DESENVOLVIMENTO DO SETOR DE ESQUADRIAS NAS GÊMEAS DO IGUAÇU: CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS DO SETOR MADEIREIRO REINALDO KNOREK1 ROSIDETE MARIA KARPINSKI DA COSTA2 Resumo: A contribuição do empreendedor para o crescimento da economia local está no desempenho de seu papel em buscar desenvolver a economia, social e o tecnológico. Esse desempenho é criado pelas suas características, que impulsionam assim para a inovação de serviço, produto, e processo produtivo. O desenvolvimento econômico gerado por uma gestão empreendedora está baseado nas forças exógenas (fatores externos, ambientais e sociais), bem como nas forças endógenas (ambiente interno da empresa) e/ou somatório de todos esses fatores (exógenos e endógenos), que são críticos para o surgimento e o crescimento de uma nova empresa. Entrementes, este artigo permite adequar as características dos empresários com as características do empreendedor, a fim de estimular a gestão empreendedora e contribuir para o desenvolvimento econômico local do setor de esquadrias das gêmeas do Iguaçu em que o elemento problematizado a investigação será de que forma as características empreendedoras podem contribuir para o desenvolvimento do setor madeireiro de esquadrias nas Gêmeas do Iguaçu. O universo da pesquisa concentra em 16 empresas do setor de esquadrias da madeira de União da Vitória/PR e Porto União/SC. Palavras- chave: Desenvolvimento, Madeira, Empreendedor, Empreendedorismo. 1 O Empreendedor do Conceito à Finalidade Para o empreendedor (aquele que busca soluções para os problemas), no atual cenário econômico, deve ser diante das ameaças e oportunidades para o mercado interno e externo um indivíduo ousado e proativo, com características próprias determinadas pela cultura e pelo ambiente em que está inserido, o que acaba favorecendo em vantagem competitiva e ganhos econômicos e também em ganhos sociais. É muito comum encontrar na literatura o termo empreendedor como um indivíduo inovador, que gera transformação e, em alguns casos, até mesmo ousado. Assim, vários autores interpretam ‘empreendedor’ da seguinte forma: Richard Cantillon (2002) conceitua empreendedor como indivíduo que corre riscos (calculados), determinados pela compra de um bem por um preço e a venda desse 1 Reinaldo Knorek, Dr. Em Engenharia de Produção. Professor do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional. E-Mail - [email protected] 2 Rosidete Maria karpinski da Costa, mestranda do programa de mestrado em desenvolvimento regional da UnC. Email - [email protected] Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 bem por um preço ainda indeterminado (dependendo do mercado); Jean-Batiste Say 1964 apud Drucker 2002 enfatiza o empreendedor referente à sua facilidade de alocação de recursos, isto é, transferir recursos de um sistema produtivo ineficiente para um sistema produtivo mais eficaz; Joseph Schumpeter destaca o empreendedor como um contribuinte de ideias inovadoras no sistema de produção. Para Louis Jacques Filion (1999), o empreendedor deve ter uma visão holística do ambiente em que está inserido. Além de sua criatividade, o empreendedor é marcado pela sua capacidade de estabelecer objetivos e determinar metas para a sua empresa, observando tanto o desenvolvimento do ambiente interno como também o desenvolvimento, as tendências e as mudanças do ambiente externo da empresa, portanto, Filion enfatiza que o empreendedor é um indivíduo que aprende e busca sempre oportunidade de negócio. Entre os autores mais recentes e atuais, Dolabela (2008) conceitua o empreendedor, não muito diferentemente de Schumpeter, conceituando-o da seguinte forma: é uma pessoa que empenha toda sua energia na inovação e no crescimento, manifestando-se de duas maneiras: criando sua empresa ou desenvolvendo alguma coisa completamente nova em uma empresa persistente (que herdou ou comprou, por exemplo). Nova empresa, novo produto, novo mercado, nova maneira de fazer, introduzir inovações, assumindo riscos, seja na forma de administrar, vender, fabricar, distribuir ou de fazer propaganda dos seus produtos e/ou serviços, sempre agregando novos valores. É como explica Souza: O indivíduo empreendedor seria, portanto, um líder com competências especiais para: tratar a complexidade das atividades cotidianas, advindas da necessidade de atender a altos níveis de qualidade e de satisfação da sociedade; canalizar as atividades cotidianas em direção o sucesso estratégico da empresa: aceitar e promover, dentro do enfoque de responsabilidade social, a ética e os princípios morais e ecológicos para todos os membros da empresa, como fator de competitividade e sucesso. (SOUZA, 2006, p. 8). No entanto, Chiavenato (2008) destaca o empreendedor como um indivíduo que observa não só o sistema produtivo (o de produção), mas também o entendimento das movimentações financeiras e da busca de informação do mercado, para identificar oportunidade de novos negócios. Após descreve os mais diversos conceitos sobre empreendedor. Nota-se que as atitudes empreendedoras geram a busca por inovação (produto, serviço e processo produtivo). São, portanto, as ideias inovadoras e criativas a base de sustentação das empresas de pequeno porte para permanecerem competitivas no mercado e isso se faz a finalidade do empreendedor, o empreendedor como fonte geradora do desenvolvimento econômico. Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 Em uma pesquisa realizada pelo GEM (2006), o Brasil está posicionado em sétimo lugar no ranking entre os países que mais empreendem no mundo. Cabe destacar que a maioria dos proprietários das empresas de pequeno e médio porte são empreendedores por oportunidade, e não mais empreendedores por necessidade. Nesse caso destacam-se as características empreendedoras como fator determinante do sucesso do seu empreendimento. Das características do indivíduo e do ambiente em que ele está inserido (em referência a sua cultura) geram impacto positivo ou negativo no resultado final da empresa, como déficit ou superávit contábil. O termo empreendedorismo foi citado pela primeira vez em 1734, pelo escritor e economista Cantillon, que procurava diferenciar o empreendedor, ou seja, aquele cidadão que assume o risco, do capitalista, indivíduo que fornecia o capital. O trabalho de Joseph A. Schumpeter, iniciado em 1911, resgata e dá ênfase à figura e à função do empreendedor. Em seu Theory of Economic Development, lançado em alemão, em 1911, cuja primeira tradução para o inglês surge apenas em 1934, o conceito de empreendedorismo foi formulado para explicar o desenvolvimento econômico e os ciclos econômicos (business cicles). De acordo com Dolabela (2008 p. 24), o termo empreendedorismo corresponde a uma tradução da palavra entrepreunership, que contém as ideias de iniciativa e inovação. É um termo que implica uma forma de ser, uma concepção de mundo, uma forma de se relacionar. Na visão de Gimenez et al. (2000, p. 10), o termo empreendedorismo é "[...] o estudo da criação e da administração de negócios novos, pequenos e familiares, e das características e problemas especiais dos empreendedores". A pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada em 31 países, no ano de 2003, reforça a ideia de Schumpeter sobre o empreendedorismo, destacando: Qualquer tentativa de criação de um novo negócio ou novo empreendimento, como por exemplo, uma atividade autônoma, uma nova empresa, ou a expansão de um empreendimento existente, por um indivíduo, grupos de indivíduos ou por empresas já estabelecidas (GEM, 2003, p.5). Nos primeiros anos do século 20, Schumpeter (1978) destacou as funções inovadoras e de promoção de mudanças do empreendedor que, ao combinar recursos numa maneira nova e original, serve para promover o desenvolvimento e o crescimento econômico. Como consequência das mudanças tecnológicas do século XX e sua rapidez, a ênfase no empreendedorismo surge muito mais, e não se trata apenas de um modismo. Dolabela (2008) salienta que a forma de empreender foi percebida pelos ingleses, na pósPrimeira Guerra, na década de 1920, observando a importância da pequena empresa: elas Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 geravam mais empregos que as grandes. As altas taxas de insucesso das Micro e Pequenas Empresas (MPEs), no mundo e no Brasil, levaram pessoas, governos e agências internacionais a procurar, propor e programar ações alternativas que funcionassem como um antídoto a essa situação. Assim, desde a década de 60, o tema empreendedorismo tornou-se objeto de estudo. 2. Características Do Empreendedor Para identificar as competências do empreendedor, McClelland (1972) desenvolveu uma pesquisa para identificar traços que caracterizem um empreendedor de sucesso. Após analisar empreendedores de países diferentes (Índia, Malawi e Equador) o autor apresenta dez características relacionadas ao comportamento empreendedor, entre as quais se destacam: busca de oportunidade e iniciativa, persistência, correr riscos calculados, exigência de qualidade e eficiência, comprometimento, busca de informações, estabelecimento de metas, planejamento, persuasão e rede de contato, independência e autoconfiança. As pesquisas realizadas sobre características empreendedoras têm como base o comportamento do empreendedor. Filion (1997) também contribuiu com sua pesquisa para esse tema. O autor chama a atenção para o comportamento do empreendedor, refletido sobre o local e período, ou seja, as características do empreendedor não são uma estrutura rígida, mas flexível, dependente do lugar e do período (tempo) onde se está inserido, determinado pelo conhecimento regional (questão completamente cultural), e descreve características empreendedoras da seguinte forma: são inovadores, líderes, correm riscos moderados, independentes, criadores, energéticos, apresentam atitudes como: tenacidade, originalidade, otimismo, orientação a resultados, flexibilidade, desembaraça, necessidade de reconhecimento, autoconhecimento, confiança. Pensam em longo prazo, são tolerantes à ambiguidade e à incerteza, possuem iniciativa, aprendem, usam dos recursos disponíveis, são sensíveis aos outros, agressivos, tendem a confiar nas pessoas, acreditam no dinheiro como medida da sua performance. O resultado de uma pesquisa realizada pelo SEBRAE/PR (2012) características empreendedoras destaca o espírito criativo do sobre empreendedor. Enquanto a maior parte dos empresários tende a enxergar apenas dificuldades e insucessos, o empreendedor é otimista e busca o sucesso, apesar das dificuldades. Assim, no Quadro nº 1 segue um demonstrativo dos resultados da pesquisa referente às características do empreendedor de sucesso que são: Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 Quadro 1 – Resultado da Pesquisa Realizada - SEBRAE-PR - Características Empreendedoras. Significado Características Ter total comprometimento, determinação e perseverança. Ter senso de oportunidade e orientação por metas Persistir na resolução de problemas Ter autoconhecimento e senso de humor Buscar e obter feedback Atribuir a si o seu desempenho Demonstrar tolerância ao estresse, à ambiguidade e à incerteza A dura realidade de lançar-se e de construir um empreendimento é altamente exigente e estressante. O empreendedor deve estar preparado para "abrir mão" de muitas coisas. Para isso, ganhará muitas vantagens a seu favor, em relação às outras pessoas, se for totalmente comprometido, determinado e perseverante. Esses aspectos podem, eventualmente, compensar algumas desvantagens que possam vir a ter. Os empreendedores são orientados e dirigidos por metas e pelas atividades decorrentes delas. Estabelecem metas altas, porém, atingíveis. Isso os habilita a focalizarem suas energias e a serem seletivos na escolha de oportunidades. Ter metas e direção também os ajuda a definirem as prioridades e a possibilidade de medir e de comparar o próprio desempenho. Os empreendedores bem sucedidos na construção de seus empreendimentos possuem um elevado grau de determinação e um intenso desejo de superar obstáculos e barreiras, de resolver problemas e de completar o trabalho. Não são intimidados pela dificuldade da situação. Também não se precipitam na superação dos empecilhos que possam impedir seu negócio. Os empreendedores, em geral, apresentam uma grande consciência de suas forças e de suas fraquezas, e da própria competitividade. Eles são friamente realistas sobre o que podem e o que não podem fazer. Não iludem a si mesmos. Demonstram a habilidade de conservar o senso de perspectiva, o otimismo e o humor até mesmo nas situações mais difíceis. Isso faz o empreendedor rir e conseguir uma situação favorável nas mais diversas situações. Os empreendedores mostram um insaciável desejo de saber se estão tendo um bom desempenho. Eles sabem que precisam obter feedback continuamente. Buscar e usar o feedback é um hábito essencial para poder aprender com os erros e a lidar com o inesperado. Por essa razão, também, os bons empreendedores são frequentemente descritos como excelentes ouvintes e pessoas de rápida aprendizagem. Os empreendedores acreditam em si mesmos. Pensam que o sucesso ou o fracasso de seu empreendimento não será governado pelos fatos, pela sorte ou por alguma influência externa. Acreditam que os resultados de suas realizações dependem de seu próprio controle e influência. Esse atributo é relacionado à motivação orientada para a realização pessoal, para o desejo de tomar responsabilidades pessoais e à confiança própria. A incerteza é um componente inerente a todo empreendimento. Nesse ambiente, os empreendedores defrontam-se com atividades indefinidas e incertas, que mudam continuamente, e o tempo nunca parece ser o suficiente. Os empreendedores vislumbram as adversidades, com naturalidade, como apenas um obstáculo a mais a ser transposto. Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 Procurar correr riscos moderados Lidar bem com o fracasso Formar uma equipe Os empreendedores bem sucedidos não são apostadores, pois está em jogo a reputação deles. Consequentemente, quando decidem tomar uma decisão, agem de uma maneira calculada, muito bem pensada e avaliada, fazendo todo o possível para adquirir vantagens a seu favor, evitando riscos desnecessários. Outra característica importante observada nos empreendedores bem sucedidos é a habilidade de utilizar suas experiências de fracasso como um modo de aprendizagem, de maneira a evitar problemas similares. Os empreendedores bem sucedidos são realistas o suficiente para superarem algumas dificuldades. Em consequência disso, não se desapontam, não se desencorajam ou se deprimem, quando se deparam com um obstáculo ou um fracasso. Geralmente vislumbram as adversidades e as dificuldades como uma oportunidade. Constroem equipes de trabalho. Demonstram uma rara habilidade de despertar o herói que existe dentro das pessoas que eles atraem para o empreendimento, dando responsabilidade e dividindo os méritos pelas realizações. Fonte: SEBRAE – PR (2012). 3. Empreendedor e Desenvolvimento Econômico Destaca-se o empreendedor como um indivíduo de iniciativa, que promove o desenvolvimento econômico por meio de suas ações criativas e inovadoras, porque a principal contribuição do empreendedor para o desenvolvimento econômico é a sua capacidade de inovação diante o mercado altamente competitivo. É sobre essa ideia que o presente estudo está estruturado. Porter (1992) destacava, em sua literatura, que a inovação de produtos, de processo e/ou de serviços é o motor propulsor da competitividade entre os mercados, para ele a competitividade eleva a eficiência econômica de um país. Schumpeter (1991) publicou a teoria do desenvolvimento econômico, destacando o empreendedor como motor propulsor do crescimento econômico, por meio da inovação, principalmente, de produtos e processos (inserção da tecnologia). Alguns anos depois, em 1984, Schumpeter observa que somente empresas de grande porte têm capacidade inovadora, por possuir recursos financeiros para investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Para Dolabela (2008 p, 24), [...], o empreendedor é o responsável pelo crescimento econômico e pelo desenvolvimento social. Por meio da inovação, dinamiza a economia. As condições para ser empreendedor estão ligadas ao ambiente macro, à democracia, à cooperação e à estrutura de poder. Ser empreendedor também requer conhecimento de um caminho bem complexo que é imaginado e que demanda uma visão bem ampla das causas e das consequências dos fatores que vivenciam. Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 Segundo Vazquez Barquero (1998, p.23), o desenvolvimento econômico local se definiria com “un processo de crescimiento y cambio estructural que mediante la utilización del potencial de desarrollo existente en el território conduce a la mejora del bienestar de la población de una localidad o um território”. Ao contrário da visão do “desenvolvimento exógeno”, de caráter redistributivo, o qual incentiva a atração de capitais e empresas externas, para impulsionar o desenvolvimento de cidades e regiões periféricas, o novo paradigma do “desenvolvimento endógeno” considera como espaço preferencial as economias das regiões e cidades, as quais poderiam crescer, utilizando o potencial de desenvolvimento existente no território. De acordo com Vásquez Barquero (2001), o desenvolvimento endógeno é uma interpretação útil para entender a dinâmica econômica e produtiva, para definir e materializar as respostas das organizações e instituições aos desafios da competividade. Para Weber (2004), o ímpeto empreendedor é gerado pela influência de fatores exógenos, que são produzidos pela crença religiosa (o Protestantismo). Essa ética protestante estimularia o empenho em alcançar objetivos pelo exercício de tarefas práticas, a ordenação sistemática de meios e fins, mediante processos racionais e acumulação de ativos produtivos. De acordo com Furtado (2000), cada economia que se desenvolve se defronta com uma série de dificuldades que lhe são específicas e relacionadas ao complexo de recursos naturais, aos ciclos migratórios e à ordem institucional. Afirma Putnam (2002), que a eficácia das políticas públicas de desenvolvimento regional depende das mudanças na cultura organizacional, predominante na administração pública, além de um elevado capital social dos habitantes da região. Um novo modelo de desenvolvimento econômico regional, impregnado do sentido de cooperação entre os agentes, pode trazer ganhos competitivos para o conjunto das empresas, frente ao acirramento da concorrência típica da atual fase da economia mundial, designada, por alguns, pelo termo ‘globalização’, por isso é necessário pensar na ‘globalização’ como um processo que integra o desenvolvimento local. Para Schumpeter (1964), o desenvolvimento é uma decorrência do surgimento de novas combinações e usos de recursos, que pode assumir as seguintes formas: a) a introdução de um novo bem (produto ou serviço), com o qual os consumidores não estavam familiarizados anteriormente, ou de um bem já existente, com uma nova qualidade ou característica; b) a introdução de um novo método de produção, que não tenha sido ainda utilizado no processo produtivo, não necessariamente decorrente de novas descobertas científicas, podendo também estar associado a uma nova forma de comercialização de mercadorias; c) a abertura (descoberta, desbravamento) de um novo mercado, ao qual um Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 determinado setor de atividade ainda não tivesse tido acesso, ainda que o mesmo já existisse; d) a descoberta de novas fontes de suprimento de matérias-primas ou bens semimanufaturados, mais uma vez, independentemente dessa fonte de matéria-prima já existisse ou tenha sido criada; e) o desenvolvimento de novas formas de organização, em alguma indústria ou setor específico da economia, tal como a criação de um monopólio, ou a quebra de um monopólio previamente existente. Ao relacionar empreendedor e desenvolvimento econômico, a principal relação é a inovação proposta pelo empreendedor, sobre o enfoque de novo método de produção que possibilite aumento de concorrência e permita dinamismo da estrutura da empresa. O principal fator que impede o desenvolvimento econômico está no desempenho empresarial (nível elevado de: quebra de máquina e equipamento, refugo ou refile, estoque de matéria-prima e de produto acabado, retrabalho, falta de qualidade, escassez de mão de obra qualificada, entre outros.) assim como de novas estruturas para aquisição de vantagem competitiva (surpreender o cliente, produzir conforme o gosto e preferência do consumidor), esses fatores são os principais entraves para competição industrial. 4. Descrição do setor madeireiro de esquadrias nas gêmeas do Iguaçu O município de Porto União está localizado no Norte Catarinense, a uma altitude média de 752 metros, na região norte de Santa Catarina, limitando-se ao norte com União da Vitória (PR) e Paula Freitas (PR); ao sul com Matos Costa (SC) e Timbó Grande (SC); a leste com Irineópolis (SC); e a oeste com os municípios de Porto Vitória (PR) e General Carneiro (PR). A distância entre Porto União - SC e a capital do Estado, Florianópolis, é de 445 km. O município de União da Vitória, está localizada a 26°13'48" latitude sul e 51°05'11" longitude oeste, na região sul do Estado do Paraná, no terceiro planalto paranaense, também chamado de Planalto de Guarapuava. Limita-se ao norte com o município de Cruz Machado (PR), ao sul com o estado de Santa Catarina, a oeste com Porto Vitória (PR) e Bituruna (PR), e a leste com Paula Freitas (PR) e Paulo Frontin (PR). A distância entre União da Vitória – PR, e a capital do Estado, Curitiba, são de 243 km. Os indicadores econômicos dos dois municípios levantados pelo último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2010) apresentam as seguintes informações: Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 Tabela 1 – Dados populacionais e indicadores econômicos, nas Gêmeas do Iguaçu População em 2010 Municípios Valor Adicionado em 2010 (mil reais) PIB (a preços correntes em 2010) mil reais Agropecuária Indústria Serviços União da Vitória 52.735 519.602 17.602 111.594 334.762 Porto União 33.497 303.051 45.801 53.340 165.599 Total 86.232 822.653 63.403 164.934 499.361 Fonte: IBGE, 2010. 5. A Contribuição do Empreendedor Madeireiro para a Economia O setor madeireiro nas Gêmeas do Iguaçu entra no cenário estratégico de mercado e, a partir de novas modalidades de configurações atreladas às forças externas e internas, o setor madeireiro é obrigado a buscar novas modalidades de gestão, que, juntamente com as entidades e associações, criaram meios para o desenvolvimento do setor, o qual contribuiu também para o desenvolvimento das Gêmeas do Iguaçu. O desenvolvimento da indústria na região ocorreu desde o início do século XX, com base nas práticas criativas e no esforço coletivo dos imigrantes, que organizaram seu trabalho, construindo comunidades, com suas casas, igrejas e abrindo diversas indústrias nos setores de fundição, curtume, móveis, olarias, serrarias e beneficiamento de erva-mate. A região se desenvolveu as margens do Rio Iguaçu, principal via de transporte da população das cargas de erva-mate e madeira e do sal vindo de Paranaguá, que abastecia toda a região. Nesse aspecto, Sebben (1992, p. 23) destaca “[...] que o Rio Iguaçu, desde o primeiro momento da história da região, exerceu grande influência sobre a vida de seus habitantes e no desenvolvimento da economia”. Um acontecimento específico marcou de forma decisiva a economia da região, a liberação, em 1889 da construção da ferrovia que passou a interligar os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, alavancando, sobretudo a economia da região, à medida que favoreceu o fluxo de produtos e intensificou a exploração madeireira e ervateira, conforme destaca Sebben (1992, p.31). A partir daí, inicia-se o processo de industrialização da madeira, que passa a se desenvolver às margens da ferrovia. A exploração da madeira, intensificada com a Segunda Guerra Mundial, assumiu em aspecto predatório dado a falta de compromisso dos produtos com o Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 meio ambiente e a sociedade. Em outros termos, significa dizer que as serrarias se multiplicaram rapidamente, para aproveitar uma situação extremamente favorável do mercado, sem se preocupar em criar a infraestrutura necessária para o desenvolvimento sustentado da região (SEBBEN, 1992). Para Wachowski (2001) A economia da Região do Vale do Iguaçu possui uma indústria de base florestal que teve início com os Bandeirantes que por aqui passavam. O Rio Iguaçu começou a ser navegado por jangadas construídas com troncos de árvores que eram levadas para outras regiões, para beneficiamento em serrarias. A produção de toras de árvores para a venda aos compradores de outras regiões do Estado do Paraná e também de Santa Catarina trouxe recursos que foram utilizados na aquisição de bens de produção como serras-fitas e matrizes de animais. Os lenhadores começaram a montar serrarias, os empresários começaram a se multiplicar e os operários foram aprendendo a arte de manufaturar a madeira. Assim nasceram as primeiras serrarias da região. Assim também vieram os colonizadores de origem alemã, italiana, polonesa, ucraniana. A primeira empresa de compensados com mão-de-obra especializada a ser instalada em Porto União da Vitória foi a Madeireira Ruthemberg, em 1942. Com o passar dos anos, várias empresas foram se instalando, e algumas atuam até os dias de hoje, podendo ser citadas a Madeireira Miguel Forte, Madeireira Dissenha, entre outras (MELO JUNIOR, 2001, p. 58). De acordo com Martini (2003, p.101) as imensas matas de Pinheiro e as reservas de Imbuia e outras madeiras nobres tornaram a região o berço da indústria madeireira. Com isso, as primeiras serrarias começaram a ser instaladas para o beneficiamento, fazendo com que a economia regional girasse em torno da mesma. A existência de extensas florestas naturais de araucárias fez com que a atividade madeireira se tornasse uma importante fonte de riquezas para União da Vitória e Porto União, que tiveram na exploração e comércio de madeira a sua base de sustentação econômica, particularmente a partir da Segunda Guerra Mundial, quando tábuas de madeira tornaram-se um destacado produto de exportação. 6 Metodologia Utilizada na Pesquisa Com Empreendedores Do Setor A pesquisa classifica este trabalho da seguinte forma: qualitativa, exploratória e estudo de caso, por se tratar de pequenas e médias empresas fabricantes de esquadrias de madeira, empresas que interferem de forma direta no PIB e no desenvolvimento econômico dos municípios de União da Vitória-PR e Porto União-SC. Ao conectar a forma de pesquisa Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 sobre os temas norteadores deste estudo Empreendedor, Características Empreendedoras e Desenvolvimento Econômico, metodologicamente, divide-se o estudo: a) quanto à abordagem geral: qualitativa, que se refere à descrição de fatos e fenômenos, conforme o objeto de estudo, utilizando entrevistas e questionários, b) quanto ao objetivo: sendo o presente estudo de carácter exploratório, pois se enfatiza, no problema de pesquisa, o que possibilita o desenvolvimento do próprio estudo (para futuras pesquisas relevantes desta dissertação) e análises posteriores dos resultados obtidos, a fim de adquirir resultados relevantes para o desenvolvimento econômico local; c) quanto à estratégia: tem como base o estudo de caso. A escolha do estudo de caso como estratégia de pesquisa é analisar eventos reais e em tempo real, sobre o objeto de estudo (neste estudo, sobre as características dos empreendedores de esquadrias em madeira; D) O universo da pesquisa concentra em 16 empresas do setor de esquadrias da madeira de União da Vitória/PR e Porto União/SC; e) Os entrevistados indicaram, de acordo com o seu ponto de vista, o nível de importância pessoal a respeito da pergunta feita, quando se utilizou da técnica de pesquisa, por meio da escala Likert. 7- Resultados E Discussões Os resultados da pesquisa, com empresários do setor de esquadrias, destacam-se a importância do mesmo ao desenvolvimento local nas gêmeas e faz parte de uma prévia - de um estudo com maiores âmbitos - sobre o desenvolvimento desse setor, que está sendo discutido numa dissertação de mestrado em desenvolvimento regional. As questões iniciais da pesquisa tiveram como objetivo identificar as características empreendedoras presentes nos empresários da indústria madeireira esquadrias nas Gêmeas do Iguaçu; procurando-se saber o nível de conhecimento dos entrevistados sobre questões como gerenciamento empresarial, contribuição do empreendedor para a economia local, seu papel e importância para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico, possibilitando impulsionar a economia local inovando na prestação de serviços, na criação de novos produtos e processo produtivo. A primeira pergunta inicial teve o seguinte questionamento: Você pensa que é importante na sua empresa utilizar técnicas organizacionais para o desenvolvimento da mesma? Constatou-se que 81% dos entrevistados afirmaram ser ‘muito importante’ a utilização de técnicas organizacionais para o desenvolvimento da empresa, e 19% acham que é somente ‘importante’. A segunda questão teve a seguinte pergunta: Você pensa ser Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 importante que os impactos do empreendedorismo determinam o crescimento das taxas na área econômica do setor madeireiro. Observa-se que a maioria (75%) acredita serem ‘importantes’ os impactos do empreendedorismo, determinando o crescimento das taxas na área econômica do setor madeireiro. A terceira questão levantada buscou saber a opinião dos entrevistados sobre o desenvolvimento do setor madeireiro estar diretamente ligado ao desenvolvimento da região, sendo a questão formulada da seguinte forma: “Você pensa que o desenvolvimento do setor madeireiro de esquadrias é importante para o desenvolvimento da região?”. Das respostas foi obtida a seguinte representação gráfica: Gráfico 1 – Importância do setor madeireiro para o desenvolvimento da região Fonte: Dados da pesquisa (2013). Observa-se que a maioria absoluta, 69% dos entrevistados acreditam ser ‘importante e muito importante’ o setor que representam para o desenvolvimento da região, respostas já esperadas, haja vista que praticamente toda a economia regional nos Municípios de Porto União e União da Vitória gira em torno da indústria madeireira, e, de acordo com o Portal Moveleiro (2010), o setor é responsável por 25% da produção nacional de portas e esquadrias, com 1,3 milhão de unidades por ano (Sul do Paraná), o que significa tratar-se de uma região com 577 empresas ligadas à indústria madeireira, que absorve direta ou indiretamente 70% dos empregos e responde por 87% do VAF (Valor Adicionado Fiscal). A questão número 4 trouxe o seguinte questionamento: “Você pensa que as politicas públicas são importantes e influenciam no desenvolvimento do setor madeireiro de esquadrias?”. Notou-se certo desconforto ao serem questionados sobre ‘políticas públicas’. Alguns dos entrevistados questionaram o que “tinham a ver” políticas públicas, se as Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 empresas a que representavam eram empresas privadas, o que mostrou profundo desconhecimento do que são políticas públicas. Acredita-se que a junção dessas duas palavras desmotivam as pessoas, pela correlação a elas realizada, pois tanto uma quanto a outra sempre estão relacionadas à corrupção, escândalos e desvios de conduta. Na oportunidade, buscou-se trazer alguns conceitos básicos sobre políticas públicas, porém, tratadas de forma bastante superficial, não havendo tempo para mudar a concepção dos entrevistados. Observa-se, na representação gráfica, que as opiniões ficaram bem divididas. Gráfico 2 – Importância e influência das políticas públicas no desenvolvimento do setor. Fonte: Dados da pesquisa (2013). A maioria, 38% afirmou ser ‘muito importante’, porém, quando questionados informalmente, a que políticas estariam se referindo, não souberam relatar. 25% dos entrevistados afirmaram ser de ‘importância média’, acredita-se que esse número apareceu como forma do ‘não comprometimento’. Na busca de identificar nos empresários sua compreensão sobre empreendedorismo. Inicialmente, procurou-se conhecer a opinião dos entrevistados sobre o empreendedorismo como talento nato ou habilidade aperfeiçoada. Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 Gráfico 3 - Empreendedorismo uma característica de talento nato ou uma habilidade aperfeiçoada Fonte: Dados da pesquisa (2013). Na representação gráfica acima se observa que a maioria (82%) acredita que o principal fator de sucesso do empreendedorismo é o talento nato, e 56% acreditam que o sucesso é decorrente de habilidade aperfeiçoada. No item a seguir, questionou-se se o entrevistado compreendia o empreendedorismo como essencial para formar uma pessoa inovadora, agente de mudanças e um visionário de oportunidades. As respostas ficaram representadas da seguinte forma: Gráfico 4 – Empreendedorismo como um modelo inovador de gestão Fonte: Dados da pesquisa (2013). Quando questionados sobre o modelo inovador, 69% dos entrevistados veem o empreendedor como um visionário de oportunidades, enquanto 37% o veem mais como um Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 agente de mudanças e 44% relatam compreender mais o empreendedor como agente de mudança do que como visionário. As questões relacionadas à gestão organizacional, especialmente, sobre a importância do controle de qualidade na empresa, sobre a importância em preocupar-se com as consequências financeiras e da necessidade de buscar realizar as atividades de forma mais econômica possível. Observa-se que a maioria dos entrevistados acredita ser importante, tanto o controle de qualidade quanto realizar as atividades de forma econômica, ambas pensando nas consequências financeiras decorrentes de seus atos. Perguntados em outra questão: Você pensa ser importante que o empreendimento do setor madeireiro de esquadrias seja o principal ramo de atividades na região? Levantouse esse questionamento buscando conhecer a opinião dos entrevistados sobre a tradição madeireira que envolve a região, haja vista que, nos dias atuais, praticamente toda a economia regional ainda gira em torno da indústria madeireira. Constatou-se que metade da população entrevistada (50%) acredita na importância desse setor para essa região. 25% veem pouca importância e 6% acreditam não ter importância alguma. Nenhum entrevistado afirmou ser muito importante. As questões que seguem referem-se à gestão de pessoas, em que se buscou conhecer a opinião dos empreendedores sobre treinamento, rotatividade e mão de obra de seus colaboradores. A primeira questão desse bloco tem o seguinte enunciado: ‘Qual a importância das habilidades e talentos na mão de obra de seus colaboradores?’. Foi obtida a seguinte representação gráfica. A maioria absoluta (94%) acredita ser ‘muito importante’ detectar e trabalhar com as habilidades e talentos dos seus colaboradores. Na questão seguinte: ‘Você acha importante dar treinamento e qualificação a seus colaboradores?’, procurou-se conhecer a opinião dos gestores no que diz respeito ao treinamento e qualificação: Constatou-se que a maioria (63%) acredita ser ‘muito importante’ a empresa investir no treinamento e qualificação dos seus colaboradores. Outra temática foi sobre a participação dos entrevistados em redes, associações e afins, com o objetivo de buscar inovações para o seu segmento. A primeira pergunta realizada foi a seguinte: ‘A sua empresa participa de algum tipo de associação como: Sindicado, Redes, APLS e Associação Comercial?’ Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 Gráfico 6 – Participação da empresa e do empresário em algum tipo de associação Fonte: Dados da pesquisa (2013). No gráfico acima se observa que 51% das empresas sempre participam de associações, porém, apenas 38% dos entrevistados, declararam participar às vezes das reuniões dessas associações e 19% sempre participam e considera-se um percentual baixo, haja vistas que a tendência entre as pequenas e médias empresas é o associativismo, nesse ambiente, uma das formas de competição e diferenciação, tanto do processo produtivo quanto de produtos e serviços, é a formação de redes de cooperação entre empresas do mesmo setor. Observa-se que 37% dos entrevistados declararam participar às vezes de estratégias competitivas junto às associações, enquanto 44% declararam também participar às vezes de políticas públicas voltadas às redes, associações e APLS, considerase esse percentual alto, já que aos questionados informalmente sobre a que tipo de estratégias e políticas públicas estava se referindo, foram bastante evasivos e demonstrou pouco conhecimento sobre essa temática, o que já era esperado, considerando o baixo índice de participação dos empresários, e a trajetória da cultura regional observada empiricamente Na questão a seguir, procurou-se conhecer a opinião dos entrevistados sobre as expectativas que a empresa tem quanto a ações inovadoras no setor de esquadrias. Observando o resultado das questões anteriores, era esperado que 50% dos entrevistados afirmassem aceitar as ações inovadoras no setor de esquadrias. O percentual restante ficou dividido entre ‘aceita às vezes’ e ‘aceitação mediana’. A representação gráfica a seguir traz dois aspectos relevantes, o primeiro diz respeito à utilização de outras tecnologias para o desenvolvimento do seu produto e/ou o Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 desenvolvimento de projetos industriais ou desenhos industriais associados a produtos/processos tecnologicamente novos. Gráfico 14 – Desenvolvimento e aquisição de outras tecnologias Fonte: Dados da pesquisa (2013). Registrou-se que 44% dos entrevistados sempre se utilizada de outras tecnologias (software, licenças ou acordos de transferência) e também 44% relatou utilizar às vezes. Enquanto a maioria, 50% afirmou desenvolver projetos ou desenhos industriais associados a produtos/processos tecnologicamente novos. A questão a seguir refere-se às novas formas de comercialização e distribuição para o mercado de novos produtos. Verificou-se que 50% dos entrevistados afirmaram buscar sempre novas formas de distribuição dos seus novos produtos para o mercado, seguindo uma tendência mundial, todos afirmaram buscar as novas tecnologias como aliadas para esse processo. Nos últimos anos tem crescimento o mercado da construção civil no Brasil, o que tem necessitado também aumento da demanda por novas tecnologias, o que pode representar para o setor de esquadrias novas formas de inserção do mercado, e num mundo globalizado pelas redes, as fronteiras para os negócios deixaram de existir, assim como aumentou a necessidade de atualizar constantemente as formas de distribuição e apresentação dos produtos e esse novo mercado, o que vai de encontro à questão seguinte, que trata da sustentabilidade nos processos, a questão argumenta: ‘Sua empresa desenvolve metas para o plantio de matéria prima?’. Buscar a sustentabilidade deve fazer parte das metas de todas as empresas, pensarem o diferente é estar andando na contramão do progresso. Constatou-se que, 51% dos entrevistados afirmaram sempre desenvolver Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 metas para o desenvolvimento sustentável, por meio do plantio ou associação ao plantio de matéria prima e 12% afirmaram não desenvolver nenhum plantio e não tem reservas disponíveis. Considerações Finais O desenvolvimento regional é uma estratégia para mudar uma situação de adversidade, cujos eixos importantes dessa estratégia são o capital humano e capital social. Capital humano são as pessoas com suas habilidades, competência e particularidades e o capital social são as organizações que se formam dessas pessoas. Quanto mais organizadas forem as pessoas de uma determinada região, maior a comunicação entre elas, confiança e espírito de cooperação, maior será o capital social apresentado por tal região. As cidades de União da Vitória (PR) e Porto União (SC), que pela proximidade são chamadas de ‘Gêmeas do Iguaçu’, desde o início de suas histórias tem como base econômica a madeira, e os produtos dela extraídos, sendo este segmento considerado forte gerador de emprego e renda local, essas cidades em conjunto correspondem aproximadamente a uma população economicamente ativa e inativa (população no mercado de trabalho) de 86.228 mil habitantes (IBGE, 2010). Pelo faturamento, as cidades possuem somente empresas de pequeno porte, que exploram historicamente uma indústria de base florestal. Contando com um parque industrial composto por mais de 50 indústrias que produzem quase 50% da produção brasileira de portas e expressiva quantidade de janelas de madeira, por esse feito, recebeu o título de ‘Capital da Esquadria de Madeira’ 3. A região apresenta como pontos positivos, a infraestrutura, localização, conhecimento, experiência e disponibilidade de matéria-prima (menos escassa que em outros locais); mesmo assim apresentam fragilidades em relação à cooperação entre essas empresas, sendo apontada como fator principal a confiança. A tradição da região na produção de esquadrias de madeira é o seu principal ponto positivo, porém o risco eminente de quebra das indústrias é um fantasma que as assombra, enquanto não houver a conscientização de que sozinhas elas não possuem a força necessária para alavancar o segmento e criar novas oportunidades de diversificação, estarão fadadas a insucesso e a estagnação que encontram-se atualmente. Algumas características são apresentadas pelos empreendedores de forma não pontual (esporádica), podendo-se citar: apresentam poucas inovações em seus produtos ou processos, o que consequentemente faz com que não se 3 Informação obtida junto ao site: <http.www.captaldaesquadria.com.br>. Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 mostrem criadores ou criativos, essa falta de otimismo faz com que atuem de forma menos energética e sem continuidade ou persistência; a falta de confiança faz com que tornem-se relativamente flexíveis e confiantes. Essa postura faz com que demonstrem também pouca iniciativa e comprometimento, demonstram falta de senso de oportunidade e orientação por metas, exigem baixa qualidade e eficiência de seus colaboradores e relutam em buscar informações e aprender O universo pesquisado contou com 16 empresas do setor de esquadrias de madeira de União da Vitória/PR e Porto União/SC e as respostas dos questionários trouxeram a visão dos empresários do setor madeireiro, onde indicaram, de acordo com o seu ponto de vista, o nível de importância pessoal a respeito da pergunta realizada. Na tabulação dos resultados, foi possível comprovar que se tinha como conhecimento empírico, como por exemplo, que a gestão administrativa dentro das empresas não é encarada como uma área vital para o seu desenvolvimento, manutenção ou sobrevivência no mercado, os empresários fixam as atenções unicamente no produto final, ignorando o processo produtivo, embora conheçam e acompanhem as últimas descobertas tecnológicas, não tem acesso a ela, e o bojetivo final é o aumento de produtividade e lucro, deixando de lado a área administrativa. Conclui-se com essa pesquisa que os empreendedores das Gêmeas do Iguaçu necessitam investir em gestão empresarial, buscando ampliar seus horizontes, detendo o controle do processo como um todo. Analisando a história e a evolução da região de União da Vitória/PR e Porto União/SC e sua relação com o setor madeireiro, fica evidente que houve formação incipiente de capital social, o que impede esse setor de associar-se de forma eficiente, trazendo benefícios mútuos, constata-se que existe a consciência da necessidade de tal formação. A região é, incontestavelmente, polo do setor madeireiro, intitulando-se “Capital Nacional das Esquadrias de Madeira”, apresentando como pontos positivos, a infraestrutura, localização, conhecimento, experiência e disponibilidade de matéria-prima (menos escassa que em outros locais); mesmo assim apresentam fragilidades em relação à cooperação entre essas empresas, sendo apontado como fator principal a confiança. A região apresenta a formação de uma APL, legalmente estruturada, porém na prática, apresenta poucas características das organizações com essa finalidade, não produzindo capital social necessário para proporcionar mudanças significativas no quadro econômico regional. O trabalho solitário dessas empresas acaba prejudicando o segmento como um todo, tirando-lhes a oportunidade de desenvolvimento, assim como a ilusão de já existir uma APL faz com que iniciativas que poderiam beneficiar a todos deixem de ser executadas, da mesma forma outros tipos de associações são pouco efetivas. Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento Regional Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de 2013 REFERÊNCIAS CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo dando asas ao espírito empreendedor. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2008. DOLABELA, F. O segredo de Luísa. Rio de Janeiro: Sextante, 2008. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 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