UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SANEAMENTO, MEIO AMBIENTE E RECURSOS HÍDRICOS VIABILIDADE DO APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA EM ZONAS URBANAS: ESTUDO DE CASO NO MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE - MG Manuelle Prado Cardoso Belo Horizonte 2009 VIABILIDADE DO APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA EM ZONAS URBANAS: ESTUDO DE CASO NO MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE - MG Manuelle Prado Cardoso Manuelle Prado Cardoso VIABILIDADE DO APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA EM ZONAS URBANAS: ESTUDO DE CASO NO MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE - MG Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Área de concentração: Saneamento Linha de pesquisa: Qualidade e tratamento de água para consumo humano. Orientador: Valter Lúcio de Pádua Belo Horizonte Escola de Engenharia da UFMG 2009 AGRADECIMENTOS À Deus e à Nossa Senhora, em primeiro lugar, por estarem sempre ao meu lado e de minha família, iluminando os nossos caminhos. Aos meus amados pais, Helenice e Manuel, pelo apoio incondicional, dedicação, amor, companheirismo e por me incentivarem, estando sempre ao meu lado. Amo muito vocês dois. Ao meu grande amor, meu marido Júlio César, pelo amor, incentivo, ajuda e paciência. Sem a sua constante presença seria muito difícil a conclusão dessa etapa da minha vida. Muito obrigada, te amo. Ao meu querido irmão, Manuel Fellipe, pela grande amizade, amor, consideração e ajuda na pesquisa. Muito obrigada, Lipe. Te amo. Ao professor Valter, pelo carinho e incentivo, durante toda a Iniciação Científica e Mestrado. Foi um excelente orientador e amigo durante todos esses anos. Ao Henrique, pela ajuda nas análises de laboratório. Muito obrigada pelo interesse e dedicação. À Lucilaine e estagiárias do laboratório de espectofotometria, pelas análises de metais. À professora Sílvia, pela paciência e disponibilidade em me ajudar nas análises estatísticas. À Dayse, por me ajudar a enxergar alguns pontos importantes da pesquisa qualitativa, fundamentais para o meu trabalho, e à Gisele, pela disponibilidade e pelas sugestões. À FAPEMIG, pelo financiamento do projeto. Á Poente Engenharia e Consultoria, pela compreensão e apoio. À Norma, Olívia e estagiárias do laboratório 801, pela atenção e ajuda. Aos professores e funcionários do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG, pelos ensinamentos e carinho. A todos familiares e amigos que torceram por mim e a todas as pessoas que participaram direta e indiretamente deste trabalho. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG i RESUMO A presente pesquisa teve como objetivo geral avaliar a qualidade da água de chuva captada em Belo Horizonte - MG - Brasil, e verificar a percepção de moradores da cidade em relação ao aproveitamento dessa água para fins não potáveis. A pesquisa quantitativa, sobre a qualidade da água de chuva, foi realizada em duas regiões da cidade, Centro e Pampulha. Foram instalados dois sistemas pilotos em cada região, um apresentava superfície de captação constituída por telhas cerâmicas e o outro por telhas metálicas. Foram realizadas análises físico-químicas (pH, turbidez, cor aparente, alcalinidade, dureza, sulfato, ferro, manganês e chumbo) e microbiológicas (coliformes totais e Escherichia coli), de acordo com o Standard Methods. As coletas ocorreram entre março de 2008 e janeiro de 2009. Os parâmetros coliformes totais, cor aparente, turbidez e ferro não atingiram o padrão recomendado pela Norma Brasileira nº 15.527/2007 da ABNT e Portaria nº 518/2004 do Ministério da Saúde quando foi descartado o volume de 2,0 L de água de chuva por m2 de telhado, indicados na referida Norma. Além disso, verificou-se que há diferença entre a qualidade das águas captadas nas duas regiões de estudo e nos dois tipos de telhas. As águas captadas pelas telhas metálicas apresentaram qualidade microbiológica superior às captadas nas telhas cerâmicas. A respeito da possibilidade de utilização de água de chuva em algumas atividades, essa pode ser uma ferramenta importante no combate ao uso indiscriminado de água potável. Entretanto, para que medidas de aproveitamento da água de chuva sejam realmente viáveis, é necessário que a população aceite fazê-las. Assim, viu-se a necessidade de inserção de estudo qualitativo para avaliar a percepção dos moradores da cidade de Belo Horizonte sobre o aproveitamento de água de chuva. Foram entrevistadas 18 pessoas, sendo que 9 apresentavam curso superior completo e 9 ensino fundamental incompleto. O método de coleta de dados utilizado na presente pesquisa foi a entrevista a semi-estruturada e o método de análise foi o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). As análises dos DSCs sugerem que os entrevistados possuíam consciência ambiental e eram a favor da utilização de água de chuva para fins não potáveis, como limpeza geral e irrigação de plantas. Percebeu-se que incentivos financeiros por parte de algum órgão ou entidade seriam decisivos para que muitas pessoas residentes em áreas urbanas aproveitassem a água de chuva. Foram citados como causas possíveis da não utilização de água de chuva na área urbana: a falta de espaço, dinheiro e conhecimento; água potável disponível em abundância e pouco volume de água de chuva armazenado. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG ii ABSTRACT This research aims to evaluate the quality of the rain water collected in Belo Horizonte – MG – Brazil, and verify the city inhabitant’s perception over the utilization of this water for nonpotable uses. The quantitative research about the rain water quality was carried out in two parts of the city, Downtown and Pampulha. Two pilot systems were installed in each region, one of them had the surface built with ceramics tiles and the other with metallic tiles. Physics and chemistry analysis were carried out (pH, turbidity, apparent color, alkalinity, hardness, sulfate, iron, manganese and lead) and microbiologic (total coliforms and Escherichia coli). The water samples were collected from march 2008 to January 2009. The standard total coliforms, apparent color, turbidity, and iron did not reach the standards by preconized the Brazilian norm number 15,527/2007 of the ABNT (Brazilian Technical Standards Association) and governmental decree 518/2004 Health State Department when 2.0 L of rainwater per m² of roof were discarded. A difference between the quality of the water collected in the two regions analyzed and in the two kinds of tiles was verified. The water collected by the metallic tiles showed a higher microbiologic quality than those collected by the ceramics tiles. Concerning the possibility of the utilization of the rain water in some activities, this can be an important tool in the struggle against the indiscriminate use of potable water. Meanwhile, to make the use of rainwater feasible, it’s necessary that the population accept it. In this way, a qualitative study was carried out to evaluate the awareness of the Belo Horizonte’s inhabitants towards the utilization of the rain water. 18 people were interviewed, 9 with a higher education degree and 9 with incomplete elementary school degree. The data collecting method used in the research was the semi-structured interview and the analysis method was the Discourse of the Collective Subject (DCS). The analysis of the DCSs suggests that the interviewed people had an environmental consciousness and were for the rain water utilization for non-potable uses like cleaning and irrigation plants. It is clear that a financial help provided by the state would be decisive so that many people living in the urban areas could use the rain water. Some facts were mentioned as possible causes for the non-utilization of the rain water in the urban areas such as: lack of space, money and knowledge; potable water in abundance and low level of rain water storage. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG iii SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS........................................................................................................................................... VII LISTA DE TABELAS .........................................................................................................................................XVI LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS .............................................................................. XVII 1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................................................... 1 2. OBJETIVOS.......................................................................................................................................................... 3 2.1. OBJETIVO GERAL ............................................................................................................................................. 3 2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS .................................................................................................................................. 3 3. REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................................................................... 4 3.1. DISPONIBILIDADE HÍDRICA NO BRASIL............................................................................................................ 4 3.2. A CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA NA ANTIGUIDADE ...................................................................................... 5 3.3. SUPERFÍCIES DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA ............................................................................................ 6 3.4. RESERVATÓRIOS PARA O ARMAZENAMENTO DE ÁGUA ................................................................................... 9 3.5. MÚLTIPLAS BARREIRAS PARA PROTEÇÃO DA ÁGUA DE CHUVA CAPTADA .................................................... 16 3.6. EXPERIÊNCIAS COM A IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA ................. 21 3.7. LEIS DE INCENTIVO À CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA .................................................................................. 24 3.7.1. Legislações municipais e estaduais brasileiras ................................................................................... 24 3.7.2. Legislação Federal Brasileira.............................................................................................................. 27 3.7.3. Legislação estrangeira ......................................................................................................................... 28 3.8. PRINCIPAIS PORTARIAS E NORMAS SOBRE QUALIDADE DE ÁGUA NO BRASIL .............................................. 28 3.9. QUALIDADE DA ÁGUA DE CHUVA .................................................................................................................. 30 3.10. INFLUÊNCIA DA POLUIÇÃO DO AR NA QUALIDADE DA ÁGUA DE CHUVA ..................................................... 33 3.11. VIABILIDADE ECONÔMICA DO APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA EM ÁREAS URBANAS .................... 35 3.12. PERCEPÇÃO DOS SUJEITOS ........................................................................................................................... 36 3.13. PESQUISA QUALITATIVA .............................................................................................................................. 38 3.13.1. Seleção de amostras............................................................................................................................ 39 3.13.2. Método de coleta de dados ................................................................................................................. 40 3.13.3. Método de análise de dados ............................................................................................................... 42 3.14. DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO ............................................................................................................... 42 4. MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................................................... 44 4.1. QUALIDADE DA ÁGUA DE CHUVA EM FUNÇÃO DO VOLUME DESCARTADO ................................................... 44 4.1.1. Sistema de coleta e armazenamento de água de chuva na primeira fase da pesquisa ....................... 45 4.1.2. Sistema de coleta e armazenamento de água de chuva na segunda fase da pesquisa........................ 49 4.1.3. Parâmetros monitorados ...................................................................................................................... 50 4.1.3.1. Parâmetros físico-químicos. ......................................................................................................... 50 4.1.3.2. Parâmetros microbiológicos. ........................................................................................................ 54 4.1.4. Coletas e análises ................................................................................................................................. 55 4.1.5. Monitoramento da precipitação nos dois locais de coleta .................................................................. 57 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG iv 4.1.6. Análise estatística ................................................................................................................................. 58 4.2. INVESTIGAÇÃO DA PERCEPÇÃO DOS SUJEITOS ............................................................................................... 59 4.2.1. Elaboração de tópico-guia ................................................................................................................... 60 4.2.2. Submissão do projeto ao Comitê de Ética ........................................................................................... 64 4.2.3. Realização do pré-teste......................................................................................................................... 65 4.2.4. Seleção dos entrevistados ..................................................................................................................... 65 4.2.5. Análise das entrevistas.......................................................................................................................... 66 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES ..................................................................................................................... 68 5.1. QUALIDADE DA ÁGUA DA CHUVA CAPTADA EM BELO HORIZONTE .............................................................. 68 5.1.1. Comparação entre diferentes superfícies de captação localizadas em uma mesma região............... 69 5.1.1.1. pH .................................................................................................................................................. 69 5.1.1.2. Turbidez ........................................................................................................................................ 70 5.1.1.3. Cor aparente .................................................................................................................................. 72 5.1.1.4. Alcalinidade .................................................................................................................................. 74 5.1.1.5. Coliformes totais ........................................................................................................................... 75 5.1.1.6. Escherichia coli............................................................................................................................. 76 5.1.1.7. Sulfato ........................................................................................................................................... 78 5.1.1.8. Ferro .............................................................................................................................................. 79 5.1.1.9. Manganês ...................................................................................................................................... 80 5.1.1.10. Chumbo ....................................................................................................................................... 81 5.1.2. Comparação entre duas regiões considerando um mesmo ponto de coleta ....................................... 82 5.1.2.1. pH .................................................................................................................................................. 82 5.1.2.2. Turbidez ........................................................................................................................................ 83 5.1.2.3. Cor aparente .................................................................................................................................. 84 5.1.2.4. Alcalinidade .................................................................................................................................. 85 5.1.2.5. Coliformes totais ........................................................................................................................... 86 5.1.2.6. Escherichia coli............................................................................................................................. 88 5.1.2.7. Sulfato ........................................................................................................................................... 88 5.1.2.8. Ferro .............................................................................................................................................. 89 5.1.2.9. Manganês ...................................................................................................................................... 90 5.1.2.10. Chumbo ....................................................................................................................................... 91 5.2. PERCEPÇÃO DE ALGUNS SUJEITOS RESIDENTES EM BELO HORIZONTE ......................................................... 92 5.2.1. Discurso do Sujeito Coletivo ................................................................................................................ 92 5.2.2. Considerações sobre os Discursos do Sujeito Coletivo..................................................................... 132 6. CONCLUSÕES................................................................................................................................................. 134 7. RECOMENDAÇÕES....................................................................................................................................... 137 8. REFERÊNCIAS................................................................................................................................................ 138 9. APÊNDICES ..................................................................................................................................................... 146 9.1. APÊNDICE A - GRÁFICOS BOX & WHISKER PLOTS E RESULTADOS DE ANÁLISES ESTATÍSTICAS ................ 146 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG v 9.2. APÊNDICE B – PRECIPITAÇÃO MEDIDA PELO PLUVIÔMETRO, TIPO CUNHA, IMPLANTADO NAS DUAS REGIÕES DE ESTUDO, PAMPULHA E CENTRO ..................................................................................................................... 166 9.3. APÊNDICE C – RESULTADOS DA PRIMEIRA ETAPA DA PESQUISA QUANTITATIVA – MÁXIMOS E MÍNIMOS .. 167 9.4. APÊNDICE D – PROTOCOLO PARA COLETA DE DADOS ................................................................................. 168 9.5. APÊNDICE E – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO .......................................................... 170 ANEXO .................................................................................................................................................................. 171 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG vi LISTA DE FIGURAS Figura 3.1 - Layout de um sistema simplificado de captação de água de chuva em telhados.......... 7 Figura 3.2 - Implantação de um telhado verde em uma residência .................................................. 9 Figura 3.3 - Exemplo de sistema que bombeia água da cisterna para a caixa d’água.................... 14 Figura 3.4 - Sistema de armazenamento de água de chuva em garrafas PET ................................ 15 Figura 3.5 - Dispositivo de desvio.................................................................................................. 17 Figura 3.6 - Retirada do tampão ..................................................................................................... 17 Figura 3.7 - Filtro tipo vórtex ......................................................................................................... 18 Figura 3.8 - Filtro de descida.......................................................................................................... 18 Figura 3.9 - Filtro flutuante ............................................................................................................ 18 Figura 3.10 - “Kit” de interligação automático .............................................................................. 18 Figura 3.11 - Filtro flutuante .......................................................................................................... 19 Figura 3.12 - Exemplo de bombeamento da água armazenada na cisterna.................................... 20 Figura 3.13 - Coleta utilizando recipiente ...................................................................................... 21 Figura 3.14 - Coleta com bomba manual ....................................................................................... 21 Figura 3.15 - Sistema de aproveitamento de água de chuva em edifício comercial....................... 22 Figura 3.16 - Sistema de aproveitamento de água de chuva em fábrica de refrigerantes .............. 23 Figura 3.17 - Telhado verde implantado em fábrica alemã............................................................ 24 Figura 3.18 - Forças de atuação nas mudanças de conduta ............................................................ 38 Figura 3.19 - Possibilidades de discursos em função de semelhanças de pensamentos................. 43 Figura 4.1 - Layout de Belo Horizonte mostrando locais de implantação dos sistemas piloto...... 44 Figura 4.2 - Sistema piloto de captação/armazenamento de água de chuva implantado nas duas regiões de Belo Horizonte (Centro e Pampulha)............................................................................ 46 Figura 4.3 - Ilustração das etapas de coleta e armazenamento nos sistemas piloto ....................... 47 Figura 4.4 - Fluxograma da disposição dos tubos (pontos de coleta) em função do tipo de telha . 48 Figura 4.5 - Sistema de minimização de mistura das águas ........................................................... 49 Figura 4.6 - Pluviômetro tipo cunha............................................................................................... 57 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG vii Figura 4.7 - Fluxograma dos pontos de coleta em função do tipo de superfície de captação – amostras dependentes ..................................................................................................................... 58 Figura 4.8 - Fluxograma dos pontos de coleta em função do tipo de superfície de captação – amostras independentes .................................................................................................................. 59 Figura 5.1 - Comparação entre o pH da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha......................................................................................................... 69 Figura 5.2 - Comparação entre o pH da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro.............................................................................................................. 69 Figura 5.3 - Comparação entre a turbidez da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha......................................................................................................... 71 Figura 5.4 - Comparação entre a turbidez da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro.............................................................................................................. 71 Figura 5.5 - Comparação entre a cor aparente da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha ............................................................................................................. 73 Figura 5.6 - Comparação entre a cor aparente da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro.............................................................................................................. 73 Figura 5.7 - Comparação entre a alcalinidade da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha ...................................................................................................... 74 Figura 5.8 - Comparação entre a alcalinidade da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro........................................................................................................... 74 Figura 5.9 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha ............................................................................ 75 Figura 5.10 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ................................................................................. 75 Figura 5.11 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha ............................................................................ 77 Figura 5.12 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ................................................................................. 77 Figura 5.13 - Comparação entre sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha....................................................................................... 78 Figura 5.14 - Comparação entre sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ........................................................................................... 78 Figura 5.15 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha....................................................................................... 79 Figura 5.16 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ........................................................................................... 79 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG viii Figura 5.17 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha ........................................................................................... 80 Figura 5.18 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ........................................................................................... 80 Figura 5.19 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha ........................................................................................... 81 Figura 5.20 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ........................................................................................... 81 Figura 5.21 - Comparação entre o pH presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .................................................................................................................... 82 Figura 5.22 - Comparação entre o pH presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica..................................................................................................................... 82 Figura 5.23 - Comparação entre a turbidez presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................................. 83 Figura 5.24 - Comparação entre a turbidez presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica .................................................................................................................. 83 Figura 5.25 - Comparação entre cor aparente presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................ 84 Figura 5.26 - Comparação entre cor aparente presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................. 84 Figura 5.27 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................ 86 Figura 5.28 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................. 86 Figura 5.29 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................ 87 Figura 5.30 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................. 87 Figura 5.31 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................ 88 Figura 5.32 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................. 88 Figura 5.33 - Comparação entre o sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .................................................................................................................... 89 Figura 5.34 - Comparação entre o sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica..................................................................................................................... 89 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG ix Figura 5.35 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .................................................................................................................... 90 Figura 5.36 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica..................................................................................................................... 90 Figura 5.37 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................ 91 Figura 5.38 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................. 91 Figura 5.39 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ................................................................................................................. 92 Figura 5.40 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica .................................................................................................................. 92 Figura 5.41 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 1 ............................................................ 94 Figura 5.42 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 2 ............................................................ 97 Figura 5.43 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 3 ............................................................ 99 Figura 5.44 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 4 .......................................................... 101 Figura 5.45 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 5 .......................................................... 104 Figura 5.46 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 6 .......................................................... 107 Figura 5.47 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 7 .......................................................... 111 Figura 5.48 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 8 .......................................................... 113 Figura 5.49 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 9 .......................................................... 117 Figura 5.50 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 10 ........................................................ 119 Figura 5.51 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 11 ........................................................ 121 Figura 5.52 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 12 ........................................................ 123 Figura 5.53 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 13 ........................................................ 125 Figura 5.54 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 14 ........................................................ 127 Figura 5.55 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 15 ........................................................ 129 Figura 5.56 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 16 ........................................................ 131 Figura 9.1 - Comparação entre o pH da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha....................................................................................................... 146 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG x Figura 9.2 - Comparação entre o pH da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha....................................................................................................... 146 Figura 9.3 - Comparação entre o pH da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro............................................................................................................ 146 Figura 9.4 - Comparação entre o pH da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro............................................................................................................ 146 Figura 9.5 - Comparação entre a turbidez da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha ........................................................................................................... 147 Figura 9.6 - Comparação entre a turbidez da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha ........................................................................................................... 147 Figura 9.7 - Comparação entre a turbidez da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro............................................................................................................ 147 Figura 9.8 - Comparação entre a turbidez da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro............................................................................................................ 147 Figura 9.9 - Comparação entre a cor aparente da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .................................................................................................... 148 Figura 9.10 - Comparação entre a cor aparente da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .................................................................................................... 148 Figura 9.11 - Comparação entre a cor aparente da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 148 Figura 9.12 - Comparação entre a cor aparente da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro......................................................................................................... 148 Figura 9.13 - Comparação entre a alcalinidade da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .................................................................................................... 149 Figura 9.14 - Comparação entre a alcalinidade da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .................................................................................................... 149 Figura 9.15 - Comparação entre a alcalinidade da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro......................................................................................................... 149 Figura 9.16 - Comparação entre a alcalinidade da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro......................................................................................................... 149 Figura 9.17 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .......................................................................... 150 Figura 9.18 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .......................................................................... 150 Figura 9.19 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro .............................................................................. 150 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG xi Figura 9.20 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro .............................................................................. 150 Figura 9.21 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .......................................................................... 151 Figura 9.22 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha .......................................................................... 151 Figura 9.23 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ............................................................................... 151 Figura 9.24 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ............................................................................... 151 Figura 9.25 - Comparação entre sulfato presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 152 Figura 9.26 - Comparação entre sulfato presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 152 Figura 9.27 - Comparação entre sulfato presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 152 Figura 9.28 - Comparação entre sulfato presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 152 Figura 9.29 - Comparação entre o ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 153 Figura 9.30 - Comparação entre o ferro presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 153 Figura 9.31 - Comparação entre o ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 153 Figura 9.32 - Comparação entre o ferro presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 153 Figura 9.33 - Comparação entre o manganês presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha ......................................................................................... 154 Figura 9.34 - Comparação entre o manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha ......................................................................................... 154 Figura 9.35 - Comparação entre o manganês presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 154 Figura 9.36 - Comparação entre o manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 154 Figura 9.37 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 155 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG xii Figura 9.38 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha..................................................................................... 155 Figura 9.39 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 155 Figura 9.40 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro ......................................................................................... 155 Figura 9.41 - Comparação entre o pH presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 156 Figura 9.42 - Comparação entre o pH presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 156 Figura 9.43 - Comparação entre o pH presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica................................................................................................................... 156 Figura 9.44 - Comparação entre o pH presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica................................................................................................................... 156 Figura 9.45 - Comparação entre a turbidez presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 157 Figura 9.46 - Comparação entre a turbidez presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 157 Figura 9.47 - Comparação entre a turbidez presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 157 Figura 9.48 - Comparação entre a turbidez presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 157 Figura 9.49 - Comparação entre cor aparente presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 158 Figura 9.50 - Comparação entre cor aparente presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 158 Figura 9.51 - Comparação entre cor aparente presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 158 Figura 9.52 - Comparação entre cor aparente presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 158 Figura 9.53 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 159 Figura 9.54 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 159 Figura 9.55 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 159 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG xiii Figura 9.56 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 159 Figura 9.57 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 160 Figura 9.58 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 160 Figura 9.59 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 160 Figura 9.60 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 160 Figura 9.61 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 161 Figura 9.62 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .............................................................................................. 161 Figura 9.63 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 161 Figura 9.64 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ............................................................................................... 161 Figura 9.65 - Comparação entre sulfato presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 162 Figura 9.66 - Comparação entre sulfato presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 162 Figura 9.67 - Comparação entre sulfato presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica................................................................................................................... 162 Figura 9.68 - Comparação entre sulfato presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica................................................................................................................... 162 Figura 9.69 - Comparação entre ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 163 Figura 9.70 - Comparação entre ferro presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica .................................................................................................................. 163 Figura 9.71 - Comparação entre ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica................................................................................................................... 163 Figura 9.72 - Comparação entre ferro presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica................................................................................................................... 163 Figura 9.73 - Comparação entre manganês presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 164 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG xiv Figura 9.74 - Comparação entre manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 164 Figura 9.75 - Comparação entre manganês presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 164 Figura 9.76 - Comparação entre manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 164 Figura 9.77 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 165 Figura 9.78 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica ............................................................................................................... 165 Figura 9.79 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 165 Figura 9.80 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica ................................................................................................................ 165 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG xv LISTA DE TABELAS Tabela 3.1 - Tipos de cisternas e suas vantagens e desvantagens .................................................. 11 Tabela 3.2 - Parâmetros de qualidade de água para usos restritivos não potáveis ......................... 29 Tabela 3.3 - Classificação das águas quanto ao padrão de balneablidade...................................... 30 Tabela 3.4 - Qualidade das primeiras águas de chuva.................................................................... 32 Tabela 4.1 - Resumo das datas de coletas e parâmetros monitorados............................................ 56 Tabela 5.1 - Informações gerais sobre os entrevistados ................................................................. 93 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG xvi LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS A – Alcalinidade ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas CA – Cor aparente CEP – Comitê de ética em pesquisa COEP/ UFMG – Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente CONEP – Comissão Nacional de Ética em Pesquisa CT – Coliformes totais D – Dureza DESA – Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental DSC – Discurso do sujeito coletivo EC – Escherichia coli F – Ensino fundamental incompleto IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada L/ m² – Litro por metro quadrado mL – mililitro mm – milímetro MS – Ministério da Saúde m² – metro quadrado m³ – metro cúbico Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG xvii n – Número NBR – Norma Brasileira NMP – Número Mais Provável ONG – Organização não-governamental PET – Politereftalato de etileno PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PVC – Policloreto de vinila S – Ensino superior completo SODIS – Solar disinfection T – Turbidez TCLE – Termo de Consentimento Livre Esclarecido UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais uH – Unidade Hazen uT – Unidade de Turbidez VMP – Valor mais provável Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG xviii 1. INTRODUÇÃO Segundo Setti et al. (2001), estima-se que no ano 2025, cerca de 5,5 bilhões de pessoas em todo o mundo estarão vivendo em áreas com moderada ou séria falta de água. Entretanto, existe água suficiente para atendimento de toda a população, o que acontece é que a distribuição dos recursos hídricos no planeta não é uniforme, o que causa cenários adversos em determinadas regiões. O Brasil possui disponibilidade hídrica privilegiada, entretanto, cerca de 70% da água doce disponível no país encontra-se na região amazônica, que é habitada por menos de 5% da população (SETTI et al., 2001). Ainda segundo os mesmos autores, a ideia de que existe água em abundância no país pode ter servido, por algum tempo, como suporte à cultura do desperdício, à pouca valorização da água como recurso natural e ao adiamento de investimentos necessários ao seu uso otimizado. Segundo IBGE (2000), o volume de água distribuído à população residente na região sudeste brasileira, no ano 2000, alcançou 0,36 m3 per capita, enquanto que na região norte esse valor era de 0,19 m3 per capita. Considerando que maior parte da população brasileira está localizada na região sudeste, tem-se um grande consumo de água potável nessa região. Segundo o Programa de Uso Racional de Água da Universidade de São Paulo (2006), o consumo de água em residências no Brasil é distribuído em aproximadamente 29% para descargas de bacias sanitárias, ou seja, aproximadamente 1/3 de toda água potável consumida nas residências brasileiras poderia ser economizada caso fossem utilizadas águas de fontes alternativas para essa finalidade. A água de chuva, por exemplo, poderia ser empregada em usos que não exigem potabilidade da água. Com o uso e ocupação desordenados do solo nas grandes cidades, houve uma grande impermeabilização de áreas antes permeáveis, além de assentamentos urbanos próximos a cursos d’água. Esses fatos, em conjunto, desencadearam problemas ambientais e sociais muito importantes. A ocorrrência de enchentes em grandes cidades está se tornando cada vez mais frequente, uma vez que, muitas vezes, as estruturas urbanas não foram dimensionadas para suportar elevadas vazões. A captação e a utilização de água de chuva poderiam se tornar ferramentas importantes, uma vez que contribuiriam para a minimização da ocorrência de Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 1 enchentes, para a economia de água potável, para a contribuição para o meio ambiente, entre outras vantagens. A utilização do sistema de captação de água de chuva é amplamente difundida em regiões semi-áridas brasileiras devido à escassez hídrica que ocorre nesses locais, atingindo principalmente a zona rural. O sistema consiste, basicamente, de quatro etapas: captação (geralmente realizada nos telhados), transporte (onde a água é conduzida através das calhas e tubulações), armazenamento (cisternas) e tratamento (geralmente realizado com cloro). Em relação à utilização de água de chuva em áreas urbanas, pode-se dizer que esse não é um fato frequente no Brasil. Segundo Tomaz (1998), em países desenvolvidos como Canadá, Japão e Alemanha, são oferecidos financiamentos ou doações em dinheiro para as pessoas que se interessam em aproveitar a água de chuva. Os possíveis usos para a água de chuva estão relacionados à sua qualidade, a qual depende das condições de poluição atmosférica da região; do tipo, materiais e frequência de limpeza da superfície de captação, da calha e da tubulação que transporta a água até o reservatório e dos cuidados no manuseio e armazenamento da água. O presente trabalho buscou verificar a qualidade da água de chuva captada na cidade de Belo Horizonte e avaliar o volume que deve ser descartado para que a água de chuva seja utilizada em algumas atividades. Para isso foram instalados dois sistemas piloto em duas regiões distintas da cidade, Centro e Pampulha. Outro objetivo da presente pesquisa foi estudar a percepção de moradores da cidade em relação à possibilidade de se aproveitar essa água em atividades do dia-a-dia. Assim, por meio de metodologia qualitativa, buscou-se conhecer a opinião de alguns habitantes de Belo Horizonte a respeito do tema “aproveitamento de água de chuva” e verificar os motivos de sua aceitação ou rejeição. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 2 2. OBJETIVOS 2.1. Objetivo geral Avaliar a qualidade da água de chuva captada em Belo Horizonte-MG e investigar a percepção dos moradores da capital mineira em relação ao aproveitamento dessa água para fins não-potáveis. 2.2. Objetivos específicos • Comparar a qualidade da água de chuva coletada em duas regiões de Belo Horizonte MG; • Avaliar o volume mínimo de água que deve ser descartado para a limpeza dos telhados destinados à captação de água de chuva em Belo Horizonte - MG; • Avaliar a influência do tipo de superfície de captação na qualidade da água de chuva; • Investigar aspectos favoráveis e empecilhos sócio culturais associados ao aproveitamento de água de chuva no município de Belo Horizonte - MG. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 3 3. REVISÃO DA LITERATURA 3.1. Disponibilidade hídrica no Brasil A escassez de água de boa qualidade é de conhecimento de todos e aumenta ano a ano, devido a irregularidades climáticas, ao crescimento populacional e à degradação dos mananciais. O volume total de água globalmente retirado dos rios, aquíferos e outras fontes aumentou cerca de nove vezes, enquanto que o consumo per capita dobrou e a população triplicou, desde o ano 1950 até o ano 2000. Aproximadamente 8% da população mundial está vulnerável à falta frequente de água e cerca de 25% está caminhando para isso (BRASIL, 2006). No passado, antes dos processos de industrialização e urbanização, quando as cidades eram menores e o esgoto era lançado a jusante, poluindo os cursos d’água, pensava-se sempre que a natureza recuperaria a qualidade da água. Os impactos eram menores tendo em vista o menor volume de esgoto despejado em comparação com a capacidade de diluição dos rios. Entretanto, quando a urbanização tornou-se acelerada, o lançamento de despejos industriais e domésticos tornou-se muito maior, superior à capacidade natural de recuperação dos rios. Como consequência disso, tem-se a deterioração de mananciais e a redução do número de fontes de águas de superfície seguras para a população. Demandoro e Mariotoni (2001) apud Francisco e Carvalho (2004) analisaram a disponibilidade dos recursos hídricos em 13 das principais cidades do Brasil. Apesar do Brasil estar em uma situação favorável no que diz respeito à disponibilidade hídrica global, a concentração da população em áreas urbanas vem gerando consequências sobre os recursos hídricos do país. A pesquisa mostrou que entre as metrópoles estudadas, São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Brasília apresentam situação mais crítica quanto à disponibilidade hídrica per capita. As regiões metropolitanas de Porto Alegre, Belém e Manaus não apresentam problemas de disponibilidade, uma vez que estão localizadas próximas a fontes de vazão elevada. Segundo Oliveira (2009), em algumas localidades da região nordeste do Brasil, a disponibilidade hídrica é inferior a 500m³/hab/ano, valor classificado como o equivalente à situação de escassez hídrica absoluta (UNESCO, 2007). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 4 No Brasil, a perda de água é enorme em muitas localidades onde há disponibilidade hídrica regular. Segundo Setti et al. (2001), as vazões efetivamente consumidas no Brasil são apenas 52% de toda a vazão retirada dos rios e lagos. Considerando o volume de água disponível na Terra e a degradação acelerada dos cursos d’água, é muito provável que no futuro a obtenção de água seja dificultada. Serão necessários métodos de tratamento de água complexos, como dessanilização das águas dos mares, tratamento de esgoto, entre outros, para tornar a água potável para consumo. Essa situação provavelmente vai dificultar ainda mais o acesso de pessoas carentes à água de boa qualidade, uma vez que o seu custo será elevado. Segundo Oliveira (2009), para reverter essa situação é necessário o investimento na gestão de demanda de água em edifícios, residências, comércio e indústrias, com a instalação de componentes que visem o uso racional de água, tais como bacia de volume reduzido de descarga, torneiras economizadoras, arejadores e fontes alternativas de abastecimento de água, com qualidade compatível com o seu uso. Uma alternativa para abastecimento de água em áreas urbanas, para fins menos nobres, é a captação de água de chuva. O sistema consiste de uma superfície de captação, que geralmente é o telhado da edificação ou um piso calçado impermeável próximo à edificação, de uma calha e de uma tubulação para o transporte da água até o local de armazenamento. A seguir serão apresentadas algumas informações que irão facilitar o entendimento sobre a captação de água de chuva e o seu aproveitamento. 3.2. A captação de água de chuva na antiguidade Algumas investigações arqueológicas revelam que a utilização de água de chuva foi muito realizada na antiguidade, em todo o mundo. Foram descobertos reservatórios com tecnologia do povo maia e grandes reservatórios enterrados em áreas hoje pertencentes à Bolívia. Além disso, foram descobertas barragens de acumulação nos Emirados Árabes, datados de 15.000 anos atrás (PANDEY et al., 2003). Na Grécia, há histórico de captação de água de chuva de 3.500 a 1.200 anos antes de Cristo (KOUTSOYIANNIS et al., 2008). Cinco cisternas dessa época foram encontradas na atualidade, sendo duas em Pyrgos e uma em Zacros, Archanes e Tylissos (CADOGAN, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 5 2007). Houve uma época em que o abastecimento de água dependia somente da precipitação, sendo que a captação da água de chuva era realizada em telhados, pisos e outros espaços (ANTONIOU et al., 2006). Em Java, deserto Negro, localizado ao norte da Jordânia, foram construídos sofisticados reservatórios de água de chuva, datados de 3.000 anos antes de Cristo (CHANAN et al., 2007). Segundo Abdelkhaleq e Alhaj Ahmed (2007), há evidências que a Jordânia também fazia uso dessa forma de obtenção de água. Um exemplo disso são as inscrições na Pedra Moabita, datadas de 850 anos antes de Cristo, onde o Rei Mesha Moab sugere que seja construída uma cisterna em cada residência para aproveitar a água das chuvas. Como exemplificado anteriormente, o aproveitamento de água de chuva sempre foi utilizado em todo o mundo, desde a antiguidade, mas perdeu um pouco de sua importância devido ao avanço da tecnologia. Com o surgimento de sistemas coletivos de abastecimento de água, a maioria dos indivíduos não sente necessidade de utilizar outra fonte de água, usando somente a advinda do sistema público de abastecimento, para qualquer atividade. Entretanto, em algumas localidades o aproveitamento de água de chuva está se tornando uma realidade, devido ao não acesso à água potável (principalmente áreas rurais) ou à conscientização da população. 3.3. Superfícies de captação de água de chuva Principalmente em áreas urbanas, as águas que anteriormente infiltravam pelo solo, hoje escoam pelas ruas, causando enchentes. A situação ideal seria que o próprio solo, permeável, absorvesse parte da água da chuva e abastecesse os lençóis subterrâneos. Dessa maneira o ciclo da água se completaria e minimizaria a dificuldade de se encontrar água doce em um futuro próximo. Uma alternativa para a minimização da ocorrência de enchentes nas grandes cidades (elevada impermeabilização do solo) é a captação de água de chuva, que pode ser realizada de várias maneiras, entre elas tem-se a captação ocorrida pelos telhados e pelo piso. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 6 A captação de água de chuva nos telhados é simples e muito utilizada. A estrutura de captação já se encontra implantada nas edificações, o que facilita a implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva. Devido à exposição da estrutura às intempéries, é necessário sempre descartar as primeiras chuvas, dessa maneira minimiza-se a possibilidade de entrada de sujeira no reservatório. Um sistema simplificado é constituído de um telhado que realiza a captação, em seguida a água é encaminhada para uma calha, para os condutores verticais e horizontais e finalmente para o reservatório ou cisterna, conforme ilustrado na Figura 3.1. Reservatório de água de chuva Figura 3.1 - Layout de um sistema simplificado de captação de água de chuva em telhados Alguns fatores podem influenciar a qualidade da água captada, entre eles pode-se citar o tipo de telha. Existem diversos materais e modelos disponíveis no mercado, como telhas cerâmicas, metálicas, fibrocimento, concreto, fibra de vidro, fibra vegetal, PVC, entre outros tipos. Muitas das residêncais brasileiras apresentam telhados constituídos por telhas cerâmicas, enquanto que muitas indústrias apresentam telhas metálicas. A implantação da calha e dos condutores verticais para recolhimento e transporte das águas é realizado de maneira semelhante para todos os tipos de telhas, sendo que o diferencial entre eles consiste basicamente na inclinação dos telhados. Geralmente telhados que possuem telhas cerâmicas apresentam, em média, inclinação entre 20 e 35%. Já os telhados com telhas metálicas apresentam em média inclinação entre 3% e 10% (RODRIGUES, 2003). Ressaltase que as calhas e os condutores verticais devem ser dimensionados corretamente, pois estruturas mal dimensionadas podem causar um aproveitamento de água inferior ao pretendido. Indica-se como referência a Norma Brasileira para Instalações Prediais de Águas Pluviais, NBR 10.844/1989. Em relação aos materiais constituintes das telhas tem-se algumas considerações. As telhas cerâmicas são mais permeáveis do que as telhas metálicas, ou seja, parte da água é absorvida pela telha e parte é escoada. Dessa maneira, sistemas que apresentam esse tipo de telha na 7 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG estrutura de captação, reservam um volume de água inferior aos que possuem telhas metálicas, para uma mesma precipitação. Além disso, o escoamento das águas pluviais sobre a cobertura de telhas cerâmicas pode superar a resistência à abrasão do material e transportar sedimentos para o reservatório, tanto das partículas de sujeira depositadas superficialmente, quanto do próprio material cerâmico (BOULOMYTIS, 2007). Estudos realizados na Malásia, por Yaziz et al. (1989), sobre a influência do tipo de telha na qualidade da água da chuva, mostraram que a turbidez e a concentração de coliformes termotolerantes na água captada pelo telhado de concreto são aproximadamente duas vezes superiores à captada pelo telhado metálico. Os autores explicam que a luz do sol incidindo sob o telhado metálico proporciona um aquecimento da estrutura, eliminando de maneira eficaz muitos microrganismos, fato que proporciona contaminação microbiológica geralmente inferior nas coberturas metálicas em comparação a outros tipos de coberturas. Outra maneira de se captar água de chuva pela cobertura são os chamados telhados verdes, que são pequenos jardins posicionados sobre a laje de cobertura das edificações. Segundo Tomaz (2007), busca-se, com a instalação de telhados verdes, melhoria da qualidade do ar, detenção de enchentes, melhoria na temperatura do ar e melhoria na paisagem. Ainda segundo o mesmo autor, telhados verdes diminuem os custos com refrigeração na época de calor e podem ser aplicados para todos os tipos de construções, desde prédios residenciais e comerciais a indústrias. Os projetos de telhados verdes buscam agregar tecnologia à estética, utilizando água de chuva para conforto e equilíbrio térmico, ocasionando redução de custos de refrigeração (PINHEL et al., 2007). Segundo Tomaz (2007), para a implantação de um telhado verde é necessário que sejam seguidas algumas recomendações. Entre elas pode-se citar a necessidade de implantação de uma camada impermeável inferior que impeça a infiltração de água na laje, um sistema de drenagem eficiente que permita o escoamento da água e a não acumulação em locais impróprios, e adequada vegetação para resistir às diferentes temperaturas. Além disso, devese escolher espécies vigorosas e tolerantes ao solo seco e manter uma espessura de solo entre 150 e 300mm. A Figura 3.2 ilustra um telhado verde implantado em uma residência. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 8 Figura 3.2 - Implantação de um telhado verde em uma residência Fonte: http://www.institutoelosbr.org.br/UserFiles/Image/ecotelhado_2.jpg Segundo Tomaz (2007), edificações com telhados verdes apresentam, em média, retenção de 15% a 70% das águas pluviais, possibilitando redução nos picos de enchentes; redução da temperatura do telhado no verão em mais de 40%; redução dos extremos de temperatura e minimização das “ilhas de calor” causadas pela quantidade excessiva de prédios que impermeabilizam as áreas que antes eram permeáveis. Além disso, o custo de implantação de um telhado verde também é um incentivo, pois varia de 30 a 50% do custo de uma estrutura sem vegetação (telhado comum, com a implantação de telhas), variando de US$ 80,00/m² a US$ 150,00/m² (TOMAZ, 2007). Considerando a situação atual de impermeabilização nas grandes cidades, a captação de água de chuva pelos pisos também pode ser uma alternativa, dependendo do uso. O método é semelhante à captação pelos telhados, sendo necessário impedir que as primeiras águas de chuva sejam reservadas. O piso deve ser impermeável, possuir uma declividade que encaminhe as águas para um reservatório e não deve haver tráfego de automóveis na área de captação. Dessa maneira, busca-se evitar ao máximo a contaminação da área com a queda de óleos e combustíveis. 3.4. Reservatórios para o armazenamento de água Existem diversos tipos de reservatórios que podem armazenar a água de chuva, como cisternas e caixas d’água pré-fabricadas. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 9 As cisternas são uma excelente alternativa para quem busca utilizar racionalmente a água, uma vez que é um reservatório com custo relativamente baixo, mantém a água geralmente fresca e é de fácil execução. Geralmente, as cisternas possuem custo inferior aos reservatórios pré-fabricados com mesmo volume. • Cisternas Na região do semi-árido brasileiro são muito utilizadas cisternas, devido à escassez hídrica que atinge principalmente a zona rural. Essa região é muito carente e a maioria da população rural não é abastecida com água canalizada. Tradicionalmente a água consumida é proveniente de rios ou lagos, muitas vezes localizados a quilômetros de distância. A água de chuva armazenada é então utilizada somente para beber, cozinhar e higiene pessoal. Existem diversos tipos de cisternas, que devem ser escolhidas levando em consideração o tipo de solo, a região, o poder aquisitivo de quem irá construí-la, entre outros. Esse tipo de reservatório consiste de uma caixa circular ou retangular, que pode ser enterrada no solo, semi-enterrada ou superficial. A Tabela 3.1 apresenta alguns tipos de cisternas. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 10 Tabela 3.1 - Tipos de cisternas e suas vantagens e desvantagens Tipos de cisternas Placas Definição São formadas por placas prémoldadas de cimento, envolvidas por anéis de arame e revestidas interna e externamente com argamassa de cimento, ficando semi-enterradas no chão, até mais ou menos dois terços da sua altura. Vantagens • Facilidade de construção em pequenas localidades, uma vez que as ferramentas necessárias são muito simples e de baixo custo; • facilidade no treinamento das pessoas que irão construir as cisternas; • possui baixo custo de construção; e • a água armazenada mantém-se fresca, uma vez que a maior parte da cisterna fica debaixo da terra. Desvantagens • A parte subterrânea não pode ser examinada para detectar vazamentos e caso esses sejam verificados, há dificuldades no conserto; • é necessária escavação de terra para profundidade de aproximadamente 1,60 metros; e • deve-se ter cuidado especial durante as duas semanas seguintes à construção, pois as paredes da cisterna não podem ressecar. Tela e arame Normalmente é construída sobre a superfície, possuindo altura de, aproximadamente dois metros. Para a sua construção são necessárias chapas de aço planas e finas que são seguradas por cantoneiras e parafusadas umas nas outras em forma cilíndrica. A forma levantada é primeiramente envolta com tela de arame e em seguida com arame de aço galvanizado, e, sobre este, é colocada uma camada de argamassa de cimento. • Apropriado tanto para pequenos como para grandes projetos de construção de cisternas; • não exige trabalho pesado de escavação, uma vez que a cisterna fica localizada sobre a superfície; e • muito difícil ocorrerem vazamentos e, caso esses sejam detectados, são facilmente visualizados e consertados. • Deve-se ter cuidado especial durante as duas semanas seguintes à construção, pois as paredes da cisterna não podem ressecar; e • não deve haver interrupções no andamento da obra, caso contrário as subsequentes camadas de reboco não serão aderidas suficientemente entre si. Adaptado de: GNADLINGER, 1999 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 11 Continuação da Tabela 3.1 Tipos de cisternas Tijolos Ferro-cimento Definição A parede circular de tijolos é levantada em uma base concretada e é rebocada pelo lado de dentro e de fora. É semienterrada, ficando cerca de dois terços de sua altura total abaixo do chão. Em relação ao teto da cisterna, deve ser nivelado, de concreto de armação simples ou de vigas de madeira com uma laje fina de concreto. A parede externa deve ser enrolada com arame galvanizado. Vantagens • Adequada para construções individuais ou em mutirão; • todos os materiais são facilmente encontrados; e • a água armazenada mantém-se fresca, uma vez que a maior parte da cisterna fica debaixo da terra. Desvantagens • Tempo de construção demorado; • elevado risco de vazamentos entre o fundo cimentado e a parede; • exige trabalho de escavação adicional; e • em cisternas maiores, o teto de concreto apresenta custo relativamente alto devido ao grande diâmetro. É construída sobre um fundo cimentado onde uma armação de arame de aço é enrolada várias vezes com telas de arame. Em seguida a tela é cimentada por dentro e por fora. • Adequada para construções individuais; • não necessita de escavação, pois é construída sobre a superfície; e • os vazamentos não são muito constantes. • Exige bastante habilidade dos pedreiros, tanto para levantar o esqueleto de arame, quanto para a aplicação da argamassa. Adaptado de: GNADLINGER, 1999 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 12 Continuação da Tabela 3.1. Tipos de cisternas Cal Definição Apresenta toda a sua estrutura abaixo da terra. Na maioria das vezes apenas a cúpula superior permanece sobre a superfície. A terra é escavada na medida exata do tamanho da cisterna e seu fundo é côncavo. A cisterna tem a forma de uma casca de ovo, sendo que sua parede é de tijolos. Para o levantamento dessas paredes, usa-se em geral argamassa de cal pura e para o reboco interno usa-se camadas de argamassa de cal com pouco cimento. Já o teto pode ser feito de tábuas, porém bem vedado contra a entrada de pequenos animais, ou, mais simples, pode ser uma cúpula feita de tijolos. Vantagens • A técnica de construção é muito conhecida, pois é parecida com as construções de fornos de carvão e de cal do interior do Brasil; • a construção não precisa ser terminada de uma vez; e • as paredes levantadas com cal são mais resistentes a tensões, porque a argamassa de cal é mais elástica do que a argamassa de cimento. Desvantagens • São necessários trabalhos de escavação; • a argamassa de cal só se torna impermeável com o uso de aditivos; e • a argamassa de cal precisa de mais tempo para curar do que a de cimento. Adaptado de: GNADLINGER, 1999 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 13 • Reservatórios pré-fabricados A variedade de reservatórios pré-fabricados no mercado é enorme, entre eles podem ser destacados os reservatórios feitos de fibras de vidro e polietileno. Para o armazenamento de água de chuva, pode-se utilizar tanto caixas d’água, desde que essas não sejam enterradas, quanto cisternas ou reservatórios pré-fabricados, que são construídos para resistir ao empuxo do solo. Geralmente utiliza-se cisternas enterradas para receber a água diretamente das tubulações que descem da calha. Já as caixas d’água geralmente recebem as águas bombeadas das cisternas. Na maioria dos sistemas essas caixas ficam localizadas sobre as lajes da edificação, permitindo que a água desça por gravidade até os pontos de utilização (Figura 3.3). O funcionamento é muito parecido com o sistema de abastecimento indireto de água potável, com a diferença que a água não vem da rede pública e sim da calha ligada ao telhado ou ao piso. Figura 3.3 - Exemplo de sistema que bombeia água da cisterna para a caixa d’água Fonte: www.saplei.eesc.usp.br/tgi2005 • Garrafa PET como reservatório alternativo Devido à dificuldade de obtenção de água potável em alguns lugares do mundo, algumas alternativas estão sendo criadas e incrementadas, por diversas pessoas, para a utilização da água de maneira racional. A população mundial que não é abastecida com água potável, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano publicado pelo PNUD (2006), é de 1,1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Muitas dessas pessoas utilizam água de rios poluídos ou Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 14 poços de água salobra, pois não têm outra escolha. Entretanto, a captação de água de chuva poderia ser uma alternativa para o seu abastecimento. Em outubro de 2008, o site da internet “www.yankodesign.com” criou o concurso ”Design for Poverty International Contest”, que promovia ideias que contribuissem para melhorar a vida de pessoas carentes. “Rain Drops” foi o sistema desenvolvido por um americano que ganhou a medalha de ouro, trata-se de uma alternativa para pessoas que não têm condições de comprar um reservatório para armazenar água de chuva. A ideia é utilizar garrafas PET para armazenar a água da chuva coletada nos telhados. O sistema de aproveitamento é igual aos usualmente adotados no Brasil, em relação ao telhado é à calha, se diferenciando apenas nas tubulações e reservatório. O sistema consiste em posicionar garrafas PET junto ao condutor vertical, que possui vários orifícios para encaixar as garrafas. Esses orifícios seriam vedados por uma peça, como ilustra a Figura 3.4. A estrutura desenvolvida suporta até 21 garrafas de 1,5L. Em relação ao descarte das primeiras chuvas, não foi possível verificar, na reportagem, como ela seria realizada. ÁGUA DE CHUVA Figura 3.4 - Sistema de armazenamento de água de chuva em garrafas PET Fonte: http://www.yankodesign.com/2008/10/30/design-for-poverty-winners Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 15 Uma das principais vantagens desse sistema é a possibilidade da água armazenada ser desinfetada pela técnica do SODIS (do inglês Solar Disinfection), uma vez que o seu armazenamento será em garrafas PET. Essa técnica utiliza a combinação de raios solares e o calor para inativar alguns microrganismos, como os patogênicos, por exemplo. Em relação à desvantagem, tem-se a necessidade de que a água de chuva armazenada na garrafa PET seja encaminhada para um reservatório de volume maior. Caso contrário, o volume de água armazenado estará restrito a 31,5 L (volume das 21 garrafas PET). Dessa maneira, locais onde as chuvas são concentradas em determinados períodos do ano, não seriam indicados para a sua implantação, uma vez que não haveria volume de água armazenada suficiente para posterior utilização. 3.5. Múltiplas barreiras para proteção da água de chuva captada Para que as águas de chuva possam ser aproveitadas é imprescindível que se tenha alguns cuidados para minimizar a sua contaminação. Certos cuidados durante a captação, armazenamento e consumo da água podem garantir a sua qualidade sanitária. Segundo Silva (2006) a maioria das contaminações da água de chuva ocorre durante a sua captação, dessa maneira a primeira barreira que deve ser considerada é o impedimento de queda dos primeiros milímetros de chuva dentro do reservatório. A partir do momento em que ocorrem as primeiras chuvas, as sujeiras (pequenos animais mortos, fezes de aves e roedores, folhas, detritos, poeira e microrganismos) são carreadas e acumuladas no interior dos reservatórios. O ideal é que exista um dispositivo automático de desvio das primeiras águas para realizar essa função. Segundo Andrade Neto (2004), o dispositivo automático para desvio das primeiras águas de chuva é uma barreira física de proteção sanitária das cisternas. Os dispositivos de impedimento e ou minimização de contaminação dos reservatórios pelas primeiras chuvas disponíveis no mercado são inúmeros. Variam desde a simples e pequenos reservatórios de água (Figura 3.5) até a filtros mais sofisticados. Esses dispositivos simplificados funcionam basicamente como um “selo hídrico”, onde a água “suja” fica armazenada no pequeno reservatório e a água “limpa” passa direto para a cisterna. Em sistemas de captação simplificados, muito utilizados no semi-árido brasileiro, esse desvio é realizado pela retirada do tampão que intercepta o tubo que liga a calha à cisterna (Figura 3.6) ou pela retirada da própria calha (estrutura móvel). Esse método de descarte é contestado, uma vez que a quantidade de água descartada na primeira chuva não é controlada, podendo ocorrer um Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 16 volume de água superior ou inferior ao necessário para limpar o telhado. A segunda consideração diz respeito à vigilância requerida aos moradores quando da ocorrência da primeira chuva, uma vez que eles precisam ficar atentos para retirar o tampão ou a calha móvel e descartar a água. Figura 3.5 - Dispositivo de desvio. Fonte: Andrade Neto (2004) Figura 3.6 - Retirada do tampão Entre os filtros existentes no mercado, pode-se destacar o filtro tipo vórtex (Figura 3.7) que é geralmente instalado a jusante dos condutores verticais e a montante da entrada da cisterna e possui a função de separar a água de chuva de impurezas como folhas, galhos e insetos. Existe o filtro de descida (Figura 3.8), que é instalado diretamente no conduto vertical e possui praticamente as mesmas funções do filtro anterior. Os filtros flutuantes (Figura 3.9) são geralmente instalados dentro de reservatórios que possuem sua água bombeada. O flutuador esférico permite que a água seja captada logo abaixo da superfície, filtrando as impurezas que porventura estejam no reservatório, melhorando a qualidade da água e evitando problemas para o funcionamento da bomba. Além dos filtros citados anteriormente, estão disponíveis também no mercado “kits” que realizam a função de controle do abastecimento de água pluvial. Algumas empresas os nomearam de “kits” de interligação automática (Figura 3.10). Esse controle é feito por meio de monitoramento do volume de água de chuva existente dentro do reservatório. Quando uma bóia de nível detecta o baixo nível de água no reservatório é acionada uma válvula solenóide, que se abre permitindo a entrada de água da rede pública ou outra fonte de abastecimento. O importante é sempre não proporcionar a mistura das águas potável e não potável. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 17 Figura 3.7 - Filtro tipo vórtex Fonte: www.engeplas.com.br Figura 3.9 - Filtro flutuante Fonte: www.engeplas.com.br Figura 3.8 - Filtro de descida Fonte: www.engeplas.com.br Figura 3.10 - “Kit” de interligação automático Fonte: www.engeplas.com.br A Figura 3.11 apresenta a disposição de alguns desses mecanismos de minimização de contaminação da água da chuva localizados em um sistema de aproveitamento. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 18 Figura 3.11 - Filtro flutuante Fonte: www.engeplas.com.br Em relação ao volume de água a ser descartado, existem alguns valores que são citados na literatura, variando desde 0,4 L/m² a 2,0 L/m² de área de telhado. A NBR 15.527/2007 (ABNT, 2007) indica que o dispositivo de descarte de água deve ser dimensionado pelo projetista e que na falta de dados, o recomendado é que se descarte 2 mm da precipitação inicial, ou seja, 2 litros de água por 1 metro quadrado de telhado. O segundo ponto a se considerar é com relação ao reservatório, que deve ficar completamente fechado, impedindo a entrada de luz. Dessa maneira minimiza-se a proliferação de algas no seu interior e a entrada de animais. É importante ressaltar que não se deve deixar nenhum reservatório aberto, sendo de água pluvial ou potável, pois além dos problemas citados anteriormente existe a questão da proliferação de alguns mosquitos em água parada. Ainda com relação ao reservatório, para a saída do excesso de água é necessário prever um extravasor, que deverá estar posicionado próximo à superfície. Esse extravasor deve ser tamponado com uma tela ou grade para impedir a entrada de animais. O terceiro ponto, mas não menos importante, está ligado ao tratamento da água. Dependendo da atividade em que for utilizada, a água precisará passar por um tratamento mais complexo ou mais simplificado. Usos menos nobres podem não exigir tratamento ou podem necessitar somente de filtração, dependendo da situação. Já usos mais nobres podem exigir um tratamento completo. Como citado anteriormente, a filtração está presente em muitos dos 19 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG sistemas pré-fabricados, onde um filtro localizado a montante do reservatório impede que os resíduos grosseiros adentrem na cisterna. Além disso, dependendo do uso ao qual a água de chuva se destina, é importante promover a sua desinfecção, que pode ser realizada com cloro (mais utilizada), luz solar, entre outros mecanismos. Em relação à desinfecção solar, segundo Aristanti (2007), esse método está sendo otimizado e utilizado em diversos países, uma vez que esse tratamento é eficiente, além de ser barato e de simples manuseio. Segundo a mesma autora, a Indonésia é um país cujos habitantes possuem dificuldade imensa em obter água potável para consumo, principalmente os que habitam a zona rural. Baseado nisso algumas organizações, como a UNICEF, e algumas companhias, como a Coca-Cola e a Georg Fischer, estão colaborando para que essa técnica seja efetivamente implantada no país. Segundo Aristanti (2007), o número de casos de diarréia diminuiu até 100% em algumas localidades. Amaral et al. (2006) estudaram o uso da radiação solar na desinfecção da água de poços rasos no Brasil, com o objetivo de verificar a redução de coliformes totais e Escherichia coli presentes nas águas após a desinfecção solar. O resultado foi uma redução de 99,9% para o primeiro parâmetro e 100,0% para o segundo parâmetro, após 12h de exposição ao sol. A retirada de água da cisterna ou reservatório é o quarto ponto a ser abordado, essa deve ser realizada de maneira a minimizar ao máximo a sua contaminação. Sempre que possível é interessante que essa água seja bombeada e encaminhada diretamente para o ponto de consumo. Um exemplo dessa situação pode ser visualizado na Figura 3.12, onde a água armazenada na cisterna é bombeada para os pontos de utilização. Figura 3.12 - Exemplo de bombeamento da água armazenada na cisterna Fonte: www.acquabusiness.com/produtos.htm Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 20 Na zona rural do semi-árido brasileiro, por exemplo, a maioria das pessoas retira a água da cisterna com um balde ou panela (Figura 3.13). Nesses locais o risco de contaminação é elevado pois muitas vezes esses recipientes não são higienizados corretamente. Algumas ONG’s estão apresentando bombas manuais aos moradores da zona rural, trata-se de uma técnica simples e que aparentemente consegue exercer a função desejada (Figura 3.14). Figura 3.13 - Coleta utilizando recipiente Figura 3.14 - Coleta com bomba manual 3.6. Experiências com a implantação de sistemas de aproveitamento de água de chuva O aproveitamento de água de chuva é algo muito frequente em áreas onde o acesso à água não é facilitado, como o semi-árido brasileiro. Nas áreas urbanas este fato está ganhando espaço, mas ainda de maneira muito tímida. No mundo em geral, existem proprietários de residências, comércios e indústrias que estão adotando esse sistema, buscando, principalmente, economizar na conta de água, contribuir para o meio ambiente e minimizar a frequência de enchentes nas cidades. A seguir serão apresentados alguns casos que exemplificam essa situação. • Reservatórios localizados na frente de residências no Japão No distrito de Ichitera-Kototoi, na cidade de Sumida, Japão, existe uma rua chamada Eco-Roji (Rua Ecológica) onde reservatórios subterrâneos são localizados na frente de algumas residências. Esses tanques possuem capacidade de 10m3 para armazenamento de águas pluviais e são dotados de bombas manuais. As águas armazenadas são utilizadas em irrigação de plantas e na emergência, como a falta de abastecimento público de água (FENDRICH e OLIYNIK, 2002). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 21 • Edifício comercial de uma editora no Japão O edifício principal da Editora Toppan está localizado em Tóquio, Japão. Um projeto de ampliação do edifício incluiu um sistema de utilização de águas pluviais no projeto de construção (Figura 3.15). Foram investidos US$150.000 no sistema de aproveitamento, que possui como diferencial um sensor de chuva e neve que elimina automaticamente as primeiras precipitações (FENDRICH e OLIYNIK, 2002). As águas de chuva são coletadas nos telhados, armazenadas em um reservatório subterrâneo e bombeadas para utilização na descarga dos vasos sanitários. Nesse edifício os vasos sanitários são ligados às duas redes, potável e pluvial, sendo que, quando há falta de uma água, a outra abastece o aparelho automaticamente. Figura 3.15 - Sistema de aproveitamento de água de chuva em edifício comercial Fonte: Fendrich e Oliynik (2002) • Fábrica de refrigerantes localizada no estado do Paraná – Brasil No estado do Paraná, Brasil, há uma fábrica de refrigerantes do grupo Coca-Cola (Indústrias Spaipa) que realiza a captação e o aproveitamento de água da chuva para uso no processo industrial. A água da chuva que cai em parte do telhado das fábricas é coletada e armazenada em uma cisterna. Depois de passar por um equipamento de filtração e ser analisada quanto à potabilidade, segue para se misturar com a água captada dos poços e do sistema de abastecimento público. Posteriormente, a água tratada é utilizada na produção dos refrigerantes (Figura 3.16). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 22 1º- A água de chuva é coletada nas calhas 2º- A água é armazenada na cisterna exclusiva 4º- A água de chuva é misturada com a água advinda de um poço e da rede pública 5º- A água passa por um tratamento 6º- A água retorna à fábrica para a produção de refrigerantes 3º- A água passa por um filtro para remoção de partículas Figura 3.16 - Sistema de aproveitamento de água de chuva em fábrica de refrigerantes Fonte: http://www.spaipa.com.br/captacaodaagua.htm • Fábrica de equipamentos de aquecimento solar localizada em Freiburg – Alemanha A fábrica de equipamentos de aquecimento solar, SAG Eletricidade Solar, localizada na cidade de Freiburg, Alemanha, realiza a captação de água de chuva por meio de um telhado verde (Figura 3.17). O telhado de aproximadamente 1500m² de área realiza a captação, sendo parte da água armazenada alí mesmo e parte encaminhada para um reservatório inferior. A água localizada no reservatório inferior é aproveitada nas descargas dos vasos sanitários da fábrica (400m3 de água pluvial por ano). Uma consideração que deve ser realizada é que devido a água passar pelo telhado verde antes de ser utilizada nos vasos sanitários, ela apresenta uma cor levemente amarronzada, fato que não impediu os funcionários de aprovarem a ideia (KÖNIG, 2007). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 23 (A) Telhado verde (B) Layout do sistema Figura 3.17 - Telhado verde implantado em fábrica alemã Fonte: König (2007) 3.7. Leis de incentivo à captação de água de chuva A captação e o aproveitamento de água de chuva estão se tornado cada vez mais difundidos. Durante a presente revisão bibliográfica foram encontradas algumas leis que incentivam a implantação desse sistema no Brasil e em outros países. 3.7.1. Legislações municipais e estaduais brasileiras No Brasil, existem algumas leis de incentivo ao aproveitamento de água de chuva, tanto municipais quanto estaduais. A elaboração dessas leis foi realizada com a intenção de minimizar o desperdício de água potável para atividades que efetivamente não necessitem dessa qualidade. A seguir serão apresentadas algumas dessas leis. 1) Lei Municipal Nº 13.276/2002 – São Paulo - estado de São Paulo Lei aprovada em 2002 que torna obrigatória a execução de reservatório para armazenar águas de chuva coletadas por coberturas e pavimentos localizados em lotes ou edificações que tenham área impermeabilizada superior a 500m². É citada a necessidade de instalação de um sistema que conduza toda a água captada pelos telhados, coberturas, terraços e pavimentos descobertos ao reservatório. Além disso, os estacionamentos deverão possuir piso drenante ou piso naturalmente permeável em pelo menos 30 por cento de sua área. Em caso de descumprimento da lei, o infrator não obterá a renovação do seu alvará de funcionamento. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 24 2) Lei Municipal Nº 10.785/2003 – Curitiba - estado do Paraná Possui como objetivos instituir medidas visando induzir à conservação, uso racional e utilização de fontes alternativas para captação de água nas novas edificações. O não cumprimento da lei implica na negativa de concessão do alvará de construção para novas edificações. No texto são citadas as possíveis atividades para utilização de água de chuva, como rega de jardins e hortas, lavagem de roupas, veículos, vidros, calçadas e pisos. 3) Lei Municipal Nº 6.345/2003 – Maringá - estado do Paraná Lei aprovada em 2003 que institui o Programa de Reaproveitamento de Águas de Maringá e que possui como objetivos diminuir a demanda de água potável no município e aumentar a capacidade de atendimento à população. Os munícipes são incentivados a instalarem sistema para recolhimento de águas pluviais, além de sistema de reaproveitamento de águas servidas. São citadas utilizações na descarga de vasos sanitários, lavagem de pisos, entre outros usos. Pessoas interessadas em instalar esses sistemas devem procurar especificações durante a elaboração do projeto de construção ou reforma. As residências e estabelecimentos comerciais que aderirem ao Programa farão parte de um estudo para concessão de incentivos. 4) Lei Municipal Nº 2.349/2004 – Pato Branco - estado do Paraná Essa lei cria o Programa de Conservação e Uso Racional da Água e objetiva instituir medidas que induzam à conservação, ao uso racional e à utilização de fontes alternativas para a captação de água nas novas edificações. São consideradas como fontes alternativas a captação, o armazenamento e a utilização de água de chuva e de águas servidas. As atividades indicadas para uso são as que não necessitam de água tratada, assim como a irrigação de jardins e hortas, a lavagem de roupa, a limpeza de veículos, vidros, calçadas e pisos, além de descarga nos vasos sanitários. O não cumprimento da lei implica na negativa de concessão do alvará de construção para as novas edificações. Estão obrigados a cumprirem a Lei edificações residenciais com área acima de 200m², edificações comerciais com área acima de 100m², edificações industriais com qualquer área, edificações públicas e educacionais com qualquer área. 5) Lei Estadual Nº 4.393/2004 - estado do Rio de Janeiro Lei aprovada em 2004 que obriga empresas projetistas e de construção civil que realizam projetos para o estado do Rio de Janeiro a fazerem previsão de coletores, caixas de Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 25 armazenamento e distribuidores de água de chuva para as edificações (residências) que abriguem mais de 50 famílias e empresas comerciais com mais de 50m² de área construída. A Lei recomenda ainda que os reservatórios de água de chuva sejam separados dos reservatórios de água potável. Além disso, indica alguns usos para a água de chuva, como a lavagem de áreas comuns de prédios e automóveis, rega de jardins, limpeza de banheiros, entre outros, e alerta que não deve haver mistura de água potável com pluvial nas canalizações. 6) Lei Estadual Nº 5.722/2006 - estado de Santa Catarina Lei aprovada em 2006 que obriga edifícios com um número igual ou superior a 3 pavimentos e área superior a 600m² a instalarem sistema de captação, tratamento e aproveitamento de água de chuva. Enquadram-se nessa lista também os hotéis, motéis, pousadas e similares com número igual ou superior a 8 apartamentos dotados de toaletes. Recomenda-se a utilização dessa água em ambientes externos, como para jardinagem, lavagem de pisos, garagem e irrigação de hortas. 7) Lei Municipal Nº 12.474/2006 – Campinas - estado de São Paulo Essa lei faz parte do Programa Municipal de Conservação, Uso Racional e Reutilização de Água em Edificações. Possui como objetivos a conscientização dos moradores sobre a importância da conservação da água potável, além de incentivar os moradores da cidade de Campinas a utilizarem águas pluviais e servidas. Esse incentivo está relacionado à implantação de um sistema com captação, reservação, tratamento, monitoramento da qualidade e distribuição para usos menos nobres da água de chuva, como irrigação e lavagem de pisos. A lei incentiva também o uso das águas servidas e a implantação de medidores de água individualizada nos apartamentos, além de equipamentos economizadores de água, como bacias sanitárias com caixas acopladas e arejadores nas torneiras. 8) Lei Estadual Nº 12.526/2007 - estado de São Paulo Lei aprovada em 2007 que torna obrigatório em todo o estado de São Paulo o uso de sistemas que captem as águas pluviais contidas em áreas descobertas com mais de 500 m2, onde telhados, coberturas, terraços e pavimentos, em lotes edificados ou não, terão que adotar um fim para a água reservada. São citadas possíveis utilizações para a água de chuva como reserva de incêndio, irrigação de gramados e plantas, controle de poeira, limpeza de pisos, carros, calçadas, usos em descargas de vaso sanitário, entre outros, não sendo recomendado o Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 26 consumo direto e o uso no preparo de alimentos e na higiene pessoal. O objetivo da Lei é prevenir enchentes e inundações, além de contribuir para a racionalização do uso da água tratada. 9) Projeto de Lei Municipal Nº 68/2009 – Belo Horizonte - estado de Minas Gerais O projeto de Lei busca a minimização da ocorrência de enchentes na cidade de Belo Horizonte - MG. Prevê-se a implantação de coletor de águas pluviais e reservatórios em edificações com área impermeabilizada superior a 500m². O projeto determina, também, que imóveis destinados às atividades de estacionamento de veículos devem apresentar, no mínimo, 30% de sua área total como sendo permeável. Além disso, o projeto de Lei cita a concessão da Certidão de Baixa de Construção e Habite-se condicionada à adoção desse sistema. Os usos indicados para a água de chuva são a infiltração no solo, irrigação e limpeza de passeios ou áreas de uso comum das edificações. 3.7.2. Legislação Federal Brasileira Não foi encontrada nenhuma Lei Federal, aprovada, que incentive o aproveitamento de água de chuva nas áreas urbanas brasileiras. O que existem são Normas e Portarias que estabelecem padrões de qualidade da água. Existe também um apoio do Ministério das Cidades à promoção da gestão sustentável da drenagem urbana nos municípios brasileiros. São estimuladas ações estruturais e não estruturais dirigidas à prevenção, ao controle e à minimização dos impactos provocados por enchentes urbanas e ribeirinhas. As intervenções estruturais consistem em obras que devem preferencialmente privilegiar a redução, o retardamento e o amortecimento do escoamento das águas pluviais. Essas intervenções incluem reservatórios de amortecimento de cheias, adequação de canais para a redução da velocidade de escoamento, sistemas de drenagem por infiltração, implantação de parques lineares, recuperação de várzeas e a renaturalização de cursos de água. As intervenções não-estruturais incluem a elaboração de estudos, projetos, planos diretores de drenagem ou planos de manejo de águas pluviais; iniciativas de capacitação e desenvolvimento institucional e de recursos humanos, fortalecimento social, fiscalização e avaliação. A ação apóia iniciativas para promover e qualificar o planejamento de futuras intervenções destinadas ao escoamento regular das águas pluviais e prevenir inundações, proporcionando segurança sanitária, patrimonial e ambiental (BRASIL, 2006). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 27 3.7.3. Legislação estrangeira Principalmente nos Estados Unidos, Japão e em alguns países da Europa, o aproveitamento de água de chuva é algo frequente. Na Alemanha, por exemplo, existem administrações municipais que cobram taxas diferenciadas para a coleta de água pluvial. Nesses lugares a taxa de drenagem era cobrada, anteriormente, dividida igualmente entre todos os cidadãos. A cidade de Freiburg, por exemplo, está realizando uma cobrança por m² de área impermeabilizada, onde as propriedades que tiverem áreas maiores que 1.000 m² deverão arcar com uma despesa maior do que aquelas que captarem água de chuva. Dessa maneira, os imóveis que despejam mais água pluvial na rede urbana possuem ônus maior do que aquelas que retêm em sua propriedade essa água. A intenção é incentivar todas as pessoas a aderirem a essa ideia de captação, pois dependendo do volume captado, há a possibilidade de isenção da taxa (KÖNIG, 2007). Na cidade de Tucson, localizada no estado do Arizona, Estados Unidos, em outubro de 2008 foi publicada a lei municipal de Nº 10.597/2008, que obriga todos os novos edifícios comerciais, prontos a partir de janeiro de 2010, a preverem sistema de aproveitamento de água de chuva (TUCSON, 2008). A cidade de São Franciso, localizada no estado da Califórnia (um dos maiores consumidores per capita de água potável do mundo), Estados Unidos, também está incentivando o aproveitamento de água de chuva. No mês de outubro de 2008 foi iniciado o programa piloto de incentivo aos moradores da cidade à captação de água de chuva. Esse incentivo se deu pelo desconto de U$60,00 na compra dos reservatórios de armazenamento (COMMUNICATIONS AND PUBLIC OUTREACH, 2008). Em 2001 foi aprovado pelo 77º Texas Legislature a alteração da seção 11.32 do Código Fiscal do Texas, Estados Unidos. A alteração está relacionada à possibilidade de isenção ou desconto em impostos referentes ao imóvel, onde proprietários de edificações que possuem sistemas de aproveitamento de água de chuva são beneficiados (TEXAS, 2005). 3.8. Principais Portarias e Normas sobre qualidade de água no Brasil No ano de 2007, a Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou a Norma Nº 15.527/2007 (ABNT, 2007), que fornece requisitos para o aproveitamento de água de chuva em coberturas localizadas em áreas urbanas para fins não potáveis. Recomenda-se o uso, após Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 28 tratamento adequado, em descarga de bacias sanitárias, irrigação de gramados e plantas ornamentais, lavagem de veículos, limpeza de calçadas e ruas, limpeza de pátios, espelhos d’água e usos industriais. Em relação ao sistema de captação, é indicada a instalação de dispositivos para remoção de detritos, como grades e telas, além de um dispositivo automático para o descarte das primeiras águas de chuva. Na falta de dados, recomenda-se o descarte de 2 mm da precipitação inicial para o dimensionamento do dispositivo de descarte. São apresentadas algumas regras para a instalação dos reservatórios, métodos de dimensionamento e indicadas algumas medidas de limpeza e manutenção. Em relação à qualidade da água, a Norma preconiza que essa deverá ser definida pelo projetista de acordo com a utilização prevista. Entretanto, são citados alguns parâmetros de qualidade que devem ser respeitados para usos restritivos não-potáveis, que estão apresentados na Tabela 3.2. Na Norma não está citada, de maneira clara, o que são esses usos restritivos não potáveis e tampouco o que são usos menos restritivos, o que pode causar dúvidas à população no momento de sua utilização. Tabela 3.2 - Parâmetros de qualidade de água para usos restritivos não potáveis Parâmetro Coliformes totais Coliformes termotolerantes Cloro residual livre Período de análise Semestral Ausência em 100mL Semestral Ausência em 100mL Mensal 0,5 a 3,0 mg/L < 2,0 uT, < 5,0 uT para usos menos restritivos < 15 uH pH entre 6,0 e 8,0, no caso de tubulações de aço carbono ou galvanizado Turbidez Mensal Cor aparente Mensal pH Mensal Valor Adaptado de: ABNT, 2007 A Portaria nº 518/2004 do Ministério da Saúde (BRASIL, 2004) estabelece padrões de qualidade para a água destinada ao consumo humano, e apresenta procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e à vigilância da qualidade da água potável. A Portaria apresenta uma lista de parâmetros para o padrão microbiológico de potabilidade, padrão de potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde, padrão de radioatividade para água potável e padrão de aceitação para consumo humano. Além dessas duas referências existe também o padrão de balneabilidade da Resolução CONAMA Nº 274/00 (BRASIL, 2000). O padrão de balneabilidade estabelece a qualidade das águas destinadas à recreação de contato primário, sendo entendido como um contato Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 29 direto e prolongado com a água - incluindo-se natação, mergulho, esqui-aquático, entre outros - onde há possibilidade de ingestão da água. O padrão classifica as águas principalmente em função da presença de coliformes termotolerantes, Escherichia coli, enterococos e pH. A Tabela 3.3 apresenta um resumo da classificação do CONAMA 274/00. Tabela 3.3 - Classificação das águas quanto ao padrão de balneablidade Coliformes Escherichia coli em (NMP termotolerantes em 100mL) (NMP em 100mL) Excelente Muito boa Satisfatória Imprópria 250 500 1000 > 2500 200 400 800 > 2000 Enterococos (NMP em 100mL) pH 25 50 100 > 400 pH< 6,0 ou > 9,0 Adaptado de: CONAMA, 2000 Para a classificação das águas conforme a Tabela 3.3, é necessário que 80% ou mais de um conjunto de amostras obtenham no máximo os valores citados na tabela. Em relação à classificação quanto à impropriedade na utilização da água, além dos parâmetros citados anteriormente, devem ser considerados a incidência de enfermidades transmissíveis via hídrica na região, a presença de despejos no corpo d’água, a floração de algas e outros fatores que contra-indiquem o exercício de contato primário. 3.9. Qualidade da água de chuva A água da chuva pode ser utilizada para diversas finalidades, dependendo de sua qualidade. Geralmente, águas captadas em áreas rurais, localizadas longes de indústrias e tráfego intenso de caminhões, ônibus e automóveis, apresentam qualidade superior às águas captadas em áreas urbanas industriais. Entretanto, a localização do ponto de captação não é, isoladamente, uma garantia de boa qualidade da água. É indicada, sempre, a análise da qualidade da água para a verificação da sua possível utilidade. Existem vários parâmetros que podem influenciar na qualidade da água de chuva, como a qualidade do ar da região onde será realizada a coleta, o tipo de material da superfície de captação; a limpeza dessa superfície, da calha, da tubulação que transporta a água até o reservatório e do próprio reservatório; bem como os cuidados dos moradores com a manutenção do sistema e o manuseio da água (ANDRADE NETO, 2004). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 30 Vários estudos sobre a qualidade da água de chuva estão sendo realizados no mundo todo. No Brasil, pode-se citar Silva (2006), que verificou a qualidade da água de chuva captada e armazenada em cisternas (novas e antigas) na zona rural do Vale do Jequitinhonha - MG. Foi constatado que a qualidade dessa água era superior à que os moradores tinham acesso, provenientes de rios e poços. Segundo Andrade Neto (2004), alguns estudos demonstraram que a água de chuva captada em áreas rurais apresenta baixa contaminação físico-química, normalmente atendendo aos padrões de potabilidade de água para consumo humano. Os riscos no consumo da água estariam mais associados à contaminação microbiológica, por depender tanto dos cuidados na captação/armazenamento quanto do manuseio correto (ANDRADE NETO, 2004). Em áreas urbanas brasileiras, também alguns estudos foram realizados sobre a qualidade da água de chuva, entre eles pode-se citar: May (2004), que estudou a água captada em São Paulo (capital); Annecchini (2005), que estudou a água captada na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo e Cipriano (2004), que estudou a água captada em Blumenau, Santa Catarina. A região metropolitana de Belo Horizonte também teve sua água de chuva analisada quanto à ocorrência de chuvas ácidas (FIGUEIRÊDO, 1994). Annecchini (2005) verificou em seu estudo melhora na qualidade da água captada em Vitória após o descarte dos primeiros 1,5 milímetro de chuva. A água de chuva coletada em um telhado metálico apresentou parâmetros como pH e Escherichia coli que atendiam ao padrão de balneabilidade (CONAMA nº 274/00). Verificou também que a precipitação equivalente aos primeiros 1,5mm apresentava concentração média de sulfato de 8,1mg/L e a precipitação equivalente a 3mm apresentava concentração de 3,5 mg/L. Como conclusão do trabalho tevese a confirmação de que a chuva tem um importante papel na remoção dos poluentes da atmosfera, promovendo a sua limpeza. Os primeiros milímetros de chuva são os mais poluídos e ao longo do evento chuvoso ocorre a melhoria na qualidade da água da chuva. Poucos estudos brasileiros foram realizados para caracterizar a qualidade da água dos primeiros milímetros de chuva. A Tabela 3.4 ilustra os resultados obtidos por Annecchini (2005), na cidade de Vitória, estado do Espírito Santo, e por Tordo (2004), na cidade de Blumenau, estado de Santa Catarina. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 31 Tabela 3.4 - Qualidade das primeiras águas de chuva Parâmetros pH Turbidez (uT) Cor aparente (uH) Dureza (mg/L) Alcalinidade (mg/L) Sulfato (mg/L) Ferro (mg/L) Coliformes totais (NMP/100mL) Escherichia coli (NMP/100mL) ANNECCHINI, 2005 1 mm de chuva média máx min 6,52 6,70 6,33 37,0 70,0 14,0 26 36 10 15,6 19,3 11,7 12 16 4 - TORDO, 2004 0,2 mm de chuva média máx 5,60 6,35 4,4 15,0 33 89 24 56 14,5 20,7 3,42 23,00 min 4,86 1,1 17 9 10,0 0,15 386 538 218 3474 50000 387 - - - 800 24000 7 Cipriano (2004) estudou a qualidade das águas de chuva para uso doméstico e industrial. Foram coletadas águas filtradas por filtro de carvão e por filtro de areia, com posterior desinfecção por radiação ultravioleta. Foram obtidos resultados satisfatórios conforme a Portaria 518/2004 e foi constatado também que a água captada, sem tratamento, atende aos requisitos estabelecidos para alguns usos industriais. Figueirêdo (1994) coletou águas de chuva em três estações de monitoramento localizadas na região metropolitana de Belo Horizonte, no período entre outubro de 1992 e fevereiro de 1993. Os pontos estavam distribuídos da seguinte maneira: um na capital (região centro-sul), um em Contagem e outro em Betim. É importante esclarecer que em todas as estações as águas eram coletadas sem passar por uma superfície de captação. Com a conclusão da pesquisa foi verificado que 44% do total de amostras apresentavam pH menor que 5,65, valor equivalente à chuva ácida. Em Betim (região com grande número de indústrias) esse percentual foi de 65%, e em Belo Horizonte e Contagem foi de 30%. Em relação à presença de sulfato na água de chuva, foram encontrados valores médios aproximados de 23 µeq/L em Belo Horizonte e 27 µeq/L em Contagem e Betim. Em relação a pesquisas estrangeiras, foi encontrado o estudo realizado por SHAABAN e APPAN (2003), que verificaram a qualidade da água de chuva captada em Kuala Lumpur, Malásia. As águas analisadas estavam armazenadas em tanques plásticos, após serem descartados o equivalente a, aproximadamente, 3 L de água de chuva por 1 m2 de telhado. Os autores citados encontraram os seguintes resultados: pH entre 6,26 e 6,62, turbidez entre 0,4 e 2,6 uT, alcalinidade entre 4,0 e 18,0 mgCaCO3/L, dureza entre 8 e 32 mgCaCO3/L, ferro Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 32 entre 0,01 e 0,02, coliformes totais entre 0 e 230 NMP/100 mL e Escherichia coli entre 0 e 50 NMP/100 mL. COOMBES et al. (2006) estudaram a qualidade da água de chuva captada em Hamilton, Austrália. A água analisada era armazenada após serem descartados os primeiros milímetros de chuva, sendo que o volume de descarte não foi citado pelos autores. Os resultados médios obtidos com a pesquisa foram os seguintes: 6,20 de pH, 5 mg/L de sulfato, 0,01 mg/L de ferro e 834 NMP/100 mL de coliformes totais. Se esses resultados fossem comparados aos padrões brasileiros de qualidade, estariam com qualidade satisfatória, com exceção, apenas, para as análises microbiológicas. 3.10. Influência da poluição do ar na qualidade da água de chuva A água é um recurso natural renovável, pois participa de processos físicos do ciclo hidrológico. Após evaporar dos oceanos, rios e lagos, precipita sob a forma de chuva, neve e gelo, tanto sob o oceano como sob os continentes. Na última situação, a água precipitada tanto pode ser interceptada pela vegetação, quanto escoar pela superfície dos terrenos, ou infiltrar-se no solo, onde será transpirada pelas plantas. Em seguida ela é evaporada para a atmosfera, da qual torna a precipitar-se, e assim sucessivamente. Segundo Figueirêdo (1994), a água da chuva, por vir da evaporação e transpiração dos vegetais, é essencialmente pura, entretanto, como o vapor alcança a atmosfera, ele se condensa sobre as partículas sólidas e alcança equilíbrio com os gases atmosféricos. A água tende a dissolver, até a saturação, todos os gases reativos existentes na atmosfera, mantendo sua concentração proporcional à solubilidade e à pressão parcial de cada um, a uma dada temperatura. Entre os gases reativos presentes na atmosfera, o gás carbônico (CO2) está em destaque. Quando dissolvido na água, forma o ácido carbônico (H2CO3). Por se tratar de um ácido fraco, dissocia-se com a água, fornecendo os íons hidrogênio (H+) e bicarbonato (HCO3-). Dessa maneira a água de chuva é naturalmente ácida devido a esse acontecimento. Nas concentrações e pressões normais de CO2 na atmosfera (340 ppm e 1 atm, respectivamente) a água da chuva apresenta um pH de 5,65. Esse pH atua como uma linha de base para conceituar, de um modo geral, a chuva ácida (FIGUEIRÊDO, 1994). Chuvas com pH inferiores a esse valor sofrem frequentes contaminações por ácidos fortes, como os ácidos sulfúrico (H2SO4) e nítrico (HNO3). Gotas de H2SO4 (sulfato particulado) são formadas a partir da reação de dióxido de enxofre (SO2) com vários oxidantes presentes na atmosfera. O 33 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG dióxido de enxofre, um dos mais comuns poluentes atmosféricos, é introduzido no ambiente em grandes quantidades, proveniente tanto de fontes antropogênicas quanto de fontes naturais. O processo de oxidação do SO2 e outras substâncias ocorre tanto em fase gasosa em dias claros, como também em fase aquosa, na presença de nuvens e nevoeiros. Tal processo, além de resultar na formação de sulfato particulado, contribui significativamente para a produção de acidez, comprometendo sobremaneira a qualidade das condições ambientais. Regiões onde não há influência de ações antropogênicas também podem apresentar o fenômeno da chuva ácida, pois pântanos, manguezais e vulcões podem emitir compostos de enxofre, de maneira natural. Em regiões tropicais, a chuva ácida pode ser causada pela emissão de ácidos orgânicos provenientes da vegetação, uma vez que essa é uma importante fonte de emissão de hidrocarbonetos e provenientes da queima da biomassa, principalmente no final da estação seca (SANHEZA et al., 1991 apud FIGUEIRÊDO, 1994). A emissão antropogênica de metais é outro ponto importante que deve ser considerado pelo drástico aumento desde o início do século XX. Por exemplo, a quantidade de chumbo globalmente emitida aumentou, de 1901 a 1980, em 905% (MARTINS e ANDRADE, 2002). Entretanto, nos últimos anos e em alguns países, a quantidade total de chumbo emitida decresceu em 28%, no período 1981-1990, como consequencia da substituição de aditivos contendo chumbo, pelo MMT (metilciclopentadieniltricarbonilmanganês). Por sua vez, a quantidade de manganês emitida aumentou em 10% durante o mesmo período (MARTINS e ANDRADE, 2002). Segundo os mesmos autores, ferro e manganês são os metais presentes em maior quantidade na atmosfera, apresentando uma química complexa em fase aquosa. O problema da emissão de determinadas substâncias para a atmosfera está ligado à possibilidade de retorno à superfície, via processos de deposição seca (sem a participação da fase líquida), ou deposição úmida (através de chuva, orvalho, neblina e neve), causando prejuízos ecológicos e econômicos, tais como danos às florestas, à flora e fauna aquática, e aos materiais de construção. A poluição do ar proporcionada tanto pela queima de combustíveis quanto por vários processos de produção tem se tornado uma característica das grandes áreas urbanas. Entretanto, os produtos de combustão estão afetando a química da atmosfera também fora das grandes cidades industrializadas. Dessa maneira, os problemas de poluição não estão somente em pontos localizados, mas estão causando problemas, como a chuva ácida e diminuição de camada de ozônio, também em algumas áreas remotas. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 34 A água da chuva, devido a todos os fatos citados, pode, dependendo da região onde for coletada, apresentar algumas substâncias dissolvidas, em maior ou menor proporção. Algumas substâncias em excesso podem causar mal ao meio ambiente, inclusive para a saúde humana, e inviabilizar o aproveitamento de água de chuva. 3.11. Viabilidade econômica do aproveitamento de água de chuva em áreas urbanas Muitos questionamentos sobre a viabilidade econômica do aproveitamento de água de chuva são realizados por habitantes das áreas urbanas. Alguns imaginam que devido às chuvas serem concentradas em determinadas épocas do ano, a implantação desse sistema não é viável. Entretanto, vários estudos foram e estão sendo realizados sobre o tema. Giacchini e Andrade Filho (2006) verificaram que em uma indústria de fundição de ferro, localizada no estado do Paraná, com o aproveitamento de água de chuva haveria redução de aproximadamente 50% no consumo de água potável e uma consequente economia de recursos financeiros. Segundo os pesquisadores, o investimento necessário para a instalação do sistema de aproveitamento de água de chuva é menos expressivo quando parte dos equipamentos para a coleta da água, como as calhas e os condutores verticais, já estão instalados na edificação. May (2004) formulou um programa computacional que realiza o dimensionamento do reservatório de água de chuva e a análise econômica do sistema. Como resultado da pesquisa teve-se a constatação de que, quando a área de coleta e a demanda são altos, o prazo de recuperação do investimento é curto, sendo interessante a instalação principalmente em postos de gasolina e indústrias. Annecchini (2005) estudou a viabilidade econômica da implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva em uma residência unifamiliar e em um prédio localizado na Universidade Federal do Espírito Santo. Verificou-se que o período de retorno do investimento do sistema de aproveitamento para o prédio dessa universidade é superior a 10 anos. Esse tempo está condicionado à reduzida área para captação da água da chuva. Sistemas que dispõem de grandes áreas de captação apresentam um período de retorno do investimento geralmente menor. Em relação ao tempo de retorno do investimento considerando uma residência unifamiliar, esses valor diminuiu para 8 anos e 9 meses. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 35 Campos et al. (2003) implantaram um sistema de aproveitamento de água de chuva em uma residência na cidade de Ribeirão Preto (SP), cuja área de captação era de 350 m². O reservatório enterrado, de concreto armado, foi dimensionado de modo a suprir as demandas de descarga de vasos sanitários, rega de jardim e lavagem de carros e pisos. Todo o sistema, incluindo o reservatório, apresentou um custo total de implantação de R$ 4.518,86. O período de retorno calculado para esse sistema foi de 6 anos e 9 meses, levando-se em conta a economia com a água potável e incluindo-se o valor da tarifa de esgoto, que é cobrada em função do volume de água consumido. Caso o sistema fosse implantado na capital do estado de São Paulo, onde as tarifas são mais elevadas, o período de retorno do investimento passaria para 5 anos e 9 meses. A literatura mostra que o período de retorno médio desses sistemas é de, aproximadamente, 10 anos. Segundo Annecchini (2005), embora esse período possa parecer longo e economicamente inviável, a decisão pela implantação de um sistema de aproveitamento em residências, com pequena área de captação, não será tomada com o objetivo maior de economizar dinheiro e sim com o objetivo de garantir o futuro da sustentabilidade hídrica, promovendo a conservação da água e auxiliando no controle de enchentes. 3.12. Percepção dos sujeitos A população residente nas áreas urbanas próximas aos grandes centros, em sua maioria, possui água canalizada em casa. Segundo o Atlas do desenvolvimento Humano (PNUD et al,. 2000), no ano 2000, em Belo Horizonte, 98,04% da população morava em residências atendidas por abastecimento de água. Já em algumas regiões do Brasil, essa situação é diferente. Na cidade de Ponto dos Volantes, localizada no nordeste do estado de Minas Gerais, por exemplo, no ano 2000, o atendimento da população era de 35,21%. Principalmente na zona rural do Vale do Jequitinhonha, o acesso à água de boa qualidade é difícil. Nesses locais, algumas ONGs estão realizando trabalhos de conscientização ambiental e de estímulo à construção de cisternas para o abastecimento da população. Segundo UFMG (2007), na região rural de Araçuaí (Vale do Jequitinhonha - MG), os moradores beneficiados com a implantação desses reservatórios demonstraram grande satisfação em ter a água de chuva como fonte de abastecimento. Nesses locais a água de chuva é utilizada principalmente para beber e cozinhar e, por isso, segundo alguns moradores, a sua qualidade de vida melhorou muito, uma vez que os casos de doenças tornaram-se menos frequentes. Outro aspecto positivo é com relação ao sabor da água, pois, segundo os mesmos moradores, esse é Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 36 bem mais agradável, já que não apresenta características salobras, como a das outras fontes. Os proprietários de cisternas se sentem privilegiados, sendo que essa posse é, de certa maneira, uma demonstração de melhor condição sócio-financeira em relação às pessoas que não a possuem. Nas grandes regiões urbanas, a água potável está disponível em volume suficiente nos pontos de consumo, uma vez que é encaminhada às residências pelas tubulações do sistema público de abastecimento. Nas ruas dessas regiões, constantemente são vistas pessoas lavando carros e calçadas com mangueiras conduzindo água potável. Na realidade, está se utilizando uma água com qualidade muito superior à necessária para o uso ao qual se destina, sendo que a água de chuva poderia ser uma alternativa. Para que a população se conscientize da necessidade de utilizar a água potável de maneira racional é importante compreender o quê a população sabe, faz e quer. Realizando uma adaptação do estudo de Cairncross e Curtis (2002) apud SOUZA (2007), há ao menos quatro perguntas que necessitam ser respondidas para essa compreensão: 1. Quais são as práticas que se deseja mudar? 2. Quem transmite ou influencia essas práticas? 3. O que motiva essa ação? 4. Como as pessoas se comunicam? Segundo SOUZA (2007), para a mudança de condutas existem três forças básicas de influência: os estímulos, os hábitos e o entorno, sendo que todos eles podem facilitar ou dificultar a mudança. Como ilustra a Figura 3.18, a mudança de conduta requer pelo menos uma das três ações (IYER e SARA, 2005 apud SOUZA, 2007): • reduzir as barreiras do entorno a fim de facilitar a mudança; • mudar os hábitos antigos por novos hábitos; e • encontrar estímulos capazes de criar novos hábitos. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 37 Figura 3.18 - Forças de atuação nas mudanças de conduta Fonte: Iyer e Sara (2005) apud Souza (2007) Na presente pesquisa é considerada a hipótese de que a população urbana possui resistência em utilizar a água de chuva. Algumas explicações poderiam ser o desconhecimento da sua qualidade, o não incentivo das administrações públicas, o custo de implantação de um sistema de captação, o trabalho gerado com o sistema de captação, entre outros. Por meio de metodologias qualitativas, a presente pesquisa buscou alguma elucidação sobre esse assunto. 3.13. Pesquisa qualitativa Segundo Silva (2007), o método tradicional de se realizar uma pesquisa a respeito do que pensa uma determinada coletividade, sobre determinado tema, é dividir esse tema em uma série de questões estruturadas com alternativas de respostas. Acredita-se que uma pesquisa deveria ser quantitativa, ou seja, deveria verificar quanto ou em que proporção um determinado atributo está presente na população pesquisada. Entretanto, esse tipo de pesquisa limita as respostas dos pesquisados, diminuindo o seu discurso, o que, segundo Lefèvre e Lefèvre (2005), é um traço empírico do pensamento coletivo. Ainda segundo os mesmos autores, para superar essa limitação o indicado seria a formulação de perguntas abertas para o conjunto de sujeitos. Questões fechadas não alcançam a expressão de um pensamento, mas sim uma adesão forçada a um pensamento preexistente. Muitas discussões a respeito de pesquisas qualitativas versus as pesquisas quantitativas acontecem no meio acadêmico. Segundo Chrochik (1998) apud Silva (2007), o método qualitativo permite o aprofundamento do que acontece no particular, enquanto que o método quantitativo possibilita a verificação da extensão desse conhecimento. As duas metodologias Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 38 não são excludentes, uma não é melhor do que a outra, na verdade elas se complementam. O ideal seria que as pesquisas contemplassem essas duas metodologias, sempre que possível. A pesquisa qualitativa não tem como objetivo representar o maior número de pensamentos e sim representar a qualidade dos pensamentos. Como resultado de uma pesquisa quantitativa sobre aproveitamento de água de chuva, pode-se dar o seguinte exemplo: Determinada percentagem da população de Belo Horizonte é favorável ou desfavorável à utilização de água de chuva. Nesse caso, por se tratar de uma pesquisa representativa da população, são necessárias grandes amostras. Já a pesquisa qualitativa analisaria o pensamento de alguns moradores quanto ao mesmo assunto, estudando o porquê dessas pessoas serem favoráveis, qual ponto seria mais estimulante, quais os impedimentos, entre outros pensamentos. Nesse caso, a exemplaridade e a riqueza dos pensamentos são os pontos mais valorizados. No Brasil, a pesquisa qualitativa é muito utilizada na área de Ciências Sociais, onde o significado é o objetivo central. É também bastante adotada nas áreas de saúde, demografia, educação, história, ciências políticas, entre outras. Em saneamento também foram encontrados estudos que utilizam dessa metodologia de pesquisa. Como exemplo tem-se o estudo sobre a percepção dos sujeitos quanto à sua condição sanitária (SOUZA, 2007), quanto à qualidade da água de consumo humano e suas implicações na saúde (SILVA, 2007), quanto ao conhecimento sobre o saneamento (RUBINGER, 2008), sobre a percepção dos sujeitos sobre o sistema de coleta seletiva de um município localizado no interior do estado de Minas Gerais (SAMPAIO, 2008), entre outros estudos, mas sobre o aproveitamento de água de chuva em zonas urbanas nada foi encontrado. Em relação à elaboração da pesquisa qualitativa, ela apresenta uma série de dificuldades, assim como a pesquisa quantitativa. Inicia-se pela seleção de amostras, passa pelo método de coleta de dados e as conclusões são possibilitadas pelos métodos de análise dos resultados. 3.13.1. Seleção de amostras Muitos pesquisadores acreditam que o conceito de amostra se aplica exclusivamente às pesquisas quantitativas. Entretanto, segundo Costa (2007), esse conceito também pode ser transportado para o campo da pesquisa qualitativa. Considerando que esse tipo de pesquisa envolve intenso trabalho artesanal, há demanda de muita dedicação e tempo e, por consequência, resulta no uso de limitadas amostras em muitas ocasiões. O número de Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 39 amostras está relacionado às dificuldades técnicas e operacionais de realização, que implicam em analisar detalhes de uma grande massa de depoimentos, muitas vezes densos e complexos, propiciando a sua limitação de tamanho por razão de ordem prática (LEFÈVRE e LEFÈVRE, 2005). Os procedimentos para realizar a seleção das amostras são vários e seguem os princípios básicos da heterogeneidade ou da homogeneidade de características dos participantes. Segundo Maxwell (2005) apud Costa (2007), ao adotar o princípio da heterogeneidade objetiva-se a maior abrangência da pesquisa, uma vez que vários tipos de pessoas poderão com ela se identificar. Segundo Costa (2007), um dos melhores exemplos da aplicação desse princípio é a estratégia de “variação máxima”, onde os participantes devem ser propositalmente selecionados por apresentarem características diferentes naquelas dimensões que são importantes para a pesquisa. Já em relação à homogeneidade da amostra, essa acontece através do recrutamento dos participantes a partir de critérios pré-estabelecidos em função dos objetivos da pesquisa. Esses critérios podem almejar simplesmente uma homogeneidade fundamental (como, por exemplo, uma patologia em comum) ou uma homogeneidade ampla (como, por exemplo, idade, sexo, ocupação, ou classe social). 3.13.2. Método de coleta de dados A coleta de dados na pesquisa qualitativa pode ser realizada de diferentes maneiras, tanto pode ser por meio de entrevistas individuais e grupais quanto por seleção de artigos de revistas, livros, programas de televisão e gravações (BAUER e GASKELL, 2007). Segundo Flick (2004), não tem sentido defender um único método de pesquisa como sendo o correto, pois a pesquisa deve ser planejada metodologicamente e baseada em princípios e na reflexão. Por isso, cada pesquisador deve escolher o método a ser aplicado em função da sua pesquisa específica. Segundo Lefèvre e Lefèvre (2005), a coleta e a apresentação de pensamentos, crenças e opiniões podem ser realizadas de várias maneiras, até mesmo sob a forma de questões fechadas, tabelas e gráficos. Essa metodologia é válida, mas não é a única disponível e nem a mais adequada para lidar, em uma escala coletiva ou social, com pensamentos compostos de matéria discursiva. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 40 Em relação às entrevistas individuais, elas podem ser estruturadas, não estruturadas e semiestruturadas. As primeiras apresentam uma relação padronizada e fixa de perguntas (roteiro), cuja ordem e redação permanecem invariáveis para todos os entrevistados. As entrevistas não estruturadas não apresentam roteiro pré-estabelecido, o tema é desenvolvido durante a conversa e as questões são emergidas do contexto imediato. Já as entrevistas semiestruturadas apresentam um roteiro pré-estabelecido, entretanto o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto, sem respostas ou condições prefixadas pelo pesquisador. Não há a exigência de uma ordem rígida das questões, permitindo uma flexibilidade na abordagem dos questionamentos. A coleta de dados por meio de entrevistas individuais é muito vantajosa, visto que possibilita a interação direta entre o pesquisador e o pesquisado, além de possibilitar grande diversidade de questões e respostas (ARAÚJO, 2008). As entrevistas grupais são realizadas quando se quer compreender as percepções, atitudes e representações sociais de grupos humanos. Os grupos focais são geralmente um grupo de discussão informal e de tamanho reduzido, com o propósito de obter informações de caráter qualitativo em profundidade. Segundo Cruz Neto et al. (2002), a escolha por grupos focais é condicionada, principalmente quando os objetivos da pesquisa, para serem atingidos, necessitam de levantamento, por meio de debates, das impressões, visões e concepções de mundo de seu público-alvo. Em relação ao número de participantes, eles estão condicionados por dois fatores: deverá ser pequeno o suficiente para que todos tenham a oportunidade de expor suas ideias e grande o bastante para que os participantes possam vir a fornecer consistente diversidade de opiniões. Geralmente há entre 8 e 10 participantes em cada grupo focal. Um dos principais problemas das entrevistas, sejam individuais ou grupais, segundo Goldenberg (1997), é a detecção do grau de veracidade dos depoimentos. Pode acontecer dos sujeitos não se deixarem revelar em função de uma imagem que eles querem ocultar ou projetar de si mesmos. Além disso, o entrevistador deverá sempre ter em mente que cada questão abordada precisa estar ligada ao objetivo da pesquisa. As questões devem ser enunciadas de maneira clara e objetiva, sem induzir ou confundir, tentando atingir diferentes pontos de vista. Outro problema enfrentado com esse tipo de coleta de dados é conseguir convencer uma determinada pessoa a conceder uma entrevista somente por intenção de contribuir com a pesquisa, sem outros interesses. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 41 3.13.3. Método de análise de dados Segundo Bauer e Gaskell (2007), a análise e a interpretação dos dados exigem tempo e esforço, e não existe um método melhor do que o outro. Assim como a metodologia de coleta de dados, a análise também é diretamente ligada ao tipo de pesquisa que se pretende fazer. São diversas as metodologias de análises em pesquisa qualitativa, entre elas pode-se citar a análise de conteúdo, a análise argumentativa, a análise do discurso, a análise do discurso do sujeito coletivo, a análise da conversação e da fala, a análise retórica, as análises semióticas de imagens paradas, a análise de imagens em movimento, entre outras (BAUER e GASKELL, 2007). A obtenção de discursos é indicada quando se almeja o conhecimento sobre o pensamento coletivo a respeito de determinado assunto. Dessa maneira, a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo busca dar conta dessa discursividade, característica própria e indissociável do pensamento coletivo (LEFÈVRE e LEFÈVRE, 2005). 3.14. Discurso do Sujeito Coletivo O Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) é um método de análise de discursos, elaborado por Lefèvre e Lefèvre, que apresenta procedimentos destinados a representar o pensamento de uma coletividade a partir de depoimentos coletados em pesquisas sociais. Os autores da metodologia dizem que o método representa uma mudança significativa na qualidade, na eficiência e no alcance das pesquisas qualitativas. O DSC permite que se conheça os pensamentos, as representações, as crenças e os valores de todo tipo e tamanho de coletividade (LEFÈVRE E LEFÈVRE, 2003). A confecção de discursos coletivos ocorre a partir da junção de discursos individuais de modo a gerar o pensamento de uma coletividade. A soma desses discursos é realizada por meio do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Esse método busca a organização e tabulação de dados qualitativos, geralmente de natureza verbal, obtidos em depoimentos, artigos de jornal, matérias de revistas e cartas. O sujeito coletivo se expressa por meio de um discurso emitido em primeira pessoa do singular. Trata-se de um eu que ao mesmo tempo em que sinaliza a presença de um sujeito individual do discurso, expressa a referência coletiva, uma vez que o eu fala em nome de uma coletividade. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 42 Para a elaboração do DSC, Lefèvre e Lefèvre criaram figuras metodológicas para auxiliar na análise do material coletado. Entre elas, têm-se as expressões chave, que são trechos literais do discurso e que revelam a essência do depoimento, e as ideias centrais, que são a descrição de um depoimento. O DSC é elaborado a partir de discursos em estado bruto, assim como foram coletados. A partir desse momento, eles são submetidos a um trabalho analítico inicial de decomposição. Essa etapa consiste, basicamente, na seleção das principais ideias centrais e/ou ancoragens presentes em cada discurso individual e em todos eles reunidos. A partir desse momento, busca-se a reconstituição discursiva da representação social. A figura 3.19 busca elucidar algumas questões sobre a elaboração dos DSCs. Figura 3.19 - Possibilidades de discursos em função de semelhanças de pensamentos Fonte: Souza (2007) Para construir o DSC, é muito importante a coerência. Deve ser realizada uma reunião de ideias, e não uma soma matemática de pedaços isolados de depoimentos. Cada parte deve se reconhecer como constituinte do todo e o todo constituído por essas partes. Além disso, o discurso deve apresentar um posicionamento próprio, distinto e específico frente ao tema que está sendo pesquisado. O DSC é uma construção artificial e, por isso, para que o discurso coletivo pareça falado por uma só pessoa, são necesssárias algumas intervenções do pesquisador, de maneira a aproveitar todas as ideias presentes nos depoimentos. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 43 4. MATERIAL E MÉTODOS A qualidade da água de chuva captada em duas regiões de Belo Horizonte foi monitorada, entre março de 2008 e janeiro de 2009, buscando verificar o volume de água que deveria ser descartado para o seu aproveitamento. O material e métodos utilizados estão apresentados no item 4.1. Durante o estudo sobre qualidade da água de chuva, viu-se a necessidade de conhecimento, também, da percepção da população residente na capital mineira sobre o aproveitamento dessa água. A partir desse momento, foi inserida a pesquisa qualitativa. O material e os métodos utilizados estão apresentados no item 4.2. 4.1. Qualidade da água de chuva em função do volume descartado A pesquisa foi realizada na cidade de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, em duas regiões distintas, mostradas na Figura 4.1. Foram coletadas águas de chuva na região central da cidade e na região da Pampulha (bairro Santa Amélia). A escolha pelos dois locais se deu devido à diferente exposição à poluição a que elas estão submetidas. A região central (Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais) está muito exposta à poluição advinda dos automóveis, ônibus e caminhões. Já a região da Pampulha está menos sujeita a esse tipo de poluição, apesar de existir a circulação de automóveis e ônibus, mas em volume inferior. VENDA NOVA NORTE NORDESTE PAMPULHA LESTE NOROESTE Bairro: Santa Amélia CENTRO-SUL Bairro: Centro OESTE BARREIRO Figura 4.1 - Layout de Belo Horizonte mostrando locais de implantação dos sistemas piloto Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 44 O monitoramento da qualidade da água foi realizado em duas etapas. A primeira aconteceu entre março e abril de 2008 e objetivou a avaliação do sistema piloto de armazenamento e a consolidação das metodologias adotadas. Na segunda etapa foram implantadas algumas modificações em função dos resultados obtidos na fase anterior. O objetivo era, ao final da pesquisa, verificar o volume de água descartado efetivamente necessário para a “limpeza” das superfícies de captação. 4.1.1. Sistema de coleta e armazenamento de água de chuva na primeira fase da pesquisa No dia 1 de março de 2008 foram instalados os sistemas piloto de captação e armazenamento de água de chuva nas duas regiões pesquisadas. Em cada região havia dois sistemas que eram diferenciados apenas pelo tipo de material usado na superfície de captação: um era constituído por telhas cerâmicas e outro por telha metálica (aço galvanizado). A montagem do sistema piloto iniciou-se pela base de sustentação. Foi montada uma estrutura de madeira vazada, com 0,67 m x 0,67 m de base e aproximadamente 1 metro de altura. Essa estrutura sustentou todos os materiais que realizaram a coleta e a reservação da água da chuva. A parte superior dessa estrutura possuía declividades diferentes para o apoio dos dois tipos de telhas. As estruturas onde haveriam telhas metálicas realizando a captação possuíam declividades de aproximadamente 5%, já onde haveriam telhas cerâmicas esse valor era de aproximadamente 35% (valores usualmente adotados na prática). O passo seguinte foi a implantação das telhas. Optou-se por telhas cerâmicas, uma vez que são muito utilizadas em residências no Brasil, e por telhas metálicas, por serem muito adotadas em galpões, postos de gasolina e indústrias. As telhas cerâmicas foram do tipo Paulista e as telhas metálicas de aço galvanizado. As calhas em PVC, pré-fabricadas, foram implantadas na sequência, seguidas dos condutores verticais em PVC e das tubulações que realizavam a função de reservatório. A escolha pelo tubo de PVC ser o local de armazenamento foi baseado na facilidade de obtenção, baixo custo e principalmente pela sua forma geométrica, já que ele possui base pequena em relação ao seu comprimento. Dessa maneira tentou-se minimizar o turbilhonamento, a ressuspensão de Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 45 sólidos e o arraste de materiais flutuantes. Os sistemas piloto de captação implantados nas duas regiões da cidade de Belo Horizonte estão mostrados na Figura 4.2. Superfície de captação Condutor vertical Calha Suporte de madeira Tubos para armazenamento Figura 4.2 - Sistema piloto de captação/armazenamento de água de chuva implantado nas duas regiões de Belo Horizonte (Centro e Pampulha) Durante a primeira etapa do trabalho, foi definida a área de captação necessária para a obtenção do volume de água a ser analisada. Considerando todas as análises, chegou-se ao volume mínimo de 500 mL para cada reservatório (tubo de armazenamento). Ao realizar os cálculos de volume, optou-se pelo diâmetro do tubo de 500 mm, por possuir melhor adaptação com a calha e conexões. A partir desse momento foi feita a conta inversa e chegou-se ao comprimento mínimo do tubo de 25,5 cm, sendo portanto implantados tubos com comprimento de 26,0 cm. Definido o volume, foi necessário calcular a área de captação mínima a ser implantada. Como citado anteriormente, as análises foram realizadas em duas etapas. A primeira etapa aconteceu no período em que as chuvas na cidade de Belo Horizonte são muito freqüentes (março e abril – final da estação de verão). Já a segunda etapa iniciou-se em uma época em que as chuvas não são abundantes e acontecem espaçadamente. Dessa maneira, para o cálculo da área dos telhados, foram adotados os dados de precipitação desta etapa, mais especificamente os dados de chuva do mês de setembro, que representa a pior situação de chuvas. Foi realizada uma média entre os dados de chuvas de setembro ocorridas no período entre os anos de 1998 e 2006 (dados disponibilizados pelo site do Instituto Nacional de Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 46 Meteorologia). Ao realizar os cálculos obteve-se o valor de área mínima igual a 0,32 m². Adotou-se o valor aproximado de 0,60 m² para cada telhado, por questões de segurança. Em relação ao funcionamento do sistema de captação, têm-se as seguintes considerações: a água de chuva incidente sobre as telhas era encaminhada às calhas, em seguida escoava pela tubulação vertical e caía dentro dos tubos de PVC. Como a intenção da pesquisa foi verificar o volume de água de chuva a ser descartada para que as águas subsequentes pudessem ser utilizadas, foram instalados três tubos de PVC em cada telhado, totalizando aproximadamente 1,5 L (500 mL em cada tubo). Os três eram interligados entre si, de maneira a propiciar que as primeiras chuvas ficassem retidas na tubulação inicial e somente quando essa estivesse totalmente preenchida é que as águas subsequentes passariam direto, indo se depositar no segundo tubo. A mesma situação acontecia com o terceiro reservatório. Após o preenchimento das três tubulações, a água passava direto e era extravasada, sendo descartada. Não houve coleta dessa água extravasada, nem tampouco análises de sua qualidade, visto que a intenção da presente pesquisa era verificar a qualidade da água que deve ser descartada. A Figura 4.3 ilustra o caminhamento da água após a sua coleta pelo telhado. Figura 4.3 - Ilustração das etapas de coleta e armazenamento nos sistemas piloto Como citado anteriormente, havia três tubos de coleta em cada telhado e como eram quatro superfícies de captação (duas na Pampulha e duas no Centro), o total de pontos de coleta era igual a 12. A Figura 4.4 ilustra a disposição dos tubos (pontos de coleta) em função do tipo de telha utilizada para a superfície de captação. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 47 Figura 4.4 - Fluxograma da disposição dos tubos (pontos de coleta) em função do tipo de telha Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 48 O sistema citado estava funcionando bem, entretanto, havia uma incerteza quanto à não mistura das águas dos três tubos. Buscando minimizar essa possibilidade, foi realizada uma adaptação na segunda etapa da pesquisa. 4.1.2. Sistema de coleta e armazenamento de água de chuva na segunda fase da pesquisa A partir da experiência obtida com a primeira fase do trabalho, foi possível definir alguns pontos que foram melhorados para a segunda fase. A questão considerada foi em relação à segurança de que as águas do primeiro, segundo e terceiro tubos não fossem misturadas, ou pelo menos que essa mistura fosse minimizada. Para isso, foi implantado no interior dos tubos um sistema de vedação. Tratou-se da implantação de uma esfera (bolinha de ping-pong) no interior dos três tubos. Essa esfera subia no momento em que o tubo estava sendo preenchido pela água e, quando esta alcançava o topo do tubo, as águas seguintes eram impedidas de descerem, como mostrado na Figura 4.5. Figura 4.5 - Sistema de minimização de mistura das águas Além disso, o volume de coleta de cada tubo foi aumentado para 600 mL, dessa maneira o comprimento de cada tubulação foi aumentado para 30,5 m. O restante do sistema piloto (suporte de madeira, telhas e calhas) manteve-se igual ao da primeira etapa. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 49 4.1.3. Parâmetros monitorados A qualidade da água da chuva incidente em Belo Horizonte em duas regiões distintas foi analisada nos laboratórios de análises físico-químicas e microbiológicas da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais. Como citado nos ítens anteriores, durante a primeira etapa da pesquisa foram detectadas algumas modificações que deveriam ser implantadas para a etapa seguinte. Alguns parâmetros de monitoramento foram inseridos na segunda etapa e outros que haviam sido estudados na primeira etapa foram retirados. As coletas eram realizadas em uma prazo máximo de 22 horas após a ocorrência das chuvas, valor condicionado pelo prazo máximo das análises microbiológicas (24 horas). O intervalo de 2 horas era o suficiente para que a água fosse transportada para os laboratórios e para que fossem realizadas as análises microbiológicas. A seguir estão descritos os parâmetros monitorados bem como a justificativa pela escolha dos mesmos. 4.1.3.1. Parâmetros físico-químicos. • pH – Parâmetro que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de uma solução líquida. Foi inserido na pesquisa visando verificar a possibilidade de corrosão de superfícies ao entrarem em contato com a água de chuva. A leitura de pH era realizada em período máximo de 1 hora após as coletas. O equipamento utilizado para a medição do pH da água da chuva foi o pHmetro digital portátil microprocessado da marca GEHAKA PG1400, versão 1.0. Foram utilizadas como referências para comparação de valores a Norma Brasileira nº 15.527/2007 da ABNT – Aproveitamento de água de chuva em áreas urbanas para fins não potáveis e a Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde – Padrão de potabilidade (considerando a qualidade da água no sistema de distribuição). A Portaria apresenta valor mínimo recomendado de pH igual a 6,0 e máximo igual a 9,5 (na rede de distribuição), já a NBR15.527 apresenta valor máximo de 8,0. O padrão de balneabilidade (CONAMA 274/00) considera como impróprias águas com pH menores que 6,0 e maiores que 9,0. Esse parâmetro foi monitorado nas duas etapas da pesquisa. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 50 • Turbidez – Característica física da água que está relacionada à presença de partículas em suspensão (materiais particulados e coloidais). Água com elevada turbidez apresenta estética desagradável, podendo ser inclusive abrigo para alguns microrganismos, dificultando a ação dos desinfetantes. Para a leitura de turbidez das águas de chuva coletadas em Belo Horizonte foi utilizado o turbidímetro portátil da marca HACH 2100. Foram utilizadas como referências para comparação de valores a Norma Brasileira nº 15.527/2007 da ABNT – Aproveitamento de água de chuva em áreas urbanas para fins não potáveis e a Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde – Padrão de potabilidade (considerando a qualidade da água no sistema de distribuição). Ambas apresentam valores máximos permitidos de 5,0 uT. Esse parâmetro foi monitorado nas duas etapas da pesquisa. • Cor aparente – Característica física da água que está relacionada à presença de partículas dissolvidas e em suspensão. Para a medição da cor aparente das amostras coletadas foi utilizado o espectrofotômetro da marca HACH DR 2800. Foi utilizada como referência para comparação de valores, a Norma Brasileira nº 15.527/2007 da ABNT Aproveitamento de água de chuva em áreas urbanas para fins não potáveis e a Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde – Padrão de potabilidade (considerando a qualidade da água no sistema de distribuição). Ambos apresentam valores máximos permitidos de 15 uH. Esse parâmetro foi monitorado nas duas etapas da pesquisa. • Alcalinidade – Característica química que consiste na capacidade da água neutralizar compostos ácidos, devido à presença de bicarbonatos, carbonatos e hidróxidos. Esse parâmetro não é citado na Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde e tampouco na NBR 15.527/2007 da ABNT. Para a presente pesquisa, a análise de alcalinidade foi realizada pela técnica 2320B do Standard Methods (APHA, 1998). Esse parâmetro foi monitorado na primeira etapa da pesquisa e parte da segunda. A retirada do parâmetro foi realizada em função dos valores apresentarem-se semelhantes. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 51 • Dureza – A dureza possui ligação com a presença de carbonatos, e alguns íons metálicos que podem impedir a formação de espuma, caso a água seja utilizada para lavar roupa. Aparentemente não apresenta riscos sanitários, entretanto pode causar sabor desagradável quando em concentrações elevadas, podendo até apresentar efeitos laxativos. Está citada na Portaria MS n. 518 como um padrão de aceitação para o consumo humano, com valor máximo aceitável de 500 mgCaCO3/L. O parâmetro não é citado na Norma Brasileira 15.527/2007 da ABNT e por esse motivo as concentrações encontradas na água de chuva serão comparados com o limite mencionado na Portaria citada. A análise de dureza foi realizada pela técnica 2340C do Standard Methods (APHA, 1998). Esse parâmetro foi monitorado durante toda a primeira etapa da pesquisa e durante as quatro primeiras coletas realizadas na segunda etapa. A retirada do parâmetro dureza das análises foi devido aos valores semelhantes encontrados nas duas etapas, valores muito inferiores aos limites máximos permitidos pela Portaria MS n. 518. • Ferro – O ferro é um elemento químico, metal, que pode estar presente na atmosfera, em solos, minerais e águas (devido à dissolução de rochas ricas em ferro). Acarreta à água uma cor amarelada e um gosto amargo quando em altas concentrações. Para a utilização como fonte alternativa de água para usos não nobres provavelmente a objeção por parte da população à sua utilização seria visual. Não apresenta efeitos maléficos à saúde nas concentrações citadas a seguir e, por esse motivo está citado na Portaria 518/2004 da ABNT como um padrão de aceitação para o consumo humano. A concentração máxima de ferro recomendada em águas, segundo essa Portaria é de 0,3 mg/L. O metal não é citado na Norma Brasileira 15.527/2007 da ABNT e por esse motivo as concentrações encontradas na água de chuva foram comparados à Portaria citada. A análise de ferro, na presente pesquisa, foi realizada por meio de espectrofotometria de absorção atômica, de acordo com o Standard Methods (APHA, 1998). Esse parâmetro foi monitorado nas duas etapas da pesquisa e as análises foram realizadas com a ajuda de um equipamento com marca Perkin Elmer, modelo 3300. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 52 • Manganês – O manganês é um metal distribuído na atmosfera, em solos, minerais e águas. Quando presente em água pode proporcioná-la uma cor amarronzada, causando objeção visual aos consumidores. Não apresenta efeitos maléficos à saúde nas concentrações citadas a seguir e, por esse motivo, está citado na Portaria MS n. 518 como um padrão de aceitação para o consumo humano. A concentração máxima de ferro recomendada em águas, segundo a referida Portaria, é de 0,1 mg/L. O metal não é citado na Norma Brasileira 15.527/2007 da ABNT e por esse motivo as concentrações encontradas na água de chuva estudada foram comparados à Portaria citada. A análise de manganês, na presente pesquisa, foi realizada por meio de espectrofotometria de absorção atômica, de acordo com o Standard Methods (APHA, 1998). Esse parâmetro foi monitorado nas duas etapas da pesquisa e as análises foram realizadas com a ajuda de um equipamento com marca Perkin Elmer, modelo 3300. • Chumbo – O chumbo é um metal pesado, com capacidade de acumular-se e causar efeitos tóxicos ao organismo humano. Pode estar presente na poluição atmosférica proveniente de indústrias e tráfego de automóveis, sendo carreado juntamente com a chuva para os reservatórios de água pluvial. É classificado na Portaria MS n. 518/2004 como uma substância química que representa risco à saúde, podendo apresentar concentração máxima na água para consumo humano igual a 0,01mg/L. O metal não é citado na Norma Brasileira 15.527/2007 da ABNT e por esse motivo as concentrações encontradas na água de chuva estudada foram comparados à Portaria citada. A análise de chumbo, na presente pesquisa, foi realizada por meio de espectrofotometria de absorção atômica, de acordo com o Standard Methods (APHA, 1998). Esse parâmetro foi monitorado nas duas etapas da pesquisa e as análises foram realizadas com a ajuda de um equipamento com marca Perkin Elmer, modelo 3300. • Sulfato – O dióxido de enxofre (SO2) possui origem tanto natural quanto antrópica, podendo ser proveniente de erupções vulcânicas e da decomposição de Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 53 animais e vegetais, no solo, nos pântanos e nos oceanos, e de queima de combustíveis fósseis, como o petróleo e seus derivados. Na atmosfera, parte do SO2 é oxidada a sulfatos. Um dos principais efeitos do excesso de sulfato na atmosfera é incidente sobre o aparelho respiratório dos seres humanos. O sulfato está citado na Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde como padrão de aceitação para o consumo humano. A concentração máxima recomendada, segundo essa Portaria é de 250 mg/L. Não é citado na Norma Brasileira 15.527/2007 e por esse motivo as concentrações presentes na água de chuva estudada foram comparadas com a Portaria citada. A análise de sulfato foi realizada por meio da leitura no espectrofotômetro HACH DR 2800, seguindo a técnica 4500 – SO4-2 do Standard Methods (APHA, 1998). Esse parâmetro foi monitorado durante parte da segunda etapa da pesquisa, sendo inserido devido às revisões bibliográficas realizadas durante essa etapa. 4.1.3.2. Parâmetros microbiológicos. Os parâmetros microbiológicos analisados durante a presente pesquisa foram coliformes totais e Escherichia coli, microrganismos muito utilizados para indicar a qualidade microbiológica da água. A Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde estabelece que deve haver ausência, tanto de coliformes totais quanto de Escherichia coli em 100 mL de água para o consumo humano. Para as soluções alternativas individuais, como águas de poços, nascentes e outras formas de abastecimento, a referida Portaria tolera a presença de coliformes totais, na ausência de Escherichia coli e coliformes termotolerantes, desde que seja investigada a origem da ocorrência e tomadas providências de caráter corretivo e preventivo. O padrão de balneabilidade (CONAMA 274/00) também cita esses dois parâmetros, classificando como de qualidade excelente águas que contenham no máximo 250 NMP em 100 mL de coliformes termotolerantes, 200 NMP em 100 mL de Escherichia coli e 25 NMP de enterococos em 100 mL. Durante a presente pesquisa, as análises, tanto de coliformes totais quanto de Escherichia coli, foram realizadas com a utilização do teste enzimático pela técnica 9223B do Standard Methods (APHA, 1998), onde a detecção de bactérias foi obtida pela quantificação através do 54 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG Número mais Provável. Ressalta-se que para as duas primeiras coletas foi utilizado o teste enzimático Colitag® e para as coletas seguintes foi utilizado o teste Colilert®. Esses parâmetros foram monitorados apenas na segunda etapa da pesquisa, devido à limitação financeira. 4.1.4. Coletas e análises As coletas de água de chuva iniciaram-se no dia 11 de março de 2008 e finalizaram no dia 27 de janeiro de 2009, totalizando 23 coletas. Entretanto, nem todos os parâmetros foram analisados em todas as coletas, devido a diversos motivos. A análise de dureza, por exemplo, foi realizada nas oito primeiras coletas. A retirada desse parâmetro deu-se em função dos valores semelhantes encontrados nas duas etapas, sendo muito inferiores aos limites máximos permitidos pela Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde. O parâmetro alcalinidade foi analisado durante as 14 primeiras coletas, sendo retirado praticamente pelos mesmo motivos da retirada de dureza. A análise de sulfato foi realizada a partir de 17 de outubro de 2008, finalizando-se em 17 de dezembro do mesmo ano. As dez coletas foram consideradas suficientes, uma vez que os valores encontrados eram muito inferiores ao limite máximo de 250 mg/L, citado na Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde. Em relação aos parâmetros microbiológicos, a intenção no início da pesquisa era de realizar apenas 10 exames. Entretanto, durante a pesquisa viu-se a necessidade de realização de um número maior de exames. A partir desse momento foi solicitada a compra dos “kits” enzimáticos e cartelas, mas, devido à demora na sua entrega, houve um período de 5 coletas em que os exames não foram realizados (entre 12 de dezembro de 2008 e 18 de janeiro de 2009). A Tabela 4.1 mostra as datas das coletas e os parâmetros monitorados. Os parâmetros foram citados abreviados, como mostrado a seguir. Legenda pH pH TTurbidez CA - Cor aparente AAlcalinidade DDureza Fe Mn Pb CT EC SO4-2 - Ferro Manganês Chumbo Coliformes totais Escherichia coli Sulfato Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 55 Tabela 4.1 - Resumo das datas de coletas e parâmetros monitorados Etapa da pesquisa Nº da coleta Data das coletas Parâmetros monitorados Observações 1 11/03/2008 pH, T, CA, A, D, Fe, Mn e Pb - 2 16/03/2008 pH, T, CA, A, D, Fe, Mn e Pb - 3 28/03/2008 pH, T, CA, A, D, Fe, Mn e Pb - 4 10/04/2008 pH, T, CA, A, D, Fe, Mn e Pb - 5 06/08/2008 pH, T, CA, A, D, Fe, Mn, Pb, CT e EC - 6 16/09/2008 pH, T, CA, A, D, Fe, Mn, Pb, CT e EC - 7 17/09/2008 pH, T, CA, A, D, Fe, Mn, Pb, CT e EC - 8 26/09/2008 pH, T, CA, A, D, Fe, Mn, Pb, CT e EC - 9 17/10/2008 pH, T, CA, A, Fe, Mn, Retirado o parâmetro dureza e inserido sulfato Pb, CT, EC e SO4-2 10 31/10/2008 pH, T, CA, A, Fe, Mn, Pb, CT, EC e SO4-2 - 11 06/11/2008 pH, T, CA, A, Fe, Mn, Pb, CT, EC e SO4-2 - 12 10/11/2008 pH, T, CA, A, Fe, Mn, Pb, CT, EC e SO4-2 - 13 13/11/2008 pH, T, CA, A, Fe, Mn, Pb, CT, EC e SO4-2 - 14 30/11/2008 pH, T, CA, A, Fe, Mn, Pb, CT, EC e SO4-2 - 15 12/12/2008 pH, T, CA, e SO4-2 Paralisação dos exames de CT e EC 16 17 14/12/2008 15/12/2008 pH, T, CA, e SO4-2 pH, T, CA, e SO4-2 18 17/12/2008 pH, T, CA e SO4-2 19 18/12/2008 pH, T e CA Finalização das análises de SO4-2 - 20 18/01/2009 pH, T, CA, CT e EC Exames de CT e EC foram reiniciados 21 22 23 20/01/2009 22/01/2009 27/01/2009 pH, T, CA, CT e EC pH, T, CA, CT e EC pH, T, CA, CT e EC - 1ª Etapa 2ª Etapa Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 56 4.1.5. Monitoramento da precipitação nos dois locais de coleta Durante a primeira etapa da pesquisa, o monitoramento de precipitação pluviométrica na cidade de Belo Horizonte foi realizada a partir de dados secundários (Instituto Nacional de Meteorologia – INMET). Já na segunda etapa da pesquisa, esse monitoramento foi realizado por meio da implantação de um pluviômetro do tipo cunha (Figura 4.6) nos dois locais de coleta (Pampulha e Centro). Esse tipo de pluviômetro possui capacidade para armazenar 130 mm e é indicado para instalação em estacas com 1,50 m de altura. Além disso, deve ser preferencialmente implantado em áreas distantes 20 metros de árvores e residências. Para a presente pesquisa, foi respeitada a indicação de altura de 1,50 m, entretanto a distância mínima de 20 m de edificações não foi atendida. A distância mínima efetivamente adotada foi de aproximadamente 6m, devido à falta de área disponível. Figura 4.6 - Pluviômetro tipo cunha A precipitação medida nos dias das coletas está apresentada no apêndice B. Os dados coletados (milímetros de chuva) não foram analisados, uma vez que se percebeu durante a pesquisa que a intensidade de chuva é que realmente seria um fator que poderia influenciar na remoção de sujeiras e partículas do telhado e não somente a altura total de chuva por evento. Na presente pesquisa foram verificadas que algumas chuvas apresentavam durações diferentes, mas, precipitações (milímetros de chuva) semelhantes. Esse fato influenciava, aparentemente, na qualidade da água coletada (limpeza dos telhados). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 57 4.1.6. Análise estatística Para a análise dos resultados foram realizados dois testes estatísticos. O primeiro foi com relação à qualidade da água de chuva coletada em uma mesma região, onde a variação era apenas com relação à superfície de captação, como indicado na Figura 4.7. Figura 4.7 - Fluxograma dos pontos de coleta em função do tipo de superfície de captação – amostras dependentes Foram comparadas as qualidades das águas armazenadas no primeiro tubo presente no telhado cerâmico com o primeiro do telhado metálico, assim como ocorreu para o segundo tubo e para o terceiro, para as duas regiões. Como as amostras eram coletadas e analisadas na mesma hora, foi utilizado o teste T de Wilcoxon, que é um substituto do teste t de Student para amostras pareadas, quando os dados não são normalmente distribuídos. Baseia-se nos postos das diferenças intrapares e considera que quando duas variáveis dependentes possuem a mesma mediana, as diferenças positivas e negativas devem se anular. O segundo foi com relação à qualidade da água de chuva coletada em diferentes regiões (Pampulha e Centro), comparando a mesma superfície de captação (telhas metálicas ou cerâmicas), como indicado na Figura 4.8. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 58 Figura 4.8 - Fluxograma dos pontos de coleta em função do tipo de superfície de captação – amostras independentes Foram comparadas as qualidades das águas armazenadas no primeiro tubo presente no telhado cerâmico da Pampulha com o primeiro tubo do telhado cerâmico do Centro, assim como ocorreu para o segundo e terceiro tubos, para os dois tipos de telhas. Como as amostras da Pampulha e Centro eram coletadas com aproximadamente 40 minutos de defasagem, foi utilizado o teste de Mann e Whitney (Mann-Whitney U Test), disponibilizado pelo “software” STATISTICA 6.0. Trata-se de uma alternativa não paramétrica para o teste T de Student, que é utilizado para avaliar diferenças nas médias observadas entre dois grupos. O teste utilizado compara as medianas de dois grupos independentes de dados. Ambos os testes foram realizados utilizando o “software” STATISTICA 6.0 e consideraram o nível de significância de 5%. 4.2. Investigação da percepção dos sujeitos Quando a presente pesquisa se iniciou, surgiram algumas dúvidas: Qual seria a utilidade pública do resultado do monitoramento da qualidade da água de chuva no meio urbano? A população urbana se interessaria em utilizar essa água? Qual o motivo dela não utilizá-la? E se houvesse algum incentivo por parte dos governantes para a população aderir à utilização da água de chuva? Buscando responder esses questionamentos, foi incluída a pesquisa qualitativa na proposta original do projeto. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 59 A percepção dos moradores de Belo Horizonte sobre o aproveitamento de água de chuva foi investigada, em sua maioria, por meio de entrevistas individuais semi-estruturadas. Esse tipo de entrevista combina perguntas fechadas e abertas, onde o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto. Apenas uma pergunta, sobre a qualidade da água de chuva, foi realizada utilizando-se a técnica de entrevista estruturada (resposta prefixada pelo entrevistador). A pesquisa foi realizada em etapas, iniciando-se pela elaboração do tópico-guia e finalizandose na análise das entrevistas, como mostrado a seguir. A duração das entrevistas foi de, aproximadamente, 15 minutos. 4.2.1. Elaboração de tópico-guia A primeira parte da pesquisa foi direcionada à elaboração de um protocolo, denominado tópico-guia. Esse protocolo constituiu-se em um conjunto de títulos de parágrafos, relativos ao objetivo da pesquisa, que funcionaram como lembretes ao entrevistador. Segundo Minayo (2007), esse tópico-guia é muito apropriado para o momento em que o entrevistador está de frente com o entrevistado, tornando-se um referencial de apoio na sequência dos questionamentos. Dessa maneira buscou-se facilitar a abordagem e alcançar o objetivo de respostas sobre as hipóteses do trabalho, mostradas a seguir. O protocolo teve também a função de minimizar os desvios de foco da pesquisa. Hipóteses: 1. A população urbana possui resistência em utilizar a água de chuva pois possui água potável canalizada em casa e desconhece o sistema de aproveitamento; 2. a população urbana apresenta dúvidas sobre a qualidade da água de chuva para aproveitá-la; 3. o custo de implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial é um empecilho à sua adoção; e 4. incentivos financeiros por parte do governo (municipal, estadual ou federal) ou ONGs podem ser decisivos à adoção de grande parte da população à captação de água de chuva. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 60 A seguir estão apresentados os parágrafos norteadores (tópicos-guia) utilizados para esta pesquisa e uma breve explicação do porquê de sua inserção. O modelo de protocolo, utilizado nas entrevistas, está disponível no apêndice D. 1) Quando você vê que está chovendo ou imagina que está chovendo, você pensa em quê? Essa pergunta foi elaborada buscando uma introdução no tema a ser pesquisado. 2) Você acha que a água de chuva é suja, limpa ou mais ou menos? Pergunta realizada com a intenção de conhecer o pensamento dos entrevistados quanto à qualidade da água de chuva. Foi realizada de maneira direta (entrevista estruturada) para facilitar o entendimento dos entrevistados. 3) Você acha que a água de chuva poderia ser utilizada para alguma finalidade? A partir dessa pergunta o assunto relativo ao aproveitamento de água de chuva estava sendo iniciado. A intenção era descobrir, a partir de uma pergunta direta, qual era a aceitação da população quanto à utilização de uma água não potável. 4) Para quais finalidades? A intenção era saber quais as utilizações possíveis, segundo os entrevistados, para a água de chuva. 5) Você utilizaria essa água para atividades domésticas? Quais? A pergunta foi elaborada com o mesmo objetivo da questão anterior. Entretanto, a intenção era conhecer a percepção dos moradores da capital mineira quanto à utilização dessa água em suas casas. Na área urbana de Belo Horizonte, no ano 2000, a maioria da população (98,04%) habitava em edificações atendidas por abastecimento de água, o que poderia ser um fator de desmotivação à utilização de águas provenientes de outras fontes que não a da Companhia de Abastecimento de Água. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 61 6) Existem algumas pessoas que captam água de chuva em casa para utilizar em algumas atividades, qual a sua opinião sobre isso? O entrevistado era abordado quanto ao seu conhecimento sobre a existência de captação de água de chuva nas grandes cidades. Além disso, a possibilidade de captação de água de chuva e armazenamento em residências estava sendo colocado em pauta. Em algumas situações, quando o entrevistado não possuía nenhum conhecimento sobre como é normalmente realizada a captação dessa água e quais os equipamentos necessários para essa implantação, era realizada uma explicação. 7) Você faria captação de água de chuva na sua casa? A intenção dessa pergunta era descobrir, a partir de uma pergunta direta, qual era a possibilidade de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva na casa dos entrevistados. 8) Por que você acha que as pessoas não aproveitam água de chuva em suas casas? Essa pergunta foi realizada para conhecer o motivo pelo qual as pessoas não aproveitam água de chuva. Foi inserida na pesquisa quando muitos entrevistados diziam que aproveitariam a água de chuva, mas, na realidade, atualmente não o fazem. Foi uma maneira sutil de perguntar o porquê da não adoção hoje. 9) Se você tivesse um incentivo financeiro por parte de algum órgão ou entidade isso iria contribuir para você adotar a captação de água de chuva? O tópico foi formulado com a intenção de descobrir se algum incentivo financeiro faria as pessoas mudarem de ideia da não aceitação em aproveitar água de chuva. 10) Você acredita que economizaria na conta de água se utilizasse água de chuva em algumas atividades domésticas? Buscou-se saber se o entrevistado acreditava que economizaria dinheiro na conta de água potável se ele a substituísse por água de chuva (em algumas atividades menos nobres). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 62 11) Você tem noção de quanto iria economizar na conta de água potável se utilizasse água de chuva em algumas atividades domésticas? A pergunta foi realizada com a intenção de descobrir qual é o conhecimento das pessoas sobre o valor economizado na conta de água potável caso essa fosse substituída, para algumas atividades, pela água de chuva. 12) Você sabe quanto é o investimento para implantar o sistema de captação de água de chuva? O aproveitamento de água de chuva pode ser realizado de várias maneiras, há sistemas sofisticados, com equipamentos eletrônicos, mas há também sistemas simplificados, onde a coleta e a retirada da água são realizadas de maneira manual. Dessa maneira, o custo de implantação vai variar de acordo com o sistema que se quer implantar. Em locais onde já se encontram implantadas as superfícies de captação e as calhas para transporte da água, o custo para implantação de um sistema simplificado é minimizado. 13) Você tem noção do tempo de retorno do investimento, considerando a economia na conta de água? Vários estudos sobre a viabilidade econômica da implantação de sistemas de aproveitamento de água de chuva estão sendo realizados no Brasil. O tempo de retorno, segundo a literatura, varia de 6 a 10 anos em residências unifamiliares. 14) Se você soubesse que, ao aproveitar água de chuva, você economizaria na sua conta de água, isso faria com que você realizasse a captação sem incentivos? A maioria da população não tem acesso a informações sobre a viabilidade econômica e tampouco sobre a qualidade da água de chuva captada em áreas urbanas. Talvez, por esse motivo, sintam resistência em aproveitar essa água. Caso as informações fossem melhor divulgadas, poder-se-ia ter uma situação de maior aproveitamento da água pluvial no Brasil. Além disso, muitos brasileiros possuem orçamento restrito e talvez por esse motivo não possam implantar um sistema de captação e armazenamento em casa. O incentivo financeiro poder-se-ia tornar uma ferramenta de fundamental importância para a adoção da população. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 63 15) Quais as vantagens de se captar água de chuva e utilizá-la para o dia-a-dia? A intenção era saber se as pessoas, moradoras da área urbana, percebiam alguma vantagem em aproveitar água de chuva. A pergunta foi realizada sem que nenhuma informação a respeito do assunto fosse fornecida, apenas quando os entrevistados não entendiam a pergunta ou diziam não haver nenhuma vantagem é que alguns temas como contribuição para o meio ambiente, economia nas contas de água e diminuição de enchentes eram citados. 16) Você acha que a limpeza e a manutenção do sistema de captação de água de chuva seria um impedimento ou empecilho para você utilizar essa água? Após a implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva em um determinado local é necessário que o usuário e proprietário possua alguns cuidados específicos, como a limpeza, mínima, semestral da caixa de armazenamento e calhas, além da manutenção dos filtros, bombas e outros equipamentos (quando existentes). Essa pergunta foi feita com a intenção de verificar se um dos motivos que contribuem para o não aproveitamento de água de chuva são os cuidados de manutenção. 4.2.2. Submissão do projeto ao Comitê de Ética A Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde – CNS indica que toda pesquisa envolvendo seres humanos no Brasil, de forma direta ou indireta, em sua totalidade ou parte dele, incluindo o manejo de informações ou materiais, seja apresentada a um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) registrado na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa – CONEP. O CEP busca garantir aos participantes de pesquisas que eles sejam informados sobre o objetivo geral do estudo, a confidencialidade dos dados, o seu anonimato, a não obrigação em responder a todas as perguntas, o conhecimento sobre a gravação da entrevista (se esse for o caso) e todas as informações pertinentes à pesquisa. Em julho de 2008, o presente projeto de pesquisa foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG (COEP/UFMG) e em meados de setembro de 2008, ele foi aprovado. Ao COEP/UFMG foram enviados carta de encaminhamento do projeto, texto com o projeto de pesquisa, termo de consentimento livre esclarecido (TCLE), orçamento, referências bibliográficas utilizadas para a pesquisa e parecer consubstanciado assinado pelo chefe do Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 64 DESA/UFMG e diretor da Escola de Engenharia. A carta de aprovação da presente pesquisa, pelo COEP/UFMG, está apresentada no item Anexos. 4.2.3. Realização do pré-teste As primeiras entrevistas aconteceram em setembro de 2008. Foram entrevistadas três pessoas: um homem, que possui formação superior completa, e duas mulheres, sendo que uma possui ensino superior completo e a outra ensino fundamental incompleto. O resultado do pré-teste foi considerado positivo, uma vez que os entrevistados desenvolviam muito bem o assunto, muitas vezes sem a necessidade de estímulo. O pré-teste são as primeiras coletas de dados realizadas com um número menor de respondentes, tendo como objetivo a verificação do método elaborado. É realizado antes da coleta definitiva, possibilitando ajustes, caso seja verificada alguma inadequação no instrumento (MARCONI; LAKATOS, 1990 apud SOUZA, 2007). O pré-teste serviu para não somente confirmar a metodologia a ser aplicada, quanto para ambientar a pesquisadora ao instrumento para a pesquisa. 4.2.4. Seleção dos entrevistados Na presente pesquisa, as entrevistas foram realizadas a partir de dois grupos de pessoas, indivíduos com ensino superior completo e ensino fundamental incompleto. Essa escolha se deu em função de que o aproveitamento, ou não, de água de chuva, pode estar condicionado ao grau de instrução do pesquisado. Além disso, pode estar também relacionada à situação financeira. Ao restringir esses dois grupos de entrevistados, atinge-se duas características muito importantes (escolaridade e renda). A seleção dos sujeitos entrevistados foi realizada considerando os seguintes critérios: • Homens e mulheres, moradores da cidade de Belo Horizonte; • Idade maior que 18 anos; • O pesquisado não poderia saber, previamente, qual o tema pesquisado pela entrevistadora. Eles eram informados somente no momento de conceder a entrevista. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 65 Os sujeitos entrevistados foram previamente avisados sobre todas as questões logísticas do processo de coleta de dados, ou seja, do tempo previsto para a entrevista, das gravações, das anotações, de como seriam divulgados os resultados e de como seriam armazenados os dados. Houve total confidencialidade nos dados dos entrevistados, uma vez que eles não foram identificados. Além disso, as entrevistas foram realizadas com total consentimento dos sujeitos, incluindo assinatura no termo de consentimento livre esclarecido (apresentado no apêndice E). O número de entrevistas realizadas foi o suficiente para a obtenção de saturação nas respostas, ou seja, as entrevistas foram realizadas até que não fossem encontradas respostas muito diferentes umas das outras, conforme Bauer & Gaskell (2007). Foram entrevistadas 18 pessoas no total, 9 com ensino superior completo e 9 com ensino fundamental incompleto. 4.2.5. Análise das entrevistas As análises das respostas dos entrevistados iniciaram desde o momento da entrevista gravada, passando pela transcrição até o momento de organização de ideias propriamente dita, utilizando o método do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). A elaboração dos DSCs iniciou-se com os discursos em estado bruto, da mesma maneira que estavam apresentados nas entrevistas gravadas, sendo posteriormente submetidos a um trabalho analítico inicial de decomposição. Esse trabalho baseou-se na utilização das figuras metodológicas (expressões-chave e ideias centrais) presentes em cada um dos discursos individuais. Ainda a respeito da técnica do DSC, um fato interessante é que ela possibilita um tratamento quantitativo dos dados após a transformação dos discursos nas figuras metodológicas. Segundo Lefèvre e Lefèvre (2005) quando uma pesquisa tem como resultado um DSC é possível e desejável saber alguns dados quantitativos, ou seja, é possível saber quantos respondentes contribuíram para a formação do DSC, sendo que essa quantidade pode ser expressa em porcentagens ou em uma relação com o número total de entrevistas. É importante ressaltar que o tratamento quantitativo dos dados realizado na presente pesquisa objetivou apenas indicar tendências para as respostas. Não foram utilizados métodos de coleta de dados que visassem à generalização dos resultados. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 66 O “software” Qualiquantisoft foi utilizado como base para iniciar as análises das entrevistas, entretanto, devido a pesquisadora possuir acesso apenas à licença de demonstração (limitada a 30 respostas no total), não foi possível continuar utilizando o programa computacional durante a pesquisa. A análise, portanto, foi realizada manualmente, mas utilizando as mesmas técnicas de apresentação do referido programa. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 67 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados relativos à qualidade da água de chuva captada na cidade de Belo Horizonte estão apresentados e discutidos no item 5.1 e no item 5.2 tem-se a apresentação e discussão dos resultados da pesquisa qualitativa sobre a percepção de moradores a respeito do aproveitamento de água de chuva. 5.1. Qualidade da água da chuva captada em Belo Horizonte As análises da qualidade das águas das chuvas captadas em Belo Horizonte foram realizadas em 2 etapas. Considerando que o número de coletas realizadas na 1a etapa foi de apenas 4 no total, esses resultados não foram tratados estatisticamente devido ao restrito número de dados. A investigação experimental relativa à 1ª etapa serviu para definir e aprimorar as condições de trabalho adotadas na 2ª etapa. Os resultados obtidos nessa 1ª etapa estão apresentados no apêndice C, valores máximos e mínimos. Ressalta-se que os resultados relativos ao parâmetro dureza, 1a e 2a etapa estão apresentados no referido apêndice uma vez que o número de coletas para cada etapa foi igual a 4. Dessa maneira, não achou-se conveniente utilizar esse pequeno número de dados para a realização de análise estatística para esse parâmetro. Os valores encontrados para esse parâmetro foram muito inferiores ao máximo recomendado pela Portaria MS n. 518/2004 (500 mgCaCO3/L). Além disso, é importante esclarecer que o limite de detecção para o parâmetro chumbo era de 0,02 mg/L durante a 1ª etapa da pesquisa. Em vista disso, para a 2ª etapa optou-se por aumentar o volume de água coletada, de modo a viabilizar a redução do limite de detecção para 0,01 mg/L, por meio da concentração da amostra. Dessa maneira pode-se comparar os resultados obtidos com o padrão de potabilidade vigente no Brasil. Os gráficos mostrados a seguir são relativos às análises de laboratório realizadas na 2a etapa da pesquisa. No total foram realizados 120 gráficos Box & Whisker plots contendo comparações entre as superfícies de captação (amostras dependentes: telhados metálicos e telhados de cerâmica) e entre as regiões de coleta (amostras independentes: Pampulha e Centro). A seguir, são apresentados apenas os gráficos que possuem resultados próximos aos preconizados pela Portaria 518/2004 do Misnistério da Saúde e pela NBR 15.527 da ABNT. 68 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG Poder-se-á perceber que parâmetros distintos apresentaram resultados satisfatórios quanto às normas citadas para tubos de coletas diferentes. O restante dos gráficos pode ser consultado no apêndice A. 5.1.1. Comparação entre diferentes superfícies de captação localizadas em uma mesma região Nesse item estão apresentados os resultados relativos à comparação dos mesmos pontos de coleta (1º, 2º ou 3º) para dois tipos de superfície de captação, ambos localizados em uma mesma região. Para a análise estatística considerou-se que as amostras eram dependentes entre si, uma vez que eram coletadas e analisadas em um mesmo momento. 5.1.1.1. pH Nas Figuras 5.1 e 5.2 são apresentados os resultados comparativos do pH das amostras do primeiro tubo de coleta de cada sistema. Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma vez que as águas relativas a esse tubo (duas regiões e dois tipos de telhas) apresentaram qualidade (mediana) que atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004. pH - Centro pH pH pH - Pampulha 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 CER P1_pH MET P4_pH Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 CER P7_pH METP10_pH Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta Figura 5.1 - Comparação entre o pH da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 5.2 - Comparação entre o pH da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,0017 p= 0,0042 O pH das amostras de água de chuva do 1o tubo de coleta (relativo a 1L de água por 1 m2 de telhado) apresentava-se com medianas de 8,1 e 7,3 nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do Centro esses valores eram de 7,6 e 7,2. Todos as amostras (1º, 2º e 3º tubos) atenderam à Portaria MS n. 518/ 2004, cuja faixa indicada está entre 6,0 e 9,5. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 69 Percebe-se que há diferença entre a qualidade da água de chuva captada em uma mesma região, por superfícies diferentes, quanto ao parâmetro pH, considerando o nível de significância adotado de 5%. A diferença entre a qualidade da água captada pelos dois tipos de telhas pode ter sido causada pela composição química das mesmas. A argila da telha cerâmica, por exemplo, pode ter sido uma das responsáveis pelo aumento do pH da água da chuva, uma vez que aquela apresenta silício em sua composição química. Os valores encontrados para as águas captadas por telhas metálicas, na presente pesquisa, estavam próximos ao verificado por May (2004) para as águas captadas em São Paulo, que encontrou pH médio entre 6,7 e 7,1. Annechini (2005) verificou valores menores para águas captadas por telhas metálicas na cidade de Vitória - ES. Para o volume relativo de coleta de 1 L de água de chuva por 1 m² de telhado, o valor de pH encontrado foi de 6,5. Tordo (2004) encontrou valores inferiores para águas captadas por telhas cerâmicas na cidade de Blumenau - SC. Para o volume relativo de coleta de 0,2 L de água de chuva por 1 m² de telhado, o valor de pH encontrado foi de 5,6. Silva (2006) realizou um estudo na região do Vale do Jequitinhonha mineiro e encontrou pH de 8,4 para águas armazenadas em cisternas com menos de 1 ano de uso. Ressalta-se que o valor citado não é relativo à qualidade da água descartada e sim da água armazenada. Além disso, não foi citado o tipo de telha implantada no telhado para a captação da água pluvial. 5.1.1.2. Turbidez Nas Figuras 5.3 e 5.4 são apresentados os resultados comparativos de turbidez das amostras do terceiro tubo de coleta de cada sistema. Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma vez que as águas relativas a esse tubo (duas regiões e dois tipos de telhas) apresentaram qualidade (mediana) que atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 70 Turbidez - Centro 90 75 75 60 60 Turbidez (uT) Turbidez (uT) Turbidez - Pampulha 90 45 45 30 30 15 15 0 CER P3_T MET P6_T o Median 25%-75% Min-Max 0 CER P9_T METP12_T o Telha/ N ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta Figura 5.3 - Comparação entre a turbidez da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 5.4 - Comparação entre a turbidez da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,0124 p= 0,1773 A turbidez foi um dos parâmetros que mais apresentou oscilação de valores durante a pesquisa. Após o longo período de estiagem, entre abril e setembro, a qualidade da água coletada nas duas regiões estava muito ruim, principalmente em relação á turbidez. Os telhados e calhas ficaram um longo tempo expostos à poluição e às intempéries, o que propiciou um acúmulo de sujeira sobre as superfícies. Após as duas primeiras chuvas, entre os meses de agosto e setembro, pode-se perceber que os telhados ficaram limpos, entretanto as calhas ainda continuavam sujas. Nesse momento, considerou-se que seria indicado realizar a limpeza das calhas, como deve acontecer na realidade. Essa foi a única intervenção sobre as superfícies de captação e transporte da água durante a pesquisa. A turbidez das amostras de água de chuva do 3o tubo de coleta (relativo a 3 L de água por 1 m2 de telhado) apresentava-se com medianas de 3,8 e 1,6 uT nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do Centro esses valores eram de 4,4 e 3,2 uT. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas na Pampulha apresentam diferença significativa entre si. Já as amostras coletadas no Centro não são consideradas diferentes com o mesmo nível de significância, uma vez que o valor de p é igual a 0,1773. Yaziz et al. (1998) também verificaram diferença entre a qualidade da água de chuva captada por telhas metálicas e cerâmicas. Foram encontrados valores de turbidez duas vezes superior nas águas captadas pelas últimas telhas citadas em relação às primeiras. Uma explicação para esse fato pode ser o seguinte: o escoamento das águas pluviais sobre as telhas cerâmicas pode ter superado a resistência à abrasão do material, de maneira a carrear sedimentos para os tubos Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 71 (reservatórios), tanto partículas de sujeiras quanto do próprio material cerâmico (BOULOMYTIS, 2007). Percebe-se que, se verificados apenas os valores das medianas, as amostras de água de chuva coletadas na Pampulha e Centro, cuja superfícies de captação eram telhas cerâmicas ou metálicas, estavam atendendo à Portaria MS n. 518/ 2004 e à Norma Brasileira para Aproveitamento de Água de Chuva. Ambas permitem um valor máximo de 5,0 uT. Uma das explicações para a diferença entre a qualidade da água captada em duas superfícies diferentes, na região da Pampulha, poderia ser a composição química das telhas, assim como foi citado para o pH. Se a análise for realizada considerando os quartis superiores, a região da Pampulha apresentou valores de 5,0 uT (telha cerâmica) e 5,1 uT (telha metálica). Já a região do Centro apresentou valores iguais a 7,0 (telha cerâmica) e 7,6 (telha metálica). Percebe-se que as águas coletadas pela telha cerâmica, localizada na região da Pampulha, atendiam à Portaria MS n. 518, enquanto que as captadas pelas telhas metálicas obtiveram qualidade pouco superior ao limite de 5,0 uT. Em relação às águas captadas no Centro, elas apresentaram resultados superiores ao limite da referida Portaria. Annechini (2005) verificou valores maiores para águas captadas por telhas metálicas na cidade de Vitória em comparação com as águas captadas em Belo Horizonte (presente pesquisa). Para o volume relativo de coleta de 1 L de água de chuva por 1 m² de telhado, o valor de turbidez encontrado pela pesquisadora citada foi de 37,0 uT, enquanto que a presente pesquisa encontrou mediana para turbidez variando de 12,8 uT (telha metálica implantada na região do Centro) a 9,8 uT (telha metálica implantada na região da Pampulha), como apresentado no apêndice A. 5.1.1.3. Cor aparente Nas Figuras 5.5 e 5.6 são apresentados os resultados comparativos de cor aparente das amostras coletadas pelo terceiro tubo de cada sistema. Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma vez que as águas relativas ao primeiro e segundo tubo de todos os sistemas apresentaram qualidade (mediana) que não atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 72 Cor aparente - Centro Cor aparente (uH) Cor aparente (uH) Cor aparente - Pampulha 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 CER P3_CA MET P6_CA o Median 25%-75% Min-Max 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 CER P9_CA METP12_CA o Telha/ N ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta Figura 5.5 - Comparação entre a cor aparente da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha Figura 5.6 - Comparação entre a cor aparente da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,0027 p= 0,0277 A cor aparente foi, juntamente com a turbidez, um dos parâmetros que mais apresentou oscilação de valores durante a pesquisa. A cor aparente das amostras de água de chuva do 3º tubo de coleta (relativo a 3 L de água por 1 m2 de telhado) apresentava-se com medianas de 29 uH e 12 uH nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do Centro esses valores eram de 30 uH e 26 uH. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas em uma mesma região são diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%. As amostras coletadas no Centro apresentaram valores que não atendiam à Portaria MS n. 518/2004 e tampouco à NBR 15.527. Ambas permitem um valor máximo de 15 uH. Já as amostras coletadas no telhado metálico da Pampulha apresentaram valor de 9 uH (mediana), portanto atendendo à norma citada. Se a análise for realizada considerando os quartis superiores, a região da Pampulha apresentou valores de 47 uH (telha cerâmica) e 35 uH (telha metálica). Já a região do Centro apresentou valores iguais a 67 uH (telha cerâmica) e 62 uH (telha metálica). Percebe-se que as águas coletadas pelos dois tipos de telhas, nas duas regiões, não atendiam à Portaria MS n. 518. Se a análise for realizada considerando os quartis inferiores, tem-se que as telhas metálicas da região da Pampulha e do Centro apresentaram água coletada com qualidade satisfatória, uma vez que os resultados são 4 uH e 15 uH, respectivamente. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 73 5.1.1.4. Alcalinidade Nas Figuras 5.7 e 5.8 são apresentados os resultados comparativos de alcalinidade das amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema. Não há citação desse parâmetro no Padrão de Potabilidade do Ministério da Saúde e tampouco na norma da ABNT sobre aproveitamento de água de chuva. Entretanto, esse parâmetro é importante em estudos relacionados à corrosividade da água, assim como nos casos em que se prevê um tratamento posterior da água por meio de coagulação química. Considerando o fato citado, optou-se por apresentar apenas os resultados equivalentes ao descarte de 2L de água por metro quadrado de telhado (valor indicado na NBR 15.527). Os resultados relativos aos outros tubos de coleta estão apresentados no apêndide A. Alcalinidade - Centro 65 60 60 55 55 50 50 Alcalinidade (mg CaCO3/L) Alcalinidade (mg CaCO3/L) Alcalinidade - Pampulha 65 45 40 35 30 25 20 15 10 45 40 35 30 25 20 15 10 5 5 0 CER P2_A MET P5_A Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max 0 CER P8_A METP11_A Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Figura 5.7 - Comparação entre a alcalinidade da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 5.8 - Comparação entre a alcalinidade da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,1763 p= 0,0663 A alcalinidade total das amostras de água de chuva coletadas pelo 2o tubo (relativo a 2 L de água por 1 m2 de telhado) apresentava-se com medianas de 12,4 mg CaCO3/L e 10,0 mg CaCO3/L nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do Centro esses valores eram de 20,0 mg CaCO3/L e 14,7 mg CaCO3/L. Percebe-se que, estatisticamente, as águas captadas pelos dois tipos de telhas não apresentam qualidades diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%. A região da Pampulha apresentou quartis superiores com valores de 18,9 mg CaCO3/L (telha cerâmica) e 16,5 mg CaCO3/L (telha metálica). Já a região do Centro apresentou valores iguais a 21,0 mg CaCO3/L (telha cerâmica) e 17,9 mg CaCO3/L (telha metálica). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 74 Annechini (2005) verificou valores menores para águas captadas por telhas metálicas na cidade de Vitória em comparação com as águas captadas em Belo Horizonte (presente pesquisa). Para o volume relativo de coleta de 1 L de água de chuva por 1 m² de telhado, o valor médio de alcalinidade encontrado pela pesquisadora citada foi de 15,6 mg CaCO3/L, enquanto que a presente pesquisa encontrou mediana para alcalinidade variando de 25,2 mg CaCO3/L (telha metálica implantada na região da Pampulha) a 15,8 mg CaCO3/L (telha metálica implantada na região do Centro), como mostrado no apêndice A. 5.1.1.5. Coliformes totais Nas Figuras 5.9 e 5.10 são apresentados os resultados comparativos de coliformes totais das amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema. Nenhum dos pontos de coleta apresentou qualidade satisfatória quando considerada a Portaria MS n. 518. Por esse motivo, optou-se por apresentar os resultados relativos ao volume de descarte de água por m2 indicado pela NBR 15.527. Os resultados relativos ao primeiro e terceiro tubos estão apresentados no apêndice A. Coliformes Totais - Centro C o lifor m es T o tais ( N M P / 10 0 m L ) C o lifor m es T o tais ( N M P / 10 0 m L ) Coliformes Totais - Pampulha 2600 2400 2200 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 2600 2400 2200 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 200 0 CER P2_CT MET P5_CT o Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta 0 CER P8_CT METP11_CT o Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta Figura 5.9 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 5.10 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,0033 p= 0,0015 Os gráficos mostram uma diferença significativa entre a qualidade da água captada pelo telhado cerâmico e metálico, quanto ao parâmetro coliformes totais, tanto para o Centro quanto para a Pampulha. As amostras de água de chuva do 2º tubo de coleta (relativo a 2 L de água por 1 m2 de telhado) apresentaram mediana de 102 NMP/100 mL e 1 NMP/100 mL nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do Centro esses valores foram de 1119 NMP/100 mL e 6 NMP/100 mL. Percebe-se que, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 75 estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas nos dois tipos de telhas são diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%. Em relação à diferença entre a qualidade da água captada por dois tipos de telhas distintos, tem-se a seguinte consideração: a luz solar, ao incidir sobre a superfície metálica, provoca um aquecimento dessa estrutura podendo causar uma desinfecção natural da água de chuva. Dessa maneira, as telhas metálicas apresentam uma vantagem sobre as cerâmicas, se analisada a qualidade microbiológica da água captada. As águas captadas pelos telhados metálicos apresentaram um valor muito próximo ao limite da Portaria MS n. 518, que recomenda que deve haver ausência de coliformes totais em 100 mL de amostra, tolerando a presença desses, na ausência de Escherichia coli e/ou coliformes termotolerantes (BRASIL, 2005). Além disso, a referida Portaria recomenda que caso essa situação seja verificada, deve ser investigada a origem da contaminação e tomadas providências imediatas de caráter corretivo e preventivo. Considerando o padrão de balneabilidade (CONAMA No 274/00), as águas captadas por telhas metálicas, nas duas regiões, são classificadas como excelente. Para o parâmetro coliformes totais foi verificado que, para as águas captadas na Pampulha (dois tipos de telhas) e Centro (telha metálica), os valores relativos ao primeiro tubo eram inferiores aos do terceiro tubo. Esse fato não era esperado e foi verificado nas duas regiões. Não foi encontrada na bibliografia algo sobre essa situação e não foi possível formular uma hipótese, durante a presente pesquisa, que explicasse esse fato. 5.1.1.6. Escherichia coli Nas Figuras 5.11 e 5.12 são apresentados os resultados comparativos de Escherichia coli das amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 2 L/m² de telhado). Os resultados relativos ao primeiro e terceiro tubos estão apresentados no apêndice A. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 76 Escherichia coli - Pampulha Escherichia coli - Centro 750 Escherichia coli (NMP/ 100mL) Escherichia coli (NMP/ 100mL) 750 600 450 300 600 450 300 150 150 0 CER P2_EC MET P5_EC o Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta 0 CER P8_EC METP11_EC o Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta Figura 5.11 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 5.12 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,0051 p= 0,0033 Assim como aconteceu com o parâmetro anterior, os gráficos mostram uma diferença significativa entre a qualidade das águas captadas pelos telhados cerâmico e metálico, tanto para o Centro quanto para a Pampulha. As amostras de água de chuva do 2º tubo de coleta (relativo a 2L de água por 1 m2 de telhado) apresentavam-se com medianas de 10 NMP/100 mL e < 1 NMP/100 mL nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do Centro esses valores eram de 6 NMP/100 mL e < 1 NMP/100 mL. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas são considerados diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%. As amostras captadas pelos telhados cerâmicos apresentavam valores que não atendiam à Portaria MS n. 518/2004 e nem à NBR 15.527/2007, que não permitem a presença de Escherichia coli em 100 mL de água coletada. Já as amostras coletadas nos telhados metálicos, das duas regiões apresentavam valor de < 1 NMP/100 mL (mediana), portanto atendendo à norma citada. Em relação à diferença entre os dois tipos de telhas, tem-se a mesma explicação citada para coliformes totais. Yaziz et al. (1989) encontraram resultados semelhantes quanto à diferença na qualidade da água captada em telhas metálicas e de concreto, na Malásia, e verificaram que a concentração de coliformes termotolerantes na água captada no telhado de concreto era superior, aproximadamente duas vezes, à da água captada pelo telhado metálico. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 77 5.1.1.7. Sulfato Nas Figuras 5.13 e 5.14 são apresentados os resultados comparativos de sulfato das amostras coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema. Optou-se por apresentar os resultados do 1o tubo, pois, com o descarte de apenas 1 L de água por metro quadrado de telhado, a qualidade da água é satisfatória quanto a esse parâmetro. Os resultados relativos ao segundo e terceiro tubos estão apresentados no apêndice A. É importante esclarecer que o limite de detecção (LD) utilizado para o sulfato foi de 2 mg/L. Dessa maneira, os valores < LD foram considerados iguais ao LD para fim de análise estatística. Sulfato - Centro 16 14 14 12 12 10 10 Sulfato (mg/L) Sulfato (mg/L) Sulfato - Pampulha 16 8 6 4 8 6 4 2 2 0 CER P1_S MET P4_S Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max 0 CER P7_S METP10_S Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Figura 5.13 - Comparação entre sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 5.14 - Comparação entre sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,4989 p= 0,6121 O sulfato presente nas amostras de água de chuva coletadas pelo 1º tubo apresentava-se com medianas de 3 mg/L e < 2 mg/L nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do Centro esses valores eram de 3 mg/L e < 2 mg/L. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas não são considerados diferentes entre si, uma vez que o valor de p é aproximadamente igual a 0,50 e 0,60, para a Pampulha e o Centro. Considerando todas as amostras, incluindo os valores extremos, elas apresentaram valores que atendiam à Portaria MS n. 518/2004, cujo valor máximo permitido é de 250 mg/L. SHAABAN e APPAN (2003) encontraram, em Kuala Lumpur, Malásia, concentrações de sulfato entre 1 e 7 mg/L, valores próximos aos verificadas no presente estudo. COOMBES et al. (2006) encontraram em Hamilton, Austrália, concentração de 5 mg/L. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 78 5.1.1.8. Ferro Nas Figuras 5.15 e 5.16 são apresentados os resultados comparativos de ferro das amostras coletadas pelo terceiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 3 L/m² de telhado). Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma vez que as medianas das águas relativas ao primeiro e segundo tubo de todos os sistemas apresentaram qualidade que não atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004. Os resultados relativos ao primeiro e segundo tubos estão apresentado no apêndice A. Ferro/ Centro Ferro (mg/L) Ferro (mg/L) Ferro/ Pampulha 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 CER P3_F MET P6_F Median 25%-75% Min-Max 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 CER P9_F METP12_F Telha/ Nº ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta Figura 5.15 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 5.16 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,6744 p= 0,2845 O ferro presente nas amostras de água de chuva do terceiro tubo de coleta apresentava-se com medianas de 0,25 mg/L e 0,42 mg/L, para as telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do Centro, esses valores eram de 0,60 mg/L e 0,54 mg/L. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas nos dois telhados não são considerados diferentes entre si, com um nível de significância de 5%. Se analisado quanto ao valor da mediana, a água captada pelo telhado de cerâmica, implantado na Pampulha, atendia à Portaria MS n. 518/2004, cujo valor máximo permitido é de 0,30 mg/L. Os outros três telhados não apresentavam água coletada respeitando à Portaria citada. Como citado na revisão bibliográfica, águas com altas concentrações de ferro podem causar objeção por parte dos consumidores à sua utilização. Se a análise for realizada considerando os quartis superiores, a região da Pampulha apresentou valores de 0,42 mg/L (telha cerâmica) e 0,82 mg/L (telha metálica). Já a região do Centro apresentou valores iguais a 1,01 mg/L (telha cerâmica) e 1,40 mg/L (telha metálica). Se a Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 79 análise for realizada considerando os quartis inferiores, tem-se que as águas coletadas atendem à Portaria, uma vez que para a região da Pampulha as telhas cerâmicas apresentaram valor de 0,13 mg/L e as metálicas de 0,25 mg/L. Já para a região do Centro, as águas captadas por telhas cerâmicas e metálicas apresentaram concentrações de 0,27 mg/L (telha cerâmica) e 0,30 mg/L (telha metálica). 5.1.1.9. Manganês Nas Figuras 5.17 e 5.18 são apresentados os resultados comparativos de manganês das amostras coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 1 L/m² de telhado). Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma vez que a qualidade dessa água atendeu à Portaria MS n. 518/ 2004. Os resultados relativos ao segundo e terceiro tubos estão apresentados no apêndice A. Manganês/ Centro Ferro (mg/L) Ferro (mg/L) Manganês/ Pampulha 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 CER P1_MN MET P4_MN Median 25%-75% Min-Max 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 CER P7_MN METP10_MN Telha/ Nº ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta Figura 5.17 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha Figura 5.18 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,6121 p= 0,6744 O manganês presente nas amostras de água de chuva do 1º tubo de coleta apresentava-se com medianas de 0,08 e 0,08 mg/L nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha. Já para a região do Centro esses valores foram de 0,13 e 0,10 mg/L. Estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas nos dois telhados não são diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%. Se analisado quanto ao valor da mediana, as águas coletadas atendiam à Portaria MS n. 518, cujo valor máximo permitido é de 0,10 mg/L. Apenas as águas captadas pelo telhado cerâmico do Centro ultrapassaram o valor máximo permitido em 30%. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 80 Se a análise for realizada considerando os quartis inferiores, a região da Pampulha apresentou valores de 0,02 mg/L (telha cerâmica) e 0,04 mg/L (telha metálica). Já a região do Centro apresentou valores iguais a 0,07 mg/L (telha cerâmica) e 0,08 mg/L (telha metálica). Percebese que as águas coletadas atendiam à Portaria MS n. 518/2004, se analisadas quanto ao quartil inferior. Assim como citado para o parâmetro ferro, águas com altas concentrações de manganês podem causar objeção por parte dos consumidores à sua utilização. 5.1.1.10. Chumbo Nas Figuras 5.19 e 5.20 são apresentados os resultados comparativos de chumbo das amostras coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 1 L/m² de telhado). Os resultados relativos ao segundo e terceiro tubos estão apresentados no apêndice A. É importante esclarecer que o limite de detecção (LD) utilizado para o chumbo foi de 0,01 mg/L, igual ao limite máximo permitido pela Portaria MS n. 518/2004. Dessa maneira, os valores < LD foram considerados iguais ao LD para fim de análise estatística. Chumbo - Centro 0,30 0,28 0,28 0,26 0,26 0,24 0,24 0,22 0,22 0,20 0,20 Chumbo (mg/L) Chumbo (mg/L) Chumbo - Pampulha 0,30 0,18 0,16 0,14 0,12 0,16 0,14 0,12 0,10 0,10 0,08 0,08 0,06 0,06 0,04 0,04 0,02 0,02 0,00 CER P1_PB MET P4_PB - 0,18 Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta Figura 5.19 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha 0,00 CER P7_PB METP10_PB Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta Figura 5.20 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,1088 O chumbo presente nas amostras de água de chuva do 1º tubo de coleta apresentava-se com medianas de < 0,01 e < 0,01 nas telhas cerâmicas e metálicas, respectivamente, na região da Pampulha e Centro. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas nos dois telhados, região da Pampulha, são iguais entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%. A análise estatística não foi possível de ser realizada para as amostras da região do Centro, uma vez que os valores eram, na sua grande maioria, inferiores ao limite de detecção. O teste não conseguiu responder de maneira precisa se haveria diferença entre as superfícies. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 81 Se analisado quanto ao valor da mediana e quartil superior, as águas coletadas nos quatro telhados também atendiam à Portaria MS n. 518/2004, cujo valor máximo permitido é de 0,01 mg/L. Apenas algumas telhas metálicas apresentaram valores extremos, como 0,30 mg/L e 0,05 mg/L, na região da Pampulha e Centro, respectivamente. Silva (2006) também não detectou a presença de chumbo em concentrações superiores às permitidas pela Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde. As águas armazenadas em cisternas localizadas na cidade de Araçuaí, Vale do Jequitinhonha, apresentaram resultados inferiores a 0,01 mg/L. 5.1.2. Comparação entre duas regiões considerando um mesmo ponto de coleta Nesse item estão apresentados os resultados relativos à comparação dos mesmos pontos de coleta (1º, 2º e 3º) para superfícies de captação idênticas localizados em regiões distintas (Centro e Pampulha). Para a análise estatística foi considerado que as amostras eram independentes entre si, uma vez que eram coletadas em momentos diferentes, com uma defasagem de aproximadamente 40 minutos. A seguir são apresentados os resultados obtidos pela pesquisa. 5.1.2.1. pH Nas Figuras 5.21 e 5.22 são apresentados os resultados comparativos do pH das amostras. 10 Ponto de coleta - Telha metálica 10 Ponto de coleta - Telha cerâmica pH pH 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 1 7 Median 25%-75% Min-Max Pontos 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 4 10 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 5.21 - Comparação entre o pH presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 5.22 - Comparação entre o pH presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,0188 p= 0,1969 O pH das amostras de água de chuva do 1o tubo de coleta do telhado com telhas cerâmicas (relativo a 1L de água por 1 m2 de telhado) apresentou-se com medianas de 8,1 e 7,6, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 82 respectivamente, na região da Pampulha e Centro. Já para o telhado com telhas metálicas esses valores foram de 7,3 e 7,2. Estatisticamente, os valores relativos ao pH presente na água do primeiro tubo de coleta, Pampulha e Centro, telha cerâmica, são diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%. Ambos os locais estão dentro do padrão da Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde, entre 6,0 e 9,5. Também os valores extremos, máximo de 9,1 e mínimo de 6,5, estão atendendo ao Padrão. As outras amostras, 2o e 3o tubos, de todos os telhados, também estavam respeitando à Portaria quanto ao valor recomendado de pH, conforme mostrado no apêndice A. 5.1.2.2. Turbidez Nas Figuras 5.23 e 5.24 são apresentados os resultados comparativos de turbidez das amostras do terceiro tubo de coleta de cada sistema. Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma vez que as águas relativas a esse tubo (duas regiões e dois tipos de telhas) atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004. 30 Ponto de coleta - Telha metálica 90 75 75 60 60 Turbidez (uT) Turbidez (uT) 30 Ponto de coleta - Telha cerâmica 90 45 45 30 30 15 15 0 3 9 Median 25%-75% Min-Max Pontos 0 6 12 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 5.23 - Comparação entre a turbidez presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 5.24 - Comparação entre a turbidez presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,3126 p= 0,0307 A turbidez das amostras de água de chuva do 3o tubo de coleta do telhado de cerâmica apresentou-se com medianas de 3,8 e 4,4 uT, respectivamente, na região da Pampulha e Centro. Já para o telhado com telhas metálicas, esses valores foram de 1,6 e 3,2 uT. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas na Pampulha e Centro, telhado metálico, são diferentes entre si, considerando o nível de significância 83 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG adotado de 5%. Se considerados apenas os valores das medianas, as amostras de água de chuva coletadas na Pampulha e Centro, cuja superfície de captação eram telhas cerâmicas ou metálicas, estavam atendendo à Portaria MS n. 518/2004 e à Norma Brasileira para Aproveitamento de Água de Chuva, que permitem um valor máximo de 5,0 uT. Se a análise for realizada considerando os quartis superiores, a região da Pampulha apresentou valores de 5,0 uT (telha cerâmica) e 5,1 uT (telha metálica). Já a região do Centro apresentou valores iguais a 7,0 uT (telha cerâmica) e 7,6 uT (telha metálica). Percebe-se que as águas coletadas na Pampulha atendiam à Portaria MS n. 518 e as coletadas no Centro não atendiam. A partir da análise estatística pode-se concluir que as águas captadas em telhas metálicas no Centro de Belo Horizonte apresentaram qualidade inferior às captadas na Pampulha quando analisado o parâmetro turbidez. A explicação para esse fato pode ser a maior incidência de poluição a qual a região central está submetida em comparação com a região da Pampulha. 5.1.2.3. Cor aparente Nas Figuras 5.25 e 5.26 são apresentados os resultados comparativos de cor aparente das amostras coletadas pelo terceiro tubo de cada sistema. Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma vez que as águas relativas ao primeiro e segundo tubo de todos os sistemas apresentaram qualidade que não atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004. 30 Ponto de coleta - Telha metálica Cor aparente (uH) Cor aparente (uH) 30 Ponto de coleta - Telha cerâmica 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 3 9 Median 25%-75% Min-Max Pontos 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 6 12 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 5.25 - Comparação entre cor aparente presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 5.26 - Comparação entre cor aparente presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,2760 p= 0,0487 A cor aparente das amostras de água de chuva do 3º tubo de coleta do telhado com telhas cerâmicas apresentava-se com medianas de 29 e 30 uH, respectivamente, na região da Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 84 Pampulha e Centro. Já para o telhado com telhas metálicas, esses valores foram de 12 e 26 uH. Estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas nas duas regiões de estudo, para telhas cerâmicas, não são diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%. Já as amostras captadas pelos telhados metálicos, nas duas regiões, apresentaram águas com qualidade consideradas diferentes entre si. As águas captadas pelas telhas metálicas localizadas na região da Pampulha apresentaram qualidade superior às águas captadas por telhas semelhantes, implantadas no Centro. A explicação para esse fato pode ser a maior incidência de poluição a qual a região central está submetida em comparação com a região da Pampulha, assim como foi citado para o parâmetro turbidez. As amostras coletadas no Centro (ambos os telhados) e telhado cerâmico da Pampulha apresentaram valores que não atendiam à Portaria MS n. 518/2004 e nem à NBR 15.527, que permitem um valor máximo de 15 uH. Já as amostras coletadas no telhado metálico da Pampulha apresentaram valor de 12 uH (mediana). 5.1.2.4. Alcalinidade Nas Figuras 5.27 e 5.28 são apresentados os resultados comparativos de alcalinidade das amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema. Como citado anteriormente, não há citação desse parâmetro na Portaria MS n. 518/2004 e tampouco na norma da ABNT sobre aproveitamento de água de chuva. Considerando essa situação, optou-se por apresentar apenas os resultados equivalentes ao descarte de 2L de água por metro quadrado de telhado (valor indicado na NBR 15.527). Os resultados relativos aos outros tubos de coleta estão apresentados no apêndice A. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 85 20 Ponto de coleta - Telha metálica 65 60 60 55 55 50 50 Alcalinidade (mgCaCO3/L) Alcalinidade (mgCaCO3/L) 20 Ponto de coleta - Telha cerâmica 65 45 40 35 30 25 20 45 40 35 30 25 20 15 15 10 10 5 5 0 2 8 Median 25%-75% Min-Max Pontos 0 5 11 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 5.27 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 5.28 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,1388 p= 0,1672 A alcalinidade total das amostras de água de chuva do 2º tubo de coleta do telhado com telhas cerâmicas apresentou medianas de 12,4 mgCaCO3/L e 20,0 mgCaCO3/L, respectivamente, na região da Pampulha e Centro. Já para o telhado com telhas metálicas, esses valores eram de 10,0 mgCaCO3/L e 14,7 mgCaCO3/L. Percebe-se que, estatisticamente, os valores relativos às amostras coletadas nas duas regiões de estudo, para telhas cerâmicas e metálicas, não são diferentes entre si, considerando o nível de significância adotado de 5%. 5.1.2.5. Coliformes totais Nas Figuras 5.29 e 5.30 são apresentados os resultados comparativos de coliformes totais das amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema. Nenhum dos pontos de coleta apresentou qualidade satisfatória segunda a Portaria MS n. 518/2004. Por esse motivo, optouse por apresentar os resultados relativos ao volume de descarte de água por m2 indicado pela NBR 15.527/2007. Os resultados relativos ao primeiro e terceiro tubos estão apresentados no apêndice A. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 86 20 Ponto de coleta - Telha metálica 2600 2400 2400 2200 2200 Coliformes totais (NMP em 100 mL) Coliformes totais (NMP em 100 mL) 20 Ponto de coleta - Telha cerâmica 2600 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 200 0 2 8 Median 25%-75% Min-Max 0 5 11 Median 25%-75% Min-Max Pontos Pontos Figura 5.29 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 5.30 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,0352 p= 0,1840 Os gráficos mostram diferença significativa entre a qualidade da água captada pelas telhas cerâmicas nas duas regiões, para o segundo ponto de coleta. As águas captadas na região da Pampulha apresentaram qualidade superior às captadas na região do Centro. As amostras de água de chuva do 2º tubo de coleta do telhado cerâmico apresentaram medianas de 102 e 1120 NMP/100 mL, respectivamente na Pampulha e Centro. Já para o telhado metálico, esses valores foram de 1 e 6 NMP/100 mL. De uma maneira geral, a água captada pelo telhado cerâmico implantado na região da Pampulha apresentou qualidade superior à captada pelo telhado implantado no Centro. Em relação às águas captadas pelo telhado metálico, essa diferença não é significativa nas duas regiões. As águas captadas pelos telhados metálicos apresentaram um valor muito próximo ao limite da Portaria MS n. 518/2004, cuja recomendação é a de que deve haver ausência de coliformes totais em 100 mL de amostra, sendo tolerada a presença desses, na ausência de Escherichia coli e/ou coliformes termotolerantes (BRASIL, 2005). Além disso, a referida Portaria recomenda que caso essa situação seja verificada, deve ser investigada a origem da contaminação e tomadas providências imediatas de caráter corretivo e preventivo. Considerando o Padrão de balneabilidade (CONAMA No 274/00), as águas captadas por telhas metálicas, nas duas regiões, são classificadas como excelente. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 87 5.1.2.6. Escherichia coli Nas Figuras 5.31 e 5.32 são apresentados os resultados comparativos de Escherichia coli das amostras coletadas pelo segundo tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 2 L/m² de telhado). Os resultados relativos ao primeiro e terceiro tubos estão apresentados no apêndice A. 20 Ponto de coleta - Telha cerâmica 20 Ponto de coleta - Telha metálica 750 Escherichia coli (NMP em 100 mL) Escherichia coli (NMP em 100 mL) 750 600 450 300 150 0 2 8 Median 25%-75% Min-Max 600 450 300 150 0 5 Pontos 11 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 5.31 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 5.32 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,3031 p= 0,7421 As águas captadas pelos telhados metálicos das duas regiões apresentaram qualidade que atende à Portaria MS n. 518/2004, ou seja, ausência de Escherichia coli em 100 mL, segundo tubo. Já para as águas captadas pelos telhados cerâmicos, o mesmo não acontece. A água coletada na Pampulha apresentou mediana de 10 NMP/100 mL e a do Centro apresentou mediana de 6 NMP/100 mL. Para o presente parâmetro verificou-se que as águas captadas nas duas regiões, Pampulha e Centro, não apresentaram diferença significativa entre si. 5.1.2.7. Sulfato Nas Figuras 5.33 e 5.34 são apresentados os resultados comparativos de sulfato das amostras coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 1 L/m² de telhado). Os resultados relativos ao segundo e terceiro tubos estão apresentados no apêndice A. Conforme citado anteriormente, o limite de detecção (LD) utilizado para o sulfato foi de 2 mg/L. Dessa maneira, os valores < LD foram considerados iguais ao LD para fim de análise estatística. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 88 1º Ponto de coleta - Telha metálica 16 14 14 12 12 10 10 Sulfato (mg/L) Sulfato (mg/L) 1º Ponto de coleta - Telha cerâmica 16 8 6 4 8 6 4 2 2 0 1 7 Median 25%-75% Min-Max Pontos 0 4 10 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 5.33 - Comparação entre o sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 5.34 - Comparação entre o sulfato presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,9048 p= 0,7802 O sulfato presente nas amostras de água de chuva do 1º tubo de coleta dos telhados cerâmicos apresentava-se com mediana de 3 mg/L nas regiões da Pampulha e Centro. Já as águas captadas pelos telhados metálicos, para as duas regiões, apresentavam valores de 2 mg/L. Os valores de sulfato nas amostras coletadas nas duas regiões não são considerados diferentes, com um nível de significância de 5%. Todas as amostras apresentaram valores que atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004, cujo valor máximo permitido é de 250 mg/L. 5.1.2.8. Ferro Nas Figuras 5.35 e 5.36 são apresentados os resultados comparativos de ferro das amostras coletadas pelo terceiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 3 L/m² de telhado). Optou-se por apresentar apenas esses valores, uma vez que as medianas das águas relativas ao primeiro e segundo tubo de todos os sistemas apresentaram qualidade que não atendiam à Portaria MS n. 518/ 2004. Os resultados relativos ao primeiro e segundo tubos estão apresentado no apêndice A. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 89 3º Ponto de coleta - Telha metálica Ferro (mg/L) Ferro (mg/L) 3º Ponto de coleta - Telha cerâmica 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 3 9 Median 25%-75% Min-Max Pontos 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 6 12 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 5.35 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 5.36 - Comparação entre o ferro presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,1220 p= 0,5148 Os gráficos mostram que não existe diferença significativa entre as águas captadas na Pampulha e no Centro, com um nível de significância de 5%. Entretanto, percebe-se que há concentração maior de ferro nas amostras de água de chuva coletadas no Centro. As águas captadas pelo 3º tubo do telhado metálico, para as duas regiões, apresentavam valor de mediana superior ao máximo permitido pela Portaria MS n. 518/2004. Apenas a água coletada no 3º tubo do telhado cerâmico, região da Pampulha, apresentou qualidade que atendia à Portaria MS n. 518/2004, uma vez que sua mediana era igual a 0,25 mg/L. 5.1.2.9. Manganês Nas Figuras 5.37 e 5.38 são apresentados os resultados comparativos de manganês das amostras coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 1 L/m² de telhado). Optou-se por apresentar apenas esses valores uma vez que a qualidade dessa água atendeu à Portaria MS n. 518/ 2004. Os resultados relativos ao segundo e terceiro tubos estão apresentados no apêndice A. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 90 1º Ponto de coleta - Telha cerâmica 1º Ponto de coleta - Telha metálica 1,6 1,7 1,6 1,5 1,4 1,5 1,4 1,3 1,2 1,3 1,2 Manganês (mg/L) Manganês (mg/L) 1,7 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,5 0,4 0,3 0,3 0,2 0,2 0,1 0,0 1 7 0,1 0,0 Median 25%-75% Min-Max 4 10 Median 25%-75% Min-Max Pontos Pontos Figura 5.37 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 5.38 - Comparação entre o manganês presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,2766 p= 0,4234 A concentração de manganês nas amostras de água de chuva do 1º tubo de coleta, telha metálica, regiões da Pampulha e Centro, atendia à Portaria MS n. 518/2004, uma vez que se apresentava com medianas de 0,08 e 0,10 mg/L, respectivamente. As águas captadas pelas telhas cerâmicas apresentaram concentrações de 0,08 mg/L (Pampulha) e 0,13 mg/L (Centro). Não foi verificada diferença entre a qualidade das águas captadas nas duas regiões, considerando um nível de significância de 5%. 5.1.2.10. Chumbo Nas Figuras 5.39 e 5.40 são apresentados os resultados comparativos de chumbo das amostras coletadas pelo primeiro tubo de cada sistema (correspondentes ao descarte de 1 L/m² de telhado). Os resultados relativos ao segundo e terceiro tubos estão apresentados no apêndice A. Como citado anteriormente, o limite de detecção (LD) utilizado para o chumbo foi de 0,01 mg/L, igual ao limite máximo permitido pela Portaria MS n. 518/2004. Dessa maneira, os valores < LD foram considerados iguais ao LD para fim de análise estatística. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 91 1º Ponto de coleta - Telha metálica 0,30 0,28 0,28 0,26 0,26 0,24 0,24 0,22 0,22 0,20 0,20 Chumbo (mg/L) Chumbo (mg/L) 1º Ponto de coleta - Telha cerâmica 0,30 0,18 0,16 0,14 0,12 0,18 0,16 0,14 0,12 0,10 0,10 0,08 0,08 0,06 0,06 0,04 0,04 0,02 0,00 1 7 Median 25%-75% Min-Max 0,02 0,00 4 Pontos 10 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 5.39 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 5.40 - Comparação entre o chumbo presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,9705 p= 0,6305 Os gráficos mostram que não existe diferença significativa quanto ao parâmetro chumbo para o 1º ponto de coleta para ambos os tipos de telhas e regiões. Se analisado quanto ao valor da mediana, as águas coletadas nos quatro telhados atendiam à Portaria MS n. 518/2004, cujo valor máximo permitido é de 0,01 mg/L. Foram encontrados poucos valores extremos, como 0,30 mg/L e 0,05 mg/L, nas regiões da Pampulha e Centro, respectivamente. 5.2. Percepção de alguns sujeitos residentes em Belo Horizonte Os discursos do sujeito coletivo obtidos para a presente pesquisa estão apresentados no item 5.2.1 e algumas considerações sobre os discursos estão no item 5.2.2. 5.2.1. Discurso do Sujeito Coletivo Foram obtidos 50 Discursos do Sujeito Coletivo a partir das respostas para as 16 perguntas realizadas. A Tabela 5.2 mostra algumas informações sobre os entrevistados. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 92 Tabela 5.1 - Informações gerais sobre os entrevistados Sujeito 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 Sexo Feminino Feminino Feminino Feminino Masculino Masculino Masculino Feminino Masculino Feminino Feminino Feminino Feminino Feminino Masculino Feminino Masculino Masculino Profissão dos entrevistados Auxiliar de serviços gerais Porteira Empregada doméstica Diarista Frentista Porteiro Pintor de paredes Faxineira Vigia de carros Engenheira civil Advogada Turismóloga Administradora de empresas Pedagoga Analista de sistemas Geógrafa Engenheiro hídrico Engenheiro civil Escolaridade Fundamental incompleto Fundamental incompleto Fundamental incompleto Fundamental incompleto Fundamental incompleto Fundamental incompleto Fundamental incompleto Fundamental incompleto Fundamental incompleto Superior completo Superior completo Superior completo Superior completo Superior completo Superior completo Superior completo Superior completo Superior completo Idade 36 38 41 36 22 38 42 51 36 40 30 29 40 60 33 36 23 29 As ideias centrais estão mostradas no início da apresentação das perguntas, sendo que respostas semelhantes foram agrupadas em categorias, nomeadas por letras (A, B, C, D, E e F). As expressões-chave, utilizadas para a realização das análises, não serão apresentadas. É importante citar que, devido aos argumentos serem muito semelhantes, quando o assunto abrangia uma mesma ideia central, os discursos individuais, tanto para entrevistados com ensino superior completo quanto para entrevistados com ensino fundamental incompleto, foram utilizados para a formação do Discurso do Sujeito Coletivo. Não viu-se a necessidade de realizar dois discursos distintos, sendo que as falas de ambos eram muito semelhantes e poderiam ser agrupadas em um mesmo discurso. Os Discursos do Sujeito Coletivo (DSC), mostrados a seguir, basearam-se nas ideias centrais presentes nas falas dos sujeitos entrevistados, sendo que poucas interferências foram realizadas na transcrição dos discursos para a correção de alguns erros no vocabulário. Ressalta-se que, em algumas situações, os entrevistados desenvolveram discursos, dependendo da pergunta, contendo uma ou mais ideias centrais. As Figuras 5.41 a 5.56 apresentam o resultado quantitativo dos DSCs e mostram a opinião dos entrevistados para as Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 93 duas escolaridades consideradas neste trabalho. Esse resultado não busca ser representativo de um universo amostral, objetiva apenas elucidar o pensamento dos entrevistados e indicar uma tendência para as respostas. Buscando melhor visualização por parte dos leitores, ao lado de cada ideia central, mostrada a seguir, estão apresentados os números de respondentes que aderiram à determinada resposta. Esses serão identificados pela letra “F” para representar os indivíduos com escolaridade fundamental incompleta e pela letra “S” para os indivíduos com escolaridade superior completa. Como exemplo tem-se, 3S/9, que significa que 3 indivíduos, em um total de 9 com escolaridade superior, desenvolveram falas correspondentes à determinada ideia central. Pergunta 1: Quando você vê que está chovendo ou imagina que está chovendo, você pensa em quê? Categorias e ideias centrais A. Água como recurso indispensável B. Boa qualidade da água C. Água sendo contaminada durante seu contato com o solo D. Grande volume de água E. Nada específico F. Possibilidade de a água causar doenças Ensino superior completo 6 6 5 5 Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto 4 3 2 1 0 A B C D Categorias E F 4 3 2 1 0 A B C D E F Categorias Figura 5.41 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 1 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 94 (A) Água como recurso indispensável (3F/9 e 0S/9) Penso na questão da terra, na produção de alimentos, na nossa necessidade de termos água. Alguns reclamam da chuva, mas ela é essencial. É bom para a natureza, é bom para o plantio, a safra vai aumentar, vai tirar todas as impurezas da terra, vai ficar menos calor, menos úmido e mais tranquilo. É uma água que vai acabar com a seca, pode ser utilizada em várias coisas, vai ajudar no benefício da própria terra. A água de chuva é um recurso indispensável para a vida de todos os seres humanos, entretanto, nem todas as pessoas apresentam essa ideia consolidada. Percebeu-se, durante as entrevistas, que pessoas que no passado habitavam a zona rural valorizam mais a água a que eles têm acesso. A água nesse discurso foi associada a aspectos positivos, como a sua importância para o meio ambiente e para os seres vivos. (B) Boa qualidade da água (0F/9 e 2S/9) É um fenômeno da natureza que tá acontecendo, e que eu gosto, porque eu acho que limpa os ambientes. É uma coisa boa para a parte emocional e espiritual da gente, porque lava tudo. Penso em uma água limpa, que dá para ser aproveitada. Então eu vejo como uma fonte de aproveitamento de água. Nesse discurso, a água de chuva foi associada a aspectos positivos, novamente. Entretanto, as respostas foram relacionadas a fatores emocionais e espirituais. Além disso, o aproveitamento de água de chuva foi citado como sendo uma possibilidade devido à sua qualidade. (C) Água sendo contaminada durante seu contato com o solo (1F/9 e 0S/9) Imagino que é uma sujeira. A água vai passando pelo chão e é uma água suja. Na verdade quando ela desce e vai rolando, ela vem limpa. Mas quando ela desce e vai rolando, ela suja. Nesse discurso, a água de chuva foi relacionada à sua má qualidade. A sujeira, a princípio, estava ligada à superfície de captação e não à água de chuva propriamente dita. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 95 (D) Grande volume de água (2F/9 e 5S/9) Penso que é uma água precipitada, evaporada dos rios e penso em ciclo hidrológico. Penso em muita água. Chuva, eu nunca acho que é uma chuvinha, quando alguém fala que tá chovendo, eu penso sempre em uma quantidade enorme de água, sabe? Muita coisa, muita água. Quando a chuva vem, parece que é muito forte, aí eu tenho medo. Porque, ultimamente, a gente tá vendo umas chuvas muito, como é que a gente fala, dá medo na gente. Tem muito vento forte, muito trovão e raio, né? A gente fica com medo. Eu sinto assim, né? Quando eu vejo que vai chover, eu tenho muito medo. Atualmente está acontecendo num volume muito forte. Quando fica chovendo muito eu penso só nessas pessoas desabrigadas, que ficam desabrigadas, que ficam nessas casas de risco, né, é isso que eu penso. Penso nos estragos que ela está fazendo na rede urbana, na área urbana. A primeira coisa que penso quando chove muito forte é a preocupação com o que está acontecendo com a infraestrutura urbana, o impacto dela nisso. A água de chuva foi relacionada a grandes precipitações. Talvez, devido às entrevistas terem sido realizadas na época de grandes chuvas em Belo Horizonte (entre janeiro e fevereiro de 2009), os pensamentos dos entrevistados estavam relacionados a grandes enchentes e a pessoas desabrigadas. O sentimento de medo e preocupação com o restante da população atinge as pessoas de um modo geral, independente da escolaridade. (E) Possibilidade de a água causar doenças (1F/9 e 0S/9) A chuva não traz muita preocupação não, né? Porque, devido o cuidado, né, da limpeza, porque o que não pode acontecer é igual no parque municipal, né? Porque lá as garrafas PET, as pessoas tomavam refrigerantes e deitavam na grama e jogavam garrafa PET no arvoredo, dentro do jardim e aí vinha a água da chuva e ficava dentro da garrafa e de lá gera o mosquito da dengue. Teve um amigo meu que pegou dengue no parque municipal, gerado pela água das chuvas que estavam dentro de PETs. Tem que evitar a água parada! Eu preocupo é com a doença, igual esse colega meu, ele era um cara muito forte, trabalhador e depois que aconteceu isso com ele, “cê” vê ele e tem vez que ele anda e parece até que ele vai cair, tá muito 96 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG magrinho. Então tem que tomar cuidado com as garrafas PET, jardins e lembrar o pessoal das plantas. A água de chuva, nesse discurso, foi relacionada à possibilidade de veiculação de doenças. Foi citada a dengue como uma preocupação, onde a água de chuva poderia ser acumulada em garrafas PET e em plantas, causando um ambiente propício para a proliferação de alguns mosquitos transmissores da doença citada. (F) Nada específico (2F/9 e 2S/9) Chuva, na água da chuva mesmo, né? Chuva caindo do céu. Não sei, não penso em nada específico. Algumas pessoas não desenvolveram discursos, uma vez que não pensavam em nada específico quando questionadas sobre a água de chuva. Pergunta 2: Você acha que a água de chuva é suja, limpa ou mais ou menos? Categorias e ideias centrais A. Limpa B. Suja C. Mais ou menos Ensino fundamental incompleto Ensino superior completo 6 Número de respostas Número de respostas 6 5 4 3 2 1 0 5 4 3 2 1 0 A B Categorias C A B C Categorias Figura 5.42 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 2 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 97 IC (A) Limpa (5F/9 e 5S/9) Eu acho que é limpa. Eu sei que num é muito, mas se eu não parar para pensar, para mim a água é limpa, é clara, sabe? Aquela coisa de você tomar banho de chuva, de ser uma coisa boa, que liberta! Quando ela cai ela é limpa, antes dela cair no solo ela é limpa. Ela só suja se o lugar que ela for guardada estiver sujo, por exemplo, se baldes e panelas estiverem sujos, aí ela suja também, né? Creio que é uma água que pode ser aproveitada. Igual na região Nordeste, que é uma região muito seca, né? Se fossem construídos tanques, a água da chuva poderia ser aproveitada, essa água minimizaria um pouco os problemas que as pessoas têm lá, eu tenho notícias, né, que algumas casas no Nordeste têm tanques. Mesmo hoje na nossa região urbana, têm muitos condomínios aqui em Belo Horizonte, eu sei que têm muitos condomínios que “tão” fazendo isso, naquela parte por exemplo da entrada do prédio, lá em baixo, no fundo do prédio tem um tanque que serve como reservatório de água, então na primeira chuva, essa água é descartada, porque o piso tá sujo. Então mais tarde essa água, ela pode ser usada em jardim, para lavar carro, ou mesmo para lavar o piso do prédio, né? A água da chuva foi relacionada à libertação e a coisas boas, sendo classificada como limpa antes de cair no chão e antes de ser armazenada. Foram realizadas observações sobre a importância de limpeza do local de armazenamento e da superfície de captação. Novamente a possibilidade do aproveitamento da água de chuva foi citada nesse discurso. IC (B) Suja (1F/9 e 1S/9) Visivelmente ela é limpa, mas na realidade eu acho que não é. Limpa ela não pode ser. O ar tá sujo, então a água de chuva não vai ser limpa. Eu acho que ela já vem suja do céu, porque é radioativa, chuva ácida, essas coisas assim. A qualidade da água da chuva foi considerada ruim nesse discurso, sendo relacionada à poluição atmosférica presente nas áreas urbanas. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 98 IC (C) Mais ou menos (3F/9 e 3S/9) Eu acredito que por causa da poluição ela não seja limpinha, né? Mas eu acho que ela não é tão suja. Ela pode ter algum benefício, né? De ser usada do jeito que ela desce. Em alguma circunstância ela pode ser usada, né? A gente tira por base o ciclo da chuva. O ciclo da água, que sobe e desce, sobe e desce. Dá a impressão que ela é uma água limpa, porém ela não é 100% limpa, porque tem a chuva ácida que tem poluentes. Para ser limpa tem que ser isenta de impurezas e tudo mais, né? Por isso eu acredito que ela seja mais ou menos. Esse discurso mostra a dúvida das pessoas sobre a qualidade da água de chuva. A qualidade foi novamente relacionada à poluição atmosférica existente nas grandes cidades urbanas. Entretanto, nessa situação, foi classificada como de qualidade intermediária (mais ou menos), podendo, em algumas situações, ser utilizada para algum fim. Pergunta 3: Você acha que a água de chuva poderia ser utilizada para alguma finalidade? Categorias e ideias centrais A. Sim B. Não 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Ensino superior completo Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto A B Categorias 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 A B Categorias Figura 5.43 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 3 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 99 IC (A) Sim (9F/9 e 8S/9) Acho que sim. Eu vi até algumas coisas interessantes, um cara que tinha um lava-jato com o reaproveitamento da água de chuva. Então ele tinha aqueles, num sei o nome, ele fez uma construção e ele armazenava água de chuva. Era em São Paulo, que chove demais. Tinha também na Grécia antiga, eles tinham dentro de casa aqueles reservatórios grandes, né, para poder ter a água da chuva e utilizava para várias coisas. Então eu acho que sim, que pode. Hoje muita construção tá fazendo isso, né? Tem muita gente que utiliza, né? Eu acho que sendo tratada ela pode ser armazenada e tratada, porque sem tratar não tem como, né? Porque assim que ela cai, é muito sujo, né? Porque vem de enxurrada, né? É muita porcariada. Água tratada, eu acho que a gente tem que cuidar dela o máximo possível, porque do jeito que as coisas estão, as pessoas desperdiçam muito, ficam lavando horas a calçada, lavando carro, desperdiçando uma água boa, né? Desde que você tenha os devidos cuidados e faça todo o preparativo que é necessário para ela, eu acho que sim. O discurso mostra algum conhecimento sobre o aproveitamento de água de chuva na antiguidade. O desperdício de água potável foi citado diversas vezes e a água de chuva foi considerada como uma possibilidade de substituição para determinadas finalidades. Percebe-se que algumas pessoas, quando abordadas sobre a possibilidade de utilização de água de chuva, pensam logo em utilização para consumo humano. Talvez por esse motivo a questão do tratamento da água de chuva tenha sido citada algumas vezes. Além disso, foi considerada também a possibilidade de utilização de água de chuva para fins que não exijam potabilidade. Também nessas situações há preocupação de algumas pessoas com a qualidade da água. IC (B) Não (0F/9 e 1S/9) Para alguma finalidade? Acho que não. Não, acredito que poderia, só teria que ter...mas acho que todos não teriam acesso. Não, acho melhor não. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 100 A água de chuva foi considerada imprópria para qualquer utilização devido à sua qualidade. A falta de acesso de algumas pessoas ao tratamento da água de chuva foi sugerida como sendo um impedimento ao seu aproveitamento. Pergunta 4: Para quais finalidades? Categorias e ideias centrais A. Usos domésticos: irrigação de plantas, limpezas gerais, descarga de vaso sanitário e lavar carros. B. Lavar roupas C. Indústria D. Tratamento de água Ensino superior completo Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 A B C Categorias D 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 A B C D Categorias Figura 5.44 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 4 IC (A) Usos domésticos: irrigação de plantas, limpezas gerais, descarga de vaso sanitário e lavar carros (9F/9 e 6S/9) Por exemplo, assim, é, quando, dependendo da casa, quando tá chovendo, dá goteira, né? Numa casa, assim tem o cano, aí tem a goteira, você pode pegar uma vasilha e pode pegar para lavar o terreiro, pode pegar para lavar....é...para lavar o terreiro mesmo, o terreiro... é pode pegar para lavar o terreiro! Acho também que pode para molhar plantas, para, tem várias funções, eu já ouvi falar de pessoas que armazenam, né, a água da chuva para poder aproveitar depois. Para plantação, por exemplo, no nordeste, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 101 né? Que chove pouquíssimo, mas quando chove, também chove, aquele... alaga!!!! Então tem aqueles, sabe aqueles poços grandes para poder usar na plantação? Essas coisas. Acho que pode não só para irrigação, né? Pra lavagem de utensílios, de carro, para lavar assim, um passeio, fazer lavação mesmo, sabe? Roupa, já eu acho que não, porque aí já é suja! Dá micróbio, né? Tem muita gente que usa, eu já vi, muita gente usar para lavar roupa, para tomar banho, agora assim consumo para comer e para beber, para fazer comida eu acho que não, não para consumo, né, mas para lavar as coisas, como a gente usa água da torneira. Lavagem de passeio é ótimo, porque aí a gente não fica gastando essa água tratada. Alguns engenheiros “tão” fazendo construção com reservatório na garagem, que aí aquela água pode ser usada para limpar a garagem, não precisa usar a água da COPASA. Não vai usar aquela água para beber, mas para lavar um carro, um passeio. O aproveitamento de água de chuva em residências foi amplamente citado nesse discurso. Usos gerais como a limpeza de calçadas, irrigação, limpeza geral e descarga no vaso sanitário foram indicados como possíveis de serem realizados. O discurso mostra a consciência sobre a necessidade de utilização de água potável de maneira racional. A água distribuída nas residências poderia ser substituída por água de chuva desde que o seu armazenamento fosse realizado de maneira correta. IC (B) Lavar roupas (4F/9 e 0S/9) Eu acho que tem muita coisa que dá para fazer! Cuidar da água para um dia não faltar. Eu, antigamente, agora não, aonde eu morava antes, eu fazia isso, eu colocava um tambor para aparar a água, porque tinha a água que vinha da laje, porque tem telhado, né? Aí tinha aquele cano que coloca aquela calha, igual você falou, mas o cano não desce até em baixo não, sabe? Descia só até uma parte da parede. Aí eu colocava o tambor lá, e enchia, lá eu lavava roupa, lavava chão, aproveitava água demais, nossa! A água é boa demais para lavar roupa! Isso também aqui em Belo Horizonte, mas foi há “uns tempo atrás”. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 102 Segundo o discurso acima, a água de chuva pode ser utilizada para diversas funções, sendo incluída a lavagem de roupas. Percebeu-se, durante a entrevista, que a grande maioria das pessoas que contribuiu para a formação desse discurso habitou no passado em áreas rurais. Nessas localidades, em alguns momentos, os indivíduos utilizaram a água de chuva para, entre outras atividades, lavarem roupas. Alguns, mesmo após se mudarem para Belo Horizonte, continuaram utilizando a água de chuva para lavarem as roupas de sua família. IC (C) Indústria (0F/9 e 1S/9) Pode ser usada para descarga, para lavar peças em indústrias, por exemplo. Lavagem de materiais, lavar carros mesmo, eu acredito que possa utilizar. Essas coisas mesmo! Desde que você tenha os devidos cuidados e faça todo o preparativo que é necessário para ela. Novamente a descarga para vasos sanitários foi citada, entretanto, nessa situação, foi indicado o uso em indústrias. A lavagem de peças, materiais e carros também foi citada como sendo uma possibilidade de utilização para a água de chuva. IC (D) Tratamento de água (0F/9 e 3S/9) Acho, até para tratamento de água, você vê às vezes que têm lugares que eles fazem uns poços, né? Ô gente, a água da chuva num vai pro rio? Que vai para estação de tratamento, que vai ser tratada e reutilizada depois? Pode ser usada pro abastecimento de água das casas. Agora, sem tratamento pode ser... pode ser usada para parques, nas represas, não sei! Eu acho que ela tem utilidade. A água de chuva foi considerada possível de ser utilizada, por seres humanos, após um tratamento, da mesma maneira que as águas dos rios são tratadas e canalizadas para as residências da população. Percebeu-se durante as entrevistas que essa conclusão foi obtida pelos entrevistados uma vez que eles estavam imaginando, também, a possibilidade de ingestão da água pluvial. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 103 Pergunta 5: Você utilizaria essa água para atividades domésticas? Quais? Categorias e ideias centrais A. Irrigação de plantas, limpezas gerais, lavar carro e descarga de vaso sanitário B. Lavar roupas C. Usos de torneira de banheiro e cozinha D. Beber e cozinhar E. Não usaria Ensino superior completo Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 A B C Categorias D E 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 A B C D E Categorias Figura 5.45 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 5 IC (A) Irrigação de plantas, limpezas gerais, lavar carro e descarga de vaso sanitário (9F/9 e 6S/9) Ia depender muito de como eu tivesse armazenando essa água. Porque ia depender do tipo de reservatório que eu tenho, se antes de eu utilizar essa água para dentro de casa, se ia tratar essa água de alguma forma. Usaria para lavar passeio, calçada, utilizar em descarga de sanitário em casa. Chuveiro não sei se pode usar, acredito que não possa usar, tem que ter um tratamento prévio para isso, né? Direto não sei se poderia. Mas acredito que dê para lavar coisa que não tem contato 100% com o corpo, assim beber, tomar banho...Utilizaria, para lavar o quintal, para lavar o jardim, utilizaria sim. Igual agora, a gente tá vendo muito esses condomínios ecológicos, que armazenam. Então para caixa, por exemplo, de descarga, né? Que utiliza mesmo para lavar! Eu não utilizaria mesmo é em torneiras de cozinha, 104 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG torneira de banheiro. Então, eu acho que só não usaria também para chuveiro. Dá pra tirar poeira, passar um pano no chão, lavar uns pano de chão, né? É, para outra coisa não. O terreiro é uma coisa assim, né? Tá lá fora mesmo, né? Faria para limpeza geral de casa, que não é para ser ingerida, né? Diretamente ingerida, ou através de alimentos. A aceitação à utilização de água de chuva em atividades domésticas está implícita no discurso. Os sujeitos declararam que aproveitariam água de chuva em atividades que efetivamente não necessitassem de qualidade de água potável como, por exemplo, a descarga nos vasos sanitários. A não possibilidade de utilização de água de chuva para consumo humano foi amplamente falada nesse discurso, ou seja, não utilização para beber, cozinhar e tomar banho. O reservatório de armazenamento também foi citado como sendo um fator importante para definição da possível utilização da água de chuva, onde o mau armazenamento poderia acarretar em uma piora na sua qualidade. IC (B) Lavar roupas (4F/9 e 2S/9) Lavaria casa, lavava roupa. Se tivesse um jeito de guardar, armazenar essa água, né? Com certeza. Eu não ia fazer é comida com ela, nem nada assim, nem usar para tomar, porque eu sei que, né? Ela não é uma água potável, né? Mas eu usaria sim. Eu acho que não teria nenhum problema. A impossibilidade de utilização de água de chuva para consumo humano foi novamente citada. Entretanto, nesse discurso, foi considerada a possibilidade de lavar roupas com a água captada nas grandes cidades. IC (C) Usos de torneira de banheiro e cozinha (0F/9 e 1S/9) Para lavar vasilha, né? Usos na pia, para banheiro, para lavar as coisas de casa, não para consumo. Usos da água da torneira, como se fosse para substituir. Esse discurso é semelhante ao obtido com a ideia central (A), onde a utilização de água pluvial foi relacionada a usos de limpeza geral. Entretanto, o presente discurso faz menos 105 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG restrições para o uso da água de chuva, uma vez que considera a possibilidade de aproveitá-la em torneiras de banheiro e cozinha. IC (D) Beber e cozinhar (3F/9 e 0S/9) Menina do céu, para tudo, até para beber. Até mesmo para “conzinhar”, se fosse filtrada, né? Eu usaria sem problema. Considerou-se nesse discurso um uso menos restritivo para a água de chuva do que os citados nas ideias centrais A, B e C, uma vez que foi citada a possibilidade de sua utilização para beber e cozinhar. Observou-se, novamente, durante as entrevistas, que pessoas que anteriormente habitavam a zona rural apresentam hoje uma aceitação muito boa em relação à água de chuva. Pelas entrevistas, pode-se perceber que essas pessoas conhecem, de perto, o seu aproveitamento. IC (E) Não usaria (0F/9 e 2S/9) Na minha casa? Não, na minha casa não. Como primeiro pensamento assim não, mas talvez em plantas, alguma coisa assim, ou pra.....é aí já vai entrar no caso de, por exemplo, usar até para uso nosso..., aí teria que ter um estudo para ver se essa água realmente é limpa para ser aproveitada num banho. A primeiro momento não, porque isso demandaria um tratamento melhor, uma situação melhor dessa água. Alguma coisa nesse sentido. Então, a primeiro momento não. Pelas informações que eu tenho hoje eu acho que não dá para aproveitar. A água de chuva foi classificada como imprópria para utilização em atividades domésticas nesse discurso. Houve momentos de indefinição, onde cogitou-se a possibilidade de uso, entretanto a conclusão foi que, para segurança, seria melhor que não fosse utilizada em nenhuma atividade. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 106 Pergunta 6: Existem algumas pessoas que captam água de chuva em casa para utilizar em algumas atividades, qual a sua opinião sobre isso? Categorias e ideias centrais A. Bom, pois proporciona uma economia do recurso natural B. Bom, eu já realizei captação na minha casa C. Usam, pois não têm outro recurso D. Devem buscar informações E. Não tinham opinião Ensino fundamental incompleto Ensino superior completo 6 5 Número de respostas Número de respostas 6 4 3 2 1 0 5 4 3 2 1 0 A B C Categorias D E A B C D E Categorias Figura 5.46 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 6 IC (A) Bom, pois proporciona uma economia do recurso natural (3F/9 e 5S/9) Não tive essa oportunidade de ver, entendeu? Só vi em reportagens. Mas eu já ouvi falar que no Belvedere já fizeram “umas construção” assim. Eu acho que são inteligentes as pessoas que fazem isso. Eu acho muito bom, porque a tecnologia tá muito avançada hoje, né? Por exemplo, se a pessoa faz um reservatório, vai deixar de gastar aí uns 5 ou 6 litros de água e vai usar em outro benefício muito melhor. Tipo igual no nordeste né, “cê” vê lá que eles não conseguem achar água nos buracos que “eles faz”, então eles têm necessidade de ir buscar longe e ainda ficam pagando caro por aquilo. Então, eu acho ótimo. Porque quanto mais a gente puder aproveitar, né? Porque agora a gente não sabe, o desperdício é enorme, né? Em vários Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 107 sentidos, então eu acho que o máximo que a gente puder aproveitar, para poder economizar água mesmo. É um mundo de água que cai, né, do céu, então, se a gente puder pegar essa água e dar uma utilidade para ela, eu acho que isso é ótimo. Contribuem para a preservação do meio ambiente e para a economia de água. Acho que é excelente, eu acho que deveria ser até mais, ter mais essas coisas, né? Um incentivo maior para quem faz isso! É uma economia. A água tá tão cara, questão aí é de colocar essa água num jeito de sair na torneira, de encaminhar essa água que é guardada para ser usada de uma forma mais prática, né? Quando os entrevistados foram abordados sobre o armazenamento de água de chuva em casa, vários aspectos foram relacionados. Muitas questões que seriam abordadas diretamente nas perguntas subseqüentes foram citadas pelos entrevistados nesse momento. Questões como o descarte da primeira chuva, a economia de água, a preservação do meio ambiente e o incentivo à utilização da água de chuva em atividades domésticas foram citadas. Outro assunto abordado foi a possibilidade de facilitação da utilização da água de chuva. Foi citado inclusive a canalização dessa água para retirada em uma torneira. Percebeu-se nesse discurso que as pessoas possuem consciência ambiental, mas deixam de aproveitar água de chuva por questões de comodidade. Se a maneira de utilização da água de chuva fosse semelhante à da água potável (torneiras), a adoção ao aproveitamento poderia ser maior. IC (B) Bom, eu já realizei captação na minha casa (1F/9 e 0S/9) Não, eu nunca vi esse sistema aí não. Mas quando eu era pequena, a minha mãe ensinava eu e “meus irmão” a pegar água de chuva. Aí ela falava para gente deixar aquela primeira chuva ir embora, para lavar o telhado. Aí quando passava essa chuva e dava aquela chuva grossa, lavava o telhado e a gente colocava pote, lata, porque na roça, a gente aparava a água para poder usar dentro de casa. Para lavar roupa, tomar banho. Aí a gente tinha um monte de jeito de pegar a água da chuva. Aí tinha aquele cano que coloca aquela calha, igual você falou, mas o cano não desce até em baixo não, sabe? Descia só até uma parte da parede. Aí eu colocava o tambor lá, e Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 108 enchia, lá eu lavava roupa, lavava chão, aproveitava água demais, nossa! A água é boa demais para lavar roupa! Mas foi há uns tempo atrás. Agora não, porque eu moro de aluguel, né? E aonde eu moro não tem condições de fazer isso. É, mas lá onde eu morava eu fazia! Inclusive o tambor agora tá até lá, jogado, até furou, tá tudo enferrujado. Porque as menina, minha filha e minha nora, “elas não importa” com...fica usando essa água da COPASA, né? Até porque aí não tem trabalho nenhum, e elas não tem tempo! Mas eu ficava muito em casa, eu enchia o tambor lá e ia usar, para economizar. Agora, aqui na cidade não, o povo tem preguiça. Mas eu quando morava lá embaixo, eu fazia isso, guardava água no tambor para poder usar a semana inteira, eu sempre fazia uso da água da chuva. É bom, porque, a gente tem que...é um jeito de economia e também é uma água boa, para lavar roupa, para mim, para lavar roupa é ótimo, roupa branca fica clarinha, com a água da chuva. Agora, depois que a gente muda pra cidade, a gente acha “as coisas muito fácil”, num é? E começa a ficar sem aproveitar certas coisas, mas, o certo é isso mesmo! Porque essa água vai faltar, né? O discurso mostra a experiência de uma pessoa que morou em área rural e lá aprendeu com sua família a aproveitar água de chuva. Mesmo após mudar de endereço para a área urbana, região metropolina de Belo Horizonte, ela continuou realizando a captação da água de chuva em sua casa. Percebe-se um grande nível de consciência ambiental e de valorização da água, como um importante recurso natural. Diversas vantagens obtidas com o aproveitamento de água de chuva foram citadas nesse discurso, sendo que a possibilidade de utilizar a água captada para lavagem de roupas foi muito enfatizada pela entrevistada. IC (C) Usam, pois não tem outro recurso (2F/9 e 0S/9) Uai, eu acho que, sei lá, cada um tem um jeito assim de expressar, eu acho que não tem nada a ver não, assim para usar, eu acho que não. Eu acho que não tem necessidade, né? As pessoas que usavam essas águas assim, essa água de chuva assim, era mais pessoa do interior, pessoas que não tinham água canalizada, aqui eu acho que não, eu acho que aqui todo mundo tem. Lá não tem outra água para utilizar, por isso que eles fazem isso, né? Mas é 109 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG uma água que eles sabem que ela tem micróbio, né? Não é tratada, tem micróbio. Usa porque não tem outro recurso, né? Eu acho que não tem necessidade não. A questão do aproveitamento de água de chuva foi relacionada à dificuldade de acesso à água potável. Como na cidade de Belo Horizonte a grande maioria da população possui água potável canalizada em casa, a utilização de água de chuva seria desnecessária, segundo o discurso. As pessoas que aproveitam água de chuva são aquelas residentes em regiões distantes e que não possuem alternativa de abastecimento senão a água pluvial captada em suas casas. Ainda segundo o discurso, a má qualidade da água das chuvas é um fator que inibe a sua utilização. IC (D) Devem buscar informações (1F/9 e 2S/9) Ah, que elas deviam se informar antes de fazer isso, ou...a num ser que ela tenha conhecimento. Se ela tem conhecimento, beleza!! Se ela num tiver, tem que pedir alguma informação, perguntar para algum órgão, ou para pessoas que conheçam esse tipo de assunto, para poder ajudar. É uma água possível de se utilizar? É, entretanto você tem que saber a forma que você está armazenando essa água. Como que você faz o armazenamento? Você descarta a primeira água? A primeira remessa de água que chega ao seu reservatório de água, você descarta esperando que possa lavar toda a sujeira que está armazenada ali, por ter um longo tempo que não chove? Porque tem um logo período de seca, sem chuva. Então ali você tem poeira, tem fuligem, tem todo tipo de sujeira ali. Então, a primeira chuva que cai é uma chuva suja, até mesmo o seu reservatório às vezes pode estar sujo. Então vai depender muito de como as pessoas armazenam a água. Então é difícil falar se é certo ou se é errado. O que eu acho a respeito é que pode ser usado sim, entretanto deve-se haver um cuidado com o tipo de armazenamento. Surgiram dúvidas a respeito da viabilidade técnica da utilização de água de chuva. Questões relacionadas à qualidade dessa água, ao tipo de armazenamento e ao descarte das primeiras chuvas foram citadas pelos entrevistados. Além disso, existe a preocupação com a manutenção dos reservatórios e com a sua limpeza. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 110 O conhecimento técnico a respeito do aproveitamento de água de chuva foi muito valorizado pelos entrevistados e indicado como sendo essencial para que a população adote essa medida. IC (E) Não tinham opinião (2F/9 e 2S/9) Não foi formado um discurso visto que alguns indivíduos disseram que nunca viram pessoas que realizam captação de água de chuva e não possuem opinião sobre o assunto. Pergunta 7: Você faria captação de água de chuva na sua casa? Categorias e ideias centrais A. Sim, apenas para finalidades que não necessitam de água potável B. Sim, inclusive para finalidades que necessitam de água potável C. Não Ensino superior completo 8 8 7 7 Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto 6 5 4 3 2 1 6 5 4 3 2 1 0 0 A B Categorias C A B C Categorias Figura 5.47 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 7 IC (A) Sim, para finalidades que não necessitam de água potável (4F/9 e 7S/9) Olha, dependendo da ocasião, sim, porque eu podia utilizar para regar uma planta, para lavar um carro, para dar banho num cachorro, né? Captaria, para não ser consumido eu captaria, para fazer outra coisa. Faria, mas não tenho. Na minha casa não tem. Se eu tiver um reservatório limpinho que você mantenha fechado, que você consegue fazer um trabalho de armazenamento dessa água de um modo que ela permaneça assim, o mais limpinha possível, aí você utiliza ela, utiliza ela na limpeza da casa, no Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 111 banheiro, lavar quintal, lavar carro, aguar planta. Eu ia economizar a água da COPASA, ia ser uma água de graça, ia economizar bem. Esse mês, a minha conta de água veio 120 reais. Eu faria isso sim, faria numa boa. Os entrevistados disseram que realizariam a captação de água de chuva em casa, pois iriam economizar água potável e dinheiro na sua conta. A utilização, segundo o discurso, seria para atividades que não necessitam de água potável. Foram citadas rega de plantas, limpeza de carros e banhos em cachorros. Novamente, a questão da manutenção dos reservatórios foi citada como uma preocupação em relação à qualidade da água de chuva armazenada. IC (A) Sim, para finalidades que necessitam de água potável (3F/9 e 0S/9) Utilizaria. Para beber, se eu pudesse, quando tá chovendo, aparar ela para poder tomar. Eu preferia mais ela do que a água da COPASA. Porque a água de chuva é gostosa demais. Porque a gente morou na roça, né? Então a gente parava muito a água na pingueira para poder usar sabe? Da mesma maneira que para a ideia central anterior, a utilização de água de chuva foi citada como possível de ser realizada em casa. Entretanto, nesse discurso, foi citada a posibilidade de utilizar a água de chuva para finalidades nobres, como consumo humano. IC (B) Não (2F/9 e 2S/9) É..Sinceramente não. Porque economicamente é inviável. Porque a água é muito barata. Sendo sincero, não. Eu só usaria se tivesse algum incentivo, algum incentivo a mais realmente. Eu moro em apartamento, e eu acho que seria complicado para captar, não dependeria só de mim, acho que todos não concordariam, teria que ter uma maioria. Eu acho que a gente acomoda, por ser acomodado, não faria, porque é mais fácil você pegar e usar a água da COPASA normal, mas se tivesse uma necessidade, uma falta de água, eu faria sim. A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA) abastece, atualmente, quase toda a população de Belo Horizonte com água potável. Segundo o discurso, a não captação de água de chuva está relacionada à não necessidade de utilização de águas provenientes de fontes Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 112 alternativas. Além disso, a utilização de água pluvial iria demandar um investimento no sistema de captação, transporte e armazenamento, e consequentemente na necessidade de sua manutenção e limpeza. Essa situação foi considerada inviável no presente discurso. O comodismo foi citado como sendo, em conjunto com a falta de dinheiro, um importante motivo à não adoção de um sistema de abastecimento alternativo, como a captação de água de chuva, por exemplo. Pergunta 8: Por que você acha que as pessoas não aproveitam água de chuva em suas casas? Categorias e ideias centrais A. Falta de espaço B. Falta de dinheiro C. Falta de conhecimento D. Água potável disponível em abundância E. Pouco volume armazenado Ensino fundamental incompleto Ensino superior completo 6 Número de respostas Número de respostas 6 5 4 3 2 1 0 5 4 3 2 1 0 A B C D Categorias E A B C D E Categorias Figura 5.48 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 8 IC (A) Falta de espaço (1F/9 e 5S/9) Eu acho que numa casa, né? Se eu pudesse, porque em prédio é difícil, mas se eu tivesse uma casa e se eu pudesse fazer isso, eu faria sim. Se eu tivesse uma casa sim, porque eu moro em apartamento, com certeza se eu tivesse Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 113 espaço, é lógico. Eu não tenho um lugar adequado para armazenar ela e utilizar para alguma coisa. Falta espaço, né? Geralmente falta espaço. Eu não tenho como, né. Vou armazenar água aonde? A falta de espaço disponível é um dificultador para o armazenamento de água de chuva, uma vez que para que a água seja aproveitada durante quase a totalidade do ano faz-se necessário o armazenamento de um grande volume. A captação e o armazenamento de água de chuva em prédios é possível de ser realizada e em muitos locais do mundo isso está acontecendo. Nessas situações é imprescindível que os condôminos aprovem a ideia e resolvam investir na implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial. Alguns entrevistados mostraram interesse em aproveitar água de chuva caso residissem em locais com espaço disponível. Alguns moravam em apartamentos ou em casas pequenas (sem quintal) e apresentaram essa justificativa para a não adoção do aproveitamento de água de chuva em suas residências. IC (B) Falta dinheiro (4F/9 e 1S/9) O que faltaria era recurso, né? Espaço físico e recurso financeiro, né? Só se fosse mesmo uma coisa planejada, né? Eu acho que eu faria. Se eu tivesse condição, sim. Hoje eu não teria condição não. Colocar eu colocaria, eu não tenho é condição mesmo. O investimento necessário para a implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva foi um fator muito citado. Muitos entrevistados apresentaram interesse, inclusive questionando como seria o sistema, como era o funcionamento, entre outras perguntas. Apesar disso, segundo eles, não possuíam condição financeira para investir no sistema. Alguns entrevistados relataram falta de dinheiro aliado à falta de espaço físico. IC (C) Falta de conhecimento (2F/9 e 2S/9) As pessoas acham que as coisas são muito trabalhosas. Então, por pensar que é tudo muito trabalhoso, muito trabalhoso, aí não fazem. Mas de repente, se alguém fizesse um e tivesse um plano piloto. O que falta é divulgar esse tipo de coisa, teria que ter pessoas que trabalham com isso, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 114 para ir na residência das pessoas e mostrar isso de perto, ter um agente que vai na residência da pessoa. Teria que fazer um projeto, teria que ver como é a casa da pessoa, colocar um telhado, porque talvez a casa de laje não daria para fazer isso, então colocar um telhado e nesse telhado adaptar uma calha para fazer o armazenamento da água, né? Então demandaria de divulgar esse tipo de ideia, e ter uma pessoa que fosse até a residência das pessoas para tirar essa dúvida. O que falta é conhecimento, é divulgação da ideia. Montar um plano piloto, montar uma casa que tenha isso, e apresentar isso nas comunidades. Eu acho que é por aí. A falta de informação quanto ao funcionamento de um sistema de captação de água de chuva foi o motivo pelo qual as pessoas não realizam a captação de água de chuva, segundo o discurso. Algumas pessoas não possuem nenhuma noção sobre os materiais que são necessários e nem como deve ser realizada a captação e a manutenção de um sistema. Foi sugerida a elaboração de um sistema piloto que fosse amplamente divulgado à população brasileira. Dessa maneira, todos seriam informados das vantagens e desvantagens de se aproveitar a água de chuva em atividades domésticas. Talvez, se os resultados de pesquisas atingissem grande parte da população, o uso racional da água potável e a utilização de fontes alternativas de abastecimento seriam uma realidade. IC (D) Água potável disponível em abundância e comodismo (2F/9 e 2S/9) Porque eu acho que a gente tem a água canalizada em casa, então eu acho que não tem necessidade, nem de juntar, né? Porque muitas vezes quando chove assim, quando você vai ver a chuva já até passou, a pessoa não tem tempo de ficar colocando balde debaixo de chuva. Antigamente, as pessoas ficavam doidas para chover, na roça né, porque não tinha água canalizada, principalmente pesssoas que usavam...hoje não, porque já tá tudo muito moderno, mas antigamente pessoa do interior que usava água de poço, “esses negócio” assim, “eles ficava” doido que chovesse para assim, colocar balde na chuva para poder aproveitar. Mas hoje eu acho que não tem necessidade não. A gente tem preguiça, né? Preguiça de fazer isso. Para falar com você a verdade, a gente pensa: tem essa mesma, não vou deixar essa pra lá, não vou usar. Tem aquela preguiça, porque tá mais fácil a 115 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG outra, vou fazer com a outra, né? Acha mais difícil ficar enchendo o balde, deixar encher, carregar, vai na mangueira mesmo. Falta de tempo, às vezes, preguiça que a gente tem, às vezes também! Por isso que a gente não faz isso, né? Por preguiça mesmo, a gente nesse corre-corre não tem tempo para ficar enchendo balde, vai na mangueira que é mais rápido. A gente não faz por a gente acreditar que a gente tem ela suficientemente ainda, né? Pelo discurso, as pessoas apresentam algumas dúvidas sobre como funcionam os sistemas de captação de água de chuva. Alguns citaram o transporte de água nos baldes para utilização, não cogitando a possibilidade de a água ser canalizada para o seu aproveitamento. Esse fato foi, visivelmente, impeditivo para a aceitação da utilização de água de chuva. Nesses casos, foi explicado que há possibilidade da água de chuva ser armazenada e ir diretamente para uma torneira ou ponto final de utilização, dependendo da finalidade. Em alguns casos, mesmo após explicados os possíveis sistemas de aproveitamento, os sujeitos mantinham o mesmo pensamento, uma vez que o seu acesso à água potável era facilitado. Pessoas que possuíam escolaridade superior ou fundamental apresentaram justificativas semelhantes. O acomodamento e a preguiça foram fatores citados pelos entrevistados para a não adoção do aproveitamento de água de chuva. IC (E) Pouco volume armazenado (1F/9 e 1S/9) Ah, eu acho assim, é... a água num é muita, chove pouca coisa, né? Então eu falo assim, é uma vez ou outra, né, que tá chovendo. Assim, se tivesse chovendo eu pegaria a água. Mas assim, guardar, eu não faria não. Vou gastar dinheiro com uma coisa que eu não vou usar. As chuvas concentradas em determinadas épocas do ano foram consideradas, no discurso, um fator que contribui para a não adoção do aproveitamento de água de chuva. Segundo os entrevistados, será realizado um investimento financeiro em um determinado sistema que irá funcionar muito pouco e em épocas de estiagem esse equipamento estará ocioso. Não foi imaginada, pelos entrevistados, a possibilidade de armazenamento de água das épocas de chuva para serem utilizadas na época de seca. Somente após a intervenção e explicação por parte da entrevistadora é que os entrevistados consideraram essa possibilidade. Mesmo após Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 116 terem sido dadas as devidas explicações, a opinião dos entrevistados manteve-se a mesma. Pergunta 9: Se você tivesse um incentivo financeiro por parte de algum órgão ou entidade isso iria contribuir para você adotar a captação de água de chuva? Categorias e ideias centrais A. Sim B. Não Ensino superior completo Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 A B Categorias 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 A B Categorias Figura 5.49 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 9 IC (A) Sim (7F/9 e 8S/9) Aí é um caso a pensar, né? Aí já dá, né, para fazer. “Cê” num ia gastar do seu bolso, mesmo que gastasse ia ser menos, né? Aí eu acho que sim, faria, porque eu ia ter assim, mais explicação, tudo direitinho, né? Eu faria sim, com ajuda, sim. Seria melhor, né? A gente entenderia melhor. Com incentivo ia ser mais fácil ainda, né? Porque é uma coisa que é muito cara ainda. Eu acho que seria bem interessante. Igual perto do sítio tem um conjunto, que eles fizeram isso, foi com esses conjuntos populares, o governo colocou. A prefeitura de lá deu aquela placa, como é que chama?...Solar. Colocou no conjunto todo, então para pessoas carentes, nossa! Deve ser um alívio, porque é menos uma conta. Se eles fizessem isso também com a água da chuva, porque eles já constroem em uma quantidade maior, de repente, até preparar essas casas, essas pequenas casas para poder receber, né? Já é uma coisa bacana e incentivar as pessoas que fazem isso particular também, eu acho que sim, que facilitaria. Igual quando teve o racionamento da luz, 117 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG né? Todo mundo economizou. Eu acho que seria bom sim, da água seria a mesma coisa do que foi da energia. Acho que muita gente faria. Se eu encontrasse já um projetinho pré, um projetinho básico que já se utiliza várias vezes isso, igual tem de saneamento, era uma coisa que facilitaria. Se eu tivesse um incentivo financeiro, viabilizaria tudo, né? Facilitaria tudo. O incentivo financeiro viabilizaria a adoção do aproveitamento de água de chuva, segundo o discurso. As pessoas, geralmente, apresentam o orçamento mensal comprometido e não podem dispor, muitas vezes, de determinadas quantias para investir. O incentivo financeiro é essencial para que grande parte da população adote o aproveitamento de água de chuva em suas casas. Além disso, vê-se que as pessoas possuem muitas dúvidas técnicas sobre o sistema de captação e armazenamento. A aprovação da ideia de implantação do sistema em suas residências está relacionada, também, à possibilidade de receberem algumas informações técnicas sobre o assunto. A possibilidade de existirem projetos pré-concebidos também foi citada como um incentivo, uma vez que o entendimento sobre o sistema seria facilitado. Foi bastante comparado o uso racional da água potável com o racionamento da luz (ocorrida há alguns anos no Brasil). Pelo discurso, o aproveitamento de água de chuva poder-se-ia tornar uma alternativa de abastecimento, para determinados usos. Da mesma maneira que algumas pessoas economizam dinheiro na conta da Companhia Energética com a utilização de luz proveniente de aquecimento solar, a água de chuva poderia ser utilizada para economizar a água potável proveniente da Companhia de Abastecimento de Água. IC (B) Não (2F/9 e 1S/9) É, é...se eu fizesse uma análise de investimento.....se eu investir para num, me retornar nada, não, se eu visse que valeria a pena aí sim. Mas eu acho que eu não faria não, sabe por quê? Porque não chove o ano todo, aí o que acontece é que você pode economizar por um tempo, depois vai gastar do mesmo jeito. Durante o tempo que tiver chovendo, “cê” vai economizar, mas depois quando a chuva acabar “cê” vai gastar do mesmo jeito. Se fosse uma coisa de todo dia, né? Aí valeria a pena! Num chove direto. Chove uns dois, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 118 três meses, depois pára....Eu acho que não vale a pena! Eu acho que eu não vou economizar em nada! O aproveitamento de água de chuva não foi considerado pelos entrevistados desse discurso, nem mesmo após citada a possibilidade de incentivo financeiro. Quando alguns entrevistados não entendiam o que seria um incentivo, foi citado, como exemplo, o desconto em impostos, como o IPTU. No discurso foi citada novamente a não ocorrência de chuvas durante o ano inteiro na cidade de Belo Horizonte e a não viabilidade de investimento em um sistema de aproveitamento de água, nem mesmo com incentivo. Pergunta 10: Você acredita que economizaria na conta de água se utilizasse água de chuva em algumas atividades domésticas? Categorias e ideias centrais A. Sim B. Não Ensino superior completo 8 8 7 7 Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto 6 5 4 3 2 1 6 5 4 3 2 1 0 0 A B Categorias A B Categorias Figura 5.50 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 10 IC (A) Sim (6F/9 e 7S/9) Vai ter economia sim. Não sei de quanto, mas que teria economia, isso sim. Porque vamos supor se você for usar para lavar um quintal, você pode estar utilizando a água da chuva né, ué vai estar lavando do mesmo jeito, né? Na minha casa tem muita poeira. Independente de eu estar mexendo ou não, tem Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 119 muita poeira, e eu vejo muita gente varrendo a rua com a mangueira, entendeu? Eu vejo, na minha rua mesmo, e às vezes a gente também faz isso. Quando tem muita terra, no caso de construção né, “cê” acaba fazendo. Então a mangueira fica aberta, ó! E no normal eu acho que economizaria sim. Vai tá exercendo a mesma função, mas assim, como eu não tenho, eu gasto muito mais e não tenho aquela economia que eu poderia “tá tendo”. Não tenho noção de quanto, porque aí depende, né? Porque quando chove muito, a gente né? Se tiver um reservatório, a gente tem água muito tempo, mas tem ano que não chove muito, né? Passa muito tempo sem chover, então, aí não tenho. Porque essa água que você vai armazenar é só no período de chuva. Hoje com os períodos de chuva todos irregulares, igual a gente tem, então eu acredito que você não vai ter muita água sobrando, né? O discurso considera que haverá economia na conta de água potável caso seja realizado o aproveitamento de água de chuva em atividades domésticas, como, por exemplo, a limpeza de quintais e áreas externas. O período restrito de chuvas na capital mineira foi citado como sendo um fator que poderia dificultar a implantação de um sistema de aproveitamento, mas não foi considerado como impeditivo para a economia na conta de água. IC (B) Não (3F/9 e 2S/9) Poque eu não ia utilizar aquela água do reservatório, para muitas coisas eu não ia, né? Por exemplo, para lavar vasilha, tomar um banho, nunca que eu ia usar. Para beber também, nunca que ia poder usar. Aí tinha que fazer outro investimento, tinha que gastar produto químico, né, porque a gente não sabe como é que é aquela água. Além disso, se fosse uma coisa de todo dia, né? Aí vale a pena! Se fosse uma coisa de todo dia. Se tivesse direto, né? Mas, num chove! O discurso considera que não haverá economia na conta de água potável caso as pessoas utilizem água de chuva em algumas atividades domésticas. Essa conclusão foi obtida tendo em vista o curto período de chuvas na cidade de Belo Horizonte, segundo os moradores, e a limitação de uso da água de chuva captada. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 120 Pergunta 11: Você tem noção de quanto iria economizar na conta de água potável se utilizasse água de chuva em algumas atividades domésticas? Categorias e ideias centrais A. Próximo de zero B. De 20% a 50% C. Não sei Ensino superior completo 8 8 7 7 Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto 6 5 4 3 2 1 6 5 4 3 2 1 0 0 A B C Categorias A B C Categorias Figura 5.51 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 11 IC (A) Próximo de zero (2F/9 e 1S/9) Aí depende de cada um, na minha casa tinha que ser pelo menos uns 10% de economia, né? Eu não vejo quase que vantagem nenhuma, só para lavar o terreiro mesmo!! Eu acho que não tem onde usar a água de chuva, não vou economizar nada. Devido as pessoas acreditarem que a água de chuva não tem utilidade, a resposta sobre o valor que economizariam na conta de água era próximo de zero. IC (B) De 20% a 50% (5F/9 e 6S/9) Acho que uns 50% eu economizaria na conta de água. Casa, a gente limpa todo dia, lava banheiro todo dia, então eu acho que mesmo que não fosse uma quantidade grande, em termos de dinheiro, eu acho que valeria a pena sim. E outra, essa água da chuva, por exemplo, quando você vai usar uma Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 121 água para lavar alguma coisa, ou para irrigar bastante área, precisa de muita água, então você pode fazer uma economia grande. Talvez diminuísse a metade. O que diminuísse ia ser bom. O cálculo da economia na conta de água foi obtido com base no volume de água a ser utilizado nas atividades que os entrevistados julgaram como sendo possíveis. Muitas vezes, as pessoas, em um primeiro momento, não tinham muita ideia de valor, mas quando a conversa ia se prolongando, elas sugeriam uma percentagem do valor da conta. IC (C) Não sei (2F/9 e 2S/9) Não, aí eu não tenho noção. Não, aí não, aí teria que fazer conta mesmo, porque eu não sei quanto que poderia abater. Eu acho que você, que a gente economizaria, porque você vai ter um reservatório, mas mesmo porque depende do lugar, né? Da quantidade que você tem de reserva de água, né? Mas eu acho que sim, porque às vezes você faz umas coisas bobas, né, e gasta tanta água. Quer ver, uma banheira de neném, na hora que você enche, são 20 litros de água, que depois você joga tudo aquilo fora, então é uma forma sim de economizar. Poderia usar em descarga, poderia ter uma bomba puxando essa água para dentro do seu banheiro, né? Então, poderia de repente talvez usar essa água até para banho, não só para descarga, não sei. Então teria que fazer conta para ver quanto você economizaria de água, mas eu sei que não fica barato não. O valor que seria economizado na conta de água não pôde ser definido nesse discurso. Alguns parâmetros interferem nesse resultado, como as possíveis utilizações da água de chuva, o tamanho do reservatório, a existência de um sistema automático de bombeamento dessa água para o ponto final de utilização, entre outros. A economia acontece, entretanto não pode ser quantificada. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 122 Pergunta 12: Você sabe quanto é o investimento para implantar o sistema de captação de água de chuva? Categorias e ideias centrais A. Não, mas acha que é barato B. Não, mas acha que é caro C. Não tem noção Ensino superior completo 8 7 6 5 4 3 2 1 0 8 Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto 7 6 5 4 3 2 1 0 A B C Categorias A B C Categorias Figura 5.52 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 12 IC (A) Não, mas acha que é barato (0F/9 e 2S/9) Não, isso aí eu não sei não. Se bem que não deve ser difícil, né? Não acredito que seja um investimento caro. Coloca uma calha, tem uns que estão usando agora os PET, né, em canalização. Eu vi uma reportagem esses dias no Globo Rural. Estão usando muitos PET para fazer canalização de água de chuva. Agora é preciso saber o processo para tal. Vai depender muito da residência, de onde vai fazer. Por exemplo, se for num condomínio...Eu acho que não fica muito caro não, né? Desde que você já tenha lá alguma coisa. Por exemplo, eu acho que a pessoa ia precisar de um telhado, faz a calha e a tubulação, que é o de menos, né? Tubulação é bem baratinho, calha também é muito baratinho. Eu acho que nesse caso o que ficaria mais caro é o telhado, porque depende da dimensão da laje, se você ia gastar com um telhado muito grande ou um telhado menor, ia depender do tamanho da sua casa e o tanque, do tamanho do reservatório que você Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 123 quer fazer, né? Porque no mínimo seria uma caixinha de 500L, seria o mínimo. A noção de qual é o custo de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva está muito relacionado ao conhecimento dos sujeitos sobre o assunto e, com certeza, sistemas sofisticados apresentam um investimento superior aos sistemas sinplificados. O discurso mostra que as pessoas não possuem noção do investimento financeiro necessário para a implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial, entretanto a ideia que eles possuem é que o custo não é elevado. IC (B) Não, mas acha que é caro (2F/9 e 0S/9) Não, mas eu sei que não fica barato não, num deve ser menos de 1.000 reais não, né? É tudo caro. O discurso mostra que o custo de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva não é conhecido. Entretanto estima-se que o valor seja elevado, sendo citado o valor mínimo de R$1.000,00. IC (B) Não tem noção (7F/9 e 7S/9) Não, não tenho noção, porque isso ia depender do tamanho da casa, do tamanho do reservatório, não tenho noção de quanto ficaria não. Novamente foi relacionado, pelos entrevistados, o investimento necessário para a implantação de todo o sistema com o tipo de reservatório e o volume de água a ser armazenado. A indefinição quanto ao custo necessário foi justificada pela incerteza do tipo e tamanho do sistema a ser implantado. Em algumas situações a entrevistadora percebeu que os entrevistados sequer sabiam o que seria o sistema de aproveitamento. Nesse caso, foi explicado resumidamente as possibilidades de captação, armazenamento e bombeamento da água de chuva para os pontos de utilização. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 124 Pergunta 13: Você tem noção do tempo de retorno do investimento, considerando a economia na conta de água? Categorias e ideias centrais A. Não B. Médio a longo prazo C. Curto prazo Ensino fundamental incompleto Ensino superior completo 7 Número de respostas Número de respostas 7 6 5 4 3 2 1 6 5 4 3 2 1 0 0 A B C A Categorias B C Categorias Figura 5.53 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 13 IC (A) Não (6F/9 e 1S/9) O retorno financeiro? Também não, não sei não. Quanto tempo, né? Porque é uma coisa que eu nunca fiz o teste, sabe? O tempo de retorno financeiro do investimento realizado não foi estimado nesse discurso. Essa avaliação ficou muito comprometida tendo em vista que os entrevistados não possuíam noção do custo de implantação do sistema de aproveitamento de água de chuva. Pôde-se perceber durante o decorrer da entrevista que, alguns entrevistados, mesmo sem citar o tempo de retorno, consideram que qualquer prazo é considerado elevado, pois possuem orçamento mensal comprometido com as despesas de sua família e qualquer investimento é considerado uma despesa adicional. IC (B) Médio a longo prazo (1F/9 e 4S/9) Não, mas ia demorar um pouquinho. Porque isso num vem, né, depende. Se 125 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG for fazer um reservatório, vai gastar tempo, vai demorar, e a chuva não vai vir de uma vez, vai vir na medida do tempo. Considerando que as chuvas ocorrem de maneira espaçada e que o tamanho do reservatório vai estar em função dessa variável, o presente discurso não conseguiu estimar o tempo de retorno do investimento; foi citado que esse tempo iria variar de caso a caso. Entretanto, foi citado que o tempo não seria pequeno visto que o custo de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva também não é baixo. IC (C) Curto prazo (2F/9 e 4S/9) Eu acredito que seria imediato porque, por exemplo, uma pessoa que pegou essa água em dezembro, ela já economizou em janeiro. Depende do mês que você fizer isso, se você fizer isso no meio do ano, vai ficar esperando as chuvas de dezembro e você vai ter 6 meses para esse tempo de retorno, se você fizer mais próximo do mês de dezembro, de repente você tem aí uns 2 meses para retorno. É o que eu te falei antes, você tem que saber que aquela água que você tá reservando não vai durar o ano inteiro, vai depender da quantidade de água que você guardou e depois de como você vai usá-la lá na frente, porque aí ela vai durar um espaço de uns 2 ou 3 meses, então o retorno vai ser em função da época que você fizer o seu trabalho. Eu acredito que muito rápido, eu acho que rápido, porque o investimento é barato e a economia vai ser significativa. Isso não é tão caro, gente! Uai, se eu economizasse uns 20 reais ou 30 na minha conta, isso ia retornar para mim em, deixa eu ver, uma caixa d’água que eu conheço que não é tão grande, do tamanho da minha, uns 500 litros, eu imagino que ela seja uns cento e poucos reais, num é? Talvez uns 6 meses, não, não sei. Pela incerteza de quanto vai se gastar para fazer o processo, né? Mais ou menos uns 6 meses. Esse discurso contraria o anterior. Foi considerado que o investimento para implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial é baixo e, portanto, o tempo de retorno desse dinheiro também o é. Pode-se perceber que não foi considerada a possibilidade da água precipitada nas épocas de Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 126 chuva serem armazenadas para utilização em época de seca. Por esse motivo, no momento de ser realizada a contabilidade dos custos de implantação do sistema como um todo (principalmente o reservatório), foi considerado o uso de reservatórios com capacidade de armazenamento reduzido, sendo inclusive citado o volume de 500 L como sendo o suficiente. Pergunta 14: Se você soubesse que, ao aproveitar água de chuva, você economizaria na sua conta de água, isso faria com que você realizasse a captação sem incentivos? Categorias e ideias centrais A. Sim B. Não 8 7 Ensino superior completo 8 Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto 6 5 4 3 2 1 0 7 6 5 4 3 2 1 0 A B Categorias A B Categorias Figura 5.54 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 14 IC (A) Sim (3F/9 e 7S/9) Se eu tivesse condição, sim. Economizaria dinheiro e a água, né? Porque o importante é economizar a água, né? Porque a água tá acabando. Eu acho que seria melhor que economizasse dinheiro e água. Eu acho interessante, né? Você pode, por exemplo, um reservatório hoje, a gente pensa que ficaria tudo muito caro. Mas como eu disse anteriormente, a captação dessa água é uma das formas mais em conta, porque imagina você que a gente pode comprar essa caixa d’água aí, que vende pronta no depósito, que num é plástico não, não sei que material que é, mas você com um tanque daquele, você consegue pegar água, numa boa. Não ficaria tão caro assim, aí você teria só o trabalho de colocar tubulação e calha. Então é economia sim, é uma despesa que você teria, inicial, até colocar essas coisas em 127 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG funcionamento, mas mesmo assim é uma despesa pequena. A economia de água potável e de dinheiro na conta foi considerada nesse discurso como sendo possível. Devido aos sujeitos acreditarem que o custo para implantação do sistema de aproveitamento de água de chuva é pequeno, foi considerado que haverá economia na conta de água a ponto de beneficiar de maneira rápida os investidores. A economia de água potável foi citada como sendo tão importante, ou até mais importante, que a economia financeira nesse discurso. IC (B) Não (6F/9 e 2S/9) Por minha conta? Depende da época que eu tivesse né, hoje, por exemplo, não daria. Por minha conta é meio difícil. Se tivesse ajuda eu colocaria, mas sem ajuda eu não colocava. Porque economicamente é inviável. Sendo sincero, não. Eu só usaria se tivesse algum incentivo, algum incentivo a mais realmente. O discurso mostra que sem incentivos a implantação de um sistema de captação e armazenamento de água de chuva não seria realizada, pois o custo de implantação foi considerado impeditivo. Além disso, pode-se verificar, também, que o comodismo e o acesso facilitado à água potável foram fatores que contribuiriam para a não adoção. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 128 Pergunta 15: Quais as vantagens de se captar água de chuva e utilizá-la para o dia-adia? Categorias e ideias centrais A. Economia financeira e do recurso natural B. Utilização de uma água de boa qualidade C. Nenhuma vantagem Ensino superior completo 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto A B Categorias C 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 A B C Categorias Figura 5.55 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 15 IC (A) Economia financeira e do recurso natural (6F/11 e 9S/9) Economia, né? Utilidade de um recurso natural, saber que aquele recurso natural, ele é útil. E é isso! Eu acho que no futuro a gente vai ter muita falta de água, né? Então seria maneira de preservar o meio ambiente. Porque hoje muita gente faz é lavar calçada, lavar carro, né? Eu acho que pro meio ambiente, pro futuro, é muito importante, porque daqui a pouco não vai ter tanta água potável disponível, né? Então se começasse a pensar nisso hoje, seria muito mais viável do que no futuro, quando acabar. Daqui a pouco não tem mais, né? Em primeiro lugar é essa questão ambiental, que é uma questão que mais me motivaria. E em segundo lugar a redução do meu gasto com a água. “Cê” vai deixar de gastar uma água potável, uma água que você paga por ela, e vai utilizar uma que é de graça. A questão da economia, da valorização da mesma. São várias as vantagens, né? Não só a questão financeira, mas como a questão da própria água, né? Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 129 Quando questionados sobre as vantagens de se utilizar a água de chuva, as pessoas foram muito enfáticas citando a questão da preservação do meio ambiente. A possibilidade da falta de água potável no futuro foi vista, realmente, como uma preocupação. A economia financeira na conta de água também foi citada como sendo importante, mas foi classificada como segunda prioridade. Já a diminuição de enchentes e problemas de drenagem urbana não foram relacionados pelos entrevistados. IC (B) Utilização de uma água de boa qualidade (2F/11 e 0S/9) Porque a água da chuva é uma água limpa, uma água saudável, uma água pura, então é mais importante usar ela em casa do que a água da COPASA, se puder pegar ela só para usar é melhor pela qualidade da água, porque é uma água limpa e sem produto, né, de conservação, porque a da COPASA eles colocam, né? Eles colocam cloro para limpar, tem o tratamento, né? O discurso mostra que o importante é a utilização de uma água de excelente qualidade. É citado no discurso que a água de chuva apresenta qualidade superior à água da Companhia de Saneamento, pois ela é natural, ou seja, não é tratada com produtos químicos. IC (C) Nenhuma vantagem (3F/11 e 0S/9) Não vejo nenhuma, eu não uso, né? Não vejo utilidade nenhuma, eu nunca mexi com esse negócio não. Eu acho que não tem onde usar a água de chuva. Esse discurso mostra que algumas pessoas não percebem vantagens na utilização de água de chuva, uma vez que a consideram como de má qualidade. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 130 Pergunta 16: Você acha que a limpeza e a manutenção do sistema de captação de água de chuva seria um impedimento ou empecilho para você utilizar essa água? Categorias e ideias centrais A. Sim B. Não 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Ensino superior completo Número de respostas Número de respostas Ensino fundamental incompleto A B Categorias 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 A B Categorias Figura 5.56 - Resultado quantitativo relativo à pergunta 16 IC (A) Sim (0F/9 e 0S/9) Nenhum entrevistado disse que a manutenção do sistema e a limpeza seriam empecilhos para aproveitar água de chuva. IC (B) Não (9F/9 e 9S/9) Não, eu acho que se tivesse essa estrutura de recolher, para mim não daria trabalho nenhum, né? Não, isso já é um procedimento normal de casa, né, de qualquer reservatório. Pelo menos uma vez de 6 em 6 meses você tem que lavar a caixa d’água. Então isso não seria empecilho, só se forem muitas vezes, que pelo menos uma vez por ano a gente já tem que limpar. Na necessidade de ter que limpar ela, a gente tem que limpar, porque a água da chuva tem mais impurezas que a própria água da COPASA. Então eu acho que a gente tem que ter uma atenção a mais. Mesmo que fosse duas vezes por ano mandar limpar, não teria problema. Limpar não seria um empecilho, empecilho seria mudar o sistema hidráulico da casa, isso sim seria trabalhoso. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 131 Houve unanimidade nas respostas quando as pessoas eram questionadas sobre a necessidade de manutenção do sistema de aproveitamento de água de chuva. Mesmo pessoas que anteriormente haviam declarado que não utilizariam água de chuva ou que não viam vantagem nessa utilização, mostraram que não haveria empecilhos. As pessoas declararam possuir costume de limpar as suas caixas de água potável e calhas e, por esse motivo, limpariam e fariam a manutenção no sistema de aproveitamento de água. 5.2.2. Considerações sobre os Discursos do Sujeito Coletivo Os DSCs obtidos na presente pesquisa foram muito ricos, ofereceram muitas informações da percepção de alguns moradores da capital mineira sobre o aproveitamento de água de chuva e sobre a utilização de água potável de maneira racional. Algumas confirmações e refutações sobre as hipóteses do trabalho, apresentadas no item 4.2.1, a partir dos DSCs, são realizadas a seguir. A hipótese 1 foi parcialmente confirmada pelos DSCs mostrados anteriormente, visto que, de uma maneira geral, os sujeitos possuem consciência ambiental e sabem da necessidade de utilização de água potável de maneira racional. O acesso à água potável canalizada em casa foi, em alguns momentos, considerado um pequeno obstáculo à utilização de águas de outras fontes, entretanto não foi considerado um verdadeiro empecilho. A possibilidade de utilização de água de chuva, para usos gerais que não exigem água potável (limpeza de chão, quintal e banheiros, limpeza de carros e irrigação de plantas) foi admitida em muitos discursos e considerada como sendo possível de ser realizada. O desconhecimento da população sobre os sistemas de aproveitamento de água de chuva foi verificado nos discursos como sendo um fator impeditivo à sua implantação. Alguns imaginavam que o sistema de captação de água de chuva tratava-se de goteiras existentes nas lajes das residências e que a captação seria realizada por meio de panelas. Esse desconhecimento foi verificado tanto em pessoas com escolaridade fundamental incompleto quanto com ensino superior completo. A partir desse momento, a entrevistadora esclarecia o sistema de captação ao qual ela se reportava e muitas pessoas mudaram o seu conceito sobre a implantação de um sistema de captação. Dessa maneira, viu-se a importância da divulgação de algumas pesquisas e ideias à população. A hipótese 2 foi confirmada, pois percebeu-se que a população possui, na sua maioria, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 132 dúvidas sobre as possíveis utilizações da água de chuva, uma vez que elas não possuem acesso a resultados de pesquisas sobre a sua qualidade. Como muitos entrevistados tinham questionamentos sobre a qualidade dessa água, eles recomendavam, por questões de segurança, que a mesma fosse utilizada apenas para limpezas gerais e irrigação. A hipótese 3 foi parcialmente confirmada. Pode-se perceber no decorrer das entrevistas e durante as transcrições que para os entrevistados com escolaridade superior completa o custo de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva não seria um empecilho à sua implantação. Já para os entrevistados com ensino fundamental incompleto, essa variável foi considerada um impedimento. Esse fato foi percebido no momento em que foi realizada a pergunta 14 (Se você soubesse que, ao aproveitar água de chuva, você economizaria na sua conta de água, isso faria com que você realizasse a captação sem incentivos?). Naquele momento, 6 entrevistados de um total de 9 responderam que não. O interessante é que quando havia sido realizada a pergunta 7 (Você faria captação de água de chuva na sua casa?) 7 responderam que sim e 2 apenas que não. Percebeu-se uma incoerência nas respostas de 4 dos entrevistados. Quando a conversa se prolongou, pôde-se perceber que os entrevistados, na realidade, realizariam a captação em suas casas se tivessem condição financeira para investir na compra dos equipamentos necessários. Com o incentivo financeiro essa possibilidade poderia se tornar uma realidade. A hipótese 4 foi confirmada, uma vez que foi verificado que muitas pessoas não possuem condição financeira para investir em um sistema de aproveitamento de água de chuva e, com oum incentivo, a sua implantação poderia ser possível. Além disso, pessoas que se sentiam acomodadas por receberem água canalizada em casa, segundo os DSCs, com o incentivo financeiro iriam diminuir o consumo de água potável e utilizar também a água de chuva para algumas atividades. Apenas 3 pessoas que desde o início da entrevista disseram que não aproveitariam água de chuva, devido a sua má qualidade, ou devido à sua inviabilidade econômica, continuariam não aderindo à implantação de um sistema de aproveitamento, mesmo com incentivo. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 133 6. CONCLUSÕES As metodologias de coleta e análise dos resultados, para as pesquisas quantitativa e qualitativa, foram consideradas adequadas, uma vez que todos os objetivos propostos pela pesquisa foram alcançados. Em relação à qualidade da água de chuva captada em duas regiões de Belo Horizonte, Pampulha e Centro, pode-se concluir que houve diferença significativa, para alguns parâmetros. Coliformes totais e pH (telha cerâmica) e cor aparente e turbidez (telha metálica) são exemplos disso. Para todos os parâmetros citados, a água captada na região do Centro apresentou qualidade inferior áquela coletada na região da Pampulha. Uma das possíveis explicações para essa situação poderia ser a maior poluição, advinda de automóveis e ônibus, a qual a região central está submetida. Quanto à comparação da qualidade da água de chuva captada por dois tipos de telhas, cerâmica e metálica, também foram verificadas diferenças significativas para alguns parâmetros. Cor aparente, pH, coliformes totais e Escherichia coli apresentaram diferenças nas duas regiões estudadas, para os dois tipos de telhas. Já a turbidez apresentou diferença apenas as águas captadas na região da Pampulha. A diferença entre a qualidade da água captada pelos dois tipos de telhas poderia ter sido causada pela composição química das mesmas. A argila da telha cerâmica, por exemplo, poderia ter sido uma das responsáveis pelo aumento do pH da água da chuva. Em relação à diferença de turbidez, uma das possíveis explicações poderia ser que o escoamento das águas pluviais sobre as telhas cerâmicas teria superado a resistência à abrasão do material, de maneira a carrear sedimentos para os tubos. O telhado metálico, de um modo geral, apresentou água captada de melhor qualidade do que a água captada pelo telhado cerâmico, principalmente quanto aos parâmetros microbiológicos. A telha metálica, ao ser aquecida, provavelmente inativou muitos microrganismos que ali estavam depositados. Foi confirmada a importância da limpeza das calhas, após um longo período de estiagem, para a melhora na qualidade da água de chuva captada, principalmente para parâmetros como a turbidez e a cor aparente. Antes das calhas implantadas na presente pesquisa serem limpas, a turbidez teve picos de até 320 uT, ou seja, 64 vezes o valor máximo permitido pela Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde e a cor aparente de 680 uH, ou seja 45 vezes o VMP. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 134 Segundo os resultados obtidos pela presente pesquisa, os volumes mínimos necessários de água de chuva a serem descartados para que os padrões de qualidade recomendados pela Portaria MS n. 518/2004 e NBR 15.527/2007 sejam atendidos, considerando as medianas, são mencionados na sequência. É suficiente um volume de 1 L de água de chuva por m² de telhado para pH, sulfato, chumbo, dureza e manganês. Para o parâmetro turbidez, os volumes de descarte verificados foram variáveis, dependendo da região onde estava implantado o telhado. Para as águas captadas na Pampulha, verificou-se que um volume de descarte de 2 L de água de chuva por m2 de telhado era suficiente, já para as águas captadas no Centro, o volume de descarte para atendimento à Portaria foi de 3 L/m². Para o parâmetro cor aparente, o volume de descarte deve ser superior a 3L/m2, para que os padrões da Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde e NBR 15.527/2007 da ABNT sejam atendidos. Apenas as águas captadas pelas telhas metálicas, implantadas na Pampulha, apresentaram valores que atendiam aos padrões de qualidade, para descarte de 3L/m2. Para o parâmetro Escherichia coli, as águas captadas pelas telhas metálicas atenderam à Portaria MS n. 518/2004, quando foram descartados o equivalente a 1 L/m2 de telhado, para as telhas cerâmicas esse valor foi superior a 3 L/m2. Para o parâmetro coliformes totais, o volume mínimo, para a sua ausência em 100 mL, deve ser superior a 3 L/m2 para todos os tipos de telhas e regiões de estudo. Para o parâmetro ferro, o volume de descarte deve ser superior a 3L/m2, para que a Portaria MS n. 518/2004 seja atendida. Apenas as águas captadas pelas telhas cerâmicas, implantadas na Pampulha, apresentaram valores que atendiam aos padrões de qualidade, para descarte de 3L/m2. Pode-se perceber que o volume a ser descartado para que as águas de chuva sejam aproveitadas, é variável em função de cada parâmetro. De uma maneira geral, as águas captadas por telhas metálicas, localizadas na região da Pampulha, local menos exposto à poluição em relação à região central de Belo Horizonte, apresentaram qualidade que atendia muitas vezes, ao padrão de potabilidade do Ministério da Saúde. Em relação ao estudo sobre a percepção de alguns moradores da cidade de Belo Horizonte sobre o aproveitamento de água de chuva, algumas hipóteses foram confirmadas e outras parcialmente confirmadas. De uma maneira geral, os sujeitos possuem consciência ambiental e têm conhecimento da necessidade de utilização de água potável de maneira racional. O aproveitamento de água de chuva para usos gerais como limpeza de chão, quintal e banheiros, limpeza de carros e irrigação de plantas, foi admitida em muitos discursos e considerada como Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 135 sendo possível de ser realizada. O desconhecimento da população sobre os sistemas de aproveitamento de água de chuva foi verificado nos discursos como sendo um fator impeditivo à sua implantação. Percebeu-se, por meio das entrevistas, a real necessidade de divulgação de resultados de pesquisas para que a população resolva aderir para a utilização dessa água. Verificou-se durante as entrevistas e transcrições que, para os entrevistados com escolaridade superior completa, o custo de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva não seria um empecilho à sua implantação. Já para os entrevistados com ensino fundamental incompleto, essa variável foi considerada um impedimento. Percebeu-se que são necessários incentivos financeiros para que a população se sinta motivada a utilizar a água de chuva para algumas atividades que não necessitam de água com qualidade potável. Em muitas ocasiões, durante as entrevistas, pode-se perceber o interesse de alguns entrevistados sobre o aproveitamento de água de chuva, entretanto muitos não apresentavam condições financeiras de realizá-lo. O comodismo também foi um fator importante e que foi verificado nos DSCs. Grande parte da população da capital mineira recebe água canalizada em casa e, por esse motivo, somente utilizaria água de chuva para atividades gerais se recebesse algum incentivo. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 136 7. RECOMENDAÇÕES Em pesquisas posteriores recomenda-se que sejam realizados estudos que relacionem a intensidade de precipitação com a qualidade da água de chuva captada por telhados. Além disso, recomenda-se que sejam monitorados mais parâmetros de qualidade da água e que seja realizado um número maior de coletas de água de chuva, pois assim poder-se-á realizar uma avaliação estatística da análise de frequência dos dados. Recomenda-se, também, que sejam analisadas águas de chuva incidentes sobre outros tipos de superfície de captação. Em relação à pesquisa qualitativa, recomenda-se que sejam utilizadas todas as ferramentas de análise. Por se tratar de uma pesquisa de mestrado, com o tempo limitado, apenas uma parcela da tarefa explicativa e interpretativa foi realizada. Existem informações contidas nos discursos que podem ser exploradas em outras pesquisas. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 137 8. REFERÊNCIAS ABDELKHALEQ, R. A.; AHMED, I. A. Rainwater harvesting in ancient civilizations in Jordan. In: Water Science and Technology: Water Supply, IWWA Publishing, v. 7, n. 1, p. 85-93, 2007. 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Comparação entre diferentes superfícies de captação localizadas em uma mesma região pH pH - Pampulha pH pH pH - Pampulha 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 CER P2_pH MET P5_pH Median 25%-75% Min-Max 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 CER P3_pH MET P6_pH Telha/ Nº ponto de coleta Telha/ nº ponto de coleta Figura 9.1 - Comparação entre o pH da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 9.2 - Comparação entre o pH da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha p= 0,0037 p= 0,0021 pH - Centro pH pH pH - Centro 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 CER P8_pH METP11_pH Median 25%-75% Min-Max Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 CER P9_pH METP12_pH Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta Figura 9.3 - Comparação entre o pH da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro Figura 9.4 - Comparação entre o pH da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,0089 p= 0,0021 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 146 Turbidez Turbidez - Pampulha Turbidez (uT) Turbidez (uT) Turbidez - Pampulha 330 315 300 285 270 255 240 225 210 195 180 165 150 135 120 105 90 75 60 45 30 15 0 CER P1_T MET P4_T o Median 25%-75% Min-Max 330 315 300 285 270 255 240 225 210 195 180 165 150 135 120 105 90 75 60 45 30 15 0 CER P2_T Telha/ N ponto de coleta Figura 9.6 - Comparação entre a turbidez da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha p= 0,0036 p= 0,0277 Turbidez - Centro Turbidez (uT) Turbidez (uT) Turbidez - Centro CER P7_T METP10_T Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta Figura 9.5 - Comparação entre a turbidez da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha 330 315 300 285 270 255 240 225 210 195 180 165 150 135 120 105 90 75 60 45 30 15 0 MET P5_T o Median 25%-75% Min-Max 330 315 300 285 270 255 240 225 210 195 180 165 150 135 120 105 90 75 60 45 30 15 0 CER P8_T METP11_T Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Figura 9.7 - Comparação entre a turbidez da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro Figura 9.8 - Comparação entre a turbidez da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,3560 p= 0,3318 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 147 Cor aparente Cor aparente - Pampulha Cor aparente (uH) Cor aparente (uH) Cor aparente - Pampulha 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 CER P1_CA MET P4_CA o Median 25%-75% Min-Max 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 CER P2_CA MET P5_CA o Telha/ N ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta Figura 9.9 - Comparação entre a cor aparente da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 9.10 - Comparação entre a cor aparente da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha p= 0,0031 p= 0,0008 Cor aparente - Centro Cor aparente (uH) Cor aparente (uH) Cor aparente - Centro 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 CER P7_CA METP10_CA o Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 CER P8_CA METP11_CA o Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta Figura 9.11 - Comparação entre a cor aparente da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro Figura 9.12 - Comparação entre a cor aparente da água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,1488 p= 0,0016 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 148 Alcalinidade Alcalinidade - Pampulha 65 60 60 55 55 50 50 Alcalinidade (mg CaCO3/L) Alcalinidade (mg CaCO3/L) Alcalinidade - Pampulha 65 45 40 35 30 25 20 45 40 35 30 25 20 15 15 10 10 5 5 0 CER P1_A MET P4_A o Median 25%-75% Min-Max 0 CER P3_A Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta Telha/ N ponto de coleta Figura 9.13 - Comparação entre a alcalinidade da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 9.14 - Comparação entre a alcalinidade da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha p= 0,5408 p= 0,0630 Alcalinidade - Centro Alcalinidade - Centro 65 65 60 60 55 55 50 50 Alcalinidade (mg CaCO3/L) Alcalinidade (mg CaCO3/L) MET P6_A o 45 40 35 30 25 20 15 45 40 35 30 25 20 15 10 10 5 5 0 CER P7_A METP10_A Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max 0 CER P9_A METP12_A Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Figura 9.15 - Comparação entre a alcalinidade da água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro Figura 9.16 - Comparação entre a alcalinidade da água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,0928 p= 0,3454 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 149 Coliformes Totais Coliformes Totais - Pampulha C o lifor m es T o tais ( N M P / 10 0 m L ) C o lifor m es T o tais ( N M P / 10 0 m L ) Coliformes Totais - Pampulha 2600 2400 2200 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 2600 2400 2200 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 200 0 CER P1_CT MET P4_CT o Median 25%-75% Min-Max 0 CER P3_CT Telha/ N ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta Figura 9.17 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 9.18 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha p= 0,0088 p= 0,0117 Coliformes Totais - Centro Coliformes Totais - Centro 2600 C o liform es T o tais (N M P / 10 0 m L ) C o liform es T o tais (N M P / 10 0 m L ) MET P6_CT o 2400 2200 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 2600 2400 2200 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 200 0 CER P7_CT METP10_CT o Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta 0 CER P9_CT METP12_CT o Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta Figura 9.19 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro Figura 9.20 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,0058 p= 0,0022 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 150 Escherichia coli Escherichia coli - Pampulha Escherichia coli (NMP/ 100mL) Escherichia coli (NMP/ 100mL) Escherichia coli - Pampulha 2400 2250 2100 1950 1800 1650 1500 1350 1200 1050 900 750 600 450 300 150 0 CER P1_EC MET P4_EC o Median 25%-75% Min-Max 2400 2250 2100 1950 1800 1650 1500 1350 1200 1050 900 750 600 450 300 150 0 CER P3_EC MET P6_EC o Telha/ N ponto de coleta Telha/ N ponto de coleta Figura 9.21 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 9.22 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha p= 0,0015 p= 0,0117 Escherichia coli - Centro Escherichia coli (NMP/ 100mL) Escherichia coli (NMP/ 100mL) Escherichia coli - Centro 2400 2250 2100 1950 1800 1650 1500 1350 1200 1050 900 750 600 450 300 150 0 CER P7_EC METP10_EC Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Median 25%-75% Min-Max 2400 2250 2100 1950 1800 1650 1500 1350 1200 1050 900 750 600 450 300 150 0 CER P9_EC METP12_EC Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Figura 9.23 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro Figura 9.24 - Comparação entre Escherichia coli presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,0022 p= 0,0022 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 151 Sulfato Sulfato - Pampulha 16 14 14 12 12 10 10 Sulfato (mg/L) Sulfato (mg/L) Sulfato - Pampulha 16 8 6 4 8 6 4 2 2 0 CER P2_S MET P5_S o Median 25%-75% Min-Max 0 CER P3_S MET P6_S o Telha/ N ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Telha/ N ponto de coleta Figura 9.25 - Comparação entre sulfato presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 9.26 - Comparação entre sulfato presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha p= 0,8927 Sulfato - Centro 16 16 14 14 12 12 Sulfato (mg/L) Sulfato (mg/L) Sulfato - Centro 10 8 10 8 6 6 4 4 2 2 CER P8_S METP11_S Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max 0 CER P9_S METP12_S Telha/ No ponto de coleta Median 25%-75% Min-Max Figura 9.27 - Comparação entre sulfato presentes na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro Figura 9.28 - Comparação entre sulfato presentes na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,6121 p= 0,4652 OBS: A análise estatística não foi possível de ser realizada para as amostras do terceiro tubo localizados na Pampulha, para o parâmetro sulfato, uma vez que os valores eram, na sua grande maioria, inferiores ao limite de detecção. O teste não conseguiu responder de maneira precisa se haveria diferença entre as superfícies. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 152 Ferro Ferro/ Pampulha Ferro (mg/L) Ferro (mg/L) Ferro/ Pampulha 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 CER P1_F MET P4_F Median 25%-75% Min-Max 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 CER P2_F Telha/ Nº ponto de coleta Figura 9.30 - Comparação entre o ferro presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha p= 0,9594 p= 0,7794 Ferro/ Centro Ferro (mg/L) Ferro (mg/L) Ferro/ Centro CER P7_F METP10_F Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta Figura 9.29 - Comparação entre o ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 MET P5_F Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 CER P8_F METP11_F Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta Figura 9.31 - Comparação entre o ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro Figura 9.32 - Comparação entre o ferro presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,4413 p= 0,5076 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 153 Manganês Manganês/ Pampulha Ferro (mg/L) Ferro (mg/L) Manganês/ Pampulha 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 CER P2_MN MET P5_MN Median 25%-75% Min-Max 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 CER P3_MN MET P6_MN Telha/ Nº ponto de coleta Telha/ Nº ponto de coleta Figura 9.33 - Comparação entre o manganês presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha Figura 9.34 - Comparação entre o manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região Pampulha p= 0,4838 p= 0,9165 Manganês/ Centro Ferro (mg/L) Ferro (mg/L) Manganês/ Centro 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 CER P8_MN METP11_MN Median 25%-75% Min-Max Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 CER P9_MN METP12_MN Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta Figura 9.35 - Comparação entre o manganês presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro Figura 9.36 - Comparação entre o manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro p= 0,5076 p= 0,5940 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 154 Chumbo Chumbo - Pampulha 0,30 0,28 0,28 0,26 0,26 0,24 0,24 0,22 0,22 0,20 Chumbo (mg/L) Chumbo (mg/L) Chumbo - Pampulha 0,30 0,18 0,16 0,14 0,12 0,20 0,18 0,16 0,14 0,12 0,10 0,10 0,08 0,08 0,06 0,06 0,04 0,04 0,02 0,02 0,00 CER P2_PB MET P5_PB Median 25%-75% Min-Max CER P3_PB MET P6_PB Telha/ Nº ponto de coleta Telha/ Nº ponto de coleta Figura 9.37 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Figura 9.38 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região da Pampulha Chumbo - Centro Chumbo - Centro 0,30 0,30 0,28 0,28 0,26 0,26 0,24 0,24 0,22 0,22 0,20 0,20 Chumbo (mg/L) Chumbo (mg/L) Median 25%-75% Min-Max 0,18 0,16 0,14 0,12 0,18 0,16 0,14 0,12 0,10 0,10 0,08 0,08 0,06 0,06 0,04 0,04 0,02 0,02 0,00 CER P8_PB METP11_PB Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta Figura 9.39 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro CER P9_PB METP12_PB Median 25%-75% Min-Max Telha/ Nº ponto de coleta Figura 9.40 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: telhas cerâmica e metálica, região do Centro OBS: A análise estatística não foi possível de ser realizada para todas as amostras, para o parâmetro chumbo, uma vez que os valores eram, na sua grande maioria, inferiores ao limite de detecção. O teste não conseguiu responder de maneira precisa se haveria diferença entre as superfícies. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 155 9.1.2. Comparação entre duas regiões considerando um mesmo ponto de coleta pH 30 Ponto de coleta - Telha cerâmica pH pH 20 Ponto de coleta - Telha cerâmica 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 2 8 Median 25%-75% Min-Max 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 3 Pontos Figura 9.42 - Comparação entre o pH presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica p= 0,0291 p= 0,1170 20 Ponto de coleta - Telha metálica 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 30 Ponto de coleta - Telha metálica pH pH Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.41 - Comparação entre o pH presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica 5 9 11 Median 25%-75% Min-Max Pontos 10,0 9,8 9,6 9,4 9,2 9,0 8,8 8,6 8,4 8,2 8,0 7,8 7,6 7,4 7,2 7,0 6,8 6,6 6,4 6 12 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.43 - Comparação entre o pH presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica Figura 9.44 - Comparação entre o pH presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,3857 p= 0,3154 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 156 Turbidez 20 Ponto de coleta - Telha cerâmica Turbidez (uT) Turbidez (uT) 10 Ponto de coleta - Telha cerâmica 330 315 300 285 270 255 240 225 210 195 180 165 150 135 120 105 90 75 60 45 30 15 0 1 7 Median 25%-75% Min-Max 330 315 300 285 270 255 240 225 210 195 180 165 150 135 120 105 90 75 60 45 30 15 0 2 Pontos Figura 9.46 - Comparação entre a turbidez presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica p= 0,9729 p= 0,4654 10 Ponto de coleta - Telha metálica 330 315 300 285 270 255 240 225 210 195 180 165 150 135 120 105 90 75 60 45 30 15 0 20 Ponto de coleta - Telha metálica Turbidez (uT) Turbidez (uT) Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.45 - Comparação entre a turbidez presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica 4 8 10 Median 25%-75% Min-Max Pontos 330 315 300 285 270 255 240 225 210 195 180 165 150 135 120 105 90 75 60 45 30 15 0 5 11 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.47 - Comparação entre a turbidez presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica Figura 9.48 - Comparação entre a turbidez presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,2594 p= 0,3057 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 157 Cor aparente 20 Ponto de coleta - Telha cerâmica Cor aparente (uH) Cor aparente (uH) 10 Ponto de coleta - Telha cerâmica 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 1 Median 25%-75% Min-Max 7 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 2 Pontos Figura 9.50 - Comparação entre cor aparente presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica p= 0,9188 p= 0,5400 10 Ponto de coleta - Telha metálica 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 20 Ponto de coleta - Telha metálica Cor aparente (uH) Cor aparente (uH) Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.49 - Comparação entre cor aparente presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica 4 8 10 Median 25%-75% Min-Max Pontos 690 660 630 600 570 540 510 480 450 420 390 360 330 300 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 5 11 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.51 - Comparação entre cor aparente presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica Figura 9.52 - Comparação entre cor aparente presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,2594 p= 0,2181 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 158 Alcalinidade 10 Ponto de coleta - Telha cerâmica 30 Ponto de coleta - Telha cerâmica 65 65 60 60 55 Alcalinidade (mgCaCO3/L) Alcalinidade (mgCaCO3/L) 55 50 45 40 35 30 25 20 50 45 40 35 30 25 20 15 15 10 10 5 5 0 1 7 Median 25%-75% Min-Max 0 3 Pontos Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.53 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 9.54 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica p= 0,1388 p= 0,3823 10 Ponto de coleta - Telha metálica 30 Ponto de coleta - Telha metálica 65 65 60 60 55 55 50 50 Alcalinidade (mgCaCO3/L) Alcalinidade (mgCaCO3/L) 9 45 40 35 30 25 20 15 45 40 35 30 25 20 15 10 10 5 5 0 4 10 Median 25%-75% Min-Max Pontos 0 6 12 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.55 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica Figura 9.56 - Comparação entre a alcalinidade presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,1672 p= 0,0499 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 159 Coliforme totais 30 Ponto de coleta - Telha cerâmica 2600 2400 2400 2200 2200 Coliformes totais (NMP em 100 mL) Coliformes totais (NMP em 100 mL) 10 Ponto de coleta - Telha cerâmica 2600 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 1 7 Median 25%-75% Min-Max 0 3 Pontos Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.57 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 9.58 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica p= 0,0457 p= 0,0825 10 Ponto de coleta - Telha metálica 30 Ponto de coleta - Telha metálica 2600 2600 2400 2400 2200 2200 Coliformes totais (NMP em 100 mL) Coliformes totais (NMP em 100 mL) 9 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 200 0 4 10 Median 25%-75% Min-Max Pontos 0 6 12 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.59 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica Figura 9.60 - Comparação entre coliformes totais presentes na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,2701 p= 0,8960 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 160 Escherichia coli 30 Ponto de coleta - Telha cerâmica 2400 2250 2100 2100 Escherichia coli (NMP em 100 mL) Escherichia coli (NMP em 100 mL) 10 Ponto de coleta - Telha cerâmica 2400 2250 1950 1800 1650 1500 1350 1200 1050 900 750 600 450 300 150 0 1 7 1950 1800 1650 1500 1350 1200 1050 900 750 600 450 300 150 Median 25%-75% Min-Max 0 3 Pontos Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.61 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 9.62 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica p= 0,4310 p= 0,7689 10 Ponto de coleta - Telha metálica 30 Ponto de coleta - Telha metálica 2400 2400 2250 2100 1950 Escherichia coli (NMP em 100 mL) Escherichia coli (NMP em 100 mL) 9 1800 1650 1500 1350 1200 1050 900 750 600 450 2250 2100 1950 1800 1650 1500 1350 1200 1050 900 750 600 450 300 300 150 0 4 10 Median 25%-75% Min-Max Pontos 150 0 6 12 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.63 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica Figura 9.64 - Comparação entre Escherichia coli presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,8100 p= 0,2373 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 161 Sulfato 3º Ponto de coleta - Telha cerâmica 16 14 14 12 12 10 10 Sulfato (mg/L) Sulfato (mg/L) 2º Ponto de coleta - Telha cerâmica 16 8 6 8 6 4 4 2 2 0 2 8 Median 25%-75% Min-Max 3 9 Pontos Pontos Figura 9.65 - Comparação entre sulfato presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 9.66 - Comparação entre sulfato presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica p= 0,5490 p= 0,2475 2º Ponto de coleta - Telha metálica 3º Ponto de coleta - Telha metálica 16 16 14 14 12 12 10 10 Sulfato (mg/L) Sulfato (mg/L) Median 25%-75% Min-Max 0 8 6 4 8 6 4 2 2 0 5 11 Median 25%-75% Min-Max Pontos 0 6 12 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.67 - Comparação entre sulfato presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica Figura 9.68 - Comparação entre sulfato presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,7959 p= 0,2775 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 162 Ferro 2º Ponto de coleta - Telha cerâmica Ferro (mg/L) Ferro (mg/L) 1º Ponto de coleta - Telha cerâmica 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 1 7 Median 25%-75% Min-Max 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 2 Pontos Figura 9.70 - Comparação entre ferro presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica p= 1,0000 p= 0,2743 1º Ponto de coleta - Telha metálica 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 2º Ponto de coleta - Telha metálica Ferro (mg/L) Ferro (mg/L) Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.69 - Comparação entre ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica 4 8 10 Median 25%-75% Min-Max Pontos 15,0 14,4 13,8 13,2 12,6 12,0 11,4 10,8 10,2 9,6 9,0 8,4 7,8 7,2 6,6 6,0 5,4 4,8 4,2 3,6 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 0,0 5 11 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.71 - Comparação entre ferro presente na água do primeiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica Figura 9.72 - Comparação entre ferro presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,4470 p= 0,0680 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 163 Manganês 3º Ponto de coleta - Telha cerâmica Manganês (mg/L) Manganês (mg/L) 2º Ponto de coleta - Telha cerâmica 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 2 8 Median 25%-75% Min-Max 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 3 Pontos Figura 9.74 - Comparação entre manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica p= 0,1011 p= 0,0434 2º Ponto de coleta - Telha metálica 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 3º Ponto de coleta - Telha metálica Manganês (mg/L) Manganês (mg/L) Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.73 - Comparação entre manganês presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica 5 9 11 Median 25%-75% Min-Max Pontos 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 6 12 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.75 - Comparação entre manganês presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica Figura 9.76 - Comparação entre manganês presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,0343 p= 0,1220 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 164 Chumbo 3º Ponto de coleta - Telha cerâmica 0,30 0,28 0,28 0,26 0,26 0,24 0,24 0,22 0,22 0,20 0,20 Chumbo (mg/L) Chumbo (mg/L) 2º Ponto de coleta - Telha cerâmica 0,30 0,18 0,16 0,14 0,12 0,18 0,16 0,14 0,12 0,10 0,10 0,08 0,08 0,06 0,06 0,04 0,04 0,02 0,00 2 8 0,02 Median 25%-75% Min-Max 0,00 3 Pontos Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.77 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica Figura 9.78 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha cerâmica p= 0,6965 p= 0,9622 2º Ponto de coleta - Telha metálica 3º Ponto de coleta - Telha metálica 0,30 0,30 0,28 0,28 0,26 0,26 0,24 0,24 0,22 0,22 0,20 0,20 Chumbo (mg/L) Chumbo (mg/L) 9 0,18 0,16 0,14 0,12 0,18 0,16 0,14 0,12 0,10 0,10 0,08 0,08 0,06 0,06 0,04 0,04 0,02 0,00 5 11 Median 25%-75% Min-Max Pontos 0,02 0,00 6 12 Median 25%-75% Min-Max Pontos Figura 9.79 - Comparação entre o chumbo presente na água do segundo tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica Figura 9.80 - Comparação entre o chumbo presente na água do terceiro tubo de coleta: Pampulha e Centro, telha metálica p= 0,7618 p= 0,7618 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 165 9.2. Apêndice B – Precipitação medida pelo pluviômetro, tipo cunha, implantado nas duas regiões de estudo, Pampulha e Centro Regiões Datas 06/08/2008 16/09/2008 17/09/2008 26/09/2008 17/10/2008 31/10/2008 06/11/2008 10/11/2008 13/11/2008 30/11/2008 12/12/2008 14/12/2008 15/12/2008 17/12/2008 18/12/2008 18/01/2009 20/01/2009 22/01/2009 27/01/2009 Centro Pampulha 14,0 12,0 27,5 16,0 40,0 9,0 12,0 37,5 38,0 54,0 102,0 23,0 17,5 50,0 31,0 25,0 23,0 12,0 17,5 9,5 12,5 19,0 14,0 12,0 10,0 22,5 28,0 15,0 50,0 55,0 20,0 32,5 10,0 20,0 18,0 7,0 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 166 9.3. Apêndice C – Resultados da primeira etapa da pesquisa quantitativa – máximos e mínimos Pontos de coleta Pampulha Parâmetros pH Turbidez (uT) máx mín máx mín Telha cerâmica 1 2 3 8,2 8,1 8,2 7,6 7,7 7,9 26,0 24,5 20,1 20,1 5,0 3,8 VMP VMP Portari NBR a 518 15.527 MS Centro Telha metálica 4 5 6 8,2 8,5 8,2 7,3 7,4 7,8 23,9 10,0 4,9 14,2 5,4 4,5 Telha cerâmica 7 8 9 8,4 8,5 8,4 7,2 7,1 7,3 21,4 12,7 10,1 15,8 5,8 3,9 Telha metálica 10 11 7,9 8,0 7,4 7,5 33,5 20,4 11,9 6,2 12 8,1 7,4 7,1 5,5 Cor aparente (uH) máx 52 39 26 67 44 14 72 46 35 84 60 49 mín 18 12 3 3 3 4 25 18 22 8 6 9 Alcalinidade (mgCaCO3/L) máx 20,4 13,7 8,8 19,5 13,7 12,7 15,6 14,6 13,2 11,8 11,8 22,4 mín 4,1 6,1 6,1 5,1 5,1 5,1 11,2 8,6 8,1 9,2 8,1 8,1 Dureza (mgCaCO3/L) máx 47 19 18 45 22 25 76 43 34 55 38 31 mín máx mín máx mín máx mín 5 9,47 0,13 0,23 0,00 0,02 0,02 5 3,66 0,00 0,05 0,00 0,03 0,02 6 0,47 0,00 0,02 0,00 0,02 0,02 6 8,17 0,08 0,18 0,00 0,02 0,02 10 3,24 0,12 0,04 0,00 0,02 0,02 5 0,82 0,00 0,04 0,00 0,02 0,02 11 7,92 0,50 0,45 0,06 0,12 0,02 9 1,32 0,30 0,12 0,03 0,02 0,02 5 1,85 0,10 0,07 0,02 0,02 0,02 11 15,92 0,61 0,57 0,05 0,14 0,02 10 3,49 0,15 0,20 0,00 0,02 0,02 8 0,64 0,00 0,06 0,02 0,05 0,02 Ferro (mg/L) Manganês (mg/L) Chumbo (mg/L) Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG Entre 6,0 e 9,5 Entre 6,0 e 8,0 5,0 5,0 15 15 - - 500 - 0,30 - 0,10 - 0,01 - 167 9.4. Apêndice D – Protocolo para coleta de dados Data da entrevista: ___________________ Sexo do entrevistado: __ Feminino __ Masculino Idade do entrevistado: ___________________ Escolaridade do entrevistado: ___________________ Profissão do entrevistado: ___________________ Perguntas: 1) Quando você vê que está chovendo ou imagina que está chovendo, você pensa em quê? 2) Você acha que a água de chuva é suja, limpa ou mais ou menos? 3) Você acha que a água de chuva poderia ser utilizada para alguma finalidade? 4) Para quais finalidades? 5) Você utilizaria essa água para atividades domésticas? Quais? 6) Existem algumas pessoas que captam água de chuva de casa para utilizar em algumas atividades, qual a sua opinião sobre isso? 7) Você faria captação de água de chuva na sua casa? 8) Por que você acha que as pessoas não aproveitam água de chuva em suas casas? 9) Se você tivesse um incentivo financeiro por parte de algum órgão ou entidade isso iria contribuir para você adotar a captação de água de chuva? 10) Você acredita que economizaria na conta de água se utilizasse água de chuva em algumas atividades domésticas? Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 168 11) Você tem noção de quanto iria economizar na conta de água potável se utilizasse água de chuva em algumas atividades domésticas? 12) Você sabe quanto é o investimento para implantar o sistema de captação de água de chuva? 13) Você tem noção do tempo de retorno do investimento, considerando a economia na conta de água? 14) Se você soubesse que, ao aproveitar água de chuva, você economizaria na sua conta de água, isso faria com que você realizasse a captação sem incentivos? 15) Quais as vantagens de se captar água de chuva e utilizá-la para o dia-a-dia? 16) Você acha que teria algum “trabalho” adicional ao captar água de chuva? Isso seria um impedimento ou empecilho para você utilizá-la Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 169 9.5. Apêndice E – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Eu, Manuelle Prado Cardoso, aluna do mestrado pelo Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais, estou desenvolvendo uma pesquisa com o título “Viabilidade social e técnica do aproveitamento de água de chuva em zonas urbanas: estudo de caso no município de Belo Horizonte” que tem como objetivo investigar a percepção dos moradores de Belo Horizonte em relação ao aproveitamento de água de chuva para fins não nobres. A pesquisa busca identificar pontos-chave que possam ajudar na conscientização da população quanto a esse aproveitamento. Você participará da pesquisa através de uma entrevista. Esclareço que sua participação é totalmente livre e em qualquer momento você poderá desistir de participar. Será mantido sigilo das informações e garantido seu anonimato, tendo em vista que você não será identificado pelo nome, além disso, você não possuirá ônus de natureza alguma. Você não correrá risco algum. Todas as informações ficarão sob a minha responsabilidade e a do Professor Valter Pádua e serão utilizadas para fins científicos. Fica registrado, também, que sempre que julgar necessário, você terá o direito de esclarecer qualquer dúvida a respeito da pesquisa. Dessa maneira, solicito sua autorização para participação na pesquisa. Atenciosamente, Manuelle Prado Cardoso TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO Diante dos esclarecimentos acima, eu, __________________________________________, concordo em participar do estudo “Viabilidade social e técnica do aproveitamento de água de chuva em zonas urbanas: estudo de caso no município de Belo Horizonte”. Assinatura do participante: ____________________________________________________ Assinatura do responsável: ___________________________________________________ Data: ______/______/______ Nome dos pesquisadores: Manuelle Prado Cardoso Valter Lúcio de Pádua Endereço de contato com os pesquisadores: Av. Do Contorno, 842, 7º andar – Sala 713 Centro - Belo Horizonte/MG – CEP 30110-002 Telefones para contato com os pesquisadores: (31) 3409-1883 ou (31) 3441-1053 Comitê de Ética da UFMG: Endereço de contato com Comitê de Ética: Av. Antônio Carlos, 6627, Unidade Administrativa II, 2º andar – sala 2005 - Campus, Pampulha, Belo Horizonte/MG – CEP 31270-901 Telefone para contato com o Comitê de Ética: (31) 3409-4592 170 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG ANEXO Carta de aprovação da pesquisa pelo COEP/ UFMG Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 171