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CONCEPÇÕES DE POLITICAS PÚBLICAS DE ESPORTE EM GUAÍBA-RS: UMA
QUESTÃO UTÓPICA EM UMA REALIDADE MARGINALIZADA.
Eduardo Trzuskovski de Vargas1
Ms. Elisandro Schultz Wittizoreck2
1.
RESUMO
Este projeto de pesquisa constitui-se de uma discussão sobre o envolvimento do poder
publico em relação à prática esportiva, administração e ação político-partidária, o esporte
como política pública, suas concepções, o esporte como questão inclusiva e a (des)atuação de
uma política de esporte no município de Guaíba-RS.
Palavras-chave: políticas públicas, esporte, lazer.
2.
INTRODUÇÃO
Este estudo tem como proposta enfatizar algumas discussões e reflexões sobre as
concepções de políticas públicas de esporte, como um dos pilares de desenvolvimento e
inclusão social, levando em consideração que a cidade não se limita à percepção da
materialidade de paradigmas físicos, de relevos e curvas, de prédios e vias de circulação, mas
é composta, principalmente, de seus habitantes (BRAMANTE E RODRIGUES, 2003).
Assim, as relações entrem a educação física e o esporte são geradores de tensões, já que se
constituem em dois universos simbólicos distintos, nem sempre compatíveis. Estas tensões
refletem-se também no âmbito das políticas públicas, pois historicamente, a educação física
vai ser objetos de atenção e intervenção tanto de políticas educacionais quanto esportivas.
Segundo BRACHT e ALMEIDA (2003), as políticas públicas em geral, representam um
conjunto de vitórias as classes trabalhadoras por direitos sociais, ficando a cargo do estado
concretizar numerosas responsabilidades, a fim de promover o bem estar do cidadão nas
1
2
Acadêmico do Curso de Educação Física da Universidade Luterana do Brasil.
Orientador: Professor do Curso de Educação Física da Universidade Luterana do Brasil.
2
diversas áreas públicas, como por exemplo: saúde, educação, assistência social, etc. Pode-se
dizer que as políticas públicas significam intervenção direta do estado para o atendimento da
população, de forma abrangente. Atualmente se concebe a existência de algumas abordagens
para a educação física (esporte) no Brasil, que resulta da articulação de diferentes correntes
teóricas, e todas essas correntes tem ampliado os campos de ação e reflexão (PCN, 1997). As
políticas educacionais brasileiras acompanham o movimento das teses neoliberais no sentido
de enxugamento da folha de pagamento do estado, da desobrigação deste financiar uma
educação de qualidade, mas ao mesmo tempo edificar leis e diretrizes para a formação de um
determinado ser capacitado a integração dentro do modelo de economia globalizada
(BRACHT e ALMEIDA, 2003 apud NOZAKI, 2002, p. 219). Isto ocorre por conseqüência
de uma postura que pode ser identificada pela explosão de instituições privadas e os
programas voluntários, porém estas pululam pelo país e evidenciam a responsabilidade do
estado com a “coisa” pública. De acordo com SALDANHA FILHO (2003), o município,
estado tem que mostrar estruturas semelhantes para o esporte como para outras áreas publicas,
como acontece em muitos locais no Brasil onde já temos está realidade, que e a retirada da
Educação Física (esporte) de secretaria da educação. Ainda, poderemos construir uma cidade
de pensamento único e conseqüentemente, uma cidade de ambiente único, seja utópico ou não
a cidade e o cidadão não sejam substituídos por uma sociedade, um ambiente de negócios,
lucros e configurações comerciais. Ao observar que a democratização nas cidades pode
representar o inicio de uma resposta à crise de governabilidade, então procuramos saber como
se dá à formação dessas políticas pública volta para a população no âmbito dos esportes,
podemos questionar o seguinte:
Entende-se que as políticas públicas de esporte sejam gestões participativas e
democráticas, que valorize a população e os movimentos sociais, contudo que façam parte de
um projeto que entende relações entre esfera de governo e sociedade civil, mediadas por
democracia
substantiva,
radical,
emancipatória,
que
ultrapasse
os
limites
da
representatividade em situação de co-responsabilidade na definição e fiscalização das
políticas públicas (LIÁO JUNIOR, 2003 apud VERONEZ E MENDES, 2001, p. 198). O
setor esportivo burocratizou-se nos planos, diretrizes e projetos que compunham o
planejamento centralizado do Estado, o esporte aparece como direito social, a partir de uma
perspectiva liberal-funcionalista (BRACHT e ALMEIDA, 2003 apud LINHALES, 1997,
p.221). Isto quer dizer que o esporte deveria ser oferecido a todos, como um bem moderno e
capaz de funcionar como elemento de compensação e de equilíbrio dos efeitos negativos do
mundo industrializado e urbano. Tal reflexão nos trás para a realidade em que vivemos em
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Guaíba-RS, um município industrializado e urbano com uma alta taxa de desemprego,
estimado em 10.425 pessoas (9,32%) para uma população de 97.244 habitantes (Jornal Gazeta
Centro Sul). Com o acumulo de pessoas migrando do campo para o centro urbano hoje retrata
um numero elevado na criminalidade decorrente destes aglomerados, hoje vilas em territórios
invadidos de áreas verdes. A proposta de discutir as políticas públicas de esporte como
inclusão e qualidade de vida parte deste pressuposto, poderemos melhorar a cidade e seus
aspectos negativos vindouros da população, acreditamos que se em outros municípios foi
aprovado porque não em Guaíba-RS. Portanto:
Quais as concepções que norteiam as políticas publicas de esporte em Guaíba-RS?
1.2. OBJETIVOS
1.2.1. OBJETIVO GERAL
Compreender as concepções de políticas públicas de esporte em Guaíba-RS.
1.2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
•
Resgatar historicamente as políticas públicas de esporte realizadas no município;
•
Classificar os programas sociais realizados pela Secretária Municipal de Desporto;
•
Apontar as atividades realizadas periodicamente pela Secretária Municipal de Desporto;
•
Identificar as perspectivas da Secretária Municipal de Desporto em relação aos
programas desenvolvidos;
•
Definir as políticas públicas de esporte como instrumento de ação governamental;
•
Identificar como e realizada a organização dos espaços de esporte;
•
Identificar a prática de esporte em massa como promoção da saúde e melhora na
qualidade de vida da população;
4
1.3. JUSTIFICATIVA
A pesquisa vem de encontro à necessidade de novos espaços, novos pensamentos em
relação ao esporte como cultura corporal e governamental. Considerando que a população do
município, na sua grande maioria e de baixa renda não possuindo condições financeiras para a
pratica esportiva em academias e escolinhas, possam participar de atividades esportivas
diversas que resultaram na inclusão social ou mesmo desenvolvimento do gosto pelo esporte,
tendo em vista que poderá revelar inúmeros talentos, sem levar em conta que estará tirando
esta população da ociosidade, desta forma justifico o presente projeto.
2.
REVISÃO DE LITERATURA
2.1. ADMINISTRAÇÃO E AÇÃO POLÍTICO-PARTIDÁRIA
Na época da ditadura militar, a população era submetida a um modelo de
desenvolvimento econômico de elevados endividamentos externos e internos, contudo o povo
brasileiro foi aos pouco conquistando espaços sindicais, democráticos e políticos. Exigindo
mudanças na política econômica, nos investimentos sociais e construindo sua própria
modalidade de participação democrática (FERREIRA, 1989). Nessa caminhada as vitórias
tiveram sempre ladeadas por grandes expectativas e muitas frustrações inesperadas, como
ocorreu nas eleições diretas, cuja derrota foi tramada pelas cúpulas conservadoras dos
gabinetes oficiais. Expectativas manipuladas, planos pós-planos, chegam ao final do atual
governo (ditadura militar) sem que nenhum avanço significativo possa ser registrado nos
âmbitos mais relevantes para a maioria da população brasileira, como nos campos da política
econômica e dos direitos sociais. Ainda segundo FERREIRA (1989), as maiores vitórias da
época dos conflitos políticos foram do PT, do PDT e o do PSDB, entre outros, colocaram
novos elementos no cenário político brasileiro. Tornando a sociedade mais organizada se
articularam para exigir o cumprimento dos projetos de campanha e a ampliação da
participação popular nas gestões municipais.
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LIÁO JUNIOR (2003) relata que hoje estamos em tempos de hegemonia neoliberal na
ordem política e econômica do mundo, a concepção de um estado fundado na ordem e
propriedade, encontrando no mercado seu natural mediador, sendo apresentadas às frágeis
democracias recém instaladas na América Latina como modelo de administração pública.
Vindoura deste modelo tem as ações desenvolvidas pelo movimento social organizado,
articulado em associações, pela reorganização dos partidos políticos e por meio do movimento
sindical foram decisivas para que ares democráticos transitassem por todas as esferas
institucionais, criado as condições necessárias e indispensáveis para que a política pública,
como um tipo de política social, passasse a ter um maior espaço de discussão no âmbito
social. A partir de uma sociedade democrática traz a afirmação acadêmica das políticas
públicas enquanto área de estudo. Podemos levar em consideração as palavras de LIÁO
JUNIOR (2003 apud AZEVEDO, 1997) que por outro lado, ter como cenária a própria crise
que perpassava o modo de regulação das sociedades, implicando a abordagem de temáticas
como a crise fiscal do Estado e as necessidades de sua reforma, as proposições neoliberais, as
ameaças aos estados de bem estar social nas democracias avançadas,...; tudo isso naquilo que
se somava no sentido de aprofundar, ainda mais, as precárias condições do nosso estado de
mal estar social. Podemos entender as políticas publicas como o conjunto de orientações e
ações de um governo com vistas ao alcance de determinados objetivos, e também como o
espaço de tomada de decisão autorizada e sancionada por intermédio de atores
governamentais, compreendendo atos de que viabilizam agendas de inovação em políticas ou
que respondem as demandas de grupos de interesses.
2.2. O ESPORTE COMO POLÍTICA PÚBLICA
Segundo FERREIRA (1989), o discurso dominante na Educação Física procura
socializar uma concepção que Esporte é fator de promoção da saúde, de que criança que
participa de praticas esportivas respeita as regras do jogo. Terá mesmo o esporte este dons
mágicos, místicos e superior de promover a saúde? Para refletirmos sobre a idéia de
FERREIRA (1989) destacamos as palavras de MARX (1985 apud FERREIRA, 1989) para
dizer que “as idéias dominantes de um determinado período histórico são as idéias das classes
dominantes”, por outro lado também citado BRACHT (1987) relata que “as visões que
afirmam determinados papeis sociais para o esporte não se explicam por si só, têm por trás,
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uma determinada teoria social a esclarecer qual a relação esporte e sociedades que esta dada
teoria tenta difundir e massificar”. LIÁO JUNIOR (2003) considera que o restabelecimento
democrático no Brasil propiciou condições para que os partidos que compõem o campo
popular passassem a ocupar funções estratégicas de gestão do poder público, respaldados pelo
sufrágio universal. Nisso o Partido dos Trabalhadores (PT) começa então a coordenar espaços
institucionais nas administrações, sistematizando internamente as políticas publicas de
educação física, do esporte e do lazer. Após experiências na esfera municipal, o programa
democrático popular, a partir de 1995, governa pela primeira vez duas unidades federativas, o
Espírito Santo e o Distrito Federal. Após o fracasso brasileiro nas Olimpíadas de Sidney, em
meados do ano de 2000, irromperam, em diversas instâncias da sociedade brasileira,
numerosos questionamentos acerca dos motivos responsáveis por tão fraca participação. Em
nosso entendimento, foi o desencadeamento de um movimento “pró” educação física após
esses jogos, reivindicando um pretenso retorno da obrigatoriedade da educação física no
interior das escolas brasileiras (BRACHT, 2003). O poder público mostrando-se sensível aos
anseios populares, sente ainda responsável por ações políticas ligadas ao setor esportivo. Em
2000, após as olimpíadas tivemos um avanço surpreendente em relação às políticas publicas
de esporte no Brasil, como ressalta LIAO JUNIOR (2003), as gestões democráticas de
domínio interno, foram elaboradas a partir de decisões políticas fundadas, por meio de
administrações dinâmicas, que buscava garantir a transparência nas relações institucionais,
com diálogos permanentes envolvendo os demais setores do governo e a sociedade civil,
ligadas a educação física, ao esporte e ao lazer. Os dirigentes de uma administração popular e
democrática devem ser os protagonistas na elaboração e implementação de políticas públicas
voltadas para o conjunto da sociedade, materializando ações estratégicas que superem o
projeto societário vinculado às diretrizes neoliberais, reafirmando a educação física, o espore
e o lazer como direitos sociais inalienáveis dos cidadãos em nosso país, contribuindo
politicamente com métodos e práticas que se aproximem da construção de uma sociedade que
seja justa, solidária, referenciada socialmente, que dignifique a vida humana (LIAO JUNIOR,
2003 apud PIRES, 2001, p.36).c
2.3. POLÍTICAS PÚBLICAS DE ESPORTE EM GUAÍBA-RS
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Promover a alfabetização esportiva vai muito além da aprendizagem de destrezas, o
exercício da plena cidadania no plano da cultura corporal de movimentos e especificamente
no plano do esporte exige o desenvolvimento de competências que vão além dessas
habilidades e que abranjam também a capacidade de situar histórica e socialmente essa prática
humana, de perceber os valores que se orientam, os benefícios e os prejuízos de uma ou outra
forma da prática esportiva (BRACHT e ALMEIDA, 2003). Usando de base essas palavras,
entramos no contexto histórico e social da cidade de Guaíba-RS, uma cidade com mais de
97.244 habitantes, localizado na região metropolitana de Porto Alegre, que por sua vez esta
pedindo mudanças na denominação da região, para se tornar parte da região centro-sul do
estado, mudanças essas relacionadas ao turismo. Em registros oficiais deste município
encontramos um dos primeiros incentivos ao esporte, no qual marca o ano de 1962,
concedendo incentivo a algumas equipes de futebol para que pudessem disputar os
campeonatos estaduais. Em 1973, foi criado o Conselho Municipal de Desporto, vinculado a
Secretaria de Educação, onde ditavam as competências que eram promover, estimular,
orientar e fiscalizar as práticas esportivas do município, sendo constituído por cinco (5)
membros com destaque esportivo no município. Este conselho por não aparecer em mais
nenhum registro, não se pode confirmar seu funcionamento e atuação na comunidade. Com
base em dados recolhidos na Câmara Municipal de Vereadores e Departamento Jurídico da
Prefeitura Municipal não há data especifica quando foi criado o Departamento de Desporto e
Cultura ligados a Secretaria de Educação (SME) que, em 1996 desvinculou-se o
Departamento de Desporto e Cultura criando uma nova secretária, que se formou com
Turismo, Desporto e Cultura (SETUDEC). Ao analisar as diretrizes da Secretaria de
Educação, Desporto e Cultura (SMEDC) de 1996, não encontramos muitos pontos relevantes
que enfatizam um incentivo na pratica de esporte neste município, a não ser dois projetos com
datas 21 de fevereiro de 1994. O primeiro tendo por objetivo, oportunizar ao aluno de 06 a 14
anos, a iniciação à prática desportiva coletiva, levando-o a despertar o interesse pelas demais
modalidades esportivas, bem como desenvolver a coordenação motora (PROJETO
INICIAÇÃO AO DESPORTO, 1994).
Este projeto justifica a criação de escolinhas de futebol, voleibol e atletismo apenas para
crianças em idade escolar e freqüentando a escola. O projeto durou cerca de três anos e foi
extinto pela nova administração em 1997. Outro projeto era de recreação esportiva que tinha
por objetivo, a prática da recreação esportiva, desenvolvimento da coordenação motora, como
lazer, em bairros de nosso município, descobrindo novos talentos, bem como socializar e
educar através do esporte, estimulando assim a criança e o adolescente a permanecerem em
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seu bairro, proporcionando encontros mensais entre um bairro e outro, no parque municipal de
esportes ou em local pré-determinado (PROJETO RECREAÇÃO ESPORTIVA, 1994).
Considera-se que este último projeto pretendia encaixar os alunos que faziam parte das
classes baixas do nível sócio-econômico do município. Resgatados como os principais feitos
das administrações públicas em Guaíba-RS até hoje. Encontram-se na Secretaria de
Assistência Social (SAS) um projeto de aprendizado a canoagem desenvolvida para crianças
de idade escolar das periferias do município sem vinculo algum com a Secretaria de Turismo,
Desporto e Cultura (SETUDEC). Para explicar a falta de atitude da secretária responsável
pelo Desporto em Guaíba, podemos usar as palavras de VAZ (1997) onde nos diz que a
valorização de resultados competitivos, não sobra muito espaço para uma compreensão mais
rigorosa do esporte enquanto fenômeno da cultura, de forma que temas um pouco mais
amplos concernentes a sua prática... Entra em debate o esporte como fenômeno histórico
cultural, passando pela iniciação, pudessem ser objetos de reflexão.
Poderemos fazer criticas ao abandono destes projetos com o passar dos anos, pois hoje
encontramos a Secretaria de Turismo, Desporto e Cultura (SETUDEC), sem atividades
político partidárias em relação ao Desporto como forma de inclusão social. De acordo co
MASCARENHAS (2003), estamos ante um paradoxo. A esta altura da historia, a cidadania
vigente vem sendo aquela que substitui a figura do cidadão pela do contribuinte e do
consumidor. Vivemos em uma cidade com diversos problemas sociais e não investimos em
dar a aqueles que necessitam de uma ajuda para se tornarem cidadãos inclusos em uma
sociedade capitalista. Contudo só quem faz parte dessa sociedade civil predominante são
aqueles com capital favorável.
3.
O ESPORTE COMO QUESTÃO INCLUSIVA EM UMA REALIDADE
MARGINALIZADA
O esporte é mais do que um modo saudável de vida. Para o povo esporte é cultura, é
história, é um processo de socialização, um modo lúdico de enfrentar as adversidades. Nas
ruas de qualquer cidade pode-se sentir a afinidade do população com o esporte. Campos de
futebol, rodas de capoeira, quadras de esporte estão por toda parte, sempre lotados de
crianças, com sonho de ganhar o mundo, ou repletos de adultos relaxando de um dia duro de
trabalho. Esta afinidade pode ser explicada segundo WERNECK (2000), como sendo o lazer,
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este direito social que não pode ser visto apenas pela perspectiva forma da categoria tempo
institucionalizado3.
Apesar de um enorme potencial, ainda vivemos de momentos limitados de sucesso no
esporte em sua maioria fruto da superação individual. O grande desafio é reorganizar toda a
estrutura esportiva desde a iniciação até o esporte de alto nível através de uma preocupação
que represente uma produção de cultura, por meio de uma vivencia lúdica de diferentes
conteúdo. A Educação para o esporte precisa ser prioridade, pois a sociedade perde uma
excelente forma de socialização. Não se pode exigir que todo jovem seja um campeão, mas o
convívio esportivo, dentro de regras de comportamento e de coletividade, é um ambiente
saudável para que os conceitos de cidadania e de respeito ao próximo sejam postos em
prática, assim como essa vivência mobiliza o desejo de se sentir livre, autônomo, criativo, os
quais são coletivamente, construídos, influenciados e limitados por vários aspectos sociais,
políticos, culturais e econômicos (WERNECK, 2000).
MARCELLINO (1996), enfatiza que cabe às políticas desenvolvidas tanto pelo setor
público quanto pela iniciativa privada contribuir para minora os dados de situação verificados,
possibilitando uma menor defasagem entre o gosto e a prática, e a elevação de níveis de
conformismo para críticos e criativos, na consideração do esporte como espetáculo, e na
valorização uma cultura esportiva.
4. (DES)ATUAÇÃO POLITICA
Tendo em vista que Guaíba é uma cidade de grande relevância histórica, podemos por
meio deste projeto de pesquisa vir a influenciar pensamentos benéficos para a população de
baixa renda, principalmente das periferias, uma oportunidade de conhecer e até mesmo
despertar o cidadão que existe em seu subconsciente, este cidadão que por via de atitudes
governamentais, mas não só, perdura na pobreza cultural por falta de espaços onde possa
esclarecer-se e buscar uma solução plausível para sua condição de excluído socialmente. Um
exemplo de atitude governamental que existe em Guaíba-RS hoje são as festas na avenida
central da cidade, conhecida como “beira”, onde a população pode desfrutar de alguns
3
WERNECK (2000), relata que o lazer não é apenas obrigação das instituições privadas e também
responsabilidade das administrações públicas, pela sua importância social as quais esta atrelado.
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momentos de inclusão social. A SETUDEC4, por carregar em seu nome a palavra “desporto”,
nos faz pensar que existem atitudes políticas voltadas para o mesmo, mas quando procurado,
não se encontra atividades ligadas à inclusão social no âmbito do esporte e do lazer. Por
acreditar que neste, principalmente para aqueles menos favorecidos, poderemos mudar a
imagem que Guaíba-RS ostenta de décima colocada no ranking da criminalidade no estado do
Rio Grande do Sul, índice que nos faz ter vergonha de trabalharmos outras atividade que não
focam este problema e esquecermos que vida sem passado se torna um futuro sem certeza
para esta população. Pedimos uma nova política esportiva e uma melhoria nas praças e
centros esportivos para a população, assim como reativação de antigos projetos destacados
neste projeto e novos projetos, tendo em vista a inclusão social.
5.
METODOLOGIA
5.1. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
A escolha desta pesquisa vem trazer um respaldo para a comunidade menos favorecida
em relação à inclusão social, e através disto tentar entender, explicar, definir e resgatar o que
vem sendo feito em prol da sociedade civil de classe baixa. Nas palavras de PIRES (2001, p.
36 apud LIÁO JUNIOR, 2003), o governo tem que adotar “uma nova idéia sobre o modo de
governar, no qual começa a disputar hegemonia com a visão tradicional de governo
legitimado exclusivamente pelo voto e pelo uso da boa técnica”.Queremos que através desta
investigação possa ser dado inicio a um processo de articulação política e descentralização
orçamentária, envolvendo nesta discussão representantes dos vários segmentos nas esferas da
educação física e do esporte.
5.2. POPULAÇÃO E AMOSTRA
5.2.1. POPULAÇÃO
A população do presente estudo caracteriza-se por membros das Secretarias Municipal
de Turismo, Desporto e Cultura (SETUDEC), Secretaria Municipal de Assistência Social
4
SETUDEC – Secretaria de Turismo, Desporto e Cultura.
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(SMAS) e Secretaria Municipal de Educação (SME) das gestões de 1990 até 2003 no
município de Guaíba-RS.
3.2.2. AMOSTRA
A amostra desta investigação será composta por analise de leis, projetos, diretrizes, atas
e discursos relacionados ao esporte desenvolvidos pelas secretarias citadas no campo acima,
entrevista com secretários e funcionários que estiveram ligados diretamente com a promoção
de atividades esportivas para a comunidade e com moradores dos espaços onde foram
realizadas atividades esportivas e sociais na esfera municipal.
3.3. INSTRUMENTOS E MATERIAIS
Para realização desta investigação adotaremos procedimentos coerentes com o seu
delineamento e com o problema destacado. Utilizaremos como instrumento de coleta de
informações os seguintes processos: análise documental, entrevista aberta, observação das
atividades esportivas executadas pelas secretarias envolvidas.
6.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BRACHT, Valter; ALMEIDA, Felipe Quintão. A política de esporte escolar no Brasil: uma
pseudovalorização da educação física. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 24, n.
03, p. 87-101, maio/03.
BRAMANTE, Antônio Carlos; RODRIGUES, Elcie Helena Costa. O espaço na construção
de uma política de lazer – estudando Sorocaba/SP. Revista Brasileira de Ciências do
Esporte, v. 24, n. 03, p. 23-37, maio/03
12
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais:
Educação física / Secretaria de Educação Fundamental – Brasília: MEC/SEF, 1997. 96p.
FERREIRA, Paulo Rubens Santiago. Administração municipal e ação político-partidária.
Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 11, n. 04, p.23-24, setembro/89.
LIÁO JUNIOR, Roberto. Políticas públicas de educação física, esporte e lazer: tensões e
desafios de um projeto contra-hegemônico no Distrito Federal. Revista Brasileira de
Ciências do Esporte, v. 24, n. 03, p. 39-52, maio/03.
MARCELLINO, Nelson Carvalho. Estudos do lazer: uma introdução. Campinas, SP:
Autores Associados, 1996.
MASCARENHAS, Fernando. O pedaço sitiado: cidade, cultura e lazer em tempos de
globalização. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 24, n. 03, p. 121-143, maio/03.
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1994.
SALDANHA FILHO, Matheus. Formulando políticas públicas de esporte e lazer na cidade.
In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, XIII, Caxambu. Anais.
Caxambu, MG, 2003.
VAZ, Alexandre Fernandez. Práticas corporais e democracia popular. Revista Brasileira de
Ciências do Esporte, v. 18, n. 03, p. 212-218, maio/97.
WERNECK, Christianne. Lazer, trabalho e educação: relações históricas, questões
contemporâneas. Belo Horizonte, MG: Ed. UFMG; CELAR-DEF/UFMG, 2000.
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