2011 Sensibilidade, mobilização, articulação, participação e forte impacto social, foram aspectos marcantes nos projetos participantes do Prêmio Cidadania sem Fronteiras - quarta edição apresentados neste livro. São praticas sociais de exito que devem ser repassadas para outras Instituições de ensino para que multipliquem seus resultados no atendimento adequado e necessário às significativas demandas sociais de nosso país. INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR FINALISTAS Ÿ Anhanguera Educacional - Faculdade Anhanguera de Taubaté – Taubaté - SP Ÿ Associação Educacional da Amazônia - Faculdade SEAMA – Macapá - AM Ÿ Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca - Rio de Janeiro - RJ Ÿ Centro Universitário Central Paulista – UNICEP - São Carlos - SP Ÿ Centro Universitário de Brasília – UNICEUB – Brasília - DF Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte - MG Ÿ Faculdade de Tecnologia de Garça – Garça - SP Ÿ Faculdade Fabavi de Vitória Rede Doctum – Vitória - ES Ÿ Fundação Mineira de Educação e Cultura – FUMEC – Belo Horizonte - MG Ÿ Instituto de Ensino Superior da Amazônia - Faculdade Martha Falcão – Manaus - AM Ÿ Universidade Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó – Chapecó - SC Ÿ Universidade de Taubaté – UNITAU – Taubaté - SP Ÿ Universidade do Estado de Minas Gerais - – Belo Horizonte - MG Ÿ Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE – Presidente Prudente - SP Ÿ Universidade do Sagrado Coração – USC – Bauru - SP Ÿ Universidade Estadual de Santa Cruz– Ilhéus - BA Ÿ Universidade Federal de Minas Gerais - Hospital das Clínicas da UFMG – Belo Horizonte - MG Ÿ Universidade Norte do Paraná – UNOPAR – Londrina - PR Prêmio Cidadania sem Fronteiras – Edição Nacional Ÿ O processo de amadurecimento e transformação de abordagens para velhos problemas, a criatividade e empenho em suas soluções são o grande desafio, que esta sendo respondido pelas Instituições de Ensino Superior e suas ações comunitárias. Convidamos vocês para constatarem isto, na leitura do livro SEM FRONTEIRAS, edição especial. Boa leitura. RELATOS DE PRÁTICAS SOCIAIS DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR BRASILEIRAS Instituto da Cidadania Brasil Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social PRÊMIO CIDADANIA SEM FRONTEIRAS RELATOS DE PRÁTICAS SOCIAIS DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR BRASILEIRAS São Paulo, 2011 Instituto da Cidadania Brasil Projeto Gráfico Engegraf Gráfica e Editora Textos GP Comunicação Diagramação Rosane Maximiano Proibida a reprodução total ou parcial desta obra por qualquer forma ou meio eletrônico e mecânico, inclusive através de processos xerográficos, sem permissão expressa da editora (Lei nº 9.610 de 19.02.1998) Todos os direitos reservados ao INSTITUTO DA CIDADANIA BRASIL Rua Princesa Isabel, 94 – 6º andar CEP 04601-000 – São Paulo – SP – Brasil Tel./Fax: (11) 5042-2242/5543-6530 Para mais informações: www.institutocidadania.org.br Dúvidas através do e-mail: [email protected] SUMÁRIO Editorial Instituto da Cidadania Brasil - Paulo Saab - Presidente..................05 Editorial Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação...............................07 Instituições de Ensino Superior participantes..........................................09 O melhor projeto de 2011 – Selo Cidadania Sem Fronteiras Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE..............................................13 Finalistas por categoria Comunicação Universidade Federal de Minas Gerais - Faculdade de Medicina................17 Universidade Comunitária da Região de Chapecó– Unochapecó...............21 Universidade do Sagrado Coração – USC..................................................25 Cultura Universidade do Estado de Minas Gerais – Escola de Design......................29 Associação Educacional da Amazônia – Faculdade SEAMA........................33 Universidade Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó..............37 Centro Universitário Central Paulista – UNICEP.........................................41 Direitos Humanos e Justiça Instituto de Ensino Superior da Amazônia – Faculdade Martha Falcão........45 Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE..............................................49 Associação Educacional da Amazônia – Faculdade SEAMA........................53 Educação Faculdade Fabavi de Vitória Rede Doctum.................................................57 Universidade Norte do Paraná – UNOPAR.................................................61 Centro Universitário de Brasília – UNICEUB..............................................65 Faculdade Anhanguera de Taubaté – Unidade I.........................................69 Meio Ambiente Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE..............................................73 Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca...........77 Faculdade de Informática – UNOESTE.......................................................81 Saúde Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais..............85 Universidade Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó..............89 Universidade Estadual de Santa Cruz.........................................................93 Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE..............................................97 Tecnologia e Produção Fundação Mineira de Educação e Cultura – FUMEC................................101 Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE............................................105 Faculdade de Tecnologia de Garça...........................................................109 Trabalho Universidade de Taubaté – UNITAU........................................................113 Instituto de Ensino Superior da Amazônia – Faculdade Martha Falcão......117 Comissão Julgadora...............................................................................121 EDITORIAL O Brasil é um país exponencial em todos os sentidos. Para qualquer ponto que se olhe, seja geográfico, econômico ou social, o que se observa, sempre, é grandeza. De recursos a problemas. E, embora sem a mesma ênfase do que é negativo, existem, neste contexto, muitas coisas boas, de bem, para o bem, sendo feitas. O Instituto da Cidadania Brasil, e parceria com a Secretaria de Inclusão Social do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e demais parceiros, na realização do Prêmio “Cidadania Sem Fronteiras”, enxergam o país por todos os ângulos para buscar entende-lo e atende-lo de forma objetiva. Dentro desta grandeza, no aspecto positivo, destaca-se a ação das Instituições de Ensino Superior que, em todo o território nacional, promovem através de suas áreas extensionistas, projetos envolvendo as comunidades, notadamente as mais carentes, oferecendo uma contribuição que além de aprimorar a formação prática de seus alunos, ainda marca pelos resultados de melhoria da qualidade de vida de nossa população. É uma atividade acadêmica traduzida para a ação prática em favor da população. Poucos sabem disso, poucos conhecem a dimensão desses projetos. Nesta edição do Prêmio “Cidadania Sem Fronteiras”, que, repito sempre, é meio de difusão, e ampliação de conhecimento e não fim em si mesmo, os números falam por si só. Somente os 27 projetos destacados com a premiação, sem mencionar a centena de outras iniciativas igualmente beneméritas e vitoriosas das Instituições de Ensino Superior, propiciaram benefícios em todo o país para cerca de seis milhões de brasileiros. O Instituto da Cidadania Brasil e seus parceiros continuarão a prestigiar, dentro da exponencialidade brasileira, quem se dedica a fazer o bem, como mencionei. Nesta oportunidade, trazemos 5 ao conhecimento público os projetos vitoriosos deste exercício. Aplaudindo os resultados obtidos por todos os envolvidos em cada iniciativa, premiados ou não. O Brasil tem ainda muito por fazer para ser o país que desejamos. Mas, muito está sendo feito também, embora nem sempre isso seja visível. Esta é mais uma das contribuições que oferecemos à sociedade brasileira para mostrar que existem caminhos e eles possam e devem ser percorridos. É importante destacar a mobilização das Instituições de credibilidade e compromisso social em suas missões de servir à sociedade. Estão empenhadas em oferecer oportunidades aos acadêmicos, alunos e à população do seu entorno numa troca de conhecimentos e competências. Juntos estão estabelecendo práticas que dão retorno em qualidade e impacto social. Novas tecnologias de ação, transformação de conhecimentos e fortalecimento de atitudes em prol do coletivo têm sido a máxima da premiação. o Instituto apóia e buscará desenvolver atividades de intercâmbio de práticas para o fortalecimento de iniciativas publicas e privadas, do estado e cidadão, dando sua contribuição permanente para a melhoria da cidadania brasileira. Parabéns a todos os participantes, aos parceiros, colaboradores, e aos brasileiros em geral, que encontram nas universidades, nas Instituições de Ensino Superior, um efetivo instrumento de formação de profissionais de nível universitário exercitando suas qualidades em benefício de nossa gente. São Paulo, outubro de 2011 Paulo Saab Instituto da Cidadania Brasil Presidente 6 EDITORIAL O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis), participa do esforço do governo federal para promover e ampliar as oportunidades de inclusão social e produtiva. Criada em 2003, a Secis tem como missão institucional promover ações voltadas à melhoria da qualidade de vida, à criação de oportunidades de emprego, trabalho e renda e ao desenvolvimento sustentável das localidades mais pobres do país, tendo como instrumento básico a difusão do conhecimento científico e tecnológico e o estímulo às inovações sociais. O apoio ao Prêmio Cidadania Sem Fronteiras, fruto da parceria com o Instituto Cidadania Brasil, traduz a confiança e a expectativa desta Secretaria com o fomento às atividades de extensão universitária voltadas ao desenvolvimento social das mais diversas localidades do país. Os resultados alcançados pelos 27 projetos finalistas, celebrados nesta publicação, comprovam o ciclo virtuoso que se cria quando diferentes grupos populacionais passam a ter acesso às políticas públicas e as atividades de pesquisa se aproximam da descoberta e implementação de soluções para os problemas enfrentados no cotidiano, refletindo-se em enriquecedores processos de difusão e popularização da ciência e tecnologia. As chamadas tecnologias sociais, que compreendem técnicas e metodologias desenvolvidas na interação com as comunidades, são importantes instrumentos para o êxito das iniciativas de inclusão social e produtiva que envolvem a produção e o acesso ao conhecimento científico e tecnológico. Muitos colaboradores da rede de tecnologias sociais, que não para de crescer e se aprimorar, são os grandes responsáveis por novas e bem-sucedidas experiências socialmente emancipadoras, 7 que fazem com que se amplie, cada vez mais, o sentimento da relevância do compromisso entre entes públicos e privados em prol da consolidação de um Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, voltado para a construção de um novo e democrático padrão de desenvolvimento econômico e social do Brasil. Parabéns a todos os participantes do Prêmio Cidadania sem Fronteiras 2011. Marco Antonio Oliveira Secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Instituições de Ensino Superior participantes •Anhanguera Educacional – Faculdade Anhanguera de Taubaté – Taubaté – SP • Associação Educacional da Amazônia - Faculdade SEAMA – Macapá – AP •Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – Rio de Janeiro - RJ •Centro Universitário Adventista de São Paulo – UNASP – São Paulo – SP •Centro Universitário Belas Artes de São Paulo – São Paulo •Centro Universitário Central Paulista – UNICEP – São Carlos – SP •Centro Universitário de Brasília – UNICEUB – Brasília – DF •Centro Universitário de Franca – Uni-FACEF – Franca – SP •Centro Universitário FIEO – UNIFIEO – Osasco – SP •Centro Universitário Ítalo Brasileiro – UnItalo – São Paulo – SP •Centro Universitário Jorge Amado – Salvador – BA •Centro Universitário Ritter dos Reis – UNIRITTER – Canoas – RS •Centro Universitário Ritter dos Reis – UNIRITTER – Porto Alegre – RS •Centro Universitário Univates – Lajeado – RS •Didaciebe Centro Integrado de Educação Brasil-Europa Ltda – FATECE – Pirassununga – SP •Escola Superior Batista do Amazonas – ESBAM – Manaus – AM •Faculdade 7 de Setembro – FA7 – Fortaleza – CE 9 •Faculdade Anglicana de Erechim – Erechim – RS •Faculdade Anhanguera Educacional de Jacareí – Jacareí – SP •Faculdade Anhanguera Rondonópolis – MT Educacional Rondonópolis – •Faculdade Cristo Rei – FACCREI – Cornélio Procópio – PR •Faculdade de Administração da Associação Brasiliense de Educação – FABE •Faculdade de Administração da Associação Brasiliense de Educação – FABE – Marau – RS •Faculdade de Ciência e Tecnologia de Montes Claros – FACIT – Montes Claros – MG •Faculdade de Ciências Educacionais e Sistemas Integrados – FACESI – Ibiporã – PR •Faculdade de Direito de Francisco Beltrão – CESUL – Francisco Beltrão – PR •Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte – MG •Faculdade de Tecnologia de Garça – Garça – SP •Faculdade de Tecnologia de Indaiatuba – Indaiatuba – SP •Faculdade de Tecnologia de São Vicente – São Vicente – SP •Faculdade de Tecnologia e Ciências de Itabuna – Itabuna – BA •Faculdade Fabavi de Vitória Rede Doctum – Vitória – ES •Faculdade Integrada da Grande Fortaleza – FGF – Fortaleza – CE •Faculdade Network – Sumaré – SP •Faculdades de Dracena – Dracena – SP •Faculdades de Enfermagem e de Medicina Nova Esperança – João Pessoa – PB 10 •FAHESA – Faculdade de Ciências Humanas, Econômicas e da Saúde – Araguaína – TO •Fundação Armando Álvares Penteado – Faculdade de Economia – FAAP – São Paulo – SP •Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha de Marília – UNIVEM – Marília – SP •Fundação Mineira de Educação e Cultura – FUMEC – Belo Horizonte – MG •Instituto de Ensino Superior da Amazônia – Faculdade Martha Falcão – Manaus – AM •Instituto de Ensino Superior de Londrina – INESUL – Londrina – PR •Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense – Campos dos Goytacazes – RJ •Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – Iguatu – CE •Instituto Metropólitano de Ensino Superior – IMES – Ipatinga – MG •Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC – Campinas – SP •Universidade Santa Cecília – UNISANTA – Santos – SP •Universidade Católica de Brasilia – UCB – Taguatinga – DF •Universidade Comunitária Regional UNOCHAPECÓ – Chapecó – SC de Chapecó – •Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Fortaleza – CE •Universidade de São Paulo – Faculdade de Medicina Veterinaria e Zootecnia – Pirassununga – SP •Universidade de São Paulo – Escola de Comunicação e Artes – Departamento de Jornalismo e Editoração – São Paulo – SP •Universidade de São Paulo – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – FFLCH – São Paulo – SP 11 Prêmio Cidadania sem Fronteiras •Universidade de São Paulo – Faculdade de Odontologia de Bauru – Bauru – SP •Universidade de Taubaté – UNITAU – Taubaté – SP •Universidade do Grande ABC – Santo André – SP •Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE – Presidente Prudente – SP •Universidade do Sagrado Coração – USC – Bauru – SP •Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS – São Leopoldo – RS •Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Limeira – SP •Universidade Estadual de Maringá – Maringá – PR •Universidade Estadual de Santa Cruz – Ilhéus – BA •Universidade Estadual Paulista – UNESP – Bauru – SP •Universidade Federal de Minas Gerais – Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte – MG •Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – Guarulhos – SP •Universidade Guarulhos – UnG – Guarulhos – SP •Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS – São Caetano do Sul – SP •Universidade Norte do Paraná – Faculdade de Medicina Veterinária - UNOPAR – Arapongas – PR •Universidade Norte do Paraná – UNOPAR – Londrina – PR •Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR – Curitiba – PR 12 Projeto Premiado 2011 Contemplado com o Selo Cidadania sem Fronteiras 13 UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA – UNOESTE PRESIDENTE PRUDENTE – SP PROJETO “GREEN FOOD NARANBIDA” PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DE ALIMENTOS AJUDA A IMPULSIONAR AGRICULTURA FAMILIAR Estudantes do curso de Agronomia da Unoeste ajudam a difundir técnicas e tecnologias que ampliam a produção e a produtividade agrícola 14 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O projeto Green Food Narandiba é uma proposta da Universidade Oeste Paulista (Unoeste) de inclusão social, trabalho e geração de renda para pequenos agricultores e ribeirinhos, por meio da produção sustentável de hortaliças e frutas comercializadas na merenda escolar do município de Narandiba. Localizado a cerca de 600 quilômetros da capital paulista, este município integra o Território da Cidadania do Pontal do Paranapanema, que possui um dos menores índices de desenvolvimento humano do Estado de São Paulo. A iniciativa foi concebida no âmbito do “Programa Integrar” da Unoeste, ao qual estão vinculadas ações de extensão dos cursos de Agronomia, Zootecnia, Medicina Veterinária e Superior de Tecnologia em Produção Sucroalcooleira. O objetivo geral desse programa é promover um sistema ampliado de desenvolvimento sustentável, mediante a difusão de técnicas e tecnologias que privilegiem a produção e a produtividade das atividades rurais, o aumento da competitividade do agronegócio, a obtenção de produtos de ampla qualidade e a preservação do meio ambiente. O trabalho dos estudantes do Curso de Agronomia da Unoeste, com os agricultores familiares de Naramdiba, começou a partir de 2008, tendo à frente um grupo de estagiários composto por quatro alunos, que passaram a orientar e a prestar assistência técnica, sob a supervisão de um docente, às 26 famílias da Associação Nossa Senhora Aparecida, as quais adquiriram seu lote através do crédito fundiário. Nesse período, além da orientação e assistência técnica in loco, os estudantes disponibilizaram, através do laboratório de análise de solos, os laudos necessários para diagnosticar a sua composição mineral e as recomendações de acordo com o tipo de cultura a ser cultivada. 15 Prêmio Cidadania sem Fronteiras A agricultura familiar gera mais de 80% da ocupação no setor rural e responde, no Brasil, por sete de cada dez empregos no campo e por cerca de 40% da produção agrícola. Atualmente, a maior parte dos alimentos que abastece a mesa dos brasileiros vem das pequenas propriedades. Em 2009, pelo menos 60% dos alimentos que compuseram a cesta alimentar distribuída pela Conab originaram-se da Agricultura Familiar. No caso de Narandiba, estão diretamente envolvidos no projeto, através da parceria formalizada com a Prefeitura Municipal, um total de 15 alunos por semestre do curso de graduação de Agronomia, sendo duas alunas do curso de Agronomia e de Engenharia Ambiental contratadas como estagiárias do município; uma aluna do Programa de Mestrado em Agronomia, cinco professores e pesquisadores, cinco representantes das Associações de Agricultores Familiares, uma assessora de projetos especiais do município, um engenheiro agrônomo, que é diretor de Agricultura do município e um técnico da coordenadoria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente. No segundo semestre de 2010, coincidindo com o fim da primeira etapa do projeto, foi realizado o lançamento do selo de qualidade “Green Food Narandiba”, posteriormente distribuído nas Unidades de Produção certificadas pelo Projeto Piloto. Até o ano de 2010, cerca de 20 famílias foram beneficiadas diretamente pelo projeto, em um total de cerca de 90 ribeirinhos e agricultores familiares que obtiveram trabalho e renda. Já os beneficiários diretos com o Programa de Abastecimento Alimentar somaram mil alunos das escolas públicas municipais e estaduais e mais 822 pessoas, aproximadamente 200 famílias, em situação de risco alimentar. 16 COMUNICAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS FACULDADE DE MEDICINA BELO HORIZONTE – MG PROJETO PROGRAMA RADIOFÔNICO “SAÚDE COM CIÊNCIA” PROGRAMA DE RÁDIO QUE DÁ DICAS DE SAÚDE BENEFICIA POPULAÇÃO DE BH Faculdade de medicina da UFMG transmite informações educativas por 20 emissoras e redes sociais 17 Prêmio Cidadania sem Fronteiras I ncentivar produtos de jornalismo científico é uma das contribuições mais recentes da Faculdade de Medicina da UFMG inseridas no Programa Nacional de Telessaúde, desenvolvido por esta que é uma das mais antigas e maiores faculdades de medicina do País. É nesse contexto que nasceu, em 2008, o programa de rádio “Saúde com Ciência”, hoje transmitido por 20 emissoras conveniadas da rádio UFMG Educativa e divulgado pelas, ainda pouco exploradas, redes sociais encontradas na internet. Ampliar o número de emissoras parceiras e aprimorar o uso das redes sociais são as principais metas estipuladas para o ano de 2011. Sob o slogan “A informação a serviço da qualidade de vida”, o educativo diário radiofônico tem como meta difundir o conhecimento científico como forma de contribuir objetivamente para a elevação da qualidade de vida da sociedade. Produzido na forma de “pílulas”, inicialmente com dois minutos, cada programa teve seu tempo de duração estendido para cerca de quatro minutos. O estilo adotado é popular e bem humorado, para poder falar diretamente ao ouvinte, de forma clara e informal, sobre temas diretamente relacionados à sua saúde e à saúde da sua família, amigos e vizinhos. As ações educativas propostas serão desenvolvidas por toda a equipe da Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG, além da equipe dedicada a cada tema específico. O objetivo é oferecer de maneira simples e direta informações médicas diretamente ao cidadão comum, por meio de diferentes veículos eletrônicos, como rádio, TV e transmissão online. 18 Prêmio Cidadania sem Fronteiras Estima-se que o programa “Saúde com Ciência” atinja a população que vive na região da Grande BH, com cerca de 5 milhões de habitantes. Transmitido pela rádio UFMG Educativa e por outras 20 estações parceiras, em várias regiões do estado e além das suas fronteiras, o programa chega a cidades da Bahia e do Espírito Santo. O informativo também é veiculado no site www.medicina.ufmg.br que registra cerca de 20 mil cliques por semana, em média. Embora o programa seja dirigido ao cidadão comum, paralelamente destaca, junto aos profissionais de saúde, conceitos e comportamentos básicos e difunde a produção do conhecimento produzido pela Faculdade. Um dos pilares desta iniciativa é a formação complementar de estudantes, mas o próximo desafio é ampliá-la para além dos estagiários de comunicação, permitindo que também os alunos de cursos de graduação e de pós-graduação da área da saúde sejam envolvidos. 19 UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA REGIONAL DE CHAPECÓ (UNOCHAPECÓ) CHAPECÓ – SC PROJETO “DOCUMENTÁRIO E COMUNIDADE – UMA HISTÓRIA QUE VAI VIRAR FILME” O APRENDIZADO JORNALÍSTICO COM FOCO EM AÇÕES EFETIVAS JUNTO À COMUNIDADE Embasado no conceito Mídia Cidadã, projeto da Unochapecó, confere visão social aos estudantes de jornalismo e ensina a população a criar seus documentários 21 Prêmio Cidadania sem Fronteiras I dentificada com o desenvolvimento regional, a Unochapecó é muito atenta às necessidades da população e das organizações situadas em sua região de abrangência. Daí a sua preocupação, nos últimos anos, em priorizar investimentos não apenas na modernização das suas instalações, mas também em iniciativas que permitam uma aproximação com o setor produtivo e as organizações sociais, com o objetivo de aprimorar instrumentos com foco no desenvolvimento da inovação tecnológica, melhoria da qualidade dos serviços prestados e transformação das pessoas como um modo privilegiado de promover a evolução. Com isso, uma gama de novos cursos e serviços foi disponibilizada e está acessível para a população e as organizações econômicas e sociais de toda a região, por meio do projeto Documentário e Comunidade. Inserido na atuação do Núcleo de Extensão em Comunicação da Unochapecó, ele é embasado no conceito de Mídia Cidadã, um conceito ainda recente, mas que aponta para a construção de espaços alternativos de comunicação, onde todos têm voz, vez e onde os meios de comunicação são feitos em conjunto com o público, e não apenas para ele. O objetivo é incluir pessoas de todas as faixas etárias em suas atividades. A avaliação do grupo atendido este ano mostra que os alunos aprenderam como funciona uma estação de rádio, um documentário e a realização de projetos comunitários. Além disso, o grupo conviveu com os problemas de relacionamento provocados pela falta de comprometimento das pessoas, situação esta que faz repensar o cotidiano, contribuindo para a formação dos futuros jornalistas. 22 Prêmio Cidadania sem Fronteiras A proposta embutida nesse projeto é possibilitar aos moradores dos bairros do município catarinense o acesso às ferramentas e ao conhecimento técnico para a produção de documentários realizados a partir das inquietações da comunidade, a qual é estimulada a pensar em seu dia a dia. Ao mesmo tempo, representa a possibilidade de um aprendizado único para os estudantes do curso de Jornalismo. Com essa vivência, os alunos passam a ter perspectivas mais autênticas sobre o que é de interesse público e quem é o publico para o qual a imprensa trabalha. Ao mesmo tempo, a ideia de que a comunidade conte e registre, em áudio e vídeo, o seu cotidiano, a torna autônoma e fortalece o conceito de coletividade, de um coletivo em busca de mais espaço e reconhecimento. O trabalho, no entanto, não é apenas produzir um documentário ou ensinar a “segurar uma câmera” e entrevistar, mas sim gerar discussões para incentivar o senso crítico dessa população. Os adolescentes conseguem perceber os problemas que os cercam e, por meio do documentário, procuram falar com os demais moradores, na tentativa de entender e conscientizar as pessoas para que, de alguma forma, as mudanças aconteçam. A apresentação, até agora, de dez Mostras de Documentários tratando de problemas locais, contou com a realização de oficinas de câmera, roteiro, produção e edição para os moradores envolvidos diretamente com a organização desses eventos. Por sua vez, a escolha do documentário como ferramenta de mídia cidadã se deve ao fato de o gênero possibilitar diferentes intervenções estéticas e conceituais. O documentário é o registro de histórias, de fatos e dados, mas com uma característica muito importante que o diferencia 23 Prêmio Cidadania sem Fronteiras da reportagem tradicional: o caráter autoral. Exige-se no documentário que o diretor ou documentarista deixe clara sua intenção com o filme/vídeo e trabalhe nesta perspectiva, selecionando as realidades que quer mostrar numa relação franca e honesta com o espectador. 24 UNIVERSIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO (USC) BAURU – SP PROJETO “PRODUÇÃO BÁSICA EM ÁUDIO, VÍDEO E MÍDIAS DIGITAIS PARA AMADORES” ALFABETIZAÇÃO DIGITAL É FOCO DE PROGRAMA JUNTO À TERCEIRA IDADE Iniciativa ajuda os idosos a entender as características das linguagens midiáticas, incluindo não só a internet, mas TV, rádio e fotografia 25 Prêmio Cidadania sem Fronteiras D esenvolvido no âmbito dos cursos de Comunicação Social para fomentar a integração entre jovens e idosos, o projeto “Produção básica em áudio, vídeo e mídias digitais para amadores” está fundamentado na filosofia humanista cristã que norteia todos os cursos da Universidade do Sagrado Coração (USC). Aberta à participação dos frequentadores da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) e discentes dos cursos de graduação da USC, a iniciativa tem por objetivo promover a alfabetização digital dos envolvidos, premissa básica para o exercício do direito à comunicação e o fortalecimento da cidadania em uma sociedade na qual a comunicação digital assume papel cada vez mais relevante. O trabalho foi iniciado em agosto de 2010, e o objetivo do primeiro estágio foi levar os participantes a entender as características das linguagens midiáticas (rádio, TV, fotografia, Internet) e desenvolver habilidades técnicas para manipulá-las. Dessa forma, o projeto visa remover obstáculos como o preconceito desta comunidade em relação ao uso da internet e outras mídias e reduzir ou eliminar a insegurança pessoal em trabalhar com elas. A segunda etapa foi demonstrar a potencialidade que a comunicação e os meios de comunicação oferecem na negociação de valores coletivos, estimulando a participação social. Neste primeiro ano, participaram diretamente do projeto 11 membros da Universidade Aberta à Terceira Idade e 10 discentes dos cursos de jornalismo, publicidade e propaganda, música e administração de empresas, além de quatro funcionários, técnicos dos laboratórios de rádio e televisão da USC. Algumas atividades envolveram diretamente a comunidade externa. A população de Bauru (SP), por exemplo, prestigiou 26 Prêmio Cidadania sem Fronteiras com sua audiência um programa de contos radiofônicos transmitido pela Rádio Veritas FM (102,7). Além das menções espontâneas da mídia em noticiários impressos, radiofônicos e televisivos em veículos de comunicação locais, o blog criado pelos integrantes do projeto, desde que foi ao ar, em dezembro de 2010, teve mais de quatro mil acessos de internautas do Brasil, Estados Unidos, Portugal e da Alemanha, sem falar na exibição de textos radiofônicos e audiovisuais em eventos como a Mostra de Talentos e o UATI Fashion Day, abertos ao público em geral. A expectativa que se tem em relação ao projeto é no sentido de que as atividades de capacitação de comunicação permitam que cada um dos participantes, tanto os alunos de graduação quanto os integrantes do grupo da terceira idade, torne-se multiplicador das ações, garantindo assim a perpetuação dos ideais das pessoas que vêem, na comunicação, um mecanismo de garantia da cidadania. Ainda mais se for levado em consideração o fato de que o acesso da população aos recursos tecnológicos e à rede mundial de computadores tem sido cada vez mais facilitado. Os resultados obtidos até agora demonstram o impacto positivo na qualidade de vida dos beneficiados, tanto de forma direta como indireta. Avanços são evidentes na alfabetização digital dos idosos, que já conseguem produzir e veicular textos usando as linguagens midiáticas, bem como manipular tanto o computador quanto a internet para localizar e divulgar informações. Além de ampliar o coeficiente de comunicação dos participantes, tanto dentro da comunidade da UATI quanto com o publico externo, o projeto motiva e eleva a autoestima de uma comunidade pouco habituada ao reconhecimento social. 27 CULTURA UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS ESCOLA DE DESIGN BELO HORIZONTE – MG PROJETO “MINAS RAÍZES – ARTESANATO, CULTURA E DESIGN SOCIAL” O DESIGN COMO FERRAMENTA PARA REDUZIR AS DESIGUALDADES SOCIAIS Ações de qualificação de artesãos mineiros têm objetivo de contribuir para a melhoria de seus produtos 29 Prêmio Cidadania sem Fronteiras Um dos maiores desafios colocado para as universidades brasileiras atualmente é a formação acadêmica voltada não somente à excelência técnica, mas também à formação de profissionais cidadãos, conscientes e dispostos a refletir, em suas atividades pessoais e profissionais, valores que contribuam para construir uma economia mundial com menos desigualdades socioeconômicas e mais desenvolvimento sustentável. Com esse desafio em mente, a Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais criou o Núcleo de Design e Responsabilidade Social (NDRES), voltado ao desenvolvimento de projetos e ações que envolvam soluções inovadoras para elevar a qualidade de vida e reduzir as desigualdades sociais através do design. Pensando nisso, o NDRES formatou o Projeto Minas Raízes, programa de capacitação em produção artesanal, que tem como objetivo trabalhar junto aos artesãos questões do universo de projeto do Design que possam reverter na melhoria do seu produto. Está calcado na valorização do território, da cultura material e imaterial local, respeitando as características individuais, culturais e de produção de cada indivíduo. Dotado de uma equipe disciplinar composta de professores e alunos dos diferentes cursos oferecidos pela Escola de Design da UEMG (design de produto, design gráfico, design de ambientes e licenciatura em artes visuais), o Minas Raízes atuou por dois anos consecutivos, em 2008 e 2009, com artesãos da cidade de Nova Lima, com a participação de cerca de 30 profissionais em cada edição. A experiência adquirida nessas duas edições, bem como nos demais projetos do Núcleo de Responsabilidade Social, 30 Prêmio Cidadania sem Fronteiras propiciou a criação de uma proposta que pudesse ampliar o número de beneficiados diretos e indiretos, e que possibilitasse ao aluno ser protagonista do desenvolvimento do programa e gerar material bibliográfico com reflexões sobre tais experiências. Surgiu então o Programa Minas Raízes – Artesanato, Cultura e Design Social. O Plano de Trabalho aprovado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) determinou então que três cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte servissem de base para a construção do diagnóstico da situação a ser trabalhada. A escolha acabou recaindo sobre os municípios de Jequitibá, Lagoa Santa e Igarapé, beneficiando um total de 60 artesãos, que, sob a mesma proposta multidisciplinar, trabalham atualmente com uma equipe formada por 16 alunos e sete professores orientadores. Com metodologia própria, desenvolvida para atender as demandas de cada grupo produtivo, o Minas Raízes trabalha sob a perspectiva da Andragogia, em que os artesãos aprendem o que vivenciam, colocando a experiência em local de destaque na construção do saber. Isso lhes permite tornarem-se protagonistas no desenvolvimento de suas potencialidades, bem como conquistar maior autonomia na criação de novos produtos originais e agregar maior valor cultural a esses produtos. Além de aumentar a autoestima, isso lhes permite vislumbrar melhores oportunidades de aumento de renda. De modo geral, a avaliação mostra que os resultados estão sendo alcançados. Foram superadas, por exemplo, as dificuldades relacionadas ao tamanho do programa (comunicação, gestão de pessoas e problemas) e ao número de participantes 31 Prêmio Cidadania sem Fronteiras envolvidos. Os artesãos estão motivados e empenhados em se superar a cada novo desafio, e os alunos comprovam-se envolvidos e dedicados. A Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais está comprometida em dar continuidade ao Programa Minas Raízes e demonstra isso com a própria criação do Núcleo de Design e Responsabilidade Social. 32 ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DA AMAZÔNIA FACULDADE SEAMA MACAPÁ - AP PROJETO “MOSTRA CULTURAL SEAMA” OS ÍCONES DAS PRINCIPAIS CULTURAS DO PAÍS REUNIDOS EM INICIATIVA DA FACULDADE SEAMA Objetivo da mostra é promover a integração entre a comunidade acadêmica e a sociedade amapaense 33 Prêmio Cidadania sem Fronteiras T odo ano, sempre no mês de outubro, a Faculdade Seama promove a Mostra Cultural Seama, exposição temática aberta ao público, na qual a instituição de ensino destaca a importância das manifestações culturais brasileiras. Realizado desde 2003, o evento se constitui oportunidade única de a sociedade amapaense tomar contado com as artes plásticas, os cheiros e os principais ícones das várias culturas produzidas nos quatro cantos do Brasil, reunidas em um único espaço. Com esse projeto, a intenção da Faculdade Seama é criar condições para uma maior integração da comunidade acadêmica e estudantil com a sociedade local, já que busca oferecer melhor qualidade de vida através de manifestações artísticas e culturais que garantam visibilidade à sustentabilidade cultural do Brasil e de outras partes do mundo. Entre os objetivos mais gerais a serem alcançados, destaca-se o fortalecimento da cultura brasileira junto à população residente na capital Macapá e o respeito pelos fatos e personagens históricos importantes. As ações desenvolvidas durante a realização da mostra chegam a mobilizar cerca de 500 colaboradores, entre coordenadores, docentes e estudantes dos cursos de Comunicação, Nutrição, Psicologia, Biomedicina, Fonoaudiologia, Enfermagem, Redes de Computadores, Sistemas de Informação, Direito e Fisioterapia. São iniciativas que envolvem os alunos em atividades simples de compromisso social, mas cuja repercussão traz benefícios para a formação humana, quer dos discentes e docentes, da instituição, quer da população em geral. A idéia é dar continuidade a esse trabalho e maximizar as possibilidades de sucesso do empreendimento. Nesse sentido, a comunidade acadêmica e estudantil da Faculdade conta com a força da motivação de todos os colaboradores da instituição. 34 Prêmio Cidadania sem Fronteiras Como todas as tarefas têm o acompanhamento das coordenações dos cursos de graduação e da área pedagógica do Colégio Seama, a probabilidade de envolvimento da comunidade “adotada” torna-se ainda maior. A Faculdade Seama tem custos operacionais significativos com ações sociais mantidas sob o projeto guarda-chuva chamado Seama Comunidade. São oito grandes programas institucionais, e a Mostra Cultural é um deles, seguido do Seama Comunidade, Gincana Solidária, Ação Global, Ensino Responsável, Gincana Solidária, Ação Global, Ensino Responsável, Gincana de Interação, Rondon e Projeto de Demandas Externas. Juntos, contemplam mais de 30 mil pessoas de diferentes esferas da sociedade amapaense. Projetos como o da mostra cultural só são possíveis com a participação dos parceiros em potencial que a Seama atraiu ao longo desses anos. A instituição conta com a participação de diversas instituições públicas e privadas e da sociedade civil organizada, bem como o apoio incondicional daqueles que já absorveram seus programas sociais. Essa parceria acontece principalmente no que concerne à divulgação, mobilização e patrocínio junto à comunidade como um todo. Entre os principais parceiros estão o SENAC, SEBRAE, SESC, SESI, SECULT, Ministério Publico Estadual, Associações de Bairros e artesãos locais, entre outros. 35 UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA REGIONAL DE CHAPECÓ (UNOCHAPECÓ) CHAPECÓ – SC PROJETO “BOLSA AMARELA: CIDADANIA E FORMAÇÃO DE LEITORES” CONTAR HISTÓRIAS, UM CAMINHO PARA INCENTIVAR A LEITURA E A PRODUÇÃO LITERÁRIA Parceria entre universidade e setor público beneficia 350 alunos de Chapecó 37 Prêmio Cidadania sem Fronteiras N ascida da iniciativa de lideranças locais preocupadas em assegurar a oferta da educação à população do oeste catarinense, a Universidade Comunitária Regional de Chapecó contribui ativamente, há 40 anos, com o desenvolvimento da região. O programa “Bolsa Amarela: cidadania e formação de leitores” é resultado da parceria da instituição com a Secretaria de Educação e Cultura do município de Xaxim, em Santa Catarina, que solicitou ações de incentivo à leitura para fazer frente aos resultados insatisfatórios dos alunos da rede municipal de ensino nas provas aplicadas pelo Ministério da Educação. O projeto também atende aos propósitos do Plano de Desenvolvimento Institucional, de implementar programas permanentes de extensão, nos municípios de abrangência da Unochapecó, que estejam articulados ao ensino e à pesquisa e se confirmem como práticas de inclusão social. As ações acontecem na Escola Municipal Santa Terezinha e atendem de modo permanente 350 alunos da educação básica dos anos iniciais. Além da comunidade escolar, envolvem também a comunidade acadêmica, professores e familiares. As crianças atendidas integram famílias em situação de vulnerabilidade social e econômica, apresentam índices de condições precárias de trabalho, baixas remunerações salariais e, em sua maioria, são participantes dos programas assistenciais do governo federal. A maioria dos pais trabalha como cortadores de erva, diaristas, bóias-frias, operários, serventes de pedreiro ou são donas de casa. Muitos estão desempregados, quando não recebem auxílio saúde ou são aposentados. A narração de histórias é utilizada como estratégia de implementação de uma política de incentivo à leitura e produção 38 Prêmio Cidadania sem Fronteiras literária. Já as atividades são planejadas com a coordenação do projeto, bolsistas e professores da escola, tendo como princípio a leitura e a produção de textos nas diferentes linguagens. Isto garante a relação com outras áreas do conhecimento, como é o caso da linguagem Matemática, que integrou o projeto em julho de 2010. Por meio da atividade específica de leitura, inicia-se o processo de estímulo à prática de ler, com atividades que apresentam novas formas de observação do livro, discussões, interpretações e oficinas de produção de textos. Do ponto de vista econômico, o projeto é sustentado pela Assistência Social da Unochapecó, uma vez que atua de modo permanente com a comunidade vulnerável economicamente, desenvolvendo ações afirmativas que minimizam a exclusão social. Também é possível contar com a contrapartida do município. A escola disponibiliza uma sala específica para as atividades do projeto e, quando solicitado, fornece materiais permanentes. Quanto à formação de multiplicadores, destaca-se que os professores, responsáveis pelas turmas, acompanham as atividades e são os responsáveis por fortalecer as estratégias de leitura no cotidiano. A experiência na sala de leitura faz com que os profissionais continuem algumas atividades em sala de aula e as histórias prosseguem em outro contexto, agora no espaço formal, permitindo o avanço na construção do conhecimento interdisciplinar decorrente de ações de leitura. Em relação aos aspectos políticos e sociais, o projeto é disseminado em várias vertentes. Efetiva o diálogo com saberes e representações culturais; garante visibilidade pública por meio do envolvimento da comunidade e do governo municipal, diretamente por parte da Secretaria de Educação e Cultura. Em consequência, traz o reconhecimento institucional. 39 CENTRO UNIVERSITÁRIO CENTRAL PAULISTA (UNICEP) SÃO CARLOS – SP PROJETO “MÚSICA NA ESCOLA E QUALIDADE DE VIDA” AO SOM DE MÚSICAS FOLCLÓRICAS E CANÇÕES DE RODA, PROJETO BUSCA SOCIALIZAR CRIANÇAS E ADOLESCENTES Público beneficiado pelo projeto do Centro Universitário Central Paulista visa estimular uma nova perspectiva de mundo, mais criativa e interativa 41 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O Centro Universitário Central Paulista, instituição mantida pela Associação de Escolas Reunidas, desenvolve há seis anos o projeto “Música na escola e qualidade de vida”, em parceria com a Prefeitura Municipal de Itirapina. O projeto tem como foco a socialização de crianças e adolescentes por meio da música, formação de corais, grupos musicais e de uma orquestra-escola. Dele participam crianças e adolescentes estudantes das Unidades Escolares de Itirapina (SP) CEI Profª Dulce de Faria Martins Migiorini, EMEFI Profª Aracy Leal Bernardi e CEI Profª Hilda Barros, com atividades artísticas, rítmicas, expressivas e orientações Pró-Saúde. Itirapina possui duas penitenciárias em seus arredores, fazendo com que um considerável número de crianças e adolescentes matriculados em duas dessas unidades escolares tenha algum parentesco com a população carcerária. São, em sua grande maioria, jovens sem base familiar sólida, que enfrentam necessidades que vão desde a alimentação e higiene precárias até problemas psicológicos. Com o curso de musicalização, a ideia é investigar os diversos métodos e materiais didáticos geralmente empregados neste processo de aprendizagem e seus possíveis efeitos no desenvolvimento geral dos participantes, uma vez que o programa se dedica ao estudo, pesquisa e desenvolvimento de um repertório musical voltado especialmente ao público alvo. Desta forma, visa oferecer condições para o estudo de um instrumento musical do ponto de vista sensorial, intelectual e afetivo, tornando as crianças e adolescentes capazes de se expressarem com liberdade por meio da música, o que envolve o conhecimento 42 Prêmio Cidadania sem Fronteiras teórico, o senso de repertório e informações necessárias para que se tornem ouvintes conscientes. Além das atividades voltadas à música, há aulas de informática, karatê, balé, teatro e ações voltadas à saúde, todas ministradas por alunos da Unicep, sob orientação dos professores da área. Estes cursos, ilustrados com palestras e atividades relacionadas à saúde, visam resgatar, nestas crianças e jovens, a alegria de viver de maneira saudável, dentro dos padrões normais de higiene e de alimentação, permitindo que os participantes tenham a oportunidade de serem futuros cidadãos bem orientados e conscientes, e que podem construir uma vida melhor. O projeto tem como objetivo identificar os vários elementos musicais e criar um repertório de músicas folclóricas, especialmente canções de roda, eruditas e populares, com prioridade para a cultura brasileira. Junto a esta atividade, pretende-se executar outros programas que proporcionem a oportunidade de pensar, criar, agir e ter uma nova visão do mundo para as crianças e adolescentes que estudam nas unidades escolares de Itirapina e fazem parte dos Centros de Educação Integral e Escola Municipal de Ensino Fundamental. Esses programas já foram testados com alunos bolsistas dos cursos de Educação Física, Arquitetura, Ciências Biológicas, Farmácia, Enfermagem, Nutrição, Pedagogia, Radiologia e Sistemas de Informação. Em 2010, 11 alunos da UNICEP residentes no município participaram do programa, que atendeu um total de 401 crianças e jovens adolescentes, e pelo menos 375 amigos e familiares compareceram às apresentações realizadas ao longo daquele exercício. Outros 11 estudantes da UNICEP participam do projeto em 2011, que conta com a inscrição de aproximadamente 400 crianças e adolescentes. 43 DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DA AMAZÔNIA FACULDADE MARTHA GALVÃO MANAUS – AM PROJETO “RDS-TUPÉ CIDADANIA E JUSTIÇA” CIDADANIA A FAVOR DE POPULAÇÕES INDÍGENAS E CABOCLAS DE MANAUS Grupo da Faculdade Martha Falcão realiza várias ações junto a moradores de reservas indígenas e áreas ribeirinhas, como assessoria jurídica para expedição de documentos e campanhas de doação 45 Prêmio Cidadania sem Fronteiras D esde que iniciou suas atividades, em 2000, a Faculdade Martha Falcão não parou de expandir sua atuação na área social junto às comunidades ribeirinhas em Manaus (AM). Uma das ações mais recentes é o projeto RDS-Tupé Cidadania e Justiça, desenvolvido na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Tupé, na capital amazonense, sob a responsabilidade Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ) daquela instituição de ensino. O programa é realizado desde 2010 e é voltado ao acompanhamento dos problemas enfrentados pelos moradores, caboclos e indígenas, daquela reserva, que a cada semestre recebe a visita de voluntários para estudo e organização de duas atividades principais. A primeira é destinada ao atendimento e assessoria jurídica, e a segunda, reservada à realização de um evento chamado “Mutirão Assistencial”, que tem a participação de professores, alunos e funcionários do Núcleo de Práticas Jurídicas. O mais recente foi realizado em meados de abril de 2011, ocasião em que participaram moradores caboclos e, pela primeira vez, representantes da ala indígena da reserva. Para os 160 visitantes, foram oferecidas, gratuitamente, consultoria e assessoria jurídica em todas as áreas do Direito, expedição de documentos (Certidão de Nascimento, Carteira de Identidade e CPF), exames médicos e vacinação; doação de alimentos; roupas e calçados, além de palestras sobre doenças sexualmente transmissíveis e câncer de mama, entre outras atividades. O sucesso do evento contou com a parceria tanto do setor público como privado. O destaque foi a aproximação da ala cabocla com a ala indígena, que, antes da implementação do projeto, apresentavam uma relação conflituosa. Atualmente, após a interferência desse programa criado, articulado e executado pela Faculdade Martha Galvão, os movimentos 46 Prêmio Cidadania sem Fronteiras interculturais indígenas contam com o apoio das comunidades caboclas e ribeirinhas da RDS, que já realizam trocas de experiência e oferecem apoio mútuo em prol da qualidade de vida na reserva. Do Projeto RDS-Tupé: Cidadania e Justiça participam tanto os alunos do Curso de Direito da Faculdade Martha Falcão quanto seis comunidades ribeirinhas e as aldeias indígenas da região. Criado para proporcionar atividades extracurriculares de cunho social/educacional, dirigidas aos alunos e estagiários do curso de Direito da instituição, o programa se presta também a desenvolver ações que possam sensibilizar todos os acadêmicos para a realidade amazônica. Também tem como objetivo específico promover, entre os jovens estudantes, atitudes que levem à formação de profissionais conscientes das necessidades da população amazonense menos favorecida, além de incentivar atividades que minimizem o impacto dos problemas sentidos pelas comunidades amazonenses, especialmente ribeirinhas e indígenas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Tupé. Chega a cerca de 300 o número de participantes diretos nesse projeto, que vem contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das comunidades beneficiadas com a distribuição de alimentos, roupas, calçados, brinquedos e a prestação de serviços de orientação jurídica e expedição de documentos, elementos imprescindíveis para o exercício da cidadania. Pode-se afirmar que a carência de documentação daquela população está parcialmente superada. No último Mutirão Assistencial foram expedidos 74 CPF, 40 Cédulas de Identidade e 19 certidões de nascimento. Quanto à divulgação do projeto, houve grande repercussão junto à mídia eletrônica, comprovando a importância das ações realizadas. 47 UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA – UNOESTE PRESIDENTE PRUDENTE – SP PROJETO “UNOESTE INCLUSIVA” O DESAFIO DE PROMOVER A INCLUSÃO E SOCIALIZAÇÃO DOS SERVIDORES DO SISTEMA PRISIONAL Unoeste desenvolve programa que beneficia 8,3 mil profissionais de 35 unidades prisionais 49 Prêmio Cidadania sem Fronteiras A grave situação que a sociedade tem enfrentado no cenário do sistema prisional leva à reflexão sobre a relevância do desenvolvimento da responsabilidade social como uma função de todos os segmentos da sociedade. Sendo assim, cabe também à universidade colaborar com ações que minimizem essa situação, por meio do desenvolvimento de iniciativas que promovam a inclusão e a socialização, não só dos detentos,mas ,neste caso, principalmente dos servidores das penitenciárias, os quais sofrem os efeitos do sistema prisional. Foi a partir dessa necessidade que surgiu o Programa Unoeste Inclusiva. Destinado ao atendimento dos servidores penitenciários, população carcerária e seus respectivos familiares, o projeto visa minimizar um dos maiores problemas sociais da sociedade: a exclusão. O Oeste do Estado de São Paulo, além dos desafios que encontra na área social, abrange o Pontal do Paranapanema, região de conflito fundiário, e possui diversos presídios, o que acaba gerando necessidades adicionais para o município, de modo a acomodar a população que, em função dos presídios, migra para a região. É o caso, por exemplo, de saneamento básico ou de serviços médicos. São 35 unidades prisionais com uma população carcerária superior a 33 mil sentenciados com familiares que, ao se mudarem para as cidades vizinhas, acabam pressionando a demanda, por exemplo, por serviços na área de saúde pública. O Unoeste Inclusiva foi implantado em outubro de 2006, e não tem previsão de término, uma vez que a cada dia novos horizontes se descobrem nas ações em prol da inclusão social e da solidariedade humana. Os beneficiados diretamente por 50 Prêmio Cidadania sem Fronteiras essa ação são os 8.300 servidores das 35 unidades prisionais, entre agentes de segurança penitenciários, assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras, médicos, farmacêuticos e telefonistas, entre outros profissionais. A população beneficiada direta e indiretamente pode chegar a 130 mil pessoas. Tendo em vista a abrangência do projeto, o impacto na qualidade de vida dos envolvidos já é notório no sistema. O índice de pessoas acometidas de tuberculose já é bastante baixo, encontrando-se a patologia sob controle nos presídios, com repercussão direta nas famílias dos sentenciados e também dos funcionários. Isso tem minimizado o preconceito e o medo que a presença dessa enfermidade traz. Além disso, o diálogo entre os diretores, seus funcionários e as instituições parceiras demonstra que eles estão mais solidários, humanizados e comprometidos com suas responsabilidades. Este processo contribui para que o sentenciado seja visto por todos os envolvidos como um ser humano merecedor de sua atenção e respeito, contribuindo assim para a sua reintegração social. Houve também a melhoria dos procedimentos das sindicâncias apurativas, no acompanhamento aos egressos e em sua reintegração social. Além disso, o ambiente de trabalho dos servidores do sistema já se apresenta mais solidário e com maior envolvimento profissional. O resultado principal obtido até o momento tem sido a formação das parcerias que envolvem um amplo leque de agentes sociais e instituições públicas, particulares, empresariais, financeiras e religiosas, e que tem viabilizado um sem número de ações de educação, mobilização social e de organização dos serviços como as CIPAS. 51 Prêmio Cidadania sem Fronteiras É importante ainda ressaltar que a sustentabilidade e a continuidade deste programa estão garantidas em razão dos compromissos pessoais e profissionais de todos os envolvidos, com destaque para as pesquisas universitárias realizadas em vários níveis. 52 ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DA AMAZÔNIA FACULDADE SEAMA MACAPÁ – AP PROJETO SEAMA COMUNIDADE PROJETO VOLUNTÁRIO ENVOLVE COMUNIDADE ACADÊMICA EM APOIO À POPULAÇÃO CARENTE DE MACAPÁ Iniciativa inclui ações nas áreas de saúde, educação e entretenimento. Cerca de 12 mil pessoas já foram beneficiadas 53 Prêmio Cidadania sem Fronteiras H á mais de dez anos, a Faculdade Seama realiza o programa Seama Comunidade, que oferece oficinas, cursos e presta serviços gratuitos às comunidades carentes de Macapá e dos municípios vizinhos à capital amapaense. Executado duas vezes por ano, no início de cada semestre, o objetivo do projeto é aproximar a comunidade acadêmica dos problemas sociais da região, além de promover a melhora da qualidade de vida com sustentabilidade de renda e atendimento nas áreas de saúde, educação e entretenimento. As ações de responsabilidade social desenvolvidas pela Faculdade Seama têm o compromisso com a justiça social unido ao espírito de solidariedade dos participantes. São, em geral, realizadas durante o período de recesso acadêmico, quando a probabilidade de envolvimento da comunidade “adotada” é maior. A iniciativa conta com a participação de coordenadores, docentes e estudantes dos cursos de Comunicação, Nutrição, Psicologia, Biomedicina, Fonoaudiologia, Enfermagem, Redes de Computadores, Sistemas de Informação, Direito e Fisioterapia. A colaboração dos alunos acontece em atividades simples de compromisso social, mas que não são menos importantes, já que traz benefícios inestimáveis para a formação de cidadania, quer dos discentes, docentes e da Faculdade, quer da população em geral. Para isso, a Seama conta com o apoio de diversas instituições públicas e privadas e da sociedade civil organizada, bem como a aceitação incondicional da população já atendida por outros projetos sociais oferecidos pela Faculdade. Essa parceria acontece principalmente no que diz respeito à divulgação e à realização, por voluntários, dos cursos e das oficinas, e se estende a instituições como Senac, Sebrae, SESC, SESI e 54 Prêmio Cidadania sem Fronteiras Ministério Público Estadual, além de associações de bairro e artesãos dos municípios assistidos. Em contrapartida, os recursos financeiros, de estrutura e de logística são oferecidos gratuitamente pela instituição de ensino, que, além disso, disponibiliza salas de aula e laboratórios de Saúde, Comunicação e de Informática necessários para atender a demanda do projeto. Desde que começou, em 2003, o programa Seama Comunidade já qualificou cerca de 12 mil pessoas, e a cada edição atrai aproximadamente 600 participantes para os cursos gratuitos que oferece. As ações sociais desenvolvidas pela Faculdade representam custos operacionais expressivos para a instituição. São oito grandes programas institucionais mantidos sob o projeto Guarda-Chuva, além do próprio Seama Comunidade, a saber: Gincana Solidária, Ação Global, Ensino Responsável, Gincana de Interação, Rondon, Mostra Cultural e Projeto de Demandas Externas. Juntos, contemplam mais de 30 mil pessoas de diferentes esferas da sociedade amapaense, resultado que, para a Seama, representa o retorno do reconhecimento popular e fortalecimento institucional da sociedade do Estado do Amapá. Ao capacitar o cidadão, por meio de ações que beneficiem a população como um todo, a instituição de ensino amapaense entende que o projeto Seama Comunidade contribui para colocar em evidência não só o conhecimento acadêmico como a necessidade de se praticar ações de responsabilidade social. 55 EDUCAÇÃO FACULDADE FABAVI DOCTUM DE VITÓRIA VITÓRIA-ES PROJETO “IMPOSTO ZERO! A CESTA BÁSICA PEDE SOCORRO!” ESTUDANTES ESCLARECEM POPULAÇÃO SOBRE O IMPACTO DOS IMPOSTOS NA CESTA BÁSICA Alunos dos cursos de Administração e Direito se mobilizam para alertar a população da Grande Vitória (ES) sobre o impacto da carga tributária nos produtos básicos 57 Prêmio Cidadania sem Fronteiras C riado em julho de 2009 pelo curso de administração da Faculdade Fabavi Doctum de Vitória, o projeto “Imposto Zero! A Cesta Básica Pede Socorro!”, além de proporcionar uma maior integração da comunidade acadêmica, teve como objetivo fundamental sensibilizar a população, o governo do Estado do Espírito Santo e o governo federal sobre a necessidade de isenção da carga tributária (ICMS, IPI, Cofins etc.) que incide sobre os produtos que compõem a cesta básica de alimentos. A conscientização da população foi feita por meio de palestras e campanha de rua com a distribuição de 2.500 panfletos explicativos pelos alunos veteranos e calouros. Cabe lembrar que a cesta básica da capital capixaba é a terceira mais cara do País, ficando à frente de grandes capitais como o Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife, conforme cálculos mensais efetuados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O universo da comunidade trabalhada pela instituição de ensino, para implementar o projeto, engloba os consumidores da Região Metropolitana da Grande Vitória, nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. Estima-se que quase 800 mil pessoas podem ter sido beneficiadas pelo programa, focado em consumidores das classes sociais C, D e E, com renda familiar média abaixo de R$ 3 mil e faixa etária entre 16 e 65 anos. A maior parte dessa comunidade era de escolaridade de nível fundamental, mas o projeto se estendeu também a pessoas de nível médio e superior. Vale lembrar que esta campanha de cidadania não tem qualquer vínculo político-partidário. A gestão do projeto ficou a cargo da coordenação da Empresa Junior da instituição de ensino, que, por sua vez, 58 Prêmio Cidadania sem Fronteiras participou da confecção dos panfletos explicativos para a comunidade e da confecção de duas faixas promocionais da campanha. Houve também a mobilização de 140 calouros dos cursos de Administração e Direito, respondendo pela distribuição de panfletos educativos, pela coleta de assinaturas e pela pesquisa de opinião junto à comunidade da Região Metropolitana da Grande Vitória. Também estiveram envolvidos cerca de 60 veteranos que ficaram responsáveis pelo treinamento e supervisão dos calouros na realização das atividades propostas através de três grandes equipes. A maior delas ficará responsável pela coleta de assinaturas, e as outras duas pela panfletagem e realização das pesquisas de opinião pública. O grupo composto de funcionários, professores e membros da direção da faculdade atuará na divulgação interna e externa, orientação e monitoramento das atividades e suporte no plano de ação da campanha. Cabe destacar que a estratégia para o envolvimento dos funcionários, nesta campanha de 2010, foi a convocação de um líder colaborador de cada setor administrativo para ficar responsável pela coleta de assinatura dos demais. As parcerias firmadas para a realização deste projeto chegaram ao total de 22, sendo cinco delas concretizadas formalmente através de contrato para doação de recursos financeiros. As outras 17 parcerias foram concretizadas informalmente por contato telefônico e/ou por email, e todos os parceiros envolvidos com o projeto tiveram um banner de divulgação de suas logomarcas no site do projeto. Já o número de beneficiários diretos com essa ação de mobilização chegou a 6 mil pessoas. Indiretamente, contudo, estima-se em mais de 20 mil pessoas, através das entrevistas 59 Prêmio Cidadania sem Fronteiras nas rádios locais, sucesso que se estende ao grau de participação do público interno. O número de funcionários e professores inscritos e que participaram da campanha de 2010 foi de 52 pessoas, mais que duas vezes o número registrado na campanha do exercício anterior. 60 UNIVERSIDADE NORTE DO PARANÁ – UNOPAR LONDRINA – PR PROJETO “CRESCER II” EDUCAÇÃO, CULTURA E SUPORTE SOCIAL E PEDAGÓGICO: A RECEITA BEM-SUCEDIDA DO PROJETO CRESCER Com o apoio da Unopar, programa voltado a crianças e adolescentes de abrigo ajuda a melhorar o desempenho e a freqüência escolar 61 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O Projeto Crescer foi criado em 2004 para manter a infraestrutura física do abrigo Casa do Bom Menino de Arapongas. Direcionado ao atendimento socioeducativo de crianças e adolescentes com idade entre 10 e 15 anos, de escolas públicas daquele município paranaense, cujas famílias têm renda de até três salários mínimos, o projeto passou a contar, quatro anos depois, com o apoio da Universidade Norte do Paraná (Unopar). A partir daí foi criado o projeto Crescer II, e o trabalho de apoio a essas crianças e jovens ganhou fôlego. Atualmente, as duas unidades atendem cerca de 400 crianças e adolescentes araponguenses com atividades de ensino (aulas de português, matemática, inglês, informática, ciências, artes e educação física); atividades culturais e suporte pedagógico e social. Envolve a família no acompanhamento dessas crianças e monitora, por meio de indicadores de desempenho escolar e avaliações internas, o desenvolvimento humano e social dos seus participantes. As escolas públicas de Arapongas colaboram com informações sobre rendimentos escolares e participam das reuniões do grupo, enquanto o Lions Clube e as empresas da cidade fornecem apoio necessário com a doação de alimentos, uniformes e materiais escolares, estabelecendo uma parceira muito positiva. Ao mesmo tempo em que responde, aos docentes responsáveis, pelas atividades de estágio curricular realizadas no projeto, compete à Unopar o planejamento das ações educativas, a avaliação e acompanhamento dos estagiários e o suporte acadêmico. Além disso, é responsável pela aplicação de atividades de natureza educativa junto à clientela, com vistas ao desenvolvimento cognitivo dos discentes monitores, bem como a gestão de recursos humanos e financeiros. 62 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O projeto funciona de segunda a sexta-feira com turmas distintas em período matutino e vespertino. As crianças e adolescentes são matriculados por demanda espontânea, desde que atendam aos requisitos como idade entre 10 e 15 anos, matrícula em escola pública do município e renda familiar inferior a três salários mínimos. A partir da matrícula, o pai ou responsável se compromete com o atendimento aos requisitos da manutenção no projeto, que são o acompanhamento efetivo dos filhos nas atividades, o comparecimento às reuniões e encontros com a equipe do projeto, além da garantia de assiduidade e desempenho positivo nas avaliações da escola regular e do projeto. Já o acompanhamento dos participantes é realizado informalmente pelo corpo docente no convívio cotidiano e, formalmente, por meio de avaliações teóricas, práticas e controle de frequência. Em paralelo, as escolas regulares alimentam o sistema de informações dos participantes por meio da disponibilização dos boletins de desempenho bimestral. Entre os resultados alcançados, destaca-se a fidelização da comunidade assistida, que conta com mais de 75% das crianças e adolescentes matriculados desde o início das atividades da segunda fase do projeto, em 2008. Tal indicador reitera que, dos 400 alunos de escolas públicas do município que se encontram suscetíveis aos agravos sociais e de saúde, pelo menos 300 mantiveram-se com desempenho superior à média de aprovação escolar, com frequência regular nas atividades da escola e do projeto, o que representa uma maior proteção social dessas crianças. Das primeiras turmas iniciadas em 2004, mais de 50% prosseguiram para o ensino médio, sendo que, destes, a grande 63 Prêmio Cidadania sem Fronteiras maioria ingressou em cursos profissionalizantes. Para o ano de 2011, 50% dos egressos do projeto que cursaram o ensino médio ingressaram em universidades locais e regionais. Um índice bastante satisfatório e que comprova a relevância do programa. 64 CENTRO UNIVERSITARIO DE BRASÍLIA – UNICEUB BRASÍLIA – DF PROJETO “VALE A PENA” CONSTRUINDO CONDIÇÕES PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DOS DETENTOS Projeto executado por alunos do curso de Engenharia da Uniceub permitiu restaurar e ampliar as instalações da Penitenciária Feminina do Distrito Federal e abrir espaço para cursos profissionalizantes 65 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O Centro Universitário de Brasília (Uniceub) tem por missão institucional gerar, sistematizar e disseminar o conhecimento visando à formação de cidadãos reflexivos e empreendedores, comprometidos com o desenvolvimento socioeconômico sustentável. Nesse sentido, no cerne das políticas institucionais e na própria construção dos projetos pedagógicos dos cursos oferecidos neste estabelecimento de ensino, encontra-se a filosofia voltada à preparação dos alunos acerca da compreensão adequada de si mesmo e da responsabilidade social e profissional que lhes cabe. O projeto “Vale a Pena: Revitalização da Penitenciária Feminina do Distrito Federal” é um exemplo de ações e práticas desenvolvidas pelo Uniceub com a participação de alunos e professores do curso de graduação em Engenharia Civil. A necessidade de revitalização da Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF) já era uma demanda registrada há anos. Em março de 2011, um agente penitenciário da PFDF entrou em contato com o coordenador do curso de Engenharia Civil do UniCEUB preocupado, inicialmente, com a profissionalização das detentas. Como resultado das várias visitas do coordenador e mais cinco alunos do curso de Engenharia Civil, chegou-se à conclusão de que os blocos 4 e 5 necessitavam de restauração devido a problemas estruturais ocasionados por um incêndio provocado em rebeliões anteriores. Também se constatou a necessidade de se ampliar uma área especifica para tratamento psiquiátrico masculino. O projeto de reforma foi entregue à diretoria da PFDF a partir de um Termo de Doação Gratuita e Voluntária, durante uma cerimônia realizada em 4 de junho de 2011. Naquela data, a Penitenciária Feminina do Distrito Federal possuía três blocos em funcionamento e outros dois a serem reformados, em um 66 Prêmio Cidadania sem Fronteiras total de 15 mil metros quadrados, onde cumpriam pena 524 mulheres e 97 homens, com um déficit de aproximadamente 170 vagas. Ao final das obras, serão geradas 140 novas vagas para as internas que possuem o beneficio do trabalho externo. Serão criados espaços para funcionamento de cinco oficinas profissionalizantes e 80 vagas serão disponibilizadas nos blocos 1 e 3 com a centralização da administração. Muito em breve as obras de reforma serão iniciadas. Os professores e os alunos supervisionarão todas as etapas realizadas pelos homens presos no Centro de Progressão Penitenciária (Galpão) e no Centro de Internação e Reeducação (CIR), da Penitenciária de Brasília, mais conhecida como Papuda. Buscou-se, com o projeto Vale a Pena, atender a um segmento vulnerável e carente da comunidade por meio do incremento da graduação, criando condições para a real conexão entre teoria e prática, mediante, principalmente, o desenvolvimento das atividades de extensão. As atividades, que são registradas e acompanhadas pela Diretoria Acadêmica/Assessoria de Extensão e Integração Comunitária do Uniceub, proporcionam melhorias da qualidade de vida às comunidades atendidas e agregam valores e conhecimentos aos alunos. Seu objetivo principal é proporcionar, para os futuros engenheiros desta instituição de ensino, a oportunidade de vivência social e de posicionamento crítico, permitindo a eles praticar o que aprendem na sala de aula e prestar serviço para a sociedade. Isto resulta em obras de qualidade e custos baixos como o propósito principal de melhoria da qualidade de vida dos presos e apoio para sua reinserção na sociedade. 67 Prêmio Cidadania sem Fronteiras Além disso, há esforços realizados no sentido de estabelecer parceria com o UniCEUB pela FUNAP-DF, com a proposta de um Acordo de Cooperação Técnica com vistas a criar oportunidades para, aproximadamente, 9.600 sentenciados dos regimes fechado e semiaberto do Distrito Federal, com a formação em oficinas e cursos para profissionalização em diversas áreas do conhecimento. 68 FACULDADE ANHANGUERA DE TAUBATÉ – UNIDADE I TAUBATÉ – SP PROJETO “EXPLANAÇÃO DOS PROJETOS ANHANGUERA CIDADÃ E ANHANGUERA INTEGRAÇÃO” PROGRAMA PARA DEBATER PROBLEMAS COMO DESEMPREGO E USO DE DROGAS UNE MEIO ACADÊMICO E COMUNIDADE Ações sociais e educacionais promovidas pela Faculdade Anhanguera, em Taubaté (SP), já beneficiaram 2.117 pessoas 69 Prêmio Cidadania sem Fronteiras H á cinco anos, a Faculdade Anhanguera de Taubaté contribui com o município realizando ações na área social e educacional. Em 2011, a instituição de ensino implantou três projetos institucionais denominados Anhanguera Cidadã, Anhanguera Integração e Anhanguera Contemporânea. Em todos eles, a Faculdade contou com a atuação voluntária dos seus docentes e discentes. Para o corpo discente, os projetos contribuíram principalmente com a formação humanitária e ética, alem de propiciar a aplicabilidade prática de todo o conhecimento teórico aprendido. Os destaques ficam para o Anhanguera Cidadã - realizado na comunidade Esplanada Santa Terezinha, no Grupo de Apoio a Pessoas Portadoras da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (GAPA) e no Serviço de Assistência Paroquial-Comunidade Bom Pastor -, e o projeto Anhanguera Integração, realizado no primeiro semestre em três escolas estaduais do ensino fundamental e médio do município. A seleção dos locais baseou-se no cenário descrito pelo representante da comunidade, dos grupos e das escolas. Os panoramas desenhados retrataram o crescimento de desempregados, de pessoas ociosas e sem preparo para se inserir no mercado de trabalho; a problemática dos usuários de drogas, das pessoas com baixa estima e sexualidade desregrada, além de abordarem a obesidade crescente e seus riscos entre crianças e adolescentes. Por meio desses projetos, a Faculdade Anhanguera de Taubaté buscou promover a integração do corpo docente e de grupos de alunos do ensino fundamental e médio com a comunidade, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e profissional não só do publico externo, como dos próprios discentes. 70 Prêmio Cidadania sem Fronteiras As atividades desenvolvidas abordaram temas como empregabilidade, reforço escolar e saúde. Para a realização das atividades foi elaborado um planejamento estratégico, tático e operacional, que contou com a participação da direção da faculdade, dos coordenadores dos cursos de graduação, professores e alunos voluntários, além dos representantes da própria comunidade. No bairro Esplanada Santa Terezinha, a comunidade solicitou ações que buscassem despertar o interesse pelo desenvolvimento pessoal, humano e profissional dos moradores, uma vez que, naquele município, a comunidade está entre as mais relacionadas com o tráfico de drogas e o desemprego. Quanto aos grupos e escolas, os representantes solicitaram uma participação que colaborasse com a formação ética e humanitária, bem como contribuísse com temas transversais desenvolvidos nas próprias escolas, estimulando assim o processo de educação continuada em busca de uma profissão. Os dois projetos juntos beneficiaram diretamente 2.117 pessoas, que acabaram se tornando propagadoras dos conhecimentos adquiridos com o desenvolvimento dos projetos. Em relação ao corpo discente, esses programas contribuíram para o desenvolvimento de atitudes proativas em relação ao mundo, capacidade de solucionar problemas, tomar decisões, ter iniciativa, adquirir habilidades e competências dentro do contexto pessoal e profissional. A Faculdade Anhanguera de Taubaté Unidade 1 iniciou suas atividades em 2006, oferecendo cursos de graduação na modalidade presencial, cursos de extensão, além de abrigar um pólo de ensino a distancia através da Universidade AnhangueraUniderp, por meio do seu Centro de Educação a Distância. 71 MEIO AMBIENTE UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA – UNOESTE PRESIDENTE PRUDENTE – SP PROJETO “EDUCAÇÃO AMBIENTAL E RESÍDUOS SÓLIDOS” COLETA SELETIVA PROPORCIONA MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO A CATADORES Projeto da Unoeste visa sensibilizar também a população, a administração pública e a iniciativa privada sobre a importância da reciclagem para a preservação do meio ambiente 73 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O projeto Educação Ambiental e Resíduos Sólidos nasceu da convergência de pesquisadores e instituições que buscavam formas de intervir na grave situação de degradação ambiental e exclusão social relacionada ao lixo em Presidente Prudente (SP). O principal elemento aglutinador foi o potencial de se estabelecer o diálogo em uma equipe interdisciplinar e interinstitucional, com o objetivo de fomentar políticas públicas para o gerenciamento integrado de resíduos sólidos. O desenvolvimento do projeto visa produzir diversos impactos para as instituições da administração pública municipal, com destaque para a formulação, avaliação e gestão de políticas públicas relativas aos resíduos sólidos de Presidente Prudente. É nesse contexto que surgiu a parceria com a Cooperativa de Trabalhadores de Produtos Recicláveis de Presidente Prudente (Cooperlix), que participa do projeto com 56 cooperados diretamente, e mais 300 pessoas (ex-catadores e trabalhadores desempregados), indiretamente. A intenção é potencializar as ações da cooperativa para não só ampliar o número de vagas e gerar trabalho e renda para os catadores de resíduos sólidos recicláveis e reutilizáveis do município, como incrementar as ações de Educação Ambiental em Presidente Prudente e região. A iniciativa é ainda mais importante face ao anunciado fechamento do lixão da cidade, em cujo local será construído um aterro sanitário. As famílias de catadores perderão sua fonte de renda e a Cooperlix se apresenta como alternativa de trabalho para essas pessoas. 74 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O movimento de organização da entidade partiu dos pesquisadores em ações articuladas junto aos demais parceiros e o grupo de catadores. A estratégia de aproximação consistiu em estabelecer um vínculo de confiança, para então iniciar o levantamento de dados necessários ao começo da pesquisa. A cooperativa conta com três caminhões para coleta seletiva, duas esteiras para triagem, duas prensas e várias baias para armazenamento dos resíduos, carrinhos para transporte de carga e elevador de carga. A coleta seletiva é uma atividade que propicia um grande conjunto de benefícios à população de Presidente Prudente, de 220 mil habitantes, e ao meio ambiente. Entre esses benefícios, destaca-se a melhoria das condições de trabalho, renda e vida dos catadores cooperados e seus familiares, e a redução da quantidade de resíduos sólidos a serem aterrados, uma vez que a Cooperlix coleta, em média, 70 toneladas por mês de materiais recicláveis e reutilizáveis. Quanto às outras parcerias, elas foram se formando progressivamente, ao longo das Fases I, II e III do projeto. O leque de parceiros é amplo, envolvendo agentes sociais e instituições públicas e privadas, entre as quais se destacam: Faculdade de Ciências e Tecnologia/UNESP; Universidade do Oeste Paulista (Unoeste); Prefeitura Municipal de Presidente Prudente; Companhia Prudentina de Desenvolvimento (Prudenco); Fundo Social de Solidariedade; Federação Nacional dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação, Limpeza Urbana, Ambiental e Áreas Verdes (Fenascon); e Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação e Trabalhadores na Limpeza Urbana de Presidente Prudente e Região (Siemaco). 75 Prêmio Cidadania sem Fronteiras A iniciativa conta ainda com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Núcleo 3R da Universidade Federal de São Carlos, Fundação Banco do Brasil, escolas públicas e particulares, empresas dos setores industrial, comercial, agroindustrial e instituições financeiras e religiosas. 76 CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLOGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA RIO DE JANEIRO – RJ PROJETO “MUTIRÃO CEFET” UM GRANDE MUTIRÃO EM PROL DOS MORADORES AFETADOS PELAS ENCHENTES NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO Cefet engajou alunos e professores em ações como arrecadação de gêneros básicos e apoio na reconstrução das casas 77 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O s municípios da região Serrana do Rio de Janeiro foram atingidos, em janeiro de 2011, por uma das 11 maiores catástrofes climáticas da história da humanidade. Para ajudar a reconstrução das 15 cidades afetadas pelas chuvas e enchentes, o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca instituiu o projeto Mutirão Cefet, conclamando seus alunos a identificarem as demandas daquela região. As primeiras ações se concentraram em Teresópolis, e geraram idéias que, posteriormente, seriam transformadas, no médio e longo prazo, em projetos desenvolvidos no âmbito dos seus cursos, nos níveis Técnico e Superior. O projeto propôs o envolvimento de calouros dos Cursos Técnico, Tecnológico e de Engenharia e Administração, em um total de 300 pessoas, aproximadamente. Os calouros receberam a missão de engajamento dos veteranos e docentes. Pelo menos 13 professores se envolveram no desafio e mais de 600 pessoas da comunidade do Cefet participaram das diferentes atividades proporcionadas pela empreitada. A primeira fase do Projeto Mutirão Cefet Solidário à Região Serrana foi concluída em junho de 2011. A segunda fase, em execução, prevê a criação de uma Comissão Interdisciplinar de Avaliação e Acompanhamento, constituída por professores e alunos. A execução de projetos específicos deverá ter inicio a partir do próximo período letivo. Até lá, algumas atividades continuarão sendo realizadas na região, para manter vínculos e expectativas. O Mutirão, em seu desdobramento, tem dado assessoria a alguns outros projetos, a exemplo da necessidade de drenagem de áreas alagadas e doações para uma área duramente atingida, a de Vieira. De outro lado, tem recebido solicitações de outras instituições e 78 Prêmio Cidadania sem Fronteiras estudantes que querem desenvolver projetos de ajuda e esperam a intermediação do Cefet em suas pesquisas e serviços. É inestimável o número de beneficiados diretos e indiretos em sua plenitude, como as 1.000 crianças da rede escolar do município que receberam a doação de 480 livros, durante evento na Praça da Feira de Teresópolis, que teve o apoio de 580 feirantes e contou com atividades lúdicas. Também foram prestadas assessorias a 30 famílias da comunidade Vieira, na reconstrução de suas casas, e distribuídas doações em gêneros alimentícios e roupas para cerca de 600 pessoas. Ainda que a proposta seja o atendimento às demandas a médio e longo prazos, o projeto Mutirão estimulou o preenchimento de algumas necessidades emergenciais como doação de material de higiene e limpeza, mais de 500 livros doados às escolas atingidas pelas chuvas, mudas para replantio, doação de roupas e de gêneros de primeira necessidade não perecíveis. O Cefet entende que, sendo uma instituição educacional tecnológica, torna-se oportuno e dever de cidadania realizar eventos, projetos e o que mais seja possível, nos limites de sua competência, para o atendimento da fase de reconstrução das cidades atingidas na Região Serrana do Rio de Janeiro. Este gesto de cidadania contribuirá efetivamente para a formação humanística de seus alunos e sua comunidade, na aplicação de conhecimentos tecnológicos, expressos em projetos que promovem a melhoria de qualidade de vida nos municípios afetados. É reconhecido o relevante patrimônio intelectual que a instituição de ensino possui, e neste contexto de tragédia, sente-se também solidária às demandas de suas unidades localizadas naquela região. 79 FACULDADE DE INFORMÁTICA DE PRESIDENTE PRUDENTE DA UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA – UNOESTE PRESIDENTE PRUDENTE – SP PROJETO “MUTIRÃO DO LIXO ELETRÔNICO” MUTIRÃO DÁ DESTINO AMBIENTALMENTE CORRETO AO E-LIXO DE PRESIDENTE PRUDENTE Iniciativa da Faculdade de Informática da Unoeste, o projeto arrecadou, apenas em um semestre, mais de 30 toneladas de equipamentos eletrônicos 81 Prêmio Cidadania sem Fronteiras A Faculdade de Informática de Presidente Prudente (FIPP), da Unoeste, em parceria com a Secretaria Municipal da Tecnologia da Informação da Prefeitura de Presidente Prudente, lançou o projeto Mutirão do Lixo Eletrônico para receber e dar a destinação correta aos equipamentos que, hoje em dia, se tornam rapidamente obsoletos a cada nova versão lançada no mercado. O alto consumo, estimulado pela inovação tecnológica constante, traduz-se em grandes volumes do e-lixo que, lançados indistintamente em lixões ou mesmo nos aterros sanitários, acabam contaminando o meio ambiente. Computadores e impressoras usadas, celulares, micro-ondas, modelos antigos de televisores e de aparelhos de rádio, assim como DVDs, CDs ou lâmpadas fluorescentes, entre outros produtos, liberam metais pesados que, infiltrados no solo, comprometem os lençóis freáticos e entram na cadeia alimentar. São materiais cancerígenos como chumbo, cádmio, arsênio e mercúrio, que causam danos ao sistema nervoso central, aos rins, fígado, pulmões e má formação de fetos. O objetivo do mutirão é não só evitar a disposição inadequada do e-lixo, e para isso vai buscar parcerias com setores interessados na reciclagem, como conscientizar a população e a comunidade acadêmica da FIPP/Unoeste sobre o descarte correto do equipamento eletrônico usado e incentivar a coleta seletiva. A instituição pretende inclusive elaborar um projeto para 2012 que visa recuperar computadores usados e doá-los à população carente do município. O programa Mutirão do Lixo Eletrônico foi lançado em 2009 com duas edições (uma por semestre). Somente na primeira foram arrecadados mais de 30 toneladas de lixo eletrônico. 82 Prêmio Cidadania sem Fronteiras Aparelhos de vídeo-cassete, televisores, rádios, celulares sem uso, impressoras antigas e fora de uso, fios e cabos de alimentação foram entregues pela população, que já não tinha mais o que fazer ou onde guardar todo esse e-lixo. O material arrecadado foi encaminhado para empresas especializadas em reciclagem e em neutralizar os agentes tóxicos usados na fabricação desses produtos. Trabalharam cerca de 30 pessoas, entre alunos, professores e funcionários voluntários da Faculdade de Informática da Unoeste. O evento de arrecadação contou com a cobertura de várias emissoras de televisão e de rádio da cidade. Aqueles que se deslocaram até o Centro de Informação Turística (CIT), onde a coleta foi centralizada, preencheram um cupom e concorreram ao sorteio de dez bicicletas, um Playstation II e um Notebook Acer. A Faculdade de Informática de Presidente Prudente da Unoeste e a Prefeitura Municipal de Presidente Prudente pretendem dar continuidade a este projeto e a suas derivações, como o Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC), que irá captar doações de computadores usados de empresas privadas, órgãos públicos e da população em geral, recondicioná-los e doá-los a famílias carentes previamente cadastradas em programas sociais como o Bolsa Família, por exemplo. Com o CRC, o que se pretende é contribuir para o processo de inclusão social e digital de populações excluídas. O programa vai capacitar alunos das Escolas Técnicas Estaduais (ETECs) e da Fatec (Faculdade de Tecnologia) e, adicionalmente, o Centro de Recondicionamento de Computadores deverá proporcionar o descarte correto de equipamentos de informática inutilizados, seja através do recondicionamento, seja pelo descarte para a 83 Prêmio Cidadania sem Fronteiras reciclagem dos seus componentes. Nesse centro será mantido um ponto de coleta permanente de lixo eletrônico, considerado um problema socioambiental grave em muitas cidades do país. 84 SAÚDE UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS MINAS GERAIS – MG PROJETO “TELESSAÚDE: EXPANDINDO A ATUAÇÃO GEOGRÁFICA DE HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS” MAIS AGILIDADE NO ATENDIMENTO MÉDICO COM O APOIO DA TECNOLOGIA Centro de Telessaúde, ligado à UFMG, leva conhecimento aos profissionais de saúde em localidades remotas, com apoio de rede colaborativa de seis universidades mineiras 85 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O Centro de Telessaúde (CTS) é parte integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Criado oficialmente em 2005, este centro tem como missão levar o conhecimento dos especialistas aos profissionais de saúde que atuam em localidades remotas, utilizando-se de tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Isso permite expandir a atuação geográfica do Hospital das Clinicas, hospital universitário de grande porte mantido pela UFMG. O CTS coordena a Rede Mineira de Teleassistência, uma rede colaborativa de seis universidades públicas de Minas Gerais, que presta serviços de teleassistência para 758 pontos de telessaúde distribuídos em 608 municípios do estado. Nesse contexto, a Telessaúde atua como apoio direto aos municípios remotos. Os profissionais de saúde dessas localidades podem acessar especialistas daqueles seis centros universitários para obter uma segunda opinião sobre os casos clínicos atendidos, enviar exames para que o laudo seja feito nesses centros especializados e receber suporte aos atendimentos de urgências cardiológicas, sem a necessidade de deslocamento do paciente para outra cidade. Em Minas Gerais, a Rede Mineira de Teleassistência é pioneira no desenvolvimento dessa área. Iniciou suas atividades como projeto de pesquisa em 2006, apoiando as Equipes de Saúde da Família (ESF) de 82 municípios, no suporte ao atendimento das doenças cardiovasculares, principal causa de morbidade no estado. Após sucessivas expansões, o serviço foi transformado, em 86 Prêmio Cidadania sem Fronteiras 2010, numa política publica denominada Tele Minas Saúde, uma parceria da Secretaria de Estado de Saúde e as seis universidades, constituindo-se assim numa das mais expressivas atividades de extensão universitária. Dessa forma, foi possível expandir as atividades dos hospitais universitários, aumentando sua área de abrangência para todo o estado. Em Belo Horizonte, a Rede presta atendimento em telecardiologia a 130 Unidades Básicas de Saúde e, a partir deste ano, também as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) passam a ser atendidas. São realizados, a cada mês, em média, 1.500 teleconsultorias e 22 mil laudos de eletrocardiogramas. As ações são financiadas pelo Governo do Estado de Minas Gerais (o principal financiador), Ministério da Saúde e Prefeitura de Belo Horizonte, enquanto os estudos são desenvolvidos pelas agências de fomento à pesquisa. A Rede Mineira de Teleassistência já capacitou cerca de cinco mil profissionais de saúde para utilização das ferramentas e aplicativos do sistema de telessaúde implantado no estado, e já promoveu vários eventos científicos. Além do trabalho realizado em Minas Gerais a telessaúde extrapola as fronteiras do estado por meio de acordos de colaboração para apoio e estruturação de outros serviços de telessaúde nos estados do Ceará, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Ainda mantêm acordos de cooperação internacional com o grupo de telemedicina da Universidade de Caldas, na Colômbia, e com o Hospital Universitário de Rouen e Universidade de Lille, ambos na França. Numa cooperação pioneira com Angola, na África, as tecnologias e metodologias desenvolvidas no Tele Minas Saúde 87 Prêmio Cidadania sem Fronteiras serão usadas para capacitação em serviço dos profissionais de saúde angolanos pelos especialistas brasileiros. Essa iniciativa abre caminho para novas cooperações bilaterais com outros países de língua portuguesa. 88 UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DE CHAPECÓ UNOCHAPECÓ CHAPECÓ – SC PROJETO “SORRISO PARA VIDA” AÇÃO DA UNOCHAPECÓ RESGATA SORRISOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM CÂNCER Equipe docente e grupo de estudantes ajudam a melhorar auto-estima e estimulam a retomada de cuidados pessoais dos pacientes e seus familiares 89 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O programa Sorriso para Vida, da Unochapecó, dedica atenção integral à criança e adolescente em tratamento oncológico ou ambulatorial internadas no Hospital Regional do Oeste (HRO) e no Hospital Regional do Oeste (HRO), ambos no município de Chapecó. O público alvo das ações deste projeto reside, em sua maioria, nesta cidade do oeste catarinense e em seu entorno. São atendidas cerca de 700 crianças e adolescentes em média por ano, além de seus acompanhantes. O programa tem origem nas atividades de aprendizagem realizadas na disciplina de Recreação e Lazer II, do curso de Educação Física, no segundo semestre de 2001. Naquela ocasião, cinco estudantes, sob a supervisão docente, optaram por realizar uma intervenção lúdica no Hospital Regional do Oeste, no setor da quimioterapia ambulatorial, criando vínculos afetivos com os participantes e a equipe de atendimento do HRO. A cada retorno, a equipe da Unochapecó era recebida com sorrisos pelos pacientes atendidos, situação decisiva para a escolha do nome do projeto. O “Sorriso para Vida”, portanto, surge da integração estabelecida com o cenário da própria prática. No início, as atividades eram desenvolvidas apenas uma vez por semana, mas logo passaram a ser realizadas diariamente por bolsistas de extensão do curso de Educação Física e, a partir de 2003, com a participação da supervisão docente e bolsistas do curso de Letras. Atualmente, as ações ocorrem todos os dias nos períodos matutino, vespertino e noturno, nos setores de tratamento oncológico ambulatorial em hospitalização de pediatria, com grande aceitação e expectativa em relação ao projeto. A rede de atenção e cuidado instituída por este projeto tem permitido que informações relevantes como prevenção de 90 Prêmio Cidadania sem Fronteiras doenças transmissíveis, alimentação saudável, cuidados com postura, corpo, movimento e qualidade de vida não somente mudem o significado da hospitalização, como também contribuam para a construção de conhecimentos capazes de produzir uma vida mais qualificada no cotidiano após a internação. A participação dos acompanhantes nas atividades, geralmente as mães, tem permitido que ações de cuidados pessoais e com o outro já sejam adotadas durante o período de internação, como escovação dos dentes, higienização das mãos, além de se estabelecer relações mais afetuosas, apesar da dor e sofrimento, entre outras mudanças de atitudes. Outro fator relevante é a possibilidade dos universitários exercerem atividades de aprendizagem por intermédio da aproximação entre o campo de formação e a realidade. A inquietação do processo vivenciado também já provocou a realização de projetos de conclusão de curso e projetos de iniciação científica, e isso coincide com o espírito acadêmico que a Unochapecó pretende passar para a sociedade de um modo geral. Esta instituição de ensino catarinense estabelece como missão produzir e difundir conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento regional sustentável, a formação profissional cidadã e para se posicionar como referência em universidade comunitária, reconhecida pela sua produção cientifica, qualidade acadêmica, gestão democrática e atuação na sociedade. 91 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ ILHÉUS – BA PROJETO “DETECÇÃO PRECOCE: O CAMINHO MAIS CURTO PARA A CURA DO CÂNCER INFANTO-JUVENIL” UMA LUTA CONTRA O CÂNCER INFANTIL, VENCIDA PELO APOIO DE ESTUDANTES À DETECÇÃO PRECOCE DA DOENÇA Grupo de estudantes de Medicina, com supervisão dos instrutores, ajuda a capacitar profissionais da área de saúde de Ilhéus 93 Prêmio Cidadania sem Fronteiras A tualmente, cerca de 70% das crianças com câncer podem ser curadas se diagnosticadas precocemente. Com base nessa informação, a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), de Ilhéus, na Bahia, montou o projeto Detecção Precoce: o Caminho Mais Curto para a Cura do Câncer InfantoJuvenil, desenvolvendo ações com o objetivo de sensibilizar, capacitar e atualizar estudantes e profissionais de saúde, especialmente os da atenção primária, a respeito do câncer infantil. Desenvolvido pelo Núcleo de Estudo e Orientação em Oncologia Pediátrica (NEOOP) da UESC, o objetivo deste programa é sensibilizar e capacitar os profissionais das 23 Equipes de Saúde da Família no município de Ilhéus, quanto à detecção precoce do câncer infanto-juvenil, assim como quanto aos cuidados necessários dessa população que está em tratamento. Na primeira etapa da execução do projeto, houve a capacitação dos alunos do NEOOP a partir de apresentações sobre os diversos temas em Oncologia Pediátrica, para os integrantes do grupo, supervisionados pelas instrutoras da medicina, enfermagem e da psicologia que coordenam o núcleo. As quatro etapas subsequentes foram realizadas simultaneamente e englobaram toda a ação logística de execução propriamente das capacitações teóricas dos profissionais das Equipes de Saúde da Família, no município de Ilhéus, por meio de palestras nos temas mais recorrentes à prática da oncologia pediátrica. Esta fase foi estritamente desenvolvida mediante a parceria entre o Grupo de Apoio à Criança com Câncer de Itabuna (GACC), a UESC, através do NEOOP, e o Instituto Ronald 94 Prêmio Cidadania sem Fronteiras McDonald, que desde 2008 disponibiliza suporte financeiro, estrutural e consultoria a todo o Brasil, viabilizando, dessa forma, a execução de propostas de capacitação de profissionais do Programa Saúde da Família. Uma pesquisa realizada no sistema de cadastro dos pacientes do centro de referência de oncologia pediátrica daquele município mostrou os efeitos diretos da capacitação da rede básica municipal desenvolvida durante o ano de 2010 pelo projeto Detecção Precoce. Enquanto em 2009, foram encaminhados de Ilhéus apenas três casos de câncer, no exercício seguinte esse número chegou a sete, sendo que, destes, seis tiveram diagnóstico confirmado de neoplasia. Já em 2011, até o mês de junho, cinco casos tinham sido encaminhados, dos quais quatro com diagnóstico confirmado. Com base nos resultados obtidos, pode-se perceber uma melhora significativa após a realização dos programas de capacitação, indicando que os profissionais acumularam novos conhecimentos na área de oncologia pediátrica. O diagnóstico precoce é essencial em casos de câncer infanto-juvenil e influi diretamente no tratamento e prognóstico. Dessa forma, o NEOOP tem contribuído para a formação de profissionais (médicos, enfermeiros e psicólogos) aptos a diagnosticar e reconhecer precocemente os sinais do câncer na infância, aprendendo a entender a criança em todos os seus aspectos, desde o biológico até o psicossocial. O projeto também propiciou o aumento do número de crianças atendidas em uma unidade de referência, sugerindo que houve aumento na atenção dos profissionais aos sinais de alerta. Com isso, contribuiu para reduzir a quantidade de pacientes mirins que chegam sem apresentar novas possibilidades terapêuticas. 95 Prêmio Cidadania sem Fronteiras Tanto as crianças quanto os profissionais foram beneficiados com o programa, direta ou indiretamente. As crianças terão uma assistência mais integral, com maior possibilidade de diagnóstico precoce de câncer. Já os estudantes poderão proporcionar um atendimento de qualidade para os pacientes, reduzindo os índices de mortalidade infanto-juvenil provocada pelo câncer. 96 UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA – UNOESTE PRESIDENTE PRUDENTE – SP PROJETO “CADASTRAMENTO DE DOADORES DE MEDULA OSSEA” ESTUDANTES DA ÁREA DE SAÚDE DA UNOESTE PARTICIPAM DE CAMPANHA PARA INCENTIVAR A DOAÇÃO DE MEDULA ÓSSEA Iniciativa já permitiu um aumento expressivo do número de cadastros de doadores em Presidente Prudente e em âmbito nacional 97 Prêmio Cidadania sem Fronteiras Para estimular o cadastramento de doadores de medula óssea, a Universidade do Oeste Paulista implantou um projeto de extensão universitária que tem como objetivo envolver os estudantes, futuros profissionais da área da saúde e de outras áreas de conhecimento, comprometidos com as causas sociais, nas atividades de coleta de sangue periférico e cadastramento de doadores de medula óssea. Como as campanhas envolvem grande número de estudantes, docentes, população e profissionais de outras instituições parceiras, é cenário propício para estudos e pesquisas, sendo que duas pesquisas já foram realizadas e apresentadas no encontro de Ensino Pesquisa e Extensão da Unoeste. Os acadêmicos interessados em participar passam por esclarecimento sobre os temas relacionados, como transplantes, medula óssea, doenças hematológicas, entre outros, além de receberem informações sobre técnicas de abordagem e capacitação técnica sobre punção venosa e coleta de sangue periférico. A região de Presidente Prudente é responsável pelo elevado aumento do número de cadastros em nível nacional, em razão da participação dos estudantes e dos professores da Unoeste envolvidos nesse projeto, que tem caráter interdisciplinar e multiprofissional. A parceria entre o grupo Madu-medula, formado em 2006, e a Unoeste pretende envolver toda a comunidade regional, arrebanhando o maior número possível de voluntariado, além de cadastrar o maior número possível de prováveis doadores de medula óssea. A proposta prevê acionar os veículos de comunicação para a divulgação de campanhas intensivas de cadastramento de doadores, e como parte desse processo de 98 Prêmio Cidadania sem Fronteiras sensibilização das pessoas, usar os estudantes dos cursos da saúde da Unoeste como multiplicadores dessas ações. Em 2009, segundo boletim divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer, o número de cadastros de possíveis doadores de medula óssea ultrapassou a casa de um milhão. Este crescimento é atribuído à realização de campanhas em unidades fixas, como os hemocentros regionais, e campanhas externas em empresas. No entanto, considerando a população brasileira, que já beira os 200 milhões de habitantes, o número de cadastramento ainda é pouco expressivo. Como parte do processo de sensibilização de pessoas para a efetivação de cadastramento, os acadêmicos dos cursos da saúde, dentre eles o futuro enfermeiro, como profissional da área da saúde responsável socialmente, deve se envolver em causas sociais de conscientização da população, atuando como constante educador. A Universidade do Oeste Paulista possui aproximadamente 15 mil alunos matriculados em 52 cursos de graduação, três cursos de pós-graduação em nível de mestrado e 80 cursos em nível de especialização e aperfeiçoamento instalados em três campi e duas fazendas experimentais, além de uma parceria com o Hospital Regional Estadual, onde funciona o Hospital Escola da Unoeste. Como instituição social de caráter formativo, através do conjunto de processos e relações que se produzem em seu cotidiano, tem como missão obedecer ao princípio de não separação entre ensino, pesquisa e extensão, visando ocupar espaço através do desempenho eficiente das funções que lhe são reservadas na estrutura da sociedade. 99 TECNOLOGIA E PRODUÇÃO FUNDAÇÃO MINEIRA DE EDUCAÇÃO E CULTURA – FUMEC AGLOMERADO DA SERRA – MG PROJETO “PROGRAMA ASAS – ARTESANATO SOLIDÁRIO NO AGLOMERADO DA SERRA” UM PROJETO QUE SOMA CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL A UM OLHAR MAIS ATENTO AO MEIO AMBIENTE Ações de professores, alunos e técnicos da Fumec buscam consolidar tecnologias sociais de geração de renda, com perspectiva na arquitetura e design socioambiental 101 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O programa ASAS – Artesanato Solidário no Aglomerado da Serra surgiu em 2007 como um projeto de extensão isolado da Universidade Fumec e tinha como objetivo principal capacitar uma equipe para trabalhar em uma oficina de estamparia que abriria as portas no município mineiro de Aglomerado da Serra. Nos primeiros anos, foi constituído um grupo criativo e produtivo denominado “ASAS_aglomeradas”. Quatro anos se passaram, e este se tornou um programa de extensão cuja característica, atualmente, é o desenvolvimento contínuo de projetos multidisciplinares interrelacionados com o ensino, a pesquisa e extensão. O público alvo inicial do projeto foram os alunos da escola Municipal Padre Guilherme Peters. Os jovens, potenciais candidatos a participar do projeto, são alunos que, em primeiro lugar, necessitam de uma habilidade real para uma inserção eficaz no mercado de trabalho ou em algum setor produtivo. Os alunos estão acima de 16 anos, idade ideal para a iniciação em uma habilidade, ofício ou profissão. Além dos alunos do ensino regular, a escola buscou também jovens, adolescentes e outros moradores da comunidade que se enquadrassem nas seguintes situações: os que não tinham qualquer qualificação profissional, aqueles que apresentavam baixa autoestima ou tinham dificuldade de relacionamento familiar decorrente da ausência de renda familiar. Nesse sentido, a direção da Padre Guilherme Peters pleiteou junto à Universidade Fumec ações de auxílio para capacitação profissional de seus alunos. A justificativa apresentada é a de que a população local se encontra em precária situação econômica e os projetos, até então tentados por outras 102 Prêmio Cidadania sem Fronteiras entidades, encontravam-se relegados a uma ausência de resultados concretos. Por intermédio de programas construídos em parceria com a comunidade de Aglomerados da Serra e a equipe de professores, alunos e técnicos da Universidade Fumec, o ASAS busca consolidar tecnologias sociais reaplicáveis de geração de renda, que atuem em uma perspectiva contemporânea da intersecção entre a arte, o artesanato e o design. Hoje em dia, seu foco de atuação é pautado pela concepção de Arquitetura e Design Socioambiental, diretriz que consiste na aplicação do conceito de sustentabilidade nas vertentes social e ambiental. Isto conduz a uma reflexão no âmbito da cultura e da economia, que se constituem em outros desdobramentos desse conceito. Esse pensamento pode ser traduzido nas linhas de pesquisa com uma produção de conhecimento ligada à formação de tecnologias sociais desenvolvidas a partir de contextos socioculturais específicos. Isto pode ser reaplicado de acordo com as demandas e condições de cada grupo. Nas atividades de extensão, parte dessa lógica consiste em gerar ações que viabilizem a autonomia criativa e a melhoria econômica dos beneficiários, oferecendo a eles a condição de um real posicionamento social. Além disso, as intervenções impulsionam transformações de caráter ambiental, a partir do momento em que promovem a conscientização dos beneficiários sobre a aplicação desses instrumentais para reaproveitamento criativo dos resíduos da indústria e do consumo como matéria-prima para as atividades produtivas. Nas atividades de ensino, essa experiência e esses conhecimentos são repassados e aplicados como metodologias, práticas interativas e desenvolvimento de projetos. 103 UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA – UNOESTE PRESIDENTE PRUDENTE – SP PROJETO “TECNOLOGIA E LITERATURA INFANTIL: SINERGIA PARA INCLUSÃO DE PNE” A TECNOLOGIA AJUDANDO A INCENTIVAR A LEITURA DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS Projeto da Unoeste une recursos como animação, ilustração e interpretação em Libras para facilitar a leitura das obras literárias 105 Prêmio Cidadania sem Fronteiras P or entender que sua missão é desenvolver a educação em um ambiente inovador e crítico-reflexivo, a Unoeste desenvolveu o projeto “Tecnologia e Literatura Infantil: Sinergia para Inclusão de PNE”, que visa promover a inclusão social de crianças com necessidades especiais por meio da tecnologia. O programa nasceu da constatação de que há poucos recursos tecnológicos para o desenvolvimento da literatura infantil destinada a essas crianças. Também se constata um baixo índice de leitura por esses estudantes em todos os níveis de escolaridade, embora o incentivo ao gosto pela leitura deva ser o principal objetivo de uma educação comprometida com a formação cidadã. O educador que trabalha junto às crianças com necessidades especiais ajuda a mostrar que os recursos tecnológicos e a literatura infantil são recursos que permitem compreender uma obra literária quando unem animação, ilustração e interpretação em Libras – Língua Brasileira de Sinais. Deste modo, o projeto tem a finalidade de contribuir para despertar o interesse desses especiais leitores e demonstrar a utilidade da tecnologia em todos os setores da vida moderna. A iniciativa surgiu da adaptação do projeto “Informática e Literatura: Encontros e Diálogos”, que se iniciou em 2005 e possui um fluxo contínuo semestral, suprindo, a cada semestre, as necessidades de unidades escolares do município quanto ao acervo de obras infanto-juvenis digitalizadas. Neste novo formato, com leitura em Libras, não inviabiliza a continuidade do projeto anterior, mas une-se a ele para atender aos demais estudantes da rede pública. 106 Prêmio Cidadania sem Fronteiras Em sua 13ª edição, já beneficiou diretamente cerca de 2.600 alunos de escolas públicas do ensino infantil, fundamental e médio do município de Presidente Prudente e, inclusive, estudantes de várias unidades escolares que frequentam a biblioteca municipal. Embora não haja parcerias firmadas com outras entidades para viabilizar o projeto, o seu sucesso é constatado pelas declarações de dirigentes das unidades escolares agraciadas com os trabalhos. Há um total engajamento da comunidade atendida, de coordenadores, professores e alunos, principalmente os que possuem necessidades especiais e que utilizarão as obras dos CDs e DVDs durante as aulas de leitura e recreação ao longo do período escolar, inclusive realizando projeções durante a atividade da Escola da Família. Nas primeiras edições, as obras digitalizadas eram escolhidas pelos alunos dos cursos de informática. Logo após a terceira edição, constatou-se a necessidade de perfilar um caminho inverso, ou seja, consultar o público beneficiado sobre as carências apresentadas quanto à leitura. Foram ouvidos professores, coordenadores escolares e alunos, a fim de que o acervo a ser digitalizado viesse ao encontro das necessidades e anseios do público-alvo. Com o decorrer das edições, várias modificações foram introduzidas, e hoje já se vota até para alunos com necessidades especiais. A Unoeste concentra em Presidente Prudente uma população estudantil, docente e de funcionários de 15 mil pessoas, aparelhando suas instalações para atendimento não apenas desta clientela, como também da população em geral, nas áreas judiciária, agrária, educacional, psicológica, tecnológica, de saúde e engenharia. 107 FATEC GARÇA GARÇA – SP PROJETO “A INFORMÁTICA COMO FERRAMENTA DE APOIO DE COMUNICAÇÃO E PEDAGÓGICO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS” A INFORMÁTICA COMO APOIO AO DESENVOLVIMENTO DE ALUNOS ESPECIAIS Estudantes da Fatec de Garça desenvolveram softwares específicos para facilitar a comunicação com alunos portadores de necessidades especiais 109 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O que se pretende com o projeto “A informática como ferramenta de apoio de comunicação e pedagógico de pessoas com necessidades especiais”, realizado pela Fatec – Faculdade de Tecnologia do município de Garça, é ajudar no processo de inclusão social dos jovens alunos dessa categoria, por meio de softwares básicos disponíveis, que despertem caminhos interiores e mobilizem o ambiente pedagógico, melhorando a qualidade de aprendizagem e o desenvolvimento da inteligência. É uma ação que envolve, a cada semestre, o professor, dois alunos nas aulas práticas e outros em fase de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Envolve também todas as professoras das turmas da manhã e do período da tarde, e a fonoaudióloga para a execução de softwares desenvolvidos em TCCs para comunicação alternativa com alunos que possuem esse tipo de deficiência. O programa teve início em agosto de 2010, com a instalação de computadores e, em seguida, foram realizadas aulas de informática com os alunos. Ao mesmo tempo, foi iniciada a produção de softwares, sendo um de comunicação alternativa para crianças sem oralidade e outro, uma calculadora com libras e braile. Foi elaborada uma apresentação aos familiares dos alunos em meados de 2011. Além do aumento do número de aulas de informática, a Internet é um plano a ser adotado para o ano de 2012. A instalação já foi executada no laboratório, mas está ainda em fase de testes, pois há uma grande dependência da velocidade de conexão, que atualmente é muito baixa. Outro trabalho que será executado no inicio de 2012 é a criação de uma página na Internet na APAE de Garça. Trata-se 110 Prêmio Cidadania sem Fronteiras também de um projeto de TCC, com todo o trabalho desenvolvido pela entidade e os softwares desenvolvidos pelos alunos da Fatec de Garça, e que podem ser acessados por download gratuito não só pelos alunos com necessidades especiais, mas por qualquer pessoa interessada. O projeto de informática na APAE de Garça envolve cerca de 90 alunos diretos, sendo que estes possuem diversos tipos de deficiências, como Síndrome de Down, Deficiência Mental Múltipla, Autismo entre outras. Apesar de a APAE possuir cerca de 120 alunos matriculados, alguns se encontram impossibilitados de freqüentar esses cursos, uma vez que a APAE ainda não possui periféricos adaptativos. Hoje em dia, a informática possibilita novas formas de comunicação e disseminação do conhecimento, já que a educação inserida no novo cenário tecnológico desempenha função muito importante na criação de novas maneiras de gerar e distribuir o conhecimento. Por isso, as pessoas com necessidades especiais podem ser beneficiadas no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem com a utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação como ferramenta ou ambiente de aprendizagem. Isto inclusive pode facilitar a sua interação na vida social. Este trabalho tem essa preocupação principal, e é notável o avanço de alunos em diversos aspectos de relacionamentos, habilidades, raciocínio e aprendizagem. Os resultados obtidos até o momento são muito satisfatórios, apesar de o trabalho ter se iniciado há apenas um ano. É possível observar que o uso da informática de maneira correta torna-se uma grande ferramenta de aprendizagem e inclusão social. Com as novas maneiras de utilizar o computador como um 111 Prêmio Cidadania sem Fronteiras recurso para enriquecer e favorecer o processo de aprendizagem, é possível alterar o paradigma educacional, hoje centrado no ensino, para algo centrado na aprendizagem. O uso da tecnologia por meio de uma atividade pedagógica do computador mostra-se como um recurso potencial que deve ser colocado em prática na educação e principalmente na educação especial. 112 TRABALHO UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ TAUBATÉ-SP PROJETO SABÃO ECOLÓGICO E AROMÁTICO ECO ERVAS RECICLAGEM DE ÓLEO DE COZINHA ELEVA RENDA E ABRE NOVA PERSPECTIVA PARA FAMÍLIAS DA PERIFERIA DE TAUBATÉ Projeto da Unitau favoreceu mulheres chefes de família, em situação social vulnerável, e que passaram a ter nova atividade 113 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O projeto Sabão Ecológico e Aromático Eco Ervas é uma das atividades do Programa de Extensão Observatório Sócio Ambiental realizado desde 2005, pelo Departamento de Serviço Social, Pró Reitoria de Extensão da Unitau. Envolve professora e alunos do curso, que é composto por projetos investigativos e interventivos sobre o conhecimento das questões socioambientais, que visam interagir com as comunidades de Taubaté e região. A opção pela confecção do Sabão Ecológico Aromático Eco Ervas deu-se dentro da temática dos resíduos sólidos, amplamente debatida pelo grupo, na tentativa de conciliar objetivos tanto para favorecer a busca por trabalho e geração de renda para famílias em situação vulnerável, quanto para solucionar a problemática advinda do descarte inadequado do resíduo de óleo de cozinha pela maioria das pessoas. O projeto surgiu então como importante possibilidade de intervenção, pois poderia colaborar para minimizar este impacto junto à natureza por meio da reciclagem do óleo. O descarte irregular do produto é um dos sérios problemas ambientais, visto que um litro de óleo de fritura pode contaminar 200 mil litros de água, o equivalente ao consumo médio de uma pessoa durante 30 meses. Com a empregabilidade de tecnologia social do sabão ecológico, as mulheres das comunidades trabalhadas têm a possibilidade de melhorar a renda familiar. Além disso, no convívio com o grupo de mulheres e acadêmicos, é possível trocar conhecimentos acerca de políticas sociais, direitos sociais, participação nos processos comunitários e cidadania. O número de beneficiados diretos, até o primeiro semestre de 2011, foi em média de 80 mulheres ao ano, totalizando 252 até o momento. Quanto ao local onde o projeto é realizado, são dois bairros 114 Prêmio Cidadania sem Fronteiras periféricos que têm, em comum, moradores em situação de vulnerabilidade social e com muitas famílias desestruturadas, principalmente por terem membros em regime de detenção nos presídios de Tremembé e na penitênciária de Taubaté, e onde há uma constante preocupação da Segurança Pública em relação ao tráfico de entorpecentes e à prostituição. O perfil socioeconômico dos grupos participantes são mulheres chefes de família, com faixa etária de 18 a 74 anos, cuja renda familiar inicial, ao entrarem no projeto, situa-se na média de R$ 360,00. Considerando que as famílias contam com cinco até sete membros, isto configura uma renda per capita de R$ 60,00. Com a produção e comercialização do sabão, a maioria destas mulheres teve aumento de renda de no mínimo R$ 200,00 mensais até R$ 340,00. O que, para alguns, a princípio, pode parecer muito pouco, para a realidade delas é o divisor entre sobreviver e não sobreviver, entre comprar ou não o leite e o pão dos filhos. Mas o principal ganho é na autoestima, que é melhorada a partir do momento em que elas se descobrem capazes de produzir algo e de assumir novas diretrizes. As mulheres que participam do projeto são oriundas de bairros rurais e da periferia urbana. A maioria é de pessoas provenientes de várias regiões, principalmente do sul de Minas Gerais e do Nordeste brasileiro. Elas vivem em habitações populares nas quais co-habita mais de um grupo familiar por casa, com alto grau de violência e vulnerabilidade social. Muitas crianças são privadas dos seus direitos e as organizações não governamentais, com proposta de atuação junto às famílias, são o espaço em que a maioria das ações interventivas do projeto sabão ecológico tem sido desenvolvida em sistema de parceria. 115 INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DA AMAZÔNIA – FACULDADE MARTHA FALCÃO MANAUS – AM PROJETO AMANHECER, RECONSTRUIR A CIDADANIA O DESAFIO DE ABRIR PERSPECTIVAS PARA A REINTEGRAÇÃO SOCIAL E PROFISSIONAL DE EX-PRESIDIÁRIAS Faculdade Martha Falcão encabeça iniciativa que capacita presidiárias em várias áreas e conta com ações voltadas à melhoria da saúde 117 Prêmio Cidadania sem Fronteiras O projeto “Amanhecer, Reconstruir a Cidadania” visa dar condições de reintegração à sociedade à população carcerária da Penitenciária Feminina da cidade de Manaus (AM). Tem por objetivo geral oferecer condições para ajudar as ex-detentas a se reintegrarem à sociedade por meio de diversas atividades nas áreas agrícola, industrial, do comércio ou de prestação de serviços, gerando o trabalho como meio de inclusão e ressocialização. Por meio de parcerias com instituições públicas, privadas e o terceiro setor, para a realização de cursos profissionalizantes, será possível desenvolver atividades produtivas nas dependências dos presídios, de materiais e bens de consumo duráveis e não-duráveis. O projeto contemplará a criação de uma cooperativa social, com a finalidade de reintegrar essas mulheres no mercado profissional. O programa pretende ser um pólo irradiador de novas posturas profissionais e comunitárias, promovendo a integração entre instituição de ensino e sociedade, além de minimizar a discriminação em relação às populações de baixa renda, tendo em vista que a ressocialização do individuo é hoje um elemento indispensável na formação do cidadão. Com essa perspectiva, o projeto Amanhecer é parte das atividades de extensão e pesquisa do curso de Administração da Faculdade Martha Falcão, e pretende difundir as experiências de Gestão de Projetos realizadas nesta instituição de ensino manauara. Além do acesso ao trabalho, um dos pilares do processo de ressocialização é a educação. A alfabetização, a instrução escolar e a formação técnica são elementos mínimos necessários para que a reintegração das ex-detentas em sociedade seja bem sucedida. 118 Prêmio Cidadania sem Fronteiras A Penitenciária Feminina de Manaus é composta por duas unidades, uma projetada para a custódia de presidiárias cumprindo pena em regime fechado, e a outra unidade projetada para as presidiárias provisórias, e que cumprem pena em regime semiaberto, com capacidade de custodiar 136 mulheres. Todas as egressas do sistema penitenciário deverão ser encaminhadas para o trabalho na cooperativa social. O programa “Amanhecer, Reconstruindo a Cidadania” teve início por meio de um estudo de caso de duas cooperativas sociais do Rio Grande do Sul. Na ocasião, o professor de gestão de projetos teve a oportunidade de participar de algumas experiências significativas na organização não governamental Instituto Rio Preto. Lá desenvolveu um projeto com a equipe de planejamento, com propostas para a realização de cursos profissionalizantes junto ao Sistema Prisional do Estado do Amazonas, que pudessem capacitar seus detentos, desenvolver mão de obra, atender às demandas do mercado de trabalho e promover sua reinserção na sociedade. Este projeto tem como premissa básica demonstrar como o cooperativismo privilegia a participação democrática, a valorização do ser humano e a sobrevivência em condições dignas dos envolvidos no processo cooperativo. Desta forma, envolve os estudantes do curso de Administração em atividades de associativismo e cooperativismo. Isso desperta neles a consciência crítica, reforça a integração escola-comunidade e promove mudanças de atitudes entre os egressos e familiares, utilizando-se do Sistema de Cooperativas Sociais como instrumento de gestão, além de estimular o exercício pleno de suas cidadanias. Como parte do programa de reinserção e humanização da mulher presa, são realizadas anualmente campanhas de saúde 119 Prêmio Cidadania sem Fronteiras preventiva, como câncer de mama, exames Papanicolau e exames de rotina, além de campanhas de vacinação. São desenvolvidas ainda atividades especiais diversas de cunho cultural, religioso e relativo às datas comemorativas anuais, o que contribui para a melhoria das condições de vida das presidiárias 120 COMISSÃO JULGADORA CIDADANIA SEM FRONTEIRAS 2011 121 Prêmio Cidadania sem Fronteiras PRESIDENTE DO JURÍ Sidney Beraldo – Secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo •Formado em Ciências Biológicas, Administração de Empresas e pós-graduado em Gestão Empresarial. •Iniciou a vida pública como vereador (1977-82) e prefeito de São João da Boa Vista (1983/88). •Em 1994, elegeu-se deputado estadual pelo PSDB, cargo para o qual foi reeleito em 1998, 2002 e 2006. •Foi presidente da Assembleia Legislativa (2003/2005), eleito por unanimidade. Na casa, também exerceu as funções de líder de Bancada, líder do Governo Mario Covas e a presidência das Comissões de Cultura, Ciência e Tecnologia e Economia e Planejamento. •Idealizou o Fórum Legislativo de Desenvolvimento Econômico Sustentado, iniciativa inédita para debater alternativas de desenvolvimento com os setores organizados da sociedade. •Foi relator dos projetos de renegociação da dívida do Estado,Programa Estadual de Incentivo ao Desenvolvimento, Regularização de Mananciais e Privatização das Energéticas. •Dentre os projetos de sua autoria destacam-se o que obriga o Estado a oferecer testes de HIV e Sífilis para gestantes, durante o pré-natal, em toda a rede pública de saúde; o que estabelece o Código de Ética do Servidor Público do Estado de São Paulo; e o projeto de lei que instituiu o Programa Universidade na Comunidade. •Presidiu o Diretório Estadual do PSDB entre 2005 e 2006. Em 2007, assumiu a Secretaria de Gestão Pública, permanecendo no cargo até abril de 2010, quando se afastou para ser o coordenador-geral da campanha de Geraldo Alckmin. •Em 01 de janeiro de 2011, tomou posse como Secretário-Chefe da Casa Civil do governo do Estado de São Paulo 122 Prêmio Cidadania sem Fronteiras Julio Cezar Durigan – Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais – ABRUEM •Engenheiro Agrônomo, Mestre em Produção Vegetal pela Unesp, Doutor em Solos e Nutrição de Plantas e Professor Titular do Departamento de Fitossanidade da FCAV e Reitor da UNESP. •Atividades acadêmicas: Professor do Departamento de Fitossanidade da FCAV com atuação no Curso de Graduação em Agronomia e no Programa de Pós-graduação em Produção Vegetal. •Autor de 81 artigos completos em periódicos indexados e de 182 trabalhos publicados em Anais de Congressos nacionais e internacionais. •Autor de quatro livros, 12 capítulos de livros e de 25 artigos em jornais e revistas de grande circulação. •Vice-reitor no exercício da Reitoria, a partir de 1/1/2011 após o afastamento do Reitor para exercer o cargo da Secretário de Educação do Estado de São Paulo Aurilene Meireles – Instituto Federação das Indústrias do Estado de Ceará de Responsabilidade Social •Formada em Filosofia pela Universidade Estadual do Estado do Ceará, •Especialista em Formação de Formadores pela UNB e Iniciativas Sociais pela UFRJ , foi coordenadora pedagógica do Projeto SESI Por um Brasil Alfabetizado no período de 2004-2007 e atualmente e Secretária Executiva do instituto FIEC de Responsabilidade Social . Jean Marcel Chamon - Associação Nacional dos Centros Universitários - ANACEU •Bacharel em Administração, graduado pelo Centro Universitário de Brasília - UniCEUB, especialista em Administração Estratégica de Sistemas de Informação, certificado pela Fundação Getúlio Vargas FGV e especialista em Direito e Gestão Educacional, certificado pelo 123 Prêmio Cidadania sem Fronteiras Instituto Latino-Americano de Planejamento Educacional - Ilape. Atua na área educacional superior a 7 anos, como gestor executivo da Associação Nacional dos Centros Universitários - ANACEU, entidade representativa em âmbito nacional dos Centros Universitários. Luciene Leszczynski – Editora Segmento •Jornalista, é editora da revista Ensino Superior desde março de 2011. Como repórter, colaborou também com os guias de Educação a Distância e Tecnólogos da Editora Segmento, foi editora do jornal da TV Assembleia do Rio Grande do Sul e redatora da Rádio Web do Legislativo gaúcho. Maria Beatriz Zarif Cecílio Lutfi - Instituto da Cidadania Brasil •Assistente Social, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. •Especializada em Gestão do Conhecimento e Educação Corporativa pela FIA – USP e consultora técnica de projetos sociais do Instituto da Cidadania Brasil Nathalia Kneipp Sena – Ministério da Ciência e Tecnologia para Inclusão Social •Jornalista e analista em ciência e tecnologia da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do MCTI. Mestre em Comunicação. Integrante do Grupo de Estudos Avançados em Comunicação Mediática e Organizacional da Universidade Católica de Brasília (UCB). Regina Hein – Centro de Integração Empresa – Escola - CIEE •Pedagoga especializada em Gestão de Projetos com Ênfase PMI, atua como Supervisora de Desenvolvimento de Projetos Sociais, na Gerência Jurídica e de Desenvolvimento de Projetos Sociais do Centro de Integração Empresa Escola - CIEE 124 2011 Sensibilidade, mobilização, articulação, participação e forte impacto social, foram aspectos marcantes nos projetos participantes do Prêmio Cidadania sem Fronteiras - quarta edição apresentados neste livro. São praticas sociais de exito que devem ser repassadas para outras Instituições de ensino para que multipliquem seus resultados no atendimento adequado e necessário às significativas demandas sociais de nosso país. INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR FINALISTAS Ÿ Anhanguera Educacional - Faculdade Anhanguera de Taubaté – Taubaté - SP Ÿ Associação Educacional da Amazônia - Faculdade SEAMA – Macapá - AM Ÿ Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca - Rio de Janeiro - RJ Ÿ Centro Universitário Central Paulista – UNICEP - São Carlos - SP Ÿ Centro Universitário de Brasília – UNICEUB – Brasília - DF Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte - MG Ÿ Faculdade de Tecnologia de Garça – Garça - SP Ÿ Faculdade Fabavi de Vitória Rede Doctum – Vitória - ES Ÿ Fundação Mineira de Educação e Cultura – FUMEC – Belo Horizonte - MG Ÿ Instituto de Ensino Superior da Amazônia - Faculdade Martha Falcão – Manaus - AM Ÿ Universidade Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó – Chapecó - SC Ÿ Universidade de Taubaté – UNITAU – Taubaté - SP Ÿ Universidade do Estado de Minas Gerais - – Belo Horizonte - MG Ÿ Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE – Presidente Prudente - SP Ÿ Universidade do Sagrado Coração – USC – Bauru - SP Ÿ Universidade Estadual de Santa Cruz– Ilhéus - BA Ÿ Universidade Federal de Minas Gerais - Hospital das Clínicas da UFMG – Belo Horizonte - MG Ÿ Universidade Norte do Paraná – UNOPAR – Londrina - PR Prêmio Cidadania sem Fronteiras – Edição Nacional Ÿ O processo de amadurecimento e transformação de abordagens para velhos problemas, a criatividade e empenho em suas soluções são o grande desafio, que esta sendo respondido pelas Instituições de Ensino Superior e suas ações comunitárias. Convidamos vocês para constatarem isto, na leitura do livro SEM FRONTEIRAS, edição especial. Boa leitura. RELATOS DE PRÁTICAS SOCIAIS DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR BRASILEIRAS Instituto da Cidadania Brasil Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social