ARTE-INDOPORTUGUESA:
urbanismo,
arquitectura
e
artes
decorativas
Hélder Carita
Fundação Casa de Rui Barbosa - Agosto de 2011
Dias: 9, 11,16,18, 23 e 25 de agosto de 18h às 21h
O presente curso pretende estabelecer uma visão global e aprofundada sobre a arte
produzida sobre influência portuguesa no Oriente tomando particular atenção aos seus
reflexos no Brasil.
Face a um território imenso e em complicadas circunstâncias de sustentabilidade, o
Estado da Índia desenvolveu um conjunto de peculiares estruturas de administração e
comportamento onde a arte assume particular relevo e significado numa tripla lógica de
propaganda, adaptação e miscigenação.
Tendo o seu apogeu ao longo dos séculos XVI e XVII, estes processos de
intercâmbio cultural e artístico constituem um conjunto de ensaios e uma experiência
fundamental quando no século XVIII as estratégias políticas e económicas portuguesas se
deslocam do Oriente para o Atlântico e o Brasil.
Programa:
O curso divide-se em seis palestras divididas em duas partes
Primeira parte - (9-11-16 de Agosto)
1.
Lógicas de um império flutuante : centralidades, redes, instituições e rotas
comerciais. O Índico e a Ásia do Sul nos inícios do séc. XVI.A Carreira da Índia e o
comércio inter-ásico: o Mar Arábico, o Malabar, o Coromandel, o Mar do Ceilão e o
Extremo Oriente. O Estado da Índia ao longo dos séculos XVI a XX; estratégicas políticas
e culturais – confrontos, assimilações e convivências.
Bibliografia:
BARBOSA, Duarte. Livro em Que Dá a Relacção do Que viu e Ouviu no Oriente, Lisboa:
Agência Geral das Colónias, 1946.
BETHENCOURT, Francisco. “O Estado da Índia”. In: História da Expansão Portuguesa,
vol. II. Lisboa: Círculo de Leitores, 1998, p. 284-314.
CARITA, Helder, “O Índico: Redes Urbanas, Instituições e Arquitectura”. In: Os
Portugueses e o Oriente, história, itinerários, representações. Coord. Rosa Maria Perez.
Lisboa: D. Quixote, 2006, p. 113-126.
CORREIA, Gaspar. Lendas da Índia. II vols, Lisboa: Lello e Irmão, 185864.
LINSCHOTEN, John Huyghen Van. The Voyage of... to the East Indies. II Vols. New
Delhy,1988.
PIRES, Tomé, Suma Oriental, leit. e notas de A. Cortesão, Coimbra: Acta Universitates
Conimbrigensis, 1978.
PYRARD, Francisco Pyrard de Laval. Viagem de ...Tr. de A. de Magalhães Basto. Porto:
Ed. Livraria Civilização 1944.
SUBRAHMANYAM, Sanjay. O Império Asiático Português, 1500-1700 – Uma História
Política e Económica, Lisboa: Difel, 1995.
THOMAZ, Luís Filipe. “Diogo Pereira, o Malabar”. In: Mare Liberum, Lisboa: CNCDP.,
nº5, Julho de 1993.
_____. De Ceuta a Timor. Lisboa: Ed. Difel, 1994.
2.
Urbanismo e arquitectura militar: cidades, praças e fortalezas.
Cidades comerciais de tradição manuelina - Goa, Cochim, Colombo, Malaca e Macau. As
cidades-praças de matriz tratadistica:
Diu, Damão, Bassaim, Chaúl e Jafnepatão.
Instituições e estruturas urbanas: a Ribeira, a Rua Direita, a Câmara, o Bazar e o Palácio
dos Governadores.
Bibliografia:
AA/VV. “Os Espaços de um Império – Estudos”. Catálogo da Exposição -Memórias do
Oriente, Lisboa: CNCDP., 1999.
CHICÓ, Mário Tavares, A "cidade ideal" do Renascimento e as cidades portuguesas da
Índia, Junta de Investigação do Ultramar, 1959.
DIAS, Pedro. História da Arte Portuguesa no Mundo (1415-1822) - O Espaço do Índico,
Lisboa: Circulo de Leitores, 1998
FERNANDES, José Manuel. “Urbanismo e Arquitectura no Estado da Índia -Índia
Portuguesa - Alguns Temas e Exemplificações”. In: Vasco da Gama e a Índia, Conferência
Internacional. Paris, Maio 1998, vol. III, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1999.
_____. Cidades e Casas da Macaronésia. Tese de Doutoramento apresentada à FAL.
Porto: ed. FAUP., 1996.
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ROSSA, Walter. Cidades Indo-Portuguesas, Comissão Nacional para as Comemorações
dos Descobrimentos Portugueses, Lisboa, 1997.
_____. A Urbe e o Traço, uma década de estudos sobre o urbanismo português, Almedina,
Coimbra, 2002.
SOUSA, Teotónio R. de. Goa Medieval. A Cidade e o Interior no séc.XVII, Editorial
Estampa. 1994.
3.
Arquitectura religiosa: modelos, tipologias e lógicas espaciais e decorativas. Das
primeiras igrejas manuelinas às grandes igrejas e conventos de Goa: Sé catedral, Bom
Jesus, Agostinhos; arquitectura chã e o maneirismo internacional.
As igrejas jesuíticas de Salcete e as igrejas franciscanas de Bardez: programas das escolas
e as casas paroquiais. As igrejas dos cristãos de São Tomé no Malabar: evolução e os
modelos de igreja tropical com galerias laterais - Lalame-a-Nova, Palai e Ramapuram.
Bibliografia:
AZEVEDO, Carlos. “A Arquitectura Religiosa”. In: Arte cristã na Índia Portuguesa, Junta
de Investigação do Ultramar, 1959.
CARITA, Hélder, “Arquitectura Indo-Portuguesa na Região do Sul da Índia e o impacto da
arte dos cristãos de São Tomé na formação de tipologias e linguagens da arquitectura
colonial” Actas do V Colóquio Luso-Brasileiro de História de Arte , Faro: Universidade do
Algarve, 2002.
GOMES, Paulo Varela; NORONHA, Percival. “A Capela de Nossa Senhora do Monte em
Velha Goa”. In : Oriente , n. 1, Set.-Dez. 2001.
FERNANDES, José Manuel. “Arquitectura Religiosa Indo-Portuguesa, ensaios de
tipologias”. In: Catálogo Encontros de Culturas – Oito Séculos de Missionação
Portuguesa, Lisboa, 1994, p. 216-221.
_____. “Vestigios do Manuelino na Arquitectura Religiosa de Influência Portuguesa na
Índia - Malabar, Coromandel, Goa”. In: Congresso Internacional de História de Arte.
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1992. Em 1994 foi igualmente publicado in:
Oceanos, n.º 19/20, Lisboa, 1994, p. 136-154.
PEREIRA, Fernando António Baptista. “A Arquitectura Chã e Ornamentação Interior nas
Igrejas Portuguesas do Oriente (séculos XVII-XVIII). In: Catálogo da Exposição Os
Construtores do Oriente Português, Lisboa: CNCDP., 1998. p.166-193.
TISSERANT, Card. Eugene de. Eastern Christianity in India- A History of the SyrioMalabar Church from the earliest Time to the Present Day. Ed. Orient Longmans,
Bombaim-Calcuta-Madrasta, 1957.
Segunda parte – (18-23-25 Agosto)
4.
Arquitectura doméstica: modelos e tipologias de casa colonial: modelos
urbanos, rurais e elementos estruturantes. Palácios urbanos da nobreza portuguesa nos
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séculos XVI e XVII. O modelo de casa de pátio hindu. O modelo de casa paroquial na
costa do Malabar. O modelo de casa brâmane e chardó no séculos XVIII e XIX. A
varanda, o pátio interior e o modelo de “balcão goês”.
Bibliografia:
CARITA, Hélder. Palácios de Goa, Modelos e Tipologias de Arquitectura cicil Indoportuguesa, Lisboa: Quetzal, 1996.
_____. “Arquitectura Civil Indo-Portuguesa – Génese e Primeiros Modelos”. In: Oceanos,
Lisboa, n.º 19/20, 1994.
_____. “Permanência de Elementos Hindús na Arquitectura Doméstica Indo-Portuguesa”.
Colóquio O Oriente, Hoje - Do Índico ao Pacífico. Universidade Nova de Lisboa. Instituto
Oriental, 1994.
DIAS, Pedro. “O Palácio dos Vice-Reis”. In: Arte Indo-Portuguesa, Capítulos de História,
Coimbra, Almedina, 2004, p.131-170.
FEIO, Mariano. As Castas Hindus de Goa. Lisboa, 1979.
SHANKHWALKER, Raya, “The Balcão; A Goan Expression”. In: Índia and Portugal
Cultural Interactions, Mumbai, Marg Publications, 2001, p.114-123.
5.
Iconografia hindu e cristã e as artes decorativas aplicadas: os grandes
retábulos maneiristas: Sé Catedral, Mónicas e São Francisco. A igreja de São Caetano e o
desenvolvimento da arte dos estuques interiores. Os grandes cruzeiros; dos cristãos de São
Tomé aos terreiros goeses. Os púlpitos e o mito hindú de “vitra”. As pias baptismais, o
lotus e os mitos de regeneração pelas águas.
Bibliografia:
CARITA, Hélder, “Artes Decorativas nos Cristãos de São Tomé da Índia: cruzeiros,
púlpitos e pias baptismais”. In: “Colóquio As Artes Decorativas e a Expansão Portuguesa
- Imaginário e Viagem”, Lisboa: ESAD/FRESS, Maio, 2008.
DIAS, Pedro. “Retábulos Indo-Portugueses da Renascença ao Inicio do Barroco”. In: Arte
Indo-Portuguesa – Capítulos da História, Coimbra, Almedina, p. 295-322.
FRIAS, Hilda Moreira. Goa, A Arte dos Púlpitos. Lisboa: Livros Horizonte, 2006.
KRAMRISH, Stella. The Hindu Temple, University of Calcuta, Calcuta, 1ª ed. 1946.
MENON, A. Sreedhara – The Culture of Kerala ( Malayalam ). Kottayam, 1992.
_____. A Survey of Kerala History, Kottayam, 1967
ZIMMER, Heineich. Mitos e Simbolos na Arte e Civilização Indianas. Lisboa: Assírio e
Alvim, 1997.
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6.
Mobiliário e artes decorativas: do quotidiano à miscigenação: modelos europeus,
centros de produção e programas decorativos. Mobiliário de influência Mogol e a
influência do Decão. Os marfins do Ceilão e de Goa. Tipologias de mobiliário marchetado
e em talha baixa; contadores, mesas, cadeiras. Artes sumptuárias; ourivesaria, têxteis. A
Arte Nambam e o Japão. Porcelana chinesa de encomenda: do período Ming ao século
XVIII.
Bibliografia:
AA/VV As Artes Decorativas e a Expansão Portuguesa – Imaginário e Viagem, Actas do
2º Colóquio de Artes Decorativas, Lisboa: ESAD/FRESS, 2010.
CHICÓ, Mário Tavares. A Escultura Decorativa e a Talha Decorativa nas igrejas da Índia
Portuguesa, Junta de Investigação do Ultramar, 1959.
DIAS, Pedro. “O Contador das Cenas Familiares”. In: Arte Indo-Portuguesa, Capítulos de
História, Coimbra, Almedina, 2004 p. 341-450.
_____. “O Palácio dos Vice-Reis”. In: Arte Indo-Portuguesa, Capítulos de História,
Coimbra, Almedina, 2004, p.131-170.
PINTO, Maria Helena Mendes. In: “Oceanos” Sentando-se em Goa. Nº 19-20 Set.-Dez.
1994
_____. De Goa a Lisboa: A arte Indo Portuguesa dos séculos XVI a XVIII, Lisboa:
Instituto Português dos Museus, 1992.
_____. “A arte Indo-portuguesa”. In: Catálogo Vasco da Gama e a Índia, Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian, 1998.
_____..Arte Nambam; Os Portugueses e o Japão, Lisboa, Fundação Oriente, 1990
SILVA, Nuno vassalo e. A Ourivesaria entre Portugal e a Índia,do século XVI a século
XVIII, Lisboa: Banco Totta, 2008.
Cada palestra terá a duração de 3 horas, tendo uma primeira parte de exposição
teórica seguida, após um pequeno intervalo, de uma segunda parte de debate com análise
de documentação e da bibliografia sobre as temáticas expostas.
Na sua exposição este curso dará particular importância à imagem recorrendo à
apresentação de plantas antigas e iconografia da época, como: cartografia, gravura e
pintura. Ao longo de cada palestra serão distribuídas fotocópias de textos, documentos e
descrições coevas, considerados fundamentais para o estudo e aprofundamento destas
matérias.
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Currículo:
Helder Carita Renomado historiador, arquiteto e professor, residente em Lisboa. Formado pela
Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tem PHD em História da Arte Moderna,
Arquitetura e Urbanismo. Entre 2000 e 2004 foi o Director Pedagógico da Fundação
Ricardo Espírito Santo e do Conservatório Nacional de Lisboa. No campo da preservação
participou, em 1982, da renovação da Casa dos Bicos.
Dedica-se ao estudo da arquitetura e à evolução do seu conceito de espaço, tendo
publicado vários livros e artigos sobre o patrimônio arquitetônico português, em especial o
legado na Índia.
É autor de Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal, ou da originalidade e
desaires desta arte, editado em 1987, um dos mais alentados estudos no gênero, além de
outras publicações como Oriente e Ocidente nos interiores em Portugal, Elementos para o
estudo da Casa dos Bicos, Lisboa Manuelina e a Formação de Modelos Urbanísticos da
Época Moderna (1495-1521), 1999 e Arquitectura Indo-Portuguesa na Regiãode Cochim
e Kerala, modelos e tipologias do séc. XVI e XVII. Lisboa: Transbooks, 2008.
É ainda autor dos livros:
1995 - Os Palácios de Goa - Modelos e Tipologias de Arquitectura Civil Indo-portuguesa.
Lisboa: Ed. Quetzal, 1995.
-Ed. Francesa - Les Palais de Goa. Paris: Ed. Michel Chandaigne, 1996.
-Ed. Inglesa Palaces of Goa, London: Ed.Cartago, 1999.
1982 - Oriente e Ocidente nos Interiores em Portugal. Lisboa: Ed. Civilização, 1982.
Outras publicações - revistas, congressos e colectâneas:
2010 – AAVV. In: Património de Origem Portuguesa no Mundo - Ásia/Oceânia, coord.
Walter Rossa. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, (colaboração com um conjunto de
artigos sobre património de arquitectura civil e religiosa na Índia).
2008 – “Índia da Influência Portuguesa: Rotas e Percursos”. In: Portugal e o Mundo - O
Futuro do Pasado – India. Lisboa: CNC., 2008, p. 33-111.
2007 – “Creating Norms for Indo-portuguese Architecture” – The Livro de Acordãos da
Câmara de Goa, 1592-1597. In: Itenerario 2, Portugal Índico: Essays on the History of the
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Portuguese Presence in South Ásia in the Colonial Period, Leiden, Crafaria, 2007, p. 7186.
– “Portuguese-Influenced Relious Architecture in Ceylon: Creation, Types and
Continuity”. In: Re-exploring the Links, history and constructed histories between
Portugal and Sri Lanka, Ed. by Jorge Flores, Wiesbaden, Harrassowitz Verlag, 2007, p.
261-278.
2006 – “O Índico: Redes Urbanas, Instituições e Arquitectura”. In: Os Portugueses e o
Oriente, história, itinerários, representações, coord. Rosa Maria Perez, Lisboa, D.
Quixote, 2006.
Organizou, ainda, com Renata Araújo e Walter Rossa (Orgs.). Universo urbanístico
português, 1415-1822. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos
Descobrimentos Portugueses, 1998. Mais recentemente foi Comissário da Exposição
Internacional; “Luigi Manini, Imaginário e Método”, Sintra, Fundação Cultursintra, 2006.
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Programação - Fundação Casa de Rui Barbosa