SOCIEDADE PORTUGUESA DE QUÍMICA PROPOSTA DE RESOLUÇÃO DA PROVA nº 142- QUÍMICA de 3 de Setembro de 2002 GRUPO I VERSÃO I 1. 2. 3. 4. 5. 6. VERSÃO II (D) (B) (E) (C) (C) (C) (B) (C) (D) (B) (C) (E) GRUPO II 1.1 2 NO (g) + C2(g) 2 NOC(g) Quantidades no início : 2 mol 1 mol 0 mol Na reacção, por cada x mol de C2(g) consumidos, consomem-se 2x mol de NO (g) e formamse 2x mol de NO C (g). Designando, por xe a correspondente quantidade consumida quando se atinge o equilíbrio, tem-se: Quantidades no equilíbrio: (2- 2xe) mol (1- xe) mol 2 xe mol Afirma-se que a quantidade de NO(g) no equilíbrio é 0,5 mol, isto é, 2- 2xe= 0,5 mol. Por conseguinte, xe= 0,75 mol. No equilíbrio, a quantidade de C2(g) é 0,25 mol e a de NO C (g) é de 1,5 mol. Como o volume é de 1 dm3, as concentrações serão: [NO C (g)]= 1,5 mol dm-3 [NO (g)]= 0,5 mol dm-3 [C2 (g)]= 0,25 mol dm-3 Verifica-se que é no gráfico I que estas concentrações estão assinaladas quando se passou tempo suficiente para se atingir o equilíbrio. As concentrações iniciais estão certas em todos os gráficos. O gráfico I traduz, portanto, a variação das concentrações com o tempo até se atingir o equilíbrio. 1.2 A constante de equilíbrio KC é dada por. Kc [NOC( g )]e2 = [C 2 ( g )]e [NO( g )]e2 = (1,5) 2 = 36 dm3 mol-1 0,25 × (0,5) 2 Nota: Tal como foi calculado, Kc tem as unidades referidas. É no entanto prática comum apresentar constantes de equilíbrio adimensionais, K0c =36 (colocámos o índice superior para distinção). Tal prática supõe cada uma das concentrações dividida por uma concentração c0 = 1mol dm-3. 1.3.1 A adição de um gás inerte não vai alterar as concentrações no equilíbrio dos reagentes e produtos de reacção, uma vez que o volume é constante. 1.3.2. A adição de 1,0 mol de NO (g) vai alterar o quociente reaccional. No instante da adição as concentrações são: [NO(g)]= 1,5 mol dm-3 [C2(g)]= 0,25 mol dm-3 [NOCl (g)]= 1,5 mol dm-3 O quociente reaccional é QC = [NOC (g)]2 = (1,5)2 = 4,0 dm3mol-1 [NO (g)]2 [C 2 ( g )] (1,5)2 × 0,25 Como QC<KC a reacção vai evoluir no sentido directo. Portanto vão ser consumidos reagentes e a quantidade de C2(g) diminui. A mesma conclusão poderia ser obtida invocando o princípio de Le Châtelier: o equilíbrio foi modificado pela introdução de substâncias do lado dos reagentes. O sistema responde no sentido de repor o equilíbrio, ou seja, a reacção prossegue no sentido directo com consumo de reagentes e consequente diminuição da concentração de C2(g). 2. 1 Vamos verificar quais seriam as concentrações de ião carbonato necessárias para precipitar, respectivamente, o carbonato de chumbo e o carbonato de prata. As equações e constantes que traduzem os equilíbrios de solubilidade são, a 25ºC: Para o carbonato de chumbo CO32- (aq) + Pb2+(aq) PbCO3 (s) (1) 2- com Ks (1)= [CO3 (aq)]e [ Pb2+(aq)]e= 7,4×10-14 Para o carbonato de prata CO32- (aq) + 2 Ag+(aq) Ag2CO3 (s) 2- + 2 (2) -12 com Ks (2)= [CO3 (aq)]e [ Ag (aq)]e = 8,5×10 Para o equilíbrio (1) a concentração de ião carbonato quando se atinge o equilíbrio seria: [CO32- (aq)]e(1)= 7,4×10-14/10-6= 7.4×10-8 mol dm-3 Para o equilíbrio (2) a respectiva concentração seria [CO32- (aq)]e(1)= 8,5×10-12 /(10-3)2= 8,5×10-6 mol dm-3 Como para o primeiro equilíbrio a concentração de ião carbonato requerida é menor, dá-se em primeiro lugar a precipitação de carbonato de chumbo. 2.2 Atendendo às condições do problema, a quantidade de carbonato de chumbo que se dissolve a 25ºC por dm3 de solução (solubilidade, S) é dada pela concentração de ião chumbo em solução ou de ião carbonato em solução no equilíbrio, S =[CO32- (aq)]e= [Pb2+(aq)]e. Atendendo à definição de definição de Ks (1), tem-se S= (Ks (1))1/2 ou seja S= (7,4×10-14)1/2= 2,7×10-7 mol dm-3 2.3.1 Ag+(aq) + 2 CN- (aq) [Ag(CN)2]- (aq) Como o ião complexo é muito estável, o equilíbrio estará bastante deslocado para o lado direito. Pode escrever-se a reacção de formação com a seta apenas para o lado direito →. 2.3.2 Os iões Ag+(aq) obtidos por dissolução do carbonato de prata participam também no equilíbrio de formação do complexo [Ag(CN)2]- (aq), muito estável. Devido a este segundo equilíbrio, são retirados iões Ag+(aq) do meio aquoso. destruindo o primeiro equilíbrio (de dissolução do carbonato de prata). De acordo com o princípio de Le Châtelier, o sistema evolui no sentido de repor o equilíbrio. Isso é conseguido a partir da dissolução do carbonato de prata que se encontrava na forma de sólido. Assim, a solubilidade do carbonato de prata aumenta. 3.1 O equilíbrio de dissociação ácida do ácido metanóico (cujo nome vulgar é ácido fórmico) é dado por: HCOOH(aq) + H2O(l) HCOO- (aq) + H3O+(aq) com [HCOO ] [H O ] + - Ka = e 3 [HCOOH ]e e = 1,8 × 10 − 4 x2 , conduzindo à equação de 2ºgrau Se designarmos [H3O ]e por x, K a = 0,200 − x + x2 + 1,8×10-4x -3,6×10-4=0 cuja solução com significado físico é x=5,9×10-3 Como pH= -log[H3O+]e tem-se pH≈ 2,2 3.2 A reacção de titulação do ácido metanóico é HCOOH (aq) + OH-(aq) → HCOO- (aq) + H2O () Como o hidróxido de potássio é uma base forte, portanto completamente dissociada em solução aquosa, escrevemos a equação na forma iónica, não incluindo o ião K+(aq), que figura como ião espectador. O metanoato de potássio fica também completamente dissociado em HCOO- (aq) e K+(aq). Ao atingir-se o ponto de equivalência a quantidade de hidróxido de potássio (base, índice inferior b) iguala a de ácido metanóico. nácido= nKOH Mas, nácido= ca× va= 0,200×0,0200= 0,0040 mol Por sua vez nKOH= cb × vb. Donde, vb= 0,0040/ 0,250= =0,0160 dm3 Assim, confirma-se que o volume de base necessário para a titulação era de 16,0 cm3. 3.3 Pela estequiometria da reacção da alínea anterior, a quantidade de sal obtida no ponto de equivalência seria 0,0040 mol. Esta quantidade está num volume de 36,0 cm3, isto é, a concentração de sal [K(HCOO) (aq)]= 0,0040/ 0,0360= 0,111 mol dm-3 4.1 Das equações (1) e (2) verifica-se que os iões Fe2+(aq) são reduzidos a Fe(s) quer pelo A(s) quer pelo Zn(s). Logo dos três metais é o Fe(s) que tem menor poder redutor. A equação (3) mostra que os iões Zn2+(aq) são reduzidos a Zn(s) pelo A(s). Portanto é o A(s) que tem maior poder redutor. 4.2 A força electromotriz da célula galvânica correspondente à reacção global dada, nas condições padrão, seria obtida pela diferença entre os potenciais de redução padrão, E0célula= E0 (MnO4-(aq)/Mn2+(aq) - E0(O2(g)/H2O2 (aq)= 1,51 - 0,68 = 0,83 V Como essa força electromotriz é positiva, isso quer dizer que a reacção se processa espontaneamente nesse sentido directo. 4.3 Sabemos que na forma oxidada, MnO4- o Mn está no estado de oxidação +7 e na forma reduzida, Mn2+, está no estado de oxidação +2. Isso implica que por átomo de Mn serão necessários 5 electrões para se dar a redução. O acerto do oxigénio faz-se mediante a adição de moléculas de água MnO4-(aq) → Mn2+(aq) + 4 H2O() e o acerto de H é feito por meio da adição de H+(aq) MnO4-(aq) + 8 H+(aq) → Mn2+(aq) + 4 H2O() Como se pode constatar os 5 e- equilibram a carga. A semi-equação da reacção de redução será: MnO4-(aq) + 8 H+(aq) + 5 e- → Mn2+(aq) + 4 H2O() Grupo III 1. O óxido de alumínio é catalisador, não figura na equação química Pela diferença entre a fórmula do reagente, CH3CH2OH e do produto de reacção obtido, C2H4, pode verificar-se que o outro produto de reacção é a água, H2O. 2. Atendendo a que a molécula de eteno é apolar, não tem dipolos permanentes, portanto a hipótese A fica excluída. Como a molécula de água é polar, existem as interacções da hipótese B. A hipótese C está sempre presente. A hipótese D não se verifica porque não há no eteno, ao contrário do que acontece na água, átomos de hidrogénio ligados a átomos muito electronegativos. Uma vez que se tratam de moléculas pequenas as interacções C não são muito fortes, pelo que as interacções dominantes são as B. 3.1 Trata-se do bromo, Br. 3.2. É uma reacção de adição (C). 4. O composto é o 2-buteno. CH3 CH3 \ / C=C / \ H H cis-2-buteno CH3 H \ / C=C / \ H CH3 trans-2-buteno