ESTRATÉGIAS DE INTEGRAÇÃO SOCIAL: A TRAJETÓRIA DE
ANTONIO VIEIRA DOS SANTOS NA VILA DE MORRETES (1814-1851)
Sandro Aramis Richter Gomes1
Introdução
Antonio Vieira dos Santos nasceu na cidade portuguesa do Porto, em 1784, e faleceu na vila
de Morretes, na Província do Paraná, em 1854.2 Transferiu-se, após breve residência no Rio de
Janeiro, para a vila de Paranaguá, em 1798. Nesta sociedade ocupou-se do comércio, tendo sido
proprietário de loja de secos e molhados. Para além das atividades comerciais, desempenhou os
cargos de alferes, almotacé, tesoureiro de irmandade e vereador. Casou-se, em 1804, com Maria
Ferreira de Oliveira, filha do comerciante português João Ferreira de Oliveira, radicado em
Paranaguá. Residiu durante o ano de 1813 na vila de Curitiba e radicou-se na então freguesia de
Morretes, onde se voltou ao beneficiamento da erva-mate, em 1814.3
Estes dados biográficos pautaram a historiografia paranaense, entre o final do século XIX e
o início do século XX, a perceber a trajetória de Antonio Vieira dos Santos, nas sociedades de
Morretes e Paranaguá, em termos lineares. Esta percepção derivou, inicialmente, da reabilitação de
Vieira dos Santos como Pai da História paranaense. Nesta vertente, as narrativas históricas –
memórias históricas sobre Antonina, Morretes e Paranaguá – produzidas por ele entre 1849 e 1851,
assinalariam um isolamento social, visto que, enquanto um pequeno comerciante e, por isso,
afastado de participação nas esferas administrativas ou nas relações econômicas locais, suas
narrativas indicariam uma atividade diletante. 4 O segundo segmento historiográfico sobre a
trajetória de Vieira dos Santos percebeu-o como espectador privilegiado das relações sociais
naquelas duas sociedades. Assim, entendendo-o apenas na condição de observador e, portanto,
como cronista registrador de fatos, esse segmento exauriu da abordagem de sua trajetória as formas
1
Mestrando em História na Universidade Federal do Paraná e Bolsista do CNPq.
Morretes foi Freguesia da Vila de Antonina de 1812 a 1841, quando foi elevada à categoria de Vila da Província de
São Paulo.
3
Cf. COSTA, Samuel Guimarães. O último Capitão-Mor (1782-1857). 1ª edição. Curitiba: Ed. da UFPR, 1988, p. 10.
4
Desse escopo de autores, cabe citar LEÃO, Ermelino de. Contribuições históricas e geográficas para o Dicionário do
Paraná. 1ª edição. Curitiba: Empresa Gráfica Paranaense, 1926 e NEGRÃO, Francisco. Genealogia Paranaense. 1ª
edição. 3º volume. Curitiba: Impressora Paranaense, 1926.
2
1
de pertencimento e, ainda, de engajamento nas sociedades de Paranaguá e Morretes durante a
primeira metade do século XIX.5
Na presente abordagem, a partir de uma proposta de leitura dos textos de reminiscências
intitulados Breve resumo das memórias mais notáveis acontecidas desde 1797 até 1827 e
Memórias dos Sucessos mais notáveis acontecidos desde o ano de 1838 e, ainda, da Memória
Histórica da Vila de Morretes e Porto Real (1851), objetiva-se investigar como Antonio Vieira dos
Santos, autor desses textos, ao inserir-se como ator de suas narrativas, reconstruiu os percursos de
suas estratégias de pertencimento e consolidação de relações sociais, bem como assinalou para os
conflitos e alianças no interior, notadamente, das atividades mercantis do litoral do atual Paraná. A
delimitação, por conseguinte, da análise da trajetória de Vieira dos Santos aqui proposta, recai na
sua transferência da vila de Paranaguá para a freguesia de Morretes, processo que se estendeu entre
os anos de 1812 a 1814, na sua participação, enquanto tesoureiro, nos reparos da Estrada do Arraial,
a qual se estendeu entre as décadas de 1820 e 1830, e enquanto letrado que produziu trabalhos
históricos sob contrato com instituições políticas entre as décadas de 1840 e 1850. Nesta
abordagem, pois, constitui-se na possibilidade desconstrução de um senso comum acerca da
trajetória de Vieira dos Santos nas sociedades de Morretes e Paranaguá, e, deste modo, buscar-se-á
aqui uma inteligibilidade sobre como desempenhou estratégias sociais reconhecendo-se as esferas
sociais e as formas de organização social pelas quais ele circulou.
Na contextualização da organização social a qual Vieira dos Santos pertenceu, tem-se, na
abordagem de José Augusto Leandro sobre a Comarca de Paranaguá na segunda metade do século
XIX, a percepção hierárquica dos contatos sociais, inscritos em um contexto onde a acumulação
patrimonial e, notadamente, a posse de escravos delimitavam as gradações nas condições de
contatos e distinções sociais.6 Em meados do século XIX – período em que Vieira dos Santos
elaborou, sob contrato com as câmaras locais, memórias históricas sobre as vilas de Antonina,
Morretes e Paranaguá – constituíram-se, conforme Ricardo Costa de Oliveira, complexas redes
familiares a partir das quais as elites locais de Paranaguá auferiram, quer sob formas de reprodução
social endógena, quer sob relações econômicas e políticas, reproduzirem-se em cargos burocráticos
5
Nesse grupo cabe citar, enquanto caso de leitura acadêmica sobre os textos de Antonio Vieira dos Santos, a qual,
entretanto, manteve a dependência às informações das memórias históricas deste autor – bem como reiterou categorias
indefinidas, a exemplo de cronista, historiador ou polígrafo, sobre as memórias históricas que ele produziu ver:
MEQUELUSSE, Jair. A população de Paranaguá no final do século XVIII, segundo as listas nominativas de
habitantes. 1975. 109 fls. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal do Paraná, Curitiba.
6
Ver: LEANDRO, José Augusto. Gentes do Grande Mar Redondo. Riqueza e Pobreza na Comarca de Paranaguá
(1850-1888). 2003. 337 fls. Tese (Doutorado em História). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
2
e atividades econômicas de grosso trato. Sociedade hierarquizada e com sensíveis condições de
mobilidade sociais apresentaram-se, pois, como aspectos da dinâmica social na qual Vieira dos
Santos integrou-se desde o final do século XVIII. 7 Entende-se aqui a configuração social
morretense do século XIX constituída sob frágil divisão social do trabalho, a partir da qual as
multifacetadas ocupações econômicas de Vieira dos Santos – de modo a reconhecer, nesse escopo, a
perspectiva econômica de suas práticas letradas – apresentam-se enquanto dimensão dos contínuos
rearranjos de relações e interesses mercantis, assim como dimensão das recombinações de contatos
entre literatos e interesses inerentes à execução de saberes letrados. Neste estudo sobre a trajetória
Vieira dos Santos em Morretes, pois, cabe considerar as multifacetadas estratégias desse indivíduo
seja para, na condição de imigrante português no Brasil, reconhecer os jogos sociais e neles
integrar-se, seja para reconhecer as condições de mudanças de seus papéis sociais na vila de
Paranaguá e, marcadamente, nesta investigação, na freguesia de Morretes, possibilita-se,
demonstrar a multiplicidade de ações e sociabilidades para uma área provincial do Brasil
oitocentista.
Cabe atentar para as considerações de Frederik Barth sobre a formação de organizações
sociais percebidas através de suas regras e distinções. Conforme Barth, “O que podemos designar
como articulação e separação no nível macro-social corresponde aos conjuntos de prescrições e
papéis sociais: ‘A identidade étnica’ é comparável ao sexo ou posição social, pelo fato de ela
exercer um constrangimento sobre o beneficiário em todas as suas atividades”. 8 As estratégias de
Vieira dos Santos, pois, para incorporar-se na vida social de Morretes, mas também as mudanças,
nesta sociedade, de seus papéis sociais, são aqui problematizadas através das mudanças nos seus
posicionamentos no interior de redes familiares, econômicas e administrativas. Assim, para uma
conceituação de rede enquanto multifacetadas condições e lugares de interação social, tem-se,
conforme Clyde Mitchell, que atentar para as variações de formas de relações de âmbito de redes
sociais, ou seja, tais relações permitem serem mapeadas sob contatos, por exemplo, econômicos,
religiosos e, por isso, escapam a feições de relacionamentos pessoais descolados de regras
compartilhadas por um grupo.9
7
Ver: OLIVEIRA, Ricardo Costa de. O silêncio dos vencedores. Genealogia, Classe Dominante e Estado do Paraná. 1ª
edição. Curitiba: Moinho do Verbo, 2001.
8
BARTH, Frederik. Grupos étnicos e suas fronteiras. In: POUTIGNAT, Philippe & STREIFF-FRENART, Jocelyne
(Orgs.) Teorias da Etnicidade. 1ª edição. São Paulo: Edunesp, 1998, p. 198.
9
Cf. MITCHELL, J. Clyde. The Concept and Use of Social Networks. In: MITCHELL, J. Clyde (Ed.). Social Networks
in Urban Situations. 1ª edição. Manchester: University Press, 1969, p 20.
3
As circulações Vieira dos Santos em Paranaguá, Curitiba e Morretes (1812-1814): ritmos
das oscilações de suas posições sociais
Durante duas décadas de residência em Paranaguá, Vieira dos Santos auferiu desempenhar
atividades como almotacé, vereador e tesoureiro de irmandade. Para além desses dados, os quais
permitem identificar a diversidade de estratégias sociais deflagradas por este indivíduo no que tange
à consolidação de um pertencimento social, Vieira dos Santos buscou consolidar este pertencimento
social através dos relações familiares. Dos seus cinco filhos, Anna, nascida em 1811, teve como
padrinhos Manoel Antonio Pereira e a esposa deste, Leocádia Antonia. 10 Português natural de
Braga, Manoel Pereira (1782-1857) foi capitão-mor (1815-1835) e primeiro prefeito de Paranaguá
(1835), bem como, conforme Samuel Costa,11 figurou entre os maiores proprietários de escravos e
embarcações entre os negociantes de grosso trato da vila de Paranaguá durante as primeiras décadas
do século XIX. A circulação, pois, por instâncias administrativas e devocionais, bem como o
estabelecimento de relações de compadrio com indivíduos que também pautaram suas circulações
pela participação em diversificadas esferas sociais, afiguraram-se, assim, nos primeiros movimentos
de Vieira dos Santos em Paranaguá. Foi-lhe estratégico quer o relacionamento com outros
portugueses – em laços familiares, econômicos – através dos quais lhe possibilitou uma integração
hierarquizada no grupo mercantil, quer a integração em espaços devocionais, a exemplo das
irmandades, em Morretes e Paranaguá.
Em perspectiva de afastamento em relação à historiografia que percebeu a trajetória de
Vieira dos Santos em termos lineares – um pequeno comerciante que, apenas no final da vida
perceberia uma oscilação nesse posicionamento, oscilação de decadência social – a presente leitura
atenta para as oscilações desta trajetória ainda nos anos de vivência em Paranaguá, oscilações que
engendraram sua transferência para Morretes. Portanto, em detrimento de assinalar as formas de
relações sociais acima descritas sob uma perspectiva de evolução ou estabilização, cabe
problematizá-las na condição estratégias sociais as quais – na intermitência de práticas econômicas,
inserções administrativas e alianças familiares – demandaram tanto o acionamento de contatos da
10
SANTOS, Antonio Vieira dos. Breve resumo das memórias mais notáveis acontecidas desde 1797 até 1827 [Códice
sob guarda do Círculo de Estudos Bandeirantes, em Curitiba, e digitalizado pela seção paranaense do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], fl. 14. As citações aqui realizadas sobre os excertos memorialísticos de
Vieira dos Santos mantêm a ortografia do autor.
11
Cf. COSTA, Samuel Guimarães. O Último Capitão-Mor..., Op. cit., p. 47.
4
rede social na qual se integrou Vieira dos Santos, como também demandaram o desempenho de
estratégias sociais.
Para o ano de 1812 situam-se, no primeiro volume memorialístico, informações que
assinalam a diversidade de suas relações e práticas sociais. No exercício de sua atividade de
vereador, escreveu acerca do dia 13 de outubro “de manha fes a Camara correição na Vila e de tarde
pelo Rocio e eu também fui”.12 Acerca dos laços familiares, tem-se, ainda referente ao ano de 1812,
o início de sua circulação na freguesia de Morretes: “Em 6 de julho me embarquei na Vila de
Paranaguá para os Morretes e cheguei de noite para servir de padrinho a Maria Roza filha de meu
cunhado e se baptizou no dia 9”.13 Seu irmão, João Vieira dos Santos, que fora camarista em
Paranaguá em 1811, em decorrência de conflito com o comandante militar de Paranaguá, José
Victorino Rocha, afastou-se de suas atividades comerciais nesta vila e circulou entre a Capitania de
São Pedro do Rio Grande do Sul e a cidade do Rio de Janeiro. Afirmou Antonio Vieira dos Santos
sobre a mobilização de contatos sociais, por seu irmão, no tocante ao seu afastamento de Paranaguá:
“Em 9 de agosto de 1812 fui por mandado do Capitão Inácio Andrade para entregar as chaves das
Cazas de meu Manno João e mudou minha cunhada Joaquina Maria Ferreira para minha Caza”. 14
João Vieira dos Santos, porém, auferiu se afastar de Paranaguá não de maneira fortuita, mas sob o
auxílio de uma autoridade local: “se embarcou [João Vieira dos Santos] na sumaca Adonis do
Tenente Francisco José de Brito”.15
Dessa maneira, para essa configuração das relações sociais de Antonio Vieira dos Santos,
pode-se assinalar tanto o pertencimento dos indivíduos em esferas administrativas, bem como os
laços familiares como forma de consolidação de pertencimento e desempenho de papéis sociais,
mas cabe também acentuar os limites dessas estratégias. Assim como, em 1812, Antonio Vieira dos
Santos assistiu aos rearranjos de práticas sociais de seu irmão em face de conflitos políticos, em
1813 o Antonio Vieira dos Santos observou-se, em face de endividamentos, impelido a rearticular
seus contatos sociais.16
12
SANTOS, Antonio Vieira dos. Breve resumo das memórias... Op. cit., fl. 16.
Idem, fl. 16.
14
Idem, fl. 16.
15
Idem, fl. 16
16
Sobre o posicionamento de Antonio Vieira dos Santos acerca da querela entre seu irmão, João Vieira dos Santos, e o
comandante militar de Paranaguá, José Victorino Rocha, ver: SANTOS, Antonio Vieira dos. Memoria Historica,
Chronologica, Topographica e Descriptiva da Çidade de Paranaguá e seu Municipio [1850]. 1ª edição. 1º volume.
Curitiba: Museu Paranaense, 1951, p. 228.
13
5
Em 1813 Vieira dos Santos encerrou seu mandato de vereador. Neste mesmo ano residiu em
Curitiba. A partida de Vieira dos Santos para Curitiba indica tanto a conjunção de problemas
econômicos em suas atividades em Paranaguá, mas também sua inserção em uma rede social que,
ao atingir Curitiba, permitiu-lhe nesta vila uma tentativa de ali restabelecer-se economicamente,
conforme a reminiscência: “Em 13 de abril de 1813 Terça feira sahindo do pouso entrei na Vila de
Coritiba pelas 3 horas da tarde e fui morar nas Cazas de Manoel Dias da Costa no páteo da Igreja”. 17
Vieira dos Santos estabeleceu-se com sua esposa, filhos e uma escrava em Curitiba e, para além de
um período que representou uma tentativa de reorganização de suas finanças, também assinalou o
estabelecimento de contatos sociais, a exemplo do compadrio: “Em 21 de setembro de 1813 se
crismou na Igreja da Vila de Coritiba meu filho José, sendo padrinho o Sargento-Mor Inácio de Sá
Souto e milha filha Anna sendo Madrinha D. Angélica de Sá e meu Escravo Francisco de que foi
padrinho o Tenente Joaquim José Leite”.18 Na passagem memorialística seguinte a estes primeiros
contatos sociais, Vieira dos Santos refere-se à sua mudança de Curitiba para Morretes, passagem
essa que assinala a condição de pertencimento desse indivíduo e de sua família naquela freguesia.
Vieira dos Santos, assim, em suas primeiras circulações na sociedade de Morretes esteve
dependente das sociabilidades familiares. Dessa maneira, antes de voltar-se a estabelecer laços para
além do círculo de parentescos e consolidar-se como negociante naquela freguesia, os seus laços de
dependência e de autoridade – a exemplo das relações com agregados ao seu domicílio, a exemplo
da sua cunhada Joaquina Maria Ferreira – voltavam-se notadamente ao âmbito familiar.
A integração econômica e em esferas políticas – não mais como vereador e sim como eleitor
– demandaram-lhe um percurso que se estendeu aos anos 1830 em perspectiva de dependência de
recursos familiares para reabilitar-se como comerciante de secos e molhados. Percurso esse
marcado, pois, pela permanência de sua condição de vendeiro, bem como pelas estratégias para
integrar-se ao grupo mercantil morretense sob a prática do beneficiamento da erva-mate e em
perspectiva de dependência econômica para com a família de sua esposa. A passagem seguinte
apresenta o ritmo e as dificuldades de complexificarem-se suas posições em redes sociais para além
das manifestações de dependência econômica e domínio patriarcal nas quais Vieira dos Santos
reconheceu-se no espaço familiar: “Em 26 de Setembro [de 1813] sahi da Vila de Coritiba e com
toda minha família e pouzei no Citio de Francisco de Lara no Rocio. Em 27 de Setembro saímos do
Citio do Lara e viemos pouzar no lugar do Piramerim e as 3 para as 4 da tarde chegamos a
17
18
Idem, fl. 17.
Idem, fl. 18.
6
Freguezia dos Morretes indo ao nosso encontro meus cunhados indo morar nas Cazas de minha
Sogra”.19
Ainda em 1816 Vieira dos Santos não havia principiado o beneficiamento de erva-mate.
Antes, condicionado aos auxílios familiares e não tendo firmado sociedade com comerciantes
locais, foi apenas com subsídio do cunhado Antonio José Araújo que se voltou, pela segunda vez,
ao comércio de secos e molhados: “Em 8 de abril de 1816 me falou meu cunhado Antonio José para
eu por uma venda nos Morretes que ele me ajudaria. Em 13 de abril de 1816 sábado abri neste dia
uma venda nas Cazas de minha Sogra”.20 Nesse período de estabelecimento, foi no âmbito familiar
que Vieira dos Santos tem, além das condições de fixar-se no local, as primeiras relações de
dependência. Tem-se acerca do ano de 1817 uma dependência firmada por endividamento: “Em 22
de abril andei aflito em razão de meu cunhado Antonio querer que eu escrevesse a minha dívida no
seu livro rubricado”.21 Assim como para o ano de 1812 encontrava-se Vieira dos Santos sob a posse
de cargos e posições em Paranaguá, mas também endividado e impelido, por isso, transferir-se
daquele espaço, em 1816 o ritmo da consolidação de suas relações sociais, a exemplo da estratégia
por ele desempenhada em Paranaguá nos anos 1800, permitiu-lhe o pertencimento a uma instituição
devocional em Morretes: “Em 7 de Novembro me assentei e mais minha mulher para Irmãos da
Terra Santa de Jerusalém”. 22 A forma dos ritmos da integração social, as relações de dependência
econômica iniciadas no âmbito familiar e a reabilitação de práticas para consolidar-se essa
integração social, portanto, pautaram os começos da experiência social de Vieira dos Santos em
Morretes. Uma complexificação de contatos sociais, portanto, forjada na dependência da família e
na retomada de suas primeiras estratégias sociais quando de sua migração da cidade do Rio de
Janeiro para a vila de Paranaguá.23
Demanda-se, por conseguinte, investigar a integração de Vieira dos Santos para além de
sociabilidades familiares. Para além do espaço familiar e através da retomada de contato com
portugueses radicados em Paranaguá que Vieira dos Santos, sob novo envividamento,
encaminhava-se para um pertencimento ao grupo mercantil: “Em 19 de julho [de 1819] me
19
Idem, fl. 20.
Idem, fl. 24.
21
Idem, fl. 26.
22
Idem, fl. 25.
23
Silvio Weber assinala que Vieira dos Santos foi tesoureiro da Ordem do Santíssimo Sacramento, em Paranaguá, até
1814 e, a partir de sua transferência para Morretes, exerceu o cargo de na Irmandade do Glorioso São Benedito, na qual
conviveram senhores e escravos, entre os quais escravos de Vieira dos Santos. Cf. WEBER, Silvio. Além do cativeiro.
A congregação de escravos e senhores na Irmandade do Glorioso São Benedito da Vila de Morretes. Século XIX. 2009.
103 fls. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal do Paraná, Curitiba, p. 62.
20
7
embarquei dos Morretes para a Vila de Paranaguá e fomos morar na rua do Collegio nas Cazas do
Cap. Bento Antonio da Costa. Nesta noite expus minha vida ao Capitão Antonio Ferreira e
Francisco Ferreira, à thia Eufrosina e à prima Joaquina. Em 20 de julho expus a minha vida ao
Sargento Mor Manoel Francisco Correia e me offereceo quatrocentos mil réis para empréstimo.
Consultei com o Capitão Mor Pereira”. 24 Estes indivíduos os quais Vieira dos Santos consultou
formavam o grupo oligopolista de negociantes de grosso trato de Paranaguá e, ainda, Vieira dos
Santos buscou acionar um contato firmado no início da década de 1810, qual seja, o compadrio com
Manoel Antonio Pereira.
Nas reminiscências dos ritmos e regras sociais inscritos nos primeiros anos da integração
social em Morretes e sob a dependência econômica com familiares e ainda na permanência em
Morretes de atividades nas quais malograra em Paranaguá, Vieira dos Santos situou o tema do
acionamento contatos de sua rede social na condição de reflexão sobre as oscilações das condições
de manter-se em posição de aliança com negociantes locais. Através desses acionamentos de
contatos, ele auferiu representar negociantes de Paranaguá em tratos comerciais no Rio de Janeiro,
entre o final dos anos 1810 e início dos anos 1820. 25 Nesse sentido, através da conciliação da
reabilitação de contatos firmados em Paranaguá, das relações de dependência econômica no âmbito
familiar e do endividamento firmado com familiares e negociantes da praça mercantil de Paranaguá,
Vieira dos Santos obteve as condições econômicas para restabelecer-se enquanto vendeiro e, nesse
processo, retomar a participação em esferas políticas e devocionais, tendo ele sido eleitor da
freguesia de Morretes no ano de 1821.
Lugar de legitimação da integração social: Vieira dos Santos tesoureiro da Caixa de
Contribuição para a estrada do Arraial (1826-1834)
Assinaladas as práticas e o acionamento de contatos os quais possibilitaram a Vieira dos
Santos o movimento entre posicionamento de comerciante de secos e molhados e de negociante de
erva-mate, cabe, por conseguinte, investigar os contatos que ele estabeleceu e estrategicamente
reabilitou no contexto dos reparos das Estradas do Arraial. Para tanto, delimita-se, das discussões
institucionais sobre este caminho, que se estenderam entre as décadas de 1820 a 1850, a posição de
Vieira dos Santos como tesoureiro da Caixa de Contribuição da Estrada do Arraial, entre 1826 e
1834.
24
25
SANTOS, Antonio Vieira dos. Breve resumo das memórias..., Op. cit., fl. 29.
Idem, fl. 28.
8
Segmentações de grupos mercantis e seus conflitos e a posição de Vieira dos Santos nestes
conflitos, conforme os documentos institucionais documentos particulares de Vieira dos Santos
transcritos na Memória Histórica de Morretes, pois, são os aspectos aqui problematizados no
interior das formações e oscilações de contatos sociais deste indivíduo. Sendo a Memória Histórica
de Morretes fonte para a abordagem as relações sociais envolvidas nos reparos da estrada do
Arraial, busca-se ilustrar, a partir de documentos ali transcritos, como a posição de Vieira dos
Santos como tesoureiro da estrada inseriu-se quer em um período diversificação de suas atividades
mercantis, quer no início das atividades econômicas e constituição de alianças familiares de seus
filhos Antonio Vieira dos Santos Júnior e José Vieira dos Santos.
Conforme Júlio Moreira, o antecedente da Estrada do Arraial foi o Caminho Grande, cujas
delimitações iniciais datam do século XVII. Ligação entre o litoral e o planalto, o traçado da
Estrada do Arraial delineou-se a partir de 1765, no contexto da exportação de pinheiros para
construção naval.26 A definição do trajeto, pois, iniciava, no litoral, por Morretes e, no planalto,
compreendia a área da freguesia de São José dos Pinhais. A partir de 1826, no âmbito dos
movimentos das tropas, autoridades da Província de São Paulo e comerciantes reabilitaram a Caixa
de Contribuição, que cobraria tributos sobre o comércio de semoventes. Antonio Vieira dos Santos,
pois, foi o segundo tesoureiro, entre 1826 e 1834, da Caixa de Contribuição, a qual, durante seu
período na tesouraria. O primeiro tesoureiro foi José Ferreira Guimarães, entre 1805 e 1821.27
A partir das gradações de funções na Estrada do Arraial possibilita-se identificar as formas
de contatos sociais ali vigentes e as oscilações destas condições de contato à luz de mudanças dos
interesses econômicos dos segmentos mercantis envolvidos na administração dessa estrada.
Atentando-se ao caso da posição de Vieira dos Santos na administração dessa estrada, cabe ilustrar
como ele acessou contatos envolvidos nessa estrada em face dos interesses dos negociantes de
Morretes e como percebeu-se em conflitos administrativos.
Em 1826, no início do exercício do cargo de tesoureiro da Caixa de Contribuição da Estrada
do Arraial, Vieira dos Santos encaminhou ofício ao Ouvidor Geral da Comarca de Paranaguá e
Curitiba, José Ribeiro de Aguilar. Em seu discurso, afigurando-se ao mesmo tempo representante
dos negociantes de Morretes, mas também cônscio dos percalços das atividades dos tropeiros,
Vieira dos Santos situou-se, assim, como o elemento da rede mercantil morretense, pelo seu cargo,
26
MOREIRA, Júlio Estrela. Caminhos das Comarcas de Curitiba e Paranaguá. 1ª edição. 2º vol. Curitiba: Imprensa
Oficial do Paraná, 1975, p. 384.
27
Idem, Ibidem.
9
e também pelo exercício de uma atividade mercantil, legitimado a acionar um contato da rede
burocrática da Província de São Paulo, a qual, a partir do período imperial, envolveu-se na
administração das estradas provinciais. Através da exposição do problema sob uma racionalidade
econômica, na passagem seguinte da Memória Histórica de Morretes tem-se Vieira dos Santos na
articulação de interesses econômicos sob sua legitimidade de inserção institucional:
“[...] qual será Ilmº. Sr. Desembargador, a indeliberação para que senão haja de fazer o conserto desta
ramificação da Estrada, que tão útil é ao bem público e de tanta necessidade? Por muitas e muitas vezes me
tem chegado a lágrima aos olhos ouvindo os queixumes de alguns Condutores que tendo perdido suas cargas,
nas passagens do rio, eu me vejo assim mesmo obrigado a cobrar deles a contribuição do caminho, visto já
terem passado o registro e virem dali guiados.28
Em 1827, de acordo com Vieira dos Santos, os negociantes da freguesia de Morretes
iniciaram uma obra na Estrada do Arraial. Percebendo-se preteridos das reivindicações à Província
de São Paulo acerca dos reparos na estrada, mobilizaram seus escravos para atuarem nas obras.
Estes esforços, segundo a justificativa destes negociantes, não foram suficientes em face do fluxo
das tropas que impelia a constantes reparos na estrada – marcadamente o fluxo de animais e da
erva-mate. Assim, ao mesmo tempo em que esse episódio demonstra uma aliança no interior da
segmentação mercantil da sociedade de Morretes, identificando-se as formas e a temporalidade em
que se efetivaram os objetivos dessa mobilização de esforços, demonstra também as regras e as
dificuldades do estreitamento de alianças e conformação de interesses junto a grupos mercantis e
instâncias administrativas. As limitações econômicas e políticas da freguesia de Morretes –
submetida à jurisdição de Antonina, que possuía, por sua vez, um grupo mercantil envolvido com o
comércio marítimo – impeliu Vieira dos Santos, através de suas circulações entre instituições
políticas provinciais, a mobilizar contatos para que os entraves nos reparos na estrada não
engendrassem, por exemplo, a abertura de ramais que desviassem, de todo, o fluxo comercial das
tropas em Morretes.
No percurso da atuação de Vieira dos Santos como tesoureiro, a mobilização de contatos
institucionais – ouvidorias, câmaras municipais, administração das estradas, presidência da
Província de São Paulo – caracterizou-se pela justificação das dificuldades da conclusão das obras
de reparo e dificuldades para a cobrança pelos movimentos comerciais naquelas estradas. A defesa
dos interesses do grupo mercantil de Morretes, bem como a justificação das dificuldades da
28
SANTOS, Antonio Vieira dos. Memoria Historica, Chronologica, Topographica e Descriptiva da Villa de Morretes
e do Porto Real Vulgarmente Porto de Çima [1851]. 1ª edição. Curitiba: Museu Paranaense, 1950, p. 146.
10
efetivação de um modelo de cobrança e aplicação dos recursos foi, ao mesmo tempo, a prática da
atuação de Vieira dos Santos na tesouraria, mas também, através da reiteração dessa conduta, da sua
indisposição, no limiar dos anos 1830, com as novas autoridades daquelas instâncias
administrativas. O tesoureiro Vieira dos Santos, portanto, encontrou dificuldades de consolidar seu
trânsito naquelas instituições em face dos malogros para estabelecer alianças com as novas
autoridades da província paulista.
Em 1829 Vieira dos Santos mobilizou um contato nas instâncias administrativas da
Província de São Paulo em favor de justificar ao Conselho Geral da Província o ritmo lento da
construção da estrada do Arraial em face da arrecadação da tesouraria. O aspecto módico dessas
contribuições, na argumentação de Vieira dos Santos, seria decorrente da estratégia dos tropeiros
em desviarem do posto de cobrança para a Caixa de Contribuição; seria também decorrente das
variadas despesas que possuíam os negociantes locais para, eles apenas, efetivarem os reparos na
estrada, bem como nos impedimentos que os tropeiros teriam de pagar a contribuição em virtude de,
conforme justificaram ao tesoureiro, lidarem com perdas de animais e cargas no âmbito das
precárias condições das estradas que perfaziam o itinerário das tropas. 29 O ofício abaixo foi
endereçado ao Sargento-Mor João da Silva Machado, que em 1829 tornou-se conselheito do
Governo provincial paulista:
Tendo visto no Farol que V. S.ª foi nomeado pelo Exmo. Conselho desta Província para vir ocularmente
inspecionar e ver a Estrada Geral, que da Vila de Coritiba desce para a marinha até esta Freguesia, afim de
que pela sua muito sábia informação, possa o mesmo Exmo. Conselho reconhecer o meio mais breve e
apropriado para a sua fatura, e cabendo a V. S.ª empartilhar um serviço tão relevante qual é, o que a pátria
exige do Cidadão quando dele precisa para pública utilidade; por isso V. S.ª agora também deve coadjuvar de
sua parte demonstrando com imparcialidade os mais bem acertados planos, e evidentes esclarecimentos, afim
de que fiquem realizadas as retas deliberações que o Exmo. Conselho tomou na seção de 25 de Outubro
próximo passado afim de fazer promover por meio de V. S.ª a aproximação do conserto e reedificação da
mesma Estrada (dos povos tão desejada). Os rendimentos desta Caixa são mui diminutos para suprir a
despesa de uma tão grande empresa como V. S.ª pode ver nos três mapas que junto remeto. De Vossa
Senhoria – Obediente Servo, Venerador e Criado – Antonio Vieira dos Santos.30
29
Essas justificações de Vieira dos Santos das dificuldades na arrecadação podem ser contextualizadas com a economia
das tropas estudadas por Tiago Luís Gil acerca dos movimentos comerciais entre Viamão e Sorocaba. Nas cercanias das
estradas que serviam aos caminhos das tropas, conforme Gil, realizavam-se trocas comerciais. Assim, o desvio de rota
dos tropeiros para não pagarem a contribuição ao tesoureiro Vieira dos Santos, representava o desvio de um fluxo de
mercadorias por rotas adjacentes, ou seja, além da perda de receita, os negociantes da Freguesia de Morretes
observaram a redução das trocas comerciais em face daquele desvio de rota. Conforme Gil, foi contextual o precário
estado de conservação dos caminhos tropeiros, precariedade essa que influía na maior demanda por animais de
transporte, com maiores condições de travessia do que as carroças. Cf. GIL, Tiago Luís. Coisas do Caminho. Tropeiros
e seus negócios do Viamão à Sorocaba (1780-1810). 2009. 371 fls. Tese (Doutorado em História Social), Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, pp. 86-90.
30
SANTOS, Antonio Vieira dos. Memória Histórica da Vila de Morretes, Op. cit., pp. 177-179.
11
Apresenta-se aí a afirmação de uma relação de inferioridade hierárquica, mas a partir da qual
os interesses e argumentos do grupo mercantil de Morretes, sob o intermédio de Vieira dos Santos,
poderiam ser representados no Conselho do Governo da Província de São Paulo. No decorrer da
transcrição de ofícios entre Vieira dos Santos e João da Silva Machado, transcritos na Memória
Histórica de Morretes, Machado continuamente solicitava esclarecimentos a Vieira dos Santos
sobre os rendimentos da Caixa de Contribuição da Estrada do Arraial e sobre o andamento dos
reparos desta estrada. A reivindicação de uma representação em instância de autoridade por Vieira
dos Santos, portanto, efetivou-se durante o final dos anos 1820 e início dos anos 1830.
As trocas de titulares de cargos na administração Província de São Paulo, pois, impeliram a
mudança nas formas da representação dos negociantes de Morretes nas relações entre instâncias de
autoridade, bem como na complacência da Província de São Paulo com o ritmo do andamento – ou
seus atrasos – da Estrada do Arraial. A estratégia de mobilizar um contato no Conselho do Governo
da Província de São Paulo respondeu, conforme documento transcrito na Memória Histórica de
Morretes, às observações críticas do conselheiro suplente do governo provincial paulista, Lourenço
Pinto de Sá Ribas, em 1828, acerca dos entraves para a efetivação de um modelo de cobrança da
Caixa de Contribuição em face das querelas entre as elites sociais litorâneas.31
Nesse sentido, ao aproximar-se de João da Silva Machado, conselheiro do Governo da
Província de São Paulo, teria Vieira dos Santos uma possibilidade de articulação de interesses e
representação no âmbito de uma instância que, conforme a fala acima do conselheiro provincial Sá
Ribas, não se posicionava em face dos específicos interesses que envolveram as sociedades, por
exemplo, de Antonina e Morretes. A partir da posição de João da Silva Machado no Conselho
provincial, portanto, pode Vieira dos Santos aprofundar seus argumentos, sobretudo, sobre a
reprodução dos problemas para a conclusão dos reparos e aumento da receita auferida pela cobrança
de tributo aos condutores de tropas.
Estratégias de reprodução social na família Vieira dos Santos (1831-1839)
Em 1834, Rafael Tobias de Aguiar, presidente da Província de São Paulo, aceitou a proposta
de Manoel Mendes Leião, inspetor da Estrada do Arraial, de transferir a tesouraria da Ciaxa de
Contribuição desta estrada para a freguesia de São José dos Pinhais. A partir do afastamento de
31
Idem, p. 174.
12
Vieira dos Santos do cargo de tesoureiro, a forma das autoridades provinciais perceberem o
desempenho das atribuições de Vieira dos Santos rearranjou-se de maneira que forma toranadas
instáveis as condições de Vieira dos Santos de acionar contatos junto à presidência da Província de
São Paulo que lhe respaldassem suas ações na tesouraria da Estrada do Arraial. Vieira dos Santos
foi interpelado, durante o ano de 1835, pelas autoridades provinciais para explanar sobre os
rendimentos e as aplicações destes acerca dos reparos e conservação daquela estrada.32 Na trajetória
de Vieira dos Santos, pois, entre a aliança com Silva Machado e os reveses nas condições de acessar
contatos junto ao Governo da Província de São Paulo em face dos projetos de Mendes Leitão,
observou-se que o posicionamento de membro para a elite social de São José dos Pinhais, enquanto
protagonista nas articulações junto ao governo provincial paulista, concernente aos reparos na
Estrada do Arraial, assinalou a fragilização da posição de Vieira dos Santos enquanto representante
de segmentos mercantis do litoral sul da Província de São Paulo.33
Ao mesmo tempo em que o acionamento de contatos no âmbito de redes administrativas era
dificultado a Vieira dos Santos, através dessas redes pode estabelecer um laço familiar, pois seu
filho José Vieira dos Santos casou-se, em 1845, com Emília Sofia Morocini Borba, filha de Vicente
Antonio Rodrigues Borba, paulista radicado em Curitiba, que exercera durante a década de 1830 o
cargo de Inspetor da Estrada de Curitiba, voltara-se ao beneficiamento de erva-mate em Morretes e
fora capitão-mor de Curitiba.34 Assim, o afastamento de Vieira dos Santos das atividades
administrativas não implicou em rompimento das relações firmadas naquelas redes administrativas.
32
Conforme a Memória Histórica da Vila de Morretes, em 1835 o presidente da Província de São Paulo, Rafael Tobias
de Aguiar, criticou o ex-tesoureiro Vieira dos Santos e justificou as razões do seu afastamento do cargo: “A [Estrada] de
São José para Morretes [afirmou o presidente] tem estado em abandono a ponto de não se ter arrecadado a contribuição
para ela destinada por incúria ou negligência do Tesoureiro a quem mandou-se ultimamente tomar contas e remover da
Administração para verificar-se sua responsabilidade no caso de merecer”. SANTOS, Antonio Vieira dos. Memória
Histórica da Vila de Morretes..., Op. cit., p. 327.
33
Em estudo de Cacilda Machado, observa-se acerca da Freguesia São José dos Pinhais na Lista Nominativa de 1824,
Manoel Mendes Leitão sendo identificado, na Lista, como proprietário de fazendas de criar e mantinha, em São José
dos Pinhais, dezessete escravos. A família de Manoel Mendes Leitão, os Mendes Sá, notadamente os filhos dele, são
situados no estudo de Cacilda Machado sob redes de compadrio que envolvia famílias da elite local – a exemplo dos
Rocha Loures – e escravos libertos, sendo os filhos de Mendes Leitão padrinhos dos filhos de ex-escravos dos Rocha
Loures nos anos 1820. Através desses aspectos, permite-se assinalar que a Administração da Estrada do Arraial, desde a
gestão de Silva Machado, que fora sargento-mor da vila de Curitiba, constituía-se em um posicionamento estratégico
para os interesses comerciais das elites do planalto e do litoral, mas pelas diferentes tensões de suas relações no âmbito
dessas redes comerciais, foram as elites do planalto que auferiram reproduzirem-se nos cargos administrativos da
Estrada na primeira metade do século XIX. Cf. MACHADO, Cacilda. A trama das vontades. Negros, pardos e brancos
na produção da hierarquia social (São José dos Pinhais – PR, passagem do século XVIII para XIX). 2006. 369 fls. Tese
(Doutorado em História Social), Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, p. 314.
34
Cf. SANTOS, Antonio Vieira dos. Memórias dos Sucessos mais notáveis acontecidos desde o ano de 1838 [Códice
sob guarda do Círculo de Estudos Bandeirantes, em Curitiba, e digitalizado pela seção paranaense do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], fl. 322.
13
Antes, assinala-se que ele logrou consolidar uma relação que se estendeu, no caso com a família de
Rodrigues Borba, que se estendeu tanto para o âmbito das práticas familiares, como também das
práticas econômicas, visto terem sido ambos pertencentes ao grupo de beneficiadores de erva-mate
em Morretes. No curso de sua atuação como tesoureiro da Caixa de Contribuição da Estrada do
Arraial, e nos contatos com administradores da Estrada de Curitiba engendrados pela sua atuação na
citada tesouraria, Vieira dos Santos aprofundou sua integração junto ao grupo mercantil de
Morretes, tendo-se engajado em conflitos políticos respeitantes à produção ervateira:
Em 10 de julho de 1833 obteve o autor destas Memórias da Câmara da Vila de Antonina a faculdade de lhe
poder trazer desde o rio Guarumbi um encanamento ou Rêgo de água e com o mesmo atravessando a rua do
Campo fazê-lo desaguar no ribeirão da Ponte donde o Autor fez edificar uma fábrica de socar erva-mate
movida pela água do mesmo encanamento mas alguns êmulos opositores ao progresso industrial se opuseram
por via Judiciária a embargar-se o levantamento da mesma fábrica de que se originou um litígio [...] afinal o
Governo Provincial informado da real verdade [...] concedeu a faculdade de ser levantada, a qual sendo à
maneira de um luminoso Farol que o Presidente da Província quis mostrar aos habitantes da Freguesia de
Morretes que bem de longe de oposições, todos ao Cidadãos tinhão igual direito aos benefícios outorgados pela
Lei.35
O ex-tesoureiro Vieira dos Santos, assim, rearranjou seus contatos com as autoridades
provinciais. Não mais sob a legitimidade de um cargo, mas sob o engajamento político e tendo
fundamentado discurso econômico na defesa de dos negociantes do litoral sul paulista. O
afastamento de Vieira dos Santos da tesouraria não correspondeu à desintegração de contatos ou
uma inferiorização de seu posicionamento hierárquico em Morretes. Antes, a interlocução junto a
autoridades provinciais facultou-lhe estreitar relações econômicas e familiares junto a segmentos
mercantis de Morretes. O período de Antonio Vieira dos Santos na tesouraria, assim, representoulhe a diversificação de relacionamentos, sejam eles percebidos pela aliança matrimonial entre o seu
filho José Vieira dos Santos e a filha de Rodrigues Borba, sejam pelas estratégias para integrar-se
ao grupo mercantil morretense e, a partir dessa integração, fomentou também a inserção de seu filho
Antonio Vieira dos Santos Júnior naquela rede mercantil.
O período posterior ao exercício do cargo de tesoureiro, ao lado das alterações e
diversificações de seus posicionamentos institucionais e alianças econômicas, permite ser
observado nas condições de reprodução social engendradas pelas práticas sociais de Vieira dos
Santos. Em 1834 Antonio Vieira dos Santos Júnior, em sociedade com José de Loyolla Silva, 36
35
SANTOS, Antonio Vieira dos. Memória Histórica de da Vila Morretes..., Op. cit., p. 303.
Na Memória Histórica da Vila de Morretes os anos de 1834 e 1835 são referidos como de intensificação das
atividades econômicas dos negociantes de Morretes. A família Loyolla Silva, pois, segundo aquela memória, acirrou
sua atividade de beneficiamento de erva-mate através da construção de uma fábrica no Porto de Cima em 1836. À
36
14
envolveu-se, a exemplo do patriarca, em conflito subjacente à feitura de encanamentos para o
beneficiamento do mate. O filho do ex-tesoureiro, imiscuiu-se, ainda, em querelas econômicas no
contexto da produção de ervateira, nas quais, através da legitimidade propiciada pelo governo
provincial, Vieira dos Santos Júnior obteve êxito nesta demanda:
O Ano de 1834 é mui memorável na história Morretense pela grande oposição que alguns Cidadãos fizeram
contra os estabelecimentos de fábricas de socar erva-mate, que pretendião edificar na margem do ribeirão da
ponte e no centro desta Freguesia os cidadãos proprietários José Loyolla da Silva e Antonio Vieira dos Santos
Júnior e destes estabelecimentos se originou uma fortíssima lide forense entre os ditos proprietários e seus
opositores que tendo princípio em 1833 foi ainda e m1835 que o Governo da Província tendo conhecido a
trama invejosa urdida pelos opositores e interado da razão que os dois proprietários tinhão ao benefício das
Leis, e desejando ao mesmo tempo favorecer a indústria e o aumento do Comércio decidiu definitivamente esta
grande questão que houve em favor das Fábricas podendo livremente seus proprietários levantá-las.37
A integração em redes econômicas pautou, nesse sentido, a reprodução social entre as
práticas sociais de Vieira dos Santos e Vieira dos Santos Júnior. O patriarca, residente em Morretes
desde 1814 e incorporado àquele grupo mercantil a partir da década de 1830, consolidou-se em
enredamentos e práticas sociais que foram assumidas por seu filho nos termos, notadamente, do
estabelecimento de sociedade comercial e do engajamento em querelas econômicas, elementos
esses que desde o início da trajetória de Vieira dos Santos no Brasil, a partir do Rio de Janeiro,
permitiram-lhe a integração em segmentos mercantis, mas também auferir o contato e o auxílio de
famílias de outras áreas, a exemplo do caso de sua breve residência em Curitiba, em 1813.
No final dos anos 1830, para além do aprofundamento de suas práticas econômicas, Vieira
dos Santos retomou contatos com instâncias políticas como o Governo e a Assembléia da Província
de São Paulo em posição de engajamento pela elevação de Morretes à condição de vila. Junto aos
demais negociantes daquela freguesia, atentaram contra o domínio jurisdicional de Antonina. 38 Em
1839, Vieira dos Santos, Antonio Ricardo dos Santos, Antonio José de Araújo e Manoel Gonçalves
diversificação dos negócios de Inácio de Loyolla e Silva, acompanhou-a também a diversificação dos negócios de
Antonio Vicente Rodrigues Borba, sogro de José Vieira dos Santos. Borba possuía engenho de soque de erva-mate nas
campinas da borda do campo. Cf. SANTOS, Antonio Vieira dos. Memória Histórica da Vila de Morretes..., Op. cit., p.
315.
37
Idem, p. 307.
38
Permite-se exemplificar a execução de estratégias sociais, por Antonio Vieira dos Santos, que lhe permitiram a
consolidação no grupo mercantil, bem como um acúmulo patrimonial, nos anos 1830 em Morretes, através do aumento
de sua escravaria naquela década. Conforme Silvio Weber, em 1830, segundo a Lista Nominativa de Habitantes da
Freguesia de Morretes, Vieira dos Santos possuía uma escravaria composta por nove indivíduos, sendo seis mulheres e
três homens. Na Lista Nominativa de 1836 encontra-se uma alteração no padrão da escravaria de Vieira dos Santos,
pois, ainda que permanecesse formada por nove escravos, tornou-se predominantemente masculina, com cinco escravos
e quatro escravas, bem como, nessa Lista de 1836, Vieira dos Santos é referido como proprietário de engenho de ervamate. Cf. WEBER, Silvio. Além do cativeiro..., Op. cit., p. 84.
15
do Nascimento foram nomeados pela Câmara Municipal de Antonina para emitirem um parecer
sobre a pertinência da elevação de Morretes à vila, no que concluíram pela defesa da proposta e em
1841 Morretes foi elevada à condição de vila. Durante a década de 1830 as mudanças de titulares de
cargos na administração provincial impeliram Vieira dos Santos a desempenhar estratégicas
mobilizações de contato e consolidar o pertencimento a redes sociais. Estas estratégias
possibilitaram-lhe a elaboração alianças familiares, notadamente para o caso de seu filho Vieira dos
Santos Júnior, para o qual um relacionamento administrativo, conforme acima apresentado,
complexificou-se em relação familiar.
Facetas da integração social através de atividades letradas (1849-1851)
No tocante àescrita da memória histórica sobre Antonina, Vieira dos Santos recebeu em
1851 do presidente da câmara local o manuscrito que entregara a esta instituição em 1849. Não
auferira, pois, pagamento pela escrita destas memórias históricas. 39 No caso da escrita dos dois
volumes da memória histórica de Paranaguá, entregues à câmara municipal em 1850, Vieira dos
Santos registrou no segundo volume de reminiscências que recebeu 400 mil réis por este trabalho.40
Para o caso do processo escrita da memória histórica de Morretes e, sobretudo, das
distinções e contatos sociais assumidos por Vieira dos Santos enquanto letrado, cabe transcrever
duas atas da Câmara Municipal de Morretes nas quais, ao mesmo tempo em que se encontram
debates sobre aspectos econômicos inerentes ao projeto literário de Vieira dos Santos, permite-se
assinalar, entre 1850 e 1851, os termos legitimidade de integração institucional deste autor:
5ª Sessão Ordinária da Câmara da Vila de Morretes. 16 de Abril de 1850. Presidência do Snr. Santos. Presente
o número legal de Senhores Vereadores o Presidente abriu a Sessão, e sendo lida a até da anterior foi aprovada
e assinada. Ficou ao Cidadão Antonio Vieira dos Santos respondendo ao officio do mesmo, de 7 do corrente.
Lido na Sessão do dia dito, remeteu-se-lhe uma lista dos nomes das Ruas desta V. a e da Povoação de Porto de
Cima, e se lhe prometeu gratificar com alguma quantia, pela História Cronológica e Topográfica que está
escrevendo, e autorizou-se ao Secretário para lhe franquear os Livros e mais papéis do Archivo da Câmara para
deles extrahir os documentos que lhe forem precisos.
6ª Sessão Ordinária da Câmara da Vila de Morretes, 24 de maio de 1851. Leo-se hum officio do Cidadão
Antonio Vieira dos Santos pelo qual ofereceo o primeiro Vollume das Memorias Historicas Morretenses e
entro em discussão a gratificação que se deve dar e havendo algumas reflexões de demonstração e apreço com
que a Câmara recebeo tal obra, bem como o grande pezar que ella sente por não ter quantias suficientes, em
seus coffres, com que recompensar generosamente e como deseja e merece tanto transcendente trabalho em
virtude do que resolveo que se lhe gratificasse com a quantia de duzentos mil réis sendo oitenta dos direitos
Municipais sobre seu Engenho e sendo vinte mil réis mandado entregar pelo Procurador, a Câmara reconhece
que não recompensa seus trabalhos porém que precede de gratidão e espera será elle aceito, tendo atenção à
39
40
Cf. SANTOS, Antonio Vieira dos. Breve resumo das memórias..., Op. Cit., fl. 241
Cf. Idem, fl. 223.
16
falta de meios que tem o coffre pela falta de Vendas Municipais porém que a Câmara se compraz logo que
tenha o Segundo Volume e possa mandar imprimir outro como pretende, então brindará a seus herdeiros vinte
exemplares ou todos os que sobrem depois de cobertas as despezas de impressão, deliberando-se assim
responder o seu officio.41
As memórias históricas que Vieira dos Santos escreveu sobre Antonina, Morretes e
Paranaguá acentuam, portanto, aspectos das oscilações de seu pertencimento junto a segmentos
sociais destas três sociedades. Acentuam, pois, a relação entre a legitimidade de circular por
espaços burocráticos, notadamente as câmaras municipais para a obtenção de documentos para a
feitura destas memórias históricas, e o conflito em face das implicações econômicas destes
trabalhos históricos.
Considerações finais
Nesta abordagem, portanto, buscou-se um afastamento acerca de um senso comum
historiográfico que engendrou reducionismos nas possibilidades de leitura dos papéis sociais de
Vieira dos Santos em nas sociedades litorâneas do atual Paraná. A partir dessa desconstrução,
propôs-se investigar formas de estratégias, regras e hierarquias sociais em área provincial do Brasil
no contexto de transição do período colonial para o período imperial brasileiro. As regras e alianças
sociais presentes nas formas de pertencimento institucional – instituições coloniais a exemplo da
almotaçaria e da companhia de milícias –, os rearranjos de relações políticas em face da
organização política do Império do Brasil e as distinções e interesses sociais observados no domínio
de práticas letradas, pois, verificados na trajetória de Vieira dos Santos, apresentam-se enquanto
caso de práticas sociais em área provincial do Brasil imperial.
Para sintetizar uma inteligibilidade sobre a trajetória de Vieira dos Santos na sociedade de
Morretes, cabe atentar para as estratégias e reconfigurações de posições hierárquicas inscritas na
trajetória deste indivíduo. Em seus primeiros anos em Morretes, foi-lhe estratégico buscar nas
relações familiares o fomento econômico para recuperar-se do endividamento assumido em
Paranaguá. A restrição engendrada pela preeminência dos contatos familiares naquele momento de
sua trajetória, pois, evidenciou-se pelos limites do auxílio que lhe foi propiciado, a saber, retomar a
41
Atas da Câmara Municipal de Morretes das sessões de 16 de Abril de 1850 e 24 de Maio de 1851. In: MOREIRA,
Júlio. Caminhos das Comarcas de Curitiba e Paranaguá. 1ª edição. 2º volume, Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná,
1975, pp. 457-458.
17
atividade de vendeiro, em condição de endividamento para com o seu cunhado. O período inicial da
residência de Vieira dos Santos em Morretes, pois, configurou-se pelo estabelecimento de uma
relação de dependência no âmbito da família, mas quando buscou retomar contatos de suas redes
em Paranaguá e firmar contatos nas redes sociais em Morretes, logrou modificar sua posição no
interior do grupo mercantil morretense. Assim, ao integrar-se na vivência administrativa e
econômica em Morretes e reabilitar alianças com os grupos mercantis em Paranaguá, situou-se entre
a condição de dependência no âmbito familiar e condição de dependência em relação às elites
sociais daquelas duas sociedades.
Foi, pois, quando Vieira dos Santos logrou complexificar seus contatos sociais – sendo um
desses primeiros movimentos o retorno ao pertencimento às irmandades e cargos administrativos,
ou seja, deslocou de suas relações as sensíveis relações de dependências familiares – que ele auferiu
integrar o grupo mercantil, nos anos 1830. Assim, das inserções em espaços religiosos, comerciais e
administrativos, Vieira dos Santos auferiu as condições de engendrar quer um rearranjo de um
posicionamento hierárquico – tornou-se pertencente ao grupo mercantil morretense, ainda que
hierarquicamente inferiorizado, pois não se afigurou como um negociante de grosso trato – quer o
estabelecimento de alianças familiares, no caso do casamento de seus filhos, com membros das
elites sociais de Morretes e Curitiba. Ao passo que na vila de Paranaguá Vieira dos Santos inseriuse em segmentos mercantis – em diversificadas circulações institucionais e comerciais – os
percalços de suas atividades econômicas impeliram-lhe a um rearranjo de práticas, nos quais,
inicialmente, esteve dependente expressivamente dos laços familiares e, através de estratégias que
lhe permitiram circular para além deles – logrou, ainda que em ritmo lento e oscilante, uma
mobilidade em sua posição de comerciante, movendo-se entre a condição de vendeiro e condição de
negociante, bem como na condição de letrado. Condição de letrado que, por sua vez, permitiu-lhe
negociar dívidas na vila de Morretes e retomar a circulação junto à Câmara Municipal de
Paranaguá.
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20
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