Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Do ssiê “o sabe r descon hecid o da crian ça: uma in cu rsã o no de senvo lvime nto vo ca cio nal na infância” Teo ria s e Po jeto s Edu cac ion ais Text os de A na Margarida A lves, Li c. Jorn al i smo Enca min har n ão é prof is sio nali za r, m as, de spert ar huma no comuni ca e se i nterliga com o sent ido s na forma que cada se r mu ndo e, con sequente men te, estimula r -lh e as su as apt idõe s . .... seja quando rabi sca u niverso s fantá st icos co m os lapí s de co res, ou quando constroí i mpéri os co m os legos... seja quando bri nac ari ando i nventa língua s estran has ou quand o co me ça a escrevi nh ar as sua s est óri as, seja quando con stroí o s se us te atros e pal haçad as. ... ou fa z experiências co mo grandes cient istas . Fotografia: Novembro 2009 – Pais & Filhos 1 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Introdução A vida são o s sent ido s e os sen tido s e os sent idos são a vida. M uit o ante s do ro mpime nto da s bar rei ras fí si cas d o ventre mater no, já o bebé ve m envolv id o num mant o deli cado de t raços de person alidade . Para a lém d os tra ço s gené ticos, durante a sua expe riên cia p ré -na ta l desenvolve u també m sent idos, co mpetên cia s au ditivas, lingu íst ica s e outras criand o as su as prime ira s me mórias. O bebé é um map a de ponten cia lidade s ávido po r descobri r um novo mund o. Ainda de o lho s semi-ce rrad os, envo lvido num novelo , t ran sporta con sig o uma sabedoria mu it o própria daquele mund o misterio so intra -u terin o. Desde o pr ime iro ge sto, o prime ir o so rri so, o primei ro boc ejo, a pri mei r a manife sta ção de perso nalidade do bebé. fome ou frio encontra mos me nsage ns sub limina res da Nesta peq uena d issert açã o “o saber de sconhe ci do da cria nça ... ” pre tende - se pôr em evidên cia as múl tipla s poten cia lidade s que cada pequeno se r tra z consig o desde o seu na scime nto, independente men te, d a sua condi ção econó mi ca, so cial ou religi osa . Não se tra ta aqui de enco ntra r na crian ça, n as sua s atit udes, u ma vei a profissi onal mas descobrir o seu mundo in teri o r e estimu lar -lhe as suas apt idõe s naturais... Enca min har n ão é profissi onal izar, ma s, desp ertar a f orma que huma no co mun ica e se inte rlig a co m o cada se r mu ndo e, con sequente mente , e sti mu lar- lh e as su as apt idõe s . .... seja quando quand o con stroí rab isca impé rios u niverso s co m os fantásticos leg os. .. seja co m quando os lap ís de co res, brina ca riand o ou inventa língua s es tra nhas ou qu ando co meç a a es crev i nhar a s s uas est óri as, se ja qua ndo con stroí os seu s te atros e palh açada s. ... ou faz expe riên cia s co mo g rande s cient istas. Assi m, ne ste sen tido , nenhu ma crian ça é uma t ábua rasa são as suas fo rma s de comu nicar que perso nalidade e se permitem a os outros percecion are m os traços da sua este ndenda m ponte s de inte raçã o. Com ci nco ano s u ma c ria nça d otada já cant a, toca in stru men to s mu si cai s , escreve , pi nta, rep resen ta, con strói est rut ura s co mplexa s.. .aqui estão o s i ndício s 2 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância de um mu ndo i men so de pote nc ialid ades qu e habita cada c rian ça. ..que p or ve ze s passa m despe rcebid os a os olh os do s adul to s. Se obse rvar mo s o s mode lo s de referên cia m un diais e depo is fi zer mo s u m a incu rsã o revelam no no sso un iverso pa rti cul ar fa cil mente con clui remos que a s cri anças, pre co cemen te capa cidades extraord in ária s, e que de sde muito cedo os seres humano s estão apt os a adq uirir compe tências e a descob rir ap tid õe s pessoa is. “Era u ma ve z um menino Que não e ra nada feio Que tin ha de extra ordinário Tin ha um fe iti ço n o mei o” Fiz e sta quad ra quand o ti nha cin co an os António Ged eão Assi m, na lite ratu ra, temos o exe mplo de An tónio Gedeã o gra nde poet a portuguê s, e screveu este p oema co m ci nco a no s e aos de z ano s decid iu comple ta r os Lus íadas . Foi a sua mãe que tendo uma grand e paixão pel a li tera tura tra nsmitiu esse sen ti mento ao se u fi lho de n ome origina l R ómu lo de Ca rvalh o, assi m bapt izado em hon ra de u m dram a lid o num f olhe tim de jo r nal. Respon sável por u ma cert a at mo sfera li terá ria que se v ivia e m sua ca sa, é ela que at ravés do s l ivro s comp rado s em fa scículos, vendido s sema nal mente pel a s casa s, ma is tarde , requi sit ados na s livrari as Po rtugál ia ou Mo rai s, que ini cia o fil h o na arte da s palav ras . Des ta for ma R ómu lo t oma con tat o co m o s mes t res – Ca mõe s, E ça, Cam ilo e Cesá rio Verde, o preferido – e co nhe ce “A s M il e Uma N oite s”, obra q ue vi ria a con siderar u ma das sua s bíbil ias.” Na mús ica , Mo zar t, inf luente mú sic o e co mpo s itor mo str ou u ma habi lidad e musica l prod igio sa desde sua i nfância. Já compete nte n os instru men tos de te clado e n o viol ino , come çou a comp o r aos cinco anos d e i dad e, e pas so u a se ap r esenta r pa ra a reale za da E uropa , marav ilha ndo a t odos co m seu talen to pre co ce. Na pintura, podemos destacar o exemp lo de Pab lo Picasso cujos dese nho s de infância repre sent avam ce nas de to urada s (a cu ltura da t ourad a por excelê nci a e m Espanh a, por ce rto inf luen cio u a sua obra ). O seu primei ro trabalh o de destaqu e artí sti co foi um ó leo sob re madeir a, pi ntada a os o ito anos, cha mada O To urei ro . Pica sso con serv ou e sse t rabal ho p or toda a su a vida, lev ando- o con sig o semp re qu e mudava de ca sa. Pablo Pica sso foi do s pin tore s conte mpo râ neos que mais obra s criou... 3 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Fig. 1 - O Tou rei ro – Pab lo Pica ss o – 8 a nos Paralela mente , às manife sta çõe s cri a tivas, artí st ica s onde é nece ssári o revelar -se uma capacidade capa cidade para o ina ta muito dese nvolvi men to pa ra de além da con heci ment o apre ndi zagem científ ico ta mbém se a manife st a preco ceme nte. ..Pe rfra seando um est udo de Joa quim Sá do Institu to de Estudo s d a Cria nça pist as para desenvolv imen to da educaçã o cien tífi ca desde o pré-esco lar sa lien tando que a oti mi zar e partir da da Un iversidade faixa dos do 4/5 Minho, anos a o crian ça autor está aponta -nos prepa rada pa ra o desenvolve r co nhe cime nto s ne sta á rea. Em s uma e m jeit o de c onc lu são, de sta s n ota s intr odut ória s, a cr ian ça, n o s intere sse s que revela , nas brincadeiras a sua nas e gost o s pessoai s, apont a-n os pi sta s sob re persona lidade de mon st rando capa cidade s extraord inárias de apre ndizage m ma is diversa s área s de con hecimen to, saltand o à vist a os seus po nto s de excelên cia. ..desde a mú si ca, à pin tura, à li tera t ura, à s ciê ncias... Parti ndo, a ssi m, de toda s este s indí cio s sob re tentare mo s fa zer u ma abo rdagem sobre À luz do s mai s cept icos e sobre o mundo de cada cria nça as capacid ades das cria nça s o desen volv ime nto v oca cio nal n a infân cia . ap ologi st as da ete rna idade de bri nca r, ref lect i r e tra çar -lhe meta s de futu ro é u ma p reo cupaçã o preco ce e inút il, contud o, vári os e studo s alerta m-n os para o fa cto da existência já no 1º ci cl o de casos de exclu são social e escolar...fa ct or suf icie nte ment e preocupante pa ra no s debru çarmo s sobre ele . Até porq ue cont ra fa ct os não há argu ment os. Na rea lidade, existe exclusã o social e e scola r no p ri meiro cicl o. N o enta nto , à luz d a psi co logia e d as ciên cia s educacion ais é impo ssível. ..alg uém deixa r que i sso a conte ça. .. Houve no mínimo impo ssível que após negligência de informa tiva e de encaminha ment o. É su cessivo s verme lho s e avalia çõe s insa ti sfató ria s, ning ué m tenha feit o estas que st ões. Quem é es ta c rian ça? De o nde vem? Pa ra onde vai? Es tá na E sc ola ind icada ? Com o po sso ajud á-la ? Porque mais que classifi car cria nça s é fundamen tal sent armo- nos a o seu la d o e co mpreende rmos o seu p ri sma , co mpreen dermo s porque ch ora m, p orque se 4 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância agitam , porque se dive rte m tant o a faze r exercí cio s de mat emá tic a co mplexo s , porque são tã o imagina tiva s ou até p orque n ão se intere ssa m po r nada. No poder da perg unta “Porquê? ” está a re sposta à co nst ru ção da su a felicidade , não f osse est a uma v iagem que co me ça desde pequen ino ... Porque pergunta r apena s na adole scê nc ia a um a cr ia nça “ o que q uere s fazer daq ui un s anos.” É de masiado tarde. Capí t u l o I : u ma vi da agi t ada an t es do nasci ment o Este tóp ico te m p or base u m tex to teó rico de Pat rícia Nune s “Experiê nci a Auditiva no meio In tra- Ute rin o”, ap resen tada n o âmbit o do curso de Psico logi a na Universidade de Coimbra que co ncl ui se r f undame ntal a e st imu lação a cústi ca durante o perí odo da gestaçã o porq uant o esta auxilia r do dese nvolvi men to social p ré-na scime nto e con sti tui rá u m passa porte de psico- dese nvolvi ment o para a entrada n o nov o mu ndo. Ao poderão longo de ste influenciar a proce sso sua a rela çã o mãe-be bé emocionalidade, envolve est imu lar a pa rti cul aridade s sua cap acid ade de mem ori za ção . È as si m, funda men tal an ali sar a s potenc ialid ades de u m bebé, tend o em co nta a sua experiê ncia no ú tero mate rn o. “De todo s os órgã os d os sen tido s, o único que permane ce despe rto 24 h ora s po r dia é o ouvido. Me smo na masi profu nda fase do son o. As ore lha s continua m lig adas co mo guardiã s aberta s a qualquer ru ído amea çado r. A audição é a peça ch ave na co muni ca ção entre o s se res hu man os ( Mat ias, 199 9). Ne ste âmbit o, Pat rí cia literatura da Nune s passou área e destacou os olhos pela as seguin tes con sideraçõe s. O ouvid o é o ó rgão f unda menta l para a a udiçã o send o ta mbé m re spon sáve l pelo equilíbrio do corpo. A escut a é uma capacid ade de alto nível que o ser hu man o possui . A co mpreen são dos son s a con tece de manei ra gra dativa a o de senvolv ime nto hu man o. A relaçã o com o unive rso so noro não ve rbal, na vida int ra -u teri na, vai ser d e extrema i mportân cia pa ra con texto s t erapeu t ico s po ste rio res (Barcel lo s cit in Moritz, 2004) A audi ção é u m d os se ntid os que traz inf ormações importante s pa ra o desenvolv imen to hu man o. O i mpa cto das al tera ções aud itiva s dá -se pri ncip alme nt e sobre a specto s ling uísticos e p si cosocial do indiv íduo. Segundo Nor then e Dow ns ( 198 9), a pa rti r da vigésim a sema na de gesta çã o o feto n or mal já de mon st ra rea çõe s a e stí mul os son oro s, pe rcebid os a travé s d a 5 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância mudan ça de frequência frequente mente a dos movime nto batimen tos corp oral. O cardía co s feto tem fetais e capacid ade asso ciado s de ouvir e desenvolve r a memória do s so ns (Verri, 1 999 ). A partir do 4º mê s vida int ra uteri na, já há vá ri os sent idos , in clu sive a au dição de senvo lvido s. N os a no s 70 , obstet ra s colo carm mi crof ones no inte rio r do co rpo de gestant e e con clui ra m que o s son s de fact o chegava m, mas, que os ba rul ho s internos da mul her era m tã o fort e s que pare cia m abafa r qua lquer ruíd o exte rno a não ser que o volu me f osse muit o alto. Actualme nte já se sabe que este cu rio so inqu ilin o fica be m mai s proteg id o dos son s in tern os, no ca sul o do líq uid o a mió ti co,e se en co ntra ma is p róxi mo d a audiçã o do s so ns que vê m de fora. Con clui ndo- se a travé s destes est udo s que as conversas de fora pode m se r ouvidas apenas são atenu adas pel a gordu ra e pe los te cid os da mãe. Num art igo da Revi sta Superinte ressan te ( 199 8), a au to ra refere- se a u m estudo do Dr . Bere stei n, do Ho spita l Albe rt E ins tein e m que a sen sibi lidade mu si ca l pode come ça r a formar- se dentro do útero, o recé m-na scido prefere e acalma-se co m música s que o uviu d uran te linguí st ica come ce a se r a ge sta ção , t ambém é po ssível q ue a habi lidad e adqu irida na fa se final da ge sta ção . As mães que conversa m com o s seu s fi lho s e stariam habi tuad as á mu sicalidade d a lí ngua ( Mati as, 1999). A psico logia evolutiv o e oco rrid os ne ste inco nscien te pré -natal est uda o co mpo rta mento e desenv o lvime nto e psi co -afect ivo-e mo ci onal d o indi víduo ante s do n asci ment o. Fa cto s pe ríod o recebe m influenciando co mportame nto . O feto já a é reg ist o mnésico, pe rsonalidade possuido r de gua rdado pós-na tal inteligência, do some nte bebé sen sib ilidade , e no o se u traços de perso nalidade própri a e definida, vida afectiva e emoci onal vin cu lada à mãe co m co muni ca ção tri ste za, emp áti ca ang úst ia ou e fisi ológ ica , bem e sta r sente reage e mo ções co m de irritaç ão pra zer , quando despra zer , se sen te dor, le sado , apresen ta rud imen to s de aprend izad o, s ofi sti ca ção do ap arel ho per ceptiv o e mo to r crescen te de co mplexidade d o aparel ho menta l ( Peixot o e Amo ri m, 20 07) De ac ord o co m Ca nnon (20 02, cit i n Peixo to e Amor im, 200 7, o subs iste m a de aten ção –in tera ção social é u m sistema de comun icaçã o que su rge n o sexto mê s de gestação i ndicando a para capa cidade de o rgani smo permane cer re ceber inf ormações cogn itiva s, so ciai s e e m estado de a lerta emocion ais, alé m de prov oca r e modifi ca r este s conta ct os com o mu ndo à sua vo lta. Cada bebé é o único, por i sso a sua mat uridade e o seu nível de suporte a o s estí mul os va ria m de aco rdo co m a sua sub jec tivi dade (Peixot o e Am ori m, 2 007 ). Port anto , o de senvolv ime nto da a udi ção é de fu ndamen tal imp ort ância tend o em con ta que o seu desenv olvi ment o ir- se-à i nterl igar com o desenv olvi ment o de outras capacidades. Para que a cria nça de senvo l va a lingu agem é dete rminan te bo m desenvolv imen to d a audi çã o, a ss im para que h aja a aqui si ção e dese nvolv imen t o normal a capa cidade de verba li zar ide ias é con siderado como pré- requi sit o a integridade ana to mofi sio lógi ca do si ste ma aud iti vo. Mui to s prob lema s de l inguage m, 6 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância fala e aprendi zagem tê m sid o atrib uídos à dificu ldade de proce ssa ment o dos estí mul os a cú sti co s. O feto reage igual mente ao r uído amb iente . As voze s mate rna s e p atern a podem ter efe ito s espa nto so s no co mportame nto do feto. Se o feto ouve vo ze s e o s r uído s a mbien tai s , parece que p ode me mo ri zar algu mas info rm aç ões . Experiên cia s re cente s revelava m que as crian ça s se lembrava m de son oriedades pa rti cu lare s. Est a conte st açã o levou os ame ri cano s e o s Jap oneses e desenvolve ram mét odo s de dfçç excerto s de música , ouve a voz dos pai s, ouve o so letra r do alfa beto (Mabille, 1990). A gravide z tran sfo rma -se nu m cana l, atravé s da qual as mães co meçam a co muni ca r co m o s seus bebés. Segundo e ste s estudo s, é ne cessário trab alha r a cria nça desde a ge sta çã o co m a palavra e co m a O possibil ita mú si ca. aco mpanha men to das mães e dos bebés desde o início da gesta çã o a ve rifi cação da i nfluên cia d os so ns, h armoni a, rit mo, mel odia e d a impo rtân cia da v oz, d o ca nto n as cria nça s de te nra idade . Poci nha s (1 999 cit in Coi mbra 200 8 repo rta- se ao período d os an os 4 0-5 0 , rico e m descobe rta s ace rca do de senvo lvi men to e mo cio nal d o fet o que c ome ça a ser olh ado co m um se r do tado de sensibil idad e, me mó ria e con sciên cia, capaz de aprender, ouvi r, to car, bri nca r e sen tir e mo çõe s da mãe (C oi mbra, 20 08). O que sign ifica que “ao ser cap az de re ceber, p roce ssar, i ntegra r, se leciona r e discrimi nar inf ormação e dados do exteri or o feto torna- se nu m parce iro a ctiv o que apre senta po ss ibilidade s rela cio nai s e algu m t ipo de vida men tal orga ni zada , ainda de uma forma rud ime ntar” (Sá,2001). Em su ma, qua ndo um bebé na sce e mbora do rmi nho co e enterneced or tran sporta co nsig o um mundo de pequenas memórias e uma perso nal idade definida.. ., todo s as su as já pré- manife sta çõe s de vida transf igura m- se e m f ormas de afirmaçã o da sua pe rsonal idade. 7 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Capítulo II - Quem és? O que procuras? Para onde vais? Capítulo II - Quem és tu?? O que procuras? Para onde vais? Assi m.. . De bebé a crian ça é u m ápi ce e fechar de olho s pare nta l... send o de de crian ça a adulto um abrir e 0 m undo que o espera ao na sce r é u ma espé ci e barco o rien tado r despertador de sent idos... Nessa pe rspe tiva, ex iste uma preo cupa ção cada vez ma io r de, pre co ceme nte , esco larizarmos e acu ltu ramos as cri ança s co m intui to de a ctiva rmos v oca çõe s e intere sse s. E agentes entre esta s de pequenas de scobert as de senvolv ime nto o que signif ica integraçã o soci al e Com ba se na leitura fa miliare s vo caciona l, de e e esco lare s co nsequen temen te, serã o uma verdadeiro s porta ch ave excl usão... um estudo de Ma ria Helena Fa ria de Deus “O D e s e n v o l v i m e n t o V o c a c i o n a l n a In f â n c i a , U m e s t u d o E x p l o r a t ó r i o c o m c r i a n ç a s d o 4 º ano de Esco laridade” pode mo s apre nder con ceito s teó ricos relevan tes pa ra esta discusã o abaixo d iscri min ada. Gybers [2003] afirma que o ali cerce do planeame nto da carre ira é estabele cido no s pri mei ro s ano s de a ctividade s curricula res, q ue podem co ntribui r para o dese nvolvi men to aprender do au to- co nce ito , da aqui si ção de compe tência s para a aprender, co mpetên cia s de rela ções inte rpessoai s, competê ncias de decisão e de exploraçã o. Este s te mas sã o con tinu ados e i ncl uído s a o l ongo d o percurso educa tivo , porporci onand o nova s inf ormações e experiê ncia s para que os e studa nte s se torne m c apaze s de regul ar, mon or ito ri zar e ger ir seus pr oje to s de vida e ca rrei ra. 8 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância També m pa ra M oren o (2 008 ) co m cri ança s perspe ct ivem o é de capit al i mp ortâ nci a que desenv olvi ment o das a inte rvençã o co mpetên cia s e atitude s ao mundo d o traba lho. A forma ção do con cei to de si po si tivo e harmo nioso, ne ste s pri meiros a n o s exerce uma fo rte influe ncia no desenvo lvi ment o futuro, no meada men te, ao nível da identidade vo ca cio nal e do suce sso esco lar. As actividade s de expl ora ção da crian ça be m co mo a s prime ira s experiê nci a s face à e scola e sta rão na ba se do de senv olvimento ajustame nto acadé mi co , profissi onal e soci al, na ado lescên cia e na ida de adulta (Selig man, 199 4, Taveira , 1999). Entre os dife rente s modelos te órico s, a te oria da ci rcu nscriçã o e do co mpro mi ss o de L. G ottfred so n (19 81, 1 99 6) fo cali za o de senvo lvime nto v oca ci ona l na infân cia e a trib ui particula r sign ifi cado a o s fato res de apre ndi zagem so cia l, nomead amen te às expecta tiva s dos papeis a sso ciado s aos do is sexo s e às variávei s de estatu to social . A abordage m sóci o- cogn itivo do dese nvolvi men t o voca ci onal sa lient a ta mbé m o papel c have da apre ndi zagem d uran te a inf â ncia , quer n as exper iên cia s dire cta s quer atravé s de mod os de modelage m. Estes pro cesso s sã o os p rin cipai s determ inan tes do s inte res se s e dos pr oje tos (Lent, Bro wn, e H acket t, 19 94) , be m co mo de o rigem d as dife renças ob servad as na distribui ção só cio -profissio nal p o r gênero (Be tz, 200 1). No mesmo sen tido , pa ra G ottfred so n ( 198 1,1 99 6), as experiên cia s, o corrida s na infâ ncia, são as pri ncipais re spon sávei s pel a delimita ção do e spa ço so cia l, onde emerge o proce sso de ci rcunscriçã o da s a spi raçõe s vo ca cio nai s e se pa u ta m a s possibil idades e m termo s alte rna tivo s profi ssion ais. Esta Linda i nvest igaçã o Gottfredson funda ment a-se (1981,1996), e na perspectiva equa ci ona a do desenv olvi ment o te máti ca do de de senvo lvime nt o voca cion al n a infâ ncia, de signad amen te, a o pri meiro do s de z an os de vida, pe ríod o em que se a lice rç am os ob ject ivo s, se deli mi t am a s fr onte ira s do espa ço so cia l relativas fundame nta m ao gêne ro e con cepções pe ssoai s, impli ca çõe s para o ao esta tut o so cia l re lativa men te, d omínio ao vo cacion al, dos proj etos su cesso em e e à parti cula r se aprend izagem. pa ra a infân cia as Pela s sã o a cent ral é anali sado s o s funda ment os da te ori a de Erik son (196 3,1 968 ). Nesta dirigida inve stiga çã o para influên cia a d os análi se de dos e ste reot ipo s Maria Helena pr o jeto s de gênero Faria de voca ci on ais e Deus , das pre stígio, a questã o cria nça s, bem co mo re lativa men te os p ro cesso s à de modelage m re lativ os à s prof issõe s que existem no amb ien te fa mil iar. També m se ana li sam as percep çõe s das cria nça s face á escol a e represe nta ção que te m da s sua s compe tencias e nquant o est udante s. 9 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Na perspect iva de sta estudi osa , é imp ort ante reflecti r sob re o s e st udos d e diverso s au tore s: 1. Dese nvolvi men to ps ic o-s oc ial de E riks on 2. Dese nvolvi men to vo cac ion al de L inda Go ttfred so n 3. Dese nvolvi men to s óc io- cogn itiv o de car rei ra ( Le nt, Br own , Hacke tt, 1994 , Bet z, 20 01) 1.L iter atu ra sob re o Dese nvolvi men to Vo cac ion al na Infân cia 1.2 A Te or ia de De senvo lvime nto de E rik son A teoria de dese nvolvi men to psico-social E rikso n. É unân ime pa ra diferen te s autores (Seligman, 1994) a grande inf luen cia de Erikson para co mpreen são do desenvolv imen to vo caciona l, no meada men te, no que respeita a o períod o da infân ci a apesar de autore s co mo Adle r, Bord in, A nne Roe foc ali za ram ta mbé m o desenvolv imen to vo ca cion al nu ma perspectiva psicodi nâmica. Quadro 1 – Modelo de Desenvolvimento Psicossocial de Erikson (1968) Estádio Crise Resolução Fraca Força Confiança Desconfiança Confiança na satisfação das necessidades Incerteza da satisfação Esperança Autonomia Vergonha Independência e auto-controle Indiferença causada por ser controlado Vontade Idade do Jogo Iniciativa Culpa Actuar sobre desejos, potencialidades Consciência das restrições Determinação Idade Escolar Laborioso Inferioridade Absorvido no mundo Competências e estatuto inadequado Competência Adolescencia Identidade Confusão Confiança em si mesmo Falhanço no desenvolvimento Fidelidade e rigor Jovem Adulto Intimidade Isolamento Fusão com outro Sem relações intimas Amor Adultez Generatividade Estagnação vs Guiar a geração seguinte Suspensão do processo de maturação Solicitude Os mais Velhos Integridade vs Desespero Integração emocional “escassez de tempo” Sabedoria Bebé 1ª Infância O con cei to chave da teo ria E rikson é a “identid a de” . Segundo Erikson ( 196 3,1 968 ), o desenv olvi men to hu man o depende proce sso inte ração entre a pessoa suce ss ão de estád io s que faze m modelo de desenv olvi ment o desenvolv imen to q ue e o ambiente, ocorrendo, atravé s de u m de uma parte do pla no epignéti co d o indivídu o. No se u psi co ssocial, cara cterizam mod os o de autor identificou organ izaçã o da oito e stád io s expe riên cia e de da con str uçã o da ident idade pe ss oal. E stes es tádi os de desenv olvi ment o cara cte ri za m 10 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância modo s de org ani za ção e exper iênc ia e de c on s truç ão de iden tidade pe sso al. E ste s estádi os f ora m designados co mo conf ian ça vs desconf ian ça, a utonomia vs vergonha /dúvida, ini ciat iva vs culpa , estag nação e integridade v s dese spero . Em cada um deste s estádi os, o ind ivíduo é confro ntado co m ta refas cri ses , or igina ndo po r um tem a cen tral e orga ni zado r, o s quai s ou exige m adapta ção e reso lução (E rikson, 1 963 , 19 68). A re so lução bem su cedida das t arefa s de cada estádi o segu inte. A resol uçã o bem suced ida das t arefa s de cada e stádi o segu inte. De a cord o c om Erik son (19 63, 196 8), as cri anç as de idade e sc olar já terã o passad o po r quat ro d os oit o e stádi os de dese nvolvi ment o psico ssocial : confia nça básica versus desco nfian ça 8do n asci mento até 18 me ses), autonomia versu s vergonha /dúvida (d os de zoi to mese s ao s trê s an os) e r eali za ção ver su s infe rio ridad e (dos seis a os on ze ano s). Na perspectiva de Selig man (1994), as apa rência s da crian ça em cad a período , ident ificad os po r Erikso n (19 63) , pode rão marcar a s vivências vo ca cio nai s na adole scên ci a e a vida adul ta. Dur ante o s prime ir os ano s de vida, a crian ça é desafiada a desenvolve r a capacidade de mante r rela ções co m os ou tro s numa base de confian ça, bem co mo um sentid o de autonomia, ini ciat iva e de co nfiançana sua p rópria ( conf ian ça) , co mpetên cia (E rik son , 196 3, 1 982 ) Esta s competê ncias são vi sta s como cent rai s ao desenvo lvi ment o de uma perso nalidade probabilidade ot imi sta , de obte r au tón oma re sult ado s e motivad a ajust ados , para no a real iza çã o futuro acadé mi co com maior vo ca cion a l (Seligman, 1994). Estád io 1: Confi ança versus Descon fi ança No primeiro estádio, definido por Erikson (1963) a travé s do binómio confi anç a ver sus des conf ian ça, e spera -se que s eja cri ada u ma rela ção de afe cto e cuidad o en tre os pai s e a s cria nça s, de modo a que se to rne uma pe sso a conf iante e co mpreen siva. Este est ádio dec or re desde o nasc ime nto até a o s dezoi to me ses de vida. De acord o co m Sharf (1992), os efeitos mais desenvolv imen to v oca ci onal , verif ica m- se notórios desta crise, em termos de a o nível da visão d o futu ro. Os ind ivíduo s co m uma pe rspe ctiva temp ora l positiva tendem a conf iar e m si p róprio s e no s ou tro s e a plane ar co m ag ilidade o fu turo (S harf,1992). Selig man (1994) sugere q ue este estádi o afeta rá a natu reza do rela cio name nto in terpessoa l da cria nça , bem co mo o s seus sent imen to s rel ativa mente a si própri os e aos o utros. Estád io 2: Au tonom ia versus V ergonha O segu ndo e stádi o da te or ia de E riks on ( 196 3, 1982 ) o co rre do s de zoi to mese s a o s três idade. A crian ça vive de au ton omia vs ve rgonha . A resolu çã o positiva de st a 11 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância tarefa imp li ca o desenvo lvi mento do senti men to de control o pessoal sobre si própri o e de auton omia, con segu indo o control o do s esfínte re s. A i nfluen cia de ste e stád io , em termos de dese nvolvi men to vo cacion al do indivíd uo situ a -se a nível da segura nça pessoa l e a uto co nfian ça, em que se basei am as deci sõe s vo ca cio nai s orien tadas p or ob jec tivo s (Sha rf,1 992 ). A passagem po sit iva desta fase leva a um sentid o posi tivo de auto- confi ança. Estád io 3: Ini ci at i va versus culp ab i li dad e O estád io t rês defi ne- se pelo conf lit o ini cia tiva vs cu lpabilid ade ocorre ao s três e os cin co anos onde se e spera como resol uçã o posi tiva que a crian ça apresen ta a ini cia tiva de uma fo rma social ment e, neste perí odo. Ne ste estádio , a s cria nça s co meçam a ident ifica r- se, imita r ou modela r o co mportamento do adul t o dando iní ci o à constru ção de u ma ide ntidade ma scu lina e fe min ina. Segundo Se ligman (1994), a re sol uçã o p osi tiva de sta crise reve rte rá favoravel mente pa ra o p apel do t rabal hado r, devido à consciên ci a ou a o se ntid o mor al que perm iti rá à c rian ça u ma aut o- mon ot ori zaç ão, di min uind o a nece ssid ade de supervi são exte rna. Eriks on ( 196 3,1 96 8) defende e ste o pe rí odo do jog o, po r exce lên cia, e m cria nça po r livre in ici ativa e usa ndo a sua i ma ginaçã o se envolve activa mente n o jogo si mbó lic o. N a s ua con cepçã o de jog o, E riks on ( 196 2, 1 968 ) con juga a na ture za despreo cupada e a qualid ade e o comp ro mi sso socia l; a brin cadei ra o que são o pensa men to e a plan ificaçã o para o as condi çõe s são si mpl ificad as e os é para crian ça adulto : o unive rso de ensa io s ond e métodos sã o exploratórios (E rikson , 1962,1968). Estád io 4 Re al iza çã o ve rsus infe riorid ad e O quarto e stádi o é designado de real izaçã o versu s inferiorid ade co mpreende período e ntre os se is e o s o nze a nos e col oc ar co mo pri nc ipal desaf io à cria nça desenvolv imen to de um sen tido de competê n cia, espe cial men te na rela ção o o de aprendi zagem . Nest a fase, o desenvo lvime nto p sic os oc ial da c rian ça vi ra- se para o exterio r (E riks on), co meç ando- se a m over- se e m nova s área s. C om o se ja m a es col a e outros lo cai s da comu nidade. Est a nova rea lidade lan ça con sta ntes de safi os à cria nça n o sent ido de desenvo lvi mento de c omp etênci as, o que con jun tame nte c o m a mot ivaçã o par a a c ompetê nci a que ca ra cter iza e ste per íodo , abre cam inho s a diversa s aprendi zage ns. Um are sol uçã o posi tiva d este est ádio leva rá a um se nti ment o de confia nça n as sua s capa cidade s. Neste se ntid o, ta mbém, Selig man, 199 4 sugere que esta é u ma fa se críti ca ao dese nvolvi men to v oca cio nal : aqu i a crian ça tem a op ort unidade de aprende r a impo rtan cia da ed uca ção f ormal, e da co mpetên cia pesso al, be m co mo de senvo lve r uma i mage m de si própria co mo t rabal hado ra. Nesta fa se, e m que o de senv o lvime nto te m co mo ve cto r a organ izaçã o d o sentid o. 12 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Segundo um e stud o de Mar ia Hele na Far ia de De us base ando - se na s teo ria s de Seligman (1 994 ) acent ua que, neste períod o a crian ça aprende a revela r orgu lh o no seu traba lho , persistência, cria tividade , a usar o feedback da re so lução do s proble mas e es tabele cer um equ ilíb rio en tre o trabalh o e o jog o na vida pess oa l (Seligman, 1994). A crian ça apl ica -se e m a ct ividades que lhe permitem ga nha r reco nhecime nto do s o utros a q ue E rikson (1 96 8) cha mou no se ntid o da indú st ria . Esta et apa é deci siva do p ont o vista soci al e vo caciona l. 2. P ers pe ct iva Desen vol vimen tist a de L inda Gottf re dson, longo As teorias de senvolv ime nti sta s descrevem o de senvolv imen to vo ca cion al a o da in clue m período v ida co m e as cara cte rísti cas primeiras e specíficas. con ce ptuali za ção na Os mais a utore s que infâ nci a, enquanto an ali saram e ste s pressupo sto s fora m Gi nsbu rg, Axelard e he rma ( 1951 ). Super (1990) é u ma referên cia obrigatória d o do mín io v oca ci onal ma s é generali sta no que con ce r ne ao perí odo d a pr imei ra i nfân cia s. Lind a Go ttfred so n (198 1, 199 6) prop ôr uma teo ria do de senv olvi mento da s aspi raçõ es profissio nai s e m que asso cia o s co ntribut os das perspetiva s psicológ ica s e so cio lógi ca ace rca d a carreira . Para a au tora , as p referên cia s profi ssi ona is e a s escol has de carreira con sti tuem p ri mord ial mente u ma te nta tiva de r eali zar u m s i so cia l e s ó de mane ir a secu ndári a, u m si p si col ógico (Go ttfred son , 19 96 ). Assi m, a teoria d o de senvolv imen to das preferê ncia s v oca cio nai s G ottfred so n (198 1,1 996 ), perspectiva o de senvo lvi ment o do self so cial . O enf oque sociol ógi co de Gottfred son (1 996 ) colo ca mai or enfa se n os aspect os ma is púb li cos e soci ais d o self, tais como o gênero e a cla sse so cia l, rela tivame nte, aos a spectos mais privado s da pe rs onal idade. De ste mod o, a ad o ção de u ma pe rspet iva soc io lógi ca cont ribu i para a co mpreen sã o do de senvo lvi mento d as p referen cia s vo ca cio nai s, aponta ndo a i mpor tân cia da s bar reira s exte rnas na imple men taçã o do s ob jetivo s e das ident idades pesso ais a travé s do trabalh o. Em su ma, (1981, 1996) con sidera desenvolv imen to a vo ca cion al, i mpo rtan cia bem co mo ful cral o fa cto o de a teo ria Go ttfred so n a uto -co nce ito os ind íviduos so cia l no pro cu rare m profissõe s ou e mprego s co mpat íveis co m as i magen s que têm de si própri a s: o elemen to determin ante para G ottfred so n (19 81, 1996 ) é a represen tação soci al da s profissõe s. De ac ordo con si ste co m Got tfredson (1 98 1, 19 96) , o desenvolv imen to da carre ira num proce sso co m quatro fase s, da infância à adole scê nci a, em que o indivídu o pro cura imp lemen tar o seu a uto - con ceit o. O de senvo lvime nto das aspiraçõe s e escol has vo ca cio nai s est á associad o ao desenv olvi ment o cog nit ivo, e m confo rmidade com o quadro norma tivo das idades de referên cia (Gottfredson , 1981,1996). Existe m 3 con ceit os n a teo ria Go ttfred son (19 81 , 199 6): O mapa cogn itivo da s profissõe s, a circu nscri ção e o co mpromi sso. Neste s con ceit os eme rge a ideia de que o ser human o à medida que se desenvolve, d a infância à adole scên ci a forma um mapa cogni tivo das profi ssões no qua l circun screve as prefe rências p rofi ssiona is e ef ectua u m pro ce sso de co mpro mi sso cara cte ri zado na e sc olha , c ons iderand o o s fact or es da real idade. 13 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância A crian ça distingue , numa prime ira fase , as pessoa s e as profissõe s atravé s das caracterí sti ca s mai s visívei s e con cret as, nomead amen te pequeno vs g rande , fraco vs forte, porme norizada à esta perceção medid a que a va i-se cria nça tornando se torna cada capa z vez de mais efe tuar comp lexa compa raçã o mult idi mension ais, inferindo e stad os i ntern os à pesso a, descirnind o padrõe s. Até à ad ole scên cia , mundo as do cria nça s vão traba lho, ava nça ndo de acord o na com su a co mpreen são vários padrõe s e conhe ci ment o do de mascul inidade e femini lidade, nível de prestígi o soci al e d o do mín io (G ottf redson , 1996). Gottfred son desenvolv imen to (2005) sa lient a v oca ci onal , quer o no papel que diz activo respei to do ao s uje ito no se u de senvo lvime nt o voca cion al, que r no que di z respe ito a o desze n volvime nto do s map as c ogni tivo s do mundo p rofi ssiona l, quer n o que se refere à con stru çã ov do aut o-con ceit o. Segund o a mesma autora, a con struçã o destes pro cesso s est á rela ci onada co m a singu larid ade do seu pa tri mó nio gen éti co e pela s experiên cia s vivida s, desde mui t o cedo. Gottfred son , (2 00 5) sugere que o seu desenvolv iment o e stá rela cio nado co m as escol has que efe ctu a e relat ivame nte a os t ipo de experiênci as a que se expõe. Assi m, ao longo d o proce sso de mat ura ção , as crian ças vã o-se a ssumindo u m papel na sele çã o, inf luen cia, e i nterp reta ção d os seus con texto s. A crian ça vai pro cura ndo as su as referê ncias no seu mundo social, quand o a nível pessoal se nte nece ssidade de novos conh ecime nto s pro cura desenvolv ime nt o em form a çõe s, a ctiv idades de sportiva s e cul turais. .. Quadro 2 – Fases de Desenvolvimento do Auto-Conceito e das Vocacionais Cara cterística Id a d e (em an os) Ano Escol ar Orien tação para tama nho e pode r 3-5 o Orien tação para papeis sexu ai s 6-8 Creche e Jard im de In f â n c i a In t u i t i v o 1-3 os Orien tação pa ra a valori za ção S oc ial 9-13 4-8 Orien tação para o Self-ún ico 14 em diante 9 em diante Pro cesso s de Con cret o Menos Con cre to Abstra ct o Pensa ment o Novos Pequeno Género Classe So cia l In t e r e s s e s , v a l o r e s elemen tos versu s Grande e In t e l i g ê n c i a e compe tencias perceção pesso ais acerca ao self e dos ou tros Novos Profi ssã o enqua nto Estere ot ipo Nível de Pre stígi o Camp o de Tr abalh o elemen tos na papéis do adulto Genero perceção e preferencias voca cion ai s Fonte : Gottf reds on L . 19 81 – Cir cu ms crip tio n an d Comp ro mise : A Devel opme ntal The ory of Occupati ona l aspi rat ion s Jo urna l of C oun seli ng P sych ology 2 8 (6 ) 54 5-5 79 (p. 555 ) 14 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Neste sent ido, a cria nça ini cia o p roce sso de imi taçã o iden tifi cando -se co m a figura pare ntal pe rten cent e ao mesmo sexo, ne sta pri meira fase (e ntre os trê s e o s cin co an os), onde a s crian ça s se sente m orienta das para o tamanh o e po der. Numa segunda fase , vamos encont rar a o rien t ação p ara os papéis sexu ai s (entre os seis Para estre ita e os oito a nos) Got tfred son re lação (1981), en tre a a con sciência con sciên cia de si próprio relativ amente aos desenv olve - se p apéis sexua is em e as activ idades v oca cio nai s. Os e stere otip os asso ciados ao s papéi s do s adul to s (po r exemplo papéi s sexua is o u papéis o cupa cio nai s) poderão se rvir crie um sen tido de se lf e o desejo de se torn ar para que a cria nça detentor de ca ra cterist ica s associ adas a deter mi nadas pessoa s. Ist o re laci ona- se estri tame nte co m o f act o de um do s pri mo rdiai s fo co s de preo cupa ção d o indivídu o se r o lug ar que ocupa na vida so cia l, con st itui ndo uma profi ssão um d os sina is de constrang ime nto ma is forte s na apree nsã o do se lf à so cie dade (G ottf re dson, 199 6). Neste pe ríod o, as crian ça s nã o revela m pre ocup ação pelo pre stíg io asso ciad o a cada prof issão, mostrand o apen as, u ma pré-consciên cia da di st inção e ntre profissõe s em termos de cla sse so cial . Todavi a, e sta referê ncia à classe so cia l é feita atendendo a critério s dicot óm ic os, tai s c omo o ri co v s pobre, ou li mpo vs su jo. Em suma, ne ste segu ndo e stádi o a crian ça inclu i profi ssão no e spa ço d o qu e é toleráve l, tend o em con ta a sua ident idade do gênero. Entre o s 9 e o s t reze a nos dá -se a orie nta ção pa ra os papé is so ciai s. Ao lo ngo de ste e stád io, os jovens vão- se tornan do ma is sen sívei s à aval iaçã o social por parte do s seus pare s que r po r pa rte dos seu s pa res, que r po r pa rte d a soc iedade em ge ral. A ss im é de a cord o c om Lin da Gottfred son (19 81, 199 6), co m o també m ao que é social mente p rest igian te. Aos 9 an os, a crian ça é capa z de aval iar criti ca mente as profi ssões de ba ix o prestíg io, não as in clui ndo n as sua s prefe rências voca cio nai s. Ne sta idade, a crian ça co meça a aprender os sí mbo lo s mais concret o s a sso ciad os á cla sse so cia l (e .g, vestuá rio , co mpo rta ment o, ob jec to levad os pa ra a esco la) . Este fat or de valo ri zaç ão em rec onhe cido n os d ados de um e stud o real izad o em Por tugal , em que o s jovens de 1 3-1 4 ano s expressava m c om o pro jeto s, mai s represe ntat ivos a s pr ofis sõe s l igadas à s engen h aria s, à med ici na, ao jo rna lis mo , à s ciên cia s so ci ais e a o De spo rto (Te ixeira , 20 09) . Ao long o dest a fase perspectiva re lativ amen te ao Assi m, à medid a de de senvo lvime nto , o jove m dese nvolve uma níve l de capa cidad e (Gottfred so n, 19 81, 199 6). que os jovens vão incorporando no seu aut o -con ceit o elemen tos referen tes à cl asse soci al e à capa ci dade individua l, te ndem a os me smo tempo a rejei tar alterna tiva s que pareça m incon si sten tes com os elemen tos recen temen te i ntegrados no se lf e stabele cendo um li mit e do que é permit ido e m termos de a spira çõe s vo caciona is. Des te m odo, pa ra alé m da i mpor tân cia de var iá veis c om o cla s se so cia l e a o nível do prest ígio , també m a capacidade indivi dual co meça a ser equacio nada n o proce sso de ci rcu nscri çã o das prefe rências v oca cionai s. Ao long o desta perspectiva fa se de dese nvolvi men to, o jovem dese nvolve u ma nov a rela tiva mente ao seu nível de ca pacidade . Segundo esta au tora o desenvolv imen to da con sciência da capacidad e so cia l e stá rel aci onada com os 15 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância resu ltado s esco lare s, u ma ve z que est as con sti t uem ind icad ore s dessa cap acidade . A esco la, constitu i, segund o a refe rida aut ora, u m contex to de grande infl uên cia na s perceções fa cil idade/dif icu ldade rel ativa mente à s profi ssões. Assi m de aco rdo com Go ttfred son ( 1 981 ), no final do terceiro estád io d e desenvolv imen to das prefe rên cia s voca ci onai s, os joven s desenv olvem uma con ceçã o clara da sua ide ntidade so cial . Apesar de podere m revelar u ma inde ci são face às preferên cia s profi ss ion ais , é co mu m n est as idades apre sente m p ro jet os de pro ssegu ir um c ur so super io r, cu ja expresão pe rspet iva uma ati tude já bast ante e stável , rela tiva mente à sua po si çã o no mu ndo e na h iera rquia so cial co m base ge ral nas suas prefe rên cia s voca ci onai s. A escolha v oca ci onal é, ne sta fase, um produ t o do de sejo de perte nça a o grupo, de se r respei tada e de ver u ma vida co nfortáve l, tendo co mo refe rência o grupo a que o indivídu o perte nce (G ottf redso n, 1996 ). E por últi mo , a auto ra fala -no s numa quart a fase que se enquadra n a idad e de 14 ano s. Segundo Gottfredson (19812, 1996) neste estádi o de desenvo lvime nt o assiste -se a uma re orienta ção ao n ível das expetativa s e crité rio s que preside m circun scri ção das a spiraçõe s, p assando impo rtân cia crescente . C om efeit o os valore s individua is a detere m à uma a pa rti r dest a fase, o s ad olescen tes envolve m - se num proce sso de aná lise co nscien te das a lternat ivas que re sta ra m nu m pro cesso d e circun scri ção profissã o de senvo lvido ao long o cu jo s res ult ados p os sam dos ser a trê s estádios anterio res, pro cu rand o re ali zaç ão pes soa l. As si m Got tfreds on , (198 1, 1 996 ) suge re que o de senvo lvime nto ao longo d os t rês e stádi os ante rio res, procurand o prof issão Gottfred son cu jos (1981,1996) resultad os sugere po ssa m que o ser a real izaçã o desenvolv imen to pessoa l. das Assi m prefe rência s voca cion ai s demo nst ra u m sen tido self mais pe ssoal e p si col ógico. A capacidade de lida r co m con ceit os cada vez mai s abst rat os pe rmi te um a crescen te con sc ienc ial iza çã o indivíduos que r da p rofi são dos aspe cto s (Gotf redson, mais inte rnos e 1981,1996). Nesta úni co s, fa se de quer voca cion al fo ca- se no do mín io do t rabalh o que revelam maio r co ngruê nci a image m que o ado lescente tem de si e que dos explo ra çã o co m a pre tende pro jet ar o se u esp aço s oci al . Assi m enquan to no s prime ir os est ádio s o desen volvime nto se a ssi ste à re jeiç ão de profisão que pare cia m in ace itávei s a o ind ivíduo , neste estádio o indivídu o procura identifi car as prof issõe s que se reve lam ma is preferida s e a ce ssíve is. Assi m o desenvolv imen to de a spi rações v oca ci onai s t orn a-se n um p ro cesso mul tidi men sio na l e mai s co mplexo , in clu indo n oções de person alid ade apreendido s. 2. 2 O P ro cesso de C ircuns cri ção e Com p rom i sso Na perspect iva de Got tfred son (1981,1996), o proce sso de comp romisso define-se pela inc lusão do s fato res da rea lidade nas escola s. A ssi m o comp ro misso voca cion al resu lta de uma acomodação das aspiraçõe s individuais à re alidad e externa. Gottfred son defi ne- se doi s tipo s de compromisso : O compromisso co meça m a ante cipat ório in tegrar as que suas o corre quando e spera nça s os indivíduos relativa men te determinada s opções (aval iaçã o da comp atibi li dade co m perceção da real idade a a su a (avalia çã o de acessibil idade), int egra çã o 16 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância que leva muita s vezes, a um afastame nto d as preferê ncias e ideais n o se ntido da s po ssibilid ades rea is. O comp ro misso experie nci al, que ocorre quand o o s i ndivídu os se defronta m co m as barreiras con cre tas de i mpleme nta ção de preferências. O pro cesso do co mpro mi sso pode se r li mit ado pa ra a falta de informa ção e/ ou at itude expl orat ória pou co dese nvolvida que lev a a um estrei tame nto da s op çõe s co nsiderada s que são, frequente mente con tingen tes co m as pe ssoas e as oportu nidades associ adas a o espa ço so cial de proveniê nci a (Go ttfredson) . De a co rdo co m G ottf redso n poss ibil ita m um ra zoáve l grau de (2005), a s pesso as procura m profi ssõ es q u e co mpatib ilid ade. Assi m, e segund o a referid a auto ra m uita s ve zes, o ob jet ivo do p lanea men to vo cac iona l é en con tra r u ma bo a corresp ondên cia en tre a perceção que o indiví duo tem de si própri o e as opç õe s dispon íveis, se ndo que as correspo ndencias não são sufi ciente men te boa s, os indivídu os ba seam a s decisões n o que excl uem. Assi m, o compromisso v oca ci onal será e stabe l ecido co m as profi sõe s qu e melh or se adeque ao tipo de trabalh o cara terí stico do e sp a ço so cial definid o pel o indivídu o, de a co rdo co m refe renciai s do gé nero , prestígi o e variávei s mais in terna s do indivíduo. 4. Cont ribu tos da pe rspet iva So cio -Cog nit iva Bandura ( 198 6) propõe o co ncei to da re cip ro cid ade triá tica, assu mind o que o indivíduo, o amb iente, e o s fato res co mpo rta menta is inte ractua m de u ma forma cont ínua e bidi reci ona l. O desenvo lvi mento de variávei s cent rai s de nature za só ci o - cogni tiva co m cren ça s de au to-ef icá cia ou as expectat ivas de re sult ados en cont ra - se dependente dos pro cesso s de aprendizagem e relaci ona m-se co m a forma ção de intere sse s vo caciona is. O desenv olvi ment o de i ntere sse s e as esco lha s voca ci onai s são pro ces so s de cor rente s d a ap rendi zagem pe sso al, ao lo ngo de t odo o cic lo de v i d a . D a d o s d e i n v e s t i g a ç ã o , e m c r i a n ç a s d o J a r d i m d e In f â n c i a , p e r m i t e m i n f e r i r o papel das variávei s de natu reza cognit iva para o desenv olvi ment o dos inte resse s (Bara ck, Shilon e Hou schner, 1991), eminen teme nte fant asi sta s e de ca ri z regi stando- se nest as idade s pr oje to s mági co (A raújo 20 02 ) . Ainda de ac ordo co m es te est udo c itand o Bandu ra (1 977 ,20 07) , Len t, Br ow n e Hackett e Bet z (2 001 ), o de senv olvi ment o dos i ntere sse s profissi onai s é um proce sso evolu tivo de aprend izagem social, e m que opera m as experiências, o s modelos de iden tidade e o s afeto s. Lent , Bro wn e Hacket t e Betz ( 199 4), c om ba s e nos pri ncíp io s de Bandur a (198 6), propu seram 3 model os sã o ap resen tado s de fo rma que expl ica m a forma çã o de intere sse s, a e sco lha e o de sempe nho. Assi m as prime ira s experiên cia s no amb ito do 1 º ciclo esco lar pode m tornar se um fa tor de ci sivo do de senvo lvi ment o quer rela tiva mente à qualidade das altern ativa s in clu ídas n o espa ço social e indiv id ual quer á fo rma ção da s crenças de confi ança na cap acid ade eco nó mica. 17 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Essa investiga ção co m amo st ras po rtug uesa s, os re sul tado s vão no sen tid o que que a escolaridade da família é u m do s fatore s com exercer maior probab ilidade d e infl uen cia a nível de c ren ças e c ompe t encia s e a níve l de pr oje to s, muit o em part icu lar n as r aparig as ( Teixei ra, 200 8) Betz e Ha ckete (1981) most raram també m que apesar de exi sti re m influen cia s e strutu rai s e so cia is na e scolha da carreira , o se ntido de co mpeten ci a que desde cedo a co mpanh a as ap rendi zagen s forma is n a es cola , é um mediado r impo rtan te dest as inf luen cia s de carreira., Os rapa zes de 13- 23 tendem a confi rm ar a a sso cia çõe s en tre os pro jet o s profis si onai s e o s fato res d o gênero e d o pres tí gio so cia l, i ndic ando co mo pr ojet o s mai s expressivo s engen hari as, de spo rto e Med ici na. Enquanto os p ro jeto s das rap ariga s re caem em área s co mo Med ici na , Jorn ali smo e Ciên ci as So cia is. Autora de ste est udo parte da li tera tura exi ste nte na área vocaci ona l para fundamen tar a sua tese da i mportân cia de se trabalha r o de senvo lvime nt o voca cion al pre co ceme nte. A autora conclui que existe o dese nvolv imen te voca cio nal e stá i nti ma ment e ligado a o desenvo lvi ment o psi co- so cia l (Selig ma n) Nesse se ntid o, co m base na s taref as de desenvo lvimen to de Erik son ( 196 2) e nos co nce ito s da s te ori as da s teor ias de Go ttfr edson (19 81) é o ob jetiv o ger a l d a invest igaçã o anali sar em que medida o mapa cogni tivo profissõe s associada s a o gêne ro e ao pre stíg io e pretende u das cria nça s in clu i ainda explo rar se este s fatore s es tão imb uído s n os ju lgame nto s da cr i ança rela tiva mente à aber tura ao s dois sexo s do seu pr oje to pr ofis si onal . Exa mina ndo-se ta mbém a rela ção d a c rian ç a co m o seu mund o escola r, nomeada mente , no que respei ta ao sent ido de co mpetên cia que a cri ança exp ressa face à s a cti vidades escol are s. O estudo foi base ado numa a mo stra explo rat óri a de 4 2 a luno s d o 4º a no d e esco laridade, com idades co mpreend idas en tre os 9 – 11 an os que f requent am a Escola Bá si ca do En tro nca men to n o ano de 2 009 /201 0. A auto ra div idiu o text o e m vár ias tem áti ca s ut ili zand o u m c on junt o d e questõe s. ..que pa ssa mo s a enu nci ar: Quando cre sce res o que gostavas de ser? Os rapa ze s e as r aparig as pode m Quai s as a ctiv idades que g ost avas de fa zer na e sco la? Gosta s de anda r na esco la? Faze s se mpre o s tr ablh os de ca sa ? É impo rtan te se r bom a lun o? Os teu s pai s faze m c oi sas iguai s ou dife rente s e m ca sa? ter a mesma p rofi ssã o? Neste pequ eno art igo, sobre o de senvolv ime nt o vo caciona l n a i nfância nã o iremos extrap ola r t odo s o s dad os pre sente s n o estudo , fixa remo -n os apena s nalgun s detal hes que julga mo s i mpor tant e sal ien tar: Toda s as cri anç as soube ram i ndi car u ma pr ofis sã o definida 18 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Na amo st ra feminin a as profi sõe s ma is n omea das fora m “ve teri nária ”, “profe sora”, “enfermei ra” e “arqu iteta ”. Na amo st ra masculi na “engenhe iro”, destaca-se a p ro fisão de “futebo li sta” , “ve terin ári o” e “cie nti sta ” Nesta, fa se (9 -11 ) as cria nça s do sex o ma scu lino tende m a esco lhe r profis ões ac tivas e de c omp onen te fís ica e o s ra pazes d ão pr edom inân c i a a profi sões orie ntada s para pe soa s A autora, Ma ria Hele na Faria de e de serv iço s de ajuda Deus c onfi r ma no seu estudo as ba se s teóri ca s das teo ria s voc aci ona is já existe ntes , col oca ndo as cria nça s ob jeto do se u estudo numa fase de transiçã o na esco lha s das profi sõe s, ainda fortemen te orien tadas para os papé is sexuai s ( as pr ofi sõe s mas cul ina s e fem inin as) co ntud o, já co m algu ma o rient açã o para a va lorizaçã o so cia l . O obje ctiv o dest a pequena an áli se é de refo rça r a ideia que o fat or p rofi sã o associ ado ao fat or de valorizaçã o escola r e voca cion al é fundame ntal na constru çã o de art íst ico bases cient ífico específ ica sólid as de estímulo pa ra o de sen volvime nto vo ca cio nal, e nu ma te ntat iva experien cial de enqu a drar cada crian ça n ão n uma profisã o mas n uma á rea vocaci ona l abra ngente: edua ção , saúde , Est udo s Artísti co s, Engen harias, Co nst ru ção C ivil , Hote la ria.. . Uma fo rm a de a cria nça de sde cedo con str uir so nhos , obje tivo s e est abelece r meta s escola res e fu turos profissi onai s .. . 19 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância “A cri ança tem o dire ito à edu ca ção , que deve se r gratu ita e ob rigat óri a, pelo meno s no s grau s ele ment are s. Deve ser mini st ra d a uma edu cação que pr om ova a sua cult ura e lhe pe rmita, e m condi çõe s de igualdade de opo rtu nidades, desenv olver a s su a s aptidõe s menta is, o seu sent ido de respon sabi lidade mora l e so cia l e to rnar -se um me mbro úti l à socied ade. O inte resse supe rio r da crian ça deve se r o pri ncí pio diret ivo de que m tem a respo nsabi lidade da sua edu cação e orient açã o, respo nsabi lidade e ssa que cabe, e m prime iro lugar, ao s seu s pai s.” (Pri ncíp io Séti mo De cla raçã o U niver sal do s Dire i tos da Cria nça ) Cap ítu lo III – Da Teo ria à p rát i ca. ..b rincar, exp lo ra r, sonh ar, cri ar... As pra ti cas desp ort ivas e de senvo lvime nto artíst ico já te m uma gra nd e expressividade a n ível da s actividade s extra-curricu lare s, p or i sso, i remos deb ruç arnos, ne sta segu nda pa rte deste trabalho - dentro da ide ia p rin cipal do desenvolv imen to a n ível es col ar do pr oje to Lab orat óri o das P rofi ss ões respei tand o os go sto s, e scolh as e vo ca çõe s de cada cr ia nça - nas á rea s desenvolv imen to de um Labora tó rio Cien tífi co e de Escri ta encon tra –se intimamen te ligada ao e st ímu lo da le itura espe cífi cas do Criativa este último e do de senvo lvime nt o cult ura l e art íst ico. O que pensa m as cri anç as qua ndo at ingem um g rande ob ject ivo ? .... Escrevi o meu pri mei ro l ivro co m o s meu s amigo s... Redigi o me u pri mei ro artigo ... .vai se r publi cad o no jorn al da E scola. ...que fixe ... . Dei a min ha p ri mei ra c ons ulta ... Con str ui o meu pri mei ro pr oje to. ... Fiz a min ha primeira exposição de pintura ... Convide i os meu s pais pa ra a ssi st ire m à mi nha p rime ira pe ça de teat ro . ... Hoje fu i eu que dei a au la de por tuguê s...g os tav a tanto de ser pr ofes sor ... 20 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Cres ce r a b rin ca r e a ap rend er ... A. Labo rat óri o de Ciên cia s Em ten ra idade dese nvolve mo s mu ita s capa cid ades art ística, aprende mo s a pintar, a can tar a represe nta r e ini cia mo s aprend izagens ele menta res se m incid ir mo s m uit o ap rofundad amen te n uma apren dizage m c ient ífic a, con tudo segu nd o e s t u d o s m a i s r e c e n t e s e n t r e o J a r d i m d e In f â n c i a e o P r i m e i r o C i c l o j á e s t a m o s preparados para desenv olver co nhecime nto s cient íficos e ter a titudes segund o metod olog ias cien tífi cas... A base te óri ca de ste capí tul o in cide sob re u m estud o de J oaqui m Sá , d o In s t i t u t o de E stud os da Crian ça da Unive rsidade do Minho “A abordage m experimen tal da s ciências no J ardi m de Infân cia e de 1º ci cl o do En sin o Bá sico e a sua re levância para o pro cesso de edu ca ção ci entífi ca no s níve is de esco larid ade seguin tes”. O aut or dá- nos co nta que o pro ce sso expe ri ment al é part icu larmente fe cund o na faixa etár ia do s 4/5 a os 11/ 12 an os e m ter mo s de opti mi zar a ap rendi zagem e desenvolvi men to. Em termos hi st óri co s doi s fa cto res foram fund ament ais para a ev olu ção d a Hist óri a das C iên cia s Experi ment ais pa ra C ria nça s: a) foi no contexto de uma con sciência genera li zada da cri se do ensino da s Ciên cia s n o pl ano in terna ci onal , que eme rgiu a i deia de int rodu ção na escol a elemen tar e no ja rdim de infâ nci a. N os USA, e m parti cul ar, o l anç amen to d o 1º sa téli te artifi cial Sputn ik, em 195 7, pel a e x -Uni ão Sovié ti ca, gerou e m estado de al arme re lativa men te à qu alidade d o ensino das Ciê nci as e da Tec nol ogia. De ssa p reo cupaç ão re sul tou ade cisão d o govern o ce ntra l de incu mbi r a Nation al Scie nce Fo udati on de provid encia r uma refo rma que veio a propor n ovos progra ma s e recurso s didat icos para o ensin o das C iência s desde o ja rdi m de infân cia a té ao fin al do Se cun dário ; b) o movi ment o de reforma curricular d o iní cio da década de 60, no e ssen ci al , punha em c aus a o trad ici onal en si no base ado na memo ri zaç ão de info rma çã o e contrapunh a uma fil osofia segu ndo a qual o aluno aprende C iên cia à semel han ça de como o cient ist a faz ciên cia . Co n sequente ment e, a in trod uçã o das Ciê nci as na e scola e lemen tar enformada pela perspe ctiva de que e jard im de infância, e stá à pa rtid a o tradicio nal ouvi r falar sob re Ciên ci a deve dar lugar a faze r Ciê nci a. E m cert os pa íse s da Europa , sob a influe ncia de Pestal lo zi, pa rti cula rme nte, e m Fra nça , o m odel o das Li çõe s das C oi sa s preco ni zava que as c rian ça s fos sem e sti mul adas a exami nar e descreve r term os muit o si mple s e famil iare s as pr opried ades e util idade dos ob jet o s mai s próxi mo s, a ntes que q ualque r info rmaçã o fosse f orne cida a oi adu lto . Em sínte se, a ideia de Ciê ncias pa ra a s cri ança s surge no con texto d e uma refo rma cujo obje tivo era melh ora r a qual idade da educaçã o cien tífi ca dos jovens. 21 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Contudo, pela década de 80, o opti mi smo i nici al de um ensino experimen tal pa ra cri anças dava luga r a u ma certa de desi lu são. A pedagogi a de Li çõe s mecâ nica sobre de as C oi sas i nforma ção em p ouco con tida nos te mpo degenerou manuais na esco lare s e mem ori za çã o a pretend ida observa ção c onc reta do s ob jet os de u lug ar à observa ção das i magen s do s objet os. Falt a de visã o tr imend is sio nal. Por outro do proje to lad o, e m con trap onto, Scie nce 5/13 sustenta Wynne Har le n ao faze r a avali açã o que a perspect iva experime nta l intr odu zida no re ino Unido n as déc adas de 60 e 70 resul tara m ac tivid ad e físi ca e ma nipul ativa da pa rte d o s alu nos e numa baixa act ividade in telet ual. Em Portug al, uma abordagem ape sar d as o rien tações cu rri cul a res desde 197 5 exi ste p rati ca e experi men tal in cip ient e... As lacu nas que o s vári os au to res apo nta m para uma ce rta inép cia da s ciên cia s experi menta is e m ten ra idade te ndo em cont a os resu ltad os. Cont udo, seg undo , Joaqu im Sá o in tere sse do seu desenvo lvime nt o assu me u m ca rá cter mai s pedagógi co de que pu ramente cien tífi co . Do p ont o de vis ta em fun ção da Ciên cia , de Ciên cia pa ra cri anças é impo rtan te nã o ta nt o mas primord ialmente em fun ção da edu ca ção da cria nça , ou seja , do se u desenv olvi ment o inte let ual, pes so al e s oci al. Segundo o me smo au tor e refe rind o-se ao co nh ecime nto empí ri co q ue tem – En sin o Experimenta l no 1º ciclo: ap render a pensa r – pro jet o f i n a n c i a d o p e l o I IE , P r o g r a m a P E P T 2 0 0 0 , C e n t r o d e E s t u d o s d a C r i a n ç a d a UM e apoi o da Dire ção Reg iona l de Educaçã o do Norte - o imp orta nte é sens ibil iza r até porq ue à luz da ps ic ologi a refer encia ndo Piage t “ a cr ianç a é muito real ist a pa ra ser lóg ica e muito inte l etuali sta para ser observad or ” (19 77: 254 ). P retende - se di zer que no seu reali sm o um puro a crian ça percecion a o mundo f ísico de f orma frag ment ada, falta ndo a coe rência e unidade nas apresen tado s su as em teoria s dife rente s expl ica tiva s co ntext os, e p or f enóme nos outro lado, similare s a quand o segunda pa rte daquela a sserção sign ificará que a cria nça é de masiado dependente do s se u s esquem as men tai s par a se r capa z de fa zer obs er vaçõe s que não se coad une m co m tai s esque ma s e assi mila ção . Um exe mplo. .. Num g rupo de cria nça s de ci nco estre ito . As crian ça s aprese nto u-se um fra sco de ga rgal o manife sta ra m a ideia q ue o referido f rasco não ti nha , aparente mente ,nada n o se u inte rio r. Ao se r deitad o na ho ri zon tal um burb ulha r dentro da ga rraf a nu ma ba cia co m á gua as crian ças vira m e come çara m a refl ect ir. ..sobre o que acon teceu -con cl uira m que afi nal o f rasco e stava chei o de água -ao inve rter -se a posiçã o nu ma ba cia co m água entro u ar que fe z bu rbulh ar a água Em con jun to, c om ajuda do profe ss or, as cr ian ças , refle ct ira m sobr e uma experie ncia e germina ram uma h ipóte se . 22 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância O au tor acredit a que o imp ort ante é e sti mula r a ref lexão. Assi m, a focal iza çã o da aten ção e e stabe lecer rela çõe s entre a s obse rvaç ões . Nes se proce sso é capaz de constru ir nova s repre sen taçõe s men tai s da realidad e observada , ultr apas sand o os li mite s da sua sub j etividade “in telet uali sta ”. De novo te m u ma i mportân cia funda men tal o q u esti ona ment o inte nci ona l do adulto e a inte raçã o com o utras cria nça s. Em resu mo, a s cri anças desde mui to ten ra idade são capa ze s de evolui r de um sin cre ti smo sen sorial para a e sfera das imagens menta is d a realidade ou se ja o pl ano con cetu al. Adqu ire m C onhec ime nto s. No fundo, a i mpor tân cia do “ Labo rat óri o das C i ência s” é funda ment al mai s no a cto de e sti mula r o pen same nto d o que propria men te os re sul tado s cient íficos. Não se trata aqui, apenas enriq uece r a cul t ura geral em termos cient íficos, ma s sim e sti mul ar o raci ocíni o e a re solu çã o de quest ões. Elevar a i mpo rtan cia da aprendi zage m pa ra alé m da si mple s mem ori za ção e do di tado cien tífi co. .. Do po nto de vi sta d o aut or, são de referi r vário s fa cto res qu e confere m à faixa etár ia do s 4/5 ano s a os 12 an os, um perí odo opti mo cu ja s potencial idades deveriam ser mai s exploradas: a) o elevado pode r inte rrogativ o das cria nça s b) o elevado potencial de cria tividade c) a plast icid ade das suas ide ias e ausên cia de con ceções esq uema s alte rnativas men tais o que sign ifica a en rai za das e au sências do “sí ndro me da re spo sta ce rta ” d) frequente ocorrência de noçõ es intuitivas antagó nicas com o s conce ito s científ icos que ao invés de co rre sponde m a uma fa se embri onária de u m pro cesso de evol uçã o conce p t ual e) o elevado ritmo de ma tura çã o das e struturas co gnitiva s 23 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Em su ma a impo rtân cia de se prec oni za r um ens ino experi menta l reflexivo d e Ciên cia s entendid o co mo u m todo e m que pensa ment o e ação se comb ina m de forma circul ar re co rrente . As cria nça s e levam-se para alé m de u m pen sa mento meramen te exe cut ivo e cria m age m, refle tem e t ira m conclu sões. - Plan ifica m e preve m - Executam p roced ime nto s, fa zem m ediçõe s, ob serva çõe s e regi sta m -Explicam, inte rpret am e aval ia m Podemos con clu ir, de sta peque na expo sição ten do em cont a o envo lvime n t o da inte raçã o de vá ria s a ctivid ades n os “ Labo r atór ios de C iênc ias ” da imp orta nc ia que tem a sua in trod uçã o precoce n os curri cul o s escola res. B. Laborat óri o de E scri t a Cri ati va “O va lor do m eu la pís ” Eu tenho u m lapí s que escreve oito palavra s ao d ia. Se ele nove escreve sse Quem sabe o que va leria ? Já me davam pela s letrinh as Meio quilo de sardinhas Já me davam pela s rimas Um cord ão para as minh as prima s. (...) Lapís que as si m vale ta nto Não vai parar ao mu seu Vou gastá-l o até a o fim E dar essa hi st ória a mi m. Maria He lena P ires Tetra letr a, Edi tora Tri nta po r um a Linha Desde o mo ment o que as cria nça s apre ndem a brinc aria r c om as pa lavra s, no te mpo do s sonh os e dos dragõe s. ...reve lam uma i magi nação mui to fértil ... o que nos leva a quest ion ar se ora lme nte já cont a m tanta s histó ria s será mo ment o, a s crian ça s, tê m capacidade para a prender que n esse a e screver e ssas mesma s hist óri as fal adas ? Numa te ntat iva de explora r a imp ort ânc ia que a Língu a, a lei tur a e exerce no de senvo lvime nto cogn itiv o e so cia l das crian ças de sde as incu rs ões na apre ndi zagem da Língua Mate rna surge m cada ve z m ais a escrit a prime ira s Ateliês d e Escrita Criativa e m actividade s de extra -cu rricu l ares. 24 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Tendo e m co nta que de m ãos dada s c om a mate máti ca a Língu a Por tugue sa é uma d as discipl ina s fu ndame ntai s pa ra co mpree nsão do mu ndo e do s seu s dive rso s código s li nguí sti co s é impo rtan te dina mi zar mo s várias a cç ões pedagóg ica s em vol t a da arte de ler, escrever, ouvi r e escrever. Para fu ndame ntar essa idei a en con tra mo s li tera t ura variada sobre o i nicío d a co muni ca ção es cr ita. De refer ir, u m texto de L a ura Mac hado , Cadern os de Edu caçã o d e In f â n c i a o n d e n u m t e x t o sob re a Linguage m Escri ta na Edu ca ção pré -E sco la r aponta -no s a s inves tiga çõe s de Ferre ir o e Tebe r osky ( 19 84) e Alve s M art ins (1 99 6) demon stram que as crian ças p ossue m conhe ci mentos à ce rca da li nguage m escri ta antes de entr are m par a o m 1º ci cl o. To rna - s e então ev idente q ue o e sfor ço de aprendi zagem da lingu agem e scr ita n o En sin o Pr é-Es col ar é funda ment al. Vygotsky (1 98 8) no s t inha d ita que se en sina “. ..a crian ça a de senh ar le tra s (...) ma s não se en sina a lingu agem e scrita . Assi m a des cobe rta da F unc ion alidade da Li ng uagem E sc rita é fu ndame nta l para o proce sso -de aprend izagem da mesma. É a parti rn desta descobe rta que a cria nça va i co ns trui r se ntid os e ra zõe s par a quer er aprender a ler e a es creve r. Lau ra Ma tos , Edu cado ra de Infânc ia n o âmb ito do Mes trad o em Psi co log i a Educa cio nal dese nvolveu um t rabal ho de inve sti gação na área da apre ndi zagem d a escr ita “ De sc obri ndo a Li nguage m Es cri ta ao s trê s ano s, c onhe ci mento s de u m Grupo de C rian ça s ao l ongo de u m ano (Migue z, 2 004) A origina lidade des te est udo prende -se c om o f acto de alg uém te r real izad o esfor ço s de aprendi zage m da li nguagem e sc rit a aos t rês a nos de idade. A auto ra chegou a con clu sõe s que conf irmam p o seu sen ti ment o de t orna r o J a r d i m d e In f â n c i a u m m a r d e l e t r a s , l i v r o s e i d e i a s , n o m e d a m e n t e , c o n c l u i q u e a linguage m escrit a deve ser abordada na Edu ca ção Pré -Esco lar porq ue as crian ça s possuem conhe ci ment os sobre a me sma ante s de entrare m para o en sin o formal , porque o co nta cto p recoce co m ut ili za çõe s fu ncio nai s da l inguage m es cr ita e reflexão sobre a me sma p oten cia li za para resolve r determinada s a a s ua apr endizage m e po rque pode con tribu i r desigualdade s en tre as cri anças fa ce à ling uage m escrita . Ou enlaça rem se ja do nem toda s voo da as cri anças e scrit a, p ossue m contudo, mais maturid ade que cognitiva aprende r é pa ra se importante famil iari za r.. . No 1º ciclo, o primeiro grande voo da imaginação...com registo escrito Esta his tó ria fo i es cr ita p or cri anç as e integ ra u m es tudo efe ctuad o junt o d e alunos do 1º ciclo de Elsa Mesq uita “Crio u m livrin ho. .. cresço u m bocadinh o.. .n o âmbit o dest a temáti ca da escri ta cria tiva. 25 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância “Hi stó ria elab orada pe lo s alun os | “O Capu chin h o Azul ” Era um a vez u ma me nina cha mada Luí sa ma s todo s a co nhec iam p or Cap uch inh o Azul po rque t razia sempre na cabe ça um ch apéu zinh o a zu l. Capu chi nho A zul t inha um a gr ande a miga — a Bela Adormecida. Certo dia, a bela Ado rme cida en co ntrou uma rosa en can tada, pi cou -se ne la e adorme ceu . O Cap uch inh o Azul, co meç ou a gr ita r por a juda e a mãe, vendo -a tão af lita , dis se-l he: — Não te p reo cupes. O avô p ode ajudar- te. V ai a ca sa dele bu scar u m re médi o cont ra rosa s en cant adas e també m aprovei tas pa ra lhe leva r este ce st o com bol os. Mas te m cu idado poi s a flore sta é muit o perigo sa, olha be m para o s lad os e nã o pare s a fala r co m ningué m. Ouv iste be m? — Sim, si m; nã o te pre ocupe s. Até logo ! Na flo resta, vivia m os se res ma is estran ho s q ue po ssa mo s imag inar e não é qu e també m andava por lá o Pai Natal? E ste, quand o viu a menin a por ali sozinha , aproxi mo u -se dela sorrate ira mente e di sse -lhe : - Ol á Capuc hinh o Azul! O q ue anda s a faze r pela flo re sta? — Vou a casa do meu avo zi nho bu sca r remédi o para a minh a amig a Bela Ado rme cid a que se picou nu ma rosa e nca ntada . — Vam os ver que m chega p rim eir o? Tu va is p or este cam inh o que é ma is cu rto e e u vou pelo caminho mai s co mprido. — Est á bem. E u vou gan har vai s ver. A té já . Des atar am os do is a cor rer mas , o Pa i Nata l, sub iu rapida mente pa ra as rena s e chegou p rimeiro. Bate u à porta e o av ô pergun tou : — Quem é? — Sou eu, a tua ne ta Capu ch inho A zu l. Abre ráp i do que vem ali o lob o ma u. O avô abri u a porta e quand o viu que não era a su a ne ta, f ico u fu rio so e deu u ma grande sova no Pai Nata l. — T oma , t oma ! Desgr açad o! Q uem pe nsa s que enganas ? Ju lgas que eu sou to nt o co mo a avo zi nha da 26 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância hist óri a do Cap uch inh o Verme lho ou quê? O Pai Na tal fugi u dali a sete pés a g rita r: — A i! Ai! Socorro! No me io de ta nta co rre ria e gri taria ap arece u a Bran ca de Neve que andava fugid a dos se te anõe s e levava um ce sta co m ma çã s envenenada s. — Po r aqu i Pai Nata l? Coi tadinh o, e stá s tã o ma goado… Co me u ma maçã destas q ue te vai faze r bem. — Que rica ma çã! — Come! Come ! Come r, co meu mas apercebeu- se que a ma çã e stava envene nada p orque qua se cai u para o lad o e co me çou a senti r- se ma l. — Co mo fo ste capa z, s ua m alvada? A juda -me, t u não vês que o Nata l es tá qua se a chegar e eu tenho muit o que fa zer? — Eu sou como tu. A h! Ah! Ah! — Eu nã o sei co mo o s an õezinh os te con segue m atura r! Salva -me po r favor! — E stá be m, e stá bem! Ma s só se me prome teres que pa ssa s a dar caixa s d e presente s va zia s pelo Na tal às crian ça s. — Est á co mbi nado. Isso é que vai ser de morre r a rir! — Entã o come e sta maçã e de sapare ce - me da vi sta. Entre tant o, o C apuchinh o Azul chegou a casa do avô e explicou - lhe: — Sabes, av ô , tenho um problema muit o grave pa ra me a juda res a reso lver. — Muit o grave ? Diz l á o que quere s. 135 “Só se i escrever aqu ilo q ue nasce de mim: crio u m livrinh o… cresço u m bo c adin ho ” Uma experiên cia de apre ndi zagem da l inguag em es cr ita no 1.º Ci cl o do Ensin o Bási co. III Encon tro d e R ef lex ão so b re o Ensino d a Escrit a — A minha a miga Bel a Adormecid a pico u- se n uma rosa en cant ada e adormece u. Preciso de u m re médi o para a acorda r. — Ro sa en cant ada? I ss o é can ja . Vam os l á rápi do. Sobe aqui p ara a s ren as do Pa i Natal. Chegado s jun to à Bela Adorm ecida o avô deu- lh e dois esta los e dis se-l he: — Tom a lá, su a espertalh ona , queria s dor mi r? Eu já te do u a pregui ça. To ca a levantar ! — Ta mbém não é pre ci so ta nto , eu s ó queri a des cans ar un s dia s. — Eu dou -te o descan so! Va mos! Q ue e stá um príncipe à espera que lhe vá s da r u m beijo pa ra o de sperta r num re ino di st ante. A Bela Adormecida fugi u dali mu ito e nvergo nh ada e o avô viro u - se para a net a e disse -lhe : — E tu , minh a grande t onta , pára de confi are s em t oda a gente!” ´ 27 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Di zer que est a his tór ia foi es cri ta por cria nça s que frequenta m o prime i ro ciclo, não é surpree ndente. Todavi a, o mai s imp orta nte é verif ica r que existe in cent ivo pa ra a escrita e que as cr ianç as têm opo rtun idade de de senvolve r a s ua cri atividade , c om o objet iv o de fazer na s cer nele s a ne ces sidade da leit ura e da escrita , não ape nas, como u m trabal ho ob rigat ório mas co mo um sent ime nto pesso al de i ntere sse p or e ssa forma de comu nicar e o seu gosto pelos liv ro s, co mo uma procura ind ividual de aut o- conhe ci ment o.. . Levando as crian ça s por i ni ciat iva pe sso al a criare m as sua s h ist óri a s, selecion are m os se us go sto s pessoai s de leitu ra, a entrare m em cont act o não só co m o mund o da televisão e da rádio mas ta mb ém co m o mund o dos jorn ais e dos livro s. No fund o pre tende- se despe rta r na s crian ças a curi osidade pa ra a individual e para a pa rti cipa ção em a ct ivid ades re lacionada s co m pe squi sa o mund o literário... Legen da : N.º 85, Junh o 20 11, Me nsa l 28 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância A nível da co mu nicaçã o soci al pode mo s desta car a prog ramaçã o espe cífi ca para crian ças e mi tida s pela telev isã o e a rádi o. Podemos dest aca r o Cana l Panda e a progra ma ç ão da RtP2, para cri anças, progra ma Z ig-Zag - u ma e spécie de ani mação , educaçã o e cul tura apre sen tad a s duma fo rma ape lativa pa ra o s públi co s mais A jov ens. nível das revi sta s pode mo s de sta car o p r ojet o da V isã o J úni or co m o suple ment o da Visã o, u ma rev ist a escri ta para cria nça s, co m not ícias, repo rtagen s, con curso s de in cent ivo à escrita, en co ntro com e scrito res. També m, os jo rnai s diá rio s, os sema nár ios d ina mi zam ini cit ivas pa ra c ria nça s con curso s, oferta s de cd`s, liv ro s, caderne ta s de cromos, bilhete s de cinema entrada pa ra museu s, te atro e co nce rto s mu si cai s... Uma forma de de senvolv ime nto pessoa l, so ci al, humano e cul tura l da s cria nça s que desde cedo são esti mulada s para se integrare m na so ciedade a t ravé s desta f orma suave de ed uca ção cívica , e sti mu ladas p ara a cria tividade, para a s preocupações sociai s, para a comu nicaçã o e para a cul tura . Cam inhand o nes se sen tido, a níve l do prim eir o cic lo c res cem o s pro jet os d e ambit o cu rri cu lar e ext ra- curricula r da lingu age m escri ta e da escri ta criat iva. Nomeame nte com actividade s espe ci ais na bibl iote ca, na s oficina s da escrita po rque ao s que têm na s activ idades re la cion adas com pa lavra o ral e escrit a um ca mi nho . As a ctivid ades d as aul as sã o apen as um a janel a para av idez de conhe ci ment o dessa s crian ça s. A nível tran sformar ofici al su rgem desenv olver as vários pr oje to s poten cial idades que das reforçam cri anças a na preo cupa ção áre a da de escrita , nomead amen te: P r o j e t o A IA ( A m b i e n t e i n t e g r a d o d e A p r e n d i z a g e m ) e s t e p r o j e t o i n t e g r a - s e num con ju nto invest igaçã o de do pro jet os CIPAF, de surg indo inve stiga ção / produção na sua géne se para no dar â mbito da resp ost a linha ao de primeiro Con cur so Na ci onal de Ma ter iai s de Apoio à Revis ão Cu rri cul ar e Org ani za ção E sc ola r. Em tra ço s gerai s, este micro mundo , tal co mo o sentid o da sua defini ção o determina, pretende ajudar a despe rta r para a l eitura e para a e scrit a po r go sto praze r, a travé s da vivência a ct iva e da ma nipula ção do ambie nte e tecn ol ógico propo sto a o seu util izador. Parti cu larmente , pen sado em crian ça s do 1 º cicl o com idade s co mpreend ida s entre o s se is e o s dez ano s (o que não signif i ca que nã o se po ssa ser ad otad o a todas a s faixa s etá ria s). Neste pr oje to, exi ste u m amb iente lúdi co de e scr ita e le itu ra que per mit e entre outras p ossibil idades, con stru ir histórias, bandas dese nhada s, jog os , report agens, not ícias, anún ci os.... 29 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Na Di reç ão Ger al de Inova ção e De senvolv ime nt o Cu rri cul ar, Revis ta Noe si s , encon tra mo s vários artigos que abord am a Escrit a Criativa...no En sin o e fundamen tam a sua impo rtâ nci a... Um ar tigo de Lu ísa C os ta Gome s que integr a o progra ma A rte s na Es cola , desenvolv ido no â mbi to da Dire çã o-Gera l de Ino vação e Dese nvolvi men to Cur ri cula r . Uma escri tora que p romove Of ici nas de E scrita q ue defende a i mpo rtân cia de leva r à sala de aula um e scrit or, não sub si stu indo o profe ssor de portuguê s apena s desenvolve ndo c om os al uno s o pr aze r da es cri ta . Este pro jet o teve in íci o há dez a nos e con tou co m a parti cipação de escr ito res de refer ênc ia a nível nac ion al, Mari a Velho da Co sta , Lídia Jo rge, J oão de Melo e Gast ão da Cruz, este prog ra ma co nti nua a co rrer na direção Gera l de In o v a ç ã o e D e s e n v o l v i m e n t o n C u r r i c u l a r . Desde 200 1 que e ste pr oje to re ali za mul tipla s a c tividades rela ci onada s c om a escrita e a le itu ra em todo o país. També m Nun o Lei tão per tence nte à Co opera tiva de Ensin o a “To rre “ eluc ida- nos pa ra a i mportan cia de se de senvolve r a ct ividades de e scri ta cria tiva, tend o parti cipado e m in úme ras a ctiv idades co m int uit o de desenvolv er a e scrit a criativ a... O In s t i t u t o S u p e r i o r d e E d u c a ç ã o d e L e i r i a , t a m b é m d e s e n v o l v e o A t e l i e r d e Escrita Criativa Educa ção no â mbito Multiméd ia....onde do pr oje to o objet ivo das Ofici nas p rimordial é da Co mun ica ção de senvo lver o So cial pra zer e da escrita e a produ ção tex tual de qua lidade. ... Num mu ndo onde a image m e a tecno logia parece sup lant ar a ideia d e escreve r bem e comuni car be m...é impo rta nte p erspectivar os mult ip lo s esf orços na aprendi zagem do p ortug uês e a sens ibil iza çã o para a leitura como u m trabalh o meritório No fundo, t rata -se de desenv olver a ctivid ades q ue possam dar vida à pa lavra oral e e scrita desde ten ra idade.. .uma fo rma de pro mover o desenv olvi ment o d a co muni ca ção e m expre ssã o portugue sa o g ost o pela escri ta li terá ria, pe la poe sia , pelo teat ro. ... unind o- se a educa çã o à cu ltu ra e ao co nhecime nto ... Visit a à Fei ra do Livr o de Por ti mão- 201 0 30 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Conc lusão Neste pequen a in cu rsã o, sobre o dese nvolvi mento vo ca cio nal ba seada e m estudo s de invest igadore s e anali sta s da área c oncl ui mo s que já dura n te o períod o gestac ion al s urgem os pr ime ira s co nqui sta s de aprendi zagem , o feto já é pos suid o r de inteligên cia , sen sibi lidade, t ra ços de personalid ade própria e definida, vid a afectiva e e mocion al vin culad a pela mãe co m co muni ca ção e mpáti ca e fisiol ógica , sente e mo çõe s de p raze r, de spra zer , do r, tri ste za, angú sti a o u bem est ar reage co m irri taç ão q uando se se nte lesad o, aprese nta rud i ment os de apre ndi zado, s ofis ti caçã o do aparelh o percept ivo e motor crescen te de complex idade do aparelho men ta l (Peixoto e Amorim, 2007). O crescente in teresse pe la vida psíqui ca e so cial do bebé n o i ntui to de o desenvolve r sa udavel mente questi ona rmo-no s sobre e ativa men te leva-nos cad a vez mais cedo a a s aptid ões e vo cações dos ma is peque nos. No entant o, o bo m sen so apon ta-n os que ap esar de muitas brincadeira s pedagógica s é por vol ta do s cin co -sei s an os qu e podemo s co meçar a tra ça r o perfi l social /escol ar de cada crian ça uma crian ça med i ana. Esta p reocupação, n ão é di scipienda tendo e m conta o s padrões de exigê nci a tra zido s pelas i nfluên cia s nac ion ais e europe ia s, nu ma tenta tiva de unifo rmizaçã o das co mpetê nci as de En sin o a níve l da Europa. Exames de Aferi ção de Âmb ito Na cio nal a part ir do o 1º C icl o leva- nos a esti mula r as crian ças a expl ora r a s sua s capa cidades pe ssoais tanto Língu a co mo ap rendi zagen s/de sc oberta s P ort uguesa encon tra m- se in terl igadas a das Ciên cia s, e esta s a nível de u ma di men são cul t ural e social a largada . O obje ct ivo des ta pequena anál ise é de reforçar a valori za ção e s cola r e vo cac iona l é funda ment al na ideia que o fator d e co nst ru ção de ba ses só lidas d e estí mul o para o desenvo lvi ment o voca ci onal , art í sti co e cient ífico. Um elo nesse sent ido de in tere sse s que t respa ssam, o mundo excl usiva men te escol ar, é impo rtan te o est ím ulo pa ra a cria çã o de acç ões de sen sibi li zaç ã o para o desenvo lvimento da escrita criat iva enle ada com simulta nea mente, a exp loraçã o do mundo cie ntífi co esti mula nte c om o sã o exempl os os Labo rat óri os Porque sã o o s n osso s sonh os de crian ça uma di men são cultu ral e , de u ma forma de Escrita Cria tiva e de criativ a e Ciê nci as. que tra çam as no ssas meta s d e futuro. 31 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Bi bl i ografi a de A poi o: de Sá, Joaqui m, “A Abo rdagem Experimen tal da s Ciên cia s no Ja rdi m de Infânci a e 1º ci cl o do En si no Bá sico: sua re levân cia pa ra o proce sso de Edu caçã o Ci entíf ica n o s n í v e i s d e E s c o l a r i d a d e s e g u i n t e s ” , In s t i t u t o d a C r i a n ç a d a U n i v e r s i d a d e d o M i n h o Nunes, Pat rí cia, Coimbra “Expe riên cia A uditiva no me io In tra -Ute rin o”, Universidade de Deu s, Mar ia He lena Far ia de , “O De senvo lvime nt o Vo cac ion al na Infânc ia, u m e stud o explorat ório com cri anças do 4º an o de Escola rid ade” Un iversidade de Lisbo a Machad o, Lau ra, Cadern os de Educa ção P ré-e scolar” Educa çã o da In f â n c i a “ Lingu agem de E scrit a na R e v i s t a N o e s i s – D i r e ç ã o G e r a l d e In o v a ç ã o e D e s e n v o l v i m e n t o C u r r i c u l a r “ A s palavra s ta mbém s aem da s mã os ” por N uno Lei t ão, c ooper ativa de En si no a “ To rre ” R e v i s t a N o e s i s – D i r e ç ã o G e r a l d e In o v a ç ã o e D e s e n v o l v i m e n t o C u r r i c u l a r , “ E s c r i t a Cria tiva”, Jo ão Ca rl os Go nça lves de Ma tos Programa da s Of ici nas de Co mun ica ção S ocial e Educa ção M ult iméd ia – Of ici nas d e Escrita Criativa Institu to P oli téni co de Leiria 32 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância Índi ce In t r o d u ç ã o 2 - 5 Capítu lo I – Uma Vida Agitad a ante s do Na sci me nto 5 - 7 Capítu lo II – Que m és t u? O que p rocura s? E pa ra onde vais? 8 - 1 9 Capítu lo III – Da teo ria à pr ati ca: br in car, expl o rar, son har, cr iar 2 0 - 30 A. O Lab orat óri o das Ciên cia s – 2 1-2 4 B. O Lab orat óri o da E scr ita Cria tiva – 24- 3 0 Con clu são – 31 Bibliog rafia – 32 In d i c e – 3 3 33 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância 34 Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves