UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SANEAMENTO, MEIO AMBIENTE E RECURSOS HÍDRICOS CONTROLE DA POLUIÇÃO DIFUSA DE ORIGEM PLUVIAL EM UMA VIA DE TRÁFEGO INTENSO POR MEIO DE TRINCHEIRA DE INFILTRAÇÃO E VALA DE DETENÇÃO André Henrique Carmo Luiz da Silva Belo Horizonte 2009 CONTROLE DA POLUIÇÃO DIFUSA DE ORIGEM PLUVIAL EM UMA VIA DE TRÁFEGO INTENSO POR MEIO DE TRINCHEIRA DE INFILTRAÇÃO E VALA DE DETENÇÃO André Henrique Carmo Luiz da Silva André Henrique Carmo Luiz da Silva CONTROLE DA POLUIÇÃO DIFUSA DE ORIGEM PLUVIAL EM UMA VIA DE TRÁFEGO INTENSO POR MEIO DE TRINCHEIRA DE INFILTRAÇÃO E VALA DE DETENÇÃO Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Área de concentração: Recursos Hídricos Linha de pesquisa: Hidrologia Urbana Orientador: Prof. Nilo de Oliveira Nascimento Co-orientador: Dr. Martin Seidl Belo Horizonte Escola de Engenharia da UFMG 2009 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 3 Página com as assinaturas dos membros da banca examinadora, fornecida pelo Colegiado do Programa AGRADECIMENTOS Primeiramente, a Deus por me conduzir com maestria pelos tortuosos caminhos da vida. Aos meus queridos pais, Ângelo e Maria Lúcia, e aos meus irmãos, Mariana e Alexandre, pelo carinho e apoio incondicional. A Jordana, minha menina, pelo imenso carinho e amor. Ao meu orientador, professor Nilo Nascimento, pelas oportunidades acadêmicas (ENPC, iniciação científica e mestrado) e pelos vários ensinamentos oferecidos, assim como pelo espírito científico que me proporcionou. Ao meu co-orientador, professor Martin Seidl, pelo apoio técnico e pela acompanhamento in situ do experimento. Aos colegas do programa SMARH, em especial ao Luciano, e ao departamento de Engenharia Hidráulica e Recursos Hídricos por contribuírem para minha formação acadêmica e a todos os funcionários da estação ecológica pelo apoio. Aos colegas da SUDECAP, Abelino, Champs, Ilda, Luiz, Marco Antônio, pelo ótimo ambiente de trabalho, em especial aos estagiários Eduardo e Roberto pela cooperação na manutenção do aparato experimental. Aos bolsistas do projeto SWITCH, Clarissa, Daniel, Jacson, Paulo, Thiago pelo apoio técnico e análises laboratoriais. Ao professor Emílio do Departamento de Química da UFMG, pela realização de análises laboratoriais de metais pesados. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico - CNPQ/CT-Hidro Brasil pela bolsa de estudo concedida. Ao Programa de Saneamento Básico – PROSAB pelo financiamento da construção do aparato experimental. Ao projeto SWITCH pelo financiamento de equipamentos e materiais de consumo. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 5 RESUMO A poluição difusa é um grave problema enfrentado pelos grandes centros urbanos, como Belo Horizonte, em razão sobretudo, do elevado crescimento de suas populações, sendo este tema pouco explorado ainda por estudos brasileiros. Para solucionar esses entraves, o uso de técnicas alternativas em drenagem urbana está sendo estudado por meio de pesquisas experimentais em escala real em algumas universidades brasileiras. Contudo, trabalhos que relacionem trincheira de infiltração e vala de detenção aos aspectos de qualidade da água são pouco encontrados no Brasil, o que evidencia a relevância deste projeto de pesquisa, o qual está vinculado aos programas PROSAB (Edital 5) e SWITCH (projeto de pesquisa parcialmente financiado pela União Européia – 6º Programa Quadro). O local de estudo está localizado na região norte de Belo Horizonte, precisamente na Avenida Carlos Luz, uma das principais vias da cidade. A área de contribuição perfaz 3880 m² aproximadamente. O escoamento gerado pela área de drenagem é coletado por meio de uma boca de lobo e drenado até uma caixa de passagem, onde é recolhido e transportado para a área experimental. O protocolo de monitoramento do experimento compreendeu os seguintes parâmetros: chuva, vazões de entrada e saída dos dispositivos, e qualidade da água por meio de amostras compostas coletadas à entrada e à saída dos experimentos. São os seguintes indicadores de qualidade analisados: condutividade, temperatura, turbidez, sólidos suspensos totais, metais (Cu, Ni, Zn, Cd, Pb, Mn), E.coli, coliformes totais, DQO e DBO. Nesse sentido, este trabalho apresenta resultados do primeiro ano de monitoramento hidrológico de uma trincheira e de uma vala, que recebem o escoamento superficial de origem pluvial em um via de tráfego intenso da capital mineira. Os principais resultados mostrados a seguir estão relacionados à caracterização qualitativa deste escoamento e à eficiência na remoção de sólidos suspensos e metais pesados por meio da vala de detenção. Durante o primeiro ano de funcionamento, o dispositivo apresentou desempenho condizente com a literatura técnica, sugerindo, portanto, o seu interesse para o controle da poluição difusa. PALAVRAS-CHAVE: Carga de lavagem, Vala de detenção, Trincheira de infiltração, Poluição difusa. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 6 ABSTRACT Diffuse pollution is a serious problem faced by large cities, such as Belo Horizonte, mainly due to the high growth of their populations - and this theme is yet little explored by Brazilian studies. To address these barriers, the use of alternative techniques in urban drainage is being studied through experimental researches in real scale in some Brazilian universities. However, studies that relate infiltration trenches and detention trenches to aspects of water quality are not easily found in Brazil, which highlights the relevance of this research project. This project is linked to programs PROSAB (Notice 5) and SWITCH (research project partially funded by the European Union - 6th Framework Program). The research site is located in the north of Belo Horizonte, specifically on Carlos Luz Avenue, one of the city's main thoroughfares. The devices receive runoff flow from a 3,880 m² contributing area composed by a stretch of a 4way avenue The flow generated by the drainage area is collected through a culvert and drained to a junction box, where it is transported to the experimental area. The experiment monitoring protocol comprises the following parameters: rainfall, input and output flow rates of devices and, finally, water quality – through composite samples collected at the inlet and outlet of the experiments. The following quality indicators were analyzed: conductivity, temperature, turbidity, E.coli, total coliforms, COD, BOD, total suspended solids, metals (Cu, Ni, Zn, Cd, Pb, Mn). This paper presents results of the first year of hydrological monitoring of a infiltration and a detention trench which receive rainwater’s surface runoff of an intense traffic road of Belo Horizonte. The main results shown below are related to the qualitative characterization of the flow and to the efficiency in the removal of suspended solids and heavy metals through the detention trench. During the first year of operation, the device presented acceptable performance, indicating their interest for diffuse pollution control. KEYWORDS: First-flush, Detention trench, Infiltration trench, Diffuse pollution. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 7 SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS ......................................................................................................................................... 10 LISTA DE TABELAS ......................................................................................................................................... 13 LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS ................................................................................. 15 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................... 17 2 OBJETIVOS............................................................................................................................................... 20 2.1 2.2 3 OBJETIVO GERAL ..................................................................................................................................... 20 OBJETIVOS ESPECÍFICOS........................................................................................................................... 20 REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................................................. 21 3.1 POLUIÇÃO DIFUSA DE ORIGEM PLUVIAL ................................................................................................. 21 3.2 FONTES POLUIDORAS ............................................................................................................................... 23 3.3 VALORES CARACTERÍSTICOS DOS POLUENTES NOS ESCOAMENTOS URBANOS ........................................ 26 3.4 POLUTOGRAMA ........................................................................................................................................ 35 3.4.1 First-flush ou carga de lavagem .................................................................................................... 35 3.4.2 Curvas M(V) .................................................................................................................................. 38 3.5 IMPACTOS DO ESCOAMENTO URBANO AO MEIO AMBIENTE .................................................................... 42 3.5.1 Generalidades................................................................................................................................ 42 3.5.2 Impactos em corpos hídricos ......................................................................................................... 46 3.5.3 Impactos no solo ............................................................................................................................ 48 3.6 INFILTRAÇÃO DA ÁGUA DA CHUVA NO SOLO .......................................................................................... 52 3.6.1 O processo de infiltração .............................................................................................................. 52 3.6.2 Capacidade de infiltração ............................................................................................................. 53 3.6.3 Perfil de umidade do solo durante a infiltração ............................................................................ 54 3.6.4 Fatores que intervêm na infiltração .............................................................................................. 55 3.7 PRINCÍPIOS DE SEDIMENTAÇÃO ............................................................................................................... 58 3.7.1 Tipos de sedimentação................................................................................................................... 58 3.7.2 Leis físicas que regem a sedimentação .......................................................................................... 59 3.7.3 Conceito do tanque de sedimentação de fluxo horizontal ideal .................................................... 60 3.8 REMOÇÃO DE POLUENTES POR MEIO DE TÉCNICAS COMPENSATÓRIAS ..................................................... 63 3.8.1 Remoção por meio de sistemas de detenção .................................................................................. 64 3.8.2 Remoção por meio de sistemas de infiltração ............................................................................... 65 3.8.3 Remoção por meio da combinação do processo de sedimentação seguido por infiltração .......... 67 4 MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................................................................... 70 4.1 ESCOLHA DA ÁREA DE ESTUDO E DESCRIÇÃO DO EXPERIMENTO .............................................................. 70 4.2 DIMENSIONAMENTO DAS ESTRUTURAS .................................................................................................... 72 4.2.1 Estrutura de captação: Boca de lobo ............................................................................................ 74 4.2.2 Estrutura de adução: Caixa de passagem ..................................................................................... 75 4.2.3 Estrutura de medida de vazão: Calha Parshall............................................................................. 76 4.2.4 Estruturas compensatórias: Trincheira de infiltração e vala de detenção.................................... 77 4.3 MONITORAMENTO DO SISTEMA................................................................................................................ 83 4.3.1 Variáveis de quantidade de água................................................................................................... 84 4.3.2 Variáveis de qualidade de água .................................................................................................... 87 4.4 ANÁLISE DE PARÂMETROS DE QUALIDADE ............................................................................................... 92 4.4.1 O subsolo ....................................................................................................................................... 92 4.4.2 Análise semi-quantitativa dos sedimentos retidos à entrada ......................................................... 93 4.4.3 Parâmetros físico-químicos da água ............................................................................................. 95 4.4.4 Preparação das amostras .............................................................................................................. 97 4.5 TRATAMENTO DE DADOS ......................................................................................................................... 98 4.5.1 Representatividade dos eventos amostrados ................................................................................. 98 4.5.2 Distribuição da massa de poluentes e do volume nos eventos amostrados ................................... 99 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 8 4.5.3 4.5.4 4.5.5 5 Cargas de poluentes por evento .................................................................................................... 99 Análises dos dados por estatística descritiva .............................................................................. 100 Análises de correlação e regressão ............................................................................................. 101 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................................................. 105 5.1 REPRESENTATIVIDADE DOS EVENTOS CHUVOSOS AMOSTRADOS ............................................................ 105 5.2 REPRESENTATIVIDADE DA AMOSTRAGEM .............................................................................................. 107 5.3 BOCA DE LOBO ....................................................................................................................................... 109 5.3.1 Análises físico-químicas dos sedimentos ..................................................................................... 109 5.3.2 Relações entre as massas de sedimentos e a chuva ..................................................................... 113 5.4 CARACTERIZAÇÃO DO ESCOAMENTO ..................................................................................................... 117 5.4.1 Análises estatísticas quali-quantitativas ...................................................................................... 117 5.4.2 Polutogramas .............................................................................................................................. 120 5.4.3 Ocorrência da carga de lavagem ou first-flush ........................................................................... 125 5.4.4 Correlações entre SST e metais pesados ..................................................................................... 127 5.4.5 Relações entre as concentrações de sólidos e a chuva ................................................................ 127 5.5 VALA DE DETENÇÃO .............................................................................................................................. 132 5.5.1 Remoção de sólidos suspensos .................................................................................................... 132 5.5.2 Remoção de metais pesados ........................................................................................................ 135 5.5.3 Parâmetros que influenciam a eficiência de remoção na vala .................................................... 138 6 CONCLUSÕES ........................................................................................................................................ 142 7 PERSPECTIVAS PARA FUTURAS PESQUISAS .............................................................................. 145 REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................ 146 ANEXO A........................................................................................................................................................... 153 ANEXO B ........................................................................................................................................................... 156 ANEXO C........................................................................................................................................................... 157 ANEXO D........................................................................................................................................................... 165 ANEXO E ........................................................................................................................................................... 166 ANEXO F ........................................................................................................................................................... 167 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1-1 - Aumento da população vs. Ocorrência de inundação em Belo Horizonte, (Fonte: Sudecap 2005 apud Ministério das Cidades, 2006.)................................................................. 17 Figura 3-1 - Parâmetros analisados em escoamentos urbanos e o número de registros (In: FUCHS, 2004) .......................................................................................................................... 27 Figura 3-2 - Distribuições granulométricas resultantes dos ensaios de peneiramento e de sedimentação realizados nas amostras coletados por meio de aspiração (In: DOTTO, 2006) . 34 Figura 3-3 - Amostragem por aspiração (In: DOTTO, 2006) .................................................. 34 Figura 3-4 - Hidrograma e polutograma representativos de um evento de precipitação (In: PORTO, 1995) .......................................................................................................................... 35 Figura 3-5 - Etapas para construção da curva M(V) (BERTRAND-KRAJEWSKI et al, 1998) .................................................................................................................................................. 40 Figura 3-6 - Exemplo de aplicação da curva M(V), Fonte: GNECCO et al (2005). ................ 41 Figura 3-7 - Escala do tempo relativa aos impactos causados pelo escoamento superficial urbano. (In: PORTO, 1995) ...................................................................................................... 45 Figura 3-8 - Impacto do escoamento urbano em um meio aquático (In: BOISSON e VALLAIS, 1998). ..................................................................................................................... 46 Figura 3-9 - Perfis das concentrações de chumbo conforme o solo de cada bacia, (In: BARRAUD et al, 2004). .......................................................................................................... 51 Figura 3-10 - Mobilização do zinco em solo abaixo de uma bacia de infiltração, (In: HUTTER et al 1998). ................................................................................................................................ 51 Figura 3-11 - Variação da taxa de infiltração de uma chuva no solo ao longo do tempo, Fonte: HILLEL, 1980. ......................................................................................................................... 53 Figura 3-12 - Perfil de umidecimento do solo durante a infiltração (θi é a umidade inicial do solo e θs, a umidade do solo correspondente à saturação), Fonte: BRANDÃO, 2002. ........... 54 Figura 3-13 - Representação esquemática das zonas de um tanque de sedimentação horizontal (adaptado de VON SPERLING, 1996)..................................................................................... 61 Figura 3-14 - Dimensões da zona de sedimentação (adaptado de VON SPERLING, 1996) ... 62 Figura 3-15 - Sedimentação discreta de uma partícula em uma coluna de sedimentação e em um tanque horizontal. (In: VON SPERLING, 1996). .............................................................. 62 Figura 4-1 - Croquis de localização da bacia do córrego Mergulhão no município de Belo Horizonte e da localização do experimento na Av. Carlos Luz ............................................... 71 Figura 4-2 - Vista parcial da área de contribuição, ponto próximo ao início do escoamento. . 71 Figura 4-3 – Vista aérea da área de drenagem do experimento (Fonte: Google Earth 2009) .. 72 Figura 4-4 – Esquema ilustrativo do caminhamento da água ao longo do aparato experimental. .................................................................................................................................................. 73 Figura 4-5 – Vista aérea do aparato experimental, à direita a mata da estação ecológica (Fonte: Google Earth, 2009). .................................................................................................... 74 Figura 4-6 - Captação de água pela boca de lobo (esquerda), acúmulo de sedimentos (direita) .................................................................................................................................................. 75 Figura 4-7 - Caixa de passagem: entrada e amostragem a montante (esquerda), saída e tranquilizador de escoamento (direita) ..................................................................................... 76 Figura 4-8 - Sistema com calha Parshall para medição da vazão afluente ............................... 76 Figura 4-9 – Ensaio com o permeâmetro de Guelph pertencente ao laboratório de solos da UFMG....................................................................................................................................... 79 Figura 4-10 – Perfil do solo correspondente à trincheira de infiltração ................................... 80 Figura 4-11 - Configuração final da trincheira de infiltração (vista de jusante para montante) .................................................................................................................................................. 82 10 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG Figura 4-12 - Configuração final da vala de detenção (vista de jusante para montante). ....... 83 Figura 4-13 - Análise esquemática do monitoramento do experimento................................... 83 Figura 4-14 - Estação meteorológica Pampulha (INMET), pluviômetro pertencente à UFMG (cinza) e ao INMET (branco) ................................................................................................... 84 Figura 4-15 - Comparação entre os pluviômetros do CDTN, INMET e regional Noroeste .... 85 Figura 4-16 - Calha Parshall em operação (cabo amarelo referente ao sensor piezoresistivo).86 Figura 4-17 - Localização do data-logger (à esquerda), detalhe do aparelho (à direita). ......... 87 Figura 4-18 – Amostrador de PVC branco (à esquerda), e detector de líquido (cabo preto à direita). ................................................................................................................ 88 Figura 4-19 – Amostrador automático ISCO 3700 .................................................................. 89 Figura 4-20 - Abrigo do amostrador automático (à esquerda) e caixa de passagem (à direita). .................................................................................................................................................. 89 Figura 4-21 - Amostragem antiga (à esquerda) e atual (à direita) a jusante da trincheira........ 90 Figura 4-22 - Contaminação da amostragem a jusante da trincheira de infiltração. ................ 90 Figura 4-23 – Esquema ilustrativo do caminhamento da água ao longo da trincheira ............. 91 Figura 4-24 – Amostragem a jusante da vala de detenção ....................................................... 91 Figura 4-25 – Esquema ilustrativo do caminhamento da água ao longo da vala ..................... 92 Figura 4-26 - Coleta de solo anterior à operação da trincheira de infiltração. ......................... 93 Figura 4-27 - Quarteamento do material granular coletado na boca de lobo. .......................... 94 Figura 4-28 - Pesagem dos sedimentos coletados na boca de lobo. ......................................... 95 Figura 4-29 - Fluxograma do agrupamento de amostras coletadas em campo segundo os parâmetros analisados. .............................................................................................................. 98 Figura 4-30 – Exemplo ilustrativo do diagrama box & whisker (In: NAGHETTINI e PINTO, 2007) ....................................................................................................................................... 101 Figura 5-1 – Análise quantitativa do número de chuvas por intervalos de alturas de precipitações ........................................................................................................................... 106 Figura 5-2 - Composição da massa total dos sedimentos coletados na boca de lobo em função da precipitação total ................................................................................................................ 110 Figura 5-3 - Distribuição granulométrica dos sedimentos amostrados à entrada do aparato experimental. .......................................................................................................................... 111 Figura 5-4 – Correlação entre as massas de material granular observadas e as massas estimadas por meio de regressões lineares múltiplas em função das variáveis climatológicas. ................................................................................................................................................ 116 Figura 5-5 - Desvios relativos entre a massa de material granular observada e a massa estimada pela regressão linear múltipla com 1,2 e 3 parâmetros. .......................................... 116 Figura 5-6 - Desgaste do pavimento asfáltico que recobre a área de drenagem. Detalhe para a proximidade do buraco em relação à entrada do sistema (boca de lobo). .............................. 118 Figura 5-8 – Polutogramas de 30/03/2009 ............................................................................. 123 Figura 5-9 - Polutogramas de 06/04/2009 .............................................................................. 124 Figura 5-10 – Curvas M(V) .................................................................................................... 126 Figura 5-11 – Correlação entre as concentrações observadas e as concentrações estimadas por meio de regressões lineares múltiplas a partir de variáveis climatológicas. .......................... 131 Figura 5-12 – Desvios relativos entre a concentração máxima de SST observada e a concentração estimada pela regressão linear múltipla com 1, 2, 3, 4 e 5 parâmetros. ........... 131 Figura 5-13 – Média (à esquerda) e mediana (à direita) da eficiência inicial e da eficiência corrigida da vala de detenção. ................................................................................................ 134 Figura 5-14 – Distribuição espacial da variabilidade da remoção de SST por meio da vala de detenção (eventos amostrados pelo ISCO 3700, n=108 para entrada e n=4 para saída). ....... 134 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 11 Figura 5-15 - Distribuição espacial da variabilidade da remoção de Pb por meio da vala de detenção para os eventos amostrados pelo ISCO 3700 (limite da CONAMA 357/2005 em vermelho). ............................................................................................................................... 138 Figura 5-16 - Distribuição espacial da variabilidade da remoção de Zn por meio da vala de detenção para os eventos amostrados pelo ISCO 3700 (limite da CONAMA 357/2005 em vermelho). ............................................................................................................................... 138 Figura 5-17 – Correlações entre as eficiências observadas e as estimativas da eficiência na remoção de SST por meio de regressões lineares múltiplas em função das variáveis climatológicas e do tempo de detenção. ................................................................................. 140 Figura 5-18 – Desvios relativos entre a eficiência da vala observada e a eficiência estimada pela regressão linear múltipla com 1, 2, 3 e 4 parâmetros...................................................... 141 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 12 LISTA DE TABELAS Tabela 3-1– Origem e natureza dos poluentes (adaptado de Chocat et al 1997 apud Baptista et al 2005) ..................................................................................................................................... 25 Tabela 3-2 - Determinação de parâmetros relevantes para conhecimento da carga de poluentes nas estradas inglesas (adaptado de CRABTREE et al, 2007). ................................................. 28 Tabela 3-3 – Características dos eventos amostrados (GROMAIRE-METZ, et al. 1998) ...... 29 Tabela 3-4 – Concentrações médias por evento para escoamento de telhado, pátio e rua (GROMAIRE-METZ, et al. 1998) ........................................................................................... 29 Tabela 3-5 – Concentrações extremas e médias (DALIGAULT et al, 1998) .......................... 30 Tabela 3-6 – Variações das concentrações de SST segundo o tipo da área e a estação do ano, (adaptado de AUCHAROVA e KHOMICH, 2005) ................................................................. 31 Tabela 3-7 – Análise comparativa das influências antropogênicas no escoamento superficial urbano (adaptado de VIVACQUA, 2005) ................................................................................ 32 Tabela 3-8 – Categorias dos impactos atribuídos à construção e ao desenvolvimento de atividades humanas ( CLAR et al, 2004) ................................................................................. 43 Tabela 3-9 – Principais categorias dos poluentes de escoamento urbano, suas fontes e impactos relacionados (MUTHUKRISHANAN et al 2004, LEEDS et al 1993) .................... 44 Tabela 3-10 - Concentrações de metais pesados e PAH em solo adjacentes à estradas com diferentes distâncias e profundidades (DIERKES e GEIGER, 1998) ...................................... 48 Tabela 3-11 - Características das bacias analisadas (BARRAUD et al, 2004) ....................... 50 Tabela 3-12 - Taxas de infiltração estável para solos de diferentes classes texturais. (RAWLS et al. 1993) ................................................................................................................................ 55 Tabela 3-13 - Taxa de infiltração estável em função do tipo de cobertura do solo (adaptado de OLIVEIRA, 2000) .................................................................................................................... 56 Tabela 3-14 – Tipos de sedimentação observados no tratamento de águas residuárias (In: VON SPERLING, 1996) .......................................................................................................... 59 Tabela 3-15 – Eficiência na remoção de SST em uma bacia de detenção de grande porte (adaptado de LI e PYATT, 2004) ............................................................................................. 64 Tabela 3-16 – Avaliação da eficiência média de uma bacia de detenção (adaptado de USEPA 2008) ......................................................................................................................................... 65 Tabela 3-17 – Eficiência na remoção de poluentes por meio de pavimento poroso e trincheira de infiltração. ............................................................................................................................ 66 Tabela 3-18 – Retenção de metais e hidrocarbonetos por meio de trincheira de infiltração (adaptado de BALADES et al. 1998, CERTU 1998) ............................................................... 67 Tabela 3-19 – Remoção de poluentes por meio da combinação de uma bacia de sedimentação e um colchão drenante (In: VAN DIJK e JACOBS, 1998) ...................................................... 68 Tabela 3-20 – Análises das cargas de entrada e saída do sistema decantador seguido por um filtro e o abatimento da poluição. (adaptado de GIROUD et al. 2007).................................... 69 Tabela 4-1 – Métodos utilizados para cada ensaio analítico feito no solo coletado antes da operação da trincheira de infiltração ........................................................................................ 93 Tabela 4-2 – Variáveis indicadoras de qualidade, abreviaturas, unidades e métodos analíticos utilizados no monitoramento da água. ...................................................................................... 96 Tabela 4-3 – Estatísticas básicas utilizadas na descrição dos dados, adaptado de von Sperling (2005). .................................................................................................................................... 101 Tabela 5-1 - Características pluviométricas dos eventos amostrados .................................... 106 Tabela 5-2 - Distribuição das amostras segundo os dispositivos do experimento ................. 107 Tabela 5-3 – Balanço de massas ao longo do aparato experimental ...................................... 109 Tabela 5-4 – Características dos depósitos na boca de lobo à entrada do sistema ................. 110 Tabela 5-5 - resultados de análise química de sedimentos coletados na boca de lobo........... 113 13 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG Tabela 5-6 – Coeficientes de correlação R entre dados climatológicos e sedimentos coletados à boca de lobo (N=4) .............................................................................................................. 113 Tabela 5-7 - coeficientes R das correlações entre as características climatológicas e as massas das três categorias de sedimentos encontradas na boca de lobo. (N = 12) ............................. 114 Tabela 5-8 - CME de todos os parâmetros analisados no escoamento superficial referente aos eventos registrados pelo amostrador automático .................................................................... 119 Tabela 5-9 - Coeficientes de correlação R entre metais e SST referentes aos eventos registrados pelo amostrador automático ISCO 3700. ............................................................. 127 Tabela 5-10 - Características pluviométricas e suas respectivas concentrações de SST........ 128 Tabela 5-11 - Coeficientes de correlação R entre as concentrações máximas e médias de SST dos eventos e os dados climatológicos (N=9) ........................................................................ 129 Tabela 5-12 – Remoção de sólidos suspensos totais pela vala de detenção ........................... 133 Tabela 5-13 - Remoção média de metais pesados pela vala de detenção dos eventos amostrados pelo amostrador de PVC...................................................................................... 136 Tabela 5-14 - Remoção média de metais pesados pela vala de detenção dos eventos amostrados pelo amostrador ISCO 3700. ............................................................................... 137 Tabela 5-15 - Coeficientes de correlação R entre as eficiências obtidas pela vala de detenção na remoção de SST, os dados climatológicos, e o tempo de detenção ................................... 139 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 14 LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas APHA American Public Health Association BHTRANS Órgão Gestor do Transporte Urbano de Belo Horizonte Cd Cádmio CDTN Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear CE Condutividade Elétrica CETESB Companhia Ambiental do Estado de São Paulo CME Concentração Média do Evento CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente CPVC Coeficiente do Amostrador de PVC CT Coliformes Totais Cu Cobre D Duração da chuva D15 Diâmetro que corresponde a 15% da amostra passante D85 Diâmetro que corresponde a 85% da amostra passante DBO Demanda Bioquímica de Oxigênio DEHR Departamento de Engenharia Hidráulica e Recursos Hídricos DESA Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental DQO Demanda Química de Oxigênio DS Dias Secos Anteriores E. coli Escherichia coli EE Escola de Engenharia H0 Carga Hidráulica na Superfície HC Hidrocarbonetos Totais HEC-RAS Hydrologic Engineering Centers River Analysis System HPA Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos HPT Hidrocarbonetos Totais do Petróleo HS 2 Ácido Sulfúrico I15 Intensidade Média dos Primeiros 15 minutos de Chuva Imed Intensidade Média da Chuva INMET Instituto Nacional de Meteorologia ISCO3700 Modelo de Amostrador Automático Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 15 K Condutividade Hidráulica LD Limite de Detecção Mn Manganês n/c não encontrado NA Nível de Água NaCl Cloreto de Sódio NBR Norma Brasileira Ni Níquel NTK Nitrogênio Total Kyeldahl NURP National Urban Runof Program O95 Corresponde a 95 % do diâmetro dos poros do filtro OD Oxigênio Dissolvido OP20 Nomenclatura de geotêxtil com gramatura de 200 g/mm² PROSAB Programa de Pesquisa em Saneamento Básico Ptot Precipitação total Ptotal Fósforo Total PVC Poli Cloreto de Vinila SST Sólidos Suspensos Totais SSV Sólidos Suspensos Voláteis SUDECAP Superintendência de Desenvolvimento da Capital SWITCH Sustainable Water Management Improves Tomorrow’s Cities’ Health TD-D Tempo de detenção menos a Duração da chuva TR Tempo de Retorno UFMG Universidade Federal de Minas Gerais USEPA United States Environmental Protection Agency Zn Zinco Θi Umidade Inicial do Solo Θs Umidade de Saturação do Solo Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 16 1 INTRODUÇÃO Principalmente entre os anos de 1960 e 2000, o crescimento populacional no Brasil foi significante e a infra-estrutura urbana não teve uma evolução à mesma altura. Em 2000, a população dos centros urbanos correspondia a cerca de 81% do total da população brasileira (IBGE, 2000). Uma grave conseqüência desta evolução populacional foi a propagação das áreas impermeáveis, gerando aumento e aceleração dos escoamentos superficiais, aumento de resíduos e sedimentos nos cursos d’água, e, sobretudo, redução na qualidade da água dos corpos receptores graças à decorrente poluição difusa. Segundo Dechesne (2002), o emprego de técnicas alternativas, como bacias de infiltração ou detenção, se mostra uma solução eficaz para o controle dos problemas citados anteriormente. A figura 1.1 apresenta um resultado que evidencia a ligação entre o aumento de enchentes em Belo Horizonte em função da elevação do número de habitantes na área urbana. Figura 1-1 - Aumento da população vs. Ocorrência de inundação em Belo Horizonte, (Fonte: Sudecap 2005 apud Ministério das Cidades, 2006.) Dispositivos de armazenamento ou de infiltração de águas pluviais ou, ainda, que combinam ambos os processos são adotados há muitos anos em diferentes países (BROWNE et al., 2007; CERTU, 1998), como a Holanda, que introduziu o conceito de infiltração de águas pluviais em seu sistema de drenagem urbana em 1997 (BEENEN e BOOGAARD, 2007). No Brasil, a experiência com o emprego destas soluções, particularmente no caso de sistemas infiltrantes, é pequena e presente, sobretudo, em contexto de trabalhos de pesquisa (SOUZA e Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 17 GOLDENFUM, 2004). O emprego mais generalizado dessas soluções requer iniciativas em diferentes domínios. Um dos mais importantes parece ser o de fazer face à natural resistência do meio técnico a soluções pouco conhecidas. É, portanto, relevante desenvolver experimentos com potencial de demonstração das características de desempenho, construtivas, de emprego, e outras relativas a esses tipos de dispositivos, bem como capazes de se constituir em sítios para a capacitação e o treinamento. Por um lado, os métodos de dimensionamento desses dispositivos são relativamente simplificados e, usualmente, consideram apenas um dos inúmeros cenários das condições reais de operação dos mesmos (BROWNE et al., 2007). Fatores como o estado inicial do sistema, como o volume inicial armazenado no dispositivo e o estado de umidade do solo, assim como as características do evento pluvial, como a intensidade da precipitação e sua distribuição temporal e espacial, podem criar situações críticas para o funcionamento do dispositivo distintas das condições de projeto (NASCIMENTO et al., 2001; SOUZA e GOLDENFUM, 2004). Por outro lado, trata-se de um tema de crescente preocupação e interesse por parte da comunidade científica e de gestores de sistemas dos riscos de poluição do solo e de águas subterrâneas por dispositivos de armazenamento e infiltração (GAUTIER, 1998). Ressalta-se que o contexto brasileiro pode apresentar particularidades e desafios para o emprego desses dispositivos, no que se refere, por exemplo, aos distintos regimes de chuva observados no território nacional, a questões particulares associadas à manutenção de vias e de dispositivos de drenagem pluvial, às características das fontes de poluição difusa, entre outros aspectos. Nesse sentido, o Departamento de Engenharia Hidráulica e Recursos Hídricos da UFMG se engajou nos projetos PROSAB Drenagem e SWITCH (Sustainable Water Management Improves Tomorrow’s Cities’ Health). Esse último engloba 32 instituições distribuídas entre 15 países diferentes com o objetivo principal de facilitar a troca de experiências em manejo de águas urbanas, por meio de diversos experimentos, dentre outros este projeto de pesquisa Neste trabalho, estudou-se o escoamento superficial de origem pluvial em uma via de tráfego intenso e a eficiência no controle da poluição difusa proveniente deste escoamento por meio de uma trincheira de infiltração e de uma vala de detenção. Entretanto, em virtude de problemas operacionais com as amostras coletadas a jusante da trincheira, os resultados sobre 18 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG o abatimento da poluição difusa apresentados nesta pesquisa estão relacionados somente à vala de detenção. Efetuaram-se também análises preliminares de correlação e regressão linear múltipla entre os dados climatológicos (precipitação total, intensidade, período seco anterior), e as cargas de poluentes e dos sedimentos registrados pelas amostragens. Ressalta-se que os resultados aqui apresentados se referem ao monitoramento do ano hidrológico 2008-2009, entre outubro de 2008 e junho de 2009. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 19 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Avaliar a eficiência de trincheiras de infiltração e de valas de detenção para o controle de poluição difusa de origem pluvial proveniente do sistema viário e os riscos de poluição do solo por infiltração de águas pluviais. 2.2 Objetivos específicos • Analisar e caracterizar as fontes de poluição difusa de origem pluvial na área de estudo; • Verificar os riscos de poluição do solo e das águas subterrâneas decorrentes de infiltração de águas pluviais; • Analisar e caracterizar as influências dos parâmetros climatológicos (precipitação total, período seco anterior, intensidade média) sobre a quantidade de sedimentos encontrada dentro de uma boca de lobo, sobre a concentração máxima de sólidos suspensos totais e sobre a eficiência da vala de detenção; • Analisar aspectos operacionais (problema de colmatação, dificuldade de limpeza e manutenção) associados ao emprego de trincheiras de infiltração e valas de detenção em meio urbano; Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 20 3 REVISÃO DA LITERATURA 3.1 Poluição Difusa de Origem Pluvial Primeiramente, deve-se introduzir uma visão geral do conceito de poluição para que haja um melhor entendimento desta pesquisa. Segundo a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, em seu Artigo 3º, define-se poluição como sendo qualquer alteração adversa das características do meio ambiente, resultante de atividades que direta ou indiretamente: • prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; • criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; • afetem desfavoravelmente a biota; • afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; • lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. As atividades citadas anteriormente geram diversas formas de poluição, como por exemplo: poluição sonora, poluição atmosférica, etc. Dentre essas, uma que muito se destaca no meio acadêmico é a poluição difusa de origem pluvial. Por esta razão, estudos referentes à poluição gerada pelo escoamento superficial em meio urbano datam de longo tempo em alguns países do mundo. Nos Estados Unidos, os relatos remetem à década de 60, quando a Agência de Proteção Ambiental (EPA) identificou que as cargas associadas às descargas ou vazões provenientes de cheias urbanas representavam grandes fontes de poluição dos corpos hídricos (USEPA, 1990). Em 1972, em uma emenda constitucional chamada Clean Water Act , o Programa Nacional de Escoamentos Urbanos (NURP) foi estabelecido, contendo como meta principal promover a investigação da poluição das águas no ambiente urbano. Nesse sentido, os resultados registrados no tratamento das águas residuais de algumas cidades americanas e apresentados no relatório final do NURP confirmaram que as fontes de poluição difusa foram identificadas como as maiores causadoras de degradação da qualidade dos escoamentos superficiais (USEPA, 1983). De acordo com Urbonas e Stahre (1993), a poluição difusa de origem pluvial inicia-se através do arraste dos poluentes atmosféricos pela chuva e conclui-se pelo escoamento superficial, sendo esse, responsável direto pelo transporte dos poluentes dispostos sobre a superfície da 21 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG área urbana até o lançamento final no corpo receptor. Assim, nota-se claramente a relação direta entre a poluição difusa e o ciclo hidrológico. Tomaz (2006) relata que a poluição difusa ocorre quando ela não pode ser identificada e cobre uma extensa área, como aquela proveniente das chuvas sobre uma cidade, que molham os telhados, os jardins, as ruas, etc, levando consigo poluentes urbanos para os cursos d’água. Uma definição prática de poluição difusa foi proposta por Campbell et al (2004): Poluição difusa é aquela oriunda das atividades exercidas ou ocupadas no solo (urbano ou rural) que são dispersos por toda área e não surgem como um efluente de um processo, esgoto municipal ou efluente de uma descarga de área urbana. Campbell et al (2004) caracterizam as fontes difusas por meio das seguintes condições: • Descargas difusas de água entram na área de drenagem de maneira difusa e em intervalos intermitentes que são relacionados em sua maioria à ocorrência de evento metereológico; • Fontes difusas são difíceis ou impossíveis de serem monitoradas em seu ponto de origem; • A poluição surge sobre áreas extensas e permanece em trânsito antes de atingir as águas superficiais ou infiltrar em aquíferos rasos; • Diferentemente das fontes pontuais tradicionais, onde o tratamento é o método mais eficaz no controle da poluição, o abatimento da carga difusa e as práticas de gerenciamento do escoamento são o foco no controle; • Os impactos na qualidade da água são avaliados conforme o tamanho da área da bacia; • As cargas poluidoras estão relacionadas a certos eventos climáticos incontroláveis, tais como: precipitações, condições climatológicas, etc, e elas podem variar bruscamente de lugar para lugar ou de ano para ano; • Visando o controle da poluição, os indicadores mais importantes das fontes difusas são os sólidos suspensos, nutrientes, patogênicos fecais e componentes tóxicos. Segundo Porto (1995) a origem da poluição difusa é bastante diversificada, sendo que, para ela, contribuem a abrasão e o desgaste das ruas pelos veículos, o lixo acumulado nas ruas e calçadas, os resíduos orgânicos de pássaros e animais domésticos, as atividades de construção, os resíduos de combustível, óleos e graxas deixados por veículos, poluentes em suspensão na Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 22 atmosfera, etc. Os principais poluentes que são assim carreados são sedimentos, matéria orgânica, bactérias, metais como cobre, zinco e chumbo, hidrocarbonetos provenientes do petróleo, tóxicos, como os pesticidas, e os poluentes em suspensão no ar, que se depositam sobre as superfícies. E os eventos de precipitação podem elevar as concentrações de metais tóxicos no corpo receptor até níveis agudos. Talvez, a característica mais marcante da poluição de origem difusa seja a grande variabilidade da concentração de poluentes presentes quando do lançamento da drenagem urbana nos corpos d’água. As concentrações variam em ordens de magnitude entre bacias hidrográficas, entre diferentes eventos de precipitação e, também, ao longo de um mesmo evento. (PORTO, 1995) Em 1995, o Congresso Americano recebeu o relatório “Inventário Nacional de Qualidade da Água”, o qual afirmou que 30% dos casos identificados como impactantes à qualidade da água são atribuídos às descargas do escoamento superficial ou de fontes não pontuais ao longo da bacia hidrográfica (USEPA, 1995). Mesmo após investigações detalhadas, continuam a existir muitas incertezas sobre o processo de poluição gerado pelas enxurradas. Estas incertezas refletem a falta de intensivas campanhas de campo para a avaliação de cargas difusas e estudos, por exemplo, de correlação ou de causa e efeito relacionando-as ao uso do solo, às características dos eventos pluviais às condições iniciais do sistema (e.g.: altura de precipitação antecedente, número de dias sem chuva). Os processos de origem difusa são intrinsecamente difíceis e complexos de se modelar devido à natureza estocástica do fenômeno. Por essa razão, é de se esperar que o processo estudado não possa ser previsto de forma puramente determinística. Todavia, do ponto de vista de engenharia ou de gerenciamento, os modelos determinísticos continuarão a ser bastante úteis nesse tipo de avaliação (PRODANOFF, 2005). 3.2 Fontes Poluidoras A compreensão das fontes potenciais de poluentes é de fundamental importância quando se estudam os impactos do lançamento dos escoamentos de origem pluvial sobre os meios receptores. A acumulação de vários poluentes dentro da área da bacia pode ser atribuída a diversas fontes e os efeitos individuais são de difícil separação. Todavia, o conhecimento qualitativo das prováveis fontes possibilita ao investigador se concentrar nas áreas Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 23 problemáticas e avaliar dispositivos de controle que podem ser usados para desviar cargas adversas antes que elas atinjam o sistema de drenagem. De acordo com Porto (1995), para se avaliar corretamente o potencial poluidor, os impactos gerados e, as medidas de controle adequadas das cargas difusas é fundamental a identificação das fontes geradoras do material carreado pelo escoamento superficial. Dessa maneira, a autora considera como principais fontes geradoras de cargas difusas: deposição atmosférica, desgaste da pavimentação, veículos, restos de vegetação, lixo e poeira, restos e dejetos de animais, derramamentos e erosão. Para Xanthopoulos e Hahn (1992), todas essas fontes podem ser classificadas como a origem dos poluentes antropogênicos, os quais são adsorvidos aos sólidos suspensos e que podem ser observados em altas concentrações nos escoamentos superficiais. A quantidade de carga gerada depende do tipo e do uso do solo, de características hidrológicas e topográficas, cobertura vegetal, estação do ano, eficiência na limpeza das ruas, entre outros fatores (SILVA, 2003). No contexto da origem dos poluentes, Chocat et al (1997) apud Baptista et al (2005) estimaram que 15% a 25% da carga de poluição de origem pluvial é diretamente atribuída ao arraste de poluentes atmosféricos pela chuva. O restante provém do escoamento das águas pluviais sobre as superfícies urbanas onde os poluentes se acumulam em tempo seco. A tabela 3.1 apresenta a origem e a natureza dos principais poluentes urbanos. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 24 Tabela 3-1– Origem e natureza dos poluentes (adaptado de Chocat et al 1997 apud Baptista et al 2005) Origem Circulação de automóveis Indústria • • • • • • Animais • Resíduos sólidos • • Erosão dos solos, dos pavimentos e em • canteiro de obras • Vegetação • • Natureza dos poluentes Hidrocarbonetos (óleos, graxas e gasolina) Metais provenientes do desgaste dos pneus (cádmio, cobre), dos freios (zinco) e de peças metálicas (titânio, cromo, alumínio...) Óxido de nitrogênio (gases de escapamento) Metais (chumbo, cádmio, zinco) Resíduos de petróleo e micro poluentes orgânicos rejeitados sob a forma líquida ou gasosa podendo ser carreados por longas distâncias Matéria orgânica proveniente de dejetos de animais (domésticos ou selvagens) que podem constituir-se em fonte de contaminação bacteriana ou viral Matéria orgânica, plásticos, metais diversos, papéis, etc. rejeitados diretamente nas bocas de lobo, provenientes da lixiviação das superfícies urbanas pelas águas pluviais, de depósitos ilegais de resíduos sólidos ou de aterros sanitários mal geridos. Poeiras contendo diferentes poluentes (em particular, o zinco que provém de usinas de incineração emitindo grandes quantidades de poluentes) Matéria em suspensão (poluição mineral que pode conter agentes ativos como o asfalto) Poluentes provenientes da erosão de pavimentos de vias (elementos procedentes do cimento ou do pavimento das calçadas, das pinturas do pavimento, notadamente o chumbo) Matérias carbônicas, mais ou menos biodegradáveis (folhas mortas, polens) Nitratos e fosfatos provenientes de adubos Compostos organo-clorados (pesticidas e herbicidas) Rollin et al. (2001) apresentaram um balanço detalhado das principais fontes de poluição das águas superficiais à exutória de uma bacia hidrográfica da região parisiense com 192 km² e 250 mil habitantes. Segundo eles, este estudo permitiu quantificar com precisão as principais fontes de poluição das águas dentro de uma grande bacia hidrográfica de uma maneira global ou diária, haja vista que as medidas de sólidos suspensos totais (SST) e DQO foram realizadas continuamente. Ressalta-se que metade da área desta bacia é fortemente urbanizada e a outra metade é extremamente rural. Para as águas superficiais em tempo seco, a coleta realizada por meio de amostrador automático evidenciou a importância da poluição de origem agrícola. Para as águas de enxurradas pôde-se constatar que o parâmetro mais prejudicial ao curso d’água principal da bacia foi o SST, uma vez que ele apresentou as maiores diferenças entre as concentrações Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 25 amostradas e aquelas segundo os padrões franceses para efluentes. O perigo dos SST já era alertado por Xanthopoulos e Hahn (1992), que previam a necessidade de pesquisar e descrever o comportamento dos sólidos suspensos, de forma a explicar os processos de transporte e depósito dos poluentes antropogênicos. Os resultados indicaram que a poluição originada das áreas urbanas se revelou de natureza mais “orgânica”, pois os elementos mais representativos foram DQO, DBO 5 , nitrogênio total, e que a de zonas rurais se mostrou essencialmente do tipo mineral, visto que os parâmetros mais representativos foram SST e metais pesados. Todos indicadores apresentaram níveis de concentrações bem baixos se comparados aos da norma européia de potabilidade. A poluição pelos metais pesados aparece significativa somente para o zinco e para o chumbo. Em relação às águas residuais domésticas, pode-se afirmar que o impacto da poluição residual do rejeito das águas tratadas se mostrou o fator mais relevante neste caso (ROLLIN et al, 2001). Portanto, há o completo interesse em se analisar a situação precedente dentro de um contexto global da bacia hidrográfica, visando o entendimento dos trabalhos para melhorar ou perenisar a qualidade de um meio receptor. 3.3 Valores Característicos dos Poluentes nos Escoamentos Urbanos Segundo Valiron e Tabuchi (1992), o conhecimento dos valores característicos dos escoamentos urbanos deve se basear em três objetivos: • As medidas servem para aprofundar os conhecimentos de base sobre os fenômenos e sua quantificação. • As medidas sobre um local permitem o aprimoramento dos cálculos e projetos das obras necessárias para o domínio da poluição e também para analisar os impactos dos trabalhos realizados. Notou-se que as leis ou as correlações estabelecidas eram insuficientes para determinar validamente as características dos trabalhos a serem feitos. • Eventualmente, as medidas feitas em tempo real permitem uma boa gestão das obras realizadas, por exemplo, os vertedores. A coleta de dados é parte crucial para o correto entendimento de processos naturais. Diversos estudos de caracterização da poluição difusa de origem pluvial em meio urbano já foram Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 26 efetuados pelo mundo. Fuchs (2004) reuniu 425 registros, que foram coletados entre os anos de 1968 e 2001 em diversas localidades do planeta, visando à formação de um banco de dados, o ATV-DVWK-Datenpool. A compilação desses dados evidenciou quais são os parâmetros mais estudados, (ver figura 3.1). O autor ressalta que os indicadores mais difundidos nas pesquisas sobre poluição difusa são os sólidos suspensos totais, a demanda química de oxigênio (DQO), o fósforo total, a demanda biológica de oxigênio (DBO) e o chumbo. Entretanto, sabe-se que até meados da década de noventa existiam alguns poluentes, como os hidrocarbonetos, cádmio, etc, que não possuíam uma boa metodologia de ensaios laboratoriais. Portanto, faz-se necessário relevar a ausência de alguns parâmetros na lista de Fuchs (2004). Figura 3-1 - Parâmetros analisados em escoamentos urbanos e o número de registros (In: FUCHS, 2004) Em 2003 a Agência de Estradas da Inglaterra estudou durante três anos os poluentes encontrados nos escoamentos das estradas inglesas em 24 locais de condições diversas. Quatro regiões climáticas foram definidas com base na precipitação média anual (clima seco Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 27 < 800 mm e clima úmido > 800 mm) e na temperatura média anual do inverno (quente > 3ºC e frio < 3ºC). Nesta época, o estudo encontrava-se na primeira etapa, onde os primeiros resultados serviriam de base para a definição dos parâmetros monitorados. Nesta fase inicial, 4 locais foram selecionados de forma que houvesse representatividade das quatro combinações de tipos de clima. O tráfico diário destas localidades variou entre 106.000 e 146.000 veículos, (CRABTREE et al, 2007). Os resultados iniciais desta pesquisa encontramse na tabela 3.2. A escolha dos dezesseis hidrocarbonetos policíclicos aromáticos amostrados neste estudo foi baseada nas diretrizes da agência norte-americana de proteção ambiental (USEPA). Tabela 3-2 - Determinação de parâmetros relevantes para conhecimento da carga de poluentes nas estradas inglesas (adaptado de CRABTREE et al, 2007). Parâmetro Unid. Resultados Max. Média Cobre total mg/l 0,5650 0,1790 Zinco total mg/l 5,7300 0,7995 Cádmio total mg/l 0,0030 0,0007 Chumbo total mg/l 0,3100 0,0746 Naftaleno mg/l 0,0009 0,0003 Acenaftileno mg/l 0,0003 0,0001 Acenafteno mg/l 0,0003 0,0001 Fluoreno mg/l 0,0010 0,0002 Fenantreno mg/l 0,0033 0,0009 Antraceno mg/l 0,0008 0,0002 Fluoranteno mg/l 0,0122 0,0030 Pireno mg/l 0,0125 0,0034 Benzo[a]antraceno mg/l 0,0050 0,0013 Criseno mg/l 0,0074 0,0022 Benzo[b]fluoranteno mg/l 0,0078 0,0022 Benzo[k]fluoranteno mg/l 0,0035 0,0009 Benzo[a]pireno mg/l 0,0048 0,0014 Indeno[1,2,3-cd]pireno mg/l 0,0049 0,0013 Dibenzo[a,h]antraceno mg/l 0,0009 0,0003 Benzo[ghi]perileno mg/l 0,0057 0,0015 HPA total mg/l 0,0622 0,0185 SST mg/l 1340,0 259,8 Segundo Crabtree et al. (2007), os níveis das concentrações de zinco foram significadamente maiores que os demais resultados. O autor explica que as relações matemáticas entre os parâmetros não foram consistentes e que eles não são dependentes do clima ou das características locais. Os dados não mostraram elevações das concentrações dos poluentes Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 28 durante o inverno. Além disso, os resultados não mostraram relação entre as concentrações de poluentes e as características do evento. Tal fato pode ser um reflexo do número relativamente pequeno de amostras, no caso 10 eventos. O material que recobre a superfície de drenagem influencia diretamente as características qualitativas do escoamento superficial. Baseado neste contexto, Gromaire-Metz et al. (1998) realizaram uma pesquisa que apresenta concentrações médias por evento de metais pesados, sólidos suspensos totais, DQO e DBO para três tipos de superfícies diferentes: telhado, pátio e rua, coletando 4, 3 e 6 amostras por cada evento respectivamente. O estudo avaliou 16 precipitações entre julho de 1996 e maio de 1997, sobretudo durante o verão e a primavera, na cidade de Paris. As tabelas 3.3 e 3.4 apresentam e os resultados obtidos. Tabela 3-3 – Características dos eventos amostrados (GROMAIRE-METZ, et al. 1998) Altura de Intensidade Intensidade Duração da Período seco chuva (mm) média (mm/h) máxima em 5 chuva (hh:mn) anterior (dias) min. (mm/h) Mínimo 2,7 1,1 2,6 00:30 0,1 Máximo 21,6 24,0 80,8 06:56 50,5 Média 8,6 3,7 14,8 02:00 3,0 Tabela 3-4 – Concentrações médias por evento para escoamento de telhado, pátio e rua (GROMAIRE-METZ, et al. 1998) Parâmetros Telhado Pátio Rua min. max. min. max. min. max. média média média SST(mg/l) 3 304 22 490 49 498 29 74 92,5 DQO(mg/l) 5 318 34 580 48 964 31 95 131 DBO5 1 27 9 143 15 141 4 17 36 37 823 125 216 115 4032 108 161 508 HPA (µg/l) 0,1 32 0,2 1,3 0,3 1,8 1,3 0,8 0,6 Cd(µg/l) 3 247 13 50 27 191 37 23 61 Cu(µg/l) 16 2764 49 225 71 523 493 107 133 Pb(µ/l) 802 38061 57 1359 246 3839 3422 563 550 Zn(µ/l) Segundo a autora a caracterização do escoamento no centro de Paris confirma o grau de importância da poluição difusa oriunda das ruas. O estudo provou também que o escoamento dos telhados, longe de ser não poluído, é uma fonte maior para alguns elementos em comparação com os escoamentos das ruas. Haja vista o nível bastante elevado de metais pesados encontrados em suas amostras, no caso de descargas diretas, essas poderiam ter efeitos tóxicos em águas naturais e sua infiltração iria contaminar rapidamente o solo. A utilização de metais como o zinco, chumbo e cobre para coberturas aparenta ser prejudicial à qualidade dos escoamentos. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 29 Daligault et al. (1998) efetuaram suas pesquisas em duas pequenas bacias localizadas ao norte da França, que possuem tamanhos e ocupações completamente diferentes. A primeira, Brunoy, tem uma área de 2,7 ha, sendo 55% de equipamentos escolares e esportivos, 37% de edifícios e 8% de vias. A segunda, Vigneux, ocupa uma área de 105 ha, dos quais, 56% são casas, 20% edifícios, 3% zonas comerciais, 8% zonas industriais, 4% parques e 9% vias. Trinta eventos serviram de base para as análises. Segundo os autores, a bacia de Vigneux acarretou uma poluição mais importante que a de Brunoy, sobretudo para os parâmetros orgânicos, evidenciando assim, a influência da ocupação do solo e principalmente do tamanho da área de drenagem. A exceção foi o zinco, pois suas concentrações em Brunoy foram muito elevadas, e os valores mais fortes foram medidos em eventos de fraca intensidade, ao contrário dos outros parâmetros. A tabela 3.5 mostra os resultados deste estudo. Tabela 3-5 – Concentrações extremas e médias (DALIGAULT et al, 1998) Indicador Unid. Brunoy (2,7ha) Vigneux (105ha) min max min max média média SST mg/l 11 458 25 964 158 199 Condutividade 50 244 107 402 99 189 µS/cm pH 6,9 8,2 6,8 8 7,5 7,5 DQO mg/l 18 299 26 561 68 121 DBO mg/l 3 29 4 168 10 17 NTK mg/l 1 12,5 1,7 50 2,8 4,7 Ptotal 0,13 4,7 0,3 19,1 0,56 1,1 µg/l Cd 0,43 1,15 0,1 3,2 0,9 1,0 µg/l Cr 0,8 3,5 1,5 8,7 2,2 µg/l Cu 7 59 6 52 23 24 µg/l Ni 1,9 3,9 <1 1,4 µg/l Pb 2 210 4 404 52 69 µg/l Zn 210 2900 30 640 607 146 µg/l Hidrocarbonetos 0,1 4,9 0,1 17 1,2 3,3 µg/l Carbono total 5,7 14,3 6,6 30 12 µg/l HPA <0,16 <0,70 <0,16 <1,59 µg/l Em países de clima frio, como Rússia, Dinamarca, etc, a diferença das concentrações de sólidos suspensos totais nos escoamentos urbanos, entre o inverno e o verão, são extremamente elevadas. A causa principal deste fato é a aplicação de agentes degeladores ( mistura de sal e areia) para eliminar a neve no período de inverno (AUCHAROVA e KHOMICH, 2005). Este estudo realizado em Minsk, capital da Bielorússia, mostrou além das diferenças sazonais, a importância do tipo de uso da área de drenagem nas taxas de SST. Os resultados foram baseados em mais de 100 amostras coletadas nos anos de 2003 e 2004. A Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 30 comparação entre as concentrações de SST conforme o tipo da área e a estação do ano está apresentada na tabela 3.6. Tabela 3-6 – Variações das concentrações de SST segundo o tipo da área e a estação do ano (adaptado de AUCHAROVA e KHOMICH, 2005) Tipo de área Sólidos suspensos totais (mg/l) Verão Inverno Min. 10,2 30,8 Verde Max. 30,0 70,1 Média 22,1 45,3 0,0 273,1 Residencial Min. Max. 578,5 525,6 Média 159,1 347,8 Min. 148,0 258,0 Transporte Max. 395,5 6281,8 Média 261,5 2441,1 De forma a obter um melhor conhecimento das águas escoadas nos centros urbanos para possíveis reaproveitamentos das mesmas, Vivacqua (2005) elaborou uma pesquisa sobre o estado da arte da qualidade da água do escoamento superficial urbano. Os resultados deste estudo apresentaram de maneira ampla as influências antropogênicas nas características das águas de enxurrada. Quatro grupos de pesquisa foram analisados, sendo eles: o Coreano, o Francês, o Australiano e o Brasileiro. A autora relata os seguintes parâmetros: metais, sólidos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, coliformes totais, DBO, DQO, fósforo (Ptotal) e nitrogênio total (NTK), tendo os telhados, os pátios, as ruas e início do sistema de drenagem como os pontos de coleta das amostras. A análise comparativa entre todos os dados apresentados está contida na tabela 3.7. Em relação aos resultados, deve-se ressalvar os parâmetros Ptotal e NTK, visto que os valores máximos, mínimos e médios se apresentaram iguais para cada tipo de superfície. Esse comportamento ocorreu talvez em virtude de somente um único grupo ter analisado tais indicadores. Segundo a pesquisadora, a água do escoamento superficial tem características de qualidade convenientemente boas e tem condição de manancial, no sentido de ser possível sua utilização para inúmeros usos não potáveis e baixo custo. A qualidade é progressivamente menor da captação do telhado para os pátios, jardins, ruas e sistema de drenagem, como se era de esperar. Entretanto, essa diminuição não inviabiliza usos importantes não potáveis. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 31 Tabela 3-7 – Análise comparativa das influências antropogênicas no escoamento superficial urbano (adaptado de VIVACQUA, 2005) Parâmetro Un. DBO mg/l DQO mg/l SST mg/l SSV mg/l NTK mg/l Ptotal mg/l HPA mg/l Pb mg/l Cd mg/l Cu mg/l Zn mg/l Mn mg/l Coliforme total NMP/l VMP = valor mais provável, ou Telhado Pátio Min Max Min Max Min VMP VMP 0,30 42,00 6,00 47,00 14,0 4,240 12,90 5,00 198,0 29,0 218,7 25,0 25,28 61,80 0,00 211,0 11,0 490,0 0,20 22,35 82,65 0,00 92,84 3,84 132,3 4,10 8,670 18,35 0,21 0,210 0,08 0,080 0,74 0,210 0,080 5,62 5,620 6,77 6,770 2,10 5,620 6,770 0,02 0,020 0,15 0,020 0,01 1,190 0,02 0,180 0,01 0,060 0,050 0,00 0,0005 0,0045 0,0003 0,0005 0,0013 0,0003 0,01 0,240 0,01 0,040 0,04 0,030 0,020 0,44 10,40 0,06 1,080 0,12 0,750 0,190 0,00 0,070 0,020 0,00 1.118 0,0 284,7 seja, valor observado próximo ao baricentro da área formada pelos Rua VMP 28,69 119,77 87,18 45,41 0,83 2,10 1,58 0,08 0,0011 0,06 0,32 Início do sistema de Max 160,0 964,0 497,0 347,0 0,93 2,10 3,00 0,16 0,002 0,11 1,10 Min 5,48 20,5 13,0 8,22 0,10 2,40 0,002 drenagem VMP 65,15 340,02 594,67 29,88 Max 254,0 1.455 2.796 60,00 35,20 22,40 0,890 6.840 834 resultados apresentados nas pesquisas quando dispostos graficamente (VIVACQUA, 2005). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 32 Segundo Vivacqua (2005), a qualidade das águas de telhados, pátios e jardins apresenta variações importantes em função dos materiais das superfícies e principalmente, do uso e manutenção locais. Para as águas das ruas, além dos materiais das superfícies, a qualidade dessas depende principalmente do movimento de pessoas e animais, bem como do tráfego de veículos e de lavagens e varrições. Por fim, a qualidade das águas captadas no início do sistema de drenagem sofre influência em valor e faixa de amplitude das características físicas da bacia, do uso e ocupação do solo, densidade demográfica e hábitos culturais, além da sedimentação facilitada ou não no próprio sistema. A análise gravimétrica dos sedimentos encontrados na via fornece uma informação muito importante, a distribuição granulométrica daquele material. Sabe-se que essa distribuição sofre influência da chuva e do processo de limpeza da rua, mostrando que a carga total de poluentes na superfície geralmente aumenta ao longo dos dias secos. Parte desta carga acumulada é carreada durante os eventos chuvosos, (DOTTO 2006). De acordo com Vaze e Chiew (2002) apud Dotto (2006), eventos típicos de precipitação, ou seja, com tempo de retorno (TR) inferior a 2 anos, removem apenas uma pequena porção do total de poluentes sobre as superfícies e que a carga de poluentes presente na superfície é sempre maior do que aquela que poderia ser carreada por um evento chuvoso de grande porte, como por exemplo, uma precipitação com TR 25. Desta forma, o carreamento dos poluentes depende principalmente das características da precipitação e do escoamento. Com base neste contexto, Dotto (2006) constatou, de acordo com suas amostragens, que a maior parte do material analisado é constituída por areia média, com diâmetro médio de aproximadamente 0,350 mm. A figura 3.2 apresenta as curvas granulométricas dos seis primeiros eventos amostrados pela autora. Ressalta-se, que os sedimentos amostrados nesta pesquisa foram coletados por meio de aspiração, (figura 3.3). A pesquisadora relata também que as análises das amostras líquidas, provenientes da microdrenagem, mostraram que a concentração de sedimentos variou de 8,0 a 6.000 mg/L, confirmando uma grande variabilidade dos valores. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 33 Figura 3-2 - Distribuições granulométricas resultantes dos ensaios de peneiramento e de sedimentação realizados nas amostras coletados por meio de aspiração (In: DOTTO, 2006) Figura 3-3 - Amostragem por aspiração (In: DOTTO, 2006) Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 34 3.4 Polutograma A poluição difusa de origem pluvial é um fenômeno aleatório, com origem no ciclo hidrológico. Inicia-se com o arraste dos poluentes atmosféricos pela chuva e o escoamento superficial direto responsável pelo transporte dos poluentes dispostos sobre a superfície da área urbana até o lançamento final no corpo receptor. As concentrações de poluentes no escoamento gerado variam ao longo do evento hidrológico, assim como variam as vazões. É de se esperar que tais valores formem um “polutograma”, com a mesma forma genérica do hidrograma correspondente, (PORTO, 1995). A figura 3.4 mostra a comparação entre o polutograma e o hidrograma. Reforçando a importância desses gráficos, USEPA (1992) afirmou que a variabilidade da taxa de massa poluente transportada ao longo dos eventos chuvosos na rede de drenagem pode ser demonstrada claramente por duas curvas: hidrograma Q(t) e polutograma C(t) conforme o poluente considerado. Figura 3-4 - Hidrograma e polutograma representativos de um evento de precipitação (In: PORTO, 1995) 3.4.1 First-flush ou carga de lavagem Segundo Baptista e al. (2005), um conceito importante relacionado às características da poluição de origem pluvial é o de carga de lavagem (“first flush effect”, em inglês, e “effet de Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 35 premier flot”, em francês). A hipótese associada a este conceito é de que os escoamentos de origem pluvial seriam muito mais poluídos no início do evento, (ver figura 3.4). Três argumentos apóiam esta hipótese: • as águas de precipitação produzem uma lavagem da atmosfera no início da precipitação, transportando poluentes nela dispersos em forma particular; • as primeiras águas de escoamento superficial mobilizam e transportam poluentes acumulados à superfície da bacia hidrográfica durante o período seco que antecede as precipitações; • parte dos depósitos de sedimentos acumulados na rede de drenagem é colocada em suspensão e transportada pelo escoamento. De acordo com Urbonas e Stahre (1993), especula-se que o fenômeno chamado first flush depende da intensidade e duração da chuva. Entretanto, alguns estudos norte-americanos não identificaram claramente a ocorrência da carga de lavagem. E, em outros casos, a concentração de poluentes parece não ter relação com a duração da precipitação. Os autores relatam que devido aos resultados conflitantes, não é apropriado assumir que pelo fato de se reter a carga de lavagem, a maioria dos poluentes também seriam retidos. E na falta de dados locais que confirmem tal fenômeno, é mais seguro admitir-se que ele não ocorre. A ocorrência ou não do fenômeno da carga de lavagem, para determinados poluentes, pode estar relacionada, principalmente, com características de uso e ocupação do solo nas bacias e também com perdas iniciais no escoamento superficial. Para este último, dependendo da rugosidade e do estado de conservação do pavimento, as perdas iniciais são maiores e possibilitam a retenção de uma parte dos poluentes junto com a parcela de água assim acumulada. O volume total escoado e a altura da lâmina formada sobre as superfícies urbanas poderão também contribuir para que as perdas sejam mais ou menos representativas. Segundo estudos realizados pelo National Urban Runof Program (NURP), de uma maneira geral, caso a carga de lavagem seja verificada, 80% da carga poluidora estará contida no volume inicial, correspondente a 20% do volume total, (URBONAS e STAHRE, 1993; PORTO, 1995). Valiron e Tabuchi (1992) apresentam outra razão para a ocorrência ou não do fenômeno carga de lavagem. Segundo eles, a constatação do first flush só é verificável e exata quando a medida é feita o mais próximo possível do escoamento e se a duração e a intensidade da Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 36 chuva ultrapassam um certo limite. Entretanto, se a medida é feita longe do “fenômeno isolado de escoamento”, não se encontrará sistematicamente o first flush, devido aos depósitos e contaminações dentro da rede de drenagem e ao nível de manutenção das obras. Tal fato pode explicar os resultados contraditórios encontrados em alguns estudos. Para Tomaz (2006), deve-se observar também que o fenômeno da carga de lavagem é mais encontrado em bacias pequenas do que em bacias maiores. Ele acrescenta que este fenômeno é mais bem descrito em microbacias com áreas de até 100 hectares. Em grandes bacias, as concentrações de poluentes não decrescem rapidamente à medida que o volume de escoamento aumenta porque áreas distantes podem estar produzindo altos valores de concentração nas suas descargas iniciais, que se misturam com os valores já decrescentes dos locais próximos à seção de medição. Visto todos os argumentos apresentados anteriormente, percebe-se como o tema first flush é extremamente discutível e polêmico. Entretanto, tem-se outro ponto complicador a respeito da carga de lavagem: a ocorrência do fenômeno somente para alguns parâmetros. Nesse sentido, Budai e Buzás (2007) estudaram os escoamentos superficiais das estradas da Hungria. Eles coletaram amostras em dois locais distintos. O primeiro, com um tráfico médio de 40.620 veículos/dia e o segundo com 35.605 veículos/dia. Os parâmetros foram os seguintes: condutividade, pH, sólidos suspensos totais (SST), DQO, hidrocarbonetos totais do petróleo (HPT), hidrocarbonetos poliaromáticos (HPA) e seis metais (Cu, Zn, Pb, Ni, Cr, Al). Todas as análises químicas foram executadas conforme o padrão húngaro, exceto os metais que seguiram as normas da EPA. A verificação do first flush foi feita pela curva M(V), a qual será discutida no próximo item. Primeiramente, os autores afirmaram que a correlação entre o fenômeno carga de lavagem e o tráfego local não foi estatisticamente consistente. Em seguida, eles ressaltaram que a ocorrência da carga de lavagem foi identificada, nos primeiros 5 a 10 minutos da maioria dos eventos, somente para os SST, DQO e metais, apesar que este último apresentou uma curva bem menos característica. Para os demais poluentes, o efeito do first flush foi considerado desprezível, notando-se assim, que para um mesmo evento, os diversos poluentes contidos no escoamento superficial apresentam caracterísitcas diferentes em relação à variação de suas concentrações ao longo do tempo. Entretanto, segundo pesquisa de Lee et al. (2002) apud Paz Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 37 (2004), os melhores parâmetros para evidenciar o first flush foram os SST, o ferro total e o nitrogênio total. Vieira (2008) realizou sua pesquisa em uma microbacia urbana de 130 ha, localizada em Belo Horizonte, sua amostras foram coletadas diretamente no córrego. Os resultados do autor, por meio das curvas M(V), sugeriram a ocorrência de carga de lavagem para os parâmetros de qualidade DBO5, DQO, SS, Cu, Ni e Zn e as diluições dos parâmetros NTK, N-NH4+, P-total nos eventos chuvosos. De uma maneira geral, quando o assunto é a ocorrência ou não da carga lavagem, os pesquisadores freqüentemente procuram relacioná-la a diferentes hipóteses a fim de definirem as principais características, que influenciam no processo do fenômeno, como: intensidade e duração da precipitação, período de tempo seco antecedente, características e magnitude do poluente no período de tempo seco e durante o escoamento, características do sistema de drenagem, área da bacia, tempo de concentração e declividade média. (DELETIC 1998, apud PAZ 2004). Em resumo, percebe-se que mesmo sendo um tema polêmico o first flush é bastante estudado no meio acadêmico, e que a sua ocorrência está diretamente ligada às características da precipitação, sobretudo, à intensidade inicial. Por fim, para a análise deste fenômeno, o SST se mostrou o melhor indicador. 3.4.2 Curvas M(V) Uma metodologia bastante difundida em todo o meio acadêmico, para a análise da variação da taxa de massa poluente transportada ao longo dos escoamentos superficiais urbanos, é a curva M(V), a qual consiste em plotar a fração acumulativa da massa total do poluente vs. a fração acumulativa do volume total escoado. A curva M(V) possibilita também uma análise adimensional capaz de confrontar eventos de diferentes características e localização. (GNECCO et al, 2005). A representação mencionada acima é feita a partir de N medições da vazão Qi e da concentração C i a cada intervalo ∆t i , e considerando-se que tanto a vazão quanto a concentração variam linearmente entre duas medições. A seguir, a equação 3.1 mostra como a base para se construir uma curva M(V). (BERTRAND-KRAJEWSKI et al, 1998). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 38 j ∑ Qi ∆t i i =1 = f iN=1 N C i Qi ∆t i ∑ Qi ∆t i ∑ i =1 i =1 j ∑ Ci Qi ∆t i = j ∑ Vi f i =j1 ∑ Vi i =1 (3.1) onde: N é o número total de medições, j é o índice de 1 a N, e Vi é o volume descarregado durante o intervalo de tempo ∆t i . Todo o detalhamento da construção da curva M(V) pode ser visto na figura 3.5. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 39 Figura 3-5 - Etapas para construção da curva M(V) (BERTRAND-KRAJEWSKI et al, 1998) Por meio de análises gráficas das curvas M(V), (figura 3.5), pode-se identificar a distribuição dos poluentes ao longo do evento, deve-se observar apenas a posição das curvas em relação ao bissetor. Se a curva confunde-se com o bissetor, assume-se que os poluentes são distribuídos uniformemente durante o evento. Quando a curva permanece acima do bissetor, 40 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG há a ocorrência da carga de lavagem, e quando a curva permanece abaixo do bissetor, tem-se a diluição dos poluentes, ou seja, não há a ocorrência de carga de lavagem. (DOTTO, 2006). Visando estudar a ocorrência e a natureza da carga poluidora dos escoamentos urbanos conectados à carga de lavagem, Gnecco et al (2005) utilizaram o método da curva M(V) para o monitoramento de diversos parâmetros de qualidade da água: sólidos suspensos totais, hidrocarbonetos totais, DQO e metais pesados (Zn, Pb, Cu, Ni, Cd, Cr). Os autores verificaram a existência do fenômeno carga de lavagem somente para os sólidos e hidrocarbonetos, enquanto que o comportamento dos metais não foi claro o suficiente. Eles afirmam também que o fator de maior influência na ocorrência da carga de lavagem é a intensidade da precipitação. A figura 3.6 apresenta a análise gráfica do hidrocarbonetos à esquerda e do cobre à direita, evidenciando a presença do first flush para o primeiro parâmetro, e a ausência para o segundo. Figura 3-6 - Exemplo de aplicação da curva M(V), Fonte: GNECCO et al (2005). Segundo Brites (2005), analisando o curso d’água da bacia do arroio Cancela, por meio da metodologia empregada nas curvas M(V), verificou-se que, nos eventos monitorados, a DBO 5 , os sólidos suspensos totais e os coliformes totais e fecais foram os parâmetros que demonstraram maior relação com o fenômeno carga de lavagem. De acordo com o autor, a bacia hidrográfica em questão está localizada na cidade de Santa Maria (18 mil habitantes), Rio Grande do Sul, e possue área de drenagem de 4,95 km². Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 41 Em suma, nota-se que dentro do meio acadêmcio, a curva M(V) é a metodologia mais empregada para as análises de carga de lavagem, haja vista sua fácil aplicação, e sua visualização rápida e clara do resultado. 3.5 Impactos do Escoamento Urbano ao Meio Ambiente 3.5.1 Generalidades A poluição difusa de origem pluvial é um dos maiores problemas enfrentados no meio ambiente urbano, causando impactos extensivos sobre a qualidade das águas superficiais e subterrâneas. Ela é um fator extremamente impactante para diferentes usos da água nas cidades, por exemplo: o sistema de abastecimento de água. O principal componente hidrológico que transporta os poluentes é o escoamento superficial urbano, que resulta da precipitação ou do degelo da neve (LEEDS et al., 1993). A precipitação faz parte de um processo hidrológico natural, no entanto, as atividades humanas, nomeadamente o desenvolvimento urbano e agrícola, provocam mudanças significativas nos padrões das enxurradas que chegam até as águas receptoras. O escoamento urbano pode ser ou é frequentemente uma fonte relevante de poluição das águas, causando diminuição na pesca, natação, e outros atributos benéficos dos recursos hídricos (MENEZES 2004; USEPA 1993). A magnitude do impacto causado pelo lançamento da drenagem urbana depende de fatores como o estado do corpo d'água antes do lançamento, a sua capacidade assimilativa, o fluxo de substâncias tóxicas aportadas, o uso do solo na bacia e o tipo e quantidade de poluente arrastado. Os impactos podem ser divididos em seis grandes categorias: alterações estéticas; depósitos de sedimentos; depleção da concentração de oxigênio dissolvido; contaminação por organismos patogênicos; eutrofização; e danos devido à presença de tóxicos. (CAMPBELL et al 2004; PORTO 1995). A tabela 3.8 apresenta de maneira global os principais impactos físicos, químicos e biológicos atribuídos ao desenvolvimento urbano, e a tabela 3.9 relaciona os principais poluentes do escoamento superficial urbano às suas fontes e aos seus prejuízos causados. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 42 Tabela 3-8 – Categorias dos impactos atribuídos à construção e ao desenvolvimento de atividades humanas ( CLAR et al, 2004) Categoria Tipo de impacto/métrico Volume de escoamento Vazão de pico Regime Hidrológico Prejuízo ou mudança ao uso benéfico Inundação, recarga de aquífero, balanço hidrológico, etc Inundação, erosão do canal, perda de habitat Duração e frequência Erosão do canal, perda de habitat da vazão Recarga de aquífero, Lençol freático, poços artesianos, nível de lençol freático Físico vazão de base, perda de habitat e vazão de base Erosão do canal, depósito de Geometria do canal sedimentos, perda de habitat Geomorfológico Transporte de Degradação, capacidade do canal sedimento Inundação Perda de propriedades Térmico Prejuízo no habitat Aglutinação de locais,refúgio de peixes, Prejuízo ou perda da estrutura do alteração do canal, depósito de habitat, resultando na redução ou Habitat sedimentos, velocidade e profundidade do perdas das condições biológicas e das canal, condições das margens, área de comunidades mata ciliar Condições biológicas e comunidades Taxa total podem ser reduzidas ou eliminadas Ephemeroptera, Plecoptera, taxa de como resultado do prejuízo ou perda Tricoptera (EPT) Biológico de estrutura do habitat causado por % taxa impactos físicos resultantes da % EPT construção e desenvolvimento de atividades. Degradação ou prejuízo da qualidade da água que acarretam em muitas conseqüências negativas: violações da Sedimento, nutrientes, metais, herbicidas Químico água potável, aumento dos custos do e pesticidas, degeladores, patogênicos, (qualidad tratamento da água, fechamento de petróleo, hidrocarbonetos, MTBE, graxa, e da água) praias, redução da pesca, perda do uso e outros tóxicos organo-carbonos do desporto de barcos, redução dos volumes de reservatórios e de lagos devido ao volume do sedimento. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 43 Tabela 3-9 – Principais categorias dos poluentes de escoamento urbano, suas fontes e impactos relacionados (MUTHUKRISHANAN et al 2004, LEEDS et al 1993) Poluente Principais fontes Impactos relacionados Nutrientes: Escoamento urbano, falta de fossa Crescimento de algas, redução da Nitrogênio, séptica, florestas, lavouras, jardins, claridade, baixo nível de oxigênio Fósforo gramados, pomares, rebanhos, dissolvido, prejuízo visual, impacto na fertilizantes, perdas de solo em recreação, prejuízo no abastecimento de construção água Sólidos: sedimento Construções, outros distúrbios e/ou Aumento da turbidez, redução da (limpo e terras não vegetadas, lixiviamento claridade, baixo nível de oxigênio contaminado) de estrada, escoamento urbano, dissolvido, depósito de sedimentos, mineração, madeireiras e erosão da abafamento do habitat aquático incluindo orla costeira locais de desova; sedimento e Toxicidade bentônica Sustâncias Material orgânico biodegradável tal Sufocação ou estresse de peixes adultos, depreciadoras de como: planta, peixe, restos de resultando na mortandade dos peixes; oxigênio animais, folhas, estrume, esgoto, redução na reprodução dos peixes por sólidos de leite, desperdícios na sufocação/estresse de ovos sensíveis e manufatura de alimentos, produtos larvas; morte de larvas aquáticas; aumento químicos da atividade bacteriana aeróbica resultando em gases tóxicos ou em odores ruins muitas vezes associados a corpos d'água poluídos; liberação de partículas poluentes vinculadas Patogênicos: Lixo doméstico e de natureza Riscos à saúde humana via água “potável”, Bactéria, vírus, animal, escoamento urbano, falta de contaminação de áreas de crescimento de protozoários fossa séptica, conexões ilegais de crustáceos e de praias, ingestão ou contatos esgoto, aterro, geração natural acidental. Metais: Processos industriais, mineração, Toxicidade da água e sedimento, Chumbo, Cobre, emissões de automóveis, fluído de bioacumulação em espécies aquáticas e em Cádmio, Zinco, freio, desgastes de freio e pneu, outras espécies através de sua ingestão. Mercúrio, Cromo, telhas e calhas de metal, corrosão, Alumínio escoamento urbano, erosão de solo, e outros deposição atmosférica, solos contaminados. Hidrocarbonetos: Processos industriais, desgaste e Toxicidade da água e sedimento, Óleos e graxas, emissões de automóveis, fluído de bioacumulação em espécies aquáticas e em PAH, naftalenos, freio, vazamento de óleo, outras espécies através de sua ingestão, pirenos combustão. redução de oxigênio dissolvido, impacto na respiração de organismos aquáticos por meio de fechamento das brânquias. Orgânicos: Pesticidas aplicados (herbicidas, Toxicidade dos sedimentos e do lençol Pesticidas, PCBs, inseticidas, fungicidas, etc), freático, bioacumulação em espécies químicos sintéticos processos industriais, jardins, aquáticas e em outras espécies através de viveiros, pomares sua ingestão Ácidos inorgânicos Terras irrigadas, mineração, falta de Toxicidade do sedimento e do lençol e sais(NaCl, HS 2 ) fossa séptica, poços, lixiviamento freático. de estrada, precipitação ácida. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 44 Os impactos promovidos pela poluição difusa podem surtir efeitos tanto em curto prazo quanto em longo prazo (vide figura 3.7). Baseado neste contexto, Valiron e Tabuchi (1992) correlacionaram as conseqüências de curto prazo aos seguintes impactos: • A turbidez ocasionada pelos materiais em suspensão que provocam o assoreamento do leito e a colmatação das zonas de desovas de peixes; • A matéria orgânica que consome o oxigênio dissolvido da água para se oxidar. Esta consumação se acrescenta àquela provocada pela oxidação da amônia contida na água e àqueles depósitos orgânicos colocados em suspensão pela corrente do curso d’água. Finalmente, as taxas de oxigênio na água podem baixar perigosamente e ameaçar a vida aquática; • Os elementos flutuantes, folhas, galhos, detritos levados pela chuva que causam um impacto visual. Segundo os autores, os efeitos de longo prazo são aqueles ocasionados pelos produtos susceptíveis de se acumular na fauna e na flora, notadamente os metais pesados e os micropoluentes orgânicos, realçando os hidrocarbonetos. Globalmente esses impactos perturbam o ecossistema dentro de seus equilíbrios mais complexos e mais íntimos, o que se traduzem em modificações da composição das populações animais e vegetais. Figura 3-7 - Escala do tempo relativa aos impactos causados pelo escoamento superficial urbano. (In: PORTO, 1995) Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 45 3.5.2 Impactos em corpos hídricos Segundo Boisson e Vallais (1998) as águas do escoamento superficial levam aos hidrosistemas, materiais minerais e orgânicos que podem acarretar fenômenos de eutrofização ou efeitos tóxicos. Vinte anos de estudos sobre as águas de enxurrada permitiram caracterizar os seus principais poluentes e os fatores relevantes que controlam as cargas poluidoras. Entretanto, os estudos relativos aos impactos do escoamento urbano sobre os meios aquáticos são pouco numerosos e os resultados relativamente heterogêneos. Os pesquisadores realizaram um estudo sobre os efeitos do escoamento superficial sobre a atividade metabólica (produção primária e respiração) de biofilmes em águas correntes. A pesquisa feita em canal artificial evidenciou um ligeiro aumento da atividade metabólica na presença de pequenos aportes de águas escoadas em vias urbanas, ou seja, ligeiras quedas do nível de oxigênio após eventos chuvosos. Enfim, a amplitude desta resposta é função da taxa de diluição do escoamento urbano no meio receptor e dos teores iniciais de elementos fertilizantes e tóxicos. A figura 3.8 mostra claramente a queda do teor de oxigênio dissolvido (OD) no meio receptor após algumas precipitações. O eixo y é referente ao nível de OD, os triângulos correspondem às chuvas e crue significa cheia. Figura 3-8 - Impacto do escoamento urbano em um meio aquático (In: BOISSON e VALLAIS, 1998). BATTAGLIA et al (2004) reforçam a preocupação da queda de OD em corpos hídricos após precipitações, e alertam para os impactos mais alarmantes em longo prazo para esse tipo de meio receptor, o assoreamento dos cursos d’água e a bioacumulação dos metais pesados. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 46 Os escoamentos urbanos são objeto de diversos estudos que visam caracterizar as diferentes famílias de compostos químicos que neles se encontram. Em virtude da presença de poluentes tóxicos nas águas de enxurrada, os meios aquáticos receptores podem em certas circunstâncias apresentar riscos ecotoxicológicos, (ANGERVILLE et al., 2007). Angerville et al. (2007), apresentaram os primeiros resultados dos efeitos ecotoxicológicos devido às misturas dos três principais metais pesados encontrados no escoamento urbano (Cd/Cu, Zn/Cu e Cd/Zn), todos sob a forma de nitratos e avaliados segundo o teste de toxicidade aguda sobre a Daphnia magna. O teste de inibição da mobilidade da Daphnia magna foi escolhido porque as daphnies (micro crustáceos que se alimentam de algas) são sensíveis aos poluentes metálicos (SANTIAGO et al. 2002 apud ANGERVILLE et al 2007). O teste é o bioensaio mais difundido em ecotoxicidade aquática e constitui uma análise simples, rápida e de baixo custo. Os resultados de Angerville et al. (2007) apresentaram níveis de toxicidade aguda relativamente importantes frente à Daphnia Magna. Eles revelaram também a existência de interações moderadas entres os metais que, na maior parte dos casos, são sinérgicos frente ao organismo testado. Por fim, pode-se concluir que o cobre é o metal mais tóxico, seguido pelo cádmio e por último o zinco. Visto todos esses problemas em corpos hídricos devido ao escoamento superficial urbano, a comunidade européia tem se preocupado bastante com as águas de balneário, haja vista o contato direto dessas com o ser humano. Desta forma, a união européia pretende lançar em breve a “gestão ativa da qualidade sanitária das águas de balneários”, que poderá conduzir a interdições temporárias de praias ao longo de episódios que apresentem risco de poluição com curta duração. O parâmetro chave deste trabalho será a bactéria E.coli. (BLANCHET, F. et al, 2007). O protocolo mencionado anteriormente corrobora a Diretiva Quadro da Água elaborada pelo parlamento da União Européia, lançada em 23 de outubro de 2000. Várias ações foram implementadas por meio dessa diretiva, dentre elas ressalta-se o estabelecimento de um plano de ação comunitária no domínio da política da água, em que foi estabelecido um enquadramento para proteção das águas superficiais continentais, das águas de transição, das águas costeiras e das águas subterrâneas, com o objetivo de se alcançar um bom estado para Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 47 os corpos d’água, no mais tardar, em 2015. Esse documento tornou-se o marco atual sobre o tema: qualidade da água (SOBRAL et al. 2008) 3.5.3 Impactos no solo Dispositivos que facilitam a infiltração do escoamento superficial urbano são usados em muitas cidades para reduzir a vazão de pico, assim como para recarregar o aqüífero subterrâneo. Entretanto, deve-se considerar o risco de contaminação do lençol freático, uma vez que essas estruturas de infiltração não são usualmente projetadas para a retenção de poluentes, tais como: metais pesados e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA). (ARYAL et al, 2005). Preocupados com essa possível contaminação do solo, Dierkes e Geiger (1998) analisaram a presença ou não de metais pesados (Pb, Zn, Cu, Cd) e hidrocarbonetos nas áreas adjacentes a cinco estradas alemãs. Eles verificaram também a influência do tráfego nos níveis destes poluentes. A tabela 3.10 apresenta as concentrações dos elementos supracitados de acordo com a profundidade e a distância para a margem da estrada. Tabela 3-10 - Concentrações de metais pesados e HPA em solos adjacentes a estradas com diferentes distâncias e profundidades (DIERKES e GEIGER, 1998) Ano Prof. Dist. Pb Zn Cu Cd HPA Estrada Trafego Const. Veic/dia 1 107.600 1981 2 93.700 1978 3 78.000 1986 4 79.900 1973 5 52.000 - cm 0-5 5-10 10-30 0-5 0-5 0-5 0-5 0-5 5-10 10-30 0-5 5-10 10-30 0-5 5-10 10-30 0-5 5-10 10-30 m 0,5 0,5 0,5 0,3 2 5 10 2 2 2 0,75 0,75 0,75 2 2 2 0,75 0,75 0,75 mg/kg 239 202 34 213 220 141 65 81 69 67 276 130 54 290 348 27 71 53 18 mg/kg 413 78 31 121 95 42 27 174 141 114 759 303 112 1580 1630 138 187 120 69 mg/kg 3,9 3,5 2,7 3,4 3,0 2,0 1,8 25 20 11 268 69 24 167 155 23 40 42 24 mg/kg 6,7 11,3 5,3 16,6 9,4 9,4 2,1 2,0 1,9 1,1 4,3 2,6 2,5 5,6 8,5 3,1 2,2 2,5 - mg/kg 150 110 57 190 74 62 36 5,3 7,0 5,0 <2,1 <2,1 <1,6 23,0 16,9 <1,6 2,5 <1,9 <1,7 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 48 Segundo Dierkes e Geiger (1998), os solos adjacentes às estradas são altamente afetados pelo tráfego de veículos. As maiores concentrações no solo foram encontradas para o chumbo e zinco, sendo esse último, em média, o mais presente. Eles verificaram, por meio de amostragem automática do escoamento e amostragem manual do solo, que as águas de enxurrada conduziram a níveis significativos de poluentes nos solos. Entretanto, deve-se considerar também que os períodos secos anteriores às precipitações influenciaram os valores destas cargas. Por fim, para Dierkes e Geiger (1998), as capacidades de absorver poluentes dos solos analisados permaneceram ainda elevadas, haja vista os elevados índices de matéria orgânica e da quase neutralidade do pH em todos os locais amostrados. Os autores afirmam também que a lixiviação dos metais é limitada. Entretanto, devido à acumulação especial do cádmio, esse poderia ser transportado em maiores profundidades ao longo do tempo e variando conforme o meio químico. A descoberta dos metais em pontos mais distantes ou profundos não é esperada em um futuro próximo, mas para impedir a contaminação do lençol freático a longo prazo, aconselha-se remover o solo após um determinado período em que as capacidades de amortecimento dos metais forem excedidas. A acumulação dos HPA ocorreu basicamente nos 10 centímetros iniciais do solo devido à baixa biodegradação, mas eles são conhecidos por penetrarem bem nos solos. Barraud et al (2004) estudaram a poluição dos solos em bacias de infiltração das águas do escoamento urbano. Nesse estudo, quatro bacias da região de Lyon (França) foram selecionadas e amostradas. Ao total, 66 amostras de solo foram analisadas. Para cada amostra os seguintes parâmetros foram verificados: pH, distribuição granulométrica, carbono orgânico total, nitrogênio total, fósforo total, metais, hidrocarbonetos totais e HPA. As quatro bacias tinham idade, tamanho e ocupação variados, a tabela 3.11 apresenta as características de cada uma das bacias de infiltração. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 49 Tabela 3-11 - Características das bacias analisadas (BARRAUD et al, 2004) Bacia Homme Centre Routier Idade Área (anos) (ha) 21 15 33,7 2,7 Uso do solo Condutividade hidráulica inicial (m/s) Urbana mista Pátio de 3 x10 −4 3 x10 −4 caminhões Chene Pivolles 12 10 74 50 Urbana mista Urbana mista 10 −4 3 x10 −3 As análises das amostras de solo mostraram comportamento homogêneo em todas as bacias. As concentrações de poluentes decrescem rapidamente com a profundidade, enquanto que o pH, a mineralização e o tamanho dos grãos aumentam. Os poluentes chumbo, zinco, cádmio, cobre e hidrocarbonetos se mostraram particularmente importantes. Os traços remanescentes dos poluentes foram localizados em sua maioria até 30 a 40 cm de profundidade. A exceção foi o zinco que é um metal muito móvel e muito solicitado nos pontos de entrada das bacias. Os autores relatam que os poluentes frequentemente atingem profundidades maiores no solo, mas mesmo depois de 21 anos de operação, a poluição não ultrapassou os 50 cm. Entretanto, todas essas bacias se encontram no ambiente fluvioglacial. Portanto, deve-se ter bastante precaução ao se fazer extrapolações. A figura 3.9 mostra as variações da concentração do chumbo nas entradas e saídas das bacias, juntamente com a concentração máxima aceita pela legislação francesa, exemplificando assim a pesquisa realizada por Barraud et al (2004). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 50 Figura 3-9 - Perfis das concentrações de chumbo conforme o solo de cada bacia, (In: BARRAUD et al, 2004). Enfim, a grande maioria das pesquisas indicam que em curto a médio prazo a contaminação dos solos por meio do favorecimento da infiltração do escoamento superficial não ultrapassa os primeiros 10 cm de profundidade (RUPERD e LAVEAU 2001; BARRAUD et al 1998; HUTTER et al 1998), haja vista, a constatação feita por Hutter et al (1998), a qual mostrou que mesmo após 31 meses de funcionamento de uma bacia de infiltração, o grau de contaminação do solo pelo zinco ultrapassou consideravelmente o limite ambiental alemão somente nos primeiros 10 cm de profundidade, lembrando que o zinco é o metal de maior mobilidade. A figura 3.10 ilustra essa verificação. Figura 3-10 - Mobilização do zinco em solo abaixo de uma bacia de infiltração, (In: HUTTER et al 1998). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 51 3.6 Infiltração da Água da Chuva no Solo 3.6.1 O processo de infiltração Infiltração é a passagem de água da superfície para o interior do solo. Portanto, é um processo que depende fundamentalmente da água disponível para infiltrar, da natureza do solo, do estado da sua superfície e das quantidades de água e ar, inicialmente presentes no seu interior. À medida que a água infiltra pela superfície, as camadas superiores do solo vão-se umedecendo de cima para baixo, alterando gradativamente o perfil de umidade. Enquanto há aporte de água, o perfil de umidade tende à saturação em toda a profundidade, sendo a superfície, naturalmente, o primeiro nível a saturar. Normalmente, a infiltração decorrente de precipitações naturais não é capaz de saturar todo o solo, restringindo-se a saturar, quando consegue, apenas as camadas próximas à superfície, conformando um perfil típico onde o teor de umidade decresce com a profundidade. Ao final do aporte de água, o perfil de umidade se inverte. Sendo que, parte desta umidade não drena para as camadas mais profundas do solo, uma vez que parte dela é transferida para a atmosfera por evapotranspiração (SILVEIRA et al, 2007). Nesse sentido, o ciclo hidrológico é de fundamental importância para o processo, pois descreve a seqüência da transferência de água proveniente da precipitação para as água superficiais e subterrâneas, para o armazenamento e escoamento superficial (runoff) e para o eventual retorno à atmosfera pela evapotranspiração. Parte da água da chuva cai diretamente no solo, outra parte é interceptada pela cobertura vegetal, ou chega até o solo através do gotejamento das folhas e pelo fluxo do tronco (stemflow). Essa água que chega ao solo, diretamente pelo impacto das gotas ou indiretamente após ser interceptada pela cobertura vegetal, é que vai infiltrar no solo. A água pode tomar vários caminhos: primeiro causa o splash, depois se infiltra, aumentando o teor de umidade, podendo saturar o solo, e, finalmente pode se armazenar nas irregularidades do solo, formando as poças que eventualmente poderão o início ao escoamento superficial (GUERRA, 2005). Nota-se, portanto, que o conhecimento sobre a infiltração da água da chuva no solo é essencial para o bom entendimento de técnicas compensatórias que se valem do uso da infiltração, bem como de contaminação do solo por meio de águas poluídas. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 52 3.6.2 Capacidade de infiltração O conceito de capacidade de infiltração é aplicado no estudo da infiltração para diferenciar o potencial que o solo tem de absorver água pela sua superfície, em termos de lâmina por tempo, da taxa real da infiltração que acontece quando há disponibilidade de água para penetrar no solo (SILVEIRA et al, 2007). Segundo Hillel (1980) a taxa de infiltração e suas variações com o tempo é dependente da umidade e sucção, bem como textura, estrutura e uniformidade do perfil. Geralmente, a esta taxa é máxima nos primeiros estágios da infiltração, devido à condição não-saturada do solo, mas tende a decrescer e aproximar da velocidade constante, no qual freqüentemente termina na capacidade final de infiltração, onde se adota como estado uniforme de infiltrabilidade. A figura 3.11 apresenta a variação da taxa de infiltração ao longo do tempo. O autor afirma também que o decréscimo da taxa de infiltração em alguns casos pode resultar em deterioração gradual da estrutura do solo e conseqüentemente no selamento parcial do perfil de formação. Por fim, o decréscimo da taxa de infiltração resulta em um inevitável decréscimo do gradiente da matriz de sucção, o qual ocorre como produto da infiltração. Figura 3-11 - Variação da taxa de infiltração de uma chuva no solo ao longo do tempo, Fonte: HILLEL, 1980. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 53 3.6.3 Perfil de umidade do solo durante a infiltração Segundo Rawls et al. (1993), a distribuição da água em um perfil de solo uniforme, submetido a uma pequena carga hidráulica na superfície (H0), pode ser representada esquematicamente pela Figura 3.12. No perfil de umedecimento do solo distinguem-se quatro zonas: a de saturação, a de transição, a de transmissão e a de umedecimento. • A zona de saturação localiza-se imediatamente abaixo da superfície do solo e é normalmente uma camada estreita com espessura de aproximadamente 1,5 cm, em que o solo encontra-se saturado. • A zona de transição é uma camada caracterizada pelo decréscimo acentuado da umidade, com espessura em torno de 5 cm. • A zona de transmissão é a região do perfil através da qual a água é transmitida. Enquanto todas as outras zonas permanecem com espessura praticamente constante, esta zona aumenta continuamente com a aplicação de água. Esta camada é também caracterizada por uma pequena variação da umidade em relação ao espaço e ao tempo. • A zona de umedecimento é uma região caracterizada por uma camada normalmente estreita, mas com grande redução na umidade com o aumento da profundidade. A frente de umedecimento é o limite visível da movimentação de água no solo, na qual existe elevado gradiente hidráulico devido à variação abrupta da umidade, sendo este mais acentuado em solos inicialmente muito secos. Figura 3-12 - Perfil de umidecimento do solo durante a infiltração (θi é a umidade inicial do solo e θs, a umidade do solo correspondente à saturação), Fonte: BRANDÃO, 2002. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 54 3.6.4 Fatores que intervêm na infiltração A infiltração é um processo que depende, em maior ou menor grau, de diversos fatores, dentre os quais destacam-se os descritos nos itens a seguir: i) Características do solo A textura e a estrutura influenciam o escoamento da água no solo, uma vez que determinam os macroporos presentes no perfil do solo, determinando a condutividade hidráulica do meio. Solos de textura grossa, ou seja, solos arenosos possuem maior quantidade de macroporos do que solos de textura fina (argilosos) e, conseqüentemente, apresentam maiores condutividade hidráulica e taxa de infiltração. Por outro lado, solos argilosos bem estruturados, ou com estrutura estável, podem apresentar maiores taxas de infiltração do que os solos com estrutura instável, que sofrem dispersão quando umedecidos ou submetidos a algum agente desagregador. A estabilidade dos agregados é determinada pelos chamados agentes cimentantes, que são representados principalmente pela matéria orgânica e pelos óxidos de Fe e Al. Desta forma, à medida que aumenta a presença destes compostos no solo, maior é a possibilidade deste apresentar uma estrutura mais estável (SILVA e KATO, 1997). Rawls et al. (1993) apresentam valores indicativos da taxa de infiltração para solos de diferentes classes texturais sob condições de cultivo e pastagem (Tabela 3.12). Tabela 3-12 - Taxas de infiltração estável para solos de diferentes classes texturais. (RAWLS et al. 1993) Textura de solo Areia franca Franco arenoso Franco Franco siltoso Franco argiloso Franco argilo siltoso Argila Taxa de infiltração estável (mmh-1) Cultivo Pastagem 38,1 – 94,0 38,1 – 111,8 17,8 – 30,5 30,5 – 38,1 10,2 – 27,9 25,4 – 63,5 5,1 – 48,3 10,2 – 91,4 1,2 – 25,4 15,2 – 25,4 7,6 – 33,0 7,6 – 33,0 5,1 27,9 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 55 ii) Tipo de cobertura do solo A manutenção da cobertura vegetal aumenta a macroporosidade da camada superficial e protege os agregados do impacto direto das gotas da chuva sendo, desta forma, capaz de manter altas taxas de infiltração e diminuir consideravelmente as perdas de água e solo. Oliveira (2000) avaliou a taxa de infiltração da água em um solo com diferentes tipos de cobertura utilizando um simulador de chuva com intensidade de aplicação de 70 mm/h. (tabela 3.13). Ao se analisar os resultados, fica evidente que os maiores valores foram observados para as condições com cobertura vegetal, ressaltando-se as parcelas com mucuna e vegetação espontânea. O autor atribuiu esse comportamento às características do sistema radicular da mucuna e da vegetação espontânea. Durante o crescimento das raízes, criaram-se canais que favoreceram o movimento da água no perfil. Ele ressalta também que o número de plantas nas unidades experimentais com vegetação espontânea era apreciavelmente superior ao daquelas com mucuna. Em conseqüência, pode ter existido uma maior quantidade de canais biológicos, responsáveis pela maior taxa de infiltração neste tratamento. Tabela 3-13 - Taxa de infiltração estável em função do tipo de cobertura do solo (adaptado de OLIVEIRA, 2000) Cobertura Sem cobertura Vegetação espontânea Mucuna Milho Taxa de infiltração estável (mmh-1) 27,5 47,6 45,7 32,5 iii) Presença de encrostamento superficial O encrostamento superficial, causado pelo impacto direto das gotas da chuva (splash), é de ocorrência comum, sendo um fenômeno de selamento parcial do perfil da formação. A superfície do solo apresenta-se compactada e, embora a espessura da camada de encrostamento superficial possa ser pequena, seu efeito influencia as condições de infiltração em virtude da alteração das propriedades físicas do meio poroso. Segundo Portilho (2003) a seqüência de eventos envolvidos no processo de formação do encrostamento superficial pode ser resumidamente descrita da seguinte forma: quebra dos agregados de solo pelo impacto das gotas de chuva; movimento das partículas finas e dispersas ao longo de poucos centímetros abaixo da superfície e sua deposição nos poros do Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 56 solo; compactação da camada superficial do solo pelo impacto das gotas d’água, produzindo uma camada delgada de solo expressivamente adensada; e deposição do material fino em suspensão, com a conseqüente orientação das partículas de argila. A ocorrência de encrostamento no solo não depende somente das características da superfície do solo, como textura, estrutura e presença de cobertura vegetal, mas também das características da chuva. Dentre estas, as mais utilizadas para caracterizar o encrostamento são a intensidade da chuva, o diâmetro médio e a velocidade final da gota. No entanto, a energia cinética das gotas tem-se tornado, nos últimos anos, a propriedade mais comumente associada com a formação do encrostamento superficial. Experimentalmente, verifica-se que o acúmulo da energia cinética resulta em uma redução progressiva da condutividade hidráulica do solo (SILVA e KATO, 1998). iv) Características da água A condutividade hidráulica, fator primordial para se saber a capacidade de infiltração de um solo, depende das propriedades do material poroso e do fluido. Experimentalmente verifica-se que, para um material poroso rígido, a condutividade hidráulica (K) pode ser obtida pela equação 3.2. K =k ρg µ (3.2) onde: k é a permeabilidade intrínseca do solo (depende somente do meio poroso); ρ é a massa específica da água; µ é a viscosidade dinâmica da água e g é a aceleração da gravidade. O último parâmetro da equação 3.2, que aglomera a viscosidade dinâmica da água, a aceleração da gravidade e a massa específica da água, pode ser chamado também de fator de fluidez. E segundo Reichardt (1996), ele é afetado pela temperatura, pressão e concentração de sais solúveis. Portanto, à medida que a temperatura da água aumenta, a viscosidade da água diminui, aumentando conseqüentemente, a condutividade hidráulica do solo. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 57 3.7 Princípios de Sedimentação A sedimentação é um processo físico de separação de partículas sólidas com densidade superior à do líquido circundante. Dentro de uma bacia de detenção, onde a velocidade horizontal da água é baixa, a influência da gravidade provoca a tendência das partículas se dirigirem para o fundo da estrutura. Como conseqüência, o líquido sobrenadante torna-se clarificado, enquanto as partículas no fundo formam uma camada de lodo, e são removidas conjuntamente com ele. Os estudos de caracterização dos escoamentos superficiais urbanos evidenciam que os poluentes relacionados (DQO, DBO 5 , hidrocarbonetos, metais pesado, etc) são principalmente fixados sobre os materiais em suspensão (HUMBEL et al, 2004). Ressalta-se assim, a importância de se compreender o processo de sedimentação em bacias ou valas de detenção. 3.7.1 Tipos de sedimentação Segundo Von Sperling (1996) existem basicamente quatro tipos distintos de sedimentação para o tratamento de águas residuárias. A tabela 3.14 apresenta a descrição e exemplos de aplicação destes quatro gêneros. O autor ressalta que é provável que durante uma operação de sedimentação mais de um tipo ocorra em um dado tempo, sendo mesmo possível que os quatro ocorram simultaneamente. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 58 Tabela 3-14 – Tipos de sedimentação observados no tratamento de águas residuárias (In: VON SPERLING, 1996) Tipo Discreta Floculenta Descrição Exemplo de aplicação As partículas sedimentam-se, mantendo a sua identidade, ou seja, não se aglutinam. Desta forma, são conservadas as suas propriedades físicas, tais como forma, tamanho e densidade. As partículas aglomeram-se à medida que sedimentam. As características são alteradas, com o aumento do tamanho (formação de flocos) e, em decorrência, da velocidade de sedimentação. Caixa de areia, valas de detenção. Decantadores primários. Parte superior dos decantadores secundários. Flocos químicos no tratamento físico-químico. Zonal Quando se tem uma elevada concentração de Decantadores sólidos, forma-se um manto que sedimenta secundários como uma massa única de partículas (as partículas tendem a permanecer numa posição fixa com relação às partículas vizinhas). Observa-se uma nítida interface de separação entre a fase sólida e a fase líquida, e o nível da interface se move para baixo como resultado da sedimentação da manta de lodo. Neste caso, é a velocidade de sedimentação da interface que é utilizada no dimensionamento dos decantadores. Compressão Caso a concentração de sólidos seja ainda Fundo de decantadores mais elevada, a sedimentação pode ocorrer secundários. apenas por compressão da estrutura das Adensadores por partículas. A compressão ocorre devido ao gravidade peso das partículas, constantemente adicionadas como resultado da sedimentação das partículas situadas no líquido sobrenadante. Com a compressão, parte da água é removida da matriz do floco, reduzindo o seu volume. 3.7.2 Leis físicas que regem a sedimentação O comportamento da sedimentação das partículas discretas dentro de uma vala de detenção podem ser explicadas pelas leis clássicas de Newton e Stokes. De acordo com Urbonas e Stahre (1992), para partículas esféricas sedimentando através de um líquido, Newton sugere a equação 3.3, para definir a velocidade limite de queda. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 59 vs = 4dg (rp − rv ) 3C D rv (3.3) onde: vs = velocidade de queda da partícula (m/s); d = diâmetro da partícula (m); rp = densidade da partícula (kg/m³); rv = densidade do fluído (kg/m³), g = aceleração da gravidade (m/s²) e C D = coeficiente de arraste da partícula. O coeficiente de arraste dependerá se o fluxo em torno da partícula é laminar ou turbulento, fato esse, associado ao número de Reynolds de Arraste (equação 3.4). Caso esse número seja menor que 0.3, C D pode ser definido pela equação 3.5. Re = v r drv (3.4) µ Onde: µ = viscosidade cinemática do fluído (m²/s) CD = 24 Re (3.5) Substituindo a equação 3.4 na equação 3.5 e combinando com a fórmula de Newton para velocidade de queda da partícula esférica (equação 3.3), obtem-se a lei de Stoke, (equação 3.6). vs = d 2 g (rp − rv ) 18µ (3.6) Os autores ressaltam a proporcionalidade entre a velocidade de queda da partícula e o quadrado do diâmetro da partícula, pois este fato é bem relevante para uma remoção mais rápida dos sólidos suspensos. Uma vez que, triplicado o diâmetro da partícula, a sua velocidade de sedimentação aumenta nove vezes. 3.7.3 Conceito do tanque de sedimentação de fluxo horizontal ideal De acordo com os tipos de sedimentação existentes, nota-se que dentro de uma vala de detenção haverá a sedimentação discreta, comportamento esse verificado também em um Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 60 tanque de sedimentação de fluxo horizontal. Dessa forma, mostra-se muito relevante para pesquisas com valas compreender o funcionamento deste tanque. Segundo Von Sperling (1996), a primeira premissa considerada para a análise da sedimentação discreta em um tanque de fluxo horizontal é considerar que a velocidade de escoamento horizontal seja constante. A figura 3.13 ilustra as zonas representativas deste tanque ideal. Figura 3-13 - Representação esquemática das zonas de um tanque de sedimentação horizontal (adaptado de VON SPERLING, 1996) As outras hipóteses assumidas pelo autor para a análise teórica da sedimentação são as seguintes: • Na zona de entrada as partículas estão uniformemente distribuídas • As partículas que tocam a zona de lodo são consideradas removidas • As partículas que atingem a zona de saída não são removidas por sedimentação As considerações teóricas são relativas à zona de sedimentação, haja vista que é nesta zona que ocorre de fato todo o processo. A figura 3.14 apresenta as principais dimensões que devem ser consideradas neste caso. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 61 Figura 3-14 - Dimensões da zona de sedimentação (adaptado de VON SPERLING, 1996) ( H = altura, B = l arg ura, L = comprimento, A = área _ sup erficial _ do _ fundo) O tanque de sedimentação ideal, com velocidade horizontal constante, apresenta uma sedimentação discreta idêntica à que ocorreria numa coluna de sedimentação (VON SPERLING, 1996). A figura 3.15 mostra esta semelhança. Figura 3-15 - Sedimentação discreta de uma partícula em uma coluna de sedimentação e em um tanque horizontal. (In: VON SPERLING, 1996). A partir da segunda lei de Newton, pode-se afirmar que o tempo (t) gasto pela partícula para atingir o fundo da coluna de sedimentação é dado pela equação 3.7. E o tempo gasto no tanque ideal é fornecido pela equação 3.8. t= H vs (3.7) t= V H .A = Q Q (3.8) Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 62 onde v s é a velocidade de queda da partícula (m/s), H é altura de queda (m), A é a área superficial no fundo do tanque (m²), Q é a vazão de entrada (m³/s) e t o tempo gasto (s). Combinando-se as duas equações anteriores, tem-se a equação 3.9. vs = Q A (3.9) Analisando a equação 3.9, nota-se a sua importância em termos de dimensionamento dos tanques de sedimentação. Portanto, conhecendo-se a vazão a ser tratada e objetivando-se remover partículas com velocidades inferiores a v s , obtém-se a área superficial necessária. Em suma, a equação anterior mostra que para a remoção de partículas discretas os parâmetros fundamentais são a área superficial (A) e a vazão (Q). 3.8 Remoção de Poluentes por meio de técnicas compensatórias A intensa preocupação dos ambientalistas com a redução da poluição ligada ao escoamento urbano influenciou a prática de dispositivos alternativos de tratamento das águas de enxurrada. Diversas técnicas compensatórias estão hoje disponíveis para combater a poluição difusa de origem viária. Considerando a natureza majoritariamente particular desta poluição, a sedimentação e a infiltração constituem-se como os procedimentos mais utilizados para redução dos impactos ambientais (DALIGAULT et al., 1998). Segundo Baptista et al. (2005), técnicas compensatórias são tecnologias que buscam neutralizar os efeitos da urbanização sobre os processos hidrológicos, com benefícios para a qualidade de vida e a preservação ambiental. Os autores destacam que essas técnicas se apresentam como alternativas em relação às soluções clássicas de drenagem urbana porque consideram os impactos da urbanização de forma global, tornando a bacia hidrográfica como base de estudo, buscando compensar, sistematicamente os prejuízos causados pela urbanização. Tal compensação é efetuada pelo controle da produção de excedentes de água decorrentes da impermeabilização e evitando-se sua transferência rápida para jusante. Reforçando a idéia de Daligaut et al. (1998), Gromaire-Mertz et al. (1998) afirmam que sistemas tradicionais de drenagem parecem ser insuficientes e demasiadamente caros para gerenciar os escoamentos gerados pelas chuvas, tornando-se necessário intervir em todos os Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 63 níveis do ciclo urbano da água, de modo a reduzir o volume do escoamento superficial e sua poluição. Portanto, o desenvolvimento de tecnologias alternativas surge como meio de controlar a poluição difusa. Nesse sentido, o monitoramento da qualidade das águas escoadas nos centros urbanos e daquelas evacuadas por sistemas de detenção e infiltração tem papel fundamental para o estudo da eficiência da remoção de poluentes por meio destas técnicas (MILANO et al. 2004). 3.8.1 Remoção por meio de sistemas de detenção Sabendo-se que os sólidos suspensos totais (SST) são de longe o maior poluente encontrado no escoamento superficial urbano, Li e Pyatt (2004) analisaram a eficiência de uma bacia de detenção de grande porte, tendo em conta o período de detenção de projeto, vinte e quatro horas. Os resultados mostraram que um dispositivo deste porte apresenta uma eficiência média muito alta, em torno de 90%. Eles atribuem esta boa performance à floculação dos sedimentos finos. Entretanto, deve-se ressaltar a verificação de altas concentrações de sólidos no efluente da bacia de detenção em alguns eventos, fato esse, que pode acarretar em danos ecológicos. Os autores encontraram também uma razoável proporcionalidade entre a precipitação total e a concentração média por evento (CME) de SST. A tabela 3.15 apresenta os resultados encontrados nesta pesquisa. Tabela 3-15 – Eficiência na remoção de SST em uma bacia de detenção de grande porte (adaptado de LI e PYATT, 2004) Evento 14/09/02 20/09/02 27/09/02 02/10/02 19/10/02 02/05/03 05/05/03 11/05/03 20/05/03 Precipitação total (mm) 29,6 20,6 18,0 9,80 13,0 6,80 9,00 14,2 10,8 CME entrada (mg/l) 2761,8 8484,9 2591,1 2797,2 657,89 279,81 753,68 1613,98 863,84 CME saída (mg/l) 276,61 26,51 74,88 7,240 28,51 37,52 35,18 223,54 100,41 Remoção (%) 90 100* 97 100* 96 87 95 86 88 *valor aproximado USEPA (2008) efetuou uma análise mais ampla na eficiência de remoção de diversos poluentes (Metais, SST, Fósforo Total e Nitrogênio Total) por meio de uma bacia de Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 64 detenção. Os padrões de projeto deste dispositivo seguiram as recomendações da Sociedade Americana de Engenheiros Civis. A tabela 3.16 mostra todos os resultados desta avaliação de dados obtidos entre os anos de 1999 e 2008. Os autores ressaltam que poluentes com concentrações em níveis muito baixos são extremamente complicados de serem removidos por meio de detenção, sejam eles quais forem. Tabela 3-16 – Avaliação da eficiência média de uma bacia de detenção (adaptado de USEPA 2008) Concentração média do evento Poluente entrada saída Remoção SST (mg/l) 72,65 31,04 57% Cádmio( µ g/l) 0,71 0,47 34% Cobre ( µ g/l) 20,14 12,10 40% Cromo ( µ g/l) 7,36 3,18 57% Chumbo ( µ g/l) 25,01 15,77 37% Zinco ( µ g/l) 111,56 60,20 46% Fósforo total (mg/l) 0,19 0,19 0% Nitrogênio total (mg/l) 1,64 1,43 13% HPA ( µ g/l)* 50% *Crabtree et al. (2004) Crabtree et al. (2005) estudaram a eficiência de remoção dos tanques de sedimentação, estrutura muito semelhante à vala de detenção utilizada na presente pesquisa. Segundo os pesquisadores, tal dispositivo apresentou uma redução dos níveis de metais de 13% a 64%, e para os sólidos suspensos totais (SST) uma redução de 43%. No caso dos SST, deve-se ressaltar que a possibilidade da ressuspensão de sedimentos depositados anteriormente em um dispositivo de detenção pode acarretar em aumento da carga de sedimento à saída dessa estrutura, ou seja, uma diminuição na eficiência da remoção de SST por meio de uma vala de detenção, por exemplo. Enfim, os sistemas de detenção apresentam uma remoção média dos poluentes encontrados no escoamento urbano, em torno de 40% a 60%. Ressalta-se, entretanto, que a taxa de aplicação hidráulica é fator preponderante para a variação dos valores de remoção destes dispositivos. 3.8.2 Remoção por meio de sistemas de infiltração Segundo Pratt et al. (1995), a utilização de sistemas de infiltração em áreas urbanas existe há várias décadas em diversas parte do mundo. A introdução desta prática foi realizada para Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 65 forçar a infiltração dos escoamentos superficiais, tendo como principal objetivo a redução da vazão de pico das enxurradas. Entretanto, os autores destacam também a boa eficiência desses sistemas no que tange à remoção de poluentes. Para Urbonas e Stahre (1993) e Sansalone e Buchberger (1995) os principais dispositivos de infiltração em meios urbanos são os pavimentos permeáveis e as trincheiras de infiltração, em razão do baixo custo e da facilidade de implantação. A durabilidade destas técnicas pode chegar até 15 ou 20 anos. (PRATT et al., 1995). Em termos de potencial de remoção de poluentes, os pavimentos permeáveis e as trincheiras de infiltração se equivalem. A tabela 3.17 apresenta a eficiência na remoção dos principais poluentes presentes no escoamento urbano por meio dessas duas técnicas. Tabela 3-17 – Eficiência na remoção de poluentes por meio de pavimento poroso e trincheira de infiltração. Remoção de poluentes Dispositivo DQO*** SST* Ptotal** NTK** Metais* DBO** Bacteria** HPA* Pavimento n/c 90–100% 65% 75-85% 20–100% 80% n/c n/c poroso Trincheira de 85-100% 70-100% 0-75% 0-70% 70–100% 0-90% 75-98% 80-100% infiltração * Sansalone e Buchberger (1995) ** Urbonas e Stahre (1993) *** Kim et al. (2007) n/c = valor não conhecido Balades et al. (1998) analisaram a retenção dos poluentes de uma trincheira de infiltração, que está inserida em uma área de drenagem de 6.767 m² ao sul da França (Bordeaux) e cuja a permeabilidade do solo corresponde a 10 −6 m/s. Eles estudaram diversos metais (Pb, Cu, Cd, Cr, Ni, Zn, Fe, Mn) e hidrocarbonetos totais (HC). Os pesquisadores destacam o poder de retenção de poluentes (tabela 3.18) e de durabilidade do geotêxtil, o qual após oito anos de uso sem manutenção alguma, se encontra colmatado unicamente na proximidade imediata da via. Os resultados desta pesquisa mostraram que o contaminante mais influente é notadamente o chumbo, seguido em uma menor proporção pelo cromo, zinco e níquel, metais esses, provenientes dos desgastes de freios e do pavimento. Lembrando que tais poluentes são Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 66 fixados sobretudo às partículas de finos. A tabela 3.18 mostra os resultados das amostras compostas realizadas à entrada e à saída da trincheira. Tabela 3-18 – Retenção de metais e hidrocarbonetos por meio de trincheira de infiltração (adaptado de BALADES et al. 1998, CERTU 1998) Ponto Entrada Concentrações de metais (mg/kg) Cr Ni Zn Fe Pb Cu Cd 420 63 0,78 37 17 232 Saída da 34,8 5 0,03 26 9,2 trincheira Remoção 92% 92% 96% 30% 46% da Mn HC 12,2 178 284 18 4,5 21 <0,7 92% 63% 88% 100% trincheira De acordo com Kim et al. (2007), a remoção de sólidos suspensos totais (SST) e de chumbo (Pb) através de uma trincheira é bastante influenciada pela precipitação total, haja vista que os autores encontraram remoções de 98% (SST) e 99% (Pb) para precipitações abaixo de 12mm e de 40% (SST) e 58% (Pb) para precipitações em torno de 48,5mm. Ressalta-se que o estudo realizado pelos autores foi em uma pequena área de drenagem, aproximadamente 0,5 ha, correspondente à uma estrada local Por fim, sabe-se que as trincheiras de infiltração removem até 90% de sedimentos, metais, coliformes e matéria orgânica, e até 60% de fósforo e nitrogênio presentes no escoamento urbano, (SCHUELER, 1987 apud KIM et al. 2007). 3.8.3 Remoção por meio da combinação do processo de sedimentação seguido por infiltração Van Dijk e Jacobs (1998) perceberam a necessidade de se melhorar os sistemas de drenagem separadores em Amsterdam, haja vista o alto grau de contaminação do escoamento urbano de origem pluvial. Uma alternativa consistia em tratar a água pluvial localmente. Portanto, eles testaram a eficácia de uma bacia de sedimentação combinada com um colchão filtrante, para o tratamento das águas escoadas em uma área de drenagem urbana de 2,37 ha. Os resultados mostraram que a bacia de sedimentação pode ser muito eficiente como alternativa para melhorar os sistemas de drenagem separadores, uma vez que, a redução de Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 67 sólidos suspensos totais, metais pesados, HPA e nutrientes foi considerável. O acréscimo do colchão filtrante serviu como um refinamento do tratamento, para as reduções de nutrientes, metais pesados e HPA, devido o processo de desnitrificação ligado ao colchão. A tabela 3.19 apresenta as remoções dos poluentes supracitados por meio da combinação dos sistemas de sedimentação e filtração. Ressalta-se a melhor eficiência da bacia de sedimentação neste caso, exceto para o fósforo total. Tabela 3-19 – Remoção de poluentes por meio da combinação de uma bacia de sedimentação e um colchão drenante (In: VAN DIJK e JACOBS, 1998) Poluentes Sólidos suspensos Nitrogênio total Fósforo total Cobre Chumbo Zinco PAH Bacia de Remoções Colchão filtrante Sistema total sedimentação 76% 64% 27% 81% 87% 83% 85% 45% 51% 43% 82% 69% 0% 40% 87% 82% 58% 97% 96% 83% 91% Os colchões filtrantes, utilizados para o tratamento das águas servidas, tornam-se atualmente uma alternativa interessante para o tratamento e a retenção das águas pluviais. Com base neste contexto, Giroud et al. (2007) estudaram a eficiência da combinação de um decantador seguido de um colchão filtrante, para a remoção de sólidos, DQO, zinco, chumbo, cádmio e hidrocarbonetos totais.. O sistema apresentado anteriormente trata as águas escoadas por uma bacia hidrográfica de 2,8 ha, dos quais 2,0 ha correspondem às vias urbanas. Segundo os autores, o tráfego médio desta área é de 18.000 veículos/dia. Os resultados evidenciaram a eficácia do sistema decantador mais filtro para o tratamento das águas pluviais. Apesar da grande variação das concentrações, ligadas à natureza dos escoamentos superficiais, e das incertezas, ligadas ao modo de amostragem, os abatimentos da poluição sempre foram significativos, com rendimentos médios bem satisfatórios, iguais ou superiores àqueles observados para outras técnicas (filtros de areia, wetlands artificiais, etc.). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 68 A tabela 3.20 mostra as concentrações médias na entrada e na saída do sistema e o abatimento percentual da carga poluidora. Tabela 3-20 – Análises das cargas de entrada e saída do sistema decantador seguido por um filtro e o abatimento da poluição. (adaptado de GIROUD et al. 2007) Parâmetros SST DQO (mg/l) (mg/l) Entrada 431 149 Saída 18 42 Abatimento 95% 69% HC Zn (mg/l) ( µ / l ) 5,0 258 0,8 51 82% 78% Pb Cd (µ /l ) 22,8 4,1 81% (µ /l ) 2,3 1,1 25% Giroud et al. 2007 destacam que o papel de retenção do filtro, combinado com o uso de bacias de retenção a jusante, permitiu reduzir consideravelmente os riscos de inundação local. Em resumo, os autores afirmam que o tratamento por colchões filtrantes, combinados com uma decantação a montante, aparentam ser um sistema eficaz e particularmente bem adaptado aos escoamentos superficiais de origem viária e com uma carga poluidora variável. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 69 4 MATERIAL E MÉTODOS 4.1 Escolha da área de estudo e descrição do experimento No intuito de encontrar uma área que se adequasse aos objetivos do experimento, a equipe de pesquisa analisou diferentes locais no município de Belo Horizonte, com base em critérios ligados à adequação à técnica em foco (e.g.: capacidade de infiltração, declividade), às características da área de contribuição (e.g.: uso do solo, área de drenagem) e aos riscos associados ao vandalismo. Tendo em conta esses diferentes critérios, optou-se por realizar o experimento no próprio campus Pampulha da UFMG, em área localizada na bacia do córrego Mergulhão, afluente do reservatório da Pampulha. A despeito de o experimento encontrar-se localizado no campus Pampulha, a captação de águas do escoamento superficial faz-se em uma via de trânsito intenso na cidade de Belo Horizonte, a Av. Presidente Carlos Luz, o que assegura condições de funcionamento das estruturas de controle de escoamentos semelhantes à escala real de sua utilização, particularmente no que se refere aos aspectos de qualidade de água. O solo predominante na área é o latossolo vermelho-amarelado, pouco espesso, de acordo com estudos realizados pela Prefeitura de Belo Horizonte (DRENURBS, 2002), o que asseguraria taxas de infiltração adequadas ao emprego da técnica de infiltração nessa área. Posteriormente, a condutividade hidráulica do solo local foi aferida por meio de ensaios com o permeâmetro de Guelph, resultando no valor médio final de k = 5.21 x 10 −5 m/s, valor esse, típico de solos siltosos. Investigações geotécnicas não revelaram a presença de lençol freático nos primeiros 4,0 metros de profundidade local, atendendo assim, um dos critérios pelo ponto de vista ambiental e operacional segundo Baptista et al. (2005), o de haver uma distância mínima de 1,0 metro entre o fundo da trincheira de infiltração e o lençol freático. O levantamento topográfico do local mostrou que a declividade do terreno é de 4,5%. Dessa forma, o quesito inclinação do terreno também foi atendido, haja vista que a capacidade de retenção das estruturas se apresentou suficiente. O experimento instalado em área do campus da UFMG recebe escoamentos superficiais provenientes da avenida Presidente Carlos Luz. A área de contribuição aos dispositivos Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 70 experimentais, com 3.880 m2, drena 4 pistas da avenida, no sentido Norte da cidade (figura 4.1). O escoamento gerado nessa área é drenado por sarjetas até uma boca de lobo, onde é coletado e conduzido até a área do experimento. O volume de escoamento superficial efetivamente coletado depende da eficiência de captação da boca de lobo, que varia com a vazão afluente. Estimativas preliminares do pico de vazão que o sistema é capaz de coletar indicaram valores em torno de 44 l/s, embora os resultados experimentais tenham indicado que ele pode captar vazões um pouco superiores, atingindo 50 l/s. Uma caixa de passagem permite a divisão dos escoamentos afluentes em duas partes, de forma a alimentar, simultaneamente, a trincheira de infiltração e a vala de detenção. As vazões afluentes aos dispositivos são monitoradas por meio de calhas Parshall implantadas no circuito de alimentação de cada dispositivo. As calhas são dotadas de sensores de pressão para o registro contínuo de profundidades de escoamento. A figura 4.2 ilustra uma vista parcial da área de contribuição, e a figura 4.3 ilustra uma vista global da área de drenagem. Figura 4-1 - Croquis de localização da bacia do córrego Mergulhão no município de Belo Horizonte e da localização do experimento na Av. Carlos Luz Figura 4-2 - Vista parcial da área de contribuição, ponto próximo ao início do escoamento. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 71 Figura 4-3 – Vista aérea da área de drenagem do experimento (Fonte: Google Earth 2009) 4.2 Dimensionamento das estruturas O experimento é composto pelas estruturas de captação, adução, medição de vazões, trincheira de infiltração e vala de detenção. O dimensionamento destes dispositivos encontrase descrito a seguir. A figura 4.4 ilustra esquematicamente o caminhamento da água ao longo de todo o aparato experimental, e a figura 4.5 apresenta uma vista aérea do aparato experimental, o que possibilita uma visualização real do esquema ilustrativo a seguir. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 72 Figura 4-4 – Esquema ilustrativo do caminhamento da água ao longo do aparato experimental. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 73 Figura 4-5 – Vista aérea do aparato experimental, à direita a mata da estação ecológica (Fonte: Google Earth, 2009). 4.2.1 Estrutura de captação: Boca de lobo O dispositivo de captação de água na sarjeta da via foi dimensionado com base nas vazões de projeto definidas para as estruturas compensatórias. Foram consideradas, igualmente, restrições impostas por redes enterradas no passeio (cabos de fibra ótica) e outras possíveis interferências. O tubo de captação de água, localizado dentro da boca de lobo (figura 4.6), foi dimensionado para a vazão de projeto como um bueiro, funcionando com controle hidráulico à entrada (controle de orifício), haja vista que a capacidade de “engolimento” da boca de lobo segundo Lima (2006) era bem maior que a vazão máxima de saída do orifício, conforme a teoria dos orifícios. Como resultado dessa etapa, optou-se pelo emprego de um tudo de diâmetro 200 mm, implantado com declividade de 0,01 m/m, funcionando com vazão admissível de projeto de 44,0 l/s. O comprimento dessa tubulação é de 9 metros. O funcionamento dessa estrutura pôde ser determinado como bueiro com controle à entrada, uma vez ocorrido acúmulo de água somente na seção de entrada, conforme simulação utilizando-se o modelo computacional HEC-RAS 3.1.3 em regime de escoamento permanente e variado. Ressalta-se que esse Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 74 modelo foi desenvolvido pelo US Army Corps of Engineers, e que os resultados da simulação supracitada se encontram no anexo A. Figura 4-6 - Captação de água pela boca de lobo (esquerda), acúmulo de sedimentos (direita) 4.2.2 Estrutura de adução: Caixa de passagem A caixa de passagem foi concebida para permitir a divisão das águas de escoamento destinadas a cada estrutura compensatória e para a amostragem da qualidade da água que entra no aparato experimental. As águas de escoamento são conduzidas às estruturas por meio de tubulações que, igualmente, foram concebidas para funcionar como bueiros com controle à entrada. Entretanto, para a vazão máxima de projeto, as condições locais de implantação e a localização das calhas Parshall, destinadas à medição de NA para cálculo da vazão afluente às estruturas, afogam a saída dos tubos e conduzem a seu funcionamento sob pressão. Não há restrições maiores a esse tipo de funcionamento. Previu-se, para assegurar condições adequadas do escoamento interno à caixa de passagem a instalação de uma estrutura tranqüilizadora do escoamento dentro desta estrutura. A altura desta caixa (35cm) foi projetada de tal maneira que não haja risco de extravasamento nos medidores de vazão, localizados logo a jusante. As verificações desse risco foram efetuadas pelo modelo HEC-RAS (ver anexo A). A figura 4.7 ilustra a entrada e a saída da caixa de passagem, conjuntamente com o tranqüilizador de escoamento e o amostrador de PVC a montante da trincheira e da vala. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 75 Figura 4-7 - Caixa de passagem: entrada e amostragem a montante (esquerda), saída e tranquilizador de escoamento (direita) 4.2.3 Estrutura de medida de vazão: Calha Parshall As estimativas de vazões afluentes foram realizadas por meio de medidor de regime crítico do tipo Parshall. A escolha das dimensões das calhas foi feita com base na vazão máxima afluente calculada em 22,0 l/s por tubulação de adução, utilizando-se estruturas padronizadas segundo Azevedo Neto e Alvarez (1977). As calhas foram construídas em fibra de vidro, compreendendo a própria calha com garganta de 3 polegadas, um canal a montante, em seção transversal retangular, de 1,0 m de comprimento, e um canal a jusante, igualmente em seção transversal retangular, com 4,0 m de comprimento. A figura 4.8 ilustra as estruturas de medição da vazão afluente. A verificação do regime crítico no ponto de medição da calha Parshall foi realizada por meio do modelo HEC-RAS para diferentes vazões afluentes. Os resultados dessa modelagem hidráulica sugeriram o funcionamento adequado do dispositivo de medição de vazão, haja vista a correta localização do ponto de transição entre o escoamento subcrítico e o escoamento supercrítico (ver anexo A). Figura 4-8 - Sistema com calha Parshall para medição da vazão afluente Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 76 4.2.4 Estruturas compensatórias: Trincheira de infiltração e vala de detenção Para o dimensionamento da vala de detenção e da trincheira de infiltração, adotaram-se os seguintes métodos: • Chuva de projeto com base na curva IDF regionalizada (equação 4.1) para a Região Metropolitana de Belo Horizonte (PINHEIRO e NAGHETTINI, 1998); • Hidrograma de cheia: hidrograma triangular, tendo como tempo de base duas vezes a duração da chuva e como vazão de pico a calculada pela equação do método racional, em virtude da área de drenagem (0,0039 km²) ser reduzida e de uso do solo praticamente uniforme (vias); • Propagação de cheia na estrutura calculada pelo método de Puls modificado (equação 4.2), devido ao funcionamento da trincheira e da vala ser semelhante ao de um reservatório; • Tempo de retorno adotado em projeto: 10 anos, conforme recomendação usada pela Prefeitura de Belo Horizonte. ÎT , d , j = 0,76542d −0,7059 Pj0,5360 µT , d (4.1) na qual: Î T ,d , j = intensidade de precipitação média de duração d, do local j, associada ao período de retorno T (mm/h); d = duração da precipitação (h); Pj = precipitação total anual média do local j (mm); µT ,d = quantil adimensional regional 2Sj 2S j +1 ( I j + I j +1 ) + − Q j = + Q j +1 ∆t ∆t (4.2) na qual: Ij = hidrograma de entrada no instante j (m³/s); Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 77 Sj = Volume de água armazenado dentro da estrutura no instante j (m³); Qj = Vazão de saída da estrutura no instante j (m³/s); ∆ t = passo de tempo adotado no cálculo (s). Os valores de S e I no instante inicial, ou seja, j=1 são conhecidos a priori, assim como o hidrograma de entrada. Definindo-se dessa maneira a condição inicial do sistema. Para os intervalos seguintes da simulação o estado do sistema no instante j é obtido por cálculo iterativo. Procedimento esse, que exige a construção de uma função auxiliar relacionando (2S/ ∆t + Q) e Q, construída a partir das funções cota-volume S= f(H) e cota-descarga Q=f(H). Adotou-se como duração da chuva de projeto o conceito de duração crítica, efetuando-se a modelagem hidrológica do funcionamento da estrutura para diferentes durações, a partir da duração 5 minutos, até atingir-se o máximo volume a ser armazenado na estrutura. Por fim, encontrou-se como duração crítica a precipitação de 30 minutos para ambas as estruturas. No caso específico da trincheira de infiltração, a vazão de saída foi calculada pela Lei de Darcy (equação 4.3). ∆H U = k * H total (4.3) na qual: U = velocidade do fluxo (m/s); k = condutividade hidráulica saturada (m/s), (utilizado valor médio de medições realizadas); ∆H = gradiente hidráulico (m/m). H total A condutividade hidráulica do solo é um parâmetro fundamental para a operação de uma trincheira de infiltração, uma vez que tal valor ilustra a permeabilidade do solo. Portanto, qualquer mudança mínima no arranjo dos grãos, ou seja, do parâmetro k, pode afetar bastante a velocidade do fluxo naquele solo. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 78 Para esta avaliação nesta pesquisa, empregou-se o permeâmetro de Guelph, com o qual mediu-se a taxa constante de infiltração, que por fim, resultou no cálculo da condutividade hidráulica do solo saturado em campo. O permeâmetro de Guelph (figura 4.9) é um aparelho de furo e de carga constante que mede a condutividade hidráulica saturada de campo acima do lençol freático, medição essa, referente a condutividade média das direções horizontal e vertical. O aparato é composto de uma garrafa de Mariotte que controla a carga constante de água dentro do furo, um tubo de acrílico com uma régua graduada onde a água é introduzida e um tripé que permite adaptar o aparelho a terrenos irregulares. Após algum tempo, que dependerá, dentre outros fatores, da umidade antecedente do solo e da sua textura, uma pequena área em torno do furo estará saturada e, então, o fluxo torna-se constante. Este valor de fluxo é utilizado no cálculo da permeabilidade. Figura 4-9 – Ensaio com o permeâmetro de Guelph pertencente ao laboratório de solos da UFMG O ensaio é bastante prático no que tange o seu manuseio e de custo extremamente reduzido. Entretanto ele é muito sensível a fatores imprevisíveis, como por exemplo: pedregulhos ou pedaços de madeira incrustados à face inferior do orifício no solo, e inclinações tanto do orifício quanto do permeâmetro. Portanto, incoerências nos resultados deste ensaio são frequentes. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 79 Os primeiros ensaios foram realizados no dia 1º de junho de 2007. Dos quatro furos realizados somente dois foram aproveitados, fornecendo uma condutividade hidráulica de 1,42x10 −4 m/s. A segunda bateria ocorreu no dia 14 de setembro de 2007, três furos foram realizados, um em cada extremidade dos 20 metros de comprimento do dispositivo e um no meio. Ao final dos cálculos somente o furo central foi aproveitado, fornecendo uma condutividade hidráulica de 1,08x10 −5 m/s. Portanto, ao final destes ensaios, adotou-se como parâmetro de projeto, 7,64x10 −5 m/s, valor esse, correspondente à condutividade hidráulica média dos primeiros 40 cm de profundidade. De forma a complementar as informações sobre a condutividade média de todo o perfil do solo que compõe a trincheira de infiltração, uma terceira bateria de ensaios com o permeâmetro foi realizada no dia 19 de março de 2008 para conhecimento da taxa de infiltração no fundo do dispositivo. O valor final desta bateria foi de 3,76 x 10 −6 m/s. Por fim, a condutividade hidráulica média final encontrada para este experimento foi a seguinte: k = 5,21 x 10 −5 m/s. Baseado nos valores de condutividade hidráulica registrados anteriormente, nota-se que os primeiros 40 centímetros do perfil do solo são compostos por um solo predominantemente arenoso e pedregulhoso. Profundidades maiores apresentam um solo com predominância de argila. A figura 4.10 corrobora e ilustra bem esta afirmação. Figura 4-10 – Perfil do solo correspondente à trincheira de infiltração Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 80 A escolha do geotêxtil empregado em trincheiras de infiltração deve obedecer alguns critérios de projeto, pois seus poros devem ter dimensões suficientes para permitir que a água flua livremente, mas ao mesmo tempo pequenas o suficiente para reter partículas do solo e assegurar a estabilidade do solo, mantendo assim, um coeficiente de permeabilidade adequado. Portanto, o material do geotêxtil deve satisfazer simultaneamente os seguintes critérios: retenção, colmatação e permeabilidade (PALMEIRA e GARDONI, 2002). O critério de retenção exige que a maior parte das partículas do solo seja retida pelo filtro, evitando dessa maneira o carreamento do solo, ou seja, o chamado “piping”. A maioria dos critérios atuais compara o O95 do geotêxtil, que corresponde a 95 % do diâmetro dos poros do filtro, e o D85 do solo em questão, parâmetro que indica que 85% das partículas que compõem o solo possuem diâmetro inferior ao valor em questão. Portanto, para este critério utilizou-se a análise granulométrica do solo realizada no laboratório de solos da UFMG. O critério de colmatação requer que o filtro não se obstrua à medida que um fluxo de água o atravesse. Segundo Palmeira e Gardoni (2000), a avaliação da possibilidade de colmatação de um geotêxtil é uma tarefa mais complexa do que a avaliação da sua capacidade de retenção, porque exige o conhecimento da distribuição do tamanho dos poros do geotêxtil, a qual é de difícil obtenção por simples testes, ou sujeita a uma grande dispersão, dependendo da técnica empregada no ensaio. Holtz et al. (1997) propuseram que O95 não deva ser inferior a três vezes o diâmetro das partículas do solo correspondente a 15% passando, ou seja, D15. Para este critério também se utilizou a análise granulométrica do solo. O critério de permeabilidade requer que a permeabilidade do geotêxtil seja maior que a do solo em contato durante todo o período de utilização (PALMEIRA e GARDONI, 2000). Portanto, para este critério o ensaio de condutividade hidráulica do solo realizado por meio do permeâmetro de Guelph foi imprescindível. Por fim, baseando-se nos três critérios supracitados, escolheu-se o geotêxtil OP20 que tem gramatura de 200g/cm³. Após todas as análises de projeto, as dimensões finais da trincheira de infiltração foram as seguintes: comprimento=20m; largura=1,0m; profundidade média =1,5m. A figura 4.11 mostra a configuração final deste dispositivo. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 81 Figura 4-11 - Configuração final da trincheira de infiltração (vista de jusante para montante) Para o cálculo da vala de detenção, as vazões de saída foram baseadas somente na Teoria dos Orifícios (equação 4.4). A teoria de sedimentação e a taxa de aplicação hidráulica não foram usadas nesta pesquisa em virtude do seu objetivo principal, ou seja, o amortecimento de cheias. Q = C d * A * 2 gh (4.4) na qual: Q = vazão (m³/s); Cd = coeficiente de descarga, (valor usado: 0,6); A = área da seção transversal (m²); h = altura de carga a partir do eixo do orifício de saída (m). No dimensionamento deste dispositivo não foi considerada uma possível infiltração no solo, haja vista o baixo tempo de detenção na vala devido as suas reduzidas dimensões. Para a cobertura do fundo da vala foi escolhida a grama do tipo esmeralda, uma vegetação rasteira que propicia uma fácil manutenção. As dimensões finais da vala de detenção foram as seguintes: comprimento=12m; largura de topo=3,0m; profundidade=1,5m, e declividade dos taludes=45º. A figura 4.12 ilustra a configuração final desta estrutura. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 82 Figura 4-12 - Configuração final da vala de detenção (vista de jusante para montante). 4.3 Monitoramento do sistema O protocolo de monitoramento do experimento encontra-se sinteticamente ilustrado na figura 4.13. Figura 4-13 - Análise esquemática do monitoramento do experimento Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 83 4.3.1 Variáveis de quantidade de água 4.3.1.1 Precipitação Os dados de chuva, a princípio, seriam medidos por um pluviômetro automático de báscula (ver figura 4.14) instalado a cerca de 500 m da área do experimento com as seguintes características: 400 cm² de área de captação; resolução mínima de 0,1mm; precisão melhor que 2% sob a taxa de 50mm/h; taxa máxima de 120mm/h. O armazenamento dos dados seria efetivado por um data-logger. Entretanto, problemas técnicos com o aparelho se apresentaram logo no início do período chuvoso. Portanto, houve-se a necessidade da utilização dos dados fornecidos pela estação meteorológica Pampulha pertencente ao Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Estação essa, que se localiza a 5 metros do pluviômetro mencionado anteriormente e com características semelhantes. Em função do intervalo de tempo usado pelo INMET, 01 hora, fez-se necessário o uso de um terceiro pluviômetro para uma análise mais apurada das intensidades das precipitações amostradas. Tal aparelho pertence ao Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), está localizado a aproximadamente 600 m da área do experimento e fornece leitura de precipitações acumuladas em intervalos de 15 minutos. Figura 4-14 - Estação meteorológica Pampulha (INMET), pluviômetro pertencente à UFMG (cinza) e ao INMET (branco) Por fim, para subsidiar a escolha dos dados que seriam utilizados nesta pesquisa, compararam-se as precipitações mensais obtidas com os pluviógrafos do INMET e do CDTN para o período entre 2008/2009 e do pluviômetro da regional Noroeste da Prefeitura de Belo Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 84 Horizonte, localizado a aproximadamente 2.000 m da área do experimento, para o período entre 2005/2009 (figura 4.15). Essas comparações evidenciaram que o aparelho pertencente ao INMET apresentou valores sistematicamente maiores, sobretudo nos meses mais chuvosos, dezembro e janeiro. Portanto, optou-se por empregar os dados pluviométricos fornecidos pelo CDTN como base desta pesquisa. Precipitação mensal (mm) regional Noroeste X INMET X CDTN. 900.00 800.00 Precipitação(mm) 700.00 600.00 500.00 400.00 300.00 200.00 100.00 0.00 Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Meses Regional Noroeste 05/09 INMET Geral 08/09 CDTN 08/09 Figura 4-15 - Comparação entre os pluviômetros do CDTN, INMET e regional Noroeste 4.3.1.2 Vazão de entrada Segundo já mencionado no item 4.2.3, as vazões de entrada ao aparato experimental foram medidas por meio de 02 calhas Parshall com garganta de três polegadas e equipadas com sensores piezoresistivos. Além da facilidade com que podem ser executados, os medidores de regime crítico, como as calhas Parshall, apresentam vantagens que decorrem das suas próprias características hidráulicas: uma só determinação de carga é suficiente, a perda de carga é reduzida, não há obstáculos capazes de provocar a formação de depósitos, etc. A figura 4.16 mostra este dispositivo em funcionamento durante o evento de 30/03/2009. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 85 Figura 4-16 - Calha Parshall em operação (cabo amarelo referente ao sensor piezoresistivo). A equação 4.5 mostra o cálculo efetivo das vazões de entrada medidas nesta pesquisa. (AZEVEDO NETO e ALVAREZ, 1977). Q = 0,176 H 1,547 (4.5) na qual: Q = vazão de entrada (L/s); H = nível d’água medido próximo da garganta da calha Parshall (cm). O armazenamento dos dados coletados nas duas calhas Parshall existentes no aparato experimental foi realizado por um data-logger localizado ao lado desses dispositivos. O aparelho foi acondicionado dentro de um abrigo enterrado, visando assim, evitar um possível vandalismo. A figura 4.17 ilustra a localização do data-logger e o detalhe de suas ligações eletrônicas com os sensores piezoresistivos. Deve-se ressaltar que os equipamentos em questão foram aferidos mensalmente, de forma a garantir maior confiabilidade aos dados coletados. A fonte de energia do sistema é uma bateria recarregável de 12 Volts. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 86 Figura 4-17 - Localização do data-logger (à esquerda), detalhe do aparelho (à direita). 4.3.2 Variáveis de qualidade de água De acordo com Mäkelä e Meybeck (1996), os parâmetros físicos, físico-químicos e microbiológicos de qualidade de águas consolidados no monitoramento de caracterização da contaminação e das fontes poluidoras em ambientes aquáticos urbanos, onde há influências de fontes pontuais e difusas de poluição, abrangem principalmente as variáveis indicadoras de matéria orgânica, nutrientes, micro-poluentes, sólidos suspensos e organismos patogênicos. Portanto, os parâmetros de monitoramento da qualidade da água em todas as amostras analisadas foram: condutividade elétrica, temperatura, turbidez, sólidos suspensos totais, nitrogênio total, fósforo total, metais pesados (Cu, Cr, Ni, Zn, Cd, Pb, Mn), DQO, DBO 5, coliformes totais e E.coli. 4.3.2.1 Amostragem a montante dos dispositivos O monitoramento da qualidade da água a montante da trincheira de infiltração e da vala de detenção se fez no interior da caixa de passagem. Em função da impossibilidade de uso do método automático de amostragem no início do projeto, as primeiras amostras foram coletadas por meio de um amostrador de PVC (ver figura 4.18), o qual consiste em um cilindro de PVC com 35 cm de altura, 15 cm de diâmetro e um orifício de 5 cm na extremidade superior, que por sua vez permite a entrada de água no mesmo. No interior do cilindro tem-se uma esfera de isopor que veda o orifício após o preenchimento completo do dispositivo. Além do amostrador, a figura 4.18 ilustra também o detector de líquido, que uma vez submerso, aciona o início do processo automático de amostragem. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 87 As dimensões deste amostrador de PVC foram projetadas para assegurar um volume de amostra adequado (5 litros) para todas as análises laboratoriais e de se captar os primeiros 5 minutos do escoamento. Figura 4-18 – Amostrador de PVC branco (à esquerda), e detector de líquido (cabo preto à direita). Em meados de março de 2009, adquiriram-se os equipamentos necessários para a amostragem automática. Todo o aparato é composto por: 01 amostrador automático modelo ISCO 3700 (figura 4.19) e 01 detector de líquido. Para evitar o vandalismo e proteger o aparelho contra intempéries construiu-se um abrigo próximo ao ponto de coleta (figura 4.20). A conexão entre o aparelho e a caixa de passagem é feita por meio de tubulação enterrada. O amostrador ISCO 3700 apresenta uma capacidade de uso para 24 garrafas de 01 litro e, em seu sistema, há a função de amostragem de água em alíquotas por garrafas, em um determinado tempo requerido. Essa função foi utilizada para a amostragem de cada evento registrado. Programou-se, então, a coleta com amostragens de alíquotas de 700 ml a cada 4 minutos, sendo que a quantidade total das amostras coletadas em um evento foi obtida em função da duração do escoamento superficial. Ressalta-se que o período de amostragem de um escoamento não ultrapassou 96 minutos, haja vista a multiplicação do número de garrafas (24) pelo intervalo do tempo de coleta (4 minutos). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 88 Figura 4-19 – Amostrador automático ISCO 3700 Figura 4-20 - Abrigo do amostrador automático (à esquerda) e caixa de passagem (à direita). 4.3.2.2 Amostragem a jusante de cada dispositivo A amostragem de água para as análises de qualidade, à saída dos dispositivos de drenagem pluvial fez-se no interior de dois poços de visitas localizados logo a jusante de cada dispositivo. A coleta das amostras foi projetada para que houvesse uma representatividade completa do evento registrado, ou seja, que ao longo de toda a duração dos escoamentos houvesse uma contribuição contínua para o recipiente de amostragem. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 89 Em relação à trincheira de infiltração, projetou-se a princípio um tubo perfurado com diâmetro de 100 mm e 1 m de comprimento, localizado 30 cm abaixo do fundo da trincheira. O controle da vazão de saída deste tubo era efetuado por um registro gaveta de 100 mm (figura 4.21). Entretanto, percebeu-se que o diâmetro escolhido foi excessivo, resultando assim, em perturbações no solo adjacente ao tubo e em contaminações das amostras coletadas a jusante da trincheira (figura 4.22), haja vista as elevadas concentrações de sólidos suspensos verificadas. Para corrigir esse problema, foram executadas em março de 2009 intervenções no dispositivo. Em suma, atualmente as amostras são coletadas ao fundo da trincheira e a 30 cm abaixo do fundo por meio de 02 tubos de PVC perfurados com 40 mm de diâmetro e 2 m de comprimento (figura 4.23). Figura 4-21 - Amostragem antiga (à esquerda) e atual (à direita) a jusante da trincheira Figura 4-22 - Contaminação da amostragem a jusante da trincheira de infiltração. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 90 Figura 4-23 – Esquema ilustrativo do caminhamento da água ao longo da trincheira Em relação à vala de detenção, dimensionou-se uma caixa d’água com 250 litros de capacidade para coletar as amostras de água a jusante dessa estrutura. A alimentação do recipiente é feita por sete furos de 1 cm de diâmetro ao fundo do tubo de saída da vala. O dimensionamento em questão foi baseado na chuva de duração crítica (30 min). A figura 4.24 apresenta o aparato projetado para amostragem de água a jusante da vala e a figura 4.25 ilustra de maneira esquemática o caminhamento da água ao longo da vala de detenção e do seu ponto de amostragem a jusante. Figura 4-24 – Amostragem a jusante da vala de detenção Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 91 Figura 4-25 – Esquema ilustrativo do caminhamento da água ao longo da vala 4.4 Análise de parâmetros de qualidade 4.4.1 O subsolo 4.4.1.1 Contaminação do solo por escoamento infiltrado Durante a construção da trincheira de infiltração, amostras do solo foram coletadas no ponto central da estrutura e em 04 profundidades diferentes, a partir do fundo do dispositivo: 0.5, 1.0, 1.5 e 2.0 m. (ver figura 4.26). Essas amostras foram submetidas a análises físico-químicas de modo a detectar a presença no solo de poluentes como metais pesados (Cu, Ni, Zn, Cd, Mn, Pb, Cr), hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), hidrocarbonetos totais voláteis, e parâmetros inorgânicos (Ntot, Ptotal) anteriores à operação da trincheira de infiltração. Os resultados obtidos caracterizam que o estado inicial do solo no local de implantação da trincheira não apresentou contaminação pelos poluentes analisados, haja vista, a ausência de hidrocarbonetos, cádmio e cobre, e o respeito aos valores de referência padronizados no Brasil (CETESB, 1999) pelos metais encontrados nas amostras (Anexo B). Análises semelhantes serão realizadas sobre amostras de solo obtidas no mesmo local ao final do projeto, 2011, totalizando três anos de operação. Esse procedimento possibilitará a estimativa dos riscos de contaminação do solo devido à operação da trincheira de infiltração. Ressalta-se, que as análises físico-químicas realizadas pelo laboratório Analytical Solutions seguiram os padrões da Agência Americana de Proteção Ambiental (USEPA). A tabela 4.1 apresenta detalhadamente os métodos utilizados para cada tipo de ensaio analítico. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 92 Figura 4-26 - Coleta de solo anterior à operação da trincheira de infiltração. Tabela 4-1 – Métodos utilizados para cada ensaio analítico feito no solo coletado antes da operação da trincheira de infiltração Parâmetro Metais pesados Inorgânicos HPA Hidrocarbonetos totais voláteis 4.4.2 Método USEPA 305B USEPA 9056 USEPA 8270C USEPA 5021, USEPA 8015B, USEPA 8021B Análise semi-quantitativa dos sedimentos retidos à entrada Além da qualidade da água que escoa pelo aparato experimental, considerou-se importante conhecer também as características físico-químicas dos sedimentos retidos pela boca de lobo à entrada do sistema. Dessa maneira, os mesmos ensaios analíticos realizados nas amostras de solo a partir do fundo da trincheira foram efetuados em 04 amostras coletadas na boca de lobo.O número de análises feitas até o presente momento está limitado pela disponibilidade financeira do projeto. As análises observadas neste caso encontram-se relacionadas aos dados climatológicos de cada evento chuvoso amostrado. As características físicas deste sedimento foram conhecidas por meio de análises granulométricas realizadas no laboratório de solos da Superintendência de Desenvolvimento da Capital de Belo Horizonte (SUDECAP). Esses ensaios seguiram os seguintes passos: Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 93 • Secagem da amostra à temperatura ambiente em pátio coberto; • Peneiramento da amostra para separação dos sedimentos em três categorias: material granular; folhas e gravetos; papel, plástico, vidro e metal; • Quarteamento do material granular por meio de um quarteador (figura 4.27) para homogeneização da amostra; • Pesagem das três categorias (figura 4.28); • Análise granulométrica do material granular quarteado conforme NBR 5734 e NBR 6457/86. Ressalta-se que a limpeza da boca de lobo foi sempre efetuada no dia seguinte à ocorrência de uma determinada chuva. Portanto, cada amostra coletada é representativa dos sedimentos carreados por um evento independente e retidos pela boca de lobo. O período seco amostrado é o correspondente a dois eventos sucessivos. Figura 4-27 - Quarteamento do material granular coletado na boca de lobo. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 94 Figura 4-28 - Pesagem dos sedimentos coletados na boca de lobo. 4.4.3 Parâmetros físico-químicos da água 4.4.3.1 Método analítico e limite de detecção As metodologias dos ensaios analíticos implementados e utilizados para as análises das variáveis indicadoras de qualidade das águas monitoradas foram baseadas nos métodos padronizados pela American Public Health Association (APHA, AWW, WEF, 2005) contidas no livro Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, metodologias essas, apresentadas na tabela 4.2 a seguir, e em anexo (ANEXO C) o resumo dos procedimentos analíticos das metodologias de análises. Segundo a APHA, AWW, WEF (2005), o limite de detecção é considerado, em termos qualitativos, como a mais baixa concentração do parâmetro a ser medido pelo método analítico, limite esse, obtido por meio das faixas usuais adotadas pelos métodos e pela verificação dos instrumentos analíticos utilizados e volumes de amostras adotadas. O processo de determinação dos limites de detecção para os métodos analíticos das varáveis de qualidade teve como finalidade a definição dos valores mínimos das concentrações adotados para expressão dos resultados. Os limites de detecção para as concentrações das variáveis de qualidade adotadas estão apresentados na tabela 4.2. Todos os parâmetros foram analisados nos laboratórios de análises físico-químicas e de microbiologia do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental (DESA) da Escola de Engenharia (EE) da UFMG, exceto pela condutividade elétrica que foi medida in situ também Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 95 por meio de sensor eletrônico acoplado a um data-logger da marca Globalwater. Os equipamentos utilizados nas análises laboratoriais estão listados no resumo dos procedimentos analíticos em anexo (ANEXO C). Tabela 4-2 – Variáveis indicadoras de qualidade, abreviaturas, unidades e métodos analíticos utilizados no monitoramento da água. Limite Variáveis Abreviatura Unidade Método Analítico mínimo de detecção Condutividade elétrica CE µS/cm Turbidez NTU NTU Sólidos Suspensos Totais SST mg/l Sólidos Suspensos Voláteis SSV % Demanda Química de Oxigênio DQO Demanda Bioquímica de Oxigênio DBO5 Nitrogênio total Kjeldahl NTK Fósforo total P-total Cádmio Eletrométrico Turbidímetro 0,1 Gravimétrico 1,0* Gravimétrico - Titulométrico / Refluxo fechado 5,0 mgO2/l Titulação de Winkler – Iodométrico - mgO2/l mg/l Titulométrico /SemiMicro digestão Kjeldahl 0,59** mg/l Espectrofotométrico – Vanado 0,20 Cd mg/l AAS chama 0,002 Chumbo Pb mg/l AAS chama 0,002 Cobre Cu mg/l AAS chama 0,005 Cromo Cr mg/l AAS chama 0,001 Manganês Mn mg/l AAS chama 0,005 Níquel Ni mg/l AAS chama 0,005 Zinco Zn mg/l AAS chama 0,001 Coliformes Totais CT NMP/100ml Colilert - Escherichia coli E.coli NMP/100ml Colilert - * valor mínimo assumido em função do volume utilizado da amostra (100ml) e da porosidade do filtro; ** limite definido pelos faixas do método em função do volume e da precisão dos aparelhos utilizados; 4.4.3.2 Controle de qualidade dos ensaios em laboratório Visando a produção de resultados analíticos com a devida precisão, faz-se necessário avaliar todos os procedimentos laboratoriais desde a coleta até a análise da amostra. Dentre estes, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 96 destaca–se o controle de qualidade das análises em laboratório, definido como controle de qualidade analítico, o qual é um processo moroso e dispendioso e, por essa razão, requer uma precisa e clara definição de protocolo e procedimentos, acompanhados de verificações de conformidade (VIEIRA, 2008; BURTON e PITT, 2002). A APHA recomenda que alguns requisitos básicos devem ser atendidos para a execução e fornecimento de análises com o controle de qualidade, e assim, produzir resultados confiáveis. Dessa forma, os seguintes passos foram seguidos: • Adoção de métodos analíticos padronizados, APHA, AWW, WEF (2005), e que possuem características como faixas de concentrações, sensibilidade e seletividade adequadas ao tipo de amostras de água monitoradas. • Correspondência entre o instrumental técnico e os equipamentos disponíveis nos laboratórios utilizados para a realização dos métodos analíticos adotados. • Uso de sais para as análises com certificados de pureza. • Treinamento e reciclagem dos procedimentos analíticos e do corpo técnico de laboratório (Químicos e Biólogo) envolvido na realização das análises de qualidade de água deste estudo. 4.4.4 Preparação das amostras Em função da vidraria, dos reagentes e etc. disponíveis no laboratório do Departamento de Engenharia Sanitária (DESA) da UFMG, assim como da executabilidade dos ensaios laboratoriais, as amostras relativas a um determinado evento coletado não puderam ultrapassar o valor de 12 análises para os seguintes parâmetros: DQO, DBO 5 , E.coli, Coliformes totais, Metais pesados, Nitrogênio total e Fósforo total. Portanto, os primeiros 08 frascos de um dado evento, ou seja, os primeiros 32 minutos, foram mantidos individualizados e os subseqüentes foram agrupados em 02 em 02, 03 em 03 ou até 04 em 04, dependendo do total de frascos coletados pelo amostrador automático ISCO 3700. Para a condutividade elétrica, a turbidez e os sólidos suspensos totais e voláteis as análises realizadas eram de acordo com a quantidade de frascos coletados em campo. O agrupamento dos frascos coletados pelo amostrador foi baseado na pequena variação das concentrações Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 97 destes parâmetros após os primeiros 30 minutos de um evento chuvoso. A figura 4.29 mostra um fluxograma que ilustra de maneira mais didática o agrupamentos das amostras. Figura 4-29 - Fluxograma do agrupamento de amostras coletadas em campo segundo os parâmetros analisados. 4.5 Tratamento de dados 4.5.1 Representatividade dos eventos amostrados Visando verificar a representatividade hidrológica dos eventos amostrados neste estudo, analisaram-se as precipitações ocorridas no período entre outubro de 2008 e maio de 2009. Ressalta-se que esses dados pluviométricos foram coletados por meio do pluviômetro automático do CDTN, localizada a cerca de 500m do experimento. Para avaliar a representatividade dos eventos amostrados, utilizaram-se os dados pluviométricos entre 1994 e 2004 da estação metereológica Usina de Gás, localizada a cerca de 5.000m do local de estudo. Primeiramente, definiu-se que os eventos chuvosos seriam considerados independentes a partir do momento em que os efeitos resultantes do primeiro cessassem antes do início do segundo (Caramori, 2002). Em seguida, baseado nas duas técnicas compensatórias instaladas no campus UFMG, trincheira de infiltração e vala de detenção, e de tal forma que ambos Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 98 dispositivos possam recuperar parte das condições de funcionamento anteriores ao evento, estipulou-se que o intervalo mínino entre duas precipitações independentes seria de 12 horas. 4.5.2 Distribuição da massa de poluentes e do volume nos eventos amostrados A representação da distribuição de massa de poluentes e do volume escoado ao longo do evento amostrado foi feita por meio das curvas M(V) (ver tópico 3.4.2). Essa metodologia é bastante difundida no meio acadêmico (PRODANOFF 2005; GNECCO et al., 2005; DOTTO, 2006) para a análise da variação da taxa de massa poluente transportada ao longo dos escoamentos superficiais urbanos. A curva M(V) permite também a comparação entre eventos de diferentes características e localização por meio de uma análise adimensional. Enfim, a utilização de análises gráficas das curvas M(V) (ver equação 3.1, item 3.4.2), permitiu conhecer a distribuição dos poluentes ao longo de todo o evento, observando-se a posição das curvas em relação ao bissetor, distinguindo assim, os eventos chuvosos que apresentaram a ocorrência do fenômeno carga de lavagem daqueles que não a apresentaram. 4.5.3 Cargas de poluentes por evento Para uma avaliação global do impacto das cargas difusas, pode-se calcular o fator Concentração Média no Evento (CME), que em um só valor resume a relação entre a massa de poluente transportada pelo volume de água escoado. A CME representa a concentração ponderada de um poluente correspondente a um evento completo de chuva, por meio da coleta de diversas amostras ao longo do tempo de duração do escoamento, juntamente com o levantamento do hidrograma (USEPA, 1990). A equação 4.6 apresenta o cálculo da CME, a qual é definida pela massa total do poluente dividida pelo volume total, ao longo de todo o evento. t M CME = = V ∫ C Q dt ∑ C Q ∆t = ∑ Q ∆t Q dt ∫ t t t 0 t t (4.6) t t 0 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 99 na qual: CME = concentração média do evento chuvoso monitorado (mg/L); M = massa total do poluente descarregado ao longo do evento (g); V = volume total ao longo do evento (m³); Ct = concentração no tempo t (mg/L); Qt = vazão no tempo t (m³/s); ∆t = intervalo de tempo (s). 4.5.4 Análises dos dados por estatística descritiva A organização e a caracterização do comportamento dos dados ao longo da amostragem são importantes para as futuras comparações entre os resultados deste estudo com pesquisas anteriores. Todos os dados obtidos no monitoramento do aparato experimental localizado no campus da UFMG foram analisados por meio das análises estatísticas básicas sugeridas por Von Sperling (2005), (ver tabela 4.3). As estatísticas básicas foram calculadas por meio de planilha eletrônica (Microsoft Excel 2003). Os resultados estatísticos foram representados em tabelas e por gráficos ilustrativos das séries temporais, que mostram as relações entre as variáveis registradas, como por exemplo, vazão e sólidos suspensos, e pelos diagramas box & whisker, que foram elaborados por meio do software Statistica 5 da empresa EstatSoft. O diagrama box & whisker consiste em um retângulo definido pelo primeiro e terceiro quartis, contendo a mediana ou a média em seu interior, além da extensão das linhas verticais até os pontos de máximo e mínimo, os quais são assinalados no gráfico por barras horizontais, tal como ilustrado na figura 4.30. Segundo Naghettini e Pinto (2007), esses diagramas são muito utéis por permitirem uma visão geral do valor central, da dispersão, da assimetria, das caudas e de eventuais pontos amostrais discordantes (outliers). Eles são particularmente interessantes para comparar as características de duas ou mais amostras diferentes. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 100 Tabela 4-3 – Estatísticas básicas utilizadas na descrição dos dados, adaptado de von Sperling (2005). TIPO ESTATÌSTICA SOFTWARE Caracterização da amostra Número de dados MS Excel 2003 Medida de tendência central Medidas de variação Medidas de posicionamento Média aritmética Média geométrica Mediana Valor mínimo Valor máximo Desvio padrão Coeficiente de variação Primeiro Quartil: 25% Segundo Quartil: 50% Terceiro Quartil: 75% MS Excel 2003 MS Excel 2003 Statística 5 Figura 4-30 – Exemplo ilustrativo do diagrama box & whisker (In: NAGHETTINI e PINTO, 2007) 4.5.5 Análises de correlação e regressão Existe um conjunto de métodos estatísticos que visam estudar a associação entre duas ou mais variáveis aleatórias. Dentre tais métodos, destaca-se, sobretudo a teoria da regressão e correlação em função de ser o de uso mais difundido (NAGHETTINI e PINTO, 2007). Desse modo, todas as análises estatísticas realizadas nesta pesquisa se basearam em dois conceitos fundamentais: coeficiente de correlação linear e regressão linear múltipla. Ambos estão descritos a seguir: Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 101 i) Coeficiente de correlação linear A ocorrência de uma correlação linear entre duas variáveis é apresentada quando os pontos do diagrama de dispersão se aproximam de uma reta. Essa correlação pode ser positiva, no caso de valores crescentes no eixo X, conjuntamente com uma tendência de valores crescentes também no eixo Y, ou a correlação pode ser negativa, no caso de valores crescentes no eixo X, conjuntamente com uma tendência de valores decrescentes no eixo Y. No caso da regressão linear o coeficiente de correlação R pode ser interpretado como a covariância normalizada. A equação 4.7 apresenta o cálculo deste coeficiente: R= S X ,Y S X SY (4.7) na qual: R = coeficiente de correlação linear; Sx,y = covariância amostral entre as variáveis X e Y; Sx = desvio padrão da variável X; Sy = desvio padrão da variável Y. O coeficiente de correlação é adimensional e varia entre -1 e 1. Dessa maneira, as unidades adotadas pelas variáveis não interferem no valor de R. No caso de X e Y serem estatisticamente independentes, o valor de R será igual a zero. Por fim, quanto mais próximo de 1 ou -1 o valor do coeficiente estiver, melhor será a tendência que aquelas variáveis apresentam quanto à sua variação conjunta. ii) Regressão linear múltipla Uma equação de regressão é uma expressão utilizada para avaliar uma variável dependente, por exemplo Y, em função das independentes, X1, X2,... e é denominada equação de regressão de Y para X1, X2, .... Na hipótese da variável Y variar linearmente com as variáveis independentes, a equação de regressão de Y tem a seguinte forma, (equação 4.8): Y = B1 X 1 + B2 X 2 + ... + Bn X n Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG (4.8) 102 na qual: Y = variável dependente; X1, X2, Xn = variáveis independentes; B1, B2, Bn = coeficientes de regressão parcial. Os coeficientes de regressão podem ser estimados pela minimização do somatório dos erros quadráticos (equação 4.9), método esse, que consiste em minimizar o somatório dos quadrados dos desvios entre o valor observado Yi e o valor estimado y i , de tal forma que se possa estimar os coeficientes de regressão Bj. A equação 4.9 ilustra o método dos mínimos quadrados. n ∑e i =1 n 2 i = ∑ (Yi − y i ) i =1 2 P = ∑ Yi − ∑ B j X i , j i =1 i =1 n 2 (4.9) na qual: Yi = valor observado da variável dependente; y i = valor estimado da variável dependente; Bj = coeficiente de regressão parcial; Xi,j = valor observado da variável independente. A estimação do coeficiente de regressão é feita por meio da diferenciação da equação 4.10 em relação a B, e por fim, igualando essa derivada parcial a zero. As minimizações dos somatórios dos quadrados dos desvios realizadas nesta pesquisa foram feitas com o auxílio da ferramenta solver, que o software Excel 2003 oferece. Essa ferramenta efetua inúmeras iterações dos coeficientes B até que o somatório dos quadrados dos desvios atinja um valor mínimo. Para correta aplicação da função solver, calculou-se primeiramente em planilhas do Excel as diferenças entre os valores observados e os valores estimados, assim como a soma destas diferenças. A priori os coeficientes de regressão foram arbitrados todos com o valor igual a 1 para que a função solver funcionasse perfeitamente no software. Segundo Naghettini e Pinto (2007), o número de observações disponíveis para a análise de regressão deve ser no mínimo 3 a 4 vezes maior que o número de coeficientes da equação de regressão que serão estimados. Esta regra procura evitar um falso ajuste causado pelas Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 103 oscilações que podem ocorrer nas variáveis independentes e que são de difícil detecção nas amostras muito pequenas. De acordo com os autores, uma maneira de se avaliar os resultados da equação de regressão é verificar a capacidade do modelo prever a variável dependente a partir de observações das variáveis explicativas que não foram utilizadas na estimativa dos coeficientes da regressão. Obviamente, para se fazer essa avaliação é necessário que os dados observados sejam separados aleatoriamente em dois grupos, um para estimar os coeficientes da regressão e outro para verificar o modelo. Entretanto, na maioria dos casos, o número reduzido de observações não permite esse procedimento. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 104 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO As análises dos parâmetros à saída do sistema são listadas apenas para a vala de detenção. De fato, a coleta de água realizada por dispositivo de captação de água percolada a partir da trincheira evidenciou inconsistências devido ao carreamento de solo sob o dispositivo. Posteriormente, foram executadas intervenções no dispositivo com vistas a eliminar este comportamento anômalo, porém os resultados de análise de qualidade de água para a trincheira de infiltração não se encontram ainda em número suficiente para uma discussão adequada desses resultados. 5.1 Representatividade dos eventos chuvosos amostrados Uma análise estatística da quantidade de chuvas por intervalos de alturas de precipitações foi elaborada para verificar a representatividade dos eventos amostrados. A figura 5.1 mostra que 26% das precipitações registradas no período chuvoso entre outubro de 2008 e junho de 2009 ficaram na faixa de 0 a 5 mm, e que a maioria (em torno de 75%) das chuvas permaneceu abaixo dos 60mm. A mesma análise estatística discutida acima foi elaborada para os dados pluviométricos de 1994 a 2004 para confirmar essa representatividade. Ela mostrou que o período de 2008/2009 é bastante representativo para a distribuição média de chuvas em função do total precipitado por evento, considerando-se a semelhança entre as curvas que representam o número de chuvas por faixa de alturas de precipitações dos períodos citados anteriormente (figura 5.1). Por fim, sabe-se que as amostras coletadas nesta pesquisa se encontram concentradas dentro da maior faixa de precipitações, evidenciando assim a boa representatividade dos eventos monitorados. Entretanto, em função do reduzido número de amostras, que neste caso somando os eventos coletados tanto na boca de lobo quanto na caixa de passagem resultou em um total de 19 (tabela 5.1), a curva correspondente aos eventos amostrados contida na figura 5.1 não evidencia claramente essa representatividade hidrológica, uma vez que o seu comportamento apresenta uma leve semelhança com a curva que ilustra o período chuvoso 2008/2009. A tabela 5.1 mostra as características climatológicas de todos os eventos amostrados nesta pesquisa. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 105 Nº relativo de chuvas no período 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Precipitação (mm) CDTN 08/09 Usina de Gás (10anos) 94 a 2004 Eventos amostrados Figura 5-1 – Análise quantitativa do número de chuvas por intervalos de alturas de precipitações Tabela 5-1 - Características pluviométricas dos eventos amostrados Evento Precipitação total (mm) Duração da precipitação (min) 0 120 600 200 30 120 240 90 75 2775 30 15 60 360 375 30 600 120 90 340 20 90 Período seco anterior (dias) 21 30 11 5,5 12 0,5 1,5 7,5 9 5 3 4 4,5 0,5 4,8 0,5 0,5 5,0 23 23 25 22 Int. média (mm/h) 0,00 11,80 6,71 3,80 30,40 20,80 2,90 1,7 5,40 4,6 1,80 9,20 1,8 6,70 1,90 11,80 3,6 2,10 8,10 2,90 2,70 10,90 Int 15min. (mm/h) 27/08/08* 0,0 05/09/08 23,8 19/09/08 66,8 25/09/08 12,8 31/10/08 15,2 16,4 01/11/08 41,5 07/11/08 11,5 6,0 27/11/08 2,6 08/12/08 6,7 14,0 17/12/08 212,9 22/12/08 0,9 3,2 01/02/09 2,3 8,8 07/02/09 1,8 13/02/09 40 38,8 23/03/09 11,8 30/03/09 5,9 01/04/09 35,6 06/04/09 4,1 01/05/09 12,1 12,8 04/05/09 16,5 06/06/09 0,9 2,4 28/06/09 16,3 42,0 *amostra coletada para verificar a quantidade de sedimentos carreados até a boca de lobo em função do vento e da movimentação de automóveis na Avenida Carlos Luz. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 106 5.2 Representatividade da amostragem Várias precipitações foram amostradas ao longo do período de monitoramento do aparato experimental localizado no campus da UFMG para fins de análise de qualidade de água em diferentes pontos do experimento e de depósitos na boca de lobo. Não seria possível amostrar todos os eventos de um ano hidrológico para fins de análise de qualidade de água, por razões operacionais e de custos. O plano amostral previu amostrar cerca de 10 eventos por ano, procurando, em termos qualitativos, assegurar uma adequada variabilidade de eventos sob os aspectos de intensidade, duração e volume do evento, bem como duração do período seco anterior ao evento. Por outro lado, a despeito das previsões meteorológicas utilizadas para orientar a amostragem, não é possível conhecer a priori todas essas características. Apenas o monitoramento de longo prazo, pode assegurar uma adequada amostragem. Deve-se ressaltar que o foco principal do experimento de análise de qualidade de água e de abatimento das cargas de poluição de origem difusa é a amostragem de eventos de freqüência elevada, com tempos de retorno da ordem de 1 ano ou inferiores, tendo em conta o impacto dessas cargas de poluição sobre o meio. A tabela 5.2 ilustra a distribuição das amostras segundo os dispositivos do aparato experimental e os eventos registrados. Tabela 5-2 - Distribuição das amostras segundo os dispositivos do experimento Evento Boca de lobo Caixa de Passagem 27/08/08 X 05/09/08 X 19/09/08 X 25/09/08 X 31/10/08 X X 01/11/08 X 07/11/08 X X 27/11/08 X 08/12/08 X X 17/12/08 X 22/12/08 X 01/02/09 X 07/02/09 X 13/02/09 X 23/03/09 X 30/03/09* X 01/04/09 X 06/04/09* X 01/05/09* X 04/05/09 X 06/06/09* X 28/06/09* X *eventos coletados por meio do amostrador automático ISCO 3700 Trincheira Vala X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 107 De outubro de 2008 até meados de março de 2009, as amostras a montante do experimento foram coletadas pelo amostrador de PVC, ilustrado anteriormente pela figura 4.15. Ele foi projetado para captar o início do evento, considerando a hipótese de ocorrência do first-flush no escoamento. Ressalta-se que o amostrador ISCO 3700 não estava disponível desde o início do monitoramento, bem como o sensor de nível que detecta o começo do evento, instrumentos esses que automatizariam a amostragem. A partir de março de 2009 a amostragem automática foi iniciada, contando até o presente momento com 05 eventos coletados. Esse procedimento de amostragem permite o estabelecimento de polutogramas, bem como a estimativa das cargas médias de poluentes dos eventos amostrados. Com isso, é possível avaliar de forma adequada a eficiência de controle de poluição dos dispositivos de drenagem pluvial em foco. A técnica de amostragem por tubos de PVC mostrou-se inadequada, na medida em que coleta amostras de água no início do evento, geralmente caracterizadas por concentrações excessivamente elevadas de poluentes. De forma a procurar aproveitar as séries amostradas pelos tubos de PVC anteriores à instalação do amostrador automático, procurou-se estabelecer uma correlação entre os parâmetros de qualidade de água entre ambos, corrigindo-se as concentrações obtidas com o primeiro utilizando-se as concentrações médias obtidas com o segundo. O primeiro procedimento para a elaboração do coeficiente foi a separação dos eventos que apresentaram o fenômeno carga de lavagem e os que não apresentaram, por meio de análise gráfica da curva M(V) de cada evento. Dentre as cinco chuvas amostradas automaticamente, três mostraram a ocorrência do fenômeno. E entre os oito eventos coletados de outubro de 2008 a fevereiro de 2009, seis apresentaram hidrogramas muito semelhantes àqueles três que indicaram a presença de carga de lavagem. Em seguida, analisou-se a correlação da concentração de sólidos suspensos totais encontrada no amostrador de PVC (CPVC) e a CME dos primeiros 28 minutos dos três eventos em que ocorreu a carga de lavagem, uma vez que, neste intervalo de tempo presenciou-se a maior parte (80%) da carga de sólidos e encontraram-se também valores semelhantes para a correlação supracitada. Por fim, o coeficiente para CME/CPVC foi de 0,545. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 108 A criação deste coeficiente permitiu uma análise global da massa de sólidos ao longo de todo o aparato experimental, haja vista as CME estimadas para os seis eventos coletados pelo amostrador de PVC que indicaram uma possível ocorrência do first-flush. Portanto, analisando conjuntamente a massa de sólidos retida à boca de lobo, a CME e o volume de chuva escoado para dentro do experimento, realizaram-se balanços das massas de sólidos ao longo do aparato experimental (ver tabela 5.3) para a verificação da representatividade da amostra coletada à boca de lobo perante ao montante total de sólidos registrados em um determinado evento chuvoso. Conforme visto na tabela 5.2, tal balanço foi possível em três precipitações (31/10/08, 07/11/08, 08/12/08). Os resultados desta análise evidenciaram que em média 57% dos sólidos ficaram retidos na boca de lobo, enquanto que 43% adentraram ao experimento. Entretanto, a variação dessas porcentagens é extremamente afetada pelas características pluviométricas do evento chuvoso, haja vista os dados contidos no item a seguir (5.3.1). Tabela 5-3 – Balanço de massas ao longo do aparato experimental Evento Massa retida a Massa escoada no Massa % boca % boca de lobo experimento* (Kg) total (Kg) de lobo experimento 6,79 19,45 12,96 32,39 27,55 30,31 79% 29% 57% 21% 71% 43% (Kg) 31/10/2008 07/11/2008 08/12/2008 25,60 8,10 17,35 *valor encontrado por meio da multiplicação da CME (mg/L) pelo volume de chuva escoado para dentro do experimento 5.3 Boca de lobo 5.3.1 Análises físico-químicas dos sedimentos Depósitos de sedimentos e outros materiais foram coletados na boca de lobo, em doze ocasiões diferentes. Análises físicas desses depósitos permitiram que eles fossem classificados em três categorias: sedimentos (material granular); recicláveis, composto principalmente de papel, plástico, metal e vidro, assim como de matéria orgânica, constituída principalmente por folhas e gravetos (ver tabela 5.4). O número de amostras analisadas é ainda pequeno para se investigar com precisão as relações entre o peso e composição dos depósitos com a duração dos períodos secos e as características da chuva. Contudo, parece evidente que o parâmetro altura de precipitação é o que melhor se correlaciona com a distribuição de massa dos Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 109 sedimentos coletados, considerando-se o aumento relativamente proporcional do percentual de material granular na composição, assim como do peso total da amostra com o aumento das alturas de precipitação (figura 5.2). Há que se ter em conta que houve deterioração do pavimento durante o período chuvoso amostrado, causando, ao longo do tempo, um aumento da superfície erodível na área de contribuição. Tabela 5-4 – Características dos depósitos na boca de lobo à entrada do sistema Eventos Dias secos antes da chuva Distribuição da massa 27/08/08 08/12/08 07/11/08 25/09/08 23/03/09 31/10/08 04/05/09 05/09/08 01/04/09 01/11/08 19/09/08 17/12/08 Altura da precipitação (mm) 0,0 6,7 11,5 12,8 11,8 15,2 16,5 23,8 35,6 41,5 66,8 212,9 21,0 9,0 1,5 5,5 4,8 12,0 23,0 30,0 0,5 0,5 11,0 5,0 Int. Massa Massa de Massa de média de folhas de recicláveis da material gravetos chuva granular (mm/h) (%) (%) (%) 0,0 53,4 41,1 5,6 5,4 96,4 2,0 1,6 2,9 95,3 2,0 2,7 3,8 82,9 16,6 0,5 1,9 87,6 2,5 9,9 30,4 97,7 1,0 1,3 2,9 92,0 4,7 3,3 11,8 84,0 13,4 2,6 3,6 96,9 2,8 0,4 20,8 91,1 1,4 7,5 6,7 89,0 10,7 0,3 4,6 99,3 0,3 0,5 Massa total da amostra (kg) 12,2 18,0 8,5 28,7 15,0 26,2 53,6 74,8 51,5 2,2 75,8 98,7 100% 80% 60% 40% 20% 0% 0 6.7 11.5 12.8 13.1 15.2 16.5 23.8 35.6 41.5 66.8 212.9 Precipitação total (mm) Mat. granular Papel, plástico, metal Folha, graveto Figura 5-2 - Composição da massa total dos sedimentos coletados na boca de lobo em função da precipitação total Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 110 Em termos de granulometria do sedimento amostrado dentro da boca de lobo, constatou-se que a maioria das amostras apresentou a seguinte classificação do material granular: areia grossa pedregulhosa com diâmetro médio dos grãos de aproximadamente 2,51mm (figura 5.3) segundo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Esse comportamento verificado nesta pesquisa destoa do estudo elaborado por Dotto (2006), o qual foi elaborado em uma via de pouco movimento na cidade de Santa Maria, localizada no estado do Rio Grande do Sul, e que obteve um sedimento classificado como: areia média com diâmetro médio de 0,35mm. Ressalta-se que a coleta efetuada pela autora foi por meio de aspiração de sedimentos depositados na própria via, situação diferente desta pesquisa, em que as coletas foram feitas diretamente dentro da boca de lobo. C urvas G ranu lométric as AR E IA S IL TE F INA P E D R E GU LHO m. gross a MÉ D IA GR O S S A 1 00 Porcentagem que passa (%) 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0. 01 0 .1 1 10 10 0 di â me tro (mm ) Figura 5-3 - Distribuição granulométrica dos sedimentos amostrados à entrada do aparato experimental. O tráfego na área de drenagem do experimento é uma informação básica para a compreensão da presença dos poluentes. A pesquisa de contagem classificada de veículos realizada pelo órgão gestor do trânsito de Belo Horizonte (BHTRANS) realizada em 14/02/2007 (quartafeira) foi usada como base de dados. Ressalta-se que neste dia choveu durante a pesquisa. Dessa forma, o tráfego diário em um dia útil e chuvoso na área de drenagem do experimento é em média 18047 veículos, sendo 15426 automóveis, 772 ônibus, 328 caminhões e 1521 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 111 motos, (BHTRANS, 2007). Essa pesquisa comprova o número intenso de veículos que trafegam pela área de contribuição do experimento, e mostra que são os carros que predominam no fluxo diário. Nesse sentido, análises químicas dos compostos encontrados na boca de lobo foram feitas para se verificar a presença de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), metais pesados (cádmio, chumbo, cobre, cromo, manganês, níquel e zinco) e inorgânicos (nitrogênio total, fósforo total). A tabela 5.5 apresenta os resultados dessas análises. Eles foram comparados aos limites estabelecidos pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB, 1999), de São Paulo, para a avaliação de contaminação de solos, mostrando que três metais, Pb, Cu e Zn, ultrapassam tais limites. No contexto amostrado, esses poluentes estão, sobretudo, associados à circulação automotiva. A série de HPA amostrada encontra-se dentre dos limites sugeridos pela CETESB (1999), considerando-se os compostos para os quais há referências fornecidas. O nitrogênio total e o fósforo total apresentaram concentrações muito elevadas, se comparadas com os valores padrões do solo natural. Analisando simultaneamente as características climatológicas de cada evento amostrado (tabela 5.1) e as concentrações de HPA, metais e inorgânicos correspondentes, uma forte variação de correlação foi observada entre o período seco anterior, a intensidade média da chuva, e as cargas de metais pesados, uma vez que quatro metais (Cd, Cu, Zn, Cr) apresentaram coeficientes de correlação R próximos de 1 e três (Mn, Pb, Ni) se mostraram próximos de -1 (tabela 5.6), comportamento esse, devido provavelmente ao número extremamente reduzido de amostras, neste caso 4. Entretanto, com um número maior de amostras, esperava-se atingir relações positivas para a maioria dos parâmetros, haja vista a proporcionalidade do acúmulo de sedimentos na via com o aumento dos dias secos e à proporcionalidade do carreamento dos sedimentos em um via com a intensidade da chuva. Apesar do número de veículos da área de pesquisa (18.047) ser bem inferior àqueles verificados por Dierkes e Geiger (1998), no caso entre 52.000 e 107.600 (ver item 3.5.3), encontraram-se concentrações de cobre semelhantes em ambos os estudos. Os demais poluentes se mostraram coerentes com a intensidade do tráfego local. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 112 Tabela 5-5 - resultados de análise química de sedimentos coletados na boca de lobo Concentrações (mg/kg) Parâmetros Cd Pb Cr Ni Zn Mn Cu HPA total (16) Fósforo Total Nitrogênio Total Data 31/10/08 07/11/08 27/11/08 0,98 13,52 27,57 10,93 81,09 177,39 650,62 0,1143 424,76 588,04 0,00 25,21 17,29 4,80 118,23 259,56 11,57 0,2203 421,08 890,05 0,18 14,71 14,84 10,37 92,74 181,31 59,69 0,4509 183,89 958,4 Referência de qualidade ou Prevenção 07/02/09 (CETESB) 0,49 0.5 17,00 17 20,26 40 4,38 13 91,37 60 313,66 Não disponível 21,38 35 0,4845 Não disponível 238,69 Não disponível 4983,83 Não disponível Tabela 5-6 – Coeficientes de correlação R entre dados climatológicos e sedimentos coletados à boca de lobo (N=4) Parâmetro Cd Pb Cr Ni Zn Mn Cu HPA total P total Ntotal Período seco anterior (dias) 0,832 -0,878 0,668 0,881 -0,882 -0,737 0,870 -0,345 0,057 -0,331 Precipitação total (mm) 0,401 0,159 0,650 0,275 0,053 -0,405 0,719 -0,995 0,950 -0,651 Duração da precipitação(min) -0,818 0,952 -0,562 -0,534 0,990 0,266 -0,565 -0,147 0,331 -0,278 Intensidade média (mm/h) 0,868 -0,485 0,915 0,613 -0,593 -0,557 0,995 -0,780 0,608 -0,419 N = número de amostras 5.3.2 Relações entre as massas de sedimentos e a chuva Visando uma comprovação estatística das relações vistas na tabela 5.3, elaboraram-se análises de correlação entre as variáveis pluviométricas de cada evento chuvoso registrado na amostragem realizada à boca de lobo e as massas das três categorias de sedimentos determinadas. A tabela 5.7 apresenta os coeficientes R destas correlações calculadas. Os resultados mostraram que o parâmetro que melhor se correlacionou à quantidade de massa de material granular encontrada na boca de lobo foi realmente a precipitação total, fato esse, que corrobora os dados ilustrados na tabela 5.4. Entretanto, para as outras duas categorias de sedimentos: recicláveis, e folhas e gravetos, o período seco anterior foi a variável que mais 113 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG influenciou, segundo os dados obtidos nesta pesquisa, a presença desses sedimentos dentro da boca de lobo. Na análise de correlação, destaca-se o parâmetro intensidade média, que apresentou correlação negativa em todos os casos. Esse comportamento atípico pode ser explicado talvez pelo reduzido número de amostras até o presente momento, visto que se esperavam correlações positivas entre a intensidade média da chuva e as massas de sedimentos, conforme já mencionado no item 5.3.1. Em relação à variável precipitação total, registraram-se correlações fracas e negativas para os recicláveis e para folhas e gravetos, situação essa, compreendida em virtude da maior variabilidade das amostragens destas duas categorias, se comparadas à massa de material granular. Essa variabilidade ocorre em função das fontes de recicláveis (lixo descartado por pedestres e passageiros) e de folhas e gravetos (árvores) serem reduzidas, além de sua maior inconstância, se comparada à fonte de material granular (erosão do pavimento). Portanto, mesmo que chova bastante as porcentagens de recicláveis e de folhas e gravetos se manterão em um patamar bem semelhante àquele de uma baixa precipitação. Tabela 5-7 - coeficientes R das correlações entre as características climatológicas e as massas das três categorias de sedimentos encontradas na boca de lobo. (N = 12) Precipitação total (mm) Período seco anterior (dias) Intensidade média (mm/h) Material Granular (g) 0,759 0,228 -0,112 Recicláveis (g) -0,158 0,731 -0,159 Folhas e gravetos (g) -0,118 0,678 -0,139 N = número de amostras Diversas regressões lineares múltiplas foram executadas de forma a contribuir para o primeiro passo da construção de futuras equações que estimem a quantidade de massa de uma respectiva categoria de sedimento com possibilidade de ser encontrada em depósitos em bocas de lobo. Os resultados são ainda muito inconsistentes em termos estatísticos, em virtude do reduzido número de precipitações analisadas, no caso 12. Por exemplo, quatro eventos apresentaram boas estimativas para a massa de material granular (figura 5.4), pois os valores estimados tiveram um desvio menor que 10% do valor real (figura 5.5), enquanto que os outros 8 eventos mostraram discrepâncias variadas. Em relação às estimativas das massas de recicláveis e de folhas e gravetos, essas se mostraram bastante inconsistentes, uma vez que 9 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 114 eventos dentre as 12 amostras apresentaram um desvio maior ou igual a 60% entre os valores estimados e reais (ver anexo D), resultado esse, ocorrido em virtude da variabilidade do fenômeno, conforme mencionado no parágrafo anterior. Para este estudo, percebeu-se que a utilização do parâmetro intensidade média da chuva não agregou valor às estimativas, em virtude do desvio relativo apresentado (vide figura 5.5). Esse fato se explica pela baixa correlação entre tal parâmetro e as massas de sedimentos, conforme visto na tabela 5.7. Em suma, esses resultados indicaram que se deve permanecer somente com os estudos das estimativas de material granular e que se tem uma boa perspectiva de ao final do projeto SWITCH se encontrar uma equação que correlacione de forma satisfatória o cálculo da quantidade de material granular dentro de uma boca de lobo por meio de dados pluviométricos e para uma área de características semelhantes à área de estudo. Deve-se levar em consideração que até o presente momento, somente um tipo de área de drenagem foi analisado. Portanto, fazem-se necessários outros estudos que englobem áreas com tamanho e talvez tráfegos diferentes, para a validação da equação supracitada. Lembrando que o tipo de superfície, neste contexto asfalto, seria considerado uma constante, uma vez que essa forma de recobrimento ocupa a quase totalidade das vias urbanas. A figura 5.4 ilustra a correlação entre as massas observadas (Mobs) e as estimativas dessas massas por meio de regressões lineares múltiplas a partir dos seguintes parâmetros: precipitação total (Ptot), dias secos anteriores (DS) e intensidade média da chuva (Imed). A figura 5.5 ilustra os desvios relativos em termos de porcentagem entre as massas estimadas e os valores observados. O acréscimo de cada uma das variáveis independentes à regressão linear múltipla se fez em função do grau de correlação delas com a massa observada, ou seja, a primeira regressão utilizou somente Ptot, pois esse foi aquele que apresentou o maior coeficiente R, e por assim em diante. Devido às questões de escala e leitura, os gráficos de desvios relativos foram ilustrados entre 0 e 100%. Entretanto, houve casos que eles se mostraram superiores a 100%. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 115 140000 Massa estimada (g) 120000 100000 80000 60000 40000 20000 0 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 Massa observada (g) M_Ptot M_Ptot_DS M_Ptot_DS_Imed Figura 5-4 – Correlação entre as massas de material granular observadas e as massas estimadas por meio de regressões lineares múltiplas em função das variáveis climatológicas. 100 90 Desvios relativos (%) 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Eventos M_Ptot M_Ptot_DS M_Ptot_DS_Imed Figura 5-5 - Desvios relativos entre a massa de material granular observada e a massa estimada pela regressão linear múltipla com 1,2 e 3 parâmetros. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 116 Para as figuras anteriores, 5.4 e 5.5, as legendas foram representadas da seguinte maneira: (i) M_Ptot = massa de material granular estimada por meio de regressão linear da variável: precipitação total; (ii) M_Ptot_DS = massa de material granular estimada por meio de regressão linear múltipla das variáveis: precipitação total e período seco anterior; (iii) M_Ptot_DS_Imed = massa de material granular estimada por meio de regressão linear múltipla das variáveis: precipitação total, período seco anterior e intensidade média da chuva. 5.4 Caracterização do escoamento 5.4.1 Análises estatísticas quali-quantitativas Após o início da utilização do amostrador automático, pôde-se caracterizar a relação das cargas de poluentes ao longo de um evento de forma mais precisa, por meio das concentrações médias do evento (CME). Cinco eventos no total foram coletados (ver tabela 5.2). A escolha dos parâmetros analisados nesta pesquisa foi baseada na principal fonte de poluentes na área de estudo, ou seja, a circulação de automóveis. Portanto, os seguintes indicadores foram analisados: DBO 5 , DQO, E.coli, Coliformes totais, metais (Cr, Cd, Pb, Zn, Ni, Mn, Cu), nitrogênio total e fósforo total, A tabela 5.8 mostra as CME’s desses indicadores conforme o evento chuvoso. Dentre os resultados, destaca-se o elevado índice de sólidos suspensos totais que em média se apresentou bem superior ao de outros estudos referentes ao escoamento superficial urbano com características semelhantes a esta pesquisa, comportamento esse encontrado em virtude do constante desgaste do pavimento da área de drenagem (figura 5.6). Em conseqüência do tráfego intenso de veículos na via e dessas altas concentrações de sólidos, os índices referentes aos metais pesados se apresentaram de maneira geral superiores àqueles registrados pela literatura técnica (tabela 5.8), uma vez que a relação entre as concentrações de SST e as de metais é extremamente alta e que a principal fonte de metais pesados é o desgaste de peças metálicas e de pneus dos automóveis. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 117 Figura 5-6 - Desgaste do pavimento asfáltico que recobre a área de drenagem. Detalhe para a proximidade do buraco em relação à entrada do sistema (boca de lobo). Para os poluentes bacteriológicos, E.coli e coliformes totais, as concentrações se mostraram próximos a valores encontrados na literatura, como por exemplo, os valores sugeridos por Bertrand-Krajewski (2006) contidos na tabela 5.8. Entretanto, para uma via onde o tráfego de animais domésticos é baixo, esses indicadores apresentaram concentrações significativas, uma vez que estão próximos dos valores de esgoto bruto de Belo Horizonte, 10 6 a 10 9 NMP/100mL para coliformes totais e 10 5 a 10 8 NMP/100mL para E.coli (VON SPERLING, 1996). A proximidade de uma cavalaria da polícia militar ao experimento, e por conseqüência uma pequena presença de esterco de cavalo na via, podem talvez explicar essa contaminação. Em relação ao nitrogênio total e ao fósforo total, esses não obtiveram concentrações superiores ao limite de detecção usado (0,59 mg/L e 0,20 mg/L respectivamente). A “ausência” destes elementos está relacionada à pouca presença de matéria orgânica no escoamento, visto os baixos teores de matéria orgânica presentes nos sólidos suspensos voláteis (10%). Esse fato explica também os baixos valores amostrados para DBO 5 . Entretanto, a ordem de grandeza desse último parâmetro e de DQO está condizente com o levantamento do estado da arte realizado por Vivacqua (2005) em relação ao escoamento superficial urbano de origem viária (tabela 5.8). A princípio, analisando as concentrações encontradas em cada evento, nota-se que eventos com maiores e com menores cargas de poluição foram, respectivamente, os de 06/04/09 e 28/06/09. Contudo, se essa análise é feita em conjunto com as características desses eventos, percebe-se uma correlação negativa entre período seco anterior, intensidade e precipitação Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 118 total com as cargas dos poluentes, fato esse, inverso ao que se esperava encontrar. Entretanto, uma informação importante não está explícita entre os dados apresentados, a qual se refere à reforma do pavimento da área de drenagem realizada em meados de maio de 2009. O impacto desta ação é refletido nas concentrações de SST registradas no mês de junho. Portanto, notase como o estado da área de drenagem influencia bastante as cargas de poluentes do escoamento urbano e como uma análise puramente matemática entre as características climatológicas e as concentrações de poluentes pode levar a conclusões incorretas. Tabela 5-8 - CME de todos os parâmetros analisados no escoamento superficial referente aos eventos registrados pelo amostrador automático Parâmetro DQO (mgO2/L) DBO 5 30/03/09 06/04/09 01/05/09 06/06/09 28/06/09 Média 287 619 485 662 114 434 Literatura técnica 340* 64 - 72 34 49 65* 1,04E+6 - 8,04E+6 4,20E+4 2,30E+6 1,27E+6 - 1,93E+7 1,44E+7 8,80E+6 1977 239 <0,002 0,081 0,075 0,377 0,019 0,015 0,379 1610 201 <0,002 0,060 0,112 0,325 0,018 0,035 0,506 548 111 <0,002 0,018 0,065 0,245 0,006 0,008 0,424 349 60 - 1213 160 <0,002 0,058 0,088 0,374 0,017 0,024 0,427 24 (mgO2/L) E.coli 3,65E+4 (NMP/100ml) Coliformes totais 1,85E+5 (NMP/100ml) SST (mg/L) 1572 SSV(mg/L) 189 Cd total (mg/L) 0,005 Cr total (mg/L) 0,074 Cu total (mg/L) 0,099 Mn total (mg/L) 0,550 Ni total (mg/L) 0,024 Pb total (mg/L) 0,038 Zn total (mg/L) 0,401 1,0E+3 a 1,0E+6** 1,0E+4 a 1,0E+7** 594* 30* 0,0011* 0,060* 0,004*** 0,080* 0,320* *Vivacqua (2005); **Bertrand-Krajewski (2006); *** Daligaut et al (1998) A figura 5.7 ilustra as dispersões das amostragens efetuadas com o amostrador automático por meio dos gráficos box & whisker das medidas de tendência central, de variação e de posicionamento (mediana, máximos, mínimos e quartis). O parâmetro que apresentou maior dispersão foram os sólidos suspensos totais, e o de menor dispersão foi a DBO 5 . As deteriorações e as recuperações paliativas ao longo de todo o período de monitoramento do experimento no pavimento que recobre a área de drenagem e a baixa carga de matéria orgânica freqüentemente encontrada na via são os responsáveis respectivamente por estes comportamentos. Salienta-se, que os resultados mostraram uma tendência para todos os parâmetros, à exceção do manganês, de concentração de suas medianas próximas ao primeiro quartil, ou seja, 25% da amostragem. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 119 Todas as medidas de tendência central, de variação e de posicionamento das amostras coletadas pelo aparelho ISCO 3700 estão apresentadas no anexo E. Figura 5-7 – Representação gráfica da dispersão das amostras coletadas pelo amostrador ISCO 3700 5.4.2 Polutogramas Uma maneira interessante de analisar o comportamento dos poluentes ao longo de um evento chuvoso é por meio dos polutogramas. Dessa forma, escolheram-se as precipitações mais representativas dentre aquelas mencionadas anteriormente na tabela 5.5. O restante dos polutogramas encontra-se no anexo F. Portanto, os seguintes eventos serão apresentados: 30/03/09 e 06/04/09. A precipitação de 30/03/2009, que apresentou um total de 5,9mm em 30 minutos, ilustra claramente um comportamento típico da maioria dos escoamentos superficiais analisados, a ocorrência do fenômeno denominado carga de lavagem, o qual apresenta um volume inicial Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 120 de poluente bastante superior ao restante do evento. O polutograma de sólidos suspensos ilustra bem essa idéia (figura 5.8). Para este caso, o pico do hidrograma corresponde praticamente ao pico do polutograma, com um atraso de 8 minutos somente, que é um valor próximo do tempo de concentração da área de drenagem, ressaltando-se que 50% do fluxo de sólidos entraram nos primeiros 12 minutos. Os parâmetros DBO e DQO também apresentaram a mesma característica que os SST, evidenciando assim, que a pequena carga de matéria orgânica contida na área de drenagem é também rapidamente evacuada no início do evento chuvoso. A evolução da condutividade e da turbidez ao longo do escoamento mostra que tais parâmetros apresentaram uma proporcionalidade inversa com o fluxo, um padrão típico de diluição com as chuvas (figura 5.8). Entretanto, os coliformes totais e E.coli se mostraram relativamente constantes ao longo do tempo. Após a análise da evolução das concentrações dos metais pesados ao longo do evento de 30/03/2009 (figura 5.8), nota-se um aumento razoável para Pb, Ni, Cr, e Cu (em torno de 10%) de suas concentrações ao final do escoamento e um aumento elevado para Zn e Mn (em torno de 100%), comportamento esse, explicado pela forte adsorção dos metais pesados às partículas finas, que por sua vez predominam ao final do escoamento superficial e pela maior mobilidade do Zn e Mn. Por fim, ressalta-se o nível surpreendentemente elevado de sólidos (1400 mg/L), mesmo ao final do evento. A principal fonte destes sólidos é a abrasão seguida da erosão do asfalto da via mostrando cada vez mais pontos de ruptura no pavimento ao final da estação chuvosa. A precipitação de 06/04/2009, que apresentou um total de 4,1mm em 120 minutos, ilustra claramente um comportamento atípico da maioria dos escoamentos superficiais analisados, a não ocorrência do fenômeno denominado carga de lavagem, ou seja, uma diluição dos poluentes mais distribuída ao longo do escoamento gerado (figura 5.9). Para este evento destaca-se, em relação à condutividade e à turbidez, a manutenção da proporcionalidade inversa com o fluxo de água, mostrando assim, que mesmo em chuvas com comportamentos diferentes, esses parâmetros não apresentaram variações bruscas entre as duas precipitações. Mais uma vez os parâmetros bacteriológicos evidenciaram uma pequena variação de suas concentrações ao longo da amostragem (figura 5.9). Contudo, essa Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 121 constância deve ser relativizada em função da enorme ordem de grandeza dos valores em questão. Os demais poluentes oscilaram de maneira aleatória. Em suma, percebe-se que a grande diferença entre os eventos de 30/03/09 e 06/04/09 foi a distribuição da precipitação, a qual apresentou uma curta duração para a primeira chuva e uma longa para a segunda. Para o evento de 06/04/09, nota-se uma incoerência entre o hietograma e o hidrograma, uma vez que este último decresce no início do evento ao mesmo tempo que a precipitação aumenta. Esse comportamento pode ser explicado por uma obstrução momentânea do orifício de saída da boca de lobo ocasionada por algum objeto estranho, ou por uma decréscimo rápido da intensidade da chuva que não tenha sido registrado pelo pluviógrafo, o qual possui intervalo de tempo igual a 15 minutos. Deve ser observado que o tempo de resposta da área de drenagem é muito curto, em torno de 5 a 8 minutos. Ressalta-se que a diferença entre os hidrogramas usados conjuntamente com os polutogramas e aqueles conjugados com os hietogramas é resultado dos diferentes passos de tempo utilizados, no primeiro caso, o passo de tempo adotado foi de 4 minutos e no segundo caso de 1 minuto. Portanto, a vazão de pico ligada aos hietogramas é ligeiramente maior que àquela ligada aos polutogramas, uma vez que o seu intervalo de tempo foi menor, resultando assim, em um maior detalhamento do hidrograma. Por fim, apesar do número extremamente reduzido de amostras, nota-se a predominância de precipitações de curta duração e intensidades maiores no início do evento para o período de monitoramento desta pesquisa, ou seja, 2008/2009. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 122 45 SST 40 4000 SSV 35 3500 Vazão 30 vazão 4 25 20 5 15 6 SST, SSV (mg/L) chuva Vazão (L/s) 2 3 10 7 8 10 1500 1000 0 0 30/03/09 5 0 20 40 60 Tempo (min) 3500 30 Turbidez 3000 25 25 160 Vazão 20 100 15 Condutividade Vazão 80 10 60 40 Vazão (L/s) 120 Turbidez (NTU) 2500 140 20 2000 15 1500 10 1000 5 500 0 0 5 20 20 40 700 30 600 DQO DBO Vazão 500 25 20 400 15 300 10 200 5 100 0 0 0 20 20 40 60 3.5E+05 30 Vazão E.coli 3.0E+05 25 Coliformes totais 2.5E+05 20 2.0E+05 15 1.5E+05 10 1.0E+05 5 5.0E+04 0.0E+00 0 0 40 20 60 Evento dia 30/03/2009 Tempo (min) 1.60 0 0 60 E.coli, Coliformes totais (NMP/100ml) 0 40 60 30 1.40 25 1.20 20 1.00 0.80 15 0.60 Vazão (L/s) Metais pesados (mg/L) Vazão (L/s) 0 Vazão (L/s) Condutividade (uS/cm) 15 2000 500 180 20 2500 5 30 25 3000 0 200 DBO, DQO (mgO2/L) 30 4500 Vazão (L/s) 1 Precipitação (mm) 5000 50 Vazão (L/s) 0 10 0.40 5 0.20 0.00 0 0 10 Cd Cr 20 Cu 30 Mn Tempo Ni (min) 40 Pb 50 Zn 60 Vazão Figura 5-8 – Polutogramas de 30/03/2009 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 123 0 3000 9 14 7 Vazão 8 3 6 4 4 5 SST, SSV (mg/L) 10 2 6 SST SSV Vazão 2000 5 1500 4 1000 3 2 500 1 0 30 40 50 60 70 80 90 0 100 0 0 500 450 400 Condutividade 350 Vazão 9 3500 8 3000 20 40 60 80 100 9 8 7 7 5 250 4 200 3 150 100 2 50 1 0 0 Vazão (L/s) 300 Turbidez (NTU) 2500 6 6 2000 5 1500 4 3 1000 2 Turbidez 500 1 Vazão 0 20 40 60 Tempo (min) 1400 80 0 0 100 0 7 20 40 60 3.0E+06 5 800 4 600 3 400 2 200 1 0 0 Metais pesados (mg/L) 0 Tempo (min) 50 E.coli, Coliformes totais (NMP/100ml) Vazão 1000 Vazão (L/s) DQO, DBO (mg O2/L) 6 DBO 80 100 7 Vazão E.coli DQO 1200 Vazão (L/s) 20 6 Coliformes totais 2.5E+06 5 2.0E+06 4 1.5E+06 3 1.0E+06 Vazão (L/s) 10 2 5.0E+05 1 0 0.0E+00 100 0 20 40 60 80 100 1.40 7 1.20 6 1.00 5 0.80 4 0.60 3 0.40 2 0.20 1 0.00 Vazão (L/s) 0 Condutividade (uS/cm) 6 Vazão (L/s) Chuva 2 8 2500 12 Vazão (L/s) Precipitação (mm) 1 0 0 10 20 30 Cd Cr 40 Cu 50 Tempo (min) Mn Ni 60 70 Pb Zn 80 90 100 Vazão Figura 5-9 - Polutogramas de 06/04/2009 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 124 5.4.3 Ocorrência da carga de lavagem ou first-flush Visando a verificação do fenômeno carga de lavagem sobre os eventos amostrados, seguiu-se a metodologia das curvas M(V) detalhadas por Bertrand-Krajewski et al. (1998). Ressalta-se que esse procedimento é bastante difundido no meio acadêmico (GNECCO et al., 2005). Em geral, os parâmetros sólidos suspensos totais (SST), DBO 5 e DQO apresentaram um comportamento semelhante (figuras 5.10). Eles indicaram a ocorrência da carga de lavagem para todos os eventos amostrados registrados nesta pesquisa, à exceção da precipitação de 06/04/09, fato esse, explicado pela longa duração e baixa intensidade desta chuva (ver figuras 5.8 e 5.9), o que vai de encontro à hipótese proposta por Urbonas e Stahre (1993), a qual presume que o fenômeno chamado carga de lavagem depende da intensidade e duração da chuva. Em relação aos parâmetros bacteriológicos, E.coli e coliformes totais, percebeu-se que eles não indicaram a existência do first-flush, uma vez que as suas curvas M(V) permaneceram muito próximos da bissetriz, exceto a precipitação de 06/04/09 (figura 5.10). Todos os metais analisados (Mn, Cd, Ni, Cr, Cu, Zn e Pb) mostraram o mesmo comportamento, ou seja, evidenciaram a ocorrência do first-flush em todos os eventos. A figura 5.10 apresenta a curva M(V) do Zn que é o metal de maior mobilidade dentre os sete. Portanto, ele foi o escolhido para representar a tendência dos metais neste caso. Em resumo, baseado nos dados coletados nesta pesquisa, nota-se que para uma análise mais aprofundada sobre a carga de lavagem, o melhor parâmetro para se utilizar é o SST, haja vista as variações de suas curvas M(V), além da maior facilidade e confiabilidade dos resultados de suas análises laboratoriais, assim como foi verificado por Budai e Buzas (2007). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 125 1.00 DQO (Macum/Mtotal) SST (Macum/Mtotal) 1.00 0.80 0.60 0.40 0.20 0.00 0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 0.80 0.60 0.40 0.20 0.00 0.00 1.00 0.20 1.00 1,00 0.80 0,80 Zn (Macum/Mtotal) Bacteriológicos (Macum/Mtotal) SST(Vacum/Vtotal) 0.60 0.40 0.20 0.00 0.00 0.40 0.60 DQO(Vacum/Vtotal) 0.80 1.00 0,80 1,00 0,60 0,40 0,20 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00 0,00 0,00 0,20 Bacteriológicos (Vacum/Vtotal) 0,40 0,60 Zn (Vacum/Vtotal) 1,00 DBO5 (Macum/Mtotal) 0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 DBO5 (Vacum/Vtotal) 30/3/2009 6/4/2009 6/6/2009 bissetriz 28/06/2009 Figura 5-10 – Curvas M(V) Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 126 5.4.4 Correlações entre SST e metais pesados Diversas referências bibliográficas (e.g: BERTRAND-KRAJEWSKI, 2006; VIEIRA, 2008), citam a forte ligação entre SST e metais pesados, em função do processo de adsorção que ocorre devido ao aporte de sedimentos no escoamento superficial de origem pluvial. De forma a comprovar esta correlação, calcularam-se os coeficientes de correlação R entre os metais e os SST verificados nesta pesquisa por meio do amostrador automático ISCO 3700. Os resultados dessa análise estatística estão apresentados na tabela 5.9. Ressalta-se que quanto mais próximo de 1 ou –1 o coeficiente R estiver melhor é a correlação entre as variáveis, e de acordo com Bertrand-Krajewski (2006), R passa a ser significante a partir de 0,70 ou –0,70. Portanto, segundo os valores de R calculados, o único metal que não demonstrou uma correlação significante com os SST foi o cromo. Esse comportamento se deve provavelmente à maior dificuldade do cromo em ser adsorvido pelas partículas de sólidos ao se comparar com os outros metais analisados. Tabela 5-9 - Coeficientes de correlação R entre metais e SST referentes aos eventos registrados pelo amostrador automático ISCO 3700. SST 5.4.5 Cr 0,50 Cu 0,77 Mn 0,77 Ni 0,80 Pb 0,81 Zn 0,72 SST 1,00 Relações entre as concentrações de sólidos e a chuva Diversas análises dos coeficientes de correlação R foram realizadas nos dados pluviométricos registrados nesta pesquisa, de forma a compreender a correlação entre os parâmetros climatológicos de um determinado evento chuvoso e o comportamento das concentrações de sólidos suspensos totais (SST) resultantes. Lembrando que, em virtude do tipo de amostragem realizada entre outubro de 2008 e março de 2009, o coeficiente CME/CPVC seria somente coerente se fossem agrupados eventos semelhantes. Utilizaram-se, portanto, os eventos que evidenciaram o first-flush, uma vez que tal fenômeno foi a característica predominante das precipitações registradas nesta pesquisa. A tabela 5.10 apresenta as diversas precipitações amostradas e suas respectivas concentrações de SST. Ressalta-se, que todos os escoamentos amostrados nesta pesquisa foram gerados por meio de precipitações com tempo de retorno (TR) menores que 01 ano, fato esse relevante para o estudo em questão, tendo em vista que são os eventos chuvosos de maior probabilidade de Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 127 ocorrência que geram as cargas poluidoras freqüentemente atreladas à poluição difusa de origem pluvial. Tabela 5-10 - Características pluviométricas e suas respectivas concentrações de SST Período Duração da Int. Int. SST SST Precipitação seco data precipitação média 15min max** med.*** total (mm) anterior (min) (mm/h) (mm/h) (mg/L) (mg/L) (dias) 31/10/08 15,2 30 12 30,4 16,4 1596 870 07/11/08 11,5 240 1,5 2,9 6,0 616 336 08/12/08 6,7 75 9 5,4 14,0 1660 905 22/12/08 0,9 30 3 1,8 3,2 1452 791 01/02/09 2,3 15 4 9,2 8,8 1451 791 13/02/09 40 360 0,5 6,7 38,8 1763 961 01/05/09 12,1 90 23 8,1 12,8 3104 1610 06/06/09 0,9 20 25 2,7 2,4 1425 548 28/06/09 16,3 90 22 10,9 42,0 2103 349 *Intensidade referente aos primeiros 15 minutos do evento, intervalo que corresponde ao passo de tempo do pluviômetro do CDTN. **valores registrados no amostrador de PVC. *** utilização do coeficiente CME/CPVC para os eventos anteriores à 30/03/09 (ver item 5.2) A tabela 5.11 apresenta os valores dos coeficientes R mencionados no parágrafo anterior. Dentre os seus resultados, destaca-se a correlação entre a concentração máxima de SST e o período seco anterior ao evento, mostrando que o número de dias secos foi a variável independente que melhor se relacionou com o pico do polutograma de SST. Ressalta-se também a correlação entre a intensidade inicial da chuva e a carga máxima de SST, que se apresentou como o segundo melhor valor, evidenciando uma coerência entre os dados pluviométricos e as análises de sólidos, uma vez que, em virtude da utilização de eventos com first-flush, a lógica era que a intensidade inicial se correlacionaria melhor com a concentração máxima de SST que os outros dados da chuva. Para as concentrações médias de SST, os valores de R encontrados foram desprezíveis, o que provavelmente se explica pela utilização de eventos com amostragens distintas. Aqueles entre 31/10/08 e 13/02/09 utilizaram somente o amostrador de PVC, enquanto que os de 30/03/09 a 28/06/09 usaram tanto o amostrador de PVC quanto o ISCO 3700. Desta forma, fez-se necessário a utilização de um coeficiente CME/CPVC (ver item 5.2) para ajustar e agrupar todos os eventos, e como são ainda poucas as precipitações registradas, a consistência estatística deste coeficiente é ínfima, fato esse, que colaborou para as baixas correlações verificadas para as concentrações médias de SST. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 128 Deve ser observado que, até o presente momento, o número de eventos registrados pelo amostrador automático é pequeno, no caso 5. Por isso, faz-se necessário a utilização dos eventos amostrados somente pelo amostrador de PVC, no caso 6. Tabela 5-11 - Coeficientes de correlação R entre as concentrações máximas e médias de SST dos eventos e os dados climatológicos (N=9) Precipitação total (mm) Período seco Duração da Int. média anterior precipitação (mm/h) (dias) (min) Int. 15min (mm/h) SSTmax (mg/L) 0,19 0,58 -0,14 0,18 0,35 SSTmed (mg/L) 0,15 0,04 -0,01 0,08 -0,06 N = número de amostras Visando a construção de uma equação que possa estimar as concentrações máximas e/ou médias de SST a partir dos dados de uma determinada precipitação, elaboraram-se diversas regressões lineares múltiplas entre as variáveis climatológicas de cada evento chuvoso registrado na amostragem realizada à caixa de passagem e as concentrações de SST. Devido aos valores dos coeficientes R apresentados na tabela 5.11, somente as concentrações máximas foram analisadas. Os resultados dessas regressões indicaram primeiramente, a enorme dificuldade de se estimar a concentração máxima de SST por meio dos cincos parâmetros climatológicos citados anteriormente na tabela 5.11, haja vista os altos desvios relativos, em média 42,5%, encontrados entre os valores observados e as estimativas (figura 5.12). Notaram-se também, que o uso das variáveis duração e intensidade média não acrescentou muito valor às estimativas, situação essa, aguardada em função das baixas correlações entre essas variáveis e as concentrações de SST. Entretanto, mesmo o parâmetro precipitação total tendo apresentado uma correlação baixa, R = 0.19, o acréscimo dessa variável à regressão linear melhorou sensivelmente as estimativas (figura 5.11), reduzindo assim, os desvios relativos observados na figura 5.12. Em resumo, deve ser observado que, por enquanto, os resultados desta pesquisa se basearam em um número muito reduzido de amostras, no caso 9, considerando assim, muito precipitada uma conclusão aprofundada a respeito de estimativas da carga de SST por meio de dados Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 129 climatológicos, por este fato não foram apresentadas nesta pesquisa as equações resultantes das estimativas. A figura 5.11 ilustra as correlações entre as concentrações observadas (C_Obs) e as estimativas dessas concentrações por meio de regressões lineares múltiplas a partir dos seguintes parâmetros: precipitação total (Ptot), dias secos anteriores (DS) e intensidade média da chuva (Imed), intensidade dos primeiros 15 minutos da chuva (I15) e a duração (Dur). A figura 5.12 ilustra os desvios relativos em termos de porcentagem entre as concentrações estimadas e os valores observados. O acréscimo de cada uma das variáveis independentes à regressão linear múltipla se fez em função do grau de correlação delas com a massa observada, ou seja, a primeira regressão utilizou somente DS, pois esse foi aquele que apresentou o maior coeficiente R, a segunda agregou a variável I15 e DS, e por assim em diante. Para as figuras a seguir, 5.11 e 5.12, as legendas foram representadas da seguinte maneira: (i) C_DS = concentração máxima de SST estimada por meio de regressão linear da variável: dias secos anteriores; (ii) C_DS_I15 = concentração máxima de SST estimada por meio de regressão linear múltipla das variáveis: dias secos anteriores e intensidade média dos primeiros 15 minutos da chuva; (iii) C_DS_I15_Ptot = concentração máxima de SST estimada por meio de regressão linear múltipla das variáveis: dias secos anteriores, intensidade média dos primeiros 15 minutos da chuva e precipitação total; (iv) C_DS_I15_Ptot_Imed = concentração máxima de SST estimada por meio de regressão linear múltipla das variáveis: dias secos anteriores, intensidade média dos primeiros 15 minutos da chuva, precipitação total e intensidade média da chuva; (v) C_DS_I15_Ptot_Imed_D = concentração máxima de SST estimada por meio de regressão linear múltipla das variáveis: dias secos anteriores, intensidade média dos primeiros 15 minutos da chuva, precipitação total, intensidade média da chuva e duração da chuva. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 130 4000 Concentrações estimadas (mg/L) 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 Concentrações observadas (mg/L) C_DS C_DS_I15 C_DS_I15_Ptot C_DS_I15_Ptot_Imed C_DS_I15_Ptot_Imed_D Figura 5-11 – Correlação entre as concentrações observadas e as concentrações estimadas por meio de regressões lineares múltiplas a partir de variáveis climatológicas. 100.0 90.0 Desvio relativo (%) 80.0 70.0 60.0 50.0 40.0 30.0 20.0 10.0 0.0 1 2 3 4 5 Eventos 6 7 C_DS C_DS_I15 C_DS_I15_Ptot C_DS_I15_Ptot_Imed 8 9 C_DS_I15_Ptot_Imed_D Figura 5-12 – Desvios relativos entre a concentração máxima de SST observada e a concentração estimada pela regressão linear múltipla com 1, 2, 3, 4 e 5 parâmetros. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 131 5.5 Vala de detenção 5.5.1 Remoção de sólidos suspensos Amostras compostas de água proveniente dos escoamentos monitorados foram coletadas à saída da vala de detenção a partir de outubro de 2008 (tabela 5.10). As análises de qualidade de água obtidas pelo amostrador por tubos de PVC e pelo amostrador automático, a partir de março de 2009, à entrada da vala, foram associadas às amostras compostas à saída, de forma a avaliar seu desempenho em termos de abatimento das cargas poluentes afluentes. Analisando os resultados das precipitações registradas pelo amostrador de PVC, nota-se que a eficiência inicial da vala de detenção apresenta um comportamento bem padronizado para remoção de sólidos, com um desvio padrão razoavelmente baixo (ver figura 5.13), variando entre 58% a 81% de remoção de SST. Percebe-se que as características da precipitação não influem muito nesta eficiência. O fato do amostrador de PVC ser capaz de amostrar apenas os primeiros 4 minutos do evento, aproximadamente, associado à ocorrência freqüente de cargas de lavagem introduz um viés significativo sobre a análise de desempenho da vala de detenção em termos de eficiência de remoção de poluentes, evidenciando os limites dessa técnica de amostragem. Entretanto, verificando os valores de remoção de sólidos corrigidos pelo coeficiente CME/CPVC (ver item 4.5.3) conjuntamente com aqueles observados para as precipitações coletadas automaticamente, nota-se que a eficiência da vala começa a entrar em consonância com os dados pluviométricos e com o tempo de detenção averiguado, pois as chuvas mais intensas (31/10/08 e 01/02/09) apresentaram maior eficiência, enquanto àquelas de grande duração tiveram comportamento inverso (tabela 5.12). Ressalta-se que esta correção encontrase ainda em um nível bastante grosseiro, haja vista o alto desvio padrão da eficiência corrigida se comparado à eficiência inicial (figura 5.13). Os resultados da tabela 5.12 indicaram também que a produção de sedimentos da área de contribuição aumentou até meados de maio de 2009, conforme já mencionado, uma vez que durante o período coberto pelo monitoramento da vala de detenção o pavimento da via sofreu processo de forte abrasão, resultando em pontos de ruptura e levando a processos de erosão da base e da sub-base da via. Entretanto, em junho de 2009 as concentrações de SST caíram Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 132 bruscamente, em torno de 200%. Esse fato deveu-se aos trabalhos mais eficazes de recuperação da área de drenagem, ou seja, o pavimento. Em termos de eficiência, ambas as análises estão em consonância com a literatura técnica. A título de exemplo, Crabtree et al.(2005) encontraram remoções de 43% para as concentrações de sólidos suspensos a jusante de tanques de sedimentação. Ainda que se deva ressaltar que o dimensionamento da vala de detenção teve como critérios adotados em projeto que privilegiaram, sobretudo, metas de amortecimento de cheias e não propriamente objetivos de controle de poluição. Vale destacar que, a vala sempre produzirá um efeito de detenção. Entretanto, se o evento for de baixa intensidade e vazões reduzidas, a detenção relativa será menor, tendo em vista o projeto para o evento de TR = 10 anos. As precipitações amostradas automaticamente ilustram claramente essa afirmação (ver tabela 5.12). Neste estudo o tempo de detenção foi calculado a partir dos registros efetuados pelo sensor piezoresistivo dos níveis de água internos à vala. O tempo de detenção foi definido como aquele para o qual o NA dentro da vala afoga o orifício à saída. Tabela 5-12 – Remoção de sólidos suspensos totais pela vala de detenção Precipitação Qualidade da água Parâmetros da vala Período Tempo SST SST* SST Eficiência Eficiência seco Duração altura de ent. entr. saída inicial corrigida* anterior detenção (dia) (min) (mm) (mg/l) (mg/l) (mg/l) (min) 31/10/08 12 30 15,2 1596 870 308 81% 65% 55 7/11/08 1,5 240 11,5 616 336 256 58% 24% 200 8/12/08 9,0 75 6,7 1660 905 702 58% 22% 98 22/12/08 3,0 30 0,9 1452 791 529 64% 33% 54 01/02/09 4,0 15 2,3 1451 791 183 87% 77% 62 13/02/09 0,5 360 40,0 1763 961 766 57% 20% 345 06/04/09** 5 120 4,1 1977 1862 6% 110 01/05/09** 23 90 12,1 1610 862 46% 108 06/06/09** 25 20 0,9 548 523 5% 28 28/06/09** 22 90 16,3 349 156 55% 132 Evento *valores corrigidos pelo coeficiente CME/CPVC (ver item 5.2) ** eventos amostrados pelo aparelho ISCO 3700 A figura 5.13 (à direita) ilustra por meio dos gráficos Box & Whisker, que utilizam a mediana como medida central, a alta variabilidade das eficiências na remoção de SST da vala de detenção. Esse comportamento ocorreu em função da alta variabilidade das características das precipitações. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 133 Após a correção das CME’s de SST do escoamento afluente à vala por meio do coeficiente CME/CPVC, percebe-se que o desvio padrão mostrado pelo Box & Wisker que utiliza a média como medida central praticamente dobrou (figura 5.13 à esquerda), comportamento esse, que entra em consonância com os dados da literatura, uma vez que desvios padrões elevados são comuns em dispositivos de detenção, freqüentemente associados à re-suspensão de sedimentos antigos pelos novos eventos chuvosos. A figura 5.14 apresenta a variabilidade das amostras coletadas à entrada do sistema e à saída da vala de detenção, o que possibilita visualizar o desempenho satisfatório deste dispositivo para a remoção de SST. A grande discrepância entre o número de amostras a montante (108) e a jusante (4) da vala se deve à metodologia de amostragem, sendo coletadas amostras de forma contínua a montante e composta a jusante. Figura 5-13 – Média (à esquerda) e mediana (à direita) da eficiência inicial e da eficiência corrigida da vala de detenção. Figura 5-14 – Distribuição espacial da variabilidade da remoção de SST por meio da vala de detenção (eventos amostrados pelo ISCO 3700, n=108 para entrada e n=4 para saída). Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 134 5.5.2 Remoção de metais pesados Para análise dos metais pesados a elaboração de um coeficiente de correção entre CME e CPVC não se mostrou eficiente, pois a aplicação deste coeficiente resultou em valores negativos para as remoções. Tal fato se explica provavelmente pela pequena ordem de grandeza das concentrações de metais, em torno de 0,001 mg/L. Portanto, qualquer variação nestes valores, por mais que seja mínima, provoca fortes alterações em termos de porcentagem. Nesse sentido, os eventos foram separados em dois grupos: um com as amostras coletadas pelo amostrador de PVC (tabela 5.13) e outro com as amostras coletadas pelo amostrador ISCO 3700 (tabela 5.14). O monitoramento da série de metais pesados para os nove eventos citados anteriormente (ver tabela 5.12), exceto o de 28/06/09, evidenciou que as águas de escoamento superficial provenientes da área de contribuição não atendem os limites da resolução CONAMA 357/2005 (CONAMA, 2005) para o padrão de classe 2. De uma forma geral, a exceção do Ni e do Cr, todos os demais poluentes analisados violam constantemente os limites mencionados, particularmente o Cu, o Zi, o Pb e o Mn. Esses poluentes, tipicamente, têm origem na infraestrutura viária e na circulação de automóveis; o desgaste de pneus é a principal fonte de Cu e Zi; a abrasão do pavimento asfáltico origina o Pb e o Mn tem origem na erosão do solo ou, eventualmente, no desgaste de peças de aço. Ressalta-se, que o Cd ultrapassou o limite de detecção (LD) (0.002 mg/L) utilizado no laboratório de saneamento da UFMG para somente 01 evento em questão. Dessa maneira, é razoável a hipótese de ausência de Cádmio no escoamento superficial nos eventos amostrados. Para os eventos do amostrador de PVC, as remoções de todos os metais apresentaram valores razoavelmente próximos, em torno de 55%, à exceção do Pb com 88,6%, comportamento explicado talvez pela fonte principal do chumbo, o desgaste do pavimento asfáltico, que por sua vez está vinculado às partículas maiores, as quais são mais facilmente retidas pela vala de detenção. Destaca-se, que as porcentagens de remoção de metais mencionadas anteriormente se mostraram coerentes com aquelas obtidas por USEPA (2008), que encontrou valores entre 40 a 60% para remoções de metais em dispositivos de detenção. Em relação aos eventos do amostrador ISCO 3700, as remoções também indicaram valores razoavelmente próximos, em torno de 21,5%. Percebe-se uma diferença significativa entre os dois tipos de amostragens no que tange a porcentagem de remoção dos metais pesados. Esse Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 135 comportamento mostra que as análises de eficiência baseadas nos resultados do amostrador de PVC foram superestimadas, visto que, os resultados do amostrador automático têm maior representatividade, pois a sua amostragem é realizada ao longo de todo o evento. Em suma, pode-se afirmar que a vala de detenção apresentou uma taxa de remoção de metais bem inferior à literatura técnica, situação talvez explicada pelo fato de que o dimensionamento da vala de detenção teve como objetivo principal o amortecimento de cheias e não propriamente o controle de poluição. Embora, deva-se considerar que para os poluentes que apresentaram baixa concentração, como Cr e Pb, o monitoramento à saída do dispositivo indicou que os efluentes não atingiram os limites estabelecidos para o padrão Classe 2 do CONAMA. Os valores relativamente elevados dos desvios padrões encontrados, aproximadamente 20%, (tabela 5.13 e 5.14) são comuns em dispositivos de detenção, freqüentemente associados à resuspensão de sedimentos antigos pelos novos eventos chuvosos, conforme mencionado no item anterior. Tabela 5-13 - Remoção média de metais pesados pela vala de detenção dos eventos amostrados pelo amostrador de PVC Entrada média Cr Cu Pb Zn Ni Cd Mn mg/L 0,034 0,087 0,047 0,394 0,017 <LD 0,505 % de eventos com concentração acima da norma 0% 100% 100% 100% 17% 100% Saída média mg/L 0,029 0,069 0,017 0,253 0,015 <LD 0,304 % de eventos com concentração acima da norma 0% 100% 17% 33% 0% 100% Remoção média Desvio padrão da remoção % 59,0 43,6 88,6 52,1 57,5 55,1 % 26,5 18,8 9,4 19,9 12,2 22,7 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 136 Tabela 5-14 - Remoção média de metais pesados pela vala de detenção dos eventos amostrados pelo amostrador ISCO 3700. Entrada média Cr Cu Pb Zn Ni Cd Mn mg/L 0,058 0,088 0,024 0,427 0,017 <LD 0,374 % de eventos com concentração acima da norma 75% 100% 50% 100% 0% 100% Saída média mg/L 0,033 0,063 0,008 0,316 0,010 <LD 0,260 % de eventos com concentração acima da norma Remoção média Desvio padrão da remoção % 27,5 10,5 35,4 22,1 18,9 14,7 % 15,3 4,0 2,9 16,5 3,1 12,7 0% 100% 0% 100% 0% 100% As figuras 5.15 e 5.16 ilustram claramente a distribuição espacial da remoção de metais por meio da vala de detenção, visto que os Box & Wisker apresentados nestas figuras correspondem à entrada do sistema e à saída da vala de detenção. Escolheu-se o Pb e o Zn para esses gráficos por serem os mais representativos das fontes de poluição automotiva. O limite imposto pela lei CONAMA 357/2005 está ilustrado também. De uma maneira geral, notou-se que para os metais que apresentaram concentrações mais baixas a remoção se mostrou mais eficaz perante a norma do CONAMA (figura 5.15), para os demais essa eficacidade não atendeu à norma (figura 5.16). Assim como ocorrido para os SST, a grande discrepância entre o número de amostras de metais a montante (56) e a jusante (10) da vala se deve à metodologia de amostragem, sendo coletadas amostras de forma contínua a montante e composta a jusante. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 137 Figura 5-15 - Distribuição espacial da variabilidade da remoção de Pb por meio da vala de detenção para os eventos amostrados pelo ISCO 3700 (limite da CONAMA 357/2005 em vermelho). Figura 5-16 - Distribuição espacial da variabilidade da remoção de Zn por meio da vala de detenção para os eventos amostrados pelo ISCO 3700 (limite da CONAMA 357/2005 em vermelho). 5.5.3 Parâmetros que influenciam a eficiência de remoção na vala A mesma metodologia empregada nas correlações e estimativas para as massas encontradas na boca de lobo (item 5.3.2) e para as concentrações de SST (item 5.4.5) foi utilizada nas correlações e estimativas da eficiência da vala de detenção na remoção de SST por meio de dados climatológicos e do tempo de detenção do dispositivo. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 138 A principio, os coeficientes R indicaram que o período seco anterior e a intensidade média da chuva foram os parâmetros que melhor se correlacionaram com a eficiência da vala de detenção, considerando neste contexto a eficiência inicial. No que tange a eficiência corrigida, os parâmetros mais relevantes foram a intensidade média e a duração da chuva. A tabela 5.15 ilustra os valores de R. Visando aperfeiçoar as estimativas da eficiência da vala, criou-se uma variável que atrelou o tempo de detenção e a duração da precipitação, indicando a subtração do primeiro pelo segundo. Esse parâmetro se mostrou muito bem correlacionado à eficiência corrigida. Portanto, ao contrário de se fazer uso dos parâmetros tempo de detenção e duração da precipitação isoladamente, utilizou-se a combinação mencionada inicialmente. Os coeficientes R sugerem também a pertinência do emprego do coeficiente de correção CME/CPVC para a avaliação do desempenho da vala de detenção em termos de abatimento das concentrações dos SST, tendo em conta os valores de R encontrados para a eficiência corrigida (tabela 5.15). Tabela 5-15 - Coeficientes de correlação R entre as eficiências obtidas pela vala de detenção na remoção de SST, os dados climatológicos, e o tempo de detenção Eficiência inicial (%) Eficiência corrigida (%) -0,56 0,07 Período seco anterior (dias) 0,47 0,65 Intensidade média (mm/h) 0,12 -0,10 Precipitação total (mm) -0,01 -0,42 Duração da precipitação (min) 0,06 -0,29 Tempo de detenção (min) 0,39 0,74 (Tempo de detenção – duração) (min) Em termos de regressões lineares múltiplas, analisou-se somente a eficiência corrigida, em virtude de ter apresentado as melhores correlações. A figura 5.17, ilustra a correlação entre as eficiências observadas (E_Obs) e as estimativas dessas eficiências por meio de regressões lineares múltiplas a partir dos seguintes parâmetros: precipitação total (Ptot), dias secos anteriores (DS), intensidade média da chuva (Imed), tempo de detenção menos a duração da chuva (TD-D). A figura 5.18 ilustra os desvios relativos em termos de porcentagem entre as eficiências estimadas e os valores observados. O acréscimo de cada uma das variáveis independentes à regressão linear múltipla se fez em função do grau de correlação delas com a eficiência observada, ou seja, a primeira regressão utilizou somente TD-D, pois esse foi aquele que apresentou o maior coeficiente R, e por assim em diante. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 139 Os resultados indicaram que a precipitação total não contribuiu para o aperfeiçoamento das estimativas. Entretanto, o uso do período seco anterior nas regressões reduziu o desvio médio relativo em 15%. Portanto, mesmo não tendo apresentado boa correlação com a eficiência da vala (R=0,07), esse parâmetro agregou bastante valor às estimativas. Por fim, este estudo mostrou que, caso haja o interesse de se estimar a eficiência de uma vala de detenção com características semelhantes à desta pesquisa, a tendência, por enquanto, é de se utilizar as seguintes variáveis: Tempo de detenção–Duração, Dias secos anteriores, e Intensidade média da chuva. Ressalta-se, que esta etapa desse estudo encontra-se em uma fase extremamente inicial, visto os altos desvios relativos encontrados (figura 5.18), em média 30,2% com o uso dos três parâmetros supracitados, lembrando também que somente 01 ano hidrológico foi analisado até o momento. 90 80 Eficiências Estimadas (%) 70 60 50 40 30 20 10 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Eficiências Observadas (%) E_TD-D E_TD-D_Imed E_TD-D_Imed_DS E_TD-D_Imed_DS_Ptot Figura 5-17 – Correlações entre as eficiências observadas e as estimativas da eficiência na remoção de SST por meio de regressões lineares múltiplas em função das variáveis climatológicas e do tempo de detenção. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 140 100,0 Desvios relativos (%) 90,0 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 1 2 3 4 5 Eventos 6 7 E_TD-D E_TD-D_Imed E_TD-D_Imed_DS E_TD-D_Imed_DS_Ptot 8 9 Figura 5-18 – Desvios relativos entre a eficiência da vala observada e a eficiência estimada pela regressão linear múltipla com 1, 2, 3 e 4 parâmetros. Para as figuras anteriores, 5.17 e 5.18, as legendas foram representadas da seguinte maneira: (i) E_TD-D = eficiência na remoção de SST estimada por meio de regressão linear da variável: tempo de detenção menos a duração da chuva; (ii) E_TD-D_Imed = eficiência na remoção de SST estimada por meio de regressão linear múltipla das variáveis: tempo de detenção menos a duração da chuva, e intensidade média da chuva; (iii) E_TD-D_Imed_DS = eficiência na remoção de SST estimada por meio de regressão linear múltipla das variáveis: tempo de detenção menos a duração da chuva, intensidade média da chuva e dias secos anteriores; (iv) E_TD-D_Imed_DS_Ptot = eficiência na remoção de SST estimada por meio de regressão linear múltipla das variáveis: tempo de detenção menos a duração da chuva, intensidade média da chuva, dias secos anteriores e precipitação total. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 141 6 CONCLUSÕES O experimento executado com o apoio dos projetos PROSAB e SWITCH, na bacia hidrográfica do córrego Mergulhão em Belo Horizonte – Minas Gerais, discute questões relevantes para a gestão de águas urbanas, tais como: o grau de contaminação do escoamento superficial urbano, o risco de poluição do solo e das águas subterrâneas decorrentes de infiltração de águas pluviais, etc. Um aparato experimental foi concebido para atender a objetivos associados de pesquisa, demonstração e capacitação. Os resultados de monitoramento compreendem, até o presente momento, um período chuvoso (2008/2009). Apesar do número estatisticamente insuficiente de eventos amostrados, os resultados aqui apresentados e avaliados sugerem que dispositivos de retenção demonstraram um potencial interessante para emprego com fins de gerenciar a carga de poluentes com origem em sistemas viários. A redução desta carga está ligada principalmente aos poluentes associados aos sólidos em suspensão, tais como metais pesados ou HPA. A maioria dos poluentes estudados se mostrou, de uma maneira geral, bem correlacionados às partículas sólidas transportadas em suspensão, tendo em conta os comportamentos semelhantes dos polutogramas. Os resultados também sugerem que as melhorias na manutenção do sistema viário podem desempenhar um papel relevante para a redução da carga poluidora dos escoamentos superficiais durante a estação chuvosa. Uma mudança no tipo do material que recobre a Avenida Carlos Luz poderia acarretar em uma boa redução da carga de SST, ou seja, trocar a pista de asfalto por uma de concreto, que suporta melhor o tráfego de veículos pesados, o qual é fato recorrente nesta avenida. Um bom exemplo em Belo Horizonte é a Via Expressa, que possui recobrimento em concreto, e dificilmente apresenta erosões na pista. As altas concentrações de poluentes, como metais, SST e coliformes, dentro dos escoamentos superficiais urbanos analisados nesta pesquisa, apóiam a hipótese da implantação de sistemas alternativos para o controle de poluição em Belo Horizonte, uma vez que o tratamento in situ das águas pluviais escoadas em vias de tráfego intenso melhoraria a qualidade das águas de diversos cursos d’água urbanos. Esses altos teores de contaminação do escoamento superficial de origem pluvial da Avenida Carlos Luz reforçam a importância de se estudar a poluição difusa em áreas urbanas, considerando-se os prejuízos causados por tais poluentes ao meio ambiente. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 142 Dentre todos os parâmetros analisados em laboratório neste experimento, os únicos que não se mostraram significativos para o escoamento superficial de origem pluvial foram o nitrogênio total e o fósforo total, haja vista, as suas ínfimas concentrações encontradas nas amostragens. As curvas M(V) utilizadas para a verificação do fenômeno carga de lavagem demonstraram que o parâmetro sólidos suspensos totais (SST) foi o mais susceptível ao fenômeno da carga de lavagem. Ele acusou claramente a influência da distribuição ao longo do tempo da precipitação na ocorrência do fenômeno. Em relação às diversas estimativas elaboradas nesta pesquisa, aquelas relacionadas às massas de material granular encontradas dentro da boca de lobo foram as que apresentaram os melhores resultados, uma vez que os menores desvios relativos foram verificados nesta análise. Entretanto, elaborar uma conclusão aprofundada sobre as estimativas é ainda muito prematuro, visto o reduzido número de eventos analisados até o momento. As diversas análises de correlação permitiram concluir que o parâmetro de maior influência na quantidade de material granular encontrada dentro da boca de lobo foi a precipitação total (mm). Para as concentrações de sólidos suspensos totais o que mais influenciou foi o número de dias secos anterior. Enquanto que a variável que melhor explicou a eficiência da vala de detenção foi a combinação entre tempo de detenção e duração da precipitação, ou seja, TD-D (ver item 5.5.3). A respeito do amostrador de PVC, pode-se afirmar que a sua utilização se mostrou válida para as análises de sólidos suspensos somente após a criação do coeficiente que correlaciona a concentração média do evento registrada pelo amostrador automático ISCO 3700 (CME) e a concentração coletada pelo amostrador de PVC (CPVC) que corresponde aos primeiros 4 minutos do escoamento, ou seja, CME/CPVC, tendo em conta que os resultados corrigidos apresentaram coerência com os dados pluviométricos. Entretanto, o seu uso individual se mostrou inviável, em virtude da necessidade da utilização concomitante de um amostrador automático para a realização dos devidos ajustes das concentrações. O período de monitoramento do aparato experimental demonstrou, até o presente momento, que a manutenção e limpeza semanal da vala de detenção é parâmetro fundamental para o seu adequado funcionamento. Entretanto, para a trincheira de infiltração não houve necessidade de remoção da sua camada superior para limpeza, fato esse, ocorrido em virtude do período Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 143 monitorado ser o primeiro ano de operação do sistema. Deve ser observado que a manutenção dessas estruturas seria mais complicada, caso não houvesse a boca de lobo à entrada do aparato experimental, haja vista o efeito de retenção de sólidos grosseiros realizado por tal dispositivo. Todos os valores indicados nesta pesquisa devem ser considerados como ordens de grandeza, pois um aspecto essencial da poluição difusa dos escoamentos superficiais é a sua variabilidade, em função das diferenças de um local a outro, de uma precipitação a outra, das características urbanísticas, etc. Ressalta-se, que este estudo permite avaliar a importância da carga de poluição nos escoamentos urbanos e a necessidade de tratamentos apropriados dos mesmos. Ele também incita a realização de medidas específicas para cada caso estudado, e evidentemente com uma metodologia adequada. Acredita-se que, com o aprimoramento do aparato experimental e a constituição de uma série mais longa de dados de monitoramento, os experimentos aqui descritos possibilitarão novos desenvolvimentos em termos de análise estatística, modelagem de diferentes fases dos processos de escoamento pluvial e o funcionamento dos dispositivos, análises de incertezas em medições e modelagem, entre outras atividades futuras a serem realizadas pelos projetos PROSAB e SWITCH em Belo Horizonte. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 144 7 PERSPECTIVAS PARA FUTURAS PESQUISAS Primeiramente, recomenda-se o monitoramento de chuvas complementares por meio de um amostrador automático para melhorar a robustez estatística dos resultados apresentados nesta pesquisa. Em seguida, recomenda-se que sejam realizadas análises químicas do solo abaixo da trincheira de infiltração para verificação de possíveis contaminações do mesmo em virtude do favorecimento da infiltração do escoamento de origem pluvial no aparato experimental. Por último, propõe-se uma avaliação do comportamento hidráulico da vala e da trincheira por meio de testes em campo, que por sua vez simularão uma precipitação com o auxílio de um caminhão pipa, analisando, portanto, a montante e a jusante dos dispositivos. Análises químicas dos HPA em amostras líquidas para analisar as influências dos óleos e graxas encontrados no escoamento superficial de origem pluvial se mostram de grande interesse ao tema poluição difusa de origem viária, uma vez que a principal fonte de poluentes neste âmbito é a circulação de automóveis. Portanto, sugere-se a análise dos HPA em futuras pesquisas que visem o escoamento superficial de origem pluvial como objetivo principal. Um aspecto fundamental a ser analisado na operação das técnicas compensatórias é o seu ciclo de vida, assim como os seus custos de manutenção e implantação. Dessa maneira, uma proposta relevante para novos estudos seria o tema supracitado. Mudanças na metodologia de dimensionamento da vala de detenção que priorizem o abatimento da poluição difusa devem ser consideradas em futuras pesquisas que se utilizem deste tema, visto que neste estudo o objetivo principal do dimensionamento das estruturas foi o amortecimento de cheias. Outra tema interessante para a drenagem urbana seria a análise experimental do ciclo hidrológico por meio de um balanço hídrico completo, haja vista a forte ligação entre a poluição difusa e o ciclo hidrológico (URBONAS e STAHRE, 1993). Por fim, visto as altas concentrações de sólidos suspensos totais encontradas neste trabalho, recomenda-se uma análise aprofundada do processo de sedimentação na microdrenagem urbana por meio de modelagem computacional. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 145 REFERÊNCIAS ANGERVILLE, R.; EMMANUEL, E.; PERRODIN, Y.; Impact écotoxique potentiel sur les milieux récepteurs aquatiques de métaux en mélange dans les eaux pluviales urbaines, In: 6th INTERNATIONAL CONFERENCE ON SUSTAINABLE TECHNIQUES AND STRATEGIES IN URBAN WATER MANAGEMENT, Graie and INSA, Lyon, France: NOVATECH, 2007 ARYAL, R.K.; MURAKAMI, M; FURUMAI, H.; NAKAJIMA, F. JINADASA, H.K.P.K.; Prolonged deposition of heavy metals in infiltration facilities and its possible threat to groundwater contamination, In: 10th INTERNATIONAL CONFERENCE ON URBAN DRAINAGE, Institute of Environment & Resources Technical University of Denmark e Section of Environmental Engineering Aalborg University, Copenhagen/Denmark, 21-26 August 2005. 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SÓLIDOS SUSPENSSOS: TOTAIS, VOLÁTEIS E FIXOS Referência: Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater 21st edn, American Public Health Association/American Water Works/Water Environment Federation, Washington, DC, USA., 2005. Método: 2540 D. Total Suspended Solids Dried at 103-105°C. 2540 E. Fixed and Volatile Solids Ignited at 550°C. (Gravimétrico). Preservação: 4ºC - Validade: 24h – Volume Amostra: 50 ml (mínimo) Materiais: Placas de Petri, Cápsulas para evaporação em porcelana bem seca (para que o filtro não adere a cápsula) (resistentes a 600o C), Dessecador, Estufa (103 – 105O C), Mufla para operação a (500 ±50O C), Balança analítica (precisão de 0,1mg), Filtros de fibra de vidro (Whatman 934 AH, Gelman, A/E, Millipore AP.40 ou equivalente.) e Equipamento de filtração (Funil de filtração para membrana, Suporte de filtração com reservatório, Bomba à vácuo e Kitasato). Cálculo A = Peso do filtro + resíduo seco após passar pela estufa (mg) B = Peso do filtro (mg) C = Peso do filtro + resíduo seco após passar pela mufla (mg) B = Peso do filtro (mg) Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 157 ANEXO C METODOLOGIAS DAS ANÁLISES FÍSICAS, FÍSICO-QUÍMICAS, E MICROBIOLÓGICAS. DEMANDA BIOQUÍMICA DO OXIGÊNIO (DBO5) Referência: Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater 21st edn, American Public Health Association/American Water Works/Water Environment Federation, Washington, DC, USA., 2005. Método: 5210 B. 5-Day BOD Test. (Iodométrico - Titulação Winkler) Preservação: 4ºC - Validade: 24H Reagentes: Solução de MnSO4, Iodeto alcalino, H2SO4 conc., Na2S2O3 N/160, soluções para água de diluição (solução tampão de pH 7,2 para DBO5, Cloreto Férrico FeCl3, Cloreto de cálcio CaCl2, Sulfato de magnésio MgSO4) e solução Indicadora de amido. Materiais: Frascos para incubação, pipetas volumétricas (5, 10, 20, 50 e 100 ml), Erlenmeyer (250 ml), Bureta (25 ml), pipetador Incubadora e papel alumínio. Cálculo: D1 = OD da amostra imediatamente após preparo, mg/l D2 = OD médio da amostra após 5 dias de incubação, mg/l f = fator de diluição Observações: Se os resultados obtidos em mais de uma diluição alcançam os critérios de OD residual (≥ 1mg/l) e consumo de OD (≥ 2mg/l), e não há evidência de toxicidade em concentração mais elevadas da amostra ou evidências de alguma anomalia, poderá ser utilizada a média dos resultados. Se o branco da água de diluição não alcança o critério estabelecido anteriormente, as correções apropriadas são difíceis e os resultados são questionáveis. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 158 ANEXO C METODOLOGIAS DAS ANÁLISES FÍSICAS, FÍSICO-QUÍMICAS, E MICROBIOLÓGICAS. DEMANDA QUÍMICA DO OXIGÊNIO (DQO) Referência: Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater 21st edn, American Public Health Association/American Water Works/Water Environment Federation, Washington, DC, USA., 2005. Método: 5220 C. Closed Reflux, Trimetric Method. (Titulométrico – Refluxo Fechado) Preservação: 4ºC - Validade: 24h – Volume Amostra: 2 ml Reagentes: Solução de digestão de K2Cr2O7 0,1N ou 0,025 para conc. DQO inferiores a 50mgO/l, H2SO4 + Ag2SO4, solução padrão de FAS 0,0125N e Indicador Ferroin. Materiais: Tubos de borosilicato (10ml) com tampa rosqueável, frasco deposito com dosador para H2SO4 conc + Ag2SO4, bureta volumétrica de 25ml, erlenmeyer de 125ml, pipetas volumétricas de 2, 5, 10ml, pipeta graduada de 5ml, balão volumétrico de 100ml e Reator de DQO. Cálculo B = Volume de FAS utilizado na titulação do branco (ml) A = Volume de FAS utilizado na titulação da amostra (ml) N = M = Normalidade ou molaridade do FAS C = Volume da amostra (ml) Fc = Fator de correção da solução padrão de FAS Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 159 ANEXO C METODOLOGIAS DAS ANÁLISES FÍSICAS, FÍSICO-QUÍMICAS, E MICROBIOLÓGICAS. TURBIDEZ (NTU) CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (µs/cm) Referência: Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater 21st edn, American Public Health Association/American Water Works/Water Environment Federation, Washington, DC, USA., 2005. Método: 2130 TURBIDITY. 2510 CONDUCTIVITY. 4500-H+. Preservação: 4ºC - Validade: 24h Materiais: HACH 2100 AN Turbidimeter, HACK 44600 Conductivity/TDS Meter. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 160 ANEXO C METODOLOGIAS DAS ANÁLISES FÍSICAS, FÍSICO-QUÍMICAS, E MICROBIOLÓGICAS. NITROGÊNIO TOTAL KJELDAHL (NTK) Referência: Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater 21st edn, American Public Health Association/American Water Works/Water Environment Federation, Washington, DC, USA., 2005. Método: 4500-Norg C. Semi-Micro-Kjeldahl Method. Preservação: 0,8 H2SO4 com./l a 4ºC – Validade: 7 dias – Volume Amostra: 50 ml Reagentes: Solução Indicadora de ácido bórico Reagente de digestão para NTK Solução de NaOH + Na2S2O3 e H2SO4 0,02N. Materiais: Conjunto de digestão Kjeldahl, destilador Kjeldahl para nitrogênio, cubas para a destilação do nitrogênio, erlenmeyer de 250ml, pipeta volumétrica de 3, 5, 10 e 50ml, béquer de 250ml e bureta volumétrica de 25ml. Cálculo: A = Volume em ml de H2SO4 usado na titulação da amostra B = Volume em ml de H2SO4 usado na titulação do branco N (H2SO4) x Fc (H2SO4)= 0,0209 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 161 ANEXO C METODOLOGIAS DAS ANÁLISES FÍSICAS, FÍSICO-QUÍMICAS, E MICROBIOLÓGICAS. METAIS PESADOS TOTAIS Referência: Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater 21st edn, American Public Health Association/American Water Works/Water Environment Federation, Washington, DC, USA., 2005. Método: 3111-Metals By Flame Atomic Absorption Spectrometry (Espectrometria de Absorção atômica por chama). Preservação: 0,5 mL HNO3-Utra-puro para metais . a 4ºC – Validade: 6 MESES – Volume Amostra: 100 ml Reagentes: HNO3-Utra-puro para metais . Materiais: Béquer de Teflon de 250 ml, Balões Volumétricos de 10 mL, pipeta graduada de 10 e 1 ml. Gás acetileno e Especfotometro de Absorção Atômica. Cálculo Metais mg/L ( B – A)* A = Resultado da amostra em branco B = Resultado da amostra * dividir o resultado se amostra for concentrada. Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 162 ANEXO C METODOLOGIAS DAS ANÁLISES FÍSICAS, FÍSICO-QUÍMICAS, E MICROBIOLÓGICAS. FÓSFORO TOTAL (P-TOTAL) Referência: Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater 21st edn, American Public Health Association/American Water Works/Water Environment Federation, Washington, DC, USA., 2005. Método: 4500-P C. Vanadomolybdophosphoric Acid Colorimetric Method. Preservação: 0,8 H2SO4 com./l a 4ºC – Validade: 28 dias – Volume Amostra: 50 ml Reagentes: Ind. Fenolftaleína, H2SO4 1+1 ou HCl 1+1 e Sol. H2SO4 (300ml H2SO4 diluído para 1000ml com H2O deionizada), Persulfato de amônia ou de potássio, NaOH 1N e HCl 1+1. Materiais: Pipetas graduadas de 10ml, pipeta volumétrica de 50ml, béquer de 100ml marcado com o volume de 10ml, balão volumétrico de 50ml, tela de amianto, papel filtro de 42 ashless (ou similar conforme Standard Methods), cHPAa elétrica, espátula e espectrofotômetro. Cálculo Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 163 ANEXO C METODOLOGIAS DAS ANÁLISES FÍSICAS, FÍSICO-QUÍMICAS, E MICROBIOLÓGICAS. COLIFORMES: TOTAIS E FECAIS (Escherichia Coli) Método: Colilert Preservação: 4ºC - Validade: 24h – Volume Amostra: 10 ml colilert TM Reagentes: substrato Colilert TM e água esterilizada (90 ml). Materiais: Frascos de diluição (100 ml), cartela para inoculação, pipetas graduadas (10 ml), pipetador, seladora, estufa (35ºC) e autoclave. Cálculo Valor TAB = Contagem do número de cavidades grandes e pequenas Fator de diluição = Diluição usada para a incubação da amostra Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 164 ANEXO D DESVIOS RELATIVOS DAS MASSAS ESTIMADAS DOS RECICLÁVEIS, E FOLHAS E GRAVETOS AMOSTRADOS À BOCA DE LOBO 100 90 Desvios relativos (%) 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Eventos M_DS M_DS_Ptot M_DS_Ptot_Imed Desvios relativos entre a massa de recicláveis observada e a massa estimada pela regressão linear múltipla com 1,2 e 3 parâmetros. 100 90 Desvios relativos (%) 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Eventos M_DS M2_DS_Ptot M_DS_Ptot_Imed Desvios relativos entre a massa de folhas e gravetos observada e a massa estimada pela regressão linear múltipla com 1,2 e 3 parâmetros Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 165 ANEXO E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL, DE VARIAÇÃO E DE POSICIONAMENTO DAS AMOSTRAS COLETADAS PELO APARELHO ISCO 3700 Parâmetro N.A Min Max Media M.G Perc.25 Mediana Perc.75 DP CV 40 70 820 247 212 131 192 340 143 0,58 Turbidez (NTU) 108 38,5 3160 981 504 151 671 1799 922 0,94 DQO (mgO/L) 60 46,3 1228 435 336 240 344 611 288 0,66 DBO 5 (mgO/L) 36 12,7 125,1 57,5 48,9 21,6 67,2 76,7 28,0 0,49 48 6,0E+3 2,4E+7 2,9E+6 2,6E+5 2,9E+4 1,6E+5 2,4E+6 6,6E+6 2,24 48 8,2E+4 2,4E+7 9,7E+6 2,6E+6 2,4E+5 2,4E+6 2,4E+7 1,1E+7 1,12 SST (mg/L) 108 70 5046 1044 616 203 906 1605 931 0,89 SSV(mg/L) 108 24 688 140 104 46 126 198 108 0,77 Cd (mg/L) 13 0,003 0,011 0,005 0,005 0,004 0,005 0,005 0,002 0,38 Cr (mg/L) 43 0,010 0,740 0,094 0,067 0,050 0,072 0,096 0,113 1,20 Cu (mg/L) 47 0,017 0,318 0,123 0,109 0,078 0,106 0,149 0,062 0,50 Mn (mg/L) 48 0,018 1,514 0,502 0,283 0,065 0,517 0,726 0,403 0,80 Ni (mg/L) 40 0,006 0,075 0,029 0,025 0,017 0,025 0,034 0,016 0,56 Pb (mg/L) 39 0,008 0,114 0,036 0,032 0,026 0,032 0,041 0,020 0,56 Zn (mg/L) 48 0,177 1,584 0,575 0,505 0,348 0,526 0,766 0,304 0,56 Condutividade (uS/cm) E.coli (NMP/100ml) Coliformes totais (NMP/100ml) Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 166 ANEXO F POLUTOGRAMAS- EVENTO de 01/05/2009 6000 16 Vazão 14 SST 5000 12 SSV 10 3000 8 6 2000 4 1000 2 0 0 0 16 60 300 8 6 200 Turbidez (NTU) 12 10 100 16 Turbidez 2500 400 80 3000 Vazão (L/s) Condutividade (uS/cm) 40 14 Condutividade Vazão 500 20 14 Vazão 12 2000 10 1500 8 6 1000 4 100 0 0 20 40 60 80 Vazão (L/s) 600 Vazão (L/s) SST, SSV (mg/L) 4000 4 2 500 0 0 100 2 0 0 20 40 60 80 100 Tempodia (min) Evento 01/05/2009 1400 16 14 DQO 1000 12 Vazão 10 800 8 600 6 400 4 200 2 0 0 20 40 60 80 100 1.80 16 1.60 14 1.40 12 1.20 10 1.00 8 0.80 6 0.60 0.40 4 0.20 2 0.00 0 0 10 20 Cd 30 Cr 40 Cu Mn 50 Ni 60 Pb 70 Zn 80 Vazão (L/s) 0 Metais pesados (mg/L) Vazão (L/s) DQO (mgO2/L) 1200 90 Vazão Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 167 ANEXO F POLUTOGRAMAS - EVENTO de 06/06/2009 8 1600 Vazão 1400 SST 1200 SSV 7 6 5 1000 4 800 3 600 2 400 1 200 0 0 0 900 8 Vazão (L/s) SST, SSV (mg/L) 1800 20 40 60 80 8 600 Condutividade 500 4 400 3 300 2 200 Turbidez 20 40 60 2 6 DBO 800 4 600 3 400 2 200 Vazão (L/s) 5 1 0 0 40 0 60 20 40 60 80 3.0E+07 7 E.coli, Coliformes totais (NMP/100ml) DQO 20 1 0 8 0 3 0 1400 1000 4 200 80 1200 5 300 0 0 6 Vazão 400 100 1 0 DBO, DQO (mgO2/L) Turbidez (NTU) 5 Vazão (L/s) Condutividade (uS/cm) 600 100 Metais pesados (mg/L) 7 500 6 8 7 2.5E+07 6 2.0E+07 5 1.5E+07 4 Vazão E.coli Coliformes totais 1.0E+07 3 Vazão (L/s) Vazão 700 Vazão (L/s) 7 2 5.0E+06 1 0.0E+00 0 0 80 20 40 60 80 0.900 8 0.800 7 0.700 6 0.600 5 0.500 4 0.400 3 0.300 0.200 2 0.100 1 0.000 Vazão (L/s) 800 0 0 10 20 Cd Cr 30 Cu 40 Mn 50 Ni Pb 60 Zn 70 80 Vazão Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 168 ANEXO F POLUTOGRAMAS - EVENTO de 28/06/2009 2000 6 Vazão 1600 SST 1400 SSV 5 4 1200 1000 Vazão (L/s) SST, SSV (mg/L) 1800 3 800 2 600 400 1 200 0 0 0 3 150 2 100 50 1 0 0 0 20 40 60 80 250 DBO 5 4 Vazão 200 3 150 2 100 1 50 0 0 0 20 40 60 80 100 4 200 3 150 2 100 1 0 0 Coliformes totais, E.coli (NMP/100ml) DQO 5 250 0 6 300 Turbidez Vazão 50 100 350 DQO, DBO (mgO2/L) Vazão (L/s) 4 Vazão 200 Turbidez (NTU) 250 100 6 300 5 Condutividade 80 350 Vazão (L/s) Condutividade (uS/cm) 300 60 Vazão (L/s) 6 40 20 40 60 80 100 3.00E+07 6 Vazão 2.50E+07 5 Coliformes totais 2.00E+07 4 E. Coli 1.50E+07 3 1.00E+07 2 5.00E+06 1 0.00E+00 Vazão (L/s) 350 20 0 0 20 40 60 80 Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 100 169