Publicação da associação brasileira de distribuidores volkswagen Ano 32 • n• 277 FEVEREIRO 2O1O Orgulho de ser brasileiro. Finalmente. D Autoestima e o brasileiro SHOWROOM uas personalidades falam sobre a autoestima do povo brasileiro nesta edição. O tema foi escolhido a dedo para avaliar, depois de alguns meses distante da crise financeira internacional e em meio aos escândalos políticos nacionais, se o orgulho dos brasileiros, que parecia em curva ascendente, foi posto à prova. Um dos entrevistados é o sociólogo Ricardo Augusto Alves de Carvalho, da Fundação Dom Cabral e o outro o ex-ministro da Fazenda do Governo Sarney (1987), atualmente professor titular do Departamento de Análise e Planejamento Econômico da Fundação Getúlio Vargas, Luiz Carlos Bresser-Pereira. Ambos, cada um em sua área, foram unânimes em afirmar que, apesar de todos os contratempos, hoje o brasileiro está mais confiante na Nação e em seu futuro do que jamais esteve, à exceção, talvez, da euforia muito mais fictícia que real dos anos 70. Para o sociólogo Ricardo Carvalho, “não há dúvida de que hoje somos mais que o país do café, do carnaval e do futebol aos olhos estrangeiros. Hoje somos o país do petróleo, dos recursos hídricos, o país da Amazônia, um país onde, queiramos ou não, um operário conseguiu ser presidente da República”. A mesma linha de raciocínio é defendida pelo economista e administrador de empresas BresserPereira, que citou a reportagem de capa e 14 páginas feita pela importante revista inglesa The Economist, em novembro do ano passado, com o título “Brazil takes off”, como prova incontestável de que o mundo está vendo o Brasil “como um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair dela; um país que deixou de ser devedor do FMI e passou a ser credor internacional, com uma economia dinâmica, com democracia, crescimento econômico, inflação baixa e uma notória ascensão das classes C e D. ” Essas razões já seriam suficientes para elevar nossa autoestima, mas, segundo os dois entrevistados, contamos ainda com outra vantagem competitiva: a alegria e a fé. Por conta disso, é que temos quase certeza de trazer a Sétima Copa do Mundo de Futebol em julho. Boa leitura. 3 A mensagem do Conselho Editorial. 5 Cartas O que dizem sobre Showroom. 6 Quem Passou Por Aqui Amigos e personalidades que visitaram a Assobrav e as empresas do Grupo Disal. 8 Gente Doutor em Sociologia das Mutações pela Universidade de Paris, especialista em estratégia, pessoas e gestão empresarial, o professor Ricardo Augusto Alves de Carvalho se dedica a pesquisar a subjetividade e a cultura na administração contemporânea. Entre a farta produção de artigos e as inúmeras aulas que ministra, ele encontrou tempo para falar a Showroom sobre o líder do século XXI e a perspectiva das empresas e empresários brasileiros no relacionamento hierárquico corporativo. 16 TechMania Os testes em laboratórios e em pistas de provas da indústria automobilística, segundo o jornalista Fernando Calmon. 17 RH 4 “Com a seriedade de quem se permite alcançar a verdade mais íntima, veremos claramente quão enganadores nós somos quando pretendemos atingir os nossos objetivos.” GENTE LIVROS & AFINS A PASSEIO 3 Recado 18 Comportamento As mudanças no varejo: agora surge o neoconsumidor, o cliente com acesso aos canais digitais - internet e celular – que tem à mão informações do mundo todo e, assim, possui ferramentas para fazer comparações e pesquisas. É o também denominado “consumidor multicanal”. 24 Capa Não interessa como nos vêem, mas o que somos e o que fazemos. O mesmo vale para uma nação. Um país não se constrói só discutindo juros, câmbio e competitividade. Se constrói com a autoestima do seu povo, que não depende apenas do seu nível de desenvolvimento econômico e cultural, mas da visão que esse povo tem do futuro e da sua identidade nacional. Já é tempo de o Brasil perder o estigma de “vira-lata”. à Princesa da Beira, primogênita de D. João VI, e foi emancipado em setembro de 1805. Àquela época, já viviam três mil pessoas na Ilha. Em 1938, o Estado Novo mudou o nome da cidade, por decreto, para Formosa. Não colou. Em 1944 tornou-se oficialmente Ilhabela. 36 Freio Solto A opinião, a ironia e a crítica do jornalista Joel Leite. 38 Efeméride A crônica de Maria Regina Cyrino Corrêa sobre a data mais significativa de fevereiro. 39 Quando a Bola Rola... O comentário de Marcelo Allendes sobre o que acontece nos gramados, quadras, piscinas, pistas...e em outros espaços também. 28 RedeNews 40 Novidades Mais programas do Núcleo de Inteligência em Negócios da Assobrav. O que há de novo em eletrônicos, periféricos de informática e outras utilidades. 30 A Passeio 41 Livros & Afins Muito antes dos portugueses chegarem, a Ilha era dos índios Tupinambás, que a chamavam de Ciribai, que significa lugar tranquilo. Naqueles tempos, ainda não havia turistas dispostos a passar horas na fila da balsa...A cidade de São Sebastião, do lado de cá, surgiu muito depois, com o nome de Vila da Ilha de São Sebastião. O charmoso povoado da Ilha chamou-se Villa Bella da Princesa, em homenagem Nossas dicas para a sua biblioteca, cedeteca e devedeteca. 42 Vinhos & Videiras A opinião abalizada de Arthur de Azevedo, diretor executivo da ABS – Associação Brasileira de Sommeliers – SP, editor da Revista WineStyle e do site WWW.artwine. com.br Publicação mensal da Vocês que abordam temas diversos e muito bem o comportamento da sociedade atual, que tal fazerem uma matéria sobre as novas leis que regem o telemarketing? Se todas as publicações e meios de comunicação brasileiros se dedicarem a questionar a eficiência e o aborrecimento que é ficar recebendo ligações desse tipo de central de relacionamento, o modismo pode acabar. É muito chato mesmo! Ninguém suporta mais. Verônica Aber Casa Cor Nunca vi nenhuma matéria sobre a Casa Cor na Showroom. Sei que não é exatamente o perfil da revista, mas acho que valeria a pena mostrar as tendências arquitetônicas e de decoração do nosso País, já que somos reconhecidos internacionalmente nesse campo. Além disso, o tema poderia abordar as novas exigências da sociedade, diante de questões como meio ambiente, espaço e materiais recicláveis. Jadir Marcondes Arquiteto Costa Rica Queria parabenizar a autora da reportagem “A Passeio – Costa Rica” (Edição 275 – Dezembro 2009). Quem conhece o país, como eu, é como se estivesse revivendo aqueles preciosos momentos, tamanha é a fidelidade da descrição das paisagens e sensações que aquele paraíso nos proporciona. Outra boa dica foi mostrar que a Costa Rica está de braços abertos para receber empresários, novos empreendimentos e gente com vontade de viver a vida. Parabéns! Ângelo Silva Gentileza Adorei a matéria “Por um mundo mais amável, amigável e justo” (Edição 276 – Janeiro 2010). Tomara que todas as pessoas se inspirem nesse texto e passem a agir com mais amor ao próximo. Petrina You The Beatles Muito boa a dica de livros (“The Beatles – A história por trás de todas as canções”, de Steve Turner, Edição Cosac & Naif) que vocês deram na última edição. Teria sido um ótimo presente de Natal. Pena que a informação só saiu agora, em janeiro. Mesmo assim, valeu! Já comprei o meu. João Natan N.R.: Recordamos que para receber Showroom mensalmente os interessados devem enviar um e-mail à Redação (www.editoria@tato. com) informando o seu endereço e solicitando o envio da publicação. Os pedidos serão atendidos por ordem de chegada e conforme a disponibilidade de exemplares. Ano 31 – Edição 277– fevereiro de 2010 Conselho Editorial Antonio Francischinelli Jr. , Evaldo Ouriques, Juan Carlos Escorza Dominguez, Mauro I.C. Imperatori e Silvia Teresa Bella Ramunno. Editoria e Redação Trade AT Once - Comunicação e Websites Ltda. Rua Itápolis, 815 • CEP 01245-000 São Paulo •SP • Tel (11) 5078-5427 [email protected] Editora e Jornalista Responsável Silvia Teresa Bella Ramunno (13.452/MT) Redação - Rosângela Lotfi (23.254/MT) Projeto Gráfico e Direção de Arte Azevedo Publicidade - Marcelo Azevedo [email protected] Publicidade Disal Serviços - Maria Marta Mello Guimarães Tel (11) 5078-5480 [email protected] Impressão Gráfica Itú Tiragem 6.000 exemplares Revista filiada à ABERJ Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte. As matérias assinadas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a posição da Assobrav. Registro nº 137.785 – 3º Cartório Civil de Pessoas Jurídicas da Capital de São Paulo. Assobrav Av. José Maria Whitaker, 603 CEP 04057-900 São Paulo – SP Tel: (11) 5078-5400 [email protected] Diretoria Executiva Presidente: Mauro Saddi Vice-presidentes: André Oshiro Carlos Roberto F de Mattos Jr. Elias dos Santos Monteiro Eric Braz Tambasco Francisco Veríssimo S Filho Luis Eduardo B Cruz e Guião Luiz Francisco Viscardi Nilo Moraes Coelho Filho Rogério Wink Diretor Ad-hoc: Bruno Abib Conselho de Ex-Presidentes Sérgio Antonio Reze, Paulo Pires Simões, João Cláudio Pentagna Guimarães, Rômulo D. Queiroz Monteiro Filho, Orlando S. Álvares de Moura, Amaury Rodrigues de Amorim, Carlos Roberto Franco de Mattos, Roberto Torres Neves Osório, Elmano Moisés Nigri e Rui Flávio Chúfalo Guião. SHOWROOM Telemarketing 5 Heráclito Mourão de Miranda Neto, mestre em Engenharia de Produção, coordenador técnico do PAEX – Parceiros para a Excelência – e professor associado da Fundação Dom Cabral, foi o profissional a merecer os aplausos. Profundo conhecedor da matéria “Estratégias Competitivas”, na teoria e na prática, fez com que os dois dias de trabalhos parecessem apenas duas horas... Sem poupar esforços, o sucessor Vitor Hugo Perin, da VW Perin de Boa Vista, Rondônia, despencou até São Paulo para assistir à primeira e concorrida etapa do curso “Excelência Empresarial”, promovido pela Assobrav e a Fundação Dom Cabral, dias 15 e 16 de janeiro. O gerente geral de Peças da VW Brasilwagen, da capital paulista, Eduardo Barrionuevo, em destaque para a coluna durante pausa nas discussões sobre o sempre complexo e polêmico setor de Peças... 6 Eustache Jean Tsislidis Jr., diretor da VW Servopa, saiu cedo de Curitiba para chegar no horário e participar ativamente de mais uma reunião do setor na sede da Assobrav... Vindo do norte, Rodrigo Queiroz Cândido, gerente geral da VW Nacional de Natal, não dispensou a jaqueta, desconfiando, acertadamente, do tempo instável de São Paulo... Do sul veio Erlon Maurício A Costa, gerente administrativo e financeiro da Corujão de Curitiba. A pauta da reunião: estratégias mais competitivas para continuar liderando o mercado... Mas o titular da VW Grande Belém, do Pará, Fernando Giovanni Rossi Coelho, convencido de que ainda é verão em todo o vasto território nacional, não abriu mão da confortável camiseta pólo e queixou-se – mas só um pouquinho - da garoa paulistana... Mesmo com um ar muito jovem e despojado, Daniel dos Santos Botelho, gerente de vendas da VW Panambra, de Pelotas (RS), deu mostras de grande experiência e versatilidade em recente evento promovido pela entidade... SHOWROOM Mais um autêntico representante da família Guião, Rui Flávio Barros Cruz e Guião, diretor administrativofinanceiro da VW Santa Emília, de Ribeirão Preto, prestigiando a mais nova iniciativa da Assobrav, o curso de “Excelência Empresarial”... Rubens Darze Perina, gerente geral da VW Sanave de Salvador, não perdeu um segundo sequer da última reunião sobre pós-vendas, com enfoque especial no atendimento ao cliente... 7 Ricardo Carvalho 8 Por Silvia Bella “Ainda somos um grande exército de mão de obra de reserva” D resistência muito grande por parte dos operários, que acabavam sabotando a linha de produção, em reposta ao controle exacerbado que a direção impunha sobre eles. O controle tem esse tipo de retorno: quanto mais se controla mais se perde a dimensão da confiança, e a consequência é a reação violenta. outor em Sociologia das Mutações pela Universidade de Paris, Se avançou e se retrocedeu nas especialista em estratégia, pessoas relações humanas... e gestão empresarial, o professor Pois é, foi preciso que o mundo Ricardo Augusto Alves de Carvalho atravessasse duas guerras, vários se dedica a pesquisar a subjetividade conflitos, para chegar à conclusão de e a cultura na administração que o que vale é a gestão participativa. contemporânea. Entre a farta E a partir da Segunda Guerra foi sendo produção de artigos e as inúmeras construído o que se convencionou aulas que ministra, ele encontrou chamar de “líder democrático”, aquele tempo para falar a Showroom sobre que conseguia os melhores resultados o líder do século XXI e a perspectiva da base. das empresas e empresários brasileiros no relacionamento Como é exatamente esse líder? hierárquico corporativo. É gente que conversa, que delibera, que delega. Que estabelece uma Revista Showroom: Qual foi relação de confiança. Que acredita que o outro é capaz. Ricardo Alves de Carvalho: É alguém que motiva? No princípio do século XX , com o A teoria da motivação, que até um crescimento da atividade industrial, passado recente defendia e acreditava dividiu-se a atividade gerencial de que bastava pagar bem a pessoa para concepção de um lado e a atividade que ela trouxesse bons resultados, de operação, de execução, de outro. também se verificou infundada. Essa forma de gerir foi chamada por Porque as pessoas, essencialmente, Taylor de “Gerência Científica”, mas não trabalham apenas pelo incentivo ela estabeleceu uma distância muito monetário, aliás, o incentivo monetário grande entre a direção e o chamado não é nada mais do que a obrigação “chão de fábrica”; ela separou o empresarial. As pessoas trabalham gestor dos operários. Bem, o século para serem reconhecidas, trabalham XX foi andando e viu-se que essa para terem dignidade, para teoria não deu muito resultado, buscar uma identidade, sobretudo, porque houve uma para serem desafiadas. século passado nos deu? SHOWROOM a grande lição de liderança que o 9 ainda acontece, e pior: como esse tipo de líder chega e se mantém no Que ações são fundamentais para que o colaborador se sinta poder? A gente tem que pensar que de valorizado pela liderança? um lado, aqui no Brasil, ainda falta Você pode reformar a empresa, muita formação, né? A nossa questão melhorar os processos, mas na passa pelo processo educacional. verdade se você não opera na A maioria da população brasileira dimensão do reconhecimento, ainda não tem acesso à educação que é mais subjetivo, que é mais e quem tem acesso ou teve, cabe simbólico, se você não elogia um a pergunta: até que nível essa trabalho bem feito, se você não pessoa chegou e se chegou ao nível reconhece um bom trabalho, se universitário com que qualidade? você não oferece plano de carreira, A maioria dos líderes é formada você não vai conseguir pessoas na área de ciências exatas e verdadeiramente motivadas. Isso infelizmente, até bem pouco tempo, por um lado, e há outra teoria que um engenheiro não tinha nenhuma vem lá dos gregos que diz: se você formação humanista. Agora é que não acredita que o ser humano é a coisa começa a mudar, através de capaz de trazer bons resultados é um ajuste nas grades curriculares – bem possível que ele não os trará, aliás, a expressão “grade de ensino” mas se você acredita que ele é já dá a entender o encarceramento capaz de trazer bons resultados, ele da gente - mas enfim, esse líder os trará de fato. antigo que ainda existe no presente, pelo menos aqui no Brasil, ele não A gente ainda não vê isso na maioria das empresas, especialmente nas pequenas e médias. Talvez nas grandes companhias os departamentos de RH se encarreguem de suprir perspectiva mais sociológica, mais psicológica. Ele foi formado na velha escola de engenharia, onde há uma distância muito grande entre ele e o operário. Então, ele não sabe lidar algumas dessas falhas, mesmo com pessoas. comprometida com o bem-estar Mas há tantos cursos de extensão, que a liderança não esteja 10 aprendeu, não foi formado nessa amplo dos colaboradores, seminários, palestras...Enfim, há genericamente, é um e de fácil acesso para melhorar a funcionários. Por que isso Existe também uma falta de visão mas o que vemos, tantos instrumentos à disposição certo desdém para com os formação pessoal desses líderes... do pequeno empresário, que agora também está mudando, graças à presença do Sebrae que faz um ótimo trabalho nesse sentido, mas o fato é que os pequenos e médios empresários brasileiros ainda têm uma visão de curtíssimo prazo, onde os resultados, os lucros, têm que vir para ontem! Então, não são pessoas capazes de apostar no futuro, no médio e longo prazos. E um outro aspecto é que o Brasil tem o que chamamos de “um grande exército de mão de obra de reserva” do qual as empresas tiram proveito. Os empresários, os líderes, apenas repõem operários. Este saiu, está começando a custar caro, troca-se. Só que eles se esquecem de que o trabalho não é apenas aquela operação mecânica. O trabalho diz respeito à experiência, diz respeito à boa vontade, a ter um produto bem feito, bem acabado. Na sua opinião, o trabalhador brasileiro tem mesmo o chamado “jogo de cintura”? Ele é flexível, aprende rápido, é charmoso e simpático ou é um folclore que criamos para esconder nossa baixa autoestima? Nossa autoestima é baixa mesmo, mas a bossa brasileira existe sim e isso é comprovado. Nós temos uma “Somos um povo solidário, um povo empreendedor, enfim, um povo que sem instrumentos de primeira hora, busca fazer da gambiarra um recurso técnico.” grande flexibilidade, tanto do ponto fazemos valer ditados como “manda a gente aumente um pouco a de vista cultural – dada à miscigenação quem pode, obedece quem tem juízo”, nossa autoestima, mas ela ainda é baixa, de raças - como também pela falta de temos também muito preconceito porque, na verdade, tudo é educação. recursos. Essa escassez faz com que com relação ao conflito. Não vemos Enquanto a gente não conseguir que a gente faça “panela velha dar bom o conflito como uma possibilidade todo o nosso povo leia, a gente não caldo”, vamos dizer assim... porque de resolver problemas, então, a nossa vai ter segurança em relação a nossa nós nunca tivemos chance de contar relação com a liderança é muito autoestima. com recursos de primeira hora. Somos ambígua. Mas essa condição que diz o também um povo solidário, um povo pai do Chico Buarque (Sérgio Buarque empreendedor, enfim, um povo que de Holanda) “O brasileiro é um busca fazer da gambiarra um recurso homem cordial por excelência “, essa diferente hoje? técnico (risos). perspectiva de cordialidade, de tentar Sem dúvida, hoje somos bem mais estabelecer intimidade, do afeto, ela que o país do café, do carnaval, do pode ser muito positiva, e nesse caso a futebol. Somos um país forte, o país do gente está bem situada. petróleo, dos recursos hídricos, o país Nesse sentido, o Sr. diria que é mais fácil liderar brasileiros que outros povos? Essa questão da liderança é muito complexa. Se considerarmos a liderança como pessoas que sabem ler E a imagem do Brasil, o Sr. acha que o estrangeiro comum nos vê de maneira da Amazônia. O Brasil é um grande Mas nossa autoestima está mais alta mesmo ou é apenas um sintoma de pré-Copa do Mundo, pré-Jogos exportador de commodities, é um país onde, queiramos ou não, um operário conseguiu ser presidente da República. Olímpicos? E por outro lado também, a gente é um lugar do outro, ser capaz de delegar, Eu acho que nossa autoestima tem povo feliz, a gente é um povo alegre. É nós, brasileiros, estamos bem na cena. melhorado sim, e ela reflete os como você disse, nós temos um charme Por outro lado, temos um ranço muito resultados econômicos da Nação, natural e isso é muito interessante, autoritário, muito conservador, que e embora as políticas tenham sido porque apesar dos reveses, de é bem recente.Temos uma herança assistencialistas, tivemos efetivamente todas as dificuldades, somos histórico-cultural de paternalismo. um aumento de acesso das faixas C capazes de fazer do limão Somos coronelistas, cartoriais, ainda e D da população e isso faz com que uma limonada. SHOWROOM o outro, sentir o outro, se colocar no 11 Start/Stop garante boa economia de combustível O 16 Eficiência energética é a palavra de ordem daqui para frente, sempre que um fabricante iniciar o projeto de um novo modelo. No exterior, atingiu estágio de prioridade máxima com o duplo objetivo de economizar combustível e limitar emissões no escapamento dos veículos. Por Fernando Calmon Brasil já teve, em meados dos anos 1980, o PECO (Programa de Economia de Combustível), idealizado pelo Ministério de Minas e Energia e apoio de Chevrolet, Fiat, Ford e VW à época. Os objetivos foram atingidos, mas durou apenas três anos. No início da década de 1990, o mesmo ministério e a Petrobras criaram o Conpet (Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e Gás Natural). O principal desdobramento é o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), lançado em 2008 e ainda em base voluntária. O País poderia se engajar no esforço mundial de eficiência energética se tornasse obrigatório a adesão ao PBEV e reiniciasse ações inteligentes, a exemplo do PECO. Existem, hoje, tecnologias auxiliares que permitem avanços na economia de combustível. O preço não seria baixo, porém eventual estímulo fiscal e ganhos no custo/km rodado compensariam com folga. Dois desses recursos são os sistemas Start/Stop (desliga e liga automaticamente o motor, no para-e-anda do trânsito) e de Recuperação de Energia no Alternador. Acredita-se que até 85% dos veículos novos vendidos na Europa em 2015 possuirão ambos. Os EUA também induzem os fabricantes a diminuir o consumo e essas tecnologias ajudam bastante. A filial brasileira da Bosch acredita que a versão de custo reduzido do Start/Stop (S/S) pode interessar às fábricas e aos motoristas. “Medições reais, no centro de São Paulo, têm indicado redução de consumo de até 15%, em um mesmo ciclo de rodagem, quando comparado ao sistema não acionado”, explica o diretor de engenharia para motores de partida e alternadores, Jair Pasquini. O S/S simplificado inclui sensores de pedal de embreagem e de ponto morto do câmbio, software específico de gerenciamento eletrônico do motor, botão no painel para desligar o sistema, além de motor de partida para 150.000 mil ciclos, ou seja, grande margem de robustez para este uso. A fim de reduzir o ruído ao religar, adotaram-se mola de amortecimento de impacto pinhãocremalheira e aumento de rotação para abreviar o tempo de partida. Nos dias quentes, desligar o motor a combustão significa limitar a eficiência do ar-condicionado. No entanto, pesquisas de campo apontaram que quase dois terços dos tempos de parada situam-se no máximo em 25 segundos. No verão, este intervalo equivale a uma variação de até 3°C na temperatura do habitáculo, enquanto o motor permanecer desligado. Para melhorar o conforto térmico a bordo, o sistema bloqueia a entrada de ar externo e diminui a velocidade do ventilador. Tais expedientes compatibilizam economia de combustível e uso do arcondicionado. Quanto à recuperação de energia o ganho é bem menor, no máximo de 3%. O sistema trabalha administrando o torque do alternador. Durante a aceleração limita o fornecimento de corrente elétrica, aliviando a carga do motor a combustão, o que libera potência e reduz o consumo; em desaceleração (não há injeção de combustível), o alternador trabalha com máxima eficiência, recarregando a bateria do veículo. Fernando Calmon ([email protected]) é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É reproduzida em uma rede nacional de 65 publicações entre jornais, revistas e sites. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra). Com a seriedade de quem se permite alcançar a verdade mais íntima, veremos claramente quão enganadores nós somos quando pretendemos atingir os nossos objetivos. issimular significa: encobrir, disfarçar, não revelar os sentimentos. Quando ocultamos o que sentimos aos outros, na tentativa de expressar coisa diferente, dissimulamos. Enganamos a fim de atender algum desejo íntimo, seja por não transparecer um aborrecimento, seja pelo interesse em obter certos favores, por exemplo. O fato, contudo, é que não admitimos em nós tal artimanha. Não com esse nome. Assim o fazemos com os outros, pois a eles é fácil imputar o pesado e funesto termo. Sentimo-nos mal em detectar a dissimulação em nós mesmos. Dói. É um ato mentiroso e causa culpa. Incomoda pra valer! Assim, sem a devida percepção, nos autoenganamos, convencendo-nos de que quando dissimulamos, recorremos apenas à prática da simpatia. Sob esta perspectiva, tudo fica diferente. É aceitável socialmente. A sua prática é comum. Persuadimo-nos de que se trata tão somente da simpatia com a qual estimulamos o próximo a ceder frente à eventual inflexibilidade. O que é inadequado ao comportamento alheio, passa a ser admissível em si mesmo - com as devidas distorções geradas pelo autoengano. Tudo se adapta melhor, encaixa-se o círculo no quadrado em benefício próprio e Dissimulação simpática? o bem-estar se sobrepõe a qualquer aflição que ousou se manifestar em algum momento. Em razão das necessidades pessoais, somos capazes de disfarçar o tom de voz a fim de conseguir o que queremos. Comumente podemos ser secos, indiferentes ou até respondões com as pessoas, conhecidas ou não. No entanto, ao menor sinal de uma “dor de barriga”, rapidamente mudamos o jeito de ser, disfarçando (perdão, sendo simpático) qualquer aspecto que venha a prejudicar o favor em mira, que poderá ser retribuído oportunamente (só Deus sabe!). Transformamo-nos rápida e convenientemente, da cara fechada ao sorriso, das poucas palavras ao intenso bate-papo, do desprezo à bajulação, da má vontade de se saudar com um breve aceno ao abraço apertado e cheio de esfregões nas costas, da falta de cortesia ao rapapé desmedido, enfim, da água ao vinho, ou ao que for necessário conforme o ritmo estabelecido pela música da conveniência. Dissimulação simpática? Porquanto, se analisarmos profundamente, com a seriedade de quem se permite alcançar a verdade mais íntima, veremos claramente quão enganadores nós somos quando pretendemos atingir os nossos objetivos. Porém, vale destacar que não se faz tal reflexão sem que se compreenda a sua importante finalidade, o autoconhecimento. Quanto mais nos conhecemos (desconhecemo-nos muito!), tanto melhor se torna a compreensão de que não é fundamental agir teatralmente nas relações sociais, e que, ao contrário do que se crê, as pessoas admiram aquele que possui um bem que nelas lhes falta, embora, a princípio, elas possam até se desagradar pelo incômodo existente nos fatos desprovidos de maquiagem. Mais: é valoroso perceber em si mesmo uma personalidade marcada pela honestidade. Lembremo-nos: o respeito e a consideração que tanto buscamos não estão na superfície das águas escuras da convivência humana, mas nas profundezas do convívio mais natural e transparente. Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo, diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas, professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School. Co-autor dos livros Gigantes da Motivação, Gigantes da Liderança e Educação 2006. E-mail: [email protected] SHOWROOM D Por Armando Correa de Siqueira Neto 17 As mudanças no varejo Há algum tempo, a gravadora EMI anunciou que colocaria à venda a obra completa dos Beatles remasterizada e avisou o quanto custaria: no Brasil entre R$ 800 (a caixa Stereo) e R$ 950 (a caixa Mono). Na Amazon ou no BestBuy, o mesmo produto sairia por US$ 260. Com um cartão de crédito internacional e um clique no mouse, o consumidor brasileiro poderia comprar lá e economizar. A pesquisa de preços, a comparação de produtos e locais de compra a alguns cliques de distância e a cada vez maior propensão À digitalização impactam o negócio do varejo como nunca antes. Por Sophia Zhale O 18 consumidor com acesso aos canais digitais como internet e celular dispõe de acesso global às informações e com isso possui ferramentas para fazer comparações e pesquisas. Ele se tornou um consumidor multicanal, um “neoconsumidor”. A Gouvêa de Souza (GS&MD), consultoria empresarial especializada em varejo, marketing e canais de distribuição, aliou-se à Ebeltoft do mesmo ramo e com expertise internacional, para pesquisar o perfil desse novo consumidor e seu comportamento de compra nos canais de venda, em relação à alimentação, eletrônicos, vestuário e produtos de beleza. Luíz Góes, sócio sênior da GS&MD, coordenador do estudo “Neoconsumidor - Decifra-me ou te devoro”, afirma que as conclusões da pesquisa, que será repetida de dois em dois anos, aplicam-se perfeitamente a outros setores, como o automotivo, por exemplo. Sabe-se que 98% dos compradores de veículos novos antes de irem às compras pesquisam na internet. Na Ao comparar preços on-line, o consumidor exacerba um comportamento de querer mais por menos, provocando um efeito econômico e reduzindo a rentabilidade das empresas. Alemanha é o país que mais compra pela internet. Canadá o que menos As conclusões: quanto mais maduro o país e o consumidor, mais multicanal é o país. Entenda-se por multicanal, a internet, o celular e a TV interativa, uma projeção de um meio ainda incipiente no Brasil, mas que promete. E ao torna-se mais maduro, o consumidor passa a demandar alternativas digitais como a internet e o celular, e se torna mais crítico, racional e exigente. Ao comparar preços on-line, o consumidor exacerba um comportamento de querer mais por menos, provocando um efeito econômico e reduzindo a rentabilidade das empresas. A base da escolha passa a ser o boca a boca digital, diminuindo o espaço do marketing tradicional e da mídia de massa, forçando as empresas a rever suas estratégias de comunicação. Segundo Góes, as empresas de varejo ainda não sabem como se posicionar nas estratégias de comunicação online. “As estratégias nas mídias digitais crescem, mas as empresas não perceberam ainda o quanto isso será importante. E em pouco tempo.” Segundo o estudo, o país com maior índice de compra pela internet é a Alemanha. Vale ressaltar que alguns países pesquisados responderam à pesquisa sob o impacto da crise econômica e, portanto, o diferencial de poder comparar preços pela internet exacerba o comportamento racional de querer mais por menos. A curiosidade fica por conta do Canadá, o país com menor índice de compra pela internet. Os canadenses pesquisam preços já que a penetração na web é alta, mas não compram. Uma das razões pode ser o clima frio que os faz ficar muito trancados em casa. Ir às lojas pode ser uma das opções de diversão. Achatam as margens do varejo Mais da metade, 52% dos consumidores globais usam sites especializados para comparar preços e isso, disse Góes, baliza os preços praticados, achatando as margens do varejo. Esse efeito econômico e de mercado também afetará os fabricantes. No Brasil, 23 milhões de pessoas comparam preços pela web, seja em casa, no escritório, SHOWROOM rede mundial, comparam produtos da mesma categoria pretendida, melhores condições de financiamento e pagamento. A pesquisa foi realizada em 11 países (Alemanha, Dinamarca, Portugal, Austrália, Espanha, Reino Unido, Brasil– que teve o reforço de mais 500 entrevistas em São Paulo, Recife e Porto Alegre–, Romênia, Canadá e França), onde foram feitas 5.500 entrevistas, sendo 50% da amostra homens e 50% mulheres, de todas as idades. 19 vendas. E a maturidade do comércio eletrônico pode ser percebida pela ampliação dos investimentos em mídia online. “Em até seis anos haverá uma explosão dos multicanais. O varejista tradicional deve olhar além da loja física com atenção, porque à medida que o PIB brasileiro cresce, as compras acontecerão de modo diferente.” “A presença na web é um dos elementos que ajuda a construir confiança na marca” Necessidade do e-commerce Mais da metade, 53% dos entrevistados, se sente desapontada se a sua loja preferida não vende on-line. Essa em lan houses, antes de decepção é maior para os comprar, mas 95% das consumidores da classe vendas acontecem nas lojas físicas. As principais A, acima de 25 anos. Em razões para não comprar âmbito global, 34% se sentem desapontados pela rede mundial já se as lojas preferidas são conhecidas: a falta não venderem pela web. de confiança de passar Para o coordenador da dados bancários e pesquisa, o resultado pessoais pela internet evidencia a necessidade (55%) e o gosto de ver, do varejo em oferecer a sentir e tocar o produto. opção do e-commerce. Também nos países “A presença na web estrangeiros a falta de é um dos elementos confiança na segurança que ajuda a construir das transações é a confiança na marca”, responsável por 56% disse Góes. Para ele, dos entrevistados não quanto mais rico é o país adquirirem produtos maior é a participação on-line. Mas isso abre do multicanal nas oportunidade para o setor financeiro, com novos meios de pagamentos. Já para os fabricantes, desenvolver maior experiência com o produto on-line é um desafio que será cobrado pelo varejo. 20 Celular significa inclusão social Surpreendentemente, o brasileiro mostra-se receptivo a receber propaganda e promoções pelo celular, 42% dos entrevistados se mostraram receptivos a essas comunicações, mas o cuidado com a invasão de privacidade deve ser maior. Como disse Góes, “Temos uma relação carnal com nossos celulares.” A disposição aumenta nas classes com renda mais baixa. Mais um sinal de que o celular significa inclusão social. Uma das tendências apresentadas, fruto do comportamento do novo consumidor, é que no futuro não existirão lojas sem web site. “Em alguns casos, como o da Americanas.com, da Saraiva, do Wal-Mart, a loja virtual já é a maior da rede e será assim com todos os players. Talvez, nos próximos dois anos assistiremos a um crescimento dos canais digitais.” Até lá, o executivo recomenda que o varejo ofereça alguma coisa além do preço. Por exemplo, serviços. Não interessa como nos vêem, mas o que somos e o que fazemos. Por Rosângela Lotfi o dramaturgo Nelson Rodrigues, atribuía A baixa autoestima ao “complexo de vira-latas que o brasileiro tem”. 24 H Um país não se constrói só discutindo juros, câmbio e competitividade. Se constrói com a autoestima do seu povo, que não depende apenas do seu nível de desenvolvimento econômico e cultural, mas da visão que esse povo tem do futuro e da sua identidade nacional. H “Quanto mais alto for o nível de seu desenvolvimento econômico e político, quanto mais rico e culto for um país, quanto melhores forem suas instituições, maior tenderá a ser sua autoestima”, ensina Bresser-Pereira. Para um país, a autoestima está correlacionada com o seu desenvolvimento, com seu poderio, e com seus êxitos recentes, principalmente, no plano econômico e com sua autonomia o seu desenvolvimento, com seu poderio, e com seus êxitos recentes, principalmente, no plano econômico e com sua autonomia. “Quanto mais alto for o nível de seu desenvolvimento econômico e político, quanto mais rico e culto for um país, quanto melhores forem suas instituições, maior tenderá a ser sua autoestima”, ensina BresserPereira. Para ele: um povo cujo país está em pleno desenvolvimento tenderá a ter mais autoestima. Já que sem ela não há espaço para grandes descobertas nem para o surgimento de líderes. Desde o início da civilização, o mundo é movido por pessoas que confiam em si, nas suas próprias ideias e se sentem estimuladas a dividi-las com os outros. Aristóteles, o filósofo grego, afirmava que a esperança e o entusiasmo juntos formam a centelha da autoconfiança, sem a qual não haveria futuro. SHOWROOM istoricamente, os ícones de sucesso do povo brasileiro se resumem a samba, futebol e mulheres bonitas. As atitudes negativas remontam ao “herói sem nenhum caráter” e preguiçoso, Macunaíma, da obra de Mário de Andrade. Ainda hoje a personagem é a síntese do homem brasileiro, em parte, porque o País ainda apresenta os mesmos problemas retratados na obra: é economicamente dependente, desigual e apresenta dificuldades de reconhecimento da identidade. “A autoestima do povo brasileiro é mais baixa do que seria razoável. E do meu ponto de vista, essa baixa autoestima se constitui em um empecilho para um maior desenvolvimento econômico e político”, afirma Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda do governo Sarney (1987) e atualmente professor titular do Departamento de Análise e Planejamento Econômico da Fundação Getúlio Vargas (SP). “A psicologia ensina que a autoestima exprime respeito, confiança e gosto por si mesmo como indivíduo. É um sentimento que se adquire com a inserção da pessoa no contexto social. Produzido a partir de uma história de vida, de conhecimentos positivos”, lembra a psicóloga Maria Cecília Abreu Silva. A autoestima é algo concreto e vital que afeta as pessoas, as famílias, a sociedade, as empresas e até o país. Para as pessoas, a autoestima se desenvolve com os pais valorizando os filhos e é mantida e desenvolvida pela própria pessoa através de autorreconhecimento. Para um país, a autoestima está correlacionada com 25 Complexo de vira-latas 26 Nos últimos sessenta anos o Brasil progrediu e alcançou certo grau de desenvolvimento. Já houve ciclos de crescimento econômico antes, como na década de 70, o “milagre econômico”, que coincidiu com a conquista da terceira Copa do Mundo de Futebol, em 1970 e com o choque do petróleo. Depois a economia estagnou, veio a “década perdida” nos anos 80, sem crescimento e com inflação nas alturas, tão alta quanto a dívida externa. A década seguinte foi volátil: entre 1990 e 1995, a inflação ainda era altíssima. Nessas décadas, problemas que perturbam o desenvolvimento pleno do Brasil foram agravados, como a criminalidade, educação e saúde deficientes, só para citar os mais graves. “Perdemos a confiança no futuro, e em consequência, nos sentimos desvalorizados. Sentimento que persiste”, lembra Bresser-Pereira. Rateando entre crescimento e estagnação, cumpriu-se o vaticínio do antropólogo Claude Lévi-Strauss que dizia, apropriadamente, que o País sempre correu o risco de tornar-se obsoleto antes de ficar pronto. Nós temos “complexo de inferioridade colonial” Em 2007 a filial brasileira da International Stress Management Association constatou que os brasileiros possuíam autoestima baixa em comparação com os americanos e os franceses. O estudo entrevistou 760 pessoas, entre 23 e 60 anos, em cada um dos três países e constatou que 59% dos brasileiros sofrem de baixa autoestima, contra 22% dos americanos e 27% dos franceses. Em matéria de otimismo, o brasileiro vence: 67% dos pesquisados disseram ser otimistas, contra 54% dos americanos e 49% dos franceses. Outro pensador, o dramaturgo Nelson Rodrigues, atribuía essa baixa autoestima ao “complexo de vira-latas que o brasileiro tem”. Em ciência política e cultural isso tem outro nome, diz o ex-ministro: “complexo de inferioridade colonial”, cujas causas estão no nível de renda per capita baixo comparativamente aos países ricos, na desigualdade entre as classes e no caráter alienado de nossa cultura. “Essa manifestação da baixa autoestima do brasileiro, entre outros motivos, está na preocupação pela forma como nos vêem os países desenvolvidos. Há sempre a queixa que sabem pouco sobre o Brasil, e que, quando sabem, lembram apenas do futebol e do carnaval. Esse tipo de preocupação não faz sentido. O que interessa não é como nos vêem, mas, o que somos e o que fazemos.” Com a bola toda Parece que estamos fazendo direitinho, pois houve êxitos que confirmaram que o amanhã poderá ser melhor. Em novembro de 2009, a revista inglesa The Economist, uma das mais influentes publicações sobre economia do mundo, dedicou capa e 14 páginas ao Brasil com a manchete: Brazil Takes Off (“O Brasil Decola”, em tradução literal). O editorial afirma que o País parece ter feito sua entrada no cenário mundial. E o símbolo dessa entrada foi a escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica em 2016. O Brasil entrou na disputa para ser sede da Olimpíada não como um País que está “com o pires na mão”, diante de mais uma crise, mas como um dos últimos a entrar e um dos primeiros a sair de uma crise econômica mundial; um País que deixou de ser devedor do FMI e passou a ser credor internacional, com uma economia dinâmica e outros atributos positivos, tais como, pela primeira vez ter, ao mesmo tempo democracia, crescimento econômico e inflação baixa. Um país em que as classes média e Ego inflado Se acontecer, talvez sejamos tomados do mesmo ufanismo besta que assolou o Brasil na década de 70, aquele do “ame-o ou deixe-o”. Correndo o risco de esquecer os problemas que persistem, tais como a brutal desigualdade social, uma taxa de juros que ainda é uma das maiores taxas reais do mundo, baixo crescimento da produtividade, a má qualidade O Brasil entrou na disputa para ser sede da Olimpíada não como um País que está “com o pires na mão”, diante de mais uma crise, mas como um dos últimos a entrar e um dos primeiros a sair de uma crise econômica mundial; 6 SHOWROOM baixa estão em ascensão, com atraente mercado interno, com setor bancário estável, com empresas brasileiras avançando no exterior. Um país já autosuficiente em petróleo, e com novas descobertas que, provavelmente, podem torná-lo um grande exportador de petróleo até ao final da próxima década. Enfim, o Brasil está com a bola toda. Só falta ganhar a sétima Copa do Mundo de Futebol, em 2010. das escolas, que mais do que qualquer outra coisa, tem potencial de frear o desenvolvimento do País, os baixos investimentos no combate à criminalidade, a saúde por um fio, um sistema legal, no mínimo, disfuncional, despesas já altas e crescentes do governo, entre outros problemas que se não forem administrados tornarão o Brasil novamente obsoleto antes de desfrutar o sucesso. A psicologia não aceita a ideia de que alguém tem autoestima em excesso. Seria como ter saúde em excesso. Portanto, algo bom. Para uma nação, alerta Luiz Carlos Bresser-Pereira, “da mesma forma que um ego inferiorizado é pernicioso, um ego artificialmente inflado é um perigo. Sempre nos levará a subestimar os problemas que temos pela frente. Por fim, destaca Bresser-Pereira, identidade nacional é algo que um povo constrói para si mesmo. Mais do que isto, não apenas a identidade nacional, mas a própria nação é uma construção política de cada sociedade. “A identidade é algo que está sempre em processo de mudança, que depende, sem dúvida, de certos mitos fundadores, de pecados originais, mas também é algo que muda à medida que a sociedade muda, as instituições e as ideologias se transformam. O produto da afirmação de um povo e de sua autoestima.” 27 Desenvolvimento de Sucessores e da Excelência Empresarial D 28 ois eventos importantes marcaram o início de 2010 para a Rede Volkswagen. O primeiro, “Programa de Sucessores – II Fase (imersão)”, realizado entre 18 e 22 de janeiro, em Nova Lima, Grande Belo Horizonte, no campus da Fundação Dom Cabral, destinouse aos sucessores da Rede que frequentaram a primeira fase do programa, entre março e dezembro do ano passado. Nesta segunda etapa, os futuros dirigentes das concessionárias da marca aprofundaram temas como “Estratégias Competitivas”, ”Gestão de Marketing”, “Finanças Corporativas”, “Liderança e Cultura” e “Negociação e Influência”. O outro, “Programa de Desenvolvimento da Excelência Empresarial”, teve o seu primeiro módulo realizado em São Paulo, na unidade paulistana da Fundação Dom Cabral e destinouse aos executivos e empresários da Rede VW. Ambos projetos foram criados pelo “Núcleo de Inteligência em Negócios da Assobrav”. “Tanto a heterogeneidade como a capacidade técnico-empresarial do grupo possibilitaram avançar em discussões polêmicas, o que enriqueceu a aula, tornando-a muito produtiva. Um ponto importante foi a troca de informações, que contribuiu bastante para o esclarecimento de dúvidas, e, claro, a competência profissional e didática do professor.” Esta foi a opinião de Ruy Mellone, executivo de Assuntos Operacionais – Vendas e Marketing da Assobrav, que sintetiza o consenso dos 40 participantes da primeira turma do Programa de Desenvolvimento da Excelência Empresarial. O programa, que será desenvolvido em 12 módulos, um por mês, com carga horária de dois dias, é mais um projeto do Núcleo de Inteligência em Negócios da Assobrav. Desenvolvido em parceria com a Fundação Dom Cabral para atender especificamente as necessidades de aprimoramento gerencial da Rede VW, o programa conjuga teoria e prática e pretende fornecer contribuições efetivas para as concessionárias. Aula inaugural O primeiro módulo “Estratégias Competitivas”, realizado nos dias 15 e 16 de janeiro na sede da FDC, à Rua Cardoso de Melo, 1184, no bairro Vila Olímpia, em São Paulo, capital, foi ministrado pelo Prof. Heráclito Miranda, mestre em Engenharia de Produção pela UFMG e em Comércio Internacional pela Universidad Champagnat, da Argentina. Heráclito iniciou a aula relembrando a grande transformação que sofreu a economia mundial. Hoje existem mais ofertas de produtos e serviços e com preços menores, os valores passaram a ser muito mais intangíveis do que palpáveis e o poder de consumo das classes C e D é cada vez mais evidente. “Por todas essas razões – disse Heráclito – a prioridade é a informação e a convicção de que é preciso reestruturar os conceitos do que é custo e valor para o novo cliente.” Com relação ao mercado automobilístico atual, ressaltou o expressivo crescimento das marcas orientais e colocou para empresa não se define por seu nome, estatuto ou produto, ela se define por sua missão. A definição clara de missão é a razão de existir da organização e torna possíveis, claros e realistas os seus objetivos.” A Visão: deve refletir um sonho Estratégias fundamentais Para isso, Heráclito Miranda recomendou aos empresários e executivos da Rede VW que refletissem sobre os seguintes pontos: • Que consumidores atendemos hoje e que consumidores serviremos no futuro? • Através de que canais atendemos nossos consumidores hoje e através de que canais os atenderemos no futuro? • Quem são nossos concorrentes e quais serão nossos concorrentes no futuro? • De onde vêm nossos recursos para investimentos e de onde nossas margens ou recursos para investimento virão no futuro? • Que habilidades ou capacidades nos tornam únicos e que habilidades ou capacidades nos tornarão únicos no futuro? significa focar em benefícios”, disse, citando clássicos exemplos de produtos que sobreviveram ao tempo, como o Biotônico Fontoura, Gelatina Royal e Leite Moça. “Esses ´heróis da resistência` atenderam as expectativas dos clientes de ontem e continuam atendendo as necessidades dos consumidores de hoje. Portanto, a verdadeira essência de “negócio” pode ser definida como o entendimento do principal benefício esperado pelo cliente”, salientou, explicando o seguinte raciocínio: “Tomemos como exemplo a Kopenhagen, uma marca de chocolates antiga que se mantém firme no mercado: se analisarmos simplesmente - de uma maneira míope - o produto que ela faz, diremos que é chocolate. Mas se olharmos o que é a Kopenhagen do ponto de vista do consumidor, ou seja, com visão estratégica, percebemos que o que ela vende, de fato, são presentes. E presentes de qualidade, que têm grande valor agregado, como a embalagem, a localização das lojas, o horário de funcionamento e um preço compatível com tudo o que oferece.” Este primeiro módulo do curso Programa de Desenvolvimento da Excelência Empresarial terminou com algumas lições e tarefas para os participantes. Entre as lições, destacaram-se as necessidades de as empresas terem claramente definidas: Ao responder as perguntas dos participantes, o professor fez questão de frisar que “negócio” é diferente de a razão da existência produto quando se pensa na perspectiva da empresa em seu negócio, ou como do cliente e na longevidade da próprio disse o guru Peter Drucker: “Uma produto ou marca. “Permanência A Missão: Os Valores: convicções claras e fundamentais que a empresa defende e adota como guia para a gestão do seu negócio (crenças e posturas éticas:certo e errado, bom e ruim, importante e não importante). Em que acreditamos? A Análise do ambiente: como disse o pensador Alvin Tofler: “Em épocas turbulentas, as empresas não podem pressupor que o amanhã será sempre uma extensão do presente. Pelo contrário, devem administrar pensando nas mudanças que representem oportunidades e ameaças”. Por fim, o professor Heráclito Miranda resumiu sua mensagem enumerando os fatores-chave para o sucesso de uma empresa. “Do ponto de vista empresarial, deve-se proceder com rigor à análise da concorrência, estudando as empresas e os produtos de sucesso e os fatores que determinam tal sucesso. Já ao pensar nos consumidores, é fundamental analisar a demanda, o comportamento dos clientes e os fatores que eles valorizam e que são decisivos na compra. Isto é, para uma operação de sucesso não pode faltar um bom produto, eficiência operacional e intimidade com o cliente.” SHOWROOM os participantes a discussão sobre de que maneira, princípios e valores esses fabricantes atuam, ou seja, qual é a estratégia deles para conquistar mercado. A análise gerou polêmica e trouxe várias considerações sobre como deverá ser este mercado a curto e médio prazos, entre elas, o conceito de que é preciso considerar a adequação das estratégias de nossas empresas ao padrão de concorrência vigente. criado e assumido oficialmente pela gestão do empreendimento para direcionar o desenvolvimento de longo prazo do negócio, expressando a situação ideal futura a ser buscada incessantemente pelos gestores, em todas as suas ações. O que queremos ser? Ou, como disse Peter Drucker: “Mais do que nunca, ter uma visão focada no futuro é a diferença entre o sucesso e o fracasso.” 29 A capital da vela Jabaquara, Siriúba, Guanxuma... Se você está pensando em visitar a Ilhabela, acostume seus ouvidos. Enquanto seus olhos estiverem extasiados com tanto verde, sua língua vai fazer malabarismos pra falar os nomes mais variados das praias. A Ilhabela é esse festival de experiências sensoriais. Odores, cores, sabores, sons... tudo parece conviver natural e exuberantemente neste pequeno paraíso de Mata Atlântica ”boiando” em frente ao continente. 30 Por Carolina Gonçalves gente se acostumou a chamar tudo de Ilhabela, mas a ilha – acidente geográfico – se chama mesmo Ilha de São Sebastião. Foi batizada assim por Américo Vespúcio, em 1502, quando ele passou pelo canal. Era 20 de janeiro e o navegador português quis homenagear o santo do dia. Aliás, não é uma ilha, mas um arquipélago, que soma ainda as Ilhas de Búzios, da Vitória, Sumítica, Pescadores, Serraria e Castelhanos; e os ilhotes Lagoa, Figueira, Anchovas, Ilha das Cabras e Ilhote das Calhetas. A Ilha principal é a terceira maior do Brasil, com 348,3 km2. Tem uma pequena cadeia de montanhas na (22,4km) que atinge mais de 1.000 metros em sete pontos diferentes: Pico de São Sebastião (1.375 m), Pico do Papagaio (1.302 m), Pico da Serraria (1.285 m), Morro do Ramalho (1.202 m), Morro do Simão (1.102 m), Morro das Tocas 1.079 m) e o Pico do Baepi (1.048 m). O clima da ilha é subtropical úmido, mas as montanhas têm um clima oceânico, por causa da altitude. Ciribai Muito antes dos portugueses chegarem, a Ilha era dos índios Tupinambás, que a chamavam de Ciribai, que significa lugar tranquilo. Naqueles tempos, ainda não havia turistas dispostos a passar horas na fila da balsa...A cidade de São Sebastião, do lado de cá, surgiu muito depois, com o nome de Vila da Ilha de São Sebastião. O charmoso povoado da Ilha chamou-se Villa Bella da Princesa, em homenagem à Princesa da Beira, primogênita de D. João VI, e foi emancipado em setembro de 1805. Àquela época, já viviam três mil pessoas na Ilha. Em 1938, o Estado Novo mudou o nome da cidade, por decreto, para Formosa. Não colou. Em 1944 tornou-se oficialmente Ilhabela. A população caiçara sempre viveu ao redor da Ilha toda, na pequena faixa entre o mar e a mata. Mas a grande concentração até hoje é do lado do canal. Na década de 50, começaram a chegar os turistas e os primeiros migrantes. Vinham de São Paulo e compravam propriedades que até hoje conservam nomes como Vila Caiçara, Engenho D’água, Garapocaia, Ponta das Canas e Catatau. Antes disso, até a década de quarenta, a principal atividade era agrícola, com o plantio de cana de açúcar para o fabrico de pinga. Nomes conhecidos como Feiticeira, Engenho D’água, Ponta das Canas, Favorita, Consolo, Marafa, Morrão Caiçara, Cocaia, Tangará, Engenho Novo e Amansa Sogra eram marcas famosas de aguardente. Mas nem só de pinga vivia a produção: também se plantava café, banana, laranja, abacate, caju, jaca, feijão, milho e mandioca. A produção ia para Santos, de canoa a remo, onde era comercializada. Esporte e aventura Em 58, no século passado, começou o serviço da balsa e o turismo cresceu. A Ilhabela é considerada a Capital da Vela. O vento do canal atrai esportistas de todo País e do mundo. Os principiantes podem frequentar a escola BL3, que funciona desde 94 na Praia do Engenho D’Água. Tem cursos de veleiro, windsurfe, kitesurfe e vela oceânica, para adultos e crianças. Em julho, acontece o campeonato internacional “Semana de Vela de Ilhabela”. Durante duas semanas, é possível assistir ao show das maiores feras do mundo... Mas sob as águas também é muito bom: mergulho autônomo e mergulho livre são praticados na Ilha. Vá ao Parque Marinho Municipal, ao redor da Ilha das Cabras, em frente à Praia das Pedras Miúdas. Bastam máscara, snorkel e pé de pato para ver garoupas, badejos, robalos, vermelhos, caranhas, sargos-dedentes, peixes-morcegos, sargentos, frades, pirajicas, marimbás, esponjas, aranhas do mar, vieiras e muito mais. Interessado em naufrágios? São mais de 20 ao longo da costa sul da Ilha. O cargueiro Aymoré (1920) é um bom ponto de partida. Está afundado na Ponta do Ribeirão, à esquerda da Praia do Curral, em baixa profundidade. Para os mais experientes, tem o Príncipe das Astúrias (1916), na Ponta da Pirabura, ao lado da laje da Pirabura. Pesca e trilhas Os pescadores podem praticar pesca de arremesso e pesca oceânica. O ponto mais procurado para arremesso é a Ponta de Pequeá. Já para ir pro oceano, há lanchas de aluguel. Você prefere aventura em terra firme? Prepare-se para trilhas com diferentes graus de dificuldades e 360 cachoeiras típicas da Mata Atlântica. Comece com uma caminhada com banho de cachoeira na Trilha da Água Branca, dentro do Parque Estadual de Ilhabela. O Parque, que garante a preservação da SHOWROOM A 31 Para quem quer mesmo sol e areia, são 39 praias. As de frente para o canal têm muita gente bonita, mas são mais cheias e poluídas. As de mar aberto são um capítulo à parte. Algumas só têm acesso por barco, mas valem a pena. A Praia de Castelhanos está entre as 10 mais bonitas do Brasil. Isso não é pouca coisa num país com um litoral do tamanho do nosso... Você vai precisar atravessar o Parque Estadual num carro 4x4, porque se a praia é linda... a estrada é um horror. Nada é fácil na vida! Mas lá, é só alegria. Tem natureza linda aliada a bares e restaurantes, onde se come desde um maravilhoso camarão sete barbas (Bar do Fernandinho) até comida caseira de pedir bis (Bar 4X4). Não quer tanta aventura? Passe o dia em Jabaquara, a 15 km do centro, indo para o norte. A parte de terra da estrada é bem conservada e lá você encontra bares e restaurantes. É só relaxar! Se você sempre busca o point mais legal, com gente bonita, vá para as Praias da Armação e do Pinto. Além dos esportes náuticos pra preencher o dia, você ainda vai saber a “boa” da noite. E ainda tem uma escola de vela pra quem quer aprender. Reserve um dia pra ir ao sul da Ilha ver o por do sol na Praia Grande, no Curral ou na do Julião. É inesquecível. encontrará restaurantes variados, com preços para todos os bolsos. Quem nunca ouviu falar das vieiras do Viana? O restaurante mega tradicional fica no norte da Ilha e é sucesso há mais de 20 anos. O segredo? Os donos é que supervisionam tudo. No Itaguassú, indo da balsa em direção à Vila, parada obrigatória no Deck. Boa música e cardápio variado atraem gente bonita e interessante. Impossível ir à Ilha e não comer comida caseira e barata. Na rua principal da vila sempre haverá uma fila em frente ao Cheiro Verde, para um PF de respeito! Nessa linha, o Badejo & Companhia também vale a visita. Charmoso e inspirado, o Pasta del Capitano, no Pequeá, traz um pouco da Itália pra este lado do mar. Tido como um dos melhores da Ilha, o Ilha do Sul, na Feiticeira, é memorável pelo camarão na cerveja. Mais ao sul, no bairro do Bexiga, conheça o Barulho D’Água, a beira de um riacho. Bem ao sul, no fim da estrada pavimentada, você encontra o Nova Iorqu”I”, escrito assim mesmo. O lugar tem uma vista deslumbrante para o por do sol e serve o tradicional Lambe Lambe, risoto de marisco de lamber os beiços… Coma! O Centrinho Praias densa mata nativa, com árvores de 20 a 30 metros, tem 27.025 hectares e engloba 85% do Município de Ilhabela. A trilha tem infraestrutura que permite que você vá com a família inteira: bancos, mesas para piquenique, painéis interpretativos e torre de observação de pássaros. Muito procurada por estrangeiros, a observação de pássaros começa a ganhar adeptos no Brasil. A trilha começa na estrada de acesso à Praia de Castelhanos, junto à guarita de entrada do Parque, 3km de terra a partir do bairro da Água Branca. Caminhe! 32 Ou você pode simplesmente andar pela Ilha, a pé ou de bike, indo da vila em direção ao norte. Tem praias maravilhosas no caminho até Ponta das Canas, quando acaba o asfalto e depois, até as Praias de Pacuíba e Jabaquara. Se cansar, tem ônibus de hora em hora pra voltar. Mas você é mesmo valente! Então, enfrente 4 horas de caminhada até a Praia do Bonete. São mais ou menos 600 metros de areias claras e ondas enormes, boas para o surf, onde deságua o Ribeirão do Bonete. É a maior comunidade caiçara da Ilha, com 100 famílias. Você vai até o extremo norte da Ilha, na Ponta da Sepituba, onde acaba a estrada e deixa o carro. Dali, segue uma trilha de 15 km, que foi aberta pra ser uma estrada nos anos 80, e a Mata Atlântica, poderosa, devorou! Mas a Mata vai recompensar você. No caminho, encontrará as cachoeiras Lage e o Aerado. Lage tem vários poços de água limpa e um escorregador de uns 30m de comprimento. O Aerado fica entre pedras enormes e tem um visual incrível! A trilha não é fácil... Tanto esforço pede que você passe a noite lá em pousadas (Canto Bravo e Porto Bonete) ou nas casas dos caiçaras. Com sorte, o mar permite que você volte de carona numa canoa caiçara. Prepare-se para comer muito e muito bem! Comece na Praia, com restaurantes e bares que servem camarões, lulas, mexilhões, polvos, peixes, ostras… Cerveja gelada e serviço simpático só deixam a comida melhor. A Praia do Curral oferece opções como Papagaio e Embarcação Bandito. Depois, nada como um picolé de coco do Rocha, com pedaços da fruta. Se não gostar de coco, não tem problema, tem muitos outros sabores exóticos ou não. Impossível não achar o seu. Tudo bem, você é um profissional do garfo! Muitos restaurantes da Ilha fariam bonito em qualquer lugar do mundo. Em agosto, a Ilha é invadida por chefes e gourmets interessados no Festival Gastronômico. Ao longo de toda a orla do canal, de norte a sul, passando pela vila, você Talvez, a característica mais interessante da Ilha até hoje tenha sido ser chique. A Ilha é low profile. Mesmo o que é muito caro, não é ostentatório. O confinamento fora do continente aproxima as pessoas, as classes. Mas não é uma democracia demagógica. Ela apenas acontece. O hotel caríssimo está colado à barraquinha popular e todo mundo está nadando na mesma praia. No centrinho não é diferente. Comércio interessante, cafés, grifes, livraria… Ao lodo de prédios históricos, como a Matriz Nossa Senhora D’Ajuda e a Antiga Casa de Câmara e Cadeia. Tudo convive em harmonia. Gente bonita, bem cuidada, outros nem tanto… É tudo meio bucólico, meio interior, meio praia. Impossível não se apaixonar. Marcelo Azevedo O termo caiçara vem de caá-içara, do tupi-guarani, que denominava estacas e galhos de espinhos que cercavam as aldeias. Só mais tarde tornou-se o nome das pessoas das comunidades dos litorais paulista, paranaense e sul-fluminense. O Caiçara descende de índios, portugueses e mais tarde de negros. Esta é uma longa história de colonização e cooperação, cujos ecos que nos alcançam hoje refletem-se nas festas. Na Ilha, são famosas as festas de São Pedro, da Padroeira – Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso e a maior delas, a de São Benedito, durante a qual acontece a Congada de Ilhabela. A festa da padroeira acontece em fevereiro. Se o carnaval cai no mesmo mês, o sagrado e o pagão convivem em paz, já que acontece o tradicional Banho da Dorotéia. Em maio é a vez da Congada em honra de São Benedito. É uma das mais fortes e vivas tradições caiçaras, que se reafirma há mais de 200 anos. Acredita-se que ao longo do tempo repetem-se falas, músicas, fantasias e representação, fiéis ao original. A cultura caiçara se expressa num artesanato rústico, que usa os recursos da terra, como conchas. Por toda parte é possível encontrar lojas e feiras expondo objetos que contém um pouco do clima paradisíaco da Ilha. A ilha conhece a presença humana há mais de 2.500 anos. São cerca de 68 sítios arqueológicos catalogados, com acervo de mais de 14 mil peças. Hotéis e Pousadas Hotéis da Ilha são um capítulo a parte. São mais de 100, entre pousadas e hotéis, oferecendo mais de 5.600 leitos. Impossível não ter ouvido falar do DPNY, que se auto-intitula “a nova versão do hotel de luxo”. É o único “pé- na-areia” da Ilha e a estrutura oferecida realmente impressiona. Além dos clássicos piscina e spa, o hotel oferece laptops Mac, rede wireless na praia, espreguiçadeiras muito confortáveis, jornais do dia, revistas. Tem um parque de 12 mil metros quadrados de mata atlântica, com vista para o mar. Tem obras de arte por toda parte e uma programação musical que prevê até os dias sem sol. Mas, principalmente, eles oferecem coisas preciosas pra quem está a fim de aproveitar ao máximo e descansar: servem café da manhã até 13h e o check out no domingo é às seis da tarde. São 76 suítes que vão do básico “ar condicionado + TV LCD a cabo” até a Imperial, que tem vista panorâmica para a praia, varanda privativa, lounge com sofás, tendas e mesas e acesso exclusivo ao parque natural. Equipada com tudo, mais um iPod, tem sala de estar com vista para o horizonte. Tudo pela bagatela SHOWROOM A Cultura 33 de R$ 650,00 a R$ 2.290,00 a diária, conforme tabela publicada em dezembro, para janeiro. Mas você não precisa hospedar-se para desfrutar do Clube de Praia Hippie Chic, que além de espreguiçadeiras e serviço de praia, oferece house music que entra noite adentro. Ou ainda, jantar no Tróia Dining and Music, que abre aos sábados e feriados, sob a batuta da chef Renata Raikov, formada na França. Serviços surpreendentes 34 Bem, há também o Maison Joly, que cabe perfeitamente na descrição chique low profile. Ao pé do Morro do Cantagalo, fica a 80 metros do nível do mar, oferecendo uma vista fantástica! A decoração baseada em feng shui, com muitas obras de arte, cria um conjunto harmonioso e surpreendente ao mesmo tempo. Desde a remodelação em 2009, passou a contar com novas academia de ginástica e sala de massagens, belvedere, piano-bar, piscina restaurante e estacionamento. A proposta é despertar boas lembranças da infância e o lado lúdico das pessoas. Alguns apartamentos têm cavalete e material de pintura. Uma das suítes tem um dos 4 pianos do hotel. As acomodações valem um destaque. O Joly tem uma suíte principal com 300m2, piscina privativa, vista fantástica e total privacidade. Você pode ter até um chefe exclusivo, preparando e servindo suas refeições na sua varanda. Tem mais três suítes com 120m2 cada, sendo que duas têm Jacuzzi e uma tem piscina. Somadas às outras 8 suítes, menores (50m2, 35m2 e 25m2), formam um conjunto exclusivo e privilegiado pela vista. O hotel treina seus funcionários para lidar bem com diversidades, o que faz o Joly ser um hotel GLS friendly. Você só não pode ser sedentário. O hotel tem muitas escadas… Mas o sacrifício é totalmente compensado pela vista. Roteiros do Charme A Pousada do Capitão faz parte do “Roteiros do Charme”. Seu estilo naval inglês encanta, há mais de 20 anos. Muito bem localizada, ao lado da praia Engenho D’Água, fica perto de tudo. Eles levam muito a sério sua vocação europeia para a hospitalidade. Suas suítes são chamadas “camarotes” e são réplicas de acomodações em iates de luxo, super bem equipadas. São quatro tipos, sendo as maiores voltadas para a piscina, que fica no meio de um lindo jardim tropical, com bromélias, orquídeas e palmeiras. A sauna irlandesa e a hidromassagem, também próximas do jardim, completam o ambiente relaxante. O café da manhã oferece delícias como pães, bolos, tortas, geleias, granola e iogurte, todos preparados no próprio hotel. Vale a pena experimentar… Depois você compensa com uma boa massagem e uma sessão de fitness. A Porto Pousada Saco da Capela tem suítes distribuídas em plena mata, incrustadas nas pedras, mas a 300 metros da praia, numa rua calma e sem saída. Coisas de Ilhabela… A piscina é totalmente integrada à vegetação e tem várias trilhas dentro da propriedade. É só relaxar, relaxar, relaxar… São 18 suítes e um chalé, com toda a infraestrutura necessária para ter conforto. Algumas têm mezanino, para um terceiro hospede. Outras têm sacada privativa, vista panorâmica. Você escolhe. Não dá para falar de cada uma de todas as pousadas charmosas, com nomes interessantes e decoração colorida e tropical. São tantas… Pousada + Bella, Banana Verde, Bonns Ventos, Catamarã Brasil, do Golfinho, dos Hibiscos, Fruto do Mar, Ilha Splendor, Isola Bella, Lacosta, Montemar, Tamara, Vento Sul, Vila São Pedro, Villa Caiçara, Villa Nina, Villa Vittoria e Villaggio Assis. As diárias começam em torno de R$ 100,00. A maioria tem arcondicionado e confortos como TV a cabo e conexão wi-fi. Lado B Estar na Ilhabela é sempre uma experiência agradável. Mas, como tudo na vida, tem o lado B. A balsa dá uma certa canseira. O ideal é usar o horário marcado. Custa um pouco mais e também paga a volta, mas vale a pena. Acesse http:// www.ilhabela.sp.gov.br/tpa/ para tirar dúvidas. Nos feriados, fica lotado. Mas tem um frequentador que nunca vai embora: o borrachudo. Pense pelo lado positivo: se tem tanto inseto é porque ainda está limpo e preservado… A Prefeitura faz controle com larvicida biológico, que teoricamente não interfere no equilíbrio ecológico. No verão, essas intervenções se intensificam. Mas é sempre bom garantir, levando repelente potente. A citronela manipulada ainda é uma boa pedida, ao lado dos tradicionais. Bom passeio! Inventando inventores A As grandes invenções, as grandes descobertas, são ações compartilhadas, resultado de luta e persistência de muita gente, instituições e governos. É injusto creditar a uma pessoa um grande feito, como o descobrimento da América ou a identificação do vírus da Aids. Por JOEL LEITE humanidade precisa de heróis, a sociedade precisa de referências e por isso quase sempre elege um criador. Mas os grandes feitos da História são resultados de tentativas, de acúmulo de experiências, da evolução de toda a Humanidade. Vespúcio descobriu ou invadiu a América? Depende do ponto de vista. Para a civilização do Velho Mundo, o navegador fiorentino fez uma descoberta, mas para o homem que vivia aqui há milhões de anos ele foi considerado um invasor. Mas mesmo aceitando a versão do Velho Mundo, a descoberta creditada a Américo Vespúcio é facilmente contestada. Vários historiadores relatam a presença de europeus por aqui muitos anos antes das descobertas, vivendo em perfeita comunhão com os habitantes autóctones. Os portugueses sabiam disso, Cabral desembarcou por aqui só pra carimbar a documentação. Cientistas de todo o mundo passam anos – às vezes uma vida inteira – pesquisando a cura de doenças e de repente um iluminado (ou melhor articulado) leva a fama e ganha o prêmio Nobel. E aqueles inventos sem 36 assinatura, mas que ninguém saberia viver sem eles? Imaginem o sujeito que inventou o sifão de pia. Estaria rico se ganhasse meia moeda de royalts em cada reprodução do seu invento. E a fila da Disney? A fila da Disney - hoje instituída no balcão do aeroporto e em todo lugar onde há concentração de pessoas - coloca centenas de pessoas em alguns poucos metros quadrados, e todas caminham ordenadamente, cruzando dezenas de vezes uns com os outros, com cara de idiota, mas sem confusão. Já imaginou se alguém não tivesse inventado o clip de papel? Sabia que a ponta do cadarço de sapato foi patenteada? Seu inventor não ficou famoso, mas ganhou dinheiro. Às vezes, a invenção tem dupla autoria, caso do avião. Nós aprendemos que quem inventou o avião foi o brasileiro Alberto Santos Dumont, em 1906. Mas os estadunidenses creditam o invento aos irmãos Wright. Nem tudo o que vem do país do norte deve ser levado a sério, mas no caso do inventor do avião a paternidade do invento é discutível. Para Santos Dumont, o conceito de avião era o mesmo de um balão, dirigível. Foi Thomaz Edson quem sugeriu ao Pai da Aviação que usasse motor a explosão. Os irmãos Wright voaram num motoplanador em 17 de dezembro de 1903, mas o aparelho decolou por propulsão. Santos Dumont foi o primeiro a decolar a bordo de um avião impulsionado por um motor a gasolina, em 23 de outubro de 1906, em Paris. Quer dizer: muita gente deu o seu pitaco no invento. Sempre soube que a história é contada pelos vencedores. Mas acho que ela é contada pelos donos da mídia. Como Marconi foi o primeiro a ter uma emissora de rádio, espalhou a notícia de que seria o inventou das ondas de rádio, como todos nós aprendemos. E não é que está devidamente documentado que a invenção do rádio pertence ao um padrecientista brasileiro, Roberto Landell de Moura? Landell de Moura também projetou a televisão, muitos anos antes de Marconi. Ele patenteou inventos no Brasil e nos Estados Unidos, mas não teve apoio para o desenvolvimento. Foi taxado de maluco e de ter pacto com o demônio. E agora, o governo brasileiro quer corrigir esse erro histórico, e ao mesmo tempo, valorizar a ciência nacional. Pretende reconhecer oficialmente o pioneirismo do Padre Roberto Landell de Moura no desenvolvimento das telecomunicações: ele foi precursor das invenções do rádio, da televisão e do teletipo. Vamos à campanha. Se eles têm os irmãos Wright por que não podemos ter o Landell de Mora? Joel Leite é jornalista, formado pela Fundação Cásper Líbero, com pós-graduação em Semiótica, Comunicação Visual e Meio Ambiente. Diretor da Agência AutoInforme, assina colunas em jornais, revistas, rádio,TV e internet. Não tem nenhum livro editado e nunca ganhou nenhum prêmio de jornalismo. Nem se inscreveu. Mesmo quando não estou de corpo presente, minha alma baiana está lá, correndo atrás de um trio elétrico. Atrás do Trio Elétrico Atrás do Trio só não vai... E Elétrico só não vai... Maria Regina Cyrino Corrêa ra alguma coisa como 91, 92. Eu estava em Salvador para o Carnaval, mais uma vez. Inadvertidamente parei do lado de um trio elétrico na Barra. Ainda não era como hoje... Os trios saiam só na Avenida, espontaneamente. Afoxés, Filhos de Gandhy, Ilê, Olodum enchiam a cidade de sons e cores, ainda meio longe dos turistas... Bom, voltando pra mim, na Barra, domingo à noite, bem paulistinha... Parada do lado do trio quando foi emitido o primeiro acorde da guitarra distorcida. Meu coração parou, depois disparou de alegria e eu nunca mais pude viver longe do Carnaval da Bahia. Mesmo quando não estou de corpo presente, minha alma baiana está lá, correndo atrás de um trio elétrico. Até aquele dia, trio elétrico era como uma guerra do outro lado do mundo – uma coisa que você vê na TV e não quer dizer muita coisa...Mas ouvir um som ao lado de um trio é uma experiência única. Parece que ele está batendo dentro do seu peito. Não tem explicação. Você simplesmente tem que dançar! Eu voltei a Bahia muitas vezes depois. Eu estava na primeira Timbalada, fiquei acordada muitas noites só pra ver o Olodum passar no Campo 38 Grande, cantei com Daniela, Ivete, Cláudia... quando ninguém ainda sabia quem elas eram. Mas foi com o Asa de Águia, à frente do EVA, que eu me diverti mais. Quando o bloco saia, debaixo de um sol de 35 graus, tipo duas horas da tarde, pra descer a Sete e subir a Carlos Gomes, eu sabia que ia ser tudo! Eu me lembro de um ano em que os abadás eram bem coloridos e a gente chegou na Praça Castro Alves lá pelas 6 da tarde. O sol estava se pondo e os Filhos de Gandhy vinham descendo do Comércio em direção à praça. O encontro dos abadás coloridos e a tradicional roupa branca fazia um espetáculo difícil de esquecer. Não sei como o poeta pode ficar impassível, olhando. O ritmo e a energia eram de fazer estátua dançar... Eu sou do tipo foliona. Mesmo. Não quero beijar, não quero ficar, não quero perder um segundo da dança e da alegria! São dias em que você é simplesmente feliz! Aliás, Salvador tem esta característica. Se eu tivesse que criar um slogan, seria: Salvador, é possível ser feliz! Aquele povo lindo, que anda dançando, fala cantando, come todos os artigos. “Mainha foi na casa de Painho.” Não tem o a e o antes... Não tem desperdício. No segundo dia eu já estou falando como eles. Eu costumo dizer que sou baiana de carteirinha, com mensalidade paga adiantado. E tudo isso por causa do Carnaval. Eu gosto tanto, que nem fui procurar as datas importantes de fevereiro. Deve ter muita coisa importante, mas eu só consigo pensar na folia... O Carnaval surgiu no século XI, quando a Igreja Católica criou a Semana Santa, precedida de 40 dias de resguardo e jejum, a Quaresma. Quando todo mundo se deu conta que ia ser um loooooongo sacrifício, tratou de juntar muitas festividades antes da Quartafeira de Cinzas. Carnaval vem de carna vale, adeus à carne. Antes da privação, a locupletação. (Céus! Onde eu arrumei essa rima?!?!) Daí vem a Terça-feira Gorda, o Mardi Gras. Durante o Renascimento, vieram as fantasias, os bailes de máscaras e os carros alegóricos. A era Vitoriana trouxe a festa mais parecida com o que vemos hoje, no século XIX. Paris foi a pioneira do carnaval modelo exportação.Tudo isso inspirou os famosos carnavais do Rio de Janeiro e de New Orleans. Mas sabem quem tem o maior carnaval do mundo? Salvador. Está no Guiness. É a maior festa de rua do planeta. Trocando em miúdos: se você nunca foi. Vá! Não faça prejulgamentos do tipo: “Ah! Mas eu odeio muvuca!” Você não sabe... Pode ser que você odeie o Carnaval em Salvador. Mas pode ser que você adore. E eu digo pra você: se você está entre os que iriam adorar e não for, terá perdido uma grande oportunidade na vida de ser feliz. Maria Regina Cyrino Corrêa é jornalista, publicitária e foliona. Neste ano não vai a Salvador, porque está muito ocupada com um job muito complexo na 2Show Comunicação. Mas no ano que vem, não perde por nada! [email protected] http://felllikeaqueen.blogspot.com/ www.2showcomunicacao.com.br Meus amigos Por Marcelo Allendes ada um tem seus amigos. Os meus são antigos. E posso contálos em uma mão. Meus amigos não são perfeitos. Mas são meus amigos e são boas pessoas. Meus amigos são amigos de infância, daqueles que discordam de frente ou aprovam em silêncio profundo. E não por isso são menos amigos. Mas a vida dos amigos muda quando achamos que a nossa não mudou e que nunca mudará. E que sempre continuaremos sendo as mesmas crianças, parte de uma molecada que podia brincar tranquilamente nas ruas de subúrbios e periferias. Na semana passada almocei com dois dos meus poucos e bons amigos. Irmãos, por sinal. Não nos víamos fazia anos e, por isso, tentávamos esse encontro desde o Natal passado, atropelado pelos compromissos da época. Por fim conseguimos uma data comum. Nos encontramos na casa de um deles. Parei o carro no endereço indicado e, míope, estiquei o pescoço para fora da janela à procura do número. Mal deu tempo até que se aproximasse um meninote de uns seis ou sete anos, tentando se equilibrar sobre uma bicicleta azul. “Oi, você é o amigo do meu pai, né? Pode entrar e subir. Ele está fazendo a barba.” Vendo o meu vacilo, o rapazinho voltou a insistir, largando o brinquedo na calçada, mostrandome a entrada da casa. “É lá em cima. O senhor pode subir.” Subi as escadas da casa parcimoniosamente, pensando em 1984, ano em que conheci os meus amigos na sala de aula da quinta série. Quando alcancei os últimos degraus, parou na minha frente uma menina de cabelos despenteados e cara sonolenta. Virou, entrou pela porta e gritou o nome da mãe. “Fala pro papai que o amigo dele chegou...” Fiquei pensando em tudo aquilo, nos 25 anos que me separavam de uma infância feliz e despreocupada. Havia tido, sem dúvida alguma, uma fase única e que já não voltaria. Dias que nós, meninos, classificávamos segundo a possibilidade ou não de Marcelo Allendes é jornalista e colaborador do Banco Volkswagen. Tem poucos amigos, mas é feliz assim mesmo. email: allendes@ yahoo.com SHOWROOM C Crescer acontece num piscar de olhos. Num dia você é apenas um menino, no outro você já se foi de casa. Mas as lembranças da infância ficam. Me lembro de um lugar... de um bairro... de uma rua como tantas outras ruas... de amigos inseparáveis. E o negócio é que depois de todos estes anos, eu ainda olho pra trás... viver era fácil. empinar pipas, descer ladeiras de rolimã ou ficar na esquina de casa contando os fusquinhas vermelhos que passavam pela rua. A realidade se desfez naquele momento. E torcia para que nada houvesse mudado. Porque quando falamos do passado, da infância e dos amigos daquela época, falamos de sonhos perdidos. De sonhos reais e imaginários. De sonhos conquistados e de outros esquecidos. Saí de casa naquele início de tarde para almoçar com dois velhos amigos. Para relembrar as tardes chuvosas quando remediávamos o tédio com um jogo de tabuleiro. Para relembrar nossos intermináveis campeonatos de botão. Ou os aniversários festejados dentro da própria casa, sem buffet, sem palhaços ou equipes de animação. Eram dias simples aqueles. Dias nossos. Mas percebi que a vida havia mudado para nós. Tínhamos muito para falar do passado e pouco para acrescentar do presente. Os dias de escola, das brincadeiras inocentes, das férias de verão, esses foram dias incríveis. Época em que as ilusões ainda valiam a pena. Por isso, os meus amigos são os amigos da infância, quando viver era fácil. 39 TV com 3D Apresentações sem computador Evento tradicional de todo início de ano, a CES (Consumer Electronics Show) de 2010 foi dominado pelos leitores digitais, segmento de mercado ainda incipiente no Brasil. O que deve chegar em breve é a próxima geração do entretenimento com tecnologia 3D aplicada a produtos eletroeletrônicos. A Samsung mostrou um sistema de geração de imagens em três dimensões - composto por TVs de LED, LCD e Plasma e tocador de Blu-Ray. A TV de LCD com tecnologia LED traz internamente um processador 3D embutido. São oito modelos que variam de 19 a 65 polegadas, séries 9000, 8000 (foto) e 7000 que são capazes de gerar imagens em três dimensões, com cores vibrantes e avançadas definições de contraste. A interatividade está garantida com o recurso Internet@, que permite acesso à outra novidade, a Samsung Apps, a loja virtual de aplicativos baseada em conteúdos para TVs de alta definição. O design é outra atração, com bordas estreitas e aço escovado em preto e prata fazem com que esses produtos se pareçam mais com peças de mobília do que com eletroeletrônicos. Precisa fazer uma apresentação e o notebook deu problema? Se for usuário dos smartphones BlackBerry, marca registrada da Research In Motion (RIM), não há com que se angustiar. A RIM lançou um acessório, denominado Presenter, pequeno e leve, que pode ser plugado com facilidade a um projetor ou monitor, permitindo Preço ainda não definido. exibir uma apresentação sem fio em Microsoft PowerPoint a partir do seu smartphone BlackBerry. Na linha gadget útil, o dispositivo permite controlar apresentações, permitindo navegar nelas, ver notas do orador, ordenar os slides e até mesmo consultar Com o advento do digital a informações de um slide ao exibir outro. fotografia mudou e a forma Graças a uma conexão Bluetooth entre o de mostrá-la também. No lugar smartphone BlackBerry e o BlackBerry dos álbuns de papel, surgiram Presenter, você também pode circular as utilidades que são ao mesmo livremente durante a apresentação tempo álbuns de imagens digitais (roaming de até 10 metros entre os e porta-retratos diferenciados, aparelhos). como o lançamento da Sony, o DPFPesa só 140 gramas, mas não está A72N. O aparelhinho possui 128 MB disponível para o BlackBerry de memória interna permitindo armazenar até 250 Curve Série 8300 ou fotos, visualizáveis em uma tela LCD de sete polegadas. A transferência BlackBerry Série Pearl Flip. de imagens a partir de um computador para a memória interna é simples e Preço sugerido: não divulgado dispensa software. O porta-retratos digital da Sony tem um sensor inteligente Onde encontrar: http:// que roda automaticamente a imagem para obter a visualização correta de br.blackberry.com acordo com a moldura fotográfica, posições horizontal ou vertical. Compatível com os formatos digitais JPEG, TIFF, BMP e RAW, o modelo dispõe de funções para alteração de cores - opções sépia, monocromático e colorido -, além de contar com relógio, calendário e 11 opções de idiomas, incluindo o português. E é leve, só 430 gramas. Moldura fotográfica digital 40 Preço sugerido: R$ 399,00 Onde encontrar: www.sonystyle.com.br, nas lojas ou revendas autorizadas Sony. Um panorama da vasta herança de Drucker Peter Drucker morreu em 2005. Foi advogado (diplomado, mas nunca exerceu), bancário, jornalista, escritor, consultor de empresas afamado. Um intelectual que adorava história e conhecia o tema como poucos, assim, podia dedicar-se a elucidar o futuro, pois como disse o filósofo holandês Soren Kierkegaard: “A vida pode ser compreendida ao se olhar para trás, mas apenas pode ser vivida olhando-se para frente”. Seus escritos e reflexões sobre “O fim da escuridão” [do original, Edge of Darkness] é um thriller na acepção do economia, política e negócios tiveram termo: muita ação, tensão, emoção e mistério. E ainda traz o veterano Mel Gibson impacto sobre o pensamento de gerações em grande forma. O filme baseia-se na minissérie homônima produzida pela BBC e de empresários e executivos. Drucker exibida em 1985. A séria original arrebatou público e crítica com seis capítulos e igual foi um dos mentores intelectuais do número de prêmios BAFTA, o Oscar inglês. À época, o pano de fundo era a Guerra renascimento econômico do Japão após a Fria, a crescente preocupação com guerra nuclear e uma aura de sigilo em torno da Segunda Guerra Mundial, é considerado indústria nuclear. No meio de toda tensão internacional, um pai perde a filha e inicia como o “pai da administração moderna” uma jornada para descobrir quem a matou e por quê, e acaba descobrindo quem ela e lembrado como um dos pensadores realmente era. mais importantes do fenômeno da A Guerra Fria acabou em 89, a preocupação nuclear abrandou, mas não globalização e seus efeitos na economia, desapareceu. Os aspectos políticos da história foram atualizados e “O fim da em particular, nas organizações. A obra escuridão” continua moderníssimo. Outra curiosidade é que 25 anos depois, que Drucker deixou é vasta e o desafio de o diretor da série original Martin Campbell (de 007 Casino Royale), também tentar condensá-la não é fácil. Em “O melhor dirige a versão cinematográfica. As adaptações de roteiro transferiram a ação e de Peter Drucker”, lançado pela Editora a ambientação da Inglaterra da década de 80 para os Estados Unidos dos dias Nobel neste início de ano, em um único atuais, mas de resto, é a mesma boa história que mistura política e grandes volume, estão reunidos textos escritos por ele negócios. Mel Gibson é o pai viúvo Thomas Craven, um detetive da divisão de com os temas “o homem”, “a administração” homicídios do Departamento de Polícia de Boston. Quando sua única filha e “a sociedade”. Na coletânea, lemos na de 24 anos, Emma (Bojana Novakovic), é assassinada na escada de sua casa, primeira parte sobre o homem e a importância todo mundo supõe que era ele o alvo, mas ao investigar, as evidências o da administração do tempo, sobre a era da levam a descobrir um complexo esquema de corrupção, envolvendo informação, sobre organização, a liderança como políticos e a indústria de armas nucleares norte americanas, a vida trabalho e os princípios da inovação. Na segunda secreta de sua filha e sua morte. Um thriller emocionante. parte da coletânea, a administração, aspectos da administração como a sua importância, responsabilidade “O fim da escuridão” dirigido por Martin Campbell Casino Royale, estrelado e o lado empreendedor da atividade são abordados. Na pelo ganhador do Oscar Mel Gibson com Ray Winstone, Danny terceira, os textos marcantes de Drucker sobre a sociedade, Huston, Bojana Novakovic e Shawn Roberts. com as teorias sobre a mudança na economia mundial, o destino do liberalismo, a escola responsável e a política em uma sociedade de idosos. Um panorama com 570 páginas que deve estimular o leitor a estudar Drucker com afinco. “O melhor de Peter Drucker” (Editora Nobel, 2010) Preço sugerido: R$ 49,00 SHOWROOM Um thriller tenso e atual 41 A insustentável leveza dos rosés Por Arthur Azevedo Adorados por uma legião de fãs e subestimados por quem não os conhece, os vinhos rosés (também chamados de rosados) estão pouco a pouco ocupando o merecido lugar no coração dos brasileiros. Vítimas de injustificado preconceito, os vinhos rosés são produzidos há muito tempo na França, país onde tem grande destaque, especialmente na badalada Provence. Outros países hoje produzem rosés de alta classe, tais como Itália, Portugal e Espanha no Velho Mundo e Austrália e África do Sul, no Novo Mundo. Não por acaso, os vinhos rosés são os mais procurados em lugares de muita fama, tais como Nice, Cannes e St-Tropez, onde se harmonizam com perfeição com a sofisticada gastronomia local, baseada em peixes e frutos do mar. Bons exemplos são o Domaine Chaberts Rosé e o Château Pampelone Rosé, encontrados tanto nos melhores restaurantes da Riviera Francesa e de Paris, quanto nas melhores lojas especializadas do Brasil. No Novo Mundo, um destaque é o australiano Mitolo Jester Rosé (foto), que é produzido com a uva italiana Sangiovese, num belo exemplo de globalização. Por seu caráter leve e refrescante, os rosés são também perfeitos para o verão, especialmente à beira mar, onde são companheiros insuperáveis para se passar agradáveis momentos descontraídos. Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, o rosé costuma ser um vinho seco, leve, com intensos aromas de frutas vermelhas (morangos, cerejas e framboesas), exibindo ótima acidez, muito sabor e excelente persistência. Existem várias maneiras de se produzir vinhos rosés, mas é interessante frisar que o ponto de partida é sempre o mesmo, ou seja, uvas tintas maduras, de boa expressão e caráter. Geralmente são usadas as uvas clássicas francesas, tais como a Cabernet Sauvignon, Merlot, Grenache, Syrah e Mourvèdre, mas em princípio, qualquer uva tinta pode ser utilizada na produção desse estilo de vinho. A grande dificuldade é se extrair aromas e sabores sem extrair cor, o que exige técnica refinada e grande cuidado na vinificação. Dois são os métodos mais utilizados: sangria e “pressurage”. No método de sangria, o que se faz é deixar as cascas das uvas tintas, onde estão as substâncias que dão cor ao vinho, por curto período em contato com o suco da uva, dando ao vinho final uma leve cor rosada. Já no método de “pressurage”, que é hoje o mais utilizado para a produção de grandes vinhos rosés, as uvas tintas são colocadas em modernas prensas pneumáticas, onde se aplica delicada pressão, em baixa temperatura, por algumas horas. Dessa forma, se consegue produzir um vinho de sabores e aromas muito agradáveis, sem extrair cor em excesso, o que é a magia do vinho rosé. Aproveite... 42 Arthur Azevedo é diretor da Associação Brasileira de Sommelier –SP, editor da revista Wine Style (www.winestyle.com.br) e consultor de vinhos do Angeloni Tagliarini ao queijo de cabra Nestes dias muito quentes, parece que oferecer uma massa aos convidados não é a melhor pedida. Não é bem assim. Se você preparar um molho leve e servi-lo na quantidade certa, a massa é perfeita para um jantar a dois, a quatro e se contar com alguma ajuda, até para seis pessoas. Mais do que isso vira buffett por quilo. Veja esta receita ao molho de queijo de cabra, azeitonas e ervas finas para quatro pessoas: Ingredientes 500 gr. de tagliarini ou spaghetti de grano duro 2 tomates bem maduros 40 gr. de azeitonas pretas sem caroço, de boa qualidade 1 vidro pequeno de queijo de cabra em bolinhas Q.B: de folhas frescas de salsinha, cebolinha, manjericão, hortelã, pimenta branca moída e azeite extravirgem Preparação: Na mesma panela grande e com bastante água que irá ferver a massa, coloque, já com a água fervendo, os tomates, durante um minuto. Retire-os e passe-os na água fria para interromper o cozimento. Tire a pele e as sementes e corte-os em rodelas. Reserve. Em um recipiente fundo (bowl) mistures os tomates, as azeitonas e o queijo. Adicione a salsinha, cebolinha, hortelã, pimenta, sal e azeite. Misture delicadamente e reserve. À parte, quando a massa estiver quase pronta, refogue em 30 ml de azeite as folhas de manjericão, que serão colocadas ao final na montagem dos pratos. Montagem: Escorra rapidamente a massa ao dente e misture aos ingredientes do bowl, delicadamente. Não demore muito para não esfriar a massa. Coloque as porções em pratos apropriados para massa e finalize cada um deles regando com o azeite e as folhas de manjericão fritas. Sirva imediatamente. Mas, se gostar, este prato pode ser apreciado frio também. Bom apetite!