O GLOBO 36 ● ● RIO ● AZUL MAGENTA AMARELO PRETO PÁGINA 36 - Edição: 20/03/2011 - Impresso: 19/03/2011 — 21: 21 h RIO 2ª edição • Domingo, 20 de março de 2011 O GLOBO . Folia de rua recebe a merecida premiação Prêmio O GLOBO de Blocos consagra o Escravos da Mauá; ‘Cone humano’ é escolhido como a melhor fantasia Fotos de André Teixeira Ludmilla de Lima integrantes do Depois de um grande festival de música, cores e alegria nas ruas do Rio, chegou a hora da — merecida — festa para quem comandou tudo isso. Pela primeira vez, os blocos cariocas são homenageados num evento promovido especialmente para eles: o Prêmio O GLOBO de Blocos, que, na noite de sexta-feira, levou ao palco do Teatro Odisseia, na Lapa, grupos que fizeram bonito neste carnaval. O troféu mais importante foi entregue ao Escravos da Mauá, que conseguiu emocionar com seu desfile no Largo da Prainha. Puxado por uma trupe de pernas de pau, com fantasias inspiradas em antigos carnavais da Zona Portuária, o bloco colocou foliões para sambar e cantar como a vida é boa na Gamboa. A emoção foi repetida na hora de receber o prêmio principal, quando um grupo encheu o palco e puxou o samba. Ricardo Sarmento, coordenador do Escravos, agradeceu a todos que colaboraram com a magia do desfile, incluindo a Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, que ensaiou os 35 pernas de pau. Eliane Costa, uma das organizadoras do bloco, discursou: — Só quero saudar a ocupação do espaço público pelo bom humor, pela alegria. Para Ricardo Sarmento, a diversidade do carnaval do Rio estava representada na festa, que promoveu um encontro raro entre integrantes de dezenas de blocos de toda a cidade: — A festa está linda, porque o prêmio capturou toda a pluralidade que faz o carnaval de rua do Rio ser diferente. ● Que Merda É Essa?! ganha prêmio pela irreverência Os troféus foram entregues pelo editor de Rio do GLOBO, Paulo Motta, e pelo coordenador de Carnaval de Rua da Riotur, Alex Martins. O jornalista Fábio Azevedo foi o mestre de cerimônia da festa, animada pela Orquestra Revelia e por chuvas de confetes e serpentinas. O primeiro homenageado da noite foi o Que Merda É Essa?!, que levou o Prêmio Especial de Defesa da Liberdade de Expressão. Ao satirizar a tentativa de censura a um livro de Monteiro Lobato, acusado de racismo, e trazer na camiseta o escritor abraçado a uma mulata de biquíni, o bloco causou o maior bafafá deste carnaval. Floriano Marques Torres, “ministro” da agremiação, adiantou que já procura um tema polêmico para o ano que vem. — O prêmio é importante porque incentiva os blocos a se organizarem, a serem ainda mais coloridos — disse. O Monobloco festejou a premiação no quesito organização, pela preocupação e pelo cuidado com os foliões. — O Monobloco hoje em dia é uma grande família, que reúne desde os batuqueiros aos seguranças — destacou Mário Moura, um dos fundadores. Já o Céu na Terra, de Santa Teresa, ganhou o prêmio de bloco mais colorido. — É um prêmio para os foliões que acordam às 4h para CAMPEÃO: Escravos da Mauá comemoram o prêmio principal, no Teatro Odisseia Quem foram os jurados Os homenageados pelo Prêmio O GLOBO de Blocos foram escolhidos por um time de especialistas em pular carnaval, pelos repórteres que cobriram toda a festa nas ruas e por leitores que votaram no site do jornal. O bloco Sargento Pimenta foi o preferido dos internautas, mas o restante dos jurados elegeu o Escravos da Mauá como o melhor do ano. O júri de especialistas é formado por: João Pimentel, autor de “Blocos — Uma História Informal do Carnaval de Rua”; o economista Guilherme Studart, autor do “Rio Botequim”, e Alex Martins, coordenador de blocos da Riotur. Participaram da cobertura do carnaval de rua e do júri de repórteres: Bruna Talarico, Cláudio de Souza, Felipe Frazão, Liana Carvalho, Ludmilla de Lima, Patrícia de Paula, Renata Leite e Vinícius Lisboa. Este ano, quase cinco milhões de pessoas acompanharam 424 blocos no Rio. O prêmio foi criado para reverenciar o espírito alegre, espontâneo e liber tário do maior carnaval popular do mundo, e também os responsáveis pela festa. ● O IMPRENSA Que Eu Gamo: melhor canção original PASSISTAS do Cordão da Bola Preta, que ganhou o prêmio na categoria destaque NO PALCO, a alegria de integrantes do Céu na Terra, que conquistou o título de bloco mais colorido colocar sua saia de tule, purpurina, tomar cafezinho e cair na folia — disse Rita Gama, integrante da orquestra do grupo. Com um figurino de cone de trânsito, Henrique Baur Vieira brincou todo o carnaval e foi o vencedor do Concurso de Fantasia do site do GLOBO. Ele obteve 15,49% de um total de 1.414 votos dos internautas. — Estou aqui todo sujo e rasgado do carnaval — brincou. Ao receberem o troféu de canção original, os compositores Anderson Feife, Tedinho Marino, Ricardo Mello, Djalma Junior, Marcos Gerard e Dog do Le- O “CONE HUMANO”, a melhor fantasia me fizeram todo mundo cantar novamente o samba “Fiat Lux”, do Imprensa Que Eu Gamo. — O prêmio é para toda a galera que faz samba, se dedica — disse Djalma Junior. Maestro do Cordão do Boitatá, Thiago Queiroz foi receber o prêmio do bloco, que ga- nhou na categoria música, com um discurso pedindo mais investimentos da prefeitura para o carnaval de rua: — A música é nossa rainha, nossa musa inspiradora. Prestes a completar 93 anos, o Cordão da Bola Preta, que atraiu um público de dois mi- lhões neste carnaval, ganhou o prêmio de destaque. O presidente do grupo, Pedro Ernesto, festejou no palco com o folião Ricardo Marinho, segundo colocado do Concurso de Fantasia. — É um prêmio que atesta o novo tempo que o Bola Preta está vivendo — disse Pedro. ■