EXPERIMENTO PARA AVALIAÇÃO DA TAXA DE ÓLEO ESPALHAMENTO DE Mendes, L.B.1.; Nunes, L.M.P.1 1 Centro de Pesquisas Leopoldo A. Miguez de Mello – CENPES – PETROBRAS, I. do Fundão, Cidade Universitária, Q7 s/n, Rio de Janeiro, RJ, 21949-900, 21-3865-6848, [email protected] Palavras Chave: modelagem de dispersão , tipos de óleo , tanque experimental Introdução Atualmente as questões ambientais envolvendo a poluição por óleo no meio aquático demandam cada vez mais atenção por parte dos diversos setores da PETROBRAS. Exigências dos órgãos ambientais (IBAMA, FEEMA, CETESB, entre outros), podem afetar as atividades da PETROBRAS, caso não sejam atendidas em prazo hábil e de forma integral. Em muitos casos as simulações computacionais envolvendo derrames de óleo que objetivam respaldar as decisões tomadas por setores fundamentais como Exploração e Produção, Abastecimento ou Distribuição de petróleo necessitam ser alimentadas com informações obtidas somente a partir da literatura técnico-científica disponível. Parâmetros como a taxa de espalhamento de uma mancha de óleo (1) - no início de um vazamento posicionado na interface ar-mar, por exemplo - são ainda escassos na literatura. Este fato é agravado quando a questão envolve o comportamento de óleos típicos de produção nacional. Assim, este trabalho pretende apresentar uma metodologia de caráter experimental, visando aprimorar a qualidade das informações requeridas para alimentar modelos computacionais de última geração (“ADIOS 2”, “OILMAP”) que simulam o comportamento da mancha de óleo em ambientes aquáticos. Material e Métodos Procurando atender aos objetivos descritos, foram projetados dois experimentos com óleos de diferentes características físico-químicas (densidade, viscosidade, volatilidade). Os óleos utilizados foram obtidos por intermédio da técnica de petróleo Jussara Maria Dias Cortes do setor de geoquímica de petróleo do CENPES. Estes experimentos foram conduzidos utilizando um tanque constituído por uma calha de amianto com capacidade para 300 litros fechada nas extremidades com placas de amianto recortadas e coladas com adesivo de nome comercial “tubolite”. O tanque (com 6 m de comprimento e 30 cm de altura) foi revestido com uma manta plástica para que pudesse ser reutilizado quantas vezes fossem necessárias. Foi utilizada água doce no interior do tanque e não houve movimentação hidrodinâmica ao longo do experimento. A borda lateral do tanque foi previamente graduada ao longo do seu comprimento (com intervalos de 50 em 50 cm), para que o espalhamento inicial do óleo (“spreading”) fosse acompanhado e cronometrado . Foram efetuadas duas simulações de vazamentos com volume inicial de 100 ml de óleo , sendo a primeira com óleo BSS-64 (bacia de Santos) e a segunda com óleo RJS-613 (bacia de Campos) mais pesado que o anterior. Os principais resultados se encontram descritos na Tabela 1 e podem ser observados nas Figuras 1 a 3. Figura 1 . Espalhamento do óleo após 07 minutos (experimento 1) Figura 2 . Espalhamento do óleo após 06 minutos (experimento 2) Tabela 1. Resumo dos resultados obtidos nos dois experimentos executados em 20/02/2004. Tipo ρ óleo Volume N0 do experim. de [kg/m3] [cm3] óleo Inclinação do tanque [graus] Tempo decorrido desde o lançamento até a distância percorrida pelo óleo 01 minuto 01 02 BSS 64 RJS 613 820,9 956,0 100 100 0 0 02 minutos 03 minutos 1,67 m 2,31 m Foto 1 01 minuto 0,35 m Foto 2 02 minutos 0,43 m Foto 3 03 minutos 0,50 m Foto 4 Foto 6 04 05 minutos minutos 0,75 m 0,53 m Foto 9 Foto 10 Foto 11 Foto 12 1,13 m Temperatura do ar [ 0C ] 04 07 minutos minutos 3,50 m 3,67 m 31,7 31,7 Foto 13 As velocidades de espalhamento observadas ao longo dos 2 experimentos demonstraram diferenças. No experimento 1 (óleo com densidade 802,9 kg/m3) a velocidade do espalhamento foi maior no 1º e 4º minutos , tendo seu máximo no 4º minuto (119 cm/min). Não houve influência do vento, o que permitiu observar o decaimento da velocidade do espalhamento nos próximos 3 minutos até a estabilização do movimento . De forma semelhante, no experimento 2 (óleo com densidade 956,0 kg/m3) a velocidade do espalhamento foi maior no 1º e 4º minutos , tendo seu máximo no 1º minuto (35 cm/min). No entanto, ao final do experimento, após o 4º minuto houve influência significativa do vento. A mancha de óleo sob influência do vento em sentido contrário ao do espalhamento praticamente retornou ao local inicial do vazamento , ali permanecendo num estado estacionário. Figura 3. Velocidade de espalhamento observada ao longo de ambos experimentos executados. De acordo com Chao, N. X. (2), o espalhamento pode ser estimado em função da densidade do óleo e da água, da velocidade do vento, do volume vazado e do tempo decorrido desde o início do vazamento segundo a formulação : A = 2270(Δρ/ρo)2/3 V2/3 t1/2 + 40(Δρ/ρo)1/3 V1/3 U4/3 t (1) Onde : ρo = Densidade do óleo Δρ = Diferença entre densidade do óleo e a densidade da água (utilizada) V = Volume do óleo t = tempo de espalhamento U = Velocidade do vento A = Área ocupada pela mancha de óleo Com base nesta proposição, também utilizada por modelos matemáticos de uso comercial, (“Oilmap”) foram calculadas as dimensões das manchas obtidas nos dois experimentos. Assumindo-se espalhamento radial, foi possível determinar as velocidades de espalhamento ao longo do tempo conforme indicado nas Figuras 4 e 5. Desta forma foi possível avaliar a compatibilidade entre os resultados obtidos a nível experimental com aqueles calculados com base na equação acima . Figura 4. Tendência obtida para o decaimento da velocidade de espalhamento (experimento1) Figura 5. Tendência obtida para o decaimento da velocidade velocidade de espalhamento (experimento 2) Conclusões O experimento teve como objetivo principal demonstrar a viabilidade da obtenção de parâmetros que permitem estimar o comportamento do óleo na água. Na literatura existem diversas avaliações destes parâmetros e de fórmulas analíticas, entretanto todo este material disponível é relativo à petróleos não produzidos no Brasil e sob condições ambientais distintas das nossas. Os resultados obtidos mostram que para óleos leves, sem influência da ação do vento (caso do experimento 1), o espalhamento da mancha converge muito bem com o predito pela formulação (Eq.1). No entanto, para óleos pesados, e sob influência da ação do vento (experimento 2), há diferenças de cerca de 70 % entre o espalhamento observado e o predito. Portanto, torna-se evidente a importância de um tanque de provas para estimativa de parâmetros envolvidos nos processos de modelagem, inicialmente do espalhamento (“spreading”) e da evaporação, futuramente de outras propriedades físico-quimicas do óleo na água. Os resultados experimentais obtidos - de forma independente - demonstraram ser da mesma ordem de grandeza daqueles obtidos por modelos matemáticos citados pela literatura científica. No entanto são necessárias comparações com outras seqüências experimentais - executadas sob condições ambientais controladas - para que possam ser utilizados em futuras aplicações para a indústria de petróleo. Referências 1 Fazal, R. A & Milgram, J. H. The effects of surface phenomena on the spreading of oil on water. Massachusetts Institute of Technology Cambridge Massachusetts. Report No MITSG 79-31. November 1979 2 Chao , X, N. Shankar, J. & Cheong, H, F. “Two – and three-dimensional oil spill model for coastal waters”, Ocean Engineering N0 28, pp 1557-1573, October 2000