UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE TECNOLOGIA
PROGRAMA DE POS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
MESTRADO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
ADRIANE ARAÚJO DE OLIVEIRA
APLICAÇÃO DO MÉTODO DE ANÁLISE HIERÁRQUICA NA TOMADA
DE DECISÃO PARA ADOÇÃO DE COMPUTAÇÃO EM NUVEM.
UM ESTUDO DE CASO NA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO RN.
NATAL/RN
2011
ADRIANE ARAÚJO DE OLIVEIRA
APLICAÇÃO DO MÉTODO DE ANÁLISE HIERÁRQUICA NA TOMADA
DE DECISÃO PARA ADOÇÃO DE COMPUTAÇÃO EM NUVEM.
UM ESTUDO DE CASO NA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO RN.
Dissertação submetida ao Programa de
Engenharia de Produção da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte como parte
dos requisitos necessários para obtenção do
título de Mestre em Engenharia de Produção.
Orientador: Prof. Dr. José Alfredo F. Costa
NATAL/RN
2011
ADRIANE ARAÚJO DE OLIVEIRA
APLICAÇÃO DO MÉTODO DE ANÁLISE HIERÁRQUICA NA TOMADA
DE DECISÃO PARA ADOÇÃO DE COMPUTAÇÃO EM NUVEM.
UM ESTUDO DE CASO NA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO RN.
Dissertação
submetida
ao
Programa
de
Engenharia de Produção da Universidade Federal
do Rio Grande do Norte como parte dos requisitos
necessários para obtenção do título de Mestre em
Engenharia de Produção.
Aprovado em : ____/____/____.
BANCA EXAMINADORA
_____________________________________________
Prof. Dr. José Alfredo Ferreira Costa
Orientador - UFRN
_____________________________________________
Prof. Dr. Manoel Veras de Souza Neto
Co-orientador – UFRN
_____________________________________________
Prof. Dr. Daniel Aloise
Examinador Interno– UFRN
_____________________________________________
Prof Dr. Aarão Lyra
Examinador Externo – UNP / UFRN
Dedico esse trabalho aos meus amores: Weber, Mariane e Juliane.
AGRADECIMENTOS
A Deus que durante toda a minha vida, iluminou meus caminhos para que eu
pudesse ter saúde, inteligência e determinação para atingir meus objetivos.
Aos meus pais, porque investiram na minha educação e agora se orgulham
pela minha continuidade nos estudos.
Às minhas filhas Mariane e Juliane pela compreensão e paciência nas noites e
finais de semana as quais não pude dar atenção.
Ao meu esposo Weber pelo amor e incentivo a buscar novos conhecimentos e
desafios profissionais.
Ao Sistema FIERN, por ser uma entidade na qual venho me dedicando durante
vinte e quatro anos como profissional da área de Tecnologias da Informação e por isso
me dediquei a desenvolver esse tema de dissertação.
Aos colegas e técnicos de TI, que confiaram no meu trabalho e tão
prontamente responderam os questionários, e em especial, à Adriana e à Claudinha,
que acompanharam minha árdua batalha dos desafios encontrados no ambiente de
trabalho e na dedicação ao mestrado.
Aos colegas e companheiros de estudos no mestrado de Engenharia de
Produção da UFRN, Jakeline, Joannes e Rafaela, sempre presentes em busca dos
ideais.
Ao meu orientador Prof. Dr. José Alfredo Ferreira Costa que confiou na minha
dedicação, mesmo sabendo o quanto é difícil conciliar, trabalho, estudos e família.
Ao meu Co-orientador Prof. Dr. Manoel Veras de Souza Neto, pelo constante
incentivo aos estudos e à valorosa orientação.
À minha grande amiga Maria do Carmo Ramalho Dantas, que sempre esteve
ao meu lado em todos os momentos da minha vida .
Ao amigo Valmir Ferreira, exemplo de vida e amizade.
A todos que direta ou indiretamente contribuíram durante toda a jornada, o meu
muito obrigada.
"...e assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar...
Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las. Decidi ver cada
problema como uma oportunidade de encontrar uma solução. Decidi ver cada deserto
como uma possibilidade de encontrar um oásis. Decidi ver cada noite como um mistério
a resolver. Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz. Naquele dia
descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que
enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar. Naquele dia, descobri que eu
não era o melhor e que talvez eu nunca tenha sido. Deixei de me importar com quem
ganha ou perde, agora, me importa simplesmente saber melhor o que fazer. Aprendi
que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir. Aprendi que o melhor
triunfo que posso ter, é ter o direito de chamar a alguém de "Amigo". Descobri que o
amor é mais que um simples estado de enamoramento, "o amor é uma filosofia de
vida". Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e
passei a ser a minha própria tênue luz deste presente. Aprendi que de nada serve ser
luz se não vai iluminar o caminho dos demais. Naquele dia, decidi trocar tantas coisas...
Naquele dia, aprendi que os sonhos são somente para fazer-se realidade. E desde
aquele dia já não durmo para descansar... Agora simplesmente durmo para sonhar".
Walt Disney
RESUMO
Os avanços da Internet e das telecomunicações vem mudando os conceitos da
Tecnologia da Informação - TI, principalmente no que diz respeito à terceirização dos
serviços, onde as organizações buscam redução de custos e um melhor foco no
negócio. Com o amadurecimento dessa terceirização, desenvolveu-se um novo modelo
denominado “Cloud Computing” (Computação em Nuvem, CN), que propõe migrar para
a Internet tanto o processamento de dados, quanto o armazenamento de informações.
Dentre os pontos chaves da Computação em Nuvem, se incluem redução de custos,
benefícios, riscos e as mudanças de paradigmas da TI. Entretanto, a adoção desse
modelo gera algumas dificuldades na tomada de decisão, por parte dos gestores de TI,
sobretudo, nos que se refere à quais soluções poderão ir para a nuvem, e quais
prestadores de serviços mais se adéquam à realidade da Organização. A pesquisa tem
como objetivo geral, aplicar o Método AHP – (Analytic Hierarchic Process), conhecido
como “Método de Análise Hierárquica”, para tomada de decisão em Computação em
Nuvem na Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte – FIERN. Para tanto, a
metodologia utilizada foi do tipo exploratória e um estudo de caso aplicado em uma
organização de âmbito nacional. A coleta de dados foi realizada por meio de dois
questionários estruturados aplicados eletronicamente junto aos técnicos de TI, e
diretoria da empresa. A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa e
comparativa, e utilizou-se o software para o método AHP denominado “Web-Hipre”. Os
resultados obtidos constataram a importância da aplicação do método AHP na tomada
de decisão para adoção da Computação em Nuvem, principalmente, porque na ocasião
em que se aplicava a pesquisa, a organização estudada já apontava o interesse e a
necessidade em adotar a CN, tendo em vista os problemas internos com a
infraestrutura e a disponibilidade das informações que a mesma enfrenta nos dias
atuais. A organização buscava adotar a CN, no entanto, tinha dúvidas quanto ao
modelo de nuvem e qual o provedor de serviços melhor atenderia às suas reais
necessidades. A aplicação do AHP então serviu como ferramenta direcionadora para a
escolha da melhor alternativa, na qual, aponta a Nuvem Híbrida como sendo o modelo
ideal para se iniciar na Computação em Nuvem, considerando-se os seguintes
aspectos: A camada de Infraestrutura como Serviços-IaaS (Processamento e
Armazenamento), deve ficar parte da Nuvem Pública e parte na Nuvem Privada; a
camada de Plataforma como Serviços-PaaS (Desenvolvimento e Teste de Softwares)
teve preferência para a Nuvem Privada, e a camada de Software como Serviços-SaaS
(E-mails/Aplicativos) dividiu-se em e-mails para a Nuvem Publica e os Aplicativos para a
Nuvem Privada. A pesquisa identificou ainda os fatores importantes para contratação
de um provedor de Computação em Nuvem
Palavras Chave: Computação em Nuvem. Tomada de Decisão. Modelo AHP.
ABSTRACT
The progresses of the Internet and telecommunications have been changing the
concepts of Information Technology – IT, especially with regard to outsourcing services,
where organizations seek cost-cutting and a better focus on the business. Along with the
development of that outsourcing, a new model named Cloud Computing (CC) evolved. It
proposes to migrate to the Internet both data processing and information storing. Among
the key points of Cloud Computing are included cost-cutting, benefits, risks and the IT
paradigms changes. Nonetheless, the adoption of that model brings forth some
difficulties to decision-making, by IT managers, mainly with regard to which solutions
may go to the cloud, and which service providers are more appropriate to the
Organization’s reality. The research has as its overall aim to apply the AHP Method
(Analytic Hierarchic Process) to decision-making in Cloud Computing. There to, the
utilized methodology was the exploratory kind and a study of case applied to a
nationwide organization (Federation of Industries of RN). The data collection was
performed through two structured questionnaires answered electronically by IT
technicians, and the company’s Board of Directors. The analysis of the data was carried
out in a qualitative and comparative way, and we utilized the software to AHP method
called Web-Hipre. The results we obtained found the importance of applying the AHP
method in decision-making towards the adoption of Cloud Computing, mainly because
on the occasion the research was carried out the studied company already showed
interest and necessity in adopting CC, considering the internal problems with
infrastructure and availability of information that the company faces nowadays. The
organization sought to adopt CC, however, it had doubt regarding the cloud model and
which service provider would better meet their real necessities. The application of the
AHP, then, worked as a guiding tool to the choice of the best alternative, which points
out the Hybrid Cloud as the ideal choice to start off in Cloud Computing. Considering the
following aspects: the layer of Infrastructure as a Service – IaaS (Processing and
Storage) must stay partly on the Public Cloud and partly in the Private Cloud; the layer
of Platform as a Service – PaaS (Software Developing and Testing) had preference for
the Private Cloud, and the layer of Software as a Service - SaaS (Emails/Applications)
divided into emails to the Public Cloud and applications to the Private Cloud. The
research also identified the important factors to hiring a Cloud Computing provider.
Keywords: Cloud Computing. Decision-making. AHP Model.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1
Organização dos temas de estudos da dissertação
22
Figura 2
As três camadas de Computação em Nuvem: Saas, PaaS, Iaas.
28
Figura 3
Relacionamento
entre
os
três
principais
elementos
da 34
arquitetura da computação em nuvem
Figura 4
Diagrama do Processo de Análise de Decisão
46
Figura 5
Estrutura do modelo AHP
55
Figura 6
Modelagem da Hierarquia
56
Figura 7
Comparações de Critérios no Modelo Hierárquico
58
Figura 8
Tela de Abertura do Software Web-Hipre
61
Figura 9
Modelo metodológico de Estudo de Caso
66
Figura 10
Árvore Hierárquica do Modelo AHP
71
Figura 11
Árvore de Decisão para a Questão Problema 2
74
Figura 12
Organograma
do
Sistema
FIERN
–
Superintendência
Corporativa
80
Figura 13
Organograma Funcional do SESI
82
Figura 14
Estrutura Organizacional do SENAI-RN
83
Figura 15
Organograma Funcional do IEL
86
Figura 16
Organograma da UNITEC
88
Figura 17
Diagrama da Rede Corporativa do Sistema FIERN
89
Figura 18
Árvore Hierárquica com resultados apresentados pelo Software
Web-Hipre
102
Figura 19
Gráfico do AHP para a Questão Problema 1 – Nível 1 105
103
Figura 20
Gráfico do AHP para a “Questão Problema 1 – Nível 2 105
104
Figura 21
Gráfico do AHP para a “Questão Problema 1” sobre os três
atributos106
Figura 22
Árvore Hierárquica com seus respectivos resultados aplicados
para “Questão Problema 2”. 109
Figura 23
104
Gráfico das alternativas de Provedor de CN - Questão Problema
107
2.110
108
Figura 24
Atributos – Nível 1 Questão
109
Figura 25
Gráfico das alternativas de Provedor de CN em relação aos
atributos no nível 1- Questão Problema 2.
Figura 26
109
Gráfico das alternativas de Provedor de CN em relação aos
subatributos - no nível 2 - Questão Problema 2.112
110
LISTA DE TABELAS
Tabela 1
Definições de Cloud Computing baseadas nos conceitos de
algumas empresas
25
Tabela 2
Descrições do Contrato SLA
39
Tabela 3
Cláusulas que devem conter no contrato Sla
41
Tabela 4
Licações que devem ou não migrar para a nuvem
43
Tabela 5
Fatores para as comparações paritárias
57
Tabela 6
Definição dos Atributos e Sub atributos da Questão Problema 1
69
Tabela 7
Matriz de atributos e subatributos para a tomada de decisão na
71
escolha de um provedor de serviços de Computação em Nuvem.
Tabela 8
Resumo das Propostas Apresentadas pelos Provedores de CN
Tabela 9
Resultados Coletados do Google Docs, para os níveis 1, 2, 3 da
árvore hierárquica (Questão Problema 1)
Tabela 10
76
101
Resultados das pontuações geradas pelo Web-Hipre para a
Questão Problema 1
102
Tabela 11
Resultados do Google Docs para a Questão Problema 2
105
Tabela 12
Resultados das pontuações geradas pelo Web-Hipre para a
Questão Problema 2
106
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
CLOUD COMPUTING – Computação em Nuvem
AHP – Analytic Hierarchy Process
TI – Tecnologia da Informação
TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação
DATACENTERS – Provedores de Serviços de Internet
ITIL – Information Technology Infraesttructure Library
IaaS – Infraestrutura como Serviços
PaaS – Plataforma como Serviços
SaaS – Software como Serviços
SLA – Service Level Agreement
Pay-Per-Use – Pague por uso
CRM – Consumer Relation Mannagement
MSN – Microsoft Messenger Network
CaaS – Comunicação com Serviços
MaaS – Monitoramento como Serviços
IP – Provedor de Infraestrutura
PAY-AS-YOU-GO – Pague onde for
NETBOOKS – Pequenos Notebooks para acesso à Internet
WI-FI – Rede sem fio
PO – Pesquisa Operacional
MAH – Método de Análise Hierárquica
WEB-HIPRE – Hierarquical Preference Ananylis on the World Wide
AHP – Analytic Hierarquic Process
HUT – Helsinki University of Technology
FIERN – Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte
SESI – Serviço Social da Indústria
SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
IEL – Instituto Euvaldo Lodi
CNI – Confederação Nacional da Indústria
CTGÁS – Centro de Tecnologias do Gás
CTI – Centro de Tecnologia em Informática Aluízio Alves
UNITEC – Unidade Integrada de Tecnologia da Informação
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO ................................................................................................. 15
1.1
QUESTÃO PROBLEMA ................................................................................... 17
1.2
OBJETIVOS DA PESQUISA ............................................................................ 18
1.3
JUSTIFICATIVA E CONTRIBUIÇÕES DO ESTUDO ....................................... 19
1.4
ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO ................................................................... 20
2
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ....................................................................... 23
2.1
COMPUTAÇÃO EM NUVEM............................................................................ 23
2.1.1
Conceitos ........................................................................................................ 23
2.1.2
Arquitetura da Computação em Nuvem ....................................................... 27
2.1.3
Classificação de Computação em Nuvem .................................................... 35
2.1.4
Segurança da Informação e Aspectos Legais da Computação em Nuvem36
2.1.5
Estratégia para adoção da Computação em Nuvem ................................... 41
2.2
TEORIA DA DECISÃO E DECISÃO EM TI ...................................................... 44
2.2.1
Conceitos Gerais da Teoria de Decisão ....................................................... 44
2.2.2
Tomada de Decisões com Múltiplos Critérios ............................................. 47
2.2.3
Decisão em TI.................................................................................................. 48
2.3
MÉTODO DE ANÁLISE HIERÁRQUICA (MÉTODO AHP)............................... 49
2.3.1
Conceitos Básicos e Histórico do modelo AHP........................................... 50
2.3.2
Estrutura do AHP............................................................................................ 54
2.3.3
Modelagem da Hierarquia .............................................................................. 56
2.3.4
Comparação .................................................................................................... 57
2.3.5
Análise dos Dados.......................................................................................... 59
2.3.6
O software Web-Hipre .................................................................................... 60
3
METODOLOGIA............................................................................................... 63
3.1
CARÁTER CIENTÍFICO DA PESQUISA .......................................................... 63
3.2
MÉTODO DA PESQUISA................................................................................. 67
3.2.1
Método de Análise Hierárquica – MAH (Método AHP)................................. 67
3.2.2
Estruturação hierárquica ............................................................................... 69
3.3
TIPO DE PESQUISA ........................................................................................ 77
3.4
CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO DE CASO ................................................. 78
3.4.1
Estrutura Organizacional da FIERN .............................................................. 79
3.4.2
Estrutura Organizacional do Serviço Social da Indústria (SESI)................ 81
3.4.3
Estrutura Organizacional do SENAI-DR/RN ................................................. 82
3.4.4
Estrutura Organizacional do IEL- RN............................................................ 84
3.4.5
Estrutura Organizacional da Unidade de Tecnologia da Informação ........ 86
3.4.5.1 Infraestrutura de Hardware............................................................................... 88
3.4.5.2 Infraestrutura de Software ................................................................................ 90
3.5
UNIVERSO E SUJEITOS DA PESQUISA........................................................ 91
3.6
INSTRUMENTO E PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS................... 91
3.6.1
Instrumentos de Pesquisa ............................................................................. 91
3.6.1.1 Questionário 1 .................................................................................................. 91
3.6.1.2 Questionário 2 .................................................................................................. 93
3.6.2
Procedimentos de Coleta de Dados.............................................................. 94
4
ANÁLISES DOS RESULTADOS ..................................................................... 97
4.1
ANÁLISE DESCRITIVA DO ESTUDO DE CASO............................................. 97
4.1.1
Modelo Aplicado com base na Análise Quantitativa e Qualitativa............. 97
4.1.2
Análise Paritária.............................................................................................. 99
4.1.2.1 Análise dos Resultados referente à Questão Problema 1 .............................. 100
4.1.2.2 Análise dos Resultados Referente à Questão Problema 2............................. 105
4.2
CONSIDERAÇÕES DO ESTUDO DE CASO ................................................. 110
5
CONCLUSÕES .............................................................................................. 114
5.1
LIMITAÇÕES DO ESTUDO............................................................................ 117
5.2
SUGESTÕES PARA ESTUDOS FUTUROS .................................................. 118
REFERÊNCIAS ...............................................................................................135
15
1 INTRODUÇÃO
A sociedade atual, caracterizada como sendo a sociedade da informação e do
conhecimento tem feito as organizações repensarem o uso apropriado da tecnologia da
informação - TI. Essa utilização se insere cada vez mais nas atividades estratégicas e
de negócios, proporcionando maior integração, flexibilidade a menores custos.
Os avanços da Internet e das telecomunicações vem mudando os conceitos da
Tecnologia da Informação, principalmente no que diz respeito à terceirização dos
serviços, onde as organizações buscam redução de custos e um melhor foco no
negócio. Com o amadurecimento dessa terceirização, desenvolveu-se um novo modelo
chamado Computação em Nuvem - CN ou em inglês “Cloud Computing”, que propõe
migrar para a Internet, processamento, armazenamento de informações e tudo o que
acontece dentro do computador. O tema tem sido alvo de discussões tanto na área
comercial, quanto no meio científico, onde se abordam os benefícios, riscos e as
mudanças de paradigmas da TI.
Segundo Nielsen (2010), falar sobre o tema não se refere apenas a tecnologias
específicas, mas, também, a uma maneira diferente de se usar a tecnologia. Para ele,
idéia central da “Computação em Nuvem” é o fornecimento de serviços de computação
por meio da internet. Os usuários não mais necessitam acessar e-mails, documentos e
até mesmo rodar alguns aplicativos do disco rígido instalado em seu microcomputador.
As informações estão disponíveis na Web, tornando o PC apenas o meio de acesso.
Dessa forma, as empresas passam a enxergar que os investimentos em infraestrutura
própria de TI, poderão ser consideravelmente reduzidos, quando se adota essa nova
concepção. Além de tudo, a Computação em Nuvem pode oferecer os mais variados
recursos tecnológicos para acesso à informação, dos mais diversos dispositivos de
computação, como por exemplo, os smartphones. Sem contar que, o usuário pode
compartilhar dados com várias outras pessoas de qualquer lugar do mundo sem se
preocupar com instalação de uma diversidade de aplicativos necessários para
realização de tarefas no dia-a-dia de trabalho e realização de backups.
16
Para Baptista (2009 apud KIMBAL, 2008), a CN pode ser definida sob duas
perspectivas: a visão da engenharia, que a define como o fornecimento de serviços em
computadores virtuais alocadas no topo de uma grande pilha de computadores e a
visão de negócio que caracteriza a CN com um método para atingir a escalabilidade e a
disponibilidade em aplicações de larga escala.
Essa mudança de paradigma tem gerado uma série de discussões entre os
gestores de TI, principalmente, no que diz respeito a decidir se, irá migrar para a nuvem
todos os sistemas de informações, aplicativos e ferramentas de comunicação, migrar
apenas o essencial, ou simplesmente não aderir a esse novo modelo de computação.
Tais decisões implicam ainda, em escolher a melhor alternativa de provedor de serviços
na área de computação em nuvem, considerando principalmente, os aspectos de
segurança, disponibilidade, acessibilidade e integridade da informação, além de
menores custos.
Fatores como os descritos acima, levam à tomada de decisões mais criteriosas
e complexas, porque a natureza das informações envolvidas nos processos decisórios
é em geral, de caráter diverso, tornando difícil a comparação e análise. Trata-se então,
de um cenário onde se encontra múltiplos critérios, e baseia-se pelo princípio de que
para se decidir, a experiência e o conhecimento dos tomadores de decisão são tão
valiosos quantos os dados utilizados, permitindo assim, avaliar em conjunto, critérios
tangíveis como os financeiros, e critérios intangíveis como preferências do tomador de
decisão.
Os processos com múltiplos critérios de tomada de decisão surgiram a partir do
reconhecimento de necessidades geradas por problemas complexos, onde é preciso
analisar vários critérios. A utilização desses critérios é necessária para a compreensão
da realidade do problema analisado e escolha da alternativa que permitirá tomar a
decisão mais adequada.
Dentre os métodos existentes para aplicação de múltiplos critérios, estuda-se e
aplica-se nesse trabalho o método “AHP – Analytic Hierarchy Process”, conhecido como
Método de Análise Hierárquica. Essa ferramenta é utilizada para facilitar a análise,
compreensão e avaliação do problema de decisão, dividindo-se em níveis hierárquicos.
17
O método AHP foi desenvolvido por Thomas L. Saaty em 1977, que se baseia no
princípio de que “para se tomar decisões, a experiência e o conhecimento dos
tomadores de decisão, são tão valiosos quanto os dados utilizados”. (NUNES JÚNIOR,
2006, p.15).
É nesse cenário em que o presente trabalho se posiciona, levantando uma
fundamentação teórica sobre a Computação em Nuvem, e do Método AHP, para auxílio
à tomada de decisão na Federação das Indústrias do RN - FIERN que almeja migrar
seus sistemas de informações, sistemas de comunicações e aplicativos, para o novo
modelo em nuvem.
1.1 QUESTÃO PROBLEMA
O significante avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC na
última metade do século, fez com que se percebesse cada vez mais uma visão de que
a computação um dia, se tornará a quinta utilidade (depois da água, eletricidade, gás e
telefonia) (BUYA et al, 2009). Essa computação utilitária proverá um nível básico de
serviços que é considerado essencial ao dia a dia das necessidades da comunidade em
geral, assim como as outras quatro. Essa nova visão de entrega de serviços gera uma
série de paradigmas da computação dentre elas o nome Cloud Computing
(Computação em Nuvem).
Para Carr (2009, p. 43) “As empresas simplesmente vão se conectar à
infraestrutura por meio de um cabo ou antena e todas as funções necessárias aos seus
funcionários exigentes serão fornecidas automaticamente”.
E esse na verdade, é
exatamente o objetivo atual de muitas empresas de TI na “malha computacional”. E
ainda complementa: “[...] a computação torna-se um puro serviço de utilidade pública”.
Dentre as premissas acima apresentadas, percebe-se, que ainda existem
certas dificuldades na tomada de decisão sobre a adoção da Computação em Nuvem
por parte das organizações. Tais dúvidas são conseqüências referentes às rápidas
18
mudanças tecnológicas e dos altos investimentos que as organizações precisam fazer
para acompanhar as novas tecnologias e mostrarem-se competitivas no mercado atual.
Frente a este cenário, o presente estudo analisa as seguintes questões
problemas:
Questão Problema 1: Que características de Computação em Nuvem devem
ser escolhidas para adoção na organização estudada?
Questão Problema 2: Como proceder na escolha de um provedor de serviços
de Computação em Nuvem ?
As hipóteses relacionadas às questões problemas ajudarão a responder a
problemática e dar subsídios ao instrumento de pesquisa.
H1: A organização estudada não tem nenhum conhecimento sobre o significado
de computação em nuvem, portanto, não manifesta nenhum interesse na adoção desse
novo modelo.
H2: Os técnicos de TI e os gestores da organização estudada, apresentam
resistência quanto à mudanças de paradigmas da Computação em Nuvem.
1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA
Fundamentado pelo embasamento teórico/científico, o referido trabalho tem
como objetivo principal, avaliar o Método de Análise de Multicritérios, utilizando-se a
Técnica AHP – Analytic Hierarchic Process para a tomada de decisões na adoção da
Computação em Nuvem.
Para corroborar com o objetivo geral, esse trabalho contempla ainda os
seguintes objetivos específicos:

Levantar o modelo de Computação em Nuvem e seus tipos de
arquiteturas/serviços;

Analisar a metodologia da técnica AHP – Analytic Hierarchic Process;
19

Identificar as características/ tipos de serviços de CN e os procedimentos
necessários para contratação de um provedor de serviços nessa área.

Aplicar a técnica AHP para tomada de decisão sobre quais serviços de TI
poderão adotar o modelo de nuvem e qual o provedor de serviços de CN mais se
adéqua a organização estudada.
1.3 JUSTIFICATIVA E CONTRIBUIÇÕES DO ESTUDO
A utilização da Tecnologia da Informação - TI nas organizações, se expandiu de
uma forma que os executivos passaram a considerá-la como um recurso cada vez mais
indispensável e decisivo para o sucesso do negócio. Isso se deve ao fato do avanço
das telecomunicações associado ao advento da Internet que certamente, foram pontos
determinantes para uma grande mudança no uso dessas tecnologias.
À medida que a tecnologia amadurece, surge então, a necessidade de
padronização de recursos, de forma a reduzir custos e agir mais rapidamente na
competitividade. A padronização passa a tornar a tecnologia mais comum, mais
disseminada em todas as partes e conforme afirmação de Carr (2004, p.11), a TI está
destinada a se tornar um insumo, assim como é feito com o transporte ferroviário, a
energia elétrica, o gás e a telefonia.
Nesse novo cenário onde se insere a TI numa função mais estratégica do que
operacional, as organizações começam a entregar seus serviços e recursos de TI para
terceiros, passando a focar seus objetivos mais nos negócios. Percebe-se ainda, que
os investimentos em infraestruturas próprias estão se reduzindo em função dos atuais
recursos disponíveis na Internet e no novo modelo de computação baseado em nuvem.
Entretanto, é importante ressaltar, que tendo em vista a grande diversidade de
informações, e as ferramentas existentes e utilizadas de diferentes maneiras, torna a
tomada de decisão para a adoção da Computação em Nuvem mais complexa que os
demais tipos de terceirização. “A necessidade de monitorar, conhecer os fornecedores
20
e identificar as suas habilidades, torna-se um desafio constante para quem pretende
terceirizar qualquer atividade de TI”. (CAMPELO, 2009, p. 45).
Um estudo sobre Tomada de Decisão baseada em Métodos de Análise de
Multicritérios utilizando a Técnica AHP e Computação em Nuvem pode ser de grande
utilidade prática e social, uma vez que, a terceirização dos recursos tecnológicos para
esse novo modelo de computação tende a se expandir cada vez mais em todas as
áreas organizacionais.
Como relevância acadêmica, por ser um conceito ainda incipiente, bem como
ser um tema de grande abrangência e expectativa de evolução para as duas próximas
décadas tenha sido primordial na escolha do tema.
Este estudo tem vínculo acadêmico com área de “Gestão da Tecnologia”, haja
vista que são explorados os aspectos relacionados às Tecnologias da Informação, com
ênfase à um novo modelo computacional denominado Cloud Computing - Computação
em Nuvem.
1.4 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO
Este trabalho divide-se em cinco capítulos. O primeiro capítulo consiste na
Introdução onde se explana a contextualização do objeto de estudo, acompanhado dos
objetivos gerais e específicos e estrutura de organização do trabalho.
O capítulo dois apresenta toda a revisão bibliográfica, dividindo-se da seguinte
forma:
 Computação em Nuvem: conceitos; arquitetura de computação em nuvem;
classificação da computação em nuvem; segurança da informação em computação em
nuvem; questões legais sobre computação em nuvem.
 Decisão em TI: conceitos gerais da Teoria de Decisão e Decisão na área de
Tecnologia da Informação.
 Método de Análise Hierárquica: conceitos, estrutura do AHP, Modelagem
da Hierarquia, Comparação e Análise dos dados para o modelo AHP.
21
O capítulo três descreve a metodologia com suas aplicações, objetivos, tipos de
pesquisa, métodos de pesquisa, universo e amostragem, procedimentos e Instrumento
de coleta de dados, fontes gerais de informação e limitações do método de pesquisa.
O capítulo quatro refere-se às análises dos resultados, baseadas no estudo de
caso levantado por meio da pesquisa, acompanhada da contextualização da
organização pesquisada.
O quinto e último capítulo compreende nas conclusões realizadas pela
pesquisadora com um resumo das contribuições da dissertação. Por fim, encerra-se o
trabalho com os referenciais teóricos utilizados. A figura 1 representa graficamente a
organização dos temas de estudos dessa dissertação.
22
INTRODUÇÃO
REF.TEÓRICO
Computação em
Nuvem
 Conceitos
 Arquitetura de
Computação
em Nuvem
 Classificação
de Computação
em Nuvem
 Segurança da
Informação e
aspectos legais
de Computação
em Nuvem.
 Estratégia p/
adoção de CN
Introdução
 Questão
Problema
 Objetivos
 Justificativa e
Contribuições
do Estudo
 Estrutura da
Dissertação
Decisão em TI
 Teoria da
Decisão
 Tomada de
Decisão com
Múltiplos
Critérios
 Decisão em TI
METODOLOGIA E
ANÁLISE DOS
RESULTADOS
Metodologia
 Caráter Científico da
Pesquisa
 Método da Pesquisa
 Tipo de Pesquisa
 Caracterização do Estudo
de Caso.
 Universo e Sujeitos da
Pesquisa
 Instrumento e Proced. de
Coleta de Dados.
Análise dos Resultados
Método de
Análise
Hierárquica
 Conceitos
básicos e
históricos do
modelo AHP
 Estrutura do
AHP
 Modelagem da
Hierarquia
 Comparação
 Análise dos
Dados.
 O software
CONCLUSÕES E
RECOMENDAÇÕES
 Análise descritiva do
Estudo de Caso
 Conclusão do estudo de
caso
Figura 1 – Organização dos Temas de Estudo da Dissertação
Fonte: Elaborado pela autora.
Conclusão
 Limitações do
Estudo
 Sugestões para
estudos futuros
23
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 COMPUTAÇÃO EM NUVEM
A essência do trabalho encontra-se nessa seção, onde se procura conceituar e
discutir todos os aspectos relacionados à Computação em Nuvem.
2.1.1 Conceitos
Computação em Nuvem (CN) tem sido um termo bastante comentado nos
tempos recentes. Os especialistas e formadores de opiniões tem avaliado as
oportunidades que o termo vem oferecendo. “Existem várias definições concebidas a
respeito do tema “Computação nas Nuvens” ou “Computação em Nuvem” ou em inglês
“Cloud Computing”.
Com o significante avanço da Tecnologia da Informação e da Comunicação na
última metade do século, percebe-se cada vez mais a visão de que um dia, a
computação será a quinta utilidade (depois da água, eletricidade, gás e telefonia). É o
que afirma Buya et al (2009). Segundo ele, essa computação utilitária, como as outras
quatro utilidades, proverá um nível básico de serviços computacionais que são
considerados essenciais que a vida cotidiana necessita. Essa visão tem sugerido uma
série de paradigmas computacionais, que vão desde a “Cluster Computing”
(computação em grupo), “Grid Computing” (computação em grade) e a mais recente
“Cloud Computing” (computação em nuvem). Esse último termo indica que a
infraestrutura em forma de nuvem, possuem seus negócios e usuários que estão
habilitados a acessar aplicações de qualquer lugar do mundo. Portanto, a computação
mundial rapidamente se transforma rumo ao desenvolvimento de software como
24
serviços para milhões de consumidores que anteriormente utilizavam esses serviços
por meio de computadores individuais.
Segundo Rittinghouse e Randsome (2010), o tempo “Cloud” ou “Nuvem”, tem
sido utilizado historicamente como uma metáfora para a internet. O uso dessa palavra
foi originalmente derivado de sua representação comum em diagramas de rede como
um contorno de uma nuvem, que era utilizado para representar o transporte de dados
através de “backbones” (espinhas dorsais) do ponto de uma extremidade para outro.
Em outras palavras, de uma nuvem para outra. Este conceito surgiu desde 1961,
quando o professor John McCarthy sugeriu que a tecnologia de computação
compartilhada pudesse levar a um futuro onde a computação se transformasse num
modelo de negócio do tipo utilitário. Esta concepção se tornou bastante popular no
final dos anos 1960, mas em meados dos anos 1970 a idéia desapareceu quando se
tornou claro que as tecnologias de Informação relacionadas no dia a dia não foram
capazes de sustentar esse modelo de computação futurista. No entanto, desde a virada
do milênio, o conceito foi revitalizado. Foi durante este período de revitalização que o
conceito de Computação em Nuvem começou a surgir nos círculos de tecnologia.
Ainda para Rittinghouse e Randsome (2010), computação utilitária pode ser
definida com uma provisão de computação e armazenamento como um serviço medido,
similar ao modelo tradicional de serviços comunitários (água, energia, gás, telefonia).
Essa forma de computação vem se desenvolvendo e se popularizando, mas, as
organizações têm começado a estender o modelo para a CN provendo serviços virtuais
onde os departamentos de TI e usuários podem acessar a informação por demanda.
Inicialmente, as empresas adotavam a computação utilitária principalmente para
missões não críticas, mas, essas questões estão sendo rapidamente mudadas.
Slabeva et al, (2010, p.48), mostram na Tabela 1, definições baseadas nos
conceitos de algumas empresas.
Os conceitos definidos na Tabela 1 são baseados em empresas de pesquisas
de mercado. Segundo Slabeva et al (2010), todas essas definições têm uma
característica comum: eles tentam descrever baseando-se na perspectiva dos usuários
finais e de suas experiências, que “Computação em Nuvem” é uma forma escalável de
prover infraestrutura de TI, Software como serviços, e aplicativos.
25
Tabela 1 – Definições de Cloud Computing baseadas nos conceitos de algumas empresas
ORIGEM
Gartner Group
IDC
THE 451 GROUP
MERRILL LYNCH
DEFINIÇÃO
Um estilo de computação em massa, provido na forma de
serviços, usando-se as tecnologias da Internet para
múltiplos consumidores (GARTNER GROUP, 2008).
Um desenvolvimento de tecnologias da informação
emergente, baseado num modelo de disponibilização de
serviços, soluções e produtos em tempo real por meio da
Internet. (GENS, 2008)
Um modelo de Internet que combina os princípios de
Tecnologia da Informação, componentes de infraestrutura,
uma arquitetura, modelo econômico, basicamente em
computação em grade, virtualização, computação utilitária,
hospedagem e software como serviço. (FELLOW, 2008).
A idéia de entrega de serviços pessoais (e-mail,
processadores de texto, apresentações e aplicações de
negócios centralizados em servidores. (MERRILL LYNCH,
2008).
Fonte: Slabeva et al., (2010, p.48)
Estudos mostram que na comunidade científica a definição de “Computação em
Nuvem”, não só se baseia na perspectiva do usuário final, mas também, nos aspectos
da arquitetura de TI.
Brynjolfsson et al (2010), complementam que, sob a perspectiva acadêmica,
“Computação em Nuvem” se refere tanto a softwares como hardware entregues como
serviços pela Internet. O Datacenter de Hardware e Software é o que se chama de
Nuvem.
Para Armbrust et al (2009) Computação em nuvem são aplicações de serviços
entregues pela Internet onde Hardware e Softwares são providos pelos Datacenters.
Vaquero et al (2008) definem “nuvem” como são uma vasta gama de fácil
acessibilidade a informações virtualizadas de recursos (como hardware, plataformas
e/ou serviços). Esses recursos podem ser dinamicamente reconfigurados e ajustados
para uma escala variável conforme sua otimização.
Essa gama de recursos é
tipicamente explorada pelo modelo “pague pelo que usar”, em inglês “pay-per-use” com
garantia de infraestrutura e disponibilidade do serviço.
Pode-se ainda dizer que não há como fechar uma descrição mais arrisca.
“Computação em Nuvem” é a habilidade do provedor ou do departamento de TI em
26
entregar em tempo real as aplicações como serviço em diferentes ambientes por meio
da internet.
Há ainda quem defina “Computação em Nuvem” como a combinação entre
“Grid Computing” (Computação em Grade) e softwares como serviço, ou simplesmente
virtualização de rede. Mas “Computação em Nuvem” pode ser conceituado como um
conjunto que abriga outros conceitos conhecidos, como virtualização, “Grid Computing”
“Utility Computing”, Software como Serviço (Saas), Application Service Provider (ASP),
Arquitetura Orientada a Serviços (SOA) e Business Process Management (BPM).
Assuntos, esses que serão abordados nos itens que se seguem.
Tomando-se como base nos conceitos acima definidos, pode-se ainda definir a
CN como sendo um tipo de computação onde os usuários podem ter acesso aos seus
aplicativos de qualquer lugar e de qualquer dispositivo conectado.
Uma interface
central faz a infraestrutura da nuvem suportar aplicações transparentes para os
usuários.
As aplicações residem em massa em “datacenters” escaláveis onde os
recursos computacionais podem ser dinamicamente provisionados e compartilhados
para alcançar grande economia de escala.
Dois aspectos importantes acrescentam-se às definições de Cloud Computing,
segundo defendem Foster et al (2008). São eles: virtualização e escalabilidade. Cloud
Comnputin” resume o Hardware e Software em virtualização.
Segundo Veras (2009, p.67):
O conceito de computação em nuvem vem se aprimorando ao longo do tempo,
mas essencialmente trata da idéia básica de processar as aplicações e
armazenar os dados fora do ambiente corporativo. A virtualização é o elemento
chave desta nova forma de computação. A idéia é que as máquinas virtuais
possam rodar em qualquer parte da nuvem, buscando a otimização do
ambiente com respeito ao uso dos recursos.
A Computação em Nuvem também está relacionada a um modelo de
terceirização de serviços de TI, tendo em vista que tem como objetivo entregar a
aplicação e a infraestrutura para terceiros para que possam processar e armazenar as
informações dos usuários e/ou organizações. Frente ao exposto, as informações e
aplicações serão armazenadas executadas em grandes “DATACENTERS” onde muitas
vezes não se saberá onde os dados e as aplicações estão sendo armazenados e
27
executados. O processamento será distribuído por servidores espalhados dentro da
nuvem e o ganho de escala, tanto no processamento quanto no armazenamento,
possibilita a redução de custos quando comparado a soluções convencionais. (VERAS,
2009, p. 68).
Ainda para concluir os conceitos Armbrust et al (2009), destacam três principais
aspectos da Computação em Nuvem:
 A ilusão da disponibilidade de recursos infinitos, ilimitados: o conceito da
nuvem sugere que o usuário tem em suas mãos toda a Internet e os seus
serviços;
 A eliminação de um comprometimento anterior aos recursos utilizados pelos
usuários: uma empresa pode usar os recursos de hardware e à medida que for
crescendo, ou seja, na medida em que for necessário, pode se aumentar a
quantidade de recursos usados, sem que haja um comprometimento anterior
em relação a essa quantidade, a escalabilidade é a principal característica
responsável por esse aspecto;
 A habilidade de pagar pelo uso dos recursos à medida que eles são
utilizados: esse modelo de pagar pelo uso Pay-per-use utiliza uma métrica de
uso de processadores por hora, ou de armazenamento por dia, para cobrar
pelos serviços; isso permite que os recursos sejam liberados caso não sejam
utilizados, evitando um consumo desnecessário.
2.1.2 Arquitetura da Computação em Nuvem
É possível encontrar uma variedade de conceitos sobre infraestrutura e
componentes da CN.
Menken (2008) define um conceito de arquitetura baseado em sete níveis:
aplicação, cliente, infraestrutura, plataforma, serviço, armazenamento e processamento.
Em outra vertente, Miller (2008) entende a infraestrutura da CN como: Software as a
28
Service-Saas (Software como Serviço), Plataform as a Service – Paas (Plataforma
como Serviço), Web Services (Serviços Web) e On Demand Computing (Computação
sob demanda).
Youseff et al (2008) distinguem cinco níveis de infraestrutura da “Computação
em Nuvem”: Cloud Application (Aplicação em Nuvem), Cloud Software Enviroment
(Software para Nuvem), Cloud Software Infraestructure (Infraestrutura para Software de
Nuvem), Software Kernel and Firmware/hardware (Software para Sistema Operacional
em Nuvem).
Todos os conceitos acima são muito detalhados e são influenciados por uma
perspectiva de nuvem. Entretanto, Slabeva et al (2009) citam as três camadas mais
genéricas de arquitetura da CN apresentados na figura 3.
Software como serviço
Saas
Google Apps
Salesforce.com
Plataforma como serviço
Paas
Google App Engine
Force.com
Iaas
Infraestrutura como serviço
Joyent
Sun Cloud Storage Service
Amazon EC2
Sun Cloud Compute Service
Integração Horizontal
Figura 2 – As três camadas de Computação em Nuvem: Saas, Paas, Laas.
Fonte: Slabeva et al (2009, p. 52). (Grid and Cloud Computing)
Com base na Figura 2 “As três camadas de Computação em Nuvem” se
conceituam.
29
 Infraestrutura como Serviços - Infraestructure as a Service (IaaS) : tem
como objetivo oferecer recursos como processamento ou armazenamento de forma a
se tornarem um serviço. Ex.: serviços web com computação elástica da Amazon, a SUN
Cloud Storage, O IaaS oferece basicamente computação virtualizada como serviço.
A infraestrutura computacional se localiza na rede, e os aplicativos e os dados
dos computadores e portáteis são movidos para grandes centros de processamento de
dados, mais conhecidos como DataCenters (CHIRIGATI, 2009).
De acordo com referências on-line do Wikipédia, infraestrutura como serviços é a
entrega da infraestrutura da computação (tipicamente uma plataforma virtualizada como
serviços). Nesse caso, os Datacenters possuem todos os recursos necessários para
entregar infrestrutura aos seus clientes. A infraestrutura como serviços está centrada
num modelo de entrega de serviços que provisiona e predefine os padrões de
infraestrutura especialmente otimizada para as aplicações dos clientes.
Os Provedores de Infraestrutura, também chamado de DATACENTERS,
gerenciam
a
transação
e
hospedagem
da
aplicação
selecionada
em
suas
insfraestruturas, enquanto os clientes mantêm as propriedades de gerenciamento de
suas aplicações.
A implementação de infraestrutura para provedores de Computação em Nuvem
baseia-se tipicamente em seis componentes, segundo Rittinghouse e Ransome (2009):
 Computadores/servidores (tipicamente configurados para ter escalabilidade).
 Rede de Computadores (incluindo roteadores, firewalls, balanceamento de
cargas etc.
 Conectividade de Internet (Banda larga e Redundância de Internet).
 Plataforma virtualizada;
 Nível de Acordo de Serviços (SLA – Service Level Agreement).
 Computação.
Rittinghouse e Ransome (2009) entendem que ao comprar um espaço em um
DATACENTER com servidores, software, rede, equipamentos etc. os clientes estão
30
locando os serviços. A conta normalmente é paga de forma mensal e os principais
benefícios de usar esse tipo de terceirização de serviços são:

O DATACENTER está pronto para ser preconfigurado, no qual geralmente
baseia-se nos padrões ITIL – Information Technology Infrastructure Library
(em português “Biblioteca de Melhores Práticas em Infraestrutura de
serviços em TI).

Utiliza a tecnologia mais recente de infraestrutura;

A infraestrutura utiliza segurança monitorizada contra violações;

Baixo risco de manter os sistemas fora do ar;

Habilidade de gerenciar os serviços sob demanda;

Baixos custos de investimento;

Redução de tempo, custo e complexidade na inclusão de novos recursos ou
capacidades.
 Plataforma como Serviços - Platform as a Service (Paas): É a abstração
da camada (Iaas) com a camada (Paas). Essa camada oferece uma série de softwares
para desenvolvedores que podem escrever suas aplicações de acordo com suas
necessidades, sem se preocupar com o (Iaas). Exemplo de (Paas) são as ferramentas
“Google App Engine, onde toda aplicação pode ser rodada na Infraestrutura do Google,
e “Salesforce´s Force.com Plataform”. O (Paas) possui uma interface com a camada
(IaaS) que virtualiza o acesso para os recursos disponíveis.
Para Babcock (2009), Plataforma como serviço é uma camada de computação
em nuvem que tem como objetivo ajudar desenvolvedores corporativos na criação e
teste rápidos, desafiando aplicativos web. Esses ambientes de desenvolivmento on-line
vêm de diversos desenvolvedores como Salesforce.com (Force.com), Microsoft Azure e
startups como WaveMaker. Para ele, pode-se desenvolver utilizando os mesmos
padrões e tecnologias como a aplicação rodará em produção. Com isso, vem a
promessa de desenvolvimento mais rápido.
Abaixo algumas plataformas que os vendedores de Computação em Nuvem
oferecem:
31
I) Force.com: desenvolvida na estrutura da SalesForce.com, essa ferramenta
possui todos os aplicativos, como CRM das Salesforce.com. Nesse caso os
desenvolvedores aprendem a utilizar a linguagem de programação APEX. A
plataforma também inclui AppExchange, uma base com oitocentas aplicações
que poder ser compradas e usadas pelo desenvolvedor, além de conectores
para ERPs Oracle e SAP.
II) Azure: plataforma desenvolvida pela Microsoft que fornece vários aplicativos
para desenvolvedores. Essa ferramenta além de suportar a linguagem .NET,
também suporta linguagens como C# e Visual Basic, PHP e Microsft Ruby.
III) WaveMaker
Studio:
Plataforma
de
código
aberto
permite
aos
desenvolvedores a utilizarem aplicativos web interativos como o Ajax que roda
em navegadores sem modificações e não depende de fornecedor de banco de
dados ou outros serviços.
IV) APP Engine: é um serviço que roda aplicações Python ou Java na
infraestrutura Google.
 Software como Serviços - Software as a Service (Saas): é o software que
é disponibilizado remotamente por um ou mais provedores e é oferecido como “Payper-use” (Pago pelo uso). É a camada mais visível da Computação em Nuvem para
usuários finais. Como exemplo, o Google Mail, Google Docs entre outros.
O Google Docs, roda em servidores em algum lugar que não se sabe onde,
mas você pode acessar seus arquivos e usar os aplicativos de qualquer conexão de
Internet (DEE, 2009). Em pesquisas recentes, observa-se que o (SaaS) definida em
“Software como Serviço”, tem evoluído consideravelmente, tanto pela adoção dos
usuários quanto pelo disponibilização de novos aplicativos por parte dos provedores de
“Computação em Nuvem”.
Têm-se como exemplo de uso de Software como Serviço, a empresa
“Panasonic” que selou com IBM um contrato para executar, na Web, um sistemas de
email para os seus 380 mil usuários. O contrato foi considerado por analistas uma
importante vitória da IBM, que atualmente disputa mercado com a Amazon.Com,
32
Google, Microsoft e Salesforce.com na área de produtos de computação em nuvem
(REVISTA TI INSIDE, 2010).
O Gartner Group (2008) estima que as vendas de aplicativos em nuvem,
incluindo programas de e-mail como o contratado pela Panasonic, crescerão 46% este
ano, chegando a US$ 9,6 bilhões.
Outro fato a ser considerado é que o (SaaS) favorece as empresas de menor
porte, porque não precisam investir em ambientes tecnológicos complexos como ocorre
em outros modelos.
Outro exemplo do uso de (SaaS) foi o da Mitsubish que adotou o software de
“Costummer Relation Mannagement – CRM” (Gerenciamento do Relacionamento com o
Consumidor), da empresa
fornecedora “Salesforce.com”, a fim de fortalecer o
relacionamento com a base de 15 mil clientes ativos. (REVISTA TI INSIDE, 2009). O
CRM da Salesforce não é um pacote de software, mas um serviço de entrega de
software rodado nos servidores da nuvem e acessado por qualquer navegador de
Internet.
Esse software foi criado numa plataforma que entrega o software como
serviço aos seus consumidores (CUSUMANO, 2010).
A Microsoft considerada a maior produtora de software do mundo, há anos vem
se preparando relutantemente para desenvolver Software sob serviços (SaaS). Ela
criou o “Windows Live” e o “Office Live” e já com dez anos de experiência no MSN –
“Microsoft Messenger Network”. Agora a empresa criou o Microsoft Azure que compete
com o a Amazon e Google. O Microsoft Azure é uma plataforma para desenvolvedores
de software como serviços. E possibilitará que os programadores utilizem qualquer
linguagem de programação.
Rittinghouse (2009) acrescenta mais duas camadas para a Computação em
Nuvem. São elas:
 Comunication as a Service (CaaS) – é uma solução terceirizada
de
comunicação. Provedores desse tipo de nuvem baseada nessa solução são
responsáveis por gerenciar requisição de hardware e software para entrega de serviços
como
VOIP
–
(voz
sobre
IP),
videoconferência entre consumidores.
Mensagens
instantâneas
e
capacidade
de
33

Monitoring as a Service (MaaS) – é o provisionamento de segurancça
terceirizado. O monitoramento da segurança envolve proteção de empresas, governos
e clientes contra as ameaças cibernéticas. Uma equipe de segurança pratica regras
cruciais de segurança, mantendo a confidencialidade, integridade e disponibilidades
dos ativos de TI.
Para Varia (2007), a arquitetura da nuvem baseia-se em aplicativos de
softwares que utiliza acesso à Internet sob demanda de serviços. E ainda descreve os
seguintes benefícios sobre aplicativos construídos na arquitetura de nuvem:
a) Investimento de Infra-estrutura quase zero: se você precisa implantar um
sistema de larga escala, isso poderá custar uma fortuna em Hardware,
Racks, Roteadores, Rotinas de Backups, gerenciamento de hardware e
técnicos especializados. Tendo em vista que toda a infraestrutura acima
citada necessita estar pronta antes da instalação do software, o custo
relação ao tempo de implantação também é alto. Atualmente com o modelo
de computação em nuvem, não há custo de investimento de infraestrura
nem de tempo de implantação.
b) Infraestrutura em tempo real: no modelo tradicional, se a infraestrutura não
for escalável, é muito provável que a implantação de um novo sistema seja
fracassado. A infraestrutura de computação em nuvem não requer maiores
preocupações em saber se o sistema a ser desenvolvido ou implantado irá
rodar ou não na arquitetura existente, pois tudo se adapta de forma
escalável.
c) Utilização de recursos mais eficientes: com a arquitetura da nuvem os
desenvolvedores podem gerenciar os recursos mais efetivamente e
eficientemente usando as aplicações requeridas somente quando realmente
necessitarem.
d) Pagar pelo que utiliza: uma aplicação de Desktop ou um software de
arquitetura Cliente-Servidor roda numa infraestrutura local (no computador
pessoal ou nos servidores locais), acarretando normalmente em
investimentos de hardware e na maioria das vezes acabam sendo
subutilizados. No modelo em nuvem, os consumidores utilizam a
infraestrutura da nuvem e só pagam somente a fração do que é usado.
e) Potencial para diminuir o tempo de processamento: Se o processamento
intensivo de um computador pode, por exemplo, levar 500 horas para rodar
em uma máquina, no modelo de nuvem esse mesmo processamento poderá
reduzir esse tempo para uma hora.
Concluindo os conceitos e definições acima, a arquitetura da Computação em
Nuvem, baseia-se em três elementos principais, segundo (VAQUERO et al, 2009 apud
CHIRIGATI, 2009).
34
 Prestadores de Serviços mais conhecidos como SPs (do inglês Service
Providers). Os SPs são aqueles que desenvolvem e deixam os serviços
acessíveis aos usuários através de interfaces baseadas na Internet.
 Os usuários dos serviços: são aqueles que utilizam os serviços oferecidos
pela infraestrutura.
 Os prestadores de infraestrutura, mais conhecidos como IPs (em inglês,
Infrastructure Providers). Os IPs são aqueles que fornecem a infraestrutura
sobre a qual os sistemas estarão instalados.
A figura 3 mostra a relação entre os três elementos da arquitetura de
computação em nuvem.
Figura 3 - Relacionamento entre os três principais elementos da arquitetura da computação em
nuvem.
Fonte: VAQUERO et al (2009), adaptado por CHITIGATTII (2009, 264).
35
2.1.3 Classificação de Computação em Nuvem
Nuvens podem ser classificadas conforme os proprietários de Datacenters que
oferecem o modelo de CN. O ambiente da nuvem pode abranger desde nuvens únicas
até múltiplas nuvens. Mas ela pode ser distinguida entre ambientes de nuvens únicas e
ambientes de nuvens múltiplas, de acordo com a propriedade do Datacenter.
(SLABEVA et al, 2009).
No entender de Slabeva (2009), as nuvens se classificam em:

Nuvens Públicas: é um Datacenter de Hardware e Software, como o
Google e Amazon, que expõe seus serviços para companhias e
consumidores via Internet.
Esse tipo de nuvem não é restrito para um
número limitado de usuários. È feita para disponibilizar na maneira de “payas-you-go” (Pague onde for).
A IBM considera nuvens públicas como serviços de nuvem
prestados por um terceiro (fornecedor). Eles existem além do firewall da
empresa, e são totalmente hospedados e gerenciados pelo provedor da
nuvem. Essas nuvens oferecem aos clientes software, infraestrutura de
aplicação ou infraestrutura física. O provedor da nuvem assume as
responsabilidades
de
instalação,
gerenciamento,
provisionamento
e
manutenção. Os serviços são cobrados aos clientes apenas pelos recursos
que usarem. Dessa forma, a subutilização é eliminada.

Nuvens Privadas: refere-se à datacenters internos de uma organização. É
um tipo de nuvem totalmente proprietária de uma empresa que tem controle
total das aplicações rodadas na sua infraestrutura. Esse tipo de nuvem
pode oferecer vantagens sobre a nuvem pública, tendo em vista que se tem
um controle mais detalhado sobre os vários recursos que constituem a
nuvem dá a uma empresa todas as configurações disponíveis. Baseados
nisso, as nuvens privadas são ideais quando o tipo de trabalho que está
36
sendo feito não é prático para uma nuvem pública por motivo de segurança
ou preocupações regulamentares.

Nuvens Híbridas: é a combinação de nuvem pública com nuvem privada
que permite que uma organização rode alguns aplicativos numa nuvem
interna e outros numa nuvem pública.
2.1.4 Segurança da Informação e Aspectos Legais da Computação em Nuvem
A dependência dos Sistemas de Informação ao negócio, e o surgimento de
novas tecnologias e forma de trabalho, como o comércio eletrônico, as redes virtuais
privadas e os funcionários móveis, as organizações despertaram para a necessidade
de segurança, uma vez que se tornaram vulneráveis a um número maior de ameaças.
A segurança da informação é a proteção dos sistemas de informação contra a
negação de serviço a usuários autorizados, assim como contra a intrusão, e a
modificação
não-autorizada
de
dados
ou
informações,
armazenados,
em
processamento ou em trânsito, abrangendo a segurança dos recursos humanos, da
documentação e do material, das áreas e instalações das comunicações e
computacional, assim como as destinadas a prevenir, detectar, deter e documentar
eventuais ameaça a seu desenvolvimento (NBR 17999, 2003).
É evidente que os negócios estão cada vez mais dependentes das tecnologias
e estas precisam estar de tal forma a proporcionar os três princípios básicos da
segurança da informação conforme descrito na NBR 17999 (2003) a seguir:
 CONFIDENCIALIDADE: a informação somente pode ser acessada por
pessoas explicitamente autorizadas; é a proteção de sistemas de informação
para impedir que pessoas não autorizadas tenham acesso ao mesmo. O
aspecto mais importante deste item é garantir a identificação e autenticação
das partes envolvidas.
37
 DISPONIBILIDADE: a informação ou sistema de computador deve estar
disponível no momento em que a mesma for necessária.
 INTEGRIDADE: a informação dever ser retornada em sua forma original no
momento em que foi armazenada; é a proteção dos dados ou informações
contra modificações intencionais ou acidentais não-autorizadas.
No que se refere ao modelo de nuvem, muitas organizações questionam como
fazer para que as aplicações nas nuvens possam garantir os três princípios de
segurança da informação descritos acima.
Field (2010), afirma que muitas organizações naturalmente querem reduzir
custos e devem considerar o que usar no modelo de computação utilitária. Questões
chaves como segurança de dados, confidencialidade e perda de controle, deve ser
pensado cuidadosamente.
Segundo a revista IDC (2009), a questão segurança na nuvem já evoluiu
bastante. O mesmo cuidado que é reservado para a proteção de dados em ambientes
tradicionais, também são aplicados nas estruturas em nuvem. Portanto, não há motivos
para alarde nesse quesito, desde que as regras de segurança tradicionais sejam
seguidas.
No entendimento de Veras (2009), existem aspectos chaves a ser avaliado na
opção de entregar os serviços de TI para a nuvem. Segundo ele, o risco da perda do
controle dos dados internos de fato existe. O Gartner Group (2008) sugeriu alguns
cuidados para migrar o risco referente à aquisição de serviços de provedor Computação
em Nuvem.
1)
Como é feito o acesso dos usuários?
2)
Como o provedor obedece às normas de regulação;
3)
Onde os dados são hospedados (localização geográfica)?
4)
Como os dados são segregados?
5)
Como os dados são recuperados?
6)
Como é feito o suporte?
7)
Qual a viabilidade do provedor no longo prazo?
38
É importante ressaltar, que além das questões acima citadas, mais três
aspectos devem ser considerados antes de contratar os serviços de nuvem, segundo o
pensar de (DURKEE, 2010; DAMOULAKIS, 2010).
8)
Qual o Nível de Acordo de Serviços (SLA)?
9)
Qual a conectividade do provedor (Banda Larga de Internet)?
10) O conhecimento efetivo dos responsáveis pela política de segurança da
informação está de acordo com a segurança do provedor de serviços de
computação em nuvem?
Segundo Slabeva et al (2010), o cenário de negócios baseados nas tecnologias
para adoção e implementação de computação em nuvem apresenta uma série de
questões legais que devem ser tomadas pelas organizações ao contratar esses
serviços. Ainda afirma que o principal assunto a ser tratado no contrato é o item SLA
(Service Level Agreement), em português “Acordo de níveis de serviços”.
Os SLAs servem para definir pontos acordados sobre a qualidade dos serviços
prestados pelo fornecedor, definidos no contrato.
Eles especificam os níveis de
serviços que o cliente pode esperar do fornecedor, incluindo metas de desempenho
(BLOMBERG, 2008). Para Campelo (2009), é importante determinar os SLA´s antes da
execução dos serviços. Dessa forma, se mantém um bom relacionamento entre a
organização contratante e seu fornecedor.
O desenvolvimento da confiança nas
relações de terceirização de TI resulta da manutenção de troca de informações e de
expectativas de futuras trocas seguras criadas por SLAs bem definidos e consistentes.
(GOO; NAM, 2007).
Para Slabeva et al (2010), o provedor de serviços de computação em nuvem
deve gerenciar todos os recursos computacionais, armazenamento, e desempenho de
rede. E isso, é o mínimo que um contrato SLA deve conter, conforme descrito na tabela
2:
39
Tabela 2 - Descrições do Contrato SLA
DISPONIBILIDADE
DESEMPENHO
SEGURANÇA
TAXAS
Essa cláusula indica o percentual de tempo,
normalmente num período mensal que os
serviços de computação em nuvem ficarão
disponíveis. Usualmente o índice de uma boa
disponibilidade deve chegar próximo à 100%.
O desempenho dos serviços de CN deve está
de acordo com a capacidade de hardware e da
banda de rede instalada. O conteúdo dessa
cláusula depende da infraestrutura adotada
pelo provedor e conseqüentemente da margem
de negociação, principalmente se o usuário for
pessoa física, onde normalmente os recursos
são mais limitados.
O provedor deverá garantir o nível de
segurança de proteção dos dados e das
informações, fornecidas pelo cliente. As
informações fornecidas aos clientes deverão ter
total integridade.
Esta cláusula deverá regular os preços que o
consumidor irá pagar ao provedor de acordo
com o tipo de serviço oferecido.
Fonte: Slabeva et al (2010, p. 51).
As empresas fornecedoras de serviços de Computação em Nuvem terão de
garantir que os dados dos clientes estejam protegidos, e especialmente 100%
disponíveis. Essa existência ainda se torna mais crítica quando se trata de informações
empresariais altamente sensíveis como dados financeiros.
Ainda se tratando de segurança no que diz respeito aos aspectos legais de um
contrato de prestação de serviços em computação em nuvem, é pertinente afirmar que
existem dúvidas por parte dos executivos quanto à tomada de decisão no que se refere
a que provedor de serviços mais se adéqua as necessidades de sua empresa. Muitos
questionam o aspecto de contratar um provedor onde parte dos servidores está
localizada em outros países, nos quais a legislação é diferente do nosso país?
Para Jimene (2010), a grande preocupação jurídica sobre a computação em
nuvem é qual a legislação, de qual país, vai incidir sobre o local onde estão os
servidores e onde os dados estão armazenados. Afirma ainda, que hoje os registros
eletrônicos podem estar em servidores espalhados pelo mundo. Então, qual seria a
legislação aplicável em uma situação em que um ato de concorrência desleal é
praticado aqui no Brasil, com os dados alocados num servidor nos Estados Unidos e
40
com acesso gerado de um computador na China? Qual a legislação e o país
competente para processar e julgar aquele crime?
Não há discrepância no pensar de Cervone (2010), quando afirma que o maior
problema que as nuvens têm em hospedar aplicativos e dados internacionalmente, são
as políticas e leis de cada nação. Afirma ainda, que desde que a nuvem foi considerada
como uma variação de computação terceirizada, uma organização precisará exigir um
alto grau de confidencialidade e segurança e protocolos de procedimentos por parte do
provedor de computação em nuvem.
A segurança da informação desses dados também é a grande preocupação,
pois muitos deles envolvem questões de privacidade. Como o provedor pode garantir
que os dados e informações serão acessados somente por pessoas autorizadas?
Quais são as regras de segurança que o provedor contratado utilizada para manter os
dados dos clientes em qualquer lugar do mundo? Que garantia o cliente tem que os
dados hospedados estão seguros, sob o ponto de vista de confidencialidade e da
integridade e que as informações não serão manipuladas ou alteradas?
Segundo Jimene (2010), muitas dessas questões já estão sendo resolvidas no
Brasil, pois os grandes provedores de serviços de computação em nuvem já possui
escritório no país. Então, se uma empresa arca com os benefícios da atividade no
Brasil, entende-se que ela tem que arcar com o ônus dessa atividade também aqui no
Brasil.
Levando-se em consideração às premissas acima comentadas, é importante que
a organização que pretende contratar os serviços de computação em nuvem, observe
ainda algumas cláusulas importantes que devem conter no contrato SLA ou em outro
contrato dependendo do caso, segundo Slabeva et al (2010) conforme apresentado na
tabela 3:
41
Tabela 3 - Cláusulas que devem conter no contrato Sla
É muito importante que os serviços estejam
bastante claros na sua descrição.
E que os
DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS
serviços extras, devem apresentar minuciosamente
suas taxas de pagamento.
Essa cláusula deve descrever as modificações do
MODIFICAÇÃO DO CONTRATO DE
contrato SLA podem ser feitas de forma unilateral
(pelo provedor) ou se pode ser alterado pelas duas
ACORDO DE SERVIÇOS
partes.
É importante que fique claro para o cliente a data
de encerramento do contrato, e se ele pode ser
CANCELAMENTO DO CONTRATO
renovado automaticamente ou após negociação e
assinatura de novo contrato.
É aconselhável que o provedor de Computação em
Nuvem descreva claramente no contrato quais as
cláusulas permitidas para uso da informação.
Exemplo: o provedor não deve permitir que
SERVIÇOS PROIBIDOS
violações do tipo pornografia infantil, pedofilia,
distribuição de vírus, spyware ou quaisquer outras
aplicações maliciosas, violações de direitos autorais
etc.
É
importante
que
o
contrato
descreva
LICENÇAS
detalhadamente quais licenças de softwares o
cliente tem que fornecer.
Qualquer informação confidencial armazenadas nos
provedores jamais poderão ser divulgadas ou
CONFIDENCIALIDADE
abertas para pessoas não autorizadas.
PROPRIEDADE INTELECTUAL
Essa cláusula deverá declarar para cada parte os
direitos de propriedade intelectual.
Qualquer
tecnologia ou software fornecido e qualquer
conteúdo ou dados vendidos ou compartilhados.
Fonte: Slabeva et al (2010, p.95).
2.1.5 Estratégia para adoção da Computação em Nuvem
Nos dias atuais, é cada vez mais comum os executivos dizerem que já ouviram
falar em CN e ainda questionam se realmente compensa adquirir novos servidores, já
que existe a nuvem pública para armazenamento e processamento de informações. A
resposta para essa questão depende muito da realidade de cada empresa.
A nuvem já é reconhecida como uma grande alternativa para Sites, hospedagem
de e-mails, armazenamento escalável e computação sob demanda. Para àqueles que
abraçaram a idéia da nuvem para esse propósito, dizem que a nuvem oferece o tipo de
computação que eles precisam, principalmente em relação aos custos. Os projetos são
42
implementados rapidamente e a TI se torna melhor e mais bem preparada para padrões
imprevisíveis de tráfego e situações emergenciais. Entretanto, Engates (2010) afirma
que enquanto os benefícios da computação baseada em hospedagem torna-se cada
vez mais convincente, ainda há resistência.
A resistência da maioria dos executivos quanto à adoção de computação em
nuvem vem de duas frentes: a primeira diz respeito de como e quem irá gerenciar o
hardware, e a segunda vem dos aspectos segurança, já que os dados de todas as
organizações estão armazenados e entrelaçados num datacenter sem limites de
armazenamento.
Para Engates (2010), mesmo havendo algumas resistências, os custos para
utilização de computação em nuvem estão ficando cada dia mais convincente. Como a
economia cava seu caminho para fora da recessão, deixando os orçamentos mais
apertados e menos recursos para TI, os executivos buscam sua primeira experiência
com nuvem e/ou a mais tradicional hospedagem gerenciada.
Miller (2010) entende que os seguintes requisitos devem ser contemplados para
o sucesso da adoção da computação em nuvem:
a) Um bom entendimento entre o consumidor e o fornecedor;
b) padrões abertos e de fácil utilização;
c) um claro entendimento do modelo de serviços que a organização necessita
para contratar um fornecedor de computação em nuvem;
d) uma clara governança acima de tudo.
Baseando-se nas premissas descritas acima, qual a estratégia para adoção em
nuvem? Esse novo modelo de terceirização está realmente pronto para tudo? A
resposta provável é “não”, mas está pronto para qualquer pessoa ou tipo de
organização.
Há respostas de computação em nuvem para cada aplicação e infraestrutura que
a tecnologia da informação necessita nos dias atuais.
Um fator importante a ser
lembrado é que a nuvem não é um propósito de tudo ou nada. Ela pode ser um
43
componente estratégico de larga infraestrutura de TI que pode incluir um Datacenter
interno (privado) e/ou um Datacenter externo.
O fato, é que uma combinação da nuvem com a infraestrutura tradicional pode
ser a melhor alternativa para muitas organizações. Uma abordagem híbrida pode
proporcionar uma economia de custos, uma infra-estrutura escalável sob demanda, e
segurança que se precisa com muito poucos recursos.
O segredo então para iniciar os primeiros passos é utilizar nuvens híbridas, que
permite que uma organização rode alguns aplicativos numa nuvem interna (privada) e
outros, numa nuvem pública (ENGATES, 2010).
No planejamento de uma estratégia híbrida é aconselhável colocar as aplicações
em três pacotes: aqueles com infraestrutura dedicada, aqueles que podem ir
complemente para a nuvem, e aqueles que funcionam idealmente com a combinação
da nuvem com a infraestrutura interna.
Para os serviços que requerem um alto grau de segurança ou tenha um alto
processamento de banco de dados, provavelmente devem ficar na infraestrutura interna
por enquanto. Para as aplicações de interface pública ou por demanda escalável são
boas alternativas para a nuvem.
A tabela 4 apresenta as aplicações que devem ou não migrar para a nuvem.
Tabela 4 - Ligações que devem ou não migrar para a nuvem
APLICAÇÕES QUE PODEM SE HOSPEDAR
NA NUVEM





BLOGS e WIKI de uma empresa.
Serviços de E-mail
Sites e Hot-Sites de vendas e marketing
Portais Corporativos
Arquivos de dados, arquivos de e-mails,
backups, retenção de logs.
 Aplicações Web e novos sistemas de
informações que ainda estão em
desenvolvimento ou prontas para uso.
Fonte: ENGATES (2010, p.198).
APLICAÇÕES QUE PROVAVELMENTE
PRECISAM DE UMA INFRAESTRUTURA
DEDICADA
 ERP
 Data warehouse
 Serviços de Processamento de Cartão de
Crédito.
 Códigos altamente sigilosos de áreas
militares, armamentos etc.
Para Field (2010), os funcionários de uma organização cada vez mais utilizam
por conta própria os recursos de aplicações móveis como calendários, agendas,
anotações e ferramentas de gerenciamento de projetos. São recursos facilmente
44
usados nos mais variados tipos de nuvem, seja ela pública ou privada.
benefícios
forem
suficientemente
independentemente da política.
bons,
o
pessoal
utilizará
esses
Se os
recursos
Para as organizações que possuem uma grande
burocracia deverá encontrar dificuldades para adoção da Computação em Nuvem.
No entender de Field (2010), dispositivos como tablets, netbooks e qualquer
categoria de smartbooks (netbooks com 3G, Wi-Fi e outros), utilizará essa tendência.
Os dados uma vez na nuvem podem ser sincronizados para qualquer desses
dispositivos
2.2 TEORIA DA DECISÃO E DECISÃO EM TI
2.2.1 Conceitos Gerais da Teoria de Decisão
O termo “decisão” pode ser conceituado como sendo “toda a situação onde você
tem que escolher entre duas ou mais alternativas, e mesmo quando você resolve não
escolher nenhuma delas, você também tomou uma decisão”. (NUNES JÚNIOR, 2006,
p. 28).
Segundo Clemen (1995, p. 2), as decisões são difíceis de serem tomadas por
envolver na maioria das vezes dificuldades diferentes, e freqüentemente, dificuldades
especiais. Para Clemen (1995), existem quatro origens de dificuldade para tomada de
decisão que podem ajudar o tomador de decisão:
a) Complexidade de decisão;
b) Incertezas inerentes à situação de decisão;
c) Os objetivos do tomador de decisão podem ser múltiplos;
d) Diferentes perspectivas de um problema de decisão.
Já Costa (2002, p.3) destaca os seguintes elementos na tomada de decisão:
45
a) Decisor: unidade responsável pela tomada de decisão. Pode ser composta
por um indivíduo ou por um grupo de indivíduos.
b) Alternativa viável: estratégia ou curso de ação que pode ser adotado pelo
decisor.
c) Cenário: “estado da natureza” projetado para o futuro. Exemplo: estimativa
de taxa de câmbio para o próximo ano; estimativa da incidência de chuvas
para a próxima safra; demanda estimada para o próximo período. Em geral,
os cenários são classificados em:
 Critério: propriedade ou variável à luz da qual a alternativa é avaliada
 Atributo: valor do desempenho da alternativa à luz do critério
 Tabela de pagamento: tabela com os valores a serem retornados pelas
alternativas.
Clemen (1995, p.6) apresenta um fluxograma que resume todo o processo de
análise que envolve uma tomada de decisão, conforme demonstrada na Figura 4.
46
Identificar a situação de
decisão e entender os
objetivos
Identificar alternativas
Decompor e modelar o problema:
1) Modelagem da
estrutura do problema;
2) Modelagem das
incertezas,
3) Modelagem de
preferências
Escolha da melhor
alternativa.
Sim
Preciso
de mais
Análise?
Não
Implementação da
alternativa escolhida
Figura 4 - Diagrama do Processo de Análise de Decisão
Fonte: CLEMEN (1995, p.6).
Levando-se em consideração as afirmações acima, entendemos que decisão é
uma necessidade de avaliar um conjunto de alternativas, para a realização de uma
escolha. Dentre as situações de um problema de escolha, podem-se descrever as
seguintes situações, segundo Costa (2002, p.5):
Escolha: Escolher uma alternativa dentre um conjunto de alternativas viáveis.
47
Classificação: classificar um conjunto de alternativas em sub-conjuntos. Por
exemplo: os elementos do conjunto Animais podem ser classificados como
pertencentes à classe dos mamíferos, dos vertebrados, dos invertebrados...
Ordenação: dados os elementos de um conjunto de alternativas, ordená-las
segundo algum critério.
Classificação ordenada: classificar um conjunto de alternativas em subconjuntos ordenados, ou em classes de referência ordenadas. Exemplo: classificar os
hotéis de uma cidade em classes de atendimento (classe A; classe B; classe C; classe
D e, classe E).
Priorização: dados os elementos de um conjunto de alternativas, estabelecer
uma ordem de prioridades para os elementos do mesmo.
2.2.2 Tomada de Decisões com Múltiplos Critérios
Os processos tradicionais para apoio à decisão utilizam métodos de análise de
decisão com um único critério segundo, Nunes Júnior (2006, p.36). Esses processos
são fundamentalmente quantificáveis que não reconhecem a necessidade de inclusão
de fatores subjetivos em sua análise.
No período compreendido pela segunda guerra mundial surgiu um campo de
conhecimento chamado Pesquisa Operacional (PO) aplicada na estruturação e análise
de processos de tomadas de decisão, por meio de modelos matemáticos para apoiálas. Com o passar dos anos, os pesquisadores perceberam que algumas decisões não
poderiam ser tomadas baseadas apenas em um critério de decisão.
Devido a essa necessidade, surgiram as metodologias de múltiplos critérios,
desenvolvidos no modelo da Escola Francesa e da Escola Americana.
48
2.2.3 Decisão em TI
O volume de investimentos em TI afeta a organização como um todo. A
tecnologia da Informação nos dias atuais permeia todas suas unidades administrativas
e de negócios, afetando o processo, o relacionamento com os clientes, o
relacionamento dos funcionários com a administração, o desenvolvimento de novos
produtos, o processo de inovação e acima de tudo, a estratégia empresarial.
Todo esse leque de influências provocado pela evolução da TI pode trazer
resultados operacionais esperados de ocorrer o alinhamento estratégico da
organização. A eficácia dos resultados está atrelada à qualidade nas decisões tomadas,
sobretudo, pelos executivos da área de TI em razão da sua dimensão na dinâmica
organizacional.
Segundo Murakami (2003, p.32), o processo de tomada de decisão nas
organizações está se transformando rapidamente nos últimos anos, sobretudo pela
velocidade do avanço da tecnologia da informação e de comunicações. Isso se deve ao
fato de que as fronteiras das empresas e países ampliaram muito rapidamente os meios
de comunicações, facilitando o intercâmbio e agilizando a gestão da informação.
Contudo, as sociedades exigem respostas mais rápidas, pressionando para que as
decisões sejam cada vez mais eficientes.
Tomar decisões é o trabalho mais importante de qualquer executivo. Também é
o mais duro e o mais arriscado, pois consiste não apenas tomar decisões próprias, mas
também providenciar que toda a organização que dirige, ou parte dela, tome-as
também de maneira efetiva, como afirma (MURAKAMI, 2003, p.33).
Segundo Weill & Ross (2006, p.8), a Governança de TI está ligada aos
processos decisórios, pois ela que determina quem toma decisões. A administração é o
processo de tomar e implementar decisões. Exemplo: a governança determina quem
tem o direito de decidir sobre quanto a empresa investirá em TI. A administração
determina a quantia efetivamente a ser investida num dado ano e as áreas em que
ocorrerá o investimento.
A alta gerência estabelece os direitos decisórios e a
responsabilidade pela TI para estimular os comportamentos desejáveis na empresa. Se
49
esse
comportamento
envolver
as
unidades
de
negócio
independentes
e
empreendedoras, as decisões de investimento em TI caberão primariamente aos
líderes dessas unidades.
Weill & Ross (2006, p.9) ainda afirma que se o
comportamento desejável envolve uma visão unificada da empresa por pare do cliente,
com um único ponto de contato com o cliente, um modelo mais centralizado de
governança de investimento de TI funcionará melhor.
Uma governança de TI eficaz deve tratar de três questões, segundo Weill e Ross
(2006).
1) Quais decisões devem ser tomadas para garantir a gestão e o uso eficazes
de TI?
2) Quem deve tomar essas decisões?
3) Como essas decisões serão tomadas e monitoradas?
E ainda, lista cinco decisões de TI inter-relacionadas:

Princípios de TI – esclarecendo o papel de negócio da TI.

Arquitetura de TI – definindo os requisitos de integração e padronização.

Infraestrutura de TI – determinando serviços compartilhados e de suporte.

Necessidade de aplicações de negócio – especificando a necessidade
comercial de aplicações de TI, comprada ou desenvolvida internamente.

Investimentos e priorização de TI – escolhendo quais iniciativas financiar e
quanto gastar.
2.3 MÉTODO DE ANÁLISE HIERÁRQUICA (MÉTODO AHP)
O mundo competitivo dos dias atuais exige que nossa sociedade utilize
instrumentos cada vez mais eficientes para a tomada de decisão. Esses instrumentos
precisam ser hábeis para que problemas complexos sejam tratados de uma maneira
50
mais simples, sem que necessite alto investimento financeiro e de tempo para utilizálos.
O homem é levado a tomar decisões no decorrer de sua vida, sempre se
confrontando com situações onde é necessário escolher. A tomada de decisão passa a
ser comum e, na maioria das vezes, baseia-se na intuição, experiência, sentimento ou
outro parâmetro subjetivo (JORDÃO; PEREIRA, 2006).
Conclui-se, portanto, que os métodos de apoio à decisão com múltiplos critérios
caracterizam-se pela capacidade de analisar situações de decisão contendo critérios
quantitativos e qualitativos, sejam eles conflitantes ou não.
2.3.1 Conceitos Básicos e Histórico do modelo AHP
O método AHP é uma ferramenta utilizada para facilitar a análise, compreensão
e avaliação do problema de decisão, dividindo-o em níveis hierárquicos (GOMES;
ARAYA; CARIGANANO, 2004, p.41).
Esse método foi desenvolvido para utilização no planejamento de contingência
militar e empresarial, para tomada de decisão, alocação de recursos escassos,
resolução de conflitos etc.
Para Foman e Selly (2005, p.13), essa metodologia é chamada de AHP levandose em consideração a seguinte lógica:
 ANALYTIC (Analítico)
 HIERARCHY (Hierárquico)
 PROCESS (Processo)
O método AHP, também conhecido pela sigla MAH – Método de Análise
Hierárquica foi desenvolvido pelo matemático Thomas Lorie Saaty (1980), para auxílio à
tomada de decisão, cujas principais características são:
1) Aplicável aos problemas orientados por múltiplos atributos ou objetivos
estruturados hierarquicamente;
51
2) Capaz de considerar simultaneamente atributos quantitativos e qualitativos em
sua análise, ao mesmo tempo em que incorpora a experiência e a preferência
dos tomadores de decisão;
3) O resultado final permite definir uma seqüência cardinal da importância dos
atributos e das alternativas;
4) Aplicável a questões complexas, que envolvam julgamentos subjetivos.
Ainda no entender de Jordão e Pereira (2006, p.3), o método AHP tem
aplicações em diferenças áreas, tais como:
 Economia/Problemas
administrativos:
Design,
Arquitetura,
Finanças,
Marketing Benchmarking, Planejamento Estratégico, Seleção de Portfólio, Previsão,
Alocação de Recursos, Análise de Benefícios, Análise de Investimentos, Avaliação de
Aquisições etc.
 Problemas Políticos: Resolução de Conflitos e Negociações; Jogos de
Guerra, dentre outros.
 Problemas
Sociais:
Medicina,
Educação,
Direito,
Setor
Público,
Comportamento, Contratação e Avaliação de Desempenho de Profissionais.
 Problemas Tecnológicos: Seleção de Mercado, Tecnologia de Transferência,
Seleção de Fornecedores, Satisfação do Cliente, Qualidade Total, Engenharia da
computação e Tecnologia da Informação em Geral.
Segundo Iañez e Cunha (2006), a característica principal que distingue o
método AHP diz respeito à forma com que a técnica define o problema a ser analisado.
A premissa básica do AHP é que o sistema decisório complexo deve ser definido
segundo uma estrutura hierárquica composta de vários níveis, que compreendem os
elementos cujas características podem ser consideradas similares.
Esse tipo de
estruturação do problema sejam facilmente identificadas, especialmente nos casos em
que o objetivo do sistema decisório consiste na seleção de alternativas segundo
múltiplos atributos.
52
Para Saaty (1980), a grande vantagem do método AHP é permitir aos seus
usuários atribuir pesos relativos para múltiplos atributos, ou múltiplas alternativas para
um dado atributo ao mesmo tempo em que e realiza uma comparação par a par entre
os mesmos. Isso permite que mesmo quando dois atributos são incompatíveis, a mente
humana possa, ainda assim, reconhecer qual dos atributos é mais importante para o
processo decisório.
Uma das principais e das mais atraentes características das metodologias do
método AHP, é que as mesmas reconhecem as subjetividades como inerente aos
problemas de decisão e utiliza julgamento de valor como forma de tratá-la
cientificamente. Esta propriedade é extremamente útil quando se tem dificuldade na
obtenção de informações oriundas de dados probabilísticos (COSTA, 2002, p.13).
Baseado nos fatos acima se pode afirmar que o método AHP objetiva a
seleção/escolha de alternativas, em um processo que considere diferentes critérios de
avaliação.
Segundo Costa (2002, p.16), este método se baseia em três princípios do
pensamento analítico. São eles:
Construção de hierarquias: No AHP o problema é estruturado em níveis
hierárquicos, como forma de buscar uma melhor compreensão e avaliação do mesmo.
A construção de hierarquias é uma etapa fundamental do processo de raciocínio
humano.
No exercício desta atividade identificam-se os elementos chave para a
tomada de decisão, agrupando-os em conjuntos afins, os quais são alocados em
camadas específicas.
Definição de prioridades: O ajuste das prioridades no AHP fundamenta-se na
habilidade do ser humano de perceber o relacionamento entre objetos e situações
observadas, comparando pares à luz de um determinado foco ou critério (julgamentos
paritários).
Consistência lógica: No AHP, é possível avaliar o modelo de priorização
construído quanto a sua consistência lógica.
Dessa forma, o ser humano tem a
habilidade de estabelecer relações entre objetivos ou idéias, de forma a buscar uma
coerência entre eles, ou seja, de relacioná-los entre si e avaliar se La possui
53
consistência.
Nesse caso, o modelo AHP utiliza tanto aspectos qualitativos quanto
quantitativos do pensamento de ser humano (IAÑEZ; CUNHA, 2006).
Complementando o pensamento de Iañez e Cunha (2006), podemos afirmar que
o modelo AHP trabalha com elementos chaves de hierarquia para o tratamento de
problemas de decisão. Dentre eles, pode-se citar: foco principal, conjunto de
alternativas viáveis e conjunto de critérios também chamado de “atributos”.
Costa (2002) define “Foco Principal” como sendo o objetivo global. Por exemplo,
compra de uma aeronave, um automóvel, escolha de uma moradia, ou escolha de uma
estratégica de investimento. O “Conjunto de Alternativas Viáveis” são as possibilidades
de escolha. E por último, “Conjunto de Critérios”, é o conjunto de propriedades,
atributos, quesitos a serem avaliados para a tomada de decisão.
Para Chankong e Himes (1983 apud COSTA, 2002), o conjunto de critérios deve
ser:
Completo: onde todas as alternativas relevantes à solução do problema devem
estar “cobertas” pelo mesmo;
Mínimo: nesse caso, não devem ocorrer redundâncias ou superposições.
Operacional: para ser compreendido e utilizado pelo decisor e pelos avaliadores.
Iañez e Cunha (2006), afirmam que ao utilizar os três princípios, o Método AHP
incorpora tanto aspectos qualitativos quanto quantitativos do pensamento humano: e a
qualidade para se definir o problema, a sua hierarquia e os aspectos quantitativos para
expressar julgamentos e preferências de forma concisa.
Portanto, ao se estabelecer a comparação paritária para relacionar n atividades,
de modo que cada uma seja representada nos dados pelo menos uma vez, é
necessário ter n-1 comparações paritárias.
Pode-se exemplificar com as seguintes comparações: se a atividade X1, é 3
vezes mais dominante do que a atividade X2, e a atividade X2 é duas vezes mais
dominante do que a atividade X3, então X1 = 6 X3.
Nesse caso, o julgamento é
consistente.
O julgamento considerado inconsistente é uma violação da proporcionalidade
que pode ou não significar violação da transitividade (IAÑEZ; CUNHA, 2006).
54
Para Saaty (1980), os julgamentos raramente possuem uma relação simples e
objetiva o que requer um grau de consistência mais complexo. O autor ainda afirma que
isso não é um grande problema.
2.3.2 Estrutura do AHP
O método AHP auxilia ao tomador de decisão a ver melhor seu problema
estudado. Contudo, não elimina a necessidade do apoio de especialistas fornecendo
informações para complementar o cenário a ser analisado pelo tomador de decisão,
O conceito de definição correta do problema segundo Hammond, Keeney e
Raiffa (2004, apud Nunes Júnior, 2006), sugerem que seja seguido um roteiro para a
tomada de decisão:

Definição dos valores do tomador de decisão e definição do problema da
decisão: para identificar o problema da decisão, é preciso conhecer os
valores do tomador de decisão, ou seja, o que é importante para ele, sem o
qual podemos identificar o problema errado, chegando a uma solução errada
para o problema de decisão estudado;

Decomposição do Problema: os problemas deverão ser pesquisados,
divididos e estruturados formando uma hierarquia. Essa hierarquia forma
uma estrutura que permite visualizar o problema em termos de objetivos e
critérios ou atributos, conforme Figura 5.
55
Objetivo
Objetivo Principal
Atributo
Subatributo
Alternativas
Atributo 1
Atributo 2
Sub
Atributo 1
1
Atributo 3
Sub
Atributo 2
2
3
Sub
Atributo 3
4
5
Figura 5 - estrutura do modelo AHP
Fonte: NUNES JÚNIOR (2006, p.43).
 Estabelecer prioridades: as prioridades dos critérios/atributos são dadas por
comparação dois a dois em relação a sua contribuição ao critério
imediatamente acima, levando-se em consideração sempre o contexto do
objetivo estabelecido para a tomada de decisão. O referido processo se realiza
através de entrevista sobre o problema de decisão, e os julgamentos são
extraídos do tomador de decisão.
 Síntese: se obtém através de um processo de avaliação e combinação de
prioridades aplicadas ao problema. Essa prioridade total é obtida através das
ligações do modelo.
 Análise de sensibilidade: é executada para avaliar a consistência do resultado
nas alternativas, de acordo com cada um dos critérios que os compõe.
 Iteração: nesse processo as etapas acima são repetidas várias vezes, para
que cada etapa seja revista proporcionando um melhor entendimento do
problema através do modelo desenvolvido.
De acordo com o pensar de Vargas (1990, apud NUNES JÚNIOR, 2006, p.48),
os elementos devem ser agrupados na hierarquia de forma homogênea para permitir a
56
comparação. Portanto, se o tomador de decisão não for capaz de responder uma
pergunta (de comparação), então a pergunta ode não ser significativa ou os critérios ou
alternativas podem não ser comparáveis.
Existe também um limite de critérios que segundo Saaty e Ozdemir (2003, p.
233) “esse limite de capacidade humana de processar informações simultaneamente
com precisão variam de 5 até no máximo 9”.
Portanto, sugere-se que os critérios/atributos não passem de 9.
2.3.3 Modelagem da Hierarquia
O método AHP envolve três processos relacionados e não seqüenciais
(VARGAS 1990 apud NUNES JÚNIOR, 2006, p.50) conforme apresentado na Figura 6.

Identificação dos níveis e critérios

Definição dos critérios

Formulação da questão

Avaliação da Hierarquia.
Identificação
dos níveis e critérios
Definição dos
Conceitos
Formulação das
Perguntas
Avaliação da
Hierarquia
Figura 6 - Modelagem da Hierarquia
Fonte: (VARGAS, 1990 apud NUNES JÚNIOR, 2006, p. 50).
57
Após a estruturação da tabela que representa o problema de decisão ou da
hierarquia gráfica, faz-se necessário selecionar pessoas que irão analisar os critérios e
as alternativas. Essas pessoas devem ter conhecimento e até mesmo domínio do
problema abordado no foco principal (MALHOTRA et al, 2007).
2.3.4 Comparação
O método AHP utiliza uma escala onde os valores são atribuídos por pesos
através de comparações dois a dois. Esse método não utiliza uma escala absoluta
devido à natureza dos componentes de uma decisão com múltiplos critérios ser muitas
vezes abstrato, dificultando que isoladamente os componentes sejam mensurados,
principalmente usando a mesma escala (NUNES JÚNIOR, 2006).
Na comparação dois a dois, quando o tomador de decisão exprimir sua
preferência por um atributo “X” por exemplo, como sendo muito mais importante do que
o atributo “Y” por exemplo, estará atribuindo para o atributo “X” peso “5” Caso o
tomador de decisão considere que os dois critérios possuem a mesma importância,
estará atribuindo o peso “1”.
A Tabela 5 define e explica o conceito dos pesos utilizados no método AHP.
Tabela 5 - Fatores para as comparações paritárias
Intensidade de
Importância (Peso)
Peso
Explicação
1
Mesma importância
3
Importância pequena de um
sobre o outro
Os dois atributos contribuem igualmente
para o objetivo
A experiência e o julgamento favorecem
levemente um atributo em relação ao outro
5
Importância Grande ou
essencial
A experiência e o julgamento favorecem
fortemente um atributo em relação ao outro
7
Importância muito grande
9
Importância absoluta
2,4,6,8
Valores intermediários entre
os valores adjacentes.
Um atributo é fortemente favorecido em
relação ao outro; sua dominação de
importância é demonstrada na prática
A evidência favorece um atributo em
relação ao outro com o mais alto grau de
certeza.
Quando se procura uma condição de
compromisso entre duas definições
Fonte: Saaty (1980 apud IAÑEZ; CUNHA, 2006, p. 400).
58
É pertinente mencionar que os termos “CRITÉRIOS” e “ATRIBUTOS” possuem o
mesmo significado. A adoção da nomenclatura vária de acordo com a definição de
cada autor.
A Figura 7 mostra as comparações entre os critérios baseado no modelo
hierárquico AHP.
PROBLEMA
DECISÓRIO
(Objetivo)
CRITÉRIO
A
CRITÉRIO
B
ALTERNATIVA
X
CRITÉRIO
C
CRITERIO
D
CRITERIO
E
ALTERNATIVA
Y
Comparações dois a dois são feitas, quanto ao atendimento do
objetivo
CRITÉRIO
A
CRITÉRIO
B
CRITÉRIO
C
CRITERIO
D
CRITERIO
E
Figura 7 - Comparações de Critérios no Modelo Hierárquico.
Fonte: NUNES JÚNIOR (2006, p.52).
A estrutura hierárquica pode ter maior complexidade que o exemplo apresentado
na Figura “7”.
Nesse caso, os critérios são comparados entre si, dentro de suas
ramificações. As avaliações dos critérios de primeiro nível são realizadas, e após, as
ramificações dos critérios são desenvolvidas separadas, só ocorrendo avaliações
conjuntas nas alternativas.
59
Segundo Saaty (1990 apud NUNES JÚNIOR, 2006), um hierarquia não é uma
árvore de decisão tradicional.
problema.
Cada nível pode representar um corte diferente no
Um nível pode representar fatores sociais e outro político, para serem
avaliados em termos de fatores sociais e vice versa, mas o critério de nível acima terá
como componente o critério do nível imediatamente abaixo, que é definido devido à
necessidade de um detalhamento do critério para melhor avaliação ou pela importância
dada ao critério para a solução do problema decisório.
2.3.5 Análise dos Dados
Para uma análise coerente do problema, é importante deixar bem definido os
critérios utilizados para a avaliação e tomada de decisão.
As informações são extraídas do tomador de decisão com perguntas do tipo: “O
que é mais importante para alcançar o objetivo X, o critério A ou o critério B?
As definições devem ser registradas para evitar que o tomador de decisão não
tenha dúvidas na hora de pontuar os pesos de cada critério.
Os julgamentos dois a dois são lançados em uma matriz quadrada, que é a base
do cálculo dos vetores das preferências, que são os valores que nos indicam as
prioridades. (NUNES JÚNIOR, 2006).
Os vetores são obtidos por meio de cálculo matricial conforme equação abaixo e
definido por Saaty (1991).
Primeiro, soma-se cada coluna e então divide cada coluna pela respectiva soma
da coluna. O resultado da matriz é chamado de matriz normalizada, que é definida por:
A' = [ a'ij ] onde a'ij = aij / _
=
n
k
aik
1
para 1 < i < n, e 1 < j < n.
60
Segundo, calcula-se o valor médio em cada linha da matriz normalizada para
obter o peso relativo que é determinado pelo:
W = [ wk ] onde wk = _
=
n
i
a ij
1' / n para 1 < j < n, e 1 < k < n.
O cálculo manual da matriz não é objeto desta pesquisa, visto que existem
vários softwares que calculam rapidamente as matrizes, nos retornando o resultado no
formato numérico e gráfico.
O caso estudado nesse trabalho utiliza o software Web-Hipre, que trabalha a
hierarquia de forma igual à aplicação manual.
Portanto, a análise dos dados será
melhor entendida nos capítulos a seguir nos quais referem-se a aplicação do modelo na
organização estudada.
2.3.6 O software Web-Hipre
Existem no mercado muitos softwares de apoio à decisão os quais utilizam o
método AHP. Pode-se citar “Expert Choice, Criterium Decision Plus, Logical Decisions
e o Web-Hipre.
A ferramenta escolhida para o estudo de caso foi o Web-Hipre, por tratar de um
software que é acessado pela Internet via provedor e apresenta os conceitos de
Computação em Nuvem, contendo
características de “Software as a Service” –
Software como Serviços, explorado nesse trabalho no item “2.1.2
Arquitetura da
Computação em Nuvem”.
O Web-Hipre pode ser acessado de qualquer lugar desde que haja um
computador com acesso à Internet. As bases de dados ficam armazenadas na
Universidade de Helsinki – Finlândia. (Helsinki University of Technology). O software é
gratuito as bases são publicadas para acesso livre. Entretanto, há também uma forma
de cadastramento por meio de senhas que permite acesso restrito ao arquivo criado.
61
No que se refere à base pública, existem no servidor da Universidade acima citada,
centenas de arquivos exemplos de aplicações do método AHP, inclusive os arquivos
que foram criados para esse estudo de caso.
Segundo Nunes Júnior (2006), o software Web-Hipre (HIerarchical PREference
analysis on the World Wide) é um dos softwares de auxílio à tomada de decisão que é o
sucessor do software HIPRE 3+ da HUT (Helsinki University of Technology) e está na
sua versão 1.22. A primeira versão foi On-line foi disponibilizada em fevereiro de 1998.
É possível utilizar os métodos combinados, disponibilizando os resultados
processados na tela, através de gráficos de barra, permitindo análise de sensibilidade
dos dados atribuídos aos processos de análise de decisão.
Existe também um material explicativo do software disponibilizado na HUT para
seus usuários. Ele é utilizado para uso acadêmico on-line, mas segundo Nunes Júnior
(2006), Ele empresas podem adquiri-los.
O link para acesso ao Web-Hipre é: http://www.hipre.hut.fi/ . A figura 8 apresenta
a tela de abertura do software.
Figura 8 - Tela de Abertura do Software Web-Hipre
Fonte: Disponível em: <http://www.hipre.hut.fi/>.
62
Ao clicar no link “Bring Web_HIPRE to front”, abrirá automaticamente uma tela de
acesso ao software.
O Web-HIPRE pode ser acessado por qualquer navegador de Internet e por
qualquer tipo de conexão de rede da banda larga.
As orientações para utilização do Software Web-Hipre serão apresentadas nos
capítulos seguintes onde se descreve a metodologia e o estudo de caso.
Os gráficos e tabelas do Web-Hipre referente aos resultados da pesquisa,
também serão mais detalhados nos capítulos a seguir.
63
3 METODOLOGIA
A pesquisa tem como proposta aplicar uma metodologia baseada no Método de
Análise Hierárquica (MAH), que permite tratar aspectos quantitativos e qualitativos,
denominados de atributos e sub atributos, para a tomada de decisões na adoção de
Computação em Nuvem.
Este capítulo apresenta no primeiro momento o caráter científico e abordagens
da pesquisa de forma a dar suporte na investigação empírica da questão problema
desta dissertação, no segundo momento descreve-se o método aplicado de análise
hierárquica e por fim, as informações provenientes do instrumento e procedimentos da
coleta de dados referente à pesquisa deste trabalho.
3.1 CARÁTER CIENTÍFICO DA PESQUISA
A pesquisa científica tem como pressuposto tratar e descrever questões sociais,
apresentadas de forma empírica e que na ciência, são abordadas metodologicamente,
na medida em que surge um problema para o qual se busca uma solução adequada de
natureza científica.
Na pesquisa cientifica podem ser ressaltados três tipos de problemas
relevantes para a ciência, a saber: humano, contemporâneo e operacional. A relevância
humana carece de solução para a humanidade, já a contemporânea, está relacionada à
atualização e a novidade e por fim a operacional, que ocorre quando a solução do
problema implica na geração de novos conhecimentos.
Adotou-se nesta dissertação a Pesquisa Exploratória e o Estudo de Caso. A
escolha desta combinação de dois métodos visa oportunizar um cotejo entre dados
coletados através da literatura da área com dados coletados na realidade da
organização estudada. Visto que o estudo em foco busca identificar na realidade em
foco estudar soluções assertivas para a tomada de decisão.
64
Para a aplicação da resolução do problema em estudo aplicam-se a pesquisa
científica de caráter exploratório que está relacionado ao objetivo de querer
descrever o comportamento ou definir e classificar fatos e variáveis e o estudo de caso.
De acordo com Gil (2002), a pesquisa exploratória aplica-se a estudiosos que
têm familiaridade com o problema e querem aprimorar suas idéias por meio da
construção de hipóteses, o que também é reforçado por Mattar (1996), defendendo que
este tipo de pesquisa visa prover o investigador de maior conhecimento sobre o tema
ou o problema.
A pesquisa exploratória visa ajudar o pesquisador a compreender o problema
enfrentado, principalmente, pela oportunidade de se analisar, de forma aprofundada,
um fenômeno contemporâneo, como é o caso da Computação em Nuvem (Cloud
Computing) dentro das organizações.
Malhotra (2006, p. 99) afirma que “a pesquisa exploratória é usada em casos
nos quais é necessário definir o problema com maior precisão, identificar cursos
relevantes de ação ou obter dados adicionais antes de poder desenvolver uma
abordagem”. Esta tem por objetivo descrever idéias e percepções, podendo utilizar
dados secundários, entrevistas com especialistas e a pesquisa qualitativa.
Como complementação da Pesquisa Exploratória, complementa-se com o
estudo de caso, que segundo Bryman (1989), tem características como testar teorias
para ganhar insight e a confirmação dos resultados de outros estudos.
Para complementar adotou-se para atender aos objetivos o estudo de caso.
Yin (1989) descreve que “o estudo de caso é fundamental para examinar
eventos contemporâneos e é uma forma de integrar uma ampla variedade de
evidências, como documentos, entrevistas e observações”.
Ainda pode ser complementado pelo mesmo autor que o estudo de caso é uma
estratégia comum, utilizada com frequência em ambientes organizacionais, o que
contribui para o estudo de diversos tipos de fenômenos (YIN, 2001).
Segundo Chizotti (1991, p.64) caracteriza o estudo de caso como:
Uma modalidade de estudo nas Ciências Sociais, que se volta à coleta e ao
registro de informações sobre um ou vários casos particularizados, elaborando
relatórios críticos organizados e avaliados, dando margem às decisões e
65
intervenções sobre o objeto escolhido para a investigação (uma comunidade,
uma organização, uma empresa etc.
Para Yin (2005, p.78) as aplicações de um estudo de caso podem ser:

Explicar os vínculos causais em intervenção na vida real que são
complexos para serem explicados com estratégias experimentais ou por
levantamentos;

Descrever uma intervenção e um contexto em que ela ocorre;

Ilustrar alguns tópicos dentro de uma intervenção;

Explorar situações em que a intervenção em que está sendo avaliada não
apresenta um conjunto simples e claro de resultados;

Ser uma “meta-avaliação”, ou seja, ser um estudo de um estudo de uma
avaliação.
Segundo Laville (1999) a metodologia de pesquisa baseada em estudo de caso
é uma “estratégia de pesquisa com dados existentes, por meio da qual o pesquisador
se concentra sobre o caso (ou poucos casos), geralmente escolhido por um caráter
considerado típico, a fim de investigá-lo com profundidade”.
Ainda segundo Yin (2003, p.124), se utiliza o estudo de casos como estratégia
de pesquisa em muitas situações, nas quais se incluem:




Política, ciência política e pesquisa em administração pública;
Sociologia e psicologia comunitária;
Estudos organizacionais e gerenciais;
Pesquisa de levantamento regional e municipal, como estudos de plantas,
bairros ou instituições públicas;
 Supervisão de dissertação e teses de ciências sociais – disciplinas
acadêmicas e áreas profissionais, como administração empresarial, ciência
administrativa e trabalho social;
 Em eventos contemporâneos.
Por sua vez, Tachizawa (2002, p.97), caracteriza o estudo de caso da seguinte
forma:




Focalizado em ambientes definidos por uma ou poucas organizações;
Permite o estudo de fenômenos em profundidade dentre de seu contexto;
É apropriado ao estudo de fenômenos contemporâneos;
É, especialmente, adequado ao estudo de processos sociais à medida que
eles se desenrolam nas organizações; e
66

Explora fenômenos com base em vários ângulos.
Tachizawa (2002) apresenta um modelo metodológico para estudo de caso:
Escolha do Assunto/Delimitação do Tema
Bibliografia
pertinente
Ao tema
Levantamento de
dados
da Organização
Fundamentação
Teórica
Caracterização da
Organização
Análise e Interpretação de Informações
Conclusões e Resultados
Figura 9 – Modelo Metodológico de Estudo de Caso
Fonte: Tachizawa (2002).
Considerando os pontos descritos rapidamente quanto ao escopo da pesquisa
e tomado pela necessidade de coletar dados sobre o processo de tomada de decisão
em uma organização, o método de pesquisa mais adequado é a investigação
exploratória de caráter descritivo, por meio de estudo de caso.
Em virtude da contemporaneidade e da inovação acerca do assunto abordado,
bem como a necessidade de se avaliar alternativas e estratégicas que corroborem com
a tomada de decisão apropriada à organização em estudo.
Por fim, o caráter científico do problema é contemporâneo e o tipo de pesquisa
científica aplicada a este trabalho é a exploratória descritiva.
67
3.2 MÉTODO DA PESQUISA
Para corroborar com o caráter científico e dar ao trabalho o aspecto prático e
objetivo adotou-se um método inovador aplicado a estudos que buscam sistematizar a
pesquisa e atender o objetivo específico deste estudo.
Para efeito desta pesquisa aplicou-se o Método de Análise Hierárquica – MAH
também denominado na literatura internacional como AHP o qual vem sendo aplicado a
inúmeros problemas que envolvem a tomada de decisão em segmentos distintos e de
grande complexidade, a exemplo em estudos na alocação de energia, investimentos
em tecnologias de retorno incerto, priorização na alocação de recursos escassos e até
na resolução de conflitos políticos.
3.2.1 Método de Análise Hierárquica – MAH (Método AHP)
Para aplicação neste estudo foram revisadas e avaliadas as principais
metodologias para análise de dois problemas: o problema de tomada de decisão para a
escolha do tipo de Computação em Nuvem a ser adotada, baseando-se nos conceitos e
categorias de serviços apontados por (SLABEVA et al, 2009, p. 52) e o problema de
seleção de um provedor de serviços de Computação em Nuvem, à luz dos principais
conceitos apresentados na revisão literária desse trabalho, sendo identificados os
chamados métodos multicritérios, ou seja, que permitem considerar concomitantemente
a análise de múltiplos objetivos, como os mais adequados para auxílio à resolução do
problema de pesquisa. Este método também proporciona avaliar atributos e alternativas
que possuem caráter objetivo e subjetivo para a escolha de um provedor de serviços na
área de tecnologia da informação, foco deste estudo.
Contudo, segundo Vincke (1992 apud IAÑEZ; CUNHA, 2002, p. 307), “o que
deve ser notado quando se está lidando com este tipo de problema é que não existe,
68
em geral, nenhuma decisão que é simultaneamente ótima sob todos os pontos de vista
e atributos”.
Na verdade este método proporciona a hierarquização em questões
decisórias, especialmente nos casos que envolvem conflitos de interesse.
A principal característica dessa metodologia é a modelagem dos problemas
decisórios segundo uma estrutura hierárquica. Esta característica que o distingue
refere-se à maneira como a técnica define o problema proposto, pois a premissa básica
é que o sistema decisório complexo seja definido através dessa estrutura hierárquica
composta de vários níveis, que compreendem os elementos de análise, cujas
características podem ser consideradas similares.
Esse tipo de estruturação do problema é bastante adequado ao estudo de
tomada de decisão, uma vez que permite uma visão bastante ampla de todo o processo
e possibilita que as influências entre os diversos elementos do problema sejam
facilmente identificadas, especialmente nos casos em que o objetivo do processo
decisório consiste na seleção de alternativas segundo múltiplos atributos (IAÑEZ;
CUNHA, 2002).
Iañez e Cunha (2002, p. 398) afirmam que, “entre os métodos avaliados
identificou-se o Método de Análise Hierárquica (MAH) em Inglês Analitic Hierarquic
Process (AHP), como o mais adequado para o estudo de tomada de decisão”.
O AHP é um método multiobjetivo, desenvolvido pelo matemático Thomas
Lorie Saaty, e como já ressaltado é bastante aplicado ao auxílio à tomada de decisão.
Algumas principais características são apresentadas por Saaty (1980 apud IAÑEZ;
CUNHA, 2002, p. 399):




aplicável aos problemas orientados por múltiplos atributos ou objetivos
estruturados hierarquicamente;
capaz de considerar simultaneamente atributos quantitativos e qualitativos
em sua análise, ao mesmo tempo em que incorpora a experiência e a
preferência dos tomadores de decisão;
o resultado final permite definir uma seqüência cardinal da importância dos
atributos e das alternativas;
aplicável a questões complexas, que envolvam julgamentos subjetivos.
Quanto à análise dos resultados obtidos, o Método AHP, segundo Saaty (1980
apud IAÑEZ; CUNHA, 2002), possui uma grande vantagem, que é a de permitir aos
69
seus usuários atribuir pesos relativos para múltiplos atributos, ou múltiplas alternativas
para um dado atributo, ao mesmo tempo em que realiza uma comparação par a par
entre os mesmos, ou seja, análise paritária.
Isso permite que, mesmo quando dois atributos são incompatíveis, possa ainda
assim, reconhecer qual dos atributos é mais importante para o processo decisório.
Para efeito dessa pesquisa definiu-se atributos e subatributos, em dois níveis,
conforme pode ser visto na estrutura hierárquica a seguir.
3.2.2 Estruturação hierárquica
Para aplicar o Método AHP, deve-se ter um objetivo global e selecionar os
atributos e subatributos para atingir o foco da pesquisa.
Todos os elementos dos atributos e subatributos foram estruturados em duas
árvores hierárquicas, sendo uma para cada tipo de questão apresentada conforme
descrito abaixo, bem como, apresentado anteriormente na fundamentação teórica
desse trabalho:
Questão Problema 1: Que características de Computação em Nuvem devem
ser escolhidas para adoção na organização estudada?
Os atributos e subatributos para a construção da árvore hierárquica do Modelo
AHP, para a Questão Problema 1, foram definidos conforme tipos de serviços (camadas
da computação em nuvem) e tipos de nuvem conceituados por Slabeva et al (2009)
revisados na literatura do presente trabalho.
A tabela 6 apresenta a descrição dos atributos e subatributos.
Tabela 6 - “Definição dos Atributos e Sub atributos da Questão Problema 1.
ATRIBUTOS
SUBATRIBUTOS
Infraestrutura como Serviços – IaaS
 Processamento de Dados e Sistemas
(PROCESSAMENT).
 Armazenamento de Dados e Sistemas
(ARMAZENAMENT)
Plataforma como Serviços – PaaS
 Desenvolvimento Sistemas/Softwares
(DESENVOLVIMENT)
 Teste de Sistemas/Softwares TESTSOFTWARE
70
Software como Serviços
 E-mails (E-MAILS)
 Aplicativos (APLICATIVOS)
Fonte: Elaborado pela autora.
Foram criados os seguintes níveis hierárquicos para os atributos e subatributos
definidos e apresentados na Tabela 6.
Nível 1: Infraestrutura como Serviços (IaaS)
Plataforma como Serviços (PaaS)
Software como Serviços (SaaS)
Nível 2: Processamento de Dados e Sistemas
Armazenamento de Dados e Sistemas
Desenvolvimento de Sistemas/oftwares
Testes de Sistemas/Softwares
E-mails
Aplicativos
Após as definições dos atributos e dos níveis hierárquicos, definiram-se as
seguintes alternativas:
Alternativa 1 – Nuvem Pública
Alternativa 2 – Nuvem Privada
Alternativa 3 – Nuvem Híbrida
A figura 10 apresenta a árvore de decisão construída no Software Web-Hipre
para a Questão Problema 1.
71
Figura 10 - Árvore Hierárquica do Modelo AHP
Fonte: Software Web-Hipre.
Questão Problema 2: Como proceder na escolha de um provedor de serviços
de Computação em Nuvem?
Os atributos e subatributos para a construção da árvore hierárquica do Modelo
AHP, para a Questão 2 foram definidos, baseado na revisão bibliográfica, capítulo 2,
sub-itens 2.1.4. Segurança da Informação em CN, 2.1.5. Estratégias para adoção de
CN (VERAS, 2009; FIELD, 2010; DURKEE, 2010; SLABEVA et al, 2009.
Tabela 7 “Matriz de Atributos e Subatributos para a tomada de decisão na
escolha de um provedor de serviços de Computação em Nuvem.
Tabela 7 – Matriz de atributos e subatributos para a tomada de decisão na escolha de um provedor de
serviços de Computação em Nuvem.
ATRIBUTOS
SUBATRIBUTOS
 Área de Atuação/Cobertura Geográfica (ATU)
Infraestrutura (INFRA)
 Ambiente de Alta Disponibilidade (SLA)
 Sistema de Segurança Física e Lógica (SEG)
Flexibilidade na prestação de serviços
(FLEX)
Conectividade (CONEC)
Recursos Humanos (RH)
 Acessibilidade para gerenciamento através de
painel de controle (ACESS)
 Facilidade de mudanças e aditivos do contrato;
(FAMUD)
 Banda Larga de Internet (BL)
 Redundância de Internet (RED)
 Qualificação dos Funcionários (equipe própria e
qualificada) (QUALIF)
72
 Suporte Técnico (SUPTEC)
Custos (R$)
Credibilidade no Mercado (CRED)
Gestão da Qualidade (QUALI)
Fonte: Elaborado pela autora
 Custo de instalação dos aplicativos/serviços
(R$INST)
 Custo mensal dos serviços (R$MÊS)
 Carteira de Clientes (CLI)
 Tempo de atuação no mercado de provedores de
serviços DATACENTER (TATU)
 Certificados de Qualidade (CERTQ)
 Certificado de Segurança SSL (multiusuário) (SSL)
Os níveis hierárquicos apresentados a seguir, foram elaborados com base na
tabela 7.
Nível 1 - Atributos

Infraestrutura (INFRA)

Flexibilidade na Prestação de Serviços (FLEX)

Conectividade (CONEC)

Recursos Humanos (RH)

Custos (R$)

Credibilidade no Mercado (CRED)

Gestão da Qualidade (QUALI)
Nível 2 - Subatributos

Área de Atuação/Cobertura Geográfica (ATU)

Ambiente de Alta Disponibilidade (SLA)

Sistema de Segurança Física e Lógica

Acessibilidade para gerenciamento através de painel de controle (ACESS)

Facilidade de mudanças e aditivos do contrato (FAMUD)

Banda Larga de Internet (BL)

Redundância de Internet (RED)

Qualificação dos Funcionários (equipe própria e qualificada) (QUALIF)

Suporte Técnico (SUPTEC)

Custo de instalação dos aplicativos/serviços (R$INST)
73

Custo mensal dos serviços (R$MES)

Carteira de Clientes (CLI)

Tempo de atuação no mercado de provedores de serviços DATACENTER
(TATU)

Certificados de Qualidade (CERTQ)

Certificado de Segurança (SSL)
Após as definições dos atributos e dos níveis hierárquicos, definiu-se as
seguintes alternativas:
Alternativa 1 – Provedor X
Alternativa 2 – Provedor Y
Alternativa 3 – Provedor Z
A figura 11 apresenta a árvore de decisão construída no Software Web-Hipre,
para a Questão Problema 2.
No caso dessa questão, verifica-se que a árvore hierárquica apresenta uma
maior quantidade de atributos e subatributos, tendo em vista ser uma questão que
necessita mais detalhes para a tomada de decisão.
74
Figura 11 – Árvore de Decisão para a Questão Problema 2.
Fonte: Software Web-Hipre (adaptado)
A decomposição da estrutura do problema ajudou a lidar com a complexidade.
Assim, quanto mais genéricos forem os atributos, mais altos eles deverão estar na
hierarquia. As alternativas ficam na base da árvore, abaixo do último nível de
subatributos. No caso do uso do Software Web-Hipre as alternativas que ficam à direita
do último nível, conforme apresentado nas figuras 10 e 11 para as questões problema 1
e 2.
Esse arranjo ou agrupamento de atributos permite fazer com que seja possível
para o tomador de decisão focalizar cada parte e todo o complexo problema, e com isso
obter prioridades através de uma simples comparação par a par baseada nos dados
obtidos, no referencial teórico e na própria experiência do pesquisador acerca do
assunto.
75
Apesar da ótica subjetiva de definir os atributos e subatributos, o AHP é um
método de análise que considera e julga múltiplos atributos baseando-se na ótica
subjetiva e naturalmente inconsistente. Contudo, a aplicabilidade deste método está
simplificada, através da ponderação de pares de elementos. Mas ao julgar dois
elementos, através de uma escala limitada de 0 (zero) a 9 (nove) graus de conceitos
subjetivos de importância ou preferência, conforme a Tabela 5 é possível estreitar a
visão da realidade e concentrar o foco em uma fração do problema, desconsiderando a
influência do conjunto.
A forma de avaliação das alternativas para a Questão Problema 2 foi diferente
em relação as alternativas da Questão Problema 1, haja vista que para pontuar as
alternativas
da
Questão
técnicas/orçamentárias
de
Problema
três
Datacenter/Computação em Nuvem
2
foi
provedores
necessário
de
levantar
serviços
propostas
denominados
nas quais foram feitas através da análise dos
atributos quantitativos e qualitativos mais importantes para este processo decisório.
Entretanto, foi necessário desenvolver um documento “Termo de Referências”,
contendo os atributos e subatributos conforme definidos na Tabela 7-
Matriz de
Atributos e Subatributos para a tomada de decisão na escolha de um provedor de
serviços de CN.
Esse documento foi encaminhado através de e-mail para os Gerentes de
Vendas das empresas escolhidas e os resultados das propostas foram inseridos na
Tabela 8 - Resumo das Propostas apresentadas pelos provedores X, Y, Z e em
seguida, pontuados nas (Alternativas de CN) conforme árvore hierárquica do software
Web-Hipre.
76
Tabela 8 - Resumo das Propostas Apresentadas pelos Provedores de CN
ATRIBUTOS
SUBATRIBUTOS
PROVEDOR X
PROVEDOR Y
Área de
São Paulo, Porto Alegre e
Infraestrutura
São Paulo
Atuação/Cobertura
Houston (EUA)
(INFRA)
Geográfica; (ATU)
Ambiente de Alta
99,8% - Banda Internet
Servidor:
Disponibilidade
94,5% - Backup compart.
99,8%
(SLA);
99,8% firewall compart.
Site: 99,5%
99,5% serv. dedicados
Seg.armada
Climatização 24x7x365
24x7x365
Prev. Controle de Incêndio
No-breaks
24x7x365 monitorado.
Sistema de
redundantes,
Energia: no-breaks
Segurança Física e
geradores de
90min.Geradores c/
Lógica (SEG)
autonomia para gerar energia 440Kvas,
redundantes.
por uma semana. 24x7x365
Water-FREE
monitorado
Acessibilidade para
Flexib.presta
gerenciamento
ção de
Possui painel
através de painel
Possui painel de controle
serviços
de controle
de controle;
(FLEX)
(ACESS)
Facilidade de
mudanças e
Contrato
Contrato Padronizado
aditivos do
padronizado
contrato; (FAMUD)
Conectividad Banda Larga de
40Gb/s
20Gbp/s
e (CONEC)
Internet; (BL)
Redundância de
Internet; (RED)
Recursos
Humanos
(RH)
Custos (R$)
Credibilidade
no Mercado
(CRED)
Qualificação dos
Func.equipe
própria e
qualificada);
(QUALIF)
Suporte Técnico
(SUPTEC).
Custo de instalação
dos
aplicativos/serviços
; (R$INST)
Custo mensal
(R$MÊS)
Carteira de Clientes
(CLI)
Não consta na proposta
10Gbp/s
300 Profissionais
Equipe própria
e capacitada.
Gerente de
contas
24x7x365
24x7x365
PROVEDOR Z
São Paulo e Rio
de Janeiro
Firewall: 99,95
Energia: 99,99%
Servs.:: 99,45
Email: 99,8
Energia c/red.
monitorado
24x7x365.Nobreaks 90min
10 geradores de
480Kva.
Seg.física
monit.24x7x365
Possui Painel de
Controle
Contrato
padronizado
Não mencionou
Não mencionou
Não apresentou
R$ 1.500,00
24x7x365
R$ 800,00
R$ 800,00
R$ 3.827,00
R$ 2.399,00
R$ 1.300,00
700 clientes (Blue Tree
Hotels, Atlas Chindler, Caloi,
TAM, Springer, NET, FIAT,
PETROBRÁS
196.000
clientes 422
mil domínios
hospedados.
(Unibanco,
Volkswagen,Sí
rio Libanês,
Microsoft,
TAM,
FEBRABAN...
Não apresentou
número de
clientes.
Bridgestone,
Spoleto,
Petrobrás, Adrià,
LG, Bob´s
Medial Saúde
77
ATRIBUTOS
SUBATRIBUTOS
Tempo de atuação
no mercado de
provedores de
serviços
DATACENTER;
(TATU)
PROVEDOR X
14 anos
PROVEDOR Y
12 anos
ITIL,COBIT,
Cisco,
Microsoft,
Linux
Certificado de
Não consta na
Não consta na proposta
Segurança SSL
proposta
Fonte: Propostas de Provedores de Serviços de CN – Adaptado pela autora.
Gestão da
Qualidade
(QUALI)
Certificados de
Qualidade(CERTQ)
PROVEDOR Z
ITIL, RedHat, Cisco, Linux,
Microsoft, Oracle, Dell.
INFO 200-2009,
top200, Anuário
Telecom.2007,
ISO 9001
Não consta na
proposta
3.3 TIPO DE PESQUISA
De acordo com Bryman (1989), na pesquisa organizacional há dois tipos de
abordagens mais utilizados que é a pesquisa qualitativa e a quantitativa.
Este trabalho se utilizará da pesquisa de caráter quantitativo, pela necessidade
de perceber os acontecimentos em diferentes níveis do processo.
A primeira razão para se conduzir uma Pesquisa Quantitativa é descobrir
quantas pessoas de uma determinada população compartilham uma característica ou
um grupo de característica, bastante adotada para medir um mercado, estimar o
potencial ou volume de um negócio e para medir o tamanho e a importância de
segmentos de mercado e medir um produto ou serviço ou têm interesse em um novo
conceito de produto. São também chamadas de pesquisas fechadas e quantificáveis.
Na pesquisa utilizou-se a estruturação da pesquisa quantitativa, que adotou os
princípios do método de análise hierárquica, com a mensuração através de valores
atribuídos aos atributos e subatributos constituídos no instrumento de pesquisa.
Ressalta-se que esta pesquisa possui o caráter quantitativo e os dados foram
coletados por meio da ferramenta Google Docs, que posteriormente foram inseridos no
Software Web-Hipre para aplicação ao Método AHP.
O Google Docs é um pacote de aplicativos do Google que funciona totalmente
on-line diretamente do navegador (Browser). Ele compõe-se de um processador de
78
texto, um editor de apresentações, um editor de planilhas e um editor de formulários.
Esse último foi utilizado para a elaboração do instrumento de pesquisa (Questionário I e
Questionário II). Por se tratar de um conjunto de aplicativos on-line e armazenado nos
Datacenters do Google, possui as características de Computação em Nuvem.
3.4 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO DE CASO
A organização pesquisada para o objeto de estudo foi a FEDERAÇÃO DAS
INDÚSTRIAS DO RIO GRANDE DO NORTE (FIERN), entidade pertencendo ao
Sistema “S” caracterizado por um conjunto formado por órgãos que cuidam da
formação de mão de obra (SESI, SENAI, SENAC, SENAR, SENAT e SESCOOP) do
apoio à micro empresa (SEBRAE) e dos serviços sociais (SESC, SESI E SET) no
Brasil.
Por se tratar de uma organização do âmbito Industrial, a FIERN está ligada à
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI) na qual possui vinte e sete
federações das indústrias, nos estados e no Distrito Federal.
A CNI hoje possui mais de 1000 (mil) sindicatos patronais associados. Quase
100 (cem) mil empresas1. A CNI e as suas Federações das Indústrias atuam para
garantir a participação ativa da comunidade industrial na formulação de políticas
públicas que garantam um ambiente saudável para o desenvolvimento dos negócios.
Todas as entidades pertencentes ao Sistema “S” possuem receita básica
advinda de uma contribuição de fins sociais compulsoriamente estabelecidos e estão
enquadrados em um regime jurídico denominado “para-fiscal”, não sendo instituições
de direito público, mas sim de direito privado nos termo da lei civil.
1
Fonte: Disponível em: http//:<www.cni.org.br>.
79
3.4.1 Estrutura Organizacional da FIERN
O Sistema FIERN é composto por 4 (quatro) instituições que atuam em conjunto
pelo desenvolvimento da indústria norte-rio-grandense: a Federação das Indústrias do
Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), o Serviço Social da Indústria (SESI), o Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e pelos 25
(vinte e cinco) sindicatos patronais filiados.
Ao longo de sua história o Sistema FIERN vem representando com destaque os
interesses da indústria potiguar e contribuindo para o crescimento econômico do
Estado.
Fundada em 27 de fevereiro de 1953 a Federação das Indústrias do Rio Grande
do Norte (FIERN) é uma entidade sindical de grau superior com base territorial em todo
o Estado do RN que possui os seguintes objetivos:

Proteger e representar os direitos e interesses das categorias nela
compreendidas;

Eleger ou designar pessoas para cargos de representação nos diversos
órgãos de que participa;

Estudar e debater os problemas relacionados à indústria em geral, e em
particular, com as categorias econômicas sob sua égide, propondo soluções;

Manter serviços de assistência e consultoria aos sindicatos filiados;

Firmar convenções coletivas de trabalho na representação das categorias
não organizadas em sindicato;

Promover e estimular a adoção de regras e normas que visem beneficiar e
aperfeiçoar os sistemas e métodos de fabricação e comercialização e os
processos tecnológicos de melhoria da produtividade e qualidade e de soluções
para a indústria.

Impor contribuições aos sindicatos filiados e às empresas nas hipóteses
autorizadas pelo Estatuto e;
80

Supervisionar e dirigir nos termos dos atos normativos o Serviço Social da
Indústria (SESI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI),
Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e outros vinculados à entidade.
A seguir, na figura 12, apresenta-se o organograma do Sistema FIERN.
Figura 12 – Organograma do Sistema FIERN – Superintendência Corporativa
Fonte: FIERN
81
3.4.2 Estrutura Organizacional do Serviço Social da Indústria (SESI)
O Serviço Social da Indústria (SESI), Departamento Regional do Rio Grande do
Norte, órgão ligado ao Sistema FIERN, tem como missão, contribuir para o
fortalecimento social, prestando serviços integrados de educação, saúde, lazer e
responsabilidade social, com vistas à melhoria da qualidade de vida para o trabalho e
ao desenvolvimento sustentável.
O Departamento Regional do Rio Grande do Norte desenvolve políticas de
qualidade para as ações nas áreas de Saúde, Educação, Lazer e Responsabilidade
Social. Além disso, oferece serviços para a melhoria de qualidade de vida para o
trabalhador, a produtividade industrial e o desenvolvimento sustentado, com ênfase na
Educação do Trabalhador, a Saúde e Segurança no Trabalho e o Lazer na Empresa.
Seu desempenho focado na sua missão e objetivos, se desenvolve nas
seguintes unidades operacionais:








ADMINISTRAÇÃO CENTRAL – CASA DA INDÚSTRIA
CENTRO DE ATIVIDADES INTEGRADAS - CAT NATAL
SESI-CLUBE
CENTRO DE ATIVIDADES EXPEDITO AMORIM
CENTRO DE ATIVIDADES DE MACAU
CENTRO INTEGRADO DE ASSU
CENTRO DE LAZER E CULTURA DO SESI – SOLAR BELA VISTA
SESICLÍNICA DA ZONA NORTE
A figura 13 mostra o Organograma Funcional do SESI-RN.
82
Figura 13 – Organograma Funcional do SESI
Fonte: SESI-RN
3.4.3 Estrutura Organizacional do SENAI-DR/RN
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) no âmbito do
Departamento Regional do Rio Grande do Norte tem como missão, contribuir para o
fortalecimento da indústria e o desenvolvimento pleno e sustentável do País,
promovendo a educação para o trabalho e a cidadania, a assessoria técnica e
tecnológica, a produção e disseminação de informação e a adequação, geração e
difusão de tecnologia.
Atualmente o SENAI trabalha com as seguintes áreas tecnológicas: Alimentos,
Automação
Industrial
e
Predial,
Artesanato,
Carcinicultura,
Construção
Civil,
Confecções e Moda, Eletro-Eletrônica, Gás-Natural, Gestão e Comportamento,
Tecnologia da Informação, Instrumentação Industrial, Mecânica Industrial, Mecânica de
83
Manutenção Industrial, Mecânica Veicular, Meio Ambiente, Mobiliário, Gestão
Organizacional, Refrigeração, Sal, Petróleo, Segurança Industrial, Transporte.
O SENAI-DR/RN em todo estado, possuir os seguintes Centros Tecnológicos,
também chamados de Unidades Operacionais:






ADMINISTRAÇÃO CENTRAL – CASA DA INDÚSTRIA
CENTRO DE TECNOLOGIAS DO GÁS – CTGÁS
CENTRO DE TECNOLOGIAS EM INFORMÁTICA ALUIZIO ALVES
CENTRO DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS CLÓVIS MOTTA
CENTRO DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS – ÍTALO BOLOGNA
CENTRO DE UNIDADES MÓVEIS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
MANOEL TORRES DE ARAÚJO
 CENTRO DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS ALUIZIO BEZERRA
 CENTRO DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS EM CONSTRUÇÃO CIVIL
– ROSÁRIA CARRIÇO.
A figura 14 apresenta-se o Organograma do SESI.
Figura 14 - Estrutura Organizacional do SENAI-RN.
Fonte: SENAI-RN
84
3.4.4 Estrutura Organizacional do IEL- RN
O Instituto Euvaldo Lodi - Núcleo Regional do Rio Grande do Norte, é uma
associação sem fins lucrativos, integrante do Sistema FIERN, que tem como missão,
“contribuir para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte, realizando a interação
entre o universo do conhecimento e o setor produtivo, prestando serviços de Educação
Empresarial e de Desenvolvimento de Tecnologias”.
Para cumprir sua missão IEL/RN elegeu como Objetivos:
- Contribuir para a melhoria da eficácia, produtividade e competitividade do
Setor Industrial;
- Proporcionar conhecimentos aos empresários, para que detenham modernas
competências de gestão e inovação tecnológica;
- Intermediar estágio de acordo com as demandas do mercado de trabalho;
- Melhorar continuamente a qualidade dos seus serviços, pelo desenvolvimento
de seus colaboradores;
- Prestar serviços que promovam a sua auto - sustentabilidade;
- Ampliar a visibilidade institucional.
O IEL/RN tem como clientes: Indústrias; Empresas de comércio e serviços;
Organizações públicas e privadas; Instituições de ensino e pesquisa; Estudantes.
O IEL/RN definiu como áreas prioritárias de atuação:
 Interação empresas e centros de conhecimento: prestar serviços de
recrutamento, seleção, orientação, acompanhamento e colocação de
estagiários e bolsistas, a fim de desenvolver novos talentos empreendedores.
 Desenvolvimento
empresarial:
Desenvolver
e
prestar
serviços
de
capacitação empresarial e aperfeiçoamento da gestão, com o objetivo de
melhor capacitar dirigentes e empresários do setor produtivo, na condução de
seus negócios.
85
 Desenvolvimento tecnológico: prestar serviços de consultoria e assessoria
em gestão empresarial, voltados a formulação de estratégias alternativas
para o desenvolvimento tecnológico e a inovação.
A estrutura do IEL/RN é integrada ainda pelas seguintes unidades:
 Gerência de Estágio e Bolsas – responsável pela oferta dos serviços:
Programa de Estágio; Bolsas Educacionais (BITEC, APEX, Gestão);
Capacitação de Estudantes; Visitas Técnicas; Seminários e Sessões de
Orientação ao Estágio; Fórum de Estágio do Rio Grande do Norte – FERN.
 Gerência de Desenvolvimento Empresarial que oferece os serviços: Cursos
de Pós Graduação Lato Sensu, Cursos de longa, média e curta duração;
Cursos in-company; Seminários, Fóruns e Workshops; Ciclo de Palestras
Nossos Talentos;
 Gerência de Desenvolvimento Tecnológico que é responsável pelo
desenvolvimento de: Arranjos Produtivos Locais e Núcleos Setoriais; Núcleo
de Beachmarking e Benchstar; Eventos relacionados à Tecnologia e
Inovação; Projetos Especiais; Internacionalização de Arranjos Produtivos
Locais.
 Escritório da Qualidade que é responsável pela Manutenção do Sistema
de Gestão da Qualidade.
 O IEL/RN dispõe ainda de uma Unidade em Mossoró – que desenvolve
as seguintes atividades: Programa de Estágio; Bolsas Educacionais
(BITEC, APEX e Gestão); Capacitação de Estudantes; Visitas Técnicas;
Seminários e Sessões de orientação ao estágio; Fórum de Estágio do RN –
FERN; Cursos de Capacitação Empresarial; Ciclo de Palestras.
A figura 15 mostra o organograma funcional do IEL.
86
Figura 15 – Organograma Funcional do IEL.
Fonte: IEL-RN
3.4.5 Estrutura Organizacional da Unidade de Tecnologia da Informação
O Sistema FIERN possui uma única unidade de Tecnologias da Informação e
Comunicação na qual está inserida na estrutura organização da FIERN. A Unidade de
Tecnologias da Informação (UNITEC), assim denominada, tem como objetivo principal,
fornecer soluções de padronização, desenvolvimento, implementação de tecnologias da
87
informação para todas as entidades que compõem o Sistema FIERN (FIERN,SESI,
SENAI, IEL).
Como se trata de uma unidade de serviços integrados, a UNITEC como
apresentada na Estrutura Organizacional do Sistema FIERN atualmente está inserida
na Superintendência Corporativa e tem os seguintes objetivos:

Garantir um modelo integrado de Gestão da Tecnologia da Informação;

Fornecer Sistemas de Informações transacionais;

Prover e Garantir o funcionamento do ambiente computacional de todo
Sistema FIERN;

Fornecer atendimento e transferência de conhecimento em tecnologias da
informação aos usuários do Sistema FIERN;

Desenvolver e prospectar novas tecnologias;

Garantir a segurança da informação;

Reduzir custos com o uso da Tecnologia da Informação;

Otimizar os recursos de TI instalados, de forma a manter-se atualizados e
padronizados.
Com uma equipe técnica composta por dez funcionários, a UNITEC possui o
seguinte organograma funcional, conforme apresentado na figura 16
88
Figura16 – Organograma da UNITEC.
Fonte: FIERN
3.4.5.1 Infraestrutura de Hardware
O
Sistema
FIERN
possui
atualmente
um
parque
tecnológico
de
aproximadamente 900 (novecentos) microcomputadores distribuídos em sua sede
regional situado no Edifício Casa da Indústria, e em todas as suas unidades
operacionais do SESI, SENAI e IEL instaladas em Natal e no interior do estado do Rio
Grande do Norte. Possui ainda uma estrutura de telecomunicações na qual interliga
todas as unidades operacionais à Sede principal.
89
A Unidade de Tecnologia da Informação instalada na Sede da Casa da Indústria
possui um Datacenter com 13 (treze) servidores, o que se pode chamar de Nuvem
Privada.
A Sede possui uma rede cabeada estruturada para atender todo o prédio com
banda de rede de 1Gbps. Todas as demais unidades possuem uma rede local com um
ou dois servidores para gerenciamento dos recursos e armazenamento de alguns
aplicativos locais.
A figura 17 representa a Rede Corporativa do Sistema FIERN.
INTERNET
REDE CORPORATIVA DO SISTEMA FIERN
SITUAÇÃO ATUAL
Link de Rádio (6Mb)
CTGÁS
Link OI – 2Mb
2mB
CAT-NATAL
Link FrameRelay
Link
Velox
1Mb.
Fibra
Ótica
SENAI - CTI
SENAI-R.CARRIÇO
SESI-MACAU
SESI - SOLAR
SESI - ASSU
SENAI-CAICÓ
SESI - ZONA NORTE
Figura 17 - Diagrama da Rede Corporativa do Sistema FIERN.
Fonte: Elaborado pela autora.
SENAI-STA. CRUZ
SESI-MOSSORO
SENAI-MOSSORO
SENAI-C. MOTTA
90
3.4.5.2 Infraestrutura de Software
Atualmente, 70% dos servidores de rede utilizam Linux como plataforma
operacional e uma boa fatia dos sistemas de informações instalados na rede, foram
desenvolvidos em Software Livre e ambiente Web como exemplo: Sistema Integrado
de Materiais (Compras, Almoxarifado, Licitação, Contratos,) e todos os Sistemas de
Informações da área de Saúde, Lazer e Educação do SESI foram migrados para esses
tecnologias.
Todos os sistemas de informações, e-mails e aplicativos, no momento, estão
instalados numa infraestrutura dedicada localizada no prédio da Casa da Indústria e em
algumas unidades operacionais do SESI/SENAI. Entretanto, há uma decisão por parte
dos gestores em adotar a Computação em Nuvem, visando otimizar a qualidade dos
serviços de TI, bem como, reduzir custos, principalmente no que se refere a
investimentos com infraestrutura. O Sistema FIERN apesar de ter um grande volume de
transações de informações, ainda não possui uma infraestrutura adequada para
armazenamento, processamento e gerenciamento de TI.
A equipe de Sistemas e Projetos do Sistema FIERN, é responsável por toda a
manutenção dos Sistemas de Informações existentes, bem como, dos aplicativos em
geral como, por exemplo, o Microsoft Office.
No que se refere a “E-mails”, essa plataforma está instalada em um dos
servidores da Casa da Indústria, e armazena todas as caixas de e-mails localmente.
Como se trata de uma ferramenta bastante disseminada entre os quase mil usuários da
organização, o servidor de e-mail já não possui a configuração adequada para
processamento e armazenamento das mensagens, ocasionando certa insatisfação por
parte dos usuários, uma vez que, as caixas postais são limitadas em apenas 10Mb,
30Mb e 60Mb, que variam de tamanho de acordo com o cargo do funcionário.
91
3.5 UNIVERSO E SUJEITOS DA PESQUISA
A pesquisa foi aplicada junto aos técnicos e gestores de TI lotados na UNITEC,
nas unidades do SESI-NATAL, SENAI-CTGás, SENAI-CTI, junto à
empresa
terceirizada responsável pelo desenvolvimento da grande maioria dos Sistemas de
Informações do SESI, bem como, junto
aos Diretores e Superintendentes das
Entidades que compõem o Sistema FIERN, totalizando 18 (dezoito) entrevistados.
A pesquisa teve como objetivo principal obter informações significativas a
respeito do objeto de estudo deste trabalho.
3.6 INSTRUMENTO E PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS
3.6.1 Instrumentos de Pesquisa
Com base na concepção do referido trabalho que aborda o tema da
Computação em Nuvem, um dos recursos adotados para aplicação da pesquisa foi a
ferramenta “Google Docs”, na qual possibilita a criação dos formulários via Web e a
aplicação eletrônica do referido instrumento.
Para efeito desta pesquisa foram elaborados 2 (dois) questionários
estruturados com perguntas fechadas, dicotômicas e de múltipla escolha.
3.6.1.1 Questionário 1
O Questionário 1 foi desenvolvido contendo 24 (vinte e quatro questões) e
aplicado apenas aos técnicos e gestores de TI da organização estudada, totalizando 10
92
(dez) funcionários. Esse questionário teve com o objetivo principal, levantar o grau de
importância dos requisitos necessários para adoção de computação em nuvem,
baseado na revisão bibliográfica referente à arquitetura e classificação da CN definidos
por (SLABEVA et al, 2010, p. 52).
Para melhor entendimento, exemplifica-se algumas perguntas contidas no
Questionário 1:
 Entre os atributos “Infraestrutura como Serviços” x “Plataforma como
Serviços” qual deles tem maior grau de importância? Selecione o grau
de importância baseado nos itens abaixo.
Respostas: Mesma Importância, Importância pequena de um sobre ou outro,
Importância grande ou essencial, Importância muito grande, Importância
absoluta.
 No critério de “Infraestrutura como Serviços” que subatributo você
considera
mais
importante:
Processamento
ou
Armazenamento?
Selecione o grau de importância baseado nos itens abaixo.
Respostas: Mesma Importância, Importância pequena de um sobre ou outro,
Importância grande ou essencial, Importância muito grande, Importância
absoluta.
 Levando-se em consideração o atributo “Software como Serviços” O
que você acha mais importante? deixar os aplicativos de sua empresa
na “Nuvem Pública” ou na “Nuvem Privada?
Selecione o grau de
importância:
Respostas: Mesma Importância, Importância pequena de um sobre ou outro,
Importância grande ou essencial, Importância muito grande, Importância
absoluta.
93
3.6.1.2 Questionário 2
O questionário 2 foi desenvolvido com 30 (trinta) questões. Aplicou-se com 10
(dez) técnicos participantes do questionário 1 e ainda os 8 (oito) gestores e
superintendentes lotados, nas unidades do Sistema FIERN, totalizando 18 (dezoito)
entrevistados.
Esse questionário teve como foco principal identificar o grau de importância
quanto a escolha de um Provedor de Serviços de CN, baseado na revisão bibliográfica,
de acordo com os sub-itens 2.1.4. Segurança da Informação em CN, 2.1.5. Estratégias
para adoção de CN (VERAS, 2009; FIELD, 2010; DURKEE, 2010; SLABEVA et al,
2009).
Para um melhor entendimento, exemplifica-se algumas perguntas contidas no
questionário 2.
 Entre os atributos “Infraestrutura e Conectividade”, qual deles tem
maior importância? Selecione o grau de importância:
Respostas: Mesma Importância, Importância pequena de um sobre ou outro,
Importância grande ou essencial, Importância muito grande, Importância
absoluta.
 Entre os atributos “Conectividade” x “Credibilidade”, qual deles tem
maior importância? Selecione o grau de importância:
Respostas: Mesma Importância, Importância pequena de um sobre ou outro,
Importância grande ou essencial, Importância muito grande, Importância
absoluta.
 Entre os atributos “Custos” x “Credibilidade”, qual deles tem maior
importância? Selecione o grau de importância:
94
Respostas: Mesma Importância, Importância pequena de um sobre ou
outro, Importância grande ou essencial, Importância muito grande,
Importância absoluta.
3.6.2 Procedimentos de Coleta de Dados
Para haver concordância nas respostas, os questionários foram estruturados
de forma padronizada para que todos os entrevistados respondessem as perguntas de
maneira homogênea.
Após a elaboração dos Questionários foram submetidos a um pré-teste para
avaliar as respostas e se os mesmos estavam adequados aos objetivos do estudo, bem
como, no que se refere à clareza de entendimento pelo entrevistado. O pré-teste foi
aplicado com 1 (um) respondente. Para tanto, por decisão da pesquisadora, a pessoa
escolhida foi o técnico da empresa terceirizada responsável pelo desenvolvimento e
manutenção de grande parte dos Sistemas de Informações atualmente em uso pelo
Sistema FIERN.
O entrevistado escolhido para o pré-teste se encontrava virtualmente presente,
utilizando a ferramenta de mensagens instantâneas “Microsoft Windows Live
Messenger – MSN”. A pesquisadora encaminhou o link da Internet que direciona para
o acesso aos questionários de pesquisa elaborados no “Google Docs”. Conjuntamente
foi enviada uma tabela explicativa (Figura 18) que contem as descrições das variáveis
contidas no instrumento de pesquisa.
O entrevistado iniciou os procedimentos de
respostas aos questionários e as dúvidas eram esclarecidas pela autora por meio do
MSN.
Segundo Mattar (1997, p. 234), “o pré-teste é tão importante para o
aprimoramento de um instrumento de coleta de dados que nenhuma pesquisa deveria
iniciar sem que o instrumento utilizado tivesse sido convenientemente testado”.
Após a experiência do pré-teste, as questões que apresentavam certas
dificuldades para o entrevistado, foram reformuladas e aprimoradas.
Constatou-se
95
ainda, que ao responder o “Questionário 1” o entrevistado levou aproximadamente 10
(dez) minutos, e para o “Questionário 2” aproximadamente 18 (dezoito) minutos, tempo
considerado normal para a complexidade das perguntas.
Dando continuidade à coleta de dados, os questionários foram apresentados
aos demais entrevistados, os procedimentos para responder, através de reuniões junto
às equipes de TI. Foram realizadas então, duas reuniões, sendo a primeira, com a
equipe de Infraestrutura e a segunda, com a equipe de Sistemas e Projetos da
UNITEC. Durante a reunião, apresentou-se o objetivo principal da pesquisa, as
instruções de uso do questionário, juntamente com uma tabela de pontuação para as
respostas das questões. Em seguida, os entrevistados acessaram pela Internet o link
do questionário e responderam eletronicamente as questões.
Os
mesmos
procedimentos
foram
executados
junto
aos
gestores/superintendentes. A única diferença foi que as reuniões para esclarecimentos
foram feitas individualmente e no ambiente de trabalho de cada um deles.
Para os que não estavam pessoalmente presentes, os procedimentos de
aplicação da pesquisa, foram feitos utilizando-se a tecnologia de “Windows Live
Messenger - MSN”, da mesma forma que foi usado no pré-teste.
Seguindo os conceitos literários de Malhotra (2006), o uso de métodos
eletrônicos, especialmente dos levantamentos pela Internet, vem ganhando terreno
cada vez mais rápido. Isso se deve ao fato que ao preencher um formulário eletrônico,
os dados coletados permitem uma maior agilidade na tabulação e na análise das
informações.
A coleta de dados propriamente dita ocorreu entre os dias 28 e 29 de setembro
de 2010 e todas as pessoas escolhidas, responderam sem nenhuma dificuldade as
questões contidas no instrumento de pesquisa.
A escolha da empresa participante do estudo teve como critério o acesso ao
desenvolvimento do processo. A pesquisadora deste trabalho é colaboradora da
organização em estudo, o qual identificou a necessidade da organização quanto à
adoção da Computação em Nuvem como forma de reduzir custos e garantir um melhor
serviço de Tecnologia da Informação e, sobretudo, como forma de estudar, avaliar e
96
contribuir com os resultados deste trabalho, como subsídio para a empresa e outras
semelhantes que desejam adotar esse novo conceito.
97
4 ANÁLISES DOS RESULTADOS
4.1 ANÁLISE DESCRITIVA DO ESTUDO DE CASO
4.1.1 Modelo Aplicado com base na Análise Quantitativa e Qualitativa
A coleta foi feita por meio da ferramenta Google Docs conforme descrito no
item 3.6.1 Instrumentos de Pesquisa.
Os dados colhidos foram inseridos no Software Web-Hipre e os resultados
estão descritos no item 4.1.2.
No entanto, o último item dos questionários aplicados, referia-se a uma questão
subjetiva na qual o entrevistado descrevia sua opinião a respeito da adoção da
computação em nuvem. Essa questão não foi um item obrigatório.
Dos 10 (dez) entrevistados para o Questionário 1, 3 (três) responderam a
questão subjetiva e por unanimidade, consideraram a nuvem híbrida como a melhor
opção para se adotar a Computação em Nuvem na organização (Apêndice
A –
Questionário).
Dessa forma, pode-se afirmar que as respostas analisadas, estão em
conformidade com os conceitos adotados por Engates (2010), quando afirma que o
segredo para iniciar os primeiros passos em Computação em Nuvem é utilizar nuvens
híbridas que permite que uma organização rode alguns aplicativos numa nuvem interna
(privada) e outros, numa nuvem pública.
No que se refere ao Questionário 2 dos 18 (dezoito) entrevistados, 13 (treze)
responderam a questão subjetiva como sendo favorável a adoção da CN.
Entretanto alguns aspectos foram observados:
 Um dos entrevistados acredita que a CN resolve alguns problemas de
acesso, porém, se preocupa com a segurança.
98
 Outro entrevistado considera favorável para alguns tipos de serviços que não
fazem parte do “negócio” da empresa, como E-mail, desenvolvimento de
grandes sistemas e Portais.
 Preocupação quanto aos custos de instalação e manutenção e se esses
custos são adequados e compensatórios nas atuais condições de trabalho.
Referindo-se ainda ao Questionário 2, a adoção da CN é de suma importância
para a organização, entretanto, deve se tomar os cuidados necessários quanto à
contratação da empresa fornecedora desse tipo de serviço, conforme opinião de um
dos participantes entrevistados.:
Em minha empresa a adoção da computação em nuvem é importante, pois
nossos sistemas são alocados em nossos servidores que não dispõem de
infraestrutura adequada para sua manutenção, a disponibilidade dos sistemas
é outro problema que atua em minha organização, pois esta eventualmente,
necessita parar alguns servidores para manutenção tanto dos próprios
servidores como da parte elétrica do prédio da organização. Sendo assim,
acredito que a computação em nuvem pode resolver muitos destes problemas
citados, porém, deve-se tomar cuidados quando for contratar uma empresa,
devendo-se levar em conta os questionamentos contidos nesta pesquisa.
Conclui-se, portanto, que as observações externadas pelos entrevistados, são
coerentes aos conceitos abordados no referencial teórico e definidos por Veras (2009);
Durkee (2010); Damoulakis (2010), nos quais afirma que existem aspectos chaves a
serem avaliados na opção de entregar os serviços de TI para a nuvem.
É importante ainda ressaltar, que com base nas premissas acima descritas
pelos entrevistados nos 2 (dois) questionários, pode-se concluir que as informações
coletadas, respondem também às hipóteses relacionadas às questões problemas.
Portanto, conclui-se que a organização estudada já possui conhecimento
sobre o significado de CN, manifesta interesse na adoção desse novo modelo, e a
equipe técnica não apresentou resistência quanto ao assunto abordado.
99
4.1.2 Análise Paritária
Para um melhor entendimento das análises e conforme disposto nos aspectos
metodológicos e no referencial teórico sobre o método AHP, os dados da pesquisa
foram analisados baseando-se no conteúdo dos gráficos emitidos pelo software WebHipre.
Os dados coletados serviram para aplicar o método AHP na tomada de decisão
para atender as duas questões problema.
As comparações paritárias foram feitas entre os atributos e subatributos
conforme árvores hierárquicas criadas para as duas questões.
Os resultados visam apoiar o tomador de decisão nos seguintes aspectos:
Primeiro aspecto:
a) Primeiro aspecto, inicialmente, no sentido de escolher o que é melhor para
a organização. Adotando totalmente a “Nuvem Pública” migrando todos os
serviços/aplicações;
b) se adotará o modelo de “Nuvem Híbrida”, deixando parte dos
serviços/aplicações no Datacenter interno (Nuvem Privada) e parte no
Datacenter terceirizado (Nuvem Pública);
c) ou, se simplesmente deixará todos os serviços/aplicativos na nuvem da
própria organização, o que se chama de “Nuvem Privada”.
Segundo aspecto:
a) segundo, no sentido de escolher qual o melhor Provedor de Serviços de
CN se adéqua à necessidade da organização.
Os resultados apresentados a seguir, serão divididos em subitens referentes a
cada “Questão Problema”.
100
Serão mostrados, portanto, os dados coletados nos questionários aplicados no
Google Docs, a tabulação dos pesos inseridos no Software Web-Hipre, bem como os
gráficos emitidos também pelo Web-Hipre os quais ajudarão ao tomador de decisão
escolher a melhor alternativa.
4.1.2.1 Análise dos Resultados referente à Questão Problema 1
A elaboração da “Questão Problema 1” levou-se em consideração as camadas
de computação em nuvem e tipos de nuvem conceituados por SLABEVA et al (2009),
revisados na literatura do presente trabalho.
As camadas da CN constituem em “Infraestrutura como Serviços – IaaS” ,
“Plataforma como Serviços – PaaS” e “Software como Serviços – SaaS”.
Os tipos de Computação em Nuvem se constituem em “Nuvem Pública”,
“Nuvem Privada” e “Nuvem Híbrida”.
Essas características da CN se tornaram subsídios para responder a questão
abordada:
Questão Problema 1:
Que características de Computação em Nuvem devem ser
escolhidas para adoção na organização estudada?
A Tabela 9 apresenta os resultados apontados no “Questionário 1” do Google
Docs, referentes aos níveis 1, 2 e 3 da árvore hierárquica.
101
Tabela 9 - Resultados Coletados do Google Docs, para os níveis 1, 2, 3 da árvore hierárquica (Questão
Problema 1)
NÍVEL DE
ATRIBUTOS
Nível 1 – Adoção CN
Nível 2 – Iaas
Nível 2 – Paas
Nível 2 – SaaS
COMPARAÇÃO PARITÁRIA
IaaS x PaaS
IaaS x SaaS
PaaS x SaaS
Processament x
Armazenament
Desenvolviment x Test.
Software
E-mails x Aplicativos
RESPOSTA
PREDOMINANTE
IaaS
Mesma Importância
SaaS
Mesma Importância
GRAU DE
IMPORTÂNCIA
5
1
5
1
Desenvolviment
3
E-mails
3
Nuvem Publica x
Privada
Nuvem Publica x
Híbrida
Nuvem Privada x
Hibrida
Nuvem Publica x
Privada
Nuvem Publica x
Híbrida
Nuvem Privada x
Hibrida
Nuvem Publica x
Privada
Nuvem Publica x
Híbrida
Nuvem Privada x
Hibrida
Nuvem
Mesma Importância
1
Nuvem
Nuvem Hibrida
3
Nuvem
Nuvem Hibrida
3
Nuvem
Nuvem Privada
Nuvem Hibrida
5
3
Nuvem
Nuvem Hibrida
5
Nuvem
Mesma Importância
Nuvem Hibrida
1
3
Nuvem
Nuvem Privada
3
Nuvem Publica x
Privada
Nuvem Publica x
Híbrida
Nuvem Privada x
Hibrida
Nuvem Publica x
Nível 3 – SaaS (EPrivada
mails)
Nuvem Publica x
Híbrida
Nuvem Privada x
Hibrida
Nuvem Publica x
Nível 3 – SaaS
Privada
(Aplicativos)
Nuvem Publica x
Híbrida
Nuvem Privada x
Hibrida
Fonte: Google Docs – Adaptado pela autora
Nuvem
Nuvem Privada
3
Nuvem
Nuvem Hibrida
5
Nuvem
Mesma Importância
1
Nuvem
Nuvem Pública
5
Nuvem
Nuvem Pública
5
Nuvem
Nuvem Privada
3
Nuvem
Nuvem Privada
5
Nuvem
Nuvem Hibrida
5
Nuvem
Nuvem Hibrida
5
Nível 3 – IaaS
(Processamento)
Nível 3 – Iaas
(Armazenamento)
Nível 3 - PaaS
(Desenvolvimento)
Nível 3 – Paas (Teste
de Software)
Nuvem
Nuvem
102
Os resultados apresentados acima descrevem a análise paritária de cada nível,
com os respectivos atributos e subatributos relacionados.
Apresenta-se a partir de agora, as pontuações geradas pelo Web-Hipre e seus
respectivos gráficos:
Tabela 10 - Resultados das pontuações geradas pelo Web-Hipre para a Questão Problema 1
Questões
Nuvem Publica
Nuvem Privada
Nuvem Hibrida
Iaas
Processament
0.185
0.156
0.659
Armazenament
0.177
0.304
0.519
PaaS
Desenvolviment
0.333
0.333
0.333
TestSoftware
0.223
0.127
0.651
SaaS
E-mails
0.747
0.119
0.134
Aplicativos
0.202
0.097
0.701
Composição de
Prioridades
Nuvem Publica
Iaas
PaaS
SaaS
0.082
0.028
0.278
0.388
Total
Fonte: Software Web-Hipre – Adaptado pela autora
Nuvem Privada
Nuvem Hibrida
0.104
0.026
0.052
0.182
0.268
0.038
0.125
0.430
Na árvore hierárquica definida para a “Questão Problema 1”
podem também ser apresentados conforme figura 18 a seguir:
Figura 18 - Árvore Hierárquica com resultados.
Fonte: Software Web-Hipre - Adaptado pela autora.
os resultados
103
Como pode se observar nos resultados dispostos nas figuras 19, 20 e 21
representadas a seguir, apontam a alternativa “Nuvem Híbrida” como sendo a mais
importante para adoção de CN. Em seguida os resultados apontam para a opção de
“Nuvem Pública”, ficando a “Nuvem Privada” como terceira e última alternativa.
Tais resultados confrontam também com as opiniões registradas pelos
entrevistados conforme coleta dos dados emitidos pelos questionários aplicados no
Google Docs. Além disso, se enquadra também na doutrina referenciada por Engates
(2010) ao afirmar que o segredo para iniciar os primeiros passos é utilizar nuvens
híbridas.
Outra observação a ser considerada, é que, o atributo “IaaS” (Infraestrutura
como Serviços), apresenta-se também como um item preferencial para a Nuvem
Híbrida, ficando o atributo SaaS” (Software como Serviços) como preferencial para a
Nuvem Pública e o atributo “PaaS” (Plataforma como Serviços) mostrou ter o mesmo
grau de importância para as alternativas definidas.
Figura 19 - Gráfico do AHP para a Questão Problema 1 – Nível 1
Fonte: Software Web-Hipre – Adaptado pela autora.
104
Figura 20 - Gráfico do AHP para a “Questão Problema 1 – Nível 2
Fonte: Software Web-Hipre – Adaptado pela autora.
A preferência ao atributo “SaaS” para a Nuvem Publica, se deve principalmente
ao fato de que os entrevistados consideraram a migração dos e-mails para a Nuvem
Pública como fator de grande importância para o Sistema FIERN, haja vista,
que
atualmente, o software de e-mail instalado nos servidores internos (Nuvem Privada),
não atendem mais as necessidades da organização, em relação à limitação da
ferramenta instalada.
Figura 21 - Gráfico do AHP para a “Questão Problema 1” sobre os três atributos
Fonte: Software Web-Hipre – Adaptado pela autora
105
É pertinente ainda ressaltar, que mesmo que o atributo “IaaS” tenha sido
considerado como preferencial para a “Nuvem Híbrida”, os resultados mostraram que o
“IaaS” teve o mesmo grau de importância comparando-se com o atributo “SaaS”,
conforme mostra a figura.
4.1.2.2 Análise dos Resultados Referente à Questão Problema 2
A tabela 11, apresenta os resultados apontados no “Questionário 2” do Google
Docs, referentes aos níveis 1, 2 e 3 da árvore hierárquica.
Tabela 11: Resultados do “Questionário 2” do Google Docs
Comparação Paritária
Resposta Predominante
Grau de Importância
INFRA x CONEC
MESMA IMPORTÂNCIA
1
INFRA x R$
INFRA
5
INFRA x CRED
CRED
5
FLEX x INFRA
INFRA
5
FLEX x R$
R$
3
FLEX x QUALI
QUALI
5
CONEC x FLEX
CONEC
6
CONEC x RH
MESMA IMPORTÂNCIA
1
CONEC x CRED
MESMA IMPORTÂNCIA
1
RH x INFRA
MESMA IMPORTÂNCIA
1
RH x QUALI
MESMA IMPORTÂNCIA
1
RH x FLEX
RH
5
R$ x QUALI
QUALI
5
R$ x CRED
CRED
3
R$ x RH
MESMA IMPORTÂNCIA
1
CRED x FLEX
CRED
3
CRED x QUALI
MESMA IMPORTÂNCIA
1
CRED x RH
CRED
3
QUALI x CONEC
MESMA IMPORTÂNCIA
1
QUALI x R$
MESMA IMPORTÂNCIA
1
QUALID x CRED
MESMA IMPORTÂNCIA
1
106
ATU x SEG
ATU x SLA
SLA x SEG
ACESS x FAMUD
BL x RED
QUALIF x SUPTEC
R$INST x R$MES
CLI x TATU
CERTQ x SSL
Fonte: Elaborado pela autora
SEG
SLA
MESMA IMPORTÂNCIA
MESMA IMPORTÂNCIA
BL
MESMA IMPORTÂNCIA
MESMA IMPORTÂNCIA
CLI
MESMA IMPORTÂNCIA
7
5
1
1
3
1
1
3
1
Tabela 12 - Resultados das pontuações geradas pelo Web-Hipre para a Questão Problema 2
Provedor X
Provedor Y
Provedor Z
INFRA
SLA
0.333
0.333
0.333
ATU
0.747
0.119
0.134
SEG
0.333
0.333
0.333
FLEX
ACESS
0.333
0.333
0.333
FAUMD
0.333
0.333
0.333
CONEC
BL
0.633
0.304
0.063
RED
0.111
0.778
0.111
RH
QUALIF
0.659
0.185
0.156
SUPTEC
0.333
0.333
0.333
CUSTOS
R$INST
0.067
0.468
0.465
R$MES
0.062
0.230
0.708
CRED
CLI
0.192
0.744
0.064
TATU
0.566
0.369
0.065
QUALI
SSL
0.333
0.333
0.333
CERTQ
0.333
0.333
0.333
Composição de
Provedor X
Prioridades
INFRA
0.078
FLEX
0.016
CONEC
0.062
RH
0.055
CUSTOS
0.009
CRED
0.075
QUALI
0.036
TOTAL
0.330
Fonte: Elaborado pela autora
Provedor Y
Provedor Z
0.067
0.016
0.052
0.029
0.047
0.170
0.036
0.418
0.068
0.016
0.009
0.027
0.078
0.017
0.036
0.252
107
As tabelas 11 e 12 mostraram os dados referentes às respostas apresentadas
pelo Google Docs e as pontuações (pesos) atribuídas pelo software Web-Hipre.
As figuras, 22, 23, 24, 25 e 26 a seguir, mostram os resultados em gráficos
emitidos pelo Web-Hipre. E a árvore hierárquica com seus respectivos resultados.
Figura 22 – Árvore Hierárquica com seus respectivos resultados aplicados para “Questão Problema 2”.
Fonte: Software Web-Hipre – Adaptado pela autora
Analisando-se a figura 23 observa-se, portanto, que o cálculo dos pesos
adquiridos para os atributos e subatributos definidos na árvore hierárquica, indicou o
“Provedor Y” como a alternativa de melhor preferência, ficando o “Provedor X” como
segunda opção e o “Provedor Z” em último lugar.
A figura 24 mostra as preferências em relação aos atributos definidos para
contratação de um provedor de CN. Observa-se que os atributos “Credibilidade” obteve
um maior grau de importância em relação aos demais.
O atributo “Infraestrutura”
108
apresenta-se como o segundo maior grau de preferência, ficando “Conectividade” e
“Custos” em terceiro lugar, como o mesmo grau de importância.
Resultados apontados na figura 25 indicam que o subatributo “Credibilidade”
teve um alto grau de prioridade, mostrando que o “Provedor Y” melhor atende a esse
subatributo. Esse apontamento mostra que a credibilidade da empresa é mais
importante em relação ao subatributo custos.
A figura 26 apresenta o gráfico detalhado das prioridades em relação aos
subatributos – Nível 2.
Observa-se, portanto, que para o atributo “Credibilidade” o
subatributo de maior importância foi o “Famud – Facilidade de Mudança de Aditivo de
Contrato”.
Contudo, a alternativa “Provedor Y” apresentou maior importância para esse
subatributo.
Figura 23 - Gráfico das alternativas de Provedor de CN - Questão Problema 2.
Fonte: Software Web-Hipre – Adaptado pela autora.
109
Figura 24 - Atributos – Nível 1 Questão Problema 2
Fonte: Software Web-Hipre – Adaptado pela autora.
Figura 25 - Gráfico das alternativas de Provedor de CN em relação aos atributos no nível 1Questão Problema 2.
Fonte: Software Web-Hipre – Adaptado pela autora
110
Figura 26 - Gráfico das alternativas de Provedor de CN em relação aos subatributos- no nível 2Questão Problema 2.
Fonte: Software Web-Hipre – Adaptado pela autora
4.2 CONSIDERAÇÕES DO ESTUDO DE CASO
Procurou-se na presente pesquisa aplicar o Método de Análise Hierárquica
(AHP) para auxiliar na tomada de decisão quanto à adoção da Computação em Nuvem.
Para tanto, foi realizada uma pesquisa quantitativa e exploratória, aplicando-se o estudo
de caso em uma organização de abrangência nacional.
A organização pesquisada para o objeto de estudo foi o Sistema FIERN
composto pela Federação das Indústrias do Estado do RN – FIERN, Serviço Social da
Indústria-SESI/RN, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial- SENAI/RN e Instituto
Euvaldo Lodi-IEL/RN.
O Sistema FIERN possui uma Unidade Integrada de Tecnologia da Informação
– UNITEC, que tem como missão, garantir um modelo integrado de Gestão da TI,
111
garantindo o provimento e funcionamento de toda a infraestrutura de hardware e
software
Os dados coletados mostraram que a organização estudada já pretendia adotar
a Computação em Nuvem, tendo em vista algumas evidências encontradas na sua
atual infraestrutura, bem como, nos seus sistemas de informações e aplicativos. No
entanto, não se conhecia os procedimentos ideais para adoção desse novo modelo.
Segundo Engates (2010), há respostas de computação em nuvem para cada
aplicação e infraestrutura que a tecnologia da informação necessita nos dias atuais.
Ainda afirma que a nuvem não é um propósito de tudo ou nada. Ela pode ser um
componente estratégico de larga infraestrutura de TI que pode incluir um datacenter
interno (Privado) e/ou um datacenter externo.
Baseando-se nessas premissas, e após a aplicação do Método AHP,
identificou-se que a melhor alternativa para a organização estudada é a adoção da
Computação em Nuvem norteada por um modelo onde alguns recursos de TI possam
ficar no Datacenter interno, e os demais em Datacenter externo.
Slabeva et al (2010) as nuvens se classificam em Pública, Privada e Híbrida.
Os resultados encontrados e recomendáveis para aplicação na prática ao estudo de
caso em tela será a “Nuvem Híbrida”, tomando-se como premissa que parte dos
recursos de TI continuarão instalados internamente (Nuvem Privada) e parte serão
migrados para uma Nuvem Pública.
Dessa forma, considerando também o pensar de Engates (2010) uma
combinação da nuvem com a infraestrutura tradicional pode ser a melhor alternativa
para muitas organizações. Visto que uma abordagem híbrida pode proporcionar uma
economia de custos, uma infraestrutura escalável sob demanda, e segurança que se
precisa com baixo investimento de recursos.
A aplicação do Método AHP, portanto, foi aplicado em duas questões
problemas: A primeira questão era identificar que características de Computação em
Nuvem deveriam ser escolhidas para adoção na organização estudada; a segunda
questão foi como proceder na escolha de um provedor de serviços de Computação em
Nuvem.
112
Para a questão problema 1, as respostas apontaram a adoção da CN no
modelo de Nuvem Híbrida, conforme acima explicitado.
Para tanto, esse modelo
híbrido se ramifica atribuindo-se parte da adoção para a Nuvem Pública que aponta a
camada de SaaS, no subatributo e-mails para a Nuvem Pública, os aplicativos para a
Nuvem de forma híbrida e para a camada de PaaS com preferência para a Nuvem
Privada.
Para a questão problema 2, as respostas apontaram a adoção da CN para a
contratação do Provedor Y, no qual apresentou a proposta mais adequada em relação
às preferências atribuídas pelos entrevistados.
Como forma de avaliar a veracidade e consistência da aplicação do método AHP
para o referido estudo de caso, foram realizadas pesquisas em sites de bases
científicas/tecnológicas a respeito da aplicação desse método para adoção de CN.
Apesar de não ter encontrado nenhum registro específico para o assunto em questão,
comparou-se então, com alguns artigos sobre o método AHP relacionados à área de
Tecnologia da Informação.
Dentre os textos avaliados, pode-se citar:
1) (IAÑEZ; CUNHA, 2006) Uma metodologia para a seleção de um
provedor de serviços logísticos: Este artigo serviu como apoio tanto para
o desenvolvimento do referencial teórico, como também, na concepção e
definição dos atributos e subatributos para a “Questão Problema 2”, haja
vista que possuem algumas características semelhantes, por se tratar de
assuntos relacionados a contratação de um provedor de serviços. Iañez e
Cunha (2006), conclui o documento, evidenciando as vantagens da
aplicação do método AHP para a estruturação do problema, proporcionando
um embasamento mais consistente quanto aos aspectos quantitativos e uma
maior credibilidade e documentação de todo o processo decisório.
2) (COSTA et al, 2008) Avaliação da escolha de unidade de resposta
audível (URA) através do Método de Análise Hierárquica (AHP): Este
113
estudo teve como objetivo principal, avaliar as características das interfaces
telefônicas utilizadas por uma das empresas de telefonia móvel no serviço
de atendimento ao cliente. Os autores, concluem que o Método AHP se
mostrou bastante eficaz para a escolha da interface telefônica que melhor
atende o foco principal ou objetivo global, por ser principalmente, uma
metodologia que possibilita o emprego de termos de fácil entendimento tanto
para os especialistas em telecomunicações como para os demais.
3) (COSTA et al, 2008) Auxílio à decisão utilizando o método AHP –
Análise Competitiva dos Softwares Estatísticos: Este estudo apresenta a
utilização do AHP com objetivo de auxiliar a tomada de decisão na escolha
do software estatístico mais adequado a demanda de uma universidade
pública. Os autores concluem que o método aplicado mostrou resultados
satisfatórios quanto aos julgamentos dos dados atendendo à todas as
exigências do modelo.
4) (PEREIRA; COSTA, 2008), ANALYTIC HIERARCHY PROCESSO FOR
SELECTION
OF
ERP
SOFTWARES
FOR
MANUFACTURING
COMPANIES: Este estudo aplica o método AHP para tomada de decisão na
escolha de um Software de Gestão Empresarial (ERP) e os autores
apontaram como resultados, que a decisão de aquisição de um software de
ERP torna-se bastante complexa, por se tratar de um sistema de alto custo e
de implantação demorada. A aplicação do AHP auxilia no entendimento dos
critérios e das alternativas mostrando o melhor caminho.
114
5 CONCLUSÕES
A presente dissertação por intermédio da realização de uma Pesquisa
Exploratória e do Estudo de Caso teve como objetivo principal aplicar o Método de
Análise Hierárquica (Técnica AHP) para a tomada de decisões na adoção da
Computação em Nuvem.
Os objetivos foram atingidos por meio da realização do Estudo de Caso na
Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), organização de
abrangência nacional.
Todo o processo de aplicação do estudo foi realizado pela pesquisadora in-loco
por um período de 60 dias. Por conseguinte, a organização estudada, encontrava-se
em processo de análise para adoção de um novo modelo de computação, chamado
“Computação em Nuvem”.
Consequentemente, os objetivos específicos também foram atingidos conforme
se descreve abaixo:
O primeiro objetivo específico foi levantar o modelo de Computação em Nuvem
e seus tipos de arquitetura/serviços. Para tanto, foram estudadas as camadas da CN,
os tipos de nuvem, a segurança e aspectos legais sobre o tema conceituados por vários
autores, porém dando ênfase aos definidos por Slabeva et al (2009). Pode-se afirmar
que esse objetivo foi totalmente atingido, visto que os assuntos teóricos abordados
serviram de subsídios para todo o processo de desenvolvimento dos critérios
estabelecidos para a aplicação do Método AHP explorado em todo o restante do
trabalho.
O segundo objetivo específico foi analisar a metodologia da técnica Analytic
Hierarchic Process (AHP). Estudou-se, portanto, esse modelo baseado no pensar do
seu criador (SAATY, 1980), bem como, no entender de vários doutrinadores como
Nunes Júnior (2006); Costa (2002); Roterdan (2008).
Pode-se concluir que esse
objetivo foi totalmente atingido, pois os assuntos teóricos abordados serviram como
base de entendimento para aplicação do modelo na organização estudada.
115
O terceiro objetivo específico foi identificar as características/ tipos de serviços
de CN e os procedimentos necessários para contratação de um provedor de serviços
nessa área. Para tanto, foram definidos os critérios/atributos e os subcritérios ou
subatributos, necessários para a construção das duas árvores hierárquicas para
atender as duas questões problema abordadas nesse trabalho.
Através da pesquisa, foram levantados também, propostas de preços baseadas
em três provedores de serviços de computação em nuvem, nas quais deram subsídios
para a tomada de decisão na aplicação do método AHP.
O último dos objetivos específicos foi o de aplicar a técnica AHP para a tomada
de decisão sobre quais serviços de TI poderão adotar o modelo de nuvem e qual o
provedor de CN mais se adequa à organização estudada.
Após a aplicação do método, os resultados apontam que houve certa facilidade
na coleta e na análise dos dados, visto que a grande maioria dos entrevistados é
especialista em Tecnologia da Informação, bem como, já detém conhecimentos básicos
sobre o tema Computação em Nuvem, o que acarretou uma melhor consistência das
respostas aos objetivos propostos.
Conforme Nunes Júnior (2006 apud VARGAS, 1990, p.2):
o método AHP é baseado no princípio de que, na tomada de decisão, a
experiência e o conhecimento do tomador de decisão são tão valiosos quanto
às informações utilizadas e que a fase de modelagem da hierarquia requer
conhecimento e experiência na área do problema decisório.
Conclui-se também, que o método AHP mostrou-se ter vantagens em sua
aplicação na tomada de decisão para adoção da CN, levando-se em consideração os
seguintes aspectos:

A CN é um modelo ainda incipiente nas organizações, porém, de acelerado
crescimento para as duas próximas décadas. Em conseqüência disso, tomar
decisões em adotar ou não o modelo de nuvem ficará bem mais fácil
utilizando-se o método AHP.

O maior benefício do AHP é a divisão do problema em partes menores. Isso
permite conhecer e dominar o problema como um todo, juntando-se à
116
experiência do tomador de decisão no qual irá pontuar suas preferências
durante as comparações paritárias. Os dois modelos aplicados para atender
as
duas
questões
problemas
apresentados
nesse
trabalho
foram
cuidadosamente estruturados tomando-se como base os conceitos literários
e na experiência/conhecimento da pesquisadora sobre o tema abordado, o
que facilitou a encontrar uma solução de melhor qualidade para as questões
abordadas.

Na ocasião do levantamento das informações a respeito da caracterização
do estudo de caso, identificou-se que a organização estudada já apontava o
interesse e a necessidade em adotar a CN, tendo em vista que existem
problemas internos, principalmente no que se refere infraestrutura de TI, as
ferramentas de e-mails e a disponibilidade das informações.
Os dados
coletados pelos questionários aplicados por meio do Google Docs e a
aplicação do Método AHP, serviram para auxiliar na tomada de decisão
quanto ao modelo de CN e seus tipos de arquitetura/serviços, mais atendem
a realidade do Sistema FIERN. Os resultados desse estudo mostram a
Nuvem Hibrida, como preferência para adoção do modelo de CN,
principalmente, no que se refere à camada de Infraestrutura como Serviços
– IaaS (Processamento e Armazenamento). Em se tratando da camada de
Software como Serviços – SaaS, os emails predominaram em alto grau
para adoção da Nuvem Pública, e os aplicativos, dando preferência para a
Nuvem Híbrida. Já no caso da camada Plataforma como Serviços-SaaS a
preferência é para a Nuvem Privada. Observa-se ainda, que na Questão
Problema 2, todas as preferências apontaram para o Provedor Y,
principalmente porque o mesmo apresentou maior credibilidade em relação
aos demais provedores e esse foi um subatributo de alto grau de
importância conforme respostas dos entrevistados.
Conclui-se, portanto, que os objetivos foram totalmente alcançados.
117
5.1 LIMITAÇÕES DO ESTUDO
A pesquisa foi realizada visando aplicar o Método de Análise Hierárquica para
auxílio na tomada de decisão quanto à adoção de Computação em Nuvem.
Os
sujeitos
da
pesquisa
foram
os
técnicos
e
Gestores
de
TI
e
Diretores/Superintendentes do Sistema FIERN, no qual mostraram interesse no
assunto, bem como, em responder os questionários.
Oportuno ressaltar, que apesar de não ter encontrado resistências por parte
dos entrevistados em relação ao assunto abordado no trabalho, algumas limitações
foram percebidas, quais sejam:

O tema Computação em Nuvem é bastante abrangente quanto aos modelos
de serviços de nuvem atualmente existentes. Essas diversidades de
características abordadas pelas camadas da CN absorvem ferramentas,
softwares e plataformas de diversos fornecedores e provedores de soluções
nos quais não foram explorados no referido trabalho. A pesquisa, portanto,
limitou-se a estudar o assunto de uma forma mais genérica com vistas a
facilitar o entendimento e a aplicação do Método sugerido.

Como forma de atingir seus objetivos, o método AHP compara os atributos
e subatributos de forma paritária, dando-se um grau de preferência ou
importância entre um e outro. Essas comparações são feitas por meio de
perguntas do tipo “Qual é mais importante? isso ou aquilo? Os elementos
para a concepção das árvores hierárquicas para os dois questionários
foram bem definidos e identificados. Contudo, observou-se certo grau de
dificuldade em relação ao desenvolvimento dos questionários, tendo em
vistas que devido a quantidade de atributos e subatributos estabelecidos
tornaram as questões aparentemente repetitivas, causando um tempo maior
e dificuldade no momento de atribuir o devido grau de importância aos
atributos comparados.
118

Segundo Saaty (1980 apud OZDEMIR, 2003), a capacidade humana possui
um limite de processar informações simultaneamente com precisão. Para
tanto, existe um limite de critérios que variam de 5 (cinco) até no máximo 9
(nove). Na fase de elaboração dos atributos e subatributos para a Questão
Problema
2,
descobriu-se
que
o
número
de
elementos
(atributos/subatributos) definidos para a criação da árvore hierárquica
ultrapassaram o total de 9 (nove). No entanto, para atender esse limite, a
pesquisadora teve que reduzir o número dos elementos para no máximo 7
(sete), o que de uma certa forma ocasionou limitação ao objeto de estudo.
5.2 SUGESTÕES PARA ESTUDOS FUTUROS
Diante dos resultados obtidos através do caso estudado, seguem abaixo
recomendações para estudos futuros:

Uma maior investigação na camada de “Infraestrutura como ServiçosSaas”, pode ser de grande valia para a organização estudada, haja vista
que os resultados apontaram uma maior preferência para essa camada na
tomada de decisão para adoção da Computação em Nuvem. Nesse caso,
sugere-se que após aderir os serviços do IaaS, realize-se pesquisas de
satisfação dos usuários/técnicos quanto às melhorias alcançadas.

Sugerem-se também estudos mais abrangentes quanto aos aplicativos de
Computação em Nuvem atualmente existentes. Nesse caso, sugere-se
avaliar as ferramentas de SaaS como Google, Amazon e Microsoft e aplicar
o método AHP para se decidir qual das alternativas acima melhor atende as
necessidades da organização estudada, bem como de outras organizações
que por ventura desejarem adotar o referido modelo.

Os resultados apontaram que a camada de “Plataforma como ServiçosPaas” apresentou-se como sendo o item de menor importância quanto aos
119
demais acima citados. Recomenda-se, portanto, um maior aprofundamento
no assunto, com objetivo de conhecer melhor as ferramentas atualmente
existentes para desenvolvimento e teste de softwares voltados para a CN.
Dessa forma, a aplicação do método AHP pode ajudar a decidir qual a
melhor alternativa de PaaS atende as necessidades da organização, bem
como, ser considerado com um grau maior de importância para adoção de
CN.
120
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