UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SANEAMENTO,
MEIO AMBIENTE E RECURSOS HÍDRICOS
VIABILIDADE DO APROVEITAMENTO DE
ÁGUA DE CHUVA EM ZONAS URBANAS:
ESTUDO DE CASO NO MUNICÍPIO DE BELO
HORIZONTE - MG
Manuelle Prado Cardoso
Belo Horizonte
2009
VIABILIDADE DO APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE
CHUVA EM ZONAS URBANAS: ESTUDO DE CASO
NO MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE - MG
Manuelle Prado Cardoso
Manuelle Prado Cardoso
VIABILIDADE DO APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE
CHUVA EM ZONAS URBANAS: ESTUDO DE CASO NO
MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE - MG
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação
em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da
Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito
parcial à obtenção do título de Mestre em Saneamento,
Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
Área de concentração: Saneamento
Linha de pesquisa: Qualidade e tratamento de água
para consumo humano.
Orientador: Valter Lúcio de Pádua
Belo Horizonte
Escola de Engenharia da UFMG
2009
AGRADECIMENTOS
À Deus e à Nossa Senhora, em primeiro lugar, por estarem sempre ao meu lado e de minha
família, iluminando os nossos caminhos.
Aos meus amados pais, Helenice e Manuel, pelo apoio incondicional, dedicação, amor,
companheirismo e por me incentivarem, estando sempre ao meu lado. Amo muito vocês dois.
Ao meu grande amor, meu marido Júlio César, pelo amor, incentivo, ajuda e paciência. Sem a
sua constante presença seria muito difícil a conclusão dessa etapa da minha vida. Muito
obrigada, te amo.
Ao meu querido irmão, Manuel Fellipe, pela grande amizade, amor, consideração e ajuda na
pesquisa. Muito obrigada, Lipe. Te amo.
Ao professor Valter, pelo carinho e incentivo, durante toda a Iniciação Científica e Mestrado.
Foi um excelente orientador e amigo durante todos esses anos.
Ao Henrique, pela ajuda nas análises de laboratório. Muito obrigada pelo interesse e
dedicação.
À Lucilaine e estagiárias do laboratório de espectofotometria, pelas análises de metais.
À professora Sílvia, pela paciência e disponibilidade em me ajudar nas análises estatísticas.
À Dayse, por me ajudar a enxergar alguns pontos importantes da pesquisa qualitativa,
fundamentais para o meu trabalho, e à Gisele, pela disponibilidade e pelas sugestões.
À FAPEMIG, pelo financiamento do projeto.
Á Poente Engenharia e Consultoria, pela compreensão e apoio.
À Norma, Olívia e estagiárias do laboratório 801, pela atenção e ajuda.
Aos professores e funcionários do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da
UFMG, pelos ensinamentos e carinho.
A todos familiares e amigos que torceram por mim e a todas as pessoas que participaram
direta e indiretamente deste trabalho.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
i
RESUMO
A presente pesquisa teve como objetivo geral avaliar a qualidade da água de chuva captada
em Belo Horizonte - MG - Brasil, e verificar a percepção de moradores da cidade em relação
ao aproveitamento dessa água para fins não potáveis. A pesquisa quantitativa, sobre a
qualidade da água de chuva, foi realizada em duas regiões da cidade, Centro e Pampulha.
Foram instalados dois sistemas pilotos em cada região, um apresentava superfície de captação
constituída por telhas cerâmicas e o outro por telhas metálicas. Foram realizadas análises
físico-químicas (pH, turbidez, cor aparente, alcalinidade, dureza, sulfato, ferro, manganês e
chumbo) e microbiológicas (coliformes totais e Escherichia coli), de acordo com o Standard
Methods. As coletas ocorreram entre março de 2008 e janeiro de 2009. Os parâmetros
coliformes totais, cor aparente, turbidez e ferro não atingiram o padrão recomendado pela
Norma Brasileira nº 15.527/2007 da ABNT e Portaria nº 518/2004 do Ministério da Saúde
quando foi descartado o volume de 2,0 L de água de chuva por m2 de telhado, indicados na
referida Norma. Além disso, verificou-se que há diferença entre a qualidade das águas
captadas nas duas regiões de estudo e nos dois tipos de telhas. As águas captadas pelas telhas
metálicas apresentaram qualidade microbiológica superior às captadas nas telhas cerâmicas. A
respeito da possibilidade de utilização de água de chuva em algumas atividades, essa pode ser
uma ferramenta importante no combate ao uso indiscriminado de água potável. Entretanto,
para que medidas de aproveitamento da água de chuva sejam realmente viáveis, é necessário
que a população aceite fazê-las. Assim, viu-se a necessidade de inserção de estudo qualitativo
para avaliar a percepção dos moradores da cidade de Belo Horizonte sobre o aproveitamento
de água de chuva. Foram entrevistadas 18 pessoas, sendo que 9 apresentavam curso superior
completo e 9 ensino fundamental incompleto. O método de coleta de dados utilizado na
presente pesquisa foi a entrevista a semi-estruturada e o método de análise foi o Discurso do
Sujeito Coletivo (DSC). As análises dos DSCs sugerem que os entrevistados possuíam
consciência ambiental e eram a favor da utilização de água de chuva para fins não potáveis,
como limpeza geral e irrigação de plantas. Percebeu-se que incentivos financeiros por parte de
algum órgão ou entidade seriam decisivos para que muitas pessoas residentes em áreas
urbanas aproveitassem a água de chuva. Foram citados como causas possíveis da não
utilização de água de chuva na área urbana: a falta de espaço, dinheiro e conhecimento; água
potável disponível em abundância e pouco volume de água de chuva armazenado.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
ii
ABSTRACT
This research aims to evaluate the quality of the rain water collected in Belo Horizonte – MG
– Brazil, and verify the city inhabitant’s perception over the utilization of this water for nonpotable uses. The quantitative research about the rain water quality was carried out in two
parts of the city, Downtown and Pampulha. Two pilot systems were installed in each region,
one of them had the surface built with ceramics tiles and the other with metallic tiles. Physics
and chemistry analysis were carried out (pH, turbidity, apparent color, alkalinity, hardness,
sulfate, iron, manganese and lead) and microbiologic (total coliforms and Escherichia coli).
The water samples were collected from march 2008 to January 2009. The standard total
coliforms, apparent color, turbidity, and iron did not reach the standards by preconized the
Brazilian norm number 15,527/2007 of the ABNT (Brazilian Technical Standards
Association) and governmental decree 518/2004 Health State Department when 2.0 L of
rainwater per m² of roof were discarded. A difference between the quality of the water
collected in the two regions analyzed and in the two kinds of tiles was verified. The water
collected by the metallic tiles showed a higher microbiologic quality than those collected by
the ceramics tiles. Concerning the possibility of the utilization of the rain water in some
activities, this can be an important tool in the struggle against the indiscriminate use of
potable water. Meanwhile, to make the use of rainwater feasible, it’s necessary that the
population accept it. In this way, a qualitative study was carried out to evaluate the awareness
of the Belo Horizonte’s inhabitants towards the utilization of the rain water. 18 people were
interviewed, 9 with a higher education degree and 9 with incomplete elementary school
degree. The data collecting method used in the research was the semi-structured interview and
the analysis method was the Discourse of the Collective Subject (DCS). The analysis of the
DCSs suggests that the interviewed people had an environmental consciousness and were for
the rain water utilization for non-potable uses like cleaning and irrigation plants. It is clear
that a financial help provided by the state would be decisive so that many people living in the
urban areas could use the rain water. Some facts were mentioned as possible causes for the
non-utilization of the rain water in the urban areas such as: lack of space, money and
knowledge; potable water in abundance and low level of rain water storage.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
iii
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS........................................................................................................................................... VII
LISTA DE TABELAS .........................................................................................................................................XVI
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS .............................................................................. XVII
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................................................... 1
2. OBJETIVOS.......................................................................................................................................................... 3
2.1. OBJETIVO GERAL ............................................................................................................................................. 3
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS .................................................................................................................................. 3
3. REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................................................................... 4
3.1. DISPONIBILIDADE HÍDRICA NO BRASIL............................................................................................................ 4
3.2. A CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA NA ANTIGUIDADE ...................................................................................... 5
3.3. SUPERFÍCIES DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA ............................................................................................ 6
3.4. RESERVATÓRIOS PARA O ARMAZENAMENTO DE ÁGUA ................................................................................... 9
3.5. MÚLTIPLAS BARREIRAS PARA PROTEÇÃO DA ÁGUA DE CHUVA CAPTADA .................................................... 16
3.6. EXPERIÊNCIAS COM A IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA ................. 21
3.7. LEIS DE INCENTIVO À CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA .................................................................................. 24
3.7.1. Legislações municipais e estaduais brasileiras ................................................................................... 24
3.7.2. Legislação Federal Brasileira.............................................................................................................. 27
3.7.3. Legislação estrangeira ......................................................................................................................... 28
3.8. PRINCIPAIS PORTARIAS E NORMAS SOBRE QUALIDADE DE ÁGUA NO BRASIL .............................................. 28
3.9. QUALIDADE DA ÁGUA DE CHUVA .................................................................................................................. 30
3.10. INFLUÊNCIA DA POLUIÇÃO DO AR NA QUALIDADE DA ÁGUA DE CHUVA ..................................................... 33
3.11. VIABILIDADE ECONÔMICA DO APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA EM ÁREAS URBANAS .................... 35
3.12. PERCEPÇÃO DOS SUJEITOS ........................................................................................................................... 36
3.13. PESQUISA QUALITATIVA .............................................................................................................................. 38
3.13.1. Seleção de amostras............................................................................................................................ 39
3.13.2. Método de coleta de dados ................................................................................................................. 40
3.13.3. Método de análise de dados ............................................................................................................... 42
3.14. DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO ............................................................................................................... 42
4. MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................................................... 44
4.1. QUALIDADE DA ÁGUA DE CHUVA EM FUNÇÃO DO VOLUME DESCARTADO ................................................... 44
4.1.1. Sistema de coleta e armazenamento de água de chuva na primeira fase da pesquisa ....................... 45
4.1.2. Sistema de coleta e armazenamento de água de chuva na segunda fase da pesquisa........................ 49
4.1.3. Parâmetros monitorados ...................................................................................................................... 50
4.1.3.1. Parâmetros físico-químicos. ......................................................................................................... 50
4.1.3.2. Parâmetros microbiológicos. ........................................................................................................ 54
4.1.4. Coletas e análises ................................................................................................................................. 55
4.1.5. Monitoramento da precipitação nos dois locais de coleta .................................................................. 57
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
iv
4.1.6. Análise estatística ................................................................................................................................. 58
4.2. INVESTIGAÇÃO DA PERCEPÇÃO DOS SUJEITOS ............................................................................................... 59
4.2.1. Elaboração de tópico-guia ................................................................................................................... 60
4.2.2. Submissão do projeto ao Comitê de Ética ........................................................................................... 64
4.2.3. Realização do pré-teste......................................................................................................................... 65
4.2.4. Seleção dos entrevistados ..................................................................................................................... 65
4.2.5. Análise das entrevistas.......................................................................................................................... 66
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES ..................................................................................................................... 68
5.1. QUALIDADE DA ÁGUA DA CHUVA CAPTADA EM BELO HORIZONTE .............................................................. 68
5.1.1. Comparação entre diferentes superfícies de captação localizadas em uma mesma região............... 69
5.1.1.1. pH .................................................................................................................................................. 69
5.1.1.2. Turbidez ........................................................................................................................................ 70
5.1.1.3. Cor aparente .................................................................................................................................. 72
5.1.1.4. Alcalinidade .................................................................................................................................. 74
5.1.1.5. Coliformes totais ........................................................................................................................... 75
5.1.1.6. Escherichia coli............................................................................................................................. 76
5.1.1.7. Sulfato ........................................................................................................................................... 78
5.1.1.8. Ferro .............................................................................................................................................. 79
5.1.1.9. Manganês ...................................................................................................................................... 80
5.1.1.10. Chumbo ....................................................................................................................................... 81
5.1.2. Comparação entre duas regiões considerando um mesmo ponto de coleta ....................................... 82
5.1.2.1. pH .................................................................................................................................................. 82
5.1.2.2. Turbidez ........................................................................................................................................ 83
5.1.2.3. Cor aparente .................................................................................................................................. 84
5.1.2.4. Alcalinidade .................................................................................................................................. 85
5.1.2.5. Coliformes totais ........................................................................................................................... 86
5.1.2.6. Escherichia coli............................................................................................................................. 88
5.1.2.7. Sulfato ........................................................................................................................................... 88
5.1.2.8. Ferro .............................................................................................................................................. 89
5.1.2.9. Manganês ...................................................................................................................................... 90
5.1.2.10. Chumbo ....................................................................................................................................... 91
5.2. PERCEPÇÃO DE ALGUNS SUJEITOS RESIDENTES EM BELO HORIZONTE ......................................................... 92
5.2.1. Discurso do Sujeito Coletivo ................................................................................................................ 92
5.2.2. Considerações sobre os Discursos do Sujeito Coletivo..................................................................... 132
6. CONCLUSÕES................................................................................................................................................. 134
7. RECOMENDAÇÕES....................................................................................................................................... 137
8. REFERÊNCIAS................................................................................................................................................ 138
9. APÊNDICES ..................................................................................................................................................... 146
9.1. APÊNDICE A - GRÁFICOS BOX & WHISKER PLOTS E RESULTADOS DE ANÁLISES ESTATÍSTICAS ................ 146
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
v
9.2. APÊNDICE B – PRECIPITAÇÃO MEDIDA PELO PLUVIÔMETRO, TIPO CUNHA, IMPLANTADO NAS DUAS REGIÕES
DE ESTUDO, PAMPULHA E CENTRO ..................................................................................................................... 166
9.3. APÊNDICE C – RESULTADOS DA PRIMEIRA ETAPA DA PESQUISA QUANTITATIVA – MÁXIMOS E MÍNIMOS .. 167
9.4. APÊNDICE D – PROTOCOLO PARA COLETA DE DADOS ................................................................................. 168
9.5. APÊNDICE E – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO .......................................................... 170
ANEXO .................................................................................................................................................................. 171
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
vi
LISTA DE FIGURAS
Figura 3.1 - Layout de um sistema simplificado de captação de água de chuva em telhados.......... 7
Figura 3.2 - Implantação de um telhado verde em uma residência .................................................. 9
Figura 3.3 - Exemplo de sistema que bombeia água da cisterna para a caixa d’água.................... 14
Figura 3.4 - Sistema de armazenamento de água de chuva em garrafas PET ................................ 15
Figura 3.5 - Dispositivo de desvio.................................................................................................. 17
Figura 3.6 - Retirada do tampão ..................................................................................................... 17
Figura 3.7 - Filtro tipo vórtex ......................................................................................................... 18
Figura 3.8 - Filtro de descida.......................................................................................................... 18
Figura 3.9 - Filtro flutuante ............................................................................................................ 18
Figura 3.10 - “Kit” de interligação automático .............................................................................. 18
Figura 3.11 - Filtro flutuante .......................................................................................................... 19
Figura 3.12 - Exemplo de bombeamento da água armazenada na cisterna.................................... 20
Figura 3.13 - Coleta utilizando recipiente ...................................................................................... 21
Figura 3.14 - Coleta com bomba manual ....................................................................................... 21
Figura 3.15 - Sistema de aproveitamento de água de chuva em edifício comercial....................... 22
Figura 3.16 - Sistema de aproveitamento de água de chuva em fábrica de refrigerantes .............. 23
Figura 3.17 - Telhado verde implantado em fábrica alemã............................................................ 24
Figura 3.18 - Forças de atuação nas mudanças de conduta ............................................................ 38
Figura 3.19 - Possibilidades de discursos em função de semelhanças de pensamentos................. 43
Figura 4.1 - Layout de Belo Horizonte mostrando locais de implantação dos sistemas piloto...... 44
Figura 4.2 - Sistema piloto de captação/armazenamento de água de chuva implantado nas duas
regiões de Belo Horizonte (Centro e Pampulha)............................................................................ 46
Figura 4.3 - Ilustração das etapas de coleta e armazenamento nos sistemas piloto ....................... 47
Figura 4.4 - Fluxograma da disposição dos tubos (pontos de coleta) em função do tipo de telha . 48
Figura 4.5 - Sistema de minimização de mistura das águas ........................................................... 49
Figura 4.6 - Pluviômetro tipo cunha............................................................................................... 57
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
vii
Figura 4.7 - Fluxograma dos pontos de coleta em função do tipo de superfície de captação –
amostras dependentes ..................................................................................................................... 58
Figura 4.8 - Fluxograma dos pontos de coleta em função do tipo de superfície de captação –
amostras independentes .................................................................................................................. 59
Figura 5.1 - Comparação entre o pH da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região da Pampulha......................................................................................................... 69
Figura 5.2 - Comparação entre o pH da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região do Centro.............................................................................................................. 69
Figura 5.3 - Comparação entre a turbidez da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região da Pampulha......................................................................................................... 71
Figura 5.4 - Comparação entre a turbidez da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região do Centro.............................................................................................................. 71
Figura 5.5 - Comparação entre a cor aparente da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região Pampulha ............................................................................................................. 73
Figura 5.6 - Comparação entre a cor aparente da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região do Centro.............................................................................................................. 73
Figura 5.7 - Comparação entre a alcalinidade da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica
e metálica, região da Pampulha ...................................................................................................... 74
Figura 5.8 - Comparação entre a alcalinidade da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica
e metálica, região do Centro........................................................................................................... 74
Figura 5.9 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha ............................................................................ 75
Figura 5.10 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro ................................................................................. 75
Figura 5.11 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do segundo tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha ............................................................................ 77
Figura 5.12 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do segundo tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro ................................................................................. 77
Figura 5.13 - Comparação entre sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região da Pampulha....................................................................................... 78
Figura 5.14 - Comparação entre sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ........................................................................................... 78
Figura 5.15 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região da Pampulha....................................................................................... 79
Figura 5.16 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ........................................................................................... 79
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viii
Figura 5.17 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região Pampulha ........................................................................................... 80
Figura 5.18 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ........................................................................................... 80
Figura 5.19 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região Pampulha ........................................................................................... 81
Figura 5.20 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ........................................................................................... 81
Figura 5.21 - Comparação entre o pH presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha cerâmica .................................................................................................................... 82
Figura 5.22 - Comparação entre o pH presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha metálica..................................................................................................................... 82
Figura 5.23 - Comparação entre a turbidez presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha cerâmica ................................................................................................................. 83
Figura 5.24 - Comparação entre a turbidez presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha metálica .................................................................................................................. 83
Figura 5.25 - Comparação entre cor aparente presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................ 84
Figura 5.26 - Comparação entre cor aparente presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................. 84
Figura 5.27 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do segundo tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................ 86
Figura 5.28 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do segundo tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................. 86
Figura 5.29 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................ 87
Figura 5.30 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................. 87
Figura 5.31 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do segundo tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................ 88
Figura 5.32 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do segundo tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................. 88
Figura 5.33 - Comparação entre o sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha cerâmica .................................................................................................................... 89
Figura 5.34 - Comparação entre o sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha metálica..................................................................................................................... 89
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ix
Figura 5.35 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha cerâmica .................................................................................................................... 90
Figura 5.36 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha metálica..................................................................................................................... 90
Figura 5.37 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................ 91
Figura 5.38 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................. 91
Figura 5.39 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha cerâmica ................................................................................................................. 92
Figura 5.40 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha metálica .................................................................................................................. 92
Figura 5.41 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 1 ............................................................ 94
Figura 5.42 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 2 ............................................................ 97
Figura 5.43 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 3 ............................................................ 99
Figura 5.44 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 4 .......................................................... 101
Figura 5.45 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 5 .......................................................... 104
Figura 5.46 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 6 .......................................................... 107
Figura 5.47 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 7 .......................................................... 111
Figura 5.48 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 8 .......................................................... 113
Figura 5.49 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 9 .......................................................... 117
Figura 5.50 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 10 ........................................................ 119
Figura 5.51 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 11 ........................................................ 121
Figura 5.52 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 12 ........................................................ 123
Figura 5.53 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 13 ........................................................ 125
Figura 5.54 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 14 ........................................................ 127
Figura 5.55 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 15 ........................................................ 129
Figura 5.56 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 16 ........................................................ 131
Figura 9.1 - Comparação entre o pH da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região da Pampulha....................................................................................................... 146
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x
Figura 9.2 - Comparação entre o pH da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região da Pampulha....................................................................................................... 146
Figura 9.3 - Comparação entre o pH da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região do Centro............................................................................................................ 146
Figura 9.4 - Comparação entre o pH da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região do Centro............................................................................................................ 146
Figura 9.5 - Comparação entre a turbidez da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região Pampulha ........................................................................................................... 147
Figura 9.6 - Comparação entre a turbidez da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região Pampulha ........................................................................................................... 147
Figura 9.7 - Comparação entre a turbidez da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região do Centro............................................................................................................ 147
Figura 9.8 - Comparação entre a turbidez da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região do Centro............................................................................................................ 147
Figura 9.9 - Comparação entre a cor aparente da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica
e metálica, região da Pampulha .................................................................................................... 148
Figura 9.10 - Comparação entre a cor aparente da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica
e metálica, região da Pampulha .................................................................................................... 148
Figura 9.11 - Comparação entre a cor aparente da água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 148
Figura 9.12 - Comparação entre a cor aparente da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica
e metálica, região do Centro......................................................................................................... 148
Figura 9.13 - Comparação entre a alcalinidade da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica
e metálica, região da Pampulha .................................................................................................... 149
Figura 9.14 - Comparação entre a alcalinidade da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica
e metálica, região da Pampulha .................................................................................................... 149
Figura 9.15 - Comparação entre a alcalinidade da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica
e metálica, região do Centro......................................................................................................... 149
Figura 9.16 - Comparação entre a alcalinidade da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica
e metálica, região do Centro......................................................................................................... 149
Figura 9.17 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .......................................................................... 150
Figura 9.18 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .......................................................................... 150
Figura 9.19 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro .............................................................................. 150
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
xi
Figura 9.20 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro .............................................................................. 150
Figura 9.21 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .......................................................................... 151
Figura 9.22 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do terceiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .......................................................................... 151
Figura 9.23 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro ............................................................................... 151
Figura 9.24 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do terceiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro ............................................................................... 151
Figura 9.25 - Comparação entre sulfato presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 152
Figura 9.26 - Comparação entre sulfato presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 152
Figura 9.27 - Comparação entre sulfato presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 152
Figura 9.28 - Comparação entre sulfato presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 152
Figura 9.29 - Comparação entre o ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 153
Figura 9.30 - Comparação entre o ferro presente na água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 153
Figura 9.31 - Comparação entre o ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 153
Figura 9.32 - Comparação entre o ferro presente na água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 153
Figura 9.33 - Comparação entre o manganês presente na água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região Pampulha ......................................................................................... 154
Figura 9.34 - Comparação entre o manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região Pampulha ......................................................................................... 154
Figura 9.35 - Comparação entre o manganês presente na água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 154
Figura 9.36 - Comparação entre o manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 154
Figura 9.37 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 155
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
xii
Figura 9.38 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 155
Figura 9.39 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 155
Figura 9.40 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 155
Figura 9.41 - Comparação entre o pH presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 156
Figura 9.42 - Comparação entre o pH presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 156
Figura 9.43 - Comparação entre o pH presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha metálica................................................................................................................... 156
Figura 9.44 - Comparação entre o pH presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha metálica................................................................................................................... 156
Figura 9.45 - Comparação entre a turbidez presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 157
Figura 9.46 - Comparação entre a turbidez presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 157
Figura 9.47 - Comparação entre a turbidez presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 157
Figura 9.48 - Comparação entre a turbidez presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 157
Figura 9.49 - Comparação entre cor aparente presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 158
Figura 9.50 - Comparação entre cor aparente presente na água do segundo tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 158
Figura 9.51 - Comparação entre cor aparente presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 158
Figura 9.52 - Comparação entre cor aparente presente na água do segundo tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 158
Figura 9.53 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 159
Figura 9.54 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 159
Figura 9.55 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 159
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
xiii
Figura 9.56 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 159
Figura 9.57 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 160
Figura 9.58 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 160
Figura 9.59 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 160
Figura 9.60 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 160
Figura 9.61 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 161
Figura 9.62 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 161
Figura 9.63 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 161
Figura 9.64 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 161
Figura 9.65 - Comparação entre sulfato presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 162
Figura 9.66 - Comparação entre sulfato presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 162
Figura 9.67 - Comparação entre sulfato presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha metálica................................................................................................................... 162
Figura 9.68 - Comparação entre sulfato presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha metálica................................................................................................................... 162
Figura 9.69 - Comparação entre ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 163
Figura 9.70 - Comparação entre ferro presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 163
Figura 9.71 - Comparação entre ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha metálica................................................................................................................... 163
Figura 9.72 - Comparação entre ferro presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e
Centro, telha metálica................................................................................................................... 163
Figura 9.73 - Comparação entre manganês presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 164
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
xiv
Figura 9.74 - Comparação entre manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 164
Figura 9.75 - Comparação entre manganês presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 164
Figura 9.76 - Comparação entre manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 164
Figura 9.77 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 165
Figura 9.78 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 165
Figura 9.79 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 165
Figura 9.80 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha
e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 165
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
xv
LISTA DE TABELAS
Tabela 3.1 - Tipos de cisternas e suas vantagens e desvantagens .................................................. 11
Tabela 3.2 - Parâmetros de qualidade de água para usos restritivos não potáveis ......................... 29
Tabela 3.3 - Classificação das águas quanto ao padrão de balneablidade...................................... 30
Tabela 3.4 - Qualidade das primeiras águas de chuva.................................................................... 32
Tabela 4.1 - Resumo das datas de coletas e parâmetros monitorados............................................ 56
Tabela 5.1 - Informações gerais sobre os entrevistados ................................................................. 93
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xvi
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS
A – Alcalinidade
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
CA – Cor aparente
CEP – Comitê de ética em pesquisa
COEP/ UFMG – Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente
CONEP – Comissão Nacional de Ética em Pesquisa
CT – Coliformes totais
D – Dureza
DESA – Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental
DSC – Discurso do sujeito coletivo
EC – Escherichia coli
F – Ensino fundamental incompleto
IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
L/ m² – Litro por metro quadrado
mL – mililitro
mm – milímetro
MS – Ministério da Saúde
m² – metro quadrado
m³ – metro cúbico
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xvii
n – Número
NBR – Norma Brasileira
NMP – Número Mais Provável
ONG – Organização não-governamental
PET – Politereftalato de etileno
PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
PVC – Policloreto de vinila
S – Ensino superior completo
SODIS – Solar disinfection
T – Turbidez
TCLE – Termo de Consentimento Livre Esclarecido
UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
uH – Unidade Hazen
uT – Unidade de Turbidez
VMP – Valor mais provável
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xviii
1. INTRODUÇÃO
Segundo Setti et al. (2001), estima-se que no ano 2025, cerca de 5,5 bilhões de pessoas em
todo o mundo estarão vivendo em áreas com moderada ou séria falta de água. Entretanto,
existe água suficiente para atendimento de toda a população, o que acontece é que a
distribuição dos recursos hídricos no planeta não é uniforme, o que causa cenários adversos
em determinadas regiões.
O Brasil possui disponibilidade hídrica privilegiada, entretanto, cerca de 70% da água doce
disponível no país encontra-se na região amazônica, que é habitada por menos de 5% da
população (SETTI et al., 2001). Ainda segundo os mesmos autores, a ideia de que existe água
em abundância no país pode ter servido, por algum tempo, como suporte à cultura do
desperdício, à pouca valorização da água como recurso natural e ao adiamento de
investimentos necessários ao seu uso otimizado.
Segundo IBGE (2000), o volume de água distribuído à população residente na região sudeste
brasileira, no ano 2000, alcançou 0,36 m3 per capita, enquanto que na região norte esse valor
era de 0,19 m3 per capita. Considerando que maior parte da população brasileira está
localizada na região sudeste, tem-se um grande consumo de água potável nessa região.
Segundo o Programa de Uso Racional de Água da Universidade de São Paulo (2006), o
consumo de água em residências no Brasil é distribuído em aproximadamente 29% para
descargas de bacias sanitárias, ou seja, aproximadamente 1/3 de toda água potável consumida
nas residências brasileiras poderia ser economizada caso fossem utilizadas águas de fontes
alternativas para essa finalidade. A água de chuva, por exemplo, poderia ser empregada em
usos que não exigem potabilidade da água.
Com o uso e ocupação desordenados do solo nas grandes cidades, houve uma grande
impermeabilização de áreas antes permeáveis, além de assentamentos urbanos próximos a
cursos d’água. Esses fatos, em conjunto, desencadearam problemas ambientais e sociais muito
importantes. A ocorrrência de enchentes em grandes cidades está se tornando cada vez mais
frequente, uma vez que, muitas vezes, as estruturas urbanas não foram dimensionadas para
suportar elevadas vazões. A captação e a utilização de água de chuva poderiam se tornar
ferramentas importantes, uma vez que contribuiriam para a minimização da ocorrência de
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
1
enchentes, para a economia de água potável, para a contribuição para o meio ambiente, entre
outras vantagens.
A utilização do sistema de captação de água de chuva é amplamente difundida em regiões
semi-áridas brasileiras devido à escassez hídrica que ocorre nesses locais, atingindo
principalmente a zona rural. O sistema consiste, basicamente, de quatro etapas: captação
(geralmente realizada nos telhados), transporte (onde a água é conduzida através das calhas e
tubulações), armazenamento (cisternas) e tratamento (geralmente realizado com cloro). Em
relação à utilização de água de chuva em áreas urbanas, pode-se dizer que esse não é um fato
frequente no Brasil. Segundo Tomaz (1998), em países desenvolvidos como Canadá, Japão e
Alemanha, são oferecidos financiamentos ou doações em dinheiro para as pessoas que se
interessam em aproveitar a água de chuva.
Os possíveis usos para a água de chuva estão relacionados à sua qualidade, a qual depende das
condições de poluição atmosférica da região; do tipo, materiais e frequência de limpeza da
superfície de captação, da calha e da tubulação que transporta a água até o reservatório e dos
cuidados no manuseio e armazenamento da água.
O presente trabalho buscou verificar a qualidade da água de chuva captada na cidade de Belo
Horizonte e avaliar o volume que deve ser descartado para que a água de chuva seja utilizada
em algumas atividades. Para isso foram instalados dois sistemas piloto em duas regiões
distintas da cidade, Centro e Pampulha. Outro objetivo da presente pesquisa foi estudar a
percepção de moradores da cidade em relação à possibilidade de se aproveitar essa água em
atividades do dia-a-dia. Assim, por meio de metodologia qualitativa, buscou-se conhecer a
opinião de alguns habitantes de Belo Horizonte a respeito do tema “aproveitamento de água
de chuva” e verificar os motivos de sua aceitação ou rejeição.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
2
2. OBJETIVOS
2.1. Objetivo geral
Avaliar a qualidade da água de chuva captada em Belo Horizonte-MG e investigar a
percepção dos moradores da capital mineira em relação ao aproveitamento dessa água para
fins não-potáveis.
2.2. Objetivos específicos
•
Comparar a qualidade da água de chuva coletada em duas regiões de Belo Horizonte MG;
•
Avaliar o volume mínimo de água que deve ser descartado para a limpeza dos telhados
destinados à captação de água de chuva em Belo Horizonte - MG;
•
Avaliar a influência do tipo de superfície de captação na qualidade da água de chuva;
• Investigar aspectos favoráveis e empecilhos sócio culturais associados ao aproveitamento
de água de chuva no município de Belo Horizonte - MG.
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3
3. REVISÃO DA LITERATURA
3.1. Disponibilidade hídrica no Brasil
A escassez de água de boa qualidade é de conhecimento de todos e aumenta ano a ano, devido
a irregularidades climáticas, ao crescimento populacional e à degradação dos mananciais. O
volume total de água globalmente retirado dos rios, aquíferos e outras fontes aumentou cerca
de nove vezes, enquanto que o consumo per capita dobrou e a população triplicou, desde o
ano 1950 até o ano 2000. Aproximadamente 8% da população mundial está vulnerável à falta
frequente de água e cerca de 25% está caminhando para isso (BRASIL, 2006).
No passado, antes dos processos de industrialização e urbanização, quando as cidades eram
menores e o esgoto era lançado a jusante, poluindo os cursos d’água, pensava-se sempre que a
natureza recuperaria a qualidade da água. Os impactos eram menores tendo em vista o menor
volume de esgoto despejado em comparação com a capacidade de diluição dos rios.
Entretanto, quando a urbanização tornou-se acelerada, o lançamento de despejos industriais e
domésticos tornou-se muito maior, superior à capacidade natural de recuperação dos rios.
Como consequência disso, tem-se a deterioração de mananciais e a redução do número de
fontes de águas de superfície seguras para a população.
Demandoro e Mariotoni (2001) apud Francisco e Carvalho (2004) analisaram a
disponibilidade dos recursos hídricos em 13 das principais cidades do Brasil. Apesar do Brasil
estar em uma situação favorável no que diz respeito à disponibilidade hídrica global, a
concentração da população em áreas urbanas vem gerando consequências sobre os recursos
hídricos do país. A pesquisa mostrou que entre as metrópoles estudadas, São Paulo,
Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Brasília apresentam situação
mais crítica quanto à disponibilidade hídrica per capita. As regiões metropolitanas de Porto
Alegre, Belém e Manaus não apresentam problemas de disponibilidade, uma vez que estão
localizadas próximas a fontes de vazão elevada. Segundo Oliveira (2009), em algumas
localidades da região nordeste do Brasil, a disponibilidade hídrica é inferior a 500m³/hab/ano,
valor classificado como o equivalente à situação de escassez hídrica absoluta (UNESCO,
2007).
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4
No Brasil, a perda de água é enorme em muitas localidades onde há disponibilidade hídrica
regular. Segundo Setti et al. (2001), as vazões efetivamente consumidas no Brasil são apenas
52% de toda a vazão retirada dos rios e lagos.
Considerando o volume de água disponível na Terra e a degradação acelerada dos cursos
d’água, é muito provável que no futuro a obtenção de água seja dificultada. Serão necessários
métodos de tratamento de água complexos, como dessanilização das águas dos mares,
tratamento de esgoto, entre outros, para tornar a água potável para consumo. Essa situação
provavelmente vai dificultar ainda mais o acesso de pessoas carentes à água de boa qualidade,
uma vez que o seu custo será elevado.
Segundo Oliveira (2009), para reverter essa situação é necessário o investimento na gestão de
demanda de água em edifícios, residências, comércio e indústrias, com a instalação de
componentes que visem o uso racional de água, tais como bacia de volume reduzido de
descarga, torneiras economizadoras, arejadores e fontes alternativas de abastecimento de
água, com qualidade compatível com o seu uso.
Uma alternativa para abastecimento de água em áreas urbanas, para fins menos nobres, é a
captação de água de chuva. O sistema consiste de uma superfície de captação, que geralmente
é o telhado da edificação ou um piso calçado impermeável próximo à edificação, de uma
calha e de uma tubulação para o transporte da água até o local de armazenamento. A seguir
serão apresentadas algumas informações que irão facilitar o entendimento sobre a captação de
água de chuva e o seu aproveitamento.
3.2. A captação de água de chuva na antiguidade
Algumas investigações arqueológicas revelam que a utilização de água de chuva foi muito
realizada na antiguidade, em todo o mundo. Foram descobertos reservatórios com tecnologia
do povo maia e grandes reservatórios enterrados em áreas hoje pertencentes à Bolívia. Além
disso, foram descobertas barragens de acumulação nos Emirados Árabes, datados de 15.000
anos atrás (PANDEY et al., 2003).
Na Grécia, há histórico de captação de água de chuva de 3.500 a 1.200 anos antes de Cristo
(KOUTSOYIANNIS et al., 2008). Cinco cisternas dessa época foram encontradas na
atualidade, sendo duas em Pyrgos e uma em Zacros, Archanes e Tylissos (CADOGAN,
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5
2007). Houve uma época em que o abastecimento de água dependia somente da precipitação,
sendo que a captação da água de chuva era realizada em telhados, pisos e outros espaços
(ANTONIOU et al., 2006).
Em Java, deserto Negro, localizado ao norte da Jordânia, foram construídos sofisticados
reservatórios de água de chuva, datados de 3.000 anos antes de Cristo (CHANAN et al.,
2007).
Segundo Abdelkhaleq e Alhaj Ahmed (2007), há evidências que a Jordânia também fazia uso
dessa forma de obtenção de água. Um exemplo disso são as inscrições na Pedra Moabita,
datadas de 850 anos antes de Cristo, onde o Rei Mesha Moab sugere que seja construída uma
cisterna em cada residência para aproveitar a água das chuvas.
Como exemplificado anteriormente, o aproveitamento de água de chuva sempre foi utilizado
em todo o mundo, desde a antiguidade, mas perdeu um pouco de sua importância devido ao
avanço da tecnologia. Com o surgimento de sistemas coletivos de abastecimento de água, a
maioria dos indivíduos não sente necessidade de utilizar outra fonte de água, usando somente
a advinda do sistema público de abastecimento, para qualquer atividade. Entretanto, em
algumas localidades o aproveitamento de água de chuva está se tornando uma realidade,
devido ao não acesso à água potável (principalmente áreas rurais) ou à conscientização da
população.
3.3. Superfícies de captação de água de chuva
Principalmente em áreas urbanas, as águas que anteriormente infiltravam pelo solo, hoje
escoam pelas ruas, causando enchentes. A situação ideal seria que o próprio solo, permeável,
absorvesse parte da água da chuva e abastecesse os lençóis subterrâneos. Dessa maneira o
ciclo da água se completaria e minimizaria a dificuldade de se encontrar água doce em um
futuro próximo.
Uma alternativa para a minimização da ocorrência de enchentes nas grandes cidades (elevada
impermeabilização do solo) é a captação de água de chuva, que pode ser realizada de várias
maneiras, entre elas tem-se a captação ocorrida pelos telhados e pelo piso.
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6
A captação de água de chuva nos telhados é simples e muito utilizada. A estrutura de captação
já se encontra implantada nas edificações, o que facilita a implantação de um sistema de
aproveitamento de água de chuva. Devido à exposição da estrutura às intempéries, é
necessário sempre descartar as primeiras chuvas, dessa maneira minimiza-se a possibilidade
de entrada de sujeira no reservatório. Um sistema simplificado é constituído de um telhado
que realiza a captação, em seguida a água é encaminhada para uma calha, para os condutores
verticais e horizontais e finalmente para o reservatório ou cisterna, conforme ilustrado na
Figura 3.1.
Reservatório
de água de
chuva
Figura 3.1 - Layout de um sistema simplificado de captação de água de chuva em telhados
Alguns fatores podem influenciar a qualidade da água captada, entre eles pode-se citar o tipo
de telha. Existem diversos materais e modelos disponíveis no mercado, como telhas
cerâmicas, metálicas, fibrocimento, concreto, fibra de vidro, fibra vegetal, PVC, entre outros
tipos. Muitas das residêncais brasileiras apresentam telhados constituídos por telhas
cerâmicas, enquanto que muitas indústrias apresentam telhas metálicas.
A implantação da calha e dos condutores verticais para recolhimento e transporte das águas é
realizado de maneira semelhante para todos os tipos de telhas, sendo que o diferencial entre
eles consiste basicamente na inclinação dos telhados. Geralmente telhados que possuem telhas
cerâmicas apresentam, em média, inclinação entre 20 e 35%. Já os telhados com telhas
metálicas apresentam em média inclinação entre 3% e 10% (RODRIGUES, 2003). Ressaltase que as calhas e os condutores verticais devem ser dimensionados corretamente, pois
estruturas mal dimensionadas podem causar um aproveitamento de água inferior ao
pretendido. Indica-se como referência a Norma Brasileira para Instalações Prediais de Águas
Pluviais, NBR 10.844/1989.
Em relação aos materiais constituintes das telhas tem-se algumas considerações. As telhas
cerâmicas são mais permeáveis do que as telhas metálicas, ou seja, parte da água é absorvida
pela telha e parte é escoada. Dessa maneira, sistemas que apresentam esse tipo de telha na
7
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estrutura de captação, reservam um volume de água inferior aos que possuem telhas
metálicas, para uma mesma precipitação. Além disso, o escoamento das águas pluviais sobre
a cobertura de telhas cerâmicas pode superar a resistência à abrasão do material e transportar
sedimentos para o reservatório, tanto das partículas de sujeira depositadas superficialmente,
quanto do próprio material cerâmico (BOULOMYTIS, 2007). Estudos realizados na Malásia,
por Yaziz et al. (1989), sobre a influência do tipo de telha na qualidade da água da chuva,
mostraram que a turbidez e a concentração de coliformes termotolerantes na água captada
pelo telhado de concreto são aproximadamente duas vezes superiores à captada pelo telhado
metálico. Os autores explicam que a luz do sol incidindo sob o telhado metálico proporciona
um aquecimento da estrutura, eliminando de maneira eficaz muitos microrganismos, fato que
proporciona contaminação microbiológica geralmente inferior nas coberturas metálicas em
comparação a outros tipos de coberturas.
Outra maneira de se captar água de chuva pela cobertura são os chamados telhados verdes,
que são pequenos jardins posicionados sobre a laje de cobertura das edificações. Segundo
Tomaz (2007), busca-se, com a instalação de telhados verdes, melhoria da qualidade do ar,
detenção de enchentes, melhoria na temperatura do ar e melhoria na paisagem. Ainda segundo
o mesmo autor, telhados verdes diminuem os custos com refrigeração na época de calor e
podem ser aplicados para todos os tipos de construções, desde prédios residenciais e
comerciais a indústrias. Os projetos de telhados verdes buscam agregar tecnologia à estética,
utilizando água de chuva para conforto e equilíbrio térmico, ocasionando redução de custos de
refrigeração (PINHEL et al., 2007).
Segundo Tomaz (2007), para a implantação de um telhado verde é necessário que sejam
seguidas algumas recomendações. Entre elas pode-se citar a necessidade de implantação de
uma camada impermeável inferior que impeça a infiltração de água na laje, um sistema de
drenagem eficiente que permita o escoamento da água e a não acumulação em locais
impróprios, e adequada vegetação para resistir às diferentes temperaturas. Além disso, devese escolher espécies vigorosas e tolerantes ao solo seco e manter uma espessura de solo entre
150 e 300mm. A Figura 3.2 ilustra um telhado verde implantado em uma residência.
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8
Figura 3.2 - Implantação de um telhado verde em uma residência
Fonte: http://www.institutoelosbr.org.br/UserFiles/Image/ecotelhado_2.jpg
Segundo Tomaz (2007), edificações com telhados verdes apresentam, em média, retenção de
15% a 70% das águas pluviais, possibilitando redução nos picos de enchentes; redução da
temperatura do telhado no verão em mais de 40%; redução dos extremos de temperatura e
minimização das “ilhas de calor” causadas pela quantidade excessiva de prédios que
impermeabilizam as áreas que antes eram permeáveis. Além disso, o custo de implantação de
um telhado verde também é um incentivo, pois varia de 30 a 50% do custo de uma estrutura
sem vegetação (telhado comum, com a implantação de telhas), variando de US$ 80,00/m² a
US$ 150,00/m² (TOMAZ, 2007).
Considerando a situação atual de impermeabilização nas grandes cidades, a captação de água
de chuva pelos pisos também pode ser uma alternativa, dependendo do uso. O método é
semelhante à captação pelos telhados, sendo necessário impedir que as primeiras águas de
chuva sejam reservadas. O piso deve ser impermeável, possuir uma declividade que
encaminhe as águas para um reservatório e não deve haver tráfego de automóveis na área de
captação. Dessa maneira, busca-se evitar ao máximo a contaminação da área com a queda de
óleos e combustíveis.
3.4. Reservatórios para o armazenamento de água
Existem diversos tipos de reservatórios que podem armazenar a água de chuva, como
cisternas e caixas d’água pré-fabricadas.
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9
As cisternas são uma excelente alternativa para quem busca utilizar racionalmente a água,
uma vez que é um reservatório com custo relativamente baixo, mantém a água geralmente
fresca e é de fácil execução. Geralmente, as cisternas possuem custo inferior aos reservatórios
pré-fabricados com mesmo volume.
•
Cisternas
Na região do semi-árido brasileiro são muito utilizadas cisternas, devido à escassez hídrica
que atinge principalmente a zona rural. Essa região é muito carente e a maioria da população
rural não é abastecida com água canalizada. Tradicionalmente a água consumida é
proveniente de rios ou lagos, muitas vezes localizados a quilômetros de distância. A água de
chuva armazenada é então utilizada somente para beber, cozinhar e higiene pessoal.
Existem diversos tipos de cisternas, que devem ser escolhidas levando em consideração o tipo
de solo, a região, o poder aquisitivo de quem irá construí-la, entre outros. Esse tipo de
reservatório consiste de uma caixa circular ou retangular, que pode ser enterrada no solo,
semi-enterrada ou superficial. A Tabela 3.1 apresenta alguns tipos de cisternas.
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Tabela 3.1 - Tipos de cisternas e suas vantagens e desvantagens
Tipos de cisternas
Placas
Definição
São formadas por placas prémoldadas de cimento, envolvidas por
anéis de arame e revestidas interna e
externamente com argamassa de
cimento, ficando semi-enterradas no
chão, até mais ou menos dois terços
da sua altura.
Vantagens
• Facilidade de construção em
pequenas localidades, uma vez que as
ferramentas necessárias são muito
simples
e
de
baixo
custo;
• facilidade no treinamento das
pessoas que irão construir as cisternas;
• possui baixo custo de construção; e
• a água armazenada mantém-se
fresca, uma vez que a maior parte da
cisterna fica debaixo da terra.
Desvantagens
• A parte subterrânea não pode ser
examinada para detectar vazamentos e
caso esses sejam verificados, há
dificuldades no conserto;
• é necessária escavação de terra para
profundidade de aproximadamente
1,60 metros; e
• deve-se ter cuidado especial durante
as duas semanas seguintes à
construção, pois as paredes da cisterna
não podem ressecar.
Tela e arame
Normalmente é construída sobre a
superfície, possuindo altura de,
aproximadamente dois metros. Para a
sua construção são necessárias chapas
de aço planas e finas que são
seguradas
por
cantoneiras
e
parafusadas umas nas outras em forma
cilíndrica. A forma levantada é
primeiramente envolta com tela de
arame e em seguida com arame de aço
galvanizado, e, sobre este, é colocada
uma camada de argamassa de
cimento.
• Apropriado tanto para pequenos
como para grandes projetos de
construção
de
cisternas;
• não exige trabalho pesado de
escavação, uma vez que a cisterna fica
localizada sobre a superfície; e
• muito difícil ocorrerem vazamentos
e, caso esses sejam detectados, são
facilmente visualizados e consertados.
• Deve-se ter cuidado especial durante
as duas semanas seguintes à
construção, pois as paredes da cisterna
não
podem
ressecar;
e
• não deve haver interrupções no
andamento da obra, caso contrário as
subsequentes camadas de reboco não
serão aderidas suficientemente entre
si.
Adaptado de: GNADLINGER, 1999
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11
Continuação da Tabela 3.1
Tipos de cisternas
Tijolos
Ferro-cimento
Definição
A parede circular de tijolos é levantada
em uma base concretada e é rebocada
pelo lado de dentro e de fora. É semienterrada, ficando cerca de dois terços
de sua altura total abaixo do chão. Em
relação ao teto da cisterna, deve ser
nivelado, de concreto de armação
simples ou de vigas de madeira com
uma laje fina de concreto. A parede
externa deve ser enrolada com arame
galvanizado.
Vantagens
•
Adequada
para
construções
individuais ou em mutirão;
• todos os materiais são facilmente
encontrados; e
• a água armazenada mantém-se fresca,
uma vez que a maior parte da cisterna
fica debaixo da terra.
Desvantagens
• Tempo de construção demorado;
• elevado risco de vazamentos entre o
fundo cimentado e a parede;
• exige trabalho de escavação
adicional; e
• em cisternas maiores, o teto de
concreto apresenta custo relativamente
alto devido ao grande diâmetro.
É construída sobre um fundo
cimentado onde uma armação de
arame de aço é enrolada várias vezes
com telas de arame. Em seguida a tela
é cimentada por dentro e por fora.
•
Adequada
para
construções
individuais;
• não necessita de escavação, pois é
construída sobre a superfície; e
• os vazamentos não são muito
constantes.
• Exige bastante habilidade dos
pedreiros, tanto para levantar o
esqueleto de arame, quanto para a
aplicação da argamassa.
Adaptado de: GNADLINGER, 1999
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12
Continuação da Tabela 3.1.
Tipos de cisternas
Cal
Definição
Apresenta toda a sua estrutura abaixo
da terra. Na maioria das vezes apenas
a cúpula superior permanece sobre a
superfície. A terra é escavada na
medida exata do tamanho da cisterna
e seu fundo é côncavo. A cisterna tem
a forma de uma casca de ovo, sendo
que sua parede é de tijolos. Para o
levantamento dessas paredes, usa-se
em geral argamassa de cal pura e para
o reboco interno usa-se camadas de
argamassa de cal com pouco cimento.
Já o teto pode ser feito de tábuas,
porém bem vedado contra a entrada
de pequenos animais, ou, mais
simples, pode ser uma cúpula feita de
tijolos.
Vantagens
• A técnica de construção é muito
conhecida, pois é parecida com as
construções de fornos de carvão e de
cal do interior do Brasil;
• a construção não precisa ser
terminada de uma vez; e
• as paredes levantadas com cal são
mais resistentes a tensões, porque a
argamassa de cal é mais elástica do que
a argamassa de cimento.
Desvantagens
• São necessários trabalhos de
escavação;
• a argamassa de cal só se torna
impermeável com o uso de aditivos; e
• a argamassa de cal precisa de mais
tempo para curar do que a de cimento.
Adaptado de: GNADLINGER, 1999
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13
•
Reservatórios pré-fabricados
A variedade de reservatórios pré-fabricados no mercado é enorme, entre eles podem ser
destacados os reservatórios feitos de fibras de vidro e polietileno. Para o armazenamento de
água de chuva, pode-se utilizar tanto caixas d’água, desde que essas não sejam enterradas,
quanto cisternas ou reservatórios pré-fabricados, que são construídos para resistir ao empuxo
do solo. Geralmente utiliza-se cisternas enterradas para receber a água diretamente das
tubulações que descem da calha. Já as caixas d’água geralmente recebem as águas bombeadas
das cisternas. Na maioria dos sistemas essas caixas ficam localizadas sobre as lajes da
edificação, permitindo que a água desça por gravidade até os pontos de utilização (Figura
3.3). O funcionamento é muito parecido com o sistema de abastecimento indireto de água
potável, com a diferença que a água não vem da rede pública e sim da calha ligada ao telhado
ou ao piso.
Figura 3.3 - Exemplo de sistema que bombeia água da cisterna para a caixa d’água
Fonte: www.saplei.eesc.usp.br/tgi2005
•
Garrafa PET como reservatório alternativo
Devido à dificuldade de obtenção de água potável em alguns lugares do mundo, algumas
alternativas estão sendo criadas e incrementadas, por diversas pessoas, para a utilização da
água de maneira racional. A população mundial que não é abastecida com água potável,
segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano publicado pelo PNUD (2006), é de 1,1
bilhão de pessoas em todo o mundo. Muitas dessas pessoas utilizam água de rios poluídos ou
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14
poços de água salobra, pois não têm outra escolha. Entretanto, a captação de água de chuva
poderia ser uma alternativa para o seu abastecimento.
Em outubro de 2008, o site da internet “www.yankodesign.com” criou o concurso ”Design for
Poverty International Contest”, que promovia ideias que contribuissem para melhorar a vida
de pessoas carentes. “Rain Drops” foi o sistema desenvolvido por um americano que ganhou a
medalha de ouro, trata-se de uma alternativa para pessoas que não têm condições de comprar
um reservatório para armazenar água de chuva. A ideia é utilizar garrafas PET para armazenar
a água da chuva coletada nos telhados.
O sistema de aproveitamento é igual aos usualmente adotados no Brasil, em relação ao
telhado é à calha, se diferenciando apenas nas tubulações e reservatório. O sistema consiste
em posicionar garrafas PET junto ao condutor vertical, que possui vários orifícios para
encaixar as garrafas. Esses orifícios seriam vedados por uma peça, como ilustra a Figura 3.4.
A estrutura desenvolvida suporta até 21 garrafas de 1,5L. Em relação ao descarte das
primeiras chuvas, não foi possível verificar, na reportagem, como ela seria realizada.
ÁGUA DE CHUVA
Figura 3.4 - Sistema de armazenamento de água de chuva em garrafas PET
Fonte: http://www.yankodesign.com/2008/10/30/design-for-poverty-winners
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15
Uma das principais vantagens desse sistema é a possibilidade da água armazenada ser
desinfetada pela técnica do SODIS (do inglês Solar Disinfection), uma vez que o seu
armazenamento será em garrafas PET. Essa técnica utiliza a combinação de raios solares e o
calor para inativar alguns microrganismos, como os patogênicos, por exemplo.
Em relação à desvantagem, tem-se a necessidade de que a água de chuva armazenada na
garrafa PET seja encaminhada para um reservatório de volume maior. Caso contrário, o
volume de água armazenado estará restrito a 31,5 L (volume das 21 garrafas PET). Dessa
maneira, locais onde as chuvas são concentradas em determinados períodos do ano, não
seriam indicados para a sua implantação, uma vez que não haveria volume de água
armazenada suficiente para posterior utilização.
3.5. Múltiplas barreiras para proteção da água de chuva captada
Para que as águas de chuva possam ser aproveitadas é imprescindível que se tenha alguns
cuidados para minimizar a sua contaminação. Certos cuidados durante a captação,
armazenamento e consumo da água podem garantir a sua qualidade sanitária. Segundo Silva
(2006) a maioria das contaminações da água de chuva ocorre durante a sua captação, dessa
maneira a primeira barreira que deve ser considerada é o impedimento de queda dos primeiros
milímetros de chuva dentro do reservatório. A partir do momento em que ocorrem as
primeiras chuvas, as sujeiras (pequenos animais mortos, fezes de aves e roedores, folhas,
detritos, poeira e microrganismos) são carreadas e acumuladas no interior dos reservatórios. O
ideal é que exista um dispositivo automático de desvio das primeiras águas para realizar essa
função. Segundo Andrade Neto (2004), o dispositivo automático para desvio das primeiras
águas de chuva é uma barreira física de proteção sanitária das cisternas. Os dispositivos de
impedimento e ou minimização de contaminação dos reservatórios pelas primeiras chuvas
disponíveis no mercado são inúmeros. Variam desde a simples e pequenos reservatórios de
água (Figura 3.5) até a filtros mais sofisticados. Esses dispositivos simplificados funcionam
basicamente como um “selo hídrico”, onde a água “suja” fica armazenada no pequeno
reservatório e a água “limpa” passa direto para a cisterna. Em sistemas de captação
simplificados, muito utilizados no semi-árido brasileiro, esse desvio é realizado pela retirada
do tampão que intercepta o tubo que liga a calha à cisterna (Figura 3.6) ou pela retirada da
própria calha (estrutura móvel). Esse método de descarte é contestado, uma vez que a
quantidade de água descartada na primeira chuva não é controlada, podendo ocorrer um
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16
volume de água superior ou inferior ao necessário para limpar o telhado. A segunda
consideração diz respeito à vigilância requerida aos moradores quando da ocorrência da
primeira chuva, uma vez que eles precisam ficar atentos para retirar o tampão ou a calha
móvel e descartar a água.
Figura 3.5 - Dispositivo de desvio.
Fonte: Andrade Neto (2004)
Figura 3.6 - Retirada do tampão
Entre os filtros existentes no mercado, pode-se destacar o filtro tipo vórtex (Figura 3.7) que é
geralmente instalado a jusante dos condutores verticais e a montante da entrada da cisterna e
possui a função de separar a água de chuva de impurezas como folhas, galhos e insetos. Existe
o filtro de descida (Figura 3.8), que é instalado diretamente no conduto vertical e possui
praticamente as mesmas funções do filtro anterior. Os filtros flutuantes (Figura 3.9) são
geralmente instalados dentro de reservatórios que possuem sua água bombeada. O flutuador
esférico permite que a água seja captada logo abaixo da superfície, filtrando as impurezas que
porventura estejam no reservatório, melhorando a qualidade da água e evitando problemas
para o funcionamento da bomba.
Além dos filtros citados anteriormente, estão disponíveis também no mercado “kits” que
realizam a função de controle do abastecimento de água pluvial. Algumas empresas os
nomearam de “kits” de interligação automática (Figura 3.10). Esse controle é feito por meio
de monitoramento do volume de água de chuva existente dentro do reservatório. Quando uma
bóia de nível detecta o baixo nível de água no reservatório é acionada uma válvula solenóide,
que se abre permitindo a entrada de água da rede pública ou outra fonte de abastecimento. O
importante é sempre não proporcionar a mistura das águas potável e não potável.
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17
Figura 3.7 - Filtro tipo vórtex
Fonte: www.engeplas.com.br
Figura 3.9 - Filtro flutuante
Fonte: www.engeplas.com.br
Figura 3.8 - Filtro de descida
Fonte: www.engeplas.com.br
Figura 3.10 - “Kit” de interligação automático
Fonte: www.engeplas.com.br
A Figura 3.11 apresenta a disposição de alguns desses mecanismos de minimização de
contaminação da água da chuva localizados em um sistema de aproveitamento.
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18
Figura 3.11 - Filtro flutuante
Fonte: www.engeplas.com.br
Em relação ao volume de água a ser descartado, existem alguns valores que são citados na
literatura, variando desde 0,4 L/m² a 2,0 L/m² de área de telhado. A NBR 15.527/2007
(ABNT, 2007) indica que o dispositivo de descarte de água deve ser dimensionado pelo
projetista e que na falta de dados, o recomendado é que se descarte 2 mm da precipitação
inicial, ou seja, 2 litros de água por 1 metro quadrado de telhado.
O segundo ponto a se considerar é com relação ao reservatório, que deve ficar completamente
fechado, impedindo a entrada de luz. Dessa maneira minimiza-se a proliferação de algas no
seu interior e a entrada de animais. É importante ressaltar que não se deve deixar nenhum
reservatório aberto, sendo de água pluvial ou potável, pois além dos problemas citados
anteriormente existe a questão da proliferação de alguns mosquitos em água parada.
Ainda com relação ao reservatório, para a saída do excesso de água é necessário prever um
extravasor, que deverá estar posicionado próximo à superfície. Esse extravasor deve ser
tamponado com uma tela ou grade para impedir a entrada de animais.
O terceiro ponto, mas não menos importante, está ligado ao tratamento da água. Dependendo
da atividade em que for utilizada, a água precisará passar por um tratamento mais complexo
ou mais simplificado. Usos menos nobres podem não exigir tratamento ou podem necessitar
somente de filtração, dependendo da situação. Já usos mais nobres podem exigir um
tratamento completo. Como citado anteriormente, a filtração está presente em muitos dos
19
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sistemas pré-fabricados, onde um filtro localizado a montante do reservatório impede que os
resíduos grosseiros adentrem na cisterna. Além disso, dependendo do uso ao qual a água de
chuva se destina, é importante promover a sua desinfecção, que pode ser realizada com cloro
(mais utilizada), luz solar, entre outros mecanismos.
Em relação à desinfecção solar, segundo Aristanti (2007), esse método está sendo otimizado e
utilizado em diversos países, uma vez que esse tratamento é eficiente, além de ser barato e de
simples manuseio. Segundo a mesma autora, a Indonésia é um país cujos habitantes possuem
dificuldade imensa em obter água potável para consumo, principalmente os que habitam a
zona rural. Baseado nisso algumas organizações, como a UNICEF, e algumas companhias,
como a Coca-Cola e a Georg Fischer, estão colaborando para que essa técnica seja
efetivamente implantada no país. Segundo Aristanti (2007), o número de casos de diarréia
diminuiu até 100% em algumas localidades. Amaral et al. (2006) estudaram o uso da radiação
solar na desinfecção da água de poços rasos no Brasil, com o objetivo de verificar a redução
de coliformes totais e Escherichia coli presentes nas águas após a desinfecção solar. O
resultado foi uma redução de 99,9% para o primeiro parâmetro e 100,0% para o segundo
parâmetro, após 12h de exposição ao sol.
A retirada de água da cisterna ou reservatório é o quarto ponto a ser abordado, essa deve ser
realizada de maneira a minimizar ao máximo a sua contaminação. Sempre que possível é
interessante que essa água seja bombeada e encaminhada diretamente para o ponto de
consumo. Um exemplo dessa situação pode ser visualizado na Figura 3.12, onde a água
armazenada na cisterna é bombeada para os pontos de utilização.
Figura 3.12 - Exemplo de bombeamento da água armazenada na cisterna
Fonte: www.acquabusiness.com/produtos.htm
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Na zona rural do semi-árido brasileiro, por exemplo, a maioria das pessoas retira a água da
cisterna com um balde ou panela (Figura 3.13). Nesses locais o risco de contaminação é
elevado pois muitas vezes esses recipientes não são higienizados corretamente. Algumas
ONG’s estão apresentando bombas manuais aos moradores da zona rural, trata-se de uma
técnica simples e que aparentemente consegue exercer a função desejada (Figura 3.14).
Figura 3.13 - Coleta utilizando recipiente
Figura 3.14 - Coleta com bomba manual
3.6. Experiências com a implantação de sistemas de aproveitamento de
água de chuva
O aproveitamento de água de chuva é algo muito frequente em áreas onde o acesso à água não
é facilitado, como o semi-árido brasileiro. Nas áreas urbanas este fato está ganhando espaço,
mas ainda de maneira muito tímida. No mundo em geral, existem proprietários de residências,
comércios e indústrias que estão adotando esse sistema, buscando, principalmente,
economizar na conta de água, contribuir para o meio ambiente e minimizar a frequência de
enchentes nas cidades. A seguir serão apresentados alguns casos que exemplificam essa
situação.
•
Reservatórios localizados na frente de residências no Japão
No distrito de Ichitera-Kototoi, na cidade de Sumida, Japão, existe uma rua chamada Eco-Roji
(Rua Ecológica) onde reservatórios subterrâneos são localizados na frente de algumas
residências. Esses tanques possuem capacidade de 10m3 para armazenamento de águas
pluviais e são dotados de bombas manuais. As águas armazenadas são utilizadas em irrigação
de plantas e na emergência, como a falta de abastecimento público de água (FENDRICH e
OLIYNIK, 2002).
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21
•
Edifício comercial de uma editora no Japão
O edifício principal da Editora Toppan está localizado em Tóquio, Japão. Um projeto de
ampliação do edifício incluiu um sistema de utilização de águas pluviais no projeto de
construção (Figura 3.15). Foram investidos US$150.000 no sistema de aproveitamento, que
possui como diferencial um sensor de chuva e neve que elimina automaticamente as primeiras
precipitações (FENDRICH e OLIYNIK, 2002). As águas de chuva são coletadas nos telhados,
armazenadas em um reservatório subterrâneo e bombeadas para utilização na descarga dos
vasos sanitários. Nesse edifício os vasos sanitários são ligados às duas redes, potável e
pluvial, sendo que, quando há falta de uma água, a outra abastece o aparelho
automaticamente.
Figura 3.15 - Sistema de aproveitamento de água de chuva em edifício comercial
Fonte: Fendrich e Oliynik (2002)
•
Fábrica de refrigerantes localizada no estado do Paraná – Brasil
No estado do Paraná, Brasil, há uma fábrica de refrigerantes do grupo Coca-Cola (Indústrias
Spaipa) que realiza a captação e o aproveitamento de água da chuva para uso no processo
industrial. A água da chuva que cai em parte do telhado das fábricas é coletada e armazenada
em uma cisterna. Depois de passar por um equipamento de filtração e ser analisada quanto à
potabilidade, segue para se misturar com a água captada dos poços e do sistema de
abastecimento público. Posteriormente, a água tratada é utilizada na produção dos
refrigerantes (Figura 3.16).
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22
1º- A água de chuva é coletada
nas calhas
2º- A água é armazenada na
cisterna exclusiva
4º- A água de chuva é misturada
com a água advinda de um poço
e da rede pública
5º- A água passa
por um tratamento
6º- A água retorna à
fábrica para a produção de
refrigerantes
3º- A água passa por um filtro para
remoção de partículas
Figura 3.16 - Sistema de aproveitamento de água de chuva em fábrica de refrigerantes
Fonte: http://www.spaipa.com.br/captacaodaagua.htm
•
Fábrica de equipamentos de aquecimento solar localizada em Freiburg –
Alemanha
A fábrica de equipamentos de aquecimento solar, SAG Eletricidade Solar, localizada na
cidade de Freiburg, Alemanha, realiza a captação de água de chuva por meio de um telhado
verde (Figura 3.17). O telhado de aproximadamente 1500m² de área realiza a captação, sendo
parte da água armazenada alí mesmo e parte encaminhada para um reservatório inferior. A
água localizada no reservatório inferior é aproveitada nas descargas dos vasos sanitários da
fábrica (400m3 de água pluvial por ano). Uma consideração que deve ser realizada é que
devido a água passar pelo telhado verde antes de ser utilizada nos vasos sanitários, ela
apresenta uma cor levemente amarronzada, fato que não impediu os funcionários de
aprovarem a ideia (KÖNIG, 2007).
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23
(A) Telhado verde
(B) Layout do sistema
Figura 3.17 - Telhado verde implantado em fábrica alemã
Fonte: König (2007)
3.7. Leis de incentivo à captação de água de chuva
A captação e o aproveitamento de água de chuva estão se tornado cada vez mais difundidos.
Durante a presente revisão bibliográfica foram encontradas algumas leis que incentivam a
implantação desse sistema no Brasil e em outros países.
3.7.1. Legislações municipais e estaduais brasileiras
No Brasil, existem algumas leis de incentivo ao aproveitamento de água de chuva, tanto
municipais quanto estaduais. A elaboração dessas leis foi realizada com a intenção de
minimizar o desperdício de água potável para atividades que efetivamente não necessitem
dessa qualidade. A seguir serão apresentadas algumas dessas leis.
1) Lei Municipal Nº 13.276/2002 – São Paulo - estado de São Paulo
Lei aprovada em 2002 que torna obrigatória a execução de reservatório para armazenar águas
de chuva coletadas por coberturas e pavimentos localizados em lotes ou edificações que
tenham área impermeabilizada superior a 500m². É citada a necessidade de instalação de um
sistema que conduza toda a água captada pelos telhados, coberturas, terraços e pavimentos
descobertos ao reservatório. Além disso, os estacionamentos deverão possuir piso drenante ou
piso naturalmente permeável em pelo menos 30 por cento de sua área. Em caso de
descumprimento da lei, o infrator não obterá a renovação do seu alvará de funcionamento.
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24
2) Lei Municipal Nº 10.785/2003 – Curitiba - estado do Paraná
Possui como objetivos instituir medidas visando induzir à conservação, uso racional e
utilização de fontes alternativas para captação de água nas novas edificações. O não
cumprimento da lei implica na negativa de concessão do alvará de construção para novas
edificações. No texto são citadas as possíveis atividades para utilização de água de chuva,
como rega de jardins e hortas, lavagem de roupas, veículos, vidros, calçadas e pisos.
3) Lei Municipal Nº 6.345/2003 – Maringá - estado do Paraná
Lei aprovada em 2003 que institui o Programa de Reaproveitamento de Águas de Maringá e
que possui como objetivos diminuir a demanda de água potável no município e aumentar a
capacidade de atendimento à população. Os munícipes são incentivados a instalarem sistema
para recolhimento de águas pluviais, além de sistema de reaproveitamento de águas servidas.
São citadas utilizações na descarga de vasos sanitários, lavagem de pisos, entre outros usos.
Pessoas interessadas em instalar esses sistemas devem procurar especificações durante a
elaboração do projeto de construção ou reforma. As residências e estabelecimentos comerciais
que aderirem ao Programa farão parte de um estudo para concessão de incentivos.
4) Lei Municipal Nº 2.349/2004 – Pato Branco - estado do Paraná
Essa lei cria o Programa de Conservação e Uso Racional da Água e objetiva instituir medidas
que induzam à conservação, ao uso racional e à utilização de fontes alternativas para a
captação de água nas novas edificações. São consideradas como fontes alternativas a
captação, o armazenamento e a utilização de água de chuva e de águas servidas. As atividades
indicadas para uso são as que não necessitam de água tratada, assim como a irrigação de
jardins e hortas, a lavagem de roupa, a limpeza de veículos, vidros, calçadas e pisos, além de
descarga nos vasos sanitários. O não cumprimento da lei implica na negativa de concessão do
alvará de construção para as novas edificações. Estão obrigados a cumprirem a Lei
edificações residenciais com área acima de 200m², edificações comerciais com área acima de
100m², edificações industriais com qualquer área, edificações públicas e educacionais com
qualquer área.
5) Lei Estadual Nº 4.393/2004 - estado do Rio de Janeiro
Lei aprovada em 2004 que obriga empresas projetistas e de construção civil que realizam
projetos para o estado do Rio de Janeiro a fazerem previsão de coletores, caixas de
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25
armazenamento e distribuidores de água de chuva para as edificações (residências) que
abriguem mais de 50 famílias e empresas comerciais com mais de 50m² de área construída. A
Lei recomenda ainda que os reservatórios de água de chuva sejam separados dos reservatórios
de água potável. Além disso, indica alguns usos para a água de chuva, como a lavagem de
áreas comuns de prédios e automóveis, rega de jardins, limpeza de banheiros, entre outros, e
alerta que não deve haver mistura de água potável com pluvial nas canalizações.
6) Lei Estadual Nº 5.722/2006 - estado de Santa Catarina
Lei aprovada em 2006 que obriga edifícios com um número igual ou superior a 3 pavimentos
e área superior a 600m² a instalarem sistema de captação, tratamento e aproveitamento de
água de chuva. Enquadram-se nessa lista também os hotéis, motéis, pousadas e similares com
número igual ou superior a 8 apartamentos dotados de toaletes. Recomenda-se a utilização
dessa água em ambientes externos, como para jardinagem, lavagem de pisos, garagem e
irrigação de hortas.
7) Lei Municipal Nº 12.474/2006 – Campinas - estado de São Paulo
Essa lei faz parte do Programa Municipal de Conservação, Uso Racional e Reutilização de
Água em Edificações. Possui como objetivos a conscientização dos moradores sobre a
importância da conservação da água potável, além de incentivar os moradores da cidade de
Campinas a utilizarem águas pluviais e servidas. Esse incentivo está relacionado à
implantação de um sistema com captação, reservação, tratamento, monitoramento da
qualidade e distribuição para usos menos nobres da água de chuva, como irrigação e lavagem
de pisos. A lei incentiva também o uso das águas servidas e a implantação de medidores de
água individualizada nos apartamentos, além de equipamentos economizadores de água, como
bacias sanitárias com caixas acopladas e arejadores nas torneiras.
8) Lei Estadual Nº 12.526/2007 - estado de São Paulo
Lei aprovada em 2007 que torna obrigatório em todo o estado de São Paulo o uso de sistemas
que captem as águas pluviais contidas em áreas descobertas com mais de 500 m2, onde
telhados, coberturas, terraços e pavimentos, em lotes edificados ou não, terão que adotar um
fim para a água reservada. São citadas possíveis utilizações para a água de chuva como
reserva de incêndio, irrigação de gramados e plantas, controle de poeira, limpeza de pisos,
carros, calçadas, usos em descargas de vaso sanitário, entre outros, não sendo recomendado o
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26
consumo direto e o uso no preparo de alimentos e na higiene pessoal. O objetivo da Lei é
prevenir enchentes e inundações, além de contribuir para a racionalização do uso da água
tratada.
9) Projeto de Lei Municipal Nº 68/2009 – Belo Horizonte - estado de Minas Gerais
O projeto de Lei busca a minimização da ocorrência de enchentes na cidade de Belo
Horizonte - MG. Prevê-se a implantação de coletor de águas pluviais e reservatórios em
edificações com área impermeabilizada superior a 500m². O projeto determina, também, que
imóveis destinados às atividades de estacionamento de veículos devem apresentar, no
mínimo, 30% de sua área total como sendo permeável. Além disso, o projeto de Lei cita a
concessão da Certidão de Baixa de Construção e Habite-se condicionada à adoção desse
sistema. Os usos indicados para a água de chuva são a infiltração no solo, irrigação e limpeza
de passeios ou áreas de uso comum das edificações.
3.7.2. Legislação Federal Brasileira
Não foi encontrada nenhuma Lei Federal, aprovada, que incentive o aproveitamento de água
de chuva nas áreas urbanas brasileiras. O que existem são Normas e Portarias que estabelecem
padrões de qualidade da água.
Existe também um apoio do Ministério das Cidades à promoção da gestão sustentável da
drenagem urbana nos municípios brasileiros. São estimuladas ações estruturais e não
estruturais dirigidas à prevenção, ao controle e à minimização dos impactos provocados por
enchentes urbanas e ribeirinhas. As intervenções estruturais consistem em obras que devem
preferencialmente privilegiar a redução, o retardamento e o amortecimento do escoamento das
águas pluviais. Essas intervenções incluem reservatórios de amortecimento de cheias,
adequação de canais para a redução da velocidade de escoamento, sistemas de drenagem por
infiltração, implantação de parques lineares, recuperação de várzeas e a renaturalização de
cursos de água. As intervenções não-estruturais incluem a elaboração de estudos, projetos,
planos diretores de drenagem ou planos de manejo de águas pluviais; iniciativas de
capacitação e desenvolvimento institucional e de recursos humanos, fortalecimento social,
fiscalização e avaliação. A ação apóia iniciativas para promover e qualificar o planejamento
de futuras intervenções destinadas ao escoamento regular das águas pluviais e prevenir
inundações, proporcionando segurança sanitária, patrimonial e ambiental (BRASIL, 2006).
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27
3.7.3. Legislação estrangeira
Principalmente nos Estados Unidos, Japão e em alguns países da Europa, o aproveitamento de
água de chuva é algo frequente. Na Alemanha, por exemplo, existem administrações
municipais que cobram taxas diferenciadas para a coleta de água pluvial. Nesses lugares a
taxa de drenagem era cobrada, anteriormente, dividida igualmente entre todos os cidadãos. A
cidade de Freiburg, por exemplo, está realizando uma cobrança por m² de área
impermeabilizada, onde as propriedades que tiverem áreas maiores que 1.000 m² deverão
arcar com uma despesa maior do que aquelas que captarem água de chuva. Dessa maneira, os
imóveis que despejam mais água pluvial na rede urbana possuem ônus maior do que aquelas
que retêm em sua propriedade essa água. A intenção é incentivar todas as pessoas a aderirem
a essa ideia de captação, pois dependendo do volume captado, há a possibilidade de isenção
da taxa (KÖNIG, 2007).
Na cidade de Tucson, localizada no estado do Arizona, Estados Unidos, em outubro de 2008
foi publicada a lei municipal de Nº 10.597/2008, que obriga todos os novos edifícios
comerciais, prontos a partir de janeiro de 2010, a preverem sistema de aproveitamento de
água de chuva (TUCSON, 2008).
A cidade de São Franciso, localizada no estado da Califórnia (um dos maiores consumidores
per capita de água potável do mundo), Estados Unidos, também está incentivando o
aproveitamento de água de chuva. No mês de outubro de 2008 foi iniciado o programa piloto
de incentivo aos moradores da cidade à captação de água de chuva. Esse incentivo se deu pelo
desconto de U$60,00 na compra dos reservatórios de armazenamento (COMMUNICATIONS
AND PUBLIC OUTREACH, 2008).
Em 2001 foi aprovado pelo 77º Texas Legislature a alteração da seção 11.32 do Código Fiscal
do Texas, Estados Unidos. A alteração está relacionada à possibilidade de isenção ou
desconto em impostos referentes ao imóvel, onde proprietários de edificações que possuem
sistemas de aproveitamento de água de chuva são beneficiados (TEXAS, 2005).
3.8. Principais Portarias e Normas sobre qualidade de água no Brasil
No ano de 2007, a Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou a Norma Nº
15.527/2007 (ABNT, 2007), que fornece requisitos para o aproveitamento de água de chuva
em coberturas localizadas em áreas urbanas para fins não potáveis. Recomenda-se o uso, após
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28
tratamento adequado, em descarga de bacias sanitárias, irrigação de gramados e plantas
ornamentais, lavagem de veículos, limpeza de calçadas e ruas, limpeza de pátios, espelhos
d’água e usos industriais. Em relação ao sistema de captação, é indicada a instalação de
dispositivos para remoção de detritos, como grades e telas, além de um dispositivo automático
para o descarte das primeiras águas de chuva. Na falta de dados, recomenda-se o descarte de 2
mm da precipitação inicial para o dimensionamento do dispositivo de descarte. São
apresentadas algumas regras para a instalação dos reservatórios, métodos de dimensionamento
e indicadas algumas medidas de limpeza e manutenção. Em relação à qualidade da água, a
Norma preconiza que essa deverá ser definida pelo projetista de acordo com a utilização
prevista. Entretanto, são citados alguns parâmetros de qualidade que devem ser respeitados
para usos restritivos não-potáveis, que estão apresentados na Tabela 3.2. Na Norma não está
citada, de maneira clara, o que são esses usos restritivos não potáveis e tampouco o que são
usos menos restritivos, o que pode causar dúvidas à população no momento de sua utilização.
Tabela 3.2 - Parâmetros de qualidade de água para usos restritivos não potáveis
Parâmetro
Coliformes totais
Coliformes
termotolerantes
Cloro residual livre
Período de
análise
Semestral
Ausência em 100mL
Semestral
Ausência em 100mL
Mensal
0,5 a 3,0 mg/L
< 2,0 uT, < 5,0 uT para usos menos
restritivos
< 15 uH
pH entre 6,0 e 8,0, no caso de tubulações
de aço carbono ou galvanizado
Turbidez
Mensal
Cor aparente
Mensal
pH
Mensal
Valor
Adaptado de: ABNT, 2007
A Portaria nº 518/2004 do Ministério da Saúde (BRASIL, 2004) estabelece padrões de
qualidade para a água destinada ao consumo humano, e apresenta procedimentos e
responsabilidades relativos ao controle e à vigilância da qualidade da água potável. A Portaria
apresenta uma lista de parâmetros para o padrão microbiológico de potabilidade, padrão de
potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde, padrão de
radioatividade para água potável e padrão de aceitação para consumo humano.
Além dessas duas referências existe também o padrão de balneabilidade da Resolução
CONAMA Nº 274/00 (BRASIL, 2000). O padrão de balneabilidade estabelece a qualidade
das águas destinadas à recreação de contato primário, sendo entendido como um contato
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29
direto e prolongado com a água - incluindo-se natação, mergulho, esqui-aquático, entre outros
- onde há possibilidade de ingestão da água. O padrão classifica as águas principalmente em
função da presença de coliformes termotolerantes, Escherichia coli, enterococos e pH. A
Tabela 3.3 apresenta um resumo da classificação do CONAMA 274/00.
Tabela 3.3 - Classificação das águas quanto ao padrão de balneablidade
Coliformes
Escherichia
coli em (NMP
termotolerantes
em 100mL)
(NMP em 100mL)
Excelente
Muito boa
Satisfatória
Imprópria
250
500
1000
> 2500
200
400
800
> 2000
Enterococos
(NMP em
100mL)
pH
25
50
100
> 400
pH< 6,0 ou > 9,0
Adaptado de: CONAMA, 2000
Para a classificação das águas conforme a Tabela 3.3, é necessário que 80% ou mais de um
conjunto de amostras obtenham no máximo os valores citados na tabela. Em relação à
classificação quanto à impropriedade na utilização da água, além dos parâmetros citados
anteriormente, devem ser considerados a incidência de enfermidades transmissíveis via
hídrica na região, a presença de despejos no corpo d’água, a floração de algas e outros fatores
que contra-indiquem o exercício de contato primário.
3.9. Qualidade da água de chuva
A água da chuva pode ser utilizada para diversas finalidades, dependendo de sua qualidade.
Geralmente, águas captadas em áreas rurais, localizadas longes de indústrias e tráfego intenso
de caminhões, ônibus e automóveis, apresentam qualidade superior às águas captadas em
áreas urbanas industriais. Entretanto, a localização do ponto de captação não é, isoladamente,
uma garantia de boa qualidade da água. É indicada, sempre, a análise da qualidade da água
para a verificação da sua possível utilidade.
Existem vários parâmetros que podem influenciar na qualidade da água de chuva, como a
qualidade do ar da região onde será realizada a coleta, o tipo de material da superfície de
captação; a limpeza dessa superfície, da calha, da tubulação que transporta a água até o
reservatório e do próprio reservatório; bem como os cuidados dos moradores com a
manutenção do sistema e o manuseio da água (ANDRADE NETO, 2004).
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30
Vários estudos sobre a qualidade da água de chuva estão sendo realizados no mundo todo. No
Brasil, pode-se citar Silva (2006), que verificou a qualidade da água de chuva captada e
armazenada em cisternas (novas e antigas) na zona rural do Vale do Jequitinhonha - MG. Foi
constatado que a qualidade dessa água era superior à que os moradores tinham acesso,
provenientes de rios e poços. Segundo Andrade Neto (2004), alguns estudos demonstraram
que a água de chuva captada em áreas rurais apresenta baixa contaminação físico-química,
normalmente atendendo aos padrões de potabilidade de água para consumo humano. Os riscos
no consumo da água estariam mais associados à contaminação microbiológica, por depender
tanto dos cuidados na captação/armazenamento quanto do manuseio correto (ANDRADE
NETO, 2004).
Em áreas urbanas brasileiras, também alguns estudos foram realizados sobre a qualidade da
água de chuva, entre eles pode-se citar: May (2004), que estudou a água captada em São
Paulo (capital); Annecchini (2005), que estudou a água captada na cidade de Vitória, capital
do Espírito Santo e Cipriano (2004), que estudou a água captada em Blumenau, Santa
Catarina. A região metropolitana de Belo Horizonte também teve sua água de chuva analisada
quanto à ocorrência de chuvas ácidas (FIGUEIRÊDO, 1994).
Annecchini (2005) verificou em seu estudo melhora na qualidade da água captada em Vitória
após o descarte dos primeiros 1,5 milímetro de chuva. A água de chuva coletada em um
telhado metálico apresentou parâmetros como pH e Escherichia coli que atendiam ao padrão
de balneabilidade (CONAMA nº 274/00). Verificou também que a precipitação equivalente
aos primeiros 1,5mm apresentava concentração média de sulfato de 8,1mg/L e a precipitação
equivalente a 3mm apresentava concentração de 3,5 mg/L. Como conclusão do trabalho tevese a confirmação de que a chuva tem um importante papel na remoção dos poluentes da
atmosfera, promovendo a sua limpeza. Os primeiros milímetros de chuva são os mais
poluídos e ao longo do evento chuvoso ocorre a melhoria na qualidade da água da chuva.
Poucos estudos brasileiros foram realizados para caracterizar a qualidade da água dos
primeiros milímetros de chuva. A Tabela 3.4 ilustra os resultados obtidos por Annecchini
(2005), na cidade de Vitória, estado do Espírito Santo, e por Tordo (2004), na cidade de
Blumenau, estado de Santa Catarina.
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31
Tabela 3.4 - Qualidade das primeiras águas de chuva
Parâmetros
pH
Turbidez (uT)
Cor aparente (uH)
Dureza (mg/L)
Alcalinidade (mg/L)
Sulfato (mg/L)
Ferro (mg/L)
Coliformes totais
(NMP/100mL)
Escherichia coli
(NMP/100mL)
ANNECCHINI, 2005
1 mm de chuva
média
máx
min
6,52
6,70
6,33
37,0
70,0
14,0
26
36
10
15,6
19,3
11,7
12
16
4
-
TORDO, 2004
0,2 mm de chuva
média
máx
5,60
6,35
4,4
15,0
33
89
24
56
14,5
20,7
3,42
23,00
min
4,86
1,1
17
9
10,0
0,15
386
538
218
3474
50000
387
-
-
-
800
24000
7
Cipriano (2004) estudou a qualidade das águas de chuva para uso doméstico e industrial.
Foram coletadas águas filtradas por filtro de carvão e por filtro de areia, com posterior
desinfecção por radiação ultravioleta. Foram obtidos resultados satisfatórios conforme a
Portaria 518/2004 e foi constatado também que a água captada, sem tratamento, atende aos
requisitos estabelecidos para alguns usos industriais.
Figueirêdo (1994) coletou águas de chuva em três estações de monitoramento localizadas na
região metropolitana de Belo Horizonte, no período entre outubro de 1992 e fevereiro de
1993. Os pontos estavam distribuídos da seguinte maneira: um na capital (região centro-sul),
um em Contagem e outro em Betim. É importante esclarecer que em todas as estações as
águas eram coletadas sem passar por uma superfície de captação. Com a conclusão da
pesquisa foi verificado que 44% do total de amostras apresentavam pH menor que 5,65, valor
equivalente à chuva ácida. Em Betim (região com grande número de indústrias) esse
percentual foi de 65%, e em Belo Horizonte e Contagem foi de 30%. Em relação à presença
de sulfato na água de chuva, foram encontrados valores médios aproximados de 23 µeq/L em
Belo Horizonte e 27 µeq/L em Contagem e Betim.
Em relação a pesquisas estrangeiras, foi encontrado o estudo realizado por SHAABAN e
APPAN (2003), que verificaram a qualidade da água de chuva captada em Kuala Lumpur,
Malásia. As águas analisadas estavam armazenadas em tanques plásticos, após serem
descartados o equivalente a, aproximadamente, 3 L de água de chuva por 1 m2 de telhado. Os
autores citados encontraram os seguintes resultados: pH entre 6,26 e 6,62, turbidez entre 0,4 e
2,6 uT, alcalinidade entre 4,0 e 18,0 mgCaCO3/L, dureza entre 8 e 32 mgCaCO3/L, ferro
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32
entre 0,01 e 0,02, coliformes totais entre 0 e 230 NMP/100 mL e Escherichia coli entre 0 e 50
NMP/100 mL.
COOMBES et al. (2006) estudaram a qualidade da água de chuva captada em Hamilton,
Austrália. A água analisada era armazenada após serem descartados os primeiros milímetros
de chuva, sendo que o volume de descarte não foi citado pelos autores. Os resultados médios
obtidos com a pesquisa foram os seguintes: 6,20 de pH, 5 mg/L de sulfato, 0,01 mg/L de ferro
e 834 NMP/100 mL de coliformes totais. Se esses resultados fossem comparados aos padrões
brasileiros de qualidade, estariam com qualidade satisfatória, com exceção, apenas, para as
análises microbiológicas.
3.10. Influência da poluição do ar na qualidade da água de chuva
A água é um recurso natural renovável, pois participa de processos físicos do ciclo
hidrológico. Após evaporar dos oceanos, rios e lagos, precipita sob a forma de chuva, neve e
gelo, tanto sob o oceano como sob os continentes. Na última situação, a água precipitada
tanto pode ser interceptada pela vegetação, quanto escoar pela superfície dos terrenos, ou
infiltrar-se no solo, onde será transpirada pelas plantas. Em seguida ela é evaporada para a
atmosfera, da qual torna a precipitar-se, e assim sucessivamente.
Segundo Figueirêdo (1994), a água da chuva, por vir da evaporação e transpiração dos
vegetais, é essencialmente pura, entretanto, como o vapor alcança a atmosfera, ele se
condensa sobre as partículas sólidas e alcança equilíbrio com os gases atmosféricos. A água
tende a dissolver, até a saturação, todos os gases reativos existentes na atmosfera, mantendo
sua concentração proporcional à solubilidade e à pressão parcial de cada um, a uma dada
temperatura. Entre os gases reativos presentes na atmosfera, o gás carbônico (CO2) está em
destaque. Quando dissolvido na água, forma o ácido carbônico (H2CO3). Por se tratar de um
ácido fraco, dissocia-se com a água, fornecendo os íons hidrogênio (H+) e bicarbonato
(HCO3-). Dessa maneira a água de chuva é naturalmente ácida devido a esse acontecimento.
Nas concentrações e pressões normais de CO2 na atmosfera (340 ppm e 1 atm,
respectivamente) a água da chuva apresenta um pH de 5,65. Esse pH atua como uma linha de
base para conceituar, de um modo geral, a chuva ácida (FIGUEIRÊDO, 1994). Chuvas com
pH inferiores a esse valor sofrem frequentes contaminações por ácidos fortes, como os ácidos
sulfúrico (H2SO4) e nítrico (HNO3). Gotas de H2SO4 (sulfato particulado) são formadas a
partir da reação de dióxido de enxofre (SO2) com vários oxidantes presentes na atmosfera. O
33
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dióxido de enxofre, um dos mais comuns poluentes atmosféricos, é introduzido no ambiente
em grandes quantidades, proveniente tanto de fontes antropogênicas quanto de fontes naturais.
O processo de oxidação do SO2 e outras substâncias ocorre tanto em fase gasosa em dias
claros, como também em fase aquosa, na presença de nuvens e nevoeiros. Tal processo, além
de resultar na formação de sulfato particulado, contribui significativamente para a produção
de acidez, comprometendo sobremaneira a qualidade das condições ambientais. Regiões onde
não há influência de ações antropogênicas também podem apresentar o fenômeno da chuva
ácida, pois pântanos, manguezais e vulcões podem emitir compostos de enxofre, de maneira
natural. Em regiões tropicais, a chuva ácida pode ser causada pela emissão de ácidos
orgânicos provenientes da vegetação, uma vez que essa é uma importante fonte de emissão de
hidrocarbonetos e provenientes da queima da biomassa, principalmente no final da estação
seca (SANHEZA et al., 1991 apud FIGUEIRÊDO, 1994).
A emissão antropogênica de metais é outro ponto importante que deve ser considerado pelo
drástico aumento desde o início do século XX. Por exemplo, a quantidade de chumbo
globalmente emitida aumentou, de 1901 a 1980, em 905% (MARTINS e ANDRADE, 2002).
Entretanto, nos últimos anos e em alguns países, a quantidade total de chumbo emitida
decresceu em 28%, no período 1981-1990, como consequencia da substituição de aditivos
contendo chumbo, pelo MMT (metilciclopentadieniltricarbonilmanganês). Por sua vez, a
quantidade de manganês emitida aumentou em 10% durante o mesmo período (MARTINS e
ANDRADE, 2002). Segundo os mesmos autores, ferro e manganês são os metais presentes
em maior quantidade na atmosfera, apresentando uma química complexa em fase aquosa. O
problema da emissão de determinadas substâncias para a atmosfera está ligado à possibilidade
de retorno à superfície, via processos de deposição seca (sem a participação da fase líquida),
ou deposição úmida (através de chuva, orvalho, neblina e neve), causando prejuízos
ecológicos e econômicos, tais como danos às florestas, à flora e fauna aquática, e aos
materiais de construção.
A poluição do ar proporcionada tanto pela queima de combustíveis quanto por vários
processos de produção tem se tornado uma característica das grandes áreas urbanas.
Entretanto, os produtos de combustão estão afetando a química da atmosfera também fora das
grandes cidades industrializadas. Dessa maneira, os problemas de poluição não estão somente
em pontos localizados, mas estão causando problemas, como a chuva ácida e diminuição de
camada de ozônio, também em algumas áreas remotas.
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34
A água da chuva, devido a todos os fatos citados, pode, dependendo da região onde for
coletada, apresentar algumas substâncias dissolvidas, em maior ou menor proporção. Algumas
substâncias em excesso podem causar mal ao meio ambiente, inclusive para a saúde humana,
e inviabilizar o aproveitamento de água de chuva.
3.11. Viabilidade econômica do aproveitamento de água de chuva em
áreas urbanas
Muitos questionamentos sobre a viabilidade econômica do aproveitamento de água de chuva
são realizados por habitantes das áreas urbanas. Alguns imaginam que devido às chuvas
serem concentradas em determinadas épocas do ano, a implantação desse sistema não é
viável. Entretanto, vários estudos foram e estão sendo realizados sobre o tema.
Giacchini e Andrade Filho (2006) verificaram que em uma indústria de fundição de ferro,
localizada no estado do Paraná, com o aproveitamento de água de chuva haveria redução de
aproximadamente 50% no consumo de água potável e uma consequente economia de recursos
financeiros. Segundo os pesquisadores, o investimento necessário para a instalação do sistema
de aproveitamento de água de chuva é menos expressivo quando parte dos equipamentos para
a coleta da água, como as calhas e os condutores verticais, já estão instalados na edificação.
May (2004) formulou um programa computacional que realiza o dimensionamento do
reservatório de água de chuva e a análise econômica do sistema. Como resultado da pesquisa
teve-se a constatação de que, quando a área de coleta e a demanda são altos, o prazo de
recuperação do investimento é curto, sendo interessante a instalação principalmente em postos
de gasolina e indústrias.
Annecchini (2005) estudou a viabilidade econômica da implantação de um sistema de
aproveitamento de água de chuva em uma residência unifamiliar e em um prédio localizado
na Universidade Federal do Espírito Santo. Verificou-se que o período de retorno do
investimento do sistema de aproveitamento para o prédio dessa universidade é superior a 10
anos. Esse tempo está condicionado à reduzida área para captação da água da chuva. Sistemas
que dispõem de grandes áreas de captação apresentam um período de retorno do investimento
geralmente menor. Em relação ao tempo de retorno do investimento considerando uma
residência unifamiliar, esses valor diminuiu para 8 anos e 9 meses.
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35
Campos et al. (2003) implantaram um sistema de aproveitamento de água de chuva em uma
residência na cidade de Ribeirão Preto (SP), cuja área de captação era de 350 m². O
reservatório enterrado, de concreto armado, foi dimensionado de modo a suprir as demandas
de descarga de vasos sanitários, rega de jardim e lavagem de carros e pisos. Todo o sistema,
incluindo o reservatório, apresentou um custo total de implantação de R$ 4.518,86. O período
de retorno calculado para esse sistema foi de 6 anos e 9 meses, levando-se em conta a
economia com a água potável e incluindo-se o valor da tarifa de esgoto, que é cobrada em
função do volume de água consumido. Caso o sistema fosse implantado na capital do estado
de São Paulo, onde as tarifas são mais elevadas, o período de retorno do investimento passaria
para 5 anos e 9 meses. A literatura mostra que o período de retorno médio desses sistemas é
de, aproximadamente, 10 anos. Segundo Annecchini (2005), embora esse período possa
parecer longo e economicamente inviável, a decisão pela implantação de um sistema de
aproveitamento em residências, com pequena área de captação, não será tomada com o
objetivo maior de economizar dinheiro e sim com o objetivo de garantir o futuro da
sustentabilidade hídrica, promovendo a conservação da água e auxiliando no controle de
enchentes.
3.12. Percepção dos sujeitos
A população residente nas áreas urbanas próximas aos grandes centros, em sua maioria,
possui água canalizada em casa. Segundo o Atlas do desenvolvimento Humano (PNUD et al,.
2000), no ano 2000, em Belo Horizonte, 98,04% da população morava em residências
atendidas por abastecimento de água. Já em algumas regiões do Brasil, essa situação é
diferente. Na cidade de Ponto dos Volantes, localizada no nordeste do estado de Minas
Gerais, por exemplo, no ano 2000, o atendimento da população era de 35,21%.
Principalmente na zona rural do Vale do Jequitinhonha, o acesso à água de boa qualidade é
difícil. Nesses locais, algumas ONGs estão realizando trabalhos de conscientização ambiental
e de estímulo à construção de cisternas para o abastecimento da população. Segundo UFMG
(2007), na região rural de Araçuaí (Vale do Jequitinhonha - MG), os moradores beneficiados
com a implantação desses reservatórios demonstraram grande satisfação em ter a água de
chuva como fonte de abastecimento. Nesses locais a água de chuva é utilizada principalmente
para beber e cozinhar e, por isso, segundo alguns moradores, a sua qualidade de vida
melhorou muito, uma vez que os casos de doenças tornaram-se menos frequentes. Outro
aspecto positivo é com relação ao sabor da água, pois, segundo os mesmos moradores, esse é
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36
bem mais agradável, já que não apresenta características salobras, como a das outras fontes.
Os proprietários de cisternas se sentem privilegiados, sendo que essa posse é, de certa
maneira, uma demonstração de melhor condição sócio-financeira em relação às pessoas que
não a possuem.
Nas grandes regiões urbanas, a água potável está disponível em volume suficiente nos pontos
de consumo, uma vez que é encaminhada às residências pelas tubulações do sistema público
de abastecimento. Nas ruas dessas regiões, constantemente são vistas pessoas lavando carros e
calçadas com mangueiras conduzindo água potável. Na realidade, está se utilizando uma água
com qualidade muito superior à necessária para o uso ao qual se destina, sendo que a água de
chuva poderia ser uma alternativa.
Para que a população se conscientize da necessidade de utilizar a água potável de maneira
racional é importante compreender o quê a população sabe, faz e quer. Realizando uma
adaptação do estudo de Cairncross e Curtis (2002) apud SOUZA (2007), há ao menos quatro
perguntas que necessitam ser respondidas para essa compreensão:
1. Quais são as práticas que se deseja mudar?
2. Quem transmite ou influencia essas práticas?
3. O que motiva essa ação?
4. Como as pessoas se comunicam?
Segundo SOUZA (2007), para a mudança de condutas existem três forças básicas de
influência: os estímulos, os hábitos e o entorno, sendo que todos eles podem facilitar ou
dificultar a mudança. Como ilustra a Figura 3.18, a mudança de conduta requer pelo menos
uma das três ações (IYER e SARA, 2005 apud SOUZA, 2007):
• reduzir as barreiras do entorno a fim de facilitar a mudança;
• mudar os hábitos antigos por novos hábitos; e
• encontrar estímulos capazes de criar novos hábitos.
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37
Figura 3.18 - Forças de atuação nas mudanças de conduta
Fonte: Iyer e Sara (2005) apud Souza (2007)
Na presente pesquisa é considerada a hipótese de que a população urbana possui resistência
em utilizar a água de chuva. Algumas explicações poderiam ser o desconhecimento da sua
qualidade, o não incentivo das administrações públicas, o custo de implantação de um sistema
de captação, o trabalho gerado com o sistema de captação, entre outros. Por meio de
metodologias qualitativas, a presente pesquisa buscou alguma elucidação sobre esse assunto.
3.13. Pesquisa qualitativa
Segundo Silva (2007), o método tradicional de se realizar uma pesquisa a respeito do que
pensa uma determinada coletividade, sobre determinado tema, é dividir esse tema em uma
série de questões estruturadas com alternativas de respostas. Acredita-se que uma pesquisa
deveria ser quantitativa, ou seja, deveria verificar quanto ou em que proporção um
determinado atributo está presente na população pesquisada. Entretanto, esse tipo de pesquisa
limita as respostas dos pesquisados, diminuindo o seu discurso, o que, segundo Lefèvre e
Lefèvre (2005), é um traço empírico do pensamento coletivo. Ainda segundo os mesmos
autores, para superar essa limitação o indicado seria a formulação de perguntas abertas para o
conjunto de sujeitos. Questões fechadas não alcançam a expressão de um pensamento, mas
sim uma adesão forçada a um pensamento preexistente.
Muitas discussões a respeito de pesquisas qualitativas versus as pesquisas quantitativas
acontecem no meio acadêmico. Segundo Chrochik (1998) apud Silva (2007), o método
qualitativo permite o aprofundamento do que acontece no particular, enquanto que o método
quantitativo possibilita a verificação da extensão desse conhecimento. As duas metodologias
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38
não são excludentes, uma não é melhor do que a outra, na verdade elas se complementam. O
ideal seria que as pesquisas contemplassem essas duas metodologias, sempre que possível.
A pesquisa qualitativa não tem como objetivo representar o maior número de pensamentos e
sim representar a qualidade dos pensamentos. Como resultado de uma pesquisa quantitativa
sobre aproveitamento de água de chuva, pode-se dar o seguinte exemplo: Determinada
percentagem da população de Belo Horizonte é favorável ou desfavorável à utilização de água
de chuva. Nesse caso, por se tratar de uma pesquisa representativa da população, são
necessárias grandes amostras. Já a pesquisa qualitativa analisaria o pensamento de alguns
moradores quanto ao mesmo assunto, estudando o porquê dessas pessoas serem favoráveis,
qual ponto seria mais estimulante, quais os impedimentos, entre outros pensamentos. Nesse
caso, a exemplaridade e a riqueza dos pensamentos são os pontos mais valorizados.
No Brasil, a pesquisa qualitativa é muito utilizada na área de Ciências Sociais, onde o
significado é o objetivo central. É também bastante adotada nas áreas de saúde, demografia,
educação, história, ciências políticas, entre outras. Em saneamento também foram
encontrados estudos que utilizam dessa metodologia de pesquisa. Como exemplo tem-se o
estudo sobre a percepção dos sujeitos quanto à sua condição sanitária (SOUZA, 2007), quanto
à qualidade da água de consumo humano e suas implicações na saúde (SILVA, 2007), quanto
ao conhecimento sobre o saneamento (RUBINGER, 2008), sobre a percepção dos sujeitos
sobre o sistema de coleta seletiva de um município localizado no interior do estado de Minas
Gerais (SAMPAIO, 2008), entre outros estudos, mas sobre o aproveitamento de água de
chuva em zonas urbanas nada foi encontrado.
Em relação à elaboração da pesquisa qualitativa, ela apresenta uma série de dificuldades,
assim como a pesquisa quantitativa. Inicia-se pela seleção de amostras, passa pelo método de
coleta de dados e as conclusões são possibilitadas pelos métodos de análise dos resultados.
3.13.1. Seleção de amostras
Muitos pesquisadores acreditam que o conceito de amostra se aplica exclusivamente às
pesquisas quantitativas. Entretanto, segundo Costa (2007), esse conceito também pode ser
transportado para o campo da pesquisa qualitativa. Considerando que esse tipo de pesquisa
envolve intenso trabalho artesanal, há demanda de muita dedicação e tempo e, por
consequência, resulta no uso de limitadas amostras em muitas ocasiões. O número de
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39
amostras está relacionado às dificuldades técnicas e operacionais de realização, que implicam
em analisar detalhes de uma grande massa de depoimentos, muitas vezes densos e complexos,
propiciando a sua limitação de tamanho por razão de ordem prática (LEFÈVRE e LEFÈVRE,
2005).
Os procedimentos para realizar a seleção das amostras são vários e seguem os princípios
básicos da heterogeneidade ou da homogeneidade de características dos participantes.
Segundo Maxwell (2005) apud Costa (2007), ao adotar o princípio da heterogeneidade
objetiva-se a maior abrangência da pesquisa, uma vez que vários tipos de pessoas poderão
com ela se identificar. Segundo Costa (2007), um dos melhores exemplos da aplicação desse
princípio é a estratégia de “variação máxima”, onde os participantes devem ser
propositalmente selecionados por apresentarem características diferentes naquelas dimensões
que são importantes para a pesquisa.
Já em relação à homogeneidade da amostra, essa acontece através do recrutamento dos
participantes a partir de critérios pré-estabelecidos em função dos objetivos da pesquisa. Esses
critérios podem almejar simplesmente uma homogeneidade fundamental (como, por exemplo,
uma patologia em comum) ou uma homogeneidade ampla (como, por exemplo, idade, sexo,
ocupação, ou classe social).
3.13.2. Método de coleta de dados
A coleta de dados na pesquisa qualitativa pode ser realizada de diferentes maneiras, tanto
pode ser por meio de entrevistas individuais e grupais quanto por seleção de artigos de
revistas, livros, programas de televisão e gravações (BAUER e GASKELL, 2007). Segundo
Flick (2004), não tem sentido defender um único método de pesquisa como sendo o correto,
pois a pesquisa deve ser planejada metodologicamente e baseada em princípios e na reflexão.
Por isso, cada pesquisador deve escolher o método a ser aplicado em função da sua pesquisa
específica.
Segundo Lefèvre e Lefèvre (2005), a coleta e a apresentação de pensamentos, crenças e
opiniões podem ser realizadas de várias maneiras, até mesmo sob a forma de questões
fechadas, tabelas e gráficos. Essa metodologia é válida, mas não é a única disponível e nem a
mais adequada para lidar, em uma escala coletiva ou social, com pensamentos compostos de
matéria discursiva.
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40
Em relação às entrevistas individuais, elas podem ser estruturadas, não estruturadas e semiestruturadas. As primeiras apresentam uma relação padronizada e fixa de perguntas (roteiro),
cuja ordem e redação permanecem invariáveis para todos os entrevistados. As entrevistas não
estruturadas não apresentam roteiro pré-estabelecido, o tema é desenvolvido durante a
conversa e as questões são emergidas do contexto imediato. Já as entrevistas semiestruturadas apresentam um roteiro pré-estabelecido, entretanto o entrevistado tem a
possibilidade de discorrer sobre o tema proposto, sem respostas ou condições prefixadas pelo
pesquisador. Não há a exigência de uma ordem rígida das questões, permitindo uma
flexibilidade na abordagem dos questionamentos. A coleta de dados por meio de entrevistas
individuais é muito vantajosa, visto que possibilita a interação direta entre o pesquisador e o
pesquisado, além de possibilitar grande diversidade de questões e respostas (ARAÚJO, 2008).
As entrevistas grupais são realizadas quando se quer compreender as percepções, atitudes e
representações sociais de grupos humanos. Os grupos focais são geralmente um grupo de
discussão informal e de tamanho reduzido, com o propósito de obter informações de caráter
qualitativo em profundidade. Segundo Cruz Neto et al. (2002), a escolha por grupos focais é
condicionada, principalmente quando os objetivos da pesquisa, para serem atingidos,
necessitam de levantamento, por meio de debates, das impressões, visões e concepções de
mundo de seu público-alvo. Em relação ao número de participantes, eles estão condicionados
por dois fatores: deverá ser pequeno o suficiente para que todos tenham a oportunidade de
expor suas ideias e grande o bastante para que os participantes possam vir a fornecer
consistente diversidade de opiniões. Geralmente há entre 8 e 10 participantes em cada grupo
focal.
Um dos principais problemas das entrevistas, sejam individuais ou grupais, segundo
Goldenberg (1997), é a detecção do grau de veracidade dos depoimentos. Pode acontecer dos
sujeitos não se deixarem revelar em função de uma imagem que eles querem ocultar ou
projetar de si mesmos. Além disso, o entrevistador deverá sempre ter em mente que cada
questão abordada precisa estar ligada ao objetivo da pesquisa. As questões devem ser
enunciadas de maneira clara e objetiva, sem induzir ou confundir, tentando atingir diferentes
pontos de vista. Outro problema enfrentado com esse tipo de coleta de dados é conseguir
convencer uma determinada pessoa a conceder uma entrevista somente por intenção de
contribuir com a pesquisa, sem outros interesses.
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41
3.13.3. Método de análise de dados
Segundo Bauer e Gaskell (2007), a análise e a interpretação dos dados exigem tempo e
esforço, e não existe um método melhor do que o outro. Assim como a metodologia de coleta
de dados, a análise também é diretamente ligada ao tipo de pesquisa que se pretende fazer.
São diversas as metodologias de análises em pesquisa qualitativa, entre elas pode-se citar a
análise de conteúdo, a análise argumentativa, a análise do discurso, a análise do discurso do
sujeito coletivo, a análise da conversação e da fala, a análise retórica, as análises semióticas
de imagens paradas, a análise de imagens em movimento, entre outras (BAUER e GASKELL,
2007).
A obtenção de discursos é indicada quando se almeja o conhecimento sobre o pensamento
coletivo a respeito de determinado assunto. Dessa maneira, a técnica do Discurso do Sujeito
Coletivo busca dar conta dessa discursividade, característica própria e indissociável do
pensamento coletivo (LEFÈVRE e LEFÈVRE, 2005).
3.14. Discurso do Sujeito Coletivo
O Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) é um método de análise de discursos, elaborado por
Lefèvre e Lefèvre, que apresenta procedimentos destinados a representar o pensamento de
uma coletividade a partir de depoimentos coletados em pesquisas sociais. Os autores da
metodologia dizem que o método representa uma mudança significativa na qualidade, na
eficiência e no alcance das pesquisas qualitativas. O DSC permite que se conheça os
pensamentos, as representações, as crenças e os valores de todo tipo e tamanho de
coletividade (LEFÈVRE E LEFÈVRE, 2003).
A confecção de discursos coletivos ocorre a partir da junção de discursos individuais de modo
a gerar o pensamento de uma coletividade. A soma desses discursos é realizada por meio do
Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Esse método busca a organização e tabulação de dados
qualitativos, geralmente de natureza verbal, obtidos em depoimentos, artigos de jornal,
matérias de revistas e cartas. O sujeito coletivo se expressa por meio de um discurso emitido
em primeira pessoa do singular. Trata-se de um eu que ao mesmo tempo em que sinaliza a
presença de um sujeito individual do discurso, expressa a referência coletiva, uma vez que o
eu fala em nome de uma coletividade.
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42
Para a elaboração do DSC, Lefèvre e Lefèvre criaram figuras metodológicas para auxiliar na
análise do material coletado. Entre elas, têm-se as expressões chave, que são trechos literais
do discurso e que revelam a essência do depoimento, e as ideias centrais, que são a descrição
de um depoimento.
O DSC é elaborado a partir de discursos em estado bruto, assim como foram coletados. A
partir desse momento, eles são submetidos a um trabalho analítico inicial de decomposição.
Essa etapa consiste, basicamente, na seleção das principais ideias centrais e/ou ancoragens
presentes em cada discurso individual e em todos eles reunidos. A partir desse momento,
busca-se a reconstituição discursiva da representação social. A figura 3.19 busca elucidar
algumas questões sobre a elaboração dos DSCs.
Figura 3.19 - Possibilidades de discursos em função de semelhanças de pensamentos
Fonte: Souza (2007)
Para construir o DSC, é muito importante a coerência. Deve ser realizada uma reunião de
ideias, e não uma soma matemática de pedaços isolados de depoimentos. Cada parte deve se
reconhecer como constituinte do todo e o todo constituído por essas partes. Além disso, o
discurso deve apresentar um posicionamento próprio, distinto e específico frente ao tema que
está sendo pesquisado. O DSC é uma construção artificial e, por isso, para que o discurso
coletivo pareça falado por uma só pessoa, são necesssárias algumas intervenções do
pesquisador, de maneira a aproveitar todas as ideias presentes nos depoimentos.
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43
4. MATERIAL E MÉTODOS
A qualidade da água de chuva captada em duas regiões de Belo Horizonte foi monitorada,
entre março de 2008 e janeiro de 2009, buscando verificar o volume de água que deveria ser
descartado para o seu aproveitamento. O material e métodos utilizados estão apresentados no
item 4.1.
Durante o estudo sobre qualidade da água de chuva, viu-se a necessidade de conhecimento,
também, da percepção da população residente na capital mineira sobre o aproveitamento
dessa água. A partir desse momento, foi inserida a pesquisa qualitativa. O material e os
métodos utilizados estão apresentados no item 4.2.
4.1. Qualidade da água de chuva em função do volume descartado
A pesquisa foi realizada na cidade de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, em
duas regiões distintas, mostradas na Figura 4.1. Foram coletadas águas de chuva na região
central da cidade e na região da Pampulha (bairro Santa Amélia). A escolha pelos dois locais
se deu devido à diferente exposição à poluição a que elas estão submetidas. A região central
(Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais) está muito exposta à
poluição advinda dos automóveis, ônibus e caminhões. Já a região da Pampulha está menos
sujeita a esse tipo de poluição, apesar de existir a circulação de automóveis e ônibus, mas em
volume inferior.
VENDA NOVA
NORTE
NORDESTE
PAMPULHA
LESTE
NOROESTE
Bairro: Santa Amélia
CENTRO-SUL
Bairro: Centro
OESTE
BARREIRO
Figura 4.1 - Layout de Belo Horizonte mostrando locais de implantação dos sistemas piloto
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44
O monitoramento da qualidade da água foi realizado em duas etapas. A primeira aconteceu
entre março e abril de 2008 e objetivou a avaliação do sistema piloto de armazenamento e a
consolidação das metodologias adotadas. Na segunda etapa foram implantadas algumas
modificações em função dos resultados obtidos na fase anterior. O objetivo era, ao final da
pesquisa, verificar o volume de água descartado efetivamente necessário para a “limpeza” das
superfícies de captação.
4.1.1. Sistema de coleta e armazenamento de água de chuva na primeira fase da pesquisa
No dia 1 de março de 2008 foram instalados os sistemas piloto de captação e armazenamento
de água de chuva nas duas regiões pesquisadas. Em cada região havia dois sistemas que eram
diferenciados apenas pelo tipo de material usado na superfície de captação: um era constituído
por telhas cerâmicas e outro por telha metálica (aço galvanizado).
A montagem do sistema piloto iniciou-se pela base de sustentação. Foi montada uma estrutura
de madeira vazada, com 0,67 m x 0,67 m de base e aproximadamente 1 metro de altura. Essa
estrutura sustentou todos os materiais que realizaram a coleta e a reservação da água da
chuva.
A parte superior dessa estrutura possuía declividades diferentes para o apoio dos dois tipos de
telhas. As estruturas onde haveriam telhas metálicas realizando a captação possuíam
declividades de aproximadamente 5%, já onde haveriam telhas cerâmicas esse valor era de
aproximadamente 35% (valores usualmente adotados na prática).
O passo seguinte foi a implantação das telhas. Optou-se por telhas cerâmicas, uma vez que
são muito utilizadas em residências no Brasil, e por telhas metálicas, por serem muito
adotadas em galpões, postos de gasolina e indústrias. As telhas cerâmicas foram do tipo
Paulista e as telhas metálicas de aço galvanizado.
As calhas em PVC, pré-fabricadas, foram implantadas na sequência, seguidas dos condutores
verticais em PVC e das tubulações que realizavam a função de reservatório. A escolha pelo
tubo de PVC ser o local de armazenamento foi baseado na facilidade de obtenção, baixo custo
e principalmente pela sua forma geométrica, já que ele possui base pequena em relação ao seu
comprimento. Dessa maneira tentou-se minimizar o turbilhonamento, a ressuspensão de
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45
sólidos e o arraste de materiais flutuantes. Os sistemas piloto de captação implantados nas
duas regiões da cidade de Belo Horizonte estão mostrados na Figura 4.2.
Superfície de
captação
Condutor
vertical
Calha
Suporte de
madeira
Tubos para
armazenamento
Figura 4.2 - Sistema piloto de captação/armazenamento de água de chuva implantado nas
duas regiões de Belo Horizonte (Centro e Pampulha)
Durante a primeira etapa do trabalho, foi definida a área de captação necessária para a
obtenção do volume de água a ser analisada. Considerando todas as análises, chegou-se ao
volume mínimo de 500 mL para cada reservatório (tubo de armazenamento). Ao realizar os
cálculos de volume, optou-se pelo diâmetro do tubo de 500 mm, por possuir melhor adaptação
com a calha e conexões. A partir desse momento foi feita a conta inversa e chegou-se ao
comprimento mínimo do tubo de 25,5 cm, sendo portanto implantados tubos com
comprimento de 26,0 cm. Definido o volume, foi necessário calcular a área de captação
mínima a ser implantada.
Como citado anteriormente, as análises foram realizadas em duas etapas. A primeira etapa
aconteceu no período em que as chuvas na cidade de Belo Horizonte são muito freqüentes
(março e abril – final da estação de verão). Já a segunda etapa iniciou-se em uma época em
que as chuvas não são abundantes e acontecem espaçadamente. Dessa maneira, para o cálculo
da área dos telhados, foram adotados os dados de precipitação desta etapa, mais
especificamente os dados de chuva do mês de setembro, que representa a pior situação de
chuvas. Foi realizada uma média entre os dados de chuvas de setembro ocorridas no período
entre os anos de 1998 e 2006 (dados disponibilizados pelo site do Instituto Nacional de
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46
Meteorologia). Ao realizar os cálculos obteve-se o valor de área mínima igual a 0,32 m².
Adotou-se o valor aproximado de 0,60 m² para cada telhado, por questões de segurança.
Em relação ao funcionamento do sistema de captação, têm-se as seguintes considerações: a
água de chuva incidente sobre as telhas era encaminhada às calhas, em seguida escoava pela
tubulação vertical e caía dentro dos tubos de PVC. Como a intenção da pesquisa foi verificar
o volume de água de chuva a ser descartada para que as águas subsequentes pudessem ser
utilizadas, foram instalados três tubos de PVC em cada telhado, totalizando aproximadamente
1,5 L (500 mL em cada tubo). Os três eram interligados entre si, de maneira a propiciar que as
primeiras chuvas ficassem retidas na tubulação inicial e somente quando essa estivesse
totalmente preenchida é que as águas subsequentes passariam direto, indo se depositar no
segundo tubo. A mesma situação acontecia com o terceiro reservatório. Após o
preenchimento das três tubulações, a água passava direto e era extravasada, sendo descartada.
Não houve coleta dessa água extravasada, nem tampouco análises de sua qualidade, visto que
a intenção da presente pesquisa era verificar a qualidade da água que deve ser descartada. A
Figura 4.3 ilustra o caminhamento da água após a sua coleta pelo telhado.
Figura 4.3 - Ilustração das etapas de coleta e armazenamento nos sistemas piloto
Como citado anteriormente, havia três tubos de coleta em cada telhado e como eram quatro
superfícies de captação (duas na Pampulha e duas no Centro), o total de pontos de coleta era
igual a 12. A Figura 4.4 ilustra a disposição dos tubos (pontos de coleta) em função do tipo de
telha utilizada para a superfície de captação.
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47
Figura 4.4 - Fluxograma da disposição dos tubos (pontos de coleta) em função do tipo de telha
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48
O sistema citado estava funcionando bem, entretanto, havia uma incerteza quanto à não
mistura das águas dos três tubos. Buscando minimizar essa possibilidade, foi realizada uma
adaptação na segunda etapa da pesquisa.
4.1.2. Sistema de coleta e armazenamento de água de chuva na segunda fase da pesquisa
A partir da experiência obtida com a primeira fase do trabalho, foi possível definir alguns
pontos que foram melhorados para a segunda fase. A questão considerada foi em relação à
segurança de que as águas do primeiro, segundo e terceiro tubos não fossem misturadas, ou
pelo menos que essa mistura fosse minimizada. Para isso, foi implantado no interior dos tubos
um sistema de vedação. Tratou-se da implantação de uma esfera (bolinha de ping-pong) no
interior dos três tubos. Essa esfera subia no momento em que o tubo estava sendo preenchido
pela água e, quando esta alcançava o topo do tubo, as águas seguintes eram impedidas de
descerem, como mostrado na Figura 4.5.
Figura 4.5 - Sistema de minimização de mistura das águas
Além disso, o volume de coleta de cada tubo foi aumentado para 600 mL, dessa maneira o
comprimento de cada tubulação foi aumentado para 30,5 m.
O restante do sistema piloto (suporte de madeira, telhas e calhas) manteve-se igual ao da
primeira etapa.
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49
4.1.3. Parâmetros monitorados
A qualidade da água da chuva incidente em Belo Horizonte em duas regiões distintas foi
analisada nos laboratórios de análises físico-químicas e microbiológicas da Escola de
Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais. Como citado nos ítens anteriores,
durante a primeira etapa da pesquisa foram detectadas algumas modificações que deveriam
ser implantadas para a etapa seguinte. Alguns parâmetros de monitoramento foram inseridos
na segunda etapa e outros que haviam sido estudados na primeira etapa foram retirados. As
coletas eram realizadas em uma prazo máximo de 22 horas após a ocorrência das chuvas,
valor condicionado pelo prazo máximo das análises microbiológicas (24 horas). O intervalo
de 2 horas era o suficiente para que a água fosse transportada para os laboratórios e para que
fossem realizadas as análises microbiológicas.
A seguir estão descritos os parâmetros monitorados bem como a justificativa pela escolha dos
mesmos.
4.1.3.1. Parâmetros físico-químicos.
•
pH – Parâmetro que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de uma solução
líquida. Foi inserido na pesquisa visando verificar a possibilidade de corrosão de
superfícies ao entrarem em contato com a água de chuva. A leitura de pH era
realizada em período máximo de 1 hora após as coletas. O equipamento utilizado
para a medição do pH da água da chuva foi o pHmetro digital portátil
microprocessado da marca GEHAKA PG1400, versão 1.0.
Foram utilizadas como referências para comparação de valores a Norma Brasileira
nº 15.527/2007 da ABNT – Aproveitamento de água de chuva em áreas urbanas
para fins não potáveis e a Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde – Padrão de
potabilidade (considerando a qualidade da água no sistema de distribuição). A
Portaria apresenta valor mínimo recomendado de pH igual a 6,0 e máximo igual a
9,5 (na rede de distribuição), já a NBR15.527 apresenta valor máximo de 8,0. O
padrão de balneabilidade (CONAMA 274/00) considera como impróprias águas
com pH menores que 6,0 e maiores que 9,0. Esse parâmetro foi monitorado nas
duas etapas da pesquisa.
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50
•
Turbidez – Característica física da água que está relacionada à presença de
partículas em suspensão (materiais particulados e coloidais). Água com elevada
turbidez apresenta estética desagradável, podendo ser inclusive abrigo para alguns
microrganismos, dificultando a ação dos desinfetantes.
Para a leitura de turbidez das águas de chuva coletadas em Belo Horizonte foi
utilizado o turbidímetro portátil da marca HACH 2100. Foram utilizadas como
referências para comparação de valores a Norma Brasileira nº 15.527/2007 da
ABNT – Aproveitamento de água de chuva em áreas urbanas para fins não
potáveis e a Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde – Padrão de potabilidade
(considerando a qualidade da água no sistema de distribuição). Ambas apresentam
valores máximos permitidos de 5,0 uT. Esse parâmetro foi monitorado nas duas
etapas da pesquisa.
•
Cor aparente – Característica física da água que está relacionada à presença de
partículas dissolvidas e em suspensão.
Para a medição da cor aparente das amostras coletadas foi utilizado o
espectrofotômetro da marca HACH DR 2800. Foi utilizada como referência para
comparação de valores, a Norma Brasileira nº 15.527/2007 da ABNT Aproveitamento de água de chuva em áreas urbanas para fins não potáveis e a
Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde – Padrão de potabilidade (considerando
a qualidade da água no sistema de distribuição). Ambos apresentam valores
máximos permitidos de 15 uH. Esse parâmetro foi monitorado nas duas etapas da
pesquisa.
•
Alcalinidade – Característica química que consiste na capacidade da água
neutralizar compostos ácidos, devido à presença de bicarbonatos, carbonatos e
hidróxidos. Esse parâmetro não é citado na Portaria 518/2004 do Ministério da
Saúde e tampouco na NBR 15.527/2007 da ABNT.
Para a presente pesquisa, a análise de alcalinidade foi realizada pela técnica 2320B
do Standard Methods (APHA, 1998). Esse parâmetro foi monitorado na primeira
etapa da pesquisa e parte da segunda. A retirada do parâmetro foi realizada em
função dos valores apresentarem-se semelhantes.
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51
•
Dureza – A dureza possui ligação com a presença de carbonatos, e alguns íons
metálicos que podem impedir a formação de espuma, caso a água seja utilizada
para lavar roupa. Aparentemente não apresenta riscos sanitários, entretanto pode
causar sabor desagradável quando em concentrações elevadas, podendo até
apresentar efeitos laxativos. Está citada na Portaria MS n. 518 como um padrão de
aceitação para o consumo humano, com valor máximo aceitável de 500
mgCaCO3/L. O parâmetro não é citado na Norma Brasileira 15.527/2007 da
ABNT e por esse motivo as concentrações encontradas na água de chuva serão
comparados com o limite mencionado na Portaria citada.
A análise de dureza foi realizada pela técnica 2340C do Standard Methods
(APHA, 1998). Esse parâmetro foi monitorado durante toda a primeira etapa da
pesquisa e durante as quatro primeiras coletas realizadas na segunda etapa. A
retirada do parâmetro dureza das análises foi devido aos valores semelhantes
encontrados nas duas etapas, valores muito inferiores aos limites máximos
permitidos pela Portaria MS n. 518.
•
Ferro – O ferro é um elemento químico, metal, que pode estar presente na
atmosfera, em solos, minerais e águas (devido à dissolução de rochas ricas em
ferro). Acarreta à água uma cor amarelada e um gosto amargo quando em altas
concentrações. Para a utilização como fonte alternativa de água para usos não
nobres provavelmente a objeção por parte da população à sua utilização seria
visual. Não apresenta efeitos maléficos à saúde nas concentrações citadas a seguir
e, por esse motivo está citado na Portaria 518/2004 da ABNT como um padrão de
aceitação para o consumo humano. A concentração máxima de ferro recomendada
em águas, segundo essa Portaria é de 0,3 mg/L. O metal não é citado na Norma
Brasileira 15.527/2007 da ABNT e por esse motivo as concentrações encontradas
na água de chuva foram comparados à Portaria citada.
A análise de ferro, na presente pesquisa, foi realizada por meio de
espectrofotometria de absorção atômica, de acordo com o Standard Methods
(APHA, 1998). Esse parâmetro foi monitorado nas duas etapas da pesquisa e as
análises foram realizadas com a ajuda de um equipamento com marca Perkin
Elmer, modelo 3300.
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52
•
Manganês – O manganês é um metal distribuído na atmosfera, em solos, minerais
e águas. Quando presente em água pode proporcioná-la uma cor amarronzada,
causando objeção visual aos consumidores. Não apresenta efeitos maléficos à
saúde nas concentrações citadas a seguir e, por esse motivo, está citado na Portaria
MS n. 518 como um padrão de aceitação para o consumo humano. A concentração
máxima de ferro recomendada em águas, segundo a referida Portaria, é de 0,1
mg/L. O metal não é citado na Norma Brasileira 15.527/2007 da ABNT e por esse
motivo as concentrações encontradas na água de chuva estudada foram
comparados à Portaria citada.
A análise de manganês, na presente pesquisa, foi realizada por meio de
espectrofotometria de absorção atômica, de acordo com o Standard Methods
(APHA, 1998). Esse parâmetro foi monitorado nas duas etapas da pesquisa e as
análises foram realizadas com a ajuda de um equipamento com marca Perkin
Elmer, modelo 3300.
•
Chumbo – O chumbo é um metal pesado, com capacidade de acumular-se e causar
efeitos tóxicos ao organismo humano. Pode estar presente na poluição atmosférica
proveniente de indústrias e tráfego de automóveis, sendo carreado juntamente com
a chuva para os reservatórios de água pluvial. É classificado na Portaria MS n.
518/2004 como uma substância química que representa risco à saúde, podendo
apresentar concentração máxima na água para consumo humano igual a 0,01mg/L.
O metal não é citado na Norma Brasileira 15.527/2007 da ABNT e por esse
motivo as concentrações encontradas na água de chuva estudada foram
comparados à Portaria citada.
A análise de chumbo, na presente pesquisa, foi realizada por meio de
espectrofotometria de absorção atômica, de acordo com o Standard Methods
(APHA, 1998). Esse parâmetro foi monitorado nas duas etapas da pesquisa e as
análises foram realizadas com a ajuda de um equipamento com marca Perkin
Elmer, modelo 3300.
•
Sulfato – O dióxido de enxofre (SO2) possui origem tanto natural quanto
antrópica, podendo ser proveniente de erupções vulcânicas e da decomposição de
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53
animais e vegetais, no solo, nos pântanos e nos oceanos, e de queima de
combustíveis fósseis, como o petróleo e seus derivados. Na atmosfera, parte do
SO2 é oxidada a sulfatos. Um dos principais efeitos do excesso de sulfato na
atmosfera é incidente sobre o aparelho respiratório dos seres humanos. O sulfato
está citado na Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde como padrão de aceitação
para o consumo humano. A concentração máxima recomendada, segundo essa
Portaria é de 250 mg/L. Não é citado na Norma Brasileira 15.527/2007 e por esse
motivo as concentrações presentes na água de chuva estudada foram comparadas
com a Portaria citada.
A análise de sulfato foi realizada por meio da leitura no espectrofotômetro HACH
DR 2800, seguindo a técnica 4500 – SO4-2 do Standard Methods (APHA, 1998).
Esse parâmetro foi monitorado durante parte da segunda etapa da pesquisa, sendo
inserido devido às revisões bibliográficas realizadas durante essa etapa.
4.1.3.2. Parâmetros microbiológicos.
Os parâmetros microbiológicos analisados durante a presente pesquisa foram coliformes totais
e Escherichia coli, microrganismos muito utilizados para indicar a qualidade microbiológica
da água.
A Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde estabelece que deve haver ausência, tanto de
coliformes totais quanto de Escherichia coli em 100 mL de água para o consumo humano.
Para as soluções alternativas individuais, como águas de poços, nascentes e outras formas de
abastecimento, a referida Portaria tolera a presença de coliformes totais, na ausência de
Escherichia coli e coliformes termotolerantes, desde que seja investigada a origem da
ocorrência e tomadas providências de caráter corretivo e preventivo.
O padrão de balneabilidade (CONAMA 274/00) também cita esses dois parâmetros,
classificando como de qualidade excelente águas que contenham no máximo 250 NMP em
100 mL de coliformes termotolerantes, 200 NMP em 100 mL de Escherichia coli e 25 NMP
de enterococos em 100 mL.
Durante a presente pesquisa, as análises, tanto de coliformes totais quanto de Escherichia coli,
foram realizadas com a utilização do teste enzimático pela técnica 9223B do Standard
Methods (APHA, 1998), onde a detecção de bactérias foi obtida pela quantificação através do
54
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Número mais Provável. Ressalta-se que para as duas primeiras coletas foi utilizado o teste
enzimático Colitag® e para as coletas seguintes foi utilizado o teste Colilert®. Esses
parâmetros foram monitorados apenas na segunda etapa da pesquisa, devido à limitação
financeira.
4.1.4. Coletas e análises
As coletas de água de chuva iniciaram-se no dia 11 de março de 2008 e finalizaram no dia 27
de janeiro de 2009, totalizando 23 coletas. Entretanto, nem todos os parâmetros foram
analisados em todas as coletas, devido a diversos motivos. A análise de dureza, por exemplo,
foi realizada nas oito primeiras coletas. A retirada desse parâmetro deu-se em função dos
valores semelhantes encontrados nas duas etapas, sendo muito inferiores aos limites máximos
permitidos pela Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde. O parâmetro alcalinidade foi
analisado durante as 14 primeiras coletas, sendo retirado praticamente pelos mesmo motivos
da retirada de dureza. A análise de sulfato foi realizada a partir de 17 de outubro de 2008,
finalizando-se em 17 de dezembro do mesmo ano. As dez coletas foram consideradas
suficientes, uma vez que os valores encontrados eram muito inferiores ao limite máximo de
250 mg/L, citado na Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde.
Em relação aos parâmetros microbiológicos, a intenção no início da pesquisa era de realizar
apenas 10 exames. Entretanto, durante a pesquisa viu-se a necessidade de realização de um
número maior de exames. A partir desse momento foi solicitada a compra dos “kits”
enzimáticos e cartelas, mas, devido à demora na sua entrega, houve um período de 5 coletas
em que os exames não foram realizados (entre 12 de dezembro de 2008 e 18 de janeiro de
2009).
A Tabela 4.1 mostra as datas das coletas e os parâmetros monitorados. Os parâmetros foram
citados abreviados, como mostrado a seguir.
Legenda
pH pH
TTurbidez
CA - Cor aparente
AAlcalinidade
DDureza
Fe Mn Pb CT EC SO4-2 -
Ferro
Manganês
Chumbo
Coliformes totais
Escherichia coli
Sulfato
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55
Tabela 4.1 - Resumo das datas de coletas e parâmetros monitorados
Etapa da
pesquisa
Nº da
coleta
Data das
coletas
Parâmetros
monitorados
Observações
1
11/03/2008
pH, T, CA, A, D, Fe,
Mn e Pb
-
2
16/03/2008
pH, T, CA, A, D, Fe,
Mn e Pb
-
3
28/03/2008
pH, T, CA, A, D, Fe,
Mn e Pb
-
4
10/04/2008
pH, T, CA, A, D, Fe,
Mn e Pb
-
5
06/08/2008
pH, T, CA, A, D, Fe,
Mn, Pb, CT e EC
-
6
16/09/2008
pH, T, CA, A, D, Fe,
Mn, Pb, CT e EC
-
7
17/09/2008
pH, T, CA, A, D, Fe,
Mn, Pb, CT e EC
-
8
26/09/2008
pH, T, CA, A, D, Fe,
Mn, Pb, CT e EC
-
9
17/10/2008
pH, T, CA, A, Fe, Mn, Retirado o parâmetro dureza
e inserido sulfato
Pb, CT, EC e SO4-2
10
31/10/2008
pH, T, CA, A, Fe, Mn,
Pb, CT, EC e SO4-2
-
11
06/11/2008
pH, T, CA, A, Fe, Mn,
Pb, CT, EC e SO4-2
-
12
10/11/2008
pH, T, CA, A, Fe, Mn,
Pb, CT, EC e SO4-2
-
13
13/11/2008
pH, T, CA, A, Fe, Mn,
Pb, CT, EC e SO4-2
-
14
30/11/2008
pH, T, CA, A, Fe, Mn,
Pb, CT, EC e SO4-2
-
15
12/12/2008
pH, T, CA, e SO4-2
Paralisação dos exames de
CT e EC
16
17
14/12/2008
15/12/2008
pH, T, CA, e SO4-2
pH, T, CA, e SO4-2
18
17/12/2008
pH, T, CA e SO4-2
19
18/12/2008
pH, T e CA
Finalização das análises de
SO4-2
-
20
18/01/2009
pH, T, CA, CT e EC
Exames de CT e EC foram
reiniciados
21
22
23
20/01/2009
22/01/2009
27/01/2009
pH, T, CA, CT e EC
pH, T, CA, CT e EC
pH, T, CA, CT e EC
-
1ª Etapa
2ª Etapa
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56
4.1.5. Monitoramento da precipitação nos dois locais de coleta
Durante a primeira etapa da pesquisa, o monitoramento de precipitação pluviométrica na
cidade de Belo Horizonte foi realizada a partir de dados secundários (Instituto Nacional de
Meteorologia – INMET). Já na segunda etapa da pesquisa, esse monitoramento foi realizado
por meio da implantação de um pluviômetro do tipo cunha (Figura 4.6) nos dois locais de
coleta (Pampulha e Centro). Esse tipo de pluviômetro possui capacidade para armazenar 130
mm e é indicado para instalação em estacas com 1,50 m de altura. Além disso, deve ser
preferencialmente implantado em áreas distantes 20 metros de árvores e residências.
Para a presente pesquisa, foi respeitada a indicação de altura de 1,50 m, entretanto a distância
mínima de 20 m de edificações não foi atendida. A distância mínima efetivamente adotada foi
de aproximadamente 6m, devido à falta de área disponível.
Figura 4.6 - Pluviômetro tipo cunha
A precipitação medida nos dias das coletas está apresentada no apêndice B. Os dados
coletados (milímetros de chuva) não foram analisados, uma vez que se percebeu durante a
pesquisa que a intensidade de chuva é que realmente seria um fator que poderia influenciar na
remoção de sujeiras e partículas do telhado e não somente a altura total de chuva por evento.
Na presente pesquisa foram verificadas que algumas chuvas apresentavam durações
diferentes, mas, precipitações (milímetros de chuva) semelhantes. Esse fato influenciava,
aparentemente, na qualidade da água coletada (limpeza dos telhados).
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57
4.1.6. Análise estatística
Para a análise dos resultados foram realizados dois testes estatísticos. O primeiro foi com
relação à qualidade da água de chuva coletada em uma mesma região, onde a variação era
apenas com relação à superfície de captação, como indicado na Figura 4.7.
Figura 4.7 - Fluxograma dos pontos de coleta em função do tipo de superfície de captação –
amostras dependentes
Foram comparadas as qualidades das águas armazenadas no primeiro tubo presente no telhado
cerâmico com o primeiro do telhado metálico, assim como ocorreu para o segundo tubo e para
o terceiro, para as duas regiões. Como as amostras eram coletadas e analisadas na mesma
hora, foi utilizado o teste T de Wilcoxon, que é um substituto do teste t de Student para
amostras pareadas, quando os dados não são normalmente distribuídos. Baseia-se nos postos
das diferenças intrapares e considera que quando duas variáveis dependentes possuem a
mesma mediana, as diferenças positivas e negativas devem se anular.
O segundo foi com relação à qualidade da água de chuva coletada em diferentes regiões
(Pampulha e Centro), comparando a mesma superfície de captação (telhas metálicas ou
cerâmicas), como indicado na Figura 4.8.
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58
Figura 4.8 - Fluxograma dos pontos de coleta em função do tipo de superfície de captação
– amostras independentes
Foram comparadas as qualidades das águas armazenadas no primeiro tubo presente no telhado
cerâmico da Pampulha com o primeiro tubo do telhado cerâmico do Centro, assim como
ocorreu para o segundo e terceiro tubos, para os dois tipos de telhas. Como as amostras da
Pampulha e Centro eram coletadas com aproximadamente 40 minutos de defasagem, foi
utilizado o teste de Mann e Whitney (Mann-Whitney U Test), disponibilizado pelo “software”
STATISTICA 6.0. Trata-se de uma alternativa não paramétrica para o teste T de Student, que
é utilizado para avaliar diferenças nas médias observadas entre dois grupos. O teste utilizado
compara as medianas de dois grupos independentes de dados.
Ambos os testes foram realizados utilizando o “software” STATISTICA 6.0 e consideraram o
nível de significância de 5%.
4.2. Investigação da percepção dos sujeitos
Quando a presente pesquisa se iniciou, surgiram algumas dúvidas: Qual seria a utilidade
pública do resultado do monitoramento da qualidade da água de chuva no meio urbano? A
população urbana se interessaria em utilizar essa água? Qual o motivo dela não utilizá-la? E
se houvesse algum incentivo por parte dos governantes para a população aderir à utilização da
água de chuva? Buscando responder esses questionamentos, foi incluída a pesquisa qualitativa
na proposta original do projeto.
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59
A percepção dos moradores de Belo Horizonte sobre o aproveitamento de água de chuva foi
investigada, em sua maioria, por meio de entrevistas individuais semi-estruturadas. Esse tipo
de entrevista combina perguntas fechadas e abertas, onde o entrevistado tem a possibilidade
de discorrer sobre o tema proposto. Apenas uma pergunta, sobre a qualidade da água de
chuva, foi realizada utilizando-se a técnica de entrevista estruturada (resposta prefixada pelo
entrevistador).
A pesquisa foi realizada em etapas, iniciando-se pela elaboração do tópico-guia e finalizandose na análise das entrevistas, como mostrado a seguir. A duração das entrevistas foi de,
aproximadamente, 15 minutos.
4.2.1. Elaboração de tópico-guia
A primeira parte da pesquisa foi direcionada à elaboração de um protocolo, denominado
tópico-guia. Esse protocolo constituiu-se em um conjunto de títulos de parágrafos, relativos
ao objetivo da pesquisa, que funcionaram como lembretes ao entrevistador. Segundo Minayo
(2007), esse tópico-guia é muito apropriado para o momento em que o entrevistador está de
frente com o entrevistado, tornando-se um referencial de apoio na sequência dos
questionamentos. Dessa maneira buscou-se facilitar a abordagem e alcançar o objetivo de
respostas sobre as hipóteses do trabalho, mostradas a seguir. O protocolo teve também a
função de minimizar os desvios de foco da pesquisa.
Hipóteses:
1. A população urbana possui resistência em utilizar a água de chuva pois possui água
potável canalizada em casa e desconhece o sistema de aproveitamento;
2. a população urbana apresenta dúvidas sobre a qualidade da água de chuva para
aproveitá-la;
3. o custo de implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial é um
empecilho à sua adoção; e
4. incentivos financeiros por parte do governo (municipal, estadual ou federal) ou ONGs
podem ser decisivos à adoção de grande parte da população à captação de água de
chuva.
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60
A seguir estão apresentados os parágrafos norteadores (tópicos-guia) utilizados para esta
pesquisa e uma breve explicação do porquê de sua inserção. O modelo de protocolo, utilizado
nas entrevistas, está disponível no apêndice D.
1) Quando você vê que está chovendo ou imagina que está chovendo, você pensa em
quê?
Essa pergunta foi elaborada buscando uma introdução no tema a ser pesquisado.
2) Você acha que a água de chuva é suja, limpa ou mais ou menos?
Pergunta realizada com a intenção de conhecer o pensamento dos entrevistados quanto à
qualidade da água de chuva. Foi realizada de maneira direta (entrevista estruturada) para
facilitar o entendimento dos entrevistados.
3) Você acha que a água de chuva poderia ser utilizada para alguma finalidade?
A partir dessa pergunta o assunto relativo ao aproveitamento de água de chuva estava
sendo iniciado. A intenção era descobrir, a partir de uma pergunta direta, qual era a
aceitação da população quanto à utilização de uma água não potável.
4) Para quais finalidades?
A intenção era saber quais as utilizações possíveis, segundo os entrevistados, para a água
de chuva.
5) Você utilizaria essa água para atividades domésticas? Quais?
A pergunta foi elaborada com o mesmo objetivo da questão anterior. Entretanto, a
intenção era conhecer a percepção dos moradores da capital mineira quanto à utilização
dessa água em suas casas.
Na área urbana de Belo Horizonte, no ano 2000, a maioria da população (98,04%)
habitava em edificações atendidas por abastecimento de água, o que poderia ser um fator
de desmotivação à utilização de águas provenientes de outras fontes que não a da
Companhia de Abastecimento de Água.
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61
6) Existem algumas pessoas que captam água de chuva em casa para utilizar em
algumas atividades, qual a sua opinião sobre isso?
O entrevistado era abordado quanto ao seu conhecimento sobre a existência de captação
de água de chuva nas grandes cidades. Além disso, a possibilidade de captação de água de
chuva e armazenamento em residências estava sendo colocado em pauta. Em algumas
situações, quando o entrevistado não possuía nenhum conhecimento sobre como é
normalmente realizada a captação dessa água e quais os equipamentos necessários para
essa implantação, era realizada uma explicação.
7) Você faria captação de água de chuva na sua casa?
A intenção dessa pergunta era descobrir, a partir de uma pergunta direta, qual era a
possibilidade de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva na casa
dos entrevistados.
8) Por que você acha que as pessoas não aproveitam água de chuva em suas casas?
Essa pergunta foi realizada para conhecer o motivo pelo qual as pessoas não aproveitam
água de chuva. Foi inserida na pesquisa quando muitos entrevistados diziam que
aproveitariam a água de chuva, mas, na realidade, atualmente não o fazem. Foi uma
maneira sutil de perguntar o porquê da não adoção hoje.
9) Se você tivesse um incentivo financeiro por parte de algum órgão ou entidade isso
iria contribuir para você adotar a captação de água de chuva?
O tópico foi formulado com a intenção de descobrir se algum incentivo financeiro faria as
pessoas mudarem de ideia da não aceitação em aproveitar água de chuva.
10) Você acredita que economizaria na conta de água se utilizasse água de chuva em
algumas atividades domésticas?
Buscou-se saber se o entrevistado acreditava que economizaria dinheiro na conta de água
potável se ele a substituísse por água de chuva (em algumas atividades menos nobres).
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62
11) Você tem noção de quanto iria economizar na conta de água potável se utilizasse
água de chuva em algumas atividades domésticas?
A pergunta foi realizada com a intenção de descobrir qual é o conhecimento das pessoas
sobre o valor economizado na conta de água potável caso essa fosse substituída, para
algumas atividades, pela água de chuva.
12) Você sabe quanto é o investimento para implantar o sistema de captação de água de
chuva?
O aproveitamento de água de chuva pode ser realizado de várias maneiras, há sistemas
sofisticados, com equipamentos eletrônicos, mas há também sistemas simplificados, onde
a coleta e a retirada da água são realizadas de maneira manual. Dessa maneira, o custo de
implantação vai variar de acordo com o sistema que se quer implantar. Em locais onde já
se encontram implantadas as superfícies de captação e as calhas para transporte da água, o
custo para implantação de um sistema simplificado é minimizado.
13) Você tem noção do tempo de retorno do investimento, considerando a economia na
conta de água?
Vários estudos sobre a viabilidade econômica da implantação de sistemas de
aproveitamento de água de chuva estão sendo realizados no Brasil. O tempo de retorno,
segundo a literatura, varia de 6 a 10 anos em residências unifamiliares.
14) Se você soubesse que, ao aproveitar água de chuva, você economizaria na sua conta
de água, isso faria com que você realizasse a captação sem incentivos?
A maioria da população não tem acesso a informações sobre a viabilidade econômica e
tampouco sobre a qualidade da água de chuva captada em áreas urbanas. Talvez, por esse
motivo, sintam resistência em aproveitar essa água. Caso as informações fossem melhor
divulgadas, poder-se-ia ter uma situação de maior aproveitamento da água pluvial no
Brasil. Além disso, muitos brasileiros possuem orçamento restrito e talvez por esse motivo
não possam implantar um sistema de captação e armazenamento em casa. O incentivo
financeiro poder-se-ia tornar uma ferramenta de fundamental importância para a adoção
da população.
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63
15) Quais as vantagens de se captar água de chuva e utilizá-la para o dia-a-dia?
A intenção era saber se as pessoas, moradoras da área urbana, percebiam alguma
vantagem em aproveitar água de chuva. A pergunta foi realizada sem que nenhuma
informação a respeito do assunto fosse fornecida, apenas quando os entrevistados não
entendiam a pergunta ou diziam não haver nenhuma vantagem é que alguns temas como
contribuição para o meio ambiente, economia nas contas de água e diminuição de
enchentes eram citados.
16) Você acha que a limpeza e a manutenção do sistema de captação de água de chuva
seria um impedimento ou empecilho para você utilizar essa água?
Após a implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva em um
determinado local é necessário que o usuário e proprietário possua alguns cuidados
específicos, como a limpeza, mínima, semestral da caixa de armazenamento e calhas,
além da manutenção dos filtros, bombas e outros equipamentos (quando existentes). Essa
pergunta foi feita com a intenção de verificar se um dos motivos que contribuem para o
não aproveitamento de água de chuva são os cuidados de manutenção.
4.2.2. Submissão do projeto ao Comitê de Ética
A Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde – CNS indica que toda pesquisa
envolvendo seres humanos no Brasil, de forma direta ou indireta, em sua totalidade ou parte
dele, incluindo o manejo de informações ou materiais, seja apresentada a um Comitê de Ética
em Pesquisa (CEP) registrado na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa – CONEP.
O CEP busca garantir aos participantes de pesquisas que eles sejam informados sobre o
objetivo geral do estudo, a confidencialidade dos dados, o seu anonimato, a não obrigação em
responder a todas as perguntas, o conhecimento sobre a gravação da entrevista (se esse for o
caso) e todas as informações pertinentes à pesquisa.
Em julho de 2008, o presente projeto de pesquisa foi encaminhado ao Comitê de Ética em
Pesquisa da UFMG (COEP/UFMG) e em meados de setembro de 2008, ele foi aprovado. Ao
COEP/UFMG foram enviados carta de encaminhamento do projeto, texto com o projeto de
pesquisa, termo de consentimento livre esclarecido (TCLE), orçamento, referências
bibliográficas utilizadas para a pesquisa e parecer consubstanciado assinado pelo chefe do
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64
DESA/UFMG e diretor da Escola de Engenharia. A carta de aprovação da presente pesquisa,
pelo COEP/UFMG, está apresentada no item Anexos.
4.2.3. Realização do pré-teste
As primeiras entrevistas aconteceram em setembro de 2008. Foram entrevistadas três pessoas:
um homem, que possui formação superior completa, e duas mulheres, sendo que uma possui
ensino superior completo e a outra ensino fundamental incompleto. O resultado do pré-teste
foi considerado positivo, uma vez que os entrevistados desenvolviam muito bem o assunto,
muitas vezes sem a necessidade de estímulo.
O pré-teste são as primeiras coletas de dados realizadas com um número menor de
respondentes, tendo como objetivo a verificação do método elaborado. É realizado antes da
coleta definitiva, possibilitando ajustes, caso seja verificada alguma inadequação no
instrumento (MARCONI; LAKATOS, 1990 apud SOUZA, 2007).
O pré-teste serviu para não somente confirmar a metodologia a ser aplicada, quanto para
ambientar a pesquisadora ao instrumento para a pesquisa.
4.2.4. Seleção dos entrevistados
Na presente pesquisa, as entrevistas foram realizadas a partir de dois grupos de pessoas,
indivíduos com ensino superior completo e ensino fundamental incompleto. Essa escolha se
deu em função de que o aproveitamento, ou não, de água de chuva, pode estar condicionado
ao grau de instrução do pesquisado. Além disso, pode estar também relacionada à situação
financeira. Ao restringir esses dois grupos de entrevistados, atinge-se duas características
muito importantes (escolaridade e renda). A seleção dos sujeitos entrevistados foi realizada
considerando os seguintes critérios:
•
Homens e mulheres, moradores da cidade de Belo Horizonte;
•
Idade maior que 18 anos;
•
O pesquisado não poderia saber, previamente, qual o tema pesquisado pela
entrevistadora. Eles eram informados somente no momento de conceder a entrevista.
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65
Os sujeitos entrevistados foram previamente avisados sobre todas as questões logísticas do
processo de coleta de dados, ou seja, do tempo previsto para a entrevista, das gravações, das
anotações, de como seriam divulgados os resultados e de como seriam armazenados os dados.
Houve total confidencialidade nos dados dos entrevistados, uma vez que eles não foram
identificados. Além disso, as entrevistas foram realizadas com total consentimento dos
sujeitos, incluindo assinatura no termo de consentimento livre esclarecido (apresentado no
apêndice E).
O número de entrevistas realizadas foi o suficiente para a obtenção de saturação nas respostas,
ou seja, as entrevistas foram realizadas até que não fossem encontradas respostas muito
diferentes umas das outras, conforme Bauer & Gaskell (2007). Foram entrevistadas 18
pessoas no total, 9 com ensino superior completo e 9 com ensino fundamental incompleto.
4.2.5. Análise das entrevistas
As análises das respostas dos entrevistados iniciaram desde o momento da entrevista gravada,
passando pela transcrição até o momento de organização de ideias propriamente dita,
utilizando o método do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC).
A elaboração dos DSCs iniciou-se com os discursos em estado bruto, da mesma maneira que
estavam apresentados nas entrevistas gravadas, sendo posteriormente submetidos a um
trabalho analítico inicial de decomposição. Esse trabalho baseou-se na utilização das figuras
metodológicas (expressões-chave e ideias centrais) presentes em cada um dos discursos
individuais.
Ainda a respeito da técnica do DSC, um fato interessante é que ela possibilita um tratamento
quantitativo dos dados após a transformação dos discursos nas figuras metodológicas.
Segundo Lefèvre e Lefèvre (2005) quando uma pesquisa tem como resultado um DSC é
possível e desejável saber alguns dados quantitativos, ou seja, é possível saber quantos
respondentes contribuíram para a formação do DSC, sendo que essa quantidade pode ser
expressa em porcentagens ou em uma relação com o número total de entrevistas. É importante
ressaltar que o tratamento quantitativo dos dados realizado na presente pesquisa objetivou
apenas indicar tendências para as respostas. Não foram utilizados métodos de coleta de dados
que visassem à generalização dos resultados.
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66
O “software” Qualiquantisoft foi utilizado como base para iniciar as análises das entrevistas,
entretanto, devido a pesquisadora possuir acesso apenas à licença de demonstração (limitada a
30 respostas no total), não foi possível continuar utilizando o programa computacional
durante a pesquisa. A análise, portanto, foi realizada manualmente, mas utilizando as mesmas
técnicas de apresentação do referido programa.
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67
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados relativos à qualidade da água de chuva captada na cidade de Belo Horizonte
estão apresentados e discutidos no item 5.1 e no item 5.2 tem-se a apresentação e discussão
dos resultados da pesquisa qualitativa sobre a percepção de moradores a respeito do
aproveitamento de água de chuva.
5.1. Qualidade da água da chuva captada em Belo Horizonte
As análises da qualidade das águas das chuvas captadas em Belo Horizonte foram realizadas
em 2 etapas. Considerando que o número de coletas realizadas na 1a etapa foi de apenas 4 no
total, esses resultados não foram tratados estatisticamente devido ao restrito número de dados.
A investigação experimental relativa à 1ª etapa serviu para definir e aprimorar as condições de
trabalho adotadas na 2ª etapa. Os resultados obtidos nessa 1ª etapa estão apresentados no
apêndice C, valores máximos e mínimos.
Ressalta-se que os resultados relativos ao parâmetro dureza, 1a e 2a etapa estão apresentados
no referido apêndice uma vez que o número de coletas para cada etapa foi igual a 4. Dessa
maneira, não achou-se conveniente utilizar esse pequeno número de dados para a realização
de análise estatística para esse parâmetro. Os valores encontrados para esse parâmetro foram
muito inferiores ao máximo recomendado pela Portaria MS n. 518/2004 (500 mgCaCO3/L).
Além disso, é importante esclarecer que o limite de detecção para o parâmetro chumbo era de
0,02 mg/L durante a 1ª etapa da pesquisa. Em vista disso, para a 2ª etapa optou-se por
aumentar o volume de água coletada, de modo a viabilizar a redução do limite de detecção
para 0,01 mg/L, por meio da concentração da amostra. Dessa maneira pode-se comparar os
resultados obtidos com o padrão de potabilidade vigente no Brasil.
Os gráficos mostrados a seguir são relativos às análises de laboratório realizadas na 2a etapa
da pesquisa. No total foram realizados 120 gráficos Box & Whisker plots contendo
comparações entre as superfícies de captação (amostras dependentes: telhados metálicos e
telhados de cerâmica) e entre as regiões de coleta (amostras independentes: Pampulha e
Centro).
A seguir, são apresentados apenas os gráficos que possuem resultados próximos aos
preconizados pela Portaria 518/2004 do Misnistério da Saúde e pela NBR 15.527 da ABNT.
68
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Poder-se-á perceber que parâmetros distintos apresentaram resultados satisfatórios quanto às
normas citadas para tubos de coletas diferentes. O restante dos gráficos pode ser consultado
no apêndice A.
5.1.1. Comparação entre diferentes superfícies de captação localizadas em uma mesma
região
Nesse item estão apresentados os resultados relativos à comparação dos mesmos pontos de
coleta (1º, 2º ou 3º) para dois tipos de superfície de captação, ambos localizados em uma
mesma região. Para a análise estatística considerou-se que as amostras eram dependentes
entre si, uma vez que eram coletadas e analisadas em um mesmo momento.
5.1.1.1. pH
Nas Figuras 5.1 e 5.2 são apresentados os resultados comparativos do pH das amostras do
primeiro tubo de coleta de cada sistema. Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma
vez que as águas relativas a esse tubo (duas regiões e dois tipos de telhas) apresentaram
qualidade (mediana) que atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004.
pH - Centro
pH
pH
pH - Pampulha
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
CER P1_pH
MET P4_pH
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
CER P7_pH
METP10_pH
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 5.1 - Comparação entre o pH da
água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região da Pampulha
Figura 5.2 - Comparação entre o pH da água
do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região do Centro
p= 0,0017
p= 0,0042
O pH das amostras de água de chuva do 1o tubo de coleta (relativo a 1L de água por 1 m2 de
telhado) apresentava-se com medianas de 8,1 e 7,3 nas telhas cerâmicas e metálicas,
respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do Centro esses valores eram de 7,6
e 7,2. Todos as amostras (1º, 2º e 3º tubos) atenderam à Portaria MS n. 518/ 2004, cuja faixa
indicada está entre 6,0 e 9,5.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
69
Percebe-se que há diferença entre a qualidade da água de chuva captada em uma mesma
região, por superfícies diferentes, quanto ao parâmetro pH, considerando o nível de
significância adotado de 5%. A diferença entre a qualidade da água captada pelos dois tipos
de telhas pode ter sido causada pela composição química das mesmas. A argila da telha
cerâmica, por exemplo, pode ter sido uma das responsáveis pelo aumento do pH da água da
chuva, uma vez que aquela apresenta silício em sua composição química.
Os valores encontrados para as águas captadas por telhas metálicas, na presente pesquisa,
estavam próximos ao verificado por May (2004) para as águas captadas em São Paulo, que
encontrou pH médio entre 6,7 e 7,1. Annechini (2005) verificou valores menores para águas
captadas por telhas metálicas na cidade de Vitória - ES. Para o volume relativo de coleta de 1
L de água de chuva por 1 m² de telhado, o valor de pH encontrado foi de 6,5. Tordo (2004)
encontrou valores inferiores para águas captadas por telhas cerâmicas na cidade de Blumenau
- SC. Para o volume relativo de coleta de 0,2 L de água de chuva por 1 m² de telhado, o valor
de pH encontrado foi de 5,6.
Silva (2006) realizou um estudo na região do Vale do Jequitinhonha mineiro e encontrou pH
de 8,4 para águas armazenadas em cisternas com menos de 1 ano de uso. Ressalta-se que o
valor citado não é relativo à qualidade da água descartada e sim da água armazenada. Além
disso, não foi citado o tipo de telha implantada no telhado para a captação da água pluvial.
5.1.1.2. Turbidez
Nas Figuras 5.3 e 5.4 são apresentados os resultados comparativos de turbidez das amostras
do terceiro tubo de coleta de cada sistema. Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma
vez que as águas relativas a esse tubo (duas regiões e dois tipos de telhas) apresentaram
qualidade (mediana) que atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004.
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70
Turbidez - Centro
90
75
75
60
60
Turbidez (uT)
Turbidez (uT)
Turbidez - Pampulha
90
45
45
30
30
15
15
0
CER P3_T
MET P6_T
o
Median
25%-75%
Min-Max
0
CER P9_T
METP12_T
o
Telha/ N ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
Figura 5.3 - Comparação entre a turbidez da
água do terceiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região da Pampulha
Figura 5.4 - Comparação entre a turbidez da
água do terceiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro
p= 0,0124
p= 0,1773
A turbidez foi um dos parâmetros que mais apresentou oscilação de valores durante a
pesquisa. Após o longo período de estiagem, entre abril e setembro, a qualidade da água
coletada nas duas regiões estava muito ruim, principalmente em relação á turbidez. Os
telhados e calhas ficaram um longo tempo expostos à poluição e às intempéries, o que
propiciou um acúmulo de sujeira sobre as superfícies. Após as duas primeiras chuvas, entre os
meses de agosto e setembro, pode-se perceber que os telhados ficaram limpos, entretanto as
calhas ainda continuavam sujas. Nesse momento, considerou-se que seria indicado realizar a
limpeza das calhas, como deve acontecer na realidade. Essa foi a única intervenção sobre as
superfícies de captação e transporte da água durante a pesquisa.
A turbidez das amostras de água de chuva do 3o tubo de coleta (relativo a 3 L de água por 1
m2 de telhado) apresentava-se com medianas de 3,8 e 1,6 uT nas telhas cerâmicas e metálicas,
respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do Centro esses valores eram de 4,4
e 3,2 uT. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas na
Pampulha apresentam diferença significativa entre si. Já as amostras coletadas no Centro não
são consideradas diferentes com o mesmo nível de significância, uma vez que o valor de p é
igual a 0,1773.
Yaziz et al. (1998) também verificaram diferença entre a qualidade da água de chuva captada
por telhas metálicas e cerâmicas. Foram encontrados valores de turbidez duas vezes superior
nas águas captadas pelas últimas telhas citadas em relação às primeiras. Uma explicação para
esse fato pode ser o seguinte: o escoamento das águas pluviais sobre as telhas cerâmicas pode
ter superado a resistência à abrasão do material, de maneira a carrear sedimentos para os tubos
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
71
(reservatórios), tanto partículas de sujeiras quanto do próprio material cerâmico
(BOULOMYTIS, 2007).
Percebe-se que, se verificados apenas os valores das medianas, as amostras de água de chuva
coletadas na Pampulha e Centro, cuja superfícies de captação eram telhas cerâmicas ou
metálicas, estavam atendendo à Portaria MS n. 518/ 2004 e à Norma Brasileira para
Aproveitamento de Água de Chuva. Ambas permitem um valor máximo de 5,0 uT. Uma das
explicações para a diferença entre a qualidade da água captada em duas superfícies diferentes,
na região da Pampulha, poderia ser a composição química das telhas, assim como foi citado
para o pH.
Se a análise for realizada considerando os quartis superiores, a região da Pampulha apresentou
valores de 5,0 uT (telha cerâmica) e 5,1 uT (telha metálica). Já a região do Centro apresentou
valores iguais a 7,0 (telha cerâmica) e 7,6 (telha metálica). Percebe-se que as águas coletadas
pela telha cerâmica, localizada na região da Pampulha, atendiam à Portaria MS n. 518,
enquanto que as captadas pelas telhas metálicas obtiveram qualidade pouco superior ao limite
de 5,0 uT. Em relação às águas captadas no Centro, elas apresentaram resultados superiores
ao limite da referida Portaria.
Annechini (2005) verificou valores maiores para águas captadas por telhas metálicas na
cidade de Vitória em comparação com as águas captadas em Belo Horizonte (presente
pesquisa). Para o volume relativo de coleta de 1 L de água de chuva por 1 m² de telhado, o
valor de turbidez encontrado pela pesquisadora citada foi de 37,0 uT, enquanto que a presente
pesquisa encontrou mediana para turbidez variando de 12,8 uT (telha metálica implantada na
região do Centro) a 9,8 uT (telha metálica implantada na região da Pampulha), como
apresentado no apêndice A.
5.1.1.3. Cor aparente
Nas Figuras 5.5 e 5.6 são apresentados os resultados comparativos de cor aparente das
amostras coletadas pelo terceiro tubo de cada sistema. Optou-se por apresentar apenas esses
valores, uma vez que as águas relativas ao primeiro e segundo tubo de todos os sistemas
apresentaram qualidade (mediana) que não atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004.
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72
Cor aparente - Centro
Cor aparente (uH)
Cor aparente (uH)
Cor aparente - Pampulha
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
CER P3_CA
MET P6_CA
o
Median
25%-75%
Min-Max
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
CER P9_CA
METP12_CA
o
Telha/ N ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
Figura 5.5 - Comparação entre a cor
aparente da água do terceiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região Pampulha
Figura 5.6 - Comparação entre a cor
aparente da água do terceiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro
p= 0,0027
p= 0,0277
A cor aparente foi, juntamente com a turbidez, um dos parâmetros que mais apresentou
oscilação de valores durante a pesquisa. A cor aparente das amostras de água de chuva do 3º
tubo de coleta (relativo a 3 L de água por 1 m2 de telhado) apresentava-se com medianas de
29 uH e 12 uH nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já
para a região do Centro esses valores eram de 30 uH e 26 uH. Percebe-se que,
estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas em uma mesma região são
diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%.
As amostras coletadas no Centro apresentaram valores que não atendiam à Portaria MS n.
518/2004 e tampouco à NBR 15.527. Ambas permitem um valor máximo de 15 uH. Já as
amostras coletadas no telhado metálico da Pampulha apresentaram valor de 9 uH (mediana),
portanto atendendo à norma citada.
Se a análise for realizada considerando os quartis superiores, a região da Pampulha apresentou
valores de 47 uH (telha cerâmica) e 35 uH (telha metálica). Já a região do Centro apresentou
valores iguais a 67 uH (telha cerâmica) e 62 uH (telha metálica). Percebe-se que as águas
coletadas pelos dois tipos de telhas, nas duas regiões, não atendiam à Portaria MS n. 518. Se a
análise for realizada considerando os quartis inferiores, tem-se que as telhas metálicas da
região da Pampulha e do Centro apresentaram água coletada com qualidade satisfatória, uma
vez que os resultados são 4 uH e 15 uH, respectivamente.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
73
5.1.1.4. Alcalinidade
Nas Figuras 5.7 e 5.8 são apresentados os resultados comparativos de alcalinidade das
amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema. Não há citação desse parâmetro no
Padrão de Potabilidade do Ministério da Saúde e tampouco na norma da ABNT sobre
aproveitamento de água de chuva. Entretanto, esse parâmetro é importante em estudos
relacionados à corrosividade da água, assim como nos casos em que se prevê um tratamento
posterior da água por meio de coagulação química.
Considerando o fato citado, optou-se por apresentar apenas os resultados equivalentes ao
descarte de 2L de água por metro quadrado de telhado (valor indicado na NBR 15.527). Os
resultados relativos aos outros tubos de coleta estão apresentados no apêndide A.
Alcalinidade - Centro
65
60
60
55
55
50
50
Alcalinidade (mg CaCO3/L)
Alcalinidade (mg CaCO3/L)
Alcalinidade - Pampulha
65
45
40
35
30
25
20
15
10
45
40
35
30
25
20
15
10
5
5
0
CER P2_A
MET P5_A
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
0
CER P8_A
METP11_A
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Figura 5.7 - Comparação entre a
alcalinidade da água do segundo tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Figura 5.8 - Comparação entre a
alcalinidade da água do segundo tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
p= 0,1763
p= 0,0663
A alcalinidade total das amostras de água de chuva coletadas pelo 2o tubo (relativo a 2 L de
água por 1 m2 de telhado) apresentava-se com medianas de 12,4 mg CaCO3/L e 10,0 mg
CaCO3/L nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já para a
região do Centro esses valores eram de 20,0 mg CaCO3/L e 14,7 mg CaCO3/L. Percebe-se
que, estatisticamente, as águas captadas pelos dois tipos de telhas não apresentam qualidades
diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%.
A região da Pampulha apresentou quartis superiores com valores de 18,9 mg CaCO3/L (telha
cerâmica) e 16,5 mg CaCO3/L (telha metálica). Já a região do Centro apresentou valores
iguais a 21,0 mg CaCO3/L (telha cerâmica) e 17,9 mg CaCO3/L (telha metálica).
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
74
Annechini (2005) verificou valores menores para águas captadas por telhas metálicas na
cidade de Vitória em comparação com as águas captadas em Belo Horizonte (presente
pesquisa). Para o volume relativo de coleta de 1 L de água de chuva por 1 m² de telhado, o
valor médio de alcalinidade encontrado pela pesquisadora citada foi de 15,6 mg CaCO3/L,
enquanto que a presente pesquisa encontrou mediana para alcalinidade variando de 25,2 mg
CaCO3/L (telha metálica implantada na região da Pampulha) a 15,8 mg CaCO3/L (telha
metálica implantada na região do Centro), como mostrado no apêndice A.
5.1.1.5. Coliformes totais
Nas Figuras 5.9 e 5.10 são apresentados os resultados comparativos de coliformes totais das
amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema. Nenhum dos pontos de coleta
apresentou qualidade satisfatória quando considerada a Portaria MS n. 518. Por esse motivo,
optou-se por apresentar os resultados relativos ao volume de descarte de água por m2 indicado
pela NBR 15.527. Os resultados relativos ao primeiro e terceiro tubos estão apresentados no
apêndice A.
Coliformes Totais - Centro
C o lifor m es T o tais ( N M P / 10 0 m L )
C o lifor m es T o tais ( N M P / 10 0 m L )
Coliformes Totais - Pampulha
2600
2400
2200
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
2600
2400
2200
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
200
0
CER P2_CT
MET P5_CT
o
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
0
CER P8_CT
METP11_CT
o
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
Figura 5.9 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do segundo tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Figura 5.10 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do segundo tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
p= 0,0033
p= 0,0015
Os gráficos mostram uma diferença significativa entre a qualidade da água captada pelo
telhado cerâmico e metálico, quanto ao parâmetro coliformes totais, tanto para o Centro
quanto para a Pampulha. As amostras de água de chuva do 2º tubo de coleta (relativo a 2 L de
água por 1 m2 de telhado) apresentaram mediana de 102 NMP/100 mL e 1 NMP/100 mL nas
telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do
Centro esses valores foram de 1119 NMP/100 mL e 6 NMP/100 mL. Percebe-se que,
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
75
estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas nos dois tipos de telhas são
diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%.
Em relação à diferença entre a qualidade da água captada por dois tipos de telhas distintos,
tem-se a seguinte consideração: a luz solar, ao incidir sobre a superfície metálica, provoca um
aquecimento dessa estrutura podendo causar uma desinfecção natural da água de chuva. Dessa
maneira, as telhas metálicas apresentam uma vantagem sobre as cerâmicas, se analisada a
qualidade microbiológica da água captada.
As águas captadas pelos telhados metálicos apresentaram um valor muito próximo ao limite
da Portaria MS n. 518, que recomenda que deve haver ausência de coliformes totais em 100
mL de amostra, tolerando a presença desses, na ausência de Escherichia coli e/ou coliformes
termotolerantes (BRASIL, 2005). Além disso, a referida Portaria recomenda que caso essa
situação seja verificada, deve ser investigada a origem da contaminação e tomadas
providências imediatas de caráter corretivo e preventivo.
Considerando o padrão de balneabilidade (CONAMA No 274/00), as águas captadas por
telhas metálicas, nas duas regiões, são classificadas como excelente.
Para o parâmetro coliformes totais foi verificado que, para as águas captadas na Pampulha
(dois tipos de telhas) e Centro (telha metálica), os valores relativos ao primeiro tubo eram
inferiores aos do terceiro tubo. Esse fato não era esperado e foi verificado nas duas regiões.
Não foi encontrada na bibliografia algo sobre essa situação e não foi possível formular uma
hipótese, durante a presente pesquisa, que explicasse esse fato.
5.1.1.6. Escherichia coli
Nas Figuras 5.11 e 5.12 são apresentados os resultados comparativos de Escherichia coli das
amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 2 L/m²
de telhado). Os resultados relativos ao primeiro e terceiro tubos estão apresentados no
apêndice A.
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76
Escherichia coli - Pampulha
Escherichia coli - Centro
750
Escherichia coli (NMP/ 100mL)
Escherichia coli (NMP/ 100mL)
750
600
450
300
600
450
300
150
150
0
CER P2_EC
MET P5_EC
o
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
0
CER P8_EC
METP11_EC
o
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
Figura 5.11 - Comparação entre Escherichia
coli presentes na água do segundo tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Figura 5.12 - Comparação entre Escherichia
coli presentes na água do segundo tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
p= 0,0051
p= 0,0033
Assim como aconteceu com o parâmetro anterior, os gráficos mostram uma diferença
significativa entre a qualidade das águas captadas pelos telhados cerâmico e metálico, tanto
para o Centro quanto para a Pampulha. As amostras de água de chuva do 2º tubo de coleta
(relativo a 2L de água por 1 m2 de telhado) apresentavam-se com medianas de 10 NMP/100
mL e < 1 NMP/100 mL nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da
Pampulha. Já para a região do Centro esses valores eram de 6 NMP/100 mL e < 1 NMP/100
mL. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas são
considerados diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%.
As amostras captadas pelos telhados cerâmicos apresentavam valores que não atendiam à
Portaria MS n. 518/2004 e nem à NBR 15.527/2007, que não permitem a presença de
Escherichia coli em 100 mL de água coletada. Já as amostras coletadas nos telhados
metálicos, das duas regiões apresentavam valor de < 1 NMP/100 mL (mediana), portanto
atendendo à norma citada.
Em relação à diferença entre os dois tipos de telhas, tem-se a mesma explicação citada para
coliformes totais. Yaziz et al. (1989) encontraram resultados semelhantes quanto à diferença
na qualidade da água captada em telhas metálicas e de concreto, na Malásia, e verificaram que
a concentração de coliformes termotolerantes na água captada no telhado de concreto era
superior, aproximadamente duas vezes, à da água captada pelo telhado metálico.
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77
5.1.1.7. Sulfato
Nas Figuras 5.13 e 5.14 são apresentados os resultados comparativos de sulfato das amostras
coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema. Optou-se por apresentar os resultados do 1o
tubo, pois, com o descarte de apenas 1 L de água por metro quadrado de telhado, a qualidade
da água é satisfatória quanto a esse parâmetro. Os resultados relativos ao segundo e terceiro
tubos estão apresentados no apêndice A.
É importante esclarecer que o limite de detecção (LD) utilizado para o sulfato foi de 2 mg/L.
Dessa maneira, os valores < LD foram considerados iguais ao LD para fim de análise
estatística.
Sulfato - Centro
16
14
14
12
12
10
10
Sulfato (mg/L)
Sulfato (mg/L)
Sulfato - Pampulha
16
8
6
4
8
6
4
2
2
0
CER P1_S
MET P4_S
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
0
CER P7_S
METP10_S
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Figura 5.13 - Comparação entre sulfato
presente na água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Figura 5.14 - Comparação entre sulfato
presente na água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
p= 0,4989
p= 0,6121
O sulfato presente nas amostras de água de chuva coletadas pelo 1º tubo apresentava-se com
medianas de 3 mg/L e < 2 mg/L nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região
da Pampulha. Já para a região do Centro esses valores eram de 3 mg/L e < 2 mg/L. Percebe-se
que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas não são considerados
diferentes entre si, uma vez que o valor de p é aproximadamente igual a 0,50 e 0,60, para a
Pampulha e o Centro. Considerando todas as amostras, incluindo os valores extremos, elas
apresentaram valores que atendiam à Portaria MS n. 518/2004, cujo valor máximo permitido é
de 250 mg/L.
SHAABAN e APPAN (2003) encontraram, em Kuala Lumpur, Malásia, concentrações de
sulfato entre 1 e 7 mg/L, valores próximos aos verificadas no presente estudo. COOMBES et
al. (2006) encontraram em Hamilton, Austrália, concentração de 5 mg/L.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
78
5.1.1.8. Ferro
Nas Figuras 5.15 e 5.16 são apresentados os resultados comparativos de ferro das amostras
coletadas pelo terceiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 3 L/m² de
telhado). Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma vez que as medianas das águas
relativas ao primeiro e segundo tubo de todos os sistemas apresentaram qualidade que não
atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004. Os resultados relativos ao primeiro e segundo tubos
estão apresentado no apêndice A.
Ferro/ Centro
Ferro (mg/L)
Ferro (mg/L)
Ferro/ Pampulha
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
CER P3_F
MET P6_F
Median
25%-75%
Min-Max
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
CER P9_F METP12_F
Telha/ Nº ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 5.15 - Comparação entre o ferro
presente na água do terceiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Figura 5.16 - Comparação entre o ferro
presente na água do terceiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
p= 0,6744
p= 0,2845
O ferro presente nas amostras de água de chuva do terceiro tubo de coleta apresentava-se com
medianas de 0,25 mg/L e 0,42 mg/L, para as telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na
região da Pampulha. Já para a região do Centro, esses valores eram de 0,60 mg/L e 0,54
mg/L. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas nos dois
telhados não são considerados diferentes entre si, com um nível de significância de 5%. Se
analisado quanto ao valor da mediana, a água captada pelo telhado de cerâmica, implantado
na Pampulha, atendia à Portaria MS n. 518/2004, cujo valor máximo permitido é de 0,30
mg/L. Os outros três telhados não apresentavam água coletada respeitando à Portaria citada.
Como citado na revisão bibliográfica, águas com altas concentrações de ferro podem causar
objeção por parte dos consumidores à sua utilização.
Se a análise for realizada considerando os quartis superiores, a região da Pampulha apresentou
valores de 0,42 mg/L (telha cerâmica) e 0,82 mg/L (telha metálica). Já a região do Centro
apresentou valores iguais a 1,01 mg/L (telha cerâmica) e 1,40 mg/L (telha metálica). Se a
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
79
análise for realizada considerando os quartis inferiores, tem-se que as águas coletadas
atendem à Portaria, uma vez que para a região da Pampulha as telhas cerâmicas apresentaram
valor de 0,13 mg/L e as metálicas de 0,25 mg/L. Já para a região do Centro, as águas captadas
por telhas cerâmicas e metálicas apresentaram concentrações de 0,27 mg/L (telha cerâmica) e
0,30 mg/L (telha metálica).
5.1.1.9. Manganês
Nas Figuras 5.17 e 5.18 são apresentados os resultados comparativos de manganês das
amostras coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 1 L/m²
de telhado). Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma vez que a qualidade dessa
água atendeu à Portaria MS n. 518/ 2004. Os resultados relativos ao segundo e terceiro tubos
estão apresentados no apêndice A.
Manganês/ Centro
Ferro (mg/L)
Ferro (mg/L)
Manganês/ Pampulha
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
CER P1_MN
MET P4_MN
Median
25%-75%
Min-Max
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
CER P7_MN
METP10_MN
Telha/ Nº ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 5.17 - Comparação entre o
manganês presente na água do primeiro
tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica,
região Pampulha
Figura 5.18 - Comparação entre o
manganês presente na água do primeiro
tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica,
região do Centro
p= 0,6121
p= 0,6744
O manganês presente nas amostras de água de chuva do 1º tubo de coleta apresentava-se com
medianas de 0,08 e 0,08 mg/L nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da
Pampulha. Já para a região do Centro esses valores foram de 0,13 e 0,10 mg/L.
Estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas nos dois telhados não são
diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%. Se analisado quanto
ao valor da mediana, as águas coletadas atendiam à Portaria MS n. 518, cujo valor máximo
permitido é de 0,10 mg/L. Apenas as águas captadas pelo telhado cerâmico do Centro
ultrapassaram o valor máximo permitido em 30%.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
80
Se a análise for realizada considerando os quartis inferiores, a região da Pampulha apresentou
valores de 0,02 mg/L (telha cerâmica) e 0,04 mg/L (telha metálica). Já a região do Centro
apresentou valores iguais a 0,07 mg/L (telha cerâmica) e 0,08 mg/L (telha metálica). Percebese que as águas coletadas atendiam à Portaria MS n. 518/2004, se analisadas quanto ao quartil
inferior. Assim como citado para o parâmetro ferro, águas com altas concentrações de
manganês podem causar objeção por parte dos consumidores à sua utilização.
5.1.1.10. Chumbo
Nas Figuras 5.19 e 5.20 são apresentados os resultados comparativos de chumbo das amostras
coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 1 L/m² de
telhado). Os resultados relativos ao segundo e terceiro tubos estão apresentados no apêndice
A. É importante esclarecer que o limite de detecção (LD) utilizado para o chumbo foi de 0,01
mg/L, igual ao limite máximo permitido pela Portaria MS n. 518/2004. Dessa maneira, os
valores < LD foram considerados iguais ao LD para fim de análise estatística.
Chumbo - Centro
0,30
0,28
0,28
0,26
0,26
0,24
0,24
0,22
0,22
0,20
0,20
Chumbo (mg/L)
Chumbo (mg/L)
Chumbo - Pampulha
0,30
0,18
0,16
0,14
0,12
0,16
0,14
0,12
0,10
0,10
0,08
0,08
0,06
0,06
0,04
0,04
0,02
0,02
0,00
CER P1_PB
MET P4_PB
-
0,18
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 5.19 - Comparação entre o chumbo
presente na água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região Pampulha
0,00
CER P7_PB
METP10_PB
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 5.20 - Comparação entre o chumbo
presente na água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro
p= 0,1088
O chumbo presente nas amostras de água de chuva do 1º tubo de coleta apresentava-se com
medianas de < 0,01 e < 0,01 nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da
Pampulha e Centro. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras
coletadas nos dois telhados, região da Pampulha, são iguais entre si, considerando o nível de
significância adotado de 5%. A análise estatística não foi possível de ser realizada para as
amostras da região do Centro, uma vez que os valores eram, na sua grande maioria, inferiores
ao limite de detecção. O teste não conseguiu responder de maneira precisa se haveria
diferença entre as superfícies.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
81
Se analisado quanto ao valor da mediana e quartil superior, as águas coletadas nos quatro
telhados também atendiam à Portaria MS n. 518/2004, cujo valor máximo permitido é de 0,01
mg/L. Apenas algumas telhas metálicas apresentaram valores extremos, como 0,30 mg/L e
0,05 mg/L, na região da Pampulha e Centro, respectivamente.
Silva (2006) também não detectou a presença de chumbo em concentrações superiores às
permitidas pela Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde. As águas armazenadas em
cisternas localizadas na cidade de Araçuaí, Vale do Jequitinhonha, apresentaram resultados
inferiores a 0,01 mg/L.
5.1.2. Comparação entre duas regiões considerando um mesmo ponto de coleta
Nesse item estão apresentados os resultados relativos à comparação dos mesmos pontos de
coleta (1º, 2º e 3º) para superfícies de captação idênticas localizados em regiões distintas
(Centro e Pampulha). Para a análise estatística foi considerado que as amostras eram
independentes entre si, uma vez que eram coletadas em momentos diferentes, com uma
defasagem de aproximadamente 40 minutos. A seguir são apresentados os resultados obtidos
pela pesquisa.
5.1.2.1. pH
Nas Figuras 5.21 e 5.22 são apresentados os resultados comparativos do pH das amostras.
10 Ponto de coleta - Telha metálica
10 Ponto de coleta - Telha cerâmica
pH
pH
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
1
7
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
4
10
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 5.21 - Comparação entre o pH
presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica
Figura 5.22 - Comparação entre o pH
presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,0188
p= 0,1969
O pH das amostras de água de chuva do 1o tubo de coleta do telhado com telhas cerâmicas
(relativo a 1L de água por 1 m2 de telhado) apresentou-se com medianas de 8,1 e 7,6,
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
82
respectivamente, na região da Pampulha e Centro. Já para o telhado com telhas metálicas
esses valores foram de 7,3 e 7,2.
Estatisticamente, os valores relativos ao pH presente na água do primeiro tubo de coleta,
Pampulha e Centro, telha cerâmica, são diferentes entre si, considerando o nível de
significância adotado de 5%.
Ambos os locais estão dentro do padrão da Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde, entre
6,0 e 9,5. Também os valores extremos, máximo de 9,1 e mínimo de 6,5, estão atendendo ao
Padrão. As outras amostras, 2o e 3o tubos, de todos os telhados, também estavam respeitando
à Portaria quanto ao valor recomendado de pH, conforme mostrado no apêndice A.
5.1.2.2. Turbidez
Nas Figuras 5.23 e 5.24 são apresentados os resultados comparativos de turbidez das
amostras do terceiro tubo de coleta de cada sistema. Optou-se por apresentar apenas esses
valores, uma vez que as águas relativas a esse tubo (duas regiões e dois tipos de telhas)
atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004.
30 Ponto de coleta - Telha metálica
90
75
75
60
60
Turbidez (uT)
Turbidez (uT)
30 Ponto de coleta - Telha cerâmica
90
45
45
30
30
15
15
0
3
9
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
0
6
12
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 5.23 - Comparação entre a turbidez
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica
Figura 5.24 - Comparação entre a turbidez
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,3126
p= 0,0307
A turbidez das amostras de água de chuva do 3o tubo de coleta do telhado de cerâmica
apresentou-se com medianas de 3,8 e 4,4 uT, respectivamente, na região da Pampulha e
Centro. Já para o telhado com telhas metálicas, esses valores foram de 1,6 e 3,2 uT.
Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas na Pampulha e
Centro, telhado metálico, são diferentes entre si, considerando o nível de significância
83
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
adotado de 5%. Se considerados apenas os valores das medianas, as amostras de água de
chuva coletadas na Pampulha e Centro, cuja superfície de captação eram telhas cerâmicas ou
metálicas, estavam atendendo à Portaria MS n. 518/2004 e à Norma Brasileira para
Aproveitamento de Água de Chuva, que permitem um valor máximo de 5,0 uT.
Se a análise for realizada considerando os quartis superiores, a região da Pampulha apresentou
valores de 5,0 uT (telha cerâmica) e 5,1 uT (telha metálica). Já a região do Centro apresentou
valores iguais a 7,0 uT (telha cerâmica) e 7,6 uT (telha metálica). Percebe-se que as águas
coletadas na Pampulha atendiam à Portaria MS n. 518 e as coletadas no Centro não atendiam.
A partir da análise estatística pode-se concluir que as águas captadas em telhas metálicas no
Centro de Belo Horizonte apresentaram qualidade inferior às captadas na Pampulha quando
analisado o parâmetro turbidez. A explicação para esse fato pode ser a maior incidência de
poluição a qual a região central está submetida em comparação com a região da Pampulha.
5.1.2.3. Cor aparente
Nas Figuras 5.25 e 5.26 são apresentados os resultados comparativos de cor aparente das
amostras coletadas pelo terceiro tubo de cada sistema. Optou-se por apresentar apenas esses
valores, uma vez que as águas relativas ao primeiro e segundo tubo de todos os sistemas
apresentaram qualidade que não atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004.
30 Ponto de coleta - Telha metálica
Cor aparente (uH)
Cor aparente (uH)
30 Ponto de coleta - Telha cerâmica
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
3
9
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
6
12
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 5.25 - Comparação entre cor
aparente presente na água do terceiro tubo
de coleta: Pampulha e Centro, telha
cerâmica
Figura 5.26 - Comparação entre cor
aparente presente na água do terceiro tubo
de coleta: Pampulha e Centro, telha
metálica
p= 0,2760
p= 0,0487
A cor aparente das amostras de água de chuva do 3º tubo de coleta do telhado com telhas
cerâmicas apresentava-se com medianas de 29 e 30 uH, respectivamente, na região da
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84
Pampulha e Centro. Já para o telhado com telhas metálicas, esses valores foram de 12 e 26
uH.
Estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas nas duas regiões de estudo, para
telhas cerâmicas, não são diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de
5%. Já as amostras captadas pelos telhados metálicos, nas duas regiões, apresentaram águas
com qualidade consideradas diferentes entre si. As águas captadas pelas telhas metálicas
localizadas na região da Pampulha apresentaram qualidade superior às águas captadas por
telhas semelhantes, implantadas no Centro. A explicação para esse fato pode ser a maior
incidência de poluição a qual a região central está submetida em comparação com a região da
Pampulha, assim como foi citado para o parâmetro turbidez.
As amostras coletadas no Centro (ambos os telhados) e telhado cerâmico da Pampulha
apresentaram valores que não atendiam à Portaria MS n. 518/2004 e nem à NBR 15.527, que
permitem um valor máximo de 15 uH. Já as amostras coletadas no telhado metálico da
Pampulha apresentaram valor de 12 uH (mediana).
5.1.2.4. Alcalinidade
Nas Figuras 5.27 e 5.28 são apresentados os resultados comparativos de alcalinidade das
amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema. Como citado anteriormente, não há
citação desse parâmetro na Portaria MS n. 518/2004 e tampouco na norma da ABNT sobre
aproveitamento de água de chuva. Considerando essa situação, optou-se por apresentar apenas
os resultados equivalentes ao descarte de 2L de água por metro quadrado de telhado (valor
indicado na NBR 15.527). Os resultados relativos aos outros tubos de coleta estão
apresentados no apêndice A.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
85
20 Ponto de coleta - Telha metálica
65
60
60
55
55
50
50
Alcalinidade (mgCaCO3/L)
Alcalinidade (mgCaCO3/L)
20 Ponto de coleta - Telha cerâmica
65
45
40
35
30
25
20
45
40
35
30
25
20
15
15
10
10
5
5
0
2
8
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
0
5
11
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 5.27 - Comparação entre a
alcalinidade presente na água do segundo
tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha
cerâmica
Figura 5.28 - Comparação entre a
alcalinidade presente na água do segundo
tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha
metálica
p= 0,1388
p= 0,1672
A alcalinidade total das amostras de água de chuva do 2º tubo de coleta do telhado com telhas
cerâmicas apresentou medianas de 12,4 mgCaCO3/L e 20,0 mgCaCO3/L, respectivamente, na
região da Pampulha e Centro. Já para o telhado com telhas metálicas, esses valores eram de
10,0 mgCaCO3/L e 14,7 mgCaCO3/L.
Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas nas duas regiões
de estudo, para telhas cerâmicas e metálicas, não são diferentes entre si, considerando o nível
de significância adotado de 5%.
5.1.2.5. Coliformes totais
Nas Figuras 5.29 e 5.30 são apresentados os resultados comparativos de coliformes totais das
amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema. Nenhum dos pontos de coleta
apresentou qualidade satisfatória segunda a Portaria MS n. 518/2004. Por esse motivo, optouse por apresentar os resultados relativos ao volume de descarte de água por m2 indicado pela
NBR 15.527/2007. Os resultados relativos ao primeiro e terceiro tubos estão apresentados no
apêndice A.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
86
20 Ponto de coleta - Telha metálica
2600
2400
2400
2200
2200
Coliformes totais (NMP em 100 mL)
Coliformes totais (NMP em 100 mL)
20 Ponto de coleta - Telha cerâmica
2600
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
200
0
2
8
Median
25%-75%
Min-Max
0
5
11
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Pontos
Figura 5.29 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica
Figura 5.30 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,0352
p= 0,1840
Os gráficos mostram diferença significativa entre a qualidade da água captada pelas telhas
cerâmicas nas duas regiões, para o segundo ponto de coleta. As águas captadas na região da
Pampulha apresentaram qualidade superior às captadas na região do Centro.
As amostras de água de chuva do 2º tubo de coleta do telhado cerâmico apresentaram
medianas de 102 e 1120 NMP/100 mL, respectivamente na Pampulha e Centro. Já para o
telhado metálico, esses valores foram de 1 e 6 NMP/100 mL.
De uma maneira geral, a água captada pelo telhado cerâmico implantado na região da
Pampulha apresentou qualidade superior à captada pelo telhado implantado no Centro. Em
relação às águas captadas pelo telhado metálico, essa diferença não é significativa nas duas
regiões.
As águas captadas pelos telhados metálicos apresentaram um valor muito próximo ao limite
da Portaria MS n. 518/2004, cuja recomendação é a de que deve haver ausência de coliformes
totais em 100 mL de amostra, sendo tolerada a presença desses, na ausência de Escherichia
coli e/ou coliformes termotolerantes (BRASIL, 2005). Além disso, a referida Portaria
recomenda que caso essa situação seja verificada, deve ser investigada a origem da
contaminação e tomadas providências imediatas de caráter corretivo e preventivo.
Considerando o Padrão de balneabilidade (CONAMA No 274/00), as águas captadas por
telhas metálicas, nas duas regiões, são classificadas como excelente.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
87
5.1.2.6. Escherichia coli
Nas Figuras 5.31 e 5.32 são apresentados os resultados comparativos de Escherichia coli das
amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 2 L/m²
de telhado). Os resultados relativos ao primeiro e terceiro tubos estão apresentados no
apêndice A.
20 Ponto de coleta - Telha cerâmica
20 Ponto de coleta - Telha metálica
750
Escherichia coli (NMP em 100 mL)
Escherichia coli (NMP em 100 mL)
750
600
450
300
150
0
2
8
Median
25%-75%
Min-Max
600
450
300
150
0
5
Pontos
11
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 5.31 - Comparação entre Escherichia
coli presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica
Figura 5.32 - Comparação entre Escherichia
coli presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,3031
p= 0,7421
As águas captadas pelos telhados metálicos das duas regiões apresentaram qualidade que
atende à Portaria MS n. 518/2004, ou seja, ausência de Escherichia coli em 100 mL, segundo
tubo. Já para as águas captadas pelos telhados cerâmicos, o mesmo não acontece. A água
coletada na Pampulha apresentou mediana de 10 NMP/100 mL e a do Centro apresentou
mediana de 6 NMP/100 mL.
Para o presente parâmetro verificou-se que as águas captadas nas duas regiões, Pampulha e
Centro, não apresentaram diferença significativa entre si.
5.1.2.7. Sulfato
Nas Figuras 5.33 e 5.34 são apresentados os resultados comparativos de sulfato das amostras
coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 1 L/m² de
telhado). Os resultados relativos ao segundo e terceiro tubos estão apresentados no apêndice
A. Conforme citado anteriormente, o limite de detecção (LD) utilizado para o sulfato foi de 2
mg/L. Dessa maneira, os valores < LD foram considerados iguais ao LD para fim de análise
estatística.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
88
1º Ponto de coleta - Telha metálica
16
14
14
12
12
10
10
Sulfato (mg/L)
Sulfato (mg/L)
1º Ponto de coleta - Telha cerâmica
16
8
6
4
8
6
4
2
2
0
1
7
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
0
4
10
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 5.33 - Comparação entre o sulfato
presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica
Figura 5.34 - Comparação entre o sulfato
presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,9048
p= 0,7802
O sulfato presente nas amostras de água de chuva do 1º tubo de coleta dos telhados cerâmicos
apresentava-se com mediana de 3 mg/L nas regiões da Pampulha e Centro. Já as águas
captadas pelos telhados metálicos, para as duas regiões, apresentavam valores de 2 mg/L.
Os valores de sulfato nas amostras coletadas nas duas regiões não são considerados diferentes,
com um nível de significância de 5%. Todas as amostras apresentaram valores que atendiam à
Portaria MS n. 518/ 2004, cujo valor máximo permitido é de 250 mg/L.
5.1.2.8. Ferro
Nas Figuras 5.35 e 5.36 são apresentados os resultados comparativos de ferro das amostras
coletadas pelo terceiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 3 L/m² de
telhado). Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma vez que as medianas das águas
relativas ao primeiro e segundo tubo de todos os sistemas apresentaram qualidade que não
atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004. Os resultados relativos ao primeiro e segundo tubos
estão apresentado no apêndice A.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
89
3º Ponto de coleta - Telha metálica
Ferro (mg/L)
Ferro (mg/L)
3º Ponto de coleta - Telha cerâmica
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
3
9
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
6
12
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 5.35 - Comparação entre o ferro
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica
Figura 5.36 - Comparação entre o ferro
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,1220
p= 0,5148
Os gráficos mostram que não existe diferença significativa entre as águas captadas na
Pampulha e no Centro, com um nível de significância de 5%. Entretanto, percebe-se que há
concentração maior de ferro nas amostras de água de chuva coletadas no Centro. As águas
captadas pelo 3º tubo do telhado metálico, para as duas regiões, apresentavam valor de
mediana superior ao máximo permitido pela Portaria MS n. 518/2004. Apenas a água coletada
no 3º tubo do telhado cerâmico, região da Pampulha, apresentou qualidade que atendia à
Portaria MS n. 518/2004, uma vez que sua mediana era igual a 0,25 mg/L.
5.1.2.9. Manganês
Nas Figuras 5.37 e 5.38 são apresentados os resultados comparativos de manganês das
amostras coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 1 L/m²
de telhado). Optou-se por apresentar apenas esses valores uma vez que a qualidade dessa água
atendeu à Portaria MS n. 518/ 2004. Os resultados relativos ao segundo e terceiro tubos estão
apresentados no apêndice A.
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90
1º Ponto de coleta - Telha cerâmica
1º Ponto de coleta - Telha metálica
1,6
1,7
1,6
1,5
1,4
1,5
1,4
1,3
1,2
1,3
1,2
Manganês (mg/L)
Manganês (mg/L)
1,7
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,5
0,4
0,3
0,3
0,2
0,2
0,1
0,0
1
7
0,1
0,0
Median
25%-75%
Min-Max
4
10
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Pontos
Figura 5.37 - Comparação entre o
manganês presente na água do primeiro
tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha
cerâmica
Figura 5.38 - Comparação entre o
manganês presente na água do primeiro
tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha
metálica
p= 0,2766
p= 0,4234
A concentração de manganês nas amostras de água de chuva do 1º tubo de coleta, telha
metálica, regiões da Pampulha e Centro, atendia à Portaria MS n. 518/2004, uma vez que se
apresentava com medianas de 0,08 e 0,10 mg/L, respectivamente. As águas captadas pelas
telhas cerâmicas apresentaram concentrações de
0,08 mg/L (Pampulha) e 0,13 mg/L
(Centro). Não foi verificada diferença entre a qualidade das águas captadas nas duas regiões,
considerando um nível de significância de 5%.
5.1.2.10. Chumbo
Nas Figuras 5.39 e 5.40 são apresentados os resultados comparativos de chumbo das amostras
coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 1 L/m² de
telhado). Os resultados relativos ao segundo e terceiro tubos estão apresentados no apêndice
A.
Como citado anteriormente, o limite de detecção (LD) utilizado para o chumbo foi de 0,01
mg/L, igual ao limite máximo permitido pela Portaria MS n. 518/2004. Dessa maneira, os
valores < LD foram considerados iguais ao LD para fim de análise estatística.
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91
1º Ponto de coleta - Telha metálica
0,30
0,28
0,28
0,26
0,26
0,24
0,24
0,22
0,22
0,20
0,20
Chumbo (mg/L)
Chumbo (mg/L)
1º Ponto de coleta - Telha cerâmica
0,30
0,18
0,16
0,14
0,12
0,18
0,16
0,14
0,12
0,10
0,10
0,08
0,08
0,06
0,06
0,04
0,04
0,02
0,00
1
7
Median
25%-75%
Min-Max
0,02
0,00
4
Pontos
10
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 5.39 - Comparação entre o chumbo
presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica
Figura 5.40 - Comparação entre o chumbo
presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,9705
p= 0,6305
Os gráficos mostram que não existe diferença significativa quanto ao parâmetro chumbo para
o 1º ponto de coleta para ambos os tipos de telhas e regiões.
Se analisado quanto ao valor da mediana, as águas coletadas nos quatro telhados atendiam à
Portaria MS n. 518/2004, cujo valor máximo permitido é de 0,01 mg/L. Foram encontrados
poucos valores extremos, como 0,30 mg/L e 0,05 mg/L, nas regiões da Pampulha e Centro,
respectivamente.
5.2. Percepção de alguns sujeitos residentes em Belo Horizonte
Os discursos do sujeito coletivo obtidos para a presente pesquisa estão apresentados no item
5.2.1 e algumas considerações sobre os discursos estão no item 5.2.2.
5.2.1. Discurso do Sujeito Coletivo
Foram obtidos 50 Discursos do Sujeito Coletivo a partir das respostas para as 16 perguntas
realizadas. A Tabela 5.2 mostra algumas informações sobre os entrevistados.
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92
Tabela 5.1 - Informações gerais sobre os entrevistados
Sujeito
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
Sexo
Feminino
Feminino
Feminino
Feminino
Masculino
Masculino
Masculino
Feminino
Masculino
Feminino
Feminino
Feminino
Feminino
Feminino
Masculino
Feminino
Masculino
Masculino
Profissão dos entrevistados
Auxiliar de serviços gerais
Porteira
Empregada doméstica
Diarista
Frentista
Porteiro
Pintor de paredes
Faxineira
Vigia de carros
Engenheira civil
Advogada
Turismóloga
Administradora de empresas
Pedagoga
Analista de sistemas
Geógrafa
Engenheiro hídrico
Engenheiro civil
Escolaridade
Fundamental incompleto
Fundamental incompleto
Fundamental incompleto
Fundamental incompleto
Fundamental incompleto
Fundamental incompleto
Fundamental incompleto
Fundamental incompleto
Fundamental incompleto
Superior completo
Superior completo
Superior completo
Superior completo
Superior completo
Superior completo
Superior completo
Superior completo
Superior completo
Idade
36
38
41
36
22
38
42
51
36
40
30
29
40
60
33
36
23
29
As ideias centrais estão mostradas no início da apresentação das perguntas, sendo que
respostas semelhantes foram agrupadas em categorias, nomeadas por letras (A, B, C, D, E e
F). As expressões-chave, utilizadas para a realização das análises, não serão apresentadas.
É importante citar que, devido aos argumentos serem muito semelhantes, quando o assunto
abrangia uma mesma ideia central, os discursos individuais, tanto para entrevistados com
ensino superior completo quanto para entrevistados com ensino fundamental incompleto,
foram utilizados para a formação do Discurso do Sujeito Coletivo. Não viu-se a necessidade
de realizar dois discursos distintos, sendo que as falas de ambos eram muito semelhantes e
poderiam ser agrupadas em um mesmo discurso.
Os Discursos do Sujeito Coletivo (DSC), mostrados a seguir, basearam-se nas ideias centrais
presentes nas falas dos sujeitos entrevistados, sendo que poucas interferências foram
realizadas na transcrição dos discursos para a correção de alguns erros no vocabulário.
Ressalta-se que, em algumas situações, os entrevistados desenvolveram discursos,
dependendo da pergunta, contendo uma ou mais ideias centrais. As Figuras 5.41 a 5.56
apresentam o resultado quantitativo dos DSCs e mostram a opinião dos entrevistados para as
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93
duas escolaridades consideradas neste trabalho. Esse resultado não busca ser representativo de
um universo amostral, objetiva apenas elucidar o pensamento dos entrevistados e indicar uma
tendência para as respostas.
Buscando melhor visualização por parte dos leitores, ao lado de cada ideia central, mostrada a
seguir, estão apresentados os números de respondentes que aderiram à determinada resposta.
Esses serão identificados pela letra “F” para representar os indivíduos com escolaridade
fundamental incompleta e pela letra “S” para os indivíduos com escolaridade superior
completa. Como exemplo tem-se, 3S/9, que significa que 3 indivíduos, em um total de 9 com
escolaridade superior, desenvolveram falas correspondentes à determinada ideia central.
Pergunta 1: Quando você vê que está chovendo ou imagina que está chovendo, você
pensa em quê?
Categorias e ideias centrais
A. Água como recurso indispensável
B. Boa qualidade da água
C. Água sendo contaminada durante seu contato com o solo
D. Grande volume de água
E. Nada específico
F. Possibilidade de a água causar doenças
Ensino superior completo
6
6
5
5
Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
4
3
2
1
0
A
B
C
D
Categorias
E
F
4
3
2
1
0
A
B
C
D
E
F
Categorias
Figura 5.41 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 1
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94
(A) Água como recurso indispensável (3F/9 e 0S/9)
Penso na questão da terra, na produção de alimentos, na nossa necessidade
de termos água. Alguns reclamam da chuva, mas ela é essencial. É bom para
a natureza, é bom para o plantio, a safra vai aumentar, vai tirar todas as
impurezas da terra, vai ficar menos calor, menos úmido e mais tranquilo. É
uma água que vai acabar com a seca, pode ser utilizada em várias coisas,
vai ajudar no benefício da própria terra.
A água de chuva é um recurso indispensável para a vida de todos os seres humanos,
entretanto, nem todas as pessoas apresentam essa ideia consolidada. Percebeu-se, durante
as entrevistas, que pessoas que no passado habitavam a zona rural valorizam mais a água a
que eles têm acesso. A água nesse discurso foi associada a aspectos positivos, como a sua
importância para o meio ambiente e para os seres vivos.
(B) Boa qualidade da água (0F/9 e 2S/9)
É um fenômeno da natureza que tá acontecendo, e que eu gosto, porque eu
acho que limpa os ambientes. É uma coisa boa para a parte emocional e
espiritual da gente, porque lava tudo. Penso em uma água limpa, que dá
para ser aproveitada. Então eu vejo como uma fonte de aproveitamento de
água.
Nesse discurso, a água de chuva foi associada a aspectos positivos, novamente.
Entretanto, as respostas foram relacionadas a fatores emocionais e espirituais. Além disso,
o aproveitamento de água de chuva foi citado como sendo uma possibilidade devido à sua
qualidade.
(C) Água sendo contaminada durante seu contato com o solo (1F/9 e 0S/9)
Imagino que é uma sujeira. A água vai passando pelo chão e é uma água
suja. Na verdade quando ela desce e vai rolando, ela vem limpa. Mas
quando ela desce e vai rolando, ela suja.
Nesse discurso, a água de chuva foi relacionada à sua má qualidade. A sujeira, a princípio,
estava ligada à superfície de captação e não à água de chuva propriamente dita.
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95
(D) Grande volume de água (2F/9 e 5S/9)
Penso que é uma água precipitada, evaporada dos rios e penso em ciclo
hidrológico. Penso em muita água. Chuva, eu nunca acho que é uma
chuvinha, quando alguém fala que tá chovendo, eu penso sempre em uma
quantidade enorme de água, sabe? Muita coisa, muita água. Quando a
chuva vem, parece que é muito forte, aí eu tenho medo. Porque, ultimamente,
a gente tá vendo umas chuvas muito, como é que a gente fala, dá medo na
gente. Tem muito vento forte, muito trovão e raio, né? A gente fica com
medo. Eu sinto assim, né? Quando eu vejo que vai chover, eu tenho muito
medo. Atualmente está acontecendo num volume muito forte. Quando fica
chovendo muito eu penso só nessas pessoas desabrigadas, que ficam
desabrigadas, que ficam nessas casas de risco, né, é isso que eu penso.
Penso nos estragos que ela está fazendo na rede urbana, na área urbana. A
primeira coisa que penso quando chove muito forte é a preocupação com o
que está acontecendo com a infraestrutura urbana, o impacto dela nisso.
A água de chuva foi relacionada a grandes precipitações. Talvez, devido às entrevistas
terem sido realizadas na época de grandes chuvas em Belo Horizonte (entre janeiro e
fevereiro de 2009), os pensamentos dos entrevistados estavam relacionados a grandes
enchentes e a pessoas desabrigadas. O sentimento de medo e preocupação com o restante
da população atinge as pessoas de um modo geral, independente da escolaridade.
(E) Possibilidade de a água causar doenças (1F/9 e 0S/9)
A chuva não traz muita preocupação não, né? Porque, devido o cuidado, né,
da limpeza, porque o que não pode acontecer é igual no parque municipal,
né? Porque lá as garrafas PET, as pessoas tomavam refrigerantes e
deitavam na grama e jogavam garrafa PET no arvoredo, dentro do jardim e
aí vinha a água da chuva e ficava dentro da garrafa e de lá gera o mosquito
da dengue. Teve um amigo meu que pegou dengue no parque municipal,
gerado pela água das chuvas que estavam dentro de PETs. Tem que evitar a
água parada! Eu preocupo é com a doença, igual esse colega meu, ele era
um cara muito forte, trabalhador e depois que aconteceu isso com ele, “cê”
vê ele e tem vez que ele anda e parece até que ele vai cair, tá muito
96
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magrinho. Então tem que tomar cuidado com as garrafas PET, jardins e
lembrar o pessoal das plantas.
A água de chuva, nesse discurso, foi relacionada à possibilidade de veiculação de doenças.
Foi citada a dengue como uma preocupação, onde a água de chuva poderia ser acumulada em
garrafas PET e em plantas, causando um ambiente propício para a proliferação de alguns
mosquitos transmissores da doença citada.
(F) Nada específico (2F/9 e 2S/9)
Chuva, na água da chuva mesmo, né? Chuva caindo do céu. Não sei, não
penso em nada específico.
Algumas pessoas não desenvolveram discursos, uma vez que não pensavam em nada
específico quando questionadas sobre a água de chuva.
Pergunta 2: Você acha que a água de chuva é suja, limpa ou mais ou menos?
Categorias e ideias centrais
A. Limpa
B. Suja
C. Mais ou menos
Ensino fundamental incompleto
Ensino superior completo
6
Número de respostas
Número de respostas
6
5
4
3
2
1
0
5
4
3
2
1
0
A
B
Categorias
C
A
B
C
Categorias
Figura 5.42 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 2
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97
IC (A) Limpa (5F/9 e 5S/9)
Eu acho que é limpa. Eu sei que num é muito, mas se eu não parar para
pensar, para mim a água é limpa, é clara, sabe? Aquela coisa de você tomar
banho de chuva, de ser uma coisa boa, que liberta! Quando ela cai ela é
limpa, antes dela cair no solo ela é limpa. Ela só suja se o lugar que ela for
guardada estiver sujo, por exemplo, se baldes e panelas estiverem sujos, aí
ela suja também, né? Creio que é uma água que pode ser aproveitada. Igual
na região Nordeste, que é uma região muito seca, né? Se fossem construídos
tanques, a água da chuva poderia ser aproveitada, essa água minimizaria
um pouco os problemas que as pessoas têm lá, eu tenho notícias, né, que
algumas casas no Nordeste têm tanques. Mesmo hoje na nossa região
urbana, têm muitos condomínios aqui em Belo Horizonte, eu sei que têm
muitos condomínios que “tão” fazendo isso, naquela parte por exemplo da
entrada do prédio, lá em baixo, no fundo do prédio tem um tanque que serve
como reservatório de água, então na primeira chuva, essa água é
descartada, porque o piso tá sujo. Então mais tarde essa água, ela pode ser
usada em jardim, para lavar carro, ou mesmo para lavar o piso do prédio,
né?
A água da chuva foi relacionada à libertação e a coisas boas, sendo classificada como limpa
antes de cair no chão e antes de ser armazenada. Foram realizadas observações sobre a
importância de limpeza do local de armazenamento e da superfície de captação. Novamente a
possibilidade do aproveitamento da água de chuva foi citada nesse discurso.
IC (B) Suja (1F/9 e 1S/9)
Visivelmente ela é limpa, mas na realidade eu acho que não é. Limpa ela
não pode ser. O ar tá sujo, então a água de chuva não vai ser limpa. Eu
acho que ela já vem suja do céu, porque é radioativa, chuva ácida, essas
coisas assim.
A qualidade da água da chuva foi considerada ruim nesse discurso, sendo relacionada à
poluição atmosférica presente nas áreas urbanas.
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98
IC (C) Mais ou menos (3F/9 e 3S/9)
Eu acredito que por causa da poluição ela não seja limpinha, né? Mas eu
acho que ela não é tão suja. Ela pode ter algum benefício, né? De ser usada
do jeito que ela desce. Em alguma circunstância ela pode ser usada, né? A
gente tira por base o ciclo da chuva. O ciclo da água, que sobe e desce, sobe
e desce. Dá a impressão que ela é uma água limpa, porém ela não é 100%
limpa, porque tem a chuva ácida que tem poluentes. Para ser limpa tem que
ser isenta de impurezas e tudo mais, né? Por isso eu acredito que ela seja
mais ou menos.
Esse discurso mostra a dúvida das pessoas sobre a qualidade da água de chuva. A qualidade
foi novamente relacionada à poluição atmosférica existente nas grandes cidades urbanas.
Entretanto, nessa situação, foi classificada como de qualidade intermediária (mais ou menos),
podendo, em algumas situações, ser utilizada para algum fim.
Pergunta 3: Você acha que a água de chuva poderia ser utilizada para alguma
finalidade?
Categorias e ideias centrais
A. Sim
B. Não
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Ensino superior completo
Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
A
B
Categorias
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
A
B
Categorias
Figura 5.43 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 3
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99
IC (A) Sim (9F/9 e 8S/9)
Acho que sim. Eu vi até algumas coisas interessantes, um cara que tinha um
lava-jato com o reaproveitamento da água de chuva. Então ele tinha
aqueles, num sei o nome, ele fez uma construção e ele armazenava água de
chuva. Era em São Paulo, que chove demais. Tinha também na Grécia
antiga, eles tinham dentro de casa aqueles reservatórios grandes, né, para
poder ter a água da chuva e utilizava para várias coisas. Então eu acho que
sim, que pode. Hoje muita construção tá fazendo isso, né? Tem muita gente
que utiliza, né? Eu acho que sendo tratada ela pode ser armazenada e
tratada, porque sem tratar não tem como, né? Porque assim que ela cai, é
muito sujo, né? Porque vem de enxurrada, né? É muita porcariada. Água
tratada, eu acho que a gente tem que cuidar dela o máximo possível, porque
do jeito que as coisas estão, as pessoas desperdiçam muito, ficam lavando
horas a calçada, lavando carro, desperdiçando uma água boa, né? Desde
que você tenha os devidos cuidados e faça todo o preparativo que é
necessário para ela, eu acho que sim.
O discurso mostra algum conhecimento sobre o aproveitamento de água de chuva na
antiguidade. O desperdício de água potável foi citado diversas vezes e a água de chuva foi
considerada como uma possibilidade de substituição para determinadas finalidades.
Percebe-se que algumas pessoas, quando abordadas sobre a possibilidade de utilização de
água de chuva, pensam logo em utilização para consumo humano. Talvez por esse motivo a
questão do tratamento da água de chuva tenha sido citada algumas vezes.
Além disso, foi considerada também a possibilidade de utilização de água de chuva para fins
que não exijam potabilidade. Também nessas situações há preocupação de algumas pessoas
com a qualidade da água.
IC (B) Não (0F/9 e 1S/9)
Para alguma finalidade? Acho que não. Não, acredito que poderia, só teria
que ter...mas acho que todos não teriam acesso. Não, acho melhor não.
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100
A água de chuva foi considerada imprópria para qualquer utilização devido à sua qualidade. A
falta de acesso de algumas pessoas ao tratamento da água de chuva foi sugerida como sendo
um impedimento ao seu aproveitamento.
Pergunta 4: Para quais finalidades?
Categorias e ideias centrais
A. Usos domésticos: irrigação de plantas, limpezas gerais, descarga de vaso sanitário e
lavar carros.
B. Lavar roupas
C. Indústria
D. Tratamento de água
Ensino superior completo
Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
A
B
C
Categorias
D
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
A
B
C
D
Categorias
Figura 5.44 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 4
IC (A) Usos domésticos: irrigação de plantas, limpezas gerais, descarga de vaso sanitário e
lavar carros (9F/9 e 6S/9)
Por exemplo, assim, é, quando, dependendo da casa, quando tá chovendo,
dá goteira, né? Numa casa, assim tem o cano, aí tem a goteira, você pode
pegar uma vasilha e pode pegar para lavar o terreiro, pode pegar para
lavar....é...para lavar o terreiro mesmo, o terreiro... é pode pegar para lavar
o terreiro! Acho também que pode para molhar plantas, para, tem várias
funções, eu já ouvi falar de pessoas que armazenam, né, a água da chuva
para poder aproveitar depois. Para plantação, por exemplo, no nordeste,
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
101
né? Que chove pouquíssimo, mas quando chove, também chove, aquele...
alaga!!!! Então tem aqueles, sabe aqueles poços grandes para poder usar na
plantação? Essas coisas. Acho que pode não só para irrigação, né? Pra
lavagem de utensílios, de carro, para lavar assim, um passeio, fazer lavação
mesmo, sabe? Roupa, já eu acho que não, porque aí já é suja! Dá micróbio,
né? Tem muita gente que usa, eu já vi, muita gente usar para lavar roupa,
para tomar banho, agora assim consumo para comer e para beber, para
fazer comida eu acho que não, não para consumo, né, mas para lavar as
coisas, como a gente usa água da torneira. Lavagem de passeio é ótimo,
porque aí a gente não fica gastando essa água tratada. Alguns engenheiros
“tão” fazendo construção com reservatório na garagem, que aí aquela água
pode ser usada para limpar a garagem, não precisa usar a água da
COPASA. Não vai usar aquela água para beber, mas para lavar um carro,
um passeio.
O aproveitamento de água de chuva em residências foi amplamente citado nesse discurso.
Usos gerais como a limpeza de calçadas, irrigação, limpeza geral e descarga no vaso sanitário
foram indicados como possíveis de serem realizados.
O discurso mostra a consciência sobre a necessidade de utilização de água potável de maneira
racional. A água distribuída nas residências poderia ser substituída por água de chuva desde
que o seu armazenamento fosse realizado de maneira correta.
IC (B) Lavar roupas (4F/9 e 0S/9)
Eu acho que tem muita coisa que dá para fazer! Cuidar da água para um dia
não faltar. Eu, antigamente, agora não, aonde eu morava antes, eu fazia
isso, eu colocava um tambor para aparar a água, porque tinha a água que
vinha da laje, porque tem telhado, né? Aí tinha aquele cano que coloca
aquela calha, igual você falou, mas o cano não desce até em baixo não,
sabe? Descia só até uma parte da parede. Aí eu colocava o tambor lá, e
enchia, lá eu lavava roupa, lavava chão, aproveitava água demais, nossa! A
água é boa demais para lavar roupa! Isso também aqui em Belo Horizonte,
mas foi há “uns tempo atrás”.
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102
Segundo o discurso acima, a água de chuva pode ser utilizada para diversas funções, sendo
incluída a lavagem de roupas.
Percebeu-se, durante a entrevista, que a grande maioria das pessoas que contribuiu para a
formação desse discurso habitou no passado em áreas rurais. Nessas localidades, em alguns
momentos, os indivíduos utilizaram a água de chuva para, entre outras atividades, lavarem
roupas. Alguns, mesmo após se mudarem para Belo Horizonte, continuaram utilizando a água
de chuva para lavarem as roupas de sua família.
IC (C) Indústria (0F/9 e 1S/9)
Pode ser usada para descarga, para lavar peças em indústrias, por exemplo.
Lavagem de materiais, lavar carros mesmo, eu acredito que possa utilizar.
Essas coisas mesmo! Desde que você tenha os devidos cuidados e faça todo
o preparativo que é necessário para ela.
Novamente a descarga para vasos sanitários foi citada, entretanto, nessa situação, foi indicado
o uso em indústrias. A lavagem de peças, materiais e carros também foi citada como sendo
uma possibilidade de utilização para a água de chuva.
IC (D) Tratamento de água (0F/9 e 3S/9)
Acho, até para tratamento de água, você vê às vezes que têm lugares que
eles fazem uns poços, né? Ô gente, a água da chuva num vai pro rio? Que
vai para estação de tratamento, que vai ser tratada e reutilizada depois?
Pode ser usada pro abastecimento de água das casas. Agora, sem
tratamento pode ser... pode ser usada para parques, nas represas, não sei!
Eu acho que ela tem utilidade.
A água de chuva foi considerada possível de ser utilizada, por seres humanos, após um
tratamento, da mesma maneira que as águas dos rios são tratadas e canalizadas para as
residências da população. Percebeu-se durante as entrevistas que essa conclusão foi obtida
pelos entrevistados uma vez que eles estavam imaginando, também, a possibilidade de
ingestão da água pluvial.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
103
Pergunta 5: Você utilizaria essa água para atividades domésticas? Quais?
Categorias e ideias centrais
A. Irrigação de plantas, limpezas gerais, lavar carro e descarga de vaso sanitário
B. Lavar roupas
C. Usos de torneira de banheiro e cozinha
D. Beber e cozinhar
E. Não usaria
Ensino superior completo
Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
A
B
C
Categorias
D
E
10
9
8
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6
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4
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1
0
A
B
C
D
E
Categorias
Figura 5.45 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 5
IC (A) Irrigação de plantas, limpezas gerais, lavar carro e descarga de vaso sanitário (9F/9 e
6S/9)
Ia depender muito de como eu tivesse armazenando essa água. Porque ia
depender do tipo de reservatório que eu tenho, se antes de eu utilizar essa
água para dentro de casa, se ia tratar essa água de alguma forma. Usaria
para lavar passeio, calçada, utilizar em descarga de sanitário em casa.
Chuveiro não sei se pode usar, acredito que não possa usar, tem que ter um
tratamento prévio para isso, né? Direto não sei se poderia. Mas acredito que
dê para lavar coisa que não tem contato 100% com o corpo, assim beber,
tomar banho...Utilizaria, para lavar o quintal, para lavar o jardim, utilizaria
sim. Igual agora, a gente tá vendo muito esses condomínios ecológicos, que
armazenam. Então para caixa, por exemplo, de descarga, né? Que utiliza
mesmo para lavar! Eu não utilizaria mesmo é em torneiras de cozinha,
104
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
torneira de banheiro. Então, eu acho que só não usaria também para
chuveiro. Dá pra tirar poeira, passar um pano no chão, lavar uns pano de
chão, né? É, para outra coisa não. O terreiro é uma coisa assim, né? Tá lá
fora mesmo, né? Faria para limpeza geral de casa, que não é para ser
ingerida, né? Diretamente ingerida, ou através de alimentos.
A aceitação à utilização de água de chuva em atividades domésticas está implícita no
discurso. Os sujeitos declararam que aproveitariam água de chuva em atividades que
efetivamente não necessitassem de qualidade de água potável como, por exemplo, a descarga
nos vasos sanitários. A não possibilidade de utilização de água de chuva para consumo
humano foi amplamente falada nesse discurso, ou seja, não utilização para beber, cozinhar e
tomar banho.
O reservatório de armazenamento também foi citado como sendo um fator importante para
definição da possível utilização da água de chuva, onde o mau armazenamento poderia
acarretar em uma piora na sua qualidade.
IC (B) Lavar roupas (4F/9 e 2S/9)
Lavaria casa, lavava roupa. Se tivesse um jeito de guardar, armazenar essa
água, né? Com certeza. Eu não ia fazer é comida com ela, nem nada assim,
nem usar para tomar, porque eu sei que, né? Ela não é uma água potável,
né? Mas eu usaria sim. Eu acho que não teria nenhum problema.
A impossibilidade de utilização de água de chuva para consumo humano foi novamente
citada. Entretanto, nesse discurso, foi considerada a possibilidade de lavar roupas com a água
captada nas grandes cidades.
IC (C) Usos de torneira de banheiro e cozinha (0F/9 e 1S/9)
Para lavar vasilha, né? Usos na pia, para banheiro, para lavar as coisas de
casa, não para consumo. Usos da água da torneira, como se fosse para
substituir.
Esse discurso é semelhante ao obtido com a ideia central (A), onde a utilização de água
pluvial foi relacionada a usos de limpeza geral. Entretanto, o presente discurso faz menos
105
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
restrições para o uso da água de chuva, uma vez que considera a possibilidade de aproveitá-la
em torneiras de banheiro e cozinha.
IC (D) Beber e cozinhar (3F/9 e 0S/9)
Menina do céu, para tudo, até para beber. Até mesmo para “conzinhar”, se
fosse filtrada, né? Eu usaria sem problema.
Considerou-se nesse discurso um uso menos restritivo para a água de chuva do que os citados
nas ideias centrais A, B e C, uma vez que foi citada a possibilidade de sua utilização para
beber e cozinhar. Observou-se, novamente, durante as entrevistas, que pessoas que
anteriormente habitavam a zona rural apresentam hoje uma aceitação muito boa em relação à
água de chuva. Pelas entrevistas, pode-se perceber que essas pessoas conhecem, de perto, o
seu aproveitamento.
IC (E) Não usaria (0F/9 e 2S/9)
Na minha casa? Não, na minha casa não. Como primeiro pensamento assim
não, mas talvez em plantas, alguma coisa assim, ou pra.....é aí já vai entrar
no caso de, por exemplo, usar até para uso nosso..., aí teria que ter um
estudo para ver se essa água realmente é limpa para ser aproveitada num
banho. A primeiro momento não, porque isso demandaria um tratamento
melhor, uma situação melhor dessa água. Alguma coisa nesse sentido.
Então, a primeiro momento não. Pelas informações que eu tenho hoje eu
acho que não dá para aproveitar.
A água de chuva foi classificada como imprópria para utilização em atividades domésticas
nesse discurso. Houve momentos de indefinição, onde cogitou-se a possibilidade de uso,
entretanto a conclusão foi que, para segurança, seria melhor que não fosse utilizada em
nenhuma atividade.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
106
Pergunta 6: Existem algumas pessoas que captam água de chuva em casa para utilizar
em algumas atividades, qual a sua opinião sobre isso?
Categorias e ideias centrais
A. Bom, pois proporciona uma economia do recurso natural
B. Bom, eu já realizei captação na minha casa
C. Usam, pois não têm outro recurso
D. Devem buscar informações
E. Não tinham opinião
Ensino fundamental incompleto
Ensino superior completo
6
5
Número de respostas
Número de respostas
6
4
3
2
1
0
5
4
3
2
1
0
A
B
C
Categorias
D
E
A
B
C
D
E
Categorias
Figura 5.46 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 6
IC (A) Bom, pois proporciona uma economia do recurso natural (3F/9 e 5S/9)
Não tive essa oportunidade de ver, entendeu? Só vi em reportagens. Mas eu
já ouvi falar que no Belvedere já fizeram “umas construção” assim. Eu acho
que são inteligentes as pessoas que fazem isso. Eu acho muito bom, porque a
tecnologia tá muito avançada hoje, né? Por exemplo, se a pessoa faz um
reservatório, vai deixar de gastar aí uns 5 ou 6 litros de água e vai usar em
outro benefício muito melhor. Tipo igual no nordeste né, “cê” vê lá que eles
não conseguem achar água nos buracos que “eles faz”, então eles têm
necessidade de ir buscar longe e ainda ficam pagando caro por aquilo.
Então, eu acho ótimo. Porque quanto mais a gente puder aproveitar, né?
Porque agora a gente não sabe, o desperdício é enorme, né? Em vários
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
107
sentidos, então eu acho que o máximo que a gente puder aproveitar, para
poder economizar água mesmo. É um mundo de água que cai, né, do céu,
então, se a gente puder pegar essa água e dar uma utilidade para ela, eu
acho que isso é ótimo. Contribuem para a preservação do meio ambiente e
para a economia de água. Acho que é excelente, eu acho que deveria ser até
mais, ter mais essas coisas, né? Um incentivo maior para quem faz isso! É
uma economia. A água tá tão cara, questão aí é de colocar essa água num
jeito de sair na torneira, de encaminhar essa água que é guardada para ser
usada de uma forma mais prática, né?
Quando os entrevistados foram abordados sobre o armazenamento de água de chuva em casa,
vários aspectos foram relacionados. Muitas questões que seriam abordadas diretamente nas
perguntas subseqüentes foram citadas pelos entrevistados nesse momento. Questões como o
descarte da primeira chuva, a economia de água, a preservação do meio ambiente e o
incentivo à utilização da água de chuva em atividades domésticas foram citadas.
Outro assunto abordado foi a possibilidade de facilitação da utilização da água de chuva. Foi
citado inclusive a canalização dessa água para retirada em uma torneira.
Percebeu-se nesse discurso que as pessoas possuem consciência ambiental, mas deixam de
aproveitar água de chuva por questões de comodidade. Se a maneira de utilização da água de
chuva fosse semelhante à da água potável (torneiras), a adoção ao aproveitamento poderia ser
maior.
IC (B) Bom, eu já realizei captação na minha casa (1F/9 e 0S/9)
Não, eu nunca vi esse sistema aí não. Mas quando eu era pequena, a minha
mãe ensinava eu e “meus irmão” a pegar água de chuva. Aí ela falava para
gente deixar aquela primeira chuva ir embora, para lavar o telhado. Aí
quando passava essa chuva e dava aquela chuva grossa, lavava o telhado e
a gente colocava pote, lata, porque na roça, a gente aparava a água para
poder usar dentro de casa. Para lavar roupa, tomar banho. Aí a gente tinha
um monte de jeito de pegar a água da chuva. Aí tinha aquele cano que
coloca aquela calha, igual você falou, mas o cano não desce até em baixo
não, sabe? Descia só até uma parte da parede. Aí eu colocava o tambor lá, e
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
108
enchia, lá eu lavava roupa, lavava chão, aproveitava água demais, nossa! A
água é boa demais para lavar roupa! Mas foi há uns tempo atrás. Agora
não, porque eu moro de aluguel, né? E aonde eu moro não tem condições de
fazer isso. É, mas lá onde eu morava eu fazia! Inclusive o tambor agora tá
até lá, jogado, até furou, tá tudo enferrujado. Porque as menina, minha filha
e minha nora, “elas não importa” com...fica usando essa água da COPASA,
né? Até porque aí não tem trabalho nenhum, e elas não tem tempo! Mas eu
ficava muito em casa, eu enchia o tambor lá e ia usar, para economizar.
Agora, aqui na cidade não, o povo tem preguiça. Mas eu quando morava lá
embaixo, eu fazia isso, guardava água no tambor para poder usar a semana
inteira, eu sempre fazia uso da água da chuva. É bom, porque, a gente tem
que...é um jeito de economia e também é uma água boa, para lavar roupa,
para mim, para lavar roupa é ótimo, roupa branca fica clarinha, com a água
da chuva. Agora, depois que a gente muda pra cidade, a gente acha “as
coisas muito fácil”, num é? E começa a ficar sem aproveitar certas coisas,
mas, o certo é isso mesmo! Porque essa água vai faltar, né?
O discurso mostra a experiência de uma pessoa que morou em área rural e lá aprendeu com
sua família a aproveitar água de chuva. Mesmo após mudar de endereço para a área urbana,
região metropolina de Belo Horizonte, ela continuou realizando a captação da água de chuva
em sua casa. Percebe-se um grande nível de consciência ambiental e de valorização da água,
como um importante recurso natural.
Diversas vantagens obtidas com o aproveitamento de água de chuva foram citadas nesse
discurso, sendo que a possibilidade de utilizar a água captada para lavagem de roupas foi
muito enfatizada pela entrevistada.
IC (C) Usam, pois não tem outro recurso (2F/9 e 0S/9)
Uai, eu acho que, sei lá, cada um tem um jeito assim de expressar, eu acho
que não tem nada a ver não, assim para usar, eu acho que não. Eu acho que
não tem necessidade, né? As pessoas que usavam essas águas assim, essa
água de chuva assim, era mais pessoa do interior, pessoas que não tinham
água canalizada, aqui eu acho que não, eu acho que aqui todo mundo tem.
Lá não tem outra água para utilizar, por isso que eles fazem isso, né? Mas é
109
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
uma água que eles sabem que ela tem micróbio, né? Não é tratada, tem
micróbio. Usa porque não tem outro recurso, né? Eu acho que não tem
necessidade não.
A questão do aproveitamento de água de chuva foi relacionada à dificuldade de acesso à água
potável. Como na cidade de Belo Horizonte a grande maioria da população possui água
potável canalizada em casa, a utilização de água de chuva seria desnecessária, segundo o
discurso. As pessoas que aproveitam água de chuva são aquelas residentes em regiões
distantes e que não possuem alternativa de abastecimento senão a água pluvial captada em
suas casas. Ainda segundo o discurso, a má qualidade da água das chuvas é um fator que inibe
a sua utilização.
IC (D) Devem buscar informações (1F/9 e 2S/9)
Ah, que elas deviam se informar antes de fazer isso, ou...a num ser que ela
tenha conhecimento. Se ela tem conhecimento, beleza!! Se ela num tiver, tem
que pedir alguma informação, perguntar para algum órgão, ou para pessoas
que conheçam esse tipo de assunto, para poder ajudar. É uma água possível
de se utilizar? É, entretanto você tem que saber a forma que você está
armazenando essa água. Como que você faz o armazenamento? Você
descarta a primeira água? A primeira remessa de água que chega ao seu
reservatório de água, você descarta esperando que possa lavar toda a
sujeira que está armazenada ali, por ter um longo tempo que não chove?
Porque tem um logo período de seca, sem chuva. Então ali você tem poeira,
tem fuligem, tem todo tipo de sujeira ali. Então, a primeira chuva que cai é
uma chuva suja, até mesmo o seu reservatório às vezes pode estar sujo.
Então vai depender muito de como as pessoas armazenam a água. Então é
difícil falar se é certo ou se é errado. O que eu acho a respeito é que pode
ser usado sim, entretanto deve-se haver um cuidado com o tipo de
armazenamento.
Surgiram dúvidas a respeito da viabilidade técnica da utilização de água de chuva. Questões
relacionadas à qualidade dessa água, ao tipo de armazenamento e ao descarte das primeiras
chuvas foram citadas pelos entrevistados. Além disso, existe a preocupação com a
manutenção dos reservatórios e com a sua limpeza.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
110
O conhecimento técnico a respeito do aproveitamento de água de chuva foi muito valorizado
pelos entrevistados e indicado como sendo essencial para que a população adote essa medida.
IC (E) Não tinham opinião (2F/9 e 2S/9)
Não foi formado um discurso visto que alguns indivíduos disseram que nunca viram pessoas
que realizam captação de água de chuva e não possuem opinião sobre o assunto.
Pergunta 7: Você faria captação de água de chuva na sua casa?
Categorias e ideias centrais
A. Sim, apenas para finalidades que não necessitam de água potável
B. Sim, inclusive para finalidades que necessitam de água potável
C. Não
Ensino superior completo
8
8
7
7
Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
6
5
4
3
2
1
6
5
4
3
2
1
0
0
A
B
Categorias
C
A
B
C
Categorias
Figura 5.47 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 7
IC (A) Sim, para finalidades que não necessitam de água potável (4F/9 e 7S/9)
Olha, dependendo da ocasião, sim, porque eu podia utilizar para regar uma
planta, para lavar um carro, para dar banho num cachorro, né? Captaria,
para não ser consumido eu captaria, para fazer outra coisa. Faria, mas não
tenho. Na minha casa não tem. Se eu tiver um reservatório limpinho que
você mantenha fechado, que você consegue fazer um trabalho de
armazenamento dessa água de um modo que ela permaneça assim, o mais
limpinha possível, aí você utiliza ela, utiliza ela na limpeza da casa, no
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
111
banheiro, lavar quintal, lavar carro, aguar planta. Eu ia economizar a água
da COPASA, ia ser uma água de graça, ia economizar bem. Esse mês, a
minha conta de água veio 120 reais. Eu faria isso sim, faria numa boa.
Os entrevistados disseram que realizariam a captação de água de chuva em casa, pois iriam
economizar água potável e dinheiro na sua conta. A utilização, segundo o discurso, seria para
atividades que não necessitam de água potável. Foram citadas rega de plantas, limpeza de
carros e banhos em cachorros. Novamente, a questão da manutenção dos reservatórios foi
citada como uma preocupação em relação à qualidade da água de chuva armazenada.
IC (A) Sim, para finalidades que necessitam de água potável (3F/9 e 0S/9)
Utilizaria. Para beber, se eu pudesse, quando tá chovendo, aparar ela para
poder tomar. Eu preferia mais ela do que a água da COPASA. Porque a
água de chuva é gostosa demais. Porque a gente morou na roça, né? Então
a gente parava muito a água na pingueira para poder usar sabe?
Da mesma maneira que para a ideia central anterior, a utilização de água de chuva foi citada
como possível de ser realizada em casa. Entretanto, nesse discurso, foi citada a posibilidade
de utilizar a água de chuva para finalidades nobres, como consumo humano.
IC (B) Não (2F/9 e 2S/9)
É..Sinceramente não. Porque economicamente é inviável. Porque a água é
muito barata. Sendo sincero, não. Eu só usaria se tivesse algum incentivo,
algum incentivo a mais realmente. Eu moro em apartamento, e eu acho que
seria complicado para captar, não dependeria só de mim, acho que todos
não concordariam, teria que ter uma maioria. Eu acho que a gente
acomoda, por ser acomodado, não faria, porque é mais fácil você pegar e
usar a água da COPASA normal, mas se tivesse uma necessidade, uma falta
de água, eu faria sim.
A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA) abastece, atualmente, quase toda a
população de Belo Horizonte com água potável. Segundo o discurso, a não captação de água
de chuva está relacionada à não necessidade de utilização de águas provenientes de fontes
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
112
alternativas. Além disso, a utilização de água pluvial iria demandar um investimento no
sistema de captação, transporte e armazenamento, e consequentemente na necessidade de sua
manutenção e limpeza. Essa situação foi considerada inviável no presente discurso.
O comodismo foi citado como sendo, em conjunto com a falta de dinheiro, um importante
motivo à não adoção de um sistema de abastecimento alternativo, como a captação de água de
chuva, por exemplo.
Pergunta 8: Por que você acha que as pessoas não aproveitam água de chuva em suas
casas?
Categorias e ideias centrais
A. Falta de espaço
B. Falta de dinheiro
C. Falta de conhecimento
D. Água potável disponível em abundância
E. Pouco volume armazenado
Ensino fundamental incompleto
Ensino superior completo
6
Número de respostas
Número de respostas
6
5
4
3
2
1
0
5
4
3
2
1
0
A
B
C
D
Categorias
E
A
B
C
D
E
Categorias
Figura 5.48 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 8
IC (A) Falta de espaço (1F/9 e 5S/9)
Eu acho que numa casa, né? Se eu pudesse, porque em prédio é difícil, mas
se eu tivesse uma casa e se eu pudesse fazer isso, eu faria sim. Se eu tivesse
uma casa sim, porque eu moro em apartamento, com certeza se eu tivesse
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
113
espaço, é lógico. Eu não tenho um lugar adequado para armazenar ela e
utilizar para alguma coisa. Falta espaço, né? Geralmente falta espaço. Eu
não tenho como, né. Vou armazenar água aonde?
A falta de espaço disponível é um dificultador para o armazenamento de água de chuva, uma
vez que para que a água seja aproveitada durante quase a totalidade do ano faz-se necessário o
armazenamento de um grande volume. A captação e o armazenamento de água de chuva em
prédios é possível de ser realizada e em muitos locais do mundo isso está acontecendo. Nessas
situações é imprescindível que os condôminos aprovem a ideia e resolvam investir na
implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial.
Alguns entrevistados mostraram interesse em aproveitar água de chuva caso residissem em
locais com espaço disponível. Alguns moravam em apartamentos ou em casas pequenas (sem
quintal) e apresentaram essa justificativa para a não adoção do aproveitamento de água de
chuva em suas residências.
IC (B) Falta dinheiro (4F/9 e 1S/9)
O que faltaria era recurso, né? Espaço físico e recurso financeiro, né? Só se
fosse mesmo uma coisa planejada, né? Eu acho que eu faria. Se eu tivesse
condição, sim. Hoje eu não teria condição não. Colocar eu colocaria, eu não
tenho é condição mesmo.
O investimento necessário para a implantação de um sistema de aproveitamento de água de
chuva foi um fator muito citado. Muitos entrevistados apresentaram interesse, inclusive
questionando como seria o sistema, como era o funcionamento, entre outras perguntas. Apesar
disso, segundo eles, não possuíam condição financeira para investir no sistema. Alguns
entrevistados relataram falta de dinheiro aliado à falta de espaço físico.
IC (C) Falta de conhecimento (2F/9 e 2S/9)
As pessoas acham que as coisas são muito trabalhosas. Então, por pensar
que é tudo muito trabalhoso, muito trabalhoso, aí não fazem. Mas de
repente, se alguém fizesse um e tivesse um plano piloto. O que falta é
divulgar esse tipo de coisa, teria que ter pessoas que trabalham com isso,
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
114
para ir na residência das pessoas e mostrar isso de perto, ter um agente que
vai na residência da pessoa. Teria que fazer um projeto, teria que ver como
é a casa da pessoa, colocar um telhado, porque talvez a casa de laje não
daria para fazer isso, então colocar um telhado e nesse telhado adaptar uma
calha para fazer o armazenamento da água, né? Então demandaria de
divulgar esse tipo de ideia, e ter uma pessoa que fosse até a residência das
pessoas para tirar essa dúvida. O que falta é conhecimento, é divulgação da
ideia. Montar um plano piloto, montar uma casa que tenha isso, e apresentar
isso nas comunidades. Eu acho que é por aí.
A falta de informação quanto ao funcionamento de um sistema de captação de água de chuva
foi o motivo pelo qual as pessoas não realizam a captação de água de chuva, segundo o
discurso. Algumas pessoas não possuem nenhuma noção sobre os materiais que são
necessários e nem como deve ser realizada a captação e a manutenção de um sistema.
Foi sugerida a elaboração de um sistema piloto que fosse amplamente divulgado à população
brasileira. Dessa maneira, todos seriam informados das vantagens e desvantagens de se
aproveitar a água de chuva em atividades domésticas. Talvez, se os resultados de pesquisas
atingissem grande parte da população, o uso racional da água potável e a utilização de fontes
alternativas de abastecimento seriam uma realidade.
IC (D) Água potável disponível em abundância e comodismo (2F/9 e 2S/9)
Porque eu acho que a gente tem a água canalizada em casa, então eu acho
que não tem necessidade, nem de juntar, né? Porque muitas vezes quando
chove assim, quando você vai ver a chuva já até passou, a pessoa não tem
tempo de ficar colocando balde debaixo de chuva. Antigamente, as pessoas
ficavam doidas para chover, na roça né, porque não tinha água canalizada,
principalmente pesssoas que usavam...hoje não, porque já tá tudo muito
moderno, mas antigamente pessoa do interior que usava água de poço,
“esses negócio” assim, “eles ficava” doido que chovesse para assim,
colocar balde na chuva para poder aproveitar. Mas hoje eu acho que não
tem necessidade não. A gente tem preguiça, né? Preguiça de fazer isso. Para
falar com você a verdade, a gente pensa: tem essa mesma, não vou deixar
essa pra lá, não vou usar. Tem aquela preguiça, porque tá mais fácil a
115
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
outra, vou fazer com a outra, né? Acha mais difícil ficar enchendo o balde,
deixar encher, carregar, vai na mangueira mesmo. Falta de tempo, às vezes,
preguiça que a gente tem, às vezes também! Por isso que a gente não faz
isso, né? Por preguiça mesmo, a gente nesse corre-corre não tem tempo
para ficar enchendo balde, vai na mangueira que é mais rápido. A gente não
faz por a gente acreditar que a gente tem ela suficientemente ainda, né?
Pelo discurso, as pessoas apresentam algumas dúvidas sobre como funcionam os sistemas de
captação de água de chuva. Alguns citaram o transporte de água nos baldes para utilização,
não cogitando a possibilidade de a água ser canalizada para o seu aproveitamento. Esse fato
foi, visivelmente, impeditivo para a aceitação da utilização de água de chuva. Nesses casos,
foi explicado que há possibilidade da água de chuva ser armazenada e ir diretamente para uma
torneira ou ponto final de utilização, dependendo da finalidade. Em alguns casos, mesmo após
explicados os possíveis sistemas de aproveitamento, os sujeitos mantinham o mesmo
pensamento, uma vez que o seu acesso à água potável era facilitado.
Pessoas que possuíam escolaridade superior ou fundamental apresentaram justificativas
semelhantes. O acomodamento e a preguiça foram fatores citados pelos entrevistados para a
não adoção do aproveitamento de água de chuva.
IC (E) Pouco volume armazenado (1F/9 e 1S/9)
Ah, eu acho assim, é... a água num é muita, chove pouca coisa, né? Então eu
falo assim, é uma vez ou outra, né, que tá chovendo. Assim, se tivesse
chovendo eu pegaria a água. Mas assim, guardar, eu não faria não. Vou
gastar dinheiro com uma coisa que eu não vou usar.
As chuvas concentradas em determinadas épocas do ano foram consideradas, no discurso, um
fator que contribui para a não adoção do aproveitamento de água de chuva. Segundo os
entrevistados, será realizado um investimento financeiro em um determinado sistema que irá
funcionar muito pouco e em épocas de estiagem esse equipamento estará ocioso.
Não foi imaginada, pelos entrevistados, a possibilidade de armazenamento de água das épocas
de chuva para serem utilizadas na época de seca. Somente após a intervenção e explicação por
parte da entrevistadora é que os entrevistados consideraram essa possibilidade. Mesmo após
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
116
terem sido dadas as devidas explicações, a opinião dos entrevistados manteve-se a mesma.
Pergunta 9: Se você tivesse um incentivo financeiro por parte de algum órgão ou
entidade isso iria contribuir para você adotar a captação de água de chuva?
Categorias e ideias centrais
A. Sim
B. Não
Ensino superior completo
Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
A
B
Categorias
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
A
B
Categorias
Figura 5.49 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 9
IC (A) Sim (7F/9 e 8S/9)
Aí é um caso a pensar, né? Aí já dá, né, para fazer. “Cê” num ia gastar do
seu bolso, mesmo que gastasse ia ser menos, né? Aí eu acho que sim, faria,
porque eu ia ter assim, mais explicação, tudo direitinho, né? Eu faria sim,
com ajuda, sim. Seria melhor, né? A gente entenderia melhor. Com incentivo
ia ser mais fácil ainda, né? Porque é uma coisa que é muito cara ainda. Eu
acho que seria bem interessante. Igual perto do sítio tem um conjunto, que
eles fizeram isso, foi com esses conjuntos populares, o governo colocou. A
prefeitura de lá deu aquela placa, como é que chama?...Solar. Colocou no
conjunto todo, então para pessoas carentes, nossa! Deve ser um alívio,
porque é menos uma conta. Se eles fizessem isso também com a água da
chuva, porque eles já constroem em uma quantidade maior, de repente, até
preparar essas casas, essas pequenas casas para poder receber, né? Já é
uma coisa bacana e incentivar as pessoas que fazem isso particular também,
eu acho que sim, que facilitaria. Igual quando teve o racionamento da luz,
117
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
né? Todo mundo economizou. Eu acho que seria bom sim, da água seria a
mesma coisa do que foi da energia. Acho que muita gente faria. Se eu
encontrasse já um projetinho pré, um projetinho básico que já se utiliza
várias vezes isso, igual tem de saneamento, era uma coisa que facilitaria. Se
eu tivesse um incentivo financeiro, viabilizaria tudo, né? Facilitaria tudo.
O incentivo financeiro viabilizaria a adoção do aproveitamento de água de chuva, segundo o
discurso. As pessoas, geralmente, apresentam o orçamento mensal comprometido e não
podem dispor, muitas vezes, de determinadas quantias para investir. O incentivo financeiro é
essencial para que grande parte da população adote o aproveitamento de água de chuva em
suas casas.
Além disso, vê-se que as pessoas possuem muitas dúvidas técnicas sobre o sistema de
captação e armazenamento. A aprovação da ideia de implantação do sistema em suas
residências está relacionada, também, à possibilidade de receberem algumas informações
técnicas sobre o assunto. A possibilidade de existirem projetos pré-concebidos também foi
citada como um incentivo, uma vez que o entendimento sobre o sistema seria facilitado.
Foi bastante comparado o uso racional da água potável com o racionamento da luz (ocorrida
há alguns anos no Brasil). Pelo discurso, o aproveitamento de água de chuva poder-se-ia
tornar uma alternativa de abastecimento, para determinados usos. Da mesma maneira que
algumas pessoas economizam dinheiro na conta da Companhia Energética com a utilização de
luz proveniente de aquecimento solar, a água de chuva poderia ser utilizada para economizar a
água potável proveniente da Companhia de Abastecimento de Água.
IC (B) Não (2F/9 e 1S/9)
É, é...se eu fizesse uma análise de investimento.....se eu investir para num,
me retornar nada, não, se eu visse que valeria a pena aí sim. Mas eu acho
que eu não faria não, sabe por quê? Porque não chove o ano todo, aí o que
acontece é que você pode economizar por um tempo, depois vai gastar do
mesmo jeito. Durante o tempo que tiver chovendo, “cê” vai economizar, mas
depois quando a chuva acabar “cê” vai gastar do mesmo jeito. Se fosse uma
coisa de todo dia, né? Aí valeria a pena! Num chove direto. Chove uns dois,
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
118
três meses, depois pára....Eu acho que não vale a pena! Eu acho que eu não
vou economizar em nada!
O aproveitamento de água de chuva não foi considerado pelos entrevistados desse discurso,
nem mesmo após citada a possibilidade de incentivo financeiro. Quando alguns entrevistados
não entendiam o que seria um incentivo, foi citado, como exemplo, o desconto em impostos,
como o IPTU.
No discurso foi citada novamente a não ocorrência de chuvas durante o ano inteiro na cidade
de Belo Horizonte e a não viabilidade de investimento em um sistema de aproveitamento de
água, nem mesmo com incentivo.
Pergunta 10: Você acredita que economizaria na conta de água se utilizasse água de
chuva em algumas atividades domésticas?
Categorias e ideias centrais
A. Sim
B. Não
Ensino superior completo
8
8
7
7
Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
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3
2
1
6
5
4
3
2
1
0
0
A
B
Categorias
A
B
Categorias
Figura 5.50 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 10
IC (A) Sim (6F/9 e 7S/9)
Vai ter economia sim. Não sei de quanto, mas que teria economia, isso sim.
Porque vamos supor se você for usar para lavar um quintal, você pode estar
utilizando a água da chuva né, ué vai estar lavando do mesmo jeito, né? Na
minha casa tem muita poeira. Independente de eu estar mexendo ou não, tem
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
119
muita poeira, e eu vejo muita gente varrendo a rua com a mangueira,
entendeu? Eu vejo, na minha rua mesmo, e às vezes a gente também faz isso.
Quando tem muita terra, no caso de construção né, “cê” acaba fazendo.
Então a mangueira fica aberta, ó! E no normal eu acho que economizaria
sim. Vai tá exercendo a mesma função, mas assim, como eu não tenho, eu
gasto muito mais e não tenho aquela economia que eu poderia “tá tendo”.
Não tenho noção de quanto, porque aí depende, né? Porque quando chove
muito, a gente né? Se tiver um reservatório, a gente tem água muito tempo,
mas tem ano que não chove muito, né? Passa muito tempo sem chover,
então, aí não tenho. Porque essa água que você vai armazenar é só no
período de chuva. Hoje com os períodos de chuva todos irregulares, igual a
gente tem, então eu acredito que você não vai ter muita água sobrando, né?
O discurso considera que haverá economia na conta de água potável caso seja realizado o
aproveitamento de água de chuva em atividades domésticas, como, por exemplo, a limpeza de
quintais e áreas externas.
O período restrito de chuvas na capital mineira foi citado como sendo um fator que poderia
dificultar a implantação de um sistema de aproveitamento, mas não foi considerado como
impeditivo para a economia na conta de água.
IC (B) Não (3F/9 e 2S/9)
Poque eu não ia utilizar aquela água do reservatório, para muitas coisas eu
não ia, né? Por exemplo, para lavar vasilha, tomar um banho, nunca que eu
ia usar. Para beber também, nunca que ia poder usar. Aí tinha que fazer
outro investimento, tinha que gastar produto químico, né, porque a gente
não sabe como é que é aquela água. Além disso, se fosse uma coisa de todo
dia, né? Aí vale a pena! Se fosse uma coisa de todo dia. Se tivesse direto, né?
Mas, num chove!
O discurso considera que não haverá economia na conta de água potável caso as pessoas
utilizem água de chuva em algumas atividades domésticas. Essa conclusão foi obtida tendo
em vista o curto período de chuvas na cidade de Belo Horizonte, segundo os moradores, e a
limitação de uso da água de chuva captada.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
120
Pergunta 11: Você tem noção de quanto iria economizar na conta de água potável se
utilizasse água de chuva em algumas atividades domésticas?
Categorias e ideias centrais
A. Próximo de zero
B. De 20% a 50%
C. Não sei
Ensino superior completo
8
8
7
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Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
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6
5
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0
A
B
C
Categorias
A
B
C
Categorias
Figura 5.51 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 11
IC (A) Próximo de zero (2F/9 e 1S/9)
Aí depende de cada um, na minha casa tinha que ser pelo menos uns 10% de
economia, né? Eu não vejo quase que vantagem nenhuma, só para lavar o
terreiro mesmo!! Eu acho que não tem onde usar a água de chuva, não vou
economizar nada.
Devido as pessoas acreditarem que a água de chuva não tem utilidade, a resposta sobre o valor
que economizariam na conta de água era próximo de zero.
IC (B) De 20% a 50% (5F/9 e 6S/9)
Acho que uns 50% eu economizaria na conta de água. Casa, a gente limpa
todo dia, lava banheiro todo dia, então eu acho que mesmo que não fosse
uma quantidade grande, em termos de dinheiro, eu acho que valeria a pena
sim. E outra, essa água da chuva, por exemplo, quando você vai usar uma
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
121
água para lavar alguma coisa, ou para irrigar bastante área, precisa de
muita água, então você pode fazer uma economia grande. Talvez diminuísse
a metade. O que diminuísse ia ser bom.
O cálculo da economia na conta de água foi obtido com base no volume de água a ser
utilizado nas atividades que os entrevistados julgaram como sendo possíveis.
Muitas vezes, as pessoas, em um primeiro momento, não tinham muita ideia de valor, mas
quando a conversa ia se prolongando, elas sugeriam uma percentagem do valor da conta.
IC (C) Não sei (2F/9 e 2S/9)
Não, aí eu não tenho noção. Não, aí não, aí teria que fazer conta mesmo,
porque eu não sei quanto que poderia abater. Eu acho que você, que a gente
economizaria, porque você vai ter um reservatório, mas mesmo porque
depende do lugar, né? Da quantidade que você tem de reserva de água, né?
Mas eu acho que sim, porque às vezes você faz umas coisas bobas, né, e
gasta tanta água. Quer ver, uma banheira de neném, na hora que você
enche, são 20 litros de água, que depois você joga tudo aquilo fora, então é
uma forma sim de economizar. Poderia usar em descarga, poderia ter uma
bomba puxando essa água para dentro do seu banheiro, né? Então, poderia
de repente talvez usar essa água até para banho, não só para descarga, não
sei. Então teria que fazer conta para ver quanto você economizaria de água,
mas eu sei que não fica barato não.
O valor que seria economizado na conta de água não pôde ser definido nesse discurso. Alguns
parâmetros interferem nesse resultado, como as possíveis utilizações da água de chuva, o
tamanho do reservatório, a existência de um sistema automático de bombeamento dessa água
para o ponto final de utilização, entre outros. A economia acontece, entretanto não pode ser
quantificada.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
122
Pergunta 12: Você sabe quanto é o investimento para implantar o sistema de captação
de água de chuva?
Categorias e ideias centrais
A. Não, mas acha que é barato
B. Não, mas acha que é caro
C. Não tem noção
Ensino superior completo
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Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
7
6
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1
0
A
B
C
Categorias
A
B
C
Categorias
Figura 5.52 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 12
IC (A) Não, mas acha que é barato (0F/9 e 2S/9)
Não, isso aí eu não sei não. Se bem que não deve ser difícil, né? Não
acredito que seja um investimento caro. Coloca uma calha, tem uns que
estão usando agora os PET, né, em canalização. Eu vi uma reportagem esses
dias no Globo Rural. Estão usando muitos PET para fazer canalização de
água de chuva. Agora é preciso saber o processo para tal. Vai depender
muito da residência, de onde vai fazer. Por exemplo, se for num
condomínio...Eu acho que não fica muito caro não, né? Desde que você já
tenha lá alguma coisa. Por exemplo, eu acho que a pessoa ia precisar de um
telhado, faz a calha e a tubulação, que é o de menos, né? Tubulação é bem
baratinho, calha também é muito baratinho. Eu acho que nesse caso o que
ficaria mais caro é o telhado, porque depende da dimensão da laje, se você
ia gastar com um telhado muito grande ou um telhado menor, ia depender
do tamanho da sua casa e o tanque, do tamanho do reservatório que você
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
123
quer fazer, né? Porque no mínimo seria uma caixinha de 500L, seria o
mínimo.
A noção de qual é o custo de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva
está muito relacionado ao conhecimento dos sujeitos sobre o assunto e, com certeza, sistemas
sofisticados apresentam um investimento superior aos sistemas sinplificados.
O discurso mostra que as pessoas não possuem noção do investimento financeiro necessário
para a implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial, entretanto a ideia que
eles possuem é que o custo não é elevado.
IC (B) Não, mas acha que é caro (2F/9 e 0S/9)
Não, mas eu sei que não fica barato não, num deve ser menos de 1.000 reais
não, né? É tudo caro.
O discurso mostra que o custo de implantação de um sistema de aproveitamento de água de
chuva não é conhecido. Entretanto estima-se que o valor seja elevado, sendo citado o valor
mínimo de R$1.000,00.
IC (B) Não tem noção (7F/9 e 7S/9)
Não, não tenho noção, porque isso ia depender do tamanho da casa, do
tamanho do reservatório, não tenho noção de quanto ficaria não.
Novamente foi relacionado, pelos entrevistados, o investimento necessário para a implantação
de todo o sistema com o tipo de reservatório e o volume de água a ser armazenado. A
indefinição quanto ao custo necessário foi justificada pela incerteza do tipo e tamanho do
sistema a ser implantado.
Em algumas situações a entrevistadora percebeu que os entrevistados sequer sabiam o que
seria o sistema de aproveitamento. Nesse caso, foi explicado resumidamente as possibilidades
de captação, armazenamento e bombeamento da água de chuva para os pontos de utilização.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
124
Pergunta 13: Você tem noção do tempo de retorno do investimento, considerando a
economia na conta de água?
Categorias e ideias centrais
A. Não
B. Médio a longo prazo
C. Curto prazo
Ensino fundamental incompleto
Ensino superior completo
7
Número de respostas
Número de respostas
7
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A
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C
A
Categorias
B
C
Categorias
Figura 5.53 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 13
IC (A) Não (6F/9 e 1S/9)
O retorno financeiro? Também não, não sei não. Quanto tempo, né? Porque
é uma coisa que eu nunca fiz o teste, sabe?
O tempo de retorno financeiro do investimento realizado não foi estimado nesse discurso.
Essa avaliação ficou muito comprometida tendo em vista que os entrevistados não possuíam
noção do custo de implantação do sistema de aproveitamento de água de chuva.
Pôde-se perceber durante o decorrer da entrevista que, alguns entrevistados, mesmo sem citar
o tempo de retorno, consideram que qualquer prazo é considerado elevado, pois possuem
orçamento mensal comprometido com as despesas de sua família e qualquer investimento é
considerado uma despesa adicional.
IC (B) Médio a longo prazo (1F/9 e 4S/9)
Não, mas ia demorar um pouquinho. Porque isso num vem, né, depende. Se
125
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
for fazer um reservatório, vai gastar tempo, vai demorar, e a chuva não vai
vir de uma vez, vai vir na medida do tempo.
Considerando que as chuvas ocorrem de maneira espaçada e que o tamanho do reservatório
vai estar em função dessa variável, o presente discurso não conseguiu estimar o tempo de
retorno do investimento; foi citado que esse tempo iria variar de caso a caso. Entretanto, foi
citado que o tempo não seria pequeno visto que o custo de implantação de um sistema de
aproveitamento de água de chuva também não é baixo.
IC (C) Curto prazo (2F/9 e 4S/9)
Eu acredito que seria imediato porque, por exemplo, uma pessoa que pegou
essa água em dezembro, ela já economizou em janeiro. Depende do mês que
você fizer isso, se você fizer isso no meio do ano, vai ficar esperando as
chuvas de dezembro e você vai ter 6 meses para esse tempo de retorno, se
você fizer mais próximo do mês de dezembro, de repente você tem aí uns 2
meses para retorno. É o que eu te falei antes, você tem que saber que aquela
água que você tá reservando não vai durar o ano inteiro, vai depender da
quantidade de água que você guardou e depois de como você vai usá-la lá
na frente, porque aí ela vai durar um espaço de uns 2 ou 3 meses, então o
retorno vai ser em função da época que você fizer o seu trabalho. Eu
acredito que muito rápido, eu acho que rápido, porque o investimento é
barato e a economia vai ser significativa. Isso não é tão caro, gente! Uai, se
eu economizasse uns 20 reais ou 30 na minha conta, isso ia retornar para
mim em, deixa eu ver, uma caixa d’água que eu conheço que não é tão
grande, do tamanho da minha, uns 500 litros, eu imagino que ela seja uns
cento e poucos reais, num é? Talvez uns 6 meses, não, não sei. Pela
incerteza de quanto vai se gastar para fazer o processo, né? Mais ou menos
uns 6 meses.
Esse discurso contraria o anterior. Foi considerado que o investimento para implantação de
um sistema de aproveitamento de água pluvial é baixo e, portanto, o tempo de retorno desse
dinheiro também o é.
Pode-se perceber que não foi considerada a possibilidade da água precipitada nas épocas de
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
126
chuva serem armazenadas para utilização em época de seca. Por esse motivo, no momento de
ser realizada a contabilidade dos custos de implantação do sistema como um todo
(principalmente o reservatório), foi considerado o uso de reservatórios com capacidade de
armazenamento reduzido, sendo inclusive citado o volume de 500 L como sendo o suficiente.
Pergunta 14: Se você soubesse que, ao aproveitar água de chuva, você economizaria na
sua conta de água, isso faria com que você realizasse a captação sem incentivos?
Categorias e ideias centrais
A. Sim
B. Não
8
7
Ensino superior completo
8
Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
6
5
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0
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6
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A
B
Categorias
A
B
Categorias
Figura 5.54 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 14
IC (A) Sim (3F/9 e 7S/9)
Se eu tivesse condição, sim. Economizaria dinheiro e a água, né? Porque o
importante é economizar a água, né? Porque a água tá acabando. Eu acho
que seria melhor que economizasse dinheiro e água. Eu acho interessante,
né? Você pode, por exemplo, um reservatório hoje, a gente pensa que ficaria
tudo muito caro. Mas como eu disse anteriormente, a captação dessa água é
uma das formas mais em conta, porque imagina você que a gente pode
comprar essa caixa d’água aí, que vende pronta no depósito, que num é
plástico não, não sei que material que é, mas você com um tanque daquele,
você consegue pegar água, numa boa. Não ficaria tão caro assim, aí você
teria só o trabalho de colocar tubulação e calha. Então é economia sim, é
uma despesa que você teria, inicial, até colocar essas coisas em
127
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
funcionamento, mas mesmo assim é uma despesa pequena.
A economia de água potável e de dinheiro na conta foi considerada nesse discurso como
sendo possível. Devido aos sujeitos acreditarem que o custo para implantação do sistema de
aproveitamento de água de chuva é pequeno, foi considerado que haverá economia na conta
de água a ponto de beneficiar de maneira rápida os investidores.
A economia de água potável foi citada como sendo tão importante, ou até mais importante,
que a economia financeira nesse discurso.
IC (B) Não (6F/9 e 2S/9)
Por minha conta? Depende da época que eu tivesse né, hoje, por exemplo,
não daria. Por minha conta é meio difícil. Se tivesse ajuda eu colocaria, mas
sem ajuda eu não colocava. Porque economicamente é inviável. Sendo
sincero, não. Eu só usaria se tivesse algum incentivo, algum incentivo a mais
realmente.
O discurso mostra que sem incentivos a implantação de um sistema de captação e
armazenamento de água de chuva não seria realizada, pois o custo de implantação foi
considerado impeditivo. Além disso, pode-se verificar, também, que o comodismo e o acesso
facilitado à água potável foram fatores que contribuiriam para a não adoção.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
128
Pergunta 15: Quais as vantagens de se captar água de chuva e utilizá-la para o dia-adia?
Categorias e ideias centrais
A. Economia financeira e do recurso natural
B. Utilização de uma água de boa qualidade
C. Nenhuma vantagem
Ensino superior completo
10
9
8
7
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4
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0
Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
A
B
Categorias
C
10
9
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2
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0
A
B
C
Categorias
Figura 5.55 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 15
IC (A) Economia financeira e do recurso natural (6F/11 e 9S/9)
Economia, né? Utilidade de um recurso natural, saber que aquele recurso
natural, ele é útil. E é isso! Eu acho que no futuro a gente vai ter muita falta
de água, né? Então seria maneira de preservar o meio ambiente. Porque
hoje muita gente faz é lavar calçada, lavar carro, né? Eu acho que pro meio
ambiente, pro futuro, é muito importante, porque daqui a pouco não vai ter
tanta água potável disponível, né? Então se começasse a pensar nisso hoje,
seria muito mais viável do que no futuro, quando acabar. Daqui a pouco não
tem mais, né? Em primeiro lugar é essa questão ambiental, que é uma
questão que mais me motivaria. E em segundo lugar a redução do meu gasto
com a água. “Cê” vai deixar de gastar uma água potável, uma água que
você paga por ela, e vai utilizar uma que é de graça. A questão da economia,
da valorização da mesma. São várias as vantagens, né? Não só a questão
financeira, mas como a questão da própria água, né?
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
129
Quando questionados sobre as vantagens de se utilizar a água de chuva, as pessoas foram
muito enfáticas citando a questão da preservação do meio ambiente. A possibilidade da falta
de água potável no futuro foi vista, realmente, como uma preocupação.
A economia financeira na conta de água também foi citada como sendo importante, mas foi
classificada como segunda prioridade. Já a diminuição de enchentes e problemas de drenagem
urbana não foram relacionados pelos entrevistados.
IC (B) Utilização de uma água de boa qualidade (2F/11 e 0S/9)
Porque a água da chuva é uma água limpa, uma água saudável, uma água
pura, então é mais importante usar ela em casa do que a água da COPASA,
se puder pegar ela só para usar é melhor pela qualidade da água, porque é
uma água limpa e sem produto, né, de conservação, porque a da COPASA
eles colocam, né? Eles colocam cloro para limpar, tem o tratamento, né?
O discurso mostra que o importante é a utilização de uma água de excelente qualidade. É
citado no discurso que a água de chuva apresenta qualidade superior à água da Companhia de
Saneamento, pois ela é natural, ou seja, não é tratada com produtos químicos.
IC (C) Nenhuma vantagem (3F/11 e 0S/9)
Não vejo nenhuma, eu não uso, né? Não vejo utilidade nenhuma, eu nunca
mexi com esse negócio não. Eu acho que não tem onde usar a água de
chuva.
Esse discurso mostra que algumas pessoas não percebem vantagens na utilização de água de
chuva, uma vez que a consideram como de má qualidade.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
130
Pergunta 16: Você acha que a limpeza e a manutenção do sistema de captação de água
de chuva seria um impedimento ou empecilho para você utilizar essa água?
Categorias e ideias centrais
A. Sim
B. Não
10
9
8
7
6
5
4
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2
1
0
Ensino superior completo
Número de respostas
Número de respostas
Ensino fundamental incompleto
A
B
Categorias
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
A
B
Categorias
Figura 5.56 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 16
IC (A) Sim (0F/9 e 0S/9)
Nenhum entrevistado disse que a manutenção do sistema e a limpeza seriam empecilhos para
aproveitar água de chuva.
IC (B) Não (9F/9 e 9S/9)
Não, eu acho que se tivesse essa estrutura de recolher, para mim não daria
trabalho nenhum, né? Não, isso já é um procedimento normal de casa, né, de
qualquer reservatório. Pelo menos uma vez de 6 em 6 meses você tem que
lavar a caixa d’água. Então isso não seria empecilho, só se forem muitas
vezes, que pelo menos uma vez por ano a gente já tem que limpar. Na
necessidade de ter que limpar ela, a gente tem que limpar, porque a água da
chuva tem mais impurezas que a própria água da COPASA. Então eu acho
que a gente tem que ter uma atenção a mais. Mesmo que fosse duas vezes
por ano mandar limpar, não teria problema. Limpar não seria um
empecilho, empecilho seria mudar o sistema hidráulico da casa, isso sim
seria trabalhoso.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
131
Houve unanimidade nas respostas quando as pessoas eram questionadas sobre a necessidade
de manutenção do sistema de aproveitamento de água de chuva. Mesmo pessoas que
anteriormente haviam declarado que não utilizariam água de chuva ou que não viam
vantagem nessa utilização, mostraram que não haveria empecilhos. As pessoas declararam
possuir costume de limpar as suas caixas de água potável e calhas e, por esse motivo,
limpariam e fariam a manutenção no sistema de aproveitamento de água.
5.2.2. Considerações sobre os Discursos do Sujeito Coletivo
Os DSCs obtidos na presente pesquisa foram muito ricos, ofereceram muitas informações da
percepção de alguns moradores da capital mineira sobre o aproveitamento de água de chuva e
sobre a utilização de água potável de maneira racional. Algumas confirmações e refutações
sobre as hipóteses do trabalho, apresentadas no item 4.2.1, a partir dos DSCs, são realizadas a
seguir.
A hipótese 1 foi parcialmente confirmada pelos DSCs mostrados anteriormente, visto que, de
uma maneira geral, os sujeitos possuem consciência ambiental e sabem da necessidade de
utilização de água potável de maneira racional. O acesso à água potável canalizada em casa
foi, em alguns momentos, considerado um pequeno obstáculo à utilização de águas de outras
fontes, entretanto não foi considerado um verdadeiro empecilho. A possibilidade de utilização
de água de chuva, para usos gerais que não exigem água potável (limpeza de chão, quintal e
banheiros, limpeza de carros e irrigação de plantas) foi admitida em muitos discursos e
considerada como sendo possível de ser realizada.
O desconhecimento da população sobre os sistemas de aproveitamento de água de chuva foi
verificado nos discursos como sendo um fator impeditivo à sua implantação. Alguns
imaginavam que o sistema de captação de água de chuva tratava-se de goteiras existentes nas
lajes das residências e que a captação seria realizada por meio de panelas. Esse
desconhecimento foi verificado tanto em pessoas com escolaridade fundamental incompleto
quanto com ensino superior completo. A partir desse momento, a entrevistadora esclarecia o
sistema de captação ao qual ela se reportava e muitas pessoas mudaram o seu conceito sobre a
implantação de um sistema de captação. Dessa maneira, viu-se a importância da divulgação
de algumas pesquisas e ideias à população.
A hipótese 2 foi confirmada, pois percebeu-se que a população possui, na sua maioria,
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
132
dúvidas sobre as possíveis utilizações da água de chuva, uma vez que elas não possuem
acesso a resultados de pesquisas sobre a sua qualidade. Como muitos entrevistados tinham
questionamentos sobre a qualidade dessa água, eles recomendavam, por questões de
segurança, que a mesma fosse utilizada apenas para limpezas gerais e irrigação.
A hipótese 3 foi parcialmente confirmada. Pode-se perceber no decorrer das entrevistas e
durante as transcrições que para os entrevistados com escolaridade superior completa o custo
de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva não seria um empecilho à
sua implantação. Já para os entrevistados com ensino fundamental incompleto, essa variável
foi considerada um impedimento. Esse fato foi percebido no momento em que foi realizada a
pergunta 14 (Se você soubesse que, ao aproveitar água de chuva, você economizaria na sua
conta de água, isso faria com que você realizasse a captação sem incentivos?).
Naquele momento, 6 entrevistados de um total de 9 responderam que não. O interessante é
que quando havia sido realizada a pergunta 7 (Você faria captação de água de chuva na sua
casa?) 7 responderam que sim e 2 apenas que não. Percebeu-se uma incoerência nas respostas
de 4 dos entrevistados. Quando a conversa se prolongou, pôde-se perceber que os
entrevistados, na realidade, realizariam a captação em suas casas se tivessem condição
financeira para investir na compra dos equipamentos necessários. Com o incentivo financeiro
essa possibilidade poderia se tornar uma realidade.
A hipótese 4 foi confirmada, uma vez que foi verificado que muitas pessoas não possuem
condição financeira para investir em um sistema de aproveitamento de água de chuva e, com
oum incentivo, a sua implantação poderia ser possível. Além disso, pessoas que se sentiam
acomodadas por receberem água canalizada em casa, segundo os DSCs, com o incentivo
financeiro iriam diminuir o consumo de água potável e utilizar também a água de chuva para
algumas atividades. Apenas 3 pessoas que desde o início da entrevista disseram que não
aproveitariam água de chuva, devido a sua má qualidade, ou devido à sua inviabilidade
econômica, continuariam não aderindo à implantação de um sistema de aproveitamento,
mesmo com incentivo.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
133
6. CONCLUSÕES
As metodologias de coleta e análise dos resultados, para as pesquisas quantitativa e
qualitativa, foram consideradas adequadas, uma vez que todos os objetivos propostos pela
pesquisa foram alcançados.
Em relação à qualidade da água de chuva captada em duas regiões de Belo Horizonte,
Pampulha e Centro, pode-se concluir que houve diferença significativa, para alguns
parâmetros. Coliformes totais e pH (telha cerâmica) e cor aparente e turbidez (telha metálica)
são exemplos disso. Para todos os parâmetros citados, a água captada na região do Centro
apresentou qualidade inferior áquela coletada na região da Pampulha. Uma das possíveis
explicações para essa situação poderia ser a maior poluição, advinda de automóveis e ônibus,
a qual a região central está submetida.
Quanto à comparação da qualidade da água de chuva captada por dois tipos de telhas,
cerâmica e metálica, também foram verificadas diferenças significativas para alguns
parâmetros. Cor aparente, pH, coliformes totais e Escherichia coli apresentaram diferenças
nas duas regiões estudadas, para os dois tipos de telhas. Já a turbidez apresentou diferença
apenas as águas captadas na região da Pampulha. A diferença entre a qualidade da água
captada pelos dois tipos de telhas poderia ter sido causada pela composição química das
mesmas. A argila da telha cerâmica, por exemplo, poderia ter sido uma das responsáveis pelo
aumento do pH da água da chuva. Em relação à diferença de turbidez, uma das possíveis
explicações poderia ser que o escoamento das águas pluviais sobre as telhas cerâmicas teria
superado a resistência à abrasão do material, de maneira a carrear sedimentos para os tubos. O
telhado metálico, de um modo geral, apresentou água captada de melhor qualidade do que a
água captada pelo telhado cerâmico, principalmente quanto aos parâmetros microbiológicos.
A telha metálica, ao ser aquecida, provavelmente inativou muitos microrganismos que ali
estavam depositados.
Foi confirmada a importância da limpeza das calhas, após um longo período de estiagem, para
a melhora na qualidade da água de chuva captada, principalmente para parâmetros como a
turbidez e a cor aparente. Antes das calhas implantadas na presente pesquisa serem limpas, a
turbidez teve picos de até 320 uT, ou seja, 64 vezes o valor máximo permitido pela Portaria
518/2004 do Ministério da Saúde e a cor aparente de 680 uH, ou seja 45 vezes o VMP.
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134
Segundo os resultados obtidos pela presente pesquisa, os volumes mínimos necessários de
água de chuva a serem descartados para que os padrões de qualidade recomendados pela
Portaria MS n. 518/2004 e NBR 15.527/2007 sejam atendidos, considerando as medianas, são
mencionados na sequência. É suficiente um volume de 1 L de água de chuva por m² de
telhado para pH, sulfato, chumbo, dureza e manganês. Para o parâmetro turbidez, os volumes
de descarte verificados foram variáveis, dependendo da região onde estava implantado o
telhado. Para as águas captadas na Pampulha, verificou-se que um volume de descarte de 2 L
de água de chuva por m2 de telhado era suficiente, já para as águas captadas no Centro, o
volume de descarte para atendimento à Portaria foi de 3 L/m². Para o parâmetro cor aparente,
o volume de descarte deve ser superior a 3L/m2, para que os padrões da Portaria 518/2004 do
Ministério da Saúde e NBR 15.527/2007 da ABNT sejam atendidos. Apenas as águas
captadas pelas telhas metálicas, implantadas na Pampulha, apresentaram valores que atendiam
aos padrões de qualidade, para descarte de 3L/m2. Para o parâmetro Escherichia coli, as águas
captadas
pelas telhas metálicas atenderam à Portaria MS n. 518/2004, quando foram
descartados o equivalente a 1 L/m2 de telhado, para as telhas cerâmicas esse valor foi superior
a 3 L/m2. Para o parâmetro coliformes totais, o volume mínimo, para a sua ausência em 100
mL, deve ser superior a 3 L/m2 para todos os tipos de telhas e regiões de estudo. Para o
parâmetro ferro, o volume de descarte deve ser superior a 3L/m2, para que a Portaria MS n.
518/2004 seja atendida. Apenas as águas captadas pelas telhas cerâmicas, implantadas na
Pampulha, apresentaram valores que atendiam aos padrões de qualidade, para descarte de
3L/m2.
Pode-se perceber que o volume a ser descartado para que as águas de chuva sejam
aproveitadas, é variável em função de cada parâmetro. De uma maneira geral, as águas
captadas por telhas metálicas, localizadas na região da Pampulha, local menos exposto à
poluição em relação à região central de Belo Horizonte, apresentaram qualidade que atendia
muitas vezes, ao padrão de potabilidade do Ministério da Saúde.
Em relação ao estudo sobre a percepção de alguns moradores da cidade de Belo Horizonte
sobre o aproveitamento de água de chuva, algumas hipóteses foram confirmadas e outras
parcialmente confirmadas. De uma maneira geral, os sujeitos possuem consciência ambiental
e têm conhecimento da necessidade de utilização de água potável de maneira racional. O
aproveitamento de água de chuva para usos gerais como limpeza de chão, quintal e banheiros,
limpeza de carros e irrigação de plantas, foi admitida em muitos discursos e considerada como
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135
sendo possível de ser realizada.
O desconhecimento da população sobre os sistemas de aproveitamento de água de chuva foi
verificado nos discursos como sendo um fator impeditivo à sua implantação. Percebeu-se, por
meio das entrevistas, a real necessidade de divulgação de resultados de pesquisas para que a
população resolva aderir para a utilização dessa água.
Verificou-se durante as entrevistas e transcrições que, para os entrevistados com escolaridade
superior completa, o custo de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva
não seria um empecilho à sua implantação. Já para os entrevistados com ensino fundamental
incompleto, essa variável foi considerada um impedimento. Percebeu-se que são necessários
incentivos financeiros para que a população se sinta motivada a utilizar a água de chuva para
algumas atividades que não necessitam de água com qualidade potável. Em muitas ocasiões,
durante as entrevistas, pode-se perceber o interesse de alguns entrevistados sobre o
aproveitamento de água de chuva, entretanto muitos não apresentavam condições financeiras
de realizá-lo.
O comodismo também foi um fator importante e que foi verificado nos DSCs. Grande parte
da população da capital mineira recebe água canalizada em casa e, por esse motivo, somente
utilizaria água de chuva para atividades gerais se recebesse algum incentivo.
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136
7. RECOMENDAÇÕES
Em pesquisas posteriores recomenda-se que sejam realizados estudos que relacionem a
intensidade de precipitação com a qualidade da água de chuva captada por telhados. Além
disso, recomenda-se que sejam monitorados mais parâmetros de qualidade da água e que seja
realizado um número maior de coletas de água de chuva, pois assim poder-se-á realizar uma
avaliação estatística da análise de frequência dos dados. Recomenda-se, também, que sejam
analisadas águas de chuva incidentes sobre outros tipos de superfície de captação.
Em relação à pesquisa qualitativa, recomenda-se que sejam utilizadas todas as ferramentas de
análise. Por se tratar de uma pesquisa de mestrado, com o tempo limitado, apenas uma parcela
da tarefa explicativa e interpretativa foi realizada. Existem informações contidas nos discursos
que podem ser exploradas em outras pesquisas.
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143
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Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
145
9. APÊNDICES
9.1. Apêndice A - Gráficos Box & Whisker plots e resultados de análises
estatísticas
Os gráficos Box & Whisker plots e os resultados das análises estatísticas que não foram
apresentadas no item Resultados estão disponíveis a seguir.
9.1.1. Comparação entre diferentes superfícies de captação localizadas em uma mesma
região
pH
pH - Pampulha
pH
pH
pH - Pampulha
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
CER P2_pH
MET P5_pH
Median
25%-75%
Min-Max
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
CER P3_pH
MET P6_pH
Telha/ Nº ponto de coleta
Telha/ nº ponto de coleta
Figura 9.1 - Comparação entre o pH da
água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região da Pampulha
Figura 9.2 - Comparação entre o pH da água
do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região da Pampulha
p= 0,0037
p= 0,0021
pH - Centro
pH
pH
pH - Centro
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
CER P8_pH
METP11_pH
Median
25%-75%
Min-Max
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
CER P9_pH
METP12_pH
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 9.3 - Comparação entre o pH da
água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro
Figura 9.4 - Comparação entre o pH da água
do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e
metálica, região do Centro
p= 0,0089
p= 0,0021
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
146
Turbidez
Turbidez - Pampulha
Turbidez (uT)
Turbidez (uT)
Turbidez - Pampulha
330
315
300
285
270
255
240
225
210
195
180
165
150
135
120
105
90
75
60
45
30
15
0
CER P1_T
MET P4_T
o
Median
25%-75%
Min-Max
330
315
300
285
270
255
240
225
210
195
180
165
150
135
120
105
90
75
60
45
30
15
0
CER P2_T
Telha/ N ponto de coleta
Figura 9.6 - Comparação entre a turbidez da
água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região Pampulha
p= 0,0036
p= 0,0277
Turbidez - Centro
Turbidez (uT)
Turbidez (uT)
Turbidez - Centro
CER P7_T
METP10_T
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
Figura 9.5 - Comparação entre a turbidez da
água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região Pampulha
330
315
300
285
270
255
240
225
210
195
180
165
150
135
120
105
90
75
60
45
30
15
0
MET P5_T
o
Median
25%-75%
Min-Max
330
315
300
285
270
255
240
225
210
195
180
165
150
135
120
105
90
75
60
45
30
15
0
CER P8_T
METP11_T
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Figura 9.7 - Comparação entre a turbidez da
água do primeiro tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro
Figura 9.8 - Comparação entre a turbidez da
água do segundo tubo de coleta: telhas
cerâmica e metálica, região do Centro
p= 0,3560
p= 0,3318
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
147
Cor aparente
Cor aparente - Pampulha
Cor aparente (uH)
Cor aparente (uH)
Cor aparente - Pampulha
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
CER P1_CA
MET P4_CA
o
Median
25%-75%
Min-Max
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
CER P2_CA
MET P5_CA
o
Telha/ N ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
Figura 9.9 - Comparação entre a cor
aparente da água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Figura 9.10 - Comparação entre a cor
aparente da água do segundo tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
p= 0,0031
p= 0,0008
Cor aparente - Centro
Cor aparente (uH)
Cor aparente (uH)
Cor aparente - Centro
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
CER P7_CA
METP10_CA
o
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
CER P8_CA
METP11_CA
o
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
Figura 9.11 - Comparação entre a cor
aparente da água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro
Figura 9.12 - Comparação entre a cor
aparente da água do segundo tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro
p= 0,1488
p= 0,0016
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
148
Alcalinidade
Alcalinidade - Pampulha
65
60
60
55
55
50
50
Alcalinidade (mg CaCO3/L)
Alcalinidade (mg CaCO3/L)
Alcalinidade - Pampulha
65
45
40
35
30
25
20
45
40
35
30
25
20
15
15
10
10
5
5
0
CER P1_A
MET P4_A
o
Median
25%-75%
Min-Max
0
CER P3_A
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
Telha/ N ponto de coleta
Figura 9.13 - Comparação entre a
alcalinidade da água do primeiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Figura 9.14 - Comparação entre a
alcalinidade da água do terceiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
p= 0,5408
p= 0,0630
Alcalinidade - Centro
Alcalinidade - Centro
65
65
60
60
55
55
50
50
Alcalinidade (mg CaCO3/L)
Alcalinidade (mg CaCO3/L)
MET P6_A
o
45
40
35
30
25
20
15
45
40
35
30
25
20
15
10
10
5
5
0
CER P7_A
METP10_A
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
0
CER P9_A
METP12_A
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Figura 9.15 - Comparação entre a
alcalinidade da água do primeiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
Figura 9.16 - Comparação entre a
alcalinidade da água do terceiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
p= 0,0928
p= 0,3454
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
149
Coliformes Totais
Coliformes Totais - Pampulha
C o lifor m es T o tais ( N M P / 10 0 m L )
C o lifor m es T o tais ( N M P / 10 0 m L )
Coliformes Totais - Pampulha
2600
2400
2200
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
2600
2400
2200
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
200
0
CER P1_CT
MET P4_CT
o
Median
25%-75%
Min-Max
0
CER P3_CT
Telha/ N ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
Figura 9.17 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do primeiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Figura 9.18 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do terceiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
p= 0,0088
p= 0,0117
Coliformes Totais - Centro
Coliformes Totais - Centro
2600
C o liform es T o tais (N M P / 10 0 m L )
C o liform es T o tais (N M P / 10 0 m L )
MET P6_CT
o
2400
2200
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
2600
2400
2200
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
200
0
CER P7_CT
METP10_CT
o
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
0
CER P9_CT
METP12_CT
o
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
Figura 9.19 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do primeiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
Figura 9.20 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do terceiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
p= 0,0058
p= 0,0022
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
150
Escherichia coli
Escherichia coli - Pampulha
Escherichia coli (NMP/ 100mL)
Escherichia coli (NMP/ 100mL)
Escherichia coli - Pampulha
2400
2250
2100
1950
1800
1650
1500
1350
1200
1050
900
750
600
450
300
150
0
CER P1_EC
MET P4_EC
o
Median
25%-75%
Min-Max
2400
2250
2100
1950
1800
1650
1500
1350
1200
1050
900
750
600
450
300
150
0
CER P3_EC
MET P6_EC
o
Telha/ N ponto de coleta
Telha/ N ponto de coleta
Figura 9.21 - Comparação entre Escherichia
coli presentes na água do primeiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Figura 9.22 - Comparação entre Escherichia
coli presentes na água do terceiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
p= 0,0015
p= 0,0117
Escherichia coli - Centro
Escherichia coli (NMP/ 100mL)
Escherichia coli (NMP/ 100mL)
Escherichia coli - Centro
2400
2250
2100
1950
1800
1650
1500
1350
1200
1050
900
750
600
450
300
150
0
CER P7_EC
METP10_EC
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Median
25%-75%
Min-Max
2400
2250
2100
1950
1800
1650
1500
1350
1200
1050
900
750
600
450
300
150
0
CER P9_EC
METP12_EC
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Figura 9.23 - Comparação entre Escherichia
coli presentes na água do primeiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
Figura 9.24 - Comparação entre Escherichia
coli presentes na água do terceiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
p= 0,0022
p= 0,0022
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
151
Sulfato
Sulfato - Pampulha
16
14
14
12
12
10
10
Sulfato (mg/L)
Sulfato (mg/L)
Sulfato - Pampulha
16
8
6
4
8
6
4
2
2
0
CER P2_S
MET P5_S
o
Median
25%-75%
Min-Max
0
CER P3_S
MET P6_S
o
Telha/ N ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ N ponto de coleta
Figura 9.25 - Comparação entre sulfato
presentes na água do segundo tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Figura 9.26 - Comparação entre sulfato
presentes na água do terceiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
p= 0,8927
Sulfato - Centro
16
16
14
14
12
12
Sulfato (mg/L)
Sulfato (mg/L)
Sulfato - Centro
10
8
10
8
6
6
4
4
2
2
CER P8_S
METP11_S
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
0
CER P9_S
METP12_S
Telha/ No ponto de coleta
Median
25%-75%
Min-Max
Figura 9.27 - Comparação entre sulfato
presentes na água do segundo tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
Figura 9.28 - Comparação entre sulfato
presentes na água do terceiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
p= 0,6121
p= 0,4652
OBS: A análise estatística não foi possível de ser realizada para as amostras do terceiro tubo
localizados na Pampulha, para o parâmetro sulfato, uma vez que os valores eram, na sua
grande maioria, inferiores ao limite de detecção. O teste não conseguiu responder de maneira
precisa se haveria diferença entre as superfícies.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
152
Ferro
Ferro/ Pampulha
Ferro (mg/L)
Ferro (mg/L)
Ferro/ Pampulha
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
CER P1_F
MET P4_F
Median
25%-75%
Min-Max
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
CER P2_F
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 9.30 - Comparação entre o ferro
presente na água do segundo tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
p= 0,9594
p= 0,7794
Ferro/ Centro
Ferro (mg/L)
Ferro (mg/L)
Ferro/ Centro
CER P7_F
METP10_F
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 9.29 - Comparação entre o ferro
presente na água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
MET P5_F
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
CER P8_F
METP11_F
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 9.31 - Comparação entre o ferro
presente na água do primeiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro
Figura 9.32 - Comparação entre o ferro
presente na água do segundo tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do Centro
p= 0,4413
p= 0,5076
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
153
Manganês
Manganês/ Pampulha
Ferro (mg/L)
Ferro (mg/L)
Manganês/ Pampulha
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
CER P2_MN
MET P5_MN
Median
25%-75%
Min-Max
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
CER P3_MN
MET P6_MN
Telha/ Nº ponto de coleta
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 9.33 - Comparação entre o
manganês presente na água do segundo
tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica,
região Pampulha
Figura 9.34 - Comparação entre o
manganês presente na água do terceiro
tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica,
região Pampulha
p= 0,4838
p= 0,9165
Manganês/ Centro
Ferro (mg/L)
Ferro (mg/L)
Manganês/ Centro
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
CER P8_MN
METP11_MN
Median
25%-75%
Min-Max
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
CER P9_MN
METP12_MN
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 9.35 - Comparação entre o
manganês presente na água do segundo
tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica,
região do Centro
Figura 9.36 - Comparação entre o
manganês presente na água do terceiro
tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica,
região do Centro
p= 0,5076
p= 0,5940
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
154
Chumbo
Chumbo - Pampulha
0,30
0,28
0,28
0,26
0,26
0,24
0,24
0,22
0,22
0,20
Chumbo (mg/L)
Chumbo (mg/L)
Chumbo - Pampulha
0,30
0,18
0,16
0,14
0,12
0,20
0,18
0,16
0,14
0,12
0,10
0,10
0,08
0,08
0,06
0,06
0,04
0,04
0,02
0,02
0,00
CER P2_PB
MET P5_PB
Median
25%-75%
Min-Max
CER P3_PB
MET P6_PB
Telha/ Nº ponto de coleta
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 9.37 - Comparação entre o chumbo
presente na água do segundo tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Figura 9.38 - Comparação entre o chumbo
presente na água do terceiro tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região da
Pampulha
Chumbo - Centro
Chumbo - Centro
0,30
0,30
0,28
0,28
0,26
0,26
0,24
0,24
0,22
0,22
0,20
0,20
Chumbo (mg/L)
Chumbo (mg/L)
Median
25%-75%
Min-Max
0,18
0,16
0,14
0,12
0,18
0,16
0,14
0,12
0,10
0,10
0,08
0,08
0,06
0,06
0,04
0,04
0,02
0,02
0,00
CER P8_PB
METP11_PB
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 9.39 - Comparação entre o chumbo
presente na água do segundo tubo de
coleta: telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
CER P9_PB
METP12_PB
Median
25%-75%
Min-Max
Telha/ Nº ponto de coleta
Figura 9.40 - Comparação entre o chumbo
presente na água do terceiro tubo de coleta:
telhas cerâmica e metálica, região do
Centro
OBS: A análise estatística não foi possível de ser realizada para todas as amostras, para o
parâmetro chumbo, uma vez que os valores eram, na sua grande maioria, inferiores ao limite
de detecção. O teste não conseguiu responder de maneira precisa se haveria diferença entre as
superfícies.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
155
9.1.2. Comparação entre duas regiões considerando um mesmo ponto de coleta
pH
30 Ponto de coleta - Telha cerâmica
pH
pH
20 Ponto de coleta - Telha cerâmica
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
2
8
Median
25%-75%
Min-Max
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
3
Pontos
Figura 9.42 - Comparação entre o pH
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica
p= 0,0291
p= 0,1170
20 Ponto de coleta - Telha metálica
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
30 Ponto de coleta - Telha metálica
pH
pH
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.41 - Comparação entre o pH
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica
5
9
11
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
10,0
9,8
9,6
9,4
9,2
9,0
8,8
8,6
8,4
8,2
8,0
7,8
7,6
7,4
7,2
7,0
6,8
6,6
6,4
6
12
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.43 - Comparação entre o pH
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
Figura 9.44 - Comparação entre o pH
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,3857
p= 0,3154
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
156
Turbidez
20 Ponto de coleta - Telha cerâmica
Turbidez (uT)
Turbidez (uT)
10 Ponto de coleta - Telha cerâmica
330
315
300
285
270
255
240
225
210
195
180
165
150
135
120
105
90
75
60
45
30
15
0
1
7
Median
25%-75%
Min-Max
330
315
300
285
270
255
240
225
210
195
180
165
150
135
120
105
90
75
60
45
30
15
0
2
Pontos
Figura 9.46 - Comparação entre a turbidez
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica
p= 0,9729
p= 0,4654
10 Ponto de coleta - Telha metálica
330
315
300
285
270
255
240
225
210
195
180
165
150
135
120
105
90
75
60
45
30
15
0
20 Ponto de coleta - Telha metálica
Turbidez (uT)
Turbidez (uT)
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.45 - Comparação entre a turbidez
presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica
4
8
10
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
330
315
300
285
270
255
240
225
210
195
180
165
150
135
120
105
90
75
60
45
30
15
0
5
11
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.47 - Comparação entre a turbidez
presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica
Figura 9.48 - Comparação entre a turbidez
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,2594
p= 0,3057
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
157
Cor aparente
20 Ponto de coleta - Telha cerâmica
Cor aparente (uH)
Cor aparente (uH)
10 Ponto de coleta - Telha cerâmica
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
1
Median
25%-75%
Min-Max
7
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
2
Pontos
Figura 9.50 - Comparação entre cor
aparente presente na água do segundo tubo
de coleta: Pampulha e Centro, telha
cerâmica
p= 0,9188
p= 0,5400
10 Ponto de coleta - Telha metálica
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
20 Ponto de coleta - Telha metálica
Cor aparente (uH)
Cor aparente (uH)
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.49 - Comparação entre cor
aparente presente na água do primeiro tubo
de coleta: Pampulha e Centro, telha
cerâmica
4
8
10
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
690
660
630
600
570
540
510
480
450
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
5
11
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.51 - Comparação entre cor
aparente presente na água do primeiro tubo
de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
Figura 9.52 - Comparação entre cor
aparente presente na água do segundo tubo
de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,2594
p= 0,2181
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
158
Alcalinidade
10 Ponto de coleta - Telha cerâmica
30 Ponto de coleta - Telha cerâmica
65
65
60
60
55
Alcalinidade (mgCaCO3/L)
Alcalinidade (mgCaCO3/L)
55
50
45
40
35
30
25
20
50
45
40
35
30
25
20
15
15
10
10
5
5
0
1
7
Median
25%-75%
Min-Max
0
3
Pontos
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.53 - Comparação entre a
alcalinidade presente na água do primeiro
tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha
cerâmica
Figura 9.54 - Comparação entre a
alcalinidade presente na água do terceiro
tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha
cerâmica
p= 0,1388
p= 0,3823
10 Ponto de coleta - Telha metálica
30 Ponto de coleta - Telha metálica
65
65
60
60
55
55
50
50
Alcalinidade (mgCaCO3/L)
Alcalinidade (mgCaCO3/L)
9
45
40
35
30
25
20
15
45
40
35
30
25
20
15
10
10
5
5
0
4
10
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
0
6
12
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.55 - Comparação entre a
alcalinidade presente na água do primeiro
tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha
metálica
Figura 9.56 - Comparação entre a
alcalinidade presente na água do terceiro
tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha
metálica
p= 0,1672
p= 0,0499
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
159
Coliforme totais
30 Ponto de coleta - Telha cerâmica
2600
2400
2400
2200
2200
Coliformes totais (NMP em 100 mL)
Coliformes totais (NMP em 100 mL)
10 Ponto de coleta - Telha cerâmica
2600
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
0
1
7
Median
25%-75%
Min-Max
0
3
Pontos
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.57 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do primeiro tubo
de coleta: Pampulha e Centro, telha
cerâmica
Figura 9.58 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do terceiro tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha
cerâmica
p= 0,0457
p= 0,0825
10 Ponto de coleta - Telha metálica
30 Ponto de coleta - Telha metálica
2600
2600
2400
2400
2200
2200
Coliformes totais (NMP em 100 mL)
Coliformes totais (NMP em 100 mL)
9
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
200
0
4
10
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
0
6
12
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.59 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do primeiro tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
Figura 9.60 - Comparação entre coliformes
totais presentes na água do terceiro tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,2701
p= 0,8960
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
160
Escherichia coli
30 Ponto de coleta - Telha cerâmica
2400
2250
2100
2100
Escherichia coli (NMP em 100 mL)
Escherichia coli (NMP em 100 mL)
10 Ponto de coleta - Telha cerâmica
2400
2250
1950
1800
1650
1500
1350
1200
1050
900
750
600
450
300
150
0
1
7
1950
1800
1650
1500
1350
1200
1050
900
750
600
450
300
150
Median
25%-75%
Min-Max
0
3
Pontos
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.61 - Comparação entre Escherichia
coli presente na água do primeiro tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica
Figura 9.62 - Comparação entre Escherichia
coli presente na água do terceiro tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica
p= 0,4310
p= 0,7689
10 Ponto de coleta - Telha metálica
30 Ponto de coleta - Telha metálica
2400
2400
2250
2100
1950
Escherichia coli (NMP em 100 mL)
Escherichia coli (NMP em 100 mL)
9
1800
1650
1500
1350
1200
1050
900
750
600
450
2250
2100
1950
1800
1650
1500
1350
1200
1050
900
750
600
450
300
300
150
0
4
10
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
150
0
6
12
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.63 - Comparação entre Escherichia
coli presente na água do primeiro tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
Figura 9.64 - Comparação entre Escherichia
coli presente na água do terceiro tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,8100
p= 0,2373
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
161
Sulfato
3º Ponto de coleta - Telha cerâmica
16
14
14
12
12
10
10
Sulfato (mg/L)
Sulfato (mg/L)
2º Ponto de coleta - Telha cerâmica
16
8
6
8
6
4
4
2
2
0
2
8
Median
25%-75%
Min-Max
3
9
Pontos
Pontos
Figura 9.65 - Comparação entre sulfato
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica
Figura 9.66 - Comparação entre sulfato
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica
p= 0,5490
p= 0,2475
2º Ponto de coleta - Telha metálica
3º Ponto de coleta - Telha metálica
16
16
14
14
12
12
10
10
Sulfato (mg/L)
Sulfato (mg/L)
Median
25%-75%
Min-Max
0
8
6
4
8
6
4
2
2
0
5
11
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
0
6
12
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.67 - Comparação entre sulfato
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
Figura 9.68 - Comparação entre sulfato
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,7959
p= 0,2775
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
162
Ferro
2º Ponto de coleta - Telha cerâmica
Ferro (mg/L)
Ferro (mg/L)
1º Ponto de coleta - Telha cerâmica
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
1
7
Median
25%-75%
Min-Max
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
2
Pontos
Figura 9.70 - Comparação entre ferro
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica
p= 1,0000
p= 0,2743
1º Ponto de coleta - Telha metálica
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
2º Ponto de coleta - Telha metálica
Ferro (mg/L)
Ferro (mg/L)
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.69 - Comparação entre ferro
presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica
4
8
10
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
15,0
14,4
13,8
13,2
12,6
12,0
11,4
10,8
10,2
9,6
9,0
8,4
7,8
7,2
6,6
6,0
5,4
4,8
4,2
3,6
3,0
2,4
1,8
1,2
0,6
0,0
5
11
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.71 - Comparação entre ferro
presente na água do primeiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica
Figura 9.72 - Comparação entre ferro
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,4470
p= 0,0680
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
163
Manganês
3º Ponto de coleta - Telha cerâmica
Manganês (mg/L)
Manganês (mg/L)
2º Ponto de coleta - Telha cerâmica
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
2
8
Median
25%-75%
Min-Max
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
3
Pontos
Figura 9.74 - Comparação entre manganês
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica
p= 0,1011
p= 0,0434
2º Ponto de coleta - Telha metálica
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
3º Ponto de coleta - Telha metálica
Manganês (mg/L)
Manganês (mg/L)
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.73 - Comparação entre manganês
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica
5
9
11
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
6
12
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.75 - Comparação entre manganês
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
Figura 9.76 - Comparação entre manganês
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,0343
p= 0,1220
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
164
Chumbo
3º Ponto de coleta - Telha cerâmica
0,30
0,28
0,28
0,26
0,26
0,24
0,24
0,22
0,22
0,20
0,20
Chumbo (mg/L)
Chumbo (mg/L)
2º Ponto de coleta - Telha cerâmica
0,30
0,18
0,16
0,14
0,12
0,18
0,16
0,14
0,12
0,10
0,10
0,08
0,08
0,06
0,06
0,04
0,04
0,02
0,00
2
8
0,02
Median
25%-75%
Min-Max
0,00
3
Pontos
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.77 - Comparação entre o chumbo
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica
Figura 9.78 - Comparação entre o chumbo
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha cerâmica
p= 0,6965
p= 0,9622
2º Ponto de coleta - Telha metálica
3º Ponto de coleta - Telha metálica
0,30
0,30
0,28
0,28
0,26
0,26
0,24
0,24
0,22
0,22
0,20
0,20
Chumbo (mg/L)
Chumbo (mg/L)
9
0,18
0,16
0,14
0,12
0,18
0,16
0,14
0,12
0,10
0,10
0,08
0,08
0,06
0,06
0,04
0,04
0,02
0,00
5
11
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
0,02
0,00
6
12
Median
25%-75%
Min-Max
Pontos
Figura 9.79 - Comparação entre o chumbo
presente na água do segundo tubo de
coleta: Pampulha e Centro, telha metálica
Figura 9.80 - Comparação entre o chumbo
presente na água do terceiro tubo de coleta:
Pampulha e Centro, telha metálica
p= 0,7618
p= 0,7618
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
165
9.2. Apêndice B – Precipitação medida pelo pluviômetro, tipo cunha,
implantado nas duas regiões de estudo, Pampulha e Centro
Regiões
Datas
06/08/2008
16/09/2008
17/09/2008
26/09/2008
17/10/2008
31/10/2008
06/11/2008
10/11/2008
13/11/2008
30/11/2008
12/12/2008
14/12/2008
15/12/2008
17/12/2008
18/12/2008
18/01/2009
20/01/2009
22/01/2009
27/01/2009
Centro Pampulha
14,0
12,0
27,5
16,0
40,0
9,0
12,0
37,5
38,0
54,0
102,0
23,0
17,5
50,0
31,0
25,0
23,0
12,0
17,5
9,5
12,5
19,0
14,0
12,0
10,0
22,5
28,0
15,0
50,0
55,0
20,0
32,5
10,0
20,0
18,0
7,0
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
166
9.3. Apêndice C – Resultados da primeira etapa da pesquisa quantitativa – máximos e mínimos
Pontos de coleta
Pampulha
Parâmetros
pH
Turbidez
(uT)
máx
mín
máx
mín
Telha cerâmica
1
2
3
8,2
8,1
8,2
7,6
7,7
7,9
26,0
24,5
20,1
20,1
5,0
3,8
VMP
VMP
Portari
NBR
a 518
15.527
MS
Centro
Telha metálica
4
5
6
8,2
8,5
8,2
7,3
7,4
7,8
23,9
10,0
4,9
14,2
5,4
4,5
Telha cerâmica
7
8
9
8,4
8,5
8,4
7,2
7,1
7,3
21,4
12,7
10,1
15,8
5,8
3,9
Telha metálica
10
11
7,9
8,0
7,4
7,5
33,5
20,4
11,9
6,2
12
8,1
7,4
7,1
5,5
Cor aparente
(uH)
máx
52
39
26
67
44
14
72
46
35
84
60
49
mín
18
12
3
3
3
4
25
18
22
8
6
9
Alcalinidade
(mgCaCO3/L)
máx
20,4
13,7
8,8
19,5
13,7
12,7
15,6
14,6
13,2
11,8
11,8
22,4
mín
4,1
6,1
6,1
5,1
5,1
5,1
11,2
8,6
8,1
9,2
8,1
8,1
Dureza
(mgCaCO3/L)
máx
47
19
18
45
22
25
76
43
34
55
38
31
mín
máx
mín
máx
mín
máx
mín
5
9,47
0,13
0,23
0,00
0,02
0,02
5
3,66
0,00
0,05
0,00
0,03
0,02
6
0,47
0,00
0,02
0,00
0,02
0,02
6
8,17
0,08
0,18
0,00
0,02
0,02
10
3,24
0,12
0,04
0,00
0,02
0,02
5
0,82
0,00
0,04
0,00
0,02
0,02
11
7,92
0,50
0,45
0,06
0,12
0,02
9
1,32
0,30
0,12
0,03
0,02
0,02
5
1,85
0,10
0,07
0,02
0,02
0,02
11
15,92
0,61
0,57
0,05
0,14
0,02
10
3,49
0,15
0,20
0,00
0,02
0,02
8
0,64
0,00
0,06
0,02
0,05
0,02
Ferro
(mg/L)
Manganês
(mg/L)
Chumbo
(mg/L)
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
Entre
6,0 e
9,5
Entre
6,0 e
8,0
5,0
5,0
15
15
-
-
500
-
0,30
-
0,10
-
0,01
-
167
9.4. Apêndice D – Protocolo para coleta de dados
Data da entrevista: ___________________
Sexo do entrevistado: __ Feminino
__ Masculino
Idade do entrevistado: ___________________
Escolaridade do entrevistado: ___________________
Profissão do entrevistado: ___________________
Perguntas:
1) Quando você vê que está chovendo ou imagina que está chovendo, você pensa em quê?
2) Você acha que a água de chuva é suja, limpa ou mais ou menos?
3) Você acha que a água de chuva poderia ser utilizada para alguma finalidade?
4) Para quais finalidades?
5) Você utilizaria essa água para atividades domésticas? Quais?
6) Existem algumas pessoas que captam água de chuva de casa para utilizar em algumas
atividades, qual a sua opinião sobre isso?
7) Você faria captação de água de chuva na sua casa?
8) Por que você acha que as pessoas não aproveitam água de chuva em suas casas?
9) Se você tivesse um incentivo financeiro por parte de algum órgão ou entidade isso iria
contribuir para você adotar a captação de água de chuva?
10) Você acredita que economizaria na conta de água se utilizasse água de chuva em algumas
atividades domésticas?
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
168
11) Você tem noção de quanto iria economizar na conta de água potável se utilizasse água de
chuva em algumas atividades domésticas?
12) Você sabe quanto é o investimento para implantar o sistema de captação de água de
chuva?
13) Você tem noção do tempo de retorno do investimento, considerando a economia na conta
de água?
14) Se você soubesse que, ao aproveitar água de chuva, você economizaria na sua conta de
água, isso faria com que você realizasse a captação sem incentivos?
15) Quais as vantagens de se captar água de chuva e utilizá-la para o dia-a-dia?
16) Você acha que teria algum “trabalho” adicional ao captar água de chuva? Isso seria um
impedimento ou empecilho para você utilizá-la
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
169
9.5. Apêndice E – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Eu, Manuelle Prado Cardoso, aluna do mestrado pelo Programa de Pós-graduação em
Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais,
estou desenvolvendo uma pesquisa com o título “Viabilidade social e técnica do
aproveitamento de água de chuva em zonas urbanas: estudo de caso no município de Belo
Horizonte” que tem como objetivo investigar a percepção dos moradores de Belo Horizonte
em relação ao aproveitamento de água de chuva para fins não nobres. A pesquisa busca
identificar pontos-chave que possam ajudar na conscientização da população quanto a esse
aproveitamento. Você participará da pesquisa através de uma entrevista. Esclareço que sua
participação é totalmente livre e em qualquer momento você poderá desistir de participar.
Será mantido sigilo das informações e garantido seu anonimato, tendo em vista que você não
será identificado pelo nome, além disso, você não possuirá ônus de natureza alguma. Você
não correrá risco algum. Todas as informações ficarão sob a minha responsabilidade e a do
Professor Valter Pádua e serão utilizadas para fins científicos. Fica registrado, também, que
sempre que julgar necessário, você terá o direito de esclarecer qualquer dúvida a respeito da
pesquisa. Dessa maneira, solicito sua autorização para participação na pesquisa.
Atenciosamente,
Manuelle Prado Cardoso
TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO
Diante dos esclarecimentos acima, eu, __________________________________________,
concordo em participar do estudo “Viabilidade social e técnica do aproveitamento de água de
chuva em zonas urbanas: estudo de caso no município de Belo Horizonte”.
Assinatura do participante: ____________________________________________________
Assinatura do responsável: ___________________________________________________
Data: ______/______/______
Nome dos pesquisadores:
Manuelle Prado Cardoso
Valter Lúcio de Pádua
Endereço de contato com os pesquisadores: Av. Do Contorno, 842, 7º andar – Sala 713 Centro - Belo Horizonte/MG – CEP 30110-002
Telefones para contato com os pesquisadores:
(31) 3409-1883 ou (31) 3441-1053
Comitê de Ética da UFMG:
Endereço de contato com Comitê de Ética: Av. Antônio Carlos, 6627, Unidade
Administrativa II, 2º andar – sala 2005 - Campus, Pampulha, Belo Horizonte/MG
– CEP 31270-901
Telefone para contato com o Comitê de Ética:
(31) 3409-4592
170
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
ANEXO
Carta de aprovação da pesquisa pelo COEP/ UFMG
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG
171
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viabilidade do aproveitamento de água de chuva em