala das bases
topográficas disponíveis, aproveitando-se diretrizes propostas por CETESB (1987),
adaptadas ás peculiaridades da área estudada.
Mediante uma análise preliminar das fotografias aéreas elaborou-se uma legenda
básica, pressupondo uma relação entre o padrão fotográfico versus tipo de cobertura
vegetal.
As áreas de praia (Vegetação Pioneira de Influência Marítima) são facilmente
diferenciadas, tanto pela proximidade do oceano quanto pela coloração típica da
faixa de areia.
Os manguezais e as matas de restinga sob solos hidromórficos (Floresta Ombrófila
Densa de Terras Baixas), apresentam uma delimitação bastante precisa, em especial
pela rugosidade e tonalidade. As matas de restinga apresentam claramente um porte
mais elevado e maior densidade.
Para definir as classes florestais (em especial os estágios sucessionais) da mata de
encosta (Floresta Ombrófila Densa Submontana, Montana e alto Montana), nesta
interpretação prévia, observou-se que nas encostas mais íngremes das vertentes dos
vales a textura é bastante grossa, com uma tonalidade mais escura e alta
rugosidade, denotando a presença de árvores emergentes de copas grandes e
globosas. Nas partes mais planas, observou-se sempre uma textura mais lisa, com
tonalidades mais claras, praticamente sem sombras, indicando a ausência de árvores
emergentes e com grandes copas. A diferenciação entre as sub-categorias desta
mata de encosta decorrentes da altimetria (submontana, montana e altomontana),
não é perceptível nesta escala de mapeamento.
Assim, pode-se definir, a priori, dois tipos fundamentais de cobertura florestal: As
florestas secundárias em estágio mais avançadas ou primárias semi-explotadas,
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apresentam-se na fotografia como áreas de textura de média a muito grossa,
rugosidade alta ou média e copas grandes e redondas alternadas com copas médias
e pequenas.
As florestas secundárias em estágios menos desenvolvidos, ou seja de médio a
inicial, apresentam-se com cores claras, textura fina, baixa rugosidade e sem
nenhuma individualização de copas emergentes. Também pode-se diferenciar estas
categorias pelo padrão relativamente geométrico que as definiam, evidenciando
claramente o manejo a que foram submetidas.
A diferenciação de áreas de reflorestamento, em especial os plantios mais antigos de
eucaliptus, das de mata nativa, mostrou-se na maioria dos casos bastante difícil. Nas
aerofotos, a cor deste tipo de cobertura vegetal apresentou-se tão escura quanto a
mata nativa desenvolvida, podendo-se diferenciar esta categoria principalmente pela
textura e pela rugosidade, que mostraram-se médias e sempre uniformes.
Para as classes de cobertura vegetal não florestais, a fotointerpretação foi facilitada
por apresentarem uma melhor definição de formas e padrões, bem como pelo
conhecimento prévio da região amostradas.
As áreas urbanas apresentam uma tonalidade mais clara, com uma textura peculiar
que deriva do espaçamento mais ou menos regular entre casas e do padrão de
arruamento.
Nas áreas de agricultura, as lavouras apresentam tonalidades variadas, tendendo
para tons claros e uma textura quase lisa e baixa rugosidade. Os campos e
pastagens apresentam tons ainda mais claros e um padrão de textura e rugosidade
lisas. As áreas recentemente lavradas, com solo exposto, bem como os afloramentos
de rocha, apresentam tonalidade clara, bem distinguível do contexto da vegetação
circundante.
Os cursos d'água puderam ser distinguidos pela padrão característico como se
encaixam nos vales nesta região e pela tonalidade bastante escura e aspecto
filiforme. Outros mananciais, como lagos e áreas alagadas, distinguem-se claramente
pela cor escura e pelo formado peculiar, aberrante em relação às áreas limítrofes.
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4.2.2.2.2.2 Trabalho de Campo
Os objetivos do trabalho de campo foram, inicialmente, resolver dúvidas na
identificação das classes previamente estabelecidas e, principalmente, caracterizar
quantitativa e qualitativamente a vegetação florestal, definindo assim os estágios
sucessionais de cada parcela diferenciada para o mapeamento.
As aerofotos foram georeferenciadas e sobrepostas à base cartográfica disponível,
sendo que a área de influencia direta foi plotada em mapa base escala 1:10.000 e a
área de influência indireta em mapa base escala 1:50.000. Os pontos de amostragem
foram delimitados e assinalados em coordenadas UTM, sendo transferidos para o
GPS, para melhor localização à campo. Ao todo foram feitas observações diretas e
apuradas em 49 pontos ao longo de todo o traçado do oleoduto.
Tabela 4.2.1 Lista dos Pontos de Estudo
PG
EASTING
NORTHING
Pampa
Gol
01
0746244
7097501
8 a 12(Mata primária
c/ocupação)
01
0746204
7097589
01 a 07(Mata paludosa, canal de
drenagem, peixes coletados)
02
0732549
7091546
Ft. digital mostrando mangue
03
0743798
7101132
15,16,17(Mata de restinga e
mangue)
04
0734442
7091960
Próximo a baia de Babitonga
05
0709121
7105728
06
0720440
7119206
BR-101 depois de Garuvá
07
0725135
7120311
BR-101 próximo ao rio SaíGuaçu
08
0726988
7114549
09
0728280
7112033
02(oleoduto p/o norte)03(p/o
sul)
20,21,22,23(bananal, lavoura de arroz)
10
0732771
7108252
06(Rio Saí Mirim)
34,35,36,37(peixes coletados no rio Saí
Mírim, Pachyramphus viridis) Filme 202,03,04(Bananal, pegada graxaim)
11
0739909
7106026
Loteamento dentro da Floresta
Ombrófila Densa em Itapoá
08 a 13(Pegada, caranguejo, mata de
albardão,bromélias)
17(Serra do Mar)
18(duto cortando a mata, Miconia)
40
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PG
EASTING
NORTHING
Pampa
Gol
12
0741414
7102958
07,08,09(ent. Do oleoduto no
continente,pescador)
24,25,26,27,28(pescadores , peixes
marinhos,canal da baía)
13
0728453
7112713
15(Ar. Água Branca)
31,32,33(peixes coletados no rio Água
Branca)
14
0721380
7113498
Contornando encosta próximo
ao rio Palmital
15
0719840
7117965
16,17(oleoduto p/o leste e
oeste)
16
0714589
7121981
22,23(Balneário,tucano)
16
0714243
7122705
24(Rio S.João)
07(Encosta)
17
0712232
7123674
25,26(oleoduto cruza rio
S.João e BR)
08(Rio São João)
17
0712651
7123948
09,10,11( capoeira, mata c/Miconia)
18
0710233
7127638
12 e 13,14(Composição do vale do rio
São João)
19
0708478
7132247
17(Travesia do rio São João)
20
0665425
7167743
Rio Barigui
21
0665885
7168456
31(Travesia do Rio Birigui)
22
0664977
7165849
23
0668696
7164714
34(Travesia do rio Iguaçu)
21,21 ,22,23,24,25(Pegada de ratão,
Tupinambis,gato, peixes do rio Iguaçu,)
24
0672696
7160720
35,36(Interior da PUC)
26(Travesia na mata da PUC)Filme 301,02,03,04(Mata da PUC, pegada de
ungulado)
25
0674528
7158445
26
0674696
7158096
27
0674914
7155473
28
0676917
7155662
Filme 03 _ 01,02(cortando a
mata ao norte e sul)
29
0678371
7151962
Colonia Marcelino próx. ao Rio
Cutia
30
0679669
7152543
Mata do Rio Cutia
31
0680692
7151235
Idem ao PG 30
32
0682074
7149472
A oeste do Ar. Agreste
18(Rio Barigui)
A
08(paisagemdo planaltoc/duto ao centro)
37(passando em mata de
araucaria)
09(crista c/mata de araucária)
41
10(próx. ao pto 51, açude da lontra)
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PG
EASTING
NORTHING
Pampa
Gol
33
0683024
7148186
05( ar. Agreste)
11,12(Arroio Agreste)
33
0683098
7148177
06(cortando mata exótica)
34
0684457
7147452
15,16(rio do Una)
35
0685246
7145564
17(Vale do Rio Abaixo, Morro Vermelho)
36
0685534
7144101
Travesia do oleoduto no Rio
Abaixo
37
0687898
7142279
07(junto a BR ainda no
planalto)
38
0687263
7142911
08,09,10(mata
secundária,anfíbio)
39
0690562
7139823
1,12,13,14(Anfíbios)
40
0693275
7139395
17(rio S. João, barragem,
odonata)
41
0697026
7138509
23,24(Bromélias)
42
0696015
7137695
Filme 04 _ 01,02,03(rio do
Fojo a montante e jusante,
anfíbio))
42
0696371
7138065
04(vista do Morro Pelado)
43
0700820
7138697
05,05A(rumo a SFS, Fucsia)
44
0702361
7138568
06,07,08,09,10(ar. Pequeno,
coletas,anfíbios)
45
0703499
7138503
17(Ar. Na base do Morro dos
Perdidos)
46
0703393
7137741
11,12,13,15(Morro dos
Perdidos,encostas,perdidos)
47
0704798
7135572
48
0706841
7137060
Cascata da Santa(Rio São
João)
49
0706968
7134990
20,21(Tanques na margem da
BR 375)
Topo do Morro dos Perdidos
Os roteiros foram estabelecidos para que se pudesse acessar áreas previamente
selecionadas (pontos de observação ou de tomada de dados fitossociológicos), tanto
aquelas onde haviam dúvidas na fotointerpretação, quanto as que estavam bem
delimitadas e caracterizadas, onde levantou-se dados quantitativos da vegetação.
Estes roteiros também seguiram princípios pragmáticos, ou seja foram traçados de
42
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acordo com a disponibilidade de acesso, tais como a presença de estradas ou trilhas,
uma vez que a topografia da área dificulta sobremaneira o acesso à muitas áreas.
Em cada um dos 49 pontos acessados era feita a aferição da localização geográfica
por meio do GPS, corrigindo eventuais imprecisões do mapeamento prévio. Todos os
pontos de amostragem estão plotados no mapa da cobertura vegetal, em anexo.
Em alguns pontos estabelecidos, dos quais podia-se tomar vistas privilegiadas da
paisagem em geral e das áreas limítrofes, se fez apenas observações visuais, em
especial para melhor delimitar e caracterizar todas as classes de cobertura vegetal
não florestais.
Nos demais pontos, particularmente nas áreas de mata nativa, se fez inventários
qualitativos e quantitativos da flora. Nestes locais procurou-se penetrar na mata até
não ser mais notado o efeito de borda, que é evidenciado pela acentuada incidência
de lianas e pelos evidentes sinais de atividades humanas, procedendo-se então a
todas as avaliações quanto à estrutura e composição florística.
4.2.2.2.2.3 Análise Definitiva e Elaboração do Mapa
Esta etapa resultou da avaliação do mapeamento prévio justaposto às informações
obtidas a campo, nos quais as características próprias de cada classe de cobertura
vegetal foram confirmadas.
Utilizando-se a simbologia usualmente adotada para este tipo de mapeamento,
obteve-se como produto final um mapa da cobertura vegetal da área sendo que a
área de influência direta foi plotada em mapa base escala 1:10.000 e a área de
influência indireta em mapa base escala 1:50.000
4.2.2.3 Métodos para o Diagnóstico da Fauna
Na análise ambiental com sistemas geográficos de informação, o componente
faunístico é microscópico, visto que suas marcas em geral são muito menores que os
pixels das imagens. Os sistemas de informações geográficos são funcionais no
estudo da fauna apenas quando são utilizados para o mapeamento dos diferentes
ambientes, que por sua vez comportam diferentes comunidades faunísticas. O
43
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estudo da fauna precisa ser realizado in situ e posteriormente pode ser extrapolado
para os ambientes similares aos estudados em toda a área mapeada.
A caracterização das comunidades faunísticas neste trabalho levou em consideração
as classes de vertebrados e os invertebrados aquáticos. Os estudos dos vertebrados
(mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes) prestam-se bem ao diagnóstico da
fauna, visto serem mais facilmente identificados até espécie e, devido aos
conhecimentos referentes aos requisitos ambientais, prestam-se bem porque
ocupam diversos nichos e por conseguinte influenciam e são influenciados pelos
demais componentes do ecossistema. Além desses, no ambiente aquático enfocouse também os invertebrados, que embora tenham sido classificados em níveis
taxonômicos superiores, prestam-se perfeitamente para a definição do índice de
saprobidade da água. Além disso, são facilmente coletados e ocorrem em profusão
em todos os ambientes, inclusive nos intermitentes, onde peixes e outros vertebrados
aquáticos são muito raros.
A seguir, para cada um dos táxons estudados está discriminada a metodologia
utilizada para o inventário da fauna. Nos 49 pontos de observação do roteiro do
trabalho, escolhia-se as informação que ali eram viáveis, como a ocorrência de
pegadas, busca de organismos aquáticos quando havia corpos d’água, sons de
organismos noctívagos à noite, etc. Assim, não foram feitos registros de organismos
em todos os locais visitados, já que o período de atividade ou o biótopo de ocorrência
não coincidia com o ideal para a observação do táxon.
4.2.2.3.1 Invertebrados Aquáticos
Foram estabelecidos 08 pontos para amostragem de macroinvertebrados aquáticos,
sendo 07 em pontos onde os cursos d'água serão atravessados pelo traçado do
oleoduto e um no mangue da baia de Babitonga, para obter-se alguns dados sobre
este sistema.
Procurou-se dividir estes pontos de uma maneira mais ou menos ordenada ao longo
do trajeto, atentando-se também para que fossem avaliados igualmente cursos
d'água de diferentes magnitudes. Estes pontos de coleta foram coincidentes com os
utilizados para amostrar outros organismos.
44
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Em cada ponto de amostragem foi delimitada uma área de 25 metros para jusante
do ponto e 25 metros para montante do mesmo, onde se coletou intensivamente (um
pesquisador) durante meia hora pela manhã e meia hora pela tarde, totalizando uma
hora de esforço de coleta.
Os invertebrados foram coletados diretamente no leito dos cursos d'água, junto à
pedras submersas e galhos de árvores pendentes das margens, pelo método direto,
com auxilio de pinças e pincéis.
As coletas foram extremamente parcimoniosas, sem auxílio de equipamentos
especiais, sendo que só foram coletados um exemplar de cada taxon, e mesmo
assim só após terem sido observados muitos outros representates deste mesmo
taxon.
No mangue as coletas limitaram-se aos organismos que puderam ser vistos à olho
nú, movendo-se sobre o lodo, ou àqueles cujas tocas poderam ser avistadas e
inspecionadas diretamente, sem auxílios de equipamentos especiais.
O objetivo da amostragem era estabelecer um padrão de diversidade, dado pela
quantidade de espécies observados e inferir uma idéia de densidade, pois só foram
computados os organismos para os quais se coletou ou observou mais de 3
indivíduos no ponto considerado.
Em campo, os organismos foram conservados em frascos contendo
álcool
70
GL, separados por local de coleta, identificados com etiqueta de papel vegetal. O
material coletado foi triado com auxílio de esteromicroscópios PZO-WARSZAMA
e CARL ZEISS
A identificação dos espécimes coletados
foi, inicialmente, a nível de Classe
e, sucessivamente, a nível de Ordem, Família e Gênero, quando possível. Para tal,
utilizou-se a bibliografia disponível, principalmente USINGER (1956); EDMONSON
(1959); PETERSON (1960 e 1962); PENNAK (1978); MERRIT & CUMMINS (1984) e
FIORENTIN (1989)
Para a descrição e a interpretação do significado biológico da presença dos
organismos baseou-se principalmente em PAINE & GAUFIN (1956); BORROR &
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DELONG (1969); STORER et al. (1984); BRANCO (1978); HAWKES (1978) e
DALY (1984), MACKIE (1998), KELLOGG, et ali (1994) e COLLINS e colaboradores
(1994).
4.2.2.3.2 Peixes
A captura dos peixes foi realizada com tarrafa de malha 2 (20 mm), puçá malha 5
mm e rede de espera malha 2 (20mm). Também coletaram-se informações junto com
pescadores locais, amadores ou profissionais, cujas capturas durantes as atividades
de campo foram identificadas. A tarrafa foi utilizada em cada ponto de amostragem
nos locais mais profundos, juntamente com a rede de espera. O puçá foi utilizado em
ambientes rasos, junto à vegetação marginal e nas corredeiras.
Depois da captura, os peixes foram fotografados e depois devolvidos ao ambiente
natural. Assim, alguns peixes não puderam ser identificadas até espécie, em função
de características específicas que dependem do sacrifício dos espécimes.
A fauna íctica capturada foi identificada e analisada a partir dos seguintes autores:
RINGUELET et. Alli (1967), BRITSKI (1972), REIS (1988) e MALABARBA (1998).
4.2.2.3.3 Anfíbios
Foram desenvolvidos esforços no sentido de localizar os anfíbios em seus ambientes
preferenciais como os cursos d’água, banhados e campos úmidos, açudes, nas
folhas embricadas de bromélias e caraguatás, ou outros lugares úmidos.
A identificação dos anfíbios deu-se de forma direta, através da captura para
identificação e posterior soltura. Algumas espécies foram ainda registradas em
função da vocalização, que tem caráter específico. Além das informações de campo,
este relatório baseia-se também em BRAUN & BERGER (1977), BRAUN et alii
(1978), HADDAD & SAZIMA (1992) e KWET & BERNARDI (1998).
4.2.2.3.4 Répteis
Para o registro da comunidade reptiliana foram utilizados dois procedimentos
distintos. As espécies mais visíveis, como os jacarés, tartarugas e lagartos podem
46
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ser vistas à distância, enquanto que o encontro com ofídios normalmente é fortuito e
o esforço em trabalhos expeditos normalmente resulta em resultados muito
reduzidos. Assim, além dos dados coletados em campo estão também incluídos na
análise da comunidade dados secundários coletados através da bibliografia
específica.
A taxonomia, os dados de distribuição e identificação baseiam-se principalmente em
PETERS & OREJAS-MIRANDA (1970), LEMA et al. (1985), LEMA (1987) e SAZIMA
& HADDAD (1992), MARQUES et. al (2.001).
4.2.2.3.5 Aves
As aves são a Classe de Vertebrados mais diversificada nos inventários faunísticos
da maioria dos ambientes terrícolas. Isso é reflexo da riqueza de espécies da Região
Neotropical e da relativa facilidade de observação e identificação. As aves ocupam
vários nichos e participam ativamente em todos os níveis tróficos das cadeias
alimentares, sendo de extrema importância como bioindicadores da qualidade
ambiental.
As observações foram realizadas durante todo o dia, concentrando esforços nas
primeiras horas da manhã e ao entardecer, quando apresentam maior atividade. À
noite fez-se observações em conjunto com as observações da mastofauna e
herpetofauna, visando identificar espécies de hábitos noturnos.
As observações foram feitas visualmente com auxílio de binóculo 8 X 40, 7 X 35, 12
X 25 e máquina fotográfica ou auditivamente, auxiliado com gravador portátil. A
identificação baseou-se principalmente em BELTON (1993 e 1984), SICK (1985a e
1985b), NAROSKY & YZURIETA (1987) e ROSÁRIO (1996).
4.2.2.3.6 Mamíferos
O estudo da mastofauna na área de influência do empreendimento baseou-se na
observação direta, identificação por vestígios, esqueletos, registro de animais
atropelados em rodovias próximas, bem como pela citação em trabalhos anteriores
na região.
47
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Por serem preferentemente noturnos ou crepusculares, os trabalhos de identificação
direta da mastofauna ocorreram nas primeiras horas da noite. Ao anoitecer percorriase estradas vicinais com veículo e nos pontos preestabelecidos utilizavam-se
faroletes e lanternas para a visualização da fauna noctívaga. Este método de
observação, embora adequado para a identificação de grande parte da mastofauna,
é de uma abrangência limitada, pois conta com o fator casual do encontro e da
grande possibilidade de afugentamento dos animais.
Os melhores resultados na avaliação da mastofauna foram obtidos na procura de
vestígios de suas atividades, tais como pegadas, fezes, restos da alimentação, entre
outros.
Nos locais preestabelecidos para as observações, percorria-se a margem dos cursos
d’água e outros locais propícios para a impressão das pegadas e procurava-se por
vestígios que denunciassem a presença de certas espécies da mastofauna. As
impressões foram identificadas em campo e eventualmente fotografadas e copiadas
em moldes de gesso para a preservação ou para a posterior identificação. As
pegadas são eficientes na determinação específica de uma parcela significativa do
contingente faunístico, embora para outros a identificação específica seja difícil ou
impossível.
Como informações complementares conversou-se com moradores locais, sendo
incluídas aquelas descritas com fidedignidade.
Os morcegos que constam neste relatório são baseados em trabalhos anteriores ou
a partir da visualização noturna e pela vocalização em seus abrigos, podendo ser
identificados ao nível de família ou gênero, e à espécie quando ocorrem populações
discretas. Além dessas observações, coletou-se pelotas de corujas (Tyto alba,
Speotyto conicularia e Rhinoptynx clamator) para a identificação de crânios de
morcegos e pequenos roedores.
A bibliografia utilizada na identificação e taxonomia foi, principalmente VOSS (1973),
SILVA (1984), SILVA (1985), GONZALEZ (1989), BECKER & DALPONTE (1991) e
CIMARDI (1996).
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4.2.3 Resultados
O diagnóstico do meio biótico é apresentado em quatro capítulos. O primeiro versa
sobre a paisagem na área de influência, situando o oleoduto no cenário regional,
destacando as principais características ambientais como o relevo,
clima e uso
antrópico relacionados com a hidrografia, fitogeografia e zoogeografia. Depois é
apresentada a cobertura vegetal na área de influência do oleoduto, a qual é descrita
em função de sua distribuição geográfica, estrutura e composição florística. O
capítulo da fauna versa sobre as comunidades que se distribuem nos diferentes
ambientes dentro da área de influência, abordando as classes de vertebrados e os
macro-invertebrados aquáticos. Finalmente, é feita a integração dos dados do
diagnóstico visando a identificação das áreas com maior interesse na conservação e
de controle ambiental na área de influência do oleoduto.
4.2.3.1 Paisagem na Área de Influência
A partir da síntese da percepção de elementos como a topografia, altitude, tipo de
solo predominante, forma dos recursos hídricos, cobertura vegetal e uso do solo,
área de influência foi dividida quatro unidades da paisagem, aqui denominadas como
litoral, planície costeira, serra do mar e o planalto das araucárias. Cada uma dessas
unidades apresenta características que nitidamente a diferencia das demais.
O litoral compreende a comunidade que ocorre na região compreendida entre a
plataforma continental e as áreas sob influência da maré alta, como os mangues,
bancos de espartina, praias, costões, estuários, lagunas, etc (ACIESP, 1980). A
comunidade litorânea na área de influência direta ocorre na baía da Babitonga, bem
como na baía de Guaratuba, que recebe as águas do Rio São João, na área de
influência indireta.
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Foto 4.2.1 Vista da Baía da Babitonga. Na margem oposta a Ilha de São Francisco.
A Planície Costeira abrange o terço inicial do oleoduto, entre o terminal na Ilha de
São Francisco e a cidade de Garuva, distantes cerca de 40 Km, com exceção do
segmento sob a influência do sistema litorâneo. A maior parte do trecho está locado
sobre sedimentos quaternários depositados pelo processo de transgressão e
regressão marinha. Nesta parte do trecho estudado predominam os terrenos planos,
cuja altitude varia do nível do mar até 20 metros, junto às elevações da Serra do Mar.
Na planície elevam-se pequenos morros que atingem até 200 metros que na
transgressão marinha do quaternário formavam um arquipélago e hoje são unidas
pelos depósitos sedimentares do antigo fundo marinho.
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Foto 4.2.2 Planície costeira, na zona de transição entre o mangue com a mata
paludosa.
Foto 4.2.3 Vista de morros do embasamento cristalino cercados por sedimentos
quaternários na Planície Costeira onde é prática comum o cultivo de arroz irrigado.
De Garuva para noroeste, por cerca de 27 Km pelo vale do Rio São João, o oleoduto
escala a Serra do Mar, até atingir altitudes próximas de 1000 metros. Na vertente
atlântica da Serra do Mar o relevo é vigoroso, que às vezes chega a 100%, cursos
d’água encaixados que formam corredeiras e cascatas e cobertura vegetal contínua
devido a impossibilidade da prática agrícola.
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Foto 4.2.4 Vista da Transição entre a Planície Costeira e a Serra do Mar
Por fim, de Campo Alto até Araucária o oleoduto localiza-se sobre o planalto, onde
ocorrem terrenos ondulados a forte ondulados, mas sem o aprofundamento
verificado na encosta. O planalto ainda é formado por rochas pré-cambrianas do
embasamento cristalino, formando a vertente oeste da Serra do Mar. Nessa unidade
paulatinamente ocorre a transição entre a Mata Atlântica e a Mata de Araucária, e a
transição entre a bacia hidrográfica atlântica para a bacia hidrográfica do Rio Paraná.
Foto 4.2.5 Vista da Paisagem do Planalto, com áreas de cultivo entremeadas por capões de
pinhos.
As quatro grandes unidades da paisagem apresentam ambientes diversos, que por
sua vez contém biótopos que determinam a distribuição das comunidades florísticas
e faunísticas.
52
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De uma forma simplificada pode-se dividir a área de influência nas sinúsias vegetais
mata, campo e hidrófila. Da mesma forma como as comunidades faunísticas podem
ser simplesmente divididas em silvícolas, campestres e aquáticas. Em cada unidade
da paisagem essas comunidades variam em função das características do solo,
clima, topografia, solo, uso do solo,
hidrologia, etc. Assim, a partir de uma
classificação extremamente simples da paisagem pode-se chegar à complexidade do
ambiente pela caracterização dos biótopos que ocorrem na área de influência do
oleoduto.
Existem diferenças cruciais entre a distribuição das diferentes sinúsias vegetais com
a distribuição das comunidades faunísticas. A flora é muito mais sensível às
pequenas oscilações nos padrões de umidade do solo, na variação do micro-clima
que a fauna vertebrada. De outro modo, o padrão de drenagem e a constituição dos
leitos dos cursos d’água e a concentração de sais afeta igualmente as sinúsias
vegetais e as comunidades da fauna aquática, mas em menor grau a fauna de
respiração pulmonada.
4.2.3.1.1 Ecossistema Aquático e de Transição
A área de influência é drenada por duas bacias hidrográficas. A leste impera a bacia
atlântica e a oeste a bacia do Paraná.
A bacia atlântica é formada por uma série de pequenos rios que drenam a vertente
leste da Serra do Mar diretamente para o Oceano Atlântico. As nascentes desses
cursos localizam-se em altitudes superiores a 1000 metros, de onde descem paredes
vertiginosas até atingirem a Planície Costeira e finalmente desaguar no Oceano
Atlântico, normalmente em baías por eles próprios moldadas.
53
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Figura 4.2.1 Distribuição da bacia do Prata (bacia do Paraná) no
continente sul-americano, bacia a qual pertence a ictiofauna da área de
influência (Fonte: Enciclopédia Brittanica).
A drenagem a partir de Campos Altos é feita por vários cursos que confluem para o
Rio Iguaçu, integrante da Bacia do Prata, que rivaliza com a bacia Amazônica na
drenagem das águas da América do Sul. Ela é formada principalmente pelos rios
Paraná, Paraguai e Uruguai, que drenam uma área estimada em 4.144.000 Km2,
equivalente à metade do território brasileiro.
Na área de influência os cursos dessa bacia localizam-se no alto-vale, o que
influencia na distribuição dos biótopos e das comunidades relacionadas ao sistema
hidrográfico. Todos os cursos na área de influência estão na zona das nascentes, e
ainda não atingiram os sistema de rápidos e cachoeiras.
54
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O sistema aquático na área de influência apresenta uma grande diversidade de
biótopos que variam em função da salinidade, sistema de circulação da água,
natureza e tipo de substrato, largura do corpo d’água, profundidade.
A diferença mais notável na composição da comunidade está relacionado com a
salinidade do ambiente aquático. Existe um gradiente de salinidade na área de
influência que na baía da Babitonga atinge 35 partes por mil (3,5 %) e que
paulatinamente é diluída pelos cursos de água doce que as atingem, no baixo vale,
até o limite de influência das marés. Tal distância varia e pode ser mapeada pela
ocorrência dos manguezais (ver mapa da imagem de satélite).
Outra diferença nos corpos d'água é o sistema de circulação aberto (sistema lótico)
ou fechado (sistema lêntico). Esta diferenciação tem grande influência na
caracterização ecológica, com implicações sobre a temperatura, oxigenação, nutrição
e, conseqüentemente na composição das comunidades aquáticas (ODUM, 1971).
No alto da Serra do Mar e sobre o planalto, são freqüentes as áreas de nascentes,
normalmente relacionadas com pequenos banhados. Em muitos deles foram
construídos açudes, que aumentam a profundidade o volume e a superfície, fazendo
com que tais locais possam suportar comunidades mais complexas que antes da
intervenção antrópica. No rio São João, da vertente atlântica, a barragem da
Voçoroca, cujo reservatório tem cerca de 600 ha é uma forma intermediária entre o
sistema lêntico e lótico (MARGALEF, 1983).
55
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Foto 4.2.6 Moradores
da região na cauda da
barragem
da
Voçoroca, no Rio São
João, um reservatório
com cerca de 600 ha
de área no alto da
Serra do Mar.
Existem diferenças significativas nos açudes da área de influência, o que é
determinante para a comunidade que abrigam. Em vários locais onde foram
construídos açudes ainda havia as matas ciliares, e alguns fragmentos ainda
persistem em suas margens. A ocorrência da mata ciliar é fator importante pois
várias espécies ocorrem justamente neste ecótono. Em açudes jovens as macrófitas
são pouco diversificadas, o que limita a diversificação da comunidade faunística.
Com a evolução do ambiente, paulatinamente as margens vão sendo tomadas por
macrófitos, que por sua vez proporcionam diversos nichos para a fauna. Açudes
maduros, ou com aporte de matéria orgânica, transformaram-se em ambientes
paludosos, com vegetação alta no meio da lâmina d'água. Esses locais são
particularmente importantes por oferecerem locais de procriação para várias
espécies. Muitas aves aquáticas nidificam em ninhais construídos sobre árvores ou
arbustos cercados pela água, reduzindo assim o acesso de muitos predadores.
Alguns mamíferos, como os ratões-do-banhado, também utilizam este ardil.
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Foto 4.2.7 Represa formada pelo barramento de pequeno riacho que afogou parte da
mata nativa. No local entre outras espécies observou-se a lontra (Lontra longicauda).
A comunidade do sistema lótico varia em função do porte dos cursos e da unidade da
paisagem onde se localizam. Na área de influência existe uma rica rede de pequenos
cursos, tanto na vertente atlântica quanto na bacia do Iguaçu.
Todos os cursos da bacia do Iguaçu fazem parte do alto-vale, ou sistema ritral, tendo
fundo preponderantemente rochoso ou pedregoso. Somente os rios de maior porte
como o Barigui e Iguaçu têm fundo arenoso ou lodoso. Devido ao porte eles também
apresentam
várzeas
alagáveis,
formando
sistemas
lênticos
freqüentemente
renovados durante as cheias. No caso particular do Rio Iguaçu existem antigas cavas
de mineração que fazem o papel dos meandros abandonados dos rios do sistema
potamal, ou baixo-vale.
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Foto 4.2.8 Cavas de mineração nas margens do Rio Iguaçu, onde forma-se um rico
sistema palustre freqüentemente inundado pela rio nas cheias, renovando os nutrientes e
as espécies da fauna e flora.
Os rios da bacia do Iguaçu apresentam baixa velocidade e assim o substrato é
preponderantemente arenoso ou cascalhento. Os rios de maior volume, como o
Barigui e o Iguaçu sofrem com a poluição orgânica e quiçá industrial das águas
residuárias, bem como consideráveis quantidades de resíduos sólidos da região
metropolitana de Curitiba.
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Foto 4.2.9 Rio Barigui a jusante da região metropolitana, apresentando sinais de poluição.
Sobre o planalto, muitos pequenos cursos d’água correm em áreas relativamente
bem preservadas. O pequeno tamanho faz com que corram completamente
encobertos pela mata ripária, como o caso do Arroio Agreste, Rio Abaixo, Rio Una e
outros.
Foto 4.2.10 Rio do Una, um pequeno curso completamente encoberto pelo dossel da
mata ripária, impedindo a insolação da água, com o que praticamente não ocorrem
macrófitos.
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Enquanto que os rios da bacia do prata pertencem todos ao alto-vale, ou sistema
ritral, os rios da vertente atlântica apresentam todos os estágios longitudinais
característicos dos sistemas fluviais. No alto vale, os rios assemelham-se muito aos
da bacia do Iguaçu e em grande parte compartilham com a comunidade florística e
faunística com aqueles. No percurso as drenagens apresentam diferenças
fundamentais na caracterização hidrológica, o que influencia na comunidade que
suportam. O trecho percorrido na Serra do Mar, ritral, apresenta riachos ou rios com
vales encaixados, alta velocidade e fundo tendendo a rochoso ou pedregoso. Em
muitos pontos apresenta cascatas de vários metros de altura, que representam
obstáculos para a ocorrência de uma série de plantas e animais aquáticos.
Paulatinamente, a velocidade da água diminui e o substrato torna-se cascalhento até
atingir a Planície Costeira. Ali, no sistema potamal, a mudança do padrão topográfico
que resulta na redução da velocidade da água e a capacidade de arraste de
sedimentos, o fundo torna-se arenoso, que perto das baías é lodoso. Tal perfil de
substrato está diretamente relacionado com a topografia, que determina a velocidade
do fluxo e por conseguinte a capacidade de transporte de sedimentos, formando um
perfil longitudinal característico.
Foto 4.2.11 Cascata no Morro dos Perdidos, no Rio Itararé
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Foto 4.2.12 Rio São João, na Serra do Mar, com rápidos que determinam a ocorrência de
sedimentos grosseiros, normalmente pedregosos. Poucos são os remansos durante os
períodos de baixa vazão e nenhum durante as cheias. Isso determina que a comunidade
que comporta precisa de mecanismos especiais de fixação, plantas ou animais.
Foto 4.2.13
Rio Capri, no curso inferior onde há influência da maré, águas salobras,
substrato lodoso e vegetação tipo mangue, com Avicenia e Rizophora.
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4.2.3.1.2 Caracterização Fitoecológica dos Ecossistemas Terrestres
O ecossistema terrestre na área de influência, seguindo a simplicidade da divisão
das paisagens pode ser dividido em áreas de mata e em áreas campestres. Tanto as
matas quanto as áreas de campo distribuem-se ao longo de todo o trajeto, de São
Francisco do Sul até Araucária. Mas tal como o ecossistema aquático, elas também
apresentam uma série de variações que forma uma grande variedade de biótopos
em função da topografia, tipo de solo e clima.
Toda a área de influência do Oleoduto está inserida, "lato sensu", no bioma Mata
Atlântica. Este sentido amplo de mata atlantica refere-se, na verdade, a todo o
conjunto de formações florestais extra-amazônicas, com ocorrência desde "ilhas"
isoladas no interior do nordeste do Brasil, chegando até sua costa, e daí seguindo
até o nordeste-norte do Rio Grande do Sul, ocupando uma faixa de largura bastante
variável que percorre toda a costa brasileira. Nas regiões sul e sudeste esta faixa
torna-se mais larga, chegando praticamente até o vale do rio Paraná, incluindo as
florestas com Araucária do Planalto Meridional Brasileiro.
Esta definição coincide com a adotada pelo Decreto no 750/93, que a define como
"as formações florestais e ecossistemas associados inseridos no domínio Mata
Atlântica, com as respectivas delimitações estabelecidas pelo Mapa de Vegetação do
Brasil (IBGE, 1988): Floresta Ombrófila Densa Atlântica, Floresta Ombrófila Mista,
Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional
Decidual, manguezais, restingas, campos de altitude, brejos interioranos e encraves
florestais do Nordeste".
Como pode-se constatar, a mata Atlântica é na verdade um conjunto de diferentes
formações predominantemente florestais, bastante diversificado e heterogêneo.
Considerando um sentido mais restrito, a Floresta Atlântica abarcaria somente as
formações florestais que recobrem as serras que acompanham de forma mais ou
menos contínua boa parte da costa brasileira, desde o Rio Grande do Norte até o
nordeste do Rio Grande do Sul. Nesta classificação não estariam incluídas, além das
formações não florestais, as florestas estacionais dos planaltos mais interiores do
sudeste e sul, nem as florestas com Araucaria.
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Na abrangência deste estudo, independente dos diferentes entendimentos quanto
amplitude do termo "Mata Atlântica", procurou-se analisar separadamente os
ecossistemas notadamente diversos entre si.
O traçado do oleoduto insere-se nas seguintes formações fitoecológicas:
1 - Formações Pioneiras com Influência Marinha
2 - Manguezais
3 - Floresta Ombrófila Densa
4 - Floresta Ombrófila Mista
5 - Campos Naturais
4.2.3.1.2.1 Formações Pioneiras com Influência Marinha
São caracterizadas na área estudada principalmente por formações herbáceas que
ocorrem principalmente nas faixas de praia e ante-dunas, em locais que
eventualmente podem ser atingidos pelas marés mais altas, ou então em depressões
alagáveis, comumente denominadas de "banhados".
Nas zonas de praia,
antedunas e dunas mais próximas ao mar predominam
espécies herbáceas (rizomatosas, cespitosas e reptantes), em alguns casos com
pequenos arbustos e árvores, que ocorrem tanto de forma isolada, como formando
agrupamentos mais densos, com variações na fisionomia, composição e grau de
cobertura.
Segundo CAMARGO (2001), "A vegetação das praias e dunas tem ocorrência
praticamente ao longo de toda a costa brasileira, mas a sua exata circunscrição e os
termos empregados para designá-la variam muito. Já foi denominada de "vegetação
praieira" (FIGUEIREDO, 1954), "sub-formação psamófita, fácies holo-psamófita"
(HERTEL, 1959), "vegetação da praia" (MAACK, 1981), "formação pioneira das
dunas" (NOFFS & BATISTA-NOFFS, 1982; KIRIZAWA et al, 1992), "comunidades
halófilas e psamófitas reptantes" (ARAUJO & HENRIQUES, 1984), "formação praial
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graminóide (HENRIQUES et al., 1986), "comunidade halófila praieira" (RIZZINI,
1963) e "campos praianos curti-herbáceos tropicais" (EITEN, 1983)."
As formas biológicas predominantes nas áreas litorâneas são psamófilas e halófitas,
ao passo que junto às dunas, além das espécies psamófilas, também ocorrem
espécies xeromorfas. Nos ambientes constantemente úmidos desenvolvem-se
espécies higrófilas, geófitas e hemicriptófitas.
Foto 4.2.14 Vegetação psamófila na praia de Itapoá. Vegetação característica das dunas
frontais, solos arenosos muito instáveis, pobres em nutrientes e sob forte influência da
salinidade marinha. Na área de influência do Oleoduto representa uma faixa muito estreita
ao longo da costa atlântica.
4.2.3.1.2.2 Manguezais
Os manguezais, definidos como "um sistema ecológico costeiro tropical, dominado
por espécies vegetais típicas, às quais se associam outros componentes da flora e
da fauna, microscópicos e macroscópicos, adaptados a um substrato periodicamente
inundado pelas marés, com grandes variações de salinidade" MACIEL (1991),
geralmente,
estão
associados
às
margens
64
de
baías,
enseadas,
barras,
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desembocaduras de rios, lagunas e reentrâncias costeiras, onde haja encontro de
águas de rios com a do mar, ou diretamente expostos à linha da costa.
Segundo dados recentemente compilados por MOREIRA DA SILVA (2001), Os
manguezais se distribuem ao longo dos 6.800 km da costa brasileira, ou seja, em
92% de seu comprimento total, alcançando do Oiapoque, Amapá, na latitude norte N
4°30' até a praia do Sonho, Laguna, S.C., latitude sul S. 28°53' (Schäeffer-Novelli,
1989). Há muitas estimativas para a área de cobertura dos manguezais no Brasil; a
mais recente e mais acurada é dada por Lacerda et al. (l994), com uma estimativa de
l.38 milhões de hectares. O estado de Santa Catarina apresenta uma faixa litorânea
de aproximadamente, 531 km de extensão, dos quais 94,67 km (17,38%) são
ocupados por manguezais (Panitz, 1993).
Foto 4.2.15 Formação Mangue, uma formação arbórea na zona de influência marinha, onde
a elevada salinidade da água impede que a maioria das espécies arbóreas medrem.
O limite latitudinal para espécies vegetais típicas de manguezal ocorre no litoral de
Santa Catarina, aos 27º30’S para Rhizophora mangle Linn e aos 28º30’S para
Avicennia schaueriana Stapf & Leechman e Laguncularia racemosa Gaerth. No
Estado de Santa Catarina calcula-se que os manguezais ocupam 21,73% da costa,
estando situados entre as cidades de São Francisco do Sul e Laguna (Sierra de Ledo
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& Soriano-Sierra, 1985). Em latitudes superiores as baixas temperatura no inverno e
grande amplitude térmica inibem o crescimento de espécies típicas de manguezais,
privilegiando as marismas (Schäeffer-Novelli et al., 1990).
O complexo estuarino da Baía da Babitonga (26º 02’ – 26º28’S e 48º 28’ – 48º50’W)
situado no litoral norte de Santa Catarina, representa o maior estuário do Estado do
Santa Catarina, banhando os municípios de Araquari, Barra do Sul, São Francisco do
Sul, Garuva e Joinville. A Baía da Babitonga tem sua vegetação marcada por
exuberantes manguezais nas zonas intermarés, representando aproximadamente
75% dos manguezais do Estado (Herz,1991), apresentando bosques de Rhizophora
mangle Linn, Avicennia schaueriana Stapf & Leechman e Laguncularia racemosa
Gaerth, com a ocorrência de Acrosticum aureum Linn e Hibiscus pernambucensis
Cam na zona de limite com a restinga e ocorrência de Spartina alterniflora Loisel em
bancos de maré ou formando franjas frontais ao manguezal (SILVA, et al., 1998).
4.2.3.1.2.3 Floresta Ombrófila Densa
A Floresta Ombrófila Densa representa um tipo de vegetação que caracteriza-se pela
marcada predominância de árvores de grande porte (fanerófitas), associadas a várias
outras formas biológicas, principalmente epífitas e lianas, em área de clima
ombrotérmico, isto é, com temperaturas relativamente elevadas e ausência de
período seco, com precipitação abundante e bem distribuída o ano todo (IBGE,
1992).
Diferentes pesquisadores utilizam denominações variadas para definir esta mesma
formação. Deste modo, podem ser encontradas na bibliografia denominações tais
como "Floresta Latifoliada Perene Tropical" (KUHLMANN, 1956), "Floresta
Perenifólia Latifoliada Higrófila Costeira" (ANDRADE-LIMA, 1966), "Mata Pluvial
Costeira" (HUECK, 1972), "Floresta Pluvial Tropical Atlântica" (RIZZINI, 1979) e
"Mata Pluvial Tropical da Serra do Mar "(MAACK, 1981).
Devido a critérios topográficos e variações ecotípicas, segundo a proposta de
classificação da vegetação brasileira (VELOSO et al., 1991; IBGE, 1992), a Floresta
Ombrófila Densa foi subdividida em formações distintas: "aluvial", "das terras baixas",
"submontana", "montana" e "alto-montana". Os limites entre cada uma destas
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formações é variável conforme a latitude considerada, e via de regra não existem
limites rigidos entre cada uma das sub-formações.
A Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, na área estudada, desenvolve-se
sobre a planície costeira quartenária, onde ocorrem terrenos planos, com solos
pouco desenvolvidos e sugeitos à inundações periódicas.
Foto 4.2.16 Mata aluvial, que medra em solos permanentemente encharcados na planície
costeira
As subformações Submontana e Montana, dominam as encostas dos morros da
Serra do Mar, nas partes baixas e intermediárias. Nestas áreas a Floresta Ombrófila
densa atinge o seu maior desenvolvimento e diversidade no sudeste e sul do Brasil.
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Foto 4.2.17 Mata atlântica de encosta, formação sub-montana e montana. Localiza-se
em terrenos com alta declividade, solos bem drenados e profundos.
A Floresta Alto-Montana restringe-se as partes altas da Serra do Mar em altitudes
superiores à 1200 metros acima do nível do mar nesta região, em uma faixa
altitudinal estreita, em geral sobre solos rasos e pobres, onde as árvores alcançam
um desenvolvimento nitidamente menor em relação às partes inferiores da encosta.
A umidade proveniente do oceano condensa-se, formando uma neblina constante e
até mesmo garoas quase diárias. Por este motivo esta formação tem sido
apropriadamente denominada de "mata nebular", "mata de neblina" ou "mata
nuvígena". Estas condições peculiares fazem com que os epífitos, tanto vasculares
quanto avasculares, sejam particularmente abundantes.
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Foto 4.2.18 Mata Alto-Montana e Nebular acima de 1000 metros de altitude no Morro dos
Perdidos.
4.2.3.1.2.4 Floresta Ombrófila Mista
A floresta Ombrófila Densa, também
conhecida como
"floresta com Araucaria"
constitui uma das mais importantes formações florestais do sul do Brasil, tem sua
área central de ocorrência está praticamente restrita ao Planalto Meridional dos
estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O elemento principal desta floresta é a Araucaria angustifolia (pinheiro), que, por sua
relevante importância fitogeográfica e comercial, tem sido, além de muito estudada,
também muito explorada para fins industriais (madeira, celulose e outros). Outros
termos empregados para designar esta formação são "Floresta com Araucária",
"pinheiral", "pinhal", "floresta aciculifoliada subtropical", entre outros, todas referindose ao elemento dominante característico, que é a Araucaria angustifolia, também
conhecida como Pinheiro-do-Paraná ou Pinheiro-Brasileiro (HUECK, 1972; RIZZINI,
1979).
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A mata com araucária não apresenta-se nunca de forma homogênea. Além de
espécies companheiras típicas desta formação, como Podocarpus lambertii, Ilex
paraguaiensis e Ocotea pulchella, há ainda uma grande ocorrência de espécies
latifoliadas de origem tropical, formando o sub-bosque. Estas espécies são oriundas
tanto do ramo oeste quanto da encosta atlântica.
Foto 4.2.19
Sub-bosque da mata de araucária em fragmento protegido no Campus
Experimental da PUCPR. As araucárias de grande porte provavelmente foram
seletivamente retiradas por madeireiras no passado, mas as espécies latifoliadas mostram
toda a pujança dessa floresta no passado.
O sub-bosque latifoliado e denso dá a esta formação uma característica ombrófila,
dificultando a regeneração natural da araucária. Esta necessita de muita
luminosidade para o desenvolvimento das plântulas. Este fato forçou a araucária a
avançar continuamente sobre as áreas campestres para expandir-se, funcionando
como espécie pioneira, preparando condições para a implantação das espécies
latifoliadas. Assim é explicada a ocorrência de capões entre os campos do planalto,
que são ilhas de vegetação arbórea, dominadas pela Araucaria angustifolia.
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4.2.3.1.2.5 Campos
Na área estudada os campos ocorrem associados a outras formações, notadamente
a floresta com Araucaria (Floresta Ombrófila Mista), que ocorre tanto como florestas
contínuas e mais extensas, como na forma de "capões" de forma e tamanho
variados, além de florestas ripícolas ("matas ciliares") ao longo dos rios que
percorrem as regiões planálticas (MAACK, 1981; KLEIN, 1978).
Estes campos associados às florestas de araucária eram característicos da região
leste de Curitiba, hoje completamente descaracterizados pela expansão da área
urbana.
Acima dos limites da floresta alto-montana, nos topos dos morros, ocorrem áreas
campestres mais ou menos extensas, denominados por IBGE (1992) de "refúgios
ecológicos alto-montanos", ou mais simplesmente "campos de altitude". Estas áreas,
geograficamente isoladas, são consideradas como potencialmente capazes de
abrigar diversas espécies endêmicas, muitas das quais ainda não devidamente
estudadas.
Foto 4.2.20 Vista da Serra do Araçatuba. Na encosta oposta ao litoral predomina a Mata
de Araucária e no alto, em terreno dissecado, ocorrem os campos de altitude.
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4.2.3.1.3 Caracterização Zoogeográfica da Área de Influência
Toda a América do Sul está inserida no Reino Neotropical. Praticamente todo o Brasil
está inserido na região biogeográfica Guiano-Brasileira, onde predomina o clima
tropical. Outra região da América do Sul é a Andino-Patagônica, onde predomina o
clima temperado, que se manifesta no extremo sul do Brasil e pela crista da Serra
Geral e Serra do Mar.
A fauna na área de influência recebe contribuições em maior ou menor escala de
cinco províncias biogeográficas: Província Guarani, Província Tupi, Província Bororó,
Província Hylea e Província Pampeana.
Na vertente atlântica da Serra do Mar, onde predomina a Floresta Ombrófila Densa
manifesta-se a Província Tupi. A comunidade faunística dessa província está
intimamente relacionada com o bioma Mata Atlântica, que abrange uma área de
aproximadamente 1.000.000 Km2 e está localizado inteiramente em território
brasileiro, onde ocupa cerca de 12 % da superfície (Consórcio Mata Atlântica, 1992).
Trata-se de uma floresta tropical separada da Hiléia Amazônica, de onde se originou
(Gusmão-Câmera, 1991), por formações savânicas, campestres e xerófitas. Por
mecanismos de migração, colonização, extinção e aparecimento de novas espécies,
a Floresta Atlântica é uma área com grande número de endemismos, incluindo
táxons superiores como famílias e gêneros.
Sobre o planalto, na vertente oeste da Serra do Mar a formação da comunidade
faunística é derivada da Província Guarani. Ela consiste na zona de transição entre a
Região Guiano-Brasileira e Andino-Patagônica, incluindo paisagens diversificadas
como florestas, savanas e estepes. Esta manifesta-se no sul do Brasil, Uruguai,
Paraguai e nordeste da Argentina.
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Figura 4.3.21 Províncias Zoogeográficas na área de influência (Adaptação de BDT)
A Província Tupi e Guarani, com uma separação bastante discreta pelos picos da
Serra do Mar formam a base da comunidade faunística na área de influência do
oleoduto. Secundariamente recebem a contribuição de outras províncias que termina
por aumentar a biodiversidade da comunidade.
A Província Bororó abrange áreas savânicas e estépicas do norte do Chaco e dos
campos cerrados do Brasil Central, e atinge a área pelo norte (centro do Paraná).
Pelo sistema Paraná-Iguaçu chegam elementos da Província Hylea, que corresponde
à região amazônica, os quais migram através da bacia do Rio Paraná.
Finalmente, da região austral provém espécies da Província Pampeana, originários
da estepe que predomina na região costeira e central da Argentina.
Essa distribuição zoogeográfica é particularmente válida para organismos terrestres.
Para os peixes a divisão pertinente são as bacias hidrográficas, que na área de
estudo casualmente coincidem com as principais províncias biogeográficas.
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4.2.3.2 Diagnóstico da Vegetação
Ao longo do trajeto do Oleoduto a cobertura vegetal diferencia-se tanto pela influencia de
regiões fitoecológicas distintas, como pelo nível de intervenção antrópica e grau de
regeneração natural em cada trecho considerado. O traçado do oleoduto insere-se nas
seguintes formações fitoecológicas:
Formações Pioneiras com Influência Marinha;
Manguezais; Floresta Ombrófila Densa; Floresta Ombrófila Mista e Campos Naturais.
Para fins de mapeamento e descrição a cobertura vegetal foi dividida nas seguintes
categorias:
Tabela 4.2.1 - Legenda definitiva ordenando as classes de cobertura vegetal mapeadas
acompanhadas de suas respectivas definições:
CLASSE DE COBERTURA
SIMBOLOGIA
DEFINIÇÃO
VEGETAÇÃO PIONEIRA de Influência
Marítima
PION
Cobertura vegetal rarefeita, de baixo
porte, com faixa arenosa bem
delimitada.
MANGUEZAIS
MANG
Cobertura Florestal de baixo porte,
bastante
uniforme,
sobre
solos
alagados nas áreas de influência das
marés.
FLORESTA Ombrófila Densa de Terras
Baixas primária Semi-explotada ou
Secundária em estado sucessional
avançado
ODBP
Cobertura florestal com estrutura
complexa, estratificação evidente e
grande diversidade específica
FLORESTA Ombrófila Densa de Terras
Baixas
Secundária
em
estágio
sucessional médio
ODBM
Cobertura
complexa,
evidente
FLORESTA Ombrófila Densa de Terras
Baixas
Secundária
em
estágio
sucessional inicial ou pioneira
ODBI
Cobertura florestal pouco complexa,
sem estratificação evidente, predomínio
de espécies heliófitas pioneiras
FLORESTA Ombrófila Densa de Encosta
primária Semi-explotada ou Secundária
em estado sucessional avançado
ODEP
Cobertura florestal com estrutura
complexa, estratificação evidente e
grande diversidade específica
FLORESTA Ombrófila Densa de Encosta
Secundária em estágio sucessional médio
ODEM
Cobertura
complexa,
evidente
FLORESTA Ombrófila Densa de Encosta
Secundária em estágio sucessional inicial
ou pioneira
ODEI
Cobertura florestal pouco complexa,
sem estratificação evidente, predomínio
de espécies heliófitas pioneiras
FLORESTA Ombrófila Mista primária
Semi-explotada ou Secundária em estado
sucessional avançado
OMIP
Cobertura
complexa,
grande
dominância
VEGETAL
74
florestal
relativamente
estratificação
pouco
florestal
relativamente
estratificação
pouco
florestal com estrutura
estratificação evidente e
diversidade
específica,
total de Araucárias no
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dossel superior
FLORESTA Ombrófila Mista Secundária
em estágio sucessional médio
OMIM
Cobertura
florestal
relativamente
complexa,
estratificação
pouco
evidente, dossel superior variado com
araucárias e latifoliadas
FLORESTA Ombrófila Mista Secundária
em estágio sucessional inicial ou pioneira
OMII
Cobertura florestal pouco complexa,
sem estratificação evidente, predomínio
de espécies heliófitas pioneiras
CAMPOS NATURAIS
CAMP
Áreas com
naturais
ÁREA DE USO AGROPASTORIL
AGRO
Lavouras e potreiros e Campos nativos
antropizados
ÁGUA
AGUA
Leito de cursos d'água,
represas, e oceano.
BOSQUE EXÓTICO
BOEX
Povoamento florestal com espécies
exóticas, em especial Eucalyptus.
SOLO EXPOSTO
SOEX
Movimento de terra, aterros, mineração
a céu aberto
ÁREA URBANA
URBA
Manchas urbanas ou suburbana
vegetação
herbácea
lagos
e
4.2.3.2.1 Vegetação Pioneira com Influência Marítima:
Na área de influência do oleoduto, foram analisadas apenas duas áreas com ocorrência
de vegetação pioneira com influência marinha: a praia de Capri, na ilha de São Francisco
do Sul e a praia de Itapoá, na margem oposta da baia, no continente.
A vegetação nestas praias apresenta espécies bastante seletivas para os altos teores de
sal, o constante movimento de substratos, ação do vento, pobreza do solo e o intenso
calor solar.
A formação original, típica da praia arenosa (KLEIN, 1979), já está bastante alterada
nesta área em particular.
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Foto 4.2.21
Ocupação antrópica em área originalmente coberta por vegetação
pioneira e cordões de dunas, na praia de Itapoá - SC.
Partindo-se do mar em direção ao continente, as primeiras plantas aparecem ainda nas
areias, ao alcance das altas marés. São plantas denominadas de psamófitas-halófitas,
sendo que destas foram observadas o catiporaguá (Philoxereus portulacoides) o
pinheirinho-da-praia (Remirea maritima) e a erva-capitão (Hydrocotyle bonariensis).
Mais afastado, onde as marés não mais alcançam, nas primeira elevações, encontramos
a grama-da-praia (Stenophrum secundum), a fava-de-rama (Canavalia obtusifolia), o
picão-de-praia
(Acicarpha
sphatulata),
o
marmeleiro-da-praia
(Dalbergia
eastophyllum) e a batateira-da-praia (Ipomoea pescaprae).
A medida que se afasta da praia os solos tornam-se mais propícios para o
desenvolvimento das plantas, podendo-se observar uma transição para um tipo de
vegetação um pouco mais alta. Entretanto, nos dois locais estudados, logo após a zona
de praia já ocorrem áreas bastante alteradas pela urbanização.
As dunas móveis propriamente ditas não existem nestas áreas, restando algumas
elevações relictuais do que outrora provavelmente foi um cordão de dunas que separava
as areias da praia da formações mais desenvolvidas.
76
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A vegetação de restinga tipicamente arbustiva, não foi observada nas áreas estudadas,
podendo-se inferir que esta, ou nunca foi muito abundante ou foi removida por ações
antrópicas pretéritas.
Foto 4.2.22
Vegetação pioneira da praia de Itapoá-SC, representada por uma
estreita faixa após as areias, seguida de vegetação secundária mais complexa.
Na Tabela 4.2.2, a seguir estão listadas as espécies mais importantes para a definição da
fisionomia vegetal desta formação:
Tabela 4.2.2 - Lista das espécies identificadas na área de vegetação da faixa de vegetação
pioneira com influência marítima:
FAMÍLIA
NOME CIENTÍFICO
NOME POPULAR
AMARANTHACEAE
Philoxerus portulacoides St.Hil
catiporaguá
Crinum maritimum Ravena
lírio do mar
Cordia verbenacea DC.
baleieira
AMARYLLIDACEAE
BORAGINACEAE
CONVOLVULACEAE
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Ipomoea pés-caprae (L.) Sweet
batateira da praia
Remirea maritima Aubl.
pinheirinho da praia
Stenotaphrum secundatum Kuntze
capim-da-praia
Canavalia sp
feijão-da-praia
Dalbergia eastophyllum (L.) Taub.
marmeleiro
Hydrocotyle bonariensis Lam.
erva capitão
CYPERACEAE
GRAMINEAE
LEGUMINOSAE
UMBELLIFERAE
4.2.3.2.2 Manguezais:
O oleoduto atravessa áreas de manguezais com características relativamente
homogêneas, todas situadas em áreas próximas à praia de Capri na ilha de São
Francisco do Sul, Santa Catarina.
Nestas áreas ocorrem as três principais espécies características do mangue: L.
racemosa, A. schaueriana e R. mangle, além de Hibiscus pernambucensis. De
maneira geral, os manguezais estudados são bosques bastante densos, com altura
variando entre 1,5 e 3,5 metros. Rhysophora mangle, ao menos nas áreas mais
próximas à Praia de Capri, apresentou uma freqüência relativa mais elevada, com cerca
de 50%. As demais espécies (L. racemosa e A. schaueriana) distribuem-se mais
uniformemente, sendo que esta última apresenta os indivíduos de maior porte (até 10
metros de altura). Na área junto ao canal de Capri, L. racemosa apresentou freqüência
relativa elevada (70%) sendo dominante na margem, juntamente com A. schaueriana.
Nesta área a altura média das árvores é maior, variando entre 2,5 e 5,0 metros.
Avicennia schaueriana foi novamente a espécie com maior altura, chegando a 14
metros. Hibiscus pernabucensis ocorre mais nas áreas limítrofes com
outras
formações, desenvolvendo-se sob a forma de densos grupamentos homogêneos não
contínuos e claramente isolados.
78
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Foto 4.2.23 Faixa ocupada pelo oleoduto, em área de Mangue, próximo à Praia de
Capri, São Francisco do Sul-SC, onde pode-se observar o conjunto de espécies
arbustivas típicas do mangue na baía de Babitonga.
Foto 4.2.24 Detalhe de Rhysophora mangle, no mangue da baía de Babitonga.
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Tabela 4.2.3 - Lista das espécies identificadas na área de Manguezais:
FAMÍLIA
NOME POPULAR
NOME CIENTÍFICO
COMBRETACEAE
Laguncularia racemosa (L.) Gaerth
mangue sapateiro
Spartina alterniflora Loisel
capim pratuá
Hibiscus pernambucensis Cam
algodoeiro
Acrosticum aureum Linn
samambaia do brejo
Rhizophora mangle Linn
Mangue verdadeiro
GRAMINEAE
MALVACEAE
PTERIDACEAE
RHYZOPHORACEAE
VERBENACEAE
Avicennia
schaueriana
Stapf
&
siriúba
Leechman
4.2.3.2.3 Floresta Ombrófila Densa:
4.2.3.2.3.1 Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas:
Este tipo de cobertura vegetal pode ser caracterizado como um tipo de vegetação edáfica
muito característica (KLEIN, 1980), sendo uma
floresta baixa e com extrema
uniformidade fitofisionômica, sobretudo considerando-se os elementos constituintes do
estrato superior.
Na área estudada, esta formação vegetal abarca extensas áreas sobre as planícies
quaternárias, tanto na ilha de São Francisco do Sul quanto no continente, na faixa
que vai da praia de Itapoá até o inicio da encosta da Serra do Mar, no município de
Garuva.
A fisionomia da vegetação nestas matas de planície apresenta leves variações de
acordo com as condições edáficas, podendo-se distinguir as matas situadas em
solos muito úmidos das situadas em solos, embora também úmidos, com boa
drenagem.
A diferenciação mais evidente resulta da evolução destas matas no sentido da
margem da praia para o interior. Aparentemente as matas mais próximas da praia
80
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apresentam uma densidade maior com um desenvolvimento em altura menor. As
matas mais afastadas apresentam indivíduos mais desenvolvidos e uma menor
densidade.
Estas diferenças, no entanto, devido ao grau de alteração antrópica e a existência
de níveis intermediários, não puderam ser aferidas nos inventários efetuados nas
áreas imediatamente limítrofes ao oleoduto.
O que ficou mais evidente foi a diferenciação em virtude do estágio sucessional em
que se encontravam as parcelas de mata consideradas. Basicamente, foram
diferenciados
três
estágios
sucessionais
nestas
matas:
Secundária
Inicial,
Secundária Média e Secundária Avançada ou Primária Semi-explotada.
Foto 4.2.25 Faixa ocupada pelo oleoduto em meio à Floresta Ombrófila Densa de
Terras Baixas, mostrando uma área onde ocorrem parcelas em diferentes estágios
sucessionais, desde o inicial até o avançado.
O estágio sucessional inicial de regeneração nesta floresta representa um tipo de
formação secundária, originaria do desenvolvimento dos processos naturais de sucessão
vegetal, e que desenvolve-se atualmente sobre as antigas áreas de cultivo e pastagens
abandonadas ou sub-utilizadas.
81
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Nas parcelas avaliadas, não constatou-se a ocorrência de indivíduos de porte elevado (a
altura média é de 3,75 metros, sendo a máxima de 5,5 metros) e a densidade é baixa,
sendo encontrados apenas 1933 indivíduos arbóreos ( com DAP maior ou igual à 3 cm)
por hectare. O diâmetro médio dos troncos (DAP) é de 4,8 cm. Não existe a formação de
subosque.
A diversidade também é baixa, ocorrendo apenas 15 espécies arbóreas, dentre as quais
salienta-se por sua freqüência e densidade a embaúba (Cecropia sp) e a capororoca
(Rapanea ferruginea), que são bastante representativas também nos estágios
sucessionais mais avançados.
Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas
Secundária em estágio sucessional inicial de regeneração.
Tabela 4.2.4 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila Densa
de Terras Baixas em estágio sucessional inicial,
Espécie
Dens
DensR
AB/ha
ABR
Vol/ha
VolR
HT
DAP
IVI
Cecropia
adenopus
366,63
18,97
1,10
21,24
1,75
21,31
4,00
5,21
20,51
Rapanea
ferruginea
199,98
10,34
0,72
13,86
1,26
15,33
4,17
5,20
13,18
Jacaranda
puberula
133,32
6,90
0,84
16,31
1,15
14,04
3,63
7,16
12,42
Myrcia sp
233,31
12,07
0,50
9,74
0,87
10,61
3,71
4,64
10,81
Tibouchina
urviliana
133,32
6,90
0,25
4,81
0,44
5,41
4,00
4,14
5,71
Psidium
cattleyanum
133,32
6,90
0,28
5,34
0,40
4,83
3,63
3,98
5,69
Calophyllum
brasileinesis
99,99
5,17
0,26
5,06
0,51
6,19
4,33
5,09
5,47
133,32
6,90
0,23
4,51
0,37
4,46
3,00
4,30
5,29
Clusia criuva
99,99
5,17
0,19
3,66
0,25
3,01
3,50
4,03
3,95
Peschieria
australis
66,66
3,45
0,16
3,16
0,29
3,50
3,50
5,25
3,37
Ilex theezans
99,99
5,17
0,12
2,40
0,15
1,86
3,50
3,18
3,14
Leandra
66,66
3,45
0,11
2,16
0,23
Schinus
terebenthifolius
82
4,46
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australis
2,78
4,00
2,80
Campomanesi
a xantocarpha
33,33
1,72
0,12
2,26
0,20
2,48
3,50
6,37
2,16
Eugenia sp
33,33
1,72
0,12
2,26
0,19
2,30
4,00
5,73
2,10
Solanum
eriantum
66,66
3,45
0,09
1,73
0,08
0,98
2,75
3,18
2,05
Cytharexyllum
mirianthum
33,33
1,72
0,08
1,48
0,07
0,89
3,50
3,82
1,37
1.933,14
100,00
5,17
100,00
8,22
100,00
3,75
4,79
100,00
Total
onde, HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade: número
de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base do fuste
por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por hectare, VolR
= Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice do Valor de
Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
A Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas Secundária em Estágio Sucessional
Médio de Regeneração apresenta um desenvolvimento sensivelmente maior do que
a do estágio pioneiro.
Nestas formações encontram-se basicamente as mesmas espécies arbóreas das
formações avançadas ou mesmos climax, porém com uma organização estrutural
menos complexa. Também é sensível a diminuição das espécies herbáceas, das
lianas e da diversidade de epífitos.
Na área estudada as matas neste estágio sucessional apresentam estratificação
ainda pouco evidente, com as árvores mais altas atingindo cerca de 14 metros de
altura, sendo que altura média da formação é de 5,8 metros. O estrato superior é
descontínuo, sendo dominado por esparsos exemplares de Ficus sp, Clusia Criuva,
Andira fraxinifolium, Alchornea triplinervia e, mais freqüentemente, Callophyllum
brasiliensis.
A densidade de indivíduos arbóreos (DAP maior de 3 cm) é de 2766 indivíduos por
hectare, e o DAP médio é de 10,5 cm.
As espécie mais importante na determinação fisionômica da formação são o mangue
formiga (Clusia criuva) e o guanandí (Callophyllum brasiliensis), que juntamente
83
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com o palmiteiro (Euterpe edulis), as caúnas (Ilex spp), Guamirins (Myrcia spp) e a
copiúva (Tapirira guianensis), representam 50% das árvores avaliadas.
Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Densa de Terras
Baixas Secundária em estágio sucessional Médio de regeneração.
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Tabela 4.2.5 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila Densa de
Terras Baixas em estágio Médio,
Espécie
Dens
DensR
Clusia criuva
399,96
14,46
Ficus sp
33,33
Andira fraxinifolia
ABR
Vol/ha
VolR
HT
DAP
IVI
9,54
16,12
19,40
12,37
7,25
10,77
14,32
1,20
8,22
13,88
31,90
20,35
12,00
42,97
11,81
33,33
1,20
5,97
10,08
31,90
20,35
12,00
42,97
10,54
Callophyllum
brasiliensis
199,98
7,23
4,50
7,60
11,61
7,41
5,75
10,88
7,41
Tapirira guianense
133,32
4,82
6,28
10,61
9,69
6,18
6,75
14,48
7,20
Ocotea sp
133,32
4,82
4,68
7,91
9,62
6,13
6,63
11,46
6,29
Euterpe edulis
199,98
7,23
2,21
3,73
6,11
3,90
6,00
9,23
4,95
Ilex theezans
166,65
6,02
1,98
3,35
3,82
2,44
4,70
9,61
3,94
Myrcia multiflora
133,32
4,82
1,81
3,06
3,28
2,09
4,50
11,30
3,32
Inga sp
99,99
3,61
2,01
3,40
4,42
2,82
7,17
11,67
3,28
Myrcia glabra
99,99
3,61
1,57
2,66
3,66
2,34
4,67
12,94
2,87
Ilex microdonta
133,32
4,82
0,95
1,61
1,52
0,97
4,38
6,84
2,47
Matayba
guianensis
33,33
1,20
2,20
3,71
3,09
1,97
10,00
14,64
2,29
Tabebuia sp
66,66
2,41
0,95
1,60
3,11
1,99
7,50
11,30
2,00
Geonoma gamiova
99,99
3,61
0,54
0,92
0,74
0,47
3,67
6,37
1,67
Psidium
cattleyanum
66,66
2,41
0,65
1,09
1,48
0,95
5,25
9,55
1,48
Alchornea
triplinervia
33,33
1,20
0,61
1,03
3,09
1,97
10,00
14,64
1,40
Psychotria sp
66,66
2,41
0,33
0,57
0,98
0,63
5,00
7,32
1,20
Rapanea
ferruginea
66,66
2,41
0,37
0,63
0,86
0,55
5,50
7,16
1,20
Eugenia sp
33,33
1,20
0,61
1,03
1,05
0,67
7,50
9,87
0,97
Bactris
lindmanianum
33,33
1,20
0,54
0,91
1,17
0,74
5,00
12,73
0,95
Cecropia
adenopus
66,66
2,41
0,11
0,19
0,23
0,15
4,00
4,46
0,91
Rheedia
AB/ha
0,42
85
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Instituto ECOPLAN
gardneriana
33,33
1,20
0,72
0,82
0,52
3,50
12,73
0,81
Guarea lessoniana
33,33
1,20
0,40
0,68
0,59
0,38
6,00
8,28
0,75
Pera glabrata
33,33
1,20
0,38
0,65
0,33
0,21
2,50
9,55
0,69
Schinus
terebinthifolius
33,33
1,20
0,24
0,40
0,39
0,25
3,00
9,55
0,62
Posoqueria latifolia
33,33
1,20
0,09
0,15
0,69
0,44
6,00
8,91
0,60
Byrsonina
niedenzuiana
33,33
1,20
0,22
0,38
0,29
0,19
5,00
6,37
0,59
Piptadenia
gonoacantha
33,33
1,20
0,18
0,30
0,24
0,15
5,00
5,73
0,55
Pouteria sp
33,33
1,20
0,18
0,30
0,24
0,15
5,00
5,73
0,55
Weinmania
paullinaefolia
33,33
1,20
0,18
0,30
0,24
0,15
5,00
5,73
0,55
Lithraea
brasiliensis
33,33
1,20
0,06
0,10
0,08
0,05
4,00
3,82
0,45
Miconia ridiuscula
33,33
1,20
0,07
0,11
0,05
0,03
3,50
3,18
0,45
Nectandra rigida
33,33
1,20
0,07
0,11
0,05
0,03
3,50
3,18
0,45
Calycoretes sp
33,33
1,20
0,06
0,10
0,04
0,03
3,00
3,18
0,44
Total
2.766,39
100,00
100,00
156,79
100,00
5,81
10,49
100,00
59,19
onde, HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade: número
de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base do fuste
por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por hectare, VolR
= Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice do Valor de
Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
A Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas Secundária em Estágio Sucessional
avançado de Regeneração ou Primária Semi-explotada na área estudada apresenta
desenvolvimento, estrutura e diversidade sensivelmente maiores do que as do
estágios anteriores.
Embora apresenta estratificação evidente, a sinusia arbórea é relativamente rala,
fazendo com se desenvolva um denso subosque, e um terceiro estrato inferior
formado por arbustos lenhosos e herbáceos.
86
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Foto 4.2.26 Faixa ocupada pelo oleoduto em meio à Floresta Ombrófila Densa de
Terras Baixas em Estágio Sucessional Avançado, próximo à praia de Capri, São
Francisco do Sul-SC.
Nas áreas avaliadas, as árvores do estrato superior tem em média 11,9 metros, e
atingem uma altura máxima de 15 metros, salientando-se entre estas Tapirira
Guianensis,
Callophyllum
brasiliensis,
Clusia
criuva,
Nectandra
rigida,
Weinmania paullinaefolia e Byrsonina niedenzuiana. O estrato inferior é mais
denso e contínuo, alcançando uma altura média de 5,2 metros, onde salientam-se,
além de exemplares menores das espécies dominantes, Euterpe edulis, Ilex spp,
Myrcia spp, Pera glabrata e Pouteria beaurepalens.
No estrato arbustivo ocorrem freqüentemente povoamentos densos de rubiaceas,
como a estaladeira (Faramea marginata) e grandiuvas-d'anta (Psychotria spp),
além de touceiras de pequenas palmeiras, como a gamiova (Geonoma gamiova) e o
tucum (Bactris lindmaniana) e alguns guamirins (Myrcia spp). No solo desenvolvese um denso tapete herbáceo, onde salienta-se o caeté (Calathea sp), gravatás
(Nidularium spp) e banana do mato (Bromelia antiacantha).
87
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Foto 4.2.27
Estrato herbáceo da Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas,
salientando a abundância de Nidullarium inocentii e Bromelia antiacantha.
Os epífitos salientam-se pelo número de indivíduos, uma vez que a diversidade
aparentemente não é tão grande quanto à encontrada nas matas de encosta. As
famílias melhor representadas são as Bromeliáceae e Aráceas. As espécies mais
comuns de bromeliáceas são Aechmea nudicaulis, nas áreas mais baixas dos
troncos e mesmo no solo, Vriesia philippo-coburgii, V. vagans, V. gigantea, V.
incurvata e V. carinata. Entre as aráceas salientam-se Philodendron spp e
Anthurium spp. As orquidáceas não são muito notáveis, salientando-se apenas
densos conjuntos de espécies de pequeno porte, como Pleurothallis sp.
88
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Foto 4.2.28 Aspecto do epifitismo na Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, onde
salienta-se o grande número de bromélias e aráceas, sem contudo apresentar uma
diversidade significativa.
Em praticamente todas as parcelas avaliadas pode-se constatar algum tipo de
interferência antrópica. Este tipo de formação está sofrendo atualmente uma forma
pressão devido ao acelerado processo de urbanização. Nas áreas mais próximas ao
oceano, tanto na ilha de São Francisco do Sul, quanto no continente, próximo à praia
de Itapoá, existem diversos focos de desmatamento. Mesmo nas áreas mais
preservadas e isoladas, pode-se constatar a ação extrativista, especialmente de
palmiteiros.
89
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Foto 4.2.29 Aspecto da ocupação desordenada verificada na área da Floresta Ombrófila
Densa de Terras Baixas, no município de São Francisco do Sul-SC.
Na Tabela 4.2.6, a seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos
inventariados em 3 parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila
Densa de Terras Baixas Secundária em estágio sucessional Avançado de
regeneração ou primária semi-explotada.
90
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Tabela 4.2.6 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila Densa de
Terras Baixas em estágio Sucessional Avançado ou Primária Semi-explotada,
Espécie
Dens
DensR
AB/ha
ABR
Vol/ha
VolR
HT
DAP
IVI
Tapirira guianense
299,97
7,50
17,29
19,00
67,86
21,74
9,78
17,12
16,08
Ocotea sp
299,97
7,50
11,79
12,96
47,85
15,33
5,50
13,62
11,93
Clusia criuva
Callophyllum
brasiliensis
Weinmania
paullinaefolia
433,29
10,83
8,70
9,56
32,82
10,52
6,58
11,31
10,30
266,64
6,67
8,03
8,83
29,96
9,60
6,88
15,60
8,36
66,66
1,67
6,23
6,84
40,11
12,85
9,00
25,94
7,12
Ilex theezans
366,63
9,17
6,25
6,87
14,59
4,68
5,18
11,72
6,90
Myrcia multiflora
366,63
9,17
4,43
4,86
8,91
2,85
5,23
9,46
5,63
Euterpe edulis
Pouteria
beaurepalens
266,64
6,67
2,43
2,67
5,93
1,90
6,25
7,48
3,75
233,31
5,83
2,61
2,87
4,76
1,52
6,07
8,28
3,41
Inga sp
Byrsonina
niedenzuiana
166,65
4,17
3,14
3,45
6,88
2,21
7,30
10,50
3,28
133,32
3,33
2,98
3,28
9,11
2,92
6,75
12,81
3,18
Ilex microdonta
199,98
5,00
1,92
2,11
3,57
1,14
4,33
8,59
2,75
Pera glabrata
133,32
3,33
2,21
2,43
7,18
2,30
5,13
11,54
2,69
Gomidesia sp
33,33
0,83
2,87
3,15
9,10
2,92
10,00
25,15
2,30
Tabebuia cassinoides
133,32
3,33
1,68
1,85
5,01
1,60
5,50
11,30
2,26
Geonoma gamiova
166,65
4,17
1,04
1,15
1,32
0,42
3,40
6,62
1,91
Psidium cattleyanum
99,99
2,50
1,46
1,60
4,31
1,38
6,33
12,31
1,83
Nectandra rigida
Cytharexylum
mirianthun
66,66
1,67
1,98
2,18
4,79
1,54
8,25
9,55
1,79
66,66
1,67
0,70
0,77
1,74
0,56
6,75
9,39
1,00
Campomanesia sp
33,33
0,83
0,86
0,95
2,43
0,78
9,00
13,69
0,85
Posoqueria latifolia
Ternstroemia
fraxinifolia
33,33
0,83
0,64
0,70
1,63
0,52
7,00
12,73
0,69
33,33
0,83
0,61
0,67
1,05
0,34
7,50
9,87
0,61
Clethra scabra
33,33
0,83
0,54
0,59
0,57
0,18
3,00
11,46
0,54
Myrcia glabra
33,33
0,83
0,59
0,57
0,18
3,00
11,46
0,54
Eugenia uniflora
33,33
0,83
0,07
0,04
0,01
3,00
3,18
0,30
Total
3.999,60
100,00
100,00
312,08
100,00
6,20
11,61
100,00
0,54
0,06
91,00
onde ; HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade: número
de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base do fuste
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por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por hectare, VolR
= Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice do Valor de
Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
4.2.3.2.3.2 Floresta Ombrófila Densa da Encosta da Serra do Mar: formações
Submontana, Montana e Alto-montana:
Segundo KLEIN (1980), referindo-se à floresta das encostas da serra do mar, "Esta
importante floresta se caracteriza principalmente pela sua grande pujança, elevada
diversidade e extraordinária heterogeneidade quanto às espécies de árvores altas,
árvores médias e arbustos, bem como um elevado número de epífitas. dentre as quais se
destacam Bromeliáceas, Aráceas, Orquidáceas, Piperáceas, Gesneriáceas e diversas
famílias de Pteridófitas. É caracterizada ainda, pela existência de um grande número de
lianas lenhosas que tanto contribuem com as epífitas, para imprimir às referidas matas
um cunho de vegetação tropical."
Foto 4.2.30 Vista da encosta da Serra do Mar, ao fundo, no vale do rio São João, próximo
ao município de Garuva-SC, onde se pode observar a pujante Floresta Ombrófila Densa
de Encosta.
92
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A formação Sub-montana, diferenciada tanto por critérios altimétricos quanto pela
estrutura e composição peculiar da floresta, na área estudada está restrita às partes mais
baixas da Serra do Mar.
O limite inferior desta sub-formação pode ser claramente definido pela planície
quaternária do litoral, onde foi mapeada a Floresta de terras Baixas. Já o limite superior,
com a sub-formação Montana, é mais difuso, podendo-se utilizar como critério a estrutura
da vegetação e a presença de espécies indicadoras. Estes critérios, na escala utilizada
para o mapeamento da vegetação, não puderam ser delimitados em mapa. No entanto,
pode-se proceder a descrição avaliando-se as áreas mais características das diferentes
formações.
Na região da floresta sub-montana, assim como nas demais, pode-se distinguir diferentes
estágios sucessionais dentro da mesma formação.
Foto 4.2.31 Área de Floresta Ombrófila Densa, formação Sub-montana, submetida
a intensa pressão antrópica por atividades agropastoris, onde pode-se observar
áreas recentemente desmatadas e parcelas em diferentes estágios de regeneração.
As áreas alteradas, onde a vegetação arbórea pioneira já começa a se implantar, foram
consideradas como estágio sucessional secundário Inicial. Este estágio é posterior às
93
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formações puramente herbáceas e subarbustivas, compostas exclusivamente de
vassouras, samambaias e gramíneas cespitosas de porte elevado.
No estágio de secundária inicial da formação sub-montana, não existem indivíduos de
grande porte, sendo a altura média da formação de apenas 4,3 metros, com os
indivíduos mais altas alcançando 7 metros. A densidade é baixa, de 1.433 indivíduos
arbóreos (com DAP maior ou igual a 3,0 cm) por hectare. O diâmetros médio dos troncos
é de 4,7 cm, sem formação de subosque.
A diversidade também é baixa, ocorrendo apenas 13 espécies arbóreas, dentre as quais
salienta-se o leiteiro (Brosimum lactescens). Outras espécies importantes são o
mangue formiga (Clusia criuva), o branquilho (Sebastiania sp) e o chá de bugre
(Casearia silvestris).
Foto 4.2.32 Floresta Ombrófila Densa, formação Sub-montana em estágio
secundário inicial de regeneração florestal.
Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Densa de Encosta,
formação Sub-montana em estágio sucessional inicial de regeneração.
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Tabela 4.2.7 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila Densa
formação Sub-montana em estágio Sucessional Inicial de regeneração,
Espécie
Dens
DensR
AB/ha
Brosimum
lactescenss
299,97
20,93
1,14
25,82
1,89
25,98
4,44
5,09
24,24
Clusia criuva
199,98
13,95
0,55
12,43
1,28
17,63
5,00
4,77
14,67
Ilex sp
Sebastiania
sp
Schizolobium
parayba
Casearia
silvestris
Ocotea
catharinensis
Miconia
cabuçu
Eugenia
uniflora
Lithraea
brasiliensis
Jacaranda
puberula
Alchornea
triplinervia
133,32
9,30
0,53
11,91
0,77
10,56
4,50
5,41
10,59
199,98
13,95
0,32
7,24
0,35
4,80
3,08
3,55
8,67
66,66
4,65
0,45
10,21
0,79
10,81
5,75
6,84
8,56
133,32
9,30
0,34
7,70
0,51
6,99
4,38
4,14
7,99
99,99
6,98
0,29
6,59
0,45
6,23
4,33
4,46
6,60
99,99
6,98
0,22
5,06
0,40
5,47
4,33
4,35
5,83
33,33
2,33
0,27
6,15
0,50
6,90
5,50
7,96
5,13
66,66
4,65
0,16
3,52
0,16
2,17
3,75
3,82
3,45
66,66
4,65
0,09
2,03
0,11
1,45
3,25
3,34
2,71
33,33
2,33
0,06
1,35
0,07
1,01
3,50
3,82
1,56
100,00
4,42
100,00
7,26
100,00
4,29
4,66
100,00
Total
1.433,19
ABR
Vol/ha
VolR
HT
DAP
IVI
onde, HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade: número
de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base do fuste
por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por hectare, VolR
= Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice do Valor de
Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
As comunidades florestais secundárias em estágio médio na formação submontana,
também ocupam áreas que já foram desmatadas, sendo posteriormente abandonadas,
possibilitando o desenvolvimento da vegetação secundária expontânea, que evoluiu até o
estágio florestal.
Esta formação representa um estágio sucessional intermediário caracterizado pela maior
densidade de indivíduos jovens, presença de algumas poucas árvores de porte, baixa
presença de lianas e epífitas, presença de grande número de arboretas heliófitas e pela
virtual ausência de espécies climax.
As espécies mais desenvolvidas, que atingem em média 12,3 m de altura, com uma
altura máxima de 20 metros, formam um dossel superior descontínuo, com uma
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densidade de 633 indivíduos por hectare. Neste dossel salientam-se o cedro (Cedrela
fissilis), a estopeira (Cariniana estrelensis), o mangue-formiga (Clusia criuva), a maria
preta (Sloanea guianensis), o tanheiro (Alchornea triplinervia) e o guapurivú
(Schizolobium parayba).
As árvores mais baixas, atingindo uma altura média de 5,3 m, formam um conjunto denso
e bastante heterogêneo. A formação como um todo, tem uma densidade de 3.300
indivíduos arbóreos (DAP maior ou igual à 3,0 cm) por hectare, com uma altura média de
7,12 metros.
Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Densa de Encosta, subformação Sub-montana em estágio sucessional médio de regeneração.
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Tabela 4.2.8 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila Densa
formação Sub-montana em estágio Sucessional Médio de regeneração,
Espécie
Shizolobium
parayba
Sloanea
guianensis
Matayba
guianensis
DensR
AB/ha
HT
DAP
IVI
399,96
12,12
14,79
17,83
55,65
18,14
8,58
14,51
16,03
66,66
2,02
13,66
16,47
87,61
28,56
13,50
45,84
15,68
99,99
3,03
8,37
10,10
32,97
10,75
8,33
26,74
7,96
599,94
18,18
2,54
3,06
3,43
1,12
4,86
4,69
7,45
megapotamica
33,33
Cariniana
estrelensis
1,01
5,97
7,20
26,39
8,60
9,50
43,93
5,60
33,33
1,01
6,79
8,19
14,22
4,64
7,00
37,56
4,61
Clusia criuva
233,31
7,07
2,29
2,77
5,56
1,81
6,93
6,96
3,88
Euterpe edulis
233,31
7,07
2,09
2,52
5,45
1,78
6,00
7,32
3,79
Cedrela fissilis
66,66
2,02
4,73
5,71
5,67
1,85
4,00
21,49
3,19
Eugenia sp
166,65
5,05
2,10
2,53
4,75
1,55
6,20
10,19
3,04
Ficus sp
Alchornea
triplinervia
33,33
1,01
3,33
4,01
9,04
2,95
8,00
28,01
2,66
33,33
1,01
2,15
2,59
12,97
4,23
15,00
24,51
2,61
33,33
1,01
2,15
2,59
11,20
3,65
12,00
25,46
2,42
Nectandra sp
Tapirira
guianenis
133,32
4,04
1,43
1,73
3,65
1,19
6,88
7,32
2,32
166,65
5,05
0,67
0,81
1,01
0,33
5,40
5,03
2,06
Casearia sp
Ocotea
puberula
133,32
4,04
0,73
0,88
1,59
0,52
9,63
5,73
1,81
66,66
2,02
0,94
1,13
3,38
1,10
9,50
10,35
1,42
Virola bicuiba
Inga
sellowiana
Guarea
macrophylla
33,33
1,01
1,05
1,27
5,69
1,85
12,00
18,14
1,38
33,33
1,01
1,49
1,80
3,47
1,13
5,00
21,96
1,31
33,33
1,01
1,34
1,61
3,99
1,30
20,00
11,78
1,31
Mollinedia sp
Cabralea
cangerana
Calyptranthes
sp
Allophyllus
edulis
Calycoretes
australis
99,99
3,03
0,22
0,27
1,61
0,53
9,50
4,88
1,28
66,66
2,02
0,51
0,62
0,88
0,29
7,50
6,37
0,97
66,66
2,02
0,43
0,52
1,08
0,35
6,25
7,00
0,96
66,66
2,02
0,48
0,58
0,85
0,28
5,00
6,37
0,96
33,33
1,01
1,05
1,27
1,83
0,60
16,00
8,91
0,96
66,66
2,02
0,26
0,31
0,45
0,15
5,50
5,25
0,83
Faramea sp
Nectandra
Cryptocaria
moschata
Actinostemon
concolor
Dens
ABR
Myrcia sp
97
Vol/ha
VolR
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
66,66
2,02
0,15
0,18
0,18
0,06
4,50
3,66
0,75
66,66
2,02
0,11
0,13
0,12
0,04
4,00
3,18
0,73
33,33
1,01
0,64
0,77
0,93
0,30
4,00
12,73
0,69
Psychotria sp
33,33
1,01
0,25
0,31
0,67
0,22
8,00
7,64
0,51
Ilex theezans
Bauhinia
candicans
33,33
1,01
0,17
0,20
0,35
0,11
6,00
6,37
0,44
33,33
1,01
0,06
0,07
0,08
0,03
4,00
3,82
0,37
Total
3.299,67
100,00
82,93
100,00
306,72
100,00
7,12
10,62
100,00
Cupania
vernalis
Brosimum
lactescens
onde, HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade: número
de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base do fuste
por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por hectare, VolR
= Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice do Valor de
Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
A Floresta Ombrófila Densa Sub-montana em estágio avançado de regeneração ou
Primária Semi-explotada, representa uma das comunidades vegetais mais diversificada e
exuberante de todo o bioma mata Atlântica.
As matas das partes mais baixas da encosta atlântica são constituídas por árvores altas,
de copas densas, que embora fisionomicamente sejam semelhantes às matas de
planície, tem uma composição sensivelmente mais heterogênea.
Em virtude da profundidade do solo, mais acentuadas nas encostas menos íngremes, em
alguns locais esta formação alcança um desenvolvimento impressionante, com árvores
de até cerca de 30 metros de altura. Nas áreas avaliadas, ou seja, em áreas limítrofes ao
oleoduto, a formação já apresenta alguns sinais de intervenção antrópica, embora ainda
consiga, em grande parte, reproduzir a grandiosidade da formação original.
Nas áreas avaliadas a formação apresentou uma alta densidade do estrato arbóreo, com
4.632 indivíduos com DAP maior ou igual à 3,0 cm por hectare. O dossel dominante, com
uma altura média superior a 15 metros apresenta árvores com até 22 metros de altura.
A presença de epífitos e lianas é considerável em todos os estratos da mata. Dentre os
epífitos existe uma grande diversidade específica, salientando-se as bromeliáceas,
orquidáceas, aráceas, piperáceas, gesneriáceae e diversas famílias de Pteridófitas.
98
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Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Densa de Encosta,
formação Sub-montana em estágio sucessional Avançado de regeneração ou primária
semi-explotada.
Tabela 4.2.9 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila Densa
formação Sub-montana em estágio Sucessional Avançado de regeneração ou Primária
Semi-explotada,
Espécie
Dens
DensR
AB/ha
ABR
Vol/ha
VolR
HT
DAP
IVI
Shizolobium
parayba
166,65
3,60
23,83
21,61
151,69
29,31
17,60
32,53
18,17
Euterpe edulis
966,57
20,86
3,85
3,50
6,89
1,33
4,83
5,16
8,56
Alchornea triplinerva
133,32
2,88
8,82
8,00
58,17
11,24
11,75
19,26
7,37
Cedrela fissilis
33,33
0,72
6,29
5,70
50,15
9,69
22,00
39,79
5,37
Hieronima
alchornoides
33,33
0,72
7,58
6,87
33,37
6,45
17,00
36,92
4,68
Sloanea guianensis
66,66
1,44
8,62
7,81
20,24
3,91
15,00
21,65
4,39
Brosimum
lactescens
99,99
2,16
6,70
6,07
25,10
4,85
15,67
18,89
4,36
Tapirira guianensis
33,33
0,72
4,28
3,88
42,01
8,12
20,00
38,20
4,24
Psychotria sp
366,63
7,91
2,22
2,01
4,46
0,86
5,68
6,25
3,59
Ocotea sp
33,33
0,72
6,96
6,31
13,49
2,61
20,00
21,65
3,21
Ocotea
catharinensis
233,31
5,04
3,03
2,74
8,98
1,73
8,14
8,91
3,17
Actinostemon
concolor
333,30
7,19
1,38
1,25
3,26
0,63
5,70
5,63
3,02
Aspidosperma
olivaceum
66,66
1,44
4,20
3,81
14,76
2,85
13,50
18,78
2,70
Calyptranthes sp
299,97
6,47
1,06
0,96
2,14
0,41
5,61
4,85
2,62
Myrcia sp
266,64
5,76
1,37
1,24
4,36
0,84
5,31
6,17
2,61
Sebastiania
klotzschiana
199,98
4,32
1,85
1,68
5,36
1,04
7,00
8,81
2,34
Arecastrum
romanzoffianum
33,33
0,72
2,92
2,65
16,18
3,13
15,00
27,37
2,17
Virola bicuiba
33,33
0,72
2,92
2,65
16,18
3,13
15,00
27,37
2,17
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Rheedia
gardneriana
233,31
5,04
0,95
0,86
1,98
0,38
4,64
5,73
2,09
Cabralea cangerana
33,33
0,72
3,15
2,86
10,72
2,07
15,00
22,28
1,88
Talauma ovata
33,33
0,72
2,60
2,36
11,81
2,28
17,00
21,96
1,79
Guapira opositta
166,65
3,60
0,90
0,81
2,25
0,44
6,00
6,68
1,62
Marlierea tomentosa
133,32
2,88
1,10
1,00
2,82
0,54
6,25
8,04
1,47
Mollinedia sp
166,65
3,60
0,35
0,32
0,63
0,12
4,10
4,20
1,35
Meliosma sellowii
133,32
2,88
0,64
0,58
1,53
0,30
4,88
6,37
1,25
Ficus sp
33,33
0,72
0,99
0,89
5,30
1,02
12,00
17,51
0,88
Geonoma gamiova
99,99
2,16
0,35
0,32
0,58
0,11
4,00
5,73
0,86
Sorocea bonplandii
66,66
1,44
0,18
0,16
0,40
0,08
5,25
4,93
0,56
Campomanesia
xantocarpha
33,33
0,72
0,61
0,55
2,00
0,39
9,00
12,41
0,55
Allophyllus edulis
33,33
0,72
0,49
0,44
0,58
0,11
10,00
6,37
0,43
Eugenia uniflora
33,33
0,72
0,07
0,06
0,09
0,02
5,00
3,50
0,27
Cupania vernalis
33,33
0,72
0,04
0,03
0,03
0,01
2,00
3,18
0,25
Total
4.632,87
100,00
110,28
100,00
517,50
100,00
7,33
9,48
100,00
onde, HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade: número
de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base do fuste
por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por hectare, VolR
= Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice do Valor de
Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
O limite da formação submontana com a montana, como já foi dito, é bastante impreciso.
Pelas observações advindas deste estudo na área de influência do oleoduto, pode-se
considerar como o fator mais conspícuo desta divisão, a ocorrência de exemplares de
grande porte de guapuruvú (Schizolobium paryaba), que com sua exuberante floração
amarela (out/nov/2001) delimitava claramente os limites de sua ocorrência. Pode-se
inferir que esta espécie seja característica das partes mais baixas da encosta da serra do
mar, delimitando empiricamente, a formação sub-montana.
100
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A
Floresta
Ombrófila
Densa
Montana
ocupa
as
partes
correspondentes
aproximadamente aos 2/3 superiores da encosta, com exceção de uma pequena faixa na
borda do planalto que é ocupada pela formação alto-montana.
Trata-se também de uma floresta exuberante, que sofreu menos interferência antrópica,
devido ao difícil acesso que impossibilitou o desmatamento para agricultura.
Um fator limitante para o desenvolvimento total do potencial desta floresta e a ocorrência
de relevos muito íngremes e solo dissecados. Entretanto, nas áreas mais aplainadas e
nos vales, onde não ocorreu o desmatamento, esta floresta apresenta-se ainda com toda
sua pujança, diversidade e vigor.
Assim como em todas as formações anteriormente descritas, a formação montana
apresenta claras diferenças em função do estágio sucessional em que se encontra cada
área considerada.
Foto 4.2.33 Floresta Ombrófila Densa Montana, tomada apartir da rodovia, onde
pode-se observar os diferentes estágios sucessionais da vegetação arbórea das
encostas.
A Floresta Ombrófila densa Montana, em estágio sucessional secundário inicial, ou
pioneiro, representa um tipo de vegetação secundária originaria do desenvolvimento dos
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processos naturais de sucessão vegetal e desenvolve-se atualmente sobre as antigas
áreas de cultivo e pastagens abandonadas.
A formação apresenta uniformidade fitofisionômica, em virtude da acentuada
predominância de um pequeno número de espécies arbóreas características deste
estágio sucessional, ou então indivíduos jovens das espécies de maior porte. Salientamse a embaúba (Cecropia adenopus), as melastomataceas (Tibouchina sp e Miconia
sp), alem de guamirins (Calyptranthes sp e Myrcia sp).
Não existem árvores de grande porte nem estratificação, a densidade é baixa com 1.433
indivíduos por hectare, sendo a maioria deste arbustos e arboretas pioneiras, com DAP
médio de apenas pouco mais de 5,2 cm e altura média de 4 metros.
Em virtude do caráter heliófito e pioneiro da formação, o solo é relativamente iluminado,
fazendo com que se desenvolvam muitas ervas e plântulas. A presença de serrapilheira
é
apenas incipiente, não observando-se o acúmulo de matéria orgânica típico das
formações mais densas.
De uma maneira geral, a densidade, freqüência e desenvolvimento das espécies
arbóreas e arbustivas, ainda não atingiu um estágio capaz de determinar à esta formação
a complexidade típica das florestas, sendo popularmente denominada de capoeirinha.
Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Densa de Encosta,
formação Montana em estágio sucessional secundário inicial de regeneração ou pioneiro.
102
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Tabela 4.2.10 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila Densa
formação Montana em estágio Sucessional Inicial de regeneração,
Espécie
Dens
DensR
AB/
ha
ABR
Vol/
ha
VolR
HT
DAP
IVI
Cecropia adenopus
133,32
9,30
0,87
17,94
1,83
22,69
5,00
7,64
16,64
Miconia
cinnamomifolia
199,98
13,95
0,92
19,04
1,35
16,72
4,08
5,68
16,57
Calyptranthes sp
266,64
18,60
0,35
7,17
0,63
7,79
3,69
3,82
11,19
Tibouchina pulchra
133,32
9,30
0,58
11,92
0,79
9,83
4,00
5,73
10,35
Lithraea brasiliensis
166,65
11,63
0,48
10,01
0,70
8,72
4,00
4,77
10,12
Campomanesia
xantocarpha
99,99
6,98
0,62
12,72
0,82
10,22
4,00
7,00
9,97
Matayba guianensis
33,33
2,33
0,34
7,10
0,70
8,69
5,00
9,87
6,04
Myrcia sp
99,99
6,98
0,22
4,45
0,39
4,80
3,50
4,99
5,41
Eugemia uniflora
99,99
6,98
0,14
2,95
0,29
3,55
4,00
4,03
4,49
Ilex sp
66,66
4,65
0,16
3,20
0,27
3,31
3,25
5,09
3,72
Solanum sp
66,66
4,65
0,08
1,71
0,13
1,64
3,75
3,50
2,67
Brosimum
lactescenss
33,33
2,33
0,06
1,23
0,13
1,59
4,50
4,46
1,72
Schinus
terebenthifolius
33,33
2,33
0,03
0,55
0,04
0,45
2,50
3,18
1,11
1.433,19
100,00
4,84
100,00
8,07
100,00
Total
3,97
5,23
100,00
onde: HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade: número
de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base do fuste
por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por hectare, VolR
= Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice do Valor de
Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
Para a formação Montana, a existência de comunidades florestais secundárias em
estágio médio de regeneração deve-se também ao abandono de áreas desmatadas para
agricultura ou mesmo para a exploração madereira, possibilitando a ação dos processos
naturais de sucessão vegetal. Esta formação apresenta uma estrutura já bastante
complexa, conseguindo reproduzir apenas em parte a fisionomia das formações originais.
103
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Faltam ainda exemplares de espécies climax de grande porte, bem como pela maior
densidade de indivíduos jovens, pela ausência de troncos desenvolvidos, baixa presença
de lianas e epífitas, presença de grande número de arboretas heliófitas.
As espécies mais desenvolvidas, que atingem em média pouco mais de 15 m de altura,
formam um dossel superior descontínuo, com uma densidade relativamente baixa.
Dentre estas árvores salientam-se Sloanea guianensis, Ocotea catharinenses,
Aspidorperma olivaceum, Brosimum lactescens e Ocotea puberula.
As árvores mais baixas, onde salientam-se Actinostemon concolor, Euterpe edulis e
Sebastiania klotzschiana, formam um conjunto denso e bastante heterogêneo, com
uma densidade bem mais acentuada. A densidade geral da formação é 3.366 indivíduos
com DAP maior ou igual à 3 cm por hectare, nas áreas avaliadas.
Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Densa de Encosta,
formação Montana em estágio sucessional secundário Médio de regeneração.
Tabela 4.2.11 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila Densa
formação Montana em estágio Sucessional Médio de regeneração,
Dens
R
Espécie
Dens
AB/ha
ABR
Ocotea
catharinenses
199,98
5,94
20,39
28,86
122,42
38,81
10,33
22,49
24,54
Miconia
cinnamomifolia
699,93
20,79
10,31
14,60
30,35
9,62
7,10
9,26
15,00
Brosimum
lactescens
133,32
3,96
7,36
10,42
43,43
13,77
13,00
23,95
9,38
Sloanea
guianensis
99,99
2,97
7,62
10,79
42,30
13,41
10,33
19,31
9,06
Actinostemon
concolor
499,95
14,85
2,30
3,26
3,44
1,09
4,27
5,60
6,40
Aspidosperma
olivaceum
33,33
0,99
3,51
4,97
18,97
6,01
18,00
27,06
3,99
Euterpe edulis
166,65
4,95
2,85
4,03
5,44
1,72
7,20
8,72
3,57
Sebastiania
klotzschiana
133,32
3,96
2,06
2,92
5,64
1,79
6,75
9,07
2,89
Mollinedia sp
233,31
6,93
0,38
0,53
0,67
0,21
4,07
3,96
2,56
Rheedia
gardneriana
66,66
1,98
2,04
2,89
8,24
2,61
12,00
15,44
2,49
104
Vol/ha
VolR
HT
DAP
IVI
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Ocotea puberula
99,99
2,97
1,57
2,23
5,71
1,81
9,67
11,14
2,34
Sorocea
bonplandii
133,32
3,96
0,84
1,19
1,17
0,37
5,00
6,29
1,84
Tapirira guianenis
99,99
2,97
1,23
1,75
2,30
0,73
5,83
9,55
1,81
Cupania vernalis
133,32
3,96
0,63
0,89
1,50
0,48
5,25
5,41
1,77
Calyptranthes sp
66,66
1,98
1,10
1,55
5,30
1,68
6,75
11,46
1,74
Ocotea pulchella
33,33
0,99
1,05
1,49
5,69
1,80
12,00
18,14
1,43
Hyeronima
alchorneoides
33,33
0,99
1,23
1,74
3,65
1,16
10,00
15,92
1,29
Nectandra rigida
33,33
0,99
1,05
1,49
3,94
1,25
10,00
16,55
1,24
Matayba
guianensis
66,66
1,98
0,84
1,19
1,68
0,53
6,00
9,87
1,23
Capsicodendron
sp
99,99
2,97
0,33
0,47
0,35
0,11
4,67
4,14
1,18
Geonoma
gamiova
99,99
2,97
0,12
0,17
0,19
0,06
4,33
3,18
1,07
Alchornea
triplinervia
33,33
0,99
0,69
0,98
1,52
0,48
8,50
11,14
0,82
Tibouchina sp
33,33
0,99
0,66
0,94
0,91
0,29
8,00
8,91
0,74
Ocotea sp
33,33
0,99
0,27
0,38
0,41
0,13
7,00
6,37
0,50
Trichilia elegans
33,33
0,99
0,09
0,12
0,11
0,03
6,00
3,50
0,38
Allophyllus edulis
33,33
0,99
0,06
0,08
0,06
0,02
4,00
3,18
0,36
Myrcia sp
33,33
0,99
0,06
0,08
0,06
0,02
4,00
3,18
0,36
3.366,3
3
100,00
100,00
315,43
100,00
Total
70,65
6,94
9,83
100,00
onde, HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade: número
de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base do fuste
por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por hectare, VolR
= Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice do Valor de
Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
A Floresta Ombrófila densa Montana, em estágio sucessional secundário avançado de
regeneração, ou primária semi-explotada, atualmente está restrita às escarpas mais
íngremes, onde o uso agropastoril foi impedido pela radicalidade do relevo.
105
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A estrutura e composição florística das matas mais desenvolvidas nesta área assemelhase as descritas para a vegetação desta região fitoecológica. No entanto, parecer faltarem
as espécies de maior porte e madeira mais nobre, devido ao corte seletivo pretérito.
Dessa maneira, a estrutura fitossociológica foi descaracterizada, um vez que faltam parte
dos indivíduos adultos, justamente os que determinam a fisionomia da floresta. Por outro
lado, a complexidade estruturas e diversidade específica da formação, permitem inferir
que nunca houve corte raso da floresta nestas áreas.
As matas primárias, no sentido estrito da palavra, consideradas como comunidades
climax onde não houve nenhum tipo de intervenção humana, são raras nesta região.
Mesmo as matas mais bem preservadas apresentam indícios claros de intervenção
antrópica, podendo-se destacar o corte seletivo de exemplares de maior porte e valor
comercial, abertura de trilhas e picadas para retirada de toras e até o efeito de borda
causado pela fragmentação das áreas de mata.
A mata secundária em estágio avançado pouco difere das formações primárias semiexplotadas, apresentando as mesmas espécies dominantes e a mesma estratificação
vertical, assim como a presença conspícua de lianas e epífitas, não muito freqüentes nos
estágios intermediários e iniciais. A separação destes dois estágios sucessionais neste
tipo de ambiente é bastante problemática, podendo-se considerá-los como uma categoria
única. Visualmente, tanto em observações à campo, como na análise das aerofotos, não
consegue-se estabelecer uma diferenciação clara entre as duas categorias, o que
também pode ser confirmado pelas análises fitossociológicas.
O número de espécies arbóreas, amostradas em quase todas as parcelas, foi de 33
espécies, considerando o bosque e o subosque, com uma densidade média de 3.900
indivíduos por hectare. O estrato emergente, apresenta-se denso com uma altura média
de 15,9 metros, sendo dominado pelas canelas (Ocotea catharinenses) e pelo Leiteiro
(Brosimum lactescens). O estrato dominado, formado pelo arboretas e arbustos, é
muito mais denso e dominado por um número maior de espécies, que alcançam em
média menos de 7,0 metros de altura.
As epífitas não são abundantes tanto em número de indivíduos como em espécies e as
lianas são abundantes
e diversificada, ocorrendo tanto espécies lenhosas quanto
106
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herbáceas. O chão da mata está coberto de serrapilheira, não sendo significativa a
presença de plântulas e ervas rasteiras.
Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Densa de Encosta,
formação Montana em estágio sucessional Avançado de regeneração ou primária semiexplotada.
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Tabela 4.2.12 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila Densa
formação Montana em estágio Sucessional Avançado ou Primária Semi-explotada,
Espécie
Dens
DensR
AB/ha
ABR
Vol/ha
VolR
HT
DAP
IVI
Ocotea
catharinenses
299,97
7,69
17,40
17,18
115,30
27,39
11,28
17,40
17,42
Brosimum
lactescens
299,97
7,69
12,10
11,95
49,97
11,87
10,28
15,81
10,50
Alchornea
triplinervia
166,65
4,27
8,50
8,40
40,33
9,58
10,20
16,68
7,42
Tapirira
guianensis
166,65
4,27
9,19
9,08
24,57
5,84
11,60
16,87
6,40
Euterpe edulis
266,64
6,84
7,38
7,29
17,95
4,27
8,19
13,65
6,13
Virola bicuiba
133,32
3,42
6,59
6,51
28,47
6,76
11,00
19,81
5,56
Parapiptadenia
ridida
33,33
0,85
5,58
5,51
25,21
5,99
12,00
38,20
4,12
Ocotea sp
166,65
4,27
3,04
3,00
13,42
3,19
7,70
9,99
3,49
Ficus sp
33,33
0,85
3,82
3,77
21,02
4,99
15,00
31,19
3,21
Myrcia sp
166,65
4,27
2,95
2,92
8,42
2,00
8,40
10,50
3,06
Calyptranthes sp
199,98
5,13
2,10
2,08
5,84
1,39
6,33
8,06
2,86
Actinostemon
concolor
266,64
6,84
1,19
1,17
1,76
0,42
3,63
6,33
2,81
Ilex sp.
166,65
4,27
1,80
1,77
5,36
1,27
8,40
8,53
2,44
Ocotea pulchella
99,99
2,56
3,33
3,29
4,05
0,96
5,17
14,75
2,27
Matayba
guianensis
66,66
1,71
0,38
0,38
17,79
4,23
7,00
20,85
2,10
Ilex
paraguariensis
99,99
2,56
2,16
2,13
4,95
1,18
7,00
11,25
1,96
Campomanesia
xantocarpha
133,32
3,42
1,34
1,32
4,67
1,11
8,38
8,51
1,95
Mollinedia sp
166,65
4,27
0,51
0,50
0,72
0,17
3,20
5,54
1,65
Eugenia sp
66,66
1,71
1,57
1,55
4,34
1,03
9,00
12,89
1,43
Arecastrum
romanzoffianum
66,66
1,71
1,18
1,16
4,80
1,14
10,50
12,73
1,34
Cordyline
dracaenoides
99,99
2,56
0,84
0,83
1,24
0,29
4,33
6,05
1,23
Sorocea
bonplandii
99,99
2,56
0,52
0,52
0,64
0,15
4,67
5,73
1,08
Hyeronima
alchorneoides
33,33
0,85
1,23
1,21
4,38
1,04
12,00
15,92
1,04
Miconia
cinnamomifolia
66,66
1,71
0,73
0,72
2,52
0,60
9,00
8,44
1,01
Capsicodendron
dinisii
99,99
2,56
0,33
0,33
0,35
0,08
4,67
4,14
0,99
Calyptranthes
concina
66,66
1,71
0,51
0,51
1,01
0,24
5,75
7,80
0,82
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Cabralea
cangerana
33,33
0,85
0,92
0,91
2,66
0,63
12,00
12,41
0,80
Sloanea
guianensis
33,33
0,85
0,89
0,88
2,28
0,54
6,00
16,23
0,76
Geonoma
gamiova
66,66
1,71
0,42
0,41
0,32
0,08
2,50
6,68
0,73
Ocotea puberula
33,33
0,85
0,64
0,63
2,33
0,55
10,00
12,73
0,68
Rheedia
gardneriana
66,66
1,71
0,23
0,23
0,27
0,06
4,25
4,77
0,67
Fagara rhoifolia
33,33
0,85
0,72
0,71
1,11
0,26
7,00
10,50
0,61
Prunus sellowii
33,33
0,85
0,54
0,53
1,25
0,30
7,00
11,14
0,56
Faramea sp
33,33
0,85
0,31
0,30
0,91
0,22
10,00
7,96
0,46
Sebastiania
klotzschiana
33,33
0,85
0,34
0,34
0,70
0,17
5,00
9,87
0,45
3.899,61
100,00
101,25
100,00
420,91
100,00
7,87
11,98
100,00
Total
onde, HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade: número
de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base do fuste
por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por hectare, VolR
= Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice do Valor de
Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
Quanto à Floresta Ombrófila Densa Alto-montana, devido à pequena extensão, na área
de influência do oleoduto não constatou-se muitas variações estruturais entre diferentes
áreas analisadas. Mesmo quando considera-se os estágios sucessionais, pode-se
constatar uma extrema similaridade entre as parcelas avaliadas.
Deste modo, avaliou-se a formação de acordo com os parâmetros médios apresentados
nas áreas avaliadas na área de influência do oleoduto.
O que caracterizou esta formação, já dominada pela Araucaria angustifolia, além do
ambiente peculiar, foi a presença de espécies emblemáticas, com Drymis winterii,
Siphoneugenia reitzii, Podocarpus sp, Fucsia regia, e Berberis laurina.
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Foto 4.2.34 Floresta Ombrófila Densa Altomontana, detalhe de flor de Fucsia regia,
espécie típica desta formação.
As parcelas avaliadas não apresentam uma densidade muito elevada (2.600 indivíduos
com DAP maior ou igual a 3,0 cm), com uma altura média de 5,6 metros. As árvores mais
altas, Araucaria angustifolia, Mimosa scabrella, , Ocotea puberula e Gochnatia
polymorpha, apresentam uma altura média de 11,0 metros.
Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Densa de Encosta,
formação Alto-montana.
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Tabela 4.2.13 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila Densa
formação Alto-Montana,
Espécie
Dens
DensR
AB/ha
ABR
Vol/ha
VolR
HT
DAP
IVI
Araucaria angustifolia
33,33
1,28
18,63
21,02
162,45
41,35
14,00
79,58
21,22
Mimosa scabrella
99,99
3,85
17,65
19,93
66,96
17,04
10,50
32,89
13,61
Ocotea pulchella
33,33
1,28
12,84
14,49
47,26
12,03
10,00
57,30
9,27
Drimys brasiliensis
366,63
14,10
6,72
7,58
17,69
4,50
6,27
12,56
8,73
Ilex microdonta
466,62
17,95
4,50
5,08
11,92
3,03
4,57
6,93
8,69
Weinmannia sp
33,33
1,28
8,59
9,70
29,58
7,53
12,00
41,38
6,17
Siphoneugenia reitzii
266,64
10,26
2,22
2,51
5,62
1,43
4,06
8,20
4,73
Calyptranthes concina
166,65
6,41
3,22
3,63
10,78
2,74
4,80
11,01
4,26
Podocarpus sellowii
133,32
5,13
1,86
2,10
5,49
1,40
5,88
9,71
2,88
Sebastiania
klotzschiana
166,65
6,41
0,75
0,85
1,12
0,28
3,80
5,73
2,51
Gomidesia sellowiana
133,32
5,13
0,72
0,81
1,47
0,38
5,00
6,37
2,10
Blepharocalyx
salicifolius
133,32
5,13
0,75
0,85
1,08
0,27
3,88
6,76
2,08
Gochnatia
polymorpha
33,33
1,28
2,24
2,53
9,34
2,38
10,00
25,46
2,06
Ilex paraguariensis
66,66
2,56
1,54
1,74
3,81
0,97
6,75
13,53
1,76
Nectandra sp
66,66
2,56
1,38
1,56
4,27
1,09
7,50
14,01
1,74
Vernonia discolor
66,66
2,56
1,20
1,35
4,39
1,12
6,50
15,12
1,68
Ocotea puberula
33,33
1,28
1,61
1,82
5,61
1,43
10,00
19,74
1,51
Drymis winterii
66,66
2,56
0,43
0,49
0,64
0,16
4,50
6,84
1,07
Myrciaria rivularis
33,33
1,28
0,80
0,91
2,18
0,56
6,50
15,28
0,91
Miconia sp
33,33
1,28
0,32
0,37
0,46
0,12
3,50
9,55
0,59
Myrcianthes gigantea
33,33
1,28
0,24
0,27
0,32
0,08
5,50
6,37
0,54
Myrceugenia euosma
33,33
1,28
0,17
0,19
0,23
0,06
4,00
6,37
0,51
Myrcia bombacyna
33,33
1,28
0,11
0,12
0,11
0,03
3,50
4,77
0,48
Gomidesia affinis
33,33
1,28
0,06
0,07
0,07
0,02
4,50
3,18
0,46
Berberis laurina
33,33
1,28
0,03
0,03
0,04
0,01
2,50
3,18
0,44
2.599,7
100,00
88,59
100,00
392,89
100,00
5,58
12,12
100,00
Total
onde, HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade: número
de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base do fuste
por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por hectare, VolR
= Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice do Valor de
Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
Para caracterizar a diversidade específica em cada formação na área de influência do
oleoduto, foram feitos inventários florísticos em toda a extensão da área afetada. Na
111
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tabela a seguir estão listadas as espécies vegetais encontradas na área da Floresta
Ombrófila Densa na área de influência do oleoduto.
Tabela 4.2.14 - Listas das espécies vegetais encontradas nas diferentes formações da
Floresta Ombrófila Densa, indicando a família,
o nome científico, o nome popular e a
formação onde ocorrem,
FAMÍLIA
NOME
NOME CIENTÍFICO
FORMAÇÃO
POPULAR
ACANTHACEAE
TB; SM
Hygrophila sp
Justicia brasiliana Roth
junta
cobra
de
TB;SM;MO
Ruellia sanguinea Griseb.
ruelia
TB;SM;MO
Cordyline dracenoides Kunth
uvarana
MO;AM
Echinodorus
Schlect.)
chapéu
couro
AGAVACEAE
ALISMATACEAE
grandiflorus
(Cham.&
de
TB
AMARANTHACEAE
saracura
TB,
Alternanthera sp
saracura
TB
Lithraea brasiliensis March.
bugreiro
TB;SM;MO;AM
Schinus terebinthifolius Raddi
aroeiravermelha
TB;SM;MO;AM
Tapirira guianensis Aubl.
copiúba
TB;SM;MO
Annona cacans R.E. Fries
ariticum
SM
Rollinia sp
ariticum
SM;MO
Alternanthera
Griseb.
philoxeroides
(Mart.)
ANACARDIACEAE
ANNONACEAE
112
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Xylopia brasiliensis Spr.
pindaíba
TB;SM;
Aspidosperma olivaceum M. Arg..
peroba
MO
APOCYNACEAE
Fosteronia sp
SM;MO
Mandevilla sp
SM;MO
Peschiera australis (M. Arg.) Miers.
leiteira
TB;SM;MO
Ilex dumosa Reissek.
caúna
TB
Ilex microdonta Reissek
caúna
TB;SM;MO;AM
Ilex paraguariensis St. Hil.
erva-mate
MO;AM
Ilex theezans mart.
caúna
TB;SM
AQUIFOLIACEAE
ARACEAE
Anthurium gaudichaudianum Kunth
TB;SM;MO;AM
Anthurium scandens (Aubl.) Engl.
TB;SM
Anthurium sp
TB;SM;
guaimbé
TB;SM;
Philodendron imbe Schott.
guaimbé
TB;SM;MO;AM
Philodendron selloum C. Koch
guaimbé
TB;SM;MO;AM
Didymopanax morototoni (Aubl.) Dcne &
caixeta
SM
pinheiro
brasileiro
AM
Philodendron
Vriese
cordatum
(L.)
De
ARALIACEAE
Planch.
ARAUCARIACEAE
Araucaria
Ktze.
angustifolia
ARISTOLOCHIACEAE
113
(Bert.)
O.
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Aristolochia triangularis Cham.
cipó-milhomens
TB;MO
Anredera cordifolia (Tenore) Steen
cipómanteiga
TB;SM;MO
Begonia cucullata Willd.
begônia
SM;MO,AM
Berberis laurina Billb.
são joão
AM
BASELLACEAE
BEGONIACEAE
BERBERIDACEAE
BIGNONIACEAE
SM;MO
Arrabidea chica CH.&K. Schum.
Jacaranda micrantha Cham.
caroba
MO
Jacaranda puberula Cham.
carobinha
TB;SM
Pithecoctenium echinatum (Jacq.)
Bail.
escova
macaco
Tabebuia umbellata (Sond.) Sandw.
ipê amarelo
TB;SM
Cordia monosperma (Jacq.) R.&S.
baleira
TB;MO
Cordia verbenacea DC.
baleiira
TB;MO
Aechmea blumenavii Reitz
gravatá
MO
Aechmea calyculata (E. Morr.) Bak.
gravatá
TB;MO
Aechmea cilindrata Lindm.
gravatá
TB;MO
Aechmea distichantha Lem.
gravatá
MO;AM
Aechmea nudicaulis v. cuspidata
Rok.
gravatá
TB
Aechmea recurvata Mez.
gravatá
TB;SM;MO;AM
Billbergia distachia (Vell.) Mez
gravatá
MO
de
SM
BORAGINACEAE
BROMELIACEAE
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Nidularium inocentii Mez
gravatá
Tillandsia geminiflora Brong.
cravo
mato
do
TB;SM;MO
Tillandsia tenuifolia L.
cravo
mato
do
TB,SM;MO
Tillandsia stricta Soland.
cravo
mato
do
TB;SM;MO;AM
Tillandsia usneoides L.
barba
pau
de
TB;SM;MO;AM
Vriesia carinata Wawra
gravatá
TB;SM
Vriesia erythrodactylon E.Morr ex
Mez
gravatá
TB;SM;MO;AM
Vriesia
friburgensis
L.B.Smith
gravatá
TB;SM;MO;AM
Vriesia gigantea Gaud.
gravatá
TB;SM;MO;AM
Vriesia incurvata Gaud.
gravatá
TB;SM;MO
Vriesia flamea L.B.Smith
gravatá
TB;SM
Vriesia philippocoburgii Wawra
gravatá
TB;SM;MO;AM
Vriesia platynema Gaud.
gravatá
TB;SM;MO;AM
Vriesia rodigasiana E. Morr.
gravatá
TB
Cereus peruvianus (L.) Miller
tuna
TB;SM
Opuntia arechavaletai Speg.
umbeva
TB
Rhipsalis spp
rabo de rato
TB;SM;MO;AM
Capsicodendron dinisii (Schwake)
Occ.
pimenteira
AM
Maytenus alaternoides Reiss.
coração
bugre
Maytenus ilicifolia Mart. ex Reiss
espinheira
santa
v.
paludosa
TB;SM
CACTACEAE
CANELLACEAE
CELASTRACEAE
115
de
TB;SM;MO;AM
MO;AM
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
CLETHRACEAE
TB;SM;MO;AM
Clethra scabra Pers.
COMPOSITAE
Achyrocline satureioides (Lam.) DC.
marcela
TB;SM;MO
TB;SM;MO
Ageratum conyzoides L.
Baccharis anomala A. P. Candolle
carqueija
TB;SM;MO
Baccharis dracunculifolia DC.
vassoura
TB;SM;MO;AM
Baccharis trimera (Less.) DC
carqueija
TB;SM;MO;AM
Bidens pilosa L.
picão
TB;SM;MO;AM
Calea pinnatifida (R.Rodr.) Less.
TB;SM;M
Conyza sp
MO
Elephantopus mollis H.B.K.
TB;SM;MO;AM
Eupatorium inulaefolium H.B.K.
vassoura
TB;SM
Eupatorium laevigatum Lam.
vassoura
TB;SM
Gochnatia polymorpha (Less.) Cabr.
Pau toucinho
MO,AM
Mikania sp
guaco
TP
Piptocarpha angustifolia Dusén
vassourão
MO;AM
Senecio brasiliensis (Spr.) Less.
maria mole
TB;SM;MO;AM
Solidago microglossa DC.
TB;SM;MO;AM
Symphyopappus polystachyus Bak.
TB
Trixis praestans (Vell.) Cabr.
assa peixe
TB;SM;MO;AM
Vernonia discolor (Spr.) Less.
vassourão
AM
Ipomoea cairica (L) Sweet
corda
viola
CONVOLVULACEAE
CUNONIACEAE
116
de
TB;SM;M
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Lamanonia speciosa (Camb.) L.B. Smith
guaperê
TB;SM;MO;AM
Weinmania paullinifolia Pohl ex Seringe
gramiunha
TB;SM;MO;AM
Alsophila sp
xaxim miúdo
TB
Cyathea sp
xaxim miúdo
TB, SM,MO,AM
Androtrichum trygynum (Spr.) Pfeiff.
plumas
TB
CYATHEACEAE
CYPERACEAE
Bulbostylis spp
TB
Cladium sp
TB
Cyperus obtusatus (Presl.)
tiririca
TB,SM
Cyperus rotundus L.
tiririca
TB;SM;MO;AM
TB;SM;MO;AM
Rhynchospora sp
tiriricão
TB
junco
TB
Scleria hirtella Sw.
capim
navalha
TB;SM
Scleria secans (L.) Urban
capim
navalha
TB;SM
Drosera breviflora Pursh
drosera
TB
Maba inconstans (Jacq.) Griseb.
fruto do jacú
TB;SM
Sloanea guianensis (Aubl.) Benth.
sapopemba
TB;SM
Sloanea monosperma Vell.
sapopemba
MO;AM
Scirpus giganteus Kunth
Scirpus
Steud.
californicus
(C.A.Mey)
DROSERACEAE
EBENACEAE
ELAEOCARPACEAE
ERICACEAE
117
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
urze
MO;AM
cocão
TB;SM
Erythroxylum decidum St. Hil.
cocão
SM;MO
Actinostemon concolor (Spr.) M.Arg.
laranjeira do
mato
SM;MO
Alchornea iricurana Casar.
licurana
TB,SM;MO;
Alchornea triplinervia M.Arg.
tanheiro
TB,SM;MO;
Pera glabrata (Schott) Bail.
seca ligeiro
TB;SM
Phylanthus sellowianus M.Arg.
sarandí
vermelho
MO
Ricinus communis L.
mamona
TB;MO
Sapium glandulatum (Vell.) Pax.
leiteiro
TB;SM;MO;AM
Sebastiania schottiana M.Arg.
branquilho
TB;SM
Sebastiania
M.Arg.
branquilho
TB;SM;MO;AM
Casearia decandra Jacq.
guaçatunga
TB;SM;MO;AM
Casearia silvestris Sw.
chá-debugre
TB;SM;MO;AM
Condonanthe sp
codonante
TB;SM;MO
Rechsteneria sp.
rainha
abismo
do
SM;MO;AM
Andropogon bicornis L.
rabo
burro
de
TB;SM;MO;AM
Andropogon lateralis Ness
capim
caninha
Leucothoe nierderieinii Sleumer
ERYTHROXYLACEAE
Erythroxylum
Schulz
argentinum
O.
E.
EUPHORBIACEAE
klotzschiana
(M.Arg.)
FLACOURTIACEAE
GESNERIACEAE
GRAMINEAE
118
AM
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Axonopus spp
grama
tapete
TB;SM;MO;AM
Brachyaria mutica (Hochst ex Rich)
Stapf.
braquiária
TB;SM;MO
Briza minor L.
treme-treme
TB;SM;MO
Chusquea spp
cará
TB;SM;MO;AM
Cynodon dactilon (L.) Pers.
grama
missioneira
TB;SM;MO;AM
Eleusine indica (L.) Gaert.
pé
galinha
TB;SM;MO;AM
Erianthus asper Nees
estaladeira
TB;SM;MO;AM
Melinis minutiflora Beauv.
capim
melado
TB;SM
Merostachys multiramea Hack.
taquarinha
AM
Olyra sp
capim
mato
Panicum spp
pasto
TB;SM;MO;AM
Papalum pumilum Nees
pastinho
TB;SM;MO;AM
Paspalum sp
pasto
TB;SM;MO;AM
capim
gafanhoto
TB;SM;MO
Clusia criuva Camb.
criuva
TB;SM
Rheedia gardneriana Tr.& Pl.
bacoparí
TB;SM;MO
Citronella paniculata (Mart.) Howard.
laranjeira do
banhado
TB;SM;MO;
Sisyrinchium sp
bibi
TB;SM;MO;AM
Rhynchelytrum
Hubbard.
repens
(Willd.)
de
do
MO
GUTTIFERAE
ICACINACEAE
IRIDACEAE
LABIATAE
TB;SM
Hyptis sp
119
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
LAURACEAE
Cryptocarya aschersoniana Mez
canela fogo
TB;SM;MO;AM
Nectandra lanceolata Nees
canela
amarela
TB;SM;MO
canela preta
MO,
Nectandra rigida Nees
canela
TB;SM;MO;
Ocotea catharinensis Mez
canela preta
TB;SM;MO;AM
Ocotea pretiosa (Nees) Mez
sassafras
MO
Ocotea puberula Nees
canela
guaicá
TB;SM;MO;AM
Ocotea pulchella Mart.
canela
lageana
TB;SM;MO;AM
Cariniana estrellensis (Raddi) Ktze.
estopeira
SM;MO
Nectandra
Mez
megapotamica
(Sprg.)
LECYTHIDACEAE
LEGUMINOSAE
TS;SM
Andira sp
Calliandra sp.
quebra foice
MO
Diocleia violácea Mart.
micunã
SM
Erythrina crista-galli L.
corticeira do
banhado
TB;SM;MO
Erythrina falcata Benth.
corticeira da
serra
SM;MO
Ingá affinis DC.
ingá
TB;SM
Ingá marginata Will.
ingá macaco
TB;SM
Ingá sessilis (Vell.) Mart.
ingá
TB;SM;MO
Mimosa bimucronata (DC) O. Ktze.
maricá
TB
Mimosa scabrella Benth.
bracatinga
AM
Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbr.
pau-jacaré
TB;SM
Schizolobium parayba (Vell.) Blake
guapuruvú
SM
120
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Lonchocarpus sp
rabo
bugio
de
SM;MO
Smilax sp
salaparrilha
TB;S
Talauma ovata St. Hil.
baguaçú
SM
Hibiscus Pernambucensis Cann..
algodoeiro
TB
Sida sp
guamxuma
TB;SM;MO;AM
LILIACEAE
MAGNOLIACEAE
MALVACEAE
MARANTHACEAE
Calathea sp
TB;SM
Marantha sp
TB;SM,MO
MELASTOMATACEAE
Leandra australis (Cham.) Cogn.
pixirica
TB
Miconia cinnamomifolia (DC) Naud.
jacatirão-açú
TB;SM;MO
Miconia sp
pixirica
SM;MO;AM
Tibouchina spp
quaresmeira
TB;SM;MO;AM
Cabralea glaberrima A.Juss.
cangerana
SM;MO
Cedrela fissilis Vell.
cedro
SM;MO
Guarea lessoniana A.Juss.
paumorcego
TB;SM
Trichilia sp
catingá
TB;SM;MO
Mollinedia sp
pimenteira
TB;SM;MO
Brosimum lactescens (S.Moore) C.C.
leiteira
TB;SM;MO
MELIACEAE
MONIMIACEAE
MORACEAE
121
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Berg
Cecropia adenopus Mart.
embaúba
TB;SM
Coussapoa schotti Miq.
mata pau
SM;MO
Ficus Insipida M.
figueira
purgante
SM;MO
Fícus organensis (Miq.) Miq.
figueira
TB;SM;MO
Sorocea bonplandii (Baill.) Burg. Lanj.&
Boer
cincho
SM;MO
Heliconia velloziana L. Eygdio
caetébanana
TB;SM
Rapanea ferruginea (R.&P.) Mez
capororoca
TB;SM;MO;AM
Rapanea umbellata (Mart.) Mez
capororocão
TB;SM;MO;AM
Calycoretes australis Legr.
guamirim
SM
Calyptranthes concina DC.
guamirim
ferro
MO,AM
Campomanesia sp
guabiroba
TB;SM;MO;AM
Eugenia uniflora L.
pitga
TB;SM;MO;AM
Eugenia spp
guamirim
MO
Gomidesia sp
guamirim
TB;SM;MO;AM
Gomidesia sellowiana Berg.
guamirim
AM
Marlierea sp
guamirim
MO;AM
Myrceugeniaeuosma (Berg.)
guamirim
AM
Myrcia spp
guamirim
TB;SM;MO;AM
Myrciaria sp
guamirim
TB;SM;MO;AM
Psidium catleianum Sab.
araçá
TB;SM
MUSACEAE
MYRSINACEAE
MYRTACEAE
NYCTAGINACEAE
122
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Guapira opposita Vell.
maria mole
TB;SM
Fuchsia regia (Vand.) Mun.
brinco
de
princesa
AM
Ludwigia sp
cruz
malta
de
TB
Oenothera sp
cruz
malta
de
TB
ONAGRACEAE
ORCHIDACEAE
.
Brassavola tuberculata Hook
orquídea
TB;SM
Cattleya sp
orquídea
TB;SM
Epidendrum sp
orquídea
TB;SM;MO
Habenaria sp
orquídea
terrestre
TB;SM;MO
Masdevalia sp
orquídea
terrestre
MO,AM
Maxillaria picta Hoock
orquídea
TB;SM;MO
Octomeria sp
orquídea
TB;SM;MO
Oncidium conolor Hoock
orquídea
AM
Oncidium cornigerum Lindl.
orquídea
SM;MO
Pleurothallis sp
orquídea
TB;SM;MO
Sophronitis coccinea (Lindl) Rchb. f.
orquídea
AM
Vanilla edwalli Hoehne
baunilha
TB
Oxalis spp
trevo
TB;SM;MO;AM
jerivá
TB;SM;MO
Attalea dubia (Mart.) Burr.
indaial
SM;MO
Butia capitata (Mart.) Becc.
butiá
TB;SM
OXALIDACEAE
PALMAE
Arecastrum
Becc.
romanzoffianum
123
(Cham.)
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Euterpe edulis Mart.
palmiteiro
TB;SM;MO
Geonoma gamiova Barb. Rodr.
gamiova
TB;SM;MO
Geonoma schottiana Mart.
gamiova
TB;SM;MO
Passiflora sp
maracujá
TB;SM;MO
Phytolacca dióica L.
umbú
TB;SM;MO
PASSIFLORACEAE
PHYTOLACCACEAE
SM;MO
Seguieria sp
PIPERACEAE
peperômia
Peperômia sp
TB;SM;MO;AM
TB;SM
Piper sp
PLANTAGINACEAE
Plantago sp
tranchagem
TB;SM;MO
Podocarpus lambertii Klotzsch
pinheirinho
AM
PODOCARPACEAE
PODOSTEMACEAE
SM;MO
Podostemon sp
POLYGONACEAE
Polygonum sp
erva de bixo
TB;SM;MO;AM
Eichornia azurea (Sw) Kunth
aguapé
TB
aguapé
TB
pessegueiro
SM;MO;AM
PONTERIDACEAE
Eichornia
Soims.Laub
crassipes
(Mart.)
ROSACEAE
Prunus sellowii Koehne
RUBIACEAE
124
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Faramea marginata Cham.
estaladeira
SM;MO
Posoqueria latifolia (Rudge) R.& S.
baga
macaco
de
TB;SM
Psychotria leiocarpa Cham.& Schl.
carne
vaca
de
TB;SM;MO
Psychotria sp
carne
vaca
de
TB
Fagara sp
coentrilho
TB;SM;MO;AM
Salix humboldtiana Willd
salseiro
TB
Allophyllus edulis (St.Hil.) Radlk
chal-chal
TB;SM;MO
Cupania vernalis Camb.
camboatá
TB;SM;MO
Dodonaea viscosa (L.) Jacq.
vassoura
vermelha
TB;SM
Matayba guianensis Aubl.
camboaté
TB;SM;MO;AM
Crhysophyllum sp
aguaí
TB;SM
Pouteria sp
mata olho
TB;SM
primavera
MO;AM
Datura suaveolens Humb.& Bonpl. ex
Willd
trombeteira
TB;SM
Petúnia sp
petúnia
AM
Solanum erianthum D.Don.
fumão
TB;SM;MO
Solanum inaquale Vell.
coerana
SM
Solanum sp
joá
SM;MO
RUTACEAE
SALICACEAE
SAPINDACEAE
SAPOTACEAE
SOLANACEAE
Brunsfelsia
Benth.
pauciflora
SYMPLOCACEAE
125
(C.&
S.)
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Symplocus sp
pau
de
cangalha
TB;SM;MO
Luehea divaricata Mart.
açoita cavalo
TB;SM;MO;AM
Typha dominguensis (Pers.) Kunth.
taboa
TB
Trema micrantha (L.) Blume
grandiúva
TB;SM;MO
Centella asiatica (L.) Urban
pata
cavalo
Hydrocotyle bonariensis Lam.
erva capitão
TB
Aeghiphila sellowiana Cham.
gaioleira
TB;SM
Cythareexyllum myrianthum Cham.
tarumã
do
banhado
TB;SM
Lantana camara L.
camaradinha
TB;SM
TILIACEAE
TYPHACEAE
ULMACEAE
UMBELLIFERAE
de
TB
VERBENACEAE
TB;SM;MO;AM
Verbena sp
WINTERACEAE
Drimys winterii Miers
caca d'anta
AM
Hedychium coronarium Koening
lirio do brejo
TB;SM;MO
ZINGIBERACEAE
sendo TB = Terras Baixas; SM= Sub-Montana; MO = Montana e AM = Alto-Montana
4.2.3.2.4 Floresta Ombrófila Mista:
Na área de influência do oleoduto, a floresta Ombrófila MIsta ocorre nas cotas mais altas
da escarpa e no planalto propriamente dito. O elemento característico desta formação é a
araucária (Araucaria angustifolia), cuja presença de forma autóctone serve para definir
os limites desta formação. Também podem ser mencionados algumas espécies típicas,
126
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companheiras da araucária e que ocorrem especialmente nesta formação, tais como as
caúnas, o ipê da serra, o cambará, o xaxim, etc...
Assim com a floresta Ombrófila Densa, as áreas ocupadas por florestas mistas com
araucária apresentam diferenças de composição e estrutura segundo o estágio
sucessional determinado pelo tipo de uso pretérito e atual do solo. A super-exploração da
araucária pela indústria madereira fez com que atualmente sejam extremamente raros os
exemplares de grande porte, fazendo com que os pinhais hoje encontrados não
consigam reproduzir nem de perto a grandiosidade das formações originais.
Considerando-se o estágio sucessional e para fins de descrição e mapeamento,
diferenciou-se as formações oriundas da floresta Ombrófila Mista nas seguintes
categorias: Secundária em Estágio Inicial ou pioneiro, Secundária em Estágio Médio e
Secundária em Estágio Avançado ou primária semi-explotada.
A Floresta Ombrófila Mista Secundária em Estágio Inicial ou Pioneiro, tal como ocorre
nas formações oriundas da floresta Ombrófila Densa, desenvolve-se em função dos
processos de sucessão natural sobre áreas alteradas por ações antrópicas e
posteriormente abandonadas.
Nesta comunidade florestal pouco estruturada, as espécies do bosque e do subosque
são essencialmente as mesmas, não existindo exemplares de araucária adultos.
Não observa-se estratificação, existindo um único dossel superior, ralo e homogêneo. Os
exemplares medem em média 5,2 metros de altura,. A densidade é de 1633 indivíduos
com DAP maior ou igual a 3,0 cm por hectare, com DAP médio de 7,1 cm.
Em virtude do caráter heliófito e pioneiro da formação, o solo é bastante iluminado,
fazendo com que se desenvolvam muitas ervas e plântulas. A presença de serrapilheira
é
apenas incipiente, não observando-se o acúmulo de matéria orgânica típico das
formações mais densas.
Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Mista em estágio
sucessional inicial ou pioneiro.
127
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Tabela 4.2.15 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila MIsta
em estágio sucessional inicial de regeneração
Espécie
Dens
DensR
AB/ha
ABR
Vol/ha
VolR
HT
DAP
IVI
Gochnatia
polymorpha
233,31
14,29
4,69
28,71
9,70
29,02
5,79
10,73
24,00
Vernonia discolor
433,29
26,53
2,11
12,91
3,74
11,19
4,77
5,51
16,88
Mimosa scabrella
99,99
6,12
3,14
19,24
7,18
21,48
6,67
12,73
15,61
Cupania vernalis
99,99
6,12
2,16
13,21
6,68
19,98
6,33
11,99
13,10
Piptocarpha
angustifolia
233,31
14,29
1,98
12,12
1,96
5,87
5,21
6,00
10,76
Fagara hiemalis
66,66
4,08
0,68
4,14
1,63
4,88
6,25
8,28
4,37
Miconia sellowiana
66,66
4,08
0,39
2,37
1,02
3,06
7,25
7,00
3,17
Capsicodendrum
dinisii
66,66
4,08
0,33
2,00
0,42
1,27
4,00
5,57
2,45
Lithraea
brasiliensis
66,66
4,08
0,25
1,50
0,30
0,90
4,25
4,93
2,16
Berberis laurina
66,66
4,08
0,20
1,25
0,23
0,70
3,50
4,77
2,01
Podocarpus
sellowiii
66,66
4,08
0,17
1,02
0,23
0,68
4,50
4,14
1,93
Schinus
terebinthifolius
33,33
2,04
0,09
0,53
0,11
0,33
4,50
4,14
0,97
Drymis winterii
33,33
2,04
0,06
0,37
0,08
0,25
4,00
3,82
0,89
Sebastiania
klotzschiana
33,33
2,04
0,06
0,37
0,08
0,25
4,00
3,82
0,89
Eugenia uniflora
33,33
2,04
0,04
0,27
0,05
0,15
3,50
3,18
0,82
1.633,17
100,00
16,34
100,00
33,42
100,00
5,17
7,09
100,00
Total
, ondeHT=
altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade: número
de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base do fuste
por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por hectare, VolR
= Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice do Valor de
Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
128
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As áreas delimitadas como Floresta Ombrófila Mista Secundária em Estágio Médio de
Regeneração, assim como na Floresta Ombrófila, também ocupam áreas preteritamente
desmatadas para agricultura ou exploração madeireira e depois abandonadas. Também
representam um estágio sucessional intermediário caracterizado pela maior densidade
de indivíduos jovens, baixa presença de lianas e epífitas e presença de arboretas
heliófitas no subosque.
A estratificação é evidenciada principalmente pela presença da espécies pioneiras típicas
das matas de araucária, como Mimosa scabrella, Vernonia discolor e
Ateleia
glazioviana, entre outras, que alcançam em média mais de 10 metros de altura. As
árvores de maior porte alcançam até 16 metros e altura. As espécies sub-emergentes
são latifoliadas comuns nas matas da região, com uma altura média de 4,8 metros.
Foto 4.2.35 Floresta Ombrófila Mista Secundária, parcela onde aparecem estágios
sucessionais inicial e médio.
Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Mista em estágio
sucessional Médio de Regeneração.
129
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Tabela 4.2.16 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila MIsta
em estágio sucessional Médio de regeneração
Espécie
Dens
DensR
AB/ha
ABR
Vol/ha
VolR
HT
DAP
IVI
Mimosa scabrella
133,32
4,17
13,47
19,99
80,80
29,63
13,25
29,44
17,93
Sloanea guianensis
66,66
2,08
10,33
15,33
53,59
19,66
12,50
38,52
12,36
Vernonia discolor
66,66
2,08
6,49
9,64
34,66
12,71
12,50
30,24
8,14
Gochnatia polymorpha
166,65
5,21
6,43
9,54
11,97
4,39
6,90
12,41
6,38
Ateleia glazioviana
99,99
3,13
4,30
6,38
17,69
6,49
10,00
19,63
5,33
Nectandra lanceolata
199,98
6,25
2,44
3,63
11,40
4,18
6,08
7,16
4,69
Calyptranthes concina
199,98
6,25
3,39
5,02
6,44
2,36
5,67
8,33
4,54
Sebastiania
klotzschiana
299,97
9,38
1,41
2,09
2,68
0,98
5,11
5,80
4,15
Araucaria angustifolia
66,66
2,08
2,63
3,91
10,84
3,98
9,00
17,03
3,32
Ilex paraguaiensis
199,98
6,25
0,76
1,13
1,70
0,62
5,08
5,15
2,67
Ilex theezans
133,32
4,17
1,44
2,14
4,10
1,50
9,00
7,48
2,60
Casearia silvestris
133,32
4,17
1,49
2,21
3,54
1,30
5,75
8,20
2,56
Piptocarpha angustifolia
133,32
4,17
1,14
1,70
4,73
1,73
4,88
9,47
2,53
Podocarpus sellowii
199,98
6,25
0,53
0,79
0,89
0,33
4,25
4,30
2,46
Arecastrum
romanzoffianum
33,33
1,04
2,10
3,12
8,09
2,97
12,00
21,65
2,38
Casearia decandra
99,99
3,13
1,90
2,83
2,70
0,99
7,00
8,17
2,31
Rapanea umbellata
99,99
3,13
1,86
2,76
2,76
1,01
4,33
7,75
2,30
Lithraea brasiliensis
133,32
4,17
0,90
1,33
1,97
0,72
5,88
6,21
2,07
Ilex microdonta
166,65
5,21
0,36
0,53
0,55
0,20
4,60
4,01
1,98
Ocotea sp
33,33
1,04
1,02
1,51
6,51
2,39
12,00
19,42
1,65
Allophyllus edulis
99,99
3,13
0,61
0,90
1,22
0,45
5,33
6,05
1,49
Miconia ridiuscula
99,99
3,13
0,26
0,39
0,36
0,13
4,00
4,35
1,21
Cupania vernalis
99,99
3,13
0,23
0,35
0,33
0,12
4,67
4,03
1,20
Capsycodendron dinisii
33,33
1,04
0,92
1,37
1,03
0,38
6,50
10,50
0,93
Drymis winteri
33,33
1,04
0,36
0,54
1,31
0,48
10,00
9,55
0,69
Fagara hiemalis
33,33
1,04
0,18
0,27
0,32
0,12
5,00
6,68
0,48
Campomanesia
xantocarpha
33,33
1,04
0,15
0,23
0,20
0,07
6,00
4,77
0,45
Eugenia uniflora
33,33
1,04
0,14
0,21
0,15
0,05
4,50
4,77
0,43
Cabralea cangerana
33,33
1,04
0,09
0,13
0,07
0,03
3,50
3,82
0,40
Sapium glandulatum
33,33
1,04
0,04
0,06
0,04
0,02
3,00
3,18
0,37
3.199,68
100,00
67,39
100,00
272,67
100,00
6,47
9,72
100,00
Total
, onde,;
HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade:
número de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base
130
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do fuste por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por
hectare, VolR = Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice
do Valor de Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
Floresta Ombrófila Mista Primária semi-explotada ou Secundária em estágio avançado
de regeneração ou primária semi-explotada é um tipo de comunidade que está restrito à
poucas matas residuais, representando na verdade fragmentos remanescentes das
formações originais na área estudada.
Mesmo nestes fragmentos não observa-se mais exemplares muito desenvolvidos de
araucária, podendo-se inferir que estes já foram abatidos pela ação impiedosa das
serrarias que antigamente existiam em toda a região.
Nas áreas amostradas, escolhidas justamente pela aparente integridade da estrutura
típica deste tipo de formação, diagnosticou-se a estrutura e composição típicas da
floresta Ombrófila Mista. Assim como para a floresta Ombrófila Densa, neste tipo de
formação não se pode distinguir com clareza as formação primárias semi-explotadas das
formação secundárias em estágio avançado de regeneração.
Foto 4.2.36
Faixa ocupada pelo oleoduto na Floresta Ombrófila Mista em
estágio sucessional avançado.
131
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O dossel superior é dominado pela araucária, com uma densidade média de apenas 100
indivíduos de porte elevado (altura superior à 20 metros) por hectare, o que pode indicar
um processo de super-exploração no passado. Considerando-se também as espécies
sub-emergentes latifoliadas, o dossel superior apresenta uma densidade bem maior,
com uma altura média de cerca de 15 metros, onde também ocorrem, por exemplo,
Cedrela fissilis, Ocotea pulchella, Ocotea puberula, Nectandra lanceolata, Luehea
divaricata e Matayba elaegnoides
Os dosseis inferiores, das arboretas e arbustos são diversificados, sem predomínio
acentuado de uma ou outra espécie. São pequenas árvores e arboretas com uma altura
média de 5,9 metros, dentre as quais salientam-se Nectandra lanceolata, Ocotea
pulchella, Calyptranthes concina, Capsicodendron dinisii, Ilex microdonta, Ilex
paraguaiensis, Sapium glandulatum e Vernonia discolor.
A formação como um todo apresenta uma densidade média de 3.732 indivíduos
arbóreos por hectare (DAP maior ou igual à 3,0 cm).
Na tabela seguir estão indicados os parâmetros fitossociológicos inventariados em 3
parcelas de 100 m2 na área mapeada como Floresta Ombrófila Mista em estágio
sucessional Avançado de Regeneração ou primária semi-explotada.
Tabela 4.2.17 - Levantamento fitossociológico para as áreas com Floresta Ombrofila MIsta
em estágio sucessional Avançado de regeneração ou Primária Semi-explotada,
Espécie
Dens
DensR
AB/ha
ABR
Vol/ha
VolR
HT
DAP
IVI
Araucaria angustifolia
99,99
2,68
46,72
24,81
410,78
39,65
23,00
54,75
22,38
Nectandra lanceolata
199,98
5,36
47,55
25,25
227,50
21,96
11,33
35,92
17,52
Ocotea puberula
99,99
2,68
15,06
8,00
100,37
9,69
15,67
36,82
6,79
Matayba elaegnoides
99,99
2,68
13,31
7,07
49,07
4,74
10,67
29,82
4,83
Luehea divaricata
266,64
7,14
7,33
3,89
26,79
2,59
8,56
12,45
4,54
Cedrela fissilis
66,66
1,79
8,83
4,69
54,66
5,28
17,50
32,79
3,92
Ocotea pulchella
166,65
4,46
5,74
3,05
40,28
3,89
8,30
12,80
3,80
Eugenia rostrifolia
66,66
1,79
5,92
3,14
23,74
2,29
8,50
21,01
2,41
Casearia decandra
166,65
4,46
3,29
1,75
5,38
0,52
6,00
9,87
2,24
Clethra scabra
99,99
2,68
4,42
2,35
17,50
1,69
9,67
20,05
2,24
Ilex paraguaiensis
199,98
5,36
1,47
0,78
4,97
0,48
5,75
7,22
2,21
Lithraea brasiliensis
99,99
2,68
2,98
1,58
16,15
1,56
7,67
14,85
1,94
Sapium glandulatum
199,98
5,36
0,61
0,32
1,01
0,10
4,67
4,56
1,93
132
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Calyptranthes concina
133,32
3,57
2,47
1,31
4,69
0,45
6,00
8,67
1,78
Rapanea umbellata
99,99
2,68
3,76
2,00
6,63
0,64
7,83
14,11
1,77
Capsicodendron
dinisii
133,32
3,57
2,19
1,16
4,81
0,46
6,13
10,66
1,73
Ilex microdonta
166,65
4,46
0,62
0,33
1,02
0,10
4,60
5,09
1,63
Lamanonia sp
66,66
1,79
3,34
1,77
10,83
1,05
9,25
19,26
1,53
Campomanesia
xantocarpha
133,32
3,57
1,20
0,64
3,05
0,29
6,25
7,24
1,50
Sebastiania
klotzschiana
133,32
3,57
0,99
0,52
2,37
0,23
6,88
7,48
1,44
Fagara rhoifolia
66,66
1,79
2,01
1,07
7,35
0,71
8,00
12,89
1,19
Piptocapha
angustifolia
99,99
2,68
0,73
0,39
1,27
0,12
4,67
7,32
1,06
Siphoneugenia reitzii
99,99
2,68
0,62
0,33
1,31
0,13
5,67
6,79
1,05
Prunus sellowii
66,66
1,79
1,25
0,67
4,20
0,41
8,50
12,73
0,95
Aspidosperma sp
66,66
1,79
1,53
0,81
1,62
0,16
5,50
9,39
0,92
Myrcianthes pungens
66,66
1,79
0,79
0,42
1,67
0,16
6,00
8,91
0,79
Myrcia bombacina
66,66
1,79
0,65
0,35
1,11
0,11
5,00
8,75
0,75
Vernonia discolor
66,66
1,79
0,28
0,15
0,39
0,04
3,25
5,73
0,66
Cupania vernalis
66,66
1,79
0,17
0,09
0,19
0,02
3,25
4,14
0,63
Drymis winterii
66,66
1,79
0,11
0,06
0,11
0,01
3,00
3,50
0,62
Brunsfelsia uniflora
66,66
1,79
0,10
0,05
0,16
0,02
4,50
3,50
0,62
Casearia silvestris
33,33
0,89
1,02
0,54
2,69
0,26
8,00
15,28
0,56
Tabebuia sp
33,33
0,89
0,66
0,35
1,60
0,15
8,00
11,78
0,47
Podocarpus sellowii
33,33
0,89
0,17
0,09
0,23
0,02
4,00
6,37
0,33
Miconia ridiuscula
33,33
0,89
0,14
0,07
0,17
0,02
4,00
5,41
0,33
Nectandra
megapotamica
33,33
0,89
0,13
0,07
0,22
0,02
6,00
5,09
0,33
Styrax leprosus
33,33
0,89
0,11
0,06
0,13
0,01
4,00
4,77
0,32
Allophyllus edulis
33,33
0,89
0,04
0,02
0,06
0,01
4,00
3,18
0,31
3.732,96
100,00
188,29
100,00
1.036,09
100,00
7,60
13,85
100,00
Total
onde,;
HT= altura média, DAP = Diâmetro médio a altura do peito (ca de 1,3 m); Dens = Densidade:
número de indivíduos por hectare; DR = Densidade Relativa; AB = Área Basal: metros quadrados da base
do fuste por hectare; ABR = Área Basal Relativa; Vol/ha = volume total de madeira do fuste em m3 por
hectare, VolR = Volume relativo de madeira do fuste para cada espécie em relação ao total; e IVI = Índice
do Valor de Importância: relação entre a Densidade, volume e a Área Basal.
Na tabela a seguir estão listadas as espécies mais importantes para a definição da
fisionomia vegetal desta formação, na área de influência do oleoduto:
133
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Tabela 4.2.18 - Lista das espécies identificadas na área de Floresta Ombrófila Mista,
indicando a família, nome científico e nome popular:
FAMÍLIA
NOME CIENTÍFICO
NOME
POPULAR
AGAVACEAE
Cordyline dracenoides Kunth
uvarana
Lithraea brasiliensis March.
bugreiro
Schinus terebinthifolius Raddi
aroeiravermelha
Rollinia sp
ariticum
Aspidosperma olivaceum M. Arg..
peroba
Ilex dumosa Reissek.
caúna
Ilex microdonta Reissek
caúna
Ilex paraguariensis St. Hil.
erva-mate
Ilex theezans Mart.
caúna
Araucaria angustifolia (Bert.) O.
Ktze.
pinheiro
brasileiro
Anredera cordifolia (Tenore) Steen
cipó-manteiga
Begonia cucullata Willd.
begônia
ANACARDIACEAE
ANNONACEAE
APOCYNACEAE
AQUIFOLIACEAE
ARAUCARIACEAE
BASELLACEAE
BEGONIACEAE
134
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Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
BERBERIDACEAE
Berberis laurina Billb.
são joão
Jacaranda micrantha Cham.
caroba
Tabebuia alba SW
ipê da serra
Tabebuia umbellata (Sond.) Sandw.
ipê amarelo
Cordia monosperma (Jacq.) R.&S.
baleira
Cordia trichotoma Vell.
louro
Aechmea cilindrata Lindm.
gravatá
Aechmea distichantha Lem.
gravatá
Aechmea nudicaulis v. cuspidata
Rok.
gravatá
Aechmea recurvata Mez.
gravatá
Tillandsia geminiflora Brong.
cravo do mato
Tillandsia tenuifolia L.
cravo do mato
Tillandsia stricta Soland.
cravo do mato
Tillandsia usneoides L.
barba de pau
Vriesia erythrodactylon E.Morr ex
Mez
gravatá
Vriesia
friburgensis
L.B.Smith
gravatá
BIGNONIACEAE
BORAGINACEAE
BROMELIACEAE
v.
paludosa
Vriesia gigantea Gaud.
gravatá
Vriesia philippocoburgii Wawra
gravatá
Vriesia platynema Gaud.
gravatá
CACTACEAE
135
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Rhipsalis sp
cactos
Capsicodendron dinisii (Schwack)
Occ.
pimenteira
Maytenus ilicifolia Mart. ex Reiss
espinheira
santa
Achyrocline satureioides (Lam.) DC.
marcela
CANELLACEAE
CELASTRACEAE
COMPOSITAE
Ageratum conyzoides L.
Baccharis anomala A. P. Candolle
carqueija
Baccharis sp.
vassoura
Baccharis trimera (Less.) DC
carqueija
Bidens pilosa L.
picão
Calea pinnatifida (R.Rodr.) Less.
Elephantopus mollis H.B.K.
Eupatorium inulaefolium H.B.K.
vassoura
Eupatorium laevigatum Lam.
vassoura
Gochnatia
Cabr.
polymorpha
(Less.)
vassoura
Piptocarpha angustifolia Dusén
pau-toucinho
Senecio brasiliensis (Spr.) Less.
maria mole
Solidago microglossa DC.
Symphyopappus polystachyus Bak.
Trixis praestans (Vell.) Cabr.
assa peixe
Vernonia discolor (Spr.) Less.
vassourão
CUNONIACEAE
136
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Lamanonia
Smith
speciosa
(Camb.)
L.B.
guaperê
Weinmania paullinifolia Pohl ex Seringe
gramiunha
Dicksonia sellowiana (Pr.) Hook
xaxim
Bulbostylis spp
tiririca
Cyperus obtusatus (Presl.)
tiririca
Rhynchospora sp
tiririca
Sloanea monosperma Vell.
sapopemba
Leucothoe nierderieinii Sleumer
urze
Erythroxylum decidum St. Hil.
cocão
CYATHEACEAE
CYPERACEAE
ELAEOCARPACEAE
ERICACEAE
ERYTHROXYLACEAE
EUPHORBIACEAE
Actinostemon
M.Arg.
concolor
(Spr.)
laranjeira
mato
Sapium glandulatum (Vell.) Pax.
leiteiro
Sebastiania schottiana M.Arg.
sarandí
Sebastiania
M.Arg.
klotzschiana
(M.Arg.)
do
branquilho
FLACOURTIACEAE
Casearia decandra Jacq.
guaçatunga
Casearia silvestris Sw.
chá-de-bugre
Andropogon bicornis L.
rabo de burro
GRAMINEAE
137
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Andropogon lateralis Ness
capim caninha
Axonopus spp
grama tapete
Brachyaria mutica (Hochst ex Rich)
Stapf.
braquiária
Briza minor L.
treme-treme
Chusquea ramosisima Lind.
cará
Cortaderia sellowiana Schult.
capim
pampas
Cynodon dactilon (L.) Pers.
grama
missioneira
Erianthus asper Nees
estaladeira
Merostachys multiramea Hack.
taquarinha
Olyra humilis Ness
capim do mato
Panicum spp
grama
Paspalum notatum Flugge
grama
forquilha
Papalum pumilum Nees
grama fina
Paspalum sp
grama
Rhynchelytrum
Hubbard.
repens
(Willd.)
dos
capim
gafanhoto
LAURACEAE
Cryptocarya aschersoniana Mez
canela fogo
Nectandra lanceolata Nees
canela
amarela
Nectandra megapotamica (Sprg.)
Mez
canela preta
Ocotea catharinensis Mez
canela preta
Ocotea pretiosa (Nees) Mez
sassafras
Ocotea puberula Nees
canela guaicá
Ocotea pulchella Mart.
canela
lageana
138
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
LEGUMINOSAE
Mimosa scabrella Benth.
bracatinga
Lonchocarpus sp
rabo de bugio
Parapiptadenia rigida Benth
angico
Smilax sp
salaparrilha
Leandra australis (Cham.) Cogn.
pixirica
Miconia rigidiuscula Cogn.
pixirica
Tibouchina sp
quaresmeira
Cabralea glaberrima A.Juss.
cangerana
Cedrela fissilis Vell.
cedro
Rapanea ferruginea (R.&P.) Mez
capororoca
Rapanea umbellata (Mart.) Mez
capororocão
Britoa guazumaefolia (Camb.) Berg.
sete capotes
Calyptranthes concina DC.
guamirim ferro
Campomanesia xanthocarpa Berg.
guabiroba
Eugenia uniflora L.
pitga
Eugenia sp
guamirim
Gomidesia sellowiana Berg.
guamirim
Myrceugenia euosma (Berg.) Legr.
guamirim
Myrcia bombycina (Berg.) Kiaersk.
guamirim
LILIACEAE
MELASTOMATACEAE
MELIACEAE
MYRSINACEAE
MYRTACEAE
139
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Myrcia sp
guamirim
Myrciaria sp
guamirim
Siphoneugenia reitzii Legr.
guamirim
Fuchsia regia (Vand.) Mun.
brinco
princesa
Capanemia australis (Krtz) Schltr.
orquídea
Habenaria sp
orquídea
terrestre
Maxillaria sp
orquídea
Oncidium concolor Hook
orquídea
Oncidium longipes Lindl.
orquídea
Pleurothallis sp
orquídea
Sophronitis coccinea (Lindl) Richb.
orquídea
Oxalis spp
trevo
Arecastrum romanzoffianum (Cham.)
Becc.
jerivá
Butia capitata (Mart.) Becc.
butiá
Phytolacca dióica L.
umbú
Peperomia sp
peperômia
ONAGRACEAE
ORCHIDACEAE
OXALIDACEAE
PALMAE
PHYTOLACCACEAE
PIPERACEAE
PLANTAGINACEAE
140
de
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Plantago sp
tranchagem
Podocarpus lambertii Klotzsch
pinheirinho
PODOCARPACEAE
PODOSTEMACEAE
Podostemon sp
PONTERIDACEAE
Eichornea azurea (Sw.) Kunth.
aguapé
Eichornea crassipes (Mart.) Solms
Laub.
aguapé
Prunus sellowii Koehne
pessegueiro
Fagara sp
coentrilho
Allophyllus edulis (St.Hil.) Radlk
chal-chal
Cupania vernalis Camb.
camboatá
Matayba elaegnoides Radlk.
camboatá
branco
Matayba guianensis Aubl.
camboatá
branco
ROSACEAE
RUTACEAE
SAPINDACEAE
SOLANACEAE
Brunsfelsia
Benth.
pauciflora
(C.&
S.)
primavera
Solanum erianthum D.Dom
fumão
Symplocus uniflora (Pohl) Benth.
pau
cangalha
Daphnopsis racemosa Griseb.
embira
SYMPLOCACEAE
THYMELAECEAE
141
de
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TILIACEAE
Luehea divaricata Mart.
açoita cavalo
Centella asiatica (L.) Urban
pata de cavalo
Eryngium pandanifolium C.& S.
caraguatá
Urera baccifera (L.) Gaud.
urtigão
Verbena sp
verbena
UMBELLIFERAE
URTICACEAE
VERBENACEAE
Vitex
Mold.
megapotamica
(Spreng.)
tarumã
WINTERACEAE
Drimys winterii Miers
caca d'anta
4.2.3.2.5 Campos Naturais:
As áreas de campo natural inserida na área de influência do oleoduto encontram-se em
dois ambientes distintos. Primeiro em uma área bastante restrita, limitada aos topos de
alguns morros da serra do mar, formando campos de altitude, isolados entre formações
florestais exuberantes. Neste caso está, por exemplo, grande parte da parte superior do
morro dos Perdidos, na Serra do Araçatuba, Paraná.
Estes campos de altitude apresentam uma flora bastante peculiar, com espécies
adaptadas à estas condições edáficas e climáticas extremas. Trata-se de uma vegetação
bastante rica e diversificada, onde ocorrem inclusive espécies endêmicas ou com
variedades exclusivas deste ambiente.
Nos inventários expeditos realizados nestas áreas, o que se pode constatar foi a extrema
heterogeneidade específica. notando-se claramente uma tendência para o xeromorfismo
nas formas biológicas das plantas. Também se observa que o hábito cespitoso das
espécies herbáceas é predominante e que ocorrem muitas outras com adaptações para
142
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proteção de meristemas de renovação. Trata-se de uma clara adaptação à eventos
ambientais drásticos e ciclicos como incêndios ou severas variações de temperatura.
As áreas de campos naturais na área de influência do oleoduto encontram-se no
Planalto, atualmente já sensivelmente alterados pelas atividades agropastoris.
Freqüentemente estes campos estão mesclados com capões ou porções maiores de
florestas de araucária, que estão preferencialmente em terrenos mais íngremes ou nas
margens dos cursos d'água.
Nas áreas avaliadas no Planalto, os campos são formados predominantemente por uma
vegetação herbácea densa, onde ocorrem, principalmente, Gramíneas, Ciperáceas,
Compostas, Leguminosas e Verbenáceas.
4.2.3.2.6 Área De Uso Agropastoril
a área estudada este tipo de cobertura vegetal é representado pelas áreas de uso
agrospatoril sob manejo constante, resultando em uma tipologia com dominância de
estrato herbáceo. Nestas áreas podem alternar-se períodos onde o solo está sendo
ocupado por lavouras, ou como potreiro para criação de gado vacum, ou mesmo em
repouso, coberta por vegetação herbácea pioneira.
Nesta região, as áreas agropastoris estão mescladas com as áreas florestais em todos
estágios sucessionais, em especial nas áreas mais planas da planície litorânea e no
planalto. Atualmente pode-se perceber que as áreas de cultivo de subsistência,
principalmente na encosta, estão sendo em parte abandonadas resultando no aumento
das formações secundárias. Este fato demonstra que o tipo vegetacional próprio desta
região fitoecológica é a floresta, existindo poucas formações campestres naturais.
As áreas que foram mapeadas como Agropastoris apresentam cobertura vegetal
herbácea ou sub-arbustiva, sendo utilizadas para a agricultura e pecuária, submetidas,
portanto, a influência do manejo antrópico direto, sem distinção entre a Planície, a
Encosta e o Planalto.
Os potreiros apresentam diferenciações evidentes em função do manejo a que se
submetem. Assim as áreas com pastoreio intensivo são dominados fisionomicamente
pelas gramíneas cespitosas, principalmente dos gêneros Andropogon e Aristida.
143
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Outras gramíneas importantes para a composição florísticas destes potreiros pertencem
aos gêneros Paspalum, Eragrostis, Erianthus e Axonopus,. Também, de maneira
esparsa, ocorrem pequenos arbustos, principalmente representantes da família
Compositae (gêneros Baccharis, Eupatorium e Senecio) que juntamente com os
caraguatás (Eryngium spp), aumentam significativamente a diversidade da formação.
Nas áreas destinadas à agricultura, quando não estão cultivadas, ocorre uma maior
variedade de plantas herbáceas, principalmente espécies ruderais e invasoras, podendose citar como exemplo a guanxuma (Sida sp), que ocorre abundantemente nestas áreas.
Uma cultura importante na área de influência, em especial na região da Floresta
Ombrófila Densa Sub-Montana é a bananeira, que cobre grandes áreas na baixa
encosta, em especial as próximas ao Município de Garuva, Santa Catarina.
4.2.3.2.7 Bosques Exóticos
Esta tipo de cobertura florestal formado por árvores exóticas não é muito significativo na
área de influência do oleoduto. Na área estudada, principalmente na região do planalto,
foram identificados principalmente bosques descontínuos de eucaliptos e pinus. Estes
bosques representam plantios homogêneos e densos de árvores, sem formação de
subosque significativo.
Foto 4.2.37 Bosque de espécies exóticas, no Planalto.
144
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Muitas vezes os plantios mais antigos
e semi-explotados de eucalipto permitem o
desenvolvimento de um subosque de espécies nativas, as quais vão substituindo a
espécies exótica e formando comunidades florestais secundárias com complexidade
semelhante às formações remanescentes.
4.2.3.2.8 Biótopos Especiais (categorias não mapeáveis)
Sob esta denominação estão agrupados vários ambientes que, para efeito de
mapeamento, foram incluídos dentro das categorias das formações fitoecológicas. Na
área de influência do oleoduto, embora de pouca significância em termos de área total,
podem ser mencionados por sua importância ecológica, os seguintes biótopos especiais:
4.2.3.2.8.1 Áreas úmidas e alagadiças
Nesta categoria foram incluídas as áreas adjacentes aos campos e matas, cuja formação
vegetal é composta por espécies hidrófilas que desenvolvem em um ambiente com altos
graus de umidade, tais como margens de lagos e açudes.
A composição florística é relativamente pouco diversificada, uma vez que este tipo de
ambiente extremo limita a sobrevivência a um número reduzido de espécies mais
adaptadas.
As
espécies
herbáceas
predominantes
são
as
macrófitas,
chapéu-de-couro
(Echinodorus grandiflorus), murerê (Salvinia auriculata), repolho-da-água (Pistia
stratiotes), entre outras. Nas áreas de menor profundidades, normalmente não
encobertam pela lâmina de água, predominam espécies higrófilas como o caraguatá
(Eryngium pandanifolium), a pata-de-cavalo (Centella asiatica), a cruz-de-malta
(Oenathera spp e Ludwigia spp.), a erva-de-bicho (Polygonum hydropiperoides), a
margarida-do-banhado
(Senecio
bonariensis),
além
de
várias
espécies
de
GRAMINEAE, como Panicum elephantipes e grama-boiadeira (Panicum repens),
CYPERACEAE, tais como o junco (Scirpus spp. e a tiririca (Cyperus spp.).
145
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4.2.3.2.8.2 Margem e Leito de Rios
Na área de influencia do oleoduto, existe uma densa malha hidrográfica, abarcando o
São João, seus afluentes, bem como, na área do planalto, alguns contribuintes do rio
Iguaçú e outros.
Na sua maioria, ao menos na encosta da Serra do mar, os cursos d'água nesta área são
turbulentos, com corredeiras e leito rochoso, pouca profundidade, formando poços que
alcançam no máximo 2 metros de profundidade.
Foto 4.2.38 Leito do rio São João, próximo à cidade de Garuva-SC
Na margem destes cursos d'água a vegetação caracteriza-se pela presença de plantas
Mesófilas e Hidrófilas de porte médio. Em geral, representam um pequeno grupo de
plantas, sobretudo arbustos, que apresentam adaptações especiais a este ambiente,
periodicamente sujeito à enchentes. É um tipo de vegetação muito uniforme, com
espécies com características altamente seletivas, emprestando ao conjunto uma
uniformidade fisionômica extraordinária (KLEIN, 1980).
Bem junto às margens dos arroios, ocorrem espécies vegetais que apresentam uma
particularidade especial que é a grande flexibilidade e rigidez dos caules. Também
apresentam um denso sistema radicular com o qual se prendem firmemente ao substrato
146
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As vegetação que acompanham as margens dos rios que descem as encostas da serra
em quase toda a sua extensão é dominada principalmente por Sebastiania schottiana,
Terminalia australis e Calliandra sp, que emprestam a estes grupamentos um cunho
próprio e bem característico, em virtude da sua grande abundância. Os valores de
abundância destas espécies variam muito nos diferentes locais, porem, de modo geral,
Sebastiania schottiana é a mais importante, predominando na maior parte dos
grupamentos em toda a área estudada.
Considerando-se o leito dos rios propriamente ditos, deve-se mencionar a ocorrência de
representantes de uma família especialmente adaptada aos ambiente dos rios
encachoeirados. Os blocos de pedras existentes nestes ambientes são freqüentemente
repletos de densas colônias de Podostemáceaeas, representadas nesta área pelo
gênero Podostemon. Estas são plantas herbáceas, rijas, de folhas reduzidas e duras,
firmemente fixadas aos blocos de pedra. Durante grande parte do ano encontram-se
submersas, emergindo apenas quando o volume da águas é menor, quando então
podem florescer à superfície d'água.
Em relação às macrófitas, as espécies flutuantes são extremamente raras, normalmente
restritas à pequenos agrupamentos que descem os rios por ocasião das enxurradas,
quando são arrastadas de seus nichos localizados em pequenos açudes ou banhados
próximos às nascentes, sendo praticamente impossível a colonização de trechos do
curso. As macrófitas mais comuns são plantas com raízes muito resistentes, como o
caso típico de Podostemonaceae, que vivem fixas sobre rochas sujeitas à ação direta
das correntes de água.
Outras espécies comuns são Eryngium spp. normalmente encontradas em remansos
das margens menos sujeitas aos efeitos da correnteza. Fixas entre as pedras do leito
amiúde são encontradas
gramíneas do gênero Panicum
e Cyperáceas, como
Eleocharis sp, além de várias outras espécies de menor densidade e distribuição.
Na região do Planalto, o curso d'água mais importante é o rio Iguaçú, cuja fisionomia
natural já foi severamente alterada pelas ações antrópicas, considerando a região
Metropolitana de Curitiba-PR. Neste rio, ao menos nos pontos onde o oleoduto passa, a
vegetação ciliar apresenta-se extremamente alterada. Neste ponto a formação original
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seria a Floresta Ombrófila Mista formação Aluvial, da qual não se pode mais encontrar
núcleos originais.
Foto 4.2.39
Margens do rio Iguaçu, onde é atravessado pelo oleoduto,
próximo à Curitiba, salientando a extrema degradação da vegetação ciliar
original.
4.2.3.2.8.3 Corredeiras e Quedas d'água:
Ao longo dos cursos d'água nesta região, em alguns ponto se formam quedas com
alturas variáveis. Um bom exemplo disto é o curso médio do rio São João, onde foram
identificadas várias corredeira e algumas pequenas quedas d'água.
Abaixo destas quedas, normalmente o vale aprofunda-se, aumentando a névoa e a
velocidade da água, determinando um microclima diferenciado, com temperaturas mais
amenas e alto índice de umidade relativa do ar.
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Foto 4.2.40 Corredeira no curso do Rio São João, próximo à represa da
Vossoroca.
Estas condições particulares permitem a implantação e sobrevivência de espécies
vegetais diferenciadas, bastante seletivas quanto à estas condições. O reflexo na
estrutura e composição da vegetação é um aumento significativo do epifitismo e da
presença de ervas com folhas largas.
Nas árvores, tanto nos troncos como nos ramos mais finos e nos paredões no interior
destes pequenos vales encontram-se muitas espécies de epífitos que são menos
freqüentes no interior da mata, particularmente nas formações mais expostas nas
encostas íngremes.
Dentre estes epífitos salientam-se as bromeliáceas, em especial Tillandsia e Vriesia,
sendo também encontradas orquidáceas, cactáceas e piperáceas, além de pteridófitas,
como Polypodium spp e Selaginella sp.
Entre as plantas avasculares, os musgos, hepáticas e os líquenes contribuem de forma
acentuada no aspecto fisionômico interno destes vales. Muitos troncos e ramos estão
repletos de uma densa camada de musgos, hepáticas e sobretudo de líquenes, dando
uma feição toda peculiar a estes troncos e ramos.
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4.2.3.3 Diagnóstico da Fauna
4.2.3.3.1 Introdução
Considerando que a comunidade faunística depende do meio ambiente, pode-se utilizar
as diferentes unidades da paisagem para sua descrição e análise. Grosseiramente podese dividir a fauna em espécies aquáticas, de mata e de campo. Claro que existe um
variado grau de tolerância ou dependência do ambiente. Mesmo que pareça evidente
para alguns táxons, outros são mais dificilmente enquadrados em cada um dos
ambientes predeterminados pela grande valência ecológica do táxon. Peixes vivem
exclusivamente em ambientes aquáticos, enquanto que as demais classes vivem em
todos os ambientes, ao menos com algumas espécies representantes.
Secundariamente a ocorrência das espécies é determinada pela região biogeográfica, ou
domínio ao qual tal ambiente existe. Os campos sobre o planalto são contíguos às
regiões de savana do Planalto Sul-brasileiro e assim o processo de savanização
efetuado pela ocupação antrópica resultou na expansão da comunidade de ambientes
abertos do planalto. Já na planície o mesmo processo de savanização não foi
acompanhado por muitas das espécies que vivem nos campos do planalto porque não
chegaram à região que permanece isolada pelas matas da encosta atlântica e antes da
ocupação não haviam campos com comunidades que pudessem se expandir pelas
áreas abertas pelo Homem.
A fauna das matas também é muito diferente nas regiões consideradas. Enquanto na
planície o clima é tropical, com temperaturas média anuais acima de 20ºC, e geadas
inexistentes, sobre o planalto o clima é temperado, com temperaturas médias anuais
inferiores a 17ºC, geadas freqüentes no inverno, inclusive com eventuais precipitações de
neve. Para algumas espécies tal diferença é intolerável, enquanto outras são tolerantes,
ou respondem com migrações ou hibernação.
Pequenas diferenças no gradiente de umidade do solo são determinantes na composição
florística das formações, campos ou matas, cujas diferenças não são necessariamente
acompanhadas pela fauna. Para muitos animais, a mata, independente da composição
florística, é biótopo adequado. Da mesma forma o ambiente aquático pode apresentar
um amplo espectro paisagístico e mesmo assim suportar as mesmas espécies. Outras,
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contudo, vivem em locais muito restritos, em biótopos muito particulares. Da mesma
forma existe uma enorme variedade na especificidade do uso dos recursos alimentares.
enquanto uns são eminentemente omnívoros, outros são muito particulares.
A área de influência do oleoduto apresenta uma grande diversidade de biótopos, o que
se manifesta também na diversidade de espécies. É nesse ambiente, em que atua uma
multiplicidade de fatores que se pretende a análise da comunidade faunística.
4.2.3.3.2 Análise dos Invertebrados Aquáticos
4.2.3.3.2.1 Introdução
A análise da fauna invertebrada restringiu-se a área de influência direta do oleoduto, ou
seja, procurou-se avaliar algumas populações estabelecidas em ambientes que foram
efetivamente secionados pelo traçado do oleoduto. Foi dado ênfase aos organismos
que, em pelo menos uma fase do ciclo de vida, necessitem de condições estáveis e
particulares e que poderiam ser de alguma forma desestruturadas pela operação do
oleoduto, em caso de algum acidente.
Também foram priorizados os grupos taxonômicos para os quais já foram estabelecidos
alguns paradigmas para a análise de impactos ambientais, ou seja, aqueles que já foram
suficientemente estudados, existindo conhecimentos básicos a respeito de seu modo de
vida e inter-relações com o contexto ambiental em que se inserem.
A partir destas premissas fundamentais, elegeu-se o grupo dos macroinvertebrados
aquáticos, como paradigmas para análise da fauna invertebrada relacionada com a
operação do oleoduto. Esta escolha também se justifica plenamente pela necessidade de
individualização dos estudos nos pontos onde o traçado do oleoduto atravessará cursos
d'água, dos quais os macroinvertebrados representam um dos elementos fundamentais
da comunidade biótica.
Os macroinvertebrados aquáticos incluem os insetos, moluscos, oligoquetas, planárias e
sanguessugas, crustáceos e outros. Na maioria dos ambientes lóticos, as larvas de
inseto dominam a comunidade de macroinvertebrados, sendo considerados uma
excelente ferramenta para trabalhos de análise ambiental.
151
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O uso mais comum dos organismos bentonicos é como indicadores da qualidade da
água, especialmente para determinar o estado trófico dos corpos d'água, além de outras
características fisico-químicas da água. Estes parâmetros poderão de alguma forma
serem afetados pela operação do oleoduto, podendo ser monitorados pela continuidade
das observações das comunidades de macroinvertebrados aquáticos.
Os macroinvertebrados bentônicos são habitantes comuns de lagos e cursos d'água
onde são importantes para ciclos energéticos dentro da cadeia trófica. O termo
bentônico significa que estes organismos usualmente vivem em substratos
submersos durante a maior parte de seu ciclo de vida. O termo macro indica que
estes organismos tem um tamanho maior do que 200 micras, podendo serem
visualizados a olho nu.
O grupo mais diversificado de macroinvertebrados são os insetos aquáticos, embora
existam muitos outros tipos de organismos diferenciados, fazendo deles um excelente
candidato para estudos de mudanças na biodiversidade.
Diferentes grupos de macroinvertebrados tem diferentes tolerâncias a poluição, o que
significa que eles podem servir como ótimos indicadores da qualidade da água. O
monitoramento biológico promove um efetivo e claro método para determinar se um
curso d'água tem sido impactado por determinada fonte de poluição.
Para muitos pesquisadores (Mackie, 1998), os macroinvertebrados são mais indicados
do que o zooplancton e os peixes para análise da qualidade da água por diversos
motivos:•
São maiores e mais facilmente observáveis com equipamentos ópticos menos
sofisticados, quando comparados com os organismos planctonicos;
•
A maioria das espécies de macroinvertebrados vivem em áreas restritas e se
movimentam pouco dentro desta área, facilitando a captura e observação. Os
peixes, por exemplo, podem nadar para longe do local diretamente afetado,
enquanto os macroinvertebrados obrigatoriamente permanecem em seus nichos,
indicando exatamente o ponto impactado.
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•
Eles são adaptados a uma determinada composição química da água e do
sedimento e pequenas variações desta, mesmo sendo subletal para eles, podem
ser detectadas pela análise das variações no crescimento, reprodução e fisiologia
de espécies mais sensíveis;
•
Também estes organismos não podem ausentar-se durante as altas e baixas dos
níveis de efluentes tóxicos, e responderão sempre de acordo com a magnitude do
impacto a que foram submetidos e de forma acumulativa, resgatando informações
que não podem mais ser amostradas pela simples análise da água.
Se por um lado a grande diversidade de espécies nos ecossistemas neotropicais
determina a riqueza natural, por outro lado representam um sério obstáculo para a
descrição e monitoramento dos ecossistemas. Para muitas das formas jovens de
insetos, cujos nichos estão nos corpos d'água continentais, desconhece-se a descrição
morfológica, existindo poucas chaves de identificação a nível de espécie ou mesmo
gênero. Portanto, a identificação das náiades e larvas de insetos restringem-se a nível
de família e muitas vezes apenas a ordem.
Entretanto, isto não representa um problema para esse trabalho, pois há uma
correspondência ecológica, a nível de ordem e família, suficientemente precisa para a
caracterização da qualidade dos ambientes aquáticos diretamente afetados pela
traçado do oleoduto.
Os princípios básicos para que os
macroinvertebrados aquáticos, através. de suas
variações sazonais e espaciais, sirvam como paradigmas para definir a qualidade de um
manancial hídrico, são basicamente os seguintes (Mackie, 1998):
- Quanto maior a diversidade de condições ambientais de uma área, maior será o
número de espécies componentes da comunidade;
- Quanto mais as condições desviarem-se do normal considerado ótimo para a
maioria das espécies. menor será o número de espécies ocorrentes e maior será o
número de indivíduos destas poucas espécies que ocorrem;
- Quanto maior o intervalo de tempo em que uma área venha se mantendo sob as
mesmas condições ambientais, mais rica e mais estável será a comunidade biótica.
153
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4.2.3.3.2.2 Análise de Macroinvertebrados Aquáticos
Apenas alguns grupos taxonômicos de macroinvertebrados aquáticos foram estudados
suficientemente para que possam servir de paradigma na análise da qualidade
ambiental, no entanto, para estabelecer índices de biodiversidade, todos (ou a maioria)
dos organismos bentônicos tem alguma relevância.
Considerando os organismos existentes na área estudada, assim como a importância de
cada um como bioindicadores da qualidade ambiental, optou-se por amostrar os
seguintes grupos taxonômicos:
4.2.3.3.2.2.1 Insetos Aquáticos (Classe Insecta)
Os insetos são os organismos que exibem a mais alta diversidade de formas e de hábito.
Eles ocupam todos os tipo de habitat dulciaquícolas, incluindo poças temporárias, lagos,
águas profundas e rasas, rios com águas cristalinas ou poluidas, canais de estradas,
banhados com ou sem macrófitos, e todas as variações de composição química da água,
desde ácidas até alcalinas. Eles também representam todas as categorias tróficas da
cadeia alimentar, incluindo predadores até parasitas.
Dentre os insetos, as classes EPHEMEROPTERA (efêmeras), PLECOPTERA (moscas
de pedra), TRICHOPTERA (moscas de cauda), DIPTERA (moscas verdadeiras) e
ODONATA (libélulas), são mais comumente utilizadas em estudos de impacto ambiental,
sendo por isto também os grupos de insetos para os quais se deu mais ênfase neste
estudo.
4.2.3.3.2.2.1.1 Ordem Ephemeroptera
Estes insetos de águas continentais vivem na água apenas nos estágios juvenis.
Geralmente as ninfas de efêmeras vivem em água não poluídas, tanto em ambientes
lênticos como lóticos, contribuindo substancialmente para a produtividade secundaria da
cadeia alimentar. No entanto, pequenos aportes de poluentes orgânicos podem algumas
vezes, inicialmente, causar um incremento no números de indivíduos de certas espécies,
enquanto que outras são exterminadas. Alguns representantes da família Baetidae são
mais tolerantes a poluição orgânica, sendo usualmente utilizados como indicadores da
qualidade da água.
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Algumas espécies, quando apresentam emergência em massa de indivíduos adultos,
podem causar problemas pontuais, como a acumulação de corpos de adultos na
superfície das estradas, criando uma película escorregadia para os motoristas (Willians &
Feltmate, 1992).
4.2.3.3.2.2.1.2 Ordem Plecoptera
As ninfas de Plecóptera vivem preferencialmente em águas frescas, limpas e com
alto teor de oxigênio dissolvido. Esta característica limita muito o desenvolvimento de
quase todas as espécies, mas algumas poucas
espécies apresentam alguma
tolerância a baixos níveis de oxigênio, turvamento, elevação de temperatura e
enriquecimento orgânico, tornando menos efetivo o seu uso como indicador biológico
de degradação ambiental (Willians & Feltmate, 1992).
4.2.3.3.2.2.1.3 Ordem Hemiptera
Hemipteras aquáticos representam um grupo de organismos cuja ecologia é
relativamente bem conhecida, tendo uma reconhecida importância limnologica
(Hutchinson, 1993). A maioria deles habitam águas lênticas ou de fraca correnteza.
Todos tem respiração aérea e são muito mais tolerantes a extremos ambientais do que a
grande maioria dos insetos. Dentre todos os organismos aquáticos, uma espécie de
barata d'água do gênero Belastoma, é considerada por muitos como talvez a mais
tolerante a condições extremas, alta nível de cloretos, alto DBO, baixo oxigênio, baixo
pH, etc. Por estas características, os hemipteras tem pouco ou nenhum valor como
indicador, uma vez que suas vidas não dependem diretamente da qualidade da água
(Mackie, 1998).
4.2.3.3.2.2.1.4 Ordem Trichoptera
Assim como os Efemerópteros e Plecópteros, desenvolvem-se em águas frescas e
limpas e correntes nas quais as famílias com as características mais primitivas estão
restritas. Existe a suposição que o uso de seda para a construção de casulos habilita os
Trichoptera a tornarem-se ecologicamente mais diversificados, provendo-os de um
mecanismo respiratório através do qual podem aproveitar habitats com temperaturas
mais altas e com menor taxa de oxigênio dissolvido.
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Embora Trichoptera ocupem um largo espectro de habitats, a maior diversidade ocorre
em águas frescas e correntes. Além disso, em famílias representadas tanto em
ambientes lóticos como lênticos, os gêneros que apresentam mais caracteres primitivos
tendem a serem encontrados em águas correntes e frescas, enquanto que os mostram
mais caracteres derivados tendem a ocorrer em águas lênticas e mais quentes.
4.2.3.3.2.2.1.5 Ordem Diptera
Larvas de díptera ocorre em na maioria dos habitats aquáticos concebíveis, desde de
brácteas de plantas, buracos em troncos de árvores, solo encharcado, pântanos, rios,
lagos, lagoas, riachos e até rochas oceânicas. Dipteros aquáticos estão entre as mais
bem conhecidas formas de insetos, incluindo mosquitos, moscas pretas, borrachudos e
pernilongos, muitos dos quais estão entre as piores pragas de insetos, particularmente
em termos de saúde humana e economia. Em compensação, muitos grupos de diptera
aquáticos são fundamentais na cadeia alimentar de ambientes aquáticos, sustentando
populações de peixes e outros organismos.
4.2.3.3.2.2.2 Moluscos (Phyllum Molusca)
Os moluscos dulciaquícolas estão representados por apenas duas classes: Gastropoda
(caramujos) e Bivalvia (mariscos). Todos eles tem uma concha feita de carbonato de
cálcio e se movem por um pé muscular, que é um órgão rastejador nos gastrópodos e
fixados nos bivalves. Os gastrópodes são exclusivamente raspadores, alimentando-se
em algas fixas, ou herbívoros alimentando-se em folhas ou tecidos de macrófitas. Os
bivalves são exclusivamente filtradores.
4.2.3.3.2.2.2.1 Classe Gastropoda (caramujos)
Os caramujos possuem uma concha simples, geralmente espiralada, algumas vezes
plana ou em forma de cone. Alguns são pulmonados e outros respiram por
brânquias, sendo que este é um fator importante para determinar o modo de vida e o
tipo de ambiente em que podem sobreviver.
Os providos de brânquias dependem do oxigênio dissolvido na água para respirar,
sendo intolerantes a locais sem esta característica, tais como água poluídas com
matéria orgânica, assim como em corpos d'água temporários. Os pulmonados
156
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possuem estruturas que os facultam ocupar com sucesso ambientes de águas
eutróficas.
Segundo Mackie, 1998, pulmonados tendem a ser mais tolerantes que os com
brânquias, pois podem ir até a superfície para obter oxigênio quando o suprimento de
oxigênio dissolvido sofreu depleção.
4.2.3.3.2.2.2.2 Classe Bivalvia (bivalves)
Este grupo inclui os mariscos e mexilhões que ocorrem comumente na maioria dos
ambientes de água doce e podem ser particularmente abundantes em certos riachos.
Alguns representantes tem um largo espectro de tolerância a poluição e outros são muito
sensíveis a qualidade da água, habitat e condições biológicas
Devido a o seu longo ciclo de vida e à sensibilidade a mudanças ambientais, muitas
espécies de bivalves são bons indicadores da qualidade da água. Conchas mortas de
bivalves não refletem com exatidão qualquer evento na qualidade da água, uma vez que
estas podem preservar-se por longos períodos no meio aquático (Kellogg, 1994).
4.2.3.3.2.2.3 Sanguessugas (Classe Hirudinea)
Vulgarmente
conhecidas
como
sangue-sugas.
São desprovidos de cerdas;
dotadas de ventosas para sucção de animais que predam ou parasitam, dependendo da
espécie.
As sanguessugas são indicadores de ambientes com algum teor de matéria orgânica.
Estes organismos são mais comuns em águas paradas, mornas e com pouca
perturbação de correntes. São carnívoros, alimentando-se principalmente de insetos,
moluscos, e oligoquetas, ou então detritívoros, alimentando-se de matéria animal morta.
4.2.3.3.2.2.4 Planárias (Classe Turbelaria)
Os vermes chatos (planárias) são os únicos Platyhelminthes verdadeiramente bentônicos
e de vida livre e que são importantes como membros da comunidade dulciaquícola.
A maioria dos turbelários são detritívoros. alimentando-se de partículas orgânicas mortas,
ou alimentando-se de pequenos invertebrados.
157
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Tendem a estar associados a corpos d'água eutróficos ou mesotróficos, onde os detritos
e matéria orgânica animal são abundantes. A maioria requer uma saturação de oxigênio
de pelo menos 70%. pela sua diversidade, inclusive com espécies parasitas, os
turbelários são úteis como elemento de avaliação da qualidade ambiental.
4.2.3.3.2.2.5 Classe Crustacea:
Os crustáceos são Artrópodos de vida aquática, dulceaqüicola e marinha e terrestre. Na
água doce existe um grande número de formas microscópicas e macroscópicas como o
camarão, caranguejos e lagostins.
Pela dependência com o meio aquático, os crustáceos têm grande importância na
classificação ecológica do meio em que vivem.
4.2.3.3.2.3 Avaliação da Qualidade da Água
Na tabela a seguir estão relacionados os pontos de coleta de macroinvertebrados,
indicando o nome do local e a coordenada geográfica.
Tabela 4.2.19 - Lista dos Pontos de Coleta de Macro-Invertebrados
Ambiente
nº
Manguezal
1
PT03
Praia Capri
Ambientes
2
PT08
Saí-mirim
3
PT07
Água Branca
4
PT33
Agreste
5
PT12
São João - Garuva
6
PT32
Barragem São João
7
PT34
afluente barragem
8
PT19
Iguaçú
Lóticos
gps
local
158
Coordenada
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Foram identificados 29 espécies de macroinvertebrados, considerando-se apenas as
4 filos avaliadas (Platyhelminthes, Mollusca, Annelida e Arthropoda), nos 08 pontos
de amostragem escolhidos na área de influência do oleoduto.
Na tabela a seguir estão listados os macroinvertebrados aquáticos coletados nos
diferentes pontos de amostragem.
Tabela 4.2.20 - Lista dos Macro-Invertebrados Observados
ORGANISMOS
PONTOS DE AMOSTRAGEM
1
2
3
4
5
6
7
X
X
X
X
X
X
X
8
Filo
PLATYHELMINTHES
Classe Turberllaria
Família Dugesidae
X
Dugesia sp 1
Dugesia sp2
Filo MOLLUSCA
Classe Gastropoda
X
Potamolithus sp
X
X
Lymnaea sp
X
X
X
Biompharalia sp
Classe Bivalvia
Família Sphaeridae
X
Eupera sp
Familia Mytilidae
Anomalocardia
X
brasiliana
159
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ORGANISMOS
PONTOS DE AMOSTRAGEM
1
2
3
4
5
6
7
8
Família Corbiculidae
X
Neocurbicula sp
Filo ANNELIDA
Classe Hirudinea
Família hirundinidae
X
Hirundo sp
X
X
Filo ARTHROPODA
Classe Crustacea
Família Portunidae
X
Callinectis sp
Família Ocypodidae
Ucides cordatus
X
Uca sp
X
Família não identificada
Espécie
não
X
X
identificada
Classe Insecta
Ordem Diptera
Família Chironomidae
não identificado nº 01
X
X
X
X
X
Família Culicidae
não identificado nº 02
X
160
X
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ORGANISMOS
PONTOS DE AMOSTRAGEM
1
2
3
4
5
6
7
8
Família Ephydridae
X
não identificado nº 03
Família Simulidade
X
não identificado nº 06
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Família Tabanidae
não identificado nº 07
X
X
X
Ordem Odonata
X
não identificado nº 08
não identificado nº 09
X
X
não identificado nº 10
X
X
X
X
Ordem Coleoptera
X
não identificado nº 11
X
não identificado nº 12
X
Ordem Ephemeroptera
X
não identificada nº 13
X
X
Ordem Hemiptera
X
não identificado nº 14
X
não identificado nº 15
Ordem Trichoptera
X
não identificado nº 16
X
não identificado nº 17
Ordem Plecoptera
161
X
X
X
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ORGANISMOS
PONTOS DE AMOSTRAGEM
1
2
3
4
não identificado nº 18
5
6
7
X
X
X
8
A análise dos resultados deve ser diferenciada em função do ambiente, ou seja, o
significado dos organismos encontrados no mangue é diferente do dos organismos
encontrados nos ambientes lóticos (rios de água doce e corrente).
Para os mangues da baia de Babitonga, em virtude da complexidade do ambiente e
da insuficiencia da amostragem, os resultados obtidos neste estudo não constiuemse em parâmetros fidedignos para uma caracterizão ambiental segura. Existem
estudos mais conclusivos quanto à este ecossistema nesta área em particular
(IBAMA/CEPSUL, 1998), nos quais estão listados inclusive macroinvertebrados.
A abrangência deste estudo relaciona-se especificamente aos organismos dos
sistemas lóticos.
A análise qualitativa dos organismos coletados nos diferentes pontos de
amostragem, revela que, em geral, qualidade da água apresenta sensíveis variações
de um ponto para outro.
Para esta avaliação, utilizou-se um método bastante simples de avaliação, com o
qual se pode definir o grau de sensibilidade e, por conseqüência, a eficácia como
bioindicador, de cada organismo inventariado, baseou-se em Collins e colaboradores
(1994).
Este
método
fundamenta-se
na
diferente
sensibilidade
dos
macroinvertebrados à poluição e tem a vantagem de não implicar grande trabalho na
identificação dos organismos, embora se perca a informação quantitativa. Os
organismos são divididos por diferentes categorias, ordenadas por ordem crescente
de tolerância à poluição (a categoria 1 é a mais sensível e a 14 a mais tolerante),
conforme pode ser verificado no quadro que se segue:
162
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Tabela 4.2.21- Indicação do ìndice de Tolerância por Táxon
UNIDADE SISTEMÁTICA
TOLERÂNCIA
Larva de efemeróptero aplanado
1
Larva de efemeróptero dos esconderijos
2
Larva de mosca das pedras (Plecópteros)
3
Larva de tricóptero com casulo
4
Larva de libélula (Odonata)
5
Amfípode (Gammarus sp)
6
Larva de efemeróptero nadador
7
Larva de megalóptero
8
Barqueiro de água (Heteróptero)
9
Caracol de água doce
10
Isópode
11
Anelídeo
12
Larva de díptero com sifão
13
Larva de díptero sem sifão
14
A partir desta classificação dos organismos aquáticos, a qualidade da água é
avaliada consultando o quadro que se segue, em que o sinal + significa presença e o
sinal - significa ausência da unidade sistemática respectiva.
163
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Tabela 4.2.22 - Classificação da Qualidade da Água
UNIDADE SISTEMÁTICA
QUALIDADE DA ÁGUA
Excelente
Boa
Satisfa
Fraca
Má
tória
Larva de efemeróptero aplanado
+
-
-
-
-
Larva
+
-
-
-
-
Larva de Plecópteros
+
-
-
-
-
Larva de tricóptero com casulo
+
+
-
-
-
Larva de libélula (Odonata)
+
+
-
-
-
Larva de efemeróptero nadador
+
+
+
-
-
Larva de megalóptero
+
+
+
-
-
Barqueiro de água (Coleóptero)
+
+
+
-
-
Caracol de água doce
+
+
+
-
-
Isópode
-
+
+
-
-
Anelídeo
-
+
+
+
-
Larva de Diptero com sifão
-
+
+
+
-
Larva de Diptero sem sifão
-
+
+
+
-
de
efemeróptero
dos
esconderijos
A classificação é obtida em função dos organismos recolhidos e é dada pelo grupo
mais sensível identificado.
Mediante a análise destas tabelas acima, contrapondo-se com a lista dos organismos
inventariados em todas as áreas de amostragem, pode-se inferir que os pontos de
amostragens nº 5 (rio São João próximo à Garuva), 6 (rio São João próximo às
nascentes) e 7 (rio do Fojo, pequeno afluente da barragem da Vossoroca), são os
que apresentam melhor qualidade da água, estando livre de fontes de poluição
164
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significativas. Esta afirmativa pode ser embasada tanto pela diversidade quanto pela
presença de organismos indicadores efetivos de águas extremamente limpas.
Os pontos 2 (rio Saí-Mirim), 3 (rio Água Branca) e 4 (arroio Agreste), apresentam
condições apenas regulares, sendo sensível a ausência dos grupos mais exigentes,
como por exemplo efemerópteros, tricópteros e plecópteros.
Já o ponto 8 (rio Iguaçú, próximo à Curitiba-PR), apresenta condições bastante ruins,
com a presença apenas de organismos indicadores de má qualidade da água.
4.2.3.3.3 Análise das Classes de Vertebrados
4.2.3.3.3.1 Peixes
4.2.3.3.3.1.1 Introdução
Os peixes da área de influência do oleoduto apresentam três comunidades distintas e
separadas de forma bastante evidente.
No trecho sudeste, perto de São Francisco do Sul, a comunidade é marinhoestuarina. Depois, na Planície Costeira e Encosta da Serra do Mar, ocorre a
comunidade dulciaqüícola da vertente atlântica, que é caracterizada por um conjunto
de pequenos cursos d'água relativamente isolados uns dos outros pelos divisores de
água ou pela água salgada do mar ou estuários.
A partir do alto da Serra do Mar, no trecho noroeste do oleoduto, a comunidade íctica
pertence à Bacia do Paraná, um imenso complexo hidrográfico que drena grande
parte do centro-sul da América do Sul. Mas como trata-se do alto-vale, a comunidade
íctica também é relativamente isolada.
A Baia da Babitonga, possuidora de uma grande diversidade biológica associada ao
mar, rios e 6.200 ha de manguezais, faz deste ecossistema um dos mais produtivos,
de beleza e valor ecológico único no Estado de Santa Catarina.
Historicamente, este ambiente tem sofrido severa intervenção antrópica, com uma
continua ação degradadora. O entorno da Baia abriga 05 municípios, Garuva, Itapoá,
165
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São Francisco do Sul, e Joinville, com uma população estimada em torno de 700.000
habitantes, onde se insere o maior parque de metal-mecanica do estado.
Apesar destes impactos diretos e redutivos, foi possível delinear alguns aspectos
sobre a fauna de peixes marinhos e mixohalinos da região.
A ictiofauna foi dividida e estudada em diferentes ambientes, definidos na tabela
abaixo.
Tabela 4.2.23 - Locais de Amostragem da Ictiofauna
Ponto
Descrição
Localização UTM
Bacia Atlântica
Pg-012
Peixes Marinhos Baia da Babitonga
0741414, 7102958
Pg-010
Rio Saí-Mirim
0732771, 7108252
Pg-013
Rio Água Branca
0728453, 7112713
Pg-016
Rio São João
0714243, 7122705
Pg-040
Rio São João (Represa Vossoroca)
0693275, 7139395
Bacia do Paraná
Pg-021
Rio Barigui
0665883, 7168459
Pg-021
Rio Iguaçu
0668694, 7164722
Pg-034
Rio Una
0684457, 7147452
Pg-033
Arroio Agreste
0683024, 7148186
Pg-040
Rio São João (Represa Vossoroca)
0693275, 7139395
166
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4.2.3.3.3.1.2 Marinhos e Mixohalinos
Existem mais peixes no mundo do que qualquer outro grupo de vertebrados, tanto
em número de indivíduos, como em número de espécies. São em torno de 515 a 555
espécies de Chondrichthyes (Tubarões e Raias) e por volta de 19.200 a 22.000
espécies de Osteichthys (peixes ósseos) GROOMBRIDGE (1992).
Dentre o número muito grande de espécies que habitam a Planície Costeira do
estado de Santa Catarina, é praticamente impossível fazer uma análise profunda
sobre o complexo da Baía da Babitonga em um trabalho expedito como este.
Assim destacam-se algumas famílias típicas deste sistema como Scianidae, Ariidae,
Carangidae, Gerreidae, Mugilidae, e Engraulidae.
Na tabela abaixo estão listadas as espécies mais comuns encontradas na baia
conforme o levantamento da IBAMA/CEPSUL, 1998.
Tabela 4.2.24 - Lista dos Peixes na Baía da Babitonga
Família
Espécie
Nome comum
Registro
Ocorrência
Torpedinidae
Narcine
brasiliensis
treme-treme
Bibliografia
abril/junho
Rhinobatidae
Rhinobatos
percellens
raia
Bibliografia
dezembro/abril/junho
Zapteryx
brevirostris
raia
Bibliografia
junho
Dasyatidae
Gymnura
altavela
raia
Bibliografia
dezembro
Myliobatidae
Rhinoptera
bonasus
raia
Bibliografia
dezembro
Clupeidae
Harengula
clupeola
sardinha
Bibliografia
agosto/junho
Clupeidae
Opisthonema
oglinum
sardinha
Bibliografia
dezembro
Clupeidae
Pellona
harroweri
sardinha
Bibliografia
dezembro
Engraulidae
Anchoa sp
manjuba
Pescadores
dezembro
Anchoa januaria
manjuba
Bibliografia
agosto/abril
Anchoa
spinefera
savelha
Bibliografia
junho
Anchoviella
lepidentostole
manjuba
Bibliografia
dezembro
Cetengraulis
manjubão
Pescadores
dezembro/abril
167
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Família
Espécie
Nome comum
Registro
Ocorrência
Engraulis
enchoita
manjubão
Pescadores
dezembro/junho
Lycengraulis
grossidens
manjubão
Pescadores
todas
Chirocentridae
Chirocentrodon
bleekerianus
sardinha-dente
Bibliografia
dezembro/junho
Ariidae
Cathorops spixii
bagre-amarelo
Bibliografia
todas
Genidens
genidens
bagre
Pescadores
dezembro/abril/junho
Netuma barba
bagre-branco
Bibliografia
Abril/junho
Hyporhamphus
unifasciatus
peixe-agulha
Bibliografia
agosto
Hemirhamphus
brasiliensis
peixe-agulha
Bibliografia
abril
Belonidae
Strongylura
marina
agulha
Bibliografia
dezembro/junho
Atherinidae
Xenomelaris
brasiliensis
peixe-rei
Pescadores
agosto/abril
Triglidae
Prionotus
puncatus
cabrinha
Pescadores
agosto/abril/junho
Centropomidae
Centropomus
paralellus
robalo
Bibliografia
agosto/abril/junho
Centropomu
undecimalis
robalo
Bibliografia
agosto
Serranidae
Diplectrum
radiale
peixe-aipim
Bibliografia
todas
Priacanthidae
Priacantus
arenatus
olho-de-boi
Bibliografia
junho
Carangidae
Carax hippos
xaréu
Bibliografia
dezembro/abril
Chloroscombrus
chrysurus
palombeta
Bibliografia
todas
Hemicaranx
amblirhynchus
vento-leste
Bibliografia
abril
Oligoplites
palometa
guaivira
Bibliografia
agosto/dezembro/abril
Oligoplites
saliens
guaivira
Bibliografia
dezembro/junho
Oligoplites
saurus
guaivira
Bibliografia
dezembro/junho
Selene vomer
peixe-galo
Bibliografia
dezembro/abril/junho
Selene
sentapinnis
peixe-galo
Bibliografia
dezembro/abril/junho
Trachurus
lathani
xixarro
Bibliografia
junho
Diapterus
rhombeus
carapeva
Pescadores
todas
edentulus
Hemirhamphida
e
Gerreidae
168
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Família
Espécie
Nome comum
Registro
Ocorrência
Eucinostomus
argenteus
carapicu
Bibliografia
dezembro/abril/junho
Eucinostomus
gula
carapicu
Bibliografia
dezembro/abril/junho
Eucinostomus
melanopterus
carapicu
Bibliografia
dezembro/abril/junho
Eugerres
brasilianus
carapeva
Bibliografia
junho
Ulaema lefroyi
carapeva
Bibliografia
abril
Genyatremus
luteos
corcoroca
Bibliografia
dezembro/abril
Orthopristis
ruber
corcoroca
Bibliografia
dezembro/abril/junho
Pomadasys
corvineeformis
corcoroca
Bibliografia
dezembro/junho
Isopithus
parvipinnis
pescada
Bibliografia
agosto/abril/junho
Ctenosciaena
gracillicirrhus
cangáua
Bibliografia
todas
Cynoscion
jamaicensis
pescadinha
Bibliografia
abril/junho/dezembro
Cynoscion
acoupa
pescadinha
Bibliografia
abril/junho
Cynoscion
leiarchus
pescadabranca
Pescadores
todas
Bairdiella rochus
roncador
Bibliografia
agosto/abril/junho
Menticirrus
brasiliensis
papa-terra
Pescadores
todas
Menticirrus
littoralis
papa-terra
Pescadores
agosto
Micropogonias
furnieri
corvina
Pescadores
todas
Paralochurus
brasiliensis
maria-luiza
Pescadores
todas
Pogonias cromis
miraguaia
Bibliografia
abril
Stellifer
brasiliensis
cangoá
Bibliografia
todas
Stellifer rastrifer
cangoá
Bibliografia
todas
Larimus
brevecips
oveva
Bibliografia
agosto
Ephippididae
Chaetodipterus
faber
Paru-enxada
Bibliografia
agosto/abril/junho
Mugilidae
Mugil curema
parati
Pescadores
agosto/dezembro/abril
Mugil
gaimardianus
Parati-olho-defogo
Bibliografia
agosto/abril
Mugil platanus
tainha
Bibliografia
dezembro/abril
Hemulidae
Scianidae
169
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Família
Espécie
Nome comum
Registro
Ocorrência
Sphiraenidae
Sphyraena tome
barracuda
Bibliografia
junho
Trichiuridae
Trichiurus
lepturus
espada
Pescadores
todas
Stromateidae
Peprilus paru
gordinho
Bibliografia
agosto/dezembro
Bothidae
Citharichthys
spilopterus
linguado
Bibliografia
dezembro
Tetradontidae
Lagocephalus
levaegatus
baiacú
Pescadores
abril
Sphoeroides sp
Baiacú-mirim
Bibliografia
todas
A família Scianidae, representadas pelo papa-terra, corvina, pescada e maria-luiza
são freqüentemente encontrados em ambientes tropicais e temperados.
Foto 4.2.41: Alguns peixes marinhos pescados na baia de Babitonga: Trichiurus lepturus
(espada), Diapterus sp (carapeva), Micropogonias furnieri (corvina), Mugil Platanus
(tainha) Cynoscion sp (pescada), Menticirrhus americanus (papa-terra).
Tem como hábito desovarem no mar próximo a desembocadura dos rios ou lagoas
costeiras. Segundo CHAO et al.(1982) os indivíduos juvenis e subadultos utilizam as
zonas mesohalinas para sua criação. No complexo da Babitonga, 15 espécies são
registradas:
Isopithus
parvipinnis,
Ctenosciaena
gracillicirrhus,
Cynoscion
jamaicensis, C.acoupa, C.leiarchus, C.leiarchus, Bairdiella rochus, Menticirrus
brasiliensis, M. littoralis, Micropogonias furnieri, Paralochurus brasiliensis, Pogonias
cromis, Stellifer brasiliensis, S.rastrifer e Larimus brevecips.
Os bagres-marinhos (Ariidae) aparecem com muita freqüência em águas mixohalinas
e, na área de influência, esta família está representada por três gêneros e três
espécies: Netuma barba, Cathorops spixii e Genidens genidens.
170
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Os
peixes
da
familia
predominantemente
Gerreidae
estuarinos,
vivem
podendo
nas
regiões
penetrar
em
costeiras
águas
e
são
continentais.
Alimentam-se em geral de pequenos organismos encontrados no meio do substrato
lodoso. A espécie registrada na área foi o carapeba (Diapterus rhombeus).
Outros peixes que estão presentes e são normalmente pescados comercialmente
são as tainhas, representadas por três espécies, sendo duas muito comuns: Mugil
platanus e Mugil curema.
4.2.3.3.3.1.3 Peixes da Água Doce
A fauna íctica da região costeira está intimamente relacionada com os Rios Palmital,
Saí Mirim e São João. A região próxima à foz destes rios que drenam o leste da
Serra do Mar, também apresentam grande semelhança com a fauna litorânea,
normalmente associada à praias, o que já não ocorre nos cursos médios e
superiores.
Uma das principais características da fauna de peixes localizadas nas regiões da
Floresta Ombrófila Densa da encosta atlântica, é o seu elevado grau de endemismo,
resultado de processos históricos de isolamento. BIZERRIL (1994) estudando o
conjunto das bacias costeiras localizadas entre a foz do Rio São Francisco e o
extremo sul do Estado de Santa Catarina, sugere que o endemismo da fauna de
peixes desta área seja superior a 70%.
Entretanto, há escassas informações sobre a diversidade, distribuição e ecologia dos
peixes da Mata Atlântica. Essa falta de informações básicas acarreta outro problema
mais sério, que é a dificuldade na avaliação de espécies raras ou ameaçadas de
extinção.
O número de espécies de peixes da Mata Atlântica é estimado em cerca de 350, a
maioria (aproximadamente 250) ocorrendo na região sul e sudeste do Brasil. Este
número certamente é bastante subestimado, pois muitos ambientes nessas regiões
ainda não foram pesquisados, principalmente as regiões mais altas onde estão as
nascentes (cabeceiras) dos rios.
171
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Na tabela4.3.25 estão listadas as espécies da ictiofauna na área de influência do
oleoduto. Na tabela, Hábitat: derm: dermensais - peixes de poços; reof: reofílicos –
peixes de correnteza; pr: peixes de remansos - Hábito Alimentar: la: larvófago; de:
detritívoro; ic: ictiófago; ca: carnívoro; ma: malacófago; li: liófago; de: detritívoro; iv:
invertebrados aquáticos; hb: vegetais, sementes e frutos.
172
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x
-
Astyanax sp 2
lambari
iv
reof,pr
-
x
Astyanax sp 3
lambari
iv
reof,pr
-
x
Astyanax aff. bimaculatus
lambari
iv
reof,pr
x
x
Astyanax aff. fasciatus
lambari
iv
reof,pr
x
x
Astyanax eigenmanniorum
lambari
iv
reof,pr
x
-
Astyanax alburnus
lambari
iv
reof,pr
x
x
Cheirodon ibicuhiensis
lambari
iv
reof,pr
x
-
Cheirodon interruptus
lambari
iv
reof,pr
x
x
Diapoma speculiferum
lambari
iv
reof,pr
-
x
Bryconamericus iheringii
lambari
iv
reof,pr
x
x
Hyphessobrycon luetkenii
lambari
iv
reof,pr
x
-
Hyphessobrycon meridionales
lambari
iv
reof,pr
-
x
Oligosarcus jenynsii
branca
iv, pi
reof,pr
x
x
Oligosarcus hepsetus
branca
iv, pi
reof,pr
-
x
Erythrinidae
Hoplias malabaricus
traíra
pi, iv, ca
pr
x
x
Curimatidae
Cyphocharax voga
biru
de
reof,pr
x
x
Prochilodontidae
Prochilodus lineatus
grumatã
de
reof
-
x
Anostomidae
Leporellus sp
piava
iv,hb,fg
reof
-
x
Heptapteridae
Heptapterus sp
jundiá-cobra
iv, pi
pr,derm
x
x
Pimelodidae
Pimelodella laticeps
mandin
iv, pi
pr,derm
x
-
Rhamdia sp
jundiá
iv, pi, ca
pr,derm
x
-
173
Bacia
Bacia do
reof,pr
Atlântica
iv
Habitat
lambari
Alimentar
Astyanax sp 1
Hábito
Characidae
Vulgar
Nome Científico
Nome
Família
Paraná
Tabela 4.2.25 - Lista dos Peixes Dulciaqüícolas na Área de Influência
limpa-
de
pr
x
x
de
pr
x
x
de, iv
pr
x
x
aquário
Corydoras sp
limpaaquário
Loricariidae
Ancistrus brevipinnis
cascudo
Hemiancistrus punctulatus
cascudinho
x
-
Hisonotus sp
cascudinho
-
x
Otocinclus flexilis
cascudinho
Hypostomus comersoni
de
reof,pr
x
x
cascudo
de, iv
pr
x
-
Hypostomus aspilogaster
cascudo
de, iv
pr
-
x
Rineloricaria microlepdogaster
cascudinho
de
pr
-
-
Rineloricaria cadeae
violinha
de, iv
pr,reof
x
x
Rineloricaria strigilata
violinha
de, iv
pr,reof
x
-
Rineloricaria sp 1
violinha
de, iv
pr,reof
-
x
Sternopygidae
Eigenmannia virescens
tuvira
iv
pr,reof
-
x
Pocilidae
Phalloceros caudimaculatus
barrigudinho
la
pr,reof
x
x
Symbranchidae
Symbranchus marmoratus
muçum
de,iv,pi
pr
x
x
Cichlidae
Crenicichla lepidota
joaninha
iv, pi
pr
x
x
Crenicichla punctata
joaninha
iv, pi
pr
x
-
Gymnogeophagus labiaitus
cará-
iv
pr,reof
x
x
beiçudo
Gymnogeophagus gymnogenys
cará
iv
pr
x
x
Gymnogeophagus rhabdotus
cará
iv
pr
x
-
Cichlasoma facetum
cará-listra
iv
pr
-
x
Geophagus brasiliensis
cará-cartola
iv
pr
x
x
174
Paraná
Bacia do
Bacia
Atlântica
Habitat
Corydoras paleatus
Alimentar
Callichthyidade
Hábito
Nome Científico
Nome
Família
Vulgar
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Nas águas da planície costeira, ocorrem preferencialmente espécies adaptadas aos
substrato arenoso e lodoso, alguns perciformes, ciprinodontiformes e Locariiformes
associados a presença de densa cobertura de florestas, associadas aos manguezais
ou à mata de terras baixas ou paludosa.
Na área de influência, devido às características dos corpos hídricos e em função das
espécies capturadas, a semelhança com a ictiofauna do sistema litorâneo é evidente.
Entre as espécies capturadas salientam-se o limpa vidro (Corydoras sp.), branca
(Oligosarcus
jenynsii)
lambari
(Astyanax
bimaculatus,
Astyanax
fasciatus
Rineloricaria sp.), e carás (Gymnogeophagus sp). Todas estas espécies são
consideradas
como
pouco
exigentes
em
termos
de
qualidade
ambiental,
apresentando uma larga distribuição em toda a bacia hidrográfica. Junto com estas
espécies, em área de águas virtualmente doces, na zona mixuhalina, também foram
observados exemplares de manjubão (Lycengraulis grossidens), saltando nos canais.
Nos pequenos cursos d'água que drenam a vertente atlântica, observou-se como
espécies típicas o limpa-vidro (Corydoras palleatus), lambari (Hyphessobrycon sp.) e
cará (Gymnogeophagus rabdotus).
Dos exemplares amostrados, a Família Characidae foi a melhor representada, com
espécies pertencentes às sub-famílias, Tetragonopterinae e Acestrorhynchinae. Para
os Estados de Santa Catarina e Paraná este grupo é muito diversificado, com
aproximadamente70 gêneros citados para Planície Costeira. São peixes de hábitos
alimentares omnívoros, que lhes possibilita a exploração de diversos ambientes.
Tetragonopterinae está representada por varias espécies (Astyanax bimaculatus, A.
fasciatus, A.alburnus, Hyphessobrycon luetkeni e Bryconamericus sp), são lambaris
de pequeno porte que não ultrapassam 15 cm de comprimento. São comuns em
todas as Bacias Hidrográficas do Brasil, devendo-se o amplo espectro de distribuição
ao seu alto grau de adaptabilidade. Acestrorhynchinae, está representada por duas
espécies Oligosarcus jenynsii (tambicu) e Oligosarcus sp (branca)
Os peixes da Família Cichlidae, são registrados em toda Região Neotropical e na
África Equatorial. Têm preferência pela vegetação marginal para abrigo e confecção
dos seus ninhos. Reproduzem-se com facilidade nestes ambientes e possuem um
cuidado quase que exagerado com a prole: ao primeiro sinal de perigo abrigam os
175
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filhotes na cavidade bucal. Nas amostragens feitas em alguns pontos encontramos o
cará-cartola (Geophagus brasiliensis), cará-beisudo(Gymnogeophagus labiatus) que
ocorreu em todas as área amostradas.
Os peixes da Família Pimelodidade são conhecidos, como peixes de couro por não
apresentarem escamas. Em geral têm hábitos noturnos, utilizando os barbilhões que
possuem na cabeça, cuja função olfativa auxilia na busca do alimento, que é
basicamente constituído por pequenos crustáceos e moluscos. Nas amostragens
realizadas foram inventariados apenas duas espécies Mandin-prego (Pimelodella sp.)
e Jundiá (Rhandia sp).
A Família Loricariidae, formada pelos peixes de placas ósseas, normalmente é
encontrados junto ao substrato. Estes peixes tem o aparelho bucal adptados a
sucção, retirando seu alimento através da raspagem. Foram encontradas em mais de
uma amostra, sendo Rineloricaria cadeae (violinha) capturada nos arroios do
planalto, Loricariichthys anus, e Hypostomus aspilogaster também são comuns e
registrados para a região. Outra espécie encontrada a noite foi o Hisonotus sp,
normalmente é encontrado junto aos poços, próximo às margens e junto ao
substrato.
Algumas das espécies listadas são muito apreciadas por pescadores, destacando-se
a traíra, o jundiá, e os cascudos, normamalmente encontrados nas barragens e nos
remansos da dos rios maiores.
176
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Phalloceros caudimaculatus -
Astyanax fasciatus - rio Água
Gymnogeophagus labiatus
rio Saí Mirim
Branca
- barragem da Vossoroca.
Astyanax sp - rio Una
Hoplias malabaricus, Astyanax
Rhyneloricariia sp - rio São
bimaculatus e Corydoras sp - rio
João
Iguaçú
Foto 4.2.42 Alguns peixes de água doce observados na área de influência do oleoduto
Na região do planalto paranaense os riachos por sua vez são drenagens geralmente
rasas e intermitentes, com uma declividade geralmente elevada e onde a água por
vezes desaparece quase que totalmente, ficando restrita a pequenas depressões ou
pequenos poços. O número de espécies adaptadas a estes ambientes é muito
reduzido devido às restrições físicas impostas pelo meio, tais como a velocidade da
177
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água, o fluxo oscilante e a pequena profundidade do leito. Estes fatores são
limitantes para espécies de maior porte, beneficiando os peixes com mecanismos
morfológicos ou comportamentais específicos. Onde o leito é pedregoso e com vários
poços, há presença de espécies de médio porte, que permanecem durante todas as
situações pluviométricas, já que ali as variações de nível são menos drásticas. Nos
cursos superiores destes rios, a ictiofauna é caracterizada por organismos de
pequeno porte, normalmente bons nadadores ou dotados de mecanismos de fixação,
em função força das corredeiras nos cursos d'água. Segundo Lowe-McConnel (1975)
em riachos tropicais as comunidades em geral são afetadas por mudanças
estacionais, devido a contração e expansão dos ambientes aquáticos.
Como ocorre nas demais sub-bacias, a Família Characidae é a mais representativa,
o que demonstra sua adaptabilidade a diversos nichos.
O ecossistema de várzea e as próprias margens dos rios Iguaçu e Barigui, que
drenam a Área Metropolitana de Curitiba,
sofreu severas alterações devido à
atividades humanas, como a extração de areia, ocupação descontrolada e
construção de casas
Mesmo assim, nos rios Iguaçu e Barigui ocorrem espécies de maior porte, algumas
das quais são migratórias como as piavas e grumatãs. A comunidade íctica é
endêmica em função dos acidentes geograficos e apresenta-se bem estruturada,
com diversas espécies ocupando os nichos proporcionados pela diversidade dos
hábitats.
4.2.3.3.3.2 Anfíbios
4.2.3.3.3.2.1 Introdução
Na Mata Atlântica são conhecidas cerca de 340 espécies de anfíbios (HADDAD &
ABE, 2000). Cerca de 80, ou 24% das espécies de anuros, são endêmicas dessa
região. Grupos filogenéticos inteiros estão restritos à Mata Atlântica, como é o caso
da família Brachycephalidae (Anura).
Os principais centros de endemismos da Mata Atlântica localizam-se no planalto das
araucárias, com o epicentro em Santa Catarina; nas montanhas florestadas do
178
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Sudeste, principalmente em São Paulo; nas florestas Litorâneas do Rio de Janeiro e
Espírito
Santo;
e
nos
campos
rupestres
de
Minas
Gerais
(FUNDAÇÃO
BIODIVERSITAS, 2000).
Na área de influência do oleoduto a comunidade de anuros é bastante diversificada,
visto que recebe a influência de várias regiões biogeográficas contíguas. Nos
trabalhos de campo foram identificadas 32 espécies até o momento, das quais uma é
exótica: Rana catesbieana, originária da América do Norte e cultivada para fins
comerciais em muitas região e agora está aclimatada na região. Gymnophiona,
popularmente conhecidas como minhocões são de difícil detecção e não foram
localizados nos trabalhos de campo.
Embora a estrutura geral do corpo e do modo de vida, os anfíbios anuros apresentam
uma vasta gama de adaptações que vão desde os biótopos, as estratégias de
reprodução e a alimentação. Como ordem, os anfíbios são típicos representantes dos
ambientes de transição. A maioria das espécies necessitam de ambientes aquáticos
para completarem seu ciclo biológico na fase juvenil. Na fase adulta vivem em
diversos ambientes, permanecendo em corpos d’água, sobre árvores, em cavas ou
em terrenos bem secos. Da mesma forma varia a alimentação. Na fase de girinos
não possuem maxilares, obtendo seu alimento pela raspagem das superfícies com
as placas córneas da boca, arrancando algas e outros pequenos organismos. Na
fase adulta, seu principal alimento são insetos, outros invertebrados aquáticos e até
pequenos vertebrados como peixes e outros anfíbios.
Os anfíbios têm uma grande importância nos ecossistemas. Em ambientes propícios
as populações são tão numerosas que possuem uma biomassa considerável e são
uma fonte de recursos para várias espécies, especialistas no consumo de anuros ou
não. São importantes controladores de insetos, especialmente os alados, e formam
um importante fluxo de energia da água para a terra, contra a tendência da
gravidade, lixiviação e percolação dos nutrientes.
4.2.3.3.3.2.2 Análise da Anurofauna
Na Tabela 4.2.26 estão listadas as espécies encontradas durante os trabalhos de
campo na área de influência do oleoduto. Na tabela, Registro: VI: visual, observação
179
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direta / AU: registro pela vocalização; Hábitat: Ln: lêntico / Lt: lótico / Tr: terrícola / Ar:
arborícola;
Alimentação
Predominante:
In:
insetívoro,
insetos
e
outros
invertebrados terricolas / Iv: invertebrados aquáticos (insetos, moluscos, crustáceos) /
Ca: carnívoro / Pi: piscívora / predadora de anfíbios.
Planalto
X
Ln
In
X
X
Ln
Ln
In
X
X
X
VI
Ln
Ln
In
X
X
X
rã-crioula
VI
Ln
Ln
,Iv
X
X
X
X
X
rã-cachorro
AU
Ln
Ln
In,Iv
X
X
X
X
X
fuscus
assobiadora
VI
Ln
Ln
rã-graciosa
AU
Ln
Ln
rã-pimenta
VI
Ln
latinasus
rã-piadeira
VI
Leptodactylus
rã-de-
mystacinus
bigode
Encosta
X
rã-
Planície
Aquático
X
Leptodactylus
Silvícola
,Iv
popular
gracilis
Alimentação Adulta
Fase Adulta
X
Registro
X
Espécie
In,An
Leptodactylus
Leptodactylidae
Unidade
Campestre
Leptodactylidae
Ambiente
X
Nome
Família
Fase Juvenil
Tabela 4.2.26 - Lista Preliminar de Anuros na Área de Influência do Oleoduto
,Iv
X
In,An
Leptodactylus
Leptodactylidae
labyrinticus
X
Leptodactylus
Leptodactylidae
Leptodactylidae
Leptodactylus
Leptodactylidae
ocellatus
In,An
Physalaemus
Leptodactylidae
cuvieri
Physalaemus
Leptodactylidae
gracilis
rã-chorona
AU
Ln
Ln
In,Iv
X
X
X
Leptodactylidae
Physalaemus sp.
rã
VI
Ln
Ln
In,Iv
X
X
X
Eleutherodactylus
perereca-
cf. guentheri
espanhola
VI
Ln
Ln
Iv,In
X
X
meridionalis
rã-castanha
VI
Ln
Ln
Iv,In
X
X
Odontophrinus
sapinho-da-
americanus
terra
AU
Tr
Tr
In
Leptodactylidae
Hylodes
Leptodactylidae
Leptodactylidae
180
X
X
X
Planalto
In
Encosta
Lt,Ln
Planície
rã-boiadeira
Unidade
Aquático
Pseudis minutis
Campestre
Pseudidae
Ambiente
Silvícola
popular
Alimentação Adulta
Espécie
Fase Adulta
Família
Fase Juvenil
Nome
Registro
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Lt,
VI
Ln
X
X
Ln
pererecaHylidae
Hyla pulchella
Hylidae
Hyla minuta
Hylidae
Hyla prasina
Hylidae
Hyla bischoffi
Hylidae
Hyla microps
Hylidae
Hyla sanborni
Hylidae
Hyla semiguttata
,E
Ln,Lt
VI
p
,Ep
In,Iv
X
X
X
rajada
AU
Ln
Ln
Iv,In
X
X
X
perereca
VI
Ln
Ln
Iv,In
X
X
X
VI
Ln
Ln
Iv,In
X
VI
Ln
Ln
Iv,In
X
VI
Ln
Ln
Iv,In
VI
Ln
Ln
Iv,In
X
In,Iv
X
X
X
X
In,Iv
X
X
X
X
X
X
trepadora
X
pererecaX
X
X
pererecabispo
X
pererecagrilo
X
pererecatica
X
X
X
pererecaboca-branca
X
Ln
sapoHylidae
Hyla faber
ferreiro
AU
,E
Ln,E
p
p
Ln
Hylidae
Scinax fuscovaria
raspa-cuia
Scinax
perereca-
squalirostris
bode
VI
,E
Ln,E
p
p
X
Ln
Hylidae
AU
,E
Ln,E
p
p
In,Iv
X
X
Ln
Hylidae
Scinax
perereca-
eringiophilus
corvo
,E
Ln,E
AU
p
p
In,Iv
X
VI
Ln
Ln
Iv,In
X
X
X
pererecaHylidae
Phrynohyas
da-
imitatrix
montanha
181
X
X
Bufonidae
Bufo crucifer
Bufonidae
Bufo arenarum
Planalto
apito
Encosta
bicolor
Planície
Microhylidae
Unidade
Aquático
sapo-do-
Campestre
Elachistocleis
Ambiente
Silvícola
popular
Alimentação Adulta
Espécie
Fase Adulta
Família
Fase Juvenil
Nome
Registro
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Ln
VI
sapo-domato
Ln,E
p
p
In,Iv
Tr
In
Tr
In
X
X
Ln
VI
sapo-daareia
,E
,Lt
X
X
X
X
X
X
Ln
VI
,Lt
X
Ln
Bufonidae
Bufo ictericus
sapo-cururu
VI
,Lt
Tr
In
X
X
X
X
sapo-deBufonidae
Bufo granulosus
jardim
VI
Tr
Tr
In
X
X
Bufonidae
Bufo paracmenis
sapo
VI
Tr
Tr
In
X
X
X
Ranidae
Rana catesbieana
AU
Ln
Ln
X
X
rã-tourogigante
Ca,A
Total
n,In
16
15
22
17
13
LEPTODACTYLIDAE abrange as espécies popularmente conhecidas como rãs.
Apresentam uma grande diversidade de formas, tamanhos, habitat, alimentação e
estratégias reprodutivas. Ou seja ocupam um amplo espectro de biótopos. Os sítios
de vocalização de Leptodactylus spp. e Physalaemus spp. são predominantemente
os açudes e banhados que ocorrem em maior profusão sobre o planalto e planície, já
que a configuração da paisagem na encosta é impróprio para o acúmulo de água
natural ou artificial. A postura e a fase juvenil destas espécies também ocorre
preferencialmente neste ambiente. Leptodactylus spp. pode atingir até 12 cm
incluindo cabeça e corpo quando adultas. Nesta fase são predadoras vorazes de
diversos organismos que compartilham o ambiente, como pequenos peixes, outros
anfíbios, canibalismo e invertebrados diversos. Já Physalaemus spp. tem tamanho
menor mas compartilha com os hábitos alimentares das precedentes. O sapinho-daterra (Odontophrynus americanus) ocorre predominantemente nas regiões de
campos e em bordas de mata, às vezes em solos bem drenados. Apresenta hábitos
182
19
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cavícolas, ou seja, escava pequenas tocas no solo onde se abriga. A reprodução
ocorre em ambentes calmas, como açudes, canais e mesmo em pequenas poças.
Eleutherodactylus é espécie tipicamente florestal e como uma adaptação apresenta
desenvolvimento direto, visto que os filhotes saem dos ovos com a forma dos adulto,
porém menores. Hylodes cf. meridionalis é espécie característica de riachos na
encosta atlântica florestada, onde põe seus ovos. É uma espécie endêmica da Mata
Atlântica, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Bufo granulosus: Planície costeira
Odonthophrynus americanus. Planície costeira
Foto 4.2.3: Representantes de anfíbios observados na área de influência do oleoduto.
Outra família bem representada na área de influência é BUFONIDAE, cujas espécies
são popularmente conhecidas como sapos. São o táxon mais adaptado à vida em
terra na fase adulta. O sapo-cururu (Bufo ictericus) tem ampla distribuição geográfica
e uma grande capacidade adaptativa, podendo ser encontrado em diversos
ambientes. Nos trabalhos de campo, esta espécie foi encontrada em cursos d’água,
açudes, beira de mata, capoeira e inclusive na zona urbana. O sapo-do-mato (Bufo
crucifer), ocorre preferencialmente em zonas de matas pluviais da encosta atlântica e
Bufo granulosus, é o menor do gênero, ocorre especialmente em áreas campestres,
onde escava abrigos. A reprodução ocorre em águas acumuladas no campo ou no
interior das matas. As espécies do gênero Bufo são especialistas na captura de
insetos alados, com especial predileção por coleópteros, que apanham com a língua
protrátil extremamente comprida e ágil. Uma característica desta família é a presença
de glândulas de veneno.
183
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Foto 4.2.44: Rã (Leptodactylus ocellatus),
uma das espécies de maior porte na área
de influência, chegando a 12 cm de
comprimento.
Foto 4.2.45: Perereca (Scinax fuscovaria) em
cripsia no tronco do gerivá. Espécies de
hábitos arborícolas que se reproduz em
açudes na área de influência.
HYLIDAE é a família com maior número de espécies identificadas na área de
influÊncia do oleoduto. Compreende a maioria das espécies popularmente
conhecidas como pererecas, pela presença de discos na ponta dos dedos com os
quais escalam superfícies lisas, uma adaptação à vida arborícola. No período
reprodutivo podem ser encontrados em grande número nos corpos d’água,
geralmente lêntica ou de baixa velocidade, na maioria das vezes onde há vegetação
de porte arbustivo ou arbóreo. As espécies desta família tem grande importância no
ecossistema, uma vez que formam grandes populações e são um elo importante na
cadeia trófica, visto serem predadas por uma grande variedade de organismos
pertencentes a todas as classes de vertebrados. Em função de pequenas variações
no nicho que ocupam, as pererecas dessa família conseguiram atingir uma elevada
diversidade.
Além dessas famílias que contam com várias espécies de diversas formas, nos
trabalhos de campo foram identificadas outras três, monoespecíficas. Pseudis
minutus (PSEUDIDAE), uma espécie aquática por excelência, ocorre principalmente
em
açudes
cercados
por
vegetação
campestre.
Elachistocleis
bicolor
(MICROHYLIDAE) ocorre em ambientes campestres, muitas vezes longe de
qualquer corpo d’água. Têm como hábito viver sob pedras, troncos caídos, estrume
bovino, onde alimenta-se de cupins e formigas, e durante o período reprodutivo é
184
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encontrado em poças d´água, açudes e pequenos corpos d´água (Kwet & DiBernardi, 1998).
A rã-touro-gigante (Rana catesbieana - RANIDAE) está sendo utilizada para a
ranicultura, devido ao tamanho, fertilidade, rápido desenvolvimento e aclimatação às
condições reinantes na área de influência. Entretanto, pode ser encontrada em
diversos ambientes aquáticos onde não há ou houve criação de rãs, mostrando que a
espécie já está aclimatada. Segundo BRUENING (1997) R. catesbieana é a maior rã
norte-americana, com 46 cm de comprimento e com mais de 0,5 Kg de peso. Preda
serpentes, vermes, insetos, rãs e girinos, sendo ainda registrada a predação de
morcegos. Seu hábitat, na região neártica, são lagos, rios e brejos, especialmente
em áreas de águas rasas, mornas e com densa vegetação. Ali a rã-touro tem
apresentado incremento populacional em áreas alteradas pela ação antrópica, devido
a proliferação da vegetação e aumento da temperatura em lagos poluídos.
4.2.3.3.3.2.3 Conservação
A conservação das espécies de anfíbios na área de influência requer a manutenção
de seu hábitat, que consiste no manejo adequado da cobertura vegetal,
principalmente a conservação da mata de galeria que auxilia na regulação dos
cursos de água. Também é importante a manutenção da qualidade da água dos
cursos, uma vez que há espécies sensíveis à poluição hídrica. As espécies
arborícolas, por outro lado, dependem da conservação das matas, que lhes serve de
abrigo e locais de reprodução, principalmente quando ocorre epifitismo, ou seja,
florestas bem estruturadas.
Algumas espécies que ocorrem na área de influência tem período reprodutivo muito
curto, adaptado aos aguaceiros que na encosta atlântica são comuns nos meses de
verão. Períodos de reprodução curtos são perigosos para as espécies que em alguns
anos podem gerar pequena prole, as vezes por impactos relativamente pontuais
como os derivados do carreamento de sedimentos pelas águas da chuva. Espécies
com período reprodutivo mais longo são menos afetadas por períodos críticos.
Os anfíbios geralmente têm hábitos sedentários e se afastam poucos metros de seu
território, ocupando ano após ano o mesmo local no brejo, na mesma moita, na
185
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mesma bromélia, na mesma toca de pedra. Destruída sua moradia, eles têm pouca
habilidade para se mover para um pouco além (BOKERMANN, 1978). A remoção da
cobertura vegetal original, principalmente quando se trata de florestas, traz danos
irreparáveis. A mata secundária raras vezes oferece condições semelhantes
(BOKERMANN, op. cit.).
Outras atividades antrópicas já proporcionaram alterações na comunidade de
anfíbios. Talvez algumas espécies florestais tenham sido extintas e outras, como
Leptodactylus ocellatus e Physalaemus cuvieri, tipicamente de formações abertas
tem aparecido em áreas desmatadas, da mesma forma como ocorre em outras
regiões (HADDAD & SAZIMA, 1992).
A açudagem proporcionou um aumento significativo de ambientes lênticos,
especialmente sobre o planalto, onde as nascentes são freqüentes. Além dos
ambientes, contribuem para a diversidade de anfíbios a introdução de alevinos de
peixes para a criação, que são obtidos em outras regiões, com os quais muitas vezes
também são trazidos girinos ou ovos de anfíbios dos locais de origem.
Entre as espécies introduzidas merece destaque o registro de Rana catesbieana, que
certamente está produzindo alterações na comunidade dos ambientes úmidos,
devido ao seu tamanho e voracidade. A colonização desta espécie é beneficiada pela
açudagem e pela aquisição de alevinos, cuja água muitas vezes contém seus ovos
ou girinos. Outra forma comum é a colonização a partir de criatórios que utilizam esta
espécie para o aproveitamento da carne e pele.
HADDAD & ABE (2000) consideram as altas montanhas como os locais mais
indicados para o desenvolvimento de estudos com a anurofauna. Ali em sido
identificados endemismos em função do isolamento geográfico. Também é ali que a
mata atlântica encontra-se mais conservadas e próxima das condições originais.
186
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4.2.3.3.3.3 Répteis
4.2.3.3.3.3.1 Introdução
Para a região da Mata Atlântica estão registradas aproximadamente 197 espécies
reptílias, incluídos os quelônios marinhos, perfazendo 42% das 465 registradas para
o país (HADDAD & ABE, 2000).
O levantamento da fauna reptiliana é um dos mais difíceis de realizar em períodos de
tempo restrito, visto os hábitos esquivos, pela configuração críptica e por hábitos
fossoriais de muitas das espécies ocorrentes na região (SAZIMA & HADDAD, 1992).
Muitos
dos
encontros
são
eminentemente
casuais,
embora
tenham
sido
desenvolvidos esforços no sentido de localizá-los em seus esconderijos.
Os répteis apresentam uma importância ecológica fundamental no equilíbrio
ecológico da comunidade faunística, visto que muitas espécies são predadoras
especialistas, além de serem predadas por várias espécies de aves, mamíferos e
mesmo por outros répteis. Todavia, o levantamento de dados primários foi
insuficiente para a caracterização da comunidade, sendo as informações
complementadas com dados secundários, obtidos mediante a informação de
moradores locais, exemplares conservados em museus de escolas na área de
influência e da inclusão de espécies anteriormente registradas na mesma região
biogeográfica e citadas na literatura para a região, especialmente MARQUES ET AL.
(2001) para a mata atlântica e LEMA (1994) para o planalto paranaense.
Na área de influência do empreendimento ocorrem duas zonas biogeográficas
distintas, que se manifestam particularmente nas populações ofídias, devido ao seu
limitado potencial de deslocamento e pela estreita dependência das condições microclimáticas requeridas pelo controle fisiológico e comportamental da regulação
térmica. Entre os répteis, a maioria das espécies apresenta períodos de letargia ou
hibernação durante os períodos de frio intenso, como ocorre no inverno sobre o
planalto das araucárias.
Convém ressaltar que a regularização da temperatura nos répteis é obtida por
complexos recursos comportamentais e fisiológicos. As espécies utilizam de forma
diferenciada os micro-climas formados pelo sombreamento, estratificação da
187
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vegetação e a diferenças na condução do calor dos materiais que compõe a
paisagem. Muitas espécies ocorrem na beira da mata, savanas ou capoeiras, pela
possibilidade de controlar a exposição solar, com pequenos deslocamentos. As
espécies florestais, por sua vez, podem escalar árvores ou descer ao solo, conforme
as diferenças de temperatura dentro das matas. Diferentes taxas de condução de
calor dos materiais também são aproveitados, como pedras ou rochas, por exemplo,
que absorvem o calor durante o dia e à noite, ou em períodos frios, proporcionam
aquecimento durante períodos consideráveis. Já outros materiais, como a madeira
ou a serapilheira, por exemplo, são isolantes térmicos, pelo que proporcionam abrigo
durante períodos frios ou à noite. Algumas espécies ainda utilizam colônias de
térmitas ou formigas para se refugiar, principalmente durante o inverno, visto que
estes insetos mantém um micro-clima estável, muito mais aquecido que no exterior.
Estas diferenças comportamentais fazem com que diferentes espécies explorem
nichos diferentes, mesmo que co-habitem numa mesma área, possibilitando o uso
diferenciado dos recursos de um mesmo hábitat, que resulta numa maior diversidade
de espécies.
4.2.3.3.3.3.2 Análise da Herpetofauna
Na tabela 4.3.27 estão listadas as espécies que ocorrem na região, indicando o biótopo
de ocorrência, a alimentação predominante, a fonte do registro e os ambientes dos
registros ou de ocorrência. Na Tabela: Biótopo: Ar: arborícola / Tr: terrícola / Aq: aquático
/ Cv: Cavícola / Ru: rupícola; Alimentação: Ca: carnívoro / In: invertebrados (insetos e
outros invertebrados terrícolas) / Of: ofiófaga / Pi: predadora de peixes e anfíbios / Hb:
herbívoro / Fr: frugívoro; Registro: OD: observação direta / BI: citações na bibliografia
(LEMA, 1994 e MARQUES ET AL, 2001) / IN: informações de moradores locais;
Ambientes: Campestre: campos e pastagens, incluindo campo limpo, campo sujo e
campos pedregosos / Silvícola: Florestas, Matas e Capões / Aquático: cursos d'água,
açudes e banhados.
188
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Tabela 4.2.27 - Lista Preliminar de Répteis na Área de Influência do Oleoduto
Planalto
Planície
Litoral
Aquático
Campestre
Chelonia mydas
Silvícola
Cheloniidae
Registro
Caretta caretta
Predominante
Cheloniidae
Popular
Alimentação
Nome Científico
Hábito
Nome
Família
Encosta
Unidade
Biótopo
tartarugade-pente
Aq
Pi,Hb,Iv
BI
X
X
verde
Aq
Pi,Hb,Iv
BI
X
X
tigre-d'água
Aq
Pi,Hb,Iv
OD
X
X
Aq
Pi,Hb,Iv
BI
X
X
Ru
Ca,In
BI
RuAr
In
OD
tartaruga-
Trachemys
Emydidae
dorbignyi
tatarugaHydromedusa
pescoço-de-
tectifera
cobra
Tropidurus
lagarto-de-
torquatus
espinho
Hemidactylus
lagartixa-
Gekkonidae
mabuya
das-paredes
Gymnophtha
Pantodactylus
lagartixa-
lmidae
sp.
marron
Ru
In
BI
X
Teiidae
Teius teyou
teju
Ru,Tr
Ca,In
OD
X
X
teguixim
Lagarto
Ru,Tr
n,Fg
OD
X
X
X
Chelidae
Tropiduridae
Tupinambis
Teiidae
X
X
X
X
X
X
X
Ca,Of,I
X
Ophiodes
cobra-de-
Anguidae
striatus
vidro
Tr
Iv,Ca
BI
X
X
Amphisbaeni
Amphisbaena
dae
sp.
cobra-cega
CV
Iv
BI
X
X
Corallus
cobra-
Boidae
hortulanus
veadeira
Ar
Ca
BI
X
Colubridae
Dipsas albifrons
come-lesma
Ar,Tr
Ma
BI
X
Colubridae
Dipsas neivai
come-lesma
Ar,Tr
Ma
BI
X
X
X
Colubridae
Dipsas incerta
come-lesma
Ar,Tr
Ma
BI
X
X
X
189
X
X
X
X
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Unidade
Alimentação
Colubridae
Dipsas indica
come-lesma
Ar,Tr
Ma
BI
X
Dormideira
Ar,Tr
Ma
BI
X
X
cobra-cipó
Ar,Tr
An
OD
X
X
X
cobra-cipó
Ar,Tr
An
BI
X
X
X
cobra-cipó
Ar,Tr
An
BI
X
X
X
cobra-cipó
Ar,Tr
An
BI
X
X
X
Aq
An,Pi
OD
X
X
Tr
An
BI
Tr
An
BI
Aq
Pi,An
BI
Encosta
Planície
Litoral
Aquático
Silvícola
Planalto
Popular
Campestre
Nome Científico
Nome
Registro
Família
Hábito
Predominante
Biótopo
X
X
Sybinomorphus
Dipsadinae
neuwiedi
Chironius
Colubrinae
bicarinatus
Chironius
Colubrinae
exoletus
Chironius
Colubrinae
laevicollis
Chironius
Colubrinae
multiventris
CobraColubrinae
Liophis miliaris
Colubrinae
Liophis amarali
Colubrinae
d'água
Liophis
Cobra-
poecilogyrus
capim
X
X
X
X
X
X
X
CobraColubrinae
Colubrinae
Helicops
d’água-
carinicaudus
meridional
Xenodon
Boipeva-
neuwiedi
rajada
Tr
Ca
BI
X
X
merremi
Boipeva
Tr
Ca
BI
X
X
Echinanthera
corredeira-
affinis
do-mato
Tr
Ca,An
BI
X
X
X
X
X
Waglerophis
Colubrinae
Colubrinae
X
X
corredeiraColubrinae
Echinanthera
de-duas-
bilineata
listas
Tr
An
BI
X
X
corredeira
Tr
An
BI
X
X
Echinanthera
Colubrinae
cephalostriata
190
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Unidade
X
X
corredeira
Tr
An
BI
X
X
Planície
Aquático
Planalto
BI
Encosta
Ca,An
Litoral
Tr
Popular
Silvícola
Nome Científico
Hábito
Família
Campestre
Registro
corredeira
Nome
Alimentação
Predominante
Biótopo
Echinanthera
Colubrinae
cyanopleura
Echinanthera
Colubrinae
persimilis
Echinanthera
Colubrinae
undulata
papa-rã
Tr
An
BI
X
Colubrinae
Spilotes pullatus
caninana
Tr,Ar
Ca
BI
X
Uromacerina
cipó-
ricardini
liquenosa
Ar
An
BI
X
Erythrolamprus
falsa-cobra-
aesculapii
coral
Tr
Of
BI
X
Colubrinae
Colubridae
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Imantodes
Colubridae
cenchoa
dormideira
Ar
An
BI
X
X
Boiginae
Clelia montana
Muçurana
Tr
Of
BI
X
X
Boiginae
Clelia plumbea
Muçurana
Tr
Of
BI
X
Pseudoboa
Falsa-
haasi
muçurana
Tr
Of,Ca
BI
X
Oxyrhopus
falsa-cobra-
clathratus
coral
Tr
Of,Ca
BI
X
Philodryas
Cobra-cipó-
aestivus
carenada
Ar,Tr
Ca
BI
X
Philodryas
Cobra-cipó-
olfersii
listada
Tr
Ca
OD
X
X
Philodryas
Parelheira-
patagoniensis
do-campo
Thamnodynaste
Cobra-
s hypoconia
espada
Thamnodynaste
Corredeira-
s strigatus
lisa
Boiginae
Boiginae
Boiginae
Boiginae
Boiginae
Boiginae
Boiginae
X
X
X
X
X
X
X
X
Ca,Of,
TrAq
An
OD
X
X
Tr
Ca;An
BI
X
X
Tr
Ca,An
BI
X
X
191
X
X
X
X
X
X
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Boiginae
Boiginae
Tr
Ca
BI
X
Ar
Ca,An
BI
Ar
Ca,An
Ar
Encosta
espada
BI
Planície
Cobra-
dorsatus
An
Litoral
Tomodon
Tr
Aquático
espada
Campestre
Cobra-
s nattereri
Silvícola
Thamnodynaste
Registro
Popular
Predominante
Nome Científico
Alimentação
Família
Hábito
Nome
Planalto
Unidade
Biótopo
X
X
X
X
X
X
X
X
BI
X
X
X
Ca
BI
X
X
Ar,Tr
Ca,Of
BI
X
X
AqTr
In,Iv
BI
Tropidodryas
Boiginae
Boiginae
serra
Tropidodryas
jiboinha-
striaticeps
pintada
cipó-
Boiginae
Boiginae
Colubridae
Siphlophis
dormideira-
longicaudatus
cinzenta
Siphlophis
dorme-
pulcher
dorme
Sordellina
cobra-
punctata
d'água
X
X
X
Coral-deElapidae
Micrurus
cintas-
corallinus
simples
Tr,Cv
Ca,Of
BI
X
X
decoratus
cobra-coral
Tr,Cv
Ca,Of
BI
X
X
Crotalus
Cascavel-
durissus
meridional
Ru
Ca
IN
jararaca
Jararaca
Tr,Ru
Ca,An
OD
X
Bothrops
Jararacussu
jararacussu
/ surucucu
Tr
Ca
IN
X
Bothops
Jararaca-
neuwiedi
pintada
Tr
Ca
IN
X
X
46
20
Micrurus
Elapidae
Viperidae
X
X
Bothrops
Viperidae
Viperidae
Viperidae
Total
192
X
X
X
X
8
2
23
X
29
32
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No presente trabalho, foram encontradas apenas 9 espécies reptílias, conforme a
listagem acima, sendo 1 quelônio, 3 sáurios e 5 ofídios. Além destas, foram listadas
mais 20 espécies, cuja origem dos registros está discriminada na tabela.
Os QUELÔNIOS em geral são longevos, tardios e vagarosos, fato em grande parte
devida à carapaça que, se lhes tira a mobilidade, oferece por outro lado grande
proteção. Na área de influência do oleoduto ao menos 4 espécies tem registros
confirmados.
Duas espécies são marinhas, Caretta caretta e Chelonia mydas. Ambas são
espécies pelágicas e apenas eventualmente chegam a costa ou a plataforma
continental. Na praia muitas chegam mortas, normalmente afogadas quando ficam
presas em redes. Essas espécies reproduzem na praia, mas não na área de
influência. Seus sítios estão mais ao norte, no nordeste do Brasil e América Central.
No ambiente dulciaqüícola observou-se o tigre-d’água (Trachemys dorbignyi) na
planície costeira, onde também deve ocorrer Hydromedusa tectifera, que contudo
não foi observada. Nos riachos e rios da encosta atlântica é possível que ocorra
também Hydromedusa maximiliani, que segundo HADDAD & ABE (2000) é endêmica
da mata atlântica. As espécies citadas, assim como outros da ordem são predados
essencialmente quando jovens, visto que na maturidade são imunes às armas de
seus potenciais predadores. Sua alimentação é constituída basicamente por
organismos bentônicos e plantas aquáticas.
Das três espécies de SÁURIOS identificadas durante o levantamento da fauna, a
espécie mais freqüentemente registrada foi Tupinambis teguixim. O lagarto pôde ser
encontrado em todos os ambientes estudados, desde o interior das florestas mais
desenvolvidas até zonas urbanas e ambientes úmidos. É uma espécie com grande
potencial ecológico, que é corroborado pelo caráter omnívoro de sua dieta, que inclui
frutos, ovos, pequenos vertebrados, invertebrados diversos, outros lagartos, anuros,
além de apresentar hábitos necrófagos (SAZIMA & HADDAD, 1992). O lagarto é
essencialmente diurno, podendo ser observado assoalhando durante as horas
quentes do dia, entocando-se à noite. Entre abril e setembro permanece entocado,
hibernando.
193
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O lagarto-verde (Teius teyou) tem hábitos sedentários e predominantemente ocorre
em áreas abertas, como campos pedregosos, campos de pastejo, beiras de mato e
capoeiras, normalmente em áreas bem drenadas. Durante o levantamento da fauna
foi encontrado em campos com árvores esparsas, na Planície Costeira. A lagartixa
(Hemidactylus mabuya) é originária do paleártico e tem hábitos essencialmente
sinatrópicos, tendo sido introduzida no neotrópico a partir das navegações do Século
XV e XVI. Os outros lagartos listados (Pantodactylus sp. e Tropidurus torquatus)
ocorrem em áreas de campos pedregosos, semelhantes àqueles dos picos
dissecados do divisor de águas no segmento norte do trecho estudado. A cobra-cega
(Amphisbaena sp.) têm hábitos subterrâneos e fossoriais, podendo ser encontrada
em ambientes florestais, cerrados e outros (SAZIMA & HADDAD, op. cit.). A cobrade-vidro (Ophiodes striatus) vive preferencialmente na borda da mata e em
capoeiras, refugiando-se sob troncos, pedras e sob a serapilheira.
Nos trabalhos de levantamento de fauna, registraram-se apenas 5 espécies ofídias:
Chironius bicarinatus, Liophis miliaris, Philodryas olfersii e Philodryas patagoniensis e
Bothrops jararaca. As espécies listadas a partir de informações de moradores locais
compreendem principalmente as peçonhentas, muito mais citadas espontaneamente.
Enquanto na encosta e planície, nas áreas florestadas predomina a jararacas
(Bothrops spp.) e corais (Micrurus sp), sobre o planalto foi várias vezes citada a
cascavel (Crotalus durissus). O pequeno número de espécies encontradas
certamente não representa a essência da comunidade, pelo que a descrição da
comunidade é feita incluindo as espécies citadas pela bibliografia.
Entre as serpentes, a grande maioria são originalmente espécies florestais. Das 48
espécies listadas, pelo menos 42 vivem preferencialmente nesse biótopo. Dentre
elas, 18 têm hábitos arborícolas, que em suma são as mais restritas ao hábitat
florestal. Dentre elas destacam-se a cobra-veadeira (Corallus hortulanus), cobrascipós (Chironius spp.), caninana (Spilotes pullatus), dormideira (Imantodes cenchoa),
jiboinhas (Tropidodryas spp), dorme-dorme (Siphlophis spp.) e as come-lesmas
(Dipsas spp.). Outras não tem hábitos arborícolas, ao menos não tão freqüentes,
mas também restringem-se às florestas. Dentre estas destacam-se os Viperidae
jararaca (Bothrops jararaca) e jararacuçu (Bothrops jararacussu), as corais (Micrurus
corallinus e M. decoratus), as falsas-corais (Oxyrhophus clarathus) as muçurana
194
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(Clelia montana, C. plumbea e Pseudoboa haasi) e as corredeiras (Echinanthera
spp.).
Devido à fragmentação do hábitat muitas dessas podem ser encontradas em
clareiras e bordas de mata, bem como em locais com estágios sucessionais
secundários iniciais. Todavia, nestes ambientes ocorrem tipicamente as cobrasespadas (Thamnodynastes spp. e Tomodon dorsatus), as boipevas (Xenodon
neuwiedi e Waglerophgis merremi) e a jararaca-pintada (Bothrops neuwiedi).
195
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Foto 4.2.46 No alto,
cobra-cipó (Chironius
bicarinatus), espécies
arborícola comum na
área de influência.
Foto 4.2.47 Acima, a cobra d’água (Liophis miliaris), comum em
ambientes aquáticos. Ambas predam anuros, porém em ambientes
distintos.
As espécies eminentemente campestres não são comuns na área de influência, pois
originalmente a área apresentava zonas de campos muito restritas. As espécies que
ali ocorrem expandiram sua área de distribuição seguindo o rastro do desmatamento.
Entre as espécies campestres destaca-se a cascavel (Crotalus durissus),
196
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reconhecidamente uma invasora da zona da mata atlântica. Além dela ocorrem
vários colubrídeos como as cobras-capim (Liophis poecilogyrus), a parelheira
(Philodryas patagoniensis) e a cobra-espada (Thamnodynastes nattereri).
Poucas espécies aquáticas são registradas para a área de influência, destacando a
cobra-d’água (Sordelina punctata, Helicops carinicaudus e a Liophis miliaris).
As áreas pedregosas e com afloramentos rochosos e vegetação rala, identificadas
neste trabalho como biótopos rupícolas, são locais propícios para a ocorrência de
répteis, devido à capacidade de termorregulação das rochas expostas ao sol. Muitas
espécies eventualmente podem ser encontradas nesses locais. Conforme HADDAD
& ABE (2.000), nesses locais possivelmente ocorram endemismos ainda não
identificados pois tratam-se de ambientes relativamente isolados.
Todas as serpentes são predadoras, apresentando porém uma vasta gama de
especializações. Sybinomorphus spp. e Dipsas spp. são especializadas na captura
de gastrópodos, com ou sem concha; Liophis spp., W merremi, X. neuwiedi, C.
bicarenatus são predadores de anuros. M. frontalis preda com freqüência lagartos
(Ophiodes striatus) e outras serpentes, assim como a muçurana (C. occipitolutea).
Viperidae preda predominantemente vertebrados homotérmicos (mamíferos e aves),
que são localizáveis pelas fossetas loreais. Alguns colubrídeos também predam
pequenos vertebrados, como Philidryas patagoniensis e P. olfersi, entre outras.
Alguns nichos se sobrepõem parcialmente, mas em geral são separados por diferentes
hábitos (diurnos ou noturnos) ou por utilizarem técnicas de captura diferenciados, por
apresentarem distribuição vertical diferenciada dentro das florestas ou por utilizarem
diferentes gradientes nas bordas de matas e corpos d’água, possibilitando assim a coexistência num mesmo ambiente.
4.2.3.3.3.3.3 Conservação
A fragmentação do hábitat certamente vem interferindo na estrutura da comunidade
reptiliana, visto que espécies florestais tendem a se isolar nas ilhas remanescentes.
Espécies adaptadas a viver em borda de matas e capoeiras talvez estejam
experimentando incrementos populacionais pela ocorrência de muitas áreas
abandonadas, principalmente na baixa encosta, onde ocorrem diversos estágios
197
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sucessionais desde vassourais e capoeiras até formações secundárias avançadas.
Da mesma forma, sobre o planalto, o aumento de ambientes aquáticos
antropogênicos têm favorecido espécies semi-aquáticas e aquáticas.
Uma conseqüência direta do desmatamento foi a migração de espécies de áreas
abertas adjacentes, como da savana do planalto. Entre estas destaca-se a cascavel
(Crotalus durissus), mas também ocorre com colubrídeos e lagartos.
Um fator importante é a perseguição empreendida pelo Homem aos ofídios. Por
desconhecimento ou questões culturais inspiram temor às pessoas e os encontros
normalmente são fatais para as serpentes, mesmo tratando-se de espécies não
peçonhentas. Esta prática, aliada à destruição do hábitat, tem levado a diminuição de
várias populações na área de influência do oleoduto, como de resto ocorre em toda
zona da mata atlântica.
4.2.3.3.3.4 Aves
4.2.3.3.3.4.1 Introdução
As aves são o grupo de vertebrados mais diversificados nos estudos da maioria dos
ambientes terrícolas. Isso se deve à riqueza de espécies no Neotrópico, onde estão
cerca de 1/3 das aves do Planeta (SICK, 1985) e pela facilidade de localização e
identificação em campo. Na zona da Mata Atlântica ocorrem cerca de 1020 espécies
(Banco de Dados Tropicais), das quais identificaram-se 214 na área de influência,
num trabalho expedito de cerca de 100 horas de observação.
A maioria das aves são conspícuas, de hábitos diurnos, coloração notável e
vocalização característica. Assim, os levantamentos da avifauna atendem às
expectativas diante do esforço empreendido, resultando em avaliações instantâneas
representativas da comunidade ornitológica. Por isso, as aves são potencialmente
bons indicadores da qualidade ambiental e prestam-se bem à avaliação dos impactos
gerados pelas atividades antrópicas. As aves ocupam praticamente todos os nichos
na cadeia trófica de consumidores, desde herbívoros até carnívoros no topo da
cadeia e necrófagos. Também exploram diversos biótopos, incluindo áreas
198
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campestres, ambientes aquáticos, florestas, zonas urbanas e outros mais restritos,
ocupando ainda diversos nichos em cada um desses biótopos.
A grande quantidade de dados de campo faz com que a avifauna seja a mais
representativa das classes de vertebrados e assim a mais indicada para a descrição
e caracterização do ambiente na área de influência do oleoduto. A comunidade pode
ser bem avaliada ao longo do trajeto do oleoduto, desde a linha da costa até o
Planalto das Araucárias, cruzando as diversas formações da Mata Atlântica.
4.2.3.3.3.4.2 Análise da Avifauna
Na Tabela 4.2.28 estão listadas as aves registradas durante os trabalhos de
levantamento de fauna, indicando a época do registro, a atividade diária, a
alimentação predominante, o status e o biótopo de ocorrência. Na tabela: Status: R:
residente o ano todo / M: migrante residente de verão - nidifica no RS: Atividade
Diária: Di: diurno / Nt: noturno / Cp: crepuscular / Diotur: dioturno; Alimentação
Predominante: Hb: herbívoro / Fg: frugívoro / In: insetívoro e outros invertebrados /
Ca: carnívoro / Pi: piscívoro / An: predadora de anuros / Ne: necrófago / Gr: granívoro
/ Nc: nectívoro.
Tabela 4.2.28 - Lista Preliminar de Aves na Área de Influência do Oleoduto
Popular
Tinamidae
Crypturellus obsoletus
inambuguacu
Tinamidae
Crypturellus tataupa
inambuxintã
Tinamidae
Nothura maculosa
perdiz
Fregatidae
Fregata magnificens
tesourão
Pi
X
X
Phalacrocoracida
Phalacrocorax
e
brasilianus
biguá
Pi
X
X
Ardeidae
Syrigma sibilatrix
maria-faceira
Planalto
Nome Científico
Encosta
Família
Planície
Litoral
Unidade
Aquático
Campestre
Silvícola
Predominante
Alimentação
Biótopo
Fg,Gr,I
n
X
X
Fg,Gr,I
n
Gr,In
In,Pi,Of
199
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Pi
X
Pi
X
X
Planalto
Encosta
Planície
garça-moura
Litoral
Ardea cocoi
Unidade
Aquático
Ardeidae
Campestre
Popular
Silvícola
Nome Científico
Predominante
Família
Alimentação
Biótopo
X
garça-brancaArdeidae
Egretta alba
grande
Ardeidae
Bubulcus ibis
garça-vaqueira
Ardeidae
Egretta thula
pequena
Ardeidae
Butorides striatus
socozinho
Ardeidae
Nycticorax nycticorax
savacu
In,Pi
X
X
X
X
X
X
X
Pi
X
X
X
X
Pi
X
X
Pi,Of
X
X
Gr,Iv
X
garça-branca-
maçarico-caraThreskiornithidae
Phimosus infuscatus
pelada
X
X
urubu-cabeçaCathartidae
Coragyps atratus
preta
Ne
X
X
X
X
X
X
X
X
X
urubu-cabeçaCathartidae
Cathartes aura
vermelha
Ne
Pandionidae
Pandion haliaetus
águia-pescadora
Pi
Accipitridae
Elanoides forficatus
gavião-tesoura
Ca, In
Accipitridae
Elanus leucurus
gavião-peneira
Ca,Of
Accipitridae
Harpagus diodon
bombachinha
Ca, In
X
X
Accipitridae
Ictinea plumbea
sovi
Ca, In
X
X
Accipitridae
Accipiter striatus
gaviãozinho
In,Of
X
X
Accipitridae
Buteo magnirostris
gavião-carijó
In,Of
X
Accipitridae
Buteo brachyurus
curto
Ca
X
Falconidae
Polyborus plancus
caracará
X
X
X
X
X
X
X
X
X
gavião-
Ca,
Ca,
X
X
X
X
gavião-de-rabo-
Ca,Of
200
X
X
X
X
X
X
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Ca,In
X
X
Falconidae
Milvago chimango
chimango
Ca,In
Falconidae
Falco sparverius
falcão-quiri-quiri
Ca,Of
Falconidae
Falco femoralis
falcão-de-coleira
Ca
X
X
X
X
X
Planalto
carrapateiro
Encosta
Campestre
Milvago chimachima
Planície
Silvícola
Falconidae
Litoral
Popular
Unidade
Aquático
Nome Científico
Alimentação
Família
Predominante
Biótopo
X
X
X
X
X
Hb,Gr,I
Anatidae
Amazonetta brasiliensis
pé-vermelho
n
X
X
X
Fg,Gr,I
Cracidae
Ortalis squamata
n
aracuã
X
X
X
X
Fg,Gr,I
Cracidae
Penelope obscura
jacu-açu
n
X
X
X
X
Fg,Gr,I
Phasianidae
Odontophorus capueira
uru
n
Pardirallus
saracura-do-
Rallidae
sanguinolentus
banhado
Gr,In
Rallidae
Pardirallus nigricans
saracura-sanã
Gr,In
X
Rallidae
Aramides cajanea
tres-potes
Gr,In
X
Rallidae
Aramides saracura
saracura-do-brejo
Gr,In
Rallidae
Gallinula chloropus
galinhola
Jacanidae
Jacana jacana
jaçanã
n
Charadriidae
Vanellus chilensis
quero-quero
In
Charadriidae
Charadrius collaris
batuira-de-coleira
Scolopacidae
Calidris alba
Laridae
Larus dominicanus
Laridae
Sterna hirundinacea
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Hb,Gr,I
n
Hb,Gr,I
X
X
In
X
X
maçarico-branco
In
X
X
gaivotão
Pi
X
X
Pi
X
X
trinta-réis-bico-
201
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Planalto
Encosta
Planície
Litoral
Unidade
Aquático
Campestre
Popular
Silvícola
Nome Científico
Predominante
Família
Alimentação
Biótopo
vermelho
Laridae
Sterna superciliaris
trinta-réis-anão
Pi
X
X
Rynchopidae
Rynchops nigra
talha-mar
Pi
X
X
Columbidae
Columba livia
pombo-doméstico
Gr,Fg
Columbidae
Columba picazuro
pombão
Gr,Fg
X
X
X
Columbidae
Columba cayennensis
pomba-galega
Gr,Fg
X
X
X
Columbidae
Zenaida auriculata
pomba-de-bando
Gr,Fg
X
X
X
X
Columbidae
Columbina talpacoti
rolinha-roxa
Gr
X
X
X
X
X
Columbidae
Columbina picui
rolinha-picuí
Gr
X
X
X
X
X
Columbidae
Leptotila verreauxi
juriti-pupu
Gr,Fg
X
X
X
X
Columbidae
Leptotila rufaxilla
juriti-gemedeira
Gr,Fg
X
Columbidae
Geotrygon montana
pariri
Gr,Fg
X
X
X
X
X
X
X
tiriba-testaPsittacidae
Pyrrhura frontalis
vermelha
Gr,Fg
X
X
X
Psittacidae
Myiopsitta monachus
caturrita
Gr,Fg
X
X
X
Psittacidae
Forpus xanthopterygius
tuim
Gr,Fg
X
X
X
X
X
papagaio-peitoPsittacidae
Amazona cf. vinacea
roxo
Gr,Fg
X
X
X
Psittacidae
Pionopsitta pileata
cuiu-cuiu
Gr,Fg
X
X
X
Psittacidae
Pionus maximiliani
bronzeada
Gr,Fg
X
X
Psittacidae
Triclaria malachitacea
sabiá-cica
Gr,Fg
X
Cuculidae
Coccyzus melacoryphus
verdadeiro
In,Fg
X
X
Cuculidae
Piaya cayana
alma-de-gato
X
X
maitaca-
X
papa-lagarto-
202
In,Fg,C
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Planalto
Encosta
Planície
Litoral
Unidade
Aquático
Campestre
Popular
Silvícola
Nome Científico
Predominante
Família
Alimentação
Biótopo
a
Cuculidae
Crotophaga ani
anu-preto
In,Ca
X
X
Cuculidae
Guira guira
anu-branco
In,Ca
X
Cuculidae
Tapera naevia
saci
In
Tytonidae
Tyto alba
coruja-da-igreja
Ca
Strigidae
Otus choliba
corujinha-do-mato
Ca,In
X
Strigidae
Otus santaecatarinae
corujinha-do-sul
Ca,In
X
Strigidae
Speotyto cunicularia
coruja-do-campo
Ca,In
Strigidae
Rhinoptynx clamator
coruja-orelhuda
Ca
X
X
Caprimulgidae
Lurocalis semitorquatus
tuju
In
X
X
Caprimulgidae
Nyctidromus albicollis
bacurau
In
X
X
Apodidae
Streptoprocne zonaris
Apodidae
Chaetura andrei
temporal
Trochilidae
Eupetomena macroura
beija-flor-tesoura
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
andorinhãocoleira
In
X
X
andorinhão-doIn
X
Nc,In
X
Nc,In
X
Nc,In
X
Nc,In
X
Nc,In
X
Nc,In
X
X
X
X
X
beija-flor-pretoTrochilidae
Trochlidae
Melanotrochilus fuscus
rabo-branco
Anthracothorax
beija-flor-veste-
nigricollis
preta
X
X
beija-flor-deTrochilidae
Trochilidae
Stephanoxis lalandi
topete
Chlorostilbon
besourinho-bico-
aureoventris
vermelho
X
X
X
X
beija-flor-fronteTrochilidae
Thalurania glaucopis
violeta
203
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Trogonidae
Trogon rufus
Trogonidae
Trogon surrucura
X
Nc,In
X
X
amarela
In,Fg
X
X
surucuá-variado
In,Fg
X
X
X
Planalto
Amazilia fimbriata
X
Encosta
Trochilidae
Nc,In
Planície
Amazilia versicolor
X
Litoral
Trochilidae
Nc,In
Aquático
Leucochloris albicollis
Popular
Campestre
Trochilidae
Silvícola
Nome Científico
Alimentação
Família
Unidade
Predominante
Biótopo
beija-flor-papobranco
X
X
beija-flor-bandabranca
beija-florgarganta-verde
surucuá-barriga-
martim-pescadorAlcedinidae
Ceryle torquata
grande
Pi
X
X
X
X
Pi
X
X
X
X
Pi
X
X
X
X
martim-pescadorAlcedinidae
Chloroceryle amazona
verde
Alcedinidae
Chloroceryle americana
pequeno
Momotidae
Momotus momota
húru
Bucconidae
Nystalus chacuru
joão-bobo
Ramphastidae
Ramphastos dicolorus
Picidae
Picumnus temmincki
Picidae
Picumnus cirratus
Picidae
Melanerpes candidus
martim-pescador-
In,Fr
X
X
In
X
X
Fg,Ca
X
In,Fg
X
X
barrado
In,Fg
X
X
pica-pau-branco
In,Fg
X
X
In,Fg
X
X
In,Fg
X
X
X
tucano-de-bicoverde
X
pica-pau-anão-decoleira
pica-pau-anãoX
picapauzinhoPicidae
Veniliornis spilogaster
verde-carijó
X
X
pica-pau-verdePicidae
Colaptes melanochloros
barrado
204
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
arapaçu-liso
In
X
arapaçu-verde
In
X
X
platyrostris
arapaçu-grande
In
X
X
Lepidocolaptes
arapaçu-
Dendrocolaptidae
squamatus
escamoso
In
X
X
X
Dendrocolaptidae
Lepidocolaptes fuscus
arapaçu-rajado
In
X
X
X
Furnariidae
Furnarius rufus
joão-de-barro
In
X
X
X
Furnariidae
Leptasthenura setaria
grimpeiro
In
X
Furnariidae
Synallaxis ruficapilla
pichororé
In
X
X
X
X
Furnariidae
Synallaxis spixi
joão-tenenen
In
X
X
X
X
Furnariidae
Anumbius annumbi
cochicho
In
X
Furnariidae
Lochmias nematura
joão-porca
In
rufosuperciliata
trepador-quiete
In
X
Automolus
barranqueiro-olho-
leucophtalmus
branco
In
X
Picidae
Celeus flavescens
velho
Dendrocolaptidae
Dendrocincla turdina
Planalto
X
Colaptes campestris
Encosta
In,Fg
Picidae
Planície
X
Popular
Litoral
X
Nome Científico
Aquático
Campestre
In,Fg
Família
Alimentação
Silvícola
Unidade
Predominante
Biótopo
pica-pau-docampo
X
Pica-pau-joãoX
X
X
Sittasomus
Dendrocolaptidae
griseicapillus
Dendrocolaptes
Dendrocolaptidae
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Syndactyla
Furnariidae
Furnariidae
Heliobletus
Furnariidae
contaminatus
trepadorzinho
In
X
X
Formicariidae
Hypoedaleus guttatus
chocão-carijó
In
X
X
Formicariidae
Mackenziaena leachii
brujarara
In,Fg
X
205
X
X
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Planalto
X
Encosta
In,Fg
Planície
X
Litoral
In,Fg
Unidade
Aquático
Popular
Campestre
Silvícola
Nome Científico
Alimentação
Família
Predominante
Biótopo
X
X
X
X
X
X
Thamnophilus
Formicariidae
caerulescens
choca-da-mata
Thamnophilus
choca-boné-
Formicariidae
ruficapillus
vermelho
Formicariidae
Dysithamnus mentalis
choquinha-lisa
In
X
X
X
Formicariidae
Pyriglena leucoptera
papa-taóca
In
X
X
X
X
X
Chamaeza
Formicariidae
campanisona
tovaca-campainha
In
X
X
Formicariidae
Conopophaga lineata
chupa-dente
In
X
X
risadinha
In
X
X
X
In
X
X
X
Camptostoma
Tyrannidae
obsoletum
Tyrannidae
Elaenia flavogaster
Tyrannidae
Elaenia parvirostris
curto
In
X
Tyrannidae
Elaenia mesoleuca
tuque
In
X
X
Tyrannidae
Elaenia obscura
tucão
In,Fg
X
X
Tyrannidae
Serpophaga subcristata
alegrinho
In
X
Tyrannidae
Mionectes rufiventris
supi-cabeça-cinza
In
X
cabeçudo
In
X
X
X
X
X
X
guaracavabarriga-amarela
guaracava-bicoX
X
X
X
Leptopogon
Tyrannidae
amaurocephalus
Tyrannidae
Phylloscartes ventralis
mato
In
X
Tyrannidae
Hemitriccus diops
olho-falso
In
X
plumbeiceps
tororó
In
X
X
Tolmomyias
bico-chato-orelha-
In
X
X
borboletinha-doX
X
Todirostrum
Tyrannidae
Tyrannidae
206
X
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Planalto
Encosta
Planície
Litoral
Unidade
Aquático
Campestre
Silvícola
Predominante
Família
Alimentação
Biótopo
Nome Científico
Popular
sulphurescens
preta
Tyrannidae
Platyrinchus mystaceus
patinho
In
X
Tyrannidae
Myiophobus fasciatus
felipe
In
X
X
Tyrannidae
Lathrotriccus euleri
enferrujado
In
X
X
Tyrannidae
Xolmis cinerea
primavera
In
X
X
Heteroxolmis
noivinha-rabo-
dominicana
preto
In
X
X
X
X
X
X
Tyrannidae
X
X
X
Arundinicola
Tyrannidae
leucocephala
freirinha
In,Fg
Tyrannidae
Colonia colonus
viuvinha
In,Fg
X
Tyrannidae
Satrapa icterophrys
suiriri-pequeno
In
X
Tyrannidae
Machetornis rixosus
suiriri-cavaleiro
In,Fg
X
Tyrannidae
Atilla rufus
capitão-de-saíra
IN
X
Tyrannidae
Sirystes sibilator
suiriri-assobiador
In
X
X
Tyrannidae
Myiarchus swainsoni
irrê
In
X
X
X
X
Tyrannidae
Pitangus sulphuratus
bentevi
In,Fg,Pi
X
X
X
X
Tyrannidae
Megarynchus pitangua
neinei
In,Fg,Pi
X
X
X
Tyrannidae
Myiozetetes similis
pequeno
In,Fg
X
X
X
X
X
X
X
X
X
bem-te-viX
Myiodynastes
Tyrannidae
maculatus
bentevi-rajado
In,Fg
X
Tyrannidae
Legatus leucophaius
bentevi-pirata
In
X
Tyrannidae
Empidonomus varius
peitica
In,Fg
X
Tyrannidae
Tyrannus melancholicus
suiriri
In,Fg
X
Tyrannidae
Tyrannus savana
tesourinha
In,Fg
X
207
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
X
X
caneleirinho-preto
Fg,In
X
X
Fg,In
X
Planalto
Fg,In
Encosta
caneleirinho-verde
Planície
Pachyramphus viridis
Litoral
Tyrannidae
Aquático
Popular
Campestre
Nome Científico
Alimentação
Família
Silvícola
Unidade
Predominante
Biótopo
X
Pachyramphus
Tyrannidae
polychopterus
caneleiro-chapéuTyrannidae
Pachyramphus validus
preto
X
anambé-raboTyrannidae
Tityra cayana
preto
In,Fg
X
X
Pipridae
Schiffornis virescens
flautim
In,Fg
X
Pipridae
Chiroxiphia caudata
dançador
In,Fg
X
X
X
Contingidae
Carpornis cucullatus
corócochó
In,Fg
X
X
X
Contingidae
Procnias nudicollis
araponga
In,Fg
X
X
X
Hirundinidae
Tachycineta leucorrhoa
Hirundinidae
Phaeoprogne tapera
Hirundinidae
Progne chalybea
doméstica
X
X
andorinha-testabranca
In
X
X
X
In
X
X
X
X
In
X
X
X
X
X
X
X
andorinha-docampo
andorinha-
Notiochelidon
andorinha-
Hirundinidae
cyanoleuca
pequena
In
X
Hirundinidae
Alopochelidon fucata
andorinha-morena
In
X
X
andorinhaHirundinidae
Stelgidopterys ruficollis
serradora
In
Troglodytidae
Troglodytes aedon
corruíra
In
Mimidae
Mimus saturninus
sabiá-do-campo
In,Fg
Muscicapidae
Platycichla flavipes
sabiá-una
Fg,In
X
X
X
Muscicapidae
Turdus subalaris
sabiá-ferreiro
Fg,In
X
X
X
208
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Silvícola
Campestre
Muscicapidae
Turdus rufiventris
sabiá-laranjeira
Fg,In
X
X
Muscicapidae
Turdus amaurochalinus
sabiá-poca
Fg,In
Muscicapidae
Turdus albicollis
sabiá-coleira
Vireonidae
Cyclarhis gujanensis
Vireonidae
Planalto
X
X
X
X
X
X
X
Fg,In
X
X
X
pitiguari
In,Fg
X
X
X
X
Vireo olivaceus
juruviara
In
X
X
X
X
Emberezinae
Zonotrichia capensis
tico-tico
Gr,Fg
X
X
X
X
Emberezinae
Poospiza nigrorufa
quem-te-vestiu
Gr
X
Emberezinae
Poospiza lateralis
quete
Gr,Fg
X
Emberezinae
Sicalis flaveola
canário-da-terra
Emberezinae
Embernagra platensis
sabiá-do banhado
Emberezinae
Volatinia jacarina
Gr
X
Litoral
Encosta
Planície
Popular
Unidade
Aquático
Nome Científico
Alimentação
Família
Predominante
Biótopo
X
X
X
X
X
X
X
X
Gr,Fg
X
X
X
tisiu
Gr
X
X
X
X
coleirinho
Gr
X
X
Gr,Fg
X
X
X
Sporophila
Emberezinae
caerulescens
X
X
Coryphospingus
Emberezinae
cucullatus
tico-tico-rei
X
trinca-ferroCardinalinae
Saltator similis
verdadeiro
Gr,Fg
X
X
Cardinalinae
Saltator maxillosus
bico-grosso
Gr,Fg
X
Cardinalinae
Passerina brissonii
azulão
Gr
X
Thraupinae
Tachyphonus coronatus
tié-preto
Fg
X
Thraupinae
Trichothaupis melanops
tié-de-topete
Fg
X
X
X
X
X
X
tié-do-matoThraupinae
Habia rubica
grosso
Fg
X
Thraupinae
Piranga flava
sanhaço-de-fogo
Fg
X
209
X
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
X
X
sanhaçu-papalaranja
n
X
X
Fg,Hb
X
Fg
X
Fg
X
X
Planalto
sanhaçu-cinzento
Encosta
Thraupis sayaca
Planície
Thraupinae
Litoral
Campestre
Popular
Unidade
Aquático
Silvícola
Nome Científico
Thraupis bonariensis
Fg,In
Alimentação
Família
Thraupinae
Predominante
Biótopo
X
X
Fg,Hb,I
X
Stephanophorus
Thraupinae
diadematus
sanhaçu-frade
Thraupinae
Pipreidea melanonota
saíra-viúva
Thraupinae
Euphonia violacea
verdadeiro
Thraupinae
Tangara seledon
saíra-sete-cores
Thraupinae
Dacnis cayana
saí-azul
Thraupinae
Tersina viridis
saí-andorinha
Parulinae
Parula pitiayumi
X
X
gaturamo
X
Fg,Hb,I
n
X
Fg
X
Fg,In
X
mariquita
In
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Geothlypis
Parulinae
aequinoctialis
pia-cobra
In
X
Parulinae
Basileuterus culicivorus
pula-pula
In
X
Basileuterus
pula-pula-
leucoblepharus
assobiador
In
X
Parulinae
X
X
X
X
In,Fg,N
Coerebinae
Coereba flaveola
cambacica
c
X
Icterinae
Cacicus chysopterus
Icteridae
tecelão
Gr,Fg
X
Agelaius ruficapillus
garibaldi
Gr
Icterinae
Sturnella superciliaris
polícia-inglesa
Gr
Icterinae
Pseudoleistes guirahuro
chupim-do-brejo
Gr,Fg
X
X
Icterinae
Molothrus badius
asa-de-telha
Gr,Fg
X
X
Icterinae
Molothrus bonariensis
vira-bosta
Gr,In,F
210
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
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Instituto ECOPLAN
Planalto
Encosta
Planície
X
Litoral
X
Unidade
Aquático
Campestre
Popular
Silvícola
Nome Científico
Predominante
Família
Alimentação
Biótopo
g
Fringilidae
Carduelis magellanica
pintassilgo
Gr
X
Estrilidae
Estrilda astrild
bico-de-lacre
Gr
X
X
Passeridae
Passer domesticus
pardal
Gr,In
X
X
X
X
Corvidae
Cyanocorax caeruleus
Gralha-azul
X
X
X
X
Gr,In,F
g,Ca
X
15
9
13
54
33
16
8
11
119
2
Existem diferenças na composição da avifauna das unidades da paisagem aqui
consideradas. O Figura 4.3.2 mostra a distribuição das observações em cada uma
das unidades da paisagem aqui definidas.
Distribuição das Observações por Unidade da Paisagem
Planalto
14%
Litoral
4%
Planície, Encosta e Planalto
21%
Encosta
14%
Planície e Encosta
15%
Planície
15%
Encosta e Planalto
5%
Planície e Planalto
12%
Figura 4.3.2 - Distribuição das observações em cada unidade de paisagem definidas no trabalho.
211
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Algumas espécies tem ampla distribuição e são muito abundantes, e foram
encontradas em todas as zonas, como urubus (Coragyps atratus e Cathartes aura),
tiriba (Pyrhura frontalis) pombão (Columba picazuro), rolinhas (Columbina picui e C.
talpacoti), joão-de-barro (Furnarius rufus), bentevi (Pitangus sulphuratus), suiriris
(Machetornis rixosus e Tyrannus melancholicus), andorinhas (Progne chalybea,
Phaeoprogne tapera e Notiochelidon cyanoleuca), corruíra (Troglodytes aedon),
sabiás (Turdus rufiventris e T. amaurochalinus), tico-tico (Zonotrichia capensis),
sanhaço-cinzento (Thraupis sayaca) e vira-bosta (Molothrus bonariensis). Essas são
espécies que não são exigentes quanto à qualidade ambiental e muitas delas vivem
em quaisquer ambientes, desde matas, capoeiras, campos e cidades. Além delas,
outras espécies também tem ampla distribuição e podem ocorrer em todas as
unidades, mas não foram identificados por terem menor população e por isso não
foram encontrados pelo tempo de observação reduzido. Outras são típicas de um
ambiente ou de uma unidade definida.
Várias espécies podem ocorrer no litoral, como os urubus (Coragyps atratus) e
rapineiros (Pandion heliaetus, Milvago chimango, Polyborus plancus, Buteo
magnirostris), que aproveitam cadáveres ou organismos jogados na praia. A praia
também é freqüentada por pescadores vadeadores como as garças (Egretta thula, E.
alba, Ardea cocoi, Bubulcus ibis), ou mergulhadores como biguás (Phalacrocorax
brasilianus). Essas espécies ocorrem predominantemente em terra ou águas
continentais e utilizam os recursos do litoral como uma adaptação secundária. As
espécies típicas do litoral e plataforma continental observados na área de influência
são a fragata (Fragata magnificens), o gaivotão (Larus dominicanus), trinta-réis
(Sterna hirundinacea e S. superciliaris), talha-mar (Rynchops nigra) e maçaricos e
batuíras (Calidris alba e Charadrius collaris).
Entre as espécies observadas que nitidamente marcam as unidades da paisagem
estão espécies como a pomba-galega (Columba cayenensis), o sabiá-una
(Platycichla flavipes) e a araponga (Prognias nudicollis) que são muito comuns na
mata atlântica, a última na formação de encosta, e completamente ausentes na mata
de araucária do planalto. Assim como estes, outras aves, embora não tão
abundantes, são endÊmicas e caracterizam a mata atlântica de planície e encosta
destacando o uru (Odontophorus capueira), corocochó (Carpornis cucullatus),
212
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arapaçu-liso (Dendrocinchla turdina), tuim (Pionus maximiliani), sabiá-cica (Triclaria
malachitacea), huru (Momotus momota), saí-azul (Dacnis cayana), surrucuá-barrigaamarela (Trogon rufus), chocão-carijó (Hypoedaleus guttatus), o flautim (Shiffornis
virescens), o tié-de-topete (Trichothraupis melanops), entre outros.
Sobre o planalto encontram-se espécies que são muito abundantes mas são raras ou
completamente ausentes na zona da mata de planície e de encosta. Entre essas
destacam-se o pica-pau-do-campo (Colaptes campestris), pula-pula-assobiador
(Basileuterus leucoblepharus), a tesourinha (Tyrannus savana), a primavera
(Heteroxolmis cinerea) e a espécie endêmica das matas de araucária, o grimpeiro
(Leptastenura setaria).
As aves que são exclusivas da mata atlântica são eminentemente espécies florestais
e habitam nos maciços remanescentes. As espécies que são comuns na encosta e
planície com as espécies do planalto são na maioria ou aquáticas, ou campestres ou
então têm grande valência ecológica.
A maioria das espécies de aves tem uma íntima relação com as matas. Nas áreas
florestadas, incluindo todas as formações arbóreas - de qualquer região fitoecológica
e estágio sucessional – e os biótopos associados como a borda de mato, foram
observadas 159 espécies. Nos ambientes alterados, incluindo campos, lavouras e
zonas urbanas, foram registradas 54 espécies. A maioria delas têm grande valência
ecológica e apenas algumas ocorrem exclusivamente em ambientes desprovidos de
árvores, como os quero-queros (Vanellus chilensis) e perdizes (Nothura maculosa).
Nos ambientes aquáticos, incluindo o litoral, o mangue, os cursos d’água, açudes e
banhados,
Como as maiores extensões de mata estão na encosta e planície, é lá que ocorre a
maioria das espécies dependentes biótopo florestal. Das espécies dependentes de
florestas, 85 ocorrem na planície, 87 na encosta e apenas 49 ocorrem no planalto.
As espécies comuns entre o planalto e a planície são eminentemente aquáticas ou
campestres. Na verdade, a encosta é pobre em ambientes campestres e aquáticos,
pelo que elas não ocorrem ali. Entre as espécies aquáticas pode-se destacar as
garças e socós (Ardeidae), maçaricos (Phimosus infuscatus), marreca-pé-vermelho
213
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(Amazonetta brasiliensis) e saracuras e narcejas (Rallidae) que são mais
dependentes do ambiente lêntico. Espécies de ambiente lótico como o joão-porca
(Lochmias nematura) ou não seletivas como os martins-pescadores (Ceryle torquata,
Chloroceryle amazona e C. americana) também ocorrem na encosta, onde águas
lênticas são virtualmente ausentes. Entre as espécies campestres e de capoeiras,
muitas também foram observadas somente ou no planalto ou na planície, justamente
porque ali existe tal biótopo. Entre os exemplos mais notáveis está a perdiz (Nothura
maculosa), o quero-quero (Vanellus chilensis), a coruja-do-campo (Speotyto
cunicularia) e andorinha-testa-branca (Tachycineta leucorrhoa).
A fragmentação das florestas influencia na distribuição das espécies em grande parte
pelo efeito borda. Ali há diferenças quanto à composição florística e densidade da
ramagem. A incidência da luz lateral produz uma densidade de ramos e folhas
dificilmente encontrada no interior da mata. Nesse ambiente é comum encontrar
Synallaxis spixi, Todirostrum plumbeiceps, Camptostoma obsoletum, Geothlypis
aequinoctialis, Coereba flaveola, Coryphospingus cucullatus, Cacicus chrysopterus,
entre outros. A comunidade da borda da mata é incrementada pela ocorrência das
espécies que ocorrem preferencialmente em áreas abertas com árvores esparsas.
Estas, utilizam a borda como locais de nidificação, repouso e alimentação. Embora
muitas forrageiem em áreas abertas, como Tyrannidae, estes lançam-se sobre os
insetos a partir dos poleiros na beira da mata.
Dessa forma as áreas em mosaico, bem fragmentadas podem apresentar maior
diversidade que os grandes maciços. Porém é nos maciços que ocorrem as espécies
mais vulneráveis, endêmicas ou ameaçadas de extinção.
Dentre as espécies umbrófilas, que vivem exclusivamente no interior da mata,
destacam-se Crypturellus obsoletus, C. tataupa, Accipiter striatus, Odontophorus
capueira, Penelope obscura, Sittasomus griseicapillus, Syndactyla rufosuperciliata,
Phylloscartes ventralis, Carpornis cucullatus, Basileuterus leucoblepharus, Tityra
inquisitor, Pachyramphus viridis, entre muitos outros.
214
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Foto
4.2.48:
à
direita,
caneleirinho-preto
(Pachyramphus polychopterus) ao lado de seu
ninho.
Na mata, as aves ocupam os diferentes estratos verticais. No superior são
comumente encontrados tiribas (Pirrhura frontalis), suiriris (Tyrannus melancholicus),
pitiguaris (Cychlarhis gujanensis), juruviara (Vireo olivaceus), sanhaços-cinzentos
(Thraupis sayaca), tecelões (Cacicus chrysopterus), entre outros. Muitos Tyrannidae
utilizam a copa das árvores como poleiros, assim como vários Falconiformes. No
estrato médio são comuns os almas-de-gato (Piaya cayana), os arapaçus
(Sittasomus griseicapillus), pichororés (Synallaxis ruficapilla), as chocas-da-mata
(Tamnophilus caerulescens), os sabiás (Turdus rufiventris e T. amaurochalinus),
pula-pulas (Basileuterus culicivorus), juritis (Leptotila spp.), aracuãs (Ortalis
squamata), entre outras. No estrato inferior são normalmente encontrados chupadentes
(Conopophaga
lineata),
tororós
(Todirostrum
plumbeiceps),
tovacas
(Chamaeza campanisona) e pula-pula-assobiadores (Basileuterus leucoblepharus).
No chão ou no estrato inferior da mata ainda foram encontradas inambus
(Crypturellus spp.), urus (Odontophorus capueira), jacus (Penelope obscura) e
saracuras (Aramides saracura).
215
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Entre as formações arbóreas também existem diferenças na composição da
comunidade de aves em relação ao estágio sucessional. Das espécies da mata,
algumas ocorrem exclusivamente nas áreas de matas primárias semi explotadas,
como Crypturellus spp., Penelope obscura, Odontophorus capueira, Pionopsitta
pileata e Carpornis cucullatus. Outras podem ser encontradas em diversos
ambientes, inclusive em áreas abertas. Com efeito, a divisão das áreas abertas para
as áreas de mata, principalmente aquelas dos estágios iniciais não é muito nítida.
O sistema antrópico apresenta diversos biótopos, resultando numa considerável
diversidade de espécies. A colonização humana caracteriza-se por pequenas áreas
de cultivo entremeadas por manchas de mata. Mesmo nas áreas agrícolas, muitas
vezes, ocorrem árvores esparsas, incluindo araucárias sobre o planalto e uma
grande diversidade de espécies frutíferas. Nas áreas urbanas e rururbanas, a
diversidade é ainda maior, incluindo uma vasta gama de espécies ornamentais, que
junto com as frutíferas cultivadas são um atrativo para as aves. Além desses, há
ainda os campos de pastejo, que devido ao manejo diferente das áreas agrícolas
suporta espécies tipicamente campestres.
Nos potreiros e campos de pastejo do planalto ocorrem espécies emigradas das
regiões adjacentes, com destaque para a perdiz (Nothura maculosa), quero-quero
(Vanellus chilensis), coruja-buraqueira (Speotyto cunicularia).
Nas zonas urbanas, rururbanas e agrícolas as aves ocorrem onde há árvores
esparsas ou arbustos, que são utilizadas como poleiros, locais de reprodução e
alimentação. Neste ambiente, são particularmente comuns as rolinhas (Columbina
talpacoti e C. picui), andorinhas (Progne chalybea e Notiochelidon cyanoleuca),
joãos-de-barro (Furnarius rufus), canários (Sicalis flaveola), cambacicas (Coereba
flaveola), sanhaços (Thraupis sayaca), tico-ticos (Zonotrichia campestris), anus
(Guira guira e Crotophaga ani), bentevis (Pitangus sulphuratus), suiriris (Tyrannus
melancholicus), entre outros.
Nas capoeiras e vassourais, uma variante das zonas campestres, a comunidade
ornitológica é semelhante a do campo, com exceção das espécies terrícolas como os
quero-queros, perdizes, seriemas e corujas-buraqueiras. As demais registradas para
o campo, utilizam pequenas moitas, cercas, benfeitorias e a própria capoeira, como
216
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poleiros e locais de nidificação, aventurando-se a partir daí para o campo aberto.
Todavia algumas espécies são características das capoeiras, como a choca-bonévermelho (Thamnophilus ruficapillus), o asa-de-telha (Molothrus badius) e coleirinho
(Sporophila caerulea), por exemplo. Os bosques exóticos contemplam uma
ornitofauna semelhante às capoeiras, embora com algumas espécies peculiares,
particularmente a caturrita (Myiopsitta monachus) cujos ninhos são construídos no
alto dos eucaliptos que assim são protegidos da maioria dos predadores naturais.
Durante os trabalhos de levantamento de fauna, foram observadas 33 espécies de
aves aquáticas ou semi-aquáticas strictu sensu. Além dessas, também estão
intimamente relacionadas ao sistema aquático os andorinhões (Apodidae), com 1
espécie.
Foto 4.2.49: Martinpescador-grande
(Ceryle
torquata),
um
pescador
contumaz na área
de
influência
do
oleoduto, predando
uma
joaninha
(Crenicichla sp.).
Os andorinhões-de-coleira (Streptoprogne zonaris) só utilizam os paredões sob a
queda para o repouso noturno, pois durante o dia caçam insetos em vôo contínuo.
Os paredões e quedas d'água também são utilizadas para a nidificação. Os ninhos
são pequenas tijelas feitas com musgos, líquens, Selaginella e outros materiais
colados com a saliva às rochas, normalmente em pequenas saliências.
Na área de influência do empreendimento, Streptoprogne zonaris formava um bando
estimado em 200 espécimes voando na encosta atlântica.
217
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Diferente dos andorinhões, que utilizam o ambiente aquático para repouso e
nidificação, as outras espécies listadas utilizam-no de forma integral. É certo que a
garça-vaqueira (Bubulcus ibis) e a maria-faceira (Syrigma sibilatrix) aventuram-se em
campos drenados, mas são mais comuns em áreas úmidas. Também há alguns
passeriformes que utilizam eventualmente os corpos d'água para forrageamento,
destacando entre estas particularmente o bentevi (Pitangus sulphuratus, joão-debarro (Furnarius rufus), entre outros.
A avifauna intimamente relacionada à água divide-se em quatro diferentes formas
biológicas: aves mergulhadoras, aves nadadoras, aves vadeadoras e passeriformes
ripários.
As aves mergulhadoras mais comuns são os martim-pescadores (Ceryle torquata,
Chloroceryle americana e C. amazona), que a partir de poleiros mergulham para a
captura de peixes ou outras espécies aquáticas. Elas nidificam em barrancos e têm
ampla distribuição geográfica, sempre em presença de água. Outras espécies
também mergulham, mas estas permanecem na água, sem se lançar do ar,
diferentemente das aqui citadas.
As aves nadadoras são as marreca-pé-vermelho (Amozonetta brasiliensis),
galinholas (Gallinula chlorophus) e biguás (Phalacrocorax brasiliana). Estas contudo
diferenciam-se quanto aos hábitos alimentares e ambientes de forrageamento. Os
biguás são piscívoros e podem mergulhar a alguns metros de profundidade para
capturar peixes, seu principal alimento. As marrecas tem bico filtrador, tendo como
base alimentar diversos organismos aquáticos, desde sementes, detritos e pequenos
organismos. Já as galinholas alimentam-se de folhas, sementes e invertebrados
aquáticos que catam em meio às macrófitas.
As aves vadeadoras compreendem os maçaricos-cara-pelada (Phimosus infuscatus),
garças e socós (Egretta thula, Nycticorax nycticorax e Butorides striatus), saracuras
(Aramides spp. e Pardirallus spp.) e alguns Charadriiformes como jaçanãs (Jacana
jacana) e quero-queros (Vanellus chilensis). As aves vadeadoras, por seu
comportamento, restringem-se às margens dos corpos d´água, com profundidade
inferior ao comprimento das pernas. Algumas espécies, todavia, pousam sobre a
vegetação flutuante, onde os especialistas são as jacanãs, em função do excepcional
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tamanho das falanges que suportam o peso da ave em locais de vegetação muito
rala.
Entre os passeriformes ripários merece destaque o joão-porca (Lochmias nematura),
que pode ser observado em praticamente todos os cursos d'água com vegetação
arbórea nas margens de rios e pequenos córregos no interior da mata.
4.2.3.3.3.4.3 Conservação
As florestas secundárias e bordas de mata podem suportar uma grande diversidade
de aves, às vezes superior aquela de grandes extensões de matas primárias intactas
(Bencke, 1996). Entretanto, algumas espécies exclusivamente florestais não
sobrevivem em ambientes fragmentados, como os grandes gaviões, que já
desapareceram da região.
Utilizando como parâmetro comparativo as informações da WNN (World Nature
Network - http://www.wnn.or.jp/wnn-n/w-bird/index.html), na tabela a seguir são
apresentados dados referentes à conservação de espécies no mundo.
Tabela 4.2.30 - Status das Aves no Mundo
78,9 %
Fora de Perigo
11,0 %
Ameaçadas
9,0 %
Quase Ameaçadas
1,0 %
Falta de Informações
0,1 %
Dependentes de Conservação
Status das Espécies Ameaçadas
63 %
Vulneráveis
21 %
Em Perigo
15 %
Estado Crítico
Razões pelas quais as espécies estão ameaçadas
51,9 %
Destruição do hábitat
23,2 %
Pequena população ou área de
distribuição
7,6 %
Caça
5,8 %
Introdução de espécies
2,6 %
Comércio
3,3 %
Causas naturais
219
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2,5 %
Causas desconhecidas
3,1 %
Outros
Hábitat das Espécies Ameaçadas
65,0 %
Florestas
9,3 %
Áreas arbustivas (scrubs)
6,3 %
Campos
1,6 %
Áreas agrícolas
3,0 %
Áreas rochosas e penhascos
marinhos
8,8 %
Banhados e litoral
2,5 %
Marinho
3,6 %
Outros
O principal constrangimento da avifauna na área de influência é a fragmentação do
hábitat derivado do corte da vegetação arbórea, a semelhança com o que ocorre com
as demais classes de vertebrados. Todas as espécies ameaçadas ocorrem
predominantemente nas áreas com florestas relativamente preservadas, ressaltando
a importância de sua preservação para a conservação destas espécies.
Além da destruição e fragmentação do hábitat, a caça, captura, o turismo e a
poluição também constituem ameaça às aves na área de influência do oleoduto.
Algumas espécies como perdizes, inambus, jacus, araquãs, urus, saracuras, pombas
e marrecas são muito perseguidas por caçadores. Não é diferente na área de
influência, onde vários moradores admitiram tal prática. Outra prática comum é a
captura de espécimes para o cativeiro, destacando-se os papagaios, tucanos,
pintassilgos, canários, azulões, sanhaços, saíras, entre outros.
Também o turismo e lazer são formas de pressão sobre a avifauna. Durante nos
finais de semana ocorre um significativo afluxo de pessoas à praia e aos rios, o que
certamente gera perturbação nas atividades normais das aves.
De outro lado, o uso de biocidas nas lavouras tem efeitos menos notáveis, porém
podem estar afetando algumas populações, especialmente espécies insetívoras e as
carnívoras do topo das cadeias tróficas, isto, contudo, não pôde ser avaliado.
Com a fragmentação do ambiente, ocorreu uma sensível mudança na composição da
comunidade. Muitas espécies que outrora não ocorriam na área de influência agora
220
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são comuns, como resultado da expansão de sua área de distribuição em função da
savanização produzida pelo homem, tanto na zona da mata pluvial quanto na mata
de araucária.
4.2.3.3.3.5 Mamíferos
4.2.3.3.3.5.1 Introdução
No Brasil ocorrem em torno de 520 espécies de mamíferos, dos quais 485 são
terrestres. Desses, aproximadamente 250 ocorrem na Mata Atlântica, sendo 55
endêmicas (FONSECA ET AL., 1996).
Embora os esforços que estão sendo desenvolvidos no estudo dos mamíferos da
Mata Atlântica, ainda são muitos as lacunas biogeográficas para a compreensão das
distribuição das espécies na zona da Mata Atlântica. Mesmo espécies conspícuas
como os primatas ainda recentemente foram descobertas espécies novas como
Leontopithecus caissara (LORINI & PERSSON, 1990) no Nordeste do Paraná e
Callicebus coimbrai (KOBAYASHI & LANGGUTH, 1999) no Estado de Sergipe
(MENDES ET AL., 2000).
A distribuição de pequenos mamíferos, em particular os marsupiais, roedores e
quirópteros, é ainda mais desconhecida e justamente esses representam a grande
maioria das espécies, perfazendo em torno de 80 % do total de mamíferos brasileiros
(FONSECA ET AL., 1996). Esse grupo, devido à sua diversidade de espécies,
grande diversificação de formas, coexistência de muitas espécies similares e
facilidade de serem amostrados, são especialmente úteis para o estudo da
importância das variáveis ambientais sobre a riqueza e abundância de espécies
(Cerqueira et al., 1993, 1995) e para estudos de ecologia de comunidade (Morris et
al., 1989).
Na área de influência do oleoduto são esperadas cerca de 66 espécies (Mendes et al.
2000 e Cimardi, 1996), das quais 35 foram identificadas neste levantamento pela
observação direta, rastros, vestígios e crânios. O estudo da mastofauna levou em
consideração os registros obtidos a partir da visualização direta, sons, rastros, fezes,
restos de alimentação, animais atropelados na rodovia e ossadas. Para a identificação de
221
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pequenos mamíferos é necessária a captura e coleta, o que não foi realizado. Assim, as
espécies que constam foram encontradas em seus esconderijos, através dos rastros
(quando estes são conspícuos) e através da coleta de pelotas regurgitadas por corujas
ao longo da área de influência direta, ou citas na bibliografia.
Alguns
mamíferos
são
excelentes
indicadores
ambientais,
destacando
os
tamanduás, macacos, felinos, cachorros-do-mato, lontras e veados. A presença
destes animais nos ecossistemas geralmente indica sua boa qualidade (Cimardi,
1996).
4.2.3.3.3.5.2 Análise da Mastofauna
Na Tabela 4.3.30 estão listadas as espécies de mamíferos observados na área de
influência, mais algumas espécies acrescentadas em função de citações na bibliografia,
principalmente Lange & Jablonski (1998) e Cimardi (1996). Também estão indicados o
ambiente de ocorrência, a alimentação predominante, a forma de obtenção do registro e
os locais de observação. Na tabela, Alimentação Predominante: Hb: herbívoro / Fg:
frugívoro / In: insetívoro e outros invertebrados / Ca: carnívoro / Omn: omnívoro / Pi:
piscívoro / An: predador de anuros / Ne: necrófago / Gr: granívoro / Of: ofiófago / Nc:
nectívoro; Registro: Od: observação Direta / Pe: pegadas / Ve: vestígios / In:
informações de moradores locais / Cr: crânio ou outra parte do esqueleto.
222
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Tabela 4.2.30- Lista Preliminar de Mamíferos na Área de Influência do Oleoduto
Didelphidae
Pi,Iv
X
Planalto
Registro
P
Encosta
d'água
Planície
minimus
Litoral
Cuíca-
Unidade
Aquático
Chironectes
Campestre
POPULAR
Silvícola
ESPÉCIE
Alimentação
NOME
FAMÍLIA
Predominante
Biótopo
X
Gambá-deDidelphis
orelha-
Ca,Fg,Gr,In,
Didelphidae
albiventris
branca
Of
OD
X
Didelphidae
Didelphis aurita
orelha-preta
Ca,Fg,In,Gr
Bi
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Gambá-de-
Gracilianus
Didelphidae
microtarsus
cuíca
Ca,Fg,Gr,In
Bi
X
Didelphidae
Gracilianus agilis
cuíca
In,Fg
Bi
X
Ca,In,Fg
OD
X
X
Fg,In
Bi
X
X
Fg,In
Bi
X
cuíca
In
Bi
cuíca
In
Bi
X
cuíca
In
Bi
X
X
cuíca
In
Bi
X
X
cuíca
In,Fg
Bi
X
X
Cuíca-deDidelphidae
Lutreolina
cauda-
crassicaudata
grossa
X
X
Metachirus
Didelphidae
Didelphidae
nudicaudatus
cuíca
Monodelphis
guaiquica-
americana
trilistrada
X
Monodelphis
Didelphidae
brevicaudis
X
X
Monodelphis
Didelphidae
dimidiata
X
Monodelphis
Didelphidae
iheringi
X
X
X
Monodelphis
Didelphidae
scalops
X
Marmosops
Didelphidae
incanus
223
X
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Didelphidae
Didelphidae
Myrmecophagidae
cuíca
demerare
Tamandua
tamandua
tetradactyla
mirim
Registro
Ca,In,Fg
OD
X
Ca,In,Fg
Bi
X
In
OD
X
X
X
X
Planalto
Micoureus
Encosta
verdadeira
Planície
Cuíca-
opossum
Litoral
Phylander
Unidade
Aquático
POPULAR
Campestre
ESPÉCIE
Silvícola
FAMÍLIA
Alimentação
NOME
Predominante
Biótopo
X
X
Cabassous
tatu-rabo-
Dasypodidae
tatouay
mole
In, Hb
Bi
Dasypodidae
Dasypus hybridus
Tatu-mulita
In, Hb
V
Tatu-galinha
In, Hb
P
X
X
Tatu-peludo
In,Hb,Ne
P
X
X
Pi,In
OD
In,Fg
Cr
X
X
X
X
Dasypus
Dasypodidae
novemcinctus
X
X
Euphractus
Dasypodidae
sexcintus
X
MorcegoNoctilidae
Noctilio leporinus
pescador
X
X
X
morcegoPhylostomidae
Artibeus lituratus
cara-branca
X
X
morcegoChrotopterus
bombachud
Phylostomidae
auritus
o
Fg
Bi
X
X
Phylostomidae
Anoura caudifera
morcego
Fg
Bi
X
X
Desmodus
morcego-
rotundus
vampiro
He
Bi
Glossophaga
morcego-
soricina
beija-flor
Ne
Bi
X
Fg
Cr
X
In
OD
Phylostomidae
Phylostomidae
X
X
X
X
morcegoPhylostomidae
Molossidae
Sturnira lilium
fruteiro
Tadarida
Morceguinh
brasiliensis
o-das-casas
224
X
X
X
X
X
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
Cebus apella
Mico-preto
Registro
Planalto
Cebidae
Encosta
vermelho
Planície
Allouatta fusca
Litoral
Cebidae
Unidade
Aquático
POPULAR
Campestre
ESPÉCIE
Silvícola
FAMÍLIA
Alimentação
NOME
Predominante
Biótopo
BugioHb, Fg
Au
X
X
X
Ca, In, Fg
Au
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Graxaim-doCanidae
Dusicyon thous
mato
Ca, In, Fg
P
X
Procyonidae
Nasua nasua
Coati
Omn
V
X
In, Pi,Iv
P
X
In, Ca,Of
OD
X
Procyon
Procyonidae
cancrivorus
Mão-pelada
Mustelidae
Conepatus chinga
Zorrilho
Mustelidae
Eira barbara
irara
Ca,Fg
Bi
X
Mustelidae
Galictis cuja
Furão
Ca
OD
X
Mustelidae
Lutra longicaudis
Lontra
Pi
P,V
Ca
P
maracajá
Ca
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
In
X
X
X
X
gato-domatoFelidae
Leopardus tigrinus
Felidae
Leopardus wiedi
pequeno
gato-
Leopardus
Felidae
pardalis
jaguatirica
Ca
P
X
X
X
Felidae
Puma concolor
leão-baio
Ca
In
X
X
X
Herpaylurus
Gato-
yagouaroundi
mourisco
Ca
In
X
X
X
Pi
Bi
X
X
Pi
Bi
X
X
Felidae
loboOtaridae
Arctocephalus
marinho-
tropicalis
tropical
lobo-
Otaridae
Arctocephalus
marinho-
australis
austral
225
X
Fundação Atlântica de Pesquisa Costeira e Oceânica – FAPECO
Desenvolvimento Sustentável e Gerenciamento Ambiental - DSGA
Instituto ECOPLAN
X
X
Planalto
Bi
Encosta
Litoral
Pi
Planície
Aquático
Registro
Campestre
Otaria byronia
POPULAR
Silvícola
Otaridae
Alimentação
ESPÉCIE
Unidade
marinho
NOME
FAMÍLIA
Predominante
Biótopo
leão-
Pontoporia
Platanistidae
blainvillei
toninha
Pi
Bi
X
X
Denphinidae
Tursiops truncatus
boto
Pi
OD
X
X
Tayassuidae
Tayassu tajuca
porco-cateto
Hb,Gr
In
X
Cervidae
Mazama nana
bororó
Hb,Gr
P
X
X
guazoubira
veado-virá
Hb,Gr
Bi
X
X
X
veado-
Mazama
Cervidae
Mazama
Veado-
Cervidae
americana
mateiro
Hb,Gr
P
X
Sciuridae
Sciurus aestuans
Serelepe
Fg,Gr
V
X
Iv,In,Hb,Gr
P
Hb, Gr
OD
X
Hb,Ne,Gr
In
Hb, Gr
Cr
Hb, Gr
BiCr
Hb,Gr
BiCr
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Nectomys
Cricetidae
squamipes
Rato-d'água
X
X
Camundong
Muridae
Mus musculus
o
Rattus
Muridae
norvergicus
Ratazana
Ratocomum-das-
Muridae
Rattus rattus
casas
Muridae
Akodon serrensis
Muridae
Oryzomys capito
arrozal
rato-domato
X
rato-do-
Oryzomys
rato-do-
Muridae
nigripes
arrozal
Hb,Gr
BiCr
Muridae
Delomys dorsalis
rato
Hb, Gr
BiCr
226
X
X
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Instituto ECOPLAN
Caviidae
Cavia aperea
Planalto
cacheiro
Encosta
Coendou villosus
X
X
X
X
X
X
Planície
OD
Erethizontidae
Litoral
Hb,Gr
POPULAR
Unidade
Aquático
Preá
ESPÉCIE
Campestre
OD
FAMÍLIA
Silvícola
Registro
Hb, Fg,Gr
NOME
Alimentação
Predominante
Biótopo
OuriçoX
X
Hydrochaeris
Hydrochaeridae
hydrochaeris
Capivara
Hb,Gr
P
X
X
X
Agoutidae
Agouti paca
paca
Hb,Gr
In
X
X
cutia
Hb,Gr
V
X
X
Dasyprocta
Dasyproctidae
azarae
Capromyidae
Myocastor coypus
banhado
Hb,Gr
P
Leporidae
Lepus europaeus
Lebre
Hb,Gr
OD
X
Ratão-do-
Total
X
X
43
20
13
6
X
X
X
X
37
38
43
Conforme esperado para a região, a maioria das espécies tem íntima relação com as
áreas florestadas, que apresentam a maior diversidade de mamíferos. Mesmo
espécies que ocorrem também em áreas campestres ou em ambientes aquáticos
dependem das formações arbóreas para abrigo, locais de reprodução e também
alimentação.
Entre as espécies mais dependentes das florestas estão as espécies de hábitos
arborícolas ou semi-arborícolas. Todos os marsupiais, com exceção da cuíca-d’água
sobem em árvores e vivem no interior das matas. Os marsupiais tem hábitos mais ou
menos omnívoros e apresentam grande diversidade na área de influência, como
atestam nossos registros e as citações bibliográficas. Segundo LANGE &
JABLONSKI (1998) e CIMARDI (1996) para a área de influência podem ocorrer 15
espécies, das quais 4 puderam ser por nós identificadas. As guaiquicas tem rastros
semelhantes e não puderam ser especificamente separadas.
227
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O gambá-de-orelhas-brancas (Didelphis albiventris) é das espécies mais freqüentes
na área de influência, tem grande valência ecológica, e pode ser encontrado em
diversos ambientes, como nas matas, capoeiras, cursos d’água e junto às
residências na zona urbana e rurubana. O gambá-de-orelhas-brancas tem atividade
noturna ou crepuscular, escala árvores com facilidade e no chão caminha
lentamente. Esta espécie é muito comum na região e foi registrada em todas as
unidades estudadas. Como a maioria dos registros foi efetuada pelos rastros, não é
possível diferenciar esta de Didelphis marsupialis, que contudo é mais rara e
endêmica da Floresta Pluvial Atlântica (CIMARDI, 1986).
Foto 4.2.50: Gambá-de-orelhas-brancas (Didelphis albiventris). É uma espécies de grande
valência ecológica, com hábitos alimentares omnívoros e que ocorre em praticamente todos os
ambientes, desde florestas às zonas urbanas.
Na área de influência ocorrem quatro espécies de tatus: o tatu-rabo-mole
(Cabassous tatouay) o tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), o tatu-mulita (Dasypus
hybridus) e o tatu-peludo (Euphractus sexcinctus). A mulita e o peludo foram
encontrados sobre o planalto, onde as áreas campestres são mais extensas,
ocorrendo preferencialmente nas bordas das matas. Por outro lado, os registros de
Dasypus novemcinctus e Cabassous tatouay ocorreram principalmente no interior
228
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das matas, o primeiro tanto nas do planalto, quanto as da encosta e o segundo
apenas na encosta. Os tatus tem hábitos noturnos e todos podem ser vistos
vagueando em ambientes abertos, mas principalmente a mulita e o tatu-peludo.
Na área de influência vários carnívoros aind ocorrem. Uma espécies relativamente
comum é o graxaim-do-mato (Dusicyon thous), que ocorre em toda a extensão do
trecho. Ele abriga-se nas matas, mas à noite, podem vagar por extensas áreas
abertas. O furão (Galictis cuja) é uma espécie de hábitos tanto diurnos quanto
noturnos, ocorrendo predominantemente em capoeiras e bordas de mata, mas pode
ser encontrado também em áreas abertas e mesmo às margens de cursos d’água.
Várias espécies que ocorrem em áreas florestais seguem cursos d’água, devido à
dessedentação, abundância de presas e trilhas para a locomoção. Dentre estas
destaca-se o mão-pelada (Procyon cancrivorus). Ele alimenta-se de peixes, anfíbios
e invertebrados aquáticos, mas também sobe em árvores, normalmente a baixa
altura, onde preda ninhos de aves entre outros vertebrados.
Outras espécies são muito mais restritas às áreas florestadas, como os tamanduásmirins (Tamandua tetradactyla), macacos (Cebus apella e Alouatta fusca), coatis
(Nasua nasua), iraras (Eira barbara), gatos-do-mato (Felidae) veados (Mazama spp.),
serelepes (Sciurus aestuans), ratos-do-mato (Cricetidae), ouriços (Coendou villosus),
pacas (Agouti paca) e cutias (Dasyprocta azarae).
229
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Foto 4.2.51 Algumas pegadas de mamíferos. Da direita para a esquerda: 1)
capivara (Hydrochaeris hydrochaeris); 2) graxaim (Dusicyon thous); 3) gato-domato (Leopardus tigrinus); 4) veado (Mazama aff. rufina); 5) lontra (Lutra
longicaudis); 6) Dusicyon thous; 7) Leopardus tigrinus; 8) gambá (Didelphis
albiventris); 9) rato-d’água (Nectomys squamipes); 10) cutia (Dasyprocta azarae);
11) tatu (Dasypus novemcinctus).
O tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) habita ocos de árvores no interior das
florestas, saindo a caça no crepúsculo e à noite, quando pode freqüentar também
áreas como vegetação arbórea esparsa. Durante o deslocamento de uma para outra
mancha de mata, podem ser encontrados eventualmente também em campos
abertos.
230
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Foto 4.2.52: tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla)
atropelado na rodoviana área de influência do oleoduto.
Na área de influência foram encontradas duas espécies de macacos, o bugio
(Alouatta fusca) e o mico-preto (Cebus apella) foi identificado pela vocalização.
Ambas formam grupos, que no caso dos micos podem ser com mais de três dezenas
e até uma dezena de bugios. Ambas ocorrem predominantemente no interior de
matas, mas o bugio eventualmente pode deslocar-se em áreas abertas,
especialmente indivíduos senis, abandonados pelo bando. Embora co-habitem as
área florestais, elas diferenciam-se quanto aos hábitos alimentares e períodos de
atividade.
231
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Foto 4.2.53: Moldes de pegadas obtidos na área de influência. Na seqüência da direita para
esquerda: Leopardus tigrinus, Lutra longicaudis (jovem), Chironectes minimus, Nectomys
squamipes, Mazama americana, Dasypus novemcinctus e Leopardus pardalis.
Os coatis (Nasua nasua) também formam grupos, que exploram o chão da mata e as
copas das árvores. Ocorrem tanto na floresta pluvial quanto na floresta com
araucárias. Há relatos que esta espécie, juntamente com bugios, realizam
deslocamentos sazonais de uma para outra região durante o amadurecimento dos
pinhões. Os coatis, semelhantes aos bugios, quando senis abandonam os bandos,
quando vagam por áreas abertas. Estes indivíduos são popularmente chamados de
coatis-mundéus.
A irara (Eira barbara) é muito rara em praticamente toda sua área de distribuição no
sul do Brasil (CIMARDI, 1996). Ocorre no interior de florestas ainda conservadas. Os
registros dessa espécie devem-se à informações de morador na Encosta Atlântica,
na área de influência indireta.
A partir de informações de moradores locais e rastros, foram incluídas 5 espécies de
gatos-do-mato (Felidae). Além dessas, alguns citaram também o leão-baio (Puma
concolor), cuja presença indica um elevado grau de conservação do ambiente
232
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natural. O puma requer vastas áreas, pois um único macho e 3 fêmeas ocupam uma
área de aproximadamente 600 Km2 (LAND & TAYLOR,1998) e por isso deslocam-se
por dezenas de quilômetros por dia. Durante a dispersão há registro de puma jovem
encontrado a 480 Km do local de nascimento após 2 anos (Florida Panther Net).
Para as espécies caminhadoras de longas jornadas e grandes territórios os
corredores ecológicos são fundamentais em uma paisagem de hábitat fragmentado.
Dos gatos a jaguatirica (Leopardus pardalis) e o maracajá (Leopardus wiedi)
predominam em áreas de florestas densas remanescentes na Encosta e Planície.
Leopardus tigrina e Herpaylurus yaguarundi também ocorrem predominantemente
nas áreas florestadas, ocorrendo, contudo, também nas matas de araucária do
planalto, muito fragmentadas pela ação antrópica. Todos os gatos muitas vezes
percorrem grandes distâncias em ambiente aberto, tanto para atividades de
forrageamento,
mas
principalmente
durante
o
período
reprodutivo.
Uma
característica desta família, com apenas algumas exceções em todo mundo, é o
hábito solitário. Assim, a população encontra-se dispersa e agrupa-se apenas
durante o cio.
Os pequenos cervídeos do gênero Mazama não constam na listagem das espécies
ameaçadas de extinção (IBAMA). Entretanto, a ocorrência rastros em diversos locais
de estudo demonstram o grau de conservação do ambiente porque, de uma forma
geral, estas espécies não são muito comuns. A espécie mais encontrado foi o bororó
(Mazama rufina), mas localizou-se também o veado mateiro (Mazama americana).
Todos os rastros encontrados estavam nas cercanias de matas desenvolvidas,
mostrando a importância destes ambientes para a conservação das espécies.
Segundo CIMARDI (1996) as três espécies de veados-de-chifres-simples (M. rufina,
M. americana e M. gouazoubira) tem hábitos semelhantes, entretanto o veado-virá
(Mazama gouazoubira) tem hábitos mais diurnos. Todos, entretanto, abrigam-se nas
matas remanescentes ou nas matas de galeria, aventurando-se em campo aberto
apenas para alimentação, mas raramente distante dos refúgios.
Outro ungulado muito raro nas florestas brasileiras é o porco-cateto (Tayassu tajuca),
que foi citado como ocorrência ocasional nas matas da encosta. Tal presença é
233
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indicativa do grau de conservação da área de influência visto que esta espécie,
juntamente com o porco-queixada requerem grandes áreas de florestas conservadas.
Entre
as
pequeno
espécies
e
médio
florestais
porte
de
ocorrem
muitos roedores. Entre estes têm
espécies
arborícolas
como
os
serelepes (Sciurus aestuans), que
podem ser encontrados em grupos
familiares
em
forrageamento.
atividades
O
serelepe
de
foi
registrado nas matas de planície,
encosta e planalto, através da forma
caraccterística
com
que
coquinhos
gerivá
(Arecastrum
de
abre
romanzoffianum).
Foto 4.2.54 Coquinhos de gerivá roídos por
serelepe encima e por outro roedor não
identificado abaixo.
As oito espécies de morcegos podem ser encontradas nas áreas florestadas, onde
permanecem durante o dia em ocos de árvores, fendas de rochas ou outros
ambientes protegidos. À noite, quando se alimentam, freqüentam áreas abertas, com
diversas especializações, desde ambiente aquáticos (Noctilio), quanto áreas urbanas
(Molossus). Como adaptação secundária, algumas espécies, como Tadarida
brasiliensis, repousam em residências ou outras estruturas antrópicas, mesmo no
interior de grandes cidades.
234
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F
oto 4.2.55 Crânios de morcegos e roedores coletados em uma torre com ninho da coruja
(Tyto alba). No conjunto à esquerda da foto Sturnira lilium e Tadarida brasiliensis. No
conjunto à direita, crânios de Akodon serrensis, Delomys dorsalis e Rattus rattus.
Cricetidae compreende diversas espécies de pequenos roedores, que ocupam
diversos nichos no ambiente natural. Das espécies das matas foram encontrados
crânios de Akodon cf. serrensis e Delomys dorsalis em regurgito da coruja-das-torres
(Tyto alba).
O ouriço-cacheiro (Coendou villosus) tem ampla distribuição e ocorre tanto em áreas
de formações desenvolvidas quanto em matas de estágios sucessionais iniciais.
Também abandona a mata para se alimentar em lavouras de milho, principalmente
quando as espigas ainda estão jovens, sendo por isso perseguido. Todavia, o
deslocamento predominante ocorre sobre as árvores.
A paca (Agouti paca) foi registrada a partir de informações de moradores locais,
sendo citada para as áreas de matas densas, altas e pouco exploradas, no fundo dos
vales. A paca é uma espécie muito rara devido a destruição do hábitat florestal e
devido à caça. É capturada facilmente devido aos hábitos cursoriais, quando
235
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caçadores esperam-nas em suas trilhas, que utilizam regularmente. Vive em geral
perto de cursos d’água, sob a proteção de raízes ou em tocas.
Foto 4.2.56 Cutia (Dasyprocta azarae). Roedor de médio porte, relativamente comum na
área de influência, nas matas latifoliadas da encosta, mas principalmente nas matas de
araucária, onde é devoradora contumaz dos pinhões durante seu amadurecimento, de
março a setembro.
Os mamíferos da floresta diferenciam-se quanto à aptidão de deslocamento e
consequentemente quanto ao estrato que ocupam. De acordo com os hábitos
predominantes,
foram
definidas
5
categorias:
caminhadores/corredores,
caminhadores/trepadores, caminhadores/cavadores, trepadores e voadores.
A categoria dos caminhadores/corredores, que em hipótese alguma escalam árvores,
são
representados
pelos
graxains,
guarás,
veados,
pacas
e
cutias.
Os
caminhadores/cavadores, estão representados pelos tatus. A categoria dos semi
arborícolas, identificados como caminhadores/trepadores, estão representados pelos
gambás, tamanduás, coatis, iraras, felinos e ratos (Cricetidae). Os trepadores
raramente descem ao solo, e incluem os macacos, serelepes, ouriços e ratos-deespinho (Echimys dasytrix). Os voadores incluem os morcegos (Chiroptera).
O padrão de locomoção tem grande influência sobre os impactos que a
fragmentação do hábitat traz para as espécies, já que para as espécies arborícolas o
236
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isolamento tende a ser mais intenso que em espécies caminhadoras e muito menor
em espécies voadoras.
Como foi anteriormente referido, grande parte dos mamíferos são regularmente
encontradas junto aos corpos d’água. Entretanto existe uma comunidade faunística
intimamente relacionada aos ambientes aquáticos. Entre estas destacam-se a lontra
(Lutra
longicaudis),
(Myocastor
coypus),
capivara
(Hydrochaeris
rato-d’água
hydrochaeris),
(Nectomys
squamipes)
ratão-do-banhado
e
a
cuíca-d’água
(Chironectes minimus). Além dessas destacam-se pela freqüência com que são
encontradas nas margens dos cursos d’água o mão-pelada (Procyon cancrivorus),
cuíca-verdadeira
(Philander
opossum)
e
a
cuíca-cauda-grossa
(Lutreolina
crassicaudata).
As espécies aquáticas são boas nadadoras e em grande parte deslocam-se pela
água. Todavia, a existência de matas ripárias tem grande importância para a sua
conservação, visto que freqüentemente são encontradas andando pela margem,
além dos óbvios benefícios da qualidade ambiental que ela proporciona.
Os corpos d’água não são opulentos na área de influência, por isso as espécies
aquáticas e suas populações não são numerosas. A lontra apresenta grande
interesse ambiental pois é enquadrada na categoria “vulnerável” na lista de espécies
ameaçadas. A lontra habita diversos ambientes aquáticos como rios, arroios e lagos,
alimentando-se principalmente de peixes, mas também aves e mamíferos aquáticos.
Ela convive em pequenos grupos e seu território pode estender-se por vários
quilômetros ao longos dos cursos de água. A intervalos mantém refúgios
(normalmente tocas escavadas sob as raízes de árvores ripárias) que ocupa
alternadamente no período de alguns dias. O deslocamento ao longo dos cursos
d’água dá-se pela margem, mesmo em áreas com vegetação densa, pois o corpo
alongado e as pernas curtas permitem o deslocamento por entre a ramagem.
A capivara, o maior dos roedores, é muito perseguido em toda sua área de
ocorrência. Mesmo assim, em algumas regiões apresenta população numerosa. Nos
rios da serra, contudo, sua presença é rara e talvez casual, de indivíduos que se
deslocam a partir de cursos maiores da Planície Costeira.
237
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Segundo CIMARDI (1996), os ratões-do-banhado habitam preferencialmente rios de
águas calmas, lagos e banhados, principalmente onde há abundância de vegetação
aquática. Merece menção a diferença comportamental do ratão-do-banhado em
relação ao ambiente. Enquanto que nos cursos d'água constrói tocas ou habita ocos
sob as raízes solapadas, nos açudes ou outros locais de águas lênticas em sua área
de distribuição, constrói ninhos flutuantes com macrófitas. Esta espécie também
desloca-se preferencialmente pela água ou pelas margens, e terrenos paludosos.
O rato-d’água (Nectomys squamipes) é bastante comum, visto que seus rastros
foram encontrados em diversos pontos de observação das margens de cursos
d’água. A cuíca-d’água (Chironectes minimus) é listada como de status pouco
conhecido, possivelmente em extinção (CITES).
Outra espécie que merece ser destacada é o morcego-pescador (Noctilio leporinus).
Como o vernáculo indica, pesca em vôos rasantes sobre águas calmas, onde apanha
pequenos peixes, entre outros organismos.
A mastofauna dos ambientes campestres é formada por espécies emigradas da
Região da Savana, por espécies florestais que utilizam os recursos alimentares ou
por espécies introduzidas.
Como ocorre com as demais classes de vertebrados estudados, alguns mamíferos
colonizaram a área de influência. Entre estas destacam-se o zorrilho (Conepatus
chinga) e o preá (Cavia aperea).
O zorrilho (Conepatus chinga) é bastante comum e típico das regiões campestres do
Planalto. Desloca-se lentamente pelos campos durante a noite, apresentando baixa
velocidade mesmo quando em fuga preferindo, ao invés de correr, assumir postura
de defesa exibindo as poderosas glândulas perianais. Devido ao seu hábitat,
certamente é uma espécies que outrora não ocorria na região.
Da mesma forma o preá (Cavia aperea) ocorre tipicamente em capoeiras, vassouras
e áreas de cultivo de forrageiras perenes. O preá é um elemento muito importante na
cadeia trófica (Cimardi, 1996), fazendo com que sua concentração seja atrativo para
um grande número de predadores, incluindo várias espécies de mamíferos, aves de
rapina e serpentes.
238
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Muitas espécies utilizam as áreas campestres para forrageamento. Mesmo espécies
tipicamente florestais eventualmente utilizam os recursos alimentares proporcionados
por lavouras, pomares, campos de pastejo, residências, etc. Alguns morcegos
(Artibeus literatus e Sturnira lilium) são espécies típicas desta adequação,
repousando em árvores durante o dia e à noite exploram áreas urbanas, onde
insetos e frutas são abundantes. Outras espécies também o fazem, como graxains,
gatos-do-mato, ratos-do-mato (Cricetidae e Echymidae).
No ambiente antropizado, há ainda quatro espécies exóticas, todas originárias da
região Paleártica. Muridae, que compreende os camundongos, ratos e ratazanas
domésticos, que sempre estão associados às residências e galpões rurais, às zonas
urbanas e depósitos de resíduos. A outra espécie exótica, Lepus europaeus,
igualmente adaptada às condições regionais, é tipicamente campestre, necessitando
apenas de locais de vegetação herbácea cespitosas, que utiliza como abrigo e locais
de procriação. Por isso são comuns em zonas de pastejo extensiva e na borda de
vassourais, capoeiras e florestas.
4.2.3.3.3.5.3 Conservação
Também nos mamíferos, as área florestadas apresentam a maior diversidade
específica. Cerca de 65% dos mamíferos registrados ocorrem predominantemente
nas áreas com matas, particularmente nas primárias semi-explotadas.
A maior diversidade de espécies ocorre nas matas, como era esperado, visto que
originalmente toda a região era coberta por florestas. Há cerca muito iniciou-se o
processo de fragmentação do hábitat, resultando em alterações na comunidade de
mamíferos. Algumas espécies desapareceram da região como as onças-pintadas, as
antas e os queixadas. As que persistem estão confinadas às manchas maiores dos
remanescentes florestais ou são oportunistas e exploram os recursos proporcionados
pelas alterações ambientais (MARINHO-FILHO, 1992). Entretanto, as espécies raras
ou que constam em listagens oficiais de espécies ameaçadas, na maioria dos casos,
dependem das áreas florestadas para a sobrevivência.
239
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A fragmentação do hábitat e o uso antrópico do solo tem como conseqüências o
isolamento das populações, a redução da oferta alimentar, o aumento da caça e
captura e a invasão de espécies competidoras ou predadoras.
O isolamento das populações é mais intenso nas espécies arborícolas, como os
macacos (Alouatta fusca e Cebus apella) e florestais exigentes como as pacas
(Agouti paca) e iraras (Eira barbara), que dificilmente se aventuram em áreas
deflorestadas. Mesmo espécies que eventualmente andam em áreas abertas como
os felinos, tamanduás, e cervos, normalmente evitam a aproximação de residências
ou onde há atividades antrópicas.
Nos fragmentos há uma redução da oferta de alimentos, levando os animais a
despender mais tempo nas atividades alimentares, como demonstrado por ROCHA
et. Al (1.996) para Cebus apella na região de Londrina, PR. Há ainda o risco da
consangüinidade
nas
populações
isoladas,
que
pode
resultar
no
seu
desaparecimento após algumas gerações.
Com a invasão das áreas florestais, aumenta também a pressão de caça e captura,
que incide principalmente sobre os tatus, cervos, macacos, pacas, cutias, gatos-domato, graxains, entre outros.
Junto com a ocupação antrópica vão animais potencialmente perigosos para a fauna
nativa, como os cães e gatos. Especialmente os primeiros tornam as áreas ocupadas
menos permeáveis para a fauna. No entorno de residências, num raio de centenas
de metros, dificilmente um mamífero silvestre não é percebido pelos cães. Desses
encontros, o afugentamento é a melhor das possibilidades, visto que normalmente
são capturados ou mortos pelos cães ou por seus donos. Deve-se ressaltar que a
eficiência dos cães domésticos deriva do comportamento gregário. Os predadores
nativos não caçam em grupo, pelo que o comportamento de fuga não está adaptado
à caça de matilhas, como procedem os cães. Os gatos domésticos também são
predadores em potencial da fauna silvestre. Muitas vezes encontram-se gatos há
longas distâncias das residências em atividades de caça. Além de competir
diretamente com os felinos nativos, predam pequenos mamíferos e aves.
240
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4.2.3.3.4 Descrição da Comunidade Faunística
4.2.3.3.4.1 Diversidade por Biótopo
Na simplificação do ambiente para a análise da fauna vertebrada foram definidos três
biótopos fundamentais: o Biótopo Silvícola, Campestre e Aquático. Estes foram
assim classificados pela ocorrência de espécies características, embora algumas
tenham tamanha valência ecológica que possam viver em dois ou nos três. Na figura
4.3.3 está demonstrada a diversidade de espécies por biótopo considerado.
Gráfico da Diversidade de Espécies por Biótopo
300
Nº de Espécies Vertebradas
250
43
200
13
33
150
159
8
22
100
Mamíferos
Aves
Répteis
Anfíbios
Peixes
20
54
113
50
46
20
0
16
15
Silvícola
Campestre
Aquático
Biótopos
Figura 4.3.3 - Diversidade de Espécies por Biótopo
De acordo com a figura 4.3.3, a maioria das espécies ocorre nas matas. Na mata
podem ser registradas espécies que também ocorrem em áreas campestres ou no
ambiente aquático. O ambiente campestre e aquático oferecem relativamente menos
abrigos para a fauna. Por isso, várias delas encontram tal atributo justamente nas
matas. Uma consideração fundamental para a avaliação dos ambiente e dos
potenciais impactos sobre a fauna é o fato de a maioria das espécies listadas como
ameaçadas ou raras justamente serem dependentes das matas, especialmente
aquelas mais conservadas.
241
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A diversidade do campo é determinada por espécies que também usam a mata, mas
têm diversas espécies típicas, visto que na região os campos são a matriz da
paisagem, especialmente sobre o planalto. A fauna campestre, de acordo com a
classificação das regiões fitogeográficas, não ocorria na região antes da colonização,
fragmentação das matas e “savanização” do ambiente. Espécies que hoje ocorrem
com um grande número de indivíduos outrora deveriam ser muito raras na área de
influência, visto que elas dependem de áreas abertas ou da borda da mata. Tais
ambientes originalmente eram muito raros e apenas ocorriam ao norte, sobre o
planalto, e ao sul, na Serra do Araçatuba, e a partir dessas regiões expandiram sua
área de ocorrência para os fragmentos da Floresta de Araucária e Mata Pluvial.
Finalmente, a influência antrópica também foi decisiva para o aumento da
diversidade de espécies no ambiente aquático. A construção de açudes permitiu que
várias espécies se estabelecessem na área de influência, as quais normalmente não
ocorreriam ali, antes da colonização.
Em suma, a intervenção antrópica, por um lado, força à diminuição da biodiversidade
de espécies dependentes de grandes extensões de mata enquanto proporcionou o
aumento do número de espécies de ambientes campestres ou savânicos e do
ambiente aquático. A fragmentação, via de regra, proporciona um considerável
aumento da biodiversidade, visto o potencial destes ambientes que suportam
espécies de ambos os biótopos (mata e campos), além das que vivem
predominantemente nas zonas de transição. Evidentemente este aspecto da
organização das comunidades não pode ser utilizada como uma ode ao corte das
matas contínuas, especialmente porque as espécies mais raras ou já desaparecidas
da área de influência são justamente as que vivem em grandes extensões de mata,
fato que é parcialmente encoberto pela elevada biodiversidade registrada em
ambientes alterados, como os que predominam na área estudada.
Vale ainda ressaltar que mesmo para a fauna campestre e aquática a presença das
matas é fundamental, na regularização da comunidade. Ambientes fragmentados,
que não mantém manchas de grande porte ou ao menos vastas áreas pouco
habitadas não suportam tantas espécies quanto as que foram registradas na área de
influência do empreendimento.
242
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Por outro lado, o ambiente aquático, embora a pequena expressão na paisagem e
com um número menor de espécies típicas, é regularmente utilizado pela maioria das
espécies terrícolas, seja para dessedentação ou alimentação, já que a água é
atrativo da fauna, além de manter a forragem por mais tempo durante as estiagens.
As áreas de transição da mata para o campo, assim como a transição do ambiente
aquático para o ambiente terrícola apresentam as maiores concentrações de
espécies. Nos ambientes de transição ocorre uma retroalimentação positiva, visto
que quando ocorre um maior número de espécies, isto traduz-se numa oferta
abundante de recursos alimentares, que são procurados por outras espécies e assim
sucessivamente. Essa relação inicia na cadeia dos produtores, com uma elevada
concentração de plantas, flores, frutos, sementes, insetos, vertebrados e outros.
As classes de vertebrados não participam na mesma proporção dentro de cada
comunidade. Enquanto o ambiente aquático é predominantemente dominado por
peixes, anfíbios e aves, na mata e campos o maior número de espécies é
determinado pelas aves, mamíferos e répteis, como demonstra a figura 4.3.4.
Gráfico da Diversidade de Classes por Biótopo
100%
90%
13
43
20
33
Importância Relativa das Classes
80%
8
70%
22
60%
Mamíferos
Aves
Répteis
Anfíbios
Peixes
54
159
50%
40%
113
30%
20
20%
46
10%
15
16
0%
Silvícola
Campestre
Aquático
Biótopos
Figura 4.3.4 - Participação das classes de vertebrados na comunidade do biótopo
243
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4.2.3.3.4.2 Guildas Tróficas
Guilda trófica pode ser definida como um grupo de espécies separadas de outro
grupo por uma função ecológica maior que a distância entre as funções ecológicas
das espécies no extremo de cada guilda (PIANKA, 1997). Este conceito permite uma
hierarquização de guildas menores dentro de uma maior.
Em uma guilda trófica, diferentes espécies, de diferentes classes, competem
diretamente entre si pelos mesmos recursos alimentares, sendo assim um dos mais
importantes motores da seleção natural. Sob sua influência, as espécies são
compelidas à ocupação de nichos diversos, explorando biótopos mais específicos ou
adequando o ritmo circadiano.
Nesta análise da fauna vertebrada foram estabelecidas 10 guildas maiores, sendo as
mais restritas relegadas por critérios meramente pragmáticos. Muitas espécies têm
hábitos mais ou menos omnívoros, dependendo basicamente da oferta alimentar,
variando conforme as estações do ano e conforme o ciclo reprodutivo.
Na figura 4.3.5 está demonstrado o número de espécies de vertebrados que
compõem cada uma das 10 guildas predefinidas.
Gráfico da Distribuição das Espécies de Vertebrados por Guilda Trófica
200
180
160
Nº de Espécies
140
Mamíferos
120
Aves
100
Répteis
Anfíbios
80
Peixes
60
40
20
-
Guilda Trófica
Figura 4.3.5 - Distribuição das Espécies por Guilda Trófica
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Há classes mais especializadas em determinada guilda, cuja capacidade de
exploração advém de seu processo evolutivo. Na figura 4.3.6 está demonstrada a
participação relativa de cada classe nas guildas tróficas.
Gráfico da Participação das Classes de Vertebrados nas Guildas Tróficas
100%
Importância Relativa das Classes
90%
80%
70%
Mamíferos
60%
Aves
50%
Répteis
Anfíbios
40%
Peixes
30%
20%
10%
0%
Guilda Trófica
Figura 4.3.6 - Participação das Classes nas Guildas Tróficas
A guilda dos Carnívoros abrange um amplo espectro de adaptações e relação do
tamanho do predador com a presa. As espécies carnívoras mais típicas são os
mamíferos da Ordem Carnivora, que inclui os Felinos e Canídeos; Aves
Falconiformes (gaviões, águias e falcões) e Strigiformes (corujas); e a maioria dos
Ofídios. Devido à lei da termodinâmica aplicada às teias tróficas, cujo princípio é a
redução da disponibilidade de energia nos níveis mais elevados, a maioria das
presas são herbívoras ou insetívoras. Os predadores especialistas apresentam uma
biomassa muito menor que a de suas presas e são, em geral muito raros, mesmo em
ambientes conservados. Entre as espécies mais ameaçadas justamente estão os
predadores de topo pela sua ocorrência naturalmente rara.
A necrofagia é uma contingência que muitos carnívoros predadores utilizam,
especialmente em períodos de oferta alimentar crítica. Assim, felinos, canídeos e
diversos gaviões e lagartos muitas vezes alimentam-se de cadáveres que encontram
em sua busca. Porém algumas espécies são necrófagas especializadas, destacando245
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se aí os urubus (Cathartidae) e alguns tatus (Dasypodidae). No ambiente aquático
vários peixes exercem essa função, com destaque para Callichtidae, Lorichariidae,
entre outras..
Várias carnívoros predam serpentes, mas na guilda dos Ofiófagos, os mais
tradicionais são os zorrilhos (Conepatus chinga) e algumas serpentes, com destaque
especial para a muçurana (Clelia spp).
A Guilda dos Piscívoros, inclui também os predadores de anfíbios. Todas as classes
utilizam esse recurso alimentar, desde peixes como as traíras (Hoplias malabaricus)
a mamíferos como a lontra (Lutra longicaudis), passando por aves aquáticas como as
garças biguatingas e mergulhões, alguns anfíbios como a rã-crioula (Leptodactylus
ocellatus) e várias serpentes, como as cobras d'água (Liophis spp. e Helicops spp.).
Os invertebrados são um recurso alimentar utilizado por diversas espécies. Há um
variado espectro de táticas de captura e locais de forrageamento que aqui foi dividido
em guilda dos Insetívoros e na Guilda dos Invertebrados Aquáticos.
A guilda dos Insetívoros é amplamente dominada pelas aves, cuja tática de captura
varia desde o vôo até a catação na vegetação em troncos ou outros esconderijos,
com um elevado número de espécies utilizando tal recurso. Mamíferos também são
importantes nesta guilda, sendo especialistas os tatus, morcegos (Molossidae e
Vespertilionidae), gambás e cuícas (Didelphidae) e alguns roedores (Muridae). Entre
os Répteis os insetívoros contumazes são os lagartos, especialmente Tropidurus e
Pantodactylus. Na fase adulta, a maioria dos anuros predam insetos alados, onde se
destaca o sapo-cururu (Bufo ictericus).
A guilda dos predadores de invertebrados aquáticos também apresenta espécies de
todas as classes, mas as mais notáveis pertencem aos peixes e anfíbios. Larvas e
náiades de insetos, moluscos, vermes e crustáceos são integrantes da dieta da maior
parte dos peixes e anfíbios ali encontrados. As aves aquáticas como jaçanãs,
saracuras, maçaricos e galinholas igualmente utilizam estes recursos, bem como as
cuícas d'água, pequenos roedores e o mão-pelada.
246
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O grupo dos consumidores de vegetais, os níveis mais básicos da teia trófica,
apresenta
diversas
especializações.
Assim
definiu-se
a
guilda
dos
herbívoros/folívoros, dos frugívoros, granívoros e nectívoros.
A guilda dos herbívoros incluem os consumidores de folhas, onde os mais
significativos são os mamíferos, além do número de espécies também em biomassa.
Os veados (Mazama spp.), capivaras (Hydrochaeris hydrochaeris) o ratão-dobanhado (Myiocastor coypus), cutia (Dasyprocta azarae), lebre (Lepus europaeus) e
outros pequenos roedores, consomem um grande volume, mas diferenciam-se pelos
locais de obtenção do alimento. Enquanto os cervídeos pastejam gramíneas em
terreno seco, o ratão-do-banhado utiliza macrófitas aquáticas. Claro que estas
espécies não são tão específicas e amiúde consomem frutos e sementes para
balancear a dieta com o suplemento de proteínas, óleos essenciais e outros.
Na guilda dos frugívoros as aves apresentam o maior número de espécies. Entre
elas várias espécies predominantemente insetívoras como pica-paus (Picidae), papamoscas (Tyrannidae) e outras utilizam frutos em sua dieta. Todavia existem famílias
especialistas no consumo de frutos como Thraupidae e Muscicapidae. Vários
mamíferos
consomem
frutos
com
destaque
para
os
morcegos-fruteiros
(Phillostomidae), gambás e graxains. Entre os Répteis a dieta frugívora é utilizada
pelo lagarto (Tupinambis teguixim), que em suma apresenta hábitos omnívoros.
O consumo de sementes requer adaptações especiais para a digestão devido à sua
dureza. Na guilda dos granívoros as aves também representam a maioria das
espécies, com destaque para Rallidae, Columbidae, Emberezinae, Cardinalinae e
Icterinae. As espécies granívoras são eminentemente campestres onde a oferta de
sementes de gramíneas predominam. Vários mamíferos também são granívoros
contumazes. Os herbívoros, como acima referido, durante o pastejo consomem
grande quantidade de sementes, o que lhes garante um suplemento alimentar de alto
valor calorífero e com nutrientes essenciais. Entretanto, os roedores são os mais
especializados no consumo de sementes de maior porte, cuja dentição permite o
rompimento do caroço.
Finalmente na guilda dos Nectívoros encontram-se os beija-flores (Trochilidae) e os
morcegos-beija-flores (Phillostomidae). Estes contudo também capturam insetos nas
247
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flores, conseguindo assim um suprimento protéico especialmente durante o período
reprodutivo, quando fazem-se mais necessárias para o desenvolvimento dos ovos e
a formação de tecidos nos filhotes.
Embora a maior parte das espécies apresente hábitos mais ou menos omnívoros, as
diversas especializações, permite que várias espécies co-existam numa mesma área
utilizando-se dos recursos de forma diferenciada, seja pela separação de biótopos,
período circadiano,
técnica de obtenção do alimento, migração ou outros
mecanismos que tornam as espécies únicas em seu nicho.
As espécies com hábitos omnívoros variam a dieta em função da oferta dos
alimentos e dos requisitos biológicos. Como exemplo pode-se citar a perdiz e os
beija-flores. Nos campos, o amadurecimento das sementes ocorre em profusão
durante o inverno, justamente quando os insetos são mais raros. A perdiz adequa
sua dieta e período reprodutivo a esta variação sazonal (VOSS & SANDER, 1980).
Para a formação dos ovos e dos tecidos dos filhotes, é necessário um grande
suplemento protéico, que a dieta insetívora pode fornecer. Da mesma forma os beijaflores, capturam insetos nas flores em grande quantidade durante a reprodução para
permitir a formação dos ovos e o desenvolvimento dos filhotes.
4.2.3.3.4.3 Deslocamento e Migração da Fauna
A migração, segundo SICK (1982), tem diversas motivações, mas normalmente
associa-se à oferta sazonal de alimentos. Um dos requisitos fundamentais para que
ocorra uma migração de longa distância é a capacidade de deslocamento, o que
também já é uma adaptação à migração.
Vários peixes podem empreender migrações, desde algumas espécies reofílicas
grumatãs (Prochilodus lineatus), piavas (Leporinus obtusidens), entre outros. Na área
de influência elas ocorrem no baixo vale dos rios da bacia do Paraná e a partir deste
alcançam o alto-vale, quando atingem as calhas dos afluentes menores.
Em menor escala isso também ocorre com os pequenos peixes dos arroios que
procuram regatos para a realização da postura. Na área de influência direta, as
espécies de maior porte apenas ocorrem na calha do Rio Iguaçu e Barigui.
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Anfíbios e Répteis, com pequeno potencial de deslocamento não realizam grandes
migrações, mas pequenos deslocamentos durante o período reprodutivo. O tigred'água (Trachemys dorbignyi), por exemplo, faz a postura em terra e para tanto
concentra-se em açudes que durante a primavera pode abrigar grandes populações
de fêmeas fecundadas, que depois retornam à calha dos grandes rios e arroios.
Alguns anfíbios terrícolas apresentam movimentos inversos durante a reprodução. O
sapinho-da-terra (Odontophrnus americanus) e o sapito-oval (Elachistocleis ovalis)
vivem a em terreno drenado - o primeiro em cavas por ele escavadas e o segundo
sob troncos, pedras ou esterco - deslocam-se para o ambiente aquático para a
reprodução, retornando depois para as áreas drenadas contíguas. Bufonidae
também realiza tais deslocamentos.
Répteis e anfíbios também realizam deslocamentos na forma de dispersão.
Geralmente após o período reprodutivo, devido à elevada concentração da prole e
pela impulsão do canibalismo, ocorre uma dispersão dos jovens. tal movimento
contudo não pode ser classificado como migração. Segundo SICK (1982) para que
haja migração, é necessário que o movimento seja cíclico e de duplo sentido, ou
seja, durante um período parte ou toda a população deslocam-se de uma para outro
local ou ambiente e depois retornam aos locais de origem. Enquanto a dispersão é
apenas um movimento unidirecional, sem o retorno aos locais de partida.
As migrações mais espetaculares são realizadas por algumas aves, fruto do poder de
deslocamento que o vôo lhes proporciona. Em geral são aves insetívoras que
deslocam-se em consonância com a oferta alimentar, já que os insetos são muito
escassos durante o inverno. A família mais representativa deste movimento
migratório é a dos papa-moscas (Tyrannidae). Dentre estas destaca-se o suiriri
(Tyrannus melancholicus), de longe a espécie mais freqüentes e abundante na
primavera e verão, mas completamente ausente no inverno.
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Figura 4.3.7 Distribuição sazonal de Migrantes Residentes de Verão.
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Apenas uma espécie migrante boreal foi observada durante os trabalhos de
levantamento de fauna. O maçarico-prateado (Calidris alba), que nidifica acima do
círculo polar ártico e inverna no Sul da América do Sul.
Uma outra forma de migração dá-se de uma para outra região geográfica. Neste
âmbito, as migrações podem ser motivadas pelas diferenças climáticas regionais,
pelo suprimento alimentar e pelos locais ou comportamento reprodutivo.
Enquanto algumas espécies percorrem longas distâncias voando de um paralelo a
outro em busca de diferentes condições climáticas, outras voam pequenas distâncias
para alcançar os mesmos objetivos, realizando migrações verticais das partes altas
para as partes baixas do Estado e vice-versa. O coleirinho (Sporophila
caerulescens), por exemplo, durante o inverno encontra-se nas partes baixas da
Planície Costeira, enquanto no verão ocorre principalmente sobre o planalto. Outras
espécies também realizam movimentos semelhantes, como por exemplo o beija-florde-topete (Stephanoxis lalandi) e o sabiá-cica (Triclaria malachitacea) (SICK, 1982).
Entre os mamíferos ocorrem migrações de longa distância entre os morcegos. Em
verdade, pouco é conhecido sobre o deslocamento de morcegos no Neotrópico, mas
algumas espécies que ocorrem na área de influência superam as dificuldades
invernais mediante a alternativa da migração ou hibernação. Entre estes destacamse o morceguinho-das-casas (Tadarida brasiliensis), provavelmente a espécies mais
abundante na região durante os meses de primavera e verão e muito rara ou ausente
durante o inverno. Alguns verpertilionideos, como Myotis spp. deslocam suas
colônias por centenas de quilômetros em resposta à oscilação das populações de
insetos.
Mamíferos caminhadores também podem realizar deslocamentos sazonais. Por
exemplo, há registros do deslocamento de bandos de bugios e coatis de matas de
encostas para matas do planalto de acordo com a disponibilidade alimentar,
especialmente na dependência do amadurecimento dos pinhões (Araucaria
angustifolia).
251
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4.2.3.4.4.4 Espécies Raras ou Ameaçadas
As espécies ameaçadas são aquelas com populações pequenas, grande oscilação
no tamanho ou as com lenta taxa de crescimento. Mais especificamente, os grupos
mais ameaçados são os que ocupam níveis tróficos elevados, com endemismo local,
espécies com hábitat restrito, espécies de hábitos gregários durante a reprodução
(ninhais), espécies migratórias, espécies especialistas em relação aos recursos
naturais.
Na Tabela 4.2.31 estão listadas todas as espécies ameaçadas de extinção
registradas nos trabalhos de campo, de acordo com IBAMA, 2001.
Tabela 4.2.31 - Lista da Fauna Ameaçada de Extinção
Nome Científico
Nome Popular
Cheloniidae
Caretta caretta
tartaruga-de-pente
1
1
Cheloniidae
Chelonia mydas
tartaruga-verde
1
1
Cracidae
Penelope obscura
jacu-açu
1
Psittacidae
Amazona cf. vinacea
papagaio-peitoroxo
1
Psittacidae
Triclaria malachitacea
sabiá-cica
1
Cebidae
Allouatta fusca
Bugio-vermelho
1
Cebidae
Cebus apella
Mico-preto
1
Mustelidae
Lutra longicaudis
Lontra
Felidae
Leopardus tigrinus
gato-do-matopequeno
1
Felidae
Leopardus wiedi
gato-maracajá
1
1
Felidae
Leopardus pardalis
jaguatirica
1
1
Felidae
Puma concolor
leão-baio
1
1
Platanistidae
Pontoporia blainvillei
toninha
o
Família
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
252
Planaltoias
Encosta
Planície
Unidade
Litoral
Campestre
Silvícola
Biótopo
1
1
Download

São Francisco do Sul/SC – Araucária/PR