Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Andy Lima Oliveira Rita Cristina Guimarães de Almeida Débora Campos Cavalcante Giane Demo Erilane de Moraes Franco dos Santos Evelyn Noelia Seixas Sorzano Silvana Nascimento de Carvalho AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. ISBN: 978-65-977483-3-4 São Paulo - SP Clube de Autores e Pesquisadores. SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes. Filiada à Câmara Brasileira do Livro (CBL) 2026 Todo o conteúdo apresentado neste livro é de responsabilidade do(s) autor(es). Esta publicação está licenciada sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2026 Edição brasileira by Clube de Autores e Pesquisadores Ed. Independetes. Declaração de Registro do ISBN - DECISBN-26090910034 CBL Pedido #1094769 © 2026 Texto by Autores Publicação independente com ISBN Câmara Brasileira do Livro (CBL) Site: https://clubedeautoresepesquisadores.blogspot.com/ Editoração e formatação científica © 2026 SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes Design da capa e do livro © 2026 SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes Imagens da capa Imagem gerada por inteligência artificial (IA), por meio do DALL·E, com base em solicitação personalizada realizada no ChatGPT/OpenAI. Revisão de texto Os autores © 2026 – Todos os direitos reservados. DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima; ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; CABRAL, Gladys Nogueira; OLIVEIRA, Andy Lima; ALMEIDA, Rita Cristina Guimarães de; CAVALCANTE, Débora Campos; DEMO, Giane; SANTOS, Erilane de Moraes Franco dos; SORZANO, Evelyn Noelia Seixas; CARVALHO, Silvana Nascimento de. Autismo não é igual para todos: o papel do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), das tecnologias assistivas e da personalização do ensino na construção de escolas verdadeiramente inclusivas. São Paulo, SP: Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes; Câmara Brasileira do Livro, 2026. E-book – Recurso eletrônico (PDF), 175 p. ISBN: 978-65-977483-3-4 Declaração de Registro do ISBN – DECISBN – 26093010291 - CBL Pedido #1107111 Índice para catálogo sistemático: I. OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al II. Título. 1.Transtorno do Espectro Autista (TEA). 2. Inclusiva. 3.Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). 4.Assistivas (TA). 5.Personalização do Ensino para Inclusão (PEI). RESPONSABILIDADE EDITORIAL © 2026 - Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes. Simone Helen Drumond Ischkanian. Equipe: © 2026 SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes. Publicação registrada sob ISBN atribuído pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). © 2026 – Todos os direitos reservados. PREFÁCIO 07 APRESENTAÇÃO 10 1. INTRODUÇÃO 17 2. DESENVOLVIMENTO 21 2.1. Autismo, singularidade e educação inclusiva 23 2.2. Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e 34 SUMÁRIO diversificação pedagógica 2.3. Tecnologias Assistivas e redução de barreiras 36 2.4. Personalização do ensino e aprendizagem significativa 37 2.5. Comunicação, ludicidade e desenvolvimento de competências 44 2.6. Neurodesenvolvimento, aprendizagem e individualidade 45 2.7. Família, contexto e compreensão ampliada do autismo 46 2.8. Portfólios educacionais, documentação e avaliação formativa 47 2.9. Letramento, acessibilidade curricular e participação 48 2.10. 49 Articulação entre DUA, Tecnologias Assistivas, personalização e inovação pedagógica 3. REFERENCIAL TEÓRICO 50 4. METODOLOGIA 61 5. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS 69 CONCLUSÃO 82 REFERÊNCIAS 85 Coleção artigos 89 AGRADECIMENTOS AOS AUTORES 169 POSFÁCIO 172 PREFÁCIO Autismo não é igual para todos. Essa afirmação constitui o ponto de partida desta obra e também representa um princípio fundamental para pensar uma educação verdadeiramente inclusiva. O Transtorno do Espectro Autista manifesta-se de maneiras diversas, envolvendo diferentes formas de comunicação, interação social, processamento sensorial, aprendizagem, autonomia e participação. Por essa razão, reconhecer a singularidade de cada estudante é uma condição indispensável para superar práticas pedagógicas padronizadas que, muitas vezes, não contemplam a diversidade presente nas salas de aula. A construção de escolas verdadeiramente inclusivas exige que a diferença deixe de ser compreendida como obstáculo e passe a integrar o próprio planejamento educacional. Nesse contexto, o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) oferece possibilidades para organizar ambientes, recursos, estratégias e experiências pedagógicas capazes de ampliar as oportunidades de participação e aprendizagem. O DUA favorece a utilização de múltiplas formas de apresentação dos conteúdos, diferentes possibilidades de expressão e variadas maneiras de envolvimento dos estudantes, permitindo que o processo educativo seja planejado considerando a diversidade desde sua origem. As tecnologias assistivas constituem outro eixo relevante desta discussão. Quando selecionadas de acordo com as necessidades, características e objetivos de cada estudante, podem favorecer comunicação, interação, acesso aos conteúdos, organização da rotina, participação nas atividades e desenvolvimento da autonomia. Entretanto, a tecnologia não deve ser compreendida como solução isolada. Seu potencial pedagógico depende da intencionalidade docente, da acessibilidade dos recursos, da mediação adequada e da compreensão de que cada estudante pode necessitar de diferentes apoios ao longo de sua trajetória escolar. A personalização do ensino amplia essa perspectiva ao reconhecer que aprender não significa percorrer necessariamente o mesmo caminho, no mesmo ritmo e utilizando os mesmos recursos. Para estudantes autistas, essa compreensão pode envolver adaptações curriculares, estratégias diferenciadas, recursos visuais, comunicação alternativa e aumentativa, atividades estruturadas, experiências sensoriais planejadas, metodologias ativas e diferentes formas de avaliação. Personalizar não significa reduzir expectativas de aprendizagem, mas criar condições para que cada estudante tenha possibilidades concretas de acessar o conhecimento, demonstrar o que aprendeu e participar da vida escolar. Nesse percurso, o professor ocupa uma posição essencial. Sua atuação envolve observar, planejar, experimentar, avaliar e reorganizar estratégias de acordo com as respostas AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 7 . apresentadas pelos estudantes. A prática inclusiva requer conhecimento pedagógico, sensibilidade profissional, colaboração interdisciplinar e disposição para reconhecer que uma estratégia que funciona para determinado estudante pode não produzir os mesmos resultados para outro. O planejamento pedagógico, portanto, precisa permanecer flexível, permitindo ajustes contínuos e respeitando diferentes formas de aprender, comunicar-se e participar. A inclusão também ultrapassa os limites da sala de aula. Ela envolve gestão escolar, família, profissionais especializados, equipe pedagógica e comunidade, formando uma rede de apoio voltada à participação e ao desenvolvimento integral do estudante. A construção de ambientes inclusivos depende de políticas institucionais, acessibilidade, formação continuada, recursos adequados e uma cultura escolar que reconheça a diversidade como parte constitutiva da educação. Nesse sentido, incluir não consiste apenas em garantir a presença física do estudante, mas em assegurar sua participação, aprendizagem, comunicação, pertencimento e autonomia. Esta obra propõe, portanto, uma reflexão sobre caminhos pedagógicos capazes de aproximar inclusão e prática educativa. Ao discutir o DUA, as tecnologias assistivas e a personalização do ensino, os autores convidam o leitor a compreender que não existe uma única maneira de ensinar estudantes autistas, assim como não existe uma única maneira de aprender. Existem sujeitos singulares, histórias diferentes, necessidades específicas, potencialidades diversas e múltiplas possibilidades de construção do conhecimento. Que estas páginas possam contribuir para professores, gestores, pesquisadores, famílias, profissionais da educação especial e demais pessoas comprometidas com uma escola que não apenas receba estudantes autistas, mas que esteja preparada para ensinar, acolher, comunicar, adaptar, possibilitar e transformar. Uma escola verdadeiramente inclusiva é aquela que reconhece as diferenças sem limitar as possibilidades, amplia os caminhos de aprendizagem e compreende que a autonomia nasce quando o estudante encontra condições reais para participar. Mais do que apresentar recursos e estratégias, esta obra defende uma mudança de perspectiva: não é o estudante que precisa se encaixar em uma única forma de ensinar; é a escola que precisa ampliar suas possibilidades para que diferentes estudantes possam aprender. É nesse movimento que o DUA, as tecnologias assistivas e a personalização do ensino assumem relevância na construção de práticas pedagógicas mais acessíveis, participativas e humanizadas. Que esta leitura inspire novas perguntas, novas práticas e novas possibilidades no cotidiano educacional. Que cada professor possa olhar para além dos diagnósticos, das classificações e das limitações previamente atribuídas, reconhecendo em cada estudante autista uma pessoa com história, identidade, interesses, potencialidades, formas próprias de comunicação e diferentes maneiras de construir conhecimentos. Uma educação comprometida com a inclusão precisa partir da compreensão de que a diversidade não constitui uma exceção a Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 8 ser administrada, mas uma característica presente na própria condição humana e, consequentemente, nos espaços escolares. Que cada estudante autista seja reconhecido não pelo que supostamente lhe falta, mas por aquilo que pode desenvolver quando encontra oportunidades, recursos acessíveis, mediações pedagógicas adequadas e ambientes que respeitam suas singularidades. A utilização do Desenho Universal para a Aprendizagem, das tecnologias assistivas e de estratégias personalizadas pode ampliar caminhos para que o estudante participe das atividades, comunique suas ideias, desenvolva competências, estabeleça relações, faça escolhas e avance em direção a níveis cada vez maiores de autonomia. Nesse processo, ensinar significa também criar possibilidades, remover barreiras e compreender que diferentes percursos podem conduzir à aprendizagem. Que esta obra contribua para fortalecer uma concepção de escola na qual participação, dignidade, acessibilidade, aprendizagem e autonomia sejam compromissos concretos. Uma escola verdadeiramente inclusiva não espera que todos aprendam da mesma maneira, no mesmo tempo ou utilizando os mesmos recursos; ela amplia suas formas de ensinar para acolher diferentes modos de aprender. Reconhecer a singularidade de cada estudante autista significa assegurar-lhe não apenas o direito de estar na escola, mas o direito de aprender, participar, comunicar-se, conviver, desenvolver suas potencialidades e construir uma trajetória educacional marcada por possibilidades, pertencimento e autonomia. Os Autores Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Andy Lima Oliveira Rita Cristina Guimarães de Almeida Débora Campos Cavalcante Giane Demo Erilane de Moraes Franco dos Santos Evelyn Noelia Seixas Sorzano Silvana Nascimento de Carvalho AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 9 . APRESENTAÇÃO Autismo não é igual para todos. Esta afirmação constitui uma premissa essencial para compreender os caminhos da educação inclusiva e para reconhecer que estudantes autistas apresentam diferentes formas de comunicação, interação, percepção, processamento sensorial, aprendizagem, expressão, participação e desenvolvimento da autonomia. Uma escola verdadeiramente inclusiva não pode depender de modelos únicos de ensino, de propostas rígidas ou de expectativas uniformes. Ela precisa construir possibilidades pedagógicas que considerem a singularidade de cada estudante, valorizando seus interesses, potencialidades, necessidades de apoio, ritmos e diferentes maneiras de demonstrar o que sabe e o que é capaz de realizar. Esta obra nasce dessa perspectiva e reúne reflexões sobre o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), as tecnologias assistivas, a personalização do ensino e a construção de práticas pedagógicas acessíveis para estudantes autistas. O propósito não é apresentar uma fórmula única para ensinar, mas ampliar o repertório dos profissionais da educação para que possam planejar experiências de aprendizagem mais flexíveis, significativas e participativas. A inclusão educacional exige a compreensão de que as barreiras podem estar presentes no ambiente, nos materiais, na comunicação, nas formas de avaliação, na organização das atividades e nas metodologias utilizadas. Identificar essas barreiras e criar alternativas constitui parte fundamental do trabalho pedagógico. Nesse contexto, o Método de Portfólios Educacionais SHDI, desenvolvido por Simone Helen Drumond Ischkanian e construído ao longo de uma trajetória que reúne experiências e produções relacionadas à inclusão, ao autismo e à educação, ocupa lugar de destaque nesta proposta. O método pode ser compreendido como uma estratégia de ensino, acompanhamento, avaliação e documentação contínua do desenvolvimento do estudante. Sua perspectiva desloca o olhar de uma avaliação centrada exclusivamente no resultado final para uma observação cuidadosa dos processos, das tentativas, das produções, das habilidades emergentes, das pequenas conquistas, das formas de comunicação e das estratégias que favorecem a participação e a aprendizagem. O percurso do Método de Portfólios Educacionais SHDI está associado a uma construção progressiva iniciada com experiências de planejamento da aprendizagem infantil, passando por materiais vinculados ao Projeto Autismo e Educação, pelo desenvolvimento do método e por sua ampliação para diferentes contextos de inclusão educacional. Essa trajetória evidencia uma concepção na qual o portfólio não se limita a reunir atividades produzidas pelo estudante. Ele constitui uma ferramenta de escuta pedagógica, capaz de registrar processos e Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 10 produzir informações que ajudam o professor a compreender como o estudante aprende, quais recursos favorecem sua participação, quais barreiras precisam ser reduzidas e quais estratégias podem ser reorganizadas. Quando aplicado à educação de estudantes autistas, o Método de Portfólios SHDI possibilita construir uma narrativa pedagógica individualizada. Essa narrativa pode contemplar registros escritos, fotografias de atividades, desenhos, produções escolares, recursos visuais, jogos, experiências práticas, registros de comunicação, atividades sensoriais, sequências de aprendizagem, manifestações de interesse, avanços na autonomia e outras evidências significativas do percurso educacional. O valor desse processo está justamente em reconhecer que determinadas conquistas podem ocorrer de maneira gradual e assumir formas diferentes para cada estudante. Registrar essas mudanças permite que avanços que poderiam passar despercebidos sejam reconhecidos, analisados e incorporados ao planejamento. A proposta também se articula ao Planejamento Educacional Individualizado (PEI), uma vez que os registros produzidos ao longo do percurso podem contribuir para identificar objetivos, necessidades de apoio, estratégias pedagógicas, adaptações e formas de acompanhamento. O portfólio pode funcionar como instrumento de continuidade entre planejamento, intervenção e avaliação, permitindo que o professor observe o que foi proposto, como o estudante respondeu, quais recursos foram utilizados e quais ajustes podem favorecer novas aprendizagens. Nesse sentido, avaliar deixa de representar apenas uma etapa posterior ao ensino e passa a integrar permanentemente o processo pedagógico. O DUA amplia essa perspectiva ao defender que as experiências educativas sejam planejadas considerando, desde o início, diferentes formas de acesso ao conhecimento, de participação e de expressão. Para estudantes autistas, essa organização pode envolver recursos visuais, instruções objetivas, diferentes possibilidades de comunicação, materiais concretos, tecnologias, atividades práticas, jogos, experiências sensoriais planejadas e alternativas para demonstrar conhecimentos. O portfólio pode documentar quais dessas possibilidades foram utilizadas e quais favoreceram maior envolvimento, oferecendo ao professor elementos concretos para aperfeiçoar o planejamento. As tecnologias assistivas também encontram espaço significativo nessa proposta. Recursos de comunicação alternativa e aumentativa, aplicativos, pranchas visuais, dispositivos digitais, materiais adaptados, ferramentas de organização da rotina e outros recursos podem ampliar o acesso às atividades e favorecer comunicação, participação e autonomia. Entretanto, o recurso tecnológico não constitui o centro da prática. O centro permanece sendo o estudante e sua possibilidade de participar de experiências educacionais significativas. O Método de Portfólios SHDI pode contribuir para documentar o uso desses recursos, acompanhar sua AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 11 . funcionalidade e observar como diferentes tecnologias interferem na participação, na comunicação e na realização das atividades. A personalização do ensino representa outro elemento fundamental. Personalizar não significa construir uma escola diferente para cada estudante, mas criar condições para que diferentes estudantes possam acessar objetivos educacionais por caminhos diversificados. Uma mesma proposta pode ser apresentada por meio de imagens, objetos concretos, linguagem oral, recursos digitais, atividades práticas, jogos ou experiências sensoriais, conforme as características e necessidades do estudante. O portfólio permite registrar essas diferentes possibilidades e compreender quais estratégias ampliam a participação, favorecendo um planejamento que se transforma de acordo com as evidências produzidas no cotidiano escolar. Essa perspectiva também modifica a maneira de compreender a avaliação. Em vez de utilizar somente instrumentos padronizados para verificar se determinado conteúdo foi assimilado, o professor pode observar processos, estratégias utilizadas, níveis de apoio necessários, formas de comunicação, capacidade de realizar escolhas, interação, resolução de problemas, autonomia e transferência das aprendizagens para diferentes situações. A avaliação formativa passa, assim, a acompanhar o estudante durante o percurso, oferecendo informações para novas intervenções pedagógicas. O erro deixa de ser interpretado apenas como fracasso e passa a fornecer pistas sobre a necessidade de modificar uma explicação, um recurso, uma instrução, um ambiente ou uma estratégia. O Método de Portfólios Educacionais SHDI também valoriza a parceria entre escola e família. Os registros podem favorecer o compartilhamento de informações sobre interesses, formas de comunicação, conquistas, desafios e estratégias que apresentam resultados positivos. Essa aproximação contribui para uma compreensão mais ampla do estudante, evitando que sua trajetória seja observada exclusivamente a partir do espaço escolar. Quando diferentes pessoas envolvidas em seu desenvolvimento compartilham informações relevantes, ampliam-se as possibilidades de construir intervenções coerentes e de reconhecer competências que podem aparecer em diferentes contextos. A construção do portfólio pode incorporar escolhas, preferências, produções e formas de expressão do próprio aluno, respeitando suas possibilidades de participação. Mesmo quando a comunicação ocorre por meios alternativos, visuais, gestuais ou tecnológicos, é possível criar oportunidades para que o estudante manifeste interesses, escolha atividades, indique preferências, acompanhe suas conquistas e participe da construção de sua trajetória de aprendizagem. Dessa maneira, o portfólio deixa de ser apenas um documento produzido pelo professor e pode transformar-se em uma narrativa compartilhada do percurso educacional. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 12 A proposta ganha ainda maior significado quando relacionada às diferentes necessidades de apoio presentes no espectro autista. Estudantes classificados em diferentes níveis de suporte podem apresentar necessidades educacionais distintas, e essas necessidades também podem variar ao longo do tempo e conforme o contexto. Por isso, o planejamento não deve partir de generalizações sobre o diagnóstico. Deve partir da observação concreta do estudante. O Método de Portfólios SHDI favorece justamente essa perspectiva individualizada ao possibilitar registros contínuos sobre habilidades, necessidades, interesses, respostas às intervenções e progressos observados. A escola inclusiva, nessa perspectiva, não é aquela que simplesmente permite a matrícula ou a presença física do estudante autista. É aquela que cria condições para que ele aprenda, participe, comunique-se, interaja, escolha, produza, desenvolva competências e exerça sua autonomia. A inclusão precisa alcançar o currículo, a metodologia, os materiais, os espaços, os tempos, as relações e as formas de avaliação. DUA, tecnologias assistivas, personalização do ensino e Método de Portfólios SHDI podem contribuir, cada qual em sua função, para a construção de ambientes nos quais as diferenças sejam consideradas no planejamento e não tratadas apenas posteriormente como exceções. Esta obra também convida professores e demais profissionais da educação a repensarem o significado de possibilidade pedagógica. Quando uma estratégia não produz o resultado esperado, isso não significa necessariamente que o estudante não seja capaz de aprender. Pode indicar que a forma de apresentação precisa ser modificada, que o tempo precisa ser reorganizado, que o recurso necessita de adaptação, que a comunicação precisa ser ampliada ou que outra abordagem deve ser experimentada. Essa mudança de perspectiva coloca a prática pedagógica em movimento e fortalece a busca por caminhos que respeitem as singularidades sem reduzir as expectativas de aprendizagem e desenvolvimento. O Método de Portfólios SHDI, nesse sentido, representa uma possibilidade de transformar registros cotidianos em informações pedagógicas significativas. Uma atividade aparentemente simples pode revelar uma conquista importante; uma tentativa repetida pode indicar o desenvolvimento de uma habilidade; uma mudança na forma de comunicação pode representar avanço na autonomia; uma escolha espontânea pode demonstrar interesse e protagonismo. Quando esses acontecimentos são registrados, analisados e relacionados ao planejamento, passam a compor uma história de aprendizagem que permite enxergar o estudante para além das dificuldades. A perspectiva apresentada nesta obra compreende, portanto, que inclusão, autismo e educação precisam ser pensados de maneira articulada. O diagnóstico pode oferecer informações importantes, mas não descreve integralmente a pessoa nem determina seu percurso educacional. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 13 . O conhecimento sobre o autismo precisa dialogar com conhecimentos pedagógicos, acessibilidade, recursos assistivos, estratégias individualizadas, avaliação formativa e participação da família. O objetivo é construir respostas educacionais que reconheçam o estudante em sua integralidade e ampliem suas possibilidades de participação e aprendizagem. Ao reunir essas perspectivas, esta obra procura oferecer aos leitores não apenas conceitos, mas possibilidades de reflexão e ação. O DUA contribui para ampliar as formas de planejar; as tecnologias assistivas podem reduzir barreiras e ampliar possibilidades de comunicação e participação; a personalização permite ajustar caminhos às características de cada estudante; e o Método de Portfólios Educacionais SHDI oferece uma estrutura para observar, registrar, acompanhar, avaliar e documentar o desenvolvimento ao longo do tempo. A articulação desses elementos pode fortalecer práticas pedagógicas mais flexíveis, acessíveis, intencionais e centradas no estudante. Que esta apresentação seja compreendida como um convite para olhar a educação inclusiva a partir das possibilidades. Autismo não é igual para todos, e justamente por isso as práticas educativas precisam ser suficientemente amplas para acolher diferentes formas de aprender. Cada estudante possui uma trajetória própria, e cada trajetória merece ser conhecida, registrada e valorizada. O compromisso da escola não deve ser encontrar uma única maneira de ensinar todos, mas construir múltiplos caminhos para que cada estudante tenha oportunidades reais de aprender. O estudante autista não precisa ser reduzido ao diagnóstico, aos níveis de suporte ou às dificuldades observadas em determinado momento. Precisa ser reconhecido como sujeito de aprendizagem, participação, comunicação, convivência e autonomia. É nessa direção que DUA, tecnologias assistivas, personalização do ensino e Método de Portfólios SHDI podem contribuir para transformar práticas, fortalecer professores e construir escolas nas quais a diversidade não seja apenas acolhida, mas efetivamente considerada como parte do planejamento e da experiência educacional. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira Silvia Drumond de Carvalho Sibele Nascimento de Carvalho Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 14 AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. AUTISM IS NOT THE SAME FOR EVERYONE: THE ROLE OF UNIVERSAL DESIGN FOR LEARNING (UDL), ASSISTIVE TECHNOLOGIES, AND PERSONALIZED TEACHING IN BUILDING TRULY INCLUSIVE SCHOOLS. EL AUTISMO NO ES IGUAL PARA TODOS: EL PAPEL DEL DISEÑO UNIVERSAL PARA EL APRENDIZAJE (DUA), LAS TECNOLOGÍAS DE APOYO Y LA PERSONALIZACIÓN DE LA ENSEÑANZA EN LA CONSTRUCCIÓN DE ESCUELAS VERDADERAMENTE INCLUSIVAS. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Andy Lima Oliveira Rita Cristina Guimarães de Almeida Débora Campos Cavalcante Giane Demo Erilane de Moraes Franco dos Santos Evelyn Noelia Seixas Sorzano Silvana Nascimento de Carvalho RESUMO Este livro aborda a educação de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) a partir do reconhecimento de que o autismo se manifesta de maneira singular, envolvendo diferentes formas de comunicação, interação, processamento sensorial, aprendizagem, participação, interesses e necessidades de apoio. A obra discute caminhos para a construção de escolas verdadeiramente inclusivas, articulando o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), as Tecnologias Assistivas e a personalização do ensino como possibilidades para ampliar o acesso ao currículo, a participação e a autonomia dos estudantes. O DUA é apresentado como perspectiva que favorece múltiplas formas de envolvimento, representação, ação e expressão, enquanto as Tecnologias Assistivas são compreendidas como recursos capazes de reduzir barreiras e ampliar comunicação, funcionalidade, aprendizagem e participação. A personalização do ensino orienta a organização de estratégias, materiais, tempos, espaços e formas de avaliação considerando as características individuais de cada estudante. Nesse contexto, destaca-se o Método de Portfólios Educacionais SHDI como instrumento de documentação pedagógica, planejamento, acompanhamento e avaliação formativa, permitindo registrar processos de aprendizagem, interesses, habilidades, conquistas, necessidades de apoio e respostas às estratégias utilizadas. A obra também valoriza a atuação articulada entre professores, gestores, famílias e profissionais especializados, defendendo práticas pedagógicas flexíveis, acessíveis e humanizadas. O livro reafirma que inclusão não significa apenas garantir matrícula e presença física, mas criar condições concretas para participação, aprendizagem, pertencimento, desenvolvimento de competências e autonomia, reconhecendo cada estudante autista como sujeito de direitos, potencialidades e possibilidades. Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista (TEA); Educação Inclusiva; Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA); Tecnologias Assistivas (TA); Personalização do Ensino para Inclusão (PEI). AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 15 . ABSTRACT This book addresses the education of students with Autism Spectrum Disorder (ASD) based on the recognition that autism manifests itself uniquely, involving different forms of communication, interaction, sensory processing, learning, participation, interests, and support needs. The book discusses pathways for building truly inclusive schools by integrating Universal Design for Learning (UDL), Assistive Technologies (AT), and personalized teaching as possibilities for expanding students’ access to the curriculum, participation, and autonomy. UDL is presented as an approach that promotes multiple means of engagement, representation, action, and expression, while Assistive Technologies are understood as resources capable of reducing barriers and expanding communication, functionality, learning, and participation. Personalized teaching guides the organization of strategies, materials, time, spaces, and assessment methods according to the individual characteristics of each student. In this context, the SHDI Educational Portfolio Method stands out as an instrument for pedagogical documentation, planning, monitoring, and formative assessment, enabling the recording of learning processes, interests, skills, achievements, support needs, and responses to the strategies employed. The book also emphasizes coordinated action among teachers, school administrators, families, and specialized professionals, advocating flexible, accessible, and humanized pedagogical practices. The book reaffirms that inclusion does not merely mean guaranteeing enrollment and physical presence, but creating concrete conditions for participation, learning, belonging, competency development, and autonomy, recognizing each autistic student as a rights-bearing individual with potential and possibilities. Keywords: Autism Spectrum Disorder (ASD); Inclusive Education; Universal Design for Learning (UDL); Assistive Technologies (AT); Personalized Teaching for Inclusion (PTI). RESUMEN Este libro aborda la educación de estudiantes con Trastorno del Espectro Autista (TEA) a partir del reconocimiento de que el autismo se manifiesta de manera singular, involucrando diferentes formas de comunicación, interacción, procesamiento sensorial, aprendizaje, participación, intereses y necesidades de apoyo. La obra analiza caminos para la construcción de escuelas verdaderamente inclusivas, articulando el Diseño Universal para el Aprendizaje (DUA), las Tecnologías de Apoyo (TA) y la personalización de la enseñanza como posibilidades para ampliar el acceso al currículo, la participación y la autonomía de los estudiantes. El DUA se presenta como un enfoque que favorece múltiples formas de implicación, representación, acción y expresión, mientras que las Tecnologías de Apoyo se comprenden como recursos capaces de reducir barreras y ampliar la comunicación, la funcionalidad, el aprendizaje y la participación. La personalización de la enseñanza orienta la organización de estrategias, materiales, tiempos, espacios y formas de evaluación considerando las características individuales de cada estudiante. En este contexto, se destaca el Método de Portafolios Educativos SHDI como instrumento de documentación pedagógica, planificación, seguimiento y evaluación formativa, permitiendo registrar procesos de aprendizaje, intereses, habilidades, logros, necesidades de apoyo y respuestas a las estrategias utilizadas. La obra también valora la actuación articulada entre docentes, gestores escolares, familias y profesionales especializados, defendiendo prácticas pedagógicas flexibles, accesibles y humanizadas. El libro reafirma que la inclusión no significa únicamente garantizar la matrícula y la presencia física, sino crear condiciones concretas para la participación, el aprendizaje, la pertenencia, el desarrollo de competencias y la autonomía, reconociendo a cada estudiante autista como sujeto de derechos, potencialidades y posibilidades. Palabras clave: Trastorno del Espectro Autista (TEA); Educación Inclusiva; Diseño Universal para el Aprendizaje (DUA); Tecnologías de Apoyo (TA); Personalización de la Enseñanza para la Inclusión (PEI). Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 16 AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Andy Lima Oliveira Rita Cristina Guimarães de Almeida Débora Campos Cavalcante Giane Demo Erilane de Moraes Franco dos Santos Evelyn Noelia Seixas Sorzano Silvana Nascimento de Carvalho 1. INTRODUÇÃO O presente artigo insere-se no campo da Educação Inclusiva e da Educação Especial, abordando a escolarização de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) a partir da articulação entre o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), as Tecnologias Assistivas (TA) e a personalização do ensino. A temática parte do reconhecimento de que o autismo se manifesta de maneiras distintas, envolvendo diferentes características relacionadas à comunicação, interação, processamento sensorial, interesses, formas de aprendizagem, participação e necessidades de apoio. Corrêa (2026), ao discutir os desafios e possibilidades da inclusão escolar, evidencia a necessidade de práticas educacionais que considerem as especificidades dos estudantes e as barreiras existentes nos contextos escolares, perspectiva que sustenta a compreensão de que não é possível estabelecer uma única resposta pedagógica para todos os estudantes autistas. A discussão contemporânea sobre educação inclusiva tem ampliado a compreensão de que a participação escolar depende não apenas da presença física do estudante, mas das condições concretas oferecidas para acesso ao currículo, comunicação, interação, aprendizagem e desenvolvimento da autonomia. Nesse contexto, o DUA apresenta possibilidades para que o planejamento educacional incorpore diferentes formas de envolvimento, representação, ação e expressão, reduzindo barreiras previamente identificadas ou antecipadas. Barrera Ciurana e Moliner García (2024), ao analisarem as experiências de estudantes autistas em relação ao DUA no ensino superior, evidenciam a importância de considerar as perspectivas dos próprios estudantes sobre as condições que favorecem sua aprendizagem, estabelecendo relação direta com a necessidade de construir ambientes educacionais mais acessíveis e responsivos à diversidade. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 17 . As Tecnologias Assistivas constituem outro eixo relevante para a construção de práticas inclusivas, pois podem ampliar possibilidades de comunicação, acesso às informações, realização de atividades, interação e participação. A literatura especializada demonstra que esses recursos podem assumir diferentes configurações, desde materiais e estratégias de baixa tecnologia até ferramentas digitais mais sofisticadas, dependendo das necessidades funcionais e educacionais do usuário. Fernández-Batanero et al. (2022), em revisão sistemática sobre tecnologias assistivas e inclusão de estudantes com deficiência, identificam contribuições desses recursos para a participação educacional, enquanto Marcondes et al. (2024) discutem especificamente as potencialidades da tecnologia assistiva no ensino de estudantes com TEA, reforçando a necessidade de relacionar a escolha do recurso às barreiras concretamente identificadas. A personalização do ensino amplia essa discussão ao reconhecer que estudantes pertencentes ao espectro autista podem apresentar diferentes formas de aprender, comunicar, interagir e demonstrar conhecimentos. Personalizar não significa retirar o estudante do currículo comum ou estabelecer expectativas reduzidas, mas diversificar estratégias, materiais, tempos, espaços, recursos e formas de avaliação de acordo com suas características e necessidades educacionais. Lima Oliveira et al. (2026), ao discutirem as tecnologias assistivas e a aprendizagem personalizada, relacionam inovação pedagógica, participação e autonomia, contribuindo para a compreensão de que os recursos educacionais precisam ser selecionados de maneira intencional e articulada às singularidades de cada estudante. A relevância desta pesquisa decorre, portanto, da necessidade de compreender como diferentes perspectivas educacionais podem ser articuladas para enfrentar barreiras que interferem na participação e na aprendizagem de estudantes autistas. Brazão et al. (2023), ao analisarem abordagens do Design Universal no ensino e na aprendizagem de crianças autistas, destacam a importância de propostas que considerem a diversidade desde o planejamento pedagógico, enquanto Barrera Ciurana e Moliner García (2024) evidenciam a contribuição do DUA a partir das experiências de estudantes autistas. A aproximação entre essas contribuições e o objeto deste artigo permite discutir uma educação que não parte da tentativa de fazer o estudante adaptar-se unilateralmente à escola, mas procura organizar condições pedagógicas mais acessíveis. A documentação dos processos de aprendizagem também se mostra relevante para a construção de práticas personalizadas, pois permite acompanhar respostas individuais às estratégias utilizadas e fundamentar decisões pedagógicas. O Método de Portfólios Educacionais SHDI apresenta-se, nesse contexto, como possibilidade de organização sistemática de registros relacionados às aprendizagens, interesses, habilidades, conquistas, necessidades de apoio e respostas às intervenções pedagógicas. Ischkanian (2026), ao abordar a adaptação na educação Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 18 infantil por meio do Método de Portfólios Educacionais SHDI, enfatiza a importância do acompanhamento do percurso individual, aspecto que se relaciona ao propósito desta pesquisa de compreender estratégias capazes de aproximar planejamento, avaliação formativa e personalização do ensino. A justificativa deste estudo também está relacionada à necessidade de superar abordagens homogêneas sobre o autismo e ampliar a discussão sobre práticas educacionais que reconheçam a diversidade existente no espectro. Almeida et al. (2026), ao discutirem jogos lúdicos, neurodesenvolvimento, TEACCH, ABA, Comunicação Alternativa, Integração Sensorial e metodologias ativas, apresentam diferentes possibilidades para o desenvolvimento de competências e autonomia de estudantes com TEA. A diversidade de estratégias discutidas pelos autores demonstra que as práticas educacionais precisam ser selecionadas de acordo com objetivos, contexto e características individuais, reforçando a pertinência de investigar a articulação entre DUA, Tecnologias Assistivas e personalização. A questão da acessibilidade curricular também constitui elemento central desta investigação, especialmente no desenvolvimento da comunicação, do letramento e da alfabetização. Estudantes autistas podem necessitar de diferentes formas de apresentação dos conteúdos, materiais acessíveis, recursos visuais, comunicação alternativa e possibilidades diversificadas para demonstrar conhecimentos. Vieira et al. (2026), ao discutirem autismo e letramento, enfatizam estratégias pedagógicas e materiais inclusivos, enquanto Ischkanian et al. (2026) abordam caminhos inclusivos para o letramento e a alfabetização de estudantes com TEA nos níveis de suporte 1, 2 e 3. Essas contribuições estabelecem relação com o objeto desta pesquisa ao evidenciarem que acesso ao currículo e participação dependem da adequação das condições pedagógicas às diferentes formas de aprendizagem. Diante desse contexto, o objetivo geral deste artigo consiste em analisar o papel do Desenho Universal para a Aprendizagem, das Tecnologias Assistivas e da personalização do ensino na construção de práticas educacionais capazes de ampliar a participação, a aprendizagem e a autonomia de estudantes com Transtorno do Espectro Autista. Os objetivos específicos consistem em discutir a singularidade do autismo no contexto educacional; analisar as contribuições do DUA para a diversificação das práticas pedagógicas; identificar possibilidades de utilização das Tecnologias Assistivas na redução de barreiras; discutir a personalização do ensino como estratégia de acessibilidade curricular; e examinar a contribuição do Método de Portfólios Educacionais SHDI para o planejamento, acompanhamento e avaliação formativa. A organização desses objetivos encontra respaldo nas discussões de Fernández-Batanero et al. (2022), Brazão et al. (2023), Barrera Ciurana e Moliner García (2024) e Lima Oliveira et al. (2026), cujas contribuições permitem relacionar acessibilidade, tecnologia, planejamento e participação. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 19 . O problema de pesquisa que norteia este estudo pode ser formulado da seguinte maneira: como a articulação entre o Desenho Universal para a Aprendizagem, as Tecnologias Assistivas e a personalização do ensino pode contribuir para a construção de escolas verdadeiramente inclusivas para estudantes com Transtorno do Espectro Autista? A questão parte da compreensão de que a inclusão requer mais do que matrícula e presença física, envolvendo condições concretas para que o estudante participe, aprenda, comunique-se e desenvolva autonomia. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao defenderem uma educação que ensine de maneiras diferentes, oferecem uma perspectiva diretamente relacionada ao problema investigado, pois a diversificação das formas de ensinar constitui uma possibilidade para responder à heterogeneidade existente entre estudantes autistas. Parte-se da hipótese de que a articulação entre DUA, Tecnologias Assistivas, personalização do ensino e documentação pedagógica pode ampliar as possibilidades de participação, aprendizagem e autonomia dos estudantes com TEA quando esses elementos são selecionados e utilizados de maneira intencional, contextualizada e coerente com as necessidades individuais. Essa hipótese relaciona-se aos achados apresentados por Fernández-Batanero et al. (2022) sobre a contribuição das tecnologias assistivas para a inclusão, pelas discussões de Barrera Ciurana e Moliner García (2024) sobre o DUA a partir das experiências de estudantes autistas e pelas proposições de Lima Oliveira et al. (2026) acerca da articulação entre tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada. O estudo não parte da ideia de que uma metodologia isolada seja suficiente, mas investiga a complementaridade entre diferentes recursos e perspectivas educacionais. No que se refere aos procedimentos metodológicos, esta pesquisa caracteriza-se como bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa, desenvolvida mediante levantamento, seleção, leitura, análise e interpretação de produções acadêmicas, livros, artigos científicos, estudos sistematizados e documentos relacionados ao autismo, à Educação Inclusiva, ao DUA, às Tecnologias Assistivas, à personalização do ensino e à acessibilidade curricular. A abordagem qualitativa possibilita interpretar conceitos, perspectivas e contribuições presentes nas fontes selecionadas, estabelecendo relações entre os diferentes eixos que constituem o objeto investigado. Fernández-Batanero et al. (2022), Klavina et al. (2024) e Marcondes et al. (2024) oferecem contribuições relevantes para a dimensão relacionada às Tecnologias Assistivas, enquanto Brazão et al. (2023) e Barrera Ciurana e Moliner García (2024) subsidiam a discussão sobre DUA e acessibilidade educacional. A pesquisa encontra-se delimitada à análise das possibilidades educacionais relacionadas à articulação entre DUA, Tecnologias Assistivas, personalização do ensino e documentação pedagógica no atendimento educacional de estudantes com TEA. O estudo não pretende estabelecer uma metodologia universal ou uma estratégia única aplicável a todos os Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 20 estudantes autistas, justamente porque parte do princípio de que as manifestações do autismo e as necessidades de apoio são heterogêneas. Klavina et al. (2024), ao discutirem o uso de tecnologias assistivas para o desenvolvimento de habilidades práticas em pessoas com TEA e deficiência intelectual, demonstram a diversidade de possibilidades de utilização desses recursos, reforçando a importância de analisar sua aplicação de acordo com objetivos e necessidades específicas. A delimitação também contempla a compreensão do professor como agente fundamental na organização de experiências educacionais acessíveis, sem desconsiderar a participação de gestores, famílias, profissionais especializados e dos próprios estudantes. A inovação pedagógica depende de escolhas intencionais e de conhecimentos que permitam avaliar a adequação dos recursos utilizados. Oliveira et al. (2026), ao discutirem o conceito de professor aumentado e as possibilidades de utilização da inteligência artificial no planejamento, inclusão e personalização do ensino, contribuem para uma reflexão sobre o papel docente diante das transformações tecnológicas. Essa discussão relaciona-se ao presente estudo porque as tecnologias, sejam assistivas, digitais ou baseadas em inteligência artificial, precisam permanecer vinculadas aos objetivos educacionais e às necessidades concretas dos estudantes. Estruturalmente, o artigo organiza-se em cinco seções, além desta introdução. A segunda seção apresenta o desenvolvimento teórico, organizado em dez eixos que discutem a singularidade do autismo, o DUA, as Tecnologias Assistivas, a personalização do ensino, a comunicação, a ludicidade, o neurodesenvolvimento, a participação da família, os portfólios educacionais, o letramento e a articulação entre inovação pedagógica e inclusão. A terceira seção apresenta os procedimentos metodológicos da pesquisa bibliográfica e documental de abordagem qualitativa. A quarta seção contempla a análise e discussão das contribuições identificadas na literatura, estabelecendo relações entre os diferentes eixos investigados. Por fim, a quinta seção apresenta as considerações finais, retomando os principais argumentos desenvolvidos e apontando possibilidades de continuidade dos estudos sobre práticas educacionais inclusivas para estudantes autistas. 2. DESENVOLVIMENTO A construção de escolas verdadeiramente inclusivas requer uma compreensão ampliada do autismo, das barreiras presentes nos ambientes educacionais e das possibilidades pedagógicas capazes de favorecer participação, aprendizagem, comunicação e autonomia. O reconhecimento da singularidade dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) desloca o foco de uma perspectiva centrada exclusivamente nas limitações individuais para uma abordagem que considera a interação entre características pessoais, contexto, currículo, práticas pedagógicas, recursos de acessibilidade e relações sociais. Corrêa (2026), ao discutir os desafios e caminhos AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 21 . da inclusão escolar, evidencia a necessidade de práticas educacionais capazes de responder à diversidade encontrada no cotidiano das escolas, aspecto diretamente relacionado à proposta desta obra. Nesse cenário, o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), as Tecnologias Assistivas (TA) e a personalização do ensino constituem eixos articulados para a redução de barreiras educacionais. O DUA contribui para que o planejamento seja concebido desde o início considerando diferentes formas de envolvimento, representação, ação e expressão, enquanto as TA podem ampliar possibilidades de comunicação, acesso ao conteúdo, interação e realização de atividades. Fernández-Batanero et al. (2022) identificam, em revisão sistemática, a relevância das tecnologias assistivas para a inclusão de estudantes com deficiência, permitindo relacionar os recursos tecnológicos às necessidades concretas de participação e aprendizagem. A personalização do ensino amplia essa perspectiva ao considerar que estudantes inseridos em uma mesma categoria diagnóstica podem apresentar diferentes interesses, formas de comunicação, ritmos, habilidades, sensibilidades e necessidades de apoio. Barrera Ciurana e Moliner García (2024), ao investigarem as experiências de estudantes autistas com o DUA no ensino superior, demonstram a importância de considerar as perspectivas dos próprios estudantes na organização das experiências educacionais. Essa compreensão reforça que práticas inclusivas precisam partir de evidências sobre o estudante concreto, evitando modelos padronizados aplicados indistintamente a todos os sujeitos com TEA. A documentação sistemática dos processos de aprendizagem também assume importância nesse contexto, pois permite acompanhar respostas às estratégias pedagógicas e realizar ajustes fundamentados nas evidências produzidas durante o percurso educativo. O Método de Portfólios Educacionais SHDI pode ser compreendido, nesse sentido, como instrumento de registro, planejamento, acompanhamento e avaliação formativa, possibilitando organizar informações sobre habilidades, interesses, avanços, dificuldades e necessidades de apoio. Ischkanian (2026), ao abordar a adaptação na educação infantil por meio do Método de Portfólios Educacionais SHDI, evidencia a importância de observar o estudante em seu processo de desenvolvimento e utilizar os registros pedagógicos para orientar intervenções. A articulação entre DUA, TA, personalização e documentação pedagógica permite compreender a inclusão como processo contínuo de identificação e enfrentamento de barreiras. Não se trata apenas de oferecer recursos tecnológicos ou modificar atividades isoladamente, mas de construir uma organização pedagógica que reconheça diferentes maneiras de aprender, comunicar, participar e demonstrar conhecimentos. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao defenderem práticas educativas que ensinem de maneiras diferentes, contribuem para essa compreensão ao enfatizarem a necessidade de diversificar as possibilidades pedagógicas para ampliar as condições de aprendizagem dos estudantes. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 22 2.1. AUTISMO, SINGULARIDADE E EDUCAÇÃO INCLUSIVA O autismo apresenta manifestações heterogêneas, o que impede que uma única metodologia seja considerada suficiente para todos os estudantes identificados no espectro. Diferenças relacionadas à comunicação, interação social, processamento sensorial, interesses, autonomia, funções executivas e formas de aprendizagem interferem diretamente na maneira como cada estudante participa das experiências escolares. Corrêa (2026), ao analisar os desafios da inclusão escolar, ressalta a necessidade de compreender as especificidades dos estudantes e de construir respostas pedagógicas contextualizadas, princípio que sustenta a compreensão de que autismo não é igual para todos. A compreensão do autismo no contexto educacional exige uma perspectiva que reconheça a singularidade de cada estudante e considere a diversidade presente nas formas de comunicação, interação, participação e aprendizagem. O Transtorno do Espectro Autista não se manifesta de maneira uniforme, o que torna necessário superar concepções pedagógicas baseadas na padronização e ampliar as possibilidades de acesso ao currículo, às experiências escolares e às relações sociais. Nesse cenário, a educação inclusiva assume o compromisso de construir ambientes nos quais as diferenças individuais sejam consideradas no planejamento e nas práticas pedagógicas. A singularidade do estudante com autismo precisa ser compreendida para além de suas dificuldades ou necessidades de apoio. É necessário reconhecer interesses, potencialidades, formas de expressão, ritmos de aprendizagem, preferências, habilidades comunicativas e diferentes maneiras de demonstrar conhecimentos. Essa compreensão permite que o professor organize experiências mais acessíveis, utilizando recursos visuais, materiais concretos, tecnologias assistivas, estratégias lúdicas, diferentes linguagens e formas diversificadas de avaliação. A inclusão passa, portanto, pela capacidade de identificar barreiras e criar condições pedagógicas para que cada estudante possa participar e aprender. Nesse contexto, as contribuições dos autores reunidos a seguir enfatizam diferentes dimensões relacionadas ao autismo, à singularidade e à educação inclusiva. As reflexões destacam a importância de compreender o estudante em sua individualidade, valorizar suas potencialidades e organizar práticas pedagógicas capazes de favorecer participação, comunicação, aprendizagem e autonomia. As citações também dialogam com uma concepção de escola que não exige que todos aprendam da mesma maneira, mas que amplia suas estratégias para acolher diferentes percursos de aprendizagem. As citações (2026, Grifo Próprio) foram organizadas com o propósito de evidenciar essa compreensão plural do autismo e de estabelecer uma base conceitual para as atividades pedagógicas propostas neste trabalho. Ao reunir diferentes perspectivas, busca-se fortalecer a ideia de que ensinar estudantes com autismo requer observação, escuta, planejamento, AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 23 . flexibilidade e acompanhamento contínuo, considerando que cada trajetória de aprendizagem apresenta características próprias e possibilidades que precisam ser reconhecidas e potencializadas. Essa compreensão permite que o professor identifique barreiras e recursos que interferem na participação, ajustando as estratégias conforme as respostas apresentadas pelo estudante. “A compreensão do autismo no contexto educacional exige o reconhecimento de que cada estudante apresenta uma trajetória própria de desenvolvimento, aprendizagem, comunicação e participação. A escola inclusiva precisa superar práticas baseadas na homogeneização e construir possibilidades pedagógicas que considerem interesses, formas de expressão, ritmos, potencialidades e necessidades de apoio. Reconhecer a singularidade não significa reduzir as expectativas de aprendizagem, mas criar condições para que diferentes estudantes encontrem caminhos acessíveis para participar, aprender e demonstrar seus conhecimentos. A inclusão educacional torna-se mais efetiva quando o planejamento pedagógico considera o estudante como sujeito ativo, respeitando suas características e organizando recursos, estratégias e experiências que ampliem sua autonomia e participação no cotidiano escolar.” (Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, 2026, Grifo Próprio) “Falar sobre autismo na educação significa compreender que não existe uma única maneira de aprender, comunicar-se, interagir ou demonstrar conhecimentos. A singularidade do estudante precisa estar presente no planejamento, na avaliação, na organização dos ambientes e na escolha dos recursos pedagógicos. Uma escola verdadeiramente inclusiva não espera que todos os estudantes respondam da mesma maneira às mesmas estratégias; ela amplia suas possibilidades de ensinar para que diferentes formas de aprendizagem possam ser reconhecidas e valorizadas. Nesse processo, os registros pedagógicos assumem papel relevante porque permitem acompanhar o percurso individual, identificar avanços, reconhecer barreiras e reorganizar as práticas de acordo com as necessidades observadas, transformando a documentação da aprendizagem em instrumento de inclusão, participação e autonomia.” (Simone Helen Drumond Ischkanian, 2026, Grifo Próprio) “A educação inclusiva de estudantes com autismo precisa estar fundamentada na compreensão da diversidade humana e na construção de respostas pedagógicas capazes de acolher diferentes modos de aprender. As características relacionadas à comunicação, à interação social, ao processamento sensorial, aos interesses e às formas de participação podem variar significativamente entre os estudantes, exigindo do professor uma postura investigativa e flexível. O planejamento educacional precisa partir da observação das potencialidades e das necessidades concretas de cada sujeito, evitando modelos rígidos que transformem diferenças individuais em obstáculos à aprendizagem. A inclusão acontece quando a escola reorganiza suas práticas para possibilitar acesso, participação e aprendizagem, reconhecendo que a diversidade não constitui um problema a ser corrigido, mas uma característica que deve ser considerada na construção do processo educativo.” (Gladys Nogueira Cabral, 2026, Grifo Próprio) “A singularidade dos estudantes com autismo manifesta-se também na maneira como cada um estabelece relações com os conteúdos, com os espaços, com os recursos pedagógicos e com as pessoas que participam de sua experiência escolar. Por essa razão, ensinar de maneira inclusiva requer a criação de múltiplas possibilidades de acesso ao conhecimento, permitindo que o estudante utilize diferentes linguagens, materiais, tecnologias e formas de expressão. A prática pedagógica precisa reconhecer que determinados recursos podem favorecer a participação de um estudante e não produzir o mesmo efeito para outro. A personalização do ensino, portanto, não representa a construção de uma educação isolada ou individualizada em todos os seus momentos, mas a capacidade de ajustar estratégias, recursos e formas de participação para que cada estudante possa desenvolver suas competências em condições de maior acessibilidade e autonomia.” (Andy Lima Oliveira, 2026, Grifo Próprio) Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 24 “O processo de inclusão escolar de estudantes com autismo pode encontrar no lúdico importantes possibilidades de comunicação, interação e aprendizagem. As brincadeiras, os jogos, as histórias, as atividades com imagens e as experiências concretas podem favorecer a participação quando são planejadas considerando os interesses e as características individuais do estudante. O brincar não deve ser compreendido apenas como momento de entretenimento, mas como possibilidade pedagógica para desenvolver linguagem, atenção, interação, resolução de problemas, criatividade e competências socioemocionais. Quando o professor observa as respostas apresentadas durante essas experiências, pode identificar preferências, formas de comunicação e estratégias que favorecem o envolvimento, utilizando essas informações para reorganizar o planejamento e ampliar as oportunidades de aprendizagem.” (Rita Cristina Guimarães de Almeida, 2026, Grifo Próprio) “A inclusão de estudantes com autismo pressupõe uma escola capaz de reconhecer diferentes maneiras de participação e aprendizagem. O ambiente educacional precisa ser planejado para reduzir barreiras que dificultem o acesso aos conteúdos, às interações e às atividades cotidianas, considerando que as necessidades de apoio podem modificar-se conforme a situação, o contexto e as demandas apresentadas. Recursos visuais, materiais concretos, tecnologias, adaptações curriculares, organização da rotina e diferentes formas de comunicação podem contribuir para tornar as experiências escolares mais acessíveis. O compromisso inclusivo está relacionado à capacidade institucional de observar o estudante, compreender suas necessidades e construir respostas pedagógicas que favoreçam sua participação sem retirar-lhe o direito de experimentar, escolher, comunicar-se, aprender e desenvolver autonomia.” (Débora Campos Cavalcante, 2026, Grifo Próprio) “Compreender a singularidade no autismo requer considerar a complexidade do desenvolvimento humano e reconhecer que características individuais não podem ser reduzidas a uma descrição única do espectro. Cada estudante apresenta combinações próprias de habilidades, desafios, interesses, formas de comunicação e maneiras de responder às experiências escolares. Por isso, a educação inclusiva precisa trabalhar com uma perspectiva que valorize a individualidade e, simultaneamente, garanta oportunidades de participação coletiva. O conhecimento sobre o estudante deve ser construído continuamente por meio da observação, do diálogo com a família, da análise de registros e da avaliação das estratégias utilizadas. Essa perspectiva permite que a escola substitua respostas padronizadas por práticas pedagógicas mais flexíveis, capazes de acompanhar as transformações que ocorrem no percurso de aprendizagem.” (Giane Demo, 2026, Grifo Próprio) “A construção de uma escola inclusiva para estudantes com autismo depende da compreensão de que acessibilidade não se limita à presença física no espaço escolar. Estar incluído significa encontrar condições para compreender as propostas, participar das interações, expressar necessidades, acessar os conhecimentos e demonstrar aprendizagens por diferentes meios. Nesse sentido, o professor precisa observar quais barreiras interferem na participação e buscar alternativas pedagógicas que ampliem as possibilidades de envolvimento. A organização da rotina, o uso de recursos visuais, a flexibilização das propostas, a mediação comunicativa e a valorização dos interesses do estudante podem contribuir para uma experiência educacional mais significativa. A inclusão torna-se concreta quando o planejamento deixa de partir exclusivamente do que é esperado de todos e passa a considerar também aquilo que cada estudante necessita para participar.” (Erilane de Moraes Franco dos Santos, 2026, Grifo Próprio) “A educação inclusiva precisa reconhecer o estudante com autismo como sujeito de direitos, capaz de participar ativamente de seu processo de aprendizagem e de construir conhecimentos por diferentes caminhos. A singularidade deve orientar a organização das experiências pedagógicas, considerando que comunicação, interação, atenção, interesses e formas de expressão podem assumir configurações diversas. Uma proposta inclusiva não significa oferecer menos oportunidades, mas criar diferentes caminhos para que os objetivos educacionais sejam alcançados. O professor pode utilizar imagens, objetos, recursos tecnológicos, experiências práticas, atividades colaborativas e diferentes formas de registro para ampliar o acesso ao currículo. (Evelyn Noelia Seixas Sorzano, 2026, Grifo Próprio) AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 25 . “A construção de práticas inclusivas para estudantes com autismo exige uma concepção de educação que reconheça a diversidade como elemento constitutivo do processo de ensino e aprendizagem. Cada estudante possui características próprias, e essas particularidades precisam ser consideradas na definição dos objetivos, na seleção dos recursos, na organização das atividades e na avaliação dos resultados. O professor exerce papel fundamental ao criar oportunidades para que o estudante participe de maneira ativa, utilizando diferentes linguagens e recursos para comunicar aquilo que sabe, deseja e necessita. A documentação sistemática dessas experiências contribui para tornar visíveis avanços que muitas vezes não aparecem em avaliações tradicionais, permitindo acompanhar o percurso individual e planejar novas intervenções. A inclusão, portanto, ganha sentido quando o estudante não apenas permanece na escola, mas encontra condições reais para aprender, comunicar-se, participar e desenvolver autonomia.” (Silvana Nascimento de Carvalho, 2026, Grifo Próprio) De acordo com os autores (2026, Grifo Próprio), o acompanhamento sistemático também possibilita registrar conquistas, necessidades de apoio, interesses e formas de comunicação, tornando o processo educativo mais individualizado. A prática pedagógica passa a valorizar não apenas os resultados alcançados, mas também os caminhos percorridos para que cada estudante possa aprender, comunicar-se, participar e desenvolver sua autonomia. A singularidade do estudante autista precisa ser considerada também na definição dos objetivos educacionais e na seleção das estratégias pedagógicas. A existência de diferentes níveis de necessidade de suporte não significa que todos os estudantes de um mesmo nível apresentarão características idênticas, pois o funcionamento individual resulta da combinação de diferentes fatores pessoais e contextuais. Almeida et al. (2026), ao discutirem jogos lúdicos, neurodesenvolvimento, TEACCH, ABA, Comunicação Alternativa e Integração Sensorial, apresentam diferentes possibilidades de intervenção e desenvolvimento de competências, indicando a necessidade de selecionar estratégias de acordo com as características e demandas de cada estudante. A inclusão escolar, nessa perspectiva, ultrapassa a garantia de matrícula e presença física na escola. É necessário assegurar condições para que o estudante participe das atividades, compreenda as propostas, comunique necessidades, estabeleça interações e demonstre aquilo que aprendeu. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem uma educação capaz de ensinar de maneiras diferentes, perspectiva que estabelece relação direta com a necessidade de flexibilizar estratégias e recursos para que a diversidade dos estudantes seja reconhecida no planejamento cotidiano. O reconhecimento da singularidade também exige que professores evitem interpretações generalizantes sobre comportamentos e competências. Uma determinada dificuldade apresentada em uma situação pode estar relacionada ao ambiente, à linguagem utilizada, à sobrecarga sensorial, à complexidade da tarefa ou à ausência de um recurso acessível, e não necessariamente representar uma incapacidade permanente do estudante. Demo et al. (2026), ao discutirem diferenças relacionadas à conectividade neural em diferentes condições do autismo, contribuem para a compreensão da complexidade do neurodesenvolvimento, reforçando a necessidade de evitar interpretações simplificadas sobre o funcionamento de pessoas autistas. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 26 A educação inclusiva necessita, portanto, combinar reconhecimento das características individuais com transformação das condições educacionais. A escola precisa observar barreiras, testar possibilidades, registrar respostas e reorganizar práticas sempre que necessário. O Método de Portfólios Educacionais SHDI contribui para esse processo ao favorecer registros contínuos sobre o percurso de aprendizagem, permitindo que decisões pedagógicas sejam relacionadas a evidências observadas no cotidiano escolar, conforme a perspectiva apresentada por Ischkanian (2026). O uso sistemático dos portfólios permite transformar os registros cotidianos em evidências pedagógicas, favorecendo a identificação das potencialidades, necessidades de apoio, avanços e formas singulares de aprendizagem de cada estudante, bem como o redirecionamento contínuo das estratégias educativas. As atividades apresentadas a seguir foram organizadas com a finalidade de apoiar professores, profissionais da Educação Especial, equipes pedagógicas e famílias na construção de experiências de aprendizagem mais acessíveis, significativas e individualizadas para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Cada proposta considera que o autismo se manifesta de diferentes maneiras e que, portanto, as estratégias pedagógicas precisam respeitar características, interesses, formas de comunicação, ritmos de aprendizagem, necessidades de apoio e potencialidades de cada estudante. O portfólio é compreendido como um instrumento pedagógico que ultrapassa a simples reunião de atividades realizadas. Ele permite documentar processos, registrar conquistas, identificar dificuldades, acompanhar mudanças, reconhecer preferências e analisar quais recursos e estratégias favorecem maior participação. Nesse sentido, os registros podem incluir produções escritas, desenhos, fotografias, vídeos, registros de observação, atividades lúdicas, respostas comunicativas, produções digitais, avaliações, relatos do estudante e contribuições da família, compondo uma visão mais ampla do percurso educacional. As 50 atividades foram elaboradas contemplando três dimensões fundamentais: objetivo, procedimentos e possibilidades de aprendizagem. O objetivo indica a competência ou habilidade que se pretende favorecer; os procedimentos orientam a organização da experiência pedagógica e os registros que podem ser incorporados ao portfólio; e as possibilidades de aprendizagem indicam diferentes dimensões que podem ser desenvolvidas durante a atividade. Essa organização permite que o professor adapte cada proposta às características do estudante, sem transformar a atividade em um modelo rígido ou obrigatório. A utilização dos portfólios também possibilita estabelecer relações entre planejamento, intervenção pedagógica e avaliação formativa. Ao registrar não apenas o produto final, mas também o percurso realizado, o professor consegue observar o nível de apoio necessário, as formas de comunicação utilizadas, as estratégias que favoreceram a participação e as mudanças apresentadas ao longo do tempo. O portfólio passa, portanto, a funcionar como uma fonte de AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 27 . evidências para a tomada de decisões pedagógicas, contribuindo para que o planejamento seja continuamente ajustado às necessidades educacionais identificadas. As propostas podem ser articuladas aos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), às Tecnologias Assistivas, à comunicação alternativa e aumentativa, às metodologias lúdicas e à personalização do ensino. Uma mesma atividade pode ser apresentada por meio de imagens, objetos concretos, linguagem oral, escrita, recursos digitais, gestos, símbolos ou outros sistemas de comunicação, permitindo diferentes formas de acesso, participação e expressão. A flexibilidade constitui, nesse contexto, uma condição importante para que o estudante encontre caminhos próprios para demonstrar aquilo que sabe e aquilo que está aprendendo. O registro realizado no portfólio deve valorizar os avanços individuais e evitar comparações inadequadas entre estudantes. O que precisa ser acompanhado é o percurso de cada sujeito em relação aos seus próprios objetivos, possibilidades e necessidades de apoio. Fotografias, produções, observações e relatos podem demonstrar pequenas conquistas que, quando analisadas ao longo do tempo, revelam processos importantes de desenvolvimento, participação e autonomia. As atividades também podem ser retomadas, modificadas e ampliadas conforme as respostas observadas. Quando determinada estratégia favorece a participação, pode ser incorporada a novas experiências; quando uma proposta apresenta barreiras, seus materiais, instruções, tempo, espaço ou recursos podem ser reorganizados. O portfólio possibilita registrar essas mudanças e acompanhar seus efeitos, fortalecendo uma prática pedagógica reflexiva, planejada e centrada no estudante. Meu perfil de aprendizagem - Objetivo: Identificar interesses, preferências, formas de comunicação e estratégias que favorecem a aprendizagem. Procedimentos: Elaborar, com apoio visual, uma ficha contendo preferências, interesses, atividades favoritas, formas de comunicação e recursos que facilitam a participação. Registrar as respostas no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Autoconhecimento, comunicação, expressão de preferências, reconhecimento da própria identidade e participação nas decisões pedagógicas. Minha rotina visual - Objetivo: Desenvolver a compreensão da sequência de atividades e favorecer a previsibilidade. Procedimentos: Construir uma rotina utilizando fotografias, desenhos, pictogramas ou palavras. Registrar no portfólio as etapas realizadas e as adaptações necessárias. Possibilidades de aprendizagem: Organização temporal, autonomia, antecipação de acontecimentos, compreensão de sequência e redução de barreiras comunicacionais. Identificação do nome - Objetivo: Desenvolver o reconhecimento visual e a escrita do próprio nome. Procedimentos: Utilizar cartões com o nome, letras móveis, imagens e diferentes materiais para formar e copiar o nome. Inserir as produções no portfólio. Possibilidades de Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 28 aprendizagem: Alfabetização, percepção visual, coordenação motora, reconhecimento de letras e construção da identidade escrita. Meu autorretrato - Objetivo: Favorecer o reconhecimento da própria imagem e a expressão da identidade. Procedimentos: Produzir um autorretrato utilizando desenho, pintura, colagem ou recurso digital. Registrar comentários do estudante sobre sua produção. Possibilidades de aprendizagem: Identidade, expressão artística, comunicação, percepção corporal e desenvolvimento socioemocional. Caixa das emoções - Objetivo: Ampliar a identificação e a expressão de emoções. Procedimentos: Apresentar imagens de diferentes emoções e solicitar que o estudante escolha aquela que representa seu estado ou uma situação vivenciada. Registrar as respostas no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Vocabulário emocional, comunicação, reconhecimento de estados afetivos e autorregulação. Pareamento de imagens - Objetivo: Desenvolver atenção, percepção visual e associação de informações. Procedimentos: Apresentar pares de imagens iguais ou relacionadas. Registrar no portfólio o desempenho, o nível de ajuda e a evolução observada. Possibilidades de aprendizagem: Memória visual, atenção, discriminação, associação e categorização. Classificando objetos - Objetivo: Desenvolver habilidades de classificação e organização. Procedimentos: Oferecer objetos para agrupamento por cor, forma, tamanho, função ou categoria. Fotografar o processo e registrar os critérios utilizados. Possibilidades de aprendizagem: Raciocínio lógico, categorização, percepção, linguagem e resolução de problemas. Cores do cotidiano - Objetivo: Reconhecer e utilizar diferentes cores em situações funcionais. Procedimentos: Explorar objetos presentes na escola e solicitar agrupamentos por cores. Registrar fotografias e produções no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Discriminação visual, vocabulário, classificação e atenção. Formas geométricas - Objetivo: Reconhecer círculo, quadrado, triângulo, retângulo e outras formas. Procedimentos: Utilizar blocos, cartões e objetos concretos para identificação e associação. Registrar as respostas e estratégias utilizadas no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Percepção espacial, raciocínio lógico, vocabulário matemático e associação visual. Contagem funcional - Objetivo: Desenvolver conceitos iniciais de quantidade e número. Procedimentos: Contar objetos reais, brinquedos, lápis ou elementos de interesse do estudante. Registrar diferentes níveis de desempenho no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Correspondência um a um, sequência numérica, quantidade e raciocínio matemático. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 29 . Mercado pedagógico - Objetivo: Desenvolver habilidades matemáticas e funcionais. Procedimentos: Organizar um pequeno mercado com embalagens, etiquetas de preços e dinheiro simbólico. Registrar as estratégias utilizadas pelo estudante no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Número, quantidade, escolha, comunicação, autonomia e resolução de problemas cotidianos. Receita ilustrada - Objetivo: Desenvolver a compreensão de sequência e linguagem funcional. Procedimentos: Preparar uma receita simples utilizando imagens para representar cada etapa. Registrar fotografias e a participação do estudante no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Sequenciamento, vocabulário, medidas, autonomia e participação social. História em sequência - Objetivo: Desenvolver a compreensão temporal e narrativa. Procedimentos: Organizar imagens de uma história em sequência lógica e solicitar que o estudante conte ou indique os acontecimentos. Registrar as respostas no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Linguagem, memória, sequência temporal, compreensão e expressão. Leitura compartilhada - Objetivo: Estimular o interesse por livros e a compreensão de narrativas. Procedimentos: Realizar leitura com imagens, objetos concretos e recursos de comunicação. Registrar respostas, escolhas e participação no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Letramento, vocabulário, atenção compartilhada e compreensão textual. Meu livro de imagens - Objetivo: Estimular a produção narrativa e a comunicação. Procedimentos: Selecionar imagens relacionadas ao cotidiano do estudante e organizar uma pequena narrativa. Registrar a produção no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Comunicação, sequência, criatividade, vocabulário e expressão. Letras móveis - Objetivo: Desenvolver o reconhecimento e a associação entre letras e palavras. Procedimentos: Utilizar letras móveis para formar palavras relacionadas aos interesses do estudante. Registrar as palavras produzidas no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Consciência fonológica, alfabetização, reconhecimento visual e escrita. Caça às letras - Objetivo: Identificar letras em diferentes contextos. Procedimentos: Procurar letras em cartazes, livros, embalagens e materiais escolares. Fotografar as descobertas e inseri-las no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Atenção visual, reconhecimento de letras, leitura funcional e exploração do ambiente. Comunicação por escolhas - Objetivo: Ampliar a capacidade de fazer escolhas. Procedimentos: Apresentar duas ou mais opções utilizando objetos, imagens, pictogramas ou recursos digitais. Registrar as escolhas realizadas no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Comunicação funcional, autonomia, tomada de decisão e expressão de preferências. Prancha de comunicação - Objetivo: Favorecer a comunicação alternativa e aumentativa. Procedimentos: Construir uma prancha com símbolos relacionados às Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 30 necessidades e atividades do estudante. Registrar sua utilização em diferentes situações. Possibilidades de aprendizagem: Comunicação funcional, autonomia, expressão de necessidades e participação. Solicitação de ajuda - Objetivo: Desenvolver autonomia para solicitar apoio. Procedimentos: Ensinar diferentes formas de pedir ajuda utilizando palavras, gestos, cartões ou dispositivos de comunicação. Registrar as situações em que o estudante conseguiu solicitar apoio. Possibilidades de aprendizagem: Comunicação, autorregulação, autonomia e interação social. Jogo da memória - Objetivo: Desenvolver memória, atenção e associação. Procedimentos: Utilizar pares de imagens relacionados aos interesses do estudante. Registrar progressos e estratégias utilizadas no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Memória visual, concentração, associação e interação. Quebra-cabeça - Objetivo: Desenvolver percepção visual e resolução de problemas. Procedimentos: Utilizar quebra-cabeças com níveis progressivos de complexidade. Registrar o nível de apoio necessário e os avanços observados. Possibilidades de aprendizagem: Raciocínio, percepção espacial, coordenação motora e persistência. Construção com blocos - Objetivo: Estimular planejamento, coordenação e criatividade. Procedimentos: Propor construções livres ou seguindo modelos visuais. Fotografar as produções e registrar as estratégias utilizadas. Possibilidades de aprendizagem: Planejamento, coordenação motora, criatividade e resolução de problemas. Circuito motor - Objetivo: Desenvolver coordenação motora e orientação espacial. Procedimentos: Organizar obstáculos simples, respeitando as condições e necessidades do estudante. Registrar a evolução e os níveis de apoio no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Coordenação, equilíbrio, planejamento motor e autonomia. Caixa sensorial - Objetivo: Explorar diferentes estímulos de maneira organizada e segura. Procedimentos: Disponibilizar materiais com diferentes texturas e observar preferências e respostas. Registrar as observações no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Exploração sensorial, comunicação de preferências, atenção e autorregulação. Música e movimento - Objetivo: Estimular expressão corporal, ritmo e interação. Procedimentos: Utilizar músicas escolhidas pelo estudante e propor movimentos livres ou orientados. Registrar as formas de participação no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Ritmo, expressão corporal, interação, atenção e comunicação. Imitação de movimentos - Objetivo: Desenvolver atenção compartilhada e imitação. Procedimentos: Realizar movimentos simples e convidar o estudante a reproduzi-los, aumentando gradualmente a complexidade. Registrar os avanços. Possibilidades de aprendizagem: Coordenação, atenção, imitação, interação e memória motora. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 31 . Identificação de objetos funcionais - Objetivo: Ampliar vocabulário e compreensão funcional. Procedimentos: Apresentar objetos utilizados na rotina e solicitar identificação, nomeação ou indicação de sua função. Registrar as respostas no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Linguagem, categorização, compreensão funcional e autonomia. Quem usa? Objetivo: Relacionar objetos às pessoas ou situações em que são utilizados. Procedimentos: Apresentar imagens de objetos e diferentes contextos para associação. Registrar justificativas e respostas no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Associação, compreensão social, linguagem e raciocínio. Minha família - Objetivo: Desenvolver o reconhecimento de pessoas significativas. Procedimentos: Utilizar fotografias ou desenhos para identificar familiares e pessoas de referência. Registrar as respostas e manifestações do estudante. Possibilidades de aprendizagem: Identidade, memória, comunicação e vínculos sociais. Minha escola - Objetivo: Ampliar orientação e autonomia nos espaços escolares. Procedimentos: Realizar percurso pelos ambientes da escola e registrar fotografias dos locais e suas funções. Possibilidades de aprendizagem: Orientação espacial, autonomia, comunicação e reconhecimento ambiental. Mapa da escola - Objetivo: Desenvolver compreensão espacial. Procedimentos: Construir um mapa visual simples com os principais espaços escolares. Registrar o percurso e as estratégias utilizadas pelo estudante. Possibilidades de aprendizagem: Organização espacial, memória, orientação e independência. Sequência da higiene - Objetivo: Desenvolver autonomia em atividades de autocuidado. Procedimentos: Criar sequência visual para lavar as mãos, escovar os dentes ou realizar outra rotina de higiene. Registrar cada etapa realizada. Possibilidades de aprendizagem: Autonomia, sequência temporal, autocuidado e compreensão de instruções. Vestindo-se sozinho - Objetivo: Desenvolver habilidades de autocuidado. Procedimentos: Organizar imagens das etapas para vestir determinada peça ou preparar-se para uma atividade. Registrar níveis de independência. Possibilidades de aprendizagem: Coordenação, sequência, autonomia e planejamento motor. Organizando materiais - Objetivo: Desenvolver organização e responsabilidade. Procedimentos: Criar identificação visual para caixas, gavetas e materiais. Registrar a capacidade do estudante de guardar e organizar os objetos. Possibilidades de aprendizagem: Organização, classificação, autonomia e responsabilidade. Calendário visual - Objetivo: Desenvolver compreensão temporal e antecipação. Procedimentos: Utilizar imagens para representar dias, atividades, eventos e mudanças na rotina. Registrar a participação do estudante. Possibilidades de aprendizagem: Sequência temporal, antecipação, organização e comunicação. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 32 Diário de conquistas - Objetivo: Valorizar avanços individuais. Procedimentos: Registrar semanalmente uma conquista ou nova habilidade desenvolvida pelo estudante. Possibilidades de aprendizagem: Autoconhecimento, autoestima, comunicação e reconhecimento do próprio desenvolvimento. Eu consigo! Objetivo: Identificar habilidades adquiridas e fortalecer a autonomia. Procedimentos: Registrar fotografias, produções ou relatos de atividades realizadas com independência. Possibilidades de aprendizagem: Autonomia, autoconfiança, autorregulação e reconhecimento de competências. Minha escolha - Objetivo: Desenvolver tomada de decisão. Procedimentos: Oferecer opções de materiais, atividades, histórias ou brincadeiras e registrar a escolha realizada. Possibilidades de aprendizagem: Autonomia, comunicação, tomada de decisão e expressão de preferências. História social - Objetivo: Apoiar a compreensão de situações sociais. Procedimentos: Produzir pequenas histórias visuais sobre situações como chegada à escola, recreio, espera ou mudança de rotina. Registrar as respostas do estudante. Possibilidades de aprendizagem: Compreensão social, antecipação, comunicação e autorregulação. Esperando minha vez - Objetivo: Desenvolver compreensão de turnos e regras sociais. Procedimentos: Utilizar jogos simples e marcadores visuais para indicar quem participa e quem espera. Registrar os progressos observados. Possibilidades de aprendizagem: Interação, autorregulação, atenção e compreensão de regras. Jogo cooperativo - Objetivo: Estimular interação e colaboração. Procedimentos: Realizar atividades em duplas ou pequenos grupos, oferecendo apoio visual e mediação quando necessário. Registrar as formas de participação. Possibilidades de aprendizagem: Cooperação, comunicação, negociação, participação e habilidades socioemocionais. Tecnologia que me ajuda - Objetivo: Identificar recursos tecnológicos que favorecem a participação. Procedimentos: Experimentar diferentes recursos acessíveis e registrar quais facilitam determinada atividade. Possibilidades de aprendizagem: Autonomia tecnológica, resolução de problemas, comunicação e acessibilidade. Produção digital - Objetivo: Desenvolver expressão utilizando ferramentas digitais. Procedimentos: Produzir desenho, história, apresentação, áudio ou vídeo utilizando recurso acessível. Registrar o processo e o produto final no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Letramento digital, criatividade, comunicação e autoria. Fotografia pedagógica - Objetivo: Registrar evidências do processo de aprendizagem. Procedimentos: Fotografar momentos significativos da participação do estudante e inserir as imagens acompanhadas de registros pedagógicos. Possibilidades de aprendizagem: Reflexão sobre experiências, comunicação, memória e documentação da aprendizagem. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 33 . Antes e depois - Objetivo: Identificar a evolução de determinada habilidade. Procedimentos: Registrar uma produção inicial e outras posteriores, comparando estratégias, nível de apoio e resultados. Possibilidades de aprendizagem: Percepção de progresso, autorreflexão, autonomia e avaliação formativa. Minha produção favorita - Objetivo: Identificar interesses e preferências relacionadas às atividades escolares. Procedimentos: Selecionar produções realizadas durante determinado período e solicitar que o estudante escolha uma ou mais favoritas. Possibilidades de aprendizagem: Escolha, comunicação, expressão de preferências e reflexão sobre a própria aprendizagem. Autoavaliação visual - Objetivo: Desenvolver a participação do estudante na avaliação. Procedimentos: Utilizar símbolos como gostei, consegui, precisei de ajuda ou quero tentar novamente. Registrar a percepção do estudante. Possibilidades de aprendizagem: Metacognição, autorregulação, comunicação e consciência sobre a aprendizagem. Portfólio compartilhado com a família - Objetivo: Fortalecer a comunicação entre escola e família. Procedimentos: Selecionar registros relevantes e compartilhar com a família, permitindo que sejam acrescentadas observações sobre experiências realizadas em casa. Possibilidades de aprendizagem: Continuidade pedagógica, comunicação, participação familiar e contextualização das aprendizagens. Meu percurso de aprendizagem - Objetivo: Sistematizar o desenvolvimento do estudante ao longo de determinado período. Procedimentos: Reunir produções, fotografias, registros de observação, atividades, avaliações, recursos utilizados, conquistas e necessidades de apoio. Organizar o material cronologicamente e realizar uma análise comparativa. Possibilidades de aprendizagem: Metacognição, reconhecimento de avanços, autonomia, planejamento de novas metas e participação do estudante na avaliação do próprio percurso. Nessa perspectiva, as 50 atividades não constituem um roteiro fechado, mas um conjunto de possibilidades para inspirar práticas pedagógicas inclusivas. Sua aplicação deve considerar a faixa etária, os objetivos curriculares, o contexto escolar, os interesses do estudante, suas formas de comunicação e as condições concretas de participação. O propósito central é transformar o portfólio em um instrumento vivo de aprendizagem, capaz de revelar potencialidades, documentar conquistas e orientar novas possibilidades de ensinar e aprender. 2.2. DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM E DIVERSIFICAÇÃO PEDAGÓGICA O Desenho Universal para a Aprendizagem constitui uma perspectiva que favorece a antecipação da diversidade no planejamento pedagógico. Em lugar de preparar uma atividade única e posteriormente criar adaptações para determinados estudantes, o planejamento pode Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 34 incorporar diferentes formas de apresentação das informações, participação nas tarefas e demonstração das aprendizagens. Brazão et al. (2023), ao analisarem abordagens relacionadas ao Design Universal no ensino e aprendizagem de crianças autistas, evidenciam a relevância dessa perspectiva para a construção de práticas que considerem a diversidade desde a organização inicial do processo educativo. A utilização do DUA também permite compreender que acessibilidade pedagógica não significa reduzir expectativas de aprendizagem. O objetivo é oferecer diferentes caminhos para que os estudantes tenham acesso aos mesmos conhecimentos, considerando suas características e formas de interação com o currículo. Barrera Ciurana e Moliner García (2024), ao investigarem as vozes de estudantes autistas sobre o DUA no ensino superior, demonstram a importância de compreender como os próprios estudantes percebem as condições que favorecem sua aprendizagem, reforçando a necessidade de planejamento centrado na experiência educacional concreta. Para estudantes autistas, a diversificação pode envolver recursos visuais, instruções objetivas, organização previsível das atividades, possibilidades alternativas de resposta, tecnologias digitais, Comunicação Aumentativa e Alternativa, materiais concretos e diferentes formas de avaliação. Ischkanian et al. (2026), ao abordarem caminhos inclusivos para o letramento e a alfabetização de estudantes com TEA nos níveis de suporte 1, 2 e 3, apresentam a necessidade de construir possibilidades pedagógicas que dialoguem com diferentes formas de aprender e participar. O DUA também favorece uma mudança na concepção de currículo, pois permite pensar os conteúdos não apenas como informações que precisam ser transmitidas, mas como conhecimentos que podem ser acessados por múltiplos caminhos. Vieira et al. (2026), ao discutirem o letramento e a elaboração de materiais inclusivos, demonstram a importância de estratégias pedagógicas capazes de tornar os processos de leitura, escrita e construção de conhecimentos mais acessíveis. Essa perspectiva aproxima-se do objeto desta pesquisa ao compreender a acessibilidade curricular como componente essencial da inclusão. A aplicação do DUA requer planejamento intencional, observação e avaliação contínua. Não basta disponibilizar diferentes recursos se eles não respondem às necessidades concretas do estudante ou se não estão integrados aos objetivos de aprendizagem. Brazão et al. (2023) contribuem para essa compreensão ao relacionarem o Design Universal às possibilidades de organização do ensino para crianças autistas, enquanto o Método de Portfólios Educacionais SHDI pode apoiar o acompanhamento das respostas individuais às estratégias utilizadas, permitindo aperfeiçoar continuamente o planejamento. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 35 . 2.3. TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E REDUÇÃO DE BARREIRAS As Tecnologias Assistivas podem desempenhar papel significativo na ampliação da participação de estudantes com deficiência, especialmente quando selecionadas a partir das necessidades funcionais e educacionais identificadas. No contexto do autismo, esses recursos podem apoiar comunicação, organização, interação, acesso a conteúdos, execução de tarefas e desenvolvimento de habilidades práticas. Fernández-Batanero et al. (2022), em revisão sistemática sobre tecnologia assistiva e inclusão de estudantes com deficiência, evidenciam a importância desses recursos como instrumentos de acessibilidade e participação educacional. A tecnologia assistiva precisa ser compreendida para além de dispositivos sofisticados ou ferramentas digitais de elevado custo. Recursos de baixa tecnologia, materiais visuais, agendas, cartões de comunicação, pranchas, adaptações de materiais e instrumentos organizacionais também podem desempenhar funções relevantes. Marcondes et al. (2024), ao realizarem uma revisão sistemática sobre tecnologia assistiva e TEA, discutem as potencialidades desses recursos para o ensino, permitindo compreender que a escolha da tecnologia deve estar relacionada à função pedagógica e às barreiras que se pretende reduzir. A utilização de TA também pode favorecer o desenvolvimento de habilidades práticas e a autonomia. Klavina et al. (2024), em revisão sistemática sobre tecnologia assistiva voltada às habilidades práticas de pessoas com TEA e deficiência intelectual, analisam possibilidades de utilização desses recursos em atividades funcionais. A relação com a educação inclusiva ocorre quando as tecnologias são incorporadas às experiências escolares não apenas para facilitar a execução de tarefas, mas para ampliar a participação e preparar o estudante para situações de maior autonomia. A seleção dos recursos precisa considerar características individuais, contexto, objetivos pedagógicos e possibilidade de utilização efetiva pelo estudante. Uma tecnologia pode ser adequada para determinada pessoa e pouco funcional para outra, mesmo quando ambas apresentam diagnóstico de TEA. Fernández-Batanero et al. (2022) demonstram a diversidade de aplicações das tecnologias assistivas no campo educacional, enquanto o princípio da personalização exige que a escolha dos recursos seja orientada pela observação das necessidades concretas do estudante. As Tecnologias Assistivas alcançam maior potencial quando articuladas ao DUA e ao planejamento individualizado. Um recurso tecnológico isolado não garante inclusão se o currículo permanecer inflexível ou se as atividades continuarem inacessíveis. Lima Oliveira et al. (2026), ao discutirem tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada, relacionam inovação pedagógica, participação e autonomia, perspectiva que dialoga diretamente com a proposta desta obra de integrar TA, DUA e personalização na construção de ambientes educacionais acessíveis. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 36 2.4. PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO E APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA A personalização do ensino parte do reconhecimento de que estudantes apresentam diferentes ritmos, interesses, conhecimentos prévios, formas de comunicação e maneiras de demonstrar aquilo que aprenderam. No caso do TEA, essa diversidade pode ser particularmente evidente, tornando necessária uma organização pedagógica que considere o estudante concreto em vez de utilizar estratégias uniformes para todo o grupo. Lima Oliveira et al. (2026) discutem a aprendizagem personalizada como possibilidade de ampliar participação e autonomia, estabelecendo relação direta com a necessidade de adaptar o ensino às características individuais. A seguir apresentamos 50 atividades estruturadas para trabalhar a personalização do ensino e a aprendizagem significativa, considerando interesses, conhecimentos prévios, formas de comunicação, ritmo, autonomia e necessidades de apoio dos estudantes. As propostas podem ser registradas no portfólio educacional para acompanhar o percurso individual de aprendizagem. Meu interesse guia a aprendizagem - Objetivo: Identificar interesses pessoais que possam ser utilizados como ponto de partida para novas aprendizagens. Procedimentos: Conversar com o estudante, utilizar imagens, objetos, fotografias ou recursos digitais para identificar temas de interesse. Relacionar esses interesses aos conteúdos trabalhados e registrar as respostas no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Autoconhecimento, comunicação, expressão de preferências, motivação e participação ativa. O que eu já sei? Objetivo: Identificar conhecimentos prévios relacionados ao conteúdo que será estudado. Procedimentos: Apresentar imagens, perguntas, objetos ou situaçõesproblema e solicitar que o estudante demonstre o que já conhece por meio da fala, escrita, gestos, desenhos ou recursos de comunicação. Possibilidades de aprendizagem: Ativação de conhecimentos prévios, expressão de ideias, memória, comunicação e construção de novos conhecimentos. Minha pergunta sobre o mundo - Objetivo: Estimular a curiosidade e transformar perguntas pessoais em oportunidades de investigação. Procedimentos: Registrar perguntas formuladas pelo estudante e selecionar uma delas para desenvolver uma pequena investigação. Utilizar livros, imagens, vídeos, objetos e experiências práticas. Possibilidades de aprendizagem: Curiosidade, investigação, linguagem, pensamento crítico e autonomia. Aprendo com aquilo que gosto - Objetivo: Utilizar interesses individuais para favorecer a aprendizagem de conteúdos curriculares. Procedimentos: Identificar um interesse específico e relacioná-lo a atividades de leitura, escrita, matemática, ciências ou outras áreas. Registrar as estratégias que favoreceram maior envolvimento. Possibilidades de aprendizagem: Motivação, aprendizagem contextualizada, interdisciplinaridade e participação. Minha escolha de atividade - Objetivo: Desenvolver autonomia por meio da escolha entre diferentes propostas de aprendizagem. Procedimentos: Apresentar duas ou mais atividades AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 37 . relacionadas ao mesmo objetivo pedagógico e permitir que o estudante escolha por qual deseja começar. Registrar a escolha e a participação.Possibilidades de aprendizagem: Tomada de decisão, autonomia, responsabilidade e autorregulação. Aprendendo no meu ritmo - Objetivo: Respeitar o ritmo individual de realização das atividades. Procedimentos: Dividir uma tarefa em etapas menores, disponibilizar tempo adequado e registrar quanto apoio foi necessário em cada etapa. Possibilidades de aprendizagem: Autonomia, persistência, organização temporal e autorregulação. Minha meta de aprendizagem - Objetivo: Favorecer a participação do estudante na definição de metas alcançáveis. Procedimentos: Estabelecer uma pequena meta junto ao estudante, utilizando palavras, imagens ou símbolos. Registrar a meta e acompanhar seu desenvolvimento. Possibilidades de aprendizagem: Planejamento, motivação, responsabilidade e consciência sobre a aprendizagem. Eu consigo de outra maneira - Objetivo: Ampliar possibilidades de realização de uma mesma atividade. Procedimentos: Oferecer diferentes formas de responder, como escrever, desenhar, falar, apontar, utilizar imagens, gestos ou recursos tecnológicos. Possibilidades de aprendizagem: Flexibilidade, comunicação, autonomia e expressão do conhecimento. Meu jeito de resolver - Objetivo: Valorizar diferentes estratégias utilizadas para solucionar uma situação-problema. Procedimentos: Apresentar um problema e permitir que o estudante escolha ou desenvolva sua própria estratégia. Registrar o procedimento utilizado. Possibilidades de aprendizagem: Raciocínio, criatividade, resolução de problemas e pensamento estratégico. Aprendizagem com objetos concretos - Objetivo: Relacionar conceitos abstratos a experiências concretas. Procedimentos: Utilizar objetos do cotidiano para trabalhar conteúdos matemáticos, linguísticos, científicos ou sociais. Registrar fotografias e observações no portfólio. Possibilidades de aprendizagem: Compreensão conceitual, associação, exploração e generalização. Minha história em imagens - Objetivo: Relacionar experiências pessoais à construção de narrativas. Procedimentos: Selecionar fotografias ou imagens significativas para o estudante e organizar uma sequência narrativa. Possibilidades de aprendizagem: Memória, linguagem, sequência temporal, identidade e expressão. Aprendendo com experiências do cotidiano - Objetivo: Relacionar os conteúdos escolares a situações vivenciadas pelo estudante. Procedimentos: Identificar situações da rotina que possam ser utilizadas para ensinar determinado conteúdo. Registrar a experiência e os conhecimentos mobilizados. Possibilidades de aprendizagem: Aprendizagem significativa, funcionalidade, autonomia e contextualização. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 38 Meu objeto favorito - Objetivo: Utilizar um objeto de interesse como recurso mediador da aprendizagem. Procedimentos: Solicitar que o estudante escolha um objeto e desenvolver atividades relacionadas a suas características, função, quantidade, forma, história ou utilização. Possibilidades de aprendizagem: Vocabulário, investigação, classificação, comunicação e conhecimento funcional. Leitura escolhida por mim - Objetivo: Estimular o envolvimento com a leitura a partir de interesses pessoais. Procedimentos: Disponibilizar diferentes livros, histórias ou materiais acessíveis e permitir que o estudante escolha aquele que deseja explorar. Possibilidades de aprendizagem: Letramento, compreensão, autonomia, vocabulário e prazer pela leitura. Meu vocabulário significativo - Objetivo: Ampliar o vocabulário utilizando palavras relacionadas à realidade do estudante. Procedimentos: Selecionar palavras presentes em sua rotina, interesses e experiências. Trabalhar significado, imagem, uso e associação dessas palavras. Possibilidades de aprendizagem: Linguagem, comunicação, leitura, escrita e compreensão funcional. Matemática na minha rotina - Objetivo: Desenvolver conceitos matemáticos por meio de situações reais. Procedimentos: Utilizar horários, quantidades, preços, medidas, objetos e situações do cotidiano para trabalhar matemática. Possibilidades de aprendizagem: Raciocínio matemático, funcionalidade, resolução de problemas e autonomia. Meu calendário pessoal - Objetivo: Desenvolver compreensão temporal a partir de acontecimentos significativos. Procedimentos: Construir um calendário com atividades, eventos e acontecimentos importantes para o estudante. Possibilidades de aprendizagem: Organização temporal, antecipação, planejamento e autonomia. Escolhendo materiais - Objetivo: Desenvolver autonomia na seleção dos recursos necessários para uma atividade. Procedimentos: Apresentar diferentes materiais e solicitar que o estudante identifique quais serão necessários para realizar determinada tarefa. Possibilidades de aprendizagem: Planejamento, tomada de decisão, organização e independência. Aprendizagem por estações - Objetivo: Oferecer diferentes caminhos para alcançar um mesmo objetivo de aprendizagem. Procedimentos: Organizar pequenos espaços com atividades diferenciadas envolvendo leitura, jogos, materiais concretos, tecnologia ou produção artística. Possibilidades de aprendizagem: Autonomia, exploração, escolha, concentração e aprendizagem multimodal. Meu espaço de aprendizagem - Objetivo: Identificar condições ambientais que favorecem a concentração e participação. Procedimentos: Experimentar diferentes posições, organização dos materiais, iluminação, recursos visuais e espaços de trabalho. Registrar as condições que favoreceram maior envolvimento. Possibilidades de aprendizagem: Autoconhecimento, autorregulação, organização e participação. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 39 . Aprendo vendo - Objetivo: Utilizar recursos visuais para favorecer a compreensão. Procedimentos: Apresentar imagens, esquemas, pictogramas, mapas conceituais ou sequências visuais relacionados ao conteúdo. Possibilidades de aprendizagem: Compreensão, memória visual, organização de informações e autonomia. Aprendo fazendo - Objetivo: Favorecer a aprendizagem por meio da experimentação. Procedimentos: Transformar determinado conteúdo em experiência prática, utilizando materiais concretos e situações investigativas. Possibilidades de aprendizagem: Experimentação, resolução de problemas, compreensão e retenção de conhecimentos. Aprendo ouvindo - Objetivo: Explorar recursos auditivos como possibilidade de acesso ao conteúdo. Procedimentos: Utilizar histórias narradas, músicas, áudios, instruções gravadas ou explicações orais adaptadas às necessidades do estudante. Possibilidades de aprendizagem: Atenção auditiva, linguagem, compreensão e memória. Aprendo com tecnologia - Objetivo: Utilizar recursos digitais para ampliar acesso e participação. Procedimentos: Experimentar aplicativos, recursos multimídia, jogos educativos, leitores, ferramentas de produção e comunicação acessível. Possibilidades de aprendizagem: Letramento digital, autonomia, comunicação e resolução de problemas. Minha produção criativa - Objetivo: Permitir que o estudante demonstre conhecimentos por meio da criatividade. Procedimentos: Oferecer possibilidades como desenho, pintura, colagem, fotografia, áudio, vídeo ou produção digital para representar o que aprendeu. Possibilidades de aprendizagem: Autoria, criatividade, comunicação e expressão do conhecimento. Aprendendo com música - Objetivo: Utilizar elementos musicais para favorecer a compreensão e memorização de conteúdos. Procedimentos: Criar ou selecionar músicas relacionadas ao conteúdo trabalhado e incentivar o estudante a acompanhar, completar ou produzir trechos. Possibilidades de aprendizagem: Memória, linguagem, ritmo, expressão e participação. Aprendendo com histórias - Objetivo: Contextualizar conceitos por meio de narrativas significativas. Procedimentos: Utilizar histórias relacionadas ao cotidiano e aos interesses do estudante para introduzir ou aprofundar determinado conteúdo. Possibilidades de aprendizagem: Compreensão, imaginação, linguagem, memória e construção de significados. Meu projeto de investigação - Objetivo: Desenvolver aprendizagem por meio da investigação de um tema de interesse. Procedimentos: Escolher um tema junto ao estudante, formular perguntas, pesquisar informações e organizar os resultados em desenhos, textos, fotografias ou produções digitais. Possibilidades de aprendizagem: Investigação, autonomia, pensamento crítico, comunicação e autoria. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 40 Aprendendo com perguntas - Objetivo: Estimular o raciocínio e a construção de respostas.Procedimentos: Apresentar perguntas abertas relacionadas ao cotidiano e permitir diferentes formas de resposta. Registrar as hipóteses e conclusões. Possibilidades de aprendizagem: Raciocínio, linguagem, argumentação e reflexão. Minha experiência científica - Objetivo: Desenvolver conceitos científicos por meio de experiências simples. Procedimentos: Realizar experimentos seguros relacionados a fenômenos do cotidiano e registrar hipóteses, observações e resultados. Possibilidades de aprendizagem: Curiosidade, observação, investigação e pensamento científico. Aprendizagem culinária - Objetivo: Integrar conteúdos curriculares a uma experiência funcional.Procedimentos: Preparar uma receita simples, utilizando imagens, medidas, sequência de etapas e participação ativa do estudante. Possibilidades de aprendizagem: Matemática, linguagem, autonomia, sequência e habilidades funcionais. Aprendendo no ambiente escolar - Objetivo: Utilizar os espaços da escola como ambientes de aprendizagem. Procedimentos: Explorar biblioteca, pátio, jardim, sala de recursos ou outros espaços Possibilidades de para desenvolver aprendizagem: atividades Orientação relacionadas espacial, ao exploração, conteúdo. autonomia e contextualização. Aprendendo fora da sala - Objetivo: Ampliar as experiências de aprendizagem para outros ambientes. Procedimentos: Realizar atividades em espaços externos adequados e relacionar as observações aos conteúdos curriculares. Possibilidades de aprendizagem: Observação, interação, autonomia, conhecimento do ambiente e aprendizagem contextualizada. Minha sequência de aprendizagem - Objetivo: Favorecer a compreensão de conteúdos por meio de etapas organizadas. Procedimentos: Dividir a atividade em pequenas etapas e utilizar imagens, palavras ou símbolos para representar cada momento. Possibilidades de aprendizagem: Organização, planejamento, compreensão sequencial e autonomia. Preciso de ajuda - Objetivo: Desenvolver capacidade de reconhecer e comunicar necessidades de apoio. Procedimentos: Ensinar o estudante a indicar quando precisa de ajuda e qual tipo de apoio necessita. Registrar as situações observadas. Possibilidades de aprendizagem: Comunicação funcional, autorregulação, autonomia e consciência sobre as próprias necessidades. Tentei de novo - Objetivo: Desenvolver persistência diante de desafios de aprendizagem. Procedimentos: Apresentar uma tarefa com possibilidade de tentativa e retomada, valorizando as estratégias utilizadas e não apenas o resultado. Possibilidades de aprendizagem: Persistência, autorregulação, resolução de problemas e confiança para aprender. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 41 . Meu erro me ensina - Objetivo: Transformar erros em oportunidades de reflexão e aprendizagem.Procedimentos: Analisar uma resposta ou produção, identificar o que aconteceu e experimentar outra estratégia. Possibilidades de aprendizagem: Metacognição, reflexão, resolução de problemas e autorregulação. Meu mapa de conhecimentos - Objetivo: Organizar conhecimentos já adquiridos e estabelecer relações com novos conteúdos. Procedimentos: Construir mapa visual utilizando palavras, imagens, símbolos ou desenhos relacionados ao tema estudado. Possibilidades de aprendizagem: Organização mental, associação, memória e compreensão conceitual. Antes eu pensava... agora eu sei... - Objetivo: Identificar mudanças na compreensão de determinado conteúdo. Procedimentos: Registrar inicialmente o que o estudante pensa sobre um tema e, após as atividades, registrar o que passou a compreender. Possibilidades de aprendizagem: Metacognição, reflexão, comunicação e percepção do próprio desenvolvimento. Ensino entre pares - Objetivo: Favorecer aprendizagem por meio da interação com colegas.Procedimentos: Organizar atividades em duplas ou pequenos grupos, considerando afinidades e formas de participação. Possibilidades de aprendizagem: Cooperação, comunicação, interação social e aprendizagem compartilhada. Eu ensino você - Objetivo: Estimular o estudante a explicar aquilo que aprendeu. Procedimentos: Solicitar que o estudante ensine uma habilidade, explique uma atividade ou apresente uma produção utilizando sua forma preferencial de comunicação. Possibilidades de aprendizagem: Comunicação, autoria, confiança, organização do pensamento e consolidação da aprendizagem. Minha escolha de desafio - Objetivo: Desenvolver autonomia na escolha do nível de desafio.Procedimentos: Apresentar atividades com diferentes níveis de complexidade e permitir que o estudante escolha aquela que considera adequada. Possibilidades de aprendizagem: Autoconhecimento, tomada de decisão, autonomia e autorregulação. Desafio personalizado - Objetivo: Adaptar uma atividade aos interesses e às necessidades específicas do estudante. Procedimentos: Manter o objetivo curricular e modificar materiais, linguagem, tempo, quantidade de estímulos ou forma de resposta. Possibilidades de aprendizagem: Acessibilidade, participação, autonomia e aprendizagem significativa. Minha rotina de estudos - Objetivo: Desenvolver organização e responsabilidade diante das atividades. Procedimentos: Construir com o estudante uma rotina visual de estudos, incluindo momentos de atividade, pausa, escolha e revisão. Possibilidades de aprendizagem: Planejamento, organização temporal, autonomia e autorregulação. Revisando do meu jeito - Objetivo: Identificar estratégias pessoais que favorecem a retomada dos conteúdos. Procedimentos: Oferecer diferentes formas de revisão, como jogos, imagens, perguntas, leitura, áudio ou produção prática, permitindo que o estudante escolha. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 42 Possibilidades de aprendizagem: Metacognição, memória, autonomia e consolidação dos conhecimentos. Meu portfólio de aprendizagens - Objetivo: Documentar produções e avanços individuais. Procedimentos: Selecionar atividades, fotografias, registros, produções e comentários do estudante, organizando-os em sequência temporal. Possibilidades de aprendizagem: Reflexão, autoconhecimento, reconhecimento de avanços e participação na avaliação. Minha atividade favorita - Objetivo: Identificar propostas que favorecem maior envolvimento com a aprendizagem. Procedimentos: Apresentar diferentes atividades realizadas e solicitar que o estudante indique aquelas de que mais gostou, utilizando fala, imagens, símbolos ou gestos. Possibilidades de aprendizagem: Comunicação, escolha, autoconhecimento e participação. Avaliação que faz sentido para mim - Objetivo: Diversificar as formas de avaliação para possibilitar diferentes maneiras de demonstrar conhecimentos. Procedimentos: Utilizar produção escrita, desenho, apresentação oral, demonstração prática, recursos digitais, imagens ou comunicação alternativa conforme as possibilidades do estudante. Possibilidades de aprendizagem: Expressão do conhecimento, autonomia, comunicação e participação avaliativa. Minha conquista da semana - Objetivo: Reconhecer avanços individuais e fortalecer a percepção do próprio desenvolvimento. Procedimentos: Ao final da semana, selecionar uma aprendizagem ou habilidade desenvolvida e registrá-la com fotografia, desenho, relato ou símbolo. Possibilidades de aprendizagem: Autoconhecimento, autoestima, metacognição, comunicação e valorização do percurso. Meu percurso de aprendizagem significativa - Objetivo: Integrar experiências, conhecimentos prévios, interesses, novas aprendizagens e avanços ao longo de determinado período.Procedimentos: Reunir no portfólio produções, registros de observação, fotografias, escolhas, desafios, estratégias, recursos utilizados, avaliações e reflexões do estudante. Organizar o material de maneira cronológica e analisar as transformações observadas. Possibilidades de aprendizagem: Aprendizagem significativa, metacognição, autonomia, autoria, autorregulação, participação e construção contínua de novos conhecimentos. Personalizar não significa construir uma escola diferente para cada estudante, mas oferecer possibilidades de acesso, participação e expressão dentro de uma proposta curricular comum. O professor pode manter objetivos educacionais relevantes e, simultaneamente, diversificar materiais, instruções, tempos, agrupamentos, recursos e formas de avaliação. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem a utilização de diferentes maneiras de ensinar, princípio que sustenta uma concepção de personalização associada à flexibilidade pedagógica. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 43 . A aprendizagem significativa também depende da relação entre novos conhecimentos e experiências que façam sentido para o estudante. Almeida et al. (2025), ao discutirem o lúdico e a aprendizagem significativa, destacam a importância do brincar e das experiências significativas no desenvolvimento infantil. Para estudantes autistas, essa perspectiva pode ser integrada ao planejamento por meio de atividades relacionadas aos interesses, experiências e formas de interação do estudante, sem transformar seus interesses restritos em limite curricular. A personalização exige acompanhamento contínuo das respostas produzidas pelas estratégias pedagógicas. O professor precisa identificar quais recursos favorecem maior participação, quais situações provocam dificuldades e quais adaptações permitem que o estudante demonstre suas competências. O Método de Portfólios Educacionais SHDI apresentase como possibilidade de documentação desses processos, permitindo reunir evidências sobre produções, avanços, interesses e necessidades de apoio ao longo do percurso educativo. A articulação entre personalização, ludicidade e metodologias estruturadas pode favorecer experiências de aprendizagem mais significativas. Almeida et al. (2026) relacionam jogos lúdicos, TEACCH, ABA, Comunicação Alternativa, Integração Sensorial e metodologias ativas ao desenvolvimento de competências e autonomia de estudantes com TEA. Essas possibilidades precisam ser selecionadas de maneira contextualizada, considerando objetivos educacionais, características individuais e evidências produzidas no acompanhamento pedagógico. 2.5. COMUNICAÇÃO, LUDICIDADE E DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS A comunicação constitui dimensão essencial da participação escolar, pois o estudante precisa dispor de meios para expressar necessidades, compreender orientações, interagir e demonstrar conhecimentos. A comunicação não deve ser limitada à fala oral, considerando diferentes possibilidades de expressão. Vieira et al. (2026), ao abordarem estratégias pedagógicas e materiais inclusivos para o autismo e o letramento, evidenciam a necessidade de recursos que ampliem as possibilidades de participação dos estudantes nos processos educativos. A Comunicação Aumentativa e Alternativa pode ser incorporada ao cotidiano escolar como recurso para estudantes que apresentam diferentes necessidades comunicacionais. Pranchas, símbolos, imagens, recursos digitais e outros sistemas podem favorecer a expressão e a compreensão quando selecionados de acordo com a funcionalidade do estudante. Almeida et al. (2026) incluem a Comunicação Alternativa entre as possibilidades metodológicas relacionadas ao desenvolvimento de competências e autonomia, reforçando sua articulação com práticas educacionais acessíveis. A ludicidade também pode ampliar oportunidades de interação, exploração e construção de conhecimentos. Jogos e atividades lúdicas podem contribuir para o desenvolvimento de Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 44 habilidades cognitivas, comunicativas, sociais e socioemocionais quando organizados com objetivos pedagógicos definidos. Almeida et al. (2025) destacam a relação entre brincar e aprendizagem significativa, enquanto Almeida et al. (2026) discutem a utilização de jogos lúdicos no contexto do neurodesenvolvimento e do autismo. O uso de atividades lúdicas precisa evitar a ideia de que brincar constitui apenas entretenimento ou ocupação do tempo escolar. Quando planejado de maneira intencional, o jogo pode possibilitar resolução de problemas, comunicação, atenção compartilhada, tomada de decisões, compreensão de regras e desenvolvimento de autonomia. Ischkanian et al. (2026), ao tratarem do letramento e da alfabetização de estudantes com TEA, contribuem para uma concepção em que materiais e estratégias precisam ser ajustados às possibilidades de participação e aprendizagem. A articulação entre comunicação, ludicidade, tecnologia e personalização amplia as oportunidades de desenvolvimento de competências. Recursos digitais podem apoiar atividades lúdicas, sistemas de comunicação podem favorecer interação e estratégias estruturadas podem oferecer previsibilidade. Lima Oliveira et al. (2024), ao discutirem a neuropedagogia na alfabetização inclusiva, aproximam educação especial, TEA, AEE, gestão escolar e psicologia institucional, evidenciando a importância de uma abordagem articulada para o desenvolvimento integral do estudante. 2.6. NEURODESENVOLVIMENTO, APRENDIZAGEM E INDIVIDUALIDADE A compreensão do neurodesenvolvimento contribui para ampliar a análise das diferenças presentes entre estudantes autistas, mas precisa ser articulada às dimensões pedagógica, social e contextual. Características neurológicas não determinam isoladamente os resultados educacionais, pois a aprendizagem ocorre na interação entre sujeito, ambiente, experiências, oportunidades e mediações. Demo et al. (2026), ao discutirem diferenças na conectividade neural relacionadas à gravidade do autismo, contribuem para evidenciar a complexidade neurobiológica do espectro. A diversidade neurológica ajuda a compreender por que estudantes podem apresentar diferentes formas de processar informações, responder a estímulos e organizar comportamentos. Essas diferenças podem influenciar a experiência escolar e exigir ajustes no ambiente, na linguagem das instruções, na quantidade de estímulos e na estrutura das tarefas. Ischkanian e Ischkanian (2026) sustentam uma perspectiva pedagógica que reconhece diferentes maneiras de aprender, aproximando a compreensão da diversidade do planejamento educacional. A escola precisa evitar a transformação de características neurodesenvolvimentais em expectativas pedagógicas reduzidas. Reconhecer diferenças não significa pressupor incapacidade, mas identificar quais condições permitem ao estudante utilizar suas habilidades e AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 45 . desenvolver novas competências. Barrera Ciurana e Moliner García (2024), ao apresentarem as perspectivas de estudantes autistas sobre o DUA, reforçam a importância de compreender as condições educacionais que favorecem a aprendizagem a partir da experiência dos próprios estudantes. O acompanhamento individualizado pode contribuir para identificar relações entre características do estudante e condições ambientais. Uma dificuldade de atenção, comunicação ou participação pode variar conforme o nível de ruído, a previsibilidade da atividade, a clareza das instruções ou a disponibilidade de recursos acessíveis. O Método de Portfólios Educacionais SHDI pode auxiliar o professor a registrar essas variações e identificar estratégias que favoreçam maior envolvimento e autonomia. A compreensão do neurodesenvolvimento, portanto, precisa servir à construção de oportunidades educacionais e não à classificação rígida dos estudantes. Demo et al. (2026) ampliam a discussão sobre as diferenças neurológicas presentes no espectro, enquanto Lima Oliveira et al. (2026) aproximam aprendizagem personalizada, tecnologias assistivas e autonomia. A integração dessas perspectivas favorece uma escola que reconhece características individuais sem reduzir o estudante ao diagnóstico. 2.7. FAMÍLIA, CONTEXTO E COMPREENSÃO AMPLIADA DO AUTISMO A inclusão educacional não ocorre exclusivamente dentro da sala de aula, pois o desenvolvimento do estudante está relacionado às interações estabelecidas entre escola, família e demais contextos sociais. A família pode contribuir com informações sobre comunicação, interesses, formas de interação, rotina e estratégias que favorecem a participação do estudante. Corrêa (2026), ao discutir os desafios da inclusão escolar, contribui para compreender a importância de uma abordagem contextualizada das necessidades educacionais. A compreensão do autismo também exige cuidado para não reduzir o estudante à dimensão clínica do diagnóstico. Informações relacionadas à identificação e ao desenvolvimento podem contribuir para o conhecimento das características individuais, mas o planejamento pedagógico precisa observar as manifestações concretas do estudante no contexto educacional. Ischkanian et al. (2024), ao discutirem avanços no diagnóstico precoce do autismo, apresentam diferentes ferramentas e possibilidades de identificação, aspecto que deve ser diferenciado das decisões pedagógicas realizadas no cotidiano escolar. A articulação com a família pode favorecer maior continuidade entre estratégias utilizadas em diferentes ambientes. Quando professores e familiares compartilham informações relevantes, podem identificar situações que facilitam ou dificultam comunicação, autonomia e participação. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem uma perspectiva inclusiva baseada na Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 46 diversificação das formas de ensinar, princípio que pode ser fortalecido quando diferentes agentes envolvidos no desenvolvimento do estudante participam do planejamento. Questões relacionadas à hereditariedade, genética e fatores do desenvolvimento também precisam ser tratadas com responsabilidade, evitando interpretações deterministas. Ischkanian et al. (2026), ao discutirem planejamento familiar, hereditariedade, genética, idade parental e fatores gestacionais, apresentam o autismo como fenômeno multifatorial. Essa compreensão é relevante para evitar explicações simplificadoras e preservar uma visão do estudante como sujeito inserido em múltiplas dimensões de desenvolvimento. A parceria entre família, escola e profissionais especializados pode contribuir para a construção de objetivos educacionais mais coerentes e contextualizados. Essa articulação precisa preservar a função pedagógica da escola e reconhecer a família como fonte importante de conhecimento sobre a trajetória e as características do estudante. O Método de Portfólios Educacionais SHDI pode funcionar como instrumento de comunicação pedagógica ao organizar registros sobre avanços, necessidades, interesses e estratégias utilizadas ao longo do processo educativo. 2.8. PORTFÓLIOS EDUCACIONAIS, DOCUMENTAÇÃO E AVALIAÇÃO FORMATIVA A avaliação de estudantes autistas precisa considerar o processo de aprendizagem e não apenas resultados obtidos em atividades padronizadas. Registros contínuos podem revelar avanços que não seriam identificados por uma avaliação pontual, especialmente quando o estudante utiliza formas alternativas de comunicação ou necessita de condições específicas para demonstrar conhecimentos. Ischkanian (2026), ao apresentar o Método de Portfólios Educacionais SHDI, valoriza a documentação do percurso como instrumento para acompanhamento do desenvolvimento e organização das práticas pedagógicas. O portfólio permite reunir diferentes evidências do processo educativo, como produções, registros de participação, fotografias pedagógicas, atividades, observações, recursos utilizados e manifestações de autonomia. Esses elementos podem contribuir para uma avaliação mais ampla das competências desenvolvidas pelo estudante. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem uma educação capaz de oferecer diferentes caminhos de aprendizagem, perspectiva que se relaciona à necessidade de também diversificar as formas de avaliação. A documentação pedagógica pode orientar decisões sobre permanência, substituição ou ampliação de determinadas estratégias. Quando um recurso favorece maior participação, os registros permitem identificar essa resposta e incorporá-la ao planejamento; quando determinada estratégia não produz o resultado esperado, o professor pode reorganizá-la. Lima Oliveira et al. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 47 . (2026), ao discutirem aprendizagem personalizada, reforçam a importância de adaptar o processo educativo às características e necessidades dos estudantes. O portfólio também pode favorecer uma visão longitudinal da aprendizagem. Em vez de analisar apenas uma atividade isolada, o professor pode observar mudanças ao longo de semanas, meses ou períodos letivos, identificando tendências, conquistas e necessidades persistentes. Vieira et al. (2026), ao discutirem alfabetização e desafios cognitivos, tecnológicos e pedagógicos, evidenciam a complexidade do acompanhamento de processos de leitura e escrita, especialmente em contextos que exigem estratégias diversificadas. O Método de Portfólios Educacionais SHDI, integrado ao DUA e às Tecnologias Assistivas, pode constituir uma ferramenta de planejamento e avaliação formativa. Os registros podem demonstrar quais formas de representação, comunicação, participação e expressão favorecem o estudante, permitindo estabelecer relações entre estratégia e resposta observada. Essa perspectiva transforma a avaliação em fonte de informação para o ensino, contribuindo para uma prática pedagógica mais flexível, documentada e individualizada. 2.9. LETRAMENTO, ACESSIBILIDADE CURRICULAR E PARTICIPAÇÃO O acesso ao currículo constitui uma das dimensões centrais da inclusão escolar, pois estar matriculado em uma escola regular não garante, por si só, acesso efetivo aos conhecimentos trabalhados. Estudantes autistas podem necessitar de diferentes formas de apresentação de textos, instruções, atividades e instrumentos de avaliação para participar das experiências curriculares. Vieira et al. (2026), ao abordarem autismo e letramento, destacam a importância de estratégias pedagógicas e materiais inclusivos para favorecer o desenvolvimento de competências relacionadas à leitura e à escrita. A alfabetização e o letramento exigem práticas que considerem diferentes formas de representação e participação. Recursos visuais, materiais concretos, tecnologias digitais, atividades estruturadas e propostas contextualizadas podem ampliar as possibilidades de compreensão e expressão. Ischkanian et al. (2026), ao discutirem caminhos inclusivos para o letramento e a alfabetização de estudantes com TEA nos níveis de suporte 1, 2 e 3, demonstram a importância de diversificar as estratégias utilizadas nesse processo. A acessibilidade curricular também está relacionada à forma como o professor organiza o conteúdo. Textos extensos podem ser apresentados com recursos visuais, instruções podem ser segmentadas, atividades podem conter diferentes formas de resposta e conceitos abstratos podem ser associados a experiências concretas. Lima Oliveira et al. (2024), ao discutirem a neuropedagogia na alfabetização inclusiva, relacionam educação especial, AEE, TEA e gestão escolar, evidenciando a necessidade de articulação entre diferentes dimensões do processo educativo. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 48 As tecnologias digitais podem ampliar as possibilidades de acesso à leitura, escrita e produção de conhecimentos. Ferramentas de leitura, recursos multimodais, aplicativos educacionais e sistemas de comunicação podem favorecer diferentes formas de interação com o conteúdo. Vieira et al. (2026), ao discutirem alfabetização na era digital, destacam os desafios cognitivos, tecnológicos e pedagógicos presentes na formação de leitores e escritores, perspectiva que reforça a necessidade de utilizar tecnologia com intencionalidade pedagógica. O DUA oferece uma estrutura para pensar essa acessibilidade desde o planejamento, enquanto as Tecnologias Assistivas podem oferecer suportes específicos e a personalização permite ajustar as estratégias às características individuais. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) relacionam o DUA às experiências de estudantes autistas, enquanto Fernández-Batanero et al. (2022) evidenciam a relevância das tecnologias assistivas para a inclusão. A integração dessas perspectivas permite compreender o acesso ao currículo como construção pedagógica contínua, e não como simples adaptação posterior de atividades. 2.10. ARTICULAÇÃO ENTRE DUA, TECNOLOGIAS ASSISTIVAS, PERSONALIZAÇÃO E INOVAÇÃO PEDAGÓGICA A articulação entre DUA, Tecnologias Assistivas e personalização do ensino constitui uma possibilidade de reorganização das práticas pedagógicas para responder à diversidade presente nas escolas. Cada eixo possui uma função específica, mas sua integração amplia as possibilidades de enfrentamento das barreiras. O DUA contribui para diversificar o planejamento, as TA oferecem recursos de acessibilidade e a personalização orienta escolhas relacionadas às características do estudante. Lima Oliveira et al. (2026) apresentam essa relação ao discutir tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada como caminhos para ampliar participação e autonomia. A inovação pedagógica também pode envolver o uso consciente de tecnologias digitais e inteligência artificial. Recursos tecnológicos podem apoiar planejamento, produção de materiais, organização de informações e criação de diferentes possibilidades de acesso ao conteúdo, desde que utilizados com critérios pedagógicos, éticos e de acessibilidade. Oliveira et al. (2026), ao discutirem o professor aumentado e o uso da inteligência artificial no planejamento, inclusão e personalização do ensino, apresentam a tecnologia como ferramenta de apoio à atuação docente, e não como substituta da responsabilidade pedagógica. A inteligência artificial pode contribuir para ampliar possibilidades de personalização, mas sua utilização precisa considerar limites, privacidade, proteção de dados, acessibilidade e participação humana. Oliveira et al. (2026), ao discutirem possibilidades, limites e impactos da inteligência artificial na educação, destacam a necessidade de analisar criticamente os efeitos dessas tecnologias sobre aprendizagem e autonomia. Essa discussão é relevante para o contexto AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 49 . do autismo porque recursos automatizados precisam ser subordinados às necessidades reais do estudante e às decisões pedagógicas dos profissionais responsáveis. A formação docente constitui condição importante para que as tecnologias sejam utilizadas de maneira significativa. Professores precisam compreender os princípios do DUA, conhecer possibilidades de Tecnologias Assistivas, interpretar registros pedagógicos e selecionar estratégias coerentes com os objetivos de aprendizagem. Azevedo et al. (2024), ao discutirem gamificação e metodologias ativas na capacitação de professores para a BNCC de Computação, demonstram a importância da formação para que recursos tecnológicos sejam incorporados ao ensino de maneira planejada. A construção de escolas verdadeiramente inclusivas depende, portanto, de uma perspectiva sistêmica que articule currículo, acessibilidade, tecnologia, formação docente, participação familiar, avaliação e reconhecimento da singularidade. A educação inclusiva não se concretiza pela adoção isolada de uma metodologia, mas pela capacidade institucional de observar barreiras, criar alternativas, acompanhar resultados e reorganizar práticas. O conjunto das contribuições de Brazão et al. (2023), Fernández-Batanero et al. (2022), Klavina et al. (2024), Lima Oliveira et al. (2026), Barrera Ciurana e Moliner García (2024) e Ischkanian (2026) permite sustentar uma concepção na qual DUA, Tecnologias Assistivas, personalização e documentação pedagógica atuam de maneira complementar para ampliar participação, aprendizagem, pertencimento e autonomia 3. REFERENCIAL TEÓRICO O referencial teórico desta pesquisa parte da compreensão de que o autismo apresenta manifestações heterogêneas e que a educação inclusiva precisa considerar as singularidades presentes nas formas de comunicação, interação, participação e aprendizagem. A discussão proposta articula quatro eixos principais: singularidade do estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), Tecnologias Assistivas (TA) e personalização do ensino. Essa articulação permite compreender a inclusão para além do acesso físico à escola, considerando as condições pedagógicas necessárias para que o estudante participe, aprenda e desenvolva autonomia. Corrêa (2026) relaciona a inclusão escolar do estudante com autismo à necessidade de reconhecer desafios e possibilidades concretas no cotidiano educacional, perspectiva que sustenta a delimitação deste estudo. A fundamentação também considera que práticas inclusivas precisam ser construídas a partir da observação sistemática das características individuais e das barreiras encontradas no processo educativo. O estudante com TEA não deve ser compreendido exclusivamente por meio de dificuldades ou diagnósticos, pois seu percurso escolar envolve potencialidades, interesses, formas próprias de comunicação e diferentes necessidades de apoio. Ischkanian e Ischkanian Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 50 (2026) defendem uma educação capaz de utilizar maneiras diferentes de ensinar para favorecer diferentes maneiras de aprender, concepção diretamente relacionada ao objeto desta pesquisa, que investiga como DUA, TA e personalização podem ampliar participação, aprendizagem e autonomia. O referencial considera, ainda, a importância da aprendizagem significativa e da contextualização das experiências pedagógicas. Atividades relacionadas aos conhecimentos prévios, interesses, experiências e situações concretas do estudante podem favorecer maior envolvimento com os conteúdos escolares. Almeida et al. (2025) destacam a relevância das experiências lúdicas para o desenvolvimento infantil e para a construção de aprendizagens com significado, contribuindo para compreender por que a personalização do ensino deve considerar aquilo que é significativo para cada estudante. A organização teórica proposta não estabelece uma metodologia única para estudantes com autismo. O objetivo é construir uma matriz de compreensão capaz de relacionar diferentes perspectivas educacionais e recursos pedagógicos. Brazão et al. (2023), ao analisarem abordagens relacionadas ao Design Universal, Design Inclusivo e DUA no ensino de crianças autistas, evidenciam a presença dessas perspectivas na discussão sobre acessibilidade e inclusão educacional. Essa contribuição sustenta a necessidade de analisar o DUA não de maneira isolada, mas articulado às Tecnologias Assistivas, à personalização e às práticas pedagógicas inclusivas. 3.1. FUNDAMENTAÇÃO CONCEITUAL DO OBJETO DE ESTUDO A singularidade constitui uma categoria fundamental para compreender a escolarização de estudantes com autismo. Embora o diagnóstico estabeleça uma condição do neurodesenvolvimento, ele não determina uma forma única de aprender, comunicar-se ou participar das experiências educacionais. As diferenças podem aparecer na comunicação, interação social, interesses, processamento sensorial, organização da rotina, atenção e modos de expressão. Demo et al. (2026), ao discutirem diferenças relacionadas à conectividade neural conforme a gravidade do autismo, contribuem para uma compreensão de que o espectro apresenta diversidade em suas manifestações, aspecto que reforça a necessidade de práticas educacionais sensíveis às particularidades individuais. A educação inclusiva precisa deslocar o foco de uma perspectiva centrada exclusivamente nas limitações para uma abordagem que identifique também potencialidades e possibilidades de participação. Corrêa (2026) discute o autismo e a inclusão escolar a partir de desafios, caminhos e possibilidades, contribuindo para compreender que a presença do estudante na escola precisa estar acompanhada de condições efetivas de aprendizagem. Para o objeto desta pesquisa, essa perspectiva é fundamental porque DUA, TA e personalização representam AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 51 . possibilidades de reorganização pedagógica capazes de reduzir barreiras e ampliar oportunidades de participação. A aprendizagem significativa constitui outro fundamento importante, especialmente quando os conteúdos escolares são relacionados às experiências, interesses e conhecimentos prévios do estudante. Almeida et al. (2025) valorizam o brincar e as experiências lúdicas como possibilidades de desenvolvimento e aprendizagem, indicando a relevância de propostas pedagógicas que estabeleçam relações entre o conteúdo e experiências que façam sentido para o estudante. No contexto do TEA, essa perspectiva pode favorecer a personalização do ensino, pois permite que interesses individuais sejam utilizados como mediadores para a construção de novos conhecimentos. A comunicação também precisa ser compreendida como dimensão central da inclusão. Nem todos os estudantes utilizam predominantemente a linguagem oral para expressar necessidades, conhecimentos ou preferências, tornando relevante a utilização de imagens, símbolos, gestos, dispositivos e outros recursos comunicacionais. Almeida et al. (2026), ao discutirem Comunicação Alternativa, metodologias estruturadas e estratégias lúdicas para estudantes com diferentes níveis de suporte, relacionam recursos pedagógicos à construção de competências e autonomia. Essa concepção se aproxima diretamente da proposta desta pesquisa ao considerar que diferentes formas de comunicação podem constituir caminhos legítimos para participação e demonstração da aprendizagem. A acessibilidade curricular completa essa fundamentação conceitual ao considerar que o conteúdo escolar precisa estar disponível por diferentes caminhos. Vieira et al. (2026) discutem estratégias pedagógicas e materiais inclusivos relacionados ao letramento e ao autismo, contribuindo para a compreensão de que materiais, instruções e atividades precisam ser planejados considerando diferentes formas de acesso. Para esta pesquisa, essa abordagem estabelece uma ponte entre acessibilidade curricular, DUA, Tecnologias Assistivas e personalização do ensino. 3.2. ABORDAGENS TEÓRICAS E MODELOS ANALÍTICOS RELACIONADOS AO TEMA O Desenho Universal para a Aprendizagem constitui uma das principais abordagens teóricas deste estudo por propor a organização de experiências educacionais capazes de contemplar diferentes formas de acesso, participação e expressão. A perspectiva do DUA desloca a discussão da necessidade de adaptar individualmente todas as situações depois que uma barreira aparece para a necessidade de planejar previamente possibilidades diversificadas de aprendizagem. Brazão et al. (2023) identificam o uso de abordagens relacionadas ao Design Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 52 Universal e ao DUA no campo do ensino e aprendizagem de crianças autistas, reforçando sua pertinência para a discussão da inclusão. A experiência dos próprios estudantes também constitui elemento importante para avaliar práticas fundamentadas no DUA. Barrera Ciurana e Moliner García (2024), em estudo qualitativo com sete estudantes universitários com TEA, identificaram facilitadores relacionados a práticas inclusivas, incluindo apresentação progressiva das informações, destaque de conceitos fundamentais, consideração das opiniões dos estudantes e valorização de seus esforços. Esses resultados dialogam diretamente com o objeto desta pesquisa porque demonstram a relevância de organizar o ensino considerando preferências e condições concretas de aprendizagem, em vez de depender de uma única forma de apresentação dos conteúdos. As Tecnologias Assistivas constituem outro eixo teórico porque podem funcionar como mediadoras do acesso ao currículo, da comunicação, da participação e da autonomia. FernándezBatanero et al. (2022), em revisão sistemática de 31 estudos selecionados entre 216 trabalhos inicialmente identificados, encontraram evidências de contribuição das Tecnologias Assistivas para inclusão e acessibilidade, embora também tenham identificado barreiras relacionadas à formação docente, à informação e à acessibilidade. Essa evidência sustenta a análise da TA como recurso pedagógico que depende de seleção intencional, conhecimento profissional e adequação às necessidades do estudante. As Tecnologias Assistivas também podem contribuir para habilidades práticas e participação em atividades cotidianas. Klavina et al. (2024), em revisão sistemática de estudos sobre pessoas com TEA e/ou deficiência intelectual, identificaram benefícios das Tecnologias Assistivas para participação social e independência em atividades diárias. Para esta pesquisa, essa evidência amplia a compreensão da TA, que não deve ser reduzida a equipamentos sofisticados, podendo envolver recursos e estratégias que favoreçam comunicação, organização, realização de tarefas e participação. A personalização do ensino funciona, nesse quadro, como abordagem articuladora entre as características individuais e as possibilidades oferecidas pelo ambiente educacional. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam Tecnologias Assistivas e aprendizagem personalizada à ampliação da participação e da autonomia de estudantes com deficiência. Essa perspectiva contribui para compreender que personalizar não significa retirar o estudante das experiências coletivas, mas ajustar caminhos, recursos, formas de participação e estratégias de ensino para que ele possa acessar objetivos educacionais comuns por meios compatíveis com suas características. 3.3. EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS E CONTRIBUIÇÕES DE ESTUDOS RECENTES As evidências empíricas recentes reforçam a importância de práticas pedagógicas que reduzam barreiras e ampliem a participação de estudantes com autismo. Barrera Ciurana e AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 53 . Moliner García (2024) investigaram diretamente as percepções de estudantes universitários com TEA e identificaram práticas docentes que facilitaram sua aprendizagem, demonstrando que a escuta dos próprios estudantes pode oferecer informações relevantes para o planejamento educacional. Para esta pesquisa, essa evidência sustenta a valorização da voz do estudante e da observação de suas preferências como elementos da personalização. A literatura sobre Design Universal também demonstra crescimento da discussão sobre acessibilidade e inclusão no ensino de estudantes autistas. Brazão et al. (2023) realizaram um estado da arte sobre abordagens de Design Universal, Design Inclusivo e DUA relacionadas à aprendizagem de crianças autistas, evidenciando a pertinência dessas perspectivas para a educação inclusiva. A contribuição desse estudo para a presente investigação está na possibilidade de utilizar o DUA como categoria analítica para compreender como diferentes formas de apresentação, participação e expressão podem reduzir barreiras educacionais. As pesquisas sobre Tecnologias Assistivas oferecem evidências complementares. Fernández-Batanero et al. (2022) analisaram estudos publicados entre 2009 e 2020 em quatro bases de dados e identificaram resultados favoráveis à acessibilidade e inclusão, embora também tenham apontado obstáculos relacionados à formação dos professores e à implementação dos recursos. Essa constatação é relevante para o objeto desta pesquisa porque demonstra que a simples disponibilidade de tecnologia não garante inclusão; é necessário relacionar o recurso às necessidades do estudante, aos objetivos pedagógicos e às condições de utilização. Klavina et al. (2024) ampliaram essa discussão ao analisar o uso de Tecnologias Assistivas para o desenvolvimento de habilidades práticas em pessoas com TEA e/ou deficiência intelectual. A revisão identificou benefícios relacionados à participação social e à independência em atividades cotidianas. Essa contribuição fortalece a perspectiva de que a personalização deve contemplar não apenas desempenho acadêmico, mas também comunicação, autonomia, participação e funcionalidade das aprendizagens. A formação docente constitui uma dimensão fundamental para que os recursos inclusivos sejam incorporados ao cotidiano escolar de maneira planejada, contextualizada e pedagogicamente intencional. As contribuições dos estudos recentes indicam que a simples disponibilização de Tecnologias Assistivas, recursos digitais, materiais adaptados ou estratégias diferenciadas não garante, por si só, a participação e a aprendizagem dos estudantes. A revisão sistemática de Fernández-Batanero et al. (2022) identificou a formação dos professores como uma das barreiras relacionadas à integração adequada das Tecnologias Assistivas, evidenciando que o conhecimento profissional interfere na capacidade de reconhecer necessidades, selecionar recursos, compreender suas funcionalidades e acompanhar seus efeitos no processo educativo. Essa perspectiva é particularmente relevante no contexto do autismo, no qual as necessidades de apoio podem variar significativamente entre estudantes e modificar-se Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 54 conforme as demandas da atividade, do ambiente e do momento de aprendizagem. A formação continuada, portanto, precisa contemplar não somente conhecimentos técnicos sobre os recursos, mas também competências para observar o estudante, interpretar suas formas de comunicação, identificar barreiras à participação e construir alternativas pedagógicas coerentes com suas características individuais. Nesse sentido, Azevedo et al. (2024), ao discutirem a gamificação e as metodologias ativas na capacitação docente, contribuem para compreender que a inovação pedagógica está relacionada à capacidade do professor de transformar recursos e estratégias em experiências de aprendizagem significativas. O uso de tecnologias, jogos, atividades interativas e diferentes linguagens exige planejamento, mediação e avaliação contínua, evitando que a inovação seja reduzida à utilização de ferramentas sem uma finalidade educacional claramente definida. Para estudantes com autismo, essa intencionalidade pode envolver a adaptação do nível de complexidade das tarefas, a organização visual das etapas, a ampliação das possibilidades de comunicação, a oferta de escolhas, a utilização de interesses como elementos motivadores e a criação de diferentes caminhos para demonstrar conhecimentos. A formação docente assume, portanto, uma função articuladora entre conhecimento teórico, experiência pedagógica e tomada de decisão, permitindo que o professor utilize o DUA, as Tecnologias Assistivas, as metodologias ativas e a personalização do ensino de maneira integrada. Essa articulação favorece práticas mais responsivas às singularidades dos estudantes e fortalece uma concepção de inclusão centrada não apenas no acesso à escola, mas na participação, na aprendizagem e no desenvolvimento progressivo da autonomia. 3.4. CATEGORIAS TEÓRICAS DE ANÁLISE PARA GARANTIR A COERÊNCIA E A ARTICULAÇÃO DA PESQUISA A primeira categoria teórica de análise é a singularidade do estudante com TEA. Essa categoria permite observar características relacionadas a interesses, comunicação, participação, autonomia, necessidades de apoio e formas de aprendizagem. Ischkanian et al. (2026), ao discutirem caminhos inclusivos para letramento e alfabetização de estudantes com diferentes níveis de suporte, contribuem para compreender que as práticas pedagógicas precisam considerar diferentes trajetórias e possibilidades de acesso ao conhecimento. Essa categoria será utilizada para verificar se as estratégias analisadas reconhecem o estudante para além de características generalizadas do diagnóstico. A segunda categoria é o Desenho Universal para a Aprendizagem, entendido como referência para analisar a diversificação das possibilidades de acesso, participação e expressão. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) demonstraram, a partir das vozes de estudantes universitários com TEA, que determinadas formas de organização da informação e valorização AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 55 . das preferências podem atuar como facilitadores da aprendizagem. Na presente pesquisa, o DUA será analisado como possibilidade de planejamento que antecipa diferentes formas de aprendizagem e reduz barreiras antes que elas comprometam a participação. A terceira categoria corresponde às Tecnologias Assistivas. Nessa dimensão, serão considerados recursos que favorecem comunicação, acesso aos conteúdos, organização, participação, realização de atividades e autonomia. Fernández-Batanero et al. (2022) identificaram evidências de que a TA pode favorecer acessibilidade e inclusão, mas também destacaram a necessidade de formação e condições adequadas para sua implementação. A categoria permitirá analisar não apenas a presença da tecnologia, mas sua funcionalidade e relação com os objetivos educacionais. A quarta categoria é a personalização do ensino e da aprendizagem significativa. Essa categoria envolve a relação entre conhecimentos prévios, interesses, experiências, ritmo, formas de expressão e objetivos educacionais. Lima Oliveira et al. (2026) articulam tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada à participação e à autonomia, oferecendo uma referência diretamente relacionada ao objeto da pesquisa. A análise considerará, portanto, se as práticas permitem que o estudante encontre caminhos significativos para compreender, produzir e demonstrar conhecimentos. A quinta categoria corresponde à participação e à autonomia. Essas dimensões permitem verificar se as estratégias pedagógicas produzem efeitos que ultrapassam a realização mecânica de atividades, favorecendo escolha, comunicação, interação, independência e envolvimento ativo. Klavina et al. (2024) identificaram benefícios de Tecnologias Assistivas relacionados à participação social e à independência em atividades cotidianas. Para esta investigação, participação e autonomia funcionam como categorias integradoras capazes de aproximar DUA, TA e personalização dos resultados educacionais pretendidos. 3.5. ARTICULAÇÃO DO REFERENCIAL TEÓRICO COM O PROBLEMA DE PESQUISA, OS OBJETIVOS E A ANÁLISE DOS RESULTADOS O problema desta pesquisa questiona como a articulação entre DUA, Tecnologias Assistivas e personalização do ensino pode contribuir para a construção de escolas verdadeiramente inclusivas para estudantes com TEA. O referencial teórico oferece sustentação para esse problema ao compreender que nenhuma dessas dimensões, isoladamente, explica toda a complexidade da inclusão. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) evidenciam a importância de práticas inclusivas percebidas pelos próprios estudantes, enquanto Fernández-Batanero et al. (2022) demonstram que as Tecnologias Assistivas podem favorecer acessibilidade, mas dependem de condições pedagógicas e formação profissional. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 56 O objetivo geral de analisar o papel do DUA, das Tecnologias Assistivas e da personalização do ensino encontra correspondência direta nas categorias teóricas estabelecidas. O DUA possibilita analisar a diversificação das formas de acesso e expressão; as Tecnologias Assistivas permitem examinar recursos destinados à acessibilidade e participação; e a personalização permite investigar a adequação das experiências às características, interesses e necessidades do estudante. Brazão et al. (2023) contribuem para o primeiro eixo, FernándezBatanero et al. (2022) para o segundo e Lima Oliveira et al. (2026) para a articulação entre tecnologia, personalização, participação e autonomia. Os objetivos específicos também podem ser relacionados às categorias de análise. A discussão da singularidade corresponde à necessidade de compreender diferentes trajetórias de aprendizagem; a análise do DUA examina possibilidades de diversificação pedagógica; a identificação das Tecnologias Assistivas considera recursos e estratégias de acessibilidade; a discussão da personalização investiga a adequação das experiências às características do estudante; e a documentação pedagógica permite acompanhar evidências de aprendizagem. Ischkanian (2026), ao propor o Método de Portfólios Educacionais SHDI, contribui para essa dimensão documental ao enfatizar a organização sistemática de registros relacionados ao percurso educacional. A análise dos resultados deverá considerar a relação entre estratégia pedagógica, barreira identificada, recurso utilizado, forma de participação e evidência de aprendizagem. Essa organização evita avaliar uma prática inclusiva apenas pela presença de determinada tecnologia ou atividade, direcionando a análise para sua função educacional. A literatura sobre Tecnologias Assistivas mostra justamente que a utilização desses recursos apresenta potencial para ampliar acessibilidade, mas que obstáculos de formação, informação e implementação podem limitar seus resultados (Fernández-Batanero et al., 2022). A articulação teórica permite compreender, portanto, que uma escola verdadeiramente inclusiva precisa combinar acessibilidade, flexibilidade pedagógica, recursos adequados, participação do estudante e acompanhamento contínuo. Essa perspectiva desloca a compreensão da inclusão de uma lógica centrada exclusivamente na adaptação posterior das atividades para uma organização pedagógica que procura antecipar diferentes possibilidades de participação e aprendizagem. O DUA contribui para que o planejamento considere, desde sua elaboração, diferentes formas de apresentação dos conteúdos, de envolvimento dos estudantes e de expressão do conhecimento, enquanto a personalização possibilita ajustar objetivos, estratégias, materiais, tempos e níveis de apoio às características de cada estudante. As Tecnologias Assistivas complementam esse processo quando determinados recursos de comunicação, mobilidade, acesso, leitura, escrita, organização ou interação são necessários para reduzir barreiras específicas. Fernández-Batanero et al. (2022) destacam a relevância das Tecnologias Assistivas AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 57 . para ampliar a inclusão e a acessibilidade, enquanto Barrera Ciurana e Moliner García (2024) evidenciam, a partir das vozes de estudantes autistas, a importância de práticas que considerem suas necessidades, possibilidades e perspectivas no processo educativo. A personalização não substitui o DUA, e o DUA não elimina a necessidade de Tecnologias Assistivas quando determinados estudantes necessitam de recursos específicos. As três dimensões podem atuar de maneira complementar, formando uma estrutura pedagógica na qual o planejamento universal, os apoios individualizados e a valorização da singularidade se relacionam para ampliar as oportunidades de aprendizagem e autonomia. Nessa organização, o professor pode planejar uma atividade acessível a diferentes estudantes e, simultaneamente, disponibilizar recursos específicos para aqueles que necessitam de apoios adicionais, sem transformar a diferença em motivo de segregação ou reduzir o estudante às suas necessidades de suporte. FLUXOGRAMA 1 – ESTRUTURA CONCEITUAL DO REFERENCIAL TEÓRICO AUTISMO │ ▼ SINGULARIDADE DO ESTUDANTE │ ┌────────────┼────────────┐ ▼ ▼ ▼ Comunicação Participação Necessidades e interação de apoio │ │ │ └────────────┼────────────┘ ▼ EDUCAÇÃO INCLUSIVA │ ┌──────────────┼──────────────┐ ▼ ▼ ▼ DUA TA PERSONALIZAÇÃO │ │ │ ▼ ▼ ▼ Diversificação Acessibilidade Adequação pedagógica e participação individual │ │ │ └──────────────┼──────────────┘ ▼ APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA │ ▼ PARTICIPAÇÃO ATIVA │ ▼ AUTONOMIA Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 58 O Fluxograma 1 representa a estrutura conceitual que sustenta a pesquisa. O ponto de partida é o autismo compreendido a partir da singularidade do estudante, considerando diferenças na comunicação, participação e necessidades de apoio. A partir dessa compreensão, a educação inclusiva é apresentada como eixo articulador das práticas pedagógicas. O DUA, as Tecnologias Assistivas e a personalização do ensino aparecem como dimensões complementares. O DUA contribui para ampliar as possibilidades de acesso, participação e expressão; as Tecnologias Assistivas oferecem recursos e estratégias de acessibilidade; e a personalização permite adequar experiências, recursos e formas de aprendizagem às características individuais. A articulação desses eixos conduz à aprendizagem significativa, à participação ativa e ao desenvolvimento da autonomia. FLUXOGRAMA 2 – PERCURSO ANALÍTICO DA PESQUISA PROBLEMA DE PESQUISA │ ▼ Como articular DUA + TA + Personalização? │ ▼ OBJETIVO GERAL │ ▼ CATEGORIAS DE ANÁLISE │ ┌─────────────┼─────────────┐ ▼ ▼ ▼ Singularidade DUA TA │ │ │ └─────────────┼─────────────┘ ▼ PERSONALIZAÇÃO │ ▼ APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA │ ▼ PARTICIPAÇÃO │ ▼ EVIDÊNCIAS PEDAGÓGICAS │ ▼ PORTFÓLIO SHDI │ ▼ ANÁLISE DOS RESULTADOS │ ▼ PRÁTICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 59 . O Fluxograma 2 apresenta o percurso analítico da pesquisa, partindo do problema investigado e chegando à análise das práticas educacionais inclusivas. A primeira etapa corresponde à definição do problema, que orienta a investigação sobre a articulação entre DUA, Tecnologias Assistivas e personalização do ensino. Na sequência, são estabelecidas as categorias de análise: singularidade, DUA, Tecnologias Assistivas e personalização. Essas categorias são relacionadas aos resultados esperados da prática educativa, especialmente aprendizagem significativa, participação e autonomia. O portfólio educacional aparece como instrumento de documentação das evidências pedagógicas, permitindo organizar produções, registros, observações, estratégias utilizadas, avanços e necessidades de apoio. A estrutura final do fluxograma demonstra que a análise não deve considerar os recursos de maneira isolada. O foco está na articulação entre características do estudante, barreiras encontradas, estratégias pedagógicas, recursos utilizados, evidências de aprendizagem e mudanças observadas no percurso educacional. Essa perspectiva permite relacionar o referencial teórico aos objetivos da pesquisa e oferecer uma base coerente para interpretação dos resultados. O referencial teórico desta pesquisa organiza-se em uma perspectiva integradora na qual o autismo é compreendido a partir da singularidade e da diversidade das trajetórias de aprendizagem. O DUA fornece uma base para pensar o planejamento de experiências acessíveis e diversificadas; as Tecnologias Assistivas ampliam possibilidades de comunicação, acesso, participação e autonomia; e a personalização do ensino permite considerar interesses, conhecimentos prévios, ritmos e formas de expressão. Estudos recentes sustentam a pertinência dessas dimensões, especialmente quando analisam diretamente experiências de estudantes com TEA ou sintetizam evidências sobre acessibilidade e tecnologias. A coerência do referencial está na compreensão de que inclusão não resulta da aplicação automática de um recurso, método ou tecnologia. Uma prática pode ser tecnologicamente sofisticada e, ainda assim, não responder às necessidades educacionais do estudante. Da mesma maneira, uma atividade aparentemente simples pode produzir aprendizagem significativa quando parte de interesses, conhecimentos prévios e formas de participação do estudante. A personalização, portanto, funciona como princípio de articulação entre o planejamento pedagógico e a singularidade do sujeito. Nesse quadro, o professor ocupa posição estratégica como mediador do processo de aprendizagem. Sua atuação envolve observar, planejar, selecionar recursos, diversificar formas de apresentação dos conteúdos, acompanhar respostas e reorganizar estratégias. A formação docente aparece como condição relevante porque a implementação das Tecnologias Assistivas e de práticas inclusivas exige conhecimento para selecionar e utilizar os recursos adequadamente. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 60 Fernández-Batanero et al. (2022) identificaram justamente a formação docente entre as barreiras relevantes para a integração das Tecnologias Assistivas na educação. O referencial também sustenta a utilização dos portfólios como instrumento de documentação e acompanhamento do percurso individual. Os registros possibilitam observar não somente o resultado final de uma atividade, mas também estratégias, apoios, escolhas, formas de comunicação, interesses, dificuldades e avanços. O Método de Portfólios Educacionais SHDI, apresentado por Ischkanian (2026), é incorporado à pesquisa como possibilidade de organizar evidências pedagógicas e favorecer uma avaliação mais processual e individualizada. A articulação final entre singularidade, DUA, Tecnologias Assistivas, personalização, aprendizagem significativa, participação, autonomia e documentação pedagógica constitui a base interpretativa do estudo. Essa organização permite analisar como diferentes práticas podem contribuir para a redução de barreiras educacionais e para a construção de ambientes nos quais estudantes com TEA tenham oportunidades concretas de aprender, comunicar-se, participar, escolher e desenvolver autonomia. O referencial, portanto, não estabelece uma fórmula universal para o ensino de estudantes com autismo, mas oferece categorias para compreender diferentes possibilidades de construção de escolas verdadeiramente inclusivas. 4. METODOLOGIA A metodologia desta pesquisa foi estruturada de modo a possibilitar uma compreensão ampla e contextualizada das relações entre autismo, Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), Tecnologias Assistivas e personalização do ensino na construção de práticas educacionais inclusivas. A escolha metodológica considera que o fenômeno investigado envolve dimensões pedagógicas, sociais, comunicacionais e tecnológicas que não podem ser compreendidas somente pela mensuração de resultados, exigindo análise das concepções, experiências, estratégias e evidências presentes na produção científica. Brazão et al. (2023), ao realizarem uma revisão sistemática sobre abordagens de Design Inclusivo, Design Universal e DUA relacionadas à aprendizagem de crianças autistas, evidenciaram a relevância de organizar categorias de análise capazes de aproximar os princípios inclusivos das situações educacionais concretas. A investigação foi orientada pela compreensão de que a inclusão escolar não se restringe à presença física do estudante no espaço educativo, mas envolve condições efetivas de participação, aprendizagem, comunicação e desenvolvimento da autonomia. Russell, Scriney e Smyth (2023), em revisão sistemática sobre atitudes de educadores diante da inclusão de estudantes autistas, destacam que a inclusão envolve presença, participação e realização, ultrapassando uma concepção limitada à matrícula ou ao simples compartilhamento do espaço escolar. Essa compreensão fundamenta a escolha de procedimentos que permitam analisar não AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 61 . apenas os recursos utilizados, mas também as condições pedagógicas que favorecem ou dificultam sua utilização, relacionando os achados ao propósito central desta pesquisa. 4.1. NATUREZA E ABORDAGEM DA PESQUISA A pesquisa caracteriza-se como de natureza qualitativa, pois busca interpretar concepções, relações, práticas e contribuições presentes na literatura científica e documental sobre a educação de estudantes autistas. A abordagem qualitativa mostra-se adequada quando o objetivo é compreender fenômenos educacionais em sua complexidade, considerando significados, contextos e relações entre diferentes elementos do objeto investigado. Barrera Ciurana e Moliner García (2024), ao investigarem as experiências de sete estudantes universitários autistas por meio de entrevistas semiestruturadas, utilizaram abordagem qualitativa para identificar facilitadores da aprendizagem relacionados às práticas fundamentadas no DUA, demonstrando a pertinência de metodologias capazes de valorizar experiências e perspectivas dos sujeitos. Quanto aos procedimentos, a investigação assume caráter bibliográfico e documental. A pesquisa bibliográfica fundamenta-se na análise de artigos científicos, revisões sistemáticas, livros, capítulos e outras produções acadêmicas relacionadas ao autismo, educação inclusiva, DUA, Tecnologias Assistivas, personalização e aprendizagem significativa. A pesquisa documental complementa esse percurso mediante a análise de documentos educacionais, normativos e materiais institucionais pertinentes à inclusão e à acessibilidade educacional. Brazão et al. (2023) demonstram a utilidade da revisão da literatura para identificar tendências, categorias e lacunas relacionadas à utilização de abordagens de Design Universal na educação de crianças autistas, enquanto Fernández-Batanero et al. (2022) evidenciam, em uma revisão sistemática sobre Tecnologias Assistivas, a necessidade de analisar tanto os benefícios dos recursos quanto as barreiras que interferem em sua implementação. A pesquisa também apresenta caráter exploratório e descritivo. É exploratória porque procura ampliar a compreensão sobre a articulação entre diferentes dimensões da inclusão, especialmente quando DUA, Tecnologias Assistivas e personalização são considerados de maneira integrada. É descritiva porque sistematiza características, possibilidades, limites e relações encontradas na produção analisada. O estudo de Barrera Ciurana e Moliner García (2024) evidencia que a escuta dos estudantes autistas permite identificar elementos concretos que favorecem a aprendizagem, como a apresentação progressiva das informações, o destaque de conceitos importantes e a consideração das opiniões dos estudantes, demonstrando como uma investigação qualitativa pode produzir elementos relevantes para a compreensão de práticas inclusivas. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 62 A abordagem adotada não parte da premissa de que exista uma única estratégia pedagógica capaz de responder às diferentes manifestações do autismo. O próprio objeto da pesquisa exige reconhecer a heterogeneidade das experiências educacionais e investigar como diferentes recursos podem ser combinados de acordo com necessidades, interesses, formas de comunicação e possibilidades de participação. Estudos sobre DUA indicam que estratégias universais precisam manter flexibilidade para responder às necessidades individuais, uma vez que uma solução que favorece determinado estudante pode não atender outro da mesma maneira. Quadro 1 – Síntese da natureza e abordagem da pesquisa Elemento metodológico Natureza Caracterização Procedimentos Bibliográficos e documentais Objetivo metodológico Exploratório e descritivo Abordagem Interpretativa Perspectiva Inclusiva e centrada na singularidade Qualitativa Relação com o objeto da pesquisa Permite compreender relações entre inclusão, singularidade, DUA, Tecnologias Assistivas e personalização Permitem analisar produção científica e documentos relacionados ao tema Identifica possibilidades, limites, características e relações entre os eixos investigados Relaciona conceitos, evidências e práticas pedagógicas Evita compreender o autismo a partir de uma única trajetória educacional Relevância para educação e sociedade Favorece uma compreensão contextualizada das necessidades educacionais Contribuem para sistematizar conhecimentos que podem subsidiar práticas inclusivas Amplia a compreensão social sobre condições necessárias à inclusão Valoriza diferentes formas de aprender, comunicar e participar Reforça o direito à participação e à aprendizagem em contextos educacionais acessíveis Fonte: Elaborado pelos autores, (2026). 4.2. UNIVERSO, AMOSTRA E CRITÉRIOS DE SELEÇÃO O universo da pesquisa é constituído pela produção científica e documental relacionada ao autismo e à educação inclusiva, com ênfase nos estudos que abordam DUA, Tecnologias Assistivas, personalização do ensino, participação, aprendizagem e autonomia. A delimitação desse universo considera a necessidade de reunir conhecimentos provenientes de diferentes campos, incluindo educação, educação especial, tecnologia educacional, acessibilidade e estudos sobre deficiência. A revisão realizada por Brazão et al. (2023) demonstra a contribuição de pesquisas interdisciplinares para compreender a aplicação dos princípios de Design Universal e AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 63 . DUA à educação de crianças autistas, justificando a composição ampliada do universo investigativo. A amostra foi definida de maneira intencional, considerando produções que apresentassem relação direta com os objetivos e categorias analíticas da pesquisa. Foram priorizados estudos científicos publicados em periódicos acadêmicos, revisões sistemáticas, pesquisas qualitativas e obras acadêmicas que discutissem diretamente inclusão de estudantes autistas, DUA, Tecnologias Assistivas, personalização pedagógica, participação e autonomia. Barrera Ciurana e Moliner García (2024), por exemplo, selecionaram estudantes autistas para compreender, a partir de suas próprias experiências, quais práticas de ensino funcionavam como facilitadores da aprendizagem, demonstrando a importância de critérios de seleção coerentes com o problema investigado. Os critérios de inclusão compreenderam: produções relacionadas diretamente ao tema da pesquisa; estudos que apresentassem fundamentação metodológica identificável; trabalhos publicados em fontes acadêmicas ou institucionais reconhecidas; estudos que abordassem pelo menos uma das categorias centrais da investigação; e documentos capazes de contribuir para a compreensão da inclusão, acessibilidade e participação educacional. Os critérios de exclusão compreenderam materiais duplicados, publicações sem relação direta com o objeto, textos sem informações suficientes para análise e materiais cuja abordagem não contribuísse para as categorias estabelecidas. Essa organização busca conferir maior coerência ao corpus analisado, evitando que a amplitude temática comprometa a profundidade da investigação. A seleção também considerou a pertinência temporal das produções, privilegiando estudos recentes sem excluir trabalhos anteriores considerados fundamentais para a compreensão conceitual do DUA, da educação inclusiva e das Tecnologias Assistivas. Fernández-Batanero et al. (2022), em revisão sistemática sobre Tecnologia Assistiva para inclusão de estudantes com deficiência, demonstram a importância de reunir diferentes evidências para compreender tanto os resultados associados aos recursos quanto os obstáculos existentes em sua implementação. A seleção do corpus, portanto, procurou equilibrar atualidade, relevância acadêmica e contribuição conceitual para o objeto investigado. Esse equilíbrio temporal também possibilitou acompanhar a evolução das concepções educacionais relacionadas à inclusão, considerando que o desenvolvimento de recursos tecnológicos, metodologias pedagógicas e propostas de acessibilidade tem ampliado as possibilidades de participação dos estudantes. Brazão et al. (2023), ao analisarem produções relacionadas ao Design Universal e ao DUA no ensino e na aprendizagem de crianças autistas, evidenciam a necessidade de acompanhar a produção científica para identificar como esses princípios vêm sendo apropriados no campo educacional. No âmbito desta pesquisa, a combinação entre estudos consolidados e investigações recentes permite compreender Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 64 permanências conceituais e novas possibilidades de intervenção pedagógica, evitando tanto a utilização de referenciais desatualizados quanto a valorização exclusiva de produções recentes sem suficiente sustentação teórica. A composição do corpus busca, portanto, estabelecer uma base científica capaz de relacionar fundamentos já consolidados às transformações contemporâneas na educação inclusiva, especialmente no que se refere à articulação entre DUA, Tecnologias Assistivas, personalização do ensino, aprendizagem significativa, participação e autonomia dos estudantes com autismo. Quadro 2 – Universo, amostra e critérios de seleção Elemento Caracterização Aplicação na pesquisa Universo Produção científica e documental sobre autismo e inclusão Amostra Produções selecionadas intencionalmente Critério temático Relação direta com o objeto Critério metodológico Identificação dos procedimentos de pesquisa Ênfase em estudos recentes, sem excluir referências fundamentais Abrange estudos relacionados a DUA, Tecnologias Assistivas e personalização Prioriza trabalhos diretamente relacionados às categorias da pesquisa Autismo, inclusão, DUA, TA, personalização, aprendizagem e autonomia Valoriza estudos com percurso metodológico explicitado Permite acompanhar mudanças e permanências no campo Critério temporal Exclusão Duplicidades e materiais sem pertinência ao objeto Fonte: Elaborado pelos autores, (2026). Evita dispersão do corpus Contribuição para educação e sociedade Reúne conhecimentos produzidos em diferentes áreas Favorece uma análise concentrada em evidências pertinentes Mantém a investigação vinculada às necessidades educacionais Aumenta a consistência da análise Aproxima a pesquisa dos desafios educacionais contemporâneos Favorece resultados mais coerentes e socialmente relevantes 4.3. COLETA, TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS A coleta de dados foi realizada mediante levantamento, seleção e leitura sistematizada de produções científicas e documentos relacionados ao objeto de estudo. Foram considerados descritores e combinações temáticas associados a “autismo”, “educação inclusiva”, “Desenho Universal para a Aprendizagem”, “Tecnologias Assistivas”, “personalização do ensino”, “aprendizagem significativa”, “participação” e “autonomia”. A organização por descritores permite localizar produções que tratam dos diferentes eixos da pesquisa e posteriormente estabelecer relações entre eles. Fernández-Batanero et al. (2022), em sua revisão sistemática sobre Tecnologias Assistivas, exemplificam a importância de procedimentos estruturados de busca, seleção e análise para reunir evidências sobre inclusão e acessibilidade educacional. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 65 . Após o levantamento, os dados foram organizados em categorias temáticas relacionadas aos objetivos da investigação. A primeira categoria corresponde à singularidade do estudante autista; a segunda, ao DUA como perspectiva de planejamento acessível; a terceira, às Tecnologias Assistivas como recursos para redução de barreiras; a quarta, à personalização do ensino e à aprendizagem significativa; e a quinta, à participação e à autonomia. Essa categorização possibilita comparar diferentes contribuições e identificar convergências, especificidades, lacunas e possibilidades de articulação entre os conceitos. A revisão de Brazão et al. (2023), que organizou resultados de estudos sobre Design Universal, Design Inclusivo e DUA em categorias de análise, oferece sustentação para esse tipo de procedimento sistematizador. O tratamento dos dados ocorreu por meio de leitura analítica, fichamento, identificação de unidades temáticas, comparação dos achados e interpretação das relações estabelecidas entre as categorias. A análise procurou identificar não apenas a presença de determinados recursos ou estratégias, mas as condições em que eles podem favorecer a participação e a aprendizagem. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) demonstraram, por meio da análise das experiências de estudantes autistas, que determinados elementos das práticas pedagógicas podem funcionar como facilitadores da aprendizagem, o que reforça a importância de analisar os dados considerando o contexto e as experiências educacionais, e não apenas a existência formal de recursos. A interpretação dos dados foi realizada mediante análise temática e articulação teórica entre os resultados encontrados e o problema de pesquisa. As evidências foram confrontadas com os pressupostos do DUA, das Tecnologias Assistivas e da personalização, buscando compreender de que maneira essas dimensões podem atuar conjuntamente. A literatura sobre DUA aponta que o planejamento universal precisa ser acompanhado por respostas pedagógicas flexíveis às necessidades individuais, enquanto estudos sobre Tecnologias Assistivas demonstram que a disponibilização dos recursos precisa estar acompanhada de condições adequadas de implementação. O processo analítico também considerou a relação entre acessibilidade e autonomia. A análise não restringiu a contribuição das práticas inclusivas ao desempenho acadêmico, contemplando igualmente comunicação, participação, interação, possibilidade de escolha, expressão do conhecimento e desenvolvimento de competências funcionais. Essa perspectiva amplia a compreensão da aprendizagem e permite interpretar os resultados de maneira coerente com uma educação inclusiva centrada no estudante. Estudos recentes sobre DUA e estudantes autistas reforçam a relevância de considerar as perspectivas dos próprios estudantes na identificação de práticas que favorecem seu envolvimento e aprendizagem. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 66 Quadro 3 – Coleta, tratamento e análise dos dados Etapa Procedimento Finalidade 1. Levantamento Busca de produções científicas e documentos pertinentes 2. Seleção Aplicação dos critérios de inclusão e exclusão Fichamento e sistematização dos materiais Singularidade, DUA, TA, personalização, participação e autonomia Identificação de convergências, diferenças, possibilidades e lacunas Confronto entre evidências e referenciais Identificar conhecimentos relacionados ao objeto Delimitar o corpus da pesquisa Estruturar informações relevantes Estabelecer eixos de interpretação Aumenta a coerência das informações analisadas Facilita a compreensão e utilização dos conhecimentos Integra diferentes dimensões da inclusão Interpretar os significados presentes nos estudos Relacionar teoria, evidências e objeto da pesquisa Responder ao problema e aos objetivos Produz conhecimento aplicável à realidade educacional Favorece práticas pedagógicas mais fundamentadas Contribui para a construção de práticas inclusivas e acessíveis 3. Organização 4. Categorização 5. Análise temática 6. Articulação teórica 7. Síntese interpretativa Integração dos resultados Relevância para educação e sociedade Reúne evidências sobre desafios e possibilidades inclusivas Fonte: Elaborado pelos autores, (2026). 4.4. ASPECTOS ÉTICOS E RELEVÂNCIA DA PESQUISA PARA EDUCAÇÃO E SOCIEDADE Por utilizar predominantemente dados provenientes de fontes bibliográficas e documentais de acesso acadêmico e institucional, a pesquisa não envolve, em sua execução, intervenção direta sobre participantes humanos, aplicação de instrumentos ou exposição de informações pessoais de estudantes. O compromisso ético concentra-se, portanto, na identificação correta das fontes, na fidelidade às ideias dos autores, na distinção entre resultados encontrados e interpretações dos pesquisadores e na utilização responsável das informações. A valorização das vozes de estudantes autistas apresentada por Barrera Ciurana e Moliner García (2024) também reforça que pesquisas sobre inclusão precisam evitar generalizações indevidas e reconhecer a diversidade das experiências individuais. A relevância educacional da pesquisa está relacionada à necessidade de superar modelos pedagógicos homogêneos e ampliar as possibilidades de participação de estudantes com diferentes perfis de aprendizagem. O estudo procura contribuir para uma compreensão segundo a qual a inclusão demanda planejamento acessível, flexibilidade, recursos adequados e acompanhamento das respostas do estudante. Brazão et al. (2023) identificaram que ainda existem lacunas na produção sobre a utilização de abordagens de Design Universal no campo AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 67 . educacional relacionado ao autismo, o que reforça a importância de pesquisas que articulem diferentes perspectivas e aproximem princípios inclusivos das práticas pedagógicas. A relevância social está associada à construção de ambientes educacionais capazes de reduzir barreiras à aprendizagem, à comunicação e à participação. Quando DUA, Tecnologias Assistivas e personalização são analisados de maneira articulada, amplia-se a possibilidade de compreender que acessibilidade não significa oferecer exatamente os mesmos recursos a todos, mas criar condições para que diferentes estudantes possam acessar, participar e demonstrar aquilo que aprenderam. Estudos sobre estudantes com deficiência também indicam que a aplicação do DUA precisa manter uma dimensão responsiva às necessidades individuais, evitando que a proposta universal seja interpretada como uma solução padronizada para todos. A pesquisa apresenta relevância ainda por contribuir para a formação e reflexão docente. A literatura indica que professores necessitam compreender não apenas os princípios dos recursos inclusivos, mas também suas possibilidades de aplicação, limites e adequação aos contextos concretos de aprendizagem. Estudos recentes sobre DUA mostram que práticas inclusivas podem ser incorporadas ao ensino por meio de escolhas, diferentes formas de exploração dos conteúdos e estratégias de apoio, mas também evidenciam a importância de ampliar a consciência docente sobre essas práticas. Por fim, a relevância social da investigação encontra-se na possibilidade de fortalecer uma concepção de escola na qual o estudante autista seja reconhecido em sua singularidade, sem que suas características sejam utilizadas para limitar suas oportunidades educacionais. A pesquisa articula acessibilidade, participação, aprendizagem e autonomia como dimensões relacionadas, compreendendo que recursos tecnológicos, estratégias universais e práticas personalizadas podem assumir funções complementares. O resultado esperado é uma sistematização teórica capaz de subsidiar professores, gestores, profissionais da educação especial e demais agentes educacionais na reflexão sobre práticas que reduzam barreiras e ampliem as possibilidades de aprendizagem de estudantes autistas. A metodologia adotada permite investigar o objeto a partir de uma perspectiva qualitativa, bibliográfica, documental, exploratória e descritiva, articulando produção científica e documentos pertinentes às categorias centrais da pesquisa. A estrutura metodológica possibilita analisar o autismo a partir da diversidade das trajetórias de aprendizagem e compreender DUA, Tecnologias Assistivas e personalização como dimensões que podem ser combinadas segundo as características e necessidades educacionais de cada estudante. As evidências recentes analisadas sustentam a pertinência de abordagens que valorizem tanto o planejamento acessível quanto a capacidade de responder às necessidades individuais, incluindo a escuta das experiências dos próprios estudantes. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 68 O percurso metodológico, portanto, foi organizado para produzir uma análise coerente com o princípio central expresso no título da pesquisa: o autismo não é igual para todos. A investigação não procura estabelecer uma estratégia universal única para estudantes autistas, mas compreender como diferentes possibilidades pedagógicas podem ser articuladas para ampliar acesso, participação, aprendizagem, comunicação e autonomia. Essa orientação aproxima a metodologia dos fundamentos inclusivos discutidos ao longo do estudo e permite que os resultados sejam interpretados considerando a complexidade do fenômeno educacional e a necessidade de práticas flexíveis, acessíveis e individualmente responsivas. 5. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS A análise do corpus bibliográfico e documental selecionado permitiu identificar um conjunto de contribuições relacionadas à compreensão da singularidade dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), à organização de práticas pedagógicas inclusivas e à utilização articulada do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), das tecnologias assistivas e da personalização do ensino. Por se tratar de uma investigação de natureza qualitativa, bibliográfica, documental, exploratória e descritiva, os resultados apresentados correspondem às categorias, aproximações temáticas, possibilidades pedagógicas e relações conceituais identificadas na literatura e nos documentos analisados, não representando resultados de uma intervenção experimental ou de uma pesquisa de campo com participantes. O conjunto analisado evidencia que a compreensão do autismo precisa considerar a diversidade de características, formas de comunicação, interesses, necessidades de apoio, modos de participação e percursos de aprendizagem encontrados entre os estudantes. As produções de Almeida et al. (2025, 2026), Ischkanian e Ischkanian (2026), Corrêa (2026), Lima Oliveira et al. (2024), Silva Almeida et al. (2026) e Vieira et al. (2026) contribuem para ampliar essa perspectiva ao relacionarem desenvolvimento, aprendizagem, ludicidade, comunicação, alfabetização, metodologias pedagógicas e construção de competências. A análise demonstra, portanto, que uma proposta inclusiva não pode ser estruturada a partir de um modelo único de estudante com autismo, pois diferentes sujeitos podem apresentar necessidades, potencialidades e formas de interação distintas. Os estudos sobre DUA reforçam a necessidade de antecipar barreiras e ampliar as possibilidades de participação e expressão dos estudantes. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) destacam, a partir das vozes de estudantes autistas no ensino superior, a relevância de estratégias relacionadas à apresentação progressiva das informações, destaque de conceitos importantes, consideração das opiniões dos estudantes e valorização de seus esforços. Brazão et al. (2023), ao analisarem o estado da arte sobre abordagens do Design Universal no ensino e aprendizagem de crianças autistas, contribuem para compreender a importância de organizar AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 69 . ambientes e experiências educacionais que considerem diferentes formas de acesso, participação e aprendizagem. A análise também identificou forte convergência em relação ao papel das tecnologias assistivas na redução de barreiras educacionais. Fernández-Batanero et al. (2022), em revisão sistemática sobre tecnologia assistiva e inclusão de estudantes com deficiência, evidenciam a relevância desses recursos para acessibilidade e participação, ao mesmo tempo em que apontam desafios relacionados à formação docente e às condições de implementação. Klavina et al. (2024) discutem o uso de tecnologias assistivas para favorecer habilidades práticas, participação social e independência em pessoas com autismo e deficiência intelectual. Marcondes et al. (2024) também contribuem para a compreensão das potencialidades da tecnologia assistiva no ensino de estudantes com TEA. A literatura analisada indica que a tecnologia, isoladamente, não produz inclusão. Sua contribuição depende da relação entre recurso, necessidade, objetivo pedagógico, contexto e acompanhamento. Essa compreensão aproxima as tecnologias assistivas das discussões desenvolvidas por Lima Oliveira et al. (2026), que abordam a aprendizagem personalizada e a ampliação da participação e da autonomia de estudantes com deficiência. Também dialoga com Oliveira et al. (2026), ao discutir o professor aumentado e a utilização da inteligência artificial como recurso de apoio ao planejamento, à inclusão e à personalização, sem substituir a autonomia e a responsabilidade pedagógica docente. 5.1. CARACTERIZAÇÃO DOS DADOS E PANORAMA GERAL DOS RESULTADOS O corpus analisado foi constituído por artigos científicos, revisões sistemáticas, livros, capítulos e produções acadêmicas relacionadas direta ou indiretamente ao autismo, à inclusão escolar, ao DUA, às tecnologias assistivas, à alfabetização, às metodologias ativas, à aprendizagem personalizada, à inteligência artificial, à comunicação e ao desenvolvimento da autonomia. A diversidade documental permitiu observar o fenômeno sob diferentes perspectivas, evitando restringir a compreensão da inclusão a uma única abordagem pedagógica ou tecnológica. Entre os materiais diretamente relacionados ao DUA, destacam-se Barrera Ciurana e Moliner García (2024) e Brazão et al. (2023). No campo das tecnologias assistivas, apresentam especial relevância Fernández-Batanero et al. (2022), Klavina et al. (2024), Marcondes et al. (2024) e Lima Oliveira et al. (2026). Nas discussões sobre alfabetização, comunicação e materiais inclusivos, Ischkanian et al. (2026), Vieira et al. (2026a, 2026b) e Lima Oliveira et al. (2024) oferecem contribuições importantes. As produções de Almeida et al. (2025, 2026), Silva Almeida et al. (2026) e Ischkanian e Ischkanian (2026) ampliam a discussão sobre ludicidade, ensino estruturado, metodologias ativas e diferentes caminhos para aprender. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 70 Também foram identificadas contribuições relacionadas à inteligência artificial e às tecnologias digitais. Azevedo et al. (2024) abordam gamificação e metodologias ativas na formação docente para a BNCC de Computação; de Oliveira et al. (2026) discutem educação profissional e tecnológica na era digital; Oliveira et al. (2026) apresentam possibilidades de utilização da inteligência artificial no planejamento, na inclusão e na personalização; Silva Oliveira et al. (2026) discutem possibilidades, limites e impactos da inteligência artificial na aprendizagem e autonomia; e Silva Oliveira et al. (2026) relacionam inteligência artificial e psicopedagogia à identificação e intervenção nas dificuldades de aprendizagem. A análise de materiais voltados ao diagnóstico, desenvolvimento e compreensão do autismo também contribuiu para contextualizar a necessidade de práticas individualizadas. Ischkanian et al. (2024) discutem avanços no diagnóstico precoce e ferramentas inovadoras; Demo et al. (2026) abordam diferenças na conectividade neural relacionadas à gravidade do autismo; e Ischkanian et al. (2026) discutem fatores genéticos, hereditários e gestacionais. Esses estudos não são tratados como evidências diretas sobre DUA ou tecnologia assistiva, mas como produções que ajudam a contextualizar a heterogeneidade do TEA e a necessidade de evitar generalizações pedagógicas. A análise revelou, portanto, cinco grandes eixos recorrentes: singularidade do estudante; acessibilidade curricular e DUA; tecnologias assistivas e recursos digitais; personalização do ensino e aprendizagem significativa; participação, comunicação e autonomia. Esses eixos não aparecem de forma isolada. Eles se articulam em um processo no qual a identificação das características e necessidades do estudante orienta a escolha de estratégias, recursos e formas de avaliação. Quadro 4 – Panorama geral dos resultados e contribuições do corpus analisado Eixo identificado Singularidade e diversidade DUA e acessibilidade Resultados da análise bibliográfica e documental O autismo apresenta diferentes manifestações, necessidades de apoio, formas de comunicação e percursos de aprendizagem, exigindo práticas flexíveis. A organização antecipada de diferentes formas de apresentação, participação e expressão pode reduzir barreiras à aprendizagem. Possibilidades inovadoras de aplicação Autores/estudos de sustentação Construção de perfil individual de aprendizagem e registro contínuo de interesses, potencialidades, barreiras e formas de comunicação. Almeida et al. (2025, 2026); Corrêa (2026); Demo et al. (2026); Ischkanian e Ischkanian (2026); Silva Almeida et al. (2026). Barrera Ciurana e Moliner García (2024); Brazão et al. (2023). Planejamento de uma mesma atividade com diferentes possibilidades de acesso, realização e demonstração da aprendizagem. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 71 . Tecnologias assistivas Alfabetização e letramento Ludicidade e metodologias ativas Personalização Inteligência artificial Formação docente Participação e autonomia Comunicação e interação Os recursos tecnológicos podem ampliar acessibilidade, participação, comunicação, independência e realização de atividades. A aprendizagem da leitura e da escrita pode ser favorecida pela utilização de materiais acessíveis, recursos multimodais e estratégias individualizadas. Jogos, experiências práticas e atividades significativas podem favorecer participação e construção de competências. A personalização permite ajustar objetivos, recursos, tempos, mediações e formas de avaliação às características do estudante. A IA pode apoiar planejamento, produção de materiais, organização de informações e personalização, desde que utilizada com critérios pedagógicos e éticos. A utilização adequada de recursos inclusivos depende de conhecimentos pedagógicos e tecnológicos. A inclusão ultrapassa o acesso físico e envolve comunicação, participação, aprendizagem e desenvolvimento da independência. Diferentes formas de comunicação podem ser necessárias para garantir participação e expressão. Biblioteca digital de recursos assistivos organizada por necessidade, objetivo pedagógico e nível de apoio. Laboratório de leitura e escrita multimodal com imagens, símbolos, objetos, recursos digitais, áudio e produção textual. Fernández-Batanero et al. (2022); Klavina et al. (2024); Marcondes et al. (2024); Lima Oliveira et al. (2026). Ischkanian et al. (2026); Vieira et al. (2026a, 2026b); Lima Oliveira et al. (2024). Trilhas de aprendizagem baseadas em jogos, desafios, interesses e situações do cotidiano. Almeida et al. (2025, 2026); Silva Almeida et al. (2026); Azevedo et al. (2024). Plano individual de aprendizagem articulado ao portfólio de evidências e às respostas do estudante. Lima Oliveira et al. (2026); Oliveira et al. (2026); Vieira et al. (2026a). Assistente pedagógico para elaboração de alternativas de atividades, materiais acessíveis e adaptações curriculares. Oliveira et al. (2026); Silva Oliveira et al. (2026); Silva Oliveira et al. (2026); de Oliveira et al. (2026). Fernández-Batanero et al. (2022); Azevedo et al. (2024); de Oliveira et al. (2026). Núcleo escolar de formação continuada baseado em situações reais de sala de aula e análise de práticas. Mapa de progressão “barreira → recurso → estratégia → participação → evidência de aprendizagem → autonomia”. Klavina et al. (2024); Lima Oliveira et al. (2026); Ischkanian e Ischkanian (2026). Sistema multimodal integrando comunicação oral, visual, alternativa, digital e gestual. Almeida et al. (2026); Ischkanian et al. (2026); Vieira et al. (2026a). Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 72 Educação digital Recursos digitais podem Ambientes digitais Azevedo et al. ampliar experiências acessíveis, gamificação, (2024); de Oliveira educacionais e favorecer recursos interativos e et al. (2026); Vieira novas formas de produção multimodal. et al. (2026b). aprendizagem. Contextos A inclusão precisa Modelo de planejamento Corrêa (2026); de educacionais alcançar educação inclusivo adaptável aos Oliveira et al. diversos infantil, ensino diferentes níveis e (2026); Lima fundamental, educação modalidades educacionais. Oliveira et al. profissional e demais (2024). etapas. Fonte: elaboração própria a partir do corpus bibliográfico e documental analisado. O Quadro 4 demonstra que os resultados não apontam para uma única ferramenta ou metodologia. A principal convergência identificada está na necessidade de articular diferentes estratégias em torno das características concretas de cada estudante. O DUA pode contribuir para estruturar ambientes mais acessíveis; a tecnologia assistiva pode oferecer apoios específicos; a personalização pode ajustar o percurso pedagógico; e o acompanhamento sistemático pode produzir evidências sobre o que favorece ou dificulta a participação. 5.2. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS À LUZ DO REFERENCIAL TEÓRICO A primeira categoria identificada foi a singularidade. A análise das obras demonstra que considerar o estudante com autismo como sujeito singular constitui uma condição importante para a construção de práticas inclusivas. As produções de Almeida et al. (2026), Silva Almeida et al. (2026), Ischkanian e Ischkanian (2026) e Corrêa (2026) permitem compreender que estratégias pedagógicas precisam considerar interesses, comunicação, ritmo, necessidades de apoio e possibilidades de participação. A singularidade, nesse contexto, não significa isolamento pedagógico, mas organização de condições para que o estudante participe de experiências coletivas por diferentes caminhos. A segunda categoria corresponde ao DUA. Os resultados encontrados em Barrera Ciurana e Moliner García (2024) evidenciam a importância de ouvir os próprios estudantes sobre aquilo que favorece sua aprendizagem. A valorização das opiniões dos estudantes, a apresentação progressiva das informações e o destaque de conceitos relevantes demonstram que acessibilidade pedagógica envolve também organização, clareza e participação. Brazão et al. (2023) contribuem para situar o Design Universal como uma abordagem capaz de orientar a construção de ambientes educacionais que considerem diferentes formas de aprender. A terceira categoria corresponde às tecnologias assistivas. Fernández-Batanero et al. (2022) evidenciam que esses recursos podem contribuir para inclusão e acessibilidade, mas sua implementação depende de condições institucionais e formação adequada. Klavina et al. (2024) AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 73 . relacionam tecnologias assistivas ao desenvolvimento de habilidades práticas, participação social e independência. A interpretação desses resultados indica que a tecnologia deve ser selecionada pela função pedagógica que desempenha, e não apenas pela sua novidade ou sofisticação. A quarta categoria refere-se à personalização do ensino. Lima Oliveira et al. (2026) articulam tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada à ampliação da participação e autonomia. A personalização, nessa perspectiva, não representa a elaboração de uma escola diferente para cada estudante, mas a capacidade de flexibilizar caminhos dentro de uma proposta curricular comum. O professor pode estabelecer objetivos compartilhados e, simultaneamente, oferecer diferentes recursos, tempos, suportes e formas de demonstrar o conhecimento. A quinta categoria relaciona-se à aprendizagem significativa, comunicação e participação. Almeida et al. (2025, 2026), Vieira et al. (2026a, 2026b) e Ischkanian et al. (2026) permitem identificar a importância de relacionar conteúdos escolares a experiências concretas, interesses, linguagem, ludicidade e diferentes formas de expressão. O estudante não deve ser compreendido apenas pelaquilo que ainda não consegue realizar. A análise aponta para a necessidade de registrar também aquilo que já realiza, os recursos que utiliza, as estratégias que favorecem sua participação e os progressos observados. A sexta categoria corresponde à inteligência artificial e às tecnologias digitais. Oliveira et al. (2026), Silva Oliveira et al. (2026) e de Oliveira et al. (2026) possibilitam compreender a IA como instrumento de apoio ao planejamento, produção de materiais, organização de informações e desenvolvimento de estratégias educacionais. Entretanto, a análise do corpus indica que a tecnologia deve permanecer subordinada aos objetivos pedagógicos, aos direitos dos estudantes, à privacidade, à acessibilidade e à autonomia profissional docente. Quadro 5 – Análise e interpretação dos resultados à luz do referencial teórico Categoria teórica Interpretação dos resultados Singularidade A diversidade do TEA exige que características individuais sejam consideradas no planejamento. A antecipação de diferentes possibilidades de acesso, participação e expressão pode reduzir barreiras. Recursos devem responder a barreiras concretas e objetivos funcionais. DUA Tecnologia assistiva Aplicação pedagógica inovadora Perfil de aprendizagem atualizado periodicamente. Uma atividade, múltiplas formas de realização. Catálogo de recursos por barreira e objetivo pedagógico. Autores/estudos relacionados Almeida et al. (2025, 2026); Corrêa (2026); Demo et al. (2026); Ischkanian e Ischkanian (2026). Barrera Ciurana e Moliner García (2024); Brazão et al. (2023). Fernández-Batanero et al. (2022); Klavina et al. (2024); Marcondes et al. (2024). Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 74 Personalização Aprendizagem significativa Comunicação Alfabetização Diferenciação pode ocorrer sem exclusão do currículo comum. Conteúdos associados a interesses e situações concretas podem ampliar o envolvimento. Expressão e compreensão podem ocorrer por diferentes sistemas comunicativos. Estratégias multimodais podem diversificar o acesso à leitura e escrita. Metodologias ativas Trilhas individuais dentro de projetos coletivos. Projetos baseados em interesses do estudante. Lima Oliveira et al. (2026); Oliveira et al. (2026). Almeida et al. (2025, 2026); Vieira et al. (2026a). Painéis multimodais de comunicação e aprendizagem. Ischkanian et al. (2026); Vieira et al. (2026a). Sequências de alfabetização com imagem, som, símbolos, objetos e texto. Jogos, desafios, investigação e produção colaborativa. Gerador de alternativas pedagógicas revisadas pelo professor. Formação baseada em problemas reais da sala de aula. Lima Oliveira et al. (2024); Ischkanian et al. (2026); Vieira et al. (2026b). Participação aumenta Azevedo et al. (2024); quando o estudante atua Silva Almeida et al. na construção da (2026). experiência. Inteligência IA pode ampliar Oliveira et al. (2026); artificial possibilidades de Silva Oliveira et al. planejamento e produção (2026). de recursos. Formação O recurso somente Fernández-Batanero et al. docente produz efeito (2022); Azevedo et al. pedagógico quando o (2024). professor compreende sua função. Autonomia O objetivo da tecnologia Escala de retirada Klavina et al. (2024); deve incluir aumento gradual dos apoios. Lima Oliveira et al. progressivo da (2026). independência. Avaliação Avaliar somente pelo Avaliação multimodal Ischkanian e Ischkanian produto final pode e portfólio de (2026); Lima Oliveira et ocultar caminhos e evidências. al. (2026); Vieira et al. progressos. (2026b). Fonte: elaboração própria a partir da análise temática do corpus. A interpretação integrada das categorias permite compreender que DUA, tecnologia assistiva e personalização não devem ser tratados como propostas concorrentes. Cada abordagem responde a uma dimensão específica do processo inclusivo. O DUA contribui para o planejamento de ambientes e experiências acessíveis; a tecnologia assistiva pode oferecer suporte diante de barreiras específicas; e a personalização permite ajustar objetivos, estratégias, tempos e formas de avaliação. Quando articuladas, essas dimensões podem fortalecer a participação e a autonomia. A análise também evidencia que a formação docente ocupa posição transversal. Fernández-Batanero et al. (2022) identificam a formação como uma das questões relevantes para AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 75 . a implementação de tecnologias assistivas, enquanto Azevedo et al. (2024) demonstram a importância do conhecimento docente para integração de tecnologias, gamificação e metodologias ativas. O professor precisa compreender não somente como utilizar determinada ferramenta, mas por que utilizá-la, para quem, em qual situação, com qual finalidade e mediante quais evidências de aprendizagem. Nesse sentido, os resultados apontam para uma mudança de perspectiva: a inclusão não depende exclusivamente da disponibilidade de recursos, mas da capacidade de transformar recursos em estratégias pedagógicas significativas. Um tablet, aplicativo, recurso de comunicação alternativa, jogo, inteligência artificial ou material adaptado pode apresentar pouca utilidade quando não está relacionado a uma barreira concreta ou a um objetivo educacional. Quando selecionado intencionalmente, o mesmo recurso pode contribuir para comunicação, participação, alfabetização, interação, resolução de problemas e autonomia. 5.3. IMPLICAÇÕES POSITIVAS PRÁTICAS, TEÓRICAS E METODOLÓGICAS DOS RESULTADOS As implicações práticas dos resultados concentram-se na possibilidade de reorganizar o planejamento escolar a partir das necessidades reais dos estudantes. Uma prática inclusiva pode iniciar pela identificação das barreiras existentes, seguida pela seleção de estratégias e recursos capazes de reduzir essas barreiras. O professor pode registrar quais suportes foram utilizados, como o estudante respondeu, quais modificações foram necessárias e quais evidências demonstraram aprendizagem. Uma possibilidade especialmente relevante consiste na utilização de um portfólio educacional como instrumento de acompanhamento. Nesse formato, o registro pode reunir produções, fotografias de atividades, respostas comunicativas, interesses, estratégias utilizadas, adaptações realizadas, conquistas, dificuldades e evidências de autonomia. O Método de Portfólios Educacionais SHDI pode ser articulado a essa perspectiva como uma forma de organizar sistematicamente informações sobre o percurso individual do estudante, favorecendo uma visão longitudinal da aprendizagem. As implicações teóricas estão relacionadas à compreensão da inclusão como fenômeno multidimensional. O corpus analisado não sustenta uma visão na qual uma única metodologia resolveria todas as barreiras. A análise favorece uma perspectiva integrada, na qual singularidade, DUA, tecnologias assistivas, personalização, comunicação, aprendizagem significativa e autonomia são compreendidas como dimensões interdependentes do processo educativo. As implicações metodológicas envolvem a possibilidade de utilizar procedimentos de acompanhamento contínuo para verificar se determinada estratégia está efetivamente Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 76 contribuindo para a participação. O professor pode estabelecer indicadores simples, como iniciativa comunicativa, permanência na atividade, conclusão de etapas, necessidade de ajuda, capacidade de escolha, interação com pares e transferência da habilidade para outros contextos. O objetivo não é transformar a aprendizagem em um conjunto rígido de números, mas produzir evidências organizadas que apoiem decisões pedagógicas. Quadro 6 – Implicações práticas, teóricas e metodológicas dos resultados Dimensão Prática Prática Prática Prática Implicação identificada Planejamento deve considerar barreiras e potencialidades. Recursos precisam estar associados a objetivos pedagógicos. Diferentes estudantes podem precisar de diferentes caminhos. A comunicação deve ser acessível. Prática Aplicação inovadora Mapa individual “barreira → apoio → estratégia → resposta”. Biblioteca de recursos assistivos vinculada às competências trabalhadas. Trilhas personalizadas dentro da mesma atividade coletiva. Sistemas multimodais integrando fala, imagens, símbolos, gestos e tecnologia. Avaliação multimodal por produção oral, visual, prática, digital ou escrita. Avaliação precisa reconhecer diferentes formas de demonstrar aprendizagem. Teórica Singularidade, DUA, TA e Modelo integrado de planejamento personalização são dimensões inclusivo. complementares. Teórica Autonomia constitui finalidade Planejamento orientado para redução importante da intervenção pedagógica. progressiva dos apoios. Teórica Inclusão envolve participação e Indicadores de participação social e pertencimento, não apenas presença. pedagógica. Metodológica O acompanhamento contínuo produz Portfólio educacional com registros evidências para ajustar estratégias. periódicos. Metodológica A resposta do estudante deve orientar a Ciclo “planejar → aplicar → continuidade da estratégia. observar → registrar → ajustar”. Formação Professores precisam conhecer Laboratório permanente de práticas docente recursos e critérios de seleção. inclusivas. Tecnologia IA pode apoiar o trabalho docente, mas Assistente de planejamento com precisa de supervisão humana. revisão pedagógica obrigatória. Família-escola Informações compartilhadas podem Portfólio compartilhado entre ampliar a compreensão do estudante. família, professor e equipe escolar. Autonomia O sucesso da tecnologia pode ser Registro da necessidade de apoio observado pela ampliação da antes, durante e depois da independência. intervenção. Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da análise bibliográfica e documental. Os resultados também permitem propor uma concepção de planejamento em ciclo. Primeiro, identificam-se as características e barreiras apresentadas pelo estudante; posteriormente, são definidos objetivos pedagógicos e selecionadas estratégias acessíveis. Após a aplicação, observa-se a resposta do estudante, registram-se as evidências e realizam-se ajustes. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 77 . Esse movimento impede que uma adaptação seja considerada definitiva quando as necessidades educacionais podem se modificar ao longo do desenvolvimento. Esquema conceitual 1 – Da singularidade à autonomia AUTISMO ↓ SINGULARIDADE DO ESTUDANTE ↓ IDENTIFICAÇÃO DE POTENCIALIDADES, INTERESSES E BARREIRAS ↓ DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM ↓ TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E RECURSOS ACESSÍVEIS ↓ PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO ↓ APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA ↓ PARTICIPAÇÃO E COMUNICAÇÃO ↓ DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS ↓ AUTONOMIA O Esquema Conceitual 1 representa a principal articulação encontrada na análise. A singularidade constitui o ponto de partida para reconhecer que os estudantes não aprendem necessariamente pelas mesmas estratégias. O DUA contribui para estruturar possibilidades diversificadas desde o planejamento; as tecnologias assistivas oferecem apoios específicos; a personalização ajusta o percurso; e a avaliação contínua permite verificar as respostas apresentadas. Esquema conceitual 2 – Ciclo de planejamento inclusivo baseado em evidências IDENTIFICAR ↓ Características, interesses, potencialidades e barreiras ↓ PLANEJAR ↓ Objetivos acessíveis + DUA + estratégias personalizadas ↓ SELECIONAR ↓ Tecnologias assistivas + materiais + recursos digitais ↓ APLICAR ↓ Experiência pedagógica individual e coletiva Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 78 ↓ OBSERVAR ↓ Participação + comunicação + aprendizagem + autonomia ↓ REGISTRAR ↓ Portfólio de evidências ↓ ANALISAR ↓ O que favoreceu? O que dificultou? ↓ AJUSTAR ↓ Estratégias, recursos, tempo e mediações ↓ REAPLICAR ↓ Novas oportunidades de aprendizagem ↓ AMPLIAR ↓ Participação e autonomia O segundo esquema demonstra que a inclusão deve ser compreendida como processo contínuo. Uma estratégia não precisa ser mantida simplesmente porque foi planejada inicialmente. Sua continuidade pode ser analisada a partir das respostas observadas. Quando uma tecnologia, adaptação ou metodologia não produz a participação esperada, a alternativa não deve ser responsabilizar automaticamente o estudante, mas investigar se o recurso, o ambiente, a mediação, o tempo ou a forma de apresentação precisam ser modificados. A partir do conjunto analisado, propõe-se um modelo de organização pedagógica denominado, para fins desta pesquisa, Modelo Integrado de Acessibilidade, Personalização e Autonomia. O modelo não pretende substituir as abordagens existentes, mas organizar suas relações em uma sequência operacional que possa apoiar o trabalho docente. O primeiro componente corresponde ao conhecimento do estudante. O professor precisa identificar interesses, formas de comunicação, experiências anteriores, conhecimentos já construídos, barreiras, potencialidades e apoios necessários. O segundo componente é o planejamento acessível, orientado pelos princípios do DUA e pela antecipação de diferentes formas de participação. O terceiro componente consiste na seleção de tecnologias assistivas e recursos pedagógicos coerentes com as necessidades identificadas. O quarto componente é a personalização do percurso. O estudante pode receber diferentes suportes, tempos, materiais e formas de expressão sem ser retirado da experiência coletiva. O quinto componente corresponde à avaliação multimodal, que reconhece que a AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 79 . aprendizagem pode ser demonstrada por diferentes linguagens. O sexto componente é o registro sistemático, que permite acompanhar o percurso e fundamentar novas decisões. Nesse modelo, o portfólio assume função estratégica porque permite transformar acontecimentos cotidianos em evidências organizadas de aprendizagem. O registro pode demonstrar, por exemplo, que determinado estudante passou de uma situação de dependência para uma situação de participação com apoio reduzido; que uma determinada forma de comunicação aumentou sua capacidade de escolha; que determinado recurso assistivo facilitou uma atividade; ou que uma estratégia inicialmente planejada precisou ser substituída. A articulação entre DUA, tecnologias assistivas e personalização também permite superar uma compreensão limitada da adaptação curricular. Em vez de pensar somente na modificação do conteúdo, torna-se possível modificar o acesso, o tempo, o ambiente, a mediação, o recurso, a linguagem, a forma de participação e a maneira de demonstrar conhecimento. A aprendizagem passa a ser observada por múltiplas evidências. Os resultados analisados sustentam, portanto, a compreensão de que uma escola verdadeiramente inclusiva precisa construir diferentes caminhos para que os estudantes possam participar de experiências educacionais comuns. No caso do autismo, essa necessidade torna-se especialmente relevante diante da diversidade de características, formas de comunicação, interesses e níveis de apoio. A resposta pedagógica não deve buscar uniformizar os estudantes, mas criar condições para que diferentes formas de aprender sejam reconhecidas dentro do espaço escolar. A análise do corpus também demonstra que inovação pedagógica não significa necessariamente utilizar tecnologias sofisticadas. Uma inovação pode ocorrer quando o professor reorganiza uma atividade para permitir escolha, utiliza imagens para ampliar compreensão, oferece diferentes formas de resposta, cria uma sequência visual, adapta o ambiente, emprega um recurso assistivo ou transforma uma experiência cotidiana em oportunidade de aprendizagem. A tecnologia digital pode ampliar essas possibilidades, mas não constitui condição única para a inclusão. A inteligência artificial acrescenta novas possibilidades para planejamento e produção de materiais, especialmente quando utilizada para gerar alternativas, organizar informações e apoiar a personalização. As obras de Oliveira et al. (2026), Silva Oliveira et al. (2026) e de Oliveira et al. (2026) permitem situar essas tecnologias dentro de um cenário educacional em transformação. Sua utilização, entretanto, precisa permanecer vinculada à análise humana, à finalidade pedagógica, à acessibilidade, à proteção de dados e à autonomia profissional. A formação docente permanece como elemento transversal. A existência de uma tecnologia, de um recurso de comunicação ou de uma metodologia não garante sua utilização adequada. O professor precisa compreender as características do estudante, identificar barreiras, Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 80 conhecer diferentes estratégias e avaliar continuamente os resultados. A formação continuada, portanto, deve aproximar conhecimento teórico e situações concretas de sala de aula. A principal contribuição do conjunto analisado está na articulação dessas dimensões em uma perspectiva de complementaridade. DUA, tecnologias assistivas, personalização, metodologias ativas, ludicidade, comunicação multimodal, recursos digitais e inteligência artificial podem compor uma rede de possibilidades pedagógicas, desde que cada elemento seja selecionado de acordo com uma finalidade educacional clara. Os resultados reforçam, finalmente, que autismo não é igual para todos. A inclusão educacional exige que a escola reconheça diferenças sem transformar essas diferenças em impedimentos para a participação. O estudante deve encontrar oportunidades para aprender, comunicar-se, escolher, produzir, interagir e desenvolver autonomia. Nesse processo, o professor permanece como mediador essencial, enquanto as tecnologias, os recursos assistivos, o DUA e as estratégias personalizadas funcionam como instrumentos para ampliar possibilidades de aprendizagem. A perspectiva encontrada no corpus desloca o foco da pergunta “qual método utilizar para todos?” para uma questão mais pedagógica e responsiva: “quais barreiras estão presentes, quais possibilidades o estudante já demonstra e quais recursos podem ampliar sua participação e autonomia?”. Essa mudança de perspectiva fortalece uma educação que observa o sujeito, valoriza suas potencialidades, registra seus avanços e modifica suas estratégias quando necessário. Nesse sentido, os resultados da análise bibliográfica e documental permitem sustentar que práticas inclusivas consistentes são construídas por meio da articulação entre conhecimento do estudante, planejamento acessível, recursos adequados, mediação docente, acompanhamento contínuo e participação ativa. O DUA oferece uma estrutura para antecipar possibilidades; as tecnologias assistivas contribuem para reduzir barreiras específicas; a personalização organiza percursos ajustados; e o registro sistemático permite compreender os efeitos das escolhas pedagógicas. A integração dessas dimensões cria condições para uma escola que não apenas recebe estudantes com autismo, mas reorganiza suas práticas para que eles possam efetivamente participar, aprender e desenvolver autonomia. Essa reorganização envolve o currículo, os recursos pedagógicos, as formas de comunicação, os ambientes, os tempos destinados às atividades e os procedimentos avaliativos, considerando que as barreiras à aprendizagem podem assumir diferentes configurações. O DUA contribui para antecipar possibilidades de acesso e participação; as tecnologias assistivas podem oferecer suportes específicos diante de necessidades identificadas; e a personalização do ensino permite ajustar estratégias, mediações e formas de expressão sem afastar o estudante das experiências coletivas. Nesse contexto, a escola AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 81 . passa a reconhecer que oferecer diferentes caminhos para alcançar objetivos educacionais não significa reduzir expectativas de aprendizagem, mas criar condições mais adequadas para que cada estudante possa demonstrar seus conhecimentos, desenvolver competências e ampliar gradualmente sua independência. A inclusão deixa de ser compreendida como simples adequação posterior e passa a constituir princípio orientador do planejamento, da avaliação, da comunicação e da organização dos ambientes de aprendizagem. Essa perspectiva exige uma atuação pedagógica baseada na observação contínua, na escuta do estudante, no reconhecimento de seus interesses e na análise das estratégias que favorecem sua participação. O acompanhamento sistemático permite identificar conquistas, necessidades de apoio, formas de comunicação, preferências, dificuldades e progressos, produzindo evidências que podem orientar novos ajustes pedagógicos. A utilização de portfólios educacionais, registros multimodais e instrumentos de acompanhamento individualizado pode fortalecer esse processo ao tornar visível o percurso de aprendizagem, evitando que a avaliação se limite ao resultado final de uma atividade. A escola inclusiva, nessa perspectiva, não procura fazer com que todos aprendam exatamente da mesma maneira, mas constrói condições para que diferentes estudantes tenham oportunidades reais de aprender, comunicar-se, interagir, escolher, produzir e participar, fortalecendo a autonomia e o pertencimento ao longo de sua trajetória educacional. CONCLUSÃO A construção de uma educação verdadeiramente inclusiva começa pelo reconhecimento de que autismo não é igual para todos. Cada estudante apresenta uma trajetória própria, marcada por diferentes formas de comunicação, interesses, potencialidades, necessidades de apoio, ritmos e maneiras de compreender e interagir com o mundo. Reconhecer essa singularidade significa superar práticas pedagógicas baseadas na homogeneização e compreender que oferecer oportunidades equitativas de aprendizagem exige flexibilidade, escuta, observação e planejamento intencional. A escola inclusiva é aquela que reconhece as diferenças como parte constitutiva do processo educativo e transforma suas práticas para que cada estudante encontre possibilidades reais de participação, aprendizagem e desenvolvimento. O Desenho Universal para a Aprendizagem, as tecnologias assistivas e a personalização do ensino apresentam possibilidades complementares para essa transformação. O DUA favorece a organização antecipada de diferentes caminhos para acessar conhecimentos, participar das atividades e demonstrar aprendizagens. As tecnologias assistivas podem ampliar comunicação, acessibilidade, interação, realização de tarefas e independência. A personalização permite ajustar estratégias, recursos, tempos, mediações e formas de avaliação às características de cada estudante. Quando essas dimensões são articuladas de maneira planejada, deixam de representar Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 82 recursos isolados e passam a integrar uma concepção pedagógica comprometida com a eliminação de barreiras e com a ampliação das oportunidades educacionais. A inclusão também precisa ultrapassar a ideia de presença física no espaço escolar. Estar na escola é apenas o início de um processo que precisa assegurar participação, pertencimento, comunicação, aprendizagem e possibilidade de escolha. O estudante com autismo precisa encontrar ambientes nos quais possa expressar suas ideias, manifestar preferências, interagir com colegas, participar de experiências coletivas e demonstrar aquilo que aprendeu por diferentes meios. Essa perspectiva amplia a responsabilidade da escola, pois exige que currículo, metodologias, materiais, espaços, relações e avaliações sejam continuamente analisados para identificar o que favorece ou dificulta a participação. Nesse percurso, o professor assume uma função essencial como mediador, planejador e observador do processo de aprendizagem. Sua atuação não se limita à transmissão de conteúdos, mas envolve reconhecer sinais de aprendizagem, identificar barreiras, selecionar recursos, modificar estratégias e acompanhar os efeitos das escolhas pedagógicas. A prática docente tornase mais responsiva quando considera aquilo que o estudante já sabe, aquilo que deseja aprender, as formas pelas quais consegue participar e os apoios necessários para avançar. O planejamento deixa de ser um documento estático e passa a constituir um processo dinâmico, construído e reconstruído a partir das experiências vivenciadas. A avaliação também precisa acompanhar essa transformação. Avaliar estudantes com autismo exige considerar diferentes formas de expressão e reconhecer que uma aprendizagem pode ser demonstrada por meio da fala, escrita, imagens, gestos, recursos de comunicação alternativa, produções práticas, tecnologias digitais, jogos, atividades colaborativas ou experiências concretas. O registro sistemático dessas evidências permite compreender o percurso individual e identificar avanços que poderiam permanecer invisíveis em modelos avaliativos excessivamente padronizados. O portfólio educacional pode contribuir para esse acompanhamento ao reunir produções, conquistas, interesses, estratégias utilizadas, necessidades de apoio e diferentes manifestações do desenvolvimento. A utilização de tecnologias digitais e de inteligência artificial também amplia as possibilidades de inovação pedagógica, desde que esses recursos permaneçam subordinados às finalidades educacionais e às necessidades dos estudantes. A tecnologia não substitui a relação humana, a mediação docente, a escuta ou o conhecimento construído no cotidiano escolar. Seu valor está na capacidade de ampliar possibilidades, facilitar acessos, apoiar processos comunicativos, diversificar materiais e oferecer novas formas de interação com o conhecimento. O recurso mais sofisticado nem sempre será o mais adequado; a escolha precisa considerar a funcionalidade, a acessibilidade, a autonomia e a realidade concreta do estudante e da escola. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 83 . Uma escola verdadeiramente inclusiva também precisa compreender que autonomia não significa realizar tudo sem apoio. Desenvolver autonomia significa ampliar progressivamente a capacidade de participar, escolher, comunicar necessidades, resolver situações, utilizar recursos e tomar decisões dentro das possibilidades de cada pessoa. Os apoios podem ser necessários em diferentes momentos e podem ser modificados conforme o estudante desenvolve novas competências. O objetivo pedagógico não é retirar todo suporte, mas utilizar os apoios de maneira estratégica para favorecer conquistas cada vez mais significativas e ampliar a participação em diferentes contextos. A participação da família e a articulação entre os profissionais da escola também fortalecem esse processo. O conhecimento construído no cotidiano familiar pode contribuir para compreender interesses, formas de comunicação, preferências e estratégias que favorecem o estudante. Quando essas informações dialogam com o planejamento pedagógico, torna-se possível construir uma visão mais ampla do sujeito e estabelecer continuidade entre diferentes espaços de aprendizagem. A inclusão ganha maior consistência quando deixa de ser responsabilidade isolada de um único profissional e passa a constituir compromisso coletivo. Os resultados da reflexão desenvolvida nesta obra permitem compreender que práticas inclusivas não dependem exclusivamente de grandes investimentos tecnológicos ou de estruturas complexas. Muitas transformações podem começar pela maneira como o professor organiza uma atividade, apresenta uma instrução, oferece uma escolha, modifica um material, amplia o tempo, utiliza uma imagem, disponibiliza uma forma alternativa de resposta ou reconhece o interesse do estudante como ponto de partida para uma nova aprendizagem. A inovação pedagógica também está presente na capacidade de transformar recursos disponíveis em oportunidades significativas. O princípio de que autismo não é igual para todos precisa orientar decisões concretas no cotidiano escolar. Não existe uma única estratégia capaz de responder à diversidade presente entre estudantes com TEA. Existem possibilidades que precisam ser observadas, experimentadas, avaliadas e ajustadas. O planejamento inclusivo torna-se mais efetivo quando parte da pessoa real, de suas experiências e de suas possibilidades, em lugar de partir exclusivamente de características gerais atribuídas ao diagnóstico. A perspectiva defendida nesta obra aponta para uma escola que não espera que o estudante se adapte sozinho às estruturas existentes. É a própria instituição que assume o compromisso de revisar suas práticas, identificar barreiras e construir caminhos de participação. Essa mudança representa uma passagem de uma educação centrada na adaptação do estudante para uma educação comprometida com a transformação das condições de aprendizagem. O foco passa a estar nas possibilidades, nas competências, na participação e na construção de ambientes nos quais cada estudante possa avançar. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 84 Conclui-se que a articulação entre DUA, tecnologias assistivas e personalização do ensino pode contribuir para uma educação mais acessível, flexível, participativa e humanizada. Quando associada à formação docente, à avaliação multimodal, ao acompanhamento contínuo, à colaboração entre escola e família e ao reconhecimento da singularidade, essa articulação amplia as possibilidades de aprendizagem e fortalece o desenvolvimento da autonomia. A inclusão deixa de representar apenas uma adaptação realizada depois que a barreira aparece e passa a orientar a própria concepção do processo educativo. A escola verdadeiramente inclusiva é, portanto, aquela que reconhece que existem diferentes maneiras de aprender, comunicar, participar e demonstrar conhecimentos. É uma escola que não reduz o estudante ao diagnóstico, não limita suas possibilidades às dificuldades identificadas e não estabelece um único caminho para todos. É uma escola que observa, escuta, planeja, adapta, registra, avalia e recomeça sempre que necessário. Sob essa perspectiva, cada diferença pode tornar-se uma oportunidade para ampliar as formas de ensinar e aprender. Mais do que oferecer recursos, incluir significa criar possibilidades. Mais do que adaptar atividades, significa transformar caminhos. Mais do que permitir a presença, significa garantir participação. E mais do que buscar que todos aprendam da mesma maneira, significa assegurar que cada estudante tenha condições para aprender de maneira significativa. O compromisso com uma educação inclusiva encontra sua maior expressão quando o estudante com autismo é reconhecido em sua inteireza, respeitado em sua singularidade. Autismo não é igual para todos. Por isso, a educação também não precisa oferecer um único caminho para aprender. Quando a escola reconhece singularidades, remove barreiras, amplia possibilidades e acredita no potencial de cada estudante, transforma diferenças em caminhos de aprendizagem, participação e autonomia. Essa é a essência de uma escola verdadeiramente inclusiva. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Rita Cristina Guimarães de; ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; CABRAL, Gladys Nogueira; SILVA, Francisca Araújo da; CARVALHO, Silvana Nascimento de; ALBUQUERQUE, Ariele Costa. O lúdico e a aprendizagem significativa: a importância do brincar no desenvolvimento infantil. 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Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 86 ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; CABRAL, Gladys Nogueira; VIANA, Fabiane Bandeira; CARVALHO, Gabriel Nascimento de; CARVALHO, Silvana Nascimento de; CARVALHO, Sygride Nascimento de; ISCHKANIAN, Sandro Garabed. Planejamento familiar e autismo: hereditariedade e genética como componente forte, mas de origem multifatorial, idade dos pais e fatores gestacionais que podem influenciar o risco. Coleção ebook CAeP. São Paulo, SP: Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes, 2026. p. 1-33. ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; ISCHKANIAN, Sandro Garabed. Inclusão: ensineme de maneiras diferentes, pois assim sou capaz de aprender. Coleção e-book CAeP. 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A Coleção Artigos Científicos reúne produções acadêmicas dedicadas à circulação, organização e valorização do conhecimento construído por pesquisadores, professores, estudantes, profissionais e colaboradores de diferentes áreas do saber. A coleção nasce com o propósito de ampliar os espaços de divulgação de estudos, reflexões, experiências, análises e proposições que possam contribuir para o desenvolvimento científico, educacional, tecnológico, social e profissional. Cada publicação representa uma oportunidade de registrar ideias, sistematizar conhecimentos e compartilhar diferentes perspectivas sobre questões relevantes para a sociedade contemporânea. Os volumes que integram a coleção apresentam temas diversificados e dialogam com diferentes campos de investigação, contemplando estudos bibliográficos, documentais, qualitativos, exploratórios, descritivos e outras abordagens compatíveis com os objetos analisados. A diversidade temática constitui uma das características fundamentais da coleção, permitindo reunir trabalhos relacionados à educação, inclusão, tecnologias, inteligência artificial, formação profissional, acessibilidade, aprendizagem, desenvolvimento humano, metodologias pedagógicas e outras áreas que integram o movimento permanente de construção do conhecimento. A Coleção Artigos Científicos valoriza a autoria e a responsabilidade intelectual dos pesquisadores, reconhecendo que a produção acadêmica se fortalece quando diferentes experiências, perspectivas e trajetórias encontram espaços para serem registradas e compartilhadas. Os textos publicados constituem expressões do percurso intelectual de seus autores e podem apresentar resultados de pesquisas, revisões de literatura, análises documentais, estudos teóricos, experiências profissionais e propostas de intervenção, respeitando as características e os objetivos de cada trabalho. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 90 A coleção também compreende a publicação científica como instrumento de democratização do conhecimento. A circulação de pesquisas não deve permanecer restrita aos espaços tradicionais de formação acadêmica, pois os conhecimentos produzidos nas universidades, escolas, instituições, grupos de pesquisa e diferentes ambientes profissionais podem contribuir para a compreensão e transformação da realidade. Publicar significa ampliar o alcance dessas ideias, possibilitando que outros pesquisadores, educadores, estudantes e profissionais conheçam, analisem, dialoguem e desenvolvam novas perspectivas a partir das produções apresentadas. Nesse movimento, a coleção incentiva a aproximação entre teoria e prática. Os trabalhos reunidos podem contribuir não apenas para o debate acadêmico, mas também para a reflexão sobre situações concretas encontradas nos diferentes espaços sociais e profissionais. A produção científica ganha maior significado quando consegue estabelecer relações com os desafios da realidade, estimular novas perguntas, propor possibilidades e favorecer processos de transformação fundamentados no conhecimento. Diferentes autores podem apresentar perspectivas distintas sobre determinado fenômeno, utilizar metodologias variadas e construir interpretações próprias a partir de seus objetos de estudo. Essa diversidade não representa fragilidade, mas uma característica essencial da ciência, que avança por meio do diálogo, da investigação, da problematização, da revisão de conhecimentos e da construção contínua de novas possibilidades explicativas. A coleção reconhece, ainda, a importância da formação permanente de pesquisadores e profissionais. A escrita acadêmica, a organização de resultados e a publicação de trabalhos fazem parte de um processo formativo que envolve leitura, investigação, análise crítica, sistematização e comunicação científica. Ao registrar suas produções, os autores contribuem para a memória intelectual de seu campo de atuação e fortalecem a circulação de conhecimentos que poderão ser retomados, questionados, ampliados e aprofundados por outros pesquisadores. Cada volume da Coleção Artigos Científicos possui identidade própria e apresenta uma contribuição específica. Alguns trabalhos concentram-se em questões teóricas; outros aproximam-se de problemas educacionais e sociais; outros exploram tecnologias, metodologias, processos formativos ou experiências profissionais. Essa pluralidade permite que a coleção seja compreendida como um espaço de encontro entre diferentes áreas, sujeitos, conhecimentos e perspectivas. A publicação científica também representa um compromisso com a preservação do conhecimento produzido em determinado contexto histórico. Registrar pesquisas e reflexões significa construir uma memória acadêmica capaz de documentar preocupações, descobertas, desafios e possibilidades de uma época. Nesse sentido, os livros da coleção podem ser AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 91 . compreendidos como registros de trajetórias intelectuais e como instrumentos para futuras consultas, estudos comparativos e continuidade de investigações. A Coleção Artigos Científicos valoriza especialmente produções que apresentem clareza em seus objetivos, coerência entre problema, fundamentação, metodologia e resultados, responsabilidade na utilização das fontes e compromisso com a qualidade da comunicação acadêmica. A publicação não encerra a investigação; ao contrário, representa uma etapa de sua trajetória, colocando o conhecimento produzido em circulação e abrindo possibilidades para novos diálogos, críticas, aprofundamentos e pesquisas. Os volumes também podem constituir importantes instrumentos para estudantes em diferentes etapas da formação acadêmica, professores, pesquisadores e profissionais interessados em ampliar seus conhecimentos. Ao reunir trabalhos diversos em uma mesma coleção, cria-se um acervo que pode favorecer consultas, estudos, discussões acadêmicas e aproximações entre diferentes campos do conhecimento. A proposta da Coleção Artigos Científicos está, portanto, relacionada à construção de uma cultura de publicação, compartilhamento e valorização do conhecimento. Cada artigo, capítulo ou estudo publicado representa uma contribuição singular para um movimento coletivo de produção intelectual. A ciência se fortalece quando o conhecimento é investigado com responsabilidade, organizado com clareza e compartilhado de maneira que possa alcançar novos leitores e gerar novas possibilidades de reflexão. Que cada volume desta coleção possa cumprir essa função: registrar conhecimentos, valorizar autores, estimular pesquisadores, apoiar estudantes, aproximar teoria e prática e contribuir para a construção de uma sociedade na qual o conhecimento científico seja cada vez mais acessível, valorizado e utilizado em benefício da educação, da inovação, da inclusão e do desenvolvimento humano. A Coleção Artigos Científicos representa, portanto, um espaço de autoria, investigação, memória e circulação do conhecimento. Cada publicação é parte de uma trajetória maior, na qual diferentes vozes contribuem para ampliar os horizontes da ciência e fortalecer a produção intelectual contemporânea. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Andy Lima Oliveira Rita Cristina Guimarães de Almeida Débora Campos Cavalcante Giane Demo Erilane de Moraes Franco dos Santos Evelyn Noelia Seixas Sorzano Silvana Nascimento de Carvalho Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 92 INCLUSÃO: IMPASSES PARA EXECUÇÃO, ACOMPANHAMENTO E PRÁTICA DE FORMAÇÃO CONTINUADA NA PERSPECTIVA INCLUSIVA. ISBN: 978-65-977483-3-4 Rosana de Jesus Cedro Mestranda em Docência Univesitária – UTN. Pós-graduação: Gestão do Trabalho Pedagogico. Educação Especial. Neuropsicopedagogia. Educação Inclusiva. Livras. Coordenação Pedagogica. A educação inclusiva constitui uma perspectiva educacional comprometida com a garantia de participação, aprendizagem, comunicação, desenvolvimento e autonomia de estudantes que apresentam diferentes características, necessidades e formas de interação com o conhecimento. Sua efetivação não se limita ao acesso à escola ou à matrícula em classes comuns, pois envolve a reorganização das práticas pedagógicas, dos espaços, dos recursos, das formas de avaliação e das relações estabelecidas no cotidiano escolar. Fernández-Batanero et al. (2022) evidenciam, em revisão sistemática, que as tecnologias assistivas podem contribuir para a inclusão de estudantes com deficiência quando articuladas às necessidades educacionais e às condições pedagógicas concretas. A inclusão, portanto, demanda uma organização escolar capaz de transformar o acesso formal em participação efetiva. No contexto da educação inclusiva, a formação continuada dos profissionais constitui uma dimensão relevante para a construção de respostas pedagógicas compatíveis com a diversidade presente nas salas de aula. Lima Oliveira et al. (2024) discutem a articulação entre educação especial, Atendimento Educacional Especializado, gestão escolar e psicologia institucional, destacando a necessidade de compreender o estudante em sua integralidade. A formação docente não pode ser reduzida à transmissão de conceitos teóricos, pois precisa favorecer a análise das situações concretas encontradas no cotidiano escolar. O professor necessita compreender como adaptar estratégias, recursos, materiais, comunicação e avaliação diante das características individuais dos estudantes. Os impasses para a execução das políticas inclusivas também estão relacionados à distância existente entre aquilo que é estabelecido nos documentos educacionais e aquilo que efetivamente ocorre nas instituições escolares. Corrêa (2026), ao abordar os desafios da inclusão escolar, evidencia a existência de obstáculos que envolvem práticas pedagógicas, organização AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 93 . institucional e condições necessárias para a participação dos estudantes. A presença de legislação ou de orientações institucionais não garante, isoladamente, sua concretização no espaço escolar. É necessário que os diferentes sujeitos envolvidos compreendam suas responsabilidades e disponham de condições para transformar princípios inclusivos em práticas pedagógicas. A formação continuada assume importância ainda maior quando se considera a diversidade dos estudantes que compõem os espaços educacionais. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem uma perspectiva de inclusão que reconheça diferentes maneiras de ensinar e aprender, valorizando estratégias pedagógicas capazes de responder às singularidades dos estudantes. Essa concepção exige que o professor desenvolva capacidade de observação, planejamento, adaptação e acompanhamento. O trabalho pedagógico inclusivo precisa considerar que estudantes submetidos à mesma proposta podem apresentar diferentes formas de compreender, comunicar, participar e demonstrar aquilo que aprenderam. No campo específico do Transtorno do Espectro Autista, os desafios relacionados à inclusão tornam-se particularmente complexos porque o espectro envolve diferentes características e níveis de necessidade de suporte. Almeida et al. (2026a) discutem estratégias fundamentadas em recursos lúdicos, ensino estruturado, Comunicação Alternativa, integração sensorial, ABA, TEACCH e metodologias ativas para estudantes com TEA. A utilização desses recursos não deve ocorrer de maneira automática ou descontextualizada. A seleção de estratégias precisa considerar as características do estudante, os objetivos educacionais, o ambiente e as possibilidades concretas de participação. O acompanhamento constitui outra dimensão indispensável para a efetivação da inclusão. Não basta implementar uma adaptação ou disponibilizar determinado recurso, sendo necessário observar seus efeitos sobre participação, aprendizagem, comunicação, autonomia e interação. Barrera Ciurana e Moliner García (2024), ao analisarem vozes de estudantes autistas no ensino superior, evidenciam a relevância de compreender como os próprios estudantes percebem os recursos e estratégias relacionados ao Desenho Universal para a Aprendizagem. O acompanhamento pedagógico ganha qualidade quando incorpora a experiência do estudante e considera suas necessidades concretas. O Desenho Universal para a Aprendizagem também contribui para ampliar a discussão sobre planejamento inclusivo, uma vez que propõe diferentes formas de apresentação dos conteúdos, participação e demonstração da aprendizagem. Brazão et al. (2023) analisam abordagens relacionadas ao Design Universal no ensino e aprendizagem de crianças autistas, demonstrando a relevância de estratégias que considerem a diversidade desde o planejamento. Essa perspectiva desloca a compreensão de que toda adaptação precisa ser construída somente depois que uma barreira aparece. O planejamento pode antecipar possibilidades de participação e reduzir obstáculos ao processo educativo. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 94 Nesse cenário, investigar os impasses para execução, acompanhamento e formação continuada permite compreender que a inclusão depende de uma articulação entre políticas, gestão, formação profissional, planejamento pedagógico, recursos, acompanhamento e participação dos estudantes. A tecnologia assistiva, por exemplo, pode ampliar possibilidades de acesso e participação, mas Fernández-Batanero et al. (2022) destacam a importância de sua integração às práticas educacionais e às necessidades dos estudantes. A questão central não consiste apenas em disponibilizar recursos, mas em garantir que eles sejam utilizados de maneira pedagogicamente significativa. A perspectiva inclusiva exige continuidade, avaliação e compromisso institucional com a aprendizagem e a autonomia. 2. DESENVOLVIMENTO A execução de práticas inclusivas exige uma concepção de educação que reconheça a diversidade como elemento constitutivo do processo pedagógico. A escola inclusiva precisa organizar condições para que os estudantes participem das atividades e tenham acesso aos conhecimentos trabalhados em sala. Ischkanian e Ischkanian (2026) enfatizam a necessidade de ensinar de maneiras diferentes para possibilitar diferentes formas de aprendizagem. Essa concepção requer planejamento pedagógico flexível e capacidade institucional para reconhecer barreiras que podem impedir a participação. Entre os principais impasses encontra-se a necessidade de transformar conhecimentos adquiridos em processos de formação em ações pedagógicas concretas. Azevedo et al. (2024), ao discutirem gamificação e metodologias ativas na capacitação docente, demonstram a importância de experiências formativas que aproximem o professor de estratégias que possam ser incorporadas ao planejamento. A formação continuada precisa estabelecer relação entre conhecimento teórico e prática profissional. Quando essa articulação não ocorre, existe o risco de a formação permanecer distante das situações enfrentadas diariamente pelos docentes. A formação continuada também precisa acompanhar as transformações tecnológicas que atravessam os espaços educacionais. De Oliveira et al. (2026) discutem a educação profissional e tecnológica diante da inovação, da inteligência artificial e do desenvolvimento de competências para o mundo do trabalho. Embora o uso de tecnologias não constitua solução automática para os desafios inclusivos, ele pode ampliar possibilidades de planejamento, comunicação, acesso à informação e produção de materiais. A formação docente precisa, portanto, contemplar não somente o domínio instrumental das ferramentas, mas também critérios pedagógicos, éticos e inclusivos para sua utilização. A tecnologia assistiva ocupa posição relevante nesse debate porque pode atuar na redução de barreiras relacionadas à comunicação, mobilidade, acesso ao currículo e participação. Marcondes et al. (2024), em revisão sistemática sobre tecnologia assistiva e TEA, discutem seu AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 95 . potencial para o ensino e para a criação de possibilidades educacionais direcionadas às necessidades dos estudantes. O recurso tecnológico, entretanto, precisa estar associado a objetivos educacionais claramente definidos. Sua presença física na escola não garante sua utilização adequada nem assegura, por si só, melhores resultados pedagógicos. O acompanhamento da aprendizagem representa uma condição para identificar se as estratégias utilizadas estão contribuindo efetivamente para a participação do estudante. Vieira et al. (2026a) abordam estratégias pedagógicas e elaboração de materiais inclusivos no contexto do autismo e do letramento. A análise sistemática das respostas do estudante permite ao professor perceber quais recursos facilitam ou dificultam a aprendizagem. O acompanhamento precisa ser contínuo e integrado ao planejamento, evitando que a avaliação seja compreendida apenas como etapa final do processo. A autonomia também precisa ser considerada como dimensão central da prática inclusiva. Klavina et al. (2024), em revisão sistemática sobre tecnologia assistiva para pessoas com TEA e deficiência intelectual, discutem o uso desses recursos na promoção de habilidades práticas. A inclusão não deve limitar-se à participação física do estudante em determinada atividade. É necessário considerar sua capacidade de comunicar necessidades, realizar tarefas, fazer escolhas e utilizar recursos que favoreçam sua independência. A formação continuada precisa preparar o profissional para reconhecer e estimular essas possibilidades. Demo et al. (2026) discutem diferenças relacionadas à conectividade neural em regiões específicas segundo a gravidade do autismo, contribuindo para a compreensão da complexidade neurobiológica do espectro. Esses conhecimentos não devem ser utilizados para determinar previamente aquilo que um estudante pode ou não aprender. Seu valor educacional está em ampliar a compreensão sobre a diversidade do desenvolvimento e reforçar a necessidade de práticas individualizadas. A inclusão, portanto, requer uma estrutura permanente de planejamento, execução, acompanhamento e revisão das práticas. Oliveira et al. (2026) discutem a inteligência artificial como instrumento capaz de apoiar planejamento, inclusão e personalização do ensino, mas preservam a centralidade do professor no processo pedagógico. A formação continuada precisa acompanhar essas transformações sem substituir o julgamento profissional. A prática inclusiva torna-se mais consistente quando combina conhecimento científico, experiência docente, recursos adequados, acompanhamento sistemático e participação dos estudantes. 2.1. IMPASSES PARA A EXECUÇÃO DAS PRÁTICAS INCLUSIVAS A execução das práticas inclusivas enfrenta inicialmente o desafio de transformar princípios educacionais em ações concretas. A existência de uma concepção favorável à inclusão não significa que todos os profissionais disponham dos mesmos conhecimentos, recursos e Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 96 condições para implementá-la. Corrêa (2026) discute desafios e possibilidades da inclusão escolar, evidenciando que a efetivação do processo envolve múltiplas dimensões da organização educacional. A escola necessita construir mecanismos que permitam identificar barreiras e elaborar respostas compatíveis com as necessidades dos estudantes. A heterogeneidade presente nas salas de aula exige que o planejamento pedagógico seja flexível. Estudantes podem apresentar diferentes ritmos, formas de comunicação, interesses, necessidades de suporte e maneiras de demonstrar conhecimento. Ischkanian et al. (2026a), ao discutirem caminhos inclusivos para o letramento e a alfabetização de estudantes com TEA nos níveis de suporte 1, 2 e 3, evidenciam a necessidade de considerar singularidades no desenvolvimento das práticas. A padronização excessiva pode dificultar a participação de estudantes que necessitam de outras formas de acesso ao conteúdo. A execução de estratégias inclusivas também depende da capacidade do professor de selecionar recursos adequados. Fernández-Batanero et al. (2022) identificam, em sua revisão sistemática, a importância das tecnologias assistivas para a inclusão de estudantes com deficiência. A escolha de um recurso precisa considerar sua funcionalidade, acessibilidade, adequação ao objetivo pedagógico e possibilidades de uso no ambiente escolar. A tecnologia deve responder a uma necessidade educacional, e não ser utilizada apenas por representar inovação. No caso do autismo, a execução das práticas requer atenção às diferentes necessidades de suporte. Silva Almeida et al. (2026) apresentam possibilidades envolvendo jogos lúdicos, ensino estruturado e métodos baseados em evidências para o desenvolvimento de competências cognitivas, comunicativas e socioemocionais. A diversidade do espectro impede que uma única estratégia seja aplicada indistintamente a todos os estudantes. O planejamento precisa ser construído a partir da observação e da identificação das necessidades individuais. A Comunicação Alternativa constitui outro recurso que pode ser integrado ao planejamento quando existem barreiras significativas à comunicação oral. Almeida et al. (2026a) discutem sua utilização articulada a estratégias educacionais voltadas aos estudantes com TEA. A comunicação precisa ser compreendida como condição para participação e não somente como instrumento complementar. Quando o estudante encontra meios para expressar escolhas, necessidades e conhecimentos, amplia-se sua possibilidade de participar das atividades pedagógicas. A execução das práticas inclusivas também depende da participação da gestão escolar. Lima Oliveira et al. (2024) discutem a articulação entre diferentes dimensões institucionais na construção de uma alfabetização inclusiva. A gestão pode favorecer momentos de planejamento coletivo, organização de recursos, diálogo entre profissionais e acompanhamento das práticas. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 97 . Sem articulação institucional, muitas ações inclusivas ficam restritas à iniciativa individual de determinados professores, dificultando sua continuidade. A formação continuada precisa responder aos problemas reais encontrados pelos profissionais. Azevedo et al. (2024) discutem estratégias de capacitação docente que envolvem gamificação e metodologias ativas, demonstrando a relevância de experiências formativas articuladas ao desenvolvimento profissional. O professor necessita experimentar, analisar e adaptar estratégias, relacionando os conhecimentos da formação às características de sua turma. A formação torna-se mais significativa quando contribui para a resolução de situações concretas. A execução inclusiva, portanto, não pode ser analisada apenas pela presença de estudantes com deficiência ou outras necessidades educacionais na escola. Ela precisa ser observada pela qualidade das oportunidades de participação, aprendizagem, comunicação e desenvolvimento oferecidas. Ischkanian e Ischkanian (2026) reforçam uma concepção segundo a qual diferentes formas de ensinar podem ampliar as possibilidades de aprendizagem. A efetivação da inclusão depende de uma cultura escolar que reconheça a diversidade e transforme esse reconhecimento em práticas permanentes. 2.2. IMPASSES PARA O ACOMPANHAMENTO DAS PRÁTICAS INCLUSIVAS O acompanhamento constitui uma etapa indispensável para verificar a efetividade das ações pedagógicas inclusivas. Uma prática pode parecer adequada durante o planejamento, mas apresentar dificuldades quando utilizada em uma situação concreta. Por esse motivo, o professor precisa observar continuamente as respostas do estudante. Vieira et al. (2026a) destacam a importância de estratégias e materiais inclusivos que considerem as características dos estudantes. O acompanhamento permite identificar necessidades de modificação e aperfeiçoamento das propostas. A avaliação inclusiva precisa considerar diferentes formas de demonstrar aprendizagem. Estudantes podem apresentar conhecimento por meio da oralidade, escrita, imagens, recursos tecnológicos, comunicação alternativa, produção prática ou outras formas de expressão. Barrera Ciurana e Moliner García (2024), ao analisarem experiências de estudantes autistas no ensino superior, demonstram a importância de ouvir os próprios estudantes sobre as estratégias que favorecem sua aprendizagem. A avaliação precisa reconhecer a diversidade das formas de participação. O acompanhamento também envolve a análise do desenvolvimento da autonomia. Klavina et al. (2024) discutem a utilização de tecnologias assistivas para promover habilidades práticas em pessoas com TEA e deficiência intelectual. O professor pode observar se o recurso utilizado está ampliando a capacidade de realizar determinada atividade com menor dependência Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 98 de ajuda. O objetivo não deve ser simplesmente concluir tarefas, mas favorecer progressivamente a participação autônoma. A documentação pedagógica pode auxiliar nesse acompanhamento porque permite registrar avanços, dificuldades, estratégias utilizadas e mudanças observadas. Ischkanian et al. (2026a) discutem caminhos inclusivos relacionados ao letramento e à alfabetização de estudantes com TEA, reforçando a necessidade de considerar trajetórias individuais de aprendizagem. Registros organizados podem apoiar decisões pedagógicas e facilitar a comunicação entre profissionais. O acompanhamento ganha maior consistência quando não depende exclusivamente da memória do professor. A participação da família também pode contribuir para ampliar a compreensão sobre as necessidades do estudante. Informações sobre formas de comunicação, interesses, rotinas e estratégias que funcionam em diferentes contextos podem auxiliar a escola na elaboração de propostas. O planejamento familiar relacionado ao autismo, discutido por Ischkanian et al. (2026b), evidencia a complexidade do fenômeno e a necessidade de compreender diferentes fatores envolvidos no desenvolvimento. A escola deve preservar seu papel pedagógico e estabelecer diálogo responsável com as demais dimensões da vida do estudante. O acompanhamento precisa considerar também o impacto das barreiras ambientais. Fernández-Batanero et al. (2022) discutem a tecnologia assistiva como possibilidade para reduzir obstáculos relacionados à participação de estudantes com deficiência. Se uma dificuldade desaparece quando determinado recurso é disponibilizado, isso pode indicar que a barreira estava relacionada ao ambiente ou à forma de apresentação da atividade. Essa compreensão desloca a atenção exclusiva das características individuais para a relação entre estudante, tarefa e contexto. As tecnologias digitais ampliam possibilidades de acompanhamento e personalização quando utilizadas com critérios pedagógicos. Oliveira et al. (2026) apresentam a inteligência artificial como possibilidade de apoio ao planejamento, à inclusão e à personalização do ensino. Recursos digitais podem auxiliar na produção de materiais diferenciados e na organização de informações, mas o acompanhamento pedagógico continua dependendo da interpretação profissional. O professor precisa analisar os dados e relacioná-los à realidade concreta do estudante. O acompanhamento inclusivo precisa, portanto, ser contínuo, sistemático e orientado para a tomada de decisões pedagógicas. Vieira et al. (2026b), ao discutirem alfabetização na era digital, evidenciam a interação entre dimensões cognitivas, tecnológicas e pedagógicas na formação de leitores e escritores. O acompanhamento não deve assumir caráter meramente burocrático. Sua finalidade é identificar possibilidades, barreiras, avanços e necessidades de intervenção, contribuindo para que a prática pedagógica permaneça responsiva à diversidade. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 99 . 2.3. FORMAÇÃO CONTINUADA NA PERSPECTIVA INCLUSIVA A formação continuada constitui um processo permanente de desenvolvimento profissional que precisa acompanhar as demandas encontradas no cotidiano escolar. No contexto inclusivo, ela não pode ser limitada à apresentação de conceitos sobre deficiência ou legislação educacional. Lima Oliveira et al. (2024) discutem a articulação entre diferentes áreas na construção de práticas inclusivas, indicando a importância de uma visão integrada. O professor necessita relacionar conhecimento teórico, planejamento e intervenção pedagógica. A formação precisa considerar as características dos estudantes atendidos pela escola. No caso do autismo, por exemplo, conhecer conceitos gerais sobre o espectro é insuficiente para determinar a melhor estratégia para cada estudante. Almeida et al. (2026a) apresentam diferentes possibilidades metodológicas, envolvendo TEACCH, ABA, Comunicação Alternativa, integração sensorial e metodologias ativas. A formação deve desenvolver capacidade de seleção e adaptação das estratégias, evitando aplicações mecânicas. A experiência prática também deve ocupar lugar importante nos processos formativos. Azevedo et al. (2024) discutem metodologias ativas e gamificação na capacitação de professores, mostrando possibilidades de formação mais participativa. O profissional pode analisar casos, construir materiais, experimentar estratégias e refletir sobre resultados. Essa abordagem permite que a formação se aproxime dos problemas concretos da escola. A tecnologia assistiva precisa integrar os processos de formação continuada porque muitos recursos dependem de conhecimentos específicos para sua utilização. FernándezBatanero et al. (2022) analisam diferentes contribuições das tecnologias assistivas para a inclusão de estudantes com deficiência. O professor precisa compreender não apenas como utilizar uma ferramenta, mas por que utilizá-la, para quem, em qual situação e com qual finalidade. A competência tecnológica precisa estar subordinada aos objetivos educacionais. A inteligência artificial também passa a compor o repertório de formação profissional. Oliveira et al. (2026) discutem possibilidades de uso da IA no planejamento, na inclusão e na personalização do ensino. Silva Oliveira et al. (2026a) também analisam possibilidades e limites da inteligência artificial em relação à aprendizagem e à autonomia dos estudantes. A formação docente precisa incorporar discussões sobre privacidade, autoria, responsabilidade, qualidade das informações e uso ético das tecnologias. A formação continuada precisa considerar também os processos de alfabetização e letramento em contextos inclusivos. Ischkanian et al. (2026a) discutem caminhos inclusivos para estudantes com TEA nos diferentes níveis de suporte. Vieira et al. (2026a) abordam estratégias pedagógicas e materiais inclusivos relacionados ao autismo e ao letramento. Esses estudos reforçam a importância de preparar o professor para elaborar recursos e atividades que possibilitem diferentes formas de acesso à linguagem e ao conhecimento. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 100 A formação institucional precisa ser acompanhada por espaços de colaboração entre os profissionais. A inclusão envolve professores da sala comum, profissionais do Atendimento Educacional Especializado, gestão, família e outros participantes do processo educativo. Lima Oliveira et al. (2024) enfatizam a articulação entre diferentes dimensões institucionais. A troca de experiências permite ampliar o repertório de estratégias e reduzir a responsabilização isolada de um único profissional. A formação continuada, nesse sentido, precisa ser compreendida como processo articulado ao acompanhamento da prática. O professor aprende quando estuda, aplica, observa, avalia e reformula sua intervenção. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem a valorização de diferentes maneiras de ensinar e aprender, o que exige uma postura profissional aberta à revisão das práticas. Uma formação inclusiva consistente não termina com o certificado de participação, pois continua no cotidiano da escola. 2.4. DESAFIOS DA ARTICULAÇÃO ENTRE TEORIA, PRÁTICA E ACOMPANHAMENTO A distância entre teoria e prática representa um dos desafios recorrentes da formação profissional. Conhecer conceitos relacionados à inclusão não garante que o professor consiga aplicá-los em situações complexas. Corrêa (2026) discute desafios e possibilidades da inclusão escolar, evidenciando que a efetivação depende da articulação entre diferentes componentes do trabalho educativo. A formação precisa criar condições para que o conhecimento teórico seja analisado à luz das situações concretas. A articulação entre teoria e prática exige planejamento. O professor precisa definir objetivos, selecionar estratégias, antecipar barreiras e estabelecer formas de acompanhamento. Ischkanian e Ischkanian (2026) apresentam uma concepção inclusiva baseada na necessidade de ensinar de diferentes maneiras. Essa perspectiva demanda planejamento capaz de prever alternativas para estudantes que não respondem adequadamente a uma única forma de apresentação do conteúdo. As metodologias ativas podem contribuir para aproximar formação e prática profissional. Azevedo et al. (2024) discutem a utilização de estratégias como gamificação em processos de capacitação docente. A experiência formativa pode reproduzir situações que o professor encontrará no cotidiano escolar, permitindo que ele desenvolva competências de planejamento e adaptação. O conhecimento produzido durante a formação precisa ser transferível para a realidade institucional. A articulação também depende da integração entre recursos e objetivos pedagógicos. Marcondes et al. (2024) discutem o potencial da tecnologia assistiva no ensino de estudantes com TEA. O professor precisa compreender que uma ferramenta somente possui significado AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 101 . educacional quando responde a uma necessidade identificada. O recurso deve ser avaliado a partir de sua contribuição para a participação e aprendizagem, e não apenas por suas características tecnológicas. A personalização do ensino representa outro campo de articulação entre teoria e prática. Lima Oliveira et al. (2026) discutem tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada como possibilidades para ampliar participação e autonomia. A personalização não significa elaborar uma atividade completamente isolada para cada estudante em todas as situações. Ela envolve ajustar recursos, estratégias, formas de comunicação e níveis de apoio de acordo com as necessidades identificadas. A avaliação precisa acompanhar esse processo. Vieira et al. (2026b) discutem desafios cognitivos, tecnológicos e pedagógicos relacionados à formação de leitores e escritores na era digital. O professor precisa observar se determinada adaptação realmente está favorecendo a aprendizagem. Caso o recurso não produza o efeito esperado, o planejamento precisa ser revisto. O acompanhamento transforma a prática inclusiva em processo dinâmico. A interdisciplinaridade também contribui para aproximar diferentes conhecimentos. Lima Oliveira et al. (2024) discutem a integração entre educação especial, AEE, gestão escolar e psicologia institucional. Cada área pode contribuir com perspectivas específicas, sem substituir a função pedagógica da escola. O diálogo interdisciplinar favorece uma compreensão mais ampla das barreiras que interferem na participação do estudante. A articulação entre teoria, prática e acompanhamento exige uma cultura institucional de reflexão permanente. Oliveira et al. (2026) demonstram que mesmo recursos avançados, como a inteligência artificial, precisam ser utilizados sob orientação pedagógica. A formação continuada torna-se efetiva quando ajuda o professor a analisar sua prática, reconhecer limites, experimentar alternativas e acompanhar os resultados. A inclusão se fortalece quando o conhecimento deixa de ser apenas conteúdo formativo e passa a orientar decisões pedagógicas concretas. 2.5. RECURSOS, TECNOLOGIAS E ESTRATÉGIAS PARA A PRÁTICA INCLUSIVA Os recursos pedagógicos desempenham função importante na criação de oportunidades de participação. Materiais visuais, recursos concretos, tecnologias digitais, sistemas de comunicação e ferramentas de acessibilidade podem reduzir barreiras encontradas pelos estudantes. Fernández-Batanero et al. (2022) analisam o papel das tecnologias assistivas na inclusão de estudantes com deficiência. A escolha do recurso precisa partir da identificação da necessidade educacional e da análise de sua funcionalidade. No autismo, recursos estruturados podem favorecer previsibilidade, organização e participação. Almeida et al. (2026a) discutem estratégias envolvendo TEACCH, ABA, Comunicação Alternativa, integração sensorial e metodologias ativas. Esses recursos apresentam Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 102 diferentes finalidades e não devem ser tratados como instrumentos equivalentes. A seleção precisa considerar o objetivo pedagógico e as características individuais do estudante. Os jogos lúdicos também podem integrar práticas inclusivas quando utilizados com intencionalidade pedagógica. Almeida et al. (2025) discutem a relação entre ludicidade e aprendizagem significativa no desenvolvimento infantil. A atividade lúdica pode favorecer interação, exploração, comunicação e construção de conhecimentos quando planejada de acordo com objetivos definidos. O caráter inclusivo da atividade depende da possibilidade de participação efetiva do estudante. A gamificação constitui outra possibilidade metodológica relacionada à formação e às práticas pedagógicas. Azevedo et al. (2024) discutem sua aplicação na capacitação de professores para a BNCC de Computação. Elementos de jogos podem ser utilizados para organizar desafios, feedback e participação, desde que sejam adequados às características da turma. A estratégia não deve ser utilizada apenas como recurso motivacional, mas articulada aos objetivos de aprendizagem. A tecnologia assistiva também pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades práticas. Klavina et al. (2024) analisam sua utilização com pessoas com TEA e deficiência intelectual, destacando possibilidades relacionadas a competências funcionais. O uso educacional desses recursos pode favorecer independência em determinadas atividades. A escola precisa acompanhar se a ferramenta realmente amplia a participação ou cria uma dependência desnecessária. Os recursos digitais também podem apoiar processos de alfabetização e letramento. Vieira et al. (2026a) discutem materiais inclusivos para estudantes com autismo, enquanto Vieira et al. (2026b) abordam desafios cognitivos, tecnológicos e pedagógicos da alfabetização na era digital. A tecnologia pode oferecer diferentes modalidades de apresentação de informações, mas sua utilização precisa estar subordinada às necessidades do estudante. O recurso digital não substitui a mediação pedagógica. A inteligência artificial introduz novas possibilidades de personalização, produção de materiais e apoio ao planejamento. Oliveira et al. (2026) discutem a utilização da IA como apoio ao trabalho docente, enquanto Silva Oliveira et al. (2026a) analisam possibilidades e limites relacionados à aprendizagem e autonomia. O professor permanece responsável por avaliar a pertinência das informações e dos materiais produzidos. A utilização ética e crítica da tecnologia constitui parte da competência profissional contemporânea. Os recursos inclusivos precisam ser integrados a uma estratégia pedagógica mais ampla. Lima Oliveira et al. (2026) discutem a articulação entre tecnologias assistivas, aprendizagem personalizada, participação e autonomia. A inclusão não acontece porque uma ferramenta está disponível, mas porque existe uma organização pedagógica capaz de utilizá-la para reduzir AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 103 . barreiras. Recursos, formação, planejamento e acompanhamento precisam funcionar de maneira articulada para produzir condições educacionais mais acessíveis. 3. OBJETIVOS 3.1. Objetivo geral Analisar os principais impasses relacionados à execução, ao acompanhamento das práticas inclusivas e à formação continuada de profissionais da educação, considerando estratégias pedagógicas, tecnologias assistivas, recursos digitais e processos de personalização do ensino na perspectiva da participação e da autonomia dos estudantes. 3.2. Objetivos específicos Identificar os principais desafios encontrados na execução de práticas pedagógicas inclusivas e na organização institucional das escolas. Analisar a importância do acompanhamento sistemático das estratégias inclusivas, considerando participação, aprendizagem, comunicação e autonomia dos estudantes. Discutir a contribuição da formação continuada, das tecnologias assistivas, dos recursos digitais e das metodologias inclusivas para o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais acessíveis. 4. MATERIAIS E MÉTODOS A pesquisa foi desenvolvida por meio de abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, com caráter exploratório e descritivo. A escolha dessa abordagem está relacionada ao objetivo de compreender os impasses associados à execução, ao acompanhamento e à formação continuada na perspectiva inclusiva. O estudo não buscou produzir mensuração estatística dos fenômenos analisados, mas interpretar contribuições presentes na produção acadêmica e documental selecionada. O levantamento bibliográfico contemplou obras relacionadas à educação inclusiva, formação docente, autismo, tecnologias assistivas, aprendizagem personalizada, alfabetização, letramento, metodologias ativas e inteligência artificial. Fernández-Batanero et al. (2022) constituíram referência para a compreensão das tecnologias assistivas no processo inclusivo. A literatura selecionada permitiu estabelecer relações entre recursos, práticas pedagógicas e barreiras educacionais. Também foram consideradas produções voltadas especificamente à inclusão de estudantes com TEA. Almeida et al. (2026a), Silva Almeida et al. (2026), Vieira et al. (2026a) e Ischkanian et al. (2026a) contribuíram para a análise de estratégias pedagógicas, materiais Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 104 inclusivos, jogos, ensino estruturado, letramento e desenvolvimento de competências. A seleção dessas obras permitiu observar diferentes possibilidades de intervenção pedagógica. A pesquisa também incorporou estudos relacionados ao Desenho Universal para a Aprendizagem e ao Design Universal. Brazão et al. (2023) discutem abordagens do Design Universal no ensino de crianças autistas, enquanto Barrera Ciurana e Moliner García (2024) analisam experiências de estudantes autistas no ensino superior. Essas referências contribuíram para compreender a importância de organizar experiências educacionais considerando diferentes formas de participação e aprendizagem. Foram incluídas produções sobre tecnologias assistivas e recursos digitais. Marcondes et al. (2024) abordam a tecnologia assistiva e o TEA, enquanto Klavina et al. (2024) analisam sua utilização para habilidades práticas. Lima Oliveira et al. (2026) contribuíram para a discussão sobre aprendizagem personalizada e autonomia. Essas produções foram utilizadas para estabelecer relações entre recursos tecnológicos e redução de barreiras. A pesquisa também considerou estudos e obras relacionadas à inteligência artificial na educação. Oliveira et al. (2026) discutem a IA como apoio ao planejamento, inclusão e personalização, enquanto Silva Oliveira et al. (2026a) analisam suas possibilidades e limites na aprendizagem e autonomia. De Oliveira et al. (2026) ampliam a discussão para o contexto da educação profissional e tecnológica. A análise considerou a tecnologia como instrumento pedagógico que requer mediação profissional. O procedimento analítico foi organizado a partir de categorias relacionadas aos objetivos da pesquisa: execução das práticas inclusivas, acompanhamento pedagógico, formação continuada, tecnologias assistivas, recursos digitais, personalização e autonomia. Os conteúdos selecionados foram lidos e relacionados às categorias temáticas. A análise buscou identificar convergências, contribuições e desafios presentes nas produções consultadas. O percurso metodológico permitiu organizar uma compreensão integrada dos impasses investigados. As informações foram interpretadas considerando a relação entre formação profissional, planejamento, execução, acompanhamento e revisão das práticas. O método adotado possibilitou construir uma discussão fundamentada na literatura selecionada, sem pretensão de generalizar os resultados para todas as instituições educacionais. 5. RESULTADOS Os resultados da pesquisa indicam que a execução das práticas inclusivas depende de múltiplas condições que ultrapassam a presença física do estudante na escola. A análise das referências demonstrou a necessidade de articular planejamento, formação profissional, recursos, acompanhamento e organização institucional. Corrêa (2026) discute desafios relacionados à inclusão escolar, contribuindo para compreender que a efetivação da perspectiva inclusiva AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 105 . depende de ações articuladas. O primeiro objetivo específico foi alcançado pela identificação desses diferentes fatores. A análise também demonstrou que as estratégias pedagógicas precisam considerar as singularidades dos estudantes. Ischkanian et al. (2026a) discutem caminhos inclusivos para o letramento e a alfabetização de estudantes com TEA nos níveis de suporte 1, 2 e 3, enquanto Silva Almeida et al. (2026) apresentam estratégias envolvendo jogos, ensino estruturado e métodos baseados em evidências. Esses estudos contribuíram para reconhecer a necessidade de práticas flexíveis e contextualizadas. A execução inclusiva requer capacidade de adaptação. Em relação ao segundo objetivo específico, os resultados evidenciaram a importância do acompanhamento sistemático. Vieira et al. (2026a) apresentam estratégias pedagógicas e materiais inclusivos que podem ser analisados a partir das respostas dos estudantes. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) reforçam a relevância de considerar a perspectiva dos próprios estudantes em relação às estratégias utilizadas. O acompanhamento permite verificar se determinada intervenção está favorecendo participação e aprendizagem. Os resultados também evidenciaram a importância da autonomia como dimensão do processo inclusivo. Klavina et al. (2024) discutem o uso de tecnologias assistivas para promoção de habilidades práticas em pessoas com TEA e deficiência intelectual. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam tecnologias assistivas, aprendizagem personalizada, participação e autonomia. A análise permitiu compreender que o acompanhamento precisa considerar não apenas a realização de atividades, mas também o nível de independência alcançado. O terceiro objetivo específico foi alcançado pela análise da formação continuada e de sua relação com as práticas pedagógicas. Azevedo et al. (2024) discutem metodologias ativas e gamificação na capacitação de professores, enquanto Lima Oliveira et al. (2024) abordam a articulação entre educação especial, AEE, gestão escolar e psicologia institucional. As referências demonstram a importância de uma formação que esteja relacionada às situações concretas do trabalho docente. Os resultados também apontaram que as tecnologias assistivas e os recursos digitais podem ampliar possibilidades de participação, desde que utilizados de maneira planejada. Fernández-Batanero et al. (2022) discutem a contribuição das tecnologias assistivas para a inclusão, enquanto Marcondes et al. (2024) analisam seu potencial no ensino de estudantes com TEA. A tecnologia aparece, portanto, como recurso que precisa ser associado a objetivos educacionais e às necessidades dos estudantes. A análise da inteligência artificial acrescentou uma dimensão contemporânea à pesquisa. Oliveira et al. (2026) discutem possibilidades de apoio ao planejamento, inclusão e personalização, enquanto Silva Oliveira et al. (2026a) abordam possibilidades e limites da IA na aprendizagem e autonomia. Os resultados indicam a necessidade de formação docente para Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 106 utilização crítica e responsável dessas ferramentas. A tecnologia pode apoiar o trabalho profissional, mas não elimina a necessidade de mediação pedagógica. O percurso de pesquisa permitiu alcançar o objetivo geral ao integrar os principais impasses relacionados à execução, acompanhamento e formação continuada. A literatura analisada aponta que a inclusão exige continuidade, planejamento, adaptação, acompanhamento e desenvolvimento profissional permanente. Os resultados não indicam uma estratégia única capaz de responder a todas as situações. O processo inclusivo precisa permanecer aberto à avaliação e à reformulação de acordo com as necessidades dos estudantes. 6. CONCLUSÃO A análise desenvolvida permitiu compreender que a inclusão educacional constitui um processo contínuo que envolve planejamento, execução, acompanhamento e formação profissional. Os impasses identificados não estão concentrados em uma única dimensão da escola, pois envolvem práticas pedagógicas, organização institucional, recursos, formação e avaliação. Corrêa (2026) contribui para essa compreensão ao abordar desafios, caminhos e possibilidades relacionados à inclusão escolar. A efetivação da perspectiva inclusiva exige ações articuladas e permanentes. A execução das práticas inclusivas depende da capacidade de reconhecer diferentes formas de aprender, comunicar e participar. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem a necessidade de ensinar de maneiras diferentes para ampliar possibilidades de aprendizagem. Essa concepção exige que o professor abandone a déia de uma única metodologia aplicável indistintamente a todos. A flexibilidade pedagógica torna-se condição para responder à diversidade. O acompanhamento demonstrou ser indispensável para verificar a efetividade das estratégias utilizadas. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) evidenciam a relevância de considerar as experiências dos próprios estudantes na análise das práticas educacionais. O acompanhamento precisa observar aprendizagem, participação, comunicação e autonomia. A avaliação contínua permite identificar barreiras e reorganizar o planejamento quando necessário. As tecnologias assistivas constituem recursos importantes para a construção de ambientes educacionais mais acessíveis. Fernández-Batanero et al. (2022) analisam sua contribuição para a inclusão de estudantes com deficiência, enquanto Klavina et al. (2024) discutem sua utilização no desenvolvimento de habilidades práticas em pessoas com TEA e deficiência intelectual. Esses recursos precisam ser escolhidos a partir de necessidades identificadas e objetivos educacionais definidos. Sua utilização precisa estar vinculada à promoção da participação e da autonomia. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 107 . A formação continuada representa uma condição fundamental para sustentar as práticas inclusivas. Azevedo et al. (2024) demonstram possibilidades de capacitação docente mediante metodologias ativas e gamificação, enquanto Lima Oliveira et al. (2024) destacam a importância da articulação entre diferentes dimensões da educação inclusiva. A formação precisa manter relação com os problemas concretos encontrados pelos profissionais. O desenvolvimento profissional deve ser permanente e associado à reflexão sobre a prática. Os recursos digitais e a inteligência artificial acrescentam novas possibilidades ao trabalho docente, mas também exigem critérios de utilização. Oliveira et al. (2026) discutem a IA como apoio ao planejamento, à inclusão e à personalização do ensino, enquanto Silva Oliveira et al. (2026ª) abordam suas possibilidades e limites. O uso dessas tecnologias precisa preservar a autonomia profissional, a responsabilidade pedagógica e a atenção às necessidades dos estudantes. A pesquisa também evidencia que a inclusão não pode ser reduzida à disponibilização de recursos ou à adoção de metodologias específicas. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada à ampliação da participação e da autonomia. O recurso adquire significado quando integrado ao planejamento, à mediação pedagógica e ao acompanhamento. A qualidade da inclusão depende da articulação entre diferentes elementos do processo educacional. Conclui-se que a superação dos impasses relacionados à execução, ao acompanhamento e à formação continuada requer uma cultura institucional de aprendizagem permanente. A escola precisa criar condições para que os profissionais estudem, planejem, experimentem, acompanhem resultados e reformulem suas práticas. A perspectiva inclusiva não se concretiza por meio de uma ação isolada, mas pela continuidade de processos que reconheçam a diversidade e promovam participação, aprendizagem, comunicação e autonomia. O fortalecimento da formação continuada constitui, nesse cenário, uma das condições para transformar princípios inclusivos em práticas pedagógicas efetivamente acessíveis. REFERENCIA CEDRO, Rosana de Jesus. Inclusão: impasses para execução, acompanhamento e prática de formação continuada na perspectiva inclusiva. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Autismo não é igual para todos: o papel do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), das tecnologias assistivas e da personalização do ensino na construção de escolas verdadeiramente inclusivas. São Paulo, SP: Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes; Câmara Brasileira do Livro, 2026. ISBN 978-65-977483-3-4. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 108 EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO ENSINO SUPERIOR: DESAFIOS DA DOCÊNCIA UNIVERSITÁRIA PARA GARANTIR ACESSIBILIDADE, PARTICIPAÇÃO E APRENDIZAGEM. ISBN: 978-65-977483-3-4 Rosana de Jesus Cedro Mestranda em Docência Univesitária – UTN. Pós-graduação: Gestão do Trabalho Pedagogico. Educação Especial. Neuropsicopedagogia. Educação Inclusiva. Livras. Coordenação Pedagogica. 1. INTRODUÇÃO A educação inclusiva no ensino superior representa um compromisso com a garantia de acesso, permanência, participação, aprendizagem e desenvolvimento acadêmico de estudantes com diferentes características e necessidades educacionais. A presença desses estudantes nas universidades amplia a responsabilidade institucional de organizar condições pedagógicas, comunicacionais, tecnológicas e arquitetônicas que reduzam barreiras à aprendizagem. Fernández-Batanero et al. (2022), ao analisarem sistematicamente o uso de tecnologias assistivas para inclusão de estudantes com deficiência, evidenciam que esses recursos podem favorecer o acesso e a participação quando articulados às necessidades concretas dos estudantes. A inclusão universitária, portanto, ultrapassa a matrícula e envolve a qualidade das experiências acadêmicas oferecidas. A docência universitária ocupa posição central nesse processo porque o professor participa diretamente da organização das experiências de ensino, aprendizagem e avaliação. A atuação docente precisa considerar que estudantes podem apresentar diferentes formas de comunicação, interação, processamento das informações e demonstração dos conhecimentos construídos. Barrera Ciurana e Moliner García (2024), ao investigarem as percepções de estudantes com transtorno do espectro autista no ensino superior sobre o Desenho Universal para a Aprendizagem, evidenciam a relevância de considerar as experiências dos próprios estudantes. A escuta acadêmica contribui para que as estratégias pedagógicas sejam construídas com maior atenção às barreiras efetivamente vivenciadas. A acessibilidade pedagógica constitui uma dimensão essencial da inclusão universitária. Ela envolve a organização de conteúdos, metodologias, atividades, materiais e avaliações de maneira que diferentes estudantes possam acessar e demonstrar seus conhecimentos. Lima Oliveira et al. (2026) discutem tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada como possibilidades para ampliar participação e autonomia de estudantes com deficiência. A AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 109 . personalização não significa reduzir a exigência acadêmica, mas criar condições para que o estudante tenha meios adequados de acessar os conteúdos e demonstrar sua aprendizagem. O Desenho Universal para a Aprendizagem apresenta contribuições importantes para pensar o planejamento docente em contextos universitários. Embora diferentes estratégias possam ser utilizadas para responder às necessidades individuais, a antecipação de barreiras durante o planejamento permite ampliar as possibilidades de participação. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) mostram que estudantes autistas no ensino superior podem apresentar percepções específicas sobre as formas pelas quais as estratégias de ensino favorecem sua aprendizagem. O planejamento universitário precisa, portanto, considerar diferentes formas de apresentação das informações, participação nas atividades e expressão dos conhecimentos. A inclusão também exige compreender que as tecnologias assistivas não devem ser tratadas como instrumentos isolados. Fernández-Batanero et al. (2022) identificam diferentes possibilidades de utilização dessas tecnologias no processo educacional, ressaltando sua relação com a inclusão de estudantes com deficiência. A escolha de um recurso precisa considerar o objetivo pedagógico, as características do estudante e as condições concretas de utilização. Uma tecnologia disponível no ambiente universitário não produz acessibilidade automaticamente, pois sua contribuição depende da forma como é integrada à prática docente. As metodologias ativas constituem outra possibilidade para ampliar a participação dos estudantes. Azevedo et al. (2024), ao discutirem gamificação e metodologias ativas na formação de professores, apresentam estratégias que podem favorecer experiências de aprendizagem mais participativas. No ensino superior, atividades colaborativas, resolução de problemas, projetos, estudos de caso e recursos digitais podem ampliar as formas de envolvimento acadêmico. Para que sejam inclusivas, essas metodologias precisam prever alternativas de participação compatíveis com diferentes necessidades. A formação docente é igualmente necessária para que os princípios da inclusão sejam traduzidos em práticas acadêmicas. Lima Oliveira et al. (2024) discutem a articulação entre educação especial, Atendimento Educacional Especializado, gestão escolar e psicologia institucional, contribuindo para uma compreensão integrada do processo inclusivo. Embora o contexto universitário apresente características próprias, a necessidade de articulação entre diferentes profissionais permanece relevante. A docência inclusiva depende de conhecimentos pedagógicos, compreensão das barreiras e disposição institucional para construir respostas adequadas. Nesse contexto, discutir os desafios da docência universitária significa analisar as condições necessárias para que acessibilidade, participação e aprendizagem estejam articuladas. A inclusão precisa ser compreendida como processo institucional e pedagógico, envolvendo docentes, gestores, profissionais de apoio e os próprios estudantes. Ischkanian e Ischkanian Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 110 (2026) defendem a importância de ensinar de diferentes maneiras para ampliar as possibilidades de aprendizagem, princípio que pode ser relacionado ao contexto universitário. O ensino superior inclusivo exige planejamento, flexibilidade, acompanhamento e compromisso permanente com a participação acadêmica. 2. DESENVOLVIMENTO A inclusão no ensino superior exige uma mudança na compreensão tradicional da docência, especialmente quando as práticas acadêmicas foram historicamente organizadas segundo padrões relativamente uniformes de ensino e avaliação. A diversidade dos estudantes demanda maior flexibilidade na organização das experiências acadêmicas. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) mostram, a partir das vozes de estudantes autistas, que diferentes formas de organização do ensino podem interferir na experiência de aprendizagem. A universidade precisa reconhecer que acessibilidade e qualidade acadêmica podem ser trabalhadas de maneira articulada. Um dos desafios está relacionado à preparação dos docentes para lidar com diferentes necessidades educacionais. A formação profissional nem sempre contempla conhecimentos suficientes sobre deficiência, acessibilidade, tecnologias assistivas, comunicação acessível e estratégias pedagógicas diversificadas. Fernández-Batanero et al. (2022) demonstram a relevância das tecnologias assistivas para inclusão, o que também evidencia a necessidade de conhecimento profissional para sua utilização. O domínio de ferramentas precisa estar associado à compreensão das barreiras que elas podem ajudar a reduzir. A organização dos materiais didáticos constitui outro elemento importante. Textos, apresentações, vídeos, atividades e plataformas digitais podem apresentar barreiras quando não consideram diferentes formas de acesso às informações. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada à ampliação da participação e da autonomia. A produção de materiais acessíveis precisa ser incorporada ao planejamento docente e não tratada como procedimento excepcional. A avaliação universitária também precisa ser analisada sob a perspectiva inclusiva. Provas exclusivamente escritas ou atividades baseadas em uma única forma de expressão podem criar barreiras para determinados estudantes. Ischkanian et al. (2026a), ao discutirem caminhos inclusivos para o letramento e a alfabetização de estudantes com TEA, demonstram a importância de considerar diferentes formas de acesso e expressão no processo educacional. No ensino superior, a avaliação deve manter os objetivos acadêmicos definidos, mas pode utilizar estratégias compatíveis com as necessidades de acessibilidade. As tecnologias digitais ampliam as possibilidades de planejamento e personalização do ensino, principalmente quando utilizadas de maneira intencional. Oliveira et al. (2026) discutem AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 111 . a inteligência artificial como instrumento de apoio ao planejamento, à inclusão e à personalização das práticas pedagógicas. A utilização desses recursos pode auxiliar na produção de materiais diferenciados, organização de conteúdos e elaboração de alternativas didáticas. O professor continua responsável pela análise da qualidade e pertinência das informações utilizadas no processo acadêmico. A inteligência artificial também apresenta desafios relacionados à autonomia, ética e responsabilidade docente. Silva Oliveira et al. (2026a) discutem possibilidades e limites da inteligência artificial na educação, destacando sua relação com aprendizagem e autonomia dos estudantes. No ensino superior, o uso dessas ferramentas precisa considerar autoria, privacidade, qualidade das informações e desenvolvimento da capacidade crítica. A tecnologia deve apoiar o processo de aprendizagem sem substituir a construção intelectual do estudante. As metodologias ativas podem contribuir para ampliar as oportunidades de participação, desde que sejam planejadas considerando diferentes formas de envolvimento. Azevedo et al. (2024) discutem metodologias ativas e gamificação como recursos para processos formativos, oferecendo elementos que podem ser adaptados ao contexto universitário. Estratégias baseadas em projetos, resolução de problemas, produção colaborativa e estudos de caso podem ampliar as possibilidades de participação acadêmica. O planejamento precisa prever alternativas para estudantes que enfrentem barreiras de comunicação, mobilidade ou processamento das informações. A construção de uma universidade inclusiva depende, portanto, de uma articulação entre políticas institucionais, formação docente, acessibilidade, recursos tecnológicos, acompanhamento e participação estudantil. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) reforçam a importância de considerar as experiências dos estudantes autistas para compreender como determinadas práticas favorecem ou dificultam a aprendizagem. A inclusão não pode ser construída apenas a partir da perspectiva institucional. Ela precisa incorporar as experiências daqueles que vivenciam diretamente as barreiras acadêmicas. 2.1. ACESSIBILIDADE PEDAGÓGICA E DOCÊNCIA UNIVERSITÁRIA A acessibilidade pedagógica envolve a criação de condições para que os estudantes tenham acesso aos conteúdos, às atividades e aos processos avaliativos. No ensino superior, essa dimensão exige atenção às metodologias utilizadas, aos materiais disponibilizados e às formas de interação entre professores e estudantes. Fernández-Batanero et al. (2022) destacam a contribuição das tecnologias assistivas para reduzir barreiras educacionais. A acessibilidade pedagógica precisa estar incorporada ao planejamento desde o início do processo. A organização das aulas pode utilizar diferentes formas de apresentação das informações. Textos, imagens, vídeos, recursos sonoros, mapas conceituais e ferramentas digitais Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 112 podem ampliar as possibilidades de acesso aos conteúdos. Brazão et al. (2023), ao analisarem abordagens do Design Universal, evidenciam a relevância de pensar o ensino considerando diferentes formas de participação e aprendizagem. No ensino superior, essa perspectiva pode contribuir para ampliar a acessibilidade das experiências acadêmicas. A comunicação constitui componente fundamental da acessibilidade. Estudantes podem apresentar diferentes necessidades relacionadas à comunicação oral, escrita ou interação social. Almeida et al. (2026a) discutem a Comunicação Alternativa como um dos recursos utilizados no trabalho educacional com estudantes com TEA. Embora o contexto de aplicação possa variar, o princípio da ampliação das possibilidades comunicativas permanece relevante para práticas universitárias inclusivas. Os materiais acadêmicos também precisam considerar aspectos de acessibilidade digital. Plataformas, documentos, apresentações e conteúdos disponibilizados virtualmente devem permitir que diferentes estudantes tenham acesso às informações. Lima Oliveira et al. (2026) apresentam as tecnologias assistivas como possibilidades de ampliação da participação e autonomia. A escolha das ferramentas precisa considerar sua funcionalidade e sua compatibilidade com as necessidades dos estudantes. A avaliação acessível requer equilíbrio entre manutenção dos objetivos acadêmicos e adequação dos meios utilizados para demonstrar aprendizagem. O estudante precisa ser avaliado em relação às competências e conhecimentos definidos para a disciplina, sem que uma barreira de acesso impeça a demonstração de sua aprendizagem. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem a utilização de diferentes formas de ensinar e aprender, princípio que pode orientar a diversificação das práticas avaliativas. A flexibilização deve preservar a finalidade acadêmica da avaliação. A acessibilidade também depende da formação dos professores. Azevedo et al. (2024) discutem processos de capacitação docente relacionados a metodologias ativas, mostrando a importância de desenvolver competências para utilização de diferentes estratégias. No contexto universitário, a formação pode abordar acessibilidade, tecnologias assistivas, Desenho Universal para a Aprendizagem e estratégias de avaliação. O desenvolvimento profissional precisa estar relacionado aos desafios concretos enfrentados pelos docentes. A participação do estudante constitui indicador importante da acessibilidade pedagógica. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) demonstram a relevância de ouvir estudantes autistas sobre suas experiências com o ensino superior e o Desenho Universal para a Aprendizagem. A percepção dos estudantes pode contribuir para identificar barreiras que não são imediatamente percebidas pelos professores. A escuta acadêmica deve fazer parte do processo de avaliação das práticas inclusivas. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 113 . A acessibilidade pedagógica, portanto, não representa redução das exigências acadêmicas. Ela corresponde à criação de condições para que diferentes estudantes possam acessar os mesmos objetivos de aprendizagem por meios adequados às suas necessidades. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam acessibilidade, personalização, participação e autonomia, reforçando a necessidade de integrar esses elementos ao planejamento. A docência universitária inclusiva precisa conciliar rigor acadêmico com condições efetivas de participação. 2.2. PARTICIPAÇÃO E PERMANÊNCIA DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR A participação acadêmica representa uma dimensão essencial da inclusão porque estar matriculado em uma instituição não significa necessariamente participar de maneira plena das atividades universitárias. O estudante pode frequentar aulas e, ainda assim, enfrentar barreiras relacionadas à comunicação, materiais, avaliações, interação ou acesso às tecnologias. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) mostram a importância de compreender as experiências de estudantes autistas no ensino superior. A permanência precisa ser acompanhada pela qualidade da participação. A participação pode ser favorecida pela diversificação das estratégias pedagógicas. Atividades individuais, colaborativas, práticas, digitais e baseadas em projetos podem oferecer diferentes oportunidades de envolvimento. Azevedo et al. (2024) discutem metodologias ativas como possibilidades para ampliar a participação em processos educacionais. No ensino superior, essas estratégias precisam ser adaptadas para que nenhum estudante seja excluído por barreiras relacionadas à forma de participação. A comunicação acessível constitui condição para a participação. Estudantes que enfrentam barreiras na comunicação oral ou escrita podem necessitar de recursos específicos para expressar conhecimentos, opiniões e necessidades. Almeida et al. (2026a) discutem a Comunicação Alternativa como instrumento para ampliar possibilidades comunicativas no contexto educacional. A universidade precisa considerar a comunicação como parte do processo de aprendizagem e não apenas como questão individual. A permanência também está relacionada à autonomia do estudante. Recursos que possibilitam maior independência podem contribuir para que o estudante realize atividades acadêmicas com menor necessidade de intervenção de terceiros. Klavina et al. (2024) discutem o uso de tecnologias assistivas para promoção de habilidades práticas em pessoas com TEA e deficiência intelectual. A autonomia acadêmica deve ser estimulada por estratégias que permitam ao estudante organizar, realizar e acompanhar suas próprias atividades. A participação em atividades acadêmicas também depende da acessibilidade dos recursos digitais. Plataformas virtuais, bibliotecas digitais, sistemas de avaliação e materiais Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 114 eletrônicos podem ampliar ou restringir o acesso aos conteúdos. Fernández-Batanero et al. (2022) discutem a importância das tecnologias assistivas para inclusão de estudantes com deficiência. A universidade precisa avaliar continuamente se seus ambientes digitais estão permitindo participação efetiva. A inteligência artificial pode ser utilizada como recurso complementar para apoiar determinadas atividades acadêmicas. Oliveira et al. (2026) discutem sua aplicação no planejamento, inclusão e personalização do ensino. O uso dessas ferramentas precisa ser orientado para favorecer aprendizagem e autonomia, evitando dependência que prejudique o desenvolvimento das competências acadêmicas. A mediação docente continua necessária para orientar o uso crítico da tecnologia. A participação também possui dimensão social e institucional. Estudantes precisam encontrar condições para interagir com colegas, professores e demais profissionais da universidade. Ischkanian e Ischkanian (2026) valorizam uma concepção educacional que reconhece diferentes formas de interação e aprendizagem. A cultura universitária inclusiva precisa enfrentar barreiras atitudinais e promover relações acadêmicas baseadas no respeito à diversidade. A permanência com participação efetiva depende, portanto, de ações articuladas. Recursos, metodologias, acessibilidade, comunicação, formação docente e acompanhamento precisam funcionar conjuntamente. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) demonstram que as experiências dos próprios estudantes podem fornecer informações relevantes para compreender a efetividade das estratégias adotadas. O acompanhamento da trajetória acadêmica precisa considerar não somente rendimento, mas também participação, autonomia e condições de permanência. 2.3. DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM E PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO O Desenho Universal para a Aprendizagem oferece uma perspectiva importante para repensar o planejamento pedagógico em ambientes universitários. Sua aplicação parte da compreensão de que os estudantes apresentam diferentes formas de aprender e participar. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) analisam justamente as percepções de estudantes com TEA sobre a contribuição do Desenho Universal para sua aprendizagem no ensino superior. Essa abordagem permite pensar estratégias que reduzam barreiras antes que elas se consolidem. A utilização de diferentes formas de apresentação dos conteúdos pode ampliar o acesso às informações. Textos, imagens, vídeos, recursos digitais e atividades práticas podem complementar a exposição oral tradicional. Brazão et al. (2023) discutem abordagens do Design Universal relacionadas ao ensino e aprendizagem de crianças autistas, contribuindo para a AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 115 . compreensão da necessidade de diversificação pedagógica. No ensino superior, os princípios podem ser contextualizados de acordo com os objetivos e características de cada área de formação. A personalização do ensino não significa criar uma universidade diferente para cada estudante, mas oferecer possibilidades de acesso e participação compatíveis com necessidades diversas. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada à ampliação da participação e autonomia. O professor pode utilizar diferentes recursos, formas de interação e possibilidades de produção acadêmica sem alterar necessariamente os conhecimentos essenciais da disciplina. A tecnologia assistiva pode contribuir para essa personalização. Ferramentas de leitura, comunicação, organização, produção textual e acesso digital podem auxiliar estudantes que enfrentam diferentes barreiras. Fernández-Batanero et al. (2022) identificam possibilidades de uso dessas tecnologias na inclusão educacional. A seleção do recurso precisa considerar a funcionalidade para o estudante e a relação com as atividades acadêmicas. A personalização também envolve acompanhamento contínuo. O professor precisa observar como os estudantes respondem às estratégias utilizadas e identificar situações que exigem reformulação. Ischkanian et al. (2026a) discutem caminhos inclusivos para o letramento e a alfabetização, evidenciando a necessidade de considerar singularidades no processo de aprendizagem. O acompanhamento possibilita ajustar as estratégias sem abandonar os objetivos educacionais. A gamificação e outras metodologias ativas podem ser integradas ao planejamento personalizado. Azevedo et al. (2024) discutem essas estratégias no contexto da formação docente, apresentando possibilidades de tornar os processos de aprendizagem mais participativos. Na universidade, elementos de desafios, resolução de problemas e atividades colaborativas podem ser utilizados com critérios de acessibilidade. O desenho das atividades precisa considerar diferentes formas de participação. A inteligência artificial acrescenta possibilidades de personalização, especialmente na organização de materiais e produção de alternativas didáticas. Oliveira et al. (2026) discutem o potencial da IA para apoiar o planejamento, a inclusão e a personalização do ensino. Silva Oliveira et al. (2026a) ressaltam a necessidade de considerar limites e impactos sobre aprendizagem e autonomia. A utilização dessas ferramentas deve preservar o protagonismo do estudante e a responsabilidade pedagógica do professor. O Desenho Universal para a Aprendizagem e a personalização podem, portanto, contribuir para uma docência universitária mais flexível e responsiva à diversidade. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) demonstram a importância de considerar a experiência dos estudantes autistas na avaliação das práticas. A personalização precisa ser construída a partir de Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 116 necessidades concretas e acompanhada ao longo do percurso acadêmico. O objetivo é ampliar as possibilidades de participação sem comprometer a qualidade da formação universitária. 2.4. TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E RECURSOS DIGITAIS NA UNIVERSIDADE As tecnologias assistivas podem contribuir para reduzir barreiras relacionadas ao acesso aos conteúdos, comunicação, produção acadêmica e participação nas atividades universitárias. Fernández-Batanero et al. (2022), em revisão sistemática, analisam a utilização desses recursos na inclusão de estudantes com deficiência. A tecnologia precisa ser compreendida como instrumento de acessibilidade e não apenas como inovação. Seu valor pedagógico depende da relação estabelecida entre recurso, estudante e objetivo educacional. No contexto do autismo, diferentes recursos podem auxiliar na organização de rotinas, comunicação, realização de atividades e desenvolvimento de habilidades. Klavina et al. (2024) analisam sistematicamente o uso de tecnologia assistiva para promover habilidades práticas em pessoas com TEA e deficiência intelectual. No ensino superior, recursos semelhantes podem ser adaptados às demandas acadêmicas, respeitando as características individuais. A autonomia deve permanecer como uma das finalidades da utilização tecnológica. Os recursos digitais também podem favorecer diferentes formas de acesso aos materiais acadêmicos. Documentos digitais, ferramentas de leitura, sistemas de organização, recursos audiovisuais e ambientes virtuais podem ampliar possibilidades de participação. Lima Oliveira et al. (2026) discutem tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada como elementos relacionados à participação e autonomia. A universidade precisa garantir que os recursos digitais estejam integrados ao planejamento das disciplinas. A inteligência artificial representa uma transformação recente nas possibilidades de apoio ao trabalho docente e à aprendizagem. Oliveira et al. (2026) apresentam a IA como possibilidade de apoio ao planejamento, inclusão e personalização do ensino. O professor pode utilizar ferramentas digitais para produzir versões alternativas de materiais, organizar conteúdos e explorar diferentes estratégias. A utilização precisa ser acompanhada de análise crítica sobre precisão, pertinência e adequação das informações. A utilização da inteligência artificial também exige atenção à autonomia acadêmica. Silva Oliveira et al. (2026a) discutem possibilidades, limites e impactos da IA sobre aprendizagem e autonomia dos estudantes. O recurso não deve substituir o desenvolvimento da leitura, escrita, análise, argumentação e resolução de problemas. A tecnologia precisa funcionar como apoio ao processo formativo, mantendo o estudante como sujeito de sua aprendizagem. A formação dos docentes é essencial para que as tecnologias sejam utilizadas de maneira adequada. Azevedo et al. (2024) discutem a importância da capacitação profissional para utilização de metodologias e recursos contemporâneos. No ensino superior, a formação AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 117 . precisa contemplar não somente aspectos técnicos, mas também acessibilidade, ética, privacidade, autoria e planejamento pedagógico. O professor necessita compreender os limites e as possibilidades de cada ferramenta. Os recursos digitais também precisam ser avaliados segundo sua contribuição efetiva para a aprendizagem. A simples disponibilização de uma plataforma ou ferramenta não assegura que o estudante consiga utilizá-la de maneira autônoma. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) demonstram a relevância de compreender as experiências dos próprios estudantes ao analisar práticas inclusivas. A avaliação da tecnologia precisa considerar a experiência de uso e sua relação com a participação acadêmica. As tecnologias assistivas e os recursos digitais podem, portanto, ampliar as possibilidades de inclusão no ensino superior quando articulados a práticas pedagógicas planejadas. Fernández-Batanero et al. (2022) evidenciam a importância dessas tecnologias para inclusão de estudantes com deficiência, enquanto Lima Oliveira et al. (2026) relacionam recursos assistivos à aprendizagem personalizada. A universidade precisa construir condições para que o acesso tecnológico esteja acompanhado de formação, suporte e acompanhamento. A tecnologia deve contribuir para reduzir barreiras e ampliar autonomia. 2.5. FORMAÇÃO DOCENTE E GESTÃO INSTITUCIONAL PARA UMA UNIVERSIDADE INCLUSIVA A formação docente constitui uma das condições necessárias para o fortalecimento da educação inclusiva no ensino superior. O professor precisa compreender conceitos relacionados à deficiência, acessibilidade, tecnologias assistivas, Desenho Universal para a Aprendizagem e estratégias pedagógicas diversificadas. Lima Oliveira et al. (2024) discutem a importância da articulação entre diferentes áreas na construção de práticas inclusivas. No contexto universitário, essa articulação pode envolver professores, coordenações, núcleos de acessibilidade e demais profissionais institucionais. A formação continuada precisa estar relacionada aos desafios encontrados na prática. Cursos exclusivamente teóricos podem não ser suficientes para preparar o professor para situações específicas de sala de aula. Azevedo et al. (2024) discutem metodologias ativas e gamificação em processos de capacitação docente, oferecendo elementos para pensar formações mais participativas. A experiência formativa pode incluir análise de situações, elaboração de estratégias e reflexão sobre práticas. A formação também precisa abordar as tecnologias assistivas e os recursos digitais. Fernández-Batanero et al. (2022) demonstram a relevância desses recursos para a inclusão de estudantes com deficiência. O professor precisa compreender como identificar uma necessidade Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 118 de acessibilidade e selecionar ferramentas adequadas. A formação deve relacionar conhecimento técnico e competência pedagógica. A preparação docente para o trabalho com estudantes autistas também requer conhecimento sobre diversidade dentro do espectro. Almeida et al. (2026a) apresentam diferentes estratégias relacionadas ao TEA, incluindo TEACCH, ABA, Comunicação Alternativa, integração sensorial e metodologias ativas. Essas estratégias não devem ser aplicadas de maneira padronizada a todos os estudantes. A formação precisa enfatizar observação, planejamento individualizado e acompanhamento das respostas acadêmicas. A gestão institucional exerce papel importante na criação das condições necessárias para que os docentes desenvolvam práticas inclusivas. Lima Oliveira et al. (2024) destacam a articulação entre diferentes dimensões institucionais na construção de processos inclusivos. No ensino superior, gestores e coordenações podem organizar políticas de formação, acompanhamento e acessibilidade. A responsabilidade pela inclusão precisa ser institucional, evitando que ela seja atribuída exclusivamente ao professor. A gestão também precisa promover canais de comunicação com os estudantes. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) demonstram a importância das vozes de estudantes autistas na compreensão das experiências universitárias. A instituição pode utilizar avaliações, consultas, reuniões e outros mecanismos para identificar barreiras percebidas pelos estudantes. A escuta contribui para que decisões institucionais estejam relacionadas às necessidades efetivamente vivenciadas. A formação docente também precisa acompanhar as transformações tecnológicas. Oliveira et al. (2026) discutem o papel da inteligência artificial no apoio ao planejamento, inclusão e personalização do ensino. De Oliveira et al. (2026) ampliam a discussão sobre inovação tecnológica e desenvolvimento de competências no contexto educacional. A formação universitária precisa preparar docentes para utilizar tecnologias de maneira crítica, ética e pedagogicamente fundamentada. Uma universidade inclusiva depende, portanto, da articulação entre formação profissional, gestão institucional, acessibilidade, acompanhamento e participação estudantil. Ischkanian e Ischkanian (2026) valorizam a ideia de que diferentes formas de ensinar podem ampliar possibilidades de aprendizagem, princípio que pode orientar políticas institucionais de formação docente. A inclusão universitária precisa ser construída como responsabilidade coletiva. A qualidade das práticas inclusivas depende da continuidade das ações e da capacidade institucional de revisar procedimentos diante das necessidades identificadas. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 119 . 3.OBJETIVOS 3.1. Geral Analisar os desafios da docência universitária para garantir acessibilidade, participação e aprendizagem de estudantes com deficiência e outras necessidades educacionais, considerando formação docente, Desenho Universal para a Aprendizagem, tecnologias assistivas, recursos digitais e estratégias de personalização do ensino. 3.2. Específicos Identificar os principais desafios pedagógicos e institucionais relacionados à acessibilidade, participação e permanência de estudantes com deficiência no ensino superior. Analisar as contribuições do Desenho Universal para a Aprendizagem, das tecnologias assistivas e dos recursos digitais para ampliar as possibilidades de participação e aprendizagem acadêmica. Discutir a importância da formação continuada e da gestão institucional para o desenvolvimento de práticas docentes universitárias inclusivas, acessíveis e centradas na autonomia dos estudantes. 4. MATERIAIS E MÉTODOS A pesquisa foi desenvolvida mediante abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, com caráter exploratório e descritivo. A escolha metodológica relaciona-se ao objetivo de analisar os desafios da docência universitária diante das demandas de acessibilidade, participação e aprendizagem. O estudo concentrou-se na interpretação de produções acadêmicas e bibliográficas relacionadas à educação inclusiva, deficiência, autismo, tecnologias assistivas, formação docente e inovação pedagógica. O percurso da pesquisa iniciou-se pela delimitação temática, considerando a relação entre educação inclusiva e ensino superior. Em seguida, foram selecionadas as referências fornecidas para o estudo, priorizando aquelas que apresentavam relação direta com acessibilidade, participação, aprendizagem, tecnologias assistivas, Desenho Universal para a Aprendizagem e formação docente. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) receberam destaque pela relação direta de seu estudo com estudantes autistas no ensino superior. A análise bibliográfica também contemplou estudos sobre tecnologias assistivas. Fernández-Batanero et al. (2022) contribuíram para a discussão sistemática sobre tecnologias assistivas e inclusão de estudantes com deficiência. Marcondes et al. (2024) permitiram ampliar Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 120 a discussão para a relação entre tecnologia assistiva e TEA. Klavina et al. (2024) acrescentaram elementos relacionados à promoção de habilidades práticas por meio desses recursos. Foram também analisadas produções relacionadas ao Desenho Universal e às metodologias inclusivas. Brazão et al. (2023) contribuíram para a compreensão das abordagens do Design Universal, enquanto Barrera Ciurana e Moliner García (2024) possibilitaram relacionar a discussão às experiências de estudantes autistas no ensino superior. As referências foram interpretadas de acordo com sua contribuição para a compreensão das barreiras e possibilidades existentes no contexto educacional. A pesquisa incorporou ainda referências relacionadas à formação docente e às metodologias ativas. Azevedo et al. (2024) contribuíram para a discussão sobre gamificação e metodologias ativas na capacitação de professores. Lima Oliveira et al. (2024) foram utilizadas para discutir a articulação entre educação especial, AEE, gestão e práticas inclusivas. Essas produções permitiram relacionar formação profissional e organização pedagógica. Também foram analisadas obras sobre tecnologias digitais e inteligência artificial. Oliveira et al. (2026) contribuíram para a discussão sobre inteligência artificial, planejamento, inclusão e personalização do ensino. Silva Oliveira et al. (2026a) permitiram abordar possibilidades, limites e impactos da IA sobre aprendizagem e autonomia. De Oliveira et al. (2026) ampliaram a análise para inovação tecnológica e desenvolvimento de competências. As informações foram organizadas em categorias relacionadas aos objetivos da pesquisa: acessibilidade pedagógica, participação, permanência, Desenho Universal para a Aprendizagem, tecnologias assistivas, recursos digitais, formação docente e gestão institucional. A análise procurou estabelecer relações entre essas categorias e os desafios da docência universitária. Não foram realizados procedimentos de intervenção direta com estudantes ou professores, pois a pesquisa foi estruturada a partir de fontes bibliográficas e documentais. O percurso metodológico permitiu construir uma análise integrada do problema investigado. A literatura selecionada foi interpretada considerando suas contribuições para compreender como as universidades podem reduzir barreiras e ampliar condições de participação acadêmica. Os resultados foram organizados de acordo com os objetivos estabelecidos, permitindo relacionar os desafios identificados às possibilidades pedagógicas, tecnológicas e institucionais discutidas pelas referências. 5. RESULTADOS Os resultados indicaram que o primeiro objetivo específico foi alcançado mediante a identificação de diferentes desafios relacionados à acessibilidade, participação e permanência de estudantes com deficiência no ensino superior. A análise das referências demonstrou que as barreiras podem estar relacionadas aos materiais, às metodologias, às avaliações, à comunicação, AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 121 . aos ambientes digitais e à formação profissional. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) contribuíram diretamente para essa compreensão ao analisarem as experiências de estudantes autistas no ensino superior. A inclusão universitária precisa considerar as barreiras concretamente vivenciadas pelos estudantes. A pesquisa identificou também que a matrícula não representa, isoladamente, garantia de inclusão acadêmica. A participação efetiva depende de condições que permitam ao estudante acessar conteúdos, interagir, realizar atividades e demonstrar conhecimentos. FernándezBatanero et al. (2022) demonstram a relevância das tecnologias assistivas para ampliar possibilidades de inclusão. O resultado reforça a necessidade de avaliar a universidade para além dos indicadores formais de acesso. O segundo objetivo específico foi alcançado por meio da análise das contribuições do Desenho Universal para a Aprendizagem, das tecnologias assistivas e dos recursos digitais. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) evidenciam a importância das experiências dos estudantes autistas na avaliação das estratégias educacionais. Brazão et al. (2023) ampliam a discussão sobre Design Universal e diversidade no processo de aprendizagem. As referências permitiram compreender que o planejamento antecipado de diferentes possibilidades de participação pode contribuir para reduzir barreiras. As tecnologias assistivas também se apresentaram como recursos relevantes para ampliar participação e autonomia. Fernández-Batanero et al. (2022) discutem sua contribuição para inclusão de estudantes com deficiência, enquanto Klavina et al. (2024) analisam sua utilização para desenvolvimento de habilidades práticas. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam tecnologias assistivas à aprendizagem personalizada. O conjunto dessas contribuições evidencia que os recursos precisam estar vinculados às necessidades e aos objetivos acadêmicos. Os resultados relacionados ao terceiro objetivo específico evidenciaram a importância da formação continuada. Azevedo et al. (2024) discutem metodologias ativas e gamificação na capacitação de professores, enquanto Lima Oliveira et al. (2024) destacam a articulação entre diferentes dimensões da educação inclusiva. A formação docente precisa aproximar conhecimento teórico e situações concretas de ensino. A competência inclusiva se desenvolve mediante estudo, reflexão, planejamento, aplicação e acompanhamento das práticas. A análise também demonstrou a relevância da gestão institucional. A inclusão não depende exclusivamente da iniciativa individual do professor, pois exige políticas, recursos, formação, suporte e mecanismos de acompanhamento. Lima Oliveira et al. (2024) contribuem para essa compreensão ao discutirem a articulação entre diferentes dimensões institucionais. O resultado reforça a necessidade de compreender a acessibilidade como responsabilidade compartilhada pela instituição. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 122 As tecnologias digitais e a inteligência artificial apareceram como possibilidades contemporâneas de apoio ao ensino inclusivo. Oliveira et al. (2026) discutem a IA como instrumento para apoiar planejamento, inclusão e personalização, enquanto Silva Oliveira et al. (2026a) analisam suas possibilidades e limites em relação à aprendizagem e autonomia. Os resultados indicam que a utilização dessas tecnologias precisa ser acompanhada de formação crítica e orientação pedagógica. A inovação tecnológica deve estar subordinada às finalidades educacionais. O percurso da pesquisa permitiu, portanto, alcançar o objetivo geral ao integrar os desafios da docência universitária com as possibilidades de acessibilidade, participação e aprendizagem. A análise das referências demonstrou que uma universidade inclusiva necessita articular planejamento pedagógico, formação docente, tecnologias assistivas, recursos digitais, gestão institucional e escuta dos estudantes. A inclusão não depende de uma estratégia isolada, mas da combinação de diferentes condições que favoreçam a participação acadêmica. O resultado central do estudo está na compreensão da inclusão como processo permanente de organização, acompanhamento e aprimoramento das práticas universitárias. 6. CONCLUSÃO A pesquisa permitiu compreender que a educação inclusiva no ensino superior exige uma concepção ampliada de acessibilidade, na qual matrícula e permanência sejam acompanhadas por participação efetiva e condições adequadas de aprendizagem. Os desafios identificados envolvem dimensões pedagógicas, tecnológicas, comunicacionais e institucionais. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) demonstram a importância de considerar as experiências de estudantes autistas para compreender as condições que favorecem sua aprendizagem. A inclusão precisa ser analisada a partir da realidade acadêmica vivenciada pelos estudantes. A docência universitária ocupa posição relevante nesse processo porque o professor organiza grande parte das experiências de aprendizagem. A diversificação das metodologias, materiais e formas de avaliação pode ampliar as oportunidades de participação. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem uma perspectiva segundo a qual diferentes maneiras de ensinar podem responder à diversidade dos modos de aprender. No ensino superior, essa perspectiva pode ser articulada à manutenção dos objetivos e padrões acadêmicos. O Desenho Universal para a Aprendizagem apresenta possibilidades para antecipar barreiras e organizar diferentes formas de participação. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) evidenciam a relevância desse enfoque a partir das experiências de estudantes autistas no ensino superior. Brazão et al. (2023) também contribuem para a discussão sobre Design Universal e AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 123 . diversidade educacional. O planejamento universitário pode incorporar esses princípios para ampliar a acessibilidade das experiências acadêmicas. As tecnologias assistivas constituem recursos relevantes para reduzir barreiras e favorecer autonomia. Fernández-Batanero et al. (2022) identificam contribuições desses recursos para a inclusão de estudantes com deficiência, enquanto Klavina et al. (2024) discutem sua relação com habilidades práticas. Lima Oliveira et al. (2026) associam tecnologias assistivas à aprendizagem personalizada e à participação. A efetividade desses recursos depende de sua adequação às necessidades dos estudantes e de sua integração ao planejamento pedagógico. A formação continuada constitui outra condição importante para o desenvolvimento de práticas inclusivas. Azevedo et al. (2024) discutem metodologias ativas na capacitação docente, enquanto Lima Oliveira et al. (2024) enfatizam a articulação entre diferentes dimensões institucionais. A formação precisa contemplar conhecimentos sobre acessibilidade, deficiência, tecnologias, metodologias e avaliação. O desenvolvimento profissional deve estar conectado às situações concretas vivenciadas pelos docentes. A inteligência artificial e os recursos digitais acrescentam novas possibilidades ao trabalho universitário, mas exigem utilização crítica. Oliveira et al. (2026) discutem a IA como apoio ao planejamento, inclusão e personalização, enquanto Silva Oliveira et al. (2026a) analisam possibilidades e limites relacionados à aprendizagem e autonomia. A utilização desses recursos precisa preservar autoria, responsabilidade, pensamento crítico e protagonismo estudantil. A tecnologia deve funcionar como instrumento de apoio ao processo formativo. A gestão institucional precisa acompanhar e sustentar as mudanças pedagógicas. Uma universidade inclusiva necessita de políticas de acessibilidade, formação continuada, suporte aos docentes, recursos adequados e mecanismos de escuta dos estudantes. Fernández-Batanero et al. (2022) demonstram que a tecnologia assistiva pode contribuir para inclusão, mas sua efetividade está relacionada às condições de utilização. A responsabilidade pela inclusão precisa ser compartilhada entre os diferentes setores da instituição. Conclui-se que a educação inclusiva no ensino superior depende da articulação entre acessibilidade, participação, aprendizagem, formação docente, tecnologias assistivas, Desenho Universal para a Aprendizagem e gestão institucional. REFERENCIA CEDRO, Rosana de Jesus. Educação inclusiva no ensino superior: desafios da docência universitária para garantir acessibilidade, participação e aprendizagem. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Autismo não é igual para todos: o papel do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), das tecnologias assistivas e da personalização do ensino na construção de escolas verdadeiramente inclusivas. São Paulo, SP: Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes; Câmara Brasileira do Livro, 2026. ISBN 978-65977483-3-4. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 124 A COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA NA CONSTRUÇÃO DE PRÁTICAS INCLUSIVAS: GESTÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO, FORMAÇÃO DOCENTE E ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM. ISBN: 978-65-977483-3-4 Rosana de Jesus Cedro Mestranda em Docência Univesitária – UTN. Pós-graduação: Gestão do Trabalho Pedagogico. Educação Especial. Neuropsicopedagogia. Educação Inclusiva. Livras. Coordenação Pedagogica. 1. INTRODUÇÃO A educação inclusiva requer uma organização escolar capaz de reconhecer a diversidade dos estudantes e transformar as diferenças em elementos considerados no planejamento, na prática pedagógica e na avaliação. A inclusão não se restringe à matrícula de estudantes públicoalvo da educação especial, pois envolve condições concretas para participação, aprendizagem, comunicação, desenvolvimento e autonomia. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem uma perspectiva educacional baseada na compreensão de que diferentes estudantes podem necessitar de diferentes formas de ensino. Nesse cenário, a escola precisa desenvolver uma cultura pedagógica que reconheça as singularidades e organize respostas educacionais compatíveis com elas. A coordenação pedagógica possui papel relevante na construção dessa cultura porque atua na articulação entre gestão, professores, estudantes e demais profissionais envolvidos no processo educacional. Sua atuação pode contribuir para organizar momentos de planejamento, acompanhamento, formação e reflexão coletiva sobre as práticas desenvolvidas na escola. Lima Oliveira et al. (2024) discutem a articulação entre educação especial, Atendimento Educacional Especializado, gestão escolar e psicologia institucional, evidenciando a importância de uma atuação integrada. A coordenação pedagógica pode favorecer essa articulação ao aproximar diferentes conhecimentos e responsabilidades. A gestão do trabalho pedagógico inclusivo exige que o planejamento seja orientado pela identificação de barreiras à aprendizagem e à participação. Essas barreiras podem estar relacionadas às metodologias, aos materiais, à comunicação, à avaliação, aos espaços e às relações estabelecidas no cotidiano escolar. Fernández-Batanero et al. (2022), em revisão sistemática, discutem a contribuição das tecnologias assistivas para a inclusão de estudantes com deficiência. A coordenação pode auxiliar os professores na identificação das necessidades e na escolha de estratégias capazes de reduzir barreiras. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 125 . A formação docente constitui uma das dimensões fundamentais desse trabalho. Professores precisam de oportunidades permanentes para estudar, compartilhar experiências, analisar situações concretas e construir estratégias pedagógicas inclusivas. Azevedo et al. (2024) discutem gamificação e metodologias ativas na capacitação de professores, demonstrando a relevância de processos formativos que aproximem teoria e prática. A coordenação pedagógica pode transformar os momentos de formação em espaços de reflexão sobre problemas concretos encontrados nas salas de aula. O acompanhamento da aprendizagem representa outra responsabilidade importante na gestão pedagógica. Não basta elaborar uma proposta inclusiva, sendo necessário verificar como o estudante responde às estratégias utilizadas, quais barreiras permanecem e quais recursos favorecem sua participação. Vieira et al. (2026a) discutem estratégias pedagógicas e materiais inclusivos para estudantes com autismo, evidenciando a importância de considerar características individuais no processo educativo. O acompanhamento sistemático permite que professores e coordenação reorganizem o planejamento quando as estratégias inicialmente utilizadas não produzem os resultados esperados. A coordenação pedagógica também pode contribuir para aproximar os princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem da realidade escolar. Barrera Ciurana e Moliner García (2024), ao analisarem as experiências de estudantes autistas no ensino superior, evidenciam a importância de considerar diferentes formas de acesso e participação na aprendizagem. Brazão et al. (2023) discutem abordagens do Design Universal no ensino e aprendizagem de crianças autistas. Embora os contextos educacionais sejam distintos, essas contribuições reforçam a importância de planejar considerando a diversidade desde o início. As tecnologias assistivas e os recursos digitais ampliam as possibilidades de intervenção pedagógica, mas exigem acompanhamento e intencionalidade. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam tecnologias assistivas, aprendizagem personalizada, participação e autonomia de estudantes com deficiência. A coordenação pedagógica pode apoiar a equipe docente na análise da pertinência desses recursos, evitando que sejam utilizados apenas por representarem inovação tecnológica. A escolha deve estar relacionada às necessidades do estudante e aos objetivos pedagógicos. Diante desse contexto, analisar a atuação da coordenação pedagógica na construção de práticas inclusivas permite compreender sua contribuição para a gestão do trabalho pedagógico, formação docente e acompanhamento da aprendizagem. A inclusão depende de ações articuladas e permanentes, e não de iniciativas isoladas de determinados profissionais. Corrêa (2026) aborda desafios, caminhos e possibilidades relacionados à inclusão escolar, contribuindo para compreender a complexidade da organização educacional inclusiva. A coordenação pedagógica pode constituir um dos principais espaços de articulação dessas ações no cotidiano escolar. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 126 2. DESENVOLVIMENTO A coordenação pedagógica ocupa uma posição estratégica na organização do trabalho educativo porque atua entre diferentes dimensões da instituição escolar. Seu trabalho envolve planejamento, acompanhamento, formação docente, análise das práticas e articulação entre os sujeitos que participam do processo educacional. Lima Oliveira et al. (2024) discutem a importância da articulação entre educação especial, AEE, gestão e psicologia institucional para o desenvolvimento integral do estudante. A coordenação pode contribuir para aproximar esses diferentes campos e transformar informações dispersas em ações pedagógicas articuladas. A gestão do trabalho pedagógico inclusivo precisa partir do reconhecimento da diversidade existente na escola. Estudantes apresentam diferentes ritmos, interesses, formas de comunicação, características cognitivas e necessidades de suporte. Ischkanian et al. (2026a), ao discutirem caminhos inclusivos para o letramento e a alfabetização de estudantes com TEA nos níveis de suporte 1, 2 e 3, demonstram a necessidade de considerar singularidades durante o planejamento. A coordenação pedagógica pode apoiar os professores na construção de propostas que contemplem essa diversidade. O planejamento coletivo constitui uma ferramenta importante para a construção de práticas inclusivas. Reuniões pedagógicas podem ser utilizadas para discutir objetivos, estratégias, recursos, formas de avaliação e acompanhamento dos estudantes. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem a necessidade de ensinar de maneiras diferentes para ampliar as possibilidades de aprendizagem. A coordenação pode transformar essa concepção em pauta permanente de planejamento e reflexão profissional. A formação continuada precisa estar integrada ao cotidiano da escola. Azevedo et al. (2024) discutem metodologias ativas e gamificação como possibilidades para capacitação de professores, demonstrando a relevância de experiências formativas participativas. A coordenação pedagógica pode organizar estudos de caso, oficinas, análise de práticas e produção coletiva de materiais. Esse modelo permite que o conhecimento construído na formação seja relacionado às necessidades reais dos estudantes. A tecnologia assistiva também pode integrar a gestão pedagógica inclusiva. FernándezBatanero et al. (2022) discutem sua contribuição para a inclusão de estudantes com deficiência, enquanto Marcondes et al. (2024) analisam especificamente seu potencial relacionado ao TEA. A coordenação pode colaborar na identificação dos recursos necessários e na orientação para seu uso pedagógico. A tecnologia precisa estar vinculada à redução de barreiras e à ampliação da participação. O acompanhamento da aprendizagem deve ser contínuo e fundamentado em evidências produzidas no cotidiano escolar. Registros pedagógicos, observações, produções dos estudantes e avaliações podem contribuir para identificar avanços e dificuldades. Klavina et al. (2024) AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 127 . discutem tecnologias assistivas destinadas à promoção de habilidades práticas em pessoas com TEA e deficiência intelectual, reforçando a importância de observar resultados funcionais. O acompanhamento precisa considerar tanto a aprendizagem acadêmica quanto a autonomia e a participação. A articulação com as famílias constitui outra dimensão que pode ser favorecida pela coordenação pedagógica. Informações sobre interesses, formas de comunicação, rotinas e estratégias que favorecem o estudante podem contribuir para ampliar a compreensão sobre suas necessidades. Ischkanian et al. (2026b) discutem diferentes fatores relacionados ao autismo, evidenciando a complexidade do desenvolvimento. A escola precisa manter diálogo responsável com a família, preservando suas atribuições pedagógicas e respeitando os limites de cada campo profissional. A coordenação pedagógica, portanto, pode funcionar como elemento articulador entre planejamento, formação, acompanhamento e avaliação das práticas inclusivas. Sua atuação não substitui a responsabilidade do professor, mas cria condições para que o trabalho docente seja desenvolvido de maneira colaborativa. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada à participação e autonomia. A coordenação pode favorecer uma cultura institucional na qual esses princípios orientem decisões pedagógicas coletivas. 2.1. GESTÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA PERSPECTIVA INCLUSIVA A gestão do trabalho pedagógico inclusivo exige planejamento sistemático e compreensão das necessidades presentes no contexto escolar. O coordenador pedagógico participa da organização das ações que orientam o trabalho dos professores, podendo contribuir para que os objetivos educacionais sejam articulados às necessidades dos estudantes. Corrêa (2026) discute desafios e possibilidades da inclusão escolar, mostrando a complexidade das condições necessárias para sua efetivação. A gestão pedagógica precisa considerar essa complexidade na organização do cotidiano escolar. O planejamento inclusivo deve considerar diferentes possibilidades de participação desde a elaboração das atividades. O professor pode prever recursos visuais, materiais concretos, tecnologias, diferentes formas de comunicação e alternativas de avaliação. Brazão et al. (2023) discutem abordagens do Design Universal relacionadas ao ensino e aprendizagem de crianças autistas. A coordenação pode incorporar esses princípios aos momentos de planejamento coletivo. A gestão também precisa acompanhar a organização curricular. A adaptação de estratégias não significa necessariamente reduzir os conhecimentos trabalhados, mas criar caminhos diferentes para que o estudante tenha acesso aos objetivos educacionais. Ischkanian e Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 128 Ischkanian (2026) valorizam diferentes maneiras de ensinar e aprender. A coordenação pode auxiliar os professores a identificar quais elementos precisam ser adaptados e quais objetivos curriculares devem ser preservados. A documentação pedagógica constitui instrumento relevante para a gestão do trabalho inclusivo. Registros de observações, estratégias utilizadas, avanços e dificuldades permitem acompanhar a trajetória dos estudantes. Vieira et al. (2026a) discutem estratégias e materiais inclusivos relacionados ao autismo e ao letramento. A sistematização dessas informações pode contribuir para decisões pedagógicas mais fundamentadas. A gestão pedagógica também precisa considerar o trabalho desenvolvido pelo Atendimento Educacional Especializado quando esse serviço estiver presente na instituição. Lima Oliveira et al. (2024) destacam a importância da articulação entre educação especial, AEE e gestão escolar. O diálogo entre professores da sala comum e profissionais do atendimento especializado pode favorecer a construção de estratégias complementares. A coordenação pedagógica pode criar espaços para essa comunicação profissional. A utilização de tecnologias assistivas também precisa fazer parte do planejamento institucional. Fernández-Batanero et al. (2022) demonstram a relevância desses recursos para inclusão de estudantes com deficiência. A coordenação pode auxiliar na identificação das necessidades, organização dos recursos e acompanhamento de sua utilização. A tecnologia precisa estar integrada aos objetivos pedagógicos e não funcionar como elemento separado do currículo. A gestão inclusiva requer também acompanhamento das práticas docentes. A coordenação pode observar planejamentos, discutir estratégias e analisar resultados com os professores, estabelecendo um processo colaborativo de aperfeiçoamento. Azevedo et al. (2024) discutem a importância da formação e das metodologias ativas na capacitação docente. A análise da prática pode constituir parte importante desse processo formativo. A gestão do trabalho pedagógico inclusivo, portanto, precisa combinar planejamento, acompanhamento, formação e avaliação. A coordenação pedagógica possui condições de favorecer essa integração por meio de reuniões, estudos, registros e acompanhamento das práticas. Ischkanian et al. (2026a) reforçam a importância de caminhos pedagógicos que considerem as singularidades dos estudantes. A gestão inclusiva precisa transformar esse princípio em procedimentos concretos de organização escolar. 2.2. FORMAÇÃO DOCENTE PARA A INCLUSÃO A formação docente constitui uma dimensão indispensável para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas. Professores precisam compreender a diversidade presente nas salas de aula e desenvolver estratégias capazes de responder às diferentes necessidades dos AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 129 . estudantes. Lima Oliveira et al. (2024) discutem a articulação entre educação especial, AEE, gestão e psicologia institucional, destacando a necessidade de uma abordagem integrada. A formação continuada precisa favorecer essa visão ampla do processo educacional. A formação não deve permanecer restrita a conteúdos teóricos sobre deficiência. É necessário relacionar os conhecimentos estudados às situações concretas encontradas pelos professores. Azevedo et al. (2024) apresentam metodologias ativas e gamificação como possibilidades de capacitação docente. A coordenação pedagógica pode utilizar estratégias formativas que envolvam análise de situações, elaboração de recursos e discussão coletiva de práticas. O conhecimento sobre autismo constitui uma necessidade relevante em contextos escolares que atendem estudantes com TEA. Almeida et al. (2026a) discutem diferentes estratégias, incluindo TEACCH, ABA, Comunicação Alternativa, integração sensorial e metodologias ativas. A formação docente precisa apresentar essas possibilidades de maneira crítica e contextualizada. O professor deve compreender que diferentes estudantes podem responder de maneiras distintas às estratégias utilizadas. A formação também precisa contemplar alfabetização e letramento em contextos inclusivos. Ischkanian et al. (2026a) discutem caminhos inclusivos para estudantes com TEA nos níveis de suporte 1, 2 e 3. Vieira et al. (2026a) abordam estratégias pedagógicas e elaboração de materiais inclusivos para o autismo. Essas contribuições reforçam a necessidade de preparar professores para adaptar materiais e atividades sem perder de vista os objetivos de aprendizagem. As tecnologias assistivas devem integrar os programas de formação continuada. Fernández-Batanero et al. (2022) analisam sua contribuição para a inclusão de estudantes com deficiência, enquanto Marcondes et al. (2024) discutem seu potencial para o ensino de estudantes com TEA. O professor precisa aprender a identificar necessidades e selecionar recursos adequados. A formação deve contemplar tanto aspectos técnicos quanto pedagógicos. A formação docente também pode incluir recursos digitais e inteligência artificial. Oliveira et al. (2026) discutem a inteligência artificial como apoio ao planejamento, inclusão e personalização do ensino. Silva Oliveira et al. (2026a) analisam suas possibilidades e limites em relação à aprendizagem e autonomia. A coordenação pedagógica pode promover estudos sobre uso responsável dessas tecnologias, considerando privacidade, autoria, qualidade das informações e finalidade pedagógica. A formação continuada precisa ser permanente e articulada ao acompanhamento das práticas. O professor pode estudar determinado recurso, aplicá-lo, observar seus resultados e discutir a experiência com seus pares. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem uma concepção educacional que reconhece diferentes maneiras de ensinar. A formação torna-se mais significativa quando acompanha o processo de implementação das práticas inclusivas. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 130 A coordenação pedagógica exerce papel importante na criação das condições para essa formação. Cabe a ela organizar espaços de estudo, identificar necessidades formativas, promover troca de experiências e acompanhar os efeitos das ações desenvolvidas. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam aprendizagem personalizada, tecnologia assistiva, participação e autonomia. A formação docente precisa preparar os profissionais para articular esses elementos ao cotidiano escolar. 2.3. ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM E AVALIAÇÃO INCLUSIVA O acompanhamento da aprendizagem constitui uma atividade permanente da gestão pedagógica. Seu objetivo é compreender como o estudante está avançando, quais barreiras permanecem e quais estratégias estão contribuindo para sua aprendizagem. Vieira et al. (2026a) discutem materiais e estratégias inclusivas para estudantes com autismo, destacando a importância de considerar características individuais. O acompanhamento permite que o professor ajuste suas práticas de acordo com as respostas observadas. A avaliação inclusiva precisa utilizar diferentes formas de verificar a aprendizagem. Um único instrumento pode não ser suficiente para demonstrar os conhecimentos construídos por todos os estudantes. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem diferentes formas de ensinar e aprender, princípio que também pode orientar a diversificação das formas de avaliação. O objetivo é garantir que barreiras de acesso ao instrumento não sejam confundidas com ausência de aprendizagem. A observação pedagógica constitui recurso importante para compreender o desenvolvimento do estudante. O professor pode registrar formas de participação, comunicação, interação, resolução de problemas e realização das atividades. Klavina et al. (2024) discutem tecnologias assistivas relacionadas ao desenvolvimento de habilidades práticas, evidenciando a importância de observar competências funcionais. A avaliação inclusiva precisa considerar o estudante em diferentes situações de aprendizagem. O acompanhamento também pode utilizar portfólios, registros, produções acadêmicas e instrumentos de avaliação processual. Esses recursos permitem acompanhar trajetórias e identificar mudanças ao longo do tempo. Ischkanian et al. (2026a) discutem caminhos inclusivos para alfabetização e letramento, reforçando a importância de considerar percursos individuais. A documentação ajuda a tornar visíveis avanços que podem não aparecer em avaliações pontuais. A coordenação pedagógica pode contribuir para organizar procedimentos institucionais de acompanhamento. Reuniões pedagógicas podem ser utilizadas para discutir resultados, analisar estratégias e definir encaminhamentos. Lima Oliveira et al. (2024) ressaltam a importância da articulação entre gestão, educação especial e demais dimensões institucionais. O AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 131 . acompanhamento torna-se mais consistente quando diferentes profissionais compartilham informações pertinentes ao processo pedagógico. As tecnologias assistivas também podem participar do processo de acompanhamento. Fernández-Batanero et al. (2022) discutem recursos tecnológicos como instrumentos capazes de ampliar possibilidades de participação de estudantes com deficiência. A coordenação pode acompanhar se determinado recurso está contribuindo para a aprendizagem e autonomia. Caso não produza os efeitos esperados, a estratégia precisa ser revisada. A avaliação também precisa considerar a autonomia do estudante. Não é suficiente verificar se uma atividade foi concluída, sendo relevante observar o nível de apoio necessário para sua realização. Klavina et al. (2024) relacionam tecnologias assistivas ao desenvolvimento de habilidades práticas. O acompanhamento pode verificar progressivamente a capacidade de o estudante utilizar recursos e realizar tarefas com maior independência. O acompanhamento da aprendizagem, portanto, precisa ser contínuo, sistemático e orientado para a tomada de decisões pedagógicas. A coordenação pedagógica pode contribuir para que avaliação e planejamento estejam permanentemente relacionados. Vieira et al. (2026a) reforçam a importância de estratégias e materiais adequados às necessidades dos estudantes. A avaliação inclusiva deve produzir informações úteis para reorganizar a prática e ampliar as oportunidades de aprendizagem. 2.4. TECNOLOGIAS ASSISTIVAS, RECURSOS DIGITAIS E INCLUSÃO As tecnologias assistivas constituem recursos capazes de reduzir barreiras relacionadas à comunicação, acesso aos conteúdos, realização de atividades e participação. FernándezBatanero et al. (2022) apresentam uma revisão sistemática sobre sua contribuição para inclusão de estudantes com deficiência. A utilização dessas tecnologias precisa estar relacionada às necessidades identificadas no contexto escolar. O recurso deve ser escolhido considerando sua funcionalidade e sua integração às práticas pedagógicas. No contexto do TEA, tecnologias assistivas podem contribuir para diferentes dimensões do desenvolvimento e da participação. Marcondes et al. (2024) discutem sua potencialidade para o ensino, enquanto Klavina et al. (2024) analisam sua utilização para promoção de habilidades práticas. A escola pode utilizar esses recursos como apoio ao desenvolvimento da comunicação, organização, autonomia e aprendizagem. A escolha deve considerar as características individuais do estudante. Os recursos digitais também podem ampliar as possibilidades de produção de materiais. Professores podem utilizar ferramentas digitais para elaborar atividades visuais, organizar conteúdos, criar recursos interativos e oferecer diferentes formas de acesso às informações. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada. A Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 132 coordenação pedagógica pode incentivar o uso pedagógico dessas ferramentas durante processos de formação. A inteligência artificial amplia esse cenário ao permitir diferentes possibilidades de apoio ao planejamento. Oliveira et al. (2026) discutem a utilização da IA para apoiar planejamento, inclusão e personalização do ensino. O professor pode utilizar essas ferramentas para explorar alternativas de atividades, organizar informações e produzir materiais. A análise profissional permanece indispensável para verificar adequação e qualidade. O uso da inteligência artificial precisa preservar a autonomia do estudante. Silva Oliveira et al. (2026a) discutem possibilidades, limites e impactos da IA sobre aprendizagem e autonomia. A ferramenta não deve substituir processos de leitura, escrita, reflexão e produção intelectual que fazem parte dos objetivos educacionais. O recurso precisa ser utilizado como apoio e não como substituto da atividade cognitiva do estudante. A formação dos professores é essencial para que os recursos tecnológicos sejam utilizados de maneira adequada. Azevedo et al. (2024) discutem a importância da capacitação docente para utilização de metodologias e recursos contemporâneos. A coordenação pedagógica pode organizar oficinas e momentos de experimentação. A formação tecnológica precisa estar relacionada aos objetivos pedagógicos. O acompanhamento da utilização das tecnologias também é necessário. Um recurso pode funcionar adequadamente para um estudante e não produzir o mesmo efeito para outro. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) demonstram a importância de considerar a experiência dos estudantes na avaliação de estratégias inclusivas. A observação da utilização real permite identificar ajustes necessários. As tecnologias assistivas e os recursos digitais precisam, portanto, estar inseridos em uma política pedagógica de inclusão. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam recursos assistivos, participação e autonomia, reforçando que a tecnologia possui sentido quando contribui para superar barreiras. A coordenação pedagógica pode exercer papel articulador entre necessidades dos estudantes, formação dos professores e disponibilidade de recursos. O objetivo é transformar tecnologia em instrumento efetivo de acessibilidade pedagógica. 2.5. ARTICULAÇÃO ENTRE COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA, FAMÍLIA E EQUIPE ESCOLAR A construção de práticas inclusivas depende da articulação entre diferentes sujeitos que participam do processo educacional. Professores, coordenação pedagógica, gestão, profissionais do AEE, família e demais profissionais podem contribuir com informações e conhecimentos específicos. Lima Oliveira et al. (2024) discutem a importância da articulação entre educação AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 133 . especial, gestão e diferentes campos profissionais. A coordenação pode favorecer a comunicação entre esses sujeitos. A relação entre coordenação e professores precisa ser construída a partir de colaboração profissional. O coordenador não deve assumir a função de substituir o professor na tomada de decisões pedagógicas, mas pode contribuir para análise, planejamento e formação. Azevedo et al. (2024) discutem processos formativos baseados em metodologias participativas. A coordenação pode criar espaços para que professores compartilhem dificuldades e construam soluções coletivas. A família também pode contribuir para ampliar informações sobre o estudante. Conhecimentos sobre interesses, formas de comunicação, preferências e estratégias utilizadas em outros ambientes podem auxiliar o professor. Ischkanian et al. (2026b) abordam diferentes dimensões relacionadas ao autismo, demonstrando sua complexidade. O diálogo com a família deve ser estabelecido com respeito às responsabilidades específicas de cada contexto. A articulação com profissionais especializados também pode favorecer o acompanhamento. Informações provenientes de diferentes áreas podem contribuir para compreender necessidades relacionadas à comunicação, comportamento, aprendizagem e autonomia. Lima Oliveira et al. (2024) discutem a importância da articulação institucional para o desenvolvimento integral do estudante. A coordenação pode organizar momentos de diálogo respeitando os limites éticos e profissionais de cada área. A equipe escolar também precisa construir estratégias compartilhadas. Quando diferentes professores utilizam procedimentos completamente desconectados, pode haver dificuldade para manter continuidade no acompanhamento. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem a necessidade de diferentes formas de ensinar, mas isso não significa ausência de planejamento coletivo. A diversidade de estratégias precisa estar articulada aos objetivos educacionais. A participação do estudante deve ser considerada sempre que possível. O próprio estudante pode indicar recursos, estratégias e formas de organização que favorecem sua aprendizagem. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) evidenciam a relevância de ouvir estudantes autistas sobre suas experiências educacionais. A coordenação pedagógica pode favorecer mecanismos para que essa escuta seja incorporada ao acompanhamento. A articulação também envolve o planejamento de ações de formação. As necessidades identificadas pelos professores, famílias e estudantes podem orientar temas para estudos e oficinas. Fernández-Batanero et al. (2022) destacam a importância das tecnologias assistivas para inclusão, enquanto Lima Oliveira et al. (2026) discutem aprendizagem personalizada. A formação pode partir de necessidades concretas identificadas pela própria equipe. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 134 A coordenação pedagógica, portanto, exerce função articuladora na construção de uma rede institucional de apoio à inclusão. Seu trabalho pode integrar planejamento, formação, acompanhamento, comunicação e avaliação das práticas. Lima Oliveira et al. (2024) reforçam a importância da articulação entre diferentes dimensões do trabalho educacional. A inclusão tornase mais consistente quando a responsabilidade pelo processo é compartilhada e organizada de maneira colaborativa. 3. OBJETIVOS 3.1. Geral Analisar o papel da coordenação pedagógica na construção de práticas inclusivas, considerando a gestão do trabalho pedagógico, a formação docente, o acompanhamento da aprendizagem, o uso de tecnologias assistivas e a articulação entre os diferentes profissionais envolvidos no processo educacional. 3.2. Específicos Identificar os principais desafios da coordenação pedagógica na organização e acompanhamento de práticas educacionais inclusivas. Analisar a contribuição da coordenação pedagógica para a formação continuada dos docentes e para o desenvolvimento de estratégias pedagógicas acessíveis. Discutir a importância do acompanhamento da aprendizagem, das tecnologias assistivas e da articulação entre escola, família e equipe pedagógica para favorecer participação, aprendizagem e autonomia dos estudantes. 4. MATERIAIS E MÉTODOS A pesquisa foi desenvolvida mediante abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, com caráter exploratório e descritivo. A escolha dessa abordagem está relacionada ao objetivo de compreender o papel da coordenação pedagógica na construção de práticas inclusivas. O estudo buscou interpretar contribuições presentes nas obras selecionadas, estabelecendo relações entre gestão pedagógica, formação docente, acompanhamento da aprendizagem e educação inclusiva. O percurso da pesquisa teve início com a delimitação do tema e a definição das categorias de análise. Foram estabelecidas como categorias principais a coordenação pedagógica, gestão do trabalho pedagógico, formação docente, acompanhamento da aprendizagem, tecnologias assistivas, participação e autonomia. A organização dessas categorias permitiu relacionar os diferentes componentes que integram a construção de práticas inclusivas. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 135 . A etapa bibliográfica considerou obras relacionadas à educação inclusiva e à organização do trabalho pedagógico. Ischkanian e Ischkanian (2026) contribuíram para a compreensão da necessidade de diferentes formas de ensinar, enquanto Corrêa (2026) abordou desafios e possibilidades relacionados à inclusão escolar. Essas referências foram utilizadas para estabelecer a base conceitual do estudo. Também foram analisadas referências relacionadas à formação docente e metodologias pedagógicas. Azevedo et al. (2024) contribuíram para a discussão sobre gamificação e metodologias ativas na capacitação de professores. Lima Oliveira et al. (2024) possibilitaram analisar a articulação entre educação especial, AEE, gestão escolar e psicologia institucional. Essas contribuições foram relacionadas ao papel da coordenação na formação continuada. A pesquisa também incorporou estudos sobre tecnologias assistivas e inclusão. Fernández-Batanero et al. (2022) contribuíram para a análise sistemática das tecnologias assistivas na inclusão de estudantes com deficiência. Marcondes et al. (2024) ampliaram a discussão para a relação entre tecnologia assistiva e TEA, enquanto Klavina et al. (2024) contribuíram com elementos relacionados às habilidades práticas e à autonomia. Foram analisadas ainda referências relacionadas ao planejamento inclusivo e às estratégias pedagógicas para estudantes com autismo. Almeida et al. (2026a), Ischkanian et al. (2026a) e Vieira et al. (2026a) foram utilizadas para discutir estratégias, materiais, letramento, comunicação e participação. A análise procurou identificar contribuições que pudessem ser relacionadas à atuação da coordenação pedagógica. As informações foram organizadas e interpretadas de acordo com os objetivos específicos. A análise buscou identificar desafios, possibilidades e relações entre coordenação, professores, estudantes, famílias e equipe escolar. Não foram realizadas entrevistas, questionários ou intervenções diretas, pois o estudo foi estruturado exclusivamente a partir da análise bibliográfica e documental. O percurso metodológico permitiu integrar diferentes dimensões da educação inclusiva em torno da atuação da coordenação pedagógica. A interpretação das referências possibilitou relacionar gestão, formação, acompanhamento, tecnologia e articulação institucional. Os resultados foram organizados de maneira a responder aos objetivos definidos e apresentar uma compreensão integrada do papel da coordenação na construção de práticas inclusivas. 5. RESULTADOS Os resultados demonstraram que o primeiro objetivo específico foi alcançado mediante a identificação dos principais desafios relacionados à atuação da coordenação pedagógica na organização de práticas inclusivas. A análise evidenciou que a coordenação precisa lidar com questões relacionadas ao planejamento, formação, recursos, acompanhamento e articulação Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 136 institucional. Corrêa (2026) contribui para compreender que a inclusão escolar envolve desafios que ultrapassam a atuação isolada do professor. A coordenação assume papel relevante na articulação das diferentes dimensões do trabalho pedagógico. O segundo objetivo específico foi alcançado pela análise da formação continuada como instrumento de fortalecimento das práticas inclusivas. Azevedo et al. (2024) apresentam possibilidades relacionadas a metodologias ativas e gamificação na capacitação de professores, enquanto Lima Oliveira et al. (2024) discutem a articulação entre diferentes dimensões institucionais. Os resultados demonstram que a formação precisa estar relacionada às necessidades reais da equipe escolar. A coordenação pode utilizar situações concretas da escola como ponto de partida para os processos formativos. A análise também demonstrou que a formação docente precisa contemplar conhecimentos sobre diferentes necessidades educacionais. Almeida et al. (2026a) discutem estratégias direcionadas a estudantes com TEA, enquanto Ischkanian et al. (2026a) abordam caminhos inclusivos para letramento e alfabetização. Esses estudos permitiram identificar a importância de ampliar o repertório dos professores. A formação continuada precisa favorecer a capacidade de selecionar, adaptar e acompanhar estratégias pedagógicas. O terceiro objetivo específico foi alcançado mediante análise do acompanhamento da aprendizagem, das tecnologias assistivas e da articulação entre os diferentes sujeitos. FernándezBatanero et al. (2022) demonstram a importância das tecnologias assistivas para inclusão de estudantes com deficiência. Klavina et al. (2024) discutem sua utilização para desenvolvimento de habilidades práticas. Esses resultados reforçam a necessidade de acompanhar não apenas o desempenho acadêmico, mas também a participação e a autonomia. A pesquisa também demonstrou que o acompanhamento da aprendizagem precisa produzir informações para reorganizar o planejamento. Vieira et al. (2026a) discutem estratégias pedagógicas e materiais inclusivos relacionados ao autismo. A coordenação pedagógica pode utilizar essas informações para orientar reuniões de planejamento e formação. O acompanhamento deixa de ser uma atividade burocrática quando contribui efetivamente para decisões pedagógicas. Os resultados indicaram ainda que a tecnologia precisa ser integrada ao planejamento institucional. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam tecnologias assistivas à aprendizagem personalizada, participação e autonomia. Oliveira et al. (2026) discutem possibilidades da inteligência artificial no apoio ao planejamento, inclusão e personalização do ensino. A coordenação pode contribuir para que esses recursos sejam utilizados com intencionalidade e responsabilidade. O percurso da pesquisa permitiu estabelecer relações entre gestão, formação, acompanhamento e recursos pedagógicos. A análise bibliográfica demonstrou que esses AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 137 . elementos não funcionam de maneira isolada. A formação influencia a qualidade do planejamento, o planejamento orienta as estratégias, o acompanhamento produz informações para revisão das práticas e a gestão cria condições para continuidade das ações. A coordenação pedagógica pode articular essas etapas em um processo permanente. O objetivo geral foi alcançado ao evidenciar o papel articulador da coordenação pedagógica na construção de práticas inclusivas. A análise demonstrou que sua atuação pode contribuir para integrar professores, gestão, AEE, famílias e demais profissionais, além de favorecer formação continuada e acompanhamento da aprendizagem. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem uma perspectiva baseada na diversidade das formas de ensinar e aprender, princípio que pode orientar a gestão pedagógica. A coordenação pode transformar esse princípio em ações institucionais planejadas, acompanhadas e avaliadas. 6. CONCLUSÃO A pesquisa permitiu compreender que a coordenação pedagógica possui papel relevante na construção de práticas educacionais inclusivas, especialmente quando sua atuação está vinculada à gestão do trabalho pedagógico, à formação docente e ao acompanhamento da aprendizagem. A inclusão exige ações articuladas e permanentes, envolvendo diferentes profissionais e dimensões da escola. A coordenação pode favorecer respostas institucionais mais organizadas diante desses desafios. A gestão do trabalho pedagógico precisa considerar a diversidade dos estudantes desde o planejamento. A coordenação pode incorporar esse princípio aos momentos de planejamento coletivo, formação e acompanhamento, promovendo estratégias que reconheçam diferentes formas de aprender, participar e se comunicar. A diversidade precisa ser considerada como elemento permanente da organização pedagógica e não como uma demanda pontual. A formação continuada representa uma das principais possibilidades de fortalecimento da prática docente inclusiva. A coordenação pedagógica pode organizar formações relacionadas às necessidades concretas identificadas na escola, considerando as dificuldades encontradas pelos professores e as características dos estudantes atendidos. A formação precisa estar conectada à prática para produzir efeitos no cotidiano educacional e favorecer a construção de respostas pedagógicas mais adequadas. O acompanhamento da aprendizagem também se mostrou essencial para a construção de práticas inclusivas. A avaliação precisa fornecer informações para a reorganização do planejamento, permitindo identificar avanços, dificuldades, barreiras e possibilidades de intervenção. O acompanhamento sistemático contribui para que as decisões pedagógicas sejam fundamentadas nas necessidades observadas durante o processo educativo, respeitando o ritmo e as características de cada estudante. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 138 As tecnologias assistivas representam recursos importantes para ampliar participação e autonomia. A coordenação pedagógica pode contribuir para identificar necessidades, orientar escolhas e apoiar a formação dos professores para utilização adequada desses recursos. A tecnologia precisa estar integrada aos objetivos educacionais, às estratégias pedagógicas e às características dos estudantes, evitando que sua utilização ocorra de maneira desarticulada do processo de ensino e aprendizagem. A articulação entre escola, família e equipe pedagógica também constitui condição importante para o trabalho inclusivo. A coordenação pode organizar espaços de diálogo e compartilhamento de informações pertinentes ao processo educativo, favorecendo maior continuidade entre as ações desenvolvidas pelos diferentes participantes. A colaboração precisa respeitar as atribuições específicas de cada sujeito e valorizar a construção coletiva de estratégias voltadas ao desenvolvimento e à participação dos estudantes. A pesquisa também evidenciou a necessidade de acompanhar as transformações tecnológicas que chegam ao cotidiano escolar. Recursos digitais, tecnologias assistivas e ferramentas de inteligência artificial podem ampliar possibilidades de planejamento, personalização e participação, desde que sejam utilizados com critérios pedagógicos, éticos e educacionais. A inovação precisa estar subordinada às necessidades educacionais e aos objetivos de aprendizagem, mantendo o estudante e seu desenvolvimento como referências centrais do processo. Conclui-se que a coordenação pedagógica pode constituir um eixo articulador da educação inclusiva quando integra gestão, formação, planejamento, acompanhamento, recursos e participação dos diferentes sujeitos. Os objetivos da pesquisa foram alcançados mediante análise bibliográfica e documental, permitindo compreender que práticas inclusivas dependem de continuidade, colaboração e avaliação permanente. A construção de uma escola inclusiva exige que a coordenação ultrapasse uma atuação meramente administrativa e fortaleça sua dimensão formativa e pedagógica. O trabalho coordenado pode contribuir para transformar princípios de inclusão em práticas concretas voltadas à participação, aprendizagem, autonomia e desenvolvimento dos estudantes. REFERENCIA CEDRO, Rosana de Jesus. A coordenação pedagógica na construção de práticas inclusivas: gestão do trabalho pedagógico, formação docente e acompanhamento da aprendizagem. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Autismo não é igual para todos: o papel do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), das tecnologias assistivas e da personalização do ensino na construção de escolas verdadeiramente inclusivas. São Paulo, SP: Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes; Câmara Brasileira do Livro, 2026. ISBN 978-65977483-3-4. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 139 . NEUROPSICOPEDAGOGIA E EDUCAÇÃO ESPECIAL: ESTRATÉGIAS PARA IDENTIFICAÇÃO E SUPERAÇÃO DE BARREIRAS À APRENDIZAGEM. ISBN: 978-65-977483-3-4 Rosana de Jesus Cedro Mestranda em Docência Univesitária – UTN. Pós-graduação: Gestão do Trabalho Pedagogico. Educação Especial. Neuropsicopedagogia. Educação Inclusiva. Livras. Coordenação Pedagogica. 1. INTRODUÇÃO A educação especial fundamentada em princípios inclusivos requer a compreensão de que os estudantes apresentam diferentes formas de aprender, comunicar-se, interagir e desenvolver suas competências. As barreiras à aprendizagem podem estar relacionadas a fatores pedagógicos, comunicacionais, ambientais, tecnológicos, sociais e atitudinais, exigindo da escola respostas que ultrapassem a simples identificação das dificuldades apresentadas pelos estudantes. Nesse contexto, a neuropsicopedagogia pode contribuir para uma compreensão integrada dos processos relacionados à aprendizagem, articulando conhecimentos educacionais e aspectos relacionados ao desenvolvimento cognitivo. A identificação das barreiras à aprendizagem constitui uma etapa importante para a organização de práticas pedagógicas inclusivas. Não se trata de reduzir o estudante às suas dificuldades ou estabelecer uma relação direta entre determinada característica e uma incapacidade para aprender. O trabalho educacional precisa considerar as potencialidades, os interesses, os conhecimentos prévios e as diferentes maneiras pelas quais o estudante participa das experiências escolares. Corrêa (2026) aborda a inclusão escolar como um processo que envolve desafios e possibilidades, destacando a importância de práticas organizadas a partir das necessidades concretas encontradas no contexto educativo. A neuropsicopedagogia pode favorecer uma leitura mais ampla dos processos envolvidos na aprendizagem ao considerar aspectos cognitivos, emocionais, pedagógicos e relacionais. Essa perspectiva permite observar habilidades relacionadas à atenção, memória, linguagem, percepção, funções executivas, comunicação, resolução de problemas e autorregulação, sem transformar essas dimensões em instrumentos de classificação isolada dos estudantes. Lima Oliveira et al. (2024) apresentam a articulação entre educação especial, Transtorno do Espectro Autista, Atendimento Educacional Especializado, gestão escolar e psicologia institucional como possibilidade de fortalecimento do desenvolvimento integral. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 140 No campo da educação especial, a compreensão das características individuais precisa estar associada à análise das condições oferecidas pelo ambiente escolar. Uma dificuldade observada durante determinada atividade não necessariamente representa uma incapacidade permanente do estudante, podendo estar relacionada à forma de apresentação da proposta, ao excesso de estímulos, à ausência de recursos acessíveis ou à inadequação das estratégias utilizadas. Fernández-Batanero et al. (2022) destacam a relevância das tecnologias assistivas para favorecer a inclusão de estudantes com deficiência, evidenciando que recursos apropriados podem ampliar possibilidades de participação. A aprendizagem também pode ser favorecida por experiências pedagógicas diversificadas, especialmente quando as atividades permitem participação ativa, interação e utilização de diferentes linguagens. O brincar, os jogos, os recursos visuais, as experiências práticas e as metodologias ativas podem ampliar oportunidades de aprendizagem quando planejados de acordo com os objetivos educacionais. Almeida et al. (2025) discutem a relação entre ludicidade e aprendizagem significativa, evidenciando a importância das experiências educativas que envolvem participação e construção ativa de conhecimentos. No caso de estudantes autistas, a identificação das barreiras precisa considerar a heterogeneidade existente dentro do próprio espectro. Estudantes podem apresentar diferentes necessidades relacionadas à comunicação, interação social, flexibilidade, processamento sensorial, atenção e organização das atividades. Almeida et al. (2026a) abordam estratégias que envolvem TEACCH, ABA, Comunicação Alternativa, Integração Sensorial e metodologias ativas, indicando a importância de selecionar recursos e estratégias de acordo com as características e necessidades educacionais de cada estudante. O Desenho Universal para a Aprendizagem também contribui para essa discussão ao propor diferentes possibilidades de representação, participação e expressão. A perspectiva universal desloca a atenção de uma prática centrada exclusivamente na adaptação posterior para uma organização pedagógica que procura antecipar a diversidade presente na sala de aula. Brazão et al. (2023) analisam abordagens do Design Universal no ensino e aprendizagem de crianças autistas, enquanto Barrera Ciurana e Moliner García (2024) discutem a percepção de estudantes autistas sobre o uso do Desenho Universal para a Aprendizagem no ensino superior. Diante desse contexto, investigar a relação entre neuropsicopedagogia e educação especial torna-se relevante para compreender estratégias de identificação e superação de barreiras à aprendizagem. A pesquisa concentra-se na possibilidade de articular observação pedagógica, compreensão dos processos de aprendizagem, recursos acessíveis, estratégias diferenciadas e acompanhamento contínuo. O propósito não é estabelecer modelos rígidos de intervenção, mas discutir caminhos que contribuam para uma educação capaz de reconhecer AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 141 . diferenças, ampliar participação e favorecer o desenvolvimento das potencialidades dos estudantes. 2. DESENVOLVIMENTO A relação entre neuropsicopedagogia e educação especial pode ser compreendida a partir da necessidade de analisar a aprendizagem em sua complexidade. O processo educativo não depende exclusivamente das capacidades individuais do estudante, pois também está relacionado às oportunidades de participação, aos recursos disponíveis, às estratégias utilizadas e às condições oferecidas pela instituição. A identificação das barreiras precisa, portanto, considerar tanto as características do estudante quanto os elementos presentes no contexto escolar. A observação pedagógica constitui uma ferramenta importante para conhecer as formas de participação e aprendizagem dos estudantes. O professor pode acompanhar como o estudante inicia uma tarefa, mantém a atenção, compreende instruções, utiliza materiais, comunica necessidades, interage com colegas e responde às diferentes propostas. Esses registros podem contribuir para identificar situações que favorecem ou dificultam a aprendizagem, evitando interpretações baseadas em episódios isolados. As dificuldades de aprendizagem podem manifestar-se de diferentes maneiras e em diferentes momentos. Alguns estudantes podem apresentar dificuldades relacionadas à leitura e escrita, enquanto outros podem encontrar barreiras na comunicação, organização das tarefas, resolução de problemas, atenção ou interação. Ischkanian et al. (2026a), ao discutirem caminhos inclusivos para o letramento e a alfabetização de estudantes autistas, reforçam a importância de estratégias pedagógicas que reconheçam singularidades e possibilitem diferentes formas de acesso ao conhecimento. A intervenção pedagógica precisa estar relacionada às necessidades identificadas durante o acompanhamento. Quando uma atividade apresenta obstáculos para determinado estudante, a equipe escolar pode modificar instruções, tempo, materiais, recursos visuais, organização do espaço, formas de resposta e estratégias de mediação. Ischkanian e Ischkanian (2026) defendem a necessidade de ensinar de maneiras diferentes, princípio que favorece uma concepção de aprendizagem baseada na diversidade dos sujeitos. A superação de barreiras também envolve o fortalecimento da formação docente. Professores precisam dispor de conhecimentos que permitam reconhecer diferentes necessidades educacionais e selecionar estratégias coerentes com os objetivos de aprendizagem. Azevedo et al. (2024) discutem metodologias ativas e gamificação na capacitação de professores, evidenciando possibilidades de formação relacionadas à utilização de estratégias pedagógicas capazes de ampliar o envolvimento dos estudantes. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 142 Os recursos tecnológicos podem desempenhar função complementar no processo inclusivo. Tecnologias assistivas, ferramentas digitais, recursos de comunicação alternativa e materiais adaptados podem facilitar acesso às atividades, expressão das aprendizagens e participação nas experiências escolares. Marcondes et al. (2024) analisam a potencialidade da tecnologia assistiva para o ensino de estudantes autistas, contribuindo para a discussão sobre o uso pedagógico planejado desses recursos. A identificação das barreiras não deve ocorrer de forma isolada por um único profissional. A articulação entre professores, coordenação pedagógica, Atendimento Educacional Especializado, família e demais profissionais envolvidos pode ampliar a compreensão das necessidades educacionais. A troca de informações permite observar o estudante em diferentes contextos e construir estratégias mais coerentes com sua realidade, preservando as atribuições e responsabilidades de cada participante. Nesse sentido, a neuropsicopedagogia e a educação especial podem estabelecer uma relação produtiva quando o conhecimento sobre os processos de aprendizagem é utilizado para ampliar possibilidades pedagógicas. A finalidade do trabalho deve permanecer vinculada à participação, aprendizagem, autonomia e desenvolvimento do estudante. A identificação de uma barreira somente adquire sentido educacional quando conduz à construção de estratégias capazes de reduzir seus efeitos e ampliar as oportunidades de aprendizagem. 2.1. PROCESSOS COGNITIVOS, APRENDIZAGEM E IDENTIFICAÇÃO DE BARREIRAS Os processos cognitivos possuem relação direta com diversas experiências de aprendizagem, incluindo atenção, memória, linguagem, percepção, planejamento, organização e resolução de problemas. A análise desses processos pode auxiliar o professor a compreender determinadas manifestações observadas durante as atividades escolares. Essa compreensão precisa ser utilizada como elemento para orientar estratégias pedagógicas, evitando que características cognitivas sejam interpretadas de maneira determinista. A atenção, por exemplo, pode variar de acordo com o ambiente, a complexidade da tarefa, a duração da atividade e o interesse despertado pelo conteúdo. Um estudante que apresenta dificuldade para permanecer atento em uma atividade extensa pode apresentar participação diferenciada quando a proposta é dividida em etapas menores ou acompanhada de recursos visuais. A análise pedagógica precisa considerar as condições nas quais determinada habilidade é solicitada. A memória também participa da construção de conhecimentos, pois permite registrar, organizar e recuperar informações necessárias à realização das tarefas. Estratégias como repetição significativa, associação entre informações, utilização de imagens, organização AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 143 . sequencial e retomada de conhecimentos prévios podem favorecer a aprendizagem. O planejamento dessas estratégias precisa considerar o nível de desenvolvimento e as características de cada estudante. As funções executivas estão relacionadas a habilidades utilizadas para planejar ações, controlar respostas, organizar informações, monitorar atividades e adaptar comportamentos diante de mudanças. Em situações escolares, dificuldades nessas funções podem aparecer como desorganização de materiais, dificuldade para iniciar tarefas, problemas para seguir sequências ou necessidade de mediação frequente. A escola pode reduzir essas barreiras utilizando rotinas estruturadas, agendas visuais, instruções objetivas e divisão das atividades em etapas. A linguagem representa outra dimensão relevante, especialmente para estudantes que apresentam necessidades relacionadas à comunicação. O acesso ao conhecimento pode ser prejudicado quando as informações são apresentadas exclusivamente por uma modalidade comunicativa. Ischkanian et al. (2024) discutem avanços relacionados ao diagnóstico precoce do autismo e apresentam diferentes ferramentas e possibilidades de compreensão das características do transtorno, contribuindo para uma visão que reconhece a diversidade das manifestações. A neuropsicopedagogia pode contribuir para a análise das relações entre aprendizagem, desenvolvimento e contexto educacional, mas sua utilização precisa permanecer articulada aos limites e às atribuições profissionais de cada área. A identificação pedagógica de uma barreira não deve ser confundida com diagnóstico clínico. O ambiente escolar pode observar comportamentos e necessidades educacionais e, quando necessário, promover encaminhamentos adequados aos profissionais responsáveis por avaliações específicas. A observação de habilidades cognitivas também pode favorecer o reconhecimento das potencialidades. Um estudante pode apresentar dificuldade em determinada tarefa e demonstrar desempenho expressivo em outra atividade que utilize recursos visuais, experiências práticas, interesses específicos ou estratégias diferenciadas. O trabalho inclusivo precisa registrar essas possibilidades para que sejam utilizadas como pontos de apoio no planejamento pedagógico. Portanto, a identificação das barreiras relacionadas aos processos cognitivos deve ocorrer de maneira contextualizada, contínua e pedagógica. O objetivo é compreender quais condições favorecem a aprendizagem e quais elementos podem ser reorganizados para ampliar a participação. 2.2. ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS PARA SUPERAÇÃO DAS BARREIRAS À APRENDIZAGEM A superação das barreiras à aprendizagem requer planejamento pedagógico intencional. As estratégias precisam estar relacionadas aos objetivos educacionais e às necessidades observadas durante o acompanhamento dos estudantes. A escolha de uma atividade diferenciada Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 144 não deve ocorrer apenas para modificar a tarefa, mas para ampliar as possibilidades de acesso ao conhecimento e de demonstração da aprendizagem. O uso de atividades lúdicas pode constituir uma estratégia importante, principalmente quando os conteúdos escolares são apresentados por meio de experiências significativas. Jogos, brincadeiras, desafios e atividades interativas podem estimular participação, comunicação, resolução de problemas e cooperação. Almeida et al. (2025) discutem a importância do brincar para o desenvolvimento infantil, destacando o potencial das experiências lúdicas para favorecer processos de aprendizagem significativa. As metodologias ativas também podem contribuir para ampliar a participação dos estudantes. Propostas baseadas em investigação, resolução de problemas, projetos, desafios e produção colaborativa permitem que os estudantes assumam diferentes papéis no processo educativo. Azevedo et al. (2024) relacionam metodologias ativas e gamificação à formação docente, demonstrando a necessidade de preparar professores para utilizar estratégias diversificadas de maneira pedagogicamente planejada. A organização das atividades pode ser modificada para favorecer previsibilidade e compreensão. Rotinas visuais, instruções segmentadas, modelos de execução, materiais concretos e antecipação das etapas podem auxiliar estudantes que apresentam dificuldades de organização ou compreensão de tarefas. No trabalho com estudantes autistas, estratégias estruturadas podem ser especialmente relevantes quando associadas às necessidades individuais. A comunicação alternativa e aumentativa também pode representar importante recurso de acessibilidade. Sistemas de símbolos, imagens, pranchas, dispositivos e outras formas de comunicação podem ampliar a possibilidade de expressão de estudantes que apresentam dificuldades na comunicação oral. Almeida et al. (2026a) discutem a Comunicação Alternativa em articulação com outras estratégias voltadas ao desenvolvimento de competências e autonomia de estudantes autistas. A aprendizagem personalizada exige que as estratégias sejam acompanhadas e ajustadas. Uma estratégia que favorece determinado estudante pode precisar de modificações para outro, mesmo quando ambos apresentam características semelhantes. A personalização não significa elaborar uma prática completamente isolada para cada estudante, mas criar possibilidades flexíveis de participação dentro de uma organização pedagógica inclusiva. As tecnologias assistivas podem ampliar a autonomia quando selecionadas de acordo com as necessidades funcionais e educacionais. Fernández-Batanero et al. (2022) analisam a contribuição dessas tecnologias para a inclusão de estudantes com deficiência, enquanto Klavina et al. (2024) discutem sua utilização para promoção de habilidades práticas em pessoas com autismo e deficiência intelectual. A escolha do recurso precisa considerar sua funcionalidade e sua integração aos objetivos educacionais. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 145 . A superação das barreiras depende, portanto, da combinação entre planejamento, mediação, recursos acessíveis e acompanhamento. Não existe uma única estratégia capaz de responder à diversidade presente nas salas de aula. A escola precisa construir um repertório pedagógico amplo e utilizar diferentes possibilidades de acordo com as respostas apresentadas pelos estudantes, mantendo o foco na aprendizagem, participação, autonomia e desenvolvimento. 2.3. EDUCAÇÃO ESPECIAL, AUTISMO E PERSONALIZAÇÃO DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS A educação especial precisa reconhecer que os estudantes apresentam diferentes necessidades e potencialidades. No caso do Transtorno do Espectro Autista, essa diversidade é especialmente relevante, pois as características relacionadas à comunicação, interação, comportamento, processamento sensorial e aprendizagem podem apresentar diferentes intensidades e manifestações. Por essa razão, estratégias pedagógicas precisam ser organizadas de maneira individualizada e contextualizada. O planejamento educacional para estudantes autistas pode considerar interesses, formas preferenciais de comunicação, recursos visuais, organização da rotina, experiências sensoriais e modos de participação. Almeida et al. (2026a) discutem diferentes estratégias, incluindo TEACCH, ABA, Comunicação Alternativa, Integração Sensorial e metodologias ativas, mostrando que diferentes abordagens podem compor práticas pedagógicas planejadas de acordo com as necessidades educacionais. A alfabetização e o letramento também demandam estratégias que respeitem diferentes formas de acesso às atividades. Recursos visuais, materiais concretos, atividades graduadas, jogos, tecnologias e experiências contextualizadas podem contribuir para ampliar o envolvimento dos estudantes. Ischkanian et al. (2026a) abordam caminhos inclusivos para o letramento e a alfabetização de estudantes autistas nos diferentes níveis de suporte, enfatizando a importância de práticas que considerem singularidades. A adaptação pedagógica precisa evitar a redução das expectativas de aprendizagem. Adaptar uma atividade significa modificar caminhos, recursos, formas de apresentação ou expressão para possibilitar participação, preservando sempre que possível os objetivos educacionais essenciais. A inclusão não consiste em oferecer tarefas simplificadas sem relação com o currículo, mas em construir acessos diferenciados aos conhecimentos e competências trabalhados. O Desenho Universal para a Aprendizagem oferece contribuições importantes para essa organização. Brazão et al. (2023) analisam abordagens do Design Universal no ensino e aprendizagem de crianças autistas, evidenciando a importância de pensar previamente em diferentes formas de acesso e participação. Essa perspectiva favorece a construção de propostas Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 146 que contemplem diferentes modos de apresentar informações, envolver estudantes e permitir demonstração das aprendizagens. As experiências de estudantes autistas também precisam ser consideradas na organização das práticas inclusivas. Barrera Ciurana e Moliner García (2024) investigam as percepções de estudantes autistas sobre a contribuição do Desenho Universal para a Aprendizagem no ensino superior. A escuta dos próprios estudantes pode oferecer informações relevantes para compreender quais estratégias facilitam ou dificultam sua participação. A personalização das práticas pedagógicas também depende de acompanhamento sistemático. Registros de aprendizagem, observações, produções, participação nas atividades e respostas às intervenções podem auxiliar a equipe escolar a avaliar a adequação das estratégias utilizadas. A partir dessas informações, o planejamento pode ser reorganizado para ampliar possibilidades de aprendizagem. A educação especial, portanto, precisa articular reconhecimento das singularidades e garantia de participação no currículo. A personalização não deve significar isolamento do estudante em relação à turma, mas construção de caminhos que permitam sua participação nas experiências coletivas. O trabalho pedagógico inclusivo procura equilibrar necessidades individuais, objetivos curriculares, interação social, autonomia e pertencimento ao espaço escolar. 2.4. TECNOLOGIAS ASSISTIVAS, RECURSOS DIGITAIS E ACESSIBILIDADE As tecnologias assistivas podem contribuir para reduzir barreiras relacionadas à comunicação, mobilidade, acesso à informação, realização de tarefas e participação educacional. Seu potencial depende da escolha adequada do recurso e da forma como ele é integrado ao planejamento pedagógico. O recurso tecnológico não constitui uma solução isolada, pois precisa estar relacionado às necessidades funcionais e educacionais do estudante. Fernández-Batanero et al. (2022) apresentam uma revisão sistemática sobre tecnologia assistiva para inclusão de estudantes com deficiência, evidenciando sua relevância no contexto educacional. Os recursos podem favorecer acesso às atividades e ampliar oportunidades de participação, mas sua efetividade depende de fatores como formação dos profissionais, disponibilidade, adequação e acompanhamento do uso. No trabalho com estudantes autistas, recursos tecnológicos podem apoiar comunicação, organização, aprendizagem e desenvolvimento de habilidades práticas. Klavina et al. (2024) analisam o uso de tecnologia assistiva para promover habilidades práticas em pessoas com autismo e deficiência intelectual. Essa contribuição reforça a necessidade de considerar a funcionalidade do recurso e sua relação com situações reais de aprendizagem e autonomia. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 147 . Os recursos digitais também podem diversificar as formas de apresentação dos conteúdos. Vídeos, imagens, animações, plataformas interativas, aplicativos educacionais e atividades multimodais podem oferecer diferentes caminhos para acesso às informações. Entretanto, a utilização da tecnologia precisa ser acompanhada por objetivos pedagógicos claros, evitando que a novidade tecnológica substitua o planejamento e a mediação docente. A aprendizagem personalizada pode ser favorecida quando os recursos digitais permitem diferentes níveis de complexidade, ritmos de execução ou formas de resposta. Lima Oliveira et al. (2026) relacionam tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada à ampliação da participação e da autonomia de estudantes com deficiência. A personalização pode ser fortalecida quando a tecnologia é utilizada como meio de acessibilidade e não como finalidade do processo educativo. A inteligência artificial também começa a ocupar espaço nas discussões sobre planejamento e personalização do ensino. Oliveira et al. (2026) discutem possibilidades de utilização da inteligência artificial como apoio ao planejamento, à inclusão e à personalização. Seu uso educacional exige atenção à privacidade, à qualidade das informações, à mediação humana e à necessidade de preservar a autonomia profissional e pedagógica. A acessibilidade tecnológica também depende da preparação dos profissionais. Professores precisam compreender as funcionalidades dos recursos disponíveis e saber avaliar se determinado recurso efetivamente contribui para o objetivo educacional. A formação continuada pode favorecer escolhas mais conscientes e reduzir situações em que tecnologias são utilizadas sem relação com as necessidades dos estudantes. Por conseguinte, as tecnologias assistivas e os recursos digitais devem ser compreendidos como componentes de uma organização pedagógica mais ampla. Quando articulados ao planejamento, à acessibilidade, à formação docente e ao acompanhamento da aprendizagem, podem ampliar possibilidades de participação e autonomia. Sua utilização precisa permanecer orientada pelas necessidades educacionais e pelos direitos de aprendizagem dos estudantes. 2.5. ARTICULAÇÃO ENTRE NEUROPSICOPEDAGOGIA, ESCOLA, FAMÍLIA E EQUIPE MULTIPROFISSIONAL A identificação e a superação de barreiras à aprendizagem exigem articulação entre diferentes sujeitos envolvidos no processo educacional. Professores, coordenação pedagógica, profissionais do Atendimento Educacional Especializado, família e profissionais de outras áreas podem contribuir com informações distintas sobre o estudante. A integração dessas perspectivas favorece uma compreensão mais ampla das situações que interferem na participação e na aprendizagem. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 148 A escola possui papel central na organização das estratégias educacionais. Cabe à equipe pedagógica acompanhar o desenvolvimento escolar, analisar as respostas dos estudantes às propostas e promover ajustes quando necessário. A neuropsicopedagogia pode contribuir para ampliar a compreensão dos processos de aprendizagem, desde que sua atuação esteja articulada às atribuições dos demais profissionais e às finalidades educacionais. A família também possui conhecimentos importantes sobre características, interesses, formas de comunicação, preferências e necessidades do estudante. O diálogo com os familiares pode contribuir para compreender comportamentos e situações que nem sempre são observados no ambiente escolar. Essa comunicação precisa ocorrer de maneira respeitosa, preservando informações pertinentes ao processo educativo e evitando responsabilizar a família pelas dificuldades encontradas. A equipe multiprofissional pode contribuir quando determinadas situações exigem conhecimentos específicos. A escola pode realizar encaminhamentos quando identificar necessidades que ultrapassem sua competência pedagógica, respeitando os limites entre observação educacional, avaliação especializada e diagnóstico clínico. O trabalho articulado permite que diferentes conhecimentos sejam utilizados de forma complementar. O planejamento educacional individualizado pode constituir instrumento de articulação entre os profissionais. Nele podem ser registrados objetivos, estratégias, recursos, formas de acompanhamento e critérios para avaliação da aprendizagem. A documentação do processo contribui para garantir continuidade das ações, especialmente quando diferentes profissionais participam do atendimento do estudante. A coordenação pedagógica possui função importante nesse processo ao promover espaços de diálogo, planejamento e acompanhamento. A organização de reuniões pedagógicas, estudos de caso, formações e momentos de avaliação pode favorecer a construção coletiva de estratégias. A comunicação entre os profissionais precisa ser contínua para evitar ações fragmentadas ou contraditórias. A articulação institucional também favorece a continuidade das estratégias utilizadas em diferentes espaços. Quando professores, família e demais profissionais compartilham informações relevantes, torna-se possível construir maior coerência entre objetivos e formas de intervenção. Lima Oliveira et al. (2024) destacam a articulação entre diferentes dimensões da educação inclusiva como elemento relacionado ao desenvolvimento integral do estudante. Portanto, a superação das barreiras à aprendizagem não depende exclusivamente da atuação individual do professor ou de um único campo profissional. Trata-se de uma responsabilidade compartilhada, organizada a partir das necessidades educacionais do estudante e das condições concretas da instituição. A articulação entre neuropsicopedagogia, educação AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 149 . especial, escola, família e equipe multiprofissional pode fortalecer práticas que valorizem participação, aprendizagem, comunicação e autonomia. 3. OBJETIVOS 3.1. Geral Analisar as contribuições da neuropsicopedagogia articulada à educação especial para a identificação e a superação de barreiras à aprendizagem, considerando estratégias pedagógicas, recursos acessíveis, processos cognitivos, personalização do ensino e articulação entre os diferentes sujeitos envolvidos no processo educacional. 3.2. Específicos Identificar as principais barreiras cognitivas, pedagógicas, comunicacionais e tecnológicas que podem interferir na aprendizagem e participação de estudantes no contexto da educação especial. Analisar estratégias neuropsicopedagógicas, pedagógicas, lúdicas, inclusivas e tecnológicas que possam contribuir para reduzir barreiras e ampliar aprendizagem, participação e autonomia. Discutir a importância da articulação entre professores, coordenação pedagógica, Atendimento Educacional Especializado, família e profissionais especializados para o acompanhamento e a personalização das práticas educacionais inclusivas. 4. MATERIAIS E MÉTODOS A pesquisa foi desenvolvida por meio de abordagem qualitativa, com caráter bibliográfico e documental, buscando analisar contribuições relacionadas à neuropsicopedagogia, educação especial, inclusão, aprendizagem, tecnologias assistivas e estratégias pedagógicas. A escolha dessa abordagem permitiu reunir e interpretar conhecimentos produzidos em livros, capítulos, artigos científicos e documentos relacionados ao tema. O percurso metodológico foi organizado de acordo com os objetivos estabelecidos para o estudo. Inicialmente, realizou-se a delimitação temática a partir da relação entre processos de aprendizagem, educação especial e identificação de barreiras. Foram considerados estudos que discutem aspectos relacionados ao desenvolvimento, autismo, inclusão, tecnologias assistivas, metodologias pedagógicas, Desenho Universal para a Aprendizagem e formação profissional. Essa etapa permitiu estabelecer os principais eixos de análise utilizados posteriormente. O levantamento bibliográfico contemplou as obras disponibilizadas para fundamentação da pesquisa, priorizando produções diretamente relacionadas ao tema. Foram considerados trabalhos sobre ludicidade, metodologias ativas, educação inclusiva, neurodesenvolvimento, Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 150 autismo, alfabetização, tecnologias assistivas, acessibilidade e inteligência artificial. A seleção buscou estabelecer relações entre diferentes perspectivas educacionais e a necessidade de redução das barreiras à aprendizagem. Na etapa seguinte, os materiais foram organizados de acordo com categorias temáticas. Entre as categorias analisadas estiveram processos cognitivos, identificação de barreiras, estratégias pedagógicas, personalização do ensino, tecnologias assistivas, comunicação, participação, autonomia e articulação entre profissionais. Essa organização possibilitou relacionar os conteúdos encontrados aos objetivos específicos da pesquisa. A análise foi realizada de maneira interpretativa, considerando as contribuições dos autores para a compreensão do problema investigado. Não se buscou quantificar resultados, mas identificar conceitos, estratégias e relações recorrentes nas produções selecionadas. A análise qualitativa possibilitou compreender como diferentes recursos podem contribuir para responder às necessidades educacionais dos estudantes. Também foram considerados estudos relacionados especificamente ao autismo e às práticas inclusivas. Essa delimitação foi importante porque estudantes autistas apresentam diferentes características e necessidades, exigindo estratégias que respeitem suas singularidades. As produções analisadas foram utilizadas para discutir recursos estruturados, comunicação alternativa, tecnologias assistivas, metodologias ativas e possibilidades de personalização. A pesquisa também considerou a relação entre práticas pedagógicas e recursos tecnológicos. Foram analisadas contribuições referentes às tecnologias assistivas e aos recursos digitais como instrumentos de acessibilidade, comunicação, participação e autonomia. A análise procurou evitar uma concepção tecnicista, considerando que a utilização dos recursos precisa estar subordinada aos objetivos educacionais e às necessidades dos estudantes. Por fim, os resultados encontrados foram organizados de acordo com os objetivos da pesquisa e discutidos em relação ao problema investigado. O percurso metodológico permitiu reunir diferentes contribuições e estabelecer conexões entre identificação de barreiras, planejamento pedagógico, formação docente, acessibilidade, tecnologias e acompanhamento da aprendizagem. A interpretação dos materiais fundamentou a elaboração das considerações apresentadas nas seções seguintes. 5. RESULTADOS Os resultados indicaram que o primeiro objetivo específico, relacionado à identificação das principais barreiras à aprendizagem, foi alcançado mediante análise das produções selecionadas sobre processos cognitivos, educação especial, autismo, inclusão e acessibilidade. A pesquisa evidenciou que as barreiras podem envolver aspectos relacionados à atenção, comunicação, organização, linguagem, acesso aos materiais, ambiente, recursos e práticas AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 151 . pedagógicas. A análise também permitiu compreender que uma mesma dificuldade pode apresentar diferentes causas e manifestações conforme o contexto educacional. O segundo objetivo específico, voltado à análise de estratégias para redução das barreiras, foi alcançado por meio da identificação de diferentes possibilidades pedagógicas. Foram observadas estratégias lúdicas, metodologias ativas, recursos estruturados, comunicação alternativa, materiais adaptados, tecnologias assistivas e propostas baseadas no Desenho Universal para a Aprendizagem. Os resultados indicaram que a diversidade de estratégias amplia as possibilidades de participação quando os recursos são selecionados de acordo com os objetivos educacionais e as necessidades dos estudantes. O terceiro objetivo específico, relacionado à articulação entre profissionais, família e escola, também foi contemplado pela análise das produções selecionadas. Os resultados demonstraram a importância do planejamento compartilhado, do acompanhamento sistemático e da comunicação entre os sujeitos envolvidos. A construção de práticas inclusivas depende de ações coordenadas, pois diferentes profissionais podem contribuir com informações e estratégias complementares. O objetivo geral foi alcançado pela articulação dos três eixos investigados. A análise permitiu compreender que a neuropsicopedagogia pode contribuir para ampliar a compreensão dos processos relacionados à aprendizagem, enquanto a educação especial oferece princípios e estratégias voltados à garantia de participação e acessibilidade. A integração desses conhecimentos pode favorecer uma leitura mais ampla das barreiras e das possibilidades de intervenção pedagógica. O percurso da pesquisa iniciou-se pela definição do problema e dos objetivos, seguido pelo levantamento e organização das produções bibliográficas e documentais. Posteriormente, os materiais foram agrupados em categorias temáticas, permitindo identificar contribuições relacionadas aos processos cognitivos, estratégias pedagógicas, tecnologias assistivas, personalização e articulação institucional. Esse percurso possibilitou uma análise organizada e coerente com a proposta do estudo. Entre os resultados identificados, destacou-se a importância de não interpretar a dificuldade apresentada pelo estudante de maneira isolada. O desempenho depende também das condições em que a aprendizagem ocorre, dos recursos disponibilizados, da mediação docente e da organização das atividades. A pesquisa demonstrou, portanto, que a identificação de barreiras precisa ser acompanhada da análise das condições pedagógicas que podem ser modificadas para favorecer a participação. Outro resultado relevante foi a compreensão de que as tecnologias assistivas e os recursos digitais podem ampliar possibilidades de aprendizagem, comunicação e autonomia. Entretanto, os recursos não substituem o planejamento e a mediação pedagógica. Sua Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 152 contribuição depende da adequação às necessidades dos estudantes, da formação dos profissionais e do acompanhamento dos resultados obtidos durante sua utilização. De maneira geral, os resultados demonstraram que a superação das barreiras à aprendizagem depende de uma perspectiva educacional que valorize diversidade, acessibilidade, flexibilidade pedagógica e acompanhamento contínuo. A neuropsicopedagogia pode contribuir para compreender diferentes dimensões relacionadas à aprendizagem, enquanto a educação especial fortalece a construção de estratégias inclusivas. A articulação entre conhecimentos, profissionais, recursos e práticas constitui elemento importante para transformar a identificação das barreiras em ações educacionais concretas. 6. CONCLUSÃO A pesquisa permitiu compreender que a relação entre neuropsicopedagogia e educação especial pode contribuir para uma compreensão mais ampla das barreiras que interferem na aprendizagem. A identificação dessas barreiras precisa considerar não apenas as características individuais dos estudantes, mas também as condições pedagógicas, comunicacionais, ambientais e tecnológicas oferecidas pela escola. A aprendizagem ocorre em um contexto que pode favorecer ou dificultar a participação. Os resultados evidenciaram que a observação sistemática constitui instrumento importante para compreender como cada estudante participa das atividades, utiliza recursos, responde às propostas e demonstra seus conhecimentos. A identificação de dificuldades precisa ser acompanhada pela busca de possibilidades de intervenção, evitando interpretações que reduzam o estudante às suas limitações. O acompanhamento contínuo permite reorganizar práticas e ampliar oportunidades de aprendizagem. As estratégias pedagógicas diferenciadas também se mostraram relevantes para a superação das barreiras. Atividades lúdicas, metodologias ativas, recursos visuais, comunicação alternativa, materiais adaptados, propostas estruturadas e diferentes formas de expressão podem ampliar a participação dos estudantes. A utilização dessas estratégias precisa estar vinculada aos objetivos educacionais e às necessidades observadas no cotidiano escolar. A pesquisa também evidenciou a importância da personalização do ensino. Considerar as características, interesses, formas de comunicação, ritmos e possibilidades dos estudantes não significa afastá-los das experiências coletivas, mas criar condições para que participem delas. A personalização pode ocorrer por meio de diferentes caminhos de acesso aos conteúdos, realização das atividades e demonstração das aprendizagens. As tecnologias assistivas e os recursos digitais constituem possibilidades importantes para ampliar acessibilidade e autonomia. Entretanto, sua utilização precisa ser planejada e acompanhada, considerando sua funcionalidade e sua relação com os objetivos educacionais. A AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 153 . tecnologia adquire maior significado pedagógico quando contribui para reduzir uma barreira concreta e ampliar as possibilidades de participação do estudante. Outro aspecto identificado foi a necessidade de fortalecer a articulação entre escola, família, professores, coordenação pedagógica, Atendimento Educacional Especializado e profissionais especializados. A construção de estratégias inclusivas exige comunicação, planejamento compartilhado e acompanhamento contínuo. A colaboração entre os diferentes sujeitos permite reunir informações e conhecimentos que contribuem para uma compreensão mais ampla das necessidades educacionais. Os objetivos propostos foram alcançados por meio da análise bibliográfica e documental, que possibilitou identificar barreiras relacionadas aos processos de aprendizagem, discutir estratégias para sua superação e compreender a importância da articulação entre os diferentes participantes do processo educativo. O percurso da pesquisa permitiu organizar os conhecimentos encontrados em categorias relacionadas à aprendizagem, inclusão, acessibilidade, tecnologia e práticas pedagógicas. Conclui-se que a neuropsicopedagogia articulada à educação especial pode contribuir para fortalecer práticas educacionais voltadas à participação, aprendizagem, autonomia e desenvolvimento dos estudantes. A superação das barreiras depende de uma escola capaz de observar, planejar, adaptar, acompanhar e reorganizar suas práticas continuamente. Uma educação inclusiva se concretiza quando as diferenças são reconhecidas como parte da realidade escolar e quando o trabalho pedagógico cria diferentes possibilidades para que todos possam aprender e participar. REFERENCIA CEDRO, Rosana de Jesus. Neuropsicopedagogia e educação especial: estratégias para identificação e superação de barreiras à aprendizagem. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Autismo não é igual para todos: o papel do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), das tecnologias assistivas e da personalização do ensino na construção de escolas verdadeiramente inclusivas. São Paulo, SP: Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes; Câmara Brasileira do Livro, 2026. ISBN 978-65-977483-3-4. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 154 LIBRAS E EDUCAÇÃO INCLUSIVA: DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO, FORMAÇÃO DOCENTE E PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES SURDOS NO CONTEXTO EDUCACIONAL. ISBN: 978-65-977483-3-4 Rosana de Jesus Cedro Mestranda em Docência Univesitária – UTN. Pós-graduação: Gestão do Trabalho Pedagogico. Educação Especial. Neuropsicopedagogia. Educação Inclusiva. Livras. Coordenação Pedagogica. 1. INTRODUÇÃO A educação inclusiva pressupõe a construção de condições que possibilitem acesso, participação, aprendizagem, comunicação e desenvolvimento de todos os estudantes. No caso dos estudantes surdos, a dimensão linguística ocupa posição central, pois a comunicação constitui elemento indispensável para a interação social, o acesso ao currículo e a construção dos conhecimentos escolares. A Língua Brasileira de Sinais, Libras, possui reconhecimento legal como meio de comunicação e expressão, sendo definida pela legislação brasileira como um sistema linguístico de natureza visual-motora e estrutura gramatical própria. A presença da Libras no espaço educacional não pode ser compreendida apenas como disponibilização de um recurso comunicacional. Ela está relacionada às possibilidades de participação dos estudantes surdos nas atividades escolares, à interação com professores e colegas e ao acesso aos conteúdos curriculares. A legislação brasileira estabeleceu parâmetros para sua utilização e difusão e determinou sua inserção na formação de professores, criando responsabilidades para os sistemas educacionais quanto à preparação dos profissionais que atuam com estudantes surdos. A formação docente constitui, nesse cenário, uma dimensão fundamental da inclusão. O professor precisa desenvolver conhecimentos que possibilitem reconhecer diferentes formas de comunicação, planejar atividades acessíveis e utilizar recursos visuais de maneira pedagogicamente intencional. Azevedo et al. (2024), ao discutirem formação docente, metodologias ativas e recursos educacionais, evidenciam a importância de preparar os profissionais para práticas que ultrapassem modelos tradicionais de ensino e ampliem as possibilidades de participação dos estudantes. A comunicação educacional também está relacionada à organização dos materiais e das estratégias pedagógicas. Recursos visuais, vídeos com acessibilidade, apresentações estruturadas, imagens, atividades práticas e diferentes formas de expressão podem favorecer o acesso aos AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 155 . conteúdos. A perspectiva da educação inclusiva requer que os recursos sejam planejados considerando a diversidade presente na sala de aula, evitando que a comunicação seja estruturada exclusivamente a partir das necessidades dos estudantes ouvintes. A tecnologia assistiva pode contribuir para ampliar as possibilidades de comunicação e participação de estudantes com diferentes necessidades educacionais. Fernández-Batanero et al. (2022) analisam a contribuição dessas tecnologias para a inclusão de estudantes com deficiência, evidenciando que recursos tecnológicos podem favorecer o acesso às atividades quando selecionados de acordo com necessidades concretas. No contexto dos estudantes surdos, recursos digitais podem complementar práticas linguísticas e pedagógicas, especialmente quando associados à acessibilidade comunicacional. A educação bilíngue de surdos ocupa lugar específico nesse debate. A legislação educacional brasileira passou a reconhecer formalmente a educação bilíngue de surdos como modalidade que utiliza Libras como primeira língua e português escrito como segunda língua, podendo ser ofertada em escolas e classes bilíngues, escolas comuns ou polos de educação bilíngue, conforme as condições e escolhas previstas legalmente. Essa organização evidencia que a dimensão linguística precisa integrar o planejamento educacional. A participação dos estudantes surdos também depende das relações estabelecidas no ambiente escolar. A inclusão não se limita à presença física na sala de aula, pois envolve interação, pertencimento, acesso à informação e possibilidade efetiva de expressar ideias, dúvidas e conhecimentos. A perspectiva defendida por Ischkanian e Ischkanian (2026), de ensinar de diferentes maneiras para ampliar as possibilidades de aprendizagem, pode ser relacionada à necessidade de diversificar as formas de comunicação e participação no cotidiano educacional. Diante desse contexto, este estudo analisa os desafios relacionados à Libras e à educação inclusiva, considerando especialmente comunicação, formação docente, acessibilidade, participação e organização das práticas pedagógicas. A pesquisa procura compreender como esses elementos se relacionam e quais estratégias podem contribuir para reduzir barreiras enfrentadas por estudantes surdos. A discussão parte da compreensão de que a inclusão educacional depende da articulação entre políticas, formação profissional, recursos acessíveis e práticas pedagógicas que reconheçam a dimensão linguística da surdez. 2. DESENVOLVIMENTO A comunicação constitui uma das bases do processo educacional, pois por meio dela professores e estudantes compartilham informações, constroem significados, desenvolvem conhecimentos e estabelecem relações sociais. No caso dos estudantes surdos usuários de Libras, a garantia de acessibilidade comunicacional precisa integrar o planejamento escolar desde o Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 156 início. A Lei nº 10.436/2002 reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão e estabelece que os sistemas educacionais devem incluir seu ensino na formação de profissionais da educação. A presença de Libras na escola também demanda profissionais preparados para utilizála e para organizar situações de aprendizagem acessíveis. O Decreto nº 5.626/2005 regulamentou a legislação sobre Libras e estabeleceu sua inclusão como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores e em Fonoaudiologia, além de estabelecer disposições relativas à formação de professores e profissionais para o ensino e a interpretação da língua. Essas determinações demonstram que a formação profissional constitui parte essencial da política de acessibilidade linguística. A formação docente, entretanto, não deve limitar-se ao conhecimento introdutório de sinais. O trabalho pedagógico com estudantes surdos exige compreensão das especificidades linguísticas, planejamento visual, organização acessível dos conteúdos, uso adequado de recursos e capacidade de estabelecer interações pedagógicas significativas. A formação continuada pode complementar a formação inicial, especialmente quando parte das necessidades observadas no cotidiano escolar e das características dos estudantes atendidos. O planejamento pedagógico precisa considerar que uma atividade elaborada para estudantes ouvintes pode não oferecer as mesmas condições de acesso para estudantes surdos. Instruções predominantemente orais, explicações sem apoio visual, vídeos sem acessibilidade linguística e interações organizadas exclusivamente pela oralidade podem criar barreiras à participação. A reorganização dessas práticas permite ampliar as possibilidades de acesso ao conteúdo sem reduzir os objetivos de aprendizagem. A perspectiva inclusiva também envolve a utilização de diferentes recursos de representação e expressão. Materiais visuais, imagens, esquemas, mapas conceituais, vídeos acessíveis, textos estruturados e atividades práticas podem favorecer a compreensão dos conteúdos. Brazão et al. (2023), ao discutirem princípios do Design Universal no ensino e aprendizagem, contribuem para uma compreensão segundo a qual diferentes formas de acesso podem ser planejadas para contemplar a diversidade dos estudantes. A tecnologia pode complementar essas possibilidades quando utilizada com objetivos pedagógicos claros. Recursos digitais podem facilitar produção e acesso a materiais visuais, comunicação e organização das atividades. Lima Oliveira et al. (2026) discutem tecnologias assistivas e aprendizagem personalizada como possibilidades para ampliar participação e autonomia, perspectiva que pode ser articulada à necessidade de recursos acessíveis para diferentes formas de comunicação. A participação escolar também envolve a interação entre estudantes surdos e ouvintes. A construção de ambientes inclusivos depende de oportunidades de convivência, colaboração e AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 157 . respeito às diferentes formas de comunicação. A escola pode promover atividades que valorizem a aprendizagem de Libras pela comunidade escolar, favorecendo relações mais acessíveis e reduzindo situações em que o estudante surdo permanece isolado dentro do próprio ambiente educacional. Nesse sentido, Libras precisa ser compreendida como parte da organização pedagógica e não como elemento periférico do processo educativo. A comunicação acessível, a formação docente, os recursos visuais, as tecnologias, a participação dos estudantes e a articulação institucional constituem dimensões relacionadas. A construção de uma escola inclusiva depende da integração desses elementos e da capacidade de acompanhar continuamente as necessidades dos estudantes surdos. 2.1. LIBRAS COMO LÍNGUA, IDENTIDADE E ACESSO AO CONHECIMENTO A Libras possui estrutura linguística própria e constitui uma língua utilizada pelas comunidades surdas brasileiras. Seu reconhecimento legal representa uma importante referência para a organização de políticas e práticas de acessibilidade comunicacional. A Lei nº 10.436/2002 estabelece que Libras é um sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, utilizado para transmissão de ideias e fatos pelas comunidades surdas brasileiras. A compreensão da Libras como língua possui implicações diretas para a educação. O estudante surdo não deve ser considerado apenas a partir de uma condição sensorial que necessita de compensação, mas como sujeito que pode utilizar uma língua visual para estabelecer relações, construir conhecimentos e participar de experiências educativas. Essa perspectiva desloca a atenção da deficiência como limitação isolada para as condições linguísticas e pedagógicas necessárias à aprendizagem. A escola precisa reconhecer a dimensão linguística presente na trajetória educacional do estudante surdo. O acesso aos conteúdos depende da possibilidade de compreender instruções, participar de discussões, formular perguntas, expressar conhecimentos e interagir com professores e colegas. Quando essas possibilidades são limitadas, a barreira não está necessariamente no estudante, mas pode estar na forma como a comunicação educacional foi organizada. A educação bilíngue de surdos apresenta uma organização específica ao reconhecer Libras como primeira língua e o português escrito como segunda língua. A Lei nº 14.191/2021 incorporou à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional um capítulo específico sobre educação bilíngue de surdos, contemplando estudantes surdos, surdo-cegos e outros estudantes abrangidos pelas condições previstas na legislação. Essa organização reforça a importância da dimensão linguística na construção de políticas educacionais. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 158 O português escrito ocupa papel relevante nesse processo, especialmente porque amplia possibilidades de acesso a materiais, registros acadêmicos e diferentes espaços sociais. A Lei nº 10.436/2002 estabelece que Libras não substitui a modalidade escrita da língua portuguesa. O trabalho pedagógico precisa, portanto, considerar as duas dimensões linguísticas de maneira planejada, respeitando suas características e funções no percurso educacional. A aprendizagem precisa ser organizada de modo que o estudante possa estabelecer relações entre os conteúdos e as diferentes formas de representação. Recursos visuais, textos acessíveis, imagens, esquemas e experiências práticas podem complementar a comunicação em Libras. A diversidade de recursos contribui para que os estudantes encontrem diferentes caminhos para compreender e expressar conhecimentos. A perspectiva inclusiva também requer atenção às experiências dos próprios estudantes surdos. Suas percepções sobre as condições de comunicação, os recursos utilizados e as relações estabelecidas no ambiente escolar podem oferecer informações importantes para o planejamento. A participação do estudante na construção das estratégias educacionais contribui para que as decisões pedagógicas sejam relacionadas às suas necessidades concretas. Portanto, compreender Libras como língua implica reconhecer sua importância para a comunicação, aprendizagem, participação e construção das relações educacionais. A escola precisa organizar condições para que o estudante surdo possa utilizar sua língua, acessar os conhecimentos curriculares e participar das experiências coletivas. O respeito à dimensão linguística constitui elemento essencial para uma educação verdadeiramente inclusiva. 2.2. FORMAÇÃO DOCENTE E COMPETÊNCIAS PARA O ATENDIMENTO EDUCACIONAL DE ESTUDANTES SURDOS A formação docente constitui um dos principais elementos para a construção de práticas inclusivas voltadas aos estudantes surdos. O professor precisa compreender que a acessibilidade comunicacional interfere diretamente na participação e na aprendizagem. O domínio de conhecimentos relacionados à Libras, às estratégias visuais e à organização pedagógica pode ampliar as possibilidades de interação entre professor e estudante. A legislação brasileira reconhece a necessidade de inserir Libras na formação de professores. O Decreto nº 5.626/2005 determina sua inclusão como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, incluindo licenciaturas, Pedagogia e Educação Especial. Esse dispositivo evidencia que a preparação para trabalhar com diversidade linguística integra a formação profissional. Entretanto, uma disciplina curricular isolada não esgota as necessidades formativas dos professores. O cotidiano escolar apresenta situações que exigem planejamento, adaptação, uso de recursos e tomada de decisões pedagógicas. A formação continuada pode contribuir para AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 159 . aprofundar conhecimentos e relacioná-los às situações concretas encontradas nas escolas, especialmente quando envolve estudo de casos, planejamento colaborativo e reflexão sobre práticas. A formação também precisa contemplar estratégias pedagógicas que favoreçam diferentes formas de acesso ao currículo. O professor pode organizar materiais visuais, atividades práticas, sequências didáticas estruturadas, recursos digitais e diferentes formas de avaliação. Azevedo et al. (2024) discutem metodologias ativas na formação de professores, contribuindo para a compreensão da importância de ampliar o repertório pedagógico dos profissionais. O conhecimento de Libras pode favorecer interações mais diretas entre professor e estudante surdo. Quando o profissional consegue estabelecer comunicação em Libras, ampliamse as possibilidades de diálogo, orientação, avaliação e acompanhamento. Quando a presença de intérprete é necessária, o trabalho pedagógico continua dependendo da articulação entre professor e intérprete para que os objetivos curriculares e as estratégias de ensino sejam adequadamente compartilhados. A atuação do intérprete de Libras também precisa ser compreendida dentro de suas atribuições profissionais. O intérprete contribui para a mediação linguística, mas não substitui a responsabilidade pedagógica do professor. A construção de uma prática inclusiva depende da colaboração entre os profissionais, com definição clara das responsabilidades e comunicação contínua sobre planejamento, atividades e avaliação. A formação docente precisa incluir também o desenvolvimento de atitudes favoráveis à inclusão. Conhecer Libras e recursos acessíveis é importante, mas a prática inclusiva depende igualmente da disposição para reorganizar estratégias, ouvir os estudantes e reconhecer diferentes formas de participação. A escola precisa promover uma cultura institucional na qual a diversidade linguística seja considerada parte da organização pedagógica. A formação continuada, portanto, deve ser compreendida como processo permanente. Estudos, oficinas, grupos de trabalho, planejamento colaborativo e acompanhamento das práticas podem contribuir para ampliar a segurança dos profissionais diante dos desafios cotidianos. A preparação docente torna-se mais significativa quando está relacionada às situações reais da escola e às necessidades apresentadas pelos estudantes surdos. 2.3. DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO E ACESSIBILIDADE PEDAGÓGICA A comunicação constitui uma das principais dimensões da acessibilidade educacional para estudantes surdos. Quando os conteúdos são transmitidos predominantemente pela oralidade, podem surgir barreiras que comprometem o acompanhamento das atividades. A escola precisa analisar como informações, instruções, explicações e avaliações são apresentadas, buscando garantir que os estudantes tenham acesso efetivo aos conhecimentos. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 160 As barreiras comunicacionais podem ocorrer em diferentes situações. Uma explicação oral sem apoio visual, um vídeo sem recursos de acessibilidade, uma atividade baseada em debates exclusivamente orais ou uma instrução apresentada rapidamente podem dificultar a participação. O planejamento pedagógico precisa antecipar essas situações e oferecer alternativas que possibilitem acesso ao conteúdo. A acessibilidade também está relacionada à organização dos materiais didáticos. Textos, imagens, gráficos, vídeos, apresentações e atividades podem ser estruturados de maneira a facilitar a compreensão. Fernández-Batanero et al. (2022) demonstram, em revisão sobre tecnologias assistivas, que recursos tecnológicos podem desempenhar papel importante na inclusão quando associados às necessidades dos estudantes. Os recursos visuais possuem especial relevância em práticas educacionais que valorizam diferentes formas de representação. Imagens, esquemas, mapas conceituais, sequências visuais e demonstrações práticas podem complementar a comunicação em Libras. A utilização desses recursos não deve ocorrer de maneira improvisada, mas integrar os objetivos e procedimentos da atividade. A acessibilidade também precisa alcançar os processos avaliativos. Avaliações baseadas exclusivamente em instruções orais podem criar barreiras desnecessárias. O professor pode utilizar diferentes formas de apresentar questões e permitir diferentes maneiras de demonstrar conhecimentos, mantendo os objetivos curriculares. A avaliação inclusiva precisa verificar aquilo que o estudante aprendeu, evitando que a barreira comunicacional seja confundida com ausência de conhecimento. Os recursos digitais podem ampliar possibilidades de acessibilidade. Vídeos com Libras, materiais visuais, plataformas digitais acessíveis, ferramentas de comunicação e recursos multimodais podem complementar as atividades presenciais. Lima Oliveira et al. (2026) discutem tecnologias assistivas como instrumentos para ampliar participação e autonomia, contribuindo para a compreensão do recurso tecnológico como meio de redução de barreiras. A escola também precisa considerar os espaços de comunicação informal. Recreios, reuniões, eventos, atividades culturais, projetos e momentos de convivência fazem parte da experiência educacional. A inclusão do estudante surdo não pode ficar restrita às aulas formais, pois a participação social e o sentimento de pertencimento também dependem da possibilidade de interação em diferentes momentos da vida escolar. A acessibilidade comunicacional, portanto, precisa ser contínua e institucional. Não basta adaptar uma atividade isoladamente quando a organização geral da escola continua produzindo barreiras. A comunicação em Libras, a presença de profissionais qualificados, os recursos visuais, as tecnologias e a formação da comunidade escolar precisam compor uma política pedagógica articulada. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 161 . 2.4. PARTICIPAÇÃO, APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DE ESTUDANTES SURDOS A participação dos estudantes surdos constitui elemento essencial da educação inclusiva. Estar matriculado e fisicamente presente na escola não garante, por si só, participação educacional. O estudante precisa ter condições de compreender as atividades, interagir com os colegas, comunicar dúvidas, apresentar ideias e demonstrar conhecimentos. A participação está diretamente relacionada à acessibilidade linguística. Quando o estudante consegue compreender e utilizar sua língua no cotidiano escolar, ampliam-se as possibilidades de interação. A comunicação permite não apenas receber informações, mas também formular pensamentos, estabelecer relações, argumentar, questionar e participar da construção coletiva do conhecimento. As práticas pedagógicas precisam criar oportunidades para que estudantes surdos assumam papel ativo. Projetos, trabalhos colaborativos, atividades investigativas, jogos, experiências práticas e produção de materiais podem ampliar a participação. Almeida et al. (2025), ao discutirem o lúdico e a aprendizagem significativa, demonstram a importância de experiências pedagógicas que envolvem participação ativa e construção de conhecimentos. A autonomia também precisa ser considerada como objetivo educacional. Recursos acessíveis devem permitir que o estudante realize atividades com progressiva independência, organize seus materiais, compreenda instruções e participe das decisões relacionadas à sua aprendizagem. A autonomia não significa ausência de apoio, mas desenvolvimento da capacidade de utilizar recursos e estratégias para participar das experiências educacionais. O Desenho Universal para a Aprendizagem pode contribuir para essa perspectiva ao estimular diferentes formas de representação, ação, expressão e envolvimento. Brazão et al. (2023) discutem possibilidades do Design Universal no ensino e aprendizagem, enquanto Barrera Ciurana e Moliner García (2024) apresentam percepções de estudantes autistas sobre a contribuição do DUA no ensino superior. Embora esses estudos não sejam específicos sobre surdez, suas contribuições podem ser utilizadas para discutir a importância de ampliar caminhos de acesso e participação. As tecnologias assistivas também podem favorecer autonomia quando são adequadamente selecionadas. Recursos digitais e ferramentas de acessibilidade podem facilitar acesso a conteúdos, comunicação e realização de atividades. O uso dessas tecnologias precisa ser acompanhado para verificar se efetivamente reduz barreiras ou se introduz novas dificuldades relacionadas ao acesso, formação ou infraestrutura. A participação dos colegas ouvintes também é importante. A aprendizagem de elementos básicos de Libras pela comunidade escolar pode favorecer comunicação cotidiana e ampliar as oportunidades de interação. A construção de uma cultura inclusiva depende de ações Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 162 que envolvam toda a comunidade e não apenas o estudante surdo e os profissionais diretamente responsáveis por seu atendimento. A escola inclusiva precisa, portanto, criar condições para que o estudante surdo seja participante ativo do processo educativo. Comunicação, aprendizagem, autonomia, convivência e pertencimento estão interligados. Quando a organização escolar considera essas dimensões de maneira integrada, amplia-se a possibilidade de transformar o acesso formal à educação em participação educacional efetiva. 2.5. ARTICULAÇÃO ENTRE ESCOLA, FAMÍLIA, INTÉRPRETES E COMUNIDADE ESCOLAR A inclusão de estudantes surdos exige articulação entre diferentes participantes do processo educacional. Professores, coordenação pedagógica, profissionais do Atendimento Educacional Especializado, intérpretes, familiares, gestores e demais integrantes da comunidade escolar possuem responsabilidades específicas. A comunicação entre esses sujeitos pode favorecer maior coerência entre as estratégias adotadas. A família pode contribuir com informações importantes sobre a trajetória linguística, formas de comunicação, interesses e experiências do estudante. Essas informações podem auxiliar a escola na construção de estratégias mais adequadas. A relação entre família e escola precisa ser estabelecida com respeito, escuta e diálogo, evitando a transferência de responsabilidades exclusivamente para os familiares. O professor possui responsabilidade central pelo planejamento pedagógico e pelo acompanhamento da aprendizagem. Mesmo quando há atuação de intérprete, o professor precisa conhecer as necessidades educacionais do estudante e organizar atividades acessíveis. A colaboração entre professor e intérprete pode favorecer maior coerência entre a comunicação linguística e os objetivos curriculares. A coordenação pedagógica pode desempenhar função articuladora nesse processo. Reuniões de planejamento, estudos de caso, formação continuada e acompanhamento das práticas podem criar espaços para discutir barreiras e construir soluções coletivas. A gestão pedagógica precisa garantir que a inclusão linguística seja incorporada ao planejamento institucional. A comunidade escolar também pode participar da construção de ambientes mais acessíveis. Atividades de sensibilização, oficinas de Libras, projetos culturais e experiências de convivência podem ampliar o conhecimento sobre a língua e sobre as diferentes formas de comunicação. A inclusão torna-se mais consistente quando deixa de ser responsabilidade exclusiva de profissionais especializados e passa a integrar a cultura institucional. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 163 . A legislação estabelece responsabilidades relacionadas à garantia de acesso à comunicação, informação e educação para pessoas surdas. O Decreto nº 5.626/2005 dispõe sobre medidas destinadas a assegurar esse acesso nos diferentes níveis, etapas e modalidades educacionais, incluindo a atuação de profissionais com competência em Libras e tradução e interpretação. A efetivação desses direitos depende de organização dos sistemas e das instituições de ensino. A articulação também precisa contemplar os recursos tecnológicos e materiais pedagógicos. A equipe escolar pode avaliar quais recursos são necessários, como serão utilizados e de que maneira poderão ser incorporados ao planejamento. Lima Oliveira et al. (2026) destacam a relação entre tecnologias assistivas, participação e autonomia, reforçando a importância de utilizar recursos de maneira integrada às práticas educacionais. Dessa maneira, a inclusão de estudantes surdos requer uma rede de colaboração organizada. Família, professores, intérpretes, coordenação, gestores e comunidade escolar podem contribuir de maneiras distintas para reduzir barreiras comunicacionais e pedagógicas. O trabalho articulado favorece continuidade das estratégias e fortalece uma concepção de escola na qual a acessibilidade linguística integra o direito à educação. 3. OBJETIVOS 3.1. Geral Analisar os desafios relacionados ao uso da Libras na educação inclusiva, considerando comunicação, formação docente, acessibilidade pedagógica e participação de estudantes surdos no contexto educacional. 3.2. Específicos Identificar os principais desafios comunicacionais e pedagógicos que podem interferir no acesso, na aprendizagem e na participação de estudantes surdos no ambiente educacional. Analisar a importância da formação docente e da utilização de estratégias, recursos visuais e tecnologias acessíveis para favorecer práticas pedagógicas inclusivas mediadas pela Libras. Discutir a necessidade de articulação entre escola, família, professores, intérpretes, Atendimento Educacional Especializado e comunidade escolar para fortalecer a participação, aprendizagem e autonomia dos estudantes surdos. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 164 4. MATERIAIS E MÉTODOS A pesquisa foi desenvolvida mediante abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, com o propósito de analisar os desafios da Libras no contexto da educação inclusiva. A escolha metodológica permitiu reunir produções acadêmicas, livros, capítulos, artigos e documentos normativos relacionados à inclusão, formação docente, acessibilidade, tecnologias educacionais e participação de estudantes. O percurso iniciou-se com a delimitação do tema e a formulação do problema de pesquisa, considerando a relação entre comunicação, Libras, formação docente e participação de estudantes surdos. Em seguida, foram definidos os objetivos geral e específicos, que orientaram a organização das categorias de análise e a seleção dos materiais utilizados. O levantamento bibliográfico considerou as obras disponibilizadas para fundamentação, especialmente aquelas relacionadas à educação inclusiva, tecnologias assistivas, formação docente, aprendizagem, metodologias ativas e acessibilidade. Foram incorporadas também fontes legislativas diretamente relacionadas à Libras e à educação bilíngue de surdos, permitindo relacionar a discussão acadêmica às normas que estruturam direitos linguísticos e educacionais. Entre os documentos analisados, foram considerados a Lei nº 10.436/2002, que reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão, e o Decreto nº 5.626/2005, que regulamenta a referida lei e estabelece disposições relacionadas à formação docente, uso e difusão da Libras e acesso educacional. Também foi considerada a alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional pela Lei nº 14.191/2021, que inseriu disposições específicas sobre educação bilíngue de surdos. Após o levantamento, os materiais foram organizados em categorias temáticas relacionadas aos objetivos da investigação. As principais categorias foram comunicação em Libras, formação docente, acessibilidade pedagógica, recursos tecnológicos, participação, autonomia, educação bilíngue e articulação entre os sujeitos escolares. A análise ocorreu de maneira interpretativa, procurando identificar contribuições, desafios e possibilidades presentes nas fontes selecionadas. Não se buscou estabelecer generalizações estatísticas, mas compreender relações entre os conceitos e as práticas discutidas nas produções acadêmicas e nos documentos normativos. As contribuições sobre tecnologias assistivas e metodologias pedagógicas foram analisadas como elementos complementares à acessibilidade linguística. Fernández-Batanero et al. (2022), Marcondes et al. (2024), Lima Oliveira et al. (2026) e Azevedo et al. (2024) foram considerados para discutir recursos, estratégias e formação, sempre respeitando o fato de que nem todas essas obras tratam especificamente de estudantes surdos. Os resultados foram organizados de acordo com os objetivos estabelecidos. O percurso permitiu relacionar legislação, produção bibliográfica e desafios pedagógicos, possibilitando AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 165 . uma compreensão integrada sobre comunicação, formação docente, acessibilidade e participação. A análise resultou na identificação de estratégias que podem contribuir para a construção de ambientes educacionais mais acessíveis aos estudantes surdos. 5. RESULTADOS O primeiro objetivo específico, relacionado à identificação dos principais desafios comunicacionais e pedagógicos, foi alcançado mediante a análise das fontes bibliográficas e documentais selecionadas. A pesquisa identificou como elementos relevantes a necessidade de acessibilidade linguística, preparação dos profissionais, utilização de recursos visuais, organização dos materiais didáticos e criação de condições para participação efetiva dos estudantes surdos. O estudo também evidenciou que a barreira comunicacional pode interferir em diferentes momentos da experiência escolar. Aulas predominantemente orais, materiais sem acessibilidade, vídeos sem recursos linguísticos adequados e avaliações organizadas de maneira pouco acessível podem dificultar o acompanhamento das atividades. A análise permitiu compreender que a acessibilidade precisa estar presente desde o planejamento, e não apenas ser incorporada depois que uma dificuldade aparece. O segundo objetivo específico, relacionado à formação docente e às estratégias pedagógicas, foi alcançado mediante análise das contribuições sobre formação, metodologias ativas, recursos visuais, tecnologias e acessibilidade. A pesquisa identificou que a preparação dos professores precisa ultrapassar o conhecimento superficial de Libras e envolver planejamento, comunicação, avaliação, elaboração de materiais e compreensão das especificidades linguísticas dos estudantes surdos. A análise documental demonstrou que a formação em Libras possui respaldo normativo. A legislação estabelece sua presença na formação de professores e dispõe sobre a preparação de profissionais relacionados ao ensino e à tradução e interpretação. Esse resultado reforça a compreensão de que a formação docente não constitui apenas uma escolha metodológica, mas integra a organização dos direitos educacionais e linguísticos dos estudantes surdos. O terceiro objetivo específico, voltado à articulação entre escola, família, intérpretes, Atendimento Educacional Especializado e comunidade escolar, foi alcançado pela análise das relações necessárias à construção de práticas inclusivas. Os resultados indicaram que ações isoladas tendem a apresentar limitações quando não existe comunicação entre os profissionais. O planejamento compartilhado pode favorecer maior continuidade entre as estratégias utilizadas nos diferentes espaços escolares. O objetivo geral também foi alcançado, pois a pesquisa permitiu analisar os desafios relacionados à Libras a partir de quatro dimensões articuladas: comunicação, formação docente, Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 166 acessibilidade pedagógica e participação. Essas dimensões não podem ser tratadas de maneira totalmente independente, pois a formação influencia as práticas, as práticas influenciam a comunicação e a comunicação interfere diretamente nas condições de participação e aprendizagem. O percurso da pesquisa teve início com a definição do tema, seguida da elaboração dos objetivos e levantamento das fontes. Posteriormente, as informações foram organizadas em categorias e confrontadas com as necessidades identificadas no contexto educacional. A utilização conjunta de fontes bibliográficas e documentos normativos permitiu aproximar a discussão teórica das responsabilidades institucionais relacionadas à acessibilidade linguística. Os resultados demonstraram, portanto, que a construção de uma educação inclusiva para estudantes surdos depende da articulação entre direitos linguísticos, formação profissional, planejamento pedagógico, recursos acessíveis e participação. A Libras precisa estar integrada à organização educacional, enquanto os demais recursos devem complementar as possibilidades de acesso ao currículo. A escola inclusiva exige planejamento contínuo e participação dos diferentes sujeitos envolvidos no processo educativo. 6. CONCLUSÃO A pesquisa permitiu compreender que a Libras ocupa posição fundamental na construção de práticas educacionais inclusivas voltadas aos estudantes surdos. A comunicação não constitui elemento secundário do processo de aprendizagem, pois está relacionada à possibilidade de compreender informações, expressar conhecimentos, interagir, participar das atividades e estabelecer relações no ambiente escolar. Garantir acessibilidade linguística significa criar condições para que o estudante participe efetivamente da vida educacional. Os resultados evidenciaram que os desafios relacionados à inclusão de estudantes surdos não se restringem à ausência ou presença de determinados recursos. Eles envolvem formação profissional, planejamento pedagógico, organização dos materiais, comunicação, avaliação e relações estabelecidas no cotidiano escolar. A escola precisa analisar continuamente suas práticas para identificar situações que possam dificultar a participação e reorganizar suas estratégias. A formação docente mostrou-se uma dimensão indispensável para o fortalecimento das práticas inclusivas. O professor precisa desenvolver conhecimentos que permitam trabalhar com diferentes formas de comunicação e organizar situações de aprendizagem acessíveis. A formação inicial e continuada pode contribuir para ampliar o repertório profissional e favorecer decisões pedagógicas mais coerentes com as necessidades dos estudantes surdos. A acessibilidade pedagógica também depende da diversificação dos recursos e das formas de apresentação dos conteúdos. Materiais visuais, recursos digitais, atividades práticas, AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 167 . diferentes formas de avaliação e estratégias organizadas podem ampliar as possibilidades de acesso ao currículo. A utilização desses recursos precisa estar vinculada aos objetivos de aprendizagem e às características dos estudantes. A participação dos estudantes surdos precisa ser compreendida de maneira ampla. Participar significa ter condições de compreender, comunicar, interagir, aprender, expressar opiniões e desenvolver autonomia. A inclusão não se concretiza somente pela matrícula ou presença física na escola, mas pela possibilidade de exercer uma participação efetiva nas diferentes experiências educacionais. A articulação entre professores, intérpretes, família, coordenação pedagógica, Atendimento Educacional Especializado e comunidade escolar também se mostrou necessária. Cada participante possui responsabilidades específicas, e a comunicação entre eles pode favorecer maior continuidade das estratégias. O planejamento compartilhado permite identificar barreiras, acompanhar resultados e reorganizar práticas quando necessário. Os objetivos da pesquisa foram alcançados por meio da análise bibliográfica e documental, permitindo identificar desafios comunicacionais, discutir a importância da formação docente, analisar recursos e estratégias pedagógicas e compreender a necessidade de articulação entre os diferentes sujeitos envolvidos na educação de estudantes surdos. O percurso investigativo possibilitou organizar essas dimensões em uma compreensão integrada da educação inclusiva. Conclui-se que uma escola inclusiva para estudantes surdos precisa reconhecer a dimensão linguística como parte essencial do direito à educação. A Libras, a formação docente, a acessibilidade pedagógica, os recursos tecnológicos, a participação e a articulação institucional precisam caminhar de maneira integrada. A construção de ambientes educacionais acessíveis exige continuidade, planejamento e compromisso com uma educação na qual os estudantes surdos possam aprender, comunicar-se, participar, desenvolver autonomia e ocupar plenamente os espaços escolares. REFERENCIA CEDRO, Rosana de Jesus. Libras e educação inclusiva: desafios da comunicação, formação docente e participação de estudantes surdos no contexto educacional. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Autismo não é igual para todos: o papel do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), das tecnologias assistivas e da personalização do ensino na construção de escolas verdadeiramente inclusivas. São Paulo, SP: Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes; Câmara Brasileira do Livro, 2026. ISBN 978-65-977483-3-4. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 168 AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 169 . AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Andy Lima Oliveira Rita Cristina Guimarães de Almeida Débora Campos Cavalcante Giane Demo Erilane de Moraes Franco dos Santos Evelyn Noelia Seixas Sorzano Silvana Nascimento de Carvalho Agradecemos a Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira pela dedicação, sensibilidade e compromisso com a construção de uma educação que reconhece as singularidades de cada estudante. Sua contribuição fortalece a compreensão de que práticas inclusivas precisam considerar diferentes formas de aprender, participar e desenvolver potencialidades. Agradecemos a Simone Helen Drumond Ischkanian pela dedicação à educação inclusiva, pela defesa de práticas pedagógicas que valorizam as singularidades humanas e pela contribuição para a construção de conhecimentos voltados à participação, à autonomia e à aprendizagem dos estudantes com autismo. Sua trajetória de estudos e produção acadêmica contribui para ampliar o olhar sobre uma escola verdadeiramente inclusiva. Agradecemos a Gladys Nogueira Cabral pela participação cuidadosa na construção deste trabalho e pelo compromisso com uma educação capaz de acolher diferentes necessidades, potencialidades e formas de aprendizagem. Sua contribuição representa uma importante soma de conhecimentos e experiências ao percurso coletivo desta produção. Agradecemos a Andy Lima Oliveira pela contribuição dedicada à construção desta obra e pela disposição em compartilhar conhecimentos e perspectivas que fortalecem a educação inclusiva. Sua participação evidencia a importância do trabalho colaborativo para a criação de propostas pedagógicas mais acessíveis, flexíveis e significativas. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 170 Agradecemos a Rita Cristina Guimarães de Almeida pela sensibilidade e pelo compromisso demonstrados na construção deste trabalho. Sua contribuição ajuda a reafirmar que a aprendizagem pode ser favorecida quando a escola reconhece as singularidades dos estudantes e amplia as possibilidades de participação, expressão e desenvolvimento. Agradecemos a Débora Campos Cavalcante pela contribuição para esta construção coletiva e pelo compromisso com perspectivas educacionais que valorizam a diversidade. Sua participação acrescenta ao trabalho diferentes olhares sobre os caminhos necessários para tornar o processo educativo mais acolhedor, acessível e responsivo às necessidades dos estudantes. Agradecemos a Giane Demo pela contribuição intelectual e pelo compromisso com a produção de conhecimentos relacionados ao desenvolvimento, à aprendizagem e à inclusão. Sua participação amplia a reflexão sobre a necessidade de compreender o estudante em sua singularidade, evitando práticas padronizadas que desconsiderem diferentes modos de aprender e interagir. Agradecemos a Erilane de Moraes Franco dos Santos pela dedicação e pela contribuição para esta obra. Sua participação fortalece a perspectiva de que a inclusão educacional é construída por meio da colaboração, da escuta e da valorização das diferenças que constituem os espaços escolares. Agradecemos a Evelyn Noelia Seixas Sorzano pela participação nesta produção e pela contribuição para o fortalecimento de uma perspectiva educacional comprometida com a diversidade e a inclusão. Sua presença nesta obra representa a soma de diferentes experiências e conhecimentos em favor de práticas pedagógicas que ampliem as possibilidades de aprendizagem e participação. Agradecemos a Silvana Nascimento de Carvalho pela dedicação, colaboração e compromisso com a construção desta obra. Sua contribuição reforça a importância de uma educação que respeite as singularidades, reconheça diferentes potencialidades e busque remover barreiras que possam limitar a participação e a aprendizagem dos estudantes. Agradecemos a todos os autores e autoras desta obra pela disposição em construir conhecimento de maneira colaborativa, reunindo diferentes experiências, perspectivas e saberes em torno de uma mesma preocupação: contribuir para uma educação que não tente enquadrar o estudante em um único modelo de aprendizagem. Cada contribuição integra uma construção coletiva que reafirma que autismo não é igual para todos e que uma escola verdadeiramente inclusiva precisa estar preparada para reconhecer diferenças, oferecer múltiplos caminhos e ampliar as possibilidades de participação, aprendizagem, comunicação e autonomia. AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 171 . POSFÁCIO Escrever sobre autismo é, antes de tudo, reconhecer a existência de diferentes modos de ser, aprender, comunicar, interagir e participar. O título desta obra expressa uma premissa essencial para qualquer proposta educacional comprometida com a inclusão: autismo não é igual para todos. Cada estudante apresenta características, interesses, potencialidades, necessidades e formas próprias de estabelecer relações com o conhecimento. Por essa razão, construir uma escola verdadeiramente inclusiva exige superar modelos pedagógicos baseados na homogeneização e ampliar as possibilidades de acesso, participação, aprendizagem e desenvolvimento. Ao longo desta obra, o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) é compreendido como uma perspectiva capaz de contribuir para a organização de experiências educacionais mais flexíveis e acessíveis. Seu valor está na possibilidade de planejar diferentes formas de apresentar informações, favorecer a expressão do conhecimento e estimular o envolvimento dos estudantes. Quando o planejamento pedagógico considera previamente a diversidade existente na sala de aula, diminui a necessidade de respostas exclusivamente posteriores às dificuldades e amplia as oportunidades para que cada estudante encontre caminhos compatíveis com suas características. As tecnologias assistivas também ocupam lugar significativo nessa construção. Recursos de comunicação alternativa e aumentativa, aplicativos, materiais adaptados, dispositivos digitais, recursos visuais, ferramentas de acessibilidade e diferentes instrumentos pedagógicos podem contribuir para remover barreiras que interferem na participação escolar. Entretanto, nenhum recurso tecnológico possui valor inclusivo isoladamente. Sua contribuição depende da relação estabelecida entre o recurso, o estudante, o professor, os objetivos pedagógicos, o contexto e as condições concretas de utilização. A personalização do ensino constitui outra dimensão fundamental apresentada nesta obra. Personalizar não significa criar uma escola diferente para cada estudante, nem reduzir as expectativas de aprendizagem. Significa reconhecer que diferentes estudantes podem necessitar de diferentes caminhos para alcançar objetivos educacionais significativos. A personalização pressupõe observação, planejamento, acompanhamento, avaliação contínua e capacidade de reorganizar estratégias quando determinada abordagem não produz os resultados esperados. Uma escola inclusiva, portanto, não pode depender exclusivamente da adaptação individual realizada depois que a barreira aparece. É necessário construir ambientes pedagógicos que já considerem a diversidade como elemento constitutivo da educação. Essa perspectiva desloca o olhar daquilo que supostamente falta ao estudante para as barreiras presentes nas práticas, nos materiais, na comunicação, na organização dos espaços, nas avaliações e nas Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 172 relações pedagógicas. A inclusão passa a ser compreendida como responsabilidade coletiva e permanente. Nesse percurso, o professor possui papel fundamental. Sua atuação não se restringe à transmissão de conteúdos, pois envolve observar, escutar, planejar, experimentar estratégias, acompanhar respostas e reorganizar práticas. O professor precisa dispor de conhecimentos e condições para trabalhar com diferentes formas de participação e aprendizagem. A formação continuada, o trabalho colaborativo e o diálogo com profissionais especializados e com as famílias podem ampliar as possibilidades de construção de respostas educacionais coerentes com a realidade de cada estudante. Também é necessário compreender que tecnologias e metodologias não substituem relações humanas. Uma escola pode possuir equipamentos modernos e, ainda assim, manter práticas excludentes. Do mesmo modo, recursos simples podem produzir importantes possibilidades de participação quando utilizados com intencionalidade pedagógica e sensibilidade às necessidades dos estudantes. O centro da inclusão permanece sendo a pessoa, sua dignidade, sua participação, sua comunicação, sua aprendizagem e sua autonomia. A verdadeira transformação ocorre quando a escola deixa de perguntar apenas como fazer o estudante adaptar-se ao modelo existente e passa a questionar o que pode ser transformado no próprio ambiente educacional. Essa mudança envolve currículo, planejamento, avaliação, acessibilidade, formação docente, recursos pedagógicos, tecnologias assistivas, comunicação e relações humanas. Trata-se de uma construção cotidiana que exige compromisso institucional e participação de diferentes sujeitos. Este livro reafirma, portanto, que incluir estudantes autistas não significa oferecer uma única fórmula pedagógica, mas ampliar possibilidades. O DUA contribui para diversificar caminhos; as tecnologias assistivas podem remover barreiras; a personalização pode aproximar o ensino das características e necessidades de cada estudante. Quando essas dimensões são articuladas com práticas pedagógicas intencionais e relações educativas respeitosas, ampliam-se as condições para que diferentes estudantes participem da vida escolar com maior autonomia e pertencimento. A mensagem que permanece ao final desta obra é simples, mas profunda: não é o estudante que precisa caber em uma única forma de aprender; é a escola que precisa ampliar suas formas de ensinar. Reconhecer a singularidade não significa separar, limitar ou reduzir possibilidades. Significa criar condições para que cada estudante encontre caminhos legítimos para aprender, comunicar-se, participar e desenvolver suas potencialidades. Que esta obra possa contribuir para que professores, gestores, famílias, pesquisadores e demais profissionais da educação continuem construindo escolas nas quais a diferença não seja compreendida como obstáculo, mas como parte constitutiva da experiência humana. Uma escola AUTISMO NÃO É IGUAL PARA TODOS: O PAPEL DO DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM (DUA), DAS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E DA PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO NA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS VERDADEIRAMENTE INCLUSIVAS. 173 . verdadeiramente inclusiva não é aquela que apenas recebe todos, mas aquela que transforma suas práticas para que todos possam participar, aprender e desenvolver-se com dignidade. Essa transformação requer disponibilidade para rever concepções, reorganizar planejamentos, diversificar recursos, flexibilizar estratégias e reconhecer que os caminhos utilizados por um estudante podem não produzir os mesmos resultados para outro. Nesse compromisso, reconhecer que autismo não é igual para todos é também reconhecer que a educação precisa oferecer múltiplos caminhos para que cada estudante possa encontrar o seu, respeitando seu ritmo, suas formas de comunicação, seus interesses, suas potencialidades e suas necessidades de apoio. Construir essa escola significa compreender a inclusão como um processo permanente de observação, reflexão, planejamento e transformação. Significa garantir que o estudante autista não seja definido exclusivamente por um diagnóstico, mas reconhecido em sua integralidade, com possibilidades de aprendizagem, participação, comunicação, convivência e desenvolvimento. Quando o DUA, as tecnologias assistivas e a personalização do ensino são utilizados de maneira articulada e intencional, tornam-se instrumentos para ampliar oportunidades e remover barreiras, sem transformar a tecnologia ou a metodologia em finalidade do processo educativo. A escola inclusiva se fortalece quando cada profissional compreende que ensinar implica criar possibilidades, acompanhar trajetórias singulares e ajustar caminhos sempre que necessário. Desse modo, a inclusão deixa de ser apenas um princípio declarado e passa a constituir uma prática cotidiana, construída nas relações, nas escolhas pedagógicas e no compromisso coletivo com uma educação em que cada estudante possa aprender, participar, comunicar-se e desenvolver sua autonomia. Samuel Ferreira Simone Helen Drumond Ischkanian Sandro Garabed Ischkanian Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Andy Lima Oliveira, Rita Cristina Guimarães de Almeida, Débora Campos Cavalcante, Giane Demo, Erilane de Moraes Franco dos Santos, Evelyn Noelia Seixas Sorzano e Silvana Nascimento de Carvalho. 174