Comparação entre os sistemas de envelhecimento artificial de sementes através de soluções salinas e o tradicional em cenoura (Daucus carota L.), alface (Lactuca sativa L.) e brócolos (Brassica oleracea variedade Itálica Plenk). Flávia Cecílio Ribeiro Bregagnoli1; Nelson Moreira de Carvalho2; Marcelo Bregagnoli3 1 Escola Agrotécnica Federal de Muzambinho, cx. postal 02, 37890-000, Muzambinho, MG, e-mail: 2 3 [email protected]; UNESP/FCAV-Jaboticabal – Depto de Fitotecnia e-mail: [email protected] ; USPESALQ - Depto de Produção Vegetal, cx. postal 09, 13418-900, Piracicaba, SP, e-mail: [email protected] RESUMO O presente trabalho foi desenvolvido com o objetivo de verificar a eficiência do uso de soluções salinas em substituição à água do interior de caixas plásticas (gerboxes), durante o teste de envelhecimento artificial (EA) de sementes pequenas. Foram utilizadas as sementes de cenoura (Daucus carota L.), alface (Lactuca sativa L.) e brócolos (Brassica oleracea variedade Itálica Plenk) e soluções saturadas dos sais NaCl e KCl, com respectivamente, 76 e 86% de umidade relativa do ar no interior dos “gerboxes” durante o EA. O EA foi realizado em câmara B.O.D. regulada à temperatura de 45º C por períodos de tempo de 0 a 120 horas, com intervalo de 12 horas entre 2 períodos subseqüentes. Após o envelhecimento das sementes, foram feitas análises para verificação de qualidade fisiológica sendo elas: germinação, queda porcentual relativa na germinação e teor de água das sementes. Os dados obtidos permitiram concluir que o controle da umidade relativa do ar do interior dos “gerboxes”, através do uso das soluções, não favoreceu resultados que sugerissem vantagens de emprego de estimativa do vigor das sementes. Por outro lado, pode-se concluir que o controle da umidade relativa do ar do interior de “gerboxes”, através do uso de água, parece constituir-se em procedimento confiável para sementes de alface, cenoura e brócolos. Palavras-chave: Daucus carota L.; Lactuca sativa L.; Brassica oleracea L.; envelhecimento artificial; qualidade fisiológica. ABSTRACT Comparison between seed aging systems, traditional and artificial through sat marsh solutions, in carrots, lettuce and broccoli The objective of this investigation was to verify the efficiency of the use of saturated salt solutions for the artificial aging of seeds of lettuce (Lactuca sativa L.), broccoli (Brassica oleracea, var. Italica Plenk), and carrots (Daucus carota L.). The salts employed in this investigation were KCl and NaCl.The results indicated that the saturated NaCl and/or KCl solutions do not seem to be methods capable of reducing the germination performance of the seeds of the studied species to values sufficient to allow the comparison between lots. On the other hand, the traditional method, within the studied combinations of temperature and period of time of exposition, yielded seemingly reliable results. Keywords: Daucus carota L.; Lactuca sativa L.; Brassica oleracea L.; artificial yielded; quality physiology. Teste de vigor são necessários para identificar diferenças importantes na qualidade fisiológica de lotes de sementes comercializáveis, principalmente dos que possuem germinação semelhante em teste padrão de germinação. Monitoramentos constantes devem ser adotados para as diferentes fases da produção como colheita, beneficiamento, embalagem, armazenamento, transporte e semeadura. As empresas de sementes utilizam testes de vigor baseados em princípios diferentes, como abordagens de identificação direta ou indireta do “estado atual” das sementes (atividade enzimática, integridade das membranas celulares, parâmetros de crescimento, etc), resistência das sementes a condições de estresse, sendo este, o princípio do teste de envelhecimento acelerado (EA), um dos testes de vigor mais empregados por laboratórios de análise de sementes nos Estados Unidos. Este teste avalia o comportamento das sementes submetidas à alta umidade relativa e temperatura, que levam a uma rápida deterioração das sementes, podendo-se, assim, estabelecer diferenças na qualidade fisiológica de diferentes lotes. Apesar das vantagens e simplicidade do teste de EA, seu uso tem se restringido a sementes grandes. Para sementes relativamente pequenas, como as olerícolas, este teste parece não fornecer resultados consistentes com desempenho no campo. Sementes destas espécies, devido a seu pequeno tamanho, absorveriam água rapidamente durante períodos de EA, deteriorando-se muito intensa e rapidamente, o que dificultaria a obtenção de resultados confiáveis. Proposta feita recentemente por Jianhua & McDonald (1996), da Ohio State University, tornaria viável o envelhecimento artificial de sementes de pequenas dimensões. Nesse método, ao invés de água pura no fundo do “gerbox”, os pesquisadores propõem que se coloque uma lâmina de uma solução aquosa de algum tipo de sal. As moléculas do sal, unindo-se por adsorção às de água, tornar-lhes-ia mais difícil à movimentação, o que significaria uma menor taxa de evaporação no interior dessas caixinhas plásticas, onde o envelhecimento é realizado. Diminuindo-se a umidade relativa do ar, diminui-se o valor de equilíbrio higroscópico das sementes, e em conseqüê ncia sua taxa de deterioração. De acordo com Carvalho & Nakagawa (1988), um teste de vigor ideal deve ser rápido, de fácil execução, não exigir equipamentos complexos, devendo ser igualmente aplicável para determinar o vigor, tanto de uma semente como de um lote, e com eficiência para detectar tanto pequenas como grandes diferenças de vigor. Além disto, deve apresentar boa relação com a emergência em campo. Partindo-se da suposição de que a resposta das sementes de uma espécie seja determinada por outros fatores além de seu tamanho, o presente estudo objetivou verificar o comportamento de sementes de cenoura, alface e brócolos, submetidos ao processo de envelhecimento artificial, com uso de água pura e de soluções salinas. MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi conduzido no Laboratório de Análise de Sementes do Departamento de Fitotecnia e no Laboratório de Fisiologia Vegetal do Departamento de Biologia, ambos da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias do campus da UNESP de Jaboticabal, no período de Setembro de 1998 a Agosto de 1999. Foram utilizadas sementes de três espécies: cenoura (Daucus carota cv. Brasília), safra 93/94; alface (Lactuca sativa cv. Monalisa), safra 95/96; e brócolos (Brassica orelacea var. Itálica cv. Flórida), safra 97/98, sem tratamento com fungicida. O teor de água das sementes foi determinado pelo método da estufa a 105°C ± 3°C, durante 24 horas (Brasil, 1992), imediatamente antes e após os períodos de envelhecimento das sementes. Foram usadas 4 repetições de 50 sementes instaladas em “gerbox” sobre papel tipo ‘germitest’, umedecido com solução 0,01% de água destilada e nistatina na proporção de 3:1 (volume da solução: peso do papel), à 20°C para as três espécies. Foram realizadas contagens diárias do número de plântulas normais, a instalação e o final do período de germinação, que variou de acordo com a espécie. Os resultados expressos em porcentagem, e considera o somatório das plântulas obtidas em todas as contagens. Os testes de envelhecimento acelerado foram realizados em caixas plásticas do tipo “gerbox” de 10,5 x 10,5 x 3,5cm com amostras de 2 gramas dispostas em tela de polietileno, capaz de impedir contato direto entre as sementes e os 40 ml de água destilada, ou de solução depositados no fundo do recipiente. Foram obtidas no interior dos “gerboxes”, umidades relativas de 100% água destilada, 76% NaCl e de 86% KCl, que passaram a constituir os sistemas de controle da umidade relativa SCUR denominados respectivamente de SCUR/água, SCUR/NaCl e SCUR/KCl. Após cada período de envelhecimento, a 45ºC, variáveis de 0 a 120h e intervalos de 12h entre si, quatro amostras de 50 sementes por tratamento foram colocadas para germinar. Foram obtidas as porcentagens de germinação e de queda na germinação (diferenças entre os dados do período de 0h com os dos demais períodos).O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em esquema fatorial, consistindo em onze períodos de envelhecimento e três sistemas de controle da umidade relativa do ar do interior dos “gerboxes”. RESULTADOS E DISCUSSÃO Ocorreram diferenças entre os métodos de envelhecimento artificial, na maneira pela qual a umidade relativa do interior do “gerbox” é controlada. No método de soluções salinas de NaCl e KCl, as moléculas de água ligam-se por adsorção ao sal dissolvido, resultando na perda considerável de sua mobilidade, assim, ao se expor à solução à temperatura de 45ºC, a quantidade de moléculas de água que consegue desprender-se para passar a integrar o vapor de água do interior do “gerbox” e, portanto determinar sua umidade relativa, é muito baixa, o que durante o envelhecimento artificial de sementes das espécies utilizadas, não parece dar bons resultados, uma vez que o teor de água das sementes cai consideravelmente do método utilizando água pura para o método com soluções salinas, refletindo na germinação das sementes, sendo suas variações grandes quando o SCUR era o de água e baixas quando era KCl e NaCl. O SCUR/água levou sementes de cenoura de uma germinação inicial de 93 para 2%, após 120 horas. No SCUR/KCl, o valor atingido às 120 horas foi de 60%, e no NaCl, 82%. Na alface, o SCUR/água, após 120 horas, reduziu a germinação de 100 para 4%, no KCl para 96% e, no NaCl, para 95%. No brócolos essas reduções para SCUR/água de 99 para 0%, no KCl para 84% e, no NaCl, para 93%. No sistema tradicional (água pura), o vapor de água sob influência da temperatura ambiente, se forma e flui para o interior do “gerbox”, fazendo com que a umidade relativa atinja valores próximos a 100%. Assim, esse método de controle de umidade relativa do ar em “gerboxes” para sementes de cenoura, alface e brócolos é um procedimento confiável. LITERATURA CITADA BRASIL. Ministério da Agricultura. Regras para Análise de Sementes. Brasília: SNDA/DNPV/CLAV, 1992. 365p. CARVALHO, N. M.; NAKAGAWA, J. Sementes: Ciência, Tecnologia e Produção. 3ª ed. Fundação Cargill: Campinas, 1988. 424p. JIANHUA, Z.; McDONALD, M.B. The saturated salt accelerated aging test for small-seeded crops. Seed Science and Tecnology, Zürich, v. 25, p.123-131.1996.