INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO1
SOUZA, Nali de Jesus.
Desenvolvimento Econômico. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2005.
a
Em meados dos anos de 1990, Hirschman constatou na América Latina o surgimento de uma
nova consciência acerca do desenvolvimento. Entre 1950/1981, o PIB da região foi multiplicado por
cinco, em termos reais, e o crescimento da renda per capita acompanhou o crescimento demográfico
(2,7%), passando de US$ 420 para US$ 960, a preços de 1970. Os indicadores sociais da região
melhoraram no período: a vida média passou de 50 para 65 anos; a taxa de mortalidade infantil reduziuse de 130 por mil para 50 por mil; a educação primária universalizou-se; a taxa de natalidade reduziu-se
de 4,5% para 3%, em função do uso generalizado de anticoncepcionais, sobretudo pelas classes média e
rica. Ele concluiu que os indicadores sociais estão melhorando, apesar do crescimento da dívida externa
e da inflação. A melhoria desses indicadores depende tanto da educação e da conscientização social dos
governantes, como do aumento da renda per capita (Hirschaman, 1996, p. 881-890).
Esse mesmo fenômeno parece estar ocorrendo em nível mundial. Entre 1990/1999, o valor
agregado pela indústria, como percentual do PIB, reduziu-se de 31% para 30% nas economias de baixa
renda e de 39% para 36% nos países de renda média. Ao mesmo tempo, entre 1980/1998, a taxa de
mortalidade de menores de cinco anos reduziu-se nesses países, respectivamente, de 177 por mil
nascidos vivos para 107 por mil, e de 79 por mil para 38 por mil. Melhoria similar ocorreu no número
de matrículas nas escolas primárias e secundárias (Banco Mundial, 2003).
1 - Correlação entre indicadores de desenvolvimento
O crescimento da renda, variável fundamental do desenvolvimento, não se explica apenas pelo
emprego de mais capital ou de mais trabalho. A educação geral e a educação feminina apresentam
correlação positiva e significativa com o crescimento da renda (Tabela 1). Não se observa correlação
significativa entre crescimento da renda e níveis de liberdades políticas e individuais; no entanto,
verifica-se correlação positiva de certa magnitude entre esta última variável e o declínio da mortalidade
infantil, nível de educação em geral e educação feminina, tanto em termos absolutos como em termos
de variação.
Maior liberdade pessoal significa imprensa livre e debate público aberto, o que certamente tem
influência sobre indicadores de bem-estar. Indiretamente, no entanto, a variável não econômica
liberdades políticas e individuais influencia o crescimento da renda, pois as variáveis educacionais,
absolutas e relativas, correlacionam-se com o crescimento da renda. A variável “declínio da
mortalidade infantil” correlaciona-se positivamente, na ordem, com o nível de educação feminina, nível
de educação em geral, liberdades políticas e individuais e variação na educação feminina. Outro estudo
do Banco Mundial (1991), envolvendo países selecionados no período de 1960/1987, concluiu que
1
Esta é uma versão ampliada da seção 1.3 do livro Desenvolvimento Econômico (Souza, 2005).
maior nível de educação feminina (mãe, avós, tias irmãs) reduz a taxa de mortalidade infantil. Se as
mães passam a amamentar os recém-nascidos no peito, a esterilizar a mamadeira e a aplicar soro
caseiro, certamente muitas doenças poderão ser evitadas.
Tabela 1 Matriz de correlação para medições do desenvolvimento mundial, 1973/1987.
Indicadores de desenvolvimento
Crescimento da
renda
Declínio
da mortalidade
Infantil
Variação
da educação em
geral
Variação
da educação
feminina
Crescimento da renda
Declínio da mortalidade infantil
Variação da educação geral
Variação da educação feminina
Var. defasagem educ. masc./fem.
Nível da educação em geral
Nível da educação feminina
Liberdades políticas e individuais
1,00
-
0,30
1,00
-
0,12*
0,27
1,00
-
0,23
0,41
0,92
1,00
-
Variação da Nível de
defasagem
educação
educação
em geral
masculina/
feminina
0,31
0,42
0,29
0,67
0,30
-0,18*
0,22
0,52
1,00
0,55
1,00
-
Nível de
educação
feminina
Liberdades
políticas e
individuais
0,37
0,71
0,25
0,48
0,56
0,98
1,00
-
0,19*
0,59
0,32*
0,28
0,39
0,57
0,63
1,00
Nota: Amostra de 68 economias. Os coeficientes de correlação são significativos pelo menos a 10%, salvo os com asterisco.
Fonte: Banco Mundial (1991, p. 57).
Tendo em vista que o desenvolvimento econômico é definido pelo aumento contínuo dos níveis
de vida, incluindo maior consumo de produtos e de serviços básicos para o conjunto da população,
apenas o valor da renda per capita é insuficiente para refletir corretamente os diferenciais de
desenvolvimento entre países ou regiões. Torna-se necessário, portanto, considerar indicadores
adicionais que possam refletir melhorias sociais e econômicas, como mais alimentação, melhor
atendimento médico e odontológico, educação mais qualificada, mais segurança e melhor qualidade do
meio ambiente. Medidas destinadas a reduzir a pobreza podem ser indispensáveis quando forem
grandes a concentração da renda e o contingente de pessoas carentes. Nem sempre maior nível de renda
significa melhores índices de desenvolvimento. Determinados indicadores, como mortalidade infantil,
número de matrículas escolares, igualdade dos sexos na educação e liberdades políticas apresentam
uma correlação imperfeita com a renda per capita. Contudo, a distribuição direta de renda através de
programas de saúde, educação e alimentação da população mais pobre é indispensável para a
melhoraria dos indicadores de desenvolvimento.2
2 - Indicadores econômicos globais do desenvolvimento mundial
Nas últimas décadas, percebe-se uma melhoria dos indicadores econômicos e sociais em todo o
mundo, com certa redistribuição de renda entre os países. Entre 1980/1993, a taxa média de
crescimento anual do PNB per capita foi de 3,7% em economias de baixa renda, de apenas 0,2% nas
2
O Programa Nacional da Bolsa-Escola foi criado em 2001 para atender às famílias com renda per capita mensal de até R$
90, com crianças de 6 a 15 anos que estiverem freqüentando o Ensino Fundamental. O programa consiste em repassar a
essas famílias R$ 15 por criança na escola, até o limite de R$ 45 por família. A cada três meses, a freqüência das crianças na
escola é avaliada e o programa renovado ou suspenso. O Governo Lula lançou em janeiro de 2003 o Programa Fome-Zero,
para as pessoas carentes, sendo financiado com recursos públicos e por doações da comunidade.
2
economias de renda média e de 2,2% nas economias de alta renda. Nesse período, o crescimento médio
anual do investimento interno bruto nessas economias foi, respectivamente, de 6,1%, 1,3% e 3,4%. O
crescimento demográfico nas economias mais pobres, no entanto, apresentou-se de modo mais
acelerado no período (2%), sendo amplamente compensado pelo ritmo da formação de capital (Banco
Mundial, 1991 e 1995).
Da mesma forma, alguns indicadores mostram que o nível de vida vem aumentado em nível
mundial. Entre 1988 e 1993, a expectativa de vida elevou-se de 60 para 62 anos nos países pobres, de
66 para 68 nas economias de renda média e de 76 para 77 nos países ricos. No período de 1985 a 1990,
o analfabetismo entre adultos reduziu-se de 44% para 41% nos países pobres, de 26% para 17% nas
economias de renda média e de 24% para 14% nas economias de renda média alta. Entre 1970 e 1998,
a taxa de mortalidade infantil por mil nascidos vivos reduziu-se substancialmente. Assim, nos anos de
1970, 1980 e 1998, essas taxas caíram, respectivamente, de 108 para 97 e 68 nos países pobres, de 74
para 60 e 31 nas economias de renda média e de 19 para 12 e 6 nos países ricos (Banco Mundial, 1990,
1995 e 2003).3
Tradicionalmente, a renda per capita tem sido usada como o principal indicador de
desenvolvimento. É um indicador importante; porém, como média, camufla a distribuição de renda, não
refletindo o nível de bem-estar da população de baixa renda, que pode ser bastante numerosa.
Economias com renda muito concentrada, como a dos países exportadores de petróleo do Oriente
Médio, possuem altas rendas per capita. Existe nesses países, porém, um número reduzido de pessoas
ricas, com a maioria da população vivendo na miséria.
Na Tabela 2 (coluna 1), observa-se que o PIB per capita (ponderado pela paridade do poder de
compra de cada país), correspondente a 2001, variava de US$ 470 em Serra Leoa, o país mais pobre do
mundo, a US$ 34.320 nos Estados Unidos, o país mais rico e poderoso. Serra Leoa é o país com o
menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo o PNUD (0,275), apresentando a mais alta
taxa de mortalidade infantil (182 mortes por mil nascidos vivos) e a menor média de vida (34,5 anos).4
Em 2001, o PIB per capita dos países de baixa renda foi de US$ 2.230, grupo no qual se
incluem a Índia (US$ 2.840) e o Paquistão (US$ 1.890), entre outros países. No grupo das nações de
renda média baixa (US$ 4.674), aparecem o Egito (US$ 3.520), o Paraguai (US$ 5.210) e a Turquia
(US$ 5.890). Brasil (US$ 7.360) encontra-se entre as economias com renda média alta (US$ 11.377),
juntamente com o México (US$ 8.430) e a Argentina (US$ 11.320). Entre os países de alta renda (US$
26.989), incluem-se Estados Unidos (US$ 34.320) e a maioria dos países europeus. Em 2001, o PNB
médio mundial foi igual a US$ 7.376.
Os países com as maiores taxas de crescimento anual do PIB per capita, entre 1990/2001, foram
3
Em 1993, a expectativa de vida ao nascer, no Brasil, chegava a 67 anos. Em 1970, esse valor era igual a 54 anos nas
cidades e 53 anos no campo. No meio urbano, o índice variava de 44 anos no Nordeste Central a 61 anos no Rio Grande do
Sul e Santa Catarina. No meio rural, a expectativa de vida era ligeiramente superior na maioria das regiões. A vida média
era crescente, também, com o nível de renda em todas as regiões. A média brasileira no meio urbano alcançava 46 anos nos
estratos mais pobres, subindo a 53, 57 e a 62 anos nos estratos de renda mais elevada (Fava, 1984, p. 139).
4
País africano com 71.740 km2 e 4,8 milhões de habitantes em 2002. A extração de diamantes é a principal atividade
econômica do país. A guerra civil da década de 1990, cuja paz ocorreu em 2001, matou mais de 30 mil pessoas.
3
a da China (8,8%) e Coréia do Sul (4,7%). Nesse mesmo período, o PIB per capita se reduziu em
alguns países, como Serra Leoa (- 6,6%) e Fed. Russa (- 3,5%). No Brasil, ele ainda aumentou 1,4% no
período, sendo bastante baixo seu crescimento na África do Sul (0,2%), país que ainda tem graves
problemas raciais, e na Suíça (0,3%), provavelmente por ter chegado a alto nível de desenvolvimento.
Tabela 2 Indicadores selecionados do desenvolvimento mundial
(continua)
1) PIB 2)Taxa 3) Taxa
per
média
média
AMOSTRA DE
PAÍSES
capita
cresc.
cresc.
POR NÍVEIS
(dólares anual do anual do
DE RENDA
PPC
PIB per
PNB
(Y)
2001)
capita
(%,
(%,1990/ 1998/
2001)
1999)
I – BAIXA RENDA
2.230
1,6
4,4
01 - Serra Leoa
470
-6,6
-8,1
02 - Etiópia
810
2,4
7,4
03 - Moçambique
1.140
4,3
8,6
04 - Paquistão
1.890
1,2
3,6
05 - Angola
2.040
-1,1
-35,5
06 - Bolívia
2.300
1,4
2,2
07 - Índia
2.840
4,0
6,9
1,62
II- Y MÉDIA BAIXA 4.6741
3,3
08 - Egito
3.520
2,5
5,7
09 - Filipinas
3.840
1,0
3,6
10 - China
4.020
8,8
7,2
11 - Peru
4.570
2,4
3,4
12 - Paraguai
5.210
-0,6
-1,5
13 - Venezuela
5.670
-0,6
-6,8
14 - Turquia
5.890
1,7
-6,4
1,62
III-Y MÉDIA ALTA 11.3771
2,0
15- Federação Russa 7.100
-3,5
1,3
16 - Brasil
7.360
1,4
-2,0
17 - Uruguai
8.400
2,1
-3,4
18 - México
8.430
1,5
4,1
19 - Chile
9.190
4,7
-1,4
20 - África do Sul
11.290
0,2
0,8
21 - Argentina
11.320
2,3
-2,9
22 - Coréia do Sul
15.090
4,7
11,0
23 - Grécia
17.440
2,0
3,3
24 - Portugal
18.150
2,6
3,1
IV-ALTA RENDA
26.989
2,1
2,6
25 - Espanha
20.150
2,2
3,7
26 - França
23.990
1,5
2,4
27 - Reino Unido
24.160
2,5
1,7
28 - Suécia
24.180
1,7
3,9
29 - Itália
24.670
1,4
1,0
30 - Japão
25.130
1,0
1,0
31 - Alemanha
25.350
1,2
1,2
32 - Canadá
27.130
2,1
3,8
33 - Suíça
28.100
0,3
1,4
34 - Noruega
29.620
2,9
0,6
35 - EUA
34.320
2,1
4,1
MUNDO
7.376
1,2
2,7
4) Taxa
média de
crescim.
anual da
população
(1990/
1999)
2,0
2,4
2,8
2,2
2,5
3,2
2,4
1,8
1,1
1,9
2,3
1,1
1,7
2,7
2,2
1,5
1,4
-0,1
1,4
0,7
1,8
1,5
2,0
1,3
1,0
0,4
0,1
0,6
0,2
0,5
0,3
0,4
0,2
0,3
0,4
1,1
0,7
0,5
1,0
1,0
5) Taxa 6) Expecde mor- tativa de
talidade vida ao
infantil nascer
(por mil (anos de
nascidos vida,
vivos,
2001)
2001)
127
59,1
182
34,5
116
45,7
125
39,2
84
60,4
154
40,2
60
63,3
67
63,3
312
69,22
35
68,3
29
69,5
31
70,6
30
69,4
26
70,5
19
73,5
36
70,1
312
69,22
29
66,6
31
67,8
14
75,0
24
73,1
10
75,8
56
50,9
16
73,9
5
75,2
5
78,1
5
75,9
5
78,1
4
79,1
4
78,7
6
77,9
3
79,9
4
78,6
3
81,3
4
78,0
5
79,2
5
79,0
4
78,7
7
76,9
56
66,7
7) Gasto
público
com
educação
(% do
PNB,
1998/
2000)
3,35
1,0
4,8
2,4
1,8
2,7
5,5
4,1
3,55
4,85
4,2
2,1
3,3
5,0
5,25
3,5
5,05
4,4
4,7
2,8
4,4
4,2
5,5
4,0
3,8
3,8
5,8
5,45
4,5
5,8
4,5
7,8
4,5
3,5
4,6
5,5
5,5
6,8
4,8
4,85
8) Despesas com
saúde
(dólares
PPC per
capita,
2000)
9) Taxa
de alfabetização (15
anos e
mais, %,
2001)
1,36
24
14
30
76
52
145
71
3,06
143
167
205
238
323
280
315
3,36
405
631
1.007
477
697
663
1.091
899
1.349
1.397
6,26
1.547
2.380
1.804
2.101
2.028
2.009
2.768
2.534
3.161
2.769
4.499
2,56
63,0
36,0
40,3
45,2
44,0
42,0
86,0
58,0
86,62
56,1
95,1
85,8
90,2
93,5
92,8
85,5
86,62
99,6
87,3
97,6
91,4
95,9
85,6
96,9
97,9
97,3
92,5
99,0
97,7
99,0
99,0
99,0
98,5
99,0
99,0
99,0
99,0
99,0
99,0
-
10) A- 11) Acesso
cesso a a água
sanea- tratada (%,
mento
2000)
melhorado (%,
2000)
44
66
12
43
62
44
70
28
602
98
83
40
71
94
68
90
602
..
76
94
74
96
87
803
63
100
100
100
100
100
100
100
100
100
100
100
100
100
100
61
76
57
24
57
90
38
83
84
822
97
86
75
80
78
83
82
822
99
87
98
88
93
86
654
92
¨
824
100
100
100
100
100
100
100
100
100
100
100
100
82
Fontes: Banco Mundial. Relatório do Desenvolvimento Mundial 2000/2001; PNUD. Relatório do Desenvolvimento Humano 2003.
Notas: 1 A média do PIB per capita de cada grupo de renda refere-se aos países apresentados na tabela; 2 Essa taxa de crescimento refere-se aos países
de renda média, sem diferenciar entre média baixa e média alta; 3 População com acesso a saneamento em áreas urbanas, 1990/96; 4 Os dados
se referem a 1990/96; 5 Dados de 1997 (% do PNB); 6 Dados de 1990/98 (% do PNB);
4
Tabela 2 Indicadores selecionados do desenvolvimento mundial
(conclusão)
12) Taxa 13) ÍndiAMOSTRA DE
média de ce da
cresc. a- produPAÍSES
nual do ção de aPOR NÍVEIS
valor a- limentos
DE RENDA
gregado 1996/
(Y)
p/agricul- 1998
tura (%, (1989/
1990/
1991
1999)
= 100)
I – BAIXA RENDA
2,5
124,3
01 - Serra Leoa
1,6
99,5
02 - Etiópia
2,5
123,5
03 - Moçambique
5,2
130,9
04 - Paquistão
4,3
136,2
05 - Angola
-3,1
130,0
06 - Bolívia
¨
134,1
07 - Índia
3,8
119,9
II – Y MÉDIA BAIXA
2,0
151,1
08 - Egito
3,1
139,7
09 - Filipinas
1,5
125,8
10 - China
4,3
153,5
11 - Peru
5,8
140,5
12 - Paraguai
2,8
120,2
13 - Venezuela
0,7
114,4
14 - Turquia
1,6
111,3
III – Y MÉDIA ALTA
1,9
118,5
15 - Federação Russa
-6,3
64,4
16 - Brasil
3,0
125,7
17 - Uruguai
4,3
130,8
18 - México
1,3
120,2
19 - Chile
1,3
129,6
20 - África do Sul
1,0
100,8
21 - Argentina
3,1
125,9
22 - Coréia do Sul
2,1
122,2
23 - Grécia
2,0
99,0
24 - Portugal
-0,4
97,0
IV-ALTA RENDA
0,8
107,5
25 - Espanha
-2,5
110,1
26 - França
0,5
105,4
27 - Reino Unido
¨
99,7
28 - Suécia
..
96,8
29 - Itália
1,1
101,2
30 - Japão
-1,3
95,2
31 - Alemanha
0,5
92,3
32 - Canadá
1,1
117,7
33 - Suíça
¨
100,8
34 - Noruega
4,1
100,9
35 - EUA
2,5
117,9
MUNDO
1,6
130,3
14) Valor agregado
p/trabalhador
agrícola
(dólares
de 1995,
1996/
1998)
¨
411
..
127
626
123
¨
406
¨
1.189
1.352
307
1.663
3.448
5.036
1.858
¨
2.476
4.081
9.826
2.164
5.039
3.958
9.597
11.657
¨
¨
¨
13.499
36.889
¨
..
20.031
31.094
22.759
¨
¨
32.600
39.001
..
15)Tratores por
mil
trabalhadores
agrícolas
(1995/
1997)
16) Taxa
média de
cresc.
anual do
valor
agregado
p/indústria
(%, 1990/
1999)
¨
0
0
1
13
3
4
6
¨
11
1
1
3
25
59
58
¨
106
57
173
20
49
68
190
41
277
208
906
546
1.236
883
627
913
637
991
1.642
958
1.276
1.484
20
1,1
-7,1
6,3
9,9
4,9
4,2
¨
6,7
5,2
4,7
3,4
14,4
6,7
2,8
2,6
4,8
3,9
-9,8
3,2
1,7
3,6
6,3
0,9
4,8
6,2
-0,5
0,7
2,6
¨
0,6
¨
..
0,9
1,1
¨
2,2
¨
5,5
4,9
3,0
17) Taxa 18) Taxa 19) Conmédia de de cresc. a- sumo de
cresc. nual do in- eletricianual das vestimento dade per
exporta- interno
capita
ções (%, bruto (%, em 2000
1990/
(Kw/
1990/
1999)
hora)
1999)
5,3
-12,2
9,3
13,4
2,7
8,2
4,9
11,3
6,7
3,1
9,6
13,0
9,0
5,1
5,6
11,9
10,8
2,3
4,9
7,0
14,3
9,7
5,3
8,7
15,6
3,3
5,6
6,5
10,9
4,9
6,0
2,2
7,2
5,1
4,1
8,8
8,3
6,1
9,3
6,9
-1,4
-10,3
13,4
13,1
2,1
12,9
10,1
7,4
3,5
6,7
4,1
12,8
9,0
1,5
2,9
4,6
4,4
-13,3
3,1
8,9
3,9
11,4
3,0
9,1
1,6
1,3
3,5
2,6
-0,5
-1,6
1,8
-0,4
-1,0
1,1
0,5
2,6
-2,2
5,1
7,0
2,9
352
22
53
352
88
387
355
1391
976
477
827
668
838
2.533
1.468
1.391
4.181
1.878
1.924
1.655
2.406
3.745
2.038
5.607
4.086
3.834
8.651
4.653
6.539
5.601
14.471
4.732
7.628
5.963
15.620
7.294
24.422
12.331
2.156
20) Pe- 21) Va- 22)
didos de riação
Ínpatentes média dice
p/resi- anual de de
dentes
desma- Gini
(1997) tamento
(%,1990/
1995, %)
3.978
..
4
¨
16
..
17
...
31.781
504
125
12.786
48
¨
201
233
114.155
15.277
1.292 7
32
429
189
¨
824
92.798
53
92
648.093
2.856
18.669
26.591
5.814
2.574
351.487
62.052
4.192
7.893
1.518
125.808
798.007
0,7
3,0
0,5
0,7
2,9
1,0
1,2
0,0
0,2
0,0
3,5
0,1
0,3
2,6
1,1
0,0
0,5
0,0
0,5
0,0
0,9
0,4
0,2
0,3
0,2
-2,3
-0,9
-0,2
0,0
-1,1
-0,5
0,0
-0,1
0,1
0,0
-0,1
0,0
-0,2
-0,3
0,3
62,9
40,0
39,6
31,2
..
42,0
37,8
28,9
46,2
40,3
46,2
59,1
48,8
41,5
48,7
60,0
42,3
53,7
56,5
59,3
¨
31,6
32,7
35,6
32,5
32,7
36,1
33,1
27,3
24,9
30,0
31,5
25,0
25,8
40,8
..
Fontes: Banco Mundial. Relatório do Desenvolvimento Mundial 2000/2001; PNUD. Relatório do Desenvolvimento Humano 2003.
Notas: 7 Dado do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil (www.inpi.gov.br).
No início dos anos de 1990, o principal problema dos países pobres era o processo inflacionário
crônico, além da grande dimensão da dívida externa. Na quase totalidade desses países, a inflação foi
debelada, mas a dívida pública interna e externa agravou-se. A política de juros altos, para vender
títulos públicos e rolar as dívidas, aumentou o montante e o serviço da dívida pública. Para evitar o
5
retorno da inflação e poder pagar o principal e os juros da dívida pública, os governos têm reduzido os
gastos e sacrificado investimentos, o que vem afetando o crescimento econômico.
O PNB per capita dos países mais pobres cresceu razoavelmente entre 1980/1993 (3,7%, Banco
Mundial, 1995) e entre 1998/1999 o PNB desses países cresceu mais do que o dos países mais ricos
(Tabela 2, coluna 3). Essas taxas foram capazes de cobrir o crescimento demográfico mais acelerado
deste último período (2%), em relação aos países mais ricos (Coluna 4).
Entre os países de alta renda, a taxa de crescimento do PNB entre 1998/1999 foi inferior a dos
países mais pobres (2,6%), não obstante o bom desempenho econômico de países como EUA (4,1%),
Suécia (3,9%) e outros. Os países de renda média alta, por seu turno, cresceram menos em termos per
capita (2%), porque a maioria deles esteve envolvida com sucessivos planos de estabilização e elevada
dívida externa, o que puxou a média para baixo.
A melhoria do bem-estar ocorre também com a redução do crescimento demográfico, que em
nível mundial foi de 1,7% ao ano, entre 1980/1993 (Banco Mundial, 1995) e 1% entre 1990 e 1999
(Tabela 2, coluna 4). Nesse mesmo período, as maiores taxas de crescimento anual da população
ocorreram nas economias de baixa renda (2%) e de renda média alta (1,4%), contra 1,1% nas
economias de renda média baixa e apenas 0,6% nas economias de alta renda. No Brasil, a população
cresceu 1,4% ao ano, taxa inferior à do México (1,8%) e Chile (1,5%), mas superior às taxas da China
(1,1%) e Coréia do Sul (1%). Quanto mais a população cresce, maiores serão as dificuldades para
atender a suas necessidades básicas e melhorar os indicadores de desenvolvimento.
3 - Nutrição e expectativa de vida
Em 1970, a taxa de mortalidade infantil por mil nascidos vivos era relativamente alta mesmo
nos países ricos, sendo igual a 20 por mil nos EUA e a 18 por mil no Reino Unido e França. Em 1993,
esse indicador reduziu-se para 9 nos EUA e para 7 nos dois últimos países (Banco Mundial, 1995).
Entre 1980 e 1998, houve grande melhoria desse indicador, em razão da vacinação em massa das
crianças. Em 2001, essa taxa era de 127 por mil em países de baixa renda, 31 por mil em países de
renda média e de apenas 5 por mil nos países de alta renda (Tabela 2, coluna 5).
Nesse mesmo ano, a taxa de mortalidade infantil ainda se apresentava relativamente elevada em
países de renda média, como a África do Sul (56 por mil), Brasil (31 por mil) e México (24 por mil).
Essa taxa ainda era muito alta nos países mais pobres como Serra Leoa (182 por mil) e Angola (154 por
mil). Na China, a taxa de mortalidade infantil (31 por mil) é igual a do Brasil; porém, na Índia, apesar
da melhoria significativa dos últimos anos, ela ainda se mostra bastante elevada (67 por mil).
Além da vacinação em massa de crianças, água tratada, saneamento básico e melhorias no
sistema de higiene, o combate à fome também é fundamental para se reduzir a mortalidade infantil.
Alimentação mais adequada ajuda a melhorar a saúde e o desempenho escolar das crianças. Maior
consumo de carnes é apontado como responsável pela elevação da altura média dos adultos nos EUA,
Europa e Japão. Maior consumo de proteínas e vitaminas também eleva o índice de massa corporal dos
6
indivíduos. A eliminação da desnutrição crônica não depende apenas de maior disponibilidade interna
de alimentos, mas também da elevação do poder aquisitivo da população mais pobre e de melhorias no
sistema de distribuição de alimentos. Torna-se fundamental a pesquisa agronômica para desenvolver
variedades de alimentos mais produtivas e mais baratas. A manutenção de estoques reguladores de
produtos agrícolas, por parte do Governo, evita crises de abastecimento e elevação dos preços de
gêneros de primeira necessidade, favorecendo as populações mais pobres.
Em decorrência do aumento do nível de renda, de melhor alimentação e do desenvolvimento da
medicina, tem se elevado a expectativa de vida ao nascer, a qual oscilava em 2001 entre 34,5 anos em
Serra Leoa a 81,3 anos no Japão (Tabela 2, coluna 6). Examinando atentamente essa tabela, observa-se
que há correlação positiva entre níveis de renda e expectativa de vida ao nascer: nas economias de
baixa renda, a vida média em 2001 era de 59,1 anos; nas economias de renda média, 69,2 anos e nas
economias de alta renda, 78,1 anos.
Entre 1880 e 1980, a expectativa de vida ao nascer nos países industrializados aumentou de 45
para 75 anos. No Japão, ela passou de 60 anos, em 1950, para 81,3, em 2001, sendo a mais elevada do
mundo. Grande salto desse indicador ocorreu também no Sri Lanka (Sul da Ásia), que subiu de 45
anos, em 1945, para 64, em 1971, e para 72, em 1993. Nos países do Mercosul, em 2001, a expectativa
de vida ao nascer variava de 67,8 anos no Brasil a 75,8 no Chile. No Paraguai, essa idade era de 70,5
anos, na Argentina 73,9 anos e no Uruguai 75 anos (Banco Mundial, 1991 e 1995). Os fatores do
aumento tão acentuado da vida média das pessoas foram a vacinação infantil (sarampo, poliomielite), a
erradicação da malária, a difusão de água tratada e melhor alimentação, pela elevação geral do nível de
renda. O progresso tecnológico da agroindústria alimentar provocou queda dos preços dos alimentos e
colocou à disposição das pessoas maiores quantidades e variedades de calorias e proteínas.5
A mortalidade infantil também se reduz com o aumento dos níveis de educação. A coluna 7 da
Tabela 2 mostra que os gastos públicos com educação, em relação ao PNB, aumentam com o nível de
renda: países de alta renda, 5,4%; países de renda média alta, 5%; países de renda média baixa, 3,5% e
países de baixa renda, 3,3%. Os gastos com saúde em relação ao PNB agem no mesmo sentido da
melhoria de indicadores sociais e em 2000 eles também foram crescentes com o nível de renda dos
países: 6,2%, 3,3%, 3% e 1,3%. A Coréia do Sul gastou 3,8% do PNB com educação, no período; já os
seus gastos com saúde em 2000 foram iguais a US$ 899 dólares per capita. No Brasil, os gastos
públicos com saúde atingiram US$ 631 dólares per capita, no mesmo ano; esse valor foi superior às
quantias gastas pelo México (US$ 477) e Federação Russa (US$ 405) e um pouco inferior aos valores
gastos pela África do Sul (US$ 663) e Chile (US$ 697); já os gastos públicos do governo brasileiro
com educação foram de 4,7% do PNB, percentual superior ao de muitos países de renda média.
O Brasil gastou 4,7% do PNB com educação, entre 1998/2000. Esse percentual é superior aos
percentuais da Federação Russa e México (4,4%), Argentina (4,%) e Coréia do Sul (3,8%). Nesse nível
de renda, somente a África do Sul (5,5%) gastou com educação percentualmente mais do que o Brasil.
5
Inovações do lado da produção (genética) reduziram o preço do frango. Em 1948, o frango era abatido após 86 dias, com
1,36 kg de peso, sendo o consumo de ração igual a 3,41 kg/1 kg de frango. Em 1988, a idade do abate caiu para 49 dias,
com 1,94 kg de peso, e o consumo de ração reduziu-se para 1,41 kg/1 kg de carne (Souza & Sanson, 1993, p. 75).
7
Esse percentual é, contudo, bem mais alto na Suécia (7,8%) e na Noruega (6,8%), o que ajuda a
explicar o extraordinário nível de desenvolvimento humano desses países.
Com relação à saúde, no entanto, entre os países de renda média alta, os gastos per capita do
Brasil (US$ 631) somente superam os do México (US$ 477) e da Rússia (US$ 405). Entre os países
sul-americanos, os que mais gastam com saúde são a Argentina (US$ 1.091) e o Uruguai (US$ 1.007).
Entre os países de alta renda, os maiores gastos per capita com saúde são os dos EUA (US$ 4.499) e da
Suíça (3.161%).
Da mesma forma, a taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos e mais também mostra
correlação direta com os níveis de renda (coluna 9). Em 2001, a taxa de alfabetização era de 63% nas
economias de baixa renda, 86,6% nas economias de renda média e de 99% nos países de alta renda. A
redução do índice de analfabetismo, principalmente entre as mulheres, é muito importante porque vai
se refletir em menores taxas de mortalidade infantil.
Outro fator fundamental para a melhoria da saúde da população é o acesso a saneamento
melhorado à água tratada (Tabela 2, colunas 10 e 11). Constata-se que em 2000 os países de alta renda
tinham 100% de acesso a água tratada e saneamento melhorado. No Brasil, somente 87% da população
tinha acesso à água potável e 76% a saneamento melhorado. Os menores índices deste último indicador
nos países de renda média alta eram os da Coréia do Sul (63%) e México (74%). O acesso a esses
serviços é muito precário nos países pobres e em alguns países de renda média. Apenas 12% da
população da Etiópia têm acesso ao saneamento melhorado, percentuais que chegam tão-somente a
28% na Índia e a 40% na China. Quanto ao acesso à água tratada, os índices são um pouco melhores,
mas ainda muito precários, o que afeta a saúde da população.6
4 - Indicadores econômicos e de infra-estrutura do desenvolvimento mundial
Devido ao crescimento demográfico mais acelerado, os países pobres precisam aumentar a
produção de alimentos. Em alguns desses países houve crescimento expressivo do valor agregado pela
agricultura, entre 1990/1999 (coluna 12), como Moçambique (5,2%) e Peru (5,8%). Nesse período, essa
taxa foi de fato maior nos países mais pobres, decrescendo nos países de mais alta renda. No Brasil, ela
foi de 3,0%, chegando a 3,8% na Índia, sendo negativa em alguns países, como na Rússia (-6,3%) e
Angola (-3,1%). Os países ricos, exportadores de produtos manufaturados, podem importar com
facilidade os alimentos e matérias-primas de que necessitam. Porém, os países pobres, com economia
centrada no setor agrícola, um desempenho negativo desse setor afeta toda a sua estrutura produtiva.
Com base em 1989/1991, o índice da produção mundial de alimentos chegou a 130,3 em 1996/1998
(Tabela 2, coluna 13). Esse índice cresceu para 151,1 no conjunto dos países de renda média baixa e
para 124,3 nos países de baixa renda; em alguns países, ele se reduziu, como Federação Russa (64,4),
Alemanha (92,3) e Japão (95,2).
6
O acesso à água potável desses países eram: Etiópia, 24%; Angola, 38%; Moçambique e Serra Leoa, 57%. Em alguns
países, a adição de flúor na água potável tem reduzido a incidência de cárie na população.
8
Os maiores índices de crescimento da produção de alimentos ocorreram na China (153,5) e Peru
(140,5). No Brasil, o índice chegou a 125,7, nível similar ao da Argentina (125,9) e um pouco inferior
ao do Uruguai (130,8). A produção de alimentos pouco cresceu nos países ricos, com exceção dos
Estados Unidos (117,9) e Canadá (117,7). Os altos custos das terras e da mão-de-obra oneram a
produção desses países, o que tem levado os governos a conceder grandes subsídios para viabilizar a
produção agrícola e enfrentar a concorrência das importações provenientes dos países
subdesenvolvidos, em geral mais competitivos.
O desempenho da agricultura depende do uso de insumos modernos, como fertilizantes, tratores
e colheitadeiras, que elevam a produtividade da terra e do trabalho. Na maioria dos países pobres, o
valor agregado por trabalhador agrícola ainda é muito baixo (coluna 14), atingindo em 1996/1998
menos de mil dólares. Nos países de renda média baixa, a produtividade do trabalho agrícola chega a
menos de US$ 4.000, incluindo-se nessa faixa o México (US$ 2.164) e Rússia (US$ 2.476). No Brasil,
esse valor chegou a US$ 4.081 e na Coréia do Sul ele montou a US$ 11.657. Nos países ricos, o
rendimento do trabalho agrícola elevou-se a US$ 36.889 na França e a US$ 39.001 nos EUA. O baixo
crescimento agrícola se deve a problemas de mercado, políticas econômicas viesadas contra a
agricultura e escassez de terras, como no Japão e na maioria dos países da Europa. No Canadá e EUA,
a escassez de mão-de-obra é compensada pelo grande número de tratores por mil trabalhadores
agrícolas: 1.642 e 1.484, respectivamente (coluna 15). O uso de tratores também é intenso na Noruega
(1.276) e França (1.236). No Brasil, empregavam-se apenas 57 tratores por mil trabalhadores rurais, em
1995/1997. Exceto Rússia (106) e Turquia (58), esse número é ainda menor nos países mais pobres,
chegando a ser nulo na Etiópia e em Serra Leoa.
No conjunto dos países de baixa renda, o valor agregado pela indústria cresceu apenas 1,1%,
entre 1990/1999 (coluna 16); essa variável, no entanto, exceto no caso de Serra Leoa7, cresceu a taxas
razoavelmente altas, principalmente em Moçambique (9,9%) e Índia (6,7%). Nos países de renda média
baixa, essa taxa foi de 5,2%, com destaque para a China (14,4%) e Peru (6,7%). A China tem
apresentado extraordinário dinamismo nas últimas décadas, fruto de uma política deliberada de
desenvolvimento econômico. No Brasil, o valor agregado pela indústria cresceu 3,2% no período, taxa
inferior à do conjunto dos países de renda média alta (3,9%) e de países como Argentina (4,8%) e
México (3,6%).
Outro importante indicador do desempenho econômico global é a taxa de expansão das
exportações (coluna 17). Entre 1990/1999, ela foi negativa em Serra Leoa (-12,2%), país que esteve em
guerra nos anos de 1990, e de pequena amplitude na Suécia (2,2%) e Federação Russa (2,3%); ela
atingiu valores altos em economias como Coréia do Sul (15,6%) e México (14,3%). Muitos países
acabaram percebendo a importância das exportações na dinamização do setor de mercado interno, o
que expande a renda e o emprego. Nesse período, as exportações brasileiras cresceram 4,9% ao ano, em
média, o que pode ser considerado satisfatório, tendo em vista que a moeda manteve-se valorizada na
maior parte do período.
7
Serra Leoa, com crescimento negativo (-7,1%), foi um caso à parte por estar em guerra nos anos de 1990.
9
A taxa de crescimento do investimento interno bruto foi negativa no conjunto dos países de
baixa renda (- 1,4%), sendo negativa em Serra Leoa (- 10,3%), embora com crescimento expressivo na
Etiópia (13,4%) e Moçambique (13,1%). Os investimentos também cresceram rapidamente na China
(12,8%) e no Chile (11,4%), sendo negativos na Rússia (- 13,3%). No Brasil, os investimentos
cresceram apenas 3,1%, em decorrência da redução dos gastos públicos para manter a inflação sob
controle. As altas taxas de juros, as restrições ao crédito, o lento crescimento da demanda interna e as
dificuldades para exportar foram os principais inibidores dos investimentos privados e do crescimento
do PIB do período.
O nível de bem-estar da população também pode ser inferido pelo consumo de eletricidade per
capita (coluna 19). Esse indicador cresce com nível de renda: 22 kw/hora na Etiópia, 53 kw/h em
Moçambique, 477 kw/h nas Filipinas, 827 kw/h na China, 1.878 kw/h no Brasil, 2.406 kw/h no Chile,
6.539 kw/h na França, 12.331 kw/h nos Estados Unidos e 24.422 kw/h na Noruega. O nível de
industrialização influencia o consumo de eletricidade, assim como o percentual da população atendida
por redes de eletricidade. Maior demanda de energia é explicada também pelo clima muito frio ou
muito quente, devido ao uso generalizado de calefação ou ar condicionado. Nos países mais pobres, as
áreas mais distantes das fontes de geração de energia nem sempre são atendidas por esses serviços,
sobretudo nas áreas rurais. Mesmo nas periferias das zonas urbanas desses países há um contingente
apreciável de pessoas que não possuem eletricidade em suas casas. Em 2003, o governo brasileiro
lançou um programa de atendimento de 100% da população urbana em todo o país. A eletrificação
rural constitui um importante fator de desenvolvimento da agricultura, pois possibilita o funcionamento
de motores elétricos, facilita a circulação das informações através dos meios de comunicação e permite
à população rural o acesso a eletrodomésticos, como televisão, geladeira e freezer.
Outro importante indicador de desenvolvimento é a capacidade de determinado país gerar
tecnologia própria. Isso pode ser aferido pelos pedidos de registro de patentes feitos por residentes,
como mostra a coluna 20 da Tabela 2. Em 1997, os países de baixa renda efetuaram 3.978 pedidos de
registro de patentes, contra 31.781 pelos países de renda média baixa, 114.155 pelos países de renda
média alta e 648.093 pelos países de alta renda. O registro da patente de um novo produto assegura o
direito de sua produção com exclusividade, durante algum tempo, até que surjam imitadores
produzindo produtos similares. Os preços relativamente mais altos para o produto, assegurados pela
exclusividade de sua produção, proporcionam lucro puro e maior taxa de crescimento para a empresa e
o país. Entre os países de renda média, destaca-se a Coréia do Sul, com o maior número de pedidos de
patentes (92.788), seguida pela Federação Russa (15.277) e pela China (12.786). O Brasil registrou
1.292 pedidos de patentes por residentes, em 1997, valor que chegou a 5.150 em 2003
(www.inpi.gov.br). Entre os países de alta renda, a liderança incontestável é a do Japão, com 351.487
pedidos de patentes, seguido pelos EUA (125.808).
Em relação à qualidade de vida, cabe destaque a preservação do meio ambiente. Essa questão é
inferida na coluna 21 pela variação média anual do desmatamento entre 1990/1995. Enquanto as
florestas foram ampliadas nos países de alta renda (desmatamento igual a –0,2% no período), elas se
10
reduziram nos países de renda média alta (0,5% de desmatamento), chegando a 0,7% nos países de
baixa renda. O Brasil se mantém na média de seu grupo de renda (0,5%), sendo o desmatamento mais
intenso nas Filipinas (3,5%), Serra Leoa (3%) e Paraguai (2,6%), países exportadores de madeiras de
lei.
O índice de Gini, importante indicador de desigualdade, mede a distribuição de renda entre as
classes sociais (coluna 22).8 Serra Leoa possui a pior distribuição de renda do mundo (Gini igual a
62,9), seguido pelo Brasil (60,0) e África do Sul (59,3). O Paquistão (31,2) e a Índia (37,8%) possuem
a melhor distribuição de renda entre os países pobres. As melhores distribuições de renda são do Japão
(24,9), Suíça (25) e Noruega (25,8). Entre os países de renda média, cabe destaque ao Egito (28,9) e
Coréia do Sul (31,6). Os EUA possuem o maior índice de Gini entre os países de alta renda (40,8).
5 - Índices de desenvolvimento humano mundial
Todos os indicadores anteriores podem ser sintetizados pelos índices de desenvolvimento
humano (IDH), elaborados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Esse
índice mede o nível do desenvolvimento dos países, regiões e municípios, neste último caso com
algumas adaptações. O IDH é calculado pela média simples de três componentes: longevidade,
educação (taxa de alfabetização, peso 2/3, e taxa de matrícula nos três níveis de ensino, peso 1/3) e
nível de renda (PIB real per capita em dólares PPC). O IDH varia de 0 a 1: desenvolvimento humano
baixo (IDH ≤ 0,499); desenvolvimento humano médio (0,5 ≤ IDH ≤ 0,799); desenvolvimento humano
alto (IDH ≥ 0,800).
Em 1999, o PNUD modificou a metodologia de cálculo do PIB per capita, antes medido em
dólares norte-americanos, introduzindo o conceito de paridade do poder de compra de cada país. Isso
elevou a renda média dos países pobres. No caso do Brasil, a renda média se reduziu por esse critério,
porque a valorização cambial havia colocado o país no grupo das nações de elevado desenvolvimento
humano. Assim, em 1997, o IDH do Brasil era igual a 0,809 pela metodologia antiga (60a posição) e a
0,739 pela metodologia nova (79a posição). Contudo, observa-se em qualquer uma das metodologias o
aumento persistente do desenvolvimento humano no Brasil (www.cmv.org.br/idh.doc).
O IDH é analisado para uma amostra de países (Tabela 3). Em 2001, os países com os maiores
índices de desenvolvimento humano foram a Noruega (IDH = 0,944), Islândia (0,942)9 e Suécia
(0,941). Os EUA aparecem em 7o lugar (0,944) e o Japão em 9o (0,932). Os países com os menores
IDH localizam-se na África: Serra Leoa (0,275), Niger (0,292) e Burkina Faso (0,330). Observa-se que
o IDH cresce com o nível de renda (2001): países de baixa renda (0,447); renda média baixa (0,733);
8
O índice de Gini varia de zero (perfeita igualdade) a 1 (perfeita desigualdade). Quanto maior o índice, pior será a
desigualdade da distribuição de renda entre as classes sociais de determinado país. Kuznets (1955) percebeu que esse índice
aumenta com o crescimento econômico, atinge um ponto de máximo e depois declina no longo prazo, como conseqüência
do desenvolvimento econômico.
9
A Islândia é uma ilha situada na proximidade do círculo polar Ártico. Com vulcões ativos, ela sofre constantes tremores de
terra; 12% de seu território (102.819 km2) são cobertos por gelo; a principal base econômica gira em torno da exportação de
produtos da pesca. Em 2001, seu PIB per capita atingiu 29.990 dólares PPC, com vida média de 79,6 anos.
11
renda média alta (0,822); países ricos (0,930). Maiores índices de educação e de longevidade dependem
do crescimento econômico, embora este também seja altamente influenciado pelos níveis educacionais
e de saúde.
Tabela 3 Evolução do Índice de Desenvolvimento Humano, 1975-2001.
Amostra de países
por níveis de renda
I – BAIXA RENDAa
01 - Serra Leoa
02 - Moçambique
03 - Etiópia
04 - Angola
05 - Paquistão
06 - Índia
07 - Bolívia
II – Y MÉDIA BAIXAa
08 - Egito
09 - China
10 - Turquia
11 - Filipinas
12 - Paraguai
13 - Peru
14 - Venezuela
III – Y MÉDIA ALTAa
15 - África do Sul
16 - Brasil
17 - Federação Russa
18 - México
19 - Chile
20 - Uruguai
21 - Argentina
22 - Coréia do Sul
23 - Grécia
24 - Portugal
IV – ALTA RENDAa
25 - Itália
26 - Espanha
27 - Alemanha
28 - França
29 - Reino Unido
30 - Suíça
31 – Japão
32 - Canadá
33 - EUA
34 - Suécia
35 - Noruega
Média mundiala
1975
1980
1985
1990
1995
2001
0,424
0,344
0,416
0,511
0,603
0,433
0,521
0,589
0,647
0,674
0,639
0,715
0,737
0,66
0,643
0,684
0,7
0,756
0,784
0,701
0,831
0,875
0,853
0,838
0,834
0,846
0,84
0,872
0,851
0,866
0,864
0,862
0,858
0,802
0,417
0,309
0,37
0,443
0,546
0,633
0,48
0,554
0,612
0,68
0,708
0,668
0,729
0,757
0,676
0,678
0,796
0,729
0,735
0,775
0,797
0,736
0,847
0,799
0,868
0,854
0,851
0,859
0,862
0,847
0,884
0,875
0,881
0,883
0,871
0,876
0,809
0,407
0,295
0,281
0,403
0,481
0,573
0,657
0,53
0,591
0,649
0,684
0,714
0,691
0,737
0,774
0,702
0,691
0,811
0,748
0,752
0,779
0,804
0,774
0,859
0,821
0,880
0,862
0,865
0,868
0,874
0,857
0,891
0,89
0,904
0,896
0,882
0,887
0,811
0,436
0,317
0,305
0,44
0,519
0,598
0,682
0,572
0,624
0,681
0,713
0,726
0,702
0,755
0,793
0,734
0,712
0,809
0,757
0,78
0,799
0,807
0,814
0,869
0,847
0,897
0,884
0,883
0,885
0,896
0,877
0,904
0,906
0,924
0,911
0,893
0,9
0,835
0,461
0,325
0,322
0,472
0,553
0,631
0,709
0,605
0,679
0,712
0,731
0,744
0,729
0,765
0,807
0,741
0,738
0,766
0,771
0,811
0,814
0,829
0,848
0,875
0,876
0,915
0,9
0,901
0,908
0,912
0,916
0,912
0,92
0,929
0,923
0,924
0,924
0,858
0,447
0,275
0,356
0,359
0,377
0,499
0,59
0,672
0,733
0,648
0,721
0,734
0,751
0,751
0,752
0,775
0,822
0,684
0,777
0,779
0,8
0,831
0,834
0,849
0,879
0,892
0,896
0,930
0,916
0,918
0,921
0,925
0,93
0,932
0,932
0,937
0,937
0,941
0,944
0,847
Classificação pelo
IDH de 2001
175
170
169
164
144
127
114
120
104
96
85
84
82
69
111
65
63
55
43
40
34
30
24
23
21
19
18
17
13
10
9
8
5
3
1
-
Variação
1975/2001
5,5
15,2
27,8
45,1
41,8
31,5
21,7
49,7
38,4
24,6
16,1
11,4
17,7
8,4
11,5
3,6
20,8
-2,1
17,0
18,7
10,3
8,3
25,4
7,3
2,4
9,0
9,3
10,1
7,2
9,3
10,7
6,9
9,5
8,2
8,4
9,2
10,0
5,6
Fonte: PNUD. Relatório do Desenvolvimento Humano, 2003.
Nota: a Média calculada para os países que se encontram nesta tabela.
Em 2001, o IDH do Brasil foi igual a 0,777, um pouco abaixo do IDH da Federação Russa
(0,779) e acima do da Venezuela (0,775) e Filipinas (0,751). Apesar do lento crescimento do PIB per
12
capita do Brasil nas últimas décadas, principalmente entre 1990/2001 (1,4%), o seu IDH cresceu 20,8%
entre 1975/2001 (última coluna). Essa taxa foi superior à verificada no mesmo período nos países de
renda média alta (11,5%), renda alta (9%) e baixa renda (5,5%), sendo ligeiramente inferior àquela dos
países de renda média baixa (21,7%). Isso mostra que os maiores níveis de desenvolvimento obtido
pelo Brasil depois de 1975 resultaram do progresso obtido nas áreas de saúde e educação. A vacinação
reduziu a mortalidade infantil e a taxa de mortalidade de adultos; houve progresso também na redução
do analfabetismo, maior nível de acesso à água potável e ao ensino fundamental e superior. Em termos
mundiais, os maiores níveis de desenvolvimento alcançados foram os do Egito (49,7%), Paquistão
(45,1%) e Índia (41,8%). Países do Mercosul apresentaram melhorias menos significativas: Paraguai,
11,4%; Uruguai, 10,3% e Argentina, 8,3%.
6 - Índices de desenvolvimento humano do Brasil
O desenvolvimento econômico não surge de maneira uniforme no espaço. Algumas regiões
crescem rapidamente, gerando maior nível de bem-estar para a sua população, enquanto outras
permanecem estagnadas e pobres. No Brasil o desenvolvimento tem sido muito desigual. As regiões
Sudeste e Sul têm obtido rápido crescimento econômico, enquanto as regiões Norte e Nordeste
permanecem com os piores indicadores de desenvolvimento. O Estado de São Paulo (SP), o maior
Tabela 4 Índice de desenvolvimento humano dos Estados Brasileiros, 1991 e 2000.
Ordem
1°
2°
3°
4°
5°
6°
7°
8°
9°
10°
11°
12°
13°
14°
15°
16°
17°
18°
19°
20°
21°
22°
23°
24°
25°
26°
Estados
Santa Catarina
São Paulo
Rio Grande do Sul
Rio de Janeiro
Paraná
Mato Grosso do Sul
Goiás
Minas Gerais
Mato Grosso
Espírito Santo
Amapá
Roraima
Rondônia
Pará
Amazonas
Tocantins
Pernambuco
Rio Grande do Norte
Ceará
Acre
Bahia
Sergipe
Paraíba
Piauí
Alagoas
Maranhão
Região
Sul
Sudeste
Sul
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
Centro-Oeste
Sudeste
Centro-Oeste
Sudeste
Norte
Norte
Norte
Norte
Norte
Norte
Nordeste
Nordeste
Nordeste
Norte
Nordeste
Nordeste
Nordeste
Nordeste
Nordeste
Nordeste
1991
0,748
0,778
0,753
0,753
0,711
0,716
0,700
0,697
0,685
0,690
0,691
0,692
0,660
0,650
0,664
0,611
0,620
0,604
0,593
0,624
0,590
0,597
0,561
0,566
0,548
0,543
2000
0,822
0,820
0,814
0,807
0,787
0,778
0,776
0,773
0,773
0,765
0,753
0,746
0,735
0,723
0,713
0,710
0,705
0,705
0,700
0,697
0,688
0,682
0,661
0,656
0,649
0,636
Variação
1991/00 (%)
9,9
5,4
8,1
7,2
10,7
8,7
10,9
10,9
12,8
10,9
9,0
7,8
11,4
11,2
7,4
16,2
13,7
16,7
18,0
11,7
16,6
14,2
17,8
15,9
18,4
17,1
Fonte: www.rankbrasil.com.br (PNUD/IPEA/IBGE/Fundação João Pinheiro).
13
pólo industrial do Brasil, gera a maior parte do PIB nacional; porém, é Santa Catarina quem lidera o
ranking do desenvolvimento humano no Brasil (0,822, Tabela 4). São Paulo vem a seguir (0,820),
seguido pelo Rio Grande do Sul (0,814), Rio de Janeiro (0,807) e o Paraná (0,787).10 Constata-se que
os Estados das Regiões Sul e Sudeste possuem os maiores IDH, seguindo-se os Estados do CentroOeste, com forte base agroindustrial, Norte e Nordeste.
O melhor desempenho no período foi o de Santa Catarina, que, com suas belas praias, vem
atraindo milhares de turistas; em 1991, esse Estado classificava-se em 5º lugar, atrás do Rio Grande do
Sul e do Rio de Janeiro; em 2000, ele passou para a 2a posição. Sua capital, Florianópolis, é a capital de
Estado com a melhor qualidade de vida, seguida por Porto Alegre na 9a posição. Santa Catarina possui
16 cidades entre as 50 cidades brasileiras com a melhor qualidade de vida, ficando à frente dos Estados
de São Paulo (14 cidades) e do Rio Grande do Sul (11 cidades).11
Contudo, os Estados com as maiores taxas de variação do IDH no período foram os do
Nordeste, com destaque para Alagoas (18,4) e Ceará (18%). A variação do IDH de Santa Catarina foi
de 9,9%. As menores variações ocorreram nos Estados mais ricos: São Paulo (5,4%), Distrito Federal
(5,6%) e Rio de Janeiro (7,2%). Isso reflete um esforço relativamente maior no desenvolvimento das
áreas mais pobres do Brasil, em termos de geração de renda e de gastos com saúde e educação.
São Caetano do Sul, uma cidade industrial da periferia de São Paulo, é a cidade brasileira com o
maior IDH (0,919). A seguir, as cidades com a melhor qualidade de vida são: Águas de São Pedro (SP,
0,908), Niterói (RJ, 0,886), Florianópolis (SC, 0,875), Santos (SP, 0,871), Bento Gonçalves (RS, 0,870)
etc. Entre as 50 cidades com o maior IDH, encontram-se apenas mais quatro capitais: Porto Alegre (9a ;
RS, 0,865), Curitiba (16a ; PR, 0,856), Vitória (18a; ES, 0,856) e Brasília (48a; DF, 0,844). As duas
últimas cidades da lista, ambas do Rio Grande do Sul, são Farroupilha (49a; 0,844) e Nova Bassano
(50a ; 0,844).
Alguns autores ampliaram o índice de desenvolvimento humano, incluindo variáveis mais
suscetíveis de captar tanto as condições econômicas, como a situação social do conjunto da população
mais pobre. Assim, além da expectativa de vida ao nascer, da taxa de alfabetização e da renda per
capita, Romão (1993) utilizou também a incidência de pobreza e o coeficiente de Gini para calcular os
índices de desenvolvimento humano ampliado (IDHA). Os Estados mais desenvolvidos, classificados
por esses índices, tendem a apresentar IDHA mais altos e, portanto, índices mais baixos de
desigualdade-pobreza. Desse modo, quanto melhor distribuída estiver a renda, tanto maior será o nível
de vida do conjunto da população (Romão, 1993, p. 108).
Seguindo a linha de Romão (1993), Oliveira (2001) examinou a evolução do desenvolvimento
humano, da desigualdade de renda e do nível de pobreza dos municípios e regiões do Rio Grande do
Sul (Conselhos Regionais de Desenvolvimento), entre 1970 e 1991. Para tanto, ele elaborou o Índice de
10
O Distrito Federal possuía um IDH de 0,799 em 1991, passando para 0,844 em 2000, o que corresponde a uma variação
de 5,6%.
11
A seguir, vem o Paraná, com cinco cidades; após, com apenas uma cidade, encontram-se o Distrito Federal e os Estados
do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Pernambuco (ilha de Fernando de Noronha, 10o lugar no rank nacional).
14
Desenvolvimento Humano Municipal Modificado, utilizando parte da metodologia do IDH da ONU e
do Índice de Condições de Vida do IPEA. O estudo indicou uma melhoria sensível dos indicadores de
desenvolvimento humano e de pobreza, tanto do conjunto do Rio Grande do Sul, como da maior parte
de suas regiões. Entretanto, eles apontaram o aumento da concentração de renda regional e estadual,
sobretudo entre 1980 e 1991.
No mesmo sentido, a Fundação de Economia e Estatística (RS), elaborou o Índice de
Desenvolvimento Socioeconômico para os municípios do Rio Grande do Sul. Esse índice leva em conta
quatro blocos de variáveis, cada um pesando 25%: (a) Domicílio e Saneamento: proporção de
domicílios abastecidos com água tratada (peso 0,5), domicílios com rede geral de esgoto ou pluvial
(peso 0,4) e média de moradores por domicílio (peso 0,1); (b) Educação: taxa de analfabetismo de
pessoas de 15 anos e mais de idade (peso 0,35), taxa de evasão no ensino fundamental (peso 0,25), taxa
de reprovação no ensino fundamental (peso 0,20) e taxa de atendimento no ensino médio (peso 0,20);
(c) Saúde: percentual de crianças nascidas com baixo peso, taxa de mortalidade de menores de cinco
anos e expectativa de vida ao nascer (peso 1/3 cada); (d) Renda: PIB per capita e Valor Adicionado
Bruto per capita do Comércio, Alojamento e Alimentação (peso 0,5 cada).
Oito municípios do Rio Grande do Sul apresentaram, em 2000, os mais altos índices de
desenvolvimento (índice ≥ 0,8): Caxias do Sul, Canoas, Esteio, Porto Alegre, Bento Gonçalves, Campo
Bom, Ivoti e Vacaria. No outro extremo, o Município de Benjamin Constant do Sul foi o único
considerado com baixo nível de desenvolvimento (índice = 0,496). Os 458 municípios restantes, com o
índice variando entre 0,5 e 0,799, foram considerados como de desenvolvimento médio
(www.fee.rs.gov.br). Esses índices têm o mérito de considerar um conjunto mais amplo de variáveis;
porém, eles levaram a uma concentração excessiva de municípios no nível médio, com apenas um
como sendo de baixo nível. Os índices do PNUD (IDH) têm o maior mérito na sua simplicidade ao se
concentrarem em três indicadores relevantes.
QUESTÕES PARA REFLEXÃO E DISCUSSÃO
01. Comente acerca da evolução dos índices mundiais de desenvolvimento humano (Tabela 3), por
níveis de renda dos diferentes países.
02. Comente acerca da evolução dos índices de desenvolvimento humano (Tabela 4), segundo os
diferentes Estados do Brasil.
03. Explique os aperfeiçoamentos efetuados aos índices de desenvolvimento humano e compare com
aquele da ONU (IDH).
15
REFERÂNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Mundial, 1990.
________________. Relatório sobre o desenvolvimento mundial 1991. Washinghton : Banco Mundial,
1991.
________________. Relatório sobre o desenvolvimento mundial 1995. Washinghton : Banco Mundial,
1995.
__________________. Relatório sobre o desenvolvimento mundial 2000/2001. Washinghton: Banco
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FAVA, Vera Lúcia. Urbanização, custo de vida e pobreza no Brasil. São Paulo : IPE/USP, 1984.
HIRSCHMAN, Albert O. La economia política del desarrollo latino americano. Siete ejercicios en
retrospectiva. El Trimestre Económico. México, v. LXIII (2), n. 250, Abril/Junho 1996.
KUZNETS, S. Economic growth and income inequality. American Economic Review, v. 45, p. 1-28,
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OLIVEIRA, Júlio Cezar de. Desenvolvimento humano, desigualdade de renda e pobreza nos conselhos
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Porto Alegre : UFRGS, 2001.
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ROMÃO, Maurício C. Uma proposta de extensão do “Indice de desenvolvimento humano” das Nações
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Desenvolvimento, Projeto IPEA/PNUD-BRA/91/014).
16
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