Unioeste - Universidade Estadual do Oeste do Paraná CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS Colegiado de Ciência da Computação Curso de Bacharelado em Ciência da Computação Um Modelo de Visualização de Dados Georreferenciados Baseado na Metodologia de Infográficos para o Sistema SIGETRANS Carlos Henrique de França CASCAVEL 2012 CARLOS HENRIQUE DE FRANÇA Um Modelo de Visualização de Dados Georreferenciados Baseado na Metodologia de Infográficos para o Sistema SIGETRANS Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Ciência da Computação, do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Campus de Cascavel Orientadora: Prof. Dra. Claudia Brandelero Rizzi CASCAVEL 2012 CARLOS HENRIQUE DE FRANÇA Um Modelo de Visualização de Dados Georreferenciados Baseado na Metodologia de Infográficos para o Sistema SIGETRANS Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Ciência da Computação, pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus de Cascavel, aprovada pela Comissão formada pelos professores: Prof. Dra. Claudia Brandelero Rizzi (Orientadora) Colegiado de Ciência da Computação, UNIOESTE Prof. Dr. Rogério Luís Rizzi (Co-Orientador) Colegiado de Matemática, UNIOESTE Prof. Msc. André Luiz Brun Colegiado de Ciência da Computação, UNIOESTE Capitão Amarildo Roberto Ribeiro 4o Grupamento de Bombeiros - Cascavel Cascavel, 10 de dezembro de 2012 DEDICATÓRIA Com amor, para minha querida mãe Dione, irmãs Daiane e Makelli e cunhado Roberto, pelo apoio em todos os momentos desta trajetória. "Que a inspiração chegue não depende de mim. A única coisa que posso fazer é garantir que ela me encontre trabalhando." Pablo Picasso "...O teu trabalho é a oficina em que podes forjar a tua própria luz." Emmanuel AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus pelas conquistas, amparo nos momentos difíceis e motivação quando tive dúvidas. Durante a trajetória de construção e defesa deste trabalho diversos problemas pessoais fizeram-se presentes, a crença e a certeza em Deus nunca me deixaram desanimar ou desviar o foco dos objetivos. Agradeço também a minha familia, iniciando por minha mãe Dione Gladis Bautitz pelos anos de cuidados e atenção e, especialmente aos ultimos anos que passei na faculdade, sempre me encorajando a desenvolver meu potencial. Foram anos de dedicação aos quais serei eternamente grato. Agradeço a minha irmã Daiane Cristina de França e meu cunhado Roberto Tatibana por sempre estarem ao meu lado, prestativos em diversas situações. Houve diversas vezes que pedi favores diversos e sempre encontrei em ambos o carinho de dois irmãos. Agradeço também a irmã mais nova Makelli Alice de França, que apesar das diversas vezes que tive que chamar a atenção sobre responsabilidade e necessidade de estudar, fez parte dos meus dias durante todo o processo. Agradeço especialmente a minha orientadora Claudia Brandelero Rizzi pela atenção e paciência dedicada ao me orientar. Sempre disposta a conversar e apontar pontos positivos e negativos, sempre motivou a execução deste trabalho elogiando os avanços e cobrando os pontos necessários. Agradeço aos amigos de faculdade que convivi neste ano, especialmente aos rapazes da kit, Dener Junior Ribeiro, Marcos Paulo Nicoletti, Tiago Jesuino Zilio e William Fernando Roque. Foram diversas noites acordados, a base de energético, coca e chocalate para concluir tudo no prazo. Além do apoio moral, agradeço ao William pelo mapa dos bairros de Cascavel em kml cedido que me ajudou a concluir uma das funcionalidades do trabalho. Ao Tiago que sempre ficou acordado comigo, em alguns casos vendo o sol nascer, enquanto os trabalhos eram realizados. Ao Marcos pela ajuda com problemas de programação. Ao Dener, por toda a alegria que sempre contagiou e especialmente pelo trabalho de engenharia de software, aplicando grande esforço em ajudar a concluir. Agradeço ao Dener também por um tempo no começo do ano que conversava muito comigo e me dava ótimos conselhos. Agradeço ao amigo Alexandre Luiz Borba Silva, pelo companherismo dedicado e pelo tempo que trabalhou no Sigetrans, onde colaborou muito com o projeto. Graças ao trabalho realizado por ele, algumas estruturas puderam serem aproveitadas na construção deste trabalho. Agradeço ao amigo Leonardo Pereira Merlin, pela participação no Sigetrans que é base para este trabalho e especialmente pela ajuda na implementação do servlet para edição dos marcadores, criando o serviço de contador de ocorrências. Agradeço a amiga Maiara Sganzerla Donato pelo carinho e companherismo dedicado durante boa parte da faculdade e pelo apoio na reta final deste processo. Companheira e amiga, sempre foi compreensiva nos momentos que tive que estudar, ficando ao meu lado e me apoiando sempre. Por fim, gostaria de dizer que nutro um sentimento especial por todos aqui citados. Lista de Figuras 1.1 Ilustração do crescimento da frota de veículos e motocicletas na cidade de Cascavel-PR nos últimos 10 anos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2 2 Estatísticas de acidentes e vítimas nas cidades com maiores frotas de veículos no Paraná. Adaptado de [1] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 2.1 Fluxo da informação no SIGETRANS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.2 Cadastro de ocorrência - Exemplo de georreferenciamento durante o preenchimento do formulário de ocorrência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 2.3 Tela inicial do sistema SIGETRANS - Visualizando ocorrência registrada no dia. 13 2.4 Esquema de funcionamento do SIGETRANS . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 3.1 Portal de Trânsito do Rio de Janeiro [2]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 3.2 Camada de trânsito disponibilizada pelo Google Maps para Curitiba-PR [3]. . . 20 3.3 GeoPortal do município de Cascavel - Exemplo de camadas do Google Maps . 22 3.4 Exemplos de gráficos de colunas (a), pizza (b) e linhas (c). . . . . . . . . . . . 24 3.5 Exemplo de dados organizados em tabela . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 3.6 Infográfico: Glass Half Empty, The Coming Water Wars[4]. . . . . . . . . . . 26 4.1 Diagrama de classes da ferramenta desenvolvida . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 4.2 Visão do módulo de infográficos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 4.3 Modelo relacional resumido do banco de dados do SIGETRANS . . . . . . . . 38 4.4 Tipos de gráficos disponibilizados pelo primefaces . . . . . . . . . . . . . . . 40 5.1 Recorte da camada de severidades graves entre os dias primeiro de setembro e 5.2 primeiro de outubro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 Exibição de camadas de severidades e contador de ocorrências . . . . . . . . . 44 viii 5.3 Visão com duas severidades distintas e diversos marcadores . . . . . . . . . . . 44 5.4 Exemplo de agrupamento de ocorrências conforme o nível de zoom . . . . . . 45 5.5 Ocorrências agrupadas por bairros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 5.6 Gráfico de ocorrências divididas por tipos de acidentes. . . . . . . . . . . . . . 47 5.7 Gráfico de ocorrências agrupadas por dias da semana. . . . . . . . . . . . . . . 48 5.8 Gráfico de ocorrências distríbuidas por horas do dia. . . . . . . . . . . . . . . . 48 5.9 Local do acidente com a visão de street view . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 A.1 Formulário de cadastro do envolvido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 A.2 Relatório de Atendimento do Socorrista (RAS) . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 A.3 Boletim de Acidente de Trânsito (BAT) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 ix Lista de Abreviaturas e Siglas API BAT BI DETRAN CETTRANS COTRANS Application Programming Interface Boletim de Acidente de Trânsito Business Intelligence Departamento de Trânsito Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito Comitê Intersetorial de Prevenção e Controle de Acidente de Trânsito do Município de Cascavel EPP Estratégia de Proatividade e Parceria ETL Extract, Transform and Load GPS Global Positioning System GRSP Global Road Safety Partnership IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística JEE Java Enterprise Edition JSF Java Server Faces JSON JavaScript Object Notation KML Keyhole Markup Language MVC Model-View-Control OMS Organização Mundial de Saúde ONG Organização Não Governamental ONU Organização das Nações Unidas PMC Prefeitura Municipal de Cascavel RAS Relatório de Atendimento do Socorrista RUP Rational Unified Process SGBD Sistema Gerenciador de Banco de Dados SI Sistema de Informação SIATE Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência SIG Sistema de informação Geográfico SIGETRANS Sistema Integrado Georreferenciado de Controle e Monitoramento de Acidentes de Trânsito UBS Unidade Básica de Saúde UML Unified Modeling Language UNIOESTE Universidade Estadual do Oeste do Paraná UPA Unidade de Pronto-Atendimento URL Uniform resource locator XML eXtensible Markup Language x Sumário Lista de Figuras viii Lista de Abreviaturas e Siglas x Sumário xi Resumo xiii 1 2 3 4 Introdução 1 1.1 Contextualização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 1.2 Motivações do trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 1.3 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1.4 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1.5 Organização do trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 Contextualização 7 2.1 O SIGETRANS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.2 Tecnologias utilizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 Visualização de dados 17 3.1 Sistemas georreferenciados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 3.1.1 Serviços de georreferenciamento da Google . . . . . . . . . . . . . . . 20 3.2 Business Intelligence . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 3.3 Infográficos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Especificação e construção da ferramenta 28 4.1 Especificação de requisitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 4.2 Modelagem orientada a objetos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 4.3 Módulo de visualização georreferenciado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 4.3.1 38 Classificação de severidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . xi 4.3.2 5 6 Geração de gráficos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 Análise dos Resultados 42 5.1 Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 5.2 Validação dos requisitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 Considerações Finais 51 6.1 52 Trabalhos Futuros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A Formulários 53 Referências Bibliográficas 56 xii Resumo Atualmente, acidentes de trânsito estão entre as principais causas de mortalidade registradas, apresentando consequências de curto e longo prazo. A correta análise dos fatores causadores, influências, severidade, agravos e consequências dos acidentes requerem o acesso à informações capazes de representar com clareza a realidade desta problemática. O envolvimento da sociedade é essencial para a execução do plano estratégico de redução da morbimortalidade por acidentes de trânsito, mas sem indicadores reais que permitam avaliar o desempenho das estratégias adotadas não é possível avaliar a eficácia das ações realizadas. Desta maneira, a necessidade de um sistema de informação centralizado e confiável, objetivo do sistema SIGETRANS no município de Cascavel, constitui-se como um pré-requisito. Embora os dados sejam disponibilidados por SIs, a apresentação da informação é um aspecto relevante, pois quando os dados são corretamente relacionados, permitem ao gestor extrair conhecimento para inferir as causas e planejar estratégias. Com o objetivo de explicar um acontecimento ou processo, a infografia utiliza da combinação de ilustrações e textos para produzir uma peça gráfica, estática, animada ou interativa, potencializando a compreensão da informação de maneira eficiente e dinâmica. Este trabalho apresenta a modelagem e desenvolvimento de uma ferramenta de visualização de dados georreferenciados para o sistema SIGETRANS, baseado na metodologia de infográficos, bem como a validação da ferramenta utilizando ocorrências de acidentes de trânsito em Cascavel, obtidos da base de dados dos bombeiros do município. A ferramenta agrega conceitos de infográficos, facilitando a compreensão dos dados e apresentando-se como um serviço público ao município de Cascavel, futuramente acessível através do portal do município. Palavras-chave: SIGETRANS, Georreferenciamento, Infográfico, Visualização de dados xiii Capítulo 1 Introdução 1.1 Contextualização O Município de Cascavel, localizado no Oeste do Paraná, possui uma área de aproximadamente 2.091 km2 , situando-se a 491 km da capital Curitiba. De acordo com o IBGE (2010) e a Prefeitura Municipal, na cidade residem aproximadamente 286.200 habitantes, mas estima-se, baseado no crescimento dos últimos anos, que a população seja superior aos 300 mil habitantes em 2012. Estima-se também que sua frota seja de aproximadamente 173.500 mil veículos (DETRAN PR - Maio 2012), tendo em média 1,72 habitantes para cada veículo [5]. Cascavel apresenta-se como um pólo de referência nos aspectos socioeconômico, educacional e de saúde para a população dos municípios circunvizinhos, de modo que parte de seus habitantes se dirigem diariamente à cidade para estudos universitários, procedimentos ligados à saúde e às diversas atividades sociais, comerciais, entre outras. Caracteriza-se como uma cidade em desenvolvimento, em crescente urbanização e, consequente, tem enfrentado problemas originários deste processo. Dentre estes problemas, destaca-se a mortalidade por causas externas, que está entre as três primeiras causas de óbito no município [6]. O crescimento da quantidade de acidentes de trânsito é decorrente do aumento significativo da frota e fluxo de veículos, aliados à imprudência, imperícia, falta de atenção e descaso dos motoristas perante as leis de trânsito. Estes fatores podem ser analisados, por exemplo, a partir das estatísticas fornecidas pelo Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito (CETTRANS), que indicam o aumento de aproximadamente 105% no frota de veiculos e 273% na frota de motocicletas nos últimos 10 anos como ilustrado na figura 1.1. Nesta, observa-se que em 2002 havia aproximadamente 10 mil motocicletas circulantes. Já em 2012 esse número era superior a 35 mil. Houve também um grande aumento na frota total de veículos que passou de aproximadamente 80 mil para mais de 175 mil. Figura 1.1: Ilustração do crescimento da frota de veículos e motocicletas na cidade de CascavelPR nos últimos 10 anos. Comparando informações sobre acidentes de trânsito registrados em Cascavel, Curitiba e outras grandes cidades do estado no período de 2008 a 2010, observa-se que o montante de acidentes registrados é análogo entre os municípios considerando proporcionamente a população e a frota de veículos. Porém, em Curitiba o índice de acidentes com vítimas corresponde a aproximandamente 20% do total e em Cascavel aproximadamente 50%, conforme a figura 1.2 [1]. Essa figura apresenta também o percentual de variação nos valores de um ano para outro, mostrando que em algumas cidades, como Londrina, os índices de vítimas reduziram significativamente no período referente. Cascavel apresenta uma redução na quantidade de acidentes, embora tenha ocorrido um aumento significativo de 2009 para 2010 na quantidade de vítimas, levando a concluir que apesar da redução na quantidade de acidentes no período, o trânsito em Cascavel continua violento. Observa-se também que em Maringá os índices ainda são piores, representando mais de 60% dos acidentes registrados. Os acidentes têm consequências de curto e longo prazo, que vão desde ao atendimento emergencial aos acidentados pelo Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (SIATE) até o atendimento realizado pela Assistência Social Municipal que visa abrandar os decorrentes problemas de saúde e sociais dos sequelados e suas famílias. Ações educativas, preventivas e interventivas que abranjam todas as faixas etárias e classes sociais compõem um 2 Figura 1.2: Estatísticas de acidentes e vítimas nas cidades com maiores frotas de veículos no Paraná. Adaptado de [1] conjunto de medidas possíveis e cabíveis visando melhorar de modo duradouro tal cenário a longo prazo, e devem ser desenvolvidas pelos competentes Setores Municipais e Estaduais, a partir da análise da atual situação. 1.2 Motivações do trabalho A redução dos índices de acidentes de trânsito depende das medidas adotadas, mediante as diversas situações vivenciadas no trânsito. A obtenção de conhecimento adequado sobre os fatores causadores, influências, severidade, agravos e conseqüências dos acidentes, requer o acesso a dados que sejam capazes de representar a realidade desta problemática com clareza a fim de contribuirem na tomada de decisão por parte dos gestores competentes. Um Sistema Computacional que almeje apoiar esse processo deve oferecer recursos para que especialistas das áreas de trânsito e tráfego, saúde pública, administração municipal, corpo de bombeiros, dentre outros, possam analisar as informações com dimensão espacial e temporal, relacionando-as e extraindo informações que apóiem a tomada de decisão. O Sistema deve também fornecer informações confiáveis e com alta disponibilidade, permitindo, entre outras características, acesso e manipulação de dados alfanuméricos, como aqueles constantes nos registros de acidentes com vítimas, que expressam quantitativa e qualitativamente a severidade e agravos da ocorrência [7]. É neste cenário que se insere o projeto Sistema Integrado Georreferenciado de Controle e 3 Monitoramento de Acidentes de Trânsito (SIGETRANS), desenvolvido na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) em parceria com a Prefeitura Municipal de Cascavel (PMC) através da Secretaria Municipal de Saúde, de cuja equipe de colaboradores o proponente, a orientadora e o co-orientador fazem parte. O projeto SIGETRANS tem por objetivo a análise, planejamento, desenvolvimento e disponibilização de um sistema de informações que contemple a unificação dos dados, atualmente fragmentados e incompletos, e o georreferenciamento dos acidentes de trânsito ocorridos ou atendidos pelo município de Cascavel, bem como o acompanhamento de suas vítimas. Embora o SIGETRANS disponha de diversos relatórios e permita a composição de filtros para obtenção de relatórios dinâmicos, existe a preocupação por parte da equipe de desenvolvimento com a facilidade de interpretação dos resultados fornecidos pelo sistema, já que seus usuários possuem diferentes interesses em relação às informações armazenadas. O sistema possui usuários especialistas que vão desde aqueles ligados à Secretaria Municipal de Saúde, Bombeiros, Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito, Hospitais, Unidades de ProntoAtendimento até Unidades Básicas de Saúde (UBS). Também usuários comuns, a população em geral, poderá obter acesso e extrair relatórios específicos através de um site que futuramente será disponibilizado publicamente. Desta forma, é interessante que a informação seja de fácil compreensão tanto para especialistas quanto para usuários leigos, permitindo que os fatores relevantes sejam identificados e relacionados devidamente por qualquer um dos tipos de usuários do sistema. Dentre as diversas metodologias de apresentação de informação que tem como objetivo facilitar a interpretação dos resultados, a infografia tem se destacado na mídia por apresentar informação de forma compreensível à grande parcela da população, de maneira predominantemente visual [8]. O termo infográfico vem do inglês informational graphics e alia texto e imagens a fim de transmitir uma mensagem atraente ao leitor. A principal característica dessa linguagem é a interatividade e a conectividade do texto com a imagem, considerando a clareza no tratamento da informação. O objetivo de um infográfico, resumidamente, é facilitar a compreensão da informação e oferecer uma noção mais ágil e clara dos sujeitos, do tempo e do espaço dos fatos [9]. Dada a importância da apresentação da informação, contemplando não apenas dados alfa- 4 numéricos, mas informações georreferenciadas e que representem fatos e situações, o presente trabalho visa contribuir neste sentido, através da agregação de funcionalidades ao SIGETRANS. 1.3 Objetivos O objetivo principal deste trabalho é o projeto, implementação e avaliação de uma ferramenta de visualização de dados para o SIGETRANS, utilizando conceitos e técnicas de infográficos. O objetivo principal deve ser alcançado mediante a conclusão de objetivos específicos definidos a seguir. • Projeto e documentação da ferramenta, seguindo padrões propostos pela engenharia de software, visando permitir a fácil evolução e reuso do código para trabalhos futuros. • Desenvolvimento do módulo que combine funcionalidades de marcação geográfica em uma interface web personalizada, permitindo visualizações interativas. • Integração do SIGETRANS com o módulo desenvolvido. • Especificação e implementação de modelos para o SIGETRANS inspirados na metodologia de exibição de dados proposta por Tufte [8] e dados sugeridos pelos manuais de segurança viária da Organização Mundial de Saúde, bem como dados estatísticos relevantes às entidades parceiras do SIGETRANS. • Testes e avaliação da ferramenta desenvolvida. 1.4 Metodologia O processo de desenvolvimento de software utiliza metodologias para guiar o projeto, implementação, testes e evolução. Diversas metodologias estão disponíveis na literatura, cada uma apresentando vantagens e desvantagens, sendo indicadas, segundo as características de cada uma, a ambientes especificos que consideram o tamanho da equipe de desenvolvimento, tempo de projeto e objetivos do sistema. Algumas métodologias objetivam e exigem a documentação rigorosa do processo como o Rational Unified Process RUP [10] e outras, como o SCRUM [11], concentram esforços no produto ao invés da documentação. Neste trabalho optou-se por uma 5 mescla destas metodologias focando nos resultados, embora os projeto tenha sido realizado e documentado no formato de diagramas. Em complemento à metodologia de desenvolvimento de software, este trabalho envolveu a realização de um conjunto de atividades que foram analisadas e planejadas. São elas: 1. Análise de um conjunto, previamente selecionado, de frameworks e ferramentas de marcação geográfica, com o intuito de escolher uma que satisfizesse os requisitos de integração com o projeto SIGETRANS e acoplamento com bibliotecas de personalização de interface web [12]. 2. Apresentação de conceitos e caracteristicas de infográficos, a fim de justificar modelos utilizados na ferramentada desenvolvida. 3. Projeto e implementação da ferramenta de visualização georreferenciada baseada na metodologia de infográficos. 4. Testes da ferramenta desenvolvida utilizando dados, armazenados na base de dados do SIGETRANS e proveniente da base de dados dos bombeiros. 1.5 Organização do trabalho Este trabalho está organizado em 6 capítulos, sintetizados a seguir: • O capítulo 2 apresenta o sistema SIGETRANS, descrevendo o contexto ao qual o sistema foi projetado e desenvolvido. Aborda-se também o funcionamento, fluxo da informação, características e aspectos relevantes ao projeto e análise da ferramenta resultante deste trabalho. • O capítulo 3 aborda a apresentação de informação, marcação geográfica e ferramentas que auxiliam estes processos. • O capítulo 4 apresenta o desenvolvimento do trabalho, quanto à análise, projeto e implementação da ferramenta. • O capítulo 5 apresenta a análise dos resultados e a validação dos requisitos. • O capítulo 6, por fim, apresenta as considerações finais e sugestões de trabalhos futuros. 6 Capítulo 2 Contextualização A morbimortalidade por acidentes de trânsito é um problema comum a diversas cidades brasileiras. Uma atuação eficaz do poder público e de entidades que interagem direta ou indiretamente na gestão do trânsito de um município pode contribuir para a redução de acidentes. Nesse sentido, a metodologia de trabalho sugerida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) [13] divulgada pelo Global Road Safety Partnership (GRSP) [14], visa reduzir os índices de vítimas fatais e feridos graves, aumentando a qualidade de vida relacionada ao trânsito. O GRSP é uma Organização Não Governamental (ONG) que tem trabalhado e estimulado projetos globais em parceria com governos de países, entidades comerciais, parceiros multilaterais como a OMS, Organização das Nações Unidas (ONU), World Bank, entre outras. Através de planos estratégicos moldados à realidade de cada governo, o GRSP tem atuado inicialmente sobre um conjunto de países denomidados RS-10, no qual o Brasil está incluído, objetivando a redução dos acidentes graves e fatais no período entre 2010 e 2014 [15]. O grupo tem também realizado a campanha pela década de segurança viária, que contempla programas de redução de acidentes entre 2011 e 2020 seguindo princípios propostos pela OMS. Atualmente, os países do RS-10 estão executando o programa de Estratégia de Proatividade e Parceria (EPP) [16], que contempla seis etapas descritas a seguir [17]. 1. Formação da parceria. A parceria entre as entidades responsáveis pelo atendimento de ocorrências de trânsito é de suma importância para o registro e integridade das informações pertinentes aos acidentes. No caso do município de Cascavel, esta etapa foi contemplada pela formação do comitê denominado Comitê Intersetorial de Prevenção e Controle de Acidente de Trânsito do Município de Cascavel (COTRANS) que reune os responsáveis pelos atendimentos de acidentes de trânsito no munícipio. 2. Coleta, gestão e análise dos dados. Para que medidas de prevenção e promoção da saúde no trânsito sejam efetivamente adotadas, é necessário a existência de indicadores reais, atualizados e integrados. Esta etapa está sendo contemplada pelo sistema SIGETRANS e contribuirá para a realização das demais etapas de 3 a 6. 3. Ações integradas de segurança viária. Esta etapa propõem que sejam desencadeadas ações estratégicas baseadas no conhecimento obtido com os dados coletados. Ações estratégicas que visam a redução no índice de vítimas fatais e feridos graves, bem como tempo de ocupação de leitos de hospitais em virtude de acidentes de trânsito. 4. Monitoração de desempenho, avaliação e reconhecimento. Visa a avaliação das estratégias adotadas mediante à redução dos índices de acidentes, vítimas fatais e feridos graves, avaliando a eficiência das políticas de educação, prevenção e intervenção utilizadas com base nos dados obtidos nas etapas anteriores. 5. Revisão geral anual. Esta etapa visa avaliar se os índices anuais apresentam reduções que atendem os objetivos do EPP que são: • Dados confiáveis. • Redução de mortos e feridos graves. • Redução de custos com saúde. • Comunidades proativas para o trânsito seguro. • Melhoria da qualidade de vida. 6. Renovação e expansão. Esta etapa visa a adaptação das estratégias às mudanças e inserção de novas parcerias tanto pelo setor público quanto privado. 8 Cabe destacar que o envolvimento da sociedade organizada e cooperante é essencial para a execução do plano estratégico de redução da morbimortalidade por acidentes de trânsito, mas sem indicadores reais que permitam avaliar o desempenho das estratégias adotadas não é possível avaliar a eficácia das ações realizadas. Desta forma, a disponibilização de dados reais, atualizados e relacionados oferecidos pelo SIGETRANS constitui um pré-requisito do qual as demais ações abordadas nas etapas de 3 a 6 são dependentes. A disponibilização desses dados utilizando conceitos de infográficos aplicados aos relatórios, objetiva contruibuir para a compreensão de fatos e situações relativos ao trânsito no município de Cascavel, permitindo ações estratégicas adequadas e integradas no contexto da metodologia do EPP. 2.1 O SIGETRANS O SIGETRANS é um sistema web, georreferenciado, que objetiva integrar e centralizar informações sobre ocorrências de acidente de trânsito no município de Cascavel. O sistema conta com a parceria e colaboração da Secretaria Municipal de Saúde, Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito (CETTRANS), Corpo de Bombeiros, Hospitais, Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) e Unidades de Saúde responsáveis por subsidiar o sistema com informações sobre acidentes ocorridos no perímetro de Cascavel, bem como do acompanhamento às vítimas. Trata-se de um sistema inovador por suas características específicas e em particular pelas ações que realiza em termos de georreferenciamento, obtenção automática dos registros adicionados no sistema computacional do corpo de bombeiros e relatórios/consultas vinculadas às características georreferenciadas. O SIGETRANS baseia-se no registro de acidentes de trânsito, que contém informações coletadas pelos parceiros, armazenadas em uma base de dados e agrupadas logicamente em uma entidade referenciada internamente no sistema como "ocorrência". Uma ocorrência é o registro global do acidente dentro do SIGETRANS. Assim, todas as informações pertinentes ao acidente estão contidas no registro da ocorrência. A ocorrência pode ter início a partir do registro efetuado por um dos parceiros e a ela está associada a lista de envolvidos e informações de acompanhamentos de cada vítima conforme a figura 2.1, que ilustra o fluxo de dados internos do SIGETRANS. As setas contínuas representam o fluxo comum de criação de uma nova ocorrência. As setas seccionadas provenientes da UBS, Hospital e UPA ilustram a possibilidade do 9 Figura 2.1: Fluxo da informação no SIGETRANS. registro iniciar nestas entidades. Entretanto, a maioria dos casos que necessitam de acompanhamento médico são atendidos previamente pelo SIATE. Sendo assim, na maioria dos casos de acidentes com vítimas já existirá a ocorrência, cabendo somente a localização do resgistro e o complemento das informações pertinentes ao atendimento da vítima. Ainda pode-se observar que as informações de envolvido/vítima e ocorrência são combinadas através de filtros para a geração de relatórios dinâmicos, específicos e relevantes aos parceiros. O sistema permite o cadastro manual de informações coletadas pelo SIATE, disponibilizando um formulário1 web do Relatório de Atendimento do Socorrista (RAS). Este relatório é preenchido manualmente pelo socorrista no momento do atendimento do acidente e, posteriormente, os dados são inseridos no sistema do Corpo de Bombeiros. O SIGETRANS possui uma sistemática definida em conjunto com o Corpo de Bombeiros de maneira que, através de uma conexão via internet, os dados de acidentes atendidos pelo SIATE são adicionados automatica1 Todos os formulários referenciados no texto estão disponíveis no apêndice A. 10 mente ao SIGETRANS. A cada quatro horas o sistema verifica se existem atualizações. Esse período de quatro horas foi definido considerando a quantidade média de ocorrências diárias de acidente de trânsito atendidas no município com a preocupação focada também no desempenho computacional da solução, visto que verificações desnecessárias demandam recursos e afetam o desempenho do sistema. Durante uma atualização, o sistema copia os dados referentes aos registros de acidentes de trânsito no município de Cascavel, bem como suas vítimas e sinais clínicos, mapeando e verificando relações com registros já armazenados de forma a evitar duplicidades. Desta forma, vítimas que sofrerem mais do que um acidente ao longo do tempo podem ser identificadas, através de dados pessoais e devidamente referenciadas garantindo um cadastro único da pessoa e um histórico de ocorrências e tratamentos ao qual o indivíduo foi submetido. Ocorrências também podem ser registradas através de um Boletim de Acidente de Trânsito (BAT), preenchido pela Polícia Militar e posteriormente incluidas manualmente no SIGETRANS por um funcionário, atualmente, mas não necessariamente, vinculado à CETTRANS. Um BAT contempla informações relevantes ao escopo de uma ocorrência, envolvidos e veículos descrevendo os fatores causadores, severidade, condições climáticas e da via no momento do acidente. Um envolvido é classificado como vítima quando receber atendimento clínico efetuado por um hospital, unidade de saúde, SIATE ou um profissional de saúde capacitado. Todo registro de ocorrência no sistema é georreferenciado e sinalizado no mapa da cidade através de um marcador. Todos os formulários que coletam informações de localidade do acidente contêm um mapa da cidade que permite ao usuário arrastar o marcador para o ponto notificado conforme a figura 2.2, que ilustra o formulário de cadastro de ocorrência e o processo de georreferenciamento. Através da ação de arrastar o marcador (destacado com a letra A), o sistema preenche automaticamente os campos de endereço (destacado com a letra B) utilizando uma consulta ao Google Maps2 . O sistema permite que o usuário informe o logradouro e consulte o endereço, através do botão em formato de lupa, para obter as coordenadas geográficas e o endereço completo da localidade. Atualmente, o SIGETRANS apresenta na tela inicial o mapa de Cascavel, conforme ilustra a figura 2.3. Na gravura observa-se que os registros podem ser manipulados através de um 2 Abordado na seção 2.2 - Tecnologias utilizadas 11 Figura 2.2: Cadastro de ocorrência - Exemplo de georreferenciamento durante o preenchimento do formulário de ocorrência. marcador fixo no mapa sobre as coordenadas da ocorrência e visualizados através de um dialog que apresenta-se como uma balão que descreve o marcador. Um breve resumo da ocorrência é exibida no dialog conforme ilustra a figura, e fornece também acesso aos detalhes do registro. Embora o sistema armazene informações geográficas e apresente os registros adequadamente, diversos processamentos espaço-temporais podem ser explorados e esta é uma das propostas da ferramenta especificada neste trabalho. O acompanhamento das vítimas após o acidente ocorre pelo registro dos procedimentos realizados no hospital, unidades de pronto atendimento (UPA) ou unidades de saúde (UBS), armazenando datas, responsáveis, local de atendimento e procedimentos realizados. Desta forma é possível obter estatísticas que relacionam informações da ocorrência e agravos no acompanha12 Figura 2.3: Tela inicial do sistema SIGETRANS - Visualizando ocorrência registrada no dia. mento das vítimas fornecendo relatórios dinâmicos. Por exemplo, pode-se obter a quantidade de registros de acidentes envolvendo motociclistas, em um determinado período de meses, que ocorreram em horário comercial e que necessitaram de cirurgia ou ficaram com sequelas. Desta forma, pode-se combinar informações do indivíduo, do acompanhamento e do acidente para extrair estatísticas a partir da base de dados. Registros com menos de trinta dias da data de ocorrência permanecem na condição de abertos e são listados de forma tabular através da opção "ocorrências abertas" disponível no menu do sistema. Esta sistemática visa facilitar a identificação e complemento das informações referentes à ocorrência. Está em conformidade também com estipulado pela OMS [18] que define que óbitos ou atendimentos que ocorram no período 30 dias devem ser vinculados ao acidente e tendo este por causa primária. 13 2.2 Tecnologias utilizadas O SIGETRANS é um software decorrente de um projeto de pesquisa desenvolvido em instituição pública e é baseado em tecnologias livres e gratuítas. O sistema foi desenvolvido em java web (Java Enterprise Edition - JEE) e utiliza diversas tecnologias com finalidades distintas, embora todas tenham um papel fundamental na execução do sistema. Vale destacar a opção por algumas, especificamente, que delimitam o escopo da ferramenta sendo desenvolvida neste trabalho e justificam a escolha das tecnologias abordadas no capítulo 4. O georreferenciamento no SIGETRANS é feito através das Application Programming Interface (API) do Google Maps. Uma API é um conjunto de rotinas e padrões disponibilizados no formato de biblioteca para que o desenvolvedor não necessite adentrar em detalhes da implementação de determinadas funções. Em outra palavras, o desenvolvedor pode utilizar funções que recebem parâmetros e devolvem resultados do processamento abstraindo o fluxo de funcionamento da biblioteca. Essa característica tem reflexo no aumento de produtividade e padronização de código, pois centraliza os processos necessários para a visualização dos dados georreferenciados. A API Google Maps versão 3 [19], permite a marcação e exibição de pontos, poligonos, camadas e objetos geográficos no formato latitude e longitude. Desenvolvida em javascript, é de fácil aprendizagem por apresentar vasta documentação de referência disponível no site da empresa. Facilita também o uso de mapas em páginas web, pois nativamente todos os navegadores, a exemplo do Mozilla Firefox [20], aceitam javascript. Apesar de gratuíta, na versão 2, exigia-se que o usuário registrasse o site, como uma conta google, para obter uma chave de autorização de utilização que deveria ser adicionada ao código da aplicação para permitir o uso da API. Na versão 3 este registro não é necessário, facilitando sua utilização. O SIGETRANS utiliza esta API de forma implícita, pois abstrai o javascript utilizando uma segunda biblioteca denominada primefaces [12] que fornece um componente de mapa baseado na API do Google. O primefaces é uma biblioteca de componentes gráficos para Java Server Faces (JSF) [21], que objetiva fornecer componentes funcionais e visualmente agradáveis para o desenvolvimento web, aumentando a produtividade da equipe de desenvolvimento. Cabe dizer que existem diversas biliotecas com esta mesma finalidade, conhecidas como bibliotecas de componentes visuais para JSF. São exemplos deste tipo de bibliotecas o RichFaces, MyFaces, IceFaces, entre ou14 tras. Entretanto, o primefaces é a biblioteca que apresenta o maior número de componentes e atualizações mais frequentes. Dentre os diversos componentes disponibilizados, como tabelas, botões, menus e outros, encontra-se o componente de mapa gmaps, que utiliza a API do google maps citada anteriormente. A utilização destas bibliotecas é vantajosa em vários sentidos, pois facilita o desenvolvimento, reduz a quantidade de código, padroniza os componentes de visão e contribui com o reuso de código que, consequentemente, aumenta a produtividade e reduz o tempo de desenvolvimento. Sintaticamente JSF é analoga ao HTML, sendo uma linguagem de marcação definida por tags. A JSF permite a escrita de páginas web que se comunicam diretamente com o código java através de classes definidas como ManagedBean. Um ManagedBean é uma classe java responsável pela comunicação entre a visão e o modelo, conforme o padrão arquitetural Model-ViewControl (MVC) implementado e controlado pelo framework Spring no SIGETRANS. Uma arquitetura de software define padrões de comunicação e fluxo de dados entre os componentes de visão e modelo, com o intuito de aumentar a manutenibilidade do sistema, especificando a separação do código em camadas que permitam a evolução do sistema, tanto em aspectos visuais quanto lógicos, mantendo a qualidade de software. O JSF é traduzido para HTML puro quando a aplicação é executada pelo navegador, permitindo que em um arquivo JSF seja utilizada sintaxe HTML padrão. Por fim, o armazenamento das informações é efetuado pelo Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD) PostgreSQL que é relevante ao contexto georreferenciado do sistema, pois disponibiliza um complemento denominado PostGIS [22] que persiste, processa e recupera informações georreferenciadas na base de dados. O PostGIS fornece mais de 780 funções de processamento espacial que permitem ao desenvolvedor obter transformações de coordenadas, interseções de polígonos, continência de objetos dentro de regiões delimitadas por polígonos, entre outras funções que podem ser exploradas por sistema geográficos. A comunicação e transferências de dados entre o Java e o PostgreSQL é realizado pelo framework Hibernate, responsável pelo mapeamento objeto-relacional. Sendo assim, o Hibernate transforma objetos Java em dados serializáveis que podem ser armazenados em tabelas do PostgreSQL, abstraindo esse mapeando ao usuário. Embora existam diversos aspectos relevantes sobre tais tecnologias e padrões, optou-se por 15 apresentar somente uma visão geral sobre elas neste capítulo, objetivando apresentar ao leitor subsídios necessários e sulficientes para compreender a dinâmica e a proposta deste trabalho visando a integração de novas funcionalidades no sistema SIGETRANS. A figura 2.4 apresenta resumidamente o esquema de funcionamento do sistema SIGETRANS. As principais tecnologias responsáveis pela coleta, armazenamento, restauração e exibição de dados estão apresentadas na ilustração. O fluxo de informação de uma ação de salvar um novo formulário segue o caminho indicado pela figura, iniciando no passo um. Figura 2.4: Esquema de funcionamento do SIGETRANS 16 Capítulo 3 Visualização de dados A informação tornou-se uma necessidade crescente para todos os setores da atividade humana, influenciando, direta ou indiretamente, as estratégias adotadas em ambiente corporativo. A gestão de Sistemas de Informação (SI) inseridos na estratégia empresarial são fatores chaves na criação de valor agregado e de vantagens competitivas para as empresas, ajudando a detectar novas oportunidades. No âmbito do poder público, a informação permite aos orgãos gestores identificar e definir estratégias que visem solucionar ou amenizar problemas decorrentes. A gestão moderna exige que o processo decisório seja baseado no máximo de informação possível e que elas sejam fidedignas. O uso de sistemas computacionais gerenciais visa prover uma estrutura que apoie o desenvolvimento de uma organização inteligente adaptada às mudanças. Gerenciar a informação é ter a capacidade de selecionar de um repositório, geralmente uma base de dados, informações relevantes para uma determinada decisão, baseado na inteligência acumulada no formato de dados. Um Sistema de Informação visa coletar, gerenciar e distribuir informação relevante para indivíduos ou organizações. Dentre os possíveis tipos de SI, destacam-se neste trabalho especificamente os sistemas georreferenciados, abordados na seção subsequente. Este capítulo foi dividido em 3 seções principais que objetivam descrever os conceitos básicos e apresentar as soluções adotadas neste trabalho. A seção 3.1 apresenta conceitos e caracteristicas de sistemas georreferenciados e serviços da Google para georreferenciamento. A seção 3.2 introduz os conceitos de Business Intelligence (BI) e como este auxilia o processo decisório em organizações. Por fim, a seção 3.3 aborda a apresentação de informação através da metodologia de infográficos que fundamenta este trabalho. 3.1 Sistemas georreferenciados Um Sistema de Informação Geográfico (SIG) é um tipo específico de SI que possibilita a captura, armazenamento, recuperação, análise e apresentação de informações geográficas. Normalmente SIGs utilizam geometrias como pontos, linhas e polígonos associados a coordenadas geográficas no formato latitude e longitude, para compor e representar a informação. Em um SIG a base dados é considerada o coração da aplicação, pois armazena os dados geográficos e permite o geoprocessamento durante a consulta, retornando somente dados relevantes, reduzindo o fluxo de informação. Aplicações espaciais normalmente manipulam grandes quantidades de dados e o armazenamento e a recuperação eficiente depende, dentre outros fatores, da modelagem da base de dados, das estruturas otimizadas e algoritmos de manipulação de geometrias pelo sistema gerenciador de banco de dados. Desta forma, a escolha de um banco de dados que disponibilize suporte espacial e análise das funcionalidades em relação ao desempenho é relevante para assegurar o desempenho do sistema final. Dados geográficos podem ser armazenados também em arquivos conhecidos com shapefile [23] ou Keyhole Markup Language (KML) [24] que descrevem as geometrias e podem ser importados por diversos SIGs e bases geográficas, facilitando o compartilhamento de informação entre SIs. Uma característica importante de todo SIG é capacidade de compartilhar informação entre diferentes sistemas de informação ou entre diferentes componentes que usem o mesmo sistema. Enquanto tradicionalmente sistemas de informação requerem somente um conjunto limitado de representação de informação, como tabelas, relatórios textuais ou gráficos, um SIG deve suportar essas formas e ainda permitir outras possibilidades incluindo representações baseadas em mapas [25]. Atualmente, a demanda por SIGs tem aumentado significativamente, o que pode ser constatado a partir dos inúmeros serviços disponibilizados por orgãos públicos e privados. Os serviços oferecidos pelo Google Maps como cálculo de rotas, informação de localidade e o street view têm incentivado o desenvolvimento de sistemas e sites a utilizarem mapas da Google. Alguns serviços públicos podem ser citados como referência do uso destes recursos, a exemplo do portal de trânsito da cidade do Rio de Janeiro [2] que permite a visualização em tempo real das principais vias do município conforme ilustra a figura 3.1. Observa-se nesta figura que os ícones 18 com símbolos de câmeras dispostos no mapa representam de forma intuitiva a funcionalidade do ponto geográfico marcado. No canto superior direito pode-se observar em tempo real a camera selecionada pelo usuário no mapa. Figura 3.1: Portal de Trânsito do Rio de Janeiro [2]. Diversas informações são disponibilizadas pelo Google maps em formato de camadas que podem ser ativadas conforme o nível de zoom e região de foco, a exemplo da camada de trânsito que apresenta o fluxo de veículos em tempo real nas principais cidades do mundo. A figura 3.2 monstra o fluxo de veículos na cidade de Curitiba no Paraná, apresentando uma legenda com escala de cores para a velocidade média momentanea de tráfego de cada via. Com a popularização de smartphones e a inclusão do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System - GPS) nesses aparelhos, diversas aplicações passaram a utilizar a localização momentânea do usuário como parâmetro de execução, a exemplo do serviço popularizado recentemente denominado Foursquare [26]. Através da tela do celular o usuário confirma a presença em estabelecimentos comerciais, criando uma lista de locais frequentados que podem ser avaliados e recomendados. O serviço permite a integração com o facebook disseminando facilmente a informação. Dentre as vantagens disponibilizadas ao usuário, por exemplo, destaca-se aquela que quanto mais lugares ele frequentar, maior será o seu status, que receberá 19 Figura 3.2: Camada de trânsito disponibilizada pelo Google Maps para Curitiba-PR [3]. recompensas, como descontos, estacionamento gratuíto, e outras vantagens nos locais que frequentar. O Foursquare utiliza informações de posicionamento global para indicar, baseado na avaliação dos amigos do usuário, locais de interesse nas proximidades como restaurantes, bares, postos de gasolina e outros. 3.1.1 Serviços de georreferenciamento da Google O desenvolvimento de aplicativos georreferenciados e as funcionalidades disponibilizadas ao usuário por estes, estão vinculadas às tecnologias adotadas e recursos disponíveis. Optar pela utilização de uma tecnologia como base de desenvolvimento não limita o desenvolvedor, pois quase todas as tecnologias de construção de SIGs se integram parcialmente, permitindo usufruir da mescla de recursos. Esta seção objetiva descrever alguns serviços de georrefenciamento disponibilizados pela Google e que são relevantes para o presente trabalho. Optou-se pela utilização dos mapas e serviços de georreferenciamento da Google mantendo a compatibilidade com o modelo atual do SIGETRANS. O georreferenciamento pode ser realizado através de uma requisição ao Google Maps utilizando uma URL composta pelo endereço do serviço e dos parâmetros de consulta [27] conforme exemplificado abaixo, 20 http://maps.google.com/maps/api/geocode/xml?address=Av+Brasil +3000+Cascavel+PR&sensor=false observa-se que a consulta é efetuada utilizando os parâmetros address e sensor. O parâmetro address especifica o local e pode ser composto pelo logradouro, número e cidade. Informar todos esses componentes garante maior precisão no resultado da consulta. O segundo parâmetro, quando recebe o valor true, indica ao serviço que a consulta partiu de um dispositivo GPS. O valor false indica que a consulta foi efetuada por um dispositivo ou sistema sem capacidade de informar sua localização atual. O resultado deste processo retorna um arquivo formatado em JavaScript Object Notation (JSON) ou extensible Markup Language (XML), dependendo da resposta solicitada na URL. No exemplo acima, a resposta foi solicitada em XML. O XML utiliza tags no estilo HTML para descrever objetos de dados. De forma análoga, o JSON utiliza a sintaxe Javascript. A documentação da API é fornecida no formato de referência ao desenvolvedor, o que permite a consulta rápida de funcionalidades e também no formato de tutorial facilitando o aprendizado. O mapa disponibilizado no navegador de internet desenhado com a API de javascript permite a separação de informações em camadas, podendo concentrar em uma mesma tela visões distintas, que podem ser alternadas por botões disponibilizados no canto superior direito conforme ilustra a figura 3.3 que apresenta um recorte da tela do GeoPortal do município de Cascavel [28]. A figura ilustra o mapa da cidade com a marcação dos bairros. Pode-se observar que no canto superior direito é possivel mudar as visualizações de mapa. Além das convencionais visões de mapa e satélite, estão disponíveis as visões da base cadastral do município e o mapa com a ortoimagem1 . Cada camada permite a representação de informação independente, podendo incluir nível de zoom, ponto central e geometrias distintas das demais. Os mapas da Google podem ser facilmente incorporados e manipulados via javascript. Semelhante ao processo de geocodificação, a API de exibição de mapas oferece vasta documentação de referência e aprendizado no site principal. 1 Ortofoto ou ortofotografia é uma representação fotográfica de uma região da superfície terrestre, no qual todos os elementos apresentam a mesma escala, livre de erros e deformações, com a mesma validade de um plano cartográfico 21 Figura 3.3: GeoPortal do município de Cascavel - Exemplo de camadas do Google Maps 3.2 Business Intelligence O processo de coleta, organização, análise, compartilhamento e monitoramento de informações para gestão de negócios denomina-se Business Intelligence (BI) que visa agregar valores decisórios à lógica de funcionamento de sistemas de informação [29]. Tipicamente empresas e instituições coletam dados do ambiente de operação, pesquisa de marketing, industriais ou de mercado, criando assim a base da qual serão minerados os dados. Em outras palavras, trata-se de um método que visa ajudar as organizações a tomar decisões inteligentes, mediante informações recolhidas pelos diversos sistemas utilizados. Desta forma, BI é uma sistemática que permite às organizações transformarem dados guardados nos seus sistemas em informações qualitativas e relevantes à tomada de decisão. São exemplos de sistemas desta natureza o QlikView [30], Vistra [31] e BI Solutions [32]. O BI visa oferecer relatórios dinâmicos e adaptáveis ao usuário, seguindo a ideia de informação exata, no tempo certo para a pessoa correta. Entretanto, essa sistemática exige uma maturidade do processo operacional realizado, pois determinadas etapas são necessárias para o funcionamento do BI. Destaca-se como característica fundamental o data warehouse [33] que 22 é uma base responsável por concentrar grandes volumes de dados consolidados e organizados em séries históricas. Por definição, os dados em um data warehouse não são voláteis, servindo somente como uma base de consulta. A formação de um data warehouse é dada pelo processo de carga e centralização conhecido como Extract, Transform and Load (ETL) [34]. O ETL é um processo cuja função é a extração de dados de diversos sistemas, adaptação destes dados à regra de negócio e por fim o armazenamento em um data warehouse. As fontes mais comuns são bancos de dados, arquivos de texto ou planilhas. A implementação de um esquema de BI pode ser estruturada de formas distintas e uma abordagem desta construção é a medotodologia Open Business Intelligence criada por Bernabeu [35]. Resumidamente, o BI trata-se de um processo de extração de inteligência de fontes convencionais que armazenam dados históricos da organização e a aplicação de um conjunto de técnicas e conceitos para cruzamentos de dados, manipulação da informação, extração de conhecimento e apresentação adaptável da informação. Apresentou-se uma breve descrição do processo de BI para mostrar como atualmente o moderno processo de apoio a decisão é realizado. Com o objetivo de indicar desde o princípio, que este é um dos processos naturais a serem contemplados no SIGETRANS e que só não foram desenvolvidos porque não possui dados históricos o bastante, nem mesmo articula seus dados com outros, em planilhas ou textos, visto que é um projeto piloto e ainda não se encontra em fase de efetiva de utilização. Cabe ressaltar que conforme abordado no capítulo 2, o sistema atende à segunda etapa do EPP, somente com o uso do SIGETRANS e avanço nas etapas do programa de estratégia será possível armazenar a base histórica consolidada pertinente à realização do processo de BI. Porém, a representação da informação é de extrema relevância para este sistema, demandando outras estratégias como os infográficos apresnetados na seção subsequente. 3.3 Infográficos A exibição de informação é um aspecto relevante a todo sistema computacional, pois somente com a compreensão e análise assertiva dos dados é possível ao gestor planejar estratégias e avaliar o resultado da execução das medidas adotadas. Vale ressaltar que o nível de conhecimento técnico do gestor é fundamental para converter os dados disponíveis em informação. A informação difere do dado puro, pois depende de seu vínculo ao contexto no qual é utilizado. O dado somente é informação se puder ser compreendido [36]. Desta maneira a preocupação com 23 a clareza na representação do dado é necessaria em sistemas de informação. O termo infografia é um neologismo adotado na decáda de 70, para nominar um gênero gráfico informativo, caracterizado pela mescla de texto e imagens. Pode-se considerar a infografia como um esquema mental representado graficamente. Com o objetivo de explicar um acontecimento ou processo, a infografia utiliza da combinação de ilustrações e textos para produzir uma peça gráfica, estática, animada ou interativa, potencializando a compreensão da informação de maneira eficiente e dinâmica [37]. Infográficos podem ser classificados conforme a natureza da informação representada e divididos em gráficos, mapas, tabelas e diagramas [38]. A seguir descreve-se brevemente os tipos de gráficos e mapas por serem infográficos importantes para modelagem da ferramenta projetada e desenvolvida neste trabalho e descrita no capítulo 4. O gráfico objetiva representar informação numérica e estatística, utilizando linhas, pontos, colunas e áreas para fornecer uma visão geral dos dados. De acordo com Tufte [8] gráficos devem tornar dados em informações compreensíveis e consistentes. Concentrar muitos dados em pouco espaço ajuda o leitor perceber as relações e diferenças, mesmo que sutil, entre os dados. Gráficos podem ser dividos em tipos conforme a necessidade de representação da informação. Os mais comuns são colunas, pizza e linhas, conforme exemplificados na figura 3.4. Figura 3.4: Exemplos de gráficos de colunas (a), pizza (b) e linhas (c). O tipo colunas é indicado para comparação de quantidades. Representado por colunas que possuem a mesma largura, apresenta alturas distintas evidenciando as diferenças entre os valores apresentados. Gráficos de colunas são comumente utilizados para exibirem diferenças entre dados qualitativos totais. Por exemplo, a quantidade de acidentes de trânsito, agrupados por 24 tipos, que ocorreram no fim de semana entre os meses de agosto e outubro. O tipo de pizza ou torta, é utilizado quando há necessidade de representar partes e proporções, especialmente porcentagens. O gráfico não deve apresentar muitas partes ou partições muito pequenas, pois o gráfico pode se tornar confuso e a informação desordenada. Por exemplo, utiliza-se um gráfico de pizza para representar a quantidade de acidentes de trânsito divididos por tipos em um determinado período em um local específico. O gráfico linear é utilizado quando é necessário representar variações de valores em períodos de tempo. O gráfico apresenta uma linha contínua entre o inicio e término do período análisado, exibindo incrementos consecutivos em fatias de tempos iguais. Por exemplo, a quantidade de vítimas de acidentes de trânsito no primeiro semestre do ano de 2012, onde as quantidades sejam agrupadas por mês. Segundo Leturia [38], o que ocorre é que algumas vezes o incremento é realizado em fatias de tempo distintas entre séries de dados e a comparação entre elas pode tornar o gráfico confuso ao leitor. A tabela é um quadro que pode apresentar dados descritivos que as vezes são difíceis de serem relacionados ou comparados. Apresenta-se com uma lista simples de dados organizados em colunas lado a lado, que ajudam a fácil identificação da informação [38], conforme ilustra a figura 3.5. Figura 3.5: Exemplo de dados organizados em tabela Os diagramas, por fim, são gráficos que necessitam de maiores habilidades artítiscas que os gráficos comuns. Quando o objetivo é descrever o funcionamento de algo, o diagrama é mais adequado do que gráficos ou descrições textuais. 25 Os modelos descritos anteriormente são os mais utilizados, todavia, os bons designers criam seus próprios modelos para representar adequadamente os dados numéricos específicos. Quando é necessário exibir a localização de um determinado evento, utiliza-se o infográfico de mapas. Representar visualmente a localidade é relevante pois o leitor sempre está interessado em conhecer o local do evento. Identificar pontos importantes ao redor do acontecimento pode ser interessante, pois segundo a metodologia de Tufte, deve-se induzir o leitor a pensar sobre a informação e estimular visualmente os olhos a buscar detalhes e comparar diferenças. Entretanto pode haver uma sobrecarrega desnecessária de informação sendo um aspecto delicado na representação da informação em mapas. Como exemplo ilustrativo, a figura 3.6 associa elementos textuais, gráficos e mapas para descrever completamente o evento da falta de água no futuro. Observa-se que os mapas, através da escala de cores, objetivam mostrar de forma clara os locais onde possivelmente haverá escassez de água no mundo. O gráfico de colunas no canto esquerdo, representado pelas gotículas de água com porcentagens, apresenta de maneira criativa e relacionada a informação e em conjunto com os demais elementos visuais incentivam à leitura das descrições textuais. Figura 3.6: Infográfico: Glass Half Empty, The Coming Water Wars[4]. Infográficos podem ser elaborados de acordo com a complexidade da informação. Sendo 26 assim, gráficos podem ser combinados com descrições textuais e diagramas para expressar uma única informação. Um infográfico tem a missão de facilitar a compreensão mediante linguagem ilustrada, atraindo o leitor e o incentivando a entender a informação ali expressa. Nexte contexto se insere o presente trabalho. Desenvolveu-se um módulo acoplado ao sistema SIGETRANS, que apresenta, seguindo a metodologia de infográficos, informações estatísticas pertinentes a acidentes de trânsito no município de Cascavel. Detalhes da modelagem, implementação e resultados são abordados no capítulo 4. 27 Capítulo 4 Especificação e construção da ferramenta Um processo de software é um conjunto de atividades que objetiva a produção de um produto computacional. As atividades geralmente envolvem a modelagem, documentação e desenvolvimento do software em uma determinada linguagem, como JAVA ou C++. Segundo Sommerville [39], os processos de softwares são complexos e, como todos os processos intelectuais e criativos, estão sujeitos ao julgamento humano. Estes fatores limitam o sistema computacional, pois existem diversos processos de software e nenhum considerado como ideal. Os processos evoluem para atender as necessidades das organizações e pessoas. Desta maneira, processos são modificados para atender as realidades organizacionais, criando novos modelos de processos. Embora existam diversos modelos, algumas etapas são comuns a todos eles como especificação de software, projeto e implementação, validação e evolução. A especificação de software visa coletar requisitos, definindo as funcionalidades do sistema e as restrições de operação. O projeto e implementação é a etapa em que software realmente é construído, atendendo a especificação da etapa anterior. A validação objetiva garantir que o software atenda a solicitação do cliente e por fim, a evolução contempla aspectos de como o software pode ser adaptado as futuras modificações necessárias. Atendendo o primeiro dos objetivos específicos listados no capítulo 1, que visava o projeto e documentação da ferramenta, este capítulo apresenta os conceitos de engenharia de software, diagramas e aspectos relevantes da ferramenta construída. 4.1 Especificação de requisitos Um requisito é uma funcionalidade ou serviço que o sistema deve fornecer e que representa a necessidade do cliente. Segundo Sommerville, o processo de coletar, analisar, documentar e validar esses serviços é denominado engenharia de requisitos [40]. A descrição detalhada de requisitos elimina a ambiguidade no processo de construção do software, garantido menos defeitos no sistema final. Requisitos servem de base para a construção de diagramas e compreensão da regra de negócio1 . Desta maneira, os requisitos são de extrema importância ao desenvolvimento de novos sistemas e frequentemente são classificados em requisitos funcionais, requisitos não funcionais ou requisitos de domínio. Requisitos Funcionais Requisitos funcionais são descrições de funcionalidades que o sistema deve fornecer, como o sistema deve reagir a entradas específicas e como se comporta em determinadas situações. São auxiliares no processo de construção e testes do software. Os requisitos funcionais coletados e implementados na ferramenta proposta estão listados a seguir. [RF-1] Exibir ocorrências no Google maps. O sistema deve exibir as ocorrências em um mapa do google maps. As ocorrências devem ser visualmente diferenciadas, utilizando marcadores, de acordo com a severidade. Deve-se utilizar as seguintes cores para classificar a severidade. • Preta => severidade fatal. • Vermelha => severidade grave. • Amarela => severidade leve. • Verde => severidade sem vítimas. O conjunto de cores listado acima atende à sugestão do comandante do 4o Grupamento de Bombeiros localizado em Cascavel, Capitão Amarildo Roberto Ribeiro, um dos colaboradores 1 As regras de negócio definem como a organização funciona. Pode abrangir diversos assuntos como as políticas, interesses, objetivos, compromissos éticos e sociais, obrigações contratuais, decisões estratégicas, leis e regulamentações entre outros. 29 no desenvolvimento do SIGETRANS. Ocorrências não georreferenciadas2 devem ser contadas e o total deve ser exibido considerando o grupo de severidade. Este requisito depende do RF-2. [RF-2] Classificar as ocorrências conforme a severidade. O sistema deve agrupar as ocorrências conforme a severidade. Os grupos possíveis são "Fatal", "Grave", "Leve" e "Sem vítimas". A severidade deve considerar a condição de cada vítima no atendimento e acompanhamento. Desta maneira, a ocorrência deve ser classificada seguindo a severidade mais grave entre as vítimas. [RF-3] Pesquisar ocorrências em intervalo de datas. O sistema deve permitir que o usuário informe o intervalo de datas em que as ocorrências serão buscadas e exibidas sobre o mapa. O intervalo padrão, caso o usuário não especifique um, deve ser entre a data atual e 30 dias retroativos. [RF-4] Exibir legenda para os marcadores personalizados. O sistema deve exibir a legenda dos marcadores georreferenciados, facilitando a compreensão da informação. Contudo, o sistema deve permitir que a legenda seja ocultada conforme necessário. [RF-5] Gerar gráfico por horário. O sistema deve disponibilizar, através de um link, um gráfico de linhas que represente a quantidade de ocorrências, no período especificado, agrupadas por horários. Este requisito depende de RF-3. [RF-6] Gerar gráfico por tipos de acidente. O sistema deve disponibilizar, através de um link, um gráfico de colunas que represente a quantidade de ocorrências, no período especificado, agrupadas por tipos de acidentes. Este 2 Como o sistema ainda não foi implantado, depende exclusivamente dos dados provenientes da conexão entre o SIGETRANS e o sistema atual do Corpo de Bombeiros. Atualmente, os registros de ocorrências copiados do banco de dados dos bombeiros não são georreferenciados, cabendo ao SIGETRANS processar o texto do endereço e geocodificá-lo utilizando serviços da Google. Porém, o serviço ainda apresenta baixa precisão no território brasileiro, existindo casos onde não é possivel obter a localidade exata da ocorrência. Portanto, há casos em que SIGETRANS não consegue geocodificar o endereço. Um exemplo são cruzamentos. 30 requisito depende de RF-3. [RF-7] Gerar gráfico por dias da semana. O sistema deve disponibilizar, através de um link, um gráfico de pizza que represente a quantidade de ocorrências, no período especificado, agrupadas por dias da semana. Este requisito depende de RF-3. [RF-8] Agrupar ocorrências por bairro. O sistema deve separar visualmente no mapa as ocorrências, exibindo somente o total de ocorrências em cada bairro. Utilizar um único marcador para indicar o total de registros encontrados no período especificado. [RF-9] Agrupar marcadores de acordo com o nível de proximidade do mapa. O sistema deve agrupar ocorrências "próximas" de acordo com nível de proximidade do mapa. A proximidade depende do zoom utilizado pelo usuário. Conforme o nível de proximidade fique menor, as ocorrências devem ser agrupadas para facilitar a visualização da informação. Quando o nível de proximidade for aumentado, apresentando maiores detalhes sobre s ruas, as ocorrências devem ser desagrupadas para exibirem o local preciso. Resquisitos Não Funcionais Relevantes ao projeto, requisitos não funcionais são restrições sobre os serviços oferecidos pelo sistema. Eles incluem restrições de desempenho, do processo de desenvolvimento e padrões de projeto. Em geral, estes requisitos aplicam-se ao sistema como um todo. Destacam-se como requisitos não funcionais comuns a um sistema web a confiabilidade3 e disponibilidade4 . Além destes, os requisitos não funcionais pertinentes a ferramenta construída são: [RNF-1] Facilitar a visualização. Facilitar a visualização de informação é um aspecto complexo, dado que é o tema central 3 Pode-se entender por confiabiliade neste contexto a segurança e integridade dos dados. No contexto de software, a disponibilidade está ligada a capacidade de o usuário acessar o sistema de qualquer lugar a qualquer momento. Em ambientes web, a disponibilidade é uma caracteristica. 4 31 deste trabalho. Contudo, algumas técnicas foram adotadas para facilitar a compreensão da informação. • O mapa deve ocupar toda a tela. • Controles e opções disponibilizados ao usuário devem ser exibidos sobre o mapa e podem ser ocultados. • Os gráficos devem ser criados automaticamente e disponibilizados através de um link. Quando acionado o link, o gráfico deve ser exibido sobre o mapa, sendo possivel arrastálo pela janela ou fechá-lo. • Quando estiver exibindo as ocorrências por bairros o mapa deverá exibir os contornos que definem o perímetro de cada bairro. • A interface deve ser intuitiva e apresentar inicialmente valores pré-definidos, fornecendo um relatório padrão quando a ferramenta é aberta. [RNF-2] Facilitar o acesso. Para atender este requisito, optou-se por tornar a ferramenta a página principal do sistema SIGETRANS. Desta maneira, quando acessado, a primeira visão que o usuário obterá será a ferramenta desenvolvida. As demais funcionalidade do sistema podem ser acessadas através de um link no canto superior direito definido como "acesso ao sistema". [RNF-3] Disponibilizar publicamente. O módulo de segurança do SIGETRANS foi adaptado para prover livre acesso à página de infográficos. Entretanto, o link para acessar as demais funcionalidades do sistema exige autenticação com usuário e senha. Requisitos de Domínio Os requisitos de domínio são derivados do domínio da aplicação e podem ser funcionais ou não funcionais. Tratam-se de aspectos essenciais ao funcionamento do sistema. Um exemplo de um requisito desta natureza pode ser observado em um sistema de simulação de espalhamento 32 de doenças contagiosas, onde modelos matemáticos ajustam a simulação. No entanto para que o desenvolvedor compreenda o que deve ser implementado, é necessário conhecer o domínio da aplicação e como a doença em questão se propaga. Cabe ressaltar que os especialistas do domínio podem ignorar determinadas informações na descrição do requisito, simplesmente por serem óbvias a eles. Contudo, podem não ser óbvias ao desenvolvedor, ocasionando a implementação de um requisito equivocado. No contexto desta ferramenta, destaca-se como requsisito desta natureza a classificação de severidades. Conforme adotado pela OMS, considera-se a vítima como fatal quando notificada como óbito no momento do acidente ou até 30 dias posteriores a ocorrência e que tenha tido complicações relativas a esse [18]. Vítimas com mais de 24 horas de internação devem ser classificadas como graves. O padrão publicado pela OMS apresenta-se como um requisito de domínio por exigir o conhecimento destas regras para a implementação do sistema. Ciente destas funcionalidades e restrições, a ferramenta foi projeta e modelada conforme descrito nas seções a seguir. 4.2 Modelagem orientada a objetos O processo de software é apoiado em diagramas que visam descrever partes do sistema, explicitando como estas interagem e esclarecendo aspectos de modelagem e opções de projeto. Destaca-se especialmente o diagrama de classes neste contexto. O diagrama de classes objetiva representar a estrutura arquitetural do sistema, apresentando as relações, restrições e generalizações entre as classes, provendo um modelo de construção do sistema. Trata-se de uma modelagem útil, pois define todas as classes que o sistema deverá possuir para atender a regra de négocio. A figura 4.1 apresenta o diagrama de classes da ferramenta construída neste trabalho. O projeto e modelagem desta ferramenta seguiu o princípio da arquitetura em camadas, que objetiva separar a regra de negócio do código da visão. 33 Figura 4.1: Diagrama de classes da ferramenta desenvolvida Conforme apresentado pelo diagrama, a organização das classes é realizada utilizando pacotes, que no diagrama são indicados pelo prefixo "infografico." e criam a noção de camada da arquitetura. O projeto arquitetural de um software é de extrema relevância aos sistemas computacionais pois permite reduzir a dependência entre os componentes de visão e a regra de negócio da aplicação. Optou-se por acoplar, ao SIGETRANS, o módulo desenvolvido ao invéz de agregá-lo como um novo subsistema. A utilização de um subsistema demandaria maior troca de mensagens entre os dois sistemas, SIGETRANS e o módulo de infográficos, que poderia 34 reduzir consideravelmente o desempenho da aplicação, visto que existe a troca de um grande volume de dados. No diagrama observa-se que a principal classe do módulo é o controlador denominado InfograficoController, responsável pela lógica do processo, coleta e validação dos dados e atualização da visão. Os dados das ocorrências são obtidos através das classes de persistência do sistema SIGETRANS. Desta maneira, o controlador utiliza métodos e serviços do sistema principal. Entre os métodos do controlador, destacam-se principalmente aqueles responsáveis por classificar a severidade da ocorrência, agrupando-as em listas distintas. Dividido em quatro métodos, a classificação de severidade só pode ser acionada internamente ao controlador, para garantir a sequência correta de classificação. Os métodos verificaAcidenteFatal, verificaAcidenteGrave e verificaAcidenteLeve verificam em qual grupo de severidade a ocorrência, passada como parâmetro, se encaixa separando-a na lista adequada. A classificação é executada em conjunto com o método init que prepara os objetos necessários antes da página web ser carregada. Entretanto, durante a execução quando as datas de consulta são alteradas, as ocorrências devem ser buscadas, na base de dados, e classificadas novamente. O método dateChangeEvent é responsável por receber o evento de alteração de datas, consultar e invocar a classificação novamente. O método createViewMap é responsável por atualizar a visão, criando o mapa e os gráficos após as ocorrências terem sido classificadas. Este método é chamado cada vez que existe uma solicitação para atualizar os dados de visão. Um exemplo é a possibilidade de exibir somente algum tipo de severidade ou agrupar por bairros. O método onStateChangeEvent é responsável por monitorar o nível de zoom do mapa e agrupar os marcadores conforme necessário. O parâmetro recebido neste método contém informações sobre o evento disparado, dentre eles o nível de zoom e o foco central do mapa no momento. Este valores são relevantes à atualização do componente mapa, e são armazenados no controlador como novos valores que o componente mapa da visão deve utilizar quando a solicitação AJAX retornar com os novos marcadores e gráficos do mapa. A classe markerCounter é responsável por criar os marcadores dinamicamente durante a execução do sistema. A classe manipula a imagem do marcador escrevendo sobre ela a quantidade de ocorrências encontradas. Este recurso é disponibilizado como um serviço que pode 35 ser acessado via URL. O método recebe, via parâmetro, a quantidade que deve ser escrita sobre a imagem e qual severidade relacionada, para que possa decidir qual ícone de marcador deve ser gerado e devolvido à aplicação solicitante. Estas duas classes descritas anteriormente compreendem o núcleo da ferramenta e trabalham em conjunto ligando a visão JSF aos dados do domínio e do banco. O pacote services contempla as classes e métodos necessários para recuperar os dados pertinentes aos bairros do município de Cascavel. Através do Hibernate, o objeto bairro é restaurado e devolvido ao controlador solicitante. Um bairro possui um identificador, um nome e uma geometria poligonal que define o seu perímetro. Vale ressaltar que o método init somente é utilizado na implantação do sistema e é responsável por ler um arquivo kml armazenado no servidor e que contém os polígonos do bairros do município. Este kml contém um recorte das informações disponibilizadas pela secretaria de planejamento da cidade. A lista de todos os bairros de Cascavel pode ser obtida, internamente ao SIGETRANS, através do método list na classe bairroService. É importante mencionar que as classes com o sufixo service são serviços oferecidos sob demanda ao resto do sistema. Desta maneira, objetos deste tipo não são instanciados pelo desenvolvedor, mas tem o ciclo de vida controlado pela arquitetura gerenciada pelo framework spring. O assunto é complexo e demandaria maiores descrições, todavia, não é o objetivo deste trabalho e somente foi comentado pois contribui ao gerenciamento de memória da aplicação, reduzindo o consumo e aumentando o desempenho da ferramenta. Contribui também com o reuso de código, pois classes deste tipo podem ser declaradas em qualquer parte do sistema e oferecem o serviço independente do módulo solicitante. Representada no diagrama de classes como uma circunferência, consta também a página web, nomeada como mapa.jsf e localizada no diretório relatórios-geo. A página JSF é a interface com o usuário e se comunica com o controlador solicitando e fornecendo dados de interação com o usuário e disparando eventos de atualização de dados. Por fim, abstraiu-se o diagrama de classes do sistema SIGETRANS em um subsistema denominado "SIGETRANS MODEL" devido à complexidade não pertinente ao escopo desta ferramenta. Entretanto, a ferramenta utiliza serviços provenientes do SIGETRANS, como a criação de gráficos por exemplo. Desta maneira, o controlador foi sinalizado com a relação de dependência ao modelo do SIGETRANS. 36 4.3 Módulo de visualização georreferenciado A figura 4.2 apresenta a primeira visão da ferramenta desenvolvida. Através do painel localizado no canto direito, o usuário pode alterar o intervalo de datas, disparando um evento para atualizar o infográfico. Logo abaixo, observa-se que é possivel selecionar o grupo de severidades sendo exibidos. A exibição das severidades no mapa funcionam como camadas, permitindo que o usuário decida quais grupos de severidades serão exibidos. Este recurso objetiva reduzir a quantidade de informação exibida, tornando as análises mais precisas. Figura 4.2: Visão do módulo de infográficos. Os ícones utilizados no sistema podem ser visualizados no canto inferior esquerdo através da legenda. O ícone de ocorrências fatais possui o fundo preto e uma cruz branca para sinalizar a fatalidade. O ícone de ocorrência grave possui fundo vermelho e um leito de hospital para sinalizar a internação do indivíduo. O ícone de ocorrências leves possui fundo amarelo e o desenho de um envolvido que recebeu atendimentos médicos, entretanto não precisou ficar internado. Por fim, o ícone com fundo verde sinalizado por um carro sendo guinchado representa uma ocorrência sem vítimas que teve somente danos materiais. Esses ícones foram criados pelo autor para esta aplicação especificamente. As funcionalidades da ferramenta serão descritas nas subseções seguintes. Apresenta-se ao leitor a lógica de funcionamento da ferramenta, explicitando como as funcionalidades foram 37 construídas. 4.3.1 Classificação de severidades No sistema SIGETRANS, conceitualmente, um envolvido é uma entidade distinta da vítima. Entretanto, o envolvido é classificado como vítima quando possui informação de atendimento médico ou hospitalar. A figura 4.3 ilustra resumidamente o modelo relacional do sistema SIGETRANS. Modelado no formato de árvore, objetiva descrever como os dados relevantes à classificação podem ser obtidos. Destacam-se 4 atributos na figura, que combinados podem classificar a ocorrência. Na ilustração, alguns atributos e tabelas foram ocultados para reduzir a complexidade de modelo. Figura 4.3: Modelo relacional resumido do banco de dados do SIGETRANS Ocorrências que não possuem envolvidos ou atendimento médico relacionado a algum envolvido são classificadas como "sem vítimas". Nesses casos, frequentemente, não houve aten38 dimento do SIATE ou hospital e a ocorrência apresenta somente danos materiais. Entretanto, conforme o modelo, a severidade pode ser listada diretamente na ocorrência e pode assumir os valores "óbito no local", "com vítimas" e "danos materiais". Desta maneira, ocorrências sem envolvidos ou vítimas registradas e que tenham o campo severidade definido poderão ser classificadas. Uma ocorrência será classificada como sendo de severidade leve através do relacionamento de dados provenientes dos diversos parceiros. Inicialmente, considera-se a avaliação do socorrista do SIATE, presente no campo condicao_lesao na tabela "vitimaras". O valor "ferimentos leves", poderá classificar a ocorrência como leve, desde que nenhuma vítima tenham ultrapassado as 24 horas de internação, armazenado na tabela hospital ou tenha ido a óbito. Analogamente, ocorrências são classificadas como grave de acordo com a avaliação do socorrista, utilizando os valores "Ferimentos considerados graves sem risco à vida"ou "Ferimentos considerados graves com risco à vida", desde que o campo severidade da ocorrência não indique óbito ou nenhuma vítima tenha a condição de alta como óbito. Por fim, ocorrências são consideradas fatais quando apresentam óbito no local, referenciado diretamente na ocorrência ou quando qualquer vítima relacionada tenha a condição de alta sinalizado como óbito. A ferramenta utiliza os dados armazenados no SIGETRANS percorrendo o modelo e relacionando as entidades, buscando e classificando as ocorrências encontradas conforme a maior severidade que encontre. O processo de classificação envolve pelo menos sete entidades conforme ilustrado na figura e demanda diversas operações em disco, tratamentos em memória e filtragens para garantir a correta classificação. Estes fatores podem afetar o desempenho da ferramenta com grandes volumes de dados, a exemplo de um relátorio com um período de datas muito grande, onde milhares de ocorrências necessitam ser buscadas e classificadas. 4.3.2 Geração de gráficos Os gráficos são gerados com base nas funcionalidades do framework primefaces. De acordo com a referência online, existem diversos tipos de gráficos que, distintos visualmente, apresentam particularidades quanto à construção da série de dados e características de configuração visual. A figura 4.4 apresenta os tipos de gráficos disponíveis no primefaces. 39 Figura 4.4: Tipos de gráficos disponibilizados pelo primefaces O componente gráfico se apresenta no formato de tag na interface JSF e exige uma série de dados que dependem do tipo gráfico selecionado. Gráficos que apresentem relacionamento cartesiano, eixo horizontal e vertical, utilizam um objeto de modelo denominado CartesianChartModel. No modelo cartesiano os dados são relacionados em duas dimensões, onde o eixo vertical geralmente representa quantidades e o eixo horizontal exibe categorias ou variações de tempo. Desta maneira, gráficos de linhas, barras e área compartilham o mesmo modelo cartesiano, diferindo somente quanto a forma como a série de dados é criada. Apesar do modelo ser comum a alguns tipos de gráficos, a série de dados é específica a cada formato de gráfico. Entende-se por série de dados os valores que podem ser agrupados em um conjunto para descrever alguma informação. Visualmente, séries frequentemente são representadas com cores distintas. Quando deseja-se mostrar que existem diferenças entre categorias, produtos ou quais40 quer itens que não possam ser agrupados, cada item é visualizado como uma série. Por exemplo, um gráfico comparativo da quantidades de acidentes de trânsito relacionados por tipos. Neste contexto, cada tipo de acidente é uma série distinta e o valor da série é a quantidade. Contudo, se o objetivo fosse comparar o montante de acidentes de trânsito por tipos nos primeiros seis meses do ano de 2012, teríamos um contexto diferente. Neste caso, a série de dados é o mês de referência e os valores são todas as quantidades de acidentes divididas por tipos. A criação do modelo e inserção de séries de dados, geralmente, é realizado no controlador. No SIGETRANS, os gráficos são fornecidos como serviços, podendo ser declarados e utilizados por subsistemas que se acomplem à arquitetura do sistema. Neste trabalho foram implementados dois novos tipos de gráficos, linha e barras, que o sistema ainda não fornecia. Os gráficos foram incluidos nos serviços originais, sendo disponibilizados também ao modulo de relatórios convencional do SIGETRANS. Cabe ressaltar que a correta interpretação da informação depende dos recursos visuais adotados na construção da representação visual. Por este e outros motivos, a primeira versão da ferramenta de infográficos construída no SIGETRANS não permite a seleção do tipo de gráfico, embora seja possivel construir os gráficos descritos na figura 4.4. A análise das possíveis combinações de representação gráfica e informações a serem exibidas é um aspecto que demanda estudo e pode ser considerado como trabalho futuro. 41 Capítulo 5 Análise dos Resultados Esta seção objetiva apresentar os resultados obtidos com o uso da ferramenta implementada, descrevendo os testes realizados com os dados provenientes do sistema do Corpo de Bombeiros, relativos ao período do dia primeiro de agosto à primeiro de outubro de 2012. Foram carregadas 674 ocorrências e 588 vítimas de acidentes de trânsito. Os dados de teste encontram-se armazenados na base de dados do SIGETRANS e foram obtidos através da conexão automática entre os sistemas descrita no capítulo 2. 5.1 Resultados A figura 5.1 apresenta a exibição de ocorrências graves no período de primeiro de setembro à primeiro de outubro. Observa-se que o uso de ícones personalizados e escalas de cores facilitam a compreensão da severidade do acidente, independente do uso de uma legenda. A metodologia proposta por Tufte [8] é aplicada quanto aos princípios de simplicidade e estímulo visual ao usuário buscar a informação. O ambiente georreferenciado propicia ao usuário a possibilidade de análise dos fatores espaciais como locais de movimento conhecidos, clubes, bares, praças, lojas, igrejas, entre outros. Destaca-se que a visão é dinâmica, sendo possível que usuário selecione outras camadas de severidades, conforme ilustrado na figura 5.2. Figura 5.1: Recorte da camada de severidades graves entre os dias primeiro de setembro e primeiro de outubro Conforme a quantidade de informação disposta sobre o mapa aumenta, acentua-se a relevância em diferenciar visualmente ocorrências com níveis de severidades distintos. A figura 5.2 mostra três camadas de marcadores diferenciados por severidade, apresentando o contador de ocorrências sobre os marcadores. O contador de ocorrências foi implementado para reduzir a poluição visual provocada pela aglomeração de marcadores. Desta maneira, somente um marcador é desenhado e o total de ocorrência no local é indicado sobre ele. O objetivo é permitir que o usuário consiga, com apoio do mapa, entender os locais onde ocorreram acidentes mais graves. O georreferenciamento é um aspecto chave da representação de informação neste contexto, pois permite que o usuário relacione localidades e proximidades entre as ocorrências, podendo inferir, em alguns casos, fatores geradores. Na figura 5.1, observa-se que na barra lateral localizada a direita, na parte inferior exite um contador da quantidade de ocorrências sem informação espacial, ou seja, que não poderam ser sinalizadas sobre o mapa. 43 Figura 5.2: Exibição de camadas de severidades e contador de ocorrências A figura 5.3 mostra a classificação de ocorrências realizada e sua separação visual para facilitar a interpretação do usuário. Quanto à informação, pode-se observar que no período pesquisado, na região central do município, foram registrados mais acidentes leves do que graves. Figura 5.3: Visão com duas severidades distintas e diversos marcadores Visando facilitar a visualização e interpretação da informação, os marcadores são agrupa44 dos conforme o nível de zoom. A figura 5.4 ilustra a junção dos marcadores conforme a visão é aproximada ao nível de rua. Utiliza-se a função de geoprocessamento equalsExact fornecida pelo Hibernate Spatial para a comparação de proximidade entre os pontos registrados. Esta função recebe dois parâmetros: a geometria e um valor decimal de tolerância. O método verifica a igualdade da geometria em relação à uma segunda geometria, considerando a tolerância informada. No caso de pontos, entende-se que a tolerância atua como uma região de deslocamento possível do segundo ponto em relação ao primeiro. A ferramenta desenvolvida opera com quatro níveis de tolerância, de acordo com o valor do zoom. Quando o zoom for maior que 161 o sistema utiliza o valor númerico 0.0001 como tolerância, que implica em uma região muito próxima ao ponto original2 . Quando o valor de zoom for 15 a tolerância utilizada é 0.002, que compreende uma região de aproximadamente uma quadra. Com o nível de zoom igual a 14, utiliza-se uma tolerância de 0.004, que agrupa registros com variações de duas quadras. Por fim, níveis de zoom menores que 14 utilizam uma tolerância de 0.008, que compreende uma faixa de aproximadamente quatro quadras. O agrupamento dos marcadores visa reduzir a sobrecarga visual do mapa, definindo um único marcador responsável por representar os vizinhos. De forma análoga, somente um marcador é desenhado com a quantidade total de registros encontrados no local, considerando os fatores de proximidades referentes a tolerância. Figura 5.4: Exemplo de agrupamento de ocorrências conforme o nível de zoom 1 O zoom do Google maps varia entre 0 e 19. Sendo que 0 é a representação de mundo e 19 a visão de rua. Esta tolerância é utilizada para considerar pontos que variam muito pouco. Caso contrário, pequenas variações são consideradas como pontos distintos, sobrecarregando visualmente o mapa 2 45 No caso da figura 5.4, em (a) o zoom apresenta o valor 14 e o marcador exibe oito ocorrências totais nas proximidades. Quando o zoom é aumentado para 15, em (b), a ocorrência é dividida em quatros marcadores que apresentam os valores, três, dois, dois e um respectivamente. A ferramenta permite também obter a quantidade de acidentes registrados em cada bairro do município. A figura 5.5 ilustra a o mapa de Cascavel divido em bairros e os totais encontrados para cada região. O processo decisório de qual bairro pertence cada registro de acidente depende das funções de geoprocessamento do PostGIS, invocado pelo Hibernate Spatial. O método contains da geometria compara se uma segunda geometria, informada como parâmetro, está completamente contida dentro da primeira. Desta maneira, é necessário que a ferramenta armazene os polígonos que definem os bairros de Cascavel e as utilize para decidir em qual bairro o acidente ocorreu. Durante a classificação, se uma ocorrência estiver sobre a linha de contorno do bairro, está será considerada como pertencente ao primeiro bairro que o teste do método contains seja verdadeiro. O resultado do processo, conforme ilustrado, é um único marcador centralizando o total de registros que atendem ao critério do método citado. Figura 5.5: Ocorrências agrupadas por bairros. Por exemplo, no bairro Neva foram registradas dez ocorrências no período de teste. Utilizouse polígonos com fundo preto e transparência para representar os bairros, reforçando os contor46 nos de borda. O total de ocorrências é sinalizado em um círculo com fundo diferente daqueles utilizados nos marcadores de severidade, não criando confusões visuais. A figura 5.6 apresenta o gráfico de tipos de acidente no período pesquisado. Cabe ressaltar, que neste contexto o gráfico pode ser acessado na parte superior da ferramenta através um link denominado "Gráfico de tipos de acidentes", que no sistema SIGETRANS, também pode ser gerado através do módulo de relatórios. Contudo, somente usuários cadastrados no sistema podem ter acesso ao módulo de relatórios do sistema, visto que existem informações confidenciais sobre vítimas. O objetivo deste gráfico é apresentar o tipo de acidente que mais ocorre no município. Como o caráter do gráfico é comparativo, aplica-se o modelo de colunas conforme mencionado por Leturia [38] e comentado no capítulo 4. No exemplo ilustrado, observa-se que a maior parte dos acidentes registrados ocorrem entre motocicletas e carros, sinalizado pela maior coluna, seguido por queda de moto representada pela coluna azul no canto direito. Figura 5.6: Gráfico de ocorrências divididas por tipos de acidentes. Segundo Leturia, quando a informação apresentada deve expressar proporções e o conjunto de partições não é demasiadamente grande, gráficos de pizza descrevem adequadamente os valores. O gráfico de ocorrências agrupados por dias da semana, foi representado no formato de pizza e ilustrado na figura 5.7. O uso do gráfico adequado, vinculado ao tipo de informação, dispensa descrições textuais. 47 Figura 5.7: Gráfico de ocorrências agrupadas por dias da semana. O terceiro gráfico disponibilizado apresenta, conforme ilustrado na figura 5.8, as ocorrências agrupadas em horas do dia. O gráfico de linhas consegue descrever adequadamente os picos de acidentes registrados durante o dia. O gráfico apresenta, conforme esperado, que os períodos com maiores registros são aqueles onde ocorrem deslocamento para o trabalho ou retorno para casa, tendo o ápice no horário do almoço. Figura 5.8: Gráfico de ocorrências distríbuidas por horas do dia. 48 A figura 5.9 apresenta a visão de rua do Google maps, permitindo que o usuário visualize o local da ocorrência. Apesar de estática, a imagem é 3D, permitindo que o usuário percorra as ruas e visualize a localidade do acidente, observando a sinalização, comércios e outros fatores relevantes à compreensão da ocorrência. Figura 5.9: Local do acidente com a visão de street view 5.2 Validação dos requisitos Os requisitos da ferramenta foram apresentados e descritos no capítulo 4. Diante da especificação e dos requisitos licitados, o modelo projetado foi implementado atendendo os requisitos impostos. O resultado final obtido foi a ferramenta de visualização georreferenciada para o sistema SIGETRANS e a documentação através deste trabalho. Quanto às funcionalidades, todas foram descritas nos requisitos, implementadas e testadas, utilizando dados reais, conforme apresentado na seção anterior. Quanto aos requisitos não funcionais, durante todo o projeto e implementação do módulo de visão, buscou-se a padronização de código, acoplamento e reuso de serviços, para garantir a confiabilidade do produto gerado. Buscou-se também a facilidade de utilização com base em técnicas propostas na literatura, a exemplo dos tipos de gráficos. Procurou-se também prover uma interface amigável, através da construção de ícones personalizados, legenda flutuante, barra de ferramentas, painel de opções superior e exibição dos gráficos 49 em balões que podem ser arrastados e minimizados na tela principal do mapa. A ferramenta desenvolvida agrega valores visuais baseados na metodologia de infográficos, unindo mapas, imagens e gráficos para descrever a temática de acidentes de trânsito no município de Cascavel. Relevante ao sistema SIGETRANS, o módulo de infográficos desenvolvido oferece relatórios visualmente agradáveis que permitem a fácil compreensão dos dados. Normalmente, dados são obtidos como tabelas e gráficos separados, demandando o relacionamento manual destes e sem o vinculo espacial. 50 Capítulo 6 Considerações Finais Nos capítulos anteriores, procurou-se explicitar a importância da informação em processos decisórios, que apoiado em sistemas de informação podem criar um histórico de operações, armazenando conhecimento em formato de dados. Na temática de acidentes de trânsito apresentado neste trabalho, focada a realidade do município de Cascavel e aliado ao sistema de informação geográfico SIGETRANS, apresenta-se de extrema relavância, pois como abordado no capítulo 2, trata-se de uma iniciativa maior onde diversas entidades interagem, trocando informações e conhecimentos a respeito da temática. Embora ainda não esteja implantado, o SIGETRANS necessita propiciar análises assertivas a respeito dos dados fornecidos pelos diversos colaboradores, sendo a representação de informação uma frente de trabalho emergente no sistema. Compreeende-se que o processo evolua para um módulo de BI futuramente, dado o caráter de centralização de dados do sistema, contudo, ainda trata-se de um sistema imaturo, quanto ao complemento dos dados de vítimas atendidas pelo SIATE, não justificando a especificação de uma ferramenta desta natureza neste momento. Acredita-se que com o uso do sistema e da ferramenta de visualização de dados construída neste trabalho, será possível compreender as reais necessidades de raltórios dos gestores, permitindo evoluir adequadamente o sistema. O módulo de infográficos apresenta-se como o início de um processo de apoio à gestão, que ainda tem muito a evoluir, embora já apresente um possível caminho a se trilhar no desenvolvimento do SIGETRANS. Com a conclusão do módulo de visualização georreferenciada e a implantação do SIGETRANS como sistema de notificação de acidentes de trânsito no município de Cascavel, a comunidade responsável pelos atendimentos avança nas etapas do EPP, descrito no capítulo 2, rumo aos objetivos listados no programa estratégico. Destaca-se como fator relevante a po- pulação de Cascavel, a disponibilização de um mecanismo, georreferenciado, de consulta a acidentes de trânsito, que poderá acompanhar o funcionamento do sistema SIGETRANS desde sua implantação. Quanto ao sistema SIGETRANS, o módulo desenvolvido foi agregado ao código principal, fornecendo novas funcionalidades ao sistema, por exemplo, os gráficos de linhas e barras apresentados. Quanto ao fator pesquisa, todo processo de resolução de problemas demanda pesquisa e análise. Neste trabalho buscou-se a compreensão dos conceitos de infográficos e como esta técnica, que frequentemente se aplica à mídia impressa, pode auxiliar no processo de apresentação da informação dinâmica e interativa em um sistema de informação georreferenciado. Enfim, o objetivo geral deste trabalho que visava o projeto, implementação e avaliação de uma ferramenta de visualização de dados para o SIGETRANS, utilizando conceitos e técnicas de infográficos foi atingido. Utilizou-se dos objetivos específicos para organizar uma sequência de passos lógicos que levaram à conclusão do objetivo geral. 6.1 Trabalhos Futuros A ferramenta desenvolvida trata-se da primeira versão de um mecanismo inovador ao SIGETRANS, que apresenta facilita a interpretação de informações. Nesta seção são sugeridos trabalhos futuros, indicando ao leitor necessidades e possibilidades relevantes à ferramenta. Destaca-se a necessidade, conforme já mencionado anteriormente, da análise das categorias de informações e tipos de gráficos adequados a representá-las, podendo oferecer ao usuário uma interface de seleção do tipo de gráfico que preferir ou personalizações sobre algum tipo específico. O uso de filtros específicos, como quantidade de envolvidos, tipo de veículo, cruzamentos, entre outros, para filtrar as ocorrências sobre o mapa pode ser uma funcionalidade interessante. Destaca-se também, a possibilidade de diferir usuários comuns de usuários cadastrados no SIGETRANS, permitindo criar perfis de consulta baseado no grupo de usuário, fornecendo relatórios padrões, como os já apresentados inicialmente, específicos ao interesse do usuário. Com a distinção entre usuários cadastrados e usuários comuns, talvez fosse viável a exibição de dados sobre vítimas, como nome e idade aos usuários que tivessem prioridade para isso. 52 Apêndice A Formulários Figura A.1: Formulário de cadastro do envolvido Figura A.2: Relatório de Atendimento do Socorrista (RAS) 54 Figura A.3: Boletim de Acidente de Trânsito (BAT) 55 Referências Bibliográficas [1] DETRAN PR, Departamento de Trânsito do Paraná. Consultado na INTERNET: http://www.detran.pr.gov.br/arquivos/File/estatisticasdetransito/anuario/anuario2010.pdf, em: 27/06/2012. [2] TRâNSITO Rio de Janeiro, Prefeitura do Rio de Janeiro. Consultado na INTERNET: http://www.rio.rj.gov.br/web/riotransito, em: 02/10/2012. [3] GOOGLE Maps - Camada de Trânsito. Consultado na INTERNET: https://maps.google.com.br/, em: 02/10/2012. [4] VISUAL.LY : Glass Half Empty: The Coming Water Wars. Consultado na INTERNET: http://visual.ly/glass-half-empty-coming-water-wars, em: 02/10/2012. 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