Maria Teresa Stefani
Cássia Maria Paula Lima
Introdução
• Todo mundo vive em rede
Introdução
• Tem vantagens mas também tem
desvantagens
• Hoje a sensação é que tudo se resolve pela
rede. Será?
Introdução
• Hoje iremos mostrar duas ONGs que
experimentaram as vantagens e desvantagens
de trabalhar em rede.
O que são redes sociais?
ATIVIDADE DE ABERTURA
1
O que são redes sociais?
1
O que são redes sociais?
2
Quais são as principais características?
Não tem hierarquia
Laços fortes e fracos
Poder horizontal
Buracos estruturais
3
Quais são as outras formas de se organizar?
Modelos Organizacionais de G. Morgan
3
Quais são as outras formas de se organizar?
Modelos Organizacionais de G. Morgan
4
Quais são as vantagens?
• Reduzir Riscos
• Aumentar capacidades das pessoas e
organizações
• Estabelecer governanças que não sejam
hierárquicas
• Permitir a gestão espalhada por diversos locais
físicos
Vantagens de Atuar em Rede
VÍDEO
HTTP://WWW.YOUTUBE.COM/WATCH?V=02Q4F7T4VI0
5
Qual é a relação de Redes com ONGs?
• Causa
• Fins Públicos
6
Como uma ONG pode atuar em rede?
6
Como uma ONG pode atuar em rede?
• Reforçando:
– Criar Laços Fortes com a População Atendida
– Envolver os Participantes da Rede
– Recuperar Elos ou Tramas Perdidas
– Compartilhar Conhecimento
Atuar em Rede
ESTUDO DE CASO: LIGA SOLIDÁRIA
A transformação
ocorreu pela
atuação em rede
História da Liga Solidária
• Fundada em 1923
– Restaurante para as mulheres no centro da cidade
– Liga das Senhoras Católicas
• Ações Filantrópicas
– Revolução de 1932
– Criação do Complexo Educandário Dom Duarte em
1936
A Transformação da Liga
1
Situação Anterior
• Abrigos com práticas anteriores
ao Estatuto da Criança e
Adolescente (ECA) de 1990
2
Situação Atual
• Assistência à família e ao entorno
do Complexo Educandário Dom
Duarte
• Criação da Casa de Passagem
• Mudança de Gestão no Complexo
Educandário Dom Duarte
• Mudança de Gestão da Liga
– Mudança de nome para Liga Solidária
Criar Laços Fortes com a População Atendida
• Mudança de tratamento da população
beneficente
– Buscou especialistas na área social
– Fez um planejamento estratégico envolvendo toda
a organização
– Procurou os líderes da região e associações
– Envolveu-se em questões da comunidade
Envolver os Participantes da Rede
• Maior envolvimento entre os doadores e a
população atendida
• Provocou reuniões da comunidade em seu
espaço
• Mudança de nome foi realizado em conjunto
Recuperar Elos ou Tramas Perdidas
• Aproximou poder público da população
atendida
– Caso das ETECs
– Caso da abertura do Complexo
– Caso Reintegração de Posse
Compartilhar Conhecimento
• As novas atuações continuaram mesmo
depois da transição de presidente
Atuar em Rede
ESTUDO DE CASO: ARCO
ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE
Um processo em evolução...
O que foi estudado
1. As parcerias com a Prefeitura Municipal e a
evolução nos serviços prestados nos últimos
10 anos
2. As condições de vida da comunidade
3. A rede de relacionamento
ARCO Associação Beneficente
• Existe há mais de 20 anos – fundada em 1991;
• Passou por diversas administrações, de 1995 (100
crianças) até 2011 (550 crianças e jovens);
• Convênios de Educação (Creche) e Assistência social
(CCA e CJ) – PMSP; Projetos com FUMCAD e
doadores pessoas físicas e jurídicas;
• Prazo longo – possível avaliar evolução das parcerias;
• Serviços gratuitos;
• Títulos que atestam idoneidade financeira e bons
serviços prestados à comunidade
Serviços oferecidos à comunidade
• Centro de Educação infantil (CEI) – 120 crianças em período integral
• Centro para Criança e Adolescente (CCA) – 360 crianças e jovens no período
alternado ao que estão na escola pública
• Centro para Juventude (CJ) – 60 jovens também no período que não estão na
escola pública
• Música, Esporte, Informática e Trabalhos manuais em madeira,
• Geração de renda – Colcha de Retalhos
• Alfabetização de jovens e adultos
• Reforço de língua portuguesa e matemática para os assistidos
• Formação continuada de colaboradores
•
Atendimentos psicológico, psicopedagógico, fonoaudiológico e assistência
social
• Projetos através do Fundo Municipal da Criança e Adolescente – (FUMCAD)
para oferta de atividades culturais e esportivas à comunidade
Localização
O entorno
Fonte: GOOGLE Maps,2012.
O entorno
Fonte: GOOGLE Maps,2012.
A vulnerabilidade do entorno
M’Boi
Mirim
Fonte: PREFEITURA DE SÃO PAULO, 2012.
Estatísticas da microrregião
• População: 30.647 habitantes – 8.159 famílias –
3,8 pessoas por família;
• 18,66% das gestantes têm de 10 a 19 anos
• Crianças de 7 a 14 anos na escola: 96,59%
• Pessoas cobertas com plano de saúde: 15,01%
• Abastecimento de Água – Rede Pública: 89%
• Destino do Lixo – Coleta Pública: 99%
• Destino Fezes/Urina – Esgoto: 37%; Fossa: 61%;
Céu Aberto: 2%
• Tratamento Água no Domicilio – Filtração: 57%;
Sem Tratamento: 33%
Fonte: Sistema de informações de atenção básica (SIAB) da Secretaria Municipal de
Saúde (SMS) – Dez/2007
Etapa 1 – Evolução dos últimos 10 anos
As parcerias com a Prefeitura Municipal e a
evolução nos serviços prestados nos últimos 10
anos
Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO
Análise VERTICAL – Grau de dependência de recursos externos
Exigível x Patrimônio Líquido
120,0
100,0
98,1
87,1
87,9
86,5
90,6
91,9
89,6
80,0
60,0
Exigível
45,6
32,1
40,0
Patrimônio Líquido
20,0
0,0
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
Ativo Realizável x Ativo Imobilizado
75,6
80,0
70,1
70,0
60,0
50,0
60,8
53,1
46,9
52,9
47,1
55,5
59,4
49,051,0
44,5
39,2
40,0
58,8
41,2
40,6
Ativo Realizável
29,9
30,0
24,4
20,0
10,0
0,0
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
Ativo Imobilizado
Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO
Análise HORIZONTAL – Tendências e evolução ao longo dos anos
Superávit do Exercício
80,000
60,000
40,000
20,000
-20,000
-40,000
-60,000
-80,000
Superávit do Exercício
Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO
Receitas e Despesas – Origem dos recursos - %
80.00
70.00
60.00
50.00
40.00
30.00
20.00
10.00
.00
71.503
47.792
30.156
21.094
44.537
31.298
22.284
.958
53.476
49.934
47.478
39.616
34.595
27.024
26.318
24.629
22.826
22.089
1.882
1.160
2.672
75.940
60.733
37.097
7.142
1.659
22.326
19.875
15.380
15.352
8.081
7.752
2.285
1.560
.870
.627
"Amigos da Arco" (Suíça)
Subtotal Particulares (Brasil)
Subtotal Governos
Subtotal Ativades Próprias
Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO
Receitas – Evolução dos recursos em moeda constante
1,600,000
1,400,000
1,200,000
1,000,000
800,000
600,000
400,000
200,000
-
"Amigos da Arco" (Suíça)
Subtotal Particulares (Brasil)
Subtotal Governos
Subtotal Atividades Próprias
Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO
Despesas – destinação dos recursos (de 2008 a 2011)
45.000
41.924
40.192
40.000
38.716
35.000
30.000
37.790
35.489
32.455
31.801
25.795
28.559
25.922
24.279
23.065
25.000
20.000
15.000
10.000
5.454
3.561
5.000
2.555
2.442
.000
1905n1905raal
1905n1905raal
1905n1905raal
Desp. ativ. Assistência Social
Desp. Ativ. Educação
Outras ativ. Ass. Educ. - aplicações
Outras despesas ordinárias
1905n1905raal
Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO
Despesas – evolução das atividades – moeda constante
300.00
263.941
249.912
250.00
200.00
163.454
150.00
100.00
100.00
127.716
120.344
86.583
50.00
131.135
131.158
76.098
170.795
154.426
81.351
.00
1905n1905raal
1905n1905raal
1905n1905raal
Desp. ativ. Assistência Social
Desp. Ativ. Educação
Outras ativ. Ass. Educ. - aplicações
Outras despesas ordinárias
1905n1905raal
Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO
Convênios com a Prefeitura Municipal de São Paulo - EDUCAÇÃO
3.000
2.580
2.840
2.500
2.000
1.664
1.500
1.000
1.000
1.203
1.289
1.518
.500
.000
1905n1905raal
1905n1905raal
Índice de evolução da receita (2008=1,00)
1905n1905raal
1905n1905raal
Índice de evolução da despesa (2008=1,00)
Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO
Convênios com a PM de São Paulo – ASSISTÊNCIA SOCIAL
2.000
1.800
1.600
1.400
1.200
1.000
.800
.600
.400
.200
.000
1.823
1.581
1.468
1.726
1.485
1.401
1.000
1905n1905raal
1905n1905raal
1905n1905raal
Índice de evolução da receita (2008=1,00)
Índice de evolução da despesa (2008=1,00)
1905n1905raal
Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO
A pontualidade dos repasses dos projetos FUMCAD
Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO
A pontualidade dos repasses dos Convênios - CEI
C EI - Co n vê n io c o m Se cr e tar ia d a E d u c aç ão - p arc e la m e n sal
20 1 1
2012
M ê s d o r ep a sse
D e ze m b r o
Ja n e ir o
Fe ve r eiro
M ar ço
A b r il
M aio
Ju n h o
Ju lh o
A g o sto
Se t em b ro
O u tu b r o
N o ve m b r o
TOTAL
M é d ia ar itm é tic a
V alo r m en sal N u m . D ia s a tra so V alo r m e n sal N u m . D ia s a tr aso
R$ 3 6 .0 0 0
15
R $ 5 0 .0 0 0
0
R$ 3 6 .0 0 0
24
R $ 5 0 .0 0 0
4
R$ 3 6 .0 0 0
3
R $ 5 0 .0 0 0
3
R$ 3 6 .0 0 0
2
R $ 5 0 .0 0 0
3
R$ 3 7 .4 0 0
1
R $ 5 0 .0 0 0
3
R$ 3 7 .4 0 0
4
R $ 5 0 .0 0 0
2
R$ 4 6 .8 0 0
14
R $ 5 0 .0 0 0
2
R$ 4 6 .8 0 0
1
R $ 5 0 .0 0 0
2
R$ 4 6 .8 0 0
4
R $ 5 0 .0 0 0
2
R$ 4 6 .8 0 0
3
R $ 5 0 .0 0 0
0
R$ 4 6 .8 0 0
3
R $ 5 0 .0 0 0
5
R$ 4 6 .8 0 0
0
R $ 5 0 .0 0 0
0
R$ 4 9 9 .6 0 0
74
R $ 6 0 0 .0 0 0
26
R$ 4 1 .6 3 3
6
R $ 5 0 .0 0 0
2
Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO
A pontualidade dos repasses dos Convênios – CCA/CJ
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
1. Situação socioeconômica das famílias
2. Percepção em relação à ARCO
3. Expectativas quanto ao futuro
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Tipo de moradia
70.00%
62.500%
60.00%
50.00%
40.00%
30.00%
20.00%
10.00%
10.200%
10.400%
12.00%
Invasão
Cedida
Alugada
4.900%
.00%
Não respondeu
Própria
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Nível de moradia
40.00%
33.922%
35.00%
30.00%
27.059%
26.471%
25.00%
20.00%
15.00%
7.255%
10.00%
5.00%
3.333%
1.961%
.00%
Baixíssimo
Baixo
Médio
Satisfatório
Bom
N/A
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Situação socioeconômica das famílias
Despesas mensais x Bolsa Família
60.00%
49.500%
50.00%
37.800%
40.00%
30.00%
28.500%
27.800%
20.900%
14.300%
20.00%
10.00%
Não
13.500%
7.700%
Sim
.00%
Até R$ 500
De R$ 501 a R$ 1000 De R$ 1001 a R$ 1500
Acima R$ 1500
Nível de Moradia x Participa do Bolsa família
40.00%
37.700%
36.100%
36.900%
35.00%
30.00%
32.800%
26.500%
25.00%
16.400%
20.00%
15.00%
5.00%
Sim
7.300%
10.00%
2.300%
2.300% 1.700%
.00%
Baixíssimo
Não
Baixo
Bom
Médio
Satisfatório
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Percepção em relação à ARCO
Alguem da família já passou pela ARCO
70.00%
60.00%
50.00%
40.00%
30.00%
20.00%
10.00%
.00%
57.255%
42.745%
Não
Sim
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Percepção em relação à ARCO
O que seu filho aprendeu na ARCO
35.00%
30.00%
25.00%
20.00%
15.00%
10.00%
5.00%
.00%
32.800%
23.600%
15.600%
8.00%
Informática
45.00%
40.00%
35.00%
30.00%
25.00%
20.00%
15.00%
10.00%
5.00%
.00%
20.00%
Ler e escrever
Relacionamento
Ativ. Culturais
Outros
Diferenças entre a ARCO e a Escola pública
40.700%
9.800%
Regras
14.600%
Ensino
17.600%
17.300%
Oficinas
Atenção
Outros
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Expectativas com relação ao futuro
O que mais o incomoda em sua vida hoje
25.00%
20.250%
20.00%
16.00% 16.500%
15.00%
10.00%
5.00%
8.750%
5.00%
5.00%
5.00%
Condições do
local
Distância
Estudo
8.750%
9.500%
5.250%
.00%
Criminalidade
Saúde
Moradia
Convivência
Pobreza
Trabalho
Outros
O que estaria disposto a fazer para mudar
46.630%
50.00%
40.00%
30.370%
30.00%
16.560%
20.00%
10.00%
6.440%
.00%
Cuidar da saúde
Estudar
Outros
Trabalhar
Etapa 2 – A comunidade e a ARCO
Expectativas com relação ao futuro
Qual curso gostaria de fazer?
35.00%
30.00%
25.00%
20.00%
15.00%
10.00%
5.00%
.00%
33.170%
18.690%
6.540%
7.940%
8.880%
Enfermagem
Beleza
Costura e
Artesanato
11.680%
13.080%
Culinária
Informática
Outros
Não sabe/Não
resp
O que faria para mudar x Participa do Bolsa família
60.00%
51.020%
44.740%
50.00%
40.00%
32.010%
26.530%
30.00%
16.670%
16.330%
20.00%
10.00%
NÃO
SIM
6.580% 6.120%
.00%
Cuidar da saúde
Estudar
Outros
Trabalhar
Etapa 3 – A rede de relacionamento
1. A rede em números
2. A rede sob a perspectiva da ARCO
Etapa 3 – A rede de relacionamento
Etapa 3 – A rede de relacionamento
Tipo de instituição
45.00%
40.00%
35.00%
30.00%
25.00%
20.00%
15.00%
10.00%
5.109%
3.650%
5.00%
2.143%
1.071% .730% 2.500%
.00%
Comunitário Escola/Clube
Rede
38.929%
36.071%
32.847%
30.657%
2011
10.949%
5.109%
2.857%
5.00%
Fundação
Religiosa
2012
11.429%
10.949%
ONG
Governo
Empresa
Tipo do relacionamento com a ARCO
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
75.238%
67%
4.762% 4%
Assistência Cidadania e
direitos
1.429% 2%
Cultura
10.00% 12%
1.429% 1%
Educação
Lazer
2011
2012
2.381% 6%
Legal
.00%
1%
Outros
4.286% 7%
Saúde
.476% 0%
Segurança
Etapa 3 – A rede de relacionamento
Etapa 3 – A rede de relacionamento
3
Etapa 3 – A rede de relacionamento
3
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
A rede sob a perspectiva da ARCO
A importância da rede e das parcerias
As parcerias com instituições governamentais
As parcerias com instituições não governamentais
Relacionamento com instituições estrangeiras
A “ameaça” da escola pública em tempo integral
A ARCO faz a diferença?
Vale a pena continuar?
1
A importância da rede e das parcerias
• Acesso à informação
• Conhecer outras entidades, com atividades
diferentes
• Um processo em andamento...
• Reciprocidade
1
A importância da rede e das parcerias
“São as parcerias com ONGs, postos de saúde, escolas,
CEIs, instituições, comércio local que se soma ao trabalho
da ARCO, onde podemos desenvolver ações conjuntas em
prol das crianças, adolescentes e famílias.” (Entrevistado
3)
“Sim, os contatos são muito importantes, muitas vezes a
articulação é mais importante do que o apoio financeiro
propriamente dito, a gestão democrática respeitando a
comunidade local, o saber ouvir, criando espaços de
escuta.” (Entrevistado 5)
1
A importância da rede e das parcerias
“Nos últimos três anos ouve-se falar muito em rede, mas
ainda se está tateando, as pessoas ainda não entenderam o
que seria a rede. ... Os encontros têm que fazer a rede fluir
porque, às vezes é só reunião mesmo, ... mas existe uma
vontade muito grande de haver troca de experiências”.
(Entrevistado 1)
“O relacionamento é bom, pois estamos sempre envolvidos
com outras instituições para realização de mobilização em
prol da comunidade. Ainda é necessário solidificar o
relacionamento com mais instituições, nem todas abrem
portas, mas continuamos batendo”. (Entrevistado 3)
1
A importância da rede e das parcerias
• “[...] na verdade a gente está consolidando algumas [parcerias] que já
existem. Nesses últimos 2 anos a ARCO acabou diminuindo um pouco o
número de parceiros, mas hoje a gente considera como parceiro só quem
na verdade tem uma troca, tanto da organização ou do poder público em
relação a ARCO ou da ARCO em relação a esse parceiro, ou órgão do poder
público. Então acho que hoje a gente consegue selecionar um pouco
melhor esses parceiros, também adaptando conforme nossas
necessidades, antes a gente aceitava todo mundo como parceiros, “Ótimo,
vamos trabalhar juntos”! Hoje não, hoje a gente seleciona um pouco disso,
né. Quer ser parceiro, “tá, qual é sua parte qual é a nossa”?”. Então é uma
questão bilateral, a gente tem que conseguir entender qual o instrumental
a gente vai trabalhar, ou o que a gente vai criar de instrumental, pra você
receber um dos nossos usuários no seu serviço ou vice-versa, o que vai
acontecer pra cada um deles. Então tem diminuído, mas acho que agora
com mais qualidade, a gente tem agora realmente quem é necessário pra
região ou pro atendimento”. (Entrevistado 5)
2
As parcerias com instituições governamentais
As parcerias com instituições governamentais
• Relevantes, mas não homogêneas
• Algumas são verdadeiras parcerias
• Convênios são os mais difíceis, não há confiança
• Se vê melhora, especialmente nos procedimentos,
alguma abertura no ouvir a ARCO
• Muda a cada gestão
2
As parcerias com instituições governamentais
Com a UBS, eles têm um modelo de gestão bem mais próximo da comunidade, eles
querem fazer uma visita, têm receio, ouviram falar que é ponto de venda drogas,
alguém da ARCO acompanha, ..., as campanhas de vacinação, eles ligam e pedem:
podemos fazer a campanha aí?, ..., ..., na caminhada [caminhada anual contra a
violência contra a mulher] eles fizeram medição de pressão, eles são muito abertos, a
gente faz parte do conselho gestor das 2 UBS, ..., é a rede funcionando de verdade,
uma parceria mesmo”.(Entrevistado 1).
O CIC SUL [Centro de Integração da Cidadania], eles vêm aqui, usam nosso espaço,
fazem tudo na hora, eles emitem segunda via de RG, certidão de nascimento, carteira
de trabalho também sai na hora. E é bem legal, porque é um dia que a gente lida com
histórias..., um senhor um dia me chamou no portão e perguntou se puxava a ficha
policial. Eu entrei lá, sabia que sim, mas perguntei pro policial e ele disse: “fala pra ele
só pedir a certidão de nascimento, que não puxa”. Ele entrou, pediu a certidão e na
saída ele agradeceu muito, “Muito obrigado, se acontecer alguma coisa comigo,
minha família não vai ficar na mão”. (Entrevistado 1).
2
As parcerias com instituições governamentais
“O SASF – [serviço de assistência social familiar],
que encaminha, discute, pressiona outros órgãos
relacionados a direito e cidadania de forma
conjunta. As secretarias da Assistência social e
secretaria de Educação, encaminham casos para
atividades socioeducativas/educação, verificam
conjuntamente programas de transferência de
renda e oferece convênios que repassam
verbas/valores para manter as atividades.”
(Entrevistado 5).
2
As parcerias com instituições governamentais
Convênios fazem a diferença, principalmente o financeiro, pra você
manter o atendimento. Acho que precisa muito ainda de que esses
convênios sejam realmente parceria. Eles falam muito de
contrapartida, uma ONG não tem lucro, como vai dar contrapartida? ...
O relacionamento é complicado porque é goela abaixo, você tem que
fazer e pronto. Por exemplo, a educação infantil, a gente atendia até 6
anos, depois não podia mais atender. Mesmo que a gente esteja a mais
de 1 km de distância, não tem conversa, eles não veem a realidade, a
gente ouvia, “as mães têm que se virar, vai ter perua”, mas não tem
perua pra todo mundo, as peruas não sobem o morro, as mães descem
o morro, deixam os filhos e vão trabalhar. Aí, um ano depois eles
voltaram atrás e viram que não tinha como não oferecer e
conseguimos oferecer pras crianças de novo. Elas vão pro EMEI e
depois vêm pra ARCO. No ano que ficamos sem convênio conseguimos
manter por conta do prêmio da UNICEF e depois voltou o convênio com
a Prefeitura. (Entrevistado 1).
2
As parcerias com instituições governamentais
Os convênios trazem um resultado financeiro muito positivo,
mas referente à transparência e confiança, eu não acredito
que exista, especialmente por parte da educação. Não existe
uma regra, existe o que eles acham no momento, deixa a
gente perdido e inseguro, a gente não sabe o que eles vão
pedir. Mesmo dentro da secretaria eles não conversam entre
eles... tem mudanças de técnicos, um pede de um jeito, outro
de outro, ..., muda bastante de técnicos. Na assistência e no
FUMCAD eu tenho mais liberdade até pra trocar informações,
posso ligar e fazer perguntas que eles me atendem super bem.
Na educação, eles têm um bloqueio, parece que se der uma
risada alguma coisa grave vai acontecer, eles são muito sérios.
(Entrevistado 2).
2
As parcerias com instituições governamentais
No caso da creche, (CEI), essa parceria, que sempre que troca
a pessoa da DRE, eles não se conversam, a gente entrega
determinado documento, a outra área não recebe e cobra,
essa questão de eles não falarem a mesma língua é difícil...
Tem desconfiança, o mais difícil, de uns 2 ou 3 anos pra cá, é a
falta de credibilidade, tudo que você fala, numa prestação de
contas você percebe o ar da pessoa de que ela está
desconfiando de você. Eu sempre acompanho as prestações
de contas, e quando você chega lá dentro, dá a impressão que
a gente está roubando. Eles falam que estão aqui pra
supervisionar o trabalho, mais para orientar, mas estão aqui
pra cobrar. Você tem que fazer isso, não é uma relação de
confiança. Sem essa parceria a gente não teria pernas pra
trabalhar, mas às vezes tem esse contraste. (Entrevistado 3).
2
As parcerias com instituições governamentais
“Dá impressão que a gente é aquele primo pobre da prefeitura, né?
Você tá lá, você é frente de trabalho e às vezes você é tratada tão mal,
tudo bem que se melhorou muita coisa, agora a gente é convidada a
participar das reuniões, mas não recebe o mesmo tratamento da rede
direta. Você vai numa reunião e você percebe quem é convênio quem é
da rede direta, sabe, no tratamento mesmo que é dado. E mesmo
quando a gente fala com a rede direta e fala que é da rede indireta,
você pode até tentar conversar, tentar entrar, mas não consegue. Você
tem 2 olhares, eu não tinha esse olhar, quando eu era da rede direta.
Quando vim pra ARCO, percebi essa diferença no tratamento. Estamos
todos na mesma causa, porém, tem essa distinção”. (Entrevistado 3)
2
As parcerias com instituições governamentais
“Tem melhorado, abertura, o espaço de escuta existe, as organizações
também criaram essa forma de se organizar, fazer fóruns e tornar
então visível essas demandas que antigamente o poder público não
conseguia visualizar então agora teve uma grande força em relação a
isso. Aí então isso influencia em verbas, na utilização de novos de
profissionais, na geração de políticas públicas, então tudo isso acaba
sendo uma construção que veio na verdade de baixo pra cima e não
mais como era de cima pra baixo como era apenas uma visão, às vezes
muito elitista da situação ou de pouco conhecimento dos territórios
onde as organizações estavam inseridas. Então essa questão de fóruns,
‘em defesa da vida’, ‘assistência social’ ou ‘saúde’ são muito
importantes porque trazem um histórico da região que conseguem
chegar com dados estatísticos mais concretos com o poder público e
assim pleitear uma política pública”. (Entrevistado 5)
2
As parcerias com instituições governamentais
“Acho que a cada gestão é diferente, às vezes é fácil o acesso porque
tal demanda está muito visível na mídia, ou não, dependendo então de
quem está no cargo fazendo a coordenação. Existe uma questão
partidária que então atrapalha essa questão, muitos não são da área
social, e a gente tem muita dificuldade de passar essa questão, ...,
Outro desafio é conseguir caminhar do ponto em que paramos, porque
a cada mudança de governo ocorre um retrocesso, porque eles não
respeitam o que já foi construído até o momento, então isso é um
desafio”. (Entrevistado 5)
3
As parcerias com ONGs
• A maioria é sem troca de recursos financeiros
• Complementaridade para expandir o atendimento
• Mais intensa no território
“A Monte Azul [ONG do bairro vizinho, parceira há mais de 15 anos] faz um
trabalho muito eficiente com alcoólatras adultos, então a gente encaminha
vários pra lá, o nosso forte aqui é música e informática eles também
encaminham pra cá [sem troca de recursos financeiros entre as
partes].(Entrevistado 1)
“Tem uma ONG a Novolhar, trabalha com música e jovens, que tem uma
estrutura no Bixiga, linda maravilhosa, e eles queriam alguma coisa aqui na
zona sul e o que eles falaram, ‘no Bixiga a oferta é muito grande’, eles abrem
vagas e os cursos ficam lá ao léu e aqui, eles vieram aqui e ficaram
apaixonados com o tanto de empenho dos nossos alunos.” (Entrevistado 1).
3
As parcerias com ONGs
“Tem a Banca Audácia jovem, a Artemísia, a Rede América, que usam
nosso espaço e nosso conhecimento do território para fazer atividades
deles. Atendidos nossos e deles, eles juntam e fazem um bom trabalho.
Eles já trouxeram pra ARCO alunos de um colégio particular, jovens,
que ficaram trabalhando aqui um dia com a gente”. (Entrevistado 2).
“A ARCO é uma rede mais com as ONGs que estão próximas à gente.
Como a caminhada que a gente fez no ano passado, então várias
instituições mandaram pessoas pra participar, algumas mais
timidamente, outras menos, todas trabalham pela mesma causa, em
diferentes lugares, mas tem que expandir muito mais. Troca de
experiências é fundamental, fóruns de educação infantil que a gente
está junto, tem contato com instituições de outros lugares, contato
telefônico, dá dicas, ajuda muito. No ano passado, ano de eleição, os
governos participavam mais, mas geralmente, 2 a 3 vezes no ano vem
alguém do governo participar”. (Entrevistado 3).
3
As parcerias com ONGs
“As igrejas são fundamentais para algumas
famílias, mesmo em caso de extrema pobreza,
ter fé e espaço para compartilhar seus desejos,
anseios e frustações é muito importante. Além
de ser um aparelho ideológico que condiciona a
boa convivência e valores morais, em alguns
casos as igrejas contribuem em ações
assistencialistas (diferente da proposta da
assistência social que é transformação social)”.
(Entrevistado 5).
4
As parcerias com instituições estrangeiras
• Baseadas na confiança
• Mais difícil captar recursos nos últimos anos
“O relacionamento com outras ONGs é muito bom, é muito rápido, a gente tem
muito pouca burocracia. Talvez por ser estrangeira também facilita muito, quando
estou lá (no exterior), de mostrar fotos, filmes, eles ajudam, acreditam, apoiam,
muitas vezes nem é ONG, é mais comunidades religiosas e muitas escolas querem,
faz parte do currículo das escolas da Suíça, mostrar pras crianças pra eles crescendo
saberem que o mundo não é só lindo. Mesmo que as autoridades falem lá na Suíça
que o Brasil não faz mais parte do terceiro mundo, não precisa mais de ajuda, a
gente sabe que a realidade é muito ruim, eu tenho que falar que é terceiro mundo
ainda. ... Mas a realidade é que na classe baixa, a maioria ainda é muito carente,
pobre mesmo. Hoje esta precisando mais coisas pra convencer eles que realmente
precisa. Antigamente todo mundo sabia que tinha crianças nos faróis, pedindo
dinheiro, a pobreza. Hoje tem que trabalhar muito mais pra convencer eles que ‘
gente, não é assim, ainda tem muita pobreza, precisamos muito de ajuda. Eles
querem só um relatório do que fizemos com o dinheiro, tem confiança, dá menos
gasto, eles gostam muito de fotos, da uma ideia da nossa realidade”. (Entrevistado
4).
5e
6
5.
A escola pública e o reconhecimento
A ameaça da escola pública em tempo integral
• Não acreditam no curto ou médio prazo
• Relacionamento com as escolas é difícil, mas tem avançado
• Caso se torne realidade, irão se adaptar e trabalhar mais jovens e adultos
• Realçam a diferença na qualidade e no atendimento às famílias
6.
A ARCO faz a diferença?
• Tipo de trabalho oferecido
• Mudança no trabalho ao longo dos anos
• Adaptação à comunidade e às políticas públicas
7
Vale a pena continuar?
Eu ia ficar meio ano e agora são quase vinte anos, com certeza vale a pena...
Quando estou na Suíça, muitas vezes vem a pergunta: mas são 600 crianças
hoje, quantas crianças têm em São Paulo e no Brasil que precisariam de
ajuda? Isso não é só uma gotinha numa pedra quente? Aí eu falo, sim, mas
só essa gotinha já não vale a pena? Claro que vale! (Entrevistado 4)
“Sim, acho que sim, acho que tem muito por fazer, cada época tem uma
questão social diferente a ser enfrentada, às vezes é o tráfico, às vezes são
questões de direitos humanos, algumas vezes relacionadas à própria
cidadania, a dificuldade de acesso aos serviços públicos, essa garantia de
direitos às vezes não acontece, mas a gente tem alguns casos que posso
considerar de sucesso, alguns conseguem ampliar sua visão de
mundo,conseguem cursar uma universidade, mesmo vindo da periferia, da
favela quebrando o ciclo de violência. ...Acho que vale a pena continuar, a
comunidade precisa ainda da gente, nosso sonhe é não existir.”
(Entrevistado 5)
4
Considerações finais
• Convênios com governo trazem estabilidade financeira
e aumento na quantidade e na qualidade dos
atendimentos
• Parcerias com governo são vitais para a continuidade
do serviço, mas o relacionamento não é homogêneo
• Pouca abertura por parte dos órgãos que realizam os
convênios a ouvir opiniões e sugestões – caminho de 2
mãos
• Parcerias com outras ONGs trazem flexibilidade e
expansão dos serviços oferecidos
4
Considerações finais
• A rede é reconhecida como importante, viabiliza
troca de informações, de experiências, mas é um
processo em construção
• A ARCO é utilizada como um polo de apoio a
diversas entidades governamentais e ONGs,
legitimada por sua confiança junto à
comunidade e sua articulação externa
• A exclusão social da microrregião é uma triste
realidade e ainda há muito a ser feito para
mudar este cenário
Dúvidas?!
MUITO OBRIGADA!
Contato:
[email protected]
(11) 9 9181-0961
[email protected]
(11) 9 8426-5388
Download

Redes e Parcerias - PUC-SP