Maria Teresa Stefani Cássia Maria Paula Lima Introdução • Todo mundo vive em rede Introdução • Tem vantagens mas também tem desvantagens • Hoje a sensação é que tudo se resolve pela rede. Será? Introdução • Hoje iremos mostrar duas ONGs que experimentaram as vantagens e desvantagens de trabalhar em rede. O que são redes sociais? ATIVIDADE DE ABERTURA 1 O que são redes sociais? 1 O que são redes sociais? 2 Quais são as principais características? Não tem hierarquia Laços fortes e fracos Poder horizontal Buracos estruturais 3 Quais são as outras formas de se organizar? Modelos Organizacionais de G. Morgan 3 Quais são as outras formas de se organizar? Modelos Organizacionais de G. Morgan 4 Quais são as vantagens? • Reduzir Riscos • Aumentar capacidades das pessoas e organizações • Estabelecer governanças que não sejam hierárquicas • Permitir a gestão espalhada por diversos locais físicos Vantagens de Atuar em Rede VÍDEO HTTP://WWW.YOUTUBE.COM/WATCH?V=02Q4F7T4VI0 5 Qual é a relação de Redes com ONGs? • Causa • Fins Públicos 6 Como uma ONG pode atuar em rede? 6 Como uma ONG pode atuar em rede? • Reforçando: – Criar Laços Fortes com a População Atendida – Envolver os Participantes da Rede – Recuperar Elos ou Tramas Perdidas – Compartilhar Conhecimento Atuar em Rede ESTUDO DE CASO: LIGA SOLIDÁRIA A transformação ocorreu pela atuação em rede História da Liga Solidária • Fundada em 1923 – Restaurante para as mulheres no centro da cidade – Liga das Senhoras Católicas • Ações Filantrópicas – Revolução de 1932 – Criação do Complexo Educandário Dom Duarte em 1936 A Transformação da Liga 1 Situação Anterior • Abrigos com práticas anteriores ao Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) de 1990 2 Situação Atual • Assistência à família e ao entorno do Complexo Educandário Dom Duarte • Criação da Casa de Passagem • Mudança de Gestão no Complexo Educandário Dom Duarte • Mudança de Gestão da Liga – Mudança de nome para Liga Solidária Criar Laços Fortes com a População Atendida • Mudança de tratamento da população beneficente – Buscou especialistas na área social – Fez um planejamento estratégico envolvendo toda a organização – Procurou os líderes da região e associações – Envolveu-se em questões da comunidade Envolver os Participantes da Rede • Maior envolvimento entre os doadores e a população atendida • Provocou reuniões da comunidade em seu espaço • Mudança de nome foi realizado em conjunto Recuperar Elos ou Tramas Perdidas • Aproximou poder público da população atendida – Caso das ETECs – Caso da abertura do Complexo – Caso Reintegração de Posse Compartilhar Conhecimento • As novas atuações continuaram mesmo depois da transição de presidente Atuar em Rede ESTUDO DE CASO: ARCO ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE Um processo em evolução... O que foi estudado 1. As parcerias com a Prefeitura Municipal e a evolução nos serviços prestados nos últimos 10 anos 2. As condições de vida da comunidade 3. A rede de relacionamento ARCO Associação Beneficente • Existe há mais de 20 anos – fundada em 1991; • Passou por diversas administrações, de 1995 (100 crianças) até 2011 (550 crianças e jovens); • Convênios de Educação (Creche) e Assistência social (CCA e CJ) – PMSP; Projetos com FUMCAD e doadores pessoas físicas e jurídicas; • Prazo longo – possível avaliar evolução das parcerias; • Serviços gratuitos; • Títulos que atestam idoneidade financeira e bons serviços prestados à comunidade Serviços oferecidos à comunidade • Centro de Educação infantil (CEI) – 120 crianças em período integral • Centro para Criança e Adolescente (CCA) – 360 crianças e jovens no período alternado ao que estão na escola pública • Centro para Juventude (CJ) – 60 jovens também no período que não estão na escola pública • Música, Esporte, Informática e Trabalhos manuais em madeira, • Geração de renda – Colcha de Retalhos • Alfabetização de jovens e adultos • Reforço de língua portuguesa e matemática para os assistidos • Formação continuada de colaboradores • Atendimentos psicológico, psicopedagógico, fonoaudiológico e assistência social • Projetos através do Fundo Municipal da Criança e Adolescente – (FUMCAD) para oferta de atividades culturais e esportivas à comunidade Localização O entorno Fonte: GOOGLE Maps,2012. O entorno Fonte: GOOGLE Maps,2012. A vulnerabilidade do entorno M’Boi Mirim Fonte: PREFEITURA DE SÃO PAULO, 2012. Estatísticas da microrregião • População: 30.647 habitantes – 8.159 famílias – 3,8 pessoas por família; • 18,66% das gestantes têm de 10 a 19 anos • Crianças de 7 a 14 anos na escola: 96,59% • Pessoas cobertas com plano de saúde: 15,01% • Abastecimento de Água – Rede Pública: 89% • Destino do Lixo – Coleta Pública: 99% • Destino Fezes/Urina – Esgoto: 37%; Fossa: 61%; Céu Aberto: 2% • Tratamento Água no Domicilio – Filtração: 57%; Sem Tratamento: 33% Fonte: Sistema de informações de atenção básica (SIAB) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) – Dez/2007 Etapa 1 – Evolução dos últimos 10 anos As parcerias com a Prefeitura Municipal e a evolução nos serviços prestados nos últimos 10 anos Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO Análise VERTICAL – Grau de dependência de recursos externos Exigível x Patrimônio Líquido 120,0 100,0 98,1 87,1 87,9 86,5 90,6 91,9 89,6 80,0 60,0 Exigível 45,6 32,1 40,0 Patrimônio Líquido 20,0 0,0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Ativo Realizável x Ativo Imobilizado 75,6 80,0 70,1 70,0 60,0 50,0 60,8 53,1 46,9 52,9 47,1 55,5 59,4 49,051,0 44,5 39,2 40,0 58,8 41,2 40,6 Ativo Realizável 29,9 30,0 24,4 20,0 10,0 0,0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Ativo Imobilizado Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO Análise HORIZONTAL – Tendências e evolução ao longo dos anos Superávit do Exercício 80,000 60,000 40,000 20,000 -20,000 -40,000 -60,000 -80,000 Superávit do Exercício Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO Receitas e Despesas – Origem dos recursos - % 80.00 70.00 60.00 50.00 40.00 30.00 20.00 10.00 .00 71.503 47.792 30.156 21.094 44.537 31.298 22.284 .958 53.476 49.934 47.478 39.616 34.595 27.024 26.318 24.629 22.826 22.089 1.882 1.160 2.672 75.940 60.733 37.097 7.142 1.659 22.326 19.875 15.380 15.352 8.081 7.752 2.285 1.560 .870 .627 "Amigos da Arco" (Suíça) Subtotal Particulares (Brasil) Subtotal Governos Subtotal Ativades Próprias Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO Receitas – Evolução dos recursos em moeda constante 1,600,000 1,400,000 1,200,000 1,000,000 800,000 600,000 400,000 200,000 - "Amigos da Arco" (Suíça) Subtotal Particulares (Brasil) Subtotal Governos Subtotal Atividades Próprias Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO Despesas – destinação dos recursos (de 2008 a 2011) 45.000 41.924 40.192 40.000 38.716 35.000 30.000 37.790 35.489 32.455 31.801 25.795 28.559 25.922 24.279 23.065 25.000 20.000 15.000 10.000 5.454 3.561 5.000 2.555 2.442 .000 1905n1905raal 1905n1905raal 1905n1905raal Desp. ativ. Assistência Social Desp. Ativ. Educação Outras ativ. Ass. Educ. - aplicações Outras despesas ordinárias 1905n1905raal Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO Despesas – evolução das atividades – moeda constante 300.00 263.941 249.912 250.00 200.00 163.454 150.00 100.00 100.00 127.716 120.344 86.583 50.00 131.135 131.158 76.098 170.795 154.426 81.351 .00 1905n1905raal 1905n1905raal 1905n1905raal Desp. ativ. Assistência Social Desp. Ativ. Educação Outras ativ. Ass. Educ. - aplicações Outras despesas ordinárias 1905n1905raal Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO Convênios com a Prefeitura Municipal de São Paulo - EDUCAÇÃO 3.000 2.580 2.840 2.500 2.000 1.664 1.500 1.000 1.000 1.203 1.289 1.518 .500 .000 1905n1905raal 1905n1905raal Índice de evolução da receita (2008=1,00) 1905n1905raal 1905n1905raal Índice de evolução da despesa (2008=1,00) Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO Convênios com a PM de São Paulo – ASSISTÊNCIA SOCIAL 2.000 1.800 1.600 1.400 1.200 1.000 .800 .600 .400 .200 .000 1.823 1.581 1.468 1.726 1.485 1.401 1.000 1905n1905raal 1905n1905raal 1905n1905raal Índice de evolução da receita (2008=1,00) Índice de evolução da despesa (2008=1,00) 1905n1905raal Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO A pontualidade dos repasses dos projetos FUMCAD Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO A pontualidade dos repasses dos Convênios - CEI C EI - Co n vê n io c o m Se cr e tar ia d a E d u c aç ão - p arc e la m e n sal 20 1 1 2012 M ê s d o r ep a sse D e ze m b r o Ja n e ir o Fe ve r eiro M ar ço A b r il M aio Ju n h o Ju lh o A g o sto Se t em b ro O u tu b r o N o ve m b r o TOTAL M é d ia ar itm é tic a V alo r m en sal N u m . D ia s a tra so V alo r m e n sal N u m . D ia s a tr aso R$ 3 6 .0 0 0 15 R $ 5 0 .0 0 0 0 R$ 3 6 .0 0 0 24 R $ 5 0 .0 0 0 4 R$ 3 6 .0 0 0 3 R $ 5 0 .0 0 0 3 R$ 3 6 .0 0 0 2 R $ 5 0 .0 0 0 3 R$ 3 7 .4 0 0 1 R $ 5 0 .0 0 0 3 R$ 3 7 .4 0 0 4 R $ 5 0 .0 0 0 2 R$ 4 6 .8 0 0 14 R $ 5 0 .0 0 0 2 R$ 4 6 .8 0 0 1 R $ 5 0 .0 0 0 2 R$ 4 6 .8 0 0 4 R $ 5 0 .0 0 0 2 R$ 4 6 .8 0 0 3 R $ 5 0 .0 0 0 0 R$ 4 6 .8 0 0 3 R $ 5 0 .0 0 0 5 R$ 4 6 .8 0 0 0 R $ 5 0 .0 0 0 0 R$ 4 9 9 .6 0 0 74 R $ 6 0 0 .0 0 0 26 R$ 4 1 .6 3 3 6 R $ 5 0 .0 0 0 2 Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO A pontualidade dos repasses dos Convênios – CCA/CJ Etapa 2 – A comunidade e a ARCO 1. Situação socioeconômica das famílias 2. Percepção em relação à ARCO 3. Expectativas quanto ao futuro Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Tipo de moradia 70.00% 62.500% 60.00% 50.00% 40.00% 30.00% 20.00% 10.00% 10.200% 10.400% 12.00% Invasão Cedida Alugada 4.900% .00% Não respondeu Própria Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Nível de moradia 40.00% 33.922% 35.00% 30.00% 27.059% 26.471% 25.00% 20.00% 15.00% 7.255% 10.00% 5.00% 3.333% 1.961% .00% Baixíssimo Baixo Médio Satisfatório Bom N/A Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Situação socioeconômica das famílias Despesas mensais x Bolsa Família 60.00% 49.500% 50.00% 37.800% 40.00% 30.00% 28.500% 27.800% 20.900% 14.300% 20.00% 10.00% Não 13.500% 7.700% Sim .00% Até R$ 500 De R$ 501 a R$ 1000 De R$ 1001 a R$ 1500 Acima R$ 1500 Nível de Moradia x Participa do Bolsa família 40.00% 37.700% 36.100% 36.900% 35.00% 30.00% 32.800% 26.500% 25.00% 16.400% 20.00% 15.00% 5.00% Sim 7.300% 10.00% 2.300% 2.300% 1.700% .00% Baixíssimo Não Baixo Bom Médio Satisfatório Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Percepção em relação à ARCO Alguem da família já passou pela ARCO 70.00% 60.00% 50.00% 40.00% 30.00% 20.00% 10.00% .00% 57.255% 42.745% Não Sim Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Percepção em relação à ARCO O que seu filho aprendeu na ARCO 35.00% 30.00% 25.00% 20.00% 15.00% 10.00% 5.00% .00% 32.800% 23.600% 15.600% 8.00% Informática 45.00% 40.00% 35.00% 30.00% 25.00% 20.00% 15.00% 10.00% 5.00% .00% 20.00% Ler e escrever Relacionamento Ativ. Culturais Outros Diferenças entre a ARCO e a Escola pública 40.700% 9.800% Regras 14.600% Ensino 17.600% 17.300% Oficinas Atenção Outros Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Expectativas com relação ao futuro O que mais o incomoda em sua vida hoje 25.00% 20.250% 20.00% 16.00% 16.500% 15.00% 10.00% 5.00% 8.750% 5.00% 5.00% 5.00% Condições do local Distância Estudo 8.750% 9.500% 5.250% .00% Criminalidade Saúde Moradia Convivência Pobreza Trabalho Outros O que estaria disposto a fazer para mudar 46.630% 50.00% 40.00% 30.370% 30.00% 16.560% 20.00% 10.00% 6.440% .00% Cuidar da saúde Estudar Outros Trabalhar Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Expectativas com relação ao futuro Qual curso gostaria de fazer? 35.00% 30.00% 25.00% 20.00% 15.00% 10.00% 5.00% .00% 33.170% 18.690% 6.540% 7.940% 8.880% Enfermagem Beleza Costura e Artesanato 11.680% 13.080% Culinária Informática Outros Não sabe/Não resp O que faria para mudar x Participa do Bolsa família 60.00% 51.020% 44.740% 50.00% 40.00% 32.010% 26.530% 30.00% 16.670% 16.330% 20.00% 10.00% NÃO SIM 6.580% 6.120% .00% Cuidar da saúde Estudar Outros Trabalhar Etapa 3 – A rede de relacionamento 1. A rede em números 2. A rede sob a perspectiva da ARCO Etapa 3 – A rede de relacionamento Etapa 3 – A rede de relacionamento Tipo de instituição 45.00% 40.00% 35.00% 30.00% 25.00% 20.00% 15.00% 10.00% 5.109% 3.650% 5.00% 2.143% 1.071% .730% 2.500% .00% Comunitário Escola/Clube Rede 38.929% 36.071% 32.847% 30.657% 2011 10.949% 5.109% 2.857% 5.00% Fundação Religiosa 2012 11.429% 10.949% ONG Governo Empresa Tipo do relacionamento com a ARCO 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 75.238% 67% 4.762% 4% Assistência Cidadania e direitos 1.429% 2% Cultura 10.00% 12% 1.429% 1% Educação Lazer 2011 2012 2.381% 6% Legal .00% 1% Outros 4.286% 7% Saúde .476% 0% Segurança Etapa 3 – A rede de relacionamento Etapa 3 – A rede de relacionamento 3 Etapa 3 – A rede de relacionamento 3 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. A rede sob a perspectiva da ARCO A importância da rede e das parcerias As parcerias com instituições governamentais As parcerias com instituições não governamentais Relacionamento com instituições estrangeiras A “ameaça” da escola pública em tempo integral A ARCO faz a diferença? Vale a pena continuar? 1 A importância da rede e das parcerias • Acesso à informação • Conhecer outras entidades, com atividades diferentes • Um processo em andamento... • Reciprocidade 1 A importância da rede e das parcerias “São as parcerias com ONGs, postos de saúde, escolas, CEIs, instituições, comércio local que se soma ao trabalho da ARCO, onde podemos desenvolver ações conjuntas em prol das crianças, adolescentes e famílias.” (Entrevistado 3) “Sim, os contatos são muito importantes, muitas vezes a articulação é mais importante do que o apoio financeiro propriamente dito, a gestão democrática respeitando a comunidade local, o saber ouvir, criando espaços de escuta.” (Entrevistado 5) 1 A importância da rede e das parcerias “Nos últimos três anos ouve-se falar muito em rede, mas ainda se está tateando, as pessoas ainda não entenderam o que seria a rede. ... Os encontros têm que fazer a rede fluir porque, às vezes é só reunião mesmo, ... mas existe uma vontade muito grande de haver troca de experiências”. (Entrevistado 1) “O relacionamento é bom, pois estamos sempre envolvidos com outras instituições para realização de mobilização em prol da comunidade. Ainda é necessário solidificar o relacionamento com mais instituições, nem todas abrem portas, mas continuamos batendo”. (Entrevistado 3) 1 A importância da rede e das parcerias • “[...] na verdade a gente está consolidando algumas [parcerias] que já existem. Nesses últimos 2 anos a ARCO acabou diminuindo um pouco o número de parceiros, mas hoje a gente considera como parceiro só quem na verdade tem uma troca, tanto da organização ou do poder público em relação a ARCO ou da ARCO em relação a esse parceiro, ou órgão do poder público. Então acho que hoje a gente consegue selecionar um pouco melhor esses parceiros, também adaptando conforme nossas necessidades, antes a gente aceitava todo mundo como parceiros, “Ótimo, vamos trabalhar juntos”! Hoje não, hoje a gente seleciona um pouco disso, né. Quer ser parceiro, “tá, qual é sua parte qual é a nossa”?”. Então é uma questão bilateral, a gente tem que conseguir entender qual o instrumental a gente vai trabalhar, ou o que a gente vai criar de instrumental, pra você receber um dos nossos usuários no seu serviço ou vice-versa, o que vai acontecer pra cada um deles. Então tem diminuído, mas acho que agora com mais qualidade, a gente tem agora realmente quem é necessário pra região ou pro atendimento”. (Entrevistado 5) 2 As parcerias com instituições governamentais As parcerias com instituições governamentais • Relevantes, mas não homogêneas • Algumas são verdadeiras parcerias • Convênios são os mais difíceis, não há confiança • Se vê melhora, especialmente nos procedimentos, alguma abertura no ouvir a ARCO • Muda a cada gestão 2 As parcerias com instituições governamentais Com a UBS, eles têm um modelo de gestão bem mais próximo da comunidade, eles querem fazer uma visita, têm receio, ouviram falar que é ponto de venda drogas, alguém da ARCO acompanha, ..., as campanhas de vacinação, eles ligam e pedem: podemos fazer a campanha aí?, ..., ..., na caminhada [caminhada anual contra a violência contra a mulher] eles fizeram medição de pressão, eles são muito abertos, a gente faz parte do conselho gestor das 2 UBS, ..., é a rede funcionando de verdade, uma parceria mesmo”.(Entrevistado 1). O CIC SUL [Centro de Integração da Cidadania], eles vêm aqui, usam nosso espaço, fazem tudo na hora, eles emitem segunda via de RG, certidão de nascimento, carteira de trabalho também sai na hora. E é bem legal, porque é um dia que a gente lida com histórias..., um senhor um dia me chamou no portão e perguntou se puxava a ficha policial. Eu entrei lá, sabia que sim, mas perguntei pro policial e ele disse: “fala pra ele só pedir a certidão de nascimento, que não puxa”. Ele entrou, pediu a certidão e na saída ele agradeceu muito, “Muito obrigado, se acontecer alguma coisa comigo, minha família não vai ficar na mão”. (Entrevistado 1). 2 As parcerias com instituições governamentais “O SASF – [serviço de assistência social familiar], que encaminha, discute, pressiona outros órgãos relacionados a direito e cidadania de forma conjunta. As secretarias da Assistência social e secretaria de Educação, encaminham casos para atividades socioeducativas/educação, verificam conjuntamente programas de transferência de renda e oferece convênios que repassam verbas/valores para manter as atividades.” (Entrevistado 5). 2 As parcerias com instituições governamentais Convênios fazem a diferença, principalmente o financeiro, pra você manter o atendimento. Acho que precisa muito ainda de que esses convênios sejam realmente parceria. Eles falam muito de contrapartida, uma ONG não tem lucro, como vai dar contrapartida? ... O relacionamento é complicado porque é goela abaixo, você tem que fazer e pronto. Por exemplo, a educação infantil, a gente atendia até 6 anos, depois não podia mais atender. Mesmo que a gente esteja a mais de 1 km de distância, não tem conversa, eles não veem a realidade, a gente ouvia, “as mães têm que se virar, vai ter perua”, mas não tem perua pra todo mundo, as peruas não sobem o morro, as mães descem o morro, deixam os filhos e vão trabalhar. Aí, um ano depois eles voltaram atrás e viram que não tinha como não oferecer e conseguimos oferecer pras crianças de novo. Elas vão pro EMEI e depois vêm pra ARCO. No ano que ficamos sem convênio conseguimos manter por conta do prêmio da UNICEF e depois voltou o convênio com a Prefeitura. (Entrevistado 1). 2 As parcerias com instituições governamentais Os convênios trazem um resultado financeiro muito positivo, mas referente à transparência e confiança, eu não acredito que exista, especialmente por parte da educação. Não existe uma regra, existe o que eles acham no momento, deixa a gente perdido e inseguro, a gente não sabe o que eles vão pedir. Mesmo dentro da secretaria eles não conversam entre eles... tem mudanças de técnicos, um pede de um jeito, outro de outro, ..., muda bastante de técnicos. Na assistência e no FUMCAD eu tenho mais liberdade até pra trocar informações, posso ligar e fazer perguntas que eles me atendem super bem. Na educação, eles têm um bloqueio, parece que se der uma risada alguma coisa grave vai acontecer, eles são muito sérios. (Entrevistado 2). 2 As parcerias com instituições governamentais No caso da creche, (CEI), essa parceria, que sempre que troca a pessoa da DRE, eles não se conversam, a gente entrega determinado documento, a outra área não recebe e cobra, essa questão de eles não falarem a mesma língua é difícil... Tem desconfiança, o mais difícil, de uns 2 ou 3 anos pra cá, é a falta de credibilidade, tudo que você fala, numa prestação de contas você percebe o ar da pessoa de que ela está desconfiando de você. Eu sempre acompanho as prestações de contas, e quando você chega lá dentro, dá a impressão que a gente está roubando. Eles falam que estão aqui pra supervisionar o trabalho, mais para orientar, mas estão aqui pra cobrar. Você tem que fazer isso, não é uma relação de confiança. Sem essa parceria a gente não teria pernas pra trabalhar, mas às vezes tem esse contraste. (Entrevistado 3). 2 As parcerias com instituições governamentais “Dá impressão que a gente é aquele primo pobre da prefeitura, né? Você tá lá, você é frente de trabalho e às vezes você é tratada tão mal, tudo bem que se melhorou muita coisa, agora a gente é convidada a participar das reuniões, mas não recebe o mesmo tratamento da rede direta. Você vai numa reunião e você percebe quem é convênio quem é da rede direta, sabe, no tratamento mesmo que é dado. E mesmo quando a gente fala com a rede direta e fala que é da rede indireta, você pode até tentar conversar, tentar entrar, mas não consegue. Você tem 2 olhares, eu não tinha esse olhar, quando eu era da rede direta. Quando vim pra ARCO, percebi essa diferença no tratamento. Estamos todos na mesma causa, porém, tem essa distinção”. (Entrevistado 3) 2 As parcerias com instituições governamentais “Tem melhorado, abertura, o espaço de escuta existe, as organizações também criaram essa forma de se organizar, fazer fóruns e tornar então visível essas demandas que antigamente o poder público não conseguia visualizar então agora teve uma grande força em relação a isso. Aí então isso influencia em verbas, na utilização de novos de profissionais, na geração de políticas públicas, então tudo isso acaba sendo uma construção que veio na verdade de baixo pra cima e não mais como era de cima pra baixo como era apenas uma visão, às vezes muito elitista da situação ou de pouco conhecimento dos territórios onde as organizações estavam inseridas. Então essa questão de fóruns, ‘em defesa da vida’, ‘assistência social’ ou ‘saúde’ são muito importantes porque trazem um histórico da região que conseguem chegar com dados estatísticos mais concretos com o poder público e assim pleitear uma política pública”. (Entrevistado 5) 2 As parcerias com instituições governamentais “Acho que a cada gestão é diferente, às vezes é fácil o acesso porque tal demanda está muito visível na mídia, ou não, dependendo então de quem está no cargo fazendo a coordenação. Existe uma questão partidária que então atrapalha essa questão, muitos não são da área social, e a gente tem muita dificuldade de passar essa questão, ..., Outro desafio é conseguir caminhar do ponto em que paramos, porque a cada mudança de governo ocorre um retrocesso, porque eles não respeitam o que já foi construído até o momento, então isso é um desafio”. (Entrevistado 5) 3 As parcerias com ONGs • A maioria é sem troca de recursos financeiros • Complementaridade para expandir o atendimento • Mais intensa no território “A Monte Azul [ONG do bairro vizinho, parceira há mais de 15 anos] faz um trabalho muito eficiente com alcoólatras adultos, então a gente encaminha vários pra lá, o nosso forte aqui é música e informática eles também encaminham pra cá [sem troca de recursos financeiros entre as partes].(Entrevistado 1) “Tem uma ONG a Novolhar, trabalha com música e jovens, que tem uma estrutura no Bixiga, linda maravilhosa, e eles queriam alguma coisa aqui na zona sul e o que eles falaram, ‘no Bixiga a oferta é muito grande’, eles abrem vagas e os cursos ficam lá ao léu e aqui, eles vieram aqui e ficaram apaixonados com o tanto de empenho dos nossos alunos.” (Entrevistado 1). 3 As parcerias com ONGs “Tem a Banca Audácia jovem, a Artemísia, a Rede América, que usam nosso espaço e nosso conhecimento do território para fazer atividades deles. Atendidos nossos e deles, eles juntam e fazem um bom trabalho. Eles já trouxeram pra ARCO alunos de um colégio particular, jovens, que ficaram trabalhando aqui um dia com a gente”. (Entrevistado 2). “A ARCO é uma rede mais com as ONGs que estão próximas à gente. Como a caminhada que a gente fez no ano passado, então várias instituições mandaram pessoas pra participar, algumas mais timidamente, outras menos, todas trabalham pela mesma causa, em diferentes lugares, mas tem que expandir muito mais. Troca de experiências é fundamental, fóruns de educação infantil que a gente está junto, tem contato com instituições de outros lugares, contato telefônico, dá dicas, ajuda muito. No ano passado, ano de eleição, os governos participavam mais, mas geralmente, 2 a 3 vezes no ano vem alguém do governo participar”. (Entrevistado 3). 3 As parcerias com ONGs “As igrejas são fundamentais para algumas famílias, mesmo em caso de extrema pobreza, ter fé e espaço para compartilhar seus desejos, anseios e frustações é muito importante. Além de ser um aparelho ideológico que condiciona a boa convivência e valores morais, em alguns casos as igrejas contribuem em ações assistencialistas (diferente da proposta da assistência social que é transformação social)”. (Entrevistado 5). 4 As parcerias com instituições estrangeiras • Baseadas na confiança • Mais difícil captar recursos nos últimos anos “O relacionamento com outras ONGs é muito bom, é muito rápido, a gente tem muito pouca burocracia. Talvez por ser estrangeira também facilita muito, quando estou lá (no exterior), de mostrar fotos, filmes, eles ajudam, acreditam, apoiam, muitas vezes nem é ONG, é mais comunidades religiosas e muitas escolas querem, faz parte do currículo das escolas da Suíça, mostrar pras crianças pra eles crescendo saberem que o mundo não é só lindo. Mesmo que as autoridades falem lá na Suíça que o Brasil não faz mais parte do terceiro mundo, não precisa mais de ajuda, a gente sabe que a realidade é muito ruim, eu tenho que falar que é terceiro mundo ainda. ... Mas a realidade é que na classe baixa, a maioria ainda é muito carente, pobre mesmo. Hoje esta precisando mais coisas pra convencer eles que realmente precisa. Antigamente todo mundo sabia que tinha crianças nos faróis, pedindo dinheiro, a pobreza. Hoje tem que trabalhar muito mais pra convencer eles que ‘ gente, não é assim, ainda tem muita pobreza, precisamos muito de ajuda. Eles querem só um relatório do que fizemos com o dinheiro, tem confiança, dá menos gasto, eles gostam muito de fotos, da uma ideia da nossa realidade”. (Entrevistado 4). 5e 6 5. A escola pública e o reconhecimento A ameaça da escola pública em tempo integral • Não acreditam no curto ou médio prazo • Relacionamento com as escolas é difícil, mas tem avançado • Caso se torne realidade, irão se adaptar e trabalhar mais jovens e adultos • Realçam a diferença na qualidade e no atendimento às famílias 6. A ARCO faz a diferença? • Tipo de trabalho oferecido • Mudança no trabalho ao longo dos anos • Adaptação à comunidade e às políticas públicas 7 Vale a pena continuar? Eu ia ficar meio ano e agora são quase vinte anos, com certeza vale a pena... Quando estou na Suíça, muitas vezes vem a pergunta: mas são 600 crianças hoje, quantas crianças têm em São Paulo e no Brasil que precisariam de ajuda? Isso não é só uma gotinha numa pedra quente? Aí eu falo, sim, mas só essa gotinha já não vale a pena? Claro que vale! (Entrevistado 4) “Sim, acho que sim, acho que tem muito por fazer, cada época tem uma questão social diferente a ser enfrentada, às vezes é o tráfico, às vezes são questões de direitos humanos, algumas vezes relacionadas à própria cidadania, a dificuldade de acesso aos serviços públicos, essa garantia de direitos às vezes não acontece, mas a gente tem alguns casos que posso considerar de sucesso, alguns conseguem ampliar sua visão de mundo,conseguem cursar uma universidade, mesmo vindo da periferia, da favela quebrando o ciclo de violência. ...Acho que vale a pena continuar, a comunidade precisa ainda da gente, nosso sonhe é não existir.” (Entrevistado 5) 4 Considerações finais • Convênios com governo trazem estabilidade financeira e aumento na quantidade e na qualidade dos atendimentos • Parcerias com governo são vitais para a continuidade do serviço, mas o relacionamento não é homogêneo • Pouca abertura por parte dos órgãos que realizam os convênios a ouvir opiniões e sugestões – caminho de 2 mãos • Parcerias com outras ONGs trazem flexibilidade e expansão dos serviços oferecidos 4 Considerações finais • A rede é reconhecida como importante, viabiliza troca de informações, de experiências, mas é um processo em construção • A ARCO é utilizada como um polo de apoio a diversas entidades governamentais e ONGs, legitimada por sua confiança junto à comunidade e sua articulação externa • A exclusão social da microrregião é uma triste realidade e ainda há muito a ser feito para mudar este cenário Dúvidas?! MUITO OBRIGADA! Contato: [email protected] (11) 9 9181-0961 [email protected] (11) 9 8426-5388