1 CONCEPÇÕES DE POLITICAS PÚBLICAS DE ESPORTE EM GUAÍBA-RS: UMA QUESTÃO UTÓPICA EM UMA REALIDADE MARGINALIZADA. Eduardo Trzuskovski de Vargas1 Ms. Elisandro Schultz Wittizoreck2 1. RESUMO Este projeto de pesquisa constitui-se de uma discussão sobre o envolvimento do poder publico em relação à prática esportiva, administração e ação político-partidária, o esporte como política pública, suas concepções, o esporte como questão inclusiva e a (des)atuação de uma política de esporte no município de Guaíba-RS. Palavras-chave: políticas públicas, esporte, lazer. 2. INTRODUÇÃO Este estudo tem como proposta enfatizar algumas discussões e reflexões sobre as concepções de políticas públicas de esporte, como um dos pilares de desenvolvimento e inclusão social, levando em consideração que a cidade não se limita à percepção da materialidade de paradigmas físicos, de relevos e curvas, de prédios e vias de circulação, mas é composta, principalmente, de seus habitantes (BRAMANTE E RODRIGUES, 2003). Assim, as relações entrem a educação física e o esporte são geradores de tensões, já que se constituem em dois universos simbólicos distintos, nem sempre compatíveis. Estas tensões refletem-se também no âmbito das políticas públicas, pois historicamente, a educação física vai ser objetos de atenção e intervenção tanto de políticas educacionais quanto esportivas. Segundo BRACHT e ALMEIDA (2003), as políticas públicas em geral, representam um conjunto de vitórias as classes trabalhadoras por direitos sociais, ficando a cargo do estado concretizar numerosas responsabilidades, a fim de promover o bem estar do cidadão nas 1 2 Acadêmico do Curso de Educação Física da Universidade Luterana do Brasil. Orientador: Professor do Curso de Educação Física da Universidade Luterana do Brasil. 2 diversas áreas públicas, como por exemplo: saúde, educação, assistência social, etc. Pode-se dizer que as políticas públicas significam intervenção direta do estado para o atendimento da população, de forma abrangente. Atualmente se concebe a existência de algumas abordagens para a educação física (esporte) no Brasil, que resulta da articulação de diferentes correntes teóricas, e todas essas correntes tem ampliado os campos de ação e reflexão (PCN, 1997). As políticas educacionais brasileiras acompanham o movimento das teses neoliberais no sentido de enxugamento da folha de pagamento do estado, da desobrigação deste financiar uma educação de qualidade, mas ao mesmo tempo edificar leis e diretrizes para a formação de um determinado ser capacitado a integração dentro do modelo de economia globalizada (BRACHT e ALMEIDA, 2003 apud NOZAKI, 2002, p. 219). Isto ocorre por conseqüência de uma postura que pode ser identificada pela explosão de instituições privadas e os programas voluntários, porém estas pululam pelo país e evidenciam a responsabilidade do estado com a “coisa” pública. De acordo com SALDANHA FILHO (2003), o município, estado tem que mostrar estruturas semelhantes para o esporte como para outras áreas publicas, como acontece em muitos locais no Brasil onde já temos está realidade, que e a retirada da Educação Física (esporte) de secretaria da educação. Ainda, poderemos construir uma cidade de pensamento único e conseqüentemente, uma cidade de ambiente único, seja utópico ou não a cidade e o cidadão não sejam substituídos por uma sociedade, um ambiente de negócios, lucros e configurações comerciais. Ao observar que a democratização nas cidades pode representar o inicio de uma resposta à crise de governabilidade, então procuramos saber como se dá à formação dessas políticas pública volta para a população no âmbito dos esportes, podemos questionar o seguinte: Entende-se que as políticas públicas de esporte sejam gestões participativas e democráticas, que valorize a população e os movimentos sociais, contudo que façam parte de um projeto que entende relações entre esfera de governo e sociedade civil, mediadas por democracia substantiva, radical, emancipatória, que ultrapasse os limites da representatividade em situação de co-responsabilidade na definição e fiscalização das políticas públicas (LIÁO JUNIOR, 2003 apud VERONEZ E MENDES, 2001, p. 198). O setor esportivo burocratizou-se nos planos, diretrizes e projetos que compunham o planejamento centralizado do Estado, o esporte aparece como direito social, a partir de uma perspectiva liberal-funcionalista (BRACHT e ALMEIDA, 2003 apud LINHALES, 1997, p.221). Isto quer dizer que o esporte deveria ser oferecido a todos, como um bem moderno e capaz de funcionar como elemento de compensação e de equilíbrio dos efeitos negativos do mundo industrializado e urbano. Tal reflexão nos trás para a realidade em que vivemos em 3 Guaíba-RS, um município industrializado e urbano com uma alta taxa de desemprego, estimado em 10.425 pessoas (9,32%) para uma população de 97.244 habitantes (Jornal Gazeta Centro Sul). Com o acumulo de pessoas migrando do campo para o centro urbano hoje retrata um numero elevado na criminalidade decorrente destes aglomerados, hoje vilas em territórios invadidos de áreas verdes. A proposta de discutir as políticas públicas de esporte como inclusão e qualidade de vida parte deste pressuposto, poderemos melhorar a cidade e seus aspectos negativos vindouros da população, acreditamos que se em outros municípios foi aprovado porque não em Guaíba-RS. Portanto: Quais as concepções que norteiam as políticas publicas de esporte em Guaíba-RS? 1.2. OBJETIVOS 1.2.1. OBJETIVO GERAL Compreender as concepções de políticas públicas de esporte em Guaíba-RS. 1.2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Resgatar historicamente as políticas públicas de esporte realizadas no município; • Classificar os programas sociais realizados pela Secretária Municipal de Desporto; • Apontar as atividades realizadas periodicamente pela Secretária Municipal de Desporto; • Identificar as perspectivas da Secretária Municipal de Desporto em relação aos programas desenvolvidos; • Definir as políticas públicas de esporte como instrumento de ação governamental; • Identificar como e realizada a organização dos espaços de esporte; • Identificar a prática de esporte em massa como promoção da saúde e melhora na qualidade de vida da população; 4 1.3. JUSTIFICATIVA A pesquisa vem de encontro à necessidade de novos espaços, novos pensamentos em relação ao esporte como cultura corporal e governamental. Considerando que a população do município, na sua grande maioria e de baixa renda não possuindo condições financeiras para a pratica esportiva em academias e escolinhas, possam participar de atividades esportivas diversas que resultaram na inclusão social ou mesmo desenvolvimento do gosto pelo esporte, tendo em vista que poderá revelar inúmeros talentos, sem levar em conta que estará tirando esta população da ociosidade, desta forma justifico o presente projeto. 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1. ADMINISTRAÇÃO E AÇÃO POLÍTICO-PARTIDÁRIA Na época da ditadura militar, a população era submetida a um modelo de desenvolvimento econômico de elevados endividamentos externos e internos, contudo o povo brasileiro foi aos pouco conquistando espaços sindicais, democráticos e políticos. Exigindo mudanças na política econômica, nos investimentos sociais e construindo sua própria modalidade de participação democrática (FERREIRA, 1989). Nessa caminhada as vitórias tiveram sempre ladeadas por grandes expectativas e muitas frustrações inesperadas, como ocorreu nas eleições diretas, cuja derrota foi tramada pelas cúpulas conservadoras dos gabinetes oficiais. Expectativas manipuladas, planos pós-planos, chegam ao final do atual governo (ditadura militar) sem que nenhum avanço significativo possa ser registrado nos âmbitos mais relevantes para a maioria da população brasileira, como nos campos da política econômica e dos direitos sociais. Ainda segundo FERREIRA (1989), as maiores vitórias da época dos conflitos políticos foram do PT, do PDT e o do PSDB, entre outros, colocaram novos elementos no cenário político brasileiro. Tornando a sociedade mais organizada se articularam para exigir o cumprimento dos projetos de campanha e a ampliação da participação popular nas gestões municipais. 5 LIÁO JUNIOR (2003) relata que hoje estamos em tempos de hegemonia neoliberal na ordem política e econômica do mundo, a concepção de um estado fundado na ordem e propriedade, encontrando no mercado seu natural mediador, sendo apresentadas às frágeis democracias recém instaladas na América Latina como modelo de administração pública. Vindoura deste modelo tem as ações desenvolvidas pelo movimento social organizado, articulado em associações, pela reorganização dos partidos políticos e por meio do movimento sindical foram decisivas para que ares democráticos transitassem por todas as esferas institucionais, criado as condições necessárias e indispensáveis para que a política pública, como um tipo de política social, passasse a ter um maior espaço de discussão no âmbito social. A partir de uma sociedade democrática traz a afirmação acadêmica das políticas públicas enquanto área de estudo. Podemos levar em consideração as palavras de LIÁO JUNIOR (2003 apud AZEVEDO, 1997) que por outro lado, ter como cenária a própria crise que perpassava o modo de regulação das sociedades, implicando a abordagem de temáticas como a crise fiscal do Estado e as necessidades de sua reforma, as proposições neoliberais, as ameaças aos estados de bem estar social nas democracias avançadas,...; tudo isso naquilo que se somava no sentido de aprofundar, ainda mais, as precárias condições do nosso estado de mal estar social. Podemos entender as políticas publicas como o conjunto de orientações e ações de um governo com vistas ao alcance de determinados objetivos, e também como o espaço de tomada de decisão autorizada e sancionada por intermédio de atores governamentais, compreendendo atos de que viabilizam agendas de inovação em políticas ou que respondem as demandas de grupos de interesses. 2.2. O ESPORTE COMO POLÍTICA PÚBLICA Segundo FERREIRA (1989), o discurso dominante na Educação Física procura socializar uma concepção que Esporte é fator de promoção da saúde, de que criança que participa de praticas esportivas respeita as regras do jogo. Terá mesmo o esporte este dons mágicos, místicos e superior de promover a saúde? Para refletirmos sobre a idéia de FERREIRA (1989) destacamos as palavras de MARX (1985 apud FERREIRA, 1989) para dizer que “as idéias dominantes de um determinado período histórico são as idéias das classes dominantes”, por outro lado também citado BRACHT (1987) relata que “as visões que afirmam determinados papeis sociais para o esporte não se explicam por si só, têm por trás, 6 uma determinada teoria social a esclarecer qual a relação esporte e sociedades que esta dada teoria tenta difundir e massificar”. LIÁO JUNIOR (2003) considera que o restabelecimento democrático no Brasil propiciou condições para que os partidos que compõem o campo popular passassem a ocupar funções estratégicas de gestão do poder público, respaldados pelo sufrágio universal. Nisso o Partido dos Trabalhadores (PT) começa então a coordenar espaços institucionais nas administrações, sistematizando internamente as políticas publicas de educação física, do esporte e do lazer. Após experiências na esfera municipal, o programa democrático popular, a partir de 1995, governa pela primeira vez duas unidades federativas, o Espírito Santo e o Distrito Federal. Após o fracasso brasileiro nas Olimpíadas de Sidney, em meados do ano de 2000, irromperam, em diversas instâncias da sociedade brasileira, numerosos questionamentos acerca dos motivos responsáveis por tão fraca participação. Em nosso entendimento, foi o desencadeamento de um movimento “pró” educação física após esses jogos, reivindicando um pretenso retorno da obrigatoriedade da educação física no interior das escolas brasileiras (BRACHT, 2003). O poder público mostrando-se sensível aos anseios populares, sente ainda responsável por ações políticas ligadas ao setor esportivo. Em 2000, após as olimpíadas tivemos um avanço surpreendente em relação às políticas publicas de esporte no Brasil, como ressalta LIAO JUNIOR (2003), as gestões democráticas de domínio interno, foram elaboradas a partir de decisões políticas fundadas, por meio de administrações dinâmicas, que buscava garantir a transparência nas relações institucionais, com diálogos permanentes envolvendo os demais setores do governo e a sociedade civil, ligadas a educação física, ao esporte e ao lazer. Os dirigentes de uma administração popular e democrática devem ser os protagonistas na elaboração e implementação de políticas públicas voltadas para o conjunto da sociedade, materializando ações estratégicas que superem o projeto societário vinculado às diretrizes neoliberais, reafirmando a educação física, o espore e o lazer como direitos sociais inalienáveis dos cidadãos em nosso país, contribuindo politicamente com métodos e práticas que se aproximem da construção de uma sociedade que seja justa, solidária, referenciada socialmente, que dignifique a vida humana (LIAO JUNIOR, 2003 apud PIRES, 2001, p.36).c 2.3. POLÍTICAS PÚBLICAS DE ESPORTE EM GUAÍBA-RS 7 Promover a alfabetização esportiva vai muito além da aprendizagem de destrezas, o exercício da plena cidadania no plano da cultura corporal de movimentos e especificamente no plano do esporte exige o desenvolvimento de competências que vão além dessas habilidades e que abranjam também a capacidade de situar histórica e socialmente essa prática humana, de perceber os valores que se orientam, os benefícios e os prejuízos de uma ou outra forma da prática esportiva (BRACHT e ALMEIDA, 2003). Usando de base essas palavras, entramos no contexto histórico e social da cidade de Guaíba-RS, uma cidade com mais de 97.244 habitantes, localizado na região metropolitana de Porto Alegre, que por sua vez esta pedindo mudanças na denominação da região, para se tornar parte da região centro-sul do estado, mudanças essas relacionadas ao turismo. Em registros oficiais deste município encontramos um dos primeiros incentivos ao esporte, no qual marca o ano de 1962, concedendo incentivo a algumas equipes de futebol para que pudessem disputar os campeonatos estaduais. Em 1973, foi criado o Conselho Municipal de Desporto, vinculado a Secretaria de Educação, onde ditavam as competências que eram promover, estimular, orientar e fiscalizar as práticas esportivas do município, sendo constituído por cinco (5) membros com destaque esportivo no município. Este conselho por não aparecer em mais nenhum registro, não se pode confirmar seu funcionamento e atuação na comunidade. Com base em dados recolhidos na Câmara Municipal de Vereadores e Departamento Jurídico da Prefeitura Municipal não há data especifica quando foi criado o Departamento de Desporto e Cultura ligados a Secretaria de Educação (SME) que, em 1996 desvinculou-se o Departamento de Desporto e Cultura criando uma nova secretária, que se formou com Turismo, Desporto e Cultura (SETUDEC). Ao analisar as diretrizes da Secretaria de Educação, Desporto e Cultura (SMEDC) de 1996, não encontramos muitos pontos relevantes que enfatizam um incentivo na pratica de esporte neste município, a não ser dois projetos com datas 21 de fevereiro de 1994. O primeiro tendo por objetivo, oportunizar ao aluno de 06 a 14 anos, a iniciação à prática desportiva coletiva, levando-o a despertar o interesse pelas demais modalidades esportivas, bem como desenvolver a coordenação motora (PROJETO INICIAÇÃO AO DESPORTO, 1994). Este projeto justifica a criação de escolinhas de futebol, voleibol e atletismo apenas para crianças em idade escolar e freqüentando a escola. O projeto durou cerca de três anos e foi extinto pela nova administração em 1997. Outro projeto era de recreação esportiva que tinha por objetivo, a prática da recreação esportiva, desenvolvimento da coordenação motora, como lazer, em bairros de nosso município, descobrindo novos talentos, bem como socializar e educar através do esporte, estimulando assim a criança e o adolescente a permanecerem em 8 seu bairro, proporcionando encontros mensais entre um bairro e outro, no parque municipal de esportes ou em local pré-determinado (PROJETO RECREAÇÃO ESPORTIVA, 1994). Considera-se que este último projeto pretendia encaixar os alunos que faziam parte das classes baixas do nível sócio-econômico do município. Resgatados como os principais feitos das administrações públicas em Guaíba-RS até hoje. Encontram-se na Secretaria de Assistência Social (SAS) um projeto de aprendizado a canoagem desenvolvida para crianças de idade escolar das periferias do município sem vinculo algum com a Secretaria de Turismo, Desporto e Cultura (SETUDEC). Para explicar a falta de atitude da secretária responsável pelo Desporto em Guaíba, podemos usar as palavras de VAZ (1997) onde nos diz que a valorização de resultados competitivos, não sobra muito espaço para uma compreensão mais rigorosa do esporte enquanto fenômeno da cultura, de forma que temas um pouco mais amplos concernentes a sua prática... Entra em debate o esporte como fenômeno histórico cultural, passando pela iniciação, pudessem ser objetos de reflexão. Poderemos fazer criticas ao abandono destes projetos com o passar dos anos, pois hoje encontramos a Secretaria de Turismo, Desporto e Cultura (SETUDEC), sem atividades político partidárias em relação ao Desporto como forma de inclusão social. De acordo co MASCARENHAS (2003), estamos ante um paradoxo. A esta altura da historia, a cidadania vigente vem sendo aquela que substitui a figura do cidadão pela do contribuinte e do consumidor. Vivemos em uma cidade com diversos problemas sociais e não investimos em dar a aqueles que necessitam de uma ajuda para se tornarem cidadãos inclusos em uma sociedade capitalista. Contudo só quem faz parte dessa sociedade civil predominante são aqueles com capital favorável. 3. O ESPORTE COMO QUESTÃO INCLUSIVA EM UMA REALIDADE MARGINALIZADA O esporte é mais do que um modo saudável de vida. Para o povo esporte é cultura, é história, é um processo de socialização, um modo lúdico de enfrentar as adversidades. Nas ruas de qualquer cidade pode-se sentir a afinidade do população com o esporte. Campos de futebol, rodas de capoeira, quadras de esporte estão por toda parte, sempre lotados de crianças, com sonho de ganhar o mundo, ou repletos de adultos relaxando de um dia duro de trabalho. Esta afinidade pode ser explicada segundo WERNECK (2000), como sendo o lazer, 9 este direito social que não pode ser visto apenas pela perspectiva forma da categoria tempo institucionalizado3. Apesar de um enorme potencial, ainda vivemos de momentos limitados de sucesso no esporte em sua maioria fruto da superação individual. O grande desafio é reorganizar toda a estrutura esportiva desde a iniciação até o esporte de alto nível através de uma preocupação que represente uma produção de cultura, por meio de uma vivencia lúdica de diferentes conteúdo. A Educação para o esporte precisa ser prioridade, pois a sociedade perde uma excelente forma de socialização. Não se pode exigir que todo jovem seja um campeão, mas o convívio esportivo, dentro de regras de comportamento e de coletividade, é um ambiente saudável para que os conceitos de cidadania e de respeito ao próximo sejam postos em prática, assim como essa vivência mobiliza o desejo de se sentir livre, autônomo, criativo, os quais são coletivamente, construídos, influenciados e limitados por vários aspectos sociais, políticos, culturais e econômicos (WERNECK, 2000). MARCELLINO (1996), enfatiza que cabe às políticas desenvolvidas tanto pelo setor público quanto pela iniciativa privada contribuir para minora os dados de situação verificados, possibilitando uma menor defasagem entre o gosto e a prática, e a elevação de níveis de conformismo para críticos e criativos, na consideração do esporte como espetáculo, e na valorização uma cultura esportiva. 4. (DES)ATUAÇÃO POLITICA Tendo em vista que Guaíba é uma cidade de grande relevância histórica, podemos por meio deste projeto de pesquisa vir a influenciar pensamentos benéficos para a população de baixa renda, principalmente das periferias, uma oportunidade de conhecer e até mesmo despertar o cidadão que existe em seu subconsciente, este cidadão que por via de atitudes governamentais, mas não só, perdura na pobreza cultural por falta de espaços onde possa esclarecer-se e buscar uma solução plausível para sua condição de excluído socialmente. Um exemplo de atitude governamental que existe em Guaíba-RS hoje são as festas na avenida central da cidade, conhecida como “beira”, onde a população pode desfrutar de alguns 3 WERNECK (2000), relata que o lazer não é apenas obrigação das instituições privadas e também responsabilidade das administrações públicas, pela sua importância social as quais esta atrelado. 10 momentos de inclusão social. A SETUDEC4, por carregar em seu nome a palavra “desporto”, nos faz pensar que existem atitudes políticas voltadas para o mesmo, mas quando procurado, não se encontra atividades ligadas à inclusão social no âmbito do esporte e do lazer. Por acreditar que neste, principalmente para aqueles menos favorecidos, poderemos mudar a imagem que Guaíba-RS ostenta de décima colocada no ranking da criminalidade no estado do Rio Grande do Sul, índice que nos faz ter vergonha de trabalharmos outras atividade que não focam este problema e esquecermos que vida sem passado se torna um futuro sem certeza para esta população. Pedimos uma nova política esportiva e uma melhoria nas praças e centros esportivos para a população, assim como reativação de antigos projetos destacados neste projeto e novos projetos, tendo em vista a inclusão social. 5. METODOLOGIA 5.1. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA A escolha desta pesquisa vem trazer um respaldo para a comunidade menos favorecida em relação à inclusão social, e através disto tentar entender, explicar, definir e resgatar o que vem sendo feito em prol da sociedade civil de classe baixa. Nas palavras de PIRES (2001, p. 36 apud LIÁO JUNIOR, 2003), o governo tem que adotar “uma nova idéia sobre o modo de governar, no qual começa a disputar hegemonia com a visão tradicional de governo legitimado exclusivamente pelo voto e pelo uso da boa técnica”.Queremos que através desta investigação possa ser dado inicio a um processo de articulação política e descentralização orçamentária, envolvendo nesta discussão representantes dos vários segmentos nas esferas da educação física e do esporte. 5.2. POPULAÇÃO E AMOSTRA 5.2.1. POPULAÇÃO A população do presente estudo caracteriza-se por membros das Secretarias Municipal de Turismo, Desporto e Cultura (SETUDEC), Secretaria Municipal de Assistência Social 4 SETUDEC – Secretaria de Turismo, Desporto e Cultura. 11 (SMAS) e Secretaria Municipal de Educação (SME) das gestões de 1990 até 2003 no município de Guaíba-RS. 3.2.2. AMOSTRA A amostra desta investigação será composta por analise de leis, projetos, diretrizes, atas e discursos relacionados ao esporte desenvolvidos pelas secretarias citadas no campo acima, entrevista com secretários e funcionários que estiveram ligados diretamente com a promoção de atividades esportivas para a comunidade e com moradores dos espaços onde foram realizadas atividades esportivas e sociais na esfera municipal. 3.3. INSTRUMENTOS E MATERIAIS Para realização desta investigação adotaremos procedimentos coerentes com o seu delineamento e com o problema destacado. Utilizaremos como instrumento de coleta de informações os seguintes processos: análise documental, entrevista aberta, observação das atividades esportivas executadas pelas secretarias envolvidas. 6. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BRACHT, Valter; ALMEIDA, Felipe Quintão. A política de esporte escolar no Brasil: uma pseudovalorização da educação física. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 24, n. 03, p. 87-101, maio/03. BRAMANTE, Antônio Carlos; RODRIGUES, Elcie Helena Costa. O espaço na construção de uma política de lazer – estudando Sorocaba/SP. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 24, n. 03, p. 23-37, maio/03 12 BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Educação física / Secretaria de Educação Fundamental – Brasília: MEC/SEF, 1997. 96p. FERREIRA, Paulo Rubens Santiago. Administração municipal e ação político-partidária. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 11, n. 04, p.23-24, setembro/89. LIÁO JUNIOR, Roberto. Políticas públicas de educação física, esporte e lazer: tensões e desafios de um projeto contra-hegemônico no Distrito Federal. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 24, n. 03, p. 39-52, maio/03. MARCELLINO, Nelson Carvalho. Estudos do lazer: uma introdução. Campinas, SP: Autores Associados, 1996. MASCARENHAS, Fernando. O pedaço sitiado: cidade, cultura e lazer em tempos de globalização. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 24, n. 03, p. 121-143, maio/03. PREFEITURA MUNICIPAL DE GUAÍBA-RS. Projeto Iniciação ao Desporto. Guaíba-RS, 1994. PREFEITURA MUNICIPAL DE GUAÍBA-RS. Projeto Recreação Esportiva. Guaíba-RS, 1994. SALDANHA FILHO, Matheus. Formulando políticas públicas de esporte e lazer na cidade. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, XIII, Caxambu. Anais. Caxambu, MG, 2003. VAZ, Alexandre Fernandez. Práticas corporais e democracia popular. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 18, n. 03, p. 212-218, maio/97. WERNECK, Christianne. Lazer, trabalho e educação: relações históricas, questões contemporâneas. Belo Horizonte, MG: Ed. UFMG; CELAR-DEF/UFMG, 2000.