XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. PESQUISA DE VIABILIDADE PARA IDENTIFICADOR DE LINHAS DE ÔNIBUS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL Aline Vieira Malanovicz (CTE Parobé) [email protected] Liliana Arrue Marques (CTE Parobé) [email protected] Patrik Alcides Silva de Souza (CTE Parobé) [email protected] Kleber Silveira Aquino (CTE Parobé) [email protected] O objetivo deste trabalho é apresentar uma pesquisa de viabilidade de um aparelho identificador de linhas de ônibus portátil para uso por pessoas com deficiência visual. O funcionamento do aparelho é descrito e são apresentados produtos e protótipos similares, possibilidades de mercado do produto e possibilidades de patrocínio e apoio ao projeto. Com base nas pesquisas realizadas, é possível concluir que o projeto é viável, tem possibilidades de financiamento, tem espaço no mercado, e também que existe interesse das associações comunitárias para sua realização. Também foi possível identificar que este tipo de equipamento tem sido foco de projetos realizados por estudantes de cursos técnicos e universitários. Dessa forma, conclui-se que o equipamento eletrônico proposto tem condições de ser desenvolvido como um projeto do curso de Eletrônica. e tem relevância social destacada em relação à mobilidade das pessoas com deficiência visual. Palavras-chave: Eletrônica, Transporte Público, Radiofrequência, Acessibilidade, Deficiência Visual. XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 1. Introdução Este artigo é resultado da proposta realizada no curso de eletrônica quanto à elaboração de um projeto de inovação de produtos ou serviços que estejam no mercado, ou algo ainda inédito. A proposta de projeto de invoação determinou “a construção e elaboração de um trabalho acadêmico com uma função social prática” (FREITAS; HIRSCHHEIMER, 2011). Para a escolha de um projeto a ser desenvolvido, a equipe de pesquisa teve como fator de sensibilização a percepção de que, atualmente, há o crescimento do pensamento e visão das pessoas quanto a adaptações de produtos e serviços para se adequarem às necessidades das pessoas com deficiência. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – 04/2012), a deficiência visual é a deficiência mais frequente entre os brasileiros: cerca de 35 milhões de pessoas declaram ter grave dificuldade ao enxergar. A impossibilidade de guiar veículos faz com que este grupo dependa muito do transporte público para se deslocar e a grande dificuldade está em identificar os ônibus (ENDO, 2013, p. 9). Uma das maiores dificuldades dos deficientes visuais é identificar o ônibus que precisa pegar, tendo que depender de outras pessoas para informar que ônibus está passando (WERTHER, 2010). Para facilitar isso e dar maior independência aos deficientes visuais, além de diminuir a dificuldade da pessoa com deficiência visual na tarefa de identificar o ônibus correto (WERTHER, 2010; ZSCHORNACK; FONSECA, 2007), foi feita a opção por dedicar o projeto ao atendimento das necessidades das pessoas com deficiência visual. Especificamente, à melhoria das condições de locomoção e deslocamento, na forma de um aparelho identificador de linhas de ônibus, por ter conhecimento e por presenciar no dia-a-dia as dificuldades que uma pessoa com falta de visão enfrenta para se locomover e chegar ao destino desejado utilizando transporte público. “São quase 9% de cegos no Brasil e com o identificador, eles poderiam ter mais autonomia” (ZSCHORNACK; FONSECA, 2007). Como justificativa para a elaboração deste projeto, pode ser citada a oportunidade dada aos alunos de adotar recursos eletrônicos conhecidos e utilizados na vida diária para elaborar um planejamento da união de recursos tecnológicos e dedicá-los a proporcionar maior sensação emocional de segurança às pessoas ao se deslocarem. Desta forma, assim como para Freitas e Hirschheimer (2011), a proposta deste projeto é melhorar a vida do usuário do transporte coletivo. Neste caso, especialmente os usuários com deficiência visual. Como foi citado, este projeto tem como público-alvo principal pessoas com deficiência visual, pois se reconhece a dificuldade encontrada por elas para sua locomoção. O desenvolvimento do projeto foi pensado, contando com o apoio de organizações comunitárias responsáveis pelo bem-estar desses cidadãos. O objetivo deste trabalho é apresentar uma pesquisa de viabilidade de um aparelho identificador de linhas de ônibus portátil para uso por pessoas com deficiência visual. O equipamento eletrônico deve ser desenvolvido como um projeto do curso de Eletrônica, sendo estudado, analisado, montado e testado dentro do período estipulado no cronograma do curso. A estrutura do restante deste trabalho apresenta: na Seção 2, a descrição do funcionamento do produto proposto; na Seção 3, a pesquisa de produtos e protótipos similares e suas características; na Seção 4, a pesquisa de 2 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. possibilidades de mercado do produto; na Seção 5, algumas possibilidades de patrocínio e apoio; e na Seção 6, as Conclusões desta pesquisa. 3 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 2. Descrição do funcionamento do produto A funcionalidade básica do identificador de linhas de ônibus é a seguinte: A pessoa que aguarda o ônibus carrega consigo o aparelho. Quando ela está na parada e um ônibus se aproxima, um identificador de frequência reconhece a frequência emitida pelo ônibus. O aparelho do usuário dita (informa verbalmente via arquivo de áudio pré-gravado) o nome e número da linha de ônibus por um pequeno fone de ouvido. O identificador funciona com dois aparelhos: um conectado ao ônibus e outro disponível para o usuário (WERTHER, 2010; SIMÕES; MELO, 2010; ZSCHORNACK; FONSECA, 2007; ENDO, 2013). O sistema como um todo é composto por três partes: o emissor de radiofrequência fixado nos ônibus (se possível, junto ao letreiro frontal); o receptor (identificador) de radiofrequência em poder do portador; e o banco de dados de linhas de ônibus (e seus respectivos nomes gravados em áudio) no aplicativo que acompanha o aparelho. O funcionamento da emissão e do reconhecimento por radiofrequência segue, em linhas gerais, a funcionalidade de emissores e receptores para identificação de radiofrequência. Assim como na proposta de Freitas e Hirschheimer (2011), os transmissores são associados aos ônibus para que seu número de serie possa ser lido a distância. Porém, diferentemente do projeto citado, é o próprio aparelho portátil, que está com o usuário (e não uma antena montada no ponto de ônibus) que pode detectar o ônibus através do acesso ao banco de dados das linhas de ônibus e preferências do usuário. Outra diferença fundamental neste projeto é que o equipamento receptor poderia ser acoplado ao próprio telefone celular do usuário ou a um fone de ouvido, uma opção de design de produto que auxiliaria a usabilidade no sentido de permitir “maior discrição e comodidade” (ENDO, 2013, p. 13). De acordo com a sugestão de trabalhos futuros apresentadas por Endo (2013), o funcionamento do produto proposto prevê a “comunicação recíproca, para que tanto o portador saiba que o ônibus se aproxima, quanto o motorista também saiba que existe uma pessoa com deficiência aguardado para embarque”. A sequência de passos para o funcionamento proposto seria a seguinte: (1) O usuário configura a quantos metros ele deseja que a linha de ônibus seja identificada (p.ex.: 100m); (2) Ao chegar o ônibus à distância configurada, a linha dele será identificada via radiofrequência quando entrar em sintonia com a frequência emitida pelo aparelho instalado ao lado do motorista do ônibus; (3) Ao mesmo tempo, o aparelho instalado ao lado do motorista emite um som, alertando que na próxima parada há um indivíduo com deficiência visual; (4) Quando os aparelhos se conectam, o equipamento identifica a linha de ônibus e informa ao portador; (5) Se o portador quiser pegar o ônibus, ele aperta um botão. Então o aparelho instalado ao lado do motorista emite outro bip avisando o motorista que ele deseja aquela linha de ônibus; (6) Após essas coordenações, ele embarca no ônibus daquela linha. Uma explicação mais detalhada do funcionamento proposto para o equipamento é como segue: O dispositivo transmissor, que é acoplado ao ônibus, contém um transmissor sem fio, cuja frequência é dividida em canais para que se possa distinguir as linhas de ônibus. Os canais são alterados manualmente através de uma chave. Da mesma forma, o receptor, que é portátil, tem a recepção individual de cada canal alterada manualmente, que quando em sincronia com o dispositivo transmissor, informa por voz que seu ônibus se aproxima, a tempo de o usuário se levantar e gesticular indicando que deseja embarcar no veículo (ENDO, 2013, p. 32). 4 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Quando o motorista liga o ônibus o aparelho emite um som para lembrá-lo de indicar o código da linha (de quatro números) no aparelho. Por sua vez, a pessoa com deficiência visual, ao chegar ao ponto de ônibus, deverá indicar o código da linha em que deseja embarcar. Dessa forma, emitindo ondas por rádio freqüência, o aparelho do portador emitirá um som quando o veículo estiver a aproximadamente 80 metros do ponto (ZSCHORNACK; FONSECA, 2007). O detalhamento do reconhecimento da frequência da linha de ônibus desejada, bem como a execução do áudio correspondente à identificação da linha, são como no protótipo da Escola Politécnica da USP: O gerenciador de banco de dados recebe a string com valores a serem manipulados, verifica se estes existem no banco, no caso afirmativo realiza operações de logística para verificar se o dado não é repetido e finalmente seleciona no banco de dados o endereço que está armazenado o som para aquela linha de ônibus. Finalizando do o processo o programa executa o som (FREITAS; HIRSCHHEIMER, 2011, p. 4). Outros requisitos técnicos também foram considerados como funcionalidades adicionais ao projeto: O sistema ser capaz de identificar o sentido do ônibus em um via de duas mãos (FREITAS; HIRSCHHEIMER, 2011, p. 2). O dispositivo ser capaz de identificar que o ônibus se aproxima independente de onde o usuário esteja, dando ele mobilidade para se posicionar onde for possível dentro do espaço destinado à parada de ônibus (ENDO, 2013, p. 30). A porta do ônibus ser capaz de emitir um som, quando o ônibus parar, para que o usuário saiba exatamente onde entrar (ZSCHORNACK; FONSECA, 2007). O motorista do ônibus ser capaz de alterar a linha no aparelho através de uma chave quando o veículo tomar um novo itinerário, assim como já ocorre com o letreiro (ENDO, 2013, p. 32). Entretanto, outra possibilidade é desenvolver uma funcionalidade adicional de integração da alteração da linha do aparelho de maneira coordenada com a mudança do letreiro (no caso de este ser eletrônico). 3. Produtos similares e suas características Para resolver o problema da identificação das linhas de ônibus para pessoas com deficiência, foram identificados alguns projetos desenvolvidos no sentido da automação da própria parada de ônibus (ENDO, 2013, p. 16): Uma solução desenvolvida pela Universidade Federal e Minas Gerais (UFMG) funciona como descrita pelo pesquisador Julio Cesar de Melo: “No ponto de ônibus o usuário aciona o aparelho, que emite um sinal para o dispositivo instalado nos ônibus. O motorista vê o sinal no painel e sabe antecipadamente que deve parar no próximo ponto”. (...) Em São Caetano do Sul/SP, foi apresentado um projeto de parada de ônibus informatizada, com dispositivos instalados nos pontos de ônibus e dentro dos coletivos, onde o deficiente utilizaria botões em um dispositivo instalado no próprio ponto para indicar a linha desejada, e dentro do ônibus, o motorista é informado sobre um deficiente aguardando para o embarque. Porém, este tipo de solução custa caro e está sujeita a atos de vandalismo (...) Também foram identificados alguns protótipos de produtos que estariam imunes ao problema do vandalismo e seriam, então similares ao proposto, considerando a característica de ser portátil, discreto e de fácil utilização pelo usuário do equipamento e pelo motorista do ônibus. 5 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Identificação de linhas de ônibus por radiofrequência que anuncia a chegada da linha do ônibus por meio de alto-falantes, desenvolvido no curso de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP): (...) consiste no desenvolvimento e construção de um protótipo de um sistema de identificação de linhas de onibus por radio frequência. As linhas de ônibus são anunciadas pelo sistema por meio de alto falantes, que noticiam a sua chegada (FREITAS; HIRSCHHEIMER, 2011). Identificador de linha de ônibus para deficientes visuais, desenvolvido no curso de Engenharia de Computação no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB): (...) foi desenvolvida uma solução de hardware utilizando transmissão de radiofrequencia. Com o uso dessa solução, a pessoa com deficiência visual receberá um sinal sonoro quando a linha de ônibus correta for detectada, indicando que seu ônibus se aproxima (ENDO, 2013). Identificador de veículos de transporte coletivo para deficientes visuais, apresentado na Mostra Internacional de Ciências e Tecnologia (Mostratec) em Novo Hamburgo e desenvolvido no curso de Eletrônica do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense de Pelotas (IFRS): (...) Identificador que funciona com dois aparelhos: um conectado ao ônibus e outro disponível para o usuário (...), emitindo ondas por rádio freqüência, o aparelho do deficiente emitirá um som quando o veículo estiver se aproximando do ponto (ZSCHORNACK; FONSECA, 2007). Equipamento para deficientes visuais identificarem ônibus (DPS2000), desenvolvido por uma empresa de tecnologias assistivas no Laboratório de Sistemas Inteligentes da Escola de Engenharia da UFMG e patenteado pela universidade: (...) equipamento que permite a usuários com deficiência visual identificarem ônibus que pretendem tomar. (...) No ponto de ônibus o usuário aciona o aparelho, que emite um sinal para o dispositivo instalado nos ônibus. O motorista vê o sinal no painel e sabe, antecipadamente, que no próximo ponto deve parar (SIMÕES; MELO, 2010). A título de ilustração, os esquemas eletrônicos de emissores e receptores de radiofrequência de alguns protótipos pesquisados são mostrados na Figura 1: Figura 1 – Ilustrações de protótipos semelhantes ao proposto neste trabalho 6 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. (c) (a) (b) Fonte: (a) e (b) Endo (2013); (c) Freitas e Hirschheimer (2011). 4. Possibilidades de mercado do produto Como existem exigências legais em relação à acessibilidade (“A acessibilidade dos portadores de necessidades especiais aos sistemas de transporte público está garantida pelas Leis 10.048 e 10.098/2000 e pelo Decreto-Lei 5296/2004”), a tendência é de que, com a renovação natural da frota, em alguns anos, as exigências sejam cumpridas em sua totalidade (ENDO, 2013). Considerando as exigências legais e a necessidade de renovação das frotas de ônibus do transporte público, uma das possibilidades de mercado identificadas para o produto foi a instalação do equipamento nas frotas de ônibus por Empresas de ITS (Sistemas Inteligentes de Transporte). Estas empresas oferecem as mais modernas soluções de eletrônica, tecnologia de informação e comunicação sem fio aplicadas ao transporte urbano, inclusive soluções que visam a oferecer informações completas e automatizadas ao passageiro (WPLEX, 2015). Além disso, outra possibilidade de mercado são empresas de tecnologia assistiva. Estas empresas desenvolvem soluções que proporcionem melhorias na qualidade de vida de pessoas que possuem limitações funcionais ou deficiências sensoriais ou motoras (por exemplo, o desenvolvimento do produto DPS2000) (GERAES, 2015). Uma parceria com empresas desenvolvedoras de aplicativos (Apps) para acompanhar ônibus pelo smartphone (RIBEIRO, 2013), tais como MooblyPortoBus, Urbanoide, Moovit, Buzzão, seria outra possibilidade de mercado para o produto. Da mesma forma, uma parceria com as universidades e com os técnicos desenvolvedores dos produtos similares citados na Seção 3 (Poli-USP, UniCEUB, IFRS, UFMG). Uma possibilidade de comercialização do produto seria para Prefeituras que iniciaram projetos de qualificação e acessibilidade do transporte público e visam utilizar dispositivos embarcados, tecnologia de monitoramento GPS em tempo real, paradas inteligentes, controles semafóricos adaptativos, e centros de controle, comunicações e processamento. Por exemplo: Porto Alegre/RS, com o projeto Sistema BRT Bus Rapid Transit (EPTC, 2014), Viamão/RS (CLICRBS, 2015) e Uberlândia/MG, com uso de tecnologia GPS na frota (UBERLÂNDIA, 2014). 7 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. A comercialização do produto precisaria levar em conta a produção em escala, para a redução de custos. Para os estudantes de Pelotas (RS) que desenvolveram um protótipo de identificador de veículos de transporte coletivo para pessoas com deficiência visual, exposto na 22º edição da Mostra Internacional de Ciências e Tecnologia (Mostratec), em Novo Hamburgo (RS), a construção dos aparelhos exigiu o gasto de R$ 60 a R$ 80, e se o produto fosse produzido em grande escala teria seu valor reduzido, o que o tornaria ainda mais acessível (ZSCHORNACK; FONSECA, 2007). Da mesma forma, a construção do protótipo desenvolvido no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) exigiu o valor total (sem fretes) de R$ 75,66, mas, no caso de produção em série, poderia haver uma redução drástica no preço dos componentes (ENDO, 2013). 5. Possibilidades de patrocínio e/ou apoio ao projeto Para a obtenção de financiamentos para o projeto, foram identificadas instituições de crédito que oferecem linhas de financiamentos de longo prazo como, por exemplo, o BRDE Inova, para apoio à inovação para desenvolvimento de novos produtos ou aprimoramento de produtos já existentes, e para investimentos fixos na modernização das instalações de empresa inovadora (BRDE, 2014). Para o aprimoramento do desenvolvimento técnico do produto, foi identificado o potencial da troca de experiências e de conhecimentos técnicos com estudantes de Universidades que oferecem cursos de Engenharia em Transportes e desenvolvem projetos de acessibilidade para transporte público, como CEFET, UFRJ e UFSC. Para a correta definição das funcionalidades necessárias ao produto, identificamos organizações comunitárias que promovem o bem-estar das pessoas com deficiência visual, como a Associação dos Cegos do Rio Grande do Sul (ACERGS). A ACERGS realiza um Programa de Orientação e Mobilidade para proporcionar ao deficiente visual autonomia, a partir da aprendizagem de técnicas que possibilitam a locomoção com segurança e independência em locais internos e externos. Em uma primeira sondagem da possibilidade de apoio da instituição ao projeto, foi obtido sucesso (Figura 2). Figura 2 - Contato com ACERGS Fonte: ACERGS (2015) 6. Conclusão Este trabalho atingiu seu objetivo de apresentar uma pesquisa de viabilidade de um aparelho identificador de linhas de ônibus portátil para uso por pessoas com deficiência visual. Foi descrito seu funcionamento e foram 8 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. apresentados produtos e protótipos similares, possibilidades de mercado do produto e possibilidades de patrocínio e apoio ao projeto. Com base nas pesquisas realizadas, é possível concluir que o projeto é viável, tem possibilidades de financiamento, tem espaço no mercado, e também que existe interesse das associações comunitárias para sua realização. Inclusive, foi possível identificar que este tipo de equipamento tem sido foco de projetos realizados por estudantes de cursos técnicos e universitários. Dessa forma, conclui-se que o equipamento eletrônico proposto tem condições de ser desenvolvido como um projeto do curso de Eletrônica. Para tanto deverá ser mais aprofundadamente estudado, analisado, montado e testado, ao logo do período estipulado no cronograma do curso, de modo que o desenvolvimento do projeto ofereça, para a vida profissional dos estudantes, a obtenção de novos conhecimentos sobre a tecnologia de radiofrequência envolvida na elaboração do equipamento. A relevância social do projeto pode ser destacada pelo fato de permitir às pessoas com deficiência visual uma forma “simples, digna, autônoma, discreta e barata” (ENDO, 2013) de identificar a sua linha de ônibus. REFERÊNCIAS ACERGS – Associação de Cegos do Rio Grande do Sul. Projeto Identificador de Linhas de Ônibus. [mensagem pessoal] Mensagem recebida por: <http://www.acergs.org.br>. em: 30 mar. 2015. BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo-Sul. BRDE Inova: Crédito para apoiar a inovação em ambiente produtivo. 2015. Disponível em: http://www.brde.com.br/brdeinova/ Acesso em: 2 maio, 2015. CLICRBS. Viamão: Edital para Transporte Público prevê Ar Condicionado e GPS. 5 mar. 2015. Disponível em: http://wp.clicrbs.com.br/radarmetropolitano/2015/03/05/viamao-edital-para-transporte-publico-preve-arcondicionado-e-gps/?topo=52,1,1,,171,e171 Acesso em: 2 maio 2015. ENDO, Pedro Hugo Eidy Pontes. Identificador de Linha de Ônibus para Deficientes Visuais. Trabalho de Conclusão de Curso. Engenharia de Computação. Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). 2013. Disp.: http://www.repositorio.uniceub.br/bitstream/235/3863/1/Pedro%20Hugo%20Monografia%201_2013.pdf. Acesso em: 25 mar. 2015. EPTC – Empresa Pública de Transporte e Circulação. Projetos de Mobilidade: Sistema BRT. Disponível em: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/eptc/default.php?p_secao=230 Acesso em: 2 maio 2015. FREITAS, João Paulo Carvalho de; HIRSCHHEIMER, Michel Sawaya. Sistema de identificação de linhas de Ônibus. Escola Politécnica da USP. Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos, 2011. Disponível em: http://policidada.poli.usp.br/media/static/upload/projetos/relatorios/realtorio_59.pdf Acesso em: 25 mar. 2015. GERAES. Produtos. Quem somos. 2015. Disponivel em: http://www.geraestec.com.br/produto/index.php Acesso em: 2 maio 2015. RIBEIRO, Daniel. TechTudo: conheça dez apps para acompanhar seu ônibus pelo smartphone. 29 abr. 2013. Disponível em: http://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2013/04/conheca-dez-apps-para-acompanharseu-onibus-pelo-smartphone.html Acesso em: 25 mar 2015. SIMÕES, Dácio Pedro; MELO, Julio Cesar David de. UFMG Notícias: Equipamento para deficientes visuais identificarem ônibus será apresentado em feiras tecnológicas. 10 mar. 2010. Disponível em: <https://www.ufmg.br/online/arquivos/014795.shtml>. 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