UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL Missão: “Formar Profissionais capacitados, socialmente responsáveis e aptos a promoverem as transformações futuras” RECUPERAÇÃO DE BRITAS CONTAMINADAS POR ÓLEO MINERAL NA SUBESTAÇÃO DA ELETROBRÁS FURNAS EM FOZ DO IGUAÇU-PR JOSÉ LUIZ GONÇALVES DA SILVEIRA FOZ DO IGUAÇU – PR 2011 I JOSÉ LUIZ GONÇALVES DA SILVEIRA RECUPERAÇÃO DE BRITAS CONTAMINADAS POR ÓLEO MINERAL NA SUBESTAÇÃO DA ELETROBRÁS FURNAS EM FOZ DO IGUAÇU-PR Trabalho Final de Graduação apresentado à banca examinadora da Faculdade Dinâmica das Cataratas (UDC), como requisito para obtenção do grau de Engenheiro Ambiental. Prof. Orientador: Ms. Rodrigo A. Z. Pelissari Profª. Co-orientadora: Laurindo FOZ DO IGUAÇU – PR 2011 Ms. Marlene II TERMO DE APROVAÇÃO UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS RECUPERAÇÃO DE BRITAS CONTAMINADAS POR ÓLEO MINERAL NA SUBESTAÇÃO DA ELETROBRÁS FURNAS EM FOZ DO IGUAÇU-PR TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE BACHAREL EM ENGENHARIA AMBIENTAL Acadêmico: José Luiz Gonçalves da Silveira Orientador: Prof. Ms. Rodrigo A. Z. Pelissari Nota Final Banca Examinadora: Prof. Ms. André Luiz da Silva Prof. Ms. Márcia Helena Beck Foz do Iguaçu, de 2011. III DEDICATÓRIA A minha esposa e amiga, pela vida que construímos juntos, esta é mais uma etapa conquistada que podemos compartilhar. IV AGRADECIMENTOS A minha esposa Alda, aos filhos Felipe e Murilo pelo estímulo e apoio depositado a mim durante esses anos do curso. Aos Prof. Ms Rodrigo e Ms Marlene, não apenas pela orientação, mas pelo tempo e paciência a mim dedicados. As minhas novas amizades, principalmente aos colegas Jocinei e Paulo pelas horas de estudos que partilhamos. A Eletrobrás Furnas pela oportunidade de realização deste trabalho na Subestação de Foz do Iguaçu. V EPIGRAFE “É preciso entender que nós não herdamos as terras de nossos pais, mas as tomamos emprestadas de nossos filhos” Provérbio Amish VI SILVEIRA, José Luiz Gonçalves. RECUPERAÇÃO DE BRITAS CONTAMINADAS POR ÓLEO MINERAL DE SUBESTAÇÃO DA ELETROBRÁS FURNAS EM FOZ DO IGUAÇU - PR. Foz do Iguaçu, 2011. Trabalho Final de Graduação - Faculdade Dinâmica das Cataratas. RESUMO Na transformação de energia elétrica em subestações, são utilizados transformadores que utilizam como isolante o óleo mineral isolante. Este óleo pode ser um grande passivo ambiental em acidentes se não forem tomadas as corretas medidas de prevenção e contenção. Este estudo foi desenvolvido na Subestação da Eletrobrás Furnas em Foz do Iguaçu – PR. Avaliou a descontaminação das britas através da biodegradação, e procurou identificar os microrganismos biodegradadores presentes neste ambiente. Efetuou-se coleta de amostras no local onde foram armazenadas as britas já contaminadas por óleo mineral. As amostras foram enriquecidas em meio mineral de Bushnell Hass por 21 dias. Avaliou-se a morfologia das cepas dos microrganismos e identificou-se os principais gêneros. No experimento in-situ, construiu-se quatro caixas experimentais de 1m² com 15 cm de profundidade contendo britas contaminadas com óleo mineral. As espécies degradadoras encontradas incluíram fungos como a Rhodoturula, Mucor e levedura, porém não foram encontradas bactérias degradadoras. O acompanhamento da biodegradação nas caixas foi avaliado através de análises de óleos e graxas. Na caixa experimental 1 observou-se a biodegradação natural, na caixa experimental 2 avaliou-se a biodegradação estimulada com adição de uréia e nas caixas experimentais 3 e 4 através da adição de PRP (Petroleum Remediation Product) como bioestimulador. A biodegradação sem estimulação apresentou bons resultados, chegando a 65,9% em 82 dias, um tempo maior que com o uso de bioestimulantes. A utilização de uréia como bioestimulante também apresentou boa remoção, de 80,9% em 82 dias, porém o uso de PRP demonstrou maior eficiência em menor tempo atingindo 57,4% em 26 dias. Palavras-Chave: Biodegradação, Cepas, Passivo Ambiental VII SILVEIRA, José Luiz Gonçalves. RECOVERY OF CONTAMINATED GRAVEL BY MINERAL OIL IN ELETROBRAS FURNAS SUBSTATION IN FOZ DO IGUAÇU PR. Foz do Iguaçu, 2011. Graduation Final Work - Faculdade Dinâmica das Cataratas. ABSTRACT In the transformation of electric power in substations, transformers are used and insulated using mineral insulating oil. This oil can be a major environmental liability in accidents if it is not taken proper measures for the prevention and containment. This study was conducted in Eletrobrás Furnas Substation in Foz do Iguaçu - PR. It was evaluated the decontamination of gravel through biodegradation, and sought to identify the degrading microorganisms in this environment. It was conducted the sampling at the site where the conataminated gravel by mineral oil has been stored. The samples were enriched in Bushnell Hass mineral medium for 21 days. It was evaluated the morphology from strains of microorganisms and identified the main genres. In the in-situ experiment, it was constructed four experimental boxes of 1m ² with 15 cm deep containing gravel contaminated with mineral oil. The degrading species found included fungi as Rhodoturula, Mucor and yeast, but not degrading bacterias were found. The monitoring of biodegradation in the boxes was evaluated through analysis of oils and greases. In the first experiment it was observed the natural biodegradation, in box 2 evaluated the biodegradation stimulated by addition of urea and in the experimental boxes 3 and 4, by the addition of PRP (Petroleum Remediation Product) as biostimulator. The biodegradation without stimulation showed good results, reaching 65.9% in 82 days, a longer time than with the use of biostimulants. The use of urea as a plant growth regulator also showed a good removal 80.9% in 82 days, but the use of PRP showed greater efficiency in less time, reaching 57.4% in 26 days. Keywords:. Biodegradation, Strain, Environmental Liabilities VIII LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Transformador de Potência em Operação ............................................... 12 Figura 2 - Tipos de hidrocarbonetos presentes no óleo mineral ............................... 14 Figura 3 - Caixa de Contenção de Óleo .................................................................... 16 Figura 4 - Esquema da ação de microrganismos na biorremediação ....................... 19 Figura 5 - Foto aérea da Subestação de Foz do Iguaçu ........................................... 26 Figura 6 - Caixa receptora de britas contaminadas por óleo mineral isolante com as caixas experimentais para avaliação da biodegradação por microrganismos ........... 28 Figura 7 – Quarteamento das britas para realização das análises............................ 32 Figura 8 - Precipitação e Temperatura nos meses de Agosto, Setembro e Outubro 33 Figura 9 - Tubos mostrando degradação do meio..................................................... 34 IX LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Gêneros de bactérias utilizadas para degradação de hidrocarbonetos ... 22 Tabela 2 - Gêneros de fungos isolados do solo, mais usados, com habilidade de degradar hidrocarbonetos ......................................................................................... 23 Tabela 3 - Características da Subestação de Transmissão de Foz do Iguaçu/PR.... 27 Tabela 4 - Dias de Coletas nas Caixas Experimentais .............................................. 32 Tabela 5 - Morfotipos encontrados e suas características ........................................ 34 Tabela 6 - Ensaios de Óleos e Graxas as caixas experimentais 1, 2, 3 e 4 com adição de bioestimulantes – com as porcentagens de remoção a cada coleta. ........ 35 X SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 11 2 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................... 12 2.1 TRANSFORMADORES DE ENERGIA ELÉTRICA .......................................... 12 2.2 ÓLEO ISOLANTE MINERAL ............................................................................ 13 2.2.1 Impacto Ambiental por Óleo Mineral no Solo e Água ............................. 15 2.2.2 Vazamento e contenção do óleo mineral isolante ................................... 16 2.3 BIORREMEDIAÇÃO ......................................................................................... 17 2.3.1 Bioestimulação ........................................................................................... 19 2.3.1.1 Petroleum Remediation Product ............................................................... 20 2.3.2 Biorremediação “In-Situ” ........................................................................... 21 2.3.3 Microrganismos Degradadores ................................................................. 22 2.3.3.1 Bactérias .................................................................................................. 22 2.3.3.2 Fungos ..................................................................................................... 23 2.4 ISOLAMENTO DE MICRORGANISMOS.......................................................... 24 2.4.1 Técnica de Enriquecimento ....................................................................... 24 2.5 ÓLEOS E GRAXAS .......................................................................................... 25 3 MATERIAL E MÉTODOS ..................................................................................... 26 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO .................................................. 26 3.2 ÁREA EXPERIMENTAL ................................................................................... 27 3.3 ANALISE MICROBIOLÓGICA .......................................................................... 28 3.3.1 Coleta das amostras para identificação dos microrganismos ............... 28 3.3.2 Enriquecimento........................................................................................... 29 3.3.3 Caracterização da microbiota .................................................................... 29 3.3.4 Identificação e isolamento das cepas dos microrganismos .................. 30 3.3.5 Teste de biodegradação............................................................................. 30 3.4 EXPERIMENTOS “IN SITU” ............................................................................. 31 3.4.1 Amostragem das britas contaminadas ..................................................... 32 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................ 33 4.1 CONDIÇÕES DO TEMPO ................................................................................ 33 4.2 IDENTIFICAÇÃO DOS MICRORGANISMOS................................................... 33 4.3 ANÁLISE DE ÓLEOS E GRAXAS .................................................................... 35 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 37 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 38 11 1 INTRODUÇÃO O fator ambiental passa a ser determinante no contexto de desenvolvimento nas empresas que devem implantar procedimentos e normas adequadas ao bom trato com as questões que envolvam desperdício e geração de resíduos. Nas estações de transmissão de energia elétrica existem equipamentos que utilizam grandes quantidades de óleo mineral para aumentar a rigidez dielétrica da isolação. Eventualmente ocorrem falhas nesses equipamentos que provocam o derramamento desse óleo. A fim de evitar maiores desastres decorridos do derramamento desse produto, são construídas caixas de contenção cobertas com pedra brita. No entanto, apesar da intencionalidade de minimização dos danos ambientais, quando ocorre um acidente que há vazamento de óleo, o material em contato com esse fluido torna-se um passivo ambiental, necessitando, portanto de um tratamento. Assim, surge a necessidade de descontaminação das pedras britas, que além de vir de encontro a Política Nacional de Resíduos, onde a empresa possui total responsabilidade por aquilo que é gerado nos seus processos, pode também trazer compensações econômicas, já que o descarte do resíduo contaminado possui um alto custo. Dentre os modelos e técnicas de descontaminação, existe a biorremediação, que utiliza microrganismos nativos do local contaminado que degradam os resíduos oleosos. Sendo assim, o objetivo do estudo é avaliar uma metodologia alternativa, por meio de um protótipo, visando a limpeza de brita contaminada com óleo mineral isolante proveniente de acidentes com equipamentos elétricos utilizados na subestação da Eletrobrás Furnas de Foz do Iguaçu/PR. O estudo foi composto de identificação dos microrganismos degradadores e comparação do potencial de degradação em britas contaminadas com óleo mineral com a utilização de diferentes bioestimuladores. 12 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 TRANSFORMADORES DE ENERGIA ELÉTRICA Para transformação de energia elétrica são utilizados os transformadores, que são dispositivos simples, constituídos por dois ou mais circuitos elétricos acoplados por um circuito magnético comum. Executam funções como para casar as impedâncias entre sua fonte e sua carga, obter a máxima transferência de potência, isolar um circuito de outro, ou isolar a corrente contínua mantendo a continuidade CA1 entre dois circuitos (FITZGERALD et al., 2003). Nas subestações, o transformador de potência é sem dúvida o equipamento mais importante (ARAUJO et al., 2007). A Figura 1 mostra um transformador de potência em uma subestação Figura 1 – Transformador de Potência em Operação Fonte: Thomaz et al., 2005 Existem diversos tipos de transformadores, e na maioria, utilizam um líquido como isolante. Alguns produtos químicos são utilizados como óleo mineral isolante, o silicone, o ascarel e recentemente o óleo vegetal, sendo que este último ainda está em estudo (GOMES, 2006). 1 Corrente Alternada 13 Nos transformadores de potência, a construção envolve normalmente, como principais partes, uma isolação sólida de papel celulósico e isolação líquida de óleo mineral (ARAUJO et al., 2006; BATISTA, 2005). 2.2 ÓLEO ISOLANTE MINERAL Esse equipamentos material elétricos vem e sendo como utilizado refrigerante como fluidos térmico, isolantes em principalmente em transformadores (GOMES, 2006). Dentro de um transformador, o óleo isolante tem a função de garantir o isolamente elétrico entre suas partes energizadas e a de permitir a refrigeração interna destas partes através da transferência de calor (ARANTES, 2005). O óleo mineral isolante é constituído de uma mistura de hidrocarbonetos em sua maioria, e de não-hidrocarbonetos, também chamados de heterocompostos, em pequena proporção (MILASCH, 1984). Sua produção inicia-se com a destilação do petróleo bruto separando-se uma fração de 20 cSt de viscosidade. Esta fração é então refinada removendo-se os compostos não hidrocarbônicos por processos químicos e, em seguida, removendose compostos ácidos e insaturados por meio de agentes adsorventes, hidrogenação catalítica ou extração por solventes (UHREN, 2007). O óleo é uma mistura na qual a maioria das moléculas é constituída basicamente por carbono e hidrogênio, e em pequenas quantidades, por compostos que apresentam nitrogênio, enxofre e oxigênio. Os hidrocarbonetos podem ser divididos em parafínicos, naftenicos ou aromáticos, conforme demonstrado na Figuras 2, respectivamente (PAIXAO, 2006). Assim, por ser constituído quase exclusivamente por hidrocarbonetos, as propriedades do produto quando em operação, irão seguir as desta classe de compostos químicos (UHREN, 2007). 14 Figura 2 - Tipos de hidrocarbonetos presentes no óleo mineral Fonte: Paixao, 2006 Segundo Nogueira & Alves (2009) podem existir materiais isolantes com propriedades dielétricas e térmicas superiores ao óleo mineral, porém, um material que combine tudo isso com uma relação custo benefício melhor que o óleo mineral ainda não existe. Embora seja um produto de muita eficiência e usado em larga escala no setor elétrico, é um passivo ambiental grande se derramado no meio ambiente, provoca impactos nos recursos hídricos e solo devido sua baixa biodegradação (THOMAZ et al., 2005). 15 2.2.1 Impacto Ambiental por Óleo Mineral no Solo e Água A preocupação relacionada ao potencial de contaminação dos solos e recursos hídricos, em virtude dos acidentes com óleo cresce em função do número de casos. São cada vez maiores os números de distribuidoras de combustíveis, transportes e equipamentos que utilizam o óleo como fontes de energias e outras aplicações como isolação e controle de temperaturas em equipamentos (MARIANO, 2006). Para Tulio (2008), a ocorrência de acidentes com equipamentos elétricos utilizando o óleo mineral como dielétrico, pode gerar incêndios, vazamentos ou derramamentos acarretando impactos que refletem no solo, ar e recursos hídricos devidos sua baixa degradabilidade. (TULIO, 2008) A probabilidade de ocorrer sinistros com explosão e vazamento de óleo em subestações é relativamente pequena. Assim, a contenção de vazamentos em subestações são matérias que merecem atenção em qualquer instalação que utilize óleo isolante, face ao impacto ambiental causado por esse componente dos transformadores (NOGUEIRA & ALVES, 2009). No entanto, no ano de 2004, a explosão e um incêndio de um transformador de energia de Furnas, no munícipio de Manoel Ribas, provocou o vazamento de óleo mineral para o córrego Rio Azul, causando um grave dano ambiental (PARANÁ, 2004). Nos ambientes aquáticos, as ações naturais tendem a reduzir a gravidade do derramamento de óleo e acelerar a recuperação da área. No entanto, essas ações naturais podem ser diferentes em ambientes de água doce do que nos marinhos, sendo mais severo nas águas doces, pois o movimento da água tende ser a menor (EPA, 1999). No solo, o óleo descartado ou derramado, pode infiltrar no subsolo contaminando as águas subterrâneas (CARPENEDO et al., 2007), ou ainda penetrar verticalmente buscando a zona não saturada, preenchendo os vazios capilares e desta forma ocupando espaços que adequadamente seriam preenchidos pela água (MARIANO, 2006). Uma das formas de tratamento de solos contaminados é a biorremediação, um método baseado na utilização de microrganismos para a 16 degradação de compostos, resultando na sua transformação em metabólitos ou na sua mineralização (NAKAGAWA & ANDRÉA, 2006). 2.2.2 Vazamento e contenção do óleo mineral isolante Em subestações, os transformadores são normalmente localizados em área aberta, e posicionados sobre bacias de contenção de águas pluviais e de sprinkles , recobertos por brita (MANCUSO & MANFREDINI, 2005). Segundo a ABNT (2005), a bacia de contenção é constituída de grelha, duto de coleta e dreno, preenchido com pedra britada, com a finalidade de coletar vazamentos de óleo isolante. (ABNT, 2005) Tais bacias devem conter um sistema que drene o fluido para uma caixa separadora de água e óleo isolante (GOIAS, 2007). A Figura 3 mostra um exemplo de caixa de contenção de óleo em uma subestação de energia elétrica Figura 3 - Caixa de Contenção de Óleo Fonte: Queiroz, 2011 (QUEIROZ, 2011) 17 2.3 BIORREMEDIAÇÃO Solos tratados por vazamentos de petróleo ou por seus derivados podem ser tratados por diversos processos biológicos, físicos, químicos físico-quimicos ou térmicos (SEABRA, 2008). O tratamento biológico consiste na degradação de matéria orgânica por microrganismos específicos, encontrados naturalmente nos ambientes contaminados. É uma tecnologia que tem se desenvolvido muito nos últimos anos, empresas de biotecnologia desenvolvem linhagens melhores de microrganismos capazes de lidar com poluentes específicos (BAIRD, 2002). A biorremediação é uma forma efetiva de eliminação de poluente, e em alguns casos, é a única maneira prática de executá-la (MADIGAN et al., 2010). Segundo Baird, (2002), para que a biorremediação seja efetiva, algumas condições deverão ser atendidas como a disponibilização de microrganismos apropriados para cada resíduo e condições ambientais apropriadas. A concentração de oxigênio é uma variável limitante na degradação de hidrocarbonetos no solo, porém, também tem sido demonstrada em condições de anaerobiose, onde o processo é bem mais lento (PEIXOTO et al., 2008). A NBR 14063 apresenta como meio ideal para os microrganismos o pH controlado entre 6 e 8, temperaturas moderadas com limites de 50ºC e boa aeração para manter o nível de oxigênio quando aeróbico. Para o crescimento microbiológico deve também possuir alguns micronutrientes básicos como nitrogênio, potássio, sódio, enxofre, cálcio, magnésio, ferro, manganês, zinco e cobre (ABNT, 1998). Várias condições devem ser satisfeitas para que a biodegradação aconteça em determinado ambiente, entre elas: a) existência de organismos que possuam as enzimas necessárias para que os processos ocorram; b) que este organismo esteja presente no ambiente que contenha as substâncias a serem biodegradadas; c) a substância deve estar acessível ao organismo que contém estas enzimas (PEIXOTO et al., 2008). Vale ressaltar que vários tipos de microorganismos consorciados possuem uma capacidade maior de degradação do que apenas um tipo único de colônia, que não possui capacidade enzimática de degradação para os compostos orgânicos pela complexidade da mistura (VERECHIA, 2008). 18 São inúmeras as aplicações de microrganismos na biodegradação de poluentes, porém o caso marcante foi a constatação pelos cientistas da biorremediação na degradação de poluentes ocorrida no Alaska no vazamento do petroleiro Exxon Valdez, onde várias bactérias do gênero Pseudomonas passaram a degradar lentamente o óleo derramado em busca de energia e carbono (BAIRD, 2002) A capacidade dos microrganismos em degradar petróleo e derivados, utilizando-os como fonte de energia está comprovada na literatura (SEABRA, 2008). Com a guerra do Golfo em 1991, muitas técnicas foram desenvolvidas a partir de observações naturais da ação microbiótica. O óleo impregnado nas pedras e areia as margens do oceano apresentaram sinais de limpeza pela biodegradação de microrganismos (SAADOUN, 2008). A capacidade dos microrganismos em degradar o óleo está na utilização da energia pela quebra da cadeia de carbono, quebra completa de moléculas orgânicas em massa celular, dióxido de carbono, água e resíduo inorgânico inerte, basta estar em contato direto com os contaminantes e as condições ambientais atenderem as necessidades específicas (SEABRA, 2008). É uma ferramenta muito útil e ambientalmente correta nas recuperações de áreas contaminadas com hidrocarbonetos, basta conhecer as características bioquímicas das populações degradadoras aplicadas aos contaminantes para metabolização dos microrganismos (MELO e AZEVEDO, 2008). Em águas oxigenadas, com temperaturas variando de 20 a 30ºC, bactérias podem oxidar 2g/m² de óleo ao dia (RICHARD e VOGEL, 1999 apud SOUZA et al., 2005). A velocidade de biodegradação dos hidrocarbonetos varia em função do desaparecimento de certos componentes e da mudança da biota presente no sistema (SEABRA, 2008). Um esquema da ação dos microrganismos biorremediação pode ser observado na Figura 4. em processo de 19 Figura 4 - Esquema da ação de microrganismos na biorremediação Fonte: Adaptado de EPA, 2001 (EPA, 2001) De acordo com parâmetros como origem dos microrganismos, adição ou não de nutrientes, a biorremedição pode ser realizada através de três processos: biorremediação intrínseca, bioestimulação e bioaumento (MARIANO, 2006). Com tipo de tratamento as técnicas de biorremediação podem ser classificadas segundo o tratamento e fase utilizada De acordo com o tratamento, as técnicas de biorremediação são denominadas in situ e ex-situ (OLIVEIRA, 2008). 2.3.1 Bioestimulação Apesar da biorremediação de produtos oleosos serem um processo lento, pode ser potencializado através de estímulos pela adição de nutrientes, o que faz aumentar a taxa metabólica dos microorganismos (ATLAS, 1995). A prática é importante quando as condições do ambiente dificultam a atividade microbiótica (PEIXOTO et al., 2008). Para Mariano (2006), a bioestimulação de populações de microrganismos tem por objetivo aumentar as taxas de biodegradação. É um processo de biorremediação através da estimulação de microrganismos nativos encontrados no local contaminado através de adições de nutrientes fosfatados e nitrogenados. 20 Dependendo do ambientae, pode ser necessário correção de pH, aeração e controle de umidade e temperatura para ocorrência de biodegradação (SAADOUN, 2008). A biorremediação de derramamentos de óleo pode ser bastante melhorada quando fornecida as bactérias residentes, um “fertilizante” contendo nitrogênio e fósforo (TORTORA et al., 2005). Quando os ambientes aquáticos ou solos, contaminados com hidrocarbonetos são limitados pela ausência desses nutrientes fazendo-se necessário a estimulação desses microrganismos para acelerar o processo de biodegradação (SAADOUN, 2008). Baptista et al. (2003) afirmaram que o nitrogênio e o fósforo são fatores que podem realmente limitar a biodegradação do óleo cru presente no solo, quando não são empregados dentro de uma relação C:N:P ideal para favorecer o crescimento microbiano. (BAPTISTA et al., 2003) Segundo Andrade et al. (2010), a otimização das condições ambientais e a adição de nutrientes permitem um aumento na velocidade e porcentagem da biodegradação. (ANDRADE et al., 2010) Oliveira (2009) estudou o bioestimulo em solos contaminados por petróleo, e obteve uma boa eficiência, mas apesar da boa remoção, este autor considerou a uréia, como fonte de nitrogênio, mais agressiva aos organismos do solo que o próprio contaminante. (OLIVEIRA, 2008) Verichia (2008), estudando a biorremediação de solos contaminados por óleo isolante de transformador, utilizou a adição de nutrientes para bioestimulação, e não obteve aumento no processo de biodegradação. Ferreira (2010) não obteve biodegradação natural e necessitou da adição de nutrientes para que ocorresse a descontaminação do solo por derivados de petróleo. (FERREIRA, 2010) 2.3.1.1 Petroleum Remediation Product O PRP ou Petroleum Remediation Product é um produto totalmente natural, absorvente de hidrocarbonetos, que também atrai e estimula a população 21 nativa de microrganismos a degradar o óleo em ambientes aquáticos e ambientes terrestres (GMV, 2011). Bezerra et al. (2009) avaliou a eficácia da aplicação do produto PRP na remediação de um solo contaminado com óleo cru, e obteve uma remoção de 53% dos hidrocarbonetos totais de petróleo (HTP) em 35 dias de acompanhamento. Segundo a GMV (2011), o PRP apresenta alguns benefícios em comparação a outros métodos adotados como: É 100% natural e não tóxico; É Hidrofóbico (flutua); É óleofilico (absorve óleo); Maximiza a degradação natural dos hidrocarbonetos; Reduz os custos com descarte e transporte de resíduos contaminados; Entre outros. 2.3.2 Biorremediação “In-Situ” A biorremediaçao in-situ é quando é realizada no próprio local, sem a remoção do material contaminado, evitando custos elevados e o distúrbio ambiental é reduzido, pois não há desagregação do local, evitando que o passivo seja transferido ocorrendo outros riscos. Quando da biorremediação, os produtos gerados limitam-se a água e gás carbônico, sem toxicidade ao meio ambiente e sem prejuízo aos organismos vivos (MARIANO, 2006). A biorremediação in situ é eficaz quando há permeabilidade no ambiente, apresenta boa hidrologia, da extensão da área e do tipo de contaminante (SAADOUN, 2008). Segundo Andrade et al. (2010), os tratamentos in-situ são tipicamente mais baratos que os tratamentos ex-situ. Nos processos in-situ, há mínimo distúrbio do local, por outro lado nos tratamento ex-situ, os trabalhos envolvem a remoção e o transporte das zonas contaminadas, na maioria das vezes, é economicamente dispendioso e aumenta a exposição dos trabalhadores aos contaminantes. 22 2.3.3 Microrganismos Degradadores Os microrganismos autóctones são aqueles pertencentes às espécies nativas de regiões biogeográficas onde participam no fluxo de nutrientes e fluxo de energia daquele ecossistema (PEIXOTO et al., 2008; SEABRA, 2008). Diversas bactérias, alguns fungos e algumas cianobactérias e algas verdes são capazes de oxidar produtos do petróleo aerobiamente. A poluição por óleo de ambientes aquáticos e terrestres, a partir de atividades humanas, assim como naturais, é muito comum (MADIGAN et al., 2010). 2.3.3.1 Bactérias Algumas espécies de bactérias como a Alcanivorax borkumensis cresce somente a partir de hidrocarbonetos, ácidos graxos ou piruvirato, e produzem surfactantes glicolipidicos que auxiliam na degradação do óleo e promovem sua solubilização (MADIGAN et al., 2010). Conforme Pelczar et al. (1997), uma amostra da bactéria Pseudomonas tem capacidade de metabolizar os quatro hidrocarbonetos do petróleo bruto. A Tabela 1 apresenta alguns gêneros de bactérias utilizados para degradação de derivados de petróleo. Tabela 1 – Gêneros de bactérias utilizadas para degradação de hidrocarbonetos Gêneros de Bactérias Achromobacter Serratia Flavobacterium Acinetobacter Spirillum Proteus Alcaligenes Streptomyces Nocardia Arthrobacter Vidrio Erwinia Bacillus Xanthomonas Brevibacterium Sarcina Chromobacterium Pseudomonas Corynebacterium Micrococcus Cytophaga Mycobacterium Fonte: ABNT, 1998 23 Souza et al. (2005) coletou amostras na Lagoa da Barra – PE, e isolando os microrganismos presentes encontraram duas espécies de bactérias capazes de degradar hidrocarbonetos presentes no óleo diesel e outras duas espécies na gasolina. 2.3.3.2 Fungos Como biodegradadores naturais, os fungos encontram as substâncias necessárias para o seu desenvolvimento na natureza, principalmente, macromoléculas insolúveis, que precisam ser primeiramente degradadas em unidades monoméricas solúveis antes de sua assimilação (OLIVEIRA, 2008). Os fungos filamentosos possuem algumas características que determinam porque esses microrganismos são considerados bons degradadores. Devido ao seu crescimento micelial, os fungos ramificam-se rapidamente no substrato, digerindo-o através da secreção extracelular (ARAUJO & LEMOS, 2002). A Tabela 2 apresenta os gêneros de fungos mais usados, que degradam hidrocarbonetos. Tabela 2 - Gêneros de fungos isolados do solo, mais usados, com habilidade de degradar hidrocarbonetos Fungos Acremonium Mortierella Aspergillus Paecilomyces Aureobasidium Penicillium Beauveria Phoma Botrytis Rhodotorula Candida Saccharomyces Chrysosporium Scolecobasidium Cladosporium Sporobolomyces Cochliobolus Sprotrichum Cylindrocarpon Spicaria Debaryomyces Tolypocladium Fusarium Torulopsis Geotrichum Trichoderma Gliocladium Verticillium Graphium Monilia Humicola Fonte: ABNT, 1998 24 Guimarães (2009), que identificou espécies de fungos degradadores de hidrocarbonetos em efluentes da indústria petroquímica, entre as espécies encontradas estavam o Mucor circinelloides, Eutypella sp., Pycnidiophora dispersa e Paraconiothyrium estuarinum. (GUIMARÃES, 2009) Del’arco (1999) identificou gêneros de fungos como Sporobolomyces e Rhodotorula, como degradadores hidrocarbonetos alifáticos, cíclicos e aromáticos. Araújo & Lemos (2002) já identificaram outros gêneros como degradadores de petróleo como: Aspergillus, Penicillium, Paecilomyces e Fusarium., estudando microrganismos presentes em uma amostra de solo em Guararema. 2.4 ISOLAMENTO DE MICRORGANISMOS O solo permanece, como o mais importante reservatório para o isolamento de microrganismos. A comunidade microbiana, o número e tipos de microrganismos são muito influenciados pela localização geográfica, temperatura, textura e estrutura, pH, conteúdo de matéria orgânica, cultivo, aeração e umidade (MELO & AZEVEDO, 2008). Existem algumas técnicas que são utilizadas para estimar o número e o tipo de microrganismos do solo como: ténica de cultura em placa, exame microscópico e técnica de enriquecimento (PELCZAR JR. et al., 1997). 2.4.1 Técnica de Enriquecimento Esta metodologia tem a finalidade de aumentar o crescimento de determinado tipo de microrganismo (PELCZAR JR. et al., 1997). Quando há necessidade do isolamento de bactérias presentes em pequeno número junto com outras que estão em grande quantidade, utilizam-se meios de enriquecimento (TORTORA et al., 2005). Não é uma técnica segura, pois o fracasso no isolamento de um tipo metabólico de microrganismo desejado pode ser atribuído à falta de vitamina 25 requerida, por outro lado, a degradação de um substrato complexo pode ser resultante da ação de mais de uma espécie (PELCZAR JR. et al., 1997). A técnica baseia-se na utilização de um meio que contém todos os nutrientes necessários para favorecer a multiplicação da bactéria de interesse (TORTORA et al., 2005). Costa (2010) utilizou a técnica do enriquecimento no isolamento de microrganismos no estuário do rio Potangi (RN), e encontrou treze linhagens bacterianas degradadoras de petróleo no meio, entre elas. (COSTA, 2010) 2.5 ÓLEOS E GRAXAS Para quantificar essa degradação do óleo mineral no solo pode ser utilizado o parâmetro químico óleos e graxas (FREITAS et al., 2010) Os óleos e graxas são grupos de substâncias de origem mineral, incluem óleos, gorduras, ceras, e outros constituintes solúveis em solventes orgânicos como, por exemplo, o n-hexano (ABNT, 1998) Nos óleos e graxas estão contido um grupo de substâncias, como óleos, graxas, ceras, ácidos graxos, provenientes de resíduos alimentares como a manteiga, margarina, gorduras de origem vegetal e animal, óleos vegetais, além da matéria oleosa devido à presença de lubrificantes utilizados nos estabelecimentos industriais, principalmente refeitórios industriais, lanchonetes e restaurantes (MELO et al., 2002). 26 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO A Eletrobrás Furnas é uma empresa de economia mista, com sede no Rio de Janeiro, atua no setor de geração e transmissão de energia elétrica, projetando, construindo, operando usinas hidrelétricas, termelétricas, subestações e linhas de transmissão. Atua principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste do país. Possui uma rede de transmissão com 49 subestações e 19.278 km de linhas de transmissão, 13 usinas hidrelétricas, 02 usinas termelétricas, totalizando uma potência total de 10.050 MW, sendo 7.791 MW de usinas próprias e 2.079 MW em parceria com iniciativa privada (ELETROBRAS FURNAS, 2011). O estudo foi realizado em uma das mais importantes instalações deste complexo da Eletrobrás Furnas, que é a subestação de transmissão de Foz do Iguaçu/PR a qual faz parte do sistema de transmissão da energia gerada em Itaipu. A Figura 5 mostra uma imagem da subestação. Figura 5 - Foto aérea da Subestação de Foz do Iguaçu Fonte: Arquivo da Eletrobrás Furnas, 2010. A subestação de Foz do Iguaçu está localizada na Av. Tarquínio Joslin dos Santos, 3555, bairro Cidade Nova, numa área de 2.280.161 m 2, sendo 642.900m2 de área ocupada com 27.866m2 de área construída. 27 A localização geográfica corresponde à latitude 25°28'9.83"S e longitude 54°32'27.33" O e esta área possui como limites geográficos, ao Norte, o lago de Itaipu; ao Leste, áreas agricultáveis; ao Sul, o rio Matias Almada; e ao Oeste, o bairro Cidade Nova. O local possui algumas características importantes como extensão de área, potência instalada e demais condições ligadas ao desenvolvimento da atividade, que faz da subestação um dos maiores empreendimento do setor elétrico mundial como demonstrado na Tabela 3. Tabela 3 - Características da Subestação de Transmissão de Foz do Iguaçu/PR Descrição Dados 2.280.161 m2 Área ocupada Potência elétrica 12.600 MW 600 kV em corrente contínua Classes de tensão Número de funcionários 750 kV em corrente alternada 150 pessoas, 138 de Furnas e 12 contratados. Empresas contratadas 53 pessoas Capacidade da estação de tratamento de água 66 m3/hora Capacidade da estação de tratamento de esgoto Atender uma população de 300 pessoas Fonte: Eletrobrás Furnas, 2010. 3.2 ÁREA EXPERIMENTAL A empresa construiu uma caixa de alvenaria nas dimensões de 7,00m x 6,10m x 0,70m, que serve de armazenamento das britas contaminadas após serem retiradas das áreas de ocorrência de acidente. A Figura 6 mostra a caixa onde as britas são armazenadas para tratamento e remoção do óleo mineral. 28 Caixa de Armazenamento 1 3 4 2 Figura 6 - Caixa receptora de britas contaminadas por óleo mineral isolante com as caixas experimentais para avaliação da biodegradação por microrganismos Juntamente a caixa principal de armazenamento, foi construído um protótipo, composto de quatro caixas de (1,4m x 1,0m x 0,3m) com inclinação de 5 graus, identificadas como caixas experimentais e numeradas de 1 a 4, sendo possível observar na Figura 6. Nas caixas experimentais reproduziu-se a contaminação das britas em proporções conhecidas para realização dos estudos. Colocou-se uma camada de 0,10 m de britas, contaminadas com 4 litros de óleo mineral perfazendo um percentual de 1,604 % de contaminação. 3.3 ANALISE MICROBIOLÓGICA 3.3.1 Coleta das amostras para identificação dos microrganismos As amostras de britas contaminadas com óleo mineral isolante foram coletadas no dia 25 de agosto de 2011, no período da tarde e uma temperatura ambiente de 20ºC. Foram coletadas das caixas experimental 1 e caixa experimental 2, ambas com a mesma proporção de contaminação com óleo mineral isolante, 29 identificadas como amostra 1 e 2 respectivamente. A coleta foi de 100 g de britas acondicionadas em recipiente de vidro com meio salino a 2 %, conservando as propriedades originais da amostra. 3.3.2 Enriquecimento A técnica do enriquecimento consiste em aumentar o crescimento de microrganismos capazes de metabolizar o óleo mineral na amostra coletada. No laboratório da União Dinâmica de Faculdades Cataratas (UDC), foi preparado o meio mineral Bushnell Hass (BH) composto de 1 g de KH2PO4 (fosfato de potássio monobásico), 1 g de K2HPO4 (fosfato de potássio anidro), 1 g de NH4NO3 (nitrato de amônia) 0,2 g de MgSO4.7H2O (sulfato de magnésio hidratado), 0,05 g de FeCl3 (cloreto de ferro), 0,2 g CaCl2.2H2O (cloreto de cálcio), para 1 litro de H2O, contendo 1% de óleo mineral como fonte de carbono (SOUZA et al., 2010; SOUZA et al., 2005). Para o enriquecimento das amostras, utilizou-se 10 mL da amostra adicionada a 100 ml do meio mineral de Bushnell Hass (BH) e agitadas por 21 dias a uma temperatura de 30ºC. 3.3.3 Caracterização da microbiota O método foi adaptado de Souza et al. (2010) para isolamento e caracterização dos microrganismos presentes na amostra. Uma alíquota de 10 mL do meio BH com suplemento de 1% de óleo mineral foi retirado e incubado em placas de Petri. As colônias isoladas foram esgotadas em placas de Petri contendo o meio sólido Agar count plate para bactérias e Sabouraud para fungos e leveduras. 30 3.3.4 Identificação e isolamento das cepas dos microrganismos A avaliação da morfologia das cepas de microrganismos foi realizada por meio de microscopia óptica para reconhecimento das formas estruturais e coloração de gran e observação a olho nu para identificar forma e tamanho dos principais gêneros. Após o período de incubação de 2 dias a 37ºC para bactérias e 5 dias a 30 ºC para fungos e leveduras, foram transferidas para tubos de ensaio contendo os referidos meios sólidos. 3.3.5 Teste de biodegradação A avaliação do potencial de biodegradação dos microrganismos foi adaptada de Hanson et. al.(1993) apud Souza et. al. (2010). Uilizou-se a técnica do indicador redox 2,6 diclorofenol – indofenol (DCPIP) em meio mineral BH com adição de óleo mineral como fonte de carbono. Com esse indicador os microrganismos que possuem elevado potencial de degradação de derivados de petróleo tornam o meio incolor 24 h após incubação (SOUZA et al., 2010). Para avaliação utilizou-se 250 μL de meio BH, 25 μL de suspensão microbiana padronizada em 108 UFC/mL, 10 μL de fonte oleosa (óleo mineral isolante) e 5 μL do indicador. O material foi colocado em tubos de microtitulação (eppendorf). Para o controle negativo foi utilizando 25 μL de água estéril em substituição a suspensão microbiana. Os tubos de microtitulação contendo os materiais em triplicata para avaliação de controle positivo (biótico) e controle negativo (abiótico) foram incubados a 30°C sob agitação constante e observadas visualmente nos intervalos de tempo (12 e 24 horas) por meio da mudança de coloração do meio de cultivo de azul para incolor, ou seja, viragem do indicador da forma reduzida para a forma oxidada. 31 O teste avalia a oxidação microbiana do hidrocarboneto, no instante que elétrons são transferidos até os aceptores como oxigênio, nitrato e sulfato. Ao incorporar um aceptor de elétron como DCPIP ao meio de cultura, é possível verificar a capacidade dos microrganismos em utilizar hidrocarbonetos como substrato pela mudança de cor do DCPIP do azul para o incolor (SOUZA et al., 2010). 3.4 EXPERIMENTOS “IN SITU” Para realização de estudos de biodegradação de óleo mineral em britas, construíram-se caixas protótipos no mesmo ambiente do armazenamento das britas contaminadas com óleo retiradas dos acidentes de derramamento, reproduzindo assim as condições reais de campo. Na caixa experimental nº 1, foi acompanhado a ação microbiológica nativa sem interferência no processo de biodegradação. Na caixa experimental nº 2, foi feito o monitoramento da ação dos microrganismos utilizando a técnica da bioestimulação. Para isso, foi acrescido 100 g de uréia diluído em 1000 mL de água como fonte de nitrogênio. Na caixa experimental nº 3, foi feito o monitoramento da ação dos microrganismos utilizando a técnica da bioestimulação. Para isso, foi acrescido 50 g do produto PRP – Petrolium Remediation Product e acrescido em 1,73 litros de água destilada. Na caixa experimental nº 4, foi feito o monitoramento da ação dos microrganismos utilizando a técnica da bioestimulação. Para isso, foi acrescido 100 g do produto PRP – Petrolium Remediation Product e acrescido em 3,46 litros de água destilada. Durante os estudos foram monitorados as temperaturas ambientais máximas e mínimas, as precipitações no local das caixas experimentais diárias. A Tabela 4 mostra os dias de coletas e também o inicio da realização de cada experimento. 32 Tabela 4 - Dias de Coletas nas Caixas Experimentais Data 02/08/11 16/08/11 31/08/11 14/09/11 28/09/11 13/10/11 24/10/11 Caixa 1 X X X X X X X Caixa 2 X X X X X X X Caixa 3 Caixa 4 X X X X X X A determinação de óleos e graxas foi realizado de acordo com os procedimentos analíticos presentes no Stardard Methods for Examination of Water and Wastewater (APHA, 1999), adaptado para pedras britas. A análise é realizada por extração em aparelho soxhlet, utilizando um solvente orgânico como o n-hexano, de forma que o teor de óleos e gorduras corresponde ao peso de resíduo remanescente no balão de destilação após a evaporação do solvente. 3.4.1 Amostragem das britas contaminadas Para a amostragem do material foi utilizada a mesma técnica descrita na NBR 10.004 (ABNT, 2004), onde o método do quarteamento proporciona uma boa homogeneização da amostra. A Figura 7 mostra a realização do quarteamento com as britas contaminadas. Figura 7 – Quarteamento das britas para realização das análises 33 4 4.1 RESULTADOS E DISCUSSÃO CONDIÇÕES DO TEMPO As temperaturas mínimas e máximas, as precipitações nos locais e os dias das coletas são demonstrados no gráfico, observado na Figura 2. Figura 8 - Precipitação e Temperatura nos meses de Agosto, Setembro e Outubro Avaliando o gráfico observa-se, somente nos dias 2 de agosto, 13 e 24 de outubro houveram precipitações no dia ou anteriormente a coleta. No resto dos dias de amostragem, os dias que precederam não tiveram a influência de precipitações. A temperatura se mostrou de um modo geral uniforme durante todo o período, com exceção da queda mais expressiva entre os dias 20 e 25 de agosto. 4.2 IDENTIFICAÇÃO DOS MICRORGANISMOS No isolamento de microrganismos das amostras de britas contaminadas com óleo mineral isolante, foram obtidos seis morfotipos. Os morfotipos encontrados são apresentados na Tabela 5. 34 Tabela 5 - Morfotipos encontrados e suas características Morfotipo Tipo de meio de purificação Grupo microbiano Aspecto visual (cor) Coloração do Gran 1 2 3 4 5 6 ACP ACP ACP Sabouraud Sabouraud Sabouraud Bactéria Bactéria Bactéria Levedura Mucor Rodotorula Branca leitosa Amarela Branca Amarela Branco catanoso Negra Negativo Negativo Negativo Presença ou ausência de filamentos Potencial de degradação Ausência Presença Ausência 24 hs 24 hs 24 hs Nos testes realizados, não foi possível identificar os genêros de bactérias, pois envolve técnicas mais apuradas de avaliação bioquímica. Nenhum dos grupos das bactérias apresentaram potencial de degradação, como as espécies encontradas nos estudos de Souza et al. (2005) e Costa (2010). A Figura 9 mostra os tubos com somente reação por parte das colônias de fungos (à esquerda) e sem reação por parte das bactérias (à direita). Figura 9 - Tubos mostrando degradação do meio Somente a classe dos fungos compreendendo os gêneros: levedura, Mucor, Rhodotorula, apresentaram algum sinal de degradação no período de 24 horas. O mucor (Mucor sp.) já havia sido identificado em outros trabalhos como degradador de hidrocarbonetos, como no estudo de Guimarães (2009). A maior degradação entre os tipos de fungos foi identificada pelo gênero Mucor sp., o que pode ser atribuído ao fato dessa espécie de fungo ser do tipo 35 filamentosa e ter mais facilidade na degradação, como já citado por Araújo & Lemos (2002). O gênero Rhodoturula também realizou degradação significativa do meio contendo hidrocarbonetos de óleo mineral, como constatado por Del’Arco (1999). 4.3 ANÁLISE DE ÓLEOS E GRAXAS O teste de biodegradação realizado foi importante para avaliação da ação microbiótica em experimentos posteriores in situ onde se realizaram adições de estimulantes para avaliar a melhor proposta de trabalho em ambientes contaminados. Os resultados das análises de óleos e graxas são demonstrados na Tabela 6, junto com percentual de remoção dos contaminantes a cada coleta. Tabela 6 - Ensaios de Óleos e Graxas as caixas experimentais 1, 2, 3 e 4 com adição de bioestimulantes – com as porcentagens de remoção a cada coleta. Data 02/08/11 16/08/11 31/08/11 14/09/11 28/09/11 13/10/11 24/10/11 Caixa n⁰1 Sem Bioestimulação Caixa n⁰2 Com Bioestimulação Caixa n⁰3 Com Bioestimulação Caixa n⁰4 Com Bioestimulação Bioestimulante Sem adição Adição de uréia Adição de PRP (50 g) Adição de PRP (100 g) Datas de aplicação 0,848 0,716 (15,6%) 0,608 (28,3%) 0,508 (40,1%) 0,420 (50,5%) 0,344 (59,4%) 0,289 (65,9%) 0,970 0,842 (13,2%) 0,720 (25,8%) 0,531 (45,3%) 0,382 (60,6%) 0,268 (72,4%) 0,185 (80,9%) Os experimentos com 0,926 0,599 (35,3%) 0,391 (57,4%) uréia 0,939 0,746 (19,4%) 0,403 (56,5%) apresentaram Uréia (Cx 2) Uréia(Cx 2) Uréia(Cx 2) Uréia(Cx 2) bons PRP(cx3 e 4) resultados de biodegradação como no estudo realizado por Oliveira (2008), no entanto, apesar da boa remoção, este autor considerou a uréia, como fonte de nitrogênio, mais agressiva aos organismos do solo que o próprio contaminante. A adição do bioestimulador comercial PRP, nas caixas 3 e 4, representou uma maior remoção em tempo equivalente as caixas 1 e 2. A porcentagem de remoção total em 26 dias, de 57,4% e 56,5%, foram próximas as encontradas por Bezerra et al. (2009), que obteve uma remoção de 53%. 36 Nota-se também que não houve diferença significativa na porcentagem de remoção, tanto na caixa 3 (50g de PRP) como na caixa 4 (100g de PRP). Verifica-se que há diferenças expressivas na remoção de contaminantes nas amostras com e sem bioestimuladores, contrariamente ao que foi constatado por Verichia (2008). Apesar de ocorrer com um tempo maior, a biodegradação sem a utilização de estimulantes (caixa 1) apresentou remoção satisfatória, como afirma Andrade et al. (2010), e não necessitou obrigatoriamente a adição de nutrientes para degradar esses derivados de petróleo, como no estudo desenvolvido por Ferreira (2010). 37 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 1. A biorremediação pode ser considerada uma alternativa no tratamento in situ, de locais contaminados por petróleo e seus derivados. 2. Neste estudo foram encontradas somente espécies de fungos degradadoras. 3. No teste de bioestimulação, amostras contendo bioestimulantes como a uréia e PRP, apresentaram resultados mais rápidos em relação a degradação natural. 4. No entanto, recomenda-se a continuação dos ensaios, buscando descobrir a eficiência com diferentes quantidades de uréia e bioestimulantes comerciais. 38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Óleos e Graxas - Tratamento em Efluentes de Mineração, ABNT: Rio de Janeiro, 1998. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10.007: Amostragem de Resíduos Sólidos, Rio de Janeiro: ABNT, 2004. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13231: Proteção contra incêndio em subestações elétricas de geração, transmissão e distribuição, Rio de Janeiro: ABNT, 2005. 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