EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Este livro não pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorização escrita do autor. Ficha do autor Emerson Marçal Júnior é Engenheiro Civil formado pela Escola de Engenharia de São Carlos – USP e Mestre em Hidráulica e Saneamento pela EESC – USP “Quando falo sobre meio ambiente refiro-me a um presente divino; devemos agradecer pela água que bebemos, pelo minério que exploramos e pelo ar que respiramos. Admirar a natureza deve ser um ato rotineiro e sábio. Acreditar que o homem vai acabar com a natureza é não conhece-la, pois como em toda cadeia alimentar as espécies que eliminam seu alimento são extintas logo após.” Emerson Marçal Júnior Curso de Tratamento de Esgoto 2 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] EEA EMPRESA DE ENGENHARIA AMBIENTAL “Cuidando do Meio Ambiente” 5 anos EEA – EMPRESA ENGENHARIA AMBIENTAL LTDA. Curso de Tratamento de Esgoto Endereço: Av. 20 no 62–Centro Rio Claro-SP CEP. 13.500-500 Fone: (19) 3524-5327 Email: [email protected] Site: www.eea.eng.br 3 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] APRESENTAÇÃO A EEA – EMPRESA DE ENGENHARIA AMBIENTAL LTDA., vem atuando no mercado brasileiro e internacional no combate a problemas ambientais e de saneamento desde 1999. Nossa empresa está localizada em Rio Claro, interior do Estado de São Paulo com acesso pelas rodovias Washington Luiz (SP 310) e Anhangüera (SP 330). Nossos contatos são pelo PABX (0 55 19 3524 5327) ou pelo e-mail ([email protected]). MS M G PR Oceano Atlântico Nestes cinco anos de existência a EEA – Empresa de Engenharia Ambiental se transformou em uma das maiores empresas do setor ambiental do interior do estado de São Paulo e consequentemente do Brasil. Assim sendo, podemos garantir a você, nosso cliente, que estamos atingindo o nosso principal objetivo, que é solucionar a sua demanda na área ambiental de forma definitiva. Curso de Tratamento de Esgoto 4 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] MEIO AMBIENTE Trabalhos realizados pelo departamento de MEIO AMBIENTE da EEA – EMPRESA DE ENGENHARIA AMBIENTAL. • Licença ambiental; • RAP (Relatório Ambiental Preliminar); • PCA – (Plano de Controle Ambiental); • RCA – (Relatório de Controle Ambiental); • EIA/RIMA; • Levantamento e diagnóstico de fauna e flora; • Planos de manejo e conservação; • Laudos e perícias; • Fiscalização, operação e monitoramento ambiental; • Elaboração e execução de projetos de reflorestamento. • PRAD: Plano de Recuperação de Áreas Degradadas. RECURSOS HÍDRICOS Trabalhos realizados pelo departamento de RECURSOS HÍDRICOS da EEA – EMPRESA DE ENGENHARIA AMBIENTAL. • Outorga de águas superficias; • Estudos de Viabilidade de Implantação (EVI); • Plano de Bacias; • Estudo de autodepuração no corpo receptor; • Poluição e remediação hídrica; • Estudo do potencial poluidor. • Avaliação dos recursos hídricos; • Cálculo do Q7,10. Curso de Tratamento de Esgoto 5 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] SANEAMENTO Trabalhos realizados pelo departamento de SANEAMENTO da EEA – EMPRESA DE ENGENHARIA AMBIENTAL. • Projetos de ETE para Loteamentos Residenciais; • Projetos de ETE para municípios; • Projetos de ETA (industrial e municipal); • Projetos de efluentes industriais; • Projetos de rede de esgoto, rede de água e galeria de água pluvial; • Projeto de instalações hidráulica sanitária industrial, comercial e residencial; • Consultoria para operação de ETE e ETA; • Implantação do sistema de qualidade em ETE e ETA; • Gerenciamento técnico de ETE e ETA; • Terceirização de ETE e ETA; • Consultoria “on – line” de ETE e ETA. RESÍDUOS SÓLIDOS Trabalhos realizados pelo departamento de RESÍDUOS SÓLIDOS da EEA – EMPRESA DE ENGENHARIA AMBIENTAL. • Disposição de lodo de ETE na agricultura; • Projetos de fertirrigação; • Compostagem; • Projetos de aterro sanitário; • Plano de coleta e reciclagem de lixo; • Destinação de resíduos; • Projeto de remediação de áreas contaminadas; • Operação e terceirização de aterros e gerenciamento de resíduos sólidos; Curso de Tratamento de Esgoto 6 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] ENGENHARIA CIVIL Trabalhos realizados pelo departamento de ENGENHARIA CIVIL da EEA – EMPRESA DE ENGENHARIA AMBIENTAL. • Aprovação de loteamentos no GRAPROHAB; • Topografia; • Fiscalização de obras; • Plano diretor municipal e de água e esgoto; • Zoneamento municipal; • Plantas de empresas e desenhos industriais; • Assessoria e consultoria para economia de água das empresas; • Construções e reformas de obras hidráulicas e ambientais. • Gerenciamento de Obras; ENGENHARIA DE SEGURANÇA Trabalhos realizados pelo departamento de ENGENHARIA DE SEGURANÇA da EEA – EMPRESA DE ENGENHARIA AMBIENTAL. • PPRA – plano de prevenção a riscos ambientais; • PGR – plano de gerenciamento de riscos; • Laudos e perícias trabalhistas; • Avaliação de risco; • Ruído e laudos; • Poluição atmosférica; • Estudo de Análise de Risco; Curso de Tratamento de Esgoto 7 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] GEOLOGIA Trabalhos realizados pelo departamento de GEOLOGIA da EEA – EMPRESA DE ENGENHARIA AMBIENTAL. • Passivo ambiental; • Sondagens a trado e a percussão; • Geo-renferenciamento ambiental; • Outorga de poços rasos e profundos; • Monitoramento da qualidade das águas subterrâneas; • Licenciamento DNPM (Mineração); • Instalação de poços de monitoramento. GERENCIAMENTO AMBIENTAL E DE ETES Trabalhos realizados pelo departamento de GERENCIAMENTO AMBIENTAL da EEA – EMPRESA DE ENGENHARIA AMBIENTAL. • Consultoria à distância; • Modelagem matemática de ETE e ETA em laboratório; • Estudos de simulação e comportamento de ETE; • Levantamento de dados cinéticos de ETA e ETE; • Gerenciamento ambiental de empresas e ETES; • Implantação de SGA – sistema de gestão ambiental; • Quantificação e qualificação do esgoto a ser tratado; • Requisitos de qualidade do efluente de saída; • Análises laboratoriais; • Confecção de manuais de procedimentos, operacionais e de instalação; • Assessoria para elaboração de editais públicos e privados; Curso de Tratamento de Esgoto 8 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] PRINCIPAIS PROJETOS REALIZADOS PREFEITURAS Prefeitura Municipal de Ipeúna (SP); - Licença Ambiental para o aterro sanitário do município. Prefeitura Municipal de Analândia – PROESP – Analândia (SP); - Projeto de ETE para tratamento de esgoto sanitário produzido pelo município. Prefeitura Municipal de Rio Claro (SP); - RAP do Aeroporto Regional de Rio Claro. Prefeitura Municipal de Ipeúna – Barijan Engenharia – Ipeúna (SP); - Projeto de ETE para tratamento de esgoto sanitário produzido pelo município. Prefeitura Municipal de Amparo – Florescer – Amparo (SP); - Projeto de ETE para tratamento de esgoto sanitário produzido pelo município. Prefeitura de Santa Gertrudes – STS Engenharia – Santa Gertrudes (SP); - Projeto de ETE para tratamento de esgoto sanitário produzido pelo município. Prefeitura do Município de Extrema – STS Engenharia – Extrema (MG); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo município. Prefeitura do Município de Saltinho – Saltinho (SP); - Outorga da represa de abastecimento de água do município. AUTARQUIAS PÚBLICAS E FUNDAÇÕES INFRAERO – Macaé (RJ); - EIA/RIMA da ampliação do Aeroporto de Macaé. PETROBRÁS REDUC – PREFACC – Duque de Caxias (RJ); - Tratamento de efluentes de canteiro de obras com 800 funcionários; PETROBRÁS – PREFACC – Macaé (RJ); - Tratamento de efluentes para 750 funcionários e restaurante com 750 refeições; DAAE – Rio Claro (SP); - Curso de treinamento para operação de ETE; Fundação Bradesco – Bodoquena (MS); - Projeto de ETEs para escola piloto para crianças carentes; Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba – Rio Claro (SP); - Consultoria para o Plano Diretor para esgoto sanitário no município de Rio Claro (SP); Águas de Limeira – Limeira (SP); - Outorga de travessia e Laudo Florestal; Curso de Tratamento de Esgoto 9 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] MINERADORAS CRS Mineradora – Analândia (SP); - RAP realizado para a viabilização da extração de areia; Mineradora Ipeúna – Ipeúna (SP); - Retirada de licença ambiental para a extração de areia no CETESB e DNPM; Minercon Mineradora de Areia – Analândia (SP); - Gerenciamento Ambiental; Concrepav Ltda. – SGA : ISO 14000 – Campinas (SP, RS, PR e RJ); - Gerenciamento Ambiental em 35 unidades da Concrepav; INDÚSTRIA QUÍMICA OU FIBRA DE VIDRO Owens Corning – Rio Claro (SP); - Projeto de ETEs compactas para tratamento de esgoto sanitário. EDRA – SANEAMENTO – Ipeúna (SP); - Projeto de ETEs compactas em Fibra de Vidro; EDRA ECOSISTEMAS – Ipeúna (SP); - PGR – plano de gerenciamento de risco; BAKOF TEC – Frederico (RS); - Projeto de ETEs compactas em Fibra de Vidro; ANCEL – Plásticos – Rio Claro (SP); - Projeto de ETEs compactas em Fibra de Vidro; Tecplás – São José dos Campos (SP); - Projeto de ETEs compactas em Fibra de Vidro; MVC – Curitiba (PR); - Projeto de ETEs compactas em Fibra de Vidro; Plastifibra – Novo Hamburgo – (RS); - Projeto de ETEs compactas em Fibra de Vidro; UPR – Rio Claro (SP); - Projeto de ETEs compactas em Fibra de Vidro; Basfibra – Ubatuba (SP); - Projeto de ETEs compactas em Fibra de Vidro; Curso de Tratamento de Esgoto 10 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA OU AGRÍCOLA La Guasima – Cidade de Nirgua (Estado de Carabobo - Venezuela); - Estação de tratamento de efluentes de um incubatório com 15.000.000 pintos. IPÊ Agro-avícola – Rio Claro (SP); - Projeto e gerenciamento de ETE para agroindústria com 5.000.000 de pintos. Usina Maluf – Santo Antônio de Posse (SP) - Licenciamento Ambiental BR Biotecnologia – Bataguassu (MS); - Adequação da ETE industrial provenientes da Produção de Heparina. Nestlé Brasil Ltda. – São José do Rio Pardo (SP); - Licenciamento ambiental visando o lançamento de lodo em área agrícola; Nestlé Brasil Ltda. – Montes Claros e Teófilo Otoni (MG); - Licenciamento ambiental visando o lançamento de lodo em área agrícola; Nestlé Brasil Ltda. – Araraquara (SP); - Licenciamento ambiental visando o lançamento de lodo em área agrícola; Nestlé Brasil Ltda. – Cordeirópolis (SP); - Exigências ambientais o licenciamento do lançamento da ETE no gramado. Dulcini – Indústria de açúcar líquido – Americana (SP); - Estudos Ambientais por exigência da vigilância Sanitária. Dulcini – Indústria de açúcar líquido – Americana (SP); - Projeto de ETE para esgoto sanitário; Dulcini – Indústria de açúcar líquido – Santo Antonio da Posse (SP); - Assessoria para Licenciamento Ambiental; Dulcini – Indústria de açúcar líquido – Santo Antonio da Posse (SP); - Estudos de potencial poluidor dos recursos hídricos; Dulcini – Indústria de açúcar líquido – Santo Antonio da Posse (SP); - Outorga da captação subterrânea e superficial; Curso de Tratamento de Esgoto 11 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] LOTEAMENTOS Santo Antônio – Prefeitura Municipal de Holambra (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Chácaras Camanducaia – Prefeitura Municipal de Holambra (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Paulínia Park – ACISA – Paulínia (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Jardim do Horto - ACISA – Rio Claro (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Jardim do Horto 2 - ACISA – Rio Claro (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Jardim Residencial Veccon – VECCON – Sumaré (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Jardim Residencial San Marino – Tomasi & Camargo – Rio Claro (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Residencial Florença – Tomasi & Camargo – Sta. Rita do Passa quatro (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Centro de Lazer Estância dos Pinhais – Ônix Ged – São Carlos (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido no centro de lazer. Condomínio Residencial Pq. D. Pedro – PIONEER-VERSA - Campinas (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo condomínio. Jardim Acapulco – Consfran – Catanduva (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Residencial Giovana – Consfran – Pindorama (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Jardim Santa Lúcia – Consfran – Catanduva (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Residencial Acapulco 2 – Consfran – Catanduva (SP); - Projeto de tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Vila Pântano II – Antônio Pântano – Santa Bárbara d’Oeste (SP); - Projeto de ETE para tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Real Park de Sumaré – Real Park empreendimentos – Sumaré (SP); - Projeto de ETE para tratamento de esgoto sanitário produzido pelo loteamento. Curso de Tratamento de Esgoto 12 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] OUTRAS INDÚSTRIAS LG Eletronics – Divisão – Taubaté (SP); - Tratamento de efluentes de refeitório da empresa; John Crane do Brasil – Rio Claro (SP); - Tratamento de efluente industrial (óleo solúvel). Borg Warner – Campinas (SP); - Tratamento de efluentes sanitários produzidos pela empresa. - Gerenciamento da ETE. DIBUSA – Santa Rita do Passa Quatro (SP); - ETE para tratamento de efluentes de indústria de Pet. Metalúrgica Barão Ltda. – Leme (SP); - Projeto de tratamento de efluente de banho de tinta. - Licenciamento Ambiental. WIREX CABLE – Santa Branca (SP); - Projeto e gerenciamento de ETEs; Itaúna – Indústria de Papel; - Gerenciamento Ambiental; BRASTEMP – Rio Claro (SP); - Palestra sobre Meio Ambiente para a semana de SIPAT realizada na empresa. Pólo Engenharia e Construções – Leme (SP); - ETE para canteiro de obras. Hotel IBIS – Indaiatuba (SP); - Tratamento de esgoto sanitário do hotel; Hotel IBIS – Piracicaba (SP); - Tratamento de esgoto sanitário do hotel; Curso de Tratamento de Esgoto 13 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Capítulo 0: Iniciação ao tratamento de esgoto e ao meio ambiente. 0.1. Introdução O aluno participante deste curso deve ter uma visão global e cibernética que o leve a entender a natureza de maneira diferente. Tentaremos aqui formar um tipo de profissional que além de ótimo técnico, consiga entender que apesar da ciência, a natureza é a mãe da sabedoria. O aluno perceberá com uma visão ampla, que a natureza regula as nossas vidas e nos dá todas as possibilidades de desenvolvimento. No contexto deste curso será mostrado que o entendimento do meio ambiente é um tanto quanto complexo, sendo necessária noções de matemática, educação, engenharia, biologia, química, sociologia, geologia, advocacia, economia, psicologia, agronomia e filosofia. Perceber o que é um desequilíbrio ecológico, é fator importante neste curso e saber a diferença entre crescimento e desenvolvimento é fundamental para um profissional da área de tratamento de “É de fundamental importância conhecer a diferença entre crescimento e desenvolvimento” esgotos e meio ambiente. Por fim, tratamento de esgoto é política, técnica e filosofia, sendo que nunca um profissional da área conseguirá bons frutos, apenas com estações de tratamento de esgoto. São necessárias leis, educação e principalmente respeito pelo meio em que se vive. Apesar da técnica necessária para projetar os reatores, o entendimento das leis é essencial para a escolha da área a ser implantada, da eficiência exigida e consequentemente do tipo de tratamento. Verificam-se várias estações de tratamento de esgoto com ótimo projeto e desempenho não enquadradas na lei devido a erros de localização e desconhecimento das leis. No item seguinte serão abordadas as leis necessárias para aprovação de um empreendimento que cause danos ao meio ambiente. Deve-se entender principalmente o Curso de Tratamento de Esgoto 14 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] CONAMA n º 20, não preocupando-se com a memorização deste, mas sim com o entendimento de seu contexto. 0.2 Leis Ambientais. Um dos principais pontos para o sucesso ecológico de um país são as leis existentes que regularizam o uso do meio. Para isso no capítulo zero será demonstrada a situação das principais leis que regem os recursos hídricos e o meio ambiente. A constituição promulgada em 05/10/1988 aborda um capítulo inteiro sobre a proteção ambiental. Constituição Brasileira: capítulo sobre meio ambiente. Art. 21º Compete a união criar o sistema nacional de gerenciamento de Recursos Hídricos (Criado através da lei n º 9433) Art. 22º Compete à união legislar sobre águas, energia, jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia. Art. 23 º Compete aos municípios, estados e união proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas. Art. 24º Compete à união e estados legislar sobre florestas, defesa do solo, dos recursos naturais e controle da poluição. Os municípios podem legislar. Art. 225º Retrata a lei 6938/81: política nacional do meio ambiente. É importante salientar que em esfera nacional existe uma autorização para que os estados e municípios legislem sobre a proteção dos Recursos Naturais. A Política Nacional do Meio Ambiente tem como objetivo a compatibilização do desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente e equilíbrio ecológico. Para isso a lei n º 6938/81 revogada pelo decreto 99274 de 06/06/90 estabelece instrumentos de apoio. “O CONAMA 20 estabelece a classificação das águas de acordo com seus usos preponderantes” Instrumentos de apoio à Política Nacional do Meio Ambiente são: Conselho de Governo (acessora o Presidente da República), Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA (órgão que define as normas), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente – Curso de Tratamento de Esgoto 15 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] IBAMA (órgão executor) e órgãos Estaduais e Municipais ligados à proteção do meio ambiente. Todos os instrumentos de apoio a Política Nacional do Meio Ambiente estão subordinados ao ministério do Meio Ambiente. A Política Nacional do Meio Ambiente estabelece (artigo 17/22 do Decreto 99274/90) o sistema de tríplice licença: Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação. Devem ser submetidas às licenças as obras ou atividades consideradas poluidoras. As licenças são expedidas pelos órgãos estaduais ou através do IBAMA para atividades de significativo impacto ambiental. Para a aprovação de estações de tratamento de esgoto, uma das principais normas é estabelecida pelo CONAMA n º 20 de 08 de junho de 1986 que será mais bem abordada no item 0.3 deste capítulo. A Lei Federal n º 9433 de 08 de janeiro de 1997 veio dispor sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos. Ela disciplina a cobrança pelo uso, sua outorga, rateio de custos e institui penalidades através do sistema nacional de gerenciamento de Recursos Hídricos. Existe também a Lei dos Crimes Ambientais n º 9605 de 12 de fevereiro de 1998 que penaliza crimes contra o meio ambiente. Como por exemplo, o artigo 33 do capítulo 5 “Provocar, pela emissão de efluentes ou carregamento de materiais, o perecimento de espécies da fauna aquática existente em rios, lagos, açudes, lagoas, baías ou águas jurisdicionais brasileiras: pena de detenção de um a três anos inafiançável e ou ART 66 “Fazer o funcionário público afirmação falsa ou enganosa, omitir a verdade, sonegar informações ou dados técnicos científicos em procedimentos de licenciamento ambiental: Pena de 1 até 3 anos de detenção e multa de 50 até 50 milhões de reais.” multas cumulativamente”. A lei dos crimes ambientais é uma ferramenta da cidadania. Cabe a nós, cidadãos, exercitá-la, implementá-la, dar-lhe vida, através do seu amplo conhecimento e da vigilância constante. Sabe-se que os municípios têm promotores ligados ao meio Curso de Tratamento de Esgoto 16 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] ambiente, sendo assim devemos procurá-los e denunciar, somente assim será valorizada a nossa cidadania. É necessário saber-se que: 1) Temos leis que disciplinam o uso do solo; 2) Nenhum empreendimento poluidor pode ser aprovado sem a tríplice licença (Prévia, Instalação e Operação); 3) Para determinar qual será o nível de tratamento desejado para uma estação de tratamento de esgoto deve-se obedecer à resolução 20 do CONAMA. Constituição Brasileira Capítulo sobre Meio Ambiente Política Nacional do Meio Ambiente IBAMA CONAMA Outorgas Curso de Tratamento de Esgoto Ministério do Meio Ambiente Conselho de Governo Uso das águas Política Nacional dos Recursos Hídricos Órgãos Municipais e Estaduais Comitês de Bacias Agências Hidrográficas 17 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 0.3 Resolução CONAMA n º 20 O CONAMA n º 20 diz que os esgotos devem ser tratados, para que os rios mantenham um padrão de acordo com o uso do homem, ou seja, um rio que serve somente para navegação não tem a necessidade de ter uma qualidade para a recreação de contato direto ou para o abastecimento humano. A polêmica é gerada pois esta lei protege o homem e não o meio ambiente. Percebese que os rios de classe 4 praticamente não têm restrições quanto ao lançamento de esgotos. Os córregos urbanos em sua maioria têm classificação n º 4, e são as principais vias de doenças, já que estão próximos a população e são a única opção para a dessedentação dos animais urbanos. Todo rio deverá ter uma classificação de acordo com o padrão de qualidade desejado. Padrão de qualidade é a condição que o rio ao receber um efluente tem de se comportar. O CONAMA n º 20 estabelece um padrão de emissão que se pode lançar em “Todo empreendimento, cidade, indústria ou qualquer estabelecimento que despeje efluentes nos rios deverão estar enquadrados dentro do padrão de qualidade do rio atingido e do padrão de emissão do órgão poluidor” qualquer corpo d’água independente do seu padrão de qualidade. A cobrança pelo uso da água será um instrumento de ajuda à despoluição dos córregos, pois quem jogar esgoto no rio pagará por esta poluição, mesmo que esteja dentro da legislação. Esta cobrança deverá ser normauizada e regularizada pelas Agências de Bacias que estão sendo formadas pelos Comitês de Bacias Hidrográficas. A discussão no momento é sobre a forma de cobrança; se será pela classe do rio, vazão, carga orgânica, etc. A problemática está na forma de controle, pois a estrutura fiscalizadora é pequena para a demanda existente. Simplificando, quem não estiver enquadrado no CONAMA 20 será autuado e responderá por processos criminais; já quem estiver enquadrado no CONAMA 20 pagará somente pela poluição remanescente da Estação de Tratamento de Esgoto. Curso de Tratamento de Esgoto 18 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Resolução 020/86 - CONAMA D.O.U. Executivo – 30/7/86 Pág. 11356 ART 1º - São Classificadas, segundo seus usos preponderantes, em nove classes, as águas doces, salobras e salinas do Território Nacional: Águas doces: I. Classe Especial – águas destinadas: a) Ao abastecimento doméstico sem prévia ou com simples desinfecção; b) À preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas. II. Classe 1- águas destinadas: a) Ao abastecimento doméstico após tratamento simplificado; b) À proteção de comunidades aquáticas; c) À recreação de contato primário (natação, esqui aquático e mergulho); d) À irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvem rentes aos solos e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película; e) À criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana. III. Classe 2- águas destinadas: a) Ao abastecimento doméstico após tratamento convencional; b) À proteção de comunidades aquáticas; c) À recreação de contato primário (natação, esqui aquático e mergulho); d) À irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvem rentes aos solos e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película; Curso de Tratamento de Esgoto 19 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] e) À criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana. IV. Classe 3 – águas destinadas: a) Ao abastecimento doméstico após tratamento convencional; b) À irrigação de culturas arbóreas, cerealistas e forrageiras; c) A dessedentação de animais. V. Classe 4 – águas destinadas: a) À navegação; b) À harmonia paisagística; c) Aos usos menos exigentes; Águas salinas: VI. Classe 5 – águas destinadas: a) À recreação de contato primário; b) À proteção das comunidades aquáticas; c) À criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana; VII. Classe 6 – águas destinadas: a) À navegação comercial; b) À harmonia paisagística; c) À recreação de contato secundário. Águas salobras VIII. Classe 7 – águas destinadas: a) À recreação de contato primário; b) À proteção das comunidades aquáticas; Curso de Tratamento de Esgoto 20 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] c) À criação de espécies (aquicultura) destinadas à alimentação humana. IX. Classe 8 – águas destinadas: a) À navegação comercial; b) À harmonia paisagística; c) À recreação de contato secundário. ART 2º - Para efeito desta Resolução são adotadas as seguintes definições: a) Classificação: Qualificação das águas doces, salobras e salinas com base nos seus usos preponderantes (sistema de classes de qualidade). b) Enquadramento: Estabelecimento do nível de qualidade (classe) a ser alcançado e/ou mantido em um segmento de corpo d’água ao longo do tempo. c) Condição: Qualificação do nível de qualidade apresentado por um segmento de corpo d’água, num determinado momento, em termos dos usos possíveis com segurança adequada. d) Efetivação do Enquadramento: Conjunto de medidas necessárias para colocar e/ou manter a condição de um segmento de corpo d’água em correspondência com a sua classe. e) Águas Doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,5 %o. f) Águas Salobras: águas com salinidade variando entre 0,5 e 30%o. g) Águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 30 %o. ART 3º - Para Classe Especial são estabelecidos os limite e/ou condições seguintes: - Coliformes: Ausentes em qualquer amostra ART 4º - Para as águas classe 1, são estabelecidos os limites e/ou condições seguintes: a) Material Flutuante, inclusive espumas não naturais: Virtualmente ausentes; b) Óleos e graxas: Virtualmente ausentes; c) Substâncias que comuniquem gosto ou odor: Virtualmente ausentes; d) Corantes naturais: Virtualmente ausentes; e) Substâncias que formem depósitos objetáveis: Virtualmente ausentes; Curso de Tratamento de Esgoto 21 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] f) Coliformes: para uso de recreação de contato primário deverá ser obedecido o Art. 26 desta Resolução. As águas utilizadas para a irrigação de hortaliças ou plantas frutíferas que se desenvolvem rentes ao solo e que são consumidas cruas, sem remoção de casca ou película, não devem ser poluídas por excrementos humanos, ressaltando-se a necessidade de inspeções sanitárias periódicas. Para os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 200 coliformes fecais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; no caso de não haver na região meios disponíveis para o exame de coliformes fecais, o índice limite será de 1000 coliformes totais por 100 mililitros em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês. g) DBO5dias a 20º C até 3 mg/l O2; h) OD, em qualquer amostra, não inferior a 6 mg/l O2; i) Turbidez: até 40 unidades nefelométricas de turbidez (UNT); j) Cor: Nível de cor natural do corpo d’água em mgPt/l; k) pH: 6,0 a 9,0; l) Substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos): Alumínio: Amônia não ionizável: Arsênio: Bário: Berílio: Boro: Benzeno: Benzo-a-pireno: Cádmio: Cianetos: Chumbo: Cloretos: Cloro Residual: Cobalto: Cobre: Cromo Trivalente: Cromo Hexavalente: 1,1 dicloroeteno: 1,2 dicloroetano: Estanho: Curso de Tratamento de Esgoto 0,1 mg/l Al 0,02 mg/l NH3 0,05 mg/l As 1,0 mg/l Ba 0,1 mg/l Be 0,75 mg/l B 0,01 mg/l 0,00001 mg/l 0,001 mg/l Cd 0,01 mg/l CN 0,03 mg/l Pb 250 mg/l Cl 0,01 mg/l Cl 0,2 mg/l Co 0,02 mg/l Cu 0,05 mg/l Cr 0,05 mg/l Cr 0,0003 mg/l 0,01 mg/l 2,0 mg/l Sn 22 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. Índice de Fenóis: Ferro solúvel: Fluoretos: Fosfato Total: Lítio: Manganês: Mercúrio: Níquel: Nitrato: Nitrito: Prata: Pentaclorofenol: Selênio: Sólidos Dissolvidos Totais: Sulfatos: Sulfetos (H2S não Dissociado): Tetracloroeteno: Tricloroeteno: Tetracloreto de Carbono: 2, 4, 6 triclorofenol: Urânio Total: Vanádio: Zinco: Aldrin: Clordano: DDT: Dieldrin: Endrin: Endossulfan: Epóxido de heptacloro: Heptacloro: Lindano ( gama – BHC): Metoxicloro: Dodecloro + Nonacloro: Bifenilas policloradas: (PCB’s): Toxafeno: Demeton: Gution: Mauation: Paration: Carbaril: Compostos organofosforados e carbamatos totais: 2,4 – D: Curso de Tratamento de Esgoto [email protected] 0,001 mg/l C6H5OH 0,3 mg/l Fe 1,4 mg/l F 0,025 mg/l P 2,5 mg/l Li 0,1 mg/l Mn 0,0002 mg/l Hg 0,025 mg/l Ni 1,0 mg/l N 1,0 Mg/l N 0,01 mg/l Ag 0,01 mg/l 0,001 mg/l Se 500 mg /l 250 mg/l SO4 0,002 mg/l S 0,01 mg/l 0,03 mg/l 0,003 mg/l 0,01 mg/l 0,02 mg/l U 0,1 mg/l V 0,18 mg/l Zn 0,01 µg/l 0,04 µg/l 0,002 µg/l 0,005 µg/l 0,004 µg/l 0,056 µg/l 0,01 µg/l 0,01 µg/l 0,02 µg/l 0,03 µg/l 0,001 µg/l 0,001 µg/l 0,01 µg/l 0,1 µg/l 0,005 µg/l 0,01 µg/l 0,04 µg/l 0,02 µg/l 10 µg/l em Paration 4,0 µg/l 23 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. 2,4,5 – TP: 2,4,5 – T: [email protected] 10,0 µg/l 2,0 µg/l ART 5 º - Para as águas de classe 2, são estabelecidos os mesmos limites ou condições da Classe 1, à exceção dos seguintes: a) Não será permitida a presença de corantes artificiais que não sejam removíveis por processo de coagulação, sedimentação e filtração convencionais; b) Coliformes: para uso de recreação de contato primário deverá ser obedecido o ART 26 º desta resolução. Para os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 1000 mililitros em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; no caso de não haver, na região, meios disponíveis para o exame de coliformes fecais, o índice limite será de até 5000 coliformes totais por 100 mililitros em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; c) Cor: até 75 mg/l Pt/l; d) Turbidez: até 100 UNT e) DBO5 dias a 20 º C até 5 mg/l; f) OD, em qualquer amostra, não inferior a 5 mg/l O2. ART 6º - Para as águas de Classe 3 são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) Materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausente; b) Óleos e graxas: virtualmente ausentes; c) Substâncias que comuniquem gosto ou odor: Virtualmente ausentes; d) Não será permitida a presença de corantes artificiais que não sejam removíveis por processo de coagulação, sedimentação e filtração convencionais; e) Substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes; f) Número de coliformes fecais até 4000 por 100 mililitros em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; no caso de não haver, na região, meios disponíveis para o exame de coliformes fecais, o índice limite será de até 20000 coliformes totais por 100 mililitros em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; Curso de Tratamento de Esgoto 24 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] g) DBO5 dias a 20 º C até 10 mg/l O2; h) OD, em qualquer amostra, não inferior a 4 mg/l O2; i) Turbidez: até 100 UNT; j) Cor: até 75 mg Pt/l; k) pH: 6,0 a 9,0; l) Substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos): Alumínio: Arsênio: Bário: Berílio: Boro: Benzeno: Benzo-a-pireno: Cádmio: Cianetos: Chumbo: Cloretos: Cobalto: Cobre: Cromo Trivalente: Cromo Hexavalente: 1,1 dicloroeteno: 1,2 dicloroetano: Estanho: Índice de Fenóis: Ferro solúvel: Fluoretos: Fosfato Total: Lítio: Manganês: Mercúrio: Níquel: Nitrato: Nitrito: Nitrogênio Amoniacal: Prata: Pentaclorofenol: Selênio: Sólidos Dissolvidos Totais: Substâncias tenso - ativas que reagem com azul de metilênio: Sulfatos: Sulfetos (H2S não Dissociado): Curso de Tratamento de Esgoto 0,1 mg/l Al 0,05 mg/l As 1,0 mg/l Ba 0,1 mg/l Be 0,75 mg/l B 0,01 mg/l 0,00001 mg/l 0,01 mg/l Cd 0,2 mg/l CN 0,05 mg/l Pb 250 mg/l Cl 0,2 mg/l Co 0,5 mg/l Cu 0,5 mg/l Cr 0,05 mg/l Cr 0,0003 mg/l 0,01 mg/l 2,0 mg/l Sn 0,3 mg/l C6H5OH 5,0 mg/l Fe 1,4 mg/l F 0,025 mg/l P 2,5 mg/l Li 0,5 mg/l Mn 0,002 mg/l Hg 0,025 mg/l Ni 10 mg/l N 1,0 Mg/l N 1,0 mg/l N 0,05 mg/l Ag 0,01 mg/l 0,01 mg/l Se 500 mg /l 0,5 mg/l LAS 250 mg/l SO4 0,3 mg/l S 25 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. Tetracloroeteno: Tricloroeteno: Tetracloreto de Carbono: 2, 4, 6 triclorofenol: Urânio Total: Vanádio: Zinco: Aldrin: Clordano: DDT: Dieldrin: Endrin: Endossulfan: Epóxido de heptacloro: Heptacloro: Lindano ( gama – BHC): Metoxicloro: Dodecloro + Nonacloro: Bifenilas policloradas: (PCB’s): Toxafeno: Demeton: Gution: Mauation: Paration: Carbaril: Compostos organofosforados e carbamatos totais: 2,4 – D: 2,4,5 – TP: 2,4,5 – T: [email protected] 0,01 mg/l 0,03 mg/l 0,003 mg/l 0,01 mg/l 0,02 mg/l U 0,1 mg/l V 5,0 mg/l Zn 0,03 µg/l 0,3 µg/l 1,0 µg/l 0,03 µg/l 0,2 µg/l 150 µg/l 0,1 µg/l 0,1 µg/l 3,0 µg/l 30,0 µg/l 0,001 µg/l 0,001 µg/l 5,0 µg/l 14,0 µg/l 0,005 µg/l 100,0 µg/l 35,0 µg/l 70,0 µg/l 100 µg/l em Paration 20,0 µg/l 10,0 µg/l 2,0 µg/l ART 7º - Para as águas Classe 4, são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) Materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: Virtualmente ausentes; b) Odor e aspecto: não objetáveis; c) Óleos e graxas: toleram-se incidências; d) Substâncias facilmente sedimentáveis que contribuam para o assoreamento de canais de navegação: virtualmente ausentes; e) Índice de fenóis até 1 mg/l C6H5OH; f) OD superior a 2,0 mg/l em qualquer amostra; g) PH: 6 a 9. Curso de Tratamento de Esgoto 26 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] ART 8º - Para as águas Classe 5, são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) Materiais flutuantes: Virtualmente ausentes; b) Substância que produzem odor e turbidez: Virtualmente ausentes; c) Óleos e graxas: Virtualmente ausentes; d) Corantes artificiais: Virtualmente ausentes; e) Substâncias que formem depósitos objetáveis: Virtualmente ausentes; f) Coliformes: para uso de recreação de contato primário, deverá ser obedecido o art. 26 desta Resolução. Para uso de criação natural e/ou intensiva de espécies destinadas à alimentação humana e que serão ingeridas cruas, não deverá ser excedida uma concentração média de 14 coliformes fecais por 100 mililitros, com não mais de 10 % das amostras excedendo 43 coliformes fecais por 100 mililitros. Para os demais usos, não deverá ser excedido o limite de 1000 coliformes fecais por 100 mililitros em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; no caso de não haver, na região, meios disponíveis para o exame de coliformes fecais, o índice limite será de até 5000 coliformes totais por 100 mililitros em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; g) DBO5 dias a 20 º C até 5 mg/l O2; h) OD, em qualquer amostra, não inferior a 6 mg/l O2; i) pH: 6,0 a 9,0; j) Substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos): Alumínio: Amônio não ionizável: Arsênio: Bário: Berílio: Boro: Cádmio: Cianetos: Cloro Residual: Cobre: Curso de Tratamento de Esgoto 1,5 mg/l Al 0,4 mg/l NH3 0,05 mg/l As 1,0 mg/l Ba 1,5 mg/l Be 5,0 mg/l B 0,065 mg/l Cd 0,005 mg/l CN 0,01 mg/l Cl 0,05 mg/l Cu 27 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. Cromo Hexavalente: Estanho: Índice de Fenóis: Ferro solúvel: Fluoretos: Manganês: Mercúrio: Níquel: Nitrato: Nitrito: Prata: Selênio: Substâncias tenso - ativas que reagem com azul de metilênio: Sulfetos (H2S não Dissociado): Tálio: Urânio Total: Zinco: Aldrin: Clordano: DDT: Demeton: Dieldrin: Endossulfan: Endrin: Epóxido de heptacloro: Heptacloro: Metoxicloro: Lindano (gama-BHC) Dodecloro + Nonacloro: Gution: Mauation: Paration: Toxefano: Compostos organofosforados e carbamatos totais: 2,4 – D: 2,4,5 – TP: 2,4,5 – T: [email protected] 0,05 mg/l Cr 2,0 mg/l Sn 0,001 mg/l C6H5OH 1,4 mg/l Fe 0,1 mg/l F 0,1 mg/l Mn 0,001 mg/l Hg 0,1 mg/l Ni 10 mg/l N 1,0 Mg/l N 0,005 mg/l Ag 0,01 mg/l Se 0,5 mg/l LAS 0,002 mg/l S 0,1 mg/l Ti 0,5 mg/l U 0,17 mg/l Zn 0,003 µg/l 0,004 µg/l 0,001 µg/l 0,1 µg/l 0,003 µg/l 0,034 µg/l 0,004 µg/l 0,001 µg/l 0,001 µg/l 0,03 µg/l 0,004 µg/l 0,001 µg/l 0,01 µg/l 0,1 µg/l 0,04 µg/l 0,005 µg/l 10,0 µg/l em Paration 10,0 µg/l 10,0 µg/l 10,0 µg/l ART 9º - Para as águas de Classe 6, são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) Materiais Flutuantes: Virtualmente ausentes; b) Óleos e graxas: Virtualmente ausentes; Curso de Tratamento de Esgoto 28 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] c) Substâncias que produzem odor e turbidez: Virtualmente ausentes; d) Corantes artificiais: Virtualmente ausentes; e) Substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes; f) Coliformes: não deverá ser excedido um limite de 4000 coliformes fecais por 100 ml em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; no caso de não haver na região meio disponível para o exame de coliformes fecais, o índice limite será de 20000 coliformes totais por 100 mililitros em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; g) DBO5dias 20º C até 5 mg/l O2. h) OD, em qualquer amostra, não inferior a 5 mg/l O2; i) PH: 6,5 a 8,5, não devendo haver mudança do pH natural maior que 0,2 unidade. ART 10º - Para águas de Classe 7, são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) DBO5 dias a 20 º C até 5 mg/l O2; b) OD, em qualquer amostra, não inferior a 5 mg/l O2; c) pH: 6,5 a 8,5; d) Óleos e graxas: Virtualmente ausentes; e) Materiais Flutuantes: Virtualmente ausentes; f) Substâncias que produzem cor, odor e turbidez: Virtualmente ausentes; g) Substâncias que formem depósitos objetáveis: Virtualmente ausentes; h) Coliformes: Para uso de recreação de contato primário deverá ser obedecido o ART 26º desta Resolução. Para o uso de criação natural e/ou intensiva de espécies destinadas à alimentação humana e que serão ingeridas cruas, não deverá ser excedido uma concentração média de 14 coliformes fecais por 100 mililitros com não mais de 10 % das amostras excedendo 43 coliformes fecais por 100 mililitros. Para os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 1000 coliformes fecais em 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais, colhidas em qualquer mês; no caso de não haver, na região, meios disponíveis para o exame de coliformes fecais, o índice limite será de Curso de Tratamento de Esgoto 29 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] até 5000 coliformes totais por 100 mililitros em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras, colhidas em qualquer mês; i) Substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos): Amônia: Arsênio: Cádmio: Cianetos: Chumbo: Cobre: Cromo Hexavalente: Índice de Fenóis: Fluoretos: Mercúrio: Níquel: Sulfetos (H2S não Dissociado): Zinco: Aldrin: Clordano: DDT: Demeton: Dieldrin: Endossulfan: Endrin: Epóxido de heptacloro: Heptacloro: Metoxicloro: Lindano (gama-BHC) Dodecloro + Nonacloro: Gution: Mauation: Paration: Toxefano: Compostos organofosforados e carbamatos totais: 2,4 – D: 2,4,5 – TP: 2,4,5 – T: 0,4 mg/l N 0,05 mg/l As 0,005 mg/l Cd 0,005 mg/l CN 0,01 mg/l Cl 0,05 mg/l Cu 0,05 mg/l Cr 0,001 mg/l C6H5OH 1,4 mg/l F 0,0001 mg/l Hg 0,1 mg/l Ni 0,002 mg/l S 0,17 mg/l Zn 0,003 µg/l 0,004 µg/l 0,001 µg/l 0,1 µg/l 0,003 µg/l 0,034 µg/l 0,004 µg/l 0,001 µg/l 0,001 µg/l 0,03 µg/l 0,004 µg/l 0,001 µg/l 0,01 µg/l 0,1 µg/l 0,04 µg/l 0,005 µg/l 10,0 µg/l em Paration 10,0 µg/l 10,0 µg/l 10,0 µg/l ART 11º - Para as águas Classe 8, são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) pH: 5 a 9; Curso de Tratamento de Esgoto 30 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] b) OD em qualquer amostra não inferior a 3,0 mg/l O2; c) Óleos e graxas: toleram-se iricidências; d) Materiais flutuantes: Virtualmente ausentes; e) Substâncias que produzem cores cor, odor e turbidez: Virtualmente ausentes; f) Substâncias facilmente sedimentáveis que contribuam para o assoreamento de canais de navegação: Virtualmente ausentes; g) Coliformes: Não deverá ser excedido um limite de 4000 coliformes fecais por 100 ml em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês, no caso de não haver, na região, meios disponíveis para o exame de coliformes fecais, o índice será de 20000 coliformes totais por 100 mililitros em 80 % ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês. ART 12º - Os padrões de qualidade das águas estabelecidos nesta Resolução constituemse em limites individuais para cada substância. Considerando eventuais ações sinergéticas entre as mesmas, estas ou outras não especificadas, não poderão conferir as águas capazes de causarem efeitos letais ou alteração de comportamento, reprodução ou fisiologia da vida. $ 1º - As substâncias potencialmente prejudiciais a que se refere esta Resolução, deverão ser investigadas sempre que houver suspeita de sua presença. $ 2º - Considerando as limitações de ordem técnica para a quantificação dos níveis dessas substâncias, os laboratórios dos organismos competentes deverão estruturar-se para atenderem às condições propostas. Nos casos onde a metodologia analítica disponível for insuficiente para qualificar as concentrações dessas substâncias nas águas, os sedimentos e/ou biota aquática deverão ser investigados quanto à presença eventual dessas substâncias. ART 13º – Os limites de DBO, estabelecidos para as classes 2 e 3, poderão ser elevados, caso o estudo da capacidade de autodepuração do corpo receptor demonstre que os teores mínimos de OD, previstos, não serão desobedecidos em nenhum ponto do mesmo, nas Curso de Tratamento de Esgoto 31 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] condições críticas de vazão (Qcrit = Q7,10 onde Q7,10 é a média das mínimas de 7 dias consecutivos em 10 anos de recorrência de cada seção do corpo receptor). ART 14º – Para os efeitos desta resolução, considera-se “Virtualmente ausentes” e “não objetiváveis” teores desprezíveis de poluentes, cabendo aos órgãos de controle ambiental, quando necessário, quantificá-los para cada caso. ART 15º – Os órgãos de controle ambiental poderão acrescentar outros parâmetros ou tornar mais restritos os estabelecidos nesta resolução, tendo em vista as condições locais. ART 16º – Não há impedimento no aproveitamento de águas de melhor qualidade em usos menos exigentes, desde que tais usos não prejudiquem a qualidade estabelecida para essas águas. ART 17º – Não será permitido o lançamento de poluentes nos mananciais subsuperficiais. ART 18º – Nas águas de Classe Especial não serão tolerados lançamentos de águas residuárias, domésticas e industriais, lixo e outros resíduos sólidos, substâncias potencialmente tóxicas, defensivos agrícolas, fertilizantes químicos e outros poluentes, mesmo tratados. Caso sejam utilizadas para o abastecimento doméstico deverão ser submetidas a uma inspeção sanitária preliminar. ART 19º – Nas águas de Classe 1 a 8 serão tolerados lançamentos de despejos, desde que, além de atenderem ao disposto no artigo 21 desta Resolução, não venham a fazer com que os limites estabelecidos para as respectivas classes sejam ultrapassados. ART 20º – Tendo em vista os usos fixados para as classes, os órgãos competentes enquadrarão as águas e estabelecerão programas permanentes de acompanhamento de sua condição, bem como programas de controle de poluição para a efetivação dos respectivos enquadramentos, obedecendo ao seguinte: Curso de Tratamento de Esgoto 32 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] a) corpo de água que, na data de enquadramento, apresentar condição em desacordo com a sua classe (qualidade inferior à estabelecida), será objeto de providências com prazo determinado visando a sua recuperação, excetuados os parâmetros que excedem aos limites devido às condições naturais; b) O enquadramento das águas Federais na classificação será procedido pela SEMA, ouvidos o Comitê Especial de Estudos Integrados de Bacias Hidrográficas – CEEIBH e outras entidades públicas ou privadas interessadas; c) O enquadramento das águas estaduais será efetuado pelo órgão Estadual competente, ouvidas outras entidades públicas ou privadas interessadas; d) Os órgãos competentes definirão as condições específicas de qualidade dos corpos de água intermitentes; e) Os corpos de água já enquadrados na legislação anterior, na data da publicação desta resolução, serão objetos de reestudo a fim de a ela se adaptarem; f) Enquanto não forem feitos os enquadramentos, as águas doces serão consideradas Classe 2, as salinas Classe 5 e as salobras Classe 7; porém, aquelas enquadradas na legislação anterior permanecerão na mesma classe até reenquadramento; g) Os programas de acompanhamento da condição dos corpos de água seguirão normas e procedimentos a serem estabelecidos pelo conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA. ART 21º – Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados, direta ou indiretamente, nos corpos de água desde que obedeça às seguintes condições: a) pH entre 5 a 9; b) Temperatura: inferior a 40 º C, sendo que a elevação de temperatura do corpo receptor não deverá exceder a 3 º C; c) Materiais sedimentáveis: Até 1 ml/litro em teste de 1 hora em cone Imhoff. Para o lançamento em lagos e lagoas, cuja velocidade de circulação seja praticamente nula, os materiais sedimentáveis deverão estar virtualmente ausentes; d) Regime de lançamento com vazão máxima de até 1,5 vez a vazão média do período de atividade diária do agente poluidor; Curso de Tratamento de Esgoto 33 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] e) Óleos e Graxas: óleos minerais até 20 mg/l e óleos vegetais e gorduras animais até 50 mg/l; f) Ausência de materiais flutuantes; g) Valores máximos admissíveis das seguintes substâncias: Amônia: 5,0 mg/l N Arsênio total: 0,5 mg/l As Bário: 5,0 mg/l Ba Boro: 5,0 mg/l B Cádmio: 0,2 mg/l Cd Cianetos: 0,2 mg/l CN Chumbo: 0,5 mg/l Pb Cobre: 1,0 mg/l Cu Cromo Hexavalente: 0,5 mg/l Cr Cromo Trivalente: 2,0 mg/l Cr Estanho: 4,0 mg/l Sn Índice de Fenóis: 0,5 mg/l C6H5OH Ferro solúvel: 15,0 mg/l Fe Fluoretos: 10 mg/l F Manganês Solúvel: 1,0 mg/l Mn Mercúrio: 0,01 mg/l Hg Níquel: 2,0 mg/l Ni Prata: 0,1 mg/l Ag Selênio: 0,05 mg/l Se Sulfetos: 1,0 mg/l S Sulfitos: 1,0 mg/l SO3 Zinco: 5,0 mg/l Zn Compostos organofosforados e carbonatos totais: 1mg/l em Paration Sulfeto de Carbono: 1,0 mg/l Tricloroeteno: 1,0 mg/l Clorofórmio: 1,0 mg/l Curso de Tratamento de Esgoto 34 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tetracloreto de carbono: 1,0 mg/l Dicloroeteno: 1,0 mg/l h) Tratamento especial se provierem de hospitais e outros estabelecimentos nos quais haja despejos infectados com microorganismos patogênicos. ART 22º – Não será permitida a diluição de efluentes industriais com águas não poluídas, tais como água de abastecimento, água de mar e água de refrigeração. ß único – Na hipótese de fonte de poluição geradora de diferentes despejos ou emissões individualizadas, os limites constantes desta regulamentação aplicar-se-ão a cada um deles ou ao conjunto após a mistura, a critério do órgão competente. ART 23º – Os efluentes não poderão conferir ao corpo receptor características em desacordo com o seu enquadramento nos termos desta Resolução. ß único – Resguardados os padrões de qualidade do corpo receptor, demonstrado em estudo de impacto ambiental realizado pela entidade responsável pela emissão, o órgão competente poderá autorizar lançamentos acima dos limites estabelecidos no Artigo 21, fixando o tipo de tratamento e as condições para esse lançamento. Artigo 24º – Os métodos de coleta e análise das águas devem ser os especificados nas normas aprovadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normauização e Qualidade Industrial – INMETRO ou, na ausência delas, no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater – APHA – AWWA – WPCF, última edição, ressalvado o disposto no artigo 12. O índice de Fenóis deverá ser determinado conforme o método 510 B do Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, 16ª edição, de 1985. Dos artigos 26º a 34º a Resolução trata sobre Balneabilidade. ART 35º – Aos órgãos de controle ambiental compete a aplicação desta resolução, cabendo-lhes a fiscalização para o cumprimento da legislação, bem como a aplicação das penalidades previstas, inclusive a interdição de atividades industriais poluidoras. Curso de Tratamento de Esgoto 35 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] ART 36º – Na inexistência de entidade Estadual encarregada do controle ambiental ou se, existindo, apresentar falhas, omissões ou prejuízos sensíveis aos usos estabelecidos para as águas, a secretaria especial do meio ambiente poderá agir diretamente, em caráter supletivo. ART 37º – Os órgãos estaduais de controle ambiental manterão a Secretaria Especial do Meio Ambiente informada sobre os enquadramentos dos corpos de água que efetuarem, bem como das normas e padrões complementares que estabelecerem. ART 38º – Os estabelecimentos industriais, que causam ou possam causar poluição das águas devem informar ao órgão de controle ambiental, o volume e o tipo de seus efluentes, os equipamentos e dispositivos antipoluidores existentes, bem como seus planos de ação de emergência sob pena das sanções cabíveis, ficando o referido órgão obrigado a enviar cópia dessas informações a SEMA, a STI (mic), ao IBGE (SEPLAN) e ao DNAEE (MME). ART 39º – Os Estados, Territórios e o Distrito Federal, através dos respectivos órgãos de controle ambiental, deverão exercer sua atividade orientadora, fiscalizadora e punitiva das atividades potencialmente poluidoras instaladas em seu território, ainda que os corpos de água prejudicados não sejam de seu domínio ou jurisdição. ART 40º – O não cumprimento ao disposto nesta Resolução acarretará aos infratores as sanções previstas na Lei n º 6938, de 31 de agosto de 1981, e sua regulamentação pelo Decreto nº 88 351, de 01 de junho de 1983. Caso o estudo de impacto ambiental não mostre o resguardo do padrão de qualidade, pode-se enquadrar os responsáveis pelo lançamento nas leis penais sobre o meio ambiente. Curso de Tratamento de Esgoto 36 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 0.4 Despoluição de córregos Urbanos. Um rio natural é aquele que não tem a interferência do homem, ou seja, não existe matéria poluidora despejada. Nele convivem num total equilíbrio diversos tipos de peixes, algas, plantas, microrganismos, bactérias e etc. Com o despejo de esgoto nas águas, a quantidade de matéria orgânica aumenta intensamente. Matéria orgânica de forma simplificada é considerada alimento para muitas formas de seres vivos, o grande problema é que a taxa de reprodução de algumas espécies é maior que a das outras. O crescimento acelerado de algumas bactérias e microrganismos leva a mudança brusca no pH e a diminuição do nível de oxigênio no rio, onde sem oxigênio poucas espécies vivem no sistema aquático. Rio totalmente limpo Rio com início de poluição Rio poluído Rio totalmente poluído Curso de Tratamento de Esgoto 37 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Na figura anterior verificamos que quando o rio está totalmente limpo, vivem em equilíbrio, peixes, plantas e bactérias. O rio apresenta parâmetros suficientes para a sobrevivência de cada espécie, mas quando inicia-se o despejo de esgoto, as bactérias que estavam controladas pela falta de “alimentação” crescem demasiadamente, por estarem recebendo matéria orgânica que é sua fonte de crescimento. Estas bactérias em ambiente propício irão consumir o oxigênio, causando a morte dos peixes mais sensíveis. Outro problema é o aumento da cor da água devido ao aumento da poluição, que impossibilitará a entrada de luz solar e, portanto acarretará na morte das plantas submersas. Com o aumento da matéria orgânica e constante diminuição dos níveis de oxigênio, ocorrerá cada vez mais, uma queda no número de espécies. Na fase crítica onde o rio é considerado totalmente morto, o nível de Oxigênio Dissolvido é menor que 2 mg/l e as bactérias aeróbias apresentam dificuldades de sobrevivência. Nessa fase o rio está em “Desequilíbrio ecológico é o aumento de habitantes de uma única espécie e conseqüente desaparecimento de outras.” estado de anaerobiose, onde somente vivem espécies de microrganismos que não necessitam de oxigênio para sua sobrevivência. O rio fica negro, borbulha devido a liberação de gases, dentro dele já não existe mais luz e oxigênio. Poucos animais conseguem sobreviver sob ele. Apenas algumas espécies de bactérias e vírus são capazes de viver e o que era um meio em equilíbrio, transforma-se em desequilíbrio ecológico. O tratamento de esgoto depende de fatores políticos, e hoje com a mídia abrindo espaço para eventos ligados à preservação ambiental ficam atraentes, as obras de saneamento básico. A construção de estações de tratamento de esgotos juntamente com seus respectivos coletores têm se tornado um fato, mas o problema é que os córregos urbanos continuam poluídos após estes grandes e divulgados investimentos, levando a um descrédito da população em relação ao órgão realizador. Acontece que os sistemas de coletas são deficientes, e grande parte dos esgotos que deveriam estar indo para as estações tratamento de esgoto são lançados nos córregos urbanos, sem um devido tratamento. As principais formas de lançamentos irregulares são extravasores instalados Curso de Tratamento de Esgoto 38 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] em poços de visitas, que entopem em época de chuva; Sub-bacias sem cota com o interceptor obrigando ao lançamento direto no córrego; ligações prediais de esgoto sanitário em galerias de águas pluviais; entupimento e rompimento de interceptores levando o esgoto a galeria mais próxima; construções e aterros sobre vielas sanitárias. Um trabalho deste porte deveria ser rotineiro nas empresas de Saneamento, mas infelizmente poucas cidades do Brasil o realizam. Emerson Marçal Júnior realizou este trabalho pioneiro e jamais visto na Cidade de Campinas atuando como coordenador do grupo de despoluição de córregos urbanos da Sanasa - Ambiental. O grupo era formado por 6 estagiários e o desafio era a limpeza de um córrego que já apresentava interceptores por toda a sua extensão. “Ao monitorarmos todo o córrego percebemos que num determinado trecho a DBO alterava-se de 30 mg/l para 180 mg/l. Percebemos também que conseguiríamos ter acesso ao local, devido a mata que existia nas margens do córrego e verificamos que o cadastro existente estava incompleto; sendo assim resolvemos implantar o uso de um compressor de fumaça a fim de detectar os pontos de lançamento. A partir deste dia começamos a descobrir ligações clandestinas e através da conscientização e de obras reparadoras conseguimos baixar a DBO de 30 para 8 mg/l no ponto 1 e de 180 para 18 mg/l no ponto 2”. “Acontece que grande parte dos esgotos que deveriam estar indo para as Estações de Tratamento de Esgotos estão sendo lançados nos corpos d’água através de ligações irregulares. O órgão público responsável fica em descrédito com a população devido ao alto valor investido e retorno visual inexistente. Com o trabalho de despoluição de córregos urbanos os resultados são visíveis e a população aprova a obra.” Através de tecnologia de baixo custo como o injetor de fumaça, bolinhas de isopor, corantes para a água, trabalho de conscientização e medidas restauradoras consegue-se realmente transformar esgoto “a céu aberto” em córregos urbanos de boa aparência. Curso de Tratamento de Esgoto 39 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 0.5 Principais parâmetros analisados para diagnosticar um esgoto. PH (Potencial Hidrogênico) A medida do pH é a concentração hidrogênica das águas, o mesmo deve se encontrar entre 6,0 e 8,0. Valores fora desta faixa tornam o meio extremamente seletivo para vários seres vivos. OD (Oxigênio Dissolvido) Concentração de oxigênio dissolvido na água. Alcalinidade Em geral, quanto maior o valor da alcalinidade, maior será a capacidade da água residuária manter seu pH próximo do neutro. Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) A DBO expressa a quantidade de oxigênio utilizada por microrganismos aeróbios para oxidar biologicamente a matéria orgânica. Demanda Química de Oxigênio (DQO) A DQO expressa a quantidade de oxigênio utilizada para oxidar quimicamente a matéria orgânica. Sólidos Sedimentáveis (SS). A análise de SS permite determinar o volume ocupado pelos sólidos após sedimentação em cone Inhoff, por uma hora. Sólidos Totais (ST) e Sólidos Suspensos Totais (SST) Resíduo Total ou Sólidos Totais (ST) é o termo empregado para material que permanece em um cadinho após evaporação da água da amostra e sua subsequente Curso de Tratamento de Esgoto 40 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] secagem em estufa, a 103ºC - 105°C. Sólidos Suspensos Totais (SST) constituem-se da fração dos ST que fica retida em um filtro. Sólidos Fixos Totais (SFT) e Sólidos Suspensos Fixos (SSF). Resíduo Fixo ou Sólidos fixos Totais (SFT) é o termo empregado para a fração de ST após incineração em mufla a 600°C. Nessas condições, toda matéria orgânica é transformada em CO2 e água, restando, no cadinho, apenas os sólidos inorgânicos. Sólidos Suspensos Fixos (SSF) é o termo empregado para a fração de SFT filtrada em membrana, após calcinação a 600°C. O SSF mede aproximadamente a quantidade de areia presente. Sólidos Voláteis Totais (SVT) e sólidos Suspensos Voláteis (SSV). Resíduo Volátil de Sólidos Voláteis Totais (SVT) é o termo empregado para a fração de ST que se perde após calcinação em mufla a 600°C. Sólidos Suspensos Voláteis (SSV) correspondem à fração de SST, que se perde após calcinação em mufla a 600°C. Para lodos biológicos a concentração de SSV é relacionada à quantidade de biomassa presente. Para lodos primários, a concentração de SSV, é relacionada ao conteúdo de matéria orgânica morta presente. Nitrogênio O nitrogênio apresenta-se principalmente como nitrogênio orgânico, nitrogênio amoniacal, nitrito e nitrato. O nitrogênio orgânico ocorre em esgotos sanitários, principalmente devido à presença de proteínas ou seus produtos de degradação como poliptiptídeos e aminoácidos. A degradação desses compostos e de uréia gera nitrogênio amoniacal. O nitrogênio amoniacal, pode estar presente em águas residuárias industriais que utilizam sais de amônia ou uréia. As formas oxidadas de nitrogênio, (nitritos e nitratos) podem estar presentes em efluentes de sistemas de tratamento aeróbios, ou nas águas residuárias industriais. A presença excessiva de nitrogênio causa a eutrofização dos corpos d’água, que é a proliferação de algas. Curso de Tratamento de Esgoto 41 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Fósforo O fósforo encontra-se presente em águas residuárias, principalmente como ortofosfatos e polifosfatos, bem como na forma de fósforo orgânico. A presença excessiva de fósforo causa a eutrofização dos corpos d’água. Sulfatos O íon sulfato é um dos principais ânions presentes em águas naturais. Em ambiente anaeróbio, os sulfatos geram sulfetos que são responsáveis por problemas de corrosão, pela emissão de odor desagradável e que, dependendo da concentração podem causar inibição a determinados processos biológicos como a metanogênese. Óleos e Graxas O termo óleos e graxas aplica-se a grande variedade de substâncias orgânicas que são extraídas das soluções ou suspensões aquosas por hexana ou triclorofluoretano (Freon). Hidrocarbonetos, ésteres, óleos, gorduras, ceras e ácidos orgânicos de cadeia longa são os principais materiais que são dissolvidos por esses solventes. Curso de Tratamento de Esgoto 42 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 0.6 Relações importantes ao tratamento de esgoto: a) indicação de tratamento biológico ou físico – químico: DBO/DQO > 0,6 Tratamento por processo biológico; 0,2 < DBO/DQO < 0,6 Tratamento biológico possível; DBO/DQO < 0,2 Tratamento biológico muito difícil. Outras relações importantes são aquelas entre sólidos fixos e sólidos voláteis. Relações SF/SV, SSF/SSV, SDF/SDV elevadas indicam a predominância absoluta de material inerte na água residuária e a necessidade de sua separação prévia a fim de se efetivar o tratamento biológico. b) indicação da necessidade de desarenador: A concentração de SSF fornece a estimativa grosseira da concentração de partículas inertes (por exemplo, a areia) podendo ser utilizada, na ausência de dados mais precisos, no projeto de certas unidades destinadas a remover essas partículas. c) indicação de alta salinidade: Concentrações elevadas de sólidos dissolvidos fixos (SDF) em comparação com sólidos dissolvidos voláteis (SDV) indicam água residuária com alta salinidade e a provável necessidade de tratamento físico-químico, uma vez que esses sais não são efetivamente removidos em processos biológicos. d) Indicação de processo biológico aeróbio ou anaeróbio: As relações nutricionais entre carbono, nitrogênio e fósforo são de extrema importância como verificação prévia da necessidade de se adicionar nutrientes à água residuária a ser tratada por processo biológico. Processos aeróbios: DBO:N:P de 100:5:1. Processos anaeróbios: DQO:N:P de 500:5:1 Curso de Tratamento de Esgoto 43 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] e) Indicação da necessidade de decantador primário: A presença de Sólidos Sedimentáveis é indicativa da necessidade de unidade de sedimentação antecedendo as unidades de tratamento biológico convencionais aeróbias, ou os reatores anaeróbios, principalmente se o teor de SSF é elevado. f) Indicação da necessidade de caixa de gordura: Em geral, concentrações de óleos e graxas superiores a 50 mg/l são consideradas elevadas, podendo prejudicar o tratamento biológico. g) balanço de sólidos: Sólidos Totais (ST) Sólidos Suspenso Totais (SST) Sólidos Suspensos Voláteis (SSV) Sólidos Suspenso Fixos (SSF) Sólidos Voláteis Totais (SVT) Sólidos Dissolvidos Totais ( SDT) Sólidos Dissolvido Voláteis (SDV) Sólidos Dissolvidos Fixos (SDF) Sólidos Fixos Totais (SFT) ST = SST + SDT = SSV + SSF + SDV + SDF = SVT + SFT; SVT = SSV + SDV e SFT = SSF + SDF; SST = SSV + SSF e SDT = SDV + SDF; Curso de Tratamento de Esgoto 44 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] As relações descritas servem para o profissional fazer uma análise geral da estação de tratamento de esgoto, podendo aplicá-las de forma prática e rápida. Como objetivo deste curso demonstram-se parâmetros e tabelas para facilitar o entendimento e o trabalho em futuras consultorias. Não temos o objetivo que o aluno termine o curso sabendo fazer um projeto executivo, mas que ele tenha condições de ser um ‘clínico geral’ na área de tratamento de esgoto, conseguindo realizar um estudo de concepção e de alternativas, sabendo os caminhos necessários para aprovação de uma estação e principalmente sabendo fundamentos operacionais dos principais tipos de tratamento. Não será comum neste curso o uso de exemplos com respostas, pois acreditamos que esta metodologia ‘vicia’ o estudante ao erro e inibe a forma de raciocínio. Todas as respostas das questões serão analisadas com comentários, avaliando-se as respostas individualmente. Curso de Tratamento de Esgoto 45 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 0.7 Questões: 1) Caso verifique-se um crime ambiental, deve se dirigir a quem? a) Procurador do meio ambiente ( ); b) Política Nacional do Meio Ambiente ( c) IBAMA ( ); ); d) Órgão Estadual fiscalizador ( ); e) As respostas a , c, d estão corretas ( ). 2) Uma indústria altamente poluidora quer se instalar próximo a uma área de proteção ambiental, onde existe uma numerosa variedade de espécies. Se uma indústria lhe contratar, qual decisão você defenderia? a) Aceitaria o desafio de tratar os esgotos desta firma próximo a área escolhida ( ); b) Tentaria convencê-los de que seria ideal um estudo de viabilidade ambiental ( ); c) Negaria o pedido por ser perto de área de proteção Ambiental ( ); d) Mostraria que eles não conseguiriam as licenças de instalação ( ); e) NDA ( ); 3) O que é desequilíbrio ecológico? a) O homem, a barata e os ratos em uma cidade ( ); b) Os mosquitos, corujas, ratos, morcegos, grilos, sapos e outros ( c) Muitas espécies, com número de habitantes equilibrados ( d) Poucas espécies com um número excessivo de habitantes ( e) As respostas a e d estão corretas ( ); ); ); ); 4) Responda se a afirmação é correta: a) O esgoto daquela indústria não tem o padrão de qualidade dentro da legislação ( ) correta ( ) incorreta b) O esgoto daquela indústria não tem o padrão de Emissão dentro da legislação ( c) ) correta ( ) incorreta O efluente daquela indústria vai tirar o enquadramento daquele rio ( ) correta ( ) incorreta d) O efluente daquela indústria misturado ao rio não atenderá o padrão de qualidade estabelecido ( ) correta Curso de Tratamento de Esgoto ( ) incorreta 46 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5) Escreva o que é padrão de qualidade? Qual a sua importância? 6) Escreva o que é padrão de Emissão? Qual a sua importância? 7) Quais as principais leis que regulamentam os recursos hídricos? 8) Explique as fases de poluição de um rio? 9) O que você entende por desenvolvimento sustentável? Crescer e se desenvolver são sinônimos? 10) Uma cidade para ter qualidade de vida, necessariamente tem que ser desenvolvida? 11) Você acha que as pessoas morrem mais de diarréias, câncer e AIDS em cidades grandes ou pequenas proporcionalmente? Justifique a sua resposta? 12) Você acha que as pessoas morrem mais de diarréias, câncer e AIDS em cidade desenvolvidas ou subdesenvolvidas? 13) Somente as estações de tratamento de esgoto salvariam a qualidade de nossos rios? Justifique? 14) Em 1950 praticamente não tínhamos nenhum rio poluído, quantos anos você acha que levaríamos para despoluí-los? 15) Se você fosse o Presidente da República qual seria seu plano para Despoluição de Córregos? Você mudaria alguma das leis? 16) Qual é a diferença fundamental entre os parâmetros DQO e DBO? 17) Que problemas ao Rio podem ser causados pela presença de nitrogênio e fósforo? 18) Faça um esquema de uma ETE completa (será questão do primeiro teste). 19) Quanto de areia aproximadamente existe neste esgoto doméstico? ST = 200 mg/l; SFT = 80 mg/l; Curso de Tratamento de Esgoto SDF = 50 mg/l 47 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 20) Calcule a concentração de SST em mg/l? SSV = 100 mg/l; SDV = 100 mg/l; SDF = 100 mg/l; SFT = 200 mg/l 21) Calcule a concentração de ST em mg/l? SVT = 100 mg/l; SDV = 50 mg/l; SSF = 800 mg/l; SDF = 200 mg/l 22) Que tipo de tratamento você indicaria para os seguintes esgotos: a) DBO = 180 mg/l; DQO = 180 mg/l; N = 20 mg/l; P = 10 mg/l b) DBO = 1800 mg/l; DQO = 5000 mg/l; N = 60 mg/l; P = 10 mg/l c) DBO = 1800 mg/l; DQO = 5000 mg/l; N = 100 mg/l; P = 200 mg/l d) DBO = 180 mg/l; DQO = 1800 mg/l; N = 100 mg/l; P = 100 mg/l e) DBO = 180 mg/l; DQO = 350 mg/l; N = 20 mg/l; P = 1 mg/l f) DBO = 180 mg/l; DQO = 180 mg/l; N = 9 mg/l; P = 2 mg/l 23) Preencha: Nome completo: Data de nascimento: Sexo: Profissão: Formação: Onde Trabalha: Endereço do trabalho: Telefone para contato: Obs.: Todos os exercícios deverão ser feitos e enviados para a correção, o envio do capítulo seguinte depende da correção dos exercícios. Dúvidas referentes ao texto e sugestões devem ser escritas juntamente com as respostas dos capítulos. Curso de Tratamento de Esgoto 48 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 0.7 Bibliografias consultadas: 01. VIEIRA, S.M.M. (1992). Tratamento Anaeróbio de esgotos domésticos. Ambiente - Revista Cetesb de tecnologia. 6 (1), 16-23. 02. CAMPOS, J.R.(1990). Alternativas para Tratamento de Esgotos Sanitários. Consórcio Intermunicipal das bacias dos rios Piracicaba e Capivari. 03 03. FORESTI, E.(1993). Controle de processos de tratamento de despejos. notas de aula de pós-graduação em hidráulica e saneamento na EESC-USP 04. FORESTI, E.(1998) – “Notas da aula de Processos e Operações em Tratamento de Resíduos SHS-705”, Pós Graduação em Hidráulica e Saneamento na Escola de Engenharia de São Carlos. 05. IMHOFF, K. R.(1986) – Manual de Tratamento de Águas Residuárias. São Paulo. 06. METCALF & EDDY(1979) – “Wastewater engineering – treatment, disposal, reuse”2nd ed.. New York. McGraw-Hill, p. 920. 07. NUNES, J.A.(1996) - Tratamento Físico Químico de Águas Residuárias Industriais. 2ª edição Editora J. Andrade. 08. POVINELLI, J.(1993) - Técnicas Experimentais em Saneamento Ambiental. Relatório 3 - Universidade de São Paulo - Escola de Engenharia de São Carlos Departamento de Hidráulica e Saneamento. Curso de Tratamento de Esgoto 49 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Capítulo 1: Introdução ao Tratamento de esgoto: 1.1 Introdução: A vazão que deve entrar numa estação de tratamento de esgoto é um dos principais parâmetros para se projetar estações de tratamento de esgoto. A vazão tanto serve para o dimensionamento das unidades do sistema de tratamento, quanto para o estudo de autodepuração e enquadramento na legislação vigente. Anteriormente a vazão de esgoto afluente a ETE é importante conhecer também os principais tipos de sistemas de esgotamento sanitário existentes: a. Sistema de esgotamento Unitário ou Combinado: águas residuárias (domésticas e industriais), águas de infiltração (água do solo que penetra nas tubulações) e águas pluviais são coletadas pela mesma tubulação. b. Sistema separador absoluto: as águas residuárias e águas de infiltração veiculam por tubulação independente da água de chuva. No Brasil, devido a quantidade de chuvas, é adotado o sistema separador absoluto. Os problemas encontrados são os das ligações clandestinas de água de chuva nas redes de esgoto, causando um aumento na vazão de projeto. “ apenas 10 % dos nossos esgotos são tratados e 30 % são coletados adequadamente” No Brasil, dos cerca de 160 milhões de habitantes, apenas 48 milhões recebem rede coletora de esgoto sanitário e apenas 16 milhões de pessoas tem seus esgotos tratados. Existem os sistemas locais de tratamento de esgoto que não necessitam de rede coletora, pois os mesmos são tratados no local da sua geração. Este tipo de sistema tem sido ótima solução para várias localidades. Para o projetar as Estações de Tratamento de Esgoto deve-se quantificar e qualificar o melhor possível tanto o esgoto doméstico quanto o industrial. Veremos no capítulo 1 metodologias para a caracterização e quantificação. Curso de Tratamento de Esgoto 50 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 1.2 Vazões de Projeto (esgoto): a) Verificação no Local: Para elaboração de projetos de pequenas comunidades ou indústrias que já tenham prontas suas instalações, principalmente o sistema de coleta construído. A medição de vazão pode ser de forma manual, com apenas um balde de volume aferido e um cronômetro pode-se determinar a vazão de uma pequena comunidade. Q ⇒ Vazão de esgoto; V ⇒ Volume do recipiente; T ⇒ Tempo de enchimento; Q = V / T; “A vazão é igual ao volume do recipiente dividido pelo tempo em que o mesmo foi preenchido pelo líquido”. Para melhor precisão deve ser feito o maior número de amostras durante um dia. O ideal é medir a vazão 24 vezes por dia durante 1 mês. b) Medição através de micro medição da água: Caso exista um controle e confiabilidade no sistema de micro medição e conhecimento do coeficiente de retorno, pode-se calcular a vazão de esgoto. A micro medição é a somatória dos volumes que passam pelos hidrômetros das edificações. O coeficiente de retorno representa a fração da água que retorna ao sistema coletor de esgoto, sendo a outra parte infiltrada nos jardins ou destinada as galerias de água pluvial. Esta metodologia deve considerar a vazão devido a infiltração na rede coletora de esgoto. Curso de Tratamento de Esgoto 51 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tabela 1: Valores usuais do coeficiente de retorno ( CR ). Condição Grandes Cidades Cr 0,85 Cidades médias Cidades Pequenas 0,8 0,7 c) Vazão através da estimativa populacional: Este método é usado principalmente quando o projeto da ETE prever um crescimento populacional durante o tempo de operação. Para isso deve-se estudar vários parâmetros como tendência do crescimento populacional, código de obras, plano diretor, planejamento municipal e etc. O valor encontrado nos dá a estimativa de uma população futura que nos dará o consuma de água e de esgoto. c.1) Método aritmético: P = P2 + Ka ( t – t2) onde Ka = ( p2 – p1 ) / ( t2 – t1 ); P1 = População do penúltimo senso; P2 = População do último senso; T1 = ano do penúltimo senso; T2 = ano do último senso; T = ano da projeção; P = População estimada para o ano de projeção. Método bom para ser utilizado para uma estimativa do crescimento populacional em no máximo 5 anos de projeção. Curso de Tratamento de Esgoto 52 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] c.2) método do prolongamento manual: As previsões das populações futuras podem ser estimadas prolongando-se manualmente a curva, de acordo com a tendência geral verificada, usando um julgamento próprio. No prolongamento manual podem ser utilizados gráficos de locais semelhantes como comparação para a minimização do erro. Este método requer bom senso e conhecimento de locais similares para a comparação. Deve ser sempre usado como parâmetro de comparação de outros métodos de estimativa populacional. c.3) método geométrico: ln P = ln P2 + Kg ( T – T2 ) onde Kg = (ln P2 – ln P1) / (T2 – T1); P1 = População do penúltimo senso; P2 = População do último senso; T1 = ano do penúltimo senso; T2 = ano do último senso; T = ano da projeção; P = População estimada para o ano de projeção. Neste método o crescimento populacional é pressuposto ilimitado, portanto também deve ser usado para tempos curtos de no máximo 5 anos. Curso de Tratamento de Esgoto 53 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] c.4) método da curva logística: P = K / (1 + e a – b . t ); P0 = População relativa ao tempo T0 ; K = 2 P0 P1 P2 – ( P1 )2 ( P0 + P2 ) P0 P2 – ( P1 )2 P1 = População relativa ao tempo T1 ; P2 = População relativa ao tempo T2 ; P = População estimada para o ano de projeção; b=- 1 0,4343d log P0 ( K – P1) P1 ( K – P0) T1 – T0 = T2 – T1; P0 , P1 e P2 devem ser tais que Po < P1 < P2; P0 , P1 e P2 devem ser tais que Po x P2 < P1; a= 1 log ( K – P0) 0,4343 d = intervalo constante entre os anos To, T1 e T2. P0 A curva logística possui três trechos distintos: crescimento acelerado, crescimento retardado e estabilização. Considera-se neste método um limite de saturação (K). O método é bom para estimativa em até 20 anos, apesar de que se deve sempre comparar este método com o do prolongamento manual. Quanto maior o número de informações sobre a população melhor será a estimativa da vazão. d) Cálculo da vazão média de esgoto tendo-se estimada a população: Q = p . q . cr / 1000 ( m3/d ); Q = p . q . cr / 86400 ( l / s ); Curso de Tratamento de Esgoto P ⇒ população estimada; q ⇒ Consumo per capita de água; cr ⇒ Coeficiente de retorno de esgoto; Q ⇒ Vazão do esgoto. 54 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tabela 2: Consumo per capita de água(q). Porte da comunidade Povoado rural Vila Pequena localidade Cidade média Cidade Grande Faixa da população (hab.) < 5.000 5.000 – 10.000 10.000 – 50.000 50.000 – 250.000 > 250.000 Consumo per capita- q (l/hab.dia) 90 – 140 100 – 160 110 – 180 120 – 220 150 – 300 Fonte: Sperling, M. V.(1996) Tabela 3: Valores típicos do consumo de água(q): Estabelecimento Aeroporto Alojamento Banheiro Público Bar Cinema / Teatro Escritório Hotel Hotel Indústria (esgoto sanitário ) Lanchonete Lavanderia – Comercial Loja Loja Loja de Departamento Loja de Departamento Restaurante Clínica de Repouso Clínica de Repouso Escola rica Escola média Prisão Prisão Unidade Passageiro Residente Usuário Freguês Assento Empregado Hóspede Empregado Empregado Freguês Máquina Banheiro Empregado Banheiro Empregado Refeição Residente Empregado Estudante Estudantes Detento Empregado Vazão (l/unidade.dia) 15 130 25 15 8 50 150 50 70 15 3000 1500 40 2000 40 40 400 50 100 60 400 50 Fonte: NBR 7229, Metcalf & Eddy (1991). Curso de Tratamento de Esgoto 55 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tabela 4: Consumo de água industrial: Ramo Alimentar Têxtil Couro Polpa e Papel Químicas Mineração Tipo Unidade Frutas legumes em conservas Doces Açúcar de Cana Matadouros Laticínios Laticínios Margarina 1 ton. de açúcar 1 ton. de produto 1 ton. de açúcar 1 boi / 2,5 porcos 1000 l de leite 1000 l de leite 1 Ton. de margarina 1000 l de cerveja 1 ton. De pão 1000 l de refr. 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 ton. Pele 1000 pares 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 empregado 1 ton. Vidro 1 ton. de sabão 1 ton. de cloro 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 barril (117 l ) 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 ton. Produto 1 ton. Carvão 1 m3 minério Cervejaria Padaria Refrigerantes Algodão Lã Rayon Nylon – polyester Lavanderia de lã Tinturaria Curtume Sapato Fabricação de Polpa Embranquecimento de Polpa Fabricação de Papel Polpa e papel integrados Tinta Vidro Sabão Ácido, Base e Sal Borracha Borracha sintética Refinaria de petróleo Detergente Amônia Dióxido de Carbono Gasolina Farmacêuticos (vitaminas) Carvão Ferro Consumo de água (m3 / unidade produzida) 40 20 8 0.4 8 8 15 15 4 3 500 600 50 130 50 50 30 5 150 150 200 220 110 l/d 15 150 50 125 500 0,3 13 115 80 25 25 10 16 Fonte.: CETESB (1976), Metcalf & Eddy ( 1991) . Curso de Tratamento de Esgoto 56 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Uma maneira de conseguir o valor mais real possível do consumo per capita (q) é através da verificação real, ou seja, uma pesquisa nas edificações similares: 1. Escolhe-se residências ou indústrias com mesmas características da estudada; 2. Verifica a micromedição (através dos hidrômetros) em 12 meses; 3. Verifica a população do bairro ou unidade de produção da indústria estudada; 4. q = Volume micromedido / (365 dias x população) ou 5. q = volume micromedido / produção; 6. Verifica se sistemas produtivos são similares no caso de indústria e se população tem mesma característica no caso de residências. obs.: Caso seja inviável o estudo acima deve-se considerar o valor médio da tabela 2. e) Vazão de projeto: Sabe-se que a organização social faz com que os homens tenham atitudes similares. A grande maioria da população usa a água próximo das 12:00 e das 18:00 horas, causando um pico de vazão em alguns horários como mostrado no gráfico 1. Com a variação da vazão variando durante o dia, algumas unidades do sistema de tratamento de esgoto devem ser projetadas para a vazão máxima. Deve-se considerar também as variações de consumo pela mudança de hábito devido às variações de clima nas diversas estações do ano. Tendo sido prática a adoção dos seguintes coeficientes de variação da vazão média de água: K1 = 1,2 ( coeficiente do dia de maior consumo – devido principalmente a temperatura ); K2 = 1,5 ( coeficiente da hora de maior consumo – devido aos hábitos humanos ); K3 = 0,5 ( coeficiente da hora de menor consumo ); Assim: Qmáximo-dia (Qdmáx) = K1 . Q ; Qmáximo-horário (Qhmáx) = K1 . K2 . Q ; Qmínimo ( Qmín )= K3 . Q. Deve-se adicionar aos valores acima a vazão devida a infiltração na rede coletora de esgoto. A norma NBR 9649 da ABNT, diz: “TI, Taxa de contribuição de infiltração, Curso de Tratamento de Esgoto 57 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] depende de condições locais tais como: Nível de água do lençol freático, natureza do subsolo, qualidade da execução da rede, material da tubulação e tipo de junta utilizado. O valor entre 0,05 a 1,0 l/s.km adotado deve ser justificado”. Tabela 5: Taxas de infiltração recomendadas para projetos: Autoria Metcalf & Eddy Inc. SABESP NBR 9649 – ABNT J.R.Campos & F.Y.Hanai Local EUA Estado de São Paulo Brasil Araraquara TI (l/s.km) 0,15 a 0,6 0,05 a 0,5 0,05 a 1,0 0,17 Ano 1981 1984 1986 1997 Gráfico 1: Curvas de demanda de água da cidade de Campinas: CURVA DE DEMANDA 35 30 25 20 15 curva de demanda temperatura 10 5 0 1 2 3 4 5 6 7 8 40 35 30 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 20 15 0 0 1 2 3 4 5 6 7 25 20 15 curva de demanda temperatura 10 5 0 1 2 3 4 5 6 7 8 2 1,9 1,8 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 GERÊNCIA DE OPERAÇÃO DE ÁGUA - SANASA - OPA 45 40 35 30 25 20 15 GERÊNCIA DE OPERAÇÃO DE ÁGUA - SANASA - OPA curva de demanda temperatura 10 5 0 0 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 HORA DEMANDA 35 TEMPERATURA DEMANDA 40 30 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 CURVA DE DEMANDA 45 0 8 HORA CURVA DE DEMANDA 2 1,9 1,8 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 temperatura 5 GERÊNCIA DE OPERAÇÃO DE ÁGUA - SANASA - OPA HORA curva de demanda 10 TEMPERATURA 0 45 2 1,9 1,8 1,7 1,6 1,5 1,4 bomba 1,3 1,2 1,1 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 TEMPERATURA 40 DEMANDA 45 2 1,9 1,8 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 TEMPERATURA DEMANDA CURVA DE DEMANDA 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 HORA GERÊNCIA DE OPERAÇÃO DE ÁGUA - SANASA - OPA Como pode-se verificar nos gráficos acima, os valores de vazão de pico e mínima deram 1,5 e 0,5 respectivamente, coerentes com os adotados nos projetos da cidade de Campinas. Os gráficos foram monitorados pelo Eng º Emerson Marçal Júnior através de Curso de Tratamento de Esgoto 58 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] macro medição na saída do reservatório pulmão, que abastece 90 % da cidade de Campinas. O trabalho tinha como finalidade o controle de perdas d’água e serviu como dados técnicos para o setor de planejamento e projetos. Curso de Tratamento de Esgoto 59 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 1.3 Cálculo da vazão de um rio: a ) Método manual para determinação da vazão instantânea: O método manual consiste na disposição de uma bola de isopor na superfície da água, que com a correnteza percorrerá uma distância pré-determinada (L1 + L2) e com a marcação do tempo consegue-se a velocidade média, onde L1 L2 velocidade média = L1(m) + L2 (m) dividido pelo tempo cronometrado (s). Para diminuir o erro deve-se fazer a tirada de tempo pelo menos 30 vezes. Para o cálculo da vazão deve-se saber a área da seção transversal do rio a cada 10 metros, o valor da seção média deve ser retirado através da média aritmética das várias seções encontradas no decorrer do comprimento L1 e L2 (soma > 50 metros). Através de uma régua mede-se a área da seção transversal com medidas a cada 2 metros, conforme figura abaixo. “A metodologia descrita é imprecisa, mas na falta de equipamentos e dependendo da utilização, o método manual para determinação de vazão instantânea de um rio é uma solução bastante prática e de baixo custo. É uma metodologia ótima para determinação da vazão de córregos urbanos de pequena dimensão no controle da poluição” O valor da vazão encontrada é em relação a velocidade superficial, pois é o local onde percorre o isopor, sabe-se que a vazão no centro é maior que a da superfície, portanto deve-se multiplicar a vazão encontrada por 1,2 para que se tenha um valor mais próximo do real. Curso de Tratamento de Esgoto 60 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] b) Método para determinação da vazão instantânea através da adição de sais: O método consiste na adição de sais no rio, através de uma vazão conhecida: Qm(l/s) . Sal-m(mg/l) = Qrio(l/s) . Sal-rio(mg/l) + Qad(l/s) . Sal.ad(mg/l); Onde Qm = Qrio + Qad = Vazão do rio (desconhecido) e do sal adicionado (conhecido); Sal-m = Concentração de sal na mistura (conhecido por análises) ; Sal-rio = Concentração de sal no rio antes da adição do sal (conhecido por análises); Sal-ad = Concentração de sal adicionada ao rio (conhecido por análises); Qad = Vazão adicionada de sal (conhecida); Percebe-se que a única incógnita da equação acima é a vazão do rio, que pode ser facilmente determinada com algumas análises de sólidos dissolvidos fixos. O problema desta Distribuição uniforme do sal metodologia é a quantidade de sal a ser despejada no rio, pois dependendo da concentração pode-se não ser aceito pelos órgãos de controle. Outro problema é que a condição de mistura no rio não seja a ideal, para isso é necessário que a adição do sal seja feita uniforme em toda a seção desejada. Para determinação da vazão instantânea de um rio com o mínimo erro deve ser feito os dois métodos descritos acima. Lembre-se que a vazão do rio varia conforme as variações sazonais, portanto estes métodos não podem ser usados para cálculo de autodepuração ou como Q7,10. Curso de Tratamento de Esgoto 61 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] c - Cálculo do Q7,10. O Q7,10 é a medida necessária para o estudo de autodepuração de corpos d’água e consequentemente a definição da eficiência necessária da estação de tratamento de esgoto. Q7,10 (l/s) = C . Xr . ( A + B). Qm; Qm = a + b . p (l/s . km2); ou seja: Q7,10 = C . Xr . ( A + B). ( a + b . p); Q7,10 ⇒ vazão mínima anual de sete dias consecutivos e período de retorno de 10 anos; Qm ⇒vazão média das mínimas anuais de um mês; C ⇒ relação Q7,10 e Qm; Xr ⇒ coeficiente relativo ao período de retorno; A,B ⇒ coeficientes tabelados; a,b ⇒ coeficientes tabelados; p ⇒ precipitação pluviométrica anual( mm/ano). Tabela 6: coeficientes para determinação do Q7,10; Região A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U Curso de Tratamento de Esgoto a -22,14 -29,47 -29,47 -22,14 -22,14 -22,14 -26,23 -29,47 -29,47 -29,47 -26,23 -26,23 -4,62 -26,23 -26,23 -26,23 -4,62 -4,62 -4,62 -4,62 -4,62 b Xr – 10 0,0292 0,706 0,0315 0,706 0,0315 0,748 0,0292 0,708 0,0292 0,708 0,0292 0,708 0,0278 0,632 0,0315 0,748 0,0315 0,708 0,0315 0,708 0,0278 0,689 0,0278 0,759 0,0098 0,759 0,0278 0,689 0,0278 0,689 0,0278 0,619 0,0098 0,633 0,0098 0,661 0,0098 0,661 0,0098 0,661 0,0098 0,594 A 0,3532 0,4174 0,4174 0,5734 0,4775 0,6434 0,4089 0,4951 0,6276 0,4741 0,4951 0,6537 0,6141 0,4119 0,3599 0,3599 0,6537 0,6141 0,5218 0,4119 0,4119 B 0,0398 0,0426 0,0426 0,0329 0,0330 0,0252 0,0332 0,0279 0,0283 0,0342 0,0279 0,0267 0,0257 0,0295 0,0312 0,0312 0,0267 0,0257 0,0284 0,0295 0,0295 62 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Fonte: Assessoria de Recursos Hídricos do DAEE (1984) O valor encontrado deve ser multiplicado pela área da bacia a montante do ponto desejado para a instalação de uma estação de tratamento de esgoto. Na tabela abaixo verificam-se os rios monitorados no Estado de São Paulo. Tabela 7: Regionalização dos principais rios do Estado de São Paulo: RIOS DE SÃO PAULO Aguapeí Alto Tietê (São Paulo até Piracicaba) Baixo Tietê (Piracicaba até Mato Grosso) Itararé Jaguari Mogi Guaçu Paraíba do Sul Paranapanema Pardo (afluente do Paranapanema) Pardo (Efluente do Mogi) Peixe Piracicaba Ribeira do Iguape Santo Anastácio São José dos Dourados Sapucaí Mirim Turvo REGIÃO S G T I K N H Q L O R G E R U P M C Z X Z Z X Y Z Z Z Y Z X X Z Z Y Y Fonte: Assessoria de Recursos Hídricos do DAEE (1984) Caso os órgãos de controle não tenham dados relativos a área de influência da bacia, e dependendo do tamanho do empreendimento, deve-se fazer o levantamento planialtimétrico para verificação da área de influência. Na falta de dados sobre o índice pluviométrico, deve-se adotar valores da região mais próxima, com as mesmas características que a estudada. Deve-se tomar o máximo cuidado para não cometer erros grotescos que podem levar ao super dimensionamento da estação de tratamento de esgoto, ou até a inviabilização de um empreendimento. Pode-se, também, ocorrer um subdimensionamento levando a ineficiência da estação de tratamento de esgoto, causando no rio um desenquadramento e conseqüente desrespeito a legislação. O projetista pode ser processado pelo artigo 33 da lei dos crimes ambientais. Para a cidade de Campinas, interior do Estado de São Paulo um valor médio usual é de 1300 mm/ano. Curso de Tratamento de Esgoto 63 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. 1.4) [email protected] Autodepuração dos corpos receptores: Autodepuração de corpos receptores é a capacidade que um corpo d’água consegue restabelecer seu equilíbrio naturalmente após o despejo dos poluentes. No corpo d’água que recebe um lançamento de esgoto, ocorre o fenômeno do desequilíbrio ecológico, que é o aumento do número de indivíduos de uma única espécie com conseqüente desaparecimento de outras espécies (ver apostila zero página 26). A autodepuração acontece em etapas conforme a figura abaixo: Águas limpas degradação decomposição recuperação águas limpas Matéria Orgânica distância Bactérias distância Oxigênio Dissolvido distância Curso de Tratamento de Esgoto 64 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Com o passar da distância o rio adquire novamente o teor de oxigênio dissolvido como antes do lançamento. Desta maneira dá a entender que o rio trata os esgotos e que não é necessário o tratamento. Acontece que se o rio estiver poluído, mesmo que apenas em alguns trechos, pode ser o suficiente para limitar alguns tipos de vida em sua total extensão. Exemplos são os peixes que sobem o rio para desovar, ou os que necessitam da piracema. Estudos do professor Godoy de Pirassununga mostram que os peixes sobem e descem o rio numa sincronia e pontualidade “britânica”. Com o monitoramento de peixes, ele conseguiu capturar várias vezes os mesmos peixes, no mesmo dia e mês só que em anos diferentes. A natureza tem seus mistérios e belezas, e este encanto não deve ser quebrado pelo homem, para isso é necessário que o homem trate seus esgotos e futuramente até diminua a produção do mesmo. Com isso o homem instituiu leis que limitam os lançamentos nos nossos rios. Através do estudo de autodepuração e do conhecimento das leis é que poderemos ver a eficiência necessária numa estação de tratamento de esgoto. O aspecto de maior importância no gerenciamento da qualidade da água, consiste na aplicação de modelos matemáticos que possibilitem a determinação das alterações provocadas pelas descargas nas águas dos rios, lagos, estuários e oceanos. O desenvolvimento de tais modelos requerem a aplicação de balanço de massa e modelos cinéticos. Torna-se possível, desta forma, prever a capacidade do sistema de receber efluente, além de quantificar os impactos causados por determinadas ações. “Um dos modelos matemáticos mais utilizados para verificar a autodepuração de um corpo d’água que recebe lançamento de esgoto doméstico é o determinado por Streeter & Phelps, para o Rio Ohio”. Um dos principais modelos matemáticos aplicados à qualidade da água foi desenvolvido por H. S. Streeter e E. B. Phelps em 1925, para o Rio Ohio. Este modelo é utilizado para prever o déficit da concentração de oxigênio num rio, causado pela descarga de águas residuárias. O modelo de decaimento de oxigênio de Streeter & Phelps na sua forma simples, correlaciona a taxa de variação do déficit de oxigênio com a distância e respectivas taxas espaciais de desoxigenação e reoxigenação. Curso de Tratamento de Esgoto 65 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] A – Concentração no rio após a mistura com o despejo: Cm = (Qrio . Crio + Qe . Ce) / (Qrio + Qe); Cm ⇒ Concentração na misturo; Crio ⇒ Concentração no rio antes da mistura; Ce ⇒ Concentração no esgoto; Qrio ⇒ Q7,10 - Vazão crítica do rio; Qe ⇒ Vazão média do esgoto; Obs. As concentrações podem ser para vários parâmetros como OD, DBO, DQO... B – Déficit inicial de Oxigênio no rio: D0 ⇒ Déficit inicial de oxigênio, após a mistura; Cm⇒ ⇒ OD logo após a mistura; Obs.: usar concentração na mistura para verificar o oxigênio dissolvido na mistura, onde Crio = OD (oxigênio dissolvido no rio) Ce = OD (oxigênio dissolvido no esgoto) ou Cm = (Qrio . ODrio + Qe . ODe) / (Qrio + Qe); Do = Cs - Cm Tabela 8: Valores de oxigênio dissolvidos para o esgoto. Tipo de efluente Esgoto Bruto Tratamento primário Tratamento Anaeróbio Tratamento aerado Lagoas facultativas OD (oxigênio dissolvido: mg/l) Zero – 0,5 Zero Zero 1 a 2 mg/l 3 a 7 mg/l Fonte: Experiência do autor; Tabela 9: Valores de Oxigênio Dissolvido de Saturação e no Rio (mg/l): Temperatura 10 14 18 22 26 30 0 11,3 10,4 9,5 8,8 8,2 7,6 Altitude (m) 500 1000 10,7 10,1 9,8 9,3 9,0 8,5 8,3 7,9 7,8 7,3 7,2 6,8 1500 9,5 8,7 8,0 7,4 7,1 6,4 OD no rio Mg/l 8,29 7,62 6,97 6,48 6,11 5,7 Fonte: Adaptado de Sperling, M. V.(1996) Obs.: Os valores de Cs estão nas colunas de 2 a 5. Curso de Tratamento de Esgoto 66 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] C – Cálculo da DBO5 no rio após a mistura: DBO5m = (Qrio . DBO5rio + Qe . DBO5e) / (Qrio + Qe); DBO5m ⇒ DBO5 na mistura; DBO5rio⇒ DBO5 rio antes da mistura; DBO5e ⇒ DBO5 no esgoto; D – Cálculo da Demanda Última no rio após a mistura: DBOu = DBO5m / (1 – e – 5 . k1 ); DBO5m ⇒ DBO5 na mistura; DBOu ⇒ DBO última; K1 ⇒ Coeficiente de desoxigenação; Tabela 10: Valores de K1 para temperatura de 20º C: Origem Água residuária forte (DQO > 1000 mg/l) Água residuária fraca (DQO < 1000 mg/l) Efluente primário Efluente secundário Rios limpos Água potável K1 (dia-1) 0,4 0,35 0,30 0,20 0,15 0,10 Fonte: Metcalf & Eddy (1991); Para temperaturas diferentes de 20ºC transformar o valor através da fórmula: K1T = K120 . θ (T – 20) onde T = temperatura do líquido; K120 = K1 a uma temperatura de 20ºC e θ = coeficiente de temperatura que é usualmente empregado com valor de 1,047. E - Cálculo do perfil de oxigênio dissolvido em função do tempo: ODt = Cs – [ K1. DBOu ( e- k1 . T - e – k2 .T) + Do . e – k2 . T]; K2 – K1 Curso de Tratamento de Esgoto K2 ⇒ Coeficiente de reaeração; K1 ⇒ Coef. de desoxigenação; Do ⇒ Déficit inicial de OD; Cs ⇒ OD de saturação; DBOu ⇒ DBO última. 67 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Caso em algum ponto ODt for negativo o modelo de Streeter & Phelps passa a não mais ser válido. Tabela 11: Valores típicos de K2 para temperatura de 20ºC: K2 ( dia –1) Tipos de Corpos D’água Lagoa Rio muito lento Rio Lento Rio Normau Rio Rápido Corredeiras Profundo 0,12 0,23 0,37 0,46 0,69 >1,15 Raso 0,23 0,37 0,46 0,69 1,15 >1,61 Fonte: Fair et al (1973), Arceivala(1981) apud Sperling(1996). Para temperaturas diferentes de 20ºC transformar o valor através da fórmula: K2T = K220 . θ (T – 20) onde T = temperatura do líquido; K120 = K1 a uma temperatura de 20ºC e θ = coeficiente de temperatura que é usualmente empregado com valor de 1,024. F – Cálculo do Tempo Crítico (onde ocorre a concentração mínima de oxigênio dissolvido): Tc = 1 . ln { K2 . [ 1 – Do . ( K2 – K1) ]}; K2 – K1 K1 DBOu . K1 G – Cálculo do déficit crítico e da concentração crítica de oxigênio: DC = K1 . DBOu . e – k1 . Tc e ODc = Cs – Dc; K2 Curso de Tratamento de Esgoto 68 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 1.5 Eficiência necessária para instalação do tratamento de esgoto: A eficiência necessária para a instalação de uma estação de tratamento de esgoto é verificada através da classe do rio no qual o esgoto será despejado. Com a classe do rio sabe-se qual é o valor mínimo de OD permissível pela legislação, portanto o valor de ODc deverá ser igual ao valor mínimo permito pela legislação. Após verificado o ODc, consegue-se o valor do Déficit Crítico de Oxigênio. Através das equações G e F consegue-se 2 equações e 2 incógnitas (DBOu e Tc). Encontrando-se o valor da DBOu através de relação já citada consegue-se o valor da DBO5m, que através do balanço de massa consegue-se o valor da DBO5 do efluente permitido. Assim pode-se conseguir a eficiência através de seguinte equação: E = DBO5a – DBO5e . 100 DBO5a DBO5a = DBO5 afluente a ETE; DBO5e = DBO5 efluente a ETE; E = Eficiência do tratamento; 1.6 Relações de concentração e vazão: - Carga (kg /dia)= concentração (Kg /m3) . vazão (m3/dia); - Carga (Kg/dia)= população (hab) . carga per capita (Kg/hab.dia); - Carga (kg/dia) = contribuição por unidade produzida(kg/unid) . produção (unid); - Concentração(Kg/l) = carga per capita (Kg/hab.dia) / quota per capita (l/hab.dia); Curso de Tratamento de Esgoto 69 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 1.7 Principais parâmetros: O tratamento de esgoto consiste principalmente na separação de partículas sólidas do líquido. De maneira simplificada o esgoto poderia ser tratado com um simples filtro, acontece que nos esgotos existem partículas pequenas (dissolvidas) que inclusive passam por um filtro de papel. Os filtros sozinhos também causam problemas de constante entupimento. As partículas no esgoto podem ser classificadas quanto ao seu tamanho: dispérside dispersóide Átomos e moléculas colóides Suspensões ou soluções coloidais Soluções propriamente ditas µm 10-1 dispersão 100 10 102 Partículas suspensas Poro papel fino 103 Suspensões 104 105 106 107 As partículas classificadas como dispérside e como dispersóide necessitam de um pré-tratamento antes de uma filtração, pois devido ao pequeno tamanho passam pelo poro de um filtro de papel fino. Uma maneira é a união de várias partículas pequenas transformado-as em uma partícula grande. Este processo de união das partículas pode ocorrer através da adição de produtos químicos ou através de contato com bactérias (o processo biológico não é somente a união entre partículas, mas é um similar para o entendimento do estudante iniciante). Curso de Tratamento de Esgoto 70 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Outra classificação dos sólidos pode ser feita de acordo com a sua biodegradabilidade. Os sólidos podem ser biodegradáveis (voláteis) ou podem ser inertes (fixos). Sólidos biodegradáveis são aqueles que entram em decomposição através da ação de microrganismos. Sólidos inertes são aqueles que as bactérias não influenciam no seu estado inicial. Quase todo tipo de matéria orgânica é biodegradável e pode ser retirada do esgoto através de tratamento biológico. A quantificação de matéria orgânica pode ser “Matéria orgânica é todo composto que tenha carbono na sua estrutura molecular” Exemplo: C6H12O6 feita através das análises de DBO, DQO, COT e SVT. A matéria orgânica pode ser separada através de precipitação química, onde a matéria é coagulada, floculada e posteriormente decantada ou pelo tratamento biológico aeróbio, anaeróbio ou facultativo. O esgoto em geral tem uma formação complexa, além da M.O. apresentada, tem também areia, sais, nutrientes e outros despejos das mais variadas origens. Nem sempre consegue-se a retirada de todos os materiais numa única unidade, por este motivo as estações de tratamento de esgoto são complexas, tendo várias unidades com objetivos diferentes. Tabela 12: Características de um esgoto doméstico Parâmetro Sólidos Totais Sólidos em suspensão totais Sólidos em suspensão fixos Sólidos em suspensão voláteis Sólidos dissolvidos totais Sólidos dissolvidos fixos Sólidos dissolvidos voláteis Sólidos sedimentáveis DBO5 DQO Fósforo Nitrogênio Total Unidade mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mg/l mgP/l MgN/l Valor médio no Brasil 1200 400 80 330 800 400 400 15 350 600 15 50 Fonte: Experiência do autor na cidade de Campinas e cidade de São Carlos Curso de Tratamento de Esgoto 71 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 1.8 Parâmetros para tratamento de efluentes industriais: Um importante parâmetro caracterizador dos despejos industriais é o equivalente populacional. Quando se fala que uma indústria tem um equivalente populacional de 10 habitantes, equivale a dizer que a carga de DBO do efluente industrial corresponde à uma carga gerada por uma população com 10 habitantes. E.P.(equivalente populacional) = ___Carga de DBO da indústria ( kg/dia) . Contribuição per capita de DBO x produção O valor usualmente utilizado é o de 54g DBO/hab.dia aconselhado pela NB-570 da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Tabela 13: Equivalente populacional: Indústria Conservas(frutas e legumes) Açúcar de cana Laticínio sem queijaria Laticínio com queijaria Margarina Matadouros Destilação de álcool Cervejaria Refrigerantes Vinho Algodão Tinturaria Curtume Sapatos Fabricação de papel Tinta Sabão Refinaria de petróleo PVC Fundição Laminação Unidade de produção 1 tonelada 1 tonelada de açúcar 1000 l de leite 1000 l de leite 1 tonelada 1 boi / 2,5 porcos 1 tonelada 1 m3 1 m3 1 m3 1 tonelada 1 tonelada 1 tonelada de pele 1000 pares 1 tonelada 1 empregado 1 tonelada 1 barril (1171) 1 tonelada 1 tonelada 1 tonelada Equivalente populacional 500 50 20 – 70 90 – 700 500 70 – 200 4000 150 – 350 50 – 100 5 2800 2000 – 3500 1000 – 3500 300 100 – 300 20 1000 1 200 100 – 300 30 – 200 Fonte: Sperling, M. V.(1996) Curso de Tratamento de Esgoto 72 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tabela 14: Equivalentes populacionais Indústria Lacticínio sem queijaria Lacticínio com queijaria Matadouro Curral Chiqueiro Granja avícola Silo de ração Autoclave de Batatas Piscicultura Usina de Açúcar Mautaria Cervejaria Destilaria Amidonaria Indústria vinícola Curtume Lanifício Alvejamento de Tecidos Tint.c/ corantes Sulfurados Indústria de Linho Celulose ao sulfito Pasta mecânica ao Papel Fábrica de papel Lã sintética Lavanderia Vazamento de óleo mineral Aterro sanitário de lixo Unidade 1000 litros de leite 1000 litros de leite 2,5 porcos 1 tonelada 1 vaca 1 porco 1 galinha 1 tonelada de ração Ou total 1 tonelada de batatas 100 kg de trutas 1 tonelada de beterraba 1 tonelada de cereais 1000 l de cerveja 1000 l cereais 1 tonelada de milho ou trigo 1000 l de vinho 1 há de vinhedo 1 tonelada de pele 1 tonelada de lã 1 tonelada do produto 1 tonelada do produto 1 tonelada de linho bruto 1 tonelada de celulose 1 tonelada de madeira 1 tonelada de papel 1 tonelada de lã sintética 1 tonelada de roupa 1 tonelada de óleo 1 há de área Equivalente Populacional 25 – 70 45 – 230 20 – 200 130 – 400 5 – 10 3 0,12 – 0,25 4 – 11 / dia 200 – 650 25 – 50 80 45 –70 10 –100 150 – 350 2000 – 3500 500 – 900 100 – 140 35 – 60 1000 – 3500 2000 – 4500 1000 – 3500 2000 – 3000 700 – 1000 3500 – 5500 45 – 70 200 – 900 300 – 450 350 – 900 11000 45 Fonte: Karl e Klaus R. Imhoff (1986) Como pode-se perceber os valores das tabelas tabelas 13 e 14 são bem diferentes, isto deve-se principalmente as mudanças na forma de produção que tem a tendência de preocupação com a minimização dos resíduos gerados. A tendência mundial é o desfio Curso de Tratamento de Esgoto 73 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] chamado de emissão zero, onde através de um banco de resíduos todo o material inaproveitado passe a ser matéria prima para outras indústrias. 1.9 Detalhes importantes da NB-570 / ABNT: Projeto de estações de tratamento de esgoto sanitário: Requisitos para o projeto: - Relatório do estudo do sistema de esgotamento sanitário; - População atendida nas diversas etapas do plano; - Características requeridas para o efluente tratado nas diversas etapas do plano; - Definição do ponto onde será lançado o esgoto; - Seleção de área para construção da ETE com levantamento Planialtimétrico (1:1000); - Sondagens preliminares de reconhecimento do subsolo; - Cota máxima de enchente na área selecionada; - Padrões de lançamento das industrias nas redes coletora (ver NB – 1032). Elaboração de projeto hidráulico-sanitário compreende, no mínimo, as seguintes atividades: - Seleção e interpretação das informações disponíveis para o projeto; - Definição das opções de processo para a fase líquida e para a fase sólida; - Seleção dos parâmetros de dimensionamento e fixação de seus valores; - Dimensionamento das unidades de tratamento; - Elaboração dos arranjos em planta das diversas opções; - Avaliação de custo das diversas opções; - Comparação técnico-econômica e escolha da solução; - Dimensionamento de órgãos auxiliares e sistemas de utilidades; - Seleção dos equipamentos e acessórios; - Locação definitiva das unidades, considerando a circulação de pessoas e veículos e o tratamento arquitetônico-paisagístico; - Elaboração do perfil hidráulico em função do arranjo definitivo; Curso de Tratamento de Esgoto 74 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. - [email protected] Elaboração de relatório do projeto hidráulico-sanitário, justificando as eventuais divergências em relação ao estudo de concepção. Parâmetros básicos para projeto: - Na falta de dados de campo utilizar os valores de 54 g de DBO5 / hab.dia; - Na falta de dados de campo utilizar os valores de 60 g de SS/hab.dia; - Usar vazão máxima para estações elevatórias, canalizações, medidores e dispositivos de entrada e saída; - Usar vazão média em todas as unidades e canalizações precedidas de tanques de acumulação com descarga em regime de vazão constante; - Deve-se prever canalização de desvio (by-pass) para isolar a ETE; - Deve ser previsto medidor de vazão afluente a ETE; - A canalização de transporte de lodo deve ter velocidade entre 0,5 m/s e 1,8 m/s; O relatório do projeto hidráulico-sanitário da ETE deve incluir: - Memorial descritivo e justificativo, contendo informações a respeito do destino a ser dado aos materiais residuais retirados da ETE, explicitando os meios que devem ser adotados para o seu transporte e disposição, projetando-os quando for o caso: - Memória de cálculo hidráulico; - Planta de situação da ETE em relação à área de projeto e ao corpo receptor; - Planta de locação das unidades; - Fluxograma do processo e arranjo em planta (lay-out) com identificação das unidades de tratamento e órgãos auxiliares; - Perfis hidráulicos das fases líquida e sólida nas diversas etapas; - Plantas, cortes e detalhes; - Planta de escavações e aterros; - Especificações de materiais e serviços; - Especificações de equipamentos e acessórios, indicando os modelos selecionados para elaboração do projeto; - Orçamento; - Manual de operação de processo, contendo no mínimo o seguinte: - Parâmetros utilizados no projeto e descrição simplificada da ETE; Curso de Tratamento de Esgoto 75 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] - Fluxograma e arranjo em planta da ETE e modelo da ficha de operação; - Procedimentos de operação com descrição de cada rotina e sua freqüência; - Identificação dos problemas operacionais e procedimentos a adotar em cada caso; 1.10) Projeto de uma estação elevatória de esgotos: Na grande maioria das estações de tratamento de esgoto o interceptor chega na área da ETE numa cota inferior a dos reatores, portanto é necessário o bombeamento dos esgotos para cotas mais altas. Verifica-se na figura abaixo o projeto de uma EEE e reator UASB em fibra de vidro: Autor: Eng º Emerson Marçal Júnior (1998) Percebe-se no esquema acima que a tubulação de esgoto chega numa cota abaixo do fundo do reator UASB, necessitando de um bombeamento até a parte superior do reator. a) Classificação das estações elevatórias de esgoto: - Quanto ao tamanho: - - Pequenas (< 50 l/s), médias (50 a 500 l/s) e grandes (superior a 500l/s); Quanto ao método construtivo: - Ejetor pneumático (< 0,02 m3/s), Pré-moldada de poço úmido (0,006 à 0,03 m3/s), Pré-moldada de poço seco ( 0,006 à 0,1 m3/s) e convencional (>0,06 m3/s). - Quanto ao tipo de bomba: - Com ejetor pneumático, com bomba tipo parafuso e com bomba centrífuga. Curso de Tratamento de Esgoto 76 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] b) Estações elevatórias convencionais: Para elaboração de estudo de concepção de estações elevatórias de esgoto, os principais requisitos da NB-566 são: - Estudo de concepção; - Localização da estação; - Níveis de enchente; - Diretriz do conduto, quando houver; - Localização do ponto de descarga do recalque. - Levantamento topográfico, cadastramento da área; - Sondagens para reconhecimento do solo e do nível do lençol freático; - Vazões afluente e efluente para inicio e final de plano; - Características do conduto afluente; - Características do esgoto afluente. Neste curso serão abordadas as estações elevatórias de esgoto convencionais, que são a grande maioria das EEE instaladas no Brasil. As estações elevatórias convencionais podem ser classificadas em: - Poço seco: - Conjunto motor-bomba de eixo horizontal; - Conjunto vertical de eixo prolongado – bomba não submersa; - Conjunto motor-bomba de eixo vertical – bomba não submersa; - Conjunto motor-bomba auto scorvante. Nível máximo Válvula de gaveta Extravasor motor Válvula de retenção Nível Bomba Curso de Tratamento de Esgoto 77 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. - [email protected] Poço úmido: - Conjunto vertical de eixo prolongado – bomba submersa; - Conjunto motor-bomba submerso. Nível máximo Válvula de gaveta Extravasor motor Válvula de retenção Nível Bomba c) Dimensionamento do poço de sucção (bombas de rotação constantes): O volume útil mínimo do poço de sucção é determinado por: V = 0,25 . Q . T; onde T = Tempo de ciclo e Q = capacidade máxima da maior bomba. Fórmula indicada pela ABNT – NB569/1989 Tabela 15 – Recomendações para escolha do tempo de ciclo Autor o entidade SABESP Flomatcher Metcalf & Eddy Curso de Tratamento de Esgoto Potência do motor < 300cv >300 cv Até 15 HP 20 a 50 HP 60 a 200 HP 250 a 600 HP Até 20 HP 20 a 100 HP 100 a 250 HP > 250 HP Tempo de ciclo 10 mim Consultar fabricantes 10 mim 15 min 30 min 60 min 10 min 15 min 25 min Consultar fabricantes 78 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Algumas recomendações da NB 569 / ABNT 1989: - Não permitir a formação do vórtice; - Não permitir descarga livre, nem velocidade > 0,60 m/s; - Não permitir depósitos no fundo ou cantos do poço de sucção; - Não permitir circulação que favoreça a tomada por uma ou mais bombas. O volume efetivo do poço de sucção é a relação entre o volume compreendido entre o fundo do poço e o nível médio de operação das bombas: Ve = Qm x Td; onde Td – Tempo de detenção no poço(min) < 30 min (NB – 569); Qm – Vazão média de projeto afluente à elevatória no início de operação (m3/min) e é desejável Ve < Qm x 30. d) Dimensionamento dos condutos: Recomendações de velocidade da NB-569(1989): - Na sucção: 0,6 < V < 1,5 m/s; - No recalque: 0,60 < V < 3 m/s; e) Dimensionamento do conjunto motor-bomba: H ⇒ Altura manométrica total; Hg ⇒ Altura geométrica Total; Hs ⇒ Perda de carga Total; H = Hg + Hs ; - “ As perdas de cargas podem ser calculadas com um livro de hidráulica, caso seja um prédimensionamento considerar H = 1,4 . Hg” Potência fornecida pela bomba: Pl = γ . Q . H; Curso de Tratamento de Esgoto Pl = Potência líquida fornecida pela bomba, KW; N.m/s; γ = peso específico da água N/m3; Q = Vazão, m3/s; H = Altura manométrica total, m. 79 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. - [email protected] Rendimento da bomba: η = Pl / Pb ; η = rendimento ou eficiência da bomba; Pb = potência consumida pela bomba, KW; N.m/s. Obs. 1.: Para a escolha do tipo de bomba necessária é ideal consultar os fornecedores de bombas com seus respectivos catálogos e curvas de rendimento; Obs. 2.: Deve ser considerado a instalação de pelo menos 2 conjuntos motor-bomba; f) Sistema de controle e operação das Bombas: - Sensor tipo bóia; - Sensores pneumáticos; - Sensores elétricos; - Painel de comando elétrico: - Comando liga-desliga das bombas; - Chave seletora automático-manual; - Chave seletora de bombas; - Alarme e sinalização de defeitos; - Sinalização de operação; - Indicador de corrente (amperímetro); - Indicador de tensão (voltímetro); - Controle de rotação do motor; - Supervisão do sistema. Curso de Tratamento de Esgoto 80 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] g) Principais requisitos para o projeto de uma EEE: - Memorial descritivo da instalação; - Memória de cálculo hidráulico; - Especificações dos serviços em materiais; - Orçamento; - Desenhos; - Arquitetura e urbanização, Fundação e estrutura, instalações prediais, tubulações, eletricidade, perfil hidráulico, esquemas e diagramas complementares; - Manual de operação. h) Recomendações de projeto gerais: - instalações de “by-pass”; - instalação de “Stop-Log”; - instalação de equipamentos para remoção de sólidos grosseiros; - instalação de dispositivos para medição; - possibilidade de inspeção e manutenção; Para conseguir um bom projeto é necessário que o projetista conheça muito bem a operação de uma estação de tratamento de esgoto. Deve-se antes de iniciar um projeto, visitar pelo menos umas 10 estações elevatórias de esgoto. O conhecimento de problemas operacionais que ocorrem com o passar do tempo na operação de uma EEE e sua correção no projeto devem ser parte da rotina de um bom projetista. É normau a verificação de erros consecutivos de projetistas renomados, devido ao pouco tempo dos mesmos para realizarem visitas às instalações de seu projeto. Um bom projeto é feito 70 % fora do escritório e 30% dentro do escritório. Dentro do escritório somente é elaborado o dimensionamento. Os detalhes devem ser feitos através de visitas a instalações bem sucedidas. Curso de Tratamento de Esgoto 81 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 1.11 Exercícios: 1. Quais são os principais tipos de sistemas de esgotamento sanitário? Qual é o sistema utilizado no Brasil? 2. Qual é a situação do esgotamento sanitário no Brasil? E do tratamento? 3. O que é sistema Local de tratamento? 4. Na seguinte indústria foi monitorado o despejo de esgoto no rio: T(s) ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ 50 50 50 50 50 Horas 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 50 25 25 25 25 25 25 ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ Horas 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 T(s) Obs: ∞ significa que não está saindo água da tubulação. a) Qual é a vazão média entre as 7 e 12 horas? b) Qual é a vazão média entre 13 e 18 horas? c) Qual a vazão média entre 7 e 18 horas? d) Qual a vazão média diária? 5. Na mesma indústria do exercício 4 foi micromedido o seguinte volume: 7:00 horas do dia 12 de janeiro: 1083457 Litros; 7:00 horas do dia 13 de janeiro: 1150957 Litros; a) Qual a vazão média diária de água? b) Calcular o coeficiente de retorno desta a indústria usando os valores do exercício 04? Curso de Tratamento de Esgoto 82 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 6. Estimar a população para o ano de 2020? Censo: 1970 - 250000 habitantes; 1980 – 350000 habitantes; 1990 – 425000 habitantes; 1998 – 475000 habitantes. a) pelo método aritmético; b) pelo método do prolongamento manual; c) pelo método geométrico; d) pelo método da curva logística; e) Qual as 2 melhores alternativas? Justificar? 7. Determine usando os dados da alternativa e) da questão 6: a) Vazão média do consumo de água? b) Vazão máxima horária de água? c) Vazão máxima diária de água? d) Vazão média de esgoto? e) Vazão mínima de água? 8. Calcular a vazão de esgoto? a) população : 4000 hab.; b) população: 10000 hab.; c) população: 30000 hab.; d) população: 100000 hab.; e) população 300000 hab.; f) Bar com 100 fregueses por dia; g) Hotel com 50 hóspedes por dia e 5 funcionários; h) Escola particular com 15 funcionários; i) Restaurante com 200 refeições por dia; Curso de Tratamento de Esgoto 83 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 9. Calcular a vazão da indústria? a) Cervejaria que produz 1000000 de litros por mês; b) Curtume que produz 10 toneladas por mês; c) Fábrica de papel que produz 1000 toneladas por ano; 10. No item d) da questão 7 não foi considerado a taxa de infiltração de água na rede de esgoto. Para projetar a estação de tratamento de esgoto é necessário este valor. Sabe-se que existem 100 km de rede de esgoto. Calcular a vazão média de projeto (vazão média + vazão devido a infiltração)? 11. Rascunhar no papel uma curva de demanda de água típica? Explicá-la? 12. Quais as metodologias para determinação da vazão instantânea de um rio? 13. Para medir a vazão de um rio uma equipe de Saneamento fez algumas medidas no rio: Área da Seção ( 10 11 12 15 14 14 8 9 9 8 8 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 m2) Distância (metros) T(s) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 700 650 750 700 700 700 675 680 690 685 703 715 680 675 676 665 660 675 673 675 Qual é a vazão instantânea do rio (usar item 1.3 a)? 14. Qual a vazão instantânea do rio? Qrio = ?; SDFrio = 10 mg/l; Qsal = 1 l/s; SDFmistura = 100 mg/l; SDFsal = 1000 mg/l; Qmistura = Qrio + Qsal; Curso de Tratamento de Esgoto 84 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 15. Calcular o Q7,10 do Rio Corumbataí ( rio afluente ao rio Piracicaba)? Área de influencia anterior a estação de tratamento de esgoto: 10000 há; 1 há = 10000 m2; Índice pluviométrico= 1300 mm / ano; 16. O que é poluição de um rio? 17. O que é autodepuração de um rio? 18. Dados: Qrio = 5000 l/s; DBOrio = 10 mg/l; Qe = 10 l/s; DBOe = 1500 mg/l; Calcular a concentração do rio após a mistura? 19. Dados: Qrio = 5000 l/s; ODrio = 7 mg/l; Qe = 10 l/s; ODe = 1 mg/l; ODsaturação = 8 mg/l; Calcular o déficit inicial de OD no rio? 20. Com os dados das questões 18 e 19. Calcular a DBOu na mistura? 21. Usando os dados das questões anteriores, traçar o perfil de oxigênio dissolvido em função do tempo e da distância? 22. Qual o OD crítico? Qual o tempo e a distância que ocorrerá o ODcritíco? Obs.: Usar dados das questões acima. 23. Calcule a eficiência da ETE? a) DBO5afluente = 450 mg/l; DBO5efluente = 90 mg/l; b) DBO5afluente = 800 mg/l; DBO5efluente = 87 mg/l; c) DBO5afluente = 350 mg/l; DBO5efluente = 40 mg/l; d) DBO5afluente = 4500 mg/l; DBO5efluente = 500 mg/l; Curso de Tratamento de Esgoto 85 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 24) Calcule a carga orgânica? a) DQO = 300 mg/l, Q = 100 l/s; b) Com os valores da alternativa a) estimar a população; c) População de 10000 habitantes e carga per capta 54 g DBO / hab. Dia; 25) Como podem ser classificados os sólidos presentes no esgoto? 26) O que é matéria orgânica? 27) Qual é a carga orgânica? a) 3 toneladas de açúcar; b) 1 tonelada de papel; c) 10000 litros de vinho; d) 3000 porcos; e) 10000 galinhas; f) 100 vacas; 28) Quais os principais tipos de EEE (estações elevatórias de esgoto)? 29) Quais classificações podem ser dadas as estações elevatórias de esgoto? 30) Quais as principais funções de uma EEE? 31)Dimensionar um poço de sucção de uma EEE que tenha uma vazão de 1 l/s e H = 10 metros; Adotar: bomba; 32) Qual o conjunto motor – bomba poderia ser utilizado na questão anterior? Curso de Tratamento de Esgoto 86 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 33. Qual o tipo de tratamento que você escolheria para este tipo de efluente? Características dos esgotos sanitários antes do sistema de tratamento e concentrações máximas admitidas do efluente tratado. Constituinte Esgoto Bruto Efluente Tratado (mg/l) (mg/l) Sólidos Totais 800 200 Dissolvidos Totais 550 190 Dissolvidos Fixos 330 185 Dissolvidos Voláteis 220 5 Suspensos Totais 250 10 Suspensos Fixos 60 3 Suspensos Voláteis 190 7 Sólidos Sedimentáveis 10 0 DBO5 250 10 COT 150 3 DQO 450 45 Nitrogênio (Total) 45 <5 Orgânico 20 <1 Amoniacal 25 0 34. Uma descarga em um pequeno córrego possui as seguintes características: Esgoto Inverno Verão 3 Q (m /s) 0,1 0,1 T(º C) 21 21 DBO5 (g/m3) 100 100 OD (g/m3) 0 0,0 -1 K20 ºC ( d ) 0,2 0,2 Córrego Inverno Verão Q (m3/s) 3 1,5 T(º C) 12 25 DBO5 (g/m3) Zero Zero 3 Déficit de OD (g/m ) Zero Zero Kt ( d-1) 0,08 0,26 K2t ( d-1) 0,55 0,40 Determine o maior déficit de OD e a concentração de OD mínimo a jusante Curso de Tratamento de Esgoto 87 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 35) Qual é a eficiência necessária da ETE A e da ETE B para remoção de DBO5? Rio classe 3 Esgoto: DBO5 = 300 mg / l OD = zero mg/l Q = 100 l/s Rio: Qr = 100700 l/s Rio classe 4 a Qr = 30000 l/s b Esgoto: DBO5 = 300 mg / l OD = zero mg/l Q = 120 l/s Distância entre o lançamento da cidade A e o rio principal = 5000 metros. Distância entre a cidade B e a interseção dos dois rios = 15000 metros. Curso de Tratamento de Esgoto 88 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 1.11) Bibliografias Consultadas: 01. NB-570/ABNT(1990). Projeto de estações de tratamento de esgoto sanitário. Associação Brasileira de Normas Técnicas. 02. CAMPOS, J.R.(1990). Alternativas para Tratamento de Esgotos Sanitários. Consórcio Intermunicipal das bacias dos rios Piracicaba e Capivari. 03 03. NB-7229/ABNT(1993). Projeto, construções e operação de sistemas de tanques sépticos. Associação Brasileira de Normas Técnicas 04. FORESTI, E.(1998) – “Notas da aula de Processos e Operações em Tratamento de Resíduos SHS-705”, Pós Graduação em Hidráulica e Saneamento na Escola de Engenharia de São Carlos. 05. IMHOFF, K. R.(1986) – Manual de Tratamento de Águas Residuárias. São Paulo. 06. METCALF & EDDY(1979) – “Wastewater engineering – treatment, disposal, reuse”2nd ed.. New York. McGraw-Hill, p. 920. 07. NUNES, J.A.(1996) - Tratamento Físico Químico de Águas Residuárias Industriais. 2ª edição Editora J. Andrade. 08. TSUTIYA, M. J.& SOBRINHO, P. A.(1999) – Coleta e transporte de esgoto sanitário. 1ª Edição :Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Curso de Tratamento de Esgoto 89 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 09. SPERLING, M. V. (1996) – Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 1ª edição: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental; Universidade Federal de Minas Gerais. 10. MARÇAL, E. J (1997) – Estudo de Autodepuração de esgotos sanitários: Relatório realizado na Sanasa – Campinas como parte do trabalho de despoluição de córregos urbanos. 11. NB-569/ABNT (1989) – Projeto de estações elevatórias de esgoto sanitário: Associação Brasileira de Normas Técnicas. 12. FORTES, J., CUNHA, C. (1994). Influência das águas continentais sobre as regiões costeiras: Enfoque da legislação atual. Qualidade de águas continentais no Mercosul. ABRH publicação n º 2, dez. 1994. 420p. Curso de Tratamento de Esgoto 90 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Capítulo 2: Tratamento Preliminar: 2.1 Introdução. A despoluição dos córregos acontece através de vários mecanismos, sendo que os principais são: o tratamento do esgoto, o reuso da água e a mudança de hábito. O tratamento de esgoto pode ser definido, como a retirada de poluentes da água, através de processos biológicos, químicos ou por meio de operações físicas. O reuso da água, refere-se a seu reaproveitamento para usos menos restritivos; Como exemplo, pode ser citada a utilização da água da pia do lavatório, sendo esta retornada para água do vaso sanitário. É importante perceber que a água do vaso sanitário não requer a presença de flúor. A mudança de hábito por parte da população pode ocorrer em residências, através da diminuição da descarga de dejetos, tanto pelo vaso sanitário (papel higiênico, fios de cabelo e produtos de limpeza), como pelo lavatório (restos de comida e produtos de limpeza). Nas indústrias seriam necessárias mudanças na forma de produção, ou seja, estudar “Questionar verdades absolutas é muito importante nos projetos de engenharia” a maneira de produção que forme o menor número de resíduos possível. Neste curso estaremos dando ênfase, principalmente para o tratamento de esgoto: Entretanto cabe lembramos, que a mudança de hábito e o reuso são quase sempre mais eficazes e de menor custo de implantação e operação. Ter coragem de projetar e questionar “verdades absolutas” é muito importante; infelizmente vemos que os livros editados na década de 1990 apresentam poucas mudanças tecnológicas em relação aos publicados na década de 1970. Esta apostila tentará mostrar possibilidades diferentes das convencionais, dandose ênfase ao lado prático do Tratamento de Esgoto. É prioridade, o entendimento dos principais conceitos para que o leitor consiga assimilar com facilidade, as diferenças entre os vários tipos de unidades existentes, para se tratar águas residuárias. Curso de Tratamento de Esgoto 91 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] O tratamento de águas residuárias pode incluir várias técnicas e pode ser realizado, de maneira a garantir um grau de tratamento compatível com as condições desejadas pelo rio. As diversas fases ou graus de tratamento convencional costumam ser classificados como: a) Tratamento Preliminar: Destina-se à preparação das águas de esgoto para uma disposição ou tratamento subsequente. As unidades preliminares podem compreender: - Grades ou desintegradores; - Caixas de areia ou desarenadores; - Tanques de remoção de óleos e graxas; - Aeração preliminar; - Tratamento dos gases. b) Tratamento Primário: Além das operações preliminares poderá incluir: - Decantação primária; - Precipitação química; - Digestão dos lodos; - Disposição sobre o terreno, incineração ou afastamento dos lodos resultantes; - Desinfecção; - Filtros grosseiros. c) Tratamento Secundário: São aqueles que apresentam tratamento biológico: - Filtração biológica aeróbia; - Filtração biológica anaeróbia; - Lodos ativados; - Reatores anaeróbios. d) Tratamento Terciário: São aqueles que objetivam a remoção de nutrientes: - Tratamento avançado; - Tratamento combinado. Curso de Tratamento de Esgoto 92 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 2.2 Separação sólido/líquido. 2.2.1 - Separação de Sólidos Grosseiros em Suspensão. A separação de sólidos grosseiros em suspensão, presentes em efluentes líquidos pode ser feita, através das operações de gradeamento e peneiramento. a) Gradeamento: São dispositivos constituídos por barras paralelas e igualmente espaçadas que destinam-se a reter sólidos grosseiros em suspensão e corpos flutuantes. O gradeamento é a primeira unidade de uma estação de tratamento de esgoto, sendo que essa unidade, só não deve ser prevista, na ausência total de sólidos grosseiros no efluente a ser tratado. Tabela 1. Aberturas ou espaçamentos e dimensões das barras : Tipo de grade: Espaçamento (mm): 40 60 80 100 20 30 40 10 15 20 Grosseira Média Fina Espessuras mais usuais (mm): 10 e 13 10 e13 10 e 13 10 e13 8 e 10 8 e10 8 e 10 6, 8 e 10 6, 8 e 10 6, 8 e 10 Tabela 2. Eficiência do sistema de gradeamento (E): t 6 mm 8 mm 10 mm 13 mm a = 20 mm 75 % 73 % 67,7 % 60 % a = 25 mm 80 % 76,8 % 72,8 % 66,7 % a = 30 mm 83,4 % 80,3 % 77 % 71,5 % a: espaço entre as barras; t: espessura das barras; Curso de Tratamento de Esgoto 93 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] O sistema de gradeamento pode conter uma ou mais grades. As grades grosseiras são utilizadas, quando o esgoto apresenta grande quantidade de sujeira. Nas grades são retidas pedras, pedaços de madeira, brinquedos, animais mortos e outros objetos de tamanho elevado. As grades média e fina devem ser utilizadas para retirada de partículas, que ultrapassam o gradeamento grosseiro. As grades fina e média só devem ser instaladas, sem o gradeamento grosseiro, no caso de remoção mecânica dos resíduos. - Dimensionamento da área necessária para o canal das barras As velocidades recomendadas através das barras são de: Máxima: 0,75 m/s; Mínima: 0,40 m/s. Esses valores devem ser verificados para as velocidades máxima, média e mínima. Au = área livre = Au = Q/V; E = Eficiência (Tabela 2); S (área do canal) = Au / E; A altura da lâmina de água, a montante da grade é determinada pelo nível de água, da unidade subsequente e pela perda de carga na grade. - Perda de carga nas grades: Hf = 1,43 (V2 + v2) / 2 . g V = Velocidade através das grades (usual = 0,6 m/s); v = Velocidade a montante da grade = V . E; g = 9,8 m/s2; Hf = perda de carga nas barras. Deve-se também calcular, a perda de carga, nos casos em que a grade fica 50 % suja; isto é, quando a velocidade do fluxo se torna duas vezes maior. Curso de Tratamento de Esgoto 94 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tabela 3: Composição do material retido nas grades. Papéis Estopa Trapos e panos Materiais diversos Material volátil 10 a 70 % 10 a 20 % 5 a 15 % 20 a 60 % 85 % Fonte: DAE – Departamento de Água e Esgoto do Estado de São Paulo (1969); Após retido pelo sistema de gradeamento, o material deve ser removido e exposto a luz, para secar, sendo em seguida encaminhado para um aterro sanitário ou incineração. Para pequenas estações (vazão < 5 l/s), pode-se enterrar este material, desde que, adequadamente. Deve-se ter vários cuidados para que não ocorra o acúmulo de resíduos no gradeamento, para consequentemente não haver mau cheiro. 45 º a 60º t a Limpeza manual com rastelo Obs.: É necessário prever acesso, para o operador manusear adequadamente o rastelo e local para secagem e disposição diária do resíduo, até que o mesmo seja levado para o aterro. Curso de Tratamento de Esgoto 95 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] b) Peneiramento: O peneiramento tem como objetivo principal, a remoção de sólidos grosseiros com granulometria maior que 0,25 mm. As peneiras podem ser classificadas em estáticas e rotativas. Estas devem ser usadas principalmente, em sistemas de tratamento de águas residuárias industriais, sendo que, em muitos casos, os sólidos separados podem ser reaproveitados. Podem ser utilizadas anteriormente aos Reatores Anaeróbios, já que estes apresentam ótimo desempenho no tratamento de efluentes líquidos, com baixas concentrações de matéria orgânica solúvel e particulada. O aparecimento de peneiras mecanizadas tende a mudar o uso quase exclusivo do gradeamento, no tratamento preliminar de esgotos sanitários. - Peneiras estáticas: Neste tipo de operação o efluente flui na parte superior, passando pela peneira inclinada, sendo posteriormente encaminhado para unidade seguinte. Os sólidos fixados na peneira são empurrados pela força do próprio efluente. Este tipo de peneira é muito empregado nas indústrias; de celulose e papel, têxtil, nos frigoríficos, curtumes, fábricas de sucos, fecularias, como também na remoção de sólidos suspensos de esgotos sanitários. afluente Sólidos retidos Efluente Peneira estática Curso de Tratamento de Esgoto 96 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. - [email protected] Peneiras rotativas: Nesta peneira, o efluente penetra através da parte superior da peneira, atravessa as fendas, sendo recolhido na caixa inferior. Os sólidos são removidos por uma lâmina raspadora, sendo recolhido em um vaso coletor. Para dimensionar as peneiras rotativas, é necessário saber a taxa de aplicação, que é determinada pelo fabricante. A = Q / I onde A = área da tela; Q = vazão (m3/h); I = Taxa de Aplicação (m3 / m2. dia) 2.2.2 - Separação de Partículas Discretas. Partículas discretas são aquelas que durante a sedimentação, não alteram sua forma, peso ou volume. Nos sistemas de tratamento de esgoto doméstico, partículas discretas são quase totalmente constituídas de areia, que surge através do sistema de coleta mau construído. Outras partículas discretas são os cereais, muito encontrados em indústrias alimentícias. As partículas discretas devem ser retiradas antes do processo biológico, devido as suas características abrasivas; por serem inertes e tenderem a se acumular nos sistemas de tratamento. As partículas de areia devem ser removidas, nas unidades de tratamento preliminar, denominadas caixas de areia ou desarenadores. Essas unidades são dimensionadas a partir do conhecimento da velocidade de sedimentação das partículas. Tabela 4: Velocidade de sedimentação em relação ao tamanho da partícula: Tamanho das partículas 1,0 mm 0,5 mm 0,3 mm 0,2 mm 0,1 mm Curso de Tratamento de Esgoto Fórmula de Allen 8,5 cm/s 4,3 cm/s 2,6 cm/s 1,7 cm/s 0,9 cm/s Valores práticos 10 cm/s 5 cm/s 3 cm/s 2 cm/s 1 cm/s 97 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] a- Caixa de Areia e Desarenadores: Planta Baixa Corte Gradeamento, Caixa de Areia e Calha - Velocidade nas caixas de areia: A velocidade recomendada para projeto de caixas de areia é da ordem de 0,30 m/s. A velocidade na caixa de areia deve ser menor do que 0,45 m/s e maior do que 0,10 m/s para qualquer etapa de um projeto. - Largura das caixas de areia: b = Qmax / (hmax . V) onde b = Largura da caixa de areia; hmax = Hmax + Z; V = Velocidade adotada nos canais. Z = ( Qmax . Hmin – Qmin . Hmax) / ( Qmax - Qmin ); Qmax = Vazão máxima; Qmin = Vazão mínima; Hmáx = altura máxima; Hmín = altura mínima. onde H = ( Q / k)1 / n; Curso de Tratamento de Esgoto 98 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tabela 5. Valores de n e k: W 3” 6” 9” 1’ 2’ N 1,547 1,580 1,53 1,522 1,550 K 0,176 0,381 0,535 0,690 1,426 Tabela 6: Valores de vazão (l/s), nos medidores Parshall: H (cm) 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 Curso de Tratamento de Esgoto Garganta W 3” 0,8 1,2 1,5 2,3 2,9 3,5 4,3 5,0 5,8 6,7 7,5 8,5 9,4 10,8 11,4 12,4 13,5 14,6 20,6 27,4 34,4 42,5 51,0 - 6” 1,4 2,3 3,2 4,5 5,7 7,1 8,5 10,3 11,6 13,4 15,2 17,3 19,1 21,1 23,2 25,2 27,7 30 42,5 57,0 72,2 89,5 107,0 - 9” 2,5 4,0 5,5 7,3 9,1 11,1 13,5 15,8 18,1 21,0 23,8 26,6 29,2 32,4 35,6 38,8 42,3 45,7 64,2 85,0 106,8 131,0 157,0 185,0 214,0 243,0 - 1’ 3,1 4,6 7,0 9,9 12,5 14,5 17,7 20,9 23,8 27,4 31 34,8 38,4 42,5 46,8 51 55,2 59,8 83,8 111,0 139,0 170,0 203,0 240,0 277,0 314,0 356,0 402,0 99 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. - [email protected] Comprimento da caixa de areia (m): Tabela 7: Valores de taxa de escoamento superficial (m3/m2.dia): Diâmetro médio (mm) 0,16 0,20 0,25 100 % 288 400 650 % Remoção 90 % 390 670 1100 85 % 500 870 1300 A taxa de escoamento superficial é utilizada, para verificação do cálculo de diversas unidades de tratamento de água e de esgoto. Através de dados de estações operando, pode-se obter valores para comparação com os dados de projeto. Para caixas de areia, o valor adotado para a boa eficiência deve variar entre 600 e 1200 m3/m2.dia, ou seja, em cada m2 de área superficial, é possível passar uma vazão entre 600 e 1200 m3/dia. No caso de uma caixa de areia com área de 5 m2, pode-se ter uma vazão entre 3000 e 6000 m3/dia. L = V . hmáx / (Q/A) onde; L = comprimento da caixa de areia (m); Q/A = Taxa de escoamento superficial (m3/m2.dia); V = Velocidade no canal (m/s); hmáx = altura da lâmina d’água. Considerando-se: velocidade = 0,30 cm/s; Q/A = 1150 m3/m2.dia (0,0133 m/seg); É possível obter uma eficiência de 90 %, na remoção de partículas maiores que 0,25 mm. Se L = 0,3 . hmáx / 0,0133, então L = 22,5 . hmáx; - Área da seção transversal da caixa de areia ( m2): S = b . hmáx; Obs.: Ao se calcular uma caixa de areia deve-se, após o dimensionamento, verificar se as velocidades e as taxas de escoamento superficial estão dentro dos valores descritos. Curso de Tratamento de Esgoto 100 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tabela 8: Verificação das dimensões da caixa de areia. Q m3/s Qmáx Qméd Qmín Hm Hmáx Hméd Hmín h m b(m) Hmáx b Hméd b Hmín b S(m2) Smáx Sméd Smín L (m) L L L Velocidade (m/s) 0,15 < v < 0,45 0,15 < v < 0,45 0,15 < v < 0,45 Taxa (m3/m2.dia) 600 < TES < 1200 600 < TES < 1200 600 < TES < 1200 Tabela 9: Dimensões do vertedor Parshall: W Pol 3 6 9 12 18 24 Cm 7,6 15,2 22,9 30,5 45,7 61,0 A Cm 46,6 62,1 88,0 137,2 144,9 152,5 B Cm 45,7 61,0 86,4 134,4 142,0 149,6 C D E Cm Cm Cm 17,8 25,9 61,0 39,4 32,1 61,0 38,0 57,5 76,3 61,0 84,5 91,5 76,2 102,6 91,5 91,5 120,7 91,5 F Cm 15,2 30,5 30,5 61,0 61,0 61,0 G Cm 30,5 61 45,7 91,5 91,5 91,5 K Cm 2,5 7,6 7,6 7,6 7,6 7,6 N L/S Cm Qmín Qmáx 5,7 0,85 53,8 11,4 1,42 110,4 11,4 2,55 251,9 22,9 3,11 455,6 22,9 4,25 696,2 22,9 11,89 936,7 A Curso de Tratamento de Esgoto 101 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] b – Caixa de areia circular: Neste tipo de caixa, a areia também é retirada na entrada da estação de tratamento de esgoto; o que a diferencia das caixas de areia retangulares é a ocupação do espaço. Apesar de ocupar a mesma área, este tipo de unidade pode adequar-se melhor ao espaço disponível para sua instalação. Em casos que não exista área suficiente para a instalação de caixas de areia retangulares, devido ao seu grande comprimento, pode-se projetar caixas de areia com formato circular. Fonte: Projeto de estação Pré-Fabricada em fibra de vidro. O cálculo das caixas de areia circular deve considerar a mesma taxa de escoamento superficial, adotadas no cálculo de caixas de areia retangulares. Devem ser usadas para população menor que 10.000 habitantes. - Falhas operacionais dos desarenadores: Algumas evidências de falhas na operação são, o aparecimento de excesso de matéria orgânica no material removido, que pode ser causado, pela variação na velocidade do canal e pelo tempo de retenção muito longo; este pode ser prevenido com a instalação de um sistema de aeração. Outra evidência é o arraste de areia no efluente, causado pela velocidade do esgoto, ser maior do que a do projeto, ou por haver demora na limpeza das caixas de areia. Isto pode ser prevenido, com o uso de duas caixas em paralelo e pela limpeza com maior freqüência. Curso de Tratamento de Esgoto 102 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 2.3 Caixa de gordura: Os líquidos, as pastas e demais corpos não miscíveis com a água, mas que têm peso específico menor, e portanto tendem a flutuar na superfície, podem ser retidos por dispositivos muito simples, denominados caixas de gordura. Os esgotos domésticos possuem grande quantidade de óleos, graxas e outros materiais flutuantes. Existe então, a necessidade da remoção destes materiais para se evitar: obstruções dos coletores, aderência nas peças especiais das redes de esgoto, acúmulo nas unidades de tratamento e principalmente aspectos desagradáveis no corpo receptor. As características de uma caixa de gordura dependem, da localização onde será instalada, do tipo de efluente e da quantidade de esgoto a ser tratado. Os principais sistemas são: - Caixa de gordura domiciliar; - Caixa de gordura coletiva; - Remoção de gordura nas unidades de tratamento; - Tanques aerados ou flotadores; - Separadores de óleo. Suas características físicas devem ser dimensionadas para as seguintes condições: - Capacidade de acumulação de gordura entre cada limpeza; - Condições de tranqüilidade hidráulica; - Entrada e saída projetados para permitir escoamento do efluente; - Distâncias mínimas respeitadas; - Condições de vedação para maus odores e contato com insetos e roedores. As gorduras são normalmente originadas, dos esgotos de cozinha, ou de despejos industriais típicos. Possuem capacidade de se agrupar, alterando o tempo de detenção de acordo com a velocidade de ascensão; esta velocidade pode ser observada em cilindros graduados, pela determinação do tempo necessário para formar uma camada de escuma na superfície do líquido. Curso de Tratamento de Esgoto 103 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 2.3.1 Parâmetros de Dimensionamento; Para óleos vegetais, animais e minerais, cuja densidade é próxima de 0,8 g/ml, basta a detenção de 3 minutos nas unidades até 10 l/s, de 4 minutos para unidades até 20 l/s e de 5 minutos para unidades maiores que 20 l/s. Para temperaturas maiores que 25º C pode-se adotar tempo de detenção maior, sendo o máximo de 30 minutos. O fundo do tanque deve ser fortemente inclinado em direção à saída, para evitar o acúmulo de sólidos sedimentáveis. Caso não seja possível a inclinação do fundo deve-se efetuar limpezas periódicas. As caixas podem ser circulares ou retangulares; deve haver uma entrada afundada para evitar a turbulência e uma saída também afundada, para arraste dos sólidos sedimentáveis. A área necessária é a vazão máxima dividida pela velocidade. A (m2) = Q (m3/ h) / V(m/h); V (m/h) = H (m) / T (h); A = área da caixa de gordura; Q = vazão máxima afluente; V = velocidade mínima de ascensão; H = altura do líquido no cilindro; T = tempo de subida de uma pequena partícula. - Volume de gordura acumulada por tempo; Vg(l/s) = Qm (l/s) . y (mg/l) / C (mg/l); Vg = volume de gordura acumulada em função do tempo; Q = vazão média de esgoto afluente; Y = densidade do óleo ou graxa; C = concentração do óleo no afluente. - Tempo necessário entre cada limpeza: T(s) = Vg (l/s) / V(l); Curso de Tratamento de Esgoto T = tempo entre as limpezas; Vg = volume de gordura acumulado por tempo; V = volume de reservação. 104 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] - Dicas operacionais: Para facilitar a operação e diminuir os problemas causados pela gordura, são necessárias as seguintes medidas: a) fazer vistoria a cada 3 dias; b) O período máximo entre as limpezas da gordura deve ser de 30 dias; c) Valores acima de 30 dias devem ser amplamente justificados pelo operador; d) A cada ano esgotar totalmente a caixa para retirada de matéria depositada no fundo; e) Em caso de entupimento, inserir fluxo contrário ao normau através da tubulação de saída; f) Verificar se dados de projeto equivalem aos de operação. Caixa de gordura retangular Caixa de Gordura Circular Curso de Tratamento de Esgoto 105 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 2.4 - Decantadores. Os decantadores são unidades dimensionadas, para que o líquido tenha uma baixa velocidade, possibilitando assim, a sedimentação de algumas partículas. Partículas floculentas são aquelas, que podem variar sua velocidade de sedimentação, devido à modificação de sua forma, dimensão e densidade, durante o processo de sedimentação. A abrangência do fenômeno é a floculação, que depende da possibilidade de choques entre as partículas. Esses efeitos podem ser quantificados, através de testes de sedimentação, não sendo possível equacioná-los, em função das características das partículas e do fluido; ao contrário do que ocorre com as partículas discretas. O teste é efetuado em colunas de sedimentação, com altura igual a do decantador a ser construído. Comumente, são utilizados tubos de 150 mm de diâmetro, e 3,0 m de altura, com tomadas de amostras a cada 30 cm. O líquido deve estar totalmente misturado, logo no início do experimento, de maneira que a concentração deste, seja igual em qualquer ponto do tubo. As amostras de todos os pontos de amostragem devem ser retiradas, em intervalos de tempo pré-fixados. Tais amostras são analisadas, para determinar a concentração de sólidos totais em suspensão. Para cada amostra calcula-se a porcentagem removida, lançando-se os valores obtidos em gráfico de profundidade, versus o tempo. Pode-se construir então, curvas de porcentagem de remoção, unindo-se os pontos que apresentam os mesmos valores. Curso de Tratamento de Esgoto 106 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] As taxas de escoamento superficial (TES) são determinadas em função do tempo. TES = H / t TES = Taxa de escoamento superficial (m3 / m2.dia). H = altura do decantador; T = tempo da análise. Para se projetar um decantador, deve-se adotar 0,65 como fator de escala para TES e 1,75 como fator de escala para t. - Valores usuais para projetos de Decantadores Primários: Quando verifica-se que o tratamento biológico é inviável e que a quantidade de sólidos sedimentáveis é considerável, deve-se optar pelo uso de decantador primário. No caso de existir tratamento biológico, deve-se avaliar a necessidade da utilização do decantador, pois, caso a unidade de remoção biológica tenha essa função, não existe a necessidade de unidade de decantação. Os decantadores podem ser classificados, de acordo com sua forma, ou seja, podem ser retangulares, quadrados ou circulares; podendo apresentar o fundo chato, inclinado ou com poços de lodo. A remoção do lodo pode ser mecanizada ou simples. Os dispositivos de entrada de um decantador são os vertedores simples, cortinas perfuradas, canalizações múltiplas, canalização central. Os principais dispositivos de saída são os vertedores, calhas e canaletas. Para esgoto doméstico, os decantadores primários são utilizados no sistema de lodos ativados convencional, ou antes de tratamento físico-químico. A Taxa de Escoamento Superficial para este caso varia entre 30 e 40 m3/m2.dia. A velocidade no sentido longitudinal, não deve exceder 8 mm/s. A relação comprimento/profundidade deve ser menor ou igual a 30. A profundidade mínima deve ser de 1,5 metros e a máxima de 4,5 metros. A relação comprimento/largura deve situarse entre 3 e 5. A descarga de fundo deve apresentar a seguinte área: S = A . H1/2 / 4850 T. Onde, Curso de Tratamento de Esgoto 107 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] A = área do decantador, (m2); T = tempo para esvaziamento, (horas); H = altura da água sobre o eixo do conduto, (m); S = Área necessária para o condutor, (m2). Canalização de escuma: diâmetro igual ou superior a 150 mm, para uma declividade considerada boa. Os decantadores primários não serão muito abordados, pois são pouco usados, devido a sua baixa eficiência (próximo de 40%) e alta formação de lodo. Os decantadores secundários serão amplamente abordados no capítulo 9 – Parâmetros de Projeto para Processos Aeróbios. 5% 5% Canaleta Central (5 %) Seção transversal de um decantador com limpeza manual afluente motor efluente Decantadores com limpeza mecanizada Curso de Tratamento de Esgoto 108 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Decantador convencional com escoamento vertical Curso de Tratamento de Esgoto 109 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 2.4 - Flotação. A flotação é o movimento ascendente de partículas, provocado pelo aumento das forças de empuxo em relação às gravitacionais. Essas forças de empuxo são causadas, pela adesão de bolhas de ar nas partículas sólidas. 1 2 3 4 Fr F2 F2 F1 F1 Partícula sedimentando Agregação ar partícula Floco menos denso Velocidade ascensional A flotação tem sido empregada, nos sistemas de tratamento de águas residuárias, para a separação líquido - óleos, líquido - algas e líquido – sólidos suspensos. Os materiais menos densos encaminham-se para a parte superior de um decantador, inviabilizando sua operação; devido a isso, esses materiais devem ser removidos, através de flotação. Entretanto, os sólidos mais densos que a água, também podem ser removidos por flotação. Com a agregação entre o gás e os sólidos as partículas ficam menos densas tendendo a flotação. A flotação com ar pode ser feita através dos seguintes meios: a) Flotação com ar - Introdução de ar no líquido, através de difusores, mantendo-se o líquido à pressão atmosférica; Saída do material flotado Compressor de ar efluente Câmara de flotação bomba afluente Sem Pressurização do Afluente Curso de Tratamento de Esgoto 110 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] b) Flotação por Ar - Dissolvido - Introdução de ar no líquido sob pressão, seguido de despressurização na base do flotador, levando à formação de bolhas minúsculas; Saída do material flotado Câmara de Saturação efluente Câmara de flotação bomba afluente Pressurização Parcial do Afluente Câmrara de Saturação Câmara de Flotação efluente afluente Pressurização Câmara Saturação Total do efluente afluente Pressurização da Recirculação Curso de Tratamento de Esgoto 111 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] É comprovado que os flotadores com câmara de saturação são mais eficientes, quando comparados aos que apresentam aplicação direta do ar, na câmara de flotação, por meio de um compressor. Estudaremos então o projeto de flotadores com câmara de saturação: - 1a Etapa: Geração da Bolha. A formação da bolha é conseguida através da introdução de ar, até a saturação no afluente, ou em parcela do efluente recirculado. Essa operação ocorre na câmara de saturação, que trabalha sob pressão de 250 a 500 Kpa; taxa de escoamento superficial de 1000 a 2000 m3/m2.dia e um tempo de detenção hidráulico de 5 minutos. Na etapa subseqüente, a pressão é reduzida na unidade de flotação, que opera normalmente à pressão atmosférica. O gás dissolvido à alta pressão é liberado, para com isso estabelecer o novo equilíbrio, controlado pela pressão parcial do gás na unidade de flotação. Os fatores mais importantes na geração de bolhas de gás são: Válvula de segurança ventosa 1) pressão na câmara de saturação; manômetro 2) relação entre a vazão de ar e a vazão de líquido; rotâmetro 3) características das águas residuárias (tensão superficial); 4) tipo de bocal difusor. dreno Câmara de Saturação As características das águas residuárias são responsáveis, pelo tamanho máximo de bolhas estáveis, ou pela indicação de quando a coalescência das bolhas ocorrerá. Existe relação entre o diâmetro médio da bolha e a pressão de saturação, sendo que, em geral, o diâmetro da bolha é maior, quanto menor for a pressão. Curso de Tratamento de Esgoto 112 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 2a Etapa: Agregação (Ar – Sólido). A formação de agregado estável, entre uma ou mais bolhas de gás e uma partícula ou floco requer, a ocorrência de colisão entre ambos e a subseqüente aderência permanente, entre as fases gasosa e sólida. O encontro (colisão suave), entre bolha e partículas é facilitado pelo gradiente de velocidade na unidade. Esses gradientes de velocidade podem resultar, do escoamento contínuo na unidade ou do movimento ascendente das bolhas de gás, em relação ao movimento descendente das partículas ou flocos. É evidente, que as concentrações de bolhas e flocos afetam a freqüência de colisões; entretanto, no tratamento de águas residuárias, ambas as fases estão presentes em intensidade suficiente, para não transformarem-se em fatores limitantes. Portanto, raramente é necessário, o aumento da concentração do número de bolhas, ou da concentração de partículas, ou mesmo da intensidade do escoamento, para se atingir a freqüência crítica (ideal) de colisão. A aderência entre as partículas/flocos e as bolhas de gás depende, das forças resultantes na interface gás-água-sólido, as quais resultam das forças físicas de atração e das forças físico-químicas de repulsão. Essa etapa é predominantemente controlada por fenômenos químicos, do que por fenômenos físicos. A energia de adesão cresce, com o aumento da tensão superficial, nas superfícies sólido-líquido e gás-líquido, e com o decréscimo da tensão superficial na interface gássólido. 3a Etapa: Movimento Ascensional da Bolha. Tendo sido formado um complexo estável, a força resultante provocará seu movimento ascensional. A velocidade do movimento é estabelecida, quando as forças de empuxo e de arraste se igualam. É de se esperar, que quanto maior a quantidade de bolhas aderidas, maior será a velocidade de ascensão. Esta condição está expressa pela relação AR/Sólidos (A/S), que é o parâmetro mais importante no processo de flotação. Curso de Tratamento de Esgoto 113 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] A determinação da relação A/S pode ser feita experimentalmente, em unidades de alimentação contínuas ou em ensaios de batelada (flota-teste). A relação de ar-sólido, em um sistema de flotação por ar dissolvido, com pressurização e recirculação é dada por: A / S = 1,3 Sar (f . P – 1) . R / Q . Xo; Ver isto A / S = Quantidade de ar / quantidade de sólidos; f = Fração de ar dissolvido à pressão P (0,5 a 0,8); P = Pressão atmosférica ( atm); Xo = concentração de sólidos na água residuária; R = vazão de recirculação; Q = Vazão afluente. A relação de ar-sólido em um sistema de flotação por ar dissolvido com pressurização total é dada por: A / S = 1,3 Sar (f . P – 1) / Xo; A / S = Quantidade de ar / quantidade de sólidos; f = Fração de ar dissolvido à pressão P (0,5 a 0,8); P = Pressão atmosférica ( atm); Xo = concentração de sólidos na água residuária; R = Razão de recirculação; Q = Vazão afluente. Onde, A/S: relação ar-sólido em mg . mg-1; Sar: solubilidade do ar, em ml . l-1; F: fração de gás dissolvido a uma dada pressão, usualmente 0,5 a 0,8; P: pressão absoluta em atmosferas; Xo: concentração de sólidos em suspensão em mg . l-1; Q: vazão em l.S-1 ; R: vazão de recirculação. Curso de Tratamento de Esgoto 114 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tabela 10: Resumo para parâmetros de Projeto de Flotadores: Taxa de Aplicação Superficial no Tanque de Flotação Área do Tanque de Flotação com pressurização total Área do Tanque de Flotação recirculação pressurizada Para Tanque retangular Placa defletora da zona de contato Taxa de Aplicação Superficial na Câmara de Saturação A/S (com recirculação ) A/S (para SST = 3000 mg/l) A/S ( para SST = 5000 mg/l) A/S ( para SST = 100 mg/l) Pressão na Câmara de Saturação 100 a 150 m3/m2.dia Aflotador = Qafluente / TAS Aflotador = ( Qaflue. + Qrecir. ) / TAS Comprimento = 2,5 x largura Angulo = 60º 400 a 600 m3/m2.dia 1,3 . Sa . (f . P – 1) . Qrec / S . Qa 0,005 a 0,060 (Metcalf & Eddy) 0,022 a 0,034 (PATRIZZI) 0,09 a 0,1 (PENETRA,1998) 2 a 4 atm ( (NUNES,1996) Flotador retangular Curso de Tratamento de Esgoto 115 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 2.5 Tratamento dos Gases: Um dos problemas encontrados, para a instalação de estações de tratamento de esgoto em centros urbanos são os odores exalados devido a liberação de gases. Os principais gases formados nas reações destinadas ao tratamento de esgoto são: o nitrogênio (N2), o gás carbônico (CO2), o metano (CH4), o gás sulfídrico (H2S), o Oxigênio (O2) e o Hidrogênio (H2) conforme tabela abaixo. Componente CH4 CO2 N2 H2 O2 H2S Teores limites 54 – 77 % 14 – 34 % 0–9% 0 – 11 % 0–2% 0,004 – 0,9 % Valor mediano 67 % 30 % 3% 3% 0,4 % 0,01 % Fonte: DAE (1969) A legislação Brasileira, que estabelece padrões para a emissão de gases é a resolução CONAMA nº 3, de 28 de junho de 1990. As estações de tratamento de esgoto respeitam estes padrões, mas apesar disso, os gases devem ser tratados adequadamente, devido a possibilidade de ocorrer mau odor e explosão. O gás metano caracteriza-se, por ser combustível e inflamável; requerendo, portanto, cuidados com risco de explosão. Já o gás sulfídrico tem como principal característica, o mau odor, que pode gerar sérios problemas, se o mesmo acumular-se em locais fechados. Reação Humana Odor incomodo Odor Ofensivo Náusea Enjôo Irritação Respiratória Edema Pulmonar Sistema Nervoso Atacado Letalidade Curso de Tratamento de Esgoto Concentração de H2S (ppm) 0,1 a 3 3 a 10 10 a 50 50 a 100 100 a 300 300 a 500 500 a 1000 1000 a 2000 116 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Grande parte do enxofre encontrado no esgoto transforma-se em H2S, através de processos biológicos; porém, a turbulência apresenta grande influência na sua dissolução do líquido. O excesso de H2S nos tratamentos biológicos pode causar: a inibição do processo; aceleramento da degradação dos equipamentos; corrosão da estrutura e aumento no consumo de oxigênio. H2S + 2 O2 → H2SO4 (ácido sulfúrico); Esta reação é causada pelas bactérias Thiobacillus, dentro de um processo biológico. - Tipos de Tratamento dos Gases: a) Coleta e disposição: A mais antiga técnica de tratamento dos gases é a coleta e disposição na atmosfera. No caso de pequenas estações, pode-se coletar os gases, através de tubulações especiais, sendo esses, levados para local aberto, para que não venha a incomodar seres humanos. O gás diluído na atmosfera, não apresenta mais o efeito ofensivo, anteriormente presente em locais fechados. H2S, CH4 e CO2 Fossa Séptica b) Tratamento Químico: Curso de Tratamento de Esgoto 117 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] - Cloro e componentes clorados: A Cloração é uma boa prática, para se controlar o odor, já que o cloro é um bom oxidante, além de ter efeito bactericida. Reações com cloro tem sido utilizadas com sucesso, para oxidação do sulfeto e conseqüente prevenção, contra a formação de H2S. As concentrações de cloro para o esgoto doméstico podem ser de 15 a 20 partes para cada parte de sulfeto removido. O grande problema deste método é a quantidade de cloro residual formada, que em muitos casos, não são aceitos pelos órgãos de controle. - Peróxido de Hidrogênio: A experiência tem mostrado, que 1,5 a 4 mg/l de peróxido de hidrogênio oxida 1 mg/l de H2S. A reação com peróxido de hidrogênio é rápida e requer tempo de detenção de 15 minutos em pH neutro. Comparado ao cloro, a utilização do peróxido é mais econômica, devido ao menor tempo de reação. - Sais metálicos: A concentração de 4,5 mg/l de Sulfato Ferroso é o suficiente, para a remoção de 1 mg/l de H2S. A adição de sais exige equipamentos, como bomba dosadora, agitador mecânico e tanque de estocagem. - Permanganato de potássio: Trata-se também de um ótimo oxidante. As dosagens são difíceis de serem estabelecidas, mas a experiência prática mostra que 6 a 7 partes de permanganato são requeridas para oxidação de uma parte do sulfeto. - Ozônio: Curso de Tratamento de Esgoto 118 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Além de oxidante o ozônio é um ótimo desinfetante; é tóxico aos seres humanos, em concentrações maiores que 1 ppm. A dosagem típica para o esgoto doméstico é de 1 a 4 ppm de ozônio para 1 ppm de gás formado. c) Tratamento Biológico: - Oxidação biológica: No tanque de aeração, de um processo de tratamento biológico aerado, o sulfeto é oxidado a sulfato, explicando-se assim o porquê dos processos aeróbios exalarem menos cheiro do que os anaeróbios. Nas estações que apresentam tanques de reação aeróbios, o problema ocorre nas fases do tratamento preliminar. - Filtração biológica: Os filtros biológicos para tratamento dos gases Saída de ar podem fechados ser, abertos na sua ou parte superior. O gás canalizado passa Gotejamento de água por um controlador de pressão, para impossibilitar assim, a passagem de faíscas Canalização dos gases ou chamas, para dentro do Meio Suporte para bactérias reator. Esta é uma medida de segurança contra explosões. O Controle da pressão gás suporte, sobe pelo sendo meio este, envolvido por bactérias que Dreno consomem o gás sulfídrico (H2S). Curso de Tratamento de Esgoto 119 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] O meio suporte permanece sempre úmido, devido ao constante gotejamento; favorecendo assim, o crescimento das bactérias. O tempo de contato das bactérias com o gás deve ser verificado, de acordo com a concentração de gases, ou seja, quanto maior o volume de gases maior o tempo despendido. O valor de 12 horas tem sido usual, porém, um problema encontrado é o de quantificar a vazão de H2S em relação aos outros gases também presentes. Para que a unidade de tratamento de gases seja a menor possível, é ideal que estes gases sejam separados em sua maior parte; ou seja, metano e gás carbônico devem ser coletados por uma tubulação e o gás sulfídrico por outra. Câmara Úmida Material Suporte Distribuição do gás - Controle do odor com carvão ativado: Um bom material a ser Ar limpo utilizado, que resiste à corrosão, é a fibra de vidro. Como recheio interno pode- Carvão Ativado se usar o carvão ativado. A camada de carvão ativado deve variar de Ar com odor 0,3 até 1,2 metros e o carvão dever ser trocado a cada 2 anos. Pode-se misturar o carvão ativado com outros tipos de enchimentos. Curso de Tratamento de Esgoto 120 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Características do gás metano: O gás dos esgotos depende diretamente do teor de metano presente no mesmo, mas para esgoto doméstico, este tem variado entre 4500 e 6500 cal/m3. O metano queima com uma velocidade de propagação da chama de 0,3 m/seg e apresenta condições de explosão quando misturado com ar, na proporção de 5,6 a 13,5 % de metano em volume; devido a isto, é necessário isolar a área de acúmulo de metano, da presença de O2. Tabela 11: Comparação do gás da ETE Ipiranga com o distribuído em São Paulo: ETE IPIRANGA Metano Anidrido Carbônico Nitrogênio Hidrogênio Oxigênio Monóxido de Carbono Hidrocarbonetos Densidade Poder calorífico 67,7 % 17,8 % 13,3 % 2,0 % 1,2 % 0,8 5400 cal/m3 Companhia Paulista de Serviços de Gás 13,8% 4,3% 9,8% 42,2% 0,7% 23,4% 5,8% 0,6 4750 cal/m3 Fonte: DAE (1969) Curso de Tratamento de Esgoto 121 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 2.6 Exercícios: 01. Quais são as maneiras de se despoluir um córrego? 02. Qual é o órgão que decide o destino do dinheiro a ser aplicado no Saneamento Básico? 03. Explique Tratamento Preliminar. 04. Explique Tratamento Primário. 05. Explique Tratamento Secundário. 06. Explique Tratamento Terciário. 07. Explique Desinfecção. 08. Defina Sólidos Grosseiros em Suspensão. Dê exemplos. 09. Quais os principais mecanismos para remoção de sólidos grosseiros? 10. Calcular um sistema de gradeamento para uma população de 10000 habitantes. Estimar a eficiência do sistema de gradeamento em 70 %. Calcular a dimensão das grades e do canal. 11. Com os dados do exercício 10 calcular a perda de carga nas barras. 12. Qual o destino do material retido no sistema de gradeamento? 13. Calcular a área de uma peneira rotativa na qual o fabricante considera uma Taxa de Aplicação Superficial de 35 m3/m2.h e população de 10000 habitantes. Curso de Tratamento de Esgoto 122 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 14. Calcular a área de uma peneira estática na qual o fabricante considera um Taxa de Aplicação Superficial de 20 m3/m2.h e população de 10000 habitantes. 15. Dimensionar uma caixa de areia para uma população de 10000 habitantes? Considerar a colocação de um medidor Parshall. 16. Explicar os sintomas de falha operacional num desarenador. 17. Quais outros tipos de Desarenadores existentes? 18. Dimensionar uma caixa de gordura para ser limpa a cada 3 meses e com uma carga de 30 Kg/dia. 19. Dimensionar com a TES descrita na apostila e 10000 habitantes? 20. Explique os princípios de um sistema de flotação. 21. Quais os principais tipos de flotadores? 22. Explique a etapa de geração de bolhas num sistema de flotação. 23. Explique a importância da agregação ar-sólidos em sistema de flotação. 24. O que é o movimento ascensional da bolha? Qual a sua importância? 25. Dimensione um flotador para 10000 habitantes. 26. Quais são os gases gerados em uma estação de tratamento de esgoto? 27. Quais efeitos têm cada tipo de gás? Curso de Tratamento de Esgoto 123 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 28. Quais os principais tipos de tratamento de gases? 29. Dimensione uma unidade de tratamento de gases para uma população de 10000 habitantes, que terá seu efluente líquido tratado por processo anaeróbio. 30. O que fazer com o gás metano? Curso de Tratamento de Esgoto 124 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Referências Bibliográficas. 01. NB-570/ABNT (1990). Projeto de estações de tratamento de esgoto sanitário. Associação Brasileira de Normas Técnicas. 02. CAMPOS, J.R. (1990). Alternativas para Tratamento de Esgotos Sanitários. Consórcio Intermunicipal das bacias dos rios Piracicaba e Capivari. 03 03. NB-7229/ABNT (1993). Projeto, construções e operação de sistemas de tanques sépticos. Associação Brasileira de Normas Técnicas 04. FORESTI, E. (1998) – “Notas da aula de Processos e Operações em Tratamento de Resíduos SHS-705”, Pós Graduação em Hidráulica e Saneamento na Escola de Engenharia de São Carlos. 05. IMHOFF, K. R. (1986) – Manual de Tratamento de Águas Residuárias. São Paulo. 06. METCALF & EDDY (1979) – “Wastewater engineering – treatment, disposal, reuse”2nd ed. New York. McGraw-Hill, p. 920. 07. NUNES, J.A. (1996) - Tratamento Físico Químico de Águas Residuárias Industriais. 2ª edição Editora J. Andrade. 08. TSUTIYA, M. J. & SOBRINHO, P. A. (1999) – Coleta e transporte de esgoto sanitário. 1ª Edição: Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. 09. SPERLING, M. V. (1996) – Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 1ª edição: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental; Universidade Federal de Minas Gerais. Curso de Tratamento de Esgoto 125 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 11. MARÇAL, E. J (1997) – Estudo de Autodepuração de esgotos sanitários: Relatório realizado na SANASA – Campinas como parte do trabalho de despoluição de córregos urbanos. 12. NB-569/ABNT (1989) – Projeto de estações elevatórias de esgoto sanitário: Associação Brasileira de Normas Técnicas. 13. FORTES, J., CUNHA, C. (1994). Influência das águas continentais sobre as regiões costeiras: Enfoque da legislação atual. Qualidade de águas continentais no Mercosul. ABRH publicação n º 2, dez. 1994. 420p. 14. REALI M. A. (1991). - Concepção e Avaliação de um Sistema Compacto para Tratamento de Águas de Abastecimento Utilizando Processo de Flotação por Ar Dissolvido e Filtração com Taxa. Declinante. Tese de Doutorado EESC -USP 1991. 15. CAMPOS, J. R. (1998) – “Notas da aula de Tratamento de Águas Residuárias”, Pós Graduação em Hidráulica e Saneamento na Escola de Engenharia de São Carlos. Curso de Tratamento de Esgoto 126 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 3. Hidráulica e Cinética dos Reatores: 3.1 Introdução: Foi visto até o momento, uma introdução ao tratamento do esgoto. Foi verificado como quantificar, caracterizar e preparar o esgoto para o tratamento final. Antes de entrarmos nos projetos de estações de tratamento de esgoto é necessário que o aluno conheça fundamentos de hidráulica e cinética dos reatores. A hidráulica é exaustivamente vista no curso de engenharia civil. Já, cinética dos reatores é estudada no curso de engenharia química e devido aos processos serem biológicos são, portanto, abordados nos cursos de biologia. O capítulo 3 dará ênfase ao balanço de massa, à cinética e hidráulica dos reatores. O capítulo 4 abrangerá os processos biológicos. O item 3.1.1 será apenas uma revisão das principais fórmulas químicas, necessárias para o dimensionamento de algumas unidades do tratamento de esgoto. 3.1.1 Concentração das Soluções: - Percentagem em massa (Pm): Pm = 100 * m1 / m ; - Titulação (T): T = m1 / m; Curso de Tratamento de Esgoto m1 = massa do soluto; m = massa da solução; m = massa do soluto + massa do solvente. m1 = massa do soluto; m = massa da solução; m = massa do soluto + a massa do solvente. 127 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. - Percentagem em volume (Cv): Cv = 100 * m1 / V ; - [email protected] m1 = massa do soluto; V = volume da solução; V = volume do soluto + volume do solvente. Concentração comum (C): C = m1 / V ; m1 = massa do soluto; V = volume da solução; V = volume do soluto + volume do solvente. - Concentração Molar ou Molaridade (Cm): Cm = m / (V*M); - m = massa do soluto em gramas; V = volume da solução; M = mol do solvente. Concentração Normal ou Normalidade (Cn): Cn = M / ( V * E); m = massa do soluto em gramas; V = volume da solução; E = equivalente grama. 3.1.2 Estequiometria: Sob o ponto de vista da seleção de processos e projeto de reatores a serem utilizados, os principais fatores a serem considerados são: - Controle da estequiometria; - A taxa da reação ou velocidade da reação; A estequiometria de uma reação é definida como o número de moles das substâncias que entram num determinado reator e o número de moles das substâncias produzidas na reação. Curso de Tratamento de Esgoto 128 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] A estequiometria envolve a aplicação do princípio de conservação de massa, como ilustrado no exemplo: Exemplo: Oxidação da Glicose A glicose é representada pela fórmula empírica C6H12O6. Se o composto pode ser oxidado a CO2 e H2O, demonstre a ocorrência de conservação de massa na reação. Solução: a) Balanço do coeficiente da equação de conversão C6H12O6 + 6 O2 → 6 CO2 + 6 H2O b) Demonstração de balanço de massa massa de reagentes: C6H12O6 + 6 O2 massa de produtos: 6 CO2 + 6 H2O C = 12; H = 1; O = 16; C6H12O6 = (6x12) + (12x1) + (6x16) = 180g 6 O2 = 12x6 = 192g massa de reagentes 372g OK 6 CO2 = (6x12) + (12x16) = 264g 6 H2O = (12x1) + (6x16) = 108g massa de produtos 372g OK Generalizando a estequeometria de uma reação, esta pode ser representada pela equação: → pP + qQ + rR... aA + bB + cC +.... onde: A, B, C, ... = espécies reagentes; P, Q, R, ... = espécies produzidas; a, b, c, ... . p, q, r, ... = coeficientes estequeométricos; Fixando-se a quantidade de massa por mol de cada reagente e produto envolvido, além do sinal negativo para cada coeficiente estequeométrico dos reagentes e positivo para cada coeficiente dos produtos, a equação pode ser rearranjada: aA + bB + cC + ... + pP + qQ + rR = 0 Aplicando-se ao exemplo, tem-se: (-1mol)(180g/mol)+(-6moles)(32g/mol)+(6moles)(44g/mol)+(6moles)(18g/mol) = 0; Curso de Tratamento de Esgoto 129 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 3.2 Tempo de Detenção Hidráulico: A eficiência de unidades de tratamento de águas residuárias depende de vários fatores, diretamente relacionados às operações e processos, que nelas devem ocorrer. Por exemplo, a eficiência de remoção de partículas em decantadores depende da relação entre a velocidade de sedimentação dessas partículas e a taxa de escoamento superficial do líquido. A eficiência de unidades onde ocorrem processos químicos depende, dentre outros fatores, das propriedades químicas dos reagentes, das características físico-químicas do fluído a ser tratado, do tempo de reação e das características dos produtos formados. A eficiência de processos biológicos depende similarmente, da natureza e composição dos substratos presentes no afluente, das características e concentração da biomassa presente nos reatores, das condições ambientais tais como pH, temperatura, presença de nutrientes, tempo de contato entre substrato e biomassa e dos fenômenos que governam o transporte de substrato às células. Em geral, os parâmetros utilizados no dimensionamento de unidades de tratamento são obtidos empiricamente, através de pesquisas experimentais em escala de laboratório piloto e protótipo; ou através da experiência acumulada com a operação de unidades em escala natural. Um dos parâmetros mais importantes no dimensionamento dessas unidades é o tempo médio de detenção hidráulica (TDH). Conceitualmente o TDH representa o tempo médio de permanência das moléculas de água em uma unidade de tratamento, alimentada continuamente. Se a vazão Q (afluente e efluente) e o volume (V) são constantes, o TDH pode ser calculado como: TDH = V / Q; Q V Q T = V / Q; T = dias; V = M3; Q = M3/dia. A proporção de moléculas de água que permanecem na unidade por tempo t, maior ou menor que TDH teórico, indicam a existência de curto circuito e zona morta. Curso de Tratamento de Esgoto 130 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 3.3 Curto Circuito. Curto circuito é a passagem do fluxo por um caminho preferencial, formando locais com TDH muito elevado, e locais com TDH muito baixo. Zona Morta Zona Morta Zona Morta Zona Morta Reator com curto-circuito Reator sem curto-circuito As Zonas Mortas são os locais com TDH maior que o ideal e os Curto Circuitos são os locais de TDH menor que o ideal. Quanto maior for o volume de zonas mortas, curtos-circuitos e canais preferenciais, maior será a fração de moléculas que permanecem na unidade, durante tempo (t) diferente do TDH. Nessas condições, dependendo do objetivo da unidade, os processos e operações esperados podem não ser eficientes. Para muitas das unidades de tratamento, a conseqüência desse fato é a queda significativa de rendimento, ou mesmo o colapso do processo no caso de alguns reatores biológicos. O comportamento hidrodinâmico de uma unidade alimentada com fluido em regime permanente depende, essencialmente, de suas características geométricas e dos dispositivos de entrada e saída. Curso de Tratamento de Esgoto 131 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. - [email protected] Principal causa de curto circuito e zona morta: As principais causas de curto circuito e zonas mortas são a má distribuição da entrada e da saída e da forma geométrica dos reatores. Zona Morta Lagoa com grande curto-circuito Lagoa com pequeno curto-circuito Lagoa com mínimo curto-circuito O estudo da hidrodinâmica das unidades de tratamento permite verificar, a existência e quantificação dos volumes de zonas mortas e curtos circuitos. É possível, também, obter curvas de distribuição dos TDH na unidade, isto é, conhecer a fração do líquido efluente que permanece na unidade, para cada tempo de detenção, a partir de (t = 0). A aplicação mais importante, no entanto, refere-se ao uso das curvas de distribuição do tempo de retenção (DTR), no aperfeiçoamento do projeto de unidades de tratamento, de maneira a diminuir o volume de zonas mortas, curtos circuitos e correntes preferenciais, proporcionando um aproveitamento melhor do volume útil dessas unidades. Curso de Tratamento de Esgoto 132 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 3.4 Uso de traçadores em estudos hidrodinâmicos; Traçadores são substâncias (por exemplo, o NaCl), cuja presença no líquido pode ser detectada com precisão e cujas características permanecem inalteradas na unidade de tratamento, durante a realização dos ensaios em que são utilizadas. Os fenômenos de adsorção e reações químicas envolvendo o traçador, não podem ocorrer durante o ensaio. Verifica-se, a resposta na saída, de reatores ideais frente à alimentação com traçadores. Uma determinada substância pode ser um excelente traçador para uma determinada unidade e inadequado para outras. Assim, cuidados especiais devem ser tomados na escolha do traçador para estudos hidrodinâmicos de unidades de tratamento biológico ou físico-químico, pois fenômenos tais como, adsorção no lodo ou no meio suporte (quando existentes), e reações químicas ou bioquímicas envolvendo o traçador, não podem ocorrer durante o ensaio. Em geral, o traçador ideal possui as seguintes propriedades: - É facilmente miscível no líquido e não altera significativamente, as características do escoamento do fluido na unidade, nem suas propriedades, tais como, densidade, viscosidade, temperatura, etc. - Não afeta a velocidade das reações químicas que ocorrem na unidade, nem provoca inibição ou toxicidade na biomassa presente em unidades de tratamento biológico, não alterando a velocidade ou as taxas das reações bioquímicas. - Em reatores heterogêneos e multifásicos, como é a maioria dos reatores biológicos, o traçador não se transfere de uma fase para outra durante o ensaio. A escolha do traçador apropriado não é tarefa fácil, principalmente para unidade de tratamento biológico, sendo, a adsorção pela biomassa, um dos problemas sérios a ser enfrentado durante o ensaio. Em reatores de leito fixo, a difusão do traçador no leito poderá alterar as respostas do reator, modificando as curvas de Distribuição do Tempo de Retenção (DTR). Os ensaios com traçadores são do tipo estímulo-resposta, isto é, adiciona-se quantidade conhecida de traçador no líquido afluente, no início do ensaio e mede-se Curso de Tratamento de Esgoto 133 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] continuamente, ou em intervalos de tempo regular, a concentração do traçador no efluente. Conhece-se, portanto, a massa total de traçador adicionada e sua concentração inicial. Obtém-se como resposta, a concentração do traçador no efluente, em função do tempo transcorrido desde o início do ensaio. Obtidas as condições de escoamento permanente, o traçador pode ser injetado de duas maneiras: - na forma instantânea, que consiste em adicionar-se pequeno volume da solução de traçador, em intervalo de tempo muito curto, na entrada da unidade, passando-se a medir sua concentração na saída; - na forma contínua, que consiste em alimentar a unidade durante período de tempo pelo menos três vezes maior que o TDH, com afluente contendo concentração conhecida do traçador, medindo-se sua concentração na saída a partir do início do teste. a) tubular b) mistura completa C C Co c) fluxo arbitrário C Co to t Co to t to t alimentação do traçador de forma contínua d) to e) t Curso de Tratamento de Esgoto to t alimentação instantânea do traçador f) to t 134 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 3.5 Hidráulica dos Reatores. 3.5.1 Reator Tipo Batelada: O reator seqüencial de batelada é aquele que não apresenta entrada e saída de vazão, durante sua reação. Os reatores do tipo batelada têm seu fluxo intermitente, ou seja, após seu enchimento, fecha-se os registros de entrada e de saída; sendo assim, não há fluxo dentro do reator, por um determinado período. Os reatores seqüenciais de batelada podem ser aeróbios ou anaeróbios, e possuem mistura completa, ou seja, a concentração de qualquer parâmetro deve ser igual em qualquer ponto do reator. Os reatores com bactérias aeróbias apresentam várias denominações, entre elas LAB (Lodos Ativados por Batelada), SBR (Sequencial Batch Reactor) ou RSB (Reator Sequencial de Batelada). Os reatores com bactérias anaeróbias têm as seguintes denominações: ASBR (Anaerobic Sequencial Batch Reactor) e RASB (Reator Anaeróbio Sequencial de Batelada). O reator seqüencial de batelada tem a grande vantagem de não possuir curtocircuito e de diminuir muito a possibilidade de zonas mortas, caso sejam bem projetados. 1 2 Enchimento Curso de Tratamento de Esgoto 3 Reação 4 Sedimentação Descarte 135 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 3.5.2 Reator com Fluxo Tubular: A reação no reator processa-se com vazão de entrada não nula e igual a vazão de saída. O tempo de detenção das partículas é igual ao tempo de detenção hidráulico. São reatores com largura desprezível, quando comparadas ao seu comprimento. Os reatores tubulares apresentam a dispersão longitudinal igual a zero, ou seja, uma gotícula de água ou uma partícula caminham dentro do reator, em sentido totalmente linear. Fluxo contínuo ou tubular Fluxo disperso Os reatores tubulares têm outras denominações: PFR (Plug Flow Reactor). Posteriormente será visto, que reatores com fluxo tubular tem eficiência melhor do que reatores de mistura completa, tendo os dois, o mesmo tempo de detenção hidráulico. Reatores Tubulares Curso de Tratamento de Esgoto 136 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 3.5.3. Reator de Mistura Completa e Fluxo Contínuo: Reator de mistura completa é aquele em que seu conteúdo está em completa e perfeita homogeneização e mistura, dentro de um tanque de limites bem definidos. Os parâmetros dentro dos reatores devem ser iguais em qualquer ponto a ser coletado. Portanto, a concentração de saída deve ser igual a concentração dentro do reator. Os reatores de mistura completa, geralmente apresentam formato quadrado ou circular. Outra denominação dada a este reator pode ser: CFSTR (Contínuos Flow Slugde mixture Total Reactor). A vazão de entrada é diferente de zero e igual a de saída. Os reatores biológicos para tratamento de processos aeróbios denominados lodos ativados são considerados reatores de mistura completa e fluxo contínuo. Q1 = Q2 = Q3 = Q4 = Q5 = Q6 Q1 Q5 Q3 Q2 Q4 Reator de Mistura Completa e Fluxo Contínuo Decantador Decantador 1 CFSTR Lodos Ativados Convencional Curso de Tratamento de Esgoto 137 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 3.5.4 Reator de Leito Fixo: São reatores preenchidos com determinado tipo de meio físico, tais como: rocha, cerâmica, plástico, com a finalidade de ser material suporte para os microrganismos presentes dentro do reator. Na ausência destes materiais, o biofilme presente seria arrastado para o efluente e consequentemente o reator perderia eficiência. Os vazios existentes entre o material suporte são locais de alta concentração de biomassa, formando grânulos de bactérias, que também consomem a matéria orgânica. Os Filtros Biológicos Aeróbios e Anaeróbios são exemplos de reatores de leito fixo. Reator de Leito Fixo 3.5.5 Reator de Leito Expandido: Trata-se de um reator similar ao de leito fixo, porém, o material do leito mantémse em expansão pela velocidade ascensional do fluído. Neste tipo de reator, a velocidade de expansão das partículas é obtida através da recirculação do efluente. Reator de Leito Expandido Curso de Tratamento de Esgoto 138 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 4. Balanço de Massa: Balanço de massa consiste na quantificação dos materiais que entram, saem e acumulam-se, num sistema de limites definidos. O balanço de massa baseia-se na lei de conservação de massa, onde nada é criado ou destruído e sim transformado. A expressão de um balanço de massa é desenvolvida sobre um volume de controle fechado e possui termos para entrada, saída, geração e acumulação de materiais dentro do volume em que a reação se processa. A expressão geral de um balanço de massa é: Acúmulo = Entrada – Saída + Geração; Apesar de não adotarmos exemplos no nosso sistema de ensino, para o estudo de balanço de massa daremos exemplos práticos para facilitar a visualização, já, que este é um assunto um tanto quanto complexo. Para entendermos o que é o balanço de massa, basta contar-mos para onde vai e de onde vem a massa a ser calculada. Para isso matematicamente podemos definir acúmulo como: Acúmulo = Entrada – Saída; O acúmulo nada mais é, do quê o balanço de massa: Exemplo 1: se numa boate entraram 100 pessoas entre as 19:00 e 20:00 horas e saíram 80 pessoas no mesmo horário. Pode-se então afirmar, que o balanço de massa das 19:00 as 20:00 horas nesta boate foi o acúmulo de 20 pessoas. Acontece, que este exemplo é muito simples e poderia servir para controle de sistemas mais complexos, para isso usou-se o tempo como fator estimativo. Exemplo 2: Numa Rodoviária entram 1000 pessoas por hora, durante a manhã e saem somente 800 por hora no mesmo período. Portanto, em 4 horas quantas pessoas estariam acumuladas dentro da rodoviária? Acúmulo = Entrada – Saída = 1000 x 4 - 800 x 4 = 4000 – 3200 = 800 pessoas estarão acumuladas dentro da rodoviária. Este exemplo, ainda é muito simplificado, pois existem outros parâmetros a serem analisados em outros tipos de situação. Curso de Tratamento de Esgoto 139 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Em locais onde nascem e morrem pessoas, podem ser adicionados na formulação matemática os parâmetros de consumo e geração. Acúmulo = Entrada – Saída + Geração – Consumo; A geração seriam as pessoas que estão nascendo e o consumo seriam as pessoas que estão morrendo. Exemplo 3: Num hospital entraram 1000 pessoas, saíram 800 pessoas, nasceram 30 e morreram 100, num único dia. Portanto: Acúmulo = 1000 – 800 + 30 – 100 = 130. Portanto, 130 pessoas permanecem durante a noite dentro do hospital. Para bactérias presentes num reator, pode-se fazer uma formulação similar ao exemplo dado para o hospital. Pode-se formular o balanço de massa de forma mais complexa possível, através da seguinte expressão matemática: DC / dt . ∆V = Q . Co - Q . C + r V ; V : volume; C: concentração em massa; Q: vazão; DC / dt : Variação da concentração no tempo; r: taxa de geração. A taxa de geração “r” será definida, através de processos que envolvem reações químicas. - Processos que envolvem reações químicas: O que diferencia um bom operador de estações de tratamento de esgoto é a sua capacidade de entender o balanço de massa nos reatores, seus processos químicos e seus processos biológicos. Até o capítulo 2 somente haviam sido estudadas as operações físicas, que são de fácil compreensão. A partir do capítulo 3, estudaremos os processos que transformam a matéria orgânica, possibilitando sua remoção. É importante perceber que a cinética que ocorre durante a operação de uma estação de tratamento de esgoto, não é constante, ou seja, a cinética de primeira ordem Curso de Tratamento de Esgoto 140 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] que é igual a r = K . C tem o valor de r variando a cada segundo, pois sabe-se, que a concentração do esgoto na entrada da estação de tratamento de esgoto varia a todo momento. Para operação das estações de tratamento de esgoto seria ideal, considerar estas variações, no entanto, a modelação matemática fica um tanto quanto complexa. Para realização dos projetos fica mais fácil, já que se pode adotar parâmetros médios na entrada e saída dos reatores. A modelação matemática de um sistema pode ser considerada, para duas condições, uma na qual a concentração não varia durante o tempo (estado estacionário), onde não há mais acúmulos de compostos no sistema. Esta condição é mais usada para a elaboração de projetos. A outra condição é o estado dinâmico, na qual a concentração varia durante o tempo (estado dinâmico). O estado dinâmico tem sido muito utilizado para a operação de ETEs, pois apesar de sua complexibilidade matemática, com o avanço da computação, tornou-se possível está operação. O estudo da taxa da reação é denominado no tratamento de esgoto, de cinética dos reatores. 5. Cinética dos Reatores A geração e o consumo, mostrados no balanço de massa, são determinados através de ensaios cinéticos realizados em laboratório. Estes parâmetros cinéticos são denominados de cinética dos reatores, mas os mesmos são usados para reservatórios naturais, lagos de estabilização e qualquer outro fenômeno que tenha uma geração ou consumo de massa. A taxa ou velocidade com que uma reação química acontece é de grande importância em todas as fases do gerenciamento da qualidade da água. Como exemplo, pode-se colocar que o projeto de um processo de tratamento deve permitir a ocorrência da reação processada, em período adequado à taxa de ocorrência da mesma e os reagentes deverão encontrar-se na relação estequeométrica exata ou em excesso. Curso de Tratamento de Esgoto 141 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] - Classificação das reações segundo a velocidade: As reações podem ser instantâneas, momentâneas ou lentas. O Conceito de arrhenius: “As partículas que colidem, reagem somente quando elas possuem quantidade de energia maior ou pelo menos igual a um certo mínimo de energia exigido para cada reação”. Este tipo de energia recebe o nome de Energia de Ativação, e este valor pode ser diminuído, se for adicionado catalisador na reação. Fatores que influenciam na velocidade da reação: Concentração: Com o aumento do número de partículas aumenta-se o número de colisões. - Classificação das reações segundo a fase: Na natureza existem duas classificações principais para as reações: homogêneas e heterogêneas. Reações Homogêneas: São reações que ocorrem numa única fase (líquida, sólida ou gasosa). Nas reações homogêneas os reagentes são distribuídos continuamente, mas não necessariamente de forma uniforme, por todo o fluído. As reações homogêneas podem ser inversíveis ou reversíveis: Exemplo de reação simples inversível: A→P A+A→P aA + bB → P Exemplo de reação múltipla inversível: A → B (paralelas) C A → B → C ( em série ou consecutivos); Curso de Tratamento de Esgoto 142 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Exemplo de reação reversível: A ↔B A+B↔C+D Obs.: Estas reações são muito importantes para o entendimento dos processos anaeróbios. Reações Heterogêneas: São reações que ocorrem na interface, entre fases diferentes. Reações heterogêneas típicas ocorrem entre um ou mais elementos, presentes em sítios específicos, como os da superfície de uma resina trocadora de íons. Reações que necessitam da presença de catalisadores em fase sólida, também são consideradas heterogêneas. Essas reações são de maior dificuldade de compreensão e estudo, devido ao número de estágios interrelacionados que são envolvidos. Constante de velocidade e ordem das reações A velocidade “vi” é o termo utilizado, para descrever o desaparecimento ou formação de uma substância particular ou espécie química. Para reações homogêneas, a unidade de “vi” é expressa em nºde moles (ou massa) por unidade de volume e tempo (mol / l . t), e para reações heterogêneas, em nº de moles / área . tempo (mol / m2 . t). Os reagentes possuem velocidade negativa e os produtos positiva. Sob temperatura constante, observa-se que a velocidade é função da concentração de reagentes. Como exemplo, têm-se: aA + bB → cC + dD A velocidade é definida como: vi : mol / l . t; k : constante de velocidade; vi = K [A]α[B]β, onde: [ ] : concentração molar em mol / l; α, β : expoentes empíricos. Curso de Tratamento de Esgoto 143 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] As constantes α e β são utilizadas para definir a ordem da reação, com relação aos reagentes individuais A e B, respectivamente. Geralmente α = a e β = b. Os expoentes α e β são usualmente, iguais a zero, um ou dois. Entretanto, valores fracionários são observados esporadicamente. Num exemplo, caso a velocidade de uma reação particular seja dada por vi = K [ A ]2 [ B ], a reação é dita de segunda ordem em relação ao reagente A e de primeira ordem em relação ao B. Em termos globais, a ordem da reação é 3 ( terceira ordem). Nota-se, que a constante de velocidade da reação é função da ordem da reação. Se esta é homogênea e de ordem zero (nula), o coeficiente K possui unidade de moles / volume x Tempo (mol; / l3 . t); para ordem 1 e 2, as unidades passam a assumir os valores de (t-1) e ( l3 / mol . t), respectivamente. As ordens das reações existentes e usuais no tratamento de esgoto são: - Reação de ordem zero: A taxa de reação é independente da concentração. - Reação de ordem 1 : A taxa de reação é proporcional à concentração. - Reação de ordem 2 : A taxa de reação é proporcional ao quadrado da concentração. - Reação de Monod : é a mais correta, principalmente para processos anaeróbios. r = taxa da reação; r = k CN onde: k = constante da reação; C = concentração do reagente; n = ordem da reação. n=0 → reação de ordem zero; n=1 → reação de primeira ordem; n=2 → reação de segunda ordem. Curso de Tratamento de Esgoto 144 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.1 Balanço de Massa em Reator de Mistura Completa: Acumulo = Entra – Sai + geração – consumo ou dc/dt . V = Q . Co – Q . C – r . V para reação de ordem zero e estado estacionário: dc/dt = 0 e r=K 0 . V = Q . Co – Q . C – K . V, como V = Q . TDH; 0 = Q . Co – Q . C – K . TDH . Q, cortando-se a vazão nos dois lados da equação, tem-se: C + TDH . K = Co; C = Co - K . TDH ou TDH = (Co – C) / K. para reação de 1 ª ordem e estado estacionário: dc/dt = 0 e r=K.C 0 . V = Q . Co – Q . C – K . C . V, como V = Q . TDH; 0 = Q . Co – Q . C – K . C . TDH . Q; Q . C ( 1 + TDH ) = Q . Co, cortando-se a vazão nos dois lados da equação, tem-se: C = Co / ( 1 + k * TDH) ou TDH = 1/K . ((Co / C ) – 1). para reação de 2 ª ordem e estado estacionário: dc/dt = 0 e r = K . C 2; 0 . V = Q . Co – Q . C – K . C2 . V, como V = Q . TDH; 0 = Q . Co – Q . C – K . C2 . TDH . Q; corta-se a vazão de todas as expressões; Co = C – K . C2 . TDH TDH = (Co – C) / K . C2. Curso de Tratamento de Esgoto 145 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.2 Balanço de Massa em Reator de Mistura Completa em série: para reação de ordem zero e estado estacionário: dc/dt = 0, n = número de reatores em série e r=K 0 . V = Q . Cn-1– Q . Cn – K . V/n, como V = Q . TDH; Q.Cn-1 = Q.Cn + K . TDH/ n . Q, cortando-se a vazão nos dois lados da equação, tem-se: Cn + (TDH . K / n) = Cn-1, então, Cn = Cn-1 - (K . TDH / n), mas; Cn-1 = Cn-2 - (K . TDH / n), então, Cn = Cn-2 - (K . TDH / n) - (K . TDH / n); Cn = Cn-2 – (2 K . TDH / n) → Cn = Cn-n – n K . TDH / n; Cn = Co – K . TDH; TDH = (Co – Cn) / K. para reação de 1 ª ordem e estado estacionário: dc/dt = 0, n = número de reatores em série e r=K.C 0 . V = Q . Cn-1– Q . Cn – K Cn . V/n, como V = Q . TDH; Q.Cn-1=Q.Cn+ K.Cn .TDH/ n . Q, cortando-se a vazão nos dois lados da equação, tem-se: Cn + (TDH . Cn . K / n) = Cn-1, então Cn = Cn-1 / (1 + K . TDH / n ) mas; Cn-1 = Cn-2 / ( 1 + K . TDH / n), então, Cn = Cn-2 / (( 1 + K . TDH / n) (1 + K . TDH / n)); Cn = Cn-2 / (1 + K . TDH / n)2; Cn = Cn-n / ( 1 + K . TDH / n)n; Cn = Co / ( 1 + K . TDH/ n)n; TDH = n/k (( Co / Cn)1/n – 1). para reação de 2 ª ordem e estado estacionário: dc/dt = 0, n = número de reatores em série e r = K . C2 ; K.Cn2 = (n / TDH) (Cn-1 – Cn) / TDH, através de expressões matemáticas chega-se a: TDH = (n / K . Cn2 ) ( Cn-1 – Cn). Curso de Tratamento de Esgoto 146 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.3 Balanço de Massa em Reatores com Fluxo Tubular: para reação de ordem zero e estado estacionário: dc/dt = 0 e r=K dC / d(TDH) = r → dC / d(TDH) = -K; integrando-se dC de Co a C e d(TDH) de zero a TDH obtém-se: C – Co = -k . TDH portanto TDH = ( Co – C ) / k. para reação de 1ª ordem e estado estacionário: dc/dt = 0, e r = K . C. dC / d(TDH) = r ; dC / d(TDH) = -k.C → integrando-se dC de Co a C e d(TDH) de zero a TDH → C = Co . e-k.TDH ou; TDH = - (1/K) ln (C – Co). para reação de 2ª ordem e estado estacionário: dc/dt = 0 e r = K . C2 dc / d(TDH) = - K.C2 → integrando-se dC de Co a C e d(TDH) de zero a TDH → 1 / Co – 1 / C = - K . C2; C = Co / ( 1 + K . TDH . Co) ou; TDH = (1 / K) . ( (1 / C) – (1 / Co)). Curso de Tratamento de Esgoto 147 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 6. Relembrando: O tratamento de esgotos pode ser separado em processo e operação. A operação consiste na fase física do tratamento, como a decantação e sedimentação. Já os processos são as fases química e biológica, como a digestão e desinfecção. Podem também ser classificados como tratamento preliminar, primário, secundário e terciário. Para o tratamento preliminar, onde remove-se apenas os sólidos grosseiros, gorduras e sólidos sedimentáveis (areia), os tipos de tratamento mais comuns são o gradeamento, seguido de caixas de areia e de gordura, tendo também a possibilidade do uso de flotadores ( indicado no caso de alta taxa de gordura). O tratamento primário consiste na remoção de sólidos sedimentáveis através de operações físicas. A tendência continua sendo os decantadores primários e os floculadores. Deve-se lembrar que esta fase é de fundamental importância, pois, além de apresentar baixo custo, reduz bastante as impurezas contidas no esgoto. O tratamento secundário (biológico), consiste na remoção de matéria orgânica e consequentemente na diminuição da DBO, os tipos mais conhecidos são: a. Lagoa Facultativa O uso da lagoa facultativa é uma solução simples e de baixo custo, isto quando se dispõe de área com topografia adequada e custo acessível. Esta técnica exige o uso de tratamento preliminar, provido de grade e desarenador. Esta é uma alternativa simples para a construção, e que exige operação mínima, sem qualquer necessidade de se contratar operador especializado. b. Sistema Australiano de Lagoas Consiste numa lagoa anaeróbia, seguida de uma lagoa facultativa. É uma das melhores soluções técnicas, mas esbarra no problema de necessitar de uma grande área para sua implantação. Curso de Tratamento de Esgoto 148 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Na lagoa anaeróbia ocorre a retenção e a digestão anaeróbia do material sedimentável e na facultativa ocorre predominantemente a degradação dos contaminantes solúveis e contidos em partículas suspensas muito pequenas. O lodo retido e digerido na primeira lagoa tem de ser removido em intervalos que geralmente variam de 2 a 5 anos. Na primeira, predomina o processo anaeróbio e na segunda o aeróbio, onde atribui-se às algas, a função da produção do oxigênio consumido pelas bactérias c. Lagoa Aerada Esta diminui a necessidade de grande área, mas em conseqüência da utilização de aeradores, aumenta o seu custo de operação. A lagoa aerada quando procedida de decantador primário, pode ter o tempo de detenção menor, porém, quando somente se usa grade e caixa de areia, normalmente é empregado um tempo de detenção hidráulico maior. Na aeração há produção de lodo biológico, que tem de ser removido antes do lançamento dos efluentes no corpo receptor. Por este motivo emprega-se uma segunda lagoa que tem como função a retenção e digestão desse resíduo. d. Lodos Ativados Lodos ativados baseia-se em processo biológico aeróbio e parte do princípio que deve ser evitada a fuga descontrolada de bactérias ativas, produzidas no sistema e que, deve-se recircular de modo a se manter a maior concentração possível de microrganismos ativos no reator aerado. Os microrganismos produzem flocos que podem ser removidos facilmente por sedimentação em decantador secundário (ou flotador por ar dissolvido). Parte do lodo secundário é descartada para tratamento e destino final. Curso de Tratamento de Esgoto 149 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] e. Filtro Biológico Aeróbio O filtro biológico configura-se em um reator denominado de leito fixo e filme fixo, ou seja, os microrganismos são mantidos aderidos a um material suporte, que constitui o recheio da unidade. Basicamente, o filtro biológico aeróbio é composto por um leito de pedras ou de materiais inertes, com forma, tamanho e interstícios adequados, que permitam a livre circulação natural de ar, sobre o qual dispositivos de distribuição lançam os esgotos sanitários que percolam por entre as peças que constituem o referido recheio. Enquanto o líquido percola através do leito, ocorre o contato entre os materiais a serem degradados e os organismos que se compõem o biofilme aderido ao suporte. É obrigatório, o uso de decantador primário e secundário. Em certos casos promove-se a recirculação do efluente do decantador secundário. f. Tratamento Eletrolítico Essa alternativa explora os fenômenos físicos e químicos que ocorrem em cubas eletrolíticas, possibilitando a ocorrência várias reações de oxi-redução, além de liberação de gases, da migração de íons, da flotação, da corrosão dos eletrodos, e das reações secundárias. O conjunto dessas ações leva a formação de lodo, sendo este separado do líquido, através da flotação ou decantação. g. Biodigestores Anaeróbios Os Biodigestores Anaeróbios são ótimas opções para o tratamento de águas residuárias, pois sabe-se que os processos anaeróbios são mais econômicos em sua operação, pois não necessitam de aeradores, produzem menos lodo e não requerem grande espaço. Quanto a confiabilidade, ainda não são totalmente aceitos, em razão do pequeno número de reatores existentes; no entanto, pesquisas mostram resultados estimulantes, além de não existir nenhum dado que impeça a utilização destes processos em tratamento de esgoto sanitário. Curso de Tratamento de Esgoto 150 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] h. Fossas Sépticas As Fossas Sépticas são unidades de escoamento horizontal e contínua, que realiza a separação de sólidos, decompondo-os anaerobiamente. A fossa séptica não é um simples decantador ou digestor, mas sim, uma unidade que realiza simultaneamente várias funções como: decantação e digestão de sólidos em suspensão, que irá formar o lodo, sendo este acumulado na parte inferior, ocorrerá a flotação e uma retenção de materiais mais leves e flotáveis como: óleos e graxas, que formarão uma escuma na parte superior. Os microrganismos existentes serão anaeróbios e ocorrerá a digestão do lodo, com produção de gases. i. Tanque Imhoff Os tanques Imhoff possuem funções idênticas às unidades de tratamento primário, apresentado no mesmo tanque, a decantação e digestão de sólidos, funcionando como se fossem unidades separadas. Apresenta grandes vantagens em relação as Fossas Sépticas, devido a ausência de partículas de lodo no efluente, a não ser em operações anormais. O efluente líquido apresenta geralmente eficiência variando com as seguintes reduções: sólidos suspensos (50 - 70%), remoção de DBO (30 - 50 %). Seus principais problemas referem-se a grande quantidade de sólidos flutuantes e acumulação de escuma. j. Filtro Anaeróbio O filtro anaeróbio é constituído essencialmente por um tanque com recheios de pedras, peças cerâmicas de material sintético ou de outros materiais que servem de suporte para microrganismos. Nos interstícios do leito do reator também evoluem flocos ou grânulos, que possuem elevada participação de microrganismos que atuam na degradação dos contaminantes da água residuária. Filtros biológicos em boas condições de funcionamento podem apresentar eficiência elevada de remoção de DQO e não exigem unidade de decantação complementar, pois nesses casos, o teor de sólidos no efluente é bastante baixo e os resíduos arrastados pela água apresentam aspecto semelhante ao de pequenas partículas de carvão suspensas em líquido bastante clarificado. Curso de Tratamento de Esgoto 151 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] É muito importante, que o efluente a ser tratado apresente teores de sólidos suspensos e de óleos e graxas, relativamente baixos. O uso do filtro anaeróbio conforme o nível de conhecimento que se dispõe atualmente, é uma excelente solução para pequenas comunidades. k. Reator de Contato Anaeróbio O reator de contato anaeróbio possui semelhanças com o lodos ativados, porém os microrganismos são anaeróbios, há mistura, aquecimento e tanque de equalização. Seu tempo de detenção é de 24 horas, e com a recirculação do lodo, o tempo de detenção hidráulico é menor que o tempo de retenção celular. Apresenta alta qualidade depuradora. l. UASB O Reator Anaeróbio de Manta de Lodo (UASB) é uma unidade de fluxo ascendente, que possibilita o transporte das águas residuárias através de uma região que apresenta elevada concentração de microrganismos anaeróbios. O Reator deve ter seu afluente criteriosamente distribuído junto ao fundo, de maneira que ocorra o contato adequado entre os microrganismos e o substrato. O reator oferece condições para que grande quantidade de lodo biológico fique retida no interior do mesmo em decorrência das características hidráulicas do escoamento e também da natureza desse material que apresenta boas características de sedimentação, sendo esta a conseqüência dos fatores físicos e bioquímicos que estimulam a floculação e a granulação. Na parte superior do reator existe um dispositivo destinado à sedimentação de sólidos e à separação das fases sólido - líquido - gasoso. Esse dispositivo é de fundamental importância, pois é responsável pelo retorno do lodo e consequentemente, pela garantia do alto tempo de detenção celular do processo. m. Cloração Apesar de somente em 1880 ter sido demonstrado, que determinadas bactérias eram a causa de doenças específicas, desde 1832 dispõe-se de informações sobre a utilização de soluções de cloro na desinfecção de hospitais e também ampla utilização Curso de Tratamento de Esgoto 152 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] durante a grande epidemia de cólera, ocorrida na Europa em 1831. Na Inglaterra, em 1879, Wilian Soper usou óxido de cloro para o tratamento de fezes de pacientes portadores de febre tifóide, antes da disposição no esgoto. Em escala de projeto, a primeira utilização do cloro como agente desinfetante de esgotos sanitários foi realizada em Hamburgo (Alemanha), em 1893. Desde então, o uso do cloro em águas residuárias teve um crescimento vertiginoso, em decorrência do desenvolvimento de técnicas apropriadas. Em 1958, nos Estados Unidos, servindo a uma população de mais de 38 milhões, empregaram esse método de desinfecção (Campos, 1990) O cloro pode ser usado no tratamento de águas residuárias para uma série de outras finalidades além da desinfecção, dentre os quais, o controle do odor, remoção de DBO, controle de proliferação de moscas, destruição de cianetos e fenois e remoção de nitrogênio. O uso do cloro tem como problema, a produção de compostos de cloro que podem provocar danos à vida aquática. n. Radiação Ultravioleta A radiação ultravioleta é gerada a partir de lâmpadas de baixa pressão de vapor de mercúrio, que emitem a maior parte de sua energia (85 a 90 %) no comprimento de onda de 253,7 nm, que é efetiva na inativação de microrganismos. O esgoto é exposto à radiação ultravioleta, por tempo de 1 minuto, obtendo-se com isso, eficiência elevada na remoção de microrganismos patogênicos. Nesse caso, os custos são superiores ao do emprego do cloro, porém muito inferiores àqueles correspondentes à utilização de ozônio (outro processo para desinfecção de esgotos). As dosagens de radiação ultravioleta normalmente empregadas na inativação de microrganismos em esgotos sanitários são tão pequenas, podendo-se dizer que seus efeitos sobre as substâncias químicas presentes no efluente é insignificante, em relação a formação de novas substâncias, através de reações fotoquímicas. O uso da radiação ultravioleta tem sido muito estudado nos países desenvolvidos. No Brasil, sabe-se que a Escola de Engenharia de São Carlos tem uma linha de pesquisa, com resultados estimulantes. Curso de Tratamento de Esgoto 153 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] O. Lagoas de Maturação São utilizadas, como tratamento complementar de efluentes secundários. Devem ser dimensionadas com taxas de carregamento orgânico muito inferior às empregadas para dimensionamento de lagoas facultativas. Normalmente, se empregam duas lagoas em série, com profundidade variando entre 1 e 1,5 metros, com função de melhorar a qualidade do efluente e de possibilitar maior eficiência na remoção de patogênicos. Curso de Tratamento de Esgoto 154 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 7.0 Exercícios: 1. Dissolveu-se sulfato de alumínio em água, obtendo-se 1000 ml de solução a 10% em volume. Determinar a massa de sulfato de alumínio dissolvido. 2. Dissolveu-se sulfato de alumínio em 180g de água, obtendo-se uma solução 10% em massa. Determinar a massa de sulfato de alumínio dissolvida. 3. Adicionou-se 4,9g de ácido sulfúrico em 5 litros de água. Determinar a concentração molar. Considerar desprezível o acréscimo de volume. 4. Adicionou-se em água 49g de ácido sulfúrico, formando 2 litros de solução. Determinar a concentração normal da solução. 4. Qual o significado de tempo de detenção hidráulico? 5. O que é Curto-Circuito, Zona Morta e Caminho preferencial? 6. Qual é a importância do uso de traçadores, no dimensionamento de uma estação de tratamento de esgoto? 7. Quais os principais tipos de reatores utilizados para o tratamento de águas residuárias? 8. Explique o balanço de massa de um reator. 9. Diferencie estado estacionário de dinâmico. 10. Quais são os principais tipos de reações utilizadas no tratamento de esgoto? Curso de Tratamento de Esgoto 155 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 11. Supondo-se a seguinte reação aA + bB = cC + dD : Experiências 1ª 2ª 3ª [A] mols [B] mols 1,0 2,0 1,0 Determinar a ordem da reação. Velocidade Mols / l x min 1,0 1,0 4,0 0,5 0,5 1,0 12. Supondo-se a seguinte reação aA + bB = cC + dD : Experiências [A] mols [B] mols 1ª 1,0 2ª 1,0 3ª 2,0 Determinar a ordem da reação. Velocidade Mols / l x min 1,0 2,0 8,0 0,5 1,0 0,5 13. Determinar a equação da velocidade da reação elementar: N2 + 3H2 → 2NH3. 14. Um reator batelada é usado para determinar o coeficiente padrão para a seguinte equação paralela: 1 A 2 B C Se as reações são classificadas como sendo de 1 ª ordem, use os dados abaixo para determinar K1, K2 e [C] T (Min) [A] (mol / l) [B] (mol / l) 0 1 0 2 0,55 0,3 4 0,30 0,47 15. A tabela abaixo mostra dados da reação 8 0,09 0,61 16 0,01 0,66 A → B usando um reator de escala laboratorial. Determine a ordem da reação e o valor da constante da reação: Tempo (min) 0 [A] (mol / l) 50 Curso de Tratamento de Esgoto 1 35,6 2 25,8 3 19,5 4 12,8 6 7,3 156 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 16. NH3 é um constituinte muito comum em águas residuárias, e muitas vezes reage com ácido hipocloroso em solução, para formar monocloro-amido. A constante K encontrada experimentalmente foi de 5,1 x 106 l / mol x s a 25 º C, a reação é a seguinte: NH3 + HClO → NH2Cl + H2O Com base nesses dados, responda: a) Qual a ordem total da reação? b) Qual o decréscimo percentual de “v” se a concentração dos reagentes diminui 50 % ? c) Determinar o valor de K, se as concentrações forem expressas em mg / l. 17. Determinar a ordem da reação: T (min) 0 [A] (mol/l) 1,3 5 1,08 10 0,9 15 0,75 20 0,62 25 0,52 30 0,43 18. Determinar a ordem e a constante da reação: Experiências 1 2 3 Inicial[E] (Mol / l) 0,0167 0,0569 0,0569 Inicial[F] (Mol / l) 0,234 0,234 0,361 Inicial(-dE/dT) (Mol / l x min) 3,61 x 0,01 4,20 x 0,01 4,20 x 0,01 19. Determinar a ordem e a constante da reação: Experiências 1 2 3 4 Inicial[E] (Mol / l) 1,3 2,6 3,9 0,891 Inicial (- dE / dT) Mol / l x min 0,0478 0,0956 0,0143 0,0328 20 . Comparar reatores PFR, CFSTR e CFSTR em série, para reações de ordem nula, primeira ordem e segunda ordem. 21 . Compare no estado estacionário, o volume requerido para remoção de 98% de esgoto, se a reação é uma r = -k C?: a) um reator CFSTR; b) seis reatores em série do tipo CFSTR; Curso de Tratamento de Esgoto 157 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] c) um PFR. 22. Um reator que funciona como um PFR é para ser usado para retirar a DBO removível. A constante de reação pode ser dada por: rDBOu = k . DBOu / ( K + DBOu) onde: k = 0,12 g/m3.s; K = 30 g/m3 , DBOu(o) = 150 g/m3 e a vazão é de 0,5 m3/s. Determine o volume do reator para que o efluente tenha um valor de DBOu = 20 g/m3. 23. A concentração de DBOu de um rio entrando no primeiro dos dois lagos conectados em série é igual a 20 g/m3, a reação é de 1a ordem com coeficiente K = 0,35 d-1 e cada lago é considerado como um CFSTR. Determine o valor da DBOu na saída de cada lago. No estado estacionário, o rio tem uma vazão de 4000 m3/ dia, e os volumes dos lagos são de 20000 e 12000 m3 respectivamente. 24. Estime a redução de bactérias, durante a passagem de esgoto que inicialmente continha 10 organismos/ml, por 3 lagoas em série. O volume das 3 lagoas são 10000, 20000 e 60000 m3 respectivamente. A vazão é de 1000 m3/dia e é considerado no estado estacionário com reação de 1a ordem e considerado próximo a um CFSTR. Curso de Tratamento de Esgoto 158 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 8. Bibliografias consultadas: 01. NB-570/ABNT (1990). Projeto de estações de tratamento de esgoto sanitário. Associação Brasileira de Normas Técnicas. 02. CAMPOS, J.R. (1990). Alternativas para Tratamento de Esgotos Sanitários. Consórcio Intermunicipal das bacias dos rios Piracicaba e Capivari. 03 03. NB-7229/ABNT (1993). Projeto, construções e operação de sistemas de tanques sépticos. Associação Brasileira de Normas Técnicas 04. FORESTI, E.(1998) – “Notas da aula de Processos e Operações em Tratamento de Resíduos SHS-705”, Pós Graduação em Hidráulica e Saneamento na Escola de Engenharia de São Carlos. 05. IMHOFF, K. R. (1986) – Manual de Tratamento de Águas Residuárias. São Paulo. 06. METCALF & EDDY (1979) – “Wastewater engineering – treatment, disposal, reuse”2nd ed.. New York. McGraw-Hill, p. 920. 07. NUNES, J.A. (1996) - Tratamento Físico Químico de Águas Residuárias Industriais. 2ª edição Editora J. Andrade. 08. TSUTIYA, M. J. & SOBRINHO, P. A. (1999) – Coleta e transporte de esgoto sanitário. 1ª Edição: Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Curso de Tratamento de Esgoto 159 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 09. SPERLING, M. V. (1996) – Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 1ª edição: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental; Universidade Federal de Minas Gerais. 12. MARÇAL, E. J (1997) – Estudo de Autodepuração de esgotos sanitários: Relatório realizado na SANASA – Campinas como parte do trabalho de despoluição de córregos urbanos. 11. NB-569/ABNT (1989) – Projeto de estações elevatórias de esgoto sanitário: Associação Brasileira de Normas Técnicas. 14. FORTES, J., CUNHA, C. (1994). Influência das águas continentais sobre as regiões costeiras: Enfoque da legislação atual. Qualidade de águas continentais no Mercosul. ABRH publicação n º 2, dez. 1994. 420p. 13. REALI M. A. (1991). - Concepção e Avaliação de um Sistema Compacto para Tratamento de Águas de Abastecimento Utilizando Processo de Flotação por Ar Dissolvido e Filtração com Taxa. Declinante. Tese de Doutorado EESC -USP 1991. 14. CAMPOS, J. R. (1998) – “Notas da aula de Tratamento de Águas Residuárias”, Pós Graduação em Hidráulica e Saneamento na Escola de Engenharia de São Carlos. Curso de Tratamento de Esgoto 160 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 4. Fundamentos do tratamento biológico. 4.1 Noções de ecologia. Ecologia: é a ciência que estuda as condições de existência dos seres vivos. Biomassa: é a associação de seres vivos, formando uma quantidade de matéria viva, com volume e superfície definidas. Biótipo: é o conjunto de condições necessárias para favorecer o habitat de uma determinada biomassa. Ecossistema: são longos processos de adaptação entre as espécies e o meio. São dotados de transformação, evolução e regularização. Dentro de certos limites podem resistir a modificações nas condições de vida. Cadeia alimentar: Trata-se de um ecossistema que compreende um certo número de níveis tróficos. Níveis tróficos: produtores primários, consumidores de 1 ª ordem, consumidores de 2 ª ordem e decompositores. Produtores primários: São os organismos autótrofos, capazes de fabricar e acumular energia potencial, em forma química das matérias orgânicas que sintetizam. Consumidores de 1 ª ordem: São heterótrofos que se alimentam dos produtores autótrofos. Consumidores de 2 ª ordem: São heterótrofos carnívoros, que se alimentam de outros heterótrofos. Decompositores: Correspondem ao término da cadeia. São microrganismos e bactérias que decompõem a matéria orgânica. Curso de Tratamento de Esgoto 161 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 4.2 Noções de biologia. Os seres vivos são formados por um elevado grau de organização de átomos nas moléculas e destas entre si, com a capacidade de agir sobre o meio, de maneira a transformar substâncias estranhas à sua natureza em substâncias constituintes à sua estrutura. Os seres vivos são separados em 3 reinos: animau, vegetal e protista, mas podem ser classificados pelas suas propriedades de nutrição, crescimento, reprodução e irritabilidade. O reino animal pode ser caracterizado principalmente, pela grande atividade locomotora e pela nutrição heterotrófica (ingestão obrigatória de compostos orgânicos); O reino vegetal é caracterizado por seres fixados por raízes, com coloração verde, produtores de matéria orgânica e O2 e consumidores de CO2. Entretanto, há exceções, como as algas. Estas apesar de possuírem celulose e pigmento verde, apresentam locomoção através de flagelos; O reino protista é caracterizado por seres unicelulares, que podem viver agrupados ou não. Obs.: Alguns biólogos consideram o reino protista, inserido ao reino vegetal. Curso de Tratamento de Esgoto 162 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] SERES VIVOS nutrição crescimento animais reprodução vegetais aeróbios irritabilidade protistas anaeróbios Algumas classificações dadas aos seres vivos Classificação quanto às formas de alimentação: Digestão heterotrófica: Organismos que necessitam de substâncias altamente complexas na sua dieta. Digestão autotrófica: Organismos que sintetizam seu próprio alimento, ou seja, sintetizam moléculas de elevada estrutura, a partir de moléculas de baixa energia. Digestão típica dos vegetais, sendo as principais fontes de energia, a luz e as reações químicas. Classificação quanto a fonte de Energia: Autotróficos: Luz : Os organismos clorofilados utilizam a luz para transformar substâncias de estrutura simples, em compostos orgânicos, sendo assim, denominados fotossintetizantes. 673 kCAL 6 CO2 + 12 H2O Curso de Tratamento de Esgoto CLOROFILA C6H12O6 + 6 H2O + 6O2 163 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] O oxigênio liberado na fotossíntese é parcialmente usado para a respiração vegetal e o restante é liberado para o meio. Para o meio aquático, não é suficiente somente o O2 proveniente do contato do ar com a superfície aquática, muitas vezes é necessário que existam vegetais subaquáticos, que produzam oxigênio para a respiração dos peixes e outros tipos de vida animau. Reações químicas: As bactérias e algas nutrem-se através de reações químicas, não necessitando obrigatoriamente de energia solar. O maior exemplo de bactérias quimiossintetizantes são as encontradas no solo e nas águas. As bactérias nitrificantes são um dos exemplos, onde a amônia é oxidada a nitritos e estes a nitratos. NH4 + 1 ½ O2 2H + H2O + NO2 + 66 KCAL Transformação de nitrito para nitrato libera-se 17 Kcal: NO2 + ½ O2 NO3 + 17 kcal Essas bactérias têm importância econômica como agentes nitrificadores do solo ou podem ser também causadores do enriquecimento da água de nitritos e nitratos a partir da amônia. Nitrosomonas e nitrobacter são os principais grupos de bactérias responsáveis pelo processo chamado de nitrificação. Heterotróficos: Tem como principais fontes nutricionais os aminoácidos, gorduras e açúcares. Através de ação mecânica, as substâncias se transformam em matéria pastosa, iniciandose assim, a digestão química que promove a redução das partículas, através da fragmentação das moléculas mais complexas em outras mais simples e menores, capazes de atravessar o aparelho digestivo e penetrar no sangue ou nas células. Os elementos químicos responsáveis pela redução das partículas são as enzimas ou fermentos digestivos. A digestão é feita em duas etapas, uma ácida (Ex: estômago), e outra alcalina (ex.: intestino). Curso de Tratamento de Esgoto 164 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Classificação segundo a respiração: A respiração é fonte de energia, para que os animais possam realizar movimentos e outras reações. Respiração aeróbia: ocorre conforme a equação abaixo. A transformação de glicose em gás carbônico e água depende da presença de oxigênio. Este fenômeno ocorre nos animais, através do pulmão ou das brânquias. Já os vegetais não necessitam de órgãos, pois retiram O2 da própria célula fotossintetizante. A transformação de material em energia se faz de maneira oposta à da fotossíntese: C6H12O6 + 6O2 6 CO2 + 6 H2O + 673 Kcal A obtenção de glicose pelos organismos vivos é realizada por um dos três processos de nutrição: fotossíntese, quimiossíntese ou nutrição heterotrófica, já o oxigênio é obtido através da fotossíntese, que ocorre nos vegetais. Respiração anaeróbia: é realizada através da retirada de átomos de oxigênio das moléculas orgânicas, por qualquer substância, excluindo-se o O2. C6H12O6 2 CO2 + 2C2H3OH + 34,4 Kcal A denominação de fermentação para a respiração anaeróbia nem sempre é muito aceita, visto que muitas vezes este processo se realiza com a respiração aeróbia. Em geral há desprendimento de gás carbônico e acúmulo de álcool etílico no interior das células. Além do álcool, podem formar-se ácidos orgânicos. Respiração facultativa: Alguns habitantes podem variar sua respiração entre aeróbia e anaeróbia. Eles podem inclusive ter uma respiração intramolecular. Esses microrganismos são importantes, principalmente para o reconhecimento de ambientes pobres em oxigênio como por exemplo, nas águas que recebem despejos ou esgoto doméstico, ou ainda, para reconhecer a condição vigente no fundo de lagos e rios. Curso de Tratamento de Esgoto 165 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Conseqüência da respiração para o ambiente aquático: Os processos oxidativos podem causar forte depressão na curva de oxigênio de um rio. Microrganismos, animais, bem como vegetais heterotróficos, quando proliferam em grande número, podem reduzir o oxigênio dissolvido da massa d’água até quase a zero. É lógico que a proliferação destes dependem das fontes de alimento, ou seja, M.O. Portanto, a disposição de M.O. em excesso no meio está diretamente ligado ao consumo de O2. Em outras palavras a demanda de oxigênio de um rio é na realidade uma demanda respiratória, uma vez que a oxidação desse material é realizada exclusivamente por via enzimática. Outra conseqüência da presença de M.O. no meio aquático é o aumento da concentração de CO2, e a conseqüente diminuição do pH. Em meio aquático com muitas plantas são observados durante o dia o aumento do pH pela produção de O2 e durante a noite a diminuição do pH pela produção de CO2, pois neste horário eles só consomem o O2. Noite : Só ocorre respiração : consumo de O2; Dia : Fotossíntese > respiração : Produção de O2; Essas variações bruscas são observadas nas lagoas de estabilização. - Comparação entre a respiração aeróbia e anaeróbia: O calor liberado na equação do processo anaeróbio é cerca de 5% da energia liberada em aerobiose. Como é provável que a ordem de magnitude da energia necessária para a fabricação de novas células seja a mesma em ambos os casos, se chega a conclusão de que , no campo bacteriano, é muito mais econômico buscar a energia vital em processos aeróbios, que em processos anaeróbios. Em outras palavras a multiplicação celular será muito mais abundante no primeiro caso do que no segundo e como conseqüência, o processo de degradação, será muito mais rápido supondo-se a igualdade dos restantes das condições. Curso de Tratamento de Esgoto 166 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tabela 4.1 - Principais doadores e receptores de elétrons em ambiente aeróbio e anaeróbio adaptado de METCALF & EDDY (1991). Ambiente Aeróbio Doador de elétrons composto Orgânico Receptor de elétrons oxigênio NH4+ oxigênio nitrificação composto orgânico NO3- desnitrificação composto orgânico oxidação aeróbia metabolismo aeróbio oxigênio ou NO3- Remoção biológica de Anaeróbio Fósforo H2 e Acetato SO4 H2 - Processo 2- CO2 redução de sulfato metanogênico O Ciclo da Vida: 1. Vegetais (autotróficos) transformam minerais em M.O.; 2. Heterotróficos (bactérias-fungos) transformam M.O. em minerais; M. O. vegetal ou animau Amônia , carbonato e CO2 Fonte para os organismos autótrofos microrganismo s Animais e vegetais Fonte de energia dos heterotróficos O ciclo da vida Curso de Tratamento de Esgoto 167 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Anabolismo: síntese de matéria viva. Catabolismo: degradação de matéria nutritiva. Metabolismo: é a soma dos processos físicos e químicos pelos quais os seres são mantidos e produzidos (Alimento + energia = manutenção e reprodução). - Bactérias: São microrganismos unicelulares que podem viver isolados ou agrupados. Reproduzem-se por simples divisão celular ou pela formação de esporos. Podem ser autótrofas ou heterótrofas e podem ser aeróbias, anaeróbias ou facultativas. As bactérias do grupo “Coli, habitam o intestino humano e de outros homeotermos onde vivem, sem causar nenhum dano ao hospedeiro. São, entretanto, de grande valor para o sanitarista, uma vez que a sua presença na água indica a contaminação desta por fezes ou esgoto doméstico. A grande importância sanitária das bactérias coliformes está na sua presença obrigatória em toda a fonte contaminada por despejos domésticos. Admite-se que toda a água que contenha mais de 1 ou 2 bacilos do grupo “Coli” em cada 100 cm3 pode conter também bactérias patogênicas, sendo impróprias para consumo, sem desinfecção prévia. - Algas: São organismos de estrutura simples e diferem-se das bactérias por apresentarem núcleo celular e reprodução sexuada (a não ser as algas azuis). As algas azuis são células envolvidas por bainha mucilaginosa, que dá pequena aparência gelatinosa, que se forma na superfície de reservatórios de água. Essa bainha serve de abrigo para bactérias, inclusive coliformes, que ali se protegem da ação do cloro, aplicado para desinfecção. Recentemente tem sido evidenciada nos heterocistos a Curso de Tratamento de Esgoto 168 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] presença de enzimas responsáveis pela fixação de nitrogênio diretamente do ar. Isso vem explicar a prioridade que tem, algumas cianofíceas (algas azuis), de desenvolver-se em ambiente pobre em nitrogênio, mas rico em outros nutrientes, o que assume particular importância no estudo do fenômeno de eutrofização. As algas verdes geralmente encontradas em água doce, inclusive nas de abastecimento, são dotadas de flagelos para locomoção. Podem aparecer as algas vermelhas ou douradas, sendo estes casos um pouco mais raros. - Analogia entre a vida humana e os microorganismos: Algumas semelhanças podem ser verificadas entre a vida existente dentro de um reator de tratamento de esgotos, e uma população de uma cidade. Quando a quantidade de comida para uma determinada população for abundante, as pessoas vão se reproduzir, consequentemente a população aumentará, até o ponto que comece a faltar comida. Neste momento, caso não exista outro meio de alimentação, as pessoas mais fracas vão se alimentando cada vez menos, até que morram. Alguns humanos (canibais) podem inclusive se alimentar de outros na falta de alimento, principalmente no caso de fome. Numa cidade equilibrada, não faltará alimentação para a população, e nem se jogará fora, pois a população vai crescer de acordo com a alimentação disponível. A população não deve ser nem muito jovem, e também não deve ser muito velha. Se a população for muito velha, existirão muitas pessoas aposentadas sem trabalhar, e poucas trabalhando. Se a população for muito jovem ocorrerão problemas semelhantes, portanto, a população deve crescer de acordo com a quantidade de alimento disponível. Todo ser vivo precisa de um tempo de adaptação, ou seja, caso uma família de comilões mude sua alimentação e resolva trocar a feijoada por jiló como exemplo, sem dúvida a quantidade que esta família come será reduzida. Percebe-se então que é importante a afinidade entre o substrato e os microrganismos. Se a quantidade de substrato que chega é maior que a taxa de crescimento populacional, então é importante verificar se não é necessário optar por uma outra população, mais adaptável a este substrato. Curso de Tratamento de Esgoto 169 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 4.3 Noções de Bacteriologia. A fermentação compreende reações químicas produzidas na natureza, através de microrganismos. A seguir serão demonstrados alguns tipos de fermentações ocorridas no tratamento de esgoto. - Fermentação alcoólica: Consiste no desdobramento de açúcares em álcool e ácido carbônico. Os organismos que provocam estas reações são Saccharomyces e Aspergillus. Trata-se de um processo que ocorre em local aerado. C6H12O6 → 2 C2H6O + 2 CO2 - Fermentação acética: É a transformação de álcool em ácido acético, por influência da Acetobacter aceti em meio aerado. C2H6O + O2 → C2H4O2 + H2O - Fermentação Láctica: É a transformação de açúcares em ácido láctico, através da influência da bactéria bacillus lacticus em meio aeróbio. C12H22O11 + H2O → 2 C6H12O6 = 4 C3H6O3 - Fermentação butírica: É a transformação de matéria orgânica complexa, em ácido butírico. C6H12O6 → 2 CO2 + 2 H2 + C4H8O2 ( fermentação anaeróbia) C2H6O + C4H4O2 → C4H8O2 + H2O ( fermentação anaeróbia ) Curso de Tratamento de Esgoto 170 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. - [email protected] Fermentação fórmica: É a transformação de açúcares em metano. É conseqüência da fermentação butírica. C6H12O6 → 3 CH4 + 3 CO2 (fermentação anaeróbia) Obs.: todas estas fermentações serão detalhadas nos capítulos seguintes. 4.4 Principais microrganismos presentes no tratamento de esgoto. Tabela 4.2 - Principais gêneros de bactérias encontradas no processo de lodos ativados e suas respectivas funções ( HORAN, 1990). GÊNEROS Pseudomonas FUNÇÕES Remove carboidratos e promove desnitrificação. Zooglea Formação de flocos Bacillus Degradação de Proteínas. Athrobacter Degradação de Carboidratos. Microthrix Degradação de Gorduras, crescimento filamentoso. Nocardia Crescimento filamentoso, formação de espuma e escuma. Acinetobacter Remoção de Fósforo. Nitrosomonas Nitrificação. Nitrobacter Nitrificação Achromobacter Desnitrificação. Curso de Tratamento de Esgoto 171 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tabela 4.3 - Agrupamento de organismos de diversos gêneros presentes em sistemas de lodos ativados (VAZOLLÉR et al., 1989). GRANDES GRUPOS Classe Ciliata a) ciliados livres-natantes b) ciliados pedunculados c) ciliados livres, predadores do floco Classe Mastigophora - flagelados Classe Sarcodina - amebas Classe Rotífera - rotíferos Classe Nematoda - nematóides Filo Anelida - anelídeos GÊNEROS FREQÜENTES Paramecium, Colpidium, Litonotus, Trachelophyllum, Amphileptus, Chilodonella Vorticella, Operculária, Epstylis, Charchesium e as suctórias Acineta e Podophrya. Aspidisca, Euplotes, Stylonychia, Oxytricha. Bodo, Cercobodo, Mona sp, Oicomona sp, Euglena sp, Cercomona sp, Peranema Amoeba, Arcella, Actinophrys, Vanhlkampfi, Astramoeba, Difflugia, Cochliopodium. Philodina, Rotaria, Epidhanes. Rhabditis Aelosoma Tabela 4.4 - Microrganismos indicadores das condições de depuração em sistemas de lodos ativados (VAZOLLÉR et al., 1989). MICRORGANISMOS CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO Predominância de flagelados e rizópodes Lodo jovem característico de início de Predominância de flagelados Predominância de ciliados pedunculares e livres Presença de Arcella (rizópode com teca) Presença de Aspidisca costata (ciliado livre) Presença de Trachelophyllum (ciliado livre) Presença de Vorticella microstoma (ciliado pedunculado) e baixa concentração de ciliados livres Predominância de anelídeos do gênero Aelosoma Predominância de filamentos operação ou TRC* baixo Deficiência de aeração, má depuração e sobrecarga orgânica Boas condições de depuração Boa depuração Nitrificação TRC* alto Efluente de má qualidade Excesso de oxigênio dissolvido Intumescimento do lodo ou bulking Filamentoso ** (*) Tempo de retenção celular, dia. (**) Para caracterizar o intumescimento do lodo é necessário avaliar os flocos. Curso de Tratamento de Esgoto 172 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] N º de micror. bactérias Ciliados livres Ciliados fixos Flagelados Alta carga rotíferos Carga convencional Tempo Baixa carga Predominância relativa entre os microrganismos aeróbios Como demonstrado no quadro acima, existe a predominância de algumas bactérias em relação a carga orgânica aplicada. Quanto maior o tempo de contato entre as bactérias e o esgoto, maior a possibilidade de aparecimento de rotíferos, já se o tempo de contato for pequeno, ocorrerá a predominância de flagelados. Devemos lembrar que existem outros fatores que podem interferir na massa bacteriana, sendo esses: - Concentração de matéria orgânica presente no substrato; - Quantidade de oxigênio presente dentro do reator; - Características físico-químicas do afluente (temperatura, pH, alcalinidade, etc.) - Carga orgânica aplicada; - Carga hidráulica aplicada. Curso de Tratamento de Esgoto 173 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 4. 5. Crescimento Bacteriano. Caso seja colocado num reator tipo batelada, um pequeno número de bactérias, e este mesmo reator sejam alimentados com substrato suficiente para o crescimento das bactérias, deve-se conseguir a curva de crescimento bacteriano demonstrada no gráfico abaixo. Nº de células Síntese 1 2 endogenia 3 4 tempo 1. Adaptação: é uma fase de adaptação enzimática das bactérias ao novo substrato; 2. Crescimento rápido ou crescimento exponencial: Na fase de crescimento rápido as células se dividem com uma taxa constante. Há excesso de substrato no meio, fazendo com que o crescimento das bactérias não tenha o substrato como fator limitante de crescimento; 3. Crescimento estacionário: O numero de células se mantém constante, devido a morte de algumas células, ocasionada pela falta de alimentação; 4. Crescimento negativo: A falta de alimentação é agravante e a morte das células é muito superior à divisão celular, causando com isso uma diminuição no número de células dentro do reator. Curso de Tratamento de Esgoto 174 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 4.6 Cinética da degradação biológica. Conforme estudado no capítulo 3, toda estação de tratamento de esgoto tem o seu balanço de massa dado por: acúmulo = entrada – saída + geração – consumo. O acúmulo, a entrada e a saída são facilmente controlados. A geração e o consumo são mais difíceis de serem avaliados. Uma das principais modelagens matemáticas aceitas no tratamento de esgoto e usada por um grande número de projetistas é a equação de Monod, para a geração e consumo dentro dos reatores. A taxa específica de crescimento de microrganismos, proposta por Monod foi: µ = Taxa específica de crescimento bacteriano; µ = µm . S / (ks + S), onde: µm = Taxa de crescimento bacteriano máxima; S = Quantidade de substrato na solução; Ks = Constante de aumento de substrato. Sendo dx/dt = crescimento bacteriano; µ = ( dx / dt) / X, onde: µ = Taxa específica de crescimento bacteriano; X = N º de microrganismos. Percebe-se, que a taxa específica de crescimento, depende da taxa de crescimento bacteriano máxima, da constante de aumento de substrato e da quantidade de substrato presente no reator. Conforme gráfico seguinte, o parâmetro Ks é determinado no ponto médio do eixo das ordenadas, onde encontra-se o valor µm/2. Prolongando-se o gráfico para o eixo das coordenadas obtêm-se o valor de Ks. Curso de Tratamento de Esgoto 175 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] µ µm µm/2 ks S A taxa de utilização de substrato, pode ser expressa pôr: q = Taxa de utilização de substrato; q = ds/dt / X, onde: ds / dt = Variação de substrato pelo tempo; X = N º de microrganismos. Num sistema microbiano para tratamento de esgotos, a distribuição de células não é igual em relação ao seu crescimento. Melhor explicando: existem células que envelhecem mais rapidamente, outras que se duplicam mais rapidamente, sendo que no sistema existem várias espécies com diferentes características. Quando existe a falta de substrato, uma parcela das células são consumidas por outras para a obtenção de energia necessária para a sua própria manutenção. Por este motivo, a taxa de crescimento teve que ser melhor definida. Deve-se considerar um decréscimo na massa celular (consumo) que é chamado de decaimento endógeno. Em sistemas contínuos, deve-se subtrair de µ, o coeficiente de respiração endógena, obtendo-se: µ = µm . ( S / (ks + S)) - b, onde: Curso de Tratamento de Esgoto b = Decaimento endógeno 176 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Kd = Coeficiente de decaimento endógeno; b = Kd . X onde: X = N º de microrganismos. A relação entre a taxa de crescimento bacteriano e a taxa de utilização de substrato pode ser dada pelo parâmetro Y. Y = ∆x / ∆s, onde: Y = Relação de microrganismos / substrato; ∆x = Variação de microrganismos; ∆s = Variação de substrato. Um valor alto para Y significa que o crescimento de bactérias é maior que a quantidade de substrato que chega no reator. Um valor baixo para Y significa que o crescimento bacteriano é pequeno, em relação a quantidade de substrato que chega no reator. Y pode ser representado por: Y = µ / q = Bactérias / substratos; se µ = µmax . S / (ks + S ); então Y . q = Y . qmax . S / ( ks + S ); concluindo-se que q = qmax . S / ( ks + S ). Sabendo-se que: µ = (dx / dt) / X = Y (ds / dt) / X – b; vem: 1 / θc = Y (ds / dt) / X – b; Obtém-se: µ = 1 / θc = Y. q – b; Os parâmetros Y e b são facilmente obtidos da literatura ou por meio de ensaios específicos. Para processos aeróbios, y varia de 0,05 a 0,1 e b de 0,01 a 0,05 d-1. Os parâmetros qmáx e taxa de utilização específica do substrato, são extremamente variáveis, dependendo de fatores nem sempre conhecidos. O mesmo ocorre com KS. Portanto, para cada tipo de sistema, devem-se obter os parâmetros específicos que irão depender das características do reator, das características do substrato e das características da biomassa. Curso de Tratamento de Esgoto 177 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 4.7 Balanço de massa de bactérias e substrato em um reator sem recirculação: r.: Acumulo = entrada – saída + geração; V . dX / dt = Q . X0 – Q . X + V . (dX / dt)r DX / dt = zero; X0 = zero. Situação de equilíbrio: 0 = - Q . X + V (µm . X . S / (ks + S) - Kd . X); Q . X = V (µm . X . S / (ks + S) - Kd . X); Q / V = µm . S / (ks + S) - Kd ; 1 / TDH = µm . S / (ks + S) - Kd ; Acumulo = entrada = Massa de substratos que entram – saída - Massa de substratos o que saem + geração + Acréscimo de substrato gerado - consumo; - Decréscimo de substrato utilizado Ou melhor: Variação de massa de substrato no reator V . (ds / dt) = Q .S0 – Q.S + 0 - V . [K.X.S/(Ks+S)]; Ds / dt = zero; (reator em estado estacionário) Situação de equilíbrio: Curso de Tratamento de Esgoto 178 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 0 = Q (S0 – S) - V . [ K . X . S / (Ks + S)]; S0 – S = TDH [ K. X. S / (Ks + S) ]; Sabemos que 1 / TDH = µm . S / (ks + S) - Kd ; 1 / TDH + kd = µm . S / (ks + S); (1 / µm ) . [( 1 / TDH) + kd ] = S / ( ks + S), substituindo-se na equação So – S tem-se; S0 – S = ( TDH . K . X . / µm ) . ( 1 / TDH) + kd ]; S0 – S = X . 1 / Y . ( 1 + TDH . kd ); X = [( So – S) . Y] / (1 + TDH . Kd) O fundamento sobre um reator CFSTR sem recirculação é que o tempo de detenção hidráulico é igual ao tempo de detenção celular. Portanto, a equação X = (S0 – S) . Y / ( 1 + TDH . kd) é válida sem problemas e o TDH pode ser considerado igual ao θ c. Curso de Tratamento de Esgoto 179 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 4.8 Balanço de massa de um reator com recirculação do lodo. Acumulo = entrada – saída + geração - consumo; Ou melhor Variação de massa de substrato no reator = Massa de substratos que entram - Massa de substratos o que saem + Acréscimo de substrato gerado - Decréscimo de substrato utilizado V . (dX / dt) = (Q . S0 + Qr . S) – ((Q – Qw). S) - V . [K.X.S/(Ks+S)]; DX / dt = zero; (reator em estado estacionário) Desenvolvendo-se a equação chega-se a: X = {[( So – S) x Y] / (1 + θc x Kd)}x (θc / TDH); O fundamento sobre um reator de CFSTR com recirculação é que o tempo de detenção hidráulico é menor que o tempo de detenção celular. Percebe-se que a equação acima é para reator com recirculação de lodo. Sem a recirculação de lodo o TDH é igual ao θc, portanto tem-se: X = {[( So – S) . Y] / (1 + θc . Kd)} . (θc / TDH); X = {[( So – S) . Y] / (1 + TDH . Kd)} . (TDH / TDH); X = {[( So – S) . Y] / (1 + TDH . Kd)} Sem recirculação Curso de Tratamento de Esgoto 180 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 4.9 Parâmetros determinantes no projeto de unidades de tratamento biológico. Os processos biológicos são os mais econômicos dentre os utilizáveis na remoção de matéria orgânica. Por esse motivo, são amplamente utilizados no tratamento de efluentes líquidos. Além da remoção de matéria orgânica, os processos biológicos podem ser aplicados para a oxidação de compostos reduzidos como nitrogênio amoniacal e sulfetos, bem como na redução de nitratos (desnitrificação) e de sulfatos. Na tabela seguinte são mostradas as principais aplicações dos processos biológicos e seus subprodutos. Tabela 4.5 - Principais aplicações dos processos biológicos no tratamento de águas residuárias. TIPO Efluentes Líquidos Efluentes Líquidos Efluentes Líquidos Efluentes Líquidos SUBSTRATO Matéria Orgânica Matéria Orgânica NH3 - NH4 NO-2, NO-3, SO2-4 PROCESSO Aeróbio Anaeróbio Aeróbio Anaeróbio SUBPRODUTOS CO2, SO42-, NH-3, NH+4, NO2, NO-3 CO2, CH4, NH-3NH+4, S2NO-2, NO-3 N2, H2S, NH-3NH+4 A tabela acima mostra que apenas os processos aeróbios são capazes de produzir compostos estáveis que consomem oxigênio. Como no processo de nitrificação e remoção de sulfeto para sulfato, que só pode ocorrem com a presença abundante de oxigênio. A desvantagem dos processos aeróbios é a necessidade de fornecimento de oxigênio ao meio, través de equipamentos que consomem energia. Considera-se, também, como desvantagem dos processos aeróbios, o excesso de lodo biológico produzido, que deve ser descartado diariamente. Este excesso de lodo produzido, expresso em Sólidos Suspensos Voláteis, é cerca de cinco a dez vezes superiores, àquele produzido por processos anaeróbios. Em função das vantagens e desvantagens de ambos os processos, a tendência atual é de se utilizarem sistemas mistos, que contém unidades anaeróbias e aeróbias em série. Este estudo será amplamente abordado no capítulo 12. Curso de Tratamento de Esgoto 181 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 4.10 Parâmetros utilizados nos processos biológicos: - Tempo de Retenção Celular ou Idade do Lodo (θc) A eficiência dos processos biológicos depende de θc. O valor da concentração de substratos efluente (S) em sistemas de mistura completa pode ser diretamente relacionado com o ·c, conhecendo-se os valores dos parâmetros cinéticos do processo. Valores usuais: Processos aeróbios - Lodos Ativados - θc > 5 d; Lagoas Aeradas - θc > 3 a 5 d; Processos anaeróbios - θc > 20 d. - Taxa de Produção de Excesso de Lodo Expresso em SSV. ∆X = massa de SSV produzida por dia; ∆S = massa de substrato removida por dia; X = concentração de SSV no sistema. ∆X = y . ∆S - b Ou ∆X = yobs . ∆S onde yobs = y ( 1 + b . θc) - Taxa de Carregamento Orgânico Volumétrico (Cov) COV = ∆S/ V em kgDBO (ou DQO) por m3 por dia Os valores usuais de COV para diferentes tipos de sistemas estão demonstrados na tabela seguinte. Curso de Tratamento de Esgoto 182 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] - Tempo de Detenção Hidráulica (TDH). Os valores usuais, de TDH para diferentes tipos de sistemas estão apresentados na tabela abaixo. Tabela 4.6 - Valores usuais de COV e TDH para diferentes tipos de sistemas. Sistemas Aeróbios Lodos Ativados Convencional Mistura Completa Estabilização por Contato Aeração Prolongada Aeração Escalonada Oxigênio Puro Lagoas Aeradas Sistemas Anaeróbios Reator Anaeróbio de Manta Lodo Filtro Anaeróbio Contato Anaeróbio Lagoas Anaeróbias COV (kg DBO / m3 . dia) TDH (h) 0,3 - 0,6 0,8 - 2,0 1,0 - 1,2 0,1 - 0,4 0,6 - 1,0 1,6 - 3,3 0,01 - 0,06 COV 5 – 10 <5 <5 < 0,5 1,0 – 8,0 3,0 – 5,0 1,5 – 3,0 18 – 36 3,0 – 5,0 1,0 – 3,0 72 – 120 TDH (h) 6 – 16 8 – 18 8 – 24 > 72 Como pode-se observar o processo tipo lodos ativados convencional, necessita de um menor tempo de detenção hidráulico. Considerando o reator sem recirculação, percebe-se que o Tempo de permanência entre as bactérias e o substrato é suficiente se for igual ao TDH. Os sistemas convencionais não propiciam a endogenia das bactérias, ou seja, não ocorre a falta de alimento, ocasionado um crescimento maior do lodo. Outro problema do sistema de lodos ativados convencional é formação de um lodo ainda não mineralizado, necessitando-se de uma posterior digestão e estabilização do mesmo. O lodo ativado por aeração prolongada, tem o TDH muito alto, propiciando no aumento do tamanho dos reatores. Por outro lado, o lodo já sai totalmente estabilizado, devido ao grande tempo de contato entre o substrato e os microorganismos, não necessitando de digestores de lodo. Este grande tempo de contato leva também a um Curso de Tratamento de Esgoto 183 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] grande gasto de energia, já que estas bactérias são aeróbias e necessitam de oxigênio para sua reprodução. Os reatores anaeróbios têm a grande vantagem de não necessitarem de aparelhos mecânicos, tanto para mistura como para a aeração. O lodo também já sai estabilizado e os tamanhos dos reatores são pequenos devido ao pequeno TDH médio requeridos. Os processos anaeróbios são muito vantajosos para efluentes com carga orgânica volumétrica muito alta. O tempo de duplicação dos microrganismos anaeróbios é muito mais lento do que os aeróbios, este é um dos motivos da menor geração de lodo. - Relação F/M (Food to Microorganisms). A relação F/M é expressa em Kg DBO (ou DQO) por Kg de SSV presente no sistema por dia. Para processos aeróbios em geral, a relação F/M deve situar-se entre 0,3 a 0,6. Para sistemas aeróbios de alta taxa, F/M pode variar de 0,4 a 1,5 e para sistemas com oxigênio puro, F/M varia de 0,25 a 1,0. Sistemas anaeróbios são operados com relação F/M na faixa de 0,2 a 1,0. – Índice Volumétrico de lodo (IVL). O índice volumétrico de lodo é expresso em ml/g e informa a capacidade de sedimentação do lodo. É extremamente importante para os sistemas de lodos ativados, freqüentemente sujeitos ao fenômeno de “bulking”, caracterizado pela formação de lodo volumoso e pouco denso. O IVL é definido como o volume ocupado por 1 g de lodo após decantação de 30 minutos. O IVL é calculado através da seguinte fórmula: IVL = Índice volumétrico de lodo (ml/g) IVL = (H30 x 106) / (Ho . SS), onde; H30 = Altura da interface após 30 minutos (m); Ho = Altura da interface no instante 0 (m); SS = Concentração de sólidos em suspensão(mg/l); 106 = Conversão de mg em g, e de 1 em ml. Curso de Tratamento de Esgoto 184 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Valores usuais do IVL são: • Processos Aeróbios - 70 a 120 (ml/g); • Processos Anaeróbios - 40 – 80 (ml/). Em geral, a relação F/M e IVL estão intimamente relacionadas, principalmente nos processos de lodos ativados. Nesse caso, valores de F/M fora da faixa de 0,3 a 0,6 freqüentemente provocam valores de IVL superiores a 100 ml/g. - Formação de Lodo: Numa estação de tratamento de esgoto, os resíduos sólidos que devem ser dispostos adequadamente são provenientes do sistema de gradeamento, das caixas de areia, das escumas formadas em todos os tanques, do lodo biológico e do lodo estabilizado. Para o processo de lodos ativados convencional, deve-se adicionar o tratamento do lodo, alterando o fluxograma das estações de tratamento de esgoto. O tratamento de lodo completo deve seguir os seguintes passos: Adensamento do lodo: Trata-se de remover a umidade do lodo, pode ser feito através de secagem ao sol, filtros prensas, adensamento por gravidade e etc. Tem o principal objetivo a diminuição do volume de lodo, diminuindo-se os volumes dos tanques de estabilização do lodo. Outra fase do tratamento é a estabilização do lodo, através de sua digestão, ou seja, a remoção de matéria orgânica existente. O lodo estabilizado deve possuir pequena quantidade de sólidos voláteis. Após a estabilização deve-se fazer a desidratação do lodo para diminuir ainda mais o volume de lodo a ser transportado. Os sistemas de aeração prolongada não geram tanto lodo quanto os sistemas de lodos ativados convencionais. E também, não necessitam da fase de estabilização do lodo. Curso de Tratamento de Esgoto 185 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. - [email protected] Princípios da aeração: Os sistemas de aeração têm dupla finalidade. A primeira é a de disponibilizar oxigênio suficiente para as necessidades dos microrganismos aeróbios, e a segunda é de provocar uma agitação e uma homogeneidade suficiente para que ocorra uma mistura completa em reatores tipo lodos ativados. Como visto no capítulo 3, reatores de mistura completa, não devem possuir curto circuito, sendo assim, necessita-se de uma correta aeração para ocorrer uma completa mistura e homogeneização dos reatores. Fundamentalmente existem dois tipos de aeração: Aeração por ar difuso e aeração superficial ou mecânica. A aeração por ar difuso deve ser utilizada sempre que os reatores tiverem uma profundidade maior do que 3 metros. Somente assim será conseguida a mistura e oxigenação de todo o reator. O sistema é composto por difusores submersos no líquido, tubulações distribuidoras de ar, tubulações de transporte de ar e sopradores. O ar é introduzido próximo ao fundo do tanque, e o oxigênio é transferido ao meio líquido à medida que a bolha se eleva à superfície. Os principais sistemas de aeração por ar difuso podem ser classificados segundo a porosidade do difusor, e segundo o tamanho da bolha produzida: - Difusor poroso: Prato, disco, domo e tubo (bolha fina); - Difusor não poroso: Tubos perfurados ou com rachaduras (bolha grossa); O diâmetro das bolhas finas é inferior a 3 mm e o da bolha grossa deve ser superior a 6 mm. Quanto menor o tamanho da bolha, maior a área superficial disponível para a transferência de gases, ou seja, maior a eficiência de oxigenação. Portanto sistemas com bolhas finas são mais eficientes. Os difusores porosos têm sua eficiência diminuída pela colmatação de seus poros. A colmatação pode ocorrer internamente devido a impurezas no ar ou externamente devido ao crescimento bacteriano na superfície dos difusores. Outro problema é o custo de implantação dos sistemas de bolhas finas, pois os difusores cerâmicos são na sua grande maioria importados. Curso de Tratamento de Esgoto 186 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] As bolhas grossas não têm o problema de colmatação, devido as mesmas serem geradas em tubos perfurados, bocais e injetores. Tem baixo custo de manutenção e de implantação. Filtros de ar não são necessários. A baixa transferência de oxigênio e elevados requisitos de energia são as principais desvantagens. A aeração superficial tem várias modalidades: Aeradores de eixo vertical com baixa rotação, de eixo vertical com alta rotação, de eixo horizontal de baixa potência, aeradores fixos e aeradores flutuantes. Quando deseja-se que o sistema opere em mistura completa, os seguintes parâmetros devem ser definidos: • Sistemas com Ar Difuso: 20 a 30 kw/1000m2. • Sistemas com Aeradores: 15 a 30 kw/1000m3. - Necessidade de Oxigênio em Sistemas de Lodos Ativados e Lagoas Aeradas. Teoricamente, a quantidade de oxigênio a ser suprida ao sistema deve ser equivalente à quantidade consumida na oxidação da matéria orgânica. Se a concentração de matéria orgânica é expressa em DBO, calcula-se inicialmente, a quantidade de oxigênio necessária para suprir a demanda, a partir do cálculo da carga orgânica (CO) removida por dia. CO = Q (So -S) em kg DBO (DQO).d-1 onde, Q é a vazão de projeto; So é a concentração de DBO afluente e S é a concentração de DBO efluente. Em geral, adota-se a necessidade de O2 como sendo 1,5 a 2,0 x CO. - Fornecimento de Oxigênio em Sistemas de Lodos Ativados e Lagoas Aeradas. Para sistemas de aeração que utilizam aeradores superficiais, a quantidade de oxigênio a ser fornecida é função da potência instalada. Pode-se aplicar a seguinte relação: N= No [(β Co – Cl)/Cs].1,024 t – 20.∝; Curso de Tratamento de Esgoto N = taxa de transferência de oxigênio > 2; No = taxa de transferência de O2 para a água a 20°°C, β = fator de correção da salinidade = 1,0; Co = concentração de saturação na operação; CS = concentração de O2, nas condições de operação; CL = saturação de O2 na água a 20°°C e 1 atm; ∝ = fator de correção para esgotos, 0,8 a 0,85. 187 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. - [email protected] Características dos principais sistemas biológicos para tratamento de esgoto: Sistemas de tratamento DBO N P Lodos Ativados convencional Bom Médio Ruim Aeração Prolongada Ótimo Bom Ruim Lagoa Aerada Médio Médio Médio Reator UASB Médio Ruim Ruim TDH Médio Ruim Ruim Bom Custo Ruim Ruim Bom Bom Lodo Energia Ruim Ruim médio Ruim Bom Médio Bom Bom Está tabela será mais detalhada em capítulos posteriores, mas desde já, deve-se perceber que os sistemas anaeróbios não são chamativos pela grande eficiência, já que o mesmo não é bom para remoção de DBO, N e F. Por outro lado, em todos os aspectos econômicos, como TDH (tamanho do reator), Custo de implantação, formação de lodo e gastos com energia para aeração ele recebe conceito bom. Definitivamente os reatores anaeróbios são econômicos e devem ser utilizados como tratamento biológico, principalmente para altas cargas orgânicas. Para o esgoto doméstico ou esgotos ricos em nitrogênio o mesmo deve receber um pós – tratamento, já que o processo de nitrificação biológica só ocorre na presença de oxigênio. Entre os reatores aeróbios, a aeração prolongada é a que consegue a melhor eficiência na remoção de carbono e amônia, mas perde para os outros sistemas em TDH, custo de implantação e gastos com energia elétrica. A aeração prolongada tem a vantagem de formar um lodo já estabilizado, mas mesmo assim tem uma geração de lodo muito maior do que os reatores anaeróbios. Com baixa carga orgânica existem reatores anaeróbios que ficam até 2 anos sem remoção de lodo. Esta vantagem causa o problema da grande demora para a partida dos reatores anaeróbios , que costumam demorar até 6 meses para chegar em sua eficiência estável. Os reatores anaeróbios seguidos de lagoas aeradas tem sido ótima opções de tratamento de esgoto sanitário. Através deste sistema consegue-se eficiência média sempre acima de 80% na remoção de matéria orgânica, e consegue-se manter o nível de amônia sempre abaixo dos 5 mg/l exigidos pela CETESB. Curso de Tratamento de Esgoto 188 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 4. Revisão: Para que exista o desenvolvimento tecnológico sem que ocorra uma depreciação do meio ambiente são necessárias algumas medidas: a) As características do meio ambiente devem ser conhecidas para a determinação de suas vocações e susceptibilidades; b) O conhecimento do empreendimento e suas fontes impactantes; c) Uma análise ambiental; d) Determinação de medidas mitigadoras; e) Determinação de medidas compensatórias; f) Monitoramento. Para a caracterização do meio devem ser destacados aspectos físicos, biológicos, sociais e econômicos. Dentre os aspectos físicos, destacam-se os recursos hídricos, a hidrogeologia, a pedologia, a geomorfologia, a geologia e o clima. Nos aspectos biológicos devem ser consideradas as estruturas bióticas. Socialmente, deve-se considerar as tradições, culturas e rotinas adotadas pela população atingida. Deve-se considerar a identificação da região em estudo, através de uma visão histórica das comunidades envolvidas, o perfil econômico da região em estudo, o perfil político institucional, com informações dos poderes legislativo, judiciário e executivo, as organizações sociais existentes e atuações. Tendências atuais diferenciam crescimento de desenvolvimento. Os países do Norte são desenvolvidos e pararam de crescer, já os países do hemisfério sul continuam crescendo aceleradamente e se desenvolvendo de forma lenta. Com uma visão ambiental, e sabendo-se das limitações dos recursos naturais, o desenvolvimento sustentável objetiva o aumento da qualidade de vida, sem causar danos ao homem e ao meio ambiente. Para desenvolver-se sem causar danos a biosfera, é necessário uma política ambiental, ocasionada por um sistema de gestão ambiental. Curso de Tratamento de Esgoto 189 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tanto qualitativamente, quanto quantitativamente, os rios possuem um limite de uso, para que não ocorra um desequilíbrio no seu ecossistema. Os sistemas de gestão de recursos hídricos visam manter este equilíbrio, ou pelo menos, um mínimo de qualidade desejado pelo homem. A cobrança pelo uso da água é um instrumento da economia ecológica que interfere economicamente no empreendimento. Restringindo a oferta da água, mais cara será seu preço, limitando economicamente com isso, o aumento de empreendimentos em locais com escassez de água. A venda de bônus ou o direito de outorga limita a quantidade de poluentes que se pode despejar no rio, ou a quantidade de água que se pode captar. Tem a vantagem de ser facilmente monitorado e a desvantagem de abrir a possibilidade de leilão pelos bônus da água, como ocorre com nossos minerais no DNPM. Existem várias linhas políticas manifestadas em relação ao uso da água. Polêmicas como a desigualdade econômica entre regiões, o pagamento de dividas ambientais para quem enriqueceu as custas do meio ambiente, o direito de instalação de firmas em locais onde já existam outras firmas são algumas polemicas levantadas nas discussões políticas realizadas no congresso nacional. Curso de Tratamento de Esgoto 190 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Exercícios: 01. Defina ecologia? 02. Escreva o que você entende por biomassa. 03. Defina Biótipo. 04. Defina Ecossistema. 05. Defina cadeia alimentar. 06. Defina Níveis tróficos. 07. Defina Produtores Primários. 08. Defina Consumidores de 1 ª ordem. 09. Defina Consumidores de 2 ª ordem. 10. Defina Decompositores. 11. Defina seres heterótrofos. 12. Defina seres Autótrofos. 13. Exemplifique a cinética biológica de um reator de mistura completa sem recirculação? 14. Faça para um reator de mistura completa com recirculação? Curso de Tratamento de Esgoto 191 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 15. Calcular a concentração de sólidos em suspensão a ser atingida, em condições estacionárias, num reator CFSTR sem recirculação. 16. Calcular a concentração de sólidos biológicos no reator, para as seguintes condições: a) sistema sem recirculação TDH = θc = 5 dias; b) sistema com recirculação TDH = 0,25 dias e θc = 5 dias. Dados: Y = 0,6; Kd = 0,07 1/d; S0 = 300 mg/l; S = 15 mg/l; 17. Calcular o tempo de detenção hidráulico e a idade do lodo no sistema de tratamento sem decantação e sem recirculação de sólidos: dados: V = 9000 m3 ; Q = 3000 m3/ dia; S0 = 350 mg/l; S = 9,1 mg / l; µmax = 3,0 d-1; Ks = 60 mg/l; Kd = 0,06 d-1. 18. Dimensionar uma reator biológico pelo sistema de lodos ativados. Considerar o reator como um CFSTR, vazão a ser tratada de 0,25 m3/s de esgoto sedimentável tendo DBO5 de 250 mg/l. O efluente deve Ter DBO5 de 20 mg/l no máximo. Dados: SSV do afluente = 0; no reator SSV / SS = 0,8; retorno de lodo de 10000 mg/l de SS; θc = 10 dias; efluente contém 22 mg/l de sólidos biológicos dos quais 65 % são biodegradáveis; DBO5 = 0,68 DBOu ; esgoto contém nutrientes em quantidade suficiente. 19. Tendo-se um lodos Ativados convencional, com operação de 10 dias para o tempo de detenção celular, volume de 8000 m3 e concentração de SSV de 3000 mg/l determine: a) taxa de produção de lodo; b) a Vazão de descarte de lodo do reator; c) a vazão de descarte do lodo da linha de recirculação. 20. Explique as vantagens e desvantagens dos vários tipos de aeradores existentes. 21. Defina IVL? Qual a sua importância para o tratamento de esgoto. Curso de Tratamento de Esgoto 192 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 22. Quais são as formas de o TDH ser igual ao θc. 23. Quais são as formas de o θc ser maior que o TDH. 24. Qual a importância da formação dos comitês de bacias hidrográficas. 25. Quais são os principais tipos de reatores existentes no tratamento de esgoto. Assinale a alternativa correta. 26. O melhor reator para que ocorra o processo de nitrificação é: ( ) Reator UASB ( ) Aeração Prolongada 27. Qual é o reator que tem a maior dimensão para tratar o mesmo esgoto sanitário: ( ) Reator UASB ( ) Aeração Prolongada 28. Qual o reator que forma mais lodo: ( ) Reator UASB ( ) Aeração Prolongada 29. Qual reator tem a maior dimensão para tratar o mesmo esgoto sanitário: ( ) Lodos Ativado Convencional ( ) Aeração Prolongada 30. Qual sistema gasta mais energia: ( ) Lodos Ativados convencional ( ) Aeração Prolongada 31. Qual sistema é mais eficiente: ( ) Lodos Ativados Convencional ( ) Aeração Prolongada 32.O melhor reator para que ocorra o processo de nitrificação é: ( ) Lodos Ativados Convencional Curso de Tratamento de Esgoto ( ) Aeração Prolongada 193 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 33. Qual é o reator que tem a maior dimensão para tratar o mesmo esgoto sanitário: ( ) Lagoas Aeradas ( ) Aeração Prolongada 34. Qual o reator que forma mais lodo: ( ) Lodos Ativados Convencional ( ) Aeração Prolongada 35. Qual reator tem a maior dimensão para tratar o mesmo esgoto sanitário: ( ) UASB ( ) Lodos Ativados 36. Qual sistema gasta mais energia: ( ) Lodos Ativados convencional ( ) UASB 37. Qual sistema é mais eficiente: ( ) Lodos Ativados Convencional ( ) UASB 38. Explique Índice Volumétrico de Lodo. 39. Explique a relação F/M. 40. O que é o “Bulking” nos sistemas de lodos ativados. Curso de Tratamento de Esgoto 194 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Capítulo 5: Tratamento Anaeróbio. Em 1776 Alessandro Volta, físico Italiano, descobriu o “ar combustível”, formado em sedimentos no fundo de lagos e rios. Oitenta anos mais tarde Reiset detectou a formação de metano em estrumeiras e propôs o estudo desse tipo de manejo de resíduos para explicar o processo de decomposição anaeróbia. Bechamp, em 1868, concluiu que o gás metano é formado por microrganismos. Sendo que em 1875, Popoff , investigou a formação de metano a partir de vários substratos. Em 1890, Van Senus verificou que a decomposição anaeróbia era feita por vários microrganismos e Omeliansui isolou organismos que produziam hidrogênio, ácido acético e butírico, a partir da celulose. Deduziu também que o metano seria produzido a partir da redução do gás carbônico por hidrogênio. 4 H2 + CO2 → CH4 + 2 H2O Em 1910, Sohngen verificou que a fermentação de materiais orgânicos produzem compostos reduzidos como hidrogênio, ácido acético e gás carbônico. Demonstrou também que ocorre a redução de CO2 para a formação de metano e assumiu que o ácido acético é descarbonizado para fermentação de metano. Essa hipótese, hoje considerada correta, permaneceu em controvérsia por várias décadas. Em 1914, Thum e Reichle concluíram que o processo se dava em duas fases: ácida e metânica. Em 1916, Imhoff, denominou de digestão ácida e digestão metânica as fases do processo. Em 1940, Barker isolou a Methano Bacterium Omelianski que oxida etanol,, a acetato, a metano. Em 1948, Buswell e Sollo, utilizando 14 C provaram que o metano vindo do acetato não ocorre através de redução de CO2. Em 1956 Jerris verificou que 70% do metano produzido vinha do acetato. Em 1967 Briant publicou que existem 2 espécies de bactérias que convertem a metano. Uma pela via do acetato e outra pelo hidrogênio. Curso de Tratamento de Esgoto 195 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.1 A microbiologia da digestão anaeróbia: De uma forma simplificada, o processo anaeróbio ocorre em quatro etapas. Na primeira etapa, a matéria orgânica complexa é transformada em compostos mais simples como ácidos graxos, amino ácidos e açucares, pela ação dos microrganismos hidrolíticos. Na segunda etapa as bactérias acidogênicas transformam os ácidos e açucares em compostos mais simples como ácidos graxos de cadeia curta, ácido acético, H2 e CO2 . Na terceira etapa, estes produtos são transformados principalmente em ácido acético, H2 e CO2, pela ação das bactérias acetogênicas. Por fim, na última etapa, os microrganismos metanogênicos transformam esses substratos em CH4 e CO2. - As bactérias hidrolíticas: O primeiro passo na digestão anaeróbia é a hidrólise dos polímeros de cadeia longa que é feita pelas bactérias hidrolíticas. Os principais compostos a serem hidrolisados são a celulose, as proteínas e os lipídios. A celulose é um polímero de cadeia longa, facilmente degradado por bactérias aeróbias, mas nos processos anaeróbios as bactérias aeróbias não sobrevivem, sendo então a hidrólise mais dificultada. Um bom número de protozoários também contribuem para a fermentação da celulose. As bactérias celulósicas, podem entrar no esgoto através da fezes humana e principalmente de animais como o cavalo, o boi e o porco. O pH ótimo para a sobrevivência destas bactérias é de cerca de 6 e a temperatura ótima é 45oC. A fase de hidrólise compreende também a Liguinina, que compreende de 20% a 30% da biomassa. É geralmente resistente à degradação anaeróbia, deve estar numa temperatura e pH altos e é parcialmente solubilizada e transformada em pequenas compostos que são facilmente digeridos para metano e CO2. Curso de Tratamento de Esgoto 196 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Pectina é um grupo complexo de polissacarídios. Os lipídios consistem de glicerina de cadeia - longa de ácidos carbônicos. As proteínas são cerca de 50% do total da biomassa. Percebe-se que a hidrólise é um passo limitante para a conversão de matéria orgânica em metano. Os produtos das reações hidrolíticas são fermentados e depois transformados em metanos. A tabela 1 mostra o produto da fermentação das principais bactérias hidrolíticas. Tabela 1: bactérias envolvidas na fase hidrolítica da digestão anaeróbia. Organismos Origem Substrato Produtos Bacteroides Succinogenes Rumem Celulose F, A, S Bacteroides Fibrisolvens Rumem Celulose F, L, H2, CO2 Bacteroides Ruminicola Rumem Hemicelulose F,B,L,H2,CO2 Ruminococcus flavefaciens Rumem Celulose F,A,B,L,M,H2,CO2 Neocallimastix Frontalis Rumem Celulose F,A,L,S,M Rumem Spirochetes Rumem Pectina F,A,S,M Lachnospira Multiparus Rumem Pectina F,A,L,M,E,H2,CO2 Acetivibrio Cellulolyticus Digester Celulose A,E,H2,CO2 Clostridium Thermocellum Digester Celulose A,E,H2,CO2 Clostridium Papyrosolvens Sedimento Celulose F,A,L,E Clostridium Butyricum Sedimento Pectina A,B,M,E,H2,CO2 F = Formol, A = Acetato, P = Propianato, B= butirato, S = Sucinato, l\L = lactado, M = metanol, E = Etanol, IP = Isopropanol. Fonte: Chynoweth, D. P. e Isaacson R.(1987) Curso de Tratamento de Esgoto 197 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] - As bactérias transicionais: A bactéria transicional transforma a matéria orgânica solúvel produzida pela bactéria hidrolítica em substrato para metanogênese. Acetato no efluente pode ser metabolizado diretamente pela bactéria metanogênica, independente de iterações catabólicas com outras bactérias. Alguns substratos são hidrolisados para amino - ácidos que podem ser usados com carbono servindo de energia para reações fermentativas. A bactéria fermentativa na digestão anaeróbia converte material orgânico solúvel para ácido acético, ácido propiônico, ácido butírico, H2 e CO2. Alguns produtos das bactérias fermentativas como acetato e H2, podem ser metabolizados diretamente pela bactéria metanogênica, mas outros como ácidos propiônicos e ácidos butírico não podem ser digeridos diretamente. Segundo Chynoweth & Isaacson (1987), uma porção do acetato é sintetizado para H2 e CO2 na digestão e uma pequena parte para ácido propiônico, ácido acético e ácido butírico. Outros estudos indicam que culturas mistas produzem ácidos voláteis do H2 e CO2 ou do metanol. - As bactérias acidogênicas: Os açúcares e aminoácidos são absorvidos pelos organismos acidogênicos e fermentados intracelularmente a ácidos graxos de cadeias mais curtas, como ácido propiônico, butírico, além de CO2, H2 e acetato. As vias bioquímicas pelos quais o substrato é fermentado, e a natureza do produto(tipo de ácido volátil produzido) dependerão, principalmente, do tipo de substrato e da pressão parcial de hidrogênio. Curso de Tratamento de Esgoto 198 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] - As bactérias acetogênicas: As bactérias acetogênicas desempenham um importante papel entre a acidogênese e a metanogênese. Bactérias acetogênicas, produtoras de hidrogênio são capazes de converter ácidos graxos com mais de 2 carbonos a ácidos acéticos, CO2, H2 que são os substratos para as bactérias metanogênicas. - As bactérias metanogênicas: As bactérias metanogênicas são o final do processo de decomposição anaeróbia da biomassa. Metano é o produto final da mineralização da digestão anaeróbia. Como contraste a bactéria aeróbia metaboliza através da oxidação dos polímeros para CO2 e H2O. As bactérias metanogênicas podem utilizar ácido fórmico e acético, além de metanol, metilamina, H2 e CO2 para a produção de metano. Cerca de 70 % do metano produzido pelas bactérias metanogênicas provém do acetato. As reações bioquímicas desse grupo de bactérias contribuem para a redução da pressão parcial de hidrogênio, viabilizando as etapas anteriores do processo de degradação anaeróbia. A formação de metano como produto final do processo depende da existência de populações com funções distintas , e em proporções tais que permitam a manutenção do fluxo de substratos e energia sob controle. Curso de Tratamento de Esgoto 199 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Tabela 2. Bactérias metanogênicas e seus respectivos substratos. Espécies Methanobacterium formicicum DSM 863 Methanobacterium thermoautrophicum Methanobacterium bryantii M. O. H. Methanobacterium wolfei DSM2970 Methanobacterium uliginosum P2St Methanobacterium alcaliphilum WeN4 Methanobrevbacter ruminantium M1 Methanobrevbacter smithii PS Methanobrevbacter arboriphilicus DH1 Methanothermus fervidus DSM 2088 Methanococcus vannielii DSM 1224 Methanococcus Methanobacterium voltae PS Methanococcus thermolihotrophicus DSM 2095 Methanococcus maripaludis JJ Methanococcus jannaschii JAL-1 Methanococcus halophilus INMIZ - 7982 Methanospirillun hungatei JF1 Methanomicrobium mobile BP Espécies Methanomicrobium paynteri G - 2000 Methanogenium cariaci JR1 Methanogenium marisnigri JR1 Methanogenium thermophilicum CR1 Methanogenium aggregans MSt Methanogenium bourgense MS2 Methanosarcina barkeri MS Methanosarcina mazei S-6 Methanosarcina aceitivorans C2A Methanosarcina thermophila TM-1 Methanoplanus limicola DSM 2279 Methanococcoides methylutens TMA – 10 Methanolobus tindarius Tindari 3 Methanothrix soehngenii Opfikon Methanothrix concilii GP6 Methanosphaera stadmanae MCB-3 Substratos H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 Methanol H2-CO2 H2-CO2 Substrato H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2 H2-CO2, methanol e acetato Methanol e acetato H2-CO2, methanol e acetato Methanol e acetato H2-CO2 Methanol Methanol Acetato Acetato Methanol plus H2 Fonte: Chynoweth, D. P. e Isaacson R.(1987) Curso de Tratamento de Esgoto 200 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Figura 1. O ciclo do carbono O2 CO2 fotossíntese Carbono Processo Aeróbio Processo Respiração O2 CO2 + Carbono H2 + CO2 CH4 + CO2 Ácidos Orgânicos, H3COOH Fonte: Chynoweth, D. P. e Isaacson R.(1987). Figura 2. Reações Metanogênicas. 1. Hidrogênio: 4 H2 + CO2 → CH4 + 2 H2O; 2. Acetato : 4 CH3COOH → CH4 + CO2; 3. Formol : 4 CH3OH → 3 CH4 + CO2 + 2 H2O; 4. Metamos: 4 CH3OH → 3 CH4 + CO2 + 2 H2O; 5. Trimetilanina : 4 (CH3)3N + 6 H2O → 9 CH4 + 3 CO2 + 4 NH3; 6. Dimetilanina : 2 (CH3)2NH+ 2 H2O → 3 CH4 + CO2 + 2 NH3; 7. Monometilanina : 4 (CH3)NH2 + 2 H2O → 3 CH4 + CO2 + 4 NH3. Curso de Tratamento de Esgoto 201 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] FIGURA 3 : Balanço da digestão anaeróbia MATERIAL ORGÂNICO EM SUSPENSÃO PROTEÍNAS, CARBOIDRATOS E LIPÍDIOS 21 5 40 39 HIDRÓLISE 34 AMINO ÁCIDOS , AÇUCARES ÁCIDOS GRAX0S 66 3 ACIDOGÊNESE PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS PROPIANATO, BUTIRATO, ETC 2 1 3 ACETATO ACETOGÊNESE 2 2 8 1 ? 70 11 HIDROGÊNIO 30 METANOGÊNESE METANO fonte: LETTINGA e HAANDEL (1994) Curso de Tratamento de Esgoto 202 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Figura 4 :Estágios do processo de digestão anaeróbia. ESTÁGIO GRUPO DE MICRORGANISMOS SOLUBILIZAÇÃO lipídios proteínas ↓ carboidratos ↓ ↓ ac. graxos amino ácido açucares ACIDOGÊNICOS ↓↓ ACIDOGÊNESE HIDROLÍTICO ac. graxos de cadeia curta + H2 + CO2 ( prop., butírico, acético ) ↓ ACETOGÊNESE ácido acético + H2 ↓ METANOGÊNESE CH4 + CO2 + CO2 ACETOGÊNICOS ↓ CH4 METANOGÊNICOS Fonte: Sam-Soon, P.A.L.N.S.et al., 1987, apud Oliva L. C. H. V.,(1992). 5.2 A Termodinâmica da digestão anaeróbia. O conhecimento da acetogênese foi significativamente ampliado pelo entendimento dos aspectos termodinâmicos envolvidos, tendo resultado na elucidação de alguns mecanismos de auto – controle do processo. O estudo das trocas de energia que ocorrem em reatores anaeróbios é difícil não apenas porque o processo e por si só complexo; mas, também, pela dificuldade de se medirem os produtos finais e intermediários que se apresentam em concentrações muito baixas. Assim, as considerações sobre a termodinâmica do processo se restringem à análise da variação da energia livre padrão das principais reações. Curso de Tratamento de Esgoto 203 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] No quadro 1 apresentam-se algumas relações redox importantes no processo de digestão anaeróbia. Quadro 1: Reações importantes nos processos anaeróbios: Oxidações (doadoras elétrons ) Propionato → acetato Butirato → acetato Etanol → acetato Lactato → acetato Acetato → metano Reduções (recebe elétrons) HCO3→ acetato HCO3→ metano Sulfato → sulfeto Sulfato → sulfeto Nitrato → amônia Nitrato → amônia Nitrato → nitrogênio CH3CH2COO- + 3 H2O → CH3COO- + H+ + HCO3- + H2 CH3CH2CH2COO- + 2 H2O → 2 CH3COO- + H+ + 2 H2 CH3CH2OH + H2O → CH3COO- + H+ + 2 H2 CH3CHOHCOO- + H2O → CH3COO- + HCO-3 + H + 2H2 CH3COO- + H2O → HCO3- + CH4 ∆ G0, kJ + 76,1 + 48,1 + 9,6 - 4,2 - 31 2 HCO3- + 4 H2 + H+ → CH3COO- + 4 H2O HCO3- + 4 H2 + H → CH4 + 3 H2O SO42- + 4 H2 + H+ → HS- + 4 H2O SO42- + CH3COO- + H+ → 2 HCO3- + H2S NO3- + 4 H2 + 2H+ → NH4+ + 3 H2O NO3- + 4 H2 + 2H+ → NH4+ + 3 H2O 2 NO3- + 5 H2 + 2 H+ → N2 + 6 H2O - 104,6 -135,6 -151,9 -59,9 -559,9 -511,4 -1120,5 O quadro 1 mostra claramente que, em sua maioria, as reações bioquímicas acetogênicas são termodinamicamente desfavoráveis ( ∆Go > 0) nas condições padrão. Isto é, caso as espécies químicas indicadas à direita estejam presentes nas concentrações indicadas pela reação, ela se dá no sentido de formar as espécies químicas à esquerda. Como a metanogênese depende da disponibilidade de acetato, é importante que o equilíbrio das reações acetogênicas seja deslocado para a direita, o que é conseguido com a remoção contínua de H2, através das reações recebedoras de elétrons. Os cálculos termodinâmicos, associados a essas reações, estão ilustrados na fig. 5 e indicam que a oxidação de ácido propiônico a acetato ( linha 1 ) torna-se termodinamicamente favorável à pressão parcial de H2 menor que 10-4 atm, enquanto que a oxidação de ácido butírico torna-se favorável a pressão parcial de H2 igual ou menor que 10-3 atm. Similarmente, a oxidação de etanol e lactato ( linhas 3 e 4) é inibida à pressão parcial de H2 próxima a 1 atm ( Harper e Pohland, 1986). Curso de Tratamento de Esgoto 204 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] A avaliação da energia livre das reações possíveis de ocorrer no meio informa não só sobre a viabilidade e condições em que ocorrem, mas, também, indicam quais reações, dentre as que utilizam o mesmo substrato, são mais favoráveis, estabelecendo ordenamento hierárquico entre elas, em função dos valores de ∆G0. Assim, entre duas reações do mesmo substrato, a de menor ∆G0 deverá prevalecer. Embora outros fatores ambientais possam influir no processo como um todo, essa ordem hierárquica tem sido confirmada experimentalmente para a maioria das reações mostradas no quadro 1. Observa-se, por exemplo, que a redução de sulfato a sulfeto ( linha 7) é mais favorável que a metanogênese do bicarbonato. Pode-se constatar, também que, para pressões de H2 acima de 10-4 atm, a respiração metanogênica do bicarbonato é mais favorável que a metanogênese a partir do acetato (linha 9). Verifica-se, ainda que, do ponto de vista termodinâmico, a redução de sulfato a partir do acetato ( linha 10 ) é mais favorável que a metanogênese acetoclástica. Cabe ressaltar, no entanto, que essa preferência, amplamente reportada em ambientes marinhos, não tem sido confirmada em experimentos com reatores de bancada ( Rinzena e Lettinga, 1986; Callado e Foresti, 1992). A redução de sulfato por H2 ( linha 7) é mais favorável que a oxidação do acetato pelas BRS ( linha 10), para pressões de H2 acima de 10-4 atm, com os demais reagentes nas concentrações indicadas. Curso de Tratamento de Esgoto 205 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.3 A digestão anaeróbia A digestão anaeróbia é um processo fermentativo que tem como finalidade a remoção de matéria orgânica, a formação de biogás e a produção de biofertilizantes mais ricos em nutrientes, portanto é uma alternativa atraente para alguns casos de esgoto industrial e esgoto sanitário. Uma das dificuldades encontradas inicialmente era o desconhecimento dos fatores que influenciavam a digestão anaeróbia. A dificuldade atual a ser superada na aplicação da digestão anaeróbia para à estabilização de águas residuárias , é alcançar a alta retenção da biomassa ativa no reator anaeróbio, usando-se meios simples e baratos. Como um método de tratamento de águas residuárias, a digestão anaeróbia oferece um número de vantagens significantes sobre os sistemas de tratamento aeróbios convencionais disponíveis atualmente. - Vantagens: •Baixa produção de lodo biológico, •Dispensa energia para aeração, •Há produção de metano, •Há pequena necessidade de nutrientes, • O lodo pode ser preservado ativo durante meses sem alimentação, • O processo pode trabalhar com altas e baixas taxas orgânicas, - Desvantagens: •Nem sempre atende a legislação; • A partida dos reatores pode ser lenta devido as bactérias metanogênicas; • Falta de tradição em sua aplicação. Curso de Tratamento de Esgoto 206 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.4. Os fatores que influenciam a digestão anaeróbia. Segundo Souza(1983), os principais fatores que prejudicam a digestão anaeróbia são o desequilíbrio entre os microrganismos, o aumento repentino da carga orgânica, o grau de contato entre as bactérias e o esgoto, a mudança de temperatura e a influência de compostos tóxicos pH e ALCALINIDADE: O pH e alcalinidade de bicarbonato são fatores relacionados. Segundo Foresti(1993), o pH ótimo para a digestão anaeróbia é de 6.8 - 7.5, mas o processo ainda continua bem sucedido num limite de 6.0 - 8.0, embora numa taxa mais baixa. O principal fator de tamponamento num digestor é o sistema gás-carbonico/bicarbonato. Uma quantidade adequada de alcalinidade de bicarbonato deveria sempre estar disponível para prevenir uma queda de pH abaixo de 6.0 devido à rápida formação de ácidos voláteis do material orgânico complexo e devido à metanogênese retardada (como por exemplo o resultado de uma queda de temperatura). Os ácidos voláteis não dissociados, que penetram na membrana celular mais facilmente , são a forma tóxica, porque uma vez dentro da célula, diminuirão o pH como um resultado de sua dissociação. Resultados publicados(Letinga,1980), indicam que certos metanogêneses, particularmente aqueles degradantes de ácido acético, podem adaptar-se de um certo modo a valores de pH mais baixos. Deveria ser reconhecido que na digestão de ácidos voláteis neutralizados uma quantia de substâncias de alcalinidade de bicarbonato é sempre produzida, ao passo que na produção de ácidos o inverso é verdadeiro. Por exemplo, em culturas de fermento do metanol, baixos valores de pH podem ser tolerados desde que o metanol seja degradado diretamente e não via formação intermediária de ácidos. Ao examinar o efeito do pH na estabilidade dos processos de tratamento anaeróbio deveria ser enfatizado que as restrições mencionadas acima aplicam-se apenas Curso de Tratamento de Esgoto 207 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] ao pH do líquido misturado no digestor, e não ao pH do afluente. Resultados obtidos com água residuária, mostram que valores de pH baixos no afluente podem ser tolerados.. Obviamente o processo deveria ser estritamente controlado em se tratando de resíduos ácidos, em particular medidas de pH devem ser feitos na parte inferior do reator, perto da entrada alimentadora. Para prevenir riscos de transtornos no pH é benéfico aplicar com freqüência recirculação efluente. Os principais indicadores de distúrbios nos processos anaeróbios são o aumento na concentração de ácidos voláteis, aumento da porcentagem de CO2 no biogás, diminuição do pH, diminuição na produção total de gás e diminuição na eficiência do processo. A importância da alcalinidade é manter o sistema sempre em equilíbrio, para que não varie o pH mesmo com a produção de H+. A alcalinidade total de um sistema é a soma das alcalinidades devida ao bicarbonato (AB) e aos próprios ácidos voláteis (AV): AT = AB + 0,85 x 0,833 x AV onde 0,85 é a porcentagem de ácidos voláteis que são detectados, e 0,833 é o fator de transformação de CH3COOH para CaCO3. O nitrogênio amoniacal, em concentrações elevadas, contribui para a formação de alcalinidade, então ajuda também na estabilização do processo. Para o ajuste do pH é necessário que se adicione cal até se atingir o pH entre 6,8 e 7,0(Souza, M.E.,1980). Segundo Foresti (1993), o pH varia menos quando ocorre mudanças na alcalinidade a altas concentrações de CaCO3, conforme tabela abaixo. Verifica-se que para altas concentrações de CaCO3 ( > que 2000mg/l) o pH ótimo (entre 6,8 e 7,0) só é atingido com uma produção muito grande de CO2, indicando que a metanogênese não esta ideal, e que a concentração de bicarbonato deve variar entre 250 mg/l e 1000 mg/l ( figura 6). Curso de Tratamento de Esgoto 208 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] FIGURA 6: A importância do bicarbonato no efeito do tamponamento. % CO2 50 6 6,2 40 6,4 6,6 30 6,8 7,0 7,2 20 7,4 7,6 7,8 8,0 10 250 500 1000 2500 5000 8,2 10000 8,4 25000 Mg / l de CaCO3 fonte : Foresti, E. (1993) TEMPO DE DETENÇÃO CELULAR: Nos processos anaeróbios a eficiência do contato entre as bactérias e a matéria orgânica esta no material de enchimento e no seu índice de vazios que serve de suporte para as bactérias sem permitir seu acarreamento. Com um grande tempo de detenção celular supostamente a biomassa não está sendo utilizada em sua capacidade máxima: se U = DS/DT , θc = DX/DT , X Curso de Tratamento de Esgoto DX 1 = Y . U - Kd θc e DS/DT = K X S ; Ks + S 209 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. (1) (2) [email protected] (3) (4) então percebe-se que pela equação 3, quanto maior o θc menor será a taxa de utilização do substrato ( U ) e que aumentando o substrato ( S ) a taxa de utilização ( U ) aumenta também (equação 4). Esta hipótese explica porquê as variações nas concentrações afluentes do substrato So provocam flutuações pouco significativas na concentração do efluente. TEMPERATURA: Outro fator preocupante é o da temperatura, as bactérias metanogênicas são bastante sensíveis a variações, especialmente a elevações de temperatura. O processo pode ocorrer nas faixas mesofílica (15°C a 45°C ) ou termofílica (50°C a 65°C). Na verdade as temperaturas ótimas são de 35°C a 37°C para mesofílicas e 57°C a 62°C para as termofílicas. Trabalhar em temperatura ótima parece ser vantajoso quando se tem compostos tóxicos, pois segundo Souza, M. E.(1984) " ensaios realizados em escala piloto, com lodo de esgoto contendo elevadas concentrações de compostos tóxicos, parecem indicar que a digestão anaeróbia resiste mais a cargas de choque de compostos tóxicos, quando a temperatura está mais próxima da temperatura ótima". Temperatura: Três limites de temperatura podem ser distinguidos no tratamento anaeróbio: • termofílica, 50 - 65°C, e às vezes até mais alta, • mesofílica, 20 -40°C, • psicrofílica 0 - 20°C. Será evidente que os limites exatos de temperatura não podem ser fornecidos, e existem informações pouco relevantes para os limites termofílicos e psicrofílicos. De longe obteve-se o mais completo corpo de dados Curso de Tratamento de Esgoto para digestão sob condições 210 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] mesofílicas, mas há algum potencial para processos sob condições psicrofílicas, particularmente para dissolver formas de resíduos. Em vista da baixa taxa de hidrólise em temperaturas abaixo de 15 - 20°C, este potencial não parecia aplicar-se à matéria orgânica complexa (não dissolvida). Digestão termofílica poderia comprovar ser uma opção interessante para uma digestão mais rápida da matéria orgânica complexa, mas ainda assim há pouca experiência prática nesta faixa de temperatura. Os resultados obtidos em novas pesquisas, indicam que o aumento de ácido propiônico representa um fator limitante na iniciação dos processos de digestão termofílica. Além do mais o processo parece estar mais propenso a não dar certo sob condições termofílicas comparada com condições mesofílicas(Souza,1984). Com respeito à dependência da temperatura de culturas mesofílicas, dados existentes indicam que mesmo em temperaturas tão baixas quanto 10 - 15°C ocorre uma considerável atividade metanogênica . Entretanto, em vista da acentuada queda da taxa de organismos mesofílicos em temperaturas acima de 42°C, deveriam ser evitados choques de temperatura acima de 42°C, particularmente se eles durarem mais do que um dia. A despeito das taxas lentas de hidrólise em temperaturas mais baixas, o potencial do tratamento anaeróbio, mesmo para esgotos mais complexos, não deveria ser subestimado porque existe uma certa adaptação de bactérias às condições psicrofílicas que pode ocorrer depois de um tempo.(Lettinga,1980) Deveria ser lembrado que processos de lodos ativados de taxa baixa possuem carregamento orgânico menor que 0.5kg DQO.m -3.dia-1. Resultados (Lettinga,1980) de experimentos UASB em planta piloto com águas residuárias ao natural mostraram que pode-se alcançar remoções de DQO eficazes (60 - 80%) com taxas de carregamento orgânico de até 1.5kg DQO.m -3.dia-1 em temperaturas tão baixas quanto 7 - 10°C. Os sistemas de tratamento anaeróbio podem tolerar flutuações acentuadas na temperatura num raio de 10 - 42°C, desde que essas flutuações não iniciem condições adversas. Ambos os processos de digestão termofílica e psicrofílica combinam um número de vantagens e desvantagens sobre os processos de digestão mesofílica. Curso de Tratamento de Esgoto 211 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.5 A toxicidade nos processos anaeróbios: Segundo Foresti, E. (1993) "durante décadas difundiu-se o conceito errôneo de que os processos anaeróbios seriam extremamente sensíveis a cargas tóxicas que provocariam a 'morte' da biota, e, consequentemente, o colapso dos reatores, na seguinte seqüência de eventos: exposição das metano-bactérias a agentes tóxicos, acúmulo gradativo de ácidos voláteis e abaixamento do pH”. Os compostos tóxicos podem ter diferentes efeitos sobre as bactérias, podem ser bactericida quando as bactérias não se adaptam a determinadas concentrações do tóxico e bacterostático quando se adaptam a determinadas concentrações de tóxico. Veremos na figura 7 o efeito do produto tóxico quando for bacterostático. FIGURA 7: Gráfico produção de metano X tempo, com a aplicação de produto tóxico de efeito bacterostático. PRODUÇÃO DE PRODUTOS TÓXICOS METANO CURVA DE RECUPERAÇÃO PRODUTOS TÓXICOS DIAS FONTE: Foresti (1993). Curso de Tratamento de Esgoto 212 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] A forma da curva de recuperação é similar a fornecida pela equação de oxigênio dissolvido em rios submetidos à poluentes orgânicos. Gt : A e-k1 t + B e k2 t Gt : produção de metano; A e B : constantes empíricas; t : tempo após a adição de tóxico; k1 e k2 : constantes; k1 : taxa de toxicidade; k2 : taxa de recuperação ou adaptação. Além da aclimatação, outra maneira de combater os compostos tóxicos é o antagonismo, onde produtos tóxicos são anulados na presença de outros. Como exemplo o Sódio e Potássio que se anulam, diminuindo o efeito tóxico dos dois. Precipitação através do sulfeto é a maneira de combater os metais pesados. As metanos bactérias apresentam taxas de crescimento baixo e utilizam apenas uma pequena fração da DQO para a síntese celular. Portanto, caso o tóxico seja realmente bactericida, o período de reajuste pode ser demorado. Segundo Foresti,E.(1993), " Recentes estudos em laboratório mostram que o efeito da grande maioria dos tóxicos sobre as metanos-bactérias é bacterostáticos nas concentrações em que ocorrem normalmente". A população anaeróbia tem grande capacidade de adaptação a cargas tóxicas, mas é necessário um tempo de adaptação para que seu funcionamento seja normal.. Em populações não adaptadas, as características tem seguido o mesmo padrão: a- decréscimo da produção de metano b- recuperação do reator que volta rapidamente a exibir o mesmo desempenho da fase anterior à exposição de tóxicos. c- o tempo em que o reator perde capacidade é proporcional à concentração de tóxicos adicionados. Curso de Tratamento de Esgoto 213 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] É importante salientar que populações adaptadas podem ser submetidas a concentrações tóxicas muito maior que as não adaptadas. A seguir algumas concentrações aceitáveis pelas bactérias metanogênicas. Nitratos: Inibição para concentrações > que 50 mg de N / L; Mac Carty - 1964 Cianetos: Inibição a partir de 40 mg / L; Yang - 1980 Fenóis: Inibição a partir de 700 mg / L; Neufeld - 1980 Metais Alcalinos: Concentração mg / L Cátions Estimulante Pouco inibitório Sódio 100 - 200 3500 - 5500 8000 Potássio 200 - 400 2500 - 4500 12000 Cálcio 100 - 200 2500 - 4500 8000 75 - 150 1000 - 1500 3000 Magnésio Muito inibitório Mac Carty - 1964 Metais Pesados : toxicidade apenas para materiais solúveis. Mac Carty - 1964 Nitrogênio Amoniacal: inibição a partir de 5000 mg / L. Velsen - 1979 Oxigênio: inibição a partir de 1300 mg/ L. Fillds - 1971 Curso de Tratamento de Esgoto 214 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.6 Tipos de biodigestores anaeróbios; Os biodigestores convencionais são reatores anaeróbios que normalmente recebem o lodo decantado de decantadores primários e secundários. São sistemas destinados ao tratamento da fase sólida, com as finalidades de eliminação de maus odores e transformação do material em um lodo menos instável e com menor teor de umidade, de destruir ou reduzir a níveis previamente estabelecidos os microorganismos patogênicos, estabilizar total ou parcialmente as substâncias instáveis e a matéria orgânica presente nos lodos frescos, reduzir o volume de lodo através dos fenômenos de liquefação, gaseificação e adensamento e permitir o uso do lodo, quando este estiver estabilizado convenientemente, como fonte de Húmus ou condicionador de solo para fins agrícolas. As fossas sépticas: são unidades de escoamento horizontal e contínua, que realiza a separação de sólidos, decompondo-os anaerobiamente. A fossa séptica não é um simples decantador e digestor, mas é uma unidade que realiza simultaneamente várias funções como: decantação e digestão de sólidos em suspensão que irá formar o lodo que irá se acumular na parte inferior, ocorrerá a flotação e uma retenção de materiais mais leves e flotáveis como: óleos e graxas que formarão uma escuma na parte superior, os microorganismos existentes serão anaeróbios e ocorrerá a digestão do lodo com produção de gases. Os tanques Imhoff tem as finalidades idênticas às unidades de tratamento primário, possuindo no mesmo tanque as principais finalidades daquele tratamento, ou seja, decantação ou digestão de sólidos. funciona como se fossem unidades separadas. Apresenta grandes vantagens em relação as fossas sépticas devido a ausência de partículas de lodo no efluente, a não ser em operações anormais. O efluente líquido apresenta geralmente eficiência variando com as seguinte reduções: sólidos suspensos( 50 - 70%), remoção de DBO( 30 - 50 %). Tem como principais problemas uma grande quantidade de sólidos flutuantes e acumulação de escuma. O reator de contato anaeróbio: tem semelhanças com lodos ativados, só que os microrganismos são anaeróbios, há mistura, aquecimento e tanque de equalização, seu Curso de Tratamento de Esgoto 215 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] tempo de detenção é de 24 horas, com reciclo o tempo de detenção hidráulico é menor que o tempo de retenção celular e tem alta qualidade depuradora. O filtro anaeróbio tem como principais características seu fluxo ser ascendente, não ter mistura, pode haver aquecimento, tempo de detenção hidráulico costuma ser próximo de 24 horas, os microorganismos podem se manter por longos períodos, dificuldade de remoção de sólidos suspensos. O Reator Anaeróbio de Manta de Lodo (UASB) é uma unidade de fluxo ascendente que possibilita o transporte das águas residuárias através de uma região que apresenta elevada concentração de microrganismos anaeróbios. O reator deve ter seu afluente criteriosamente distribuído junto ao fundo, de maneira que ocorra o contato adequado entre os microrganismos e o substrato. O reator oferece condições para que grande quantidade de lodo biológico fique retida no interior do mesmo em decorrência das características hidráulicas do escoamento e também da natureza desse material que apresenta boas características de sedimentação , esta é conseqüente dos fatores físicos e bioquímicos que estimulam a floculação e a granulação. Na parte superior do reator existe um dispositivo destinado à sedimentação de sólidos e à separação das fases sólido - líquido - gasoso. Esse dispositivo é de fundamental importância pois é responsável pelo retorno do lodo e consequentemente pela garantia do alto tempo de detenção celular do processo. 5.7. O UASB: 5. 7. 1 O estado da arte na Europa: O tratamento anaeróbio na Europa, tem se desenvolvido muito. De 1977 a 1983 os digestores anaeróbios aumentaram de 20 para 500 unidades(industriais e agrícolas). Nestes últimos anos a indústria química começa a aceitar a tecnologia anaeróbia, embora cautelosamente. Com a crise de energia de 1974 iniciou-se busca de alternativas de energia. A esse respeito sabia-se que a fermentação da matéria orgânica produz biogás. Nos anos 70 a preocupação com a energia foi acoplada a um segundo conceito, o desenvolvimento do conhecimento de ciências biológicas, com isto, os antigos digestores anaeróbios Curso de Tratamento de Esgoto 216 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. poderiam ser alterados, transformando-se em reatores de alto [email protected] desempenho, com o primeiro objetivo a produção de gás e com segundo de diminuir a poluição causada. A produção de gás permitia que durante o período de altos preços de energia o reembolso investido era de 5 a 10 anos. No momento, os preços dos combustíveis, estão mais baixos, sendo o reembolso de 15 a 20 anos. Existe uma configuração em Bavel, Holanda. Um UASB é operado com esgoto doméstico numa taxa de 10 Kg DQO / m3 d., com uma remoção de DQO de 80 a 90%. Na indústria alimentícia, a digestão anaeróbia tem sido aceita vagarosamente como uma técnica confiável. Já na indústria química, a digestão anaeróbia ganha aceitação apenas recentemente. Atualmente se focaliza o fenômeno da formação de grânulos , a remoção de sulfato e na degradação e detoxificação anaeróbia das substâncias químicas. No presente, está claro que o Reator UASB é o tipo mais predominante para o tratamento anaeróbio de esgoto. Há poucos relatórios publicados declarando que esta tecnologia não é aceita para um esgoto específico. 5. 7. 2 A eficiência do UASB: Como um método de tratamento de águas residuárias, a digestão anaeróbia oferece um número de vantagens significantes sobre os sistemas de tratamento aeróbios convencionais disponíveis atualmente. - Vantagens • Baixa produção de lodo biológico, • Dispensa energia para aeração, • Há produção de metano, • Há pequena necessidade de nutrientes, • O lodo pode ser preservado ativo durante meses sem alimentação, • O processo pode trabalhar com altas e baixas taxas orgânicas, Curso de Tratamento de Esgoto 217 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] - Desvantagens • A digestão anaeróbia pode ser sensível na presença de compostos CHCL3, CCL4 e CN • O período de partida para reatores pode ser relativamente demorado devido a baixa taxa de crescimento celular das bactérias metanogênicas, • Falta de tradição em sua aplicação; • Não promove a nitrificação. A maior dificuldade a ser superada na aplicação da digestão anaeróbia para à estabilização de águas residuárias , é alcançar a alta retenção da biomassa ativa no reator anaeróbio, usando-se meios simples e baratos. Este problema tem sido amplamente solucionado com o desenvolvimento do reator anaeróbio de manta de lodo(UASB) . As idéias básicas sustentando o conceito UASB são: • o lodo anaeróbio possui características de sedimentabilidade excelentes, uma vez que condições favoráveis para o crescimento de bactérias e floculação do lodo são mantidas, • A manta de lodo deve resistir às altas forças da mistura, isto é não deve haver dispersão das partículas da manta de lodo em grande quantidade, • o desgaste das partículas desprendidas da manta de lodo pode ser minimizado criando-se uma zona inativa dentro do reator, e instalando um dispositivo na parte superior do reator que force a sedimentação das mesmas, Para a operação satisfatória do dispositivo , deve ser efetuada uma separação eficaz dos gases aprisionados e retidos do lodo, e o sistema deve promover o retorno do lodo assentado de volta ao compartimento do digestor. Para atingir uma separação eficaz, a área da superfície da interface (superfície comum entre dois corpos) dos gás líquido no coletor de gás deveria ser dimensionada para que as bolhas de gás retidas nos flocos de lodo possam escapar facilmente. Curso de Tratamento de Esgoto 218 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] O potencial dos processos anaeróbios para tratamento de esgotos sanitários é certamente maior do que é geralmente aceito hoje em dia. Também, o processo é aplicável mesmo em temperaturas consideravelmente abaixo de 35o, sendo muito favorável para climas tropicais. Como mencionado , um dos principais problemas no processo UASB pode ser o longo período de tempo envolvido na partida: • o processo deveria ser iniciado com uma carga de lodo de aproximadamente 0.05 kg DQO.kg SSV-1.dia-1, • o carregamento orgânico aplicado no reator não deveria variar repentinamente, • as condições de meio ambiente para o crescimento deveriam ser ótimas, Na maioria dos tipos de esgoto, um lodo com uma boa assentabilidade e atividade específica razoavelmente alta (0.75 kg DQO.kg SSV-1.dia-1) se desenvolverá dentro de um período de 6 a 12 semanas, e então cargas de até 10 kg. DQO.m -3.dia-1 podem então ser aplicadas(Lettinga, 1980). Um ótimo início é essencial para desenvolver um lodo com as características requeridas, especialmente no que diz respeito às suas propriedades de sedimentação. Uma das principais características do processo UASB é que, com tempo, um lodo granular se desenvolverá tendo uma boa sedimentação. Estudos extensivos (Lettinga,1980) são realizados em laboratórios para elucidar o mecanismo da formação de grânulos. Pelo menos dois tipos de grânulos podem ser cultivados: • um grânulo composto de bactérias com forma de bastão • um grânulo composto de bactérias fibrosas, Ambos os tipos de grânulos tem uma atividade específica alta, excedendo 1.5 kg DQO.kg SSV-1.dia-1) até 30°C, e uma alta assentabilidade. Fatores importantes no processo de granulação são: Curso de Tratamento de Esgoto 219 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] • a condição para crescimento, especialmente para aqueles organismos que granulam facilmente, • condições de floculação para o lodo devem ser favoráveis: O UASB é um processo bom para selecionar os organismos adequados para granulação do lodo semeado, permitindo que os materiais mais pesados e mais ásperos acumulem dentro do sistema, e os organismos fibrosos purificados. Uma vez que o processo de granulação ocorre, cada vez menos problemas serão encontrados na retenção da biomassa desde que gradativamente tornem-se mais pesados e maiores em tamanho. Também, a medida que os grânulos preliminares acumulam-se nas regiões mais baixas do reator, perto da entrada de alimentação, o crescimento das bactérias presentes nos grânulos é favorecido em relação ao das bactérias dispersas na parte superior do reator, devido à falta de substrato em cima(Lettinga,1980). 5.7.3 Fatores ambientais importantes no tratamento de águas residuárias pelo UASB. Requisitos necessários para nutrimento: Um desempenho ótimo dos processos de tratamento biológicos requer a presença e disponibilidade de todos nutrientes essenciais para o crescimento bacteriano (N,P,S, traços) em quantias apropriadas. Toxicidade: Obviamente, um conhecimento adequado no que diz respeito a concentrações tóxicas deveria ser utilizado para a maioria dos componentes relevantes. Entretanto, ao estudar toxicidade generalizações radicais têm sido feitas com freqüência na literatura de quantia limitada de dados experimentais. Isto é particularmente verdadeiro para o efeito da salinidade. Em experiências com resíduos descobriu-se que concentrações de NaC1 significantemente altas podiam ser mais toleradas do que preditas com base nos dados da literatura para culturas de enriquecimento de acetato. Os resultados obtidos mostram que um processo de digestão estável e altamente ativo poderia ser mantido a 10g Na+ /1 e ainda mais alto, ao passo que afirma-se que Na+ seja tóxico numa concentração de 8g/1 . O problema é o tempo que deveria ser permitido para capacitar os organismos a se adaptarem ao novo ambiente. Na interpretação dos dados de algumas literaturas este fato não é considerado. Curso de Tratamento de Esgoto 220 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Evidência clara da importância da adaptação tem sido obtida particularmente para o efeito NH4+, para o qual um valor tóxico para culturas não adaptadas de 3g/1 ter sido registrado. Em experiências de digestão com resíduos de suínos descobriu-se que a digestão estável é possível numa concentração excedente à 3g NH4+ -N/1 . A adaptação também ocorre para outros compostos (Lettinga,1980). Organismos metanogênicos não se aclimatam significantemente aos compostos como CHC14, CHC13, CH2C12 etc., que são extremamente tóxicos mesmo em concentrações baixas . Medidas a serem tomadas em tratamentos como esgoto contendo componentes clorinatados transitórios poderiam ser a de estabilizar o esgoto antes da digestão anaeróbia(Souza,1984). Um outro componente tóxico que causa problemas é o formol. Embora menos tóxico do que CN e CHC13 etc., o formol pode ocorrer em alguns esgotos em concentrações altas o suficiente para causar um sério transtorno ao sistema anaeróbio. O formol mata os organismos, e uma vez que a concentração for tal, que a taxa de morte das bactérias exceda o crescimento delas, o processo passa por um transtorno irreversível, que é difícil de retificar uma vez que os organismos anaeróbios parecem ser incapazes de adaptar-se a este componente. A mesma coisa é verdadeira para o sulfito, embora neste caso a adaptação da metanogênese seja possível. Além do mais, organismos específicos (redutores de sulfato) podem reduzir SO3 2-, tornando os sistemas de tratamento anaeróbio resistentes para concentrações altas de SO3 2-. Obviamente a redução de SO3 2- e outras contendo componentes S resulta na formação de H2S, um composto que é apenas moderadamente tóxico apesar de ser particularmente incômodo devido ao seu acentuado odor(Souza,1984). Curso de Tratamento de Esgoto 221 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.7.4 A Importância dos parâmetros envolvidos no processo. À parte os vários fatores ambientais, a digestão anaeróbia é também afetada por um número de outros fatores tais como os carregamentos orgânicos e hidráulicos aplicados, intensidade das mistura mecânica, e as características de alimentação. • Cargas Orgânicas e Hidráulicas Duas situações extremas podem ser consideradas: subcarregamento e supercarregamento. Supercarregamento em sistemas de tratamento, principalmente de esgoto dissolvido, resultará numa queda de eficiência dos mesmos, provavelmente devido à inibição temporária da metanogêneses pelos ácidos voláteis acumulados. No tratamento de esgoto não dissolvido supercarregado também resultará numa acumulação de alimentação de sólidos suspensos, e consequentemente numa acentuada queda na capacidade de metanogênese no lodo, uma fraca decomposição dos componentes e um fraco grau de estabilização dos sólidos. O efeito do subcarregamento é muito menos drástico, desde que a temperatura do digestor não seja mantida a uma temperatura acima de 25°C por um extenso período (meses, por exemplo). Segundo Lettinga(1980), descobriu-se que o lodo anaeróbio pode ser preservado sem alimentação por vários meses e mesmo anos sem qualquer perda dramática na atividade metanogênica específica, isto se a temperatura for mantida abaixo de 15°C. As cargas orgânicas e hidráulicas são fatores inter-relacionados à concentração do esgoto a ser tratado. A carga hidráulica se tornará apenas num fator limitante no tratamento de esgoto de baixa concentração, ao passo que para o esgoto de concentração média e alta a carga orgânica é sempre fator limitante. O principal efeito das cargas hidráulicas muito altas é a queda na eficiência do tratamento devido os contatos curtos demais . Além do mais o desgaste da massa bacteriana viável pode ultrapassar o crescimento desta, levando o digestor ao colapso. Curso de Tratamento de Esgoto 222 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] • Mistura Mistura mecânica pode às vezes ser requisitada para prevenir a montagem de uma camada de espuma, e também para prevenir curto-circuito (canalização) na manta de lodo de uma reator UASB, ou seja efetuar o contato desejado entre o lodo e a água de esgoto ao ser tratada. A agitação pode ser efetuada pelo recirculação do gás, recirculação de lodo ou pela mistura mecânica. No entanto, como foi mencionado anteriormente, uma das principais idéias sustentando o conceito do UASB é evitar qualquer mistura mecânica no digestor, ou conserva-lo no mínimo para manter uma assentabilidade satisfatória do lodo. Além do mais a agitação mecânica afeta adversamente a partida da digestão. • Características da alimentação. Uma importante consideração ao aplicar a digestão anaeróbia ao tratamento de águas e esgoto é se os poluentes orgânicos estão ou não presentes numa forma dissolvida . Como mencionado anteriormente, um acúmulo significante de alimento na manta de lodo pode ocorrer num tratamento de esgoto contendo uma apreciável fração de material insolúvel, e este acúmulo depende da assentabilidade e características de floculação deste material, a carga aplicada, é importante na biodegradabilidade da matéria orgânica. 5.7.5. Operação do reator Para uma operação prática é essencial que o processo de tratamento de águas residuárias aplicado seja um processo estável, mesmo sob condições sub-ótimas. Geralmente os processos de tratamento anaeróbio encontram essa condição, embora devesse sempre ser lembrado que organismos anaeróbios podem ser bastante sensíveis a uma variedade de fatores, e que o tratamento anaeróbio é essencialmente um método de tratamento secundário. Obviamente os problemas mais sérios são encontrados nos Curso de Tratamento de Esgoto 223 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] tratamentos de esgotos contendo componentes tóxicos. Todos os métodos deveriam ser aplicados para prevenir que problemas ocorram, por exemplo despejo dos componentes tóxicos voláteis; aplicação de uma fase separadora de gênese ácida para converter o componente nocivo em um componente menos nocivo, e, adições químicas que neutralizassem os compostos existentes. Segundo Lettinga(1980), no caso onde altas concentrações de formol estão presentes, o esgoto pode ser tratado com Ca(OH)2 ou NaOH em temperaturas elevadas (90 - 100°) para converter o formol em uma mistura de açúcares (com Ca(OH)2) ou em ácido fórmico e metanol (como NaOH). Como este esgoto é descarregado em altas temperaturas, tal método de pré-tratamento poderia ser viável. Entretanto, se a temperatura do esgoto for relativamente baixa alguma outra solução deve ser encontrada. Em vista da sensibilidade dos organismos anaeróbios, é evidente que os processos de tratamento deveriam ser devidamente controlados, como por exemplo: •.medida dos valores DQO do afluente, •.medida da produção de gases. Pode ser benéfico controlar a carga volumétrica (isto é a taxa de fluxo do afluente) baseando-se na taxa da produção de gás, •.medida da composição de gases, que pode ser copulada com o fornecimento de álcali, •.medida da concentração de ácidos voláteis na solução efluente, •.medida da concentração de sólidos suspensos no efluente, •.medida da altura da manta de lodo, •.pH do afluente, e em particular, o pH na parte inferior do reator. A medida do pH deveria ser acoplada com o fornecimento de álcali para o afluente. Curso de Tratamento de Esgoto 224 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.8 O filtro anaeróbio. Baseando-se em trabalhos de Coulter et al (1995), o filtro anaeróbio foi reintroduzido por Young e McCarty (1969). Até agora o sistema é utilizado principalmente para tratamento de águas residuárias industriais. O filtro anaeróbio foi o primeiro tratamento anaeróbio que demonstrou viabilidade técnica de se aplicar cargas elevadas. No filtro anaeróbio o lodo é imobilizado pela sua agregação a corpos de enchimento que se encontram no mesmo. A água residuária escoa pelos vazios entre os corpos. Sendo que quanto maior os vazios no reator melhor será o tratamento. É importante que os vazios não sejam muito pequenos para que não ocorra o entupimento dos mesmos. Esta dimensão depende da natureza da água residuária (concentração de sólidos em suspensão) Filtros biológicos em boas condições de funcionamento podem apresentar eficiência elevada de remoção de DQO e não exigem unidade de decantação complementar, pois nesses casos o teor de sólidos no efluente é bastante baixo e os resíduos arrastados pela água apresentam aspecto semelhante ao de pequenas partículas de carvão suspensas em líquido bastante clarificado. É muito importante que o efluente a tratar tenha teores de sólidos suspensos e de óleos e graxas relativamente baixos. O uso do filtro anaeróbio conforme o nível de conhecimento que se dispõe atualmente, é uma excelente solução para pequenas comunidades. O filtro anaeróbio é um processo de tratamento de esgotos, na qual bactérias anaeróbias fazem a digestão da matéria orgânica existente. Suas principais características são que o fluxo é ascendente, sendo a entrada por baixo e a saída pela parte alta, internamente é dividido em duas camadas, sendo as duas afogadas. A camada inferior é vazia, e a superior suporta o recheio, a separação destas duas camadas é chamada de fundo falso. Os recheios tem a função de meio de suporte de microrganismos, dando sustentação para estes crescerem e se aglutinarem sem que se desloquem para fora do reator. Os tipos de recheios mais usuais são as britas 4 e os anéis Curso de Tratamento de Esgoto 225 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] plásticos, sendo o segundo mais eficiente e mais caro. Estuda-se o uso de bambu, que é um material mais leve que o anel, mais barato e de boa eficiência. O fundo falso deve ter furos igualmente distribuídos para que não ocorra zonas de maior concentração ou até mesmo o curto circuito (figura 8). Figura 8: Detalhe do Fundo Falso de um Filtro Anaeróbio. 0,03 0,15 metros metros cada Fonte: NBR 7229 / 1982 De acordo com a NBR 7229 / 1982 a altura da primeira camada deve ser da ordem de 0,20 até 0,50 metros, a camada de recheio deve ter altura de 0,60 até 1,20 metros, acima destas medidas a remoção praticamente não aumenta. Pela pequena altura, as unidades podem ser executadas facilmente, as paredes podem ser totalmente em alvenaria ( paredes de um tijolo), com armadura bastante reduzida. Neste caso deve-se fazer impermeabilização interna e externa. A limpeza das unidades pode ser efetuada facilmente através de descarga de fundo e da eventual remoção manual de algas da superfície do leito e do dispositivo de coleta de efluentes. Curso de Tratamento de Esgoto 226 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] FIGURA 9 : Esquema do Fluxo de um Filtro Anaeróbio. SAÍDA CAMADA COM RECHEIO 0,60 ATÉ 1,20 0,20 ATÉ 0,50 ENTRADA D Fonte: NBR 7229 / 1982 Para o dimensionamento da área de um filtro anaeróbio (figura 9) o principal parâmetro é o θh (tempo de detenção hidráulico), que deve ser maior que 8 horas, sendo indicado pela NBR 7229 / 1982 o valor de 1 dia. Os parâmetros de projeto devem ser adotados de acordo com as exigências ambientais. Curso de Tratamento de Esgoto 227 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Exemplo de dimensionamento de um Filtro Anaeróbio: Adota-se: θh = 8 horas; H1 = 1 metros; H2 = 0,3 metros; θh = volume de vazios (V) / vazão (Q); V = p x Vtotal, sendo p = 0,75 para o bambu; p = 0,90 para anéis plástico; p = 0,50 para brita 4; V = 0,90 x H1 x π x D^2 / 4 → V = 0,90 x 1 x π x D^2 / 4 ; θh = 0,90 x π x D^2 / 4 x 1,245 m^3/dia → 1/3 dias = 0,90 x π x D^2 / 4 x 1,245; 1 x 1,245 x 4 / 0,90 x 3 x π = D^2 ; D = 0,766 metros As vantagens do filtro anaeróbio podem ser: • Ausência de gastos com aeração; • Aplicação para resíduos com qualquer concentração; • Flexibilidade operacional; • Baixa produção de lodo ( já estabilizado ); • Possibilidade de ficar longo tempo sem alimentação; • Fácil construção pela pequena altura necessária. Curso de Tratamento de Esgoto 228 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] Indústrias indicadas para o uso do Filtro Anaeróbio: • Usinas de açúcar e álcool; • Águas de lavagem de garrafa; • Matadouros e frigoríficos; • Laticínios; • Cítricos; • Curtumes; • Indústria alimentícia; • Indústria farmacêutica; • Indústria química; • Coqueria; • Indústria petroquímica; • Cervejarias; • Indústria têxtil; 5.8.1 O fluxo: POLPRASERT e HOANG (1983) publicaram que o FA pode ser considerado um reator de filme fixo. Esta afirmação baseia-se no fato de que a remoção de substrato está associada primeiramente ao crescimento de biofilmes presos à superfície do meio e em seus espaços vazios. VAN DER BERG e LENTZ (1985) compararam 2 tipos de Filtros Anaeróbios: de fluxo ascendente e de fluxo descendente. Trabalhando com um TDC estimado entre 8 e 15 dias atingiram remoções de até 93 %. As principais diferenças associadas à mudança de fluxo foram a capacidade de funcionar como reator de filme fixo no sistema de fluxo descendente e como leito fluidizado ou expandido na metade inferior do reator no sistema de fluxo ascendente. Curso de Tratamento de Esgoto 229 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] KENNEDY e DROSTE (1986) num estudo da aplicação do Filtro Anaeróbio no tratamento de esgotos ricos em carboidratos concluíram que não havia gradiente significativo de remoção dos parâmetros DQO e ácidos voláteis considerando a altura do reator. A alta concentração da biomassa faz com que o Filtro anaeróbio opere mais como um reator CFSTR de crescimento suspenso que um reator de filme fixo, assemelhando-se a um reator de manta de lodo, contrapondo-se ao modelo de fluxo a pistão ( plug-flow ) proposto por YOUNG E McCARTY ( 1969)”. SHAFIE e BLOODGOOD (1973) estudaram o comportamento de um sistema onde seis filtros anaeróbios eram colocados em série. O objetivo era atingir condições ótimas para as diversas comunidades de microrganismos envolvidos no processo. Este foi um dos primeiros trabalhos no qual se pensou na separação da digestão anaeróbia em fases. Foram localizados ácidos voláteis em todos os reatores, embora houvesse uma acentuado diminuição na sua concentração em relação do primeiro com o sexto. 5.8.2 Os recheios utilizados: YONG e McCARTY (1969) publicaram um trabalho pioneiro sobre o processo de tratamento denominado de Filtro Anaeróbio, onde o crescimento da biomassa ficava retido a um meio constituído de britas onde o fluxo de esgoto era obrigado a passar. Os propulsores do processo ressaltaram ainda, a capacidade do FA em aceitar altas cargas orgânicas instantâneas, sem alterar a qualidade do efluente. O estudo de recheio de bambu para filtros anaeróbios é muito atual, apesar de ser uma excelente solução para o problema de tratamento de esgoto, existem poucas publicações sobre o assunto. Um dos trabalhos publicados neste assunto foram os dos pesquisadores Tritt, Zadrazil, Menge - Hartmann and Schwarz. Segundo Tritt et.al. (1993), quando usa-se material sintético para a fixação de matéria orgânica os resultados são positivos em termos de purificação, mas esbarra no problema dos altos custos. Por este motivo o uso de material sintético pode se tornar inviável em países do terceiro mundo, pois além do custo de aquisição, necessita-se do transporte, já que nos países do terceiro mundo dificilmente eles são fabricados. Curso de Tratamento de Esgoto 230 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] O bambu pode ser um material alternativo, porquê sua distribuição é vasta e o seu preço sem transporte é na média 13 vezes menor do que o material sintético. O trabalho realizado por Tritt et.al (1993), mostra com sucesso o uso do bambu como material suporte de filtros anaeróbios, principalmente pela quantidade de índices de vazios e na retenção da biomassa. O estudo mostrou que antes de transportar os troncos são tratados com pesticidas (Bromomethane). Neles são especificados data, dimensões, espécie e demais dados para a sua caracterização. Os troncos de bambu são serrados com espessura de 2,5-cm aproximadamente e colocados dentro do reator. Os reatores foram carregados com esgoto doméstico, o pH foi mantido entre 7,4 e 7,9 , o fluxo era ascendente com uma carga de 1 a 4 Kg / m3. d. e a temperatura do substrato constante em 37 ° C . A duração do experimento foi de 2 anos, e verificou-se que tanto as espessuras das paredes dos anéis de bambu como o comprimento são sujeitos a mudanças. Comparado com os valores do início do experimento, os resultados de compressão até o final do experimento foram abaixo de 21 %. Durante os primeiros 6 meses 11 % da massa seca foi perdida, mas o resto do experimento mostrou que a perda foi de 15 % no total de 2 anos de experimento, ou seja o material se estabiliza, sendo viável o seu uso durando muito tempo. O outro trabalho publicado foi a tese de mestrado do eng.° civil Luiz Carlos Costa Couto, que comparou a eficiência da remoção de matéria orgânica em três reatores idênticos com diferentes tipos de recheio: bambu, anel plástico e brita 4, sendo que o bambu teve um rendimento tão bom quanto os outros recheios, verificou-se que a remoção variou entre 60% e 80 %. Vale observar que o experimento foi feito apenas durante 30 semanas, necessitando-se de um maior tempo para se analisar uma ligação entre o envelhecimento do material com a respectiva eficiência na remoção. O estudo mostrou que para um tempo de detenção menor que 8 horas existe uma lavagem do reator, diminuindo muito o seu rendimento, já quando se aumentou para 12 e para 24 horas o rendimento do filtro não aumentou, mostrando-se de 8 horas até 12 horas o tempo de detenção hidráulico ideal. Curso de Tratamento de Esgoto 231 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.8.3 A microbiologia: KURODA et al. ( 1988) com a utilização de três substratos diferentes: ácido acético , mistura ácida de glucose e peptona, em reatores tipo Filtro Anaeróbio com um tempo de detenção hidráulico de 20 (vinte) dias, estudaram o processo de formação de biomassa e o dividiram em três fases: indução, onde as bactérias aderem ao meio suporte, tem um período aproximado de 14 a 20 dias; acumulação, é caracterizado pela fase de crescimento logaritmo do biofilme, que termina quando se atinge a espessura crítica ocorrendo a descamação da biomassa; balanço dinâmico, quando a velocidade de desprendimento é igual a velocidade de formação no biofilme. A quantidade de biofilme varia conforme as características do suporte. 5.8.4 A eficiência: Daltro, J. F. & Povinelli, J.(1989) verificou que ao operar um filtro com 1,86 metros de altura e outro com 0,67 metros, a eficiência praticamente não mudou, concluindo-se que a altura do filtro não é limitante, sendo importante preocupar-se mais com outros fatores. Suas recomendações foram para que se estudasse a hidráulica, o material de enchimento e os inóculos para a partida. 5.9 Comentários conclusivos: Detalhes de projeto, dados operacionais e dimensionamento serão vistos com maiores detalhes na apostila 9. Todos os dados desta apostila foram tirados de anotações e material da disciplina ministrada pelo professor Eugênio Foresti, portanto não necessitam de revisão bibliográfica. Curso de Tratamento de Esgoto 232 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.10. Questionário: 1. Quais os principais indicadores de distúrbios nos processos anaeróbios e quais suas principais causas? 2. Descreva a seqüência de eventos no desbalanceamento de reatores causados por sobrecarga orgânica. É possível recuperar o reator sem a necessidade de nova partida? Em que estágio? Porque? 3. Quais as vantagens dos sistema anaeróbios em comparação com os aeróbios? 4. Qual é a relação entre sulfetos e metais pesados em processos anaeróbios? 5. Qual é os principais parâmetros operacionais? 6. Descreva o funcionamento de um reator UASB? 7. Descreva o funcionamento de um Filtro Anaeróbio? 8. As bactéria acetogênicas produtoras de hidrogênio tem seu metabolismo regulado pela pressão parcial de H2. Justifique a afirmativa utilizando conceitos de termodinâmica química e transferência de hidrogênio inter – espécies. 9. Em qual situação a redução de sulfato pode favorecer a metanogênese? Por quê? 10. Em artigo recente sobre o controle de processos anaeróbios, os autores propões o monitoramento do pH como estratégico para ações corretivas. Comente sobre essa proposta. 11. Justifique a necessidade de pós-tratamento de efluentes de reatores anaeróbios em comente sobre a utilização de processos biológicos nesta etapa? 12. Comente sobre a influência do Tempo de detenção celular na estabilidade de reatores anaeróbios submetidos a cargas de choque? 13. O requerimento de nutrientes nos processos anaeróbios é menor que nos aeróbios. Comente esta afirmação. 14. Descreva um grânulo anaeróbio. Curso de Tratamento de Esgoto 233 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 5.11. Bibliografias consultadas: 01. NB-570/ABNT (1990). Projeto de estações de tratamento de esgoto sanitário. Associação Brasileira de Normas Técnicas. 02. CAMPOS, J.R. (1990). Alternativas para Tratamento de Esgotos Sanitários. Consórcio Intermunicipal das bacias dos rios Piracicaba e Capivari. 03 03. NB-7229/ABNT (1993). Projeto, construções e operação de sistemas de tanques sépticos. Associação Brasileira de Normas Técnicas 04. FORESTI, E. (1998) – “Notas da aula de Processos e Operações em Tratamento de Resíduos SHS-705”, Pós Graduação em Hidráulica e Saneamento na Escola de Engenharia de São Carlos. 05. IMHOFF, K. R. (1986) – Manual de Tratamento de Águas Residuárias. São Paulo. 06. METCALF & EDDY (1979) – “Wastewater engineering – treatment, disposal, reuse”2nd ed. New York. McGraw-Hill, p. 920. 07. NUNES, J.A. (1996) - Tratamento Físico Químico de Águas Residuárias Industriais. 2ª edição Editora J. Andrade. 08. TSUTIYA, M. J. & SOBRINHO, P. A. (1999) – Coleta e transporte de esgoto sanitário. 1ª Edição: Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. 09. SPERLING, M. V. (1996) – Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 1ª edição: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental; Universidade Federal de Minas Gerais. Curso de Tratamento de Esgoto 234 EEA – Empresa de Engenharia Ambiental Ltda. [email protected] 9. MARÇAL, E. J (1997) – Estudo de Autodepuração de esgotos sanitários: Relatório realizado na SANASA – Campinas como parte do trabalho de despoluição de córregos urbanos. 11. NB-569/ABNT (1989) – Projeto de estações elevatórias de esgoto sanitário: Associação Brasileira de Normas Técnicas. 12. FORTES, J., CUNHA, C. (1994). Influência das águas continentais sobre as regiões costeiras: Enfoque da legislação atual. Qualidade de águas continentais no Mercosul. ABRH publicação n º 2, dez. 1994. 420p. 13. REALI M. A. (1991). - Concepção e Avaliação de um Sistema Compacto para Tratamento de Águas de Abastecimento Utilizando Processo de Flotação por Ar Dissolvido e Filtração com Taxa. Declinante. Tese de Doutorado EESC-USP 1991. 14. CAMPOS, J. R. (1998) – “Notas da aula de Tratamento de Águas Residuárias”, Pós Graduação em Hidráulica e Saneamento na Escola de Engenharia de São Carlos. Curso de Tratamento de Esgoto 235