Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância
Do ssiê
“o sabe r descon hecid o da crian ça:
uma in cu rsã o no de senvo lvime nto vo ca cio nal na infância”
Teo ria s e Po jeto s Edu cac ion ais
Text os de A na Margarida A lves,
Li c. Jorn al i smo
Enca min har n ão é prof is sio nali za r, m as, de spert ar
huma no comuni ca e se i nterliga com o
sent ido s na forma que cada se r
mu ndo e, con sequente men te, estimula r -lh e
as su as apt idõe s .
.... seja quando rabi sca u niverso s fantá st icos co m os lapí s de co res, ou
quando
constroí i mpéri os co m os legos...
seja quando bri nac ari ando i nventa
língua s estran has ou quand o co me ça a escrevi nh ar as sua s est óri as, seja quando
con stroí o s se us te atros e pal haçad as. ... ou fa z experiências co mo grandes
cient istas .
Fotografia: Novembro 2009 – Pais & Filhos
1
Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves
Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância
Introdução
A vida são o s sent ido s e
os sen tido s e os sent idos são a vida. M uit o ante s
do ro mpime nto da s bar rei ras fí si cas d o ventre mater no, já o bebé ve m envolv id o
num mant o deli cado de t raços de person alidade .
Para
a lém
d os
tra ço s
gené ticos,
durante
a
sua
expe riên cia
p ré -na ta l
desenvolve u també m sent idos, co mpetên cia s au ditivas, lingu íst ica s e outras criand o
as su as prime ira s me mórias.
O bebé é um map a de ponten cia lidade s ávido
po r descobri r um novo mund o.
Ainda de o lho s semi-ce rrad os, envo lvido num novelo ,
t ran sporta con sig o
uma sabedoria mu it o própria daquele mund o misterio so intra -u terin o.
Desde o pr ime iro ge sto, o prime ir o so rri so, o primei ro boc ejo, a pri mei r a
manife sta ção
de
perso nalidade
do bebé.
fome
ou
frio
encontra mos
me nsage ns
sub limina res
da
Nesta peq uena d issert açã o “o saber de sconhe ci do da cria nça ... ” pre tende - se
pôr em evidên cia as múl tipla s poten cia lidade s que cada pequeno se r tra z consig o
desde o seu na scime nto, independente men te, d a sua condi ção econó mi ca, so cial ou
religi osa .
Não se tra ta aqui de enco ntra r na crian ça, n as sua s atit udes, u ma vei a
profissi onal mas descobrir o seu mundo in teri o r e estimu lar -lhe as suas apt idõe s
naturais...
Enca min har n ão é profissi onal izar, ma s, desp ertar a f orma que
huma no co mun ica e se inte rlig a co m o
cada se r
mu ndo e, con sequente mente , e sti mu lar- lh e
as su as apt idõe s .
.... seja
quando
quand o
con stroí
rab isca
impé rios
u niverso s
co m
os
fantásticos
leg os. ..
seja
co m
quando
os
lap ís
de
co res,
brina ca riand o
ou
inventa
língua s es tra nhas ou qu ando co meç a a es crev i nhar a s s uas est óri as, se ja qua ndo
con stroí
os
seu s
te atros
e
palh açada s. ... ou
faz
expe riên cia s
co mo
g rande s
cient istas.
Assi m, ne ste sen tido , nenhu ma crian ça é uma t ábua rasa são as suas fo rma s
de
comu nicar
que
perso nalidade e se
permitem
a os
outros
percecion are m
os
traços
da
sua
este ndenda m ponte s de inte raçã o.
Com ci nco ano s u ma c ria nça d otada já cant a, toca in stru men to s mu si cai s ,
escreve , pi nta, rep resen ta,
con strói est rut ura s co mplexa s.. .aqui estão o s i ndício s
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de um mu ndo i men so de pote nc ialid ades qu e habita cada c rian ça. ..que p or ve ze s
passa m despe rcebid os a os olh os do s adul to s.
Se obse rvar mo s o s mode lo s de referên cia m un diais e depo is fi zer mo s u m a
incu rsã o
revelam
no no sso un iverso pa rti cul ar fa cil mente con clui remos que a s cri anças,
pre co cemen te
capa cidades
extraord in ária s, e
que
de sde
muito
cedo
os
seres humano s estão apt os a adq uirir compe tências e a descob rir ap tid õe s pessoa is.
“Era u ma ve z um menino
Que não e ra nada feio
Que
tin ha de extra ordinário
Tin ha um fe iti ço n o mei o”
Fiz e sta quad ra quand o ti nha cin co an os
António Ged eão
Assi m,
na
lite ratu ra,
temos
o exe mplo
de
An tónio Gedeã o gra nde
poet a
portuguê s, e screveu este p oema co m ci nco a no s e aos de z ano s decid iu comple ta r
os Lus íadas .
Foi a sua mãe que tendo uma grand e paixão pel a li tera tura
tra nsmitiu
esse sen ti mento ao se u fi lho de n ome origina l R ómu lo de Ca rvalh o, assi m bapt izado
em hon ra de u m dram a lid o num f olhe tim de jo r nal.
Respon sável por u ma cert a at mo sfera li terá ria que se v ivia e m sua ca sa, é
ela que at ravés do s l ivro s comp rado s em fa scículos, vendido s sema nal mente pel a s
casa s,
ma is tarde , requi sit ados na s livrari as Po rtugál ia ou Mo rai s, que ini cia o fil h o
na arte da s palav ras .
Des ta for ma R ómu lo t oma con tat o co m o s mes t res – Ca mõe s, E ça, Cam ilo e
Cesá rio Verde, o preferido – e co nhe ce “A s M il e Uma N oite s”, obra q ue vi ria a
con siderar u ma das sua s bíbil ias.”
Na mús ica , Mo zar t, inf luente mú sic o e co mpo s itor mo str ou u ma habi lidad e
musica l prod igio sa desde sua i nfância.
Já compete nte n os instru men tos de te clado e n o viol ino , come çou a comp o r
aos cinco anos d e i dad e, e pas so u a se ap r esenta r pa ra a reale za da E uropa ,
marav ilha ndo a t odos co m seu talen to pre co ce.
Na pintura, podemos destacar o exemp lo de Pab lo Picasso cujos dese nho s de
infância repre sent avam ce nas de to urada s (a cu ltura da t ourad a por excelê nci a e m
Espanh a, por ce rto inf luen cio u a sua obra ). O seu
primei ro trabalh o de destaqu e
artí sti co foi um ó leo sob re madeir a, pi ntada a os o ito anos, cha mada O To urei ro .
Pica sso con serv ou e sse t rabal ho p or toda a su a vida, lev ando- o con sig o semp re qu e
mudava de ca sa.
Pablo Pica sso foi do s pin tore s conte mpo râ neos
que mais obra s criou...
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Fig. 1 - O Tou rei ro – Pab lo Pica ss o – 8 a nos
Paralela mente , às manife sta çõe s cri a tivas, artí st ica s onde é nece ssári o
revelar -se
uma
capacidade
capa cidade
para
o
ina ta
muito
dese nvolvi men to
pa ra
de
além
da
con heci ment o
apre ndi zagem
científ ico
ta mbém
se
a
manife st a
preco ceme nte. ..Pe rfra seando um est udo de Joa quim Sá do Institu to de Estudo s d a
Cria nça
pist as
para
desenvolv imen to da educaçã o cien tífi ca desde o pré-esco lar sa lien tando
que
a
oti mi zar
e
partir
da
da
Un iversidade
faixa
dos
do
4/5
Minho,
anos
a
o
crian ça
autor
está
aponta -nos
prepa rada
pa ra
o
desenvolve r co nhe cime nto s ne sta á rea.
Em s uma e m jeit o de c onc lu são, de sta s n ota s intr odut ória s, a cr ian ça, n o s
intere sse s que revela , nas brincadeiras
a sua
nas
e gost o s pessoai s,
apont a-n os pi sta s sob re
persona lidade de mon st rando capa cidade s extraord inárias de apre ndizage m
ma is diversa s área s de con hecimen to, saltand o à vist a os seus po nto s de
excelên cia. ..desde a mú si ca, à pin tura, à li tera t ura, à s ciê ncias...
Parti ndo, a ssi m, de toda s este s indí cio s sob re
tentare mo s fa zer u ma abo rdagem sobre
À luz do s mai s cept icos e
sobre o mundo de cada cria nça
as capacid ades das cria nça s
o desen volv ime nto v oca cio nal n a infân cia .
ap ologi st as da ete rna idade de bri nca r, ref lect i r
e tra çar -lhe meta s de futu ro é u ma p reo cupaçã o
preco ce e inút il, contud o, vári os e studo s alerta m-n os para o fa cto da existência já
no
1º
ci cl o
de
casos
de
exclu são
social
e
escolar...fa ct or
suf icie nte ment e
preocupante pa ra no s debru çarmo s sobre ele .
Até porq ue cont ra fa ct os não há argu ment os. Na rea lidade, existe exclusã o
social e e scola r no p ri meiro cicl o. N o enta nto , à luz d a psi co logia e d as ciên cia s
educacion ais é impo ssível. ..alg uém deixa r que i sso a conte ça. ..
Houve
no
mínimo
impo ssível que após
negligência
de
informa tiva
e
de
encaminha ment o.
É
su cessivo s verme lho s e avalia çõe s insa ti sfató ria s, ning ué m
tenha feit o estas que st ões.
Quem é es ta c rian ça? De o nde vem? Pa ra onde vai? Es tá na E sc ola ind icada ?
Com o po sso ajud á-la ?
Porque mais que classifi car cria nça s é fundamen tal sent armo- nos a o seu la d o
e
co mpreende rmos
o
seu
p ri sma
,
co mpreen dermo s
porque
ch ora m,
p orque
se
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agitam , porque se dive rte m tant o a faze r exercí cio s de mat emá tic a co mplexo s ,
porque são tã o imagina tiva s ou até p orque n ão se intere ssa m po r nada.
No
poder
da
perg unta
“Porquê? ”
está
a
re sposta
à
co nst ru ção
da
su a
felicidade , não f osse est a uma v iagem que co me ça desde pequen ino ... Porque
pergunta r apena s na adole scê nc ia a um a cr ia nça “ o que q uere s fazer daq ui un s
anos.” É de masiado tarde.
Capí t u l o I : u ma vi da agi t ada an t es do nasci ment o
Este tóp ico te m p or base u m tex to teó rico de Pat rícia Nune s “Experiê nci a
Auditiva no meio In tra- Ute rin o”, ap resen tada n o âmbit o do curso de Psico logi a na
Universidade
de
Coimbra
que
co ncl ui
se r
f undame ntal
a
e st imu lação
a cústi ca
durante o perí odo da gestaçã o porq uant o esta auxilia r do dese nvolvi men to
social p ré-na scime nto e
con sti tui rá
u m passa porte
de
psico-
dese nvolvi ment o para
a
entrada n o nov o mu ndo.
Ao
poderão
longo
de ste
influenciar
a
proce sso
sua
a
rela çã o
mãe-be bé
emocionalidade,
envolve
est imu lar
a
pa rti cul aridade s
sua
cap acid ade
de
mem ori za ção . È as si m, funda men tal an ali sar a s potenc ialid ades de u m bebé, tend o
em co nta a
sua experiê ncia no ú tero mate rn o.
“De todo s
os órgã os d os sen tido s, o
único que permane ce despe rto 24 h ora s po r dia
é o ouvido. Me smo na masi profu nda fase do
son o.
As
ore lha s
continua m
lig adas
co mo
guardiã s aberta s a qualquer ru ído amea çado r.
A
audição
é
a
peça
ch ave
na
co muni ca ção
entre o s se res hu man os ( Mat ias, 199 9). Ne ste
âmbit o, Pat rí cia
literatura
da
Nune s passou
área
e
destacou
os olhos pela
as
seguin tes
con sideraçõe s.
O ouvid o é o ó rgão f unda menta l para a a udiçã o send o ta mbé m re spon sáve l
pelo equilíbrio do corpo.
A
escut a
é
uma
capacid ade
de
alto
nível
que
o
ser
hu man o
possui .
A
co mpreen são dos son s a con tece de manei ra gra dativa a o de senvolv ime nto hu man o.
A relaçã o com o unive rso so noro não ve rbal, na vida int ra -u teri na, vai ser d e
extrema
i mportân cia
pa ra
con texto s
t erapeu t ico s
po ste rio res
(Barcel lo s
cit
in
Moritz, 2004)
A audi ção é u m d os se ntid os
que
traz inf ormações importante s pa ra
o
desenvolv imen to hu man o. O i mpa cto das al tera ções aud itiva s dá -se pri ncip alme nt e
sobre a specto s ling uísticos e p si cosocial do indiv íduo.
Segundo Nor then e Dow ns ( 198 9), a pa rti r da vigésim a
sema na de gesta çã o
o feto n or mal já de mon st ra rea çõe s a e stí mul os son oro s, pe rcebid os a travé s d a
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mudan ça
de
frequência
frequente mente
a
dos
movime nto
batimen tos
corp oral.
O
cardía co s
feto
tem
fetais
e
capacid ade
asso ciado s
de
ouvir
e
desenvolve r a memória do s so ns (Verri, 1 999 ). A partir do 4º mê s vida int ra uteri na, já há vá ri os sent idos , in clu sive a au dição de senvo lvido s. N os a no s 70 ,
obstet ra s colo carm mi crof ones no inte rio r do co rpo de gestant e e con clui ra m que o s
son s de fact o chegava m, mas, que os ba rul ho s internos da mul her era m tã o fort e s
que pare cia m abafa r qua lquer ruíd o exte rno a não ser que o volu me f osse muit o
alto.
Actualme nte já se sabe que
este cu rio so inqu ilin o fica be m mai s proteg id o
dos son s in tern os, no ca sul o do líq uid o a mió ti co,e se en co ntra ma is p róxi mo d a
audiçã o do s so ns que vê m de fora.
Con clui ndo- se a travé s destes est udo s que as conversas de fora pode m se r
ouvidas apenas são atenu adas pel a gordu ra e pe los te cid os da mãe.
Num art igo da Revi sta Superinte ressan te ( 199 8), a au to ra refere- se a u m
estudo do Dr . Bere stei n, do Ho spita l Albe rt E ins tein e m que a sen sibi lidade mu si ca l
pode come ça r a formar- se dentro do útero, o recé m-na scido prefere e acalma-se
co m música s que o uviu d uran te
linguí st ica
come ce
a
se r
a ge sta ção , t ambém é po ssível q ue a habi lidad e
adqu irida
na
fa se
final
da
ge sta ção .
As
mães
que
conversa m com o s seu s fi lho s e stariam habi tuad as á mu sicalidade d a lí ngua ( Mati as,
1999).
A
psico logia
evolutiv o
e
oco rrid os
ne ste
inco nscien te
pré -natal
est uda
o
co mpo rta mento
e
desenv o lvime nto
e
psi co -afect ivo-e mo ci onal d o indi víduo ante s do n asci ment o. Fa cto s
pe ríod o
recebe m
influenciando
co mportame nto .
O
feto
já
a
é
reg ist o
mnésico,
pe rsonalidade
possuido r
de
gua rdado
pós-na tal
inteligência,
do
some nte
bebé
sen sib ilidade ,
e
no
o
se u
traços
de
perso nalidade própri a e definida, vida afectiva e emoci onal vin cu lada à mãe co m
co muni ca ção
tri ste za,
emp áti ca
ang úst ia
ou
e
fisi ológ ica ,
bem
e sta r
sente
reage
e mo ções
co m
de
irritaç ão
pra zer ,
quando
despra zer ,
se
sen te
dor,
le sado ,
apresen ta rud imen to s de aprend izad o, s ofi sti ca ção do ap arel ho per ceptiv o e mo to r
crescen te de co mplexidade d o aparel ho menta l ( Peixot o e Amo ri m, 20 07)
De ac ord o co m Ca nnon (20 02, cit i n Peixo to e Amor im, 200 7, o subs iste m a
de aten ção –in tera ção social é u m sistema de comun icaçã o que su rge n o sexto mê s
de gestação i ndicando a
para
capa cidade de o rgani smo permane cer
re ceber inf ormações
cogn itiva s,
so ciai s
e
e m estado de a lerta
emocion ais, alé m de
prov oca r e
modifi ca r este s conta ct os com o mu ndo à sua vo lta.
Cada bebé é o único, por i sso a sua mat uridade e o seu nível de suporte a o s
estí mul os va ria m de aco rdo co m a sua sub jec tivi dade (Peixot o e Am ori m, 2 007 ).
Port anto , o de senvolv ime nto da a udi ção é de fu ndamen tal imp ort ância tend o
em con ta que o seu desenv olvi ment o ir- se-à i nterl igar com o desenv olvi ment o de
outras capacidades. Para que a cria nça de senvo l va a lingu agem é dete rminan te bo m
desenvolv imen to d a audi çã o, a ss im para que h aja a aqui si ção e dese nvolv imen t o
normal
a
capa cidade
de
verba li zar
ide ias
é
con siderado
como
pré- requi sit o
a
integridade ana to mofi sio lógi ca do si ste ma aud iti vo. Mui to s prob lema s de l inguage m,
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fala
e
aprendi zagem
tê m
sid o
atrib uídos
à
dificu ldade
de
proce ssa ment o
dos
estí mul os a cú sti co s.
O feto reage igual mente ao r uído amb iente . As voze s mate rna s e p atern a
podem ter efe ito s espa nto so s no co mportame nto do feto.
Se o feto ouve vo ze s e o s r uído s a mbien tai s ,
parece que p ode me mo ri zar algu mas info rm aç ões .
Experiên cia s re cente s revelava m que as crian ça s se
lembrava m
de
son oriedades
pa rti cu lare s.
Est a
conte st açã o
levou os ame ri cano s e o s Jap oneses e
desenvolve ram mét odo s de dfçç excerto s de música ,
ouve a voz dos pai s, ouve o so letra r do alfa beto
(Mabille, 1990).
A gravide z tran sfo rma -se nu m cana l, atravé s
da qual as mães co meçam a co muni ca r co m o s seus bebés.
Segundo e ste s estudo s, é ne cessário trab alha r a cria nça desde a ge sta çã o
co m
a palavra e co m a
O
possibil ita
mú si ca.
aco mpanha men to
das
mães
e
dos
bebés
desde
o
início
da
gesta çã o
a ve rifi cação da i nfluên cia d os so ns, h armoni a, rit mo, mel odia e d a
impo rtân cia da v oz, d o ca nto n as cria nça s de te nra idade .
Poci nha s (1 999 cit in Coi mbra 200 8 repo rta- se ao período d os an os 4 0-5 0 ,
rico e m descobe rta s
ace rca do de senvo lvi men to e mo cio nal d o fet o que c ome ça a
ser olh ado co m um se r do tado de sensibil idad e, me mó ria e con sciên cia, capaz de
aprender, ouvi r, to car, bri nca r e sen tir e mo çõe s da mãe (C oi mbra, 20 08).
O que sign ifica que “ao ser cap az de re ceber, p roce ssar, i ntegra r, se leciona r
e discrimi nar inf ormação e dados do exteri or o feto torna- se nu m parce iro a ctiv o
que apre senta po ss ibilidade s rela cio nai s e algu m t ipo de vida men tal orga ni zada ,
ainda de uma forma rud ime ntar” (Sá,2001).
Em su ma, qua ndo um bebé
na sce
e mbora
do rmi nho co e
enterneced or
tran sporta co nsig o um mundo de pequenas memórias e uma perso nal idade
definida.. ., todo s as su as
já
pré-
manife sta çõe s de vida transf igura m- se e m f ormas de
afirmaçã o da sua pe rsonal idade.
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Capítulo II - Quem és? O que procuras? Para onde vais?
Capítulo II - Quem és tu?? O que procuras? Para onde vais?
Assi m.. . De bebé
a crian ça é u m ápi ce e
fechar de olho s pare nta l... send o
de
de crian ça
a adulto um
abrir e
0 m undo que o espera ao na sce r é u ma espé ci e
barco o rien tado r despertador de sent idos...
Nessa pe rspe tiva, ex iste uma preo cupa ção cada vez ma io r de, pre co ceme nte ,
esco larizarmos e acu ltu ramos as cri ança s co m intui to de a ctiva rmos v oca çõe s e
intere sse s.
E
agentes
entre
esta s
de
pequenas
de scobert as
de senvolv ime nto
o que signif ica integraçã o soci al e
Com ba se
na
leitura
fa miliare s
vo caciona l,
de
e
e
esco lare s
co nsequen temen te,
serã o
uma
verdadeiro s
porta
ch ave
excl usão...
um estudo de
Ma ria
Helena
Fa ria
de
Deus
“O
D e s e n v o l v i m e n t o V o c a c i o n a l n a In f â n c i a , U m e s t u d o E x p l o r a t ó r i o c o m c r i a n ç a s d o 4 º
ano de Esco laridade” pode mo s apre nder con ceito s teó ricos relevan tes pa ra esta
discusã o abaixo d iscri min ada.
Gybers
[2003]
afirma
que
o
ali cerce
do
planeame nto
da
carre ira
é
estabele cido no s pri mei ro s ano s de a ctividade s curricula res, q ue podem co ntribui r
para
o
dese nvolvi men to
aprender
do
au to- co nce ito ,
da
aqui si ção
de
compe tência s
para
a aprender, co mpetên cia s de rela ções inte rpessoai s, competê ncias de
decisão e de exploraçã o.
Este s te mas sã o con tinu ados e i ncl uído s a o l ongo d o percurso educa tivo ,
porporci onand o
nova s
inf ormações
e
experiê ncia s
para
que
os
e studa nte s
se
torne m c apaze s de regul ar, mon or ito ri zar e ger ir seus pr oje to s de vida e ca rrei ra.
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També m pa ra M oren o (2 008 )
co m
cri ança s
perspe ct ivem
o
é de capit al i mp ortâ nci a que
desenv olvi ment o
das
a inte rvençã o
co mpetên cia s
e
atitude s
ao
mundo d o traba lho.
A forma ção do con cei to de si po si tivo
e harmo nioso, ne ste s pri meiros a n o s
exerce uma fo rte influe ncia no desenvo lvi ment o futuro, no meada men te, ao nível da
identidade vo ca cio nal e do suce sso esco lar.
As actividade s de expl ora ção da crian ça be m co mo a s prime ira s experiê nci a s
face
à
e scola
e sta rão
na
ba se
do
de senv olvimento
ajustame nto
acadé mi co ,
profissi onal e soci al, na ado lescên cia e na ida de adulta (Selig man, 199 4, Taveira ,
1999).
Entre
os
dife rente s
modelos
te órico s,
a
te oria
da
ci rcu nscriçã o
e
do
co mpro mi ss o de L. G ottfred so n (19 81, 1 99 6) fo cali za o de senvo lvime nto v oca ci ona l
na
infân cia
e
a trib ui particula r sign ifi cado a o s fato res de
apre ndi zagem
so cia l,
nomead amen te às expecta tiva s dos papeis a sso ciado s aos do is sexo s e às variávei s
de estatu to social .
A abordage m sóci o- cogn itivo do dese nvolvi men t o voca ci onal sa lient a ta mbé m
o papel c have da apre ndi zagem d uran te a inf â ncia , quer n as exper iên cia s dire cta s
quer
atravé s
de
mod os
de
modelage m.
Estes
pro cesso s
sã o
os
p rin cipai s
determ inan tes do s inte res se s e dos pr oje tos (Lent, Bro wn, e H acket t, 19 94) , be m
co mo de o rigem d as dife renças ob servad as na distribui ção só cio -profissio nal p o r
gênero (Be tz, 200 1).
No mesmo sen tido , pa ra G ottfred so n ( 198 1,1 99 6), as experiên cia s, o corrida s
na infâ ncia, são as pri ncipais re spon sávei s pel a delimita ção do e spa ço so cia l, onde
emerge o proce sso de ci rcunscriçã o da s a spi raçõe s vo ca cio nai s e se pa u ta m a s
possibil idades e m termo s alte rna tivo s profi ssion ais.
Esta
Linda
i nvest igaçã o
Gottfredson
funda ment a-se
(1981,1996),
e
na
perspectiva
equa ci ona
a
do
desenv olvi ment o
te máti ca
do
de
de senvo lvime nt o
voca cion al n a infâ ncia, de signad amen te, a o pri meiro do s de z an os de vida, pe ríod o
em que se a lice rç am os ob ject ivo s, se deli mi t am a s fr onte ira s
do espa ço so cia l
relativas
fundame nta m
ao
gêne ro
e
con cepções
pe ssoai s,
impli ca çõe s
para
o
ao
esta tut o
so cia l
re lativa men te,
d omínio
ao
vo cacion al,
dos
proj etos
su cesso
em
e
e
à
parti cula r
se
aprend izagem.
pa ra
a
infân cia
as
Pela s
sã o
a
cent ral
é
anali sado s o s funda ment os da te ori a de Erik son (196 3,1 968 ).
Nesta
dirigida
inve stiga çã o
para
influên cia
a
d os
análi se
de
dos
e ste reot ipo s
Maria
Helena
pr o jeto s
de
gênero
Faria
de
voca ci on ais
e
Deus ,
das
pre stígio,
a
questã o
cria nça s,
bem
co mo
re lativa men te
os
p ro cesso s
à
de
modelage m re lativ os à s prof issõe s que existem no amb ien te fa mil iar.
També m
se
ana li sam
as
percep çõe s
das
cria nça s
face
á
escol a
e
represe nta ção que te m da s sua s compe tencias e nquant o est udante s.
9
Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves
Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância
Na perspect iva de sta estudi osa , é imp ort ante reflecti r sob re o s e st udos d e
diverso s au tore s:
1.
Dese nvolvi men to ps ic o-s oc ial de E riks on
2.
Dese nvolvi men to vo cac ion al de L inda Go ttfred so n
3.
Dese nvolvi men to s óc io- cogn itiv o de car rei ra ( Le nt, Br own , Hacke tt,
1994 , Bet z, 20 01)
1.L iter atu ra sob re o Dese nvolvi men to Vo cac ion al na Infân cia
1.2 A Te or ia de De senvo lvime nto de E rik son
A teoria de dese nvolvi men to psico-social E rikso n. É unân ime pa ra diferen te s
autores
(Seligman,
1994)
a
grande
inf luen cia
de
Erikson
para
co mpreen são
do
desenvolv imen to vo caciona l, no meada men te, no que respeita a o períod o da infân ci a
apesar
de
autore s
co mo
Adle r,
Bord in,
A nne
Roe
foc ali za ram
ta mbé m
o
desenvolv imen to vo ca cion al nu ma perspectiva psicodi nâmica.
Quadro 1 – Modelo de Desenvolvimento Psicossocial de Erikson (1968)
Estádio
Crise
Resolução
Fraca
Força
Confiança
Desconfiança
Confiança na
satisfação das
necessidades
Incerteza da
satisfação
Esperança
Autonomia
Vergonha
Independência
e auto-controle
Indiferença
causada por ser
controlado
Vontade
Idade do Jogo
Iniciativa
Culpa
Actuar sobre
desejos,
potencialidades
Consciência das
restrições
Determinação
Idade Escolar
Laborioso
Inferioridade
Absorvido no
mundo
Competências e
estatuto
inadequado
Competência
Adolescencia
Identidade
Confusão
Confiança em
si mesmo
Falhanço no
desenvolvimento
Fidelidade e rigor
Jovem Adulto
Intimidade
Isolamento
Fusão com
outro
Sem relações
intimas
Amor
Adultez
Generatividade
Estagnação vs
Guiar a geração
seguinte
Suspensão do
processo de
maturação
Solicitude
Os mais Velhos
Integridade vs
Desespero
Integração
emocional
“escassez de
tempo”
Sabedoria
Bebé
1ª Infância
O
con cei to chave da teo ria E rikson é a “identid a de” .
Segundo Erikson ( 196 3,1 968 ), o desenv olvi men to hu man o depende
proce sso
inte ração
entre
a
pessoa
suce ss ão de estád io s que faze m
modelo
de
desenv olvi ment o
desenvolv imen to
q ue
e
o
ambiente,
ocorrendo,
atravé s
de u m
de
uma
parte do pla no epignéti co d o indivídu o. No se u
psi co ssocial,
cara cterizam
mod os
o
de
autor
identificou
organ izaçã o
da
oito
e stád io s
expe riên cia
e
de
da
con str uçã o da ident idade pe ss oal. E stes es tádi os de desenv olvi ment o cara cte ri za m
10
Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves
Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância
modo s de org ani za ção e exper iênc ia e de c on s truç ão de iden tidade pe sso al. E ste s
estádi os
f ora m
designados
co mo
conf ian ça
vs
desconf ian ça,
a utonomia
vs
vergonha /dúvida, ini ciat iva vs culpa , estag nação e integridade v s dese spero .
Em cada um deste s estádi os, o ind ivíduo é confro ntado co m ta refas
cri ses , or igina ndo po r um tem a cen tral e orga ni zado r, o s quai s
ou
exige m adapta ção e
reso lução (E rikson, 1 963 , 19 68). A re so lução bem su cedida das t arefa s de cada
estádi o segu inte.
A resol uçã o bem suced ida
das t arefa s de cada e stádi o segu inte.
De a cord o c om Erik son (19 63, 196 8), as cri anç as de idade e sc olar já terã o
passad o po r quat ro d os oit o e stádi os de dese nvolvi ment o psico ssocial : confia nça
básica
versus
desco nfian ça
8do
n asci mento
até
18
me ses),
autonomia
versu s
vergonha /dúvida (d os de zoi to mese s ao s trê s an os) e r eali za ção ver su s infe rio ridad e
(dos seis a os on ze ano s).
Na
perspectiva
de
Selig man
(1994),
as
apa rência s
da
crian ça
em
cad a
período , ident ificad os po r Erikso n (19 63) , pode rão marcar a s vivências vo ca cio nai s
na adole scên ci a e a vida adul ta.
Dur ante o s prime ir os ano s de vida, a crian ça é desafiada a desenvolve r a
capacidade de mante r rela ções co m os ou tro s numa base de confian ça, bem co mo
um
sentid o
de
autonomia,
ini ciat iva
e
de
co nfiançana
sua
p rópria
( conf ian ça) ,
co mpetên cia (E rik son , 196 3, 1 982 )
Esta s competê ncias são vi sta s como cent rai s ao desenvo lvi ment o de uma
perso nalidade
probabilidade
ot imi sta ,
de
obte r
au tón oma
re sult ado s
e
motivad a
ajust ados
,
para
no
a
real iza çã o
futuro
acadé mi co
com
maior
vo ca cion a l
(Seligman, 1994).
Estád io 1: Confi ança versus Descon fi ança
No
primeiro
estádio,
definido
por
Erikson
(1963)
a travé s
do
binómio
confi anç a ver sus des conf ian ça, e spera -se que s eja cri ada u ma rela ção de afe cto e
cuidad o en tre os pai s e a s cria nça s, de modo a que se to rne uma pe sso a conf iante e
co mpreen siva.
Este est ádio dec or re desde o nasc ime nto até a o s dezoi to me ses de vida. De
acord o
co m
Sharf
(1992),
os
efeitos
mais
desenvolv imen to v oca ci onal , verif ica m- se
notórios
desta
crise,
em
termos
de
a o nível da visão d o futu ro. Os ind ivíduo s
co m uma pe rspe ctiva temp ora l positiva tendem a conf iar e m si p róprio s e no s ou tro s
e a plane ar co m
ag ilidade o fu turo (S harf,1992). Selig man (1994) sugere q ue este
estádi o afeta rá a natu reza do rela cio name nto in terpessoa l da cria nça , bem co mo o s
seus sent imen to s rel ativa mente
a si própri os
e aos o utros.
Estád io 2: Au tonom ia versus V ergonha
O segu ndo e stádi o da te or ia de E riks on ( 196 3, 1982 ) o co rre do s de zoi to mese s a o s
três idade. A crian ça vive de au ton omia vs ve rgonha . A resolu çã o positiva de st a
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Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância
tarefa imp li ca o desenvo lvi mento do senti men to de control o pessoal sobre si própri o
e de auton omia, con segu indo o control o do s esfínte re s. A i nfluen cia de ste e stád io ,
em
termos
de
dese nvolvi men to
vo cacion al
do
indivíd uo
situ a -se
a
nível
da
segura nça pessoa l e a uto co nfian ça, em que se basei am as deci sõe s vo ca cio nai s
orien tadas p or ob jec tivo s (Sha rf,1 992 ).
A
passagem
po sit iva
desta
fase
leva
a
um
sentid o
posi tivo
de
auto-
confi ança.
Estád io 3: Ini ci at i va versus culp ab i li dad e
O estád io t rês defi ne- se pelo conf lit o ini cia tiva vs cu lpabilid ade ocorre ao s
três
e
os
cin co
anos
onde
se
e spera
como
resol uçã o
posi tiva
que
a
crian ça
apresen ta a ini cia tiva de uma fo rma social ment e, neste perí odo. Ne ste estádio , a s
cria nça s co meçam a ident ifica r- se, imita r ou modela r o co mportamento do adul t o
dando iní ci o à constru ção de u ma ide ntidade ma scu lina e fe min ina.
Segundo
Se ligman
(1994),
a
re sol uçã o
p osi tiva
de sta
crise
reve rte rá
favoravel mente pa ra o p apel do t rabal hado r, devido à consciên ci a ou a o se ntid o
mor al que perm iti rá à c rian ça u ma aut o- mon ot ori zaç ão, di min uind o a nece ssid ade
de supervi são exte rna.
Eriks on ( 196 3,1 96 8) defende e ste o pe rí odo do jog o, po r exce lên cia, e m
cria nça po r livre in ici ativa e usa ndo a sua i ma ginaçã o se envolve activa mente n o
jogo si mbó lic o. N a s ua con cepçã o de jog o, E riks on ( 196 2, 1 968 ) con juga a na ture za
despreo cupada e a qualid ade e o comp ro mi sso socia l; a brin cadei ra
o que são o pensa men to e a plan ificaçã o para o
as
condi çõe s
são
si mpl ificad as
e
os
é para crian ça
adulto : o unive rso de ensa io s ond e
métodos
sã o
exploratórios
(E rikson ,
1962,1968).
Estád io 4 Re al iza çã o ve rsus infe riorid ad e
O
quarto
e stádi o
é
designado
de
real izaçã o
versu s
inferiorid ade
co mpreende
período e ntre os se is e o s o nze a nos e col oc ar co mo pri nc ipal desaf io à cria nça
desenvolv imen to
de
um
sen tido
de
competê n cia,
espe cial men te
na
rela ção
o
o
de
aprendi zagem . Nest a fase, o desenvo lvime nto p sic os oc ial da c rian ça vi ra- se para o
exterio r (E riks on), co meç ando- se a m over- se e m nova s área s. C om o se ja m a es col a
e outros lo cai s da comu nidade. Est a nova rea lidade lan ça con sta ntes de safi os à
cria nça n o sent ido de desenvo lvi mento de c omp etênci as, o que con jun tame nte c o m
a mot ivaçã o par a a c ompetê nci a que ca ra cter iza e ste per íodo , abre cam inho s a
diversa s aprendi zage ns. Um are sol uçã o posi tiva d este est ádio leva rá a um se nti ment o
de confia nça n as sua s capa cidade s.
Neste se ntid o, ta mbém, Selig man, 199 4 sugere que esta é u ma fa se críti ca
ao dese nvolvi men to v oca cio nal :
aqu i a crian ça tem a op ort unidade de aprende r
a
impo rtan cia da ed uca ção f ormal, e da co mpetên cia pesso al, be m co mo de senvo lve r
uma i mage m de si própria co mo t rabal hado ra.
Nesta fa se, e m que o de senv o lvime nto te m co mo ve cto r a organ izaçã o d o
sentid o.
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Segundo um e stud o de Mar ia Hele na Far ia de De us base ando - se na s teo ria s
de Seligman (1 994 ) acent ua que, neste períod o a crian ça aprende a revela r orgu lh o
no seu traba lho , persistência, cria tividade , a usar
o feedback da re so lução do s
proble mas e es tabele cer um equ ilíb rio en tre o trabalh o e o jog o na vida pess oa l
(Seligman, 1994). A
crian ça apl ica -se e m a ct ividades que
lhe permitem ga nha r
reco nhecime nto do s o utros a q ue E rikson (1 96 8) cha mou no se ntid o da indú st ria .
Esta et apa é deci siva do p ont o vista soci al
e vo caciona l.
2. P ers pe ct iva Desen vol vimen tist a de L inda Gottf re dson,
longo
As teorias
de senvolv ime nti sta s descrevem o de senvolv imen to vo ca cion al a o
da
in clue m
período
v ida
co m
e
as
cara cte rísti cas
primeiras
e specíficas.
con ce ptuali za ção
na
Os
mais
a utore s
que
infâ nci a,
enquanto
an ali saram
e ste s
pressupo sto s fora m Gi nsbu rg, Axelard e he rma ( 1951 ).
Super (1990) é
u ma
referên cia
obrigatória
d o do mín io v oca ci onal ma s é
generali sta no que con ce r ne ao perí odo d a pr imei ra i nfân cia s. Lind a Go ttfred so n
(198 1, 199 6) prop ôr uma teo ria do de senv olvi mento da s aspi raçõ es profissio nai s e m
que asso cia o s co ntribut os das perspetiva s psicológ ica s e so cio lógi ca ace rca d a
carreira . Para a au tora , as p referên cia s profi ssi ona is e a s escol has de
carreira
con sti tuem p ri mord ial mente u ma te nta tiva de r eali zar u m s i so cia l e s ó de mane ir a
secu ndári a, u m si p si col ógico (Go ttfred son , 19 96 ).
Assi m, a teoria d o de senvolv imen to das preferê ncia s v oca cio nai s G ottfred so n
(198 1,1 996 ), perspectiva
o de senvo lvi ment o do self so cial . O enf oque sociol ógi co
de Gottfred son (1 996 ) colo ca mai or enfa se n os aspect os ma is púb li cos e soci ais d o
self,
tais
como
o
gênero
e
a
cla sse
so cia l,
rela tivame nte,
aos
a spectos
mais
privado s da pe rs onal idade. De ste mod o, a ad o ção de u ma pe rspet iva soc io lógi ca
cont ribu i para a co mpreen sã o do de senvo lvi mento
d as p referen cia s vo ca cio nai s,
aponta ndo a i mpor tân cia da s bar reira s exte rnas na imple men taçã o do s ob jetivo s e
das ident idades pesso ais a travé s do trabalh o. Em su ma,
(1981,
1996)
con sidera
desenvolv imen to
a
vo ca cion al,
i mpo rtan cia
bem
co mo
ful cral
o
fa cto
o
de
a teo ria Go ttfred so n
a uto -co nce ito
os
ind íviduos
so cia l
no
pro cu rare m
profissõe s ou e mprego s co mpat íveis co m as i magen s que têm de si própri a s: o
elemen to determin ante para G ottfred so n (19 81, 1996 ) é a represen tação soci al da s
profissõe s.
De ac ordo
con si ste
co m Got tfredson (1 98 1, 19 96) , o desenvolv imen to da carre ira
num proce sso co m quatro fase s, da infância à adole scê nci a, em que o
indivídu o
pro cura
imp lemen tar
o
seu
a uto - con ceit o.
O
de senvo lvime nto
das
aspiraçõe s e escol has vo ca cio nai s est á associad o ao desenv olvi ment o cog nit ivo, e m
confo rmidade
com
o
quadro
norma tivo
das
idades
de
referên cia
(Gottfredson ,
1981,1996).
Existe m 3 con ceit os n a teo ria Go ttfred son (19 81 , 199 6):
O mapa cogn itivo da s profissõe s, a circu nscri ção e o co mpromi sso. Neste s
con ceit os eme rge a ideia de que o ser human o à medida que se desenvolve, d a
infância
à
adole scên ci a
forma
um
mapa
cogni tivo
das
profi ssões
no
qua l
circun screve as prefe rências p rofi ssiona is e ef ectua u m pro ce sso de co mpro mi sso
cara cte ri zado na e sc olha , c ons iderand o o s fact or es da real idade.
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A crian ça distingue , numa prime ira fase , as pessoa s e as profissõe s atravé s
das caracterí sti ca s mai s visívei s e con cret as, nomead amen te pequeno vs g rande ,
fraco
vs
forte,
porme norizada
à
esta
perceção
medid a
que
a
va i-se
cria nça
tornando
se
torna
cada
capa z
vez
de
mais
efe tuar
comp lexa
compa raçã o
mult idi mension ais, inferindo e stad os i ntern os à pesso a, descirnind o padrõe s.
Até
à
ad ole scên cia ,
mundo
as
do
cria nça s
vão
traba lho,
ava nça ndo
de
acord o
na
com
su a
co mpreen são
vários
padrõe s
e
conhe ci ment o
do
de
mascul inidade
e femini lidade, nível de prestígi o soci al e d o do mín io (G ottf redson ,
1996).
Gottfred son
desenvolv imen to
(2005)
sa lient a
v oca ci onal ,
quer
o
no
papel
que
diz
activo
respei to
do
ao
s uje ito
no
se u
de senvo lvime nt o
voca cion al, que r no que di z respe ito a o desze n volvime nto do s map as c ogni tivo s do
mundo p rofi ssiona l, quer n o que se refere à con stru çã ov do aut o-con ceit o. Segund o
a
mesma
autora,
a
con struçã o
destes
pro cesso s
est á
rela ci onada
co m
a
singu larid ade do seu pa tri mó nio gen éti co e pela s experiên cia s vivida s, desde mui t o
cedo.
Gottfred son , (2 00 5) sugere que o seu desenvolv iment o e stá rela cio nado co m
as escol has que efe ctu a e relat ivame nte a os t ipo de experiênci as a que se expõe.
Assi m, ao longo d o proce sso de mat ura ção , as crian ças vã o-se a ssumindo u m
papel na sele çã o, inf luen cia, e i nterp reta ção d os seus con texto s.
A crian ça vai pro cura ndo as su as referê ncias no seu mundo social, quand o a
nível pessoal se nte nece ssidade de novos conh ecime nto s pro cura desenvolv ime nt o
em form a çõe s, a ctiv idades de sportiva s e cul turais. ..
Quadro 2 – Fases de Desenvolvimento do Auto-Conceito e das Vocacionais
Cara cterística
Id a d e
(em an os)
Ano Escol ar
Orien tação para
tama nho e pode r
3-5
o
Orien tação para
papeis sexu ai s
6-8
Creche e Jard im de
In f â n c i a
In t u i t i v o
1-3
os
Orien tação pa ra a
valori za ção S oc ial
9-13
4-8
Orien tação para
o Self-ún ico
14 em diante
9 em diante
Pro cesso s de
Con cret o
Menos Con cre to
Abstra ct o
Pensa ment o
Novos
Pequeno
Género
Classe So cia l
In t e r e s s e s , v a l o r e s
elemen tos
versu s Grande
e In t e l i g ê n c i a
e compe tencias
perceção
pesso ais
acerca ao self
e dos ou tros
Novos
Profi ssã o enqua nto
Estere ot ipo
Nível de Pre stígi o
Camp o de Tr abalh o
elemen tos na
papéis do adulto
Genero
perceção e
preferencias
voca cion ai s
Fonte : Gottf reds on L . 19 81 – Cir cu ms crip tio n an d Comp ro mise : A Devel opme ntal The ory of
Occupati ona l aspi rat ion s Jo urna l of C oun seli ng P sych ology 2 8 (6 ) 54 5-5 79 (p. 555 )
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Neste sent ido, a cria nça ini cia o p roce sso de imi taçã o iden tifi cando -se co m a
figura pare ntal pe rten cent e ao mesmo sexo, ne sta pri meira fase (e ntre os trê s e o s
cin co an os), onde a s crian ça s se sente m orienta das para o tamanh o e po der.
Numa segunda fase , vamos encont rar a o rien t ação p ara os papéis sexu ai s
(entre os seis
Para
estre ita
e os oito a nos)
Got tfred son
re lação
(1981),
en tre
a
a
con sciência
con sciên cia
de
si
próprio
relativ amente
aos
desenv olve - se
p apéis
sexua is
em
e
as
activ idades v oca cio nai s. Os e stere otip os asso ciados ao s papéi s do s adul to s (po r
exemplo papéi s sexua is o u papéis o cupa cio nai s) poderão se rvir
crie
um
sen tido
de
se lf
e
o
desejo
de
se
torn ar
para que a cria nça
detentor
de
ca ra cterist ica s
associ adas a deter mi nadas pessoa s. Ist o re laci ona- se estri tame nte co m o f act o de
um
do s pri mo rdiai s fo co s de
preo cupa ção d o indivídu o se r o lug ar que ocupa na
vida so cia l, con st itui ndo uma
profi ssão um d os sina is de
constrang ime nto ma is
forte s na apree nsã o do se lf à so cie dade (G ottf re dson, 199 6).
Neste pe ríod o, as crian ça s nã o revela m pre ocup ação pelo pre stíg io asso ciad o
a
cada
prof issão,
mostrand o
apen as,
u ma
pré-consciên cia
da
di st inção
e ntre
profissõe s em termos de cla sse so cial .
Todavi a,
e sta
referê ncia
à
classe
so cia l
é
feita
atendendo
a
critério s
dicot óm ic os, tai s c omo o ri co v s pobre, ou li mpo vs su jo.
Em suma, ne ste segu ndo e stádi o a crian ça inclu i profi ssão no e spa ço d o qu e
é toleráve l, tend o em con ta a sua ident idade do gênero.
Entre o s 9 e o s t reze a nos dá -se a orie nta ção pa ra os papé is so ciai s.
Ao lo ngo de ste e stád io, os jovens vão- se tornan do ma is sen sívei s à aval iaçã o
social por parte do s seus pare s que r po r pa rte dos seu s pa res, que r po r pa rte d a
soc iedade em ge ral. A ss im é de a cord o c om Lin da Gottfred son (19 81, 199 6), co m o
també m ao que é social mente p rest igian te.
Aos 9 an os, a crian ça é capa z de aval iar criti ca mente as profi ssões de ba ix o
prestíg io, não as in clui ndo n as sua s prefe rências voca cio nai s. Ne sta idade, a crian ça
co meça a aprender os sí mbo lo s mais concret o s a sso ciad os á cla sse so cia l (e .g,
vestuá rio , co mpo rta ment o, ob jec to levad os pa ra a esco la) .
Este fat or de valo ri zaç ão em rec onhe cido n os d ados de um e stud o real izad o
em Por tugal , em que o s jovens de 1 3-1 4 ano s expressava m c om o pro jeto s, mai s
represe ntat ivos a s pr ofis sõe s l igadas à s engen h aria s, à med ici na, ao jo rna lis mo , à s
ciên cia s so ci ais e a o De spo rto (Te ixeira , 20 09) .
Ao
long o
dest a
fase
perspectiva re lativ amen te ao
Assi m,
à
medid a
de
de senvo lvime nto ,
o
jove m
dese nvolve
uma
níve l de capa cidad e (Gottfred so n, 19 81, 199 6).
que
os
jovens
vão
incorporando
no
seu
aut o -con ceit o
elemen tos referen tes à cl asse soci al e à capa ci dade individua l, te ndem a os me smo
tempo
a
rejei tar
alterna tiva s
que
pareça m
incon si sten tes
com
os
elemen tos
recen temen te i ntegrados no se lf e stabele cendo um li mit e do que é permit ido e m
termos de a spira çõe s vo caciona is.
Des te m odo, pa ra alé m da i mpor tân cia de var iá veis c om o cla s se so cia l e a o
nível do prest ígio , també m
a capacidade indivi dual co meça
a ser
equacio nada n o
proce sso de ci rcu nscri çã o das prefe rências v oca cionai s.
Ao long o desta
perspectiva
fa se
de
dese nvolvi men to,
o jovem dese nvolve
u ma
nov a
rela tiva mente ao seu nível de ca pacidade . Segundo esta au tora o
desenvolv imen to
da
con sciência
da
capacidad e
so cia l
e stá
rel aci onada
com
os
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resu ltado s esco lare s, u ma ve z que est as con sti t uem ind icad ore s dessa cap acidade . A
esco la, constitu i, segund o
a refe rida aut ora, u m contex to de grande infl uên cia na s
perceções fa cil idade/dif icu ldade rel ativa mente à s profi ssões.
Assi m de aco rdo com Go ttfred son ( 1 981 ), no final do terceiro estád io d e
desenvolv imen to
das
prefe rên cia s
voca ci onai s,
os
joven s
desenv olvem
uma
con ceçã o clara da sua ide ntidade so cial .
Apesar de podere m revelar u ma inde ci são face às preferên cia s profi ss ion ais ,
é co mu m n est as idades apre sente m p ro jet os de pro ssegu ir um c ur so super io r, cu ja
expresão pe rspet iva uma ati tude já bast ante e stável , rela tiva mente à sua po si çã o
no mu ndo e na h iera rquia so cial co m base ge ral
nas suas prefe rên cia s voca ci onai s.
A escolha v oca ci onal é, ne sta fase, um produ t o do de sejo de perte nça a o
grupo, de se r respei tada e de ver u ma vida co nfortáve l, tendo co mo refe rência o
grupo a que o indivídu o perte nce (G ottf redso n, 1996 ).
E por últi mo , a auto ra fala -no s numa quart a fase que se enquadra n a idad e
de 14 ano s.
Segundo
Gottfredson
(19812,
1996)
neste
estádi o
de
desenvo lvime nt o
assiste -se a uma re orienta ção ao n ível das expetativa s e crité rio s que preside m
circun scri ção
das
a spiraçõe s,
p assando
impo rtân cia crescente . C om efeit o
os
valore s
individua is
a
detere m
à
uma
a pa rti r dest a fase, o s ad olescen tes envolve m - se
num proce sso de aná lise co nscien te das a lternat ivas que re sta ra m nu m pro cesso d e
circun scri ção
profissã o
de senvo lvido
ao
long o
cu jo s res ult ados p os sam
dos
ser a
trê s
estádios
anterio res,
pro cu rand o
re ali zaç ão pes soa l. As si m Got tfreds on ,
(198 1, 1 996 ) suge re que o de senvo lvime nto ao longo d os t rês e stádi os ante rio res,
procurand o
prof issão
Gottfred son
cu jos
(1981,1996)
resultad os
sugere
po ssa m
que
o
ser
a
real izaçã o
desenvolv imen to
pessoa l.
das
Assi m
prefe rência s
voca cion ai s demo nst ra u m sen tido self mais pe ssoal e p si col ógico.
A capacidade de lida r co m con ceit os cada vez mai s abst rat os pe rmi te um a
crescen te
con sc ienc ial iza çã o
indivíduos que r da
p rofi são
dos
aspe cto s
(Gotf redson,
mais
inte rnos
e
1981,1996). Nesta
úni co s,
fa se
de
quer
voca cion al fo ca- se no do mín io do t rabalh o que revelam maio r co ngruê nci a
image m que o ado lescente tem de si e que
dos
explo ra çã o
co m a
pre tende pro jet ar o se u esp aço s oci al .
Assi m enquan to no s prime ir os est ádio s o desen volvime nto se a ssi ste à re jeiç ão de
profisão que pare cia m in ace itávei s a o ind ivíduo , neste estádio o indivídu o procura
identifi car
as
prof issõe s que
se
reve lam
ma is
preferida s e
a ce ssíve is.
Assi m
o
desenvolv imen to de a spi rações v oca ci onai s t orn a-se n um p ro cesso mul tidi men sio na l
e mai s co mplexo , in clu indo n oções de person alid ade apreendido s.
2. 2 O P ro cesso de C ircuns cri ção e Com p rom i sso
Na
perspect iva
de
Got tfred son
(1981,1996),
o
proce sso
de
comp romisso
define-se pela inc lusão do s fato res da rea lidade nas escola s. A ssi m o comp ro misso
voca cion al
resu lta
de
uma
acomodação
das
aspiraçõe s
individuais
à
re alidad e
externa.
Gottfred son defi ne- se doi s tipo s de compromisso :

O
compromisso
co meça m
a
ante cipat ório
in tegrar
as
que
suas
o corre
quando
e spera nça s
os
indivíduos
relativa men te
determinada s opções (aval iaçã o da comp atibi li dade co m
perceção da real idade
a
a su a
(avalia çã o de acessibil idade), int egra çã o
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que
leva
muita s
vezes,
a
um
afastame nto
d as
preferê ncias
e
ideais n o se ntido da s po ssibilid ades rea is.

O comp ro misso experie nci al, que ocorre quand o o s i ndivídu os se
defronta m
co m
as
barreiras
con cre tas
de
i mpleme nta ção
de
preferências.
O pro cesso do co mpro mi sso pode se r li mit ado pa ra a falta de
informa ção e/ ou at itude expl orat ória pou co dese nvolvida que lev a
a um estrei tame nto da s op çõe s co nsiderada s que são,
frequente mente con tingen tes co m as pe ssoas
e as oportu nidades
associ adas a o espa ço so cial de proveniê nci a (Go ttfredson) .
De
a co rdo
co m G ottf redso n
poss ibil ita m um ra zoáve l grau
de
(2005),
a s pesso as
procura m profi ssõ es q u e
co mpatib ilid ade. Assi m, e
segund o a
referid a
auto ra m uita s ve zes, o ob jet ivo do p lanea men to vo cac iona l é en con tra r u ma bo a
corresp ondên cia en tre a perceção que o indiví duo tem de si própri o e as opç õe s
dispon íveis,
se ndo
que
as
correspo ndencias
não
são
sufi ciente men te
boa s,
os
indivídu os ba seam a s decisões n o que excl uem.
Assi m, o compromisso v oca ci onal será e stabe l ecido co m as profi sõe s qu e
melh or se adeque ao tipo de trabalh o cara terí stico do e sp a ço so cial definid o pel o
indivídu o, de a co rdo co m refe renciai s do gé nero , prestígi o e variávei s mais in terna s
do indivíduo.
4.
Cont ribu tos da pe rspet iva So cio -Cog nit iva
Bandura ( 198 6) propõe o co ncei to da re cip ro cid ade triá tica, assu mind o que o
indivíduo,
o amb iente, e o s fato res co mpo rta menta is inte ractua m
de u ma forma
cont ínua e bidi reci ona l. O desenvo lvi mento de variávei s cent rai s de nature za
só ci o -
cogni tiva co m cren ça s de au to-ef icá cia ou as expectat ivas de re sult ados en cont ra - se
dependente dos pro cesso s de aprendizagem e relaci ona m-se co m a forma ção de
intere sse s vo caciona is. O desenv olvi ment o de i ntere sse s e as esco lha s voca ci onai s
são pro ces so s de cor rente s d a ap rendi zagem pe sso al, ao lo ngo de t odo o cic lo de
v i d a . D a d o s d e i n v e s t i g a ç ã o , e m c r i a n ç a s d o J a r d i m d e In f â n c i a , p e r m i t e m i n f e r i r o
papel
das variávei s de natu reza cognit iva para o desenv olvi ment o dos inte resse s
(Bara ck,
Shilon
e
Hou schner,
1991),
eminen teme nte fant asi sta s e de ca ri z
regi stando- se
nest as
idade s
pr oje to s
mági co (A raújo 20 02 ) .
Ainda de ac ordo co m es te est udo c itand o Bandu ra (1 977 ,20 07) , Len t, Br ow n
e
Hackett
e
Bet z (2 001 ), o de senv olvi ment o
dos i ntere sse s profissi onai s é
um
proce sso evolu tivo de aprend izagem social, e m que opera m as experiências, o s
modelos de iden tidade
e o s afeto s.
Lent , Bro wn e Hacket t e Betz ( 199 4), c om ba s e nos pri ncíp io s de Bandur a
(198 6), propu seram 3 model os
sã o ap resen tado s de fo rma que expl ica m a forma çã o
de intere sse s, a e sco lha e o de sempe nho.
Assi m as prime ira s experiên cia s no amb ito do 1 º ciclo esco lar pode m tornar se
um
fa tor
de ci sivo
do
de senvo lvi ment o
quer
rela tiva mente
à
qualidade
das
altern ativa s in clu ídas n o espa ço social e indiv id ual quer á fo rma ção da s crenças de
confi ança na cap acid ade eco nó mica.
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Essa investiga ção co m amo st ras po rtug uesa s, os re sul tado s vão no sen tid o
que que a escolaridade da família é u m do s fatore s com
exercer
maior probab ilidade d e
infl uen cia a nível de c ren ças e c ompe t encia s e a níve l de pr oje to s, muit o
em part icu lar n as r aparig as ( Teixei ra, 200 8)
Betz
e
Ha ckete
(1981)
most raram
també m
que
apesar
de
exi sti re m
influen cia s e strutu rai s e so cia is na e scolha da carreira , o se ntido de co mpeten ci a
que desde cedo a co mpanh a as ap rendi zagen s forma is n a es cola , é um mediado r
impo rtan te dest as inf luen cia s
de carreira.,
Os rapa zes de 13- 23 tendem a confi rm ar a a sso cia çõe s en tre os pro jet o s
profis si onai s e o s fato res d o gênero e d o pres tí gio so cia l, i ndic ando co mo pr ojet o s
mai s expressivo s engen hari as, de spo rto e Med ici na.
Enquanto
os
p ro jeto s
das
rap ariga s
re caem
em
área s
co mo
Med ici na
,
Jorn ali smo e Ciên ci as So cia is.
Autora de ste est udo parte da li tera tura exi ste nte na área vocaci ona l para
fundamen tar
a
sua
tese
da
i mportân cia
de
se
trabalha r
o
de senvo lvime nt o
voca cion al pre co ceme nte.
A autora conclui que existe o dese nvolv imen te
voca cio nal e stá i nti ma ment e
ligado a o desenvo lvi ment o psi co- so cia l (Selig ma n)
Nesse se ntid o, co m base na s taref as de desenvo lvimen to de Erik son ( 196 2) e
nos co nce ito s da s te ori as da s teor ias de Go ttfr edson (19 81) é o ob jetiv o ger a l d a
invest igaçã o
anali sar
em
que
medida
o
mapa
cogni tivo
profissõe s associada s a o gêne ro e ao pre stíg io e pretende u
das
cria nça s
in clu i
ainda explo rar se este s
fatore s es tão imb uído s n os ju lgame nto s da cr i ança rela tiva mente à aber tura ao s
dois sexo s do seu pr oje to pr ofis si onal . Exa mina ndo-se ta mbém a rela ção d a c rian ç a
co m
o
seu
mund o
escola r,
nomeada mente ,
no
que
respei ta
ao
sent ido
de
co mpetên cia que a cri ança exp ressa face à s a cti vidades escol are s.
O estudo foi base ado numa a mo stra explo rat óri a de 4 2 a luno s d o 4º a no d e
esco laridade, com idades co mpreend idas en tre os 9 – 11 an os que f requent am a
Escola Bá si ca do En tro nca men to n o ano de 2 009 /201 0.
A
auto ra div idiu o text o e m vár ias tem áti ca s ut ili zand o u m c on junt o d e
questõe s. ..que pa ssa mo s a enu nci ar:

Quando cre sce res o que gostavas de ser?

Os rapa ze s e as r aparig as pode m

Quai s as a ctiv idades que g ost avas de fa zer na e sco la?

Gosta s de anda r na esco la?

Faze s se mpre o s tr ablh os de ca sa ?

É impo rtan te se r bom a lun o?

Os teu s pai s faze m c oi sas iguai s ou dife rente s e m ca sa?
ter a mesma p rofi ssã o?
Neste pequ eno art igo, sobre o de senvolv ime nt o vo caciona l n a i nfância nã o
iremos extrap ola r t odo s o s dad os pre sente s n o estudo , fixa remo -n os apena s
nalgun s detal hes que julga mo s i mpor tant e sal ien tar:

Toda s as cri anç as soube ram i ndi car u ma pr ofis sã o definida
18
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
Na amo st ra feminin a as profi sõe s ma is n omea das fora m “ve teri nária ”,
“profe sora”, “enfermei ra” e “arqu iteta ”.

Na
amo st ra
masculi na
“engenhe iro”,

destaca-se
a
p ro fisão
de
“futebo li sta” ,
“ve terin ári o” e “cie nti sta ”
Nesta, fa se (9 -11 ) as cria nça s do sex o ma scu lino
tende m a esco lhe r
profis ões ac tivas e de c omp onen te fís ica e o s ra pazes d ão pr edom inân c i a
a profi sões orie ntada s para pe soa s
A
autora, Ma ria
Hele na
Faria
de
e de serv iço s de ajuda
Deus c onfi r ma
no
seu
estudo as ba se s
teóri ca s das teo ria s voc aci ona is já existe ntes , col oca ndo as cria nça s ob jeto do se u
estudo
numa
fase
de
transiçã o
na
esco lha s
das
profi sõe s,
ainda
fortemen te
orien tadas para os papé is sexuai s ( as pr ofi sõe s mas cul ina s e fem inin as) co ntud o, já
co m algu ma o rient açã o para a va lorizaçã o so cia l .
O obje ctiv o dest a pequena an áli se é de refo rça r a ideia que o fat or p rofi sã o
associ ado ao fat or de valorizaçã o escola r e voca cion al é fundame ntal na
constru çã o
de
art íst ico
bases
cient ífico
específ ica
sólid as
de
estímulo
pa ra
o
de sen volvime nto
vo ca cio nal,
e
nu ma te ntat iva experien cial de enqu a drar cada crian ça n ão n uma profisã o
mas
n uma
á rea
vocaci ona l
abra ngente:
edua ção ,
saúde ,
Est udo s
Artísti co s, Engen harias, Co nst ru ção C ivil , Hote la ria.. .
Uma fo rm a de a cria nça de sde cedo con str uir so nhos , obje tivo s e est abelece r
meta s escola res
e fu turos profissi onai s .. .
19
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“A cri ança tem o dire ito à edu ca ção , que deve se r gratu ita e ob rigat óri a, pelo
meno s no s grau s ele ment are s. Deve ser mini st ra d a uma edu cação que pr om ova a
sua cult ura e lhe pe rmita, e m condi çõe s de
igualdade de opo rtu nidades, desenv olver a s su a s aptidõe s menta is, o seu sent ido
de respon sabi lidade mora l
e so cia l e to rnar -se um me mbro úti l à socied ade.
O inte resse supe rio r da crian ça deve se r o pri ncí pio diret ivo de que m tem a
respo nsabi lidade da sua edu cação e orient açã o, respo nsabi lidade e ssa que cabe, e m
prime iro lugar, ao s seu s pai s.”
(Pri ncíp io Séti mo De cla raçã o U niver sal do s Dire i tos da Cria nça )
Cap ítu lo III – Da Teo ria à p rát i ca. ..b rincar, exp lo ra r, sonh ar, cri ar...
As pra ti cas desp ort ivas e de senvo lvime nto artíst ico
já
te m uma
gra nd e
expressividade a n ível da s actividade s extra-curricu lare s, p or i sso, i remos deb ruç arnos,
ne sta
segu nda
pa rte
deste
trabalho
-
dentro
da
ide ia
p rin cipal
do
desenvolv imen to a n ível es col ar do pr oje to Lab orat óri o das P rofi ss ões respei tand o
os
go sto s,
e scolh as
e
vo ca çõe s
de
cada
cr ia nça
-
nas
á rea s
desenvolv imen to de um Labora tó rio Cien tífi co e de Escri ta
encon tra –se
intimamen te
ligada
ao
e st ímu lo
da
le itura
espe cífi cas
do
Criativa este último
e
do
de senvo lvime nt o
cult ura l e art íst ico.
O que pensa m as cri anç as qua ndo at ingem um g rande ob ject ivo ? ....
Escrevi o meu pri mei ro l ivro co m o s meu s amigo s...
Redigi o me u pri mei ro artigo ... .vai se r publi cad o no jorn al da E scola. ...que fixe ... .
Dei a min ha p ri mei ra c ons ulta ...
Con str ui o meu pri mei ro pr oje to. ...
Fiz a min ha primeira exposição de pintura ...
Convide i os meu s pais pa ra a ssi st ire m à mi nha p rime ira pe ça de teat ro . ...
Hoje fu i eu que dei a au la de por tuguê s...g os tav a tanto de ser pr ofes sor ...
20
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Cres ce r a b rin ca r e
a ap rend er ...
A. Labo rat óri o de Ciên cia s
Em ten ra idade dese nvolve mo s mu ita s capa cid ades art ística, aprende mo s a
pintar,
a
can tar
a
represe nta r
e
ini cia mo s
aprend izagens
ele menta res
se m
incid ir mo s m uit o ap rofundad amen te n uma apren dizage m c ient ífic a, con tudo segu nd o
e s t u d o s m a i s r e c e n t e s e n t r e o J a r d i m d e In f â n c i a e o P r i m e i r o C i c l o j á e s t a m o s
preparados
para
desenv olver
co nhecime nto s
cient íficos
e
ter
a titudes
segund o
metod olog ias cien tífi cas...
A base te óri ca de ste capí tul o in cide sob re u m estud o de J oaqui m Sá , d o
In s t i t u t o
de
E stud os
da
Crian ça
da
Unive rsidade
do
Minho
“A
abordage m
experimen tal da s ciências no J ardi m de Infân cia e de 1º ci cl o do En sin o Bá sico e a
sua re levância para o pro cesso de edu ca ção ci entífi ca no s níve is de esco larid ade
seguin tes”.
O aut or dá- nos co nta que o pro ce sso expe ri ment al é part icu larmente fe cund o
na faixa etár ia do s 4/5 a os 11/ 12 an os e m ter mo s de opti mi zar a ap rendi zagem e
desenvolvi men to.
Em termos hi st óri co s
doi s fa cto res foram fund ament ais para a ev olu ção d a
Hist óri a das C iên cia s Experi ment ais pa ra C ria nça s:
a)
foi no contexto de uma
con sciência genera li zada da cri se do ensino da s
Ciên cia s n o pl ano in terna ci onal , que eme rgiu a i deia de int rodu ção na escol a
elemen tar e no ja rdim de infâ nci a. N os USA, e m parti cul ar, o l anç amen to d o
1º sa téli te artifi cial Sputn ik, em 195 7, pel a e x -Uni ão Sovié ti ca, gerou e m
estado de al arme re lativa men te à qu alidade d o ensino das Ciê nci as e da
Tec nol ogia. De ssa p reo cupaç ão re sul tou
ade cisão d o govern o ce ntra l de
incu mbi r a Nation al Scie nce Fo udati on de provid encia r uma refo rma que veio
a propor n ovos progra ma s e recurso s didat icos para o ensin o das C iência s
desde o ja rdi m de infân cia a té ao fin al do Se cun dário ;
b)
o movi ment o de reforma curricular d o iní cio da década de 60, no e ssen ci al ,
punha em c aus a o trad ici onal en si no base ado na memo ri zaç ão de info rma çã o
e contrapunh a uma fil osofia segu ndo a qual
o aluno aprende C iên cia à
semel han ça de como o cient ist a faz ciên cia . Co n sequente ment e, a in trod uçã o
das
Ciê nci as
na
e scola
e lemen tar
enformada pela perspe ctiva de que
e
jard im
de
infância,
e stá
à
pa rtid a
o tradicio nal ouvi r falar sob re Ciên ci a
deve dar lugar a faze r Ciê nci a. E m cert os pa íse s da Europa , sob
a influe ncia
de Pestal lo zi, pa rti cula rme nte, e m Fra nça , o m odel o das Li çõe s das C oi sa s
preco ni zava que as c rian ça s fos sem e sti mul adas a exami nar
e descreve r
term os muit o si mple s e famil iare s as pr opried ades e util idade dos ob jet o s
mai s próxi mo s, a ntes que q ualque r info rmaçã o fosse f orne cida a oi adu lto .
Em sínte se, a ideia de Ciê ncias pa ra a s cri ança s surge no con texto d e
uma refo rma cujo obje tivo era melh ora r a qual idade da educaçã o cien tífi ca
dos jovens.
21
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Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância
Contudo,
pela
década
de
80,
o
opti mi smo
i nici al
de
um
ensino
experimen tal pa ra cri anças dava luga r a u ma certa de desi lu são. A pedagogi a
de
Li çõe s
mecâ nica
sobre
de
as
C oi sas
i nforma ção
em
p ouco
con tida
nos
te mpo
degenerou
manuais
na
esco lare s
e
mem ori za çã o
a
pretend ida
observa ção c onc reta do s ob jet os de u lug ar à observa ção das i magen s do s
objet os. Falt a de visã o tr imend is sio nal.
Por outro
do
proje to
lad o, e m con trap onto,
Scie nce
5/13
sustenta
Wynne Har le n ao faze r a avali açã o
que
a
perspect iva
experime nta l
intr odu zida no re ino Unido n as déc adas de 60 e 70 resul tara m ac tivid ad e
físi ca e ma nipul ativa da pa rte d o s alu nos e numa baixa act ividade in telet ual.
Em
Portug al,
uma abordagem
ape sar d as o rien tações cu rri cul a res desde 197 5 exi ste
p rati ca e experi men tal in cip ient e...
As lacu nas que o s vári os au to res apo nta m para uma ce rta inép cia da s
ciên cia s experi menta is e m ten ra idade te ndo em cont a os resu ltad os.
Cont udo, seg undo , Joaqu im Sá o in tere sse do seu desenvo lvime nt o
assu me u m ca rá cter mai s pedagógi co de que pu ramente cien tífi co .
Do p ont o de vis ta
em
fun ção
da
Ciên cia ,
de Ciên cia pa ra cri anças é impo rtan te nã o ta nt o
mas
primord ialmente
em
fun ção
da
edu ca ção
da
cria nça , ou seja , do se u desenv olvi ment o inte let ual, pes so al e s oci al.
Segundo o me smo au tor e refe rind o-se ao co nh ecime nto empí ri co q ue
tem
–
En sin o
Experimenta l
no
1º
ciclo:
ap render
a
pensa r
–
pro jet o
f i n a n c i a d o p e l o I IE , P r o g r a m a P E P T 2 0 0 0 , C e n t r o d e E s t u d o s d a C r i a n ç a d a
UM e apoi o da Dire ção Reg iona l de Educaçã o do Norte
- o imp orta nte é
sens ibil iza r até porq ue à luz da ps ic ologi a refer encia ndo Piage t “ a cr ianç a é
muito
real ist a
pa ra
ser
lóg ica
e
muito
inte l etuali sta
para
ser
observad or ” (19 77: 254 ). P retende - se di zer que no seu reali sm o
um
puro
a crian ça
percecion a o mundo f ísico de f orma frag ment ada, falta ndo a coe rência e
unidade
nas
apresen tado s
su as
em
teoria s
dife rente s
expl ica tiva s
co ntext os,
e
p or
f enóme nos
outro
lado,
similare s
a
quand o
segunda
pa rte
daquela a sserção sign ificará que a cria nça é de masiado dependente do s se u s
esquem as men tai s par a se r capa z de fa zer obs er vaçõe s que não se coad une m
co m tai s esque ma s e assi mila ção .
Um exe mplo. ..
Num g rupo de cria nça s de ci nco
estre ito . As crian ça s
aprese nto u-se
um fra sco de ga rgal o
manife sta ra m a ideia q ue o referido f rasco não ti nha ,
aparente mente ,nada n o se u inte rio r.
Ao se r deitad o na ho ri zon tal
um burb ulha r
dentro da
ga rraf a
nu ma ba cia co m á gua as crian ças vira m
e
come çara m a
refl ect ir. ..sobre
o que
acon teceu
-con cl uira m que afi nal o f rasco e stava chei o de água
-ao inve rter -se a posiçã o nu ma ba cia co m água entro u ar que fe z bu rbulh ar a
água
Em con jun to, c om ajuda do profe ss or, as cr ian ças , refle ct ira m sobr e
uma experie ncia e germina ram uma h ipóte se .
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Revista Sentidos – Dire. Ana Margarida Alves
Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância
O au tor acredit a que o imp ort ante é e sti mula r a ref lexão. Assi m, a
focal iza çã o da aten ção e e stabe lecer rela çõe s entre a s obse rvaç ões . Nes se
proce sso é capaz de constru ir nova s repre sen taçõe s men tai s da realidad e
observada , ultr apas sand o os li mite s da sua sub j etividade “in telet uali sta ”. De
novo te m u ma
i mportân cia
funda men tal o q u esti ona ment o inte nci ona l do
adulto e a inte raçã o com o utras cria nça s.
Em
resu mo, a s cri anças desde
mui to ten ra idade são capa ze s de
evolui r de um sin cre ti smo sen sorial para a e sfera das imagens menta is d a
realidade ou se ja o pl ano con cetu al. Adqu ire m C onhec ime nto s.
No fundo, a i mpor tân cia do “ Labo rat óri o das C i ência s” é funda ment al
mai s no a cto de e sti mula r o pen same nto d o que propria men te
os re sul tado s
cient íficos.
Não
se
trata
aqui,
apenas
enriq uece r
a
cul t ura
geral
em
termos
cient íficos, ma s sim e sti mul ar o raci ocíni o e a re solu çã o de quest ões.
Elevar
a
i mpo rtan cia
da
aprendi zage m
pa ra
alé m
da
si mple s
mem ori za ção e do di tado cien tífi co. ..
Do
po nto de vi sta d o aut or,
são de
referi r vário s fa cto res qu e
confere m à faixa etár ia do s 4/5 ano s a os 12 an os, um perí odo opti mo cu ja s
potencial idades deveriam ser mai s
exploradas:
a)
o elevado pode r inte rrogativ o das cria nça s
b)
o elevado potencial de cria tividade
c)
a plast icid ade das suas ide ias e
ausên cia
de
con ceções
esq uema s
alte rnativas
men tais o que sign ifica a
en rai za das
e
au sências
do
“sí ndro me da re spo sta ce rta ”
d)
frequente
ocorrência
de
noçõ es
intuitivas
antagó nicas com o s conce ito s científ icos
que
ao
invés
de
co rre sponde m a uma fa se
embri onária de u m pro cesso de evol uçã o conce p t ual
e)
o elevado ritmo de ma tura çã o das e struturas co gnitiva s
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Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância
Em su ma a impo rtân cia de se prec oni za r um ens ino experi menta l reflexivo d e
Ciên cia s entendid o co mo u m todo e m que pensa ment o e ação se comb ina m de forma
circul ar re co rrente .
As cria nça s e levam-se para alé m de u m pen sa mento meramen te exe cut ivo e
cria m age m, refle tem e t ira m conclu sões.
- Plan ifica m e preve m
- Executam p roced ime nto s, fa zem m ediçõe s, ob serva çõe s e regi sta m
-Explicam, inte rpret am e aval ia m
Podemos con clu ir, de sta peque na expo sição ten do em cont a o envo lvime n t o
da inte raçã o de vá ria s a ctivid ades n os “ Labo r atór ios de C iênc ias ” da imp orta nc ia
que tem
a sua in trod uçã o precoce n os curri cul o s escola res.
B. Laborat óri o de E scri t a Cri ati va
“O va lor do m eu la pís ”
Eu tenho u m lapí s que escreve
oito palavra s ao d ia.
Se ele nove escreve sse
Quem sabe o que va leria ?
Já me davam pela s letrinh as
Meio quilo de sardinhas
Já me davam pela s rimas
Um cord ão para as minh as prima s.
(...)
Lapís que as si m vale ta nto
Não vai parar ao mu seu
Vou gastá-l o até a o fim
E dar essa hi st ória a mi m.
Maria He lena P ires
Tetra letr a, Edi tora
Tri nta po r um a Linha
Desde o mo ment o que as cria nça s apre ndem a brinc aria r c om
as pa lavra s,
no te mpo do s sonh os e dos dragõe s. ...reve lam uma i magi nação mui to fértil ... o que
nos leva
a
quest ion ar se
ora lme nte
já
cont a m tanta s histó ria s será
mo ment o, a s crian ça s, tê m capacidade para a prender
que
n esse
a e screver e ssas mesma s
hist óri as fal adas ?
Numa te ntat iva de explora r a imp ort ânc ia que a Língu a, a lei tur a e
exerce
no
de senvo lvime nto
cogn itiv o
e
so cia l
das
crian ças
de sde
as
incu rs ões na apre ndi zagem da Língua Mate rna surge m cada ve z m ais
a escrit a
prime ira s
Ateliês d e
Escrita Criativa e m actividade s de extra -cu rricu l ares.
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Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância
Tendo e m co nta que de m ãos dada s c om a mate máti ca a Língu a Por tugue sa é
uma d as discipl ina s fu ndame ntai s pa ra co mpree nsão do mu ndo e do s seu s dive rso s
código s li nguí sti co s é impo rtan te dina mi zar mo s várias a cç ões pedagóg ica s em vol t a
da arte de ler, escrever, ouvi r
e escrever.
Para fu ndame ntar essa idei a en con tra mo s li tera t ura variada sobre o i nicío d a
co muni ca ção es cr ita. De refer ir, u m texto de L a ura Mac hado , Cadern os de Edu caçã o
d e In f â n c i a o n d e n u m t e x t o
sob re a Linguage m Escri ta na Edu ca ção pré -E sco la r
aponta -no s a s inves tiga çõe s de Ferre ir o e Tebe r osky ( 19 84) e Alve s M art ins (1 99 6)
demon stram que as crian ças p ossue m conhe ci mentos à ce rca da li nguage m escri ta
antes de entr are m par a o m 1º ci cl o. To rna - s e então ev idente q ue o e sfor ço de
aprendi zagem da lingu agem e scr ita n o En sin o Pr é-Es col ar é funda ment al.
Vygotsky (1 98 8) no s t inha d ita que se en sina “. ..a crian ça a de senh ar le tra s
(...) ma s não se en sina a lingu agem e scrita .
Assi m a des cobe rta da F unc ion alidade da Li ng uagem E sc rita é fu ndame nta l
para o proce sso -de aprend izagem da mesma. É a parti rn desta descobe rta que a
cria nça va i co ns trui r se ntid os e ra zõe s par a quer er aprender a ler e a es creve r.
Lau ra Ma tos , Edu cado ra de Infânc ia n o âmb ito do Mes trad o em Psi co log i a
Educa cio nal dese nvolveu um t rabal ho de inve sti gação na área da apre ndi zagem d a
escr ita “ De sc obri ndo
a Li nguage m Es cri ta ao s trê s ano s, c onhe ci mento s de u m
Grupo de C rian ça s ao l ongo de u m ano (Migue z, 2 004)
A origina lidade des te est udo prende -se c om o f acto de alg uém te r real izad o
esfor ço s de aprendi zage m da li nguagem e sc rit a aos t rês a nos de idade.
A auto ra chegou a con clu sõe s que conf irmam p o seu sen ti ment o de t orna r o
J a r d i m d e In f â n c i a u m m a r d e l e t r a s , l i v r o s e i d e i a s , n o m e d a m e n t e , c o n c l u i q u e a
linguage m escrit a deve ser abordada na Edu ca ção Pré -Esco lar porq ue as crian ça s
possuem conhe ci ment os sobre a me sma ante s de entrare m para o en sin o formal ,
porque o co nta cto p recoce
co m ut ili za çõe s fu ncio nai s da l inguage m es cr ita e
reflexão sobre a me sma p oten cia li za
para
resolve r
determinada s
a
a s ua apr endizage m e po rque pode con tribu i r
desigualdade s
en tre
as
cri anças
fa ce
à
ling uage m
escrita .
Ou
enlaça rem
se ja
do
nem
toda s
voo
da
as
cri anças
e scrit a,
p ossue m
contudo,
mais
maturid ade
que
cognitiva
aprende r
é
pa ra
se
importante
famil iari za r.. .
No 1º ciclo, o primeiro grande voo da imaginação...com registo escrito
Esta his tó ria fo i es cr ita p or cri anç as e integ ra u m es tudo efe ctuad o junt o d e
alunos do 1º ciclo de
Elsa Mesq uita “Crio u m livrin ho. .. cresço u m bocadinh o.. .n o
âmbit o dest a temáti ca da escri ta cria tiva.
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“Hi stó ria elab orada pe lo s alun os | “O Capu chin h o Azul ”
Era um a vez u ma me nina cha mada Luí sa ma s todo s a co nhec iam p or Cap uch inh o
Azul po rque t razia
sempre na cabe ça um ch apéu zinh o a zu l. Capu chi nho A zul t inha um a gr ande a miga —
a Bela Adormecida.
Certo
dia,
a
bela
Ado rme cida
en co ntrou
uma
rosa
en can tada,
pi cou -se
ne la
e
adorme ceu . O Cap uch inh o
Azul, co meç ou a gr ita r por a juda e a mãe, vendo -a tão af lita , dis se-l he:
— Não te p reo cupes. O avô p ode ajudar- te. V ai a ca sa dele bu scar u m re médi o
cont ra rosa s en cant adas e
també m aprovei tas pa ra lhe leva r este ce st o com bol os. Mas te m cu idado poi s a
flore sta é muit o perigo sa,
olha be m para o s lad os e nã o pare s a fala r co m ningué m. Ouv iste be m?
— Sim, si m; nã o te pre ocupe s. Até logo !
Na flo resta, vivia m os se res ma is estran ho s q ue po ssa mo s imag inar e não é qu e
també m andava por lá o Pai
Natal?
E ste,
quand o
viu
a
menin a
por
ali
sozinha ,
aproxi mo u -se
dela
sorrate ira mente e di sse -lhe : - Ol á
Capuc hinh o Azul! O q ue anda s a faze r pela flo re sta?
— Vou a casa do meu avo zi nho bu sca r remédi o para a minh a amig a Bela Ado rme cid a
que se picou nu ma
rosa e nca ntada .
— Vam os ver que m chega p rim eir o? Tu va is p or este cam inh o que é ma is cu rto e e u
vou pelo caminho
mai s co mprido.
— Est á bem. E u vou gan har vai s ver. A té já .
Des atar am os do is a cor rer mas , o Pa i Nata l, sub iu rapida mente pa ra as rena s e
chegou p rimeiro. Bate u à
porta e o av ô pergun tou : — Quem é?
— Sou eu, a tua ne ta Capu ch inho A zu l. Abre ráp i do que vem ali o lob o ma u.
O avô abri u a porta e quand o viu que não era a su a ne ta, f ico u fu rio so e deu u ma
grande sova no
Pai Nata l.
— T oma , t oma ! Desgr açad o! Q uem pe nsa s que enganas ? Ju lgas que eu sou to nt o
co mo a avo zi nha da
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hist óri a do Cap uch inh o Verme lho ou quê?
O Pai Na tal fugi u dali a sete pés a g rita r: — A i! Ai! Socorro!
No me io de ta nta co rre ria e gri taria ap arece u a Bran ca de Neve que andava fugid a
dos se te anõe s e levava
um ce sta co m ma çã s envenenada s.
— Po r aqu i Pai Nata l? Coi tadinh o, e stá s tã o ma goado… Co me u ma maçã destas q ue
te vai faze r bem.
— Que rica ma çã!
— Come! Come !
Come r, co meu mas apercebeu- se que a ma çã e stava envene nada p orque qua se cai u
para o lad o e co me çou
a senti r- se ma l.
— Co mo fo ste capa z, s ua m alvada? A juda -me, t u não vês que o Nata l es tá qua se a
chegar e eu tenho
muit o que fa zer?
— Eu sou como tu. A h! Ah! Ah!
— Eu nã o sei co mo o s an õezinh os te con segue m atura r! Salva -me po r favor!
— E stá be m, e stá bem! Ma s só se me prome teres que pa ssa s a dar caixa s d e
presente s va zia s pelo Na tal
às crian ça s.
— Est á co mbi nado. Isso é que vai ser de morre r a rir!
— Entã o come e sta maçã e de sapare ce - me da vi sta.
Entre tant o, o C apuchinh o Azul chegou a casa do avô e explicou - lhe: — Sabes, av ô ,
tenho um problema
muit o grave pa ra me a juda res a reso lver.
— Muit o grave ? Diz l á o que quere s.
135
“Só se i escrever aqu ilo q ue nasce de mim: crio u m livrinh o… cresço u m bo c adin ho ”
Uma
experiên cia
de apre ndi zagem da l inguag em es cr ita
no 1.º Ci cl o do Ensin o
Bási co.
III Encon tro d e R ef lex ão so b re o Ensino d a Escrit a
— A minha a miga Bel a Adormecid a pico u- se n uma rosa en cant ada e adormece u.
Preciso de u m re médi o
para a acorda r.
— Ro sa en cant ada? I ss o é can ja . Vam os l á rápi do. Sobe aqui p ara a s ren as do Pa i
Natal.
Chegado s jun to à Bela Adorm ecida o avô deu- lh e dois esta los e dis se-l he: — Tom a
lá, su a espertalh ona ,
queria s dor mi r? Eu já te do u a pregui ça. To ca a levantar !
— Ta mbém não é pre ci so ta nto , eu s ó queri a des cans ar un s dia s.
— Eu dou -te o descan so! Va mos! Q ue e stá um príncipe à espera que lhe vá s da r u m
beijo pa ra o de sperta r
num re ino di st ante.
A Bela Adormecida fugi u dali mu ito e nvergo nh ada e o avô viro u - se para a net a e
disse -lhe : — E tu ,
minh a grande t onta , pára de confi are s em t oda a gente!”
´
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Di zer que est a his tór ia foi es cri ta
por cria nça s que frequenta m o prime i ro
ciclo, não é surpree ndente.
Todavi a,
o mai s imp orta nte é verif ica r que existe in cent ivo pa ra a escrita e
que as cr ianç as têm opo rtun idade de de senvolve r a s ua cri atividade , c om o objet iv o
de fazer na s cer nele s a ne ces sidade da leit ura
e da escrita , não ape nas, como u m
trabal ho ob rigat ório mas co mo um sent ime nto pesso al de i ntere sse p or e ssa forma
de comu nicar e o seu gosto
pelos liv ro s, co mo uma procura ind ividual de aut o-
conhe ci ment o.. .
Levando
as
crian ça s
por
i ni ciat iva
pe sso al
a
criare m
as
sua s
h ist óri a s,
selecion are m os se us go sto s pessoai s de leitu ra, a entrare m em cont act o não só
co m o mund o da televisão e da rádio mas ta mb ém co m o
mund o dos jorn ais e dos
livro s.
No fund o pre tende- se despe rta r na s crian ças a curi osidade pa ra a
individual
e
para
a
pa rti cipa ção
em
a ct ivid ades
re lacionada s
co m
pe squi sa
o
mund o
literário...
Legen da : N.º 85, Junh o 20 11, Me nsa l
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A nível da co mu nicaçã o soci al pode mo s desta car a prog ramaçã o espe cífi ca
para crian ças e mi tida s pela telev isã o e a rádi o.
Podemos dest aca r o Cana l Panda e a progra ma ç ão da RtP2, para cri anças, progra ma Z ig-Zag - u ma e spécie de ani mação , educaçã o e cul tura apre sen tad a s
duma fo rma ape lativa pa ra o s públi co s mais
A
jov ens.
nível das revi sta s pode mo s de sta car o p r ojet o da V isã o J úni or co m o
suple ment o da Visã o, u ma rev ist a escri ta para cria nça s, co m not ícias, repo rtagen s,
con curso s de in cent ivo à escrita, en co ntro com e scrito res.
També m, os jo rnai s diá rio s, os sema nár ios d ina mi zam ini cit ivas pa ra c ria nça s
con curso s,
oferta s
de
cd`s,
liv ro s,
caderne ta s
de
cromos,
bilhete s
de
cinema
entrada pa ra museu s, te atro e co nce rto s mu si cai s...
Uma
forma
de
de senvolv ime nto
pessoa l,
so ci al,
humano
e
cul tura l
da s
cria nça s que desde cedo são esti mulada s para se integrare m na so ciedade a t ravé s
desta f orma suave de ed uca ção cívica , e sti mu ladas p ara a cria tividade, para a s
preocupações sociai s, para a comu nicaçã o e para a cul tura .
Cam inhand o nes se sen tido, a níve l do prim eir o cic lo c res cem o s pro jet os d e
ambit o cu rri cu lar e ext ra- curricula r da lingu age m escri ta e da escri ta criat iva.
Nomeame nte com actividade s espe ci ais na bibl iote ca,
na s oficina s da
escrita po rque ao s que têm na s activ idades re la cion adas com pa lavra o ral e escrit a
um ca mi nho .
As a ctivid ades d as aul as sã o apen as um a janel a para av idez de conhe ci ment o
dessa s crian ça s.
A
nível
tran sformar
ofici al
su rgem
desenv olver
as
vários
pr oje to s
poten cial idades
que
das
reforçam
cri anças
a
na
preo cupa ção
áre a
da
de
escrita ,
nomead amen te:
P r o j e t o A IA ( A m b i e n t e i n t e g r a d o d e A p r e n d i z a g e m ) e s t e p r o j e t o i n t e g r a - s e
num
con ju nto
invest igaçã o
de
do
pro jet os
CIPAF,
de
surg indo
inve stiga ção / produção
na
sua
géne se
para
no
dar
â mbito
da
resp ost a
linha
ao
de
primeiro
Con cur so Na ci onal de Ma ter iai s de Apoio à Revis ão Cu rri cul ar e Org ani za ção E sc ola r.
Em tra ço s gerai s, este micro mundo , tal co mo o sentid o da sua defini ção o
determina, pretende ajudar a despe rta r para a l eitura e para a e scrit a po r go sto
praze r,
a travé s
da
vivência
a ct iva
e
da
ma nipula ção
do
ambie nte
e
tecn ol ógico
propo sto a o seu util izador.
Parti cu larmente , pen sado em crian ça s do 1 º cicl o com idade s co mpreend ida s
entre o s se is e o s dez ano s (o que não signif i ca que nã o se po ssa ser ad otad o a
todas a s faixa s etá ria s).
Neste pr oje to, exi ste u m amb iente lúdi co de e scr ita e le itu ra que per mit e
entre
outras
p ossibil idades,
con stru ir
histórias,
bandas
dese nhada s,
jog os ,
report agens, not ícias, anún ci os....
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Na Di reç ão Ger al de Inova ção e De senvolv ime nt o Cu rri cul ar, Revis ta Noe si s ,
encon tra mo s
vários
artigos
que
abord am
a
Escrit a
Criativa...no
En sin o
e
fundamen tam a sua impo rtâ nci a...
Um ar tigo de Lu ísa C os ta Gome s que integr a o progra ma A rte s na Es cola ,
desenvolv ido no â mbi to da Dire çã o-Gera l de Ino vação e Dese nvolvi men to Cur ri cula r .
Uma escri tora que p romove Of ici nas de E scrita q ue defende a i mpo rtân cia de leva r à
sala
de
aula
um
e scrit or,
não
sub si stu indo
o
profe ssor
de
portuguê s
apena s
desenvolve ndo c om os al uno s o pr aze r da es cri ta .
Este
pro jet o
teve
in íci o
há
dez
a nos
e
con tou
co m
a
parti cipação
de
escr ito res de refer ênc ia a nível nac ion al, Mari a Velho da Co sta , Lídia Jo rge, J oão de
Melo
e
Gast ão
da
Cruz,
este
prog ra ma
co nti nua
a
co rrer
na
direção
Gera l
de
In o v a ç ã o e D e s e n v o l v i m e n t o n C u r r i c u l a r .
Desde 200 1 que e ste pr oje to re ali za mul tipla s a c tividades rela ci onada s c om a
escrita e a le itu ra em todo o país.
També m Nun o Lei tão per tence nte à Co opera tiva de Ensin o a
“To rre “ eluc ida-
nos pa ra a i mportan cia de se de senvolve r a ct ividades de e scri ta cria tiva, tend o
parti cipado e m in úme ras a ctiv idades co m int uit o de desenvolv er a e scrit a criativ a...
O In s t i t u t o S u p e r i o r d e E d u c a ç ã o d e L e i r i a , t a m b é m d e s e n v o l v e o A t e l i e r d e
Escrita
Criativa
Educa ção
no
â mbito
Multiméd ia....onde
do
pr oje to
o
objet ivo
das
Ofici nas
p rimordial
é
da
Co mun ica ção
de senvo lver
o
So cial
pra zer
e
da
escrita e a produ ção tex tual de qua lidade. ...
Num mu ndo onde
a image m e a tecno logia parece sup lant ar a ideia d e
escreve r bem e comuni car be m...é impo rta nte p erspectivar os mult ip lo s esf orços na
aprendi zagem do p ortug uês e a sens ibil iza çã o para a
leitura como u m trabalh o
meritório
No fundo, t rata -se de desenv olver a ctivid ades q ue possam dar vida à pa lavra
oral e e scrita desde ten ra idade.. .uma fo rma de pro mover o desenv olvi ment o d a
co muni ca ção e m expre ssã o portugue sa o g ost o pela escri ta li terá ria, pe la poe sia ,
pelo teat ro. ... unind o- se a educa çã o à cu ltu ra e ao co nhecime nto ...
Visit a à Fei ra do Livr o de Por ti mão- 201 0
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Dossier -O saber desconhecido da criança – Uma incursão no Desenvolvimento Vocacional na Infância
Conc lusão
Neste pequen a in cu rsã o, sobre o dese nvolvi mento vo ca cio nal ba seada e m
estudo s de invest igadore s e anali sta s da área c oncl ui mo s que já dura n te o períod o
gestac ion al s urgem os pr ime ira s co nqui sta s de aprendi zagem , o feto já é pos suid o r
de
inteligên cia ,
sen sibi lidade,
t ra ços
de
personalid ade
própria
e
definida,
vid a
afectiva e e mocion al vin culad a pela mãe co m co muni ca ção e mpáti ca e fisiol ógica ,
sente e mo çõe s de p raze r, de spra zer , do r, tri ste za, angú sti a o u bem est ar reage co m
irri taç ão q uando se se nte lesad o, aprese nta rud i ment os de apre ndi zado, s ofis ti caçã o
do aparelh o percept ivo e
motor
crescen te
de
complex idade
do aparelho men ta l
(Peixoto e Amorim, 2007).
O crescente in teresse pe la vida psíqui ca e so cial do bebé n o i ntui to de o
desenvolve r
sa udavel mente
questi ona rmo-no s sobre
e
ativa men te
leva-nos
cad a
vez
mais
cedo
a
a s aptid ões e vo cações dos ma is peque nos.
No entant o, o bo m sen so apon ta-n os que
ap esar de
muitas brincadeira s
pedagógica s é por vol ta do s cin co -sei s an os qu e podemo s co meçar a tra ça r o perfi l
social /escol ar de cada crian ça uma crian ça med i ana.
Esta p reocupação,
n ão é di scipienda tendo e m conta o s padrões de exigê nci a
tra zido s pelas i nfluên cia s nac ion ais e
europe ia s, nu ma tenta tiva de unifo rmizaçã o
das co mpetê nci as de En sin o a níve l da Europa.
Exames de Aferi ção de Âmb ito Na cio nal a part ir do o 1º C icl o leva- nos a
esti mula r as crian ças
a expl ora r a s sua s capa cidades
pe ssoais tanto
Língu a
co mo
ap rendi zagen s/de sc oberta s
P ort uguesa
encon tra m- se in terl igadas a
das
Ciên cia s,
e
esta s
a nível de
u ma di men são cul t ural e social a largada .
O obje ct ivo des ta pequena
anál ise é de
reforçar a
valori za ção e s cola r e vo cac iona l é funda ment al na
ideia que
o fator d e
co nst ru ção de ba ses só lidas d e
estí mul o para o desenvo lvi ment o voca ci onal , art í sti co e cient ífico.
Um
elo
nesse sent ido
de
in tere sse s
que
t respa ssam,
o
mundo
excl usiva men te
escol ar,
é impo rtan te o est ím ulo pa ra a cria çã o de acç ões de sen sibi li zaç ã o
para o desenvo lvimento da escrita criat iva enle ada com
simulta nea mente,
a
exp loraçã o
do
mundo
cie ntífi co
esti mula nte c om o sã o exempl os os Labo rat óri os
Porque sã o o s n osso s sonh os de crian ça
uma di men são cultu ral e ,
de
u ma
forma
de Escrita Cria tiva e de
criativ a
e
Ciê nci as.
que tra çam as no ssas meta s d e
futuro.
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Bi bl i ografi a de A poi o:
de Sá, Joaqui m, “A Abo rdagem Experimen tal da s Ciên cia s no Ja rdi m de Infânci a e
1º ci cl o do En si no Bá sico: sua re levân cia pa ra o proce sso de Edu caçã o Ci entíf ica n o s
n í v e i s d e E s c o l a r i d a d e s e g u i n t e s ” , In s t i t u t o d a C r i a n ç a d a U n i v e r s i d a d e d o M i n h o
Nunes, Pat rí cia,
Coimbra
“Expe riên cia
A uditiva
no
me io
In tra -Ute rin o”,
Universidade
de
Deu s, Mar ia He lena Far ia de , “O De senvo lvime nt o Vo cac ion al na Infânc ia, u m e stud o
explorat ório com cri anças do 4º an o de Escola rid ade” Un iversidade de Lisbo a
Machad o, Lau ra, Cadern os de
Educa ção P ré-e scolar”
Educa çã o da
In f â n c i a
“
Lingu agem de
E scrit a
na
R e v i s t a N o e s i s – D i r e ç ã o G e r a l d e In o v a ç ã o e D e s e n v o l v i m e n t o C u r r i c u l a r “ A s
palavra s ta mbém s aem da s mã os ” por N uno Lei t ão, c ooper ativa de En si no a “ To rre ”
R e v i s t a N o e s i s – D i r e ç ã o G e r a l d e In o v a ç ã o e D e s e n v o l v i m e n t o C u r r i c u l a r , “ E s c r i t a
Cria tiva”, Jo ão Ca rl os Go nça lves de Ma tos
Programa da s Of ici nas de Co mun ica ção S ocial e Educa ção M ult iméd ia – Of ici nas d e
Escrita Criativa Institu to P oli téni co de Leiria
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Índi ce
In t r o d u ç ã o
2 - 5
Capítu lo I – Uma Vida Agitad a ante s do Na sci me nto 5 - 7
Capítu lo II – Que m és t u? O que p rocura s? E pa ra onde vais? 8 - 1 9
Capítu lo III – Da teo ria à pr ati ca: br in car, expl o rar, son har, cr iar 2 0 - 30
A.
O Lab orat óri o das Ciên cia s – 2 1-2 4
B.
O Lab orat óri o da E scr ita Cria tiva – 24- 3 0
Con clu são – 31
Bibliog rafia – 32
In d i c e – 3 3
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