RISCOS ERGONÔMICOS RELACIONADOS AOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM Ityara Teixeira Bigotto Michele Montanaro Silva Orientador: Giselle Clemente Sailer Araçatuba – SP 2009 RESUMO A ergonomia relaciona-se ao homem e seu ambiente de trabalho, o ambiente não se limita ao espaço físico,abrangendo os instrumentos, organização local e os métodos usados para desenvolver as atividades. Seu principal objetivo visa promover a saúde e bem-estar, adaptando o trabalho ao trabalhador. Estudo descritivo, com abordagem quantitativa, realizado num Hospital Geral de pequeno porte na região noroeste do estado de São Paulo, com o objetivo de identificar os riscos ergonômicos que os profissionais de enfermagem estão expostos e também propor melhorias nas condições de trabalho. Para análise utilizou-se um questionário semiestruturado; nos resultados percebeu-se através da análise estatística dos questionários que houve predomínio do sexo feminino que trabalham em turno caracterizado por rodízio. Este trabalho é dificultado por falta de equipamentos e por sobrecarga de funcionários nas atividades diárias gerando uma probabilidade maior dos profissionais desenvolver distúrbios osteomusculares ou sofrerem acidente de trabalho. PALAVRAS-CHAVE: ENFERMAGEM, RISCOS ERGONÔMICOS INTRODUÇÃO A ergonomia tem por finalidade promover a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, satisfazendo as necessidades humanas e ambientais, eliminando por sua vez doenças ocupacionais e oferecendo-lhes condições decentes de trabalho (GALLASCH; ALEXANDRE, 2003). A ergonomia também envolve um vasto campo que se relaciona com os meios de produção e serviço, preocupando-se com as condições de trabalho, visando a produtividade e a diminuição do sofrimento do trabalhador (ERDMANN; BENITO, 1995). De acordo com Jorge e Alexandre (2005), a ergonomia está relacionada ao homem e seu ambiente de trabalho, este ambiente não se limita ao espaço físico, mas abrange os instrumentos, organização local e os métodos usados para desenvolver as atividades. Seu principal objetivo visa promover a saúde e bemestar, adaptando o trabalho ao trabalhador. Para Moreira e Mendes (2005), as doenças osteomusculares, como as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), são desencadeadas por diversos fatores causais sendo eles ergonômicos, organizacionais e/ou psicossocial. Os fatores de nível ergonômico estão relacionados a movimentos e esforços musculares excessivos e postura inadequadas, os de nível organizacional estão relacionados a gestos repetitivos, jornadas de trabalho prolongadas e ritmo intenso de trabalho, já os níveis de natureza psicosocial relacionam-se ao ambiente se este for tenso, se houver hierarquia na organização do trabalho, pressão de chefia e as relações interpessoais. O trabalho de Enfermagem envolve vários fatores de risco que comprometem a saúde. Muitas organizações de saúde possuem atendimento de níveis elevados de complexidade e diversidade de serviços e por conseqüência, de riscos ocupacionais, sendo freqüentes os distúrbios osteomusculares na equipe de Enfermagem (GURGUEIRA; ALEXANDRE; FILHO, 2003). Segundo Alexandre (1998), a equipe de enfermagem deve ser orientada sobre o controle do ambiente e dos equipamentos utilizados em seu campo de trabalho, assim, preservando os profissionais da multiplicação de doenças inclusive as osteomusculares e os acidentes de trabalho, sendo assim, é importante avaliar a postura do profissional de Enfermagem com o intuito de orientá-lo e corrigi-lo através de uma cultura prevencionista, buscando qualidade de vida e diminuindo os possíveis agravos à saúde do trabalhador, resultante da exposição aos riscos ocupacionais. A mecânica corporal pode favorecer as atividades dos profissionais de enfermagem, sendo definida como o esforço ordenado dos sistemas musculoesquelético e nervoso para manter o equilíbrio adequado, postura e alinhamento de carga e execução de atividades diárias. O movimento adequado do corpo previne o aparecimento de lesões. Ainda, a mecânica corporal facilita o movimento para que uma pessoa possa executar atividades físicas sem usar desnecessariamente sua energia muscular (POTTER e PERRY, 1998). Para Cavalcante, Enders e Menezes (2006), partindo para a prática observase que no dia-a-dia dos profissionais de enfermagem existe um déficit em relacionar o processo de trabalho e sua relação saúde-doença ocasionando inúmeras vezes agravos a saúde aliado a falta de informações sobre os riscos ocupacionais aos quais estão expostos, destacando os riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, riscos de acidentes. De acordo com Moreira (2003), riscos físicos são ruídos: provocados por aparelhos e poluição sonora interna ou externa ao hospital, temperatura e desconforto térmico; riscos químicos são aqueles que podem penetrar no organismo assim como poeira do ambiente, gases Hélio, Oxigênio; vapores, álcool e éter, glutaraldeido, hipoclorito de sódio, sabão germicida, medicamentos citotóxicos, imunossupressores; riscos biológicos são aqueles que compreendem as bactérias, fungos, parasitas e vírus; riscos ergonômicos são aqueles de exigência de atenção e vigilância permanente, exigência de ritmo de trabalho intenso, exigência de posturas inadequadas, monotonia e repetitividade física, gestual, mental, sobrecarga de trabalho e dentre os riscos de acidentes destacamos: iluminação inadequada, piso impróprio, equipamento de proteção individual inexistente ou inadequado manipulação de perfuro-cortante; equipamentos elétricos sem proteção. É ressaltado por Couto (1995, p.353): Através da aplicação dos princípios da ergonomia pode ser propiciada uma interação adequada e confortável do ser humano com os objetivos que maneja e com o ambiente onde trabalha e ainda melhorar a produtividade, reduzir custos laborais que se manifestam através do absenteísmo, rotatividade, conflitos e pela falta de interesse para o trabalho. No entanto, acreditamos que mobilização dos seus trabalhadores e de seus sindicatos, também seja necessária para que efetivas e profundas mudanças ocorram nas condições de trabalho. Para desenvolver o cuidar da enfermagem os profissionais desta área costumam desenvolver suas atividades num ambiente insalubre, onde estão sujeitos aos mais diversos riscos, como contato constante com material biológico, presença de microrganismos, utilização de dispositivos perfuro cortantes, sobrecarga de trabalho, jornadas prolongadas e cansativas, materiais e equipamentos desapropriados, sucateados e não padronizados em suas dimensões, que exigem freqüentes adaptações, comprometendo a segurança do trabalho, transporte e movimentação de pacientes, contato direto com a dor e morte, estando desta forma, vulneráveis ao adoecimento tanto físico quanto psíquico. Acredita-se que conhecendo os riscos ergonômicos e utilizando a mecânica corporal adequadamente, pode-se, evitar afastamentos do trabalho decorrentes de problemas osteomusculares entre outros. OBJETIVOS O objetivo deste estudo é identificar os riscos ergonômicos que os profissionais de enfermagem estão expostos, tal como propor melhorias nas condições de trabalho destes profissionais. METODOLOGIA Trata-se de um estudo com abordagem quantitativa que considera que tudo pode ser quantificado, assim, foi projetada para gerar medidas precisas e confiáveis que permitam uma análise estatística e apresentada com dados percentuais. Pode ser usada para medir opiniões, atitudes e comportamentos (Unicamp, 2008). A pesquisa é do tipo levantamento, retrospectivo, transversal, onde os dados foram coletados por meio de um questionário semi-estruturado elaborado pelas autoras, para posterior análise estatística e apresentado por meio de tabelas e gráficos. LOCAL E SUJEITOS DA PESQUISA Esta pesquisa do tipo quantitativa foi realizada em um hospital de média complexidade na região noroeste do estado de São Paulo, sendo um hospital de pequeno porte onde o mesmo possui 50 leitos e oferece diversos tipos de cuidados, por exemplo: enfermaria, centro-cirurgico, ala masculina e feminina e pediatria. Esta instituição de saúde presta serviço ao SUS, além de ser oferecido também atendimento a convênios e particulares. A equipe de enfermagem desta instituição é composta por 23 profissionais, que trabalham em esquema de plantões, sendo manhã das 07:00 as 13:00, tarde das 13:00 as 19:00 e a noite das 19:00 as 07:00, a distribuição dos plantões ocorrem por meio de escala mensal, onde os trabalhadores realizam suas atividades em esquema de rodízio, ou seja, tanto nos plantões diurno quanto noturno. A população do estudo foi formada por 23 profissionais e fizeram parte da amostra 13 integrantes da equipe de enfermagem, pois 02 encontravam–se de férias, 01 de licença saúde e 07 se recusaram a responder ao questionário. A coleta de dados deu-se entre os dias 18 a 23 de agosto de 2008, durante o turno diurno e noturno para atingirmos a população em questão. O questionário semi-estruturado (Apêndice I) elaborado pelas autoras foi entregue aos participantes no inicio dos plantões e recolhidos ao final do mesmo. Ressalta-se que foi realizado um préteste, com 3 profissionais de enfermagem que não fizeram parte da amostra, no intuito de fazermos algumas adequações, tornando-o mais claro e objetivo. Após a autorização da Instituição de saúde pesquisada, foi encaminhado o projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do UNISALESIANO de Araçatuba, para apreciação e obtivemos parecer favorável (Anexo I). O projeto segue as normativas da resolução 196 do CONEP (Comitê Nacional em pesquisa), foi elaborado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (apêndice II), para a garantia do sigilo e anonimato das informações e a cada profissional de enfermagem que participou da pesquisa foi fornecido esclarecimento a respeito de sua participação voluntária e informado também quanto o objetivo do estudo e sua livre decisão em responder ao questionário. Os dados obtidos através do questionário do estudo foram agrupados e submetidos a tratamento estatístico. RESULTADOS E DISCUSSÃO Abaixo segue os dados obtidos através do questionário agrupados e submetidos a tratamento estatístico. Técnicos 31% 46% Auxiliares 23% Enfermeiros FIGURA 1 – Distribuição de profissionais de enfermagem quanto à função exercida, em um hospital de pequeno porte no interior do estado de São Paulo, Auriflama, 2008. (N=13) Ao analisarmos os dados colhidos através de questionário constatamos a seguinte distribuição dos profissionais no que se refere à função: 6 (46%) são técnicos de enfermagem; 4 (31%) são enfermeiros e 3 (23%) são auxiliares de enfermagem. Segundo Moreira (2003) o conselho federal de enfermagem estabelece que as atividades de enfermagem devam ser realizadas pelos profissionais com níveis de formação diferentes sendo: enfermeiros, formados em curso de graduação; técnicos de enfermagem, formados em nível médio; auxiliares de enfermagem, formados em cursos em nível fundamental completo e nível médio. 23,1 % Diurno Noturno 53,8 % 23,1 % Rodizio * *Entende-se por rodízio o trabalho realizado em plantões tanto diurno quanto noturno, por meio de uma escala pré-estabelecida. Figura 2 – Distribuição dos participantes da pesquisa quanto ao turno de trabalho desempenhado por eles, num hospital de pequeno porte no interior do estado de São Paulo, Auriflama, 2008. (N=13) Ao analisarmos os dados coletados concluímos que os trabalhadores de enfermagem estão distribuídos em turnos alternados sendo o mais predominante o turno caracterizado por rodízio sendo este composto pelos turnos diurno e noturno. Observamos que não há um turno específico para alguns destes profissionais de enfermagem deixando-os mais vulneráveis a um descontrole psicossocial. Segundo Moreira (2003) toda vez em que os profissionais de enfermagem estiverem expostos à atividade laboral, trabalhando em turnos e não se importando que seja feito turnos alternantes ou fixos, os trabalhadores estarão sujeitos a uma dessincronização e submetidos a um maior risco de apresentarem uma série de distúrbios de ordem fisiológica e psicosocial. 15, 4 % Inadequado Adequado 84,6 % Figura 3: Distribuição da equipe de enfermagem entrevistada a respeito de sua opinião sobre o espaço físico adequado ou não no desempenho de suas atividades laborais, em hospital de pequeno porte no interior do estado de São Paulo, Auriflama, 2008. (N=13) A análise de dados mostra-nos que 11 (84,6%) dos entrevistados afirmam trabalhar em um hospital cujo espaço físico é adequado e apenas 2 (15,4%) informam trabalhar em um espaço físico inadequado confirmando assim que neste hospital de pequeno porte pode se realizar tarefas diárias com maior segurança, já que se pode encontrar espaço suficiente e adequado a estas funções. De acordo com Moreira (2003) os hospitais vivem intensas reformas de espaços físicos para atender a demanda e implementação de novos serviços determinados pelos avanços tecnocientificos, mas inversamente, pouco se preocupa com o atendimento de melhores condições de trabalho principalmente em relação aos profissionais de enfermagem na questão de planta física. Assim, nosso resultado discorda da opinião do autor acima citado, pois a equipe de enfermagem acredita que o espaço físico é suficiente para o desempenho de suas atividades. 15,4 % Inadequado 84,6 % Adequado Figura 4: Distribuição da equipe de enfermagem entrevistada a respeito de sua opinião sobre a disposição do mobiliário de forma adequada ou não no desempenho de suas atividade laborais, em hospital de pequeno porte no interior do estado de São Paulo, Auriflama, 2008. (N=13) Ao analisarmos os dados confrontamos com um alto índice de respostas na qual afirmam que a disposição do mobiliário se encontra adequado ao desempenho das atividades realizadas no local, comprovado por 10 (84,6%) das respostas, restando somente 3 (15,4%) colaboradores que relataram ter um espaço físico de trabalho inadequado. Para a otimização das ações desempenhadas no ambiente laboral é de suma importância que exista tanto um espaço físico suficiente, bem como a distribuição dos equipamentos e mobiliários estejam em arranjo com o ambiente. De acordo com Moreira (2003) os mobiliários e matérias que fazem parte do trabalho hospitalar e também do cuidar de enfermagem são entendidos como extensão humana, sendo desta forma indispensável à adequação desses recursos ao homem e o trabalho. 7, 7 % Inadequado Adequado 92,3 % Figura 5: Classificação da adequação ou não da divisão de trabalho, segundo a equipe de trabalho entrevistada, em um hospital de pequeno porte localizado no interior de SP, Auriflama, 2008. (N=13) De acordo com dados colhidos pode-se observar que 12 (92,3%) classificam a divisão de trabalho com adequada e apenas 1(7,7%) dos entrevistados classifica como inadequada. Embora as atividade assistenciais de enfermagem exijam grande esforço físico, a grande maioria dos entrevistados mostrou não se sentir sobrecarregado. Para Marques e Lima (2008) o desempenho tecno-assistencial está organizado na divisão de tarefas entre os diferentes agentes e a organização do processo de trabalho se constitui pelos seus elementos; o objetivo de trabalho, os meios de produção, assim como as relações técnicas e sociais, historicamente, por meio do trabalho os seres humanos produzem e reproduzem a sua existência. Tabela 1: Distribuição das informações obtidas junto aos trabalhadores de enfermagem sobre uma pausa durante a jornada de trabalho, em um hospital de pequeno porte no interior do estado de São Paulo, Auriflama 2008. (N=13) Pausa durante o Numero de Profissionais Porcentagem% Sim 01 7,7 Não 12 92,3 Total 13 100,0 trabalho De acordo com a tabela 1, observamos que 12 (92,3%) dos colaboradores de enfermagem informaram não terem pausa durante sua jornada diária de trabalho, e somente 1(7,%) respondeu ter pausa durante a jornada de trabalho, constatando assim um turno de trabalho cansativo, propiciando a ocorrência de acidentes ocupacionais. Para Moreira (2003) as pausas de trabalho servem para prevenir a fadiga, no ambiente hospitalar, onde os profissionais de enfermagem trabalham na maior parte do tempo em pé, posição onde desenvolve cansaço, sendo imprescindível a realização de pausas e a existência de assentos nos postos de enfermagem para que esses trabalhadores realizem as pausas na posição sentada. 23,1 % Si m 76,9 % Nã o Figura 6: Distribuição das informações obtidas da equipe de enfermagem em relação ao ambiente favorável ou não ao desempenho das tarefas diárias, analisado em hospital de pequeno porte no interior do estado de São Paulo, Auriflama 2008. (N=13) Feito a análise de dados compreende-se que 10 (76,9%) dos entrevistados afirmaram trabalhar em um ambiente favorável para o desenvolvimento de suas atividades diárias e apenas 3 (23,1%) relataram trabalhar em um ambiente que dificulta o desenvolvimento de suas atividades. Desta forma percebemos que o local de trabalho é benéfico para os trabalhadores não gerando descontentamento, já que passamos a maior parte de nossas vidas trabalhando. Segundo Moreira (2003) o ambiente de trabalho não deve ser somente o local onde se possam exercer as habilidades técnicas, moral, social, profissional, mas também um local que ofereça segurança conforto e prazer considerando ainda a organização e equipamentos ao trabalhador para que este desenvolva suas atividades com conforto e segurança prevenindo assim seus efeitos negativos. 15,4 % Sim Não 84,6 % Figura 7: Caracterização das respostas da equipe de enfermagem quanto a sobrecarga de trabalho em suas atividades, em um hospital de pequeno porte no interior de SP, Auriflama 2008. (N=13) Ao analisarmos os dados acima apresentados, percebemos que a maioria dos profissionais de enfermagem afirma sofrer sobrecarga de trabalho sendo comprovado por 11(84,6%) dos colaboradores e apenas 2 (23,1%) não acreditam na sobrecarga de trabalho. Acreditamos desta forma, que os profissionais estão realizando suas tarefas com um número reduzido de profissionais. Segundo Moreira (2003) a sobrecarga de trabalho leva a um comprometimento físico mental afetando assim as horas de sono e repouso, o que vai repercutir na vulnerabilidade do trabalhador aos acidentes ou doenças ocupacionais, como os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho e outras patologias decorrente do estresse. Tabela 2- Distribuição das respostas obtidas pelos profissionais de enfermagem sobre sugestões quanto a melhoria no ambiente de trabalho, Auriflama, 2008. (N=18) Sugestões Numero de respostas % 55,5 Novas contratações de Funcionários 10 Aquisição de novos equipamentos 1 5,5 Melhorar do Salário 1 5,5 Diminuição da sobrecarga de 3 16,8 atividades Promover reuniões com a equipe de Enfermagem Promover Cursos de Reciclagem para 5,5 1 2 11,2 18 100 funcionários As sugestões acima foram fornecidas pelos 13 integrantes da pesquisa que fizeram parte da amostra, onde cada um deles nos deu mais de uma sugestão, desta forma houve 18 respostas a esta questão. Na análise deste resultado observamos que 10 (55,5%) dos respondentes informaram a necessidade de novas contratação de profissionais, seguido por 3 (16,8%) dos profissionais que relataram a importância da diminuição da sobrecarga de trabalho, 2 (11,2%) reforçaram a promoção de cursos de reciclagem, enquanto 1 (5,5%) acreditam na importância em se adquirir novos equipamentos, melhores salários e promoção de reuniões com a equipe de enfermagem. Constatamos por meio deste resultado que o maior destaque quanto a melhoria no ambiente de trabalho deve-se a novas contratações e acreditamos que isso se deve ao fato de que o aumento do numero de funcionários irá interferir no processo de organização do trabalho. Segundo Parada, Alexandre e Benatti (2002) como estratégias de prevenção na melhoria no ambiente de trabalho destacam-se treinamentos dos profissionais, transporte de pacientes de forma correta, melhoria nos postos de trabalho e novas contratações de profissionais e revisão do aspecto organizacional, favorecendo a dinâmica de trabalho. CONCLUSÃO Considerando o objetivo do estudo em identificar os riscos ergonômicos em que os profissionais de enfermagem estão expostos, conclui-se que os objetivos foram alcançados, pois se procedeu por meio da análise estatística dos dados que há condições para o desempenho das atividades dos profissionais de enfermagem e condições para minimizar a ocorrência de problemas osteomusculares. Vale salientar algumas contradições encontradas nos dados obtidos: Quanto ao espaço físico e disposição dos mobiliários, encontramos que 84,6% dos respondentes informaram adequacidade, nos remetendo que há condições ergonômicas para o desempenho das ações de enfermagem. E ainda no quesito divisão de trabalho, obtivemos que 92,3% dos entrevistados estão satisfeitos como o esquema de divisão de trabalho empregada na instituição pesquisada. Já quando os entrevistados foram questionados quanto à sobrecarga de trabalho, 84,6% responderam haver sobrecarga no desempenho de suas atividades, confirmando o achado sobre o cansaço ao final do turno de trabalho, com o mesmo percentual, ou seja, 84,6% dos profissionais de enfermagem estão cansados ao final da jornada laboral, estando desta formas susceptíveis aos riscos laborais mais especificamente os riscos ergonômicos. Como sugestão para melhoria no ambiente de trabalhado torna-se preciso que alguns itens relacionados à contratação de novos profissionais, e ainda que o ambiente de trabalho deva sofrer modificações para que facilite o desenvolvimento de atividades de forma satisfatória, isso é possível com decisões simples como adaptação dos equipamentos de trabalho, adoção de uma política governamental de prevenção de doenças profissionais, condições decentes de trabalho e prática dos princípios da ergonomia, para que a saúde do trabalhador não esteja em risco, por meio de treinamentos propostos pela equipe de educação permanente. Por meio deste estudo, enquanto futuras enfermeiras pretendemos realizar ações no nosso cotidiano laboral que envolva medidas preventivas aos riscos ergonômicos, fazendo treinamento que visem a promoção das doenças osteomusculares e uso adequado da mecânica corporal para propor uma melhor qualidade de vida aos trabalhadores. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ALEXANDRE, N.M.C. 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ERGONOMIC RISKS RELATED TO PROFESSIONAL NURSING ABSTRACT Ergonomics relates to the man and his work environment, the environment is not limited to physical space, covering the instruments, local organization and the methods used to develop the activities. Its main objective to promote health and wellness, adapting work to the worker. Descriptive study with quantitative approach, performed in a General Hospital in the small northwestern state of Sao Paulo, with the aim of identifying ergonomic risks that nurses are exposed and also propose improvements in working conditions. For analysis we used a semistructured questionnaire, the results realized through the statistical analysis of questionnaires that were predominantly females who work in turn characterized by rotation. This work is hampered by lack of equipment and an overload of staff in daily activities generating a greater likelihood of developing occupational musculoskeletal disorders or suffer an accident at work. KEYWORDS: nursing, ergonomic risks, Autores: Ityara Teixeira Bigotto- graduado em Enfermagem pelo UnISALESIANO - Araçatuba em [email protected] tel: (17) 34821019 Michele Montanaro Silva - graduado em Enfermagem pelo UnISALESIANO - Araçatuba em [email protected] (17) 34821613 Orientador: Prof. Giselle Clemente Sailer –mestre pela Escola de Enfermagem USP- Ribeirão Preto. [email protected] – fone (18) 3301-6335