Publicação da associação brasileira de distribuidores volkswagen
Ano 32 • n• 277
FEVEREIRO 2O1O
Orgulho de ser
brasileiro.
Finalmente.
D
Autoestima e o
brasileiro
SHOWROOM
uas personalidades falam sobre a autoestima do povo brasileiro nesta
edição. O tema foi escolhido a dedo para avaliar, depois de alguns meses distante
da crise financeira internacional e em meio aos escândalos políticos nacionais, se
o orgulho dos brasileiros, que parecia em curva ascendente, foi posto à prova.
Um dos entrevistados é o sociólogo Ricardo Augusto Alves de Carvalho, da
Fundação Dom Cabral e o outro o ex-ministro da Fazenda do Governo Sarney
(1987), atualmente professor titular do Departamento de Análise e Planejamento
Econômico da Fundação Getúlio Vargas, Luiz Carlos Bresser-Pereira. Ambos,
cada um em sua área, foram unânimes em afirmar que, apesar de todos os
contratempos, hoje o brasileiro está mais confiante na Nação e em seu futuro do
que jamais esteve, à exceção, talvez, da euforia muito mais fictícia que real dos
anos 70.
Para o sociólogo Ricardo Carvalho, “não há dúvida de que hoje somos mais que o
país do café, do carnaval e do futebol aos olhos estrangeiros. Hoje somos o país
do petróleo, dos recursos hídricos, o país da Amazônia, um país onde, queiramos
ou não, um operário conseguiu ser presidente da República”. A mesma linha de
raciocínio é defendida pelo economista e administrador de empresas BresserPereira, que citou a reportagem de capa e 14 páginas feita pela importante
revista inglesa The Economist, em novembro do ano passado, com o título “Brazil
takes off”, como prova incontestável de que o mundo está vendo o Brasil “como
um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair dela; um país
que deixou de ser devedor do FMI e passou a ser credor internacional, com uma
economia dinâmica, com democracia, crescimento econômico, inflação baixa e
uma notória ascensão das classes C e D. ”
Essas razões já seriam suficientes para elevar nossa autoestima, mas, segundo os
dois entrevistados, contamos ainda com outra vantagem competitiva: a alegria
e a fé. Por conta disso, é que temos quase certeza de trazer a Sétima Copa do
Mundo de Futebol em julho.
Boa leitura.
3
A mensagem do Conselho Editorial.
5 Cartas
O que dizem sobre Showroom.
6 Quem Passou Por
Aqui
Amigos e personalidades que visitaram a
Assobrav e as empresas do Grupo Disal.
8 Gente
Doutor em Sociologia das Mutações
pela Universidade de Paris, especialista
em estratégia, pessoas e gestão
empresarial, o professor Ricardo
Augusto Alves de Carvalho se dedica a
pesquisar a subjetividade e a cultura na
administração contemporânea. Entre a
farta produção de artigos e as inúmeras
aulas que ministra, ele encontrou
tempo para falar a Showroom sobre o
líder do século XXI e a perspectiva das
empresas e empresários brasileiros no
relacionamento hierárquico corporativo.
16 TechMania
Os testes em laboratórios e em pistas
de provas da indústria automobilística,
segundo o jornalista Fernando Calmon.
17 RH
4
“Com a seriedade de quem
se permite alcançar a
verdade mais íntima,
veremos claramente quão
enganadores nós somos
quando pretendemos atingir
os nossos objetivos.”
GENTE
LIVROS & AFINS
A PASSEIO
3 Recado
18 Comportamento
As mudanças no varejo: agora surge o
neoconsumidor, o cliente com acesso
aos canais digitais - internet e celular –
que tem à mão informações do mundo
todo e, assim, possui ferramentas para
fazer comparações e pesquisas. É o
também denominado “consumidor
multicanal”.
24 Capa
Não interessa como nos vêem, mas o
que somos e o que fazemos. O mesmo
vale para uma nação. Um país não se
constrói só discutindo juros, câmbio
e competitividade. Se constrói com
a autoestima do seu povo, que não
depende apenas do seu nível de
desenvolvimento econômico e cultural,
mas da visão que esse povo tem do
futuro e da sua identidade nacional. Já
é tempo de o Brasil perder o estigma de
“vira-lata”.
à Princesa da Beira, primogênita de D. João
VI, e foi emancipado em setembro de 1805.
Àquela época, já viviam três mil pessoas
na Ilha. Em 1938, o Estado Novo mudou
o nome da cidade, por decreto, para
Formosa. Não colou. Em 1944 tornou-se
oficialmente Ilhabela.
36 Freio Solto
A opinião, a ironia e a crítica do jornalista
Joel Leite.
38 Efeméride
A crônica de Maria Regina Cyrino Corrêa
sobre a data mais significativa de
fevereiro.
39 Quando a Bola Rola...
O comentário de Marcelo Allendes sobre
o que acontece nos gramados, quadras,
piscinas, pistas...e em outros espaços
também.
28 RedeNews
40 Novidades
Mais programas do Núcleo de
Inteligência em Negócios da Assobrav.
O que há de novo em eletrônicos,
periféricos de informática e outras
utilidades.
30 A Passeio
41 Livros & Afins
Muito antes dos portugueses chegarem,
a Ilha era dos índios Tupinambás, que
a chamavam de Ciribai, que significa
lugar tranquilo. Naqueles tempos, ainda
não havia turistas dispostos a passar
horas na fila da balsa...A cidade de São
Sebastião, do lado de cá, surgiu muito
depois, com o nome de Vila da Ilha de
São Sebastião.
O charmoso povoado da Ilha chamou-se
Villa Bella da Princesa, em homenagem
Nossas dicas para a sua biblioteca,
cedeteca e devedeteca.
42 Vinhos & Videiras
A opinião abalizada de Arthur de Azevedo,
diretor executivo da ABS – Associação
Brasileira de Sommeliers – SP, editor da
Revista WineStyle e do site WWW.artwine.
com.br
Publicação mensal da
Vocês que abordam temas diversos e muito bem o comportamento
da sociedade atual, que tal fazerem uma matéria sobre as novas leis que
regem o telemarketing? Se todas as publicações e meios de comunicação
brasileiros se dedicarem a questionar a eficiência e o aborrecimento que
é ficar recebendo ligações desse tipo de central de relacionamento, o
modismo pode acabar. É muito chato mesmo! Ninguém suporta mais.
Verônica Aber
Casa Cor
Nunca vi nenhuma matéria sobre a Casa Cor na Showroom. Sei que não
é exatamente o perfil da revista, mas acho que valeria a pena mostrar
as tendências arquitetônicas e de decoração do nosso País, já que somos
reconhecidos internacionalmente nesse campo. Além disso, o tema poderia
abordar as novas exigências da sociedade, diante de questões como meio
ambiente, espaço e materiais recicláveis.
Jadir Marcondes
Arquiteto
Costa Rica
Queria parabenizar a autora da reportagem “A Passeio – Costa Rica” (Edição
275 – Dezembro 2009). Quem conhece o país, como eu, é como se estivesse
revivendo aqueles preciosos momentos, tamanha é a fidelidade da descrição
das paisagens e sensações que aquele paraíso nos proporciona. Outra
boa dica foi mostrar que a Costa Rica está de braços abertos para receber
empresários, novos empreendimentos e gente com vontade de viver a vida.
Parabéns!
Ângelo Silva
Gentileza
Adorei a matéria “Por um mundo mais amável,
amigável e justo” (Edição 276 – Janeiro 2010).
Tomara que todas as pessoas se inspirem
nesse texto e passem a agir com mais amor ao
próximo.
Petrina You
The Beatles
Muito boa a dica de livros (“The Beatles – A
história por trás de todas as canções”, de Steve
Turner, Edição Cosac & Naif) que vocês deram
na última edição. Teria sido um ótimo presente
de Natal. Pena que a informação só saiu agora, em janeiro. Mesmo assim,
valeu! Já comprei o meu.
João Natan
N.R.: Recordamos que para receber Showroom mensalmente os
interessados devem enviar um e-mail à Redação (www.editoria@tato.
com) informando o seu endereço e solicitando o envio da publicação.
Os pedidos serão atendidos por ordem de chegada e conforme a
disponibilidade de exemplares.
Ano 31 – Edição 277– fevereiro de 2010
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Roberto Franco de Mattos,
Roberto Torres Neves Osório,
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Rui Flávio Chúfalo Guião.
SHOWROOM
Telemarketing
5
Heráclito Mourão
de Miranda Neto,
mestre em Engenharia
de Produção,
coordenador técnico
do PAEX – Parceiros
para a Excelência – e
professor associado da
Fundação Dom Cabral,
foi o profissional a
merecer os aplausos.
Profundo conhecedor
da matéria “Estratégias
Competitivas”, na teoria
e na prática, fez com
que os dois dias de
trabalhos parecessem
apenas duas horas...
Sem poupar esforços, o sucessor Vitor Hugo Perin, da
VW Perin de Boa Vista, Rondônia, despencou até São
Paulo para assistir à primeira e concorrida etapa do curso
“Excelência Empresarial”, promovido pela Assobrav e a
Fundação Dom Cabral, dias 15 e 16 de janeiro.
O gerente geral
de Peças da VW
Brasilwagen, da
capital paulista,
Eduardo Barrionuevo,
em destaque para a
coluna durante pausa
nas discussões sobre
o sempre complexo
e polêmico setor de
Peças...
6
Eustache Jean
Tsislidis Jr., diretor
da VW Servopa,
saiu cedo de
Curitiba para
chegar no horário
e participar
ativamente de
mais uma reunião
do setor na sede da
Assobrav...
Vindo do norte,
Rodrigo Queiroz
Cândido, gerente
geral da VW
Nacional de Natal,
não dispensou
a jaqueta,
desconfiando,
acertadamente, do
tempo instável de
São Paulo...
Do sul veio Erlon Maurício A
Costa, gerente administrativo e
financeiro da Corujão de Curitiba.
A pauta da reunião: estratégias
mais competitivas para continuar
liderando o mercado...
Mas o titular da VW Grande Belém, do Pará,
Fernando Giovanni Rossi Coelho, convencido de que
ainda é verão em todo o vasto território nacional,
não abriu mão da confortável camiseta pólo e
queixou-se – mas só um pouquinho - da garoa
paulistana...
Mesmo com um ar muito
jovem e despojado, Daniel
dos Santos Botelho,
gerente de vendas da VW
Panambra, de Pelotas (RS),
deu mostras de grande
experiência e versatilidade
em recente evento
promovido pela entidade...
SHOWROOM
Mais um autêntico representante
da família Guião, Rui Flávio Barros
Cruz e Guião, diretor administrativofinanceiro da VW Santa Emília, de
Ribeirão Preto, prestigiando a mais
nova iniciativa da Assobrav, o curso de
“Excelência Empresarial”...
Rubens Darze
Perina, gerente
geral da VW
Sanave de
Salvador, não
perdeu um
segundo sequer
da última reunião
sobre pós-vendas,
com enfoque
especial no
atendimento ao
cliente...
7
Ricardo
Carvalho
8
Por Silvia Bella
“Ainda somos
um grande
exército de
mão de obra de
reserva”
D
resistência muito grande por parte dos
operários, que acabavam sabotando
a linha de produção, em reposta ao
controle exacerbado que a direção
impunha sobre eles. O controle tem
esse tipo de retorno: quanto mais se
controla mais se perde a dimensão da
confiança, e a consequência é a reação
violenta.
outor em Sociologia das
Mutações pela Universidade de Paris,
Se avançou e se retrocedeu nas
especialista em estratégia, pessoas
relações humanas...
e gestão empresarial, o professor
Pois é, foi preciso que o mundo
Ricardo Augusto Alves de Carvalho
atravessasse duas guerras, vários
se dedica a pesquisar a subjetividade
conflitos, para chegar à conclusão de
e a cultura na administração
que o que vale é a gestão participativa.
contemporânea. Entre a farta
E a partir da Segunda Guerra foi sendo
produção de artigos e as inúmeras
construído o que se convencionou
aulas que ministra, ele encontrou
chamar de “líder democrático”, aquele
tempo para falar a Showroom sobre
que conseguia os melhores resultados
o líder do século XXI e a perspectiva
da base.
das empresas e empresários
brasileiros no relacionamento
Como é exatamente esse líder?
hierárquico corporativo.
É gente que conversa, que delibera,
que delega. Que estabelece uma
Revista Showroom: Qual foi
relação de confiança. Que acredita que
o outro é capaz.
Ricardo Alves de Carvalho:
É alguém que motiva?
No princípio do século XX , com o
A teoria da motivação, que até um
crescimento da atividade industrial,
passado recente defendia e acreditava
dividiu-se a atividade gerencial de
que bastava pagar bem a pessoa para
concepção de um lado e a atividade
que ela trouxesse bons resultados,
de operação, de execução, de outro.
também se verificou infundada.
Essa forma de gerir foi chamada por
Porque as pessoas, essencialmente,
Taylor de “Gerência Científica”, mas
não trabalham apenas pelo incentivo
ela estabeleceu uma distância muito
monetário, aliás, o incentivo monetário
grande entre a direção e o chamado
não é nada mais do que a obrigação
“chão de fábrica”; ela separou o
empresarial. As pessoas trabalham
gestor dos operários. Bem, o século
para serem reconhecidas, trabalham
XX foi andando e viu-se que essa
para terem dignidade, para
teoria não deu muito resultado,
buscar uma identidade,
sobretudo, porque houve uma
para serem desafiadas.
século passado nos deu?
SHOWROOM
a grande lição de liderança que o
9
ainda acontece, e pior: como esse
tipo de líder chega e se mantém no
Que ações são fundamentais
para que o colaborador se sinta
poder?
A gente tem que pensar que de
valorizado pela liderança?
um lado, aqui no Brasil, ainda falta
Você pode reformar a empresa,
muita formação, né? A nossa questão
melhorar os processos, mas na
passa pelo processo educacional.
verdade se você não opera na
A maioria da população brasileira
dimensão do reconhecimento,
ainda não tem acesso à educação
que é mais subjetivo, que é mais
e quem tem acesso ou teve, cabe
simbólico, se você não elogia um
a pergunta: até que nível essa
trabalho bem feito, se você não
pessoa chegou e se chegou ao nível
reconhece um bom trabalho, se
universitário com que qualidade?
você não oferece plano de carreira,
A maioria dos líderes é formada
você não vai conseguir pessoas
na área de ciências exatas e
verdadeiramente motivadas. Isso
infelizmente, até bem pouco tempo,
por um lado, e há outra teoria que
um engenheiro não tinha nenhuma
vem lá dos gregos que diz: se você
formação humanista. Agora é que
não acredita que o ser humano é
a coisa começa a mudar, através de
capaz de trazer bons resultados é
um ajuste nas grades curriculares –
bem possível que ele não os trará,
aliás, a expressão “grade de ensino”
mas se você acredita que ele é
já dá a entender o encarceramento
capaz de trazer bons resultados, ele
da gente - mas enfim, esse líder
os trará de fato.
antigo que ainda existe no presente,
pelo menos aqui no Brasil, ele não
A gente ainda não vê isso
na maioria das empresas,
especialmente nas pequenas
e médias. Talvez nas grandes
companhias os departamentos
de RH se encarreguem de suprir
perspectiva mais sociológica, mais
psicológica. Ele foi formado na velha
escola de engenharia, onde há uma
distância muito grande entre ele e o
operário. Então, ele não sabe lidar
algumas dessas falhas, mesmo
com pessoas.
comprometida com o bem-estar
Mas há tantos cursos de extensão,
que a liderança não esteja
10
aprendeu, não foi formado nessa
amplo dos colaboradores,
seminários, palestras...Enfim, há
genericamente, é um
e de fácil acesso para melhorar a
funcionários. Por que isso
Existe também uma falta de visão
mas o que vemos,
tantos instrumentos à disposição
certo desdém para com os
formação pessoal desses líderes...
do pequeno empresário, que agora
também está mudando, graças à
presença do Sebrae que faz um
ótimo trabalho nesse sentido, mas
o fato é que os pequenos e médios
empresários brasileiros ainda têm
uma visão de curtíssimo prazo,
onde os resultados, os lucros, têm
que vir para ontem! Então, não
são pessoas capazes de apostar no
futuro, no médio e longo prazos. E
um outro aspecto é que o Brasil tem
o que chamamos de “um grande
exército de mão de obra de reserva”
do qual as empresas tiram proveito.
Os empresários, os líderes, apenas
repõem operários. Este saiu, está
começando a custar caro, troca-se.
Só que eles se esquecem de que
o trabalho não é apenas aquela
operação mecânica. O trabalho diz
respeito à experiência, diz respeito à
boa vontade, a ter um produto bem
feito, bem acabado.
Na sua opinião, o trabalhador
brasileiro tem mesmo o chamado
“jogo de cintura”? Ele é flexível,
aprende rápido, é charmoso e
simpático ou é um folclore que
criamos para esconder nossa
baixa autoestima?
Nossa autoestima é baixa mesmo,
mas a bossa brasileira existe sim e
isso é comprovado. Nós temos uma
“Somos um povo solidário,
um povo empreendedor,
enfim, um povo que sem
instrumentos de primeira
hora, busca fazer da
gambiarra um recurso
técnico.”
grande flexibilidade, tanto do ponto
fazemos valer ditados como “manda
a gente aumente um pouco a
de vista cultural – dada à miscigenação
quem pode, obedece quem tem juízo”,
nossa autoestima, mas ela ainda é baixa,
de raças - como também pela falta de
temos também muito preconceito
porque, na verdade, tudo é educação.
recursos. Essa escassez faz com que
com relação ao conflito. Não vemos
Enquanto a gente não conseguir que
a gente faça “panela velha dar bom
o conflito como uma possibilidade
todo o nosso povo leia, a gente não
caldo”, vamos dizer assim... porque
de resolver problemas, então, a nossa
vai ter segurança em relação a nossa
nós nunca tivemos chance de contar
relação com a liderança é muito
autoestima.
com recursos de primeira hora. Somos
ambígua. Mas essa condição que diz o
também um povo solidário, um povo
pai do Chico Buarque (Sérgio Buarque
empreendedor, enfim, um povo que
de Holanda) “O brasileiro é um
busca fazer da gambiarra um recurso
homem cordial por excelência “, essa
diferente hoje?
técnico (risos).
perspectiva de cordialidade, de tentar
Sem dúvida, hoje somos bem mais
estabelecer intimidade, do afeto, ela
que o país do café, do carnaval, do
pode ser muito positiva, e nesse caso a
futebol. Somos um país forte, o país do
gente está bem situada.
petróleo, dos recursos hídricos, o país
Nesse sentido, o Sr. diria que é mais
fácil liderar brasileiros que outros
povos?
Essa questão da liderança é muito
complexa. Se considerarmos a
liderança como pessoas que sabem ler
E a imagem do Brasil, o Sr. acha que o
estrangeiro comum nos vê de maneira
da Amazônia. O Brasil é um grande
Mas nossa autoestima está mais alta
mesmo ou é apenas um sintoma
de pré-Copa do Mundo, pré-Jogos
exportador de commodities, é um país
onde, queiramos ou não, um operário
conseguiu ser presidente da República.
Olímpicos?
E por outro lado também, a gente é um
lugar do outro, ser capaz de delegar,
Eu acho que nossa autoestima tem
povo feliz, a gente é um povo alegre. É
nós, brasileiros, estamos bem na cena.
melhorado sim, e ela reflete os
como você disse, nós temos um charme
Por outro lado, temos um ranço muito
resultados econômicos da Nação,
natural e isso é muito interessante,
autoritário, muito conservador, que
e embora as políticas tenham sido
porque apesar dos reveses, de
é bem recente.Temos uma herança
assistencialistas, tivemos efetivamente
todas as dificuldades, somos
histórico-cultural de paternalismo.
um aumento de acesso das faixas C
capazes de fazer do limão
Somos coronelistas, cartoriais, ainda
e D da população e isso faz com que
uma limonada.
SHOWROOM
o outro, sentir o outro, se colocar no
11
Start/Stop
garante boa economia de combustível
O
16
Eficiência energética é a palavra de ordem daqui para
frente, sempre que um fabricante iniciar o projeto de um
novo modelo. No exterior, atingiu estágio de prioridade
máxima com o duplo objetivo de economizar combustível
e limitar emissões no escapamento dos veículos.
Por Fernando Calmon
Brasil já teve, em meados
dos anos 1980, o PECO (Programa
de Economia de Combustível),
idealizado pelo Ministério de Minas
e Energia e apoio de Chevrolet, Fiat,
Ford e VW à época. Os objetivos
foram atingidos, mas durou apenas
três anos.
No início da década de 1990, o
mesmo ministério e a Petrobras
criaram o Conpet (Programa
Nacional da Racionalização do
Uso dos Derivados do Petróleo
e Gás Natural). O principal
desdobramento é o Programa
Brasileiro de Etiquetagem Veicular
(PBEV), lançado em 2008 e
ainda em base voluntária.
O País poderia se engajar
no esforço mundial de
eficiência energética se
tornasse obrigatório a
adesão ao PBEV e
reiniciasse ações inteligentes, a
exemplo do PECO.
Existem, hoje, tecnologias
auxiliares que permitem avanços
na economia de combustível.
O preço não seria baixo, porém
eventual estímulo fiscal e
ganhos no custo/km rodado
compensariam com folga.
Dois desses recursos são os
sistemas Start/Stop (desliga e
liga automaticamente o motor,
no para-e-anda do trânsito) e
de Recuperação de Energia no
Alternador. Acredita-se que até
85% dos veículos novos vendidos
na Europa em 2015 possuirão
ambos. Os EUA também induzem
os fabricantes a diminuir o
consumo e essas tecnologias
ajudam bastante.
A filial brasileira da Bosch acredita
que a versão de custo reduzido do
Start/Stop (S/S) pode interessar
às fábricas e aos motoristas.
“Medições reais, no centro de São
Paulo, têm indicado redução de
consumo de até 15%, em um mesmo
ciclo de rodagem, quando comparado
ao sistema não acionado”, explica o
diretor de engenharia para motores de
partida e alternadores, Jair Pasquini.
O S/S simplificado inclui sensores
de pedal de embreagem e de ponto
morto do câmbio, software específico
de gerenciamento eletrônico do motor,
botão no painel para desligar o sistema,
além de motor de partida para 150.000
mil ciclos, ou seja, grande margem de
robustez para este uso. A fim de reduzir
o ruído ao religar, adotaram-se mola
de amortecimento de impacto pinhãocremalheira e aumento de rotação para
abreviar o tempo de partida.
Nos dias quentes, desligar o motor a
combustão significa limitar a eficiência
do ar-condicionado. No entanto,
pesquisas de campo apontaram que
quase dois terços dos tempos de parada
situam-se no máximo em 25 segundos.
No verão, este intervalo equivale a uma
variação de até 3°C na temperatura
do habitáculo, enquanto o motor
permanecer desligado. Para melhorar
o conforto térmico a bordo, o sistema
bloqueia a entrada de ar externo e
diminui a velocidade do ventilador.
Tais expedientes compatibilizam
economia de combustível e uso do arcondicionado.
Quanto à recuperação de energia o
ganho é bem menor, no máximo de
3%. O sistema trabalha administrando
o torque do alternador. Durante a
aceleração limita o fornecimento de
corrente elétrica, aliviando a carga
do motor a combustão, o que libera
potência e reduz o consumo; em
desaceleração (não há injeção de
combustível), o alternador trabalha
com máxima eficiência, recarregando a
bateria do veículo.
Fernando Calmon ([email protected]) é
jornalista especializado desde 1967, engenheiro,
palestrante e consultor em assuntos técnicos e de
mercado nas áreas automobilística e de comunicação.
Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É
reproduzida em uma rede nacional de 65 publicações
entre jornais, revistas e sites. É, ainda, correspondente
para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra).
Com a seriedade de
quem se permite
alcançar a verdade
mais íntima, veremos
claramente quão
enganadores nós
somos quando
pretendemos
atingir os nossos
objetivos.
issimular significa:
encobrir, disfarçar, não revelar
os sentimentos. Quando
ocultamos o que sentimos aos
outros, na tentativa de expressar
coisa diferente, dissimulamos.
Enganamos a fim de atender
algum desejo íntimo, seja por não
transparecer um aborrecimento,
seja pelo interesse em obter
certos favores, por exemplo.
O fato, contudo, é que não
admitimos em nós tal artimanha.
Não com esse nome. Assim o
fazemos com os outros, pois a eles
é fácil imputar o pesado e funesto
termo. Sentimo-nos mal em
detectar a dissimulação em nós
mesmos. Dói. É um ato mentiroso
e causa culpa. Incomoda pra
valer! Assim, sem a devida
percepção, nos autoenganamos,
convencendo-nos de que quando
dissimulamos, recorremos apenas
à prática da simpatia. Sob esta
perspectiva, tudo fica diferente.
É aceitável socialmente. A sua
prática é comum. Persuadimo-nos
de que se trata tão somente da
simpatia com a qual estimulamos
o próximo a ceder frente à
eventual inflexibilidade.
O que é inadequado ao
comportamento alheio, passa a
ser admissível em si mesmo - com
as devidas distorções geradas
pelo autoengano. Tudo se adapta
melhor, encaixa-se o círculo no
quadrado em benefício próprio e
Dissimulação
simpática?
o bem-estar se sobrepõe a qualquer
aflição que ousou se manifestar
em algum momento. Em razão
das necessidades pessoais, somos
capazes de disfarçar o tom de voz a
fim de conseguir o que queremos.
Comumente podemos ser secos,
indiferentes ou até respondões
com as pessoas, conhecidas ou
não. No entanto, ao menor sinal de
uma “dor de barriga”, rapidamente
mudamos o jeito de ser, disfarçando
(perdão, sendo simpático) qualquer
aspecto que venha a prejudicar
o favor em mira, que poderá ser
retribuído oportunamente (só Deus
sabe!). Transformamo-nos rápida e
convenientemente, da cara fechada
ao sorriso, das poucas palavras ao
intenso bate-papo, do desprezo
à bajulação, da má vontade de se
saudar com um breve aceno ao
abraço apertado e cheio de esfregões
nas costas, da falta de cortesia ao
rapapé desmedido, enfim, da água
ao vinho, ou ao que for necessário
conforme o ritmo estabelecido
pela música da conveniência.
Dissimulação simpática?
Porquanto, se analisarmos
profundamente, com a seriedade de
quem se permite alcançar a verdade
mais íntima, veremos claramente
quão enganadores nós somos
quando pretendemos atingir os
nossos objetivos. Porém, vale destacar
que não se faz tal reflexão sem que
se compreenda a sua importante
finalidade, o autoconhecimento.
Quanto mais nos conhecemos
(desconhecemo-nos muito!), tanto
melhor se torna a compreensão
de que não é fundamental agir
teatralmente nas relações sociais,
e que, ao contrário do que se crê, as
pessoas admiram aquele que possui
um bem que nelas lhes falta, embora,
a princípio, elas possam até se
desagradar pelo incômodo existente
nos fatos desprovidos de maquiagem.
Mais: é valoroso perceber em si
mesmo uma personalidade marcada
pela honestidade. Lembremo-nos: o
respeito e a consideração que tanto
buscamos não estão na superfície
das águas escuras da convivência
humana, mas nas profundezas do
convívio mais natural e transparente.
Armando Correa de Siqueira Neto é
psicólogo, diretor da Self Consultoria
em Gestão de Pessoas, professor e
mestre em Liderança pela Unisa
Business School. Co-autor dos livros
Gigantes da Motivação, Gigantes da
Liderança e Educação 2006. E-mail:
[email protected]
SHOWROOM
D
Por Armando Correa
de Siqueira Neto
17
As mudanças no
varejo
Há algum tempo, a gravadora EMI anunciou que
colocaria à venda a obra completa dos Beatles
remasterizada e avisou o quanto custaria: no
Brasil entre R$ 800 (a caixa Stereo) e R$ 950 (a
caixa Mono). Na Amazon ou no BestBuy, o mesmo
produto sairia por US$ 260. Com um cartão de
crédito internacional e um clique no mouse, o
consumidor brasileiro poderia comprar lá e
economizar. A pesquisa de preços, a comparação
de produtos e locais de compra a alguns cliques
de distância e a cada vez maior propensão À
digitalização impactam o negócio do varejo
como nunca antes.
Por Sophia Zhale
O
18
consumidor com acesso aos canais digitais como internet
e celular dispõe de acesso global às informações e com isso possui
ferramentas para fazer comparações e pesquisas. Ele se tornou um
consumidor multicanal, um “neoconsumidor”. A Gouvêa de Souza
(GS&MD), consultoria empresarial especializada em varejo, marketing
e canais de distribuição, aliou-se à Ebeltoft do mesmo ramo e com
expertise internacional, para pesquisar o perfil desse novo consumidor
e seu comportamento de compra nos canais de venda, em relação à
alimentação, eletrônicos, vestuário e produtos de beleza. Luíz Góes, sócio
sênior da GS&MD, coordenador do estudo “Neoconsumidor - Decifra-me
ou te devoro”, afirma que as conclusões da pesquisa, que será repetida
de dois em dois anos, aplicam-se perfeitamente a outros setores, como
o automotivo, por exemplo. Sabe-se que 98% dos compradores de
veículos novos antes de irem às compras pesquisam na internet. Na
Ao comparar preços on-line, o consumidor
exacerba um comportamento de querer mais
por menos, provocando um efeito econômico
e reduzindo a rentabilidade das empresas.
Alemanha é o país que
mais compra pela
internet. Canadá o que
menos
As conclusões: quanto mais maduro
o país e o consumidor, mais
multicanal é o país. Entenda-se por
multicanal, a internet, o celular e a
TV interativa, uma projeção de um
meio ainda incipiente no Brasil,
mas que promete. E ao torna-se
mais maduro, o consumidor passa a
demandar alternativas digitais
como a internet e o celular, e
se torna mais crítico, racional e
exigente. Ao comparar preços
on-line, o consumidor exacerba
um comportamento de querer
mais por menos, provocando um
efeito econômico e reduzindo
a rentabilidade das empresas.
A base da escolha passa a ser o
boca a boca digital, diminuindo o
espaço do marketing tradicional
e da mídia de massa, forçando as
empresas a rever suas estratégias
de comunicação. Segundo Góes,
as empresas de varejo ainda não
sabem como se posicionar nas
estratégias de comunicação online. “As estratégias nas mídias
digitais crescem, mas as empresas
não perceberam ainda o quanto
isso será importante. E em pouco
tempo.”
Segundo o estudo, o país com
maior índice de compra pela
internet é a Alemanha. Vale
ressaltar que alguns países
pesquisados responderam à
pesquisa sob o impacto da
crise econômica e, portanto,
o diferencial de poder
comparar preços pela
internet exacerba o
comportamento racional
de querer mais por menos.
A curiosidade fica por conta
do Canadá, o país com menor
índice de compra pela internet.
Os canadenses pesquisam
preços já que a penetração na
web é alta, mas não compram.
Uma das razões pode ser o
clima frio que os faz ficar muito
trancados em casa. Ir às lojas pode
ser uma das opções de diversão.
Achatam as
margens do varejo
Mais da metade, 52% dos
consumidores globais usam sites
especializados para comparar preços
e isso, disse Góes, baliza os preços
praticados, achatando as margens
do varejo. Esse efeito econômico
e de mercado também afetará
os fabricantes. No Brasil,
23 milhões de pessoas
comparam preços pela web,
seja em casa, no escritório,
SHOWROOM
rede mundial, comparam produtos
da mesma categoria pretendida,
melhores condições de financiamento
e pagamento.
A pesquisa foi realizada em 11 países
(Alemanha, Dinamarca, Portugal,
Austrália, Espanha, Reino Unido,
Brasil– que teve o reforço de mais
500 entrevistas em São Paulo, Recife
e Porto Alegre–, Romênia, Canadá
e França), onde foram feitas 5.500
entrevistas, sendo 50% da amostra
homens e 50% mulheres, de todas as
idades.
19
vendas. E a maturidade do
comércio eletrônico pode ser
percebida pela ampliação dos
investimentos em mídia online. “Em até seis anos haverá
uma explosão dos multicanais.
O varejista tradicional deve
olhar além da loja física com
atenção, porque à medida que o
PIB brasileiro cresce, as compras
acontecerão de modo diferente.”
“A presença na web
é um dos elementos
que ajuda a
construir confiança
na marca”
Necessidade do
e-commerce
Mais da metade, 53%
dos entrevistados, se
sente desapontada se
a sua loja preferida
não vende on-line. Essa
em lan houses, antes de
decepção é maior para os
comprar, mas 95% das
consumidores da classe
vendas acontecem nas
lojas físicas. As principais A, acima de 25 anos. Em
razões para não comprar âmbito global, 34% se
sentem desapontados
pela rede mundial já
se as lojas preferidas
são conhecidas: a falta
não venderem pela web.
de confiança de passar
Para o coordenador da
dados bancários e
pesquisa, o resultado
pessoais pela internet
evidencia a necessidade
(55%) e o gosto de ver,
do varejo em oferecer a
sentir e tocar o produto.
opção do e-commerce.
Também nos países
“A presença na web
estrangeiros a falta de
é um dos elementos
confiança na segurança
que ajuda a construir
das transações é a
confiança na marca”,
responsável por 56%
disse Góes. Para ele,
dos entrevistados não
quanto mais rico é o país
adquirirem produtos
maior é a participação
on-line. Mas isso abre
do multicanal nas
oportunidade para
o setor financeiro,
com novos meios de
pagamentos. Já para os
fabricantes, desenvolver
maior experiência com
o produto on-line é um
desafio que será cobrado
pelo varejo.
20
Celular significa
inclusão social
Surpreendentemente, o
brasileiro mostra-se receptivo
a receber propaganda e
promoções pelo celular,
42% dos entrevistados se
mostraram receptivos a essas
comunicações, mas o cuidado
com a invasão de privacidade
deve ser maior. Como disse Góes,
“Temos uma relação carnal com
nossos celulares.” A disposição
aumenta nas classes com renda
mais baixa. Mais um sinal de
que o celular significa inclusão
social.
Uma das tendências
apresentadas, fruto do
comportamento do novo
consumidor, é que no futuro
não existirão lojas sem web
site. “Em alguns casos, como o
da Americanas.com, da Saraiva,
do Wal-Mart, a loja virtual já
é a maior da rede e será assim
com todos os players. Talvez, nos
próximos dois anos assistiremos
a um crescimento dos canais
digitais.” Até lá, o executivo
recomenda que o varejo ofereça
alguma coisa além do preço. Por
exemplo, serviços.
Não interessa como nos vêem,
mas o que somos e o que
fazemos.
Por Rosângela Lotfi
o dramaturgo
Nelson Rodrigues,
atribuía A baixa
autoestima ao
“complexo de
vira-latas que o
brasileiro tem”.
24
H
Um país não se constrói só
discutindo juros, câmbio e
competitividade. Se constrói com
a autoestima do seu povo, que
não depende apenas do seu nível
de desenvolvimento econômico
e cultural, mas da visão que
esse povo tem do futuro e da sua
identidade nacional.
H
“Quanto mais alto for o nível de seu desenvolvimento
econômico e político, quanto mais rico e culto for um
país, quanto melhores forem suas instituições, maior
tenderá a ser sua autoestima”, ensina Bresser-Pereira.
Para um país, a autoestima
está correlacionada com o seu
desenvolvimento, com seu poderio,
e com seus êxitos recentes,
principalmente, no plano econômico e
com sua autonomia
o seu desenvolvimento, com seu poderio, e com
seus êxitos recentes, principalmente, no plano
econômico e com sua autonomia. “Quanto mais
alto for o nível de seu desenvolvimento econômico
e político, quanto mais rico e culto for um país,
quanto melhores forem suas instituições, maior
tenderá a ser sua autoestima”, ensina BresserPereira. Para ele: um povo cujo país está em pleno
desenvolvimento tenderá a ter mais autoestima.
Já que sem ela não há espaço para grandes
descobertas nem para o surgimento de líderes.
Desde o início da civilização, o mundo é movido
por pessoas que confiam em si, nas suas próprias
ideias e se sentem estimuladas a dividi-las com
os outros. Aristóteles, o filósofo grego, afirmava
que a esperança e o entusiasmo juntos
formam a centelha da autoconfiança,
sem a qual não haveria futuro.
SHOWROOM
istoricamente, os ícones de sucesso do
povo brasileiro se resumem a samba, futebol
e mulheres bonitas. As atitudes negativas
remontam ao “herói sem nenhum caráter” e
preguiçoso, Macunaíma, da obra de Mário de
Andrade. Ainda hoje a personagem é a síntese
do homem brasileiro, em parte, porque o
País ainda apresenta os mesmos problemas
retratados na obra: é economicamente
dependente, desigual e apresenta dificuldades
de reconhecimento da identidade.
“A autoestima do povo brasileiro é mais baixa
do que seria razoável. E do meu ponto de vista,
essa baixa autoestima se constitui em um
empecilho para um maior desenvolvimento
econômico e político”, afirma Luiz Carlos
Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda do
governo Sarney (1987) e atualmente professor
titular do Departamento de Análise e
Planejamento Econômico da Fundação Getúlio
Vargas (SP).
“A psicologia ensina que a autoestima
exprime respeito, confiança e gosto por si
mesmo como indivíduo. É um sentimento
que se adquire com a inserção da pessoa no
contexto social. Produzido a partir de uma
história de vida, de conhecimentos positivos”,
lembra a psicóloga Maria Cecília Abreu Silva. A
autoestima é algo concreto e vital que afeta as
pessoas, as famílias, a sociedade, as empresas
e até o país. Para as pessoas, a autoestima se
desenvolve com os pais valorizando os filhos e
é mantida e desenvolvida pela própria pessoa
através de autorreconhecimento. Para um
país, a autoestima está correlacionada com
25
Complexo de
vira-latas
26
Nos últimos sessenta
anos o Brasil progrediu
e alcançou certo grau de
desenvolvimento. Já houve
ciclos de crescimento
econômico antes, como na
década de 70, o “milagre
econômico”, que coincidiu
com a conquista da terceira
Copa do Mundo de Futebol,
em 1970 e com o choque do
petróleo. Depois a economia
estagnou, veio a “década
perdida” nos anos 80, sem
crescimento e com inflação
nas alturas, tão alta quanto
a dívida externa. A década
seguinte foi volátil: entre
1990 e 1995, a inflação ainda
era altíssima. Nessas décadas,
problemas que perturbam
o desenvolvimento pleno
do Brasil foram agravados,
como a criminalidade,
educação e saúde deficientes,
só para citar os mais graves.
“Perdemos a confiança no
futuro, e em consequência,
nos sentimos desvalorizados.
Sentimento que persiste”,
lembra Bresser-Pereira.
Rateando entre crescimento
e estagnação, cumpriu-se
o vaticínio do antropólogo
Claude Lévi-Strauss que dizia,
apropriadamente, que o País
sempre correu o risco de
tornar-se obsoleto antes de
ficar pronto.
Nós temos
“complexo de
inferioridade
colonial”
Em 2007 a filial brasileira da
International Stress Management
Association constatou que os
brasileiros possuíam autoestima
baixa em comparação com os
americanos e os franceses. O
estudo entrevistou 760 pessoas,
entre 23 e 60 anos, em cada um
dos três países e constatou que
59% dos brasileiros sofrem de
baixa autoestima, contra 22% dos
americanos e 27% dos franceses. Em
matéria de otimismo, o brasileiro
vence: 67% dos pesquisados
disseram ser otimistas, contra
54% dos americanos e 49% dos
franceses.
Outro pensador, o dramaturgo
Nelson Rodrigues, atribuía essa
baixa autoestima ao “complexo
de vira-latas que o brasileiro tem”.
Em ciência política e cultural isso
tem outro nome, diz o ex-ministro:
“complexo de inferioridade
colonial”, cujas causas estão no
nível de renda per capita baixo
comparativamente aos países
ricos, na desigualdade entre as
classes e no caráter alienado de
nossa cultura. “Essa manifestação
da baixa autoestima do brasileiro,
entre outros motivos, está na
preocupação pela forma como nos
vêem os países desenvolvidos. Há
sempre a queixa que sabem pouco
sobre o Brasil, e que, quando sabem,
lembram apenas do futebol e do
carnaval. Esse tipo de preocupação
não faz sentido. O que interessa
não é como nos vêem, mas, o que
somos e o que fazemos.”
Com a bola toda
Parece que estamos fazendo
direitinho, pois houve êxitos
que confirmaram que o amanhã
poderá ser melhor. Em novembro
de 2009, a revista inglesa The
Economist, uma das mais
influentes publicações sobre
economia do mundo, dedicou
capa e 14 páginas ao Brasil com
a manchete: Brazil Takes Off
(“O Brasil Decola”, em tradução
literal). O editorial afirma que o
País parece ter feito sua entrada
no cenário mundial. E o símbolo
dessa entrada foi a escolha do Rio
de Janeiro como sede olímpica
em 2016.
O Brasil entrou na disputa para
ser sede da Olimpíada não como
um País que está “com o pires
na mão”, diante de mais uma
crise, mas como um dos últimos
a entrar e um dos primeiros a
sair de uma crise econômica
mundial; um País que deixou
de ser devedor do FMI e passou
a ser credor internacional, com
uma economia dinâmica e outros
atributos positivos, tais como,
pela primeira vez ter, ao mesmo
tempo democracia, crescimento
econômico e inflação baixa. Um
país em que as classes média e
Ego inflado
Se acontecer, talvez sejamos tomados do mesmo
ufanismo besta que assolou o Brasil na década de
70, aquele do “ame-o ou deixe-o”. Correndo o risco
de esquecer os problemas que persistem, tais como
a brutal desigualdade social, uma taxa de juros que
ainda é uma das maiores taxas reais do mundo,
baixo crescimento da produtividade, a má qualidade
O Brasil entrou na disputa para ser sede da Olimpíada
não como um País que está “com o pires na mão”,
diante de mais uma crise, mas como um dos últimos
a entrar e um dos primeiros a sair de uma crise
econômica mundial;
6
SHOWROOM
baixa estão em ascensão, com atraente mercado
interno, com setor bancário estável, com empresas
brasileiras avançando no exterior. Um país já autosuficiente em petróleo, e com novas descobertas
que, provavelmente, podem torná-lo um grande
exportador de petróleo até ao final da próxima
década. Enfim, o Brasil está com a bola toda.
Só falta ganhar a sétima Copa do Mundo
de Futebol, em 2010.
das escolas, que mais do que qualquer outra coisa, tem
potencial de frear o desenvolvimento do País, os baixos
investimentos no combate à criminalidade, a saúde
por um fio, um sistema legal, no mínimo, disfuncional,
despesas já altas e crescentes do governo, entre outros
problemas que se não forem administrados tornarão o
Brasil novamente obsoleto antes de desfrutar o sucesso.
A psicologia não aceita a ideia de que alguém tem
autoestima em excesso. Seria como ter saúde em
excesso. Portanto, algo bom. Para uma nação, alerta
Luiz Carlos Bresser-Pereira, “da mesma forma que um
ego inferiorizado é pernicioso, um ego artificialmente
inflado é um perigo. Sempre nos levará a subestimar os
problemas que temos pela frente.
Por fim, destaca Bresser-Pereira, identidade nacional é
algo que um povo constrói para si mesmo. Mais do que
isto, não apenas a identidade nacional, mas a própria
nação é uma construção política de cada sociedade.
“A identidade é algo que está sempre em processo de
mudança, que depende, sem dúvida, de certos mitos
fundadores, de pecados originais, mas também é algo que
muda à medida que a sociedade muda, as instituições e
as ideologias se transformam. O produto da afirmação de
um povo e de sua autoestima.”
27
Desenvolvimento de Sucessores
e da Excelência Empresarial
D
28
ois eventos importantes
marcaram o início de 2010 para
a Rede Volkswagen. O primeiro,
“Programa de Sucessores – II Fase
(imersão)”, realizado entre 18 e 22
de janeiro, em Nova Lima, Grande
Belo Horizonte, no campus da
Fundação Dom Cabral, destinouse aos sucessores da Rede que
frequentaram a primeira fase
do programa, entre março e
dezembro do ano passado.
Nesta segunda etapa, os futuros
dirigentes das concessionárias
da marca aprofundaram temas
como “Estratégias Competitivas”,
”Gestão de Marketing”, “Finanças
Corporativas”, “Liderança
e Cultura” e “Negociação e
Influência”. O outro, “Programa de
Desenvolvimento da Excelência
Empresarial”, teve o seu primeiro
módulo realizado em São Paulo,
na unidade paulistana da
Fundação Dom Cabral e destinouse aos executivos e empresários
da Rede VW. Ambos projetos
foram criados pelo “Núcleo de
Inteligência em Negócios da
Assobrav”.
“Tanto a heterogeneidade como
a capacidade técnico-empresarial
do grupo possibilitaram avançar
em discussões polêmicas,
o que enriqueceu a aula,
tornando-a muito produtiva.
Um ponto importante foi a
troca de informações, que
contribuiu bastante para o
esclarecimento de dúvidas, e,
claro, a competência profissional
e didática do professor.” Esta foi a
opinião de Ruy Mellone, executivo
de Assuntos Operacionais –
Vendas e Marketing da Assobrav,
que sintetiza o consenso dos 40
participantes da primeira turma
do Programa de Desenvolvimento
da Excelência Empresarial. O
programa, que será desenvolvido
em 12 módulos, um por mês,
com carga horária de dois dias,
é mais um projeto do Núcleo
de Inteligência em Negócios
da Assobrav. Desenvolvido
em parceria com a Fundação
Dom Cabral para atender
especificamente as necessidades
de aprimoramento gerencial da
Rede VW, o programa conjuga
teoria e prática e pretende
fornecer contribuições efetivas
para as concessionárias.
Aula inaugural
O primeiro módulo “Estratégias
Competitivas”, realizado nos
dias 15 e 16 de janeiro na sede da
FDC, à Rua Cardoso de Melo, 1184,
no bairro Vila Olímpia, em São
Paulo, capital, foi ministrado pelo
Prof. Heráclito Miranda, mestre
em Engenharia de Produção
pela UFMG e em Comércio
Internacional pela Universidad
Champagnat, da Argentina.
Heráclito iniciou a aula
relembrando a grande
transformação que sofreu a
economia mundial. Hoje existem
mais ofertas de produtos e
serviços e com preços menores,
os valores passaram a ser muito
mais intangíveis do que palpáveis
e o poder de consumo das classes
C e D é cada vez mais evidente.
“Por todas essas razões – disse
Heráclito – a prioridade é a
informação e a convicção de que é
preciso reestruturar os conceitos
do que é custo e valor para o novo
cliente.”
Com relação ao mercado
automobilístico atual, ressaltou
o expressivo crescimento das
marcas orientais e colocou para
empresa não se define por seu nome,
estatuto ou produto, ela se define por
sua missão. A definição clara de missão
é a razão de existir da organização e
torna possíveis, claros e realistas os seus
objetivos.”
A Visão: deve refletir um sonho
Estratégias
fundamentais
Para isso, Heráclito Miranda
recomendou aos empresários e
executivos da Rede VW que refletissem
sobre os seguintes pontos:
• Que consumidores atendemos hoje
e que consumidores serviremos no
futuro?
• Através de que canais atendemos
nossos consumidores hoje e através de
que canais os atenderemos no futuro?
• Quem são nossos concorrentes e quais
serão nossos concorrentes no futuro?
• De onde vêm nossos recursos para
investimentos e de onde nossas
margens ou recursos para investimento
virão no futuro?
• Que habilidades ou capacidades nos
tornam únicos e que habilidades ou
capacidades nos tornarão únicos no
futuro?
significa focar em benefícios”,
disse, citando clássicos exemplos
de produtos que sobreviveram ao
tempo, como o Biotônico Fontoura,
Gelatina Royal e Leite Moça. “Esses
´heróis da resistência` atenderam
as expectativas dos clientes de
ontem e continuam atendendo as
necessidades dos consumidores de
hoje. Portanto, a verdadeira essência
de “negócio” pode ser definida
como o entendimento do principal
benefício esperado pelo cliente”,
salientou, explicando o seguinte
raciocínio: “Tomemos como exemplo
a Kopenhagen, uma marca de
chocolates antiga que se mantém
firme no mercado: se analisarmos
simplesmente - de uma maneira
míope - o produto que ela faz, diremos
que é chocolate. Mas se olharmos
o que é a Kopenhagen do ponto de
vista do consumidor, ou seja, com
visão estratégica, percebemos que o
que ela vende, de fato, são presentes.
E presentes de qualidade, que têm
grande valor agregado, como a
embalagem, a localização das lojas, o
horário de funcionamento e um preço
compatível com tudo o que oferece.”
Este primeiro módulo do curso
Programa de Desenvolvimento da
Excelência Empresarial terminou
com algumas lições e tarefas para
os participantes. Entre as lições,
destacaram-se as necessidades de as
empresas terem claramente definidas:
Ao responder as perguntas dos
participantes, o professor fez questão
de frisar que “negócio” é diferente de
a razão da existência
produto quando se pensa na perspectiva
da empresa em seu negócio, ou como
do cliente e na longevidade da próprio
disse o guru Peter Drucker: “Uma
produto ou marca. “Permanência
A Missão:
Os Valores:
convicções claras e
fundamentais que a empresa defende
e adota como guia para a gestão do seu
negócio (crenças e posturas éticas:certo
e errado, bom e ruim, importante e não
importante). Em que acreditamos?
A Análise do ambiente:
como disse o pensador Alvin Tofler: “Em
épocas turbulentas, as empresas não
podem pressupor que o amanhã será
sempre uma extensão do presente. Pelo
contrário, devem administrar pensando
nas mudanças que representem
oportunidades e ameaças”.
Por fim, o professor Heráclito Miranda
resumiu sua mensagem enumerando
os fatores-chave para o sucesso de uma
empresa. “Do ponto de vista empresarial,
deve-se proceder com rigor à análise da
concorrência, estudando as empresas e
os produtos de sucesso e os fatores que
determinam tal sucesso. Já ao pensar nos
consumidores, é fundamental analisar a
demanda, o comportamento dos clientes
e os fatores que eles valorizam e que são
decisivos na compra. Isto é, para uma
operação de sucesso não pode faltar um
bom produto, eficiência operacional e
intimidade com o cliente.”
SHOWROOM
os participantes a discussão sobre
de que maneira, princípios e valores
esses fabricantes atuam, ou seja, qual
é a estratégia deles para conquistar
mercado. A análise gerou polêmica
e trouxe várias considerações sobre
como deverá ser este mercado a curto e
médio prazos, entre elas, o conceito de
que é preciso considerar a adequação
das estratégias de nossas empresas ao
padrão de concorrência vigente.
criado e assumido oficialmente pela
gestão do empreendimento para
direcionar o desenvolvimento de
longo prazo do negócio, expressando
a situação ideal futura a ser buscada
incessantemente pelos gestores, em todas
as suas ações. O que queremos ser? Ou,
como disse Peter Drucker: “Mais do que
nunca, ter uma visão focada no futuro é a
diferença entre o sucesso e o fracasso.”
29
A capital da
vela
Jabaquara, Siriúba, Guanxuma... Se você está pensando em
visitar a Ilhabela, acostume seus ouvidos. Enquanto seus
olhos estiverem extasiados com tanto verde, sua língua vai
fazer malabarismos pra falar os nomes mais variados das
praias. A Ilhabela é esse festival de experiências sensoriais.
Odores, cores, sabores, sons... tudo parece conviver natural
e exuberantemente neste pequeno paraíso de Mata Atlântica
”boiando” em frente ao continente.
30
Por Carolina Gonçalves
gente se acostumou a chamar tudo de
Ilhabela, mas a ilha – acidente geográfico – se
chama mesmo Ilha de São Sebastião. Foi batizada
assim por Américo Vespúcio, em 1502, quando ele
passou pelo canal. Era 20 de janeiro e o navegador
português quis homenagear o santo do dia. Aliás,
não é uma ilha, mas um arquipélago, que soma
ainda as Ilhas de Búzios, da Vitória, Sumítica,
Pescadores, Serraria e Castelhanos; e os ilhotes
Lagoa, Figueira, Anchovas, Ilha das Cabras e Ilhote
das Calhetas. A Ilha principal é a terceira maior do
Brasil, com 348,3 km2. Tem uma pequena cadeia
de montanhas na (22,4km) que atinge mais de
1.000 metros em sete pontos diferentes: Pico de
São Sebastião (1.375 m), Pico do Papagaio (1.302 m),
Pico da Serraria (1.285 m), Morro do Ramalho (1.202
m), Morro do Simão (1.102 m), Morro das Tocas 1.079
m) e o Pico do Baepi (1.048 m). O clima da ilha é
subtropical úmido, mas as montanhas têm um
clima oceânico, por causa da altitude.
Ciribai
Muito antes dos portugueses chegarem, a Ilha
era dos índios Tupinambás, que a chamavam de
Ciribai, que significa lugar tranquilo. Naqueles
tempos, ainda não havia turistas dispostos a passar
horas na fila da balsa...A cidade de São Sebastião,
do lado de cá, surgiu muito depois, com o nome de
Vila da Ilha de São Sebastião.
O charmoso povoado da Ilha chamou-se Villa Bella
da Princesa, em homenagem à Princesa da Beira,
primogênita de D. João VI, e foi emancipado em
setembro de 1805. Àquela época, já viviam três mil
pessoas na Ilha. Em 1938, o Estado Novo mudou o
nome da cidade, por decreto, para Formosa. Não
colou. Em 1944 tornou-se oficialmente Ilhabela.
A população caiçara sempre viveu ao redor da
Ilha toda, na pequena faixa entre o mar e a mata.
Mas a grande concentração até hoje é do lado do
canal. Na década de 50, começaram a chegar os
turistas e os primeiros migrantes. Vinham de São
Paulo e compravam propriedades que até hoje
conservam nomes como Vila Caiçara, Engenho
D’água, Garapocaia, Ponta das Canas e Catatau.
Antes disso, até a década de quarenta, a principal
atividade era agrícola, com o plantio de cana de
açúcar para o fabrico de pinga. Nomes conhecidos
como Feiticeira, Engenho D’água, Ponta das Canas,
Favorita, Consolo, Marafa, Morrão Caiçara, Cocaia,
Tangará, Engenho Novo e Amansa Sogra eram
marcas famosas de aguardente. Mas nem só de
pinga vivia a produção: também se plantava café,
banana, laranja, abacate, caju, jaca, feijão, milho e
mandioca. A produção ia para Santos, de canoa a
remo, onde era comercializada.
Esporte e aventura
Em 58, no século passado, começou o serviço da balsa
e o turismo cresceu.
A Ilhabela é considerada a Capital da Vela. O vento
do canal atrai esportistas de todo País e do mundo.
Os principiantes podem frequentar a escola BL3,
que funciona desde 94 na Praia do Engenho D’Água.
Tem cursos de veleiro, windsurfe, kitesurfe e vela
oceânica, para adultos e crianças. Em julho, acontece
o campeonato internacional “Semana de Vela de
Ilhabela”. Durante duas semanas, é possível assistir
ao show das maiores feras do mundo...
Mas sob as águas também é muito bom: mergulho
autônomo e mergulho livre são praticados na Ilha. Vá
ao Parque Marinho Municipal, ao redor da Ilha das
Cabras, em frente à Praia das Pedras Miúdas. Bastam
máscara, snorkel e pé de pato para ver garoupas,
badejos, robalos, vermelhos, caranhas, sargos-dedentes, peixes-morcegos, sargentos, frades, pirajicas,
marimbás, esponjas, aranhas do mar, vieiras e muito
mais.
Interessado em naufrágios? São mais de 20 ao longo
da costa sul da Ilha. O cargueiro Aymoré (1920) é um
bom ponto de partida. Está afundado na Ponta do
Ribeirão, à esquerda da Praia do Curral, em baixa
profundidade. Para os mais experientes, tem o
Príncipe das Astúrias (1916), na Ponta da Pirabura, ao
lado da laje da Pirabura.
Pesca e trilhas
Os pescadores podem praticar pesca de arremesso
e pesca oceânica. O ponto mais procurado para
arremesso é a Ponta de Pequeá. Já para ir pro oceano,
há lanchas de aluguel.
Você prefere aventura em terra firme? Prepare-se
para trilhas com diferentes graus de dificuldades e
360 cachoeiras típicas da Mata Atlântica. Comece
com uma caminhada com banho de cachoeira na
Trilha da Água Branca, dentro do Parque Estadual
de Ilhabela. O Parque, que garante a preservação da
SHOWROOM
A
31
Para quem quer mesmo sol e areia,
são 39 praias. As de frente para o
canal têm muita gente bonita, mas
são mais cheias e poluídas. As de
mar aberto são um capítulo à parte.
Algumas só têm acesso por barco,
mas valem a pena.
A Praia de Castelhanos está entre
as 10 mais bonitas do Brasil. Isso
não é pouca coisa num país com
um litoral do tamanho do nosso...
Você vai precisar atravessar o Parque
Estadual num carro 4x4, porque se a
praia é linda... a estrada é um horror.
Nada é fácil na vida! Mas lá, é só
alegria. Tem natureza linda aliada a
bares e restaurantes, onde se come
desde um maravilhoso camarão sete
barbas (Bar do Fernandinho) até
comida caseira de pedir bis (Bar 4X4).
Não quer tanta aventura? Passe o
dia em Jabaquara, a 15 km do centro,
indo para o norte. A parte de terra da
estrada é bem conservada e lá você
encontra bares e restaurantes. É só
relaxar!
Se você sempre busca o point mais
legal, com gente bonita, vá para as
Praias da Armação e do Pinto. Além
dos esportes náuticos pra preencher
o dia, você ainda vai saber a “boa”
da noite. E ainda tem uma escola de
vela pra quem quer aprender.
Reserve um dia pra ir ao sul da Ilha
ver o por do sol na Praia Grande, no
Curral ou na do Julião. É inesquecível.
encontrará restaurantes variados,
com preços para todos os bolsos.
Quem nunca ouviu falar das
vieiras do Viana? O restaurante
mega tradicional fica no norte
da Ilha e é sucesso há mais de 20
anos. O segredo? Os donos é que
supervisionam tudo.
No Itaguassú, indo da balsa em
direção à Vila, parada obrigatória
no Deck. Boa música e cardápio
variado atraem gente bonita e
interessante.
Impossível ir à Ilha e não comer
comida caseira e barata. Na rua
principal da vila sempre haverá
uma fila em frente ao Cheiro Verde,
para um PF de respeito! Nessa
linha, o Badejo & Companhia
também vale a visita.
Charmoso e inspirado, o Pasta
del Capitano, no Pequeá, traz um
pouco da Itália pra este lado do
mar.
Tido como um dos melhores da
Ilha, o Ilha do Sul, na Feiticeira,
é memorável pelo camarão na
cerveja. Mais ao sul, no bairro do
Bexiga, conheça o Barulho D’Água,
a beira de um riacho.
Bem ao sul, no fim da estrada
pavimentada, você encontra
o Nova Iorqu”I”, escrito assim
mesmo. O lugar tem uma vista
deslumbrante para o por do sol e
serve o tradicional Lambe Lambe,
risoto de marisco de lamber os
beiços…
Coma!
O Centrinho
Praias
densa mata nativa, com árvores de
20 a 30 metros, tem 27.025 hectares
e engloba 85% do Município de
Ilhabela. A trilha tem infraestrutura
que permite que você vá com a
família inteira: bancos, mesas para
piquenique, painéis interpretativos
e torre de observação de pássaros.
Muito procurada por estrangeiros,
a observação de pássaros começa a
ganhar adeptos no Brasil. A trilha
começa na estrada de acesso à Praia
de Castelhanos, junto à guarita de
entrada do Parque, 3km de terra a
partir do bairro da Água Branca.
Caminhe!
32
Ou você pode simplesmente andar
pela Ilha, a pé ou de bike, indo da
vila em direção ao norte. Tem praias
maravilhosas no caminho até Ponta
das Canas, quando acaba o asfalto
e depois, até as Praias de Pacuíba e
Jabaquara. Se cansar, tem ônibus de
hora em hora pra voltar.
Mas você é mesmo valente! Então,
enfrente 4 horas de caminhada
até a Praia do Bonete. São mais ou
menos 600 metros de areias claras
e ondas enormes, boas para o surf,
onde deságua o Ribeirão do Bonete.
É a maior comunidade caiçara da
Ilha, com 100 famílias. Você vai até
o extremo norte da Ilha, na Ponta
da Sepituba, onde acaba a estrada
e deixa o carro. Dali, segue uma
trilha de 15 km, que foi aberta pra ser
uma estrada nos anos 80, e a Mata
Atlântica, poderosa, devorou! Mas
a Mata vai recompensar você. No
caminho, encontrará as cachoeiras
Lage e o Aerado. Lage tem vários poços
de água limpa e um escorregador de
uns 30m de comprimento. O Aerado
fica entre pedras enormes e tem um
visual incrível! A trilha não é fácil...
Tanto esforço pede que você passe
a noite lá em pousadas (Canto
Bravo e Porto Bonete) ou nas
casas dos caiçaras. Com sorte, o
mar permite que você volte de
carona numa canoa caiçara.
Prepare-se para comer muito e
muito bem! Comece na Praia, com
restaurantes e bares que servem
camarões, lulas, mexilhões, polvos,
peixes, ostras… Cerveja gelada
e serviço simpático só deixam a
comida melhor. A Praia do Curral
oferece opções como Papagaio e
Embarcação Bandito. Depois, nada
como um picolé de coco do Rocha,
com pedaços da fruta. Se não gostar
de coco, não tem problema, tem
muitos outros sabores exóticos ou
não. Impossível não achar o seu.
Tudo bem, você é um profissional do
garfo! Muitos restaurantes da Ilha
fariam bonito em qualquer lugar do
mundo. Em agosto, a Ilha é invadida
por chefes e gourmets interessados
no Festival Gastronômico. Ao longo
de toda a orla do canal, de norte
a sul, passando pela vila, você
Talvez, a característica mais
interessante da Ilha até hoje tenha
sido ser chique. A Ilha é low profile.
Mesmo o que é muito caro, não
é ostentatório. O confinamento
fora do continente aproxima as
pessoas, as classes. Mas não é
uma democracia demagógica. Ela
apenas acontece. O hotel caríssimo
está colado à barraquinha popular
e todo mundo está nadando na
mesma praia.
No centrinho não é diferente.
Comércio interessante, cafés,
grifes, livraria… Ao lodo de prédios
históricos, como a Matriz Nossa
Senhora D’Ajuda e a Antiga Casa
de Câmara e Cadeia. Tudo convive
em harmonia. Gente bonita, bem
cuidada, outros nem tanto… É tudo
meio bucólico, meio interior, meio
praia. Impossível não se apaixonar.
Marcelo Azevedo
O termo caiçara vem de caá-içara, do
tupi-guarani, que denominava estacas
e galhos de espinhos que cercavam
as aldeias. Só mais tarde tornou-se o
nome das pessoas das comunidades
dos litorais paulista, paranaense e
sul-fluminense. O Caiçara descende de
índios, portugueses e mais tarde de
negros.
Esta é uma longa história de
colonização e cooperação, cujos ecos
que nos alcançam hoje refletem-se
nas festas. Na Ilha, são famosas as
festas de São Pedro, da Padroeira –
Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso
e a maior delas, a de São Benedito,
durante a qual acontece a Congada de
Ilhabela.
A festa da padroeira acontece em
fevereiro. Se o carnaval cai no mesmo
mês, o sagrado e o pagão convivem
em paz, já que acontece o tradicional
Banho da Dorotéia.
Em maio é a vez da Congada em
honra de São Benedito. É uma das
mais fortes e vivas tradições caiçaras,
que se reafirma há mais de 200 anos.
Acredita-se que ao longo do tempo
repetem-se falas, músicas, fantasias e
representação, fiéis ao original.
A cultura caiçara se expressa num
artesanato rústico, que usa os recursos
da terra, como conchas. Por toda parte
é possível encontrar lojas e feiras
expondo objetos que contém um pouco
do clima paradisíaco da Ilha. A ilha
conhece a presença humana há mais
de 2.500 anos. São cerca de 68 sítios
arqueológicos catalogados, com acervo
de mais de 14 mil peças.
Hotéis e Pousadas
Hotéis da Ilha são um capítulo a parte.
São mais de 100, entre pousadas e
hotéis, oferecendo mais de 5.600
leitos. Impossível não ter ouvido falar
do DPNY, que se auto-intitula “a nova
versão do hotel de luxo”. É o único “pé-
na-areia” da Ilha e a estrutura oferecida
realmente impressiona. Além dos
clássicos piscina e spa, o hotel oferece
laptops Mac, rede wireless na praia,
espreguiçadeiras muito confortáveis,
jornais do dia, revistas. Tem um parque
de 12 mil metros quadrados de mata
atlântica, com vista para o mar. Tem
obras de arte por toda parte e uma
programação musical que prevê até os
dias sem sol. Mas, principalmente, eles
oferecem coisas preciosas pra quem
está a fim de aproveitar ao máximo e
descansar: servem café da manhã até
13h e o check out no domingo é às seis
da tarde. São 76 suítes que vão do básico
“ar condicionado + TV LCD a cabo” até
a Imperial, que tem vista panorâmica
para a praia, varanda privativa,
lounge com sofás, tendas e
mesas e acesso exclusivo ao
parque natural. Equipada
com tudo, mais um iPod, tem
sala de estar com vista para o
horizonte. Tudo pela bagatela
SHOWROOM
A Cultura
33
de R$ 650,00 a R$ 2.290,00 a diária,
conforme tabela publicada em
dezembro, para janeiro. Mas você
não precisa hospedar-se para
desfrutar do Clube de Praia Hippie
Chic, que além de espreguiçadeiras
e serviço de praia, oferece house
music que entra noite adentro.
Ou ainda, jantar no Tróia Dining
and Music, que abre aos sábados
e feriados, sob a batuta da chef
Renata Raikov, formada na França.
Serviços
surpreendentes
34
Bem, há também o Maison Joly, que
cabe perfeitamente na descrição
chique low profile. Ao pé do Morro
do Cantagalo, fica a 80 metros do
nível do mar, oferecendo uma vista
fantástica! A decoração baseada
em feng shui, com muitas obras de
arte, cria um conjunto harmonioso
e surpreendente ao mesmo
tempo. Desde a remodelação
em 2009, passou a contar com
novas academia de ginástica e
sala de massagens, belvedere,
piano-bar, piscina restaurante
e estacionamento. A proposta é
despertar boas lembranças da
infância e o lado lúdico das pessoas.
Alguns apartamentos têm cavalete
e material de pintura. Uma das
suítes tem um dos 4 pianos do
hotel.
As acomodações valem um
destaque. O Joly tem uma suíte
principal com 300m2, piscina
privativa, vista fantástica e total
privacidade. Você pode ter até
um chefe exclusivo, preparando
e servindo suas refeições na sua
varanda.
Tem mais três suítes com 120m2
cada, sendo que duas têm Jacuzzi
e uma tem piscina. Somadas
às outras 8 suítes, menores
(50m2, 35m2 e 25m2), formam
um conjunto exclusivo e
privilegiado pela vista. O hotel
treina seus funcionários para
lidar bem com diversidades, o que faz
o Joly ser um hotel GLS friendly. Você
só não pode ser sedentário. O hotel
tem muitas escadas… Mas o sacrifício
é totalmente compensado pela vista.
Roteiros do Charme
A Pousada do Capitão faz parte do
“Roteiros do Charme”. Seu estilo
naval inglês encanta, há mais de
20 anos. Muito bem localizada, ao
lado da praia Engenho D’Água, fica
perto de tudo. Eles levam muito a
sério sua vocação europeia para
a hospitalidade. Suas suítes são
chamadas “camarotes” e são réplicas
de acomodações em iates de luxo,
super bem equipadas. São quatro
tipos, sendo as maiores voltadas
para a piscina, que fica no meio
de um lindo jardim tropical, com
bromélias, orquídeas e palmeiras. A
sauna irlandesa e a hidromassagem,
também próximas do jardim,
completam o ambiente relaxante. O
café da manhã oferece delícias como
pães, bolos, tortas, geleias, granola e
iogurte, todos preparados no próprio
hotel. Vale a pena experimentar…
Depois você compensa com uma boa
massagem e uma sessão de fitness.
A Porto Pousada Saco da Capela tem
suítes distribuídas em plena mata,
incrustadas nas pedras, mas a 300
metros da praia, numa rua calma
e sem saída. Coisas de Ilhabela… A
piscina é totalmente integrada à
vegetação e tem várias trilhas dentro
da propriedade. É só relaxar, relaxar,
relaxar… São 18 suítes e um chalé, com
toda a infraestrutura necessária para
ter conforto. Algumas têm mezanino,
para um terceiro hospede. Outras têm
sacada privativa, vista panorâmica.
Você escolhe.
Não dá para falar de cada uma de
todas as pousadas charmosas, com
nomes interessantes e decoração
colorida e tropical. São tantas…
Pousada + Bella, Banana Verde,
Bonns Ventos, Catamarã Brasil,
do Golfinho, dos Hibiscos, Fruto
do Mar, Ilha Splendor, Isola Bella,
Lacosta, Montemar, Tamara, Vento
Sul, Vila São Pedro, Villa Caiçara,
Villa Nina, Villa Vittoria e Villaggio
Assis. As diárias começam em torno
de R$ 100,00. A maioria tem arcondicionado e confortos como TV a
cabo e conexão wi-fi.
Lado B
Estar na Ilhabela é sempre uma
experiência agradável. Mas, como
tudo na vida, tem o lado B. A balsa
dá uma certa canseira. O ideal é
usar o horário marcado. Custa um
pouco mais e também paga a volta,
mas vale a pena. Acesse http://
www.ilhabela.sp.gov.br/tpa/ para
tirar dúvidas.
Nos feriados, fica lotado. Mas
tem um frequentador que nunca
vai embora: o borrachudo. Pense
pelo lado positivo: se tem tanto
inseto é porque ainda está limpo
e preservado… A Prefeitura faz
controle com larvicida biológico,
que teoricamente não interfere no
equilíbrio ecológico. No verão, essas
intervenções se intensificam. Mas
é sempre bom garantir, levando
repelente potente. A citronela
manipulada ainda é uma boa
pedida, ao lado dos tradicionais.
Bom passeio!
Inventando inventores
A
As grandes invenções,
as grandes
descobertas, são
ações compartilhadas,
resultado de luta e
persistência de muita
gente, instituições e
governos. É injusto
creditar a uma pessoa
um grande feito, como
o descobrimento
da América ou a
identificação do vírus
da Aids.
Por JOEL LEITE
humanidade precisa de heróis, a
sociedade precisa de referências e por
isso quase sempre elege um criador.
Mas os grandes feitos da História são
resultados de tentativas, de acúmulo
de experiências, da evolução de toda a
Humanidade.
Vespúcio descobriu ou invadiu a
América? Depende do ponto de vista.
Para a civilização do Velho Mundo,
o navegador fiorentino fez uma
descoberta, mas para o homem que
vivia aqui há milhões de anos ele foi
considerado um invasor.
Mas mesmo aceitando a versão do
Velho Mundo, a descoberta creditada
a Américo Vespúcio é facilmente
contestada. Vários historiadores relatam
a presença de europeus por aqui muitos
anos antes das descobertas, vivendo em
perfeita comunhão com os habitantes
autóctones. Os portugueses sabiam
disso, Cabral desembarcou por aqui só
pra carimbar a documentação.
Cientistas de todo o mundo passam
anos – às vezes uma vida inteira –
pesquisando a cura de doenças
e de repente um iluminado (ou
melhor articulado) leva a fama e
ganha o prêmio Nobel.
E aqueles inventos sem
36
assinatura, mas que ninguém saberia
viver sem eles? Imaginem o sujeito que
inventou o sifão de pia. Estaria rico se
ganhasse meia moeda de royalts em
cada reprodução do seu invento. E a
fila da Disney? A fila da Disney - hoje
instituída no balcão do aeroporto e em
todo lugar onde há concentração de
pessoas - coloca centenas de pessoas
em alguns poucos metros quadrados,
e todas caminham ordenadamente,
cruzando dezenas de vezes uns com
os outros, com cara de idiota, mas sem
confusão.
Já imaginou se alguém não tivesse
inventado o clip de papel? Sabia que
a ponta do cadarço de sapato foi
patenteada? Seu inventor não ficou
famoso, mas ganhou dinheiro.
Às vezes, a invenção tem dupla autoria,
caso do avião. Nós aprendemos que
quem inventou o avião foi o brasileiro
Alberto Santos Dumont, em 1906. Mas
os estadunidenses creditam o invento
aos irmãos Wright. Nem tudo o que
vem do país do norte deve ser levado a
sério, mas no caso do inventor do avião
a paternidade do invento é discutível.
Para Santos Dumont, o conceito de avião
era o mesmo de um balão, dirigível. Foi
Thomaz Edson quem sugeriu ao Pai da
Aviação que usasse motor a explosão.
Os irmãos Wright voaram num
motoplanador em 17 de dezembro
de 1903, mas o aparelho decolou
por propulsão. Santos Dumont foi o
primeiro a decolar a bordo de um avião
impulsionado por um motor a
gasolina, em 23 de outubro de 1906,
em Paris. Quer dizer: muita gente
deu o seu pitaco no invento.
Sempre soube que a história é
contada pelos vencedores. Mas acho
que ela é contada pelos donos da
mídia. Como Marconi foi o primeiro
a ter uma emissora de rádio,
espalhou a notícia de que seria o
inventou das ondas de rádio, como
todos nós aprendemos.
E não é que está devidamente
documentado que a invenção
do rádio pertence ao um padrecientista brasileiro, Roberto Landell
de Moura?
Landell de Moura também projetou
a televisão, muitos anos antes de
Marconi. Ele patenteou inventos no
Brasil e nos Estados Unidos, mas não
teve apoio para o desenvolvimento.
Foi taxado de maluco e de ter
pacto com o demônio. E agora, o
governo brasileiro quer corrigir
esse erro histórico, e ao mesmo
tempo, valorizar a ciência
nacional. Pretende reconhecer
oficialmente o pioneirismo
do Padre Roberto Landell de
Moura no desenvolvimento das
telecomunicações: ele foi precursor
das invenções do rádio, da televisão
e do teletipo.
Vamos à campanha. Se eles têm
os irmãos Wright por que não
podemos ter o Landell de Mora?
Joel Leite é jornalista, formado pela Fundação Cásper Líbero, com pós-graduação em
Semiótica, Comunicação Visual e Meio Ambiente. Diretor da Agência AutoInforme, assina
colunas em jornais, revistas, rádio,TV e internet. Não tem nenhum livro editado e nunca
ganhou nenhum prêmio de jornalismo. Nem se inscreveu.
Mesmo quando não estou de corpo
presente, minha alma baiana está lá,
correndo atrás de um trio elétrico.
Atrás do Trio Elétrico
Atrás
do Trio
só não
vai...
E
Elétrico só não
vai...
Maria Regina Cyrino Corrêa
ra alguma coisa como 91, 92.
Eu estava em Salvador para o Carnaval,
mais uma vez.
Inadvertidamente parei do lado de um
trio elétrico na Barra. Ainda não era
como hoje...
Os trios saiam só na Avenida,
espontaneamente. Afoxés, Filhos
de Gandhy, Ilê, Olodum enchiam a
cidade de sons e cores, ainda meio
longe dos turistas... Bom, voltando pra
mim, na Barra, domingo à noite, bem
paulistinha... Parada do lado do trio
quando foi emitido o primeiro acorde
da guitarra distorcida. Meu coração
parou, depois disparou de alegria e
eu nunca mais pude viver longe do
Carnaval da Bahia. Mesmo quando não
estou de corpo presente, minha alma
baiana está lá, correndo atrás de um
trio elétrico.
Até aquele dia, trio elétrico era como
uma guerra do outro lado do mundo
– uma coisa que você vê na TV e não
quer dizer muita coisa...Mas ouvir
um som ao lado de um trio é uma
experiência única. Parece que ele está
batendo dentro do seu peito. Não tem
explicação. Você simplesmente tem
que dançar!
Eu voltei a Bahia muitas vezes
depois. Eu estava na primeira
Timbalada, fiquei acordada
muitas noites só pra ver o
Olodum passar no Campo
38
Grande, cantei com Daniela, Ivete,
Cláudia... quando ninguém ainda
sabia quem elas eram. Mas foi com
o Asa de Águia, à frente do EVA, que
eu me diverti mais. Quando o bloco
saia, debaixo de um sol de 35 graus,
tipo duas horas da tarde, pra descer
a Sete e subir a Carlos Gomes, eu
sabia que ia ser tudo! Eu me lembro
de um ano em que os abadás eram
bem coloridos e a gente chegou
na Praça Castro Alves lá pelas 6 da
tarde. O sol estava se pondo e os
Filhos de Gandhy vinham descendo
do Comércio em direção à praça.
O encontro dos abadás coloridos
e a tradicional roupa branca fazia
um espetáculo difícil de esquecer.
Não sei como o poeta pode ficar
impassível, olhando. O ritmo e
a energia eram de fazer estátua
dançar...
Eu sou do tipo foliona. Mesmo. Não
quero beijar, não quero ficar, não
quero perder um segundo da dança
e da alegria! São dias em que você é
simplesmente feliz! Aliás, Salvador
tem esta característica. Se eu
tivesse que criar um slogan, seria:
Salvador, é possível ser feliz!
Aquele povo lindo, que anda
dançando, fala cantando, come
todos os artigos. “Mainha foi na
casa de Painho.” Não tem o a e o
antes... Não tem desperdício. No
segundo dia eu já estou falando
como eles.
Eu costumo dizer que sou baiana de
carteirinha, com mensalidade paga
adiantado. E tudo isso por causa do
Carnaval. Eu gosto tanto, que nem
fui procurar as datas importantes
de fevereiro. Deve ter muita coisa
importante, mas eu só consigo
pensar na folia...
O Carnaval surgiu no século XI,
quando a Igreja Católica criou a
Semana Santa, precedida de 40 dias
de resguardo e jejum, a Quaresma.
Quando todo mundo se deu
conta que ia ser um loooooongo
sacrifício, tratou de juntar muitas
festividades antes da Quartafeira de Cinzas. Carnaval vem de
carna vale, adeus à carne. Antes
da privação, a locupletação. (Céus!
Onde eu arrumei essa rima?!?!) Daí
vem a Terça-feira Gorda, o Mardi
Gras. Durante o Renascimento,
vieram as fantasias, os bailes de
máscaras e os carros alegóricos. A
era Vitoriana trouxe a festa mais
parecida com o que vemos hoje, no
século XIX. Paris foi a pioneira do
carnaval modelo exportação.Tudo
isso inspirou os famosos carnavais
do Rio de Janeiro e de New Orleans.
Mas sabem quem tem o maior
carnaval do mundo? Salvador. Está
no Guiness. É a maior festa de rua
do planeta.
Trocando em miúdos: se você nunca
foi. Vá! Não faça prejulgamentos do
tipo: “Ah! Mas eu odeio muvuca!”
Você não sabe... Pode ser que você
odeie o Carnaval em Salvador. Mas
pode ser que você adore. E eu digo
pra você: se você está entre os que
iriam adorar e não for, terá perdido
uma grande oportunidade na vida
de ser feliz.
Maria Regina Cyrino Corrêa é jornalista,
publicitária e foliona. Neste ano não vai
a Salvador, porque está muito ocupada
com um job muito complexo na 2Show
Comunicação. Mas no ano que vem, não
perde por nada!
[email protected]
http://felllikeaqueen.blogspot.com/
www.2showcomunicacao.com.br
Meus amigos
Por Marcelo Allendes
ada um tem seus amigos. Os
meus são antigos. E posso contálos em uma mão. Meus amigos
não são perfeitos. Mas são meus
amigos e são boas pessoas. Meus
amigos são amigos de infância,
daqueles que discordam de frente
ou aprovam em silêncio profundo. E
não por isso são menos amigos. Mas
a vida dos amigos muda quando
achamos que a nossa não mudou e
que nunca mudará. E que sempre
continuaremos sendo as mesmas
crianças, parte de uma molecada que
podia brincar tranquilamente nas
ruas de subúrbios e periferias.
Na semana passada almocei com
dois dos meus poucos e bons amigos.
Irmãos, por sinal. Não nos víamos
fazia anos e, por isso, tentávamos
esse encontro desde o Natal passado,
atropelado pelos compromissos da
época. Por fim conseguimos uma data
comum. Nos encontramos na casa de
um deles. Parei o carro no endereço
indicado e, míope, estiquei o pescoço
para fora da janela à procura do
número. Mal deu tempo até que se
aproximasse um meninote de uns
seis ou sete anos, tentando se
equilibrar sobre uma bicicleta azul.
“Oi, você é o amigo do meu pai,
né? Pode entrar e subir. Ele está
fazendo a barba.”
Vendo o meu vacilo, o rapazinho
voltou a insistir, largando o
brinquedo na calçada, mostrandome a entrada da casa. “É lá em
cima. O senhor pode subir.”
Subi as escadas da casa
parcimoniosamente, pensando
em 1984, ano em que conheci os
meus amigos na sala de aula da
quinta série. Quando alcancei os
últimos degraus, parou na minha
frente uma menina de cabelos
despenteados e cara sonolenta.
Virou, entrou pela porta e gritou o
nome da mãe. “Fala pro papai que
o amigo dele chegou...”
Fiquei pensando em tudo
aquilo, nos 25 anos que me
separavam de uma infância feliz
e despreocupada. Havia tido, sem
dúvida alguma, uma fase única
e que já não voltaria. Dias que
nós, meninos, classificávamos
segundo a possibilidade ou não de
Marcelo Allendes é jornalista
e colaborador do Banco
Volkswagen. Tem poucos
amigos, mas é feliz
assim mesmo.
email: allendes@
yahoo.com
SHOWROOM
C
Crescer acontece num piscar de olhos. Num dia você
é apenas um menino, no outro você já se foi de casa.
Mas as lembranças da infância ficam. Me lembro de
um lugar... de um bairro... de uma rua como tantas
outras ruas... de amigos inseparáveis. E o negócio
é que depois de todos estes anos, eu ainda olho pra
trás... viver era fácil.
empinar pipas, descer ladeiras
de rolimã ou ficar na esquina
de casa contando os fusquinhas
vermelhos que passavam pela
rua.
A realidade se desfez naquele
momento. E torcia para que
nada houvesse mudado. Porque
quando falamos do passado,
da infância e dos amigos
daquela época, falamos de
sonhos perdidos. De sonhos
reais e imaginários. De sonhos
conquistados e de outros
esquecidos.
Saí de casa naquele início de
tarde para almoçar com dois
velhos amigos. Para relembrar
as tardes chuvosas quando
remediávamos o tédio com
um jogo de tabuleiro. Para
relembrar nossos intermináveis
campeonatos de botão. Ou os
aniversários festejados dentro
da própria casa, sem buffet,
sem palhaços ou equipes de
animação. Eram dias simples
aqueles. Dias nossos. Mas percebi
que a vida havia mudado para
nós. Tínhamos muito para
falar do passado e pouco para
acrescentar do presente. Os
dias de escola, das brincadeiras
inocentes, das férias de verão,
esses foram dias incríveis. Época
em que as ilusões ainda valiam
a pena. Por isso, os meus amigos
são os amigos da infância,
quando viver era fácil.
39
TV com 3D
Apresentações sem
computador
Evento tradicional de todo início de ano, a CES (Consumer
Electronics Show) de 2010 foi dominado pelos leitores digitais,
segmento de mercado ainda incipiente no Brasil. O que deve
chegar em breve é a próxima geração do entretenimento com
tecnologia 3D aplicada a produtos eletroeletrônicos. A Samsung
mostrou um sistema de geração de imagens em três dimensões
- composto por TVs de LED, LCD e Plasma e tocador de Blu-Ray. A
TV de LCD com tecnologia LED traz internamente um processador
3D embutido. São oito modelos que variam de 19 a 65 polegadas,
séries 9000, 8000 (foto) e 7000 que são capazes de gerar imagens
em três dimensões, com cores vibrantes e avançadas definições
de contraste. A interatividade está garantida com o recurso
Internet@, que permite acesso à outra novidade, a Samsung Apps,
a loja virtual de aplicativos baseada em conteúdos para TVs de
alta definição. O design é outra atração, com bordas estreitas e
aço escovado em preto e prata fazem com que esses produtos se
pareçam mais com peças de mobília do que com eletroeletrônicos.
Precisa fazer uma apresentação e o
notebook deu problema? Se for usuário
dos smartphones BlackBerry, marca
registrada da Research In Motion (RIM),
não há com que se angustiar. A RIM
lançou um acessório, denominado
Presenter, pequeno e leve, que pode
ser plugado com facilidade a um
projetor ou monitor, permitindo
Preço ainda não definido.
exibir uma apresentação sem fio em
Microsoft PowerPoint a partir do seu
smartphone BlackBerry. Na linha
gadget útil, o dispositivo permite
controlar apresentações, permitindo
navegar nelas, ver notas do orador,
ordenar os slides e até mesmo consultar
Com o advento do digital a
informações de um slide ao exibir outro.
fotografia
mudou e a forma
Graças a uma conexão Bluetooth entre o
de
mostrá-la
também. No lugar
smartphone BlackBerry e o BlackBerry
dos
álbuns
de
papel,
surgiram
Presenter, você também pode circular
as
utilidades
que
são
ao
mesmo
livremente durante a apresentação
tempo
álbuns
de
imagens
digitais
(roaming de até 10 metros entre os
e
porta-retratos
diferenciados,
aparelhos).
como o lançamento da Sony, o DPFPesa só 140 gramas, mas não está
A72N.
O aparelhinho possui 128 MB
disponível para o BlackBerry
de
memória
interna permitindo armazenar até 250
Curve Série 8300 ou
fotos,
visualizáveis
em uma tela LCD de sete polegadas. A transferência
BlackBerry Série Pearl Flip.
de
imagens
a
partir
de
um computador para a memória interna é simples e
Preço sugerido: não divulgado
dispensa
software.
O
porta-retratos
digital da Sony tem um sensor inteligente
Onde encontrar: http://
que
roda
automaticamente
a
imagem
para obter a visualização correta de
br.blackberry.com
acordo com a moldura fotográfica, posições horizontal ou vertical.
Compatível com os formatos digitais JPEG, TIFF, BMP e RAW, o modelo dispõe de funções
para alteração de cores - opções sépia, monocromático e colorido -, além de contar com
relógio, calendário e 11 opções de idiomas, incluindo o português. E é leve, só 430 gramas.
Moldura
fotográfica
digital
40
Preço sugerido: R$ 399,00
Onde encontrar: www.sonystyle.com.br, nas lojas ou revendas autorizadas Sony.
Um panorama da vasta
herança de Drucker
Peter Drucker morreu em 2005. Foi
advogado (diplomado, mas nunca
exerceu), bancário, jornalista, escritor,
consultor de empresas afamado. Um
intelectual que adorava história e
conhecia o tema como poucos, assim,
podia dedicar-se a elucidar o futuro,
pois como disse o filósofo holandês
Soren Kierkegaard: “A vida pode ser
compreendida ao se olhar para trás, mas
apenas pode ser vivida olhando-se para
frente”. Seus escritos e reflexões sobre
“O fim da escuridão” [do original, Edge of Darkness] é um thriller na acepção do
economia, política e negócios tiveram
termo: muita ação, tensão, emoção e mistério. E ainda traz o veterano Mel Gibson
impacto sobre o pensamento de gerações
em grande forma. O filme baseia-se na minissérie homônima produzida pela BBC e
de empresários e executivos. Drucker
exibida em 1985. A séria original arrebatou público e crítica com seis capítulos e igual
foi um dos mentores intelectuais do
número de prêmios BAFTA, o Oscar inglês. À época, o pano de fundo era a Guerra
renascimento econômico do Japão após a
Fria, a crescente preocupação com guerra nuclear e uma aura de sigilo em torno da
Segunda Guerra Mundial, é considerado
indústria nuclear. No meio de toda tensão internacional, um pai perde a filha e inicia
como o “pai da administração moderna”
uma jornada para descobrir quem a matou e por quê, e acaba descobrindo quem ela
e lembrado como um dos pensadores
realmente era.
mais importantes do fenômeno da
A Guerra Fria acabou em 89, a preocupação nuclear abrandou, mas não
globalização e seus efeitos na economia,
desapareceu. Os aspectos políticos da história foram atualizados e “O fim da
em particular, nas organizações. A obra
escuridão” continua moderníssimo. Outra curiosidade é que 25 anos depois,
que Drucker deixou é vasta e o desafio de
o diretor da série original Martin Campbell (de 007 Casino Royale), também
tentar condensá-la não é fácil. Em “O melhor
dirige a versão cinematográfica. As adaptações de roteiro transferiram a ação e
de Peter Drucker”, lançado pela Editora
a ambientação da Inglaterra da década de 80 para os Estados Unidos dos dias
Nobel neste início de ano, em um único
atuais, mas de resto, é a mesma boa história que mistura política e grandes
volume, estão reunidos textos escritos por ele
negócios. Mel Gibson é o pai viúvo Thomas Craven, um detetive da divisão de
com os temas “o homem”, “a administração”
homicídios do Departamento de Polícia de Boston. Quando sua única filha
e “a sociedade”. Na coletânea, lemos na
de 24 anos, Emma (Bojana Novakovic), é assassinada na escada de sua casa,
primeira parte sobre o homem e a importância
todo mundo supõe que era ele o alvo, mas ao investigar, as evidências o
da administração do tempo, sobre a era da
levam a descobrir um complexo esquema de corrupção, envolvendo
informação, sobre organização, a liderança como
políticos e a indústria de armas nucleares norte americanas, a vida
trabalho e os princípios da inovação. Na segunda
secreta de sua filha e sua morte. Um thriller emocionante.
parte da coletânea, a administração, aspectos da
administração como a sua importância, responsabilidade
“O fim da escuridão” dirigido por Martin Campbell Casino Royale, estrelado
e o lado empreendedor da atividade são abordados. Na
pelo ganhador do Oscar Mel Gibson com Ray Winstone, Danny
terceira, os textos marcantes de Drucker sobre a sociedade,
Huston, Bojana Novakovic e Shawn Roberts.
com as teorias sobre a mudança na economia mundial, o destino
do liberalismo, a escola responsável e a política em uma sociedade
de idosos. Um panorama com 570 páginas que deve estimular o leitor a
estudar Drucker com afinco.
“O melhor de Peter Drucker” (Editora Nobel, 2010)
Preço sugerido: R$ 49,00
SHOWROOM
Um thriller tenso e atual
41
A insustentável
leveza dos rosés
Por Arthur Azevedo
Adorados por uma legião de fãs e
subestimados por quem não os conhece, os
vinhos rosés (também chamados de rosados)
estão pouco a pouco ocupando o merecido
lugar no coração dos brasileiros.
Vítimas de injustificado preconceito, os vinhos rosés
são produzidos há muito tempo na França, país onde
tem grande destaque, especialmente na badalada
Provence. Outros países hoje produzem rosés de alta
classe, tais como Itália, Portugal e Espanha no Velho
Mundo e Austrália e África do Sul, no Novo Mundo.
Não por acaso, os vinhos rosés são os mais procurados
em lugares de muita fama, tais como Nice, Cannes e
St-Tropez, onde se harmonizam com perfeição com a
sofisticada gastronomia local, baseada em peixes e
frutos do mar. Bons exemplos são o Domaine Chaberts
Rosé e o Château Pampelone Rosé, encontrados tanto nos melhores
restaurantes da Riviera Francesa e de Paris, quanto nas melhores
lojas especializadas do Brasil. No Novo Mundo, um destaque é o
australiano Mitolo Jester Rosé (foto), que é produzido com a uva
italiana Sangiovese, num belo exemplo de globalização.
Por seu caráter leve e refrescante, os rosés são também perfeitos
para o verão, especialmente à beira mar, onde são companheiros
insuperáveis para se passar agradáveis momentos descontraídos.
Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, o rosé costuma
ser um vinho seco, leve, com intensos aromas de frutas vermelhas
(morangos, cerejas e framboesas), exibindo ótima acidez, muito sabor
e excelente persistência.
Existem várias maneiras de se produzir vinhos rosés, mas é
interessante frisar que o ponto de partida é sempre o mesmo, ou
seja, uvas tintas maduras, de boa expressão e caráter. Geralmente são
usadas as uvas clássicas francesas, tais como a Cabernet Sauvignon,
Merlot, Grenache, Syrah e Mourvèdre, mas em princípio, qualquer uva
tinta pode ser utilizada na produção desse estilo de vinho.
A grande dificuldade é se extrair aromas e sabores sem extrair cor, o
que exige técnica refinada e grande cuidado na vinificação. Dois são
os métodos mais utilizados: sangria e “pressurage”. No método de
sangria, o que se faz é deixar as cascas das uvas tintas, onde estão
as substâncias que dão cor ao vinho, por curto período em contato
com o suco da uva, dando ao vinho final uma leve cor rosada. Já no
método de “pressurage”, que é hoje o mais utilizado para a produção
de grandes vinhos rosés, as uvas tintas são colocadas em modernas
prensas pneumáticas, onde se aplica delicada pressão, em baixa
temperatura, por algumas horas. Dessa forma, se consegue produzir
um vinho de sabores e aromas muito agradáveis, sem extrair cor
em excesso, o que é a magia do vinho rosé. Aproveite...
42
Arthur Azevedo é diretor da Associação Brasileira de Sommelier –SP, editor da
revista Wine Style (www.winestyle.com.br) e consultor de vinhos do Angeloni
Tagliarini
ao queijo
de cabra
Nestes dias muito quentes, parece que
oferecer uma massa aos convidados não
é a melhor pedida. Não é bem assim. Se
você preparar um molho leve e servi-lo
na quantidade certa, a massa é perfeita
para um jantar a dois, a quatro e se
contar com alguma ajuda, até para seis
pessoas. Mais do que isso vira buffett
por quilo.
Veja esta receita ao molho de queijo
de cabra, azeitonas e ervas finas para
quatro pessoas:
Ingredientes
500 gr. de tagliarini ou spaghetti de
grano duro
2 tomates bem maduros
40 gr. de azeitonas pretas sem caroço, de
boa qualidade
1 vidro pequeno de queijo de cabra em
bolinhas
Q.B: de folhas frescas de salsinha,
cebolinha, manjericão, hortelã, pimenta
branca moída e azeite extravirgem
Preparação:
Na mesma panela grande e com
bastante água que irá ferver a massa,
coloque, já com a água fervendo, os
tomates, durante um minuto. Retire-os e
passe-os na água fria para interromper
o cozimento. Tire a pele e as sementes e
corte-os em rodelas. Reserve.
Em um recipiente fundo (bowl)
mistures os tomates, as azeitonas e o
queijo. Adicione a salsinha, cebolinha,
hortelã, pimenta, sal e azeite. Misture
delicadamente e reserve.
À parte, quando a massa estiver quase
pronta, refogue em 30 ml de azeite
as folhas de manjericão, que serão
colocadas ao final na montagem dos
pratos.
Montagem:
Escorra rapidamente a massa ao dente
e misture aos ingredientes do bowl,
delicadamente. Não demore muito para
não esfriar a massa. Coloque as porções
em pratos apropriados para massa e
finalize cada um deles regando com o
azeite e as folhas de manjericão fritas.
Sirva imediatamente. Mas, se gostar,
este prato pode ser apreciado frio
também. Bom apetite!
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