UNIVERSIDADE PAULISTA
FRANCISCA RODRIGUES
KELI GOIS
SANTO AMARO
O município que virou bairro
SÃO PAULO
2012
FRANCISCA RODRIGUES
KELI GOIS
SANTO AMARO
O município que virou bairro
Trabalho de conclusão de curso para
obtenção do título de graduação em
jornalismo apresentado à Universidade
Paulista – UNIP
Orientador:
Marques
SÃO PAULO
2012
Profº
Drº
Luís
Henrique
FRANCISCA RODRIGUES
KELI GOIS
SANTO AMARO
O município que virou bairro
Trabalho de conclusão de curso para
obtenção do título de graduação em
jornalismo apresentado à Universidade
Paulista – UNIP
Aprovado em:
BANCA EXAMINADORA
__________________________________/_____/_____
Prof.
Universidade Paulista – UNIP
__________________________________/_____/_____
Prof.
Universidade Paulista – UNIP
__________________________________/_____/_____
Prof.
Universidade Paulista – UNIP
DEDICATÓRIA
Dedicamos esse trabalho à nossa família por nos apoiar em nossas
decisões e a todos os santamarenses que buscam a preservação da história do
bairro.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos primeiramente a Deus por ser a base de nossas
conquistas e por nos possibilitar a realizar um projeto de tamanha importância;
Aos nossos pais por acreditarem e terem interesse em nossas escolhas,
apoiando-nos e esforçando-se junto a nós;
A todos aqueles que colaboraram para que o documentário se tornasse
possível;
Ao Profº Drº Luís Henrique Marques por sua extrema dedicação em suas
orientações prestadas na elaboração deste trabalho, nos incentivando e
colaborando no desenvolvimento de nossas ideias.
"Viemos
para
ficar;
Criar nossos filhos, trabalhar!
Construir, ombro a ombro, com
todos que aqui encontramos,
uma grande nação... nossa
pátria".
(H.M.F. Bremberger)
RESUMO
A história de Santo Amaro tem início com a chegada dos portugueses João
Paes e Suzana Rodrigues, que cedeu uma de suas terras para a construção de
uma capela que recebeu a imagem de Santo Amaro, doada pelo casal. A
região de Santo Amaro foi, então, elevada à paróquia em 1680 e transformada
em freguesia em 1686.
Com o passar dos anos, as terras de Santo Amaro passaram a ter grande
visibilidade. Muitos colonos alemães foram trazidos para a região e instalados
em terras doadas. No ano de 1832, Santo Amaro foi elevado a Vila e se tornou
um município independente; tinha sua própria economia, política e mão de
obra. Em 1935, um decreto estadual (Nº 6.983) determinou a extinção do
município, tornando-o um bairro dentro da cidade de São Paulo.
Algumas hipóteses são apontadas para que o município tenha se tornado
bairro, uma delas é referente à rivalidade dos santamarenses com os paulistas
após a Revolução Constitucionalista de 1932. Outra hipótese apontada para
que o município tenha se tornado um bairro, é uma dívida de 500 contos de
réis de Santo Amaro com São Paulo, dívida que muitos santamarenses não
reconhecem.
Palavras-chave: Santo Amaro, Município, Bairro, Cidade, São Paulo
ABSTRACT
The history of Santo Amaro begins with the arrival of the Portuguese João Paes
and Suzana Rodrigues, who ceded their land to build a chapel that received the
image of Santo Amaro, donated by the couple. The region of Santo Amaro was
then elevated to the parish in 1680 and transformed into a parish in 1686.
Over the years, the lands of Santo Amaro started to become visible. Many
German settled were brought to the region and installed on land donated. In the
year 1832, Santo Amaro was raised to a village became an independent
municipality, had its own economic, political and labor. In 1935, a state decree
(No. 6983) determined the extinction of the county, making it a neighborhood
within the city of São Paulo.
Some hypotheses are put forward for the município neighborhood has become,
one is referring to the rivalry with the Paulistas santamarenses after a
Constitutionalist Revolution of 1932. Another hypothesis pointed that the
municipality has become a neighborhood, it is a debt of 500 contos de Santo
Amaro in Sao Paulo, santamarenses debt that many do not recognize.
Key-words: Santo Amaro, County, District, City, São Paulo
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO
10
2 PROBLEMA
12
3 OBJETIVOS
13
4 JUSTIFICATIVA
14
5 REVISÃO DE LITERATURA
16
5.1 Documentário em vídeo como produto jornalístico
16
5.2 Santo Amaro: O município que virou bairro
18
6 METODOLOGIA
23
7 ESTRUTURA DO TRABALHO
24
8 REFERÊNCIAS
26
9 BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
27
10 ROTEIRO
28
11 ANEXOS
51
INTRODUÇÃO
O primeiro registro de ocupação das terras de Santo Amaro se deve a
uma missão jesuíta de índios Guaianases chamada “missão de Ibirapuera”.
José de Anchieta percebeu em algumas de suas visitas a Santo Amaro que a
região contava com um grande número de índios catequizados e colonos
instalados. Com isso, era possível constituir um povoado.
Após a instalação dos índios, os portugueses começaram a chegar a
Santo Amaro. Foi construída no local, em terras dos portugueses João Paes e
Suzana Rodrigues, uma capela que recebeu a imagem de Santo Amaro, doada
pelo casal. A região foi, então, elevada à paróquia em 1680 e transformada em
freguesia em 1686.
Com o passar dos anos, as terras de Santo Amaro passaram a ter
grande visibilidade. Muitos colonos alemães foram trazidos para a região e
instalados em terras doadas, contribuindo, assim, com o crescimento e
desenvolvimento econômico do local. No ano de 1832, Santo Amaro foi
elevado a Vila e se tornou um município independente; tinha sua própria
economia, política e mão de obra.
Em 1935, um decreto estadual (Nº 6983) determinou a extinção do
município, tornando-o um bairro dentro da cidade de São Paulo.
Algumas hipóteses são apontadas para o município tenha se tornado
bairro, uma delas é referente à construção do Aeroporto de Congonhas, já que
durante a Revolução Constitucionalista de 1932, o governo de Getúlio Vargas
procurou locais alternativos para o transporte aéreo em São Paulo. Desse
modo, o município de Santo Amaro foi subdividido. Outra hipótese é uma dívida
de 500 contos de réis de Santo Amaro com São Paulo, dívida que muitos
santamarenses não reconhecem.
Com tudo isso, percebemos a importância de Santo Amaro para a
história de São Paulo e a importância de esclarecer os motivos pelos quais o
município tenha se tornado um bairro. O local possui uma história que ainda é
desconhecida para muitas pessoas e, por meio deste video documentário, o
público tomará conhecimento do que Santo Amaro representou para a época e
o que ele representa hoje.
Temos por objetivo promover uma investigação jornalística para
conhecer e revelar os reais motivos para que Santo Amaro se tornasse um
bairro e deixasse de ser município.
PROBLEMA
Embora o município de Santo Amaro tenha ocupado quase a metade da
cidade de São Paulo e tenha tido uma grande contribuição para a economia e
desenvolvimento da capital, sua história é ainda desconhecida por muitas
pessoas.
O município cresceu e se desenvolveu a ponto de abrigar, além dos
santamarenses, muitos estrangeiros, como os primeiros colonos portugueses e
alemães e italianos que se instalaram nas terras de Santo Amaro para viver e
trabalhar.
Com isso, o município se tornou muito importante, já que tinha sua
própria política e economia, pois produzia tudo o que necessitava, além de
enviar para outras cidades de São Paulo. O que talvez tenha sido um dos
motivos para que fosse anexada a capital tornando-se “dependente”.
Após a integração de Santo Amaro a São Paulo, muitos santamarenses
lutaram pela volta do município, mas foi em vão, já que nenhuma das tentativas
foi concretizada.
OBJETIVOS
Objetivo Principal
Produzir um videodocumentário que retrate a importância de Santo
Amaro para São Paulo e para todos os santamarenses que buscam preservar
a história do local. Contar a história do município e revelar os motivos que o
fizeram tornar-se um bairro dentro da cidade de São Paulo.
Objetivos Específicos
Apresentar a história de Santo Amaro para o grande público que ainda
desconhece que Santo Amaro já tenha sido um município independente de São
Paulo.
Fazer uma investigação e promover uma discussão sobre as razões
pelas quais o então município tenha se tornado um bairro, tornando-se assim,
dependente da economia de São Paulo.
Levantar informações, por meio de entrevistas e documentos, que
revelem os reais motivos pelos quais o município de Santo Amaro, que
ocupava mais da metade da cidade de São Paulo e tenha perdido a sua
autonomia e se tornado um bairro.
JUSTIFICATIVA
Quando estudamos a história do Brasil, podemos perceber que entre os
principais fatos da colonização no país está a fundação da vila de São Paulo.
No entanto, não conseguimos identificar nos livros de história o fato que antes
mesmo do surgimento da cidade, já existia a aldeia localizada à margem
esquerda do rio Jeribatyba (ou Jurubatuba) que, mais tarde, seria elevada à
freguesia e, em 1832, se tornaria um município dentro da cidade de São Paulo,
ocupando uma parte significativa da capital.
A produção de um video documentário que retrata a história de Santo
Amaro enquanto município tem grande valor social e cultural por se tratar de
um período histórico muito importante que auxiliou no desenvolvimento da
cidade de São Paulo. Com o vídeo documentário poderemos difundir e
contribuir para a preservação da história, além de servir de referência para
outros estudantes e historiadores.
A história de Santo Amaro pode ser encontrada em alguns livros sobre o
tema, mas não há nada em vídeo. Por isso, o formato de videodocumentário
será uma forma de inovar ao contar a história do local. O videodocumentário
fará um resgate histórico, contribuindo com a preservação da memória dos
santamarenses.
Além do valor histórico, um video documentário sobre Santo Amaro tem
um grande valor jornalístico, por ser um exercício de pesquisa e investigação
que exija uma grande reportagem. Esse gênero do jornalismo permite uma
abordagem mais aprofundada do assunto, o que exige maior dedicação e
investigação por parte do jornalista. Nesse sentido, temos a pretensão de que
este trabalho seja um estímulo e sirva de um pequeno exemplo a outros
jornalistas, professores e futuros profissionais dessa área.
Um video documentário sobre Santo Amaro tem grande valor
jornalístico, já que permite, por meio de entrevistas, pesquisas e documentos,
revelar, recontar e esclarecer a história do local. Com o trabalho iremos
apresentar ao público uma investigação e uma grande reportagem, que por
meio dos depoimentos dos entrevistados, vai dar subsídios ao expectador para
que ele tire as suas próprias conclusões referenteas a extinção do município e
a anexação a São Paulo.
REVISÃO DE LITERATURA
O documentário em vídeo como produto jornalístico
O documentário é um gênero cinematográfico que tem como principal
objetivo explorar e documentar a realidade. O documentário permite que seja
feita uma reportagem mais aprofundada. Nesse sentido, o jornalista pode
explorar mais o assunto e destacar pontos e dar enfoques diferentes de uma
reportagem comum, pois ele pode ir além do factual, do noticiário diário.
Podemos dizer que o documentário, assim como o jornalismo, procura
contar os fatos de forma objetiva, sem expressar opinião. Porém, o
documentário apresenta certa tendência de quem o produziu, ou seja, da visão
do autor. O vídeodocumentário pode ser tanto uma obra de ficção quanto uma
grande reportagem, feita com entrevistas e personagens reais. “Esses filmes
representam de forma tangível aspectos de um mundo que já ocupamos e
compartilhamos. Tornam visível e audível de maneira distinta a matéria de que
é feita a realidade social, de acordo com a seleção e a organização realizados
pelo cineasta” (NICHOLS, 2007, p 26).
De acordo com as aulas ministradas pelo professor Ulisses Rocha, nos
dias 16 e 23 de agosto e 6 e 13 de setembro, na disciplina Técnicas de
documentário, do curso de Jornalismo da Unip-Campus Chácara Santo
Antônio,
no
representação
vídeodocumentário,
que
funcionam
podemos
como
identificar
subgêneros:
seis
poético,
modos
de
expositivo,
participativo, observativo, reflexivo e performático.
Poético: O modo poético sacrifica as convenções da montagem em
continuidade. Esse gênero abstrato explora associações e padrões que
envolvem ritmos temporais e justaposições especiais. Este modo de fazer
documentário enfatiza mais o estado de ânimo, o tom e o afeto do que as
demonstrações de conhecimento ou ações persuasivas.
Expositivo: Dirigi-se ao expectador diretamente, com legendas ou
vozes que propõem uma perspectiva, expõem argumentos ou recontam uma
história. Enfatiza a impressão de objetividade e argumento bem embasado. O
tom do narrador se parece com o estilo dos âncoras e repórteres dos
noticiários os quais utilizam características como distância, naturalidade e
indiferença.
Participativo: Neste modo, os documentaristas também vão a campo,
vivem entre os personagens e falam sobre suas experiências ou até mesmo
representam aquilo que experimentam. O documentário participativo nos dá a
idéia do que é para o cineasta estar numa determinada situação e como aquela
situação consequentemente se altera. Nele, o cineasta torna-se um ator social,
como qualquer outro que aparece no documentário.
Observativo: Neste modo, os atores sociais interagem uns com os
outros ignorando a presença do cineasta/documentarista. Frequentemente, os
personagens são surpreendidos em ocupações urgentes ou numa crise
pessoal, que exigem sua atenção, afastando-a da presença do cineasta. Como
na ficção, as cenas costumam revelar traços do caráter e individualidade.
Nesse modo,
tiramos
as nossas
próprias
conclusões, baseadas no
comportamento que observamos e daquilo que ouvimos.
Reflexivo: Questiona a forma do documentário, tira a familiaridade dos
outros modos. Abstrato demais, e acaba perdendo de vista as questões
concretas.
Performático:
Enfatiza
aspectos
subjetivos
de
um
discurso
classicamente objetivo. A perda de ênfase na objetividade pode relegar esses
filmes a vanguarda. Esse modo faz o uso excessivo do estilo.
O documentarista ou jornalista deve estudar cada forma de produzir um
documentário, para ver qual se encaixa melhor a proposta do seu filme, pode
também, intercalar alguns gêneros. “Os filmes, considerados individualmente,
podem ser caracterizados pelo modo que mais parece ter influenciado sua
organização, mas também combinam harmoniosamente os modos, conforme a
ocasião”. (NICHOLS, 2007, p 63).
Os jornalistas escolhem esse modo para desenvolver seus trabalhos
porque têm um espaço maior para trabalhar e explorar as reportagens, já que
ele tem um tempo maior para as pesquisas, entrevistas e filmagens. Além
disso, o documentário permite ao jornalista fazer uma reportagem em que ele
pode ser objetivo, pois pode contar a história por meio dos personagens e
narração, sem ser necessária a sua presença.
Como estamos tratando de um período histórico, o vídeo documentário
nos dá a oportunidade de aprofundar mais a nossa reportagem e tornar a
maneira como vamos narrar os acontecimentos mais dinâmica, em que o
público poderá assistir a um vídeo, que vai contar de forma aprofundada a
história do bairro e todos os acontecimentos importantes da época do
centenário de Santo Amaro, 1832- 1932.
O nosso videodocumentário será expositivo. As pessoas entrevistadas
farão um relato dos acontecimentos. Além do relato dos entrevistados, algumas
imagens serão cobertas por uma narração, além de legendas que abordam
algumas informações importantes e pequenas introduções para mudar de
assunto, como forma de situar o telespectador.
Santo Amaro: o muncípio que virou bairro
Santo Amaro é hoje um dos bairros mais importantes de São Paulo.
Muitas pessoas ainda desconhecem o fato de Santo Amaro existir antes
mesmo da cidade e de ter sido no princípio, uma aldeia que abrigava os índios
Caiubi, tendo passado para freguesia, depois para a condição de vila até se
tornar município. Santo Amaro tinha uma economia independente de São
Paulo. Anos depois, mais exatamente em 1935, por meio de um decreto da
província de São Paulo, o então município passaria a ser um bairro.
O núcleo formado pela igreja da Matriz (hoje, Catedral de Santo
Amaro), o Largo Treze de Maio, a Praça Floriano Peixoto, a Casa
Amarela (antigas prefeitura e Subprefeitura), e o mercado velho (atual
Casa da Cultura do bairro) é testemunha de uma longa história que
começa no século XVI com os índios; segue com os jesuítas e
bandeirantes, e passa pela colonização portuguesa e alemã e pela
independência da região no século XIX, seguido de sua anexação a
São Paulo no século XX (ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO
PAULO, 2012, p 42).
Quando fundada, a vila de Santo Amaro era simples e discreta, tinha
poucos habitantes e uma economia estável, mas seu território abrangia boa
parte do que hoje se subdividiu em diversos bairros espalhados pela Zona Sul
de São Paulo. “Encartada com extrema felicidade na própria geografia, Santo
Amaro tinha notável os morros do Morumbi, o Rio Jurubatuba e uns campos
alegres, puros, intocados, desde os velhos tempos de Ibirapuera...” (ZENHA,
1977, p 5).
Santo Amaro passou a ser assim denominado em 1560, quando o casal
de portugueses João de Paes e Suzana Rodrigues, vindos há pouco de
Portugal, doaram a imagem de Santo Mauro, que mais tarde passou a chamarse Santo Amaro, e que foi abrigado na Capela construída na região, onde hoje
é a Igreja Matriz de Santo Amaro “...Suzana Rodrigues casou-se com João
Paes, homem que na vida paulista de então desempenhou papel notável.
Ambos teriam construído a capela em honra de Santo Amaro e feito a doação
da imagem...” (ZENHA, Ibid, p 33).
O local teve papel muito importante para a economia e para o
desenvolvimento da cidade de São Paulo, pois abrigou em suas terras muitos
estrangeiros, como os colonos portugueses e alemães, que passaram a viver
nas terras santamarenses, contribuindo com o seu desenvolvimento social e
econômico.
Os primeiros imigrantes alemães chegaram a São Paulo em 1827, por
meio do contrato de colonização com o Império do Brasil, firmado em Bremem.
São Paulo não estava preparado para receber esses colonos e pagar-lhes o
subsídio estabelecido no contrato de colonização. Assim, os colonos passaram
por diferentes locais até chegar a Santo Amaro, local de terras boas para
cultivo e plantio, onde se instalaram definitivamente. “(...) o conselho realiza a
sessão extraordinária de 12 de fevereiro de 1829 em que fica a colônia
instituída, definitivamente, em Santo Amaro...” (ZENHA, 1977, p 78).
Instalados nas terras santamarenses, os alemães tiveram um papel
importante para o desenvolvimento social e econômico do local. Passaram a
substituir o trabalho escravo e a ocupar diferentes cargos, que contribuíram
com o desenvolvimento da vila.
Em de julho de1832, por meio de um decreto da Regência, a freguesia
de Santo Amaro foi reconhecida como município independente de São Paulo.
Passou a abrigar cerca de dez mil habitantes, que viviam em uma rotina
simples e pacata e que tinham como principal meio de transporte cavalos ou
carroças puxadas por carros de boi.
Berardi afirma que, na segunda metade do século 19, Santo Amaro teve
papel importante para economia de São Paulo “... A vila de Santo Amaro
tornou-se o celeiro de São Paulo: todos os gêneros de primeira necessidade,
mandioca, milho, feijão, arroz, batatas inglesas, eram comprados dos
santamarenses...” (BERARDI, 1969, p. 79).
Foi por conta desse quadro que o engenheiro Alberto Kulhmann projetou
uma ferrovia que partia da Vila Mariana e passaria por Santo Amaro. A ferrovia
foi inaugurada em 14 de março de 1886 e funcionou até 1900, quando seu
acervo foi arrematado em leilão pela The São Paulo Tramway Light and
Power.1
Logo após a arrematação da companhia, seu patrimônio foi comprado
pela Companhia Light, que continuou a explorá-lo até 1913, sendo a linha
utilizada para o tráfego de bondes, o qual, no entanto, tinha um trajeto
diferenciado da ferrovia. O bonde passou, desse modo, a ser o principal meio
de transporte e ligação entre a capital e Santo Amaro. Por conta disso,
surgiram muitos sítios e chácaras, que formaram bairros ao redor da estrada,
contribuindo para o desenvolvimento social, econômico e urbano de Santo
Amaro.
Santo Amaro também serviu de berço para muitos artistas e poetas. A
localidade abrigou por muitos anos Paulo Francisco Emílio de Sales, o poeta
Paulo Eiró, que nasceu quando Santo Amaro já era um município. Paulo Eiró
foi uma das principais personalidades de Santo Amaro; teve importância
1
Companhia especializada em geração e distribuição de energia elétrica e os serviços de
bondes elétricos em São Paulo. Foi responsável pela contrução da represa do Guarapiranga,
Billings e pela retificação do Rio Tietê e Pinheiros.
cultural e política para o local, assim como seu pai Francisco das Chagas. O
poeta faleceu em 1871, deixando inúmeras obras.
Nasceu o poeta e fez-se moço em Santo Amaro, localidade pequena
e atrasadíssima, ao tempo em que a própria capital era uma aldeia
grande, de vinte e poucas mil almas; pobre, doentio, tímido, viveu até
os 25 annos entre difficuldades, trabalhos e soffrimentos [Sic]
enlouquecendo naquela idade. Suas obras poéticas ficaram inéditas...
(GUERRA, 1932, p. 41)
Quando, em 1932, Santo Amaro estava se preparando para comemorar
o primeiro centenário como município, recebeu a notícia de que o Estado de
São Paulo havia declarado guerra contra o autoritarismo do então presidente
da República, Getúlio Vargas, e pelo direito do País a uma nova Constituição.
Os santamarenses decidiram então lutar contra Getúlio.
Com a vitória de Getúlio sobre os paulistas, este nomeia um interventor
para o Estado. Nesse contexto, em 1935, foi decretado que Santo Amaro seria
anexado à cidade de São Paulo. Santo Amaro dormiu município e acordou
bairro “em 22 de fevereiro de1935, através do decreto 6.988, assinado pelo
interventor federal Armando Salles de Oliveira, Santo Amaro foi anexado à
cidade de São Paulo” (DURÁN, 2012, p 50).
Até hoje alguns santamarenses afirmam que um dos motivos para que o
município de Santo Amaro deixasse de existir seria a rivalidade dos paulistas e
moradores do antigo município, devido às batalhas durante a Revolução de
1932. Mas o argumento utilizado pelo governo para a anexação foi que Santo
Amaro devia 500 contos de réis ao Tesouro do Estado.
Alguns santamarenses, insatisfeitos, organizaram várias tentativas de
emancipação, como aconteceu em 1957 e também em 1985, ambas
fracassaram.
Ainda insatisfeitos com a anexação de Santo Amaro à capital, os
santamarenses foram às urnas em plebiscito sobre a emancipação.
No entanto, dos 60.383 moradores que votaram, 56.232 rejeitaram a
proposta, em 15 de setembro de 1985... (DURÁN, 2012, p. 54).
Após a anexação os 640 quilometros quadrados que pertenciam a santo
Amaro foram divididos em bairros, hoje são 15 subdistritos (Campo Grande,
Campo Belo, Itaim Bibi, Cidade Ademar, Pedreira, Campo Limpo, Capão
Redondo, Vila Andrade, Jardim Ângela, Jardim São Luís, Socorro, Cidade
Dutra, Grajaú, Parelheiros e Marsilac) que passaram a existir nas terras que
um dia pertenceram ao município.
METODOLOGIA
A produção deste trabalho teve início com a concepção e elaboração
deste mesmo pré-projeto, o qual implicou as primeiras pesquisas a respeito do
tema.
Já para a construção do videodocumentário propriamente dito faremos
pesquisas bibliográficas e documentais, que nos ajudarão a compor o material
para a elaboração das pautas, com perguntas específicas para cada
entrevistado, realizaremos entrevistas com santamarenses que viveram alguma
época do período citado, assim como famílias tradicionais em Santo Amaro e
pessoas de alguma forma envolvidas com a história e a cultura do local.
Contaremos com o auxílio especial de um historiador e do CETRASA (Centro
das Tradições de Santo Amaro), que irá nos fornecer documentos e materiais
da época.
Fontes:
Adelino Ozores – Jornalista e coordenador da Casa de Cultura de Santo
Amaro
Adozinda Kuhlmann – Professora e moradora do bairro neta do engenheiro
Alberto Kulhmann
Alexandre Moreira Neto – Presidente do CETRASA (Centro das Tradições de
Santo Amaro).
Carlos Fatorelli – Historiador
Daniela Rothfiss – Coordenadora do Arquivo Instituto Martius Staden
Henrique Novak – Jornalista e santamarenses que luta pela preservação da
história e da cultura do local.
Inez Garbuio Peralta – Historiadora e professora
Roberto Pavanelli – Advogado e Santamarense
ESTRUTURA DO TRABALHO
O projeto será veiculado por meio de um videodocumentário que terá
duração aproximada de 35 minutos, dividido em 23 cenas sendo elas feitas em
locais internos e externos, seguindo uma sequência cronológica em que vários
personagens contarão a história do município de Santo Amaro no período de
1832 a 1935.
O gênero escolhido é o documentário expositivo, em que os
personagens contarão a história por meio de narrações, fotografias e
documentos. Os personagens farão um relato, que acaba aproximando o
espectador.
As cenas contam com os seguintes entrevistados:
•
Adelino Ozores – Já desenvolveu trabalhos acadêmicos sobre a primeira
ferrovia que ligava Santo Amaro a São Paulo. Ele falou sobre a ferrovia e como
ela contribuiu para o desenvolvimento do município.
•
Adozinda Kuhlmann – professora (aposentada de 95 anos) moradora do
bairro, cujo avô engenheiro Alberto Kuhlmann foi quem projetou a primeira
ferrovia do município, a qual ligava Santo Amaro a São Paulo. Adozinda fez um
recorte do engenheiro e da importância da ferrovia para a época.
•
Alexandre Moreira Neto – Presidente do CETRASA (Centro das Tradições de
Santo Amaro). Nascido em Santo Amaro, Dr. Alexandre cresceu ouvindo
histórias do município.
•
Carlos Fatorelli – Historiador, participante assíduo do CETRASA (Centro das
Tradições de Santo Amaro). Fatorelli tem um blog que entre seus principais
temas está a história de Santo Amaro, principalmente sobre a colônia alemã no
antigo município. http://carlosfatorelli27013.blogspot.com
•
Daniela Rothfiss – Coordenadora de arquivo do Instituto Martius Staden,
coordena todo o material bibliográfico sobre a colonização Alemã no Brasil.
Daniela falou sobre a colonização Alemã em Santo Amaro.
•
Henrique Novak - Jornalista e santamarense que trabalhou em alguns dos
principais jornais de Santo Amaro, como “A tribuna”. Durante muito tempo
escreveu sobre os principais acontecimentos do bairro. Henrique procura
preservar e resgatar a memória de Santo Amaro enquanto município.
•
Inez Garbuio Peralta – Historiadora e professora universítária. Está
escrevendo um livro sobre o período em que Santo Amaro foi um município
(1932-1935). O livro será baseado nas atas da Câmara de Santo Amaro na
época. Seu livro contrapõe todas as afirmações encotradas nas bibliografias
dos santamarenses.
•
Roberto Pavanelli - Advogado e santamarense apaixonado, contou a história
do bairro e falou sobre a tentativa de emancipação de Santo Amaro, que
aconteceu no ano de 1985.
As pessoas descritas acima foram os entrevistados e os personagens
que ajudaram na construção do documentário. Porque eles fazem parte da
história do local, pois têm familiares que fizeram parte da história ou
desenvolvem estudos sobre o antigo município. Buscamos construir a estrutura
do documentário com informações como cultura, política, relatos pessoais e
economia da época.
Os especialistas do documentário são o historiador Carlos Fatorelli, que
tem publicações relacionadas ao bairro e sua história, e a professora e
historiadora Inez Peralta, que está escrevendo um livro sobre o município de
Santo Amaro, que contrapõe todas as bibliografias de Santo Amaro. As
informações dos especialistas foram tomadas como ponto de partida para a
construção e realização do documentário.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SANTO AMARO. Santo Amaro: Jubileu de
Ouro da Distrital Santo Amaro da Associação Comercial de São Paulo. São
Paulo: Associação Comercial de São Paulo Distrital Santo Amaro, 2012.
BERARDI, Maria Helena Petrillo. Santo Amaro, memórias e histórias: da
botina amarela ao chapéu de couro. São Paulo: Scortecci, 2005.
NICHOLS. Bill. Introdução ao documentário. São Paulo: Papirus, 2007.
ZENHA, Edmundo. A vila de Santo Amaro. São Paulo: Imprensa Oficial do
Estado, 1977.
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
ALMANAQUE comemorativo do 1° centenário do municípi o de Santo
Amaro, 1932.
BERARDI, Maria Helena Petrillo. Histórias do bairro de São Paulo. São
Paulo: Departamento de Cultura, 1969.
LUIZA, Maria. A cidade de São Paulo: Povoamento, população. São Paulo:
Pioneira, 1973.
PAULISTÂNEA – O IV centenário da fundação de Santo Amaro. São Paulo:
1932.
ZENHA, Edmundo. A Colônia Alemã de Santo Amaro: sua instalação em
1829. São Paulo: In Revista do Arquivo v. CXXXI. Departamento de Cultura,
1950.
ROTEIRO “SANTO AMARO: O MUNICÍPIO QUE VIROU BAIRRO”
VÍDEO
ÁUDIO
T1
Imagem:
Musica Santo Amaro – Andréa Souza
Igreja Matriz de Santo Amaro
T2
Título do filme: Santo Amaro: O município Musica Santo Amaro – Andréa Souza
que virou bairro
T3
Imagem:
Praça Floriano Peixoto
Musica Santo Amaro – Andréa Souza
Legenda: Quando tudo começou...
T4
Imagem:
Locução ao Vivo:
“Santo Amaro é Santo Mauro na verdade,
Sala de reuniões do Cetrasa: Alexandre né? Era um abade, criado por São Bento,
um discípulo de São Bento, protetor da
Moreira Neto
agricultura.
Legenda: Alexandre Moreira Neto
E também tem duas teses: uma que a
Pres. Cetrasa
Suzana Rodrigues e o marido teriam trazido
de Portugal quando vieram com Martin
Afonso, e eles teriam fundado o sítio de
Santo Amaro e depois aí doado a imagem
para o Anchieta. Em 1832, um cidadão que
ninguém fala muito dele, Antônio das
Chagas, mais conhecido como Chico Doce,
autodidata, falava três idiomas, lecionava,
antes de existir escola ele já lecionava, e
ele é pai do Paulo Eiró, e que resolveu
brigar para que Santo Amaro fosse Vila”.
T5
Imagem:
Biblioteca Belmonte: Inez Peralta
Legenda: Inez Peralta
Historiadora
Locução ao Vivo:
“Um grupo de pessoas, entre os quais o pai
do Paulo Eiró, o Francisco das Chagas,
criou uma movimentação e foram falar,
esse grupo e outras pessoas também, não
é? Parece que havia dois grupos, não é?
Foram falar com o representante da
província, a província de São Paulo, os
deputados, para que Santo Amaro fosse
elevado.
A discussão vem antes de 32, né? Foram
alguns anos de insistência, dizendo que o
município era muito importante, a freguesia,
que não era município ainda, que era muito
importante, que era rica e que tinha um
papel significativo e aí convenceram não é,
os deputados a levarem o projeto e aí foi
aprovado o projeto”.
T6
Locução ao Vivo:
Imagem:
“Em 1932, 33, não sei exatamente a data, o
aldeamento aqui em Santo Amaro tinha
crescido muito. E aí a exemplo dos outros
municípios da grande São Paulo, aqui se
tornou independente, tonando-se um
município, com a criação da Câmara
municipal, e aí teve sua vida, assim, que
queria um desenvolvimento muito grande.
Desenvolveu de tal forma que isso acabou
Escritório Roberto Pavanelli
Legenda: Roberto Pavanelli
Advogado
gerando um certo ciúmes da capital de São
Paulo, porque num determinado momento,
Santo Amaro chegou até a responder por
40% de todo o movimento de São Paulo
inteiro. E acabou perdendo a condição de
município em 1935, exatamente pelo
progresso que obteve, porque a região de
Santo Amaro tinha uma extensão muito
grande. Fazia limites lá com o ABC,
englobava Embu-Guaçu, Itapecerica, fazia
limite, o município fazia limite na parte
Leste com o Litoral de São Paulo, com
Itanhaen. E essa grandiosidade toda
acabou por sufocar Santo Amaro a ponto
de perder a condição de município”.
Locução ao Vivo:
T7
Imagem:
Biblioteca Belmonte: Inez Peralta
“Quando Santo Amaro foi elevado a
município, em 1832, outras cinco freguesias
foram elevadas a município, entre elas
Araraquara,
Capivari,
Santa
Isabel,
Paraibuna, e aí outros.
Desses municípios eu comparei, no
começo, neh? Por volta de 1835, 36, por aí,
não comparei, em 1924, mas comparei lá
em 1835, 1840, por aí, e vi que a renda de
Santo Amaro, do município de Santo Amaro
era menos de 50% da renda dos demais
municípios.
E isso leva a gente a uma questão: se a
renda do município é tão pequena,
comparativamente aos demais, por que
Santo Amaro foi elevado a município? Eu
acho que essa é uma grande questão que a
gente tem que descobrir. Esses outros
municípios, por que eles avançaram?
Porque em 1840, 50, aí, São Paulo está
começando a produzir café, São Paulo
produz café, e esses municípios eram
regiões de produção de café, então você vê
que a renda desses municípios, ela sobe
bastante, enquanto que a de Santo Amaro
não.
Santo Amaro tem uma dificuldade
financeira muito grande, tanto é que para
canalizar água é anos e anos e anos, até
conseguir alguma coisa. As rendas, o
balanço era sempre, o saldo era muito
pequeno e não fazia uma série de
benefícios que deveriam ser feitos. A verba,
o que se pagava pra secretário, porteiro,
enfim, procurador, era quase 50% da renda
do município, então era um município
relativamente pobre, muito pobre.
Em 1833, finalmente é instalada a Câmara,
onde é instalada a Câmara? Numa sala da
igreja, eles não tinham o lugar adequado
para se instalar uma Câmara. É instalada
numa sala da igreja e pelo regulamento das
Câmaras de 1828, uma vila, porque Santo
Amaro é vila, não é município, é cidade,
Santo Amaro, em 1833, quando é instalada
a Câmara, o poder, que aí nessa época é o
poder legislativo e executivo, não existia o
judiciário, ela deve ter seis vereadores. O
Francisco das Chagas ao ficar presidente
da Câmara, e, se você acompanhar as
reuniões, você vê que há uma ausência
constante de muitos vereadores, não é? E
pelo regimento de 1828, o regimento das
Câmaras, a Câmara só pode funcionar, só
pode ter seção com 50% dos vereadores, e
uma boa parte das seções não tinha 50%
dos vereadores. E o Francisco das Chagas
está lá, toda a seção tá o Francisco das
Chagas presente. Chega uma hora ele tá
tão cansado de tudo isso, e ele chega numa
sessão e ele faz uma proposta louca, né?
Ele propõe que se faça um ofício para a
província, para os poderes da província
para que Santo Amaro deixe de ser
município. Olha, isso pegou todo mundo de
surpresa, neh? Os vereadores que estavam
ficaram horrorizados e votaram contra e tal,
e aí ele nunca mais fez essa proposta, neh?
Mas uma outra vez, um outro vereador fez
essa proposta e não foi a primeira vez,
porque eles não iam pra Câmara. Por que
eles
não
iam
para
a
Câmara?
Diferentemente dos nossos dias, os
vereadores não tinham salário e nem
ordenado,
que
chamava
ordenado
antigamente, eles não tinham ordenado,
mas eles eram multados se não
comparecessem, e é por isso que os
vereadores precisavam ser os chamados
homens bons, aqueles homens que tinham
uma renda, porque o serviço de vereança
era um serviço gratuito. Então ele
desestimulado de tudo faz essa proposta.
Mas aí ele volta atrás, ele continua lutando,
ele é um homem, a meu ver, o Francisco
das Chagas, no começo de Santo Amaro é
um homem público, que assume realmente
aquilo, muitas vezes paga contas da
Câmara com o dinheiro dele, porque ele era
professor, enfim, ele tinha uma verba, e ele
assume as finanças da Câmara”.
Música Sidewalk –ÁudioNautix
T8
Imagem:
Terras de Santo Amaro
Legenda: Aqui chegaram os Alemães...
Locução ao Vivo:
“Os primeiros Alemães chegaram à cidade
de São Paulo em fevereiro de 1828, eles
T9
foram alojados em um hospital militar na
Chácara Bento Santo André, que fica em
Imagem:
Santo Amaro. Lá, o pessoal ficou mais ou
Biblioteca Instituto Martius-Staden: Daniela menos um ano, até junho de 1829, até
Rothfuss
finalmente receberem os lotes lá na colônia.
Legenda: Daniela Rothfuss
Coord Inst Martius Staden
Pelo que nós sabemos eram mais ou
menos entre noventa e cem famílias que
participaram do sorteio, mas não sabemos
o número exato de quantas famílias no final
se mudaram lá para a colônia. Nós
sabemos que hoje em dia ainda moram lá
dezoito famílias, os nomes mais comuns
dessas famílias Alemãs são família Hessen,
Reimberg, Rocumback, Hannichel, Gilgers,
Zillig, Shunk, esses são os nomes mais
comuns ainda da região”.
T10
Locução ao Vivo:
Imagem:
“Em todos os anais da Subprefeitura,
Biblioteca Instituto Martius-Staden: Carlos quando a gente pega algum documento, há
sempre um sobrenome Alemão. Por
Fatorelli
exemplo,
os
Gilgers,
que
nós
Legenda: Carlos Fatorelli
santamarenses chamamos de Gilgers.
Então essa relação do nome, mas eles
Historiador
tiveram participação ativa dentro de Santo
Amaro, porque Santo Amaro era um
interior, e quando os Alemães vieram pra cá
era mata virgem e eles tiveram que se
resolver”.
Locução ao Vivo:
“Pelo que nós sabemos, na Alemanhã foi
prometido para os imigrantes que cada um
receberia 400 morgan, que é mais ou
Imagem:
menos 100 hectares. Só que quando o
Biblioteca Instituto Martius-Staden: Daniela pessoal chegou aqui o termo morgan foi
Rothfuss
traduzido com braços e 400 braços seriam
mais ou menos mil e setecentos metros
quadrados ou mil e oitocentos metros
quadrados, por causa disso ficou uma
confusão muito grande. O pessoal primeiro
não queria aceitar os lotes.
T11
A colônia era a única região que produziu
batatas na época. Mais tarde, os colonos
possuiram cerradeiras e forneceram
madeiras e carvão de madeira para Santo
Amaro e para a cidade de São Paulo.
Nós sabemos, mais ou menos, que em
1830, aproximadamente 100 famílias ainda
estavam morando em Santo Amaro. Em
1852, havia só 36 famílias. Isso significa
que mais do que 60 famílias deixaram
Santo Amaro. E sabemos que muitas
famílias se mudaram para Itapecerica da
Serra, para Itú, Rio Negro, Cubatão e em
outras cidades no interior de São Paulo e
no Paraná.
Como a colônia é muito afastada de São
Paulo e até de Santo Amaro, os colonos se
intregaram muito rápido na sociedade e
conviveram lá com os caboclos da região,
isso mais tarde, no começo do século vinte
os alemães lá da região foram chamados
de " os caboclos loiros". O que aconteceu é
que já na terceira geração se perdeu o
idioma, a tradição e cultura alemã.
A maioria dos imigrantes eram luteranos,
então provavelmente mais que 80% eram
luteranos e só 20% eram católicos. Esses
luteranos, a igreja católica não liberou o
casamento na igreja católica, nem o
batismo, nem o enterro no cemitério, então
os luteranos, nos primeiros anos não
conseguiram casar e mais tarde fizeram um
contrato no cartório civil, um contrato de
casamento.
Sabemos que mais ou menos em 1840 foi
construido o primeiro cemitério lá em
colonia, mas antes o pessoal tinha que
trazer os corpos para Santo Amaro ou
provavelmente enterrar em suas próprias
terras.
Uma pessoa que se destacou mais tarde é
o engenheiro Alberto Kuhlmann”.
Locução ao Vivo:
T12
“Esse é o Alberto Kuhlmann e a vovozinha
que se chamava Josefina. Ele era um
engenheiro, e ele veio pra cá pra São
Paulo, e houve um tempo em que eles
Imagem:
Casa Adozinda Kuhlmann
Legenda: Adozinda Kuhlmann
Professora
residiram em Santo Amaro, e aí ele que fez
então a estrada de ferro que saia da Vila
Mariana, e a Vila Mariana tem o nome por
causa de uma prima dele que se chamava
Mariana, então saia de Vila Mariana a
estrada de ferro a aí que veio aqui pra
Santo Amaro”.
Música Sidewalk –Áudio Nautix
T13
Imagem:
Ferrovia de Santo Amaro
Legenda: O projeto de Kuhlmann...
Locução ao VIVO:
T14
Imagem:
Casa Adelino Ozores
Legenda: Adelino Ozores
Jornalista
“A história da estrada de ferro de Santo
Amaro tem o seu inicio lá em 1890, mais ou
menos, ou em 1880, até um pouco antes,
com a chegada, ali na Vila Mariana, dos
primeiros matadouros. Foi criado um
primeiro matadouro numa área mais central
e eles criaram um caminho até a Vila
Mariana, em torno de uns três quilômetros,
e naquela época, eles levavam a carne dali
do centro de São Paulo ainda por trilho,
mas puxado a tração animal, um trabalho
feito, puxado por burros, e eles levavam
esse material.
Em 1800, mais ou menos, em 1883, eles
colocam ali a primeira máquina a vapor e
começa a fazer esse pequeno trajeto, um
pouco mais depois disso, nessa época
também ficou assinado um acordo para se
construir o primeiro matadouro ali na Vila
Clementino, onde hoje funciona a
Cinemateca, que as pessoas conhecem a
Cinemateca, ali era o antigo matadouro, e
aquele matadouro foi o que começou a
trazer a história pra se criar a estrada de
ferro para Santo Amaro.
A estrada de ferro de Santo Amaro tem
inicio em 1890 mais ou menos, ou 1880, até
um pouco antes, com a chegada ali na Vila
Mariana, dos primeiros matadouros.
Foi criado o primeiro matadouro numa área
mais central, e eles criaram um caminho
para a Vila Mariana, em torno de uns três
quilômetros, e naquela época eles levavam
a carne para o centro de São Paulo ainda
por trilho, mas puxado a tração animal, era
um trabalho feito puxado por burros e eles
levavam esses materiais.
Mais ou menos em 1883, eles colocam ali a
primeira máquina a vapor e começa a fazer
esse pequeno projeto. Um pouco mais
depois disso, nessa época também ficou
assinado um acordo para se construir o
primeiro matadouro ali na Vila Clementino,
onde hoje funciona a Cinemateca, para as
pessoas que conhecem a Cinemateca, ali
era o antigo matadouro, e aquele
matadouro foi que começou a trazer história
pra se criar a estrada de ferro até Santo
Amaro.
Quando se criou aquele matadouro ali na
Vila Clementino, esse matadouro foi
construído
pelo
engenheiro
Alberto
Kuhlmann, ele veio para o Brasil, e foi feito
o projeto e ele começou a construir o
matadouro da Vila Clementino, e começou
a fazer toda essa obra, e enquanto ele fazia
essa obra, abriu-se uma licitação naquela
época pra se construir uma linha para ligar
Santo Amaro, e o Alberto Kuhlmann como
era um visionário, era um homem, um
engenheiro, que veio para o Brasil pra
descobrir e fazer a América, como eles
falavam na época, que era pra eles
poderem crescer aqui e fazer todo o seu
trabalho, ele viu como uma grande
oportunidade fazer essa ligação, e ele
entrou nessa licitação e ganhou.
E então o engenheiro Alberto Kuhlmann,
que depois acabou se tornando até
deputado pelo Brasil, um dos primeiros
deputados estrangeiros que teve que se
naturalizar brasileiro, inclusive, pra poder, e
ele acabou entrando para o cenário político
e vindo fazer todo esse trabalho aqui de
Santo Amaro. Ele voltou para a Alemanha
pra
ir
buscar
na
época,
uns
empreendedores para trazer para o Brasil,
mas ele acabou ficando maravilhado com a
sua própria terra que ele não via há muito
tempo, que acabou ficando por lá, e acabou
morrendo lá.
Esse trem que veio ligar Santo Amaro e
ampliou aqueles primeiros 700 metros que
tinha, depois três quilômetros, aí se ampliou
em mais treze quilômetros, deram um total
de quase 20 quilômetros entre a cidade e a
estação São Joaquim, um pouco mais pra
frente, depois ele foi até o centro, e
chegando aqui até Santo Amaro.
Foi feito pela, eles montaram a empresa
chamada Ferro Carril, essa empresa chama
Ferro Carril São Paulo Santo Amaro, e essa
empresa teve a incumbência de fazer essa
ligação de toda a parte de mercadorias que
eram produzidas aqui em Santo Amaro pra
se levar pra cidade de São Paulo, e a partir
dali começou todo esse trabalho. Santo
Amaro mandava muita mercadoria pra lá,
pedras, comida, gado também.
A ferrovia começa um grande movimento,
um grande progresso começa movimentar
Santo Amaro, e movimenta tanto, e Santo
Amaro começa a crescer tanto que a partir
de 1887 é construído o primeiro mercado
municipal em Santo Amaro no antigo
prédio, ali na João Dias, que era o caminho
também onde passava a boiada que ia pro
matadouro, e dali também eles acabavam
do matadouro saindo, eles acabavam
trazendo as carnes pra estação onde hoje é
o colégio Lineu Prestes, era o pátio de
manobras onde ficava, e a estação de
carga também ficava ali, então dali partia
toda a nossa mercadoria, a nossa carne pra
Vila Clementino, onde ficava estocada lá no
matadouro, ou pela a cidade de São Paulo
para abastecer a cidade toda, daí os
cereais, toda a mercadoria que vinha do
grande cinturão verde de Santo Amaro,
claro que vinham mercadorias, que vinham
de Itapecerica da Serra, de Taboão, lá de
Parelheiros, quer dizer, essa região que era
muito rica em plantação, em cultivo, em
extrativismo, e que acabava trazendo essa
mercadoria que era negociada nesse
mercado, e desse mercado saia por trem,
ou por lombo de burro que seguia pra São
Paulo e acabou alimentando São Paulo.
E o trem vai até mais ou menos em torno
de 1900, quando começa a haver uma
transição. A Light vem pro Brasil e começa
a desenvolver todo um trabalho aqui na
região e, inclusive já pensar em construir a
represa de Guarapiranga, essas outras, pra
poder fazer a transformação do rio e criar a
usina Henry Borden, que faz toda a
iluminação da Baixada Santista”.
Música Sidewalk –Áudio Nautix
T15
Locução ao Vivo:
Imagem:
“A construção da represa fez com que a
expansão de São Paulo acabasse com
Santo Amaro, uma hipótese é essa. Uma
outra hipótese é que Santo Amaro teria feito
uma política de oposição a São Paulo, e
principalmente em duas ocasiões, em 1932,
e portanto, teria atraído, vamos dizer assim,
a má vontade de São Paulo para com o
município, e aquela que foi alegada pra
extinção do município que é a dívida de
Santo Amaro.
Santo Amaro
Legenda: Santo Amaro vira bairro...
T16
Imagem:
Biblioteca Belmonte: Inez Peralta
Então dessas hipóteses, eu acho que
ninguém chegou ainda a explicar, com uma
explicação convincente, qual delas teria
atuado. Eu estou caminhando por uma
hipótese: que realmente Santo Amaro não é
um município rico, estou em 1924, e até
1924 eu posso afirmar que Santo Amaro
não é um município rico.
Tanto é que em 1917, Santo Amaro pede
emprestado 60 contos de réis quando o
orçamento de Santo Amaro era 90 contos
de réis, aproximadamente. E pra pedir 60
contos de réis, um município que tem um
orçamento de 90 contos de réis é um
negócio complicado. Quer dizer, tá
comprometendo toda a renda do município.
Então a meu ver, essa hipótese é bastante
razoável até a época que eu cheguei, em
1924, eu acho que é realmente um
município pobre.
Santo Amaro tem dívida interna. Santo
Amaro, a câmara pede dinheiro emprestado
pra várias pessoas. E há uma grande dívida
que vai sendo paga aos poucos, que é uma
dívida da iluminação pública, que dizer, tem
uma dívida muito grande com a Light”.
Locução ao Vivo:
“Santo Amaro faria 100 anos de
emancipação política no dia 10 de julho de
1932. E Santo Amaro estava em festa há
uma semana, festa pra ninguém botar
defeito.
T17
Então, no dia 9 vem a notícia, era um
domingo, vem a notícia que São Paulo
ecludiu a revolução pedindo a constituição.
Imagem:
Sala de reuniões
Moreira Neto
Cetrasa:
Alexandre
Acabada a revolução, o amistício foi em 4
de outubro de 1932. Em 1933 nós tivemos
o primeiro choque. O senhor Armando
Sales de Oliveira decretou que a
prostituição viesse para Santo Amaro e pro
bairro do Socorro, que era um bairro ítalosuiço, cheio de chalézinho e tal,
principalmente a margem do paredão da
represa e virou um Deus nos acuda.
Isso foi a primeira. A segunda paulada,
invetaram que Santo Amaro devia um
dinheiro pra a Sabesp, a Sabesp na epoca
não era Sabesp, era DAE – Departamento
de Águas e Esgotos. Como que Santo
Amaro devia, se Santo Amaro abriu mão da
canalização de água passar por dentro do
bairro, economizando doze quilômetros de
extensão? Como é que o município podia
dever? Eu nao consegui entender até
ontem, pode ser que a partir de hoje eu
entenda, mas arrumaram essa dívida e
caçaram Santo Amaro. Anexaram á capital
de São Paulo, em fevereiro de 1935”
.
Música Sidewalk – Áudio Nautix
Locução ao Vivo:
T18
“Em 1957, exatamente no dia 15 de abril,
dia de Paulo Eiró, na Rua Voluntário
Imagem:
Emancipação
Legenda: As tentativas de emancipação...
T19
Imagem:
Biblioteca Belmonte: Henrique Novak
Legenda: Henrique Novak
Jornalista
Delmiro Sampaio, 92, na sede da
Associação Comercial, numa reunião que
durou quatro horas, com a presença da
nata do empresariado e dos profissionais
liberais de Santo Amaro, foi constituído o
movimento autonomista de Santo Amaro.
Esse movimento refletia o pensamento da
maioria dos empresários que viam no
crescimento econômico e social de Santo
Amaro, uma oportunidade de expansão dos
seus negócios, e viam que a autonomia de
Santo Amaro poderia trazer reflexos,
benefícios e vantagens para a sua
atividade. E foi com esse pensamento que
a
Associação
Comercial
estimulou
fortemente o movimento autonomista”
Locução ao Vivo:
T20
“Eu não sei se foi um movimento
autonomista, sabe? Eu acho que, eu não
sei se abalou tanto os jornais, a mídia como
um todo. Como, legalmente pra um
município deixar de existir é preciso que
haja um plebiscito, então a alegação do
santamarense é que não tinha ocorrido
esse plebiscito, e que então, discutem para
que haja esse plebiscito, a aí em 1985 é
feito esse plebiscito.
Imagem:
Biblioteca Belmonte: Inez Peralta
Olha, eu não vi uma grande movimentação,
e eu morava em Interlagos, relativamente
perto, e eu não vi uma grande
movimentação. Alguns se exaltaram,
poucos, os antigos santamarenses, mas
não era, um, a maioria dos santamarenses
não queria que Santo Amaro voltasse a ser
município”.
Locução ao Vivo:
“A questão da busca pela emancipação de
Santo Amaro, ela se deve, é um
inconformismo que tem o santamarense de
ter perdido a categoria de município e
voltado a bairro de São Paulo num dos atos
mais traiçoeiros do governo estadual e que
o santamarense até hoje não se conforma
com isso.
T21
Imagem:
Então, a partir de 1935, sempre houve
movimentos em prol da emancipação, do
retorno de Santo Amaro a município.
Escritório Roberto Pavanelli
E a questão do plebiscito de 1985, eu não
sei se foi bom ou se foi ruim, porque na
verdade aquilo se deu quando o movimento
de alguns grupos políticos de Santo Amaro,
cuja intenção a gente não conseguiu atingir
lá no ano da coisa, se eram todos bem
intencionados, ou muitas vezes nem tanto,
não sei.
Então, não existe uma avaliação, pelo
menos de minha parte se foi bom Santo
Amaro continuar bairro de São Paulo, ou se
Santo Amaro teria sido melhor como
município.
E já em 85, Santo Amaro perdia o potencial
econômico por conta de uma série de
indústrias, que estabelecidas aqui na região
do Jurubatuba foram saindo para o interior
de São Paulo, e na medida em que São
Paulo mudava a sua cara de produtor
industrial para prestador de serviços como
é hoje, Santo Amaro foi perdendo o poderil
econômico. Mas Santo Amaro já respondeu
por 40% e toda arrecadação de São Paulo,
de forma que seria um município muito
forte.
Perdeu o plebiscito porque o grupo
contrário a esse plebiscito acabou fazendo
a cabeça dos eleitores dizendo que isso
ficaria muito caro para o santamarense
porque pagaria a ligação interurbana, o
ônibus seria interurbano, e com isso, deuse uma ideia errada para as pessoas, que
acabaram votando aí, 90% do não para que
Santo Amaro continuasse bairro”.
Locução ao Vivo:
“O movimento autonomista não teve
sucesso! O povo não foi suficientemente
informado, motivado e levado a aceitar a
ideia da autonomia como algo bom e
interessante para Santo Amaro.
T22
Imagem:
Biblioteca Belmonte: Henrique Novak
A população, então composta em grande
parte de migrantes vindos de outras regiões
do país, que vinham pra São Paulo em
busca de emprego, e que se instalaram em
Santo Amaro pelas facilidades imobiliárias,
que Santo Amaro estava oferecendo com
muitos loteamentos baratos, facilitando a
posse de terra, inchou a população de
Santo Amaro, que, no entanto, dentro do
movimento autonomista não tinha nenhuma
identificação com esses ideais cívicos e
políticos.
Os botina amarela, que seriam os eleitores
eram um número reduzido e menor e que
não aceitaram a ideia da autonomia, sendo
até que muitos deles eram totalmente
contrários ao princípio de autonomia. Então
essa divisão de opinião realmente resultou
no fracasso, e que acabou deixando
durante 27 anos essa ideia numa espera,
pra uma oportunidade que surgiu em 1985,
por um novo movimento, quando na
realização do plebiscito novamente Santo
Amaro foi derrotado, quando dos 60 mil
votantes, apenas 56 mil votaram contra a
ideia da autonomia, apenas 4 mil aceitaram
a ideia de retorno da autonomia.
A Partir desse momento o sonho
autonomista de Santo Amaro ficou
enterrado pra sempre”.
Música Santo Amaro – Andréa Souza
T23
Imagem:
Santo Amaro que te quero
Depoimento Santamarenses
Créditos Finais:
Roteiro e produção
Francisca Rodrigues
Keli Gois
Cinegrafistas
Francisca Rodrigues
Keli Gois
Arte
Raquel Correia
Márcio Cruz
Edição de som
Márcio Cruz
Edição e finalização
Francisca Rodrigues
Keli Gois
tanto
–
Márcio Cruz
Direção Geral
Francisca Rodrigues
Keli Gois
Trilha sonora
Santo Amaro- Andréa Souza
Áudio Nautix
Imagens
Instituto Martius-Staden
Carlos Fatorelli
A fotografia como concepção histórica
Acervo Eletropaulo
Entrevistados
Adozinda Kuhlmann
Alexandre Moreira Neto
Adelino Ozores
Carlos Fatorelli
Daniela Rothfiss
Gilberto Natalini
Inez Peralta
José Calazans
Henrique Novak
Lourenço Miranda Borba
Maria do Carmo Nadaes
Roberto Pavanelli
Roberto Costa
Paulo Aguiar
Agradecimentos
Adilson Araújo
Andréa de Souza
Biblioteca Belmonte
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