UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA FACULDADE DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL PREVISÃO DE POROPRESSÃO CONSTRUTIVA EM BARRAGENS VIA SIMULAÇÃO NUMÉRICA DIÊGO DE ALMEIDA PEREIRA ORIENTADOR: ANDRÉ PACHECO DE ASSIS CO-ORIENTADOR: MÁRCIO MUNIZ DE FARIAS DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM GEOTECNIA PUBLICAÇÃO: G.DM-134/05 BRASÍLIA / DF: AGOSTO / 2005 UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA FACULDADE DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL PREVISÃO DE POROPRESSÃO CONSTRUTIVA EM BARRAGENS VIA SIMULAÇÃO NUMÉRICA DIÊGO DE ALMEIDA PEREIRA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SUBMETIDA AO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE. APROVADA POR: _________________________________________ ANDRÉ PACHECO DE ASSIS, PhD (UnB) (ORIENTADOR) _________________________________________ MÁRCIO MUNIZ DE FARIAS, PhD (UnB) (CO-ORIENTADOR) _________________________________________ ENNIO MARQUES PALMEIRA, PhD (UnB) (EXAMINADOR INTERNO) _________________________________________ ALBERTO S. F. J. SAYÃO, PhD (PUC-RJ) (EXAMINADOR EXTERNO) DATA: BRASÍLIA/DF, 11 de AGOSTO de 2005. ii FICHA CATALOGRÁFICA PEREIRA, DIÊGO DE ALMEIDA Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica [Distrito Federal] 2005 xxi, 112 p., 297 mm (ENC/FT/UnB, Mestre, Geotecnia, 2005) Dissertação de Mestrado - Universidade de Brasília. Faculdade de Tecnologia. Departamento de Engenharia Civil e Ambiental 1. Barragens 2. Simulação Numérica 3. Poropressão Construtiva 4. Segurança em Barragens I. ENC/FT/UnB II. Título (série) REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA PEREIRA, D.A. (2005). Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica. Dissertação de Mestrado, Publicação G.DM-134/05, Departamento de Engenharia Civil e Ambiental, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 112 p. CESSÃO DE DIREITOS NOME DO AUTOR: Diêgo de Almeida Pereira TÍTULO DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO: Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica GRAU / ANO: Mestre / 2005 É concedida à Universidade de Brasília a permissão para reproduzir cópias desta dissertação de mestrado e para emprestar ou vender tais cópias somente para propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e nenhuma parte desta dissertação de mestrado pode ser reproduzida sem a autorização por escrito do autor. _____________________________ Diêgo de Almeida Pereira Endereço: SQN 409, Bloco O, Apartamento 102 Bairro: Asa Norte 70857-150 - Brasília/DF - Brasil E-mail: [email protected] iii DEDICATÓRIA A minha família: Iara, José, Hugo, Tuiza e Patrícia. A vocês todo o meu amor e o meu carinho para sempre. iv AGRADECIMENTOS Agradeço a todos aqueles que fizeram parte, direta ou indiretamente, e que foram peças fundamentais para o bom andamento e conclusão desta dissertação. Em especial: A minha família, que me deu todo o apoio, segurança e que sempre será meu porto seguro, agradeço de coração, amo vocês: Iara, Edimílson, Hugo e Tuiza. A minha amada Patricinha que compartilhou de todos os momentos, bons e ruins, que me fez ser uma pessoa melhor, e que soube me amar de maneira única e verdadeira. Sempre me terás ao teu lado. Ao meu orientador e amigo Prof. André Pacheco de Assis por ser mais que um educador, para mim o senhor é um horizonte, um exemplo a ser seguido. Aos professores do Programa de Pós-Graduação em Geotecnia em especial aos Professores Márcio Muniz de Farias, Ennio Marques Palmeira, Noris Costa Diniz e Luiz Fernando. Obrigado pelo maior de todos os presentes, o conhecimento. Aos meus professores de graduação da UFRN: Olavo, Evandro, Ada, Roberto, Enílson, Lettieri, Micussi, Magda,Valdecir, Márcio, Jocildo, Valdimir e Tânia. Aos amigos verdadeiros que fiz nesta cidade: Aline, Petrúcio, Karoline, Elidiane, Adriano, Jofrân, Íris, Hector, Alexandre, Paulo, Allan, Carla, Raul, Nestor, Hernan, Paula, Isabella, Filipe, Márcia, André, Joel, Juan e Otávio. Seria necessário um anexo para que todos fossem lembrados, aos que aqui não mencionei, saibam que estão na lista do coração. Aos antigos amigos: Eider, Enio, Cássio, Gregório, Li Chong, Alexandre e James. Mais uma etapa, e mais uma vez compartilhei momentos ímpares com vocês, meus amigos. Podem contar sempre comigo. À família Sitônio, em especial: Ana Maria, João Carlos e Dona Antônia. Às famílias: Lima, Cavalcante e Medeiros. Ao CNPq pelo suporte financeiro durante o período de elaboração desta dissertação. v RESUMO Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica O presente trabalho apresenta um estudo numérico do comportamento da distribuição das poropressões durante a fase construtiva de barragens. A avaliação da poropressão em barragens de terra ou em núcleos argilosos de barragens mistas de enrocamento sempre foi de suma importância, pois se constitui em um dos principais componentes na análise de estabilidade de taludes das mesmas. A poropressão construtiva, aquela que se desenvolve durante a construção da barragem, sempre foi de difícil avaliação dada a natureza acoplada dos fenômenos de equilíbrio e fluxo. Essa dificuldade faz com que os projetistas assumam parâmetros de poropressão atribuídos apenas a sua experiência, o que pode acarretar riscos para a estabilidade da barragem. A ferramenta computacional utilizada foi o programa Plaxis 2D, que permite a simulação de construção em camadas. Esta ferramenta trabalha com a condição saturada , quando o volume de água se iguala ao volume de vazios da estrutura de solo, e a partir daí, com a geração de poropressão positiva. A simulação foi feita, inicialmente, em uma seção homogênea hipotética fazendo uso de uma análise paramétrica variando permeabilidades, tempo de dissipação das poropressões (consolidação) e geometria das camadas. Posteriormente a barragem brasileira de Serra da Mesa, um barramento de enrocamento com núcleo argiloso, com altura máxima de 150 m, foi analisada. Foram feitas comparações entre os resultados da simulação numérica e da instrumentação instalada na barragem. As análises apresentaram aspectos interessantes sobre a evolução dos valores e distribuições das poropressões que foram condizentes com o comportamento real da barragem. A comparação mostrou que a modelagem foi capaz de simular bem as características construtivas quanto à geração de poropressões. A metodologia apresentada nesta dissertação apresenta-se como uma forte ferramenta para projetistas de barragens na previsão da distribuição das poropressões construtivas de barragens de terra e enrocamento. vi ABSTRACT Evaluation of Construction Pore Pressures in Dams by Numerical Modelling A numerical study on the behavior of the pore pressure distribution during the construction of dams is herein presented. The pore pressure evaluation in earth dams or zoned clay core dams always was of utmost importance, therefore it consists in one of main components for analysis of slope stability. The constructive pore pressure evaluation is quite difficult due to its, coupled processes of equilibrium and flow. This difficulty leads designers to assume parameters of pore pressure attributed only to its experience, what can cause risks for the stability of the dam. The adapted computational tool was the program Plaxis 2D that allows the simulation of construction in layers. This tool works with saturated condition, when the volume of water equals to the volume of voids of the soil structure, and from, the generation of positive pore pressure. The simulation was made, initially, in a hypothetical homogeneous section by a parametric analysis varying permeability coefficients, time of pore pressures dissipation (consolidation) and thickness of layers. Later, a case study based on cross-section of the Brazilian Serra da Mesa Dam was analised. It is a rock fill with clay core with a maximum height of 150 m. Comparisons between the results of the numerical simulation and the instrumentation installed in the dam have been made. The analyses have presented interesting aspects on the evolution of the values and distributions of the pore pressures that had been in agreement with the real behavior of the dam. The comparison showed that the modelling was able to simulate well the construction characteristics and how they affected the generation of pore pressure. It seems a powerful tool for dam designers for predicting the construction pore pressure distribution of earth and earth-rockfill dams. vii SUMÁRIO LISTA DE TABELAS LISTA DE FIGURAS LISTA DE SÍMBOLOS E ABREVIATURAS 1 - INTRODUÇÃO 1 1.1 - MOTIVAÇÃO 1 1.2 - OBJETIVO 2 1.3 - ESCOPO DISSERTAÇÃO 2 2 - POROPRESSÕES CONSTRUTIVAS EM BARRAGENS 4 2.1 - POROPRESSÃO 4 2.1.1 - POROPRESSÃO CONSTRUTIVA 10 2.1.2 - PARÂMETRO ru 11 2.2 - PROBLEMA FÍSICO 12 2.3 - MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS 15 2.4 - ANÁLISE EM ELEMENTOS FINITOS DO PROCESSO 19 CONSTRUTIVO DE BARRAGENS 2.4.1 - CARGAS EXTERNAS 20 2.4.2 - NÚMERO DE CAMADAS 22 2.4.3 - INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE DRENAGEM 23 2.4.3.1 - ANÁLISES ESTÁTICAS CONVENCIONAIS 23 2.4.3.2 - ANÁLISES ACOPLADAS DE CONSOLIDAÇÃO 24 2.5 - FERRAMENTA COMPUTACIONAL – PLAXIS 2D 25 2.5.1 - MODELO MOHR-COULOMB (PERFEITAMENTE PLÁSTICO) 26 2.5.1.1 - COMPORTAMENTO ELÁTICO PERFEITAMENTE PLÁSTICO 27 2.5.1.2 - FORMULAÇÃO 28 2.5.1.3 - PARÂMETROS BÁSICOS DO MODELO MOHR-COULOMB 30 2.5.2 - CONSOLIDAÇÃO 30 2.5.2.1 - EQUAÇÕES BÁSICAS DE CONSOLIDAÇÃO 30 2.5.2.2 - DISCRETIZAÇÃO EM ELEMENTOS FINITOS 31 2.5.2.3 - CONSOLIDAÇÃO ELASTOPLÁSTICA 34 viii 2.6 - CASO HISTÓRICO: RUPTURA DA BARRAGEM DE AÇU / RN 35 3 - SIMULAÇÃO NUMÉRICA DE UM CASO HIPOTÉTICO 41 3.1 - SEÇÃO HIPOTÉTICA 41 3.1.1 - ANÁLISES DA ESTABILIDADE DOS TALUDES DA 42 SEÇÃO HIPOTÉTICA 3.2 - SEÇÃO HIPOTÉTICA COM ALTURA DE CAMADA 47 CONSTANTE (CASO 1) 3.2.1 - INFLUÊNCIA DAS PERMEABILIDADES 52 3.2.2 - INFLUÊNCIA DO TEMPO DE DISSIPAÇÃO DAS POROPRESSÕES 54 3.2.3 - INFLUÊNCIA DO PESO ESPECÍFICO NATURAL DO SOLO DO 55 BARRAMENTO 3.2.4 - ESTABILIDADE DE TALUDES NA SEÇÃO HIPOTÉTICA COM 57 ALTURA DE CAMADA CONSTANTE 3.3 - SEÇÃO HIPOTÉTICA COM VOLUME DE CAMADA 60 CONSTANTE (CASO 2) 3.3.1 - INFLUÊNCIA DAS PERMEABILIDADES 63 3.3.2 - INFLUÊNCIA DO TEMPO DE DISSIPAÇÃO DAS POROPRESSÕES 65 3.3.3 - INFLUÊNCIA DO PESO ESPECÍFICO NATURAL DO SOLO DO 66 BARRAMENTO 3.3.4 - ESTABILIDADE DE TALUDES NA SEÇÃO HIPOTÉTICA COM 67 VOLUME DE CAMADA CONSTANTE 3.4 - ANÁLISE COMPARATIVA DOS CASOS ESTUDADOS 70 4 - CASO-ESTUDO DA UHE DE SERRA DA MESA 73 4.1 - CARACTERÍSTICAS DO PROJETO 73 4.2 - FUNDAÇÃO 76 4.3 - MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO 77 4.3.1 - NÚCLEO 77 4.3.1.1 - ENSAIOS NO SOLO DO 1° ESTÁGIO 78 4.3.1.2 - ENSAIOS NO SOLO DOS ESTÁGIOS POSTERIORES 83 4.3.2 - TRANSIÇÕES 86 4.3.3 - ESPALDARES DE ENROCAMENTO 88 ix 5 - MODELAGEM DA UHE SERRA DA MESA E INSTRUMENTAÇÃO 89 5.1 - SEÇÃO TIPO 89 5.2 - SIMULAÇÃO DOS MATERIAIS 90 5.2.1 - FUNDAÇÃO EM ROCHA SÃ 90 5.2.2 - MATERIAL DO NÚCLEO 90 5.2.3 - MATERIAL DE TRANSIÇÃO 91 5.2.4 - MATERIAL DOS ESPALDARES 91 5.3 - SIMULAÇÃO NUMÉRICA 91 5.4 - SIMULAÇÃO VERSUS INSTRUMENTAÇÃO 100 6 - CONCLUSÕES 107 6.1 - CONCLUSÕES 107 6.2 - SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS 109 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 110 x LISTA DE TABELAS CAPÍTULO 2 Tabela 2.1 - Valores típicos do parâmetro ru de acordo com o material (Assis, 2003) 11 CAPÍTULO 3 Tabela 3.1 - Parâmetros dos materiais 42 Tabela 3.2 - Resultados das análises de estabilidade de taludes variando o parâmetro ru 43 Tabela 3.3 - Planilha de cálculo do parâmetro ru para cada ponto (Caso 1) 58 Tabela 3.4 - Resultado das análises de estabilidade de taludes 59 Tabela 3.5 - Altura das camadas 61 Tabela 3.6 - Planilha de cálculo do parâmetro ru para cada ponto (Caso 2) 69 CAPÍTULO 4 Tabela 4.1 - Parâmetros da fundação 76 CAPÍTULO 5 Tabela 5.1 - Parâmetros do Modelo Mohr-Coulomb - Fundação 90 Tabela 5.2 - Parâmetros do Modelo Mohr-Coulomb - Barragem 91 Tabela 5.3 - Processo de cálculo da simulação da construção em camadas 95 xi LISTA DE FIGURAS CAPÍTULO 2 Figura 2.1 - Variação de tensão durante a construção – Elemento de solo e limites para valores de k (modificado – Head, 1986) 06 Figura 2.2 - Propriedades de resistência ao cisalhamento do material do barramento (modificado – Head, 1986) 08 Figura 2.3 - Gráficos traçados de um ensaio B em uma argila compactada (modificado – Head, 1986) 09 Figura 2.4 - Ensaios PN realizados em solos com variados graus de saturação 10 Figura 2.5 - Faixas típicas de valores do parâmetro ru em solos argilosos (Assis, 2003) 12 Figura 2.6 - Condições de consolidação e drenagem no corpo de uma barragem 12 Figura 2.7 - Representação da geração de poropressão positiva durante a construção 13 Figura 2.8 - Localização dos piezômetros e distribuição das poropressões imediatamente após a construção (modificado – Li, 1967) 14 Figura 2.9 - Gráfico de Bishop para acompanhamento da obra durante a construção 15 Figura 2.10 - Resumo de uma análise feita em MEF 16 Figura 2.11 - Exemplos de aplicação do MEF 17 Figura 2.12 - Variação nas formas dos elementos de discretização 17 Figura 2.13 - Tipos de elementos quanto à forma 18 Figura 2.14 - Tipos de elementos quanto à ordem 18 Figura 2.15 - Construção em camadas (modificado – Farias, 1999) 20 Figura 2.16 - Forças de superfície (modificado – Farias, 1999) 21 Figura 2.17 - Forças de massa (modificado – Farias, 1999) 21 Figura 2.18 - Elementos mistos 25 Figura 2.19 - Modelo Elástico Perfeitamente Plástico 28 Figura 2.20 - Superfície de plastificação do Modelo Mohr-Coulomb no espaço de tensões principais (modificado – Brinkgreve & Vermeer, 1998) 29 Figura 2.21 - Localização da barragem de Açu e aspectos gerais da estrutura do barramento 36 xii Figura 2.22 - Seção típica inicial da barragem de Açu 37 Figura 2.23 - Seção típica modificada da barragem de Açu 38 Figura 2.24 - Seção da barragem de Açu após ruptura 39 Figura 2.25 - Fotografia da ruptura do talude de montante da barragem de Açu (CBDB, 2000) 40 CAPÍTULO 3 Figura 3.1 - Seção hipotética 41 Figura 3.2 - Seção hipotética para análise da estabilidade de taludes 43 Figura 3.3 - Superfície crítica e fator de segurança para o parâmetro ru = 5% 43 Figura 3.4 - Superfície crítica e fator de segurança para o parâmetro ru = 10% 44 Figura 3.5 - Superfície crítica e fator de segurança para o parâmetro ru = 20% 44 Figura 3.6 - Superfície crítica e fator de segurança para o parâmetro ru = 30% 45 Figura 3.7 - Superfície crítica e fator de segurança para o parâmetro ru = 40% 45 Figura 3.8 - Seção hipotética dividida em faixas de parâmetro ru 46 Figura 3.9 - Superfície crítica e fator de segurança para seção dividida em faixas de parâmetro ru 46 Figura 3.10 - Seção hipotética com altura de camadas constante 47 Figura 3.11 - Malha automática de elementos finitos 48 Figura 3.12 - Seção tipo e suas condições de contorno (consolidação e fluxo) 48 Figura 3.13 - Distribuição das poropressões na fundação antes da construção da barragem 49 Figura 3.14 - Distribuição das tensões iniciais na fundação com relação às direções principais 49 Figura 3.15 - Alteamento da seção hipotética com tempo de dissipação de 120 dias (Caso 1) 50 Figura 3.16 - Localização dos nós para cálculo das poropressões (Caso 1) 50 Figura 3.17 - Desenvolvimento de acréscimos de poropressão construtiva (Caso1) 51 Figura 3.18 - Direções principais das tensões efetivas (Caso1) 52 xiii Figura 3.19 - Distribuição da tensão principal maior σ1 (Caso1) 52 Figura 3.20 - Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto A (Caso1) 53 Figura 3.21 - Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto B (Caso1) 53 Figura 3.22 - Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto F (Caso1) 53 Figura 3.23 - Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto A (Caso1) 54 Figura 3.24 - Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto B (Caso1) 55 Figura 3.25 - Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto F (Caso1) 55 Figura 3.26 - Influência do peso específico do solo na geração das poropressões no ponto A (Caso1) 56 Figura 3.27 - Influência do peso específico do solo na geração das poropressões no ponto B (Caso1) 56 Figura 3.28 - Distribuição dos pontos selecionados para cálculo do parâmetro ru (Caso1) 57 Figura 3.29 - Resultado da análise da estabilidade de talude (Caso1) 59 Figura 3.30 - Gráfico cota-volume da seção hipotética com altura de camada constante 60 Figura 3.31 - Seção hipotética com volume de camadas constante 60 Figura 3.32 - Alteamento da seção hipotética com tempo de dissipação de 120 dias (Caso 2) 61 Figura 3.33 - Desenvolvimento de acréscimos de poropressão construtiva (Caso 2) 62 Figura 3.34 - Direções principais das tensões efetivas (Caso 2) 63 Figura 3.35 - Distribuição das tensões principais totais σ1 (Caso 2) 63 Figura 3.36 - Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto A (Caso 2) 64 Figura 3.37 - Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto B (Caso 2) 64 xiv Figura 3.38 - Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto F (Caso 2) 64 Figura 3.39 - Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto A (Caso 2) 65 Figura 3.40 - Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto B (Caso 2) 66 Figura 3.41 - Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto F (Caso 2) 66 Figura 3.42 - Influência do peso específico do solo na geração das poropressões no ponto A (Caso 2) 67 Figura 3.43 - Influência do peso específico do solo na geração das poropressões no ponto B (Caso 2) 67 Figura 3.44 - Distribuição dos pontos selecionados para cálculo do parâmetro ru (Caso 2) 68 Figura 3.45 - Resultado da análise da estabilidade de talude (Caso 2) 70 Figura 3.46 - Influência da geometria das camadas na geração das poropressões no ponto A 71 Figura 3.47 - Influência da geometria das camadas na geração das poropressões no ponto B 71 Figura 3.48 - Influência da geometria das camadas na geração das poropressões no ponto F 71 Figura 3.49 - Influência da geometria das camadas no parâmetro ru no ponto A 72 Figura 3.50 - Influência da geometria das camadas no parâmetro ru no ponto B 72 Figura 3.51 - Influência da geometria das camadas no parâmetro ru no ponto F 72 CAPÍTULO 4 Figura 4.1 - Localização da Usina de Serra da Mesa 73 Figura 4.2 - Vista do talude de jusante 74 Figura 4.3 - Vista do reservatório da UHE de Serra da Mesa 74 Figura 4.4 - Arranjo geral da Usina de Serra da Mesa 74 Figura 4.5 - Seção típica da Barragem de Serra da Mesa 75 Figura 4.6 - Estágios de construção da Barragem de Serra da Mesa 76 xv Figura 4.7 - Ensaio de compactação no solo do 1° Estágio (Castro, 1996) 78 Figura 4.8 - Ensaio de adensamento no solo do 1° Estágio (Castro, 1996) 79 Figura 4.9 - Ensaio de compressão triaxial tipo UU no solo do 1° Estágio (Castro, 1996) 80 Figura 4.10 - Ensaio de compressão triaxial tipo CDSAT no Solo do 1° Estágio (Castro, 1996) 81 Figura 4.11 - Ensaio de compressão triaxial tipo PN no solo do 1° Estágio em amostras saturadas (Castro, 1996) 82 Figura 4.12 - Ensaio de compressão triaxial tipo PN no solo do 1° Estágio em amostras não saturadas (Castro, 1996) 82 Figura 4.13 - Ensaio de Compactação no Solo dos Estágios Posteriores (Castro, 1996) 83 Figura 4.14 - Ensaio de adensamento no solo dos estágios posteriores (Castro, 1996) 84 Figura 4.15 - Ensaio de compressão triaxial tipo CDSAT no Solo dos Estágios Posteriores (Castro, 1996) 85 Figura 4.16 - Ensaio de compressão triaxial tipo PN no Solo dos Estágios posteriores (Castro, 1996) 86 Figura 4.17 - Ensaio de compressão triaxial tipo CDSAT no solo de transição (Castro, 1996) 87 CAPÍTULO 5 Figura 5.1 - Zoneamento da seção da barragem 89 Figura 5.2 - Seção simulada no programa Plaxis 92 Figura 5.3 - Malha automática de elementos finitos da Barragem de Serra da Mesa 92 Figura 5.4 - Seção tipo e suas condições de contorno (consolidação e fluxo) 93 Figura 5.5 - Elevação do barramento 94 Figura 5.6 - Localização dos pontos na seção da Barragem de Serra da Mesa 95 Figura 5.7 - Processo construtivo das camadas da barragem 97 Figura 5.8 - Distribuição das poropressões durante o processo construtivo 99 Figura 5.9 - Piezômetro pneumático 100 Figura 5.10 - Localização dos piezômetros 101 xvi Figura 5.11 - Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto A) 101 Figura 5.12 - Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto E) 102 Figura 5.13 - Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto P) 102 Figura 5.14 - Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto D) 103 Figura 5.15 - Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto C) 103 Figura 5.16 - Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto Q) 104 Figura 5.17 - Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto R) 104 Figura 5.18 - Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto T) 105 Figura 5.19 - Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto B) 105 Figura 5.20 - Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto S) 106 xvii LISTA DE SÍMBOLOS E ABREVIATURAS H Altura da camada a ser construída h Altura de aterro acima de um determinado ponto φ' Ângulo de atrito efetivo φm ' Ângulo de atrito efetivo para a envoltória FS ψ Ângulo de dilatância q Carga de superfície distribuída representando a construção da camada k0 Coeficiente de empuxo no repouso kx Coeficiente de permeabilidade na direção x ky Coeficiente de permeabilidade na direção y kh Coeficiente de permeabilidade horizontal kv Coeficiente de permeabilidade vertical ν Coeficiente de Poisson c’ Coesão efetiva CBDB Comitê Brasileiro de Barragem L Comprimento do elemento CCR Concreto compactado a rolo α Constante de integração ε Deformação axial ε1 Deformação principal ∆V /V3 Deformação volumétrica DNOCS Departamento Nacional de Obras contra Secas dx Deslocamento na direção x dy Deslocamento na direção y PN Ensaio triaxial com relação σ 3 / σ 1 constante, observando o desenvolvimento de poropressões CDSAT Ensaio triaxial consolidado-drenado (com saturação prévia) UU Ensaio triaxial não consolidado e não drenado, como medida de poropressão t Espessura do elemento de contato pexcess Excesso de poropressão xviii FS Fator de Segurança f Forças de massa devido ao peso-próprio f Função de plastificação g Função potencial plástica ∆σ V Incremento da tensão vertical ∆u Incremento de poropressão ∆t Incremento de tempo real ∆h Incremento na altura da barragem ∆f Incrementos nas forças externas ∆ν Incrementos nodais de deslocamento ∆p n Incrementos nodais de poropressão ∆ p n0 Incrementos nodais de poropressão inicial L Matriz acoplada D Matriz constitutiva B Matriz das funções de forma N Matriz das funções de interpolação H Matriz de fluxo R Matriz de impermeabilidade K Matriz de rigidez D' Matriz de rigidez efetiva f Matriz de rigidez volumétrica MEF Método dos elementos finitos D Módulo oedométrico Kskeleton Módulo volumétrico do esqueleto de solo Kw Módulo volumétrico dos vazios do elemento λ Multiplicador plástico A Parâmetro de poropressão de Skempton B Parâmetro de poropressão de Skempton B Parâmetro de poropressão ru Parâmetro de Poropressão D xix p’ q (σ 1 '+σ 3 ') 2 (σ 1 '−σ 3 ') 2 = Parâmetro de tensões = Parâmetro de tensões E, ν Parâmetros do modelo Elástico-Linear E , ν , c, φ, ψ Parâmetros do modelo Mohr-Coulomb γw Peso específico do fluído γ Peso específico do solo γ unsat Peso específico do solo não-saturado (natural) γ sat Peso específico saturado n Porosidade u Poropressão u0 Poropressão inicial pinput Poropressão gerada nas linhas freáticas psteady Poropressão do regime permanente no fim do processo de consolidação kf Relação das tensões efetivas na ruptura k Relação entre as tensões efetivas θ Rotação no nó do elemento de viga τ Tensão Cisalhante σh' Tensão horizontal efetiva σh Tensão horizontal total qf Tensão máxima desviatória de ruptura qm Tensão máxima de projeto σ2 Tensão principal intermediária σ1 Tensão principal maior σ1' Tensão principal maior efetiva σ3 Tensão principal menor σ3' Tensão principal menor efetiva σV ' Tensão vertical efetiva σV Tensão vertical total xx ∆σ 1 Variação da tensão principal maior ∆σ 3 Variação da tensão principal menor σ' Vetor das tensões efetivas ε Vetor de deformações εe Vetor de deformações elásticas εp Vetor de deformações plásticas ν Vetor de deslocamentos nodais r0 Vetor de força residual F Vetor de forças nodais dfn Vetor de incremento de carga m Vetor de termos unitários q Vetor devido ao fluxo prescrito no contorno rn Vetor global de força residual t Vetor que representa a superfície de tração xxi Capítulo 1 Introdução 1.1. MOTIVAÇÃO As barragens são obras de engenharia que apresentam uma importância fundamental para a sociedade, pois representam, na maioria das vezes, a solução para diversos problemas, sejam eles, econômicos, sociais ou ambientais. A construção de barragens não é uma atividade recente; as primeiras barragens que foram construídas no mundo datam de aproximadamente 3.000 aC. As barragens podem ser multifuncionais e dentre as suas principais funções citam-se: armazenamento para posterior abastecimento, irrigação, controle de cheias, regularização dos rios, navegação e geração de energia. Segundo o Comitê Internacional sobre Grandes Barragens (ICOLD) foram construídas mais de 39.000 grandes represas nos últimos 35 anos. Elas se tornaram uma parte integrante da infra-estrutura técnica mundial, e melhoraram a qualidade de vida oferecendo muitos benefícios indispensáveis. Elas ainda serão muito necessárias no futuro para a administração adequada dos recursos hídricos, que caprichosamente foram distribuídos de forma desigual no mundo, existindo regiões onde esses recursos são bastante escassos. As barragens geotécnicas, objeto de estudo desta dissertação, são obras que podem ser analisadas sob diferentes pontos de vista, tais como: estabilidade de taludes, percolação e tensão-deformação. Na presente dissertação será dada ênfase à fase construtiva do barramento onde os efeitos acoplados de equilíbrio e fluxo apresentam-se de forma significativa. O motivo da escolha desta fase justifica-se pelo fato da mesma estar sujeita à sobrecargas que atuam no meio, principalmente nos solos finos, onde se geram poropressões, surgidas da lenta expulsão de água dos vazios do solo compactado e úmido, as quais atuam contra a estabilidade do maciço. É nesta fase de carregamento que os projetistas de barragens encontram dificuldades para mensurar as poropressões construtivas devido à complexidade –1– Capitulo 1 – Introdução dos fenômenos que ocorrem simultaneamente, e partem para soluções aproximadas como a utilização do parâmetro ru e o ensaio triaxial PN. Essas soluções aproximadas, apesar de utilizadas em grande escala, apresentam limitações que geram resultados com perda de precisão. Essa pesquisa objetiva encontrar uma distribuição mais coerente da poropressão durante a fase de construção da barragem, por meio de ferramentas computacionais. A utilização de ferramentas computacionais é cada vez mais freqüente devido aos excelentes resultados encontrados em estudos realizados nas últimas décadas. Para o estudo das distribuições de poropressões construtivas faz-se necessária uma ferramenta que contemple: análise de construção em camadas, dissipação de poropressão e análises acopladas. Para isso, o programa Plaxis 2D foi selecionado devido à sua vasta utilização para resolução de problemas geotécnicos e a suas características de cálculo. 1.2. OBJETIVO Esta pesquisa tem como objetivo obter a distribuição de poropressão durante a fase de construção das barragens, através de simulação numérica, desde o instante em que a camada foi compactada, passando pela altura da barragem equivalente à saturação e, a partir daí, geração de poropressão com o alteamento posterior da barragem, fazendo uma análise acoplada que contemple aspectos de equilíbrio e fluxo. Isso porque o valor da poropressão construtiva é resultado da velocidade de carregamento (taxa de construção da barragem) e do tempo de dissipação da pressão da água nos vazios do solo, considerando a permeabilidade do material e a geometria da barragem (distância das fronteiras drenantes). 1.3. ESCOPO DA DISSERTAÇÃO Esta dissertação é dividida em seis capítulos. No Capítulo 1 são apresentados a motivação e os objetivos da pesquisa. No Capítulo 2 é apresentada uma revisão bibliográfica contemplando aspectos físicos e computacionais do processo construtivo de barragens. No Capítulo 3 são apresentados a metodologia e os resultados obtidos para as análises feitas na seção hipotética. –2– Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica No Capítulo 4 são apresentadas as características de projeto da barragem de Serra da Mesa. No Capítulo 5 é realizada a simulação da barragem de Serra da Mesa e a comparação entre os valores simulados com a instrumentação instalada no barramento. No Capítulo 6 são apresentadas as conclusões finais da dissertação e sugestões para pesquisas futuras. –3– Capítulo 2 Poropressões Construtivas em Barragens Diversas forças tendem a desestabilizar os taludes das barragens de terra, estas forças são provenientes dos efeitos gravitacionais e de percolação. Como a resistência ao cisalhamento do solo, de uma forma geral, reduz com o aumento das poropressões, é necessário fazer uma boa estimativa das poropressões geradas no barramento para uma análise confiável da estabilidade de taludes. Valores máximos de poropressões se desenvolvem normalmente ao final da construção da barragem, porém, condições críticas de estabilidade podem surgir nos estágios intermediários da construção. Esta condição pode ser crítica tanto para o talude de jusante quanto para o talude de montante. A partir disto, é feito um estudo dos métodos utilizados para determinação das poropressões em barragens durante a fase de construção. Em seguida, é realizado um resumo das características da ferramenta computacional, empregada nas simulações numéricas, para determinação das poropressões construtivas. 2.1. POROPRESSÃO Bishop (1954) e Skempton (1954) estudaram a variação das poropressões devido a incrementos de tensão. A Equação básica de poropressão pode ser escrita por: ∆u = B ⋅ ∆σ 1 Onde: • ∆u é o incremento de poropressão • ∆σ 1 é a variação da tensão total principal maior • B é o parâmetro de poropressão –4– (2.1) Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens Já o parâmetro B , sugerido por Bishop (1954), é dado por: ⎡ ⎛ ∆σ 3 ⎞ ⎤ ⎟⎥ B = B ⎢1 − (1 − A) ⋅ ⎜⎜1 − ∆σ 1 ⎟⎠⎦ ⎝ ⎣ (2.2) Onde: • A e B são os parâmetros de poropressão de Skempton (1954) • ∆σ 1 é a variação da tensão total principal maior • ∆σ 3 é a variação da tensão total principal menor Assim, a poropressão pode ser expressa diretamente em função de ∆σ 1 . Infelizmente, o parâmetro B em casos de grandes variações de ∆σ 1 não se torna vantajoso, devendo-se fazer uso da Equação de Skempton (1954): ∆u = B ⋅ [∆σ 3 + A(∆σ 1 − ∆σ 3 )] (2.3) A e B são coeficientes de poropressão, medidos experimentalmente em ensaio triaxial nãodrenado. Esses parâmetros dependem do grau de saturação do solo. Porém esta equação não leva em conta a tensão intermediária σ 2 , pois a equação foi derivada de um caso especial de ensaio triaxial, onde σ 2 = σ 3 . O parâmetro de poropressão B pode ser determinado através de um ensaio triaxial, sendo conhecido como ensaio B ou ensaio triaxial PN. O parâmetro é obtido através da trajetória de tensões do experimento. Ele é usado para determinar os valores do parâmetro de poropressão B para solos parcialmente saturados sob condições em que as tensões principais maior e menor, σ 1 e σ 3 , respectivamente, variem simultaneamente, assim como em uma barragem de terra enquanto está no seu período construtivo. O ensaio é geralmente realizado sobre amostras indeformadas de argila que foi usada no barramento. Head (1986) apresenta o procedimento de ensaio, através de um exemplo de um estudo de trajetórias de tensões usando equipamentos e procedimentos de um ensaio triaxial normal. Os princípios e aplicações foram originalmente descritos por Bishop (1954). Um elemento de solo, próximo à base de uma barragem de terra parcialmente construída, é observado na Figura 2.1. Durante o processo construtivo, a tensão vertical total sobre o elemento de solo é –5– Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica gradativamente elevada enquanto o barramento é alteado. O incremento de tensão ∆σ v devido o aumento na altura da barragem ∆h é igual à ∆h ⋅ γ , onde γ é o peso específico do solo. É assumido que a taxa de tensão efetiva σ v ' σ h ' permanece constante para um valor denominado 1 k . Não ocorrendo deformação lateral, o valor de k será igual a k 0 , mas desde que o barramento não seja confinado lateralmente, k é menor que k 0 . Os valores de k no plano p' vs q (Lambe & Whitman, 1969) estão plotados na Figura 2.1.a, onde: p' = (σ 1 + σ 3 )' 2 (2.4) q= (σ 1 − σ 3 ) 2 (2.5) É exigido que o valor de k não seja inferior ao valor correspondente ao menor fator de segurança especificado em projeto. q Kf < K < K0 < 1 σv = h .γ γ (∆σh) σh (∆σv) σv Kf Ru ra ptu ç ran u g se roje ep d a lat e ento or d t m a a n i nf KF m co K se ∆h h to eral K =1 (Isotrópico) p’ (a) (b) Figura 2.1 – Variação de tensão durante a construção – Elemento de solo e limites para valores de k (modificado – Head, 1986) A tensão vertical σ v é a tensão principal maior e é denominada σ 1 , e σ h é denominada σ 3 . Um incremento na tensão vertical ∆σ 1 gera um incremento de poropressão ∆u . Para a condição de taxa de tensão k constante referida anteriormente, a variação de poropressão é proporcional à variação na tensão principal maior, como dado pela Eq. 2.1. Porém, com exceção dos casos de simetria, as tensões σ v e σ h não correspondem às tensões principais σ 1 e σ 3 , respectivamente. –6– Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens A altura do aterro acima de um determinado ponto é denominada h , e a poropressão nesse ponto de u . As tensões totais e efetivas são calculadas da seguinte forma: σ1 = h ⋅γ σ1'= h ⋅γ − u σ 3 ' = k ⋅ σ 1 ' = k (h ⋅ γ − u ) σ 3 = σ 3 '+u = kh ⋅ γ + (1 − k ) ⋅ u (2.6) A determinação das poropressões durante a construção de barragens possibilita o monitoramento de sua estabilidade. Segundo Head (1986), comparando os valores de poropressão em um certo estágio com o máximo valor permitido derivado de ensaio determina-se um fator de segurança. Se as poropressões se tornarem excessivas, a construção é interrompida até que as mesmas dissipem para um valor seguro. Uma curva tensão deformação de um ensaio de compressão triaxial drenado sobre o material do barramento pode ser vista na Figura 2.2.a. A máxima tensão desviatória de ruptura é denominada por q f , e a tensão máxima de projeto, usualmente com valores mais baixos, q m . O coeficiente entre a tensão de ruptura pela máxima tensão de trabalho é conhecido como fator de segurança, FS , definido pela seguinte equação: FS = qf qm (2.7) Um conjunto de Círculos de Mohr que representa a condição de trabalho limite, FS , podem ser traçados da mesma forma como para a condição de ruptura (Figura 2.2.b). A envoltória forma um ângulo φ m ' com a horizontal. No ponto A, sobre o eixo das tensões normais, o quociente AB AC equivale ao fator de segurança FS . Isto é: FS = tan φ ' tan φ m ' (2.8) Caso a envoltória de resistência apresente na interseção do eixo horizontal uma coesão c' , a envoltória FS intercepta o eixo das tensões cisalhantes no ponto c' / FS , como mostrado na Figura 2.2.c. As duas envoltórias interceptam o eixo das tensões normais a uma distância c' / tan φ ' , à esquerda da origem. –7– Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica (σ1 - σ3 ) τ qf Pico (ruptura) φ’ qm c’ Tensão máxima de projeto: fator de segurança FS= qf /qm c’/tan φ’ vo En τ (c) a tur up R e ad i r ltó oltó Env φ’ φm ’ C’/FS ε1 (a) ra ptu S Ru a =F ç n ura Seg e d r Fato σ’ B C S ria F Ruptura FS=1 FS φm’ O A qm σ’ qf (b) Figura 2.2 – Propriedades de resistência ao cisalhamento do material do barramento (modificado – Head, 1986) Head (1986) explica que o objetivo do ensaio B é aplicar tensões que sempre mantenham a condição limite do fator de segurança FS . Isto é, segundo a envoltória OC (Fig. 2.2.b), observando as poropressões resultantes. Um exemplo típico de amostragem de resultados do ensaio B é mostrado na Figura 2.3, traçando-se: • Deformação axial ε % versus tensão efetiva principal maior σ 1 ' ; • Deformação volumétrica ∆V V3 % versus tensão efetiva principal maior σ 1 ' ; • Círculos de Mohr, incluindo o círculo de ruptura; • Poropressão u versus tensão principal maior σ 1 ; –8– Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens Figura 2.3 – Gráficos traçados de um ensaio B em uma argila compactada (modificado – Head, 1986) A partir dos gráficos traçados na Figura 2.3 pode-se calcular o valor do parâmetro B da seguinte forma: B= 84 = 0,34 250 Pinto (1975) apresenta resultados de três ensaios sobre solos com diferentes graus de saturação, e com a mesma relação entre a pressão confinante e a pressão axial (Figura 2.4). O –9– Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica solo I apresenta um rápido aumento de poropressão, até sua saturação. Os solos II e III apresentam graus de saturação baixos, conseqüentemente, as poropressões são mais baixas. u I II III σ1 Figura 2.4 – Ensaios PN realizados em solos com variados graus de saturação O problema desta metodologia é que o valor do parâmetro B é função da tensão principal maior σ 1 , e o valor exato de σ 1 em uma análise de estabilidade de taludes não é conhecido. Com isto, Bishop & Morgenstern (1960) apresentam o parâmetro ru como uma forma mais conveniente de expressar as poropressões em qualquer ponto, sendo este parâmetro ru = f (σ v ) . Devido a essas dificuldades, o uso de coeficientes de poropressão para estimar as poropressões construtivas é limitado na prática (Singh & Varshney, 1995). 2.1.1. POROPRESSÃO CONSTRUTIVA A chamada poropressão construtiva, aquela que se desenvolve durante a construção da barragem sempre foi de difícil avaliação, dada à natureza acoplada dos fenômenos que ocorrem nesta fase da obra, quais sejam, equilíbrio e fluxo. A poropressão construtiva foi estudada por diversos autores, dentre os principais, pode-se citar Hilf (1948), Bishop (1957), Bernell (1958), Li (1967) e Stewart (1979). Hilf (1948) propôs um método analítico para cálculo da magnitude das poropressões durante a construção. Este método é baseado na hipótese de um fluxo unidimensional. Segundo Bishop (1957) as poropressões em aterros compactados, na ausência de drenagem, dependem das condições de execução, em particular do teor de umidade, e do estado de tensões resultante do peso das camadas posteriormente construídas. – 10 – Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens Bernell (1958) relatou em seus estudos a importância das poropressões construtivas na fase inicial de construção, pois suas análises mostraram que os parâmetros de poropressão alcançam seus valores mais elevados no início do período de construção. Segundo Li (1967) durante a construção de um maciço compactado de uma barragem, as camadas de solo compressível apresentando relativa impermeabilidade, compactadas mais recentemente, tendem a sofrer uma maior variação de volume. Existem muitos fatores na construção de uma barragem de terra que determinam o desenvolvimento das poropressões, dentre os principais cita-se a umidade de compactação, o grau de compactação, a permeabilidade e a compressibilidade do material, a carga total aplicada e a velocidade de construção, e os fatores drenantes do aterro e das fundações. 2.1.2. PARÂMETRO ru Na falta de análises mais precisas para determinação das poropressões geradas durante a fase de construção de uma barragem, projetistas utilizam um parâmetro que representa a geração de poropressão durante o processo construtivo com relativa precisão para as análises de estabilidade de taludes nos projetos de barragens. Ele é chamado de parâmetro ru. Bishop & Morgenstern (1960) o apresentam em seu trabalho como uma maneira mais conveniente de expressar as poropressões em qualquer ponto, sendo definido pela equação: ru = u γh (2.9) Empiricamente calcula-se o parâmetro ru através da instrumentação, podendo relacionar este parâmetro com os mais variados tipos de materiais, como exemplificado na Tabela 2.1. Porém, o parâmetro ru atribui valores conservadores às poropressões geradas no maciço. Tabela 2.1 – Valores típicos do parâmetro ru de acordo com o material (Assis, 2003) Material Enrocamento Arenoso fino e grosso Argilosos Argilas orgânicas ru 0 0,05 a 0,15 0,2 a 0,45 0,5 a 0,8 O fator ru é atribuído a cada material e não considera a distância da fronteira drenante. No entanto, é sempre possível gerar faixas em função das condições de drenagem, como pode ser – 11 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica observado na Figura 2.5. Essa distribuição por faixas pode ser feita em solos diferentes ou em um mesmo tipo de solo. Porém, devido ao grau de empirismo, essa aproximação gera imprecisão para os cálculos de estabilidade. 0,2 0,3 0,25 Figura 2.5 – Faixas típicas de valores do parâmetro ru em solos argilosos (Assis, 2003) 2.2. PROBLEMA FÍSICO As condições de consolidação e de drenagem em um núcleo argiloso variam muito com a posição do ponto em relação às fronteiras drenantes do maciço. Dentro de um mesmo solo por exemplo, um núcleo argiloso pode-se variar de uma condição consolidada e não-drenada imediatamente sob o núcleo argiloso, passando pelas condições consolidada e drenada, nas primeiras camadas compactadas, próximas ao enrocamento (fronteira drenante), chegando na última camada compactada a uma condição não-consolidada e não-drenada (Figura 2.6). Inconsolidado Não-drenado Transições Núcleo Argiloso Enrocamento Fundação Impermeável Consolidado Não-drenado Consolidado Drenado Figura 2.6 – Condições de consolidação e drenagem no corpo de uma barragem Na consolidação inicial de um aterro, quando ocorre presença de ar na estrutura de solo, existindo uma poropressão negativa devido à sucção, essa situação de poropressão negativa – 12 – Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens age a favor da segurança. Porém, com a compactação das camadas posteriores da barragem a poropressão assumirá valores positivos devido à consolidação da camada (diminuição do volume de vazios), ocasionando o confinamento da água dentro da estrutura do solo (Figura 2.7). u Ar Partículas de argila hc Água da compactação h // σ Figura 2.7 – Representação da geração de poropressão positiva durante a construção O valor hc é a altura de aterro compactado acima de um certo ponto, no limite que o volume de vazios da estrutura é igual ao volume de água, gerando, a partir daí, poropressão positiva. Na verdade, a curva não é única. Ela depende da distância da fronteira drenante e do tempo, existindo uma competição entre o acréscimo de cargas e o adensamento, isto é, quanto a velocidade construtiva é maior ou menor que o tempo de drenagem, que é dependente da distância da fronteira drenante. Como a velocidade de construção do maciço é quase sempre superior à velocidade de drenagem, à medida que a construção avança, gera-se poropressão no maciço que vai se dissipando lentamente, muito tempo depois de encerrada a construção. Buscando uma distribuição de poropressão coerente, a título de exemplo, pode-se citar a forma aproximada desta distribuição de poropressão apresentando resultados encontrados na literatura. Li (1967) apresentou a magnitude das poropressões através de piezômetros instalados em diversas barragens colombianas. Essa distribuição pode ser vista na Figura 2.8. – 13 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica 0 8 6 2 4 (a) Barragem Quebradona 20 10 10 30 10 40 5 (b) Barragem Miraflores 0 10 Piezômetros Poropressões em metro de coluna d’água 10 20 30 40 50 Metros Esca la Figura 2.8 – Localização dos piezômetros e distribuição das poropressões imediatamente após a construção (modificado – Li, 1967) Após a etapa de análise da poropressão construtiva, análises de estabilidade de taludes acompanhando o período construtivo são realizadas em função da poropressão gerada, este acompanhamento foi feito durante a construção através do gráfico de Bishop (Figura 2.9). Com o início da construção da barragem (Figura 2.9.a) as poropressões, que inicialmente apresentam valores negativos, devido ao alteamento da barragem passam a receber acréscimos de poropressão positivos. Quando a altura do aterro (carregamento), acima de um determinado ponto, igualar o volume de vazios com o volume de água na estrutura do solo inicia-se o processo de geração de poropressão positiva (Figura 2.9.b). Com isso, o fator de segurança cai, podendo chegar a uma condição crítica em termos de estabilidade de taludes, como ilustrado na Figura 2.9.c. Quando isto, a construção da barragem é interrompida até que os níveis de poropressão voltem a valores aceitáveis. – 14 – Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens h Altura da barragem FS crítico (cessa a construção) (a) u Poropressão Tempo Dissipação da poropressão (b) Tempo FS (c) Tempo Figura 2.9 – Gráfico de Bishop para acompanhamento da obra durante a construção 2.3. MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS O Método dos Elementos Finitos (MEF) é uma ferramenta que está introduzida em um modelo computacional que objetiva, para uma dada estrutura de engenharia, buscar maior segurança e economia para os projetos. Devido à sua grande capacidade de simular situações com diferentes condições de contorno, geometria e carregamento, o Método dos Elementos Finitos vem sendo bastante utilizado e difundido nas últimas décadas. Uma análise em termos de elementos finitos é feita em etapas. Inicialmente, busca-se a definição do domínio e das condições de contorno, sendo esta etapa dependente da geometria – 15 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica do problema. Então, parte-se para a discretização do domínio em elementos, através de uma malha de elementos, escolhendo o tipo de elemento e o tamanho deles. A maioria das ferramentas computacionais que utilizam o Método dos Elementos Finitos em duas dimensões trabalha com elementos triangulares e quadrilaterais. Em seguida, monta-se a matriz e os vetores para cada elemento. Esta etapa depende das propriedades do material que constitui o domínio e do tipo e da geometria do elemento. Só então monta-se a matriz e o vetor globais, baseados na compatibilidade entre elementos. Com isso, resolve-se o sistema utilizando métodos de solução de sistemas lineares. Por fim, calculam-se as variáveis secundárias, por meio das definições e das propriedades citadas anteriormente. A partir desses cálculos obtêmse as variáveis secundárias (tensões e deformações). A Figura 2.10 ilustra um resumo de uma análise feita em MEF. Discretização Divide em partes (elementos) o domínio Para representar tanto a geometria quanto a solução do problema Aproximação Busca uma solução aproximada para cada elemento Usa uma combinação linear de valores e de funções nodais de aproximação Solução A partir de todos os elementos monta-se a solução global Derivando as relações algébricas entre os valores nodais da solução sobre cada elemento sujeitos a determinadas condições de contorno Figura 2.10 – Resumo de uma análise feita em MEF Para um sistema discreto, a solução é obtida usando um número finito de componentes bem definidos, por exemplo, estrutura principal de edifícios, treliças. Os problemas contínuos complexos requerem uma discretização e o uso de um método numérico, tal como o Método dos Elementos Finitos (MEF). A Figura 2.11 ilustra alguns casos de aplicação do Método dos Elementos Finitos. – 16 – Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens Sistema discreto Sistema contínuo Contínuo Semi-infinito Elemento Finito Figura 2.11 – Exemplos de aplicação do MEF O MEF simula a divisão de um domínio dado em vários sub-domínios simples chamados elementos finitos. Um elemento finito pode assumir qualquer forma geométrica, comumente são usados triângulos ou quadriláteros (Figura 2.12). Tal subdivisão do domínio em elementos tem duas vantagens: permite a representação exata de geometrias complexas e a inclusão de materiais dissimilares; permite a representação exata da solução dentro de cada elemento calculando os efeitos locais (concentrações de tensões e deformações). Contorno Nós Elementos Figura 2.12 – Variação nas formas dos elementos de discretização As análises podem ser feitas com diferentes tipos de elementos, sendo que as principais características destes são com relação à forma e a ordem de cada elemento. Quanto à forma – 17 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica tem-se: os elementos de barra, elementos de viga, elementos 2D e elementos 3D, como ilustrado na Figura 2.13. dy2 dy2 θ2 dx2 dy1 dx2 dy1 dx1 θ1 dx1 (b) Elemento de viga (a) Elemento de barra dy2 dx2 Estrutura t dy3 dy1 dx1 Solo L dx3 (d) Elemento de contato 2D (c) Elemento 2D (e) Elementos 3D Figura 2.13 – Tipos de elementos quanto à forma Com relação à ordem dos elementos citam-se os elementos de primeira, segunda e quarta ordem. A ordem está relacionada ao tipo de função que interpolará as variáveis dentro dos elementos. A Figura 2.14 mostra o quanto a ordem dos elementos pode variar o tipo de função dos elementos do problema. Deslocamentos Deslocamentos Deslocamentos X Elemento de 1ª Ordem X Elemento de 2ª Ordem Figura 2.14 – Tipos de elementos quanto à ordem – 18 – X Elemento de 4ª Ordem Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens As equações do MEF são formuladas aplicando as equações de compatibilidade, do comportamento material e de equilíbrio e podem ser escritas em notação matricial, como: ⎡ ⎤ T e e F = ⎢ ∫ ( B ⋅ D ⋅ B ) ⋅ dV ⎥ ⋅ν = K ⋅ν ⎣volume ⎦ (2.10) Onde: • F é o vetor das forças nodais • B é a matriz das funções de forma • D é a matriz constitutiva • K é a matriz de rigidez • ν é o vetor de deslocamentos nodais. 2.4. ANÁLISE POR ELEMENTOS CONSTRUTIVO DE BARRAGENS FINITOS DO PROCESSO A utilização do Método dos Elementos Finitos para simulação de barragens de terra apresentou um grande crescimento, principalmente com o avanço das técnicas computacionais, podendo-se citar Clough & Woodward (1967), Penman et al (1971), Celestino & Marechal (1975), Veiga Pinto (1983), Farias (1993) e Pereira (1996) que estudaram o comportamento de barragens através de análises numéricas. A construção de uma barragem de terra deve levar em consideração os seguintes aspectos: • Uma barragem é simulada em vários estágios de carregamento (camadas); • Para cada estágio existem tipos de camadas (Figura 2.15); • Cada estágio, ou camada, necessita de uma análise separada em elementos finitos, pois cada um possui diferentes carregamentos, rigidez etc; • O carregamento total devido a uma camada em construção deve ser dividido em vários incrementos de cargas, no caso de uma análise não-linear; • Para cada incremento de carga, em cada camada, deverão ser feitas interações até que o critério de convergência seja observado; • N° soluções = N° camadas x N° incrementos x N° interações. – 19 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Segundo Farias (1999) alguns pontos importantes devem ser observados nas simulações de construção de barragens por Elementos Finitos: • Aplicação das cargas externas; • Consideração da influência da compactação; • Número de camadas a serem usadas; • Interpretação correta dos deslocamentos das camadas; • Consideração dos elementos a serem construídos; • Condições de drenagem; • Consideração de possíveis saturação e colapso. Fundação Camadas a serem construídas Camadas em construção Camadas construídas Figura 2.15 – Construção em camadas (modificado – Farias, 1999) 2.4.1. CARGAS EXTERNAS Com relação à simulação das cargas externas, pode-se dizer que o carregamento principal durante a construção de uma barragem é devido ao peso próprio. Existem duas maneiras de se impor o peso próprio a uma camada em construção, usando forças de superfície (concentradas, distribuídas linearmente ou distribuídas em uma área) ou forças de massa (peso específico) (Farias, 1999). Quando se utilizam forças de superfície, cada camada é substituída por sua respectiva sobrecarga sobre a camada anterior, como pode ser observado na Figura 2.16. Este método apresenta algumas desvantagens. Tem-se que durante a construção de uma camada são transmitidas para a camada inferior, tanto tensões normais quanto tensões cisalhantes. Isso se deve à tendência de expansão lateral da camada previamente construída – 20 – Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens (coeficiente de Poisson). Neste caso, essa expansão lateral não pode ser observada. Além de que, as informações sobre as tensões e deformações da camada imediatamente construída são perdidas. As tensões são assumidas como sendo as do estado geostático. q = γH H γ σv = γ ⋅ H σ h = k0 ⋅ σ v τ =0 Tensões? Deformações? Próxima Camada Figura 2.16 – Forças de superfície (modificado – Farias, 1999) Outra maneira de aplicar as forças externas, provenientes da construção das camadas, é por meio das forças de massa (Figura 2.17). Forças de massa (peso específico) são aplicadas aos elementos da camada em construção pelo mecanismo “gravity turn on”. γ Figura 2.17 – Forças de massa (modificado – Farias, 1999) Farias (1999) relata que a grande vantagem desta forma de aplicar o carregamento é que os elementos da camada que está sendo construída entram na rigidez global e as informações sobre os elementos não são perdidas. Entretanto, para análises não-lineares, alguns elementos não-nulos do campo de tensões iniciais podem ser atribuídos aos elementos em construção, devido aos elementos necessitarem de alguma rigidez inicial para suportar seu próprio carregamento (peso próprio). Uma opção para evitar este problema é considerar a camada em construção como elástica-linear, mudando a posteriori para o modelo apropriado. Ambos os procedimentos, forças de superfície e forças de massa, convergem com o aumento do número de camadas a serem simuladas. – 21 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Um campo de tensões iniciais auto-equilibrado pode ser obtido assumindo uma sucção inicial u 0 , poropressão negativa, e valores positivos de u 0 para as tensões efetivas. u = −u 0 σ ' = (σ x ' , σ y ' , σ z ' ,τ xy ,τ yz ,τ zx ) = (u 0 , u 0 , u 0 , 0, 0, 0) (2.11) σ = (0, 0, 0, 0, 0, 0) Deve-se ter cuidado na escolha de u 0 , já que a magnitude das tensões iniciais pode afetar a solução. Um valor pequeno, entorno de 20 kPa, é suficiente na maioria dos casos. Em alguns casos se pode associar ao valor de u 0 um significado mais físico; o mesmo pode ser obtido através de uma sucção “in situ” no aterro não-saturado (Farias, 1999). 2.4.2. NÚMERO DE CAMADAS Em uma compactação real, as camadas de uma barragem de terra variam entre poucos centímetros até 2 m, dependendo do tipo de material e dos equipamentos utilizados na compactação. Para grandes barragens, com mais de 60 m de altura, por exemplo, seriam necessárias 300 camadas de vinte centímetros de altura. Porém, adotar esses números para uma análise numérica seria bastante complicado, devendo-se adotar um número muito menor de camadas. Um número adequado de camadas em uma análise depende basicamente de duas considerações: • A região de interesse a ser analisada (fundação, maciço da barragem ou ambos). Por exemplo, se o interesse estiver na fundação, quanto à consolidação, uma única camada pode ser suficiente, mas evidentemente o carregamento total deve ser dividido em vários incrementos em uma análise não-linear. • A variável de interesse (deslocamentos e tensões). Valores de tensões são facilmente reproduzidos com um numero menor de camadas em relação aos deslocamentos. Dez camadas é um valor tipicamente usado em publicações que utilizam análises numéricas em barragens. Entretanto, Naylor & Mattar (1988) sugerem alguns procedimentos que têm apresentado bons resultados para um número menor de camadas, cinco ou seis. – 22 – Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens 2.4.3. INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE DRENAGEM Muitas barragens são construídas com núcleo argiloso e espaldares de enrocamento. Estes materiais apresentam comportamentos totalmente diferentes durante a construção da barragem em termos de drenagem. Em análises estáticas convencionais só é possível simular condições extremas. Por exemplo, em construções rápidas o núcleo é considerado não-drenado e os espaldares de enrocamento drenados. Já em construções lentas o núcleo e o enrocamento são considerados sob condições drenadas. A situação real durante a construção, tanto para barragens de enrocamento com núcleo argiloso quanto para barragens homogêneas, é intermediária, uma vez que as poropressões são geradas e dissipadas enquanto as camadas são construídas. Esta situação pode ser corretamente simulada com análises acopladas de consolidação. 2.4.3.1 Análises Estáticas Convencionais Em análises estáticas convencionais só a condição de equilíbrio é satisfeita. Isto é expresso pela conhecida formulação em elementos finitos (Eq. 2.10). Para condições não-drenadas a matriz constitutiva D pode ser expressa pela soma de dois componentes: uma rigidez efetiva f D ' devido ao esqueleto do solo e uma rigidez volumétrica D devido aos vazios. D = D'+ D f (2.12) Onde: ⎡K w D = ⎢⎢ K w ⎢⎣ 0 f Kw Kw 0 0⎤ 0⎥⎥ 0⎥⎦ K w é o módulo volumétrico dos vazios do elemento. Este valor depende do módulo volumétrico das partículas de solo K skeleton , do módulo volumétrico do fluido e da porosidade n. – 23 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Segundo Farias (1999) se a Equação 2.12 for inserida em um programa de elementos finitos é possível simular todos os casos de drenagem apenas assumindo os parâmetros do solo apropriadamente. 2.4.3.2 Análises Acopladas de Consolidação Na tentativa de levar em consideração a consolidação no processo construtivo de barragens, tanto as equações de equilíbrio e continuidade devem ser satisfeitas. A formulação em elementos finitos de um problema acoplado pode ser expressa em forma de incrementos: ⎡K ⎢ LT ⎣ ⎤ L ⎤ ⎡ ∆ν ⎤ ⎡ ∆ f ⎢∆ p ⎥ = ⎢∆t ⋅ H ⋅ p ⎥ ⎥ − α ⋅ ∆t ⋅ H ⎦ ⎣ n ⎦ ⎣⎢ n0 ⎥ ⎦ (2.13) Onde: • L é a matriz acoplada que depende apenas do tipo do elemento e da geometria; • H é a matriz de fluxo que depende do tipo do elemento, geometria e das propriedades hidráulicas (tensor de permeabilidade); • K é a matriz de rigidez do esqueleto sólido; • ∆t é o incremento de tempo real; • α é a constante de integração que varia entre 0 e 1; • ∆ν são os incrementos nodais de deslocamento; • ∆ pn são os incrementos nodais de poropressão; • ∆ f são os incrementos nas forças externas; • ∆t ⋅ H ⋅ pn0 é um termo de fluxo do vetor de poropressão no início do incremento p n 0 . Elementos mistos, com diferentes ordens para deslocamentos e poropressões, podem ser utilizados. Como ilustrado na Figura 2.18. – 24 – Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens Deslocamentos 1 {} u1 ν1 p1 1 2 {} 1 {} u2 ν2 Poropressões {p } u1 ν1 1 Figura 2.18 – Elementos mistos 2.5. FERRAMENTA COMPUTACIONAL – PLAXIS 2D Para a simulação, foi utilizado o programa bidimensional de elementos finitos PLAXIS 2D, versão 7.2, “Finite Element Code for Soil and Rock Analyses” descrito por Brinkgreve & Vermeer (1998). Trata-se de um programa com interface gráfica amigável, que permite em suas simulações a utilização de vários tipos de solos, construção em etapas e escavações. Em termos de poropressão, pode-se gerar poropressões estáticas e excessos de poropressão devido à construção. O programa Plaxis possui vários modelos para simular o comportamento dos solos, são eles: Linear-Elástico (Linear Elastic Model), Mohr-Coulomb (Mohr-Coulomb Model), “Hardening-Soil”, “Soft Soil Creep Model” e “Soft Soil Model”. O Modelo Elástico-Linear representa a Lei de Hooke para materiais que apresentam isotropia e comportamento elástico-linear. Apresenta dois parâmetros de rigidez elástica: Módulo de Young, E, e o coeficiente de Poisson, ν. Este modelo é bastante limitado para simular o comportamento dos solos. O Modelo Mohr-Coulomb é recomendado para uma primeira aproximação do comportamento do solo, pois utiliza uma rigidez constante para cada tipo de solo. Este modelo possui cinco parâmetros: Módulo de Young, E, coeficiente de Poisson, ν, coesão, c, ângulo de atrito, φ, e o ângulo de dilatância, ψ. O modelo “Hardening-Soil” é mais avançado que o Mohr-Coulomb e aborda a rigidez do sistema de maneira mais precisa pelo uso de três valores de rigidez: a rigidez na compressão – 25 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica triaxial, a rigidez na descompressão triaxial e a rigidez na compressão oedométrica. Este pode ser usado para simular o comportamento de areias, pedregulhos e argilas pré-consolidadas. “Soft Soil Creep Model” é um modelo que pode ser usado para simular efeitos de adensamento secundário em solos moles. “Soft Soil Model” é um modelo Cam-Clay que pode ser usado para simular o comportamento de solos moles como argilas normalmente adensadas e turfa. Apresenta melhores performances em situações de adensamento primário. Apresenta mecanismo de cálculo semelhante ao modelo “Soft Soil Creep”, diferenciando-se apenas pela não consideração da fluência. Em termos de drenagem o programa possui três modelos para incorporar a interação águaesqueleto nos solos. São eles: Comportamento Drenado (Drained Behaviour), Comportamento Não-Drenado (Undrained Behaviour) e “Non-Porous Behaviour”. O modelo “Drained Behaviour” não gera excesso de poropressão. Isto é evidenciado para o caso de solos secos e solos totalmente drenados devido à sua alta permeabilidade. Já o modelo “Undrained Behaviour” é usado para geração do excesso de poropressão. O fluxo de água pode às vezes ser negligenciado devido à baixa permeabilidade. O modelo “Non-Porous Behaviour” é aplicado na modelagem de concreto e rochas ou em comportamento estruturais, dependendo do material e das condições de drenagem. O Plaxis possui dois tipos de elementos quanto à forma: o elemento triangular de seis e o de quinze nós. 2.5.1. MODELO MOHR-COULOMB (PERFEITAMENTE PLÁSTICO) Buscando uma análise preliminar do comportamento dos barramentos estudados, quanto à geração de poropressão no processo construtivo, optou-se pela utilização do modelo MohrCoulomb (Figura 2.19). O conceito de plasticidade está associado ao desenvolvimento de deformações irreversíveis. Com o intuito de avaliar se ocorre plastificação ou não em um cálculo, uma função de plastificação, f , é introduzida em função das tensões e deformações. Uma função de plastificação pode ser apresentada como uma superfície no espaço principal de tensões. Um modelo perfeitamente plástico é um modelo constitutivo com uma superfície fixa de plastificação, isto é, uma superfície de plastificação que é definida inteiramente pelos – 26 – Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens parâmetros do modelo e não afetada pelas deformações plásticas. Para os estados de tensões representados por pontos no interior da superfície de plastificação, o comportamento é puramente elástico e todas as tensões são reversíveis. 2.5.1.1 Comportamento Elástico Perfeitamente Plástico O princípio básico da elastoplasticidade é que as taxas de tensão e deformação são decompostas em uma parcela elástica e em uma parcela plástica: ε =ε e+ε p (2.14) A Lei de Hooke é usada para relacionar as taxas de tensão com as taxas de deformações elásticas. Substituindo a Equação 2.14 na Lei de Hooke, tem-se: σ ' = D e ⋅ ε e = D e ⋅ (ε − ε p ) (2.15) Brinkgreve & Vermeer (1998) relatam que, de acordo com a teoria clássica da plasticidade (Hill, 1950), as taxas plásticas das deformações são proporcionais à derivada da função de plastificação com respeito às tensões. Isto significa que as taxas plásticas de deformação podem ser representadas por vetores perpendiculares à superfície de plastificação. Esta formulação clássica da teoria é tida como a plasticidade associada. Entretanto, para as funções de plastificação do tipo Mohr-Coulomb, a teoria de plasticidade associada conduz a valores superestimados de dilatância. Conseqüentemente, além da função de plastificação, uma função potencial plástica, g, é introduzida. O caso g ≠ f é denominado como plasticidade nãoassociada. Geralmente as taxas plásticas de deformação são escritas como: εp =λ ∂g ∂σ ' (2.16) Onde λ é o multiplicador plástico. Para o comportamento puramente elástico λ assume valor nulo, visto que, para o comportamento plástico λ é positivo: – 27 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica T λ =0 para f < 0 ou λ≠0 para f = 0 ou ∂f De ⋅ε ≤ 0 ∂σ ' T ∂f De ⋅ε > 0 ∂σ ' ( Elasticidade) ( Plasticidade) Figura 2.19 – Modelo Elástico Perfeitamente Plástico 2.5.1.2 Formulação A condição de plastificação de Mohr-Coulomb é uma extensão da Lei de Atrito de Coulomb aos estados gerais de tensão. Esta circunstância assegura que a Lei de Atrito de Coulomb seja obedecida em todo o plano do elemento. A condição completa de plastificação de MohrCoulomb consiste em seis funções de plastificação quando formulada em termos de tensões principais (Smith & Griffith, 1982): 1 1 (σ ' 2 −σ '3 ) + (σ ' 2 +σ '3 ) senϕ − c ⋅ cos ϕ ≤ 0 2 2 1 1 f1b = (σ '3 −σ ' 2 ) + (σ '3 +σ ' 2 ) senϕ − c ⋅ cos ϕ ≤ 0 2 2 1 1 f 2 a = (σ '3 −σ '1 ) + (σ '3 +σ '1 ) senϕ − c ⋅ cos ϕ ≤ 0 2 2 1 1 f 2b = (σ '1 −σ '3 ) + (σ '1 +σ '3 ) senϕ − c ⋅ cos ϕ ≤ 0 2 2 1 1 f 3a = (σ '1 −σ ' 2 ) + (σ '1 +σ ' 2 ) senϕ − c ⋅ cos ϕ ≤ 0 2 2 1 1 f 3b = (σ ' 2 −σ '1 ) + (σ ' 2 +σ '1 ) senϕ − c ⋅ cos ϕ ≤ 0 2 2 f1a = – 28 – (2.17) Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens Os dois parâmetros dos modelos plásticos que aparecem nas funções de plastificação são o ângulo de atrito, ϕ , e a coesão, c. Estes rendem funções que representam um cone sextavado no espaço de tensões principais (Figura 2.20). σ1 σ3 σ2 Figura 2.20 – Superfície de plastificação do Modelo Mohr-Coulomb no espaço de tensões principais (modificado – Brinkgreve & Vermeer, 1998) Somando-se às funções de plastificação, seis funções potenciais plásticas são definidas para o modelo Mohr-Coulomb: 1 1 (σ ' 2 −σ '3 ) + (σ ' 2 +σ '3 ) senψ 2 2 1 1 g1b = (σ '3 −σ ' 2 ) + (σ '3 +σ ' 2 ) senψ 2 2 1 1 g 2 a = (σ '3 −σ '1 ) + (σ '3 +σ '1 ) senψ 2 2 1 1 g 2b = (σ '1 −σ '3 ) + (σ '1 +σ '3 ) senψ 2 2 1 1 g 3a = (σ '1 −σ ' 2 ) + (σ '1 +σ ' 2 ) senψ 2 2 1 1 g 3b = (σ ' 2 −σ '1 ) + (σ ' 2 +σ '1 ) senψ 2 2 g1a = (2.18) As funções de potencial plástico possuem um terceiro parâmetro de plasticidade, o ângulo de dilatância ψ . Este parâmetro é necessário para modelar incrementos positivos de deformações volumétricas plásticas (dilatância) como pode ser observado para solos densos. – 29 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica 2.5.1.3 Parâmetros Básicos do Modelo Mohr-Coulomb O modelo Mohr-Coulomb requer um total de cinco parâmetros, que são bastante familiares à maioria dos engenheiros geotécnicos e que podem ser obtidos de ensaios relativamente simples em amostras de solo, são eles: Módulo de Young, E, coeficiente de Poisson, ν, coesão, c, ângulo de atrito, φ, e o ângulo de dilatância, ψ. 2.5.2. CONSOLIDAÇÃO 2.5.2.1 Equações Básicas de Consolidação As equações que governam a consolidação, usadas no programa Plaxis, seguem a teoria de Biot (1956). A lei de Darcy para o fluxo e o comportamento elástico do esqueleto do solo também são contemplados. A formulação é baseada na teoria das pequenas deformações. De acordo com o princípio de Terzaghi, as tensões totais são divididas em tensões efetivas e em poropressões: σ = σ '+ m( p steady + p excess ) (2.19) Onde: σ = (σ xx σ yy σ zz σ xy σ yz σ zx ) T e m = (1 1 1 0 0 0) T σ é o vetor de tensões totais; σ ' contem as tensões efetivas, p excess é o excesso de poropressão e m é um vetor que contem termos unitários para componentes normais de tensão e os termos nulos para os componentes de tensão cisalhante (Brinkgreve & Vermeer, 1998). A solução do regime permanente no fim do processo da consolidação é denotada como p steady . No Plaxis o p steady é definido como: p steady = ∑ Mweight ⋅ pinput (2.20) Onde o p input é a poropressão gerada nas linhas freáticas baseadas nos dados de entrada do programa ou no cálculo a partir do posicionamento do nível d’água. – 30 – Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens Pode-se verificar que no Plaxis as tensões de compressão são consideradas negativas; isto se aplica às tensões efetivas assim como às poropressões. A equação constitutiva é escrita na forma de incrementos. Denotando um incremento de tensão efetiva como σ& ' e um incremento de deformação como ε&' , a equação constitutiva é: σ& ' = M ε& (2.21) Onde: ε = (ε xx ε yy ε zz γ xy γ yz γ zx ) T 2.5.2.2 Discretização em Elementos Finitos Para aplicar uma aproximação em elementos finitos faz-se uso da seguinte notação: u = Nν ε = Bν p = N pn (2.22) onde ν é o vetor nodal de deslocamento, p n é o vetor de excesso de poropressão, u é o vetor contínuo do deslocamento dentro de um elemento e p é a poropressão (excesso). A matriz N contempla as funções de interpolação e B é a matriz de interpolação das deformações. Geralmente as funções de interpolação para os deslocamentos podem ser diferentes das funções de interpolação para a poropressão. No Plaxis, entretanto, as mesmas funções são usadas para deslocamentos e poropressões (Brinkgreve & Vermeer, 1998). A partir da equação de equilíbrio e aplicando-a numa aproximação em elementos finitos obtem-se: ∫B d σ dV = ∫ N d f dV + ∫ N d t dS + r 0 (2.23) r 0 = ∫ N f 0 dV + ∫ N t 0 dS − ∫ B σ 0 dV (2.24) T T T Onde: T T T Onde f são as forças de massa devido ao peso-próprio e t representa a superfície de tração. Geralmente, o vetor de força residual, r 0 , assume valores nulos, mas as soluções de previsão de etapas de carregamento podem ser imprecisas (Brinkgreve & Vermeer, 1998). – 31 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Separando as tensões totais em tensões efetivas e poropressões e introduzindo a relação constitutiva dada pela equação de equilíbrio nodal: K dν + L d p n = d f n (2.25) Onde K é a matriz de rigidez, L é a matriz acoplada e d f n é o vetor de incremento de carga: K = ∫ B M B dV (2.26) L = ∫ B m N dV (2.27) T T df = ∫ N d f dV + ∫ N d t dS T n T (2.28) Para simular os problemas de fluxo, a equação da continuidade é adotada da seguinte forma: ∇ T R ∇(γ w ⋅ y − p steady − p) γw −m T ∂ε n ∂p + =0 ∂t K w ∂ t (2.29) Onde : R é a matriz de permeabilidade: ⎡k x R=⎢ ⎣0 0⎤ k y ⎥⎦ n é a porosidade, K w é o módulo volumétrico do fluido e γ w é o peso específico do fluido. Segundo Brinkgreve & Vermeer (1998) a equação de continuidade inclui uma convenção de sinal em que psteady e p são considerados positivos para tração. Para o regime permanente a solução é definida pela equação: ∇ T R ∇(γ w ⋅ y − p steady ) γw A equação da continuidade adquire a seguinte forma: – 32 – =0 (2.30) Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens ∇T R ∇ γw +m T ∂ε n ∂p − =0 ∂t K w ∂ t (2.31) Aplicando uma discretização em elementos finitos usando o processo de Galerkin e incorporando as condições de contorno prescritas, tem-se: − H pn + L T d pn dν −S =q dt dt (2.32) Onde: H =∫ (∇ N ) T R ∇ N γw dV (2.33) S=∫ n T N N dV Kw E q é o vetor devido ao fluxo prescrito no contorno. Entretanto com Plaxis não é possível ter contornos com fluxo prescrito não nulos. O contorno tanto começa quanto termina com zero de excesso de poropressão, portanto q = 0. Na realidade o módulo volumétrico é muito elevado e, portanto, a compressibilidade da água pode ser negligenciada em comparação com a compressibilidade do esqueleto de solo. No programa Plaxis o módulo volumétrico do fluido é adotado automaticamente de acordo com a equação: Kw 3(ν u − ν ) K skeleton = n (1 − 2ν u )(1 + ν ) (2.34) O valor de ν u pode ser modificado com base no parâmetro B de Skempton. Para materiais drenados o módulo volumétrico do fluido é negligenciado. As equações de equilíbrio e continuidade podem ser resumidas em forma matricial: – 33 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica ⎡K ⎢ LT ⎣ ⎡ dν ⎤ ⎡d f n ⎤ ⎢ dt ⎥ L ⎤⎢ ⎥ ⎡0 0 ⎤ ⎡ ν ⎤ ⎢⎢ dt ⎥⎥ ⎥ = ⎢0 H ⎥ ⎢ p ⎥ + ⎢ − S ⎥⎦ ⎢ ⎥ ⎦⎣ n ⎦ ⎢d pn ⎥ ⎣ ⎢ ⎥ q ⎢ ⎥ ⎣ n ⎦ ⎣ dt ⎦ (2.35) Um simples procedimento de integração é usado para resolver a equação. Usando o símbolo ∆ para denotar incrementos finitos, tem-se: ⎡K ⎢ LT ⎣ ⎡ ∆fn ⎤ L ⎤ ⎡ ∆ν ⎤ ⎡0 0 ⎤⎡ ν 0 ⎤ ⎢ ⎥ +⎢ =⎢ ⎥ ⎢ * ⎥⎢ ⎥ ⎥ ⎥ − S ⎦ ⎣∆ p n ⎦ ⎣0 ∆t H ⎦ ⎣⎢ p n 0 ⎦⎥ ⎢∆t q * ⎥ n ⎦ ⎣ (2.36) Onde: q n = q n + α ∆q n S = α ∆t H + S * * 0 (2.37) O parâmetro α é o coeficiente de tempo de integração. Geralmente o coeficiente de integração α pode assumir valores que variam entre 0 e 1 (Brinkgreve & Vermeer, 1998). 2.5.2.3 Consolidação Elastoplástica Geralmente, quando é utilizado um modelo não-linear, interações são necessárias para obterse uma solução aproximada. Devido à plasticidade ou ao comportamento da rigidez ser dependente do estado de tensões, as equações de equilíbrio não são necessariamente satisfeitas usando as soluções do tópico anterior. Em vez da Eq. 2.25 a equação de equilíbrio é escrita em forma de sub-incrementos: K δν + L δ p n = r n (2.38) Onde r n é o vetor global de força residual. O incremento de deslocamento total ∆ν é o somatório dos sub-incrementos de todas as interações no passo corrente: r n = ∫ N f dV + ∫ N t dS − ∫ B σ dV T T – 34 – T (2.39) Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens Com: f = f 0 +∆f (2.40) t = t 0 + ∆t Na primeira interação o Plaxis considera σ = σ 0 , isto é, as tensões iniciais do passo. Sucessivas interações são usadas sobre as tensões correntes que são computadas a partir do modelo constitutivo apropriado. 2.6. CASO HISTÓRICO: RUPTURA DA BARRAGEM DE AÇU / RN O processo construtivo de uma barragem sempre foi visto como uma fase de muita cautela, isso devido a uma gama de fatores inesperados que podem afetar o andamento da construção, dentre estes fatores pode-se citar: problemas de fundação, condições climáticas, condição dos materiais de construção e tempo de construção. Um grande exemplo de ruptura em barragens durante o processo construtivo foi a barragem Engº Armando Ribeiro Gonçalves, localizada no rio Piranhas, 6 km a montante da cidade de Açu, no estado do Rio Grande do Norte. O acesso ao local é feito, a partir de Natal, pela BR-304, distando da capital cerca de 250 km. A Figura 2.21 ilustra a localização da barragem. O principal objetivo do açude é o suprimento de água ao Projeto de Irrigação do Baixo Açu. Dentre os benefícios gerados pelo Projeto Baixo-Açu, destaca-se o aproveitamento hidroagrícola. A disposição geral das estruturas inclui uma barragem de terra, com um comprimento total de 2.553 m até a posição onde se encontram os elementos extravasores, compostos de um vertedouro principal, dois diques transbordáveis e um dique fusível com três células separadas estrategicamente. O conjunto se completa com uma tomada d’água em túnel, com extensão de 165 m, situada na margem direita (CBDB, 2000). – 35 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Açu 38 o 34 o Barragem Açu e Reservatório 04o CE BR RN Reservatório Pataxó -30 4 PB 270000 PE Reservatório Mendobim + AL SE BA N Itajá 08o São Rafael Rio Piranhas Jucurutú 0 5 10 15 20Km Figura 2.21 – Localização da barragem de Açu e aspectos gerais da estrutura do barramento A barragem principal é composta de trechos homogêneos nas ombreiras e de seções zonadas na parte central do maciço, em função das características da fundação. A fundação da barragem, na parte central do vale, é composta de sedimentos arenosos, com profundidades que excedem 20 m, com características de elevada permeabilidade. Subjacente a este aluvião ocorre um gnaisse migmatítico ocasionalmente capeado por material de alteração pouco permeável (CBDB, 2000). A seção-tipo inicial correspondente à barragem central é apresentada na Figura 2.22. Segundo Rocha (2003) na tentativa de reduzir a permeabilidade da fundação no trecho arenoso do rio, dada a existência de uma espessa camada aluvionar constituída de areia média a grossa com bolsões de pedregulho, tendo cerca de 30 m de espessura máxima até o impenetrável, a – 36 – Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens projetista SERETE optou por uma trincheira de vedação tipo “cut off” chegando até a superfície da rocha. Eixo da Barragem 1 El. 62,00 NA Max El. 55,00 2 6 8 5 4 3 7 6 9 4 Silte argilo arenoso e argila silto arenosa 1 Proteção de pedra 4 7 Pedregulho areno-siltoso e areia 2 Transição 5 Pedregulho com areia 8 Pedregulho arenoso 3 Areia argilosa 6 Areia 9 Dreno de pé Figura 2.22 – Seção típica inicial da barragem de Açu Rocha (2003) salientou que essa camada aluvionar revelou-se bastante fofa, permitindo prever a ocorrência de recalques nos materiais da fundação. Desse modo o projeto do dispositivo de vedação deveria levar em conta esse fato a fim de evitar a formação de trincas com conseqüente perda d’água localizada, que poderia desestabilizar a barragem. Por essa razão o dispositivo de vedação foi projetado com material bastante plástico para suportar as deformações previstas (silte argilo-arenoso e argila silto-arenosa), e foi localizado fora do maciço, à montante da barragem. O posicionamento do “cut off” a montante da barragem propiciou que os trabalhos de escavação da trincheira para a sua construção pudessem ser feitos concomitantemente aos serviços de construção do barramento. Quando era iniciada a construção da barragem central, a consultora HIDROTERRA sugeriu mudanças na seção-tipo desse trecho da barragem. A nova seção, proposta pela HIDROTERRA, contemplava o emprego dos materiais silto-argilosos (previstos pela projetista SERETE para serem aplicados, separadamente, no núcleo da barragem e no “cut off”) na base da seção transversal, formando uma ligação contínua entre as estruturas antes referidas (Rocha, 2003). – 37 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica A construção da barragem central foi então iniciada tendo por seção-tipo aquela proposta pela HIDROTERRA, sobre a qual, com a obra já em andamento, foram feitos alguns ajustes (Figura 2.23). Eixo da Barragem 1 NA Max El. 55,00 1 2 2,5 1 2 1 El. 62,00 2 1 2,5 6 3 4 8 7 2,5 1 5 9 3 1 6 2 1 1 Proteção de pedra 4 Silte argilo arenoso e argila silto arenosa 7 Pedregulho areno-siltoso 2 Transição 5 Pedregulho 8 Pedregulho arenoso 3 Areia com pedregulho fino 6 Areia 9 Dreno de pé Figura 2.23 – Seção típica modificada da barragem de Açu Em dezembro de 1981, quando a construção do aterro da barragem central encontrava-se com aproximadamente 35 m de altura, faltando apenas 5 m para atingir o nível final de projeto, ocorreu a ruptura do talude de montante da barragem. O primeiro sinal do acidente foi notado quando percebeu-se o aparecimento de fissuras na praça de construção, de forma não contínua, ao longo da linha que define a superfície de jusante do núcleo da barragem. Logo após aquele instante, verificou-se que essas fissuras estabeleceram continuidade numa longa extensão. Em seguida, observou-se o aparecimento de novas fissuras paralelas às anteriormente mencionadas e, também, progressivo aumento de suas espessuras. Começou então, o movimento descendente do talude de montante da barragem acompanhado da movimentação de sua berma, desenvolvendo-se de forma contínua na extensão de, aproximadamente, 600 m. Do instante da observação das primeiras fissuras até a ruptura do talude de montante se passaram 30 minutos (Rocha 2003). Com a ruptura, o nível do maciço acidentado ficou 15 m abaixo da cota do aterro não envolvido no deslizamento e ocorreu o deslocamento horizontal do pé do talude de montante da barragem em aproximadamente 25 m de extensão. O acidente mobilizou mais de 800.000 m3 de solo e enrocamento. – 38 – Capitulo 2 – Poropressões Construtivas em Barragens Segundo Rocha (2003) após o acidente, o DNOCS contratou a empresa TECNOSOLO – Engenharia e Tecnologia de Solos e Materiais S.A., para realizar serviços visando identificar as causas da ruptura, elaborar o projeto de recuperação da obra (reprojetamento da barragem) e supervisionar sua reconstrução. Em janeiro de 1982 a TECNOSOLO e os consultores apresentaram o resultado das investigações até então realizadas: • A superfície de escorregamento do talude estava alojada dentro do material do núcleo, inclusive no trecho em que ele se liga à membrana impermeável do “cut off”; • Na superfície de escorregamento, o material apresentava-se, segundo aspecto visual, com umidade superior à ótima, bastante plástico e com laminação intensa. Rocha (2003) relata que diversos poços de inspeção foram abertos a partir da superfície do aterro acidentado. Foi possível com isto, coletar blocos de amostras indeformadas dos solos envolvidos no acidente bem como traçar a superfície de ruptura. A superfície de ruptura foi apresentada como sendo de forma composta: curva dentro do maciço do núcleo, evoluindo para a configuração plana e horizontal no trecho que liga o núcleo ao “cut off”. O relatório final sobre as causas do acidente, segundo nota oficial publicada pelo DNOCS na imprensa nacional em março de 1982, “atribui o escorregamento às sobrepressões neutras desenvolvidas no material argiloso preto que constitui o núcleo e a parte inferior da berma de montante; os referidos elementos do maciço foram construídos de acordo com o projeto tipo alterado após o início da obra”. A Figura 2.24 retrata a seção transversal da barragem central acidentada. Eixo da Barragem 7 1 5 2 3 4 1 Pedregulho 4 Pedregulho areno-siltoso 6 Dreno de pé 2 Silte argilo arenoso e argila silto arenosa 5 Pedregulho arenoso 7 Rip-rap 3 Areia Figura 2.24 – Seção da barragem de Açu após ruptura – 39 – 6 Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica A Figura 2.25 ilustra a magnitude da ruptura do talude de montante da barragem de Açu, podendo-se visualizar o material do núcleo onde se desenvolveu o mecanismo de ruptura. . Figura 2.25 – Fotografia da ruptura do talude de montante da barragem de Açu (CBDB, 2000) – 40 – Capítulo 3 Simulação Numérica de um Caso Hipotético Na tentativa de simular o comportamento durante o processo construtivo de barragens a utilização de seções hipotéticas para previsão e análise de resultados é bastante comum. Neste capítulo é feita uma análise paramétrica do comportamento de um barramento hipotético para a previsão das poropressões construtivas utilizando o programa Plaxis. Em seguida, análises de estabilidade dos taludes, a partir dos dados dos parâmetros de poropressão gerados nas análises, foram realizadas comparativamente para determinação dos fatores de segurança durante o processo de construção da barragem. 3.1. SEÇÃO HIPOTÉTICA Neste capítulo o programa Plaxis será utilizado na análise do comportamento de geração de excessos de poropressão de uma barragem hipotética de solo, durante a fase de construção. A seção hipotética é homogênea e simétrica com 150 m de altura (Figura 3.1). Com relação ao solo de fundação, no qual a barragem está assente, o mesmo apresenta características de um solo menos coesivo que o do barramento. Os parâmetros utilizados podem ser verificados na Tabela 3.1. O modelo adotado para o estudo foi o Mohr-Coulomb por sua vasta utilização na mecânica dos solos e por representar relativamente bem o comportamento dos solos, além de requerer um menor número de parâmetros de entrada. 3 3 150m 1 1 y Barragem x 150m Solo de Fundação Figura 3.1 – Seção hipotética – 41 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Para os estudos de estabilidade de taludes utilizou-se o Programa Slope-W (GeoSlope, versão 3.0), que analisa superfícies de escorregamento circulares e não-circulares, de acordo com diversos métodos de cálculo. A seção da Figura 3.1 foi analisada, inicialmente, ao final de seu período construtivo quanto à estabilidade de seus taludes, levando em consideração uma distribuição constante do parâmetro ru e, posteriormente, distribuindo o parâmetro ru em faixas em função das condições de drenagem do barramento. Tabela 3.1 – Parâmetros dos materiais Solo 01 (Barragem) γunsat E ν c φ kx = ky 3.1.1 ANÁLISES HIPOTÉTICA DA 17 90000 0,3 40 25 7x10 -9 Solo 02 (Fundação) kN/m³ kN/m² kN/m² ° m/s γunsat E ν c φ kx = ky ESTABILIDADE DOS 18 100000 0,3 28 40 1x10 -7 kN/m³ kN/m² kN/m² ° m/s TALUDES DA SEÇÃO A seção hipotética foi traçada no programa Slope/W, uma ferramenta computacional que trabalha com a formulação de equilíbrio de momentos em suas análises (Figura 3.2). Com base nos parâmetros dos materiais (Tabela 3.1), que se mantiveram constantes nas análises de estabilidade, foi elaborada uma seqüência de análises variando o valor do parâmetro ru em 5, 10, 20, 30 e 40% para avaliar a influência da geração de poropressões no barramento, ao final da construção, na estabilidade de taludes. Como a seção hipotética é simétrica, apenas um dos taludes foi analisado quanto à estabilidade. Analisando a seção hipotética da barragem, variando o parâmetro ru e mantendo-o constante em toda a seção, foi observada uma grande variação nos valores dos fatores de segurança, como ilustrado na Tabela 3.2. A metodologia de cálculo adotada foi a de Bishop (1955) por ser vastamente utilizada em cálculo de estabilidade de taludes de barragens. – 42 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético 360 340 320 3 4 300 280 260 240 Altura (m) 220 200 180 160 1,2 1 2 5 6 140 120 100 80 60 40 20 7 03 0.0 8 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 Distância (m) (x 1000) Figura 3.2 – Seção hipotética para análise da estabilidade de taludes Tabela 3.2 – Resultados das análises de estabilidade de taludes variando o parâmetro ru Parâmetro ru (%) FS 1,66 1,58 1,42 1,26 1,09 5 10 20 30 40 As análises feitas demonstraram que as superfícies circulares de ruptura para todos os casos ficaram inseridas no corpo da barragem, caracterizando uma ruptura de pé do talude, pois a fundação tangencia a superfície de ruptura, como ilustrado nas Figuras 3.3, 3.4, 3.5, 3.6 e 3.7. 1.663 360 340 320 300 280 260 240 Altura (m) 220 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 Distância (m) (x 1000) Figura 3.3 – Superfície crítica e fator de segurança para o parâmetro ru = 5% – 43 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica 1.581 360 340 320 300 280 260 240 Altura (m) 220 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 Distância (m) (x 1000) Figura 3.4 – Superfície crítica e fator de segurança para o parâmetro ru = 10% 1.419 360 340 320 300 280 260 240 Altura (m) 220 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 Distância (m) (x 1000) Figura 3.5 – Superfície crítica e fator de segurança para o parâmetro ru = 20% – 44 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético 1.256 360 340 320 300 280 260 240 Altura (m) 220 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 Distância (m) (x 1000) Figura 3.6 – Superfície crítica e fator de segurança para o parâmetro ru = 30% 1.094 360 340 320 300 280 260 240 Altura (m) 220 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 Distância (m) (x 1000) Figura 3.7 – Superfície crítica e fator de segurança para o parâmetro ru = 40% Ainda com relação à estabilidade dos taludes da seção hipotética, foram realizadas análises que contemplaram faixas com diferentes valores de parâmetro ru de acordo com as condições – 45 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica de drenagem. A distribuição destas faixas pode ser observada na Figura 3.8. O fator de segurança calculado foi da ordem de 1,43 (Figura 3.9), sendo este valor calculado através da divisão do barramento em faixas de parâmetro ru de 5, 20 e 40%. 360 340 320 3 4 300 17 280 21 18 22 260 ru = 40% 240 Altura (m) 220 200 ru = 5% 180 160 1,2,3,4 1 2 ru = 20% 16 20 23 5 19 6 140 120 100 80 60 40 20 7 05 0.0 8 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 Distância (m) (x 1000) Figura 3.8 – Seção hipotética dividida em faixas de parâmetro ru 1.430 360 340 320 300 280 260 ru = 40% 240 Altura (m) 220 200 ru = 5% 180 ru = 20% 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 Distância (m) (x 1000) Figura 3.9 – Superfície crítica e fator de segurança para seção dividida em faixas de parâmetro ru Observa-se uma modificação na superfície de ruptura em relação aos casos anteriores, a mesma desloca-se para uma parte mais central do maciço da barragem. Isto se deve ao fato das faixas centrais apresentarem valores superiores do parâmetro ru . – 46 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético Esta configuração de distribuição do parâmetro ru se aproxima melhor do comportamento real de um barramento, já que a distribuição das poropressões não é constante em uma seção de barragem. Sendo assim, faz-se necessária a determinação pontual destes valores, pois por meio dos cálculos realizados pode-se verificar a grande influência deste parâmetro na estabilidade dos taludes do barramento. Um estudo inicial por elementos finitos tentou avaliar, mediante os resultados obtidos com a seção homogênea, quais seriam as diferenças de analisar o processo construtivo do barramento, com vistas à geração de poropressão, se o mesmo fosse construído com camadas de altura constante de 15 m, e com camadas de volume constante de 6.915 m³/m, para analisar o processo sobre duas vertentes diferentes. 3.2. SEÇÃO HIPOTÉTICA COM ALTURA DE CAMADA CONSTANTE (CASO 1) Para a análise da seção hipotética foi feito, inicialmente, o traçado da seção tipo do barramento no programa de elementos finitos Plaxis. O traçado da seção está ilustrado na Figura 3.10. Os parâmetros dos dois solos (fundação e aterro) podem ser observados na Tabela 3.1. Barragem 3 1 1 150m 3 y x 150m Solo de Fundação Figura 3.10 – Seção hipotética com altura de camadas constante O tipo de elemento utilizado na discretização do meio foi o elemento triangular de seis nós que possui três pontos de integração numérica. Como foi explicado no Capítulo 2, o programa Plaxis possui um gerador de malha automático. Essa malha é constituída de elementos triangulares com seis nós, sendo possível uma adequação mais coerente da malha por meio da ferramenta “mesh” que aumenta a densidade de elementos numa determinada região que necessite de uma melhor discretização, por exemplo, no contato do núcleo com transições ou – 47 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica no contato do núcleo com a fundação rochosa, devido à região do núcleo impermeável ter rigidez inferior às regiões de transição e fundação rochosa. Essa diferença elevada de rigidez gera, além do arqueamento de tensões no barramento, uma condição favorável ao mau condicionamento dos sistemas lineares de cálculo do programa. A Figura 3.11 mostra a configuração da malha de elementos finitos. Figura 3.11 – Malha automática de elementos finitos Assim, o procedimento seguinte foi determinar as condições de contorno do problema, limitando as zonas de percolação e consolidação, além de posicionar a linha freática. No caso em questão, optou-se por deixar o nível de água coincidindo com o nível do terreno de fundação, para analisar o aparecimento dos excessos de poropressão no barramento. A Figura 3.12 ilustra a seção transversal da barragem contemplando as condições de contorno atribuídas no problema. O nível d’água foi considerado no topo do terreno de fundação. Figura 3.12 – Seção tipo e suas condições de contorno (consolidação e fluxo) Conhecidas as condições de contorno, determina-se a geração de poropressão inicial para a fundação, antes da construção do barramento. Para a seção disposta anteriormente tem-se a seguinte distribuição de poropressões, geradas a partir da linha freática (Figura 3.13). – 48 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético kN/m 2 100.000 0.000 -100.000 -200.000 -300.000 -400.000 -500.000 -600.000 -700.000 -800.000 -900.000 -1000.000 -1100.000 -1200.000 -1300.000 -1400.000 -1500.000 Figura 3.13 – Distribuição das poropressões na fundação antes da construção da barragem Similarmente ao procedimento de geração de poropressões iniciais, o procedimento de obtenção das tensões iniciais, ou tensões virgens, ocorre da mesma maneira. A Figura 3.14 mostra a distribuição das tensões iniciais em termos direções principais. Para determinação das tensões iniciais utilizou-se uma relação de tensões efetivas, k 0 , igual a um. Figura 3.14 – Distribuição das tensões iniciais na fundação com relação às direções principais Terminada a fase de determinação das condições iniciais, poropressões e tensões virgens, inicia-se a fase de cálculo do programa. A análise do problema foi feita por meio de um cálculo plástico na simulação do alteamento da barragem, fazendo-se construções em estágios e, após cada estágio, analisando o adensamento do solo, em intervalos de tempo. Dividindo em fases a etapa de cálculo, tem-se: uma fase plástica onde são determinados os carregamentos, ou seja, a determinação das camadas como carregamento na fase construtiva; uma fase de consolidação onde são dissipados os excessos de poropressão devido aos – 49 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica carregamentos; e uma terceira fase que diz respeito à atualização da malha de elementos finitos. Mas é na junção dessas fases que se promove a simulação numérica do problema. A combinação da fase plástica com a de consolidação gera o efeito acoplado de equilíbrio e fluxo. A seção hipotética possui dez camadas, assim, foram confeccionadas dez fases plásticas, uma para cada camada, e dez fases de consolidação intercaladas com as fases plásticas, com o intuito de obter o efeito acoplado. A seção hipotética foi analisada sob diferentes aspectos. Um deles foi com relação ao tempo das etapas de consolidação, dissipação de poropressão. A Figura 3.15 mostra uma dessas análises com o tempo de dissipação por camada de 120 dias. 160 140 Alteamento (m) 120 100 80 60 40 20 0 0 200 400 600 800 Tem po (dias) 1000 1200 1400 Figura 3.15 – Alteamento da seção hipotética com tempo de dissipação de 120 dias (Caso 1) Nas análises faz-se necessária a escolha dos pontos (nós) onde serão calculados os valores dos excessos de poropressões. Para a seção hipotética com altura de camadas constante foram selecionados os pontos ilustrados na Figura 3.16. D 45 m 45 m 45 m C J H B A F E 120 m 100 m G 120 m Figura 3.16 – Localização dos nós para cálculo das poropressões (Caso 1) Determinado o posicionamento dos pontos de cálculo das poropressões inicia-se o processo de cálculo do programa. A Figura 3.17 ilustra a distribuição das poropressões durante o processo construtivo. – 50 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético Como pode ser observado na Figura 3.17, a distribuição de acréscimos de poropressão apresenta uma concentração no centro da barragem homogênea. Pode-se verificar que existe uma migração das poropressões, que inicialmente se apresentam na fundação e progressivamente vão passando para o barramento. A configuração é feita a partir de curvas de isoporopressões, diferentemente das configurações assumidas em projetos de barragens, onde é assumido um valor constante para o parâmetro ru . Figura 3.17 – Desenvolvimento de acréscimos de poropressão construtiva (Caso 1) – 51 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica As direções das tensões efetivas principais podem ser observadas na Figura 3.18. Pode-se verificar uma distribuição de tensão que condiz com um comportamento de uma seção de barragem geotécnica homogênea. A Figura 3.19 ilustra a distribuição de tensões totais no barramento e na fundação. Figura 3.18 – Direções das tensões efetivas principais (Caso 1) 2 [ kN/m ] A : -4250.000 B : -4000.000 C : -3750.000 D : -3500.000 E : -3250.000 F : -3000.000 G : -2750.000 H : -2500.000 Q P O I: -2250.000 J : -2000.000 K : -1750.000 N L : -1500.000 M M : -1250.000 L K J I H G F E D C B N : -1000.000 O : -750.000 P : -500.000 Q : -250.000 R : 0.000 Figura 3.19 – Distribuição da tensão principal maior σ1 (Caso 1) 3.2.1 INFLUÊNCIA DAS PERMEABILIDADES Um dos parâmetros que exercem grande influência na geração de poropressões e, consequentemente, no tempo para que as mesmas se dissipem, é a permeabilidade. Para a seção hipotética foram analisadas as poropressões variando os coeficientes de permeabilidade do barrramento. Na simulação inicial o coeficiente de permeabilidade utilizado nas análises foi 7x10-9 m/s, em seguida, os coeficientes de permeabilidades foram variados em uma ordem de magnitude para mais e para menos. Assim, conseguiu-se fazer um paralelo entre as distribuições do parâmetro ru, para suas respectivas permeabilidades, durante o processo construtivo nos pontos A (contato fundação/barramento), ponto B (a uma altura de 45 m da fundação) e no ponto F, como pode ser visto nas Figuras 3.20, 3.21 e 3.22, respectivamente. – 52 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético Ponto A 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 7x10-8 m/s 50 7x10-9 m/s 40 7x10-10 m/s 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.20 – Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto A (Caso 1) Ponto B 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 7x10-8 m/s 50 7x10-9 m/s 40 7x10-10 m/s 30 20 10 0 300 500 700 900 1100 1300 1500 Tempo (dias) Figura 3.21 – Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto B (Caso 1) Ponto F 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 7x10-8 m/s 60 50 7x10-9 m/s 40 7x10-10 m/s 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.22 – Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto F (Caso 1) – 53 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica A partir das análises variando os coeficientes de permeabilidade pode-se verificar que a permeabilidade é um parâmetro que influencia bastante a geração das poropressões durante a fase construtiva. Esta influência pode ser verificada de forma mais acentuada na Figura 3.21, onde o ponto B está localizado na parte mais central da barragem. Nos pontos de contato com a fundação, que apresenta maior permeabilidade que o solo do barramento (fronteira drenante) as variações também se verificam, porém, em menor proporção. 3.2.2 INFLUÊNCIA DO TEMPO DE DISSIPAÇÃO DAS POROPRESSÕES Outro parâmetro que exerce grande influência na geração das poropressões durante o processo construtivo é o tempo de dissipação das poropressões, ou seja, o período de consolidação entre uma camada já construída e a próxima a ser construída. Foram feitas análises variando o período de consolidação das camadas em 30, 60 e 120 dias. Novamente foram selecionados os pontos A, B e F. As Figuras 3.23, 3.24 e 3.25 ilustram a variação do parâmetro ru durante o processo construtivo quando variado o tempo de consolidação. Os resultados observados mostram que em todos os casos para o carregamento da camada inicial o valor do parâmetro ru é da ordem de 85%. Como eram esperados, os cálculos realizados com um tempo de consolidação menor apresentaram os maiores valores do parâmetro ru. Novamente o ponto B apresentou valores superiores aos valores encontrados nos pontos A e F, que estão localizados na fronteira drenante da fundação. Ponto A 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 30 dias 50 60 dias 40 120 dias 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.23 – Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto A (Caso 1) – 54 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético Ponto B 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 30 dias 50 60 dias 40 120 dias 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.24 – Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto B (Caso 1) Ponto F 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 30 dias 50 60 dias 40 120 dias 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.25 – Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto F (Caso 1) 3.2.3 INFLUÊNCIA DO PESO ESPECÍFICO NATURAL DO SOLO DO BARRAMENTO Sabe-se que a umidade é um parâmetro que influencia na geração das poropressões, entretanto, o programa Plaxis não contempla de forma direta esse parâmetro em suas análises. O programa possui em seu “input” a possibilidade de se atribuir valores para o peso específico, γdry, que se refere ao peso específico do solo acima da linha freática. Esta nomenclatura pode trazer alguma controvérsia, pois deve-se ter cuidado para não confundir este peso específico com o peso específico aparente seco de um solo. Na versão atualizada do programa Plaxis 8.0 este problema foi resolvido e o peso específico do solo acima da linha freática é denominado – 55 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica γunsat. Os solos em situações práticas nunca estão completamente secos. Portanto, não se deve utilizar o peso específico seco, e sim o peso específico natural não saturado. Por exemplo, argilas localizadas acima da linha freática podem ser quase que totalmente saturadas pela ação da capilaridade. Outro parâmetro utilizado pelo programa é o peso específico, γwet, que também não deve ser confundido, pois este se refere ao peso específico saturado do solo que se encontra abaixo da linha freática. Como a linha freática está localizada no contato do barramento com a fundação o solo das camadas não se encontra inicialmente saturado. Variando o valor do peso específico do solo em 16, 18 e 20 kN/m³ observa-se uma variação quanto à geração das poropressões durante a construção das camadas como pode ser observado nas Figuras 3.26, 3.27. Ponto A 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 16 kN/m³ 50 18 kN/m³ 40 20 kN/m³ 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.26 – Influência do peso específico do solo na geração das poropressões no ponto A (Caso 1) Ponto B 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 16 kN/m³ 50 18 kN/m³ 40 20 kN/m³ 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.27 – Influência do peso específico do solo na geração das poropressões no ponto B (Caso 1) – 56 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético Como esperado, para solos com maior peso específico natural, os valores das poropressões geraram valores superiores de parâmetro ru. A fase inicial, para todos os casos, apresenta os maiores valores de parâmetro ru que variam entre 80 e 90%, valores bastante elevados. Porém, para as camadas finais de construção existe uma tendência de convergência de valores. 3.2.4 ESTABILIDADE DE TALUDES NA SEÇÃO HIPOTÉTICA COM ALTURA DE CAMADA CONSTANTE Uma análise de estabilidade de taludes foi realizada para a seção hipotética com altura de camada constante, 15 m, utilizando a distribuição do parâmetro ru proveniente dos cálculos da seção mais genérica com os parâmetros listados na Tabela 3.1. A Figura 3.28 ilustra o posicionamento dos pontos de aplicação do parâmetro ru. Estes pontos foram selecionados de maneira a estarem bem distribuídos no corpo da barragem. A Tabela 3.3 mostra a planilha de cálculo elaborada para a determinação do parâmetro ru nos pontos selecionados. 3 4 62 59 56 52 47 41 35 29 23 2 16 36 17 37 30 31 24 25 18 53 43 19 60 57 49 55 50 44 61 58 54 48 42 63 45 51 46 38 39 40 32 33 34 26 27 28 20 21 22 Figura 3.28 – Distribuição dos pontos selecionados para cálculo do parâmetro ru (Caso 1) Foram selecionados 48 pontos de forma a abranger apropriadamente o maciço da barragem quanto à sua distribuição. Depois de determinado o valor do parâmetro ru para cada ponto, foi realizada a análise de estabilidade de talude para a situação de final de construção. A Figura 3.29 ilustra o resultado desta análise. – 57 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Tabela 3.3 – Planilha de cálculo do parâmetro ru para cada ponto (Caso 1) Ponto Coord. X Coord. Y 16 104,11 152,50 17 177,00 152,50 18 276,55 152,50 19 356,29 152,50 20 456,08 152,51 21 515,76 152,51 22 555,63 152,51 23 149,45 167,54 24 272,38 167,55 25 347,56 167,55 26 436,28 167,56 27 518,23 167,56 28 552,44 167,57 29 194,79 182,67 30 269,10 182,65 31 370,38 182,63 32 437,76 182,61 33 518,75 182,59 34 552,56 182,58 35 239,23 197,52 36 292,68 197,50 37 359,12 197,49 38 439,04 197,48 39 518,96 197,46 40 552,37 197,45 41 284,31 212,58 42 336,76 212,57 43 383,48 212,58 44 443,32 212,58 45 515,85 212,57 46 555,60 212,57 47 329,47 227,50 48 385,25 227,54 49 447,80 227,56 50 517,33 227,60 51 552,19 227,62 52 374,35 242,49 53 429,32 242,50 54 497,45 242,51 55 559,10 242,51 56 419,04 257,46 57 498,62 257,51 58 552,05 257,54 59 463,18 272,27 60 514,34 272,35 61 551,95 272,39 62 508,13 287,49 63 553,18 287,44 h (m) γ (kN/m³) u (kPa) ru (%) 2,2 17 5,51 14,7 26,5 17 44,98 10,0 59,7 17 92,58 9,1 86,3 17 134,85 9,2 119,5 17 184,28 9,1 139,4 17 199,61 8,4 147,5 17 201,32 8,0 2,3 17 4,21 10,9 43,2 17 75,08 10,2 68,3 17 132,18 11,4 97,9 17 214,07 12,9 125,2 17 258,40 12,1 132,4 17 261,02 11,6 2,3 17 3,90 10,2 27,0 17 51,01 11,1 60,8 17 149,00 14,4 83,3 17 234,36 16,5 110,3 17 293,77 15,7 117,4 17 297,16 14,9 2,2 17 4,13 10,9 20,1 17 43,60 12,8 42,2 17 116,56 16,2 68,9 17 235,28 20,1 95,5 17 306,43 18,9 102,5 17 310,36 17,8 2,2 17 4,90 13,2 19,7 17 55,60 16,6 35,3 17 120,46 20,1 55,2 17 221,48 23,6 79,4 17 296,85 22,0 87,4 17 302,24 20,3 2,3 17 6,83 17,3 20,9 17 79,49 22,4 41,7 17 190,09 26,8 64,8 17 270,16 24,5 72,4 17 276,62 22,5 2,3 17 9,04 23,2 20,6 17 99,00 28,3 43,3 17 211,27 28,7 57,5 17 234,12 24,0 2,2 17 11,16 29,5 28,7 17 151,26 31,0 42,5 17 183,22 25,4 2,1 17 12,24 33,9 19,1 17 100,85 31,1 27,6 17 121,68 25,9 1,9 17 10,80 33,7 12,6 17 51,56 24,1 Como pode ser observado pela Tabela 3.3 o valor máximo encontrado para o parâmetro ru foi da ordem de 34%, e o valor mínimo da ordem de 8,0%. Os valores variam bastante dentro do maciço da barragem. – 58 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético 1.420 360 340 320 300 280 260 240 Altura (m) 220 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 Distância (m) (x 1000) Figura 3.29 – Resultado da análise da estabilidade de talude (Caso 1) O resultado da análise gerou um fator de segurança de 1,42. Comparando-se este resultado com os encontrados, por meio das análises considerando o parâmetro ru constante em toda a seção ou divido em faixas, pode-se verificar que as análises apresentam resultados bastante distintos, uma vez que houve modificação no critério de ruptura, a superfície de ruptura transladou do pé do talude para uma parte mais central do barramento. A comparação entre os fatores de segurança pode ser observada na Tabela 3.4. Tabela 3.4 – Resultado das análises de estabilidade de taludes Análise Fator ru = 5% 1,66 Fator ru = 10% 1,58 Fator ru = 20% 1,42 Fator ru = 30% 1,26 Fator ru = 40% 1,09 Faixas ru = 5, 30 e 40% Fator ru varíavel – 59 – FS 1,43 1,42 Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica 3.3. SEÇÃO HIPOTÉTICA COM VOLUME DE CAMADA CONSTANTE (CASO 2) Com o intuito de simular o alteamento real da barragem fez-se uma análise considerando camadas com volume constante. Traçando-se o gráfico cota-volume (Figura 3.30) determinou-se a nova configuração da seção hipotética, subdividindo-a em dez camadas, com volume constante de 6.915 m³/m por camada. Na análise foram utilizados os mesmos parâmetros para o caso da seção hipotética com altura de camadas constante. A Figura 3.31 mostra a configuração da nova seção. Gráfico Cota-Volume 80000 Volume m³ 70000 60000 50000 40000 30000 20000 10000 0 0 20 40 60 80 100 120 140 160 Cota (m) Figura 3.30 – Gráfico Cota-Volume da seção hipotética com altura de camada constante O traçado da seção hipotética com volume de camada constante está ilustrado na Figura 3.31. Os parâmetros, utilizados para esta segunda análise, foram os mesmos utilizados para a seção hipotética com altura de camada constante. Isso se deve ao interesse de determinar as variações nas distribuições de poropressão para os dois casos. Barragem 3 1 1 150m 3 y x 150m Solo de Fundação Figura 3.31 – Seção Hipotética com volume de camadas constante – 60 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético A seção possui 10 camadas, porém apresentam altura variada para manter o volume das camadas constante. A Tabela 3.5 mostra a divisão em camadas com suas respectivas alturas. Tabela 3.5 – Altura das camadas Camada 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Total Altura (m) 7,79 8,24 8,77 9,42 10,24 11,33 12,86 15,26 19,88 46,21 150,0 Volume (m³/m) 6915,0 6915,0 6915,0 6915,0 6915,0 6915,0 6915,0 6915,0 6915,0 6915,0 69150,0 Os procedimentos de determinação das condições de contorno foram idênticos ao caso anterior. A única variação foi com relação à geometria das camadas. A Figura 3.32 mostra uma das análises com o tempo de dissipação por camada de 120 dias. 160 140 Alteamento (m) 120 100 80 60 40 20 0 0 200 400 600 800 Tem po (dias) 1000 1200 1400 Figura 3.32 – Alteamento da seção hipotética com tempo de dissipação de 120 dias (Caso 2) Em seguida, foram dispostos os pontos para cálculo dos excessos de poropressão gerados na fase construtiva do barramento. Os pontos selecionados para determinação dos valores das poropressões foram locados nas mesmas cotas dos pontos do caso das camadas com altura constante, assim, tem-se novamente o processo de cálculo do programa. Para a nova configuração da geometria das camadas a Figura 3.33 ilustra o desenvolvimento das poropressões no barramento durante o processo construtivo. Como pode ser observado na Figura 3.33, a distribuição das poropressões apresenta uma concentração no centro da barragem homogênea, assim como na seção com alturas de camadas constantes. Porém, neste – 61 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica caso, as poropressões vão crescendo gradativamente, e isso se deve a variação no carregamento das camadas. Pode-se verificar ainda, que existe uma migração das poropressões, que inicialmente se apresentam na fundação e progressivamente vão passando para o barramento. A configuração é feita a partir de curvas de isoporopressões, diferentemente das configurações assumidas em projetos de barragens, onde se assume um valor constante para o parâmetro ru . Figura 3.33 – Desenvolvimento de acréscimos de poropressão construtiva (Caso 2) – 62 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético As direções principais das tensões efetivas podem ser verificadas na Figura 3.34. A distribuição das tensões é coerente com a esperada de uma seção de barragem geotécnica homogênea. A Figura 3.35 ilustra a distribuição das tensões totais σ1 no barramento e na fundação. Figura 3.34 – Direções principais das tensões efetivas (Caso 2) 2 [ kN/m ] A : -4500.000 B : -4250.000 C : -4000.000 D : -3750.000 E : -3500.000 F : -3250.000 G : -3000.000 S R Q P O N H : -2750.000 I: -2500.000 J : -2250.000 K : -2000.000 L : -1750.000 M : -1500.000 M L K J I H G F E D C N : -1250.000 O : -1000.000 P : -750.000 Q : -500.000 R : -250.000 S : 0.000 T : 250.000 Figura 3.35 – Distribuição das tensões principais totais σ1 (Caso 2) 3.3.1 INFLUÊNCIA DAS PERMEABILIDADES A permeabilidade é um dos parâmetros que exercem grande influência na geração de poropressões. Para a seção hipotética foram analisadas as poropressões variando os coeficientes de permeabilidade do barrramento. Na simulação inicial, o coeficiente de permeabilidade utilizado nas análises foi 7x10-9 m/s. Em seguida, os coeficientes de permeabilidades foram variados em uma ordem de magnitude para mais e para menos. Assim, conseguiu-se fazer um paralelo entre as gerações de poropressão, para suas respectivas permeabilidades durante o processo construtivo nos pontos A (contato fundação/barramento), ponto B (a uma altura de 45 m da fundação) e no ponto F, como pode ser visto nas Figuras 3.36, 3.37 e 3.38, respectivamente. – 63 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Ponto A 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 7x10-8 m/s 50 7x10-9 m/s 40 7x10-10 m/s 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.36 – Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto A (Caso 2) Ponto B 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 7x10-8 m/s 50 7x10-9 m/s 40 7x10-10 m/s 30 20 10 0 550 750 950 1150 1350 1550 Tempo (dias) Figura 3.37 – Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto B (Caso 2) Ponto F 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 7x10-8 m/s 50 7x10-9 m/s 40 7x10-10 m/s 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.38 – Influência das permeabilidades nos valores do parâmetro ru no ponto F (Caso 2) – 64 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético Variando os coeficientes de permeabilidade pode-se verificar que a permeabilidade é um parâmetro que influencia bastante a geração das poropressões durante a fase construtiva, principalmente nos pontos centrais do barramento onde foram constatados os maiores valores para o parâmetro ru. Esta influência pode ser verificada de forma mais acentuada na Figura 3.37, no ponto B que está localizado na parte mais central da barragem. Nos pontos de contato com a fundação, que apresenta maior permeabilidade que o solo do barramento, fronteira drenante, as variações também se verificam, porém, em menor proporção. Pode-se observar ainda, que na construção das primeiras camadas existe uma semelhança nos valores gerados, porém, com o andamento da construção os solos com menor permeabilidade apresentam maiores excessos de poropressões. 3.3.2 INFLUÊNCIA DO TEMPO DE DISSIPAÇÃO DAS POROPRESSÕES O tempo de consolidação exerce grande influência na geração das poropressões durante o processo construtivo. Foram feitas análises variando o período de consolidação das camadas em 30, 60 e 120 dias. Novamente foram selecionados os pontos A, B e F. As Figuras 3.39, 3.40 e 3.41 ilustram o andamento das poropressões construtivas variando-se o tempo de consolidação. Ponto A 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 30 dias 50 60 dias 40 120 dias 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.39 – Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto A (Caso 2) – 65 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Ponto B 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 30 dias 50 60 dias 40 120 dias 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 Tempo (dias) Figura 3.40 – Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto B (Caso 2) Ponto F 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 30 dias 60 50 60 dias 40 120 dias 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.41 – Influência do tempo de consolidação na geração das poropressões no ponto F (Caso 2) 3.3.3 INFLUÊNCIA DO PESO ESPECÍFICO NATURAL DO SOLO DO BARRAMENTO Novamente o peso específico natural do solo influenciou na geração das poropressões. Nas simulações a variação dos pesos específicos gerou variações nos acréscimos de poropressões na fase construtiva, como pode ser observado nas Figuras 3.42, 3.43. Os pesos específicos escolhidos para a análise foram 16, 18 e 20 kN/m³. – 66 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético Ponto A 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 16 kN/m³ 50 18 kN/m³ 40 20 kN/m³ 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.42 – Influência do peso específico do solo na geração das poropressões no ponto A (Caso 2) Ponto B 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 16 kN/m³ 50 18 kN/m³ 40 20 kN/m³ 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 Tempo (dias) Figura 3.43 – Influência do peso específico do solo na geração das poropressões no ponto B (Caso 2) 3.3.4 ESTABILIDADE DE TALUDES NA SEÇÃO HIPOTÉTICA COM VOLUME DE CAMADA CONSTANTE Uma análise de estabilidade de taludes foi realizada para a seção hipotética com volume de camada constante, 6.915 m³/m, utilizando a distribuição do parâmetro ru proveniente dos cálculos para a seção mais genérica com os parâmetros listados na Tabela 3.1. A Figura 3.44 ilustra o posicionamento dos pontos de aplicação do parâmetro ru. A Tabela 3.6 mostra a planilha de cálculo elaborada para a determinação do parâmetro ru nos pontos selecionados. – 67 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica 3 4 68 63 62 59 54 48 42 49 30 37 32 25 17 26 51 52 45 46 18 19 53 47 40 33 27 20 61 57 56 38 31 23 2 16 50 64 60 55 43 36 67 66 65 58 69 41 34 28 21 35 29 Figura 3.44 – Distribuição dos pontos selecionados para cálculo do parâmetro ru (Caso 2) Foram selecionados 50 pontos determinando para cada um os valores do parâmetro ru. Depois de determinado o valor do parâmetro ru para cada ponto foi realizada a análise do talude para a situação de final de construção. A Figura 3.45 ilustra o resultado desta análise. Como pode ser observado pela Tabela 3.6 o valor máximo encontrado para o parâmetro ru foi da ordem de 53,1%, e o valor mínimo da ordem de 14,7%. Os valores variam bastante dentro do maciço da barragem. Entretanto, os valores se constituem superiores ao caso inicial onde a barragem foi construída com camadas de igual altura. Isso se deve ao carregamento proveniente da última camada com volume constante ser muito superior ao carregamento gerado de forma mecânica, sem levar em consideração o processo construtivo das camadas. A análises mostram um fator de segurança de 1,24. Comparando este resultado com o encontrado na simulação considerando as alturas das camadas constante, pode-se observar uma redução bastante representativa no valor do fator de segurança. Isso se deve ao fato das poropressões geradas ao final do processo construtivo serem superiores em relação às geradas no caso das camadas com 15 m de altura. – 68 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético Tabela 3.6 – Planilha de cálculo do parâmetro ru para cada ponto Ponto Coord. X Coord. Y 16 100,50 151,30 17 180,23 151,30 18 259,96 151,30 19 339,70 151,30 20 419,43 151,30 21 492,30 151,30 22 558,83 151,30 23 124,35 159,16 24 206,52 159,16 25 268,19 159,16 26 329,78 159,16 27 411,95 159,16 28 494,12 159,16 29 555,79 159,16 30 149,27 167,49 31 210,27 167,49 32 352,45 167,49 33 413,46 167,49 34 474,36 167,49 35 555,63 167,49 36 175,80 176,37 37 269,63 176,37 38 357,25 176,37 39 417,89 176,37 40 478,29 176,37 41 552,07 176,37 42 204,70 185,93 43 266,76 185,93 44 349,37 185,93 45 411,22 185,93 46 473,27 185,93 47 555,88 185,93 48 235,79 196,36 49 296,33 196,36 50 357,02 196,36 51 410,70 196,36 52 471,39 196,36 53 552,21 196,36 54 270,69 207,94 55 366,79 207,94 56 449,25 207,94 57 552,43 210,09 58 310,54 221,20 59 386,64 221,20 60 490,33 221,20 61 552,43 221,20 62 378,34 243,85 63 483,94 247,16 64 524,98 247,16 65 414,01 255,72 66 474,69 257,64 67 533,87 258,03 68 516,47 288,83 69 551,26 288,83 h (m) γ (kN/m³) u (kPa) ru (%) 2,2 17 10,85 29,0 28,8 17 94,43 19,3 55,4 17 163,92 17,4 81,9 17 238,71 17,1 108,5 17 312,41 16,9 132,8 17 360,07 15,9 148,7 17 371,03 14,7 2,3 17 9,49 24,4 29,7 17 95,90 19,0 50,2 17 157,55 18,4 70,8 17 229,16 19,0 98,2 17 336,26 20,2 125,5 17 419,42 19,7 140,8 17 435,64 18,2 2,3 17 8,40 21,8 22,6 17 75,93 19,8 70,0 17 260,16 21,9 90,3 17 360,37 23,5 110,6 17 444,89 23,7 137,7 17 484,10 20,7 2,2 17 7,86 20,7 33,5 17 120,75 21,2 62,7 17 264,00 24,8 82,9 17 381,27 27,0 103,1 17 475,91 27,2 123,6 17 516,45 24,6 2,3 17 8,03 20,5 23,0 17 87,85 22,5 50,5 17 233,97 27,2 71,1 17 368,86 30,5 91,8 17 481,09 30,8 114,1 17 529,75 27,3 2,2 17 8,02 21,1 22,4 17 97,82 25,7 42,6 17 224,14 30,9 60,5 17 353,29 34,3 80,8 17 472,96 34,4 103,6 17 524,56 29,8 2,3 17 9,06 23,3 34,3 17 204,41 35,0 61,8 17 409,57 39,0 89,9 17 489,14 32,0 2,3 17 11,34 28,9 27,7 17 192,45 40,9 62,2 17 419,91 39,7 78,8 17 442,30 33,0 2,3 17 17,14 44,5 34,2 17 258,87 44,6 47,8 17 287,19 35,3 2,3 17 20,65 53,1 20,6 17 164,48 47,0 39,9 17 212,07 31,2 3,3 17 14,66 25,9 11,2 17 36,96 19,5 – 69 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica 1.239 360 340 320 300 280 260 240 Altura (m) 220 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 Distância (m) (x 1000) Figura 3.45 – Resultado da análise da estabilidade de talude (Caso 2) 3.4. ANÁLISE COMPARATIVA DOS CASOS ESTUDADOS Como pode ser visto nas análises anteriores, existem diferenças em considerar o carregamento das camadas de forma diferenciada. As Figuras 3.46, 3.47 e 3.48 ilustram essas diferenças em relação à geração das poropressões. A análise feita com camadas de altura constante indicou um aumento na geração das poropressões no início da construção. Entretanto, com o passar do tempo, os picos de poropressão foram diminuindo em valor, o contrário do que aconteceu com o caso de camadas de volume constante, onde os picos de poropressão foram crescendo, gradativamente, com o alteamento da barragem. A comparação feita em relação ao parâmetro ru (Figuras 3.49, 3.50 e 3.51) indicou uma diferença significativa, principalmente, nas últimas camadas construídas. No ponto B, onde são geradas as maiores poropressões, para o caso das alturas constantes o parâmetro ru final foi da ordem de 17%, enquanto que, para o caso dos volumes constantes o parâmetro ru final foi da ordem de 27%. – 70 – Capitulo 3 – Simulação Numérica de um Caso Hipotético Ponto A 900 D Camada com volume constante Poropressão (kPa) 800 C Camada com altura constante 700 J B H A E F G 600 500 400 300 200 100 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.46 – Influência da geometria das camadas na geração das poropressões no ponto A Ponto B Poropressão (kPa) 1000 D 900 Camada com volume constante 800 Camada com altura constante C J B H A E F G 700 600 500 400 300 200 100 0 300 500 700 900 1100 1300 1500 Tempo (dias) Figura 3.47 – Influência da geometria das camadas na geração das poropressões no ponto B Ponto F Poropressão (kPa) 500 400 Camada com volume constante D Camada com altura constante B H A E C J F G 300 200 100 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.48 – Influência da geometria das camadas na geração das poropressões no ponto F – 71 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Ponto A 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 Camada com volume constante 50 Camada com altura constante 40 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.49 – Influência da geometria das camadas no parâmetro ru no ponto A Ponto B 100 D C 90 ru (%) 80 J B H A E F G 70 Camada com volume constante 60 Camada com altura constante 50 40 30 20 10 0 300 500 700 900 1100 1300 1500 Tempo (dias) Figura 3.50 – Influência da geometria das camadas no parâmetro ru no ponto B Ponto F 100 D 90 C 80 ru (%) 70 J B H A E F G 60 Camada com volume constante 50 Camada com altura constante 40 30 20 10 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Tempo (dias) Figura 3.51 – Influência da geometria das camadas no parâmetro ru no ponto F – 72 – Capítulo 4 Caso-Estudo da UHE de Serra da Mesa No presente capítulo é apresentado o caso da barragem de Serra da Mesa, caracterizando os materiais utilizados na construção por meio dos ensaios realizados por Castro (1996). Estes ensaios foram muito importantes para obtenção dos parâmetros utilizados nas simulações numéricas. 4.1. CARACTERÍSTICAS DO PROJETO A Usina Hidrelétrica (UHE) de Serra da Mesa está localizada no Rio Tocantins, aproximadamente 240 km ao norte de Brasília/DF. A usina encontra-se na divisa dos distritos de Minaçu e Colinas do Sul, no Estado de Goiás. A localização da barragem está ilustrada na Figura 4.1. As Figuras 4.2 e 4.3 apresentam as vistas do talude de jusante e do reservatório, respectivamente. BR-153 Rio Tocantins Minaçu GO-241 GO UHE Serra da Mesa Campinorte Rio Tocantinsinho Niquelândia GO-237 Uruaçu BR-080 Rio Bagagem Rio Maranhão 0 Barro Alto 5 10 15 Escala Figura 4.1 – Localização da Usina de Serra da Mesa – 73 – 20 25 km Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Figura 4.2 – Vista do talude de jusante Figura 4.3 – Vista do reservatório da UHE de Serra da Mesa O arranjo geral do projeto da Usina de Serra da Mesa pode observado na Figura 4.4. Pré-ensecadeira Tomada d’água Ensecadeira Galgável Barragem MONTANTE Casa de Força Chsminé de Equilíbrio Túnel de acesso Túneis de Desvio Túnel de fuga Subestação 500 kV Ensecadeira galgável Pré-ensecadeira Canal de fuga Ponte de serviço JUSANTE Vertedouro Figura 4.4 – Arranjo geral da Usina de Serra da Mesa – 74 – Capitulo 4 – Caso-Estudo da UHE de Serra da Mesa O projeto consiste de um barramento com altura máxima de 150 m, uma crista com 1.510 m de comprimento e um volume total da ordem de 12.100.000 m3. A seção típica da barragem é constituída de um núcleo impermeável de argila, espaldares de enrocamento e transições de material de granulometria intermediária. A Figura 4.5 apresenta uma seção típica da barragem de Serra da Mesa. 464,00 F D MONTANTE JUSANTE 1,6 0,55 0,8 1 1 0,55 1 A 1,4 1 C 0,3 1 A 1 B 314,00 B D Rocha Sã (Granito) E A Enrocamento (Granito) D Transição Graúda B Transição Fina (Quartzito) E Enrocamento Fino (Granito) C Núcleo Impermeável F Rip-Rap (Granito) Figura 4.5 – Seção típica da Barragem de Serra da Mesa Shimabukuro et al. (1999) relatam que a barragem foi construída entre 1989 e 1997. Uma das características marcantes do projeto da Usina de Serra da Mesa é que foram construídas ensecadeiras galgáveis para controle do Rio Tocantins. No primeiro estágio da construção da barragem, em 1989, o maciço foi protegido com uma camada de 1,5 m de enrocamento. A montante e jusante, duas ensecadeiras de concreto compactado a rolo (CCR) deram a possibilidade de galgamento da barragem (Ávila & Faria, 1991, Barros et al., 1991). O primeiro estágio construtivo foi galgado por cinco períodos chuvosos, a lâmina d’água alcançou alturas de aproximadamente 15 m sobre o barramento. Quando os processos construtivos se iniciaram novamente, para a construção dos estágios posteriores, observou-se que o corpo da barragem se apresentava em excelentes condições, praticamente não sendo verificados danos devido ao galgamento da barragem (Caproni et al., 1994). Os estágios posteriores foram construídos nos seguintes períodos: 2° Estágio, maio a outubro de 1994; 3° Estágio, novembro de 1994 a dezembro de 1995; 4° Estágio, janeiro a novembro – 75 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica de 1996; 5° Estágio, maio a setembro de 1997. As cotas alcançadas em cada estágio estão ilustradas na Figura 4.6. Figura 4.6 – Estágios de construção da Barragem de Serra da Mesa 4.2. FUNDAÇÃO A região de construção da barragem é constituída por uma intrusão granito-gnáissica. O maciço rochoso de fundação apresenta-se são a pouco decomposto, com excelentes características mecânicas e ocorrência predominante de juntas fechadas. Conforme aumenta a profundidade, o número de juntas diminui. Segundo Shimabukuro et al. (1999), as feições características da fundação são as juntas de alívio distribuídas até uma profundidade máxima de 20 m, sendo mais concentradas no leito do rio e na ombreira esquerda. Franco et al. (1995) apresentam resultados médios de ensaios triaxiais executados pela CESP (Tabela 4.1). Tabela 4.1 – Parâmetros da Fundação Litologia Resistência à compressão (MPa) Módulo de Elasticidade (GPa) Coesão (MPa) Ângulo de Atrito ° Granito-gnaisse 200 63 22 62 – 76 – Capitulo 4 – Caso-Estudo da UHE de Serra da Mesa 4.3. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO Segundo Caproni et al. (1991) a construção da barragem de Serra da Mesa movimentou grandes volumes de materiais. Foram empregados 2.600.000 m³ de solo areno-argiloso compactado no núcleo, 2.200.000 m³ de materiais na transição e 7.300.000 m³ de rocha no enrocamento dos espaldares. Os materiais de maior representatividade na seção típica da barragem foram analisados por meio de ensaios realizados para obtenção dos principais parâmetros geotécnicos (Castro, 1996). Tais parâmetros foram utilizados nas análises numéricas para previsão do comportamento da barragem durante seu processo construtivo. 4.3.1. NÚCLEO Aguas (1999) relata que os solos utilizados no núcleo da barragem são provenientes de duas áreas de empréstimo que distam aproximadamente 11 km do eixo, na margem esquerda do Rio Tocantins. O processo de exploração das áreas de empréstimo resultou na mistura dos dois horizontes do perfil do solo. Segundo Castro (1996) os solos do núcleo impermeável da barragem de Serra da Mesa são solos coluvionares e residuais maduros de rocha granítica, predominando solos arenoargilosos pouco siltosos, com plasticidade média e coloração marrom. Foram utilizados dois tipos de solo para a construção do núcleo argiloso impermeável, um solo utilizado no primeiro estágio da construção e um segundo solo que foi usado nos estágios posteriores do alteamento da barragem. Castro (1996) relatou que o grau de compactação obtido durante a construção do primeiro estágio foi de 99,0% e o desvio de umidade de -0,2%, sendo valores médios e em relação ao proctor normal. Para a compactação do núcleo foram feitas oito passadas de rolo pé-decarneiro com tambores de dezessete toneladas, resultando em uma espessura média de aproximadamente 12,0 cm após o processo de compactação. Para os estágios posteriores de construção, os valores médios de grau de compactação foram 100%, com um desvio de umidade da ordem de +0,8%. O núcleo nesses períodos necessitou de um número maior de – 77 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica passadas, sendo especificadas dez a doze para o mesmo rolo pé-de-carneiro, resultando em camadas com espessura da ordem de 12,5 cm. 4.3.1.1 Ensaios no Solo do 1° Estágio Castro (1996) realizou ensaios de compactação, na energia do Proctor Normal, cujos resultados podem ser vistos na Figura 4.7. A amostra apresentou um peso específico seco máximo de 17,5 kN/m³ e umidade ótima de aproximadamente 15,0%. Foram realizados também ensaios de adensamento oedométrico utilizando célula de anel fixo, em corpos de provas moldados, com dimensões aproximadas de 2,0 cm de altura e 8,75 cm de diâmetro, obtidos de blocos indeformados provenientes do aterro compactado. De acordo com o projeto, a saturação dos corpos de prova foi feita por inundação a uma tensão de 100 kPa. A Figura 4.8 apresenta resultados típicos dos ensaios de adensamento no solo do 1° Estágio. Apresentase as variações da tensão vertical com o índice de vazios e com o módulo oedométrico (D).O módulo D pode ser expresso por: Peso Específico Seco (kN/m³) D= E (1 − ν ) (1 + ν )(1 − 2ν ) (4.1) 18,0 S = 80% S = 90% 17,5 17,0 16,5 16,0 15,5 8 10 12 14 16 18 20 Umidade (%) Figura 4.7 – Ensaio de compactação no solo do 1° Estágio (Castro, 1996) – 78 – Capitulo 4 – Caso-Estudo da UHE de Serra da Mesa e0 = 0,536 0,52 Índice de Vazios 0,50 0,48 0,46 0,44 0,42 0,40 (a) 0,38 0,36 100 10 1000 10000 Tensão Vertical σ1 (kPa) D (MPa) 10 (b) 1 10 100 1000 10000 Tensão Vertical Média (kPa) Figura 4.8 – Ensaio de adensamento no solo do 1° Estágio (Castro, 1996) Aguas (1999) relata que foi realizado um grande número de ensaios de permeabilidade com carga variável em permeâmetro convencional, tanto para o solo do 1° Estágio quanto para os demais estágios. Os coeficientes de permeabilidade horizontal e vertical obtidos indicaram grande dispersão. A faixa de resultados dos coeficientes de permeabilidade vertical, 1 x 10-9 a 1 x 10-7 m/s, será utilizada nas análises numéricas do processo construtivo do barramento. Com relação aos ensaios triaxiais, Castro (1996) relata que a metodologia de execução dos ensaios foi especificada pelo projeto de Serra da Mesa, tendo sido realizados ensaios triaxiais UU , CDSAT e PN . Os ensaios UU são ensaios de compressão triaxial tipo não drenado, não – 79 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica consolidado e com medição de poropressão. Os corpos de prova de 5,0 cm de diâmetro e 10,0 cm de altura foram ensaiados em condições de umidade natural, sem saturação prévia. Os resultados destes ensaios podem ser observados na Figura 4.9. Pode-se observar que na fase inicial do ensaio, o material apresenta comportamento aparentemente de um material sob condições drenadas (Figura 4.9.a). A deformação volumétrica foi determinada por meio de variação de volume da câmara triaxial. 1600 σ3 (kPa) 1400 800 Tensão Desviatória (kPa) (a) 1200 1000 500 800 300 600 100 400 200 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 Deformação Axial (%) 800 (b) q (kPa) 600 α’= 29° 400 200 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 p’ (kPa) Figura 4.9 – Ensaio de compressão triaxial tipo UU no solo do 1° Estágio (Castro, 1996) – 80 – Capitulo 4 – Caso-Estudo da UHE de Serra da Mesa Ensaios triaxiais tipo CDSAT também foram realizados. A saturação dos corpos de prova se deu inicialmente por percolação seguida de aumento de tensão confinante e da contrapressão. Os resultados destes ensaios podem ser vistos na Figura 4.10. 2400 σ3 (kPa) 800 Tensão Desviatória (kPa) 2000 1600 500 1200 (a) 300 800 400 100 Def. Volumétrica (%) 0 2 100 4 300 500 (b) 6 800 8 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 Deformação Axial (%) 1200 q (kPa) 1000 (c) α’= 30° 800 600 400 200 0 0 400 800 1200 1600 2000 2400 p’ (kPa) Figura 4.10 – Ensaio de compressão triaxial tipo CDSAT no Solo do 1° Estágio (Castro, 1996) – 81 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Castro (1996) por meio de ensaios triaxiais tipo Pressão Neutra (PN) apresentou curvas do parâmetro B . O ensaio PN solicita o solo a uma relação σ 3 / σ 1 constante. Esses ensaios são tidos como representativos quanto ao desenvolvimento de poropressões, no campo, durante o processo construtivo. Na série de ensaios realizados, os corpos de prova foram submetidos à relação σ 3 / σ 1 = 0,5 até atingir σ 3 = 1000 kPa . As Figuras 4.11 e 4.12 apresentam as curvas do parâmetro B vs σ 1 , para amostras saturadas, e não saturadas. 30 Parâmetro B (%) 25 Repetição de Ensaios 20 15 10 5 0 0 500 1000 1500 2000 2500 Tensão Principal Maior σ1 (kPa) Figura 4.11 – Ensaio de compressão triaxial tipo PN no solo do 1° Estágio em amostras saturadas (Castro, 1996) 30 25 Parâmetro B (%) Repetição de Ensaios 20 15 10 5 0 -5 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 Tensão Principal Maior σ1 (kPa) Figura 4.12 – Ensaio de compressão triaxial tipo PN no solo do 1° Estágio em amostras não saturadas (Castro, 1996) – 82 – Capitulo 4 – Caso-Estudo da UHE de Serra da Mesa Observando as curvas das Figuras 4.11 e 4.12, pode-se verificar que o grau de saturação não apresentou influência significativa no comportamento e nos valores máximos apresentados. 4.3.1.2 Ensaios no Solo dos Estágios Posteriores Castro (1996) realizou ensaios de compactação, na energia do Proctor Normal, os resultados desses ensaios podem ser vistos na Figura 4.13. A amostra apresentou um peso específico seco máximo de 17,6 kN/m³ e umidade ótima de aproximadamente 14,7%. Foram realizados também ensaios de adensamento oedométrico utilizando célula de anel fixo. De acordo com o projeto, a saturação dos corpos de prova foi feita por inundação a uma tensão de 100 kPa. A Figura 4.14 apresenta resultados dos ensaios de adensamento no solo dos estágios posteriores Peso Específico Seco (kN/m³) ao 1°Estágio. 18,0 S = 80% S = 90% 17,5 17,0 16,5 16,0 15,5 8 10 12 14 16 18 20 Umidade (%) Figura 4.13 – Ensaio de Compactação no Solo dos Estágios Posteriores (Castro, 1996) A Figura 4.14 apresenta resultados típicos dos ensaios de adensamento. Apresenta-se as variações da tensão vertical com o índice de vazios e com o módulo confinado ou módulo de deformabilidade unidimensional, D. – 83 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica e0 = 0,505 0,52 Índice de Vazios 0,50 0,48 0,46 0,44 (a) 0,42 0,40 0,38 0,36 10 100 1000 10000 Tensão Vertical σ1 (kPa) D (MPa) 10 (b) 1 10 100 1000 10000 Tensão Vertical Média (kPa) Figura 4.14 – Ensaio de adensamento no solo dos estágios posteriores (Castro, 1996) Com relação aos ensaios triaxiais, Castro (1996) relata que a metodologia de execução dos ensaios foi especificada pelo projeto de Serra da Mesa, realizando ensaios triaxiais CDSAT e PN no solo do núcleo para os estágios posteriores. Os resultados dos ensaios CDSAT podem ser observados na Figura 4.15. – 84 – Capitulo 4 – Caso-Estudo da UHE de Serra da Mesa 2400 800 Tensão Desviatória (kPa) 2000 1600 (a) 500 1200 300 800 400 100 0 Def. Volumétrica (%) -2 100 0 2 300 500 4 (b) 800 6 0 2 4 6 10 8 12 14 16 18 20 22 Deformação Axial (%) 1200 1000 q (kPa) (c) α’= 30° 800 600 400 200 0 0 400 800 1200 1600 2000 2400 p’ (kPa) Figura 4.15 – Ensaio de compressão triaxial tipo CDSAT no Solo dos Estágios Posteriores (Castro, 1996) – 85 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Castro (1996) por meio de ensaios triaxiais tipo Pressão Neutra (PN) apresentou curvas do parâmetro B no solo dos estágios posteriores. A Figura 4.16 apresenta as curvas do parâmetro B vs σ 1 . Para este solo foram executados apenas ensaios moldados na umidade natural, com saturação entre 70 e 80%. O parâmetro B assume valores inferiores a 5%, em sua grande maioria, para tensões verticais abaixo de 2200 kPa. 25 Parâmetro B (%) 20 Repetição de Ensaios 15 10 5 0 -5 -10 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 Tensão Principal Maior σ1 (kPa) Figura 4.16 – Ensaio de compressão triaxial tipo PN no Solo dos Estágios posteriores (Castro, 1996) 4.3.2. TRANSIÇÕES Segundo Castro (1996) o material utilizado na transição fina da barragem de Serra da Mesa é constituído, predominantemente, de uma areia média e fina com pedregulhos. O material foi submetido a ensaios triaxiais tipo CDSAT e permeabilidade. Foram realizados 28 ensaios triaxiais com tensões confinantes de 100 a 800 kPa. Os corpos de prova foram saturados por percolação e contrapressão. A Figura 4.17 apresenta os resultados médios dos ensaios triaxiais. Os resultado dos ensaios de permeabilidade de carga constante indicaram valores de coeficientes de permeabilidade variando entre 5 x 10-5 e 1,5 x 10-4 m/s. – 86 – Capitulo 4 – Caso-Estudo da UHE de Serra da Mesa 2800 σ3 (kPa) 2400 Tensão Desviatória (kPa) 800 (a) 2000 1600 500 1200 300 800 400 100 0 -6 Def. Volumétrica (%) 100 -4 300 (b) -2 500 800 0 2 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 Deformação Axial (%) 1400 1200 (c) q (kPa) 1000 α’= 31° 800 600 400 200 0 0 400 800 1200 1600 2000 2400 p’ (kPa) Figura 4.17 – Ensaio de compressão triaxial tipo CDSAT no solo de transição (Castro, 1996) – 87 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica 4.3.3. ESPALDARES DE ENROCAMENTO Aguas (1999) relata que o volume total de enrocamento compactado representa, aproximadamente, 60% em volume do total de materiais do maciço, o enrocamento é proveniente de pedreiras de granito e da escavação da rocha para implantação das estruturas. O material foi submetido a ensaios de laboratório de caracterização e oedométrico (compressão unidimensional) de grandes dimensões do laboratório de Furnas em Goiânia. Caproni & Armelin (1998) apresentaram gráficos tensão vs deformação vertical com os resultados de todas as amostras ensaiadas e da instrumentação de campo. Os ensaios de compressão unidimensional foram realizados em corpos de prova com pesos específicos de 20,1 e 21,1 kN/m³ (valores médios encontrados “in situ”). As amostras, com 1,0 m de diâmetro e 1,0 m de altura, tiveram diâmetro máximo das partículas de 20 cm. Os ensaios revelaram que as amostras com maior peso específico apresentaram maiores módulos, aproximadamente 120 MPa contra 50 MPa para as amostras com peso específico de 20,1 kN/m³. Os autores compararam, ainda os módulos de laboratório com os módulos calculados a partir da instrumentação, mas reconhecem que as condições “in situ” não são exatamente as de confinamento perfeito. – 88 – Capítulo 5 Modelagem da UHE Serra da Mesa e Instrumentação A metodologia utilizada neste capítulo corresponde à utilizada no Capítulo 3 em relação à construção do barramento segundo os critérios de projeto e não só ao alteamento das camadas com altura constante. A partir dos ensaios realizados por Castro (1996), no capítulo anterior, foi possível mensurar os parâmetros utilizados na simulação numérica. No presente capítulo são realizadas análises considerando as características do projeto da UHE Serra da Mesa. Em seguida, os dados da simulação numérica foram comparados e aferidos por meio da instrumentação instalada na barragem de Serra da Mesa. 5.1. SEÇÃO TIPO Nas análises numéricas apresentadas neste capítulo, foi considerado o zoneamento da barragem de Serra da Mesa, conforme apresentado na Figura 5.1. O barramento possui 150 m de altura e foi simulado a partir de quatro materiais (espaldares de enrocamento, transições, núcleo e fundação em rocha sã). Fundação em Rocha Sã Núcleo (1° Estágio) Transições Núcleo (Estágios Posteriores) Espaldares (Enrocamento) Figura 5.1 – Zoneamento da seção da barragem – 89 – Capítulo 5 – Modelagem da UHE Serra da Mesa e Instrumentação 5.2. SIMULAÇÃO DOS MATERIAIS Os materiais utilizados nas análises foram modelados com a formulação de Mohr-Coulomb (perfeitamente plástica), utilizando os parâmetros obtidos por meio dos ensaios apresentados no Capítulo 4. O modelo Mohr-Coulomb tem como vantagens sua simplicidade. Seus parâmetros podem ser facilmente determinados por meio de ensaios rotineiros. Quanto às condições de drenagem, estas variam de acordo com o material e com o tempo de dissipação das poropressões. 5.2.1. FUNDAÇÃO EM ROCHA SÃ O programa Plaxis 2D possui um modelo “Non-Porous Behaviour” que é aplicado na modelagem de concreto e rochas ou em comportamento estruturais. Este modelo está relacionado às condições de drenagem do material. Como a barragem está assente sobre uma fundação de rocha sã fez-se uso do referido modelo, pois, o mesmo simula o comportamento impermeável da fundação rochosa. Os demais parâmetros apresentados por Franco et al. (1995) estão ilustrados na Tabela 5.1. Tabela 5.1 – Parâmetros do Modelo Mohr-Coulomb - Fundação Fundação Rochosa γunsat 25 kN/m³ γsat 25 kN/m³ E ν c φ ψ kx = ky 63000 0,25 22000 62 - MN/m² kN/m² ° ° m/s 5.2.2. MATERIAL DO NÚCLEO A Tabela 5.2 apresenta os parâmetros obtidos para os materiais do núcleo, sendo divididos em solo do 1° Estágio e o solo dos Estágios Posteriores. Porém, devido aos materiais apresentarem muita similaridade optou-se por utilizar um tipo de solo para representar o comportamento do material do núcleo (Tabela 5.2). Os valores dos parâmetros foram selecionados de acordo com os ensaios mostrados no Capítulo 4 (Castro, 1996). – 90 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica 5.2.3. MATERIAL DE TRANSIÇÃO A Tabela 5.2 apresenta os parâmetros obtidos para o material da transição, a transição apresenta módulos superiores ao do núcleo. Os valores foram obtidos por meio dos ensaios realizados por Castro (1996) apresentados no Capítulo 4. 5.2.4. MATERIAL DOS ESPALDARES O enrocamento utilizado na construção da barragem apresenta-se bem graduado. Segundo Caproni & Armelin (1998) foi possível obter o valor de 120 MPa para o módulo de Young. A Tabela 5.2 ilustra os parâmetros dos espaldares de enrocamento. Tabela 5.2 – Parâmetros do Modelo Mohr-Coulomb - Barragem Núcleo Argiloso γunsat 17,8 γsat E ν c φ 21 60000 0,36 40 34 ψ kx = ky 1x10 -9 Transição kN/m³ γunsat 19,6 kN/m³ kN/m² kN/m² ° γsat E ν c φ 21 90000 0,25 5 40 ° ψ kx = ky 10 m/s 5x10 -5 Enrocamento kN/m³ γunsat 21,1 kN/m³ kN/m³ kN/m² kN/m² ° γsat E ν c φ 21,1 120000 0,25 5 50 kN/m³ kN/m² kN/m² ° ° ψ kx = ky - m/s 1x10 ° -3 m/s O valor de coesão de 5 kPa para o enrocamento se deve ao fato do problema da ruptura do talude de jusante pela falta de coesão na face do talude, por isso assume-se um pequeno valor de coesão para este material para evitar o mecanismo de ruptura. A coesão do núcleo foi assumida de valores de ensaios UU (Castro, 1996). O valor do módulo de elasticidade do núcleo foi assumido a partir dos ensaios UU para uma tensão confinante σ 3 = 800 kPa . O programa Plaxis recomenda um coeficiente de Poisson superior a 0,35 para solos não saturados. 5.3. SIMULAÇÃO NUMÉRICA Para a análise da seção da barragem de Serra da Mesa foi feito, inicialmente, o traçado da seção tipo do barramento no programa de elementos finitos Plaxis. O traçado da seção está ilustrado na Figura 5.2. A configuração da seção tipo busca simular da melhor forma possível – 91 – Capítulo 5 – Modelagem da UHE Serra da Mesa e Instrumentação o processo construtivo da barragem, por isso, a geometria das camadas precisou ser mais complexa. Figura 5.2 – Seção simulada no programa Plaxis O programa Plaxis 2D possui um gerador de malha automático, essa malha é constituída de elementos triangulares com seis nós. Quando necessário pode-se fazer uma adequação da malha por meio da ferramenta “mesh” que aumenta a densidade de elementos numa determinada região que necessite de uma melhor discretização, por exemplo, contato núcleo com transições ou contato núcleo com fundação rochosa, devido à região do núcleo impermeável ter rigidez inferior às regiões de transição e fundação rochosa. Essa diferença elevada de rigidez gera, além do arqueamento de tensões no barramento, uma condição favorável ao mau condicionamento dos sistemas lineares de cálculo do programa. Esse mau condicionamento foi observado no contato fundação/núcleo, devido à grande diferença da rigidez dos dois materiais. A solução adotada foi aumentar a densidade da malha neste contato. A Figura 5.3 ilustra a configuração da malha de elementos finitos. Figura 5.3 – Malha automática de elementos finitos da Barragem de Serra da Mesa – 92 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica O procedimento seguinte foi determinar as condições de contorno do problema, determinando e limitando as zonas de percolação e consolidação, além de posicionar a linha freática. No caso em questão, o nível de água inicial coincide com o nível do terreno de fundação, para analisar o aparecimento dos excessos poropressão no barramento. Porém, as condições de projeto de Serra da Mesa previram que, após a construção do 1° Estágio construtivo, o aterro seria galgado pelo Rio Tocantins, esse galgamento durou cinco períodos chuvosos. Para a retomada da construção, o nível de água passou a se localizar no topo da camada do 1° Estágio. A Figura 5.4 ilustra a seção transversal da barragem contemplando todas as condições de contorno atribuídas no problema. Figura 5.4 – Seção tipo e suas condições de contorno (consolidação e fluxo) Conhecidas as condições de contorno, calculou-se a geração de poropressão inicial para a fundação, antes da construção do barramento. Como foi escolhido o modelo “Non-Porous Behaviour” essa geração inicial das poropressões é nula. Similarmente ao procedimento de geração de poropressões iniciais, o procedimento de obtenção das tensões iniciais ou tensões virgens ocorre da mesma maneira. Para determinação das tensões iniciais utilizou-se uma relação de tensões, k 0 , igual a três, devido às características geológicas locais. Encerrada a fase de determinação das condições iniciais, poropressões e tensões virgens, inicia-se a fase de cálculo no algoritmo do programa. Esta etapa de cálculo pode ser dividida em outras três fases. Uma fase plástica onde são determinados os carregamentos, ou seja, a determinação das camadas como carregamento na fase construtiva. Uma fase de consolidação onde são dissipados os excessos de poropressão devido aos carregamentos. E, por fim, a terceira fase que diz respeito à atualização da malha de elementos finitos. Mas é na junção – 93 – Capítulo 5 – Modelagem da UHE Serra da Mesa e Instrumentação dessas fases que se promove a simulação numérica do problema. A combinação da fase plástica com a de consolidação gera o efeito acoplado de equilíbrio e fluxo. A seção da barragem de Serra da Mesa possui camadas diferenciadas, que tentam simular o processo construtivo do barramento. Assim, foram confeccionadas doze fases plásticas e doze fases de consolidação intercaladas com as fases plásticas, com o intuito de obter o efeito de acoplagem. A Figura 5.5 mostra o gráfico de alteamento da barragem e compara as análises feitas por Castro (1996) e Aguas (1999) do processo construtivo da barragem. 500 Elevação (m) 450 Aguas 1999 Castro 1996 Pereira 2005 400 350 300 dez/87 dez/88 dez/89 dez/90 dez/91 dez/92 dez/93 dez/94 dez/95 dez/96 dez/97 dez/98 tempo Figura 5.5 – Elevação do barramento A Figura 5.5 mostra a elevação do barramento durante o processo construtivo de Serra da Mesa. A partir dela pode-se verificar que as análises feitas na presente dissertação possuem bastante semelhança com as considerações de projeto adotadas por Castro (1996). A maior dificuldade encontrada está relacionada aos tempos de dissipação de poropressão (consolidação), pois ao final de cada fase plástica, construção de camada, uma fase de consolidação teria que ser inserida para gerar o efeito acoplado das análises. Então, a partir do início da construção do 2° Estágio construtivo a barragem apresentou elevadas taxas de alteamento, fazendo com que os tempos de dissipação entre as camadas diminuíssem. A Tabela 5.3 apresenta o processo de cálculo contemplando as fases plásticas de alteamento das camadas e as fases de consolidação e dissipação das poropressões. – 94 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Tabela 5.3 – Processo de cálculo da simulação da construção em camadas Identificação das Etapas Etapa Inicial Fases Tensões Iniciais Plástica 1° Estágio Camada 1 Consolidação Plástica Camada 2 Consolidação Plástica Camada 3 Consolidação 2° Estágio Plástica Camada 4 Consolidação Plástica Camada 5 Consolidação Plástica Camada 6 Consolidação Plástica 3° Estágio Camada 7 Consolidação Plástica Camada 8 Consolidação Plástica Camada 9 Consolidação Plástica 4° Estágio Camada 10 Consolidação Plástica Camada 11 Consolidação Plástica 5° Estágio Camada 12 Consolidação Tempo (dias) N/A Estágio Construtivo Tempo de Dissipação Estágio Construtivo Tempo de Dissipação Estágio Construtivo Tempo de Dissipação Estágio Construtivo Tempo de Dissipação Estágio Construtivo Tempo de Dissipação Estágio Construtivo Tempo de Dissipação Estágio Construtivo Tempo de Dissipação Estágio Construtivo Tempo de Dissipação Estágio Construtivo Tempo de Dissipação Estágio Construtivo Tempo de Dissipação Estágio Construtivo Tempo de Dissipação Estágio Construtivo Tempo de Dissipação 215 1680 40 10 40 10 40 10 40 35 130 10 130 15 130 15 100 10 100 10 100 10 140 10 Durante as análises faz-se necessária a escolha dos pontos (nós) onde serão calculados os valores dos excessos de poropressões para a seção de Serra da Mesa. Estes pontos coincidem com o posicionamento da instrumentação da barragem, feita com piezômetros pneumáticos. A Figura 5.6 apresenta o posicionamento dos pontos selecionados. R T C Q P D B S E A Rocha Sã (Granito) Figura 5.6 – Localização dos pontos na seção da Barragem de Serra da Mesa – 95 – Capítulo 5 – Modelagem da UHE Serra da Mesa e Instrumentação Para a simulação do processo construtivo da barragem de Serra da Mesa foram assumidas as seguintes hipóteses: • Paralisação por cinco períodos chuvosos depois da construção do primeiro estágio; • Devido ao tempo de dissipação, o 1° Estágio foi analisado sob condições drenadas; • Quando da retomada da construção, o material do núcleo foi analisado como sendo nãodrenado; • E durante a construção os demais estágios de construção, os mesmos foram analisados sob condições drenadas; A Figura 5.7 ilustra as fases plásticas que correspondem à construção das camadas da barragem de Serra da Mesa. Entende-se a complexidade do fenômeno de geração de poropressão durante o processo construtivo de uma barragem, logo, a necessidade de se contemplar os detalhes da construção do barramento é de fundamental importância. Determinado o posicionamento dos pontos de cálculo das poropressões e selecionando as camadas representativas das fases plásticas inicia-se o processo de cálculo do programa. A Figura 5.8 ilustra a distribuição das poropressões durante o processo construtivo. (b) (a) (c) (d) – 96 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica (e) (f) (g) (h) (i) (j) (k) (l) Figura 5.7 – Processo construtivo das camadas da barragem – 97 – Capítulo 5 – Modelagem da UHE Serra da Mesa e Instrumentação (a) (b) (c) (d) (e) (f) (g) (h) – 98 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica (i) (j) (k) (l) Figura 5.8 – Distribuição das poropressões durante o processo construtivo Como se pode observar na Figura 5.8, as poropressões geradas estão situadas na parte inferior do núcleo impermeável distribuídas em curvas de isoporopressões apresentando como valor máximo de 140 kPa durante o processo construtivo, já ao final da construção, o valor máximo encontrado foi 75 kPa. A linha tracejada nas seções, a partir do início da construção do 2° Estágio, indica o posicionamento adotado para a linha do nível de água para o alteamento das demais camadas, após o período em que a obra ficou parada. Analisando a seqüência das seções observa-se que quanto mais próximos das fronteiras drenantes os pontos estiverem, maior será a dissipação das poropressões, ao contrário dos pontos localizados na zona central do núcleo, os pontos apresentam os maiores valores encontrados. Isso indica que a consideração de projeto para parâmetros de poropressão apresentando valores constantes, para um determinado material, não condiz com a realidade construtiva de uma barragem. – 99 – Capítulo 5 – Modelagem da UHE Serra da Mesa e Instrumentação 5.4. SIMULAÇÃO VERSUS INSTRUMENTAÇÃO A instrumentação de uma barragem possui alguns objetivos básicos, citam-se: • Alertar sobre a ocorrência de anomalias no comportamento da barragem ou de condições que possam favorecer o aparecimento destas anomalias; • Os parâmetros dos materiais da barragem e de sua fundação podem ser aferidos, possibilitando uma previsão mais realista de seu comportamento durante a fase construtiva. • Possibilidade de revisões no projeto durante a fase de construção; • Fornecer informações sobre a época correta para realizar certas operações construtivas. Durante o processo construtivo da barragem de Serra da Mesa foi instalada a instrumentação para acompanhamento do barramento. Os instrumentos utilizados para acompanhamento da geração das poropressões na barragem foram piezômetros pneumáticos. Os piezômetros são instrumentos que medem porpopressões em um determinado ponto do solo. Os piezômetros são constituídos de uma célula que permanece em contato direto com o solo, um sistema de transmissão que liga a célula ao meio externo e um receptor que traduz as informações que são transmitidas pela célula. A Figura 5.9 mostra uma fotografia do equipamento. Segundo Castro (1996) o piezômetro pneumático utilizado na barragem de Serra da Mesa, possui um diafragma flexível que fica sujeito de um lado à poropressão a ser medida. No outro lado do diafragma, atua uma pressão de gás. Esta pressão de gás é controlada até que alcance o equilíbrio do diafragma, desta forma, obtendo-se a medida da pressão desejada. Figura 5.9 – Piezômetro pneumático – 100 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica A localização dos instrumentos para medição das poropressões está ilustrada na Figura 5.10, o posicionamento dos piezômetros condizem com a localização dos pontos selecionados para a simulação no programa Plaxis 2D. Pz26 Pz25 Pz16 Pz15 Pz08 Pz09 Pz36 Pz37 Pz04 Pz05 Rocha Sã (Granito) Figura 5.10 – Localização dos piezômetros As Figuras 5.11 a 5.20 mostram a comparação feita entre os valores encontrados por meio da simulação numérica e os valores obtidos por meio da instrumentação instalada na barragem de Serra da Mesa. Piezômetro PZ05 (Ponto A) 360 355 Elevação (m) 350 345 340 335 Plaxis Instrumentação 330 325 320 1500,00 1700,00 1900,00 2100,00 2300,00 2500,00 2700,00 2900,00 3100,00 Tempo (dias) Figura 5.11 – Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto A) – 101 – 3300,00 Capítulo 5 – Modelagem da UHE Serra da Mesa e Instrumentação Piezômetro PZ04 (Ponto E) 360 355 Elevação (m) 350 345 340 335 Plaxis Instrumentação 330 325 320 1300,00 1500,00 1700,00 1900,00 2100,00 2300,00 2500,00 2700,00 2900,00 3100,00 3300,00 Tempo (dias) Figura 5.12 – Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto E) Piezômetro PZ08 (Ponto P) 370 365 Plaxis Elevação (m) 360 Instrumentação 355 350 345 340 335 330 1300,00 1500,00 1700,00 1900,00 2100,00 2300,00 2500,00 2700,00 2900,00 3100,00 Tempo (dias) Figura 5.13 – Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto P) – 102 – 3300,00 Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Piezômetro PZ09 (Ponto D) 370 365 Plaxis Instrumentação Elevação (m) 360 355 350 345 340 335 330 1300,00 1500,00 1700,00 1900,00 2100,00 2300,00 2500,00 2700,00 2900,00 3100,00 3300,00 Tempo (dias) Figura 5.14 – Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto D) Piezômetro PZ15 (Ponto C) 370 Elevação (m) 360 Plaxis 350 Instrumentação 340 330 1300,00 1500,00 1700,00 1900,00 2100,00 2300,00 2500,00 2700,00 2900,00 3100,00 Tempo (dias) Figura 5.15 – Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto C) – 103 – 3300,00 Capítulo 5 – Modelagem da UHE Serra da Mesa e Instrumentação Piezômetro PZ16 (Ponto Q) 370 Elevação (m) 360 Plaxis 350 Instrumentação 340 330 1300,00 1500,00 1700,00 1900,00 2100,00 2300,00 2500,00 2700,00 2900,00 3100,00 3300,00 Tempo (dias) Figura 5.16 – Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto Q) Piezômetro PZ25 (Ponto R) 410 Elevação (m) 405 400 395 390 Plaxis 385 Instrumentação 380 1300,00 1500,00 1700,00 1900,00 2100,00 2300,00 2500,00 2700,00 2900,00 3100,00 Tempo (dias) Figura 5.17 – Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto R) – 104 – 3300,00 Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica Piezômetro PZ26 (Ponto T) 410 Elevação (m) 405 400 395 390 Plaxis 385 380 1300,00 Instrumentação 1500,00 1700,00 1900,00 2100,00 2300,00 2500,00 2700,00 2900,00 3100,00 3300,00 Tempo (dias) Figura 5.18 – Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto T) Piezômetro PZ36 (Ponto B) 360 Elevação (m) 350 340 330 Plaxis 320 Instrumentação 310 300 1300,00 1500,00 1700,00 1900,00 2100,00 2300,00 2500,00 2700,00 2900,00 3100,00 Tempo (dias) Figura 5.19 – Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto B) – 105 – 3300,00 Capítulo 5 – Modelagem da UHE Serra da Mesa e Instrumentação Piezômetro PZ37 (Ponto S) 380 Elevação (m) 370 360 Plaxis 350 Instrumentação 340 330 320 1300,00 1500,00 1700,00 1900,00 2100,00 2300,00 2500,00 2700,00 2900,00 Tempo (dias) Figura 5.20 – Comparação entre a instrumentação e a simulação (Ponto S) As análises comparativas mostraram uma boa concordância de valores. O ponto A, no contato do núcleo com a fundação, apresentou os melhores resultados. O programa Plaxis se mostrou uma ferramenta poderosa para determinação das poropressões durante a fase construtiva do barramento. Outro fato interessante diz respeito às fronteiras drenantes, nos pontos onde os instrumentos não acusaram variação nos níveis da água, o programa também não acusou variação nos níveis de poropressão, como pode ser observado nos pontos Q, R e T. Nos pontos C, D e P ocorreu pequena geração de poropressão positiva, que também foi simulada de forma satisfatória pela simulação numérica. Porém, nos pontos B e S, a comparação apresentou diferença entre a simulação e os valores obtidos pela instrumentação, esses valores diferenciados podem ter ocorrido devido ao fato do 1° Estágio construtivo ter sido submetido a lâminas da água de aproximadamente 15 m acima do terreno, e quando se iniciou o processo construtivo, após os cinco períodos chuvosos que a obra permaneceu parada, o nível da água não necessariamente estaria ao mesmo nível do terreno, como foi considerado nas simulações numéricas. – 106 – Capítulo 6 Conclusões 6.1. CONCLUSÕES Neste trabalho foi apresentado o estudo da distribuição das poropressões construtivas em barragens por meio de simulações numéricas. Procurou-se verificar a possibilidade de prever o comportamento dos materiais, fazendo-se análises paramétricas para seções hipotéticas de barragens homogêneas, e a possibilidade de prever as poropressões medidas, a partir da instrumentação instalada na barragem, por meio de simulações numéricas no barramento de Serra da Mesa. Esta preocupação, em determinar as poropressões durante o processo construtivo de uma barragem, é justificada pelo fato dos projetistas de barragens adotarem valores para os parâmetros de poropressão, unicamente, por meio de suas experiências. Estes valores estimados podem acarretar problemas para a estabilidade da barragem. O programa utilizado para as análises foi o Plaxis 2D, o modelo utilizado nas análises foi Mohr-Coulomb devido à sua simplicidade e à facilidade de obtenção dos parâmetros do modelo. Inicialmente, apresentou-se uma revisão bibliográfica dos estudos feitos sobre a geração de poropressões em barramentos. Em seguida, conceituam-se os modelos do programa em elementos finitos e o processo de consolidação. Apresentou-se um caso histórico de ruptura da barragem Eng° Armando Ribeiro Gonçalves / RN, que rompeu em um de seus taludes sob condições de final de construção. No Capítulo 3 foi analisada uma seção hipotética de barragem homogênea, nesta seção verificou-se a influência da construção da barragem em camadas com altura constante e camadas com volume de camada constante. Por meio desta análise, se pode observar uma diferença significativa, principalmente para as primeiras camadas construídas. O caso em que – 107 – Capítulo 6 – Conclusões as camadas foram construídas com altura constante apresenta valores maiores de poropressões no início do alteamento da barragem, e estes valores vão diminuindo à medida que as camadas posteriores vão sendo construídas. Para o caso de camadas com volume de material constante, a geração das poropressões se dá de forma crescente, isso se deve ao fato das camadas apresentarem o mesmo carregamento em todas as fases construtivas. Porém, no caso de alturas constantes, a primeira camada constitui o maior carregamento do alteamento e a última camada refere-se ao menor carregamento, por isso a geração de poropressão, para este caso, apresentar valores decrescentes. Para os dois casos foram feitas análises paramétricas para avaliar a influência dos parâmetros no parâmetro ru. Essas análises mostraram que os coeficientes de permeabilidade e o tempo de dissipação das poropressões são variáveis importantes do problema. Outra variável importante é a umidade de compactação, porém, o programa apesar, de contemplar parâmetros que caracterizam o material em condições úmidas e saturadas, não apresenta uma forma direta de entrada de valores referentes à umidade. Em seguida foram realizadas análises de estabilidade dos taludes que ilustraram a diferença em considerar a distribuição constante, em faixas e em forma de malha de ponto do parâmetro ru. Comparando os valores das análises de estabilidade de taludes, para os casos com altura de camadas constante e volume de camadas constante, o primeiro caso apresentou fator de segurança superior devido à geração das poropressões no final da construção ser inferior às geradas no caso de camadas com volume constante de camadas. No Capítulo 4 foi apresentado o caso da barragem de Serra da Mesa, caracterizando os materiais utilizados na construção por meio dos ensaios realizados por Castro (1996). Estes ensaios foram muito importantes para obtenção dos parâmetros utilizados nas simulações numéricas. No Capítulo 5 foi feita a simulação numérica da barragem de Serra da Mesa, com vistas à geração de poropressão em seu período construtivo. Os resultados encontrados foram bastante satisfatórios, a distribuição das poropressões foi aferida pela instrumentação instalada no barramento, com exceção de pontos localizados no início da retomada da construção, após os cinco períodos chuvosos de interrupção da obra. Isso se deve à incerteza do posicionamento do nível de água no início da retomada da construção. Para o caso analisado o nível de água foi assumido como estando ao nível do topo do 1° Estágio construtivo. – 108 – Previsão de Poropressão Construtiva em Barragens Via Simulação Numérica 6.2. SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS Sugerem-se aprofundamentos e novas pesquisas nos seguintes pontos: • Realizar análises paramétricas mais abrangentes em programas que englobem o estado inicial da estrutura do solo compactado; • Analisar a influência da geração das poropressões construtivas por meio de programas que contemplem análises em solos não-saturados, pois, se entende que estas análises seriam as mais representativas do estado construtivo de uma barragem; • A análise acoplada feita no programa Plaxis é uma análise que precisa da interferência do usuário. Sugere-se a utilização de uma ferramenta computacional que englobe de forma direta os aspectos acoplados dos fenômenos de equilíbrio e fluxo na construção do barramento. – 109 – Referências Bibliográficas Aguas, M. F. F. (1999). Avaliação da Barragem de Serra da Mesa nas Fases Construtiva e de Enchimento do Reservatório com Auxílio de Modelagem Numérica. Dissertação de Mestrado, COPPE, UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, 153 p. Assis, A. 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