A Cálculo de Enlace PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA Para um melhor entendimento das equações a seguir, é utilizada a nomenclatura abaixo: xERB posição da ERB no eixo x; yERB posição da ERB no eixo y; β direção de máximo apontamento da antena da estação transmissora ERB, tendo como referência o norte (eixo y); xT U posição do terminal do usuário no eixo x; yT U posição do terminal do usuário no eixo y; α direção entre a estação transmissora ERB e a estação receptora do terminal do usuário; φ ângulo formado entre a estação transmissora ERB e a estação receptora do terminal do usuário. A.1 Cálculo da Distância A figura A.1 representa a localização de uma antena da estação transmissora ERB e uma antena receptora do terminal do usuário. A distância do enlace de rádio comunicação entre a estação rádio base e o terminal do usuário é a distância euclidiana entre dois pontos, calculada através da equação A-1: d= p (xERB − xT U )2 + (yERB − yT U )2 1000 (A-1) Ângulo de Apontamento da Antena 71 di r. an te na ER B Y YTU TU dist. YTU - YERB YERB XERB X XTU XTU - XERB PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA Figura A.1: Distância do enlace A.2 Ângulo de Inclinação do Enlace Na localização da estação rádio base, o ângulo de inclinação, denominado α é ângulo formado pelo eixo norte e a reta que liga a estação rádio base ao terminal do usuário e é calculado pela equação A-2: α = 90 − tan −1 µ yT U − yERB xT U − yERB ¶ (A-2) No cálculo do enlace reverso, é utilizado o ângulo de inclinação, 0 denominado α , formado pelo eixo norte e a reta que liga o terminal do usuário e a estação rádio base. 0 α = ( 180 + α se α 6 180; α − 180 se α > 180. (A-3) A.3 Ângulo de Apontamento da Antena O ângulo de apontamento é o ângulo da direção de máximo ganho da antena, representado na estação rádio base como β. No terminal do usuário, este ângulo representa a direção de apontamento para o melhor servidor, 0 0 sendo assim β = α Ângulo na Direção do Enlace 72 A.4 Ângulo na Direção do Enlace Este ângulo é formado pela reta do enlace e da direção de apontamento da antena. A partir deste ângulo é obtido o valor das perdas de irradiação nesta direção e conseqüentemente do ganho da antena. O valor deste ângulo depende da localização da estação rádio base e do terminal do usuário. Na figura A.2(a), temos que α > β, então φ = α−β. Porém na figura A.2(b) α < β então φ = 360 + (α − β). Y Y PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA α YTU ERB β α ϕ di β di r. r. an an te te na na ER B ER B TU YTU ϕ TU XTU (a) Ângulo alfa maior do que beta X ERB XTU (b) Ângulo alfa menor do que beta Figura A.2: Ângulo de inclinação do enlace direto X Ganho da Antena 73 Resumidamente o ângulo entre a antena transmissora ERB e a antena receptora do terminal do usuário é calculado pela equação A-4: φ= ( α−β se α > β; 360 + (α − β) se α < beta. (A-4) PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA A.5 Diagrama de Intensidade de Campo É a representação gráfica da distribuição espacial da intensidade de campo da antena. A figura A.3 apresenta o diagrama de radiação na forma polar da intensidade de campo no plano horizontal de uma antena de 90◦ de abertura, utilizada na estação transmissora ERB. Esta antena apresenta um ganho máximo de 16 dBi. Consultando o ângulo φ, obtido em A-4 no diagrama de radiação da antena, obtém–se o valor do ganho na direção φ, pela equação A-5: A.6 Ganho da Antena O ganho da antena é definido como a relação entre a energia irradiada na direção do máximo do diagrama de radiação desta antena e a que seria irradiada por uma antena isotrópica ideal em uma direção qualquer, supondo que as duas irradiem a mesma potência total (considerando todas a direções). Quanto maior o ganho da antena, maior a disponibilidade, ou seja, maior o percentual de tempo em que o enlace de comunicação é operacional sem sofrer distúrbios atmosféricos. Antenas com ganho elevado são geralmente utilizadas em enlaces do tipo ponto–a–ponto nas instalações do terminal do usuário. As antenas utilizadas pelas estações rádio base são setorizadas e possuem ganho inferior ao do terminal do usuário. A vantagem em utilizar antenas de ganho elevado é a disponibilidade elevado do sistema, porém traz como desvantagem o fato de que quanto mais elevado é o ganho, mais diretiva, ou seja, mais estreito é o feixe de comunicação da antena. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA Direção do Melhor Servidor 74 Figura A.3: Diagrama de antena de 90◦ Para as antenas transmissoras das ERBs foram utilizadas antenas de 90◦ , 60◦ e 45◦ . E no terminal do usuário foram utilizadas antenas de 5◦ . A.7 Discriminação de Polarização Cruzada É a ”isolação”do sinal de uma polarização em relação a outra, na mesma antena. A discriminação de polarização cruzada refere–se à habilidade de um dispositivo de alimentação detectar os sinais de uma polaridade e rejeitar os sinais que estejam em polarização oposta. A.8 Direção do Melhor Servidor A direção do melhor servidor é o apontamento da antena do terminal do usuário na direção da estação rádio servidor do sinal desejado. Direção do Melhor Servidor 75 As figuras A.4(a) e A.4(b) apresentam uma configuração do enlace de comunicação entre um terminal do usuário e a estação rádio base melhor servidor. A.8.1 Ganho do terminal do usuário O ganho do terminal do usuário em uma direção qualquer é calculado através da relação entre o ganho máximo da antena e as perdas de irradiação. Na direção de melhor servidor corresponde ao ganho máximo da antena GR (0). É calculado através da expressão A-5 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA G(φ) = G(max) − ∆G(φ) (A-5) Direção do Melhor Servidor 76 Y αi βi X ERB antena dir. interferente ϕi ERBi Y Y α’ > β’ βj α’ αj ϕj PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA YTU ϕ’ TU β’ XTU ERBj dir. antena TU X dir. melhor servidor 0 (a) Ângulo α > β 0 Y Y α’ < β’ βj β’ ϕ’ αj ϕj YTU ERBj α’ TU TU ntena servidor XTU a . r r di melho dir. X e nt re fe r te in B ER na e e t nt an . fere r di ter in l a in Y s αi βi ϕi ERBi X 0 (b) Ângulo α < β 0 Figura A.4: Ângulo de apontamento do melhor servidor B Implementações e Aplicações PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA B.1 Descrição do Programa Para O Cálculo da Relação S/I Neste trabalho foi desenvolvido uma ferramenta computacional com a finalidade de simular o cálculo de cobertura, de capacidade e da disponibilidade de sistemas de rádio acesso em banda larga utilizando os modelos de previsão de atenuação por chuvas do ITU-R e do CETUC, incluindo também efeitos de atenuação diferencial. A ferramenta é denominada BWAS (Broadband Wireless Access System) e foi desenvolvido para trabalhar em ambiente Windows utilizando c Para tornar o simulador mais amigável e intuitivo o software Matlab °. foi desenvolvida uma interface gráfica no padrão MS Windows buscando simplicidade e facilidade de uso. B.2 Telas do Simulador A tela principal do simulador (fig. B.1) é ativada após digitar bwas na linha de comando do Matlab. Esta tela possui alguns componentes que auxiliam o usuário na simulação. O menu principal na parte superior da tela apresenta funções que podem ser escolhidas pelo usuário, dependendo de alguns estados que são verificados pelo simulador. Assim algumas opções no menu podem não estar disponı́veis. Por exemplo, o menu gráficos não pode ser acessado se não houver um cenário carregado na tela e se a simulação não tiver sido executada. A esquerda da tela apresenta uma caixa de texto informativo onde são exibidas informações a respeito da simulação e dicas. Durante a fase de processamento é exibido um contador do número de iterações que Abrir Cenário 78 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA corresponde a quantidade de enlaces entre estação rádio base e terminal do usuário. O eixo ordenado X-Y apresenta a disposição fı́sica das estações rádio base em um cenário hipotético. Optou-se por um cenário hipotético devido as complicações em implementar um sistema de mapas com latitude e longitude sem recorrer a funções de cartografia no Matlab. Os terminais do usuário não são exibidos nesta tela pois, se assim fossem, dificultariam a localização das ERBs. Os terminais do usuários podem ser visualizados em outra tela. Figura B.1: Tela inicial do simulador B.3 Abrir Cenário O sistema bwas permite abrir cenário de estações rádio base para rodar as simulações. Estes cenários são arquivos texto (extensão txt), armazenado no diretório erb. Este arquivo é uma tabela composta de n linhas, onde cada linha corresponde a uma estação rádio base e um número fixo de colunas representando informações para a plotagem das ERBs e dados utilizados na rotinas de simulação. Abrir Cenário 79 O cenário é carregado a partir da opção Abrir cenário de estações rádio base (figura B.2 no menu arquivo. Quando um cenário é carregado, informações da dimensão do mapa e resolução também são carregadas e não podem ser alteradas. Figura B.2: Menu arquivo PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA A figura B.3 apresenta a janela abrir cenário de estações rádio base, onde os arquivos com informações sobre os cenários estão disponı́veis. Figura B.3: Abrir cenário de ERB B.3.1 Representação Gráfica do Cenário A figura B.4 é a representação gráfica de um cenário de ERBs. Neste caso uma configuração formada por 64 estações rádio base dividas em 4 sites com setores de 90 ◦ utilizando polarização vertical. B.3.2 Escolhendo o Resultado da Simulação Assim que é escolhido o cenário de simulação, o sistema apresenta janela, figura B.5, onde são guardados os resultados da simulação. Os resultados são armazenados em pastas, representado a corbertura do sistema. O PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA Abrir Cenário 80 Figura B.4: Configuração de ERB do tipo 4 x 4, utilizando antenas setorizadas de 90 ◦ com polarização vertical nome do arquivo de resultados está vinculado ao nome do cenário aberto. Caso o resultado exista, há a possibilidade de carregá–lo ou então executar nova simulação. Por convenção existem dois tipos de arquivo de acordo com o resultado que se deseja analisar: Figura B.5: Lugar que armazena resultados da simulação – ∗.01 – simulação em evento de chuva – modelo ITU-R; – ∗.02 – simulação em evento de chuva – modelo CETUC; Simulação 81 B.4 Exibindo os Terminais do Usuário PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA Após o cenário ter sido carregado é possı́vel visualizar os terminais através da opção exibir terminais no menu principal. A figura B.6 apresenta um zoom de uma área do mapa com alguns pontos representando terminais do usuário. No parte superior da tela é possı́vel visualizar o número total de pontos existentes neste mapa. Nesta configuração há um total de 63001 pontos, representando uma resolução de 200 pontos sobre uma área de 50 x 50 km. Figura B.6: Menu principal B.5 Simulação As simulações são realizadas acessando o menu Simular e podem ser: – Modelo ITU–R – Método de previsão para a atenuação por chuva do ITU-R P.530-7, para climas temperados; – Modelo CETUC – Método de previsão para a atenuação por chuva do CETUC, para climas tropicais e equatoriais; ambas fazem chamada a tela de entrada, mostrada na figura B.7, onde valores de clima e chuva são utilizados durante os cálculos. Devido a resolução utilizada, isto implica na quantidade de terminais do usuário que estão na tela, e do numero de ERBs, o processamento pode demandar um tempo elevado para ser concluı́do. Durante os cálculos da simulação, o software apresenta uma barra de progresso que evolui durante Simulação 82 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA Figura B.7: Dados de entrada de clima e chuva Figura B.8: Barra de progresso a execução. As simulações executadas no capı́tulo B.8 levaram em média aproximadamente 8000 segundos. Ao final da simulação, o software apresenta a opção de salvar os resultados para posterior análise. A figura B.9 e B.10 apresentam as janelas para salvar o resultado. O resultado é salvo na pasta contendo o nome cobertura a qual foi executada a simulação e o nome do arquivo de resultado é o nome do cenário. Figura B.9: Salvar resultado Capacidade 83 PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA Figura B.10: Janela mostrando onde resultados são salvos B.6 Gráficos Quando a simulação é concluı́da, os resultados podem ser visualizados na forma de gráficos. Os gráficos disponı́veis são: – melhor servidor; – polarização; – sinal–interferência. O gráfico de melhor servidor apresenta a cobertura em condições de céu claro e de chuva para a disponibilidade em análise. A relação sinal–interferência é apresentada em três gráficos, correspondendo a condições de céu claro, chuva e degradação total. B.7 Capacidade A capacidade é calculada para cada terminal do usuário no mapa com base nos valores da relação sinal–interferência em céu claro, segundo a equação 2-2. Para calcular a capacidade é necessário obter o valor da eficiência espectral máxima comparando o valor da relação sinal– interferência do terminal do usuário com valor na tabela 2.1. Ao final, o software apresenta um histograma com os valores de taxa calculado em Mbps e o percentual de área que pode ser atendido por esta taxa. Capacidade 84 A figura B.11 mostra a tela de entrada de valores utilizados para o cálculo da capacidade. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA Figura B.11: Dados de entrada para cálculo de capacidade C Fluxugramas As figuras C.1, C.2, C.3, C.4, C.5 e C.6 apresentam os fluxugramas principais com as funcionalidades do algoritmo do simulador bwas. Início Abrir cenário PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA Possui simulação? Executar simulação Calcular capacidade Exibir gráficos Fim Figura C.1: Fluxograma do programa principal Fluxugramas 86 Início Calcular distância ERB_TU Calcular angulo ERB_TU α > 0? N α = 360 + α N ϕ = 360 + (α - β) S α > β? S ϕ = α - β S ϕ < 0? ϕ = 360 + ϕ N S PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA ϕ > 360? ϕ = ϕ − 360 1 Figura C.2: Fluxograma do algoritmo de simulação – parte 1 1 Verificar freqüência de operação Verificar antena da ERB Verificar pol. da ERB pol = H? S pol = 1 N pol = 2 Ler ganho máximo e diagramas de irradiação Calcular perdas de campo da antena Cálcular ganho na direção ϕ 2 Figura C.3: Fluxograma do algoritmo de simulação – parte 2 Fluxugramas 87 2 Calcular potência efetivamente irradiada Calcular atenuação de espaço livre Calcular atenuação específica de gases Calcular atenuação em céu claro Calcular atenuação de chuva Calcular nível do sinal recebido em céu claro Calcular nível do sinal recebido em evento de chuva Escolher melhor servidor PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA 3 Figura C.4: Fluxograma do algoritmo de simulação – parte 3 3 Calcular ganho da antena do TU Calcular ângulo entre Norte e o enlace α’ > 360? S α’ = α’ - 360? N Calcular ângulo de apontamento da antena do TU Calcular direção de apontamento do ganho da antena Ler tipo de antena do TU Ler ganho máximo e diagrama de irradiação Calcular perdas de campo da antena Calcular ganho na direção ϕ∋∋ Calcular RSLlimiar Calcular sinal recebido no TU em céu claro 4 Figura C.5: Fluxograma do algoritmo de simulação – parte 4 Fluxugramas 88 4 Calcular sinais interferentes ERB na mesma N freqüência? PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA S Calcular interferência ERB na mesma polarização? N inteferencia_db = intereferencia_db - xpd Calcular interferência em mw Somar interferência em mw Converter interferência para dB Calcular S/I Fim Figura C.6: Fluxograma do algoritmo de simulação – parte 5 Bibliografia [1] Chowdhury D. D. Unified IP Internetworking. Spring, 2001. [2] Smith C. LMDS. McGraw Hill, 2000. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0116368/CA [3] Clark M. P. Wireless Access Networks. Wiley, 2000. [4] Kukshya V. 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