I Revisão do Plano Director Municipal de Leiria Caracterização industrial do concelho de Leiria Volume II 2003 1 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria 2 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Índice Geral: - Objectivos e metodologia - Enquadramento: - - 6 Conceitos 7 Introdução legal ao tema 9 Diagnóstico actual ( 2004 ): Demografia 12 Emprego: mercado de trabalho e tecido produtivo 12 Qualificação do emprego 18 Tecido Empresarial 18 Análise Industrial / Empresarial por freguesia ( unidade de estudo ) 21 Actividades Dominantes, dimensão e comportamento 21 Emprego por actividade Industrial predominante 25 - A industria e o Ambiente 54 - Dinâmica de Localização Industrial Concelhia 55 Mercado de Solos Análise Territorial Linhas de Orientação Conclusão - Áreas Industriais existentes e propostas: Plano em vigor / revisão 65 Metodologia de análise territorial 65 Caracterização das Áreas Industriais (de Norte para Sul do território) 65 Monte Redondo Ortigosa Regueira de Pontes Pousos Amor ( Coucinheira ) Colmeias (Areias) Barracão (Colmeias e Bidoeira de Cima) Cova das Faias Caranguejeira Barosa Maceira - Estratégia para o Plano 104 Nota Conclusiva 110 Anexos 114 3 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Índice de Figuras Figura 1 – Eixo Nordeste/Sudoeste da localização empresarial de Leiria (dominância) 55 Figura 2 – Zonas industriais e propostas na periferia da sede do concelho: Ortigosa, Regueira de Pontes, Cova das Faias, Pousos e Barosa 61 Figura 3 – Zona Industrial de Monte Redondo/Bajouca e acessibilidades – PDM em vigor 67 Figura 4 - Zona Industrial de Monte Redondo – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 68 Figura 5 – Zona Industrial de Monte Redondo – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 69 Figura 6 - Zona Industrial da Ortigosa – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 71 Figura 7 – Zona Industrial da Ortigosa – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 72 Figura 8 - Zona Industrial de Regueira de Pontes – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 74 Figura 9 – Zona Industrial de Regueira de Pontes – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 75 Figura 10 - Zona Industrial dos Pousos – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 77 Figura 11 – Zona Industrial dos Pousos – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 78 Figura 12 - Zona Industrial de Amor – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 80 Figura 13 – Zona Industrial de Amor – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 81 Figura 14 - Zona Industrial de Areias (Colmeias) – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 83 Figura 15 – Zona Industrial de Areias (Colmeias) – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 84 Figura 16 - Zona Industrial do Barracão (Colmeias/Bidoeira de Cima) – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 86 Figura 17 – Zona Industrial do Barracão (Colmeias/Bidoeira de Cima) – Estratégia Industrial Fase 2 – 4 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Proposta de Planta de Ordenamento 87 Figura 18 - Zona Industrial da Cova das Faias – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 90 Figura 19 – Zona Industrial da Cova das Faias – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 91 Figura 20 - Zona Industrial da Caranguejeira – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 93 Figura 21 – Zona Industrial da Caranguejeira – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 94 Figura 22 - Zona Industrial da Barosa e Indústria ambiental – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 97 Figura 23 – Zona Industrial da Barosa e Indústria Ambiental – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 98 Figura 24 - Zona Industrial da Maceira – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 101 Figura 25 – Zona Industrial da Maceira – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 102 5 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Índice dos Quadros: Quadro 1. Evolução dos estabelecimentos e emprego na Indústria Transformadora 13 Quadro 2. Estrutura do emprego no concelho 1991-2001 14 Quadro 3. O emprego em Leiria: 1998 15 Quadro 4. Estatística da população sob o ponto de vista económica e outros indicadores, 2001 17 Quadro 5. Empresas existentes em 1999 segundo o tipo de actividade 19 Quadro 6. População residente por sectores de actividade por freguesia, 2001 21 Quadro 7. Número de indústrias existentes, por freguesia, em 2003 e 2007 23 Quadro 8. Número de Indústrias por classe e tipo em 2003 e 2007, por freguesia 24 Quadro 9. Peso da Indústria existente por freguesia, 2003 25 Quadro 10. Indústria do concelho de Leiria, segundo a CAE, por freguesia de acordo com os dados obtidos pela listagem do Ministério da Economia, 2003 28 Quadro 11. Indústrias do concelho de Leiria, segundo o escalão de pessoal ao serviço, por freguesia,2000 54 Quadro 12. Espaços e áreas industriais em vigor e ocupação (2003) 113 6 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Objectivos e metodologia A análise do Concelho a nível industrial é um tema que já foi abordado em alguns estudos elaborados para a revisão do PDM. Este trabalho irá aprofundar a temática relativamente à indústria e sua dinâmica no Concelho, abordando as empresas industriais de acordo com a sua actividade predominante e o número de pessoas ao serviço por freguesia (este último ponto deverá ser encarado como uma amostra para o geral), as características das actuais áreas industriais do Concelho e sua funcionalidade e continuidade sob novas orientações na revisão do Plano Director Municipal. Para completar este trabalho foi elaborado um levantamento “in loco” para percebermos a ocupação industrial que se foi dando ao longo da implantação do plano desde 1995. Para a realização deste trabalho foram consultados vários trabalhos, legislação, dados de empresas por freguesia, entrevistas aos representantes das Juntas de Freguesia e a análise da taxa de ocupação dos espaços industriais definidos na Planta de Ordenamento em vigor. O trabalho é composto por uma pequena introdução, exposição de alguns conceitos importantes, uma pequena análise no patamar da nova legislação industrial e um desenvolvimento ao tema começando por fazer uma apresentação/diagnóstico do Concelho a nível demográfico e emprego e uma análise de toda a conjuntura em torno da indústria e derivados no Concelho com a finalidade de caracterizar as suas freguesias de acordo com o número de pessoas e actividades industriais predominantes, terminando por demonstrar o estado das áreas e espaços industriais existentes no actual PDM ( acessos, ocupação, enquadramento, entre outros). Para apoiar este trabalho serão apresentados gráficos demonstrativos, mapas temáticos das actividades industriais existentes e plantas de localização das áreas industriais do Concelho. 7 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Enquadramento Conceitos É importante, para melhor entender o trabalho, ter uma noção dos conceitos utilizados, pois o vocabulário pode introduzir diferentes interpretações do seu conteúdo. Assim, e depois de uma selecção do que seria necessário, escolhemos os conceitos abaixo indicados, retirados da legislação vigente relativa ao tema, do vocabulário urbanístico da Direcção Geral de Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano e outras publicações, tais como do Instituto Nacional de Estatística. Acessibilidade- Possibilidade de acesso a um lugar, ou conjunto de lugares. Caracteriza o nível de oferta em relação às infra-estruturas e serviços de transporte, constituindo importante factor na estruturação do espaço, na ponderação da localização das actividades, e na valorização da propriedade fundiária. A função acessibilidade está associada à cobertura do território pela rede viária e é tanto maior quanto maior for a permeabilidade do espaço à rede de infra-estruturas rodoviárias, particularmente, às de nível hierárquico mais baixo ( estradas municipais, estradas colectoras, de serventia, etc.). Por outro lado, a qualidade e quantidade dos meios de transporte e as características das vias de comunicação constituem factores condicionantes da acessibilidade. O conceito de acessibilidade é fundamental, particularmente no estudo e planeamento de novas periferias urbanas ainda não servidas por uma rede conveniente de transportes. Nos estudos de transportes a acessibilidade deverá constituir o indicador principal da qualidade do serviço da rede. Em termos de oferta, a acessibilidade a um determinado lugar pode ser definida pela proximidade dos pontos de paragem de transportes colectivos, pela sua frequência, pela duração e qualidade dos trajectos, ou pelo quadro de destinos possíveis. (DGOTDU – vocabulário urbanístico, 1994) Actividade industrial – Operação efectuada nos estabelecimentos industriais (definidos no anexo I do DL 204/93, de 3 de Junho), que utilize ou possa utilizar uma ou mais substâncias ou preparações perigosas susceptíveis de apresentarem riscos de acidentes industriais graves e o transporte efectuado, por razões internas, no interior dos referidos estabelecimentos e toda a armazenagem associada a esta operação no interior do estabelecimento. De acordo com o Decreto-Lei 69/2003 de 10 de Abril, a actividade industrial é entendida como sendo qualquer actividade incluída na Classificação Portuguesa das Actividades Económicas nos termos a definir em diploma regulamentar. No REAI que se encontra em vigor, “a actividade industrial é a actividade económica prevista na Classificação Portuguesa das Actividades (CAE – rev. 3), aprovada pelo DL 381/2007 de 14 de Novembro, nos termos definidos na secção 1 do anexo I ao presente DL, do qual faz parte integrante” 8 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria (D. Lei 204/93 de 3 de Junho, D. Lei 69/03 de 10 de Abril e DL 209/2008 de 29 Outubro) Zona Industrial – Espaço cuja localização é consagrada à indústria através de planos de urbanização ou planos de pormenor com utilização prevista para aquela actividade, de alvará de loteamento com fins industriais e de parques industriais. (D. Regulamentar 8/2003 de 10 de Abril – estabelece as normas disciplinadoras do exercício da actividade industrial) Estabelecimento industrial – Local onde seja exercida, principal ou acessoriamente, por conta própria ou de terceiros, qualquer actividade industrial, independentemente da sua dimensão, do número de trabalhadores, equipamento ou outros factores de produção. (DL 109/91 de 15 Março, alterado pelo DL 282/93 de 17 de Agosto). De acordo com o Decreto-Lei 69/2003 de 10 de Abril é a totalidade da área coberta e não coberta sob responsabilidade do industrial onde seja exercida uma ou mais actividades industriais, independentemente da sua dimensão, do número de trabalhadores, do equipamento ou de outros factores de produção. O DL 209/2008 de 20 Outubro define “estabelecimento industrial como a totalidade da área coberta e não coberta sob responsabilidade do industrial, que inclui as respectivas instalações industriais, onde é exercida actividade industrial, independentemente do período de tempo, da dimensão das instalações, do número de trabalhadores, do equipamento ou de outros factores de produção” (DL 109/91 de 15 Março, alterado pelo DL 282/93 de 17 de Agosto, DL. 69/2003 de 10 de Abril e 209/2008 de 20 Outubro) Infra-estruturas – A designação de infra-estruturas, transcendendo o sentido etimológico do termo, designa, na área do urbanismo, tudo aquilo que diz respeito, como complemento, ao funcionamento correcto do habitat, compreendendo nomeadamente rede viária (espaço construído destinado à circulação de pessoas e viaturas) e o estacionamento, o abastecimento de água, as redes eléctrica e telefónica, eventualmente a rede de gás, e ainda o saneamento e o escoamento das águas pluviais. (DGOTDU, vocabulário urbanístico, 2004; Portaria 1136/2001 de 25 de Setembro) Infra-estrutura viárias (T): A designação de infra-estruturas viárias integra apenas para efeitos legais (da portaria designada na fonte) a rede viária (espaço construído destinado à circulação de pessoas e viaturas) e o estacionamento. T= arruamentos + estacionamento (Portaria 1182/92 de 22 de Dezembro) Interface- Local (nó) onde o passageiro inicia ou termina o seu percurso, muda de modo de transporte ou faz conexões entre diferentes linhas do mesmo modo. 9 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria As paragens nas linhas de transportes rodoviários e as praças de táxis constituem o caso mais simples de um interface. Nelas se realiza a mudança de modo de transporte entre o peão e um transporte público. Os casos mais complexos, envolvendo vários modos de transporte e com grande importância a nível de ligações regionais e suburbanas encontram-se nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. (Direcção geral de transportes terrestres/ risco, projectistas e consultores de design, 1986) Redes de infra-estruturas – Dizem respeito aos sistemas de condutores, colectores, canais e espaços canais e seus dispositivos próprios que permitem ou facilitam a movimentação de pessoas e bens, do abastecimento e dos efluentes, da energia sob as suas diversas formas e dos transportes e comunicações (as vias rodoviárias e ferroviárias, os portos e aeroportos, as redes de abastecimento de água, as redes de esgotos e de drenagem, as condutas de gás e de petróleo, os cabos eléctricos, os cabos telefónicos e de televisão, etc.). (UTL (Universidade Técnica de Lisboa)- DGOTDU- normas urbanísticas, vol. I, 1995) Taxa de actividade – corresponde ao rácio entre a população activa entre os 16 anos e os 64 anos e a população residente para o mesmo escalão etário. (Instituto Nacional de Estatística) Introdução legal ao tema: Os diplomas que se encontram em vigor sobre o tema, são os seguintes: DL 209/2008 de 29 de Outubro DL 381/2007 de 14 de Novembro DL 183/2007 de 9 Maio DL. 69/2003 de 10 de Abril D. Regulamentar 8/03 de 11 de Abril Portaria 464/03 de 6 de Junho DL 69/00 de 3 de Maio Decreto Lei 197/03 de 27 de Agosto DL 209/2008 de 29 de Outubro Este Decreto-Lei aprova o regime de exercício da actividade industrial (REAI). Neste diploma são atribuídos graus de intensidade distintos de controlo prévio, são eliminadas fases do procedimento que se concluiu serem desnecessárias, encurtam-se os prazos de decisão e instituem-se mecanismos conducentes ao seu efectivo cumprimento. A tipologia de estabelecimentos industriais é reduzida de quatro para três tipos. Este diploma vem reforçar a articulação com outros regimes, em especial com o Regime Jurídico da Urbanização e Edificação (RJUE). 10 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria O objecto definido no art. 1º do presente decreto lei é o seguinte “… com o objectivo de prevenir os riscos e inconvenientes resultantes da exploração dos estabelecimentos industriais, visando salvaguardar a saúde pública e dos trabalhadores, a segurança de pessoas e bens, a higiene e segurança dos locais de trabalho, a qualidade do ambiente e um correcto ordenamento do território, num quadro de desenvolvimento sustentável e de responsabilidade social das empresas.” DL 381/2007 de 14 de Novembro O presente DL procede à revisão da Classificação Portuguesa de Actividade Económicas, harmonizada com as classificações de actividades da União Europeia e das Nações Unidas, a qual constitui uma estrutura indispensável ao desenvolvimento e à consolidação do sistema estatístico nacional, quer plo papel que desempenha na recolha, tratamento, publicação e análise de informação, quer pelo sentido de coerência e de unidade que confere ao sistema. Regula ainda a transição para a nova classificação de actividades económicas, assegurando à diversidade de utilizadores as condições para uma aplicação mais correcta, integrada e harmonizada dos seus princípios metodológicos e conceptuais. Revoga o DL 197/2003 de 27 de Agosto e procede à revisão três da CAE – CAE – rev3 . DL. 69/2003 de 10 de Abril: Visa aprofundar a simplificação e desburocratização de procedimentos, a adopção de processos de licenciamento mais expeditos, incluindo a criação da figura da entidade acreditada, do responsável técnico do projecto e do gestor do processo no âmbito do sistema de licenciamento, assegurando assim a adaptação às novas realidades, por forma a incrementar a qualidade e eficiência da intervenção pública neste domínio. Pretende-se dar um novo enquadramento às condições de localização dos estabelecimentos industriais e à sua autorização, atribuindo-se um novo e coerente papel ás câmaras municipais e ao actual quadro dos instrumentos de ordenamento do território para simplificação das autorizações de localização. Neste sentido, este diploma assim como o respectivo diploma regulamentar não impõe regras específicas de localização, entendendo-se que estas regras são estabelecidas pelos instrumentos de ordenamento do território e pelas entidades responsáveis pela gestão dos parques ou zonas previstas para a instalação de estabelecimentos industriais, incluindo as áreas de localização empresarial. Neste diploma abandona-se a classificação dos estabelecimentos por classes e a indexação destas à classificação das actividades económicas, bem como a classificação por classes constante no anexo III do D.R. 61/91 de 27 de Novembro, optando-se pela definição de regimes de licenciamento com diferentes graus de exigência, em função dos riscos potenciais que a actividade comporta e da aplicabilidade de legislação específica nos vários domínios do exercício da actividade industrial. Assume particular relevância, neste diploma, o princípio da abordagem integrada da protecção do ambiente, assente nas melhores técnicas disponíveis em termos energéticos e adequadas condições de segurança, 11 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria higiene e saúde no trabalho, incluindo a adopção de sistemas de gestão, enquanto ferramentas essenciais ao tratamento adequado daquelas componentes pelas empresas industriais. Pretende instituir um quadro legal que constitua um factor de adaptação das actividades industriais às mutações da envolvente empresarial para maior transparência e parceria entre a administração e os agentes económicos procurando evitar a criação de roturas no enquadramento legal em que as empresas industriais têm vindo a exercer a sua actividade, introduzindo simultaneamente no sistema mecanismos de flexibilidade que melhor permitam dar resposta às realidades do tecido industrial. Decreto Regulamentar n.º 8/2003 de 11 de Abril: Aprova o Regulamento do Licenciamento da Actividade Industrial – RELAI . Visa a simplificação e desburocratização dos procedimentos enquanto factor de competitividade da economia nacional. Pretende estabelecer o novo regime de licenciamento onde os estabelecimentos industriais são classificados de tipo 1 a 4. Esta é uma classificação definida por ordem decrescente do grau de risco potencial para a pessoa humana e para o ambiente inerente ao seu exercício. Os indicadores são: o número de trabalhadores, a potência eléctrica e a potência térmica. Portaria n.º 464/2003 de 6 de Junho: Estabelece um novo regime legal para o exercício da actividade industrial, revogando a portaria n.º 744-B/93, de 18 de Agosto. Identifica a tipologia dos estabelecimentos industriais para efeitos da definição do respectivo regime de licenciamento de acordo com o definido no DL 69/2003 de 10 de Abril, assim como a identificação da entidade coordenadora do processo de licenciamento industrial. Decreto-Lei n.º 69/2000 de 3 de Maio: Estabelece o regime jurídico da avaliação do impacte ambiental dos projectos públicos e privados susceptíveis de produzirem efeitos significativos no ambiente. A avaliação de impacte ambiental é um instrumento preventivo fundamental da política do ambiente e do ordenamento do território, e como tal reconhecido na Lei de Bases do Ambiente, Lei n.º 11/87, de 7 de Abril. Constitui, pois, uma forma privilegiada de promover o desenvolvimento sustentável, pela gestão equilibrada dos recursos naturais, assegurando a protecção da qualidade do ambiente e, assim, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida do Homem. DL 197/03 de 27 de Agosto: Altera a CAE – REV 2 (DL. 182/93 de 14 de Maio). Surge no sentido de publicar uma nova Classificação das Actividades Económicas, de forma a permanecer em sintonia com os desenvolvimentos tecnológicos e económicos que foram ocorrendo ao longo do tempo, assim como acompanhando a situação ao nível comunitário possuindo assim melhores dados estatísticos e comparáveis no mercado europeu comum. Surgiu assim a CAE – REV – 2.1 que vem substituir a CAE – REV 12 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria 2 anexa ao DL 182/93 de 14 de Maio. 13 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Diagnóstico actual: Demografia A variação populacional no Concelho de Leiria entre 1991 e 2001 foi de 16%. Assistimos a um grande reforço da densidade populacional nas freguesias urbanas e áreas próximas aos principais eixos viários e que correspondem a grandes concentrações industriais. Fenómeno continuado de crescimento populacional. A estrutura etária da população mantém-se jovem expansão de oferta de mão de obra Optimismo na instalação de empresas. Entre 1995 e 1998 distingue-se claramente a primazia da indústria transformadora com um peso de 40.8% no panorama do emprego concelhio. Variação entre 95/98, na Indústria Transformadora é de 8,5% Variação entre 95/98 na construção é de 58.6% Variação entre 95/98 nas actividades imobiliárias é de 78.5% Variação entre 95/98 na educação é de 54.1% Esta conjuntura é explicada pela forte expansão demográfica, aumento ao nível do edificado e maior procura de equipamentos. A Indústria Transformadora é o principal receptor de mão de obra, no entanto, constatamos a redução da sua importância no volume de emprego no Concelho, perdendo importância face ao sector de serviços, em ascensão. Emprego: Mercado de trabalho e tecido produtivo: Entre 1995 e 1998 deu-se um aumento de 4107 postos de trabalho, o que equivale a um aumento de 16,4% da capacidade empregadora do tecido empresarial Reafirmando a forte capacidade de atracção de investimento empresarial justificando os saldos migratórios largamente superavitários que se registaram nos últimos 10 anos. Pela análise dos diferentes sectores da indústria transformadora podemos perceber que os sectores de fabrico de produtos minerais não metálicos, indústrias alimentares, indústria da madeira e indústria têxtil, que em 1995 representavam cerca de 52% do volume da indústria transformadora, em 1998 reduziram a sua capacidade empregadora passando a representar 43.5% dos trabalhadores da indústria transformadora ( quadro 1 ). 14 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Diminuição compensada pelo aumento da capacidade empregadora dos sectores de fabrico de equipamentos eléctricos (35.3%), indústrias metalúrgicas (28.8%), fabricação de máquinas e equipamentos (27.5%) e outras não especificadas (26.8%), verificando-se um aumento médio de 1.3% de mão de obra empregada na indústria transformadora, entre 1995 e 1998. Quadro 1. Evolução recente de estabelecimentos e emprego na Indústria Transformadora. Estabelecimentos Emprego Peso da Total Actividade Peso da actividade Var. (%) 98 95-98 Total 95 98 95 95 Alimentares 63 79 9,7 10,2 DB - Indústria Têxtil 48 46 7,4 5,9 -4,2 952 2 1 0,3 0,1 -50 11 86 97 13,2 12,5 15 28 2,3 3,6 86,7 344 18 21 2,8 2,7 16,7 272 71 78 10,9 78 85 115 actividade Var. (%) 98 95 98 95-98 25,4 1415 1251 13,0 11,4 -11,6 922 8,8 8,4 -3,2 ... 0,1 ... ... 12,8 1120 1075 10,3 9,8 -4 409 3,2 3,7 18,9 285 2,5 2,6 4,8 10,1 9,9 1938 2151 17,8 19,5 11 12,0 11,0 9 2165 1530 19,9 13,9 -29,3 156 17,7 20,2 35,7 884 1139 8,1 10,3 28,8 79 106 12,2 13,7 34,2 1014 1293 9,3 11,7 27,5 15 13 2,3 1,7 -13,3 85 115 0,8 1,0 35,3 DM - Fab. m. transp. 6 7 0,9 0,9 16,7 33 39 0,3 0,4 18,2 DN – Ind. transf. n.e. 54 57 8,3 7,4 5,6 630 799 5,8 7,3 26,8 650 774 100,0 100,0 19,1 10863 11008 100,0 100,0 1,3 DA - Ind. DC - Ind. Couro e p.c. DD - Ind. madeira DE - Ind. pasta p. imp. DG - Fab. p. químicos DH - Fab. p. borracha DI - Fab.o. p. min.n.m DJ - Ind. metalúrgica. DK - Fab. máq. e eq. DL - Fab. e. eléctrico TOTAL Fonte: MTS, Quadros de pessoal, 1995 e 1998 Assim, verifica-se uma alteração estrutural da capacidade empregadora da indústria que vê os sectores que tradicionalmente empregavam maior número de pessoas a perderem peso no volume de emprego. Este fenómeno aponta para uma diversificação dos sectores de actividade da indústria transformadora. Demonstrando deste modo uma maior tendência para a redução da dependência de um núcleo restrito de 15 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria sectores e uma capacidade de diversificação e de resposta a alterações estruturais do mercado e das vantagens competitivas associadas aos distintos sectores industriais. No Concelho de Leiria, registam-se baixos níveis de desemprego, havendo uma grande dificuldade de recrutamento de todo o tipo de mão de obra, desde os indiferenciados aos mais especializados. Este quadro tem levado as empresas a formar internamente os recursos humanos que não conseguem obter no mercado em condições atractivas, particularmente grandes empresas e de sectores que impõem maior exigência ao nível da qualidade, tempos de entrega e nível tecnológico dos equipamentos. Este quadro vai obrigar as empresas a: • Apostar na formação continua dos trabalhadores da empresa e por ela especializados e formados; • Apostar na modernização, especialização dos trabalhadores e na renovação tecnológica; • Apostar nas produções de maior valor acrescentado. Para o exterior, a imagem do perfil / peso Industrial do Concelho de Leiria é justificado e demonstrado pelos seguintes valores: 1. Em 1991 – cerca de 46.3% da população está ocupada no sector secundário. 2. Em 2001 – cerca de 41,3% da população economicamente activa encontrava-se concentrada em actividades como a indústria extractiva, indústria transformadora e electricidade, gás e água, de acordo com o quadro abaixo indicado. Assiste-se a uma grande progressão do sector terciário, aliado ao facto de o Concelho concentrar um leque alargado de funções e órgãos desconcentrados do aparelho regular do estado, alargando-se sobretudo a duas novas áreas: Serviços pessoais e de natureza social e Serviços de apoio à actividade económica. Quadro 2. Estrutura do emprego no Concelho em 1991 e 2001 Sectores de N.º população N.º população Peso relativo Peso relativo actividade activa 91 activa 01 1991(%) 2001(%) Sector I 2697 1728 6.2 3.0 Sector II 20278 23789 46.3 41.3 Sector III 20862 32045 47.6 55.7 Total 43837 57562 100 100 Fonte: Recenseamento geral da População, INE, Coimbra; Gabinete de SIG e PDM De acordo com o quadro acima indicado o sector primário continua a decrescer ao longo dos anos, o peso relativo entre 1991 e 2001 passou de 6.2% para 3.0%. O sector Secundário (que inclui a indústria transformadora), decresceu entre 1991 e 2001, engrossando os activos a trabalhar para o sector terciário, que passou de um peso relativo de 47.6% para 55.7%. Na realidade, 16 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria o sector dos serviços e comércio tem vindo a apresentar um acréscimo e a assumir maior peso no Concelho – não esquecer que Leiria é sede de distrito e por isso já conjuga serviços de grande importância. “A indústria é um sector com grande dinâmica, apesar da emergência de um terciário de apoio aos indivíduos e ao sector económico “ (Plano de Desenvolvimento Económico, Revisão do Plano Director de Leiria, Agosto 2001) Quadro 3. O emprego em Leiria: 1998 n.º de trabalhadores peso da actividade % Agricultura, caça e pesca 550 1.9 Indústria extractiva 202 0.7 Indústria Transformadora 11813 40.7 Comércio, G. e Restauração 7270 24.9 Transportes, armazéns e comunicações 1028 3.5 Actividades imobiliárias 1330 4.6 Educação 783 2.7 Fonte: MTS, Quadros de pessoal, 1995 e 1998 No sector secundário, os comportamentos empregadores das diversas actividades encontram uma larga diversidade decorrentes do processo de reestruturação mais ou menos intensos com impactes naturais da necessidade de postos de trabalho de especialização nas seguintes actividades: - produtos minerais não metálicos (plásticos, borracha e cerâmica) e os produtos metálicos (moldes) globalmente assistem a uma dilatação da sua capacidade de acolher novos postos de trabalho. - Com dificuldade de reter emprego estão as indústrias ligadas à cerâmica, madeira, cortiça e indústria alimentar, não significando que tenham menor desempenho económico, dado que a reestruturação económica tem seguido sistematicamente a via de introdução de mais tecnologia, exigindo emprego mais qualificado mas também a eliminação de postos de trabalho, reduzindo o número de trabalhadores. - Construção, comércio e alojamento e restauração garantem 40.7% do emprego em 1998 – apresentando grandes dinâmicas de crescimento para o panorama concelhio. Apesar de uma mão de obra indisciplinada e com elevados níveis de absentismo, as entidades e empresas manifestam-se satisfeitos em relação à capacidade de trabalho e de compromisso do trabalhador local. As freguesias com maior facilidade para recrutar trabalhadores são aquelas onde se verifica uma menor concentração empresarial e onde as pessoas se vêem obrigadas a deslocar-se diariamente para outras freguesias e até outro concelho. Sempre com a disposição de mudar de trabalho por forma a reduzirem as deslocações diárias. 17 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Dadas as dificuldades de recrutamento e a relativa facilidade com que os trabalhadores conseguem arranjar trabalho, as empresas com necessidades de deslocalização têm grande aversão à possibilidade de mudarem as instalações para áreas distantes à sua localização actual, uma vez que implicaria a perda de trabalhadores, que ao manifestarem uma clara preferência por trabalhar perto dos aglomerados populacionais em que têm estabelecida a sua residência, prefeririam mudar de entidade patronal de modo a não aumentarem as distâncias das deslocações casa – trabalho. Este importante indicador manifesta-se na estratégia de localização de pequenas áreas industriais perto dos perímetros urbanos considerados relevantes. Por análise do plano em vigor foi difícil deslocalizar empresas, que ao nível do ordenamento do território seria pertinente fazê-lo: ou por custos ou por recrutamento de mãode-obra não houve, por iniciativa privada ou pelo Município, força para implementar deslocalizações para áreas industriais próximas. 18 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria LEIRIA HM População Economicamente Activa H M HM População Desempregada H M HM H M Actividades mal definidas População Economicamente Activa e Empregada Taxa de Actividade em 1991 Taxa de Actividade em 2001 Taxa de Desemprego 2001 60407 33355 27052 2234 791 1443 58173 32564 25609 1777 Agricultura, Silvicultura, Caça e Pesca/ Ind. Extractivas/ Ind. Transformadoras/Electricidade, Gás e Água 24065 Construção e Obras Públicas/ Comércio por grosso e Retalho. Restaurantes e Hotéis/Transportes, Armazenagem e Comunicações/Bancos e Outras Instituições Financeiras ( Seguros, Operações sobre Imóveis e Serviços Prestados às Empresas) 32331 Actividades relacionadas com: Construção e Obras Públicas/ Comércio por grosso e Retalho. Restaurantes e Hotéis/Transportes, Armazenagem e Comunicações/Bancos e Outras Instituições Financeiras ( Seguros, Operações sobre Imóveis e Serviços Prestados às Empresas HM H M HM H M HM H M 19648 44.20% 55.40% 33.60% 50.40% 57% 44.10% 3.70% 2.40% 5.30% N.º de Empresas em Agosto de 2000 ( Fonte: Segurança Social de Leiria) 5340 Quadro 4. Estatística da população sob o ponto de vista económica e outros indicadores, 2001 Fonte: INE - Censos 2001- Resultados Definitivos 19 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Qualificação do emprego A valorização do potencial humano é uma prioridade nacional que merece no Concelho de Leiria uma atenção particular, uma vez que, a percentagem de profissionais semi-qualificados ou não qualificados a exercer actividade é superior à média do continente, já de si elevada. Recursos humanos qualificados e habilitados apresentam-se como uma mais valia para o arranque e sustentação de processos de desenvolvimento, do mesmo modo que uma mão de obra pouco qualificada e pouco habilitada constitui uma séria dificuldade a ultrapassar. Apenas um quinto dos empregados no Concelho de Leiria registam habilitações escolares acima do ensino básico adoptado em Portugal (9º ano), o que pode produzir limitações naturais a um maior grau de complexidade das tarefas a desempenhar. No Concelho de Leiria encontramos a seguinte situação: • Cerca de 60% dos quadros superiores empregados no Concelho concentram-se no sector D – indústria transformadora e o sector G – comércio grossista e retalhista. Se incluíssemos o sector F – construção, este valor passaria praticamente para 75%. • O contributo dos sectores D, G e F para a fixação e qualificação dos recursos humanos no Concelho, a indústria transformadora apresenta 9.1% dos quadros superiores na estrutura de emprego sectorial, o que comparado com os 14% da construção ou dos 15% do comércio a remete para níveis de qualificação bastante inferiores, mesmo abaixo da média concelhia (12.5%). • No extremo da qualificação profissional, onde se integram os profissionais semi-qualificados, não qualificados, os praticantes e aprendizes, a indústria transformadora concentrava cerca de 42% do total destes trabalhadores. Tecido Empresarial A estrutura produtiva do Concelho apresenta um número razoável de actividades económicas indutoras de alguma diversificação do tecido produtivo. Mas se analisarmos o grau de industrialização medido pelo número de estabelecimentos e empregos, verifica-se que ambos os indicadores são mais elevados no Concelho do que na região e no país, o que aponta para uma forte especialização nas actividades industriais. 20 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Quadro 5. Empresas existentes em 1999, segundo o tipo de actividade Portugal Centro n.º % n.º % Pinhal Litoral n.º % Leiria n.º % NI 30035 2,6 5395 2,7 810 2,4 344 2,2 A+B 91505 8,0 21738 10,9 2764 8,3 1153 7,5 C 2201 0,2 582 0,3 182 0,5 28 0,2 D 120807 10,6 20581 10,3 4149 12,4 1918 12,5 E 322 0,0 56 0,0 7 0,0 5 0,0 F 179794 15,8 37548 18,9 6426 19,2 2766 18,0 G 397359 34,8 66859 33,6 11220 33,5 5338 34,7 H 95372 8,4 15460 7,8 2303 6,9 1087 7,1 I 27302 2,4 4268 2,1 728 2,2 280 1,8 J 37724 3,3 5884 3,0 1008 3,0 553 3,6 K 105106 9,2 12739 6,4 2709 8,1 1358 8,8 LaQ 53208 4,7 7938 4,0 1152 3,4 565 3,7 Total 1140735 100,0 199048 100,0 33458 100,0 15395 100,0 Fonte: INE, Anuário Estatístico da Região Centro, 1999 A+B C D E F G H AGRIC.,PROD.ANIMAL,CACA,SILV., PESCA INDÚSTRIAS EXTRACTIVAS INDÚSTRIAS TRANSFORMADORAS PROD.,DISTRIB.,ELECT,GAS,AGUA CONSTRUCAO COMERCIO GROSSO E RETALHO ALOJ.,RESTAURACAO (REST.SIMIL) I J K M N O TRANSP., ARMAZ., COMUNICACOES ACTIVIDADES FINANCEIRAS ACT.IMOB.,ALUG.SERV.PREST.EMP EDUCACAO SAUDE E ACCAO SOCIAL OUT.ACT.SERV.COLECT.SOC.PESS. O parque empresarial de Leiria concentrava em 1999, 46% do universo do Pinhal Litoral e cerca de 8% da Região Centro, demonstrando, assim a importância estratégica da iniciativa privada localizada neste território. Assumem grande importância os sectores da indústria transformadora (D) e das actividades financeiras (J). Breve análise por sectores de actividade: Sector A+B - AGRIC.,PROD.ANIMAL,CACA,SILV., PESCA: Leiria apresenta um valor inferior (7.5%), comparativamente à Região Centro, ao Pinhal Litoral e a Portugal. Sector C - INDÚSTRIAS EXTRACTIVAS: Leiria apresenta um valor igual a Portugal (0.2%), mas inferior à Região Centro e ao Pinhal Litoral. Sector D - INDÚSTRIAS TRANSFORMADORAS: Leiria apresenta valor superior (12.5%) a todas as outras regiões analisadas. Sector F – Construção: Leiria apresenta valor (18.0%) superior ao valor nacional mas inferior ao Pinhal Litoral e à Região Centro. Sector G - COMÉRCIO GROSSO E RETALHO: Leiria apresenta um valor (34.7%) muito próximo de Portugal mas superior às outras regiões em estudo. 21 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Em 2001, de acordo com o anuário publicado pelo INE, podemos concluir que as empresas sediadas no Pinhal Litoral representam 3.13% das existentes em Portugal. As empresas sediadas em Leiria ( 4802 ) representam 49.7% das existentes na NUT III – Pinhal Litoral ( 9665). No que se refere a Portugal, Leiria aparece como um Concelho quase insignificante, representando as empresas existentes, 1.56% relativamente ao território nacional. 22 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Análise Industrial / Empresarial por Freguesia ( unidade de estudo ) Actividades dominantes, dimensão e comportamento Depois de um diagnóstico do tecido empresarial do Concelho de Leiria e das linhas de orientação a seguir nesta revisão do Plano Director Municipal. Elaboramos uma análise mais detalhada das características do tecido empresarial por freguesias, sem antes fazer uma análise muito breve acerca da distribuição da população por sectores de actividade em 2001 e por freguesia. Quadro 6. População residente por sectores de actividade, por freguesia, 2001 Freguesias S/actividade Sector Primário Sector Secundário Sector Terciário económica Amor 83 Arrabal 13 Azoia 40 Barosa 10 Barreira 52 Boa Vista 46 Caranguejeira 110 Carvide 31 Coimbrão 54 Colmeias 213 Cortes 32 Maceira 50 Marrazes 14 Milagres 74 Monte Real 45 Monte Redondo 86 Ortigosa 54 Parceiros 5 Pousos 11 Regueira de Pontes 55 Santa Catarina Serra 50 Santa Eufémia 35 Souto da Carpalhosa 178 Bajouca 75 Bidoeira de Cima 85 Memória 19 Carreira 45 Chainça 15 Zona urbana Cidade Leiria 148 Total 1728 1175 537 466 324 388 373 1387 700 436 843 597 2992 60 602 472 829 377 381 454 463 876 494 852 482 435 153 288 191 6162 23789 973 561 612 480 535 489 1010 489 319 674 791 1542 95 693 825 731 397 508 614 601 811 581 710 325 422 103 275 167 15712 32045 2338 1141 1132 849 965 979 2803 1586 1100 1913 1542 5181 219 1547 1399 1860 899 787 1130 1076 1957 1248 2121 1112 1121 605 698 444 19053 58805 Fonte: XIV Recenseamento Geral da População, 2001 - INE Em 2001, da população activa existente no Concelho de Leiria, cerca de 1728 pessoas trabalhavam no sector primário, 23789 pessoas trabalhavam o sector secundário, enquanto 32045 têm a sua actividade inserida no sector terciário. 23 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria O que ressalta da leitura do quadro acima indicado é o facto de ser a zona urbana da cidade de Leiria que possui um maior número de população a trabalhar para o sector secundário e terciário (6162 e 15712, respectivamente). Maceira, Caranguejeira e Amor distinguem-se das restantes freguesias apresentando valores de população residente integrados no sector secundário superiores a 1000 habitantes (Caranguejeira ultrapassa as 2000 pessoas). Se analisarmos o sector terciário o panorama é o mesmo, as freguesias que se distinguem são as mesmas mas com quantitativos populacionais inferiores. É o sector terciário que assume a primazia sobre os outros com um peso relativo de 26.73% no Concelho seguida, do sector secundário (19.85%) e por fim o sector primário em decadência e de importância muito reduzida. A listagem abaixo indicada data de Agosto de 2003, apresenta a classe das indústrias por freguesia e iremos debruçar-nos pouco sobre ela, dado que pelo facto da legislação ter mudado e optar por tipificar as indústrias, irá ser apresentada uma listagem disponibilizada pelo Ministério da Economia em 2007 e que já considera as indústrias segundo o Tipo.. 24 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Quadro 7.Número de indústrias existentes por freguesia, em 2003 e 2007 freguesias n.º de indústrias 2003 AMOR ARRABAL AZOIA BAJOUCA BAROSA BARREIRA BIDOEIRA DE CIMA BOA VISTA CARANGUEJEIRA CARREIRA CARVIDE CHAINÇA COIMBRÃO COLMEIAS CORTES LEIRIA MACEIRA MARRAZES MEMÓRIA MILAGRES MONTE REAL MONTE REDONDO ORTIGOSA PARCEIROS POUSOS REGUEIRA DE PONTES SANTA CATARINA DA SERRA SANTA EUFÉMIA SOUTO DA CARPALHOSA 40 49 32 13 61 21 22 23 69 2 25 2007 45 43 29 12 64 18 24 17 61 3 24 19 106 48 96 220 173 3 24 20 46 20 51 75 59 61 29 44 16 71 38 95 202 154 3 22 17 45 20 38 65 65 50 26 33 TOTAL 1451 1300 Fonte: Ministério da Economia (ME) 25 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Quadro 8. Número de Indústrias por classe e tipo em 2003 e 2007, por freguesia 2003 2007 Classe Freguesias AMOR ARRABAL AZOIA BAJOUCA BAROSA BARREIRA BIDOEIRA DE CIMA BOA VISTA CARANGUEJEIRA CARREIRA CARVIDE CHAINÇA COIMBRÃO COLMEIAS CORTES LEIRIA MACEIRA MARRAZES MEMÓRIA MILAGRES MONTE REAL MONTE REDONDO ORTIGOSA PARCEIROS POUSOS REGUEIRA DE PONTES SANTA CATARINA DA SERRA SANTA EUFÉMIA SOUTO DA CARPALHOSA A TOTAL 3 1 1 1 Tipos B C D 2 5 6 19 1 13 2 10 8 3 23 1 5 9 5 3 26 5 5 10 1 2 13 5 5 24 22 6 27 12 13 78 55 4 1 2 2 4 2 3 12 8 4 2 8 5 6 11 8 20 27 29 20 8 10 1 3 2 1 5 1 2 1 14 4 161 444 49 Outra 18 29 16 13 29 13 22 11 33 2 9 0 7 64 31 64 113 95 3 16 9 29 9 23 35 20 36 19 26 794 Fonte :Ministério da Economia (ME) 26 1 2 3 6 5 4 13 8 1 3 3 3 6 2 15 3 3 18 12 13 7 35 6 12 8 29 2 10 6 Outra 10 17 10 2 19 7 6 3 14 1 5 2 5 2 1 9 3 3 20 26 9 27 13 34 70 70 2 2 5 3 5 10 12 4 6 5 4 15 10 15 27 28 20 10 10 3 12 8 14 41 22 2 6 5 7 4 10 14 9 14 2 7 3 20 14 44 65 33 1 9 5 17 3 8 14 16 12 14 10 138 519 240 382 2 3 3 3 3 1 1 15 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Quadro 9. Peso da indústria existente por freguesia, 2003 Freguesias AMOR ARRABAL AZOIA BAJOUCA BAROSA BARREIRA BIDOEIRA BOA VISTA CARANGUEJEIRA CARREIRA CARVIDE CHAINÇA COIMBRÃO COLMEIAS CORTES LEIRIA MACEIRA MARRAZES MEMÓRIA MILAGRES MONTE REAL MONTE REDONDO ORTIGOSA PARCEIROS POUSOS REGUEIRA DE PONTES SANTA CATARINA DA SERRA SANTA EUFÉMIA SOUTO DA CARPALHOSA TOTAL % de indústrias relativamente ao total concelhio 2.76 3.38 2.21 0.90 4.20 1.45 1.52 1.59 4.76 0.14 1.72 1.31 7.31 3.31 6.62 15.16 11.92 0.21 1.65 1.38 3.17 1.38 3.51 5.17 4.07 4.20 2.00 3.03 100 Fonte: Gabinete do PDM, Câmara Municipal de Leiria, 2004 As freguesias da Maceira e Marrazes são as que se distinguem no concelho pelo número de estabelecimentos industriais que possuem, representam 15.16% e 11.92% do total, respectivamente. Também se distinguem, mas com valores entre 5% e 10% as freguesias de Colmeias, Pousos e Leiria. Com zero valores percentuais surge Chaínça, uma freguesia dedicada a outras actividades e com a maioria da sua população a laborar fora da freguesia e na agricultura. Aquando a contagem dos estabelecimentos industriais em 2003 e pela antiga legislação, o Concelho de Leiria possuía apenas três unidades industriais de classe A, nas freguesias de Maceira, Marrazes e Colmeias. As duas primeiras freguesias ainda se distinguem no Concelho por possuírem o maior número de indústrias de classe B e C. Na classe D são as freguesias de Caranguejeira, Leiria e Parceiros que se evidenciam apresentando valores percentuais de, 10.20%, 28.57% e 10.20%, respectivamente. 27 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Emprego por actividade industrial predominante Como já foi referido noutro ponto do trabalho, relativamente à indústria transformadora, verifica-se um acréscimo do emprego (entre 1995 e 1998), dos sectores de fabrico de equipamentos eléctricos (35.3%); indústrias metalúrgicas (28,8%); fabricação de máquinas e equipamentos (27,5%) e de indústrias transformadoras não especificadas (26,8%). O número de estabelecimentos sofreu uma variação positiva e mais significativa nos sectores da indústria alimentar, na indústria de pasta e papel, fabricação de químicos, indústrias metalúrgicas e fabricação de máquinas e equipamentos, entre 1995 e 1998. Ao equilíbrio da base económica deve acrescentar-se outra particularidade relacionada com a dimensão dos estabelecimentos, verificando-se que metade das empresas industriais em 1998 possuíam apenas até 9 empregados. Perante um quadro empresarial dominado pelas micro e pequenas empresas torna-se necessário equacionar estratégias e dispositivos de apoio ao desenvolvimento das organizações desta natureza designadamente nas disponibilidades em espaços qualificados, serviços de apoio e complementos formativos (esforços que o NERLEI tem desenvolvido com forte empenho) que só por si não poderiam assegurar. Para abordar este tema por freguesias, foi muito complicado obter informação, no entanto, no âmbito de um trabalho anterior realizado no gabinete do PDM, existia um quadro com alguns dados interessantes e que permitiu, com uma margem de erro razoável, caracterizar a dimensão dos estabelecimentos industriais por freguesia. Devemos encarar este método como uma mera amostra do panorama concelhio, a origem da fonte é desconhecida, mas possui informação do INE (Instituto Nacional de Estatística) e caracteriza não só o Concelho de Leiria como os Concelho que constituem a Associação de Municípios da Alta Estremadura (AMAE), no que se refere à localidade e designação dos estabelecimentos industriais, actividade (segundo o CAE – Revisão 1), o escalão de pessoal ao serviço e o volume de vendas. A tendência observada para Leiria é a de micro e pequenas empresas, destacando-se aquelas com o número de pessoas ao serviço entre 1 a 19 trabalhadores, representando 65.5% do total analisado. As empresas que possuem entre 1 a 4 pessoas ao serviço representam 24.4% e 22.3% são empresas com mais de 5 e menos de 10 pessoas ao serviço. As indústrias que possuem entre 10 a 19 pessoas aos serviço representam 18.9% do total considerado como amostra. As freguesias que se apresentam mais fortes (no que se refere ao número de empresas, segundo o número de trabalhadores ao serviço) são: Leiria, Maceira, Marrazes e Pousos, não significando que sejam as que possuam as empresas mais importantes. De referir, que existem apenas 6 empresas que possuem entre 200 a 499 pessoas ao serviço e encontram-se distribuídas por 5 freguesias: Colmeias (1), Leiria (1), Marrazes (2), Parceiros(1) e Pousos (1). 28 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Também será abordado quais as actividades mais importantes do Concelho, análise elaborada com base nos dados enviados pelo Ministério da Economia, em Agosto de 2003, dos quais tiramos algumas conclusões que vale a pena serem partilhadas (ver quadro 9). Foi feita uma análise da classificação da actividade industrial por freguesia seguindo a Classificação das Actividades Económicas (CAE) – revisão 2.1, para vermos qual era o tipo de actividade predominante em cada freguesia e qual a tendência dos diferentes quadrantes do Concelho. Iremos considerar existir especialização se uma actividade industrial ultrapassar os 50% de existência. A análise permitiu-nos, assim, as seguintes conclusões, também apoiadas por mapas temáticos por actividade apresentados em anexo e gráficos: 29 Quadro 10. Industrias do concelho de Leiria, segundo a CAE, por freguesia de acordo com os dados obtidos pela listagem do Ministério da economia de Agosto de 2003 CAE - REV 2 1011 12 13 14 15 Amor 12 Arrabal 18 16 17 18 19 1 20 21 22 4 4 Bajouca 2 Barosa* 2 Barreira* 9 Bidoeira de Cima 3 Boa Vista 9 2 22 23 Carreira 1 Carvide* 7 24 7 5 Azoia Caranguejeira 23 1 1 2 1 1 1 2 25 26 27 28 29 2 1 4 3 1 3 7 1 7 3 1 5 2 1 12 5 10 2 1 2 2 1 1 30 31 32 33 34 35 2 13 1 1 36 37Total 5 35 2 41 2 24 1 10 1 1 6 8 1 18 1 6 2 20 6 6 5 1 64 1 6 1 2 1 2 4 1 22 Chainça 0 Coimbrão 6 Colmeias 18 Cortes 21 Leiria** 41 Maceira 6 1 1 2 1 31 4 11 2 22 1 1 5 Monte Real 5 3 Monte Redondo 9 12 1 4 7 6 1 9 1 17 9 Souto da Carpalhosa 8 0 0 0 0 1 316 1 14 2 2 7 2 2 7 7 3 16 20 1 32 48 7 27 12 2 15 12 1 1 1 1 14 1 2 3 1 1 38 79 10 9 177 1 7 1 1 4 5 3 1 6 1 7 8 1 2 5 6 1 16 1 5 2 10 0 5 37 4 172 1 4 1 4 14 30 1 4 153 2 6 1 61 1 1 10 Santa Eufémia 12 3 6 5 Pousos*** Regueira de Pontes Santa Catarina da Serra 4 3 5 6 7 Milagres Parceiros*** 1 6 Memória Ortigosa 1 9 3 28 Marrazes*** Total 51 17 19 3 15 1 35 3 19 6 4 6 11 11 7 10 3 4 1 3 11 1 1 1 5 40 5 6 69 50 4 58 1 3 1 4 27 5 3 1 2 29 21 110 120 3 181 112 1 7 0 1 5 1 70 3 1189 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria 10 - Extracção de Hulha, linhite e turfa 11 - Extracção de petróleo bruto, gás natural e actividades dos serviços relacionados, excepto a prospecção 12 - Extracção e preparação de minérios de urânio e tório 13 - Extracção e preparação de minérios metálicos 14 - Outras industrias extractivas 15 - Industrias alimentares e das bebidas 16 - Industria do tabaco 17 - Fabricação de têxteis 18 - Industria do vestuário; preparação, tingimento e fabricação de artigos de pele com pêlo 19 - Curtimenta e acabamento de peles sem pêlo; fabricação de artigos de viagem 20 - Industrias da madeira e da cortiça e suas obras, excepto mobiliário 21 - Fabricação de pasta, de papel e cartão e seus artigos 22 - Edição, impressão e reprodução de suportes de informação gravados 23 - Fabricação de coque, produtos petrolíferos refinados e tratamento de combustível nuclear 24 - Fabricação de produtos quimicos 25 - Fabricação de artigos de borracha e de matérias plásticas 26 - Fabricação de outros produtos minerais não metálicos 27 - Industrias metalúrgicas de base 28 - Fabricação de produtos metálicos, excepto máquinas e equipamento 29 - Fabricação de máquinas e de equipamentos, n.e. 30 - Fabricação de máquinas de escritório e de equipamento para o tratamento automático 31 - Fabricação de máquinas e aparelhos eléctricos, n.e. 32 - Fabricação de equipamento e de aparelhos de rádio, televisão e comunicação 33 - Fabricação de aparelhos e instrumentos médico-cirúrgicos, ortopédicos, de precisão, de óptica e de relojoaria 34 - Fabricação de veiculos automóveis, reboques e semi-reboques 35 - Fabricação de outro material de transporte 36 - Fabricação de mobiliário; outras industrias transformadoras 37 - Reciclagem * tem unidades sem indicação da CAEP - REV 2 31 Caracterização Industrial por freguesia Amor: Actividades industriais Na freguesia de Amor, do total de indústrias existentes, 34.3% são indústrias alimentares. As restantes distribuem-se por outras actividades, distinguindo-se entre elas, com um peso de 20%, as indústrias da madeira e da cortiça, e os estabelecimentos ligados á fabricação de mobiliário que representavam 14.3%. Este comportamento deixa antever uma certa predominância de estabelecimentos ligados à indústria da Madeira e seus derivados.(ver quadro 9). Dimensão dos estabelecimentos industriais Nesta freguesia predominam as empresas que possuem entre 5 a 9 trabalhadores (6 empresas), constituindo 46.2% do total existente. Este facto demonstra que as empresas terão um carácter muito familiar e ainda podem estar a funcionar de modo artesanal. Também, não podemos esquecer que nesta freguesia predominam as indústrias alimentares, indústrias que exigem uma mão de obra especializada quando nos referimos à pastelaria e fabrico de doces regionais. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao seviço - Amor 8% 23% 23% 1-Igual a 0 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 7-De 40 a 49 46% Arrabal: Actividades industriais Na freguesia do Arrabal, do total das indústrias existentes, são as indústrias alimentares que se destacam, representando 43,9%. Cerca de 17,1% das empresas pertencem à indústria metalúrgica, as restantes distribuem-se por outras actividades económicas como a indústria do vestuário (12,2%) e outras com menor peso na freguesia. Há uma forte concentração, especialmente, de empresas ligadas às indústrias alimentares, de acordo com o valor apresentado. Dimensão dos estabelecimentos industriais Na freguesia do Arrabal, 31.6% do total das empresas existentes, possuem entre 1 a 4 trabalhadores. Ao mesmo tempo, que as indústrias com 50 a 199 trabalhadores representam 31.6%. Como se pode analisar no gráfico abaixo 33 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria apresentado, o valor refere-se ao total das empresas com 50 a 99 pessoas ao serviço (15%) e ao escalão com 100 a 199 pessoas ao serviço (16%). Esta freguesia possui uma forte tradição industrial, constituindo um sector que emprega grande parte da população, principalmente as indústrias alimentares e as indústrias dos têxteis. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço Arrabal 1-Igual a 0 2-De 1 a 4 3-De 5 a 9 11% 16% 4-De 10 a 19 15% 5-De 20 a 29 31% 0% 5% 11% 11% 6-De 30 a 39 7-De 40 a 49 8-De 50 a 99 9-De 100 a 199 Azoia: Actividades industriais Nesta freguesia a diversidade das actividades industriais é um facto. Do total das indústrias existentes, 16,7% pertencem às indústrias alimentares, enquanto 29.2% são estabelecimentos industriais que têm por actividade a fabricação de artigos de borracha e matérias plásticas. De referir também a importância na freguesia da actividade da fabricação de outros produtos minerais não metálicos, que representam 12.5% das empresas existentes. Esta freguesia não deixa antever qualquer tipo de especialização relevante em alguma actividade, pois o valor mais representativo é de 29,2%. Denota-se, no entanto, uma forte existência de indústrias ligadas à fabricação de equipamentos para a indústria, nomeadamente às indústrias de moldes e plásticos e indústrias metálicas. Dimensão dos estabelecimentos industriais Do número de empresas contabilizado para a freguesia de Azoia, 38.9% são empresas que possuem ente 5 a 9 pessoas ao serviço, enquanto 33.3% são empresas que possuem entre 1 a 4 trabalhadores. Apenas uma empresa possuía entre 40 a 49 pessoas ao serviço. Com estes números podemos concluir que a Azoia possui um número razoável de indústrias, mas empregando um número de pessoas muito reduzido. As razões podem ser várias, entre as quais, a presença de tecnologia que substitui a mão de obra e o grande número de pequenas indústrias de caracter familiar e artesanal. 34 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao seviço - Azoia 6% 17% 6% 1-Igual a 0 33% 2-De 1 a 4 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 38% 7-De 40 a 49 Bajouca: Actividades industriais Na freguesia da Bajouca assistimos a uma grande predominância de indústrias ligadas à fabricação de outros produtos minerais não metálicos (50%). É uma freguesia com pouca actividade industrial, distribuída por 5 actividades económicas: a mais significativa já foi referida e a segunda actividade, com maior presença, é a indústria alimentar, representando 20% do total das indústrias existentes na freguesia. As restantes empresas encontram-se ligadas à indústria da Madeira e cortiça (10%), à fabricação de artigos de borracha (10%) e à fabricação de mobiliário e outras indústrias transformadoras não especificadas, que representam também 10% das empresas industriais da freguesia. A freguesia possui um grande número de empresas ligadas à olaria de barro e à fabricação de peças cerâmicas para uso doméstico e ornamental, agrupando-se em pequenas empresas de carácter artesanal e familiar. Dimensão dos estabelecimentos industriais A Bajouca demonstra ser uma freguesia com pouca actividade industrial e muito ligada ao artesanato, principalmente da olaria de carácter muito familiar (apesar de algumas empresas já assumirem uma importância elevada no meio onde se inserem). Seguindo o raciocínio, percebe-se porque 58% das indústrias existentes possuem entre 1 a 4 pessoas ao serviço. A empresa com o maior número de pessoas ao serviço é somente uma e possui entre 10 a 19 pessoas ao serviço. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao seviço - Bajouca 14% 14% 1-Igual a 0 14% 2-De 1 a 4 3-De 5 a 9 58% 4-De 10 a 19 35 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Barosa: Actividades industriais No meio do tecido empresarial/industrial desta freguesia encontramos dois tipos de actividades que se distinguem: A fabricação de máquinas e equipamentos (25.5%) e a fabricação de artigos de borracha e de matérias plásticas (23,5%). Predominam as indústrias de grande importância ligadas aos moldes e plásticos e que se encontram implantadas na periferia da freguesia da Barosa. É uma freguesia onde a indústria assume um papel importante na economia local e no comportamento da sua população, devido ao emprego que gera e à atracção que exerce, trazendo mais valias à freguesia. Possui uma grande área industrial com uma taxa de ocupação elevada, quando comparada com outras existentes desde 1995. Uma parte da área industrial sofreu uma intervenção urbanística (loteamento industrial) que já se encontra praticamente ocupado e que teve como principal promotor a Junta de Freguesia da Barosa. É a única freguesia que possui indústrias ligadas à fabricação de equipamento eléctrico e de óptica e uma das cinco freguesias do Concelho que possui indústrias de fabricação de veículos automóveis, reboques e semi-reboques (2.0%). Dimensão dos estabelecimentos industriais Nesta freguesia, de acordo com os dados analisados, existem 20 empresas distribuídas pelos vários escalões de pessoal ao serviço, distinguindo-se o escalão que possui entre 1 a 4 trabalhadores (7 unidades) que representam 35% do total.( ver figura), seguido das empresas que possuem entre 10 a 19 pessoas ao serviço, que representam 20% do existente. Apresenta uma forte capacidade industrial e é uma das freguesias com maior dinamismo industrial. Na Barosa deparamo-nos com uma significativa existência de médias empresas, pelo menos 10% das indústrias que possui têm entre 100 a 200 trabalhadores, sendo, no entanto, as pequenas empresas que dominam o tecido industrial. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao seviço - Barosa 5% 10% 1-Igual a 0 10% 2-De 1 a 4 15% 3-De 5 a 9 35% 20% 4-De 10 a 19 5-De 20 a 29 5% 6-De 30 a 39 9-De 100 a 199 36 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Barreira: Actividades industriais Apresenta uma forte especialização industrial nas actividades ligadas à indústria alimentar (52,9%). As restantes indústrias da freguesia são, sobretudo, indústrias da madeira e cortiça e suas obras; fabricação de artigos de borracha e de matérias plásticas e fabricação de outros produtos minerais não metálicos, representando cada uma 11.8% do total existente. A Barreira não apresenta uma forte tradição industrial. Está, ainda hoje, mais virada para a agricultura e o facto de ser uma freguesia adjacente à cidade de Leiria, movimenta o seu quantitativo populacional activo para a procura de trabalho na cidade, sobretudo, no sector terciário (comércio, serviços, administração, etc.). Dimensão dos estabelecimentos industriais A freguesia da Barreira, de acordo com os dados analisados não possui praticamente tecido industrial. Do total de empresas existentes, 49% possuem entre 5 a 9 pessoas ao serviço, e as restantes, em nenhum momento ultrapassam as 29 pessoas ao serviço. A dimensão das indústrias registadas pode ser apreciada na figura abaixo apresentada, e a sua leitura deixa-nos perceber que a Barreira é caracterizada por possuir micro indústrias, de cariz familiar e artesanal. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Barreira 13% 12% 13% 13% 1-Igual a 0 2-De 1 a 4 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 49% 5-De 20 a 29 Bidoeira de Cima: Actividades industriais É uma freguesia com pouca diversidade, as indústrias existentes distribuem-se por 4 classes de actividade económica principais: indústrias alimentares, fabricação de outros produtos minerais não metálicos, indústrias metalúrgicas e fabricação de máquinas e equipamento, distribuindo-se da forma descrita no parágrafo seguinte. Do total de indústrias existentes na freguesia de Bidoeira de Cima, 44,4% têm como actividade principal a fabricação de produtos metálicos, excepto máquinas e equipamento e 33,3% à fabricação de outros produtos minerais não metálicos. As industriais encontram-se, de modo geral, agrupadas em pequenas manchas industriais existentes na freguesia. É uma freguesia onde a criação de animais (principalmente suiniculturas) assume grande importância fazendo parte de um eixo que caracteriza a parte nordeste do Concelho.(ver mapa em anexo) 37 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Dimensão dos estabelecimentos industriais A freguesia caracteriza-se por concentrar a sua actividade industrial numa faixa junto à EN 1 (IC2), a pequena escala, apesar de nos últimos anos ter evoluído. A Bidoeira de Cima é uma freguesia que se caracteriza por possuir micro e pequenas indústrias, senão vejamos a figura abaixo apresentada, onde as indústrias que possuem entre 1 a 4 pessoas ao serviço representam 50% do existente e as que possuem entre 20 a 29 pessoas as serviço têm um peso de 33% na freguesia. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Bidoeira de Cima 33% 2-De 1 a 4 50% 4-De 10 a 19 5-De 20 a 29 17% Boa Vista: Actividades industriais Nesta freguesia, 45% das indústrias existentes pertencem às indústrias alimentares, enquanto 30% estão ligadas à indústria metalúrgica. Existe muita indústria ligada à restauração, mais concretamente aos fornos de assadura dos leitões (forte importância nesta região). De assinalar, também, as indústrias ligadas à fabricação de rações para animais, e neste ponto encontramos uma ligação interessante entre diferentes entre as actividades: a existência de suiniculturas na região e freguesia vai induzir ao aparecimento das indústrias para alimentos de animais e ao mesmo tempo, provocar o surgimento de uma actividade comercial, a restauração. Forte existência de suiniculturas na freguesia e envolvente Aparecimento de indústrias Restauração, logo novos de alimento para animais de estabelecimentos criação (leitões – porcos) industriais para assar leitão Dimensão dos estabelecimentos industriais A freguesia possui, de acordo com os dados analisados 12 indústrias, das quais 66.7% possuem entre 0 a 19 pessoas ao serviço, dominando o escalão que enquadra as empresas que possuem entre 1 a 4 trabalhadores. 38 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria As empresas com 100 a 199 pessoas ao serviço, representam 17% do total existente e são consideradas ainda pequenas e médias empresas. É uma freguesia onde predominam as pequenas indústrias, mas onde 33.3% das empresas possuem mais de 40 trabalhadores. Nesta freguesia predominam as fábricas de ração e são estas que agrupam maior número de trabalhadores da freguesia. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Boa Vista 1-Igual a 0 17% 8% 2-De 1 a 4 8% 25% 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 8% 7-De 40 a 49 17% 17% 8-De 50 a 99 9-De 100 a 199 Caranguejeira: Actividades industriais Nesta freguesia predominam dois tipos de indústria que representam no conjunto 70.3% do total das indústrias existentes. A que possui maior peso é a indústria da madeira e cortiça e suas obras(35.9%), enquanto a outra está ligada às indústrias alimentares (34.4%). Para além destas actividades principais, distinguem-se as indústrias ligadas à fabricação de outros produtos minerais não metálicos e as indústrias metalúrgicas, com um peso de 9,4% cada. Possui 1.6% das suas actividades industriais dedicadas à edição, impressão e reprodução de suportes de informação gravados. Apesar da freguesia possuir áreas industriais disponíveis, as indústrias encontram-se distribuídas por toda a freguesia e pelos diferentes usos do solo. Dimensão dos estabelecimentos industriais Nesta freguesia distinguem-se as empresas que possuem entre 10 a 19 pessoas ao serviço (29%), mas são as pequenas empresas que prevalecem, unidades familiares viradas para a indústria da madeira. Numa breve leitura da figura abaixo indicada, percebemos que para além do escalão já referido, destaca-se o número de indústrias que possuem ao seu serviço entre 1 a 4 pessoas (25%) e os escalões de 5 a 9 pessoas ao serviço e igual a 0 pessoas, representando 14% cada das indústrias da Caranguejeira. Esta observação reforça o facto desta freguesia possuir micro empresas de carácter familiar. 39 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Caranguejeira 1-Igual a 0 7% 7% 4% 14% 2-De 1 a 4 3-De 5 a 9 25% 29% 4-De 10 a 19 5-De 20 a 29 6-De 30 a 39 14% 9-De 100 a 199 Carreira: Actividades industriais Tem 2 indústrias classificadas em diferentes actividades: uma encontra-se ligada à indústria alimentar e a outra dedica-se à fabricação de produtos químicos. É uma freguesia com pouca tradição industrial, na qual se atribui uma forte importância à agricultura num território peninsular em relação ao vale fértil do Rio Lis, actualmente em declínio e devido ao qual surgiu a jusante uma indústria de ultra congelados (legumes e outros produtos alimentares) que era constituída em grande parte por trabalhadores residentes na Carreira e freguesias adjacentes. Esta indústria está prestes a ser desactivada dado que perdeu competitividade no mercado, o que poderá gerar um desequilíbrio no quotidiano da freguesia. Dimensão dos estabelecimentos industriais A Carreira possui quatro unidades industriais das quais uma possui entre 100 a 199 pessoas ao serviço, as restantes são muito pouco significativas. De acordo com a figura indicada, cerca de 50% das suas indústrias possuem 0 pessoas ao serviço. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Carreira 25% 1-Igual a 0 50% 4-De 10 a 19 9-De 100 a 199 25% Carvide: Actividades industriais A freguesia de Carvide beneficia da sua localização geográfica, pois faz fronteira com a freguesia de Vieira de Leiria do Concelho da Marinha Grande, que possui já um importante tecido empresarial/industrial que dinamiza toda a área envolvente, incluindo Carvide. 40 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Do total das indústrias existentes, 31.8% são indústrias alimentares, a outra actividade que também se evidencia relaciona-se com a indústria da madeira e da cortiça e suas obras (27.3%). Nesta freguesia surgem pela primeira vez indústrias ligadas à fabricação de pasta, de papel e cartão, que representam 4.5%. Os estabelecimentos industriais que se dedicam à fabricação de produtos metálicos representam 18,5%. Dimensão dos estabelecimentos industriais Em Carvide são as empresas que possuem ao serviço entre 5 a 9 pessoas, logo, de pequena dimensão que predominam, representando 55.6% do total existente. Predominam as pequenas indústrias com poucos trabalhadores, existindo apenas uma com 50 a 99 trabalhadores. A freguesia de Carvide não possui actualmente, áreas industriais significativas, por isso as indústrias distribuem-se por toda a freguesia. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Carvide 11% 22% 11% 2-De 1 a 4 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 8-De 50 a 99 56% Coimbrão: Actividades industriais É uma freguesia ligada à agricultura e piscicultura, de tradição agrícola e com forte influência do Pinhal de Leiria. São as indústrias alimentares(42.9%) e as indústrias da madeira e da cortiça e suas obras, com o mesmo peso que predominam nesta freguesia. Também se regista a presença de outras actividades, como indústrias ligadas à fabricação de máquinas e equipamentos e de outras indústrias transformadoras não especificadas, que representam cada 7.1% das poucas indústrias presentes na freguesia de Coimbrão. Dimensão dos estabelecimentos industriais Na freguesia de Coimbrão predominam as micro empresas, conforme se pode verificar na figura apresentada. As empresas com um escalão de pessoal ao serviço igual a 0 e o de 1 a 4 trabalhadores têm a mesma representação, são 2 indústrias. 41 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Coimbrão 17% 33% 1-Igual a 0 2-De 1 a 4 17% 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 33% Colmeias: Actividades industriais Na freguesia das Colmeias não existe qualquer tipo de actividade industrial que se evidencie, os valores observados demonstram uma clara repartição pelas várias actividades industriais consideradas e conforme quadro x em anexo. A actividade que assume maior relevância é a que está ligada às indústrias alimentares, representando 29.5% das indústrias existentes. A outra actividade, que assume 23% do existente, é a indústrias metalúrgica; É uma das freguesias de Leiria onde esta actividade assume maior importância relativamente ao número de empresas. Também é relevante o peso das indústrias de fabricação de outros produtos minerais não metálicos (19,7%). Para além destas características ao nível da indústria transformadora, Colmeias assume um papel importante devido à riqueza do seu subsolo e que vai provocar o aparecimento de grandes explorações de inertes, que imprimem a esta área uma paisagem peculiar e só comparável com a existente na Maceira. Estas características acarretam grandes problemas: choque entre os usos industrial extractivo e usos habitacional, promiscuidade entre as explorações e o espaço residencial, onde coabitam paredes meias, o uso habitacional, comercial e industrial (armazenamento da matéria prima). Tanto as freguesias de Colmeias como a da Maceira possuem, pela importância do sector de exploração de inertes, grandes áreas, condicionadas e restritas à utilidade pública, onde o “interesse público” do recurso geológico se torna uma servidão- áreas “defendidas” e definidas por decreto regulamentar de interesse nacional. Dimensão dos estabelecimentos industriais Em Colmeias, uma das maiores freguesias do Concelho de Leiria, abundam (seguindo o panorama concelhio) as pequenas empresas, que representam 55.6% do existente. Neste patamar incluímos as indústrias com um escalão de pessoal entre 1 a 4 e 5 a 9 trabalhadores, num total de 27 empresas. É uma das freguesias que possui uma unidade industrial de grande dimensão, com 200 a 499 pessoas ao serviço (a Roca), empresa multinacional e com forte imposição a nível concelhio e regional. Do total das indústrias existentes, 18.5% possuíam mais de 30 trabalhadores, um valor muito importante e significativo quando comparado com o resto das freguesias, pelo menos as analisadas até este ponto. 42 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Colmeias 4% 4% 4% 7% 11% 30% 7% 7% 26% 1-Igual a 0 2-De 1a 4 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 5-De 20 a 29 6-De 30 a 39 7-De 40 a 49 8-De 50 a 99 10-De 200 a 499 Cortes Actividades industriais Na freguesia das Cortes assim como se tem vindo a notar nas freguesias analisadas, são as indústrias alimentares que se distinguem, representando 55,3% do existente. Com este cenário podemos falar numa clara concentração deste sector na freguesia, aliás, é a que apresenta maior número de empresas industriais deste sector no Concelho. Esta freguesia não possui um tecido industrial muito consolidado, apesar de ter tradições antigas muito ligadas ao aproveitamento das águas do rio Lis, assim como à produção de vinho da região. Dimensão dos estabelecimentos industriais Segundo a fonte usada para esta análise, a freguesia das Cortes possui cerca de 18 empresas das quais 5 incluem-se no escalão de pessoal ao serviço igual a 0. No entanto, 16.7% das empresas existentes têm mais de 40 trabalhadores e menos de 100. A freguesia das Cortes segue uma linha semelhante à de Colmeias ao possuir indústrias praticamente em todos os escalões de pessoal considerados, excepto nos mais numerosos, sem nunca confundir as escalas a que nos referimos, pois a freguesia das Cortes é menos industrializada que as Colmeias e possui sectores industriais totalmente distintos. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Cortes 1-Igual a 0 2-De 1 a 4 11% 6% 27% 11% 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 5-De 20 a 29 6-De 30 a 39 6% 11% 11% 17% 7-De 40 a 49 8-De 50 a 99 Leiria: Actividades industriais Em Leiria destaca-se o sector ligado às indústrias alimentares (51.9%) do total das indústrias existentes. Trata-se sobretudo de estabelecimentos ligados à pastelaria e panificação. As restantes unidades industriais distribuem-se por vários sectores da indústria transformadora. Cerca de 7.6% das indústrias estão ligadas ao sector da indústria da 43 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria pasta, de papel e cartão, sendo nesta freguesia que esta actividade atinge o expoente máximo. Para além de Leiria este sector apenas acontece nas freguesias de Carvide e Caranguejeira. As indústrias metalúrgicas e o sector de fabricação de máquinas e equipamentos não especificados representam 17.8% das indústrias registadas. É nesta freguesia, totalmente absorvida pela área urbana da cidade de Leiria, que predominam as actividades ligadas ao sector terciário como os serviços e o comércio próprios de uma cidade sede de distrito, ainda em evolução. É o sector terciário que absorve maior quantitativo de população activa e assume-se como principal fonte de emprego. Subsistem ainda, sinal de um passado ligado à indústria, algumas indústrias importantes, mas com tendência a deslocalizar-se caso pretenda expandir-se ou integrar as indústrias com certificados de qualidade e outras necessidades que daí advém. Dimensão dos estabelecimentos industriais A freguesia de Leiria destaca-se pelo número de empresas que apresenta (59 empresas). Nesta freguesia 79.7% das empresas existentes não possuem mais de 19 pessoas ao serviço, 5% dos estabelecimentos industriais enquadramse no escalão de pessoal ao serviço de 100 a 499 pessoas. Com a análise do gráfico indicado, percebemos que predominam fortemente as indústrias de muito pequena e pequena dimensão. Número de empresas de acordo com o escalão de 1-Igual a 0 pessoal ao serviço - Leiria 2-De 1 a 4 3-De 5 a 9 5% 7% 3% 3%2% 4-De 10 a 19 10% 5-De 20 a 29 22% 6-De 30 a 39 8-De 50 a 99 22% 9-De 100 a 199 26% 10-De 200 a 499 Maceira: Actividades industriais Nesta freguesia não há nenhuma indústria transformadora que se evidencie, pois, possui estabelecimentos em quase todos os sectores da indústria. O sector que se distingue é o da fabricação de máquinas e equipamentos não especificados, representando 27,1% do existente, este valor é também o mais elevado relativamente às restantes freguesias do Concelho. Para além deste, os estabelecimentos ligados à indústria metalúrgica também constituem uma actividade importante, representando 18,1% do existente. Numa leitura atenta do quadro x em anexo, percebemos que são três as actividades que se destacam por concentrar maior número de empresas e que se certo modo coincidem com o padrão a que se assiste no panorama concelhio e regional económico, são actividades ligadas à fabricação de produtos de borracha e de matérias plásticas, fabricação de outros produtos minerais não metálicos e indústrias metalúrgicas que representam na totalidade 66.1% da actividade industrial existente. A Maceira é a única freguesia que regista actividades relacionadas à fabricação de material de transporte (0,6%). 44 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria É uma freguesia que tem um grande valor ao nível dos recursos do subsolo, possui duas grandes empresas de extracção e transformação de inertes do país – a CMP ou Cimpor e a Secil – que geram, ao mesmo tempo, vantagens e desvantagens para a freguesia. Assim como em Colmeias, também a Maceira possui grandes áreas condicionadas para indústria extractiva, onde o interesse público do recurso geológico se torna uma servidão. A proximidade da Maceira com o tecido industrial da Marinha Grande (muito relacionada com os moldes e o vidro), incentivou o aparecimento de pequenas empresas (ainda em crescimento) ligadas aos moldes, como fabricação de peças, moldes, rectificação de moldes e outras indústrias (de apoio) ligadas à existência da forte indústria de moldes da Marinha Grande. Dimensão dos estabelecimentos industriais A Maceira é uma freguesia que apresenta um forte tecido empresarial/industrial, principalmente as de carácter extractivo e indústria de cimento (interligadas), que são símbolo desta freguesia. De acordo com o quadro x, a freguesia possui 85.1% das suas empresas incluídas no escalão de pessoal ao serviço entre os 0 e os 29 trabalhadores. Ficando de certo modo claro que a Maceira é constituída por empresas de pequena dimensão, provavelmente pouco exigentes em mão de obra e mais viradas para a alta tecnologia. Acreditamos que grande parte das indústrias existentes estão ligadas à indústria dos moldes e plásticos que caracteriza este quadrante do Concelho, acompanhando a conjuntura do Concelho vizinho (Marinha Grande). Existe apenas uma indústria com mais de 100 pessoas ao serviço, no entanto, acreditamos que existem mais empresas que por lapso ou falta de informação ficam mal representadas, como é o exemplo da CMP que neste estudo, supostamente, se integra dentro do escalão de pessoal ao serviço igual a 0 e é impossível, pois a indústria possui um grande número de pessoas ao serviço. Apesar de seguir a tendência concelhia – a predominância de pequenas empresas – esta freguesia já denota uma maior quantidade de empresas de maior dimensão no que se refere ao número de trabalhadores. As indústrias com mais de 30 pessoas ao serviço representam 14.9% do total existente, sendo um dos valores mais altos registados no Concelho. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Maceira 1-Igual a 0 2-De 1 a 4 5% 1% 5% 5% 8% 10% 3-De 5 a 9 28% 4-De 10 a 19 5-De 20 a 29 6-De 30 a 39 21% 7-De 40 a 49 17% 8-De 50 a 99 9-De 100 a 199 45 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Marrazes: Actividades industriais É a freguesia do Concelho que possui maior valor populacional, de acordo com os censos de 2001, tornando-se num pólo muito importante de concentração de mão de obra. Relativamente ao tecido industrial, a freguesia concentra a sua actividade industrial em dois sectores principais, as indústrias alimentares (20.3%) e as indústrias ligadas à fabricação de artigos de borracha e de matérias plásticas (17.6%). Também as indústrias da madeira e cortiça constituem um sector com uma importância significativa (14.4% do total). Os restantes estabelecimentos distribuem-se por outras actividades industriais com valores menos significativos que podem ser observados no quadro x em anexo. Dimensão dos estabelecimentos industriais Freguesia muito forte do Concelho de Leiria, com grande volume populacional (a mais populosa do Concelho). Possui muita indústria (alguma muito antiga), que se estende ao longo da EN 109, de grandes dimensões, ligadas à matéria prima do plástico e à fabricação de artigos de plástico. Entretanto, a área industrial que possui junto à EN 1/IC2, sofreu uma intervenção urbanística com a realização de um loteamento industrial da Cova das Faias, que veio permitir a instalação de novas empresas, principalmente de empresas de distribuição e transporte e superfícies de comércio por grosso e revitalizou a área industrial. Predominam, as empresas com o número de trabalhadores entre os 0 e os 19 (75% do total existente), o que significa que são as micro e pequenas empresas que estão mais presentes na freguesia. As empresas que têm mais de 50 e menos de 500 pessoas ao serviço representam 8.3% das empresas existentes. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Marrazes 1-Igual a 0 2-De 1 a 4 3% 3% 2% 5% 2% 3-De 5 a 9 7% 4-De 10 a 19 25% 9% 5-De 20 a 29 6-De 30 a 39 7-De 40 a 49 23% 8-De 50 a 99 21% 9-De 100 a 199 10-De 200 a 499 46 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Memória: Actividades industriais É uma freguesia de emigrantes, população envelhecida e com muito pouca tradição industrial. Com fortes características rurais, apenas possui 2 indústrias (de acordo com a listagem fornecida pela Direcção Regional de Economia em Agosto de 2003). Em termos percentuais, 50% dos estabelecimentos existentes estão ligados ao sector da indústria alimentar e os restantes estão ligados à indústria metalúrgica. Dimensão dos estabelecimentos industriais Apenas surge com uma indústria registada no escalão de empresas que possuem entre 10 e 19 pessoas ao serviço. Para esta freguesia a fixação de pessoas é um objectivo e adivinha-se uma tarefa árdua, pois o envelhecimento populacional é muito elevado e o número de jovens é muito baixo e com tendência a diminuir. Este panorama não é muito positivo e provoca a existência de um tecido económico industrial muito fraco e caracterizado por pequenos estabelecimentos familiares e muito artesanais. Milagres: Actividades industriais Na freguesia dos Milagres, registam-se dois sectores com maior relevância: a indústria da Madeira, da Cortiça e suas obras (31.6%) e as indústrias metalúrgicas (31,6%). O sector da indústria alimentar também se destaca, representando 26.3% da indústria existente. Estas três actividades industriais representam no seu conjunto 89.5% dos estabelecimentos industriais existentes na freguesia dos Milagres. Dimensão dos estabelecimentos industriais Com uma leitura atenta do gráfico abaixo indicado podemos perceber que a freguesia de Milagres apresenta fraca importância no que se refere ao número de empresas que possui. Com uma forte concentração de micro empresas – das 7 empresas registadas 72% encontram-se no escalão de pessoal ao serviço igual a 0. Também se denota, nesta freguesia, uma forte presença de suiniculturas, havendo à volta desta actividade uma forte componente empresarial que se estende a outras áreas do Concelho. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Milagres 14% 14% 1-Igual a 0 2-De 1 a 4 72% 3-De 5 a 9 47 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Monte Real: Actividades industriais A principal actividade de Monte Real não é a indústria mas sim outros sectores económicos. Possui um forte tecido empresarial no que se refere ao comércio a retalho, restauração, hotelaria e outros serviços de apoio que florescem devido a um forte afluxo populacional, turístico a esta região num determinado período do ano em busca de descanso e tratamento: a estância termal de Monte Real constituída por águas minerais naturais. Na freguesia de Monte Real são registadas apenas quatro actividades industriais, evidencia-se, com o maior valor percentual a indústria alimentar (33.3%). Em segundo plano figuram as actividades ligadas às indústrias metalúrgicas de base, representando estas 26.7% do total. Com um peso de 20% cada na freguesia, encontramos as indústrias da madeira e da cortiça e outras indústrias transformadoras não especificadas. Dimensão dos estabelecimentos industriais Possui pouca indústria e a que possui é de pequena dimensão, 58% são estabelecimentos industriais que possuem entre 10 a 19 pessoas ao serviço. Existindo apenas uma empresa com mais de 40 e menos de 50 pessoas ao serviço. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço Monte Real 14% 14% 1-Igual a 0 14% 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 7-De 40 a 49 58% Monte Redondo: Actividades industriais Nesta freguesia predomina a actividade ligada à indústria da Madeira, da cortiça e sua obras, que se estende ao longo da EN 109 que atravessa Monte Redondo e no meio da estrutura urbana do aglomerado. Analisando os dados no quadro em anexo, percebemos que é a indústria acima referida que predomina, representando 34.3% do total. Também se destacam as indústrias alimentares (25.7%) e com 20% do total evidenciam-se os estabelecimentos industriais que têm como principal actividade a fabricação de outros produtos minerais não metálicos. Dimensão dos estabelecimentos industriais É uma freguesia com forte tradição industrial, principalmente indústria ligada à madeira. Monte Redondo não contraria a tendência concelhia no que se refere à dimensão das empresas: predominam as micro e pequenas empresas – 67% das empresas existentes na freguesia possuem ao serviço entre 0 a 20 trabalhadores. Cerca de 13% das empresas existentes caracterizam-se por ter entre 50 a 100 pessoas ao serviço. 48 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria É uma das freguesias com fortes possibilidades de se tornar muito forte no que se refere à indústria, pois possui uma ampla área industrial em fase de estudo com vista a ser intervencionada e criar um parque industrial. Este processo irá reanimar a freguesia a vários níveis, esta questão será mais aprofundada adiante quando falarmos da área industrial em concreto. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Monte Redondo 13% 1-Igual a 0 13% 2-De 1 a 4 7% 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 13% 28% 13% 5-De 20 a 29 7-De 40 a 49 13% 8-De 50 a 99 Ortigosa: Actividades industriais A freguesia da Ortigosa possui ao longo da EN 109 um continuo de empresas industriais e comerciais, assumindo uma característica comum a outras freguesias, ao possuir um grande número de indústrias recentes, demonstrando a dinâmica e comportamento da freguesia relativamente à economia nos últimos anos. Várias razões poderão estar na origem deste desenvolvimento, uma delas é a criação, desde 1995 (ano em que o PDM foi publicado), de uma área industrial com boas acessibilidades e boa morfologia de terreno, onde se têm vindo a instalar novas empresas com fins industriais e comerciais. Relativamente às actividades que predominam, 26.3% são indústrias alimentares e outras 26.3% pertencem ao sector ligado à fabricação de outros produtos minerais não metálicos. Com 21.1 pontos percentuais estão representadas as indústrias ligadas à fabricação de artigos de borracha e de matérias plásticas. As indústrias metalúrgicas representam 15.8% do total existente. Dimensão dos estabelecimentos industriais Estes últimos anos têm sido muito importantes para a implantação de novas empresas nesta freguesia, ainda por cima com uma área industrial que apresenta uma localização estratégica com boas acessibilidades. . No entanto, de acordo com a análise do gráfico concluímos, que a freguesia possui empresas de pequena e muito pequena dimensão, dominando as indústrias com menos de 20 pessoas ao serviço (representam 87,5% das indústrias existentes na freguesia). Enquanto 13% são empresas com 30 a 49 pessoas ao serviço. 49 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Ortigosa 13% 13% 13% 1-Igual a 0 2-De 1 a 4 3-De 5 a 9 24% 4-De 10 a 19 37% 6-De 30 a 39 Parceiros: Actividades industriais Esta freguesia não demonstra uma forte especialização relativamente a qualquer indústria, existindo de certo modo, várias actividades. Do total das indústrias existentes, 25% pertencem ao sector das indústrias alimentares, as restantes indústrias registadas nesta freguesia distribuem-se por diferentes actividades como a fabricação de artigos de borracha (15.0%) e a indústria metalúrgica (15,0%). Com 12,5 pontos percentuais surgem as actividades ligadas à indústria transformadora não especificada. As restantes ocupam posições inferiores às referidas e poderão ter a sua importância quando analisadas relativamente ao número de postos de trabalho que criam. Dimensão dos estabelecimentos industriais A freguesia de Parceiros encontra-se de certo modo muito ligada à cidade de Leiria e não é uma freguesia com forte implantação industrial, apesar de se distinguir no panorama concelhio pelo número de empresas que possui (26 empresas). Nesta freguesia predominam as pequenas empresas, 50% das indústrias contabilizadas possuem entre 1 a 9 pessoas ao serviço, as restantes distribuem-se pelos outros escalões, não ultrapassando as 499 pessoas ao serviço. Com a particularidade de que Parceiros é uma das seis freguesias que possui uma indústria com 200 a 499 pessoas ao serviço. 50 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Parceiros 1-Igual a 0 12% 4% 2-De 1 a 4 8% 22% 8% 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 5-De 20 a 29 4% 4% 6-De 30 a 39 12% 26% 7-De 40 a 49 8-De 50 a 99 10-De 200 a 499 Pousos: Actividades industriais Pousos é uma das freguesias do Concelho com maior dinamismo industrial, com um tecido empresarial muito diversificado e concentrado, principalmente, nas áreas industriais aí existentes, apontando algumas das razões para o sucesso: - Parte da freguesia inclui-se no aglomerado urbano da cidade de Leiria – logo forte ligação com o centro urbano - Existência de uma grande área industrial ainda por ocupar. - É atravessada pela EN 113, via que faz a ligação entre Leiria – Ourém – Tomar. - Integra os acessos à A 1 e à EN 1 (IC2), pela circular Oriente EN 113. Através da análise atenta do quadro em anexo, podemos corroborar o que foi afirmado nos parágrafos anteriores, pois percebemos que assim como Parceiros, Pousos possui o seu tecido empresarial distribuído pelas mais variadas actividades. Assim, evidenciam-se três actividades industriais: a indústria metalúrgica, representando 15.9% das indústrias registadas; as indústrias de fabricação de máquinas e equipamentos não especificados (14,5%) e por fim, a indústria têxtil que representa 13% do total. É na freguesia dos pousos que a indústria têxtil regista o maior valor do Concelho. É uma das duas freguesias do Concelho que possui actividades industriais relacionadas com a indústria do couro e seus produtos (4,3%). Também tem outra particularidade que a diferencia das outras freguesias, apresenta o maior valor (5,8%) das quatro freguesias do Concelho que possuem empresas ligadas à fabricação de equipamento eléctrico e de óptica. Dimensão dos estabelecimentos industriais A freguesia dos Pousos possui uma grande área industrial e ao longo dos últimos anos tem vindo a notar-se um grande aparecimento de novos estabelecimentos industriais ( ver planta em anexo- área industrial de Pousos-). Da análise do gráfico, concluímos que nesta freguesia, apesar de predominarem as pequenas empresas, as médias já se afirmam de forma muito importante, muito semelhante ao que acontece para as freguesias de Leiria, Maceira e 51 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Marrazes, existindo 11 empresas com mais de 30 trabalhadores e menos de 500 (20.4% do total). As empresas que possuem menos de 30 pessoas ao serviço representam o restante (79.6%). Existem 2% das empresas que possuem entre 200 a 499 pessoas ao serviço. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço Pousos 15% 4% 2% 1-Igual a 0 9% 2-De 1 a 4 24% 7% 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 5-De 20 a 29 13% 6-De 30 a 39 26% 8-De 50 a 99 10-De 200 a 499 Regueira de Pontes: Actividades industriais Esta freguesia possui uma das maiores áreas industriais existentes no Concelho e com espaços já estabilizados e consolidado, destacando-se a importância da frente com a EN 109, este eixo estruturante é o dinamizador desta grande área industrial onde se mantém uma forte pressão empresarial, agora cada vez mais acentuada com a concretização do troço e acessos da futura A17. Assistimos, também, a uma certa promiscuidade entre as diferentes actividades económicas e outros usos, característica herdada anos de mau planeamento. Estamos perante uma freguesia com um tecido industrial muito diversificado e heterogéneo. Possui seis actividades industriais principais que se distinguem: as indústrias ligadas à fabricação de outros produtos minerais não metálicos(22.0%); as indústrias de fabricação de artigos de borracha e matérias plásticas (16,0%); as indústrias metalúrgicas representam 14.0% , por fim, com um peso igual (12,0%), surgem as actividades que se integram nas indústrias alimentares, às indústrias da madeira, cortiça e suas obras e as indústrias transformadoras não especificadas. Dimensão dos estabelecimentos industriais Esta freguesia sofreu uma forte influência nos últimos anos ao nível da indústria, por isso, cremos que os dados apresentados para esta análise estão desactualizados, no entanto, é o que nos foi disponibilizado. São as micro e pequenas empresas que predominam nesta freguesia. As empresas que possuem ao seu serviço menos de 20 pessoas representam 73,7% do total existente. As empresas com 100 a 199 pessoas ao serviço representam 5% do total considerado. 52 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço Regueira de Pontes 5% 16% 16% 1-Igual a 0 2-De 1 a 4 11% 5% 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 6-De 30 a 39 7-De 40 a 49 21% 26% 9-De 100 a 199 Santa Catarina da Serra: Actividades industriais É uma freguesia afastada do pólo de atracção que constitui a cidade de Leiria, estando mais permeável à influência gerada por Fátima, centro religioso e turístico, que aglutina um sem número de actividades muito atractivas e geradoras de emprego. No que se refere à indústria transformadora, a freguesia de Santa Catarina da Serra possui três actividades industriais que se evidenciam das restantes pelo maior peso na freguesia. Do total existente 29.3% são actividades ligadas às indústrias alimentares; 27.6% pertencem aos sectores que se inserem nas indústrias da madeira, cortiça e suas obras, enquanto 19.0% são indústrias metalúrgicas de base. Dimensão dos estabelecimentos industriais A freguesia de Santa Catarina da Serra tem uma actividade industrial regular que se caracteriza por empresas de pequena dimensão de carácter familiar. São, de acordo com os dados disponíveis, 21 empresas, das quais 57,1% possuem entre 1 a 9 pessoas ao serviço. As restantes distribuem-se pelos escalões mais elevados sem nunca ultrapassar as 50 pessoas ao serviço. Constituem 10% das indústrias existentes, aquelas que possuem entre 40 49 pessoas ao serviço. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Santa Catarina da Serra 10% 28% 10% 2-De 1 a 4 3-De 5 a 9 10% 4-De 10 a 19 5-De 20 a 29 14% 6-De 30 a 39 28% 7-De 40 a 49 53 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Santa Eufémia: Actividades industriais A freguesia de Santa Eufémia não possui um tecido industrial muito forte, situa-se numa posição de charneira, isto é, entre freguesias com um tecido industrial considerável. É numa pequena faixa junto à EN1 (IC2), que se regista a existência de algumas empresas de relativa importância no panorama concelhio. Nesta freguesia as indústrias alimentares representam com 33.3% do total das indústrias existentes, assim como em grande parte das freguesias já analisadas. As empresas ligadas ao sector das indústrias da madeira representam 18.5% do total. De referir, ainda, o valor relevante registado pelas empresas que se enquadram no sector das indústrias transformadoras não especificadas (14,8%). Esta freguesia não possui qualquer apontamento a fazer em especial, para além do facto de acharmos conveniente assinalar ainda a existência de uma forte dependência da população de Santa Eufémia na agricultura, praticada no vale agrícola da Ribeira de Santa Eufémia e sua área de regadio. Dimensão dos estabelecimentos industriais A freguesia não se apresenta muito forte industrialmente, mas possui junto ao seu limite com a EN 1 uma pequena franja de área industrial, onde se agrupam algumas empresas importantes. Em Santa Eufémia, 43% das indústrias existentes possuem ente 10 a 19 pessoas ao serviço enquanto as empresas que possuem entre cinco a nove pessoas ao serviço, representam 29% do existente. Não havendo registo de nenhuma empresa que possua mais de 30 de pessoas ao serviço. Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Santa Eufémia 14% 14% 1-Igual a 0 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 29% 5-De 20 a 29 43% Souto da Carpalhosa: Actividades industriais É uma freguesia marginal à EN 109, possuindo uma das maiores empresas do Concelho que produz gesso e seus derivados assim como calcinação de gesso, estafe, cré e terras corantes e moldagem de matérias plásticas. 54 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria A indústria que regista maior valor, é a que se enquadra no sector de indústria da madeira, da cortiça e suas obras, com um peso de 34.5% na freguesia, este valor é apenas ultrapassado pelos valores registados nas freguesias de Caranguejeira e Coimbrão. Como tem vindo a notar nas freguesia até agora analisadas, as indústrias alimentares também se destacam. representando 27.6% do total das indústrias existentes. De registar ainda, a importância das indústrias que se dedicam à fabricação de outros produtos minerais não metálicos (17.2%). É uma freguesia que não possui uma grande variedade de actividades indústrias, concentrando as empresas em alguns sectores mais relevantes e já focados. Dimensão dos estabelecimentos industriais Esta freguesia não possui actualmente nenhuma área industrial digna de registo, havendo, no entanto, uma marcação de unidade industrial existente com duas indústrias muito importantes a nível municipal e regional. Relativamente à dimensão das empresas, 83.3% das registadas possuem menos de 20 pessoas ao serviço, distinguindo-se o escalão de 1 a 4 pessoas ao serviço (34%). Número de empresas de acordo com o escalão de pessoal ao serviço - Souto da Carpalhosa 8% 8% 8% 1-Igual a 0 2-De 1 a 4 3-De 5 a 9 17% 34% 4-De 10 a 19 5-De 20 a 29 25% 6-De 30 a 39 55 Quadro 11. Industrias do concelho de Leiria, segundo o escalão de pessoal ao serviço, por freguesia, 2000 1-Igual a 0 2-De 1 a 4 3-De 5 a 9 4-De 10 a 19 5-De 20 a 29 6-De 30 a 39 7-De 40 a 49 8-De 50 a 99 9-De 100 a 199 10-De 200 a 499 Amor 3 Arrabal 2 Azoia 1 Bajouca Barosa* Barreira* 3 6 2 2 6 7 3 1 4 1 1 2 7 1 4 3 1 1 4 1 1 8 1 2 6 Bidoeira de Cima 3 Boa Vista 1 3 2 2 Caranguejeira 4 7 4 8 Carreira 2 2 5 Carvide* 1 1 13 3 3 19 1 18 7 1 2 1 2 1 2 1 Chainça 1 20 2 12 1 28 1 4 1 9 1 1 Coimbrão 2 2 1 1 Colmeias 2 8 7 2 2 3 1 1 Cortes 5 3 2 2 1 2 2 1 Leiria** 6 13 15 13 3 4 2 2 Maceira 7 25 15 18 9 4 4 4 1 Marrazes*** 7 23 20 22 9 5 2 3 3 Memória 6 1 1 5 1 Monte Redondo 2 Ortigosa 1 Parceiros*** 2 6 7 3 1 1 Pousos*** 5 13 14 7 4 8 Regueira de Pontes 3 2 5 4 1 3 6 6 3 2 2 2 Santa Catarina da Serra 59 87 2 96 1 Monte Real 1 27 18 1 Milagres 1 7 1 4 4 2 2 1 3 2 1 2 1 7 2 15 1 Santa Eufémia 1 2 3 1 Souto da Carpalhosa 1 4 3 2 1 1 67 150 137 116 44 35 Total Total 6 Fonte: INE/Desconhecida 56 8 2 3 1 26 2 1 54 1 19 21 7 12 21 23 16 6 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Escalão de pessoal ao serviço 01 - Igual a 0 02 - 1 a 4 03 - 5 a 9 04- 10 a 19 05 -20 a 29 06 - 30 a 39 07 - 40 a 49 08 - 50 a 99 09 - 100 a 199 10 - 200 a 499 57 A indústria e o Ambiente Uma situação que também importa referir são os graves problemas ambientais de que padece o Concelho. A uma população humana que já se encontra perto dos 120.000 habitantes, existem efectivos pecuários com cargas de efluentes equivalentes a 850.000 humanos. Com a sua localização territorial na parte terminal da bacia hidrográfica do rio Lis, o Concelho de Leiria “coabita“ hoje com um drama ambiental: As pecuárias de carácter industrial, encontram-se sobretudo nas freguesias de Bidoeira de Cima, Colmeias, Milagres e Boa Vista e são os efluentes destas que provocam grandes problemas ambientais. Para tentar acabar com este flagelo está prevista a curto prazo a construção de uma estação de tratamento dos efluentes suinícolas (ETES) da iniciativa da Associação de Suinicultores em parceria com outras entidades (uma delas a Câmara Municipal de Leiria). No quadrante Leste do Concelho, em torno da EN1/IC2, estão concentradas unidades de pecuária, empresas industriais, actividades comerciais e áreas urbanas de significativa densidade, responsáveis por uma quota parte muito significativa da problemática ambiental aqui caracterizada. Também sob a mesma área recaem preocupações devidas à existência de grandes extensões de terrenos revolvidos por acção das indústrias de extracção de inertes, em particular no Barracão ( Colmeias ). O problema das “crateras” criadas pela extracção de inertes e, frequentemente deixadas ao abandono, com graves consequências paisagísticas também está associado à freguesia de Maceira, neste caso, intimamente ligada à indústria de cimento e exploração da sua matéria prima. A solução dos problemas ambientais, decorrentes de unidades agro-industriais e extractivas em funcionamento ou desactivadas, ou ainda, da proliferação de negócios de sucatas, deverá ser encarada em qualquer estratégia que venha a ser seguida, de forma a mudar a situação actual e a percepção dos investidores em relação aos aspectos relacionados com a gestão ambiental da região, sob pena de comprometer a atractividade de Leiria face ao investimento produtivo. A defesa do ambiente concelhio não pode contudo fazer-se com o prejuízo da estabilidade necessária ao bom funcionamento das indústrias. É importante ressaltar que as actuais localizações industriais vêem-se frequentemente a braços com o crescimento das áreas urbanas, de serviços e habitacionais que as cercam e as impedem de crescer, exercendo igualmente uma fortíssima pressão sobre o preço do solo (especulação imobiliária). Assim, a localização e demarcação de zonas industriais nos instrumentos de planeamento tem outra face da moeda, pois impõe a contenção do alargamento “urbano“ na sua envolvente, desejavelmente com a criação de zonas tampão aptas a travar proximidades “indesejáveis”. Sobre o ambiente e a sua interacção entre as actividades económicas do concelho de Leiria, deverá ser consultado o diagnóstico ambiental do concelho de Leiria e o trabalho específico sobre as suiniculturas. Nestes trabalhos abordamse o tema de forma mais aprofundada e exaustiva. 58 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Dinâmica de localização industrial Concelhia A localização das actividades industriais no Concelho de Leiria caracteriza-se por uma elevada dispersão. Figura 1. Eixo Nordeste/Sudoeste da localização empresarial de Leiria (dominância) Fonte: Eurisko, Estudo de Localização de zonas industriais de Leiria 2004 59 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria De acordo com a análise do mapa distingue-se: Um eixo transversal Nordeste/Sudoeste – traçado da EN1 à ligação de Leiria / Marinha Grande: EN 356-1 e variante da Barosa. Considerando uma linha imaginária e paralela deste eixo transversal para cada lado com cerca de 3 km, conclui-se que a referida área corresponde a menos de 30% da área total do Concelho e que estão aí localizadas cerca de 49.7% das empresas industriais cadastradas. Ao mesmo tempo: É nesta área que reside mais de metade de população do Concelho de Leiria Denota-se, com este exemplo, a proximidade das actividades industriais às bacias de emprego que representam a sua fonte de mão de obra. Dividindo o eixo em duas partes: Nordeste e Sudoeste da cidade de Leiria – deparamo-nos com o facto de que a parte nordeste tem 1\3 do total das indústrias referenciadas no Concelho, num espaço que não chega a atingir 15% da área total do Concelho. A situação indicada, de grande número de empresas com um padrão de dispersão tão elevado permite-nos distinguir uma “nebulosa” industrial sobre o canal nordeste do eixo da EN1 (conferir figura 1). As freguesias que se enquadram neste eixo, a nordeste, são: 1. Bidoeira de cima 2. Marrazes 3. Milagres 4. Colmeias 5. Sta. Eufémia 6. Pousos 7. Boa Vista 8. Regueira de Pontes Por outro lado, a sudoeste da cidade encontramos as freguesias de: 1. Parceiros 2. Azoia 3. Maceira 4. Barreira 5. Barosa Esta realidade é ainda potenciada pela existência de outras actividades económicas (serviços), principalmente na cidade de Leiria onde procuram maior visibilidade e capacidade de atracção de potenciais consumidores. 60 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria A deslocalização significativa destes estabelecimentos é pouco realista, tornando-se assim necessário a gestão das vias de comunicação, por forma a atenuar os problemas de funcionamento, congestionamento e de conflitos com áreas residenciais. A parte sudoeste do eixo, embora apresente menor número de indústrias em termos absolutos, representa sectores de actividade de grande importância no contexto económico concelhio e regional (moldes, plásticos, etc.) A localização no quadrante sudoeste está relacionado com as acessibilidades tradicionais e a proximidade com o Concelho da Marinha Grande (centro industrial de grande importância na região), assim como a continuidade de uma dinâmica muito intensa, devido aos novos acessos rodoviários nacionais (A8). Também com alguma importância, surge um eixo simétrico ao anterior, um eixo constituído pela EN 109 de Leiria para Figueira da Foz e o eixo da EN 113 de Leiria para Tomar e Ourém. Ao longo da EN 109 surgem localizações industriais nas freguesias de Marrazes, Regueira de Pontes, Ortigosa e Monte Redondo: onde, principalmente em Marrazes, acontecem grandes conflitos com áreas residenciais. Ao longo deste eixo os conflitos são flagrantes, distinguindo-se uma grande proximidade industrial aos aglomerados urbanos. Junto à EN 113 – Pousos, Santa Catarina da Serra, Arrabal e Caranguejeira distinguem-se, com um padrão de localização disperso, com a excepção da primeira freguesia que possui uma área industrial muito atractiva devido à proximidade de Leiria e a Auto estrada (A1). Mercado de solos O Concelho de Leiria é um espaço económico onde se tem verificado um processo de desenvolvimento com forte espirito de iniciativa e acentuada expansão das actividades produtivas e do número de empresas sediadas no Concelho. O processo não foi, no entanto, acompanhado por uma política de acolhimento e ordenamento das actividades empresariais capaz de dar resposta satisfatória às necessidades de um tecido empresarial em crescimento. O mercado de solos, para localização de actividades industriais em Leiria, aponta para um claro défice da oferta face a uma procura que se acumula há anos e para a qual não tem havido capacidade de resposta. Os problemas que a situação tem levantado às actividades industriais e aos distintos segmentos são variados e constituem um forte bloqueio do processo de desenvolvimento do tecido produtivo: - ausência de soluções para as empresas com necessidade de expansão das suas instalações; - ausência de soluções para as empresas que, estando em situações de incumprimento da legislação relacionada com gestão ambiental e energética, têm necessidade de deslocalizar a sua actividade para zonas cujo nível de infraestruturação permita a laboração em conformidade com exigências actuais; 61 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria - ausência de soluções para a localização de novas empresas resultantes da iniciativa endógena; - ausência de soluções para as empresas cuja localização actual levanta conflitos sérios com as zonas urbanas e usos habitacionais, cuja proximidade limita e põe em cheque a legalidade do seu funcionamento diário; - Desperdício de oportunidades de captação de investimento produtivo de origem exógena. Assistimos a uma situação de acentuado desequilíbrio entre a oferta e a procura de espaços para a localização industrial e que vai exercer pressões inflacionistas sobre a oferta. Exemplo: a ZICOFA com 33 lotes infraestruturados atingiu preços que superavam os 95 euros m2; assim como os espaços classificados em sede de PDM como sendo de uso industrial, sem qualquer infra-estrutura, são vendidos entre os 50 a 75 euros/m2 . Este cenário vai provocar a deslocalização das unidades produtivas para fora do Concelho, para regiões com estratégias mais agressivas de atracção de investimento empresarial e onde o preço do solo é muito atractivo, do que o que é praticado neste Concelho. Torna-se necessário definir estratégias que articulem a acção da administração e dos agentes privados – na tentativa de resolver o problema de falta de soluções de localização para a indústria e evitar que se verifiquem fenómenos especulativos que coloquem os preços do solo a um nível incomportável para esta. Análise Territorial O actual PDM classificou como unidades industriais existentes duas centenas de espaços, equivalendo a 730 ha em todo o Concelho. São áreas pequenas, em média inferiores a 4 ha, com o objectivo de reunir condições para a legalização do funcionamento de centenas de implantações industriais dispersas pelo território. O Plano Director Municipal considera como “perímetros urbanos industriais” duas situações: as áreas industriais existentes - as que já possuíam construção; as áreas industriais propostas - programadas para satisfazer as necessidades no prazo do plano depois de saturadas as primeiras. Existem ainda as áreas industriais de médio/longo prazo, nas quais deveria ser adoptada alguma forma de instrumento de planeamento e gestão, ou intervenção urbanística conjunta como aconteceu com a Cova das Faias ( Loteamento Zicofa ). As actuais e futuras acessibilidades ao Concelho, a sua posição estratégica no Litoral português e a relativa proximidade à Área Metropolitana de Lisboa assim como a criação da nova Comunidade Interurbana (AMLEI) não deixarão de se fazer sentir numa crescente procura de terrenos disponíveis para a localização de indústrias, de áreas de armazenamento, de logística e distribuição, e de serviços. Tudo se pode considerar factores e indicadores para a localização dos pólos estratégicos aferidos a uma rede municipal de acessibilidades bem delineada ( ver Relatório Organização da rede viária do Concelho de Leiria ). 62 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Os novos traçados viários tendem a criar um padrão alternativo ao actual, atraindo à imediata proximidade dos nós de acesso a apetência para localizar actividades económicas, designadamente indústrias e / ou serviços. - O nó viário da A1(IP1) com a circular Oriente e a sua ligação imediata com a área industrial dos Pousos. – Toda esta existência de nós viários e acessibilidades cria apetência para localizar actividades económicas, designadamente indústrias, na condição de existirem terrenos disponíveis em boas condições económicas e de infra-estruturas. - A Auto Estrada 17 (IC1) e a sua passagem pela área industrial de Monte Redondo gera novos acessos à zona industrial e aproxima os concelhos de Leiria aos da Orla Litoral Norte. Para esta zona industrial já está a ser desenvolvido um loteamento tendo como fim a criação de uma área empresarial para o uso industrial existente no plano e ainda vazio, com forte disponibilidade de terrenos e boas características. - Zona industrial da Barosa – Junto à A8 e A17 O tratamento da zona industrial da Cova das Faias (ZICOFA), devido à conjuntura do mercado especulativo, acessibilidade e sua proximidade à área urbana de Leiria, atraiu mais empresas de carácter terciário, que absorveram rapidamente os lotes disponíveis. Também em curso está a transformação do já referenciado espaço industrial de Monte Redondo em Parque Empresarial, significando de certo modo a operacionalização desta zona de Monte Redondo/ Bajouca ( parte Norte do Concelho ). O processo envolve o município, a Parque Invest (sociedade promotora de parques industriais) e o Nerlei (Núcleo Empresarial da Região de Leiria). Esta operação terá contornos diferentes da Zona Industrial da Cova das Faias (Zicofa), por vários factores por vários factores: a localização excêntrica, afastada do Centro Urbano de Leiria poderá atrair empresas com necessidade de maiores áreas e a baixo preço; a sua capacidade atractiva está ligada à construção do IC1 (A17) prevista para 2005 e a EN 109, apesar desta não possuir as características adequadas para servir de forma adequada este projecto. Estão a ser pensadas alternativas a esta via de atravessamento e estruturante, que minimizem o impacto viário do aguardado aumento de transporte de mercadorias e logística ( ver área industrial de Monte Redondo ). Para além das áreas industriais já referidas, o Concelho possui outras áreas industriais abaixo indicadas: (ver Capítulo: Áreas Industriais existentes e propostas) 1- Maceira: 254.53 ha de indústria extractiva e 138.16 ha de indústria transformadora 2- Barosa (102.38 ha) 3- Pousos (111.5 ha) 4- Ortigosa (59.92 ha) 5- Regueira de Pontes (96 ha) 1 –Surge na adjacência da cimenteira CMP (IE) e situa-se muito próxima do Concelho industrial da Marinha Grande. 63 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria É servida pelo nó da A8 e é a maior extensão com fins exclusivamente industriais, abarcando uma vasta área pertencente à fábrica de cimento. É constituída por uma área industrial extractiva condicionada pela Direcção Geral de Geologia e Energia (DGGE), como área de reserva e uma área industrial transformadora com bons acessos e com uma ocupação considerável de indústrias dos moldes e derivados. 2 e 3 – São áreas em franco desenvolvimento: Localização privilegiada em relação aos acessos à A1 e A8 e proximidade à Cidade. A sua existência tem sido fundamental para conter a dispersão industrial. 4 e 5 – Situam-se junto à EN 109. A sua vocação e atractividade reforçadas com a existência do nó de acesso à A17. Estas áreas poderão servir de local para a reinstalação de indústrias, hoje em excesso na freguesia de Marrazes e atingidas pela expansão da área urbana de Leiria. Todas estas áreas ( excluindo Maceira ) distribuem-se em torno da sede de Concelho, apoiando-se no traçado radioconcêntrico dos principais acessos à cidade. Posicionando-se para reunir pequenas e médias indústrias que desfrutam das vantagens da sua proximidade ao centro urbano e à eventual bacia de empresas complementares. (ver figura 2) A situação mais conflituosa é: A concentração de estabelecimentos industriais na área designada “nebulosa” empresarial de Leiria, ou seja, o território situado na envolvente do troço nordeste da EN1 (IC2), que engloba as freguesias de: Bidoeira de Cima, Colmeias, Boa Vista, Milagres e Santa Eufémia; onde são conhecidos os problemas de acessibilidade, os conflitos com os aglomerados populacionais, a inexistência de infra estruturas de suporte e os graves problemas de ordem ambiental; a grande densidade de suiniculturas e aviários com a sua problemática conjuntura. Adjacente à EN1/IC2 encontrámos também uma forte concentração de explorações de inertes onde é promíscua a mistura entre estes e o espaço habitacional. Este cenário poderá obrigar à elaboração de um plano municipal de maior pormenor ao nível do solo rural. 64 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 2 – Zonas Industriais existentes e propostas na periferia da sede do Concelho: Ortigosa, Regueira de Pontes, Cova das Faias, Pousos e Barosa Plano de Acção As alterações esboçadas no processo de revisão do PDM baseiam-se na: • Confirmação do essencial das propostas anteriores com alterações de pormenor mais ou menos significativas, quer de expansão de áreas industriais existentes, quer de desafectação de algumas áreas previstas no Plano, agora em revisão. • Criação de pequenas zonas industriais de suporte a actividades industriais de cariz local nas diversas freguesias. • Indústria ambiental: criação de uma zona industrial vocacionada para o tratamento de resíduos industriais e urbanos, na freguesia dos Parceiros junto ao caminho de ferro e nó da A8, com o objectivo de englobar os resíduos de vários Concelhos (Serviços Multimunicipais). 65 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria A orientação vai no sentido de encontrar soluções para a elevada heterogeneidade da procura, criando oportunidade para: - A grande e média indústria eventualmente ligada à atracção de investimento estrangeiro, como é o caso da projectada zona industrial de Monte Redondo; - A média e pequena indústria existente nas actuais zonas industriais existentes; - Pequena indústria de âmbito local em freguesias como Monte Real, Coimbrão, Amor, Caranguejeira, Santa Catarina da Serra, etc., que se mantém compatível com os usos residenciais e pequenas áreas industriais de suporte adjacentes aos perímetros urbanos; - Indústrias ligadas à reconversão de subprodutos multimunicipais, nomeadamente sucata, e resíduos urbanos numa área junto à A8 e ao Caminho de Ferro (Linha do Oeste). Este conjunto de linhas de orientação têm por objectivo: - limitar e diminuir a excessiva pulverização patente no actual Plano. - Preparar, para a área Este do Concelho, uma estratégia que enquadre um Plano de Ordenamento superior ao PDM, de forma a controlar e gerir as suiniculturas de acordo com a nova legislação ou até conseguir agrupá-las num espaço adequado de modo a acabar com os problemas ambientais que se têm vindo a fazer notar e que interferem na dinâmica do Concelho (poluição das linhas de água, etc.): passaria por uma estratégia de localização, gestão e regulamentação eficaz em sistema cooperativo. A orientação proposta caracteriza-se por uma grande diversidade no que respeita ao tipo de oferta, absorvendo indústrias altamente consumidoras de espaço até às pequenas áreas para albergar actividades quase que artesanais e / ou familiares ( micro indústria ). Com a estratégia adoptada de criar pequenas áreas industriais nas freguesias, pretendemos deixar que as indústrias decidam instalar-se junto às bacias de emprego, junto dos aglomerados urbanos. Assim como “a colocação no mercado de diversas alternativas para a localização empresarial de modo a equilibrar o actual défice da oferta face à procura e deste modo refrear os movimentos especulativos” ( Eurisko, 2003). A estratégia que serve de base para a revisão do PDM relativamente às indústrias vai exigir um considerável esforço técnico e económico para ser implementada, mas também é flexível e trata-se de um passo à frente na situação actual, mesmo no que respeita aos problemas ambientais, porque a aposta em, unicamente, soluções concentradas de grande dimensão tem revelado mais efeitos negativos que positivos. É importante referir que as empresas, outras entidades representativas do tecido empresarial e outros agentes económicos manifestaram uma clara preferência por um modelo disperso de empreendimentos de acolhimento de actividades empresariais, de modo a que as empresas possam optar por localizações próximas às bacias de emprego ancoradas aos principais aglomerados urbanos, de modo a salvaguardar as dificuldades de recrutamento de pessoal e de absentismo. 66 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Justifica-se por isso, em nosso entender, dar maior ênfase a uma solução estruturante nesta área, capaz de ordenar a actual dispersão, encontrar uma solução para os problemas ambientais e aliviar a pressão sobre a rede de comunicações. Temos de reconhecer que o problema não é fácil de resolver. Requer uma solução integrada no quadro de uma estratégia de longo prazo, fazendo apelo a uma instrumentação urbanística diversificada, que não poderá deixar de conter aspectos coercivos. Por isso parece-nos acertado prever para este quadrante o desenvolvimento de uma orientação, que contenha soluções integradas para as problemáticas já referidas, em especial, as do domínio ambiental e da circulação e acessibilidade, eventualmente configurada e/ou suportada numa figura de planeamento de grau intermédio, a realizar a par ou na sequência da revisão do Plano Director Municipal. Conclusão: O Concelho de Leiria apresenta no geral uma forte capacidade de absorver qualquer actividade económica e como nos foi demonstrado está a fazê-lo, com um forte crescimento das actividades do sector terciário. O sucesso de Leiria acontece também, pelo facto de se encontrar dentro de um eixo industrial muito forte: Leiria – Marinha Grande – Alcobaça – Pombal e por se encontrar numa localização privilegiada relativamente aos pólos de atracção mais fortes – Porto e Lisboa. O facto de se ir notando um certo decréscimo do emprego nas indústrias pode advir da crescente amplitude tecnológica que se vai instalando nas indústrias/empresas que se destacam no Concelho pelo número de postos de trabalho que gera. Também foi abordada a questão das actividades mais predominantes no Concelho e estas variam nas diferentes freguesias, mas impõem-se as actividades das indústrias alimentares e das bebidas, as indústrias de matérias plásticas e moldes, a indústria da madeira e de exploração. Estas actividades desenvolvem-se em espaços industriais em alguns casos, mas existe uma forte dispersão das actividades industriais no território concelhio. No entanto, esta dispersão vai depender também do tipo de indústrias predominantes, pois em alguns locais é clara a associação de actividades industriais que surgem a montante ou a jusante da indústria em questão. A dimensão das indústrias, de acordo com os dados obtidos, dá-nos a conhecer um Concelho coberto por muito pequenas e pequenas empresas, com uma ou outra a distinguir-se com maior número de pessoas ao serviço. As áreas e espaços industriais existentes têm vindo a ser ocupados, de forma lenta e por vezes desordenada, ao longo destes anos, notando um forte desenvolvimento nas áreas industriais com acessos privilegiados: ao longo da EN 109, junto à variante da Marinha Grande (Barosa), nos Pousos ( com a EN 113 e os acesso à A1 e à EN 1/IC2), a Cova das Faias com um loteamento industrial teve forte aceitação apesar dos valores e a zona junto ao Barracão. Podemos ter uma noção mais alargada da ocupação analisando as plantas de localização das áreas industriais e a respectiva ocupação em anexo. Em conclusão, Leiria é um Concelho que possui grandes potencialidades a nível económico e social, para ser considerado um forte pólo a nível industrial e de serviços, precisando, no entanto de dar mais importância ao desenvolvimento tecnológico, apoiando-se no facto de possuir um Instituto Politécnico em evolução. De resto, convém 67 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria focar que já vão existindo protocolos entre o instituto e a Câmara de Leiria, no sentido de desenvolver estudos sobre o Concelho e para o Concelho. 68 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Áreas industriais do plano existentes e propostas ( plano em vigor / revisão ) Metodologia de Análise Territorial Para termos noção da ocupação das áreas industriais do actual PDM, com vista a justificar alterações positivas ou negativas na revisão da Planta de Ordenamento do Plano, foram efectuadas visitas a todas as freguesias e respectivos espaços de uso industrial, com o objectivo de fazer um inventário das construções implantadas e, eventualmente, não registadas na cartografia utilizada ( 1994 ). Para o trabalho de inventário foram usadas plantas de trabalho sectoriais, à escala 1: 10 000 com cartografia e distinção das áreas de uso industrial do Plano em vigor. Recorreu-se também ao registo fotográfico para recolha de informação local e pequenas entrevistas de inquérito, ortofotomapas de 1999 serviram de guia mais actualizado. Do registo de campo, seguiu-se todo o trabalho gráfico digital de novas ocupações (pós 1994) e o cruzamento/análise dos respectivos processos de licenciamento camarários. A busca, muitas vezes de arquivo, remeteu-nos para indústrias, pavilhões, armazéns e respectivo cadastro. O inventário local ultrapassou os limites do polígono do uso industrial da Planta de Ordenamento e alargou-se a toda a freguesia (unidade de trabalho), até para perceber a disseminação real das indústrias neste território concelhio. O método indicou a distribuição territorial das actividades industriais: uma herança de dispersão e alguns casos de concentração, como nas freguesias de Ortigosa, Regueira de Pontes, Barosa e Pousos. Apresenta-se aqui o registo de ocupação das áreas industriais por freguesia. Caracterização das Áreas Industriais mais representativas ( de Norte para Sul do Território ) Monte Redondo A área industrial de Monte Redondo encontra-se com uma ocupação quase nula, evidenciando-se uma franja de pequena dimensão junto à EN 109 (eixo estruturante). A área industrial actual possui 184,15 ha dos quais apenas 1,13% (que representa 2.08 ha) está ocupado por indústrias ou armazéns de comércio. Toda a área sobrante está desocupada (vide fig. 3) e possui uma frente considerável para a estrada que liga Monte Redondo a Bajouca. Localiza-se na extremidade Norte do Concelho, tem a EN 109 a proporcionar-lhe acessibilidades, mas também será servida por um nó do futuro IC1 (A17) e abrangerá na sua totalidade cerca de 175 ha. Está em curso a operacionalização da zona industrial de Monte Redondo/Bajouca, processo que envolve o município, a Parque Invest e o Nerlei (Associação empresarial da Região de Leiria). De acordo com a estratégia de acção, traçado pelas equipas envolvidas na revisão do Plano, agrupar-se-ão três níveis de prioridades com perfis funcionais e finalidades empresariais distintas: um destes segmentos é o Parque Empresarial de Monte Redondo/Bajouca, que deverá ser projectado de modo a poder albergar empresas industriais de 69 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria grande dimensão, devendo para o efeito ser dotada de elevado nível de equipamentos, infra-estruturas e serviços de apoio às actividades empresariais designadamente aqueles relacionados com a gestão ambiental e energética. Este empreendimento deverá constituir a principal aposta de uma estratégia de atracção de IDE (Investimento Directo Estrangeiro) mas esta questão está ainda em estudo. Por um lado, os autarcas vêm a possibilidade de instalação de unidades industriais de origem exógenas com bons olhos e como um importante contributo para o processo de desenvolvimento local e uma fonte de conhecimento, capacidade e mais valias para os agentes locais. Por outro lado, alguns empresários consideram que a adopção de uma estratégia de investimento de grandes dimensões para Leiria colocaria em risco o equilíbrio frágil que actualmente se verifica no mercado da oferta e procura de mão de obra. Importa, no entanto, chamar à atenção para o facto de este impacto negativo no funcionamento do mercado de trabalho poder ser provocado pela instalação de grandes unidades empregadoras noutros Concelhos que exerçam uma força centrípeta em relação à mão de obra do local. Assim consideramos que a estratégia a adoptar em Leiria deverá passar pela captação de IDE de modo a que se contorne a possibilidade de fuga de mão de obra para outros Concelhos. 70 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 3. Zona Industrial de Monte Redondo / Bajouca –PDM em vigor 71 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 4. Zona Industrial de Monte Redondo – Estratégia Industrial - Fase 1 (estudo) 72 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 5. Zona Industrial de Monte Redondo – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 73 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Ortigosa A zona industrial da Ortigosa situa-se adjacente e ao longo da EN 109 e a sua vocação actual e atractividade sairá reforçada quando se concretizar a construção de um nó de acesso ao futuro IC1 (A 17). Da sua viabilização poderão resultar efeitos benéficos para absorver a excessiva concentração de construção industrial que se verifica actualmente na freguesia de Marrazes, atingida pela expansão da área urbana de Leiria. Acompanhada por outras áreas que adiante caracterizaremos, a área industrial da Ortigosa posiciona-se para reunir pequenas e médias empresas/indústrias que desfrutem de vantagens na sua proximidade ao centro da cidade e à bacia de emprego correspondente. A área industrial da Ortigosa tem vindo a ser ocupada ao longo deste últimos anos. A sua dimensão é de 59.92 ha dos quais apenas 19.77% estão ocupados, por diversos usos. É uma área industrial com boas características para a implantação de edificações dos vários sectores de economia. A (re)organização desta área era importante para poder viabilizar as opções projectadas no que se refere à instalação de novas indústrias, com a criação de novas e melhores infra-estruturas de apoio e frentes para aproveitamento do espaço de forma planeada e sustentada. Esta sugestão passa por estabelecer um contacto com os proprietários de modo a que percebam o que se pretende implantar e qual o seu objectivo no intuito de um projecto cooperativo que possa ter a promoção da câmara. Com a intervenção da equipa da revisão do PDM, verificamos que são feitas pequenas alterações de acerto e uniformização de perímetro com o intuito de afastar a área industrial do núcleo urbano que se encontra logo a Norte. (ver figura 6) 74 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 6. Zona Industrial da Ortigosa – Estratégia Industrial - Fase 1 (estudo) 75 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 7. Zona Industrial da Ortigosa – Estratégia final Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 76 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Regueira de Pontes A área industrial de Regueira de Pontes situa-se entre o aglomerado Urbano de Leiria (a Sul) e o núcleo urbano de Regueira de Pontes (a Norte), tendo como limite físico, a Oeste, a linha de caminho de ferro (Linha do Oeste). É dividida a meio pela EN 109, onde apresenta em ambos os lados áreas consolidadas de edificações acompanhada por uma forte promiscuidade de usos: habitacional, industrial e comercial. A área industrial de Regueira da Pontes possui 96 ha e a taxa de ocupação é de 21,9% ( ver quadro 11 ). Esta taxa é uma das que assume maior expressão comparada com as observadas nas áreas industriais descritas neste estudo. Da sua viabilização poderão resultar efeitos benéficos para absorver à semelhança da freguesia de Ortigosa, a excessiva concentração de uso Industrial que se verifica na freguesia de Marrazes, atingida pela expansão da área urbana de Leiria. Assim como outras áreas que adiante caracterizaremos, a área industrial de Regueira de Pontes posiciona-se para reunir pequenas e médias empresas/indústrias que desfrutem da vantagem da sua proximidade ao centro do Concelho ( Cidade ) e à bacia de emprego correspondente. É uma área industrial com boas características para a implantação de edificações dos vários sectores de economia. A organização desta área é importante para poder viabilizar as opções projectadas no que se refere à instalação de novas indústrias, com a criação de novas e melhores infra-estruturas de apoio e frentes para aproveitamento do espaço de forma planeada e sustentada. A desorganização e o caos de usos implantados obriga a um reordenamento de pormenor no intuito de melhorar as condições de vivência desses mesmos usos distintos, nomeadamente, indústria / habitação / armazém. A intervenção da equipa do PDM é quase nula nesta área, trata-se de pequenos acertos e uniformização do perímetro assim como a tentativa de proteger a área envolvente da zona industrial de forma a atenuar os impactes que possam advir das indústrias a instalar. 77 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 8. Zona Industrial de Regueira de Pontes – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 78 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 9. Zona Industrial de Regueira de Pontes – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de planta de Ordenamento 79 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Pousos A zona industrial dos Pousos posiciona-se numa área muito favorável em relação a uma das entradas da cidade, está em franco desenvolvimento e localiza-se junto ao nó de ligação da A1 ( único no Concelho ). A sua existência tem sido fundamental para conter a dispersão industrial das freguesias envolventes. Esta área posiciona-se para reunir pequenas e médias indústrias que desfrutem de vantagens na sua proximidade ao centro urbano e à bacia de emprego correspondente. À partida, as zonas industriais cuja criação ou ajuste estão previstos podem ser agrupadas em três níveis com perfis funcionais e finalidades distintos: A zona industrial dos Pousos insere-se no segmento de nível regional que caracteriza as zonas industriais cuja atractividade resulta do facto de beneficiarem de boas acessibilidades aos principais eixos viários Nacionais de atravessamento do Concelho e da sua proximidade a bacias de emprego importantes que se apoiam nos principais assentamentos populacionais e em zonas de maior concentração empresarial. Prevê-se que este nível ( II ) de empreendimentos reuna boas condições para a atracção de investimento de empresas de todo o país. Tem uma frente para a via de acesso à A1 (junto às portagens) e para a EN 113, que faz a ligação Leiria – Ourém – Tomar e ainda Fátima. Falamos de uma área de 111.55 ha dos quais apenas 37.01 ha estão considerados ocupados (representa uma taxa de ocupação de 33.18% do total da área); esta área já teve uma intervenção urbanística, tendo sido elaborado um loteamento industrial pela Junta de Freguesia (já com alguns anos) e que se encontra com todos os lotes ocupados. Nesta revisão do PDM propõe-se, retirar parte da área industrial em vigor (a Sul da EN 113) e sem qualquer ocupação significativa (existem outros usos); o ajuste de alguns pontos de pormenor junto à área industrial existente (redesenho) e prevê-se a criação de uma área de comércio e serviços articulada entre as freguesias de Pousos e Santa Eufémia, cujo objectivo será albergar estabelecimentos de cariz terciário (já existentes), beneficiando do facto de possuir frentes para a A1 e para a via que liga os Pousos a Santa Eufémia (expectativas de vistas a consolidar). (trama laranja a Este da zona industrial da fig. 10). 80 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 10. Zona Industrial de Pousos – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 81 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 11. Zona Industrial de Pousos – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 82 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Amor ( Coucinheira ) A área industrial de Amor, considerada de médio e longo prazo no PDM em vigor, situa-se no extremo do aglomerado de Amor, junto ao lugar da Coucinheira, adjacente ao Concelho de Marinha Grande e encontra-se actualmente com uma taxa de ocupação quase nula. A área definida no Plano actual possui 65,7 ha dos quais apenas 1.75 ha possuem ocupação de características industriais, o que corresponde a 2.66% do total da área. Esta ocupação ocorre junto à via principal que atravessa esta área industrial e que faz a ligação entre Amor e Marinha Grande. A análise e a ponderação de todos os indicadores e sobre a sua continuidade, a equipa concluiu que deverá existir uma alteração/ redesenho da área industrial existente (diminuição). Conclui-se que a área actual, a ser loteada, poderia perfazer 58 Lotes, o que, mesmo com carácter intermunicipal a ponderar ( proximidade da área industrial do Pilado – Marinha Grande ) é demasiado para as capacidades Industriais Locais. Analisando os mapas em anexo vemos que de uma área considerável (65.7 ha) para uso industrial propõe-se a continuidade de uma área menor, com frente para a Estrada Municipal 535 (assinalada a laranja na figura seguinte). O objectivo de assegurar esta área industrial nesta freguesia prende-se com o facto de, considerando a elevada heterogeneidade da procura, prever áreas que integram pequena indústria de âmbito local. Na tentativa de agrupar as áreas industriais em três níveis com perfis funcionais e finalidades distintos, Amor inclui-se no nível local ( Nível II ). As zonas industriais como Amor têm como finalidade principal dotar as freguesias com menor capacidade de atracção de investimento empresarial com instrumentos de ordenamento que permitam resolver problemas de localizações problemáticas e agrupar as unidades industriais locais, de modo a que se possam racionalizar as necessidades de investimento em equipamentos, infra-estruturas e gestão de serviços de apoio às actividades empresariais. Estas áreas desempenharão um papel fundamental de fixação de populações nas freguesias com dinâmicas demográficas menos favoráveis, proporcionando à população local condições de instalação de pequenas unidades de produção capazes de manter os níveis de actividade e de emprego necessários. Aqui, neste caso, a proximidade ao Concelho Industrial vizinho poderá a médio / longo prazo “ absorver “ alguma dessa “ energia empresarial “. Para tal terá que a freguesia oferecer condições atractivas de aproximação desses usos vizinhos. 83 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 12. Zona Industrial de Amor – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 84 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 13. Zona Industrial de Amor – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 85 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Colmeias ( Areias ) Esta área industrial situa-se a Norte do núcleo urbano de Vale da Raposeira entre Colmeias e Boa Vista, próxima do núcleo central da freguesia de Colmeias. Possui 27.50 ha de área dos quais 27.7% estão ocupados por estabelecimentos industriais ( ver inventário local ). Na nova proposta de revisão está previsto o seu redesenho por uma questão de uniformização de usos. Assim, propõe-se redesenhá-la e optimizá-la perfazendo uma área total de 28 ha: colmatou-se pré-existências e aproximou-se este uso à Auto estrada A1. No que se refere às acessibilidades, esta área industrial é atravessada pela via que liga a freguesia da Boa Vista às Colmeias, fica muito próxima da EN 1 e se for intervencionada poderá tirar partido do facto de possuir frente para a A1 (especulação de vistas). Na tentativa de classificar por prioridades e finalidades as zonas industriais, a área industrial das Areias enquadra-se nas de nível local (II) onde se incluem zonas como as: do Coimbrão, Carvide, Monte Real, Souto da Carpalhosa, Bidoeira de Cima, Colmeias, Amor, Caranguejeira, Azoia, Barreira, Cortes, Arrabal, Chainça Estes empreendimentos (zonas industriais de nível II) têm como finalidade principal dotar as freguesias com menor capacidade de atracção de investimento empresarial com instrumentos de ordenamento que permitam resolver problemas de localizações problemáticas e agrupar as unidades industriais locais, de modo a que se possam racionalizar as necessidades de investimento em equipamentos, infra-estruturas e gestão de serviços de apoio às actividades empresariais. Estes empreendimentos desempenharão um papel fundamental de fixação de populações nas freguesias com dinâmicas demográficas menos favoráveis, proporcionando à população local condições de instalação de pequenas unidades industriais capazes de manter os níveis de actividade e de emprego necessários ao equilíbrio do processo de desenvolvimento do Concelho de Leiria. Pretende-se deste modo criar uma oferta de localização empresarial flexível, variada e capaz de dar resposta às necessidades do tecido empresarial do Concelho e que permita abordar o mercado nacional e externo com um produto atractivo e competitivo. 86 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 14. Zona Industrial de Areias (Colmeias)- Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 87 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 15. Zona Industrial de Areias (Colmeias)- Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 88 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Barracão (Colmeias e Bidoeira de Cima) De acordo com a observação da figura abaixo indicada, encontramos dois grupos distintos de áreas industriais: uma área industrial transformadora ( IT ) e dois pólos de espaços de indústria extractiva ( IE ). Na área industrial extractiva a Oeste e a Este da auto-estrada A1 abundam as crateras resultantes da exploração de inertes, actividade económica muito importante nesta zona do Concelho, excepto algumas frentes junto à EN 1 e uma rua paralela a esta, onde existem armazéns industriais e de comércio. A área industrial transformadora encontra-se ocupada, principalmente por indústrias de betão e ferro, apesar de haver uma faixa ao longo da estrada n.º 349 por ocupar. Esta área industrial estende-se para além dos limites de freguesia da Bidoeira da Cima e no seu total tem uma área de 29.20 ha, com uma ocupação de 19.31% (ver esquema de Inventário Local ). A área que regista maior ocupação é a que se situa dentro da freguesia de Bidoeira de Cima e integra no seu espaço uma indústria ambiental de reciclagem de óleos (autovila), uma das poucas do país. O facto de predominarem as indústrias ligadas ao betão, fabricação de cimento, revestimentos e pavimentos industriais, está relacionado com a proximidade da matéria prima (explorações em Colmeias) e as acessibilidades, situam-se junto à EN 1 e com bons acessos à A1. É uma situação problemática aquela que diz respeito à concentração de estabelecimentos industriais situados na área que atrás designámos por “nebulosa” empresarial de Leiria, ou seja, o território situado na envolvente do troço nordeste da E.N. 1 (IC 2): parte das freguesias de Bidoeira, Colmeias, Boa Vista, Milagres e Santa Eufémia, onde são conhecidos os problemas de acessibilidade, conflitos de usos com os aglomerados populacionais, inexistência de infra-estruturas de suporte, problemas de ordem ambiental, etc. 89 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 16. Zona Industrial do Barracão (Colmeias/Bidoeira de Cima)- Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 90 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 17. Zona Industrial do Barracão (Colmeias/Bidoeira de Cima)- Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 91 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Cova das Faias Esta é uma das maiores zonas industriais existentes no Concelho, abrange várias freguesias e integra o Loteamento Industrial da Cova das Faias (ZICOFA), em processo de ocupação e que veio dinamizar e reestruturar esta área de situação privilegiada. O loteamento da ZICOFA ocupa apenas, 8.77% do total desta “ mega “ área industrial com 257.05 ha. É a freguesia de Marrazes que comporta a maioria dos seus limites. Na freguesia da Boa vista a área ocupada pela área industrial da Cova das Faias é de 12,19 ha, dos quais 5,36 ha estão preenchidos por indústria. Vai ocupar igualmente uma área de 27,70 ha na freguesia de Santa Eufémia dos quais 34,95% estão ocupados por indústrias e comércio, que se perfilam ao longo da EN 1/IC 2. A freguesia dos Pousos para além da grande área industrial que possui também encontra no seu território cerca de 32 ha desta área industrial da Cova das Faias, dos quais 35.5% está ocupada. A instalação destes estabelecimentos é muito recente e trata-se sobretudo de situações de deslocalização de empresas. O restante da área industrial que se encontra na freguesia de Marrazes encontra-se com uma percentagem de ocupação razoável, destacando-se a parte que se encontra a sul da EN 1, praticamente ocupada na sua totalidade por indústria e estabelecimentos comerciais que têm como aliado as frentes para a EN 1, logo maior visibilidade e promoção. Na parte existente a Norte da EN 1, existe ainda uma grande área a ocupar, evidenciando-se a ocupação das principais frentes para as vias de acesso. Seria pertinente torná-la numa área de localização empresarial, devido à sua localização: junto à EN 1 e aos acessos à A1 e à A8, regulamentando a natureza das actividades já instaladas, e as futuras. Esta área está sujeita a uma forte pressão da procura e às tendências especulativas do mercado para localizações empresariais. Pôde ser constatado que, aquando da hasta pública para a venda de parcelas da Zona Industrial da Cova das Faias (ZICOFA) foram lançados no mercado, disponíveis para comercialização, 33 lotes infra-estruturados, cujos preços chegaram a superar os 95€/m2. Este factor especulativo traça um cenário preocupante: as empresas muitas vezes têm necessidade de deslocalizar as suas unidades produtivas para fora do Concelho, para locais onde possam cumprir as exigências de funcionamento actuais, designadamente em regiões com estratégias mais agressivas de atracção de investimento empresarial e onde os preços do solo para aquele efeito são muito mais atractivos do que os praticados neste Concelho. Deste modo, o confronto entre uma oferta manifestamente escassa e uma forte procura, conferem ao mercado de terrenos para fins industriais um bom nível de atractividade para os investidores privados que se queiram “ lançar “ na promoção e comercialização de espaços para a localização industrial. Importa que sejam definidas regras, estabelecidos limites e definidas estratégias de actuação que articulem a acção da administração e dos agentes privados e que permitam por um lado resolver o problema da falta de soluções de localização para a indústria, e por outro evitar que se verifiquem fenómenos especulativos que coloquem os preços do solo a um nível incomportável para a indústria. 92 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Nos últimos anos o Município lançou a 1ª fase da zona industrial da Cova das Faias (ZICOFA), na freguesia de Marrazes, pondo à venda 33 lotes, com áreas compreendidas entre 1.500 m2 e 13.500 m2. A conjuntura de mercado, acessibilidade e proximidade à área urbana de Leiria, conjugaram-se para atrair empresas de cariz terciário que absorveram rapidamente os lotes disponíveis. A sua venda em hasta pública rapidamente atingiu valores/m2 que dissuadiram a aquisição para fins industriais. 93 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 18. Zona Industrial de Cova das Faias – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 94 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 19. Zona Industrial da Cova das Faias - Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 95 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Caranguejeira A área industrial da Caranguejeira em questão encontra-se junto ao aglomerado principal da Vila. Esta freguesia possui um número significativo de empresas industriais dispersas pelos perímetros urbanos. As empresas com necessidade de deslocalização têm grande aversão à possibilidade de mudarem as suas instalações para áreas distintas à sua localização actual. Este factor aponta para a necessidade de existir uma solução para as empresas, que estando em situação de incumprimento da legislação actual, têm necessidade de deslocalizar a sua actividade para zonas onde seja permitida a sua laboração e possível ampliação. Esta freguesia possui um grande número de indicadores de unidade industrial existente e duas áreas industriais de dimensão considerável: a área industrial de Grinde (mais à frente caracterizada) e a da Caranguejeira ( 20.29 ha ) limitada pela ER 350 e com apenas 0.3 ha ocupados.(taxa de ocupação de 1.47%) Na revisão do PDM, propõe-se o desaparecimento da área industrial de Grinde e reajuste na área industrial da Caranguejeira propondo a expansão até à ER 350 e a redução de uma parte até um caminho existente. A primeira, de Grinde, é uma área mal colocada no território uma vez que se situa a Norte do Núcleo Urbano de Grinde, sendo os ventos dominantes deste Concelho aqui penalizadores ( Norte / Noroeste ). Sem qualquer ocupação deste a entrada em vigor do Plano e com uma topografia difícil, é uma zona conclusivamente sem pretensão a ser Industrial. Numa visita feita a esta área constatamos que apenas possui uma vacaria que ocupa sensivelmente 0.64% da área total ( 42.47 ha ). De acordo com a proposta da equipa a área industrial da Caranguejeira enquadra-se nas áreas de nível local (II) onde também se incluem as Zonas Indústrias de Coimbrão, Carvide, Monte Real, Souto da Carpalhosa, Bidoeira de Cima, Colmeias, Boa Vista, Milagres, Amor, Memória, Parceiros, Azoia, Barreira, Cortes, Arrabal, Chainça e Santa Catarina da Serra. Estes empreendimentos têm como finalidade principal dotar as freguesias com menor capacidade de atracção de investimento empresarial com instrumentos de ordenamento que permitam resolver problemas de localizações problemáticas e agrupar as unidades industriais locais, de modo a que se possam racionalizar as necessidades de investimento em equipamentos, infra-estruturas e gestão de serviços de apoio às actividades empresariais. Estes empreendimentos desempenharão um papel fundamental de fixação de populações nas freguesias com dinâmicas demográficas menos favoráveis, proporcionando à população local condições de instalação de pequenas unidades industriais capazes de manter os níveis de actividade e de emprego necessários ao equilíbrio do processo de desenvolvimento do Concelho de Leiria. Pretende-se deste modo criar uma oferta de localização empresarial flexível, variada e capaz de dar resposta às necessidades do tecido empresarial do Concelho e que permita abordar o mercado nacional e externo com um produto atractivo e competitivo. Esta área agora ajustada a Sul à ER 350 permitirá obter 6 lotes, o que se julga suficiente para esta freguesia – vila. A opção de manter só uma área é por critério à gestão de recursos a um eventual loteamento Industrial. 96 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 20. Zona Industrial de Caranguejeira – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 97 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 21. Zona Industrial de Caranguejeira - Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 98 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Barosa A área industrial da Barosa situa-se numa zona altamente especulada. Encontra-se em franco desenvolvimento, fruto da sua localização privilegiada em relação aos recentes acessos à A8, sendo a sua existência fundamental para conter a dispersão industrial nas respectivas freguesias que integram o quadrante sudoeste do concelho. Esta área posiciona-se para reunir largo espectro de empresas que desfrutem das vantagens da sua proximidade ao centro urbano, à bacia de emprego correspondente e localiza-se no importante e já referenciado eixo Leiria/Marinha Grande. A zona industrial da Barosa insere-se no patamar regional (nível II) que caracterizará as zonas industriais cuja atractividade resulta do facto de beneficiarem de boas acessibilidades aos principais eixos viários de atravessamento do Concelho e da sua proximidade a bacias de emprego importantes que se apoiam nos principais assentamentos populacionais. Prevê-se que este nível II, considerado pela Câmara, prioritário, reuna de futuro boas condições para a atracção de investimento de empresas de toda a região ou país. Actualmente a área industrial da Barosa possui 101 ha dos quais apenas 13.51ha estão ocupados por estabelecimentos industriais. Pela análise do mapa em anexo (Inventário Local) deparámo-nos com uma área industrial de certa forma consolidada, principalmente na parte confinante com a variante e ao longo da EN 242. Foi promovida, em 1999, pela Junta de Freguesia, a realização de um loteamento, numa pequena parte da zona industrial: de dimensões reduzidas (cerca de 12 lotes), encontra-se praticamente ocupado, por indústrias ligeiras. Para colmatar o loteamento industrial existente, a equipa da revisão do PDM de Leiria propõe novas áreas a Norte da área industrial existente (ver figura). Ao mesmo tempo propõe a manutenção dos corredores de drenagem natural de linhas de água, desafectando-se o uso industrial, propondo espaços de desafogo. Este espaço já alberga muitas indústrias importantes e geradoras de mais valias para a freguesia, Concelho e região: indústrias que integram mais de 500 trabalhadores. Para além desta área industrial a redefinir, está prevista a criação ou reclassificação de novas áreas de usos diferentes: uma área de comércio e serviços localizada a poente do aglomerado da Barosa, e ao longo da Variante englobando empresas já existentes de características mais comerciais. Para sudoeste do aglomerado da Barosa, a equipa propõe a (re)criação de uma área direccionada para a indústria ambiental que poderá ser encarada como um espaço de infra-estruturas que se encontra inserida junto ao nó de ligação de A8 e nas imediações da Linha do Oeste (caminho de ferro) e colmatará dois usos pré-existentes: aterro sanitário e sucata, num perímetro de 98.64 ha. Aí já estão instaladas duas empresas importantes para a região: a Valorlis, sistema multinacional de recolha de recicláveis e gestão do aterro sanitário de valorização e tratamento de resíduos sólidos urbanos, tendo uma necessidade de expansão de carácter Intermunicipal programada a curto e médio prazo de 25 ha e a Resilei, entidade gestora do aterro de resíduos indústrias não perigosos. Esta área será considerada prioritária para a deslocalização de sucatas da cidade de Leiria e a ampliação da Valorlis. Em forma de conclusão, o que actualmente consideramos a área industrial da Barosa irá sofrer alterações previstas em sede de revisão do PDM, alterações estas que visam o ajuste de diversas situações: a mudança de uso em parte 99 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria da área adjacente à variante, enquadrando usos “montra” de comércio e serviços, assim como o reajuste e ampliação da área existente para Área de Infra-estruturas para sudoeste já na intersecção das freguesias de Maceira e Parceiros, utilizando limites físicos para o novo polígono: A8, Estrada Municipal e linha de água. 100 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 22. Zona Industrial de Barosa e Área de infra-estruturas a programar – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 101 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 23. Zona Industrial de Barosa e Área de Infra-estruturas a programar – Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 102 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Maceira A freguesia da Maceira é conhecida pelo elevado número de empresas, realçando o peso industrial desta área territorial. As actividades na área dos moldes, a que se junta o fabrico de cimento e a exploração de inertes, representam sectores de grande importância no contexto económico e têm contribuído para o desenvolvimento sustentado da freguesia e área envolvente. É um espaço industrial muito complexo pela sua especificidade, existindo também aqui dois tipos de uso industrial: uma área bem distinta de indústria transformadora (IT) junto ao núcleo da Cerca com uma área de 41.69 ha dos quais 3.13 ha estão ocupados: Deparamo-nos com a forte ocupação da frente industrial com a via existente (EN 356) (ver figura 24 a verde) e uma grande área com acessos difíceis ou quase inexistentes e sem qualquer implantação. A outra “mega” área industrial tem 350.04 ha e conjuga as duas funções, a extractiva e a transformadora. A indústria extractiva (IE) marcada é composta por unidades de exploração de inertes e respectivas “crateras” resultantes da exploração: aí se encontram a CMP (Cimentos de Portugal) e a Secil Martingança, porém, também se regista a existência de outros usos misturados, como estabelecimentos de indústria transformadora, comércio e até habitação. A indústria extractiva distribui-se, sobretudo, para Este e Sul da EN 356. Para Oeste encontramos a indústria transformadora que representa 96.47 há da área acima mencionada É limitada a Este pela EN 356 e a Oeste por um vale com uma linha de água: apenas 8.53 ha estão ocupados por edificado e esta ocupação acontece igualmente numa franja ao longo da via principal. A localização industrial neste quadrante sudoeste do território concelhio está obviamente relacionada com as acessibilidades tradicionais e a proximidade ao Concelho da Marinha Grande, centro industrial de grande importância na região. Os novos acessos à A8 (a vermelho na figura 24) permitem antever a continuidade de uma dinâmica muito intensa. É a maior extensão com fins exclusivamente industriais, não esquecendo contudo que abarca a vasta área da cimenteira (CMP). Esta região, de modo semelhante ao que acontece na freguesia de Colmeias sofre do problema paisagístico das “crateras” criadas pela extracção de inertes e, frequentemente, deixadas ao abandono e muito próximas de outros usos. A solução dos problemas ambientais decorrentes de unidades extractivas, em funcionamento ou desactivadas, ou ainda, da proliferação de negócios de sucatas, deverá ser encarada em qualquer estratégia que venha a ser seguida, a médio e longo prazos, de forma a mudar a situação actual e a percepção dos investidores em relação aos aspectos relacionados com a gestão ambiental da região, sob pena de comprometer a atractividade de Leiria face ao investimento produtivo. A zona industrial da Maceira insere-se no nível regional (nível I) cuja atractividade resulta do facto de beneficiar de boas acessibilidades aos principais eixos viários de atravessamento do Concelho e da sua proximidade a bacias de emprego importantes que se apoiam nos principais assentamentos populacionais e em zonas de maior concentração empresarial. 103 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria A sua dimensão e dotação de equipamentos, infra-estruturas e serviços de apoio deverá ser capaz de dar resposta às necessidades de instalação de novas empresas e de deslocalização de unidades produtivas com necessidade de expansão ou de localização problemática motivada por questões ambientais, energéticas ou de conflito com usos habitacionais. No quadro da revisão do PDM, prevê-se a alteração de alguns pontos da área existente, mas de pequena importância, tratam-se de pequenos ajustes, acertos com a realidade no que se refere aos usos. Para além destes pequenos acertos de pormenor, propõe-se a redução de alguns espaços industriais e a criação de novas áreas industriais que possam usufruir de todas as vantagens pelo facto de se encontrarem junto a um novo ponto de acessibilidade importante (A8), assim como à dinâmica que a Marinha Grande introduz no carácter económico. 104 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 24. Zona Industrial de Maceira – Estratégia Industrial – Fase 1 (estudo) 105 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Figura 25. Zona Industrial de Maceira - Estratégia Industrial Fase 2 – Proposta de Planta de Ordenamento 106 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Fig.26 – Zonas Industriais do quadrante sudoeste do Concelho de Leiria: Barosa, Parceiros, Azóia e Maceira 107 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Estratégias para o Plano De toda a análise e considerações até agora expostas e em parceria com uma equipa de trabalho, a Eurisko, foi traçado um plano de acção que irá de certo modo traçar orientações e estratégias de implementação das acções. A implementação do conjunto das propostas do PDM em vigor, e aquelas que decorrerão da revisão em curso, exigirão um esforço técnico e financeiro consideráveis, que é impossível que venham a ser assumidos exclusivamente pelo orçamento da Autarquia. Assim, o envolvimento dos agentes privados é incontornável para que se consiga dar uma resposta capaz às necessidades de localização industrial do Concelho num prazo aceitável. Em nosso entender, e salvo melhor opinião, o problema não está na quantidade e diversidade das propostas actuais. Consideramos mesmo que esta é uma orientação correcta e de grande flexibilidade e um significativo passo em frente na situação actual, mesmo no que respeita aos problemas ambientais, até porque a aposta em soluções concentradas, de grande dimensão, tem vindo a revelar mais efeitos negativos que positivos em termos de sobrevivência funcional de qualidade. Refira-se ainda que as empresas e entidades representativas do tecido empresarial e dos movimentos associativos auscultados em trabalho de campo, manifestaram uma clara preferência por um modelo disperso de empreendimentos de acolhimento de actividades empresariais, de modo a que as empresas tenham possibilidade de optar por localizações próximas às bacias de emprego ancoradas aos principais aglomerados populacionais, de modo a, no contexto actual de escassez de oferta de mão-de-obra, salvaguardar dificuldades de recrutamento de pessoal e de absentismo. Ainda em relação a este aspecto concreto, importa que se retirem ensinamentos da experiência recente da colocação no mercado dos lotes da Zona Industrial da Cova das Faias (ZICOFA) e que se evitem os processos especulativos que colocam os preços a níveis incomportáveis para a indústria transformadora. Deste modo, a estratégia de acção deverá passar pela “colocação” no mercado de diversas alternativas concorrenciais para a localização empresarial, de forma a equilibrar o actual défice da oferta face à procura, ao mesmo tempo que se evita o surgimento de movimentos especulativos.(ver mapas à frente apresentados) O Parque Empresarial de Monte Redondo/ Bajouca, que deverá ser dimensionada de modo a poder albergar empresas industriais de grande dimensão, devendo para o efeito ser dotada de elevado nível de equipamentos, infraestruturas e serviços de apoio às actividades empresariais, designadamente aqueles relacionados com a gestão ambiental e energética. Este empreendimento deverá constituir a principal aposta de uma estratégia de atracção de Investimento Directo Estrangeiro (IDE), embora esta questão seja alvo de opiniões díspares por parte dos agentes locais. Ao longo do trabalho foi possível constatar que a desejabilidade de adopção de uma estratégia de atracção IDE não reúne um consenso entre as entidades contactadas, sendo de destacar duas visões distintas para esta questão: Por um lado, a maioria dos autarcas vêem a possibilidade de instalação de unidades industriais de origem exógenas com bons olhos e como um importante contributo para o processo de desenvolvimento local e uma fonte de conhecimento, capacidade e de mais valias para os agentes locais. Por outro lado, alguns dos empresários 108 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria contactados aquando da realização do trabalho de campo consideram que a adopção de uma estratégia de atracção de investimento de grandes unidades produtivas para Leiria colocaria em xeque o equilíbrio instável que actualmente se verifica no mercado da oferta e procura de mão-de-obra em Leiria; à luz desta perspectiva, a instalação no Concelho de empresas com grande capacidade empregadora, induziria um aumento da procura de mão-de-obra e das dificuldades de recrutamento por parte do tecido empresarial, facto que se reflectiria em intensificação das pressões inflacionistas sobre a massa salarial e consequentemente na competitividade do tecido produtivo actualmente instalado. Importa, no entanto, chamar a atenção para o facto de este impacto negativo no funcionamento do mercado de trabalho poder ser provocado pela instalação de grandes unidades empregadoras noutros Concelhos que exerçam uma força centrípeta em relação à mão-de-obra local. Neste quadro e considerando o esforço que os Concelhos limítrofes têm feito no sentido de captar investimento produtivo, consideramos que a estratégia a adoptar em Leiria deverá passar pela captação de IDE de modo a que se contorne a possibilidade de fuga de mão-de-obra para outros concelhos. A um nível mais local inserem-se as áreas industriais de Coimbrão, Carvide, Monte Real, Souto da Carpalhosa, Bidoeira de Cima, Colmeias (Areias), Amor, Caranguejeira, Azoia, Barreira, Cortes, Arrabal. Estes espaços têm como finalidade principal dotar as freguesias com menor capacidade de atracção de investimento empresarial com instrumentos de ordenamento que permitam resolver problemas de localizações problemáticas e agrupar as unidades industriais locais (pequenas e médias indústrias), de modo a que se possam racionalizar as necessidades de investimento em equipamentos, infra-estruturas e gestão de serviços de apoio às actividades empresariais. Estes empreendimentos desempenharão um papel fundamental de fixação de populações nas freguesias com dinâmicas demográficas menos favoráveis, proporcionando à população local condições de instalação de pequenas unidades industriais capazes de manter os níveis de actividade e de emprego necessários ao equilíbrio do processo de desenvolvimento do Concelho de Leiria. Deve destacar-se o esforço que a proposta faz no sentido de ajustar a demarcação das zonas industriais, no sentido de combater a dispersão actual tal como estava consignada no Plano Director Municipal em vigor, eliminando de forma significativa dezenas de pequenas áreas que polvilham o concelho e limitando as áreas a manter ao estritamente necessário para dar resposta às solicitação locais. Pretende-se, deste modo, criar uma oferta de localização empresarial flexível, variada e capaz de dar resposta às necessidades do tecido empresarial do Concelho e que permita abordar o mercado nacional e externo com um produto atractivo e competitivo. No entanto, a maior questão que se levanta à orientação traçada está na capacidade da sua implementação coordenada, sistemática e em prazos compatíveis com a urgência dos problemas. Uma actuação titubeante ou excessivamente focalizada num ou noutro caso, poderá não conduzir a bons resultados ou a repetir erros de trajectória. Nestes termos, a opinião é de que é na estratégia de implementação que se trava a batalha decisiva. Como afirmámos no princípio não poderíamos deixar de abordar esta vertente. 109 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Traçamos à partida um quadro de referência a ter em conta como pano de fundo da orientação a seguir. Essa orientação deverá cumprir os seguintes critérios: 1) estabelecer um prazo coincidente com o prazo de vigência do PDM em elaboração, para assegurar condições infraestruturais ao conjunto das indústrias existentes e com margem para um crescimento pelo menos de acordo com o ritmo conhecido dos últimos 10 anos, 2) a prioridade na implementação deve ter em conta: i) a capacidade das áreas escolhidas se constituírem como alternativa às localizações industriais que produzem neste momento situações de maior conflito com as vizinhanças, ii) a capacidade de atracção de investidores para o negócio da construção e promoção de espaços para localização empresarial e de investimentos produtivos que potenciem a modernização da base tecnológica do tecido industrial existente e, por último, mas não menos importante, iii) a rapidez no processo da sua entrada em serviço, 3) envolver os agentes privados e as juntas de freguesia nos processos de criação, construção, promoção e comercialização de espaços para localização industrial, sempre que possível e dentro de limites a estabelecer, de modo a que não se gerem fenómenos de especulação imobiliária que motivem a fuga dos investimentos produtivos para Concelhos com políticas de localização empresarial mais atractivas para as empresas. 4) solucionar no mesmo prazo ou, preferentemente, num prazo ainda mais curto, os graves problemas ambientais detectados: nomeadamente os problemas decorrentes da recolha e tratamento dos resíduos industriais, o problema dos depósitos de sucatas e o problema gravíssimo dos resíduos provenientes das suiniculturas e aviários; em relação a este aspecto é fundamental que qualquer solução que venha a ser adoptada seja articulada com a equipa de especialistas da SIMLIS (Saneamento Integrado dos Municípios do Lis), que se assume como a entidade que reúne a capacidade técnica, a experiência, o conhecimento integrado dos problemas ambientais do Concelho e das implicações, vantagens e desvantagens das diferentes soluções possíveis para os mesmos; 5) criar no mesmo período as estruturas que articulem o Concelho com o exterior, nomeadamente um centro empresarial de grande visibilidade, de marcado carácter simbólico dedicado a sediar o conjunto de actividades que permitam projectar a imagem económica do Concelho, reunindo os actores que exprimem as diferentes facetas económicas do Concelho e, eventualmente, da região, já que Leiria é sede de distrito. Assumindo estes como os pressupostos de base da política de ordenamento e atracção de actividades empresariais a adoptar em Leiria, consideramos que os passos a seguir na intervenção deverão ser os seguintes: 1. Constituição de uma empresa de capitais maioritariamente municipais com os seguintes objectivos: 110 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria • Representar a autarquia nas sociedades que venham a ser constituídas para a construção, promoção e gestão de empreendimentos de acolhimento de actividades empresariais; • Centralizar as responsabilidades da autarquia e a interlocução com investidores e empresários em todos os assuntos relacionados com os espaços de localização empresarial do Concelho e com a instrução de processos de licenciamento; • Promover o Concelho enquanto destino potencial de investimento empresarial em Portugal e no exterior, designadamente através da recém criada API; • Definir uma estratégia de ordenamento das actividades empresariais e de atracção de investimento produtivo para o Concelho; • Representar o Concelho junto de organismos e instituições em assuntos relacionados com a localização empresarial e atracção de investimento; O modelo a adoptar deverá privilegiar a capacidade técnica e a flexibilidade, de modo a que a estrutura de gestão tenha capacidade de adaptação às necessidades e particularidades dos processos de criação e promoção de cada empreendimento e do Concelho como um todo, garantindo-se ao mesmo tempo a celeridade e eficiência de actuação. 2. Promoção da realização dos projectos e estudos de viabilidade económico-financeiros para os diversos empreendimentos destinados à sua apresentação a potenciais investidores. A empresa municipal deverá criar para cada empreendimento um pacote destinado à apresentação a potenciais investidores que possam estar interessados em assumir parte do capital das respectivas sociedades gestoras de cada um dos empreendimentos. Os preços de venda dos terrenos para localização industrial deverão ser determinados à partida, garantindo-se o retorno do investimento para os investidores ao mesmo tempo em que se evita o surgimento de movimentos especulativos que disparem os preços praticados para níveis incomportáveis para as empresas industriais. Nesta fase é fundamental a articulação com o Nerlei (Associação empresarial da Região de Leiria) e outras associações representativas do tecido empresarial capazes de sensibilizar e mobilizar os investidores privados. Outro parceiro chave neste processo são as juntas de freguesia, que deverão assumir responsabilidades na promoção dos seus empreendimentos, designadamente junto de investidores locais mais sensíveis aos problemas das suas freguesias e empresas com interesse em vir a ocupar espaços nos empreendimentos. 3. Constituição de sociedades para cada um dos espaços de localização empresarial. O trabalho a desenvolver junto de investidores permitirá identificar um conjunto de empreendimentos com capacidade de atracção de agentes privados podendo deste modo aliviar as necessidades de investimento por parte da autarquia na construção e 111 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria promoção dos mesmos e consequentemente acelerar o processo de resolução dos problemas do Concelho nesta área. O passo seguinte deverá ser a constituição de sociedades gestoras para os empreendimentos, sendo fundamental, por uma variada ordem de factores, a participação da Câmara Municipal através da empresa municipal constituída: • Liderança no lançamento do processo de construção dos empreendimentos; • Visão estratégica integrada das questões relacionadas com a localização empresarial e com a atracção de investimento para o Concelho; • Emprestar credibilidade ao processo e à actividade da sociedade; • Facilitação e celeridade de instrução de processos e licenciamentos; • Eventual necessidade de aplicação de medidas excepcionais; Estes aspectos poderão ser salvaguardados sem que para o efeito haja necessidade de assumir participações importantes no capital de cada uma das sociedades por parte da empresa municipal. Deste modo, e sempre que os projectos sejam capazes de atrair o interesse dos investidores privados, é desejável que a empresa municipal detenha participações mínimas nas sociedades gestoras, de modo a que os recursos necessariamente escassos da autarquia possam ser orientados para os projectos que apesar de serem menos atractivos para o sector privado, são fundamentais para o equilíbrio de uma política de ordenamento das actividades empresariais do Concelho e eventualmente menos exigentes sob o ponto de vista das necessidades de investimento. Esta metodologia permitirá que o maior esforço de investimento por parte da autarquia se concentre nos empreendimentos que à partida reúnem menores condições de atracção de investimento empresarial – Nível Local. 4. Aquisição de terrenos e construção dos empreendimentos Estando constituídas as sociedades para cada um dos empreendimentos dar-se-á início ao processo de negociação com os proprietários dos terrenos. Previsivelmente, nesta fase surgirão problemas uma vez que é muito difícil que se gerem consensos em relação à intenções e preços de alienação da propriedade. Nesta altura e dada a sua proximidade às necessidades e preocupações das populações locais, as juntas de freguesia deverão desempenhar um papel chave na apresentação dos projectos, na negociação dos terrenos e na catalisação de consensos. No entanto é previsível que haja proprietários que se mostrem avessos à possibilidade de venda dos terrenos. Nestas situações é importante seja dada a possibilidade aos proprietários de participarem nas sociedades gestoras numa parte de capital proporcional ao valor das suas parcelas no conjunto de empreendimento em causa. Para o efeito a empresa municipal deverá ceder partes da sua participação nas sociedades aos proprietários que venham a manifestar interesse numa solução deste tipo. Adquiridos os terrenos poder-se-á avançar para a construção dos loteamentos. 5. Promoção e gestão É desejável que a promoção dos empreendimentos comece antes da sua finalização de modo a que a sua actividade dê início o mais breve possível e de forma a evitar a fuga para outros Concelhos das empresas que actualmente procuram solução para as suas necessidades de expansão ou deslocalização. 112 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Cada sociedade deverá assumir responsabilidades na promoção dos seus empreendimentos, cabendo à empresa municipal a responsabilidade de promover a rede de parques empresariais de Leiria junto do mercado nacional e no exterior mediante a implementação de uma estratégia integrada definida para todo o Concelho. Em relação à gestão dos empreendimentos, a experiência que se tem verificado um pouco por todo o país aponta para a desejabilidade da implementação de um sistema de tipo condominial em que cada empresa paga mensalmente uma taxa de condomínio correspondente à prestação de um pacote de serviços relacionados com a manutenção dos espaços comuns, das infra-estruturas, da segurança e de outros serviços que possam vir a reunir o consenso dos ocupantes. 113 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Nota Conclusiva O conhecimento acumulado ao longo do período em que o presente trabalho se desenvolveu permitiu constatar a presença e actividade de um tecido empresarial dinâmico, pujante, com capacidade de iniciativa e de adaptação à evolução do mercado que o tornam um dos mais competitivos do país. A velocidade de expansão e de crescimento das actividades empresariais não foi acompanhada pelo investimento em equipamentos e infra-estruturas e pela criação de instrumentos de ordenamento das actividades empresariais que seriam desejáveis para o desenvolvimento sustentado do Concelho. Estes aspectos levaram a uma situação preocupante de escassez da oferta de espaços preparados para acolhimento das actividades industriais que entravam a expansão das actividades produtivas. Ao mesmo tempo deram lugar ao surgimento e consolidação de situações graves ao nível do ordenamento ( conflito entre usos ) e ao nível da gestão ambiental e energética do espaço do Concelho. Apesar destes factores, os políticos, os agentes económicos e os actores do desenvolvimento local estão, de uma forma geral, conscientes da situação e estão mobilizados para a sua resolução. Importa agora mobilizar os recursos humanos, económicos e financeiros Concelhios num processo integrado de articulação entre o público e o privado que coloque no terreno as orientações delineadas e dê uma resposta capaz aos problemas actuais e que esteja à altura do tecido empresarial do Concelho. 114 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Quadro 12. Espaços e áreas industriais em vigor e ocupação (2003) FREGUESIA Amor ÁREAS INDUSTRIAIS EM VIGOR LOCALIZAÇÃO Tipo Área Total(ha) Coucinheira Ind 65,68 Azoia Ind 9,34 Área Lote(ha)* 26,27 Nº Lote** 58 Ocupação(ha) 1,75 Arrabal Azoia 5,75 Bajouca Barosa Barosa Ind 83,61 33,44 74 10,97 Sul da Variante Ind 12,71 5,08 11 2,54 Barracão Ind 29,20 11,68 26 5,64 Boa Vista Cova das Faias Ind 12,19 4,88 11 5,36 Caranguejeira Grinde Ind 42,47 16,99 38 0,27 caranguejeira Ind 20,29 8,12 18 0,03 Barreira Bidoeira de Cima/ Colmeias Carreira Carvide * Área Lote = Área Total x 0,4 ** Nº Lote = Área Lote/4500 ( área média lote ) 115 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Quadro 12. Espaços e áreas industriais em vigor e ocupação (2003) - continuação ÁREAS INDUSTRIAIS EM VIGOR FREGUESIA LOCALIZAÇÃO Tipo Área Total(ha) Área Lote(ha)* NºLote** Ocupação( ha) Ind Chaínça Coimbrão Colmeias Areias 27,50 11,00 24 7,62 Maceira/Cerca (industria extractiva) Ind 350.04/ 96.47 38,59 86 8,53 Cerca Ind 41,69 16,68 37 3,13 Monte Redondo Monte Redondo Ind 184,15 73,66 163 2,08 Ortigosa Ortigosa () Ind 56,46 22,58 50 Barracão (Industria extractiva) Cortes Maceira Memória Milagres Monte Real Parceiros () Proposta para reduzir a área industrial em 14,18ha - 13 lotes * Área Lote = Área Total x 0,4 ** Nº Lote = Área Lote/4500 ( área média lote ) 116 11,16 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Quadro 12. Espaços e áreas industriais em vigor e ocupação (2003) - continuação FREGUESIA Pousos Regueira de Pontes ÁREAS INDUSTRIAIS EM VIGOR LOCALIZAÇÃO Tipo Área Total(ha) Área Lota(ha)* NºLote** Ocupação(ha) Cova das Faias Ind 32,00 12,80 28 11,35 Pousos() Ind 111,55 4,60 10 37,01 Regueira de Ponte Ind 95,74 38,30 85 21,00 Chãs () Ind 13,17 5,27 12 2,11 Cova das Faias Ind 27,70 Santa Catarina da Serra Santa Eufémia Souto da Carpalhosa Nota: Colmeias / Bidoeira / Milagres / Santa Eufémia Possibilidade de um nó da Auto - Estrada A1 Plano Director ou Estratégico Esquemas de Orientações Loteamento Industrial - alinhamentos - estudo de tráfego IEP p. ex. para IC2 Recuperação dos buracos da Ind. Extractiva Caranguejeira / Stª Catarina / Arrabal Colmeias / Boa vista / Memória () Proposta para área mista contemplando uma redução de área * Área Lote = Área Total x 0,4 ** Nº Lote = Área Lote/4500 ( área média lote ) Fonte: Gabinete do PDM 117 9,68 Plano Director Municipal Caracterização Industrial do Concelho de Leiria Anexos (ver pasta com a designação “anexos”) 118