CONCEPÇÕES DE GRADUANDAS (OS) DE ENFERMAGEM SOBRE O TRABALHO NOTURNO DA ENFERMEIRA: uma lâmpada que não se apaga Enêde Andrade da Cruz1 Kátia Conceição Guimarães Veiga2 Josicélia Dumêt Fernandes3 Maria José Santos Teles4 Mirian Santos Paiva5 INTRODUÇÃO: Na vivência profissional observamos aspectos complexos e subjetivos enfrentados pelas (os) graduandas (os) de enfermagem, no campo de prática da disciplina Administração e Planejamento de Serviços de Saúde, oferecida no sétimo semestre, em relação ao trabalho noturno da enfermeira, vez que apresentam dificuldades e resistência, especialmente, na distribuição de serviço, assim, demonstradas: não há como dividir as atividades com as pessoas escaladas para o serviço noturno; é muito serviço para poucos profissionais [...] eles não têm condições de fazer tantas atividades [..] sempre ficam procedimentos por fazer [...] o grupo da noite é muito difícil de se lidar [...] não adianta fazer escala [...] eles se dividem ao modo deles [...] vou deixar a escala da noite para a enfermeira-chefe da unidade fazer. Essas asserções ressaltam que, o processo de trabalho da enfermeira abrange a forma de desenvolver as atividades contínuas para o processo de cuidar, incluindo, as administrativas e o conhecimento específico com tarefas distribuídas em turnos: matutino, vespertino e noturno, nas vinte e quatro horas e que as discentes de enfermagem já possuem algumas restrições ao trabalho noturno, com imagens negativas de fuga da sua responsabilidade que, em algumas situações não se justificam. Dessa forma cabe à enfermeira assumir a organização, sendo responsável pelas ações voltadas ao planejamento e gerenciamento dos 1 Doutora. Docente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da EEUFBA. Pesquisadora do GEPASE. Rua Augusto Viana, s/n, Vale do Canela, Campus Universitário, Canela, Salvador, Bahia. Brasil. CEP 40.110-060E-mail:[email protected] 2 Mestra. Docente da EEUFBA. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFBA. Pesquisadora do GEPASE.. E-mail:[email protected] 3 Doutora. Docente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da EEUFBA. Pesquisadora do GEPASE. E-mail:[email protected] 4 Mestra. Docente da EEUFBA. Pesquisadora do GEPASE. E-mail:[email protected] 5 Doutora. Docente Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da EEUFBA. Pesquisadora do GEM (Grupo de Estudos sobre Saúde da Mulher). E-mail:[email protected] recursos humanos para o cuidado, em saúde incluindo o escalonamento dos profissionais para a prestação da assistência de enfermagem nos diversos turnos, nos quais as (os) discentes devem ser inseridas (os) para ambientar-se e distribuir as atividades assistenciais, de forma eqüitativa entre a equipe visando a qualidade e segurança da assistência à clientela. Desse modo optamos pelo desafio de elaborarmos este estudo com graduandas (os) de enfermagem. OBJETIVO: analisar as concepções de graduandas (os) de enfermagem sobre o trabalho noturno da enfermeira. Concepção entendida como, a imagem mental, formulação de idéias ou pensamento de um fenômeno descrito, através de palavras, a partir de uma apreciação ou avaliação, vez que as idéias dominantes, em um grupo social ou sociedade segundo Jodelet (1994) deixam seus traços, em todos que dele fazem parte ou se vêem, pois nessa condição, a ideologia em vigor tem papel importante em sua vida profissional. Também, o profissional, em formação capta os acontecimentos, as atitudes dos colegas do grupo, as características do ambiente ou turno de trabalho e as informações deles advindas, a partir do conhecimento livre e espontâneo com base na compreensão do que é expresso através da linguagem, enquanto meio de comunicação para orientar o seu comportamento. METODOLOGIA: trata-se de um estudo exploratório, descritivo, com abordagem quantitativa, realizado na cidade de Salvador-Bahia com 30 graduandas (os) do curso de enfermagem matriculados na disciplina Administração e Planejamento de Serviços de Saúde, no período de prática, em campo de estágio. A coleta de dados foi efetivada no final do semestre de 2007/1, tendo como base a orientação do Ministério da Saúde contida na Resolução do MS 196/96 (BRASIL 1996) que trata de pesquisas com seres humanos, após a aprovação do comitê de ética e tendo como questão norteadora: Como você vê o trabalho noturno da enfermeira? O desenvolvimento de trabalhos dessa natureza se justifica, pelo fato de buscar um projeto político, no qual esteja inserido o conhecimento e o profissionalismo, na formação de profissionais para a redução das diferenças sócio-profissionais, que ocorrem nas organizações hospitalares e demais unidades assistenciais, no sentido de melhorar a satisfação das (os) futuras (os) enfermeiras (os) possibilitando, sua satisfação e valorização desse tipo de trabalho e levá-las (los) à auto-realização. RESULTADOS: os dados foram analisados, a partir dos aportes teóricos da teoria das Representações Sociais de Moscovici (1978), no sentido, de aprofundar o conhecimento do senso comum que é veiculado pelo grupo de graduandas de enfermagem, no seu dia-a-dia. Os resultados foram analisados utilizando como base a análise temática de conteúdo que foi efetivada, a partir da leitura exaustiva dos conteúdos das respostas à questão norteadora que foram decompostos e codificados, em unidades semânticas com atribuição da unidade de enumeração à essas unidades que permitiram a apreensão de cinco categorias e onze subcategorias assim, distribuídas: concepção do trabalho noturno com o total de 33,60% das unidades de análises e destaque para a subcategoria trabalho desgastante com 28,00% e trabalho necessário com 5,60% dessas. A segunda categoria, em importância foi voltada para a viabilidade do trabalho com 27,10% associada às facilidades e destaque das dificuldades com 23,40% das unidades de análises que expressam um alto índice de obstáculos que as (os) informantes estão enfrentando no escalonamento dos recursos humanos para as atividades assistenciais, do período noturno; em seguida foi considerada, a categoria atributos necessários, com 16,80% dos resultados associados à três subcategorias relacionadas ao conhecimento 6,50%, a responsabilidade 5,60%, e 4,70% para ética, seguida das últimas categorias valorização do trabalho e aspectos psicossociais com 11,20% cada. Nestas foram ressaltadas respectivamente, a valorização negativa do trabalho, com 8,40% e nos aspectos psicossociais o interesse com 7,50%, além do sentimento positivo com 3,70% das unidades de análises. CONCLUSÃO: utilizando os fundamentos básicos da teoria das representações sociais podemos identificar, que os resultados deste estudo, na concepção das (os) graduandas (os) de enfermagem ressaltam o trabalho noturno da enfermeira, como desgastante cercado de situações conflituosas que possibilitam uma tomada de posições resultantes dos elementos representacionais, como produto do processo de comunicação e interação social previamente construído que exigem investimentos, na formação acadêmica e a necessidade de buscar a valorização e o reconhecimento desse turno de trabalho, para uma assistência de qualidade ao cliente, cuja condição, não pode descartar esse horário de atividades, pois os aspectos relativos à valorização negativa desse horário de trabalho são geradores de insatisfação, no exercício profissional. Palavras-chaves: Enfermagem; Trabalho Noturno; Representações Sociais. Área Temática: Organização e gestão do trabalho z REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução n. 196/96. sobre pesquisa envolv3endo seres humanos. Bioética, Brasília, v.4, n. 2 – Suplemento – p. 1525, 1996. JODELET, Denise. Représentations sociales: um domaine em expans~ion. In: _________. Lês représentations sociales. 4. ed. Paris: presses Universitaires de France, 1994. p. 3161. MOSCOVICI, Serge. A representação social da psicanálise. Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.