UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA COLEGIADO DE ENGENHARIA CIVIL RENATO ALVES FERREIRA PREVISÃO DA CAPACIDADE DE CARGA DE FUNDAÇÕES PROFUNDAS ATRAVÉS DE REDES NEURAIS ARTIFICIAIS. FEIRA DE SANTANA-BA 2010 RENATO ALVES FERREIRA PREVISÃO DA CAPACIDADE DE CARGA DE FUNDAÇÕES PROFUNDAS ATRAVÉS DE REDES NEURAIS ARTIFICIAIS. Monografia apresentada ao Colegiado do Curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Feira de Santana como parte dos requisitos para a obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil. Orientador: Prof. Koji de Jesus Nagahama, D.Sc. Orientadora: Profa. Maria do Socorro Costa São Mateus, D.Sc. FEIRA DE SANTANA-BA 2010 RENATO ALVES FERREIRA PREVISÃO DA CAPACIDADE DE CARGA DE FUNDAÇÕES PROFUNDAS ATRAVÉS DE REDES NEURAIS ARTIFICIAIS. Monografia apresentada à Universidade Estadual de Feira de Santana, como partes dos requisitos para obtenção da graduação em Engenharia Civil. Feira de Santana-BA, 30 de Novembro de 2010. Aprovado por: ____________________________________________________________________ Koji de Jesus Nagahama, D.Sc. Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS (ORIENTADOR) ____________________________________________________________________ Maria do Socorro Costa São Mateus, D.Sc. Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS (ORIENTADORA) ____________________________________________________________________ Anderson de Souza Matos Gadéa, D.Sc. Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS (EXAMINADOR) _____________________________________________________________________ Juraci das Mercês Ramos Apoio Engenharia, Fundações e Geotecnia Ltda (EXAMINADOR) AGRADECIMENTOS A Deus, por permitir que eu cumprisse essa etapa tão importante de minha vida com Saúde, paz e acima de tudo com alegria. A toda minha família pelo apoio, paciência, carinho e amor incondicional, em especial à minha irmã, Patricia. Ao professor orientador Dsc. Koji Nagahama pela proposta de trabalho, orientação, apoio, tranquilidade e amizade. Ao professor Dsc. Anderson Gádea pela sua preciosa ajuda com a parte computacional, principalmente nesses últimos meses. A professora Dsc. Maria do Socorro pelas orientações fornecidas mesmo estando de licença da instituição e por idealizar esse trabalho em conjunto com o professor Koji. A Tayná Freitas, pelo incentivo e ajuda durante todo o tempo em que estive desenvolvendo essa pesquisa. Aos meus colegas da UEFS, pelo auxilio e companheirismo ao longo de todo o curso. Aos amigos Nilda e Juracy da apoio Engenharia e Fundações pela disponibilização dos dados de ensaio de prova de carga realizados na cidade de Feira de Santana. Ao amigo Luis Carlos Fernandes, in memoriam. RESUMO Considerando a contribuição das redes neurais artificiais (RNA) nas diversas áreas da engenharia civil, na determinação do comportamento de vários fenômenos físicos, o presente trabalho objetiva verificar a viabilidade do uso das RNA na predição de capacidade de carga de dois tipos distintos de estacas: pré-moldada de concreto do tipo cravadas e hélice contínua escavada. As RNA irão relacionar às propriedades geométricas das estacas (comprimento e seção transversal) e os valores do SPT “standard penetration test” da ponta e do fuste da estaca, com a capacidade de carga lateral, de ponta e total desse tipo de fundação. Com essas informações e com os resultados obtidos em provas de carga estáticas e dinâmicas executadas em todo o território nacional, disponíveis em publicações, artigos do meio acadêmico e disponibilizado por empresas especializadas, organizou-se um banco de dados de ensaios de prova de carga para as estacas escavadas do tipo hélice contínua e para a pré-moldada de concreto. Com esses dados organizados, as RNA foram treinadas e através dessas, foram obtidas equações de predição, capazes de inferir a capacidade de carga lateral, de ponta e total. Os valores de capacidade de carga obtidos através da técnica das RNA possuem maior precisão que os métodos tradicionais de Aoki & Veloso e Décourt e Quaresma, o que indica a viabilidade do uso das RNA como instrumento de previsão da capacidade de carga de fundações profundas. PALAVRAS – CHAVE: Redes Neurais – Provas de Carga – Fundações Profundas ABSTRACT Considering the contribution of Artificial Neural Networks (ANN) in several areas of civil engineering, in determination the behavior of various phenomena, this study aims to verify the feasibility of using ANN in predicting the load capacity of two distinct types of piles: in concrete drive spiked and continuous flight auger excavated. These networks will relate the geometrical properties of the piles (length and cross section) and the values of the SPT (standard penetration test) of the tip and lateral of the pile, with the lateral load capacity, tip and total deep foundations. With this information and the results obtained in static and dynamic load tests performed on the entire national territory, available in publications, articles from academic and available by specialist companies, was organized organize a database of test load continuous flight auger excavated and for in concrete drive. With these data organized, the ANN were trained through these, prediction equations were obtained, capable of deduce the ability of lateral support, tip and full. The values of load capacity obtained through the technique of ANN presented higher accuracy than traditional methods of Aoki & Veloso and Décourt & Quaresma, which demonstrates the feasibility of using ANN with a tool for predicting the load capacity of deep foundations. KEYWORDS : Neural Networks – Load tests – Deep Foundations Lista de Figuras Figura 2. 1 - Amostrador padrão para o ensaio de SPT (NBR 6484/2001) _____________________ 18 Figura 2. 2 - Conjunto para execução da sondagem a Percussão (SCHNAID, 2000) ______________ 18 Figura 2.3 – Solução de Terzaghi (BARATA,1984).________________________________________ 19 Figura 2. 4 - Sistema de Reação com Tirantes (HACHICH et al.,1998; apud SOARES, 2002) _______ 25 Figura 2. 5 - Sistema de Reação com Cargueiras (HACHICH et al.,1998; apud SOARES, 2002) ______ 25 Figura 2. 6 - Sistema de Reação com Estacas de Apoio (REESE O’ NEILL, 1988; apud SOARES, 2002) 26 Figura 2. 7 – Critério de Ruptura pelo método de Van der Veen (1953) - (CAVASSANI, 2005) ______ 28 Figura 2.8 - Curva Carga x Recalque de Van Der Veen (1953) _______________________________ 29 Figura 2.9 - Carga de Ruptura Convencional NBR 6122 (ABNT, 1996) ________________________ 30 Figura 2.10 - Curva RMX x DMX (GEOMEC, 2010) ________________________________________ 31 Figura 2.11– Reflexões das ondas elásticas na ponta da estaca para: a) estacas flutuantes. b) estacas de ponta (DYMINSKI, 2000) _________________________________________________________ 32 Figura 2.12 - A esquerda um transdutor de aceleração e à direita o de deformação (FOÁ,2001). __ 33 Figura 2.13 – Equipamento PDA (DYMINSKI, 2000). ______________________________________ 34 Figura 2.14- Perfuração do terreno pela hélice espiral (ANDRADE,2009) ______________________ 36 Figura 2.15- Célula neural biológica com seqüência de propagação do sinal (CASTRO 1998) ______ 37 Figura 2.16 - Modelo não-linear de um neurônio (HAYKIN, 2001). ___________________________ 39 Figura 2.17- Representação das principais funções de transferência usadas atualmente (SANTOS JR, 2006). __________________________________________________________________________ 40 Figura 2.18 – Exemplos de arquiteturas de Redes Neurais Artificiais (BRAGA et al 2000). _________ 42 Figura 2.19 - Processo de treinamento através do algoritmo back-propagation (SOUSA, 2008). ___ 46 Figura 3.1 – Processo de extrapolação da curva carga Recalque (modificado – Lobo (2005))53 Figura 4. 1- Redes Neurais utilizadas na previsão da capacidade de carga das estacas hélice contínua. _________________________________________________________________ 60 Figura 4. 2 – Redes Neurais utilizadas na previsão da capacidade de carga das estacas Prémoldadas de concreto. ______________________________________________________ 65 Lista de Tabelas Tabela 2.1 - Coeficientes F1 e F2 (AOKI & VELLOSO, 1975). _________________________ 21 Tabela 2.2 - Coeficientes K e α (AOKI & VELLOSO, 1975). ___________________________ 22 Tabela 2.3 - Valores de C em função do tipo de solo. (DÉCOURT & QUARESMA 1978). ____ 23 Tabela 2.4 - Parâmetros obtidos no ensaio de carga dinâmica através da análise pelo método CASE. ____________________________________________________________________ 34 Tabela 2.5 - Parâmetros obtidos no ensaio de carga dinâmica através da análise pelo método CAPWAP. _________________________________________________________________ 35 Tabela 2.6 - Tipologia e características das RNA utilizadas na previsão de capacidade de carga de estacas. __________________________________________________________ 49 Tabela 3.1 - Parâmetros utilizados como entradas das redes neurais. _________________ 51 Tabela 3.2 - Parâmetros utilizados como entradas das redes neurais. _________________ 54 Tabela 3.3 – Resultado da análise através do método CAPWAP - viaduto do bairro Cidade Nova - Feira de Santana-Ba (ANDRADE, 2009). ___________________________________ 56 Tabela 3.4 - Média dos resultados da Provas de carga dinâmica das estacas hélice contínua viaduto do bairro Cidade Nova Feira de Santana-Ba - (ANDRADE, 2009). ______________ 56 Tabela 3.5 - Provas de carga dinâmica em estacas pré-moldadas de concreto - obra de ampliação da Belgo Bekaert Feira de Santana-Ba - (GEOMEC, 2010). _________________ 57 Tabela 3.6 - Conjunto de Testes utilizado na validação das RNA das estacas hélice-contínua. ________________________________________________________________________ 57 Tabela 4. 1 - Coeficiente de correlação - estacas hélice contínua. ____________________ 59 Tabela 4.2 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA - estaca hélice contínua capacidade de carga do fuste. ________________________________________________ 61 Tabela 4.3 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA - estaca hélice contínua capacidade de carga da ponta. _______________________________________________ 62 Tabela 4.4 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA -estaca hélice contínua capacidade de carga total. ___________________________________________________ 63 Tabela 4.5 - Coeficiente de correlação - estacas pré-moldadas de concreto. ____________ 64 Tabela 4.6 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA - estaca pré-moldada de concreto - capacidade de carga do fuste.________________________________________ 66 Tabela 4.7 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA - estaca pré-moldada de concreto - capacidade de carga da ponta. _______________________________________ 67 Tabela 4.8 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA - estaca pré-moldada de concreto - capacidade de carga total. __________________________________________ 68 Lista de Variáveis A Coeficiente angular definido por regressão linear - Van der Veen (1953) ABNT Associação brasileira de normas técnicas As Área de seção transversal da estaca B ponto de interseção da reta procurada - Van der Veen (1953) C Coeficiente tabelado que varia com o tipo de solo- método de Décourt & Quaresma (1978). CAPWAP Case Pile Wave Analysis Program CASE Programa desenvolvido pelo Case institute CLT Cyclic load test CPT ensaio de penetração de cone CRP Constant rate of penetration D Diâmetro da estaca DMX Máximo Deslocamento medido ao nível dos sensores E Módulo de elasticidade do material da estaca EMX Máxima Energia Transferida, que passa ao nível dos sensores F1 e F2 Coeficientes de Transformação que variam com o tipo de estaca –método de Aoki Veloso (1975) FMX Máxima Força de Compressão originada quando do impacto do martelo, medido no nível dos sensores Hq Altura de queda do martelo Hq Altura de Queda do Martelo IA Inteligência Artificial J Fator de Amortecimento de CASE (depende do tipo de solo entre outros fatores); J Damping de Case - Fator de Amortecimento Dinâmico de Case; ke Coeficientes tabelados que variam com o tipo de solo –método de Aoki Veloso (1975) L Comprimento MLP Multi Layer perceptron N Resistência a penetração P Carga aplicada no ensaio de prova de carga estática PDA Pile Driving Analyzer Pr Carga última calculada pelo método de Van der Veen (1953) QAL Máximo Atrito Lateral Disponível – Capwap QML Quick maintaned load test QP Máxima Resistência de Ponta – Capwap R Carga de ruptura convencional – Método NBR 6122 de Extrapolação. RMX Máxima Capacidade de Carga, processada através do método CASE; RNA Redes neurais Artificiais RU Carga Última Análise Capwap SCT swedish cyclic test SML Slow maintained load test SPT Standard Penetration Test SPTF Número de golpes na lateral da estaca (SPT) nas camadas atravessadas pela estaca SPTp Número de golpes na ponta da estaca SPT-T Standard Penetration Test com medida de torque U Perímetro da estaca WS Velocidade de onda ρ Recalque ρr Recalque de ruptura convencional – Método NBR 6122 de Extrapolação. Sumário 1 INTRODUÇÃO __________________________________________________________________ 12 1.2 OBJETIVOS ___________________________________________________________________ 13 1.2.1 OBJETIVO GERAL _______________________________________________________________ 13 1.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS __________________________________________________________ 14 1.3 ESTRÁTEGIA METODOLÓGICA ____________________________________________________ 14 1.4 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA ___________________________________________________ 15 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA _________________________________________________________ 16 2.1 GEOTECNIA ___________________________________________________________________ 16 2.1.1 INVESTIGAÇÃO GEOTÉCNICA _______________________________________________________ 16 2.1.2 SONDAGEM DE SIMPLES RECONHECIMENTO A PERCUSSÃO (SPT) _______________________________ 17 2.1.4.1 Aoki-Veloso (1975) __________________________________________________________ 20 2.1.4.2 Décourt & Quaresma (1978) __________________________________________________ 22 2.1.4.3 Método UFRS (2005) ________________________________________________________ 23 2.1.5 ENSAIOS DE PROVA DE CARGA ______________________________________________________ 24 2.1.5.1 Ensaio de Prova de Carga Estática ______________________________________________ 24 2.1.5.2 Ensaio de prova de carga dinâmica _____________________________________________ 30 2.1.6 FUNDAÇÕES PROFUNDAS EM ESTACAS PRÉ-MOLDADAS E HÉLICE CONTÍNUA _______________________ 35 2.2 REDES NEURAIS _______________________________________________________________ 37 2.2.1 CONCEITO DE REDES NEURAIS ______________________________________________________ 37 2.2.2 O NEURÔNIO ARTIFICIAL __________________________________________________________ 38 2.2.3 FUNÇÕES DE ATIVAÇÃO ___________________________________________________________ 39 2.2.5 REDE NEURAL E SUA ARQUITETURA___________________________________________________ 41 2.2.6 TREINAMENTO_________________________________________________________________ 43 2.2.6.1 BACK-PROPAGATION ___________________________________________________________ 44 2.1.7 RNA NA ENGENHARIA GEOTÉCNICA __________________________________________________ 48 3. METODOLOGIA ________________________________________________________________ 50 3.1 LEVANTAMENTO DOS DADOS ____________________________________________________ 50 3.2 TRATAMENTO DOS DADOS_______________________________________________________ 50 3.3 REDES NEURAIS UTILIZADAS ______________________________________________________ 54 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES ______________________________________________________ 59 4.1 ESTACAS HÉLICE CONTÍNUA ______________________________________________________ 59 4.2 ESTACAS PRÉ-MOLDADAS DE CONCRETO ___________________________________________ 63 5. CONCLUSÕES __________________________________________________________________ 69 REFERÊNCIAS ____________________________________________________________________ 70 ANEXO A – BANCOS DE DADOS DE PROVA DE CARGA ESTÁTICA UTILIZADOS NO TREINAMENTO DAS RNA ________________________________________________________________________ 77 A.1- BANCO1: PROVA DE CARGA ESTÁTICA DE COMPRESSÃO ESTACAS HÉLICE CONTINUA (MODIFICADO – LOBO, 2005). _______________________________________________________ 77 A.2- BANCO2: PROVA DE CARGA ESTÁTICA DE COMPRESSÃO ESTACAS PRÉ-MOLDADAS DE CONCRETO (MODIFICADO – LOBO, 2005) ________________________________________________________ 79 ANEXO B – RELATÓRIOS DE SONDAGEM A PERCUSSÃO __________________________________ 82 B.1- ESTACAS HÉLICE CONTÍNUA _____________________________________________________ 82 B.2- ESTACAS PRÉ-MOLDADAS DE CONCRETO ___________________________________________ 84 1 INTRODUÇÃO De acordo com a NBR 6122 (ABNT, 1996), fundação profunda é o elemento de fundação que transmite a carga ao terreno pela base (resistência de ponta), por sua lateral (resistência de fuste) ou por uma combinação das duas, e que está assente em profundidade superior ao dobro de sua menor dimensão, e no mínimo 3 m, salvo algumas exceções. Neste tipo de fundação incluem-se as estacas, os tubulões e os caixões. O dimensionamento desse tipo de fundação é baseado na carga admissível de ruptura do solo que é determinada após cálculo ou por meio de verificação experimental através dos métodos de prova de carga estática ou dinâmica. Segundo Dyminski (2000) o cálculo da capacidade de carga de fundações profundas é feita através de equações matemáticas que levam em conta as propriedades geométricas das estacas e as características geotécnicas do solo. O grande problema é que tais formulações têm apresentado resultados extremamente dispersos se comparados com os valores dos ensaios de prova de carga. Nesse contexto, a utilização de ferramentas de inteligência artificial (IA) tem viabilizado soluções para problemas semelhantes aos descritos acima, nas mais diversas áreas do conhecimento inclusive na engenharia geotécnica. Entre essas ferramentas destacam-se as redes neurais artificiais RNA. A técnica das RNA permite que generalizações sejam feitas a partir de um conjunto de dados que são devidamente treinados de acordo com o problema a ser estudado, essa capacidade de generalização e treinamento possibilita a aplicação das RNA na análise de problemas geotécnicos como a previsão da capacidade de carga de fundações profundas. Essa análise é realizada a partir de um conjunto de dados de entrada semelhantes a dos métodos tradicionais. Alguns estudos, como o de Teh et al. (1997) comprovaram a viabilidade de se utilizar RNA como instrumento de predição da capacidade de carga de estacas. Pôde se observar no trabalho desse autor, que o erro máximo de previsão obtido através das RNA, para a carga total , pode ser inferior a 10%, apesar das dificuldades de se definir os parâmetros geotécnicos provenientes da heterogeneidade natural da massa de solo e das imperfeições na execução de ensaios (PACHECO & LIMA, 1996). Com base em estudos como o de Teh et al. (1997), foram obtidas nesse trabalho equações que fazem a previsão da capacidade de carga das estacas hélice contínua e pré-moldadas de concreto, com excelente grau de precisão. 12 1.1 JUSTIFICATIVA De acordo com Schnaid (2000) a previsão da capacidade de carga das fundações profundas é calculada na maioria das vezes através de métodos tradicionais como os de Aoki & Veloso (1975) e Décourt & Quaresma (1978). Apesar desses métodos constituírem-se como ferramentas valiosas à engenharia de fundações, é importante reconhecer que, devido a sua natureza estatística, a validade desses métodos está limitada à prática construtiva regional e às condições específicas dos casos históricos utilizados em seu estabelecimento (SCHNAID, 2000 apud LOBO, 2005). Um exemplo disso foi apresentado por Andrade (2009), que observou grande dispersão nos resultados ao comparar os valores dos ensaios de prova de carga, realizados nas estacas do viaduto localizado no bairro Cidade Nova no município de Feira de Santana-BA, com os resultados obtidos por diversos métodos semi-empíricos de predição da capacidade de carga. Nesse contexto, torna-se necessário o estudo da aplicação de técnicas que minimizem essa dispersão provocada por fatores como a prática construtiva regional. Atendendo a essa necessidade, essa pesquisa vem propor um método de previsão de capacidade de carga, que utiliza os dados e condições reais de ensaios de prova de carga realizados em todo território nacional e a técnica das Redes Neurais Artificiais para elaborar equações de predição da capacidade de carga para dois tipos de estacas: hélice contínua e pré-moldadas de concreto. 1.2 OBJETIVOS Baseado na revisão bibliográfica e na modelagem computacional feita com Redes Neurais Artificiais pretende-se atingir os seguintes objetivos: 1.2.1 Objetivo Geral Obter equações através da técnica das redes neurais artificiais que façam a previsão da capacidade de carga lateral, ponta e total das estacas hélice contínua e pré-moldadas de concreto. 13 1.2.2 Objetivos Específicos a) Estudar as principais características das redes neurais artificiais; b) Estudar os métodos tradicionais de previsão da capacidade de carga de fundações profundas; c) Organizar um banco de dados de ensaio de prova de carga para estacas do tipo hélice contínua e outro para as pré-moldadas de concreto, a fim de se realizar o treinamento e o teste das RNA; d) Coletar e organizar resultados de ensaios de provas de carga em estacas hélice contínua e pré-moldadas de concreto realizados na cidade de Feira de Santana; e) Comparar os resultados obtidos através das redes neurais com os métodos tradicionais de Aoki & Veloso (1975) e Décourt & Quaresma (1978). 1.3 ESTRÁTEGIA METODOLÓGICA a) Elaboração da revisão bibliográfica com base em trabalhos e publicações nacionais e internacionais; b) Levantamento e análise dos dados de ensaios de prova de carga realizadas em todo Brasil; c) Tratamento dos dados de prova de carga a serem utilizados no treinamento e teste das RNA; d) Definição da arquitetura da rede neural com o maior coeficiente de correlação possível em relação aos dados de prova de carga; e) Treinamento das rede neurais; f) Obter equações que façam a previsão da capacidade de carga da ponta, fuste e total para os dois tipos de estacas estudadas; g) Testar as equações obtidas com os dados extraídos dos dois bancos de dados e através dos dados coletados em ensaios de prova de carga realizados na cidade de Feira de Santana-Ba; h) Comparar os resultados obtidos com os métodos tradicionais de previsão de capacidade de carga. 14 1.4 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA CAPITULO 1 – Apresenta a introdução, a justificativa para escolha do tema, os objetivos e o escopo desse trabalho. CAPITULO 2 – Esse capitulo apresenta uma revisão bibliográfica sobre geotecnia descrevendo o ensaio de sondagem a percussão, métodos tradicionais de predição de capacidade de carga, ensaios de prova de carga dinâmica e estática e os principais métodos de extrapolação da curva carga x recalque. A segunda parte desse capitulo, faz uma breve abordagem sobre redes neurais artificiais mostrando seus conceitos, algoritmos, assim como sua capacidade de aprendizado e de aplicação em engenharia geotécnica. CAPÍTULO 3 – Esse capitulo descreve os procedimentos adotados para tratamento dos dados de prova de carga que foram utilizados no treinamento e teste das RNA. A segunda parte do capitulo, apresenta a metodologia adotada para definição das redes e equações que irão fazer a previsão da capacidade de carga das estacas hélice contínuas e pré-moldadas de concreto. CAPÍTULO 4 – Apresenta o critério utilizado para escolha das melhores RNA e a análise comparativa entre os ensaios de prova de carga, métodos tradicionais de previsão de capacidade carga, e os valores estimados pela Rede Neural Artificial. CAPÍTULO 5 – Conclusões gerais, mostrando as principais conclusões do trabalho com relação a utilização de redes neurais artificiais na predição da capacidade de carga de fundações profundas. 15 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 GEOTECNIA 2.1.1 Investigação Geotécnica A investigação geotécnica consiste na pesquisa que o engenheiro deve realizar para conhecer as características do solo. De acordo com Lima (1980) as características e informações solicitadas a um programa de investigação do subsolo são geralmente as seguintes: Determinação da extensão, profundidade e espessura de cada horizonte de solo dentro de uma determinada profundidade que vai depender da dimensão e natureza da estrutura, além de uma descrição do solo quanto a sua compacidade. Profundidade da superfície da rocha e sua classificação. Informações sobre a ocorrência de água no subsolo. Propriedades dos solos e rochas “in situ”, tais como, compressibilidade, resistência ao cisalhamento e permeabilidade. Esse reconhecimento do solo pode ser feito por meio de ensaios de campo e/ou de laboratório que permitem a identificação e classificação da estratigrafia do solo, assim como à avaliação dos seus materiais constituintes, permitindo a elaboração de projetos geotécnicos e de fundações. A NBR 6122 (1996) em seu item 4 descreve as investigações geotécnicas, geológicas e observações locais, nesse item alguns ensaios destacam- se e estão abaixo relacionados: O ensaio de penetração de cone – CPT. O ensaio de palheta – “Vane Test”. Os pressiômetros (Ménard e auto-perfurantes). O dilatômetro de Marchetti. Os ensaios de prova de carga no terreno ou nos elementos de fundação. Os ensaios de laboratório (caracterização, resistência, deformabilidade, permeabilidade, colapsibilidade e expansibilidade). Os ensaios geofísicos. O ensaio de Sondagem a trado. O “ Standard Penetration Test”- SPT. 16 Esta pesquisa descreve o ensaio de SPT que é a investigação que dispõe de maior utilização e tradição no Brasil. Além disso, as informações obtidas nesse ensaio serão utilizadas largamente na metodologia desse trabalho e nos cálculos de capacidade de carga por métodos semi-empíricos como os de Aoki e Velloso (1975) e Décourt e Quaresma (1978). 2.1.2 Sondagem de Simples reconhecimento a percussão (SPT) O ensaio de Resistência a Penetração do Solo, mais conhecido no Brasil como ensaio de SPT, devido as iniciais em inglês “Standard Penetration Test” é um procedimento geotécnico capaz de medir a resistência e coletar amostras deformadas do solo ao longo da profundidade perfurada. O ensaio de SPT é normalizado no Brasil pela Associação Brasileira de Normas Técnicas através da norma brasileira NBR 6484 (2001). De acordo com Hachich et al. (1998), com a sondagem a percussão pretende-se conhecer: O tipo de solo e a espessura da camada atravessada, obtidos através de uma amostra deformada, a cada metro perfurado. A resistência a penetração (N) oferecida à cravação do amostrador padrão, a cada metro perfurado. A posição do nível ou dos níveis d‟agua, quando encontrados durante a perfuração. O processo de perfuração é iniciado com o trado concha, passando a ser utilizado o trado helicoidal até o nível freático ou até atingido o impenetrável ao trado. Nesses dois último casos, a NBR 6484 permite que o avanço seja realizado com o auxilio do trépano de lavagem com circulação de água. Quando essa ferramenta é utilizada torna-se obrigatório o uso de tubos de revestimento e em algumas situações particulares de instabilidade das paredes do furo, o emprego de lamas de estabilização. “A sondagem a percussão consiste na penetração de um amostrador padrão (Figura 2.1) no solo devido ao impacto da queda de um peso de 65 kg (martelo) caindo de uma altura determinada de 75 cm” (HACHICH, 1998, p.120). “O processo de penetração do amostrador descrito anteriormente é repetido sucessivamente a cada metro, anotando-se os números de golpes necessários para a cravação do amostrador no solo para a penetração dos 45cm. A anotação dos números de golpes é realizada, separadamente, para cada segmento de 15cm cravado. O valor considerado como o índice de resistência à penetração (N ou NSPT) é representado pelo número de golpes 17 necessários à cravação dos 30cm finais do amostrador. No decorrer do ensaio, amostras de solo são recolhidas e acondicionadas devidamente “ (FONTELES, 2003,p.8) Figura 2. 1 - Amostrador padrão para o ensaio de SPT (NBR 6484/2001) Para iniciar uma sondagem a percussão monta-se sobre o terreno um cavalete chamado de forma incorreta de tripé, um conjunto de roldanas e uma corda. Este conjunto tripé, roldana é que irão auxiliar no manuseio dos componentes da haste, e na movimentação do “martelo”. Figura 2. 2 - Conjunto para execução da sondagem a Percussão (SCHNAID, 2000) Algumas empresas estão complementando o ensaio de SPT com a medida do torque (SPT-T) e a partir dessa informação adicional pode-se obter um parâmetro geotécnico indicativo da adesividade do solo. De acordo com Quaresma et al. (1998), há uma tendência de substituição do SPT pelo SPT-T, devido ao maior número de parâmetros obtidos. 18 2.1.3 Métodos de previsão capacidade de Carga de Fundações Profundas Segundo a NBR 6122 (1996) a carga admissível de uma estaca isolada é a força que, aplicada sobre essa, provoca apenas recalques compatíveis com a construção oferecendo simultaneamente segurança satisfatória contra a ruptura do solo e contra a ruptura do elemento de fundação. De acordo com Reese et al.(2006) apud Andrãos (2009), a capacidade de carga de uma fundação profunda é definida como a soma das cargas máximas que podem ser suportadas pelo atrito lateral e pela ponta do elemento isolado de fundação A determinação da capacidade de carga de um elemento isolado de fundação pode ser feita através de métodos teóricos, semi-empíricos, e por meio de provas de carga dinâmicas e estáticas. O método teórico foi estudado por Terzaghi (1943) e, mais tarde por Meyerhoff (1951) e vários outros autores segundo Barata (1984). A teoria proposta por Terzaghi (1943), diz que a ruptura acontece quando a resistência ao cisalhamento τ é vencida ao longo do fuste da estaca (segmento Df), com um conseqüente levantamento da superfície do terreno em torno do elemento isolado de fundação (segmento ae), como ilustra a Figura 2.3 . Figura 2.3 – Solução de Terzaghi (BARATA,1984). 19 Segundo Alonso (1996) os métodos teóricos como o de Terzaghi (1943), não conduzem a resultados satisfatórios. Décourt (1998) e Hachich et al. (1998) afirmam que os métodos semi-empíricos, descritos a seguir, definem correlações através de ajustes estatísticos que levam em conta os princípios definidos nos métodos teóricos e/ou empíricos, por isso apresentam boas probabilidades de acerto. Albiero & Cintra (1996) escrevem que os ensaios de prova de carga se constituem a forma mais confiável de se determinar o valor da carga última de uma fundação profunda. Essa confiabilidade dos ensaios de prova de carga é também comprovada pela NBR 6122/96 que admite uma redução do fator de segurança de 2 para 1,6 quando a obra dispõe de um número adequado de provas de cargas e os elementos ensaiados são representativos do conjunto da fundação. Devido a sua comprovada precisão e a confiabilidade dos resultados obtidos, serão detalhados na revisão bibliográfica e utilizados na metodologia desse trabalho apenas os métodos semi-empíricos e os ensaios de prova de carga dinâmica e estática. 2.1.4 Métodos Semi-Empíricos de Previsão da Capacidade de Carga Os métodos semi-empíricos são desenvolvidos com o objetivo de correlacionar as dimensões do elemento isolado de fundação e os parâmetros do solo de cada região com os métodos de prova de carga, gerando através de análise estatística, equações que são capazes de prever a capacidade de suporte de uma fundação profunda. No Brasil, os métodos de Aoki & Velloso (1975) e Décourt & Quaresma (1978) também chamados de métodos tradicionais, destacam-se entre os mais utilizados no dimensionamento de fundações profundas. O terceiro método abordado é da UFRS, proposto por Lobo (2005) a ser utilizado como base metodológica para este trabalho. 2.1.4.1 Aoki-Veloso (1975) O método de Aoki & Veloso (1975), permite obtenção da capacidade de carga última da estaca utilizando os dados obtidos no ensaio do cone de penetração (CPT). Posteriormente a fórmula foi adaptada para utilizar os dados do ensaio de SPT. O cálculo da carga última é feito considerando o tipo de solo e estaca, como mostra a equação a seguir: 20 Onde: As= Área de seção transversal da estaca; F1 e F2= Coeficientes de Transformação que variam com o tipo de estaca (Tabela 2.1); k e = Coeficientes tabelados que variam com o tipo de solo (Tabela 2.2); SPTP= Número de golpes na ponta da estaca (SPT); SPTF= Número de golpes na lateral da estaca (SPT) nas camadas atravessadas pela estaca; D= Diâmetro da estaca; l= Comprimento de cada uma das camadas atravessadas pelo fuste da estaca. Adotando um coeficiente de segurança igual a 2 como indica a NBR 6122 (ABNT, 1996), assim a carga admissível (Qadm) é dada por: Foram considerados pelos autores os coeficientes F1 e F2, sendo estes definidos para se ponderar as diferenças de comportamento entre a estaca (protótipo) e o cone (modelo) (MAGALHÃES, 2005). Tabela 2.1 - Coeficientes F1 e F2 (AOKI & VELLOSO, 1975). Tipo de Estaca F1 F2 Franki 2,5 5 Pré- moldada 1,75 3,5 Metálica 1,75 3,5 Escavada com lama 3 6 21 Tabela 2.2 - Coeficientes K e α (AOKI & VELLOSO, 1975). Tipo de Solo K (Kpa) α (%) Areia 1000 1,4 Areia Siltosa 800 2 Areia Silto-Argilosa 700 2,4 Areia Argilosa 600 3 Areia Argilo-Siltosa 500 2,8 Silte 400 3 Silte Arenoso 550 2,2 Silte Areno-Argiloso 450 2,8 Silte Argiloso 230 3,4 Site Argilo-Arenoso 250 3 Argila 200 6 Argila Arenosa 350 2,4 Argila Areno-Siltosa 300 2,8 Argila Siltosa 220 4 Argila Silto-Arenosa 330 3 Segundo Velloso & Alonso (2000), o método de Aoki & Veloso foi apresentado há mais de 30 anos e desenvolvido para uma determinada região geotécnica, devendo ser utilizado com cautela em outras regiões com o objetivo de se obter resultados mais confiáveis. Além disso, o método foi originalmente desenvolvido para as estacas tipo Franki, prémoldadas e metálicas, posteriormente expandido para estacas escavadas com lama bentonítica. 2.1.4.2 Décourt & Quaresma (1978) De acordo com Lobo (2005), esse método utiliza os valores obtidos no ensaio de SPT para estimar a capacidade de carga de uma fundação profunda. Originalmente desenvolvido para estacas pré-moldadas de concreto e mais tarde estendido a estacas escavadas, hélice contínua e injetadas por Décourt (1996). Nesse contexto, a capacidade de carga da estaca é o resultado da soma das parcelas do atrito lateral e de ponta: Onde: 22 As= Área de seção transversal da estaca; C = Coeficiente tabelado que varia com o tipo de solo (Tabela 2.3); U= Perímetro da estaca; SPTp= SPT médio da ponta da estaca; SPTF= SPT médio ao longo do fuste da estaca; l= Comprimento da estaca Tabela 2.3 - Valores de C em função do tipo de solo. (DÉCOURT & QUARESMA 1978). Tipo de Solo Argila Siltes argilosos Siltes arenosos Areias Valores de C (KPa) 120 200 250 400 Presa (2001), salienta que na determinação do SPTp e do SPTF, os valores menores que 3 devem ser considerados igual 3 e os maiores que 50 devem ser considerados igual 50. 2.1.4.3 Método UFRS (2005) O método UFRS desenvolvido por Lobo (2005) procura relacionar os resultados do ensaio de SPT com os valores obtidos no ensaio de prova de prova de carga estática. A metodologia proposta busca estimar a capacidade de carga da fundação profunda comparando a reação do solo, de cravação ao amostrador padrão com o da estaca. Para validação do estudo Lobo (2005), organizou um banco de dados com 325 provas de carga à compressão e 43 a tração, executadas em todo o país. Das provas de carga à compressão, 132 casos são de estacas cravadas pré-moldadas de concreto, 28 de estacas metálicas, 95 de estacas hélice-contínua e 70 casos de estacas escavadas. Já nas provas de carga à tração, 3 casos são de estacas cravadas pré-moldadas, 31 de estacas hélice contínua e 9 casos de estacas escavadas (LOBO, 2005). Lobo (2005) disponibilizou informações sobre características das estacas como seção transversal e comprimento, valores máximos de carga e recalque atingidos pela prova de carga, carga de ruptura total, lateral e de ponta extrapoladas através dos métodos de Van der Veen (1975) e da NBR 6122/1996. Além disso, é apresentada a referência bibliográfica de cada elemento e a localização da prova de carga. 23 2.1.5 Ensaios de Prova de Carga Os ensaios de prova de carga têm como objetivo avaliar o comportamento mecânico das fundações profundas depois de executadas, garantindo o controle de qualidade e o bom funcionamento das mesmas. As normas brasileiras que regulamentam os ensaios de prova de carga em fundações profundas são: Estacas prova de carga estática – NBR 12131 (ABNT, 2006). Estacas ensaio de carregamento dinâmico – NBR 13208 (ABNT, 2007). 2.1.5.1 Ensaio de Prova de Carga Estática Segundo Foá (2001) o ensaio de carregamento estático possui uma metodologia já bem definida. O seu principal objetivo é de conhecer o comportamento da fundação, para níveis de cargas crescentes, até um certo limite de carga ou completa ruptura do sistema estaca-solo. Nesse ensaio a estaca é ensaiada de forma incremental, e seu deslocamento na direção vertical é monitorado através de intervalos de tempo previamente definidos. A NBR 12131, (ABNT, 2006) permite que os esforços aplicados aos elementos isolados sejam axiais, de tração, compressão ou transversais. O dispositivo de aplicação de carga é constituído por macaco hidráulico alimentado por bombas, atuando contra um sistema de reação NBR 12131 (ABNT, 2006). Essa mesma norma técnica recomenda que a medição dos deslocamentos verticais deve ser feita através de quatro deflectômetros mecânicos instalados em dois eixos ortogonais, sendo que esses medidores devem ficar apoiados ou fixados em uma viga de referência do topo da estaca. De acordo com Soares (2002) existem três tipos possíveis de montagem para o sistema de reação constituído de uma viga metálica de reação fixada ao solo por meio de tirantes (Figura 2.4), cargueiras (Figuras 2.5) ou estacas de apoio (Figuras 2.6). 24 Figura 2. 4 - Sistema de Reação com Tirantes (HACHICH et al.,1998; apud SOARES, 2002) Figura 2. 5 - Sistema de Reação com Cargueiras (HACHICH et al.,1998; apud SOARES, 2002) 25 Figura 2. 6 - Sistema de Reação com Estacas de Apoio (REESE O‟ NEILL, 1988; apud SOARES, 2002) Foá (2001) escreve sobre as diversas metodologias existentes de ensaio de carregamento estático e salienta que essa diversificação conduz a diferentes resultados de capacidade de carga estática. De acordo Soares (2002) os métodos de ensaio existentes e suas interpretações dividem-se nas seguintes modalidades: Carregamento lento com carga mantida ou SML (“slow maintained load test”). Esse ensaio é efetuado em estágios de cargas crescentes de incrementos iguais, mantendo-se, em cada estágio, a carga constante até o recalque se estabilizar; Carregamento rápido com carga mantida ou QML (“quick maintaned load test”). Efetuado em 30 a 40 estágios de carga crescentes, de incrementos iguais, mantidos por 5 a 15 minutos por estágio de carregamento; Carregamento cíclico sob velocidade constante de penetração ou CRP (“constant rate of penetration”). Nesse ensaio a estaca é forçada a se deslocar, penetrando no solo com uma velocidade constante de 0,5 mm/min; Carregamento cíclico CLT ou SCT (“cyclic load test” ou “swedish cyclic test”). O carregamento ciclico é crescente podendo-se ou não aguardar que o recalque se estabilize, antes de proceder a descarga de cada ciclo. Apesar de existirem quatro formas diferentes de ensaios de prova de carga, a NBR 12131 (ABNT, 2006) permite a utilização apenas das técnicas de carregamento rápido (QML) e de carregamento lento (SML) na determinação da capacidade de carga e, além disso, obriga a existência de estabilização dos deslocamentos para cada estágio de carga. 26 A estabilização dos deslocamentos ocorre quando em duas leituras consecutivas o recalque não exceder 5 % do recalque total observado no mesmo estágio de carregamento NBR 12131(ABNT, 2006). De acordo com a NBR 6122 (ABNT, 1996) a capacidade de carga de estaca ou tubulão de prova deve ser considerada definida quando ocorrer ruptura nítida, entretanto o carregamento da estaca ou tubulão de prova pode não indicar uma carga de ruptura nítida. Isto ocorre quando não se pretende levar a estaca ou o tubulão à ruptura ou a estaca ou tubulão tem capacidade de resistir a uma carga maior o que aquela que se pode aplicar na prova (por exemplo, por limitação de reação), ou quando a estaca é carregada até apresentar um recalque considerável, mas a curva carga-recalque não indica uma carga de ruptura, mas um crescimento contínuo do recalque com a carga. Nos dois primeiros casos, deve-se extrapolar a curva carga-recalque para se avaliar a carga de ruptura, o que deve ser feito por critérios consagrados na Mecânica dos Solos sobre uma curva de primeiro carregamento. No terceiro caso, a carga de ruptura pode ser convencionada como aquela que corresponde, na curva carga x deslocamento como, a um dado recalque calculado pelo método da NBR 6122/1996 apresentando abaixo. A Seguir serão apresentados o métodos de Van der Ven (1953) que é o mais utlizado no Brasil na extrapolação da curva carga x recalque de acordo com Cintra & Aoki (1999) e da NBR 6122 (ABNT, 1996) recomendado fundações profundas carregadas até apresentarem um recalque considerável. 2.1.5.1.1 Método De Van Der Veen (1953) De acordo com Velloso & Lopes (2002) o método de Van Der Veen (1953) é o mais utilizado no Brasil. Este método propõe que a carga última “Pr” seja definida por tentativas através da equação “ln (1-P/Pr)” plotada em um gráfico em função do recalque “r”. Vários gráficos são obtidos para os diferentes valores de “Pr” arbitrados e através da análise destes, define-se o valor da carga de ruptura “Pr”, escolhida de acordo com a representação que mais se aproximar de uma linha reta, como mostra a figura 2.7. 27 Figura 2. 7 – Critério de Ruptura pelo método de Van der Veen (1953) - (CAVASSANI, 2005) Van der Veen a partir de uma serie de provas de carga propôs uma relação empírica para a curva carga x recalque, definida pela expressão matemática abaixo: P = Pr (1 – e-αρ ) (2.4) Onde: ρ = Recalque. P= Carga correspondente ao recalque ρ. Pr = carga de ruptura escolhida através de tentativas . a = coeficiente angular definido por regressão linear escolhida a partir da representação que mais se aproximar de uma reta. “Na aplicação do método de Van der Veen, Aoki (1976) observou que a reta obtida (correspondente à carga de ruptura) não passava pela origem, mas apresentava um intercepto. Deste modo, Aoki propôs a inclusão de um intercepto “b”, dando origem ao método de Van der Veen generalizado. Com base na expressão generalizada obtém-se a curva ajustada, arbitrando-se valores para ρ e calculando os valores correspondentes para P” (LOBO, 2005, p.45). 28 Pi = Pr (1 – e-(b-αρ)) (2.5) Onde: b = ponto de interseção da reta procurada no método, com o eixo das abscissas. A equação (2.5) define uma curva assintótica em relação ao eixo vertical, esta estabelece o valor da carga de Ruptura “Pr”, como mostra figura 2.8. Figura 2.8 - Curva Carga x Recalque de Van Der Veen (1953) . 2.1.5.1.2 Método Abnt Nbr 6122 Esse método é utilizado quando o elemento de fundação é carregado até apresentar um recalque considerável, mas a carga x recalque não indica ruptura: = Recalque de ruptura convencional R = Carga de ruptura convencional l = Comprimento da estaca As = Área da seção transversal da estaca E = Módulo de elasticidade do material da estaca D = Diâmetro do circulo circunscrito a estaca. 29 Figura 2.9 - Carga de Ruptura Convencional NBR 6122 (ABNT, 1996) De acordo com Dyminski (2000) a realização de uma prova de carga estática é dispendiosa, pois necessita da montagem de todo um aparato de estacas de reação que devem ser construídas no local da obra e equipamentos de aplicação de carga (viga, macaco hidráulico e outros), que são equipamentos pesados e volumosos. Se a estaca a ser testada for de grande porte e conseqüentemente receber grandes carregamentos, este problema fica ainda mais agravado e o ensaio que já é considerado demorado poderá demandar semanas. Nesse contexto, o ensaio de prova de carga dinâmica torna-se uma ótima alternativa para avaliar a capacidade de suporte de um elemento de fundação isolado. 2.1.5.2 Ensaio de prova de carga dinâmica De acordo com Niyama et al. (1996) a prova de carga dinâmica de um elemento de fundação, em geral uma estaca, é um ensaio em que se aplica um carregamento dinâmico axial com o objetivo de obter principalmente uma avaliação de sua capacidade de carga, com a utilização de uma instrumentação adequada e da aplicação da teoria de equação da onda. O ensaio de carregamento dinâmico pode ser realizado de forma tradicional quando a energia do impacto é mantida constante, ou seja, a altura de queda do martelo é mantida 30 sempre a mesma. Existe também a metodologia da energia crescente desenvolvida por Aoki, em que a altura da queda do martelo é crescente, com esse segundo método pode-se obter os parâmetros de resistência estática mobilizada (RMX) e de deslocamento máximo descendente que (DMX), que tem como objetivo simular a curva carga x recalque obtido na prova de carga estática através da curva RMX x DMX, como mostra a figura 2.10. Figura 2.10 - Curva RMX x DMX (GEOMEC, 2010) A prova de carga dinâmica é um ensaio em que, um carregamento dinâmico axial é provocado pela queda de um martelo convencional de cravação de estacas ou dispositivo similar que tenha massa suficiente para mobilizar a resistência das camadas do solo atravessadas pela estaca. Esse procedimento visa estimar a capacidade de carga estática do sistema estaca-solo e a análise desse processo é feita com base nos fundamentos da teoria da equação da onda, aplicada à cravação ou à recravação de uma estaca. A teoria da equação da onda pode ser representada por modelos matemáticos complexos, entretanto esse trabalho busca apresentar apenas os aspectos mais importantes, ressaltando as aplicações de teorias e conhecimentos envolvidos sobre o assunto (NIYAMA et al, 1996). Segundo esse mesmo autor, no processo de cravação de uma estaca, sua parte superior é comprimida e as partículas do material da estaca são aceleradas, gerando uma onda de compressão que se propaga com uma velocidade “c”, que depende do material da estaca ensaida. 31 De acordo Andraos (2009), pode-se considerar o equilíbrio dinâmico de um segmento da estaca em qualquer instante e as leis básicas de Newton e Hook para se chegar a solução conhecida como equação geral da onda. u(x, t) = f (x – ct) + g(x + ct) = u + +u (2.7) As setas representam o sentido de deslocamento das ondas f e g que apesar de possuírem a mesma velocidade deslocam-se em sentidos contrários. Nesse contexto, o entendimento do fenômeno de reflexão de ondas no interior da estaca torna-se muito importante, pois no instante do impacto entre o martelo e a estaca são geradas ondas compressivas que irão se propagar ao longo do fuste e serão refletidas ao encontrar a ponta da estaca. A resistência da ponta da estaca pode ser nula (estaca flutuante) e gerar uma onda ascendente de tração ou a ponta pode estar engastada gerando uma onda ascende de compressão. Figura 2.11– Reflexões das ondas elásticas na ponta da estaca para: a) estacas flutuantes. b) estacas de ponta (DYMINSKI, 2000) 2.1.5.2.2 Aquisição de dados O ensaio de carregamento dinâmico é baseado no registro e processamento dos sinais de força e velocidade que são captados por transdutores de aceleração e deformação instalados no topo da estaca. Os transdutores de deformação específica são constituídos por quatro “strain gages” (extensometros elétricos), que são fixados no elemento de fundação geralmente por chumbadores. O fabricante recomenda que esses equipamentos sejam instalados em posições 32 diametralmente opostas no topo da estaca, a fim de diminuir os efeitos de excentricidade ou flexão durante o golpe de martelo. Os transdutores de aceleração são equipamentos de aquisição de dados que podem ser instalados sozinhos ou aos pares no topo da estaca a fim de medir a aceleração da onda mecânica que se propaga ao longo do fuste, na figura 2.12 pode ser observado um transdutor de deformação e outro de aceleração afixados no topo de uma estaca. Figura 2.12 - A esquerda um transdutor de aceleração e à direita o de deformação (FOÁ,2001). 2.1.5.2.3 Registro e Processamento Os instrumentos de aquisição de dados (transdutores) transmitem as informações através de cabos de conexão ao PDA (Pile Driving Analyzer) que é responsável por converter esses sinais obtidos pelos transdutores em força e velocidade médias, para posteriormente serem processados pelos programas computacionais CASE e/ou CAPWAP (Case Pile Wave Analysis Program), como será visto a seguir. 33 Figura 2.13 – Equipamento PDA (DYMINSKI, 2000). 2.1.5.2.4 Análise e Interpretação Segundo NIYAMA et al (1996) a cravação de uma estaca pode ser analisada através de dois modelos: O primeiro simplificado, do tipo representado pelo impacto de duas barras, onde se enquadram, por exemplo o método CASE e o Repique; e o segundo, mais elaborado e base para o método CAPWAP, proposto inicialmente por Smith (1960), onde a estaca é modelada através de elementos de massas e molas. De acordo com a NBR 13208 (ABNT, 2007) a avaliação da capacidade de carga de uma estaca pode ser feita de forma simplificada através do método CASE ou de uma forma mais completa através da análise numérica do tipo CAPWAP. Os métodos de avaliação da capacidade de carga são utilizados para calcular vários parâmetros de interesse. A tabela 2.4 mostra os principais parâmetros obtidos no ensaio de prova de carga dinâmica analisado através método CASE. Tabela 2.4 - Parâmetros obtidos no ensaio de carga dinâmica através da análise pelo método CASE. RMX Máxima Capacidade de Carga, processada através do método CASE; DMX Máximo Deslocamento medido ao nível dos sensores; EMX Máxima Energia Transferida, que passa ao nível dos sensores; FMX Máxima Força de Compressão originada quando do impacto do martelo, medido no nível dos sensores; J Hq Fator de Amortecimento de CASE (depende do tipo de solo entre outros fatores); Altura de queda do martelo. A NBR 13208 (ABNT, 2007) prescreve que para que haja maior confiabilidade nos resultados obtidos pelo método simplificado, para cada lote de estacas de mesmas 34 características na obra, devem ser aferidos por pelo menos uma análise do tipo CAPWAP ou por uma nova carga estática, conforme NBR 12131, além disso, a avaliação por meio do CAPWAP permite a obtenção da capacidade de carga do fuste e da ponta separados, além de outros parâmetros, como mostra a tabela 2.5. Tabela 2.5 - Parâmetros obtidos no ensaio de carga dinâmica através da análise pelo método CAPWAP. J Damping de Case - Fator de Amortecimento Dinâmico de Case; RU Carga Última Análise Capwap; QAL Máximo Atrito Lateral Disponível – Capwap; QP Máxima Resistência de Ponta – Capwap; Hq Altura de Queda do Martelo; WS Velocidade de onda. 2.1.6 Fundações Profundas em Estacas Pré-moldadas e Hélice Contínua Segundo Joppert (2007) as estacas são elementos esbeltos, implantados no solo por percussão ou via perfuração do solo com posterior concretagem. Podendo assim, serem classificadas como estacas cravadas e estacas escavadas. Como exemplo de estacas cravadas ou de deslocamento, tem-se as pré-moldadas de concreto, que tem se mostrado uma ótima opção de fundação devido ao seu severo controle de qualidade de fabricação e cravação. Esse tipo de estaca pode ser fabricada em concreto armado ou protendido e sua seção pode assumir diversas formas geométricas. Seu comprimento varia entre 4 e 12 metros, mas quando existe a necessidade de comprimentos maiores que 12 metros, as estacas podem ser emendadas, desde que sejam observadas as recomendações da NBR 6122/1996. As estacas pré-moldadas de concreto são cravadas no solo por um “martelo”. Este deve possuir energia suficiente para implantar a estaca no solo com o comprimento desejado ou até que ela atinja terreno impenetrável a cravação. Para que isso ocorra, o martelo deve possuir peso igual ou maior ao peso da estaca a ser cravada (JOPPERT, 2007). Um exemplo de estaca escavada é a hélice continua. O sistema hélice continua consiste em perfurar o terreno com uma hélice de comprimento maior ou igual ao da estaca a ser construída. A haste de perfuração é composta por uma hélice espiral que é dotada de um 35 tubo central, com diâmetro variável entre 10 e 13 cm, dispondo em sua extremidade inferior de uma tampa removível, que permite sua recuperação no fim da execução (PRESA, 2001). Presa (2001) escreve ainda sobre a introdução da hélice no terreno que é feita com um torque apropriado para vencer a resistência do solo atravessado até que se alcance a profundidade requerida. Nessa profundidade inicia-se o bombeamento do concreto através do tubo central, de modo que esse preencha a cavidade deixada pela hélice á medida que ela vai sendo retirada do solo. Após a concretagem a armadura é introduzida na estaca por gravidade ou com o auxilio de um pilão. A figura mostra 2.14 mostra a perfuração do terreno pelo sistema hélice contínua. Figura 2.14- Perfuração do terreno pela hélice espiral (ANDRADE,2009) 36 2.2 REDES NEURAIS Este item apresenta uma breve revisão bibliográfica sobre redes neurais artificiais ou simplesmente RNA. Por ser um assunto amplo, foi imprescindível focar esse estudo apenas nos aspectos que serão utilizados nessa pesquisa. 2.2.1 Conceito de Redes Neurais Segundo Haykin (2001), uma rede neural artificial, ou simplesmente RNA, é um processador maciço distribuído de forma paralela constituído de unidades de processamento simples, que têm a propensão natural para armazenar conhecimento experimental e torná-lo disponível para uso. As RNA devem ser capazes de realizar três tarefas: a) armazenar conhecimento; b) aplicar o conhecimento armazenado para resolver problemas; c) adquirir novos conhecimentos através de experiência. Uma RNA é um sistema de processamento de informação que possui algumas características de desempenho em comum com as redes neurais biológicas. Os modelos artificiais têm como principal fonte de inspiração as redes neurais biológicas. A Figura 2.15 apresenta um modelo de neurônio biológico com a seqüência de propagação dos sinais pela célula (CASTRO, 1998). Figura 2.15- Célula neural biológica com seqüência de propagação do sinal (CASTRO 1998) De acordo com Braga et al (2000), RNA são sistemas paralelos distribuídos compostos por unidades de processamento simples (neurônios artificiais) que calculam determinadas funções matemáticas (normalmente não lineares). Tais unidades são dispostas em uma ou mais camadas interligadas por um grande número de conexões, geralmente 37 unidirecionais. Na maioria dos modelos essas conexões estão associadas a pesos, os quais armazenam o conhecimento adquirido pelo modelo e servem para ponderar a entrada recebida por cada neurônio da rede. 2.2.2 O Neurônio Artificial Para explicar os princípios básicos de uma unidade de processamento Haykin (2001) utilizou o modelo apresentando na Figura 2.16, que divide o neurônio artificial em três partes: Conjunto de Sinapses, somador e a função de ativação. Esse mesmo modelo pode ser utilizado para descrever a operação de sua unidade de processamento da seguinte forma: Entrada: O estimulo é representando por n terminais de entrada (dêntritos) que recebem os valores x1, x2,..., xn (essas informações de entrada são aquelas que serão apresentadas a rede); Pesos: O comportamento das sinapses é simbolizado pelos pesos wk,1, wk,2,... wk,n, acoplados aos terminais de entrada, cujos valores podem ser positivos ou negativos, dependendo de as sinapses serem inibitórias ou excitatórias; Combinação Linear: Na seqüência os valores de entrada são multiplicados por seus respectivos pesos caracterizando uma combinação linear, também chamada de saída linear uk; Funções de Ativação: Essa saída linear uk deve ser submetida a uma função de ativação φ que serve para limitar os valores de entrada a um determinado intervalo. Saída: A unidade irá processar o valor de entrada, produzindo uma determinada saída que poderá ser enviada para a camada seguinte ou ser o resultado na camada de saída da rede. 38 Figura 2.16 - Modelo não-linear de um neurônio (HAYKIN, 2001). O modelo neural da Figura 2.16 inclui também um bias aplicado externamente, representado por bk. O bias têm o efeito de aumentar ou diminuir a entrada liquida da função de ativação, dependendo se este é positivo ou negativo respectivamente (HAYKIN, 2001). Além disso, o bias possibilita que a rede possa considerar valores não relacionados entre os parâmetros de entrada. 2.2.3 Funções de ativação A função de ativação φ também chamada de “squashing function”, visa limitar os sinais de entrada a um determinado intervalo, normalmente entre 0 e 1 ou -1 e 1 (DYMINSKI, 2000). A “squashing function” é capaz de assumir diversas formas, podendo ser linear, sigmoidal, tangente hiperbólica, entre outras. A figura 2.17 apresenta os gráficos das três principais funções de ativação, as equações que regulam essas funções e o intervalo de valores de sua imagem. 39 Figura 2.17- Representação das principais funções de transferência usadas atualmente (SANTOS JR, 2006). 2.2.4 Aprendizado De acordo com Haykin (2001), aprendizagem é um processo pelo qual os parâmetros livres de uma rede neural são adaptados (ajuste dos pesos) através de um processo de estimulação pelo ambiente no qual a rede está inserida. O tipo de aprendizagem é determinado pela maneira pela qual a modificação dos parâmetros ocorre. A forma como são ajustados os pesos irá determinar os dois tipos de aprendizado: não-supervisionado e supervisionado. No aprendizado não- supervisionado não são conhecidos os valores das saídas. O processo de aprendizado só é possível quando existe regularidade e repetição nos dados de entrada. Geralmente são utilizados em redes recorrentes e quando se quer descobrir características estatísticas dos dados de entrada, como por exemplo, a descoberta de agrupamento. O aprendizado supervisionado é utilizado quando são conhecidos os valores das entradas e saídas por um supervisor externo. Os pesos devem ser ajustados para que as correlações entre os valores de entrada e saída sejam determinadas. Braga et al (2000) afirmam que o aprendizado supervisionado pode ser implementado de duas formas: off-line e on-line. Para o treinamento off-line, os dados do conjunto de treinamento não mudam, e, uma vez obtida uma solução para a rede, esta deve permanecer fixa. Caso novos dados sejam adicionados, um novo treinamento, envolvendo também os dados anteriores, deve ser realizado para se evitar interferência no treinamento anterior. Por sua vez, no aprendizado on-line o conjunto de dados muda continuamente, e a rede deve estar em um continuo processo de adaptação. 40 2.2.5 Rede Neural e sua Arquitetura De acordo com Braga et al. (2000), os paramêtros que definem uma RNA são: número de camadas de rede, número de nós em cada camada, tipo de conexão entre os nodos e a topologia da rede. Segundo Santos (2006), não existe uma regra bem definida para a definição do número de camadas numa RNA. Aconselha-se a definição de uma série de arquiteturas de acordo com número de dados de entrada e saída. Essas diferentes topologias deverão ser treinadas e testadas. Após esses treinamentos e testes, utiliza-se a rede que se ajustou melhor aos dados, gerando os menores erros tanto na fase de testes quanto de treinamento. Hecht-Nielsen (1987) baseados no teorema de Kolmogorov (1957) propôs a seguinte regra para auxiliar na definição da arquitetura de uma RNA: “uma rede neural de três camadas, com n neurônios na camada de entrada, poderá ter 2n+1 neurônios na camada intermediária ou oculta”. As redes com essa arquitetura podem ser utilizadas para resolver com sucesso problemas com características não lineares. A arquitetura definida nesse trabalho foi aprimorada a partir da comparação desse estudo com outras aplicações bem sucedidas de RNA, na área da engenharia geotécnica. A figura 2.18 apresenta alguns exemplos de arquiteturas de redes neurais. 41 Figura 2.18 – Exemplos de arquiteturas de Redes Neurais Artificiais (BRAGA et al 2000). Além disso, Braga et al. (2000) classificam as RNA de acordo com o número de camadas, tipos de conexões dos nós e sua conectividade: Número de camadas: o redes de camada única: Existe um único nó entre a entrada e a saída da rede (Figura 2.18 a, e). o de múltiplas camadas (MLP): Existe mais de um neurônio entre as camadas de entradas e saídas da rede (Figura 2.18 b, c, d). 42 Tipo de conexões dos Nodos: o feedforward, ou acíclica: A saída de um neurônio não pode ser utilizada como entrada de nodos em camadas de índice menor ou igual a (Figura 2.18 a, b, c); o feedback ou cíclica: A saída de um neurônio qualquer localizado na camada é usada como entrada de nodos em camadas de índice menor ou igual a (Figura 2.18 d, e). Tipo de conectividade: o rede fracamente (ou parcialmente) conectada (Figura 2.18 b, c, d). o rede completamente conectada (Figura 2.18 a, e). 2.2.6 Treinamento Depois de coletar e selecionar os dados, deve-se dividi-los de forma que uma parte desses seja utilizada para o treinamento da rede, e outra parte para o teste. Haykin (2001) e Braga et al. (2000) recomendam a divisão de cerca de 70 a 90% para o treinamento e o restante para a validação. De acordo Dyminski (2000), o treinamento consiste na apresentação dos exemplos do conjunto de treinamento ao sistema. A rede processará os parâmetros de entrada relativos a estes exemplos através da multiplicação dos mesmos pelos pesos sinápticos e da posterior aplicação destes valores às funções de ativação dos neurônios, fornecendo então as respostas (saídas da rede) a este estímulo. Estas saídas das RNA deverão ser comparadas com os valores reais dos parâmetros de saída correspondentes aos exemplos do conjunto de treinamento, e desta comparação será obtido um valor de erro da fase de treinamento. Procura-se então ajustar os valores dos pesos sinápticos, através de um algoritmo matemático, visando a diminuição do erro de treinamento. Haykin (2001) afirma que existem diversos algoritmos para se treinar RNA, sendo os mais comumente utilizados o de error back-propagation (retro-propagação do erro) e o de Levenberg-Marquardt (também abreviado por LM), que é uma variação do algoritmo de retropropagação. 43 2.2.6.1 Back-propagation “O algoritmo back-propagation é um algoritmo supervisionado que utiliza pares (entrada, saída desejada) para, por meio de um mecanismo de correção. O treinamento ocorre em duas fases, em que cada fase percorre a rede em um sentido. Estas duas fases são chamadas de fase forward e fase backward. A fase forward é utilizada para definir a saída da rede para um dado padrão de entrada. A fase backward utiliza a saída desejada e a saída fornecida pela rede para atualizar os pesos de suas conexões” (BRAGA, 2000, p.59). O funcionamento desse algoritmo se baseia no cálculo dos erros encontrados nas camadas de saída e intermediárias, possibilitando que os pesos sejam ajustados através do método do gradiente. Se a camada for de saída, o erro é definido pela equação a seguir, caso a camada seja intermediária utiliza-se a equação subsequente: (2.8) Onde y é saída obtida pela rede e z é a saída desejada. (2.9) Onde: = peso entre o neurônio calculado e o neurônio da camada posterior, = erro referente a cada neurônio da camada posterior. Após o cálculo dos erros é necessário corrigir os pesos das ligações entre os neurônios. O cálculo de correção do peso é dado pela equação a seguir: (2.10) Onde: =peso da conexão; η = taxa de aprendizagem; = erro relativo calculado para determinado neurônio ; = derivada da função de transferência. 44 A Figura 2.19 sintetiza o processo de treinamento com o algoritmo Back-propagation. a) as entradas x1, x2,...,x n do banco de dados são apresentadas a rede b) As entradas são multiplicadas pelos pesos e posteriormente somadas. Por fim é aplicada uma função de ativação que irá fornecer saídas para as entradas apresentadas em cada neurônio. c) As entradas fornecidas pela rede são comparadas com os valores reais do banco de dados permitindo o cálculo do erro. 45 d) O erro obtido na camada de saída é retro-propagado até a entrada. e) Através da equação 2.10, os pesos são corrigidos. e) Os pesos corrigidos chegam a camada de saída onde é reiniciada a retro-propagação. Figura 2.19 - Processo de treinamento através do algoritmo back-propagation (SOUSA, 2008). 46 Segundo Braga et al (2000), o algoritmo back-propagation utiliza a primeira derivada parcial do erro total referente a cada peso para ajustar cada um dos pesos. Esta informação possibilita realizar um gradiente descendente no espaço de pesos. A descida do gradiente utilizando passos infinitesimais garante a chegada a um mínimo local que, para vários problemas, pode ser um mínimo global ou uma solução aceitável. O problema é o tempo que o treinamento pode levar para convergir, por isso foram criadas várias alterações no algoritmo de retro-propagação que diminuem o tempo de treinamento e melhora seu desempenho na classificação de padrões. Dessas variações as mais utilizadas são: backpropagation com momentum de Rumelhart (1986), Quickprop de Fahlman (1988), Levenberg Marquardt de Hagan (1994), momentum de segunda ordem de Pearlmutter (1992), Newton de Battiti (1991) e o Rprop de Riedmiller (1994). 47 2.1.7 RNA na Engenharia Geotécnica As redes neurais têm sido aplicadas com sucesso em praticamente todos os problemas de engenharia geotécnica. Características particulares de uma série de dados podem ser aprendidas por uma RNA, possibilitando assim, a realização de previsões. De acordo com Jaksa (2008), as RNA têm demonstrado desempenho preditivo satisfatório na área geotécnica, apesar de seus materiais apresentarem variações extremas de comportamento. De acordo com Jaksa (2008), as RNA têm sido aplicadas em diversas áreas da geotecnia entre estas: jateamento, barragens, estruturas de contenção de terra, geotecnia ambiental, fundações em estacas, mecânica das rochas, ensaios de caracterização, fundações rasas, comportamento e propriedades do solo, túneis e aberturas subterrâneas. No Brasil, as RNA têm sido utilizadas com sucesso na área de geotecnia. Dyminski (2000) as utilizou em três aplicações diferentes: na primeira, foram simulados os resultados de prova de carga dinâmica, analisadas pelo CAPWAP viabilizando uma pré-análise do comportamento da estaca ainda em campo. na segunda, foi analisado o comportamento mecânico de dois tipos de solo: a areia de ipanema e o solo residual gnáissico do Rio de Janeiro. Para tal, foram utilizados resultados de ensaios de cisalhamento direto, submersos e não submersos, e ensaios de compressão triaxial, drenados e não drenados. Por último, a pesquisadora simulou através de informações obtidas no boletim de sondagem a percussão, o comportamento do subsolo da usina angra 2, localizada no litoral do Rio de Janeiro. Santos JR. (2006) analisou os efeitos da escavação nas linhas 1 e 2 do metrô de São Paulo através de RNA. Viana (2007) desenvolveu RNA para relacionar o módulo de resiliência com as propriedades do solo e Lisboa (1998) utilizou essa técnica para obter a capacidade de carga de fundações submetidas a esforços de tração. Teh et al. (1997), Kiefa (1998), Dyminski (2000) e Lee and Lee (1996) utilizaram redes neurais como instrumento de predição da capacidade de carga de fundações profundas. A tabela 2.6 apresenta as principais características dessas RNA. 48 Tabela 2.6 - Tipologia e características das RNA utilizadas na previsão de capacidade de carga de estacas. REFERÊNCIA Quantidade dados Algoritmo Treinamento Testes Teh et al. (1997) 27 10 40 59 51 9 94 30 Dyminski (2000) Lee and Lee (1996) 28 Parâmetros de entrada e saída Entrada Ocultas Saída Backpropagation 200 15 2 5 40 2 5 59 1 LevenbergMarquardt 4a7 1 a 15 1 Backpropagation 3 30 10 1 General regression neural networks Abu-Kiefa (1998) Número de neurônios nas camadas Foram utilizados 200 parâmetros de entrada (coordenadas de força e velocidade no tempo de aquisição de dados) e como saídas, capacidade de carga do fuste e da ponta e em alguns casos só a capacidade de carga total. Como entrada adota os ângulos de atrito do solo de ponta e fuste, características geométricas da estaca e tensão limite do solo e como saídas, capacidade de carga do fuste e da ponta. Nesse segundo caso ele apresenta apenas a capacidade carga total como saída. Foram utilizados parâmetros relacionados a geometria da estaca, ao ensaio de carga dinãmica de SPT, totalizando 7 entradas diferentes que foram organizadas em 9 conjuntos diferentes e como saídas da capacidade de carga total da estaca. Utilizou-se na entrada a relação profundidade de penetração, a tensão normal média e o número de golpes SPT, e a saída apresenta apenas a capacidade de carga total das estacas 3. METODOLOGIA 3.1 LEVANTAMENTO DOS DADOS Este trabalho utilizou dois bancos de dados de provas de carga estática, com o objetivo de verificar a viabilidade do uso das RNA na predição de capacidade de carga de dois tipos distintos de estacas: as pré-moldadas de concreto do tipo cravadas e a hélice contínua escavada. O primeiro banco de dados, chamado de “BANCO1”, utilizado no treinamento e teste das RNA das estacas hélice continua, foi elaborado a partir dos dados de Alonso (2000) que organizou os resultados de 95 provas de carga estática, realizadas em todo o território do Brasil. Além disso, o autor disponibilizou em seu trabalho informações do ensaio de sondagem a percussão, cargas e recalques do ensaio de prova de carga, área de seção transversal e comprimento, para cada uma das 95 estacas. O segundo banco de dados, chamado de “BANCO2”, foi utilizado no treinamento e teste das RNA das estacas pré-moldadas de concreto, foi elaborado a partir dos organizados por Lobo (2005). Esta reuniu o resultado de 131 provas de carga estática, realizadas ao longo de todo o país, além disso, a pesquisadora disponibilizou informações detalhadas do ensaio de SPT e da geometria das estacas, assim como fez Alonso (2000) no “BANCO1”. Os anexos A1 e A2 apresentam os dados do “BANCO1” e “2”, respectivamente, utilizados no treinamento das RNA, além disso, são apresentadas a referência de onde foram extraídos os dados e as cidades onde as estacas foram ensaiadas. Não foram feitas modificações consideráveis, em relação aos bancos de dados originais, apenas foi acrescentando a esses os valores do SPTP e SPTF. 3.2 TRATAMENTO DOS DADOS Com base nos resultados satisfatórios obtidos em outras pesquisas como mostrado no capitulo 2 (tabela 2.6) que utilizaram as RNA como instrumento de predição da capacidade de carga das estacas, foi possível determinar os parâmetros a serem utilizados como entradas das RNA que vão se correlacionar com as saídas: Resistência de ponta “QP”, de fuste “QF” e total “QT”, como mostra a tabela 3.1. 50 Tabela 3.1 - Parâmetros utilizados como entradas das redes neurais. Sigla Parâmetro As Área da seção transversal da estaca (m2). LE Comprimento da estaca (m). SPTP Número de golpes do amostrador SPT na profundidade correspondente à ponta da estaca. SPTF Número médio de golpes do amostrador SPT ao longo do fuste da estaca. O cálculo do “SPT F” foi obtido através da média aritmética dos SPT‟s ao longo do fuste da estaca, desconsiderando o primeiro metro de sondagem como recomenda a NBR 6484 (ABNT, 2001). Para o “SPT P” foi adotado o valor sob a cota de apoio da estaca. Para que a capacidade de carga total “QT” da estaca seja realista e represente a dificuldade da estaca de se transpor camadas muito resistentes, foram utilizados valores limites para o “SPTP” e do “SPTF” sendo adotados para a ponta, o limite máximo de 40 em qualquer tipo de estaca e para o fuste o limite de 22 se a estaca for cravada e de 30 se for do tipo hélice contínua (LOBO, 2005). Como já visto no Capitulo 2, a capacidade de carga de estaca ou tubulão de prova deve ser considerada definida quando ocorrer ruptura nítida. A metodologia utilizada nesse trabalho foi baseada em Lobo (2005) que utilizou o método da NBR 6122/1996 para obter a carga de ruptura das estacas. Porém, esse método possui a limitação de não poder ser aplicado em casos que a carga máxima aplicada na prova de carga se apresentar distante da carga de ruptura, não gerando recalques consideráveis na estaca. Nesses casos, a definição da carga de ruptura é obtida com o auxílio da extrapolação da curva carga recalque através do método de Van der Veen, adaptado por Aoki (1996), com a posterior aplicação do método da NBR 6122. A figura 3.1 mostra um caso em que reta do método da NBR 6122/1996 não toca a curva carga x recalque, pois a carga aplicada no ensaio de prova de carga é distante do valor carga de ruptura (figura 3.1 a), por isso torna-se necessário a extrapolação da curva carga x recalque para que o método da NBR 6122 possa ser aplicado (figura 3.1 b). De acordo com Lobo (2005), é possível definir o valor a parcela de capacidade de carga lateral da estaca quando a curva carga x recalque apresentar pequenos acréscimos de recalque com o incremento do carregamento. Nesses casos, considera-se que somente a carga lateral da estaca é mobilizada e assim, pode-se estimar o valor da parcela de carga lateral pelo trecho elástico da curva carga recalque através de uma reta (figura 3.1 d). A capacidade de carga da ponta é 51 definida pela subtração da carga total pela carga lateral. A seguir a figura 3.1 ilustra o processo de extrapolação da estaca 1 do “BANCO1”. Prova de Carga - Estaca 1 Carga (kN) 0 250 500 750 1000 1250 1500 1750 2000 Recalque (mm) 0 5 10 15 Ruptura - NBR 6122 fck(MPa) = 20 E (Mpa) = 25043,961 D (mm) = 350 A (m²) = 0,0962120 L (m) = 11,55 ∆r mm) P (kN) 11,67 0,00 13,58 400,00 20 25 Ruptura (NBR 6122) Prova de Carga a) Prova de Carga - Estaca 1 0 250 500 750 1000 1250 1500 1750 2000 0 5 10 15 20 25 Van der Veen 14 54 600,00 16,46 1000,00 19,82 1700,00 Carga Ruptura = 1700 kN Carga (kN) Recalque (mm) Carga x recalque S (mm) P (kN) 0,000 0,00 0,250 330,00 1,420 660,00 2,000 792,00 2,430 924,00 3,380 1056,00 4,090 1188,00 4,930 1320,00 Ruptura (NBR 6122) Prova de Carga Extrapolação PR = 1710 a = 0,2781 b = 0,0728 S (mm) P kN) 0,00 0,00 1,00 506,07 2,00 798, 6 3,00 1019,68 4 00 1187,28 5,00 1314,1 10,00 1611 15,00 685,47 25,00 1708,48 b) 52 Prova de Carga - Estaca 1 PR = 1700 kN Carga (kN) 0 250 500 750 1000 1250 1500 1750 2000 Recalque (mm) 0 5 10 15 20 25 Van der Veen Ruptura (NBR 6122) Prova de Carga c) Carga (kN) 0 250 500 750 1000 1250 1500 0 PR = 1700 KN Ql = 750 KN Recalque (mm) 1 2 3 4 5 d) Figura 3.1 – Processo de extrapolação da curva carga Recalque (modificado – Lobo (2005)) 53 3.3 REDES NEURAIS UTILIZADAS Esse trabalho buscou, por meio do treinamento, obter RNA capazes de predizer a capacidade suporte da ponta, lateral e total das estacas hélice contínua e pré-moldada de concreto a partir dos dados de entrada apresentados na tabela 3.1. Para isso, foram criadas cinco RNA para cada um dos dois bancos de dados estudados, sendo a diferença entre essas redes a saída adotada no conjunto de treinamento. A primeira rede denominada “RNA1” foi treinada tomando como saída a capacidade de carga da ponta, na segunda rede, “RNA2”, utilizou-se como saída a capacidade de carga lateral, a terceira rede, “RNA3”, foi treinada com as duas saídas: capacidade de carga da ponta e lateral. Já a rede de número quatro, “RNA4”, teve como saída o somatório das capacidades de carga da ponta e lateral e na quinta rede neural, “RNA5”, as saídas adotadas foram a as capacidades de carga lateral, de ponta e o somatório da parcela da ponta e lateral. A tabela 3.2 apresenta as cinco redes utilizadas, bem como a saídas adotada no treinamento. Tabela 3.2 - Parâmetros utilizados como entradas das redes neurais. Rede Saída Adotada RNA1 QP RNA2 QL RNA3 QL QP RNA4 QT QL RNA5 QP QT O treinamento dessas redes com saídas diferentes permitiu que fossem obtidas: . Três redes capazes de calcular a resistência de ponta; Três redes capazes de obter a resistência de fuste Duas redes aptas para obter a resistência total. As redes utilizadas nesse estudo foram do tipo MLP (multicamadas), treinadas com o algoritmo backpropagation programadas com o software MATLAB. A rede foi composta por uma única camada oculta que foi treinada e testada com 1, 2, 3, 5, 8, 10 e 15 neurônios, a fim 54 de se avaliar qual a topologia mais adequada. Ficou definida ainda para essa camada, como função de ativação, a tangente hiperbólica. A camada de saída foi composta por um neurônio nas redes “RNA1”, “RNA2” e “RNA4”, dois neurônios na rede “RNA3” e três na “RNA5”, sendo utilizada a função de ativação linear em todos os casos. Essa arquitetura proposta baseou-se no trabalho de Diminsky (2000). Para cada banco de dados foram treinadas e testadas 35 RNA, e seus resultados avaliados através do coeficiente de correlação “r” de Pearson. Esse parâmetro permite que seja analisada a correlação entre duas variáveis, nesse caso o valor obtido pela rede neural e o encontrado através do ensaio de prova de carga. Espera-se que o valor do coeficiente de correlação seja próximo da unidade, entretanto valores acima de 0,7 indicam já uma forte correlação estatística entre duas variáveis. Depois que a rede é treinada, fica determinado o peso e o bias relacionado a cada neurônio e a partir daí é possível gerar equações que representem as parcelas de capacidades de carga da estaca. Tais formulações obtidas foram submetidas posteriormente a etapa de teste tendo seus resultados comparados com os do ensaio de prova de carga e com os métodos semi-empíricos de Aoki & Veloso (1975) e Décourt & Quaresma (1978). Outro critério que influenciou na escolha da rede neural a ser utilizada foi o número de neurônios da camada oculta. Pois, quanto menor o número de neurônios dessa camada, mais simples serão as equações obtidas para representar as capacidades de carga lateral, ponta e total das estacas. A rede neural e a equação são geradas através do conjunto de treinamento, e a conferência dos resultados é feita por meio do conjunto de teste. Para compor esse último, foram extraídas 10 amostras do banco de dados das estacas hélice-contínua e 13 das estacas pré-moldadas. Para testar a viabilidade e capacidade de generalização das equações geradas, na região de Feira de Santana-Ba, acrescentou-se ao conjunto de validação ou teste os resultados de ensaios de prova de carga dinâmica realizados em duas obras desse município, descritas a seguir: Obra do viaduto do bairro Cidade Nova, onde foram ensaiadas oito estacas do tipo hélice-contínua que serviram como dados adicionais para a validação do “BANCO1”. Devido a discrepância entre os valores de capacidade de carga obtidos para estacas inseridas em um mesmo bloco de coroamento, utilizou-se a média desses resultados para as estacas pertencentes a um mesmo bloco, o que reduziu o número de estacas testadas para quatro, como mostram as tabelas 3.3 e 3.4. 55 Tabela 3.3 – Resultado da análise através do método CAPWAP - viaduto do bairro Cidade Nova - Feira de Santana-Ba (ANDRADE, 2009). Bloco 1 2 5 6 Estaca Carga de Trabalho (KN) Golpe WS (m/s) QT (kN) QF (kN) % QF QP (kN) % QP J E03 E08 E07 E011 E02 E06 E09 900 900 900 900 900 900 900 6 8 9 10 4 2 5 3500 3900 3500 3500 3500 3500 3500 3160 6681 3117 2109 4740 3541 5500 1952 2559 2022 1162 3444 2867 3612 61,8 38,3 64,9 55,1 72,7 81 65,7 1208 4121 1096 947 1296 674 1888 38,2 61,7 35,2 44,9 27,3 19 34,3 0,56 0,43 0,76 0,7 0,88 0,59 0,64 E17 900 6 3500 4800 2368 49,3 2432 50,7 0,84 Tabela 3.4 - Média dos resultados da Provas de carga dinâmica das estacas hélice contínua viaduto do bairro Cidade Nova Feira de Santana-Ba - (ANDRADE, 2009). 2 Bloco D(cm) As (m ) LE (m) SPTP SPTF QT ( kN) QF(kN) QP(kN) 1 60 0,283 16 35,00 9,00 4920 2255,5 2664,5 2 60 0,283 17 40,00 10,63 2613,5 1592 1021,5 5 60 0,283 9 40,00 17,63 4140,5 3155,5 985 6 60 0,283 6 40,00 20,40 5150 2990 2160 Obra de ampliação da empresa Belgo Bekaert Nordeste no bairro C.I.S., onde foram ensaiadas três estacas pré-moldadas de concreto, sendo somente uma dessas, analisada pelo método CAPWAP. Por isso, somente essa estaca foi analisada por todas as RNA treinadas. Como as demais estacas foram avaliadas pelo método CASE não foram obtidas as resistências de ponta e lateral de forma separada. 56 Tabela 3.5 - Provas de carga dinâmica em estacas pré-moldadas de concreto - obra de ampliação da Belgo Bekaert Feira de Santana-Ba - (GEOMEC, 2010). ESTACAS DIMENSÃO (cm) As (m2) LE (m) SPTP SPTF QT QF QP E2-L2 27,5X27,5 0,075625 16 19 6,1 99,8 38,6 61,2 E4-L2 27,5X27,5 0,075625 20 30 15,8 119 - - E1-L2 27,5X27,5 0,075625 21 32 18,8 101 - - Com a adição dos dados de ensaios de prova de carga dinâmica realizados em Feira de Santana-Ba, os conjuntos de validação das estacas hélice-contínua e pré-moldadas de concreto ficaram com 14 e 16 amostras, respectivamente. Tabela 3.6 - Conjunto de Testes utilizado na validação das RNA das estacas hélice-contínua. D (cm) 40 40 40 50 50 50 50 50 50 35 60 60 60 60 As (m2) QT LE (m) SPTP SPTF 0,1257 0,1257 0,1257 0,1963 0,1963 0,1963 0,1963 0,1963 0,1963 0,0962 0,2827 0,2827 0,2827 0,2827 10,5 7,8 14,5 19 17,4 14 14,5 17 16 14 16 17 9 6 40 40 29 40 3 36 22 22 31 40 35 40 40 40 15,9 12,1 16,3 14,4 5,4 10,8 11,5 15,6 14,6 5,1 9,0 10,6 17,6 20,4 QF KN QP KN 500 360 600 1000 800 1000 1300 1000 800 400 2255,5 1592 3155,5 2990 1200 260 1180 940 840 1590 1560 1400 1650 800 2664,5 1021,5 985 2160 EXTRAPOLADA KN 1700 620 1780 1940 1640 2590 2860 2400 2450 1200 4920 2613,5 4140,5 5150 Referência LOCAL Alonso (2000) São José dos Pinhais, PR Alonso (2000) São José dos Pinhais, PR Alonso (2000) São José dos Pinhais, PR Alonso (2000) São José dos Pinhais, PR Alonso (2000) Manaus, AM Alonso (2000) Camaçari, BA Alonso (2000) Camaçari, BA Alonso (2000) Camaçari, BA Alonso (2000) Camaçari, BA Alonso (2000) Jacareí, SP Andrade (2009) Feira de Santana, BA Andrade (2009) Feira de Santana, BA Andrade (2009) Feira de Santana, BA Andrade (2009) Feira de Santana, BA Tabela 3.7 - Conjunto de Testes utilizado na validação das RNA das estacas Pré-moldadas de concreto. D (cm) As (m2) QT LE (m) SPTP SPTF EXTRAPOLADA KN 0,1385 14,97 0,1385 23,15 0,1963 23 0,1963 21,8 0,1963 18 0,2827 27,1 0,2827 28,7 30 24 30 27 40 40 11 12,71 7,09 11,00 13,14 8,18 4,43 5,38 1780 1820 3100 2700 2430 3170 3850 800 500 900 1100 500 800 1500 QF KN 980 1320 2200 1600 1930 2370 2350 QP KN Referência Scac (200_) Sumaré, SP Scac (200_) Santa Cruz, RJ Scac (200_) Caju, RJ Scac (200_) São José dos Campos, SP Scac (200_) Angra dos Reis, RJ Scac (200_) Santa Cruz, RJ Scac (200_) Av. dos Automobilistas, SP 57 0,2827 0,2827 0,0314 0,0616 0,1257 29 35,5 12,1 12 12 5 40 20 13 24 5,33 4,41 8,27 5,91 10,53 3230 4300 1240 710 960 1200 900 800 400 600 2030 3400 440 310 360 0,0616 0.0756 0.0756 0.0756 12 16 20 21 19 30 30 32 6,09 15,27 15,79 18,79 990 998 400 386 500 500 590 612 690 510 1190 1010 Scac (200_) Av. dos Automobilistas, SP Scac (200_) Santa Cruz, RJ Tecnosolo (200_) Curitiba, PR Tecnosolo (200_) Curitiba, PR Tecnosolo (200_) Curitiba, PR Tecnosolo (200_) Geomec (2010) Curitiba, PR Feira de Santana, BA Geomec (2010) Feira de Santana, BA Geomec (2010) Feira de Santana, BA 58 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 4.1 ESTACAS HÉLICE CONTÍNUA Para a previsão da capacidade de carga da ponta foi escolhida a “RNA1” com um neurônio na camada oculta, que apresentou um coeficiente de correlação de 0,555. Apesar da “RNA1” com dez, “RNA3” com cinco e a “RNA5” com oito neurônios na camada oculta, apresentarem um coeficiente de Pearson ligeiramente superior, essa rede foi escolhida devido ao menor número de neurônios na camada oculta. A previsão da capacidade de carga do fuste foi obtida subtraindo a resistência total da resistência de ponta. Esse critério foi utilizado, pois os valores calculados para a relação com a prova de carga estática para as redes “RNA3‟ e “RNA5” na fase de comparação direta com os métodos semi-empíricos foram distantes do valor unitário. Para prever a capacidade de carga total foi utilizada a rede „RNA4‟ com dois neurônios na camada oculta e coeficiente de correlação igual a 0,810. A tabela 4.1 apresenta o coeficiente de Pearson das RNA testadas para as estacas hélice contínua e em destaque as são mostradas as redes escolhidas para a elaboração das equações. Tabela 4. 1 - Coeficiente de correlação - estacas hélice contínua. RNA1 RNA2 Número de Coeficiente Coeficiente de Neurônios da de correlação correlação camada oculta Ponta Fuste RNA3 Coeficiente de correlação Ponta Fuste RNA4 RNA5 Coeficiente de Coeficiente de correlação correlação Total Ponta Fuste Total 1 0,555 0,550 0,552 0,707 0,754 0,549 0,726 0,747 2 0,539 0,605 0,398 0,694 0,810 0,554 0,737 0,757 3 5 8 10 15 0,413 0,514 0,313 0,569 0,239 0,454 0,211 0,170 0,466 0,026 0,534 0,558 0,544 0,339 0,462 0,625 0,765 0,542 -0,192 0,148 0,705 0,773 0,790 0,795 0,464 0,390 0,390 0,569 0,341 0,449 0,428 0,575 0,556 -0,086 0,564 0,543 0,612 0,726 0,151 0,489 A figura 4.1 mostra a arquitetura das duas redes neurais utilizadas para fazer a previsão da capacidade da carga das estacas do tipo hélice contínua. 59 a) RNA1: predição da capacidade de carga da ponta b) RNA4: Predição da capacidade de carga total Figura 4. 1- Redes Neurais utilizadas na previsão da capacidade de carga das estacas hélice contínua. A equação 4.1 mostrada abaixo, representa a “RNA1”, treinada para fazer a predição da capacidade de carga da ponta das estacas hélice contínua: (4.1) Onde: k1= Abaixo a equação 4.2 que representa a “RNA4”, que faz a previsão da capacidade de carga da total das estacas hélice contínua: Onde: (4.2) k2= k3= A capacidade de carga suportada pelo fuste da estaca é a resistência total subtraída da resistência de ponta: (4.3) 60 As tabelas 4.2, 4.3 e 4.4 apresentam comparações entre os resultados obtidos pelas RNA com os métodos de Aoki & Veloso (1975) e Décourt & Quaresma (1978). Em destaque nas tabelas 4.2, 4.3 e 4.4 os resultados em que o desempenho dos métodos tradicionais foi superior as RNA, ou seja, a relação com a prova de carga estática apresentou-se mais próxima da unidade na comparação com as redes neurais utilizadas. o Capacidade de Carga (KN) Fuste 0,15 DÉCOURT & QUARESMA 0,28 Fuste RELAÇÃO PROVA DE CARGA Coeficiente de Correlação 0,66 AOKI E VELOSO RELAÇÃO PROVA DE CARGA LOCAL N de neurônios da camada RNA4 -RNA1 RELAÇÃO PROVA DE CARGA REDE/MÉTODO PROVA DE CARGA Tabela 4.2 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA - estaca hélice contínua capacidade de carga do fuste. Fuste 1 São José dos Pinhais, PR 474 0,95 409 0,82 574 1,15 500 2 São José dos Pinhais, PR 365 1,02 185 0,51 339 0,94 360 3 São José dos Pinhais, PR 715 1,19 431 0,72 1051 1,75 600 4 São José dos Pinhais, PR 785 0,78 829 0,83 1524 1,52 1000 5 Manaus, AM 1035 1,29 254 0,32 675 0,84 800 6 Camaçari, BA 805 0,8 483 0,48 675 0,68 1000 7 Camaçari, BA 896 0,69 495 0,38 911 0,70 1300 8 Camaçari, BA 880 0,88 895 0,90 1581 1,58 1000 9 Camaçari, BA 849 1,06 696 0,87 1210 1,51 800 10 Jacareí, SP 402 1 100 0,25 415 1,04 400 11 Feira de Santana, BA 721 0,32 580 0,26 1410 0,63 2256 12 Feira de Santana, BA 669 0,42 630 0,4 2030 1,28 1592 13 Feira de Santana, BA 934 0,3 460 0,15 1100 0,35 3156 14 Feira de Santana, BA 1680 0,56 370 0,12 680 0,23 2990 Fuste Comparando inicialmente os resultados apresentados para capacidade de carga do fuste, alcançou-se para a rede neural um coeficiente de correlação de 0,55 contra 0,15 do método de Aoki & Veloso (1975) e 0,28 de Décourt & Quaresma (1978). Das Catorze estacas calculadas através das RNA, doze tiveram relação com a prova de carga mais próxima do valor unitário que o método de Aoki & Veloso (1975) e nove apresentaram relação mais próxima da unidade que o método de Décourt & Quaresma (1978). 61 Coeficiente de Correlação 0,55 Capacidade de Carga (KN) Ponta - Ponta RELAÇÃO PROVA DE CARGA 1 DÉCOURT & QUARESMA RELAÇÃO PROVA DE CARGA LOCAL o N de neurônios da camada AOKI E VELOSO RELAÇÃO PROVA DE CARGA RNA1 REDE/MÉTODO PROVA DE CARGA Tabela 4.3 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA - estaca hélice contínua capacidade de carga da ponta. Ponta 1 São José dos Pinhais, PR 701,7 0,58 1675 1,4 553 0,46 1200 2 São José dos Pinhais, PR 464,6 1,79 369 1,42 150 0,58 260 3 São José dos Pinhais, PR 908,8 0,77 401 0,34 128 0,11 1180 4 São José dos Pinhais, PR 1665 1,77 1178 1,25 540 0,57 940 5 Manaus, AM 1146 1,36 157 0,19 86 0,10 840 6 Camaçari, BA 1252 0,79 1885 1,19 770 0,48 1590 7 Camaçari, BA 1241 0,8 648 0,42 363 0,23 1560 8 Camaçari, BA 1517 1,08 648 0,46 398 0,28 1400 9 Camaçari, BA 1468 0,89 913 0,55 452 0,27 1650 10 Jacareí, SP 437,9 0,55 295 0,37 236 0,30 800 11 Feira de Santana, BA 1839 0,69 1630 0,61 1530 0,57 2665 12 Feira de Santana, BA 1922 1,88 1630 1,60 1700 1,66 1022 13 Feira de Santana, BA 1731 1,76 1040 1,06 1630 1,65 985 14 Feira de Santana, BA 1649 0,76 1630 0,75 1700 0,79 2160 0,56 Ponta 0,5 Fazendo a comparação dos resultados obtidos para a capacidade de carga da ponta, obteve-se para a rede neural um coeficiente de correlação de 0,55 contra 0,56 do método de Aoki & Veloso (1975) e 0,50 de Décourt & Quaresma (1978). Das catorze estacas calculadas através das RNA, nove apresentaram relação com a prova de carga mais próxima do valor unitário que o método de Aoki & Veloso (1975) e nove tiveram relação mais próxima da unidade que o método de Décourt & Quaresma (1978). 62 RNA4 REDE/MÉTODO o Total 0,70 Total Total RELAÇÃO PROVA DE CARGA Capacidade de Carga (KN) 0,56 RELAÇÃO PROVA DE CARGA Coeficiente de Correlação 2 0,81 DÉCOURT & QUARESMA RELAÇÃO PROVA DE CARGA LOCAL N de neurônios da camada AOKI E VELOSO PROVA DE CARGA Tabela 4.4 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA -estaca hélice contínua capacidade de carga total. Total 1 São José dos Pinhais, PR 1176 0,69 2085 1,23 1127 0,66 1700 2 São José dos Pinhais, PR 830 1,34 554 0,89 489 0,79 620 3 São José dos Pinhais, PR 1624 0,91 832 0,47 1179 0,66 1780 4 São José dos Pinhais, PR 2450 1,26 2007 1,03 2064 1,06 1940 5 Manaus, AM 2181 1,33 411 0,25 762 0,46 1640 6 Camaçari, BA 2057 0,79 2368 0,91 1445 0,56 2590 7 Camaçari, BA 2137 0,75 1143 0,4 1274 0,45 2860 8 Camaçari, BA 2397 1 1543 0,64 1979 0,82 2400 9 Camaçari, BA 2317 0,95 1609 0,66 1661 0,68 2450 10 Jacareí, SP 840 0,7 395 0,33 651 0,54 1200 11 Feira de Santana, BA 2560 0,52 2210 0,45 2940 0,60 4920 12 Feira de Santana, BA 2591 0,99 2260 0,86 3730 1,43 2614 13 Feira de Santana, BA 2665 0,64 1500 0,36 2730 0,66 4141 14 Feira de Santana, BA 3329 0,65 2000 0,39 2380 0,46 5150 Para a capacidade de carga total, a rede neural apresentou coeficiente de correlação de 0,81 contra 0,56 do método de Aoki & Veloso (1975) e 0,70 de Décourt & Quaresma (1978) e das catorze estacas calculadas pelas RNA, dez apresentaram relação com a prova de carga mais próxima do valor unitário que o método de Aoki & Veloso (1975) e dez tiveram relação mais próxima da unidade que o método de Décourt & Quaresma (1978). 4.2 ESTACAS PRÉ-MOLDADAS DE CONCRETO Para a previsão da capacidade de carga da ponta foi escolhida a “RNA3” com um neurônio na camada oculta, que apresentou um coeficiente de correlação de 0,950. A outra saída da “RNA3” foi utilizada como instrumento de predição da capacidade de carga fuste, e o coeficiente de correlação obtido foi de 0,673. Apesar da “RNA2” com três neurônios na camada oculta fornecer um coeficiente de correlação de 0,857, não se utilizou essa rede devido ao seu maior número de neurônios na camada oculta. Para prever a capacidade de 63 carga total, foi utilizada a “RNA4” com um neurônio na camada oculta, que forneceu um coeficiente de correlação de 0,810. As “RNA5” com um e cinco neurônios na camada oculta apresentaram coeficiente de correlação superior ao da rede utilizada, entretanto na etapa de comparação direta, realizada através da relação com a prova de carga foram obtidos valores distantes da unidade para algumas estacas do conjunto de testes. Como a opção era pela topologia com uma menor quantidade de neurônios da camada oculta não foram utilizadas as “RNA4” com dois, três e cinco neurônios na camada oculta. A tabela 4.3 apresenta o coeficiente de Pearson das RNA testadas para as estacas pré-moldadas de concreto e em destaque são mostradas as redes escolhidas para a elaboração das equações. Tabela 4.5 - Coeficiente de correlação - estacas pré-moldadas de concreto. Número de Neurônios da camada oculta RNA1 Coeficiente de correlação RNA2 RNA3 RNA4 RNA5 Coeficiente de correlação Coeficiente de correlação Coeficiente de correlação Coeficiente de correlação Ponta Fuste Ponta Fuste Total Ponta Fuste Total 1 0,872 0,594 0,950 0,673 0,810 0,887 0,611 0,888 2 0,795 0,458 0,855 0,499 0,869 0,704 0,415 0,783 3 0,899 0,857 0,839 0,239 0,849 0,775 0,010 0,715 5 0,853 0,544 0,947 0,597 0,855 0,930 0,403 0,932 8 0,767 0,080 0,888 -0,313 0,200 0,707 0,448 0,666 10 0,679 0,476 0,736 0,283 0,804 0,753 0,470 0,691 15 0,818 0,672 0,728 -0,026 0,725 0,345 0,420 0,311 A figura 4.1 mostra a arquitetura das duas redes neurais utilizadas para fazer a previsão da capacidade da carga das estacas pré-moldadas de concreto. 64 a) RNA3: predição da capacidade de carga da ponta e fuste b) RNA4: Predição da capacidade de carga total Figura 4. 2 – Redes Neurais utilizadas na previsão da capacidade de carga das estacas Prémoldadas de concreto. A equação 4.4 mostrada abaixo, representa a primeira saída da “RNA3”, treinada para fazer a predição da capacidade de carga da ponta das estacas pré-moldadas de concreto: Onde: (4.4) k4= Abaixo a equação 4.5 que representa a segunda saída da “RNA3”, que faz a previsão da capacidade de carga lateral das estacas pré-moldadas de concreto: Onde: (4.5) k5= A capacidade de carga total das estacas pré-moldadas de concreto é feita pela “RNA4”, representada abaixo pela equação 4.6: Onde: (4.6) k6= Vale ressaltar que os valores fornecidos pela equação 4.6 não obrigatoriamente são iguais ao somatório das equações 4.4 e 4.5, uma vez que não existe correlação entre as saídas 65 das redes. Em destaque nas tabelas 4.6, 4.7 e 4.8 os resultados em que o desempenho dos métodos tradicionais foi superior as RNA, ou seja, a relação com a prova de carga estática apresentou-se mais próxima da unidade na comparação com as redes neurais utilizadas. o 1 0,67 Capacidade de Carga (KN) Fuste 0,56 0,67 Fuste RELAÇÃO PROVA DE CARGA Coeficiente de Correlação DÉCOURT & QUARESMA RELAÇÃO PROVA DE CARGA LOCAL N de neurônios da camada AOKI E VELOSO RELAÇÃO PROVA DE CARGA RNA3 REDE/MÉTODO PROVA DE CARGA Tabela 4.6 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA - estaca pré-moldada de concreto - capacidade de carga do fuste. Fuste 1 Sumaré, SP 531,1 0,66 664 0,83 866 1,08 800 2 Santa Cruz, RJ 687,7 1,38 936 1,87 1201 2,4 500 3 Caju, RJ 857 0,95 1117 1,24 1550 1,72 900 4 São José dos Campos, SP 806,8 0,73 1279 1,16 1691 1,54 1100 5 Angra dos Reis, RJ 845 1,69 988 1,98 890 1,78 500 6 Santa Cruz, RJ 1096 1,37 1057 1,32 1577 1,97 800 7 Av. dos Automobilistas, SP 1055 0,7 1444 0,96 1766 1,18 1500 8 Av. dos Automobilistas, SP 1044 0,87 793 0,66 1137 0,95 1200 9 Santa Cruz, RJ 1124 1,25 1006 1,12 1558 1,73 900 10 Curitiba, PR 293,3 0,37 160 0,2 224 0,28 800 11 Curitiba, PR 319,2 0,8 144 0,36 261 0,65 400 12 Curitiba, PR 442,8 0,74 499 0,83 750 1,25 600 13 Curitiba, PR 332,1 0,83 144 0,36 264 0,66 400 14 Feira de Santana, BA 383 0,99 1023 2,65 928 2,4 386 15 Feira de Santana, BA - - 1401 - 907,5 - - 16 Feira de Santana, BA - - 1745 - 968 - - Fuste Comparando inicialmente os resultados apresentados para a capacidade de carga do fuste, alcançou-se para a rede neural um coeficiente de correlação de 0,67 contra 0,56 de Aoki & Veloso (1975) e 0,67 de Décourt & Quaresma (1978). Das catorze estacas calculadas através das RNA, oito tiveram relação com a prova de carga mais próxima do valor unitário que o método de Aoki & Veloso (1975) e dez apresentaram relação mais próxima da unidade que o método de Décourt & Quaresma (1978). 66 RNA3 REDE/MÉTODO o Ponta 0,63 Ponta Ponta RELAÇÃO PROVA DE CARGA Capacidade de Carga (KN) 0,53 RELAÇÃO PROVA DE CARGA Coeficiente de Correlação 1 0,95 DÉCOURT & QUARESMA RELAÇÃO PROVA DE CARGA LOCAL N de neurônios da camada AOKI E VELOSO PROVA DE CARGA Tabela 4.7 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA - estaca pré-moldada de concreto - capacidade de carga da ponta. Ponta 1 Sumaré, SP 990 1,01 784 0,8 454 0,46 980 2 Santa Cruz, RJ 1521 1,15 1520 1,15 1201 0,91 1320 3 Caju, RJ 2095 0,95 1110 0,5 605 0,27 2200 4 São José dos Campos, SP 1925 1,2 2423 1,51 2330 1,46 1600 5 Angra dos Reis, RJ 2054 1,06 3590 1,86 2670 1,38 1930 6 Santa Cruz, RJ 2906 1,23 5170 2,18 3318 1,4 2370 7 Av. dos Automobilistas, SP 2765 1,18 1066 0,45 1093 0,47 2350 8 Av. dos Automobilistas, SP 2729 1,34 485 0,24 565 0,28 2030 9 Santa Cruz, RJ 3001 0,88 1486 0,44 1923 0,57 3400 10 Curitiba, PR 184 0,42 79 0,18 80 0,18 440 11 Curitiba, PR 272 0,88 101 0,32 79 0,25 310 12 Curitiba, PR 690 1,92 379 1,05 372 1,03 360 13 Curitiba, PR 315 0,53 101 0,17 106 0,18 590 14 Feira de Santana, BA 488 0,8 691 1,13 891 1,46 612 15 Feira de Santana, BA - - 648 - 1188 - - 16 Feira de Santana, BA - - 691 - 1540 - - Fazendo a comparação dos resultados obtidos para a resistência da ponta, obteve-se para a rede neural um coeficiente de correlação de 0,95 contra 0,53 de Aoki & Veloso (1975) e 0,63 de Décourt & Quaresma (1978). Das catorze estacas calculadas através das RNA, doze tiveram relação com a prova de carga mais próxima do valor unitário que o método de Aoki & Veloso (1975) e doze apresentaram relação mais próxima da unidade que o método de Décourt & Quaresma (1978). 67 RNA4 REDE/MÉTODO o Total 0,66 Total Total RELAÇÃO PROVA DE CARGA Capacidade de Carga (KN) 0,52 RELAÇÃO PROVA DE CARGA Coeficiente de Correlação 1 0,81 DÉCOURT & QUARESMA RELAÇÃO PROVA DE CARGA LOCAL N de neurônios da camada AOKI E VELOSO PROVA DE CARGA Tabela 4.8 - Comparação entre os métodos tradicionais e a RNA - estaca pré-moldada de concreto - capacidade de carga total. Total 1 Sumaré, SP 1604 0,9 1448 0,81 1321 0,74 1780 2 Santa Cruz, RJ 1781 0,98 2456 1,35 2401 1,32 1820 3 Caju, RJ 2553 0,82 2227 0,72 2155 0,7 3100 4 São José dos Campos, SP 2095 0,78 3702 1,37 4021 1,49 2700 5 Angra dos Reis, RJ 3239 1,33 4578 1,88 3560 1,47 2430 6 Santa Cruz, RJ 3804 1,2 6227 1,96 4895 1,54 3170 7 Av. dos Automobilistas, SP 2102 0,55 2511 0,65 2859 0,74 3850 8 Av. dos Automobilistas, SP 1575 0,49 1278 0,4 1703 0,53 3230 9 Santa Cruz, RJ 3881 0,9 2492 0,58 3481 0,81 4300 10 Curitiba, PR 544 0,44 239 0,19 305 0,25 1240 11 Curitiba, PR 462 0,65 244 0,34 340 0,48 710 12 Curitiba, PR 1043 1,09 878 0,91 1122 1,17 960 13 Curitiba, PR 647 0,65 244 0,25 370 0,37 990 14 Feira de Santana, BA 1101 1,1 1715 1,72 1819 1,82 998 15 Feira de Santana, BA 1231 1,03 2049 1,72 2096 1,76 1190 16 Feira de Santana, BA 1279 1,27 2436 2,41 2508 2,48 1010 Para a resistência total, a rede neural apresentou coeficiente de correlação de 0,81 contra 0,52 do método de Aoki & Veloso (1975) e 0,66 de Décourt & Quaresma (1978) e das dezesseis estacas calculadas pelas RNA, catorze tiveram relação com a prova de carga mais próxima do valor unitário que o método de Aoki & Veloso (1975). Dessas dezesseis estacas calculadas por meio das redes neurais, catorze apresentaram relação mais próxima da unidade que o método de Décourt & Quaresma (1978). 68 5. CONCLUSÕES Este trabalho teve como objetivo desenvolver equações capazes de predizer a capacidade suporte de ponta, lateral e total das estacas hélice contínua e pré-moldadas de concreto, utilizando a técnica das redes neurais artificiais. Os resultados apresentados no capitulo anterior mostram que o desempenho das equações obtidas, em geral, foram satisfatórios, mostrando a viabilidade de se utilizar as RNA como instrumento de predição da capacidade de carga de fundações profundas. Verificou-se também, para os dois tipos de estacas analisadas, que as equações de previsão da capacidade de carga total forneceram resultados mais precisos que as equações obtidas para a resistência de ponta e lateral. Fazendo a comparação dos resultados obtidos pela equação proposta com os métodos tradicionais de predição de capacidade de carga, pode se observar para as estacas hélice contínua que cerca de 74% dos resultados de capacidade de carga fornecidos pelas RNA foram mais precisos que o método de Aoki & Veloso (1975), sendo esse valor igual a 67%, quando a comparação foi feita com o método de Décourt & Quaresma (1978). Utilizando a mesma comparação para as estacas pré-moldadas de concreto, observou-se que cerca de 80% dos resultados fornecidos pelas RNA foram mais precisos que o método de Aoki & Veloso (1975), sendo que esse valor passa a ser 81% quando a comparação é feita com o método de Décourt & Quaresma (1978). Vale lembrar, que o método proposto obteve resultados satisfatórios utilizando-se apenas quatro parâmetros de entrada e um número reduzido de neurônios na camada intermediária. Como sugestão para os futuros trabalhos propõe-se a implementação dessa pesquisa através da elaboração de equações para outros tipos de estacas, inclusão de novos parâmetros de entrada, da análise de arquiteturas com maior número de neurônios e camadas ocultas e inclusão de coeficientes nas equações que representem os diversos tipos de solo e de estacas. 69 REFERÊNCIAS ALONSO, U. R. (2000). Contribuição para a formação de um banco de dados de provas de carga estáticas em estacas hélice contínua. In: IV SEMINÁRIO DE ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES ESPECIAIS - SEFE, São Paulo, Anais...São Paulo: ABMS/ABEF, V2, p. 430450. ABU-KIEFA, M.A. (1998). General regression neural networks for driven piles in cohesionless soils, Journal of Geotechnical and Geoenvironmental Engineering, 124(12), 1177-1185. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (1996). NBR 6122: Projeto e Execução de Fundações – Procedimento. Rio de Janeiro. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2006). 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Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine, New York: Wiley. 76 ANEXO A – BANCOS DE DADOS DE PROVA DE CARGA ESTÁTICA UTILIZADOS NO TREINAMENTO DAS RNA A.1- BANCO1: PROVA DE CARGA ESTÁTICA DE COMPRESSÃO ESTACAS HÉLICE CONTINUA (MODIFICADO – LOBO, 2005). Estaca 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 D (cm) 35 35 60 70 60 35 40 50 35 35 35 40 40 50 40 50 50 50 50 80 50 70 70 35 35 40 40 35 43 40 40 60 60 60 60 60 60 35 50 50 50 60 60 As (m2) 0,096 0,096 0,283 0,385 0,283 0,096 0,126 0,196 0,096 0,096 0,096 0,126 0,126 0,196 0,126 0,196 0,196 0,196 0,196 0,503 0,196 0,385 0,385 0,096 0,096 0,126 0,126 0,096 0,145 0,126 0,126 0,283 0,283 0,283 0,283 0,283 0,283 0,096 0,196 0,196 0,196 0,283 0,283 QT LE (m) 11,55 8,59 16,04 14,67 16,1 19 14,1 15,4 20,2 20,2 19,6 15 16,04 17 9,07 12,03 12,03 12,85 12 11,83 21,12 17 23 6 7 11,4 11,4 7,5 7,5 12 11 11,46 11,81 13,5 13,5 14,5 14,5 11 11 13 21 18,75 18,75 SPTP 40,00 8,00 21,00 38,00 33,00 21,00 40,00 39,00 40,00 25,00 40,00 40,00 35,00 18,00 40,00 40,00 40,00 32,00 32,00 40,00 40,00 30,00 26,00 30,00 22,00 9,00 9,00 25,00 25,00 40,00 40,00 24,00 40,00 15,00 18,00 9,00 20,00 22,00 18,00 21,00 13,00 37,00 37,00 SPTF 17,27 16,88 6,60 25,21 12,20 12,33 17,62 19,07 13,84 12,42 7,42 18,50 9,60 12,50 6,13 11,91 11,91 20,17 18,09 6,36 9,80 17,56 15,27 29,40 29,50 4,30 4,30 12,50 12,50 11,91 7,70 7,30 7,68 16,92 12,83 18,08 14,23 21,10 17,40 8,75 10,05 7,50 7,50 EXTRAPOLADA KN 1700 880 2700 5400 3600 1350 2080 2450 1440 1720 970 2440 1290 2750 1410 1380 1870 1900 2280 2820 3000 4450 4200 990 1430 1230 2490 470 690 1990 890 2120 2800 2700 2710 1820 2350 1310 2140 2250 2680 2850 2660 QF KN QP KN 750 240 1000 1500 1500 600 600 1000 750 720 250 750 600 600 360 430 600 750 750 1000 1100 2500 2000 400 750 400 720 120 400 750 400 1000 1200 800 1000 700 600 500 1000 815 1000 750 600 950 640 1700 3900 2100 750 1480 1450 690 1000 720 1690 690 2150 1050 950 1270 1150 1530 1820 1900 1950 2200 590 680 830 1770 350 290 1240 490 1120 1600 1900 1710 1120 1750 810 1140 1435 1680 2100 2060 Referência LOCAL Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Brooklin, SP Brooklin, SP Tatuapé, SP Brooklin, SP Tatuapé, SP São José dos Pinhais, PR São José dos Pinhais, PR São José dos Pinhais, PR São José dos Pinhais, PR São José dos Pinhais, PR São José dos Pinhais, PR Santana, SP Porto Alegre, RS São José dos Pinhais, PR Porto Alegre, RS Porto Alegre, RS Porto Alegre, RS Florianópolis, SC Araucária, PR Vila Madalena, SP Londrina, PR Lapa, SP Belo Horizonte, MG Curitiba, PR Curitiba, PR Londrina, PR Londrina, PR Cidade Universitária, SP Cidade Universitária, SP Águas Claras, RS Águas Claras, RS Guarulhos, SP Mogi das Cruzes, SP Jacarepaguá, RJ Jacarepaguá, RJ Jacarepaguá, RJ Jacarepaguá, RJ Jacarepaguá, RJ Jacarepaguá, RJ Jaguariuna, SP Jaguariuna, SP Belo Horizonte, MG Belo Horizonte, MG 77 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 40 50 40 40 50 50 70 70 50 50 70 70 70 70 70 70 50 60 70 50 50 25 25 25 25 25 25 50 50 50 40 70 35 35 35 60 40 50 30 30 50 40 40 40 40 50 50 50 50 50 50 35 0,126 0,196 0,126 0,126 0,196 0,196 0,385 0,385 0,196 0,196 0,385 0,385 0,385 0,385 0,385 0,385 0,196 0,283 0,385 0,196 0,196 0,049 0,049 0,049 0,049 0,049 0,049 0,196 0,196 0,196 0,126 0,385 0,096 0,096 0,096 0,283 0,126 0,196 0,071 0,071 0,196 0,126 0,126 0,126 0,126 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,096 17 22 14,25 13 18 18 19 16 13 9,3 18,4 18,4 15,8 23 24 13 15 16,57 23 12 18,5 9,44 8,5 12 14 15 15 26,5 22 19 23 11,5 7 7 10 16 16 12,2 17,8 17,8 21 20 10,5 7,8 14,5 19 17,4 14 14,5 17 16 14 40,00 25,00 30,00 40,00 13,00 13,00 12,00 40,00 28,00 40,00 40,00 17,00 22,00 25,00 30,00 20,00 40,00 40,00 22,00 8,00 40,00 31,00 40,00 40,00 12,00 40,00 40,00 34,00 11,00 17,00 9,00 40,00 6,00 6,00 6,00 29,00 40,00 40,00 31,00 31,00 33,00 33,00 40,00 40,00 29,00 40,00 3,00 36,00 22,00 22,00 31,00 40,00 11,33 12,90 11,77 17,08 13,18 13,18 18,06 17,20 21,00 16,50 11,53 14,67 6,57 11,25 11,85 10,43 9,82 10,25 11,27 7,91 12,00 6,50 9,38 9,64 9,00 9,71 9,71 7,39 16,62 11,17 8,45 12,40 5,17 5,17 5,33 14,27 13,73 20,73 5,71 5,71 9,85 9,85 15,89 12,14 16,31 14,39 5,44 10,85 11,54 15,61 14,60 5,08 1000 2810 1510 1820 2410 2350 3150 3200 2070 1760 4020 4850 2280 1960 4900 1950 1950 2400 2730 1340 3500 400 300 410 510 700 710 2160 3200 1950 1930 3450 630 570 455 2960 2190 1690 660 1260 2110 1230 1700 620 1780 1940 1640 2590 2860 2400 2450 1200 500 1000 800 750 1000 550 1500 1500 1000 600 2000 1500 600 700 2500 500 500 1200 1000 1000 1000 120 200 150 150 300 375 1500 1500 1300 1000 1500 175 200 260 1500 1000 600 400 600 900 600 500 360 600 1000 800 1000 1300 1000 800 400 500 1810 710 1070 1410 1800 1650 1700 1070 1160 2020 3350 1680 1260 2400 1450 1450 1200 1730 340 2500 280 100 260 360 400 335 660 1700 650 930 1950 455 370 195 1460 1190 1090 260 660 1210 630 1200 260 1180 940 840 1590 1560 1400 1650 800 Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Alonso (2000) Belo Horizonte, MG Botafogo, RJ Sete Lagoas, MG Barueri, SP Ipatinga, MG Ipatinga, MG Flamengo, RJ Morunbi, SP Jacareí, SP Jacareí, SP Imirin, SP Imirin, SP Imirin, SP Imirin, SP Imirin, SP Santos, SP Osasco, SP Blumenau, SC Vitória, ES Moema, SP Porto Alegre, RS Guarulhos, SP Guarulhos, SP Guarulhos, SP Guarulhos, SP Guarulhos, SP Guarulhos, SP Vitória, ES Serra, ES Porto Alegre, RS Viçosa, MG Vila Vellha, ES Belo Horizonte, MG Belo Horizonte, MG Belo Horizonte, MG Belo Horizonte, MG Osasco, SP Araucária, PR Valinhos, SP Valinhos, SP Recife, PE Recife, PE São José dos Pinhais, PR São José dos Pinhais, PR São José dos Pinhais, PR São José dos Pinhais, PR Manaus, AM Camaçari, BA Camaçari, BA Camaçari, BA Camaçari, BA Jacareí, SP 78 A.2- BANCO2: PROVA DE CARGA ESTÁTICA DE COMPRESSÃO ESTACAS PRÉ-MOLDADAS DE CONCRETO (MODIFICADO – LOBO, 2005) QT D (cm) As (m2) LE (m) SPTP 1 2 3 4 5 6 7 8 26 26 26 26 26 26 33 33 0,053 0,053 0,053 0,053 0,053 0,053 0,086 0,086 18,9 21,12 10,5 11,2 9,25 3,3 21,1 39,9 30,00 30,00 22,00 22,00 14,00 11,00 30,00 22,00 5,15 6,84 8,50 7,60 11,44 5,50 6,84 4,90 9 33 0,086 9,9 8,00 10 33 0,086 11,5 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 33 42 42 42 42 42 42 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 60 60 60 60 60 0,086 0,139 0,139 0,139 0,139 0,139 0,139 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,196 0,283 0,283 0,283 0,283 0,283 47 60 48 60 Estaca QF KN QP KN 1115 1005 950 850 1000 1040 1830 1115 400 300 400 300 400 400 800 400 715 705 550 550 600 640 1030 715 14,78 900 440 460 22,00 10,40 1080 500 580 Scac (200_) 23 21,35 12 9,7 21,1 14,97 23,15 23 21,8 18 15,4 13,1 15,8 26,5 34 34 14 29,5 27,4 38,85 28,75 26,4 19,9 16,5 20,2 9,4 18,7 28,4 11,7 17,75 12,95 18,2 9,3 21,4 29,8 27,1 16,00 22,00 40,00 40,00 8,00 30,00 24,00 30,00 27,00 40,00 14,00 10,00 17,00 18,00 4,00 40,00 30,00 40,00 40,00 40,00 40,00 40,00 40,00 28,00 21,00 40,00 40,00 31,00 22,00 19,00 28,00 29,00 34,00 40,00 40,00 40,00 1,95 3,86 7,18 6,48 9,70 12,71 7,09 11,00 13,14 8,18 5,93 2,42 9,00 2,06 3,47 5,20 9,65 8,68 4,77 10,66 8,71 3,76 6,32 4,88 1,58 5,00 10,67 7,89 13,27 10,75 7,50 12,95 4,38 4,15 5,89 4,43 1250 2030 2200 1880 5300 1780 1820 3100 2700 2430 2610 2790 2350 2520 2600 2620 2850 4030 2940 8250 5950 2760 3140 2900 2650 2810 3600 2750 3050 2320 5000 3850 5000 3950 4900 3170 400 500 450 800 2000 800 500 900 1100 500 600 500 1000 550 1000 800 750 800 750 3000 1500 600 500 870 500 600 600 1000 650 1100 600 1000 1000 1000 1200 800 850 1530 1750 1080 3300 980 1320 2200 1600 1930 2010 2290 1350 1970 1600 1820 2100 3230 2190 5250 4450 2160 2640 2030 2150 2210 3000 1750 2400 1220 4400 2850 4000 2950 3700 2370 Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) 0,283 28,7 11,00 5,38 3850 1500 2350 Scac (200_) 0,283 29 5,00 5,33 3230 1200 2030 Scac (200_) SPTF EXTRAPOLADA KN Referência Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) Scac (200_) LOCAL Cubatão, SP Cubatão, SP Sumaré, SP Sumaré, SP Jaguaré, SP Via Anhanguera, SP Cubatão, SP Santos, SP Via Anhanguera, SP São Bernardo do Campo, SP Santa Cruz, RJ São Sebastião, SP Volta Redonda, RJ São Caetano do Sul, SP Duque de Caxias, RJ Sumaré, SP Santa Cruz, RJ Caju, RJ São José dos Campos, SP Angra dos Reis, RJ Angra dos Reis, RJ Angra dos Reis, RJ Duque de Caxias, RJ Santos, SP Santos, SP Santos, SP Ipatinga, MG Santa Cruz, RJ Santa Cruz, RJ Santa Cruz, RJ Santa Cruz, RJ Barueri, SP Barueri, SP Barueri, SP Barueri, SP Barueri, SP Barueri, SP São Caetano do Sul, SP Barcarena, PA Barcarena, PA Betim, MG São José dos Campos, SP Duque de Caxias, RJ Duque de Caxias, RJ Duque de Caxias, RJ Santa Cruz, RJ Av. dos Automobilistas, SP Av. dos Automobilistas, SP 79 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 60 60 70 20 23 26 33 17 17 26 18 26 23 22,6 30 20,3 18 18 22,6 26 20 18 18 15 23 40 30 30 50 50 23 18 15 25 20 25 20 15 25 25 15 15 20 25 30 40 40 30 30 25 25 20 0,283 0,283 0,385 0,031 0,042 0,053 0,086 0,023 0,023 0,053 0,025 0,053 0,042 0,040 0,071 0,032 0,025 0,025 0,040 0,053 0,031 0,025 0,025 0,018 0,042 0,126 0,071 0,071 0,196 0,196 0,042 0,025 0,018 0,049 0,031 0,049 0,031 0,018 0,049 0,049 0,018 0,018 0,031 0,049 0,071 0,126 0,126 0,071 0,071 0,049 0,049 0,031 35,5 24 30,1 9 10,3 9,6 9,6 10 14 5 5,7 18,1 13,7 14 23,3 20 12,3 8,6 8,2 8,4 8,8 12 12 10 12 11,1 12 12 27 39,8 10,2 10 8,75 13,5 11,5 13,5 11,5 3,5 12 10 4,4 3,4 12 14 7,7 10,3 12 14 16 14 12,4 13 40,00 20,00 22,00 22,00 20,00 20,00 20,00 5,00 13,00 6,00 7,00 12,00 12,00 8,00 14,00 4,00 12,00 40,00 40,00 40,00 40,00 11,00 8,00 8,00 9,00 16,00 21,00 22,00 2,00 20,00 18,00 5,00 10,00 12,00 15,00 7,00 10,00 22,00 4,00 9,00 8,00 3,00 2,00 20,00 20,00 24,00 22,00 21,00 16,00 6,00 2,00 8,00 4,41 5,87 7,25 7,25 8,89 8,89 8,89 4,89 6,31 4,00 3,60 5,35 3,85 4,62 6,36 3,95 4,91 8,38 6,43 6,43 8,38 9,80 3,44 3,44 3,91 6,50 7,36 9,46 1,04 2,06 5,14 5,89 7,22 6,25 8,83 9,20 9,08 7,40 3,50 5,27 4,44 2,75 3,50 3,73 6,38 15,56 8,89 11,54 6,85 7,33 7,07 6,00 4300 2740 575 770 1010 1200 1940 125 205 325 335 840 265 285 2720 540 675 650 1200 950 590 570 490 290 407 820 560 780 600 2280 2070 320 305 275 600 272 800 650 20,5 500 360 55 53 284 530 770 1150 1370 835 760 535 445 900 1000 250 350 350 300 600 75 120 140 150 260 150 200 1200 280 300 250 400 400 200 260 200 150 200 300 350 300 250 750 1000 120 120 270 300 150 360 200 20 250 150 30 25 100 250 500 320 320 300 320 240 240 3400 1740 325 420 660 900 1340 50 85 185 185 580 115 85 1520 260 375 400 800 550 390 310 290 140 207 520 210 480 350 1530 1070 200 185 5 300 122 440 450 0,5 250 210 25 28 184 280 270 830 1050 535 440 295 205 Scac (200_) Scac (200_) Gonçalves (2000) Gonçalves (2000) Gonçalves (2000) Gonçalves (2000) Gonçalves (2000) Fábris (2004) Fábris (2004) Soares (2004) Miquerinos (200_) Miquerinos (200_) Miquerinos (200_) Miquerinos (200_) Miquerinos (200_) Miquerinos (200_) Miquerinos (200_) Fábris (2004) Fábris (2004) Fábris (2004) Fábris (2004) Fábris (2004) Fábris (2004) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Engesolos (200_) Engesolos (200_) Engesolos (200_) Consenge (200_) Consenge (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Santa Cruz, RJ São Paulo, SP São Paulo, SP São Paulo, SP São Paulo, SP São Paulo, SP Bauru, SP Bauru, SP Recife, PE Joinville, SC Joinville, SC Joinville, SC Joinville, SC Joinville, SC Joinville, SC Joinville, SC São José, SC São José, SC São José, SC São José, SC Joinville, SC Joinville, SC Mamoré, PR Mamoré, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Joinville, SC Santos, SP Santos, SP Santos, SP Curitiba, PR Curitiba, PR São Paulo, SP Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR 80 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 25 20 20 18 40 28 40 20 28 40 28 40 33 25 25 20 25 30 30 30 30 25 25 42 30 0,049 0,031 0,031 0,025 0,126 0,062 0,126 0,031 0,062 0,126 0,062 0,126 0,086 0,049 0,049 0,031 0,049 0,071 0,071 0,071 0,071 0,049 0,049 0,139 0,071 15 13 9 12,2 13 12,2 11 12,1 12 12 12 12,3 12 14,4 12,9 12,9 7,85 6,65 7 8,3 6,8 15,35 14 23,65 14 12,00 9,00 6,00 22,00 8,00 17,00 13,00 20,00 13,00 24,00 19,00 17,00 9,00 11,00 25,00 22,00 40,00 40,00 34,00 35,00 17,00 8,00 17,00 40,00 7,00 8,15 7,86 5,33 8,95 5,27 8,00 5,91 8,27 5,91 10,53 6,09 7,92 4,25 3,65 15,13 14,29 12,86 8,63 7,80 8,27 8,65 8,80 8,00 11,00 7,00 390 560 400 350 340 340 455 1240 710 960 990 495 350 485 780 1020 1015 1140 705 680 815 710 525 1800 600 200 300 250 200 150 200 200 800 400 600 400 200 250 240 400 400 400 500 300 300 300 300 300 600 480 190 260 150 150 190 140 255 440 310 360 590 295 100 245 380 620 615 640 405 380 515 410 225 1200 120 Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) 126 28 0,062 14,86 5,00 3,31 750 320 430 Engesolos (200_) 127 28 0,062 14,68 3,00 1,90 720 300 420 Engesolos (200_) 128 28 0,062 14,86 2,00 1,91 910 400 510 Engesolos (200_) 129 130 131 40 26 30 0,126 0,053 0,071 9,3 11,3 8,5 14,00 30,00 8,00 12,57 5,05 4,38 1200 730 780 600 300 200 600 430 580 Engesolos (200_) Engesolos (200_) Tecnosolo (200_) Engesolos (200_) Engesolos (200_) Engesolos (200_) Engesolos (200_) Engesolos (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Tecnosolo (200_) Engesolos (200_) Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Curitiba, PR Guarulhos, SP Guarulhos, SP Guarulhos, SP Guarulhos, SP Guarulhos, SP Campo Largo, PR Campo Largo, PR Campo Largo, PR Araucária, PR Duque de Caxias, RJ São Paulo, SP São Bernardo do Campo, SP São Bernardo do Campo, SP São Bernardo do Campo, SP São Paulo, SP São Paulo, SP São Paulo, SP 81 ANEXO B – RELATÓRIOS DE SONDAGEM A PERCUSSÃO B.1- ESTACAS HÉLICE CONTÍNUA Estaca 1 - Broklin SP - Rua Barão do triunfo, 277 Φ= L= Características A/a = Prof. (m) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 35 11,55 cm m 47,097 U= 1,10 NSPT Campo NSPT Utilizado 0 12 14 16 10 8 25 20 35 8 22 25 42 29 0 12 14 16 10 8 25 20 30 8 22 25 40 29 23 23 m Solo Argila Silto Arenosa Areia Argilosa Argila Silto Arenosa Areia Argilosa Argila Silto Arenosa SPTFUSTE 17,27 SPTPONTA 40 Penetração (m) 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 Penet / Golpe (m) 0,000 0,025 0,021 0,019 0,030 0,038 0,012 0,015 0,010 0,038 0,014 0,012 0,008 0,010 0,3 0,013 Estaca 2 - Broklin SP - Rua Barão do triunfo, 277 Φ= L= Características A/a = Prof. (m) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 35 8,59 cm m 47,097 U= 1,10 NSPT Campo NSPT Utilizado 0 12 14 16 10 8 25 20 35 8 22 25 0 12 14 16 10 8 25 20 30 8 22 25 m Solo Argila Silto Arenosa Areia Argilosa Argila Silto Arenosa Areia Argilosa SPTFUSTE 16,87 SPTPONTA 8 Penetração (m) 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 Penet / Golpe (m) 0,000 0,025 0,021 0,019 0,030 0,038 0,012 0,015 0,010 0,038 0,014 0,012 82 Estaca 3 - Tatuapé SP - Rua Aguapeí, 300 Φ= L= Características A/a = Prof. (m) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 60 16,04 138,41 U= 1,88 NSPT NSPT Utilizado Campo 0 0 4 6 6 7 5 5 7 7 8 7 10 6 9 12 21 8 15 cm m 0 0 4 6 6 7 5 5 7 7 8 7 10 6 9 12 21 8 15 m Solo Argila Silto Arenosa Areia Silto Argilosa Argila Silto Arenosa SPTFUSTE 6,6 SPTPONTA 21 Penetração (m) 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 Penet / Golpe (m) 0,000 0,000 0,075 0,050 0,050 0,043 0,060 0,060 0,043 0,043 0,038 0,043 0,030 0,050 0,033 0,025 0,014 0,038 0,020 83 B.2- ESTACAS PRÉ-MOLDADAS DE CONCRETO Estaca 1 - 19/10/1971 - Cubatão S.P - Eng. Solos Rel. 587/71_2 Φ= L= Características A/a = Prof. (m) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 26 18,90 25,990 U= 0,82 NSPT NSPT Utilizado Campo 0 0 0 0 1,5 1,7 3,5 1,7 0,5 1,5 1,3 0,5 0,7 5,2 8,3 11,5 13,8 19 27 30 30 cm m 0 0 0 0 1,5 1,7 3,5 1,7 0,5 1,5 1,3 0,5 0,7 5,2 8,3 11,5 13,8 19 22 30 30 m Solo Argila Silto Arenosa Silte Argilo Arenoso SPTFUSTE 5,15 SPTPONTA 30 Penetração (m) Penet / Golpe (m) 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,000 0,000 0,000 0,000 0,200 0,176 0,086 0,176 0,600 0,200 0,231 0,600 0,429 0,058 0,036 0,026 0,022 0,016 0,014 0,010 0,010 84 Estaca 2 - 19/10/1971 - Cubatão S.P - Eng. Solos Rel. 587/71_4 Φ= L= Características A/a = Prof. (m) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 26 21,12 25,990 U= 0,82 NSPT NSPT Utilizado Campo 0 0 0 0 1,5 1,7 3,5 1,7 0,5 1,5 1,3 0,5 0,7 5,2 8,3 11,5 13,8 19 27 30 30 30 30 cm m m Solo 0 0 0 0 1,5 1,7 3,5 1,7 0,5 1,5 1,3 0,5 0,7 5,2 8,3 11,5 13,8 19 22 22 22 30 30 Argila Silto Arenosa Silte Argilo Arenoso SPTFUSTE 6,84 SPTPONTA 30 Penetração (m) 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 Penet / Golpe (m) 0,000 0,000 0,000 0,000 0,200 0,176 0,086 0,176 0,600 0,200 0,231 0,600 0,429 0,058 0,036 0,026 0,022 0,016 0,014 0,014 0,014 0,010 0,010 Estaca 3 - 25/03/1976 - Sumaré S.P - Engesolos Rel. 193/76_4 Φ= L= Características A/a = Prof. (m) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 26 10,5 25,99 U= 0,82 NSPT NSPT Utilizado Campo 0 3 4 5 5 3 6 11 15 18 15 22 cm m 0 3 4 5 5 3 6 11 15 18 15 22 m Solo Argila Silto Arenosa SPTFUSTE 8,5 SPTPONTA 22 Penetração (m) 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 Penet / Golpe (m) 0,000 0,100 0,075 0,060 0,060 0,100 0,050 0,027 0,020 0,017 0,020 0,014 85