UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE EDIFICAÇÕES E AMBIENTAL ESTUDO DO IMPACTO DO SISTEMA DE ACIONAMENTO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO TRIFÁSICO NA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E NA QUALIDADE DA ENERGIA ELÉTRICA: UM ESTUDO DE CASO – ELEVADOR DE CANECAS. LUIZ DE ANNUNCIAÇÃO PROF. DR. ARNULFO BARROSO DE VASCONCELLOS Cuiabá, MT, março de 2011 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE EDIFICAÇÕES E AMBIENTAL ESTUDO DO IMPACTO DO SISTEMA DE ACIONAMENTO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO TRIFÁSICO NA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E NA QUALIDADE DA ENERGIA ELÉTRICA: UM ESTUDO DE CASO – ELEVADOR DE CANECAS LUIZ DE ANNUNCIAÇÃO Dissertação apresentada junto ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso, como requisito para obtenção do título de Mestre. PROF. DR. ARNULFO BARROSO DE VASCONCELLOS Cuiabá, MT, março de 2011 Dados Internacionais de Catalogação na Fonte A615e Annunciação, Luiz de. Estudo do impacto do sistema de acionamento de um motor de indução trifásico na eficiência energética e na qualidade da energia elétrica : um estudo de caso – elevador de canecas / Luiz de Annunciação. – 2011. xii, 126 f. : il. (algumas color.) ; 30 cm. Orientador: Arnulfo Barroso de Vasconcellos. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia, Programa de PósGraduação em Engenharia de Edificações e Ambiental, Cuiabá, 2011. Inclui bibliografia. 1. Maquinas de indução - Acionamento. 2. Motor elétrico de indução – Partida direta. 3. Conversor de frequência. 4. Eficiência energética. 5. Energia elétrica - Qualidade. I. Título. CDU 621.313.33-236 Ficha Catalográfica elaborada pelo Bibliotecário Jordan Antonio de Souza - CRB1/2099 Permitida a reprodução parcial ou total desde que citada a fonte DEDICATÓRIA A Deus pela vida, a querida Vera Lúcia Cunha, as minhas filhas, Ana Paula, Ana Cláudia e Maria Luiza, pelo amor e compreensão. AGRADECIMENTOS Ao Prof. Dr. Arnulfo Barroso de Vasconcellos, pela orientação e principalmente pelo incentivo, apoio, pela confiança e grande amizade, ingredientes que possibilitaram a realização deste trabalho. Ao Prof. Dr. Mário Kiyoshi Kawaphara e Prof. Msc. José Mateus Rondina por sua ajuda no esclarecimento das minhas dúvidas. Aos professores doutores José Antônio Lambert e Douglas Queiroz Brandão pelo grande empenho dedicado à realização deste curso. A todos os professores do Programa de Mestrado em Engenharia de Edificações e Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso, sempre dedicado na multiplicação do conhecimento. Aos professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso: Prof. Dr. Joaquim de Oliveira Barboza, Profª. PhD Teresa Irene Malheiros, Prof. Msc. Bernanci Pedroso de Almeida, Profª. Msc. Ângela Santana de Oliveira, Profª Msc. Flávia Girardo Botelho e Prof. Msc. Edilson Alfredo da Silva. Aos bolsistas do Programa de Pesquisa do Departamento de Engenharia Elétrica: Érica Tiemi Anabuki, Luciana Oliveira da Silva e Thiago Vieira da Silva. Aos colegas de mestrado da turma 2009, ao mestrando André Luiz Amorim da Fonseca, que me deram apoio na realização deste trabalho. Ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso — Campus Cuiabá, onde ministro aulas há mais de 25 anos. À Empresa BIOTERRA, indústria de reciclagem, na pessoa do engenheiro eletricista Anselmo Rondina, que forneceu materiais para o experimento no laboratório. SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS ............................................................................................. I LISTA DE TABELAS ......................................................................................... IX 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................... 1 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 CONSIDERAÇÕES INICIAIS...................................................................... 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA PESQUISA .................................................. 3 ESTADO DA ARTE ................................................................................... 3 DELIMITAÇÃO DO TEMA ........................................................................ 4 CONTRIBUIÇÃO DESTA PESQUISA ...................................................... 4 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO ........................................................... 4 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................... 6 2.1 2.1.1 2.1.2 2.1.3 MÁQUINAS DE INDUÇÃO ......................................................................... 6 O motor elétrico de indução .......................................................................... 6 Motores elétricos de indução de alto rendimento........................................... 7 Curvas Características e Comportamento do Motor de Acordo com os tipos de Carga. ...................................................................................................... 8 2.1.3.1 Rendimento versus Cargas do motor de indução ........................................... 8 2.1.3.2. Fator de Potência versus Carga motor de indução .......................................10 2.1.4. Interação entre o motor e a carga acionada com conversor de frequência. ..11 2.1.4.1. Tipos de carga ............................................................................................11 2.1.4.2. Cargas de torque variável ...........................................................................11 2.1.4.3. Cargas de torque constante .........................................................................11 2.1.4.4. Cargas de torque hiperbólico ......................................................................12 2.1.5 Regimes de Operação .................................................................................13 2.1.5.1. Regime de Velocidade Variável..................................................................13 2.1.5.2 Regime de Velocidade Constante ...............................................................13 2.1.6 Acoplamento Motor-Carga .........................................................................13 2.1.7. Máquinas de Elevação e Transporte ............................................................15 2.1.7.1 Classificação das Máquinas de Transporte ..................................................15 2.1.8 Elevadores de Canecas ...............................................................................17 2.2 CONVERSOR DE FREQUÊNCIA .............................................................. 20 2.2.1 Aplicação do Conversor de Frequência no Acionamento de Elevador de Canecas .......................................................................................................20 2.2.2 Princípio de Funcionamento do Conversor de Frequência ...........................21 2.2.3 Retificador..................................................................................................22 2.2.4 Circuito Intermediário ................................................................................24 2.2.5 Inversor .......................................................................................................26 2.2.6 Circuito de Controle ....................................................................................29 2.2.7 Aplicação do Conversor de Frequência ........................................................30 2.2.7.1 Acionamento de um Motor de Indução Assíncrono .....................................31 2.2.7.2 Variação da Velocidade do Motor de Indução com conversor ......................35 2.3 2.3.1 2.3.2 2.3.3 2.3.4 2.3.5 2.3.6 2.3.7 2.3.8 2.3.9 A QUALIDADE DA ENERGIA VERSUS EFICIÊNCIA ENERGÉTICA ... 40 A Qualidade da Energia Elétrica .................................................................40 Normas e Organizações Relacionadas com Qualidade da Energia ...............43 Principais Distúrbios Associados à Qualidade da Energia Elétrica ..............45 Harmônicos ................................................................................................46 Harmônicos presentes na tensão de alimentação de um motor de indução ...46 Classificação das harmônicas ......................................................................51 A Eficiência Energética ..............................................................................54 O Consumo da Energia Elétrica ..................................................................56 Eficiência Energética do Elevador de Canecas ............................................61 3 MATERIAIS E MÉTODOS .....................................................................63 3.1. Laboratório de Eficiência Energética da Universidade Federal de Mato Grosso .......................................................................................................... 63 Medições realizadas no laboratório .............................................................69 3.2. 3.3. Análise da Qualidade de Energia Elétrica .................................................... 80 3.3.1 Tensão e Corrente do Sistema......................................................................80 3.3.2 Análise dos Resultados .............................................................................. 110 3.3.2.1 Acionamento com Partida Direta ............................................................... 110 3.3.2.2 Acionamento com conversor de frequência ............................................... 111 3.4. Impactos provocados na Potência Ativa, Potência Reativa, Potência Aparente e no Fator de Potência pelo acionamento convencional versus conversor de frequência. ............................................................................. 112 4 CONCLUSÕES ...................................................................................... 116 5 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS .................................. 120 6 REFERÊNCIAS ...................................................................................... 121 i LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Comportamento do rendimento versus carga motor de indução............................ 9 Figura 2 - Comportamento do FP versus carga motor de indução ........................................10 Figura 3 - Variação linear do torque ...................................................................................11 Figura 4 - Torque constante ................................................................................................12 Figura 5 - Torque proporcional a frequência .......................................................................12 Figura 6 - Diagrama representativo do acoplamento motor-carga ........................................14 Figura 7 - Principais grupos de máquinas de elevação e transporte......................................16 Figura 8 - Alimentação do elevador de canecas contínuo por gravidade. .............................18 Figura 9 - Descarga natural (a caneca da frente guia o material). .........................................18 Figura 10 - Elevador de canecas contínuo de correia ...........................................................18 Figura 11 - Elevador de canecas contínua de corrente .........................................................18 Figura 12 - Elevador de canecas centrífugo de correia ........................................................19 Figura 13 - Elevador de canecas centrifuga de corrente.......................................................20 Figura 14 – Diagrama simplificado de um Conversor de frequência. ...................................21 Figura 15 - Tensão monofásica e trifásica. ..........................................................................22 Figura 16 - Retificador não controlado ...............................................................................23 Figura 17 - Saída de um retificador não controlado. ............................................................23 Figura 18 - Condução do tiristor. ........................................................................................24 Figura 19 – Circuito representativo retificador controlado trifásico. ....................................24 Figura 20 - Circuito intermediário ......................................................................................25 Figura 21 - Inversores fonte de tensão ................................................................................25 Figura 22 - Circuito intermediário com tensão CC variável. ................................................26 Figura 23 - Conversor Tradicional. .....................................................................................27 ii Figura 24 - Inversor para tensão constante ou variável e a saída que depende da frequência .. de chaveamento dos transistores. ....................................................................28 Figura 25 - Modulação por amplitude e por largura de pulso. ..............................................29 Figura 26 - Estrutura do conversor monofásico...................................................................31 Figura 27 - Ligação dos transistores T1 e T4 ......................................................................31 Figura 28 - Ligação dos transistores T2 e T3 ......................................................................32 Figura 29 – Circuito representativo de funcionamento do IGBT’s .......................................32 Figura 30 - Curva tensão em função da frequência. .............................................................34 Figura 31 - Gráfico da tensão em função da frequência .......................................................35 Figura 32 - Gráfico da tensão proporcional à frequência .....................................................37 Figura 33 - Gráfico do torque em função da frequência.......................................................37 Figura 34 - Gráfico da potência em função da frequência....................................................38 Figura 35 - Ilustração dos distúrbios associados à qualidade de energia ..............................45 Figura 36 - Ilustração dos distúrbios associados à qualidade de energia...............................45 Figura 37 - Perdas elétricas de um motor de indução trifásico em função da distorção total de tensão. .......................................................................................................47 Figura 38 - Diagrama das tensões fundamentais e seu sentido de giro. ................................52 Figura 39 - Diagrama das tensões harmônicas de sequência zero. .......................................53 Figura 40 - Diagrama das tensões harmônicas de sequência negativa e seu sentido de giro. .53 Figura 41 - Diagrama das tensões harmônicas de sequência positiva e seu sentido de giro. .54 Figura 42 - Perfil de consumo por tipo de carga na indústria. ..............................................57 Figura 43 – Consumo de energia por setores em 2010 (GWh) .............................................58 Figura 44 - Consumo de eletricidade para vários setores da economia – TWh. ....................58 Figura 45 - Consumo específico de energia elétrica de alguns setores industriais ................60 Figura 46- Tela Inicial do Software ElipseScada.................................................................63 Figura 47- Centro de Controle e Proteção (Alimentação Geral) ...........................................64 Figura 48 - Centro de Controle do Conjunto Elevador de Canecas. .....................................64 iii Figura 49 - Diagrama Unifilar do sistema de acionamento do motor. ..................................65 Figura 50 - Tela de exibição das grandezas do motor ..........................................................66 Figura 51 - Arquitetura do Funcionamento do Elevador de Canecas ...................................67 Figura 52 - Analisador de energia MARH-21 .....................................................................68 Figuras 53 -Esquema de ligação do analisador em partida direta e com conversor. ..............70 Figura 54 - Ligação do Analisador MARH-21 na carga. ....................................................71 Figura 55 - Elevador de Canecas instalado no laboratório. ..................................................72 Figura 56 – tempo gasto para completar um ciclo em função da frequência de operação. ....73 Figura 57 - Potência ativa média em 20 Hertz .....................................................................74 Figura 58 - Potência ativa média em 30 Hertz. ....................................................................75 Figura 59 - Potência ativa média em 40 Hertz .....................................................................75 Figura 60 - Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o ................................80 Figura 61 - Tensão na fase A, no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. ............................................................................................81 Figura 62 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. ..............................................................81 Figura 63 - Tensão na fase B, no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. ..............................................................................................81 Figura 64 - Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. ..............................................................81 Figura 65 - Tensão na fase C, no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. ..............................................................................................81 Figura 66 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. ..............................................................81 Figura 67 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas . acionado em partida direta. ...............................................................................82 Figura 68 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. ..............................................................................................83 Figura 69 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas de partida direta ...............................................................................83 iv Figura 70 - Corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. ..............................................................................................83 Figura 71 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas de partida direta. ..............................................................................83 Figura 72 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. ..............................................................................................83 Figura 73 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas de partida direta. ..............................................................................83 Figura 74- Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência 20Hertz....................................................85 Figura 75 - Tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz .............................................................85 Figura 76 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz. ............................85 Figura 77 - Tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz. ............................................................85 Figura 78 - Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz. ............................85 Figura 79 - Tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz. ............................................................86 Figura 80 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz. ............................86 Figura 81 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. ...........................................87 Figura 82 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. ............................................................87 Figura 83 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. ..........................87 Figura 84 - Corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. ............................................................88 Figura 85 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. ..........................88 Figura 86 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. ............................................................88 v Figura 87 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. ..........................88 Figura 88 – Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas .. acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. ..............................................90 Figura 89 - Tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. ............................................................90 Figura 90 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz .............................90 Figura 91 - Tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. ............................................................91 Figura 92 - Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. ............................91 Figura 93 - Tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. ............................................................91 Figura 94 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. ............................91 Figura 95 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas . controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. ...........................................92 Figura 96 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. ............................................................93 Figura 97 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. ..........................93 Figura 98 - Corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. ............................................................93 Figura 99 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. ..........................93 Figura 100 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. ..............................................................................................93 Figura 101 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. ............93 Figura 102- Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas .. acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. ..............................................95 Figura 103 - Tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz................................................................95 vi Figura 104 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. ..........................95 Figura 105 - Tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. ..........................................................96 Figura 106- Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. ..........................96 Figura 107 - Tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. ..........................................................96 Figura 108 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. ..........................96 Figura 109 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. .........................................97 Figura 110 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. .........................................98 Figura 111 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. .........98 Figura 112 - Corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. .........................................98 Figura 113 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. .........98 Figura 114 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. .........................................98 Figura 115 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. .........98 Figura 116 – Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz..............................100 Figura 117 - Tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. ........................................................100 Figura 118 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. ........................100 Figura 119 - Tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. ........................................................101 Figura 120 - Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. ........................101 vii Figura 121 - Tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. ........................................................101 Figura 122 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. ........................101 Figura 123 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. .......................................102 Figura 124 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. .......................................103 Figura 125 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. .......103 Figura 126 - Corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. .......................................103 Figura 127 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. .......103 Figura 128 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. .......................................103 Figura 129 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. .......103 Figura 130 - Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas . acionado por conversor de frequência a 60 Hertz ..........................................105 Figura 131 - Tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. ........................................................105 Figura 132 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. ........................105 Figura 133 - Tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. ........................................................105 Figura 134 - Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. ........................105 Figura 135 - Tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. ........................................................106 Figura 136 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. ........................106 Figura 137 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. .......................................107 viii Figura 138 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. .......................................107 Figura 139 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. .......107 Figura 140 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. .......107 Figura 141 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. .......107 Figura 142 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. .......................................108 Figura 143 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. .......108 Figura 144 - Potência ativa absorvida no barramento do sistema que alimenta o elevador de . canecas em partida direta e com conversor de frequência. .............................113 Figura 145- Potência reativa absorvida no barramento do sistema que alimenta o elevador de canecas em partida direta e com conversor de frequência. .............................114 Figura 146- Potência aparente solicitada no barramento do sistema que alimenta o elevador de canecas . em partida direta e com conversor de frequência, nas frequências de 20 a 60 Hertz. ....114 Figura 147 - Fator de Potência da carga conectada no barramento do sistema que alimenta o elevador de canecas acionada por conversor de frequência. ...........................115 ix LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Distribuição das tensões no motor ......................................................................34 Tabela 2 - Terminologia aplicável às formulações do cálculo de valores de referência para as distorções harmônicas, regulamentada pela ANEEL...........................................49 Tabela 3 - Valores de referência global das distorções harmônicas totais (em porcentagem da tensão fundamental)...........................................................................................................50 Tabela 4 - Níveis de referência para distorções harmônicas individuais de tensão, em percentagem da tensão fundamental ....................................................................51 Tabela 5 – Ordem, frequência e sequência de harmônicas. ..................................................51 Tabela 6 - Dados do motor de indução................................................................................68 Tabela 7 - Dados do Conversor de Frequência ....................................................................69 Tabela 8 - Tempo gasto para o elevador de canecas completar um ciclo nas frequências de 20 a 60 Hertz e na partida direta ..............................................................................73 Tabela 9 - Consumo por ciclo (kWh/ciclo) .........................................................................76 Tabela 10 - Número de ciclos em 10 horas nas frequências de 20 a 60 Hertz e na partida ...... direta do elevador de canecas.............................................................................77 Tabela 11 - Consumo diário de energia elétrica na frequência de 20 a 60 Hertz e na partida direta..................................................................................................................78 Tabela 12 - Estimativa do consumo diário da energia para 20, 30, 40, 50, 60 Hertz e Partida Direta......................................................................................................79 Tabela 13 - Frequência, período, potência ativa e consumo em um ciclo. ............................79 Tabela 14 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões na partida direta – medição .......82 Tabela 15 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes na partida direta - medição ............84 Tabela 16 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões a 20 Hertz – medição .....................86 Tabela 17 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes a 20 Hertz - medição....................89 Tabela 18 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões a 30 Hertz – medição ...............92 Tabela 19 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes a 30 Hertz - medição .................94 Tabela 20 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões a 40 Hertz– medição .97 x Tabela 21 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes a 40 Hertz - medição .................99 Tabela 22- Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões a 50 Hertz– medição102 Tabela 23 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes a 50 Hertz - medição ...............104 Tabela 24 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões a 60 Hertz-medição 106 Tabela 25 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes a 60 Hertz - medição ...............108 xi RESUMO ANNUNCIAÇÃO, L. Estudo do impacto do sistema de acionamento de um motor de indução trifásico na eficiência energética e na qualidade da energia elétrica: um estudo de caso – elevador de canecas. Cuiabá, 2011. 146p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Edificações e Ambiental), Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia, Universidade Federal de Mato Grosso. O objetivo principal desta dissertação é analisar o processo de acionamento de uma máquina de indução, especificamente de um elevador de canecas, utilizando partida direta e com conversor de frequência, para verificar a eficiência elétrica do sistema. O acionamento eletrônico utiliza sistemas microprocessados que podem reduzir o consumo de energia elétrica e demanda de potência ativa. Por outro lado, há uma preocupação com as distorções harmônicas geradas pelas respostas a essas cargas no sistema. Em busca de soluções que visem à melhoria da qualidade da energia elétrica e eficiência energética, esta dissertação apresenta medições em laboratório de um sistema de elevador de canecas com acionamento convencional — partida direta, em comparação a um acionamento controlado por conversor de frequência. Os dados foram coletados no Laboratório Eletrobrás/Procel de Eficiência Energética da Universidade Federal de Mato Grosso. Os resultados mostram que na demanda de potência ativa houve uma redução que pode se tornar significativa em uma indústria que possui motores de grande porte. Palavras-Chave: Acionamento, Partida direta, Conversor de Frequência, Eficiência Energética, Consumo de Energia, Qualidade de Energia Elétrica. xii ABSTRACT ANNUNCIAÇÃO, L. Study of the impact of the drive system of an induction motor in energy efficiency and power quality: a case study - bucket elevator. Cuiaba, 146p. Dissertation (Master in Environmental Engineering and Building), Faculty of Architecture, Engineering and Technology, Federal University of Mato Grosso. The main objective of this work is to analyze the process of induction machine drive, specifically, a bucket elevator using direct starting and inverters to check the electrical efficiency of the system. The microprocessor-based systems use electronic commands that can reduce energy consumption and demand the active power. Moreover, there is concern about the harmonic distortion for the answers to these loads in the system. In search of solutions aimed at improving the power quality and energy efficiency, this work presents laboratory measurements of a bucket elevator system with conventional drive - starting directly compared to a drive controlled by adjustable speed drive. Measurement results were collected at the Eletrobrás Laboratory / Procel Energy Efficiency at Federal University of Mato Grosso. These results showed that there was a reduction in demand that may become significant in an industry that has large motors. Keywords: Process, Direct Starting, adjustable speed drive, Energy Efficiency, Energy Consumption, Power Quality. 1 1 INTRODUÇÃO 1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Entre os vários custos gerenciais em uma empresa, seja do setor industrial ou comercial, a energia elétrica vem assumindo, cada vez mais, uma importância crescente, motivada pela redução de custos decorrentes do mercado competitivo, pelas incertezas da disponibilidade energética ou por restrições ambientais. De qualquer forma, seja qual for a motivação, promover a eficiência energética é essencialmente usar o conhecimento de forma aplicada, empregando os conceitos de engenharia, da economia e da administração aos sistemas energéticos. Contudo, dada à diversidade e complexidade desses sistemas, é interessante apresentar técnicas e métodos para definir objetivos e ações para melhorar o desempenho energético e reduzir as perdas nos processos de transporte, armazenamento e distribuição de energia. MARQUES, et al. ( 2007). A partir da crise energética de 2001, medidas que visam o uso racional da energia elétrica vêm sendo adotadas por todos os setores da população brasileira. De um lado, fabricantes têm direcionados seus esforços para o desenvolvimento de equipamentos mais eficientes e de outro, consumidores em geral se preocupam em adquirir esses equipamentos e, adicionalmente, adotam medidas para o uso racional da energia. O governo também merece menção especial, pois é autor de uma série de medidas incentivando a eficiência energética desde a geração até o consumo. A eficiência energética está relacionada diretamente com a utilização racional da energia, que tem como premissa a utilização eficiente de energia elétrica. Esse conceito é previsto na lei 10.295/2001, que dispõe sobre a política nacional de conservação e uso racional de energia elétrica, em que o poder executivo estabelece níveis máximos de consumo específico de energia, ou mínimos de eficiência energética de máquinas e aparelhos consumidores de energia elétrica fabricados ou comercializados no país. Com isso, o setor doméstico como de serviços e industrial teve que se adequar à prática de economia energética e redução de custos. No caso específico de sistemas motrizes, o Decreto 4.508/2002 define os níveis mínimos de eficiência energética de motores elétricos trifásicos de indução, 2 rotor tipo gaiola de esquilo, de fabricação nacional ou importada para comercialização ou uso no Brasil. Na indústria nacional é comum a aplicação de técnicas convencionais na operação de sistemas motrizes. Só para se ter uma idéia, 43,7% da energia elétrica consumida no Brasil é utilizada no sistema industrial, sendo que destes aproximadamente 49% se referem a sistemas motrizes, segundo o Balanço Energético Nacional de 2010. A interpretação dessa realidade nos impulsiona à realização de estudos no setor, tendo por objetivo a sua modernização e eficiência. Como exemplo, pode-se citar a substituição de motores de indução trifásicos do tipo convencional pelos de alto rendimento, métodos de acionamento de motores com chaves de partida direta ou estrela-triângulo por dispositivos de partida suave, softstarter e conversor de frequência, sendo este, o foco de estudo nesta pesquisa, utilizado principalmente em processos que possibilitam o funcionamento com variação na velocidade do eixo do motor. No acionamento de um motor elétrico com partida direta, a corrente de partida do motor é muito elevada, podendo variar de 5 a 10 vezes a corrente nominal, o que pode ocasionar consequências prejudiciais ao sistema elétrico como elevada queda de tensão no sistema de alimentação da rede. Em função disso, a queda de tensão provoca a interferência em equipamentos instalados no sistema. O sistema de proteção (relês e contatores) deverá ser superdimensionado, considerando que estará ocasionando um custo elevado. Além disso, deve-se levar em conta a imposição das concessionárias de energia elétrica que limitam a queda de tensão da rede. Essas consequências são minimizadas com o acionamento do motor de indução através do conversor de frequência, uma vez que ele utiliza o controle eletrônico com sistemas microprocessados, propiciando partida suave com redução na corrente. Mato Grosso é um dos maiores produtores de grãos do país. Na colheita, estocagem e beneficiamento, é utilizado o transporte por sistemas de correias e elevadores de canecas acionados por motor de indução. O presente estudo está focado em um sistema de acionamento do elevador de canecas em conjunto com o motor de indução trifásico convencional, amplamente 3 difundido no manejo e transporte de grãos no ambiente industrial do Estado de Mato Grosso. 1.2 CONTEXTUALIZAÇÃO DA PESQUISA O estudo do acionamento dos elevadores de canecas, por partida direta em comparação com acionamento através de conversor de frequência, objetiva analisar o comportamento do sistema elétrico, verificando a eficiência energética deste sistema, uma vez que ele utiliza o controle eletrônico com sistemas microprocessados, podendo assim reduzir a demanda de potência ativa e o consumo da energia elétrica. O acionamento de motores elétricos, de indução por conversor de frequência, é uma alternativa relativamente nova, porém amplamente utilizado nas indústrias. Assim sendo, muito ainda há por ser feito, estudado, pesquisado e compreendido em tais aplicações. Percebe-se, com o avanço na área, a necessidade de previsão de orientação técnica específica, precisamente para fabricantes de motores e conversores, para que tais aplicações sejam efetivamente vantajosas e atrativas em termos de eficiência energética e de custo. Ao final deste estudo, apresenta-se a análise técnica da aplicação dos acionamentos via partida direta e conversor de frequência quanto à eficiência elétrica do sistema, no que diz respeito à demanda de potência ativa, no consumo de energia elétrica e qualidade de energia, levando-se em consideração o conversor como um equipamento não-linear. 1.3 ESTADO DA ARTE Pela funcionalidade que os microprocessadores trouxeram, os conversores de frequência hoje são dotados de poderosas central processing unit (CPUs) ou placas de controle microprocessadas, que possibilitam uma infindável variedade de métodos de controle, expandindo e flexibilizando o uso dos mesmos. Cada fabricante consegue implementar sua própria estratégia de controle, de modo a obter domínio total sobre o comportamento do eixo do motor elétrico, permitindo, em muitos casos, que motores elétricos trifásicos de corrente alternada substituam servo motores em 4 muitas aplicações. Os benefícios são diversos, como redução no custo de desenvolvimento, custo dos sistemas de acionamento, custo de manutenção, etc. Por apresentar esta versatilidade e precisão quanto ao controle do motor de indução, os conversores estão sendo aplicados em vários sistemas, dentre eles, podese destacar o sistema de bombeamento de água nas adutoras e na distribuição no perímetro urbano, na irrigação de lavouras, na climatização e refrigeração, no sistema de bombeamento hidraúlico, nas torres de refrigeração, no compressor de ar nas indústrias, nos elevadores de edifícios residenciais, nas máquinas de elevação e transporte, em todos com rendimento satisfatório quanto à eficiência elétrica e controle. 1.4 DELIMITAÇÃO DO TEMA O foco desta pesquisa é o acionamento de elevadores de canecas com motor de indução convencional pelo método de partida direta e, em seguida, o método que utiliza dispositivos eletrônicos, neste caso, conversor de frequência, para comparar a eficiência energética do sistema no que diz respeito à demanda de potência ativa e ao consumo de energia elétrica, como também, as consequências quanto à qualidade de energia. 1.5 CONTRIBUIÇÃO DESTA PESQUISA Da análise da comparação do acionamento do sistema motriz com partida direta e com conversor de frequência, espera-se oferecer subsídios que contribuam para a redução da demanda de potência ativa, do consumo de energia elétrica, podendo ser aplicada a outros sistemas semelhantes. 1.6 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO Diante desta proposta, além do presente capítulo introdutório, esta dissertação será desenvolvida obedecendo à seguinte estrutura: Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica — Este capítulo tem por objetivo abordar Máquinas de indução; Motor elétrico de indução; Motores elétricos de indução de 5 alto rendimento; Curvas características e comportamento do motor de acordo com os tipos de carga; Interação entre o motor e a carga acionada com conversor de frequência; Regimes de operação; Acoplamento motor-carga; Máquinas de elevação e transporte; Elevadores de canecas; Conversor de Frequência; Aplicação do conversor de frequência no acionamento do elevador de canecas; Princípio de funcionamento do conversor de frequência; Retificador; Circuito intermediário; Inversor; Circuito de controle; Aplicação do conversor de frequência; Qualidade de energia elétrica; Normas e organizações relacionadas à qualidade de energia; Principais distúrbios associado a qualidade de energia elétrica; Harmônicas; Harmônicas presentes na tensão de alimentação de motor de indução; Classificação das harmônicas; A eficiência energética; O consumo de energia elétrica no Brasil; Eficiência energética do elevador de canecas. Capítulo 3 — Materiais e Métodos — Este capítulo apresenta o Laboratório Eletrobrás/Procel de Eficiência Energética da Universidade Federal de Mato Grosso, onde foram coletados os dados do acionamento do elevador de canecas, características dos equipamentos utilizados nas medições e análise dos resultados, quanto à distorção harmônica de tensão e corrente, e o impacto na potência ativa, potência reativa, potência ativa, o fator de potência e fator de deslocamento com acionamento convencional e com acionamento eletrônico. No capítulo final, as conclusões, apresentam-se os resultados do estudo realizado em laboratório com acionamento de elevadores de canecas por sistema convencional — Partida Direta versus acionamento eletrônico Conversor de Frequência. 6 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 MÁQUINAS DE INDUÇÃO Embora os motores de indução trifásicos sejam máquinas intrinsecamente eficientes, estes se constituem como um grande potencial de conservação de energia. Tal fenômeno pode ser explicado através de duas razões principais, quais sejam, a grande quantidade de motores instalados e a utilização ineficiente dos mesmos. De fato, como já mencionado (Balanço Energético Nacional — BEN— 2010) mostrou que, em média, cerca de 49% das cargas elétricas industriais são compostos por motores de indução, chegando a 70% em algumas regiões do país. Por outro lado, é muito comum encontrar o chamado motor sobredimensionado, ou seja, motores acionando cargas muito inferiores à sua capacidade nominal, acarretando em baixos fatores de potência e rendimentos, contribuindo para sua aplicação ineficiente. O acionamento dos transportadores de correias, elevadores de canecas, é feito em sua grande maioria por meio de motores elétricos, acoplados a redutores e esses, por sua vez, acoplados aos tambores de tração. Os motores de indução com rotores em curto-circuito são os mais usados. Atualmente, a aplicação de controles eletrônicos está fazendo com que os motores especiais, com rotores bobinados ou de corrente contínua, estejam caindo em desuso e só aplicados em casos muito especiais ou que envolvem grandes potências. NOGUEIRA (2002). 2.1.1 O motor elétrico de indução O motor de indução foi desenvolvido por Nikola Tesla no período de 1882 a 1887. Desde então os motores tiveram uma série de desenvolvimentos e melhorias. Um exemplo disso é a relação peso-potência que em 1891 era da ordem de 88 kg/kW e que nos dias atuais caiu para 5,7 kg/kW. Essa redução se deve, principalmente, aos avanços nas técnicas de isolação e na redução da seção dos condutores, extraindo-se, contudo, uma mesma potência. SANTOS, et al. ( 2001). 7 Devida suas inúmeras vantagens, o motor de indução trifásico com rotor curto-circuitado, conhecido também, pelo nome de motor de indução trifásico com rotor de gaiola é o mais utilizado no mundo inteiro. Entre suas vantagens, estão: menor custo apresenta menor exigência de manutenção, atendem um grande número de diferentes cargas, são utilizáveis em qualquer ambiente, ligação à rede simples e são cargas equilibradas. Suas desvantagens são: fator de potência baixo em carga parcial, rendimento baixo para cargas inferiores a 50% da sua potência nominal, corrente de partida elevada. Atualmente, a aplicação de controles eletrônicos está fazendo com que os motores especiais, com rotores bobinados ou de corrente contínua, sejam utilizados somente em casos especiais. O grande problema dos motores de indução são as elevadas correntes de partida, entretanto, o mercado oferece possibilidades para amenizar os efeitos desta corrente, como, por exemplo, as antigas chaves estrela-triângulo e, atualmente, os dispositivos de partida suave, conhecidos também como soft-starter e conversores de frequência. Estes dispositivos utilizam componentes eletrônicos para controlar a tensão aplicada no estator do motor. A partida pode ser programada de forma suave, assim como a parada, reduzindo consequentemente, o pico da corrente de partida. O resultado é a diminuição do estresse térmico e mecânico. A tendência é a vida útil do motor e equipamentos acoplados aumentar, devido à eliminação de estresse mecânico durante a partida. Convém observar que a operação correta do motor e em condições ideais é que trará benefícios para o usuário. O percentual de perdas internas do motor, mesmo os de alto rendimento pode ser elevado, se o mesmo estiver trabalhando em condições precárias. O funcionamento desta máquina fora dos padrões de alimentação, em local de funcionamento não adequado, superdimensionamento, acoplamento incorreto ou desalinhado, podem anular os benefícios da utilização de um motor de alto rendimento. 2.1.2 Motores elétricos de indução de alto rendimento Os motores de alto rendimento são motores projetados para fornecer a mesma potência na ponta do eixo assim como, outros tipos de motores, porém, consumindo 8 menos energia elétrica. Os motores de alto rendimento têm seu projeto modificado, em relação aos motores da linha padrão, objetivando a diminuição da sua perda global. Normalmente, as perdas por efeito joule estatórico do motor de alto rendimento é maior que as mesmas perdas no motor da linha padrão. Enquanto que com as perdas suplementares acontece o contrário. GUIMARÃES (2007). As características dos motores das linhas padrão e alto rendimento são técnica, elétrica e mecanicamente similares e atendem ao acionamento da carga sem que sejam necessárias adequações. A aquisição de um motor de alto rendimento, neste sentido, deve levar em conta o custo de aquisição, em média 30% mais caro que o motor da linha padrão, e o menor custo operacional devido à sua maior eficiência. A substituição, todavia, requer uma avaliação técnico-econômica, de modo a verificar se a economia de energia obtida é suficiente para pagar a diferença de preço em tempo razoável. GUIMARÃES (2007). 2.1.3 Curvas Características e Comportamento do Motor de Acordo com os tipos de Carga. 2.1.3.1 Rendimento versus Cargas do motor de indução O motor é constituído de diversas partes e de diversos tipos de materiais que apresentam diferentes tolerâncias quanto às suas características dimensionais e/ou físicas. O rendimento máximo é determinado pelos materiais utilizados na fabricação e pelas dimensões da máquina. Muitos motores apresentam rendimento máximo quando acionam cargas entre 75% e 100% da nominal. Motores com potência nominal abaixo de 10 CV tem uma redução acentuada do seu rendimento para carregamento inferior a 60%. SANTOS, et al (2001). A Figura 1 mostra a influência que a carga tem sobre o rendimento. O rendimento indicado na placa do motor representa o rendimento nominal médio de uma grande quantidade de motores de um mesmo projeto. 9 Figura 1 - Comportamento do rendimento versus carga motor de indução Fonte: ALMEIDA (2009) Segundo a NBR 7094/2000, não há limite de tolerância do rendimento para valores acima do indicado no motor. Para valores inferiores, os limites de tolerância para motores de linha padrão e da linha de alto rendimento devem obedecer ao seguinte critério. - Para rendimento marcados de η 0,2 x (1- η); 0,851, o limite inferior de tolerância é dado por - Para rendimento marcados de η 0,15x (1- η); 0,851, o limite inferior de tolerância é dado por O rendimento utilizando o método direto pode ser determinado pela equação 1. % Pm .100 Pe Eq. 1 Onde: Pm- Potência mecânica no eixo do motor; Pe- Potência elétrica ativa na entrada do motor; η (%)- rendimento em porcentagem. Deve-se ressaltar que a obtenção da potência mecânica no eixo do motor nunca é direta, mas o produto de torque e velocidade. O cálculo de rendimento pelo método indireto leva em conta as perdas, logo para essa condição, a indicação do rendimento é expressa pela equação 2: % Pm .100 Pe Perdas Eq. 2 10 O método preferencial da NBR 5383, revisado em 2000, sugere a medição de perdas utilizando dinamômetro. A medição de resistência do estator deve ser realizada em condições ambiente. A temperatura deve ter seu valor corrigido para a temperatura de trabalho do motor. São ainda necessários, testes auxiliares para os cálculos das perdas por atrito e ventilação, perdas no núcleo magnético e perdas suplementares. 2.1.3.2. Fator de Potência versus Carga motor de indução A curva de comportamento, mostrada na Figura 2, demonstra que o motor de indução apresenta melhor fator de potência dentro da faixa entre 75% e 100% de carga nominal. Portanto, deve-se evitar que o motor trabalhe com carregamento leve. O baixo fator de potência, principalmente nos parques industriais, além de sobrecarregar os transformadores, pode sujeitar o consumidor a pagar multa, por baixo fator de potência. A resolução 256 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aplica ao consumidor industrial multa por baixo fator de potência, conhecida como faturamento por excedente de reativo. P Pn Figura 2 - Comportamento do FP versus carga motor de indução Fonte: Fonte: ALMEIDA (2009) 11 2.1.4. Interação entre o motor e a carga acionada com conversor de frequência. 2.1.4.1. Tipos de carga O correto dimensionamento do sistema de velocidade variável depende do conhecimento do comportamento da carga, ou seja, da demanda de torque na ponta do eixo do motor. As cargas podem ser classificadas em 3 (três) tipos: Torque variável, Torque constante e Torque hiperbólico. 2.1.4.2. Cargas de torque variável Nestes tipos de máquinas, o conjugado varia linearmente com a rotação, já a potência varia com o quadrado da rotação conforme, ilustrado na Figura 3 são exemplos típicos: Bombas centrífugas, Exaustores centrífugos, Ventiladores, Compressores centrífugos. A variação da velocidade por meio de acionamento eletrônico permite grandes economias de energia com esse tipo de carga, uma vez que a potência mecânica disponibilizada na saída do motor não será constante, mas varia convenientemente de acordo com a exigência da carga. Figura 3 - Variação linear do torque Fonte: WEG - Módulo 02 Variação de Velocidade (apostila) 2.1.4.3. Cargas de torque constante Nas máquinas deste tipo, o conjugado permanece constante durante a variação de velocidade e a potência aumenta proporcional a velocidade. São 12 exemplos típicos: Compressores alternados, Compressores helicoidais, Elevadores de caneca, Esteiras transportadoras, Bombas de deslocamento positivo, Extrusoras, Trituradores. A Figura 4 ilustra por meio do gráfico o comportamento do torque em relação ao da velocidade do motor. Figura 4 - Torque constante Fonte: WEG – Módulo 02 Variação de Velocidade (apostila) 2.1.4.4. Cargas de torque hiperbólico Neste tipo de máquina cujo comportamento está ilustrado no gráfico da Figura 5, observa-se que a o torque cai proporcional à frequência com aumento da velocidade, enquanto que a potência resulta constante durante toda faixa de operação. São exemplos típicos: Ferramentas de usinagem; Bobinadeiras. Figura 5 - Torque proporcional a frequência Fonte : WEG – Módulo 02 Variação de Velocidade (apostila) 13 2.1.5 Regimes de Operação 2.1.5.1. Regime de Velocidade Variável Os motores projetados para operação em regime de velocidade variável trabalham sobre uma faixa contínua de frequências de operação. Assim, do ponto de vista de projeto, o motor tem a vantagem de operar mais frio em algumas velocidades ao longo da faixa de operação. 2.1.5.2 Regime de Velocidade Constante Os motores projetados para operação em regime de velocidade constante podem operar continuamente em qualquer velocidade dentro da faixa de operação. No projeto, considera-se que ele trabalhará por um período de tempo indefinido com carga nominal (igual a frequência-base) na velocidade que resultar na maior elevação de temperatura. 2.1.6 Acoplamento Motor-Carga Na maioria das aplicações envolvendo acionamentos necessita-se acoplar o motor com a carga. A transferência de potência do motor para a carga é realizada por intermédio de sistemas de transmissão de potência mecânica, ou acoplamentos mecânicos, que podem ser de vários tipos, como citados a seguir. NOGUEIRA (2002). a) Acoplamento direto, também conhecido como acoplamento rígido: o acoplamento direto é usado apenas em casos particulares, em que o alinhamento entre os eixos é realizado com perfeição ou, então, quando não existem mancais intermediários entre as máquinas. A instalação desse tipo de acoplamento é na maioria das vezes de forma simples. As perdas podem ser consideradas nulas. A utilização do acoplamento direto é limitada a máquinas ou equipamentos que possam trabalhar na mesma velocidade ou próximo à velocidade do motor. O rendimento do acoplamento direto é considerado de aproximadamente 100%. b) Acoplamento por correias: A transmissão por correias é o mais utilizado na transmissão de potência ao longo do tempo. Isso ocorre em virtude da facilidade desse tipo de acoplamento adaptar-se aos vários tipos de máquinas. A correia 14 dependendo da geometria ajuda a diminuir vibrações no conjunto motor-carga, além disso, podem ser fabricadas com materiais sintéticos, capazes de conduzir elevadas potências em transmissões compactas. As perdas médias de energia desse tipo de acoplamento giram em torno de 5%. c) Acoplamento por correntes: Entre as características básicas da transmissão por correntes, incluem-se relação de velocidade constante, que não apresenta deslizamento, nem estiramento; capacidade de transmissão de torque mais elevado que as correias; grande durabilidade e possibilidade de acionar vários equipamentos a partir de uma única fonte de potência. Apresenta rendimento em torno de 90%. d) Acoplamento hidráulico: A transmissão por caixas redutoras ou acoplamentos hidráulicos, tem os seus campos de aplicação, normalmente associados a grandes potências, conjugados elevados de partida, variação de velocidade, etc. A eficiência destes tipos de acoplamento é elevada, gira em torno de 95%. É importante ressaltar que esse é o acoplamento usado no acionamento do Elevador de Canecas, no Laboratório de Eficiência Energética da Universidade Federal de Mato Grosso. A Figura 6 apresenta um diagrama onde estão representados conjugados, momento de inércias, velocidades e redutores que compõem o acoplamento motorcarga. Figura 6 - Diagrama representativo do acoplamento motor-carga Fonte: ALMEIDA, B. P. Comportamento Elétrico, Mecânico e Hidráulico em Sistema de Bombeamento sob o Enfoque da Eficiência Energética: UFU, 2009. (Dissertação de mestrado) Onde: R- relação de acoplamento; Cn- conjugado nominal; Ccn-conjugado nominal da carga; Jm - momento de inércia do motor; Jc - momento de inércia da carga. 15 2.1.7. Máquinas de Elevação e Transporte As máquinas e equipamentos de transporte são utilizados para movimentar as mais diversas cargas no interior de fábricas, entre dois departamentos, carregando ou descarregando. Diferentemente do transporte de longa distância, isto é, rodovias, ferrovias, náuticas ou hidrovias que carrega mercadorias entre locais separados por distâncias consideráveis, às máquinas de transporte movem as cargas por distâncias relativamente curtas. Na prática, essas distâncias são usualmente limitadas a dezenas ou centenas de metros e só ocasionalmente atingem milhares de metros, assegurando uma constante transferência de cargas entre dois ou mais pontos, ligados por uma atividade comum de produção. Os processos de transporte desse tipo não se limitam apenas a mover materiais de um lugar para outro, mas incluem também, operações de carga e descarga, isto é, entrega do material às máquinas portadoras de carga, descarregandoas em locais predeterminados, alojando as mercadorias em armazéns e movendo-as aos equipamentos de processo. A linha de produção atual deve assegurar um funcionamento impecável dos processos de transporte de matérias-primas, produtos semi-acabados e da produção terminada, em todas as fases da fabricação e do armazenamento. Sem a aplicação de complexas máquinas e equipamentos seria inconcebível a execução manual dos trabalhos de carga e descarga que a indústria moderna necessita. Além disso, não seria possível a substituição do pesado trabalho humano. Os atuais equipamentos e máquinas de transporte de alta produtividade, que trabalham em elevadas velocidades e que possuem grande capacidade de carga apareçam como resultado do aperfeiçoamento gradual das máquinas no curso de um longo período de tempo. 2.1.7.1 Classificação das Máquinas de Transporte Em virtude da grande variedade de equipamentos e máquinas de transporte existentes, princípios diferentes de operação, sentidos, direções e características do material a ser transportado é difícil uma perfeita e completa classificação. 16 Uma forma seria o enquadramento em transporte interno ou externo, dentro ou fora da indústria ou do departamento. As instalações externas de transporte entregam à unidade fabril matéria-prima, artigos semiacabados, combustíveis, materiais auxiliares e retiram os produtos acabados e refugos. Já as instalações internas transportam e distribuem as cargas que entram na empresa às unidades de processo. Outra maneira de classificação é feita em função do princípio de operação, que é uma das suas características mais distintas que são: a) De ação contínua – são as máquinas de transporte, ou transportadores propriamente ditos; agrupam vários tipos de correias transportadoras, sistemas de transporte hidráulicos, pneumáticos e equipamentos de transferência. b) De ação intermitente – grupo das máquinas de elevação e de superfície, que podem incluir carros, vagões, etc. As máquinas de transporte também podem ser divididas segundo as características do material que é transportado: cargas unitárias ou a granel. As máquinas de elevação destinam-se principalmente às cargas unitárias, ou seja, o material constitui uma unidade a ser transportada ou é agrupado em embalagens de modo a constituir unidade de carga. A Figura 7 ilustra uma visão geral da classificação das máquinas de elevação e transporte, as quais destacam-se o grupo máquinas de elevação, os elevadores de canecas, objeto deste estudo. Figura 7 - Principais grupos de máquinas de elevação e transporte Fonte: Módulo - Correia Transportadora - PROCEL 2002 17 Em decorrência das máquinas de ação contínua serem, normalmente, usadas para transporte de apenas um tipo definido de carga e em um trajeto fixo, elas são consideravelmente mais fáceis de serem automatizadas; são sistemas de grande confiabilidade e se destacam por sua elevada produtividade e baixo custo operacional. 2.1.8 Elevadores de Canecas Os transportes em elevação – tanto os transportadores de correia quanto os transportadores helicoidais – possuem limitações. Para vencer essas dificuldades utiliza-se os elevadores de canecas, de uma ou duas colunas, que conseguem efetuar transportes verticais com eficiência e economia de custos e espaço físico. Os elevadores de canecas constituem um meio econômico de transporte vertical de material a granel, podendo ser inclinados de até 70°, havendo casos especiais de equipamentos horizontais. São fabricados em vários tipos, em função das características do material a ser transportado. Podem ser do tipo centrífugo ou do tipo contínuo e com as canecas fixas em correia ou em correntes. RUDENKO (1976) a) Elevadores Contínuos Estes elevadores caracterizam-se por suas canecas espaçadas, por sua baixa velocidade e também por na maioria das vezes, trabalharem em plano inclinado de 30º com a vertical, porém podem operar verticalmente. Este tipo de elevador foi projetado para elevação de materiais abrasivos e de alta granulometria, mas são também empregados na elevação de materiais frágeis ou extremamente finos como cimento e cal. Sua inclinação e baixa velocidade lhe proporciona excelente rendimento devido à facilidade de alimentação total das canecas, assim como, descarga mais suave. Entre as canecas, praticamente não existe espaçamento e seu formato, além de proporcionar total carregamento, faz como que na descarga a caneca da frente sirva de calha de descarga do material da caneca seguinte (Figuras 8 e 9). 18 Figura 8 - Alimentação do elevador de Figura 9 - Descarga natural (a caneca da canecas contínuo por gravidade. frente guia o material). Fonte: Transportadores Contínuos para Granéis Sólidos. Fonte: Transportadores Contínuos para Granéis Sólidos. Os elevadores de canecas contínuos podem ser: a.1) Contínuo de correia – normalmente encontrados em transportes de materiais frágeis, pulverizáveis ou fluídos. Possuem carregamento por alimentação direta e operam em baixas velocidades e seus conjuntos de cabeceira são maiores que o dos centrífugos (Figura 10). Figura 10 - Elevador de canecas contínuo de correia Fonte: Transportadores Contínuos para Granéis Sólidos. a.2) Contínuos de corrente – utilizado no transporte de materiais pesados e de maior granulometria, sendo as canecas fixadas por um par de correntes que são acionadas por rodas dentadas (Figura 11). Figura 11 - Elevador de canecas contínua de corrente Fonte: Transportadores Contínuos para Granéis Sólidos 19 b) Elevadores Centrífugos Este tipo de elevador tem as canecas espaçadas, operam na vertical e em velocidade maior que os contínuos. A descarga do material elevado é feita pela ação da força centrífuga desenvolvida quando as canecas passam ao redor do tambor de acionamento. É indicado para elevação de materiais de livre vazão, tais como grãos, areia, carvão triturado e produtos químicos secos. Os elevadores de canecas centrífugos podem ser: b.1) Centrífugos de correia – normalmente utilizados para transporte de materiais finos, secos e de fácil escoamento, e que não possuem fragmentos que possam danificar a correia. Suas canecas são fixadas diretamente na correia por parafusos, com o espaçamento ideal para permitir o basculamento da caneca (Figura 12); Figura 12 - Elevador de canecas centrífugo de correia Fonte: Transportadores Contínuos para Granéis Sólidos b.2) Centrífugos de corrente – também utilizados para materiais de escoamento fácil e não abrasivos, que possam estar depositados no fundo do transportador. Para o deslocamento da corrente são utilizadas rodas dentadas, que impossibilitam o deslizamento durante os carregamentos (Figura 13). 20 Figura 13 - Elevador de canecas centrifuga de corrente Fonte: Transportadores Contínuos para Granéis Sólidos 2.2 CONVERSOR DE FREQUÊNCIA O conversor de frequência é um equipamento muito utilizado atualmente para acionamento e controle de motor de indução, considerando que o objetivo desta dissertação é fazer estudo da comparação do acionamento de motor de indução através do conversor com acionamento em partida direta, dar-se-á um destaque dentro da revisão bibliográfica ao estudo mais detalhado sobre funcionamento e aplicação do conversor de frequência. 2.2.1 Aplicação do Conversor de Frequência no Acionamento de Elevador de Canecas Os conversores de frequência são equipamentos eletrônicos que fornecem total controle sobre a velocidade de motores elétricos de corrente alternada através da conversão das grandezas fixas, tensão e frequência da rede, em grandezas variáveis. Apesar de o princípio ser o mesmo, houve grandes mudanças entre os primeiros conversores de frequência e os atuais, devido, principalmente, à evolução dos componentes eletrônicos com destaque aos transistores e aos microprocessadores digitais. A grande maioria dos conversores de frequência usados pela indústria para controlar a velocidade de motores elétricos trifásicos de corrente alternada são desenvolvidos de acordo com 2 (dois) princípios: 21 a) Conversores de frequência desenvolvidos sem um circuito intermediário conhecido como conversor direto e; b) Conversor de frequência com um circuito intermediário variável ou fixo. 2.2.2 Princípio de Funcionamento do Conversor de Frequência Desde meados da década de 60, os conversores de frequência têm passado por várias e rápidas mudanças, principalmente pelo desenvolvimento da tecnologia dos microprocessadores e semicondutores e pela redução dos seus preços. Entretanto, os princípios básicos dos conversores de frequência continuam os mesmos. Os conversores de frequência podem ser subdivididos em quatro componentes principais (Figura 14): o retificador, o circuito intermediário, o inversor e o circuito de controle. O que todos os conversores de frequência têm em comum é que o circuito de controle usa sinais para chavear o inversor. Conversores de frequência são classificados de acordo com o padrão de chaveamento que controla a tensão de saída para o motor. Figura 14 – Diagrama simplificado de um Conversor de frequência. Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. Conversores diretos também devem ser mencionados para conhecimento. Esses conversores são usados em potências da ordem de MW para gerar frequências baixas diretamente da alimentação e sua saída máxima está em torno de 30 Hz. 22 2.2.3 Retificador O retificador, que é conectado a uma fonte de alimentação externa alternada mono ou trifásica, gera uma tensão contínua pulsante. Existem basicamente 2 (dois) tipos de retificadores — controlados e não-controlados. A tensão de alimentação é do tipo tensão alternada trifásica ou monofásica com frequência fixa (ex. 3 x 380 V/60Hz ou 1 x 220 V/60Hz) e suas características podem ser ilustradas conforme Figura 15. V V Figura 15 - Tensão monofásica e trifásica. Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. As Figuras 15 a) e b) exemplificam sistemas monofásicas e trifásicas de tensão e a relação com o período. O retificador de um conversor de frequência é formado por diodos ou tiristores ou ainda uma combinação destes. O retificador feito com diodos é um retificador não-controlado e o constituído por tiristores é do tipo controlado. Quando ambos são utilizados o retificador é semi-controlado. a) Retificadores não-controlados Os diodos são componentes semicondutores que permitem a passagem da corrente em apenas uma direção: do ânodo (A) para o cátodo (K). Não é possível — como é o caso de outros componentes semicondutores — controlar a intensidade da corrente. Uma tensão alternada sobre um diodo é convertida em uma tensão CC pulsante. Se uma fonte trifásica é utilizada junto com um retificador não controlado, a tensão CC continuará a ser pulsante (Figuras 16 e 17). 23 V V Figura 16 - Retificador não controlado Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. V V V V Figura 17 - Saída de um retificador não controlado. Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. b) Retificadores Controlados Nos retificadores controlados, ao invés de diodos são utilizados tiristores. Assim como os diodos, os tiristores permitem a passagem da corrente em apenas uma direção. Entretanto, a diferença entre esses dois componentes é que o tiristor tem um terceiro terminal, o gate ou porta (G). Essa porta deve ser comandada por um sinal para que o tiristor conduz. Quando uma corrente passa pelo tiristor, o tiristor irá conduzi-la até que atinja o valor nulo. A corrente não pode ser interrompida por um sinal na porta (G). Tiristores podem ser utilizados tanto nos retificadores quanto nos inversores. 24 O sinal para a porta G é o sinal de controle α do tiristor, que é um atraso de tempo, expresso em graus. O valor em graus representa o atraso entre a passagem da tensão por zero e o instante em que o tiristor inicia sua condução (Figuras 18 e 19). V V a) Sinal de entrada. b) Representação do tiristor. c) Curva ilustrativa de operação do tiristor. Figura 18 - Condução do tiristor. Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. V V Figura 19 – Circuito representativo retificador controlado trifásico. Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. O retificador controlado tem basicamente a mesma configuração do retificador não controlado com exceção dos tiristores, que são controlados por sinal do “Gate”. Eles começam a conduzir a partir do ponto que um diodo normal inicia até 30º de atraso em relação à passagem da tensão por zero. A regulação permite a variação do valor da tensão contínua na saída do retificador. Um retificador controlado fornece uma tensão CC com um valor médio de 1,35 × tensão de alimentação × cos α. Comparado com o retificador não controlado, o controlado causa maiores perdas e distúrbios na rede de alimentação, porque o retificador drena uma corrente reativa maior se o tiristor conduzir por um curto período de tempo. 2.2.4 Circuito Intermediário Existem 3 (três) tipos de circuito intermediário: a) Que converte a tensão do retificador em sinal contínuo. 25 b) Que estabiliza ou alisa a tensão contínua e a disponibiliza para o inversor. c) Que converte a tensão contínua do retificador em uma tensão alternada variável. O circuito intermediário pode ser visto como um reservatório do qual o motor pode drenar energia através do inversor. Ele pode ser construído de acordo com 3 (três) princípios diferentes dependendo do tipo de retificador e inversor (Figura 20). V Figura 20 - Circuito intermediário Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. Em conversores, a fonte de corrente do circuito intermediário consiste em um grande indutor e é combinado apenas com um retificador controlado. O indutor transforma a tensão variável do retificador em um sinal contínua variável. A carga determina a amplitude da tensão do motor (Figura 21). V V V V V V Figura 21 - Inversores fonte de tensão Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. Em conversores com fonte de tensão, o circuito intermediário consiste em um filtro capacitivo e pode ser combinado com os 2 (dois) tipos de retificador. O filtro “alisa” a tensão pulsante do retificador. Num retificador controlado, a tensão é constante numa dada frequência e fornecida ao inversor como uma tensão contínua pura com amplitude variável. Com retificadores não controlados, a tensão na entrada do conversor é uma tensão CC com amplitude constante. 26 V V V V Figura 22 - Circuito intermediário com tensão CC variável. Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. Finalmente, num circuito intermediário com tensão variável um chopper pode ser inserido na frente do filtro, como visto na Figura 22. O chopper tem um transistor que funciona como uma chave para ligar ou desligar a tensão do retificador. O circuito de controle regula o chopper através da comparação da tensão variável depois do filtro com um sinal de entrada. Se existe diferença, a relação é regulada pelo tempo que o transistor conduz e o tempo que ele é bloqueado. Quando o transistor do chopper interrompe a corrente, a bobina do filtro faz com que a tensão através do transistor seja muito grande. Para impedir que isso aconteça, o chopper é protegido por um diodo de roda-livre. O filtro do circuito intermediário alisa a tensão quadrada que é fornecida pelo chopper. O filtro capacitivo e indutivo mantém a tensão constante para uma dada frequência. O circuito intermediário também pode fornecer inúmeras funções adicionais dependendo do seu projeto, como: desacoplamento entre o retificador e o inversor; redução de harmônicas; reserva de energia para suportar variações bruscas de carga. 2.2.5 Inversor O Inversor é o que “gera” a tensão e a frequência para o motor. Alternativamente, existem inversores que convertem a tensão contínua numa tensão alternada variável. O inversor é a última conexão do conversor de frequência antes do motor e o ponto final onde a adaptação da tensão de saída ocorre. 27 Do circuito intermediário, o inversor pode receber tanto uma corrente contínua variável; uma tensão contínua variável quanto uma tensão contínua constante. Em todos os casos, o inversor assegura que a saída para o motor se torne variável. Em outras palavras, a frequência para o motor é gerada no inversor. Se a corrente ou tensão são variáveis, o inversor gera apenas a frequência. Se a tensão é constante o inversor gera a tensão e a frequência. Mesmo que os inversores trabalhem de formas diferentes, sua estrutura básica é sempre a mesma. Os componentes principais são semicondutores controláveis, colocados em par em 3 (três) ramos. Em equipamentos de fabricação mais recente, os tiristores são substituídos pelos transistores que podem ser chaveados de forma mais rápida. Apesar de depender do tipo de semicondutor utilizado, a frequência de chaveamento esta tipicamente entre 300 Hertz e 20 kHz. Os semicondutores nos conversores são “ligados” e “desligados” por sinais gerados no circuito de controle. Os sinais podem ser controlados de diversas formas. Figura 23 - Conversor Tradicional. Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. Conversores tradicionais, trabalhando principalmente com circuitos intermediários de tensão variável, consistem de 6 (seis) diodos, 6 (seis) tiristores e 6 (seis) capacitores (Figura 23). Os capacitores habilitam os tiristores a chavear, de forma que a corrente esteja defasada 120º elétricos nas bobinas do motor e estas devem ser adaptadas ao tamanho do motor. Um campo girante intermitente com a frequência desejada é produzido quando os terminais do motor são excitados com corrente. Mesmo que 28 isso torne a corrente do motor quase quadrada, a tensão do motor é aproximadamente senoidal. Entretanto, sempre existem picos de tensão quando a corrente é chaveada. Os diodos isolam os capacitores da corrente de carga do motor. V V Figura 24 - Inversor para tensão constante ou variável e a saída que depende da frequência de chaveamento dos transistores. Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. Em conversores com circuitos intermediários de tensão constante ou variável, existem 6 (seis) componentes chaveadores e independentemente do tipo de semicondutor utilizado, a função é basicamente a mesma. O circuito de controle chaveia os semicondutores utilizando-se das mais diversas técnicas de modulação, mudando, dessa forma, a frequência de saída do inversor (Figura 24). A primeira técnica trabalha com tensão ou corrente variável no circuito intermediário. Os intervalos em que os semicondutores individualmente são conduzidos são colocados numa sequência que é usada para se obter as frequências de saída desejada. Essa sequência de chaveamento é controlada pela amplitude da tensão ou corrente do circuito intermediário. Utilizando-se um oscilador controlado por tensão, a frequência sempre obedece à amplitude da tensão. Esse tipo de conversor é chamado de PAM (Pulse Amplitude Modulation ou Modulação por Amplitude de Pulso). 29 A outra principal técnica usa um circuito intermediário de tensão constante. A tensão no motor é conseguida aplicando-se a tensão do circuito intermediário por períodos mais longos ou mais curtos. V V V V Figura 25 - Modulação por amplitude e por largura de pulso. Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. A frequência é mudada através da variação dos pulsos de tensão ao longo do eixo do tempo — positivamente para meio período e negativamente por o outro meio. Como a técnica muda a largura dos pulsos de tensão, ela é chamada de PWM (Pulse Width Modulation ou Modulação por Largura de Pulso). PWM é a técnica mais utilizada no controle dos inversores. Nas técnicas PWM, o circuito de controle determina os tempos de chaveamento dos semicondutores através da intersecção entre uma tensão triangular e uma tensão senoidal superposta (PWM controlada) Figura 25. 2.2.6 Circuito de Controle O circuito de controle transmite e recebe sinais do retificador, do circuito intermediário e do inversor. As partes que são controladas em detalhes dependem do projeto individual de cada conversor de frequência. O circuito de controle ou placa de controle é a quarta peça do conversor de frequência e tem quatro tarefas essenciais: controlar os semicondutores do conversor de frequência; troca de dados entre o conversor de frequência e os periféricos; verificar e reportar mensagens de falha; cuidar das funções de proteção do conversor de frequência e do motor. Os microprocessadores têm aumentado sua capacidade de processamento e velocidade, aumentando significativamente o número de aplicações possíveis aos conversores de frequência e reduzindo o número de cálculos necessários a sua aplicação. Com os microprocessadores o processamento é integrado dentro do 30 conversor de frequência e este está apto a determinar o melhor padrão de chaveamento para cada estado de operação. 2.2.7 Aplicação do Conversor de Frequência O conversor de frequência pode ser classificado em dois tipos: conversores escalares e vetoriais. Os escalares e vetoriais possuem a mesma estrutura de funcionamento, mas a diferença está no modo em que o torque é controlado. Nos conversores escalares, a curva V/F é fixada (parametrizada), tomando como base o tipo de regime de trabalho em que o conversor irá operar. Existe, porém, uma condição problemática que é justamente o ponto crítico de qualquer sistema de acionamento AC: as baixas rotações. O sistema AC não consegue um bom torque com velocidades baixas, devido ao próprio rendimento do motor AC. Para compensar esse fenômeno, desenvolveu-se o conversor de frequência vetorial. Muito mais caro e complexo que o escalar, ele não funciona com uma curva V/F pré-fixada (parametrizada). O conversor escalar varia tensão e frequência, de modo a otimizar o torque para qualquer condição de rotação (baixa ou alta). O conversor vetorial controla V/F através das correntes de magnetização e rotórica do motor. Normalmente um tacômetro, ou um encoder são utilizados como sensores de velocidade, formando uma "malha fechada" de controle de velocidade. Existem, porém, os conversores vetoriais “sensorless”, que não utilizam sensores de velocidade externos. Com esta revisão, pode-se observar o grande avanço na tecnologia dos Conversores de Frequência e sua aplicação no controle dos motores de indução. Pretende-se utilizar esses conhecimentos na aplicação da pesquisa em instalação de conversor de frequência para acionamento de elevadores de canecas, analisando a eficiência energética quanto ao consumo de energia elétrica e seus efeitos quanto à qualidade de energia elétrica. 31 2.2.7.1 Acionamento de um Motor de Indução Assíncrono O primeiro estágio do circuito é formada por uma ponte retificadora (onda completa) trifásica e dois capacitores de filtro. Esse circuito forma uma fonte DC simétrica, pois há um ponto de terra como referência. Temos então uma tensão contínua + V/2 (positiva) e, uma –V/2 (negativa) em relação ao terra, formando o que se denomina de “barramento DC”. O barramento DC alimenta o segundo estágio, constituída de seis transistores IGBT's, e que, através de uma lógica de controle (terceira etapa), "liga e desliga” os transistores de modo a alternarem o sentido de corrente que circula pelo motor. Observa-se a Figura 26, que a estrutura de um conversor trifásico é praticamente igual ao modelo monofásico. A primeira etapa é o módulo de retificação e filtragem, que gera uma tensão DC fixa (barramento DC) e que alimenta os transistores IGBT's. Figura 26 - Estrutura do conversor monofásico Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. O circuito de lógica de controle liga os transistores 2 a 2 na seguinte ordem: • Primeiro tempo: transistores Tl e T4 ligados, e T3 e T2 desligados. Nesse caso, a corrente circula no sentido de A para B (Figura 27). Figura 27 - Ligação dos transistores T1 e T4 Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. 32 • Segundo tempo: transistores T1 e T4 desligados, e T3 e T 2 ligados. Nesse caso, a corrente circula no sentido de B para A (Figura 28). Figura 28 - Ligação dos transistores T2 e T3 Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. Ao inverter-se o sentido de corrente, a tensão na carga (motor) passa a ser alternada, mesmo estando conectada a uma fonte DC. Caso aumente a frequência de chaveamento desses transistores, também aumenta a velocidade de rotação do motor e vice-versa. Como os transistores operam como chaves (corte ou saturação), a forma de onda de tensão de saída do conversor de frequência é sempre quadrada. Na prática, os transistores chaveiam modulando largura de pulso (PWM), a fim de se obter uma forma de onda de tensão mais próxima da senoidal. Raramente, encontram-se aplicações monofásicas nas indústrias. A maioria dos conversores é trifásica, portanto, façamos outra analogia de funcionamento, tomando como base ainda o conversor trifásico. A lógica de controle agora precisa distribuir os pulsos de disparos pelos 6 IGBT's, de modo a formar uma tensão de saída (embora quadrada) alternada e defasada de 120° uma da outra. Como são 6 transistores, deve-se ligá-los 3 a 3, têm-se 8 combinações possíveis, porém apenas 6 serão válidas, conforme ilustrado a seguir. A Figura 29 representa os IGBT's como chaves, pois em um conversor é assim que eles funcionam. Figura 29 – Circuito representativo de funcionamento do IGBT’s Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. 33 A lógica de controle proporcionará as seguintes combinações de pulsos para ativar (ligar) os IGBT's: 1° tempo T1, T2, T3; 2° tempo T2, T3, T4; 3° tempo T3, T4, T5; 4° tempo T4, T5, T6; 5° tempo T5, T6, T1; 6° tempo T6, T1, T2. As possibilidades T1, T3, T5, e T4, T6, T2 não são válidas, pois ligam todas as fases do motor no mesmo potencial. Não havendo diferença de potencial, não há energia para movimentar o motor, portanto, essa é uma condição proibida para o conversor. Vamos analisar uma das condições, e as restantes serão análogas. No primeiro tempo, têm-se T1, T2, e T3 ligados, e os restantes desligados. O barramento DC possui uma referência central (terra), portanto tem-se +V/2, e –V/2 como tensão DC. Para que o motor AC possa funcionar bem, as tensões de linha Vrs, Vst, e Vtr devem estar defasadas de 120°. O fato da forma-de-onda ser quadrada e não senoidal (como a rede) é apenas para facilitar o entendimento (lembre-se que na prática a modulação é PWM). Para esse primeiro tempo de chaveamento: Vrs V V 0 2 2 Vst V 2 Vtr V V V 2 2 V V 2 A tensão Vrs, por exemplo, significa a diferença de potencial entre R (no caso como T1, está ligado é igual a + V/2) e S ( +V/2 também). Analogamente, a tensão Vst = +V/2 - (-V/2) = + V e assim por diante. Caso as seis condições (tempos) que a lógica de controle estabelece aos IGBT's, tem-se a seguinte distribuição de tensões nas 3 fases do motor. 34 Tabela 1 - Distribuição das tensões no motor Traduzindo a Tabela 1 em um diagrama de tempos, as três formas de onda de tensão, conforme mostra a Figura 30, nota-se que as três fases estão defasadas de 120° elétricos, exatamente como a rede elétrica trifásica. Se variar a frequência da tensão de saída no inversor altera-se, na mesma proporção, a velocidade de rotação do motor. Figura 30 - Curva tensão em função da frequência. Fonte: Conversores de Frequência e Soft-Starters. Normalmente, a faixa de variação de frequência dos conversores fica entre 0,5 e 400 Hertz, dependendo do fabricante e do modelo. A função do conversor de frequência, entretanto, não é apenas controlar velocidade de um motor AC. Ele precisa manter o torque (conjugado) constante para não provocar alterações na rotação quando o motor estiver com carga. 35 Para que o torque realmente fique constante, por sua vez, o conversor deve manter a razão V/F (Tensão ÷ Frequência) constante (Figura 31). Isto é, caso haja mudança de frequência, ele deve mudar (na mesma proporção) a tensão, para que a razão se mantenha. Figura 31 - Gráfico da tensão em função da frequência Fonte: WEG-Guia Técnico-Motores de indução alimentados por inversores de frequência PWM O valor de V/F pode ser programado (parametrizado) em um conversor e seu valor dependerá da aplicação. Quando o conversor necessita de um grande torque, porém não atinge velocidade muito alta, atribuí maior V/F que o equipamento puder fornecer, e desse modo terá um melhor rendimento em baixas velocidades, além de alto torque. Já no caso em que o conversor deva operar com altas rotações e com torques não tão altos, parametrizados um V/F menor encontra-se o melhor rendimento para essa outra situação. 2.2.7.2 Variação da Velocidade do Motor de Indução com conversor. A relação entre a rotação, a frequência de alimentação, o número de pólos e o escorregamento de um motor de indução obedece à equação 3: 120 f (1 s) p Eq. 3 onde: η : rotação mecânica (rpm); f : frequência fundamental da tensão de alimentação (Hz); p : número de pólos; s : escorregamento. A análise da fórmula mostra que se pode atuar em 3 (três) parâmetros, no intuito de variar a velocidade de um motor desse tipo, número de pólos, 36 escorregamento e frequência, neste estudo será dado maior ênfase ao terceiro parâmetro frequência. O conversor de frequência atualmente é o método mais eficiente para controlar a velocidade dos motores de indução. Os conversores transformam a tensão da rede, de amplitude e frequência constantes, em uma tensão de amplitude e frequência variáveis. Variando-se a frequência da tensão de alimentação, varia-se também a velocidade do campo girante e consequentemente a velocidade mecânica de rotação da máquina. O torque desenvolvido pelo motor de indução segue a equação 4: T K 1. m.I 2 Eq. 4 E o seu fluxo magnetizante, desprezando-se a queda de tensão ocasionada pela resistência e pela reatância dos enrolamentos estatóricos (Equação 5): m K 2 V1 f1 Eq. 5 onde: T : torque ou conjugado disponível na ponta de eixo (N.m); Φm: fluxo de magnetização (Wb); I2 : corrente rotórica (A) depende da carga; V1 : tensão estatórica (V); K1 e K2 : constantes que dependem do material e do projeto da máquina. Admitindo-se que a corrente depende da carga e que esta é constante percebese que através da expressão anterior variando proporcionalmente a amplitude e a frequência da tensão de alimentação, o fluxo e, consequentemente, o torque permanece constante. O motor fornece assim um ajuste contínuo de velocidade e conjugado com relação à carga mecânica. As perdas podem ser minimizadas de acordo com as condições de carga, mantendo-se constante o escorregamento da máquina em qualquer velocidade, para a mesma carga. A partir das equações acima, obtém-se o gráfico da Figura 32. 37 Figura 32 - Gráfico da tensão proporcional à frequência Fonte: WEG - Guia Técnico - Motores de indução alimentados por inversores de frequência PWM A variação da relação Vb/fb é feita linearmente até a frequência base (nominal) do motor. Acima dessa, a tensão é máxima (igual à nominal) e permanece constante, havendo então apenas a variação da frequência aplicada ao enrolamento estatórico do motor, conforme representado na figura anterior. Assim, acima da frequência base caracteriza-se a chamada região de enfraquecimento de campo, pois ali o fluxo decresce com o aumento da frequência, provocando também a diminuição de torque. A curva característica torque versus velocidade do motor acionado por conversor de frequência está representada na Figura 33. Figura 33 - Gráfico do torque em função da frequência Fonte: WEG - Guia Técnico - Motores de indução alimentados por conversor de frequência PWM Nota-se, portanto, que o torque permanece constante até a frequência base e decresce gradativamente acima desta. Como Pm = T x R, a potência útil do motor cresce linearmente até a frequência base e permanece constante acima desta, conforme pode ser observado na Figura 34. 38 Figura 34 - Gráfico da potência em função da frequência Fonte: WEG - Guia Técnico - Motores de indução alimentados por conversor de frequência PWM São essas características que tem proporcionado um crescimento significativo do número de aplicações em que a variação de velocidade de motores de indução é feita por meio de conversores eletrônicos estáticos de frequência. Em síntese os muitos benefícios propiciados por essas aplicações são: a) Controle à distância – nos sistemas eletrônicos de variação de velocidade, o equipamento de controle pode situar-se em uma área conveniente, ficando apenas o motor acionado na área de processamento, ao contrário dos sistemas hidráulicos e mecânicos de variação de velocidade. b) Redução de custos – partidas diretas ocasionam picos de corrente, que podem causar danos não apenas ao motor, mas também a outros equipamentos ligados ao sistema elétrico. O conversor de frequência proporciona partidas mais suaves, reduzindo custos com manutenção. c) Aumento de produtividade – sistemas de processamento industrial geralmente são dimensionados na perspectiva de um aumento futuro de produtividade. O conversor de frequência possibilita o ajuste da velocidade operacional mais adequada ao processo de acordo com os equipamentos disponíveis e à necessidade de produção a cada momento. d) Eficiência energética – o rendimento global do sistema de potência depende não apenas do motor, mas também do controle. Os conversores de frequência apresentam rendimento elevado, da ordem de 97% ou mais. Motores elétricos também apresentam alto rendimento, chegando a 95% ou mais em máquinas maiores, operando sob condições nominais. Na variação eletrônica de 39 velocidade, a potência fornecida pelo motor varia de maneira otimizada, influenciando diretamente a potência solicitada e conduzindo a elevados índices de rendimento do sistema (motor + conversor). e) Versatilidade – conversor de frequência é adequado para aplicações com qualquer tipo de carga. Com cargas de torque variável (pequena demanda de torque em baixas rotações), o controle reduz a tensão do motor, compensando a queda de rendimento que normalmente resultaria da diminuição de carga. Com cargas de torque (ou potência) constante, a melhoria de rendimento do sistema provém da capacidade de variar continuamente a velocidade, sem necessidade de utilizar múltiplos motores ou sistemas mecânicos de variação de velocidade (como polias e engrenagens), que introduzem perdas adicionais. f) Maior qualidade – o controle preciso de velocidade obtido com conversor resulta na otimização dos processos. O controle otimizado do processo proporciona um produto final de melhor qualidade. Atualmente, o uso dos conversores de frequência para acionamento de máquinas elétricas de indução trifásica, no ambiente industrial, é amplamente difundido, visando maior eficiência e um melhor aproveitamento da energia elétrica, conforme mencionado acima, contudo, o inversor de frequência, geralmente, em sua topologia possui no estágio de entrada um retificador, que conforme sua operação poder vir a afetar a qualidade da energia. No estágio de saída do conversor, tanto a carga a ser alimentada, quanto à técnica de modulação PWM que é empregada, também podem interferir na qualidade da energia. O conversor com técnica de modulação PWM tem característica não-linear, o que causa uma distorção harmônica na corrente na entrada do conversor. Estas correntes harmônicas, quando somadas à fundamental, resultam em uma distorção harmônica a qual, interagindo com a impedância da linha, tende a resultar em uma distorção harmônica também na tensão. Assim, mesmo que a tensão da fonte seja senoidal, a tensão no ponto de acoplamento pode ser distorcida devido à interação das correntes harmônicas com a impedância da rede elétrica. A presença de componentes harmônicas em sistemas de energia elétrica pode causar grandes danos a equipamentos que venham a fazer parte destes, como por 40 exemplo, ruídos excessivos em motores, redução de vida útil, interferências em sistemas de comunicação, saturação de transformadores, dentre outros. 2.3 A QUALIDADE DA ENERGIA VERSUS EFICIÊNCIA ENERGÉTICA A qualidade da energia elétrica entregue pelas empresas distribuidoras aos consumidores sempre foi objeto de interesse de investigação. Todavia, até algum tempo atrás, a qualidade da energia estava relacionada, sobretudo, à continuidade dos serviços. A principal preocupação era a não interrupção de fornecimento de energia elétrica e que as tensões e frequência fossem mantidas dentro de determinados limites, considerados aceitáveis. Durante dezenas de anos, a grande maioria dos receptores ligados às redes de energia elétrica era constituída de cargas lineares. Por essa razão — e uma vez que as tensões da alimentação e corrente são senoidais e de mesma frequência, podendo apenas encontrar-se defasadas relativamente à tensão ou a corrente — não havia preocupação com a qualidade de energia elétrica quanto à distorção causada pelos equipamentos eletrônicos. Com o desenvolvimento da eletrônica, os equipamentos ligados aos sistemas elétricos evoluíram, melhorando em rendimento, controlabilidade, economia de energia e custo, permitindo ainda a execução de tarefas não possíveis anteriormente. Contudo, esses equipamentos têm as desvantagens de não funcionarem como cargas lineares. 2.3.1 A Qualidade da Energia Elétrica O termo “Qualidade da Energia Elétrica” está relacionado com qualquer desvio que possa ocorrer na magnitude, forma de onda ou frequência da tensão e/ou corrente elétrica. Pode, portanto, ser interpretada como a capacidade do sistema elétrico de fornecer energia com tensões equilibradas e sem deformações de forma de onda. Esta designação também se aplica às interrupções de natureza permanente ou transitória que afetam o desempenho da transmissão, distribuição e utilização da energia elétrica. Dessa forma, do ponto de vista ideal, seria a disponibilidade de energia elétrica com tensões senoidais, equilibradas e com amplitude e frequência constantes. DUGAN (2003). 41 A Qualidade da Energia em uma determinada barra do sistema elétrico é adversamente afetada por uma ampla variedade de distúrbios. Destacam-se as harmônicas causadas por comandos eletrônicos microprocessados, caso do conversor de frequência que será estudado nesta pesquisa. As cargas elétricas, baseadas em processos de chaveamentos eletrônicos, possuem como principal característica a não-linearidade. Dependendo da topologia do equipamento utilizado, demandará corrente da rede apenas em determinado período ou ângulo da oscilação. Esta forma de solicitação de potência resulta na distorção de forma de onda de tensão e/ou corrente elétrica. Em contrapartida, é importante afirmar que estas mesmas cargas eletro-eletrônicas, responsáveis pelas distorções da rede, também tem sua operação alterada em função da qualidade não ideal energia elétrica. No Brasil, a preocupação com a qualidade da energia elétrica vem crescendo cada vez mais, haja vista o empenho de órgãos reguladores como a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), concessionárias e consumidores. A ANEEL através dos procedimentos de distribuição (Prodist), publicado em Dezembro/2008 em seu módulo 8, trata da qualidade de energia elétrica no que tange ao serviço e produto em âmbito nacional. Esta nova área de pesquisa da engenharia engloba a análise, o diagnóstico e a solução, assim como o impacto econômico, de toda e qualquer anomalia no sistema. Estas anomalias podem se manifestar tanto na tensão, na corrente ou na frequência, resultando geralmente em falha ou má operação de equipamentos industriais, comerciais e residenciais. O crescente interesse pela QEE deve-se, principalmente, à evolução tecnológica dos equipamentos eletro-eletrônicos, hoje, largamente utilizada nos diversos segmentos de atividade, sejam eles industriais comerciais ou residenciais. Atualmente, com a grande aplicação da eletrônica de potência, da microeletrônica e dos microprocessadores em uma diversidade de equipamentos, desde os relógios digitais domésticos às complexas linhas de processos automatizados, tem aumentado significativamente a sensibilidade destes equipamentos a distúrbios da QEE. Juntamente com a modernização do parque industrial brasileiro e a introdução maciça de processos controlados eletronicamente, observa-se um aspecto de vital 42 importância da QEE, que diz respeito à sensibilidade destas cargas frente a fenômenos distintos, tais como distorções da forma de onda ou variações momentâneas de tensão, dentre outras, inevitáveis nos sistemas elétricos atuais. Fenômenos relacionados com variações do valor RMS (Root Mean Square) da tensão, os denominados afundamentos de tensão, cuja causa mais frequente são os curtos circuitos, se constituem como um dos principais problemas a serem avaliados e tratados pelos profissionais do setor, pois, comprovadamente, são os maiores causadores de paradas de equipamentos e processos, com custos financeiros que podem até mesmo comprometer a saúde financeira de uma determinada empresa. O efeito dos afundamentos, mesmo devido a faltas localizadas em pontos remotos do sistema elétrico, se propaga atingindo áreas significativamente grandes. Dada sua importância, cabe registrar que tais distúrbios são amplamente conhecidos na literatura internacional como voltage sags. DUGAN (2003). Outro aspecto que merece destaque é o fato de que os mesmos equipamentos que se apresentam altamente sensíveis a problemas de qualidade, são os maiores responsáveis pela deterioração do padrão da qualidade do suprimento elétrico. Essas duas características têm resultado em um número expressivo de interrupções de processos industriais, danos a equipamentos, que em última instância podem resultar em pedidos de ressarcimento por danos, por parte dos consumidores, contra as empresas concessionárias. A qualidade da energia, em seu sentido mais amplo, também está se tornando um fator diferenciador para promover o desenvolvimento regional em sua área de concessão, assim como ocorre com incentivos fiscais, meios de transporte, proximidade entre matéria-prima e centros consumidores. É interessante destacar que, para a implantação de uma indústria, por exemplo, o procedimento das empresas de energia elétrica tem sido apenas o de verificar se o projeto elétrico e as proteções associadas à subestação de entrada do consumidor atendem exigências mínimas e padrões técnicos estabelecidos. Exceção deve ser feita quando se trata de consumidores com cargas especiais, tais como fornos a arco, laminadores, máquinas de solda, grandes sistemas de retificação etc. Nestes casos, as concessionárias estabelecem critérios rígidos de atendimento, de modo a preservar o próprio sistema e demais consumidores por ela supridos, contra 43 distúrbios de qualidade como harmônicos, afundamentos, flicker e desequilíbrios. No entanto, para os consumidores com cargas sensíveis, em geral, as concessionárias via de regra não analisam com a profundidade necessária os aspectos de sensibilidade frente aos fenômenos mencionados, seja nos processos industriais ou equipamentos individuais envolvidos. DUGAN (2003). Por outro lado, o procedimento do consumidor é de realizar estudos técnicoeconômicos para obter um projeto industrial que lhe assegure um processo com custos de produção mínimos e adequados com a competitividade e realidade do mercado de atuação. Neste particular, a busca por equipamentos de elevado desempenho e produtividade passa a ser uma necessidade vital para se obter custos de produção competitivos e coerentes com uma economia altamente globalizada. Entretanto, aspectos relacionados com sensibilidade destes equipamentos frente aos itens de qualidade, ainda não são considerados com a importância devida, como um dos fatores essenciais para a continuidade operacional dos equipamentos ou instalações industriais. De modo geral, não existe ainda uma preocupação prévia por parte dos consumidores quanto à sensibilidade, por vezes excessiva, de seus equipamentos. Como sempre e infelizmente, o preço é o critério predominante utilizado pelos consumidores quando da aquisição dos equipamentos. 2.3.2 Normas e Organizações Relacionadas com Qualidade da Energia É importante destacar que o Continente Europeu que mais cedo levantaram preocupações com a questão da qualidade de energia e a necessidade de sua normatização. Uma evidência disso é a norma EN50160, que foi oficialmente adotada por vários países e tem servido de base para a confecção de normas de muitos outros. De outro lado, nos EUA, muitas concessionárias tomam por base a norma IEEE 519, porém, geralmente apenas como referencia, tais como: EN 50160: é uma nova norma que cobre flicker, inter-harmônicas, desvios/variações de tensão, e muito mais; IEC 61000-4-15: é uma norma de medição de flicker que inclui especificações para medidores; IEC 61000-4-7: descreve uma técnica de medição padrão para harmônicas; 44 IEEE 519 (1992): é uma prática recomendada pela IEEE, utilizada principalmente por concessionárias de energia nos EUA. Descreve níveis aceitáveis de harmônicas para o ponto de entrega de energia pela concessionária. IEEE 1159 (1995): é uma prática recomendada pela IEEE para monitoração e interpretação apropriada dos fenômenos que causam problemas de qualidade de energia. CBEMA: Computer and Business Equipment Manufacturers Association. A CBEMA posteriormente transformada em ITIC em 1994. A curva CBEMA define os níveis de suportabilidade de equipamentos eletrônicos em função da magnitude da tensão e da duração do distúrbio. Distúrbios fora da curva podem causar danos aos equipamentos. ITIC: Information Technology Industry Council. O grupo trabalha para defender os interesses da indústria de informática (ITIC). A sociedade brasileira, a exemplo do que ocorre em âmbito mundial, tem aumentado suas exigências quanto à qualidade de qualquer produto ou serviço que ela tenha acesso. O governo brasileiro, reconhecendo a importância do assunto, vem editando, paulatinamente, medidas em prol da proteção e da defesa do consumidor. A energia elétrica, insumo indispensável para a sociedade moderna, além de oferecer meios para que a população tenha melhor qualidade de vida, representa ingrediente básico para a maioria das atividades comerciais e industriais. Assim sendo, a energia elétrica pode ser tratada tanto sob o enfoque de produto como de serviço. Tal fato foi reconhecido pelo setor governamental, que levou a edição, em anos recentes, de documentos tratando do assunto. Um deles, em 1996, na esfera federal, intitulado Qualidade do Fornecimento de Energia Elétrica. Este documento foi gerado como resultado do Grupo de Trabalho criado pela portaria do DNAEE nº 163/93. Esta situação culminou com a criação da ANEEL, nesse mesmo ano, tendo como função básica regular e fiscalizar o sistema elétrico brasileiro. Outros, a exemplo do estado de São Paulo, que em 1997 instituiu também um Projeto de Qualidade do Fornecimento de Energia Elétrica, liderado pela Secretaria de Energia do Estado de São Paulo. 45 2.3.3 Principais Distúrbios Associados à Qualidade da Energia Elétrica A QEE está relacionada a uma ampla variedade de fenômenos eletromagnéticos conduzidos, que caracterizam a tensão e a corrente num dado tempo e local do sistema elétrico. A Qualidade da Energia em uma determinada barra do sistema elétrico é adversamente afetada por uma ampla variedade de distúrbios, que podem ser resumidos da seguinte forma: Transitórios (impulsivos e oscilatórios); Variações de Curta Duração (interrupções transitórias, afundamentos de tensão e saltos de tensão); Variações de Longa Duração (interrupções sustentadas, subtensões e sobretensões); Desequilíbrios; Distorção de Forma de Onda (harmônicos, corte de tensão, ruído etc.); Flutuações de tensão; Variações de frequência. As Figuras 35 e 36 mostram os distúrbios que podem ocorrer nos sistemas elétricos. Figura 35 - Ilustração dos distúrbios associados à qualidade de energia Fonte: Electrical Power Systems Quality, 2003. Figura 36 - Ilustração dos distúrbios associados à qualidade de energia. Fonte: Electrical Power Systems Quality, 2003. 46 Nesta pesquisa, ater-se-á para um item da qualidade de energia elétrica, a distorção de forma de onda, os harmônicos presentes no sistema proporcionado por acionamento com conversor de frequência. 2.3.4 Harmônicos Tecnicamente, um harmônico é um componente de uma onda periódica, cuja frequência é um múltiplo inteiro da frequência fundamental. São fenômenos periódicos e ocorrem quando existe uma combinação das componentes da forma de onda senoidal em 60 Hz, causando deformação na frequência fundamental. A deformação da forma de onda é um tipo específico de distúrbio, que é normalmente associada com a crescente quantidade de acionamentos por conversor de frequência, fontes chaveadas e outros dispositivos eletrônicos. A presença de harmônicos nos sistemas de potência resulta em um aumento das perdas relacionadas com o transporte e distribuição de energia elétrica, criando problemas de interferência com sistemas de comunicação e na degradação do funcionamento da maior parte dos equipamentos ligados à rede, sobretudo, daqueles cada vez em maior número que são mais sensíveis, por incluírem sistemas de controle microeletrônicos que operam com níveis de energia muito baixos. 2.3.5 Harmônicos presentes na tensão de alimentação de um motor de indução Um motor de indução, operando sob alimentação com distorção harmônica, pode apresentar de forma semelhante ao transformador, um sobreaquecimento de seus enrolamentos. Este sobreaquecimento faz com que ocorra uma degradação do material isolante, que pode levar a uma condição de curto-circuito por danificação do isolamento. A Figura 37, mostra uma estimativa do acréscimo das perdas elétricas num motor de indução, em função da distorção total de tensão presente no barramento supridor. 47 Figura 37 - Perdas elétricas de um motor de indução trifásico em função da distorção total de tensão. Fonte: Electrical Power Systems Quality, 2003 Na análise de desempenho de um motor de indução submetido a tensões distorcidas verifica-se uma perda de rendimento e qualidade do serviço, devido ao surgimento de torques pulsantes. Estes podem causar uma fadiga do material, ou em casos extremos, para altos valores de torques oscilantes, interrupção do processo produtivo, principalmente em instalações que requerem torques constantes como é o caso de bobinadeiras na indústria de papel-celulose e fábrica de condutores elétricos. Com a utilização dos reguladores eletrônicos de velocidade, estes efeitos se pronunciam com maior intensidade, pois os níveis de distorção impostos pelos conversores superam os valores normalmente encontrados nas redes CA, muito embora, hoje, com novas técnicas de chaveamento, estes níveis têm sido reduzidos consideravelmente. Os motores de indução, de acordo com o seu porte e impedância de sequência negativa, possuem um grau de imunidade aos harmônicos, conforme sugere a equação 6. DUGAN. (2003) 2 Vh 1,3%a3,5% h2 h Eq.6 Normas internacionais relativas ao consumo de energia elétrica, tais como IEEE 519, IEC 61000 e EN 50160, limitam o nível de distorção harmônica de tensão com os quais os sistemas elétricos podem operar e impõem que novos equipamentos não introduzam harmônicos de corrente na rede de amplitude superior a determinados valores. É assim evidenciada a importância em resolver os problemas 48 dos harmônicos, tanto para os novos equipamentos a serem produzidos, quanto para equipamentos já instalados. A natureza e a magnitude das distorções harmônicas geradas por cargas nãolineares dependem de cada carga específica, mas duas generalizações podem ser assumidas: a) os harmônicos que causam problemas geralmente são os componentes de números ímpares; b) a magnitude da corrente harmônica diminui com o aumento da frequência. Para a quantificação do grau de distorção presente na tensão e/ou corrente, lança-se mão da ferramenta matemática conhecida por série de Fourier. As vantagens de se usar a série de Fourier, para representar formas de ondas distorcidas é que cada componente harmônico pode ser analisado separadamente, e a distorção final é determinada pela superposição das várias componentes constituintes do sinal distorcido. Conhecidos os valores de tensões e/ou correntes harmônicas presentes no sistema, utiliza-se de um procedimento para expressar o conteúdo harmônico de uma forma de onda. Um dos mais utilizados é a “Distorção Harmônica Total”, a qual pode ser empregada tanto para sinais de tensão como para correntes. As equações 7 e 8 apresentam tais definições: hmáx DTT V2 h 1 h 100(%) Eq. 7 V12 hmáx Ih2 DTI h1 I12 100(%) Sendo: DTT - distorção harmônica total de tensão DTI - distorção harmônica total de corrente Vh - valor eficaz da tensão de ordem h Ih - valor eficaz da corrente de ordem h Eq. 8 49 V1 - valor eficaz da tensão fundamental I1 - valor eficaz da corrente fundamental h - ordem da componente harmônica A “Distorção Harmônica Individual” é utilizada para a quantificação da distorção individual de tensão ou corrente, ou seja, para determinar a porcentagem de determinado componente harmônico em relação ao componente fundamental. As equações 9 e 10 expressam tais definições. DIT DII Vh x100 (%) V1 Ih Eq.9 Eq.10 x100 (%) I1 Sendo: DIT - distorção harmônica individual de tensão; DII - distorção harmônica individual de corrente. A Tabela 2 sintetiza a terminologia aplicável às formulações do cálculo de valores de referência para as distorções harmônicas usadas para caracterização das novas grandezas elétricas que aparecem no sistema elétrico na presença de cargas não lineares, regulamentada pela ANEEL através da resolução 345/2008, que, no seu módulo 8, trata dos níveis de harmônicos permitidos nos sistemas de distribuição elétrica no país. Tabela 2 - Terminologia aplicável às formulações do cálculo de valores de referência para as distorções harmônicas, regulamentada pela ANEEL Identificação da Grandeza Distorção harmônica individual de tensão de ordem h Distorção harmônica total de tensão Tensão harmônica de ordem h Ordem harmônica Ordem harmônica máxima Ordem harmônica mínima Tensão fundamental medida Símbolo DIT % DTT % Vh h hmáx hmin V1 Fonte: Resolução 345/2008 da ANEEL. 50 Os sinais a serem monitorados devem utilizar sistemas de medição, cujas informações coletadas possam ser processadas por meio de recurso computacional, sendo que a capacidade do sistema de medição deve atender aos requisitos de banco de dados do protocolo de medição a ser definido pela ANEEL. Para os sistemas elétricos trifásicos, as medições de distorção harmônica devem ser feitas através das tensões fase-neutro para sistema estrela aterrada e fase-fase, para as demais configurações. O espectro harmônico a ser considerado para fins de cálculo da distorção total deve compreender uma faixa de frequência que considere desde a frequência fundamental, até no mínimo, a 25ª ordem harmônica (Hmin=25). A mesma resolução estabelece também os valores de referência para as distorções harmônicas totais que estão mostradas na tabela 3. Estes valores servem como referência do planejamento elétrico em termos de qualidade de energia elétrica e que, regulatoriamente, serão estabelecidos em resolução específica, após período experimental de coletas de dados. Tabela 3 - Valores de referência global das distorções harmônicas totais (em porcentagem da tensão fundamental) Tensão Nominal do Distorção Harmônica Total Barramento de Tensão (DTT) [%] Vn ≤ 1kV 10 1kV < Vn ≤ 13,8kV 8 13,8kV < Vn ≤ 69kV 6 69kV < Vn < 230kV 3 Fonte: Resolução 345/2008 da ANEEL. Devem ser respeitadas também as percentagens das distorções harmônicas individuais indicadas na Tabela 4, na qual estão apresentados apenas os índices de distribuição que serão usados como referência para esta pesquisa. 51 Tabela 4 - Níveis de referência para distorções harmônicas individuais de tensão, em percentagem da tensão fundamental. Fonte: Resolução 345/2008 da ANEEL. 2.3.6 Classificação das harmônicas Sinais de tensão ou corrente com a presença de harmônicas apresentam comportamento periódico. Estes sinais possuem além da frequência dita fundamental, frequências múltiplas inteiras desta, portanto, a forma de onda apresenta-se deformada em relação a um sinal puramente senoidal. As harmônicas podem ser classificadas quanto a sua ordem ou frequência e sequência de fase, conforme o exemplo mostrado na Tabela 5. Tabela 5 – Ordem, frequência e sequência de harmônicas. Ordem 1 3 5 7 Frequência 60 180 300 420 Sequência + 0 + Pode-se ver na Tabela 5 que as harmônicas podem ser de sequência positiva (+), negativa (-) e zero (0). As equações 11, 12 e 13 permitem verificar a origem da sequência de fases. Todavia, por não ter presença característica nos sistemas elétricos, as harmônicas de ordem par não são contempladas neste trabalho. Observa-se que a sequência de fases das harmônicas depende diretamente da sua 52 ordem: vha(t) = V ham Sen(ωt) vhb(t) = V hbm Sen(ωt-120º) vhc(t) = V hcm Sen(ωt+120º) Eq.11 Eq.12 Eq.13 Onde h representa a ordem harmônica, vha(t), vhb(t), vhc(t) e Vham, Vhbm, Vhcm representam, respectivamente, os valores eficazes e valores máximos das tensões fundamentais e das tensões harmônicas nas fases A, B e C. As equações de 14 a 19 descrevem o equacionamento matemático para as tensões na frequência fundamental, e a Figura 38 ilustra no círculo trigonométrico a sequência de fases para a mesma. ω1 Figura 38 - Diagrama das tensões fundamentais e seu sentido de giro. v1a(t) = V1am Sen1(ωt) Eq. 14 v1a(t) = V am Sen(ωt) Eq. 15 v1b(t) = V1bm Sen1(ωt-120º) Eq. 16 v1b(t) = V bm Sen(ωt-120º) Eq. 17 v1c(t) = V1cm Sen1(ωt+120º) Eq. 18 v1c(t)= V cm Sen(ωt+120º) Eq. 19 Para o caso da terceira harmônica, Equações 20 a 27 ilustram o desenvolvimento matemático para as tensões, enquanto que a Figura 39 mostra o seu desempenho no círculo trigonométrico. 53 ω3 Figura 39 - Diagrama das tensões harmônicas de sequência zero. v3a(t)= V 3amSen3(ωt) Eq. 20 v3a(t)= V 3amSen(3ωt) Eq. 21 v3b(t)= V 3bmSen3(ωt-120°) Eq. 22 v3b(t)= V 3bmSen(3ωt-360°) Eq. 23 v3b(t)= V3bmSen(3ωt) Eq. 24 v3c(t)= V 3cmSen3(ωt+120°) Eq. 25 v3c(t)= V 3cmSen(3ωt+360°) Eq. 26 v3c(t)= V 3cmSen(3ωt) Eq. 27 As expressões de 20 a 27 permitem constatar que, para o caso da terceira ordem, as três tensões estão em fase, sendo conhecidas como tensões harmônicas de sequência zero. Analogamente, as equações de 28 a 37 mostram o desenvolvimento matemático para a 5ª Harmônica, e a Figura 40 ilustra o comportamento para a sequência de fases da mesma. ω5 Figura 40 - Diagrama das tensões harmônicas de sequência negativa e seu sentido de giro. v5a(t)= V 5amSen5(ωt) Eq. 28 v5a(t)= V 5amSen(5ωt) Eq. 29 v5b(t)= V 5bmSen5(ωt-120°) Eq. 30 v5b(t)= V 5bmSen(5ωt-600°) Eq. 31 v5b(t)= V5bmSen[5ωt-(360°+240°)] Eq. 32 v5b(t)= V 5bmSen(5ωt+120°) Eq. 33 v5c(t)= V5cmSen5(ωt+120°) Eq. 34 v5c(t)= V5cmSen(5ωt+600°) Eq. 35 v5c(t)= V 5cmSen[5ωt+(360°+240º)] Eq. 36 v5c(t)= V 5cmSen(5ωt-120°) Eq. 37 54 Para o caso da quinta harmônica, ilustrada na Figura 40, pode-se observar que as três tensões estão defasadas de 120° e o sentido de rotação dos fasores é contrário ao da fundamental, sendo assim, conhecidas como tensões de sequência de fase negativa. Por último, as equações de 38 a 47 mostram o desenvolvimento matemático para a 7ª Harmônica, e a Figura 41 mostra seu comportamento no círculo trigonométrico. ω7 Figura 41 - Diagrama das tensões harmônicas de sequência positiva e seu sentido de giro. v7a(t)=V7amSen7(ωt) Eq. 38 v7a(t)=V7amSen(7ωt) Eq. 39 v7b(t)=V7bmSen7(ωt-120°) Eq. 40 v7b(t)=V7bmSen(7ωt-840) Eq. 41 v7b(t)=V7bmSen[7ωt-(2x360°+120°)] Eq. 42 v7b(t)=V7bmSen(7ωt-120) Eq. 43 v7c(t)=V7cmSen7(ωt+120°) Eq. 44 v7c(t)=V7cmSen(7ωt+840°) Eq. 45 v7c(t)=V7cmSen[7ωt+(2x360°+120°)] v7c(t)=V7cmSen(7ωt+120°) Eq. 46 Eq. 47 Assim como no caso anterior, pode-se observar que as três tensões estão defasadas de 120°, no entanto, neste caso, o sentido de rotação coincide com o da tensão fundamental, ou seja, sentido de giro anti-horário, conhecida como componentes harmônicas de tensão de sequência de fases positiva. As demonstrações matemáticas das demais harmônicas, isto é, 9ª, 11ª, 13ª, 15ª, 17ª, 19ª, 21ª, 23ª e 25ª são análogas às anteriores, uma vez que estas alternam nas sequências zero, negativa e positiva. 2.3.7 A Eficiência Energética Qualquer atividade em uma sociedade moderna só é possível com o uso de uma ou mais formas de energia. A energia é empregada intensamente na sociedade em geral e em tudo o que se faz. Surge então a necessidade de utilizá-la de modo 55 inteligente e eficaz e entre as suas diferentes formas interessam em particular, aquelas que são processadas pela sociedade e colocadas à disposição dos consumidores onde e quando necessárias e, entre estas, cita-se a energia elétrica. Pode-se afirmar com segurança que a energia elétrica é vital ao bem-estar do ser humano e ao desenvolvimento econômico no mundo contemporâneo. A racionalização do seu uso possibilita melhor qualidade de vida, gerando, consequentemente, crescimento econômico, emprego e competitividade. Uma Política de ação referente à Eficiência Energética tem como meta o emprego de técnicas e práticas capazes de promover os usos “inteligentes” da energia, reduzindo custos e produzindo ganhos de produtividade e de lucratividade, na perspectiva do desenvolvimento sustentável. A eficiência energética é a economia de energia, aliada às tecnologias mais eficientes, a novos materiais e equipamentos e ao uso de recursos naturais com alternativas ecológicas, portanto, a eficiência é a soma de ações e atitudes para otimização no consumo de energia elétrica. A preocupação com a eficiência energética no Brasil é recente, uma vez que os grandes mananciais hídricos permitiram que se utilizasse a energia elétrica no Brasil, de forma abusiva por décadas. Uma das iniciativas que demonstraram tal preocupação foi a criação do Programa de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL) em 1985, sinalizando para a definição de uma política para a conservação de energia no país. Um fato a ser lembrado, foi a escassez de recursos nos reservatórios das usinas hidroelétricas ocorrida no ano de 2001. Fato este, que impôs um racionamento aos consumidores como meio de buscar a redução do consumo energético, a partir de metas de eficiência definidas por órgãos governamentais. Em 08 de dezembro de 1993, foi instituído, através de decreto presidencial, o Selo Procel de economia de energia — um produto mantido pelas Centrais Elétricas Brasileiras S.A – (ELETROBRÁS). O selo tem por objetivo orientar o consumidor no momento da compra, indicando produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria. Atualmente, existem selos para refrigeradores, freezers, aparelhos de ar-condicionado, motores de indução trifásicos, lavadoras, lâmpadas, entre outros. 56 A lei 10.295 de 17 de outubro de 2001, que dispõe sobre a política nacional de conservação e uso racional de energia elétrica, foi regulamentada pelo decreto 4.059 em 19 de dezembro de 2001. Nesta lei, o governo brasileiro estabelece níveis máximos de consumo de energia ou mínimos de eficiência energética para máquinas e aparelhos elétricos comercializados no país. Em 1984, o Instituto Nacional de Metrologia (INMETRO) começou a discutir a questão energética e a informar os consumidores sobre o consumo energético de cada produto. No Brasil, a partir de 1993, iniciou-se um trabalho com o objetivo de melhorar os rendimentos nominais dos motores no âmbito do PBE — Programa Brasileiro de Etiquetagem. Os fabricantes nacionais de motores, além do Inmetro, Procel e Ministério de Minas e Energia – MME, estabelecem, por consenso, metas de melhoria dos rendimentos. Em 2002, com a regulamentação da Lei nº 10.295/2001 de Eficiência Energética, mais tarde complementada pelo Decreto 4.508/2002 para motores elétricos de indução trifásicos, foram estabelecidas tabelas de rendimentos mínimos de motores de linha padrão e alto rendimento. 2.3.8 O Consumo da Energia Elétrica A geração de energia elétrica no Brasil em centrais de serviço público e autoprodutores atingiu 466,2 TWh em 2009, resultado 0,7% superior ao de 2008. Permanece como principal a contribuição de centrais de serviço público, com 87,8% da geração total. Nestas, a principal fonte é a energia hidráulica, que apresentou elevação de 4,9% na comparação com 2008, em função do regime hidrológico favorável, no período observado. A geração pública a partir de combustíveis fósseis caiu 35,1%, com redução expressiva na geração a partir do gás natural (65,2%) e do óleo combustível (33,3%). A geração de autoprodutores em 2009 apresentou expressivo crescimento de 11,5% com relação ao ano anterior, considerando o agregado de todas as fontes utilizadas. Importações líquidas de 40,0 TWh, somadas a geração interna, permitiram uma oferta interna de energia elétrica de 506,1 TWh, montante 0,2% superior a 2008. O consumo final foi de 426,0 TWh, uma redução de 0,5% em comparação com 2008 segundo Informação do BEN 2010. 57 Do lado do consumo, o setor residencial apresentou crescimento de 6,5% devido, principalmente, às políticas de redução de impostos para alguns bens de consumo durante a crise econômica, além do aumento de renda per capita. O setor industrial apresentou queda de 5,5% no consumo elétrico no biênio 2009-2008, explicado pela redução da produção física em algumas atividades energo-intensivas. Os demais setores — comercial, agropecuário, público e transportes — quando analisados em bloco apresentaram variação positiva de 1,8% em relação ao ano anterior. O setor energético apresentou crescimento de 2,0%. Em 2009, com acréscimo de aproximadamente 2 GW, a capacidade instalada das centrais de geração de energia elétrica do Brasil alcançou 106.215 MW, na soma das centrais de serviço público e autoprodutoras. Deste total, o acréscimo em centrais hidráulicas correspondeu a 67,4%, ao passo que centrais térmicas responderam por 23,6% da capacidade adicionada. Por fim, as usinas eólicas foram responsáveis pelos 8,9% restantes de aumento do grid nacional. O setor industrial, segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) de 2010, consumiu o correspondente a 43,7% da produção de energia elétrica do país no mesmo período. Ainda no que se refere ao cenário industrial, no Brasil, os Sistemas Motrizes, são responsáveis por cerca de 49% das cargas elétricas industriais, chegando a 70% em determinadas regiões. A Figura 42 registra o perfil de consumidores por tipo de carga na indústria. 32% 49% Sistemas Motrizes Iluminação Caldeira 7% Eletroquimica 10% Fornos 2% Figura 42 - Perfil de consumo por tipo de carga na indústria. Fonte: Balanço Energético Nacional 2010. 58 A Figura 43, a seguir, ilustra o perfil do consumo de energia elétrica no Brasil, no ano de 2010. O maior destaque é para o setor industrial seguido pelo residencial. 5% Residencial 24% Comercial Público 44% 15% Agropecuária Industrial 8% 4% outros Figura 43 – Consumo de energia por setores em 2010 (GWh) Fonte: Balanço Energético Nacional 2010 A Figura 44 apresenta um histórico de consumo para setores da economia de 1971 a 2007. Neste gráfico, pode-se visualizar a queda de consumo exigido pelo racionamento em 2001. Entretanto, as curvas ao longo do tempo retomam suas taxas de evolução logo a seguir, demonstrando o mesmo ritmo de crescimento que tinha antes do racionamento, exceção feita ao consumo residencial, que sobe, desde então, em ritmo mais lento. 420 360 OUTROS 300 240 INDUSTRIAL 180 120 C OMERC IAL 60 RESIDENC IAL 2007 2004 2001 1998 1995 1992 1989 1986 1983 1980 1977 1974 1971 0 Figura 44 - Consumo de eletricidade para vários setores da economia – TWh. Fonte: Balanço Energético Nacional ano base 2005 MME 2008. 59 Os estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicaram, para o ano de 2007, um crescimento no consumo de energia elétrica (consumo direto na rede somado a autoprodução) de 5,8%, taxa ligeiramente superior ao crescimento da economia de 5,4%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A projeção do consumo total no horizonte decenal aponta um crescimento no consumo de eletricidade de 5,5% ao ano, para um crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% ao ano, atingindo 706,4 TWh em 2017, dos quais 604,2 TWh (85,5%) significarão demanda à rede (a diferença será atendida por autoprodução). Em 2007, essa proporção era de 91,5%. Da constatação acima, observa-se que o uso eficiente de energia elétrica é importante para diminuir essa demanda. Como exemplo, no mesmo estudo a EPE informa que, nas projeções, o consumo residencial cresce à taxa média de 5,3% ao ano ao longo do horizonte decenal, impulsionado pelo aumento da renda e pela ampliação na universalização do acesso à rede elétrica. Entretanto, a maior penetração de equipamentos eletrodomésticos não implicará em aumento substancial na demanda. Esse feito é graças ao uso de equipamentos mais eficientes do ponto de vista energético. O mesmo estudo prevê que o consumo médio mensal por consumidor residencial chegará a 185 kWh, valor apenas 3% superior ao recorde de 180 kWh observado antes do racionamento de 2001. MARQUES, et al. (2006). A competitividade cada vez maior, a nível mundial entre as indústrias, obriga alguns desses setores a produzir com menor uso possível de energia elétrica. Diversos segmentos industriais experimentaram redução no consumo específico de energia entre os quais se destacaram o setor de cimento, de papel e celulose e de materiais não ferrosos. Como exemplo disso, a Figura 45 mostra um gráfico dessa tendência. 60 Figura 45 - Consumo específico de energia elétrica de alguns setores industriais Fonte: Balanço Energético Nacional (BEN). 2008 O Brasil perde, por ano, R$ 11 bilhões com ineficiência energética. São desperdiçados 12,6 bilhões de MWh de energia, volume suficiente para abastecer a cidade do Rio de Janeiro por 12 meses, segundo dados da Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Conservação de Energia), apresentados no dia 17 de novembro de 2007 no Seminário de Eficiência Energética. Outra iniciativa de grande impacto sobre os estudos referente à utilização racional de energia elétrica na indústria foram os convênios entre o PROCEL e diversas universidades no país, viabilizando a construção de laboratórios de pesquisas em eficiência energética. Estes convênios levaram ao seio universitário uma problemática que poderia ser debatida em congressos, assim, a indústria, bem como consultores, teria acesso a uma leitura especializada publicada em anais e revistas. Melhorar as técnicas e utilizar equipamentos mais eficientes é o caminho para o setor industrial aumentar a produtividade, competitividade e reduzir também o impacto do setor energético no clima mundial. Mas talvez a grande atração na adoção de medidas que revertam em maior eficiência energética, seja, a rentabilidade obtida (Previsão de Cargas de Sistemas Interligados, Rio Janeiro, 2008). Há de se citar, também, o convênio assinado entre a ELETROBRÁS/COPEL e a Confederação Nacional da Indústria, Instituto Euvaldo Lodi (CNI/IEL) para a promoção da qualidade e eficiência energética de transformadores de distribuição. 61 O objetivo primordial é estabelecer um nível mínimo aceitável de desempenho para transformadores e implantar um programa de premiação por selo e certificação. Esta certificação tem lugar, pois, segundo a mesma referência, as perdas em transformadores, da ordem de 2%, representam quase um terço das perdas totais do sistema elétrico. O eficiente uso da energia elétrica em parques industriais constitui um grande diferencial na eficiência e competitividade das mesmas. Dentre os sistemas utilizados nas indústrias, o sistema de acionamento motriz por meio eletrônico figura como um grande potencial para economia no consumo de energia elétrica. Nos sistemas de distribuição e transmissão, observa-se comumente a presença de motores de indução, sistemas a tração e uma grande gama de cargas monofásicas com processamento eletrônico de energia elétrica. Tais elementos melhoraram bastante a qualidade de acionamento das máquinas e o controle dos processos produtivos, contudo, são geradores de desequilíbrios de tensão na rede elétrica e consequentemente depreciam a qualidade de energia, pois proporciona condições não ideais de funcionamento. 2.3.9 Eficiência Energética do Elevador de Canecas O rendimento global do sistema de potência depende não apenas do motor, mas também do controle que é utilizado. Os conversores de frequência apresentam rendimento elevado, da ordem de 97% ou mais, conforme dados da WEG — Módulo 01 comando e proteção. Motores elétricos também apresentam alto rendimento, chegando a 95% ou mais em máquinas de potências elevadas, operando sob condições nominais. No controle eletrônico de velocidade, a potência fornecida pelo motor varia de maneira otimizada, influenciando diretamente a potência demandada e conduzindo a elevados índices de rendimento do sistema. O elevador de canecas é um sistema de cargas de torque constante, portanto, apresenta um melhor rendimento acionado com conversor de frequência. Isso se deve à capacidade de variar continuamente a velocidade, sem necessidade de utilizar múltiplos motores ou sistemas mecânicos de variação de velocidade, como polia e 62 engrenagens, que introduzem perdas adicionais. Sem essas perdas, o sistema tornase mais eficiente, e com baixo índice de manutenção mecânica. O sistema acionado por conversor de frequência possibilita ajustar a velocidade do motor de acordo com a linha de produção. Nas condições em que não se exige a velocidade nominal do motor, pode ajustá-lo a uma frequência menor, diminuindo a velocidade e, consequentemente, a demanda solicitada do sistema. 63 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1. LABORATÓRIO DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA FEDERAL DE MATO GROSSO DA UNIVERSIDADE O Laboratório de Eficiência Energética da Universidade Federal de Mato Grosso convenio Eletrobrás/UFMT, é composto por 5 (cinco) quadros elétricos, operados por meio de sistema surpervisório, baseado na arquitetura SCADA, interconectados entre si e às bancadas através de rede ethernet. O Software utilizado para a automação é o ElipseScada. (Figura 46) Figura 46- Tela Inicial do Software ElipseScada. Os quadros elétricos estão assim distribuídos: 1 (um) Centro de Controle e Proteção (Alimentação Geral), e 4 (quatro) quadros, para acionamento: da bancada do ventilador industrial, da bancada da bomba centrífuga, da bancada do compressor 64 industrial e do elevador de canecas. Cada quadro está conectado a um computador por meio do qual aciona-se os comandos. O painel de alimentação geral é responsável por efetuar a distribuição de energia, bem como a proteção elétrica para cada uma das bancadas citadas acima. Este painel é equipado com um disjuntor geral de entrada, um relé falta de fase, um disjuntor de proteção contra falta a terra, e um contator geral. A Figura 47 ilustra o centro de controle e proteção (Alimentação Geral), e a Figura 48 mostra o Centro de Controle do Conjunto Elevador de Canecas. Figura 47- Centro de Controle e Proteção (Alimentação Geral) Fonte: Foto Laboratório de Eficiência Energética da UFMT Figura 48 - Centro de Controle do Conjunto Elevador de Canecas. Fonte: Foto do Laboratório de Eficiência Energética da UFMT. 65 O Centro de Controle do conjunto Elevador de Canecas é composto por um disjuntor e um contator geral que alimenta um barramento de distribuição. Entre o contator e este barramento está instalado um medidor de energia elétrica e um conjunto de 3 (três) resistências shunt que permitem observar a forma de onda de corrente que circula pelo conjunto. Tem-se uma régua de bornes do painel onde estão disponíveis os pontos para verificar o sinal, bem como para medição dos níveis de tensão em cada uma das fases que alimenta a bancada. Conforme diagrama ilustrado na Figura 49, pode-se observar que o barramento geral alimenta: - Quatro capacitores de 0,5 kVAr - O contator que alimenta o motor em partida direta; - O contator que aciona o motor com conversor de frequência e - Contator para acionamento com soft-starter. O centro de controle permite acionamento do motor por partida direta, com conversor de frequência, com soft-starter, e a ativação do banco de capacitores para correção do fator de potência e também selecionar qual motor deverá ser alimentado, motor de indução convencional ou motor de alto rendimento. (Figura 49). Figura 49 – Diagrama Unifilar do sistema de acionamento do motor. 66 Figura 50 – Tela de exibição das grandezas do motor O usuário poderá solicitar qualquer um dos 3 (três) tipos de partida citadas, sendo que deve ser utilizado um tipo de partida por vez. Todo processo de operação é interativo e feito via sistema surpervisório, facilitando a utilização das bancadas. Do lado da carga, pode ser selecionado dois tipos de motores (convencional ou alto rendimento). Estes motores estão acoplados em um único eixo e a partida de qualquer um deles implica em movimento de todo conjunto. Apenas um dos motores pode ser acionado por vez. Na tela ilustrada na Figura 50 pode-se fazer a leitura dos parâmetros do motor, a Figura 51 mostra a arquitetura do funcionamento do elevador de canecas. 67 Figura 51 - Arquitetura do Funcionamento do Elevador de Canecas A bancada utilizada para experimentação em laboratório é totalmente automatizada por meio do Controlador Lógico Programável (CLP), possuindo Interface Homem Máquina (IHM) e Sistema Surpervisório, possibilitando múltiplas maneiras de acionamento da carga em questão, objetivando maior precisão na coleta de dados e nas alternativas da pesquisa. Esta viabiliza a utilização de motor de indução standard ou de alto rendimento, assim como, acionamento através de partida direta ou soft-starter ou ainda acionamento com controle analógico ou digital via conversor de frequência. Além desses recursos, também é possível controle do fator 68 de potência do barramento de entrada, através da inserção opcional de bancos de capacitores fixos. A coleta de dados foi obtida com auxilio do analisador de energia MARH-21 como mostra a Figura 52. As Tabelas 6 e 7 têm as especificações técnicas do fabricante do motor e do conversor de frequência que compõem o sistema de elevador de canecas, ilustrado no diagrama da Figura 51, que foram utilizados nesta pesquisa. Figura 52 - Analisador de energia MARH-21 Tabela 6 - Dados do motor de indução MOTOR WEG STANDARD Potência Frequência 1,5CV 60 Hz Tensão 220 V Tensão 380 V 4,28 A 2,48 A Rendimento Fator de Potência 78,5% 0,86 Rotação Temp. Máxima 3370 RPM 40°C Ip/In CAT 7,5 N 69 Tabela 7 - Dados do Conversor de Frequência CONVERSOR DE FREQUÊNCIA Marca Modelo In 1x220-240 V In 3x200-240 V OUT: 3x0-Uln Chassis Temp. Máxima Potência 3.2. Danfoss VLT 2800 15,2A 7,6 A 6,8 A / 2,7kVA IP 20 45°C / 113°F 2,2 – 3,7 kW Medições realizadas no laboratório Neste trabalho, foram realizadas medições das grandezas elétricas no processo de acionamento de um sistema de transporte de grãos, por meio do elevador de canecas, com acionamento microprocessado por conversor de frequência, e sistema convencional por partida direta. As medições foram realizadas no barramento secundário de alimentação do sistema acionado por motor de indução de 1,5 CV. A carga utilizada foi do tipo constante de 57,3kg para os dois distintos acionamentos, sendo que as frequências de acionamento do conversor variaram de 20 a 60 Hertz, com variação de 10 em 10 Hertz. As Figuras 53 apresentam o esquema de ligação do analisador de energia no sistema. Feita a conexão do analisador no sistema de acionamento do conjunto elevador de canecas, acionando uma carga de 57,3kg, interligou-se o analisador com o notebook que registra as grandezas elétricas via programa ANAWIN como ilustrado nas Figuras 53. 70 Figuras 53 - Esquema de ligação do analisador em partida direta e com conversor. A – Sistema acionado em Partida Direta Motor Standard 1,5CV; Carga de 57,3 kg; Material utilizado como carga foi granulado de polietileno de alta densidade; Analisador de energia MARH-21; Note Book com Softwere ANAWIN; Elevador de Canecas; Cabos e conexões. A partir dos sinais de entrada de tensão e corrente, o analisador MARH-21 disponibiliza os valores das tensões de fase e linha, correntes, fator de potência por fase e total, potências, energias, DHT de tensão e corrente, potência reativa total necessária para correção do fator de potência, sequência de fases, as demandas na ponta e fora da ponta por fase e totais e fator de deslocamento, etc. 71 Ponteira de Tensão Conversor de Frequência Analisador de Energia Clamp de Corrente Note Book Figura 54: Ligação do Analisador MARH-21 na carga. Fonte: Foto Laboratório de Eficiência Energética da UFMT. B - Acionamento com Conversor de Frequência Motor Standard 1,5CV; Carga de 57,3 kg; Material utilizado como carga foi granulado de polietileno de alta densidade; Analisador de energia MARH-21; Note Book com Softwere ANAWIN; Elevador de Canecas; Cabos e conexões. A Figura 55 ilustra o elevador de canecas conectado ao centro de controle onde foram coletados os dados. 72 Elevador de canecas Centro de Controle do Conjunto Elevador de Canecas Figura 55 Elevador de Canecas instalado no laboratório. Fonte: Foto Laboratório de Eficiência Energética da UFMT. Foram adotados os mesmos procedimentos descritos anteriormente, para conectar o analisador MARH-21 na carga agora utilizando o conversor de frequência para registrar os dados e fazer a comparação do consumo de energia elétrica e demanda de potência ativa do elevador de canecas, acionado por partida direta e com conversor de frequência. Primeiramente, foi realizada a cronometragem do tempo em segundos que o sistema leva para realizar uma volta completa. Inicialmente, o sistema foi acionado com partida direta, em seguida, com conversor de frequência, nas frequências de 20 a 60 Hertz variando de 10 em 10 Hertz. Foram colhidas dez medições para cada acionamento e feito a média aritmética de cada medida. Depois, fez-se a conversão do tempo de segundos para horas aplicando as equações 48 e 49. Esta conversão de segundos para hora é necessária porque o consumo de energia elétrica é medido e cobrado em quilowatts-hora (kWh) pelas concessionárias. Tmed t1 t 2 t3 .... t n n Eq. 48 73 Thoras Tmed 3600 Eq. 49 Onde: Tmed - Média Aritmética de todos os tempos medidos em segundo; n - número de medições; Thoras - tempo em horas. A Tabela 8 ilustra o tempo gasto para o elevador de canecas completar um ciclo nas frequências de 20 a 60 Hertz e na partida direta em segundos e em horas. Tabela 8 - Tempo gasto para o elevador de canecas completar um ciclo nas frequências de 20 a 60 Hertz e partida direta Frequência (Hz) 20 30 40 50 60 Partida Direta Tempo (s) 11,924 7,914 5,918 4,619 3,958 4,153 Tempo (h) 3,312x10-3 2,198x10-3 1,643x10-3 1,283x10-3 1,099x10-3 1,153x10-3 A Figura 56 ilustra o tempo médio em horas que o elevador de canecas leva para completar um ciclo, quando acionado por conversor de frequência, nas frequências de 20 a 60 Hertz e na partida direta. Figura 56 – tempo gasto para completar um ciclo em função da frequência de operação. No Gráfico da Figura 56, observa-se que o tempo para o elevador de canecas completar um ciclo é menor quando acionado com conversor de frequência em 60 Hertz, em relação à partida direta. 74 Ressalta-se que essa diferença de tempo pode ser em decorrência de dois fatores: primeiro, devido ao tipo de modulação da tensão que foi injetada no motor. Este possui a frequência de 10 kHz, conforme o projeto de construção do conversor e, segundo, pode ser na medição do tempo que foi feita com cronômetro analógico, possibilitando que haja erro de leitura, mas essa diferença de tempo é apenas de 195 milisegundos, representa 4,69%, estando dentro da margem de aceite. Para o calculo do consumo de energia elétrica considera-se a potência ativa média registrada no analisador de energia em cada frequência. Na frequência de 20 Hertz, o tempo que o sistema gastou para completar um ciclo, foi de 11,924 segundos, convertendo o tempo em horas temos 3,312x10-3 horas, conforme registrado na Tabela 8. Com a potência ativa média ilustrada no gráfico da Figura 57, plotado no programa MATLAB versão 6.1, calculou-se a energia consumida em cada ciclo do elevador de canecas neste caso em 20 Hertz. Figura 57 - Potência ativa média em 20 Hertz Na frequência de 20 Hertz, para calcular o consumo de energia gasto em cada ciclo, considera-se a potência ativa média de 0,393 kW e utiliza-se na equação 50. Wc Pxt Wc 0, 393kWx3, 312 x10 3 h Wc 0, 001301kWh por ciclo Onde: Wc - Energia elétrica consumida em um ciclo; P - Demanda de potência ativa média em 20 Hertz; t - Tempo gasto para completar um ciclo em horas. Eq.50 75 Na frequência de 30 Hertz, o tempo que o sistema gasta para completar um ciclo, foi de 7,914 segundos. Esse valor foi obtido com o mesmo procedimento anterior, convertendo o tempo em horas temos 2,198x10 -3 horas, registrado na Tabela 8. Figura 58 - Potência ativa média em 30 Hertz. Com a potência ativa média, ilustrada no gráfico da Figura 58, tem-se 0,593 kW, calcula-se a energia consumida em cada ciclo na frequência de 30 Hertz do elevador de canecas. Wc Pxt Wc 0, 593kWx 2,198 x10 3 h Wc 0, 001303kWh por ciclo Figura 59 - Potência ativa média em 40 Hertz 76 Na frequência de 40 Hertz, o tempo que o sistema gasta para completar um ciclo foi de 5,918 segundos. Esse valor foi obtido com o mesmo procedimento anterior, convertendo o tempo em hora temos 1,643x10-3 horas para calcular o consumo de energia em um ciclo. Com a potência ativa média 0,765kW, ilustrada no gráfico da Figura 59, calcula-se a energia consumida em cada ciclo, na frequência de 40 Hertz, do elevador de canecas. Wc Pxt Wc 0, 765kWx1, 643 x10 3 h Wc 0, 001256 kWh por ciclo Com o mesmo procedimento, calcula-se a energia consumida em um ciclo para as frequências de 50 Hertz, 60 Hertz e partida direta. A Tabela 9 registra o consumo por ciclo das frequências de 20 a 60 Hertz e partida direta. Tabela 9 - Consumo por ciclo (kWh/ciclo) Wc20Hz Wc30Hz Wc40Hz Wc50Hz Wc60Hz Wcpd 0,001301 kWh/ciclo 0,001303 kWh/ciclo 0,001256 kWh/ciclo 0,001212kWh/ciclo 0,001134 kWh/ciclo 0,001384 kWh/ciclo Considerando que o sistema opera em média 10 horas por dia, calcula-se o número de ciclos que esse sistema desenvolve nesse período, para cada frequência de 20 a 60 Hertz e partida direta, com o objetivo de obter o consumo diário. Na Tabela 10, registra-se o número de ciclos que o elevador de canecas realiza em 10 horas. 77 Tabela 10 - Número de ciclos em 10 horas nas frequências de 20 a 60 Hertz e partida direta do elevador de canecas. Frequência (Hz) 20 Hz 30 Hz 40 Hz 50 Hz 60 Hz Partida Direta Cálculo do Número de Ciclos Cálculo do número de ciclos Número de ciclos em 10 horas 3.019,32 10h 3 3,312 x10 4.549,59 10 h 3 2,198 x10 6.086,42 10h 3 1, 643 x10 7.794,23 10 h 3 1, 283 x10 9.099,18 10h 3 1,099 x10 8.673,02 10h 1,153 x10 3 Utilizando os dados de consumo de energia elétrica para um ciclo e o número de ciclos para 10 horas de funcionamento do elevador de canecas, calculou-se o consumo médio diário de energia elétrica, aplicando a equação 51 nas frequencias de 20 a 60 Hertz e na partida direta. Wd 20 Hz Wc xN c Eq. 51 Sendo: Wc - Energia consumida em um ciclo em 20 Hertz Nc - Número de ciclos em 10 horas em 20 Hertz Wd 20 Hz - Energia consumida em 10 horas em 20 Hertz Cálculo do consumo de energia diária, considerando 10 horas de trabalho no dia, na frequência de 20 Hertz. Wd 20 Hz 0, 001301kWh / ciclox3.019, 32 ciclos / dia 3, 9341kWh / dia Wd 20 Hz 3, 9341kWh / dia A Tabela 11 ilustra os valores do consumo de energia diária nas frequências de 20 a 60 Hz e na partida direta. 78 Tabela 11 - Consumo diário de energia elétrica na frequência de 20 Hz a 60 Hz e partida direta. Wd 20Hz Wd 30Hz Wd 40Hz Wd 50Hz Wd 60Hz 3,9341 kWh/dia 5,9362 kWh/dia 7,6445 kWh/dia 9,4466 kWh/dia 10,3184 kWh/dia Wdpd 12,0034 kWh/dia Para analisar o impacto do acionamento convencional, através do conversor de frequência no consumo de energia elétrica, pode-se proceder de duas formas. Primeiramente, da análise do número de ciclos para os diferentes acionamentos, compara-se o consumo de energia elétrica, absorvida na frequência escolhida com seus respectivos ciclos pelo número de ciclos da frequência que se deseja comparar. O cálculo efetuado demonstra a comparação da energia absorvida com o sistema, operando em 20 Hertz em relação à energia absorvida quando o sistema opera em 30 Hertz mostrando que a energia absorvida em 20 Hertz foi corrigida ao período de 30 Hertz, conforme mostra a Tabela 12. Qualquer outra comparação em diferentes frequências pode ser realizada, obtendo resultados idênticos. Cálculo do consumo de energia elétrica diária em 20 Hertz refletida para 30 Hertz. Em 20 Hertz ---------3019,32 voltas -------------3,9341 kWh/d Em 30 Hertz----------4549,59 voltas-------------W30 Hertz kWh/d W30 Hertz 4549,59voltasx 3,9341kWh / d 5,9349kWh / d 3019,32voltas Cálculo do consumo de energia elétrica diária em 20 Hertz refletida para 40 Hertz. Em 20 Hertz ---------3019,32 voltas -------------3,9341 kWh/d Em 40 Hertz----------6086,42 voltas-------------W40 Hertz kWh/d W40 Hertz 6086, 42voltasx 3,9341kWh / d 7,9288kWh / d 3019,32 voltas 79 Tabela 12 - Estimativa do consumo diário da energia para 20, 30, 40, 50, 60 Hertz e Partida Direta. Wd 20Hz Wd 30Hz Wd 40Hz Wd 50Hz Wd 60Hz Wd pd 3.019,32 ciclos 4.549,59 ciclos 6.086,42 ciclos 7.794,23 ciclos 9.099,18 ciclos 8.673,02 ciclos 3,9341 kWh/dia 5,9349 kWh/dia 7,9288 kWh/dia 10,1556 kWh/dia 11,8560 kWh/dia 11,3007 kWh/dia Num segundo momento, exemplifica-se que o consumo de energia elétrica corresponde a um mesmo valor fazendo a análise da demanda de potência ativa, requerida pelo sistema para as diferentes frequências de acionamento com o período da forma de onda de corrente que é injetada no motor pelo conversor. O cálculo procede-se da seguinte forma: Multiplica-se o valor médio encontrado da demanda de potência ativa, requerida pelo sistema na frequência escolhida, pelo tempo em horas do período da forma de onda de corrente injetada no motor da frequência correspondente. Os valores encontrados estão na Tabela 13. Tabela 13 - Frequência, período, potência ativa e consumo em um ciclo. Frequência (Hertz) Período (milisegundos/horas) Potência Ativa (kW) Consumo (kWh) 20 50 1,388x10-5 0,393 5,454x10-6 30 33,34 9,261x10-6 0,593 5,492x10-6 40 25 6,944x10-6 0,765 5,312x10-6 50 20 5,555x10-6 0,955 5,305x10-6 60 16,67 4,630x10-6 1,132 5,241x10-6 Partida Direta 16,67 4,630x10-6 1,200 5,556x10-6 80 Portanto, apesar da diminuição de demanda de potência ativa requerida do sistema, com a redução da frequência — quando se aciona uma mesma carga para diferentes frequências e faz-se a correção do número de ciclos realizados por cada acionamento — conclui-se que o trabalho realizado pelo sistema é o mesmo, ao passo que, se existe uma diminuição da solicitação de potência ativa, existe um aumento no período da forma de onda da corrente, ou seja, o consumo de energia elétrica ativa é praticamente o mesmo como comprovado na Tabela 13. 3.3. ANÁLISE DA QUALIDADE DE ENERGIA ELÉTRICA 3.3.1 Tensão e Corrente do Sistema Inicialmente, foi monitorado o perfil da tensão no barramento trifásico que alimenta o elevador de canecas pelo sistema convencional de partida direta com uma carga de 57,3 quilos, cuja forma de onda de tensão trifásica é mostrada na Figura 60. Em seguida, serão detalhadas as formas de ondas das tensões em cada fase, com seus respectivos espectros (Figuras 61 a 66). Figura 60 - Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. 81 Figura 61 - Tensão na fase A, no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. Figura 62 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. Figura 63 - Tensão na fase B, no barramento que Figura 64 - Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. Figura 65 - Tensão na fase C, no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. Figura 66 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. 82 A Tabela 14 apresenta a ordem das harmônicas de tensão, bem como os valores das distorções harmônicas, medidos em cada fase (DIT) e total (DTT). Tabela 14 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões na partida direta – medição Ordem das Harmônicas (Tensões) 3ª 5ª A 7ª 9ª 11ª 3ª 5ª 7ª B 9ª 15ª 17ª 21ª 3ª 5ª C 7ª 9ª 13ª Distorções Harmônicas DIT (%) DTT (%) 1,29 2,16 0,88 3,19 0,77 0,59 1,09 1,49 1,37 1,22 4,05 0,81 1,08 0,59 0,92 2,35 0,63 3,00 0,67 0,60 Em seguida, foi monitorado o perfil da corrente no barramento trifásico que alimenta o elevador de canecas pelo sistema convencional de partida direta com uma carga de 57.3 quilos, apresentado na Figura 67, cuja forma de onda de cada fase encontra-se ilustrada com respectivos espectros harmônico (Figuras 68 a 73). Figura 67 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. 83 Figura 68 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. Figura 69 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas de partida direta Figura 70 - Corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. Figura 71 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas de partida direta. Figura 72 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado em partida direta. Figura 73 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas de partida direta. A Tabela 15 apresenta a ordem das harmônicas de corrente, bem como os valores das distorções harmônicas, medido em cada fase (DII) e total (DTI). 84 Tabela 15 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes na partida direta - medição Ordem das Harmônicas (Corrente) A B C 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª 3ª 5ª 7ª 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª Distorções Harmônicas DII (%) DTI (%) 2,63 5,67 3,11 1,13 0,80 1,08 7,72 0,87 0,85 0,88 0,83 1,03 0,85 2,21 3,57 5,28 3,03 1,59 5,05 1,98 1,08 1,17 1,17 6,89 1,06 1,20 1,12 1,09 1,16 1,07 Observa-se que a forma de onda da tensão é senoidal na partida direta, já a forma de onda da corrente é levemente distorcida, porém, aproxima da senoidal na partida direta, porque o sistema de acionamento, chave eletromagnética é constituída de componentes com características lineares. Com objetivo de verificar a influência das harmônicas na configuração das formas de onda, foi monitorado o perfil da tensão no barramento trifásico que alimenta o elevador de canecas com conversor de frequência, nas frequências de 20 a 60 Hertz. Inicialmente, na frequência de 20 Hertz (Figura 74), as formas de ondas da tensão trifásica e em cada fase, com seus respectivos espectros harmônicos, nas Figuras 75 a 80. 85 Figura 74- Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz Figura 75 - Tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz Figura 76 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz. Figura 77 - Tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz. Figura 78 - Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz. 86 Figura 79 - Tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz. Figura 80 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 20 Hertz. A Tabela 16 apresenta a ordem das distorções harmônicas, as distorções harmônicas individuais (DIT) e totais (DTT) das tensões para 20 Hertz, medidos em cada fase. Tabela 16 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões a 20 Hertz – medição Ordem das Harmônicas (Tensões) 3ª 5ª A 7ª 11ª 15ª 3ª 5ª 7ª 9ª B 11ª 15ª 19ª 23ª 3ª 5ª C 7ª 9ª 23ª Distorções Harmônicas DIT (%) DTT (%) 1,73 2,12 0,53 3,64 0,83 0,73 1,19 1,22 0,79 1,03 3,66 0,53 1,08 0,76 1,04 1,30 2,21 0,53 3,16 0,60 0,58 87 A Figura 81 apresenta o monitoramento da corrente trifásica no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 20 Hertz. As Figuras 82 a 87 mostram o sinal de onda de corrente em cada fase com seus respectivos espectros harmônico. Figura 81 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. Figura 82 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. Figura 83 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. 88 Figura 84 - Corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. Figura 86 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. Figura 85 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. Figura 87 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 20 Hertz. A Tabela 17 apresenta a ordem das harmônicas, as distorções harmônicas individuais (DII) das correntes para 20 Hertz, bem como as distorções totais medidos em cada fase (DTI). 89 Tabela 17 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes a 20 Hertz - medição Ordem das Harmônicas (Corrente) A B C 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª Distorções Harmônicas DII (%) DTI (%) 95,37 89,73 82,91 70,90 60,20 48,60 193,89 36,33 27,31 16,93 9,00 5,70 1,72 93,23 97,29 95,63 84,85 84,73 81,44 258,74 66,68 66,03 62,13 44,49 42,54 36,36 60,68 93,26 82,87 42,22 65,25 50,07 172,97 15,66 31,74 21,64 3,02 8,30 11,75 Na Figura 88, apresenta-se o monitoramento da tensão trifásica no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 30 Hertz. Nas Figuras 89 a 94, apresenta-se o monitoramento da tensão em cada fase com seus respectivos espectros harmônico. 90 Figura 88 – Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. Figura 89 - Tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. Figura 90 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz 91 Figura 91 - Tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. Figura 93 - Tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. Figura 92 - Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. Figura 94 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 30 Hertz. A Tabela 18 apresenta a ordem das distorções harmônicas, as distorções individuais (DIT) e totais (DTT) das tensões para 30 Hertz. 92 Tabela 18 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões a 30 Hertz – medição Ordem das Harmônicas (Tensões) 3ª 5ª A 7ª 9ª 25ª 3ª 5ª 13ª B 15ª 23ª 25ª 3ª 5ª 7ª 9ª C 11ª 15ª 21ª 23ª Distorções Harmônicas DIT (%) DTT (%) 1,56 1,59 0,50 3,23 0,74 0,55 1,10 1,38 0,64 3,72 1,65 0,84 0,88 1,45 1,54 0,59 1,21 3,68 1,20 0,75 0,70 0,57 A Figura 95 apresenta o monitoramento das correntes nas três fases no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 30 Hertz. Figura 95 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. 93 As Figuras 96 a 101 demonstram as formas de onda da corrente em cada fase com seus respectivos espectro harmônico no acionamento em 30 Hertz. Figura 96 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. Figura 97 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. Figura 98 - Corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. Figura 99 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. Figura 100 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. Figura 101 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 30 Hertz. 94 A Tabela 19 apresenta a ordem das harmônicas, as distorções harmônicas individuais (DII) das correntes para 30 Hertz, bem como as distorções totais medidos em cada fase (DTI). Tabela 19 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes a 30 Hertz - medição Ordem das Harmônicas (Corrente) A B C 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª Distorções Harmônicas DII (%) DTI (%) 78,66 90,67 82,18 54,38 58,95 48,96 178,49 20,79 23,79 17,39 4,94 7,52 1,46 52,23 96,65 91,69 41,89 79,62 69,38 202,23 24,62 55,61 41,85 10,15 30,84 16,65 46,09 94,54 82,77 31,76 68,22 52,61 169,97 10,86 33,54 24,32 6,45 5,03 10,92 95 A Figura 102 apresenta o monitoramento da tensão trifásica no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 40 Hertz, as Figuras 103 a 108 demonstram o sinal de tensão em cada fase com seus respectivos espectro harmônico. Figura 102- Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. Figura 103 - Tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. Figura 104 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. 96 Figura 105 - Tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. Figura 106- Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. Figura 107 - Tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. Figura 108 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 40 Hertz. A tabela 20 apresenta a ordem das distorções harmônicas, as distorções individuais (DIT) e totais (DTT) das tensões para 40 Hertz. 97 Tabela 20 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões a 40 Hertz– medição Ordem das Harmônicas (Tensões) 3ª A 5ª 19ª 3ª 5ª B 7ª 9ª 25ª 3ª 5ª 9ª C 17ª 19ª 21ª Distorções Harmônicas DIT (%) DTT(%) 1,29 1,40 2,73 0,52 1,36 2,58 0,65 4,09 1,31 0,60 1,09 1,29 0,83 2,63 0,53 0,51 0,54 Na Figura 109, apresenta-se o monitoramento da corrente no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 40 Hertz. Figura 109 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. As Figuras 110 a 115 demonstram o sinal de corrente em cada fase com seus respectivos espectro harmônico com acionamento em 40 Hertz. 98 Figura 110 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. Figura 111 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. Figura 112 - Corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. Figura 113 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. Figura 114 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. Figura 115 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 40 Hertz. A Tabela 21 apresenta a ordem das harmônicas, as distorções harmônicas individuais (DII) das correntes para 40 Hertz, bem como as distorções totais medidos em cada fase (DTI). 99 Tabela 21 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes a 40 Hertz - medição Ordem das Harmônicas (Corrente) A B C 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª Distorções Harmônicas DII (%) DTI (%) 66,96 87,97 83,00 44,40 53,18 47,18 164,75 14,32 18,93 13,28 6,62 9,53 2,92 46,55 97,23 84,57 38,10 75,96 57,11 183,23 22,34 44,43 28,97 4,31 14,45 14,87 33,10 90,34 81,75 19,27 59,35 46,00 151,53 2,52 24,37 12,98 6,80 1,60 7,08 A Figura 116 apresenta o monitoramento da tensão trifásica no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 50 Hertz. 100 Figura 116 – Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. Nas Figuras 117 a 122, apresenta-se o monitoramento da tensão no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 50 Hertz, em cada fase com seu respectivo espectro harmônico. Figura 117 - Tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. Figura 118 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. 101 Figura 119 - Tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. Figura 120 - Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. Figura 121 - Tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. Figura 122 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 50 Hertz. A Tabela 22 apresenta a ordem das distorções harmônicas, as distorções das harmônicas individuais (DIT) e totais (DTT) das tensões para 50 Hertz. 102 Tabela 22- Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões a 50 Hertz– medição Ordem das Harmônicas (Tensões) 3ª 5ª A 9ª 13ª 21ª 3ª 5ª 7ª B 9ª 13ª 15ª 19ª 3ª 5ª C 7ª 11ª 15ª Distorções Harmônicas DIT (%) DTT (%) 1,31 1,27 0,58 3,33 0,95 0,51 1,66 1,35 0,59 1,09 3,63 0,65 0,86 0,71 1,93 1,37 0,85 3,42 0,80 0,67 Na Figura 123, apresenta-se o monitoramento da corrente no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 50 Hertz. Figura 123 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. Nas Figuras 124 a 129, apresenta-se o monitoramento da corrente no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 50 Hertz, em cada fase com seus respectivos espectro harmônico. 103 Figura 124 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. Figura 125 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. Figura 126 - Corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. Figura 127 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. Figura 128 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. Figura 129 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 50 Hertz. A Tabela 23 apresenta a ordem das harmônicas, as distorções harmônicas individuais (DII) das correntes para 50 Hertz, bem como as distorções totais medidos em cada fase (DTI). 104 Tabela 23 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes a 50 Hertz - medição Ordem das Harmônicas (Corrente) A B C 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª Distorções Harmônicas DII (%) DTI (%) 32,62 90,17 84,86 21,42 61,32 51,94 158,08 6,79 28,75 17,86 4,49 11,03 5,72 27,96 92,06 83,77 16,36 63,99 51,26 157,70 2,63 29,85 19,51 4,69 6,19 8,25 9,13 90,22 81,38 4,74 57,38 45,79 145,13 1,84 20,49 13,33 3,93 2,98 7,89 A Figura 130 apresenta o monitoramento da tensão trifásica no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 60 Hertz. 105 Figura 130 - Tensões nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz As Figuras 131 a 136 apresentam o monitoramento da tensão no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 60 Hertz em cada fase com seus respectivos espectro harmônico. Figura 131 - Tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. Figura 133 - Tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. Figura 132 - Espectro harmônico da tensão na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. Figura 134 - Espectro harmônico da tensão na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. 106 Figura 135 - Tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. Figura 136 - Espectro harmônico da tensão na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz. A Tabela 24 apresenta a ordem das distorções harmônicas, as distorções das harmônicas individuais (DIT) e totais (DTT) das tensões para 60 Hertz. Tabela 24 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Tensões a 60 Hertz– medição Ordem das Harmônicas (Tensões) 3ª 5ª 7ª A 9ª 13ª 21ª 3ª 5ª 7ª 9ª B 13ª 19ª 21ª 23ª 25ª 3ª C 5ª 11ª Distorções Harmônicas DIT (%) DTT (%) 0,93 0,81 0,63 2,18 0,59 0,68 0,55 0,82 1,43 1,27 1,03 0,54 3,44 0,68 0,69 0,79 0,53 0,93 1,20 2,20 0,54 Na Figura 137, apresenta-se o monitoramento da corrente trifásica no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 60 Hertz. 107 Figura 137 - Correntes nas fases A, B e C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. Nas Figuras 138 a 143, apresenta-se o monitoramento da corrente no acionamento do elevador de canecas com conversor de frequência em 60 Hertz em cada fase com seus respectivos espectro harmônico. Figura 138 - Corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. Figura 139 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. Figura 140 - Espectro harmônico da corrente na fase A no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. Figura 141 - Espectro harmônico da corrente na fase B no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. 108 Figura 142 - Corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. Figura 143 - Espectro harmônico da corrente na fase C no barramento que alimenta o elevador de canecas controlado por conversor de frequência a 60 Hertz. A Tabela 25 apresenta a ordem das harmônicas, as distorções harmônicas individuais (DII) das correntes para 60 Hertz, bem como as distorções totais medidos em cada fase (DTI). Tabela 25 - Distorções Harmônicas Individuais e Totais das Correntes a 60 Hertz - medição Ordem das Harmônicas (Corrente) A B 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª Distorções Harmônicas DII (%) DTI (%) 42,29 88,67 82,96 25,92 55,97 47,00 153,07 4,68 21,45 12,08 7,65 7,49 6,03 36,20 92,06 95,19 25,61 68,04 48,61 162,62 11,47 32,75 19,52 0,79 4,22 5,54 109 C 3ª 5ª 7ª 9ª 11ª 13ª 15ª 17ª 19ª 21ª 23ª 25ª 10,06 87,49 83,38 6,30 55,49 46,43 3,79 21,72 10,96 7,26 0,97 10,37 144,74 No acionamento com conversor de frequência, com frequências de 20 a 60 Hertz, as formas de onda da tensão e da corrente na entrada do sistema sofrem distorções, conforme ilustrado anteriormente para cada fase com seus respectivos espectros harmônicos. Ficou demonstrado que a forma de onda das tensões sofre pequenas deformações pela estabilidade do sistema de alimentação e o motor por ser uma carga indutiva, já a corrente sofre distorção nas formas de onda, isto porque o conversor é um equipamento eletrônico com característica não-linear, cuja corrente possui harmônicas que são componentes múltiplas da frequência fundamental da rede, como ilustrado para cada frequência de 20 a 60 Hertz. Analisando de uma forma geral, o conversor de frequência, considera-se que o retificador produz harmônicas características de ordem h = np ± 1 no lado da CA, ou seja, na rede (p é o número de pulsos do conversor e n = 1,2,3). Assim, no caso da ponte retificadora com seis diodos (seis pulsos), as principais harmônicas geradas são de 5ª e 7ª ordem, cuja amplitude pode variar de 10% a 40% da fundamental, dependendo da impedância da rede. Já para 12 pulsos (doze diodos), as harmônicas mais expressivas são a de 11ª e a 13ª. As harmônicas superiores, geralmente possuem menor amplitude e são mais fáceis de filtrar. A maioria dos conversores de frequência de baixa tensão é de seis pulsos. Ressalta-se que os conversores de frequência de 6 pulsos, que foi utilizado nesta pesquisa, apresentam um elevado conteúdo de harmônicos de corrente de ordem 5ª e 7ª, conforme demonstrado nos espectros harmônicos. Esse conteúdo de harmônicos pode ser reduzido com o uso de transformadores para as conexões em maior número de pulsos, como por exemplo, num conversor de 12 pulsos com um 110 transformador de duplo secundário em conexão delta-estrela os harmônicos de 5ª e 7ª ordem são praticamente eliminados. Também pode-se mencionar o conversor de 24 pulsos, obtido pela conexão de dois transformadores de entrada que irá gerar apenas harmônicos de corrente de ordem 23ª ou superior. Nas medições, observou-se a presença das denominadas harmônicas triplas, ou seja, aquelas múltiplas da terceira harmônica (h = 3, 9, 15, 21) tanto no acionamento com partida direta como no conversor de frequência. Estas frequências manifestam-se na forma de sequência zero exigindo para sua manifestação, a existência de conexões em estrela aterrado tanto no suprimento quanto na carga. Quando isso ocorre, surge um expressivo carregamento para os neutros dos sistemas trifásicos. As componentes de sequência zero, como observado, podem ser ainda incrementadas quando do funcionamento de instalações trifásicas em que a rede e a carga apresentam-se desequilibrada. Os dois fatores causadores do aparecimento da terceira harmônica estão presentes no sistema, pois a carga está ligada em estrela aterrado e as fases estão desequilibradas, conforme registro nas tabelas individuais e totais de corrente tanto no acionamento com partida direta quanto no acionamento com conversor de frequência. 3.3.2 Análise dos Resultados 3.3.2.1 Acionamento com Partida Direta Com o objetivo de observar o comportamento da tensão e da corrente no tempo, foi plotado no programa MATLAB versão 6.1 o gráfico da tensão e da corrente trifásica, conforme Figuras 60 e 67. Observou-se que o sinal de tensão se mantém senoidal, o que não acontece com a corrente. Para uma análise mais detalhada do sinal da tensão e da corrente, foi plotado o gráfico por fase com seus respectivos espectros harmônicos, de acordo com os valores das distorções harmônicas individuais e totais. A Tabela 14 ilustra os valores das distorções harmônicas individuais e da distorção total das tensões, medidos no barramento, que alimenta o elevador de canecas acionado com partida direta. A distorção individual de tensão variou de 0,59 a 2,16% na fase A, na fase B de 0,59 a 1,49% e na fase C de 0,60 a 2,35%. A distorção total de tensão foi de 3 a 4%. Os valores encontrados para as distorções harmônicas individuais e totais de tensão 111 mostram-se em conformidade com os valores de referência existentes na Resolução 345/2008 da ANEEL registrado nas Tabelas 2 e 3. Quanto ao sinal de corrente, esta sofre pequenas distorções. Estas não são causadas pelo acionamento por partida direta, pois o equipamento utilizado, chave eletromagnética, tem característica linear. Tecnicamente, pode-se afirmar que essa leve distorção no sinal de corrente são causadas por cargas não-lineares que estão na mesma rede, que alimenta o Laboratório de Eficiência Energética, onde está sendo realizado o estudo. Essas cargas são lâmpadas de descargas com reator eletrônico, computadores, nobreacks, estabilizadores, impressoras, etc. As cargas não-lineares possuírem em seu circuito eletrônico; transistores, diodos, tiristores ou simplesmente semicondutores, esses dispositivos alternam entre os estados de corte e condução rapidamente, provocando cortes abruptos na condução de corrente ou provocam uma drenagem de energia não compatível com o ciclo linear da energia absorvida, o resultado é uma onda distorcida, carregada de componentes harmônicos. O registro dessas pequenas distorções está bem demonstrado no gráfico por fase da corrente com seus respectivos espectros harmônicos nas Figuras 68 a 73 e no registro da Tabela 15 de distorções individuais e totais da corrente na partida direta. 3.3.2.2 Acionamento com conversor de frequência O sistema foi acionado com conversor de frequência, nas frequências de 20 a 60 Hertz, variando de 10 em 10 Hertz. Assim, observa-se que o sinal de tensão na entrada do conversor mantém as características próxima do sinal senoidal, conforme Figuras 74, 88, 102, 116 e 130 no gráfico da tensão trifásica em função do tempo. Quanto à corrente na entrada do conversor, ficou demonstrada a descaracterização do sinal senoidal, ou seja, houve um verdadeiro estrangulamento no sinal da corrente, conforme mostram as Figuras 81, 95, 109, 123 e 137, isto porque o acionamento foi realizado via conversor de frequência que é um equipamento com características não lineares e causa a distorção no sinal de corrente. Isso ficou bem demonstrado nos gráficos plotados por fase com seus respectivos espectros harmônicos, em que aparecem harmônicos de todas as ordens da 3ª a 25ª. 112 As Tabelas 15, 17, 19, 21, 23 e 25 registram os valores das distorções harmônicas individuais e totais das correntes nas frequências de 20, 30, 40, 50 e 60 Hertz respectivamente. As distorções harmônicas totais da corrente na fase A é 193%, na fase B 258% e na fase C 172%. Isso foi constatado na menor frequência utilizada para acionar o elevador de canecas em 20 Hertz, conforme registrado na Tabela 78; e à medida que foi aumentando a frequência, as distorções harmônicas totais diminuíram. Para as fases A e C na frequência de 20 Hertz, as harmônicas individuais mais representativas foram de 3ª a 13ª ordem, na fase B, foi de 3ª a 19ª ordem. Esses valores estão registrados na Tabela 17. Análises semelhantes podem ser feitas para as demais frequências, porém limitou-se a destacar a frequência de 20 Hertz, em que foi observada a situação mais crítica, e, na análise, foram consideradas as ordens das harmônicas individuais com distorção acima de 50% da fundamental. Quanto à distorção total da corrente observa-se que, para todas as frequências, os valores são significativos e passaram de 140% da frequência fundamental — na fase A, foi de 193% em 20 Hertz e 153% em 60 Hertz; na fase B, 258% em 20 Hertz e 162% em 60 Hertz; na fase C, 172% em 20 Hertz e 144% em 60 Hertz. Isso demonstra que existem consequências no sinal de corrente quando se utiliza o equipamento eletrônico para acionamento do sistema motriz. 3.4. IMPACTOS PROVOCADOS NA P OTÊNCIA ATIVA, P OTÊNCIA REATIVA, P OTÊNCIA A PARENTE E NO FATOR DE POTÊNCIA PELO ACIONAMENTO FREQUÊNCIA. CONVENCIONAL VERSUS CONVERSOR DE O gráfico da Figura 144 demonstra o comportamento da absorção da potência ativa do sistema no acionamento do elevador de canecas através de partida direta e com conversor de frequência, ficou demonstrado que num sistema que permite acionamento com várias frequências pode-se ter uma solicitação de demanda de potência ativa menor com baixa frequência tornando-se significativas na indústria que possui motores de grande porte com possibilidade de acionamento em tempo maior. 113 A potência mecânica no eixo do motor é dado por P = T. como = 2..f logo P = T. 2..f reduzindo-se a freqüência diminui a velocidade, que conseqüentemente reduz absorção de potência ativa do sistema, se aumentar a freqüência aumenta a potência ativa por mesma razão. No sistema industrial tem-se quantidade significativa de motores de grande porte, na avaliação do conjunto pode-se ter uma economia de demanda bastante significativa no acionamento com conversor de frequência que permite acionamento com frequência variável, o gráfico ilustrado na Figura 144 demonstra que a absorção de potencia ativa do sistema é diretamente proporcional ao aumento da frequência. Figura 144 - Potência ativa absorvida no barramento do sistema que alimenta o elevador de canecas em partida direta e com conversor de frequência. Buscando demonstrar o comportamento do sistema acionado por partida direta e com conversor de frequência quanto à potência reativa, foi plotado a Figura 145, que ilustra a potência reativa requerida pela carga, para os dois acionamentos. Nota-se que a demanda por reativos sofre um aumento significativo quando acionado por conversor de frequência. Esta situação proporciona um aumento das perdas no sistema e alteração das características do fator de potência, enquanto, na partida direta, o consumo de reativos é bem menor comparado ao acionamento com conversor a partir de 30 Hertz, isso porque a chave eletromagnética usada na partida direta é um equipamento constituído por componente linear. 114 Figura 145- Potência reativa absorvida no barramento do sistema que alimenta o elevador de canecas em partida direta e com conversor de frequência. Analisando a potência aparente requerida pela carga para os dois tipos de acionamentos, fica evidente o acréscimo ocorrido na potência aparente solicitada do sistema quando acionado pelo conversor de frequência. Este aumento é proporcionado pelas múltiplas frequências presentes nas correntes introduzidas pelo conversor que possui características não-lineares, em comparação com partida direta. A Figura 146 ilustra o comportamento das potências aparentes no elevador de canecas acionado por partida direta e por conversor de frequência nas frequências de 20 a 60 Hertz. Figura 146- Potência aparente solicitada no barramento do sistema que alimenta o elevador de canecas em partida direta e com conversor de frequência, nas frequências de 20 a 60 Hertz. 115 Por último, a Figura 147 mostra o desempenho do fator de potência do sistema de elevador de canecas acionado por conversor de frequência a 60 Hertz, considerando apenas a frequência fundamental e também com as frequências múltiplas introduzidas pelo conversor. Vale registrar que o fator de potência considerando-se apenas a frequencia fundamental é denominado de fator de deslocamento (FD), calculado como mostra a equação 52, a equação 53 permite evidenciar a diferença introduzida no fator de potência (FP), quando são considerados os componentes harmônicos presentes em um sistema elétrico com características não-lineares. . Figura 147 - Fator de Potência da carga conectada no barramento do sistema que alimenta o elevador de canecas acionada por conversor de frequência. A desconsideração das distorções harmônicas nas medições, provocadas pelo acionamento eletrônico através de conversor de frequência, pode levar a erros no projeto de correção do fator de potência de um determinado sistema. Em outras palavras, se considerada apenas a frequência fundamental, o dimensionamento do banco de capacitores será insuficiente para atingir os objetivos da correção. 116 4 CONCLUSÕES As considerações iniciais concentraram-se nas justificativas do tema, ressaltando a importância da aplicação de técnicas que otimizam o consumo de energia elétrica por ser a principal preocupação do setor comercial ou industrial, pautado na lei de eficiência energética que dispõe sobre a política nacional de conservação e uso racional de energia elétrica. O capítulo 2 foi dedicado à revisão bibliográfica da qualidade da energia elétrica, destacando as harmônicas causadas por comandos microprocessados, neste caso, o conversor de frequência; os valores de referência para as distorções harmônicas totais de tensão regulamentadas pela ANEEL através da resolução 345/2008; classificação das harmônicas quanto sua ordem, frequência e sequência de fase com ilustração do círculo trigonométrico com seus respectivos desenvolvimento matemático das tensões; a eficiência energética com uma visão do consumo de energia elétrica no Brasil, destacando a parcela de consumo na indústria mais especificamente no sistema motriz; máquinas de indução, destacando motor de indução polifásico convencional e sua aplicação no transporte de cargas em elevação, neste caso, específico elevador de canecas. No capítulo 3, deu-se um destaque dentro da revisão bibliográfica do estudo mais detalhado sobre o funcionamento e a aplicação do conversor de frequência; as partes que o compõem; o princípio de funcionamento do conversor de frequência no acionamento do elevador de canecas. Além disso, o estudo do comportamento no sistema, por ser um equipamento com características não lineares. Com esta revisão, pode-se observar o grande avanço na tecnologia dos conversores de frequência e sua aplicação no controle dos motores de indução. Isso proporcionou a utilização desses conhecimentos na aplicação da pesquisa em instalação de conversor de frequência para acionamento de elevadores de canecas, analisando a eficiência energética quanto ao consumo de energia elétrica e seus efeitos quanto à sua qualidade. 117 O capítulo 4 — Materiais e Métodos — foi dedicado à apresentação do Laboratório de Eficiência Energética da UFMT, metodologias empregadas para aquisição dos dados, descrição dos equipamentos e especificação dos materiais utilizados. A primeira observação foi que o tempo para o elevador de canecas completar um ciclo é menor quando acionado com conversor de frequência em 60 Hertz, em relação à partida direta. Essa diferença de tempo pode ser devido ao tipo de modulação da tensão que foi injetada no motor, o qual possui a frequência de 10 kHz, conforme o projeto de construção do conversor. Um outro fator a ser considerado é que a medição do tempo foi feita com cronômetro analógico, possibilitando que haja erro de leitura. No consumo diário, observou-se que à medida que aumenta a frequência os valores do consumo também sofrem um acréscimo. Isso requer uma análise tendo em vista que a carga é constante. Primeiramente, fez-se análise do número de ciclos para os diferentes acionamentos, comparou-se o consumo de energia elétrica absorvida na frequência escolhida com seus respectivos ciclos pelo número de ciclos da frequência que se deseja comparar. O cálculo efetuado demonstra a comparação da energia absorvida com o sistema operando em 20 Hertz em relação à energia absorvida quando o sistema opera em 30 Hertz. O cálculo comprovou que a energia absorvida em 20 Hertz foi corrigida ao período de 30 Hertz. Qualquer outra comparação em diferentes frequências pode ser realizada obtendo resultados idênticos. Num segundo momento, verifica-se que o consumo de energia elétrica corresponde a um mesmo valor fazendo a análise da demanda de potência ativa, requerida pelo sistema para as diferentes frequências de acionamento com o período da forma de onda de corrente que é injetada no motor pelo conversor. No que diz respeito à qualidade de energia, no acionamento com partida direta, as distorções harmônicas individuais e totais de tensão mostram-se em conformidade com os valores de referência existente na Resolução 345/2008 da ANEEL. Em relação à corrente, observou-se leve distorção devido às cargas nãolineares que estão na mesma rede que alimenta o sistema. No acionamento com conversor de frequência, observou-se que, na entrada do conversor, o sinal de tensão mantém as características do sinal senoidal. Quanto à corrente, ficou demonstrada a descaracterização do sinal senoidal, isto porque o 118 conversor de frequência é um equipamento com característica não linear e causa à distorção no sinal de corrente, como bem demonstrado nos gráficos plotados por fase com seu respectivo espectro harmônico, que registram os harmônicos de todas as ordens da 3ª a 25ª. Analisando a solicitação de potência do sistema, observa-se que houve um acréscimo de solicitação na potência aparente, quando acionado pelo conversor de frequência. Esse aumento é proporcionado pelas múltiplas frequências presente nas correntes introduzidas pelo conversor em comparação com partida direta e por consequência aumenta a demanda por reativos. Quanto à solicitação de potência ativa do sistema no acionamento do elevador de canecas, através de partida direta e com conversor de frequência, ficou demonstrado que num sistema que permite acionamento com várias frequências, pode-se ter uma solicitação de demanda de potência ativa menor com baixa frequência, tornando-se significativas na indústria que possui motores de grande porte com possibilidade de acionamento em tempo maior. Finalmente, de forma a sintetizar as principais contribuições atingidas pelo trabalho de pesquisa aqui considerado, pode-se destacar: A pesquisa trouxe à reflexão da comunidade da engenharia elétrica a aplicação do conversor de frequência no acionamento de motores de indução com objetivo de economizar energia elétrica. Nesta pesquisa, ficou comprovado que no acionamento de uma carga constante não há redução no consumo, e, portanto, de redução do valor da fatura. O conversor de frequência permite o controle da velocidade do motor, o que possibilita a empresa adequar o sistema motriz de acordo com a demanda de produção. Nos horários de pico pode-se ajustar à velocidade nominal e no horário de menor produção poder ser ajustado a uma velocidade menor que satisfaça essa condição, tendo com isso uma economia de demanda. A qualidade de energia elétrica sofre interferência com a geração de harmônicas no sistema quando se usa conversor de frequência para acionamento de motor de indução e dependendo da magnitude traz consequências na vida útil do motor e do sistema como um todo. 119 A desconsideração das distorções harmônicas nas medições dos sistemas com acionamento eletrônico, através de conversor de frequência pode levar a erros nos projetos de correção do fator de potência. Desta forma, o conhecimento de perturbações presentes nos sistemas elétricos requer medidas corretivas, a fim de mitigar o problema, através por exemplo da utilização de filtros harmônicos, garantindo, dessa maneira, projetos seguros, evitando situações de risco para usuários e equipamentos. É importante que equipamentos de características não lineares, geradores de alto conteúdo harmônico, como o estágio de entrada dos conversores de frequência, sigam normas e recomendações que estabeleçam limites aceitáveis de distorção harmônica, sem que estes causem danos ao sistema. 120 5 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Acionamento de uma carga variável, Bombeamento de Água, utilizando motor de indução convencional como, por exemplo, com Partida Direta e com Conversor de Frequência. Nesta análise fazer a comparação quanto à Demanda, ao Consumo de Energia Elétrica à Qualidade da Energia Elétrica. Acionamento de um elevador de canecas com motor de indução de alto rendimento em Partida Direta e com Conversor de Frequência. Fazer a comparação quanto à Demanda, ao Consumo de Energia Elétrica e Qualidade da Energia. Acionamento do motor de indução com conversor de frequência nas frequências de 60 a 100 Hertz e analisar o consumo e eficiência elétrica do sistema. 121 6 REFERÊNCIAS AMERICO, M. Programa de Eficientização Industrial Módulo Acionamento eletrônico. Rio de Janeiro: Eletrobrás/Procel 2002. BALANÇO Energético Nacional 2010. Disponível em: <https://ben.epe.gov.br/> Acesso em jan. 2011. BRASIL. Decreto-lei nº 4.508/2002, de 11 de dezembro de 2002. Dispõe sobre a regulamentação específica que define os níveis mínimos de eficiência energética de motores elétricos trifásicos de indução rotor gaiolos de esquilo, de fabricação nacional ou importada, para comercialização ou uso no Brasil. BRASIL. Lei no 10.295, de 17 de outubro de 2001. Dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia e da outras providências. CBEMA: define os níveis de suportabilidade de equipamentos eletrônicos em função da magnitude da tensão e da duração do distúrbio. ITIC: Information Technology Industry Council. Interesses da indústria de informática (ITIC). DUGAN, R. C.; MCGRANAGHAN, M.F. ;WAYNE BEATY, H. Electrical Power Systems Quality. São Paulo: Mcgraw-Hill, 2003. EJM. Engenharia Construção e Comércio Ltda. Conversores de Frequencia e SoftStarters: manual de orientação. Cuiabá, MT, 2005. 33p. (Série Manuais). EN 50160: Norma de flicker, inter-harmônicas, desvios/variações de tensão. FITZGERALD, A. E.; KINGSLEY Jr., C.; KUSKO, A. Máquinas Elétricas. 3. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2004 122 GUIMARÃES, R. Comportamento Elétrico, Mecânico e Hidráulico em Sistema de Bombeamento sob o Enfoque da Eficiência Energética. Uberlândia - MG, 2007. (Dissertação) – Universidade Federal de Uberlândia. HADDAD, J. 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Programa de Eficientização Industrial Módulo Acoplamento motor carga. Rio de Janeiro, Eletrobrás/Procel, 2002. NBR 7094/2000 Máquinas Elétricas Girantes – Motores de Indução – Especificações. 123 PANESI, A. R. Q. Fundamentos da eficiência energética. São Paulo: Ensino Profissional, 2006. Portaria do DNAEE 163/93: Cria a ANEEL. PREVISÃO de Carga do Sistema Interligada – 1ª revisão quadrimestral do planejamento anual a operação energética; EPE/NOS, Rio de Janeiro, maio de 2008. RASHID, M, H. Eletrônica de Potência – Circuitos dispositivos e aplicações. 2ª Edição São Paulo: Editora Makron Books, 1999. Resolução 345/2008 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Disponível <http:// www.aneel.gov.br/>. Acesso em jul. 2010. RUDENKO, N.; Trad. Plaza, J. - Máquinas de Elevação e Transporte: Editora LTC. São Paulo 1976. SANGUEDO, C. A.; OLIVERIA, A. A. S.; MEDEIROS, C. P. Programa de Qualidade e Eficiência Energética em Transformadores de Distribuição. 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Disponível em: <https: www.weg.net./> Acesso em: jul. 2010. WEG – Módulo 02 Variação de Velocidade. Disponível em: <https: www.weg.net./> Acesso em: jul. 2010. 125 ARTIGOS ORIGINADOS DESTA DISSERTAÇÃO APRESENTADO EM EVENTO NACIONAL 1.1 Título: Eficiência Energética e Qualidade da Energia em um Sistema de Acionamento de Elevadores Residenciais Autores: Luiz de Annunciação, Arnulfo Barroso de Vasconcellos, Luciana Girardi Omar, Thiago Vieira da Silva, Orlando A. da Silva. Evento: III Congresso Brasileiro de Eficiência Energética - III CBEE Local e data: Belém – PA - setembro de 2009. 1.2 Título: Eficiência Energética e Qualidade de Energia em um Sistema de Acionamento de Máquinas Motrizes Autores: Luiz de Annunciação, Arnulfo Barroso de Vasconcellos, Mário Kiyoshi Kawaphara, Andre Luiz Amorim da Fonseca, Luciana Oliveira da Silva, Thiago Vieira da Silva Evento: 9ª IEEE/ IAS International Conference on Industry Applications IX Induscon 2010. Local e data: São Paulo – SP - novembro de 2010. 1.3 Título: Eficiência Energética em um Sistema de Acionamento de Motores de Indução Autores: Luiz de Annunciação, Arnulfo Barroso de Vasconcellos, Mário Kiyoshi Kawaphara, Roberto Apolônio, Thiago Vieira da Silva, Bernardo Dias São José. Evento: VII Congresso Brasileiro de Planejamento Energético- VII CBPE Local e data: São Paulo – SP - setembro de 2010. 126 ARTIGO ORIGINADO DESTA DISSERTAÇÃO APRESENTADO EM EVENTO INTERNACIONAL. Título: Efficiency and Power Quality in Drive System Driving Machine Autores: Luiz de Annunciação, Arnulfo Barroso de Vasconcellos, Teresa Irene Ribeiro de Carvalho Malheiro, Roberto Apolônio, Regiane Silva de Barros, Thiago Vieira da Silva. Evento: 14 th International Conference on HARMONICS AND QUALITY OF POWER. - ICHQP 2010. Local e data: Bérgamo – Italy - setembro de 2010.