Paulo César de Jesus Dias AVALIAÇÃO HISTOLÓGICA DA BIOCOMPATIBILIDADE DO POLÍMERO DE MAMONA NO DORSO NASAL DE MACACOS PREGO (Cebus apella) Tese apresentada ao curso de Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do título de Doutor em Medicina. São Paulo 2007 Paulo César de Jesus Dias AVALIAÇÃO HISTOLÓGICA DA BIOCOMPATIBILIDADE DO POLÍMERO DE MAMONA NO DORSO NASAL DE MACACOS PREGO (Cebus apella) Dissertação apresentada ao curso de PósGraduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do título de Doutor em Medicina. Área de concentração : Otorrinolaringologia Orientador : Prof. Dr. Lídio Granato Co-Orientadora : Profa. Dra. Lizeti Toledo de Oliveira Ramalho São Paulo 2007 FICHA CATALOGRÁFICA Preparada pela Biblioteca Central da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Dias, Paulo César de Jesus Avaliação histológica da biocompatibilidade do polímero de mamona no dorso nasal de mamacos prego (Cebus apella)./ Paulo César de Jesus Dias. São Paulo, 2007. Tese de Doutorado. Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – Curso de pós-graduação em Medicina. Área de Concentração: Otorrinolaringologia Orientador: Lídio Granato Co-Orientador: Lizeti Toledo de Oliveira Ramalho 1. Polímeros 2. Materiais biocompatíveis 3.Osso nasal 4.Nariz 5.Cebus apella 6. Animais BC-FCMSCSP/07-2007 Dedicatória Aos meus pais, Nilton e Clotilde, por todo amor, carinho e todas as oportunidades que tão generosamente me ofereceram. À minha esposa, Alessandra, que em todos os momentos está ao meu lado, compartilhando as minhas angústias, os meus receios e as minhas incertezas. À minha querida filha Helena fonte da mais pura alegria. A Agustinha (in memorian) lembro com carinho praticamente todos os dias. Agradecimentos À Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, por conceder-me a oportunidade de realização do Curso de Pós-Graduação; Ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, área de concentração em Otorrinolaringologia; À Faculdade de Odontologia do Campus de Araçatuba e Faculdade de Odontologia do Campus de Araraquara – UNESP, pelas condições oferecidas para o desenvolvimento deste trabalho; À Universidade de Várzea Grande – UNIVAG e a Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo pela concessão da bolsa de estudos que auxiliou a realização do presente estudo; Ao Prof. Dr. José Américo de Oliveira da Disciplina de Anatomia da Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP por sua generosidade e ensinamentos e conselhos. Não sei como retribuir tamanho carinho e atenção, muito obrigado; Ao Prof. Dr. Lídio Granato, pela amizade, estímulo e orientação sempre solícita durante a realização deste trabalho e pela forma carinhosa e compreensiva nos momentos em que mais precisei de apoio; A Profa. Lizetti Toledo de Oliveira Ramalho pela hospitalidade e prontamente receptiva que proporcionou estudo histológico para o desenvolvimento desse trabalho, pelos conselhos e pela segurança e integridade em todos os momentos durante a realização do trabalho; Ao Prof. Dr. Marcus Vinicius Martins Collares, um exemplo ético e profissional a ser seguido, agradeço pela oportunidade da minha vida na Cirurgia Craniofacial, suas orientações sempre oportunas e importantes na elaboração do trabalho e sua amizade sincera e honesta, obrigado; À Profa. Luise da Universidade do Rio Grande do Sul, uma pessoa amável e extremamente receptiva que participou ativamente na avaliação dos resultados, sua opinião foi muito importante para o desenvolvimento desse trabalho. Obrigado pela amizade e carinho; Ao Prof. Dr. Miguel Madeira da Disciplina de Anatomia da Universidade de Várzea Grande, colega e amigo, por ser o primeiro a me impulsionar neste empreendimento. Que este trabalho simbolize a minha profunda gratidão pelo seu tão importante apoio e estímulo constante na minha formação ética e humana; Ao Prof. Dr. Roberto Barbeiro pelo apoio irrestrito e sempre receptivo durante a elaboração do presente trabalho, exemplo de integridade e ética, me apoiou de todas as maneiras com incentivos proporcionando uma grande satisfação principalmente pela sua amizade; A Hermes Pretel, amigo recente, jovem com maturidade exemplar que soube contribuir regularmente para a realização do presente estudo, não tenho palavras ou gestos para expressar a minha gratidão; A Adalberto Novaes, pela amizade carinho e parceria durante esses anos; A Profa. Dione pela revisão e formatação do presente trabalho; Aos funcionários do Departamento de Morfologia da Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP: Junqueira, obrigado pelo carinho e atenção dispensado, sempre atento e disposto a ajudar; Claudia, meus agradecimentos por você ser o que é atenciosa e sempre prestativa em todas as ocasiões em que precisei; Aos funcionários do Departamento de Morfologia da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP: Pedrinho, obrigado pelo carinho e atenção dispensada ; Aos funcionários da Pós-Graduação Sonia, Sadia, obrigado pela generosa atenção dispensada assim como pelo enorme desprendimento para elaboração dessa pesquisa; .......aos animais Sem eles esse trabalho não teria sido realizado .....A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho, os meus sinceros agradecimentos. ABREVIATURAS SIDA = Síndrome de Imunodeficiência adquirida ANVISA = Agência Nacional de Vigilância Sanitária BMP = proteína morfogenética do osso cm = centímetro Fig. = figura 0 C = graus centígrados HE = hematoxilina eosina kg = quilograma Kv = quilovat M1= macaco 1 M2 = macaco 2 M3= macaco3 M4= macaco 4 m/s= metros por segundo mA = milíampere mm= milímetro mg = miligrama ml = mililitros PS = picro sirius % = por cento PO = pós operatório POI = pós operatório imediato TM = tricrômico de Masson UNESP = Universidade Estadual Paulista UI = unidade internacional N0 = número X = vezes (aumento) Introdução 9 __________________________________________________________________________ AVALIAÇÃO HISTOLÓGICA DA BIOCOMPATIBILIDADE DO POLÍMERO DA MAMONA NO DORSO NASAL DE MACACOS PREGO (CEBUS APELLA) 1Introdução As lesões do tecido ósseo podem ser causadas por fatores congênitos ou adquiridos. Entre os fatores adquiridos devemos destacar os traumas mecânicos, e as lesões iatrogênicas e aquelas decorrentes de doenças infecto-contagiosas como a hanseníase e a leishmaniose, que são endêmicas nas regiões norte e centro-oeste. Essas afecções podem cursar com deformidade nasal grave e repercussão severa tanto estética como funcional. A deformidade nasal, além da seqüela física, envolve sobretudo o aspecto psicossocial do indivíduo, pois o nariz sendo um órgão situado anteriormente e no centro da face, não há como ocultar o defeito. O tratamento cirúrgico nesses casos requer reconstruções complexas, e muitas vezes a utilização de biomateriais. As tentativas de repor ou reconstruir estruturas lesadas do corpo humano têm sido feitos há séculos. Há evidências de que os egípcios utilizavam placas de bronze para reconstruir ossos dos crânios, esses relatos datam de 3000 a.C. (Mitre, 1997). Durante muito tempo, a utilização desses materiais decorreu de maneira empírica e esperava-se apenas que o material fosse biologicamente inerte e que sua resistência mecânica fosse adequada para a finalidade proposta, seja a recuperação ou a reconstrução do órgão. Muitas vezes, a necessidade de compreender plenamente as propriedades do material, o porquê e como funciona é suplantada pela urgência da resolução do problema. Os enxertos para a recuperação dos defeitos ósseos apresentam uma história similar e os aspectos biológicos importantes do osso autógeno só foram descobertos na segunda metade do século XX, como, por exemplo, a proteína morfogenética do osso. Portanto, mesmo desconhecendo o mecanismo de ação, os resultados clínicos obtidos ainda são considerados excelentes (Citardi, Friedman, 1994). Introdução 10 __________________________________________________________________________ Entretanto, mesmo existindo um material com características biológicas próximas do ideal por não causar reações adversas locais ou sistêmicas como rejeição, encapsulamento e inflamação, o tratamento do defeito ósseo não permaneceu estático (Delacure, 1994). Os avanços das ciências de materiais e dos estudos de biologia do tecido ósseo foram cruciais para a observação e controle da resposta biológica do organismo a um implante. Aspectos da estrutura química do material também podem ser alterados para se obter respostas biológicas previsíveis como a adição de sítios de ligação (Cook, 1997) ou a combinação de diferentes moléculas em uma única estrutura que podem favorecer a migração celular e/ ou a adesão de fatores de crescimento (Park et al., 2000). Segundo a Agência Nacional de Saúde (ANVISA- 2005), os biomateriais são materiais sintéticos ou naturais utilizados para melhorar, aumentar ou substituir, parcial ou integralmente, tecidos e órgãos. Entre os vários biomateriais, a poliuretana derivada do óleo de mamona apresenta uma fórmula molecular com aspectos favoráveis de processabilidade, flexibilidade de formulação, ausência de emissão de vapores tóxicos, bom poder de adesão, não libera radicais tóxicos quando implantada e tem baixo custo (Ignácio et al., 1997) e não foram observadas reações tóxicas nos rins, fígado ou baço, confirmando, desta maneira, a ausência de toxicidade sistêmica (Ohara et al., 1995). Os implantes da resina poliuretana da mamona, com diferentes tamanhos e formas, têm-se mostrado biocompatíveis em condições experimentais diversas: intra-ósseo e intraarticular em coelhos (Silva et al., 1997; Cavalieri, 2000), e na câmara anterior do olho de camundongos (Vilarinho et al., 1996). Na avaliação do polímero de mamona em macacos (Cebus apella), o material mostrou-se biocompatível quando aplicado diretamente sobre o mento (Suguimoto 1997) e na parede anterior do seio maxilar (Garcia Junior 2000). O emprego do polímero de mamona nas reconstruções de grandes falhas ósseas decorrentes da ressecção de tumores benignos Introdução 11 __________________________________________________________________________ agressivos e tumores malignos foi considerado uma alternativa viável e apresenta como vantagens: disponibilidade, baixo custo, ausência de risco de transmissão de doenças, ser biocompatível e osteointegrável (Souza et al., 2002). Contudo, apesar de resultados favoráveis e por vezes controversos, conforme o modelo animal e a metodologia empregada, estudos referentes ao emprego do polímero de mamona, avaliando a reação tecidual no dorso nasal, ainda não foram realizados. Considerando os aspectos expostos, julgou-se pertinente o estudo experimental com objetivo de avaliar histologicamente a biocompatibilidade do implante do polímero derivado da mamona em animais que apresentem as características morfológicas do nariz as mais próximas possíveis com a raça humana. Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 12 1.1 Revisão da literatura 1.1.1 O tecido ósseo A matriz óssea é constituída de uma porção orgânica e uma inorgânica. A porção orgânica está formada principalmente por colágeno do tipo I que corresponde a 95% do total, e o restante é composto por proteínas não colágenas e proteoglicanas. A matriz inorgânica é constituída por sais de cálcio e fosfato na forma de cristais de hidroxiapatita. Protegendo externamente o osso, existe uma fina camada de tecido conjuntivo com grande potencial osteogênico, denominado periósteo e, internamente, o equivalente é chamado de endósteo (Junqueira & Carneiro, 1999). O tecido ósseo constitui a maior reserva de cálcio do organismo, apresenta grande capacidade de remodelação, renovando-se constantemente para responder às necessidades metabólicas do corpo e manutenção da estabilidade da calcemia. Macroscopicamente, há duas formas de osso: o cortical ou compacto e o esponjoso também chamado de medular. O osso cortical confere resistência e proteção e é encontrado nas diáfises de ossos longos e na superfície externa de ossos chatos. O osso esponjoso atua nas funções metabólicas, delimita espaços entre as trabéculas que são preenchidas por medula óssea vermelha, onde há produção ativa de células sangüíneas a partir de células mesenquimais ou, com o envelhecimento, por medula óssea amarela (Gartner & Hiatt, 2003). Células do tecido ósseo O tecido ósseo é composto por quatro tipos de células: Células osteoprogenitoras: localizadas no periósteo, no endósteo e revestindo os canais de Havers. Essas células são derivadas do mesênquima e apresentam potencial em se diferenciar nos osteoblastos; quando privadas de oxigênio e nutrientes, diferenciam-se em células condrogênicas Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 13 (Junqueira & Carneiro, 1999). Os osteócitos são células ósseas maduras encontradas na matriz óssea, derivadas dos osteoblastos e estão aprisionadas em lacunas dentro da matriz óssea calcificada. Apresentam função de manutenção do tecido ósseo, pois têm prolongamentos citoplasmáticos unidos por junções comunicantes, formando um complexo necessário à manutenção e vitalidade da matriz (Junqueira & Carneiro, 1999). Os osteoblastos, advindos de células progenitoras, são responsáveis pela síntese e secreção da matriz orgânica incluindo fibras colágenas e proteínas não colagenosas, como sialoproteínas ósseas, osteopontina, osteonectina, osteocalcina, proteoglicanas e produzem a enzima fosfatase alcalina, possibilitando a mineralização da matriz óssea. Localizam-se na superfície do tecido ósseo; quando inativos, são denominados de células de revestimento (Gartner & Hiatt, 2003). Os osteoclastos são células móveis, gigantes e multinucleadas responsáveis pela reabsorção do tecido ósseo. Os osteoclastos derivam dos monócitos do sangue circulante (Gartner & Hiatt, 2003). Tipos de tecido ósseo Histologicamente, existem dois tipos de tecido ósseo: o osso primário, embrionário, imaturo, isotrópico ou osteóide e o osso secundário, maduro, anisotrópico ou lamelar. Os dois tipos possuem as mesmas células, porém apresentam diferentes orientações das fibrilas de colágeno quando analisados sob microscopia de luz polarizada. O osso primário é o primeiro tecido ósseo a se formar durante o desenvolvimento fetal, e durante a reparação óssea. Possui, proporcionalmente, grande número de osteócitos, dispostos irregularmente nas trabéculas ósseas neoformadas. As fibras colágenas apresentam-se sem organização definida e o teor mineral é menor que no osso secundário. O tecido ósseo secundário Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 14 substitui gradativamente o tecido ósseo primário pela deposição gradual de fibras colágenas, modelando a forma trabecular do osso primário em lamelas dispostas paralelamente umas às outras, formando ângulos retos que definem pequenos espaços medulares, o chamado osso esponjoso. Quando as fibras colágenas encontram-se dispostas em camadas concêntricas em torno de capilares sanguíneos e nervos, denominamos de canal de Havers (Junqueira, Carneiro, 1999). A remodelação óssea A grande capacidade de reparo do tecido ósseo pode ser didaticamente demonstrada na ocorrência de fratura em que observamos inicialmente a formação de um coágulo pela hemorragia local provocada pela lesão do periósteo e vasos sangüíneos. Há destruição da matriz e morte das células ósseas. O coágulo, os restos celulares e a matriz são reabsorvidos e um tecido conjuntivo começa a proliferar principalmente através de células do periósteo (Pascon, 2001). Segundo Leonel (2003), o remodelamento ósseo se caracteriza por ser um processo cíclico e de longa duração que ocorre principalmente por intermédio dos osteoblastos realizando aposição óssea, e com os osteoclastos, responsáveis pela reabsorção óssea. O resultado da atividade celular é uma escavação acompanhada de liberação óssea, na qual os produtos de degradação do tecido são incorporados pelos capilares sangüíneos, preservando a massa e a arquitetura óssea. Neste tecido inicia-se a formação óssea, principalmente onde observamos a presença de cartilagem que é substituída por tecido ósseo, formando os calos ósseos, constituídos de osso imaturo e desordenado e que une provisoriamente as porções do osso fraturado. Este calo é posteriormente reabsorvido e remodelado, por reabsorção e aposição. O tecido ósseo secundário substitui o tecido ósseo primário pela deposição gradual de fibras colágenas de maneira a modelar em lamelas e em camadas concêntricas (Gartner & Hiatt, 2003). Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 15 1.1.2 Os biomateriais De acordo com Carvalho et al., (1997), os biomateriais utilizados para substituir o tecido ósseo atuam por três mecanismos diferentes: osteogênese, osteocondução e osteoindução. Na osteogênese, observamos que o material é capaz de formar osso diretamente a partir de osteoblastos provenientes da área doadora; o osteocondutor preenche o local da lesão e conduz o desenvolvimento de novo tecido ósseo através da sua matriz de suporte, podendo ser englobado pelo tecido de reparo e fazendo parte do osso neoformado, além de ser reabsorvido simultaneamente por tecido ósseo. Podemos citar o colágeno, a hidroxiapatita e o sulfato de cálcio. O material com capacidade osteoindutora auxilia a reparação da lesão, induzindo a formação de novo tecido ósseo por mecanismo em que células mesenquimais se diferenciam em osteoblastos. O autor cita como exemplos de materiais osteoindutores o osso autógeno, a matriz orgânica do osso humano ou bovino e os fatores de crescimento. Guastaldi (2004) relata que o desenvolvimento tecnológico possibilitou a incorporação em pesquisas de materiais sintéticos desenvolvidos para uso em área da saúde com a finalidade de substituir a matéria viva cuja função foi perdida. Segundo o autor, o biomaterial constitui qualquer substância sintética ou natural que pode ser utilizada como tratamento para substituição total ou parcial de qualquer tecido ou órgão do organismo. O biomaterial ideal teria que ser biocompatível com o tecido, não carcinogênico ou pirogênico, atóxico, além de apresentar estabilidade química, resistência mecânica e elástica adequada e de baixo custo. Segundo a Agência Nacional de Saúde (ANVISA, 2005), uma das definições correntes diz que biomateriais são materiais sintéticos ou naturais, sólido, ou, às vezes líquidos, utilizados em dispositivos médicos. São enquadrados como biomateriais: próteses, lentes, enxertos, cateteres, tubos de circulação extra-corpórea e arcabouços empregados na engenharia de tecidos. Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 16 a) Materiais autólogos Collawn et al. (1997) avaliaram o acompanhamento de dez anos, utilizando enxerto de cartilagem para aumento do nariz em que as áreas doadoras foram o septo nasal, orelha e a cartilagem costal, sendo os locais de recepção a ponta (41%), o dorso (31%) e a columela (17%). A taxa de complicações em que foi necessária uma segunda intervenção foi de 17%. A avaliação das complicações revelou a deformidade do enxerto relacionado freqüentemente à cartilagem costal, e nos primeiros quatro anos foi verificado um caso com infecção, não ocorrendo nenhum caso de reabsorção do enxerto. Mitre (1997), procurou avaliar diferentes tipos de enxertos autólogos e homólogos empregados em rinoplastias reconstrutivas e estéticas. A revisão da literatura compreendeu o período entre 1951 a 1997, com análise critica e comparativa. O autor relatou que não existe um único enxerto ideal para todas as aplicações nasais, devendo-se escolher o tipo de enxerto necessário para cada situação específica.Observou que os enxertos cartilaginosos são mais adequados para emprego na ponta, narina e válvula nasal, enquanto os enxertos ósseos são mais adequados para emprego no dorso e pirâmide nasal óssea. Cardenas & Guerreiro (1999) afirma que a cartilagem do septo nasal apresenta na sua estrutura grande quantidade de fibras colágenas distribuídas regular e homogeneamente, superfície plana e configuração longa, sendo ideal para enxertos com função de suporte e preenchimento. Celik & Tuncer (2000) publicaram os resultados obtidos de dezesseis reconstruções nasais com aumento do dorso, empregando enxertos compostos de osso craniano e cartilagem auricular. Em oito pacientes havia deformidades pós-rinoplastias, no entanto somente em três pacientes foi necessária uma revisão cirúrgica. Os autores argumentaram que a idéia desta técnica Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 17 vem dos princípios da reconstrução anatômica, em que a parte óssea do nariz é reconstruída com osso e a parte cartilaginosa com material semelhante. Para esses autores, tanto com a finalidade estética ou funcional, o uso dos materiais aloplásticos tem sido abandonado devido à alta incidência de complicações. Os materiais autólogos, tais como osso ilíaco, cartilagem costal, cartilagem auricular, têm apresentado taxas de reabsorção não previsíveis, enquanto que os enxertos obtidos dos ossos da calvária teriam baixa tendência à reabsorção, bem como a morbidade do sítio doador é pequena. Para Adamson (2000), a remoção das cartilagens septal e da orelha são tecnicamente fáceis e apresentam uma baixa morbidade da área doadora, porém a quantidade de enxerto é limitada. As cartilagens contribuem basicamente para duas funções: uma de volume para preenchimento e outra como estrutura de suporte quando necessário. O autor assinala que os enxertos aloplásticos deverão ser utilizados somente para preenchimento e, devido às taxas de extrusão, é inaceitável serem usados como estruturas de suporte. Há poucas dúvidas que a cartilagem autóloga é o implante preferível para a ponta nasal, e geralmente a quantidade exigida para o procedimento é prontamente disponível. O autor conclui que, em relação ao dorso nasal que requer um substancial aumento, pode obter-se um bom resultado estético com a cartilagem auricular que, apesar da mínima morbidade na área doadora, pode evoluir com irregularidade no dorso nasal e, com a utilização da cartilagem costal, pode ocorrer deformidade a longo prazo. Porter (2000) definiu a cartilagem autóloga como o material padrão para enxertos nasais. Enumerou as seguintes razões: 1) baixa taxa de rejeição ou infecção; 2)baixa taxa de reabsorção ou extrusão, se a cartilagem não for amassada; 3) pequena morbidade no sítio doador; 4) fácil manuseio e a maioria das formas desejadas podem ser alcançadas; 5) fácil obtenção e considerável quantidade pode ser obtida do septo nasal ou da concha auricular; se não suficiente, a cartilagem costal pode fornecer uma grande quantidade; 6) não provocar sensação de “corpo Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 18 estranho”, quando posicionada na estrutura nasal. Segundo Toriumi (2000), a cartilagem autóloga permanece até hoje o material de escolha para as rinoplastias, sendo este material conhecido por não induzir à resposta imune e ter baixas taxas de infecção e extrusão. Patrocínio & Patrocínio (2001), relataram que o enxerto autólogo de gordura foi abandonada em virtude da alta taxa de absorção em torno de 50% após seis meses. Segundo esses autores o osso da costela não é considerado um bom enxerto, pela tendência á absorção e fratura. O enxerto autólogo do osso da tíbia oferece uma maior quantidade de material.O enxerto ósseo deverá permanecer aderente ao osso nasal e imóvel projetando a ponta nasal. O enxerto deve ser fixado no osso próprio do nariz com fio de aço, parafuso ou micro placas de titânio. Pode-se observar que a metade inferior do nariz é rígida, podendo fraturar ou luxar com conseqüente protusão e provocar um aspecto artificial ao nariz. A retirada do osso causa morbidade adicional como a cicatriz na área doadora, dor e dificuldade para a deambulação e prolongando o tempo de hospitalização. Pereira et al. (2001) apresentaram os resultados histopatológicos de enxertos de mucosa da concha nasal, posicionados sob a pele da cabeça em onze ratos da raça Wistar. Após dezesseis semanas, não encontraram vestígio da mucosa implantada sob a pele nos onze casos estudados. Os autores inferiram que a mucosa nasal serve de guia para que a cicatrização se processe de forma uniforme, evitando que a epiderme sofra retração em regiões onde o dorso nasal apresenta pequenas irregularidades. Eles também apresentaram cinco casos cirúrgicos em humanos, em que foi utilizada a mucosa da concha nasal inferior e/ou o osso conchal como enxerto para o dorso nasal, com bons resultados estético-funcionais, com menor tempo cirúrgico. O tempo médio de seguimento dos pacientes foi de dois anos. Chuan et al. (2006) acompanharam cinqüenta pacientes submetidos à rinoplastia aberta e Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 20 homólogo. Concluem que os enxertos de cartilagem homóloga sofrem uma maior reabsorção quando comparados aos enxertos autólogos. Os autores revisaram alguns fatos importantes como um dos primeiros relatos da utilização de enxertos heterólogos, relatados por Gibson e Davis (1953) proveniente da cartilagem de esterno de boi, mas que apresentava uma grande taxa de absorção. Nordstrom et al. (1993) descreveram a dura-máter e a fáscia do músculo temporal como alternativas utilizadas para ocultar mínimas irregularidades do dorso nasal. Os autores advertem que estudos clínicos deverão ser realizados para definir os benefícios e limitações da dura-máter humana irradiada nas rinoplastias. Livesey et al. (1995) relatam que o aloderme é a derme congelada e desidratada com preservação da estrutura protéica derme humana após remoção da epiderme e elementos celulares. As amostras da pele são analisadas para excluir contaminação bacteriana ou fúngica. Os estudos sugerem que o aloderme não induz à reação inflamatória ou à resposta alérgica e oferece uma matriz para crescimento tecidual. Segundo os autores, as indicações para a utilização do aloderme incluem aumento ou irregularidade do dorso nasal, colapso da cartilagem lateral inferior, deformidade em “V” invertido ou para camuflar quando usada sobre enxerto autógeno. Gryskiewicz et al. (2001) avaliaram os resultados da utilização do aloderme para a correção de deformidades do contorno nasal em 58 pacientes. Os primeiros vinte pacientes, acompanhados por mais de 24 meses, em 45% dos casos apresentaram absorção parcial que ocorreu com o implante no dorso; nenhum paciente desenvolveu infecção. Os autores concluíram que as vantagens do aloderme, como enxerto para o nariz, são a fácil manipulação e mínima morbidade, mas que não servem como suporte para a ponta nasal e que a absorção, mesmo parcial, é notada principalmente no dorso de pacientes com pele fina além do alto custo do material. Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 21 Vilar-Sancho, Molina (2000) relataram um caso de paciente que foi submetida à cirurgia nasal, em que foi necessária a colocação de enxerto de cartilagem autóloga e homóloga. Após um ano, a paciente foi reoperada por ptose da ponta nasal, sendo que os enxertos columelares homólogos que estavam insuficientes foram extraídos e substituídos por um enxerto homólogo. Os dois fragmentos removidos foram analisados histologicamente, e ambos foram classificados como tecido cartilaginoso maduro, com difuso arranjo de condrócitos e sem alterações quantitativas ou qualitativas significativas. A substância fundamental foi considerada homogênea, sem alterações degenerativas ou depósitos cálcicos. Isto demonstra idêntica viabilidade e durabilidade de ambas as cartilagens septais, autóloga e homóloga, implantadas no mesmo procedimento cirúrgico. Os autores relatam que os enxertos cartilaginosos septais homólogos, quando implantados em leitos com suficiente suprimento sangüíneo e proteção, não são reabsorvidos; por estas razões, a cartilagem septal homóloga é a mais adequada fonte de enxertos, naqueles casos em que não há suficiente material autólogo; sendo mantidas em solução salina com penicilina, em temperatura entre 0 a -40C por quatro a cinco semanas, e pelo fato de a cartilagem ser um tecido avascular, sem antigenicidade, não podem ser rejeitadas pelo receptor. Provavelmente a única objeção ao uso de cartilagens homólogas é a possibilidade de transmisssão de hepatite ou AIDS. Para Calixto (2001), os enxertos homólogos e heterólogos, apesar diminuídos consideralmente os riscos de transmissão de infecção e de ativação do sistema imunológico do hospedeiro pelos processos de liofilização e congelamento, ainda apresentam a desvantagem dos altos custos dos bancos de ossos. Clark & Cook (2002) selecionaram dezoito pacientes que apresentaram extrusão de material sintético após cirurgia nasal e foram tratados com enxerto de cartilagem costal homógena irradiada. Na análise dos pacientes, dez deles tinham como implante o silicone, seis o Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 22 politetrafluoretileno e dois apresentaram extrusão do supramid®, que é um derivado do poliéster. Os autores relataram que não ocorreu nenhum caso de extrusão ou infecção com a utilização do enxerto homólogo de cartilagem costal irradiada e em um caso foi notado tortuosidade visível do enxerto após seis meses da cirurgia. Como conclusão, reconheceram que a reconstrução imediata apresenta resultado satisfatório a longo prazo, evitando uma contratura cicatricial na pele quando se opta pela remoção do implante com reconstrução após três a seis meses com cartilagem autóloga ou homóloga. c) Materiais Aloplásticos Patrocínio (1985) revisou alguns fatos importantes da história da cirurgia reconstrutiva da face. Segundo o autor, a cirurgia reconstrutiva nasal foi inicialmente descrita nos livros sagrados da Índia, os Vedas que datam do século 7 a.C. Nos primórdios do desenvolvimento da rinoplastia o principal objetivo era restaurar a integridade cutânea. Para manter a via aérea as narinas eram abertas com tiras de borrachas ocas. Quanto ao interesse sobre o comportamento biológico da cartilagem enxertada, este não começou antes da década de 1930. Segundo Staffel & Shockley (1995), quando o aumento da estrutura nasal é necessária como parte de uma rinoplastia, o cirurgião tem um grande número de opções para escolha do material. Os enxertos nasais são geralmente posicionados mais superficialmente do que os implantes em outras partes do corpo, e estão, dessa forma, sujeitos a se tornarem visíveis com o passar do tempo, com o adelgaçamento da pele que os recobre. Implantes sintéticos têm sido utilizados por numerosos autores para aumento e refinamento nasal. Historicamente, uma ampla variedade de substâncias tem sido empregada. Na prática, os mais aplicados são o polietileno, o silicone e o politetrafluoretileno, havendo significativos problemas com a biocompatibilidade destes materiais, sendo uma alternativa inferior à cartilagem autóloga. No entanto, eles são de uso Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 23 potencial quando há quantidade insuficiente de cartilagem disponível para o cirurgião. A cartilagem homóloga tem provado ser um bom implante, porém há risco potencial de transmissão de viroses. Materiais autólogos têm várias vantagens sobre os aloplásticos, pois não induzem à resposta imunológica. Para os autores, a cartilagem autóloga é considerada a melhor opção, o padrão ouro, pelo qual os demais materiais devem ser julgados. Para Deva et al. (1998), os materiais aloplásticos têm a vantagem de estarem prontamente disponíveis e muitas vezes de fácil manipulação, não proporcionando morbidade para a área doadora. Fanous et al. (2002) citaram que recentemente diferentes tipos de materiais são utilizados em rinoplastias como os politetrafluoroetilenos, sendo o mais comum o Gore-Tex®, os silicones, tais como o Silastic®, o polietileno, como o Medpor® e Plastipore® e o poliéster, como o Dacron®, Mersilene® e Supramid®. Raghavan et al. (2004) relatam que a hidroxiapatita, assim como a cerâmica, apesar de serem biocompatíveis, são inadequados para o nariz devido à fragilidade desses materiais. Para os autores, os metais, como o titânio, têm sido usados amplamente como suporte para o esqueleto, mas, por causa da sua rigidez, tornam-se inadequados para a reconstrução nasal. A história revela que, desde o século XVI, uma ampla variedade de materiais foram utilizados como implantes para o nariz; nesta lista podemos citar o ouro e a prata, o marfim, a porcelana, o aço, o ferro, o alumínio, a platina, a injeção de parafina e a borracha. • O Silicone Segundo Wheeler et al. (1982), os implantes rígidos de silicone utilizados no período de 1950 a 1960 podem ter causado micros traumas na área receptora, resultando altas taxas de infecção e extrusão. Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 24 Adams (1987) relata que entre as principais complicações está a infecção, sendo o stafilococcus aureus o principal patógeno. Lawson et al. (1996) relataram três casos de complicações após utilização de silicone para suporte columelar no acompanhamento de 100 pacientes. Em dois casos ocorreu extrusão e foi secundário a trauma; outro paciente desenvolveu infecção após vários meses do procedimento cirúrgico. Esses autores concluíram algumas vantagens com o uso de implante na columela, entre os quais a baixa taxa de extrusão do material implantado, a capacidade de moldar e avaliar o efeito imediato na projeção da ponta nasal sem desequilíbrio das cartilagens, o mínimo trauma a tecidos vizinhos e a facilidade de remoção do material quando este procedimento for necessário, além do fato de não haver um procedimento cirúrgico adicional para obtenção de enxertos o que pode resultar em maior morbidade. Deva et al. (1998) realizaram uma avaliação retrospectiva de 422 pacientes do sudeste da Ásia e observaram 9,7% de complicações que resultaram na remoção do implante e, em metade dos casos, as complicações apareceram nos primeiros trinta dias. Os resultados de 63% dos pacientes que foram acompanhados demonstraram que 15,8% estavam insatisfeitos com os resultados. Os autores concluíram que seu uso não é recomendável, devido ao alto percentual de complicações e de pacientes insatisfeitos com o resultado final da cirurgia. Vuyk & Adamsom (1998) relataram que o silicone são quimicamente inertes e não porosos, não permitindo crescimento tecidual na intimidade do material e por causa da ausência de porosidade, podem levar no mínimo dois meses para a formação de uma fina cápsula fibrosa em torno do implante. Este fato possibilita a migração e extrusão do implante. Os autores acreditam que as baixas taxas de complicações na população asiática poderiam ser devido principalmente à maior espessura do tecido subcutâneo no nariz em comparação com a raça caucasiana. O implante do silicone para o aumento do dorso nasal geralmente tem bons Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 25 resultados, entretanto o seu uso como suporte na columela não é confiável. Segundo Graham et al. (2001), a extrusão geralmente aparece na ponta nasal por causa da tentativa de sua elevação quando utilizado como suporte para a columela. Para os autores, o silicone tem sido abandonado por conta das altas taxas de complicações que variam de 4% a 36%. Segundo Erlich & Parhiscar (2003), o implante de silicone no dorso nasal pode ser usado efetivamente tanto na rinoplastia primária como na rinoplastia, nas deformidades iatrogênica, resultando em nariz em sela assim como deficiência congênita ou traumática do dorso nasal e não é recomendável nos casos em que a deformidade em sela seja devido ao comprometimento vascular, como é observado em doenças do colágeno ou abuso de cocaína. A utilização de implante de silicone em nariz que previamente tenha sido submetido à injeção de parafina ou óleo é contra-indicado, pois é quase certa a extrusão. Raghavan et al. (2004) descreveram sete casos em que ocorreram migração e reação do tipo corpo estranho após a utilização de silicone. Os autores relatam complicações até dezenove anos depois da cirurgia. Em todos os casos, a deformidade nasal foi corrigida cirurgicamente sendo utilizado a cartilagem autóloga, porém as mudanças da pele associadas ao implante aloplástico permaneceram após um seguimento de três anos. • O Politetrafluoretileno Neel (1983) utilizou coelhos como modelo animal para observar a resposta ao implante do politetrafluoretileno no subcutâneo e constatou que após doze meses havia poucos histiócitos e células gigantes no local do implante o que denota uma discreta inflamação crônica e reação do tipo corpo estranho. Observou ainda que o material é facilmente removido quando necessário. Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 26 Owsley & Tayler (1983) não constataram nenhuma infecção, reação de corpo estranho, extrusão ou migração com implante nasal com o politetrafluoretileno em 106 pacientes no período de cinco anos de seguimento. Segundo Conrad & Gillman (1998), os relatos com uso de politetrafluoretileno têm sido mais favoráveis, porém há uma taxa de infecção de aproximadamente de 2% a 3%. Os autores afirmam que as complicações, e em particular as infecções, parecem ocorrer mais freqüentemente em pacientes submetidos a revisões do que em rinoplastia primária; este fato pode ser decorrente de alterações do suprimento vascular e linfático secundário ao processo cicatricial prévio. O outro fator importante de extrusão seria a espessura do enxerto. É provável que implantes maiores e espessos, quando colocados no dorso nasal, poderiam resultar no aumento do número de complicações. Godin et al. (1999) avaliaram retrospectivamente 309 pacientes submetidos a rinoplastia com utilização do politetrafluoretileno para aumento no período de dez anos. Em dez casos (3,2%) foi observada infecção, sendo necessário a remoção do implante. Os autores constataram que a diferença de complicações entre o grupo de pacientes submetidos à rinoplastia primária (1,2%) e revisão de rinoplastia (5,4%) foi estatisticamente significativa e concluíram que o politetrafluoretileno por mais de dez anos mostrou-se permanente e efetivo como material de implante na rinoplastia. O resultado cosmético foi satisfatório e nenhum dos 299 pacientes tinham qualquer queixa relacionada à posição, pois o material pode ser moldado para obter uma aparência natural. A utilização do politetrafluoretileno inclui procedimentos para suavizar pequenos defeitos de tecidos moles, na mentoplastia, para aumento na região do zigoma , reparo orbital, auriculoplastia, e nas rinoplastias. Herbst (1999) relatou o primeiro caso de extrusão de implante de politetrafluoretileno após 18 meses da rinoplastia em um paciente de 74 anos. Nesse caso, o paciente tinha história de Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 27 múltiplas cirurgias anteriores no nariz. O autor descreve o material como um polímero de carbono ligado ao flúor. Caracterizado por estrutura com microporos, com tamanhos variando de 10 a 30 micrômetros, permite aderência ao tecido adjacente para prevenir a migração do implante e, ao mesmo tempo, possibilita fácil remoção quando necessário. Lohuis et al. (2001) avaliaram 66 pacientes no período de 3 a 72 meses e não observaram nenhum tipo de complicação nos pacientes submetidos à rinoplastia primária ou de revisão. Em um paciente, o implante do politetrafluoretileno foi substituído por pericôndrio e cartilagem auricular por causa do excessivo aumento observado no dorso nasal.Os autores chamam a atenção que mais estudos são necessários para determinar o sucesso e a morbidade a longo prazo, e os implantes deverão ser utilizados como alternativa e nunca substituindo os enxertos de cartilagem autóloga para o aumento do dorso nasal. Chun & Park (2006) avaliaram as alterações morfológicas e histológicas do politetrafluoretileno (gore-tex®) implantados no dorso de coelhos. Os autores relataram que no período de um, três, seis e doze meses ocorreram diminuição nas taxas de espessura, largura e altura do implante em 16,7%, 7,5%, 3,5% respectivamente. Na avaliação histológica,foi observado crescimento tecidual para dentro do implante, mas o grau de reação de corpo estranho e a deposição de colágeno variaram de animal para animal e não tinham relação com a duração do experimento. Os autores concluem que o politetrafluoretileno é um material biocompatível e seguro para rinoplastia, mas a redução de seu volume ao longo do tempo deverá ser considerada na cirurgia. Revisão da literatura ______________________________________________________________________ • 28 O Mersilene® Segundo Vuyk & Adamsom (1998), o Mersilene® é uma fibra de poliéster quimicamente inerte que pode ser suturada e moldada com relativa facilidade, resultando numa aparência natural e estável, mas não serve como estrutura de suporte. Segundo os autores, Mersilene® tem sido utilizado no dorso nasal com taxas de infecções de 4% e necessitando remoção em 2% dos casos. Devido à intensa proliferação de fibroblasto, a remoção total após a fase inicial de cicatrização pode ser extremamente difícil e até impossível, representando um potencial e significativo problema até vários anos após a cirurgia. • Dacron® Mass et al. (1988) descreveram o Dacron® como uma malha compacta não absorvível de poliéster, e a sua estrutura permite uma mínima reação tecidual e manutenção da sua posição, sem deslocamento quando inserido no leito cirúrgico. Este implante pode ser manuseado, moldado facilmente, não se fragmentando na sua manipulação e, pela sua natureza maleável, dificilmente pode ser percebida na palpação ou inspeção visual até vários anos após a cirurgia. O implante de Dacron® tem sido utilizado extensivamente na cirurgia cardiovascular com excelentes resultados de acompanhamento a longo prazo. Fanous et al. (2002) analisaram os resultados de 136 pacientes submetidos à rinoplastia com a utilização de Dacron® e concluíram que a mais significante complicação foi infecção e que ocorreu em nove pacientes (6,6%). A remoção dos implantes foi realizada sem nenhuma dificuldade. Os autores relataram ainda como maior vantagem o aspecto natural detectado no exame visual e na palpação. Os dados de complicações observados estão de acordo com os descritos na literatura de 4% a 9% e incluem inflamação e infecção que podem ocorrer após Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 29 vários anos da cirurgia, principalmente seguidos de trauma facial. Em comparação com o silicone, este material apresenta uma consistência firme, com a tendência de sensação de corpo estranho sob a pele; a ausência de poros e a superfície lisa contribuem para o deslocamento e mau posicionamento do implante no pós-operatório. O Gore-tex®, apesar de ser poroso, tem a tendência de deslizar, causando possível deslocamento, e a sua coloração pode tornar-se visível externamente, principalmente em paciente de pele fina. Para Romo et al. (2003), os implantes do tipo Dacron® não têm tendência à torção ou reabsorção e é improvável que sofram deslocamento do leito receptor e é um pouco poroso o que permite incorporação tecidual, favorecendo a estabilidade do material. • O Polietileno poroso de alta densidade Segundo Romo et al. (2003), o polietileno poroso de alta densidade é formado por cadeias de hidrocarbonetos alifáticos de polietileno. Esta substância foi desenvolvida em 1970, e é um material inerte, não sofre encapsulamento, não é reabsorvido ou degradado e pode ser fixado, monstrando estabilidade por longos períodos e ainda não são observados efeitos sistêmicos ou citotóxicos. O polietileno poroso de alta densidade apresenta poros com 160 a 368 micrômetros, permitindo penetração tecidual na intimidade do biomaterial. O crescimento fibrovascular favorecido pelo adequado tamanho dos poros permite uma estabilidade do implante no leito cirúrgico. Os autores referem taxa de complicações como infecção em aproximadamente 3% a 4% dos casos. Para Sagoo & Olver (2004), o polietileno poroso é indicado principalmente para o reparo de defeito craniano, reconstrução de deformidades faciais, para reconstrução da orelha e órbita, como prótese orbital, e para correção de retração da pálpebra inferior. Cenzi et al. (2005) realizaram estudo retrospectivo das complicações de 285 implantes de Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 30 polietileno poroso colocados em 187 pacientes e observaram taxas de complicações de 6,31%. A principal causa de insucesso foi a exposição do implante seguido de infecção. Os autores relatam que a utilização desses implantes para reconstrução nasal pode ser perfeitamente bem sucedida, porém infecções são possíveis porque o enxerto geralmente é inserido em rinoplastia secundária, onde encontramos tecido cicatricial e uma fina cobertura de tecido mole. A dor persistente, a parestesia e a exposição do implante são outras complicações observadas. • Materiais Injetáveis para a Reconstrução Nasal Bioplastique® Segundo Ersek et al. (1997), o Bioplastique® é uma mistura de polímeros de baixo peso molecular; o polivinilpirrolidona com partículas que variam entre 100 a 600 micrômetros de diâmetro; portanto, pequenas para serem palpáveis e grandes para serem fagocitadas pelos macrófagos. O processo de encapsulamento das partículas por tecido fibroso ameniza a contratura cicatricial. O gel de polivinilpirrolidona mantém um espaço entre as partículas e, uma vez injetado, é rapidamente disperso no local e substituído por fibrina que mantém as partículas no lugar enquanto a área em volta torna-se organizada por fibroblastos e colágeno. Alguns centros independentes continuam avaliando este material e em geral com resultados favoráveis. Os autores revisaram 127 casos e notaram que, em oito casos, foi necessário a remoção do implante, devido à hiper-correção do defeito e, em dois casos, com suspeita de infecção. Constataram ainda que estas complicações ocorreram porque o material foi colocado muito superficialmente, sendo, portanto, palpados. Polimetilmetacrilato Lemberle et al. (1991), relatam que o polimetilmetacrilato foi sintetizado em 1902 por um químico alemão (Röhn) e patenteado em 1928 como Plexiglass®. Os autores realizaram um Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 31 experimento na pele de ratos com o polimetilmetacrilato e observaram após sete meses uma reação tecidual leve formada por uma cápsula fibrosa ao redor de cada esfera. Células gigantes do tipo corpo estranho foram raras, não ocorrendo fagocitose das microesferas. Lemberle et al. (1995), descrevem o Artecoll® como uma suspensão de microesferas de polimetilmetacrilato em uma solução de colágeno bovino. O uso desse material tornou-se popular com a finalidade de rejuvenescimento facial, pois atenua as rugas, aumenta o volume tecidual, melhorando o contorno facial. Silva & Curi (2004), descreveram um caso de cegueira após infiltração na região da glabela com polimetilmetacrilato, provavelmente causada pela injeção muito próxima a ramos da artéria oftálmica que levou à embolia do vaso. Os autores consideram uma complicação rara, porém, extremamente grave pelo fato de muitos cirurgiões e pacientes considerarem como um procedimento inócuo e isento de riscos. Kubota & Hirose (2005), relataram outro caso de perda permanente da visão após injeção do polimetilmetacrilato no dorso nasal. Os autores revelam que a perda da visão foi resultado de uma neuropatia isquêmica causada do efeito tóxico direto do polimetilmetacrilato injetado inadvertidamente dentro da artéria dorsal do nariz que são ramos da artéria oftálmica. Silicone Lee et al. (2006), relatam que entre as principais razões para a utilização do silicone injetável seria os efeitos imediatos obtidos com o procedimento e o baixo custo. Os autores revelam que várias complicações podem ser observadas como a descoloração e necrose da pele, telangectasia, infecção, edema deformidade da face. e hipersensibilidade, granuloma do tipo corpo estranho e Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 32 Segundo Mass & Shan (1988), existem uma ampla variedade de materiais utilizados nas rinoplastias, no entanto, em relação aos materiais sintéticos há uma busca continua do produto considerado ideal. A possibilidade de se obter respostas biológicas previsíveis pela manipulação da estrutura química com a combinação de diferentes moléculas em uma estrutura podendo favorecer a migração celular e adesão de fatores de crescimento é um aspecto positivo a ser considerado (Park et al., 2000). O material ideal ainda não existe (Mitre., 1997), no entanto, quando há disponibilidade de um produto sintético, com aspectos favoráveis de processabilidade e flexibilidade de formulação e baixo custo e resultado de pesquisa nacional como é o polímero de mamona, tal produto constitui a razão de várias pesquisas com a finalidade de avaliar a sua utilização como biomaterial (Ignácio et al., 1997). O polímero da mamona Costa & Schall (1993) estudaram o emprego do polímero em próteses urológicas, e os resultados, no seguimento de 27 pacientes submetidos à orquiectomia bilateral por câncer avançado de próstata no período de nove meses, indicaram que não houve infecção, reação tipo corpo estranho, cápsula fibrótica significativa, quebra da prótese ou extrusão. Os autores referem que a progressão de uma cápsula fibrótica pode demorar mais de um ano para evoluir, portanto são necessários no mínimo dois anos para se ter uma avaliação mais acurada e uma casuística maior para que o estudo estatístico das complicações seja satisfatório. Ignácio (1995), em sua dissertação de mestrado sobre a utilização do polímero de mamona no preenchimento de falhas ósseas em coelhos, observou que as radiografias realizadas Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 33 remanescentes ósseos. No grupo controle, na área de interesse observou radiotransparência total nas imagens convencionais pós-operatórias imediatas e, após dezesseis semanas, havia continuidade morfológica entre o osso e o cimento sem reação periosteal e sem linhas radiotransparentes nas interfaces cimento-osso. Ohara et al. (1995) implantaram polímero de mamona intra-ósseo e intra-articular na pata traseira de coelhos e relataram que, após a implantação do polímero de mamona intra-ósseo e intra-articular, não observaram reações tóxicas nos rins, fígado ou baço, confirmando, desta maneira, a ausência de toxicidade sistêmica. Vilarinho et al. (1996) verificaram que a resina da poliuretana derivada da mamona foi bem tolerada quando implantada na câmara anterior do olho de camundongo, desencadeando reação inflamatória inicial, que diminui com o passar do tempo. Carvalho et al. (1997) implantaram grânulos de poliuretana de mamona em alvéolo dental de ratos e observaram a osteointegração progressiva, sem reações inflamatórias ou de corpo estranho. Azevedo & Freire (1997) utilizaram membranas derivadas do polímero de mamona, associadas a enxertos ósseos autógenos, ao redor de implantes ósseos integrados, em três pacientes. Não houve sinais de inflamação do tecido gengival que recobria as membranas. Os autores constataram que o polímero da mamona apresenta requisitos básicos para uma membrana na regeneração óssea guiada como a biocompatibilidade, a facilidade de moldar e apresentar uma resistência para permanecer no local passivamente, formando um espaço entre a membrana e a lesão, permitindo assim a regeneração da área tratada. Costa et al. (1997) avaliaram a biocompatibilidade do polímero de poliuretana derivado do óleo da mamona em estudo comparativo com cimento de óxido de zinco e eugenol. Para o estudo, implantaram tubos de polietileno contendo o polímero de mamona e cimento de óxido de Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 34 zinco e eugenol no tecido conjuntivo subcutâneo de vinte ratos avaliados em períodos de 7, 15, 30 e 60 dias. A avaliação histológica demonstrou que, nos primeiros 15 dias, o polímero de mamona promoveu uma moderada reação inflamatória com predomínio de células mononucleares, e estes eventos foram menos relevantes para o óxido de zinco e eugenol. As análises posteriores mostraram um tecido fibroso denso que envolvia o tubo de polietileno, sendo que, para os dois materiais, o tecido conjuntivo adjacente apresentava características histológicas de normalidade. Os autores concluem que dentro das condições experimentais, ambos materiais testados apresentam biocompatibilidade aceitável. Ignácio et al. (1997) relataram que o óleo de rícino contém em sua composição 81% a 96% de triglicerídeos do ácido ricinoleico e estruturalmente é um poliéster com três moléculas do ácido 12-hidroxioleico. Segundo os autores, a poliuretana derivada do óleo de mamona apresenta uma fórmula molecular com certa compatibilidade com os tecidos vivos e aspectos favoráveis de processabilidade, flexibilidade de formulação, ausência de emissão de vapores tóxicos, bom poder de adesão, não libera radicais tóxicos quando implantada e tem baixo custo. Kharmadayan (1997) estudou a interface entre osso-pino do polímero derivado do óleo da mamona com e sem carbonato de cálcio em tíbia de coelho. Foram utilizados grupos de 1, 30, 60, 120, 180 e 360 dias de pós-operatório, utilizando-se microscopia de luz e eletrônica de varredura para avaliação histológica. Nos grupos de 180 e 360 dias de pós-operatório, houve uma formação de fibras colágenas de disposição ordenada. Os aspectos histológicos mostraram a presença de um tecido conjuntivo denso, constituindo a interface osso e pino. O implante de poliuretana da mamona foi acompanhado de uma neoformação óssea bem evidente, na porção próxima à superfície; além disso, os dados obtidos revelaram diferenças apenas de aspectos estruturais decorrentes da reparação tecidual nas fases examinadas mais intensas, no grupo de 360 dias de pós-operatório e com pinos com carbonato de cálcio. Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 35 Silva et al. (1997) estudaram o comportamento do tecido ósseo ao implante de polímero de mamona em 12 coelhos submetidos a defeito ósseo no rádio. Os autores descreveram que a fase imediata pós-cirúrgica do reparo normalmente não pode ser detectada nas radiografias, sendo que, nas fases de neoformação e remodelacão óssea, observa-se intensificação gradual da radiopacidade na área do defeito, mas as interpretações do início da osteogênese são subjetivas e sem padrão objetivo de medidas precisas. Suguimoto (1997) avaliou histologicamente a reação do tecido ósseo, na presença do implante de polímero da mamona em macacos (Cebus apella). No experimento foram utilizados oito macacos que receberam, sobre o mento, implantes pré-confeccionados, autoclavados e fixados com parafusos de titânio. Quatro implantes apresentaram somente uma perfuração central utilizada para fixação, e os outros quatro, aproximadamente doze perfurações, além da central. Os autores concluíram que o polímero da mamona é biocompatível e que não induziu a neoformação óssea nas áreas marginais e no seu interior. Puricelli et al. (1999) analisaram o comportamento do polímero de mamona implantado no leito sub-periosteal em ângulo da mandíbula em ratos. Os autores observaram estabilidade do implante, ausência significativa de reação inflamatória, formação de cápsula fibrosa circunjacente ao implante e neoformação óssea. Cavalieri (2000) realizou um estudo das respostas teciduais em defeitos ósseos confeccionados nas tíbias de coelhos, após implantação de polímero de mamona, cimento ósseo e resina acrílica. O autor concluiu que os três materiais foram bem tolerados pelos tecidos dos hospedeiros e relataram que o polímero da mamona permitiu o crescimento de tecido conjuntivo osteogênico no interior dos seus poros e fendas, bem como se incorporou ao tecido ósseo, promovendo a sua estabilidade no local de implantação. Garcia Junior (2000) apresentou um estudo comparativo entre os implantes de polietileno Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 36 poroso (Medpor®), polímero da mamona e matriz óssea bovina. O experimento foi realizado em oito macacos (Cebus apella) e teve como finalidade avaliar o processo de reparo ósseo em defeitos cirúrgicos realizados na parede anterior do seio maxilar. Após 145 dias de implantação, foram feitas as análises histológicas e histométricas, sendo observado melhor comportamento histomorfológico da matriz óssea bovina, seguida do polietileno poroso de alta densidade (Medpor®) e do polímero da mamona que respondeu com intensa fibrose e moderado infiltrado inflamatório crônico tardio. Calixto (2001) testou a biocompatibilidade do enxerto floculado de resina de mamona, após a extração dental em ratos divididos em dois grupos, em que o alvéolo foi parcialmente preenchido e o material mostrou-se biocompatível e capaz de certo grau de osseointegração direta. A presença do material não suscitou uma resposta inflamatória persistente, mas, em todos os períodos experimentais, notou-se a ocorrência de uma quantidade discreta de células gigantes tipo corpo estranho.A análise histométrica do terço apical do alvéolo dos ratos implantados comprovou um atraso da ordem de 13% a 20% na neoformação óssea reparacional em comparação com o grupo controle. Jacques (2001) realizou um estudo comparativo entre o enxerto ósseo autógeno e a poliuretana de mamona em coelhos submetidos a defeito padrão condilar femoral, implantando enxerto ósseo autógeno em um dos lados e poliuretana de mamona no outro, de forma aleatória. Na análise macroscópica, em 100% dos enxertos autógenos houve a presença de cicatrização cortical, enquanto no grupo que recebeu o implante de polímero da mamona esta cicatrização estava ausente. As avaliações radiológicas acusaram a presença de halo de radiotransparência circunjacente ao implante que indicava a presença de um tecido não calcificado. A observação microscópica mostrou presença de tecido ósseo maduro na zona de transição entre o implante e o osso receptor em todos os animais que receberam enxerto ósseo autógeno e em nenhum dos que Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 37 receberam a poliuretana de mamona, que mostrava a presença apenas de tecido ósseo imaturo. O autor concluiu que o implante de poliuretana da mamona integra-se ao osso receptor de modo mais lento e incompleto que o enxerto ósseo autógeno. Rezende et al. (2001) avaliaram a utilização do prótese de poliuretano da mamona na correção de secção parcial do tendão calcâneo comum em coelhos. Os autores observaram que a prótese de poliuretano da mamona é clinicamente biocompatível, permite ser moldada, fabricada sob medida, esterilizada pelo calor úmido e pode ser indicada como implante temporário de tendão em coelhos; em relação à resistência, apesar de não terem sido realizados ensaios mecânicos, observou-se que se rompia facilmente à tração manual. Bonini et al. (2002) avaliaram a resposta inflamatória à poliuretana derivada do óleo de mamona, estudando a migração e diferenciação de células no sítio inflamatório. Os resultados desse estudo foram obtidos a partir de uma metodologia que proporcionou respostas inflamatórias, sem que estivessem relacionadas ao trauma decorrente de um ato cirúrgico. Na avaliação da migração de leucócitos para a cavidade peritoneal, notou-se uma reação inflamatória aguda com crescente migração de leucócitos que atingiu um pico entre 24 e 48 horas. Concluíram que a suspensão de poliuretana da mamona exerceu um et, ímulo moderado sobre a migraaão destas calulas, N analise histoló Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 38 “castor oil”, “castor bean”; é originário provavelmente da Índia e constitui um vegetal típico de clima tropical. A mamona possui um grande potencial oleoquimico, sendo que o óleo de rícino, obtido das sementes, apresenta, além de seu emprego medicinal e cosmético, diversas utilidades para as necessidades humanas e, em destaque, como biocombustível. A poliuretana é obtido a partir de ácido graxo vegetal retirado da mamona, e o difenilmetanodiisocianato com a seguinte reação química: O Brasil, devido às suas características climáticas, apresenta-se como uma das grandes reservas mundiais deste produto. Souza et al. (2002) avaliaram os resultados da utilização do polímero da mamona nas reconstruções de grandes falhas ósseas decorrentes da ressecção de tumores benignos agressivos e tumores malignos em vinte pacientes e, após seguimento mínimo de 26 e máximo de 147 semanas, obteve-se 35% de resultados excelentes, 20% bons, 20% regulares e 25% de falhas. Os autores notaram que, em alguns pacientes, a neoformação óssea visível iniciou-se após três meses de pós-operatório; em um caso foi possível constatar claramente, do ponto de vista radiológico, quase que total envolvimento do polímero, bem como parcial absorção do mesmo e substituição por tecido ósseo. O polímero da mamona foi considerado, nesse estudo, uma alternativa viável, apresentando como vantagens: disponibilidade, baixo custo, ausência de risco de transmissão de Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 39 doenças, biocompatível e osteointegrável. Barsam et al. (2003) compararam os implantes de silicone com o implante de polímero de mamona utilizados como espaçadores de tendão. Observaram que a intensidade do processo inflamatório foi progressivamente menor com o tempo, além do desenvolvimento de um envoltório com características que lembravam neobainha e, em alguns casos, epitélio semelhante ao envoltório sinovial de bainhas normais. Concluíram que a reação tecidual a ambos os materiais foi praticamente a mesma, demonstrando que o polímero da mamona é biocompatível e tem potencial para aplicação na confecção industrial dos espaçadores de tendão. Del Carlo et al. (2003), avaliaram o processo de reparação tecidual e o comportamento do implante do polímero de mamona associado ou não à impregnação com medula óssea autóloga em falhas ósseas experimentais, em rádios de trinta coelhos da raça Nova Zelândia. Em quinze coelhos, a falha óssea no rádio direito foi preenchida por cilindros de polímero de mamona; a falha no rádio direito dos outros coelhos recebeu aspirado de medula óssea autóloga junto com o implante. A falha óssea no membro esquerdo de cada coelho não recebeu nenhum tratamento e serviu como controle. Os seis coelhos receberam implantes no músculo reto abdominal (sitio heterotópico), com a finalidade de avaliar as capacidades osteoindutora e osteocondutora. A avaliação foi feita sob microscopia de fluorescência para a marcação do crescimento ósseo com tetraciclina que foi aplicada por três dias consecutivos. A avaliação radiológica evidenciou que o grupo em que foi realizado o preenchimento da falha óssea com o polímero, sem o aspirado de medula óssea autóloga, apresentou áreas irregulares de calcificação na região periférica e sobre o polímero. O grupo em que foi realizado o preenchimento da falha óssea com o polímero mais o aspirado da medula óssea autóloga apresentou um padrão de radiopacidade mais intenso, regular e precoce. Na avaliação histológica, em ambos os grupos foi observada a formação de tecido ósseo imaturo com tendência à organização, brotos isolados de formação de osso novo sobre o Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 40 polímero em seus poros superficiais e nos poros internos que se comunicavam. Quando foi associado à medula, o implante permitiu a ocorrência de osteocondução e osteogênese progressiva; houve migração de capilares, tecido perivasculares e células osteoprogenitoras entre os poros. A formação de osso novo, em todas as amostras, ocorreu principalmente a partir do periósteo do rádio receptor e do periósteo da ulna e a partir de brotos de tecido ósseo. Os resultados demonstraram a ausência de propriedades osteoindutoras no polímero utilizado, pois não foi observada qualquer reação fluorescente nos implantes abdominais. Os autores concluem que o implante foi biocompatível e que houve ausência de osteoindução nos fragmentos implantados no abdômen, evidência de que há dependência de um estimulo para que as células presentes na medula possam realizar osteogênese. Também foi evidente que a adição da célula tronco medular ao implante em um ambiente adequado, representou um somatório de propriedades desejáveis, pois, nesta situação, as células medulares foram capazes de osteogênese, e o polímero providenciou suporte à penetração de tecido ósseo. Leonel et al. (2003) observaram ratos submetidos à ressecção de um segmento do arco zigomático que foi reconstituído imediatamente com duas formas de apresentação do polímero de mamona: uma formada de miniblocos pré-polimerizados e uma outra formada de líquidos, denominados de poliol e pré-polímero misturados com carbonato de cálcio, para a fixação do minibloco aos fragmentos ósseos remanescentes. Os autores verificaram que as duas formas de apresentação apresentavam diferentes porosidades. Assim, enquanto o material apresentado na forma de blocos pré-polimerizados mostrava-se bastante homogêneo, com delicados poros de menores diâmetros, o polímero obtido pela mistura do pré-polimero, do poliol e do carbonato de cálcio evidenciava, em sua morfologia, a existência de poros de diversos diâmetros. Concluíram que a presença de porosidade na arquitetura interna do polímero de mamona permite a incorporação do material aos tecidos vivos e favorece a regeneração dos defeitos ósseos. Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 41 Maria et al. (2003) realizaram uma análise macroscópica e histológica empregando o polímero de mamona ao defeito ósseo na face medial proximal da tíbia em doze cães em fase de crescimento. Macroscopicamente, no corte longitudinal da tíbia, alguns implantes soltaram-se espontaneamente, e os restantes foram facilmente retirados. Não foi observado, na análise histológica, processo infeccioso, mas apresentavam uma cápsula conjuntiva fibrosa composta de fibras colágenas dispostas em faixas paralelas ao redor do implante. Os autores concluíram que o polímero da mamona é biocompatível, permanecendo biotolerante ao longo do tempo e, nesse modelo animal, não foi observado osteointegração. Figueiredo et al. (2004) realizaram um estudo comparativo entre os implantes de osso bovino desvitalizado, hidroxiapatita porosa de coral, polímero de mamona e enxerto ósseo autógeno como preenchimento de defeito ósseo no fêmur de coelhos. Na análise da tomografia computadorizada, os autores constataram um aumento significativo da radiodensidade no período de quatro e doze semanas, decorrentes da invasão dos implantes pelo tecido ósseo neoformado, demonstrando não haver vantagem da utilização da tomografia computadorizada na comparação de implantes com alta radiodensidade original. Em relação ao polímero de mamona, observaram que a maior densidade do mesmo foi atribuída à menor porosidade no periodo de quatro semanas. Os autores concluíram que o polímero de mamona mostrou propriedades de osteocondutividade e menor reação inflamatória que o osso bovino desvitalizado, com invasão de seus poros e preenchimento das cavidades císticas por tecido ósseo, mostrando-se eficaz como arcabouço para reparação tecidual guiada. Laranjeira et al. (2004) avaliaram o polímero derivado da mamona como placa e espaçador para a tração linear, fixação e fusão vertebral cervical em vinte cães adultos. Os animais foram submetidos a controles radiográficos simples, nas incidências laterolateral e ventrodorsal em 10, 30, 60, 90 e 120 dias de pós-operatório, com objetivo de verificar a Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 42 integridade do espaço intervertebral no sitio operado e dos espaços intervertebrais adjacentes: o alinhamento das vértebras operadas , o posicionamento da placa , dos parafusos e do espaçador intervertebral e a reação óssea local. As radiografias simples laterolateral e ventrodorsal da coluna cervical mostraram que as vértebras apresentavam-se normais e alinhadas. Não se observou reação óssea sob a placa. Contudo, entre o espaçador e o osso foi verificado um halo radioluscente na avaliação ventrodorsal imediata ao ato cirúrgico. Nas avaliações subseqüentes, o halo permaneceu e, em cinco animais, observou-se aumento aos trinta dias de pós-operatório, que se manteve sem alterações até as avaliações finais. A presença constante de radioluscência no local do disco intervertebral indicou a não reparação óssea esperada unindo os corpos vertebrais. Os autores concluíram que o espaçador e a placa de polímero derivado do óleo de mamona foram clinica e radiograficamente eficientes em promover a tração linear e a estabilização da coluna cervical, porém não houve fusão vertebral. Leonel et al. (2004) estudaram a ação do polímero de mamona durante a neoformação óssea. Para a realização do estudo, utilizaram um grupo de 45 ratos que foram submetidos à ressecção de um segmento ósseo do arco zigomático e, em seguida, empregou-se o polímero de mamona em forma de blocos pré-polimerizados para o preenchimento do defeito ósseo. Nos grupos avaliados aos 15 e 30 dias pós-cirurgia, foi observado a presença de tecido conjuntivo denso ao redor do polímero, sem associação com células inflamatórias e caracterizado por fibras colágenas neoformadas, fibroblastos, capilares sangüíneos e alguns macrófagos. Aos 60 dias, a quantidade do polímero encontrava-se reduzida, e os poros do polímero remanescente apresentavam-se preenchidos por tecido conjuntivo denso, com alguns macrófagos. Aos 90 dias, uma considerável parte do polímero havia sido substituída por tecido ósseo, alguns fragmentos do polímero permaneciam totalmente rodeados por osso neoformado. No grupo de 120 dias, alguns fragmentos do polímero podiam ser observados em contato direto com o tecido ósseo Revisão da literatura ______________________________________________________________________ 43 neoformado que era do tipo lamelar estruturado. Os autores concluíram que o polímero de mamona apresentou-se como um material osteocondutor, por permitir o crescimento de tecido ósseo sobre a sua superfície externa e em meio a seus poros, e a resposta do tecido ósseo ao material implantado permite considerá-lo como bioinerte, uma vez que permaneceu em meio ao defeito, evitando o preenchimento do mesmo por tecido fibroso, sendo lentamente preenchido por tecido ósseo. Objetivo _________________________________________________________________________________ 45 O objetivo deste trabalho foi estudar a biocompatibilidade dos tecidos vizinhos ao implante do polímero da mamona em fratura do osso nasal de macaco prego sob o ponto de vista da histologia microscópica óptica e da luz polarizada. Material e métodos _________________________________________________________________________________ 48 Técnica cirúrgica O material cirúrgico empregado durante o experimento foi semelhante ao utilizado em rinoplastias, e o enxerto de membrana de polímero de mamona maleável, com espessura de 0,20 mm, foi obtido diretamente do fabricante (anexo 3a e 3b) em envelopes previamente esterilizados com raios gama (Fig. 1). FIGURA 1: Polímero de mamona. Estudo radiológico A avaliação radiológica foi realizada (Spectro II – Dabi-Atlante- Ribeirão Preto) na regulagem habitual de 50 KV e 10 mA. Posicionou-se o cilindro localizador de modo que o feixe central incidisse perpendicularmente ao plano do filme, com distância focal de 30 cm e a exposição de 1m/s, na posição látero-lateral do perfil esquerdo da face no pré-operatório, pós-operatório imediato e após 270 dias da cirurgia. Após exposição, os filmes foram processados manualmente, usando soluções processadoras GBX (Kodak Brasileira e Indústria Ltda). O tempo de processamento foi de 10 minutos, após o qual as radiografias foram emolduradas e arquivadas, devidamente identificadas. Material e métodos _________________________________________________________________________________ 49 FIGURA 2 : Radiografia lateral esquerda do nariz pré-operatório A cirurgia A anti-sepsia da face foi feita com solução de PVPI tintura –MICROSHIELD (Johnson & Johnson). Campos esterilizados foram colocados, delimitando a área operatória. A região nasal foi infiltrada com agulha 13X7mm, montada em seringa do tipo insulina, com 1ml de lidocaína a 2%, com adrenalina na proporção de 1/200.000 para promover a vasoconstricção e analgesia da região nasal. Foi feita uma incisão na pele até periósteo a3(r)2.80682(i)-2.16435(ó82(t)-2.16435(o)-10.299(n)-02912 Tf35.4208 28295ç)3.7424 Material e métodos _________________________________________________________________________________ FIGURA 3 : Exposição cirúrgica e fratura do osso nasal FIGURA 4: Implante sobre o defeito ósseo 50 Material e métodos _________________________________________________________________________________ 51 FIGURA 5: Aspecto final e radiografia do nariz (POI) Após o período de 270 dias, os animais foram sedados e anestesiados de forma semelhante ao preparo pré-cirúrgico. Em seguida, foram sacrificados por perfusão, via artéria femoral com solução tamponada de formol a 10 % e o nariz removido. O material foi fixado em formol Lilly tamponado por 96 horas. Em seguida, descalcificado em solução de Morse durante 30 dias com troca da solução a cada três dias, e as peças permaneceram em tubos plásticos a fim de impedir o contato do material com a superfície do frasco. Após a descalcificação, o material foi neutralizado em sulfato de sódio a 5% por 24 horas, lavado em água corrente por 10 minutos e, em seguida, desidratado numa seqüência de álcoois absolutos em concentrações crescentes (70%, 80%, 90%); posteriormente foi realizado a diafanização em xilol e, finalmente, embebidos e incluídos em parafina pela metodologia de rotina do laboratório de histologia da Faculdade de Odontologia de Araraquara - UNESP. Os ossos nasais foram fotografados com uma lupa estereoscópica Zeiss modelo Citoval com aumento aproximado de 15 a 35 vezes. O material assim processado foi cortado em micrótomo com cortes semi-seriados de 6 micrômetros de espessura, utilizando lâminas descartáveis em um micrótomo rotatório (modelo HM 325 – Material e métodos _________________________________________________________________________________ 52 MICROM). O plano de secção dos cortes foi longitudinal e transversal em relação à sutura internasal. As lâminas foram desparafinizadas e re-hidradatas e, então, coradas pela Hematoxilina e Eosina (HE) para análise morfológica, em Tricrômico de Masson (TM) a fim de evidenciar a neoformação óssea ao polímero de mamona e em Picro Sirius (PS) para análise do grau de amadurecimento do colágeno por microscopia de polarização. Os estudos histológicos foram verificados em microscopia óptica comum, microscópio Zeiss, modelo Jencival- Germany e em microscopia de polarização, microscópio Zeiss, modelo Docuval- Germany. A análise histológica foi realizada no Departamento de Morfologia da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual de São Paulo – UNESP em Araraquara e no Departamento de Patologia do Hospital de Clínicas da Universidade do Rio Grande do Sul. Em cada Instituição a verificação das lâminas foram realizadas por um patologista. Foi escolhida para a avaliação histológica a escala de Ferreira (1997) modificada por Portinho et al. (2006), que utiliza os seguintes critérios: 1. Trabéculas ósseas neoformadas (0 a 3); 2. Atividade osteoblástica (0 a 3); 3. Atividade osteoclástica (número absoluto em campo de 400 vezes); Esta escala incluía, originalmente, a viabilidade da medula óssea, que não foi utilizada no presente trabalho e o critério de fusão de corticais; tal critério foi excluído por não poder ser aferido, uma vez que o bloco dos ossos nasais foram retirados sem margens do osso remanescente. Avaliamos de maneira subjetiva o grau e intensidade dos achados de fibrose intertrabecular, células inflamatórias e neoformação vascular. Resultados ___________________________________________________________________ 54 4 Resultados Após o período de 270 dias, clinicamente não foi verificado degrau ou irregularidade na topografia dos ossos nasais ou retração cicatricial na ferida operatória. A cicatriz da incisão cirúrgica estava praticamente imperceptível em todos os animais estudados e os resultados radiológicos, na posição látero lateral, evidenciaram a integridade dos ossos nasais (Fig. 6). FIGURA 6: Aspecto do nariz após 270 dias do implante do polímero de mamona no dorso nasal. 4.1 Mesoscópicos Os ossos nasais foram clinicamente observados e fotografados sob lupa estereoscópica e, aos 270 dias, notamos a presença da membrana do polímero de mamona, delimitando duas regiões preenchidas por tecido ósseo (fig. 7 e 8). Resultados ___________________________________________________________________ FIGURA 7: Avaliação mesoscópica com aumento de 35X mostrando a membrana do polímero de mamona ( seta preta ) em corte longitudinal com aumento de 35X . FIGURA 8: Avaliação mesoscópica com aumento de 15X mostrando a membrana do polímero de mamona (seta preta) delimitando a região superior (seta vermelha) e inferior (seta azul) do nariz. Corte transversal do nariz. 55 Resultados ___________________________________________________________________ 56 4.2 Histológicos A análise histológica foi realizada em cada animal, avaliado de maneira qualitativa a atividade osteoblástica, atividade osteoclástica, e trabéculas neoformadas - Ferreira modificado (Quadro 1). QUADRO 1 – Relação dos animais com os achados histológicos após 270 dias do pósoperatório. Achados da histologia/animais M1 Osteoblastos Trabéculas neoformadas Osteoclastos 3 3 0 3 3 0 3 3 0 3 3 0 M2 M3 M4 Detalhamento da pontuação da escala histológica, segundo Ferreira modificado (1997). Critério Trabéculas Pontuação Descrição da Pontuação 0 Ausência de trabéculas neoformadas 1 Trabéculas finas, isoladas, não ultrapassando 1/3 do campo ósseas neoformadas microscópico 2 Trabéculas isoladas ou anastomosadas, ocupando entre 1/3 e 2/3 do campo microscópico 3 Trabéculas espessas, predominantemente anastomosadas, ocupando mais de 2/3 do campo microscópico Resultados ___________________________________________________________________ Atividade 57 0 Atividade inexistente 1 Menos de 1/3 das trabéculas neoformadas apresenta atividade osteoblástica osteoblástica 2 Atividade observada entre 1/3 e 2/3 das trabéculas ósseas neoformadas 3 Mais de 2/3 das trabéculas neoformadas apresentam atividade osteoblástica Atividade osteoclástica Número absoluto na maior contagem de três campos de 400x. 0- ausente 1- pouco 2- moderado 3- numerosos Esses parâmetros foram complementados pela observação subjetiva da neoformação vascular, presença de células inflamatórias e fibrose intertrabecular (Quadro 2). QUADRO 2 – Relação dos animais com os achados histológicos após 270 dias do pósoperatório. Achados da histologia/animais M1 Fibrose intertrabecular Células inflamatórias Neoformação vascular 2 1 2 1 0 1 1 0 1 1 0 1 M2 M3 M4 0 = ausentes ; 1 = muito pouco ; 2 = moderado ; 3 = numerosos/ abundante Resultados ___________________________________________________________________ 58 Os resultados qualitativos da avaliação histológica das amostras do M 2, M 3 e M 4 foram muito semelhantes ao da amostra M 1. Os resultados obtidos do M 2, M 3 e M 4 foram idênticos. a) Coloração pela Hematoxilina e Eosina: FIGURA 9 : Fotomicrografia mostrando fragmentos da membrana do polímero de mamona (seta vermelha) no interior do tecido conjuntivo frouxo, notamos também células multinucleadas caracterizando o osteoclasto (seta preta). Coloração HE. Aumento 156X Resultados ___________________________________________________________________ 59 FIGURA 10 : Fotomicrografia mostrando entre as duas superfícies ósseas a presença de tecido conjuntivo denso (TC) rico em fibras colágenas com numerosos osteoblastos em diferenciação e muitos capilares sangüíneos (seta preta). Ambas as superfícies ósseas apresentam linhas reversas crescimento (seta vermelha) e remodelação. Coloração HE. Aumento 500X. FIGURA 11: Fotomicrografia mostrando porções de osso neoformado (seta preta) rodeado por tecido conjuntivo denso muito celularizado (seta azul) que representa a ossificação direta; além disso esse tecido apresenta muitos vasos sangüíneos, fibroblastos, e uma membrana de osteoblastos (seta vermelha) na superfície óssea neoformada, ricamente preenchida por osteócitos . Coloração HE. Aumento 156X . b) Coloração pelo Tricrômico de Masson: Resultados ___________________________________________________________________ 60 FIGURA 12: Fotomicrografia mostrando a presença de pequenos fragmentos da membrana do polímero de mamona em meio ao tecido ósseo neoformado (seta preta). Coloração TM.Aumento 156X. FIGURA 13 : Fotomicrografia mostrando acentuado grau de inserção de fibras colágenas secundárias (seta preta) que penetram entre as fibras primárias (seta vermelha) próprias do tecido ósseo. FIGURA 14: Fotomicrografia mostrando o osso secundário é formado por lamelas concêntricas ao espaço medular central (seta preta) .As fibras colágenas unem duas lamelas entre si e apresentam-se com orientação paralela, além de um grande número de osteócitos (seta vermelha) dispostos aleatoriamente. Coloração TM. Aumento 156 X. Resultados ___________________________________________________________________ c) Coloração 61 pelo Picro Sirius: A análise histológica mostra que as fibras colágenas, tanto do osso lamelar quanto do osso primário (alamelar), encontram-se amadurecidas, mostrando alta birrefrigência. As linhas reversas de formação não são nítidas quando observadas através da coloração pelo Picro Sirius associada à microscopia de polarização, e as fibras colágenas do periósteo apresentam birrefrigência menos acentuada do que as fibras do tecido ósseo . FIGURA 15 : Fotomicrografia mostrando fibras colágenas tanto do osso lamelar (seta preta) quanto do osso primário alamelar (seta azul) encontram-se amadurecidas mostrando alta birrefrigência.Coloração PS. Aumento 80X. Resultados ___________________________________________________________________ 62 FIGURA 16: Fotomicrografia mostrando uma visão geral do leito cirúrgico recoberto pelo periósteo (seta azul) que apresenta um nicho circular contendo restos da membrana de polímero de mamona (seta verde). Coloração PS.Aumento 150X. FIGURA 17: Fotomicrografia mostrando formação óssea adjacente ao periósteo (seta verde) constituída por osso organizado birrefrigente e fibras colágenas orientadas em forma circular ao redor de canais de Havers (seta preta) com diferentes diâmetros. Birrefrigência em ambos ossos lamelar e alamelar. Presença de canais de Volkman (seta azul) ligando dois canais de Havers. Coloração PS. Aumento de 150 X. Resultados ___________________________________________________________________ 63 FIGURA 18: Fotomicrografia mostrando o local de inserção da membrana (seta preta). Coloração PS sem polarização. Aumento de 160 X. Discussão ______________________________________________________________________ 64 5 DISCUSSÃO Neste estudo, optou-se por um experimento que avaliasse a reação tecidual local após implantação de material aloplástico no dorso nasal. A escolha do material às vezes é difícil, pois o implante perfeito para cirurgia nasal ainda não foi encontrado (Mitre, 1997; Patrocínio & Patrocínio, 2001). A opção por estudar o polímero de mamona leva em conta suas qualidades como material viável para uso clínico, em virtude da disponibilidade, do baixo custo e dos relatos de biocompatibilidade demonstrado em diversos experimentos animais (Ohara et al., 1995;Carvalho et al., 1997; Suguimoto 1997; Garcia Junior 2000; Calixto 2001; Leonel et al). A despeito dessas características favoráveis, contrapõe-se uma escassez de trabalhos que utilizam esse material como estrutura para a reconstrução nasal. O implante do polímero de mamona é resultado de pesquisa da Faculdade de Química de São Carlos vinculada à Universidade de São Paulo, portanto é um produto de desenvolvimento inteiramente nacional (Suguimoto 1997). Considera-se importante avaliar a possibilidade da utilização desse material como mais uma opção de implante para a reconstrução nasal. Não se encontra, na literatura pesquisada, referência de estudo do implante do polímero de mamona na estrutura nasal em macacos. Os macacos da espécie Cebus apella vivem em grupos de trinta animais em média, são onívoros, e a destruição do habitat tem ameaçado progressivamente a sobrevivência desses primatas. O Cebus apella é facilmente encontrado nas matas do continente sulamericano, distribuindo-se geograficamente por quase todo o Brasil. Este animal apresenta satisfatória adaptação à vida em cativeiro, condição na qual se reproduz com facilidade (Ribeiro, 2002). Discussão ______________________________________________________________________ 65 Anatomicamente, os ossos nasais dos macacos são planos e com as paredes ósseas de pouca espessura, caracterizados por escasso osso medular situado anteriormente e no centro da face, apresentando-se recoberto por pele fina no terço superior. A mucosa sob os ossos nasais é muito delgada e vascularizada. A utilização do macaco como modelo experimental parece relevante em virtude da semelhança do aspecto anatômico e funcional da área operada nesse animal com a raça humana (Silva, 2006). Optou-se por realizar fraturas com luxação do fragmento ósseo, sem a remoção do osso nasal, com a finalidade de diminuir a morbidade e o risco de complicações no pósoperatório. Deve-se considerar que há limitações éticas e de disponibilidade no número de animais para o desenvolvimento de modelos experimentais em primatas não humanos nos Centros de Pesquisa (Silva, 2006). No caso específico do Núcleo de Procriação de Macacos Prego da Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP – SP, exige-se o mínimo de três pesquisadores, trabalhando em diferentes sistemas do animal. Dessa maneira, muitas vezes, há necessidade de adequação do tempo das intervenções experimentais de acordo com as necessidades e consenso de todos os pesquisadores envolvidos. Dessa forma, optou-se por um período de seguimento após a implantação no dorso nasal de 270 dias, respeitando diretrizes do Comitê de Ética Animal. O interesse foi de observar as alterações do tecido circunjacente ao polímero de mamona em uma fase considerada tardia quando comparada com experimentos, utilizando o mesmo material e modelo animal. O mesmo modelo animal foi utilizado por Suguimoto (1997) e Garcia Junior (2000). Os autores realizaram a implantação do polímero de mamona no mento e na maxila, respectivamente seguida de avaliação histológica após 145 dias. Os materiais aloplásticos têm a propriedade de não serem absorvíveis, e esta é uma vantagem sobre os materiais biológicos (Toriumi, 2000). Os implantes (como o silicone, os Discussão ______________________________________________________________________ 66 derivados do poliéster, o polietileno poroso de alta densidade) e os implantes injetáveis (como o polimetilmetacrilato) não são absorvidos (Lemberle et al., 1995; Lawson et al., 1996; Vuyk & Adamsom, 1998; Romno et al., 2003). Neste estudo, não ocorreu absorção do polímero de mamona, e esses dados estão de acordo com os resultados obtidos por Suguimoto (1997) e Garcia Junior (2000), porém foi notado, em todas as avaliações, a presença de fragmentos do implante no meio do tecido conjuntivo. Observamos que é possível que tenha ocorrido uma diminuição do volume do implante, como foi verificado nos estudos de Chun & Clark (2006) que implantaram o politetrafluoretileno no dorso de coelhos. A nossa opinião é que são necessárias avaliações com acompanhamento a longo prazo, pois a absorção do material poderá deixar de ser uma vantagem desse implante sobre o material biológico na cirurgia de reconstrução nasal. A presença de porosidade permite o crescimento de tecido fibrovascular dentro do implante, diminuindo a possibilidade de migração e extrusão (Kuhurana, 1999; Erlich et al., 2003). A presença dos poros em materiais, como politetrafluoretileno, polietileno poroso de alta densidade e Dacron®, facilitaria a incorporação e a fixação do implante pelo tecido circunjacente (Vuyk & Adamsom, 1998; Herbst, 1999; Fanous et al., 2002; Romo et al., 2003). Entretanto, o silicone é um material com superfície lisa e sem poros, e esses fatos possibilitam a migração e extrusão do implante (Lawson et al., 1996; Vuyk & Adamsom, 1998). Quanto ao implante do polímero de mamona, os poros podem ser heterogêneos com os mais diversos tamanhos ou poros menores com disposição homogênea (Leonel et al. 2003). Na revisão da literatura pesquisada, não foram observados dados referentes ao diâmetro dos poros do polímero de mamona. A invasão de tecido osteogênico nos poros do implante foi observada por Cavalieri (2000), Leonel et al. ( 2003), Del Carlo et al. (2003), Figueiredo et al. (2004). Esses autores Discussão ______________________________________________________________________ 67 concluíram que a presença de porosidade na arquitetura interna do implante permite a incorporação do material aos tecidos vivos e favorece a regeneração dos defeitos ósseos. Em nosso estudo não foi observado a presença de tecido fibrovascular penetrando no implante do polímero de mamona; contudo, apesar dos dados coincidirem com os achados de Suguimoto (1997) e Garcia-Junior (2000), não podemos concluir que a porosidade do polímero de mamona seja uma constante nesse biomaterial, uma vez que não foi realizado avaliação das características estruturais do material utilizado. Uma das complicações mais freqüentes com a utilização dos implantes aloplásticos é a infecção, com taxas de 4 a 9% após utilização do Dacron® (Fanous et al., 2002), e em 2 a 3% após uso do politetrafluoretileno (Conrad & Gillman, 1998); há também risco de complicações, variando de 4 a 36% com a utilização de silicone (Graham et al, 2001). Os estudos de Ignácio et al. (1997), Suguimoto (1997), Cavalieri (2001), Rezende et al. (2001), Souza et al. (2002), Maria et al. (2003), Laranjeira et al. (2004) e Leonel et al. (2004) que utilizaram o polímero de mamona nas mais diversas situações e modelos animais (camundongos, coelhos, cães, macacos) não observaram sinais de infecção ou extrusão do material. Os resultados desses experimentos estão de acordo com os relatos de Costa & Schall.(1993) e Souza et al. (2002) que empregaram o polímero de mamona na raça humana. Esses relatos são coincidentes com os achados clínicos deste estudo, uma vez que não notamos sinais de infecção ou extrusão em nenhum dos quatro animais avaliados no período de 270 dias. Contudo, o fato de um implante não extruir no período observado pode não corresponder ao resultado final, uma vez que, na prática clínica, existem vários relatos de extrusão de implantes em períodos de dois meses até 25 anos após a cirurgia (Owsley et al., 1993; Lawson et al., 1996; Vuyk et al.,1998; Fanous et al., 2002; Raghavan et al., 2004). Discussão ______________________________________________________________________ 68 Neste estudo, na avaliação radiológica do pós-operatório imediato e também após 270 dias, não foi notada a presença do polímero de mamona em nenhum dos animais. Jacques (2001) descreveu a presença de halo de radiotransparência após utilização do polímero de mamona em defeito no côndilo femoral de coelhos. Souza et al. observaram radiologicamente o envolvimento do polímero de mamona e a absorção parcial do mesmo com a substituição por tecido ósseo, após utilização do implante nas reconstruções de grandes falhas ósseas decorrentes da ressecção de tumores benignos agressivos e tumores malignos. Os resultados conflitantes podem ser devido à inclusão do carbonato de cálcio ao implante de polímero de mamona nas avaliações de Jacques (2001) e Souza et al. (2002). Nesta pesquisa, foi utilizada uma membrana do polímero de mamona pré-confeccionada, sem a inclusão de carbonato de cálcio no material. A reação tecidual a um implante pode ser caracterizada pela proliferação fibroblástica intensa que evolui com o desenvolvimento de um envoltório em torno do implante. Esta reação foi encontrada após implantação do silicone na reconstrução nasal (Owsley et al., 1993; Lawson et al., 1996; Vuyk et al.,1998; Graham et al, 2001), após injeção do polimetilmetacrilato sob a pele de ratos (Lemberle et al. 1991) e quando o polímero de mamona foi utilizado como espaçador de tendão (Barsam et al., 2003). Não se observou a presença de encapsulamento da membrana do polímero de mamona em nenhum dos animais avaliados após 270 dias nem após utilização do polietileno poroso de alta densidade (Romo et al., 2003), mas a progressão de uma cápsula fibrótica pode demorar mais de um ano para evoluir (Costa & Shall, 1993). A presença de processo inflamatório crônico com reação do tipo corpo estranho foi constatada após implantação do politetrafluoretileno no subcutâneo em coelhos (Neel, 1983), quando o polímero de mamona foi colocado no alvéolo após extração dental (Calixto, 2001), quando o implante do polímero de mamona foi injetado no subcutâneo em ratos (Bonini et al., Discussão ______________________________________________________________________ 69 2002) e após a utilização de silicone na forma sólida e injetável no nariz (Raghavan et al., 2004; Lee et al., 2006). Alguns estudos demonstram que a presença e o grau de reação de corpo estranho podem variar de animal para animal da mesma espécie após implantação do politetrafluoretileno (Chun et al., 2006). Neste estudo, não foi notado o desenvolvimento de reação do tipo corpo estranho em nenhum dos animais avaliados, o que é coincidente com os achados de Suguimoto (1997) após implantação do polímero de mamona no mento de macacos (Cebus apella ) e de Puricelli et al. (1999) após utilização do implante no ângulo da mandíbula em ratos. Após 270 dias, observamos, na avaliação histológica em todos os animais, a presença de tecido ósseo neoformado e diferentes graus de mineralização com fibras colágenas amadurecidas, demonstrando alto grau de birrefrigência na coloração pelo Picro Sirius. O campo fortemente birrefrigente é característico de estruturas que contêm moléculas orientadas numa só direção, características do colágeno tipo I e III. Utilizando-se a coloração Picro sirius e microscopia de polarização, o colágeno tipo III apresenta birrefrigência verde, não verificada nos cortes examinados neste estudo. O colágeno tipo III está presente principalmente na pele, aorta e pulmões (Junqueira et al., 1979). A ocorrência de um crescimento ósseo em íntimo contato com o implante coincide com os resultados observados por Kharmanday (1997) e também de Ignácio et al. (1997) e Leonel et al. (2004). Esses autores constataram que o polímero de mamona foi envolvido por lâminas de osso de organização e maturação progressivas. Neste experimento, em todos casos, o defeito ósseo estava preenchido por tecido ósseo aos 270 dias de pós-operatório, mas se houvesse a possibilidade de realizar exames histológicos mais precoces, nos primeiros meses de pós-operatório, talvez se pudesse ter a oportunidade de verificar diferenças significativas na qualidade do osso neoformado nesses estágios mais iniciais do reparo ósseo, comparando os vários grupos estudados. Discussão ______________________________________________________________________ 70 Considerando os achados da literatura pesquisada, notam-se resultados conflitantes, o que reflete basicamente o perfil metodológico em cada estudo, em virtude das múltiplas variáveis, como o modelo animal e, no mesmo tipo de animal, a região estudada e o período de avaliação. Não podemos afirmar que o polímero da mamona induziu à osteogênese; esta, aconteceu provavelmente devido ao estímulo do próprio trauma cirúrgico no broto ósseo remanescente e no periósteo do osso nasal. Após 270 dias, é presumível que os defeitos ósseos não recobertos possam apresentar neoformação com a reparação e remodelação óssea, porém há o risco de invasão epitelial, resultando em uma deformidade do contorno nasal, o que não foi observado, provavelmente devido à presença do implante utilizado. Visando esclarecer o papel deste material como implante especificamente para região nasal, tornam-se necessários estudos subseqüentes que o avaliem em outros modelos experimentais. É importante que os estudos futuros incluam no delineamento metodológico a comparação com outros materiais estruturais de utilidade já estabelecida. Desta forma, acredita-se que os resultados experimentais podem servir de base para serem aplicados em humanos. Conclusão _________________________________________________________________________________ 72 CONCLUSÃO De acordo com a metodologia empregada e considerando os seus resultados, podemos concluir que: A membrana de polímero da mamona foi biocompatível. Referências bibliográficas 79 _________________________________________________________________________________ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Adams JS. Grafts and implants in nasal and chin augmentation: a rational approach to material selection. Otolaryngol Clin North Am. 1987; 20: 913-30. Adamson PA. 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Concluiu-se que a membrana do polímero de mamona foi biocompatível. Abstract ______________________________________________________________________ 92 DIAS, P.C.J. Histological reaction to castor oil polymer membrane applied to simian nasal bones (Cebus apella). São Paulo, 2007. 95 p. Dissertation in fulfillment of Doctorate in Medicine (PhD) – School of Medical Science, Santa Casa de São Paulo. ABSTRACT: This study seeks to evaluate the histological response of surrounding tissues to a membrane implant produced from a castor oil polymer. Pre-fabricated membranes were implanted in the surgical wounds of four monkeys (Cebus apella) that had undergone nasal fracture. After 270 days, the animals were sacrificed and tissue samples were processed and stained with hematoxylin and eosin, Masson’s trichrome and Picrosirius red. No foreign body reactions were observed in the tissue sections, and there was evidence of progressive bone formation and maturation. Based on these results, the castor oil polymer membrane appears to be biocompatible.