Alceb1ades Femandes Jr. USP Visto que as £un~aes da linguagem. estudadas por Roman Jakobson, s~o as s1gnl£lcados res Interven1entes da mensagem relativos aos £ato- na comunica~io lingUistica, 0 discurso, a- 16m deBBse fUncaes. apresenta urn sistema de refer@nclas pragmaticaB que permitem distlngulr uma quarta pessoa no processo dlscursivo. Para Jakobson, gem caracteriza-se ~ as fun~~es hlerarquizadas em cada mensa- em: emotiva com entoque no emlssor, ~- centrada no destinatarl0, referenc1al com @nfase no con- texto, fatica motivada pelo social, metal1ngUist1.ca dirigida ~o codigo e poetica inspirada na prOpria mensagem. dentes dessss func~es, ~nclas e possivel fazer urnestudo das refe- d~ltlcas reflet1das no sign1£icado do discurso com marcas expl!citas nos enunciados. Com a noc~o de BUbjetivldade Em1le Benveniste, de e reversibilidade, ~o na Unguagem propesta por a polaridade das pessoas eu/tu (voc@) no d1scurso, a condi~io fundamental 286): Indepen- que implies reciprocida-' conforme se v@ em Benvenlate "Essa polaridade (1976: nio signU'1ca igualdade nem s1metria: tern sempre urna posi~ao de transcend~ncia quanto a pesar disse, nenhum dos dois termos se concebe sem sie complementares, e, 0 ~j a- outro; mas segundo urna oposic;ao "interior/exte- rior", e ao mesmo tempo s~o reversivels". Quando 0 discurso faz refer§nc1a a essas pessoas que const1tuem a polarldade eu/tu (voc~) na sua propria estrutura. atraves de marcas expressas no enunciado como (1) ~ deixei em ~ emprestaste conslderando casa a ~ livro que me ontem. que essas marcas sAo lexemas d'iticos au sigoi- fleatlvos com ret"er!nclas extrallngU!sticas, pode eer chamada de ref'erancf.aIllUbjet1.va. do (l). os lexemss ~. del.xel. ~ maira pessoa a os lexemas ~ tal ret"er!ncla Asslm, no enuncla- e ~ referentes e emprestaate a prl- a referentea ae- gunda pessoa slo as marcas que dio as ref'erinclas eubjetlvaS do discurso em que a enunclado Sa a dlscurso pesso&s) (1) esta Inserldo. faz refer8ncla a seres (pessoas au n~a- sltuados fora da polaridade e@), como os lexemas~, livro e ~ pode-se chamar essa refer@ncia das pessaas da palarldade 0 referencl& & urn eer concreto "pessoa" do di8curso. te (1976:282), membro nllo marcado 0 a um ser lexema ~ expliclto na conetltul~lo eles sla considerados Assll1l.em concord4ncia em ti- a terceira com Benvenis0 da eorrela<;lIode pesso •.••• Quando .~ um enunc1ado Cerlnci. &0 pr6pr10 d1scurso. ocorre um lexeaa Cazendo reess. ret"erlncla poder! aer rer1.ex1.-, de modo que 0 diecurso challla.da de ~. eeja conslderado da polar1dade em referfncla "tereeira pessoa" representa de fato tI. Mes- concretos ou abstratos na primelra pessoa e sica da aegunda pessaa. (1), eu/tu (voc@) do dlscurso como em 1exema pensamentos abstrato Impliclto no enunclado (!£- de reCerdncf.a obje~Ya. mo que tals seres silo constltulntes Que apresenta do discurso ~/~ a Quart a "pes.oa" •.81tuada no interior discursiva. 58 da quarta. porque e A terceira "pe.saa" dlstingue· exterior 1 polaridade eu/tu (TOea). All!m d1sso, pela a tercei.ra "pessoa", condi~ao ser pessoa de pessoa, ta "pessoa" estara ce1ra "pessoa" ~ enquanto no interior a nlo ser que 0 "pessoa" manifesta-se enunc1ados que os lexemas em (5) fazem lexema palavras ourso, tomando da polaridade em (6), Poder-se-la de Dutro diseurso. nas mare as que oeorrem ~ em (3), d1scurso ao diacurao metonimicamente, em (4) ,e., como urn todo e refere-se 0 ao dis- pelo todo. confund1r al1 a func;a.ometallngUist1ca com a re~ereno1a re~lexlva do discurso, vel distlniWlo entre e seja a ter- como refer@ncia parte pode fato que a quar- diseurso de uma rererc!nc.l.a obje1;1._ a quarta Benven1ste. de urn discurso, roda de am1gos", fora dela, nos seus proprlos Observa-se que nlio Beja marcada observou na polar1dade nunc a sera pessoa nunca Assim, conforme e 1nterter1r que se obsl!!rvaem "uma mesmo a$ duas. parem ha uma nota- Se se cons1.derar urn enunclado do tlpo em que predom1na mar Que todos os lexemas que const1tuem re~.rfncla objet1va ao d1scurso, cad~ do enunclado o const1tuem .0 se observa nlo e a fun9Io,metallngUistlca, eateja dlr1g1do representam no enunc1ado 0 porque, a 0 enunciado embora lingua, discurso (6). Pode-se passivel 0 afir- £azem slgni£i- os lexemas que como um todo confordizer tamb6m que a e lingua urn &istema exterior ao discurso, por ser realiza~Ao dela. NAo 86 a tunQAo rnetalingU!stica e distinta da referincia re~l.xiva como tambem as funQ~es emotiva e conativa podem contrastar-se da re~erincla sUbjet1va. Urna express!o como "Ai I" com funQll.oemotiva tem ref'er8nc.1aobjetiva no discurso, porque ela faz refer§ncia ao estado emotivo do suje1to da enunciacll.o,considerada urn ser abstrato impl!cito no pr6pr1.0 sujeito. E urn enunciado do tipo com 1ntenQ!0 argumentativa, no intuito do sujelto conseguir do seu interlocutor uma carona, tern tunQao conativa, poreID os lexemas que constituem 0 enunciado (8), no discurso. fa- zem ref'erAncla objet1va. Supor ausenc1a de referencia do discurso. quando a funC~o da linguagem e fatica, e cometer urnengano. Na ex- press&o "Bom dial" com funcll.ofatica, observa-se que 0 lexema ~ faz reter6nc1a objet1va, pois estranhar-se-ia locutor que dirigisse a urn interlocutor tal expressao urn a nolte. Um enunclado cuja tune10 predominante seja a referencial pode apresentar todas as referSncias do discurso como Nota-se que os lexemas Espero e ~ conversa com rererAncla com re~e~DC~a reflexiva e ~ subjetlva, com refer8ncla ob- jetlva 11ustram a Informa~~o Be1ma. Do mesmo modo pode-se eons1derar urn enune1ado com a funC;;llo poet1ca predom1.nante. Parece. entao, que as fun90es da I1nguagem caracterizamse pelo uso do significado do enunclado que 0 sujeito faz na apl1.C&9i!lo do discurso por aspectos sernanticos irnplicitoa presBUpostos ou subentendldos e. por outro lado, as refer@ncias do dlscurso sao qualificadas por marcas expressas no enunc1ado cujos significados se 11mltam a rela93es pragmatlcas. D1s- tiguem-se Bssim mensagem e significado do discurso que sao formas sem~ntlcas diferencladas. tinam-se a As func;;oesda 11nguagem des- mensagem do discurso e as refer@ncias do dlscurso alicerc;;am-seno significado das marc as dos enunclados do dt s- curso. A mensagem fluida semioticamente por inferencias semAntlcas e pragmatlcas compromete-se com a intenC;;Rodo sujei- to na produc;;~odo significado do discurso e as refer@nclas do discurso comprometidas culac;;aoconvencional As refe~nclas com a enuncia9ao dependem da vin- entre 0 signo e 0 re:ferente. do dlscurso distintas das :func;;3es da 11n- guagem marc am objetivamente as pessoas do processo discursi- vo, dentro e fora da polaridade estabelecida pelas primeira e segunda pessoas e produzida pelo proprio discurso, a quarta "pessoa". Define-se ass1m um sistema de refer8ncias que lndicam as pessoas do discurso por d@1xis de lexemas na categoria de ret'erillllCla subJeUYa, objjetlYa ou refieldva, de modo que cada pessoa representa urn referencial definido na realizac;;aodo dlscurso: a pr1meira ~ quem fala; a segunda,com quem faJ.a; a tercelra e de que ou de quem a prlme1ra fala. situada fora da polaridade eu/~ (voc@~ e a quarta e a pro- pria fala. Se a primeira instaura a segunda como tu (voc@). a quarta e a "pessoa" que indica qual e a pr1melra pessoa. A primeira e a segunda pessoa de natureza pronominal, a segunda pessoa de representaqao pronominal au nominal e a quarta pessoa de natureza nominal do ponto de vista lingtiistieo que podem ser marcadas na forma verbal como primeira, , segunda au terceira (ou quarta) pessoa constituem as pessoas do dlscurso com re:fer~nclas as "pessoas" do processo discursi- a vo. Quanto no~ao de nUmero. as pessoas do dlscurso podem dlscordar com as "possoas" das re:fer8nclas do discurso. Se a primeira. ref'erente A pessoa que :fala, e a quarta, rererente ao discurso da pessoa que tala, sSo essencialmente a pluralidade que f'ala com da primeira 0 singulares. impliea ou uma assoc1.a~So da pessoa ref'erente de outra pessoa do discurso ou "um "eu" dl1atado alem da pessoa estrlta". conforme explica Benveniste (1976:258), e a pluralidade te um emprego metonimico Benveniste da quarts impliea 80men- como se v@ no enunciado (Gr. Para (1976:258), "na passagem do "tu" ao "v6s". quer se trate do "v6s" coletivo ou do "vas" de polidez. reconhece-se ums generalJ za~l.o de "tu", seja meta:f6rica, seja real". E a tercel.ra pessoa pode refletir quando a rererencla Com isso, e refer8ncias ObJetlva 0 problema na singularidade, do dlscurso indica urn eolet1vo. possivel que um lexema como n6s comporte as tr~s do discurso ernum enunciado como em que N6s, alem da ~t.tfnela .ubJetlva que indica 0 sujeito do enunciado, pode comportar a reter6ncla refl •• iva. se 0 su- je1to estiver fazendo refer8ncia tarnbem ao discurso sobre a verdade ._IDaa tambema rerel"incla objet1va, Inclulndo alguem com 0 sUjelto da enunciaQlo sobre 0 mesmo fato: ~alar a verda- de. AlSsill'l.8e tria reterSncias do dlscurso nAo se encontram h1erarquizadas. Da! 8& tem mas eoordenadas no mesillalexema. ° sistema das refer!nclas do discurso defini- do pelas pes$oas do discurso, aplicadas em coordena~~o atraV69 de lexemaa, cohllSiderandoa.~olaridade estahelecida pelas prllllelra. e segurtda pessoss, fUhdarnentalmentemotlvada ciprooidade e reversibilidade. que produzem 0 pels re- discurso em cada inst4ncia pela propriedade r1dade em assum1r o dlscurso 6ubjetiva a lingua como exercic:lo, ao mesmo tempo que produz1do essenclalmente como a quarta pessoa no processo Benveniste, Jakobson, Emile de cada pessoa da pola- "Problemas Ed. Nacional, Sao Paulo; (1969). tr1x, Silo Paulo. se 1nstltu1 de comun1ca~ao. (1976). Roman na polarldade de LingUistica "L1ngiiistica e Comunlca~!o". Geral". Ed. Cul-